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Numero do processo: 10630.902486/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COFINS. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA. POSSIBILIDADE.
Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matéria-prima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda.
COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda.
COFINS/PIS. CRÉDITOS. VINCULAÇÃO AO PROCESSO PRODUTIVO.
Pode se apropriar de créditos do PIS/Cofins em relação aos insumos diretamente ligados e correlacionados ao processo produtivo, nos termos das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditário Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Fábia Regina Freitas, que proviam o recurso em maior extensão. Designado redator o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso - Relator
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fabia Regina Freitas, Maria Teresa Martinez Lopes e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIAPRIMA. POSSIBILIDADE. Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matériaprima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda. COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. COFINS/PIS. CRÉDITOS. VINCULAÇÃO AO PROCESSO PRODUTIVO. Pode se apropriar de créditos do PIS/Cofins em relação aos insumos diretamente ligados e correlacionados ao processo produtivo, nos termos das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditário Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 24 86 /2 01 1- 11 Fl. 948DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 949 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Fábia Regina Freitas, que proviam o recurso em maior extensão. Designado redator o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente justificadamente a conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal (redator), Fabia Regina Freitas, Maria Teresa Martinez Lopes e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 949DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 950 3 Relatório Cuidase de recurso em face da decisão da DRJ de Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente a manifestação e inconformidade, indeferindo o pedido de ressarcimento de créditos da Cofins, relativos ao período de apuração do primeiro trimestre de 2008, em razão da glosa dos créditos apurados na sistemática da nãocumulatividade, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Somente gera direito ao crédito da contribuição nãocumulativa a aquisição de bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa vedação legal, não incide correção monetária e juros sobre créditos de COFINS objeto de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Segundo a interpretação da decisão recorrida, o termo insumo não pode ser interpretado como toda e qualquer aquisição da empresa, mas somente aqueles bens que sejam diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto (e que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação) ou os serviços que sejam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. O fato é que a Lei nº 10.833/2003, ao falar em insumos utilizados "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", criou uma delimitação estrita, vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta no processo produtivo do bem ou produto destinado à venda (conceito jurídico de insumos), não permitindo, assim, que todos os ônus que uma pessoa jurídica tem para a consecução de sua atividade fim sejam considerados como insumos (conceito contábil ou econômico de insumos). Assim, não se pode dizer que a Instrução Normativa SRF no 404/2004 tenha extrapolado seus limites legais, criando ou definindo limitações ao uso e gozo de créditos da contribuição, pois essa é uma limitação decorrente da própria Lei, pois o artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, já transcrito, define os limites dos créditos a serem aproveitados, deixando claro Fl. 950DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 951 4 o escopo dos mesmos, ou seja, os bens e serviços utilizados diretamente no processo produtivo do bem ou produto destinado à venda. Concluiu a decisão recorrida não haver como se calcular créditos sobre insumos gastos para a produção da própria matéria prima, uma vez que não são produtos destinados à venda, mas sim ao próprio consumo. Desta forma não foram consideradas na base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins as aquisições/entradas de itens utilizados nas atividades desenvolvidas nos viveiros de mudas de eucalipto, no manejo das plantações de eucalipto, no tratamento de efluentes, na manutenção de máquinas utilizadas em plantações, na manutenção de veículos de transportes internos (empilhadeiras e tratores) ou externo (caminhões e tratores), bem assim os gastos com transporte de madeira de produção própria (classificados como “Frete produção celulose fábrica”). Os itens glosados, com respectivos valores e notas fiscais, estão discriminados nos anexos deste relatório.” Em relação aos serviços de terraplanagem, topografia e silvicultura, utilizados como insumo pela Recorrente na etapa do processo produtivo que se destina ao plantio, manutenção e colheita das florestas de eucalipto, principal insumo da produção de celulose, diz que a Fiscalização entendeu que esses serviços “devem ser classificados no ativo imobilizado e, dessa forma, os créditos calculados sob a tais dispêndios devem ser determinados mediante a aplicação das alíquotas previstas nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre os encargos de depreciação e amortização incorridos no mês”. Cientificada em 03/10/2012 (“AR” fl. 713), foi interposto o recurso voluntário de fls. 716 e seguintes, em 01/11/2012, onde em síntese, reitera as alegações constantes de sua manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte questiona, em cada item abordado, relativo a cada uma das glosas efetuadas, basicamente a conceituação de insumo adotada pela Receita Federal, alegando que não somente os créditos dos insumos (matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem e outros) empregados diretamente no processo produtivo dos produtos exportados podem ser ressarcidos, mas todas as despesas necessárias ao auferimento da receita de exportação (art. 3º, art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/2003). Aduz que, a vinculação do custo e da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. Os custos e as despesas podem ser incorridos antes ou após ser realizada a produção do bem exportado. Assim, pleiteia todos os créditos decorrentes de custo ou despesas incorridas na produção e na venda do produto exportado, alegando que todos os serviços e bens glosados estão diretamente ligados ao seu processo produtivo, visto que sem os referidos bens e serviços, não haveria produção. Diz ainda que, nos termos da legislação ordinária, o que se deve perquirir ainda, em relação aos serviços utilizados como insumo, é se os mesmos estão inseridos no processo produtivo do contribuinte, cuja linha de produção compreende todo o processo, desde o plantio e extração da madeira até a sua transformação em celulose. Em favor de sua tese cita a Solução de Consulta nº 176, de 2007, que reconheceu que reconheceu o direito de crédito em relação aos serviços de corte e descasque de árvores, por serem aplicados na fabricação de seus produtos, bem como o serviços de baldeio Fl. 951DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 952 5 de toras (transporte do local de corte até à estrada), desde que prestados por pessoa jurídica domiciliada no País. Igualmente previsto no art. 66, I, “b”, da IN SRF nº 247/2002, desde que vinculados à receita de exportação. Em relação aos créditos sobre custos e despesas de tratamento de efluente (água e biológico), afirma que esses serviços são destinados à manutenção de equipamentos utilizados no processo produtivo da manifestante, conforme autoriza o art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003 (vinculados à exportação). Cita ainda o Acórdão nº330100662, julgado por este colegiado na sessão de 26 de agosto de 2010, o qual reconheceu o direito de crédito em relação a valores incorridos com os serviços de terraplanagem, topografia, silvicultora, viveiro, preparo de terras, aquisição de sementes, plantio, abertura e conservação de estradas das florestas de eucalipto (processo nº 10630.001063/200533), sustentando não ser possível a utilização do conceito de insumo empregado na legislação do IPI ou do ICMS, para a apuração dos créditos de PIS/PASEP e Cofins na sistemática não cumulativa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2005 A 30/09/2005 PIS NÃO CUMULATIVO. DEPRECIAÇÃO. Ainda que não caiba ao fisco realizar a recomposição de lançamentos contábilfiscais, os quais deveriam ter sido efetuados observandose as normas que regem a matéria, por se tratar de um cálculo menos complexo, neste caso, excepcionalmente, com fulcro nos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da vedação ao enriquecimento sem causa, uma vez que fora solicitado, deve ser concedido à contribuinte o direito ao creditamento do PISs decorrente da aquisição de partes e peças destinadas a máquinas e equipamentos do ativo imobilizado à proporção de 1/48. PIS NÃO CUMULATIVO. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS. os pagamentos referentes à aquisição de serviços de terraplanagem, topografia e outros, bem assim, a locação de máquinas, equipamentos e veículos conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na solução de consulta SRRF10 DISIT Nº 04/07. PIS NÃO CUMULATIVO. ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. Deve ser reconhecido o direito ao crédito referente à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, consoante notas fiscais apresentadas, visto que somente no período de dezembro de 2002 a janeiro de 2003, vigeu a restrição ao creditamento na utilização desta energia na condição de insumo, consoante ADI SRF Nº 2/03, ART. 3º, II, e relação ao PIS. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 953 6 PIS NÃO CUMULATIVO. ARMAZENAGEM. As notas fiscais de serviços de armazenagens de mercadorias devem explicitar claramente esta condição, de modo a possibilitar o seu creditamento. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito da contribuinte ao creditamento do PIS decorrente: a) da aquisição de partes e peças destinadas a máquinas e equipamentos do ativo imobilizado à proporção de 1/48 nos referidos CFOP 1406, 1551 e 2551; b) dos serviços de terraplanagem, topografia, silvicultura, viveiro, preparo de terras, aquisição de sementes, plantio, abertura e conservação de estradas das florestas de eucalipto da recorrente; c) das locações de máquinas, equipamentos e veículos utilizados na atividade da recorrente; e d) da energia elétrica consumida nos estabelecimentos em conformidade com as notas fiscais/contas de energia elétrica acostadas aos presentes autos. Vencido o conselheiro José Adão Vitorino de Morais nos itens a, b e c. Ao final junta cópia de contratos de prestação de serviços firmados com diversas empresas e requer seja julgado procedente o recurso. Com base no entendimento acima exposto, o interessado contesta as glosas efetuadas relativas a créditos sobre: a) da totalidade dos custos incorridos na aquisição de serviços, peças e partes de reposição, destinadas à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos empregados diretamente no processo produtivo da celulose; b) serviços utilizados como insumos no processo produtivo da celulose (aquisições de serviços de engenharia, terraplanagem, topografia, silvicultura, viveiro, abertura e conservação de estradas e congêneres); c) custos e despesas de frete na produção de celulose na fábrica (transporte de madeira de eucalipto (matériaprima) de produção própria para a produção de celulose); e d) custos e despesas na aquisição de serviços, peças e partes de reposição, destinados à manutenção de máquinas utilizadas no tratamento de efluentes. É o relatório. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 954 7 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmos ser conhecido. Todas as regras destinadas tanto à incidência das Contribuições ao PIS/PASEP e à Cofins, bem como às hipóteses que ensejam o direito aos créditos decorrentes da nãocumulatividade, se encontram fundamentadas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, cujos principais dispositivos são a seguir reproduzidos: LEI No 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002. Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput.(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 954DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 955 8 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) [..] § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 955DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 956 9 § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. LEI No 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de Fl. 956DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 957 10 sua denominação ou classificação contábil. (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de Fl. 957DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 958 11 limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...] § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 958DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 959 12 [...] Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Desta forma, tanto em relação ao PIS/Pasep como à Cofins, as mencionadas leis determinam a hipótese de incidência, as exclusões, bem como os custos e despesas capazes de gerar crédito, ainda que não sejam exaustivamente enumerados, esta é a essência da não cumulatividade aplicável apenas às empresas que apurem o imposto de renda com base no lucro real. Essa rememoração foi necessária, porque a Recorrente alega em seu recurso, duas hipóteses e formas distintas para o cálculo dos créditos de PIS e Cofins, segundo a mesma, a lei limitou as situações que geram crédito, no caso, venda para o mercado interno, sendo que, as vendas destinadas ao mercado externo, além de não sofrerem qualquer incidência, concedem créditos sobre todos os custos e despesas incorridos, sem qualquer limitação, o que veremos, a seguir, não ser possível. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 960 13 A decisão recorrida assim enfrentou essa questão (fls. 702 dos autos eletrônico) “(...) (...)” Os artigos 3º, incisos II, das mencionadas leis, determinam que “do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação à: I ...; II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...” Por sua vez, ambos os artigos 5º, § 1º e 6º, §1º, respectivamente das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, além de estabelecer que as contribuições não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportações de mercadorias e/ou serviços para o exterior, asseguram ainda o direito ao aproveitamento de crédito “...apurado na forma do art. 3º”. Logo, não existem duas formas de cálculo, em ambos os casos, vendas para o mercado interno e também para o mercado externo, os créditos são apurados sempre de uma mesma forma (art. 3º), ou seja, sobre os insumos (II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes,...). Resta identificar nos autos, se os créditos destinados ao mercado interno e externo, conforme o caso, foram apropriados adequadamente pela Recorrente. Analisando o texto abaixo da decisão recorrida, os créditos apontados pela Recorrente como vinculados à receita de exportação, foram glosados pela Fiscalização por entender que os mesmos são concernentes à produção de celulose (fibra branqueada de celulose), enquanto os créditos pleiteados se referem de fato à florestamento e reflorestamento: Fl. 960DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 961 14 Em que pese o seu objeto social, como dito acima, referirse a diversas atividades como, dentre outras, a produção e comercialização de celulose e seus derivados e serviços de florestamento e reflorestamento, os créditos solicitados, referentes à exportação, são concernentes à produção de celulose (fibra branqueada de celulose). Dessa forma, a maneira como o contribuinte estrutura a sua cadeia produtiva impactará diretamente nos créditos a que tem direito, isto porque caso a atividade de “florestamento e reflorestamento” seja desenvolvida como forma de prestação de serviços a terceiros, seus custos podem ser considerados como insumos aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Contudo, tais créditos não poderão ser objetos de ressarcimento, haja vista não terem relação com a receita de exportação. Por outro lado, caso a atividade de “florestamento e reflorestamento” tenha como objetivo único produzir a matéria prima a ser empregada na produção de “fibra branqueada de celulose”, outra deve ser a ótica da análise. Por isso concluiu não ser possível “se calcular créditos sobre insumos gastos para a produção da própria matéria prima, uma vez que não são produtos destinados à venda, mas sim ao próprio consumo”. Todavia, assim como não há uma distinção entre os critérios destinados ao cálculo dos créditos decorrentes de venda para o mercado interno ou externo, já que ambas as situações estão condicionados ao fato de poderem ser considerados insumo, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (e também de acordo com o mesmo dispositivo da Lei nº 10.637/2002), também não há como haver uma segregação entre as atividades da Recorrente relacionadas ao mercado externo e externo e viceversa, já que em qualquer caso será reconhecido ou não o crédito, de acordo com a essencialidade produto ou serviço ou seja, sendo o mesmo insumo, haverá direito ao crédito. Logo, o cerne da questão está centrado no conceito de insumo utilizado pela Fiscalização e pela Recorrente, aquela usou o conceito restrito previsto nas normas internas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF nº 404/2004), enquanto a Recorrente defende interpretação mais ampliada, com base inclusive em decisões deste colendo CARF. Passo então a analisar as glosas promovidas pela Fiscalização e mantidas pela decisão recorrida, que assim dispôs sobre o assunto: a) da totalidade dos custos incorridos na aquisição de serviços, peças e partes de reposição, destinadas à manutenção de máquinas, equipamentos e veículos empregados diretamente no processo produtivo da celulose; Segundo a Recorrente: Fl. 961DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 962 15 b) serviços utilizados como insumos no processo produtivo da celulose (aquisições de serviços de engenharia, terraplanagem, topografia, silvicultura, viveiro, abertura e conservação de estradas e congêneres); Segundo a Recorrente: Fl. 962DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 963 16 c) custos e despesas de frete na produção de celulose na fábrica (transporte de madeira de eucalipto (matériaprima) de produção própria para a produção de celulose); e Segundo a Recorrente: Fl. 963DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 964 17 d) custos e despesas na aquisição de serviços, peças e partes de reposição, destinados à manutenção de máquinas