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Numero do processo: 19740.000019/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NAO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA.
Sujeitam-se à incidência do imposto exclusivamente na fonte, a alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 2402-005.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Sujeitamse à incidência do imposto exclusivamente na fonte, a alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 19 /2 00 8- 86 Fl. 3126DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felícia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho. Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 19740.000019/200886 Acórdão n.º 2402005.856 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, trata o presente processo do auto de infração de fls. 239/247, lavrado no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro — DFURJ, em 14/01/2008, por meio do qual está sendo exigido o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, no valor de R$ 2.491.297,35, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 28/12/2007. O total da autuação perfaz o montante de R$ 6.024.775,32, conforme demonstrativo de fl. 239. Segundo consta na descrição dos fatos de fl. 241, a autuação referese a falta de recolhimento do imposto sobre a renda retido na fonte incidente sobre pagamentos ou recursos entregues a terceiros, cuja operação ou causa não restou comprovada, com fundamento no artigo 674, parágrafo 1° do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/1999. Junto aos autos veio o Termo de Verificação Fiscal de fls. 113/125, que se resume: • fiscalização foi instaurada a fim de se verificar a existência de pagamentos efetuados ou a entrega de recursos a terceiros ou sócios, no anocalendário de 2003 sem a comprovação das operações correspondentes ou das suas causas; • primeiramente, em 04/04/2007, a empresa foi intimada a apresentar os livros e documentos constantes de Termo de Intimação01 (fls. 04/05); • no mesmo Termo foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, o destinatário, a operação ou causa da entrega dos recursos e/ou pagamentos efetuados mediante retiradas das diversas contascorrentes, conforme relação anexada ao termo (extratos de contas correntes do Banco de Boston S/A, Cruzeiro do Sul e Unibanco S/A — fls. 06/14); • em resposta no dia 24/04/2007 (fls. 17/41) a empresa atendeu parcialmente ao solicitado, da seguinte maneira: apresentou o Livro Diário e cópia do seu contrato social e de suas modificações; apresentou, também, documentos pertinentes as operações realizadas por meio da conta corrente do Banco de Boston S/A (Anexo II — fls. 1 a 154) e com relação aos demais documentos solicitados, requereu uma dilação de prazo para entrega dos mesmos; • a análise da documentação fornecida pela fiscalizada revelou que os pagamentos efetuados ou a entrega de recursos a terceiros não foram direcionados a sua cliente DE FRANÇA COMERCIAL LTDA., mas sim a terceiros outros (Anexo II— fls. 1 a 154); • a empresa elucidou ainda que os recursos foram direcionados a terceiros, por conta e ordem da sua cliente DE FRANÇA COMERCIAL LTDA; • como base nestes esclarecimentos a empresa foi intimada em 07/05/2007 (fls. 43/44) a apresentar o CNPJ da empresa DE FRANÇA COMERCIAL LTDA, descrever de forma sucinta os serviços prestados e a apresentar os contratos firmados entre as empresas; Fl. 3128DF CARF MF 4 • em correspondência com data de 15 de maio de 2007, a empresa atendeu parcialmente ao solicitado através da apresentação dos seguintes documentos: o número do CNPJ e cópia do contrato que regia as relações com a mesma (fls. 45 a 51); juntou todos os movimentos de carteira junto ao Bank Boston em complemento ás informações solicitadas no primeiro termo de intimação (ver Anexo II — fls. 155 a 448); . • em 30 de maio de 2007, após 55 dias do primeiro termo, a empresa foi reintimada (Termo de intimação03, fls. 52 a 57) a apresentar, no prazo de 15 dias as informações e documentos anteriormente solicitados, ou seja, comprovar, mediante documentação hábil e idônea, o destinatário, a operação ou a causa da entrega dos recursos e/ou pagamentos efetuados mediante retiradas das contascorrentes do Banco Cruzeiro do Sul e Unibanco S/A; • no mesmo termo, foi intimada a apresentar uma descrição sucinta (modus operandis) e especifica dos serviços prestados à empresa DE FRANÇA COMERCIAL LTDA., bem como o procedimento contábil utilizado e a origem dos recursos que propiciaram o pagamento das ordens de pagamento determinadas pela sua cliente DE FRANÇA COMERCIAL LTDA; • em resposta, em 13 de junho de 2007, a empresa a apresentou os documentos que lhe foram solicitados e informou que as operações da CCFC FOMENTO COMERCIAL LTDA. com a DE FRANÇA COMERCIAL LTDA (fls. 58 e 59) referiamse a compra de créditos a receber relativos a vendas mercantis parceladas feitas pela De França através de telemarketing, e que foram amplamente veiculadas pelos meios de comunicação; acrescentou, ainda, que os recursos que ingressaram na conta, por se tratarem de boletos de compensação bancária, seriam esses objetos de liquidação diária do Bank Boston que o faria por valor global; juntou ainda (Anexo II — fls. 449 a 688) uma amostragem dos meses 03 e 04/2003 da conta do Bank Boston, referentes aos boletos bancários liquidados das operações com a De França Comercial Ltda; • a análise dos débitos das demais contas correntes de titularidade da fiscalizada (Banco Cruzeiro do sul e Unibanco) revelou, também, que os recursos foram direcionados para diversas empresas e pessoas físicas, por conta e ordem de seus clientes (Anexo III); • dessa forma, intimouse a fiscalizada (Termo de intimação04, fls. 60 a 62), no dia 26/06/2007, dentre outros itens, a informar e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a operação ou a causa da entrega dos recursos e/ou pagamentos efetuados mediante retiradas das contascorrentes do Banco Cruzeiro do Sul e Unibanco S/A; • em correspondência com data de 11 de julho de 2007 (fl. 63), informou que cada uma de suas contas correntes servia para distinguir as operações de fomento por cliente, do seguinte modo: a) SPORT E LAZER IV CENTENÁRIO S/A (CNP J: 33.592.692/000163) UNIBANCO C/C 1203802 AG. 40 e 2. BANCO CRUZEIRO DO SUL C/C 11790 AG. 002; b) GYG MODAS (CNPJ: 39.467.220/000165) BANCO CRUZEIRO DO SUL C/C 4424 AG. 002; c) G128 MODAS LTDA (CNPJ: 078.711.787/000173) BANCO CRUZEIRO DO SUL C/C 4424 AG. 002; Fl. 3129DF CARF MF Processo nº 19740.000019/200886 Acórdão n.º 2402005.856 S2C4T2 Fl. 4 5 d) DE FRANCA COMERCIAL LTDA (CNPJ: 03.343.868/000182) BANK BOSTON C/C 146141 AG. IPANEMA. • a análise da documentação (por amostragem) fornecida pela fiscalizada possibilitou identificar os destinatários dos débitos efetuados nas contas correntes da fiscalizada; • por outro lado, a fiscalizada não conseguiu apresentar um demonstrativo com os títulos negociados, valores pagos às empresas pela aquisição dos direitos creditórios, fator de compra utilizado, datas da aquisição dos direitos creditórios, datas dos vencimentos dos títulos, valor das comissões de serviços ad valorem e discriminação dos serviços prestados, bem como documentação probatória, hábil e idônea, do exercício da atividade de factoring (contratos de factoring, borderos, duplicatas, etc..) com os clientes acima elencados; • diante do quadro de ausência quase que total de uma documentação probatória, hábil e idônea, da prática da atividade de factoring com os clientes elencados acima, a auditoria encaminhouse no sentido de averiguar a operação ou a causa da entrega dos recursos; • além de solicitar a fiscalizada a apresentação de documentação comprobatoria das operações correspondentes, ou das suas causas (Termo de intimação —05, 06, 07 e 08, fls. 68 e 69, 89 e 90, 96 e 96,109 e 110), foram realizadas diligências nos contribuintes DE FRANCA COMERCIAL LTDA., GYG MODAS, G128 MODAS LTDA. e SPORT E LAZER IV CENTENÁRIO S/A, todos clientes da fiscalizada; • como resultado das diligencias foi apurado o seguinte, por empresa: DE FRANCA COMERCIAL LTDA. "1. A diligencia realizada no seu domicilio fiscal revelou que não estava em funcionamento e que, segundo testemunhas, nunca foi notada qualquer atividade empresarial no referido endereço (Anexo V — fls. 43 a 46); 2. Não foi encontrada nenhuma das sócias (Anexo V —fls. 49 a 55). Verificouse, inclusive, que é inexistente o endereço da sócia IGNEZ CARDOSO FRANCO, ao passo que a outra sócia GERALDA SERGIA DOS REIS teria se mudado sem paradeiro conhecido; 3. A circularização realizada por amostragem em algumas empresas e pessoas físicas que receberam recursos da fiscalizada (sempre por conta e ordem da empresa DE FRANÇA COMERCIAL LTDA) revelou que nenhuma delas conhecia a empresa DE FRANÇA COMERCIAL LTDA (Anexo V — fls. 75 a 135) e, à exceção de uma pessoa física (BENEDITO SOARES DE FREITAS FILHO), tampouco conheciam a fiscalizada. De notarse, contudo, que, segundo o Sr. BENEDITO SOARES DE FREITAS FILHO, o próprio realizou operação de fomento com a CCFC FOMENTO COMERCIAL LTDA., o que vai de encontro a afirmação da fiscalizada de que cada conta corrente possuía a finalidade de atender um cliente especificamente. Vêse, portanto, que a conta corrente foi utilizada para outros fins que não para operações com a DE FRANCA COMERCIAL LTDA; 4. No curso das referidas diligencias, verificouse, por meio de consultas aos sistemas da SRF, que a empresa diligenciada teve movimentação financeira praticamente Fl. 3130DF CARF MF 6 zerada no ano de 2003, conforme declarações de CPMF entregues pelas instituições financeiras, fato este, no mínimo estranho para o volume financeiro transacionado com a fiscalizada; 5. Em resumo, estáse diante de uma empresa "laranja" (DE FRANÇA COMERCIAL LTDA), que realiza operações comerciais com a fiscalizada sempre a margem e sua conta corrente (pois por meio de ordens de pagamentos dirigidas a fiscalizada, o dinheiro é sempre repassado para um terceiro), de cujos sócios não se tem notícia e com sede social desconhecida. De outro lado, a defesa da fiscalizada ficou adstrita a um contrato de factoring realizado com a suposta empresa DE FRANCA COMERCIAL LTDA, algumas planilhas com cálculo de desconto e títulos negociados e a diversas ordens de pagamento supostamente emitidas pela mesma cliente. Inobstante, em momento algum conseguiu vincular os débitos na conta corrente n° 146141 do Bank Boston ás operações realizadas com sua cliente, não comprovando, assim, suas operações ou causas dos recursos entregues a terceiros por conta e ordem da referida empresa;" SPORT E LAZER IV CENTENÁRIO S/A "1. A diligenciada foi intimada a apresentar: todas e quaisquer operações (explicitando a operação e os valores envolvidos); um demonstrativo que identificasse os títulos negociados, o valor pago pela empresa CCFC FOMENTO COMERCIAL LTDA. pela aquisição dos direitos creditórios; o fator de compra utilizado na cessão de direitos creditórios; datas das operações (recebimento e pagamento dos valores); datas dos vencimentos dos títulos; valor da comissão de serviços ad valorem, discriminação dos serviços prestados; forma de recebimento pelos direitos creditórios cedidos vista, cheque, depósito em conta corrente etc.); cópias dos documentos comprobatórios de todas as transações realizadas com a empresa CCFC FOMENTO COMERCIAL LTDA. no período fiscalizado (contratos, border6s, nota promissória, duplicatas etc.). Em resposta, a diligenciada não só não apresentou quaisquer documentos comprobatórios das transações realizadas com a empresa CCFC Fomento Comercial Ltda. como declarou não possuir quaisquer registros contábeis dessas operações (Anexo V fls. 36 e 40); 2. Em resumo, estáse diante de uma cliente (SPORT E LAZER IV CENTENÁRIO S/A) que não só declara não possuir quaisquer registros contábeis da fiscalizada como quaisquer documentos comprobatórios das transações realizadas com a fiscalizada. De outro lado, a defesa da fiscalizada ficou adstrita a alguns emails enviados ao Banco Cruzeiro do Sul e ao Unibanco S/A, com ordens de pagamento a terceiros, sem que. em momento algum, conseguisse vincular os débitos oriundos das contas correntes n° 11790 do Banco Cruzeiro do Sul e 1203802 do Unibanco S/A as operações de factoring realizadas com sua cliente, não comprovando, assim, suas operações ou causas dos recursos entregues a terceiros por conta e ordem da referida empresa." GYG MODAS e G 128 MODAS LTDA., "1. As diligenciadas foram intimadas a apresentar; todas e quaisquer operações (explicitando a opera cão e os valores envolvidos); um demonstrativo que identificasse os títulos negociados, o valor pago pela empresa CCFC FOMENTO COMERCIAL LTDA. pela aquisição dos direitos creditórios; o fator de compra utilizado na cessão de direitos creditórios; datas das operações (recebimento e pagamento dos valores); datas dos vencimentos dos títulos; valor da comissão de serviços ad valorem, discriminação dos serviços prestados; forma de recebimento pelos direitos creditórios cedidos (6 vista, cheque, depósito em conta corrente etc.); cópias dos documentos comprobatórios de todas as Fl. 3131DF CARF MF Processo nº 19740.000019/200886 Acórdão n.