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Numero do processo: 13830.900614/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 14 /2 01 2- 12 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900614/201212 Acórdão n.º 1302002.145 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900614/201212 Acórdão n.º 1302002.145 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900614/201212 Acórdão n.º 1302002.145 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720772/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2008 a 31/07/2008, 01/12/2008 a 31/12/2008
PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. FALTA DE ISONOMIA NAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. ISENÇÃO.
De conformidade com o artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, o exclusivo pressuposto legal para afastar a tributação dos valores pagos aos empregados e dirigentes a título de previdência privada é a extensão à totalidade dos funcionários, inexistindo qualquer vedação legal à inexistência de isonomia entre os aportes, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que não decorre do bojo da própria norma legal.
VALORES DESTINADOS A PLANOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NATUREZA SALARIAL. ISENÇÃO NÃO RECONHECIDA
Quando o conjunto probatório colacionado à peça de acusação permite concluir que as parcelas vertidas para planos de previdência privada possuem caráter de remuneração, há de se afastar a isenção frente às contribuições previdenciárias.
VÍCIO DE COMPETÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
A caracterização de parte do valor pago a título de previdência privada como sendo de natureza remuneratória não implica a usurpação, pela RFB, da competência da SUSEP, que é a de fiscalizar as entidades de previdência privada aberta e os respectivos planos por elas administrados.
Numero da decisão: 2402-005.879
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos por dar-lhe provimento parcial para excluir os Levantamentos CC e CC2, Vencidos os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild que no mérito davam integral provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2008 a 31/07/2008, 01/12/2008 a 31/12/2008 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. FALTA DE ISONOMIA NAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. ISENÇÃO. De conformidade com o artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, o exclusivo pressuposto legal para afastar a tributação dos valores pagos aos empregados e dirigentes a título de previdência privada é a extensão à totalidade dos funcionários, inexistindo qualquer vedação legal à inexistência de isonomia entre os aportes, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que não decorre do bojo da própria norma legal. VALORES DESTINADOS A PLANOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NATUREZA SALARIAL. ISENÇÃO NÃO RECONHECIDA Quando o conjunto probatório colacionado à peça de acusação permite concluir que as parcelas vertidas para planos de previdência privada possuem caráter de remuneração, há de se afastar a isenção frente às contribuições previdenciárias. VÍCIO DE COMPETÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A caracterização de parte do valor pago a título de previdência privada como sendo de natureza remuneratória não implica a usurpação, pela RFB, da competência da SUSEP, que é a de fiscalizar as entidades de previdência privada aberta e os respectivos planos por elas administrados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos por dar-lhe provimento parcial para excluir os Levantamentos CC e CC2, Vencidos os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild que no mérito davam integral provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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SALÁRIO INDIRETO.PREVIDÊNCIA PRIVADA Recorrente GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/07/2008, 01/12/2008 a 31/12/2008 PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. FALTA DE ISONOMIA NAS CONTRIBUIÇÕES. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. ISENÇÃO. De conformidade com o artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, o exclusivo pressuposto legal para afastar a tributação dos valores pagos aos empregados e dirigentes a título de previdência privada é a extensão à totalidade dos funcionários, inexistindo qualquer vedação legal à inexistência de isonomia entre os aportes, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que não decorre do bojo da própria norma legal. VALORES DESTINADOS A PLANOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NATUREZA SALARIAL. ISENÇÃO NÃO RECONHECIDA Quando o conjunto probatório colacionado à peça de acusação permite concluir que as parcelas vertidas para planos de previdência privada possuem caráter de remuneração, há de se afastar a isenção frente às contribuições previdenciárias. VÍCIO DE COMPETÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A caracterização de parte do valor pago a título de previdência privada como sendo de natureza remuneratória não implica a usurpação, pela RFB, da competência da SUSEP, que é a de fiscalizar as entidades de previdência privada aberta e os respectivos planos por elas administrados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 72 /2 01 3- 01 Fl. 435DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos por darlhe provimento parcial para excluir os Levantamentos CC e CC2, Vencidos os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild que no mérito davam integral provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 16682.720772/201301 Acórdão n.º 2402005.879 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa acima contra acórdão de primeira instância que declarou improcedente em parte a sua impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração AI abaixo: a) AI nº 37.244.0266, valor original de R$ 12.732.935,81, acrescido de juros e multas de mora e de ofício: contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT); b) AI nº 37.273.0183, valor original de R$ 2.491.226,57, acrescido de juros e multas de mora e de ofício: contribuições devidas às outras entidades ou fundos (FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE). Segundo o relatório fiscal, fls. 122/130, foram considerados saláriode contribuição os valores aportados aos planos de previdência complementar denominados "PPG" e "PÉDEMEIA". Em relação ao "PPG" foi tributada a contribuição extraordinária da empresa efetuada na competência 06/2008 (Levantamento CE). A justificativa para incidência de contribuição sobre essa parcela foi a falta de atendimento pela empresa à intimação do fisco para apresentar a fórmula de cálculo da contribuição e os critérios utilizados para seleção dos beneficiários. Para o plano "PÉDEMEIA" houve também a tributação da contribuição extraordinária vertida nas competências 06/2008 e 12/2008 (Levantamentos CE e CE2, respectivamente). A motivação para tributação dessas parcelas foi a mesma mencionada acima. Foram incluídas ainda na base de cálculo as contribuições complementares relativas ao plano "PÉDEMEIA" realizadas pela empresa em 07/2008 e 12/2008 (Levantamentos CC e CC2, respectivamente). Aqui a tributação foi justificada em razão da desproporcionalidade entre os aportes da empresa para os funcionários executivos e para os demais colaboradores. Neste caso, a base de cálculo foi mensurada pela diferença entre a contribuição efetivamente realizada e aquela que seria devida se fosse calculada de forma proporcional entre todos os empregados, independentemente do nível hierárquico ocupado. A empresa impugnou os créditos com as alegações que reproduzo do relatório da decisão a quo: " DA IMPUGNAÇÃO 3. A interessada interpôs impugnação às fls. 298/324, alegando em suma: 3.1. A tempestividade da impugnação; 3.2. que os autos de infração são totalmente inconstitucionais e ilegais, fundamentandose em lançamentos indevidos, na medida em que as bases de cálculo Fl. 437DF CARF MF 4 tributadas pelo Auditor Fiscal não integram a grandeza onerada pela Constituição Federal e pela legislação previdenciária; 3.3. a nulidade das autuações, eis que o Auditor Fiscal não mencionou, eis que inexistente, a norma jurídica que impediria a Impugnante de realizar contribuições extraordinárias ao plano, tampouco a regra que imporia um critério para a realização desses aportes; 3.4. que requer a declaração da nulidade material dos Autos de Infração 37.244.0266 e 37.273.0183, ante a inobservância de requisito essencial à validade do ato administrativo de lançamento, consistente na descrição pormenorizada dos fatos imponíveis, ou a declaração de nulidade pela caracterização do vício formal; 3.5. que consoante arts. 195, I, “a” e 202, § 2º, da CF, os aportes para plano de previdência privada, sejam normais ou extraordinários, são imunes da contribuição previdenciária, o que restou confirmado também na LC 109/01; 3.6. que a imunidade não se interessa pela espécie de aporte, mas pela sua condição genérica, atingindo desde os aportes necessários para a constituição de reservas matemáticas para benefício mínimo, até os aportes para a extensão da proteção, pagamento do serviço passado ou equacionamento de déficit atuarial; 3.7. que requer a nulidade material dos Autos de Infração, em razão da imunidade da base de cálculo utilizada no lançamento; 3.8. que a existência dos aportes extraordinários pressupõe o déficit ou o interesse individual e discricionário pela majoração da proteção previdenciária; 3.9. que a LC 109/01 omite quanto aos limites dos aportes normais e extraordinários atribuindo ao plano de custeio a definição, sendo que a única diretriz imposta pela LC 109/01 importa ao equilíbrio financeiro e atuarial; 3.10. que a inexistência ao direito de aporte para plano aberto de previdência privada pressupõe expressa previsão no regulamento do plano e que a inexistência de limitação importa na possibilidade do aporte, em qualquer valor ou condição, na medida em que majoram a proteção social, garantindo ao trabalhador proteção previdenciária mais adequada; 3.11. que os planos da impugnante enunciam aportes normais e extraordinários, sem nenhuma limitação, admitindo aportes ilimitados, pelo que inexiste qualquer ilegalidade na realização dos aportes porque adequados aos regulamentos dos planos; 3.12. que com relação à alegada inexistência de isonomia nos aportes normais e extraordinários, temse que a isonomia não é pressuposto para a legalidade dos aportes para plano de previdência privada, mesmo porque a opção ao plano é facultativa e nos limites e condições interessantes à pessoalidade de cada participante; 3.13. que ainda que os aportes da impugnante fossem desproporcionais, não haveria inconstitucionalidade ou ilegalidade, porque adequados à facultatividade inerente ao negócio previdenciário; 3.14. que, no entanto, a isonomia foi observada na sua forma material, onde as desigualdades foram reequilibradas no dimensionamento dos aportes normais ou extraordinários; 3.15. a incompetência da RFB para descaracterizar a natureza previdenciária do aporte, sendo que a fiscalização dos planos abertos de previdência privada é de exclusividade da SUSEP; Fl. 438DF CARF MF Processo nº 16682.720772/201301 Acórdão n.º 2402005.879 S2C4T2 Fl. 4 5 3.16. que a descaracterização da natureza remuneratória dos aportes para plano de previdência privada, já justifica a desoneração de contribuições previdenciárias; 3.17. que os aportes tampouco tem por finalidade retribuir o trabalho prestado; 3.18. que a alínea “p” do art. 28, § 9º, da Lei 8.212/1991 isenta de contribuição previdenciária os valores pagos através da previdência complementar quando o pagamento ou o crédito observar um único requisito: que o plano de previdência complementar seja disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes; 3.19. que tal enunciado reitera a não incidência tributária, ratificando a exclusão dos valores de previdência complementar da base de cálculo da contribuição previdenciária; 3.20. que a exação foi justificada em razão de critério não previsto na legislação previdenciária, qual seja a suposta existência de desproporcionalidade entre os valores das contribuições portadas pela Impugnante a funcionários de nível executivo e as contribuições portadas aos demais segurados; 3.21. que o critério utilizado pelo Auditor Fiscal não tem amparo legal, já que o único requisito necessário para se confirmar a isenção dos valores de previdência complementar foi atendido, consoante inclusive julgados do CARF; 3.22. que ainda que se considerem os valores pagos a título de previdência complementar uma espécie de remuneração que retribui o trabalho, as autuações devem ser anulada, porque a desoneração da previdência complementar decorre da isenção enunciada na alínea “p” do § 9º do art. 28, da Lei 8.212/1991; 3.23. que requer seja conhecida a impugnação e julgada procedente para declarar totalmente insubsistentes os Autos de Infração nº 37.244.0266 e 37.273.0183." As razões defensórias não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que entendeu que as evidências apresentadas na peça de acusação são fortes o suficiente para demonstrar que as verbas tributadas não se tratam de aportes para plano de previdência complementar, mas de parcelas de caráter remuneratório, o que afastaria a isenção prevista na alínea "p" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual apresentou a mesma argumentação trazida na defesa. Sem contrarrazões, os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 439DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade A ciência da decisão a quo ocorreu em 26/03/2014 (fl. 387) e o recurso foi interposto em 10/04/2014 (fl. 421), portanto, no prazo legal. Por atender aos demais requisitos de admissibilidade, devemos conhecêlo. Mérito Embora a recorrente aponte nulidades no lançamento, essas supostas máculas são de natureza material e se confundem com o próprio mérito da causa, por esse motivo as trataremos neste tópico. Para facilitar a compreensão do nosso arrazoado, iremos dividilo em dois tópicos, conforme a justificativa apresentada na peça acusatória para tributar as parcelas, que inclusive foi a metodologia adotada pelo fisco para a apuração das contribuições em levantamentos distintos, conforme a natureza da parcela. a) Levantamentos CC e CC2 (competências 07 e 12/2008) Nestes itens foram abrigadas os valores destinados ao plano "PÉDEMEIA" sob a denominação de contribuições complementares. O fisco acusou a empresa de repassar aos funcionários de alto escalão, os executivos, valores remuneratórios dissimulados de contribuições para plano de previdência, o que teria sido observado em razão da desproporcionalidade entre os aportes da empresa para os executivos e para os demais colaboradores Neste caso, a base de cálculo foi mensurada pela diferença entre a contribuição efetivamente realizada e aquela que seria devida se fosse calculada de forma proporcional entre todos os empregados, independentemente do nível hierárquico ocupado. Vejo como problemática a acusação fiscal. É que a autoridade lançadora limitouse a firmar seu entendimento pelo caráter remuneratório da verba unicamente no fato de haver desproporção entre os aportes efetuados para os executivos e aqueles feitos para os demais empregados. Conforme consta do relatório fiscal, os critérios para fixação da contribuição complementar do plano"PÉDEMEIA", consta do seu regulamento. É o que se pode ver do intem 5.3 da narrativa do fisco: Fl. 440DF CARF MF Processo nº 16682.720772/201301 Acórdão n.º 2402005.879 S2C4T2 Fl. 5 7 Nesse sentido, se os valores foram destinados ao fundo de previdência privada em consonância com as disposições constantes nas regras do seu regulamento, a existência de desproporção entre os valores depositados para determinado grupo de empregados, por si só, não é suficiente para afastar a isenção prevista na alínea "p" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigida: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT. Para mim, a única condição apresentada pelo legislador para desoneração da parcela é a universalidade, não havendo qualquer referência à isonomia. Não pode o aplicador querer criar barreiras para reconhecimento de isenção que não constem do texto legal, até porque nos termos do inciso II do art. 111 do CTN, a interpretação de norma que trate de isenção deve ser feita pelo método literal. No recurso foram colacionadas algumas decisões, cujo entendimento seria pela manutenção da isenção para os casos em que a infração apontada pelo fisco é apenas a falta de isonomia na contribuição feita pela empresa para os planos de previdência privada dos seus empregados, mencionouse os PAF n.º 13603001.415/200738 e 16327.721.262/201120. Saí em busca de outros precedentes e localizei os seguintes: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 441DF CARF MF 8 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 ISENÇÕES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONDIÇÕES DIFERENCIADAS PARA ADESÃO. As disposições legais sobre a isenção de contribuições previdenciárias sobre contribuições pela pessoa jurídica a programa de previdência complementar condicionam o benefício à extensão à totalidade de empregados e dirigentes. A intenção da norma, ao exigir que o benefício fosse estendido a todos, foi de evitar privilégios a determinados segmentos de empregados. Assim, se o benefício foi ofertado a todos, embora em condições objetivamente distintas, dependendo da condição de cada trabalhador, devese reconhecer que o plano estava "disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes", incidindo na hipótese a alínea p do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91.Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’, do CTN sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte" Acórdão n.º 2401004.221 de 09/03/2016 ................................................................................................ ......... Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 28/02/2011 (...) PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PAGAMENTOS DIFERENCIADOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA VEDAÇÃO LEGAL. NÃO INCIDÊNCIA. De conformidade com o artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, o exclusivo pressuposto legal para afastar a tributação dos valores pagos aos empregados e dirigentes a título de Previdência Privada é a extensão à totalidade dos funcionários, inexistindo qualquer vedação legal para a concessão de valores distintos, não podendo o aplicador da Fl. 442DF CARF MF Processo nº 16682.720772/201301 Acórdão n.º 2402005.879 S2C4T2 Fl. 6 9 lei conferir interpretação que não decorre do bojo da própria norma legal. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENTIDADE ABERTA. ABRANGÊNCIA PARCIAL. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR N. 109/2001. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Nos termos da Lei Complementar n.º 109/2001, art. 68, as contribuições do empregador para planos de previdência privada instituído por entidade aberta não sofre a incidência de contribuições previdenciárias, ainda que o benefício não seja extensivo a todos os empregados e diretores da empresa. Recurso Voluntário Provido." Acórdão n.º 2401003.882 de 10/02/2015 Pois bem, o meu entendimento é exatamente o mesmo expresso nos julgamento acima transcritos, tendo este Conselheiro, inclusive, participado do colegiado que exarou esta última decisão, quando votei por afastar a incidência de contribuições sobre valores depositados a título de previdência complementar em que o fisco apontava como causa da tributação a existência de valores distintos entre os aportes para diretores e aqueles destinados aos demais empregados. A DRJ menciona ainda como fundamento de sua decisão o suposto descumprimento dos arts. 9.º da CLT, uma vez que teria havido desvirtuamento da finalidade da contribuição ao plano, que ao invés de se prestar a constituir um fundo previdenciário, estaria sendo pago com intuito de remunerar os segurados. A meu ver essa interpretação dos fatos não encontra amparo nos autos, haja vista que o fisco limitouse a apontar unicamente a desproporção das contribuições como causa a justificar a tributação. Não houve uma maior investigação que pudesse conduzir a essa conclusão, mas apenas como disse a recorrente, uma impressão pessoal do agente autuante de que o pagamento das contribuições para planos de previdência sem isonomia representaria violação às norma de regência. Nesse sentido, encaminho para que seja afastados do lançamento os Levantamentos CC e CC2. b) Levantamentos CE e CE2 Nesses Levantamentos foram incluídas as contribuições extraordinárias do plano "PPG" na competência 06/2008 e aquelas destinadas ao plano "PÉDEMEIA" nas competências 06/2008 e 08/2008. Para ambos os planos a justificativa do fisco para incidência de contribuição sobre essa parcela foi a falta de atendimento pela empresa à intimação do fisco para apresentar a fórmula de cálculo da contribuição e os critérios utilizados para seleção dos beneficiários. Nesse caso, meu entendimento vai ao encontro do que decidiu a DRJ. Vejamos. Fl. 443DF CARF MF 10 No esteio da jurisprudência majoritária do CARF, penso que não basta que determinada verba seja depositada em um fundo de previdência privada para que automaticamente sua natureza jurídica seja previdenciária. Fosse assim, abrirseia um enorme possibilidade de fraude, onde os empregadores poderiam efetuar depósitos como contraprestação pelo trabalho travestidos de contribuições para plano de previdência complementar. No caso sob enfoque, verificase que para essas parcelas extraordinárias a empresa foi intimada a apresentar os parâmetros que nortearam a disponibilização dos depósitos nas contas de previdência dos servidores, todavia não atendeu à requisição fiscal. Vejo que essa postura do contribuinte, que não prestou esses esclarecimentos no procedimento fiscal, muito menos agora no transcurso do processo administrativo fiscal é uma evidência de que as parcelas pagas não têm natureza jurídica de contribuição previdenciária. Observese que a resposta da empresa foi nos seguintes termos, conforme consta do relatório fiscal: "Em 2008, a empresa reservou um montante com o objetivo de robustecer os saldos previdenciários de empregados que, naquela época, exerciam papel relevante na empresa". Essa afirmação, levame a inferir que, na verdade, a causa para a definição de quem receberia o aporte não tem relação com criação de um fundo de previdência, mas reside numa retribuição pela importância do serviço prestado à organização. Neste caso sim, a questão da falta de isonomia na realização dos aportes vem como um reforço às evidências de que os valores envolvidos tinham como objetivo retribuir o trabalho. Sobre esse aspecto transcrevo trecho bastante elucidativo do relatório fiscal: Para mim, o reconhecimento da empresa de que o único requisito para concessão dos aportes extraordinários relacionavase com o trabalho exercido pelo empregado e as outras evidências apresentadas pelo fisco são suficientes para concluir que os referidos aportes, por não terem caráter previdenciário, não devem de ser considerados contribuições para plano de previdência complementar. Interpreto que tais valores se sujeitam à tributação para a Seguridade Social nos termos do inciso do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 444DF CARF MF Processo nº 16682.720772/201301 Acórdão n.º 2402005.879 S2C4T2 Fl. 7 11 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Não sendo contribuições de natureza previdenciária, os aportes efetuados pela recorrente se enquadram como rendimentos pagos para retribuir o trabalho, haja vista que outra causa de pagamento não é extraída dos autos, sendo, portanto, suscetíveis de incidência previdenciária. Nesse sentido, concluo pela ocorrência dos fatos geradores narrados no relatório da autoridade lançadora para os Levantamentos CE e CE2. Incompetência da RFB O sujeito passivo arguiu a incompetência da RFB para descaracterizar a natureza previdenciária do aporte, uma vez que a fiscalização dos planos abertos de previdência privada seria de exclusividade da SUSEP. Esse argumento não me convence. São competências distintas. A SESEP fiscaliza a regularidade das entidades de previdência complementar, todavia, os lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias incidentes sobre parcelas que, malgrado tenham sido intituladas de contribuições para previdência privada, revistamse de caráter salarial, estão na alçada dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. Em reforço ao meu argumento, reproduzo excerto da decisão guerreada que trata do tema, a qual me filio sem ressalvas: " 24. Por fim, há ainda que se esclarecer que não houve usurpação da competência da SUSEP, eis que não se declarou em nenhum momento a ilegalidade do plano de previdência complementar contratado pela empresa com a instituição financeira. Tanto é assim que os valores pagos a título de contribuição básica e complementar (proporcionais às dos empregados não executivos) não foram desconsideradas, eis que tais pagamentos estavam de acordo com o espírito da legislação, qual seja a garantia da complementação da aposentadoria, nos moldes previstos constitucionalmente." Fl. 445DF CARF MF 12 Conclusão Voto por conhecer do recurso e darlhe provimento parcial no sentido de excluir da apuração os Levantamentos CC e CC2. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 446DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.721026/2013-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2010, 2011
LANÇAMENTO. PAGAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO.
Segundo dispõe o artigo 156 do CTN, o pagamento é causa extintiva do crédito tributário.
Comprovando o contribuinte o pagamento parcial do crédito tributário, a parcela a ele correspondente deve ser excluída do litígio.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada pelo impugnante deverá ser considerada como não impugnada e, por consequência, consolida-se administrativamente o crédito tributário a ela relativa.
NULIDADE. LANÇAMENTO. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA.
Comprovado que o lançamento foi realizado com atendimento às formalidades legais e permitiu o pleno exercício do direito de defesa, deve ser afastada a preliminar de nulidade.
NULIDADE. PESSOA FÍSICA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
Considerando que os negócios jurídicos societários analisados possuem intrínseca conexão com o contribuinte pessoa física sócio das empresas averiguadas, é impossível reconhecer que não há sua relação pessoal e direta com as situações que constituíram os fatos geradores imputados pela autoridade fiscal.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO COM APURAÇÃO DE RECEITAS PELO REGIME DE CAIXA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO.
Os valores distribuídos aos sócios, excedentes ao lucro presumido da pessoa jurídica, não se sujeitam à incidência do imposto de renda quando a fonte pagadora é tributada pelo lucro presumido e adota o regime de caixa para reconhecimento de suas receitas, desde que a escrituração contábil da empresa aponte a existência de lucro superior ao presumido.
GANHO DE CAPITAL. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ESPÉCIE DE ALIENAÇÃO SUJEITA À TRIBUTAÇÃO.
A incorporação de ações constitui espécie do gênero alienação e, assim sendo, enseja apuração de imposto de renda sobre o ganho de capital.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DA PESSOA FÍSICA. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO.
O desconto simplificado substitui as deduções legais cabíveis no modelo completo de declaração de ajuste anual, sendo, por conseguinte, considerado dispêndio e lançado como tal no demonstrativo, não podendo esse valor justificar acréscimo patrimonial.