utilizadas no tratamento de efluentes. Segundo a Recorrente: Em relação aos itens “a” e “d”, as glosas dos créditos ocorreram porque a mesma considerou tais bens ou serviços classificados como ativo imobilizado, terem sido utilizados não só na produção de bens destinados à venda, mas também em outras atividades da empresa, como a produção de madeira (matériaprima), tratamento de efluentes e manutenção florestal, ou seja, seriam gostos com a produção de matérias primas para consumo próprio. Segundo a decisão recorrida, os respectivos valores glosados “deverão ser considerados na proporção de 1/48 (um quarenta e oito avos) ao mês, a partir da aquisição, Fl. 964DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 965 18 referemse às entradas/aquisições que foram classificadas como aplicadas em atividades outras que não a produção de bens destinados à venda, ...” (fl. 682). Assim, mesmo em se tratando de custos que estejam relacionadas às exportações, se submetem ao regramento previsto nos artigos 3º, das Leis 10.837/2002 e 10.833/2003, e arts. 5º, § 1º, art. 6º, § 1º, respectivamente das mesmas leis, as quais asseguram o aproveitamento de crédito que deverá ser “...apurado na forma do art. 3º”. Portanto, os créditos glosados pela decisão recorrida, relativamente aos itens “a” e “d”, (despesas e serviços destinadas à manutenção de bens do ativo permanente), ainda que empregados na produção de bens destinados à exportação, somente ensejam direito ao creditamento de PIS e Cofins, na proporção de 1/48 (um quarenta e oito avos) ao mês, a partir da aquisição. Em relação ao item “b” (serviços utilizados como insumos no processo produtivo da celulose (aquisições de serviços de engenharia, terraplanagem, topografia, silvicultura, viveiro, abertura e conservação de estradas e congêneres); este colegiado teve ocasião de analisar recurso da própria Recorrente (Ac. 330100.662), na sessão de 26 de agosto de 2010, o qual reconheceu o direito de crédito em relação a valores incorridos com os serviços de terraplanagem, topografia, silvicultora, viveiro, preparo de terras, aquisição de sementes, plantio, abertura e conservação de estradas das florestas de eucalipto (processo nº 10630.001063/200533), devendo por isso também ser considerada improcedente as mencionadas glosas, “porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na solução de consulta SRRF10 DISIT Nº 04/07”. Sobre os custos custos e despesas de frete na produção de celulose na fábrica (transporte de madeira de eucalipto (matériaprima) de produção própria para a produção de celulose), item “c”, o direito ao creditamento, em relação às contibuições PIS e Cofins igualmente está contemplado no inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Fl. 965DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 966 19 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Com todo o respeito ao voto do ilustre relator, achei meio confuso a forma como inseriu em seu voto as matérias objeto de glosas. Ele seguiu a linha do recurso voluntário separando em quatro linhas os itens de glosa, sendo que no relatório fiscal que efetuou as glosas, fls. 14/40, estas foram separadas em três linhas de assunto. A seguir reproduzo as três linhas de itens glosados, extraídos do citado relatório: 2.2.2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Dacon Ficha 06A/16A_ Linha 02) (...) “não foram consideradas na base de cálculo dos créditos de Pis e Cofins as aquisições/entradas de itens utilizados nas atividades desenvolvidas nos viveiros de mudas de eucalipto, no manejo das plantações de eucalipto, no tratamento de efluentes, na manutenção de máquinas utilizadas em plantações, na manutenção de veículos de transportes internos (empilhadeiras e tratores) ou externo (caminhões e tratores), bem assim os gastos com transporte de madeira de produção própria (classificados como “Frete produção celulose fábrica”). Os itens glosados, com respectivos valores e notas fiscais, estão discriminados nos anexos deste relatório.” (...) 2.2.3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Dacon Ficha 06A/16A_ Linha 03) (...) “Os valores glosados conforme quadros acima, que se encontram discriminados nos anexos deste Relatório Fiscal, referemse às entradas/aquisições que foram classificadas como aplicadas em atividades outras que não a produção de bens destinados à venda, de acordo com as atividades desenvolvidas pelo contribuinte e citadas anteriormente. Cumpre observar, conforme quadro acima, bem como às referidas folhas, que a glosa de alguns dos valores classificados como aplicados em “Frete produção celulose na fábrica”, “Produção celulose na fábrica” e “Manutenção equipamentos indústria” deveuse ao fato de os mesmos se referirem a “transporte de madeira”, “embarque de celulose” e “inspeção de embarque de celulose”, que, como dito anteriormente, não existe previsão normativa que permita cálculo de créditos sobre tais gastos.” (...) 2.2.9 DESPESAS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (Com base no custo de aquisição) (Dacon – Ficha 06A/16A_ Linha 10) “Os valores a este título informados pelo contribuinte, que são calculados na proporção de 1/12/ ou 1/48 do custo de aquisição do bem, foram detalhados nos memoriais apresentados. Aqueles valores são referentes a 1/12 (para compras a partir de maio de 2008) ou 1/48 (um quarenta e oito avos) do montante acumulado Fl. 966DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 967 20 dos bens adquiridos para o ativo imobilizado, bem como dos serviços vinculados aos mesmos, acrescidos das aquisições do mês. Estas aquisições estão sintetizadas conforme quadro que segue:” (...) “Pelo todo acima explanado, aqueles créditos calculados com base no custo de aquisição de bens do ativo imobilizado que se referem a bens/serviços que não são, de fato, utilizados na prestação de serviços ou na produção de bens destinados à venda, deverão ser objeto de glosas. Salientase que o entendimento é o mesmo adotado em todo o curso desta análise, o de que sobre as entradas, neste caso sobre os custos de aquisição de imobilizados, utilizadas na produção de matérias prima não é permitido cálculo de créditos de Pis e Cofins, tendo em vista não se tratar de gastos com produtos destinados à venda, mas sim gastos com a produção de matérias prima para consumo próprio.” A fiscalização glosou créditos destas três linhas bem detalhadas no citado relatório fiscal. A linha de raciocínio utilizada pela fiscalização foi separar destes itens, cujos créditos foram apropriados pelo contribuinte, aqueles que eram referentes à produção da matéria prima, no caso a produção de eucalipto para a fabricação de celulose. A fiscalização constatou que o contribuinte exerce a atividade de florestamento e reflorestamento com o único objetivo de produzir a matéria prima (toras de eucaliptos) a serem utilizadas no processo produtivo da celulose a ser exportada. Neste sentido, glosou todos os créditos apropriados na fase de produção da matéria prima por entender que “não são gastos com insumos utilizados na produção de produtos destinados à venda e sim gastos/insumos utilizados na obtenção de matérias primas para o próprio consumo”. Concluiu que não há previsão legal para apropriação destes créditos. Observe que para a análise de apropriação dos créditos a fiscalização seccionou as atividades do contribuinte em fase de produção de matérias primas, não gerando direito ao crédito e fase de industrialização da celulose, dando direito ao crédito. A 3ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª Seção de Julgamento, analisou esta mesma matéria do mesmo contribuinte no processo nº 10630.902732/201134, Acórdão nº 3403002824, de 27/2/2014, relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Atulim. Peço permissão para transcrever parte do voto, utilizandoo como razão de decidir. “Conforme se verifica nos autos, a fiscalização não só adotou o conceito de insumo estabelecido para o IPI, por meio das instruções normativas da Receita Federal; mas também seccionou a atividade do contribuinte em duas etapas: a produção da matériaprima (madeira) e a extração da celulose (produto final industrializado a ser exportado). Ao assim proceder a fiscalização acabou por considerar como "produção" apenas a etapa industrial do processo produtivo, como se estivesse analisando um processo de ressarcimento de IPI, esquecendose de que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 utilizam os termos "produção" e "fabricação". Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime nãocumulativo, se referem a bens e serviços utilizados na "produção ou fabricação" de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 968 21 Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar", "dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota "transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Ao utilizar verbos com significados diferentes ligados pelo conectivo "ou", os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação aos processos de fabricação; aos processos de produção, que englobam atividades não industriais, e também aos processos produtivos mistos que envolvam aquelas duas atividades das quais resultem um bem ou um serviço que seja destinado à venda. Isto porque a partícula "ou" foi empregada com valor semântico inclusivo. Quisesse o legislador excluir de forma deliberada a a atividade mista (produção e fabricação), teria empregado no art. 3º, II, a expressão "ou...ou" ("ou produção ou fabricação"). No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima (fabricação) por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. Em outra linha de argumentação, é bom lembrar que o art. 22A da Lei nº 8.212/91, introduzido pelo art. 1º da Lei nº 10.256/01, estabeleceu que para o fim de incidência da contribuição previdenciária, "agroindústria" é definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Versando este processo sobre créditos de contribuições devidas ao sistema da seguridade social, forçoso concluir que a "industrialização de produção própria" foi contemplada pela legislação tributária como sendo uma atividade única, fato que também desautoriza a secção da atividade do contribuinte, tal como foi feito pela autoridade administrativa. Portanto, com base nos dispositivos legais acima, tanto em relação ao cumprimento de obrigações tributárias, quanto para o fim de aproveitamento de créditos das contribuições, o processo produtivo da recorrente deve ser visto como um todo único, iniciandose com a criação das mudas de eucalipto e terminando com o corte e o enfardamento das folhas de celulose, conforme descrito nos recursos apresentados.” (...) Muito boa esta conclusão, pois se o contribuinte separasse a produção da matériaprima em outra empresa, ela poderia apropriar de todos estes créditos nesta atividade e geraria créditos integralmente quando vendesse a matériaprima para a indústria de celulose. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 969 22 Concluise portanto que não há impedimento legal para a apropriação dos créditos de PIS e Cofins gerados na atividade de produção de matériasprimas, desde que se encaixem no conceito de insumos estabelecidos pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Por outro lado também deve ser afastada a interpretação restritiva do conceito de insumos estabelecida pela fiscalização e também pela decisão recorrida. Baseados em atos normativos, sobretudo a alínea “a” do inciso I do § 4º do art. 8º da IN SRF nº 404/2004, concluíram que só pode ser apropriados créditos de insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados a venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O ponto principal da questão está no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifei) Hoje, no âmbito do CARF, existem 3 correntes de pensamento: 1) que seguem a linha adotada pela fiscalização e pela DRJ no presente processo que é a de adotar o conceito restritivo de insumo estabelecido pela legislação do IPI e adotado pela IN SRF nº 404/2004, acima citada. Neste caso para ser considerado como insumo, deve haver uma relação mais que direta da matériaprima ou produto intermediário com o processo produtivo, deve ter um desgaste em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; 2) que adotam a apropriação de créditos em relação a qualquer custo ou despesa vinculada ou não ao processo produtivo. Neste caso entendem como insumos todos os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida na legislação do imposto de renda, art. 290 e 299 do RIR/99; e 3) que adotam um conceito intermediário em relação às duas primeiras correntes, entendendo que a legislação do PIS/Cofins estabeleceu uma sistemática própria para adoção do conceito de insumos. Afasto de plano a 2ª corrente de pensamento, pois caso o legislador quisesse adotar esta linha de entendimento, nem precisaria colocar a palavra insumo no texto da lei. Bastaria colocar que os créditos da nãocumulatividade seriam calculados em relação a “todo e Fl. 969DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 970 23 qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Neste caso, nem precisaria constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Adoto a 3ª corrente de pensamento, pois entendo que o legislador efetivamente não quis dar a interpretação restritiva adotada pela legislação do IPI. Também, neste caso, fosse esta a intenção, o texto da lei poderia ter sido claro a este respeito. A própria administração tributária já manifestou por meio da Solução de Divergência nº 35/08, um certo afastamento desta linha de entendimento restritiva. Veja abaixo trecho do referido ato: (...) 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Por sua vez, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em votação unânime, aprovou o voto do relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no Acórdão nº 9303 01035, de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, o qual aborda o conceito de insumos da seguinte forma: (...) A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 971 24 A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições . Neste ponto, socorro me dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem.” Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 972 25 Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Assim, estando em perfeita concordância com o voto acima citado, concluo que, em relação à sistemática da não cumulatividade na apuração do PIS/Cofins, que para se fazer jus ao creditamento o insumo deve ter uma relação direta com o processo produtivo, não sendo necessário que seja consumido ou tenha desgaste no contato direto com o produto. Assim, a partir destas premissas, analisemos então os itens objeto de glosa na mesma seqüência abordada pela fiscalização e já citadas no início deste voto. 2.2.2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Dacon Ficha 06A/16A_ Linha 02) Os itens glosados nesta linha estão relacionados nas seguintes planilhas: · Glosa de itens informados como insumos –janeiro/2008 fls. 45/121; · Glosa de itens informados como insumos – fevereiro/2008 fls. 157/227; · Glosa de itens informados como insumos –março/2008 fls. 255/318; Como já explanado estes itens foram glosados em razão de serem utilizados como insumos na plantação e colheita das toras de eucaliptos. Portanto deve ser afastada a glosa da grande maioria dos itens listados nas planilhas referidas. Entendo, porém que em relação aos itens abaixo listados devem ser mantidas a glosa, por não se encaixarem no conceito de insumos: 1) Todos os itens aplicados na “Manutenção Veículos Externos”. Pelos dados colhidos das planilhas pode concluirse que estes veículos externos não são utilizados na produção de eucalipto. Os itens relativos a máquinas e veículos utilizados na plantação de eucalipto são os aplicados em “Manutenção de Equipamentos Florestais” e “Manejo Plantações de Eucalipto”, tratados em itens próprios das planilhas. Portanto não são insumos utilizados na produção. A título exemplificativo citase os itens listados a partir da metade da fl. 226 até a fl. 227. 2) Os seguintes itens “Pedra de Mão”, Materiais de Construção”, “Brita”, “Brachiária”, “Brita 3/4", “Cimento Eldorado” e “Materiais para Construção” – pela característica dos itens é notório que não fazem parte do processo produtivo; 2.2.3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Dacon Ficha 06A/16A_ Linha 03) Os itens glosados nesta linha estão relacionados nas seguintes planilhas: Fl. 972DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10630.902486/201111 Acórdão n.º 3301002.274 S3C3T1 Fl. 973 26 · Glosa de itens de serviços informados como insumos –janeiro/2008 fls. 122/154; · Glosa de itens de serviços informados como insumos – fevereiro/2008 fls. 228/251; · Glosa de itens de serviços informados como insumos –março/2008 fls. 319/344; Como já explanado estes itens de serviços foram glosados em razão de serem utilizados como insumos na plantação e colheita das toras de eucaliptos. Portanto deve ser afastada a glosa da grande maioria dos itens listados nas planilhas referidas. Entendo, porém que em relação aos itens de serviços abaixo listados devem ser mantidas a glosa, por não se encaixarem no conceito de insumos: 1) Todos os itens aplicados na “Manutenção Veículos Externos”. Pelos dados colhidos das planilhas pode concluirse que estes veículos externos não são utilizados na produção de eucalipto. Os itens relativos a máquinas e veículos utilizados na plantação de eucalipto são os aplicados em “Manutenção de Equipamentos Florestais” e “Manejo Plantações de Eucalipto”. Portanto não são insumos utilizados na produção. 2) Todos os itens de serviços com os seguintes títulos: “Topografia”, “Serviço de Manutenção de Estradas”, “Terraplanagem”, “Serviços de Topografia/Ensaios” e “Transporte de Cascalho Municipal”. Entendo que estes itens não se encaixam como insumos na produção de eucalipto, pois não tem relação direta com o processo produtivo. 2.2.9 DESPESAS SOBRE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (Com base no custo de aquisição) (Dacon – Ficha 06A/16A_ Linha 10): Para esta linha, os valores dos itens glosados estão na própria planilha do relatório fiscal, fl. 37. Da fundamentação da glosa, constatase que a fiscalização não discute os valores e nem a metodologia de apropriação dos créditos decorrentes da depreciação do ativo imobilizado. A glosa é efetuada unicamente em razão da separação das atividades do contribuinte em produção de matériaprima e fabricação de celulose. Conforme já explanado não existe razão para este seccionamento, devendo ser afastada as glosas em razão somente desta motivação. Portanto, diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo somente as glosas de crédito relativas aos itens especificados no presente voto. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 14/ 04/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ANTONIO LISBOA CARD OSO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13558.000821/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA - PAGAMENTO ANTECIPADO - ART. 150, § 4º, DO
CTN - APLICABILIDADE - IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA -
SÚMULA 38 DO CARF- APLICABILIDADE.