º 2402005.856 S2C4T2 Fl. 5 7 transações realizadas com a empresa CCFC FOMENTO COMERCIAL LTDA. no período fiscalizado (contratos, border6s, nota promissória, duplicatas etc.); 2. Em resposta, as diligenciadas declararam que realizaram algumas operações com a fiscalizada, embora não tenham apresentados quaisquer documentos comprobatórios das transações realizadas com a empresa CCFC Fomento Comercial Lida (Anexo V f Is. 02 a 23); 3. Em resumo, as clientes GYG MODAS e G128 MODAS LTDA que supostamente realizaram negócios com a fiscalizada, não apresentaram quaisquer documentos comprobatórios, malgrado os termos de intimação que buscassem tal esclarecimento. De outro lado, a defesa da fiscalizada ficou adstrita a alguns emails enviados ao Banco Cruzeiro do Sul, com ordens de pagamento a terceiros, sem que, em momento algum, conseguisse vincular os débitos oriundos da conta corrente de n° 4424, Agencia 002, do Banco Cruzeiro do Sul as operações de factoring realizadas com suas clientes, não comprovando, assim, suas operações ou causas dos recursos entregues a terceiros por conta e ordem das referidas empresas." • informa a fiscalização que em vista da falta de documentos comprobatórios sobre as operações praticadas pela fiscalizada, aliada ao fato de sua contabilidade (anexo VI) não permitir identificar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas correntes, procurouse compatibilizar a receita da fiscalizada com as despesas de seus clientes; • elucida que essa tentativa teve por intuito único obter dados (o fator de compra utilizado na cessão de direitos creditórios, datas das operações, datas dos vencimentos dos títulos, valor da comissão de serviços ad valorem, etc.) que pudessem dar pistas sobre suas supostas operações com seus clientes; • a fiscalização destaca que embora a fiscalizada tenha elaborado e apresentado, somente no dia 15 de janeiro de 2008 algumas planilhas com cálculos de descontos de títulos negociados (anexo IV), pouco foi sua utilidade, uma vez que não só tais planilhas vieram desacompanhadas de documentação que validasse tais cálculos, como também seus clientes não apresentaram qualquer documento que pudesse validar tais planilhas; • ressalta ainda que a origem dos recursos nunca foi objeto da autuação em exame, mas sim os rendimentos recebidos pelos terceiros, sócios ou pessoas não identificadas sem comprovação da operação ou a sua causa e que os recursos que ingressaram em suas contas correntes foram objeto do auto de infração n° 19740.000507/200621; • a fiscalização destaca que a empresa teria seu trabalho facilitado para comprovar suas operações de factoring se cumprisse rigorosamente a Resolução n° 02 de 13 de abril de 1999. DOU 08/07/1999, do Conselho de Controle de Atividades FinanceirasCOAF, a partir da qual as empresas de factoring foram obrigadas a implantar um sistema de controle das operações com valor acima de R$ 10.000,00 (dez mil reais), conforme teor da Resolução transcrita is fls. 120/121. • destaca a fiscalização que autuação teve como suporte fático conforme descrição dos fatos, o pagamento efetuado ou a entrega de recursos a terceiros ou sócios, no anocalendário de 2003, sem a comprovação das operações correspondentes, ou das suas causas; Fl. 3132DF CARF MF 8 • o crédito tributário foi apurado tendo por base os extratos originais de todas as contas correntes movimentadas pela fiscalizada (ANEXO I), a patir do qual trabalharamse os dados de modo a incluir em uma planilha os débitos correspondentes a meros estornos de créditos e débitos decorrentes de transferências para outras contas da própria pessoa jurídica, bem como de todos os valores inicialmente debitados a conta e posteriormente estornados, dentre estes cheques da própria empresa devolvidos (fls. 126 a 133); • a fiscalização destaca que embora a fiscalizada tenha apresentado uma planilha demonstrativa com as transferências entre contas de mesma titularidade (fls. 6 e 7 do anexo IV), a mesma não foi considerada uma vez que elaborou uma planilha bem mais abrangente; • depois, foram elaboradas outras planilhas (individualizadas por instituição financeira e conta) com os débitos correspondentes aos pagamentos ou aos recursos entregues sem comprovação de sua operação ou causa comprovada, efetivamente realizados no período fiscalizado (fls. 134 a 238); • por último, consolidaramse esses valores em um demonstrativo resumo (fl. 125). Irresignada com a autuação a empresa apresentou, em 19/02/2008, a impugnação de fls. 258/274, instruída como os documentos de fls. 275/382, na qual sustenta ser totalmente improcedente a autuação, resumidamente, pelas razões a seguir. DOS FATOS • o lançamento contestado está fundado exclusivamente em matéria de prova; • a cada afirmativa feita pela fiscalização, serão apresentados argumentos e provas em contrario, visando a esclarecer a verdade final dos fatos acerca das operações praticadas pela empresa; • o contrario do que afirma a fiscalização, todos os pagamentos efetuados foram feitos licitamente em bancos, por meio de movimentação bancária; • o simples fato de o lançamento ter considerado não comprovados todos os pagamentos feitos pela empresa, à exceção dos estornos e transferências de recursos entre as diversas contas correntes mantidas pela Impugnante, por si só, já demonstra o seu absurdo; Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 19740.000019/200886 Acórdão n.º 2402005.856 S2C4T2 Fl. 6 9 • ofende o bom senso imaginar que uma empresa atuante, com inúmeros clientes e inúmeros contratos celebrados, não tenha feito um único pagamento que tenha causa fiscalmente justificável; • lançamento repousa em meras suposições, além de desprezar as provas apresentada e contrariar, por vezes, até mesmo o depoimento da própria fiscalização, como se verá adiante; • a Fiscalização afastou a aplicação do principio da verdade real contido no parágrafo primeiro do art. 145 da Constituição Federal e baseou o lançamento em meras suposições; • o artigo 674 do RIR/1999 determina que o ônus da prova é da empresa, sem explicitar, em nenhum momento, de que forma deve ser produzida tal prova; • diante da ausência de uma norma que discipline como deverá ser produzida a prova, a fiscalização apela para a Resolução no. 02, de 13 de abril de 1999, do COAF, aplicável as operações de factoring, em valores superiores a R$ 10.000,00, que deverão ser objeto de registro especial pelas empresas de factoring; • esquece a Fiscalização que pelo menos noventa e nove por cento das operações financeiras realizadas pela CCFC Fomento Comercial Ltda. possuem valor inferior ao limite previsto na lei, o que a desobrigaria do tal controle especial da COAF; • inexistem na legislação do imposto de renda normas outras quaisquer que disciplinem a produção de provas; • não houve o descumprimento de nenhuma norma de escrituração conhecida pela Impugnante nem mesmo a citação de alguma norma no ato do lançamento; • a fiscalização afirma não aceitar as provas produzidas sem explicitar o porquê de sua recusa, descumprindo o principio da legalidade e da motivação dos atos administrativos; • todos os pagamentos feitos pela empresa foram realizados em bancos credenciados e em contas correntes abertas especificamente para o fim de abrigar operações de factoring, conforme demonstrativo realizado por ela e entregue aos fiscais em 15 de janeiro de 2008; • da leitura do Termo de Verificação Fiscal, percebese que a Fiscalização considerou não provadas as operações de factoring descritas na planilha elaborada pela empresa (Anexo IV) por dois motivos principais, a saber: (1) as mesmas estão desacompanhadas de documentação, e (2) seus clientes não apresentaram documentos que validem os dados descritos na planilha; • a Fiscalização não explicita que documentação seria a por ela tida como necessária para comprovar os dados da planilha; • destaca que a citada planilha menciona valores extraídos diretamente de extratos bancários, os quais constituem, salvo melhor juízo, a prova máxima da realização das Fl. 3134DF CARF MF 10 operações financeiras, em qualquer auditoria que se queira fazer, seja ela para fins fiscais ou outros fins; • é impossível saber o que pretende a fiscalização com a afirmação feita, uma vez que possui em mãos toda a movimentação bancária da empresa, além de contratos de factoring e cartas dirigidas pelo cliente a empresa, ordenando que a mesma realize, em seu nome, pagamentos diversos; • o segundo motivo da glosa alegado pela Fiscalização fere, data vênia, praticamente todos os princípios de auditoria fiscal previstos no Regulamento de Imposto de Renda; • ao afirmar que os clientes da impugnante não apresentaram documentos que validem os dados da planilha, a Fiscalização simplesmente lhe transfere a responsabilidade pela situação fiscal dos mesmos; • conforme copioso e reiterado pronunciamento do Conselho de Contribuintes, traduzido em pacífica e remansosa jurisprudência, não compete as empresas o trabalho de fiscalizarem, previamente ou mesmo posteriormente, a situação fiscal de seus clientes e fornecedores, uma vez que tal atividade lhes é até mesmo expressamente vedada pelo Código Tributário Nacional, uma vez que a situação fiscal das pessoas físicas e jurídicas contribuintes de impostos é legalmente protegida pelas normas relativas ao sigilo fiscal; • competiria, no caso, a fiscalização (e não à Impugnante) diligenciar para que os documentos por ela pretendidos fossem obtidos junto aos clientes, pois só ela detém o poder/dever e a competência para apurar os fatos tidos como delituosos, apurando a verdade real da questão; • a autuada deparase com um evidente abuso da autoridade fiscal, que parece criar normas inexistentes, no tão velho quanto condenado afã de tributar ao arrepio da lei; • no curso do procedimento fiscal, foram realizadas diligências e intimações, visando a apurar a realidade das transações comerciais existentes entre os clientes listados e a Impugnante. • não obstante as provas coligidas e os depoimentos e dados levantados nos autos, fiscalização julgou insuficientes tais provas, optando por tributar todos os pagamentos feitos pela CCFC Fomento Comercial Ltda. como pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. DA AUTUAÇÃO QUANTO AOS VALORES PAGOS A DE FRANCA COMERCIAL LTDA • a empresa DE FRANÇA COMERCIAL LTDA, vendia através de telemarketing pequenas máquinas de costura portáteis a clientes espalhados pelo Pais; • os boletos relacionados com as transações feitas na venda das máquinas de costura, todos eles em pequeno valor (não mais que R$ 60,00), eram entregues à Impugnante, que os recebia via bancos; • diante do recebimento dos boletos de venda, a Impugnante abria imediatamente DE FRANÇA um crédito bancário, o qual era debitado sistematicamente por orientação obviamente da primeira; Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 19740.000019/200886 Acórdão n.º 2402005.856 S2C4T2 Fl. 7 11 • as pessoas beneficiadas com os pagamentos eram listadas em correspondência pela DE FRANÇA, conforme cartas e comunicados entregues à Fiscalização; • uma vez celebrado o contrato entre a DE FRANÇA a impugnante, esta última recebia os boletos, abria um crédito e fazia pagamentos diversos em nome do cliente, que lhe enviava correspondência regular contendo a orientação a ser seguida e as pessoas a serem beneficiadas; • a Impugnante apresentou original de contrato típico de factoring celebrado com a empresa DE FRANÇA COMERCIAL LTDA. em 14 de março de 2001, no Rio de Janeiro, e registrado em 04 de maio de 2001, mas não sabe por que motivos, a Fiscalização simplesmente não aceitou o documento como prova de que as operações de factoring realizadas entre as duas empresas foram precedidas da celebração de um contrato absolutamente regular e de acordo com as leis comerciais e fiscais; • quanto à inexistência da empresa afirmada pela Fiscalização, a DRF Varginha encarregada de realizar diligência no domicilio fiscal da cliente esclarece que "o ato constitutivo da sociedade empresária está arquivado na JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Tal documento tem fé pública. Estaríamos incorrendo em inconstitucionalidade se a negássemos, tendo em vista o disposto no art. 19 inciso II da Constituição Federal"; • em face desta afirmação, não há como a Fiscalização da DEINF continuar negando a existência da DE FRANÇA e transferindo para a Impugnante as irregularidades praticadas por seu cliente; • é forçoso constatar que a DE FRANÇA existiu efetivamente, celebrou o contrato de factoring com a Impugnante e praticou inúmeras irregularidades, ao que parece, sonegando impostos e praticando evasões de todos as espécies, obviamente sem contar com o concurso da Impugnante, que sempre agiu de boa fé com a sua cliente; • o contrato social registrado da empresa DE FRANÇA comprova que a mesma encontrase, até mesmo, em atividade na presente data; sendo a negativa da Fiscalização quanto à existência da empresa um absurdo; • buscando elucidar de vez os fatos, a Impugnante adquiriu recentemente o produto vendido no sistema de telemarketing pela DE