Numero da decisão: 2201-003.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a tributação sobre os lucros distribuídos. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), que negavam provimento e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 26/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2010, 2011 LANÇAMENTO. PAGAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO. Segundo dispõe o artigo 156 do CTN, o pagamento é causa extintiva do crédito tributário. Comprovando o contribuinte o pagamento parcial do crédito tributário, a parcela a ele correspondente deve ser excluída do litígio. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada pelo impugnante deverá ser considerada como não impugnada e, por consequência, consolida-se administrativamente o crédito tributário a ela relativa. NULIDADE. LANÇAMENTO. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Comprovado que o lançamento foi realizado com atendimento às formalidades legais e permitiu o pleno exercício do direito de defesa, deve ser afastada a preliminar de nulidade. NULIDADE. PESSOA FÍSICA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Considerando que os negócios jurídicos societários analisados possuem intrínseca conexão com o contribuinte pessoa física sócio das empresas averiguadas, é impossível reconhecer que não há sua relação pessoal e direta com as situações que constituíram os fatos geradores imputados pela autoridade fiscal. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO COM APURAÇÃO DE RECEITAS PELO REGIME DE CAIXA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO. Os valores distribuídos aos sócios, excedentes ao lucro presumido da pessoa jurídica, não se sujeitam à incidência do imposto de renda quando a fonte pagadora é tributada pelo lucro presumido e adota o regime de caixa para reconhecimento de suas receitas, desde que a escrituração contábil da empresa aponte a existência de lucro superior ao presumido. GANHO DE CAPITAL. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ESPÉCIE DE ALIENAÇÃO SUJEITA À TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações constitui espécie do gênero alienação e, assim sendo, enseja apuração de imposto de renda sobre o ganho de capital. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DA PESSOA FÍSICA. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO. O desconto simplificado substitui as deduções legais cabíveis no modelo completo de declaração de ajuste anual, sendo, por conseguinte, considerado dispêndio e lançado como tal no demonstrativo, não podendo esse valor justificar acréscimo patrimonial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a tributação sobre os lucros distribuídos. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), que negavam provimento e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 26/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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PAGAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO. Segundo dispõe o artigo 156 do CTN, o pagamento é causa extintiva do crédito tributário. Comprovando o contribuinte o pagamento parcial do crédito tributário, a parcela a ele correspondente deve ser excluída do litígio. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada pelo impugnante deverá ser considerada como “não impugnada” e, por consequência, consolidase administrativamente o crédito tributário a ela relativa. NULIDADE. LANÇAMENTO. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Comprovado que o lançamento foi realizado com atendimento às formalidades legais e permitiu o pleno exercício do direito de defesa, deve ser afastada a preliminar de nulidade. NULIDADE. PESSOA FÍSICA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Considerando que os negócios jurídicos societários analisados possuem intrínseca conexão com o contribuinte pessoa física sócio das empresas averiguadas, é impossível reconhecer que não há sua relação pessoal e direta com as situações que constituíram os fatos geradores imputados pela autoridade fiscal. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO COM APURAÇÃO DE RECEITAS PELO REGIME DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 10 26 /2 01 3- 32 Fl. 1855DF CARF MF 2 CAIXA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO. Os valores distribuídos aos sócios, excedentes ao lucro presumido da pessoa jurídica, não se sujeitam à incidência do imposto de renda quando a fonte pagadora é tributada pelo lucro presumido e adota o regime de caixa para reconhecimento de suas receitas, desde que a escrituração contábil da empresa aponte a existência de lucro superior ao presumido. GANHO DE CAPITAL. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ESPÉCIE DE ALIENAÇÃO SUJEITA À TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações constitui espécie do gênero alienação e, assim sendo, enseja apuração de imposto de renda sobre o ganho de capital. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DA PESSOA FÍSICA. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO. O desconto simplificado substitui as deduções legais cabíveis no modelo completo de declaração de ajuste anual, sendo, por conseguinte, considerado dispêndio e lançado como tal no demonstrativo, não podendo esse valor justificar acréscimo patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a tributação sobre os lucros distribuídos. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso (Relator), que negavam provimento e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 26/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.852 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1.710/1.784) interposto contra decisão da DRJRJI (fls. 1.666/1.706) que julgou procedente em parte a Impugnação e manteve o crédito tributário relativo a IRPF lançado através do Auto de Infração (fls. 1.446/1.465) no valor de R$ 35.093.111,83, sendo R$ 17.126.309,78 de principal, R$ 13.160.501,08 de multa (75% e 150%), R$ 24.942,05 de multa administrativa, e R$ 4.806.300,97 de juros de mora; lavrado em decorrência da fiscalização autorizada pelo MPF 09105002012000666, que apurou, nos exercícios de 2010 e 2011, as seguintes infrações: a. omissão de rendimentos recebidos do trabalho com vínculo empregatício em relação à pessoa jurídica Argus Empreendimentos Imobiliários Ltda.; b. omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Évora Comercial de Gêneros Alimentícios Ltda., relativos a juros sobre o capital próprio excedentes ao limite dedutível pela sociedade empresária; c. omissão de rendimentos de resgate de recurso de plano de seguro de vida – VGBL; d. omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva a título de lucros excedentes aos escriturados pela sociedade empresária respectiva; e. omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva recebidos a título de lucros excedentes ao apurado pelo lucro presumido; f. acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário de 2010; g. omissão de lucros recebidos em virtude de ganho de capital decorrente de incorporação de ações. Durante o procedimento fiscal, através de diversos Termos de Intimação, de Reintimação e de Diligência Fiscais, o Recorrente foi intimado a apresentar documentos que comprovassem: i) a efetiva percepção de rendimentos (origem de suas receitas), tais como lucros, empréstimos e juros sobre o capital próprio; ii) a apuração de ganho de capital e outras operações imobiliárias; iii) a forma de pagamento das integralizações de capital em diversas empresas listadas em sua Declaração de Ajuste Anual, bem como a origem dos rendimentos que propiciaram estes investimentos; iv) operações de empréstimos recebidos ou cedidos; v) pagamento de locações de imóveis; vi) dedução de despesas médicas; vii) rendimentos isentos ou nãotributáveis declarados; viii) aquisição de bens imóveis; ix) recebimentos com isenção de lucros apurados em desacordo com a Legislação Tributária; x) apuração preliminar de evolução patrimonial. Em suas diversas Respostas aos mencionados termos, o Recorrente apresentou documentos pertinentes, conforme elencado no relatório do Acórdão da DRJRJI (fls. 1.668/1.669), a seguir nomeados: “1) livro razão, 29ª alteração contratual e Ata de Deliberação dos lucros distribuídos relativos à empresa ÉVORA COMERCIAL DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ 03.148.547/000127, para comprovar os lucros percebidos desta no montante de R$ 1.470.827,07 (fls 90100, 129 130,); 2) contrato social, 1ª alteração contratual e Ata de Deliberação dos lucros distribuídos relativos à empresa P8 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS Fl. 1857DF CARF MF 4 LTDA, CNPJ 11.067.846/000165, para comprovar os lucros percebidos desta no montante de R$ 4.605.000,00 (fls 6089); 3) Ata de Deliberação de juros sobre capital próprio da ÉVORA COMERCIAL DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, DARF da fonte correspondente e comprovante de rendimentos, para comprovar parcela de R$ 690.536,82 recebida a título de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva (fls 131136); 4) 14ª alteração contratual da empresa ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CNPJ 00.958.276/000187, para comprovar ganho de capital da ordem de R$ 1.301.350,00 obtido com a conversão de empréstimo em quotas da empresa (fls 137151); 5) Alterações contratuais da empresa ÉVORA COMERCIAL DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, para comprovar a real integralização do capital (fls 101130, 152166); 6) notas promissórias, contratos de mútuo e recibos de quitação relativos a empréstimos; 7) Contrato social e alterações contratuais das empresas P8 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA, EASY INCORPORAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS LTDA e ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, com objetivo de comprovar a efetiva integralização da participação societária nestas sociedades (fls 137151); 8) documentos relativos a transações imobiliárias; 9) Alterações contratuais da empresa PORTUGÁLIA DO BRASIL LTDA, para comprovar acréscimo na participação societária.” Além destes, foram apresentados comprovantes de arrecadação, DARFs, comprovantes de depósitos, laudos de avaliação, planilhas, demonstrativos, relatórios, documentos contábeis de empresas relacionadas, dentre outros. Diante dos elementos de prova colacionados, a Fiscalização lavrou Auto de Infração (fls. 1446/1465), cujas constatações foram relatadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.384/1.429) e Anexos (fls. 1.430/1.445), tendo a descrição dos fatos do mencionado auto apurando as seguintes condutas, assim resumidas no relatório do Acórdão da DRJRJI (fls. 1.670/1.671): “ OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, no valor de R$ 5.576,00 para o anocalendário 2010. Consignou o Autuante como fonte pagadora a empresa ARGUS – EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.; OMISSÃO DE RENDIMENTOS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS, no valor de R$ 543.404,42 para o anocalendário 2009. Consignou o autuante que os rendimentos foram recebidos da pessoa jurídica ÉVORA COMERCIAL DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, decorrentes da disponibilização/creditamento pela empresa de juros sobre capital próprio excedentes ao limite passível de dedutibilidade na empresa; OMISSÃO DE RENDIMENTOS A TÍTULO DE RESGATE DE RECURSOS DE PLANO DE SEGURO DE VIDA VGBL, no valor de R$ 17.333,83 em 28/02/2010. Consignou o Autuante como fonte pagadora a BRASILPREV; Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.853 5 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE LUCRO DISTRIBUÍDO EXCEDENTE AO ESCRITURADO, no valor de R$ 1.531.000,00 em 20/07/2009. Consignou o autuante que os rendimentos foram disponibilizados/creditados, mediante simulação, a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida à época da apuração ao regime de tributação com base no Lucro Real, excedente ao valor escriturado/declarado, pois que apurado prejuízo fiscal e efetivamente disponibilizado ao sócio na opção da empresa pelo Lucro Presumido; OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE LUCRO DISTRIBUÍDO EXCEDENTE LUCRO PRESUMIDO, no valor de R$ 3.352.546,07 em 29/12/2009. Consignou o autuante que os rendimentos foram disponibilizados/creditados a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no Lucro Presumido, excedente ao Lucro Presumido diminuído de impostos e contribuições, pois o Demonstrativo com base na escrituração contábil utilizado pela pessoa jurídica para justificar distribuição de lucros com isenção superior ao Lucro Presumido, foi elaborado partindose de receitas não oferecidas à tributação; ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO nos meses de 02/2010 (R$ 253.027,01) e 03/2010 (R$ 26.828,93); OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS, no valor de R$ 104.231.657,00, em 26/02/2010; Das condutas acima, decorreram as seguintes multas: MULTA no percentual de 75%, no valor total de R$ 989.875,72; MULTA no percentual de 150%, a apenar a infração OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE LUCRO DISTRIBUÍDO EXCEDENTE AO ESCRITURADO (R$ 1.531.000,00), no valor total de R$ 421.025,00; MULTA ADMINISTRATIVA PELA FALTA DE INFORMAÇÃO DE PAGAMENTO EFETUADO, no valor de R$ 7.583,87 em 30/04/2010 e R$ 17.358,18 em 29/04/2011. Consignou o Autuante que o contribuinte deixou de informar pagamentos realizados na Declaração de Ajuste Anual, no quadro Relação de Pagamentos e Doações Efetuadas;” Cientificado do auto de infração em 26/02/2013 (fls. 1.467), em 24/03/2013 o Recorrente apresentou Impugnação (fls. 1.469/1.552), contestando parte da autuação e reconhecendo as seguintes matérias juntando o comprovante de recolhimento conforme fls. 1.676 do voto da DRJ, verbis: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE LUCRO DISTRIBUÍDO EXCEDENTE AO ESCRITURADO, no valor de R$ 1.531.000,00 em 20/07/2009. Fl. 1859DF CARF MF 6 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, no valor de R$ 5.576,00 para o anocalendário 2010. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A TÍTULO DE RESGATE DE RECURSOS DE PLANO DE SEGURO DE VIDA VGBL, no valor de R$ 17.333,83 em 28/02/2010. MULTA no percentual de 150% sobre a omissão de rendimentos recebidos a título de lucro distribuído excedente ao escriturado (r$ 1.531.000,00), no valor total de R$ 421.025,00. MULTA ADMINISTRATIVA pela falta de informação de pagamento efetuado, no valor de R$ 7.583,87 em 30/04/2010 e R$ 17.358,18 em 29/04/2011. Diante deste contexto, se conclui ser a matéria não impugnada, tornando imediatamente exigível o crédito tributário correspondente, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Por oportuno, destacase existir cópia de DARF à fl 186, donde se constata o pagamento da multa no percentual de 150% (R$ 421.025,00) e multa administrativa (R$ 24.942,05) com aproveitamento da redução de 50% e o recolhimento do imposto correspondente.” O contribuinte alega as seguintes matérias cujas alegações, resumidas com clareza e pormenores no relatório do acórdão proferido pela DRJ (fls. 1.671/1.675), adoto como parte fundamental deste relatório, a seguir transcritas: “Primeiramente, o contribuinte diz acatar o Trabalho Fiscal no que tange à: tributação pela tabela progressiva do ganho decorrente do recebimento de quotas da empresa ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA como liquidação de empréstimo, omissão de rendimentos do trabalho assalariado no total de R$ 5.576,00, omissão de rendimentos recebidos da BrasilPrev de R$ 17.333,83 e multas de 150% e regulamentar no valor de R$ 24.942,05. a) Sobre a omissão de rendimentos no valor de R$ 543.404,42 recebidos da pessoa jurídica ÉVORA a título de juros sobre capital ∙ Assevera que, muito embora este órgão entenda que tal procedimento afronta o regime de competência, são pacificas doutrina e jurisprudência emanada do CARF e STJ no sentido de admitir o pagamento de JCP relativos a exercícios já encerrados e inexiste restrição temporal à aplicação dos Juros sobre Capital Próprio (JCP) na Lei nº 9.249/1995. Defende que a utilização do valor de JCP de exercícios anteriores, devidamente aprovados por deliberação dos sócios, em nada interfere no princípio da competência, pois se fossem reconhecidos em época própria igualmente reduziriam o imposto cabível, não havendo prejuízo ao Erário. ∙ Ressalta que o balanço anual que deve ser tomado como referência para cálculo do JCP é aquele encerrado no exercício imediatamente anterior no qual foi pago o JCP, qual seja, no dia 31/12/2008, uma vez que não se admite apurações contábeis parciais, exceto para fins específicos. Desta forma, imputa erro ao Fiscal que sugere a aplicação do Parecer Normativo Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.854 7 CST nº 20/1987 com intuito de defender a aplicação dos lucros e reserva de lucros acumulada em 30/09/2009. ∙ Entende que o art. 9º da Lei nº 9.249/1995 não sujeita o pagamento de JCP a limites do ponto de vista societário, mas apenas fiscal, podendo a sociedade empresária utilizar qualquer índice que lhe aprouver, sendo o montante integralmente sujeito à retenção na fonte à alíquota de 15%. “Portanto, qualquer que tenha sido o valor pago a título de JCP, sob a perspectiva da pessoa física, toda a tributação desta remuneração já foi retida pela pessoa jurídica e recolhida aos cofres públicos, não havendo que se cogitar da reclassificação do rendimento recebido,...”; ∙ O recorrente desqualifica ainda o Trabalho Fiscal por este atribuir ao montante recebido pelo sócio a título de JCP em desacordo com a legislação a natureza de pagamento por mera liberalidade, sujeito à tabela progressiva, por entender que a natureza do JCP mais se assemelha a dividendos (isentos, portanto) ou aplicação de longo prazo (igualmente sujeita à retenção de 15%). Cita doutrinadores a respeito. b) Sobre a tributação pela tabela progressiva de lucros distribuídos pela empresa P8 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA. ∙ Diz que em função da separação do patrimônio da pessoa jurídica e da pessoa física, somente poderia ser questionada a isenção dos lucros distribuídos em procedimento fiscal instaurado na pessoa jurídica que distribuiu os dividendos. A tributação na pessoa física do sócio exigiria a descaracterização da contabilidade ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, fato não ocorrido. Assim pede a nulidade do lançamento tendo em vista que os elementos de defesa adequados não poderiam ser produzidos pela pessoa física, do que decorreria o desrespeito aos princípios do contraditório e ampla defesa. ∙ No mérito, esclarece ter recebido em 31/12/2009 dividendos da ordem de R$ 4.605.000,00 pagos pela empresa P8 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA, mas oriundos de outra empresa, qual seja, ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA optante pelo lucro presumido no período de 2004 a 2010. ∙ Adita que a empresa ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. deixou de apresentar os livros contábeis para o período de 2004 2006, fato que motivou o Fiscal a lastrearse nas informações contidas em DIPJ para definir a receita tributável neste ínterim, e, por consequência, a parcela de lucro distribuída com isenção. ∙ Diz não proceder a afirmativa realizada no procedimento fiscal (item 121) de que a empresa ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA não cumpriria o art. 85 da IN 247/2002. ∙ Defende que o art. 10 da Lei nº 9.249/1995, ao dispor que os lucros ou dividendos isentos são aqueles apurados com base no resultado, exige da empresa somente a manutenção de escrituração contábil. Conclui assim que a norma isentiva não condiciona a distribuição de lucros isentos à prévia tributação das receitas na pessoa jurídica. Reproduz doutrina e jurisprudência do CARF. Fl. 1861DF CARF MF 8 ∙ Entende que o Fiscal cometeu equívoco ao restringir os lucros passíveis de distribuição com isenção aqueles previamente tributados, uma vez que a lei concessora do benefício fiscal não previu tal restrição. Acusa este entendimento de ofender a segurança jurídica dos destinatários do comando legal e a estrita legalidade. Afirma existirem normas deste órgão impositivas da tributação das receitas diferidas no momento da alteração do regime de caixa para competência. ∙ Afirma que normas deste órgão apregoam ser possível o afastamento do regime de competência para fins de apuração e pagamento de tributos, situação na qual coexistirão os regimes de caixa e competência, o primeiro apenas aplicável para fins tributários. Cita a Instrução SRF nº 18/2005. ∙ Aduz que a distribuição de lucros superiores ao presumido necessita apenas que o lucro apurado de acordo com a legislação comercial se mostre superior ao lucro presumido, situação na qual se enquadrou a empresa ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA no período fiscalizado. Continua afirmando que o efetivo recolhimento ou não dos tributos não tem qualquer interferência na distribuição dos lucros, eis que não muda o valor destes. ∙ Argumenta que a interpretação que entende a isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/95 como forma de evitar a dúplice tributação está equivocada, pois o STF nunca declarou a inconstitucionalidade da tributação do lucro na pessoa jurídica concomitantemente com a pessoa física. Diz que a isenção em tela foi opção do legislador para melhor retribuir o investidor pessoa física ou jurídica, aumentando seu retorno a título de dividendos. Reproduz parte da exposição de motivos do artigo legal supracitado que entende amparar seu pensamento. ∙ Conclui que a pretensão fiscal se lastreia no inciso XIX do art. 55 c/c art. 39 ambos do RIR/99, normas que não foram mencionadas pelo Autuante por carecerem de fundamento legal de validade, pois o art. 20 da Lei nº 8.541/92 foi abrogado pelo art. 46 da Lei nº 8.981/95, e, posteriormente, expressamente revogado pelo art. 36 da Lei nº 9.249/95. Logo, ampara tese de que o art. 55, XIX do RIR/99 não pode fundar lançamento e que inexiste limite à distribuição de lucros por pessoas jurídicas submetidas ao lucro presumido a partir de 1996. ∙ Alega que o lucro passível de distribuição não poderia ser alterado pelo decurso do prazo decadencial. Diz que para efeito de contagem deste prazo, não importa pagamento, visto que se homologa a apuração do tributo. Admite que qualquer revisão contábil deveria se dar em fiscalização na pessoa jurídica a partir do anocalendário de 2007, portanto. ∙ A impossibilidade de deduzir o PIS, COFINS e CSLL do lucro distribuível, pois a IN SRF nº 93/1997 não encontra amparo legal tendo em vista a revogação do art 46 da Lei nº 8.981/1995. c) Sobre a tributação pela tabela progressiva do ganho de capital decorrente do recebimento de quotas da empresa Argus como liquidação de empréstimo ∙ Apesar de ter efetuado recolhimento da parcela do crédito tributário referente à infração descrita no item C do Termo de Verificação Fiscal, esclarece não ter havido simulação sobre a situação fática que ensejou o lançamento. d) Sobre o ganho de capital na incorporação de ações da empresa Évora Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.855 9 ∙ Esclarece ter transferido ações que detinha da empresa Évora para a companhia CSC com fundamento no art. 252 da Lei nº 6.404/1976. ∙ Defende que o art. 23 da Lei nº 9.249/1995 trata de hipótese específica de integralização de capital em pessoas jurídicas, sendo inaplicável a operações distintas, como a integralização de capital social. ∙ Citando farta doutrina e acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assevera que incorporação de ações não se confunde com a operação de incorporação propriamente dita tampouco com a subscrição de ações. Entende que equiparar os institutos por interpretação cria tributo sem lei correspondente, o que afronta o princípio da legalidade. ∙ Alega que a presente tributação afrontaria ainda o princípio da capacidade contributiva, tendo em vista que o efeito permutativo característico da operação efetuada impede qualquer obtenção de renda por parte do contribuinte, capaz de evidenciar a existência de acréscimo patrimonial. Diz que a reestruturação societária por meio da incorporação de ações não pode ser encarada como uma manifestação de capacidade contributiva e deveria ser respeitada pela tributação na medida que une esforços em prol do fomento da atividade econômica. ∙ Entende que a obrigação tributária para a pessoa física exsurge somente por ocasião do aferimento de recursos financeiros, situação que não se concretizou para o recorrente visto nada ter recebido. e) Sobre o acréscimo patrimonial a descoberto no anocalendário de 2010 ∙ Pede a consideração como origem do valor de R$ 15.701,42, tendo em vista o aumento do saldo negativo em conta do Banco Bradesco, cujo saldo em 31/12/2009 era R$ 84.666,10 e passou para –R$100.367,52 em março de 2010. ∙ Reclama que o fiscal considerou como tributável o valor do desconto simplificado, criando ficção jurídica a descoberto de previsão legal. Alega que a verba citada não constitui desembolso efetivo, mas simples abatimento da base de cálculo. ∙ Pede a consideração do saldo no montante de R$ 285.706,96 como origem, pois alega ser efetivamente existente o recurso. Explica ter percebido da empresa Évora empréstimo nas datas de 18 e 28/12/2009, no total de R$ 309.000,00. Entende que este valor é compatível com o saldo resultante do período, se considerado o gasto de parte dos recursos, e que seria lógico presumir, portanto, que o saldo remanescente tivesse disponível no início de 2010 pela proximidade de datas.” A DRJRJI julgou procedente em parte a Impugnação, mantendo em parte o crédito lançado, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercícios: 2010, 2011 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 1863DF CARF MF 10 Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. PESSOA JURÍDICA. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCESSO. IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA. RESPONSABILIDADE. Os juros sobre capital próprio distribuídos aos sócios têm natureza tributária de rendimento exclusivo de fonte. No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. A distribuição excessiva de Juros sobre Capital Próprio deve ser lançada na pessoa jurídica. LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS. Comprovado que o lançamento foi realizado com atendimento às formalidades legais e permitiu o pleno exercício do direito de defesa deve ser afastada a preliminar de nulidade. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A SÓCIOS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO COM APURAÇÃO DE RECEITAS PELO REGIME DE CAIXA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO. Os valores distribuídos aos sócios, excedentes ao lucro presumido da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência do imposto de renda quando a fonte pagadora é tributada pelo lucro presumido e adota o regime de caixa para reconhecimento de suas receitas, ainda que a escrituração contábil da empresa aponte a existência de lucro superior ao presumido. LANÇAMENTO. PAGAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO. O pagamento do crédito tributário lançado extingue a exigência correspondente, excluindose tal parcela do litígio instaurado por meio da impugnação e, portanto, da competência da DRJ. GANHO DE CAPITAL. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo e, assim sendo, enseja apuração de ganho de capital na hipótese da transferência se dar a valor de mercado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO. O desconto simplificado substitui as deduções legais cabíveis no modelo completo de declaração de ajuste anual, sendo por conseguinte considerado dispêndio e lançado como tal no demonstrativo, não podendo esse valor justificar acréscimo patrimonial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO EM ESPÉCIE DO ANO ANTERIOR. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Na apuração de variação patrimonial a descoberto, a alegação de saldo em dinheiro decorrente do ano anterior só pode ser aceita se houver informação na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte e comprovação da existência do valor declarado. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.856 11 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” A DRJ concluiu por: “a) afastar a imputação de omissão de rendimentos a título de juros sobre o capital próprio no valor de R$ 543.404,42; b) manter o lançamento de IR relativo a valores recebidos pelo Recorrente a título de lucro distribuído excedente ao lucro presumido, no montante de R$ 3.352.546,07; c) reconheceu a extinção do crédito tributário relacionado ao lançamento relativo lucro distribuído excedente ao lucro escriturado, devido ao pagamento pelo Recorrente (DARF fls. 1.654); d) manter o lançamento em relação ao ganho de capital na incorporação de ações; e) manter o lançamento em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto; f) ao final, alterar o imposto suplementar, passando de 17.126.309,78 para R$ 17.058.384,23, conforme a apuração a seguir (fls. 1.705/1.706): “Anocalendário 2009 Multa Rendimentos Infrações Desc Simplificado Alíquota Parcela a Deduzir Imposto Apurado 150% 105.486,00 1.531.000,00 12.743,63 27,5% 7.955,36 438.573,79 75% 0,00 3.352.546,07 0,00 27,5% 0,00 921.950,17 Imposto Apurado Imposto Declarado IRRF CarnêLeão Deduções Imposto Devido 438.573,79 17.548,79 0,00 0,00 0,00 421.025,00 921.950,17 0,00 0,00 0,00 0,00 921.950,17 Consolidação do Imposto com Vencimento Anual Multa Descrição Imposto Devido 150% Imposto sobre rendimentos sujeitos à tabela 421.025,00 75% Imposto sobre rendimentos sujeitos à tabela 921.950,17 Anocalendário 2010 Consolidação do Imposto com Vencimento Anual Multa Descrição Imposto Devido Fl. 1865DF CARF MF 12 75% Ganho de Capital 15.634.748,55 75% Imposto sobre rendimentos sujeitos à tabela 80.660,51 Período Vencimento Imposto Multa Valor da Multa Juros Valor dos Juros 2009 30/04/2010 921.950,17 75% 691.462,63 27,5% 253.536,30 2009 30/04/2010 421.025,00 150% 631.537,50 27,5% 115.781,88 02/2010 31/03/2010 15.634.748,55 75% 11.726.061,41 4.404.308,67 2010 29/04/2011 80.660,51 75% 60.495,38 13.994,60 Total 17.058.384,23 13.109.556,92 4.787.621,45 Valores em R$ Imposto 17.058.384,23 Multa 13.109.556,92 Juros de Mora 4.787.621,45 Valor do Crédito Tributário Apurado 34.955.562,60 Cientificada da decisão de primeira instância em 26/02/2014 (fls. 1.709), o Recorrente interpôs tempestivamente, em 24/03/2014, Recurso Voluntário (fls. 1.710/1.784), nos seguintes termos: 1Nulidade do Auto de Infração: O lucro foi apurado pela empresa Argus que, após processo de cisão, verteu parcela de seu patrimônio para a empresa P8, incluindo a conta de lucros acumulados, os quais foram distribuídos ao Recorrente. Somente se poderia descaracterizar a natureza isenta do rendimento distribuído se fosse realizada a fiscalização diretamente na empresa Argus para, desqualificando sua contabilidade, se fosse o caso, alterar a natureza do rendimento isento para tributável, cujo ônus fiscal recairia na pessoa jurídica e não na pessoa física; 2 Os rendimentos que não seriam isentos na ótica do Fisco deveriam ser objeto de retenção na fonte pela pessoa jurídica, cabendo à pessoa jurídica arcar com ônus fiscal de rendimento que apurou ser isento, mas que a Fiscalização pretende contestar. Esse ônus não é da pessoa física; Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.857 13 3 A tributação pretendida na pessoa física só pode ocorrer com prévia desqualificação jurídica da contabilidade da pessoa jurídica, e neste sentido, para se ter respeitados os princípios do contraditório e ampla defesa, a fiscalização deveria fiscalizar a pessoa jurídica e não a pessoa física, pois somente ela tem condições de exercer adequadamente o direito de ampla defesa e contraditório para defender o procedimento contábil adotado. Por este motivo, seria nulo o auto de infração ao pretender exigir de pessoa física a prova de fatos que estão relacionados com a atividade de pessoa jurídica, terceiro (empresa Argus); 4 O Fisco deveria ter solicitado informações às pessoas jurídicas e instaurado procedimento de fiscalização em relação a elas, não podendo a mera solicitação de informações a pessoas jurídicas justificar o redirecionamento da pretensão tributária por suposta falha na apuração do lucro em face da pessoa física. Reprisese: exigir o suposto imposto de renda devido da pessoa física é afastar a separação de personalidade jurídica entre a empresa e seu sócio; 5 A decisão recorrida ignora que a Fiscalização desconsiderou a contabilidade como fundamento para proceder ao lançamento na pessoa física, fato que somente poderia ocorrer em procedimento de fiscalização voltado ao questionamento do procedimento adotado pela pessoa jurídica, jamais pela pessoa física. Daí a procedência do pedido de nulidade do auto de infração em relação a este ponto, ou, no mínimo, o reconhecimento da ilegitimidade passiva da pessoa física para suportar esse ônus fiscal. 