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Numero do processo: 10880.684088/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Ano-calendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. 0 contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que pleiteado dentro do prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário e faça prova de possuir crédito liquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. COMPENSAÇÃO. Não se conhece do pedido de restituição formulado após a ciência do Despacho Decisório, cujo crédito não se refere ao analisado no presente processo.
Numero da decisão: 1301-000.907
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. 0 contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que pleiteado dentro do prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário e faça prova de possuir crédito liquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. COMPENSAÇÃO. Não se conhece do pedido de restituição formulado após a ciência do Despacho Decisório, cujo crédito não se refere ao analisado no presente processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.684088/200941 Acórdão n.º 1301000.907 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório A Interessada transmitiu PER/DCOMPs em que apontados crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ (SNIRPJ), relativo ao anocalendário de 2004, no montante de R$ 7.792.671,48. Os PER/DCOMP sob análise são os de n° 11710.54600.270809.1.7.021257 (este com detalhamento do crédito; fls. 01 a 04), 28083.62239.280809.1.7.027089 (fls. 05 a 06), e 18996.58170.280809.1.7.027560 (fls. 07 a 08). Foi emitido, em 23/10/2009, Despacho Decisório (fls. 10 e 11), NÃO HOMOLOGANDO a compensação declarada nos PER/DCOMP acima referidos, visto ter se verificado que o valor original do SNIRPJ AC 2004 informado no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito foi R$ 7.792.671,48, enquanto que na DIPJ foi informado IRPJ devido de R$ 34.160.866,07, enquanto que a parcela do crédito confirmada somou R$ 7.792.671,48, tendo sido apurado saldo negativo disponível de zero. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 05/11/2009 (fl. 13), e dele recorreu a DRJ/SPOI, em 04/12/2009 (fls. 14 a 25), por meio de procurador (fls. 25 a 40), nos seguintes termos, resumidamente. I — Dos Fatos O processo referese a pedidos de compensação que utilizaram SNIRPJ AC/2004. No despacho decisório, referido crédito não foi homologado. 0 valor do crédito original monta em R$ 7.792.671,48, e foi compensado nos PER/DCOMP 11710.54600.270809.1.7.021257, 28083.62239.280809.1.7.027089 e 18996.58170.280809.1.7.027560, e o saldo remanescente foi objeto de pedido de restituição n° 00838.21775.251109.1.2.020640 (Doc. 3). A fiscalização não homologou o crédito de IRPJ, pois a Requerente deixou de informar no PER/DCOMP a totalidade dos recolhimentos e compensações que compuseram o SNIRPJ AC/2004, informando apenas o imposto de renda retido (IRRF). Comprovará que essas alegações não procedem e, por isso, esses PER/DCOMP devem ser homologados. II — Do Saldo Negativo de IRPJ do AC/2004 No despacho decisório ficou evidente que a fiscalização confirmou o IRRF de R$ 7.792.671,49, restando comprovar apenas o IRPJ Mensal Pago por Estimativa, que foi efetuado por meio de recolhimentos e compensações. O IR devido no AC/2004 foi de R$ 34.160.866,07, sendo que o IRRF somou R$ 7.792.671,48 e o IRPJ pago por Estimativa monta R$ 34.160.866,07. Referidos valores foram informados na Ficha 12 da DIPJ (Doc. 4) e geraram SNIRPJ, AC/2004 de R$ 7.792.671,48, conforme demonstrado no quadro abaixo: (...). 0 IRPJ Mensal Pago por Estimativa foi composto por recolhimentos e compensações (Doc. 5), conforme demonstrado no quadro abaixo, e que conferem com a DCTF (Doc. 6). (...). Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Ressaltese que as compensações acima demonstradas foram analisadas no PA 10880.939473/200931, tendo sido homologadas a totalidade das compensações relacionadas ao IRPJ do AC/2004 (Doc. 7). Assim, concluise que o SNIRPJ, AC/2004 monta em R$ 7.792.671,48, devidamente comprovado. III — Crédito Complementar de IRPJ do AC/2004 Adicionalmente, a Requerente compensou por meio do PER/DCOMP n° 06386.64315.301204.1.3.022727 débitos de IRPJ do AC/2004 que não existem. Ressaltese que os referidos débitos de IRPJ não foram informados em DIPJ (Doc. 4) e nas DCTF (Doc. 6). Ademais, as referidas compensações foram homologadas pela Receita Federal do Brasil (Doc. 7). Assim, como os débitos de IRPJ não existem e não foram lançados, as compensações efetuadas para quitar esses débitos devem ser objeto de restituição, pois deveria compor o SNIRPJ, AC/2004, o que no PER/DCOMP objeto desse processo não foi incluído. A Requerente calculou o IRPJ a restituir com base no despacho decisório que homologou as compensações (Doc. 7) conforme demonstrado no quadro abaixo: (...). Comprova que além do SNIRPJ, AC/2004 de R$ 7.792.671,48, tem crédito adicional de R$ 833.461,65, passando a ser de R$ 8.626.133,13. IV — Erro de Fato 0 principio constitucional da legalidade estabelece o padrão de consulta da administração pública em todos os seus níveis, sendo vedada a cobrança de tributos sem previsão legal. Tratandose de fato gerador, vigora o principio da verdade material. No caso em questão, não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a gerar incidência tributária, tendo havido um preenchimento do Per/Dcomp onde a Requerente deixou de informar a composição do IRPJ Mensal pago por estimativa. Com relação ao crédito adicional de IRPJ, as compensações efetuadas indevidamente e já homologadas devem compor o SNIRPJ, AC/2004. Por fim, o que ocorreu foi um erro formal. Traz jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) sobre "erro de fato". IV Pedido Requer: (i) seja homologado o SNIRPJ AC 2004 no montante de R$ 7.792.671,48; (ii) sejam homologados os PER/DCOMP que utilizaram o referido saldo negativo (11710.54600.270809.1.7.021257, 28083.62239.280809.1.7.027089 e 18996.58170.280809.1.7.027560, e 00838.21775.251109.1.2.020640); (iii) seja reconhecido crédito adicional de R$ 833.461,65, atualizado pela taxa Selic; e (iv) sejam efetuadas diligências para comprovação das alegações mencionadas. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/SPOI) decidiu a matéria por meio do acórdão 1626.915, de 29/09/2010 (fl. 458), considerando a manifestação de inconformidade procedente em parte, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Fl. 573DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.684088/200941 Acórdão n.º 1301000.907 S1C3T1 Fl. 3 5 Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DE CINCO ANOS. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. 0 contribuinte tem direito a restituição e/ou compensação do tributo pago indevidamente, desde que pleiteado dentro do prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário e faça prova de possuir crédito liquido e certo contra a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. COMPENSAÇÃO. Reconhecido parcialmente o direito credit6rio pleiteado, homologase a compensação dos débitos até o montante do direito creditório reconhecido, não se conhecendo do pedido de restituição formulado após a ciência do Despacho Decisório, cujo crédito não se refere ao analisado no presente processo. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 574DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Vêse do relatório acima transcrito, que, em resumo, o Despacho Decisório NÃO HOMOLOGOU a compensação declarada nos PER/DCOMP analisados, visto que o valor original do SNIRPJ do AC/2004 informado no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito foi de R$ 7.792.671,48, enquanto que o informado na DIPJ somou R$ 41.953.537,55 e, foi apurado saldo negativo disponível de zero. No julgamento de primeira instância o direito creditório pleiteado foi reconhecimento parcialmente nos seguintes termos: “Em face do exposto, VOTO no sentido de DEFERIR EM PARTE a Manifestação de Inconformidade, RECONHECENDO direito creditório de R$ 7.271.184,86 referente ao SNIRPJ AC/2004, HOMOLOGANDO a compensação dos débitos informados nas DCOMP que constam deste processo (fls. 01 a 08), até o limite do direito creditório reconhecido, e NÃO CONHECER do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP 00838.21775.251109.1.2.020640". Decidiu a autoridade julgadora que me precedeu: (I) recolhimento a menor da estimativa de janeiro do ano de 2004; conforme DARF no valor de R$ 2.675.100,56 deveria ter recolhido o montante de R$ 3.700.656,14; (II) Já com relação ao pedido de restituição formulado no PER/DCOMP 00838.21775.251109.1.2.020640 o indeferimento foi motivado sob o argumento de que os débitos apontados como inexistentes foram objeto do processo administrativo n° 10880.939473/200931, em que o crédito indicado foi SNIRPJ do AC/2002, onde estes débitos deveriam ser discutidos. No caso em apreço o crédito referese ao SNIRPJ do AC/2004. Nesta fase recursal a interessada repete as mesmas argumentações anteriores, aduzindo com relação ao acórdão combatido que: I “Verificase que a Delegacia de Julgamento, ao analisar o recolhimento relativo ao mês de janeiro/2004, no valor de R$ 2.675.100,56 (Principal: R$ 1.881.753,35 e Juros: R$ 793.347,21), efetuou a imputação proporcional, tendo em vista a suposta ausência do recolhimento da multa de mora e de parte dos juros. No entanto, equivocase o D. Julgador neste ponto. Isto porque, o recolhimento foi efetuado com os descontos concedidos pela anistia fiscal instituída pela Lei n° 11.941/2009 (Doc 03). A referida Lei foi publicada em 27.05.2009, concedendo reduções de multa, juros e encargo legal para pagamento à vista e/ou parcelamento de quaisquer débitos de tributos e contribuições federais administrados pela SRFB e pela PGFN, vencidos até 30.11.2008. Ainda segundo a Lei n° 11.941/2009 e respectiva regulamentação e no que importa ao caso: a) o pagamento à vista dos débitos estaria sujeito redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de oficio e (ii) 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora; Notese que o recolhimento efetuado pela Recorrente observou integralmente os descontos concedidos pela Lei n° 11.941/2009. Logo, não há que se falar em Fl. 575DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.684088/200941 Acórdão n.º 1301000.907 S1C3T1 Fl. 4 7 aproveitamento parcial do recolhimento. Ele deve integrar o IRPJ pago por Estimativa AC/2004 na sua integralidade. Desta forma, concluise que o imposto de renda devido no AC/2004 monta em R$ 34.160.866,07, sendo que o IRRF monta em R$ 7.792.671,48 e o IRPJ pago por estimativa monta em R$ 34.160.866,07. Os referidos valores foram informados na Ficha 12 da DIPJ (Doc. 4 da Impugnação) e geraram o saldo negativo de IRPJ no AC 2004 no montante de R$ 7.792.671,48.” II “Quanto ao pedido de restituição do crédito adicional de R$ 833.461,65, encontrase pacificado na jurisprudência que para as hipóteses de devolução de tributos sujeitos a homologação, a prescrição do direito de pleitear a restituição ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita.” Feitas estas considerações passo a analisar a lide deste processo que se resume: 1o. Glosa de parte do valor da estimativa recolhido no mês de janeiro do AC/2004, no valor de R$ 2.675.100,56 (Principal: R$ 1.881.753,35 e Juros: R$ 793.347,21) e, 2o. indeferimento do pedido de restituição do crédito de R$ 833.462,65 objeto do processo administrativo n° 10880.939473/200931, em que o crédito indicado foi SNIRPJ do AC/2002. Em primeiro lugar, deixar claro que consultando o DARF anexado ao presente processo e relativo ao recolhimento do IRPJ apurado no mês de janeiro/2004 efetuado na data de 27/11/2009, de fato, atendeu aos ditames da Lei n° 11.941/2009, da qual, por pertinente, transcrevo o seu artigo 1o.: Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: I os débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional; II os débitos relativos ao aproveitamento indevido de crédito de IPI referido no caput deste artigo; III os débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e IV os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do Procurador Geral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; II parcelados em até 30 (trinta) prestações mensais, com redução de 90% (noventa por cento) das multas de mora e de ofício, de 35% (trinta e cinco por cento) das isoladas, de 40% (quarenta por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; III parcelados em até 60 (sessenta) prestações mensais, com redução de 80% (oitenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 30% (trinta por cento) das isoladas, de 35% (trinta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; IV parcelados em até 120 (cento e vinte) prestações mensais, com redução de 70% (setenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 25% (vinte e cinco por cento) das isoladas, de 30% Fl. 577DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.684088/200941 Acórdão n.º 1301000.907 S1C3T1 Fl. 5 9 (trinta por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; ou V parcelados em até 180 (cento e oitenta) prestações mensais, com redução de 60% (sessenta por cento) das multas de mora e de ofício, de 20% (vinte por cento) das isoladas, de 25% (vinte e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal. Logo, em relação a este ponto, cabe razão à recorrente pelo que deve ser reconhecida na sua totalidade a compensação pleiteada nos PER/DCOMP analisados e referente ao Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2004, no montante de R$ 7.792.671,48. Quanto ao segundo ponto, a questão a ser dirimida em seu mérito está relacionada ao pedido de restituição n° 00838.21775.251109.120640, transmitido em 25/11/2009, de crédito adicional no valor de R$ 833.461,65, em face de compensação de débitos de IRPJ do AC/2004 que não existem. Aqui, equivocase a recorrente. Os fundamentos que levaram a autoridade a quo a não conhecer do pedido dizem respeito a que os débitos apontados como inexistentes foram objeto do processo administrativo n° 10880.939473/200931, em que o crédito indicado foi SNIRPJ do AC/2002, onde estes débitos deveriam ser discutidos. No caso em apreço o crédito referese ao SNIRPJ do AC/2004. Logo, ao meu ver, andou bem em sua fundamentação a autoridade que me precedeu ao afirmar que como os débitos ditos como inexistentes não foram informados nem na DIPJ/2005 (fls. 75 a 78), nem nas DCTF (fls. 177 a 196), é de se supor que tais valores não fazem parte das estimativas devidas nos meses do AC/2004, razão pela qual não deveriam compor o SNIRPJ apurado naquele ano. Assim, no caso de terem sido informados indevidamente no PER/DCOMP, deveriam ser objeto de novo pedido, tendo como crédito não o "SNIRPJ", mas "Pagamento Indevido ou Maior que o Devido". O presente litígio se circunscreve aos PER/DCOMP que têm como credito o SNIRPJ do AC/2004 e os débitos a serem com ele compensados, não cabendo análise do pedido de restituição do crédito adicional de R$ 833.461,65, observandose que, como visto, este valor não compõe o saldo negativo em análise (SNIRPJ do AC/2004). Considerando o acima exposto, resta claro que o pedido de restituição formulado pela Recorrente (PER/DCOMP 00838.21775.251109.1.2.020640) não foi objeto de análise no Despacho Decisório ora combatido, portanto, não fazendo parte do presente litígio, confirmo a decisão em primeira instância de não conhecer do pedido de restituição. Quanto ao pedido genérico de realização de perícia, deve ser rejeitado, por desatendimento aos requisitos do inciso IV c/c § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Ainda que tais requisitos formais pudessem ser superados, é patente sua desnecessidade diante das provas dos autos, pelo que cabível sua rejeição também com base no art. 18 do mesmo instrumento legal. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, Dar Provimento Parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório da parte não reconhecida pela DRJ, no valor de R$ 2.675.100,56 referente ao Saldo Negativo de IRPJ, do ano calendário de 2004 (valor total de R$ 7.792.671,48), e não conhecer do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP 00838.21775.251109.1.2.020640 no valor de R$ 833.461,65. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 579DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/ 05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13004.000018/2005-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. AQUISIÇÕES DE PRODUTOR RURAL
As aquisições de insumos de produtores rurais, não-contribuintes do PIS, não geram créditos passíveis de desconto do valor dessa contribuição com incidência não-cumulativa, apurada e devida mensalmente.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO
O saldo credor trimestral apurado exclusivamente pelo desconto indevido de créditos de PIS decorrentes de aquisições de insumos desonerados desta contribuição não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.416
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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(SUCESSORA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. AQUISIÇÕES DE PRODUTOR RURAL As aquisições de insumos de produtores rurais, nãocontribuintes do PIS, não geram créditos passíveis de desconto do valor dessa contribuição com incidência nãocumulativa, apurada e devida mensalmente. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO O saldo credor trimestral apurado exclusivamente pelo desconto indevido de créditos de PIS decorrentes de aquisições de insumos desonerados desta contribuição não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Fl. 740DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Porto Alegre que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que deferiu parcialmente os Pedidos de Restituição (PER) de PIS não cumulativo, às fls. 01; 35; 52; e 69, decorrentes dos saldos credores apurados para os quatro trimestres do ano calendário de 2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Guaíba glosou os valores do ressarcimento pleiteado e apurado sobre as transferências de madeira por não caracterizar transação de compra e venda e sim amortização de direitos de uso e exploração de recursos florestais, mediante transferência, deferindo o ressarcimento apurado sobre os demais custos de aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, conforme Relatório Fiscal às fls. 92/109 e Despacho Decisório às fls. 111. Inconformada com aquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 133/155), insistindo no deferimento integral do ressarcimento pleiteado, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “Que se dedica às atividades de (a) fabricação, aquisição, venda, importação e exportação de tábuas de madeira, compensado e outros produtos derivados de árvores; (b) exploração de atividades agrícolas, inclusive extrativas vegetais e; (c) florestamento, reflorestamento e demais atividades relacionadas à silvicultura; que para o exercício de suas atividades compra de UBS Timber Investors Brasil Ltda., atualmente denominada Florestal Guaíba Ltda. (UBS), troncos de madeira com determinada especificação, denominados Troncos Classe A e que esses troncos são a principal matériaprima para produção das lâminas e compensados industrializados e comercializados pelo contribuinte. Na seqüência, discorre sobre os negócios jurídicos celebrados com a empresa UBS e a empresa Klabin Riocell (Klabin). Diz que a aquisição da matériaprima junto a UBS tem origem no negócio jurídico firmado em 21 de fevereiro de 2001. Após relato dos fatos referentes ao contrato retrocitado, explicitandoo sob sua ótica de interpretação, faz considerações sobre os créditos objeto de pedido de ressarcimento e da decisão denegatória alegando, de forma resumida que: a) administra áreas de destocagem – hortos, condição assumida pelo interesse e obrigação que tem de adquirir da UBS Toras Classe A, que são extraídas das florestas – hortos – pertencentes à UBS; b) adquiriu direitos referentes ao cultivo das florestas, mas não o domínio destas, não sendo proprietária dos hortos; segue discorrendo sobre a forma como adquire da UBS Toras Classe A e como paga os valores correspondentes a esta aquisição; c) o fato de ter inscrição como produtora rural não significa que tenha propriedade sobre esses hortos; que emite nota fiscal de transferência, pela necessidade de transportar as Toras Classe A de um estabelecimento para outro, conforme preconiza o art. 43 da Lei Estadual nº 8.820/89 (lei do ICMS no Estado do Rio Grande do Sul); Fl. 741DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13004.000018/200536 Acórdão n.