FRANÇA COMERCIAL LTDA, ou seja, uma pequena máquina de costura portátil, tendo efetuado o pagamento por boleto bancário (cópia anexa), que tem por emitente a empresa DEPY LINE COSMÉTICOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (fl. 282); • a DEPY LINE COSMÉTICOS tem como sócios os Srs. CELSO CARDOSO PEREIRA DA SILVA e DIANE CARDOSO PEREIRA DA SILVA (fl. 280); • sócio CELSO CARDOSO PEREIRA DA SILVA participa da empresa ICB Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda., empresa também localizada em Itapeva MG, com o CNPJ 86.392.255/000162, sendo também sócio da Victoria Service Ltda., conforme contrato social juntado em anexo (fl. 291/301); Fl. 3136DF CARF MF 12 • a empresa ICB Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda. nada mais é que o Instituto Carmen Benndorf Indústria e Comércio Ltda (fls. 302/310), beneficiário de inúmeros pagamentos feitos pela Impugnante a pedido da DE FRANÇA, conforme pode ser visto na documentação juntada em anexo (cópia das cartas dirigidas pela DE FRANÇA à Impugnante, em 2003); • além disso, a empresa Victory Services Ltda., que também tem como sócio o Sr. Celso Cardoso Pereira da Silva (o mesmo que até hoje vende as mesmas máquinas de costura portáteis sob o manto da Depy Line Cosméticos Indústria e Comércio Ltda.) é mencionada no depoimento de pessoas intimadas pela Receita Federal, conforme depoimentos constantes no Anexo V dos autos; • assim, está provado que a auditoria fiscal não aprofundou como deveria a investigação acerca dos ilícitos praticados pela DE FRANÇA, empresa de propriedade de Celso Cardoso Pereira da Silva, que ainda hoje opera livremente, vendendo o mesmo produto de antes e, quem sabe, muito provavelmente sonegando os impostos devidos; • ao orientar a Impugnante para realizar pagamentos sistemáticos à ICB (ou Instituto Carmen Benndorf) e à Victoria, o sócio e proprietário da DEPY LINE COSMÉTICOS, Sr. Celso Cardoso Pereira da Silva, estaria, na verdade, retomando os recursos arrecadados com a venda das máquinas de costura pelo telemarketing a si próprio, apropriando se deles sem pagar tributos; • tudo isso surgiria, por certo, com maiores detalhes, caso a fiscalização tivesse sido aprofundada em sua busca pela verdade; ao contrário, a Fiscalização preferiu afirmar que a empresa DE FRANÇA não existe, atirando toda a culpa pelos ilícitos por ela praticados sobre os ombros da Impugnante; • além disso, a sócia do Sr. Celso Cardoso Pereira da Silva, na ICB, vem a ser a Sra. Zofia Wieliczka, que por sua vez é também sócia na empresa Victory Services Ltda., sediada em Itapeva, empresa que tem por objeto social o comércio varejista de outros artigos de uso pessoal e doméstico não especificados e recebeu inúmeros pagamentos feitos pela Impugnante pedido da DE FRANÇA, conforme atestam as ordens também juntadas à presente impugnação; • A teia de irregularidades estendese assim além da auditoria fiscal feita pela DRF Varginha a pedido da DEINF Rio de Janeiro, demonstrando cabalmente que os infratores que a montaram atuam ainda hoje sob o manto da impunidade, celebrando contratos com empresas regulares e de boa fé, que nada podem fazer para conhecer as suas práticas escusas. DA AUTUAÇÃO QUANTO AOS VALORES PAGOS SPORT E LAZER IV CENTENÁRIO LTDA. • a fiscalização considerou os pagamentos feitos pela Impugnante a ela como não comprovados quanto à sua origem e efetividade, sob o argumento de que a mesma, uma vez intimada pela fiscalização, declarou não possuir quaisquer registros contábeis da fiscalizada (a Impugnante), assim como quaisquer documentos comprobatórios das transações realizadas com CCFC Fomento Comercial Ltda; • na primeira resposta a intimação (fl. 36 — Anexo V), a Sport e Lazer afirma tãosomente não haver registros contábeis, evitando dizer se houve ou não transações comerciais com a Impugnante à margem desses registros; Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 19740.000019/200886 Acórdão n.º 2402005.856 S2C4T2 Fl. 8 13 • a redação dúbia da resposta à primeira intimação, feita pela empresa Sport e Lazer, não passou despercebida à fiscalização da DEINF, que reintimou a empresa a esclarecer afinal se ela não havia realizado operações comerciais ou as realizara, deixando de contabilizá las simplesmente, fato que motivou a resposta de fls. 36 do mesmo anexo V do Termo de Intimação Fiscal; • a empresa afirma, em fls. 40 do mesmo Anexo V, que reitera as informações previamente fornecidas, no sentido de informar que não constam registros contábeis quanto à empresa CCFC Fomento Comercial Ltda." • com base nas informações prestadas pela Sport e Lazer, a impugnante deduz que a declaração prestada ao Fisco não pode ser tomada como uma informação de que não existiram operações de factoring entre as empresas mas que não existiram, isto sim, registros contábeis nesse sentido; • a copiosa documentação apresentada no curso da auditoria fiscal a fiscalização pela Impugnante, consistente em comunicados feitos a ela pela Sport e Lazer, deveria servir sim de prova, uma vez que repete nomes conhecidos de pessoas que notoriamente possuem relação com aquela empresa; • a fiscalização deveria ter aprofundado a auditoria para que tudo se esclarecesse; • num mundo onde as informações são feitas aos milhares o tempo todo, de forma sistemática, por meios eletrônicos, tomase impossível produzir a prova solicitada pela fiscalização, que parece exigir cartas e memorandos escritos, simplesmente inexistentes na correspondência bancária de hoje. DA AUTUAÇÃO QUANTO AOS VALORES PAGOS A GYG MODAS E À G 128 MODAS LTDA • as conclusões da Fiscalização, após diligências efetuadas junto as empresas acima referidas são extremamente draconianas, fiscalistas e não condizem, ademais, com a realidade dos fatos nem se afinam a vasta documentação juntada aos autos; • consta em fls. 07 do Anexo V, uma declaração de absoluta clareza, firmada expressamente pela cliente da Impugnante, GYG Modas Ltda., na qual se afirma que a empresa realizou operações de factoring com a CCFC Fomento Comercial Ltda., no ano de 2003, nos valores ali enumerados, mediante a cobrança de uma taxa de 2,2% (dois e dois por cento); • se tal declaração não merece fé por parte da fiscalização, deve ela informar expressamente os motivos, justificando a sua recusa em aceitála como documento válido a fornecer informações; • a atitude do Fisco caracteriza um claríssimo cerceamento do direito de defesa da Impugnante, uma vez que fere as normas do processo administrativo fiscal e as da Lei no. 9.784, de 29 de janeiro de 1999, mormente as contidas no art. 38, parágrafo segundo, que transcreve; Fl. 3138DF CARF MF 14 • competiria ao Fisco, diante de sua recusa em aceitar a declaração como válida e capaz de gerar efeitos fiscais, aprofundar a auditoria fiscal em busca de novos elementos que lhe trouxessem a verdade; • de forma análoga, G 128 Modas Ltda., conforme declaração expressa à fl. 19 do mesmo Anexo V informa que realizou operações de factoring com a Impugnante, em 2003, nos meses listados; • apesar de todos esses dados, a Fiscalização julgou as operações não comprovadas, desprezando as declarações já citadas, além do demonstrativo que lhe foi entregue em 15 de janeiro de 2008, o qual contém, data vênia, todos os dados solicitados até então pela fiscalização. • referindose ao volume 03 do Anexo IV ao auto de infração, sustenta que o mesmo possui dados absolutamente completos das operações de factoring realizadas com a cliente DE FRANÇA, ao longo do ano de 2003, no Bank Boston, informando as suas colunas a data do borderô emitido, a data do vencimento da operação, o valor de face dos títulos e o seu valor de desconto, além da taxa cobrada, que era descontada do cliente ao final da operação; • o demonstrativo 6, portanto, completo e não dá margem a quaisquer dúvidas quanto as operações que pretende comprovar a titulo de amostragem; • a sua recusa pelo fisco não mereceu a justificativa por escrito a que alude a lei citada, o que evidencia um claro absurdo; • a vista do demonstrativo que constitui o volume 03 do Anexo IV, cai por terra a afirmação da fiscalização, já que o demonstrativo contém todos, absolutamente todos, os dados solicitados da empresa no curso da fiscalização. DO PEDIDO FINAL • finaliza requerendo a anulação do lançamento por conter os vícios apontados do (1) cerceamento do direito de defesa, (2) afirmações inverídicas feitas pela fiscalização quanto as provas apresentadas e, finalmente, (3) conclusões que não guardam conformidade com a verdade apurada nos próprios autos, por ser de justiça. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente (fl. 398 e segs) em acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NA() IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. Sujeitamse à incidência do imposto exclusivamente na fonte, a aliquota de 35%, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 19740.000019/200886 Acórdão n.º 2402005.856 S2C4T2 Fl. 9 15 Cientificado da decisão de primeira instancia em 13/04/2011, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 430 e segs., em 10/05/2011, o recurso voluntário repisando os argumentos já levantados em sede de impugnação, exceto em relação a questão a seguir sintetizada: as infrações ora imputadas pela fiscalização à Recorrente já foram apreciadas pelo CARF, conforme consta no Acórdão no. 10809.831, de 05 de fevereiro de 2009. a Egrégia Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes resolveu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da Recorrente, nos termos do relatório que passou a integrar aquele julgado. a CCFC Fomento Comercial Ltda. foi fiscalizada, numa primeira etapa, pela DEINF do Rio de Janeiro, tendo sido lançados pela fiscalização daquela delegacia especializada, o IRPJ e demais tributos devidos pela omissão de receitas nos anos calendários de 2001, 2002 e 2003. a omissão de receitas decorreu do fato de que a fiscalização teria apurado depósitos bancários em nome da autuada, por ela não oferecidos à tributação. a Fiscalização julgou que os depósitos deveriam ser tributados, contudo, examinando os autos, a douta Oitava Câmara entendeu que os valores apurados pela fiscalização não eram corretos e que a fiscalização teria incorrido em erros que tomava anulável o lançamento. Sem contrarazões. É o relatório. Fl. 3140DF CARF MF 16 Voto Conselheiro Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 13/04/2011, interpôs recurso voluntário no dia 10/05/2011, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. DA NULIDADE O contribuinte postula a nulidade do lançamento. Quanto a este aspecto, no entanto, verificase que não existem quaisquer vícios, previstos no Processo Administrativo Fiscal, que possam acarretar nulidade do lançamento, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. O auto de infração só seria considerado nulo na hipótese de conter elementos que implicassem preterição do direito de defesa do sujeito passivo, ou, ainda, se ausentes os requisitos mínimos necessários à sua feitura em boa forma, de modo a, igualmente, impedir o exercício desse direito, em sua amplitude, o que não se afigura no caso em tela. Com base no exposto, rejeita a nulidade pretendida pelo Recorrente. PROVAS contrato e extratos bancários O contribuinte efetua diversos questionamentos no que se refere à matéria probatória, alegando que o artigo 674 do RIR/1999 determina que o ônus da prova é do contribuinte, sem explicitar, em nenhum momento, de que forma deve ser produzida tal prova. Não é aceitável que o contribuinte espere que a legislação tributária seja específica em relação aos documentos que devem ser apresentados por cada setor de atividade para comprovar suas operações. Nem mesmo a fiscalização é capaz de apontar exatamente quais os documentos devem ser apresentados, não só pela sua desobrigação em conhecer os pormenores de cada setor, como porque é aceitável qualquer comprovação documental que consiga comprovar veracidade dos argumentos de defesa, não existindo apenas um tipo de documento capaz de desincumbir o contribuinte de tal ônus probatório. É de se destacar que a empresa teve inúmeras chances de esclarecer, através de documentação comprobatória, as operações ou as causas correspondentes aos pagamentos, como se vê nos Termo de intimação n. 05 (fls. 68/69), 06 (fls. 89/90), 07 (fls. 95/96) e 08 (fls. 109/110). Notase, ainda, o esforço da fiscalização em busca da verdade material dos fatos alegados pela defesa, uma vez que se propôs a realizar diligencias individualizadas nos clientes da Recorrente. Não obstante o insucesso da fiscalização em comprovar as alegações da recorrente, mister se faz reconhecer o compromisso assumido em relação ao correto procedimento fiscal. Enfim, como bem destacado na decisão recorrida, se a empresa não comprovou a causa de todos os pagamentos, deve sofrer autuação na integralidade, não sendo Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 19740.000019/200886 Acórdão n.