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Numero do processo: 10835.900401/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Jan 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
Ementa: PER/DCOMP. DIPJ. ANÁLISE. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO.
Intimado o sujeito passivo quanto à inconsistência nas informações do PER/Dcomp ou da DIPJ transmitidos é permitida a retificação do documento antes de proferido o despacho decisório, permanecendo o dever de demonstrar os valores indicativos do crédito informado na declaração retificada.
Numero da decisão: 1102-000.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ementa_s : Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 Ementa: PER/DCOMP. DIPJ. ANÁLISE. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO. Intimado o sujeito passivo quanto à inconsistência nas informações do PER/Dcomp ou da DIPJ transmitidos é permitida a retificação do documento antes de proferido o despacho decisório, permanecendo o dever de demonstrar os valores indicativos do crédito informado na declaração retificada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2005 Ementa: PER/DCOMP. DIPJ. ANÁLISE. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO. Intimado o sujeito passivo quanto à inconsistência nas informações do PER/Dcomp ou da DIPJ transmitidos é permitida a retificação do documento antes de proferido o despacho decisório, permanecendo o dever de demonstrar os valores indicativos do crédito informado na declaração retificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Leonardo de Andrade Couto, Gilberto Baptista, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/02 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida, que abaixo transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, relativo ao 3° trimestre de 2005. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/Dcomp, consta valor do saldo negativo (crédito) igual a zero. Cientificada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que os créditos utilizados em PER/DCOMP decorreriam de retenções do IRPJ na fonte em Notas Fiscais de Serviços, que teriam sido lançados na contabilidade da empresa na conta IRRF a recuperar para futura compensação com débitos da COFINS, consideradas as correções pela taxa Selic. Assim, requer revisão do despacho decisório recorrido, considerandose a seguinte documentação juntada aos autos: cópia do despacho decisório e de termos de intimação, cópias de algumas Notas Fiscais de Serviço (para exemplo), cópia da folha do razão/contabilidade, onde constariam o saldo acumulado do IRRF a recuperar e as compensações efetuadas. Ao final, requer seja acolhida a impugnação, por supostamente demonstrada a insubsistência e improcedência (total ou parcial) do despacho decisório. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto prolatou o Acórdão 1428.635 em 26/04/2010, negando provimento à impugnação tendo em vista não ter sido demonstrada a existência do direito creditório. A decisão foi consubstanciada na seguinte ementa: As s u n t o : I m p o s t o s o b r e a Renda d e Pessoa J u r í d i ca IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/02 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10835.900401/200868 Acórdão n.º 110200641 S1C1T2 Fl. 2 3 O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no trimestrecalendário. Devidamente cientificado da decisão, a interessada recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. Traz aos autos alguns documentos da escrituração e cópia do que seria a DIPJ retificadora concernente ao anocalendário de 2005. É o Relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/02 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO No PER/Dcomp de que trata o presente, formalizada em 14/03/2006, a interessada requer o reconhecimento do direito creditório correspondente ao saldo negativo do IRPJ apurado no 2° trimestre de 2005. Em primeira apreciação, a autoridade tributária não localizou o crédito pleiteado na DIPJ constante dos arquivos da Receita Federal do Brasil e expediu intimação, com ciência em 08/03/2007, a fim de que retificasse essa DIPJ ou apresentasse PER/Dcomp retificador com as informações corretas. O sujeito passivo quedouse inerte motivo pelo qual, decorrido um ano, foi prolatado despacho decisório não homologando o pleito. Na impugnação, a interessada sustenta que o crédito teria origem no IRRF incidente receita de prestação de serviços devidamente lançados na contabilidade da empresa. Após a decisão recorrida registrar que o IRRF quando devidamente comprovado, entra na composição do saldo negativo do IRPJ, mas não necessariamente corresponde a esse saldo, a interessada traz na peça recursal alguns documentos da escrituração que demonstrariam o IRRF, e a cópia do que seria a DIPJ retificadora do período em questão com indicação do saldo negativo pleiteado. De imediato, não se pode olvidar que a análise do PER/DCOMP deve se ater às informações nele contidas, pois é no bojo desse documento que constam, ou deveriam constar, as intenções do declarante. Daí porque, sem a retificação pertinente, o despacho decisório não poderia manifestarse de outra forma. Apesar de a decisão recorrida ter deixado clara a necessidade de que fosse demonstrada a retenção na fonte e a contabilização da receita correspondente, além da composição do saldo negativo do IRPJ, o sujeito passivo não apresentou a documentação pertinente. O IRRF de que trata a lide está identificado na página 3 do PER/Dcomp). Caberia, em relação aos valores ali informados, a apresentação das notas fiscais de prestação de serviços e, principalmente, dos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras com indicação da retenção. As duas únicas notas fiscais trazidas aos autos indicam como fonte pagadora um CNPJ que não coincide com nenhum daqueles indicados no PER/Dcomp. Os documentos apresentados na peça recursal consistem em cópias de balancetes, livro Diário e Razão, sem identificação específica que permita fazer alguma associação com os valores pleiteados, a fim de que fosse atestada a contabilização da receita concernente ao IRRF. No que se refere à DIPJ retificadora, foi apresentada após o despacho decisório e não há maiores informações quanto ao seu processamento. Além disso, a entrega da retificadora por si só não supre a necessidade de comprovação dos saldos negativos do IRPJ nela informados o que, como já exposto, não ocorreu. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/02 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10835.900401/200868 Acórdão n.º 110200641 S1C1T2 Fl. 3 5 Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/02 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720001/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 30/04/2001 a 31/07/2001
COFINS. PAGAMENTO DO DÉBITO APÓS O TRINTÍDIO DO ARTIGO 63, § 2º, DA LEI 9.430/96. RECOLHIMENTO EFETUADO MAIS DE 30 DIAS APÓS A PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO QUE REVOGOU A DECISÃO SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO. EXIGÊNCIA DE MULTA.. OBTENÇÃO AFINAL DE DECISÃO PELO CONTRIBUINTE NO STF PELA INCONSTITUCIONALIDADE DA AMPLIAÇÃO DA BASE DA COFINS E CONSTITUCIONALIDADE DO AUMENTO DE ALÍQUOTA. LEI 9.718/98. MULTA DEVIDA EM PARTE.
Considerando decisão final favorável em parte obtida pelo Contribuinte no STF deve ser afastada a multa parcialmente, cujo lançamento decorre do fato dos valores do tributo discutido terem sido recolhidos após o prazo de 30 dias do acórdão, que revogou a sentença que havia concedido a segurança.
Provimento parcial ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 3301-001.033
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou pele empresa Ruy Gustavo dos Santos Pontes, CPF nº 057.734.43406.
Nome do relator: Fábio Luiz Nogueira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 30/04/2001 a 31/07/2001 COFINS. PAGAMENTO DO DÉBITO APÓS O TRINTÍDIO DO ARTIGO 63, § 2º, DA LEI 9.430/96. RECOLHIMENTO EFETUADO MAIS DE 30 DIAS APÓS A PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO QUE REVOGOU A DECISÃO SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO. EXIGÊNCIA DE MULTA.. OBTENÇÃO AFINAL DE DECISÃO PELO CONTRIBUINTE NO STF PELA INCONSTITUCIONALIDADE DA AMPLIAÇÃO DA BASE DA COFINS E CONSTITUCIONALIDADE DO AUMENTO DE ALÍQUOTA. LEI 9.718/98. MULTA DEVIDA EM PARTE. Considerando decisão final favorável em parte obtida pelo Contribuinte no STF deve ser afastada a multa parcialmente, cujo lançamento decorre do fato dos valores do tributo discutido terem sido recolhidos após o prazo de 30 dias do acórdão, que revogou a sentença que havia concedido a segurança. Provimento parcial ao recurso voluntário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2001 a 31/07/2001 COFINS. PAGAMENTO DO DÉBITO APÓS O TRINTÍDIO DO ARTIGO 63, § 2o, DA LEI 9.430/96. RECOLHIMENTO EFETUADO MAIS DE 30 DIAS APÓS A PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO QUE REVOGOU A DECISÃO SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO. EXIGÊNCIA DE MULTA.. OBTENÇÃO AFINAL DE DECISÃO PELO CONTRIBUINTE NO STF PELA INCONSTITUCIONALIDADE DA AMPLIAÇÃO DA BASE DA COFINS E CONSTITUCIONALIDADE DO AUMENTO DE ALÍQUOTA. LEI 9.718/98. MULTA DEVIDA EM PARTE. Considerando decisão final favorável em parte obtida pelo Contribuinte no STF deve ser afastada a multa parcialmente, cujo lançamento decorre do fato dos valores do tributo discutido terem sido recolhidos após o prazo de 30 dias do acórdão, que revogou a sentença que havia concedido a segurança. Provimento parcial ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanhou pele empresa Ruy Gustavo dos Santos Pontes, CPF nº 057.734.43406. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) FÁBIO LUIZ NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 19/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez López, Antonio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira, José Adão Vitorino de Morais e Maurício Taveira e Silva. Relatório O Contribuinte VIVO S.A. devidamente qualificado nos autos, recorre a este Conselho, através do recurso de fls. 205 e seguintes, contra o acórdão nº 1520.447, de 26/08/2009, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA, fls. 196/201, que julgou improcedente a impugnação do Contribuinte e manteve o crédito tributário representado pelo valor de multa, consoante a seguinte Ementa: ASSUNTO; CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. Os embargos de declaração opostos em face de acórdão que deu provimento à apelação da União Federal não constituem causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário Assim os valores recolhidos após trinta dias da revogação de medida judicial suspensiva, sem o acréscimo da multa moratória, não extinguem totalmente o crédito tributário, devendo a diferença ser exigida de ofício.. Impugnação improcedente. Crédito tributário mantido. O Relatório da DRJ traz o relatório nos seguintes termos, aos quais me reporto: Tratase de Auto de Infração, decorrente de auditoria interna dos valores informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), que pretende a cobrança de multa Fl. 239DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.720001/200729 Acórdão n.º 330101.033 S3C3T1 Fl. 239 3 de mora devida sobre a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS recolhida em atraso, relativa aos períodos de apuração de abril a junho de 2001. Cientificada da exigência fiscal por via postal em 29/07/2003, conforme fotocópia do Aviso de Recebimento – AR à fl. 09, a autuada apresenta em 26/08/2003 a Impugnação de folhas 1 / 2, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: A multa ora autuada decorre de um suposto pagamento em atraso da COFINS em razão da reforma da reforma de sentença favorável (precedida de liminar) nos autos do Mandado de Segurança no. 2000.33.00.0008318, na qual se discute a ampliação da base de cálculo da referida contribuição pela Lei no. 9.718, de 1998; 2 – O art. 63, § 2o. da Lei no. 9430, de 1996, dispõe que, em caso de cassação ou revogação de medida liminar suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, o contribuinte terá 30 dias para pagamento do débito tributário, com juros, mas sem a multa de mora; 3– Com base no citado § 2o do ar. 63 da Lei no. 9.430, de 1996, a Fazenda Nacional considerou como termo inicial do trintídio para pagamento do tributo sem a multa de mora o dia da publicação do acórdão que deu provimento ao recurso de apelação da União Federal, em 25/05/2001, e assim como a impugnante quitou o débito somente em 17/08/2001, ou seja, mais de 30 dias após a publicação do acórdão, o Fisco entendeu devidas a multa de mora, lavrando o Auto de Infração; 4 – Porém, esse entendimento não pode prosperar, porque o acórdão que reformou a sentença concessiva da segurança não teve eficácia imediata após sua publicação, pois foram opostos embargos de declaração por parte da impugnante, adiandose a revogação dos efeitos da liminar e, consequentemente, mantendose suspensa a exigibilidade do crédito tributário até publicação do acórdão que rejeitou os embargos declaratórios, ocorrida em 03/05/2002, ou seja, muito após o pagamento dos tributos, em 25/05/2001; 5 – Os embargos declaratórios têm o condão de interromper – e não meramente suspender – a contagem do prazo para outros recursos, consoante disposição expressado art. 538 do Código de Processo Civil, sendo que o próprio CPC esclarece, em seu art. 46, parágrafo único, o sentido do termo “interrupção”; 6 – Somente em hipótese onde os embargos declaratórios possuem fim manifestamente protelatórios – comum em casos onde vários embargos de declaração são interpostos contra a mesma decisão – é que o Tribunal poderá, expressa e excepcionalmente, determinar a produção de efeitos imediatos da decisão embargada. Fl. 240DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Citando jurisprudência e doutrina, a Decisão Recorrida afasta essas alegações entendendo que os embargos de declaração não se prestam para manter a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, restando configurada a inadimplência e correta a exigência da multa pelo depósito em atraso. O Contribuinte apresentou recurso voluntário pedindo a reforma do Acórdão da DRJ. No recurso, reproduz os argumentos já expostos e acrescenta um fato novo, que é o julgamento favorável pelo STF, do seu recurso extraordinário no processo judicial, conforme documento que acosta aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Fábio Luiz Nogueira Conforme noticiado e demonstrado em seu recurso voluntário, o Contribuinte obteve decisão final favorável no C. STF, no julgamento do recurso extraordinário RE 508758, nos autos da AMS 200033000008318 – Relator Ministro Cezar Peluso, quanto à ampliação da base de cálculo da COFINS pelo parágrafo 1o do artigo 3o, da Lei 9.718/98. Entretanto, analisando as peças juntadas daqueles autos (v.g. petição inicial e sentença – fls. e fls.), verifiquei que o processo judicial discutia, também, o aumento da alíquota da COFINS, pelo artigo 8o, da Lei 9.718/98. E segundo informações junto ao “site” do STF, o provimento do STF ao recurso extraordinário foi apenas parcial, ou seja, em relação à ampliação da base de cálculo, conforme precedentes daquela Corte. Quanto ao aumento da alíquota, um agravo regimental do Contribuinte restou improvido, também consoante decisões em sede de repercussão geral, tendo o STF decidido pela constitucionalidade do aumento de alíquota. Os demonstrativos do auto de infração, de fls. 39 e seguintes, trazem informação manuscrita, no sentido de que os valores em discussão referemse, também, ao aumento de alíquota da COFINS, pela mesma Lei. Portanto, entendo que se faz necessário entrar na discussão quanto à manutenção da suspensão ou não da exigibilidade do crédito tributário, diante da oposição de embargos declaratórios em face de decisão que revoga a anterior (liminar, tutela antecipada, sentença, acórdão) suspensiva da exigibilidade, diante do disposto no parágrafo 2o, do artigo 63, da Lei 9.430/96, base para a cobrança da multa pelo auto de infração. Dispõe o mencionado dispositivo: Artigo 63 ... ... Parágrafo Segundo – A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (destaques acrescidos). Fl. 241DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.720001/200729 Acórdão n.º 330101.033 S3C3T1 Fl. 240 5 Entendo que, quando da oposição dos embargos declaratórios pelo Contribuinte, já existia a decisão considerando devido o tributo, ou seja, justamente a decisão embargada, que revogou a causa de suspensão da exigibilidade do tributo, no caso, a sentença em mandado de segurança. E os embargos de declaração como cediço visam apenas esclarecer a decisão anterior e só excepcionalmente podem vir a ter caráter infringente, assumindo, neste último caso, característica de verdadeiro recurso (devendo a outra parte, inclusive, ser intimada para respondêlo), o que, no meu modo de ver, em nada auxilia a tese do Contribuinte, porque se for um recurso para modificar a decisão, o efeito do recurso em mandado de segurança é apenas devolutivo. Considerando o que foi exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para o fim de considerar indevida a multa proporcionalmente ao valor representado pela ampliação da base de cálculo da COFINS, diante da decisão final obtida pelo Contribuinte no STF e mantida a multa relativa ao aumento da alíquota da contribuição, na proporção do débito pago, também em razão da decisão no STF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábio Luiz Nogueira Relator Fl. 242DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por FABIO LUIZ NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10921.000853/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/01/2004 a 17/12/2004
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração.
MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010.
O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde acompanhou o relator pelas conclusões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Alexandre Gomes.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc.