6 Tributação pela tabela progressiva de lucros distribuídos pela empresa P8 Participações: A informação do Sr. Fiscal do item 121, de que a empresa não cumpriria o artigo 85 da IN 247/2002 não corresponde à realidade, eis que, de acordo com os documentos anexados na impugnação, extraídos dos livros contábeis, a empresa efetuava a segregação de cada parcela recebida por cliente, na data do recebimento, evidenciando os valores que foram efetivamente recebidos no período, como se demonstrou pela amostragem dos anos de 2007, 2008 e 2009; 7 Existe controle efetivo contábil dos recebimentos, o que inviabiliza a desconsideração pretendida pela Fiscalização, face as provas produzidas, que infirmam qualquer espécie de presunção que pudesse militar em favor do auto de infração; 8 O equívoco do Fiscal consiste em resumir os lucros distribuíveis com isenção àqueles previamente tributados. Mas a lei que criou a isenção não previu essa restrição. Permite a distribuição do resultado sem o pagamento do imposto de renda e se houve resultado, como efetivamente houve no caso em apreço, cf. demonstrações de resultados juntadas às fls. 430 e ss. do PAF, não há que se afastar a aplicação da regra isentiva; 9 Para que seja distribuído lucro superior ao presumido é necessário apenas que o lucro apurado de acordo com a legislação comercial seja superior ao lucro presumido. Esta é a regra vigente. A apuração dos impostos no lucro presumido, por sua vez, leva em consideração a receita efetivamente auferida, pelo regime de caixa. Sendo aquela maior que esta, podese distribuir lucro no montante apurado na escrituração comercial; Fl. 1867DF CARF MF 14 10 São totalmente infundadas as colocações do agente fiscal no item 119, pois suas considerações não passam de mera manifestação do seu inconformismo pessoal diante da legislação tributária ora vigente; 11 Considerando as legislações vigentes, temse ser possível a distribuição de lucros apurados na contabilidade comercial em montante superior à presunção de lucro presumido utilizado para a apuração do imposto de renda, sem que haja qualquer necessidade de tributação prévia da receita, que pode ser diferida para momento posterior; 12 Se o RIR/99 possui previsão específica no qual se enquadra a conduta que se pretende tributar, qual seja, distribuição de lucros em montante superior ao valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica no lucro presumido (inciso XXVIII do artigo 39 do RIR/99 e inciso XIX do art. 55, ambos RIR/99), e essa previsão legal é inaplicável por revogação expressa, temse que a regra genérica de tributação não pode justificar a autuação, sob pena de tornar sem efeito a revogação expressa da determinada pela legislação tributária, revigorando seus efeitos indevidamente como se ainda estivesse vigente no ordenamento jurídico; não restando outra alternativa senão o cancelamento integral da autuação fiscal neste ponto; 13Os Lucros isentos são superiores àqueles indicados pelo agente fiscal e, como a decisão de piso deixou de se manifestar sobre este ponto, necessário se faz sua reafirmação em sede recursal; 14 Não assiste razão ao Fiscal ao considerar como lucros passíveis de distribuição o montante de R$ 2.216.093,06, pois o montante correto seria de R$ 12.570.745,42, se utilizássemos adequadamente os parâmetros fixados pelo próprio fiscal; 15 O lucro acumulado de 2004 a 2006, considerando as informações da DIPJ, foi o apontado em 31/12/2006, o qual está refletido na conta de lucros acumulados do balanço de 2007, no valor de RS 3.815.238,73; 16 Para o ano de 2009, o fiscal considerou como lucro tributável apenas o valor correspondente ao IRPJ/CSLL/PIS/COFINS. Todavia, acaso tivesse considerado todas as despesas escrituradas na contabilidade comercial, chegaria à conclusão de que o lucro no ano de 2009 foi de R$ 4.900.928,24 passível de distribuição com isenção de acordo com os critérios adotados pelo Fiscal; 17 Após a adequação das informações prestadas pelo Fiscal, temse que o lucro passível de distribuição com isenção, considerando os critérios do Sr. Fiscal, corresponderia ao seguinte montante: Período Valor Valor da DMPL 2009 2004 a 2006 3.815.238,73 2007 a 2009 3.854.578,45 7,669817,18 Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.858 15 Até 09/2009 4.900.928,24 Total 12.570.745,42 Como se observa, nos anos de 2004 a 2006 a receita foi apurada pelo regime de competência. Portanto, o lucro apurado na contabilidade, que foi refletido em períodos anteriores, deve ser considerado como lucro passível de distribuição com isenção, eis que transcorrido o prazo decadência para constituir qualquer crédito tributário sobre eventual receita não oferecida à tributação. Nos anos de 2007 e 2008 não houve contestação pelo Fisco. Somando o valor de R$ 4.900.928, 24 (até 09/2009) com o lucro acumulado de períodos anteriores (2005 a 2008) chegarseia ao montante total de R$ 12.570.745,42, que supera em muito o valor efetivamente distribuído, de R$ 4.605.000,00, o que implica na necessidade de anulação integral do auto de infração neste ponto, sendo equivocada a aplicação da proporcionalização do item 147 do termo. Neste caso a autorização para considerar lucro distribuível com isenção de um trimestre para o outro no lucro presumido decorre de expressa autorização em Instrução Normativa, cf. art. 48, §§3º e 4º da IN 93/1997; 18 Equivocada proporcionalização utilizada pelo Fiscal: A proporcionalização operada no item 147 pelo fiscal não tem amparo nenhum. Se ele considerou que R$ 2.295.86.205 poderiam ser distribuídos com isenção, não poderia querer aplicar o percentual de 54,5527% para dizer que dos lucros cindidos em favor da P8 apenas R$ 1.252.453,93 seriam isentos, pois não há como definir se foram passados lucros isentos ou não isentos. Isso decorre de uma construção do Fiscal, que quando é para diminuir o valor dos lucros isentos (item 144, na distribuição para NEIDNE) não aplica nenhuma proporção. Se o montante passível de distribuição seriam o total de R$ 2.295.86.205 esse deve ser o referencial a ser utilizado, seja por ser mais benéfico ao contribuinte, seja por decorrer de uma interpretação inventiva praticada pelo Fiscal. Além disso, os lucros não isentos o serão na exata medida em que ocorresse a tributação da respectiva receita, sendo imprópria essa proporcionalização; 19 Ao amparo do artigo 99 do CTN, não existe previsão legal que permita excluir a CSLL/PIS/COFINS para fins de apuração do lucro distribuível no regime de apuração do lucro presumido. Portanto, estes valores devem ser desconsiderados no cálculo, por falta de amparo legal da Instrução normativa 93/1997, cancelandose a autuação também por este motivo; 20 Não há que se confundir a incorporação de ações com a subscrição de capital Social a que alude o artigo 23, sendo inaplicável este dispositivo lega ao caso em comento; 21 Inaplicabilidade do art. 23 da Lei 9.249/1995 à incorporação de ações: Esta regra é inaplicável à operação de incorporação de ações, pois apesar do §1º do artigo 252 da Lei n° 6.404/1976 afirmar que a sociedade incorporadora das ações deve autorizar o aumento de Fl. 1869DF CARF MF 16 capital, esta operação não deve ser confundida com a integralização de capital social a que alude o artigo 23 da Lei nº 9.249/1995; 22 A decisão recorrida confunde o momento da ocorrência do fato gerador do ganho de capital e do momento em que o tributo deve ser recolhido. O que se afirma, com referência à legislação tributária, não é que não ocorreu o fato gerador, mas sim que não surgiu a obrigação de recolher o tributo; 23 Não consideração do saldo negativo do Banco Bradesco em março de 2010: Na DAA do Recorrente demonstrase que em 31/12/2009 este detinha R$ 84.666,10 reais negativos no Banco Bradesco. Esse saldo só veio a ser quitado em julho de 2010, conforme reconheceu o Fiscal às fls. 14 do PDF nomeado como “01430_01443 DOCUMENTOSDIVERSOSOUTROS". Todavia, em 31/03/2010 esse saldo aumentou para R$ 100.367,52 reais negativos, devendo a diferença, de R$ 15.701,42 ser considerada origem de recursos no ano de 2010, eis que aumentado o saldo negativo no banco; 24 Foi juntado comprovante de extrato bancário de 03/2010 provando origem do recurso de R$ 15.701,42 (diferença entre o saldo devedor de R$ 100.367,52 e o valor de Dezembro de 2009 de R$ 84.666, 10). Se o valor de R$ 15.701,42 for considerado origem em março/2010 haverá alteração na suposta omissão de rendimento, pois neste mês o Fiscal apontou R$ 26.828,93 negativos. Logo, existe diferença na consideração desse montante como origem, que está provada pelo extrato; 25 A prova da origem em março de 2010 está feita. Se esse recurso foi aplicado no mês de Abril, Junho ou Dezembro é irrelevante, pois não altera o direito do Recorrente em ter reconhecido, neste mês, ou nos anteriores, a origem do recurso do saldo negativo em conta bancária. Portanto, deve ser reconhecido o valor de R$ 15.701,42 como origem, e aplicação nos meses subsequentes. O que não pode é criar rendimento fictício para tributar pelo IRRF quando existe prova documental em sentido contrário; 26 Desconto simplificado da DAA/2009: Isto posto, requerse seja dado provimento ao recurso para excluir o valor da DDA como omissão de rendimento, alocar todo o Valor no mês de dezembro para comparar o patrimônio de um ano com o subsequente, ou seja, alocado nos meses em que não gere omissão de rendimento; 27 Existência de saldo no valor de R$ 285.706,96 no ano de 2009 não utilizado no ano de 2010: Não é o fato de a informação ser prestada na DAA que faz com que determinado recurso possa ser utilizado no demonstrativo de fluxo de caixa, mas sim a existência do recurso disponível para gasto, esteja ele referido ou não na DAA; 28 Ao contrário do que afirma o acórdão recorrido, existe prova da efetividade das operações. Para tanto, basta checar que os recursos recebidos em Dezembro estão registrados como empréstimo ao Recorrente pela empresa Évora. A origem, portanto, está provada por meio da contabilidade da empresa da qual o Recorrente sócio; Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.859 17 29 Esse empréstimo foi pago, anos depois, como faz prova a questão 4 do PDF de fls. 557/560 e contrato de Assunção de dívida juntados às fls. 324 e seguintes. Esses recursos foram recebidos no final do ano de 2009, dias 18 e 28, respectivamente. Ainda, presumível que o Recorrente tenha gasto esses recursos no ano de 2010 e não no ano de 2009, como pretende fazer crer a fiscalização; 30 Se os empréstimos estão alicerçados na contabilidade da empresa, devem ser reconhecidos como origem, oportunidades a própria fiscalização considerou como origem recursos da contabilidade da empresa do qual o Recorrente era sócio, conforme fls. 1444/1445. Portanto, requerse que os valores recebidos no final do ano de 2009 sejam considerados como origem para os anos de 2010, sob pena de exigir o pagamento de IRRF sobre suposta omissão de rendimento que nunca existiu; 31 Ao final, requereu conhecimento e provimento integral ao recurso, para reformar o acórdão recorrido na parte em que manteve a autuação fiscal, com a finalidade de anular integralmente o crédito tributário, determinando a exoneração integral do crédito tributário. Em atendimento ao disposto no artigo 48, § 2º do RICARF (Port. MF nº 343/15), a Procuradoria Nacional da Fazenda Nacional apresentou suas Contrarrazões ao recurso, nos seguintes termos: a. Inicialmente, a título de esclarecimento, a PFN explicou que não foi apresentado recurso de ofício contra a decisão de piso no ponto que julgou pela ilegitimidade passiva do Recorrente para o lançamento sobre omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica ÉVORA, relativos a juros sobre o capital próprio excedentes ao limite dedutível pela sociedade empresária, em razão do valor do tributo correspondente exonerado não ter atingido o montante previsto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c Portaria MF nº 3/2008; b. Preliminar de Nulidade. Cerceamento de Defesa. Desconsideração de Contabilidade Societária. Inocorrência: Não merecem prosperar as alegações de nulidade do lançamento em virtude de que as informações e documentos necessários à defesa do Recorrente se encontram em poder da empresa P8 Participações Societárias Ltda., havendo, assim, violação à amplitude de defesa. Da mesma forma, não é digna a alegação de que a Fiscalização não poderia ter desconsiderado a contabilidade da pessoa jurídica ARGUS para imputar débito fiscal à pessoa física; c. A própria Fiscalização carreou aos autos numerosos documentos retirados da contabilidade da empresa, aos quais teve acesso o contribuinte. Ademais, de acordo com o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, o ônus da prova dos fatos alegados pelo Recorrente cabe a ele próprio; Fl. 1871DF CARF MF 18 d. A jurisprudência do e. CARF é firme no sentido de que não há cerceamento de defesa quanto o contribuinte demonstra pleno conhecimento da infração a si imputada; e. O argumento de suposta “desconsideração” da contabilidade societária da ARGUS não merece prosperar pois a contabilidade da sociedade empresária foi justamente o objeto da fiscalização e, portanto, pressuposto do lançamento. Aliás, foi a contraposição das declarações fiscais da pessoa jurídica ARGUS com sua contabilidade que demonstrou a falta de correspondência entre o resultado tributado e os lucros distribuídos ao contribuinte. Portanto, em momento algum houve “desconsideração” da contabilidade. Dessa forma, devem ser afastadas as preliminares de nulidade; f. Tributação pela tabela progressiva dos lucros e dividendos distribuídos pela empresa P8 Participações Societárias Ltda. aos sócios, em valor superior ao lucro presumido. Ausência de isenção: O Recorrente declarou ter recebido em 31/13/2009 dividendos na ordem de R$ 4.605.000,00 pagos pela empresa P8 Participações Societárias Ltda., decorrentes de reversão de patrimônio ocorrida na sociedade Argus Empreendimentos Imobiliários Ltda., optante pelo lucro presumido no período de 2004 a 2010, por ter seu patrimônio representado por ativos a receber da atividade imobiliária que exercia. O regime de reconhecimento de receitas para fins tributários foi o de caixa. Ocorre que, para fins de apuração e distribuição do lucro na contabilidade societária, a referida pessoa jurídica adotou o regime de competência. Notando essa situação, a Fiscalização entendeu que houve duplicidade de critério contábil para a apuração do lucro distribuído aos sócios (apurado por meio da escrituração contábil, utilizando o regime de competência) e para a determinação do lucro que serviu de base de cálculo para os impostos e contribuições (apurado com reconhecimento de receitas pelo regime de caixa). Essa disparidade de critérios levou a enormes divergências no lucro declarado à Receita Federal e o lucro efetivamente distribuído aos sócios; g. O contribuinte alega que o lucro distribuído em razão da escrituração contábil está acobertado pela isenção do artigo 10 da Lei nº 9.249/95. Porém, a consideração de que os lucros isentos são aqueles efetivamente tributados na pessoa jurídica não é mero argumento de autoridade, mas verdadeira interpretação teleológica do enunciado legal. Por isso, a regra evidente é que o lucro distribuído que não foi tributado como resultado da pessoa jurídica não pode fazer jus à isenção do artigo 10 da Lei nº 9.249/95; h. As duas opções de reconhecimento de receita para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido são excludentes, e a adoção simultânea por uma empresa é ilegal, conforme entendimento do E. CARF; i. No caso vertente, é incontroverso que as pessoas jurídicas Argus e P8 nem adotaram a sistemática de livrocaixa nem realizaram a escrituração na conta específica a que se refere o § 1º do art. 1º da IN nº 104/98, apesar da intimação para comprovar essa circunstância (cf. TDF nº 033/2012 e parágrafo 123 do TVF). Assim, ainda que se Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.860 19 admita o regime “híbrido” de reconhecimento de receitas, não houve o cumprimento dos requisitos regulamentares para tanto. A consequência de todas essas observações é que deve incidir o IRPF sobre os “lucros” distribuídos de forma excedente ao lucro presumido; j. Incorporação de ações da Évora pela CSD. Ganho de capital. Incidência: Segundo a fiscalização, ganho de capital se deu em virtude de incorporação de ações da sociedade Évora Comercial de Gêneros Alimentícios S.A., da qual era acionista o Recorrente, pela Companhia Sulamericana de Distribuição (CSD), ocorrida no ano calendário de 2010; k. Não assiste razão ao Recorrente ao alegar que: i) incorporação de ações é instituto diverso da integralização de capital, sendo inaplicável o art. 23 da Lei nº 9.249/1995; (ii) a incorporação de ações não configura alienação, mas simples troca; (iii) a pessoa física, por ser tributada pelo regime de caixa, só pode ser sujeito passivo do IR no momento do recebimento financeiro pela incorporação de ações; l. Na incorporação de ações há prévia avaliação do valor patrimonial das ações a serem incorporadas. As ações da incorporadora que são destinadas aos antigos acionistas da incorporada podem ter valor menor, igual ou superior àquele das ações incorporadas. Daí se nota que não há recomposição de patrimônio, mas sim verdadeiro acréscimo patrimonial, pelo que é de se afastar a ocorrência de subrogação real. Não há mera “troca”, portanto, como defende o Recorrente, mas sim, existe natureza jurídica de alienação em sentido amplo. Dessa forma, se conclui que a integralização de capital da incorporadora com ações da incorporada importa em transferência de propriedade, consubstanciando em alienação com natureza de acréscimo patrimonial; m. O argumento do contribuinte de que não poderia haver “alienação” porque não haveria “vontade” dos acionistas não merece prosperar de igual forma, pois há sim manifestação de vontade; n. O que se exige para a configuração da incidência do IRPF é a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, não a disponibilidade financeira. Por essa razão, não prospera o argumento do Recorrente de que o pagamento recebido em bens, no caso, ações, não seria tributável; o. O fato de a tributação da pessoa física se dar pelo regime de caixa não é óbice à incidência do IRPF, visto que a atribuição desse regime nada mais é do que a opção legislativa pela consideração da disponibilidade econômica da renda. Portanto, deve ocorrer de forma indubitável a incidência do IRPF, sendo esse inclusive o entendimento da C. CSRF e da C. 2ª Seção de Julgamento do E. CARF; Fl. 1873DF CARF MF 20 p. Acréscimo patrimonial a descoberto: O Recorrente alega que que detinha R$ 84.666,10 em saldo negativo perante o Banco Bradesco em 31/12/2009. Essa dívida teria sido quitada apenas em julho de 2010, sendo que, em 31/03/2010, o saldo negativo aumentou para R$ 100.367,52, de modo que entende que a diferença de R$ 15.701,42 deve ser considerada na apuração de receitas e despesas realizada pela Fiscalização. Diante disso, não merece prosperar a pretensão, pois o próprio Recorrente afirmou em resposta ao TIF nº 009/2013 (fls. 390/391) que o saldo negativo em questão da conta do Banco Bradesco foi quitado por depósito no valor de R$ 85.000,00 da sociedade Argus realizado em 21/07/2010. Por essa razão, a Fiscalização considerou o valor original de R$ 84.666,10; q. Tão pouco merece prosperar a alegação do Recorrente de que a Fiscalização indevidamente considerou como renda o valor atribuído ao desconto simplificado na Declaração de Ajuste Anual, diante da presunção legal disposta no parágrafo único do artigo 10 da Lei nº 9.250/95, posição esta compartilhada pelo E. CARF; r. Não procede a alegação de que o empréstimo concedido ao Recorrente pela empresa Évora, no valor de R$ 285.706,96, foi desconsiderado como fonte de rendimentos no ano de 2009. O fato de não constar o referido valor em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2009 não milita contra a argumentação caso comprovada a existência do valor de outra forma. Porém, a “comprovação” da efetividade desse empréstimo é meramente seu fluxo de caixa apresentado por ocasião da resposta ao TIF nº 009/2012 à fls. 393 dos autos. A referência feita pela DRJ à Declaração de Ajuste Anual anterior do Recorrente se deu porque esse mesmo empréstimo não constou daquela. Assim, se constata que há informações unilaterais e contraditórias entre as duas declarações separadas do Recorrente (DAA e fluxo de caixa). Aliás, em momento algum foi apresentado contrato de mútuo ou extrato bancário em que conste o suposto empréstimo. Segundo o contribuinte, em resposta ao item 11 do TDF nº 009/2012, os valores de empréstimo supostamente contratados foram recebidos em espécie, em 18 e 28 de dezembro de 2009, e foram objeto de assunção de dívida pela ARGUS (fls. 324/327). Porém, se percebe que o referido instrumento de assunção de dívida não está conectado aos empréstimos supostamente concedidos. Inexiste qualquer identificação de qual empréstimo foi assumido pela Argus, não havendo sequer identidade de valores entre a dívida assumida e o mútuo alegado. Nestes casos, o E. CARF entende que o ônus da comprovação é do contribuinte. Dessa forma, nesse ponto, de igual forma deve ser mantido o lançamento; s. Ao final, requer o afastamento da preliminar suscitada e, no mérito, o desprovimento do recurso voluntário, sendo mantido o teor do acórdão atacado. t. Por derradeiro, às fls. 1.830/1.837, o Recorrente apresentou manifestação, sustentando a necessidade de aplicação, ao caso presente, de legislação superveniente (Lei nº 12.973/14, de 13/05/14, Art. 72) relativa à regra de isenção, a qual induz efeitos ensejadores do cancelamento da exigência fiscal ora tratada, nos seguintes termos: a. A aplicação da legislação superveniente ao presente julgamento, decorrente de lei editada após a interposição do recurso voluntário, se faz necessária em decorrência do poder de autotutela da Administração Pública, que deve rever seus atos de ofício para aplicar adequadamente a lei ao caso concreto, em observância ao princípio da Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.861 21 legalidade estrita, moralidade, proporcionalidade e razoabilidade administrativas, conforme previsto no inciso VIII do artigo 1491, c/c 145, III, ambos do CTN; b. Além disso, o DecretoLei nº 70.235/72 prevê, na alínea "b" do § 4º do artigo 162, a produção de prova documental que se refira a "... a fato ou a direito superveniente". Bem analisada a alínea "b", podese afirmar que o julgamento com base em direito superveniente independe de produção de prova, pois o que o dispositivo autoriza é o julgamento com base em lei nova que discipline a relação jurídica tributária, Outrossim, em recurso à hermenêutica, seria plenamente possível invocar a analogia (artigo 108, I do CTN) para estender o âmbito de aplicação da norma da alínea "b" para além da possibilidade de produção de prova documental, aplicando a qualquer direito superveniente que influencie, independentemente de necessidade de produção e prova documental; c. O artigo 72 da nova Lei nº 12.973, de 13/05/14 (publicada após a interposição do recurso), instituiu nova regra de isenção relativa a lucros distribuídos, decorrente de alteração de critério contábil (sujeito ao chamado Regime Tributário de Transição); d. O RTT disciplina o regime de neutralidade fiscal, que procura expurgar os efeitos tributários decorrentes da diferença entre os critérios contábeis adotados até 31/12/2007 e os critérios introduzidos pela Lei nº 11.638/2007 (normas internacionais do IFRS); e. Essa regra de isenção, bem como as instruções normativas nº 1.397/13 e 1.492/14 (reguladoras desta matéria em âmbito administrativo), se aplicam às empresas sujeitas ao RTT, que é o caso da empresa da qual se originou o lucro, do ramo imobiliário, que apurava a receita de acordo com o regime de caixa – “recebimento”, na forma do DL nº 1.598/77, Art. 27 a 29; Lei nº 8.981/95 e Art. 30; ADI SRF nº 18/05; f. O item 89 do Termo de Verificação Fiscal constata que a referida empresa apurou lucros nos anos calendários de 2009 e 2010. Em 2009 houve opção pelo RTT (cf. DIPJ colacionada aos autos) e em 2010 o regime era obrigatório, conforme o artigo 15, § 3º, da Lei nº 11.941/09. Todavia, a falta de evidenciação do ajuste do RTT nas obrigações acessórias não afasta a aplicação da regra de isenção ora invocada, pois o que define o fato gerador, o nascimento do tributo, é a obrigação principal, jamais a acessória, que pode, inclusive, ser retificada, se for o caso, para refletir a decisão do colegiado; g. A IN nº 1.397/2013 criou o conceito de lucro líquido fiscal, que equivale ao lucro líquido apurado de acordo com os critérios contábeis anteriores à Lei nº 11.638/2007 (art. 2°). O ajuste, decorrente da diferença entre os critérios contábeis, deveria ser realizado no FCONT, conforme artigo 3° da mencionada instrução. Assim, para efeitos fiscais, o lucro líquido apurado na contabilidade, de acordo com as normas do IFRS, é ajustado para o padrão anterior, por meio de adições e exclusões no FCONT; h. Com o advento da Lei nº 11.638/07, houve a introdução de novos critérios contábeis, determinando que as empresas passassem a apurar o resultado pelo regime de competência. Essas alterações decorrem da alteração do § 2º do artigo 177 da Lei das S.A., que submete ao RTT qualquer alteração de critério que decorra da adoção, para fins contábeis, de critério diferente do incentivado ou determinado pela legislação tributária. O ADI nº 18/2005 determinava e incentivava a aplicação do regime de caixa (tributação no recebimento), enquanto a lei comercial determinava aplicação pelo regime de competência. Assim, houve alteração no critério de reconhecimento contábil Fl. 1875DF CARF MF 22 das receitas mudou de caixa para competência pela adoção dos novos critérios contábeis vigentes a partir da Lei nº 11.638/2007; i. Assim, houve alteração do critério contábil entre as regras de apuração, passando a receita contábil a ser apurada de acordo com as regras do regime de competência (novo critério), porém passível de ajuste, para que o resultado refletisse a apuração pelo regime de caixa (critério antigo), mantendo, dessa forma, a neutralidade pela aplicação das regras do RTT; j. Conforme dispõe o artigo 23 da IN nº 1.397/13, com redação dada pela IN nº 1.492/14, a empresa deve apurar o lucro contábil de acordo com as regras vigentes anteriormente a Lei nº 11.638/07, ou seja, pelo regime de caixa, promovendo o ajuste entre a receita reconhecida pelo regime de competência e o de caixa. Os artigos 27 e 28 da mesma norma tratam das regras de isenção na distribuição de lucros das empresas optantes do lucro presumido. O inciso II do artigo 27 prevê isenção para o lucro distribuído de acordo com o artigo 30 da IN nº 1.397/13, que remete a lucro contábil fiscal apurado de acordo com as regras anteriores a Lei nº 11.638/07, ou seja, pelo regime de caixa nas empresas imobiliárias (mesma regra do caput do artigo 23 da IN nº 1.397/2013); k. Logo, é possível concluir que a norma do inciso II do artigo 27 remete ao lucro apurado no caput do artigo 23, ou seja, antes das alterações da Lei nº 11.638/2007, pelo regime de caixa. Assim, se conclui que o lucro apurado com base nas regras do regime de competência, ainda que superior ao lucro apurado com base no regime de caixa, é passível de distribuição com isenção de IRRF, em vista da aplicação da regra de isenção o artigo 72 da Lei nº 12.973/14 e do artigo 28 da IN nº 1.397/213, com a redação da IN nº 1.492/2014; l. Dessa forma, considerando que a regra do inciso II do artigo 27 da IN nº 1.397/2013 trata da distribuição de lucro apurado pelo regime de caixa, conforme referido pela legislação tributária, e que a regra do artigo 28 isenta o IRRF apurado pela diferença entre o regime de caixa (norma contábil anterior) e competência (nova norma contábil), não resta dívida de que não incide IRRF no lucro integralizado no capital social, devendo ser cancelado integralmente a exigência fiscal; m. Por fim, requerse seja aplicada a regra de isenção do artigo 72 da Lei nº 12.973/2014, tendo em vista que são lucros apurados em 2009 e 2010, albergados expressamente pela regra de isenção. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.862 23 Nulidade – Ilegitimidade Passiva da Pessoa Física Inocorrência O Recorrente aduz a nulidade do Auto de Infração por entender que ele pessoa física é parte ilegítima para figurar no polo passivo deste processo, decorrente de lançamento que exige imposto cujo recolhimento caberia à pessoa jurídica P8 Participações Societárias Ltda. Sustenta igual nulidade ao alegar que a fiscalização descaracterizou a contabilidade da empresa Argus Empreendimentos Imobiliários Ltda., que após processo de cisão, verteu parcela de seu patrimônio para a empresa P8 Participações Societárias Ltda., incluindo a conta de lucros acumulados, os quais foram posteriormente distribuídos ao Recorrente. Alega que a fiscalização somente poderia descaracterizar a natureza isenta do rendimento distribuído se fosse realizada a fiscalização diretamente na empresa Argus para, desqualificando sua contabilidade, se fosse o caso, alterar a natureza do rendimento isento para tributável, cujo ônus fiscal recairia naquela pessoa jurídica, e não sobre si, à medida que estes deveriam ser objeto de retenção na fonte pela empresa, cabendo a esta arcar com ônus fiscal de rendimento que apurou ser isento, e não à Recorrente. Sustenta que a tributação pretendida na pessoa física só pode ocorrer com prévia desqualificação jurídica da contabilidade da pessoa jurídica, e neste sentido, para se ter respeitados os princípios do contraditório e ampla defesa, a fiscalização deveria fiscalizar a pessoa jurídica e não a pessoa física. Por este motivo, entende ser nulo o auto de infração ao pretender exigir de pessoa física a prova de fatos que estão relacionados com a atividade de pessoa jurídica, terceiro (empresa Argus). Firma que o Fisco deveria ter solicitado informações às pessoas jurídicas e instaurado procedimento de fiscalização em relação a elas, por suposta falha na apuração do lucro distribuído a ele, e que exigir dele suposto imposto é afastar a separação de personalidade jurídica entre a empresa e seu sócio. Apesar da tentativa do Recorrente em imputar a responsabilidade pelo crédito tributário às pessoas jurídicas relacionadas ao caso, alegando nulidade e ofensa ao contraditório e ampla defesa, entendo não possuir ele razão, senão vejamos. Pela leitura das razões recursais do Recorrente, se percebe que este aduz com propriedade argumentos de ordem processual e meritória, culminando por exercer amplamente seu direito de defesa, até mesmo observado pelas diversas oportunidades em que foi intimado a se manifestar nos autos deste processo, além do fato de que, por fazer parte do quadro societário da empresa distribuidora dos dividendos (P8), com participação societária relevante, é certo que teve conhecimento do procedimento fiscal, vindo a apresentar à fiscalização diversos elementos da contabilidade da mencionada empresa, com prestação de esclarecimentos a contento. Ademais, não logrou o Recorrente apresentar qualquer fato ou documentação capazes de demonstrar irregularidades no lançamento efetuado contra si. Outrossim, considerando que os negócios jurídicos societários analisados possuem conexão com o Recorrente, é impossível reconhecer que não há relação pessoal e direta deste com as situações que constituíram os fatos geradores imputados pela autoridade Fl. 1877DF CARF MF 24 fiscal e tais valores foram apurados com base na tabela progressiva do IR à PF conforme autuação. Assim, entendo que o Recorrente não foi prejudicado no exercício do seu amplo direito de defesa, nem do contraditório e, por isso, afasto a preliminar de nulidade. Quanto à alegação de descaracterização da contabilidade da empresa Argus Empreendimentos Imobiliários Ltda., melhor sorte não assiste às alegações do Recorrente, pois se verifica da leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.384/1.429) que aludido fato não ocorreu, haja vista o lançamento ter sido fundamentado, inclusive, nos registros contábeis da Argus, em especial as DIPJs entregues à fiscalização, conforme se extrai de trechos o mencionado termo, que igualmente alicerçaram a fundamentação da decisão de piso, na forma abaixo: “71. Portanto, o sócio FRANCISCO recebe R$ 4.605.000,00 (quatro milhões, seiscentos e cinco mil reais) como distribuição de lucros da P8, subscreve e integraliza aumento de capital na EVORA nesse mesmo montante, e a EVORA restitui o valor muito próximo R$ 4.605.150,17 (quatro milhões, seiscentos e cinco mil, centos e cinquenta reais, e dezessete centavos) à P8 pela sua saída (da P8) do quadro societário da EVORA, tudo à mesma data 29/12/2009. 72. Assim, os elementos apresentados informam que efetivamente a P8 não dispunha de caixa para pagamento de R$ 4.605.000,00 (quatro milhões, seiscentos e cinco mil reais) ao sócio FRANCISCO. O montante lhe é restituído (à P8) no mesmo dia. Alguns dos históricos consignados em vários desses lançamentos “Empréstimo Ref. retirada investimentos Évora” evidenciam a possibilidade de ter ocorrido algum tipo de empréstimo bancário de curta duração (apenas 1 dia), para possibilitar a movimentação financeira da P8 para FRANCISCO, deste para a EVORA, e desta de volta para a P8. 73. Não havia tal disponibilidade na P8 porque o saldo de lucros acumulados de que dispunha, recepcionado da ARGUS, não era saldo baseado em efetivos recebimentos, conforme receitas oferecidas à tributação, mas incluía também, e principalmente, lucros relativos a parcelas ainda a receber, exigíveis a longo prazo. E é desse saldo que se fez a distribuição de lucros a FRANCISCO, de R$ 4.605.000,00 (quatro milhões, seiscentos e cinco mil reais), por conta da movimentação de entrada e de saída da EVORA. 74. Desde o recebimento em 01/09/2009 dos lucros acumulados cindidos da ARGUS, até o creditamento de parte desses lucros a FRANCISCO, a P8 efetivamente não gerou resultados. Sua DIPJ anocalendário 2009 se apresenta com receitas e tributos declarados nulos. Seus Livros Diário e Razão, e DRE encerrado em 31/12/2009 de mesmo modo evidenciam. Faz a opção, segundo sua declaração, pela apuração no período com base no lucro presumido. 75. Devese apreciar, portanto, a procedência, na ARGUS, dos lucros cindidos a favor da P8. 76. A composição da conta de lucros acumulados a ser verificada na ARGUS, desde seu início, pode ser realizada com base nas informações de suas DIPJ, sendo a primeira apresentada pela empresa, referente ao ano calendário 1995. Afora esse primeiro anocalendário 1995, que a empresa se Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.863 25 declarou como lucro presumido e receitas nulas, de 1996 a 2003, a empresa apresentou DIPJ informando apuração pelo Lucro Real, e sempre apurando prejuízos: (…) 89. Em atendimento ao mesmo TDF 033/2012, e item 02, a ARGUS informa não mais possuir os livros contábeis dos períodos de 2004 a parte de 2006. Novamente intimada, desta feita mediante Termo de Diligência Fiscal 043/2012 (TDF 043/2012), itens 01 a 03, a apresentar os livros para os anoscalendário 2004 a 2008, nada apresenta para 2004 a 2006. 90. Portanto, à ausência de outros elementos, a apuração do lucro nos trimestres dos anos calendário 2004, 2005 e 2006, será realizada com base nas informações das DIPJ da empresa ARGUS, mediante lucro presumido, subtraídos IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep, conforme abaixo demonstrado: (...) 96. Os lucros apurados segundo sua contabilidade estão abaixo reproduzidos, por trimestre, totalizados no ano segundo sua DRE:” Como se percebe pela leitura do termo de verificação fiscal, o trabalho da fiscalização se fundamentou em informações declaradas em DIPJ e DCTF, em escrituração contábil, nos esclarecimentos prestados pela Argus Empreendimentos Imobiliários Ltda. e pelo próprio Recorrente. Logo, neste ponto, afasto a preliminar de nulidade. Tributação pela tabela progressiva de lucros distribuídos pela empresa P8 Participações Societárias Ltda. O contribuinte informou rendimentos isentos percebidos a título de lucros da empresa P8 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA em montante de R$ 4.605.000,00 em Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2009. Apesar de comprovada a participação do contribuinte no quadro societário da citada pessoa jurídica, bem como a deliberação social para distribuição dos dividendos mencionados, o Autuante reclassificou parte destes valores como tributáveis (R$ 3.352.546,07), entendendo que o lucro contábil lastreador das distribuição de lucros partiu de receitas não oferecidas à tributação, excedendo em muitas vezes o montante do lucro presumido utilizado como base de cálculo para os tributos devidos pela empresa. Neste ponto, o Recorrente, esclarece ter recebido em 31/12/2009 dividendos da ordem de R$ 4.605.000,00 pagos pela empresa P8 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA, mas decorrentes da reversão de patrimônio ocorrida na empresa ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, optante pelo lucro presumido no período de 2004 a 2010, por ter seu patrimônio representado por ativos a receber da atividade imobiliária que exercia. Conclui, em síntese, ter havido tributação de lucros amparados por norma isentiva. Fl. 1879DF CARF MF 26 Aduz o Recorrente que o equívoco da fiscalização consistiu em segregar os lucros distribuíveis com isenção, daqueles previamente tributados, sendo inexistente aludida separação no bojo da lei que instituiu a isenção, a qual permite distribuição de resultado sem tributação, se houver resultado, como efetivamente houve no caso, conforme demonstrações de resultados juntadas às fls. 430 e seguintes, não havendo que se afastar a aplicação da regra isentiva. Firma o Recorrente que, para que seja distribuído lucro superior ao presumido, é necessário que o lucro apurado de acordo com a legislação comercial seja superior ao lucro presumido. Alude que a apuração dos impostos no lucro presumido considera a receita efetivamente auferida pelo regime de caixa. Sendo aquela maior que esta, podese distribuir lucro no montante apurado na escrituração comercial. Oportuno analisar os argumentos apontados pela Fiscalização (itens 100 a 102 do Termo de Verificação Fiscal), os quais indicam como uma das motivações para a autuação a grande discrepância entre os valores distribuídos e o lucro presumido apurado pela empresa. 100. Conforme esta resposta da ARGUS, a opção da empresa foi pela tributação como lucro presumido, e regime de reconhecimento de receitas pelo fluxo de caixa. Mas apenas para fins de tributação. O que a empresa denominou “contabilidade societária” foi realizada no regime de competência, segundo informado, e daí se realizaram o Balanço Patrimonial e a DRE, com a consequente geração de lucros em montantes superiores ao que se apuraria pelo regime de caixa. A cisão transferiu parte desses lucros à P8 e esta distribuiu ao sócio FRANCISCO com isenção. 101. Tomese, a título amostral, as receitas oferecidas à tributação pela ARGUS no ano calendário 2010, no montante de R$ 5.635.236,08 (cinco milhões, seiscentos e trinta e cinco mil, duzentos e trinta e seis reais, e oito centavos), segundo DIPJ Ficha 14A, consideradas receitas brutas tributadas a 8% de R$ 5.227.454,59, receitas brutas tributadas a 32% de R$ 353.955,57, e demais receitas e ganhos capital de R$ 53.825,92. Entretanto, as receitas que geraram seus lucros ditos contábeis ou societários totalizaram no mesmo ano R$ 40.378.450,42 (quarenta milhões, trezentos e setenta e oito mil, quatrocentos e cinquenta reais, e quarenta e dois centavos) segundo DRE à folha 389 de seu Livro Diário n. 11, consideradas as rubricas de vendas de lotes em R$ 30.609.290,42, receitas financeiras em R$ 9.346.814,49, e outras receitas em R$ 422.426,51. 102. Expressivas as diferenças. Expressivos os lucros gerados por resultados não oferecidos à tributação por conta da adoção de regime de competência para distribuição de lucros e regime de caixa para tributação. Pela análise dos argumentos recursais do Recorrente, se percebe tratarem de especificidades vinculadas à legislação tributária e contábil, em especial ao tema da adoção dos Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.864 27 regimes de caixa e de competência para reconhecimento de resultados distribuídos aos sócios e resultados tributáveis. Vejamos. Argus utilizou ambos os regimes de caixa e de competência para determinar o lucro distribuído (competência) e o lucro oferecido à tributação (caixa).Em síntese, foi apurado pela fiscalização que o Recorrente declarou de ter recebido em 31/12/2009 dividendos na ordem de R$ 4.605.000,00 pagos pela P8 Participações Societárias Ltda., decorrentes de reversão de patrimônio ocorrida na sociedade Argus Empreendimentos Imobiliários Ltda., optante pelo lucro presumido no período de 2004 a 2010, por ter seu patrimônio representado por ativos a receber da atividade imobiliária que exercia. O regime de reconhecimento de receitas para fins tributários foi o de caixa. Ocorre que, para fins de apuração e distribuição do lucro na contabilidade societária, a empresa adotou o regime de competência. Como se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal (1.384/1.429), a fiscalização apontou que a empresa Argus utilizou ambos os regimes de caixa e de competência para determinar o lucro distribuído (competência) e o lucro oferecido à tributação (caixa), conforme trechos do documento mencionado, abaixo transcritos: “114. Portanto, ao optar pela tributação de suas receitas com base no regime de caixa, a empresa acabou por impactar a apuração de seu lucro com base na escrituração contábil, pois que ambos os elementos a serem comparados, para fins de distribuição de lucros isentos, deveriam ser passíveis de comparação, obtidos segundo as mesmas condicionantes ou, dito de outro modo, obtidos a partir das mesmas receitas tributadas. 115. Assim, não se pode permitir à empresa utilizarse dos dois regimes de escrituração e reconhecimento de receitas, competência e caixa, simultaneamente, cada um para justificar um fim específico que lhe seja mais favorável. Um para justificar recolhimento de tributos reduzidos, e outro para distribuir lucros isentos elevados. A comparação entre o lucro presumido e o lucro contábil deve guardar coerência. 116. Há, portanto, necessidade de que a demonstração da qual eventualmente resulte lucro superior ao apurado nos critérios de presunção, demonstração essa baseada na escrituração contábil, seja feita coerentemente à opção e ao regime de reconhecimento de receitas adotado pela empresa. Como a comparação deve ser feita a partir da base de cálculo do lucro presumido e esta no caso concreto, foi apurada com base no regime de caixa, não se pode admitir que a empresa utilize demonstrativos contábeis elaborados com base em receitas obtidas mediante regime de competência para demonstrar lucro superior, e assim justificar isenção na distribuição desses lucros aos sócios. 117. Isenção é também um aspecto tributário da movimentação patrimonial pelo lançamento contábil de distribuição (pagamento ou creditamento) de lucros. Portanto, não há como atribuir critérios diferentes para fatos tributários estritamente relacionados, como apuração de resultados e de tributos (realizado por regime de caixa) e isenção na distribuição de lucros (realizado por regime de competência). ... Fl. 1881DF CARF MF 28 125. A possibilidade de distribuição de lucros baseados em escrituração contábil, superiores à base do lucro presumido, pressupõe critérios idênticos para ambas as apurações, entendase mesmo montante de receitas como ponto de partida, para ambas as metodologias de determinação do lucro. Se as receitas de partida já são diferentes, como se comparar os resultados entre lucro presumido e escrituração contábil?” Neste ponto, para seguir analisando e tratando das alegações do Recorrente, de forma a fundamentar este voto, passo a transcrever os fundamentos da decisão a quo, que por esclarecedores e extenuantes quanto à matéria objeto desta análise, aproveito como razão de decidir: “Como o contribuinte se contrapõe ao entendimento da Fiscalização, afirmando estarem presentes no caso concreto todos os requisitos para caracterização da hipótese legal de isenção, convém transcrever também o art. 48 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, que esmiúça a norma do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995. “LUCROS E DIVIDENDOS DISTRIBUÍDOS Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. § 1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº 9.250, de 1995. Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.865 29 § 5º A isenção de que trata o "caput" não abrange os valores pagos a outro título, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. § 6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. § 7º O disposto no § 3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2º, após o encerramento do trimestre correspondente. § 8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º.” À primeira vista, a situação fática do fiscalizado parece até se amoldar à hipótese descrita no art. 48 da Instrução supracitada. Afinal, a empresa distribuiu lucros acima do montante do lucro presumido e apresentou escrituração contábil para demonstrar a existência do lucro distribuído. Contudo, o grande problema é que a empresa, além de optar pelo lucro presumido, optou também pelo reconhecimento de receitas pelo regime de caixa. Por força dessa opção, restou prejudicada a comparação entre o lucro presumido e o lucro contábil da empresa, pois cada um desses valores partiu de uma premissa totalmente diferente: o primeiro foi calculado com base nos valores efetivamente recebidos e o segundo com base apenas na realização de operações, independentemente do ingresso da receita no caixa da empresa. Decerto que a faculdade de efetuar o reconhecimento de receitas pelo regime de caixa (na medida do recebimento) tem como fundamento jurídico a Instrução Normativa SRF nº 104, de 24 de agosto 1998, cujo artigo 1º dispõe o seguinte: “Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como Fl. 1883DF CARF MF 30 receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente.” Observese que a Instrução Normativa que previu a possibilidade de adoção do regime de caixa no lucro presumido é posterior à Instrução Normativa SRF nº 93, de 24/12/1997. Assim, é certo que, quando a Instrução Normativa nº 93 estabeleceu que para distribuição de lucros em montante superior ao lucro presumido bastaria que o lucro distribuído fosse apurado em escrituração contábil feita de acordo com a lei comercial, o que se tinha em mente era que a comparação sempre seria feita entre o lucro contábil e o lucro presumido apurados com base no regime de competência, haja vista que esse era o único regime existente naquela época. Prova disso é o fato de que a própria Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, em seu artigo 36, § 2º, previa expressamente que o lucro presumido deveria ser determinado pelo regime de competência, sem exceções. Veja se: “Art. 36. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: … § 2º O lucro presumido será determinado pelo regime de competência.” Portanto, com o advento da Instrução Normativa SRF nº 104, de 1998, a disposição contida no inciso II do § 2º do artigo 48 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, perdeu o sentido, ou no mínimo deve ser olhada com muita cautela, para os casos em que a empresa optante pelo lucro presumido adote o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento (regime de caixa). Ressaltese também que a interpretação de normas criadas pelo legislador ordinário, a exemplo daquela contida no art 10 da Lei nº 9.249, de 1995, deve ser feita de modo a harmonizar o direito do contribuinte a quem se dirige a isenção com princípios igualmente caros ao Sistema Tributário vigente, dentre os quais destacase a razoabilidade e a isonomia. No presente caso, observase que a aplicação pura e simples do artigo 48 da Instrução Normativa nº 93, de 1997, levaria a uma condição extremamente vantajosa para o contribuinte, mas em total desacordo com a razoabilidade e sem o mínimo de consonância com a finalidade da lei que estabelece a isenção para distribuição de lucros. Nesse ponto, convém lembrar o Trabalho Fiscal quando busca alicerce na intenção da lei, qual seja, isentar Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.866 31 a distribuição de lucros justamente porque se trata de valores já tributados na pessoa jurídica (itens 126 a 129 do Termo de Verificação Fiscal): “126. A própria intenção do art. 10 da Lei n. 9.249, de 1995 (reproduzido pelo inciso XXIX do art. 39 do RIR/99), ao prever isenção aos beneficiários na distribuição de lucros, era que, uma vez tais lucros decorrendo de receitas já tributadas na pessoa jurídica, não deveria haver nova tributação nos sócios, pessoas físicas ou jurídicas, beneficiários desses lucros na distribuição. 127. A Exposição de Motivos da citada Lei n. 9.249, de 1995 (EM n. 325/MF, de 31 de agosto de 1995, anexa), base da isenção, assim consigna em seu item 12: “12. Com relação à tributação dos lucros e dividendos, estabelecese a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa, e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. (destaques nossos)” 128. Resta clara a proposta da Lei de isentar os rendimentos aos beneficiários com a tributação exclusivamente na pessoa jurídica. De outro modo, não haveria que se falar em integração. Não haveria que se falar em tributar exclusivamente na pessoa jurídica pagadora. 129. Assim, não tendo sido o lucro cindido da ARGUS para a P8, e por esta distribuído, previamente tributado na pessoa jurídica cindida ARGUS ou na distribuidora P8, não há como se entender pela isenção desses recebimentos nos beneficiários. Tais montantes recebidos, excedentes aos que foram previamente tributados, seriam sim tributáveis nos sócios beneficiados, termos do inciso II do §2º e §4º, todos do art. 48 da Instrução Normativa SRF n. 93, de 1997. (...)” Assim, não vejo nenhum equívoco na argumentação da Autoridade Fiscal. A isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249/95 teve sim por objetivo excluir da tributação o lucro distribuído que já foi objeto de tributação na pessoa jurídica, visando à completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica e evitando a tributação da mesma riqueza duas vezes, sendo essa finalidade um elemento relevante para a interpretação da norma. Relembrese que a finalidade maior do Direito Tributário, na qualidade de ramo do Direito Público, é suprir o Erário para custeio do interesse e necessidades coletivas com a menor interferência possível na economia, seja para prejudicar ou privilegiar. Portanto, a empresa que opta pelo reconhecimento de receitas pelo regime de caixa não pode se valer da escrituração contábil feita segundo o regime de competência para apurar os lucros a serem distribuídos com isenção. Entender de maneira diversa seria admitir a isenção para a distribuição de um lucro que não foi tributado previamente na pessoa jurídica, homenagear o tratamento não isonômico entre contribuintes e avalizar uma forma privilegiada de tributar e distribuir lucros, situação que, certamente, não foi pretendida pelo Legislador pelo que indica trecho da exposição de motivos que tomamos de empréstimo da impugnação: Fl. 1885DF CARF MF 32 “2. A reforma objetiva simplificar a apuração do imposto, reduzindo as vias de planejamento fiscal, uniformizar o tratamento tributário dos diversos tipos de renda, integrando a tributação das pessoas jurídicas, ampliar o campo de incidência do tributo, com vistas a alcançar os rendimentos auferidos no exterior por contribuintes estabelecidos no País e, finalmente, articular a tributação das empresas com o Plano de Estabilização Econômica. ...” Interessante notar que a situação é bem diferente quando a empresa é optante pelo lucro presumido e adota o regime de competência para o reconhecimento de receitas. Nesse caso, se o lucro apurado na escrituração contábil é superior ao lucro presumido, pode ser distribuído com isenção, pois tanto um como outro estarão sendo apurados com base no regime de competência, ou seja, a receita que serviu de base para apuração do lucro na contabilidade também servirá de base para determinação da base de cálculo dos tributos devidos pela empresa. (...) Outro ponto que se mostra desfavorável à pretensão do impugnante é o fato de que a empresa da qual provêm os lucros, embora tenha adotado o regime de caixa para apuração do lucro presumido, não manteve contas específicas em sua contabilidade para controlar os valores efetivamente recebidos como exigem o §1º do art. 1º da Instrução Normativa nº 104, de 1998, e art. 85 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, e esse fato foi expressamente abordado pela fiscalização nos itens 121124 do Termo de Verificação Fiscal: “121. O fato de utilizarse ora o regime de caixa, ora o de competência, à medida do que se apresenta mais favorável à empresa no momento ou situação, traz ainda outras implicações. A pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido, e que tenha adotado regime de caixa, deve observar as regras de controle e escrituração nos termos do art. 85 da IN/SRF n. 247, de 2002, especialmente seu §1º: “Opção por Regime de Caixa Art. 85. A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido, que tenha adotado o regime de caixa na forma do disposto no art. 14, deverá: I – emitir documento fiscal idôneo, quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; e II – indicar, no livro Caixa, em registro individualizado, o documento fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicado o documento fiscal a que corresponder o recebimento.” 122. Verificase que, o fato da empresa manter escrituração contábil, na forma da legislação comercial, não a autoriza a distribuir seus lucros assim apurados com isenção, mas sim a segregar seus recebimentos pelo regime de caixa em conta específica, para fins de Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.867 33 determinação exatamente desse eventual lucro passível de isenção na distribuição. 123. A empresa foi então intimada mediante TDF 033/2012, em seu item 04, a comprovar o atendimento §1º do art. 85 da IN/SRF n. 247, de 2002, demonstrando a apuração de seu lucro pelo regime de caixa, com base em sua escrituração contábil apresentada. Como resposta, simplesmente alega que “... a empresa atende a todas as exigências compreendidas no conteúdo do art. 85 da IN/SRF n. 247 de 2002, especialmente em seu §1º.” 124. Em fato, não se observam nos Livros Diário e Razão apresentados, contas específicas nas quais sejam controlados os efetivos recebimentos de suas receitas, face o respectivo documento fiscal. A contabilidade está sim, estruturada apenas para as contas versadas ao regime de competência, não se prestando, portanto, a demonstrar que seu lucro efetivo é superior ao seu lucro presumido. Isto porque tal escrituração foi realizada exclusivamente com base no regime de competência, e seu lucro presumido foi apurado com base no regime de caixa. Critérios distintos, alternativos, não simultâneos, não passíveis de serem comparados para o fim de avaliação do lucro a ser distribuído com isenção.” Ora, sabendose que o reconhecimento de receitas pelo regime de caixa é exceção atribuída legalmente em virtude do objeto social da pessoa jurídica, deve esta ser exercida segundo as exigências dispostas nos atos legais pertinentes, ainda mais quando tem função tão precípua como apurar o lucro passível de distribuição sem incidência tributária. Reconhecese que o impugnante tenta comprovar o preenchimento deste requisito acostando os anexos intitulados DOC 2, 3 e 4 (fls 92177). Todavia notase que tais documentos representam uma amostragem dos fatos contábeis ocorridos nos anos correspondentes e, ademais, não se observa no plano de contas apenso a existência da conta específica criada com fito de segregar os recebimentos pelo regime de caixa. O contribuinte critica ainda a base legal do Auto de Infração, em especial o art. 3º, § 4º da Lei nº 7.713/98, o art. 3º da Lei nº 9.250/95, os art. 37, 83 e 662 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), bem como art. 48, § 4º da IN SRF nº 93, de 1997, afirmando que o único dispositivo legal específico para lastrear a autuação não foi citado, qual seja, art. 55 do RIR/99. Concordo que os dispositivos citados realmente tratam de maneira genérica da incidência do imposto de renda, mas são totalmente aplicáveis ao caso, haja vista que a isenção prevista no art. 10 da Lei 9.249/95 restou afastada. Obviamente, os dispositivos em questão não foram determinantes para que se desse o afastamento da isenção, mas são eles que estabelecem a incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pelo contribuinte. A isenção foi afastada pela argumentação acima analisada e a aplicação do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1998, c/c art. 3º da Lei nº 9.250, de 1995, e dos arts. 37, 83 e 662 do RIR/99, é mera conseqüência da inaplicabilidade da isenção. Fl. 1887DF CARF MF 34 Para reforçar tudo o que já foi dito até agora, vale lembrar o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 28 de dezembro de 2005: “Artigo único. A pessoa jurídica que comprar imóvel para venda ou promover empreendimento de desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária ou construção de prédio destinado à venda, deverá observar o disposto nos arts. 27 a 29 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 30 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, não se aplicando, para fins tributários, as disposições contidas nas NBC T 10.5 – Entidades Imobiliárias, aprovadas pela Resolução nº 936, de 16 de maio de 2003, do Conselho Federal de Contabilidade.” Esse Ato Declaratório Interpretativo, mencionado pela autoridade lançadora no item 137 do Termo de Verificação Fiscal, é claro ao afirmar que as regras constantes das normas contábeis relacionadas às empresas que exercem atividade de compra e venda de imóveis, incorporação imobiliária e loteamento de terrenos (o que é o caso da ARGUS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA) não se aplicam para fins tributários. Como se pode perceber, o ato declaratório em tela não limitou a abrangência de seu enunciado, de modo que se aplica a todo e qualquer fim tributário, ou seja, as normas contábeis relativas às entidades imobiliárias devem ser afastadas não apenas para fins de determinação da base de cálculo de tributos, mas também para determinação de rendimentos isentos, pois isso também configura um dos aspectos da tributação. Portanto, no caso ora analisado, os lucros apurados pela empresa com base naquelas normas contábeis (regime de competência) não podem servir de justificativa para a isenção de valores distribuídos aos seus sócios. Ainda que houvesse imperfeição na capitulação legal externada pelo Autuante, é preciso relembrar que o acusado se defende do fato, ou seja, do conjunto de circunstâncias ou acontecimentos que firmaram a convicção do autuante sobre a necessidade do lançamento, os quais devem ser externados da maneira mais detalhada e inteligível possível, haja vista a natureza de ato administrativo plenamente vinculado do lançamento, bem como para possibilitar o pleno exercício do direito ao contraditório e ampla defesa, constitucionalmente garantidos em fase de impugnação, e isto está presente nos autos em tela. (...) No tocante à afirmação de que dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) carecem de base legal, tornase oportuno dizer que, de acordo com o art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, o julgador deve observar as normas legais e regulamentares, bem como o entendimento da Receita Federal do Brasil expresso em atos tributários e aduaneiros, enquanto estas se mantenham vigentes, inexistindo discricionariedade possível que albergue o afastamento do ditame normativo. Quanto à alegação de que seria aplicável também a norma de isenção prevista no art. 3º, § 2º, da Lei nº 8.849/94, a qual se refere ao aumento de capital social realizado mediante incorporação de lucros ou reservas, entendo que são aplicáveis as mesmas objeções apontadas acima. O aumento do capital social mediante a incorporação de lucros praticamente equivale à distribuição de lucros, haja vista que tem como efeito prático o aumento do Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.868 35 patrimônio dos sócios. É como se houvesse distribuição de lucros e a sua imediata reaplicação na própria pessoa jurídica. Por isso, a lógica da isenção para o aumento de capital mediante incorporação de lucros é a mesma da isenção da distribuição de lucros, mostrandose incabível a pretensão da contribuinte, pois os lucros utilizados para aumento do capital foram apurados a partir de receitas contabilizadas pelo regime de competência – receitas estas que em grande parte ainda nem foram recebidas efetivamente – em total disparidade com a efetiva disponibilidade da empresa, cujos valores efetivamente recebidos eram significativamente inferiores ao lucro contábil apurado. Ante o exposto, entendo que está correto o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, devendo ser mantida a exigência do imposto de renda incidente sobre os valores recebidos pelo contribuinte a título de lucro distribuído excedentes ao lucro presumido no montante de R$ 3.352.546,07.” (grifei) A respeito do tema AC nº 2202003.018 da 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Sec do CARF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO COM APURAÇÃO DE RECEITAS PELO REGIME DE CAIXA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES EXCEDENTES AO LUCRO PRESUMIDO. INEXISTÊNCIA DE COMPARABILIDADE No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela dos lucros que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os tributos a que estiver sujeita a pessoa jurídica, sofrerá tributação, se a empresa não possuir escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que demonstre que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido. Uma vez que o critério de contabilização comercial é o regime de competência e seu lucro presumido foi apurado com base no regime de caixa, estamos diante de critérios distintos, alternativos, não simultâneos, não passíveis de serem comparados para o fim de avaliação do lucro a ser distribuído com isenção. Recurso negado. Urge registrar a incongruência dos critérios utilizados para determinação do lucro distribuído pela empresa (apurado por meio de escrituração contábil, utilizando o regime de competência) e para determinação do lucro que serviu de base de cálculo para os impostos e contribuições (apurado com reconhecimento de receitas pelo regime de caixa) é o que se apura no relatório fiscal (Fls. 1.403): Fl. 1889DF CARF MF 36 122. Verificase que, o fato da empresa manter escrituração contábil, na forma da legislação comercial, não a autoriza a distribuir seus lucros assim apurados com isenção, mas sim a segregar seus recebimentos pelo regime de caixa em conta específica, para fins de determinação exatamente desse eventual lucro passível de isenção na distribuição. 