º 2402005.856 S2C4T2 Fl. 10 17 este procedimento absurdo, mas sim devido ao cumprimento do estrito dever legal de se lançar o tributo devido. Da leitura das peças de defesa, inferese que o contribuinte pretende imputar aos contratos uma verdade definitiva. Explicase: uma vez contratadas as operações de factoring, nada mais haveria que se contestar quanto à sua efetividade. Data vênia, no entanto, tal fundamento não pode ser aceito. Como sabido, ainda que os contratos sejam documentos relevantes, também o conhecimento dos fatos é essencial para correta aplicação da norma jurídica. Portanto, diversamente ao que argumenta a interessada, tão somente a apresentação dos contratos não é suficiente para demonstrar as operações de factoring. De modo a comprovar a efetividade das operações há necessidade de se evidenciar o que de fato ocorreu, poderiase citar como documentos aceitáveis borderôs, notas promissórias, duplicatas etc. Conclusão diversa não pode ser aplicada em relação a apresentação dos extratos bancários pois, é essencial que as causas ou razões dos pagamentos sejam suficientemente comprovadas. O contribuinte tem o dever de elucidar as razões dos pagamentos, a sua causa, as operações correspondentes. Também não é suficiente para elidir a autuação o fato de os pagamentos terem sido efetuados licitamente em bancos. O fato dos pagamentos terem sido efetuados por via bancária não esclarece a natureza real das operações ou suas causas. Mais adiante, o contribuinte sustenta que volume 03 do Anexo IV possui dados absolutamente completos das operações de factoring realizadas com a cliente DE FRANÇA, ao longo do ano de 2003, no Bankboston, informando as suas colunas a data do borderô emitido, a data do vencimento da operação, o valor de face dos títulos e o seu valor de desconto, além da taxa cobrada, que era descontada do cliente ao final da operação. Com base neste demonstrativo e nos demais documentos já anexados aos autos, defende que todas as operações estariam absolutamente comprovadas, restando demonstrada a improcedência total da autuação. Em relação aos demais documentos apresentados, que conforme alegações do contribuinte, serviriam de comprovação das operações realizadas, me limito a transcrever trecho das conclusões que embasaram a fundamentação decisão recorrida, por refletirem meu convencimento: No seu volume I consta planilha relativa às transferências entre contas da própria impugnante. Como os valores das transferências foram excluídos da autuação e não houve questionamento quanto a este aspecto, não há qualquer providência a ser tomada quanto a reformulação da base de calculo. Os documentos de fls. 08 a 355 referemse a comprovantes de depósito, mas nada elucidam quanto a causa ou operações correspondentes. Prosseguindo o exame do anexo IV, consta à fl. 357 demonstrativo da Sport e Lazer contendo mensalmente os valores de face os descontos e os títulos. Fl. 3142DF CARF MF 18 Nas folhas seguintes (fls. 358/399) constam quadros demonstrativos com a data do borderô, o valor de face, a taxa de desconto, o valor com desconto e o valor descontado. Tais documentos não se prestam para comprovar as aventadas operações. Isto porque não há qualquer referência em nenhum deles à autuada, tratandose, ao que parece, de documentos internos da Sport e Lazer. Outra dificuldade em sua aceitação reside no fato de que, segundo a impugnante, os pagamentos à SPORT E LAZER IV CENTENÁRIO S/A eram efetuados através do UNIBANCO C/C 1203802 AG. 40 e do BANCO CRUZEIRO DO SUL C/C 11790 AG. 002. No entanto, os documentos de fls. 358/399 não identificam os cheques correspondentes (valores, vencimento, data, etc..). Ou seja, os documentos de fls. 357/399 não são capazes de ilidir as razões da autuação. Na seqüência passo a analisar o volume 03, onde segundo o contribuinte estariam todos os elementos necessários para compreensão das operações e cancelamento da autuação. Os documentos de fls. 402/418 referemse a aplicações de renda fixa, os quais não trazem esclarecimentos relativos às causas ou operações correspondentes aos pagamentos. Os documentos de fls. 421/442, 490/552 são relatórios demonstrativos de movimentação para uso interno. De sua leitura percebese a movimentação financeira da empresa, mas não as aventadas operações de factoring. De modo análogo os extratos do BanlcBoston (fls. 442/489) são insuficientes para comprovar as alegadas operações de factoring. Prosseguindo, consta à fl. 554 demonstrativo da DE FRANÇA contendo mensalmente os valores de face os descontos e os títulos. Nas folhas seguintes (fls. 555/625) constam quadros demonstrativos com a data do borderii, o valor de face, a taxa de desconto, o valor com desconto e o valor descontado. Tais documentos, em principio, não se prestam para comprovar as aventadas operações, pois não hi qualquer referência em nenhum deles à autuada, tratandose, ao que parece de documentos internos da DE FRANÇA. Outra dificuldade em sua aceitação reside no fato de que, segundo a impugnante, os pagamentos à DE FRANÇA eram efetuados através do BANK BOSTON C/C 146141 AG. IPANEMA. No entanto, os documentos de fls. 555/625 não identificam os cheques correspondentes (valores, vencimento, data, etc. .).Ou seja, os documentos de fls. 357/399 não são capazes de ilidir as razões da autuação. De todo modo, como os extratos bancários relativos ao BankBoston vieram aos autos, efetuei a comparação, por amostragem, dos documentos de fls. 555/625, com os extratos bancários de fls. 442/489 para se verificar a compatibilidade entre os mesmos. Segundo argumenta a interessada, operava da seguinte forma: diante do recebimento dos boletos de venda, abria imediatamente à DE FRANÇA um crédito bancário, o qual era debitado sistematicamente por orientação obviamente da Fl. 3143DF CARF MF Processo nº 19740.000019/200886 Acórdão n.º 2402005.856 S2C4T2 Fl. 11 19 primeira e que as pessoas beneficiadas com os pagamentos eram listadas em correspondência pela DE FRANÇA, conforme cartas e comunicados entregues à Fiscalização. A ser verdadeira esta afirmativa, a interessada agia como administradora de um conta corrente junto à DE FRANÇA. Melhor dizendo, da conta do BankBoston, em nome da autuada, sairiam todos os pagamentos destinados aos terceiros designados pela DE FRANÇA. Vejase então, que no dia 06/01/2003 foram efetuados descontos com o valor de face de R$ 3.007,01 e valor com desconto de R$ 3.001,06 (fl. 555). Cotejandose estes valores com o extrato do BankBoston (fl. 442), verificase pagamentos nos seguintes valores: R$ 246,18; R$ 6.800,00; R$ 5.547,00; R$ 12,00 e R$ 52,65. Portanto, nenhum destes valores guarda correspondência com os supostos valores descontados. Já no dia 28/07/2003 teriam sido descontados títulos no valor de face de R$ 6.437,98 e liquido de R$ 6.422,10 (fl. 584). No entanto, no dia 28/07/2003, constam pagamentos nos valores de R$ 20,00; R$ 24,55; R$ 1.008,05; R$ 12,00 e R$ 88,92. Como exemplos neste mesmo sentido poderiam ser repetidos, resta demonstrado que as supostas operações de factoring restaram incomprovadas. Prosseguindo a análise, verificase que os depósitos de fls. 626/743, efetuados na conta do Banco Cruzeiro do Sul, em nome da CCFC, teriam sido efetuados pela GYG MODAS e pela G 128 MODAS LTDA. De fato, há que se reconhecer que os comprovantes de depósito guardam compatibilidade com a relação de cheques anexa. Por exemplo, no dia 23/07/2003, consta nos autos um comprovante de depósito no valor de R$ 723,16 (fl. 631), o qual guarda conexão com a relação de cheques de fl. 632. Então, em principio o ingresso de cheques na conta da CCFC estaria demonstrado. O mesmo raciocínio poderia se repetir em relação aos demais depósitos. Sucede que nos comprovantes de depósito e na relação anexa a cada um não há menção nem à GYG MODAS, nem tampouco à G 128 MODAS LTDA. Portanto, salvo melhor juízo, a única inferência que se pode extrair destes documentos é de que os mesmos demonstram a existência de diversos depósitos em nome da CCFC efetuados por terceiros, sem identificação. Podese obstar ainda que os depósitos teriam sido efetuados pela Loja Absoluta, a qual está referida nas relações de cheques a vencer, entretanto não há evidências de que este estabelecimento tenha conexão com o presente processo. Por fim, ainda que os depósitos fossem perfeitamente identificados, releva notar que a autuação não se refere à entrada de recursos na conta da CCFC, mas sim da saída de recursos, em virtude de pagamentos, cuja causa ou operação não restou comprovadas. Fl. 3144DF CARF MF 20 Destarte, não há qualquer evidência do exame dos quatro volumes do Anexo IV que permita concluir pelo cancelamento da autuação. O exame da contabilidade do contribuinte, correspondente ao Anexo VI também não permite concluir pelo cancelamento da autuação. Isto porque sua contabilidade é feita de forma global, estando ali indicado, por exemplo: cheques recebidos para cobrança, cheques terceiros cobrados e valor debitado pelo Banco. Assim, como não foram juntados livros auxiliares, ou outros demonstrativos, não há como nela se identificar os valores dos pretensos cheques recebidos, nem os supostos descontos efetuados. Quanto aos documentos de fls. 311/370 juntado ao presente processo, correspondentes a extratos bancários e pedidos de pagamento da empresa DE FRANÇA, os mesmos demonstram que a DE FRANÇA solicitou que a autuada efetuasse pagamentos. Porém, na inexistência de outros elementos, não há como se caracterizar a existência de factoring. No dia 01 de dezembro, por exemplo, segundo consta à fl. 316, consta um pedido para que três pagamentos sejam efetuados, nos valores de R$ 1.574,31, R$ 20.405,71 e R$ 470,00, importando no total de R$ 22.450,02. Pois bem. No extrato de fl. 312 existe um pagamento de R$ 470,00, portanto no mesmo valor de um dos pagamentos solicitados, mas não hi outras evidencias de que tenha sido de fato destinado a Fábio Oliveira Alloca, por solicitação da DE FRANÇA. No mesmo dia consta um pagamento no total de R$ 21.980,02, que corresponde soma dos valores de R$ 1.574,31 e 20.405,71. Ainda que assim seja, a relação de factoring também não restou evidenciada. Do exame da documentação de fls. 311/370 podese extrair outras ilações semelhantes, que até indicam a relação comercial das empresas. Porém, não se pode extrair que de fato exista uma relação de factoring entre as mesmas. Caso comprovadas as operações decorrentes do contrato de factoring, os pagamentos teriam uma causa justificada. No entanto, como tal não restou demonstrado, não há como se cancelar a autuação. Por fim, alega o contribuinte que as infrações apontadas pelo fisco no acórdão 10809.831/09 foram exatamente as mesmas apontadas no auto de infração relativo ao IRF que ora se comenta. Tal fato teria decorrido porque a fiscalização, numa primeira etapa, fiscalizou a empresa recorrente pela omissão de receitas, lavrando um auto de infração, e, numa segunda etapa, tomou a fiscalizar a mesma empresa, tributando todos os pagamentos por ela feitos com o imposto de renda na fonte. Não obstante o resultado de julgamento tenha sido pelo provimento provimento do recurso no caso do acórdão mencionado, não se pode deixar de dizer que as razões de voto em nada devem influenciar o presente julgamento. Naquele caso, o MPF motivou a lavratura do auto de infração pelo fato de constar nos sistemas da Receita Federal movimentação financeira elevada, em contraponto às declarações de receitas auferidas pelo interessado em suas DIPJ, propôsse, desta forma, arbitramento do lucro e imputação de ação por omissão de rendimentos. O julgador formou sua convicção pela nulidade com base na constatação de alguns equívocos que retiraram os pressupostos da segurança e certeza que deveriam nortear o Fl. 3145DF CARF MF Processo nº 19740.000019/200886 Acórdão n.º 2402005.856 S2C4T2 Fl. 12 21 lançamento tributário, equívocos que apontaram para incorreções insanáveis quanto aos regimes tributários aplicados e base de cálculo adotada pelo fisco para o arbitramento dos lucros. Em relação ao equívoco quanto ao regime tributável aplicado à empresa, fundamentou o conselheiro que nos autos não existiam provas de que a contribuinte mantinha contas correntes à margem de sua contabilidade. O que existe é prova de que deixou de escriturar apenas parte da movimentação financeira nas contas correntes dos Bancos indicados, por determinados períodos. Desta forma, julgouse que não seria o caso de arbitramento. Por fim, motivou a decisão, ainda, o fato do fisco ter deixado de cumprir requisito essencial à caracterização da presunção legal de omissão de receitas, previsto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, ao não intimar a contribuinte para comprovar a origem dos depósitos individualizadamente, constituindose esse fato num terceiro fundamento para exonerar as exigências autuadas. Ou seja, no processo mencionado, o contribuinte não se desincumbiu de seu ônus probatório, mas obteve decisão favorável por nulidade do lançamento, situação totalmente diversa da ora apresentada. CONCLUSÃO Tendo em vista todo o acima, voto por CONHECER o Recurso Voluntário e NEGAR PROVIMENTO, nos termos do voto acima. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 3146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.923676/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE.