EDITADO EM: 19/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde acompanhou o relator pelas conclusões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Alexandre Gomes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 08 53 /2 00 8- 79 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302002.734 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 19/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório de decisão recorrida, por bem refletir a contenda. O presente Auto de Infração, no valor de R$ 440.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõem os artigos 37 e 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 03/09), a apuração da infração dáse a cada viagem do veiculo transportador em que tenha havido o registro de dados de embarque fora do prazo estipulado pela RFB, cujas cargas estão amparadas nas Declarações de Despacho de Exportação DDEs, por amostragem, constantes da relação de fls. 130/131, na qual também constam os nomes dos navios, as datas dos embarques, as datas dos fatos geradores e as datas dos registros dos respectivos dados, extraídos das consultas ao sistema Siscomex, conforme extratos juntados. Frisa que não é determinante para o cálculo do valor da multa a quantidade de despachos de exportação cujos dados de embarques não foram informados tempestivamente, que, neste caso, somam a quantidade de 6.029, conforme relação As fls. 22/129. Informa que as informações foram registradas pelo autuado após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da Instrução Normativa SRF n°28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005. Intimada da autuação (fl. 02), a interessada apresentou a impugnação de fls. 312/336, na qual, em breve síntese: Ilegitimidade Passiva: alega a sua ilegitimidade passiva, uma vez que não é empresa transportadora, mas mero agente marítimo e, nesta condição, não responde pela infração. Sendo representante do transportador, limitada fica a sua atividade como um mandatário mercantil. Da Denúncia Espontânea: alega que a impugnante providenciou, por conta e ordem do transportador, o registro dos dados dos embarques efetivados, anteriormente a qualquer ação fiscal, não cabendo a infração descrita como "não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada". Afirma ser pacifica a possibilidade de denúncia espontânea da infração na área aduaneira, o que afasta a responsabilidade do sujeito passivo. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302002.734 S3C3T2 Fl. 4 3 Da aplicação da multa singular para infrações de natureza continuada: argui que as infrações de uma mesma origem, apuradas em uma única ação fiscal, devem ser consideradas como infração continuada para aplicação de penalidade cabível, não sendo razoável efetuar o somatório da sanção por embarcação, em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer, pelos motivos expostos e porque não houve qualquer embaraço, dificuldade ou mesmo impedimento â. ação fiscal em tela, a desconstituição do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Segunda Turma de Julgamento, por unanimidade de votos julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 01.11.11, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 24.11.11. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator ad hoc. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Preliminar de ilegitimidade passiva. Alegou a recorrente que a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003, objeto do auto de infração em apreço, não podia serlhe cominada, pois sua “figura” de agente transportador marítimo, não se confundiria com o próprio transportador marítimo, o real responsável pela prestação de informações à Secretaria da Receita Federal. Verifico não assistir razão à Recorrente neste tópico. Vejamos. Nos termos do artigo 107, inciso IV, aliena “e” do DecretoLei º 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, temos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...). e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no Fl. 720DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302002.734 S3C3T2 Fl. 5 4 prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. A norma exposta indica expressamente que, além da empresa de transporte internacional, também o agente de cargas pode ser penalizado caso deixe de prestar informações relativas aos dados de embarque, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Comprovada a vinculação entre o Recorrente e o transportador marítimo, não há que se falar em ilegitimidade passiva daquele que foi responsável pela coleta e aposição das informações acerca das importações no sistema, em sendo o sujeito passivo o representante do transportador marítimo no país. Ademais, o E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do RESP 1129430, Relator Ministro Luiz Fux (Matéria julgada pelo STJ no regime do art. 543C / Recursos Repetitivos), assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do Decreto Lei 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porquanto inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Portanto, na condição de agência marítima e mandatário do transportador, a recorrente é também responsável por prestar as informações acerca da carga transportada pelo seu representado. Assim, demonstrada a legitimidade passiva da recorrente, rejeitase a alegação preliminar. Da denúncia espontânea e da inaplicabilidade da infração aduaneira. Alega a Recorrente estar amparada pelo instituto da denúncia espontânea, tendo em vista que todas as informações necessárias à importação da mercadoria foram prestadas antes de iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, isentando dessa forma qualquer responsabilidade da Recorrente. O presente lançamento está fundamentado no seguinte dispositivo: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302002.734 S3C3T2 Fl. 6 5 § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." Adiante o artigo 107 do mesmo diploma legal prevê: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12.2003) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" Por fim, nos termos do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66 temos: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Até a entrada em vigor da Lei nº 12.350/10, discutiase muito acerca da aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN e no art. 102 do DecretoLei nº 37/66, nos casos relativos a descumprimento de obrigações acessórias e respectivas multas administrativas. A partir de então, o que se percebe do texto legal é que a inovação trazida pela Lei nº 12.350, de 2010, veio a ampliar o alcance do instituto da denúncia espontânea, no âmbito da legislação aduaneira, para excluir dentre as hipóteses de aplicabilidade apenas as penalidades incidentes na hipótese de sujeição a perdimento. Ou seja, intenta alcançar as penalidades de natureza tributária e também as de natureza administrativa. O dispositivo legal, de per si, pode ser extensivamente interpretado. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302002.734 S3C3T2 Fl. 7 6 Assim, após a inclusão do § 2º, artigo 102 do DecretoLei nº 37/66, pela Lei nº 12.350/10 não restam mais dúvidas quanto a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea em relação às penalidades administrativas. Neste sentido o seguinte julgado: “PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. PROVAS A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. No âmbito da legislação aduaneira, o instituto da denúncia espontânea aplicase para exclusão de penalidade de natureza tributária ou administrativa”. Grifos nossos. (Acórdão nº 3402002.245. Sessão 24.10/2013 Neste ponto, destacamos o art. 106 do CTN, que prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302002.734 S3C3T2 Fl. 8 7 Assim, superada esse tópico, bem como demonstrado, no caso dos autos, que todas as informações foram prestadas anteriormente a qualquer procedimento administrativo, cuja materialização – o auto de infração fora lavrado em 03.12.2008, posteriormente à prestação das informações, não haveria o que se falar em aplicação de penalidades ao contribuinte. Primeiro motivo para seu cancelamento. Outro aspecto que devemos considerar é que a multa prescrita no artigo 107, IV “e” do Decreto nº 37/66, decorre de omissão da contribuinte que deixou de observar o prazo estabelecido em Instrução Normativa. Assim, uma vez transcorrido o prazo normativo e persistindo a omissão do contribuinte quanto às informações que está obrigado a fornecer à administração aduaneira, a autoridade competente pode e deve instaurar procedimento fiscal com vista ao lançamento da multa cominada pela lei. Todavia, antecipandose o Recorrente à fiscalização, com o adimplemento da obrigação acessória, não há mais que considerar a tese da fiscalização quanto a aplicação da multa punitiva, visto que o motivo, o fato gerador da multa não mais existiria, cumprida a obrigação acessória. De fato, às fls. 130, verificase que foram devidamente prestadas todas as informações pela recorrente anteriormente a 08/12/2008, data da lavratura do auto, sendo a última informação prestada datada de 29/12/2004, que deveria ter sido prestada em 16/12/2004. Diante disso, e da omissão da fiscalização em averiguar o cumprimento dos prazos pelo contribuinte tempestivamente, contribuinte este que prestou as informações requeridas, merece pois o cabimento do previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. Da aplicação da multa singular infrações de natureza continuada. Por fim, alega a Recorrente que no presente caso deveria ser aplicado “... as infrações de uma mesma origem, apuradas em uma única ação fiscal, devem ser consideradas como infração continuada para aplicação da penalidade cabível.” Caso mantida a multa apreciada anteriormente, cabível a discussão se esta infração seria continuada, e portanto haveria a incidência de uma penalidade, em vez da aplicação de várias multas ao longo do período. Entendo, nesse caso, ser esta uma infração de caráter continuado, a ser considerada como uma única infração, resultando na imposição de multa singular, a ser fixada de acordo com a gravidade da infração cometida, ainda que ocorram em momentos sucessivos delimitados por um breve período de tempo. Neste sentido, Paulo José da Costa Junior e Zelmo Denari sustentam: “O instituto penal dos crimes continuados supõe que crimes da mesma espécie sejam praticados em tais condições de tempo, lugar e maneira de execução que os subsequente sejam havidos como continuação dos precedentes. Nesta hipótese, a lei penal prevê a aplicação da pena de um só dos crimes, ou a mais grave Fl. 724DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302002.734 S3C3T2 Fl. 9 8 se diversos, aumentada de um sexto a dois terços (conforme art. 71 do Código Penal). Na área tributária, é possível, da mesma sorte, sustentar, em tese, a ocorrência de violações continuadas à lei tributária, caracterizadas pela prática sucessiva de infrações da mesma espécie, de tal sorte que, presentes as condições de tempo, lugar e maneira de execução, possam ser qualificadas como infrações continuadas. Um dos exemplos mais flagrantes de infrações continuadas é o que decorre da falta sistemática de emissão de documentos fiscais. De todo modo, nossa legislação não as contempla, o que faz crer que devemos dispensarlhes o mesmo tratamento do concurso material de infrações: cumulam se as penas pecuniárias aplicadas às infrações ainda que continuadas. (grifo nosso) (COSTA JÚNIOR, Paulo José da; DENARI, Zelmo. Infrações Tributárias e Delitos Fiscais. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 2728. A obra foi agraciada com o prêmio "Livro do Ano de 1995" pela Academia Brasileira de Direito Tributário) Em matéria aduaneira, inexiste previsão legal específica, muito embora o artigo 99 do DecretoLei nº 37/66 assim o preveja: “Art.99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. § 1º Quando se tratar de infração continuada em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações, serão eles reunidos em um só processo, para imposição da pena. § 2º Não se considera infração continuada a repetição de falta já arrolada em processo fiscal de cuja instauração o infrator tenha sido intimado.” Como podemos perceber o referido diploma legal referese a um aspecto formal da junção de processos, quando se refere a “infração continuada”. Todavia, muito embora haja uma lacuna no ordenamento jurídico quanto a aplicação específica da infração continuada às infrações de natureza aduaneira, podemos nos apoiar tanto no art. 99 retromencionado, como também na jurisprudência do Poder Judiciário. Adiante: DIRETO ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO ADMINISTRATIVO C.C. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CERCEAMENTO DE DEFESA E AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO/MOTIVAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO INOCORRÊNCIA PRODUTO TABELADO NOS TERMOS DA RESOLUÇÃO CIP Nº 294/88 LEGITIMIDADE DECRETO Nº 63.196/68 MULTA DA SUNAB POR MAJORAÇÃO DE PREÇOS LEI DELEGADA Nº 4/62 LEGITIMIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO NÃO COMPROVAÇÃO DE VÍCIOS EXIGÊNCIA MANTIDA APELAÇÃO DESPROVIDA. I O indeferimento de provas pautouse no disposto no art. 37, § 1° do Ato anexo à Portaria n° Fl. 725DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302002.734 S3C3T2 Fl. 10 9 51/86 que rege o processo administrativo de apuração das infrações à Lei Delegada n° 4/62. Com efeito, no caso em tela, a defesa apresentada pela autora na via administrativa (fls. 57/80) trouxe como documentos apenas as normas aplicáveis ao caso discutido e decisões proferidas na via judicial (fls. 105/204). Portanto, deveria a empresa, por ocasião de sua defesa, apresentar o laudo técnico sobre o produto que ensejou a autuação, a teor do que dispõe o artigo em referência, o que não foi feito à época. II De outro lado, não demonstrou, igualmente, a existência de força maior a justificar a concessão de novo prazo para a sua juntada, motivo pelo qual não há qualquer vício no procedimento fiscal a ensejar sua anulação. III Inexiste a alegada fundamentação insuficiente e a ausência de motivação do ato administrativo, posto que a fiscalização elencou de forma minuciosa as razões de fato e de direito que ensejaram a lavratura do auto de infração, o qual se encontra suficientemente motivado a fim de possibilitar a defesa da apelante. IV A matéria sob controvérsia nestes autos diz respeito ao controle de preços, especialmente ao congelamento de preços aos níveis dos determinados pelo Conselho Interministerial de Preços CIP, estabelecidos com vistas à estabilização da economia e controle do abastecimento e do processo inflacionário. V Está pacificado que as normas de controle de preços, assim como os DecretosLei nº 2.283 e nº 2.284, de 1986 eram constitucionais e válidas no âmbito do poder do Estado para intervenção na economia. VI Em relação aos materiais objeto da autuação, a perícia realizada nos autos (fls. 348/372) comprovou que se tratam de fios isolados eletricamente, os quais diferem do fio meramente revestido. Diante da definição do material objeto de autuação fiscal, a questão a ser resolvida, nesse momento, referese em saber se a Resolução CIP nº 294/88 poderia tabelar os preços dos produtos arrolados no aludido Auto de Infração, os quais encontravamse com os preços liberados pela Portaria nº 353/87 do Ministro da Fazenda. VII A Resolução CIP nº 294/88 foi editada com o intuito de dar execução à Lei Delegada nº 4/62, assim como ao DecretoLei nº 2.335/87 e à Portaria do Ministro da Fazenda nº 297/87. VIII Nos termos do Decreto nº 63.196/68, cabe ao Conselho Interministerial de Preços fixar e promover a execução de medidas destinadas à implementação de regulação de preços, observada a orientação da política econômica governamental. Desse modo, a Resolução expedida pelo CIP tem legitimidade para regular os preços, tal como se deu com a Resolução combatida nesta demanda, a qual revogou a Portaria Ministerial nº 353/87, por total incompatibilidade entre as normas. IX Em relação à aplicação da penalidade imposta à apelante, no montante de NCZ$ 8.492,20 (oito mil, quatrocentos e noventa e dois cruzados novos e vinte centavos), o qual resultou do arbitramento individual de cada infração cometida, no valor de NCZ$ 424,61 (quatrocentos e vinte e quatros cruzados novos e sessenta e um centavos), correta a autoridade fiscal. X No caso em exame, a r. sentença entendeu que o auto de infração ao apurar a venda de mercadorias com preços acima da tabela a vários clientes e em momentos diversos no período de 17 a 29 de Fl. 726DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302002.734 S3C3T2 Fl. 11 10 novembro de 1988, aplicou corretamente a penalidade imposta, por se tratarem de infrações diversas. XI Tal entendimento deve ser reformado. XII Constitui infração continuada, a ser considerada como uma única infração, conforme o § 3º do mesmo dispositivo legal, quando "a apuração das infrações ocorre em uma mesma autuação, e constatada a seqüência de várias infrações da mesma natureza, permitese a imposição de multa singular, a ser fixada de acordo com a gravidade da infração cometida, acrescida de até 2/3 (dois terços) do valor da primeira delas, conforme disposto no artigo 46 da Portaria nº 51/86 da SUNAB" (TRF 3ª Reg., 6ª T., vu. AC 207662, Processo: 94030808489 UF: SP. J. 24/08/2005, DJU 09/09/2005, p. 628. Rel. Des. Fed. LAZARANO NETO), "ainda que ocorram em momentos sucessivos delimitados por um breve período de tempo" (TRF 3ª Reg., 4ªT., vu. AMS Processo: 92030023496 UF: SP. J. 02/03/1999, DJ 11/05/1999, p. 548. Rel. SOUZA PIRES). XIII No caso dos presentes autos, tratase de infrações continuadas, em razão da seqüência de infrações de igual natureza (mesma alínea) em curto período (apenas alguns meses) e apuradas em um mesmo Auto de Infração, pelo que assim deveria ter sido considerado pela Administração, conforme disposto no §3º do art. 23 da Portaria 51/86. A infração apurada no Auto de Infração deve ser mantida, mas a multa deve ser recalculada com base nos parâmetros legais das infrações continuadas, na forma exposta. XIV De outro lado, restou atendido o princípio da razoabilidade e proporcionalidade entre a infração cometida e a penalidade imposta, consoante bem asseverou a r. sentença ao observar que no Relatório Econômico anexo ao auto de infração, a empresa se enquadra como de grande porte, haja visto o elevado montante de suas vendas. XV Sentença parcialmente reformada nos termos do ora exposto, reconhecendose a parcial procedência da ação e a sucumbência recíproca para fins de compensação da verba honorária (CPC, art. 21, caput) e reembolso pela ré de metade das custas processuais desembolsadas pela autora. XVI Apelação da autora parcialmente provida. (AC APELAÇÃO CÍVEL – 1266647. Rel. JUIZ CONVOCADO SOUZA RIBEIRO. DJ 08.09.2009)grifos nossos ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. SUNAB. LEI DELEGADA 4/62. AUTUAÇÕES FISCAIS. INFRAÇÕES CONTINUADAS. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. QUESTÃO APROPRIADAS A SOBERANIA DAS INSTANCIAS ORDINÁRIAS. PREQUESTIONAMENTO. IMPRECISÃO NA INDICAÇÃO DE PADRÕES LEGAIS APONTADOS COMO MALFERIDOS. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CPC, ART. 541 E PARÁGRAFO ÚNICO. SUMULAS 7 E 126/STJ. 1. O PREQUESTIONAMENTO E IMPOSITIVO. A DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DEVE OBEDIÊNCIA AS DISPOSIÇÕES DO ART. 541, PARÁGRAFO ÚNICO, CPC. DESATENDIDOS OS SEUS REQUISITOS FICA OBSTADO O CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. 2. AS INFRAÇÕES SEQUENCIAIS, FERINDO O MESMO OBJETO DA TUTELA JURIDICA, GUARDANDO Fl. 727DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 3302002.734 S3C3T2 Fl. 12 11 AFINIDADE COM IGUAL FUNDAMENTO FATICO, CONSTITUINDO COMPORTAMENTO DE FEIÇÃO CONTINUADA, ESTÃO SUJEITAS A UMA UNICA SANÇÃO, APLICADO E GRADUADO O APENAMENTO CONFORME A SUA INTENSIDADE, REITERAÇÃO E CONSEQUENCIAS DANOSAS A ECONOMIA POPULAR. TIPIFICAÇÃO QUE DEVE SER DEMONSTRADA EM SINGULAR AUTO DE INFRAÇÃO. 3. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS ITERATIVOS. 4. RECURSO DA PARTE IMPETRANTE PARCIALMENTE CONHECIDO E PROVIDO. NÃO CONHECIDO O RECURSO DA SUNAB. (RESP RECURSO ESPECIAL – 94635. Rel. Milton Luiz Pereira. DJ 04.08.1997). Grifos nossos. Por todo exposto, conheço do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, para provêlo para cancelar o auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator ad hoc. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10108.000102/2007-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 19/01/2006 a 28/11/2006
INTERPOSIÇÃO PRESUMIDA. PENA. JUSTIFICADA.
A interposição presumida encontra configurada e demonstrada pelo fisco, cabia a Interessada contrariar as afirmações do Fisco, restou claro que importações não foram realizadas para a recorrente, visto afirmar que os recursos financeiros vinham de adiantamentos, deixando de comprovar satisfatoriamente à origem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Domingos de Sá Filhio
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F. DA SILVA SOARES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 19/01/2006 a 28/11/2006 INTERPOSIÇÃO PRESUMIDA. PENA. JUSTIFICADA. A interposição presumida encontra configurada e demonstrada pelo fisco, cabia a Interessada contrariar as afirmações do Fisco, restou claro que importações não foram realizadas para a recorrente, visto afirmar que os recursos financeiros vinham de adiantamentos, deixando de comprovar satisfatoriamente à origem. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 10 8. 00 01 02 /2 00 7- 65 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Versa o Recurso apresentado pela Interessada contra o Acórdão que manteve na integra o lançamento resultante da transformação da pena de perdimento em multa equivalente ao preço aduaneiro das mercadorias importadas. Acusa a Recorrente de não ter suporte financeiro necessário ao custeio das importações procedidas no período de 19.01.2006 a 28.11.2006, que a mesma não logrou comprovar a origem dos recursos utilizados nas quitações com os seus fornecedores, o que no entendimento da Autoridade Fiscal é o bastante para configurar aplicação da presunção legal de interposição fraudulenta como prevista pelo Decreto lei nº 1.455/76, art. 23, § 2º, com a redação lhe atribuída pelo art. 59 da lei nº 10.637/2002, art. 59. Narra o relatório fiscal que o capital social inicial da Recorrente era de R$ 10.000,00 (dez mil reais), posteriormente aumentado para o montante de R$ 60.000,00(sessenta mil reais), cujo recurso foi proveniente de empréstimo entre a titular da empresa individual, Saleth Fernandes da Silva Soares e o senhor Hassan Moussa Zeineddine. A Fiscalização aponta no contrato de empréstimo a falta de remuneração e outros pontos que no seu entender deixou de atender prescrições contidas em Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil. Segundo o Fisco a senhora Saleth Fernandes da Silva Soares ME, também não logrou comprovar a transferência para o seu patrimônio da quantia correspondente ao aumento do capital social. Destaca que o senhor Hassan Moussa Zeineddine é o contato entre a Interessada e o cliente de vestuário a empresa Hussein Moussa Zeineddine. A Recorrente se debate em demonstrar que possui condições financeiras capaz de suportar todas as aquisições externas, que conta com financiamento dos seus fornecedores, principalmente, àqueles envolvidos no comércio de madeiras importadas da Bolívia, em alguns momentos se socorre de adiantamentos de seus clientes, basicamente quanto ao pagamento de impostos. Assegura que tomou capital de giro (giroflex) junto a Caixa Econômica Federal com objetivo único de financiar as Importações. Diz ainda mais, que a exigência da Autoridade Fiscal da exibição das cópias das declarações de renda dela e do Sr.Hassan Moussa Zeineddine, configura quebra de sigilo. A recorrente fez juntar cópias de extratos bancários, relação dos clientes e fornecedores. A decisão hostilizada manteve na integra o lançamento ao argumento da existência de materialidade da incapacidade financeira, o que caracteriza interposição fraudulenta, principalmente que a recorrente não conseguiu demonstrar a origem dos recursos utilizados nas importações. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10108.000102/200765 Acórdão n.º 3403003.651 S3C4T3 Fl. 7 3 A matéria trazida nesse voluntário se refere aplicação da multa em substituição à pena de perdimento em decorrência de interposição fraudulenta de terceiros. O Decreto Lei 1.455/76, com a redação da Lei 10.636/02, art. 23: “Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias:.. V estrangeiras ou nacionais, na importação na exportação na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediane fraude ou simulação, inclusive a intgerposição fraudulenta de terceitos. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias; § “2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.” A legislação atinente ao assunto, Lei nº 10.637/02, menciona duas figuras delituosas, a simulação e interposição fraudulenta. Essa mesma norma prescreve as regras, as condições para que se possa presumir a interposição fraudulenta, considera para tanto, quando constatado a presença de algumas determinadas condições, entre essas se destaca: a não comprovação da origem; b) disponibilidade e transferência do recursos empregados. Segundo a doutrina essa presunção é condição para a qualificação de uma das situações acima identificadas como é o caso da hipótese de ocultação do comprador ou de responsável pela operação. A investigação sobre a real situação fiscal da empresa importadora se impõe com finalidade de apurar ocorrência de uma das condições capaz de configurar interposição fraudulenta. Se constatado indícios de infração punível com a pena de perdimento, legitima a retenção das mercadorias importadas, não localizadas, impõe a transformação da perda em multa equivalente ao valor aduaneiro. Afirmam que o fato de a empresa ter adquirido com recurso financeiro próprio ou de terceiro as mercadorias importadas, não afasta a existência de acobertamento, apenas teria o condão de tãosó alterar a natureza da operação de acobertamento, do adquirente para o encomendante. Nessa matéria sou resistente aceitar como indicio de uma infração a simples menção da incapacidade financeira do Importador, tomando como fonte de averiguação o balanço patrimonial da empresa, tenho que a investigação deve ser mais profundadas do que as simples comparações, muitas das vezes trazidas nos relatórios fiscais. No caso concreto a Interessada declara expressamente que os recursos financeiros muitas das vezes são fornecidos pelos clientes, ou a título de antecipação para pagar impostos ou para efetuar pagamento aos fornecedores, ressaltase, como restou demonstrado nos autos, antes da conclusão da aquisição dos bens no exterior. Também não pode prevalecer alegação da Interessada de que muitos das vezes os próprios fornecedores financiam as aquisições concedendo prazo para pagamento sem comprovação dessa condição por meio de documento idôneo, não basta o argumento, esse deve estar acompanhado de prova concreta. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Comungo com o entendimento do Julgador de Piso que o valor referente ao aumento do capital social, independemente da origem alegada pela titular da empresa individual, deveria ter sido depositado em uma instituição financeira. Assim, como deveria ter demonstrado o fluxo de caixa no período fiscalizado, contabilizando as receitas de venda, efetivamente recebidas, bem como, os desembolsou, principalmente, àqueles utilizados no pagamento aos fornecedores das importações. No caso dos autos não se enxerga uma prova capaz de contrariar as afirmações do Fisco, tenho como mais grave afirmação da Recorrente que parte dos recursos financeiros vinha de adiantamento dos hipotéticos fornecedores, os quais não foram declinados, e tampouco juntados prova conclusiva que os recursos depositados em conta corrente tinham origem nas vendas dos bens importados e dos supostos adiantamentos alegados. Sobre esse assunto, interposição, discorre muito bem, como lhe é peculiar em diversos julgados, dos quais é o relator, o Conselheiro Rosaldo Trevisan, conhecedor profundo da matéria: “A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. No caso, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento (pois não se pode comprovar que este tenha efetivamente ocorrido). Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento exatamente como o aqui identificado: no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. Afirma ainda o conselheiro Rosaldo Trevisan: “Essa distinção fica bem explicada a partir da simples leitura do parágrafo único do art. 33 da Lei no 11.488/2007. Assim, não há que se falar em bis in idem, pois são diversas as tipificações e materialidades, assim como distintos podem ser os sujeitos passivos a serem enquadrados em cada uma delas. A conclusão aqui expressa encontra ainda apoio em julgamentos judiciais e administrativos: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10108.000102/200765 Acórdão n.º 3403003.651 S3C4T3 Fl. 8 5 33 DA LEI N. 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI Nº 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. (...) 5. O artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revela se como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que 'à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996'. Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal. (...)”1 “DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DO CNPJ DE EMPRESA ENVOLVIDA EM INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIRO EM ATIVIDADE DE COMÉRCIO EXTERIOR. PREVISÃO EXPRESSA DA LEI Nº 11.488/04 SUBSTITUINDO A PENA DE INAPTIDÃO DO CNPJ POR MULTA. Nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/07, a interposição fraudulenta de pessoa jurídica em operação de comércio exterior, embora continue sendo hipótese de dano ao erário e conseqüente perdimento das mercadorias transacionadas, já não enseja a inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica envolvida, mas a pena de multa.” 2 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II. Data do fato gerador: 05/11/2010 (...) PENA DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. SUJEIÇÃO PASSIVA. IMPORTADOR OSTENSIVO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não sendo possível a cominação da pena de perdimento e identificado o importador oculto no curso da fiscalização, o importador ostensivo estará sujeito à multa de 10% da operação (Lei nº 11.488/2007, art. 33) e à multa substitutiva correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria importada (DecretoLei nº 1.455/1976, art. 23, V, § 3º). Esta será devida solidariamente pelo importador oculto, na condição de coautor, ou por qualquer outra pessoa que se enquadre nas demais 1 TRF4, AMS 200572080051666, SEGUNDA TURMA, D.E. 01/08/2007, Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA. 2 TRF4, AC 200672050060360, SEGUNDA TURMA, D.E. 13/05/2009, Relatora LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 hipóteses de responsabilização solidária do art. 95 do Decreto Lei nº 37/1966, notadamente aquele que se beneficia com a prática da infração. Não há erro na imputação subjetiva quando o auto de infração impõe a penalidade apenas a um dos coautores identificados. (...)”3 “Assunto: Imposto sobre a Importação – II. Período de apuração: 10/02/2006 a 04/07/2006 (...). CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de 10% do valor da operação, pela cessão do nome, conforme art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, por trataremse de penalidades distintas. (...)”4 A recorrente não conseguiu contradizer a afirmação do fisco que lhe imputou conduta ilícita de interposição fraudulenta com o objetivo de ocultar o verdadeiro importador. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. Domingos de Sá Filho 3 CARF, Acórdão n. 380200.925, Rel. Cons. Solon Sehn, unânime, Sessão de 24.abr.2012. 4 CARF, Acórdão n. 3202000.634, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres, unânime, Sessão de 26.fev.2013. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 13893.000248/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95.