º 330101.416 S3C3T1 Fl. 741 3 d) correta a contabilização dos valores pagos à UBS a débito da conta de custos de produtos vendidos (CPV), com contrapartida na conta de fornecedores, bem como a impossibilidade de contabilização como imobilizado; f) o princípio da não cumulatividade do PIS e COFINS incide sobre os custos, despesas e encargos necessários e a produção e que os valores pagos à UBS vêm sendo oferecidos à incidência do PIS e da COFINS, conforme expressa afirmação da UBS. Além disto, o contribuinte alega que “parece” que a transferência de créditos de IPI foi incluída, de foram a diminuir a base de cálculo do PIS a ser ressarcida, gerando diminuição no valor a ser ressarcido de R$ 1.162,02. Tal fato, se houvesse, não poderia acontecer, pois os créditos de IPI não são receita, mas sim mero ressarcimento de custo, ou subvenção de custeio, nos termos da Lei das Sociedades Anônimas, da legislação tributária e da jurisprudência. Caso existisse o lançamento, deferia ser anulado por cerceamento do direito de defesa e com base no art. 142 do CTN e art. 10, inciso III e IV, do PAF. Alega também erro de cálculo, já que argumenta que de acordo com os cálculos apresentados haveria equívoco no valor a ser ressarcido, haja vista que os valores glosados de insumos seria de R$ 204.903,22 e a tributação sobre os créditos presumidos de IPI seria de R$ 1.162,02, somando a quantia de R$ 206.065,24. Como o valor solicitado de ressarcimento foi de R$ 365.213,14 e o valor indeferido de R$ 206.065,24, sobraria a quantia de R$ 159.147,90. Todavia, somente foi concedido R$ 148.629,50, havendo uma diminuição indevida de R$ 10.513,31” Em face da alegação de erro de cálculo, a DRJ baixou os autos em diligência (fls. 644/645), visando sanálo, se comprovado. Em atendimento à diligência, foram apresentados os demonstrativos e explicações às fls. 647/649. Intimada, do resultado daquela diligência, a recorrente concordou com os cálculos, conforme requerimento às fls. 652. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua procedente em parte, declarando a nulidade da exigência fiscal de R$1.162,02, reconheceu ressarcimento suplementar, no valor de R$11.680,33, e manteve o indeferimento do restante do valor indeferido pela DRF, conforme Acórdão nº 1030.065, datado de 24/02/2011, às fls. 674/678, sob as seguintes ementas: “DIREITO DE USO E EXPLORAÇÃO DE FLORESTAS – ATIVO IMOBILIZADO – AMORTIZAÇÃO – PAGAMENTO DO CONTRATO – NÃO CONFUSÃO COM COMPRA DE MATÉRIASPRIMAS – CARACTERIZAÇÃO PELO CONTRATO DE CESSÃO DE DIREITOS E PELA NOTA FISCAL DE SAÍDA E ENTRADA EM NOME DO CONTRIBUINTE. A aquisição do uso e exploração de florestas deve ser classificada no Ativo Imobilizado, sofrendo a incidência da perca de valor no tempo pela amortização, tendo em vista que o contrato de cessão tem prazo determinado e valores pré definidos, que prevê hipótese de pagamento independentemente da quantidade das madeiras colhidas, em respeito ao princípio contábil da competência. Por isso, o pagamento da cessão de Fl. 742DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 direitos não pode ser confundido com aquisição de matérias primas, as quais já estavam incluídas no contrato de uso e exploração de florestas, demonstrado pela operação jurídica e pela emissão de nota fiscal de produtor, de saída das madeiras das florestas, e de entrada no estabelecimento industrial em nome e CNPJ do contribuinte. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS – AMORTIZAÇÃO DO IMOBILIZADO – CRÉDITO – NECESSIDADE DE CONTABILIZAÇÃO CORRETA – RESTRIÇÃO. O direito de crédito de PIS e COFINS, ambos não cumulativos, de bens utilizados na produção através de depreciação e amortização estão condicionados a correta escrituração e contabilização dos bens e direitos, obrigação do contribuinte. Ademais, mesmo que corretamente contabilizada, a amortização e a depreciação de bens e direitos adquiridos antes de 01 de maio de 20004 somente pode ser utilizada para aferição de crédito das contribuições até 31/07/2004, nos termos da legislação. AUMENTO DO TRIBUTO DEVIDO – REDUÇÃO DO RESSARCIMENTO – FALTA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – RESSARCIMENTO COMPLEMENTAR – NÃO AFETAÇÃO DE OUTRAS GLOSAS NÃO VINCULADAS AO FATO NULO. A falta de descrição expressa dos fatos que levaram ao aumento do tributo devido, que diminuiu os valores a serem ressarcidos, acarreta o cerceamento do direito de defesa e o conseqüente ressarcimento complementar. Todavia, tal nulidade não afeta glosas que não têm vinculação com os atos/fatos, por serem independentes, nem proíbe que o órgão fiscal lançador refaça o lançamento, de acordo com as determinações da legislação, caso ainda não haja a incidência do instituto da decadência.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (689/699) requerendo a sua reforma a fim que se reconheça seu direito aos créditos do PIS não cumulativo apurados sobre as toras de madeira recebidas da UBS e defira o ressarcimento decorrente destes valores, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, ou seja, que compra as toras de madeira da UBS e as utiliza em seu processo produtivo. Alega, ainda, que o fato de a UBS não emitir notas fiscais de vendas das toras em nada comprometeria a apropriação dos créditos de PIS, tendo em vista que nenhum dispositivo legal o exige, mas tão somente a aquisição dos produtos utilizados como insumos na produção dos produtos industrializados. Também, nesse mesmo passo, a UBS não precisava emitir documento fiscal para respaldar a transferência física das toras de madeira, pois, ainda que não tivesse a propriedade, tinha a posse dos hortos (terras) para a realização das atividades de gerenciamento, assumidas no contrato de destoca. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 743DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13004.000018/200536 Acórdão n.º 330101.416 S3C3T1 Fl. 742 5 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão de mérito oposta nesta fase recursal se restringe ao direito de a recorrente se creditar do valor do PIS não cumulativo incidente sobre toras de madeira cedidas a ela por produtor rural, pessoa jurídica, mediante notas fiscais de transferência e de entradas, ambas emitidas por ela própria, em pagamento por cessão de uso e exploração de florestas. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para o PIS, assim dispõe: “Art. 1º. A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...). § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...). II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...). Art. 4º O contribuinte da contribuição para o PIS/Pasep é a pessoa jurídica que auferir as receitas a que se refere o art. 1º.” Fl. 744DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Ora, conforme se verifica destes dispositivos legais, as aquisições de bens nãosujeitos ao pagamento do PIS, utilizados como insumos na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, não geram créditos passíveis de descontos da contribuição apurada e devida mensalmente. O regime da não cumulatividade do PIS tem como objetivo eliminar o pagamento de contribuição sobre contribuição, permitindo ao contribuinte se creditar do valor pago a título dessa contribuição nas aquisições de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, para descontálo da contribuição apurada sobre os bens revendidos e produtos fabricados e vendidos. Se não houve pagamento da contribuição na aquisição dos bens, não há que se falar em créditos porque não ocorrerá a cumulatividade de pagamento de contribuição sobre contribuição. Como o ressarcimento suplementar pleiteado nesta fase recursal corresponde exclusivamente ao valor dos créditos de PIS apurados sobre aquisições de insumos desonerados desta contribuição, correto o indeferimento mantido pela autoridade julgadora de primeira instância. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 745DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10680.935619/2009-25
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO. Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas em PERDCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 35 61 9/ 20 09 -2 5 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935619/200925 Resolução nº 1801000.213 S1TE01 Fl. 3 2 Por meio de PERDCOMP a interessada pretende a compensação de débitos próprios com direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado no ajuste do anocalendário 2003. O valor do indébito pleiteado nos presentes autos totaliza R$ 272.052,61. Pelo Despacho Decisório a DRF em Belo Horizonte não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações sob o argumento de que o DARF mencionado pela interessada como origem do indébito havia sido alocado a um débito confessado em DCTF e, assim, não haveria crédito disponível para compensação pleiteada. Em manifestação de inconformidade defendeuse a interessada alegando que, de acordo com a DIPJ do anocalendário 2003 – exercício 2004, teria apurado um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 40.003,77. Assim, considerandose o débito apurado e o pagamento efetuado, verificarseia o indébito no valor de R$ 294.465,83. Apresenta planilha demonstrativa do pretenso indébito, confrontando DCTF original, DCTF retifícadora e DIPJ. Afirma ter cometido mero erro de fato no preenchimento da DCTF, de modo que não haveria recolhimento suplementar algum a ser efetuado após a retificação da DCTF. Defendeuse, ainda, contra os encargos moratórios imputados ao débito exigido. No julgamento do litígio a Turma Julgadora de 1a. instância observou que a DCTF retificadora foi apresentada após a não homologação da compensação pleiteada e que a contribuinte não teria apresentado qualquer prova do erro cometido no preenchimento da DCTF original. Observou que na DIPJ do anocalendário 2003 teria sido apurado um saldo negativo de IRPJ, assim composto: DIPJ 2003 DCTF Original DCTF Retificadora IRPJ Apuração Anual Alíquota 15% 330.483,34 Adicional 196.322,22 Total IRPJ Apurado 526.805,56 () Deduções () IRRF 294.465,83 () IR Pago Estimativa 192.335,96 () Total Deduções 486.801,79 IR a Pagar IRPJ Apurado Deduções 40.003,77 334.496,60 40.003,77 Assinalou que o IRPJ declarado na DCTF original foi apurado sem o cômputo do IRRF consignado pelo contribuinte em sua DIPJ. Nesse sentido o direito de crédito Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935619/200925 Resolução nº 1801000.213 S1TE01 Fl. 4 3 invocado na manifestação de inconformidade corresponderia a esta mesma importância R$ 294.465,83 e que o valor deduzido a título de "IR pago por estimativa", no importe de R$ 192.335,96 estaria em consonância com os valores declarados em DCTF, extintos pelo pagamento. Assim, o valor do IRPJ a pagar, consignado na DIPJ, estaria adstrito à confirmação do IRRF deduzido. Constatou que, de acordo com a DIPJ, que o IRRF teria origem em rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio recebidos pela interessada de 2 (duas) fontes pagadoras que estariam em consonância com aqueles informados em DIRF. Contudo, na DIPJ, a linha correspondente aos rendimentos de juros sobre o capital próprio estaria zerada (Ficha 06 B – linha 37), razão pela qual a dedução do IRRF não teria amparo. Assim, o DARF utilizado para pagamento do IRPJ apurado no anocalendário 2003 não representaria indébito. Também justificou a aplicação dos encargos moratórios sobre o débito indicado para compensação. Notificada da decisão, em 05/09/2011, apresentou, a interessada, em 04/10/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz, quanto à retificação da DCTF, que a declaração é o instrumento para se dar conhecimento ao Fisco do cumprimento das obrigações fiscais dos contribuinte e que as informações nela contidas devem retratar a realidade das atividades econômicas, não se podendo admitir a vedação da correção de erros que possam ser comprovados pela análise de sua documentação contábil, livros fiscais e documentos correlatos. Pondera que com a retificação da DCTF teria comprovado, de maneira hialina, a existência de crédito, e consequentemente, do seu direito em ser restituído do pagamento a maior efetuado, já que a DIPJ comprovaria um IRPJ devido para o anocalendário 2003, de R$ 40.003,77, enquanto que no valor recolhido, de R$ 334.469,60, por equívoco, não teria sido feita a dedução do IRRF de R$ 294.465,83. Explica que auferiu rendimentos com juros sobre o capital próprio, mas que parte do valor teria sido contabilizado e oferecido à tributação no anocalendário 2002, na conta “2.7.1.9.99 Outras Rendas Operacionais” (Conta COSIF n° 7.1.9.99) no valor total de R$ 2.288.905,47. O valor teria sido registrado, na DIPJ, equivocadamente na linha 43 – “Outras Receitas Operacionais”. Esclarece que muito embora parte da receita auferida com Juros sobre o Capital Próprio tenha sido obtida no ano calendário de 2002 e declarada na DIPJ AC 2002, apenas foi realizada a retenção do IRRF no ano de 2003, conforme se verificaria das informações prestadas no comprovante de rendimentos (doc. n° 10), porque somente em 2004 teria recebido da fonte pagadora o respectivo informe de rendimentos. Teria assim procedido em estrita observância à legislação que determina que somente o IRRF comprovado com o informe de rendimentos pode ser deduzido na apuração anual. Afirma que, comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos auferidos com juros sobre o capital próprio, parte no anocalendário 2002 e parte no anocalendário 2003, faria jus à dedução do valor do IRRF de R$ 294.465,83 no ajuste do anocalendário 2003. Apresenta cópia de registros contábeis e outros documentos para comprovar suas alegações. Tece considerações a respeito da vedação de enriquecimento ilícito do Fisco, do princípio da verdade material da não caracterização da mora e da não incidência de encargos moratórios. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935619/200925 Resolução nº 1801000.213 S1TE01 Fl. 5 4 Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. É o relatório. VOTO. Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Verifico que o presente processo não está em condições de julgamento. A recorrente pleiteia o reconhecimento de indébito, no valor de R$ 294.465,83, pelo recolhimento a maior de IRPJ apurado no ajuste do anocalendário 2003. O valor do indébito seria resultado da diferença entre o valor efetivamente devido, de R$ 40.003,77, como apurado na DIPJ do anocalendário 2003, e o valor recolhido em DARF, de R$ 334.469,60. O direito creditório pleiteado nestes autos também é pleiteado e encontrase em litígio nos seguintes processos distribuídos a esta Relatora: 10680.935618/200981; 10680.935620/200950; 10680.935621/200902; 10680.935622/200949; 10680.935623/200993; 10680.935625/200982; 10680.933966/200913; Nos processos acima listados as peças e argumentos de defesa apresentados pela interessada são idêntico, assim como são idênticas as decisões proferidas pela Turma Julgadora de 1a. instância. Em pesquisas realizadas junto ao sistema Eprocesso constatei a existência de inúmeros outros processos em nome da mesma interessada. Entretanto, não foi possível verificar quantos deles se referem aos mesmos fatos – mesmo direito creditório. A Portaria RFB n º 666, de 24/04/2008, assim dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo:... IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935619/200925 Resolução nº 1801000.213 S1TE01 Fl. 6 5 ... Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. ... Assim, nos termos da Portaria acima mencionada, deverá a Unidade de jurisdição da recorrente proceder à juntada do presente processo ao processo de nº. 10680.933966/200913; bem como de todos os processos acima listados e de todos os demais processos formalizados que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada. Quanto ao mérito noto que a Turma Julgadora de 1a. instância consignou que, apesar do valor do IRRF informado pela recorrente na DIPJ ter sido confrontado e confirmado com o valor informado pelas fontes pagadoras em DIRF, os rendimentos que deram origem a tais retenções não teriam sido oferecidos à tributação pois a linha correspondente na DIPJ estaria zerada. A seu turno a recorrente alega que teria se equivocado no preenchimento da DIPJ, informando o valor dos rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio, na linha 43 – “Outras Receitas Operacionais”. Observou, ainda, que parte dos rendimentos teria sido oferecida à tributação na DIPJ do anocalendário 2002 e parte na DIPJ do anocalendário 2003. Apresentou, para comprovar suas alegações, cópia do Livro Razão e balancetes de 2002 e 2003 na conta “2.7.1.9.99 Outras Rendas Operacionais” (Conta COSIF n° 7.1.9.99), assim como comprovantes de rendimentos. Pelo exposto voto no sentido de converter o presente julgamento na realização de diligência para que: 1) a Unidade de jurisdição da recorrente proceda a juntada do presente processo ao processo de nº. 10680.933966/200913; bem como de todos os processos acima listados e de todos os demais processos formalizados que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada; 2) verifique, junto aos registros contábeis da recorrente, se, de fato, os rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio, que deram origem às retenções discutidas nos autos, foram oferecidos à tributação, esclarecendo, ainda, quanto ao período de apropriação e de oferecimento à tributação de tais receitas e de retenção do IRRF. Ao final deverá o agente fiscal encarregado elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos trabalhos efetuados a fim de atender a esta solicitação, dandose ciência à interessada do resultado, conforme determina o PAF, retornandose, posteriormente, o presente processo, a esta relatora, para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935619/200925 Resolução nº 1801000.213 S1TE01 Fl. 7 6 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10665.902844/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.999
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fl. 33DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 ______________________________________ Carmen Ferreira Saraiva – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, e Carmen Ferreira Saraiva Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônico (fls. 10/14), transmitido em 31/07/2006, pelo qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de IRPJ de janeiro/2006, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ apurada no mês de abril de 2005 (recolhimento em maio/2005), no valor de R$ 88,73, baixado para tratamento manual neste processo. Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 09 a compensação pleiteada foi não homologada, ao fundamento de que a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ/CSLL devido ou para compor o saldo negativo porventura apurado. Na manifestação de inconformidade apresentada (fl. 01) a interessada alegou: ...Como se observa os impostos IRPJ e CSLL, referentes ao ano de 2005, foram pagos tempestivamente, não restando saldo a recolher. Com a edição dos atos decisórios acima a Secretaria da Receita Federal do Brasil está instituindo um compulsório sem amparo legal e sem previsão para devolução ou compensação dos mesmos. Em exame das declarações de compensação, verificase que as multas ora requeridas já foram cobradas e deduzidas dos impostos recolhidos a maior, acrescidas dos respectivos juros de mora. ... Apreciando o litígio a DRJ em Belo Horizonte/MG indeferiu o pleito ao argumento de que o art. 10 da IN SRF 600/2005 determina que os recolhimentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ ou de CSLL somente podem ser utilizados ao final do período de apuração como dedução do devido a título de imposto ou contribuição, ou para composição do Fl. 34DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.902844/200973 Acórdão n.º 180100.999 S1TE01 Fl. 34 3 saldo negativo porventura apurado e que o art. 30 do mesmo diploma estabelece que o tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Cientificada, em 25/08/2011, do acórdão da DRJ em Belo Horizonte/MG, a interessada apresentou, em 23/09/2011, o recurso voluntário de fls., apontando que a vedação contida no artigo 10 da IN SRF n º 600/2005 teria deixado de existir com a edição da IN SRF n º 900, de 2008. Alega que a compensação teria sido realizada sobre um pagamento indevido ou a maior que não causaria prejuízo ao Fisco. Além disso, haveria dificuldades para apresentação de declaração retificadora para composição de saldo negativo de IRPJ e de CSLL para posterior compensação. Acrescenta que haveria previsão de retroatividade de lei mais benigna. Ao final pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A primeira questão que se coloca para análise nestes autos referese à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi dirimida nesta Turma de julgamento, como se verifica dos trechos abaixo reproduzidos, extraídos do Acórdão 180100.486, de nossa relatoria: “... Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do Fl. 35DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 36DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.902844/200973 Acórdão n.º 180100.999 S1TE01 Fl. 35 5 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e Fl. 37DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à Fl. 38DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.902844/200973 Acórdão n.º 180100.999 S1TE01 Fl. 36 7 incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, uma vez que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito Fl. 39DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.902844/200973 Acórdão n.º 180100.999 S1TE01 Fl. 37 9 § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 10 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 42DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.902844/200973 Acórdão n.º 180100.999 S1TE01 Fl. 38 11 SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. ...” No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2005. E existe a possibilidade de a contribuinte ter operado com erro no cálculo e pagamento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2005. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ/CSLL devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 12 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 44DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 19647.008806/2005-91
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
As nulidades absolutas limitam-se aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa.