123. A empresa foi então intimada mediante TDF 033/2012, em seu item 04, a comprovar o atendimento §1o. do art. 85 da IN/SRF n. 247, de 2002, demonstrando a apuração de seu lucro pelo regime de caixa, com base em sua escrituração contábil apresentada. Como resposta, simplesmente alega que “... a empresa atende a todas as exigências compreendidas no conteúdo do art. 85 da IN/SRF n. 247 de 2002, especialmente em seu §1o.” 124. Em fato, não se observam nos Livros Diário e Razão apresentados, contas específicas nas quais sejam controlados os efetivos recebimentos de suas receitas, face o respectivo documento fiscal. A contabilidade está sim, estruturada apenas para as contas versadas ao regime de competência, não se prestando, portanto, a demonstrar que seu lucro efetivo é superior ao seu lucro presumido. Isto porque tal escrituração foi realizada exclusivamente com base no regime de competência, e seu lucro presumido foi apurado com base no regime de caixa. Critérios distintos, alternativos, não simultâneos, não passíveis de serem comparados para o fim de avaliação do lucro a ser distribuído com isenção. 125. A possibilidade de distribuição de lucros baseados em escrituração contábil, superiores à base do lucro presumido, pressupõe critérios idênticos para ambas as apurações, entendase mesmo montante de receitas como ponto de partida, para ambas as metodologias de determinação do lucro. Se as receitas de partida já são diferentes, como se comparar os resultados entre lucro presumido e escrituração contábil? 126. A própria intenção do art. 10 da Lei n. 9.249, de 1995 (reproduzido pelo inciso XXIX do art. 39 do RIR/99), ao prever isenção aos beneficiários na distribuição de lucros, era que, uma vez tais lucros decorrendo de receitas já tributadas na pessoa jurídica, não deveria haver nova tributação nos sócios, pessoas físicas ou jurídicas, beneficiários desses lucros na distribuição. O procedimento adotado pelo contribuinte fiscalizado é incompatível, pois utiliza dois regimes contábeis distintos, um mais favorável para a tributação e outro para a assegurar que os lucros distribuídos evidentemente sejam apurados com base em receitas que não serviram de base para apuração dos tributos devidos pela pessoa jurídica. Cabe destacar que a fiscalização destacou que embora se adote o regime de caixa para apuração do lucro presumido, a empresa fiscalizado não mantém contas específicas em sua contabilidade para controlar os valores efetivamente recebidos. O que em última instância revelaria também um descumprimento das obrigações contábeis. Como se pode perceber, as fundamentações e esclarecimentos constantes da decisão a quo foram claros e extenuantes quanto à matéria analisada nesse tópico, que Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.869 37 desnaturam as alegações do Recorrente e, por assim ser, passam a fundamentar este voto e nego provimento nesse tópico. Ganho de Capital – Incorporação de Ações Neste tópico, sustenta o Recorrente a inaplicabilidade do artigo 23 da Lei 9.249/1995 à incorporação de ações, pois apesar do § 1º do artigo 252 da Lei n° 6.404/1976 afirmar que a sociedade incorporadora das ações deve autorizar o aumento de capital, esta operação não deve ser confundida com a integralização de capital social a que alude o artigo 23 da Lei nº 9.249/1995. Alega que a decisão recorrida confunde o momento da ocorrência do fato gerador do ganho de capital com o momento em que o tributo deve ser recolhido. Aduz que não nega a ocorrência do fato gerador, mas sim a inocorrência de obrigação de recolhimento de imposto, diante da substituição (incorporação) de ações. Neste ponto, entendo não prosperarem as alegações do Recorrente, pois conforme se verá adiante, a operação de incorporação de ações consiste em espécie de alienação tributada pelo IR a título de Ganho de Capital. Vejamos. A operação sub judice se encontra pormenorizadamente no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1.411/1.426, cujos trechos primordiais se transcreve abaixo: “D GANHO DE CAPITAL Incorporação de ações da EVORA pela CSD Anocalendário 2010 Alienação em sentido amplo Valor das ações alienadas superior ao valor informado na declaração de bens Disponibilização jurídica/econômica e ganho patrimonial 185. Consta na DAA do contribuinte, anocalendário 2010, quadro Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva, valor de R$ 104.231.657,00 (cento e quatro milhões, duzentos e trinta e um mil, seiscentos e cinquenta e sete reais) consignado sob informação “DIFERENCA NA SUBSTITUICAO DE ACOES EVORA / CSD”. (...) 187. O contribuinte alega, portanto, ter havido uma mera substituição de ações da EVORA por ações da CSD. Ou seja, FRANCISCO cede o total das ações da EVORA, todas de sua titularidade, à CSD, tornandose aquela uma subsidiária integral desta. Em contrapartida, ou como se alega, “em substituição às ações cedidas”, a CSD entrega a FRANCISCO novas ações da companhia, integralizadas com as ações da EVORA cedidas. Tal operação ocorreu em fevereiro de 2010. Em momento posterior, julho de 2010, a CSD realiza a incorporação da EVORA, com a consequente extinção da empresa incorporada. (...) Fl. 1891DF CARF MF 38 Da incorporação de ações 190. Segundo descrito tanto por FRANCISCO quanto pela empresa CSD, face os documentos apresentados, temse que a operação realizada se caracteriza como uma incorporação de ações. 191. Essa operação é uma maneira de se transformar uma sociedade por ações em subsidiária integral de outra sociedade por ações, convertendoa em sociedade de um único sócio. 192. Nos termos do § 2o. do copiado art. 251, a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral de outra companhia brasileira, deve ser feita observandose o previsto no art. 252 da mesma Lei n. 6.404, de 1976: “Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 2º A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. § 4o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de incorporação de ações que envolvam companhia aberta. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” 193. Em resumo aos textos legais copiados, destacamse algumas das regras de conversão de uma sociedade em subsidiária integral de outra: a operação deve ser aprovada em AssembléiaGeral (AG) das duas companhias envolvidas; as duas AG deliberam com base em protocolo e justificação (documento que assenta as condições da operação, e o interesse das duas sociedades na celebração do negócio)52; Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.870 39 AG da incorporadora das ações deve autorizar o aumento de seu capital a ser realizado com as ações a serem incorporadas; nomear peritos para avaliálas e aprovar o laudo pericial53; AG da sociedade cujas ações serão incorporadas deve aprovar a operação por maioria das ações com direito a voto, autorizando a diretoria a subscrever o aumento de capital da incorporadora54; é dado o direito aos dissidentes de se retirarem da companhia que se tornará subsidiária integral, mediante o recebimento do valor de suas ações; os titulares das ações incorporadas recebem suas ações diretamente da incorporadora. 194. Resta claro que a incorporação de ações não se confunde com o instituto da incorporação de companhias. Em que pese a similaridade das denominações, os institutos produzem consequências jurídicas distintas e particulares, dentre as quais destacamse os efeitos sobre o patrimônio das empresas: na incorporação de sociedades, o patrimônio da sociedade incorporada passa a integrar o patrimônio da sociedade incorporadora, ao passo que, na incorporação de ações, não há extinção da empresa. Na incorporação de ações mudase a composição societária da subsidiária integral, mas sua personalidade jurídica, seus direitos e deveres e seu patrimônio mantêmse intactos. 195. Tratase de operação que propicia a concentração empresarial sem que se tenha de negociar a aquisição de participações societárias com cada um dos sócios. Realizase sob a condição de observar rito peculiar. Por subverter as regras usuais de integralização de capital e de alienação de ações, a incorporação de ações exige a manifestação de ambas as sociedades, que deliberam sobre a operação em respectivas Assembléias Gerais. Para os sócios que deliberam pelo aumento de capital, a decisão implica perda do direito de preferência na integralização; para os sócios que integralizam capital com suas ações, a decisão majoritária de autorizar a diretoria a transferilas implica a necessidade de cada um optar entre aderir à vontade social ou exercer seu direito de retirada. Os sócios perdem o poder de fixar o preço de suas ações individualmente, mas não são vítimas de negociação feita à sua revelia. O ingresso em uma sociedade acarreta a aceitação das regras vigentes que a regem, o que pressupõe acatar as decisões societárias regulares, tanto as dos seus administradores, no uso dos seus poderes de representação, como as resultantes de deliberação de sócios votantes em assembléias, as quais indubitavelmente influenciam no valor das ações. (...) 197. Para o caso concreto sob análise, a incorporada EVORA se constituía à época como sociedade unipessoal, sendo FRANCISCO seu único sócio. Sua vontade pessoal, majoritária pois que única na sociedade EVORA, se confunde com a própria deliberação da sociedade, embora pessoas distintas. Não se pode, assim, sequer aventar que a operação se realizou à margem da vontade de FRANCISCO, pois que este votou na AG, aprovou o Laudo de Avaliação, a Justificação da Incorporação, a incorporação das ações pela CSD, entregou suas ações da EVORA e recebeu as ações da Fl. 1893DF CARF MF 40 CSD. Na incorporadora CSD, passou a ser o acionista majoritário, com 49,9977% das ações. Eventualmente somadas sua participação à de sua mãe Deolinda Brioli Nogaroli, com 0,0023% das ações, lhes daria deter 50,00% do capital. Portanto, difícil sustentarse uma eventual tese de que a incorporação das ações foi realizada à revelia de vontade dos sócios, fruto apenas de negociação ocorrida entre empresas. Da incidência de imposto de renda na incorporação de ações 198. Do instituto da incorporação de ações acima descrito, temse claro que a operação realizada não pode ser entendida à luz de uma mera substituição sem efeitos tributários, de ações da CSD (à época denominada Companhia Sulamericana de Comercialização CSC), por ações da EVORA e do então Supermercados Cidade Canção (SCC). Isto porque a relação de troca utilizada baseouse no valor econômico das empresas cujas ações foram cedidas (ou valor de mercado, conforme citado na resposta do FRANCISCO ao TIF 017/2012). 199. De fato, e analisandose especificamente a parcela relativa a FRANCISCO, a CSD emitiu 110.857.657 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete) ações ao preço unitário de R$ 1,00 (um real), as quais foram integralizadas com 6.626.000 (seis milhões, seiscentos e vinte e seis mil) ações da EVORA, avaliadas, aceitas e recebidas pela CSD ao preço unitário aproximado de R$ 16,73 (dezesseis reais, e setenta e três centavos) por ação. O beneficiário desta operação foi FRANCISCO, ora fiscalizado, pois que cedente da titularidade das ações da EVORA, e recebedor da parcela de 110.857.657 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete) ações da CSD. 200. Destacase que o valor unitário de cada ação da EVORA em R$ 16,73 (dezesseis reais, e setenta e três centavos) utilizada na integralização das ações recebidas ou subscritas na CSD (valor esse aceito pelas partes como valor econômico, ou valor de mercado da empresa EVORA), era superior ao valor patrimonial das mesmas ações, apurado pela empresa de consultoria contratada em R$ 1,58 (um real e cinquenta e oito centavos) por ação. Essa diferença gerou um ágio56 na aquisição dessas ações, contabilizado pela CSD, com possibilidade de amortização nos termos da legislação aplicável, e redução dos efetivos tributos federais a serem eventualmente apurados. (...) 202. Portanto, contabilizando e apropriandose do ágio, a empresa CSD considerouse efetivamente onerada no valor de R$ 110.857.657,00 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete reais), relativamente às ações da EVORA. 203. Em movimento seguinte, FRANCISCO utiliza esse montante de R$ 110.857.657,00 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete reais) representativo das ações recebidas da CSD para, acrescido a R$ 215.000,00 (duzentos e quinze mil reais) em moeda corrente, integralizar à vista 111.072,657 (cento e onze mil, setenta e duas, seiscentos e cinquenta e sete milésimos) quotas do Fundo de Investimento em Participações DVA CNPJ 09.172.825/000168 (doravante FUNDO DVA), administrado pelo Banco Modal S.A. CNPJ Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.871 41 30.723.886/000162, com sede na cidade do Rio de Janeiro. Nos termos do Boletim de Subscrição de Cotas n. 01, apresentado por FRANCISCO57 e confirmado pelo Banco MODAL58, o valor unitário de cada quota se fazia em R$ 1.000,00 (um mil reais), totalizando um patrimônio em quotas, de titularidade de FRANCISCO, em R$ 111.072.657,00 (cento e onze milhões, setenta e dois mil, seiscentos e cinquenta e sete reais). 204. O mesmo FRANCISCO, em sua DAA anocalendário 2010, quadro Declaração de Bens e Diretos, informa possuir “COTAS NO FIP DVA CNPJ 09.172.825/000168”, situação em 31/12/2009 R$ 0,00 e situação em 31/12/2010 R$ 111.072.657,00 (cento e onze milhões, setenta e dois mil, seiscentos e cinquenta e sete reais). 205. Adicionalmente, temse o Livro Registro de Ações Nominativas n. 01 da CSD, consignando que FRANCISCO integralizou em 26/02/2010 quantidade de 110.857.657 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete) ações da CSD ao valor realizado de R$ 110.857.657,00 (cento e dez milhões, oitocentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e sete reais). Consta ainda, no mesmo Livro, à mesma data 26/02/2010, transferência do total dessas ações de FRANCISCO com aquisição por parte do FUNDO DVA.” Após transcrever pormenorizadamente a operação que deu fundamento ao lançamento sob o título de IR sob ganho de capital, passase a analisar e legislação tributária relacionada ao tema. Conforme determina o § 3º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88, incide imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente de operação de alienação a qualquer título, na forma adiante: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (...) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.” Pela leitura do dispositivo legal transcrito, se percebe que a legislação tributária dispôs da alienação em sentido lato, de qualquer título, bens, direitos, cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, vindo por nomear exemplos. No caso, facilmente se entende que a incorporação de ações da empresa Évora, de titularidade inicial do Recorrente, pela empresa CSD, tratouse perfeitamente de uma alienação para a empresa CSD, que, em seguida, extinguiu tais papéis, os substituindo por ações novas de sua emissão. Fl. 1895DF CARF MF 42 Edmar Oliveira Andrade Filho, in Imposto de de Renda das Empresas, São Paulo, Ed. Atlas, p. 461/462, considera que a incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo e posicionase favoravelmente a incidência de imposto de renda sobre ganho de capital quando a subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil: "No campo tributário, existem algumas controvérsias da eventual tributação do ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da "troca" de ações ou quotas nos casos de incorporação de ações regidas pelo artigo 252 da Lei n° 6.404/76. Sob a perspectiva daquele que realiza da "troca" das ações ou quotas, há substituição de investimento que pode acarretar ou não a apuração de ganho ou perda de capital; tudo fica a depender do valor a ser atribuído à operação, se maior ou menor que o valor contábil do investimento primitivo, que é substituído por outro. Esta operação pode ser qualificada como sendo passível de produzir uma alienação ou uma liquidação do investimento. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo; com efeito, o detentor das ações ou quotas as entrega sob a forma de conferencia de bens para subscrição de capital e recebe ações ou quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado e que passou a ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral. Todavia, não se pode olvidar que o fenômeno possui afinidade funcional com a liquidação de investimento por incorporação de sociedade nos termos do artigo 227 da Lei n° 6.404/76; de fato, o investimento na antiga sociedade (aquela que se tornou a subsidiária integral) deixa de existir em razão do cancelamento das antigas ações ou quotas que são substituídas por ações da controladora (única acionista ou quotista) da subsidiária integral. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil haverá apuração de ganho de capital tributável(..)" Este entendimento, aliás, é pacificado neste Egrégio CARF, conforme abaixo demonstrado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2010 GANHO DE CAPITAL. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. FATO GERADOR. MOMENTO. Na operação de incorporação de ações, a transferência das ações para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação em sentido Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.872 43 amplo. A diferença positiva entre o preço efetivo da operação e o respectivo custo de aquisição das ações constitui ganho de capital passível de tributação pelo imposto sobre a renda. Há efetiva realização de renda no momento em que a pessoa física recebe as novas participações emitidas pela companhia incorporadora, tornandose proprietário das ações.” (Ac. 2401 004.822. Segunda Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Rel. Miriam Denise Xavier Lazarini. Sessão: 11/05/2017) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2010 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. OCORRÊNCIA DE ALIENAÇÃO. EXISTÊNCIA. DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS. A operação de incorporação é uma subrogação, no patrimônio do acionista, das ações de uma empresa pelas ações de outra empresa. Tal operação, ao gerar benefício para o contribuinte por qualquer forma, atrai a incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, nos termos dos parágrafos 3º e 4º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88.” (Ac. 2201003.254. Segunda Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Rel. Miriam Denise Xavier Lazarini. Sessão: 12/07/2016) Acórdão 920200.663, da 2a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF, a saber: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA, IRPF Exercício: 2005, OPERAÇÂO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL. As operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens deve ser tributada como ganho de capital. Recurso especial provido. Diante do exposto, entendo por negar provimento ao recurso neste ponto. Acréscimo Patrimonial a Descoberto O Recorrente pleiteia a consideração, como origem, do valor de R$ 15.701,42, decorrente da variação do saldo negativo mantido no Banco Bradesco entre dezembro de 2009 e março de 2010. Afirma que, se o valor quanto requerido for considerado, Fl. 1897DF CARF MF 44 haverá alteração na suposta omissão de rendimento, pois neste mês o Fiscal apontou R$ 26.828,93 negativos. Quanto à alegação de existência de saldo no valor de R$ 285.706,96 no ano de 2009 e não utilizado no ano de 2010, sustenta que não é o fato de a informação ser prestada na DIRPF que faz com que determinado recurso possa ser utilizado no demonstrativo de fluxo de caixa, mas sim a existência do recurso disponível para gasto. Ainda, aduz que, ao contrário do que afirma a decisão recorrida, existe prova da efetividade das operações a ele vinculadas. Para tanto, basta checar que os recursos recebidos em Dezembro estão registrados como empréstimo ao Recorrente na contabilidade da empresa Évora, da qual era sócio, o que comprova a origem do recurso. Esclarece que aludido empréstimo foi pago, anos depois, como faz prova a questão 4 do PDF de fls. 557/560 e contrato de assunção de dívida juntados às fls. 324 e seguintes. Afirma que esses valores foram recebidos no final do ano de 2009, dias 18 e 28, respectivamente, sendo presumível que o Recorrente os tenha gasto no ano de 2010 e não no ano de 2009, como pretende fazer crer a fiscalização. Previamente à análise dos argumentos colocados pelo Recorrente, mister se faz trazer à baila a legislação tributária que trata da situação denominada “Acréscimo Patrimonial a Descoberto”. O § 1º do artigo 3º da Lei nº 7.713/88 dispõe sobre o conceito de rendimento bruto, na forma abaixo trazida: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados.” A modalidade de tributação ora tratada foi disposta, mais especificamente, no inciso XIII do artigo 55 e nos artigos 806 e 807 do RIR/99, conforme abaixo: “Art. 55. São também tributáveis: (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva;” “Origem dos Recursos Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.873 45 teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte.” Colocada a legislação competente, é imperioso colacionar a este voto, e adotar como razão de decidir, as fundamentações descritas na decisão de piso, diante da sua clareza e esgotamento do tema em análise, senão vejamos: “Desta feita, induzse que o levantamento de acréscimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de rendimentos omitidos legalmente estabelecida, diferentemente do que pensa o recorrente, cabendo à autoridade lançadora apenas desvelar o desequilíbrio entre as aplicações de recursos e os rendimentos declarados de diferentes naturezas. Nenhuma outra prova a lei exige da autoridade administrativa. Importa também enfatizar que tal presunção encontra explicação lógica no fato de que ninguém adquire um bem, empresta dinheiro ou paga alguém, ou seja, realiza uma aplicação de valor, sem que tenha recursos para isso ou os tome emprestado de terceiros. Assim, cabe ao impugnante concorrer para provar, de maneira robusta, a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão fiscal, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos a atestarem a não ocorrência do incremento patrimonial (ou mesmo, o decréscimo deste) ou a existência de origem suficiente a suportálo dentre rendimentos tributados de maneira exclusiva/definitiva, isentos ou nãotributáveis. Dito isto, passo a analisar os pontos especificamente solicitados pelo impugnante. a) Saldos negativos em contacorrente O contribuinte solicita que seja considerado como origem o saldo negativo mantido em conta do Banco Bradesco, no montante de R$100.367,52 em março de 2010, enquanto a Fiscalização considerou aquele verificado em 31/12/2009 (R$ 84.666,10), extraído da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. Apensa aos autos extrato bancário mensal à fl. 1651. Realmente consta do Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, no Campo b Dispêndios/aplicações item 10.2 linha referente a julho/2010 (mês da quitação), o saldo devedor mantido naquela instituição bancária no montante de R$ 84.666,10 (fl 1445). Porém, urge reproduzir as motivações que levaram o Autuante a considerar aquele montante naquela ocasião no fluxo. Senão vejamos: Quanto ao saldo devedor no Banco Bradesco Ag 3475 C/C 94, o contribuinte apresenta cópia de extrato bancário demonstrando depósito de R$ 85.000,00 realizado pela empresa ARGUS, em 21/07/2010 (ANEXO VI de sua resposta em atendimento ao TIF 009/2013), complementando: “Para fins de preenchimento do Fluxo foi considerado pelo Contribuinte que o saldo negativo do final de 2009 foi reposto em julho de 2010 e não em janeiro como havia sido considerado no Demonstrativo 008/2013.” Não havendo óbice ao alegado, face a documentação acostada pelo contribuinte, assumese, para fins de análise de sua evolução patrimonial, Fl. 1899DF CARF MF 46 que o saldo negativo no bando Bradesco, conta e agência indicados, foi efetivamente reposto em julho/2010, sendo nesse mês um dispêndio ou aplicação de recursos do contribuinte. Patente, portanto, que a consideração do saldo negativo em julho de 2010 como R$ 84.666,10 decorreu de atendimento a pleito formulado pelo próprio contribuinte, devidamente sustentado, não só pelo extrato bancário, como também pela prova de reposição deste débito em julho de 2010, via depósito realizado pela empresa ARGUS. Já em fase de impugnação, o contribuinte pretende desqualificar o Trabalho Fiscal lastreado em suas próprias alegações ao desamparo de qualquer comprovação de pagamento dos R$ 15.701,42 que pleiteia como origem. Digase de passagem que a consideração deste valor em julho de 2010 em nada alteraria a situação do contribuinte, visto que os acréscimos patrimoniais verificados ocorreram em meses anteriores (fevereiro e março de 2010). Logo, não encontro respaldo para mudanças no lançamento efetuado. b) Desconto simplificado Aduz o impugnante que o fiscal considerou como tributável o valor do desconto simplificado, criando ficção jurídica a descoberto de previsão legal. Alega que a verba citada não constitui desembolso efetivo, mas simples abatimento da base de cálculo. Nos termos do art 7º da Lei nº 9.250, de 1995, a pessoa física deverá apurar o saldo de imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário, mediante apresentação da Declaração de Ajuste Anual em modelo aprovado por este órgão. Atualmente se contempla dois modelos para cumprimento desta obrigação, a saber, modelo completo e modelo simplificado, este último lastreado na faculdade legalmente estabelecida pelo art 10 do mesmo diploma legal. “Art. 10. O contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que substituirá todas as deduções admitidas na legislação, correspondente à dedução de 20% (vinte por cento) do valor dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, independentemente do montante desses rendimentos, dispensadas a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie, limitada a: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007) ... Parágrafo único. O valor deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido. (Incluído pela Lei nº 11.482, de 2007)” Para dirimir dúvidas a respeito da correta natureza do desconto simplificado, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, ato que disciplina no art art 29, §1º, que o mencionado desconto substitui todas as deduções da base de cálculo e do imposto devido, previstas na legislação tributária, isto é, pensão alimentícia, despesa médica, dependentes, contribuição para previdência social e privada, instrução, livrocaixa, etc, diferindo destes gastos efetivos somente pelo fato de não exigir comprovação documental para sua fruição. Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.874 47 “Art. 15. A base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda na fonte é determinada mediante a dedução das seguintes parcelas do rendimento tributável: I as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; II a quantia equivalente a R$ 90,00 (noventa reais), por dependente; III as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; IV as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no Brasil e as contribuições para os Fapi, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, no caso de trabalhador com vínculo empregatício ou de administradores; V o valor de até R$ 900,00 (novecentos reais) correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade. Parágrafo único. Quando a fonte pagadora não for responsável pelo desconto das contribuições para as entidades de previdência privada e para os Fapi, os valores pagos a esse título podem ser considerados para fins de dedução da base de cálculo sujeita ao imposto mensal, desde que haja anuência da empresa e que o beneficiário lhe forneça o original do comprovante de pagamento. ... Declaração Anual Simplificada Art. 29. A pessoa física pode optar pela Declaração Simplificada, independentemente do montante dos rendimentos recebidos e da quantidade de fontes pagadoras. § 1º Essa opção implica a substituição de todas as deduções da base de cálculo e do imposto devido, previstas na legislação tributária, pelo desconto simplificado de vinte por cento do valor dos rendimentos tributáveis na declaração, limitado a R$ 8.000,00 (oito mil reais). § 2º O contribuinte que deseje compensar imposto pago no exterior ou resultado positivo com resultado negativo da atividade rural não pode optar pela Declaração Simplificada. § 3º O valor utilizado a título de desconto simplificado não justifica variação patrimonial. Base de Cálculo da Declaração Completa Fl. 1901DF CARF MF 48 Art. 30. A base de cálculo do imposto, na Declaração de Ajuste Anual, é a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos recebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; e II das seguintes deduções, conforme o caso: a) as previstas nos incisos I, III a V do art. 15; b) a quantia equivalente a R$ 1.080,00 (um mil e oitenta reais), por dependente, qualquer que seja o mês de início ou do término da relação de dependência durante o anocalendário; c) despesas com instrução (art. 39); d) despesas médicas (art. 43); e) despesas escrituradas em livro Caixa (art. 51). Parágrafo único. A dedução a que se refere o inciso IV do art. 15 desta Instrução Normativa fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos.” Ora, uma vez que o desconto simplificado toma lugar daquelas deduções legais, entendese porque não pode ser utilizado como origem de recurso para fins de justificar acréscimo patrimonial, pois se presume consumido pelo Legislador Ordinário, tais como as deduções em Declaração Completa, e se foram gastos, ainda que de maneira ficta, não representam rendimento disponível para incremento patrimonial. Este entendimento encontrase albergado por vasta jurisprudência emanada do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) exemplificada pela ementa abaixo: Nº Acórdão 9202002.95 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO PADRÃO Devem ser computados a título de despesa, nos fluxos de caixa mensais destinados a apurar o acréscimo patrimonial a descoberto, os descontos simplificados realizados pelo contribuinte, rateados linearmente de acordo com os meses de cada anocalendário. Recurso especial provido. Nº Acórdão 2801001.378 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO. Caracteriza o acréscimo patrimonial a descoberto o excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. O desconto simplificado ou padrão deve ser considerado como dispêndio ou consumo. Concluo não assistir razão ao interessado, portanto. c) Operações com ações e empréstimos Pedese a consideração do montante de R$ 285.706,96 como origem, tendo em vista o recebimento de valores da empresa Évora a título de empréstimo nas datas de 18 e 28/12/2009, no total de R$ 309.000,00. Entende que seria lógico presumir a existência de saldo remanescente disponível no início de 2010 pela proximidade de datas. Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.875 49 Ao que nos parece, pretende o contribuinte aproveitarse de saldo de caixa trazido de 2009, decorrente, segundo informa, do recebimento de R$ 309.000,00 da empresa ÉVORA diminuído do gasto de parte deste valor (R$ 23.293,04). Neste tocante, notase inexistir na Declaração de Ajuste Anual entregue pelo recorrente para o anocalendário de 2009 (fls 3133) qualquer menção ao recebimento de empréstimos concedidos pela empresa ÉVORA no valor e datas mencionados, tampouco registro de dinheiro em espécie. Decerto que tal registro isoladamente não atesta a materialidade de um fato econômico com repercussão tributária, porém, há que se esclarecer que a alegação de saldo em espécie decorrente do ano anterior, só poderia ser aceita se houvesse comprovação da existência do valor declarado, situação não verificada no caso em exame. Vide que sobre esta necessidade já havia alertado o Ente Fiscal (fl 1437). Em sua argumentação de contraponto ao Demonstrativo Preliminar 007/2013, o contribuinte acrescenta como saldo disponível em janeiro/2010, o saldo final apurado por ele mesmo ao final do anocalendário anterior 2009, em R$ 285.706,96. Assim se pronuncia em sua resposta ao item 13 do TIF 009/2013: “i Considerado o saldo final de caixa do anocalendário de 2009 no item 11 no Fluxo do Contribuinte;” Não se pode acatar tal pretensão. O saldo final resultante da análise de um fluxo financeiro, feito pelo interessado especialmente por ocasião do atendimento ao TIF 009/2013, somente poderia ser considerado no início do ano subseqüente se efetivamente comprovado como disponibilidade de recursos ao interessado. E assim não se tem no presente caso. Em fato, em sua DAA, anocalendário 2010, quadro Declaração de Bens e Direitos, nada consta relativamente a tal disponibilidade em espécie, de R$ 285.706,96 no início do período. As únicas disponibilidades de recursos trazidas do ano anterior, e assim passíveis de consideração no ano 2010, advêm de saldos de conta corrente bancária e aplicações financeiras, já consideradas. Portanto, na presente avaliação de fluxo financeiro relativo ao ano calendário 2010, não se acata o saldo do ano anterior 2009, conforme pretendido pelo contribuinte. Em igual sentido se manifestou o antigo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) em diversos julgados. “SALDO DE RENDIMENTO APURADO NO MÊS DE DEZEMBRO DO ANOCALENDÁRIO – O ônus de provar que o saldo de recursos apurado em dezembro do anobase foi mantido e transferido para janeiro do ano seguinte é do contribuinte. Inaceitável simples alegação de que por constarem no demonstrativo anexado aos autos deveriam ser transferidos para o ano posterior.” (2ª Câmara, Ac. 10242625, sessão de 08/01/1998) Fl. 1903DF CARF MF 50 “IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO Sendo o imposto de renda das pessoas físicas devido mensalmente, o saldo de recursos verificado num mês pode ser utilizado para comprovar acréscimos patrimoniais ocorridos em meses subseqüentes, dentro do mesmo ano calendário, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens e direitos e das dívidas e ônus reais. Contudo, os saldos remanescentes ao final de cada anobase, em decorrência da obrigatoriedade da apresentação da declaração anual de bens e direitos e de dívidas e ônus reais, somente se transferem para o anobase posterior, caso sejam incluídos na referida declaração e sua efetiva existência seja devidamente comprovada com documentação hábil e idônea.” (Acórdão 10246574, de 01/12/2004) “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. “DINHEIRO EM CAIXA”. Os valores declarados como “dinheiro em caixa” e outras rubricas semelhantes não servem para justificar acréscimos patrimoniais, salvo prova inconteste de sua existência no término do anocalendário. Recurso parcialmente provido.” (Acórdão 10249250, de 10/09/2008) Ainda que tratássemos a questão pelo ângulo do empréstimo, mesmo assim se mostraria desguarnecida a pretensão do interessado, por carecer de documentos que não deixassem margem à dúvida quanto à consistência das operações, ou seja, recebimento das quantias que afirma lhe terem sido emprestadas, como é o caso de transferências bancárias do numerário ou cópias de cheques emitidos e comprovadamente sacados ou creditados. Isto porque se está defronte de uma presunção legalmente estabelecida, restando invertido o ônus probatório contra o contribuinte. A comprovação de empréstimos tratase de matéria já extensamente examinada pelos tribunais administrativos e a jurisprudência firmouse mansa e pacificamente no sentido de não acolher as alegações de empréstimos não acompanhadas das provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário, com indicação de valor e data coincidentes. Abaixo seguem alguns acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO MÚTUO A contratação de empréstimo entre particulares despida de comprovação da transferência do correspondente numerário, ainda que constante das declarações de ajuste anuais dos contratantes apresentadas a destempo e após o início do procedimento de ofício, não constitui origem para eventuais aplicações, uma vez contrato unilateral que se perfaz com a tradição de seu objeto. (Acórdão 10245383 de 20/02/2002) “EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO MÚTUO A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor. (Acórdão 10613763 de 05/12/2003) Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.876 51 “EMPRÉSTIMO NÃO JUSTIFICADO – A justificação para o empréstimo deve basearse em outros meios, como a transferência de numerário, coincidente em datas e valores, não bastando a apresentação de nota promissória (Ac. 1º CC 10226.932/92 – DO 22/09/92). Segundo relatou o fiscalizado em resposta à intimação, a quantia de R$ 309.000,00 foi recebida em espécie (fl 187), restando patente o motivo pelo qual o ora recorrente não pode realizar a comprovação na extensão exigida pelo ordenamento e jurisprudência. Logo, entendo ser impossível acatar a alegação do interessado acerca do ingresso de recursos provenientes da mencionada disponibilidade de caixa decorrente de sobre de empréstimos.” Por entender suficientes e exaustivos em relação à matéria os fundamentos acima transcritos, que adoto como razão de decidir, neste ponto, nego provimento ao recurso. Pedido Superveniente Aplicação da Regra Isentiva do Artigo 72 da Lei nº 12.973/14 – Não Cabimento Em manifestação superveniente (fls. 1.830/1.837), juntada em 10/06/2015, o Recorrente sustenta a necessidade de aplicação, ao caso, de legislação superveniente, qual seja o artigo 72 da Lei nº 12.973/14, de 13/05/14, relativo à regra de isenção tributária aplicável aos lucros distribuídos no período de 01/01/2008 a 31/12/2013 pelas pessoas jurídicas apurados conforme a contabilidade societária no âmbito do Regime Tributário de Transição (RTT), a qual induz efeitos ensejadores do cancelamento da exigência fiscal ora tratada. Aduz que a aludida regra de isenção, bem como a IN RFB nº 1.397/13 (reguladora desta matéria em âmbito administrativo), se aplica às empresas sujeitas ao RTT, que é o caso da empresa da qual se originou o lucro (Évora), do ramo imobiliário, que apurava a receita de acordo com o regime de caixa – “recebimento”. Sustenta que o item 89 do Termo de Verificação Fiscal constata que a referida empresa apurou lucros nos anos calendários de 2009 e 2010, sendo que em 2009 houve opção pelo RTT e em 2010 esse regime era obrigatório. Destaca que a falta de evidenciação do ajuste do RTT nas obrigações acessórias não afasta a aplicação da regra de isenção ora invocada. Esclarece que, conforme dispõe o artigo 23 da IN nº 1.397/13, a empresa deve apurar o lucro contábil de acordo com as regras vigentes anteriormente à Lei nº 11.638/07, ou seja, pelo regime de caixa, promovendo o ajuste entre a receita reconhecida por este regime e o regime de competência. Firma que os artigos 27 e 28 da mesma norma tratam das regras de isenção na distribuição de lucros das empresas optantes do lucro presumido, enquanto o inciso II do artigo 27 prevê isenção para o lucro distribuído de acordo com o artigo 30 da IN nº 1.397/13, que remete a lucro contábil fiscal apurado de acordo com as regras anteriores a Lei nº 11.638/07, ou seja, pelo regime de caixa nas empresas imobiliárias (mesma regra do caput do artigo 23 da IN nº 1.397/2013). Assim, entende que o lucro apurado com base nas regras do regime de competência, ainda que superior ao lucro apurado com base no regime de caixa, é passível de distribuição com isenção de IRRF, em vista da aplicação da Fl. 1905DF CARF MF 52 regra de isenção o artigo 72 da Lei nº 12.973/14 e do artigo 28 da IN nº 1.397/213, que, no caso, foi utilizado para integralização em capital social. Apesar de combativas, entendo que não devem prosperar as alegações do Recorrente neste ponto, pois como já restou comprovado e decidido em tópico supra, a empresa Argus não somente distribuiu lucro em excesso, cuja isenção poderia ser analisada a partir do artigo 72 da Lei nº 12.973/13, mas adotou, nos períodos fiscalizados, ambos os regimes de caixa e de competência para determinar o lucro distribuído (competência) e o lucro oferecido à tributação (caixa), o que gerou infração à legislação tributária. Em síntese, foi apurado pela fiscalização que o Recorrente declarou ter recebido em 31/13/2009 dividendos na ordem de R$ 4.605.000,00 pagos pela P8 Participações Societárias Ltda., decorrentes de reversão de patrimônio ocorrida na sociedade Argus Empreendimentos Imobiliários Ltda., optante pelo lucro presumido no período de 2004 a 2010, por ter seu patrimônio representado por ativos a receber da atividade imobiliária que exercia. O regime de reconhecimento de receitas para fins tributários foi o de caixa (isento de controle individualizado – IN 247/02 , conforme já demonstrado), enquanto que, para fins de apuração e distribuição do lucro na contabilidade societária, a empresa adotou o regime de competência, em total infringência à legislação tributária. Cabe, neste ponto, por necessário, reescrever trechos do Termo de Verificação Fiscal (1.384/1.429) já trazidos alhures: “114. Portanto, ao optar pela tributação de suas receitas com base no regime de caixa, a empresa acabou por impactar a apuração de seu lucro com base na escrituração contábil, pois que ambos os elementos a serem comparados, para fins de distribuição de lucros isentos, deveriam ser passíveis de comparação, obtidos segundo as mesmas condicionantes ou, dito de outro modo, obtidos a partir das mesmas receitas tributadas. 115. Assim, não se pode permitir à empresa utilizarse dos dois regimes de escrituração e reconhecimento de receitas, competência e caixa, simultaneamente, cada um para justificar um fim específico que lhe seja mais favorável. Um para justificar recolhimento de tributos reduzidos, e outro para distribuir lucros isentos elevados. A comparação entre o lucro presumido e o lucro contábil deve guardar coerência. 116. Há, portanto, necessidade de que a demonstração da qual eventualmente resulte lucro superior ao apurado nos critérios de presunção, demonstração essa baseada na escrituração contábil, seja feita coerentemente à opção e ao regime de reconhecimento de receitas adotado pela empresa. Como a comparação deve ser feita a partir da base de cálculo do lucro presumido e esta no caso concreto, foi apurada com base no regime de caixa, não se pode admitir que a empresa utilize demonstrativos contábeis elaborados com base em receitas obtidas mediante regime de competência para demonstrar lucro superior, e assim justificar isenção na distribuição desses lucros aos sócios. 117. Isenção é também um aspecto tributário da movimentação patrimonial pelo lançamento contábil de distribuição (pagamento ou creditamento) de lucros. Portanto, não há como atribuir critérios diferentes para fatos tributários estritamente relacionados, como apuração de resultados e de tributos (realizado por regime de caixa) e isenção na distribuição de lucros (realizado por regime de competência). ... Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.877 53 125. A possibilidade de distribuição de lucros baseados em escrituração contábil, superiores à base do lucro presumido, pressupõe critérios idênticos para ambas as apurações, entendase mesmo montante de receitas como ponto de partida, para ambas as metodologias de determinação do lucro. Se as receitas de partida já são diferentes, como se comparar os resultados entre lucro presumido e escrituração contábil?” Ademais, por mais que se tentasse forçar a aplicação do dispositivo normativo trazido pelo Recorrente ao caso concreto, se vê que seus efeitos levariam à adoção dos mesmos critérios contábeis anteriormente adotados pelas pessoas jurídicas, e que, frisese, não teria o condão de auxiliar o Recorrente, diante do seu ato de adotar irregularmente REGIMES CONTÁBEIS distintos entre si para apurar rendimentos e lucros a distribuir, senão vejamos. Dispõe o artigo 72 da Lei nº 12.973/13 que: “Capítulo VI DAS DISPOSIÇÕES RELATIVAS AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO TRANSITÓRIO Art. 72. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados entre 1o de janeiro de 2008 e 31 de dezembro de 2013 pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, em valores superiores aos apurados com observância dos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do beneficiário, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliado no País ou no exterior.” A priori, podese enganar pela leitura afoita do dispositivo em questão e entender sêlo aplicável ao caso ora em análise. Ocorre que, após ser melhor analisado, se percebe que não se adequa ao caso, senão vejamos. A norma concede isenção a valores distribuídos a título de lucros ou dividendos em excesso ao que seria apurado sob o mesmo rótulo pela contabilidade fiscal, mas desde que os rendimentos que os proporcionaram tivessem sido apurados pelo mesmo regime contábil. Sobre a finalidade do artigo ora tratado, merece transcrição o entendimento do Professor Sérgio André Rocha, no seu artigo intitulado “Quem disse que a Lei não tem Palavras Inúteis? Uma Leitura do Artigo 72 da Lei n° 12.973/2014 e da IN no 1.492/2014” (Revista Dialética de Direito Tributário, n. 231, p. 101–110, dez., 2014): “4. A Ilegalidade do Artigo 28 da Instrução Normativa n° 1.397/2013 Nos primeiros parágrafos deste texto foi afirmada a inutilidade do artigo 72 da Lei n° 12.973/2013. Agora é o momento de explicar melhor o que se quis dizer. Ora, os artigos 16 da Lei n° 11.941/2009 e 10 da Lei n° 9.249/1995 já garantiam a possibilidade de distribuição de lucros e dividendos, calculados com base na contabilidade segundo os IFRS, sem que fosse necessária Fl. 1907DF CARF MF 54 qualquer regra explícita nesse sentido. Dessa forma, na origem, o artigo 72 não acrescenta nada ao que já dispunha o ordenamento jurídico em vigor.” “4.3. Poderia o artigo 72 da Lei n° 12.973/2014 ser considerado uma regra de isenção ou remissão? O item 70 da Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 627/2013 tratou do seu artigo 67, antecedente do artigo 72 da Lei n° 12.973/2014. Vejase abaixo sua redação: “70. Os arts. 67 a 69 trazem medidas relativas à aplicação do Regime Tributário de Tributação no período de 2008 até 2013. O art. 67 estabelece a isenção dos lucros ou dividendos distribuídos até a data da publicação desta Medida Provisória em valor excedente ao lucro apurado com base nos critérios contábeis vigentes em 2007.” (Destaque nosso) A regra prevista na Medida Provisória era distinta da prevista no artigo 72. Contudo, o que nos interessa e chama a atenção é a referência de que a regra em comento traria uma isenção. Embora a regra da irretroatividade, conforme prevista no artigo 150, III, “a”, da Constituição Federal, não afaste expressamente a instituição de isenções retroativas, limitandose a Constituição a prever uma regra de legalidade das desonerações fiscais (artigo 150, parágrafo 6°), parece que tal conceito seria incompatível com o Sistema Financeirotributário como um todo. Regra geral, segundo o artigo 105 do Código Tributário Nacional, “a legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116”. Notese que esta regra não faz referência expressa a normas tributárias impositivas, mas sim à legislação tributária. Portanto, salvo os casos previstos no artigo 106 do Código Tributário, a legislação tributária será sempre prospectiva e não retroativa. Além disso, e deixando as fronteiras do Código Tributário Nacional para entrar no território da Lei de Responsabilidade Fiscal, notase que a concessão de uma desoneração fiscal retroativa, na forma de isenção, muito dificilmente seria compatível com os requisitos previstos no artigo 14 da Lei Complementar no 101/2001 para a renúncia de receita por parte do Estado. Afastada a possibilidade de se considerar a regra prevista no artigo 72 da Lei no 12.973/2014 como uma regra de isenção, restaria analisarmos o seu enquadramento como uma regra de remissão, o que chegou a ser cogitado por representantes da Receita Federal em manifestações não oficiais. O Código Tributário Nacional trata da remissão no seu artigo 172, a seguir transcrito: “Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: I à situação econômica do sujeito passivo; Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.878 55 II ao erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato; III à diminuta importância do crédito tributário; IV a considerações de equidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso; V a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante. Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155.” Não é necessária uma leitura muito demorada deste dispositivo para concluirmos que o artigo 72 em comento não se amolda às situações para os quais o Código Tributário Nacional prevê a concessão de remissões. Tanto o tratamento como isenção quanto o tratamento como remissão do crédito tributário compartilham um mesmo defeito de origem: devem partir da premissa de que haveria (no caso da isenção) ou houve (no caso da remissão) a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda (das pessoas físicas e jurídicas) e também da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no caso das pessoas jurídicas, e que seria necessária uma regra para afastar os respectivos efeitos fiscais. Nada obstante, como visto acima, nenhum tributo havia a se isentar ou perdoar, sendo o artigo 72 da Lei n° 12.973/2014 uma decorrência da interpretação equivocada cristalizada pela Receita Federal na Instrução Normativa n° 1.397/2014 e a consequente necessidade de restauração da segurança jurídica perdida.” Pelo exposto, entendo que o artigo 72 da Lei nº 12.973/13 não é aplicável ao caso em análise, razão pela qual nego provimento ao recurso neste ponto. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira – Redator designado Em que pesem os argumentos bem fundamentados do ínclito Relator, ouso, com a devida vênia, dele discordar quanto à distribuição de lucros realizada. Fl. 1909DF CARF MF 56 Ressalto minha concordância quanto ao demais pontos do voto. O Conselheiro Relator assim descreveu a imputação fiscal: “Como se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal (1.384/1.429), a fiscalização apontou que a empresa Argus utilizou ambos os regimes de caixa e de competência para determinar o lucro distribuído (competência) e o lucro oferecido à tributação (caixa), conforme trechos do documento mencionado, abaixo transcritos: “114. Portanto, ao optar pela tributação de suas receitas com base no regime de caixa, a empresa acabou por impactar a apuração de seu lucro com base na escrituração contábil, pois que ambos os elementos a serem comparados, para fins de distribuição de lucros isentos, deveriam ser passíveis de comparação, obtidos segundo as mesmas condicionantes ou, dito de outro modo, obtidos a partir das mesmas receitas tributadas. 115. Assim, não se pode permitir à empresa utilizarse dos dois regimes de escrituração e reconhecimento de receitas, competência e caixa, simultaneamente, cada um para justificar um fim específico que lhe seja mais favorável. Um para justificar recolhimento de tributos reduzidos, e outro para distribuir lucros isentos elevados. A comparação entre o lucro presumido e o lucro contábil deve guardar coerência. 116. Há, portanto, necessidade de que a demonstração da qual eventualmente resulte lucro superior ao apurado nos critérios de presunção, demonstração essa baseada na escrituração contábil, seja feita coerentemente à opção e ao regime de reconhecimento de receitas adotado pela empresa. Como a comparação deve ser feita a partir da base de cálculo do lucro presumido e esta no caso concreto, foi apurada com base no regime de caixa, não se pode admitir que a empresa utilize demonstrativos contábeis elaborados com base em receitas obtidas mediante regime de competência para demonstrar lucro superior, e assim justificar isenção na distribuição desses lucros aos sócios.” Verifico que o cerne da questão, o motivo fundante do lançamento é que – segundo a autoridade lançadora – a empresa escriturava sua contabilidade pelo regime de competência e tributava sua renda pelo regime de caixa, permitido para sua atividade. Posta a situação fática, recordemos a legislação aplicável. O Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, explicita: Art. 654. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, não estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.879 57 Tal disposição regulamentar encontra seu fundamento de validade no artigo 10 da Lei nº 9.249/95. Recordemos sua redação: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Ora, claríssima a disposição da lei tributária: os lucros ou dividendos apurados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real ou presumido, não ficaram sujeitos ao imposto de renda do beneficiário pessoa física ou jurídica. Assim, resta verificar se há restrição na legislação tributária sobre o montante do lucro a ser distribuído. Vejamos as disposições da Instrução Normativa nº 1700/17 que recentemente consolidou as disposições sobre o tema, sem porém inoválo: Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. (…) § 9º O lucro presumido e o resultado presumido serão determinados pelo regime de competência ou de caixa. (…) Art. 238. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, observado o disposto no Capítulo III da Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 16 de setembro de 2013. § 1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderão ser pagos ou creditados sem incidência do IRRF: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuído do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no inciso I, desde que a empresa demonstre, com base em escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado. Fl. 1911DF CARF MF 58 § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder o valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto sobre a renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. (…) Art. 225. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; e III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica e os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I do caput não se aplica à pessoa jurídica que no decorrer do anocalendário mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. De todo o exposto, podemos inferir sem nenhuma dúvida que há permissivo legal para a distribuição de lucros ou dividendos da pessoa jurídica, qualquer que seja a base de sua tributação pelo IRPJ, desde que tais lucros sejam apurados com base em sua escrituração contábil e respeito as normas tributárias. Há expressa determinação da legislação no sentido que a distribuição de lucros ou dividendos das pessoas jurídicas que apurem o IRPJ devido com base no lucro presumido se dê com respeito ao limite dos valores de lucros obtidos como decorrência da presunção da lei, ou com base no lucro devidamente apurado com base na escrituração contábil, após os ajustes determinados pela lei tributária, consoante a disposição do artigo 238, II da novel IN RFB nº 1700, acima transcrito. Decerto que o limite para tal distribuição é a existência do lucro. Ora, se houve a devida escrituração contábil, e se houve o registro das receitas da empresa com base no regime de caixa, tendo o Fisco dúvida sobre o montante distribuído, deveria ele, Autoridade Lançadora, ter verificado se tal montante extrapolou o limite do lucro apurado e não simplesmente asseverar, como feito, que a apuração das receitas com base no regime de caixa é incompatível com a escrituração contábil com base no regime de competência. Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 10950.721026/201332 Acórdão n.º 2201003.677 S2C2T1 Fl. 1.880 59 Por ser matéria afeta a constituição do direito do Fisco ao crédito tributário, cabe à Autoridade Fiscal sua comprovação. Logo, por haver expressa legislação que permita ao Recorrente a apuração da tributação devida sobre suas receitas ser realizada com base no regime de caixa e a escrituração contábil, com consequente apuração do lucro, com base no regime de competência não se pode admitir o lançamento como realizado, restando comprovado o cumprimento da legislação pelo sujeito passivo e não tendo o Fisco comprovado a distribuição de lucro acima do montante permitido pela legislação. Conclusão Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores relativos ao lucro distribuído recebido pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Fl. 1913DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910861/2009-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/09/2003
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.864
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/09/2003 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2003 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 61 /2 00 9- 14 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11065.910861/200914 Acórdão n.º 9303004.864 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.159, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/09/2003 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/09/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11065.910861/200914 Acórdão n.º 9303004.864 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11065.910861/200914 Acórdão n.º 9303004.864 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11065.910861/200914 Acórdão n.º 9303004.864 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720927/2015-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º).