A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirmam a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-002.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valore de R$ 25.525,00 (vinte e cinco mil, quinhentos e vinte e cinco reais), relativas ao exercício de 2005, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc.
(Acórdão formalizado extemporaneamente, face à impossibilidade de a redatora original, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano, formalizar o acórdão)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirmam a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valore de R$ 25.525,00 (vinte e cinco mil, quinhentos e vinte e cinco reais), relativas ao exercício de 2005, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 02 48 /2 00 9- 51 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. (Acórdão formalizado extemporaneamente, face à impossibilidade de a redatora original, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano, formalizar o acórdão) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Na sessão de julgamento, a Conselheira Relatora, Julianna Bandeira Toscano, apresentou o seguinte relatório: "Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2005, decorrente da omissão de rendimentos e da glosa da dedução com despesas médicas, resultando em cobrança suplementar de IRPF, no valor de R$10.769,73, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. O contribuinte apresentou impugnação contestando apenas a glosa de despesas médicas, sustentando ter apresentado à fiscalização documentação hábil a comprovar a realização dos serviços. Conforme se depreende da descrição dos fatos e do enquadramento legal do auto de infração (fls. 04), o lançamento foi justificado pela falta de comprovação do efetivo pagamento pelos serviços prestados pelos profissionais MARCO AURÉLIO MARTINS AGUIAR, JULIANA COSTA FERREIRA e ERICA CRISTINA DA ROS, ausência de previsão legal para dedução de despesas com Nutricionista e com planos de saúde de pessoas que não eram dependentes do contribuinte. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ em São Paulo – SPII manteve integralmente a glosa da dedução das despesas médicas, sob o fundamento de que o contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das mesmas e que os recibos referentes às despesas pagas a JULIANA COSTA FERREIRA e .ERICA CRISTINA DA ROS não poderiam ser aceitos em função de estarem em desacordo com a legislação, por não conterem a indicação do paciente tratado. Eis a ementa: “DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Só poderá ser aceita a dedução de despesa efetivamente comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13893.000248/200951 Acórdão n.º 2802002.893 S2TE02 Fl. 171 3 O contribuinte apresenta recurso voluntário apenas com relação à glosa dos serviços prestados pelos profissionais MARCO AURÉLIO MARTINS AGUIAR, JULIANA COSTA FERREIRA e ERICA CRISTINA DA ROS, sustentando que efetuou os respectivos pagamentos em dinheiro e que os profissionais firmaram declarações confirmando o recebimento, tendo anexado documentos comprovando tal fato. É o relatório". Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc Reproduzo abaixo o voto apresentado pela Conselheira Relatora na sessão de julgamento: "O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como se observa, o litígio gira em torno da necessidade da comprovação do efetivo pagamento de despesas médicas, em que a autoridade fiscal considerou insuficientes os recibos apresentados pelo contribuinte, sem vinculação com o pagamento. A DRJ São Paulo manteve o lançamento por entender ser válida a exigência da comprovação do pagamento. Destacase do acórdão de fls. 90/96, o seguinte: “O contribuinte, em sua impugnação, apresenta os seguintes documentos: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Os recibos referentes às despesas com a fisioterapeuta e a cirurgiã dentista não podem ser aceitos em função de estarem em desacordo com a legislação acima descrita. Destaquese que na Complementação da Descrição dos Fatos, fl. 04, a Fiscalização descreveu que o motivo da glosa destas três despesas médicas estava relacionado com a não comprovação do efetivo dispêndio. O beneficiário dos recibos teria que provar que realmente efetuou os pagamentos dos valores neles constantes, para que ficasse caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Para tal comprovação, o impugnante poderia apresentar cópia de cheque, extrato bancário, comprovante de transferência bancária ou outros. Destaquese que o impugnante somente apresentou os recibos médicos acima descritos de: Marco Aurélio Marins Aguiar, Juliana Costa Ferreira e Érica Cristina da Ros. Dessa forma, não restando comprovados os efetivos dispêndios das despesas acima referidas, devese manter a glosa no valor de R$ 25.525,00, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas respectivas.” (grifos do original) Nesse aspecto, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados e que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Apenas na hipótese de ausência dos recibos na forma determinada pela Lei nº 9.250/95, ou em havendo fortes indícios de que a documentação apresentada seria inidônea, estaria a autoridade lançadora autorizada a exigir a prova do efetivo pagamento. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Este Colegiado tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam as formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, independentemente da comprovação do efetivo pagamento. Com efeito, pela documentação acostada aos autos, entendo estarem presentes os requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95 para a dedução das seguintes despesas declaradas pelo contribuinte: PROFISSIONAL VALOR COMPROVANTE MARCO AURÉLIO MARTINS AGUIAR 9.000,00 Fls. 08 e 09/28 JULIANA COSTA FERREIRA 6.540,00 Fls. 29 e 30/33 ERICA CRISTINA DA ROS 9.985,00 Fls. 34/35 Especificamente com relação aos pagamentos efetuados a JULIANA COSTA FERREIRA e ERICA CRISTINA DA ROS, a DRJ apontou a falta da indicação dos beneficiários dos respectivos serviços médicos. Ressalto que, além de implicar em inovação na fundamentação do lançamento, tendo em vista que tal argumento sequer foi invocado pela autoridade fiscal, entendo que as declarações de fls.29 e 34 suprem adequadamente tal omissão, justificando o restabelecimento das deduções em questão. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13893.000248/200951 Acórdão n.º 2802002.893 S2TE02 Fl. 172 5 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e a ele dar provimento para restabelecer a dedução de despesas médicas no valore de R$ 25.525,00 (vinte e cinco mil, quinhentos e vinte e cinco reais), relativas ao exercício de 2005. Julianna Bandeira Toscano Relatora" (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, na qualidade de redator ad hoc Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720383/2007-82
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO.
Havendo sido apresentado Ato Declaratório Ambiental tempestivo, bem como Laudo de Avaliação e evidências adicionais que comprovam a existência de área de preservação ambiental no imóvel compatível com a informada na DITR, deve ser aquela restabelecida na declaração.
VTN. EXIGÊNCIA DE LAUDO QUE AMPARE O VALOR DECLARADO NA DITR.
Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, exige-se que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais da NBR 14.6533, principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a área de preservação permanente excluída na DITR do exercício de 2003, de 790,0 hectares, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Jimir Doniak Júnior, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Havendo sido apresentado Ato Declaratório Ambiental tempestivo, bem como Laudo de Avaliação e evidências adicionais que comprovam a existência de área de preservação ambiental no imóvel compatível com a informada na DITR, deve ser aquela restabelecida na declaração. VTN. EXIGÊNCIA DE LAUDO QUE AMPARE O VALOR DECLARADO NA DITR. Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, exige-se que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais da NBR 14.6533, principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO. Havendo sido apresentado Ato Declaratório Ambiental tempestivo, bem como Laudo de Avaliação e evidências adicionais que comprovam a existência de área de preservação ambiental no imóvel compatível com a informada na DITR, deve ser aquela restabelecida na declaração. VTN. EXIGÊNCIA DE LAUDO QUE AMPARE O VALOR DECLARADO NA DITR. Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais da NBR 14.6533, principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a área de preservação permanente excluída na DITR do exercício de 2003, de 790,0 hectares, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 03 83 /2 00 7- 82 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Jimir Doniak Júnior, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) exigindo crédito tributário no montante total de R$ 244.139,35 relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda dos Morrinhos", com área declarada de 1.032,0 ha e cadastrado na Receita Federal do Brasil sob o NIRF 2.790.1610, localizado no Riozinho/RS. O lançamento de fls. 1/9 glosou, por falta de comprovação, a área declarada na DITR (Declaração do Imposto Territorial Rural) do exercício 2003 como sendo de preservação permanente de 790,0 ha, e rejeitou o Valor da Terra Nua (VTN) informado, arbitrandoo com base no VTN/ha médio, apontado no Sistema de Preço de Terras (SIPT). Observese que na apuração da infração considerouse inapto o Laudo de Avaliação apresentado para fins de respaldar as informações da indigitada declaração. A instância de primeiro grau manteve a exigência (fls. 132/144), consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DE VEDAÇÃO AO CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe a apreciação sobre inconstitucionalidade argüida na esfera administrativa NA SUBORDINAÇÃO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Não há determinação legal para vincular a Autoridade Lançadora e julgamentos de primeira instância a decisões do Conselho. DO VALOR DA TERRA NUA Não tendo o laudo apresentado cumprido os requisitos da Norma Técnica correspondente, é lícito o lançamento efetuado com atribuição do valor da terra nua com dados obtidos pelo Banco de Dados da Receita Federal (SIPT) ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. MATA ATLÂNTICA Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como as situadas na Mata Atlântica, mas, sim, apenas as declaradas para determinadas áreas da propriedade particular, reconhecida por ato do Poder Público, em caráter específico. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.720383/200782 Acórdão n.º 2802002.659 S2TE02 Fl. 254 3 Para comprovação da área de preservação permanente, há a necessidade de apresentação de laudo específico que comprove as áreas, com sua discriminação, localização, características e enquadramento legal. Não pode ser aceito laudo genérico. O recurso voluntário foi interposto em 8/12/2009 (fls. 154/199), arguindose, em apertada síntese, que: o Laudo de Avaliação apresentado circunstancia corretamente o VTN e respectivas benfeitorias do imóvel, sendo absurdos os valores arbitrados pelo Fisco, que não apresentou laudo e baseouse em valores médios de seu banco de dados; o arbitramento de 100% da área rural sem constatação no local é inaceitável, contrariando a decisão da DRJ/CGE reiterados julgados administrativos de instância superior; o laudo não é genérico, mas sim rico em detalhes, concluindo que 974,73 ha não podem ser utilizados para atividade rural, e que considerou apenas 790 ha em sua DITR e ADA; a área está localizada em região de Mata Atlântica, protegida conforme Decreto nº 750, de 10 de fevereiro de 1993, estando, outrossim em área tombada pelo governo estadual e compreendida em Área de Proteção Ambiental (APA) municipal; há impossibilidade de exploração do imóvel em razão das vedações impostas pelos órgãos competentes. Colaciona o autuado ao final decisões que considera aplicáveis ao caso, postulando a reforma da decisão contestada e a extinção do crédito tributário. Em 9/2/2012, o contribuinte formula petição trazendo decisão judicial nos Embargos à Execução Fiscal nº 502643735.2010.404.7100/RS, afirmando que trata da mesma matéria sob litígio no caso vertente. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc Cabe esclarecer, inicialmente, que a formalização do acórdão não foi concluída pela relatora, Conselheira Julianna Bandeira Toscano, diante de superveniente impossibilidade desta, razão pela qual o voto condutor é apresentado pelo redator ad hoc. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, tendo sido, portanto, conhecido pela Turma. Em que pese o entendimento da instância a quo, é forçoso reconhecer que há elementos suficientes nos autos para respaldar a informação prestada pelo contribuinte na DITR/2003 no sentido de que o imóvel em questão possui 790,0 hectares de área de preservação permanente. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 De fato, tratase de imóvel situado em região de mata atlântica, assim definida nos termos do Decreto nº 750/1993, e tombada pelo Estado do Rio Grande do Sul, conforme atos legais de fls. 118/119. Por sua vez, os documentos de fls. 120/122 atestam que a Fazenda dos Morrinhos está inserida em APA criada pelo Município de Riozinho RS, conforme respectivo Decreto nº 348/98. E, ao contrário do referido no aresto contestado, pode ser constatado que tanto o Laudo de Avaliação (fls. 26/64), como o Laudo Ambiental de fls. 95/125 apresentados pelo recorrente, são minuciosos na descrição das áreas do imóvel passíveis de serem consideradas como de preservação ambiental, trazendo elementos que descrevem detalhadamente a caracterização de suas dimensões como correspondentes a 974,73 ha (94,47% da área total), tais como mapas, fotos, e informações diversas. Tais informações são corroboradas por Declaração Florestal nº 37/2008 da Secretaria do Meio Ambiente do RS (fls. 116/117), na qual é asseverado que o imóvel em apreço se encontra no polígono da Mata Atlântica, caracterizado no Decreto Estadual nº 36.636, de 3 de maio de 1996, tendo sua utilização bastante restrita. No mesmo sentido se manifestou o IBAMA, o qual apontou que a área de preservação permanente é de no mínimo 763,51 (fl. 198). Mais: o Poder Judiciário, apreciando o tema relativamente ao imóvel focado no tocante ao anocalendário 1999, reconheceu a existência de significativas áreas de preservação ambiental, nos autos da ação nº 502643735.2010.404.7100, em decisão da qual se extrai o seguinte excerto (fls. 208/209): Pois bem. Uma vez constatandose, ainda, que a veracidade material das informações constantes do 'Laudo de Avaliação Ambiental', que acabam de ser aqui reproduzidas, é atestada (a) tanto pelo teor constante da Declaração Florestal nº 37/2008, emanada do Departamento de Florestas e Áreas Protegidas da Divisão de Licenciamento Florestal da Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul (contida dentro do doc. 04 do evento 01) (b) quanto pelo teor contido do Ofício nº 215/08 (do. 06 do evento 01), concluise que resta, sim, comprovado que a área total informada pelo contribuinte como passível de exclusão da área tributável pelo ITR (846,2 ha), em relação ao período base 1999, corresponde de fato a áreas cujas características permitem a isenção pretendida, forte no art. 10, inc. II, 'a', 'b', 'c', e 'e' da Lei nº 9.393/96. Versando o litígio posto sobre a glosa realizada pela fiscalização da área de preservação permanente informada na DITR/2003, e sobejando elementos nos autos inclusive Ato Declaratório Ambiental às fls. 23/24 aptos a confirmar a existência de significativa área de preservação ambiental na Fazenda Ourinhos no anocalendário 2002, concluiu o Colegiado caber o cancelamento da glosa e restabelecer o valor declarado atinente àquela área, 790,0 ha. Por outro lado, o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte na DITR/2003 foi alterado pela autoridade lançadora com base no SIPT, face à ausência de comprovação no curso da ação fiscal. Observese que o Laudo de Avaliação juntado pelo recorrente não atendeu aos requisitos previstos na Norma Brasileira para Avaliação de Bens em sua parte 3, Imóveis Rurais, NBR 14.6533, que consolidou os conceitos, métodos e procedimentos gerais para avaliações de imóveis rurais e que serve de baliza para tais avaliações. De sua parte, a decisão vergastada bem resumiu as constatações da fiscalização acerca do VTN que motivaram a não aceitação do VTN declarado (fls. 134/135): 1. Em relação ao valor da terra nua: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.720383/200782 Acórdão n.º 2802002.659 S2TE02 Fl. 255 5 1.1. O laudo apresentado não preenche os requisitos da NBR 14653; 1.2. Os dados de mercado estão apresentados de forma que não é possível avaliar se a situação dos imóveis utilizados como referência são efetivamente semelhantes ou não com o imóvel avaliando; 1.3. A asserção mais importante do trabalho, que é a de que a terra sem ocupação chamada de " Áreas não utilizadas" vale somente 6% do valor da terra nua normal não foi comprovada, nem foi citada a fonte que embasa tal asserção; 1.4. a par da orientação do item B 1.2, alínea B, aplicável na hipótese de ser impraticável a utilização de dados contemporâneos ( o que não é o caso), o laudo apresentado faz deflação pelo IGPM; 1.5. Como resultados das diferenças de critérios matemáticos, o laudo apresenta 10 dados, onde o menor valor é R$ 1.000,00/há e o maior é de R$ 4.045,80/ha, com média de R$ 1.958,59/ha. O laudo valorou a terra a R$ 612,26, em 2003 menos de 1/3 do valor da média; 1.6. Os valores da terra nua utilizados pela Receita Federal para o município de Riozinho não variam na mesma proporção do IGPM no período, o que comprova a inadequação do laudo apresentado pelo contribuinte; 1.7. O valor para fins de ITBI varia entre R$ 1.200,00 e R$ 1.500,00 (elemento trazido pelo contribuinte); Em concordância com tais evidências, o Colegiado não vislumbrou razões para reformar o acórdão recorrido, devendo ser assim mantido o arbitramento do valor do imóvel com base no SIPT, cuja utilização encontra supedâneo normativo no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 c/c o art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, bem como na Portaria SRF nº 447, de 3 de abril de 2002. Ante o exposto, devese DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a área de preservação permanente excluída na DITR do exercício de 2003, de 790,0 hectares. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.000558/98-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1988 a 29/02/1996
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO POR FORÇA DA LEI Nº 10.637/2002 - APLICAÇÃO DO PRAZO DE HOMOLOGAÇÃO DE 5 ANOS.
O prazo para homologação de cinco anos, previsto no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, deve ser aplicado nas hipóteses de pedidos de compensação protocolizados antes do advento da Lei nº 10.637/2002 e que foram convertidos em declarações de compensação por força desta norma.
IN RFB Nº 1.300/2012 - ARTS. 44, § 2º, 97 e 98 - ENTENDIMENTO DA PRÓPRIA RECEITA FEDERAL DO BRASIL
A própria Receita Federal do Brasil (RFB) entende que a data de início do prazo homologatório de cinco anos, na hipótese de pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, é a data da protocolização do pedido na RFB.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-003.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Joel Miyazaki, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36.531, advogado sujeito passivo.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Joel Miyazaki, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36.531, advogado sujeito passivo. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014.
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O prazo para homologação de cinco anos, previsto no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, deve ser aplicado nas hipóteses de pedidos de compensação protocolizados antes do advento da Lei nº 10.637/2002 e que foram convertidos em declarações de compensação por força desta norma. IN RFB Nº 1.300/2012 ARTS. 44, § 2º, 97 e 98 ENTENDIMENTO DA PRÓPRIA RECEITA FEDERAL DO BRASIL A própria Receita Federal do Brasil (RFB) entende que a data de início do prazo homologatório de cinco anos, na hipótese de pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, é a data da protocolização do pedido na RFB. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Joel Miyazaki, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36.531, advogado sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 05 58 /9 8- 21 Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 01/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por CIA UNIÃO DOS REFINADORES AÇÚCAR E CAFÉ (fls. 1373 a 1386) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1337 a 1343), integrado pelo v. acórdão proferido em razão da oposição de embargos de declaração (fls. 1358 a 1363), que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. O presente recurso especial trata, em síntese, da aplicação do prazo de homologação tácita de cinco anos, previsto no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, para pedido de compensação formalizado em 14/01/1998 e cujo despacho decisório só foi cientificado em 18/12/2003. A ementa do v. acórdão proferido pela Colenda Turma a quo em razão dos embargos de declaração, em que se cuidou da referida matéria, tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1988 a 29/02/1996 OMISSÃO NA DECISÃO PROFERIDA. EMBARGOS. CABIMENTO. Tendo a decisão deixado de apreciar matéria suscitada no recurso sobre a qual se devia manifestar, configurase a omissão prevista no art. 57 do Regimento Interno, pelo que se devem acolher os embargos propostos para sanar a omissão, mas sem alteração do resultado do julgamento original. À ementa original, deve ser acrescido o tópico: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO HOMOLOGATORIO. Não tendo a Lei nº 10.833/2003 determinado a aplicação retroativa do prazo, nela estabelecido, de homologação das compensações informadas em Dcomp, de modo a alcançar os pedidos entregues anteriormente à entrada em vigor da Lei n° Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 01/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10880.000558/9821 Acórdão n.º 9203003.086 CSRFT3 Fl. 1.503 3 10.637, a estes tal prazo não se aplica, descabendo falar em homologação tácita das compensações assim comunicadas. Embargos Acolhidos em Parte (grifos nossos) Irresignada, a contribuinte interpôs o já mencionado recurso especial, aduzindo, em síntese, que o v. acórdão recorrido merece ser reformado quanto às seguintes matérias: (i) existência ou não de prazo para que ocorra a homologação tácita de pedidos de compensação que foram convertidos em declaração de compensação antes da vigência da Lei nº 10.833/2003; e (ii) inexistência de coisa julgada prejudicial ao pleito. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 1451 a 1453 apenas quanto à questão da aplicação ou não de prazo para homologação tácita dos pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação antes da vigência da Lei nº 10.833/2003. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 1457 a 1471, onde se propugnou pela manutenção do v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso especial interposto pelo contribuinte deve ser conhecido. No tocante ao mérito, entendo que ele merece acolhida. Consoante exposto acima, o presente recurso especial trata, em síntese, da aplicação do prazo de homologação tácita de cinco anos, previsto no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, para pedido de compensação formalizado em 14/01/1998 e cujo despacho decisório só foi cientificado em 18/12/2003. Para melhor compreensão da controvérsia fazse mister, inicialmente, transcrever os §§ 4º e 5 º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com todas as suas alterações: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 01/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Medida Provisória nº 135, de 2003) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifos e destaques nossos) O que se pode depreender da evolução do § 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 é que a norma, desde o seu nascedouro (MP n º 66/2002) até a sua redação definitiva (Lei n º 10.637/2002), estabeleceu que os pedidos de compensação pendentes de apreciação serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para todos os efeitos previstos no artigo 74. Ou seja, os pedidos de compensação pendentes, com o advento da sistemática de compensação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 – que instituiu a “declaração de compensação” – passaram a ser considerados “declaração de compensação” e, por conseqüência, na dicção da própria norma, passaram, também, a ser regulados, na sua integralidade, pelo artigo 74. Mais especificamente, os pedidos de compensação pendentes sempre tiveram que ser considerados declaração de compensação para todos os efeitos do artigo 74. Agora, no tocante ao § 5º, verificase que o dispositivo, inicialmente, previa a regulamentação do artigo 74 pela Secretaria da Receita Federal e, em 2003, primeiro com a MP nº 135/2003 e em seguida com a Lei nº 10.833/2003, que deu a redação definitiva a este parágrafo, previu o prazo para homologação tácita da declaração de compensação em 5 anos. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 01/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10880.000558/9821 Acórdão n.º 9203003.086 CSRFT3 Fl. 1.504 5 Pois bem, o presente processo cuida de pedido de compensação convertido em declaração de compensação, e o v. acórdão recorrido entendeu que a Lei nº 10.833/2003 não determinou a aplicação retroativa do referido prazo de 5 anos para alcançar os pedidos entregues antes da Lei nº 10.637/2002. A perplexidade que fica, no entanto, é a seguinte: pelo entendimento do v. acórdão recorrido, a Lei nº 10.833/2003 não teria determinado a aplicação retroativa aos pedidos convertidos em declaração de compensação. Mas e com relação às declarações de compensação já formuladas sob a égide da Lei nº 10.637/2002 anteriores ao advento da Lei nº 10.833/2003, não seria aplicável a elas o prazo homologatório de cinco anos? A resposta, para mim, só pode ser positiva. Nesse sentido, entendo que a norma não fez qualquer distinção entre as declarações de compensação anteriores ao advento da Lei nº 10.833/2003 e aquelas decorrentes da conversão determinada por lei, valendo, portanto, indistintamente, para ambas. Não me parece apropriada, portanto, a interpretação que o prazo homologatório de cinco anos não seria aplicável ao pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação. De se notar, além disso, que a matéria referente a compensação atualmente é regulamentada pela IN RFB nº 1.300/2012, que assim dispõe nos seus artigos 44, parágrafo 2º, 97 e 98, corroborando nosso entendimento: Art. 44 . O sujeito passivo será cientificado da não homologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de não homologação. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput , o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvada a apresentação de manifestação de inconformidade prevista no art. 77. § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 97 . Os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da RFB serão considerados Declaração de Compensação, para efeitos do previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 que têm por objeto créditos de terceiros, "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 01/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. Art. 98 . A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido na RFB. (grifos e destaques nossos) Portanto, a própria Receita Federal do Brasil (RFB) entende que a data de início do prazo homologatório de cinco anos, na hipótese de pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, é a data do protocolo do pedido na RFB. Importante ressaltar, por último, que esse entendimento encontra guarida em precedentes do Conselho de Contribuintes, sendo de se destacar o seguinte julgado, citado como paradigma no recurso especial: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 1993 Ementa: HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DOS PEDIDOS CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — em nossa ordem jurídica, não há prazos eternos, direitos perpétuos, poderes temporalmente irrestritos. Exceto em hipóteses expressamente previstas, em geral pela própria Constituição, os Poderes do Estado sobre o cidadão perecem com o fluir do tempo ao não serem exercidos. Interpretações que conduzam a irrestrito poder, sem delimitação temporal, merecem ser rechaçadas. Dessarte, deve ser aplicado o prazo homologatório estabelecido pela Lei n° 10.833/03 para os pedidos convertidos em declaração de compensação pela Lei n° 10.637/02. (Acórdão 10323.471) Indubitável, portanto, que o prazo de homologação tácita de cinco anos, previsto no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, deve ser aplicado nas hipóteses de pedidos de compensação protocolizados antes do advento da Lei nº 10.637/2002 e que foram convertidos em declarações de compensação, como na hipótese ora em apreço. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 01/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10880.000558/9821 Acórdão n.º 9203003.086 CSRFT3 Fl. 1.505 7 Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 01/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 13005.000915/2005-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO.