DILIGÊNCIA.
Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendê-las desnecessária ou julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa.
PERÍCIA.
Desnecessária a realização de perícia quando todos os documentos que poderiam comprovar a tese de defesa da recorrente já se encontram acostados aos autos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E A COFINS. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins é aquela definida na lei como sendo o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica em decorrência da comercialização de bens ou serviços ou ainda a combinação de ambos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-19129
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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SÃO MIGUEL INDUSTRIAL LTDA Recorrida DRJ em Recife - PE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/1212003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. As nulidades absolutas limitam-se aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. DILIGÊNCIA. Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendê-las desnecessária ou julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa. PERÍCIA. Desnecessária a realização de perícia quando todos os - SEGUIDA CONSELHO DE CONIWEILIINIES documentos que poderiam comprovar a tese de defesa da CONFERE COM O uniu recorrente já se encontram acostados aos autos. JILLS-x--1—`1(--- Ivana Cláudia Silva Castro ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E A COFINS. Mat. Sia e 92138 BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins é aquela definida na lei como sendo o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica em decorrência da comercialização de bens ou serviços ou ainda a combinação de ambos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. „-.-- _ 1 Processo n° 19647.008806/2005-91 CCO2/CO2, Acórdão 9.• 202-19.129 F15. 316 „ - ACORDApros membros da segunda câmara do segundo conselho de contribuintes, por unanipidade de votos; em negar provimento ao recurso. MF - SEGUNLO CONSELHO DE COWNTUESINTANTS4 UM CONFERE COM O ORIGINAI. Brasil ia J' 1 os. r Presidente 1vana Cláudia Silva Castro Mat Siape 92136 t ' 4) frÁQ ,49- Ô TO LISBOA CA 130 O Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Adoto o relatório de fls. 283/285, nos seguintes termos: "Contra a empresa já identificada foram lavrados os Autos de Infração, de fls. 03/05 e 124/126 do presente processo, para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referentes aos períodos de janeiro a dezembro de 2003: De acordo com a autuante, os referidos Autos são decorrentes das faltas/insuficiências de recolhimento das mencionadas contribuições, conforme relatado às fls. 04/05 e 125/126 e no Relatório Fiscal de fls. 10/12 e 131/133. Inconformada com as autuações, a contribuinte, Por seus procuradores, instrumento às fls. 101/102 e 222/223, apresentou as impugnações de fls. 95/100 e 218/221, às quais anexou as fls. 101/114 e 222/253, bem como posteriormente anexa as fls. 266/279, onde requer; a) para a COFLVS: com base na lei e nos esclarecimentos prestados, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do referido Auto de Infração, por desapreço aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa, fato que entende devidamente demonstrado nos tópicos iniciais de sua defesa. No mérito, a insubsistência do referido -- lançamento, por entender não contemplar as exclusões legalmente admitidas, considerando que somente será suficiente mediante análise Ide cada uma das notas fiscais emitidas pelo contribuinte, não servindo os dados obtidos pelo suposto (sic) acordo de cooperação técnica entre as Receitas Federal e Estadual, relatado pelo fiscal autuante; 2 , IIF - SEGUNDO CONSEL140 DE (:ON114131MTES CONFERE COM O Ortu:diAL Processo n° 19647.008806/2005-91 Brasília 0'2 Cnr O CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-19.129 lvana Cláudia Silva Castro F1c. 317 Mat Siape 92136 b) para o PIS: o conhecimento e provimento das preliminares suscitadas, reconhecendo a nulidade da intimação para apresentação de documentos e, por conseguinte, de todo o processo administrativo; a reabertura do prazo de defesa em razão após o término da greve, quando entende poder ter acesso a todos os documentos que instruem o processo administrativo. No mérito, a improcedência do referido Auto de Infração, considerando o equívoco em que incorreu a autuação, ao não afastar da base de cálculo do PIS as receitas mencionadas no art. 1°, §3 0 da Lei n°10.637/2002, eivando de nulidade insanável o referido Auto de Infração. Para as contribuições de PIS e COFMS, houve, em síntese, as seguintes alegações: - preliminarmente, requer a nulidade da intimação que solicitou os documentos da empresa, afirmando que a pessoa que tomou ciência não tinha legitimidade para representar a pessoa jurídica; - que ficou impossibilitada de ter acesso aos documentos anexados aos processos, em virtude da greve da Secretaria da Receita Federal. Assim, solicita a reabertura de prazo após o término da greve; - apenas para a COFINS, alega que não teve acesso aO suposto "Convênio de Cooperação Técnica" aludido no Relatório da autuação, requerendo a nulidade do referido Auto de Infração ante a não intimação para se manifestar acerca do referido convênio, nem haver sido chamado a se manifestar sobre os dados a serem utilizados para lançamento, ficando ausente o devido processo legal e a desobediência ao direito à ampla defesa, posto que não foram obedecidos os comandos dos artigos 198 e 199 do Código Tributário Nacional; - no mérito, alega para a COFINS, que não há como oferecer validade ao lançamento com base única e exclusivamente sobre o faturamento obtido através dos arquivos magnéticos entregues pela Fazenda Estadual de Pernambuco, posto que neles não se evidenciam todas as receitas e exclusões que compõem a base de cálculo da COFINS, nos termos expressos na Lei n°9.718/1998; - no mérito, alega para o PIS, que não foram observadas as exclusões previstas no art. 1°, § 3°, I e III, da Lei n° 10.637/2002, relativas a 'saídas isentas ou sujeitas à aliquota zero e com substituição tributária'. Por fim, com suporte no art. 16, IV, do Decreto 70.235/72, protesta por produção de prova pericial, a fim de responder às questões a seguir relacionadas, indicando como assistente técnico o Sr. Sebastião José de Aguiar Andrade, brasileiro, contador CRC n°17.420, com endereço à Rua do Capricho — Casa Amarela — Recife/PE: I) Para a COFINS: 'Diante de toda a documentação apresentada, conforme relação constante no Termo de Intimação Fiscal, e das Notas Fiscais de venda de mercadorias, indaga-se se haveria Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS a pagar, consideradas as exclusões permitidas pela legislação regente?' . • G 3 MF - SEGURÍA consumo Dr COM R1BUINTE! CONFERE COM O 041:31NAL Processo n° 19647.008806/2005-91 Brasilia. 0( f 0.( CCO2/CO2• Acórdão n°202-19.129 Nana Cláudia Silva Castro ki Fls. 318 Mal Siape 9213$ 2) Para o PIS: 'Informe Sr. Perito, com arrimo no que dispõe a lei da não cumulatividade do IPI (sic) (Lei 10.637/2002), e considerando toda a documentação a que alude o Termo de Intimação Fiscal, qual seria a base de cálculo e o valor do PIST ' Dentre os argumentos da defesa são inseridos textos da legislação, sobre o assunto abordado. Em face das disposições contidas na Portaria SRF n° 6.129; de 02 de dezembro de 2005, o processo n° 19647.008805/2005-47, referente ao PIS, foi juntado ao presente processo, conforme despacho de fi. 119." Em 21 de agosto de 2006, através do acórdão de fls. 281/288, a DRJ em Recife - PE manteve procedente o lançamento, nos termos da ementa a seguir transcrita: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscaL BASE DE CÁLCULO. A Base de Cálculo para a COF1NS e o PIS incidirá sobre o faturamento do mês; deduzidas as exclusões previstas em lei. Assunto: Contribuição para o P1S/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 VALORES APURADOS PARA A BASE DE CÁLCULO. Tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de divergências constatadas entre valores declarados e os escriturados, esses também informados pela contribuinte ao Fisco Estadual, gerando falta/insuficiência de recolhimentos de PIS e COFLVS, devidamente demonstrada e cientificada à empresa, a apuração fiscal reveste-se das condições de legalidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIAS. DILIGE.NCLIS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscaL . . _ • MF - SEGUI.G0 CONSEL140 GE COMMONTO Processo e CONFEFtE COM O CaGINAL19647.008806/2005-91 CC07../CO2 Acórdão n." 202-19.129 Brasil ia., t2.2 F1s. 319 Ivans Ciáudia Silva Castro b..." Mat. S13 DO 92136 Lançamento Procedente". Cientificada em 17/10/2006, a contribuinte apresentou o recurso de fls. 292/297, em 16/11/2006, onde são reproduzidos, em síntese, os argumentos constantes da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto interposto dentro do trintidio legal e respeitados os demais requisitos estabelecidos. As nulidades suscitadas pela recorrente não merecem ser acolhidas, sobretudo quanto à utilização dos dados constantes dos registros da Secretaria de Fazenda do Estado de Pernambuco, pois esta foi a única medida que a fiscalização encontrou para aferir o quanto devido, já que não foi atendida a solicitação para a apresentação dos livros contábeis da empresa. Ademais, está devidamente comprovado que foi dado ciência do Termo de início da ação fiscal (fls. 13/16 e 134/137), recebido pela Sra. Patrícia Guedes Amaral, que se identificou como auditora autónoma; às fls. 17/19 e 138/140, consta que a contribuinte foi reintimada a apresentar os mesmos elementos solicitados no termo anterior, tendo o prazo transcorrido in albis sem que os seus representantes atendessem à solicitação. Consta ainda que foi dado ciência dos autos de infração, respectivamente, em 05/09/2005 e 06/09/2005 (AR fls. 92 e 215), o que afasta definitivamente a possibilidade de nulidade do processo, sendo as intimações remetidas à recorrente através dos correios, com Aviso de Recebimento, como autoriza o art. 23, II, do Decreto n2 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal — PAF. O atendimento ao pedido de diligência formulado pela recorrente não me parece ser necessário para o deslinde da questão, pois tal diligência somente seria necessária se a recorrente tivesse juntado aos autos elementos de prova que colocassem em dúvida o lançamento. As regras sobre nulidades, no Decreto n2 70.235, de 1972, estão contidas basicamente em três artigos, e muito se assemelham às contidas no vigente Código de Processo Civil. São as seguintes as normas em comento: "Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1". A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que ele diretamente dependam ou sejam conseqüência. ME - SEGUNZ:0 CONSW40 DE Cr•al WaliNITES CONFERE COM O ORIGWA1. • Processo n° 19647.008806/2005-91CCO2/CO2, Brasília Acórdão o.° 202-19.120 Ivana Cláudia Silva Castro I-- Fls. 320 Mat. $ia 92136 52°. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3°. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade." Da mesma forma, não consta dos autos qualquer elemento que permita comprovar que eventual greve de determinada categoria da Secretaria da Receita Federal tenha prejudicado ou possa ter causado prejuízo à sua defesa, porquanto nem mesmo por ocasião do recurso foi produzido prova suficiente a afastar a acertiva fiscal. Da análise dos dispositivos, depreende-se que as nulidades absolutas cingem-se aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. De outra sorte, é de se aplicar o princípio da salvabilidade do processo — art. 60 — por medida de economia processual e, por conseguinte, com vantagem ao Erário e à contribuinte. No caso vertente, a autuada argüiu a nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a perícia por ela solicitada haver sido denegada pela autoridade a quo, ocasionando cerceamento de direito de defesa. Ocorre que o deferimento de perícia solicitada pela contribuinte é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferi-la por considerá-la desnecessária ou prescindível, já que no processo constam todos os elementos necessários para a formação da sua livre convicção de julgador, conforme o art. 18 do Decreto n 2 70.235, de 06/03/72 (PAF), a seguir transcrito: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância deterininará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1° da Lei n°8.748/93)." Nesse sentido o acórdão recorrido está em perfeita consonância com a jurisprudência dos Eg. Conselhos de Contribuintes, conforme demonstram as seguintes ementas parcialmente transcritas: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. As nulidades absolutas limitam-se aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendê-las desnecessária ou julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito d \.\ 6 - ME - SEGUNDO CONSELHO DE COSI kliSUIHTES CONFERE COM O ODIGINAL 91008806/200519647Processo ne .- CC/C• • Brasília shz or f 0202 Acórdão n.° 202-19.129 Fls. 321lvana Cláudia Silva Castro Ibt Mat. Siape 92136 defesa.Preliminar rejeitada.PERICIA. Desnecessária a realização de perícia quando todos os documentos que poderiam comprovar a tese de defesa da recorrente já se. encontram acostados aos autos. Perícia denegada." (RV 130683, Processo n°10930.003107/2002-32, Ac. n° 204-00924) E ainda: • "NULIDADE. Constando dos autos todas as circunstâncias que envolveram o lançamento não há que se falar em nulidade da peça • infracional por cerceamento de direito de defesa. • PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Poderá a autoridade julgadora denegar pedido de diligência ou perícia quando entendê-las desnecessária ou julgamento do mérito, sem que isto ocasione cerceamento de direito de defesa.Preliminar Rejeitada. (RV 129173, Processo n° • 10510.003304/2002-01, Ac. n° 204-01770)." No mérito, melhor sorte não lhe assiste, porquanto o lançamento foi efetuado a partir de divergências constatadas entre os valores declarados e os escriturados e informados ao Fisco do Estado de Pernambuco, o que é perfeitamente possível, conforme se depreende das seguintes ementas parcialmente transcritas: 'INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO — DIFERENÇA NAS BASES DE CÁLCULO — SIMPLES — IRPI — CSLL — PIS — COFINS — INSS. Matéria de mérito não contestada. Matéria incontroversa. ALEGAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA. Não há que se falar em prova emprestada nos presentes autos, pois não há prova tomada de outro processo, seja judicial ou administrativo. Informações prestadas pela própria contribuintes ao Fisco Estadual podem ser usadas para complementar o procedimento fiscalizatório." (RV n° 142965, Processo n° 19647.005088/2003-30, Ac. n°107-09237) "IRPJ — LANÇAMENTO DE OFICIO — APURAÇÃO - PROVA EMPRESTADA — As informações sobre as vendas informadas para o Fisco Estadual podem ser aproveitadas no lançamento de tributos federais quando a contribuinte se recusa a apresentar seus livros e documentos contábeis." (12V n° 146405, Processo n° 10380.006098/2004-77, 107-08467) Ademais disto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofuis é o faturamento mensal, assim considerada a receita decorrente da comercialização de bens ou serviços, ou ainda a combinação de ambos, decorrentes das atividades normais da empresa, nos termos do art. 32 da Lei n2 9.718, de 27 de novembro de 1998. Sobre a base de cálculo do PIS e da Cofins este Colegiado teve ocasião de decidir no seguinte sentido: "A base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cotins é aquela definida na lei como sendo o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Não integram a base de cálculo das aludidas contribuições apenas as exclusões expressamente relacionadas na legislação respectiva, não constando os créditos não \\Te 7 k, . . . . -* ME - SEGURA cowario DE CONtiallINTES Processo ri° 19647.008806/2005-91 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/CO2• • • Acórdão n.° 202-19.129 Brasllia iii 0v J — Fls. 322 Ivan Cláudia Silva Castro 1"4 Mat. Siape 92136 auferidos por conseqüência de inadimplências. Recurso Negado." (Processo n° 10510.001398/2004-37 Recurso n° 139.516, Acórdão n° • 202-18.483) Em face do exposto, voto no sentido afastar a preliminar de nulidade, rejeitar o • pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 02 de julho de 2008. 1 • 1. • OLI if# (40 • • CP 1311AC. no* ,\? a Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1
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Numero do processo: 35346.000171/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1995 a 31/12/1998
DECADÊNCIA - O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.237
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4º do CTN.