O STJ tem entendimento consolidado, REsp 973733/SC, no sentido de que o prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN, é aplicado aos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando houver o pagamento antecipado. Conforme Súmula nº 38 do CARF: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
CERCEAMENTO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO
FISCAL - INOCORRÊNCIA
Se foi concedida durante a fase de defesa ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo, uma a uma, não só as questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL -
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - FATO GERADOR DO IMPOSTO DE
RENDA.
Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de
rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento.
Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial.
TAXA SELIC - SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 2202-003.024
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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O STJ tem entendimento consolidado, REsp 973733/SC, no sentido de que o prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN, é aplicado aos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando houver o pagamento antecipado. Conforme Súmula nº 38 do CARF: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. CERCEAMENTO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - INOCORRÊNCIA Se foi concedida durante a fase de defesa ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo, uma a uma, não só as questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Em tal técnica de apuração o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Fl. 2842DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 TAXA SELIC - SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Pedro Anan Junior, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Fábio Brun Goldschmidt e Suely Nunes da Gama. Fl. 2843DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13558.000821/2006-95 Acórdão n.º 2202-003.024 S2-C2T2 Fl. 2.843 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Na oportunidade, valho-me do relatório contido no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 19 a 21, do e-processo, por entender que o mesmo bem descreve a ação fiscal que deu origem à presente auto de infração: “A ação fiscal em questão foi autorizada em 23108/2005, por intermédio do MPF n° 05.1.05.00-2005-0062-3 para o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) dos anos calendários de 2000 a 2003, em atendimento à determinação judicial contida nos Oficies no s 404 e 405/2005- SENO, Medida Cautelar/Quebra de Sigilo - Processo n° 2003.33.00.028885-3 da Justiça Federal de 1' Instância - Seção Judiciária do Estado da Bahia - 2' Vara Criminal, após constatarmos, através de pesquisas feitas nos sistemas on-line da SRF, movimentação financeira do contribuinte nos anos calendários de 2000 a 2003 incompatíveis com os rendimentos declarados por este nos ajustes anuais do imposto de renda pessoa física do mesmo período (DIRPF ex7200 I a 2004). A fiscalização foi iniciada em 01/09/2005, quando compareci no domicilio fiscal do contribuinte, que constava nos cadastros da SRF à época, rua Aderbal Medeiros Almeida n°03, casa, no Bairro Conceição na cidade de Ipiau-Ba e fui informada pela nova inquilina do imóvel que este mudou-se e que a mesma lá residia desde abril/2005, mesma data em que este efetuou alteração de endereço nos cadastros da SRF, informando mudança de endereço da cidade de Salvador-Ba para o referido imóvel, localizado na cidade de Ipiaú-Ba. Constatamos, então, que o contribuinte não informa o seu endereço corretamente a SRF e o altera constantemente, conforme a sua conveniência, ocasionando mudança de jurisdição. Assim, compareci no centro habitual de suas atividades, a empresa FRUTAB - Frutos da Bahia Ltda, de nome fantasia DOCE MEL e como me informaram que este lá não se encontrava, por estar viajando, apresentei o Termo de Inicio da Ação Fiscal a ser realizada em sua Pessoa ao Gerente de Recursos Humanos da referida empresa, Rodrigo Barbosa Moreira O contribuinte mudou de endereço novamente em maio/2006. Considerando-se que o procedimento fiscal realizado na pessoa física do contribuinte teve como base incompatibilidade de movimentação financeira com rendimentos por ele declarados em suas declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2001 a 2004, este foi intimado, através do Termo de Inicio da Ação Fiscal, a apresentar os extratos bancários das contas que deram origem a movimentação financeira nos anos calendários de 2000 a 2003. Fl. 2844DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Em 09/09/2005, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para apresentar os extratos bancários sachados no termo de inicio da ação fiscal, prazo este que lhe foi concedido por 10 dias, contados a partir de 21/09/2005(data da ciência do AR de concessão de prorrogação de prazo) o qual, porém, não foi cumprido, deixando o contribuinte de apresentar os referidos extratos bancários até 10/10/2005. Desta forma tive que proceder, em 11/10/2005, à Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) às seguintes Instituições Financeiras: Banco do Brasil S/A, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste do Brasil SA, Banco Industrial e Comercial SA, Banco Bradesco SA, Unibanco - União de Bancos Brasileiros SA, Banco BBV SA, Banco Safra SA e Banco Alvorada SA Devido a grande movimentação financeira do contribuinte, houve demora na entrega de todos os extratos bancários pelas Instituições Financeiras, assim, para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, procedemos, em 28/12/2005, o ENCERRAMENTO PARCIAL da fiscalização relativa ao ano calendário de 2000, exercício de 2001. De posse dos extratos de movimentação bancária dos anos calendários de 2001, 2002 e 2003, intimamos novamente o contribuinte, em 14/03/2006, para que comprovasse, no prazo de 20 (vinte) dias, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes e de poupança no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003. Em 31/03/2006, o contribuinte deu entrada de documento na Agência de Ipiau, solicitando prorrogação de prazo para atender à intimação, sendo lhe concedido o prazo de 30 (trinta) dias, contados de 18/04/2006, data em que recebi a solicitação de prorrogação de prazo nesta Delegacia. Em 18/05/2006, o contribuinte, em resposta á intimação, informou que a movimentação bancária em causa foi gestada em função e na qualidade de sócio da FRUTAB - Frutos da Bahia Ltda, utilizando as contas correntes em seu nome com recursos de caixa da FRUTAB, porém, não apresentou nenhuma documentação hábil e idônea que comprovasse a origem da referida movimentação bancária. Verificamos nos sistemas on-line da SRF que no período referido nesta ação fiscal o contribuinte era sócio administrador e representante legal de 03 (três) empresas: FRUTAB – Frutos da Bahia Ltda, CNPJ n° 01.012.816/0001-51, Mamãe & Eu Confecções Ltda, CNPJ n° 14.780,233/0001-69 e Vapt Informática Lida, CNPJ n° 02.767.785/0001-58, assim, mesmo contrariando uni principio contábil de que a pessoa do sócio não pode confundir-se com a da empresa, a justificativa do contribuinte de que os recursos movimentados em suas contas corrente se de poupança advinham do caixa de uma das suas empresas, em função e na qualidade de sócio, deveria ser amparada por documentação legal e idônea da empresa em questão. Face aos fatos acima expostos, confrontamos os depósitos efetuados nas suas contas correntes e de poupança com os valores declarados nas DWPF 2002, 2003 e 2004 e com os pagamentos feitos pela FRUTAB, informados na DIRF dos anos calendários de 2001 e 2002 (na Fl. 2845DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13558.000821/2006-95 Acórdão n.º 2202-003.024 S2-C2T2 Fl. 2.844 5 D1RF de 2003, entregue pela FRUTAB a SRF, o contribuinte não consta como beneficiário). Tendo em vista que o contribuinte não apresentou nenhuma documentação hábil e idônea que comprovasse a origem da referida movimentação bancária, os créditos efetuados, excetuando-se os valores identificados, declarados na DIRPF 2002; 2003 e 2004 e os pagamentos feitos pela FRUTAB informados nas DIRF 2001 e 2002, caracterizam omissão de receita nos valores de R$2.720.297,97 para o ano calendário de 2001, RS3.283.595,89 para o ano calendário de 2002 e R$2.817.083,66 para o ano calendário de 2003, conforme valores mensais demonstrados nas colunas "D" dos "Comparativo entre Movimentação Bancária e Receitas Declaradas" dos anos calendários de 2001, 2002 e 2003, em anexo às fls. As receitas omitidas constituem as bases de cálculo para os lançamentos efetuados no presente auto de infração.” 2 Notificação do Lançamento O contribuinte foi cientificado do auto de lançamento no valor de R$ 5.574.847,61, referente ao crédito tributário acrescido de multa de ofício e juros, em 20/10/06, por via postal (fls. 2.724). 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou, em 20/11/06, impugnação tempestiva (fls. 2.726 a 2.804), esgrimindo os seguintes argumentos: a) Decadência do direito de lançar o tributo, referente janeiro de 2001 e setembro de 2001; b) Cerceamento de defesa, em função da fiscalização não ter perquirido a fundo a documentação que comprovaria a origem dos depósitos glosados; c) Cerceamento de defesa, eis que não houve o deferimento de perícia contábil, necessária ao esclarecimento da lide – na oportunidade, indica perito contábil e formula quesitos; d) Nulidade do auto de infração, porquanto a atividade fiscal por dado período esteve desacobertada por MPF; e) A comprovação de que os depósitos glosados pela fiscalização são de titularidade da FRUTAB – figurando o contribuinte como mera “pessoa interposta” em operações da empresa – são comprovadas por meio do exame do Livro Diário e Razão, o qual acosta à impugnação; f) Ilegalidade dos juros calculados via taxa Selic. Junta o Livro Diário de 2001/2002 e 2003 e Razão dos períodos, bem como comprovação de arrolamento de bens integrantes do seu patrimônio. Fl. 2846DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 3ª Turma da DRJ/SDR (fls. 2.808 a 2.811, do e-processo), por unanimidade, com base nos seguintes: a) O lançamento foi efetuado dentro do prazo legal; b) A ação fiscal foi regularmente prorrogada, conforme extrato de fls. 2.764 do e-processo; c) O art. 42 da Lei nº 9.430/96 prevê hipótese de presunção relativa, a qual pode ser ilidida pelo contribuinte através de documentos hábeis e idôneos que comprovem a origem dos depósitos glosados. Todavia, não logrou êxito o contribuinte em comprovar a origem dos valores; d) Os livros contábeis apresentados não são provas hábeis dos fatos alegados, pois tratam de mera alegação da empresa do autuado, bem como apenas indicam a transferência dos valores à PJ, não dizendo respeito à origem dos valores; e) A cobrança da taxa Selic está prevista em lei, não cabendo à autoridade administrativa a análise de sua inconstitucionalidade; 5 Recurso Voluntário Notificado do acórdão de impugnação, em 24/04/07, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 2.816 a 2.825, do e-processo) em 21/05/07, reiterando as alegações da peça impugnativa, combatendo as razões do acórdão de impugnação e repetindo o pedido de perícia. 5 Sobrestamento Em 04/10/11, o processo foi sobrestado, em razão de envolver matéria em discussão no Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, a saber a constitucionalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtidas por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial. Todavia, em 12/12/12, foi reconhecido mediante despacho que o fornecimento de informações sobre movimentação bancária estava acobertado por determinação judicial, contida nos Oficio no s 404 e 405/2005 SENO, Medida Cautelar/Quebra de Sigilo proferida no processo n° 2003.33.00.0288853 da Justiça Federal de 1ª Instância da Seção Judiciária do Estado da Bahia – 2ª. Vara Criminal, às fls. 12 do Termo de Verificação Fiscal, o que implicava na desnecessidade do sobrestamento. Na oportunidade, o Ilustre Conselheiro Antônio Lopo Martinez, relator à época, se deu por impedido, motivo pelo qual o processo foi redistribuído para a minha pessoa. É o relatório. Fl. 2847DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13558.000821/2006-95 Acórdão n.º 2202-003.024 S2-C2T2 Fl. 2.845 7 Voto Conheço do recurso voluntário, eis que reúne os pressupostos de admissibilidade. 1. PRELIMINARES a) Da decadência Alega o recorrente a decadência do direito de lançamento da fiscalização relativa a janeiro de 2011 e setembro de 2001, uma vez que se tratava de períodos sujeitos à tributação via carne leão mensal o início do prazo para a contagem da decadência seria o respectivo mês. Não assiste razão à recorrente. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) é tributo que, por sua natureza, é sujeito ao lançamento por homologação, modalidade na qual o contribuinte antecipa o pagamento do tributo e declara o montante devido ao Fisco, procedimento sujeito à posterior homologação por parte da Fazenda Pública. Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, o procedimento considera-se tacitamente homologado após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. Passado esse prazo, salvo a comprovação de dolo, de fraude ou de simulação, o direito de efetuar eventual lançamento de ofício encontra-se atingido pela decadência. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça, analisando o assunto no rito previsto no art. 543-C, do Código de Processo Civil, cuja decisão é de observância obrigatória por esta Colenda Corte, nos termos do art. 62 do Regimento Interno, entendeu que no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação somente é aplicado o prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN, quando não houver o pagamento antecipado, desde que não comprovada a ocorrência de dolo, de fraude ou de simulação, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o Fl. 2848DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Grifamos. Fl. 2849DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13558.000821/2006-95 Acórdão n.º 2202-003.024 S2-C2T2 Fl. 2.846 9 Tal entendimento se aplica, inclusive, nos casos em que o pagamento foi parcial, conforme o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo colacionada: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MENOR. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL A CONTAR DO FATO GERADOR. 1. É firme o entendimento desta Corte Superior de Justiça de que o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que houve pagamento antecipado, ainda que parcial, é contado da ocorrência do fato gerador. 