Numero da decisão: 2202-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.753,67.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.753,67. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 15.753,67. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 27 /2 01 5- 24 Fl. 107DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 42/47), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2013, ano calendário de 2012, em que, por falta de comprovação, foram glosados valores que somam R$ 36.252,95, indevidamente deduzidos a título de despesas médicas. As deduções glosadas estão assim identificadas na Notificação de Lançamento: · Petróleo Brasileiro S/A valor R$ 1.355,54; · Petróleo Brasileiro S/A valor R$ 2.583,64; · Sociedade Benef Israelita Bras valor glosado R$ 13.747,09 (valor declarado R$ 25.000,00 valor reembolsado R$ 11.252,91); · Sociedade Benef Israelita Bras valor R$ 2.600,00; · Clínica Paulista de Endocrinologia valor glosado R$ 8.321,00 (valor declarado R$ 10.000,00 valor reembolsado R$ 1.679,00); · Vicari Barros Serviços Médicos valor glosado R$ 2.496,30 (valor declarado R$ 3.000,00 valor reembolsado R$ 503,70); · Vicari Barros Serviços Médicos valor glosado R$ 1.664,22 (valor declarado R$ 2.000,00 valor reembolsado R$ 335,78); · GADP Serviços Médicos S/S Ltda valor glosado R$ 1.863,04 (valor declarado R$ 3.000,00 valor reembolsado R$ 1.136,96); · Gina Trozzi Malvar de Azevedo valor glosado R$ 1.622,12(valor declarado R$ 1.800,00 valor reembolsado R$ 177,88). Foi apresentada impugnação tempestiva e juntados documentos às fls. 07/20. A 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), julgou procedente em parte a impugnação, conforme acórdão de fls. 56/61, acolhendo os comprovantes apresentados às fls. 08 (Petróleo Brasileiro no valor de R$ 1.355,54); fls. 15 (Clínica Paulista de Endocrinologia e Urologia Ltda no valor de R$ 8.321,00); fls. 16 e 17 (Vicari Barros Serviços Médicos, nos valores de R$ 2.496,70 e R$ 1.664,22) e fls. 18 (GADP Serviços Médicos no valor de R$ 1.863,04). Mantidas as demais glosas, relativas a: 1) Petróleo Brasileiro S/A no valor de R$ 2.583,64, por falta de comprovação da despesa; Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10580.720927/201524 Acórdão n.º 2202003.920 S2C2T2 Fl. 108 3 2) Sociedade Beneficente Israelita BRHospital Albert Einstein, nos valores de R$ 13.747,09 e R$ 2.600,00, pelo fato das notas fiscais eletrônicas não estarem acompanhadas da fatura hospitalar que evidencie que os gastos incorridos se enquadram no conceito de despesas médicas; 3) Gina Trozzi Malvar de Azevedo, no valor de R$ 1.622,12, pois referese a despesa com instrumentação não contemplada na alínea "a", do inciso II, do art. 8º da Lei nº 9.250/1995. Cientificado dessa decisão por via postal em 14/05/2015 (A.R. de fls. 64), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 25/05/2015 (fls. 66/68), insurgindose contra a não aceitação das despesas médicas: a) pagas ao hospital Albert Einstein pois foram incorridas em função de cirurgia, comprovada pela nota fiscal nº 02823256; cópia de declaração do hospital, datada de 03/08/2012, de que Fábio Guimarães Anisio foi submetido a cirurgia no dia 28/07/2012, cujo custo foi de 25.000,00; cópia do sumário da alta hospitalar; do Relatório médico informando a realização da cirurgia; cópia do orçamento hospitalar e de declaração do médico de que a Sra. Regina Lucia Trancoso de Souza Anisio o acompanhou no hospital; b) com relação à despesa de R$ 2.600,00, paga ao mesmo hospital, afirma apresentar documento comprovando que se refere a anatomia patológica decorrente da biópsia a que foi submetido anteriormente à cirurgia, devendo ser aceita tal despesa; c) com relação à despesa de R$ 2.583,64, paga à Petróleo Brasileiro S/A, afirma não ter encontrado documento neste valor, mas sim no valor de R$ 1.906,58, que ora junta ao processo. Requer então a consideração da despesa no valor de R$ 1.906,58. Concordou com a glosa da despesa paga à Gina Trozzi Malvar de Azevedo e juntou documentos às fls. 70/100. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. A lide se restringe à não aceitação das despesas pagas ao hospital Albert Einstein, nos valores de R$ 25.000,00 e R$ 2.600,70 e à Petróleo Brasileiro, no valor de R$ 1.906,58, para os quais o recorrente apresenta documentos até então não trazidos aos autos, no intuito de comprovar as despesas médicas deduzidas e afastar as glosas imputadas. O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material e da Fl. 109DF CARF MF 4 instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que comprovam os argumentos expostos pela Contribuinte e servem para rebater a decisão de primeira instância. O documento às fls. 70, da Fundação Petrobras de Seguridade Social PETROS, contém a dedução de despesas médicas de R$ 1.906,58, portanto comprovada a despesa. O documento de fls. 78, do Hospital Israelita Albert Einstein, apresenta o prontuário do paciente Fabio Anisio, submetido a Prostatecmia Robótica em 28/07/2012, com a discriminação dos custos da internação que totalizaram R$ 25.000,00 e concedido desconto comercial de R$ 2.500,00, tendo pago pelo procedimento a quantia de R$ 22.500,00, o que se confirma pela NF nº 028232546, de fls. 75. Portanto, comprovada a despesa de R$ 22.500,00, deverá ser afastada a glosa no valor de R$ 11.247,09 (valor da despesa R$ 22.500,00 valor reembolsado R$ 11.252,91). Considerando que o valor glosado foi de R$ 13.747,09, mantém se a glosa de R$ 2.500,00. O documento de fls. 95, do Hospital Albert Einstein/Serviço de Apoio Diagnóstico, traz informação de que o valor de R$ 2.600,70 se refere a despesa de Anatomia Patológica decorrente de procedimento realizado em 10/07/2012, o que se confirma pela NF nº 02754345, de fls. 74. Portanto, comprovada a despesa. Como a glosa desta despesa foi de R$ 2.600,00, será este o valor a ser restabelecido como dedução. Assim, tenho como sanadas as faltas apontadas pela Autoridade julgadora, devendo ser aceitos os recibos comprobatórios das despesas nos limites de seus valores. Deste modo, com base nas provas apresentadas, há que se restabelecer a dedução a título de despesas médicas, no valor de R$ 15.753,67, mantendo a glosa de R$ 2.500,00. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa de despesas médicas no valor de R$ 15.753,67. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724541/2014-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010, 2011
DECISÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. LIMITES OBJETIVOS. OBSERVÂNCIA.
A decisão que julga, total ou parcialmente o mérito, tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida e, recoberta pelos efeitos da coisa julgada, torna-se imutável e indiscutível, considerando-se deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam ser opostas, tanto para o acolhimento quanto para a rejeição do pedido (arts. 502, 502 e 508 do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15), motivo pela qual, aliada à observância do princípio da unidade de jurisdição, a opção pela via judicial implica renúncia à discussão administrativa sobre as mesmas matérias deduzidas perante o Poder Judiciário, devendo a decisão lá proferida ser cumprida em seus exatos termos.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3401-003.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010, 2011 DECISÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. LIMITES OBJETIVOS. OBSERVÂNCIA. A decisão que julga, total ou parcialmente o mérito, tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida e, recoberta pelos efeitos da coisa julgada, torna-se imutável e indiscutível, considerando-se deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam ser opostas, tanto para o acolhimento quanto para a rejeição do pedido (arts. 502, 502 e 508 do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15), motivo pela qual, aliada à observância do princípio da unidade de jurisdição, a opção pela via judicial implica renúncia à discussão administrativa sobre as mesmas matérias deduzidas perante o Poder Judiciário, devendo a decisão lá proferida ser cumprida em seus exatos termos. Recurso de ofício negado.
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LIMITES OBJETIVOS. OBSERVÂNCIA. A decisão que julga, total ou parcialmente o mérito, tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida e, recoberta pelos efeitos da coisa julgada, tornase imutável e indiscutível, considerandose deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam ser opostas, tanto para o acolhimento quanto para a rejeição do pedido (arts. 502, 502 e 508 do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15), motivo pela qual, aliada à observância do princípio da unidade de jurisdição, a opção pela via judicial implica renúncia à discussão administrativa sobre as mesmas matérias deduzidas perante o Poder Judiciário, devendo a decisão lá proferida ser cumprida em seus exatos termos. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Rosaldo Trevisan – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 45 41 /2 01 4- 37Fl. 415DF CARF MF 2 Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de lançamento para exigência de PIS/Pasep e Cofins, devido à insuficiência de recolhimento, porquanto o contribuinte, instituição financeira, detentor de título judicial proferido no MS 2007.38.00.0123344/6ª VFMG/TRF 1ª Região, não ofereceu à tributação o conjunto das receitas típicas das atividades empresariais, mas tão somente as rendas de prestação de serviço, o que estaria em desacordo com a decisão judicial respectiva. Em impugnação o contribuinte contestou a conclusão da fiscalização, historiando as decisões prolatadas no mandamus em questão, asseverando que, tanto a RFB quanto a PFN, já se manifestaram sobre o real alcance do termo “faturamento” decidido naquela demanda, reconhecendo a sua limitação às receitas exclusivas de prestação de serviços, o que teria ocorrido, também, no exame do PA 10680.015417/200884, revisto de ofício e exonerado integralmente. Lastreada no Parecer PFN/MG/NAE nº 06/2014 e, por aplicação analógica, no Despacho Decisório nº 1.116/2014, da DRF BH, que promoveu a revisão de ofício do lançamento consubstanciado no PA 10680.015417/200884, a DRJ Rio de Janeiro/RJ acolheu a impugnação mediante decisório assim ementado: “AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial, em nome da interessada, quanto à mesma matéria objeto de auto de infração, implica aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário.” Desse julgado houve a remessa necessária prevista no art. 34 do Decreto nº 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 15504.724541/201437 Acórdão n.º 3401003.805 S3C4T1 Fl. 11 3 Tratandose de direito fundado em título judicial, cumpre à instância administrativa, por força do princípio da unidade de jurisdição, darlhe fiel cumprimento, nos exatos limites objetivos e subjetivos estabelecidos. A decisão judicial passada em julgado é norma individual e concreta, fazendo lei entre as partes, eis que já promovida a subsunção dos fatos às normas gerais e abstratas de regência, por órgão julgador dotado de jurisdição. Neste sentido, dispõem os arts. 502, 503 e 508 do Código de Processo Civil aprovado pela Lei nº 13.105/15, consoante os quais a decisão que julga, total ou parcialmente o mérito, tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida e, recoberta pelos efeitos da coisa julgada, tornase imutável e indiscutível, considerandose deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam ser opostas, tanto para o acolhimento quanto para a rejeição do pedido. Não sem razão, prevê a Súmula CARF nº 1 que “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Definidas as balizas deste julgamento administrativo passo à análise do conteúdo das principais decisões proferidas no MS 2007.38.00.123344/MG, no que tange à interpretação restrita, do termo "faturamento", exclusivamente às receitas das vendas de mercadorias e prestação de serviços, como pretende o recorrente. Tanto a petição inicial como a sentença prolatada abordam a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 sob o ponto de vista genérico, sem adentrar a especial natureza empresarial do impetrante, no caso, instituição financeira. No acórdão que julga a apelação interposta pela PFN, há menção a alegação nesse sentido, como se extrai do relatório de referida decisão (efl. 150): "A Fazenda Nacional, por sua vez, apela a pugnar pela denegação da segurança, ao argumento de que, no caso das instituições financeiras, o faturamento equivale à receita bruta, pois 'vai muito além do que a simples receita proveniente da cobrança de tarifas (...), abrangendo todo um universo de receitas típicas e características da atividade financeira, cuja tributação pelo PIS e pela COFINS permaneceria sendo válida e legítima, ainda que afastasse o art. 3º, § 1º da Lei 9.718/98'. Ao final, ad cautelam, requer a aplicação do prazo prescricional quinquenal nos termos do art. 3º da LC 118/2005, no tocante à compensação." (destacado) Como se nota, a questão foi levada ao conhecimento do Judiciário, todavia, o aresto prolatado a tratou de forma enviesada (efls. 157/158): "Quanto às alegações da União de que as instituições financeiras estão submetidas a específico critério do Fl. 417DF CARF MF 4 cálculo das contribuições conforme art. 31 da Lei nº 8.981/95 e Lei 9.701/98, não merece acatamento. É que tal matéria não é objeto dos autos. A submissão a essas normas não implica em denegação da ordem, já que a matéria atacada na presente ação é somente a ampliação da receita bruta operada pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Tanto assim que outros dispositivos da própria Lei nº 9.718/98 se aplicam às instituições financeiras e não foram atacadas nesta ação. (...) Ademais, na fiscalização dos valores compensados é que a Fazenda poderá/deverá impugnar eventual procedimento ou parcela indevidamente compensada, inclusive se a empresa incluir valores não abrangidos pela presente decisão." (destacado) Essas foram as menções, no curso do mandado de segurança, à especificidade da tributação das instituições financeiras. Entretanto, após o trânsito em julgado da ordem mandamental, considerando que havia depósito integral das quantias controversas e diante do requerimento de levantamento formulado pelo contribuinte, a questão foi novamente demandada pela Fazenda Nacional (efls. 335/340), desta feita, com manifestação expressa da autoridade judicial responsável pela medida liberatória, conforme despacho de efls. 343/345: (...) Fl. 418DF CARF MF Processo nº 15504.724541/201437 Acórdão n.º 3401003.805 S3C4T1 Fl. 12 5 (...) Portanto, a autoridade judicial responsável pela condução da liquidação da ordem mandamental expôs que, no caso específico julgado no MS 2007.38.00.0123344, a base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins consiste tãosomente na receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não alcançando a demais receitas típicas das atividades empresariais. Essa conclusão também vem estampada no já mencionado Parecer PFN/MG/NAE nº 06/2014 (efls 364 e ss), verbis: Fl. 419DF CARF MF 6 Nesta senda, tendo em conta que, à Procuradoria da Fazenda Nacional, compete a representação da União nas causas de natureza fiscal, além de desempenhar as Fl. 420DF CARF MF Processo nº 15504.724541/201437 Acórdão n.º 3401003.805 S3C4T1 Fl. 13 7 atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito no Ministério da Fazenda e seus órgãos autônomos, ex vi LC 73/93, bem assim de tudo mais o que consta dos autos, entendo acertada a decisão sob reexame, que deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Robson José Bayerl Fl. 421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.002135/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. IMÓVEL DESTINADO À PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Inexistindo animus domini da contribuinte em relação à imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento.
In casu, objetivando a mitigação dos impactos sócio-ambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, impõe-se o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente à aludido imóvel, conforme precedentes deste Colegiado, sobretudo quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, desde 2001.
Numero da decisão: 2401-004.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. IMÓVEL DESTINADO À PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Inexistindo animus domini da contribuinte em relação à imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento. In casu, objetivando a mitigação dos impactos sócio-ambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, impõe-se o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente à aludido imóvel, conforme precedentes deste Colegiado, sobretudo quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, desde 2001.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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IMÓVEL DESTINADO À PROGRAMA DE REASSENTAMENTO. AUSÊNCIA. ANIMUS DOMINI. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Inexistindo animus domini da contribuinte em relação à imóvel rural adquirido exclusivamente para implementação de Programa de Reassentamento. In casu, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, impõese o reconhecimento da ilegitimidade passiva da empresa para figurar no pólo passivo da obrigação tributária concernente à aludido imóvel, conforme precedentes deste Colegiado, sobretudo quando o conjunto probatório constante dos autos comprova que os pequenos proprietários rurais e agricultores já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, desde 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 21 35 /2 00 7- 93 Fl. 613DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 13161.002135/200793 Acórdão n.º 2401004.985 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CESP COMPANHIA ENERGÉTICA DE SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 04 17.672/2009, às efls. 581/586, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2003, conforme Auto de Infração, às efls. 254/257, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2007 (AR. fl. 251), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR . FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Terrítorial Rural: Imóvel Rural: NIRF 0.742.2172 REASSENTAMENTO RURAL DA FAZENDA SANTA ANA e NIRF 3.096.7511 REASSENTAMENTO RURAL DA FAZENDA MINEIRA; DITR (Declar. ITR): Exercício 2003; Declarante e Contribuinte: 60.933.603/000178 CESP COMPANHIA ENERGÉTICA DE SÃO PAULO. Conforme laudos técnicos apresentados, matrículas, mapas e anotações de responsabilidade técnica (ART), os dois referidos NIRF's (N o de Imóvel na Receita Federal) compõem, para fins do ITR, conforme legislação vigente, um único imóvel rural, pois as áreas dos dois NIRF's constituem uma área contínua de mesmo proprietário. Portanto, nos cálculos do presente Auto de Infração foram considerados em conjunto (somados), os valores declarados nas respectivas DITR's do citado exercício dos dois NIRF's. Também, de forma análoga, foram considerados em conjunto os valores apurados. Em complemento, deverão ser adotadas as seguintes providências: 1) cancelamento de um dos NIRF's (NIRF 3.096.7511) e das respectivas DITR"s; 2) atualização do outro NIRF, para fins de alteração da área total (NIRF 0.742.2172) e retificação das respectivas DITR's, com exceção das DITR's dos exercícios de 2003, 2004 e 2005 (objetos de lançamento de ofício).[...] Fl. 615DF CARF MF 4 Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 592/611, procurando demonstrar a total improcedência do Auto, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo tratar de área adquirida para que fosse implantado o reassentamento rural Fazenda Santa Ana e Mineira, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, ou seja, após a ocupação dos lotes pelos beneficiários o imóvel não mais se encontra em poder da Recorrente. Assevera que os poderes inerentes ao domínio não mais estão em poder da Recorrente, diante disto, se os poderes da propriedade não se encontram mais reunidos em suas mãos, os beneficiários, na condição de possuidor do imóvel, que é contribuinte tanto da obrigação acessória como da principal e não a CESP, nos termos do artigo 4” da Lei n° 9393/96, colacionando jurisprudência judicial e administrativa. Esclarece tratarse não de locação de áreas, mas sim de transferência definitiva dos lotes, para que os beneficiários levantem vantagens econômicas, o que a toda evidência difere totalmente do contrato de arrendamento, portanto não sendo legitima passiva da obrigação tributária. Insurgese quanto ao entendimento adotado pela DRJ da exigência de apresentação do ADA para exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e/ou de utilização limitada. Argumenta que os documentos acostados aos autos demonstram de forma cabal tratarse de área de preservação permanente, não estando apenas referida área descrita no ADA, o que a toda evidência não necessita de averbação tendo em vista que a determinação é legal e em relação a todas as propriedades. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 13161.002135/200793 Acórdão n.º 2401004.985 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Conforme se depreende da análise do Recurso Voluntário, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, primeiramente esclarecendo tratar de área adquirida para que fosse implantado o reassentamento rural Fazenda Santa Ana e Mineira, objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da UHE Eng. Sérgio Motta, ou seja, após a ocupação dos lotes pelos beneficiários o imóvel não mais se encontra em poder da Recorrente. Assevera que os poderes inerentes ao domínio não mais estão em poder da Recorrente, diante disto, se os poderes da propriedade não se encontram mais reunidos em suas mãos, os beneficiários, na condição de possuidor do imóvel, que é contribuinte tanto da obrigação acessória como da principal e não a CESP, nos termos do artigo 4” da Lei n° 9393/96, colacionando jurisprudência judicial e administrativa. Esclarece tratarse não de locação de áreas, mas sim de transferência definitiva dos lotes, para que os beneficiários levantem vantagens econômicas, o que a toda evidência difere totalmente do contrato de arrendamento, portanto não sendo legitima passiva da obrigação tributária. Como se observa, sinteticamente, a discussão travada nos presentes autos diz respeito à legitimidade passiva da contribuinte, relativamente ao imóvel rural em comento, em face do Programa de Reassentamento instituído pela autuada, com o fito de atender objetivando a mitigação dos impactos sócioambientais da Usina Hidrelétrica Eng. Sérgio Motta. De um lado, a contribuinte aduz que após a implantação do loteamento, procedeu a entrega dos lotes aos ribeirinhos, por meio do Termo Provisório de Entrega e Recebimento de Obra, e, desde então, os possuidores passaram a gozar e usufruir economicamente da respectiva área, como se proprietários fossem; portanto a responsabilidade por qualquer ônus tributário cabe exclusivamente aos possuidores, por serem detentores do poder econômico da propriedade; Em outra via, a ilustre autoridade lançadora entendeu que os documentos apresentados pela contribuinte comprovam que os imóveis com NIRF 07422172 e 30967511 compõem, para fins do ITR, um único imóvel, por se tratarem de área contínua de um mesmo proprietário, e, portanto, os valores declarados nas respectivas DITRs foram considerados em conjunto para apuração do imposto; sendo legitima passiva. Por sua vez, a Delegacia de Julgamento, o nobre relator do voto condutor do Acórdão recorrido acolheu a pretensão fiscal, entendo que enquanto não transferida a propriedade de partes do imóvel para cada um dos assentados, a situação do imóvel total não se enquadra nas definições de imunidade ou isenção. Após as breves considerações retro, passando à análise meritória, concluise que o pleito da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a Fl. 617DF CARF MF 6 reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Destarte, como a contribuinte vem defendendo desde o primeiro momento, o imóvel rural objeto do lançamento fora adquirido precipuamente para atender ao Programa de Reassentamento sob análise. A CESP em cumprimento ao estabelecido no EIA RIMA, adquiriu, respectivamente em 02/07/1997 e 04/01/2001 áreas de Terras totalizando 2.967,5236 hectares, localizadas no município de Anaurilândia MS, com as denominações especiais de Fazenda Santa Ana e Fazenda Mineira, visando a implantação do Projeto de Reassentamento Populacional Rural das aludidas Fazendas, com a conseqüente relocação das famílias classificadas como Beneficiárias do citado Projeto. Em suma, extraise dos elementos que instruem o processo, especialmente do Termo de Esclarecimento a Intimação Fiscal, dos diversos Termos Provisórios de Entrega e Recebimento de Obra e do protocolo junto ao INCRA, que a recorrente, de fato, adquiriu aludido imóvel rural visando tão somente atender ao Programa de Reassentamento retromencionado. Inexiste, à toda evidência, o animus domini da autuada em relação àquele imóvel, capaz de justificar a presente tributação, na forma que exigem os artigos 1º e 4º, da Lei nº 9.363/1996, in verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No mesmo sentido, prescreve o artigo 31 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Neste ponto, aliás, impende suscitar que os dispositivos retro, alternativamente, são por demais enfáticos ao estabelecerem que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, reforçando o entendimento de que, inobstante a autuada ser à época a proprietária do imóvel, não detinha o domínio útil, uma vez que os possuidores, a qualquer título, eram os reassentados, afastando, assim, sua legitimidade passiva. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com aqueles que defendem não caber à autoridade fiscal, discricionariamente, escolher o contribuinte a partir de sua propriedade (uma das hipóteses legais), afastandose dos elementos que comprovam a inexistência de seu domínio útil e, bem assim, a posse a qualquer título dos reassentados (duas das hipóteses legais). Dessa forma, estando as Fazendas Santa Ana e Mineira vinculadas, desde a sua aquisição, ao Programa de Reassentamento implementado pela contribuinte, em razão da Construção da Usina Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera), a recorrente assumiu a responsabilidade, de minimizar impactos causados à população ribeirinha, cujas terras foram alagadas pelo Reservatório da UHE supracitada, conforme.se comprova, na Licença de Operação, expedida em 01 de dezembro de 2000 pelo Ministério do Meio Ambiente Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA. Melhor elucidando, a contribuinte não dispôs do imóvel rural em debate para exercer outras atividades, senão a implementação do programa de reassentamento daqueles agricultores rurais. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 13161.002135/200793 Acórdão n.º 2401004.985 S2C4T1 Fl. 5 7 A propósito da matéria, dissertou com muita propriedade o ilustre Conselheiro relator do Acórdão nº 30334.793, exarado nos autos do processo nº 10935.001999/200530, com a mesma matéria fática, conforme se verifica da ementa e do excerto de suas alegações abaixo transcritas, as quais peço vênia para adotar como razões de decidir, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Terminal Rural – ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR/2002. ILEGALIDADE PASSIVA. EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO. FAZENDA LIASI. ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI. Não se formou a relação jurídicotributária entre a União e a autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento, previsto em Decreto Estadual (Decreto nº 1.658 de 14.03.1996), o que torna o imóvel inalienável, indisponível e não utilizável, a não ser para a única finalidade prevista no referido Decreto. [...] VOTO [...] No caso em estudo, há de ser analisada a responsabilidade da empresa Recorrente pelo débito tributário, relativa ao ITR/2002, que lhe é exigido no Auto de Infração de fls. 5665, uma vez que afastada, as demais questões travadas nos autos acabam por prejudicadas. Com efeito, dispõe a Lei nº 9.393/96 que rege a matéria: “Art. 1º O imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o possuidor a qualquer título”. Ainda, o art. 31 do CTN é taxativo e expresso ao considerar quem é o contribuinte do ITR: a) o proprietário do imóvel; ou. b) o titular do seu domínio; ou. c) o possuidor do imóvel a qualquer título. Assim sendo, da leitura dos artigos supra transcritos, concluise que o ITR poderá ser exigido de qualquer das pessoas que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Logo, a Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo de qualquer uma delas que se ache vinculada ao imóvel, não havendo determinado a referida legislação ordem de preferência quanto à responsabilidade pelo pagamento do imposto. Contudo, noticia a empresa Recorrente que a área em questão foi destinada para cumprimento do interesse social, Fl. 619DF CARF MF 8 para fins de desapropriação, com a finalidade de reassentamento, a área da Fazenda em questão. O art. 3º do referido decreto afirma que: “Fica reconhecida a necessidade de desapropriação das áreas descritas para reassentamento dos proprietários desapropriados e produtores rurais semterra da bacia de acumulação de águas da Usina Hidrelétrica de Santo Caxias, ficando autorizada a Companhia Paranaense de Energia – COPEL a promover a subdivisão dos imóveis ora declarados de interesse social e alienar as partes mediante autorga das competentes escrituras públicas.” Alega ainda que com a autorga da concessão pelo Poder concedente – União Federal, para estudos, implantação e exploração do potencial energético denominado Salto Caxias, no rio Iguaçu, contratou, por força da Lei 6.938/81, a elaboração dos Estudos de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental, culminando com o Projeto Básico Ambiental – PBA, o qual previu a implantação de diversos programas ambientais, entre os quais o Programa de Reassentamento, tudo devidamente aprovado pelo órgão licenciador estadual conforme Licença de Instalação nº 044/94IAP. Juntou aos autos três Escrituras Públicas de Desapropriação (fls. 1021), matrículas dos imóveis (fls.2240), Laudos Pericial (fls. 4754), cópia dos Decretos nº 1.658/96 e nº 2005/96 (fls.8893), Escrituras Públicas de Dação em Pagamento com encargos (fls. 94171) e cópia da Resolução nº 19 do INCRA (fls. 230231), que demonstram o assentamento de 26 famílias no terreno objeto do auto de infração. Desta feita, pela impossibilidade de se imputar animus domini à empresa autuada, já que o imóvel rural se encontrava afetado, desde sua aquisição, ao cumprimento do Programa de Reassentamento da Usina Hidrelétrica da Salto Caxias, em conformidade com o Decreto nº 1.658/96, não se pode enquadrar a Recorrente no pólo passivo da obrigação tributária de que trata o Auto de Fração em discussão. No mesmo sentido, envolvendo o mesmo Contribuinte, colaciono dentre outros dois julgados deste Terceiro conselho de Contribuintes: 30334.068 e 30334.083. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, afastando a exigência tributária em tela. [...] Outro não foi o entendimento levado a efeito nos autos do processo nº 10935.001992/200518, igualmente da mesma matéria fática, consoante se positiva do Acórdão nº 30334.781, com sua ementa e parte do voto abaixo transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL: ITR Exercício: 2001 ITR/2001. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESA GERADORA DE ENERGIA. ÁREA DESTINADA PARA REASSENTAMENTO. FAZENDA CENTENÁRIO. ÁREA DE INTERESSE SOCIAL REGULADA POR LEI. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13161.002135/200793 Acórdão n.º 2401004.985 S2C4T1 Fl. 6 9 Não se formou a relação jurídicotributária entre a União e a autuada, tendo em vista a aquisição de imóvel para cumprimento de Programa de Reassentamento, previsto em Decreto Estadual (Decreto nº 466 de 24.02.1995), o que torna o imóvel inalienável, indisponível e não utilizável, a não ser para única finalidade prevista no referido Decreto. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. [...] VOTO [...] Não se trata de haver ou não programa oficial de reassentamento, mas antes de haver ou não a possibilidade de ser a Recorrente incluída no pólo passivo da relação tributária ou não, nos termos do artigo 4º da Lei 9393/96 e do artigo 31 do CTN. Conforme constam dos autos, as terras eram afetadas ao reassentamento de famílias, que viviam em áreas desapropriadas para a construção de usina de energia, amparada no Decreto 466/95. As terras não forma expropriadas para uso da concessionária de serviço público, nem para sua exploração ou uso sob qualquer aspecto, tendo a mesma atuado no esteio do Decreto acima referido. Não houve, portanto, animus domini em relação a essa área. Corrobora essa afirmação o fato de que a Recorrente repassou prontamente os lotes a posses das famílias reassentadas, tendo gradativamente transferido sua propriedade, como comprovam as certidões de escrituras públicas anexadas aos autos. Em outras palavras, a área objeto do auto de infração em tela jamais foi de uso, fruição ou disponibilidade da Recorrente, estando sua propriedade muito próxima da União. Ora, somente a posse plena, sem subordinação, i.e., posse qualificada pelo animus domini, é que pode ensejar a incidência de ITR. Esse entendimento encontrase literalmente transcrito em publicações da SRF, dentre os quais o “Manual de Perguntas e Respostas do ITR” (vide pág. 21, pergunta 37, da edição de 2002). Restando claro que nunca houve animus domini por parte da Recorrente em relação a área ora discutida, não pode a mesma ser sujeito passivo da obrigação tributária aventada, de forma que VOTO no sentido de acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, cancelando, por conseguinte, o lançamento fiscal em questão.[...] A fazer prevalecer esse entendimento, mister citar, ainda, os Acórdãos nºs 30239.416, 30239.413, 30239.726, 30334.884, 30334.781, 30334.782, 30334.783, 303 34.793, 30334.794, 30334.795, 30334.796, 30333.394, 30333.395, 30333.396, 303 34.275 e 30334.070, contemplando matéria análoga. Fl. 621DF CARF MF 10 Não bastasse isso, o conjunto probatório constante dos autos oferece proteção ao pleito da contribuinte, porquanto comprova que desde 2001 os reassentados já se encontravam imitidos na posse do imóvel rural em epígrafe, ainda que precariamente, consoante se infere do Termo Provisório de Entrega e Recebimento de Obra formalizados em 04/06/2001. Na esteira desse raciocínio, além de prosperarem as argumentações da contribuinte quanto a ilegitimidade passiva, notadamente quando inexistente o animus domini do imóvel rural, não faria sentido que para um mesmo contribuinte, mesma matéria fática e provas, fosse adotado entendimento antagônico ao anteriormente proferido, impondo seja reformado o Acórdão recorrido, para excluir a empresa do pólo passivo da presente obrigação tributária, como restou devidamente demonstrado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 622DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721772/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2011 a 30/09/2011
Ementa:
PROCESSO JUDICIAL. ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA.
"Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula CARF nº 01)
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes, de fato ou de direito, seja por não possuir decisão judicial a seu favor ao tempo das compensações, seja pela realização da compensação antes do trânsito em julgado das ações judiciais.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-003.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso. Na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento integral ao recurso. Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Cecília Dutra Pillar - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2011 a 30/09/2011 Ementa: PROCESSO JUDICIAL. ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula CARF nº 01) COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes, de fato ou de direito, seja por não possuir decisão judicial a seu favor ao tempo das compensações, seja pela realização da compensação antes do trânsito em julgado das ações judiciais. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso. Na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento integral ao recurso. Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. (assinado digitalmente) Cecília Dutra Pillar - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
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ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula CARF nº 01) COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes, de fato ou de direito, seja por não possuir decisão judicial a seu favor ao tempo das compensações, seja pela realização da compensação antes do trânsito em julgado das ações judiciais. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 17 72 /2 01 2- 12 Fl. 2323DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso. Na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator) e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento integral ao recurso. Foi designada a Conselheira Cecília Dutra Pillar para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. (assinado digitalmente) Cecília Dutra Pillar Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração que glosou compensação declara em GFIP. Cientificada, a Contribuinte Impugnou o lançamento. Tendo a DRJ mantido o crédito tributário, e ainda insatisfeita, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 29/06/2012 foram lavrados os autos de infração: · DEBCAD nº 51.002.7342 (fls. 3/7), para constituir crédito tributário referente a Contribuição Social no valor de R$ 2.029.956,15, em função da glosa de Compensação Indevida declarada em GFIP; e · DEBCAD nº 51.002.7350 (fls. 8/11), para constituir crédito tributário referente a Multa Isolada qualificada no valor de R$ 3.044.934,23. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 14/18 e 2.254/2.259), · O crédito foi apurado em relação aos meses de fevereiro a setembro de 2011; Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 10865.721772/201212 Acórdão n.º 2202003.767 S2C2T2 Fl. 2.324 3 · Durante a fiscalização, a Contribuinte apresentou "'Memória de Cálculo' onde discrimina os valores compensados a título de 'Verbas de Natureza Indenizatórias/Compensatórias' distribuídos nas seguintes rubricas: Horas Extras, 1/3 de Férias, Gratificação Função Desempenhada, Gratificação Risco de Vida e Quinquênio, relativo a fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 11/2010." fl. 14 e 2.254; · Que a Contribuinte interpôs Mandado de Segurança perante a Justiça Federal em 03/05/2011, no processo judicial tombado sob o nº 00432871.2011.4.03.6109, visando suspender a exigibilidade dos créditos tributários referentes a: (1) os primeiros 15 dias de afastamento por auxíliodoença; (2) auxílio acidente; (3) aviso prévio indenizado; (4) 1/3 constitucional de férias; (5) férias indenizadas e gozadas; (6) auxíliocreche; (7) adicional noturno; (8) insalubridade e periculosidade; (9) salárioeducação; (10) abono anual e assiduidade; (11) vale transporte; · Que a Multa Isolada se deve à inclusão de informações falsas nas GFIP's, quais sejam, créditos que não dispunha, o que reduziu/suprimiu indevidamente contribuição previdenciária, devendo ser aplicada a regra do art. 89, §10, da Lei nº 8.212/1991; e · Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais. Intimada do lançamento em 02/07/2012 (fls. 3 e 8), a Contribuinte apresentou Impugnação com vasta transcrição e cópia integral de jurisprudência, entre outros documentos anexos (fls. 529/2.247). Levado a julgamento em sede de 1º grau, a DRJ proferiu o acórdão nº 14 43.123, de 17/07/2013, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2011 a 30/12/2011 COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. PRESSUPOSTOS. As contribuições sociais previdenciárias somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo. Fl. 2325DF CARF MF 4 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. MULTA ISOLADA. A compensação indevida, com falsidade na declaração, sujeita o contribuinte à multa isolada de 150%. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (RFFP). DEVER FUNCIONAL. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A emissão de RFFP constitui dever funcional das autoridades fiscais lançadoras, não cabendo, no julgamento administrativo, a apreciação do conteúdo dessa peça enviada às autoridades judiciais competentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão em 09/09/2013 (fl. 2.275), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 01/10/2013 (fls. 2.279/2.298 e docs. anexos fls. 2.299/2.318), argumentando, em síntese: · A necessidade do sobrestamento do processo, nos termos do art. 543 B do CPC/1973 e da Portaria CARF nº 001/2012, ante o reconhecimento da Repercussão Geral pelo STF do RE nº 593.068; e · Que as provas das alegações estão contidas nos anexos à Impugnação, a qual ratifica integralmente. Outrossim, a própria Recorrente resumiu bem os seus argumentos (fls. 2.281/2.282): "Desta forma, pretendese provar através deste "Recurso Voluntário" que: · Os créditos utilizados para compensação são legítimos, provenientes de recolhimento efetuados e recolhidos nas datas exigidas e, legislação conforme informações constantes das 'GFIPs'. · Os lançamento das compensações efetuadas constantes das 'GFIPs' informadas são fidedignos, não constituindo 'falsidade de declarações', que induzam a 'fraude ou sonegação'. · As compensações podem ser efetuadas 'administrativamente' sem anuência do 'judiciário' ou da 'RFB', a teor do 'art. 66 da Lei 8383/91' 'Art. 89 da Lei 8212/91' e 'art. 56 da Instrução Normativa RFB nº 1300/12'. · De acordo com as decisões judiciais elencadas neste recurso e na impugnação, comprovase que as compensações podem ser efetuadas 'administrativamente, sem a necessidade da aplicação do 'art. 170A do CTN', sem ter que aguardar o 'trânsito em julgado', no caso de impetração de 'Mandado de Segurança' ou quando inexistir ação judicial, a este não se aplica. Fl. 2326DF CARF MF Processo nº 10865.721772/201212 Acórdão n.º 2202003.767 S2C2T2 Fl. 2.325 5 · As verbas cujos créditos foram utilizados para compensação não incidem a contribuição previdenciária, conforme entendimento pacificado pelo 'STF Supremo Tribunal Federal', inclusive com 'Repercussão Geral RE nº 593.068' e 'STJ Superior Tribunal de Justiça' com 'Incidente de Uniformização Jurisprudencial', a teor do 'art. 201, §11 da CF/88'." É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Contudo, a verdade é que a questão de mérito a incidência ou não de Contribuições Previdenciárias sobre diversas rubricas, inclusive horas extras, férias indenizadas etc. está sendo discutida nos autos do processo judicial nº 0004328 71.2011.4.03.6109, conforme se extrai do Relatório Fiscal e da Impugnação (fl. 638/639). Nesse caminho, nos termos da Súmula CARF nº 01, é necessário registrar que houve renúncias às instâncias administrativas, não sendo possível conhecer dessa parte do Recurso Voluntário. Da multa isolada qualificada Argumenta a Contribuinte que não é possível qualificar a multa fez que as informações constantes das GFIP são fidedignas e que inexiste falsidade nas declarações, fraude nem sonegação. Como resumido no relatório, o lançamento da multa qualificada foi fundamentado assim: "Destarte, a aplicação da Multa Isolada decorre da entrega de GFIP pelo órgão, nos meses correspondentes, com informações falsas, no caso com inserção de créditos inexistentes. Com esta prática, o órgão deixou de recolher os valores devidos e de ter o crédito previdenciário constituído e inscrito em dívida ativa, uma vez que ao manipular a informação prestada usando o artigício de inserir crédito tributário que não possui, configurou valor devido à Previdência Social menor daquele que seria apurado, caso não tivesse inserido a informação de compensação. Assim, as informações/compensações declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP) resultaram em supressão/redução de contribuições previdenciária." fl. 2.256; Analisando o argumento constante na Impugnação, a DRJ manteve a qualificação argumentando que a compensação foi feita com créditos que a Contribuinte não possuía, vez que a Lei não havia sido declarada inconstitucional pelo STF em controle Fl. 2327DF CARF MF 6 concentrado, e a Contribuinte não dispunha de decisão transitada em julgado nem de decisão judicial autorizando a compensação. Com razão a Contribuinte. A verdade é que não restou suficientemente demonstrado o dolo da Contribuinte em sonegar ou fraudar o Fisco e nem há qualquer indício de conluio. Pelo contrário, a atuação da Recorrente parece ter sido "às claras", vez que apresentou todas as declarações, manejou processo judicial para ver resguardado o seu direito e, quando intimada, apresentou os cálculos que levaram ao crédito que acredita possuir. Se a compensação for indevida questão que hora não se analisa, em função da concomitância com o processo judicial , houve, no máximo, erro por parte da Contribuinte, ao interpretar equivocadamente a legislação. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, por dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheira Cecilia Dutra Pillar, redatora designada. Multa Isolada Peço licença para divergir do ilustre relator com relação à aplicação da multa isolada de 150%, percentual estipulado por expressa disposição legal que não se trata de multa qualificada. O contribuinte realizou compensações consideradas indevidas, relativas a recolhimentos sobre verbas que, pela legislação vigente, integram o salário de contribuição. Entre os valores compensados, encontramse verbas pleiteadas em ação judicial sem trânsito em julgado e verbas compensadas por liberalidade, não discutidas judicialmente. Segundo o Relatório Fiscal o sujeito passivo interpôs Mandado de Segurança nº 000432871.2011.4.03.6109 visando suspender a exigibilidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre: os 15 primeiros dias de afastamento por auxíliodoença, auxílio acidente, aviso prévio indenizado, 1/3 constitucional de férias, férias indenizadas e gozadas, auxílio creche, adicional noturno, insalubridade e periculosidade, salário educação, abono anual e assiduidade e vale transporte, obtendo provimento por medida liminar, determinando a suspensão da exigibilidade das rubricas: 15 primeiros dias de afastamento, aviso prévio indenizado, 1/3 de Férias, auxílio creche, vale transporte e férias não gozadas e indenizadas. As verbas "indenizatórias" que o contribuinte informou em memória de cálculo ter utilizado como crédito de contribuições previdenciárias, foram horas extras, 1/3 de Férias, Gratificação Função Desempenhada, Gratificação Risco de Vida e Quinquênio, relativos a Fl. 2328DF CARF MF Processo nº 10865.721772/201212 Acórdão n.º 2202003.767 S2C2T2 Fl. 2.326 7 fatos geradores do período de 01/2006 a 11/2010. Portanto compensouse de valores discutidos judicialmente e ainda sem trânsito e julgado e de contribuições incidentes sobre rubricas não discutidas no judiciário que, pela legislação vigente, integram o salário de contribuição previdenciário. Relativamente à aplicação da multa isolada de 150%, a Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, assim dispõe: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ... § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Da leitura destes dispositivos, não resta dúvida no sentido de que a constatação da falsidade da declaração é suficiente para a aplicação da multa isolada de 150%, sem a necessidade de comprovação de existência de dolo, ou qualquer uma das figuras penais descritas no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. A multa de 150% é cabível não apenas em função da compensação indevida mas pela declaração falsa do contribuinte de possuir créditos em seu favor. Nesse passo, a compensação de créditos tributários inexistentes caracterizaria a falsidade requerida no dispositivo legal acima transcrito, restando perquirir, no presente caso, qual foi a situação que ensejou a glosa das compensações. O Relatório Fiscal fornece os fundamentos para a multa, descrevendo: Fl. 2329DF CARF MF 8 Tais compensações foram indevidas porquanto a Lei não prevê a compensação de valores que estão em discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, muito menos antes de obter decisão favorável. Assim sendo, as importâncias utilizadas como crédito pelo contribuinte não gozavam do pressuposto de liquidez e certeza, levando à conclusão de que este contribuinte compensouse de créditos inexistentes. Por pertinente, transcrevo trecho do voto vencedor da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido no Acórdão nº 9202004.341, em julgamento na Câmara Superior deste Conselho (sessão de 24/08/2016), sobre a aplicação da multa ora examinada: Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. ... Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: "Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Fl. 2330DF CARF MF Processo nº 10865.721772/201212 Acórdão n.º 2202003.767 S2C2T2 Fl. 2.327 9 Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal." ... Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996. ... De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. (sem grifos no original.) Deste modo, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, com relação à multa isolada, considerando que a informação em GFIP de compensações realizadas, sem que o contribuinte encontrese exercendo direito líquido e certo, leva sim, a uma declaração falsa, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. A meu ver, restando evidenciado que a declaração em GFIP se revelou falsa, está configurada a situação prevista na Lei para a aplicação da penalidade de 150%. Fl. 2331DF CARF MF 10 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Fl. 2332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.727012/2013-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto.
A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa e, não o fazendo, o contribuinte fica sujeito à glosa da dedução.
Numero da decisão: 2202-003.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 157 1 156 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.727012/201373 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.927 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2017 Matéria IRPF Despesas Médicas Recorrente JOEL SANTOS LESSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto. A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa e, não o fazendo, o contribuinte fica sujeito à glosa da dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 70 12 /2 01 3- 73 Fl. 157DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 33/41), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2009, ano calendário de 2008, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas pagas a: · Bradesco Saúde S/A, no valor de R$ 6.070,00, por falta de comprovação; · Marcelle Ornelas Lemos, no valor de R$ 6.400,00, porque os recibos apresentados não preenchem as formalidades legais (falta o endereço da profissional, falta a identificação do beneficiário dos serviços e o período do tratamento) e porque, intimado, o contribuinte não comprovou o efetivo desembolso que afirma ter realizado em espécie, mediante apresentação de extrato bancário que comprovasse os saques dos valores envolvidos, coincidentes em datas e valores; · Andressa Barbosa B Oliveira, no valor de R$ 4.200,00, porque os recibos apresentados não preenchem as formalidades legais (falta o endereço da profissional, falta a identificação do beneficiário dos serviços e o período do tratamento) e porque, intimado, o contribuinte não comprovou o efetivo desembolso que afirma ter realizado em espécie, mediante apresentação de extrato bancário que comprovasse os saques dos valores envolvidos, coincidentes em datas e valores; Foi também objeto de glosa a compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 385,90 e de Carnê Leão e Imposto Suplementar de R$ 347,44. A impugnação tempestiva e parcial apresentada, resumiuse aos comprovantes de despesas médicas da profissionais Marcelle Ornelas Lemos, psicóloga e Andressa Barbosa Borba de Oliveira, fisioterapeuta, discorrendo o contribuinte que apesar da idoneidade dos recibos, buscou declarações das próprias profissionais no sentido de confirmarem seu endereço, quais os serviços realizados e também que as receitas foram oferecidas à tributação em suas declarações de ajuste do Imposto de Renda Pessoa Física. A 21ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 138/144, Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10530.727012/201373 Acórdão n.º 2202003.927 S2C2T2 Fl. 158 3 mantendo a glosa das despesas médicas, com base no art. 73 do RIR/1999, haja vista que o contribuinte, instado a comprovar o efetivo desembolso dos valores pagos, não apresentou qualquer documento neste sentido, sejam extratos bancários identificando saques em datas e valores coincidentes com os pagamentos, transferências bancárias ou cheques nominativos às profissionais, se fosse o caso. Acrescenta, ainda, que o fato das profissionais informarem que os valores do recibos emitidos foram incluídos nos rendimentos declarados ao fisco, não exime o contribuinte de comprovar por documentos hábeis, a origem dos recursos utilizados para os pagamentos. Cientificado pessoalmente dessa decisão em 12/11/2014, (Doc. de fls. 147), o interessado, inconformado, apresentou Recurso Voluntário em 11/12/2014 (fls. 149/153), reafirmando os argumentos da impugnação, reportando julgamentos do CARF que aceitaram apenas os recibos como comprovação das despesas médicas e alegando que, nos termos do art. 333 do CPC, o ônus da prova incumbe ao autor, no caso ao fisco, que tinha a seu dispor as declarações das prestadoras de serviços com possibilidade de realizar diligências a fim dirimir suas dúvidas. Requer, ao final, o cancelamento da notificação fiscal. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação pela Autoridade Fiscal, de recibos e declarações de despesas médicas desacompanhados da comprovação do efetivo desembolso dos valores pagos pelo declarante. O recorrente afirma ter realizado os pagamentos das despesas médicas em espécie. Os documentos juntados ao recurso não lhe socorrem pois não comprovam a realização de saques ou outra origem do dinheiro que o declarante afirma ter utilizado para efetuar os pagamentos das despesas médicas em apreço. Não foram apresentados extratos bancários do ano de 2008 com identificação de saques que pudessem ter sido utilizados para tais pagamentos ou outro documento que comprovasse a realização de negócio com o recebimento em espécie. A declaração das profissionais, anexadas às fls. 07 e 09, supriram a falta do endereço nos recibos e comprovam que o paciente seria o próprio contribuinte. O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das características regradas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda, salvo, quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do citado Decreto. Assim, nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal Fl. 159DF CARF MF 4 assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcritos: DecretoLei nº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). No caso em apreço o declarante foi intimado a comprovar a origem do dinheiro que afirma ter utilizado para pagar as despesas médicas realizadas em 2008 (saques bancários ou outras origens) e nada prova. O ônus da prova é do contribuinte. É a legislação que estabelece que todas as deduções estão sujeitas a comprovação. Não é a RFB quem deve suprir a falha do interessado. As declarações apresentadas pelas profissionais que lhe prestaram serviços de saúde, confirmando os serviços e reconhecendo as receitas, não se prestam a comprovar a origem dos recursos utilizados pela fonte pagadora, no caso o Sr. Joel. Assim, pela falta de efetividade da comprovação da despesa, nos termos estabelecidos na Intimação Fiscal, entendo que deva ser mantida a glosa efetuada. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.002067/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.665
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora
EDITADO EM: 06/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, Luís Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Andrea Brose Adolfo.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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(assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora EDITADO EM: 06/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, Luís Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Andrea Brose Adolfo. Em 17/03/2008 foi lavrado o Auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física (efls. 7 e ss) contra o contribuinte acima identificado referente a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada anocalendário 2004,no valor de R$ 223.006,81 (imposto), acrescido de multa de 75% e juros moratórios, totalizando R$ 477.524,47. Apresentada impugnação, a mesma foi julgada improcedente e o crédito tributário mantido nos termos do Acórdão nº1131.636 (efls. 194 e ss) da DRJ/CGE. Cientificado da decisão, apresentou Recurso Voluntário (efls. 208 e ss) alegando, em preliminar, a nulidade da autuação por falta de autorização judicial para quebra RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 10 .0 02 06 7/ 20 08 -7 6 Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10410.002067/200876 Resolução nº 2301000.665 S2C3T1 Fl. 3 2 de sigilo bancário, e, no mérito, repisando as informações da impugnação de que os depósitos são originários de atividade comercial de pessoa jurídica (firma individual) com as empresas do Grupo João Lira. O recorrente também alega que a conta corrente era de titularidade conjunta com a Sra. Maria F.B. da Silva, fato que pode ser comprovado pelo extrato da conta corrente no Banco do Brasil, ag. 11371 conta 11.2291, (efl. 48), bem como no acórdão recorrido, verbis: Dos Depósitos de Origem Não Comprovada Discutese nos presentes autos o lançamento por omissão de rendimentos provenientes de valores depositados em contas correntes bancárias, no anocalendário de 2004, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foram comprovadas, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado pela fiscalização Argumenta o Impugnante que a sua empresa, a firma individual REGINALDO BATISTA DA SILVA era prestadora de serviços do Grupo João Lira (Laginha Agro Industrial S/A), recebendo várias faturas, demonstrando, assim, a origem das entradas de dinheiro em suas contas correntes, principalmente a que se refere ao Banco Rural S/A. Também afirma que, apesar de as NF estarem em nome da empresa do Autuado, era costume receber pagamentos em nome da pessoa física. Sem razão o Impugnante, uma vez que, segundo o conteúdo do Termo de Intimação Fiscal, à fl 94, dos autos, os créditos efetuados na conta corrente do contribuinte não são oriundos de atividade comercial, segundo documentos constantes na base de dados da RFB. Ademais, a conta corrente é conjunta, tendo como segunda titular a Sra. Maria F B Silva, sendo, não utilizada, também para receber depósitos oriundos de atividade comercial. Não conseguindo o Contribuinte se desvencilhar de seu ônus probatório, não há como acatar as suas alegações defensórias. Com relação à conta corrente no Banco Rural, apesar de o recorrente alegar em recurso que a conta seria conjunta, não consta nenhum documento comprobatório nos autos. Assim, necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal autuante informe se: a) a cotitular da conta corrente nº 11.2291 Agência nº 1.1371 Banco do Brasil Sra. Maria F.B. Silva foi intimada para comprovar a movimentação bancária previamente ao lançamento, nos termos da Súmula CARF nº 29; b) a conta corrente nº 88.0016632, agência nº 0035 Banco Rural era de titularidade exclusiva do recorrente; c) a Sra. Maria F.B. Silva apresentou Declaração de Ajuste IRPF referente ao Exercício 2005, Anocalendário 2004 em separado do recorrente. Após, dêse ciência ao interessado e prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10410.002067/200876 Resolução nº 2301000.665 S2C3T1 Fl. 4 3 É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 245DF CARF MF
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