A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.098
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DCOMP. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. Recorrente HIDROALL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. A constatação de inexistência de saldo credor em revisão da escrita fiscal impossibilita a compensação pleiteada. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar decisão que manteve intacto o indeferimento de aproveitamento de saldo credor de IPI referente ao período de apuração de 01/04/2007 a 30/06/2007, ao argumento de que há lançamento de ofício (com decisão administrativa definitiva), lançamento que esgotou o saldo credor originalmente apurado pelo contribuinte, razão pela qual as compensações declaradas não foram homologadas, por inexistência do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 36 76 /2 00 9- 09 Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10830.923676/200909 Acórdão n.º 3302004.098 S3C3T2 Fl. 3 2 A escrita fiscal do IPI foi refeita em virtude da apuração de débitos do imposto pelo Fisco. Mesmo aproveitando os créditos escriturados pelo contribuinte, houve apuração de saldos devedores, do que resultou a lavratura do auto de infração, processo n° 10830.720891/201166. Apresentada Manifestação de Inconformidade, os argumentos de defesa foram rechaçados pela decisão recorrida. Argumentou a DRJ que há decisão nos autos n° 10830.720891/201166, que julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o lançamento do imposto, o que implica a inexistência de saldos credores passíveis de ressarcimento/compensação. Por consequência, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada neste processo, permanecendo não homologadas as compensações declaradas por inexistência de crédito, nos termos do Acórdão 14041.868 Na Manifestação de Inconformidade, bem como nas razões recursais, sustenta a Recorrente que a classificação fiscal adotada para o produto desinfetante estaria correta, classificado como produto químico orgânico, por tratarse de composto clorado, sob o código 29.33.69.19. Em suma, traz os mesmos argumentos sustentados na Impugnação do Auto de Infração, processo n° 10830.720891/201166, conforme afirmativa da própria Recorrente. A 1ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, através da Resolução nº 3801 000.760, converteu o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem juntasse a este processo a decisão administrativa definitiva proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração vinculado a este processo de ressarcimento/compensação). Posteriormente foram juntados aos autos a decisão proferida no processo 10830.720891/201166 (Auto de Infração), que negou provimento ao recurso voluntário apresentado naqueles autos (Acórdão 3302002.153), bem como pedido de desistência apresentado pelo contribuinte naquele processo, do que resultou a definitividade daquela decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.085, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.720617/201197, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.085): " Cuidase de recurso tempestivo e atende as demais formalidades de admissibilidade, assim sendo, tomo conhecimento. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10830.923676/200909 Acórdão n.º 3302004.098 S3C3T2 Fl. 4 3 O pedido foi indeferido por inexistência de saldo credor após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização proceder lançamento de ofício, impugnado, esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, que julgou improcedente a Impugnação e manteve o lançamento intacto, decisão com transito em julgado. O voluntário sequer tratou desse assunto, reprisou os mesmos argumentos da fase instrutora. Não rebateu os argumentos utilizados no julgamento de piso. Sendo assim, não resta outra hipótese de que não seja reconhecer a inexistência de saldo credor passível de compensação. Diante do exposto, nego provimento ao recurso." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o pedido de ressarcimento/compensação foi indeferido por inexistência de saldo credor de IPI após revisão da escrita fiscal, o que levou a fiscalização a proceder ao lançamento de ofício, impugnado. Esses fatos restaram dirimidos nos autos do processo de n° 10830.720891/201166, no qual consta decisão definitiva negando provimento ao recurso voluntário e mantendo o lançamento intacto. Mantido o lançamento do IPI, inexiste saldo credor que ampare o presente pleito. Desta forma, o fundamento adotado para concluir pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento/compensação no caso do paradigma, também justifica sua aplicação nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 758DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.900311/2012-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF
Numero da decisão: 3802-003.316
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Waldir Navarro Bezerra
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 03 11 /2 01 2- 44 Fl. 120DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0617.16099.3XTC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0731.611 da 4ª Turma da DRJ Florianópolis SC (fls. 97/100 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de suposto pagamento a maior de PIS e da COFINS. Notase que na decisão recorrida, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse pela não homologação da compensação, fazendoo com base na constatação de que os referidos créditos já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Neste diapasão, a DRJ, conforme ementa de seu acórdão, indeferiu o pleito da Recorrente, uma vez que a compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Em 09/07/2013 (fl. 101), a Recorrente foi devidamente intimado da decisão recorrida. Em 02/08/2013, protocola Recurso Voluntário (fls. 102/115), se insurgindo contra o Acórdão recorrido, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2009 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento, tomase de empréstimo o relatório proferido pela D. Autoridade julgadora de primeira instância: (...) Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Per/Dcomp), por meio da qual a contribuinte acima identificada procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior, relativos ao anocalendário de 2006. Fl. 121DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0617.16099.3XTC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.900311/201244 Acórdão n.º 3802003.316 S3TE02 Fl. 121 3 Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba manifestouse pela não homologação da compensação, fazendoo com base na constatação de que os referidos créditos já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte. Em sua manifestação, a contribuinte explica inicialmente que, ao promover a revisão de seus débitos fiscais do PIS e da Cofins, teria identificado pagamentos indevidos, formalizando a retificação das declarações Dacon, conforme o recibo em anexo. Quanto à DCTF, a tentativa de retificação não teria obtido êxito visto que já teriam passado mais de 05 anos, o que requer que seja procedido de ofício. No mérito, alega ter o direito de compensar, com base no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, uma vez que retificou o Dacon dentro do prazo prescritivo. Remete à Solução de Consulta nº. 229/2010. Sob o tópico “Do direito do contribuinte retificar suas informações”, remete à decisão do Superior Tribunal de Justiça para argumentar que a Administração Pública tem o poder/dever de revisar de ofício o lançamento quando se comprove erro de fato. Alega, pois, que o contribuinte tem o direito de retificar e ver retificada pelo fisco a informação fornecida com erro de fato, quando esta retificação resultar na redução do tributo devido. Requer, por fim, a homologação das declarações de compensação. Após cientificada da decisão de primeira instância, o contribuinte em seu Recurso Voluntário descreve suas razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo, quais sejam: a) explica inicialmente que, em 2009 ao promover a revisão de seus débitos fiscais do PIS e da COFINS, teria identificado pagamentos indevidos no ano calendário de 2006, formalizando a retificação das declarações Dacon, conforme o recibo em anexo. Quanto à DCTF, a tentativa de retificação não teria obtido êxito visto que já teriam passado mais de 05 anos, o que requer que seja procedido de ofício. b) que em homenagem aos princípios da boa fé e da verdade material, alega ter o direito de compensar, com base no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, uma vez que retificou o Dacon dentro do prazo prescritivo; remete à Solução de Consulta nº. 229/2010; que a teor do art. 170 do CTN, tem o direito a ser compensados, pois a certeza e a liquidez estão devidamente demonstrados através do DACON que demonstra que nada tem a pagar das guias pagas indevidamente a maior. c) no tópico “Do direito do contribuinte retificar suas informações”, remete à decisão do Superior Tribunal de Justiça para argumentar que a Administração Pública tem o poder/dever de revisar de ofício o lançamento quando se comprove erro de fato. Alega, pois, que o contribuinte tem o direito de Fl. 122DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0617.16099.3XTC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 retificar e ver retificada pelo fisco a informação fornecida com erro de fato, quando esta retificação resultar na redução do tributo devido. Requer, por fim, a reforma da decisão recorrida e a consequente homologação da declaração de compensação, bem como a retificação de ofício da DCTF a fim de se adequar os débitos conforme apurado no Dacon. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Dos fatos Como bem retratado na decisão a quo, o recurso voluntário da Recorrente contesta a não homologação do PER/Dcomp e alega ter o direito de compensar, com base no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, uma vez que retificou o Dacon dentro do prazo prescritivo. Quanto à DCTF, a tentativa de retificação não teria obtido êxito visto que já teriam passado mais de 05 anos, o que requer que seja procedido de ofício. Argumenta ainda, que teria como base legal na Solução de Consulta nº. 229/2010, cuja ementa se encontra reproduzida no corpo do recurso. A recorrente ressalta que tais créditos se explica pois, no ano de 2009, ao promover a revisão de seus débitos fiscais do PIS e da COFINS, teria identificado pagamentos indevidos no anocalendário de 2006, formalizando a retificação das declarações Dacon, conforme o recibo em anexo. Quanto à DCTF, a tentativa de retificação não teria obtido êxito visto que já teriam passado mais de 05 anos, o que requer que seja procedido de ofício. Analisando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de primeira instância com base em insubsistente argumentação, bem como pela não juntada de documentos comprobatórios, motivos pelos quais, como se demonstrará, não merece provimento o presente Recurso Voluntário. Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, insatisfeito, o contribuinte instaurou o presente processo com o fundamento de que o valor informado por ele em DCTF é maior do que o valor devido. Aponta a origem do erro, que como já frisado, seria a revisão de seus débitos fiscais do PIS e da COFINS no anocalendário de 2006. Porém não demonstra a sua existência, ou seja, a forma como isso foi apurado. Apenas noticia que o valor correto é aquele constante no DACON retificador transmitido em 2009 (fls. 32/51) do respectivo período e não junta cópia de documentos aos autos atestando com isso comprovar o pagamento a maior, a não ser a cópia do despacho decisório, do DARF pago, do Dacon retificador e a DCTF. (fls. 30/94). Afirma em seu recurso que “ (...) pois a certeza e a liquidez estão devidamente demonstrados através do DACON que demonstra que nada tem a pagar das guias pagas indevidamente a maior” pois com isso considera ser suficientes elementos para demonstrar os créditos apurados. O DACON trazido aos autos é retificador e verificase que foi entregue antes da ciência do despacho decisório. Fl. 123DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0617.16099.3XTC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.900311/201244 Acórdão n.º 3802003.316 S3TE02 Fl. 122 5 Muito embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. Quando muito, a incoerência do contribuinte macula de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado. Verificase, ainda, que o contribuinte tentou retificar a supracitada DCTF para adequála ao pedido em tela e aos dados do Dacon. Contudo, não obteve sucesso (a transmissão não foi concluída), uma vez que havia se esgotado o prazo (05 anos) para que a recorrente tivesse o direito de apresentar ou retificar a DCTF (fl. 48). Ressaltamos que à época vigorava a IN RFB no 1.110/2010, cujo artigo 9, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de “(...) mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (...)”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, não produziria qualquer efeito (art. 9, § 2º, I, “c”). A mesma instrução normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON (este efetivado) do período, conforme artigo 9, § 6º, da citada Instrução Normativa. De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Visando verificar o seu direito, ao apreciar o material probante juntado pelo sujeito passivo, notase que o Recorrente, à época de sua manifestação de inconformidade, não Fl. 124DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0617.16099.3XTC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora. Embora tenha juntado naquela oportunidade documentos intitulados “Cópia do Despacho Decisório, DARF pago, Dacon Retificador e DCTF (retificadora não processada)”. Todavia, neste recurso nenhum novo documento foi juntado ao processo, ou seja, não foi anexado aos autos documentos comprobatórios, tais como demonstrativos de cálculos, a DIPJ retificada, cópia de Livros Fiscais, notas fiscais e dos documentos contábeis como os Livros Diário e Razão, balancete, etc). Ora, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento processual, em que apenas excepcionalmente seria aceita a juntada de prova, por haver comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de conferir e comprovar à diferença desses montantes para fins da recomposição do faturamento do Recorrente. Ou seja, a recorrente não apresentou nenhuma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento. Vêse que o contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez de forma satisfatória. Dessa forma, fica afastada a possibilidade de utilização da referida DCTF (retificadora) como prova no presente processo. Insta salientar que a simples tentativa de transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil a legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor do PIS e da COFINS era efetivamente devido. Tal se dá pelo simples fato de que o processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – às vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Salientamos que o ônus da prova do direito é da Recorrente, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Vêse que o contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez de forma satisfatória. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS declarado na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF que a recorrente pretende retificar. Assim sendo, não há fundamentos para que se aceite agora a retificação extemporânea da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Fl. 125DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0617.16099.3XTC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10925.900311/201244 Acórdão n.º 3802003.316 S3TE02 Fl. 123 7 Logo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 126DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0617.16099.3XTC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR NAVARRO BEZERRA em 05/08/2014 09:24:00. Documento autenticado digitalmente por WALDIR NAVARRO BEZERRA em 08/08/2014. Documento assinado digitalmente por: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM em 11/08/2014 e WALDIR NAVARRO BEZERRA em 08/08/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 19/06/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP19.0617.16099.3XTC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10925.900311/2012-44. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11020.001958/2006-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. NÃO ENQUADRAMENTO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No conceito de insumo, não se enquadram as peças para a manutenção de máquinas e equipamentos.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9303-004.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Foi feito pedido de suspensão do julgamento do recurso, por impedimento dos conselheiros fazendários, rejeitado pelo presidente da turma por falta de previsão regimental.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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INSUMOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MOVEIS PONZONI LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. NÃO ENQUADRAMENTO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No conceito de insumo, não se enquadram as peças para a manutenção de máquinas e equipamentos. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Foi feito pedido de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 19 58 /2 00 6- 08 Fl. 697DF CARF MF 2 suspensão do julgamento do recurso, por impedimento dos conselheiros fazendários, rejeitado pelo presidente da turma por falta de previsão regimental. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional face o acórdão nº 320200.239, de 09 de dezembro de 2010 (fls. 404 a 414) do processo eletrônico, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte conforme acórdão assim ementado, na parte que interessa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de Apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Recurso parcialmente provido. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 11020.001958/200608 Acórdão n.º 9303004.687 CSRFT3 Fl. 698 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial – fls. 415 a 449 em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, argumentando que o entendimento desposado pelo r. acórdão não deve prosperar, uma vez que reconheceu como insumos determinados bens e serviços, cujo conceito não se enquadra para fins de geração de créditos de COFINS não cumulativo conforme determina o art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (e Lei nº 10.833/2003, para COFINS), em concomitância com o entendimento exposto na IN SRF nº 247/2002, com alterações introduzidas pela IN SRF nº 358/2003. Foi apresentado como paradigma o acórdão de nº 20312.448 exarado pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do antigo CARF, documento de fls. 451 a 469. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 492 a 505 postulando pelo não provimento do recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a decisão v. Acórdão, especificamente no tocante ao reconhecimento da legitimidade dos créditos das aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo. O contribuinte interpôs recurso especial às fls. 558 a 571, sendo que este teve seu seguimento negado, por entender inexistir o dissídio jurisprudencial pretendido pelo recorrente, restando não atendidos os requisitos estabelecidos no artigo 67 doA nexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009, nos termos do despacho de fls. 638 a 642 e confirmado no reexame de admissibilidade de fls. 644. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Preliminar de conhecimento do Recurso Especial. Em face das contrarrazões opostas ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, trato do seu juízo de admissibilidade. Fl. 699DF CARF MF 4 No presente caso, entendo assistir razão ao contribuinte. O recurso não deve ser admitido por lhe faltar um dos requisitos de admissibilidade, qual seja, o da divergência jurisprudencial. Conforme demonstrarseá linhas abaixo. Analisando as razões que levaram o Colegiado recorrido a dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, vêse que os julgadores a quo entenderam que o conceito de insumo para o PIS e a COFINS deve ser entendido como todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Contudo, o conceito de insumo próprio do PIS/Cofins não cumulativo que fora adotado no acórdão recorrido não é semelhante ao acolhido no acórdão paradigma que entendeu que o conceito trazido pela legislação do IPI deveria ser aplicado no caso em concreto. No acordão paradigma somente foi discuto o conceito aplicado na legislação do IPI. E em nenhum momento foi confrontado o conceito de insumo trazido pela legislação do IRPJ. Ou seja, na decisão paradigma colegiado não enfrentou o conceito de “insumos” dada pela legislação do IRPJ. O que, por conseguinte, não restou demonstrado o dissenso entre os arestos. Ademais, verificase que as situações fáticas são totalmente diferentes, no acordão paradigma a decisão não reconheceu o direito de credito dos seguintes insumos utilizado na fabricação de calçado: a) Material de uso geral: Buchas para máquinas, cadeado, caixa para disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada etc; b)Peças de reposição: Peças de máquinas e equipamentos; c) Material de Segurança: Jalecos, óculos, luvas de borracha, botas, protetor auricular etc; d) Seguros: Valor dos seguros contratados contra incêndio, raio, explosão, vendaval etc. e) Água: Rateada de acordo com o número de funcionários (produção, comercial • e administração); O Amortização de gastos préoperacionais; g) Conservação e limpeza: Água sanitária, cloro, desinfetantes etc. h) Manutenção predial: Tomadas, lâmpadas, soquete, plug, chave, material de pintura etc. i) Utensílios DL 1.598/77: Aquisições de bens de valor unitário não superior a R$ 326,61, ou com prazo de vida útil que não ultrapasse a um ano (art. 301 do RIR199); e j) Outras despesas: Carimbos, gás, etc. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 11020.001958/200608 Acórdão n.º 9303004.687 CSRFT3 Fl. 699 5 Já a decisão do acórdão recorrido, tratou de materiais utilizados na manutenção de maquinas e equipamentos e utilizados para fabricação de móveis. Verificase também, que a atividade do contribuinte e a atividade da empresa do acordão paradigma são totalmente diversas. Uma é uma indústria de moveis e a outra é uma indústria de calçados. Como se pode verificar as situações são diferentes, não estão sendo tratados dos mesmos créditos, os contribuintes são totalmente diversos e a discursão tratada no acordão paradigma não tratou da discussão do conceito de insumo trazido pela legislação do IPRJ. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda. Do mérito "Vencida" por entender pelo não conhecimento do Recurso Especial, passo a iniciar a análise das matérias desse recurso. Para melhor elucidar meu entendimento, importante trazer o conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos. Nos autos do processo administrativo nº 13984.001511/200587, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, a ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama expôs brilhantemente o conceito de insumo, que passam a integrar a presente fundamentação: " Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Fl. 701DF CARF MF 6 Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, por sua vez, foi confirmado pela pesquisa desenvolvida no âmbito do Núcleo de Estudos Fiscais da FGV Direito SO sob a coordenação dos estudiosos Breno Vasconcelos, Daniel Santiago, Eurico de Santi, Karem Dias e Suzy Hoffman. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Fl. 702DF CARF MF Processo nº 11020.001958/200608 Acórdão n.º 9303004.687 CSRFT3 Fl. 700 7 Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo:“Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: Fl. 703DF CARF MF 8 “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a Fl. 704DF CARF MF Processo nº 11020.001958/200608 Acórdão n.º 9303004.687 CSRFT3 Fl. 701 9 atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · o art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) Fl. 705DF CARF MF 10 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a.matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) b.os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) [...]” art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não Fl. 706DF CARF MF Processo nº 11020.001958/200608 Acórdão n.º 9303004.687 CSRFT3 Fl. 702 11 poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais Fl. 707DF CARF MF 12 que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para Fl. 708DF CARF MF Processo nº 11020.001958/200608 Acórdão n.º 9303004.687 CSRFT3 Fl. 703 13 efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Fl. 709DF CARF MF 14 Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos." Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. No presente caso, o Recurso Especial, versa especificamente sobre o direito a créditos de PIS e COFINS sobre materias utilizados para a manutenção de maquinas e equipamentos utilizados na fabricação de moveis. Verificase que estes materias utilizados para a manutenção de máquinas e equipamentos são essencias na fabricação dos produtos destinados a venda pelo Contribuinte. Pois, sem Fl. 710DF CARF MF Processo nº 11020.001958/200608 Acórdão n.º 9303004.687 CSRFT3 Fl. 704 15 a utilização destes, não haveria como fabricar e destinar seus produtos ao mercado, haja visto a inviabilidade de utilização das máquinas. Desta maneira, considerando o meu entendimento acerca do conceito de insumos, entendo que os materias utilizados para a manutenção de máquinas e equipamentos são essenciais para a fabricação de móveis. Caracterizando despesas nescessarias ao desenvolvimento de suas atividades, portanto entendo que, geram crédito de PIS/Pasep e Cofins,, por serem necessários para a atividade final de venda de mercadorias pela ora Recorrente. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Procuradoria. É como voto. Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Discordamos da il. Relatora. O conceito de insumo utilizado no próprio voto afasta a possibilidade de creditamento das contribuições sobre peças de reposição de máquinas e equipamentos. Notese que as próprias máquinas e os equipamentos, embora também sejam necessários à produção (sem máquinas ou equipamentos não se produz), não se qualificam como insumos, razão por que recebem tratamento especial e diverso na legislação do PIS/Cofins não cumulativo: o crédito que deles deriva originase da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os encargos de depreciação. A propósito, caso a sua aplicação das peças acresça mais de um ano de vida útil à máquina ou ao equipamento, deverão ser depreciadas juntamente com estes, uma vez que prolongam o tempo de sua utilização ou aumentam o seu valor. O que não se pode conceber, considerando que, em ambos os casos, apresentam a mesma natureza, é que, num caso, sejam depreciadas juntamente com as máquinas e equipamentos ou, no outro caso, sejam consideradas insumos necessários à produção. Assim sendo, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria. É como voto. Fl. 711DF CARF MF 16 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 712DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000429/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