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1182862/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011) Contudo, quanto ao argumento do recorrente de que o fato gerador do imposto de renda se daria mensalmente, não assiste razão ao recorrente. Conforme se verifica na Declaração de Ajuste Anual do ano de 2002 (fl. 78, do e-processo), houve recolhimento antecipado, fato que, consoante o entendimento jurisprudencial consolidado, atrai a incidência do art. 150, §4º, do CTN. Assim, não merece ser acolhida a preliminar de decadência, pois o fato gerador ocorreu em 31/12/01, e aplicando-se o prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN, ter-se-á como prazo decadencial 31/12/06, data posterior ao lançamento e ciência do contribuinte, ocorrido em 11/10/06. Nesse sentido é o entendimento desta Câmara: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma do imposto Retido na Fonte e saldo a restituir apurado na declaração de ajuste do exercício de 1999, valor compensado no auto de infração, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da Fl. 2850DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano calendário, o que faz com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004. Como a notificação de lançamento se deu apenas em 30/08/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 2201-001.859. Rel. Rodrigo Santos Masset Lacombe. Jul. 16/10/12). Diante disso, aplica-se ao caso a Súmula nº 38 deste Conselho, que prevê que: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar de decadência, em função de o lançamento ter sido efetuado dentro do interregno legal. b) Do cerceamento de defesa Alega o recorrente o cerceamento de defesa, pois entende que a fiscalização deixou de analisar documentos que julga imprescindíveis à comprovação da origem dos depósitos glosados, além de não ter sido efetuada a perícia contábil requerida ao tempo da impugnação. Não assiste razão à recorrente. O direito à ampla defesa é um dos pilares do devido processo legal, princípio estruturante do Estado Democrático de Direito, e está explicitado na Constituição Federal em diversos incisos do art. 5º, reforçando-se os seguintes: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Fl. 2851DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13558.000821/2006-95 Acórdão n.º 2202-003.024 S2-C2T2 Fl. 2.847 11 Ainda, no âmbito do processo administrativo federal, tal direito tem seu conteúdo mínimo definido na Lei nº 9.784/99, que consolida institutos identificados pela doutrina como: o direito de petição, a razoável duração do processo, o direito à ampla defesa, instrumentalidade das formas. Como se observa, o princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. A forma está ligada a uma finalidade (contraditório, ampla defesa, imparcialidade, etc.) da qual constitui instrumento. Assim, é assentado da doutrina o entendimento de que o descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade). No caso em análise, a cognição da DRJ foi singela, pois fez jus à própria peça impugnatória, que não esclarece o ponto nevrálgico da questão: a comprovação da origem dos depósitos. Ademais, à recorrente foi estendido prazo para manifestação durante o procedimento de fiscalização, efetuada intimação regular do auto de infração com todos os elementos legalmente exigidos, proporcionado prazo para interposição de impugnação, conhecidas e analisadas as provas anexadas na impugnação, e, por último, possibilitada a interposição de recurso voluntário. Ou seja, não ocorreu, em momento algum, desrespeito à forma, nem prejuízo ao direito de defesa da recorrente. Sendo assim, não procede a arguição da recorrente de que o processo deveria ser nulo por cerceamento de defesa. Ainda que seja lícito ao autuado requerer em processo administrativo a realização de perícia, estando a autoridade julgadora servida de conjunto probatório suficiente à formação da sua motivação e indicando-os na decisão, entendo que não que se falar em cerceamento de defesa. O ônus de apresentar prova da origem dos depósitos era do autuado, o qual poderia a qualquer tempo ter juntado aos autos do processo a perícia que entendesse comprovar suas alegações. Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar de cerceamento de defesa, porquanto foram oportunizadas ao contribuinte todas as formas legais para se defender perante a obrigação que ora lhe é imputada. c) Da nulidade do auto de infração Alega o recorrente a nulidade do auto de infração, eis que entende ter sido lavrado o ato fora do período acobertado pela ação fiscal. Não assiste razão à recorrente. Conforme assinalado no acórdão de impugnação “pode-se verificar pelo extrato de fls. 2764, que reflete as informações disponibilizadas ao interessado através da Internet, que a ação fiscal foi regularmente prorrogada”. Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade do auto de infração. Fl. 2852DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 2. MÉRITO a) Da Omissão de Rendimentos e da Necessária Comprovação Individualizada da Origem dos Depósitos Bancários O recorrente aduz que utiliza a suas contas para realizar movimentações da empresa da qual é proprietário (FRUTAB), de modo que os depósitos apontados pela Fiscalização são referentes às operações, na verdade, realizadas por sua empresa, o que implica na não caracterização de omissão de receitas, eis que de titularidade de terceiros. Não merece prosperar a irresignação do recorrente. Com o advento do art. 42 da Lei n° 9.430/96, autorizou-se o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não conseguisse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Trata-se de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte do contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontra-se pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, veja-se o Acórdão n° CSRF/04-00.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Fl. 2853DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13558.000821/2006-95 Acórdão n.º 2202-003.024 S2-C2T2 Fl. 2.848 13 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que por decisão unânime restou assim ementado: IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). Ressalte-se que, como a omissão em tela é apurada com base em depósitos, é necessário comprovar individualmente as origens desses recursos, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação, rendimentos isentos ou não tributáveis. A aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, como se observa, não apresenta maiores dificuldades. E, quanto à forma de comprovação da origem dos depósitos, é a própria Lei nº 9.430/96 que institui o dever do contribuinte de fazê-lo individualizadamente, na redação do §3º de seu art. 42: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Em suma, cabia ao contribuinte, em face das disposições legais do art. 42 da Lei nº 9.430/96, apresentar provas capazes de ilidir a presunção de que os depósitos glosados diziam respeito a rendimentos não oferecidos à tributação (omitidos nas suas declarações). Nesse interim, o contribuinte afirma que os depósitos efetuados são, na verdade, da empresa da qual é proprietário, pois sua conta era usada pela empresa, como forma de proteger o patrimônio da mesma da pessoa jurídica de quaisquer medidas expropriatórias oriundas de ações estranhas à presente lide. Para comprovar suas alegações o contribuinte apresentou o Livro Diário e Razão da FRUTAB — FRUTOS DA BANIA LTD, referente aos períodos da autuação. Todavia, entendo que tais registros contábeis, por si só, não comprovam a origem dos depósitos glosados pela fiscalização, tampouco que se tratava de rendimentos isentos, já tributados ou não tributáveis. A um, porque não há comprovação nos autos da data de escrituração de tais livros – o único indício encontrado é no sentido de que os livros foram emitidos em 2006, ou seja, após o início da fiscalização. A dois, eis que a justificativa utilizada pelo recorrente de que os valores não transitavam diretamente na conta em nome da empresa, em razão de ter receio face débitos com credores da pessoa jurídica, também vai de encontro com a defesa calcada na escrituração. Fl. 2854DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 A três, pois entendo que o ônus probatório a ser suportado pelo contribuinte é acentuado quando o próprio revela a confusão patrimonial com empresa da qual é sócio majoritário. Ademais, causa estranheza a confissão do contribuinte de que a contabilidade da sua empresa o utilizava como “SOBREPOSTA pessoa” (sic). Tal alegação, acredito, não obstante a tortuosa narrativa do contribuinte em suas peças de defesa, a qual por muitas vezes dificultou o alcance por este Julgador do real substrato do argumento esposado, concorreria à comprovação de que tais valores seriam, a priori, de titularidade da FRUTAB e, portanto, sujeitos à tributação nos moldes da legislação aplicável às pessoas jurídicas. Entretanto, não há qualquer prova nos autos capaz de demonstrar que tais valores foram apresentados à fiscalização e consequentemente tributados. Em verdade, sequer há documentos que autorizem a conclusão inafastável de que tais receitas ingressaram de fato no patrimônio da empresa. De conclusão, tenho para mim que o contribuinte não logrou êxito em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento, sendo subsuntivo aos fatos compreendidos na lide o teor do art. 42 da Lei nº 9.430/96. b) Aplicação da Taxa SELIC O recorrente defende que o emprego da taxa SELIC a título de juros de mora é ilegal. A questão já foi decidida por este Conselho, estando inclusive consolidada em Súmula no sentido da possibilidade da aplicação da Taxa SELIC como o índice dos juros de mora. Versa a súmula: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator Fl. 2855DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13312.900012/2006-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.213
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 193 1 192 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13312.900012/200668 Recurso nº Resolução nº 330200.213 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de abril de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BANAS CALÇADOS E COMPONENTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 14/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto RELATÓRIO A controvérsia foi assim resumida pela Delegacia Regional de Julgamento de Belém: Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI no valor de RS 2.891,46, referente ao 4" trimestre de 2002 (fl. 01/14), com amparo no artigo 11 da Lei 9.779199. Às fls. 15/25, encontrase a Declaração de Compensação vinculada ao ressarcimento pleiteado. Com base na Informação Fiscal de fls. 96/98 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sobral emitiu o Despacho Decisório de fls. 99 atestando o deferimento parcial do pleito da contribuinte, pela Fl. 193DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13312.900012/200668 Resolução n.º 330200.213 S3C3T2 Fl. 194 2 desconsideração do IPI destacado nas notas fiscais de fls. 49 e 51 a 57, que foram emitidas com o CNPJ da filial (CNPJ n°02.696047/0002 48), portanto, emitida com o CNPJ de destinatário diverso do estabelecimento que pleiteia o presente ressarcimento. A Dcomp a foi homologada até o limite do crédito reconhecido Insurgiuse a interessada contra o deferimento parcial de seu pedido apresentando a manifestação de inconformidade de fls. 123/126, na qual alega que, houve, na época própria, retificação do destinatário da nota fiscal, através de instrumento hábil que foi a Carta de Correção, substituindo o destinatário. Anexou cartas de correção. É o relatório. A decisão exarada pela DRJ indeferiu a solicitação e assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 NOTA FISCAL. CARTA DE CORREÇÃO. Eventuais erros ou omissões na emissão da nota fiscal, referente aos elementos declinados no art. 353 do Decreto n° 4.544, de 2002 (RIPI). não podem ser sanados mediante expedição de carta de correção pelo fornecedor. Solicitação Indeferida Contra esta decisão foi apresentado recurso onde, em síntese se alega a necessida de manterse a suspensão da exigibilidade dos créditos discutidos no presente processo; que o disposto no art. 266 do RIPI permite as correções efetuadas; que somente a partir de 2007 é que o SINIEF passou a limitar a utilização das cartas de correção. É o relatório VOTO Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Tratase de glosa parcial de pedido de ressarcimento de IPI uma vez que em algumas das notas fiscais relacionados no pedido constavam como destinatário final estabelecimento diverso do que estaria utilizando o crédito. Ou seja, o crédito está sendo utilizado pela Matriz, sendo que consta da nota fiscal o endereço de filial. Em sua defesa a Recorrente alega que foram feitas cartas de correção, nas épocas próprias, modificando o destinatário da mercadoria. A receita por sua vez, alega que estas cartas de correção não poderiam ser utilizadas para o fim que se pretendeu. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13312.900012/200668 Resolução n.º 330200.213 S3C3T2 Fl. 195 3 A cartas de correção sempre foram utilizadas pelos contribuintes, e mesmo quando não reguladas por norma legal eram comumente aceitas pela Receita Federal. Sobre esta situação, vale destacar a afirmação efetuada no corpo do acórdão recorrido, que diz: Convêm também registrar que a "Carta de Correção" era considerada um Documento não fiscal, impresso em formulário adquirido em papelarias, que não tinha amparo na legislação tributária então vigente, mas que era usual no comércio e informalmente admitido pelo Fisco para correção de atos secundários de notas fiscais que não têm relevância como documento fiscal. Assim, a "Carta de Correção" é utilizada para a retificação de erros que não alterem informações essenciais da Nota fiscal, para correção de irregularidades formais, tais como: endereço e número de inscrição do destinatário Ainda sobre a possibilidade de utilização das cartas de correção, merece transcrição o trecho abaixo: Com a edição do Ajuste SNIEF nº 1/2007 (DOU. de 04.04.07), a utilização da Carta de Correção ficou regulamentada e passou a existir como documento fiscal mas conforme as regras estabelecidas no referido Ajuste, conforme a seguir transcrito: AJUSTE SENTEI? 01, DE 30 DE MARÇO DE 2007 Publicado no DOU de 04.04.07 Altera o Convênio S/N que institui o Sistema «aciona? Integrado de Informações EconómicoFiscais. O Conselho Nacional de Política Fazendária CONF.4Z, na sua 125' reunião ordinária, realizada em Natal, RN, no dia 30 de março de 2007, tendo em vista o disposto no art. 199 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.17Z de 25 de • outubro de 1966), resolve celebrar o seguinte: AJUSTE Cláusula primeira Fica acrescentado o § 1º do art 7° do Convênio S/N, de 15 de dezembro de 1970: "§ 1ºA Fica permitida a utilização de cana de correção, para regularização de erro ocorrido na emissão de documento fiscal, desde que o erro não esteja relacionado com: 1 as variáveis que determinam o valor do imposto tais como: base de cálculo, alíquota, diferença de preço, quantidade, valor da operação ou da prestação; II a correção de dados cadastrais que implique mudança do remetente ou do destinatário; III a data de emissão ou de saída.". Cláusula segunda Este ajuste entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. A Recorrente por sua vez invoca o disposto no art. 266 do Regulamento de IPI : Fl. 195DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13312.900012/200668 Resolução n.º 330200.213 S3C3T2 Fl. 196 4 266. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei n9 4.502, de 1964, art. 62). §1º Verificada qualquer irregularidade, os interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria: dentro de oito dias, contados do seu recebimento, ou antes do inicio do seu consumo, ou venda, se o inicio se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo, copia do documento com prova de seu recebimento (Lei n9 4.502, de 1964, art. 62, § 19), §2º A comunicação feita com as formalidades previstas no § 1º exime de responsabilidade os recebedores ou adquirentes da mercadoria pela irregularidade verificada (Lei n9 4.502, de 1964, art. 62, § 19). §3º No caso de falta do documento fiscal que comprove a procedência do produto e identifique o remetente pelo nome e endereço, ou de produto que não se encontre selado, rotulado ou marcado, quando exigido o selo de controle, a rolulagem ou a marcação, não poderá o destinatário recebêlo, sob pena de ficar responsável peio pagamento do imposto, se exigível, e sujeito às sanções cabíveis (Lei n 9 4.502, de 1964, art. 6Z 29, e Lei n9 9.532, de 1997, art. 37, inciso V). §4º A declaração, na nota fiscal, da data da entrada da mercadoria no estabelecimento será feita no mesmo dia da entrada. Há contudo questão preliminar que deve ser analisada e que, a depender das respostas alcançadas, pode ser determinante para o bom desfecho. A Recorrente alega possuir cartas de correção para as notas emitidas para o destinatário equivocado, porém no presente processo consta apenas uma delas, que se refere a Nota Fiscal nº 19.815 do fornecedor ArtPel Componentes para Calçados. Destaco também a afirmação constante do voto proferido por parte da DRJ: Em sua manifestação de inconformidade a empresa alega que ocorreu um erro na emissão das citadas notas fiscais, que deveria ter sido emitida com o CNPJ da matriz da empresa, mas que houve, na época própria, retificação do destinatário da nota fiscal, através de instrumento hábil que foi a Carta de Correção, substituindo o destinatário. Anexou cartas de correção. Assim, me parece necessário saber se existem de fato as demais cartas de correção. Outra questão que entendo determinante para a conclusão adequada deste processo diz respeito a efetiva entrada das mercadorias citadas nas notas fiscais, e que tinham como destinatário inicial o estabelecimento filial da Recorrente. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13312.900012/200668 Resolução n.º 330200.213 S3C3T2 Fl. 197 5 Isto porque, o que me parece realmente importante para o deslinde da questão e por conseqüência o deferimento da utilização dos créditos básicos de IPI é determinarse onde efetivamente as mercadorias foram entregues. Para isso, entendo ser necessária a baixa em diligencia do presente processo, para que a autoridade fiscal informe e verifique: a) a existência de cartas de correção relacionadas as demais notas fiscais glosadas; b) em que estabelecimento da recorrente as mercadorias e as respectivas notas fiscais foram escrituradas? c) se recorrente comunicou os remetentes das mercadorias no prazo estabelecido pelo art. 266, § 1º? A recorrente deverá ser intimada para apresentar os documentos necessários para o fiel cumprimento da presente diligência, bem como do seu resultado antes do retorno a este órgão colegiado. É como voto. ALEXANDRE GOMES – Relator (assinado digitalmente) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001127/2005-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jul 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE JORNAL COM PUBLICIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO.
Como o jornal com publicidade se sujeita à alíquota zero do IPI, a lei autoriza o ressarcimento dos créditos apurados na aquisição de insumos aplicados em sua produção.
Numero da decisão: 3803-006.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito creditório relativo aos insumos do jornal produzido pela Recorrente, sujeito à alíquota zero. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Relator
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa (Relator), Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE JORNAL COM PUBLICIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO. Como o jornal com publicidade se sujeita à alíquota zero do IPI, a lei autoriza o ressarcimento dos créditos apurados na aquisição de insumos aplicados em sua produção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito creditório relativo aos insumos do jornal produzido pela Recorrente, sujeito à alíquota zero. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa (Relator), Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Admitemse, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, para correção de premissa equivocada, na hipótese de ocorrência de error in judicando decorrente da má apreciação da questão de fato e/ou de direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE JORNAL COM PUBLICIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO. Como o jornal com publicidade se sujeita à alíquota zero do IPI, a lei autoriza o ressarcimento dos créditos apurados na aquisição de insumos aplicados em sua produção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito creditório relativo aos insumos do jornal produzido pela Recorrente, sujeito à alíquota zero. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 11 27 /2 00 5- 69 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/02/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.001127/200569 Acórdão n.º 3803006.909 S3TE03 Fl. 286 2 Belchior Melo de Sousa – Relator (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa (Relator), Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório Tratase de processo com retorno de diligência, solicitada na Resolução nº 3803000.447, de 24 de abril de 2014, para que a DRF/Araçatuba juntasse cópias dos jornais editados pela Editora Folha da Região de Araçatuba Ltda. A Interessada interpôs primeiros Embargos de Declaração interpostos contra o acórdão nº 3803001.446, de 6 de abril de 2011, proferido por esta Turma, em que se negou provimento ao recurso, por unanimidade de votos. A embargante declara que o referido acórdão contém erros materiais, consubstanciados, primeiro, nas premissas equivocadas: a) de que os documentos de nºs 06 a 12 não teriam sido anexados à impugnação; b) quanto à classificação fiscal do jornal que edita como Não tributável (NT), em virtude da imunidade objetiva prevista no art. 150, VI, "d", olvidando ser esta uma questão superada com a manifestação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba no Parecer SAORT 10820/52/2009, que admitira tratarse de produto sujeito à alíquota zero. Indica, ainda, a Embargante omissão quanto: a) ao não conhecimento do argumento de tributação com alíquota zero; b) à questão mudança de critério jurídico já não enfrentada na decisão que desprovera a manifestação de inconformidade. A Interessada obtivera decisão anterior favorável, em similar pleito, por meio do Despacho Decisório da DRF/Araçatuba que respaldouse no Parecer SAORT 10820/52/2009, de fevereiro de 2009, em que fora reconhecido estar o jornal submetido à alíquota zero. A mudança de critério jurídico, estaria configurada com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006, que, ao restringir o significado do vocábulo imunes, constante do art. 4º da IN SRF nº 33/99, aos produtos exportados, teria modificado o entendimento do órgão, deixando de abarcar a imunidade objetiva prevista no art. 150, VI, "d", que salvaguarda os jornais da Embargante. Se assim não se entendesse, a mudança de critério jurídico também estaria configurada na decisão denegatória do presente pedido de ressarcimento, ocorrida em dezembro de 2009, contrária à decisão que se fundou no dito Parecer SAORT 10820/52/2009, de fevereiro de 2009 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/02/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.001127/200569 Acórdão n.º 3803006.909 S3TE03 Fl. 287 3 O acórdão embargado restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO APENAS QUANDO PRESENTES. Os embargos de declaração possuem função corretiva e integradora, visando à completude, à harmonia lógica e à clareza da decisão, suprimindo dificuldades à boa compreensão e óbices à eficaz execução do julgado. São cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou quando há omissão de ponto sobre o qual deve pronunciarse a turma. Os embargos foram submetidos a exame de admissibilidade e foram admitidos. As questões trazidas nestes embargos foram apreciadas, no processo nº 10820.000723/200611, desta mesma pessoa jurídica, em 06 de abril de 2011, e rejeitadas no voto condutor proposto pelo Relator. Contudo, foi vencido na votação, pelo encaminhamento que restou consignado no voto vencedor, reconhecendo a omissão relativa à análise das imagens dos jornais editados apresentados na defesa como constantes às fls. 06 a 12, dos autos , as quais, no entender da Embargante, se prestariam como prova de que o jornal que produz está sujeito à alíquota zero e, consequentemente, do direito ao ressarcimento pleiteado. Em decorrência, deuse a estes embargos o mesmo encaminhamento do voto vencedor naquele processo, tendo em vista o entendimento da maioria da Turma conferir à Embargante o exercício da mais ampla defesa. O sucinto voto restou vazado nos termos a seguir: Com efeito, os embargos preenchem os requisitos para sua admissibilidade, conforme a análise procedida no exame prévio, portanto deles conheço. Vez que o entendimento da Turma no processo nº 10820.000723/200611 foi garantir o amplo exercício da defesa da Contribuinte tendo considerado imprescindível a apreciação da prova consubstanciada nas folhas do jornal , concebo que os demais processos, tal qual este idênticos na matéria tributária em foco e contingentes do mesmo elemento de prova, não podem ter destino diverso daquele que caminha na frente. Em vista do exposto, nos termos do art. 18, I, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, veiculado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Araçatuba anexe as cópias de jornais digitais do modo como o procedido no processo nº 10820.000723/200611, preferencialmente as originais, e na hipótese de não sêlo informar se as que forem anexadas são similares às que originalmente foram juntadas na manifestação de inconformidade, no que concerne à forma de apresentação da publicidade. Após a providência, dêse ciência à Contribuinte Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/02/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.001127/200569 Acórdão n.º 3803006.909 S3TE03 Fl. 288 4 para que se manifeste no prazo de 30 dias, conforme art. 35, I, do Decreto nº 7.574, de 2011. A diligência foi atendida e a DRF/Araçatuba fez anexar as imagens às fls. 269/318 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Reiterese, conforme acima relatado, que este Relator foi vencido no voto proposto no acórdão embargado. Aditese, ainda, que o voto condutor da Resolução, subscrito por este Relator, teve por motivo propiciar a concretização do exercício à ampla defesa da Contribuinte, na forma como anteriormente considerado necessário no processo nº 10820.000723/200611, por maioria dos votos da Turma. Erro material acerca dos anexos ausentes, de folhas 06 a 12 Quanto ao erro material de que as folhas 06 a 12, do processo correspondentes a imagens do jornal demonstrando sua periodicidade e publicidade, tendente a comprovar sua sujeição à alíquota zero , não haviam sido anexadas, de fato foi assim afirmado, ao tempo em que referiu que o recurso voluntário não mais fez referência a elas como argumento de sua defesa. Suprida de forma plena esta lacuna da instrução, com a anexação de folhas do jornal, fls. 269/318, fica sem efeito este questionamento, cabendo apreciarse o juízo que podem produzir. Erro material quanto à classificação fiscal do jornal como “NT” Mesmo à luz das imagens dos jornais anexadas, comprovando a veiculação de publicidade em seu corpo e sua periodicidade de seis dias por semana, sustento o entendimento de que estas características não desnaturam a sua identidade básica de ser um produto “NT”, e não o remetem, por isso só, para a classificação correspondente à alíquota “zero” na TIPI. 49.02 JORNAIS E PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS, IMPRESSOS, MESMO ILUSTRADOS OU CONTENDO PUBLICIDADE 4902.10.00 Que se publiquem pelo menos 4 vezes por semana NT Ex 01 Com publicidade 0 Ancoro este entendimento no que foi assentado no julgamento do RE nº 213.094, cujo relator foi Min. Ilmar Galvão, e em seu voto cita Aliomar Baleeiro, em que o grande mestre destaca a importância de assegurar a imunidade ao papel e aos órgãos de Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/02/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.001127/200569 Acórdão n.º 3803006.909 S3TE03 Fl. 289 5 imprensa, tendo em vista inviabilizar a ação de governos tendentes a obstruir a divulgação de novas idéias, de abafar a voz da imprensa, por meio da tributação. Vejase a menção: "Na verdade, foi o controle exercido pelo Governo, durante o Estado Novo, por meio da tributação, do consumo de papel de imprensa e, por esse meio, da divulgação de novas idéias, que levou o constituinte de 1946 a, cautelosamente, assegurar a imunidade desse insumo, inviabilizando medidas da espécie, de parte dos governantes. "Estava muito recente a manobra ditatorial de subjugar o jornalismo por meio de contingentamento do papel importado. E em pais da vizinhança, a imitação do mau exemplo procurava abafar a voz independente de um dos mais reputados órgãos da imprensa sul americana",, observa Baleeiro (Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar, Rio,1960; p.192)." No corpo do seu voto, defende o detrimento do erário para patrocinar o estímulo e amparo à educação, à cultura e à livre manifestação da crítica. Vejo que a estes papéis prestase a edição da Folha de Araçatuba, nada obstante venha, ao fim, obter lucro, enquanto empresa, evento que não se incompatibiliza com o desenvolvimento destes fins precípuos do seu produto: Presentemente, com a consolidação do regime democrático e a superação da fase de absoluta dependência externa do abastecimento do papel de imprensa, a franquia já não pode ser vista como um meio de evitar restrições impostas pelos governantes à livre manifestação da critica, por meio da utilização do imposto para objetivos extrafiscais. Na aplicação da norma, por isso mesmo, não se pode perder de vista o caráter, que tem, de instrumento de amparo e estimulo à educação e à cultura, evitandose, por essa forma, interpretações suscetíveis de desvirtuar essa finalidade, em detrimento do erário. De verse, por isso, que não há de ser estendida a imunidade a veículos de comunicação escrita voltados a interesses propagandísticos, de exclusiva índole comercial, ainda que distribuídos em forma de encarnes em jornais e periódicos, como o de que tratam estes autos. Entendo que a classificação por que luta a Embargante, a alíquota zero, deve ser aplicada os produtos impressos provenientes dos veículos de comunicação marcados pelo preponderante interesse publicitário, de exclusiva índole comercial, e, relativamente aos jornais, distribuídos em forma de encartes. Sob este prisma, a classificação genérica da notação “NT” é que corresponde ao jornal "Folha de Araçatuba". Assim, não considero ter havido erro material no acórdão do recurso voluntário em ter feito todo o seu juízo em torno do produto como sendo imune. O que se deu na decisão foi a valoração jurídica dos fatos. Mudança de critério jurídico Fl. 289DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/02/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.001127/200569 Acórdão n.