Nome do relator: Adriana Sato
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. t 1 Processo n° 35346.000171/2006-14 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00137 9. 610 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda 4.Junior e Edgar Silva Vid acom anharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, § do . \I. •ri io rs • t. VIEIRA GOMES ti 1 1' • o 4/4 , • . • - e • -latora Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente Gelson Guilherme Werleng, OAB/SC n° 19.926. 2 Processo e 35346.000171/2006-14 S2-C3T1 Acórdão n, 2301-00137 F1.611 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito cujo objeto da notificação são as contribuições devidas pela Recorrente na condição de responsável solidária com o Sindicato Rural de Concórdia, correspondente a serviços executados sobre cessão de mão de obra, nos quais não foram comprovados os devidos recolhimentos das contribuições previdenciárias dos segurados. O período do débito abrange as competências de outubro de 1995 a dezembro de 1998. Os documentos examinados para o levantamento de débito foram: livros diários e razão, e, NFLD n°35.125.636-9 de 29/12/2000. Fazem parte do crédito previdenciário levantado, as contribuições devidas pelo SENAR na condição de responsável solidário, destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa, segurados, ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (até 06/97), ao financiamento dos beneficio concedidos em razão dos riscos ambientais do trabalho — RAT (a partir de 07/1997) e as destinadas a outras Entidades (Terceiros). A Recorrente foi cientificada da lavratura da NFLD em 08/07/2005 (fls.53), apresentou defesa (fls.54/85) e a DN julgou o lançamento procedente (fls.143/158). Em 10/01/2006 a Recorrente foi cientificada do teor da DN, e, inconformada, apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: Ilegitimidade passiva; Falta de ação prévia contra o contribuinte principal; Decadência; A 2* CaJ converteu o julgamento em diligência para que o Recorrido juntasse aos autos a NFLD n°35.125.636-9 ou sua cópia integral, bem como fizesse os esclarecimentos elencados no acórdão. A Recorrente apresentou sua manifestação sobre os documentos e esclarecimentos do Recorrido. É o relatório. 3 Processo n°35346.00017112006-14 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00237 }L612 Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas sessões plenárias dos dias II e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Pane final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse ;agida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTIV: Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146. III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, _frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É COMO voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: An. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa 4 à Processo n°35346.00017112006-14 S2-C3T1I Acórdão n.° 2301-00.237 n. 613 oficial, terá efeito vinculante em rektçã o aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. — Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Leí . ,f* I° O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinodnv, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Assim sendo, tendo sido cientificada a recorrente do lançamento em 08/07/2005 (fls.53) e débito abranger as competências de outubro de 1995 a dezembro de 1998, ficam alcançadas pela decadência todas contribuições objeto do lançamento. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para DAR PROVIMENTO ao r- so interposto. 111Sal: e . Selsõ :, 05 de maio de 2009 1 1. ev %' 5 • • ' A e - Relatora 5 Page 1 _0042500.PDF Page 1 _0042600.PDF Page 1 _0042700.PDF Page 1 _0042800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10242.000138/2010-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Exercício: 2010 ISENÇÃO. TÁXI. Somente faz jus à obtenção de incentivo fiscal o contribuinte que comprovar sua regularidade fiscal em relação a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-001.625
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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TÁXI. Somente faz jus à obtenção de incentivo fiscal o contribuinte que comprovar sua regularidade fiscal em relação a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/06/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de isenção do IPI para aquisição de táxi, protocolado em 28/10/2010, formulado com base na Lei nº 8.989/95 e na Instrução Normativa SRF nº 987/2009. O pedido foi indeferido com base no art. 4º, § 7º da IN RFB nº 987/2009, sob o argumento de que conquanto o contribuinte tenha comprovado o exercício da atividade de taxista desde o ano de 1986, não comprovou que efetuou recolhimentos para a previdência social no período compreendido entre novembro de 2005 e junho de 2008. Por meio do Acórdão nº 22.273, de 05/07/2011, a 3ª Turma da DRJ em Belém – PA, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O julgado recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2010 IPI. ISENÇÃO. TÁXI. REQUISITOS. Somente faz jus à isenção do IPI incidente sobre a venda de veículos automotores o sujeito passivo que comprove sua regularidade fiscal em relação a tributos administrados pela RFB. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” Regularmente notificado daquele acórdão em 30/08/2011, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/09/2011. Alegou, em síntese, que no período de 2005 a 2008 não estava inscrito como contribuinte previdenciário, não podendo ser cobrado por um período que não tinha inscrição da NIT. Alegou que embora tenha declarado que exercia essa atividade desde 2005, disse que exercia como autônomo e no anonimato, passando a ser reconhecido legalmente nesta função a partir de 2008, quando obteve a NIT nº 1.193.926.489 2. Alegou que a lei que concedeu a isenção não determina que o requerente deva recolher o INSS do período em que vivia no anonimato e que a lei da previdência não pode cobrar aquilo que ainda não era legal (sic). Acrescentou que o próprio órgão certificou que o requerente não está em débito com a previdência. Assim, não pode a Fazenda Nacional cobrar ou inscrever quaisquer dívidas inerente à contribuição ao INSS, quando o requerente ainda não era identificado como contribuinte. Disse que a administração concedeu a autorização para a aquisição do veículo e afirmou que não existia nenhuma restrição que pudesse intervir na isenção do IPI. Na época, em 2008, o requerente não retirou o veículo porque não conseguiu o financiamento. Diante disso, devolveu por duas vezes a autorização para aquisição do veículo, autorização essa concedida pela mesma pessoa que agora indeferiu a isenção. Requereu o provimento de seu recurso para o fim de que lhe seja assegurado o direito à isenção. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/06/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10242.000138/201008 Acórdão n.º 340301.625 S3C4T3 Fl. 2 3 Inicialmente cumpre esclarecer ao recorrente que não foram e nem estão sendo lançadas ou inscritas em dívida ativa as contribuições previdenciárias do período de novembro de 2005 a junho de 2008. A única questão a ser resolvida neste processo é se o contribuinte está ou não em dia com suas obrigações tributárias, a fim de poder usufruir da isenção concedida pelo art. 1º da Lei nº 8.989/95. A autoridade administrativa indeferiu o pedido de isenção com base no art. 4º, § 7º da IN RFB nº 987/2009, sob o argumento que o contribuinte, embora estivesse legalmente obrigado, não recolheu as contribuições previdenciárias entre novembro de 2005 e junho de 2008. O fundamento de validade do art. 4º , § 7º da IN RFB nº 987/2009 é o art. 60 da Lei nº nº 9.069/95, que estabelece o seguinte: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” No tocante à sujeição do contribuinte à incidência da contribuição previdenciária, o art. 12 da Lei nº 8.212/91 estabelece o rol de segurados obrigatórios da Previdência Social. O referido artigo, na sua redação original, estabelecia que era segurado obrigatório e, portanto, contribuinte da Previdência Social, o trabalhador autônomo que exercesse por conta própria atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não (art. 12, IV, “b”). Posteriormente, o art. 12 foi alterado pela Lei nº 9.876/99, mas a previsão mencionada no parágrafo anterior foi mantida com a mesma redação no inciso V, alínea “h”. Portanto, pelo menos desde 1991, o requerente estava legalmente obrigado pelo art. 12 da Lei nº 8.212/91a se inscrever no INSS como contribuinte individual da Previdência Social. O requerimento de isenção foi protocolado em 28/10/2010 (fl. 22). Nesta data o requerente deveria ter comprovado a quitação dos tributos federais dos últimos cinco anos, ou seja, deveria ter comprovado os pagamentos relativos aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 2005 e outubro de 2010. O extrato de pagamentos de fls. 33/35 comprova a quitação das contribuições previdenciárias apenas dos períodos de julho de 2008 a outubro de 2010. Quanto ao período de novembro de 2005 a junho de 2008 o contribuinte informa que não efetuou recolhimentos porque “estava no anonimato”. Ora, “estar no anonimato” com relação ao INSS significa que não pagou o que deveria ter sido pago. Portanto, tendo descumprido o dever legal previsto no art. 12 da Lei nº 8.212/91, deixou de preencher o requisito exigido pelo art. 60 da Lei nº 9.069/95 para usufruir Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/06/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 da isenção, razão pela qual não merecem reparos o despacho da autoridade administrativa e o acórdão da delegacia de julgamento que o manteve. No mais, o fato do requerimento anterior ter sido deferido (fls. 01 a 21) não gerou direito adquirido ao benefício, pois o contribuinte não chegou a comprar o veículo, tendo devolvido à repartição fiscal as duas vias da autorização (anexo VII). O fato de pedidos anteriores terem sido deferidos, não significa e nem acarreta automaticamente o deferimento de pedidos posteriores, pois é perfeitamente possível que a administração, diante de um fato novo não considerado anteriormente, reveja seu entendimento. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/06/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10580.908185/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS.
NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA NO ÂMBITO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS.
A Primeira Seção do Tribunal Superior de Justiça, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas, oriundas de condenação judicial, em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.799
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para que se considere como correta a Declaração de Ajuste Anual Retificadora (fls. 02/07), reconhecendo como pagamento indevido os recolhimentos constantes da fls. 21, cujo valor a ser devolvido será apurado pela autoridade executora do presente acórdão, os termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA NO ÂMBITO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. A Primeira Seção do Tribunal Superior de Justiça, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas, oriundas de condenação judicial, em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para que se considere como correta a Declaração de Ajuste Anual Retificadora (fls. 02/07), reconhecendo como pagamento indevido os recolhimentos constantes da fls. 21, cujo valor a ser devolvido será apurado pela autoridade executora do presente acórdão, os termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Fl. 60DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odair Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.908185/200919 Acórdão n.º 220201.799 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório EVERALDO COUTINHO MACHADO, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 004.801.69500, com domicílio fiscal na cidade de Salvador, Estado da Bahia, à Rua da Grécia, n.º 09 Bairro Praia Grande, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador BA, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 47/54, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 50/51. O requerente apresentou, em 26/05/2004, através da Declaração de Ajuste Anual Retificadora, pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, sobre valores pagos por pessoa jurídica, no anocalendário de 2002, sob o entendimento que estes valores são isentos de imposto de renda pelo fato de se referirem a juros moratórios recebidos em ação trabalhista. De acordo com a Portaria SRF n.º 4.980/94 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador BA, através da Divisão de Orientação e Análise Tributária DIORT, apreciou e concluiu que o presente pedido de restituição é improcedente. Irresignado com a decisão da autoridade administrativa singular, o requerente apresenta, tempestivamente, em 03/07/2009, a sua manifestação de inconformidade de fls. 01, solicitando que seja revista à decisão para que seja declarado procedente o pedido de restituição com base em síntese, no argumento de as informações prestadas na primeira Declaração de Ajuste Anual tiveram algumas incorreções e que só foram corrigidas com o novo demonstrativo de imposto de renda, referente a ação trabalhista fornecidos com algum atraso pela instituição financeira Banco da Amazônia. Após resumir os fatos constantes do pedido de restituição e as razões de inconformismo apresentadas pelo requerente, a Terceira Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA resolveu julgar improcedente a reclamação apresentada contra a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Salvador BA, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a manifestação de inconformidade é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores; que para melhor analisar o pleito do contribuinte, os fatos registrados neste processo estão sintetizados a seguir; que em 30/04/2003, o contribuinte apresentou declaração de ajuste anual em formulário (fls. 43/44), declarando rendimentos tributáveis recebidos do Banco da Amazônia S/A, em duas parcelas, uma de R$255.865,03 e outra de R$27.264,09. Apurou saldo de imposto de renda a pagar, de R$36.443,43, pagas em seis parcelas de R$6.073,90 cada (fls. 18/20); Fl. 62DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 4 que, em 09/01/2004, a Secretaria da Receita Federal do Brasil em procedimento de revisão da declaração, glosou a dedução de despesas com instrução e apurou imposto de renda a pagar de R$37.392,18, com saldo a pagar de R$948,75; que notificado do lançamento, em 21/01/2004 (fl. 46), o contribuinte providenciou o pagamento do saldo de imposto de renda a pagar, de R$948,75; que, posteriormente, em 26/05/2004, transmite declaração retificadora (fls. 02/07), reduzindo uma das parcelas dos rendimentos tributáveis recebidos do Banco da Amazônia S/A, de R$255.865,03 para R$115.629,08, mantendo o mesmo valor da outra parcela. Apura agora saldo de imposto de renda a restituir de R$1.172,71; que, em 28/05/2004, transmite pedido de restituição de imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual original, no valor de R$37.924,79, incluídos os juros moratórios. Não incluiu no pedido de restituição, o valor de imposto suplementar lançado em janeiro de 2004, no valor de R$948,75; que, inicialmente, registrase que a declaração retificadora foi cancelada (fl. 45v) em virtude de disposição existente na legislação tributária que impõe um limite temporal para o exercício da faculdade de alterar a declaração de ajuste anual, através de retificação; que este limite á a notificação do lançamento, quando a retificação visa reduzir ou excluir o imposto. Após a notificação, a declaração não mais pode ser retificada; que, no mérito, observase que a redução de uma das parcelas dos rendimentos pagos pelo Banco da Amazônia S/A, de R$255.865,03 para R$115.629,08, mesmo que tendo como base informações da fonte pagadora — comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte (fl. 12) e extrato de Dirf (fl. 35) — não é procedente, porque como informado pela própria fonte pagadora no comprovante de rendimentos (fl. 12), os rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte no processo 01.09.89.063105 na 9ª Vara do Trabalho em Salvador totalizaram R$290.767,76, resultante da adição à parcela informada como tributável, de R$115.629,08, da parcela correspondentes aos juros, de R$175.138,68, que erroneamente foi informada como rendimentos isentos ao lado do valor relativo ao FGTS, de R$30.963,78, este efetivamente isento, conforme expressa disposição da legislação tributária; que, enfim, o contribuinte em ambas declarações, original e retificadora, oferece à tributação rendimentos tributáveis inferiores aos efetivamente recebidos na ação trabalhista, porque, repito, juros pagos a titulo de mora e/ou recomposição do valor monetário das verbas questionadas judicialmente são tributáveis como disposto no art. 55 do Decreto 3.000, de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda (RIR); que cabe ainda considerar que no caso de rendimentos tributáveis pagos em ação judicial, inexistindo a retenção de imposto de renda, de responsabilidade da fonte pagadora, a responsabilidade pelo pagamento do imposto transferese para o contribuinte, no momento da declaração de ajuste anual, o que ocorreu, apenas parcialmente, quando da apresentação da declaração original do exercício 2003, porque deixou de submeter ao ajuste, rendimentos pagos pelo Banco da Amazônia S/A no valor de R$34.902,73 (R$290.767,76 R$255.865,03). A decisão de Primeira Instância está consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2002 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.908185/200919 Acórdão n.º 220201.799 S2C2T2 Fl. 3 5 AÇÃO JUDICIAL. JUROS MORATÓRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. São rendimentos tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 13/05/2010, conforme Termo constante às fls. 48/49, e, com ela não se conformando, o requerente interpôs, em tempo hábil (08/06/2010), o recurso voluntário de fls. 50/51, sem instrução de documentos adicionais, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na peça de manifestação de inconformidade, reforçado pelas seguintes considerações: que no ano calendário de 2002 fui recebedor de uma causa trabalhista com valores suficientes e que justificasse a Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda no Exercício de 2003; que com base no Primeiro Comprovante de Rendimento, emitido de forma incorreta pelo Banco da Amazônia, prestei minhas informações na DIRPF/2003, uma vez que eu não queria perder o prazo para declarar meu Imposto de Renda. Apesar de saber que havia erros naquele Comprovante de Rendimentos; que, porém, desde aquele momento comecei a solicitar ao Banco da Amazônia que me concedesse um outro Comprovante de Rendimentos para que eu procedesse com uma Declaração Retificadora que corrigisse os valores declarados em minha Declaração de Imposto de Renda; que por conta dessa demora do Banco em me conceder um novo Comprovante de Rendimentos, tive que desembolsar grande soma a titulo de Imposto de Renda, além do Imposto Retido na Fonte, pois a Receita Federal entendeu que aquele primeiro Comprovante de Rendimentos estava corretamente emitido; que decorrido um longo tempo de aborrecimentos e idas e vindas, finalmente consegui que o Banco da Amazônia emitisse um Novo Comprovante de Rendimentos, discriminando as verbas de Correção Monetária e de FGTS; que com base neste novo Comprovante de Rendimentos entrei com uma Declaração Retificadora, corrigindo as informações prestadas equivocadamente na declaração original, na tentativa de reaver os valores cobrados e pagos injustamente; que, agora, tristemente recebo a noticia, através deste Acórdão, de que eu não tenho direito nenhum a reaver e que os valores que paguei são todos devidos pois entreguei a declaração fora do prazo e os valores isentos adotados pelo novo Comprovante de Rendimentos fornecidos pela empresa não eram verbas isentas; que como parte mais prejudicada dentro de toda essa questão, venho solicitar que seja feita uma revisão em cima deste Acórdão com o objetivo de que seja aceita a Fl. 64DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 6 Declaração Retificadora entregue, acatando os valores dos rendimentos do novo Comprovante de Rendimentos emitido pelo Banco da Amazônia; que caso a Correção Monetária isenta, conforme o novo Comprovante de Rendimentos, não seja aceita em sua totalidade como livre de tributação, que se isente a parte da Correção Monetária ocorrida encima das verbas isentas do FGTS; que, finalmente, sendo a Declaração Retificadora aceita, na sua totalidade ou em parte, que me seja restituída a parte por mim desembolsada indevidamente. que senhores deste Conselho, uma vez que os prejuízos que se somam em meu patrimônio, pessoais e dentro de minha casa são enormes, pego que meus pedidos sejam aceitos sendo por questões humanitárias, que o sejam por uma questão de JUSTIÇA! É o Relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.908185/200919 Acórdão n.