Numero da decisão: 9303-003.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Pôssas
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 09 15 /2 00 5- 30 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que deu provimento ao recurso voluntário na matéria "inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. O processo estava com o julgamento sobrestado, em razão do art. 62A do regimento Interno do CARF. O processo volta à pauta para julgamento na presente sessão. O Recurso Voluntário, tempestivo, defendeu, em síntese, que os valores de transferência de ICMS constituem redução de despesa (o valor da rubrica tributos recuperáveis, credora, passa para o ativo), não sendo receita tributável pelo PIS e Cofins. Em Recurso Especial, a Fazenda requer e reforma do acórdão sob o fundamento que na época dos créditos não havia legislação que embasasse a exclusão da parcela relativa a cessão onerosa da base de cálculo da contribuição. Somente com a vigência da Lei 11.945/2009, a partir de 01/01/2010, as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS deviam ser excluídas da base de cálculo das contribuições. Antes dessa data as referidas receitas compunham a sua base de cálculo. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. A matéria tratada no presente recurso será somente o fato de as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS serem excluídas da base de cálculo da Cofins. A matéria não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão hora posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606107, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativas, os valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, cuja ata nº 13 foi publicada no DJE de 03/06/2013, foi julgado o mérito do presente tema com repercussão geral, com seguinte decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, conheceu e negou provimento ao recurso extraordinário, vencido o Ministro Dias Toffoli. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Luiz Carlos Martins Alves, Procurador da Fazenda Nacional, e, pela recorrida, o Dr. Danilo Knijnik. Plenário, 22.05.2013. EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13005.000915/200530 Acórdão n.º 9303003.159 CSRFT3 Fl. 423 3 INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e a certidão de trânsito em julgado em 05/12/2013. Por força regimental Portaria MF nº 256/2009, art. 62A, essa decisão deve ser reproduzida por esse relator. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720212/2013-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES POR VALOR SUPERIOR AO VALOR CONTÁBIL. ALIENAÇÃO EM SENTI AMPLO. GANHO DE CAPITAL.
A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. A subscrição de ações pelo valor de mercado e superior ao consignado na escrituração contábil, ainda que no bojo da figura da incorporação de ações, caracteriza ganho de capital, devendo incidir a tributação correspondente.
GANHO DE CAPITAL. VERDADE MATERIAL. COMPROVAÇÃO DO ERRO DE FATO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
É de se admitir o erro de fato como causa de revisão do lançamento, eis que, se este há de ser feito de acordo com o tipo abstrato da norma, tem de conformar-se à realidade fática. Assim, restando comprovada, através da apresentação de documentação hábil e idônea, a ocorrência de base tributável menor para apuração do ganho de capital, cabível a sua redução.
MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. IRPJ. CSLL. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano-calendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso: i) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito ao cômputo dos lucros capitalizados no custo de aquisição, para efeito de apuração do ganho de capital; ii) por maioria de votos para cancelar a exigência de multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por manter a exigência dessa multa.Vencidos em votações sucessivas: a) o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que dava provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor nessa matéria; e: b) os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Moises Giacomelli Nunes da Silva que votaram pela exclusão dos juros sobre a multa de ofício. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. Designado como redator ad hoc o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator ad hoc
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rogério Aparecido Gil e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES POR VALOR SUPERIOR AO VALOR CONTÁBIL. ALIENAÇÃO EM SENTI AMPLO. GANHO DE CAPITAL. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. A subscrição de ações pelo valor de mercado e superior ao consignado na escrituração contábil, ainda que no bojo da figura da incorporação de ações, caracteriza ganho de capital, devendo incidir a tributação correspondente. GANHO DE CAPITAL. VERDADE MATERIAL. COMPROVAÇÃO DO ERRO DE FATO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. É de se admitir o erro de fato como causa de revisão do lançamento, eis que, se este há de ser feito de acordo com o tipo abstrato da norma, tem de conformarse à realidade fática. Assim, restando comprovada, através da apresentação de documentação hábil e idônea, a ocorrência de base tributável menor para apuração do ganho de capital, cabível a sua redução. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. IRPJ. CSLL. VERIFICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. É improcedente a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 02 12 /2 01 3- 25 Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 2 Social sobre o Lucro Líquido apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso: i) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito ao cômputo dos lucros capitalizados no custo de aquisição, para efeito de apuração do ganho de capital; ii) por maioria de votos para cancelar a exigência de multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por manter a exigência dessa multa.Vencidos em votações sucessivas: a) o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que dava provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor nessa matéria; e: b) os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Moises Giacomelli Nunes da Silva que votaram pela exclusão dos juros sobre a multa de ofício. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. Designado como redator ad hoc o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator ad hoc (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rogério Aparecido Gil e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.015 3 Relatório OLD PARTICIPAÇÕES LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 60.606.845/000157, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo SP, Estado São Paulo, à Rua Doutor Veiga Filho, nº 350 Bairro Santa Cecília, jurisdicionada a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes, em Belo Horizonte MG, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls.846/857, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 865/922. Contra a contribuinte, acima identificada, foram lavrados, pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes em Belo Horizonte MG, em 24/01/2013, os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 04/19), com ciência por AR, em 31/01/2013 (fl.511), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 116.044.523,26), a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social, acrescido de multa lançamento de ofício normal 75%, da multa isolada de 75% por falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuições, referente ao exercício de 2009, correspondente ao anocalendário de 2010. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente ao exercício de 2009, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver, as seguintes irregularidades: QUANTO AO AUTO DE INFRAÇÃO DE IRPJ: 1 – RESULTADO NÃO DECLARADO DE GANHOS DE CAPITAL APÓS A INCORPORAÇÃO DE AÇÕES: Resultado não Declarado de Ganhos de Capital após Incorporação de Ações conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante e indissociável do Auto de Infração. Infração capitulada na Lei n° 6.404, de 1976, art. 254, Decreto – Lei n° 1.598, de 1977, art. 6°, 7° e 31; Lei n° 7.450, de 1985, art. 51; Lei n° 8.981, de 1995, art.32; art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995; 2 – MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: Multa por falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante e indissociável do Auto de Infração. Infração capitulada no art. 2° da Lei 9.430, de 1996; art. 44, inciso II, alínea b da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488, de 2007. QUANTO AO AUTO DE INFRAÇÃO DE CSLL: 1 – FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS OMITIDAS: Resultado não Declarado de Ganhos de Capital após Incorporação de Ações conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante e Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 4 indissociável do Auto de Infração. Infração capitulada No art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 2º da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996. 2 – MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE ESTIMADA: Falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante e indissociável do Auto de Infração. Infração capitulada no art. 4º, inciso II, alínea b, da Lei 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488, de 2007. A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Constatação Fiscal (fls. 20/37), entre outros, os seguintes aspectos: que antes de se analisar e apurar o ganho de capital auferido pela OLD Participações Ltda. por meio de da operação de incorporação de ações, é relevante conceituar este instituto, com fulcro no embasamento jurídico que o permeia; que a incorporação de ações é uma operação de alienação, em sentido amplo, de bens, na qual os acionistas da empresa cuja totalidade das ações são incorporadas transferem todas as suas ações para a empresa adquirente/incorporadora, pelo valor de mercado a estas atribuído e, em contraprestação, recebem, não pagamento em dinheiro, mas ações desta empresa (adquirente/incorporadora), emitidas em aumento de capital social; que, sendo, indubitavelmente, a incorporação de ações, alienação de bens, desta pode decorrer ganho de capital – fato gerador do imposto de renda – se houver resultado econômico positivo para a pessoa, física ou jurídica, alienante”; que de acordo com o princípio da universalidade, estabelecido pela Constituição Federal, o Imposto de Renda deve incidir sobre todas as espécies de rendas e proventos auferidos pelos contribuintes. Ressaltase, ainda, que disponibilidade econômica não se confunde com a disponibilidade financeira; que, ademais, lembrandose que as isenções são necessariamente estabelecidas em lei, conforme preceitua o art. 176 do CTN, podese afirmar que não há previsão legal de isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido com a operação de incorporação de ações, inexistindo, pois, hipótese de exclusão do crédito tributário; que, houve o recebimento pela fiscalizada de 4.086.097 ações da BRF Brasil Foods S.A. em substituição às 24.578.471 ações da HFF Participações S.A em decorrência da incorporação de ações, conforme Extrato de Movimentação emitido pela BRF Brasil Foods S.A., apresentado pela fiscalizada. A movimentação das ações também está demonstrada na escrituração contábil do contribuinte; que, com estas informações, acerca da incorporação de ações da HFF Participações pela BRF Brasil Foods S.A, passase à análise do ganho de capital auferido pela Old Participações Ltda. com a alienação de 24.578.471 ações da HFF Participações S.A, de sua propriedade, para a BRF Brasil Foods S.A, por meio desta operação”; que o contribuinte alienou à BRF Foods S/A, por meio da incorporação de ações, 24.578.471 ações da HFF Participações S/A; que em contraprestação às suas ações da HFF Participações S/A incorporadas, ele recebeu 4.086.097 ações da BRF Brasil Foods S/A; Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.016 5 que se considerando as ações da Sadia S/A utilizadas para subscrição de capital na HFF Participações S/A (24.578.471 ações) e os demais dados constantes do Protocolo e Justificação de Incorporação de ações da HFF Participações S/A pela BRF Brasil Foods S/A o valor de alienação das 24.578.471 ações alcançou o montante de R$ 160.992.224,49 e o custo destas ações foi de R$ 25.411.455,22, conclui que o ganho de capital é de R$ 135.580.769,27; que este ganho de capital está sujeito à regular incidência do imposto de renda, uma vez que foi auferido pelo contribuinte com a alienação, mediante incorporação, das ações da HFF Participações S/A; que conforme dispõe o art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor; que em análise à Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) 2010, podese verificar que o contribuinte optou pelo Lucro Real como forma de tributação e pela apuração anual de IRPJ e CSLL, sendo o pagamento dos tributos mensalmente, sobre a base de cálculo estimada com base em balancetes de suspensão e/ou redução; que através da análise da escrituração contábil da fiscalizada podese verificar que não foram computadas as receitas correspondentes ao ganho de capital auferido através da incorporação das ações da HFF Participações S/A pela BRF – Brasil Foods S/A. Tais receitas devem ser tributadas, conforme toda legislação e doutrina mencionada anteriormente; que verificada a ausência de recolhimento do IRPJ e CSLL, no mês de julho de 2009, diante do ganho de capital auferido na operação de incorporação de ações, temse que aplicar a multa isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal. Em sua peça impugnatória de fls. 538/598, apresentada, tempestivamente, em 01/03/2013, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a Constituição Federal estabeleceu em seu artigo 153, inciso III, a competência da União para instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza; que, não obstante, o entendimento adotado pela D. Fiscalização é equivocado uma vez consistir a incorporação de ações em instrumento societário exaustivamente regulamentado pela LSA, com contornos próprios que não guardam relação alguma com elementos necessários à caracterização de uma alienação; que aspectos societários relacionados à implementação da operação de incorporação de ações, portanto, a incorporação de ações consiste em um instituto criado pela LSA com o intuito de viabilizar a constituição de subsidiária integral, isto é, companhia brasileira cuja totalidade das ações é detida por outra companhia brasileira; Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 6 que, portanto, passase à análise do conceito de alienação de forma a demonstrar que a intenção da D. Fiscalização em enquadrar a incorporação de ações como um evento de alienação apto a ensejar a incidência do IRPJ e CSLL sobre suposto ganho de capital não deve prosperar; que a impossibilidade do enquadramento da operação de incorporação de ações como espécie de alienação, ou seja, a legislação tributaria brasileira, ao delimitar a incidência do imposto de renda da pessoa física sobre ganhos de capital, define como operação de alienação a compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins; que, mostrase pertinente demonstrar que, uma vez não enquadrada a operação de incorporações de ações da HFF pela BRF como alienação a fim de ensejar a tributação pelo IRPJ e CSLL sobre ganho de capital nos termos do artigo 43 do CTN, c/c no artigo 57 da Lei 8.981/95, a pretensão da D.Fiscalização consignada nos Autos de Infração representa violação patente ao principio da tipicidade consagrada no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal; que segundo o principio da tipicidade cerrada, o pagamento de tributos somente poderá ser exigido pelas autoridades fiscais quando verificada a materialização, no mundo fenomênico, de todos os elementos que compõem a sua hipótese de incidência exaustivamente definida em lei. Em outras palavras, somente situações expressamente previstas em lei como fatos geradores de tributos poderão legitimar a atividade arrecadatória das autoridades ficais; que ainda que se entenda que a incorporações de ações possui natureza jurídica de alienação, o que se admite apenas a título de argumentação, não merece prosperar a intenção da D.Fiscalização tendo em vista que o reflexo de tal operação no patrimônio da Impugnante seria a de uma permutação e não mutação patrimonial capaz de gerar acréscimos patrimoniais sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL; que das espécies de alienação, como já mencionado, segundo a D. Fiscalização, o instituto da “incorporação de ações é uma operação de alienação, em sentido amplo, de bens, na qual os acionistas da empresa cuja totalidade das ações são (sic) incorporadas transferem todas as suas ações para empresa adquirente/incorporadora, pelo valor de mercado a estas atribuído e, em contraprestação, recebem, não pagamento em dinheiro, mas ações desta empresa (adquirente/incorporadora), emitidas em aumento de capital social”; que, vale antes ratificar que, nos termos do artigo 57 da Lei 8.981/1995, as normas estabelecidas para a apuração e pagamento do IRPJ aplicase à CSLL; que da não incidência de IRPJ e CSLL nas operações de permuta, neste sentido, conforme explicado na seção III.1, o fato gerador do IRPJ se dá com a verificação de uma mutação patrimonial positiva do contribuinte, independentemente de sua origem; que em face de todo o exposto, não há como afastar a conclusão de que, nas operações de permuta sem torna, como a presente, independentemente da natureza dos bens trasladados, quer móveis ou imóveis, não há como haver a incidência do IRPJ e da CSLL vez que não se apura ganho de capital tributável por aqueles tributos. Há mera substituição de elemento do patrimônio do contribuinte por outro de igual consideração, sem ingresso de nova riqueza disponível que ampare a tributação pelo imposto sobre a renda; Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.017 7 que da inexistência de acréscimo patrimonial na incorporação de ações e conseqüente não incidência de IRPJ e CSLL, conforme pormenorizado na seção III.2, na incorporações de ações, os acionistas recebem ações da companhia incorporada em substituição às suas antigas ações, de acordo com uma relação de troca que vista resguardar os direitos dos acionistas minoritários e majoritários de ambas as companhias envolvidas no evento; que, não obstante, na remota hipótese desta C. Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) entender pela manutenção do crédito tributário em questão deve ao menos reconsiderar o valor de principal apurador pela D. Fiscalização, bem como cancelar a exigência concomitante de multa de oficio de 75% com multa isolada de 50% pelo não recolhimento de estimativas mensais; que da insubsistência do valor de principal apurado, ou seja, conforme se extrai do Termo de Fiscalização lavrado pela D. Fiscalização, o valor principal por esta apurado teve como base de cálculo a diferença positiva obtida a partir (i) do valor de mercado das ações da BRF recebidas na data da referida operação (i.e.8.7.2009), multiplicado pela quantidade de ações BRF recebida pela Impugnante (i.e. R$ 160.992.224,49) e (ii) o valor contábil de seu investimento na HFF nesta mesma data (i.e. R$ 25.411.455,22), conforme balancete intermediário datado de 31/07/2009; que, não merecem subsistir, pois, as penalidades aplicadas isoladamente nestes autos tendo em vista a aplicação concomitante de multas isoladas e de multa de ofício; que a inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de oficio, apenas a título de argumentação, caso venha prevalecer ainda que parte da exigência fiscal, a Impugnante requer seja afastada a provável exigência de juros de mora sobre as multas de ofícios, uma vez que a D. Fiscalização os tem exigido em total afronta à Legislação Pátria e ao Princípio da Segurança Jurídica; que caso não restem acolhido os argumentos acima esmiuçados – o que se admite apenas ad argumentandum fazse necessário afastar, ao menos, a aplicação de juros de mora sobre a multa de oficio aplicada na presente autuação, haja vista a completa ausência de previsão legal que apóie tal conduta. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que no que diz respeito ao ganho de capital, a fiscalização entende que se trata de alienação. A impugnante contesta argumentando basicamente que as operações não se caracterizam como eventos de alienação e que a incorporação de ações resultaria em mera permutação patrimonial não ocasionando qualquer acréscimo patrimonial. Assinala ainda que a operação tratarseia de uma típica operação de permuta; que, portanto, em primeira mão, o argumento da impugnante de que a operação se caracterizaria como típica operação de permuta, não vem ao seu socorro; Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 8 que a impugnante argumenta ainda que a operação em foco não se caracterizaria como alienação pela “Inexistência de manifestação de vontade na incorporação de ações”; que, no entanto, a própria impugnante se contradiz ao afirmar nos dois últimos parágrafos da transcrição da sua impugnação; que nas próprias palavras da impugnante, uma vez aprovada a operação pela Assembléia Geral da companhia cujas ações são incorporadas, fica sua diretoria autorizada a subscrever e integralizar as novas ações emitidas pela sociedade incorporada, em razão da manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76. Por este motivo, correto está o entendimento da impugnante quando afirma que a Assembléia Geral consiste no órgão social supremo de uma sociedade e que tais deliberações devem ser feitas sempre em vista do interesse social e não do interesse individual daqueles que o compõem, ainda que por estas decisões venham a ser afetados; que, por oportuno, registrese a presença do Senhor Luis Fernando Furlan, sócio da impugnante e copresidente da BRF Foods (fls. 240 e 294), na Assembléia Geral Extraordinária da HFF Participações S. A., que aprovou a incorporação das ações pela BRF, conforme ata de fls. 58; que a impugnante registra ainda que a norma tributária alterou a definição, o conteúdo e o alcance do termo “alienação”, recorrendo ao Artigo 1.275 do Código Civil. No entanto, a simples leitura do citado artigo demonstra que o argumento é infundado; que, não houve, portanto, qualquer alteração de definição do termo “alienação”. O artigo serve para comprovar que a impugnante perdeu a propriedade das ações que possuía por têlas alienado; que a impugnante cita instruções normativas da SRF, pareceres da PGFN, pergunta 582 do Perguntas e Respostas – IRPF 2012, artigo 65 da Lei 8.383/91, para concluir que deixou de oferecer o suposto ganho de capital por inexistir renda a ser oferecida, culminando com a citação do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal, que veda a exigência de imposto sem que haja uma lei que o estabeleça; que este argumento não prevalece pela constatação de que, nos respectivos autos de infração e Termo de Verificação Fiscal, está indicada a legislação de regência; que quanto ao argumento da inexistência de acréscimo patrimonial, o Termo de Verificação Fiscal apresenta tabela de fls. 34, indicando o valor de R$135.580.769,27, como acréscimo patrimonial após a incorporação de ações; que no tópico IV – Da insubsistência do valor de principal apurado, a impugnante argumenta que, ainda que se entenda pela manutenção do crédito tributário em questão, devese reconsiderar o valor do principal apurado pela fiscalização; que, não obstante estar correta a metodologia adotada pela fiscalização, revisitando sua documentação contábil constatou erro de fato na apuração do custo contábil de seu investimento detido na Sadia e HFF, porque o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista; que apresenta laudo contábil para demonstrar as mutações patrimoniais sofridas pela Sadia ao longo dos anoscalendários de 1997 a 2009 e outros documentos (relação Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.018 9 de fls. 598), para, ao final concluir que o valor contábil do investimento na HFF, corresponderia, de fato, a R$ 55.309.017,00, e o ganho de capital a R$ 105.683.207,49; que cita o artigo 10 da Lei 9.249/95 para sedimentar seu argumento e requer a realização de perícia para comprovar o valor contábil do investimento na HFF; que o Termo de Verificação Fiscal, por sua vez, apresenta detalhamento dos eventos societários, trechos das Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras, do aporte de capital na HFF Participações S. A e a incorporação de ações da HFF pela BRF Brasil Foods S.A, os laudos periciais, atas das assembléias, concluindo pelo valor de R$ 25.411.455,22, como custo das ações alienadas e de R$ 135.580.769,27 como ganho de capital. Conforme fls. 06 e 11 (auto de infração IRPJ), fls. 15 e 19 (auto de infração CSLL) e fls. 35 do Termo de Verificação Fiscal, deste valor foram deduzidos os prejuízos e a base negativa compensado, resultando nos valores tributáveis de R$134.261.512,11 para IRPJ e R$134.420.057,93 para CSLL; que a conclusão é que ocorreram todos os fatos previstos na hipótese de incidência da exação. Portanto, a diferença a maior deve ser tributada, conforme calculado pela fiscalização, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica por não se ter declarado o resultado do ganho de capital após incorporação de ações e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pela falta de recolhimento sobre as receitas omitidas, conforme indicado nos respectivos autos de infração e termo de verificação fiscal, constantes dos presentes autos; que contesta a contribuinte a aplicação das multas isoladas sobre as estimativas não recolhidas, alegando, substancialmente, a sua inaplicabilidade em razão do encerramento do anobase quando da lavratura do auto de infração e a impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício; que a teor do então artigo 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/1996, e da redação atual do inciso II, aliena b, desse mesmo artigo, a multa isolada é devida em função da falta ou insuficiência de pagamento do imposto devido pelo regime de estimativa; que a multa isolada e a multa de ofício não incidem sobre a mesma base de cálculo; que, com efeito, a multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo contribuinte, que, no caso, tendo em vista a sua opção pelo regime de estimativa, é apurado ao final do anocalendário com base no resultado final auferido pelo contribuinte; que a multa isolada, por seu turno, incide sobre o valor do pagamento mensal. Com a vigência da Lei nº 11.488, de 2007, a qual alterou a redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, a distinção entre as bases de cálculo dessas multas ficou evidente; que, portanto, não se pode concluir que estaria havendo excesso punitivo. O sujeito passivo cometeu dois atos ilícitos, tipificados em lei, em face dos quais a norma prevê penas distintas; que sempre que não for recolhido o IRPJ e a CSLL devidas por estimativa, o contribuinte faltoso estará sujeito, no caso de lançamento de ofício, à multa isolada de 50% sobre o montante não recolhido. A multa aplicase ainda que, no final do período de apuração, venha a ser apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. Se a multa é cabível Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 10 mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao final do período de apuração, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas sim pelo falta de cumprimento de obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa mensal; que a impugnante argumenta, por fim, pela inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício; que esta circunstância não se verifica nos autos. Os juros de mora incidiram tão somente sobre os valores do imposto e da contribuição, como se constata às fls. 10 e 18, no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora; que não houve qualquer afronta ao “bom direito”, como sustenta a impugnante. Os demais argumentos apresentados na impugnação, tais como perigo à economia, ao desenvolvimento do mercado de capitais, ausência de cultura de se investir em bolsa, grandes operações de associações celebradas em outras situações, cartilha da bolsa de valores, conceitos e diferenças entre denominações usuais do mercado de capitais e definições legais não foram apreciados, seja por fugirem ao escopo deste julgamento, seja por não se revelarem necessários à análise. A decisão de Primeira Instância esta consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. A lei estabelece que, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, sobre os valores devidos, e não recolhidos, a título das estimativas mensais, estando o contribuinte sujeito à apuração do lucro real anual, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente. As multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração e não incidem sobre a mesma base de cálculo, são inteiramente diversas e previstas em lei. A lei não limita a imposição da multa isolada aos casos em que o lançamento de ofício se faz antes do término do período de apuração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 GANHO DE CAPITAL As operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitas a apuração do ganho de capital. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.019 11 LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento da CSLL, com os qual compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhe recomenda tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 03/06/2013, conforme Termo constante às fl. 864, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (02/07/2013), o recurso voluntário de fls. 865/922, instruído pelos documentos de fls. 923/926, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que do fato gerador do imposto de renda e da CSLL, a Constituição Federal estabeleceu em seu artigo 153, inciso III, a competência da União para instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza; que, não obstante, o entendimento adotado pela D. Fiscalização e mantido pela D.DRJ, é equivocado uma vez que a incorporação de ações consiste em instrumento puramente societário e de natureza compreendendo uma série de atos concatenados entre si que resulta na conversão de uma sociedade em subsidiaria integral, exaustivamente regulamentada pela LSA, inclusive em Seção própria daquela lei, com contornos próprios, únicos e peculiares que não guardam relação alguma com elementos necessários à caracterização de uma alienação; que os aspectos societários relacionados à implementação da operação de incorporação de ações, portanto, a incorporação e ações consiste em um instituto próprio de direito societário que tem como intuito viabilizar a constituição de subsidiária integral, isto é, companhia brasileira cuja totalidade das ações é detida por outra companhia brasileira; que, portanto, passase à análise do conceito de alienação de forma a demonstrar que a intenção da D. Fiscalização em enquadrar a incorporação de ações como um evento de alienação apto a ensejar a incidência do IRPJ e CSLL sobre suposto ganho de capital não deve prosperar; que a impossibilidade do enquadramento da operação de incorporação de ações como espécie de alienação, ou seja, a legislação tributaria brasileira, ao delimitar a incidência do imposto de renda da pessoa física sobre ganhos de capital, define como operação de alienação a compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins; que, mostrase pertinente demonstrar que, uma vez não enquadrada a operação de incorporações da ações da HFF pela BRF como alienação a fim de ensejar a tributação pelo IRPJ e CSLL sobre ganho de capital nos termos do artigo 43 do CTN, c/c no artigo 57 da Lei 8.981/95, a pretensão da D.Fiscalização consignada nos Autos de Infração representa violação patente ao principio da tipicidade consagrada no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal; Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 12 que da inexistência de hipótese de incidência do imposto de renda e da CSLL para casos de incorporação de ações, sendo assim, segundo o principio da tipicidade cerrada, o pagamento de tributos somente poderá ser exigido pelas autoridades fiscais quando verificada a materialização, no mundo fenomênico, de todos os elementos que compõem a sua hipótese de incidência exaustivamente definida em lei. Em outras palavras, somente situações expressamente previstas em lei como fatos geradores de tributos poderão legitimar a atividade arrecadatória das autoridades ficais; que ainda que se entenda que a incorporações de ações possui natureza jurídica de alienação, o que se admite apenas a título de argumentação, a r. decisão recorrida não merece prosperar, tendo em vista que o reflexo de tal operação no patrimônio da Recorrente seria a de uma permutação e não mutação patrimonial capaz de gerar acréscimos patrimoniais sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL; que das espécies de alienação, como já mencionado, segundo a D. Fiscalização, o instituto da “incorporação de ações é uma operação de alienação, em sentido amplo, de bens, na qual os acionistas da empresa cuja totalidade das ações são (sic) incorporadas transferem todas as suas ações para empresa adquirente/incorporadora, pelo valor de mercado a estas atribuído e, em contraprestação, recebem, não pagamento em dinheiro, mas ações desta empresa (adquirente/incorporadora), emitidas em aumento de capital social”; que conforme remansosa jurisprudência deste E. CARF, a permuta não está sujeita à incidência de IRPJ e CSLL se não houve torna, sendo a autuação insubsistente também por este ângulo; que da não incidência de IRPJ e CSLL nas operações de permuta, neste sentido, conforme explicado, o fato gerador do IRPJ e da CSLL se dá com a verificação de uma mutação patrimonial positiva do contribuinte, independentemente de sua origem; que em face de todo o exposto, não há como afastar a conclusão de que, nas operações de permuta sem torna, como a presente, independentemente da natureza dos bens trasladados, quer móveis ou imóveis, não há como haver a incidência do IRPJ e da CSLL vez que não se apura ganho de capital tributável por aqueles tributos. Há mera substituição de elemento do patrimônio do contribuinte por outro de igual consideração, sem ingresso de nova riqueza disponível que ampare a tributação pelo imposto sobre a renda pela contribuição social sobre o lucro líquido; que da inexistência de acréscimo patrimonial na incorporação de ações e conseqüente não incidência de IRPJ e CSLL, conforme pormenorizado acima, na incorporações de ações, os acionistas recebem ações da companhia incorporada em substituição às suas antigas ações, de acordo com uma relação de troca que vista resguardar os direitos dos acionistas minoritários e majoritários de ambas as companhias envolvidas no evento; que, não obstante, na remota hipótese deste E. CARF entender pela manutenção do crédito tributário em questão, deve ao menos, data máxima vênia, reformar a r. decisão decorrida quanto ao valor de principal apurado pela D.Fiscalização; que da insubsistência do valor de principal apurado, ou seja, conforme se extrai do Termo de Fiscalização lavrado pela D. Fiscalização, o valor principal por esta apurado teve como base de cálculo a diferença positiva obtida a partir (i) do valor de mercado das ações da BRF recebidas na data da referida operação (i.e.8.7.2009), multiplicado pela quantidade de ações BRF recebida pela Recorrente (i.e. R$ 160.992.224,49) e (ii) o valor Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.020 13 contábil de seu investimento na HFF nesta mesma data (i.e. R$ 25.411.455,22), conforme balancete intermediário datado de 31/07/2009; que passa a Recorrente a demonstrar, na próxima seção, a impossibilidade de exigência concomitante pela D. Fiscalização de multa de ofício de 75% com multa isolada de 50% pelo não recolhimento de estimativas mensais; que da aplicação concomitante de multas isoladas e de ofício, alem de impor multas de ofício no percentual de 75% sobre o IRPJ e a CSLL que, supostamente, deixaram de ser recolhidos ao final do anocalendário de 2009 em razão de Recorrente não ter oferecido à tributação um suposto ganho de capital decorrente da incorporação de suas ações, a D. Fiscalização também impôs multa isoladas de 50% sobre suposta insuficiência de recolhimento das antecipações mensais de IRPJ e CSLL por estimativa no decorrer de 2009, em razão do mesmo fato; que com a devida vênia, também merece reforma a r. decisão recorrida, para que seja afastada a aplicação da multa isolada na remota hipótese de se entender que a incorporação de ações enseja a incidência de IRPJ e CSLL; que a inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de oficio, apenas a título de argumentação, caso venha prevalecer ainda que parte da exigência fiscal, a Recorrente requer seja afastada a provável exigência de juros de mora sobre as multas de ofícios, uma vez que a D. RFB os tem exigido em total afronta à Legislação Pátria e ao Princípio da Segurança Jurídica; que caso não restem acolhido os argumentos acima esmiuçados – o que se admite apenas ad argumentandum fazse necessário afastar, ao menos, a aplicação de juros de mora sobre a multa de oficio, haja vista a completa ausência de previsão legal que apóie tal conduta. Em 19 de novembro de 2013, a Fazenda Nacional, por intermédio do seu representante legal apresenta, tempestivamente, com fundamento no § 2º do art. 48 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, as suas Contrarrazões ao Recurso Voluntário interposto (fls. 990/1012) baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que do ganho de capital na incorporação de ações e existência de efetiva alienação, em seu Recurso, a Contribuinte considera que, na incorporação de ações, não há alienação e, por isso, não haveria ganho de capital. Defende, basicamente, que na operação ocorreu apenas uma troca de ações, por subrogação real. A Recorrente também aproxima a incorporação de ações da incorporação de sociedades; que na incorporação de ações da HFF Participações S.A pela BRF (antiga Perdigão), ocorrida em 2009, há em verdade uma alienação de participação societária. Qualquer acréscimo patrimonial dela decorrente deverá ser oportunamente oferecido à tributação; que, a Contribuinte Recorrente, Old Participações, deveria ter apurado o ganho de capital decorrente da operação. Como não o fez, correto o lançamento; Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 14 que, da possibilidade de cumulação da multa isolada e da multa de ofício – materialidades distintas – fato gerador posterior à MP 351/2007, portanto, o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que a Contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; que, por outro lado, não há óbice de que sejam aplicadas à Contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo. Ora, como se sabe, a base de calculo é elemento que apenas quantifica o imposto ou a penalidade tributária, não se confundindo com os fatos/atos que lhe dão origem. Assim, a penalidade tributária decorre sempre de um ato ilícito e a base de cálculo mensura o montante dessa penalidade; que, quando deixar de recolher os tributos devidos, sem justificar o não recolhimento mediante a transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução, estará sujeito ao pagamento da multa prevista no art. 44, §1º, inciso IV da Lei n.º 9.430/96; que, no presente caso, restou plenamente configurado o desrespeito da Recorrida à Lei 9.430/96, devendo, portanto, ser mantido o lançamento da multa isolada. É o relatório. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.021 15 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator ad hoc Na condição de relator ad hoc ante a impossibilidade do relator original formalizar o voto vencido, e ressalvado meu entendimento contrário sobre a matéria, adoto o conteúdo do voto disponibilizado pelo relator original a esta turma julgadora na data da sessão de julgamentos. O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão encontrase fundamentada nas seguintes acusações: 1 IRPJ Resultado não declarado de Ganhos de Capital após incorporação de ações e multa por falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada; e 2 CSLL – Falta de recolhimento da CSLL devida sobre receitas omitidas e multa por falta de recolhimento da contribuição social sobre a base estimada. Segundo a autoridade fiscal lançadora, o ganho de capital teria ocorrido de um conjunto de operações societárias praticadas, no anocalendário de 2009, por empresas nas quais a recorrente detinha participação societária, em especial por ocasião da incorporação de ações. Para tanto, a autoridade fiscal lançadora equiparou a incorporação de ações a uma das modalidades de alienação de bens ou direitos sujeitas à apuração de ganho de capital. A decisão recorrida manteve o lançamento sob o argumento básico de que na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, já as operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitas a apuração do ganho de capital. Ou seja, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente e havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. No que diz respeito à multa isolada entendeu a decisão recorrida de que a lei estabelece que, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, sobre os valores devidos, e não recolhidos, a título das estimativas mensais, estando o contribuinte sujeito à apuração do lucro real anual, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente e que as multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração e não incidem sobre a mesma base de cálculo, são inteiramente diversas e previstas em lei, bem como a lei não limita a imposição da multa isolada aos casos em que o lançamento de ofício se faz antes do término do período de apuração. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, apresenta razões de mérito sobre a irregularidade apontada pela autoridade fiscal lançadora, Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 16 sob os seguintes argumentos básicos: (1) que as operações não se caracterizam como eventos de alienação; (2) que a incorporação de ações resultaria em mera permutação patrimonial não ocasionando qualquer acréscimo patrimonial; (3) que, ainda que se entenda ter havido acréscimo patrimonial, o valor do principal não está correto; e (4) que não poderia ter sido aplicada multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Como visto, a autoridade fiscal lançadora amparou o lançamento no argumento de que a incorporação de ações é uma operação de alienação, em sentido amplo, de bens, na qual os acionistas da empresa cuja totalidade das ações são incorporadas transferem todas as suas ações para a empresa adquirente/incorporadora, pelo valor de mercado a estas atribuído e, em contraprestação, recebem, não pagamento em dinheiro, mas ações desta empresa (adquirente/incorporadora), emitidas em aumento de capital social. Sendo, indubitavelmente, a incorporação de ações, alienação de bens, desta pode decorrer ganho de capital – fato gerador do imposto de renda – se houver resultado econômico positivo para a pessoa física ou jurídica, alienante. Por sua vez, a recorrente contesta argumentando basicamente que as operações não se caracterizam como eventos de alienação e que a incorporação de ações resultaria em mera permutação patrimonial não ocasionando qualquer acréscimo patrimonial. Assinala ainda que a operação tratarseia de uma típica operação de permuta. O Termo de Verificação Fiscal apresenta detalhamento dos eventos societários, trechos das Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras, do aporte de capital na HFF Participações S. A e a incorporação de ações da HFF pela BRF Brasil Foods S.A, os laudos periciais, atas das assembléias, concluindo pelo valor de R$ 25.411.455,22, como custo das ações alienadas é de R$ 135.580.769,27, como ganho de capital. Conforme fls. 06 e 11 (auto de infração IRPJ), fls. 15 e 19 (auto de infração CSLL) e fls. 35 do Termo de Verificação Fiscal, deste valor foram deduzidos os prejuízos e a base negativa compensado, resultando nos valores tributáveis de R$ 134.261.512,11 para IRPJ e R$ 134.420.057,93 para CSLL. De fato, se observa que, em 31/12/2008, a recorrente Old Participações Ltda. era titular de 26.751.658 ações ON da Sadia S/A, as quais se encontravam registradas em sua contabilidade pelo valor total de R$ 27.658.293,28 e que estas ações foram objeto das seguintes operações societárias: (1) – Subscrição de 2.173.187 novas ações emitidas em aumento de capital da HFIN Participações S/A, as quais foram integralizadas mediante a contribuição de 2.173.187 ações ON da Sadia; (2) – Subscrição de 24.578.471 novas ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal, emitidas em aumento de capital da HFF Participações S/A, integralizadas pela recorrente Old Participações Ltda. mediante a contribuição ao capital social de 24.578.471 ações ON da Sadia; e (3) houve o recebimento pela recorrente de 4.086.097 ações da BRF Brasil Foods S.A. em substituição às 24.578.471 ações da HFF Participações S.A. em decorrência da incorporação das ações da HFF pela BRF. Assim sendo, a recorrente deixou de possuir investimentos na Sadia e passou a registrar investimentos na HFIN de 2.173.187 ações no valor de R$ 2.246.838,06 e na BRF de 4.086.097 ações no valor de R$ 25.411.455,22. Com estas informações, acerca da incorporação de ações da HFF Participações S/A pela BRF Brasil Foods S/A, entendeu a autoridade fiscal que houve o ganho de capital pela recorrente Old Participações Ltda. na operação de transferência das 24.578.471 ações da HFF Participações S/A, de propriedade da recorrente, para a BRF Brasil Foods, já que em contraprestação às suas ações (recorrente) da HFF Participações S/A incorporadas, a recorrente recebeu 4.086.097 ações da BRF Brasil Foods S/A. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.022 17 Diante disso, a autoridade fiscal lançadora concluiu que ocorreu ganho de capital auferido pela Old Participações Ltda. com a alienação de 24.578.471 ações da HFF Participações S.A, de sua propriedade, para a BRF Brasil Foods S.A, por meio desta operação. Considerando as ações da Sadia S/A utilizadas para subscrição de capital na HFF Participações S/A (24.578.471 ações) e os demais dados constantes do Protocolo e Justificação de Incorporação de ações da HFF Participações S/A pela BRF Brasil Foods S/A o valor de alienação das 24.578.471 ações alcançou o montante de R$ 160.992.224,49 e o custo destas ações foi de R$ 25.411.455,22, conclui que o ganho de capital é de R$ 135.580.769,27. A incorporação de ações, da forma como ocorreu no caso em apreço, está sujeita à apuração de ganho de capital para fins de incidência do imposto sobre a renda? Eis a questão que precisa ser respondida neste julgamento. Dizse que ocorre a Incorporação de Ações quando uma pessoa jurídica (ou mesmo pessoas físicas) subscreve capital social de outra pessoa jurídica (existente ou em processo de criação) com o compromisso, firmemente declarado, de integralizar o valor subscrito mediante conferência de participações societárias (não necessariamente ações) emitidas por terceiros, mas de sua titularidade à data da subscrição do aumento capital social ou mesmo de sua constituição. A incorporação de ações é um procedimento muito utilizado por empresas de capital aberto. Por meio dessa ferramenta, uma companhia incorpora 100% dos papéis de outra, que se torna sua subsidiária integral. Na tradicional incorporação de empresas, a incorporada some. O objetivo da operação com ações é melhorar o perfil da empresa, para a obtenção de créditos. Como resultado, a companhia que teve seu capital aumentado emite novas ações em favor dos acionistas da sociedade cujas ações foram incorporadas e passa a ser a única acionista dessa sociedade. Importante lembrar, todavia, que não há extinção da sociedade, como na incorporação de sociedades, bem como que apesar de se assemelhar com certas figuras, como subscrição de capital em bens, permuta e dação em pagamento, com elas não se confunde. A disciplina legal da incorporação de ações foi introduzida em nosso ordenamento jurídico a partir da edição da Lei nº 6.404, de 1976, que assim prescreve: Art. 224. As condições da incorporação, fusão ou cisão com incorporação em sociedade existente constarão de protocolo firmado pelos órgãos de administração ou sócios das sociedades interessadas, que incluirá: I – o número, espécie e classe das ações que serão atribuídas em substituição dos direitos de sócios que se extinguirão e os critérios utilizados para determinar as relações de substituição; (...) III – os critérios de avaliação do patrimônio líquido, a data a que será referida a avaliação, e o tratamento das variações patrimoniais posteriores; (...) Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 18 VII – todas as demais condições a que tiver sujeita a operação. Art. 225. As operações de incorporação, fusão e cisão serão submetidas à deliberação da assembléiageral das companhias interessadas: I – os motivos ou fins da operação, e o interesse da companhia na sua realização; (...) III – a composição, após a operação, segundo espécies e classes das ações, do capital das companhias que deverão emitir ações em substituição às que se deverão extinguir; IV – o valor de reembolso das ações a que terão direito os acionistas dissidentes; Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § I°. A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 2°. A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 3°. Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. Como visto, é de se deixar bem claro que o ato jurídico de incorporação de ações não pode ser confundido com o ato jurídico de incorporação de sociedades. Não há dúvidas de que a essência da incorporação de ações é a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral de outra, mediante a transferência compulsória de todas as ações de sua emissão, em aumento de capital, à companhia incorporadora. Essa, por sua vez, passa a ser a única e integral titular das ações da companhia incorporada. Em relação aos acionistas, em substituição às ações transferidas compulsoriamente à incorporadora, os acionistas da sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas recebem ações da incorporadora, operandose a união dos acionistas de ambas Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.023 19 companhias, na companhia incorporadora, com a manutenção da personalidade jurídica e do patrimônio da sociedade convertida em subsidiária integral. É inconteste que a incorporação de ações prevista no art. 252, embora acarrete aumento de capital da sociedade dita incorporadora, não se confunde com os aumentos de capital previsto no art. 170, principalmente porque no aumento de capital há direito de preferência, que não existe na incorporação de ações. Necessário observar que na incorporação de ações o que se visa é constituir outra sociedade como subsidiária integral da companhia que teve as suas ações incorporadas e o aumento de capital normal visa apenas o incremento da capitalização de uma única sociedade. A subsidiária integral é a sociedade anônima cujas ações são integralmente detidas por outra sociedade anônima brasileira. A obra Sociedade Anônima —30 Anos da Lei 6.404, de 1976, coordenada por Rodrigo Monteiro de Castro e por Leandro Santos de Aragão, Editora Quartier Latin, 2007, p. 119143, contém artigo de autoria de Alberto Xavier, chamado Incorporação de Ações: Natureza Jurídica e Regime Tributário, do qual trago à colação as seguintes passagens: Na verdade, incorporação de ações e incorporação de sociedades são fenômenos radicalmente distintos. As características essenciais da incorporação de sociedades consistem na transmissão do patrimônio da incorporada para a incorporadora, ocorrendo uma sucessão a título universal (art. 227, "caput"), bem como na extinção da sociedade incorporada, sem liquidação, a qual ocorre precisamente em decorrência da transmissão do seu patrimônio a título universal (art. 227, § 3º)) (...) Na figura da incorporação de ações não ocorre nenhum dos traços essenciais da incorporação de sociedades. Não ocorre a transmissão de um patrimônio líquido global, como universalidade, mediante sucessão a título universal, mas simplesmente uma operação que tem por objeto, não a totalidade de um patrimônio, mas tão somente a totalidade das ações do capital de uma companhia préexistente. Não ocorre também a extinção da sociedade cujas ações são objeto da "incorporação" a que se refere o art. 252, precisamente porque a operação tem o objetivo oposto de manter a respectiva personalidade jurídica, pressuposto lógico necessário da conversão da sociedade préexistente em subsidiária integral da "companhia incorporadora" das ações. (...) Pode, pois, concluirse não existir qualquer relação de identidade nem sequer de analogia entre a figura da incorporação de ações, regulada no art. 252, e afigura da incorporação de sociedades, regulada no art. 227. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 20 Também são totalmente distintas a figura da incorporação de ações e a figura da subscrição de capital em bens, regulada nos artigos 7º a 10. (...) A figura da subscrição de capital em bens reveste, pois, a natureza jurídica de um contrato entre o acionista e a sociedade, pelo qual o acionista transfere a titularidade de um bem ou direito préexistente no seu patrimônio para o patrimônio da sociedade, a qual, afetando esse bem ao seu próprio capital social, emite ações que são atribuídas ao acionista em contrapartida dos bens ou direitos conferidos. (...) A conferência de bens para a subscrição de capital é um ato de alienação cuja especificidade radica no fato de a contraprestação correlativa à entrega pelo sócio dos bens conferidos para integralização do capital estar na entrega pela sociedade, não de dinheiro ou bens de pagamento (como sucede na compra e venda), nem de bens de primeiro grau (como sucede na permuta), mas de bens de segundo grau, que são as ações ou quotas representativas do status de sócio do subscritor. Fácil se torna, pois, demonstrar que afigura da incorporação de ações regulada no art. 252 é radicalmente distinta da figura de subscrição de aumento de capital em bens. Tenhase presente que o objetivo essencial da figura da "incorporação de ações" consiste na "incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira para convertêla em subsidiária integral" (art. 251 "caput"). Ora, se a incorporação de ações se fizesse pelo mecanismo da subscrição de capital em bens, isto é, pelo mecanismo de subscrição entre os sócios e a sociedade, o objetivo de constituição de subsidiária integral exigiria, necessariamente, a unanimidade dos sócios da sociedade cujas ações deverão ser incorporadas, de tal modo que bastaria a discordância de um para que a operação se tornasse inviável. Precisamente porque a lei pretendeu viabilizar a formação superveniente de subsidiária integral, prescindindo a regra da unanimidade, ela foi forçada a abandonar a construção jurídica da figura da incorporação de ações baseada numa pluralidade de contratos de subscrição em bens, para optar pela configuração jurídica da operação como um contrato não já entre sócio e sociedade, mas entre duas sociedades, a companhia cujas ações houverem de ser incorporadas e a companhia incorporadora. Este contrato resulta da convergência da vontade das duas companhias, expressa nas deliberações das respectivas assembléias gerais, a que se referem os §§ 1° e 2° do art. 252. A configuração da operação de incorporação de ações como um contrato entre duas sociedades, e não como um contrato entre Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.024 21 sócio e sociedade (como é a conferência de bens), resulta da necessidade de permitir que ela seja aprovada pela maioria e não pela unanimidade dos sócios, sendo que a maioria na sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas é uma maioria qualificada, exigindo o voto da metade, no mínimo, das ações com direito a voto (art. 252, § 2°). Se bem se reparar, em parte alguma o art. 252 atribui relevância à manifestação de vontade do sócio na sua qualidade de subscritor, como sucederia se tratasse de subscrição de capital em bens, atuando apenas o sócio nas vestes de membro de um órgão da companhia — a assembléia geral — na qual pode exprimir o seu direito de voto. O objeto do contrato de incorporação de ações é precisamente a totalidade das ações do capital social de uma companhia que será objeto de ato de subscrição a ser praticado pela própria companhia cujas ações houverem de ser incorporadas e de ato de aumento de capital na companhia incorporadora das ações. É precisamente da fusão destes atos unilaterais praticados ao nível corporativo de cada uma das sociedades que resulta o contrato de incorporação de ações. (...) Um dos efeitos típicos do contrato de incorporação de ações consiste precisamente na substituição no patrimônio dos sócios das ações previamente existentes, representativas do capital da sociedade da qual originariamente participavam, por ações da sociedade incorporadora emitidas em conseqüência da incorporação das mesmas ações. Tratase de fenômeno meramente substitutivo, que não decorre de uma transmissão, seja ope voluntaris, seja ope legis. O único fenômeno de transmissão em sentido técnico que existe não tem como transmitente o titular das ações a serem incorporadas, pois não existe manifestação de vontade deste, na sua qualidade de proprietário das ações, mas sim a sociedade incorporadora das ações, uma vez que, nos termos do § 3° do art. 252, "aprovado o laudo de avaliação pela Assembléia Geral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhe couberem." O titular das ações a serem objeto de incorporação nada faz, nada transmite, nada permuta: limitase “passivamente" a receber da sociedade incorporadora ações substitutivas das originariamente detidas e que ocupam, no seu patrimônio, lugar equivalente ao das ações substituídas por um fenômeno de sub rogação real. Das considerações precedentes acerca da natureza jurídica da incorporação de ações resulta claramente que se trata de um instituto de direito societário dotado de características próprias Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 22 e que impedem a sua identificação, seja com a figura da incorporação de sociedades, seja com afigura de subscrição de aumento de capital em bens. (...) No que concerne às pessoas físicas, tratase de saber se, caso o aumento de capital da companhia incorporadora de ações se tenha baseado em laudo de avaliação que fixe o valor das ações a preço de mercado, superior ao valor pelo qual tais ações constam da declaração de bens dos sócios, será a diferença a maior tributável como ganho de capital, nos termos do art. 23 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Em face das considerações pendentes, relativas à natureza jurídica da figura de incorporação de ações e à nítida distinção relativamente à figura de subscrição de aumento de capital em bens, fácil se torna concluir que o art. 23 acima citado é exclusivamente aplicável a esta última figura, como aliás resulta do seu próprio caput, que se refere a uma transferência "a título de integralização de capital". Ora, como atrás já largamente se demonstrou, enquanto na subscrição de bens para aumento de capital a operação é realizada entre o sócio e a sociedade, na figura da incorporação de ações a operação é realizada entre suas sociedades, a sociedade incorporadora das ações e a sociedade cujas ações deverão ser incorporadas, sendo que o aumento de capital será subscrito por esta última. Conseqüentemente, na figura da incorporação de ações o acionista não transfere bens ou direitos de qualquer natureza, limitandose, de modo estático e passivo (como numa "quase desapropriação'), a ter no seu patrimônio substituídas as ações que previamente detinha pelas novas ações emitidas pela companhia incorporadora, ocorrendo um fenômeno de sub rogação real. Não sendo aplicável à hipótese de incorporação de ações o art. 23 da Lei n° 9.249/95, os sócios, pessoas físicas, poderão manter o mesmo valor das ações da companhia incorporada, constante das declarações anteriores, limitandose a informar que esse mesmo valor se refere às ações da companhia incorporadora que as substituíram. A tributação sobre eventual ganho de capital apenas ocorrerá em caso de alienação futura das ações da companhia incorporadora, sendo então tal ganho computado pela diferença entre o preço de alienação e o custo originário constante da declaração de bens. (o grifo não consta do original) Tenhase finalmente presente que esta é a solução que melhor se adequa ao art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), pois só neste momento ocorrerá realização efetiva de um ganho, até então meramente potencial, pois precisamente neste momento é que ocorrerá a aquisição de disponibilidade econômica e jurídica de renda. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.025 23 Para um maior entendimento sobre o assunto se faz necessário uma leitura da obra “Incorporação de Ações. Natureza Jurídica e Principais Características” de Nelson Eizirik – São Paulo: Editora Saraiva, 2010, do qual trago à colação as seguintes passagens: Uma outra diferença entre subscrição e a incorporação de ações centrase no elemento vontade. Com efeito, na subscrição, o subscritor manifesta sua vontade de se tornar sócio da companhia. Tratase de ato unilateral e voluntário, pelo qual a pessoa que deseja se tornar acionista da sociedade manifesta a sua vontade de contribuir para o capital social, obrigandose por determinado número de ações. Na incorporação de ações, ao contrário, prescindese da vontade do acionista da companhia cujas ações serão incorporadas. A operação é aprovada por maioria e independentemente da vontade do acionista minoritário, cabendolhe, apenas, no caso de dessidência, o exercício do direito de recesso. Conclui, assim, que a incorporação de ações não se confunde com aumento de capital, seja a subscrição em dinheiro ou em bens. Na incorporação de ações, haverá subscrição, independentemente da vontade do acionista minoritário, de ações da sociedade incorporadora com a totalidade das ações do capital social da companhia cujas ações serão incorporadas. Apenas como conseqüência é que haverá o aumento de capital da sociedade incorporadora das ações. (...) Como salientado, na incorporação de ações, a diretoria subscreve o aumento de capital da sociedade incorporadora com bens alheios, que são as ações de emissão da ‘incorporada’ de propriedade dos acionistas. Ou seja, a sociedade incorporada dispõe de bens que não lhe pertencem, ocorrendo a subscrição com bens alheios. A transferência compulsória das ações não apresenta qualquer característica confiscatória, vez que os acionistas, cujas ações serão transferidas à sociedade incorporadora, recebem o número de ações da incorporadora correspondente ao valor encontrado em avaliação realizada por peritos. Caso os acionistas não concordem com a transferência compulsória de suas ações, poderão exercer o direito de recesso, recebendo o valor de reembolso de suas ações. Eles não podem, contudo, impedir a realização da operação de incorporação de ações, deliberada por maioria nas assembléias gerais. O acionista dissidente, ao exercer o direito de recesso, opta por não integrar a vontade social, manifestando sua vontade individual de retirarse da sociedade. (...) Verificase na operação de incorporação de ações uma substituição de ações. Os acionistas cujas ações foram incorporadas, independentemente de sua vontade, recebem ações da companhia incorporadora. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 24 Nesse sentido, a doutrina reconhece haver no caso uma modalidade de subrogação: ‘O titular das ações a serem objeto de incorporação nada faz, nada transmite, nada permuta: limitase ‘passivamente’ a receber da sociedade incorporadora ações substitutivas das originariamente detidas e que ocupam, no seu patrimônio, lugar equivalente ao das ações substituídas por um fenômeno de sub rogação real’. A subrogação é instituto através do qual, numa relação jurídica,operase a substituição de uma pessoa por outra, chamada subrogação pessoal, ou de uma coisa por outra, chamada de subrogação real, mas preservandose o elo, a relação anteriormente havida. Na subrogação real, uma coisa substitui a outra juridicamente, ‘devendo ser observadas as mesmas situações já existentes com relação ao bem substituído, uma vez que se mantém a relação originária. Um exemplo de subrogação real é encontrado no artigo 1425, parágrafo 1º, do Código Civil, que determina que na hipótese de perecimento do bem dado em garantia, este sub rogase na indenização do seguro, se houver, ou no ressarcimento por perdas e danos, em benefício do credor. (...) A subrogação de um bem por outro pressupõe, necessariamente, a equivalência de valores. Dessa forma, na operação de incorporação de ações, não há alteração no patrimônio do acionista cujas ações foram substituídas por novas ações da sociedade incorporadora. As acionistas serão atribuídas novas ações cujos valores deverão corresponder exatamente à participação que previamente detinham na sociedade que teve suas ações incorporadas. Na presente hipótese ocorre uma sub rogação real legal, pois determinada pela Lei das S/A e decorrente da natureza da operação de incorporação de ações, que não pode ser realizada de forma diversa da prevista no artigo 252 da Lei das S/A. Concluise que a constituição de subsidiária integral prevista no artigo 252 da Lei das S/A representa negócio jurídico, por meio do qual, independentemente de sua vontade, as ações de propriedade dos acionistas minoritários são trocadas por novas ações a serem emitidas pela companhia incorporadora, ocorrendo uma subrogação real decorrente da Lei. Como visto, a incorporação de ações tem como principais efeitos (i) o aumento de capital da incorporadora, realizado com as ações a serem incorporadas; (ii) a substituição das ações de emissão da sociedade cujas ações serão incorporadas por ações de emissão da incorporadora; (iii) a subrogação legal dos acionistas da sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas, nas ações da incorporadora; (iv) a conversão da sociedade cujas ações serão incorporadas em subsidiária integral da incorporadora; e (v) a unificação das bases acionárias de ambas as sociedades na incorporadora. É certo que o ato jurídico de incorporação de ações não se confunde com o de simples aumento de capital, pois são dois atos típicos regidos por normas jurídicas próprias e distintas, sendo que na incorporação de ações o aumento de capital não é o fim ou função do Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.026 25 ato, é parte do ato cuja função é transformar outra companhia em subsidiária integral da incorporadora, sendo que o aumento de capital é conseqüência do ato de incorporação de ações e necessidade para este se completar, dado que requer novas ações a serem entregues em substituição das incorporadas. Ora, na incorporação de ações não há a alienação de ações ou mesmo uma incorporação ficta, mas sim a subrogação legal dos acionistas da sociedade cujas ações houveram de ser incorporadas, nas ações da incorporadora. É de se ressaltar, que o protocolo da operação não constitui um instrumento de alienação de ações, mas apenas o meio jurídico pelo qual são estabelecidos os termos da incorporação de ações ajustados entre as companhias. Da mesma forma é de se ressaltar, que a natureza jurídica da incorporação de ações reside nos efeitos do protocolo da operação sobre os acionistas das sociedades envolvidas, em especial da sociedade a ser convertida em subsidiária integral. Isto porque, não obstante o fato do instrumento de protocolo ser celebrado entre as companhias – vale dizer, sem a participação necessária de seus acionistas – o mesmo produz efeitos não somente sobre as partes do negócio jurídico, mas também sobre seus acionistas, que deverão transferir compulsoriamente suas ações à sociedade incorporadora, uma vez aprovada a incorporação de ações pela maioria dos acionistas das companhias envolvidas. Assim, podese afirmar que o negócio jurídico de incorporação de ações possui uma eficácia externa, atingindo a terceiros estranhos ao protocolo, desde que a operação seja aprovada pela maioria das assembléias gerais das sociedades envolvidas. Como já dito, a incorporação de ações tratase de operação societária típica, regulada pelo artigo 252 da Lei n° 6.404, de 1976, em que a diretoria de uma sociedade por ações subscreve um aumento de capital em outra companhia, com as ações da própria sociedade por ações, por conta de seus acionistas. Como efeito, as ações incorporadas são substituídas no patrimônio dos acionistas por novas ações a serem emitidas pela companhia incorporadora, operando uma sub rogação real derivada de lei. Com base em Pontes de Miranda, temse que na subrogação real operase a substituição de um bem por outro, sendo que o bem adveniente não apenas toma o lugar do bem substituído, mas também reveste a mesma natureza e se submete ao mesmo regime jurídico do bem substituído. Ademais, alienação é ato de disposição; de transferência de domínio. A alienação importa na renúncia de um direito e é, portanto, voluntária. Tendo em vista que na subrogação real derivada de lei há a substituição de uma coisa por outra em razão de expressa previsão legal, não há que se confundir alienação com subrogação real. De acordo com o Novo Dicionário Eletrônico Aurélio, versão 5.11a, Alienar significa "Transferir para outrem o domínio de; tornar alheio; alhear;". Na incorporação de empresas, ocorre a transmissão do patrimônio da incorporada para a incorporadora, com a extinção daquela. Já pela figura da incorporação de ações, transmitese a totalidade das ações (e não do patrimônio), sendo que a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem, obviamente, ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 26 É de se ressaltar, que quem subscreve o aumento de capital é a diretoria da sociedade cujas ações serão incorporadas por conta dos acionistas, porém não em nome deles. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas ou jurídicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, deverão, apenas, promover a alteração acima referida em suas declarações de imposto de renda. Por sua vez, a subscrição de capital em bens é ato de alienação praticado entre o sócio e a empresa, por intermédio do qual um bem que fazia parte do patrimônio do acionista passa a fazer parte do patrimônio da pessoa jurídica. Em contrapartida, ele recebe ações da do capital da empresa. O artigo 23 da Lei n° 9.249, de 1995 trata de operações de transferência de bens e direitos a titulo de integralização de capital, sendo, pois, inaplicável ao caso, segundo penso, na medida em que incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens. Na incorporação de ações, só se realiza ganho de capital quando o proprietário vende as ações. Isso porque quando a operação é fechada, só papel entra na sociedade, não há embolso de capital. No caso dos autos a contribuinte não efetuou a venda das ações questionadas. Isso fica claro nas palavras de Ricardo Mariz de Oliveira no seu livro Incorporação de Ações no Direito Tributário – São Paulo: Quartier Latin, 2014, do qual trago à colação a seguinte passagem: INCIDÊNCIA POSSÍVEL APENAS COM A REALIZAÇÃO DA RENDA, EM OBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, SEGUNDO DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA – NÃO INCIDÊNCIA SOBRE A RENDA POTENCIAL OU ESCRITURAL Quando muito, ocorre para o acionista o fenômeno de haver um acréscimo patrimonial meramente potencial, que na verdade já existia antes do ato, possível de vir a ser obtido efetivamente apenas se, e quando, as ações recebidas na troca forem alienadas por preço maior do que o custo das que foram incorporadas, pois a incidência tributária pressupõe ganho real e realizado, isto é, ganho efetivamente auferido, ou, segundo o art. 43 do CTN, ganho cuja disponibilidade econômica ou jurídica tenha sido adquirida. De fato, em todo e qualquer caso, somente é possível a incidência dos tributos sobre a renda quando houver renda real, pois se deve ter em conta que a incidência do imposto de renda depende de haver renda realizada, efetivamente auferida, ou, segundo o art. 43 do CTN, cuja disponibilidade econômica ou jurídica tenha sido adquirida. Isto é assim porque, sejam os contribuintes pessoas físicas, sejam pessoa jurídicas, a incidência do imposto de renda está submetida ao chamado “princípio da realização da renda”, que promana do princípio da capacidade contributiva, do qual é manifestação no fato gerador desse imposto, sendo este o Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.027 27 momento para aprofundar o entendimento deste princípio a que já me referi anteriormente. Nas práticas fiscal e contábil, a expressão “realização da renda” tem dois sentidos, pois tanto designa o efetivo recebimento de algum valor, por exemplo, do valor de um título de crédito pago pelo devedor, quando se diz que o respectivo crédito “foi realizado”, quanto se refere ao outro sentido, que não se relaciona necessariamente à recepção de moeda ou de outro meio de pagamento, mas ao fato de que a renda não é meramente potencial, mas, sim, atual e efetiva. Esta segunda acepção do termo é a que se identifica com o princípio da realização da renda, significando que renda realizada é aquela que já entrou na titularidade do contribuinte, em caráter definitivo e sem se submeter a qualquer condição ou evento futuro e de acontecimento incerto, ou, por outras palavras, a renda realizada corresponde a novo direito definitivamente adquirido, mesmo que a termo, portanto, ainda que não traduzido em moeda recebida, mas que já esteja disponível para uso, gozo e disposição. Não tenho dúvidas, que a tributação sobre eventual ganho de capital apenas ocorrerá em caso de alienação futura das ações da companhia incorporadora, sendo então tal ganho computado pela diferença entre o preço de alienação e o custo originário destas ações. Pela não ocorrência de alienação, mas de mera substituição, de participação societária, entendo que não se pode dar sustentação à exigência de ganho de capital. Não se pode olvidar que de acordo com o artigo 5°, inciso II, com o artigo 37 e com o artigo 150, inciso I, todos da Constituição Federal, ao que se soma o artigo 97, incisos I e III, e § 1°, do Código Tributário Nacional — CTN, somente a lei pode instituir ou majorar tributos, bem como definir o fato gerador da obrigação tributária. É exclusividade de lei determinar a hipótese de incidência tributária e seus elementos quantitativos — base de cálculo e alíquota. Apenas a lei pode fixar as situações que, ocorridas no mundo fático, geram a obrigação de pagar tributo. Nesse sentido, cumpre destacar as seguintes lições de Roque Antonio Carrazza: Portanto, o princípio da legalidade, no Direito Tributário, não exige, apenas, que a atuação do Fisco rime com uma lei material (simples preeminência de lei). Mais do que isto, determina que cada ato concreto do Fisco, que importe exigência de um tributo, seja rigorosamente autorizado por uma lei. É o que se convencionou chamar reserva absoluta de lei formal (Alberto Xavier) ou de estrita legalidade (Geraldo Ataliba). Também a conduta da Fazenda Pública, ao cobrar um tributo (atividade tipicamente administrativa), deve vir disciplinada numa lei ordinária, que minudencie os casos e o modo como deve ser aplicada. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 28 Como se viu, todos os elementos essenciais do tributo devem ser erigidos abstratamente pela lei, para que se considerem cumpridas as exigências do principio da legalidade. Convém lembrar que são 'elementos essenciais' do tributo os que, de algum modo, influem no an e no quantum da obrigação tributária. (Curso de Direito Constitucional Tributário, 12. ed., Malheiros: 1999, p. 178179). Restou claro que, por exigência legal, na incorporação de ações o acionista recebe as novas ações independentemente de sua atuação; o investidor permanece inerte no processo, recebendo apenas novas ações da sociedade incorporadora, tal como determina a legislação societária. O custo de aquisição da participação originária, portanto, não é alterado; ele permanece o mesmo, sendo apenas alterado o ativo detido substituindose as ações. A autoridade fiscal não pode fugir da legalidade tributária, tangenciar ou flexibilizar a legalidade tributária. Impõese à autoridade fiscal identificar o fato gerador efetivo, real, substancial, descrito em lei, estabelecido em lei, consignado em lei, que será utilizado para fundamentar ou embasar a constituição do crédito. Como já tido “incorporação de ações" não se confunde com incorporação de sociedades nem tampouco com subscrição de capital em bens e, portanto, inexiste fundamento legal que dê sustentação ao lançamento. CUSTO DAS AÇÕES TRANSFERIDAS Ademais, mesmo que não fosse assim, cabe razão no que diz respeito ao erro de fato na apuração do custo contábil de seu investimento detido na Sadia e HFF. Senão vejamos: No tópico insubsistência do valor de principal apurado, a recorrente argumenta que, ainda que se entenda pela manutenção do crédito tributário em questão, deve se reconsiderar o valor do principal apurado pela fiscalização. Registra que, não obstante estar correta a metodologia adotada pela fiscalização, revisitando sua documentação contábil constatou erro de fato na apuração do custo contábil de seu investimento detido na Sadia e HFF, porque o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista. Apresenta laudo contábil para demonstrar as mutações patrimoniais sofridas pela Sadia ao longo dos anoscalendários de 1997 a 2009 e outros documentos (relação de fls. 598), para, ao final concluir que o valor contábil do investimento na HFF, corresponderia de fato a R$ 55.309.017,00, e o ganho de capital a R$105.683.207,49. Cita o artigo 10 da Lei 9.249, de 1995 para sedimentar seu argumento e requer a realização de perícia para comprovar o valor contábil do investimento na HFF. O Termo de Verificação Fiscal, por sua vez, apresenta detalhamento dos eventos societários, trechos das Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras, do aporte de capital na HFF Participações S. A e a incorporação de ações da HFF pela BRF Brasil Foods S.A, os laudos periciais, atas das assembléias, concluindo pelo valor de R$ 25.411.455,22, como custo das ações alienadas e de R$ 135.580.769,27, como ganho de capital. Conforme fls. 06 e 11 (auto de infração IRPJ), fls. 15 e 19 (auto de infração CSLL) e fls. 35 do Termo de Verificação Fiscal, deste valor foram deduzidos os prejuízos e a base negativa compensado, Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.028 29 resultando nos valores tributáveis de R$ 134.261.512,11 para IRPJ e R$ 134.420.057,93 para CSLL. É certo, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, no caso de aumentos de capital resultantes da incorporação de lucros a partir de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com estes lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista. Para a apuração do valor contábil correto investimento detido pela Recorrente na Sadia e HFF, se observa nos autos, foi solicitada a elaboração de relatório por contador independente visando ao levantamento contábil das mutações patrimoniais sofridas pela Sadia ao longo dos anos – calendário de 1997 a 2009 que pudessem impactar o custo registrado pela recorrente em relação ao seu investimento na Sadia. Neste relatório consta a verificação das inexatidões materiais constantes do custo contábil outrora registrado pela recorrente na Sadia e HFF, passando por todas as correções permitidas por lei necessárias ao cálculo correto do custo contábil de tais investimentos (fls. 669/776). Referido material contempla as seguintes planilhas: (i) A evolução do investimento da Old na Sadia demonstrando os registros das movimentações ocorridas na conta Investimentos do Ativo Permanente, e seu respectivo saldo, extraídos dos livros diários da empresa (aba “Old Participações Ltda., Conta Investimento em Ações”); (ii) As correções ao custo contábil dos investimentos da Old na Sadia, provenientes de capitalizações ao capital social, da Sadia, de lucros gerados após 1 de janeiro de 1996, efetuadas com base no documento mencionado no item (v) abaixo (aba “Old Participações Ltda. – Correções do Custo Contábil”); (iii) As mutações ocorridas nas contas do patrimônio liquido da Sadia verificadas no período de 31/12/1994 a 31/12/2007, conforme se extrai das Demonstrações Financeiras da referida empresa (aba “Sadia S.A – Mutações do Patrimônio Liquido”); (iv) A segregação dos saldos, provenientes de resultados gerados “antes e após” 1 de janeiro de 1996, das reservas de lucros e lucros acumulados da Sadia, elaborada de acordo com a movimentação verificada nas contas de seu patrimônio líquido (aba “Sadia S.A – Segregação das Movimentações de Lucros”). (v) Na determinação dos valores dos aumentos de capital provenientes de resultados gerados após 1 de janeiro de 1996, foi utilizado o método PEPS, ou seja, primeiro foram utilizados os saldos das reservas de lucros e de lucros acumulados provenientes de resultados gerados anteriormente a 1 de janeiro de 1996 (aba “Aumentos de Capital Segregados pela Origem do Lucro”); e, Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 30 (vi) Quadro resumo com a demonstração do custo contábil do investimento detido pela Old na Sadia e, posteriormente, na HFF corrigido (aba “Old Participações Ltda. – Quadros Resumo – Movimentação das Ações Sadia). A partir dos atos societários da Sadia, inferese que, ao longo dos anos calendários de 1999, 2000, 2003, 2005 e 2007, foram efetivadas capitalizações de lucros auferidos pela Sadia posteriormente ao mês de janeiro de 1996 nos seguintes termos (fls. 777/838): (i) Ata de assembléia Geral Ordinária e Extraordinária datada de 30.3.1999. Aumento de capital no valor de R$ 48.000.000,00 proveniente do aproveitamento de saldos das contas de reservas; (ii) Ata de assembléia Geral Ordinária e Extraordinária datada de 31.3.2000. Aumento de capital no valor de R$ 250.000.000,00 proveniente do aproveitamento de saldos das contas de reservas; (iii) Ata de assembléia Geral Ordinária e Extraordinária datada de 22.4.2003. Aumento de capital no valor de R$ 300.000.000,00 proveniente do aproveitamento de saldos das contas de reservas; (iv) Ata de assembléia Geral Ordinária e Extraordinária datada de 29.4.2005. Aumento de capital no valor de R$ 500.000.000,00 proveniente do aproveitamento de saldos das contas de reservas; (v) Ata de assembléia Geral Ordinária e Extraordinária datada de 23.11.2007. Aumento de capital no valor de R$ 500.000.000,00 proveniente do aproveitamento de saldos das contas de reservas. Desta forma, tendo em vista que parte das reservas capitalizadas nos termos dos atos societários acima mencionados era composta por lucros auferidos pela Sadia após janeiro de 1996, conforme se depreende da planilha “Sadia S.A – Segregação das Movimentações de Lucros” anexa às fls. 669/776. A qual demonstra a segregação entre lucros apurados em período anterior e posterior a 1 de janeiro de 1996 com base nas movimentações ocorridas nas contas de seu patrimônio líquido – tais lucros deveriam, de acordo com o art. 10 da Lei 9.249, de 1995, ter sido acrescido ao custo contábil do investimento registrado pela recorrente na Sadia (e, posteriormente na HFF) na proporção de sua posição acionária nas datas em que tais capitalizações foram levadas a feito. Ocorre que, por um erro material da recorrente, referido acréscimo não foi refletido no custo de aquisição das ações Sadia de sua titularidade. Neste sentido e considerando a posição acionária da recorrente na Sadia nas datas de tais deliberações societárias, conforme se depreende da planilha “Old Participações Ltda. – Conta Investimento em Ações” (fls. 669/776), que por sua vez demonstra a evolução do investimento da recorrente na Sadia conforme seu livro diário, ao custo contábil de R$ 27.658.293,28, registrado pela recorrente em 31/12/2008 em suas demonstrações financeiras (fls. 622/652), deveria ter sido adicionado o valor total de R$ 32.541.053,83, passando o custo contábil total do investimento na Sadia a corresponder ao montante de R$ 60.199.347,11 (custo médio por ação de R$ 2, 2503), conforme planilha “Old Participações Ltd. – Quadro Resumo – movimentação das ações da Sadia” (fls. 669/776). Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.029 31 Em decorrência de tal aumento no custo de aquisição, o valor contábil do investimento na HFF, corresponderia, de fato, a R$ 55.309.017,00. Assim sendo, e se for mantido o ganho de capital, o valor correto do ganho de capital auferido pela recorrente na operação envolvendo a incorporação das ações HFF pela BRF, corresponderia a R$ 105.683.207,49, de modo que o valor do crédito tributário consignado nos Autos de Infração ora em discussão deve ser revisto. Diante das provas acostados nos autos, resta claro que a suplicante tem razão no que diz respeito a base tributável do ganho de capital. Ora, é de se admitir o erro de fato para conduzir à revisão do lançamento, eis que, se o lançamento há de ser feito de acordo com o tipo abstrato da norma, há de conformar se à realidade fática, inclusive no caso de apresentação de documentação comprobatória na fase de defesa. Como também, é pacífico, tanto na legislação de regência como na jurisprudência, que a prova da ocorrência de erro de fato cabe ao contribuinte, e pode ser efetuada mediante a comprovação da inocorrência dos débitos apontados, da duplicidade dos débitos apontados, datas equivocadas ou a demonstração de como foi obtido o valor erroneamente apontado. Assim, estando demonstrada a existência de erro de fato na apuração da base de cálculo para fins de apuração de ganho de capital, gerado a partir de informações equivocadas, gerando base de cálculo inexistente, torna defesa a retificação do lançamento, já que a prova do erro cometido pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive à presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. De fato, ao se analisar a documentação anexada aos autos, constatase que foram cometidos equívocos pela suplicante, gerando uma confusão na autoridade fiscal responsável pela análise das informações prestadas sobre o possível fator gerador de ganho de capital, provocando o lançamento através do Auto de Infração ora combatido. Ora, o estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (artigos 3º e 142, § único, do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidades essenciais, inerentes ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei nº. 5.172, de 1966 (CTN). Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1º, do Decreto nº. 70.235, de 1972). Sob a verdade material, citemse: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei nº. 5.172, de 1966 Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 32 (CTN)); as diligências que a autoridade determinar, quando entendêlas necessária ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto nº. 70.235, de 1972); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto nº. 70.235, de 1972). Como substrato dos pressupostos acima elencados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no artigo 5º, LV, da Constituição Federal, de 1988. A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas cominam sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todos os erros ou equívocos devem ser reparados tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Desta forma, erros ou equívocos não tem, perante a legislação tributária, o condão de transformarse em fatos geradores de impostos. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resultam que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Assim sendo, entendo que toda matéria útil pode ser acostada ou levantada na defesa, como também é direito do contribuinte ver apreciada essa matéria, sob pena de restringir o alcance do julgamento. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Desta forma, conjugandose as posições acima descritas, com os argumentos, fatos e provas do processo, não me restam dúvidas, que no caso em pauta, se está na presença de uma falha, decorrente de erro humano, que não tem o condão de subverter a verdadeira natureza das coisas, ainda que, frente à letra fria da lei, se incorreu em falha pela não retificação do erro pelo processo legal, com a devida instrução comprobatória dos enganos cometidos. Não é justo, que se tome, para fins de tributação, uma base de cálculo maior de ganho de capital apurados de forma equivocada, já que há evidência cristalina de que houve falha nas informações prestadas pela recorrente, falhas estas comprovadas através da documentação acostada nos autos durante a fase de defesa e conjugada com a documentação apresentada na fase impugnatória. Ou seja, que, se for o caso de se considerar tributável a operação de incorporação de ações, a base de cálculo apurada para fins de tributação do ganho de capital efetuada pela autoridade fiscal encontrase incorreta. MULTA ISOLADA No caso da aplicação das multas isoladas motivadas pela falta de recolhimento das estimativas (IRPJ e CSLL), resta claro, que o ponto nodal da discussão diz respeito ao procedimento fiscal que ocorreu após o encerramento dos exercícios questionados. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.030 33 Não há dúvidas de que o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Significa dizer que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode sofrer duas sanções pelo cometimento de um mesmo ilícito. Entretanto, não é essa exatamente a discussão no presente processo. Aqui a discussão se restringe aos casos em que a aplicação da multa exigida isoladamente foi realizada após o encerramento do exercício questionado, somada ao fato de que as mesmas foram aplicadas em concomitância com as multas de ofício. É de se observar, que a pessoa física ou jurídica que apura resultados positivos (rendimentos ou receitas tributáveis), sofre a incidência da alíquota normal. Se, por ventura, omitiu rendimentos, receitas ou apresentou declaração de rendimentos inexata, se sujeita à multa de lançamento de oficio. Parece tranqüilo o raciocínio de que o imposto cobrado em virtude desse lançamento continua sendo tributo e que a multa constitui sanção pelas irregularidades levantadas pelo fisco. Ora, o tributo cobrado através de procedimento de ofício do fisco segue tendo por origem fato gerador concretizado pela atividade do contribuinte, ainda que este, por ação ou omissão, tenha contribuído para a ocultação, total ou parcial, do fato tributado. Não é o comportamento incorreto do contribuinte, eventualmente descoberto pelo fisco, que determina o fato gerador. O fato gerador preexistiu. O fisco apenas sancionou, com multa legal, esse comportamento. Nesta linha de raciocínio entendo que a razão não está com a decisão recorrida, isto porque depois de encerrado o anocalendário objeto da penalidade – Multa Isolada, havendo ou não base tributável em 31/12, não há como subsistir tal exigência, já que os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º, art. 44, da Lei 9.430, de 1996, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, que poderá ser devido ao final do anocalendário. A Lei nº 9.430, de 1996, que autoriza a aplicação da multa isolada, se manifesta da seguinte forma: Art. 2º. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 34 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A Lei nº 8.981, de 1995, se manifesta da seguinte forma: Art. 35 – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. [...] § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. A lógica do pagamento de estimativas é, portanto, de antecipar, para os meses do anocalendário respectivo, o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria só devido ao final do exercício (em 31/12). Sob o sistema de estimativa mensal, permitese a redução dos pagamentos mensais caso o resultado tributável seja reduzido ou aumentado ao longo do ano calendário, desde que evidenciado por balancetes de suspensão (art. 29 da Lei nº 8.981/94). Assim, via de regra, o tributo – sob a forma estimada não será devido antecipadamente em caso de inexistência de lucro tributável. Assim, não tenho dúvidas que é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o anocalendário em curso, tendo em vista que, com a apuração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Ora, com o encerramento do anocalendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação, tãosomente, do inciso I, § 1º do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.031 35 offício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do Código Tributário Nacional, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. No presente caso, conforme se depreende dos autos, os autos de infração foram lavrados após o encerramento dos anoscalendário objeto do lançamento, portanto, quando já apurada a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido efetivamente devido nos períodos. Logo, embora o contribuinte não tenha antecipado ou tenha antecipado a menor o tributo nos anoscalendário questionado, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após os anoscalendário questionados, portanto, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto e a contribuição efetivamente devidos, porquanto, impossível, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação, ou seja, uma com base nas estimativas mensais e outra ao final do anocalendário. Esta matéria já tem jurisprudência formada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e com decisão favorável ao sujeito passivo e entre outros acórdãos, podem ser transcritas as seguintes ementas: Acórdão CSRF nº 9101001.207, de 17/10/2011: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercícios: 1998, 1999, 2001, 2002 CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida, apurada ao final do exercício. Acórdão CSRF nº 9101001.335, de 26/04/2012: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 36 valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Acórdão CSRF nº 9101001.237, de 21/11/2011: FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de imposto/contribuição sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de ofício proporcional ao imposto que está sendo exigido. Acórdão nº 9101001.424, de 18 de julho de 2012 FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não se aplica cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Acórdão nº 9101001.860, de 30 de janeiro de 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Assim, o presente voto encontrase em consonância com a iterativa jurisprudência desta Corte Administrativa, no sentido de que a exigência da multa isolada sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidas mensalmente somente se justifica se operada no Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.032 37 curso do próprio anocalendário, razão pela se faz necessário excluir da exigência tributária as multas isoladas aplicadas. Por fim, Como se infere do relato, a exigência da CSLL decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora mantida de forma parcial. Em observância ao princípio da decorrência, e em razão da relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir no presente julgado, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir as irregularidades apuradas, devese manter o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamento decorrente) repousa sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator ad hoc Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 38 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO. Em que pesem os percucientes argumentos do ilustre conselheiro relator, peço vênia para discordar de seu entendimento. 1 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. Tratase de operação de incorporação de ações. O Recorrente – OLD Participações Ltda – detinha em 31/12/2008 ações ON da Sadia S.A (26.751.658), registradas em sua contabilidade pelo valor de R$ 27.658.293,28. Em 19/05/2009, a Perdigão (BRF) e a Sadia publicaram fato relevante, informando o fechamento de acordo para futura associação com vistas à unificação de suas operações. Em tal documento constam os exatos termos de tal associação: a) Alteração da denominação de PERDIGÃO para BRF, com a posterior Incorporação de Ações de HFF pela BRF, que poderá seguirse da Incorporação da própria HFF pela BRF; b) Reorganização Societária de SADIA, HFF e PERDIGÃO/BRF; c) Incorporação de Ações de SADIA pela BRF. Ato contínuo, a OLD Participações Ltda. (ora Recorrente) subscreve 2.173.187 novas ações emitidas pela HFIN Participações S.A, por meio da utilização de igual número de ações de sua propriedade em Sadia. Do mesmo modo, OLD Participações subscreve 24.578.471 novas ações de emissão de HFF Participações S.A, sendo utilizado igual número de ações de sua propriedade em Sadia. Na em assembleia geral extraordinária da BRF (antiga Perdigão) realizada em 08/07/2009 aprovouse a incorporação da totalidade das ações da HFF Participações S.A, cujos acionistas, dentre eles OLD Participações Ltda., recebem ações de emissão da BRF. Desse modo, ao final das operações, OLD Participações não mais detinha investimentos diretos na Sadia, passando a registrar investimentos em HFIN e BRF cujo montante possuía o mesmo valor contábil do investimento anteriormente detido de forma direta em Sadia. No entender da autoridade lançadora, OLD deixou de declarar ganho de capital de R$ 135.580.769,29 auferido na incorporação de ações realizada pela BRF. Cientificada do lançamento, OLD apresentou impugnação, que, em resumo, aduz que: Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.033 39 i. a incorporação de ações é instituto com contornos próprios, que não permitem classificálo como um evento de alienação; ii. por hipótese, ainda que fosse uma alienação, seria uma permuta, não ocasionando qualquer acréscimo patrimonial; iii. mantido o entendimento pela ocorrência de alienação e acréscimo patrimonial, “o valor do principal apurado pela D. Fiscalizada, baseado apenas na contabilidade da Recorrente, não está correto”, por não ter considerado algumas capitalizações de lucros; iv. não pode subsistir a exigência concomitante da multa isolada e multa de ofício. Na análise da impugnação apresentada, a 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte julgouse improcedente, tendo OLD apresentado recurso voluntário reafirmando suas teses da peça impugnatória. O entendimento esposado pelo conselheiro relator pode ser sintetizado com base nos três últimos parágrafos de seu voto, a seguir transcritos: Restou claro que, por exigência legal, na incorporação de ações o acionista recebe as novas ações independentemente de sua atuação; o investidor permanece inerte no processo, recebendo apenas novas ações da sociedade incorporadora, tal como determina a legislação societária. O custo de aquisição da participação originária, portanto, não é alterado; ele permanece o mesmo, sendo apenas alterado o ativo detido substituindose as ações. A autoridade fiscal não pode fugir da legalidade tributária, tangenciar ou flexibilizar a legalidade tributária. Impõese à autoridade fiscal identificar o fato gerador efetivo, real, substancial, descrito em lei, estabelecido em lei, consignado em lei, que será utilizado para fundamentar ou embasar a constituição do crédito. Como já tido “incorporação de ações" não se confunde com incorporação de sociedades nem tampouco com subscrição de capital em bens e, portanto, inexiste fundamento legal que dê sustentação ao lançamento. Conforme dito, discordo de tal exegese. A meu ver, se a subscrição de capital se dá por meio da transferência de ações de propriedade de OLD cujo valor é superior ao valor contábil, tratase de ganho de capital a ensejar a devida tributação. Nada diferente do que já ocorre quando uma pessoa física ou jurídica integraliza capital em bens ou direitos em valores superiores aos constantes, respectivamente, em sua declaração de renda e escrituração contábil. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 40 Não há dúvidas de que a incorporação de ações seja um instituto próprio, contudo, em seu bojo há uma evidente alienação, apta, portanto, a gerar ganho de capital sujeito à incidência de IRPJ e CSLL. Nesse sentido, correto o raciocínio da Fazenda Nacional esposado em suas contrarrazões, nos seguintes termos: A incorporação de ações é prevista no artigo 252 da Lei nº 6.404/76, e tratase de operação na qual a sociedade incorporadora adquire as ações de outra empresa, que continua a existir, porém passando à condição de subsidiária integral daquela, sendo essa a diferença entre tal operação e a incorporação de empresas, na qual a incorporada é extinta. A incorporação de ações é uma alienação em sentido amplo, o que já foi reconhecido pela doutrina. De fato, a alienação, por definição, é o ato de transferir para alguém uma propriedade ou um direito. Trata se de um ato de disposição no qual ocorre a transferência de domínio. Vejam, senhores Conselheiros, que a incorporação de ações encaixa se perfeitamente em tal conceito. A operação provoca uma transferência de propriedade, pois os sócios deixam de ser acionista da empresa convertida em subsidiária integral e passam a possuir ações da empresa cujo capital foi aumentado. E também existe o elemento volitivo, pois os acionistas aceitam entregar as suas ações para subscrição de capital na sociedade incorporadora. Lembrando que, no direito societário, vigora o princípio majoritário, em que as propostas são levadas a Assembleia e, se aprovadas pela maioria, são implementadas. Ao sócio minoritário que não concordar com a incorporação de ações, fica ressalvado o seu direito de retirada. Não nos esqueçamos que o ato volitivo dos minoritários pôde inclusive ser aferido ante sua postura passiva, de não utilização do seu direito de retirada quando da alienação das ações. Tal previsão fora veiculada desde o início das operações, conforme noticiou o Fato Relevante publicado por Perdigão e Sadia em 19/05/2009, verbis: [...] Os acionistas dissidentes titulares de ações ordinárias de emissão da SADIA, por ocasião da realização da Incorporação de Ações, terão direito de retirada, nos termos da lei. No passo, não é correto admitir que a incorporação de ações é compulsória, ou seja, sem a manifestação de vontade. Em uma sociedade, todas as decisões são tomadas pela maioria dos sócios e, ao fazer parte de uma empresa, já se sabe que a vontade individual vai ser substituída pela vontade coletiva. Portanto, a operação somente será implementada em razão da manifesta deliberação da maioria dos sócios de cada uma das empresas envolvidas, mediante Assembleia. Também são os próprios acionistas que determinam os valores pelas quais a operação será realizada, ou seja, se a subscrição ocorrerá por valor superior ao contábil. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.034 41 A respeito do tema, o eminente Professor Luís Eduardo Schoueri, na companhia de Luiz Carlos de Andrade Júnior1, concluíram que: Por fim, a segunda corrente afirma que não existe alienação na transferência de ações da sociedade "incorporada" para a sociedade "incorporadora". Tal afirmação não prospera. Ainda que houvesse subrogação real na operação, haveria transferência das ações. O bem substituído deve, para que possa ceder lugar ao substituto, deixar a posição que ocupa inicialmente. Ou seja, a transferência de ações é, sob qualquer perspectiva, inegável. Acabamos de ver, outrossim, que a previsão de uma autorização legal para que a companhia "incorporada" disponha das ações dos seus acionistas não prejudica essa transferência. Dessa feita, o artigo 9º da Lei das Sociedades Anônimas resolve a questão: "Art. 9º Na falta de declaração expressa em contrário, os bens transferemse à companhia a título de propriedade." Uma vez que o artigo 252 não informa, expressamente, a que título as ações da sociedade "incorporada" são transferidas à sociedade "incorporadora", a questão não comporta dúvidas: há transferência da propriedade daquelas ações; há alienação destas, na incorporação de ações. Na esteira das ponderações precedentes, concluímos que a segunda corrente não se encontra amparada por fundamentos consistentes, nem apresenta conclusões que conduzam, adequadamente, à identificação da natureza jurídica da incorporação de ações. A respeito da suposta existência de subrogação real, ensinam os ilustres doutrinadores: O exame das ponderações acima expostas nos leva a concluir que não há, na incorporação de ações, a substituição jurídica a que aludiu Nelson Eizirik, pois: i) a relação originária não se mantém. Antes da incorporação de ações, o sócio é titular de participação da sociedade "A". Após a operação, passa a ser titular de participação na sociedade “B". Não existe identidade entre as relações jurídicas existentes antes (sócio "A") e depois (sócio "B") da incorporação de ações. Imaginese, por exemplo, que a classe das ações fosse diferente, antes e após a operação. Isso bem seria possível, evidenciando a diferença entre as relações jurídicas observadas; ii) o papel desempenhado pelo bem substituído não se confunde com o do bem subrogado. O bem substituído legitimava, por exemplo, o sócio, a receber dividendos da sociedade "A", ou a participar das assembleias da sociedade "A" etc. O bem subrogado, diversamente, legitima o sócio a 1 Revista Dialética de Direito Tributário nº 200, Ed. Dialética, 2012 Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 42 receber dividendos da sociedade "B", ou a participar das assembleias da sociedade "B" etc. No que atine à ocorrência de ganho de capital, assim ponderam os articulistas: Para o acionista pessoa jurídica, devese observar o artigo 31 do Decretolei n° 1.598/1971: "Art. 31. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. (...) § 3º O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (§ 1º), diminuído da provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real." À luz dos dispositivos acima, notase que o evento deflagrador da apuração de ganho ou perda de capital é a alienação de bens (no caso de pessoa jurídica, bens do ativo permanente, dentre os quais se incluem os investimentos). Como acima evidenciado, na incorporação de ações, existe uma verdadeira alienação (disposição cio direito de propriedade) das ações da sociedade "incorporada". Logo, eventuais diferenças entre o valor de alienação de tais ações e o respectivo custo poderiam gerar a apuração de ganho (se positiva a diferença) ou perda (se negativa a diferença) de capital. O ganho de capital seria tributável para ambas as espécies de acionistas; a perda de capital seria dedutível na apuração do IRPJ devido pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real. (...) Pelo exposto, pode haver realização de renda no caso da operação aqui examinada. E, sim, possível, ao cabo da incorporação de ações, a apuração de ganho de capital (tributável) pelo acionista da sociedade "incorporada", caso o valor pelo qual a transferência de suas ações se efetive seja superior ao respectivo custo. Diante de tais conclusões, em sentido oposto ao aduzido Recorrente, não há que se falar em permuta. A respeito da inocorrência de permuta na incorporações de ações, assim aduziu o Professor Schoueri: Vale, ainda, corrigir um equívoco em que se tem incorrido na tentativa de negar a realização da renda na incorporação de ações, qual seja, a equiparação dessa operação à permuta, ainda que para fins fiscais. (...) Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.035 43 Com base nesses comentários, vêse que a subscrição envolve um elemento que é estranho â permuta, a saber, o preço. Além disso, o que se expôs acima também conduz a uma segunda constatação: a de que a subscrição não envolve, por essência, a troca de bens por ações. Pelo contrário, a subscrição cria a obrigação de integralizar o capital social, que é expresso em moeda. A lei, entretanto, autoriza que o pagamento dessa obrigação se dê mediante a entrega de bens, sujeitos a prévia avaliação. A integralização, que é ato jurídico stricto sensu, pode consistir na entrega de bens; contudo, isso não desnatura os efeitos da subscrição, negócio jurídico. Nesse contexto, a integralização em bens aproximase do instituto da dação em pagamento (embora ainda sejam institutos diferentes). Por essas razões, cremos que a incorporação de ações na medida em que se concretiza por meio de uma subscrição de capital pelos sócios da "incorporada", ainda que em regime extraordinário não pode ser equiparada à permuta. Ainda a respeito da alienação, no que tange à suposta inexistência de manifestação de vontade na incorporação de ações, bem como da compulsoriedade da operação em relação aos minoritários, entendo que o art. 137 da Lei nº 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas LSA, citado no art. 252 da LSA, possibilitaria aos dissidentes o direito de retirada nos moldes fixados em tal dispositivo, e, não o sendo feito, considerarseá ocorrida concordância tácita em relação a tal operação. Nesse mesmo sentido, conclui Schoueri: Ainda que tivesse alguma relevância a investigação acerca da vontade específica cios acionistas quanto à incorporação de ações (o que se cogita apenas para argumentar), não se poderia afirmar que tal vontade seria ausente. Acerca da maioria, poderseia dizer (embora impropriamente) que eles concordariam com a transferência das ações, já que teriam votado favoravelmente à sua conclusão. E quanto à minoria, haveria de se levar em conta a previsão, no parágrafo 2º do artigo 252, do direito de retirada. Uma vez não exercido esse direito, seria presumível a aceitação da operação pelos acionistas dissidentes (o negócio jurídico também se forma pelo "comportamento concludente"). Isso se coadunaria, aliás, com o artigo 111 do Código Civil, segundo o qual "o silêncio importa anuência, quando as circunstancias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa". Pela incorporação de ações, o acionista se torna sócio de outra companhia. Caso ele se comportasse normalmente em vista disso, deixando de exercer o direito de retirada, e, principalmente, passando a atuar como sócio daquela nova companhia (participando de assembleias, recebendo dividendos etc.), sem dúvida manifestaria a vontade (tácita) de assumir tal posição jurídica. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 44 Pelo exposto, não nos parece fundamentada a preocupação, manifestada pela segunda corrente, ora examinada, quanto à ausência de vontade dos acionistas na incorporação de ações. Ficou claro, nas linhas anteriores, que a lei criou um mecanismo em que a vontade, tanto do acionista como da companhia, é necessária e manifestada, embora em momentos distintos. Não há, em absoluto, falta de vontade. À ausência de uma manifestação de vontade individual pelo acionista, no momento da operação, sob a perspectiva do Direito Privado (que admite a representação indireta e a autorização), não é motivo bastante para se buscar atribuir, à transferência das ações dos acionistas da "incorporada", natureza criativamente diversa. Ao final, em brilhante desfecho, assim concluem os ilustres doutrinadores: Ante todo o exposto, concluímos: i) a incorporação de ações é um negócio típico do Direito Societário, que se operacionaliza mediante (a) o aumento de capital da sociedade “incorporadora”, em regime extraordinário, porquanto ausente o direito de preferência dos acionistas desta; e (b) a subscrição e integralização deste por meio da transferência das ações da sociedade “incorporada”, também sob regime extraordinário, uma vez que a lei atribui à diretoria desta sociedade uma autorização para fazêlo no lugar dos acionistas; ii) a incorporação de ações implica alienação das ações da ‘incorporada’, a título de integralização do capital da ‘incorporadora’; iii) os acionistas, pessoa física ou jurídica, que transfiram ações em razão de incorporação de ações, podem apurar perda de capital (dedutível) ou ganho de capital (tributável) em vista de essa transferência darse por valor, respectivamente, inferior ou superior ao custo das ações correlatas; e iv) a sociedade ‘incorporadora’ pode apurar ágio ou deságio em razão do recebimento de ações da companhia ‘incorporada’, os quais se submeterão, conforme o caso, ao regime jurídico do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997, ou àquele do artigo 426 do RIR/1999. [grifos nossos] Convém ressaltar que tal conclusão encontra respaldo também em outra de outro renomado doutrinador Edmar de Oliveira Andrade Filho2 , o qual conclui haver ganho de capital tributável na hipótese de a operação de subscrição ocorrer por valor superior ao valor contábil das ações incorporadas, conforme transcrevese a seguir: No campo tributário, existem algumas controvérsias da eventual tributação do ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da “troca” de ações ou quotas nos casos de incorporação de ações regidas pelo artigo 252 da Lei nº 6.404/76. Sob a perspectiva daquele que realiza da “troca” das ações ou quotas, há substituição de investimento que pode acarretar ou não a apuração de ganho ou perda de capital; tudo fica a depender do valor a ser atribuído à 2 Imposto de Renda das Empresas, 5ª edição, Editora Atlas, São Paulo, 2008, p. 461462. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.036 45 operação, se maior ou menor que o valor contábil do investimento primitivo, que é substituído por outro. Esta operação pode ser qualificada como passível de produzir uma alienação ou uma liquidação do investimento. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo; com efeito, o detentor das ações ou quotas as entrega sob a forma de conferência de bens para subscrição de capital e recebe ações ou quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado e que passou a ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral. Todavia, não se pode olvidar que o fenômeno possui afinidade funcional com a liquidação de investimento por incorporação de sociedade nos termos do artigo 227 da Lei nº 6.404/76; de fato, o investimento na antiga sociedade (aquela que se tornou a subsidiária integral) deixa de existir em razão do cancelamento das antigas ações ou quotas que são substituídas por ações da controladora (única acionista ou quotista) da subsidiária integral. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação de sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei nº 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil haverá apuração de ganho de capital tributável e, se for o caso, haverá a realização do ágio ou deságio já amortizado e objeto de controle na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real. Isso posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso em relação a tal ponto, confirmando a existência de ganho de capital sujeito à incidência de IRPJ e CSLL. 2 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 46 Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.037 47 A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 48 o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.720212/201325 Acórdão n.º 1402001.815 S1C4T2 Fl. 1.038 49 ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Isso posto, voto por manter a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO 50 Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10920.000540/2001-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/2000
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Telhas de aço galvanizado, onduladas ou trapezoidais, para construção de telhados ou fechamentos laterais de construções, constituindo-se em elemento estrutural e de acabamento de edificações, e respectivos acabamentos, denominados rufos e cumeeiras, classificam-se no código 7308.90.90 da TIPI.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso especial.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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Telhas de aço galvanizado, onduladas ou trapezoidais, para construção de telhados ou fechamentos laterais de construções, constituindose em elemento estrutural e de acabamento de edificações, e respectivos acabamentos, denominados rufos e cumeeiras, classificamse no código 7308.90.90 da TIPI. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso especial. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 05 40 /2 00 1- 54 Fl. 3155DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10920.000540/200154 Acórdão n.º 9303003.030 CSRFT3 Fl. 3.156 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 7º, inciso II, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, em face ao acórdão de n.º 301 33.346, proferido pela Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, cuja ementa do referido acórdão é a seguinte: IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Telhas de aço galvanizado, onduladas ou trapezoidais, para construção de telhados ou fechamentos laterais de construções, constituindose em elemento estrutural e de acabamento de edificações, e respectivos acabamentos, denominados rufos e cumeeiras, classificamse no código 7308.90.90 da TIPI. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs seu recurso especial suscitando que o acórdão recorrido teria divergido do acórdão de nº 30333451, proferido pela Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme a seguinte ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TELHAS METÁLICAS. As chapas de aço comercialmente denominadas “telhas metálicas”, podem ser usadas como elementos estruturais, em acabamento de edificações, destinadas à construção de telhados e fechamentos laterais, como também em utilidade diversa. Na Nomenclatura do Sistema Harmonizado, como regra geral, a destinação da mercadoria não determina a classificação fiscal, salvo quando o texto da posição, ou subposição, o especifique. Recurso voluntário negado. Em despacho de admissibilidade 1344.127615, o i. Presidente da Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes recebeu e deu seguimento ao recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 3.140/3.147 requerendo que fosse negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 7º, II, do Regimento Interno vigente à época de sua interposição é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A divergência consiste em determinar se as telhas de aço galvanizado e de acabamentos fabricados pelo contribuinte, utilizados em telhados e fechamentos laterais, Fl. 3156DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10920.000540/200154 Acórdão n.º 9303003.030 CSRFT3 Fl. 3.157 3 constituindo elementos estruturais e de acabamento de construções em geral, em diversos modelos (telhas onduladas, telhas trapezoidais, telhas trapézio, telhas termoacústicas e acabamentos: rufos e cumeeiras), são classificáveis no código TIPI 7308.90.90, com alíquota de 0% nas saídas desses produtos, ou devem ser classificados em diversas outras posições, em razão das características dos produtos, a saber: nas posições 7210 (telhas onduladas – alíquota de 5%) e 7216 (telhas trapezoidais – alíquota de 5%), e 7326 (telhas trapezoidais termo acústicas e acabamentos alíquota de 10%), e conforme acolhido pela decisão paradigma. Segundo o acórdão recorrido, da lavra do ilustre Conselheiro José Luiz Novo Rossari, a classificação dos produtos fabricados foi objeto de inúmeros pareceres e decisões da Secretaria da Receita Federal, “como se observa pelos atos adotados pela fiscalização para embasar seu procedimento, e que foram também tomados como fundamento pela DRJ em Porto Alegre/RS para manter a ação fiscal (Telhas onduladas: Pareceres CST/DCM nos. 500/91 e 207/95 e Decisão SRRF/10ª RF no 163/98; Telhas trapezoidais: Pareceres CST/DCM nos. 500/91 e 836/92; e Acabamentos: Parecer CST/DCM no 223/92). Cópias desses atos encontramse às fls. 441/468 dos autos do processo, onde também constam os Pareceres CST (DCM) no 490/90, que trata de diversas mercadorias, dentre as quais calhas e rufos, de chapa de ferro galvanizada, e no 1.643/90, referente a telhas onduladas e trapezoidais”. Em período mais recente adveio a Solução de Consulta no 16, de 9/6/2003, proferida pela SRRF/Diana/2ª Região Fiscal, que classificou no código TIPI 7308.90.90 as telhas de aço nas formas trapezoidal, ondulada e lisa, as calhas de aço na forma quadrada e as cumeeiras para telhado, todas elas galvanizadas e para utilização na construção civil, justamente a classificação adotada pela recorrente para os produtos objeto de ação fiscal. E com base em referida Solução de Consulta e nas razões que fundamentam a Solução de Consulta Coana nº 9, de 4/11/2003, a Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho, por unanimidade de votos, cancelou o lançamento fiscal, confirmando a classificação fiscal adotoda pelo contribuinte para os produtos objeto do presente lançamento. Ainda conforme consta no acórdão recorrido como razão de decidir, tem –se o laudo do INT (Instituto Nacional de Tecnologia) que, ao examinar cada tipo de telha metálica, foiconclusivo no sentido de que (verbis): “Tratase de produto largamente utilizado em coberturas como telhas e fechamentos laterais de obras civis em geral, sendo utilizadas também como elementos de travamento estrutural tanto em coberturas quanto nos fechamentos de parede. Seu projeto, fabricação, perfil, dimensões, características e materiais construtivos a qualificam como um elemento parcialmente estrutural e de acabamento de edificações em geral, sendo utilizada na construção de telhados e de fechamentos laterais” (Relatório Técnico no 060/2001 fls. 2.975/2.979). Tais conclusões são estendidas para a telha metálica térmica, com o acréscimo da finalidade desta de isolar térmica e acusticamente o ambiente de sua instalação pela ação do isolante térmico colocado em mantas entre as duas chapas. Assim, não vejo como discordar da decisão recorrida e deixar de adotar a as mesmas razões de decidir, ou seja, a Solução de Consulta Coana no 9/2003, que não deixa dúvida quanto ao enquadramento tarifário dos produtos nele examinados, e o laudo técnico do INT que é claro e incisivo no sentido de que os referidos produtos são destinados a construções, e, por conseguinte, correta a classificação das telhas metálicas objeto de autuação no código TIPI 7308.90.90, conforme observado pelo contribuinte. Da mesma forma, os acabamentos de telhados (cumeeiras e rufos) devem ser classificados no mesmo código 7308.90.90 da TIPI, de 1996, com base no entendimento Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10920.000540/200154 Acórdão n.º 9303003.030 CSRFT3 Fl. 3.158 4 teambem objeto da Solução de Consulta Coana no 9, de 2003, que em seu item 23, em sua parte fianl, que esclarece: “(...) Por conseguinte, na posição 7308, devese entender ‘estruturas para telhados’, como sendo a reunião da estrutura propriamente dita com as partes que compõem esses telhados, tais como as telhas e seus elementos de fixação”. Vejase que os acabamentos também foram objeto do parecer do INT que em seu item 14 prevê: “14. Os produtos identificados como acabamentos, referemse a segmentos de chapas galvanizadas cortados em dimensões e formatos adequados a comporem o fechamento das telhas em seus diversos perfis e dimensões, discriminados como cumeeira perfil, cumeeira shed dentada, cumeeira lisa dentada, cumeeira lisa, cumeeira shed lisa, canto externo, rufo de topo dentado, cumeeira topo liso, (...) Tratamse de produtos largamente utilizados como elementos de união das telhas e fechamentos laterais de obras civis em geral, sendo utilizadas também como elementos complementares de travamento estrutural tanto em coberturas quanto nos fechamentos de parede. Seu projeto, fabricação, perfil, dimensões, características e materiais construtivos a qualificam como um elemento de acabamento de edificações em geral, sendo utilizadas na construção de telhados e de fechamentos laterais.” Cumpre ressaltar, por oportuno, que o acórdão indicado como paradigma pela Fazenda Nacional em seu recurso foi reformado por esta CSRF. Ante o exposto, conheço do recurso de divergência da Fazenda Nacional e no mérito nego provimento. Nanci Gama Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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