º 3803006.909 S3TE03 Fl. 290 6 Ao fazer a valoração acima referida, o acórdão do recurso voluntário confirmou a decisão de piso, aplicando de forma sumária a Súmula nº 20 do CARF, e, de fato, deixou de se debruçar na questão posta de mudança no entendimento da Administração. Ao visualizar o produto como imune, entendeuse, de fato, ser dispensável arrazoar sobre a hipótese de ele não estar enquadrado na alíquota zero. Do que, não se pode, razoavelmente, dizer que a matéria não foi atacada. Tenho que o ADI nº 5/2006 não modificou o entendimento da RFB manifesto na regulamentação do crédito básico de IPI e do direito ao ressarcimento do saldo credor, pela IN SRF nº 33/99. Isso porque se o termo "imunes" utilizado na instrução normativa pretendesse abarcar todo o espectro de não incidência constitucional, estaria criando um direito sem fundamento de validade no art. 11 da Lei nº 9.779/99, que não fizera tal inclusão, e por ela veio a ser regulamentado. E o que se pode dizer do despacho decisório resultante do Parecer SAORT 10820/52/2009? Ali, o que se tem é que a Autoridade Administrativa subsumiu a produção dos jornais Folha de Araçatuba à norma de incidência que os classificava na alíquota zero. Isso deuse em fevereiro de 2009. Na decisão neste processo, ocorrida em dezembro de 2009, a Autoridade valorou o fato jurídico daquela produção não mais pela norma anterior, e subsumiuo, então, à norma de imunidade. Erro na aplicação da lei para a construção do ato administrativo. Isto não se confunde com o disposto no art. 146 do CTN[1]. Com Alberto Xavier concebo que "[...] a mudança de critério jurídico ocorre em duas situações distintas: uma primeira, consiste na substituição, pelo órgão de aplicação do direito, de uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer delas seja incorreta; uma segunda, consiste na substituição de um critério por outro que, alternativamente, a lei faculta ao órgão do Fisco, como sucede no caso de arbitramento do lucro das pessoas jurídicas”. De sorte, então, que nas decisões antecedentes não houve mudança de interpretação da norma de incidência. Por outro giro, ainda que se entendesse tratarse de mudança de critério jurídico, a decisão neste processo poderia ser tocada na forma como produzida, porquanto: a) não estaria reformando a decisão anterior, subvertendo direito adquirido e ato jurídico perfeito; b) o pedido de ressarcimento, mercê da apreciação e decisão da Administração Tributária, configurava apenas expectativa de direito, não se conformando ao tempo da decisão, dezembro de 2009, em situação jurídica plenamente constituída, hipótese que impede a aplicação retroativa de novo critério jurídico. 2 1 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 2 XAVIER, Alberto. Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário, Forense: São Paulo, p. 254. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/02/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.001127/200569 Acórdão n.º 3803006.909 S3TE03 Fl. 291 7 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente). Belchior Melo de Sousa. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da Turma para redigir o voto vencedor do presente acórdão, passo a expor os fundamentos que embasaram o entendimento adotado. Compulsando os autos, é possível constatar que as premissas do acórdão embargado não se sustentam em face dos elementos fáticos amplamente destacados. Conforme ficou comprovado em diligência, o contribuinte produz jornais impressos com publicidade classificados no capítulo 49 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, posição 4902.10.00. De acordo com a TIPI3, os jornais e os periódicos se classificam na posição 49.02, sendo identificados como não tributáveis (NT) as publicações com expedição igual ou superior a quatro vezes por semana (4902.10.00), assim como outras da mesma espécie (4902.90.00), excetuandose aquelas com veiculação de publicidade (Ex 01), às quais se aplica a alíquota zero. Como o Embargante produz jornal com publicidade, produto esse que se sujeita à alíquota zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a ele é permitido a utilização de saldo credor do IPI, nos termos previstos no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (grifei) Destaquese que, diferentemente do alegado no voto vencido, os veículos de comunicação marcados pelo preponderante interesse publicitário, os quais não se confundem com os “jornais com publicidade”, não se classificam no Ex 01 da posição 49.02.10.00, pois, de acordo com a Nota 5 do Capítulo 49 da TIPI, as publicações consagradas essencialmente à publicidade, como brochuras, prospectos, catálogos comerciais, propagandas etc., se classificam na posição 49.11 da TIPI, sujeitandose, também, à alíquota zero. 3 Decreto nº 4.542/2002, Decreto nº 6.006/2006 e Decreto nº 7.660/2011. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/02/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.001127/200569 Acórdão n.º 3803006.909 S3TE03 Fl. 292 8 Nesse sentido, o Ex 01 da posição 49.02.10.00 da TIPI se refere aos jornais publicados ao menos quatro vezes por semana que contenham publicidade em seu corpo, sendo essa, portanto, a classificação a ser aplicada ao jornal editado pelo Embargante. Como se trata de produto sujeito à alíquota zero, o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, autoriza o pedido de ressarcimento do IPI incidente nas aquisições de insumos aplicados em sua produção. Por fim, resta perquirir acerca da possibilidade de manejo dos Embargos de Declaração com efeitos modificativos ou infringentes. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) 4, bem como o Supremo Tribunal Federal (STF) 5, admitem efeitos modificativos dos embargos de declaração em casos excepcionais, “para correção de premissa equivocada”, dada a ocorrência de error in judicando, “decorrente da má apreciação da questão de fato e/ou de direito”. Eis o teor de parte da ementa do acórdão decorrente do julgamento do REsp nº 891.268: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARTIGOS 535 E 536, DO CPC. ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. ACÓRDÃO REGIONAL QUE ATESTOU A OCORRÊNCIA DE ERRO NO JULGAMENTO. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AUTUAÇÃO COM BASE EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. LEI 8.021/90 E LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. Os efeitos modificativos dos embargos de declaração são admitidos, em casos excepcionais, para correção de premissa equivocada, sobre a qual se tenha baseado o decisum embargado, como ocorreu, in casu, conforme reconhecido pelo próprio Tribunal de origem que, em sede de aclaratórios, observada a prévia intimação da parte embargada, procedeu à reforma do julgado (proferido em 08.06.2004), que apreciara a causa (intentada em 11.02.1994) à luz do artigo 38, § 5º, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), olvidandose do disposto nos artigos 6º e 8º, da Lei 8.021/90, incorrendo em manifesto error in judicando, decorrente da má apreciação da questão de fato e/ou de direito (Grifei) Se no Poder Judiciário, em que o princípio dispositivo é a regra, se aceita o manejo dos embargos de declaração com efeitos modificativos, muito mais se deve acatálos no processo administrativo, este regido, dentre outros, pelo princípio da verdade material. Uma vez que o acórdão embargado foi prolatado com base em premissas inconsistentes, todo o seu conteúdo se mostrou sem base firme ou razão sólida que o sustente, 4 REsp 891268, 1ª Turma, julgamento 06/08/2009, relator Ministro Luiz Fux; EDcl no AgRg no AI 852.914, 3ª Turma, julgamento 07/10/2008, relator Ministro Sidnei Beneti etc. 5 ED RE 478.410, julgamento 15/12/2011, relator Ministro Luiz Fux; AgRED RE 650.148, julgamento 06/12/2011, relator Ministro Ricardo Lewandowski etc. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/02/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10820.001127/200569 Acórdão n.º 3803006.909 S3TE03 Fl. 293 9 evidenciandose o erro material e/ou a omissão apontados pelo Embargante, uma vez que a Turma Especial equivocouse em relação à materialidade do objeto sobre o qual se controverte no processo. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL aos embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito creditório relativo aos insumos do jornal produzido pela Recorrente sujeito à alíquota zero. Esclareçase que o provimento apenas parcial se deve ao fato de que, nesta decisão, está sendo reconhecido apenas o direito creditório na perspectiva do direito material, encontrandose pendente a apuração dos valores dos créditos que serão objeto de ressarcimento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 293DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/02/2015 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 27/02/2015 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10925.001781/2001-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 07/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de IPI, relativo a fatos geradores ocorridos entre 20/02/1998 e 28/02/2001, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a recorrente classificou as “etiquetas e rótulos de material plástico autoadesivo” no código TIPI 4821.10.00 quando o correto seria no código TIPI 4911.99.00. Fl. 247DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.001781/200171 Resolução n.º 330200.115 S3C3T2 Fl. 239 2 Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1427.564, de 10/02/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Etiquetas impressas, consistentes em películas de plástico auto adesivas, aplicáveis à temperatura ambiente e por pressão mecânica, que não necessitam de umedecimento ou de adição de adesivo, classificamse sob o código 3919.90.00, por força da RGI n° 1. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Ciente desta decisão em 05/04/2010 (fl. 173), a interessada ingressou, no dia 05/05/2010, com o recurso voluntário de fls. 184/194, no qual alega, em síntese, que: 1 seus únicos produtos são impressos gráficos e, portanto, não fabrica nenhuma matéria prima para utilização em gráfica; 2 não produz as etiquetas plásticas, faz apenas impressões nestas, não há a incidência do imposto em questão sobre as etiquetas, devendo incidir apenas sobre as impressões que realiza. Portanto, não há razão para as impressões serem classificadas no capítulo 39 o qual regula os produtos fabricados com plástico. Não produz produtos do capítulo 39; 3 a única atividade da recorrente consiste na industrialização gráfica, notadamente para impressos dirigidos a indústria de alimentos. A classificação fiscal correta seria no capítulo 49, que regula os materiais gráficos, que também possui alíquota zero; 4 a meteria prima utilizada pela recorrente é BOPP (Branco ou Transparente), classificado na posição 3920.20.19 e não na posição 3919; 5 pelo princípio da seletividade adotado pela TIPI, a correta classificação dos produtos gráficos é o código 4911; 6 necessita de 30 dias para juntar as notas fiscais que comprovam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário a que se refere o art. 40, IV, “a”, e § 1º do decreto nº 2637/98. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.001781/200171 Resolução n.º 330200.115 S3C3T2 Fl. 240 3 Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, portanto, deve ser conhecido. Como relatado, contra a empresa recorrente foi lavrado de infração de IPI por entender a Fiscalização que houve erro na classificação fiscal de produtos fabricados pela recorrente, qual seja “etiquetas e rótulos de material plástico autoadesivo”. Em sua defesa, a empresa recorrente afirma, com propriedade, que não fabrica etiquetas de plásticos mas tão somente efetuar a impressão gráfica em BOPP (branco ou transparente) adquirido de terceiros. Sua única atividade é a indústria gráfica. Debruçando sobre ou autos pude constatar que, de fato, a empresa recorrente tem como atividade principal a impressão gráfica. Mais ainda, produz etiquetas para, principalmente, a indústria de alimentos, conforme se constata na relação de fls. 45/63 e na amostra de fls. 146/147. Antes de entrar no mérito da lide é absolutamente necessário saber se a recorrente é ou não contribuinte do IPI e, portanto, se tem ou não direito de creditarse de IPI na aquisição de insumos utilizados na impressão das etiquetas objeto do lançamento e o dever de debitarse na saída desses produtos. Pela relação de fls. 45/63 e amostra de fls. 146/147, as etiquetas que a recorrente produz tem impressão gráfica personalizada e são produzidas por encomenda de seus clientes. Se esta informação se confirmar, é a empresa recorrente uma prestadora de serviços gráficos e, portanto, não é contribuinte do IPI, conforme entendimento do STJ, consubstanciado na Súmula nº 146. Os documentos acima mencionados são indícios fortes do tipo de atividade que a recorrente realiza. No entanto, nos autos não há prova concreta e definitiva de que a recorrente realiza a impressão gráfica em etiquetas personalizadas e encomendadas por seus clientes, como o faz a indústria gráfica que realiza serviço de impressão por encomenda, ou se produz e vende, como qualquer mercadoria industrializada, as referidas etiquetas. Para se julgar a procedência ou não do lançamento, é necessário comprovar primeiramente que a recorrente é, de fato e de direito, contribuinte do IPI e não do ISS, ou seja, que produz impressos gráficos não personalizados, usados por qualquer pessoa física ou jurídica, ou se realiza impressão gráfica personalizada e de uso exclusivo do encomendante. Em conclusão, entendo necessário que os autos retornem à repartição de origem para juntar provas relativas à atividade desenvolvida pela recorrente: produção e comercialização de etiquetas ou prestação de serviços gráficos. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10925.001781/200171 Resolução n.º 330200.115 S3C3T2 Fl. 241 4 Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 apurar se as etiquetas produzidas pela recorrente são personalizadas e produzidas por encomenda ou se são de uso impessoal e produzidas conforme a demanda do mercado; 2 juntar ao processo, por amostra, cópia das notas fiscais de venda das referidas etiquetas, caso as mesmas não sejam personalizadas e nem produzidas por encomenda; 3 juntar ao processo, por amostra, cópia das notas fiscais de prestação de serviços gráficos caso as etiquetas sejam personalizadas e produzidas por encomenda; 4 apurar se a receita da vendas das etiquetas foi escriturada no livro Registro de Apuração de ICMS, no período objeto da autuação, na hipótese das etiquetas não serem personalizadas e nem fabricadas por encomenda e, consequentemente, vendidas como mercadorias sujeitas à incidência do ICMS; 5 apurar se a receita do serviço de impressão gráfica das etiquetas foi escriturada no livro Registro de Apuração de ISS, no período objeto da autuação, na hipótese das etiquetas serem personalizadas e confeccionadas por encomenda e, consequentemente, representarem prestação de serviços sujeito à incidência do ISS; 6 prestar as informações que julgar importante para o deslinde da questão. 7 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindo lhe prazo para manifestação. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 250DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.002837/2006-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/06/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. Demonstrada a omissão entre a matéria fática coligida aos autos e as conclusões que dela foram extraídas para fundamentar o Acórdão, impõe-se a sua correção, em sede de embargos de declaração, porém, no caso não se lhes emprestando efeitos infringentes.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. VEDAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA DE LEI SUPERVENIENTE. SIMPLES NACIONAL.