º 220201.799 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A matéria em discussão, conforme visto do relatório, versa sobre restituição de imposto de renda pessoa física, mediante apresentação de Declaração de Ajuste Anual Retificadora com objetivo de retificar a Declaração de Ajuste Anual Original correspondente ao exercício de 2003, correspondente ao anocalendário de 2002. Observase que a retificação seu deu em razão de que o contribuinte entendeu que sobre os juros recebidos de forma acumulada, relativos a ação trabalhista, estariam fora do campo de incidência do imposto de renda pessoa física. Observase, que em 30/04/2003, o contribuinte apresentou declaração de ajuste anual em formulário (fls. 43/44), declarando rendimentos tributáveis recebidos do Banco da Amazônia S/A, em duas parcelas, uma de R$255.865,03 e outra de R$27.264,09. Apurou saldo de imposto de renda a pagar, de R$36.443,43, pagas em seis parcelas de R$6.073,90 cada (fls. 18/20). E em 09/01/2004, a Secretaria da Receita Federal do Brasil em procedimento de revisão da declaração, glosou a dedução de despesas com instrução e apurou imposto de renda a pagar de R$37.392,18, com saldo a pagar de R$948,75. Observase, ainda, que notificado do lançamento, em 21/01/2004 (fl. 46), o contribuinte providenciou o pagamento do saldo de imposto de renda a pagar, de R$948,75. Posteriormente, em 26/05/2004, transmite declaração retificadora (fls. 02/07), reduzindo uma das parcelas dos rendimentos tributáveis recebidos do Banco da Amazônia S/A, de R$255.865,03 para R$115.629,08, mantendo o mesmo valor da outra parcela. Apura agora saldo de imposto de renda a restituir de R$1.172,71. Por fim, em 28/05/2004, transmite pedido de restituição de imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual original, no valor de R$37.924,79, incluídos os juros moratórios. Não incluiu no pedido de restituição, o valor de imposto suplementar lançado em janeiro de 2004, no valor de R$948,75. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o recorrente apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada em Primeira Instância, sendo que para tanto insiste pela isenção do imposto de renda pessoa física dos juros recebidos. Em razão do aproveitamento do mérito, em favor do sujeito passivo, deixo de analisar questões preliminares, por ventura, necessárias. É de se ressaltar, inicialmente, que na regra geral, os rendimentos auferidos por pessoa física são tributáveis apenas no momento em que o contribuinte adquire a disponibilidade efetiva da renda. Vale dizer, a tributação da pessoa física se dá pelo regime de Fl. 66DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 8 caixa, e não pelo de competência. O imposto só atinge o rendimento quando os valores já se encontram à disposição do contribuinte. É o que podemos extrair do disposto nos arts. 37, 38 e 39 do Regulamento do Imposto Renda RIR/1999 Decreto n.º 3.000, de 26/03/1999, vigente à época da ocorrência do fato gerador: Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, bem como a renda presumida, no caso de sinais exteriores de riqueza (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, I e II, Lei nº 7.713/88, art. 3º, § 1º e Lei nº 8.021/90, art. 6º, §1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844/43, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3 º, § 4º). Art. 39. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal a entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Adicionalmente, quanto à tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, cabe observar às disposições dos arts. 56 e 640, do RIR/1999, in verbis: “Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12).” “Art. 640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12, e Lei nºo 8.134, de 1990, art. 3º).” No caso ora examinado, a incidência pelo regime de caixa tem assento no art. 12 da Lei nº 7.713/88, o qual dispõe: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.908185/200919 Acórdão n.º 220201.799 S2C2T2 Fl. 5 9 Assim, os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, deveriam ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Por outro lado, é de bom tão se observar, que a hipótese de incidência (fato gerador) de um tributo, ainda que prevista em lei, só é válida se compatível com o sentido revelado pelas regras e princípios constitucionais aplicáveis. Nesta linha lógica de pensamento se faz necessário ressaltar, que as decisões judiciais não têm declarado que a inconstitucionalidade está no próprio texto normativo acima transcrito (art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988). Ou seja, a inconstitucionalidade tem sido declarada "sem redução de texto", mediante a técnica hermenêutica da "interpretação conforme a Constituição", pela qual se afasta a interpretação literal e se adota um sentido que esteja em harmonia com a Lei Maior. Como exemplo, temos em na Região Sul a decisão proferida pelo TRF da 4ª Região, nos autos de arguição de inconstitucionalidade nº 2002.72.05.0004340/SC, onde foi decidido que o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, trata apenas do aspecto temporal (momento da incidência = recebimento acumulado), e não do aspecto material (regime de competência e não de caixa) da hipótese de incidência. Na mesma linha de raciocínio estaria, a princípio, os juros recebidos de forma acumulada, oriunda de ações trabalhistas. No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a tese majoritária era de que independentemente da designação dada (juros compensatórios, juros indenizatórios, juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc.), qualquer acréscimo no valor da venda deve ser tributado em separado do ganho de capital, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário de seu recebimento. Esta lógica era aplicada as demais fontes de origens dos rendimentos de juros recebidos. Não importava se eram juros recebidos em ações trabalhistas ou por qualquer outro motivo, a tese que prevalecia era de que os juros recebidos seguiam a tributação do principal. Entretanto, com todas as vênias necessárias, entendo que continuar esta discussão neste Tribunal Administrativo seria improdutivo, diante do fato que, em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 68DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 10 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a incidência de imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de decisão judicial é um destes temas. No que diz respeito a incidência do imposto de renda pessoa física sobre juros recebidos em ações trabalhistas o Superior Tribunal de Justiça firmou posicionamento, em ambas as turma de direito público, no sentido da não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Matéria decidida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº.1.227.133/RS (2010/02302098), de Relatoria do Exmo. Min. Teori Albino Zavascki – e o Redator designado para a redação do Acórdão Exmo. Min. Cesar Asfor Rocha, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução n. 8/08 do STJ, que tratam dos recursos representativos da controvérsia, verbis: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. (...). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.908185/200919 Acórdão n.º 220201.799 S2C2T2 Fl. 6 11 VOTO VENCIDO (...). VOTOVISTA O EXMO. SR. MINISTRO CESAR ASFOR ROCHA: A União (Fazenda Nacional) interpôs o presente recurso especial com base no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra o acórdão de fls. 182193, da 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VERBAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA E JUROS MORATÓRIOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INEXIGIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 20, § 4º, DO CPC. Em caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês do recebimento, mas o cálculo do imposto é feito levando em consideração o mês a que cada parcela se refere. Não incide imposto de renda sobre os valores recebidos a título de juros de mora acrescidos às verbas pagas por força de decisão judicial, por constituírem indenização pelo prejuízo resultante de um atraso culposo no pagamento de determinada parcela devida. Honorários fixados em 10% sobre o valor da condenação, de acordo com o entendimento deste Turma e nos termos do art. 20, § 3º e § 4º, do CPC. Apelação parcialmente provida" (fl. 193 – grifo meu). O Tribunal de origem, ainda, acolheu parcialmente os embargos de declaração da União para efeito de prequestionamento e rejeitou os declaratórios da parte autora, estando o acórdão resumido na seguinte ementa: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. ART. 12 DA LEI Nº 7.713/88. INCIDÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. JUROS MORATÓRIOS. CARÁTER INDENIZATÓRIO. PREQUESTIONAMENTO. OMISSÃO. NATUREZA ALIMENTAR DO CRÉDITO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Hipótese em que explicitado no acórdão embargado que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época a que se referiam os rendimentos. Os juros de mora constituem indenização pelo prejuízo resultante de um retardamento culposo no pagamento de determinada parcela. Não incide imposto de renda sobre verbas de natureza indenizatória. A devolução do imposto de renda indevidamente retido não configura verba alimentícia. Atualização monetária. Taxa SELIC" (fl. 216). Fl. 70DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 12 Alega a União, preliminarmente, violação do art. 535, inciso II, do Código de Processo Civil, ressaltando que "a Turma deu parcial provimento aos embargos de declaração sem analisar especificamente a natureza da verba paga a título de principal (documentos das fls. 73 e ss.), imprescindível ante o novel entendimento esposado pelo STJ de que a natureza da verba principal deve ser adotada no que toca aos juros moratórios. Ademais, não analisou, também, a aplicabilidade dos arts. 39, inciso XVI a XXIV e 43 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 26/03/99), artigos 43, 97 e 111 do CTN, 6º e 12 da Lei nº 7.713/88, 46 da Lei 8.541/92" (fl. 221). No mérito, sustenta a recorrente negativa de vigência dos artigos 39, incisos XVI a XXIV, e 43 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n. 3.000, de 26.3.1999), artigos 43, 97 e 111 do Código Tributário Nacional, 6º e 12 da Lei n. 7.713/1988, 46 da Lei n. 8.541/1992 e 8º da Lei n. 9.250/1995. Argumenta que o acórdão recorrido, contra a lei, interpretou extensivamente a legislação tributária, tendo em vista "que considerou isentas verbas recebidas e não indicadas na lei como isentas" (fl. 223). No caso, não haveria norma isentando de imposto de renda verba indenizatória, devendo incidir imposto de renda sobre os juros moratórios. Aduz, igualmente, que "o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou acerca da matéria, adotando o entendimento que a procedência do pedido se encontra atrelada à natureza das verbas pagas, merecendo a obrigação acessória (juros de mora) seguir a mesma regra da principal. Deflui, portanto, que os juros moratórios, por si só, não são isentos de imposto de renda" (fl. 227). Por último, a União requer, "em face do efeito translativo do recurso, na hipótese de procedência da demanda, seja reconhecida a prescrição das parcelas recolhidas a título de imposto de renda no período anterior ao prazo de cinco anos do ajuizamento da ação, nos termos do art. 168, I, do CTN, com redação dada pelos arts. 3º e 4º da LC 118/05" (fl. 233). O recorrido apresentou contrarrazões (fls. 303316), e o recurso especial da União foi admitido (fls. 328330). Os recursos especial (fls. 266280) e extraordinário (fls. 281 292) de Rogis Marques Reis não foram admitidos (fls. 325327 e 333334), não tendo sido interpostos agravos de instrumento (fl. 336). O recurso extraordinário da União (fls. 235251) teve seguimento negado por estar prejudicado na forma do art. 543 A, § 3º, do Código de Processo Civil (fls. 331332), não tendo havido manifestação a respeito dessa decisão (fl. 337). O em. Ministro Teori Albino Zavascki, relator, deu parcial provimento ao recurso especial. Rejeitou, em primeiro lugar, a alegação de contrariedade ao art. 535, inciso II, do Código de Processo Civil, ressaltando que os embargos de declaração tiveram nítido caráter infringente e que não houve omissão Fl. 71DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.908185/200919 Acórdão n.º 220201.799 S2C2T2 Fl. 7 13 alguma. Reconheceu, ainda, que a matéria recursal não envolve questões de fato ou de prova. Sobre o mérito, entende o em. Relator que, apesar da natureza indenizatória dos juros moratórios (art. 404 do atual CC e art. 1.061 do CC de 1916), é induvidoso que o seu pagamento, por não se destinar à cobertura de nenhuma espécie de dano emergente, acarreta necessariamente um real acréscimo ao patrimônio material do credor. Assim, o pagamento de juros moratórios tipifica o fato imponível descrito no art. 43 do Código Tributário Nacional. Acrescenta não haver norma específica de isenção pertinente aos referidos juros. Ao contrário, a legislação teria, em várias oportunidades, determinado a incidência do imposto de renda. Cita, por exemplo, o parágrafo único do art. 16 da Lei n. 4.506/1964, segundo o qual "serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo". Considerando, ainda, a existência de vários dispositivos de lei em vigor que preveem a incidência de imposto de renda sobre juros de mora, asseverou que a sua não aplicação somente seria justificável mediante a declaração de inconstitucionalidade, observado o princípio da reserva de plenário a que se refere o art. 97 da Constituição. Por outro lado, continua o Relator, assentado na jurisprudência deste Tribunal Superior, embora não exista lei de isenção específica para os juros de mora, o sistema normativo contempla uma espécie de isenção indireta, que pode ser assim enunciada: aplicase aos correspondentes juros de mora a isenção que beneficia o valor da prestação principal. No caso concreto, portanto, conclui haver isenção, apenas, quanto aos juros de mora incidentes sobre o valor do auxílio alimentação e sobre o valor das diferenças de FGTS, tendo em vista que essas parcelas estão contemplados por isenção, nos termos dos artigos 6º, incisos I e V, da Lei n. 7.713/1988 e do art. 39, incisos IV e XX, do Decreto n. 3.000/1999 (RIR/99). Encerrado o relatório acima, passo a emitir o meu voto sobre o recurso especial. Sobre a violação do art. 535 do Código de Processo Civil, acompanho o em. Ministro relator, não estando presente nenhuma omissão que deva ser solucionada. O Tribunal de origem, mediante ampla fundamentação, enfrentou as questões postas ao seu alcance nos julgamentos da apelação e dos embargos de declaração. Quanto à incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios, data venia, ouso divergir do em. Ministro relator, porque entendo que a importância deles decorrente não representa necessariamente renda e, muito menos, renda tributável. O caso, assim, é de não incidência tributária, sendo irrelevante a natureza da importância principal. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 14 Com efeito, começo por aderir à orientação, invocada inclusive pelo em. Ministro Teori Albino Zavascki, de que "não é o nomen juris, mas a natureza jurídica da verba que definirá a incidência tributária ou não" (EREsp n. 979.765/SE, publicado em 1º.9.2008, Primeira Seção, da relatoria do em. Ministro Mauro Campbell Marques). Dissertando sobre os juros moratórios previstos no art. 1.061 do Código Civil de 1916, J. M. Carvalho Santos, in Código Civil Brasileiro Interpretado (Livraria Freitas Bastos S.A., 6ª edição, Direito das Obrigações, Volume XIV), afirma serem eles devidos "mesmo que o credor não prove o prejuízo sofrido, já porque o legislador considera necessariamente danosa a privação duma soma de dinheiro, já porque se presume que o dinheiro está frutificando ou rendendo juros em poder do devedor" (páginas 269271). Também Orlando Gomes, in Obrigações (Forense, 6ª edição – 1981), leciona que, "nas dívidas pecuniárias, as perdas e danos consistem nos juros moratórios. É intuitiva a razão dessa especificidade. A privação do capital em conseqüência do retardamento na sua entrega ocasiona prejuízo que se apura facilmente pela estimativa de quanto renderia, em média, se já estivesse em poder do credor" (página 205). Mais adiante, acrescenta que, "se bem que os juros de mora constituam a indenização específica, devida em conseqüência de retardamento culposo no cumprimento da obrigação, não é necessário, para exigilos, que o credor alegue prejuízo. O devedor é obrigado a pagálos independentemente de qualquer postulação, porque a lei os presume" (fl. 206). As justificativas adotadas pelos doutrinadores referidos para a percepção de juros moratórios, como se pode verificar, estão vinculadas ao valor que a importância principal objeto da inadimplência poderia render durante o período em que o credor permaneceu privado do que lhe seria devido. Hoje, entretanto, as indenizações por perdas e danos inerentes aos juros de mora devem ser entendidas em sentido mais amplo. A evolução jurisprudencial, legislativa e doutrinária pertinente à proteção dos direitos, sobretudo personalíssimos, impõe que tais indenizações, para serem completas, abarquem os bens materiais e imateriais. Com isso, devese considerar que o conteúdo indenizatório dos juros moratórios previstos no Código Civil em vigor abarca não só a reparação do período de tempo em que o credor, com profunda insatisfação, permaneceu privado da posse do bem que lhe seria devido por direito, mas também os possíveis e eventuais danos morais, ainda que remotos, os quais não precisam sequer ser alegados (art. 407 do CC em vigor), tampouco comprovados. Para afastar qualquer dúvida, observo que, apesar de a simples privação de determinada soma em dinheiro, sem a presença de outros componentes fáticos, não ter o potencial de acarretar danos morais, há casos em que os referidos prejuízos, imateriais, estão sim presentes. Assim, se a carência desse dinheiro impediu, por exemplo, a realização de uma cirurgia do próprio credor, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.908185/200919 Acórdão n.