Numero da decisão: 2402-005.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministro da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 04 29 /2 00 8- 87 Fl. 6118DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 6119DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP (DRJ/CPS) (6033/6011), que julgou procedente em parte impugnação apresentada pelo sujeito passivo (1419/1469) em face de lançamento em razão do descumprimento ao disposto no inciso IV e no § 5° do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, posto que a autuada deixou de informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, no período de 01/1999 a 05/2004, reclamatórias trabalhistas, contribuintes individuais e valores pagos a cooperativas de trabalho. Por bem retratar as razões trazidas pela Fiscalização, as alegações consignadas pela contribuinte na peça impugnatória e o resultado de diligência solicitada pelo Colegiado a quo, reproduzemse os trechos correspondente do Acórdão nº 0526.747 da 7ª Turma da DRJ/CPS: Relata a Fiscalização que estão presentes circunstâncias agravantes. No que diz respeito aos contribuintes individuais, os documentos apresentados pela empresa (DIRF, DIPJ, Recibos e Folhas de Pagamentos) não seriam consistentes. Estes documentos indicam valores diferentes para os mesmos fatos: total das remunerações pagas a pessoas físicas sem vinculo empregatício. Foram requisitados esclarecimentos â. empresa para que explicasse as divergências constatadas, mas as explicações não foram apresentadas não obstante a prorrogação do prazo inicialmente concedido. Sobre as reclamatórias trabalhistas, os documentos apresentados também não seriam consistentes. Havia planilhas em que as informações não eram corroboradas por GFIP, GPS ou pelo livro razão bem como GPS que se referiam a processos lido mencionados nas planilhas. Os números dos processos e as remunerações indicadas nos documentos apresentados também eram inconsistentes. Para o período até junho de 2002, a empresa utilizava o “Sistema Contábil Legado”, no qual se utilizavam de registros contábeis auxiliares. Ainda segundo o relatório fiscal, os livros auxiliares não mencionavam o nome da reclamante no processo trabalhista e nem sempre indicavam o número do processo. Concluiu a Fiscalização que a situação descrita acabou por inviabilizar a confrontação entre as informações. Houve sentenças e acordos judiciais não apresentados, prejudicando a confirmação dos lançamentos contábeis. Fl. 6120DF CARF MF 4 Concluiu a Fiscalização que a falta de informações inviabilizou a apuração da infração, prejudicando o resultado da ação fiscal. Para o período de 07/2002 em diante, a autuada utilizava o “Sistema Contábil SAP”, o qual permite o acesso “on line” às informações contábeis. Os livros diários passaram a registrar individualmente todas as transações contabilizadas. Mesmo neste período, o sistema não registra as informações que permitiriam se conhecer a ação trabalhista em questão, o que impediu o cruzamento dos registros contábeis com as planilhas apresentadas. Cita a Fiscalização que, em alguns casos, as informações atinentes As reclamatórias foram obtidas tãosomente nas GPS recolhidas, como nos casos dos processos de Terceiros, os quais tratam de condenações por responsabilidade solidária decorrentes de ações movidas contra as empresas que prestaram serviços à autuada. Os fatos narrados levaram a Fiscalização a entender que a contabilidade da empresa não possui o atributo confiabilidade. Informa o AuditorFiscal que procurou evitar qualquer presunção do lançamento, o que levouo a não incluir na autuação os segurados cujas remunerações não foram identificadas. O AuditorFiscal salienta que a autuada não atendeu a diversas intimações para esclarecer as dúvidas decorrentes dos exames de seus documentos, o que prejudicou a apuração dos fatos geradores. A falta de empenho em colaborar com a Fiscalização, levoua a entender que ocorreu verdadeiro embaraço à ação fiscal, fazendo incidir o disposto no inciso IV do artigo 290 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1.999. Relata a Fiscalização que a empresa agiu de “máfé, culminando em dolo”. Entende que a máfé esta configurada “na medida em que: deixou de cumprir obrigação prevista em lei, quando deixou de apresentar o Livro Razão por Conta e Subconta; cientificado por MPF e várias intimações TIAD ‘s (subitem 6.5.2), mesmo assim deixou de suprir as deficiências e omissões das informações; tendo solicitado e sendo por essa Auditoria concedida dilação de prazo a empresa teve toda oportunidade para afastar os óbices a fiscalização; assim sendo, embora especificamente solicitada a esclarecer o porquê dos pagamentos efetuados a pessoas fisicas a titulo de remuneração e constante nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica destoam dos valores informados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – Fl. 6121DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 4 5 DIRE, conforme demonstrativo dells. 1158, 1201, 1246, 1288 e 1330; induz a erro quando verificamos o total geral das remunerações dos processos trabalhistas «Is. 165, coluna B, linhas 70 e 80) e confrontamos com o total geral apurado no razão «Is. 165, coluna C, linhas 70 e 80) – onde apresenta diferença de apenas R$ 538 mil (equivalente a menos de 5 %), ao passo que no particular (por competência) vários dados estão incompletos, além de não apresentados; resultando disso é um valor menor do auto de infração, como inclusive conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa.” Argumenta a Fiscalização que “descabe portanto inquirir sobre a intenção do contribuinte na configuração do dolo, pois este está caracterizado pela responsabilidade objetiva na falta de cumprimento legal e desatendimento das intimações efetuadas, bem como no atendimento com as deficiências exaustivamente demonstradas. Assim, tendo conhecimento do mal e sendo conscientizado dos enganos e mesmo assim continuado a agir do mesmo modo, com omissão de informações, opôs impedimento invencível, obstando a ação dessa fiscalização, traduzida no embaraço da mesma, tendo a máfé como matriz do dolo em que incidiu por responsabilidade objetiva de atos e fatos que devem por determinação legal ter ciência razão pela qual a verificamos a ocorrência das circunstâncias Agravantes conforme o artigo 290 do RPS.” Informa a Fiscalização que a autuada não corrigiu integralmente a falta durante a ação fiscal. A conduta da empresa não permitiu se conhecerem todos os fatos geradores, não podendo se apurar precisamente a extensão da infração. Sem se conhecerem todos os fatos geradores não se pode concluir pela inteireza da correção da falta cometida. Relata que a empresa, alegando não ter como cumprir o disposto no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1.999, solicitou a averbação das GPS com a intenção de transferir a responsabilidade pela entrega das GFIP às empresas prestadoras de serviços. Entende a Fiscalização que a condenação, por solidariedade, em reclamatória trabalhista torna a autuada responsável pelo pagamento da obrigação principal e cumprimento da obrigação acessória, apresentando a GFIP correspondente. Conclui, assim, pela inaplicabilidade da atenuação da multa. Fl. 6122DF CARF MF 6 A autuada apresentou sua impugnação por meio do instrumento de fls. 1411/1461 (volume V). Alega que o Auditor Fiscal confundiu a dificuldade inerente ao trabalho com o não cumprimento de obrigações do contribuinte em atender solicitações e entregar documentos A Fiscalização. Informa que sempre esteve A disposição da Fiscalização, procurando facilitar seu acesso As dependências e aos documentos da empresa. Argui que não embaraçou os trabalhos fiscais e que tem recolhido valores elevados para a Seguridade Social. Não tem motivos para ter agido desta maneira. Argumenta que o encerramento de uma reclamatória trabalhista não necessariamente resulta em obrigação previdencidria. Nos processos em que foi tomadora dos serviços, não houve obrigatoriamente condenação. Mesmo se houvesse, a empresa terceirizada poderia ter realizado os recolhimentos. Aduz que a Fiscalização não pediu nem examinou os processos em questão. Alega que o problema de conciliação entre as GFIP e as DIRF decorre do fato de que, na DIRF, são declaradas as pessoas que sofreram retenção. Sustenta que a autuação tomou por base todos os segurados da empresa, quando deveria levar em consideração apenas aqueles em que houve irregularidades no recolhimento ou na declaração. Argumenta que não houve embaraço, máfé ou dolo. Argui que foram descumpridos os preceitos dos §§ 1° e 2° do artigo 664 da Instrução Normativa INSS/DC no 100, de 18 de dezembro de 2003. Acredita que não foi informada a hora em que foi lavrada a autuação nem foi juntado aos autos o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal a que se refere o inciso XVI do artigo 688 da citada IN. Aduz que, em consequência, foram cerceados seus direitos ao contraditório e A ampla defesa, especialmente se considerado que muitos documentos necessários A sua defesa estavam em poder da Fiscalização. Requer que seja reconhecida a nulidade da ação fiscal visto que o Auditor Fiscal não cumpriu sua obrigação de orientar o contribuinte, nos termos do artigo 588 da IN INSS/DC no 100/2003, nem observou o prazo de vinte dias que lhe deve ser concedido para a apresentação de documentos registrados em arquivos magnéticos, consoante o § 2° do artigo 610 da citada IN. Entende que a orientação é a principal obrigação do Auditor Fiscal, ao passo que a autuação poderá ou não acontecer. Sustenta que a Fiscalização não apontou qualquer irregularidade atinente A declaração de segurados empregados e administradores. Por entender que o número de segurados, a que se refere o § 4° do artigo 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho Fl. 6123DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 5 7 de 1.991, é a quantidade de segurados atrelados As irregularidades apuradas (lido o número total de segurados que prestaram serviços A empresa), requer que os empregados e administradores sejam excluídos da apuração do valor da multa. Conclui pela nulidade da autuação. Sobre a informação da Fiscalização a respeito da ocorrência de máfé, dolo e embaraço A Fiscalização, alega que lhe foram concedidos apenas três dias para a apresentação de inúmeros documentos relativos ao período de dez anos. Informa que não impediu o acesso dos AuditoresFiscais aos seus estabelecimentos. Comunica que a Fiscalização lhe entregou tress Mandados de Procedimento 1 Fiscal (MPF) acompanhados pelos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD). Aduz que foram atendidos os TIAD entregues em 07/07/2004, a mensagem eletrônica transmitida pelo Auditor Fiscal em 05/08/2004 e o TIAD de 03/09/2004 (por meio do qual lhe foi concedido um dia útil para atendimento). Para o outro TIAD de 03/09/2004, requereu, em 14/09/2004, o prazo de quinze dias para atendimentos das solicitações. A Fiscalização apenas concedeu quatro dias, sob pena de autuação. Finaliza informando que apresentou todos os documentos requisitados, deixando um empregado A disposição da Fiscalização, e que agiu com lisura, sendo equivocado o entendimento da Fiscalização de que agiu com máfé e dolo, criando embaraços A ação fiscal. Entende ser equivocado o entendimento da Fiscalização de que deixou de demonstrar a adoção de livro razão ou fichas utilizadas para resumir e totalizar os lançamentos efetuados no livro diário. Ocorre que, no TIAD de 22/06/2004, foi intimada a apresentar o Balancete Contábil (analítico e sintético), as Demonstrações Financeiras, as Notas Explicativas e Parecer de Auditoria. Por ser empresa limitada, apresentou, com a concordância da Fiscalização, as demonstrações financeiras e os livros diários. Argui que, nos livros diários apresentados “constam, além das informações apropriadas, as demonstrações financeiras, a nomenclatura das contas contábeis, bem como o balancete”. A respeito do item 7 do TIAD de 03/09/2004, alega que a Fiscalização requereu informações das contas do livro razão mencionadas no anexo II do TIAD atinentes a 6.310 meses. A empresa diz ter apresentado uma tabela que vincula as nomenclaturas antigas com as novas, as quais poderiam ser utilizadas nos sistemas. Argumenta que, em momento algum, a Fiscalização indagou qualquer dúvida sobre o manuseio da ferramenta de trabalho. Fl. 6124DF CARF MF 8 Com o intuito de colaborar com a Fiscalização, argui que deixou um funcionário da contabilidade A disposição da Fiscalização. O sistema contábil foi acessado com o acompanhamento pessoal dos AuditoresFiscais a fim de se gerarem os arquivos requisitados. Informa que apresentou os razões requeridos pela Fiscalização, como comprova o documento de fls. 576. Foi também apresentado, em meio magnético, o livro razão dos anos de 2000, 2001 e 2002, referente ao sistema contábil “legado” bem como todas contas e períodos requeridos pela Fiscalização. O livro razão impresso, relativo a todo o período fiscalizado, também foi entregue A Fiscalização. Lembra que os Auditores Fiscais tiveram acesso físico ao departamento de contabilidade, podendo requisitar quaisquer informações das pessoas que IA trabalhavam. Acerca dos itens 6.2.5 e 6.2.6 do relatório fiscal, argui que a Fiscalização não verificou cuidadosamente os documentos apresentados. A titulo exemplificativo, cita os registros indicados a fls. 10, 580 e 613, os quais informam os processos a que se referem os pagamentos. Os pagamentos tem como favorecido “Mesquita Barros Advogados”, pois os cheques foram emitidos para este escritório, procurador responsável pelos pagamentos judiciais trabalhistas. Não acredita que o procedimento contábil adotado seja irregular. Alega que, se a Fiscalização tivesse requerido as informações, não teria ocorrido qualquer confusão. Exemplifica informando que, nas ações a que se referem os documentos de fls. 931, 963, 1009, 1084, 1087 e 1104, não houve recolhimento de contribuição previdenciária. Aduz que os documentos anexos dão suporte ao lançamento indicado a fls. 953. Os documentos demonstram o reembolso com despesas nos processos movidos por Fernando Amorim de Aguiar e José Américo Faria Cintra, ai incluídas despesas com recolhimento de contribuições previdenciárias. Argumenta que, se a Fiscalização tivesse pedido os documentos, teria averiguado a regularidade dos pagamentos ao INSS. Informa que os registros das ações trabalhistas são feitos por contingenciamento de valores, considerando a probabilidade de êxito ou não da autora e que o mesmo acontece no término da ação, quando os valores são efetivamente pagos. Avisa que os detalhes dos processos contam ern pastas especificas, as quais não foram solicitadas pela Fiscalização. A respeito dos itens 6.2.7 a 6.2.9, sustenta que não existe histórico incognoscível. No livro auxiliar de pagamento, constam “o nome do favorecido, o número do processo, a data, o valor e a conta contábil”. Acredita que o procedimento contábil adotado atende a legislação e que todas as informações pertinentes estão registradas no sistema contábil. Alega que a Fiscalização não requereu a apresentação de cópias das decisões judiciais e dos acordos homologados. Repisa seus argumentos de que sempre buscou colaborar com a Fiscalização, não