Escritórios de serviços contábeis são citados na Lei Complementar 123, de 2006, como atividades econômicas beneficiadas pelo recolhimento de impostos e contribuições na forma simplificada não possui repercussão pretérita, para efeito de elidir a exclusão já efetuada no Simples(Lei n. 9.317/1996) com a vedação lá expressa.
Numero da decisão: 1401-001.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos, mas sem lhes emprestar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente para a Formalização do Acórdão
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04.09.2015.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. Demonstrada a omissão entre a matéria fática coligida aos autos e as conclusões que dela foram extraídas para fundamentar o Acórdão, impõe-se a sua correção, em sede de embargos de declaração, porém, no caso não se lhes emprestando efeitos infringentes. EXCLUSÃO DO SIMPLES. VEDAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA DE LEI SUPERVENIENTE. SIMPLES NACIONAL. Escritórios de serviços contábeis são citados na Lei Complementar 123, de 2006, como atividades econômicas beneficiadas pelo recolhimento de impostos e contribuições na forma simplificada não possui repercussão pretérita, para efeito de elidir a exclusão já efetuada no Simples(Lei n. 9.317/1996) com a vedação lá expressa.
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ME. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. Demonstrada a omissão entre a matéria fática coligida aos autos e as conclusões que dela foram extraídas para fundamentar o Acórdão, impõese a sua correção, em sede de embargos de declaração, porém, no caso não se lhes emprestando efeitos infringentes. EXCLUSÃO DO SIMPLES. VEDAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA DE LEI SUPERVENIENTE. SIMPLES NACIONAL. Escritórios de serviços contábeis são citados na Lei Complementar 123, de 2006, como atividades econômicas beneficiadas pelo recolhimento de impostos e contribuições na forma simplificada não possui repercussão pretérita, para efeito de elidir a exclusão já efetuada no Simples(Lei n. 9.317/1996) com a vedação lá expressa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos, mas sem lhes emprestar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente para a Formalização do Acórdão (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 28 37 /2 00 6- 09 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.002837/200609 Acórdão n.º 1401001.356 S1C4T1 Fl. 310 2 Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04.09.2015. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento). Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega erro de fato, obscuridade e omissão no Acórdão nº 140100.513, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que NEGOU provimento ao recurso voluntário, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/06/2006 OPÇÃO. VEDAÇÃO. CONTADOR. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que desempenham atividades de contador ou a elas assemelhadas. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A partir da MP nº 215835/2001, em relação à situação de exclusão em que as pessoas jurídicas desempenham, entre outras, atividades de contador ou a elas assemelhadas, os efeitos dessa exclusão passaram a retroagir ao mês seguinte ao da ocorrência da situação excludente. Os Embargos do contribuinte, em apertada síntese, alega omissão no Acórdão de argumento relevante. É que não foi tratada a questão da retroatividade da Lei Complementar 123/06 (Simples Nacional), revogadora do Simples (Lei n. 9.317/1996), posto que a primeira excluiu a vedação da tributação pelo Simples dos serviços contábeis. Argumenta ainda que a embargante se enquadrava exatamente na situação prevista pelo Comitê Gestor desse sistema (Resolução CGSN n. 4, de 30 de maio de 2007) em que a migração era automática para essa nova sistemática, como de fato ocorreu. Segundo essa Resolução “(...)optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317/96, que até 30 de junho de 2007 não tenham sido excluídas dessa sistemática de tributação ou, se excluídas, que Fl. 310DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.002837/200609 Acórdão n.º 1401001.356 S1C4T1 Fl. 311 3 até essa data não tenham obtido decisão definitiva da esfera administrativa ou judicial com relação a recurso interposto”. Por fim, faz referência ao art. 116 do CTN que ampararia também a retroatividade da Lei Complementar 123/2006, bem assim a julgados do CARF que ampararia sua tese. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Apenas para melhor contextualização, os presentes embargos se dá no contexto de uma autuação em que a autoridade fiscal excluiu a empresa Recorrente da sistemática do SIMPLES pelo fato da mesma exercer atividade legalmente impedida (serviços de contabilidade). De fato há omissão no julgado embargado. É que não foi tratada a questão da retroatividade da Lei Complementar 123/06 (Simples Nacional), revogadora do Simples (Lei nº 9.317/1996), posto que esta excluiu a vedação da tributação pelo Simples dos serviços contábeis. A Lei Complementar nº 123, de 2006 (Simples Nacional) revogou a Lei n. 9317/96 (Simples). Na seção que trata das vedações ao ingresso no Simples nacional, escritórios de serviços contábeis são citadas explicitamente como atividades econômicas favorecidas pelo novo Simples (Simples Nacional): Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) § 1o As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo: (...) XXVI – escritórios de serviços contábeis; (...) Fl. 311DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.002837/200609 Acórdão n.º 1401001.356 S1C4T1 Fl. 312 4 Porém, tratase de dois regimes distintos. O Contribuinte foi excluído quando vigorava o Simples (Lei nº 9.317/96) e nessa sistemática a vedação era expressa. Nesse passo, não se aplica a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN, pois a legislação deixou de definir como infração apenas na nova sistemática do SIMPLES, no caso no SIMPLES NACIONAL, regulamentado pela Lei Complementar nº123, de 2006, ou seja, em um outro contexto, e a retroatividade benigna só se encaixaria se o contexto fosse o mesmo. Por todo o exposto, CONHEÇO OS EMBARGOS E OS ACOLHO, mas sem lhes emprestar efeitos infringentes, apenas para incluir novos fundamentos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 312DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.904853/2013-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 24/08/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 24/08/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.904853/201319 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801005.047 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente CALIENDO METALURGIA E GRAVACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 24/08/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 48 53 /2 01 3- 19 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904853/201319 Acórdão n.º 3801005.047 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904853/201319 Acórdão n.º 3801005.047 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904853/201319 Acórdão n.º 3801005.047 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904853/201319 Acórdão n.º 3801005.047 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904853/201319 Acórdão n.º 3801005.047 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904853/201319 Acórdão n.º 3801005.047 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904853/201319 Acórdão n.º 3801005.047 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904853/201319 Acórdão n.º 3801005.047 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10855.002236/99-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. RETIFICAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O prazo decadencial previsto nos artigos 173, inciso I e 150, §4°do Código Tributário Nacional, obsta o direto fazendário na constituição do crédito tributário, e caracteriza uma das modalidades de extinção desse (CTN, art. 156, V e VII), contudo, no caso da compensação, deve ser discutido se houve ou não a homologação tácita do pedido formulado pelo Contribuinte.
No caso de retificação do Pedido de Restituição apresentada pelo contribuinte em que se altera o valor do crédito pleiteado, reinicia-se o prazo de 05 para que o Fisco se manifeste a respeito.
ÔNUS DA PROVA DE EXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO A COMPENSAR
O ônus em provar o direito é de quem alega, portanto, neste caso, incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1201-001.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 28/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Júnior e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. RETIFICAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo decadencial previsto nos artigos 173, inciso I e 150, §4°do Código Tributário Nacional, obsta o direto fazendário na constituição do crédito tributário, e caracteriza uma das modalidades de extinção desse (CTN, art. 156, V e VII), contudo, no caso da compensação, deve ser discutido se houve ou não a homologação tácita do pedido formulado pelo Contribuinte. No caso de retificação do Pedido de Restituição apresentada pelo contribuinte em que se altera o valor do crédito pleiteado, reinicia-se o prazo de 05 para que o Fisco se manifeste a respeito. ÔNUS DA PROVA DE EXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO A COMPENSAR O ônus em provar o direito é de quem alega, portanto, neste caso, incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto Fazenda Pública.