º 220201.799 S2C2T2 Fl. 8 15 que veio a adquirir sequelas, ou se a inadimplência retardou a realização da mencionada intervenção cirúrgica, ensejando tortura mental e preocupação imoderada, os juros moratórios, de caráter indenizatório, igualmente abrangem a recomposição de danos morais, tendo em vista que a privação do bem material provocou prejuízos de ordem imaterial juridicamente relevantes. Enfim, abrangendo os juros moratórios, em tese, de forma abstrata e heterogênea, eventuais danos materiais, ou apenas imateriais, que não precisam ser discriminados ou provados, não se pode conceber que aqueles representem simples renda ou acréscimo patrimonial, não se enquadrando na norma do art. 43 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172, de 25/10/1966), com o seguinte teor: "Art. 43. O imposto de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." A respeito da indenização por danos morais, a propósito, por representar a recomposição do patrimônio lesado, a jurisprudência da Primeira Seção já está pacificada no sentido de sobre ela não incidir imposto de renda. Confirase o precedente que consolidou essa orientação e que vem sendo repetido em todos os julgamentos posteriores: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. NATUREZA DA VERBA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. NÃOINCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA REPARAÇÃO INTEGRAL. PRECEDENTES DO STJ. 1. A indenização por dano estritamente moral não é fato gerador do Imposto de Renda, pois limitase a recompor o patrimônio imaterial da vítima, atingido pelo ato ilícito praticado. 2. In casu, a negativa de incidência do Imposto de Renda não se faz por força de isenção, mas em decorrência da ausência de riqueza nova – oriunda dos frutos do capital, do trabalho ou da combinação de ambos – capaz de caracterizar acréscimo patrimonial. 3. A indenização por dano moral não aumenta o patrimônio do lesado, apenas o repõe, pela via da substituição monetária, in statu quo ante. 4. A vedação de incidência do Imposto de Renda sobre indenização por danos morais é também decorrência do princípio da reparação integral , um dos pilares do Direito brasileiro. A tributação, nessas circunstâncias e, especialmente, na hipótese de ofensa a direitos da personalidade, reduziria a Fl. 74DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 16 plena eficácia material do princípio, transformando o Erário simultaneamente em sócio do infrator e beneficiário do sofrimento do contribuinte. 5. Recurso Especial não provido" (REsp 963.387/RS, Primeira Seção, Ministro Herman Benjamim, DJe de 5.3.2009). Quanto à Lei n. 4.506/1964, que dispõe acerca do imposto que recai sobre as rendas e proventos de qualquer natureza, o seu art. 16 estabelece: "Art. 16. Serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: I – Salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento: II – Adicionais, extraordinários, suplementações, abonos, bonificações, gorjetas; III – Gratificações, participações, interesses, percentagens, prêmios e cotaspartes em multas ou receitas; IV – Comissões e corretagens; V – Ajudas de custo, diárias e outras vantagens por viagens ou transferência do local de trabalho; VI – Pagamento de despesas pessoais do assalariado, assim entendidas aquelas cuja dedução ou abatimento a lei não autoriza na determinação da renda líquida; VII – Aluguel do imóvel ocupado pelo empregado e pago pelo empregador a terceiros, ou a diferença entre o aluguel que o empregador, paga pela locação do prédio e o que cobra a menos do empregado pela respectiva sublocação; VIII – Pagamento ou reembolso do imposto ou contribuições que a lei prevê como encargo do assalariado; IX – Prêmio de seguro individual de vida do empregado pago pelo empregador, quando o empregado e o beneficiário do seguro, ou indica o beneficiário deste; X – Verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego; XI – Pensões, civis ou militares de qualquer natureza, meios soldos, e quaisquer outros proventos recebidos do antigo empregador de institutos, caixas de aposentadorias ou de entidades governamentais, em virtude de empregos, cargos ou funções exercidas no passado, excluídas as correspondentes aos mutilados de guerra exintegrantes da Força Expedicionária Brasileira. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.908185/200919 Acórdão n.º 220201.799 S2C2T2 Fl. 9 17 Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo" (grifo meu). O parágrafo único do dispositivo aqui reproduzido, a meu ver, encontrase derrogado, tendo em vista que, na linha do que afirmei acima, destinandose atualmente os juros de mora a indenizar, de forma ampla e heterogênea, danos materiais e Documento: Superior Tribunal de Justiça imateriais, é incompatível com o art. 43 do Código Tributário Nacional e com o atual Código Civil, ambos diplomas posteriores à Lei n. 4.506/1964. Além disso, por se tratar de mera derrogação de uma norma infraconstitucional por outras, passandose por induvidosa operação interpretativa, não há necessidade de ser aplicada a reserva de plenário imposta no art. 97 da Constituição Federal e no enunciado n. 10 da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. A propósito, veja o que decidiu o Plenário da Corte Constitucional sobre o tema: "RECLAMAÇÃO. SÚMULA VINCULANTE N. 10. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LEI N. 9.032/95. DECISÃO DA SEXTA TURMA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO CONFIGURADO O DESCUMPRIMENTO DA SÚMULA VINCULANTE N. 10 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A simples ausência de aplicação de uma dada norma jurídica ao caso sob exame não caracteriza, apenas por isso, violação da orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal. 2. Para caracterização da contrariedade à súmula vinculante n. 10, do Supremo Tribunal Federal, é necessário que a decisão fundamentese na incompatibilidade entre a norma legal tomada como base dos argumentos expostos na ação e a Constituição. 3. O Superior Tribunal de Justiça não declarou a inconstitucionalidade ou afastou a incidência dos arts. 273, § 2º, e 475O, do Código de Processo Civil e do art. 115, da Lei n. 8.213/91, restringindose a considerálos inaplicáveis ao caso. 4. Reclamação julgada improcedente" (Rcl 6.944/DF, DJe de 13.8.2010, Ministra Cármen Lúcia). Se isso tudo não bastasse, mesmo que os juros moratórios se resumissem a simples renda, esta não seria, necessariamente, tributável. Sendo os juros em debate um substituto (indenizatório) da renda que não se pôde auferir diante da inadimplência do devedor, a cobrança do imposto de renda, a meu ver, dependeria da clara e induvidosa identificação do tipo de rendimentos que estaria sendo substituído (indenizado) pelos juros moratórios, conforme passo a demonstra a seguir. Sob a ótica restrita da função de indenizar os frutos ou rendimentos que o credor poderia obter com a aplicação financeira do valor principal, se o recebesse no tempo certo, nem Fl. 76DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 18 sempre esse rendimento seria tributável. Assim, se o credor aplicasse o seu crédito, tempestivamente recebido, em uma caderneta de poupança, os frutos desse capital não seriam tributados pelo imposto de renda em decorrência da sua isenção. Como, então, dizer que os juros moratórios substitutos – indenizatórios – dos Superior Tribunal de Justiça rendimentos de uma caderneta de poupança estariam sujeitos ao referido tributo? Com efeito, impor a tributação genericamente sobre os juros de mora implica dizer que, sempre e sempre, a indenização estaria recompensando um rendimento tributável, o que não é verdade, pois o credor da importância principal poderia aplicar o seu dinheiro em investimentos variados, tributáveis ou não. A injustiça se revela, ainda, pelo fato de que o pequeno investidor, que eventualmente não tenha recebido o crédito na época correta e que em geral utiliza a caderneta de poupança para render o seu parco dinheiro, seria duplamente penalizado: 1º) receberia o seu crédito com atraso, estando sujeito a variados tipos de danos e 2º) pagaria imposto sobre uma renda que, se na poupança estivesse, não seria tributável. Ademais, a identificação clara e precisa de quais tipos de rendas estariam sendo substituídas (indenizadas) pelos juros de mora somente seria possível na hipótese do parágrafo único do art. 404 do Código Civil, que dispõe: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regulamente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogado, sem prejuízo da pena convencional. Parágrafo único. Provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz conceder ao credor indenização suplementar" (grifo meu). No caso do parágrafo único acima transcrito, o direito à complementação da indenização depende, como se pode ver, de ação própria, da prova do efetivo prejuízo e, consequentemente, da demonstração de que espécie de rendimentos deixouse de auferir em decorrência do inadimplemento do devedor. Enfim, os juros de mora pagos por força da lei, sem necessidade de comprovação dos prejuízos recompostos (heterogêneos), materiais ou imateriais, não são tributáveis porque não identificáveis quais tipos de rendas foram indenizadas. Por último, sobre o pedido de reconhecimento da prescrição das parcelas recolhidas a título de imposto de renda no período anterior ao prazo de cinco anos do ajuizamento da ação, o tema carece de prequestionamento, tendo em vista que os acórdãos recorridos, da apelação (fls. 182193) e dos respectivos embargos de declaração (fl. 209216), não cuidaram dessa matéria. A própria petição dos embargos de declaração da União (fls. 190208) não invoca a prescrição. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.908185/200919 Acórdão n.º 220201.799 S2C2T2 Fl. 10 19 Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (juros recebidos em ação trabalhista), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.166.290 – RS (2009/00507105)008/01073710), verbis: Superior Tribunal de Justiça AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.166.290 RS (2009/00507105) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : JOANA ROSA TABORDA PEREIRA E OUTRO ADVOGADO : LÚCIO FERNANDES FURTADO E OUTRO(S) RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Cuidase de agravo regimental interposto pela Fazenda Nacional contra decisão assim ementada (fl. 300): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. IRPF. INCIDÊNCIA SOBRE O SOMATÓRIO DAS PRESTAÇÕES PAGAS EM ATRASO. OBSERVÂNCIA DAS ALÍQUOTAS CORRESPONDENTES ÀS FAIXAS DE RENDA DE CADA MÊS. JUROS DE MORA INTEGRANTES DE CRÉDITO TRABALHISTA RECONHECIDO JUDICIALMENTE. TEMA PACIFICADO NO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO DE INSTRUMENTO NÃO PROVIDO. Nas razões da presente irresignação, a agravante alega que deve ser afastada a aplicação do enunciado sumular 83/STJ pois não há jurisprudência firmada nesta Corte acerca da questão controvertida. Afirma, ainda, que a matéria encontrase submetida à apreciação da Primeira Seção deste STJ, pelo que deve ser determinado o sobrestamento do presente feito. Finaliza pleiteando a reforma da decisão agravada e, se mantida, que seja o recurso submetido à Primeira Turma para julgamento. É o relatório. Superior Tribunal de Justiça AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.166.290 RS (2009/00507105) EMENTA Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 20 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA PELO RECEBIMENTO DE VERBAS TRABALHISTAS COM ATRASO. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N. 1.227.133RS. 1. "Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla" (REsp 1.227.133/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Rel. p/ Acórdão Ministro César Asfor Rocha, Primeira Seção, Dje 19/10/2011, submetido ao rito do art. 543C do CPC). 2. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): A insurgência não merece prosperar. Isso porque a Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou, por maioria, a orientação no sentido de que não incide o imposto de renda sobre os juros de mora, em face de seu caráter indenizatório, sendo irrelevante a natureza das parcelas principais recebidas a destempo. Eis a ementa do precedente mencionado: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido (REsp 1.227.133/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Rel. p/ Acórdão Ministro César Asfor Rocha, Primeira Seção, DJe 19/10/2011). Dessa forma, verificase que o entendimento adotado na decisão agravada está em conformidade com a orientação pacificada pela Seção, sob a sistemática do art. 543C do CPC, que reconheceu a não incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto. Como visto, a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que, no cálculo do Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos em virtude de decisão judicial, devem ser excluídos as parcelas relativo aos juros moratórios recebidos. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.908185/200919 Acórdão n.º 220201.799 S2C2T2 Fl. 11 21 Resta claro, que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria em favor dos contribuintes, por ocasião do julgamento do RESP nº 1.227.133/RS, o qual foi submetido ao rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 543C do CPC, pelo qual a decisão tem o efeito de impedir na origem (2ª instância) a interposição de recursos especiais que estejam em confronto com o entendimento adotado pelo STJ. Assim sendo, no que diz respeito à incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios recebidos em ação trabalhista o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a importância deles decorrente não representa necessariamente renda e, muito menos, renda tributável. O caso, assim, é de não incidência tributária, sendo irrelevante a natureza da importância principal. Tanto faz se a verba principal é isenta ou não, os juros serão isentos da incidência do imposto de renda. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso para que se considere como correta a Declaração de Ajuste Anual Retificadora (fls. 02/07), reconhecendo como pagamento indevido os recolhimentos constantes da fls. 21, cujo valor a ser devolvido será apurado pela autoridade executora do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN 22 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10580.908185/200919 Acórdão n.º 220201.799 S2C2T2 Fl. 12 23 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000723/88-73
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 1993
Ementa: FINSOCIAL/FATURAMENTO - A informação fiscal prestada pelo contribuinte à Administração do Shopping, não tem presunção de veracidade diante da comprovada alegação de que a diferença existente entre sua declaração de rendimentos e as informações prestadas à Administração do Shopping Center têm causa em cláusula de contrato, mormente quando, inclusive, o próprio AFTN concorda com tal explicação. A Eg. Câmara Superior já proclamou não ser suficiente para servir de presunção legal, autorizadora de auto de infração, meras informações desse jaez, desprovidas de outros elementos probatórios. Recurso a que se dá provimento para considerar insubsistente a autuação.
Numero da decisão: 201-68819
Nome do relator: Domingos Alfeu Colenci da Silva Neto
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' • j,,J•MtC.At'Y'i Nb is, ff ,v, ,,A.s...N. ?. e"' - ' • .'Y- -JS!..„.-0."7., 1 -k.:1 7... MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ; :e. p • - — -'' - ' -' • f4.1 --- F, . i ,- . i .--- -- • •• • - • W-,--.,!E,Jet SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - '̀%'• `,1W ., -.. .. .....- --- - Processo no 13.706-000.723/80-73 • SessWo de g 23 de março de 1993 ACORDNO /19. 201-68.819 Recurso no:: S5.348 Recorrente g SAMBA • OUSE DISCOS LTDA. Recorrida g DRF NO RIO DE UANEIRO - RJ FINSOCIAL/FATURAMENTO - A informação fiscal prestada pelo contribuinte à Administração do • Shopping, não tem presunção de veracidade diante da comprovada alegação de que a diferença existente entre sua declaração de rendimentos e as informaçffes prestadas á Administração do Shoppinq Center tÕm causa em cláusula de contrato, mormente quando, inclusive, o próprio AFTN concorda com tal explicação. A Eg. Cãmara Superior já proclamou não ser suficiente para servir de presunção legal, autorizadora de auto de infração, meras informa0es desse jaez, desprovidas de outros elementos probatórios. Recurso a que se dá provimento para considerar insubsistente a autua 0o. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SAMBA HOUSE DISCOS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Cmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros ARISTOFANES FONTOURA DE HOLANDA e SARAM LAFAYETE NOBRE FORMIGA (Suplente). Ausente o Conselheiro HENRIQUE NEVES DA SILVA. Sala das Sessffes, em 23 de março de 1993. ARISTOF~- Pres i dente(::-(15,1É-.1:251¡(- /. ,o0F re , i DOMINGOS ALFEU C......I :.. DA SILVA NETO - Relator / / i Ago o 0 . i4( ., N mir ARMO CAETANO DA SILVA - Procurador R(,!presentante da Fazenda Nacional visTA Em sEssrío DE 2 31994F E V Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LINO DE AZEVEDO MESQUITA, SERGIO GOMES VFLLOSO, SELMA SANTOS SALOMMO WOLSZCZAK e ANTONIO MARTINS CASTELO BRANCO. OPR/mdm/CF/GB , 4g'5 41:40 MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO MI SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no: 13.706-000.723/88-73 •Recurso no: 85.348 AcórcrSo n2: 201-68.819 Recorrente : SAMBA HOUSE DISCOS LTDA. . RELATORIO SAMBA HOUSE DISCOS LTDA., teve contra si lavrado o Auto de Infração de fl. 01, relativo a EIHSOCIAL/Faturamento„ caracterizado por omissão de receita operacional decorrente de a fiscalização ter apurado diferenças entre os valores de faturamento informados pela Empresa à Administradora do Barra Shopping e os valores das vendas efetivamente escrituradas em seus livros. Hâ menção expressa - cfr. fls. 10 - de que antes da lavratura do presente auto foi a Empresa devidamente . intimada a se manifestar sobre as diferenças apuradas, não tendo a mesma juntado qualquer documento ou deduzido alegação justificando a diferença. Tempestivamente, a Autuada interOs impugnação, fls. 07, solicitando seja considerada aquela impugnação apresentada no processo relativo a IRFO, tido como principal, e, por tratar-se . de reflexo, sejam as matérias apreciadas em conjunto no que respeita ao mérito. Exemplar daquela defesa, não se faz aqui presente. o fiscal autuante manifestou-se, às fls. 09/12, concordando com a impugnação interposta pela Autuada e opinando pela insubsistOncia do referido auto de infração por entender haver fundamento na sua irresignação, diante dos elementos juntados. A Digna Autoridade julgadora de Primeira Instncia (fls. 17/18) julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisãoN - "FINSOCIAL ApliLa :.e aos procedimentos intitulados decorrentes ou reflexos o decidido sobre a ação fiscal que lhes deu origem, por terem suporte fatico comum. Assim, se o lançamento principal "f ,.... julgado procedente o mesmo destino deve ser dado à exigOncia derivada. LANÇAMENTO PROCEDENTE." _. We-,-- ~ MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO-~J . WOw, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 13.706-000.723/88-73 Acórdão n2 201-68.819 Cientificada em 16.08.90, a Empresa apresentou • sua irresignaçao - Recurso Voluntârio em 13.09.90 -, vinculando a sorte deste ao julgamento proferido no processo matriz., esclarecendo, ainda, consoante se infere de fls. 09/12, que o Senhor Auditor requereu a insubsistOncia da autuação, isso após a segunda diligencia na Empresa. O presente processo jâ foi apreciado por esta Eg. Câmara, em Sessão de 19.01.91, ocasião em que, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligOncia à repartição de origem, para que fossem anexados aos autos, elementos que embasaram a Do cr Recorrida, dentre eles, demonstrativos que ,ykcompanharam o auto de infração do Imposto de Renda. Em atençao ao solicitado foi juntado o expediente de fls. 28/33, consistente unicamente em cópia do aresto proferido pela Eg. 4ã Câmara do 12 Conselho de Contribuintes que, como se vO, por maioria de votos, negou provimento ao recurso. E o relatório. • - , ''krAzI1W.:', • MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 4ige '4. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 13.706-000.723/S0-73 ACórcrao no .201-66.819 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DOMINÓOS ALFEU COLENCI DA SILVA NETO A questão posta A douta colação desse Eg. Colegiado restringe-se em saber se houve omissão de receita por parte da Recorrente, ou não, com base nas informa0es que prestou ao locador, sobre seu faturamento. Os autos nos revelam, e isso é colocado em destaque em sede de irresignação, por parte da Recorrente- Autuada, que houve expressa constatação por parte do Sr. AFTN NENRIQUE SILVA KINGSTON, da veracidade de suas alegaçffes, quando assim se expressaN "Em diligencia junto áquela administradora verificamos ser verdadeira a alegação da . impugnante que tem, realmente, como parte integrante do seu contrato de locação a assinatura da Escritura Deciaratória de Normas Gerais Regedoras das _Locaçffes do Shopping Center da Barra, lavrada no 172 Ofício de Notas, Ato 02, Livro 3907, Fls. 002, que na sua cláusula de n2 7.24 reza 'E condição essencial para que o locatário tenha direito de pleitear a renovação do contrato que nos 12 meses anteriores haja pago, ininterruptamente, aluguel superior ao mínimo, ou que, alternativamente, haja pago aluguel superior ao mínimo 1/3 (um terço) dos meses de vigOncia do seu contrato.' O Sr. Luiz Otávio Vieira de Souza, que assina a presente intimação confirmou a validade de tal cláusula afirmando que a administração, eventualmente, dela se prevalece, principalmente, quando as vendas se encontram com uma defasagem acentuada em relação ao patamar mínimo acordado. Examinando e comparando os valores declarados pela empresa para efeito do pagamento do aluguel com os escriturados oficialmente, cujas diferenças foram consideradas como omissão de receita, e ic. valores mínimos de aluguel contratados com aquele,' que foram pagos em valores superiores ao 1 7 . contratual, tiramos as seguintes concluses2 • - . , . . 1%ewq ' MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 4NW '4,410- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTESN'sÁ40 Processo no 13.706-000.723/88-73 . Acórdao ng 201-68.819 a. Os valores superiores declarados no primeiro semestre do ano nao trouxeram nenhum ônus para a impugnante pois, neste período, o aluguel foi pago pelo seu valor mínimo contratual (ORTN)g b. Q me's de julho foi o primeiro em que o valor superior declarado à administradora representou um aluguel pago maior do que o mínimo cont.r~, fato que se r,,lJetiu nos meses de agosto e outubro. Este cl ti. maior nab tem grande representatividade financeira, pois representou uma diferença de 5% em relaçao ao total do aluguel pagog c. Nos demais meses do ano os valores informados para efeito do cálculo do aluguel foram inferiores aos escrituradosg d. Na filial da impugnante, também localizada no Shopping, as diferenças praticamente WY0 ocorreram. Deste exame somos obrigados • concluir que as diferenças que geraram Ônus, foram realizadas dentro da forma necessária a atender a cláusula contratual alegada pela postulante em sua impugnaçao, visto que somente no sétimo mÊs foi ultrapassado o valor mínimo contratual o que nao teria ocorrido caso tivesse sido informado o f •• 4•• oficialmente escriturado. Foi também nesse mOs apurada a primeira diferença que resultou num aumento do aluguel pago. Assim, embora exista a diferença que originou a presunçao de omissa° de receita com a consequente lavratura do auto, o mérito alegado para a sua ocorrOncia também é real e decorrente de uma escritura ~Uca, parte integrante do contrato de locaçao da impugnante, o que, segundo a nossa interpretaçao na avaliaçao deste mérito, è ciente para concluirmos sugerindo o acatamento da impugnaçao tornando o auto insubsistente, o que levamos á consideraçao superior." Assim, feita essa colocaçao do próprio Agente Fiscal do Tesouro Nacional que procedeu à , autuaçao, onde taxativamente concluí pela improcedÊncia de sua autuaçao e, considerando o que com inexcedível acerto, em O. t. análogas, já decidiu a Eg. WAmara Superior, ou seja, de que mera deciaraça , - . MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO Mt.W/ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES P ro c esso no :13,. 706-000.. 723/88-73 Acór cl "Sei no 201-68 - 819 • r Shopping Cen ter n2io tem o o n d e pr e is ut (ri for o co r r crido o in issão cl e rc, c:e :i. „ voto no is n t :i.d o c! e da r (II t o à :i.n s r g C2.,n c a „ can :i. cl e rèl.nd n istAbis t e „ r f:i. n is a ui c:, :I. :i. a c! o s „ Sal a c! s „ « n 3 d (..E. ma r ç o el • -411111.2"? . DOMINGOS AL.FEU C 01 C:I: DA SILVA NETO •
score : 1.0
Numero do processo: 13841.000127/99-55
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECRETOS-LEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PARA O PEDIDO E PERÍODO A REPETIR. O direito de pleitear a repetição do indébito tributário oriundo de pagamentos indevidos ou a maior realizados com base nos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2.449/88 extingue-se em cinco anos, a contar da Resolução do Senado nº 49, publicada em 10/10/1995, sendo que só podem ser repetidos os pagamentos efetuados nos cinco anos anteriores à data do pedido.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-12032
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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Recorrida : DRJ EM CAMPINAS/SP PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECRETOS-LEIS N'S 2.445/88 E 2.449/88. PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PARA O PEDIDO E PERÍODO A REPETIR. O direito de • pleitear a repetição do indébito tributário oriundo de pagamentos indevidos ou a maior realizados com base nos Decretos-Leis rrs 2.445/88 e 2.449/88 extingue-se em cinco anos, a contar da Resolução do Senado n° 49, publicada em 10/10/1995, sendo que só podem ser repetidos os pagamentos efetuados nos cinco anos anteriores à data do pedido. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: TRANSPORTES RODOVIÁRIOS RODOCAFE LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso ao recurso, face à decadência. Vencidos os Conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda (Relator), Sílvia de Brito Oliveira e Ivan Allegretti (Suplente). Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Sala das Sessões, em 27 de abril de 2007. Arltig zerr-/a !Veto Presidente - z- -arriAraWs, arr- raellgt - • s D .(MAssis Relator-Desig do Participaram, ainda, do pre' -nte julg ento os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Dory Edson Marianelli. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva. Eaal/inp MF-SEGUNDO CONSELHO DE CO BrasA C ONFERE COM O CRIGINArBUINTES O 1 Ltatitsino de O ra Mar. Sapo 9 tEso 4;r4t, 211 CC-MF Ministério da Fazenda • »tal' Segundo Conselho de Contribuintes ;°. Processo n° : 13841.000127/99-55 Recurso n° : 136.067. . _ -Acórdão n° : 203-12.032 - Recorrente : TRANSPORTES RODOVIÁRIOS RODOCAFÉ LTDA. RELATÓRIO - Trata-se de recurso voluntário manejado por TRANSPORTES RODOVIÁRIOS RODOCAFÉ LTDA., contra Acórdão da DRJ Campinas de fls. 533/539, que julgou improcedente o pleito de restituição formulado, por decaído, os períodos anteriores a maio de 1994, exclusive. O referido pleito administrativo foi formulado em 16/04/1999, referente aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1988 a outubro de 1995. O Despacho Decisório de fls. 501/502 homologara parcialmente o pleito administrativo, para os períodos maio de 1994 a outubro de 1995. É o relatório. rAF-SEGUNDO CO:, • : CONTRIBUNTE9 CONFERE CC;.4 Iktile. 1:16___L_!Cli—/ 04 Matildftursem de Oilve.lre Met. Slape 91650 CLL1 9 dIF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ontomt. 22CC-MF Ministério da Fazenda eras 04. FLtr.; a, Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13841.000127/99-55 Otp.ciramat. st ;€,50 °Recurso n : 136.067_ _ _ Acórdão n° : 203-12.032 . VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA O Recurso Voluntário da recorrente atende aos pressupostos para a sua admissibilidade, daí dele se conhecer. Em preliminar, volto meus esforços para a análise de tormentosa questão. Assim, com respeito a meus pares, passo ao exame da questão da aplicação do dies a que para o reconhecimento, ou não, de haver decaído a recorrente do direito em pleitear a restituição/compensação da Contribuição ao PIS, nos moldes em que formulada nestes autos. • O Superior Tribunal de Justiça, por intermédio de sua Primeira Seção, fixou o entendimento de que "..., no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silencia do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados."1 Para aquele Tribunal Superior de Justiça, portanto, reconhecida é a restituição do indébito contra a Fazenda, sendo o prazo de decadência contando segundo a denominada tese - dos 5+5, nos moldes em que acima transcrito. Com a devida vênia àqueles que sustentam a referida tese, consigno que não me filio à referida corrente, pois, a meu ver, estar-se-á contrariando o sistema constitucional brasileiro em vigor que disciplina o controle da constitucionalidade e, conseqüentemente, os efeitos dessa declaração de inconstitucionalidade. Ocorre que a defesa à tese dos 5+5 contraria o próprio sistema constitucional brasileiro, de acordo com o qual, uma vez declarada, pelo C. Supremo Tribunal Federal, a inconstitucionalidade de determinada exação em controle difuso de constitucionalidade, compete ao Senado Federal suspender a execução da norma declarada inconstitucional, nos termos em que disposto no artigo 52, inciso X, da Carta Magna, sendo que, a partir de então, são tidos por inexistentes os atos praticados sob a égide da norma inconstitucional. A esse propósito, inclusive, cumpre observar as lições de Mauro Cappelletti, ao discorrer sobre os efeitos do controle de constitucionalidade das leis: "De novo se revela, a este propósito, uma radical e extremamente interessante contraposição entre o sistema norte-americano e o sistema austríaco, elaborado, como se lembrou, especialmente por obra de Hans kelsen. No primeiro desses dois sistemas, segunda a concepção mais tradicional, a lei inconstitucional, porque contrária a uma norma superior, é considerada absolutamente nula ("null and void"), e, por isto, ineficaz, pelo que o juiz, que exerce o • poder de controle, não anula, mas, meramente, declara uma (pré-existente) nulidade da lei inconstitucional." (destacamos). Recurso Especial ri° 608.844-CE, Ministro José Delgado, Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, ac6rdão publicado em DJU, Seção I, de 7/6/2004 3 L "JÁ2 CC-MF Ministério da Fazenda •Segundo Conselho de Contribuintes '4'7ticsk":" Processo n° : 13841.000127/99-55 Recurso n° : 136.067 -Acórdão n° : 203-12.032 - No caso em tela foi justamente isso o que ocorreu. O C. Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE n° 148.754/RJ — portanto, em sede de controle concreto de constitucionalidade --, declarou inconstitucionais os Decretos-Leis ri c's 2.445/88 e 2.449/88, que alteraram a sistemática de apuração do PIS, tendo o Senado, em 10.10.1995, publicado a Resolução n° 49/95, suspendendo a execução dos referidos diplomas legais. A partir daquele momento, aquelas normas declaradas inconstitucionais foram expulsas do sistema jurídico, de forma que todo e qualquer recolhimento efetuado com base nas mesmas o foram de forma equivocada, razão pela qual possui a ora Embargante direito à restituição dos valores recolhidos, independentemente de ter havido homologação desses valores ou não. Em verdade, como no sistema constitucional brasileiro predomina a tese da nulidade das normas inconstitucionais, cuja declaração apresenta eficácia ex tunc, todos os atos firmados sob a égide da norma inconstitucional são nulos. Conseqüentemente, todo e qualquer tributo cobrado indevidamente — como é o caso presente — é ilegal e inconstitucional, possuindo o contribuinte, ora recorrente, direito à repetição daquilo que contribuiu com base na presunção de constitucionalidade da norma. Não há, portanto, como se falar em prazo prescricional iniciado com o fato gerador, eis que, a teor do que prescreve o ordenamento pátrio, não há nem mesmo que se falar em fato gerador, eis que não há tributo a ser recolhido. Aliás, o C. Supremo Tribunal Federal há muito já exarou posicionamento no sentido de que uma vez declarada a inconstitucionalidade da norma que instituiu determinada exação, surge para o contribuinte o direito de repetir aquilo que pagou indevidamente. Vejamos: "Declarada, assim, pelo Plenário, a inconstitucionalido de material das norntas legais em que fundada a exigência da natureza tributária, porque falta a título de cobrança de empréstimo compulsório -, segue-se o direito do contribuinte à repetição do que pagou (C.Trib. Nac., art. 165), independentemente do exercício financeiro em que tenha ocorrido o pagamento indevido." (Recurso Extraordinário n° 136883-7/RJ, Ministro Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ 13.9.1991) Assim, admitir que a prescrição tem curso a partir do fato gerador da exação tida por inconstitucional implica em violação direta e literal aos princípios da legalidade e da vedação ao confisco, insculpidos nos artigos 5°, inciso II, e 150, inciso IV, ambos da Constituição Federal. Isto porque, em se tratando de lei declarada inconstitucional, a mesma é nula; logo, não há que se conceber a exigência do tributo e, por conseguinte, que se falar em fato gerador do mesmo. E, em sendo nula a exação, o seu recolhimento implica confisco por parte da Administração, devendo, portanto, ser restituído ao contribuinte — in casu, à Embargante --, o valor confiscado. ME-SEGUNDO CONSELHO GE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL. Brasília, / O C-4 4 cl ,nv Malra Iskt. sins' 91653 . 2g CC-MF Ministério da Fazenda stf.l2t: ii,., Fl. 15.5.1/0: Segundo Conselht, de Contribuintes '1?,419-9r Processo n° : 13841.000127/99-55 Recurso n° : 136.067 Acórdão n° : 203-12.032 - ........................ - Por certo, o nosso ordenamento jurídico prevê, como princípio, a prescritibilidade das relações jurídicas, razão pela qual não há que se conceber que o direito do contribuinte de reaver os valores cobrados indevidamente não sofra os efeitos da prescrição. Por outro lado, não se pode admitir que aquele, que de boa-fé e com base na presunção de constitucionalidade da exação outrora declarada inconstitucional, seja prejudicado com isso. Daí se mostra a necessidade da aplicação do princípio da razoabilidade. Atendendo a essa lógica, cumpre a nós, • Julgadores, analisar a situação e contrabalançar os fatos e direitos a fim de propiciar uma aplicação justa e equânime da norma. Considerar -- como foi feito na presente situação -- que, independentemente da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis rfs 2.445/88 e 2.449/88, o prazo prescricional para a recorrente pleitear a restituição daqueles valores que recolheu indevidamente, teria início com o fato gerador (inexistente, por sinal) da exação, não se afigura a melhor solução, e tampouco, atende aos princípios da razoabilidade e da justiça, objetivo fundamental da República Federativa do Brasil (artigo 3°, inciso I, da Constituição Federal). , A esse propósito, inclusive, vale observar que o próprio Superior Tribunal de Justiça e por sua Primeira Seção, analisando embargos de divergência em recurso especial n° 423.994, publicado no Diário da Justiça de 5.4.2004, seguindo o voto do Ministro Relator Francisco Peçanha Martins, firmou posicionamento nesse mesmo sentido,. Nesse sentido, confira-se trecho do voto condutor do aludido recurso: "Na hipótese de ser declarada a inconstitucionalidade da exação e, por isso, excluída do • ordenamento jurídico desde quando instituída como ocorreu com os Decretos-Leis es 2.445 e 2.449, que alteravam a sistemática de contribuição do PIS (RE I48.754/RJ, DJ 04.03.94), penso que a prescrição só pode ser estabelecido em relação à ação e não com referência às parcelas recolhidas porque indevidas desde a sua instituição, tornando-se inexigível e, via de conseqüência, possibilitando a sua restituição ou compensação. Não há que perquirir se houve homologação." (destacamos e grifamos) O acórdão recorrido, por • seu turno, externou posicionamento no sentido diametralmente oposto, qual seja, de que o termo a quo para a contagem do prazo prescricional teria início com o fato gerador da exação, variando conforme a homologação, desconsiderando a existência ou não de declaração de inconstitucionalidade da norma. Cumpre ainda observar o que dispõe os artigos 165 e 168, ambos do Código Tributário Nacional: "An. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4°, do art. 162, nos seguintes casos: cy....e r:ras-SIE:coNFNDOCOERENSCEOLHMOODOERCIGOINNIRL:BUINTESI—F ci€ / (5 4, / 0; sgt ,, ,.„. , 5 tiltf: 4 :-. .:: :no o-) vo‘e:r3 MC ' t., :TM 91650 22 CC-NIF • -,:----4; tr”.- - Ministério da Fazenda 4Segundo Conselho de Contribuintes Fl. ~1 Processo n° : 13841.000127/99-55 Recurso n° : 136.067 • -Acórdão n° : 203-12.032 I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II — erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 111— reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. An. 168. O direito de pleitear a restituição exangue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e 11 do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II — nas hipóteses do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." Com efeito, se um determinado contribuinte recolheu mais tributo do que o devido por um equívoco seu (artigo 165, inciso I, CTN), a prescrição tem início com a extinção do crédito tributário (artigo 168, inciso I, CTN), que se deu com a homologação do lançamento. Logo, correta a aplicação da tese esposada no acórdão recorrido. Todavia, em casos, como o presente, em que o contribuinte recolheu tributo indevido (artigo 165, inciso I, CTN), com base em lei que, em momento ulterior, foi declarada inconstitucional, a contagem se dá de outra forma. Isto porque, no mundo jurídico, os Decretos Leis que tinham instituído a cobrança indevida, não existem, de modo que não se pode falar em ' crédito tributário propriamente dito. Com isso, aplica-se, subsidiariamente o Decreto n° 20.910/32, de acordo com o qual "as dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 (cinco) anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem." (artigo 1°). • Como o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos Decretos- Leis n"s 2.445/88 e 2A49/88, em controle concreto de constitucionalidade, essa decisão só • passou a ter eficácia erga omnes com a publicação da Resolução do Senado n° 49, de 10.10.1995, momento em que a Embargante passou a fazer jus à restituição dos valores pagos indevidamente. Levando-se, ainda, em consideração que o prazo prescricional é de cinco anos, a prescrição para a recorrente pleitear a restituição da quantia paga indevidamente somente se consumaria em 10.10.2000. In casu, o pleito foi formulado pela recorrente em 16/04/1999, portanto, anterior a 10/10/2000, o que afasta a decadência do referido pedido administrativo, para os períodos anteriormente não deferidos pela Administração, quais sejam: anteriores a maio de 1994. 1 Iv1F-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGNAL Brasília, 0£ / ID 4 i cl at Ma. ''': :- . ao et:.• Otivstra ____ CC-NIF "._yre Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 4c.L„ 2e, Processo n° : 13841.000127/99-55 Recurso n° : 136.067 - Acórdão n° : 203-12.032 No mais, entendo que deve ser observada a regra para o PIS-Repique, modalidade da exação a que está sujeita a ora recorrente. Em face do todo exposto, dou provimento parcial ao recurso, pois que a averiguação da liquidez e certeza dos créditos e débitos em discussão nestes autos é da competência da SRF, que fiscalizará o encontro de contas efetuadas pela contribuinte, atendendo, na feitura dos cálculos, a forma declarada. É o meu voto. Sala das Sessões, em 27 de abril de 2007. 11111111W kt DALTON t CO • D i é DE MIRANDA Mr.-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COM O ORIGINAL Brasília 47 t_ 451--- Ntt.'5lo els Olivelra MM. SI irra 91650 • 7 2'2 CC-MF •-•.-;;.:?;- Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes ÷ »triCi''› Processo n° : 13841.000127/99-55 _ . . Recurso n° : 136.067 . . Acórdão n° : 203-12.032 VOTO DO CONSELHEIRO EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS RELATOR DESIGNADO A divergência com o voto do nobre relator prende-se ao período a repetir na situação posta, em que o pedido à Restituição/Compensação foi protocolizado até 10/10/2000 (cinco anos após a Resolução do Senado n° 49/95). Reconhecendo a controvérsia que o tema envolve, inclusive nesta Terceira Câmara, entendo que o prazo para requerer a repetição do indébito oriundo dos pagamentos indevidos ou a maior com base nos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88 é de cinco anos, contados a partir da publicação da Resolução do Senado n° 49, publicada em 10/10/1995. A jurisprudência deste Conselho de Contribuintes possui inúmeros acórdãos neste sentido, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que acompanho levando em conta que a recorrente não teve ação judicial que lhe reconheceu o direito à restituição ou compensação antes de 10/10/95. Quanto ao período a repetir, abrange somente os cinco anos anteriores à data do pedido, contanto que este seja formulado em tempo hábil, ou seja, até 10/10/2000. No caso em tela, em que o Pedido de Restituição/Compensação foi protocolizado em 16/04/1999, os pagamentos realizados no período anterior a 16/04/1994 estão atingidos pela decadência. No tocante à data para o pedido, adoto o entendimento expresso no Acórdão abaixo do STJ, embora atualmente esse tribunal já tenha alterado sua jurisprudência. Observe-se: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL PIS. DECRETOS-LEI 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL LC N° 7/70. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA.IMPOSSIBILIDADE. I. Não cabe a este Tribunal proceder ao exame de violações à Constituição pela via estreita do recurso especial. 2. Esta Corte já pacificou o entendimento no sentido de que o termo a quo do lapso prescriciortal para pleitear a restituição dos valores recolhidos indevidamente a titulo de PIS é o da Resolução do Senado que suspendeu a execução dos Decretos-Lei n° 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal através do controle difuso. 3. Enquanto não ocorrido o respectivo fato gerador do tributo, não estará sujeita à correção monetária a base de cálculo do PIS apurada na forma da LC 07/70. Entendimento consagrado pela I"Seção do STJ. . 4. Agravo regimental improvido. (ST!, 2° Turma, AgRg no REsp n° 449.019/PR, ReL Min. João Otávio Noronha, J. à unanimidade em 20.05.03, DJU de 09.06.03). (Negrito ausente no original). i iar-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES / CONFERE COMO ORIGINAL / (....." BrasIlIa 0,6___J el. , oi. Marl!lo ... n .)4.4, Onvefra 8 SI Mat. S, .,..i , ''' ^ ,n . 4t1a.y.:* 212 CC-MF Ministério da Fazenda 4 Segundo Conselho de Contribuintes .,piek Processo n° : 13841.000127/99-55 Recurso n° : 136.067. _ . _ . Acórdão n° : 203-12.032 Mais recentemente o STJ, nas hipóteses em que não aplica a Lei Complementar n° 118/2005, passou a interpretar que o prazo para repetição do indébito, no caso de lançamento por homologação, é de dez anos a contar do pagamento indevido, independentemente da ori gem do indébito ser inconstitucionalidade de lei. Esclareço que não considero que o prazo para repetição do indébito no caso dos dois Decretos-Leis, na via administrativa, começa a contar de 04/03/94, data da publicação do Recurso Extraordinário n° 148.754 — no qual o STF declarou inconstitucionais os referidos Decretos-Leis - porque, como é cediço, os efeitos da decisão em sede dessa espécie recursal não são erga omnes, só se aplicando às partes. Daí que não se pode afirmar ter nascido naquela data, para a recorrente, o direito à repetição do indébito, na seara administrativa. Por outro lado, como o prazo prescricional somente conta a partir do momento em que o direito à ação pode ser exercido (princípio da actio nata: a prescrição corre do ato a partir do qual se origina a ação), descabe, data venta, considerar aquela data, também no caso de ação judicial. Tampouco considero o início do prazo para solicitação da restituição ou compensação na data da publicação da MI' n° 1.110, de 31/08/95 - cujo art. 17, VIII, dispensou a constituição de créditos, bem como a inscrição na dívida, no caso do PIS em questão. É que o § 2° do art. 17 da MP n° 1.110/95 ressalvou que tal dispensa não implicava em restituição de quantias pagas. Assim, embora anterior à Resolução do Senado n° 49/95, referida MP não permitia a restituição. Daí o direito à repetição de indébito não ter nascido, ainda, na data da MP n° 1.110, que depois de reedições foi convertida na Lei n° 10.522, de 19/07/2002. Somente na reedição sob o n° 1.621-36, de 10.06.98, é que o § 2° do dispositivo legal referido, agora renumerado como art. 18, teve sua redação alterada para informar que a dispensa da constituição do crédito ou da inscrição na dívida ativa não implicava em restituição ex officio, apenas. Ou seja, a partir da MP n° 1.621-36, quando solicitada a restituição deveria ser deferida. Esclarecido porque compreendo que o prazo para o pedido relativo à restituição ou compensação dos indébitos oriundos dos malsinados Decretos-Leis começa a contar da publicação da Resolução do Senado n° 49/95, sublinho que a recorrente não possui ação judicial autorizativa de repetição do indébito em questão, e que o Pedido de Restituição/Compensação foi protocolizado em tempo hábil. Dessarte, cabe restituir, após verificação por parte da Secretaria da Receita Federal, os pagamentos comprovadamente realizados a maior no período dos cinco anos imediatamente anteriores à data do Pedido. Com relação ao período a repetir, escorado em julgamentos do STF (RE ri° 136.883/RJ, r Turma), do STJ (REsp. n° 332.368-MG, da 2' Turma) e dos Conselhos de Contribuintes (a exemplo do Acórdão n° 106-14325,2 Recurso n° 138919, julgado em 2 Número do Recurso: 138919 Carrara: SEXTA CÂMARA ase-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTESCONFERE COM O ORIGINAL ç- Brasffi a„Strt_ Número do Processo: 10930.003667/2001-14 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO ur.:no de ~Ira Mal Upe 0.1650 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES fj';"41 CONFERE COMO ORIGINAL 22 CC-MF •••• Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes "Int AG I O / oq- GeProcesso n° : 13841.000127/99-55 Me' OiNeira tst,: .., 016S) Recurso n° 136.067 Acórdão n° : 203-11032- 11/11/2004), já votei no sentido de que todos os recolhimentos indevidos poderiam ser repetidos, independentemente da data do recolhimento, contanto que o pedido de restituição ou compensação fosse formulado até cinco anos após a publicação da Resolução do Senado n° 49/95. Todavia, após estudar melhor a matéria reformulei o meu entendimento, diferenciando a situação em que a declaração de inconstitucionalidade é proferida em sede do controle concentrado ou abstrato - ação direta de inconstitucionalidade (ADI), ação declaratória de constitucionalidade (ADC) e argüição de descumpránento de preceito fundamental (ADPF) daquela em que a inconstitucionalidade é tratada na via difusa ou incidental. É que no controle concentrado a instabilidade jurídica decorrente dos efeitos ex tunc da decretação de inconstitucionalidade pode ser mitigada pelo STF, com efeitos erga omnes. Como informam os arts. 27 da Lei n° 9.868, de 10/11/99 (que dispõe sobre a ADI e a ADC) e 11 da Lei n° 9.882, de 03/12/99 (que trata da ADPF), o STF, tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá, por maioria de dois terços de seus membros, excepcionar a regra geral dos efeitos ex tunc e restringir os efeitos de determinada declaração de inconstitucionalidade, decidindo que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.3 Assim, em vez de se permitir a Matéria: IRF/ILL Recorrente: MACSOL MANUFATURA DE CAFÉ SOLÚVEL LTDA. Recorrida/Interessado: 1 TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Data da Sessão: 11/11/2004 01:00:00 Relator: Ana Neyle Olímpio Holanda Decisão:Acórdão 106-14325 Resultado: OUTROS — OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, RECONHECER a legitimidade. AFASTAR a decadência do direito e DELERMINAR a remessa dos autos à DRF de origem para análise do pedido. Ementa: IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - RESTITUIÇÃO DE VALORES REFERENTES AO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - PRAZO DECADENCIAL - Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN: da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo ou da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária (CSRF/01-03.239). Se o indébito se exterioriza a partir da declaração de inconstitucionalidade das normas instituidoras do tributo, surge para o contribuinte o direito à sua repetição, independentemente do exercício financeiro em que se deu o pagamento indevido (Entendimento baseado no RE no 141.331-0, Rel. Min. Francisco Rezek). Na espécie, trata-se de direito creditório decorrente da retirada do dispositivo do artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1988, no que diz respeito à expressão "o acionista", do ordenamento jurídico brasileiro pela Resolução no 82, do Senado Federal publicada no DOU de 19/11/1996. Assim, em se tratando de sociedades por ação, para que não seja atingido pela decadência, o pedido de reconhecimento do direito creditório deve ter sido apresentado até cinco anos contados da data da publicação da referida Resolução do Senado Federal. LEGITIMIDADE PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO - Relevante para a espécie que o tributo tenha sido recolhido pela requerente e que a cobrança da exação tenha sido dada por indevida, pelo STF, com a confirmação do Senado Federal. Comprovado que o pagamento do tributo se deu em nome da empresa, o que denota ter esta arcado com o ónus do seu recolhimento, e que incidiu sobre o lucro líquido total apurado em 31/12/1989. Legitimidade reconhecida. Decadência afastada. 3 O Colendo Tribunal já decidiu pelos efeitos ex nunc, ao me os seguintes julgados: ADI 3.615, Rel. MM. Ellen Gracie, conforme Informativo 438; 10 • . MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2 CC-MF 7.0 Ministério da Fazenda CONFERE COMO ORIGINAL Fl. • Segundo Conselho de Contribuinte• Brasília to‘ 1 01 1 o? Processo n° : 13841.000127/99-55 Matada Cura.no s Oliveira _ _Recurso n° : . 136.067 Mat. SI;ne 91650 . . Acórdão n° : 203-12.032 restituição de todos os recolhimentos, por mais antigos que sejam, o STF pode restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, de modo a privilegiar a segurança jurídica. Embora o STF também possa adotar a exceção em sede do controle difuso, 4 a restrição quanto aos efeitos ex nunc, bem como tudo o mais que decorre da inconstitucionalidade decretada incidentalmente, só tem eficácia entre as partes. Ao ser editada a Resolução Senatorial nos termos do art. 52. X, da Constituição, a lei declarada inconstitucional estaria com sua execução suspensa, contando-se a partir de então o prazo para a repetição do indébito decorrente de tal suspensão. Neste caso, manter os efeitos ex tunc pode causar enorme insegurança jurídica. Quanto mais demorar a Resolução (cuja edição pelo Senado, aliás, não é obrigatória), maior seria o período a repetir. Por isto a necessidade de considerar a decadência, com o objetivo de dar eficácia ao princípio da segurança jurídica. No controle concentrado zelar pela segurança jurídica fica a cargo do próprio STF; no difuso, é função da decadência. Neste ponto cabe mencionar que o Supremo Tribunal Federal também possui decisões no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não influi na contagem do prazo prescricional, conforme demonstra o RE 57.310-PB, de 09/10/94, in verbis: Recurso Extraordinário não conhecido — A declaração de inconstitucionalidade da lei importa em tornar sem efeito tudo quanto se fez à sua sombra — Declarada inválida uma lei tributária, a conseqüência é a restituição das contribuições arrecadadas, salvo naturalmente as atingidas pela prescrição. (Negrito ausente no original). Doutrinariamente, ensinamentos constantes da obra Mandado de Segurança, de Hely Lopes Meirelles, Malheiros, 24' edição, 2002, atualizada por Amoldo Wald e Gilmar Ferreira Mendes, também informam o seguinte, às páginas 373/374: Embora a ordem jurídica brasileira não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade, concede-se proteção ao ato singular, procedendo-se à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo e no plano do ato singular mediante a utilização das fórmulas de preclusão. Os atos praticados com base em lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. Em outros termos, somente serão afetados pela declaração de inconstitucionalidade com eficácia geral os atos ainda suscetíveis de revisão ou impugnação. Importa, portanto, assinalar que a eficácia erga omnes da declaração de inconstitucionalidade não opera uma depuração total do ordenamento jurídico. Ela cria, porém, as condições para eliminação dos atos singulares suscetíveis de revisão ou impugnação. No caso do PIS, a preclusão para repetição do indébito, regra geral, ocorre cinco anos após a extinção do crédito tributário. Sendo um tributo sujeito ao lançamento por homologação, em que o contribuinte se obriga ao recolhimento do tributo antecipadamente, antes do lançamento a cargo da administração tributária, o prazo para a restituição é dado pelo art. 168, 4 No Recurso Extraordinário n°442.683, Rel. Min. Carlos Vellos , ule mento em 13-12-05, DJ de 24-3-06, o STF determinou efeitos efeitos mote. fr 11 .. -..ieuL r..)0 CONSELHO Ur: CONTRIBUINTES 22 CC-MF Ministério da Fazenda . CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Segundo Conselho de Contribuintes "a o fi I 01 / 01-..2-Pefrk;.- ),!... Processo n° : 13841.000127/99-55 Mardetrio da Oliveira _ . Recurso n° : 136.067 . Mat. Sisa° 91650 Acórdão n° : 203-12.032 I, combinado com o arts. 165, I, e 156, VII, todos do CTN. Ou seja: 05 (cinco) anos, a contar do pagamento indevido. Referidos artigos estabelecem a regra geral, segundo a qual finda em cinco anos, a contar da extinção do crédito tributário, o prazo para solicitação de repetição de indébito advinda de pagamento indevido ou a maior. Esse prazo deve imperar inclusive no caso de inconstitucionalidade decretada por meio do controle difuso, de modo a impedir a repetição de valores recolhidos no período anterior ao intervalo dos cinco anos que antecede o pedido. Somente na hipótese de inconstitucionalidade proferida em sede do controle concentrado quando o STF pode restringir os efeitos ex tunc da nulidade declarada e tal restrição tem efeitos para todos, entendo deva ser excetuada a regra geral, de forma a permitir a repetição de todo o período. A não ser que o Tribunal diga o contrário. Quando a inconstitucionalidade for declarada em sede do controle concentrado, e o STF não tiver restringido os seus efeitos ex tunc, todos os pagamentos indevidos podem ser restituídos, contanto que o pedido de repetição do indébito seja formulado no prazo de cinco anos a contar da publicação do acórdão; quando declarada por meio do controle difuso, como se deu no PIS em questão, somente podem ser repetidos os pagamentos que ocorreram no interstício dos cinco anos imediatamente anteriores à data do pedido, neste caso com obediência aos artigos do CTN, mencionados acima. Por fim, rejeito a tese dos "cinco mais cinco" abraçada pelo STJ em inúmeros - julgados, segundo a qual na existência de pagamento antecipado (para esse Tribunal quando não há pagamento não se trata de lançamento por homologação) o início do prazo prescricional para a repetição só começa no final dos cinco anos contados a partir do pagamento indevido, de modo a "duplicar" para 10 anos o intervalo. Tal interpretação tem aplicado à repetição de indébito o entendimento de que o lançamento só é defmitivo cinco anos após o fato gerador, podendo o fisco revisá-lo nos cinco anos seguintes. 5 O Tribunal tem examinado em conjunto os arts. 173, I e 150, § 4° do CTN e deslocado o dies a quo da decadência para o final dos cinco anos referidos no art. 150, § 40, contando a partir de então outro quíntuplo de anos, agora com base no art. 173, I, pelo que o dies ad quem passa para 10 anos após o fato gerador. Se levarmos em conta que o direito de lançar é potestativo e independe do sujeito passivo, estando a depender tão-somente do Estado, toma-se inconcebível que este, por não exercer o seu direito no tempo prefixado, seja beneficiado e tenha o prazo de decadência alargado. É como se o titular do direito recebesse um prêmio (a dilação do termo inicial da decadência) por não exercê-lo no prazo prefixado. Da mesma forma com o prazo prescricional para repetição de indébito: quem pagou a maior ou indevidamente, por não exercer o direito nos primeiros cinco anos, estaria a receber como "prêmio" idêntica dilação de prazo. É certo que o lançamento por homologação pode ser lançado tão logo acontecido o fato gerador. Assim, o termo "poderia", inserido no art. 173, I do CTN para delimitar o marco inicial da decadência, precisa ser interpretado como se referindo ao início do tempo em que o lançamento de ofício (em substituição do de homologação, no caso de imposto devido maior que 5 Cf. voto do Min. do STJ, Humberto Gomes de Barros, relator o° 69.3081SP. , (-- . .:5 11 _ a 2g CC-N1F Ministério da Fazenda S>54----d. Segundo Conselho de Contribuintes Fl. .4f Processo n° : 13841.000127/99-55 Recurso n° : 136.067. . . Acórdão n° : 203-12.032 o apurado pelo contribuinte) pode ser feito, não o contrário, como pretende o STJ, ao interpretar que o prazo para o lançamento de ofício só começa após o fim do prazo para homologação. Tanto quanto o prazo decadencial para o lançamento começa a contar da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, § 4°) - e não da homologação do procedimento adotado pelo contribuinte (considero que a homologação refere-se à atividade do sujeito passivo, que pode apurar saldo zero do tributo a pagar ou valor a restituir, inclusive) -, também o prazo prescricional para a repetição do indébito começa do pagamento antecipado, que extingue a obrigação tributária consoante o § 1° do mesmo artigo. Assim também o prazo para a restituição/compensação na via administrativa. Essa a regra geral, que só não se aplica na situação em tela porque esta decorre de inconstitucionalidade, como já esclarecido mais atrás. • Destarte, na situação em tela, em que o Pedido foi formulado em 16/04/1999, está atingido pela decadência o direito à repetição do indébito referente aos recolhimentos efetuados antes de 16/04/1994. Como o órgão de origem já deferiu o pedido para o período restante, não decaído, e como a DRJ referendou tal decisão, descabe qualquer reforma no Acórdão recorrido. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 27 de . ,r"--. 147. -'11-.4.•-•1111.1091-4 EMANUEL 4- • P • tSD - SSIS .ISr-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília Onç 0 1- F 01 Maa&inD de Olheira Mat. tinno 91850 13 Page 1 _0031500.PDF Page 1 _0031600.PDF Page 1 _0031700.PDF Page 1 _0031800.PDF Page 1 _0031900.PDF Page 1 _0032000.PDF Page 1 _0032100.PDF Page 1 _0032200.PDF Page 1 _0032300.PDF Page 1 _0032400.PDF Page 1 _0032500.PDF Page 1 _0032600.PDF Page 1
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