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INAPLICABILIDADE DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. RETIFICAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo decadencial previsto nos artigos 173, inciso I e 150, §4°do Código Tributário Nacional, obsta o direto fazendário na constituição do crédito tributário, e caracteriza uma das modalidades de extinção desse (CTN, art. 156, V e VII), contudo, no caso da compensação, deve ser discutido se houve ou não a homologação tácita do pedido formulado pelo Contribuinte. No caso de retificação do Pedido de Restituição apresentada pelo contribuinte em que se altera o valor do crédito pleiteado, reiniciase o prazo de 05 para que o Fisco se manifeste a respeito. ÔNUS DA PROVA DE EXISTÊNCIA DO DIREITO DE CRÉDITO A COMPENSAR O ônus em provar o direito é de quem alega, portanto, neste caso, incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em INDEFERIR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 22 36 /9 9- 51 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 2 (Assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (Assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 28/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Júnior e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição, inicialmente formulado com o valor de R$ 2.366.054,96, cumulado com pedido de compensação, tendo como motivo "Valores recolhidos a maior conforme cálculo do IRPJ/99". Em 26/12/2002, a Contribuinte peticionou, em substituição ao anterior, novo Pedido de Restituição, em razão da retificação, em 19/12/2002, da declaração de rendimentos relativa ao anocalendário de 1999, no valor de R$ 2.480.743,74. Foi proferido despacho decisório (fl. 363), no qual o pedido da contribuinte foi deferido parcialmente. O Fisco reconheceu o direito creditório de R$ 2.203.616,87, em razão do saldo credor de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1998, por entender que a Contribuinte utilizou uma parte do crédito para liquidar compensações com imposto de renda retido na fonte (IRRF), devidos pela interessada, conforme demonstrativo de fl. 366. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese que: o processo em exame trata de pedido de restituição/compensação de IRPJ do anocalendário de 1998; se a época dos fatos a contribuinte tivesse sido alertada e intimada a pagar, teria todos os elementos necessários a comprovar a regularidade de suas compensações; a Receita Federal ficou em silêncio por longos sete anos; as compensações foram efetuadas em 1999, com saldos negativos de anos anteriores, e, assim sendo, o direito à exigência do crédito tributário foi alcançado pela prescrição/decadência; a compensação em apreço foi levada a efeito em 1999, e somente agora, fevereiro/2007, ocorreu a notificação ao sujeito passivo; Fl. 624DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10855.002236/9951 Acórdão n.º 1201001.108 S1C2T1 Fl. 620 3 o pedido de restituição foi protocolado em julho de 1999, no valor de R$ 2.366.054.96; os débitos que estão sendo cobrados dizem respeito aos processos protocolados em 2003, não havendo qualquer relação com os valores compensados, em 1999, em DCTF; e Por unanimidade de votos, a 5° Turma de Julgamento da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes argumentos: o ônus da prova do direito de repetição recai sobre o sujeito passivo, quem o invoca, e que o principio da verdade material não vai a ponto de vincular a Administração na produção e/ou apresentação de documentos fora do universo de seus registros; a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir é obrigação da pretendente; a alegação de que se operou a decadência do direito do Fisco em constituir/exigir os valores compensados pela contribuinte em 1999, não deve prosperar, pois, o instituto da decadência, assim previsto nos artigos 173, inciso I e 150, §4° do CTN, obsta o direto fazendário na constituição do crédito tributário, e caracteriza uma das modalidades de extinção desse (CTN, art. 156, V e VII), contudo, não se aplica à situação lastreadora de pretensões repetitórias, a depender da efetiva prova, por parte do sujeito passivo, de que se fez pagamentos a maior que o devido. Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, com os mesmos argumentos trazidos na defesa inicial. . É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Decadência Quanto a alegação de que se operou a decadência do direito do Fisco em constituir/exigir os valores compensados pela contribuinte em 1999, não vejo como a mesma possa prosperar. Isto porque o instituto da decadência, assim previsto nos artigos 173, inciso I e 150, §4°, ambos do Código Tributário Nacional, obsta o direto fazendário na constituição do crédito tributário, e caracteriza uma das modalidades de extinção desse (CTN, art. 156, V e Fl. 625DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 4 VII), contudo, no caso da compensação, deve ser discutido se houve ou não a homologação tácita do pedido formulado pelo Contribuinte. Nesta linha, o argumento de que o Fisco manteve em aberto, durante 7 (sete) anos, o exame da pretensão da Contribuinte, não prospera. Isto porque, a Contribuinte esqueceuse de levar em consideração a sua própria petição (fls. 122), protocolada em 26/12/2002, informando ao Fisco que estava retificando o valor do seu crédito, em seu Pedido de Restituição, providência esta que, de fato, reiniciou o prazo de 05 para que o Fisco se manifestasse a respeito. Desta sorte, afasto a preliminar de decadência. Mérito Infundadas as alegações da Contribuinte. No caso em tela, o saldo negativo apresentado pela contribuinte, Ficha 13 da DIPJ/1999, é de R$ 2.480.743,74 (fl. 133). No entanto, a autoridade a quo deferiu parcialmente o pleito, no valor de R$ 2.203.616,87, porque constatou que o saldo credor de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1998, foi parcialmente utilizado para compensar débitos de imposto de renda retido na fonte (IRRF), devidos pela interessada, conforme demonstrativo de fls 366. Ressaltase, que da análise dos documentos de fls. 149 a 363 constatase que, realmente, a utilização alegada pelo Fisco. Infundada a alegação da Contribuinte mencionando que se tivesse sido alertada e mesmo intimada a pagar, teria todos os elementos necessários a comprovar a regularidade de suas compensações. Todo o processo administrativo deve obrigatoriamente respeitar os princípios do contraditório e da ampla defesa, e não foi diferente neste caso. A Contribuinte foi alertada e intimada a pagar, é certo que não foi no tempo em que esta entenda justo, mas a sua ciência foi realizada respeitando todos os diplomas legais. Além do mais, o processo administrativo existe para que o Contribuinte, caso sintase prejudicado, possa provar o seu direito. No entanto, a Contribuinte não conseguiu provar, somente alegou, que sua incapacidade de prova foi causada pela demora do Fisco, em cobrar o seu débito. Como a maior interessada em receber o direito é a Contribuinte, esta deveria ter guardado os elementos necessários que comprovassem o seu alegado. Em outras palavras, o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para que seja efetivada a compensação, deve ser liquido e certo, segundo dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Contudo, no caso em tela, a Contribuinte não conseguiu comprovar a liquidez e certeza do valor do crédito por ela pleiteado. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário apresentado para afastar a preliminar de Decadência e no mérito, NEGAR provimento. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 10855.002236/9951 Acórdão n.º 1201001.108 S1C2T1 Fl. 621 5 É como voto. (Assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 627DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2 015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Numero do processo: 10865.000915/99-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992
Ementa: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.
O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vencidos ou vincendos decai no prazo de cinco anos da data da extinção do crédito tributário. Excepcionalmente, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, a qual foi submetida ao regime da repercussão geral, esse prazo é de dez anos para pedidos de restituição e compensação relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido formalizados até o início da vigência da Lei Complementar nº 118/2005.
Numero da decisão: 3201-001.909
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência, determinando à unidade de origem que examine os demais aspectos materiais do direito creditório, nos termos do relatorio
e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992 Ementa: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vencidos ou vincendos decai no prazo de cinco anos da data da extinção do crédito tributário. Excepcionalmente, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, a qual foi submetida ao regime da repercussão geral, esse prazo é de dez anos para pedidos de restituição e compensação relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido formalizados até o início da vigência da Lei Complementar nº 118/2005.
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DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vencidos ou vincendos decai no prazo de cinco anos da data da extinção do crédito tributário. Excepcionalmente, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, a qual foi submetida ao regime da repercussão geral, esse prazo é de dez anos para pedidos de restituição e compensação relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido formalizados até o início da vigência da Lei Complementar nº 118/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência, determinando à unidade de origem que examine os demais aspectos materiais do direito creditório, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO - Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA, LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES e DANIEL MARIZ GUDINO. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10865.000915/99-21 Acórdão n.º 3201-001.909 S3-C2T1 Fl. 241 2 Relatório Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da A Rigor Comércio e Representação Ltda., doravante referida apenas como Recorrente. Para bem contextualizar a controvérsia existente nos autos do presente processo, convém transcrever o relatório da decisão recorrida, in verbis: A interessada solicitou restituição de indébitos de Finsocial recolhidos acima da alíquota de 0,5%, no valor de R$ 12.404,94, conforme pedido de fl. 02 e demonstrativo de fl.07, referente ao período de apuração de 01/01/1991 a 31/03/1992, cumulado com pedidos de compensação de débitos de Cofins, IRPJ, CSLL e PIS às fls. 01, 23 e 29. O processo está instruído com as guias de recolhimento de fls. 08/22. Uma parte dos recolhimentos foram efetuados em 28/02/1994 e 24/03/1995. O restante, durante o ano de 1991. A DRF/Limeira, no Despacho Decisório de fls. 39/40, deferiu em parte a solicitação da contribuinte, autorizando o aproveitamento dos créditos relativos aos pagamentos realizados em 24/03/1995, referentes aos períodos 08/91, 09/91, 11/91, 12/91, 01/92 e 02/92. Como o pedido foi protocolado em 10/06/1999, conseqüentemente não alcança os pagamentos efetuados entre 15/02/1991 e 28/02/1994 em razão da decadência do direito de restituição/compensação. Cientificada do despacho a interessada apresentou manifestação de inconformidade às fls. 49/68, requerendo a reforma da decisão DRF para que seja autorizada a restituição do Finsocial para compensação com débitos de Cofins, IRPJ, CSLL e PIS, alegando, em resumo, que: · Decadência no caso de lançamento por homologação - normalmente o prazo decadencial começa a contar após a extinção do crédito pelo pagamento. Isso porém não se dá em se tratando de tributo cujo lançamento é feito por homologação, porque o pagamento é feito em condição resolutória. O art. 150, §4º do CTN estabelece o prazo de 05 (cinco) anos para a Fazenda efetuar a homologação do lançamento ou homologação tácita. Só então o crédito é considerado extinto. Assim, na hipótese, contados da data do fato gerador, temos 5 anos até a Fl. 241DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10865.000915/99-21 Acórdão n.º 3201-001.909 S3-C2T1 Fl. 242 3 extinção do crédito pela homologação tácita e mais cinco anos, daí em diante, para decair do direito de pedir repetição, totalizando, portanto, 10 anos. · Decadência contada a partir da declaração de inconstitucionalidade - a contagem do prazo decadencial iniciou-se na data da edição da Medida Provisória 1.110, de 30/08/1995, que reconheceu a impertinência da exação com eficácia "erga omnes". Citou acórdão do Conselho de Contribuintes nesse sentido. · Princípio da Moralidade Administrativa - O Despacho Decisório tentou modificar um entendimento que já vinha sendo adotado pacificamente pela Delegacia de Julgamento de Campinas de que o prazo decadencial é de cinco anos contados da data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. Com isso foram desrespeitados os princípios da segurança jurídica e da moralidade. · A legitimidade do crédito - ressaltou que o crédito é legítimo pois a impetrante encontrava-se sujeita à cobrança de PIS pelos decretos-lei considerados inconstitucionais e recolheu os tributos a maior conforme comprovado nos autos pelos Darf's e laudo técnico. · Pedidos - requereu a reforma total do Despacho Decisório, que sejam aceitos os cálculos apresentados e a suspensão da exigibilidade dos débitos constantes neste processo nos termos do art. 151, III do CTN. A decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 7867, de 26/04/2005, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, restou assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992 Ementa: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vencidos ou vincendos decai no prazo de cinco anos da data da extinção do crédito tributário. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra pedido de compensação indeferido não suspende a exigibilidade dos débitos objeto do pedido, por inadequação às hipóteses descritas no art. 151, do CTN. Solicitação Indeferida Fl. 242DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10865.000915/99-21 Acórdão n.º 3201-001.909 S3-C2T1 Fl. 243 4 Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em síntese, os argumentos suscitados em sua defesa inaugural. Além disso, pugnou pela reforma da decisão recorrida para que o direito creditório seja integralmente reconhecido. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudino O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Considerando que o único fundamento utilizado pela DRF/Limeira, e mantido pela DRJ/Ribeirão Preto, para não reconhecer a íntegra do crédito pleiteado pela Recorrente é a decadência parcial; que o STF decidiu, em sede de repercussão geral, que, para os pedidos formalizados até o início da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, deve ser observado o prazo de 10 (dez) anos para repetir ou compensar indébitos relativos a tributo sujeito a lançamento por homologação (Recurso Extraordinário nº 566.621); que o pedido de compensação ora analisado refere-se a tributos sujeitos a lançamento por homologação e foi protocolado em 1999, ou seja, antes do início da vigência da referida lei complementar; que os membros do CARF devem reproduzir as decisões do STF proferidas em sede de repercussão geral (art. 62-A do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF), DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, reconhecer integralmente o direito creditório da Recorrente e homologar o seu pedido de compensação. Conselheiro Daniel Mariz Gudino Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto - Redator designado para a formalização do acórdão Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 35564.006123/2006-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1996 a 30/06/1996
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.177
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, 4° do CTN.
Nome do relator: Adriana Sato
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Ni( • Ia hfr . . Processo e 35564.006123/2006-57 S2-C3TI Acórdão n.° 2301-00.177 Fl. 446 ACORDAM os membros da r Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que \O - se aplicava o artigo 150, 4° d 11 . „ glià J - I CE 3: VIEIRA GOMES sid te . • k • I 1 l • SATO : elatora • - Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo? 35564.00612312006-57 S2-C3T 1 Acórdão n.• 2301-00.177 Fl. 447 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em razão da solidariedade da empresa contratante COHAB com a prestadora de serviços H GUEDES ENGENHARIA LTDA. De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa prestadora de serviços foi contratada de acordo com o contrato n° 021/91 para execução de obras de infra estrutura para edificação de 1970 unidades habitacionais na gleba denominada "Jardim Celeste" e o número de matricula no INSS fornecida pela COHAB pertence a outra empresa, portanto, não foi fornecida comprovação de matrícula da obra pela empresa construtora. Foram efetuadas medições de acordo com o período de realização dos serviços conforme consta das notas fiscais de serviços, porém, essas medições não foram apresentadas à fiscalização para que se pudesse discriminar os serviços executados na obra e aplicar os percentuais relativos a cada tipo de serviço. O critério de aferição foi definido nas orientações contidas na IN 100/2003. Os valores foram levantados de acordo com o período de realização dos serviços, conforme discriminado nas notas fiscais de serviços e constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações dos segurados que prestaram serviços à tomadora por intermédio da prestadora, incluídas em nota fiscal/fatura de serviços. Os documentos examinados foram: livros diários da COHAB, notas fiscais/faturas e contratos de prestação de serviços. Em 04/05/2005 (fls.92 e 95), respectivamente, a Recorrente e a prestadora de serviços foram cientificadas da lavratura da NFLD. A Recorrente e a prestadora apresentaram impugnação tempestiva, e, a DN julgou o lançamento procedente (fls.233/239). Devidamente cientificadas da DN, somente a Recorrente apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: Deixou de efetuar o depósito administrativo por encontrar-se amparada por Mandado de Segurança; Ausência de solidariedade e do beneficio de ordem; Decadência; Inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa sebe; Aferição incorreta da remuneração com base nos serviços de infra-estrutura; A Recorrida apresentou contra-razões juntada às fls. 400/401. Encaminhado os autos para julgamento, a 4* Cai decidiu converter o julgamento em diligência (fls. 405/407). Após a ciência da Recorrente e da prestadora do decisório e da diligência, a Recorrente apresentou manifestação juntada às fls. 418/429. É o relatório. 3 Processo n°35564.006123/2006-57 S2-C3T I Acórdão n.• 2301-00.177 Fl. 448 Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n°08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os disposidvos, mantémse higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do C7'N. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa gi)g.4 e 4. Processo n°35564.006123/2006-57 . 52-C3T1 Acórdão n.°2301-00.177 EL 449 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n' 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 22 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1' O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173,1 do CTN. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento em 04/05/2005, ficam alcançadas pela decadência todas contribuições objeto deste lançamento. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para DAR PROVIMENTO ao recurso interposto. fSala , • Ses "I" -: , 04 de maio de 2009 •1 I I % AD ' . NA SA O - Relatora 5 Page 1 _0066300.PDF Page 1 _0066400.PDF Page 1 _0066500.PDF Page 1 _0066600.PDF Page 1
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