restringindo o acesso a qualquer informação. Fl. 6125DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 6 9 A respeito do item 6.2.9, alega que não era devido qualquer recolhimento concernente aos beneficiários apresentados no anexo GMB (fls. 324 a 348). Nos registros dos pagamentos estão indicados os processos. A verificação das pastas do caso permitiriam a averiguação da natureza das verbas pagas, não havendo que se falar “em ausência de fichas individualizadas por conta ou subconta”. Relativamente ao item 6.2.11, alega que os 472 documentos apresentados pela Fiscalização foram elaborados pela impugnante com o escopo de colaborar com a Fiscalização, não podendo se aceitar a ocorrência de qualquer tipo de obstáculo, máfé ou dolo. Salienta que os arquivos foram gerados duas vezes tendo em vista a mudança do “layout” requerida pela Fiscalização. Alega que os registros apontam os beneficiários dos pagamentos, como demonstram, por exemplo, os documentos de fls. 682 e 765. A fls. 760, 789 e 797, os registros indicam o pagamento ao escritório Mesquita Barros por reembolso pelos recolhimentos realizados ao INSS. Os documentos de suporte, que estiveram a disposição da Fiscalização, foram juntados aos autos e informam a reclamante e o efetivo recolhimento. Estas informações estão presentes nos “docs. Razão 1900110541 e 1900089660”. Argui que os lançamentos contábeis foram corretamente efetuados e que as afirmações da Fiscalização contidas na alíneas “a” a “g” do item 6.2.11 decorrem da tentativa da Fiscalização de confrontar informações extracontábeis com dados contábeis. As informações extracontáeis são gerenciais, não necessariamente relacionadas aos registros contábeis. Os documentos apropriados ao suporte dos lançamentos contábeis estiveram disponíveis ao agente fiscalizador. Aduz que nenhuma das normas citadas pela Fiscalização nos itens 6.2.11 a 6.2.17 e 6.3.1 a 6.3.3 foi descumprida pela impugnante. Com relação aos itens 6.3.4 e 6.3.7, após enfatizar que seus registros observam as normas contábeis, alega que a Fiscalização pretende impor obrigação não prevista em lei, tal como indicação dos valores discutidos judicialmente dentre outros. Protesta contra as afirmações constantes nos itens 6.3.6 e 6.3.7, alegando que os lançamentos foram realizados com base em documentação válida, a qual permite se averiguar “data do evento, número do processo judicial, beneficiário da ordem de pagamento, o autor da ação, a conta contábil e etc.” Defende que a Fiscalização, no item 6.1.3, em momento algum, relatou que os documentos requisitados não lhe foram apresentados, limitandose a afirmar que a auditoria foi prejudicada porque “o contribuinte não apresentou os elementos Fl. 6126DF CARF MF 10 que pudessem dirimir as dúvidas quanto a base de cálculo das remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais – autônomos”. Quanto ao item 6.1.4, alega que a impugnante não deixou de apresentar os documentos requeridos. O problema decorreu da ausência de pedido dos documentos que permitiriam A Fiscalização fazer as averiguações pretendidas. Conclui pela ausência de máfé. Volta a argumentar que todos os documentos requeridos foram apresentados, mas a Fiscalização negouse a assinar a planilha de protocolo de entrega, sob a alegação de que os documentos não sairiam da empresa. Discorda da conclusão fiscal de que não havia se esforçado para elucidar as dúvidas suscitadas. Defende que a legislação em vigor não prevê a figura do embaraço. O inciso IV do artigo 290 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1.999, prevê a agravante quando o infrator tiver “obstado a ação da fiscalização”, o que, a seu ver, nunca ocorreu. A definição de embaraço dada pela Fiscalização pressupõe que a execução do trabalho seja invencível, não podendo ser removido. Sustenta que a Fiscalização deveria orientar a contribuinte sobre como prestar seus esclarecimentos e não acusála indevidamente. Na continuação, requer que a multa exigida seja relevada ou atenuada com base nas GFIP eventualmente faltantes que pretende apresentar até a decisão a ser proferida pela autoridade julgadora. No tocante As reclamatórias trabalhistas, argumenta que informou A Fiscalização todas as ações, consoante relações de fls. 167/201. Acredita que o AuditorFiscal extraiu conclusões equivocadas por entender que a autuada deveria comprovar o recolhimento previdenciário e a declaração em GFIP. Todavia, há casos em que não haverá recolhimentos ou declarações em GFIP. São eles: processos julgados improcedentes; processos não julgados; processos em que a GM foi condenada por responsabilidade subsidiária, mas a devedora principal (empresa terceirizada) realizou o recolhimento da contribuição previdenciária, cabendo a ela a declaração em GFIP; processos com regular recolhimento e declaração em GFIP, salientado que há 271 casos em que a GFIP foi apresentada; processos em que a General Motors (GM) procedeu com o recolhimento da contribuição porque a empresa terceirizada estava em situação de falência ou similar. Nestes casos, a GM não declarou as GFIP por absoluta falta de dados; Aduz, novamente que: Fl. 6127DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 7 11 a Fiscalização não procurou esclarecer suas dúvidas, não dando • oportunidade A autuada para apresentar suas explicações; não foram requeridas cópias dos processos trabalhistas; os livros razão foram apresentados A Fiscalização, sendo que, a fls. 576/639, foram juntados os relativos aos anos de 1999 e 2000 e que os relativos aos anos de 2001 e 2002 são juntados com a impugnação; colocou um empregado do setor de contabilidade A disposição da Fiscalização; os diários auxiliares de 1999, 2000 e inicio de 2001 foram apresentados, mas o AuditorFiscal afirmou que não seriam necessários. Sobre as situações identificadas pela Fiscalização, comenta que: a fls. 241/244 (“GFIP”), já havia entregado as GFIP para 426 processos movidos por exempregados; a fls. 324/348 (“GMB”), constam ações judiciais em que a impugnante foi absolvida. Alega comprovar o alegado com a apresentação de documentos relativos a 11 reclamatórias trabalhistas; a fls. 349/354 (“GMBG”), a Fiscalização reconhece a entrega de GFIP, mas não encontrou as correspondentes GPS, as quais, apesar de não terem sido requeridas pela Fiscalização, são colocadas As disposição. a fls. 355 (“GPST”), as reclamantes indicadas integram ações plúrimas, ou seja, há mais de um autor na mesma ação judicial; a fls. 364/372 (“IN”), não compreendeu a menção a tais documentos. Os segurados mencionados estão relacionados nas listas juntadas, acompanhadas com as correlatas GFIP e GPS. a fls. 373 (“PRODD”), não há divergências entre os números dos processos informados e os números constantes nas GFIP. O mesmo processo pode receber números diferentes de acordo com as fases processuais (Vara do Trabalho, Tribunal Regional do Trabalho e Tribunal Superior do Trabalho), sendo que a impugnante poderia indicar qualquer um deles sem descumprir qualquer preceito legal ou causar embaraço à Fiscalização. A titulo de exemplo cita o processo movido por Armando Jurado, o qual recebeu o no 989/91 no Tribunal Regional do Trabalho que foi utilizado na GFIP e na GPS. Quanto ao segurado José Martins Silva, consta na GFIP e na GPS o número 798/94. A respeito das inconsistências mencionadas pela Fiscalização na coluna C da planilha de fls. 558/569 (Passo 7), alega que não há inconsistência entre: Fl. 6128DF CARF MF 12 (item 1) a competência indicada na GPS e a data do acordo ou decisão. As informação abaixo indicam que a data da emissão do cheque não está relacionada com a competência da GPS: Segurado Emissão do Cheque Data do Pagamento ao Segurado Data do Recolhimento Competência da GPS Pedro Adriano dos Santos 15/08/2002 13/09/2002 02/10/2002 09/2002 Antonio Pedro Filho 14/08/2002 23/10/2002 04/11/2002 10/2002 Willian Lopes Wolpi 29/10/2002 11/11/2002 04/11/2002 11/2002 (item 2) “remuneração INSS e competência conforme síntese do documento – GMB”, consoante tabela abaixo: Segurado Valor Pago ao Segurado Data do Pagamento ao Segurado Base de Cálculo do INSS Competência do GPS Raimundo Gomes dos Santos 4.000,00 09/09/2002 1.711,48 09/2002 Oderci Martins Euzebio 3.000,00 07/10/2002 824,56 10/2002 Oddrio Alves de Faria 2.787,77 23/08/2002 762,98 08/2002 (item 3) “remuneração INSS e Competência conforme planilha – Conta do Razão 548960100 provisão perdas em processos trabalhistas”, segundo tabela abaixo: Segurado Valor Pago ao Segurado Data do Pagamento ao Segurado Competência da GPS José Carlos dos Santos 7.200,00 10/2002 10/2002 Cláudio Vieira Ribeiro 2.800,00 29/09/2003 09/2003 Elder Pimentel da Silva 9.300,00 10/02/2003 02/2003 (item 4) “remuneração INSS e Competência conforme planilha –Relatório GPS dos processos trabalhistas de Terceiros”. O valor pago no acordo com Flávio Francisco de Oliveira foi de R$ 4.400,00, sendo a base de cálculo homologada em juizo no valor de R$ 1.095,35. O documento contábil foi emitido em 17/06/2003 e a competência da GPS foi de 06/2003. (item 15) “valor devido à Previdência Social – comparados os seguintes elementos: razão da conta 5489 – provisão versus GPS versus GFIP”. A GPS relativa a José da Silva Bitencourt foi superior ao devido, mas os documentos estão em harmonia. Quanto ao exempregado Raimundo da Silva Aguiar, a base de cálculo foi de R$ 14.406,08 e o recolhimento foi de R$ 5.166,72. Alega que, em relação ao itens 5 a 14 e 16, “não existe planilha com a indicação da letra correspondente que permita a análise e defesa da empresa”. Argui que não há incoerência entre o livro razão, as GFIP e as GPS. Os razões estão de acordo com o documento que deu suporte ao lançamento. Quando ocorre divergência entre GFIP Fl. 6129DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 8 13 e GPS, houve recolhimento maior que o devido, o que lhe dá o direito A compensação. Sustenta que a Fiscalização deveria examinar cada caso para verificar se há incompatibilidade dos documentos. Informa que ocorreu recolhimento a maior em relação ao segurado Raimundo Silva Aguiar (fls. 569). Repisa seus argumentos que apresentou todos os documentos requeridos pela Fiscalização e que não houve apresentação de GFIP ou GPS nem registro contábil para os processos dos quais não surgiram a obrigação de recolher as contribuições previdenciárias, o que, a seu ver, faz “cair por terra o valor indicado no item 6.4.4”. Defende que pediu a alteração das GPS que informam valores pagos aos exempregados de empresas prestadoras de serviços por sugestão do AuditorFiscal. Este procedimento decorreu da dificuldade de obter os dados necessários ao preenchimento da GFIP. Informa que o seu pedido para alteração das guias não foi respondido, o que, a seu ver, resulta em cerceamento ao direito de defesa. Requer a realização de perícia contábil com o objetivo de comprovar os equívocos no lançamento em todos os casos. A respeito dos segurados autônomos, reconhece que algumas contribuições deixaram de ser recolhidas, com a consequente omissão em GFIP. Comunica que a Fiscalização não levou em consideração recolhimentos efetuados corretamente (e que emitirá as GFIP antes da ciência da decisão de administrativa de 1ª instância. Entende que não se aplica ao caso a agravante, visto que as guias não apresentadas não existem. Quanto As DIRF, alega que está obrigada apenas a declarar as pessoas que sofreram retenção do imposto de renda. Assim, não ocorreu qualquer omissão ilícita que poderia ser considerada como circunstancia agravante. Informa que não atendeu A solicitação fiscal de transformar as DIRF em banco de dados, porque os sistemas fazendários não permitiram. As informações foram, então, apresentadas em outro formato com relação aos prestadores de serviços. A seu ver, o próprio relatório fiscal reconhece que não foram consideradas a totalidade das DIRF apresentadas. Quanto aos valores constantes nas DIPJ, informa que são declarados os estagiários, os quais não são segurados da Previdência Social. Acredita que houve má vontade por parte da Fiscalização em analisar seus documentos. Expõe que os contratos firmados com os segurados autônomos não foram apresentados por não terem sido formalizados por escrito. Fl. 6130DF CARF MF 14 Acredita que a perícia poderá esclarecer todos os fatos. Alega que as contribuições incidentes sobre valores pagos a cooperativas foram recolhidas. Nos casos em que preencheu incorretamente a GPS, informando o CNPJ da cooperativa, providenciará a retificação da mesma. Para as contribuições não recolhidas, providenciará o recolhimento até a decisão administrativa de la instância. Acredita que a Fiscalização deveria ter considerado os recolhimentos realizados bem com as GPS preenchidas incorretamente. Informa que providenciará a entrega das GFIP faltantes. Da Conclusão da Impugnação Requer o reconhecimento da nulidade da autuação e protesta pela realização da perícia, nomeando o assistente técnico e apresentando o rol de quesitos. Requer que seja previamente cientificada da data do julgamento para que possa comprovar os recolhimentos e a entrega das GFIP faltantes, do que decorre o pedido de relevação ou atenuação da multa. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente pela prova pericial. Da Juntada de GFIP A fls. 2080, 2268, 2595, 2736, a autuada requer a juntada de GFIP. Informa, a fls. 2736 (volume X), que confessou as contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados autônomos no LDC n° 35.753.1760. Da Diligencia A fls. 2720 (volume IX), os autos foram baixados em diligencia pela Seção do Contencioso Administrativo para que a Fiscalização se manifestasse a respeito das questões suscitadas pela impugnante, especialmente sobre: a obrigatoriedade de a impugnante ser auditada e publicar Demonstrações Financeiras; a “Tabela De Para”, a qual vincularia as nomenclaturas de contas antigas com as novas, permitindo ao Auditor Fiscal realizar as apurações que desejasse; a arguição da impugnante a respeito da falta de verificação cuidadosa por parte da Fiscalização, considerando que não haveria irregularidade no procedimento contábil de registrar os cheques pagos ao escritório Mesquita Barros Advogados por reembolso dos pagamentos decorrentes das reclamatórias trabalhistas e que, se a Fiscalização houvesse solicitado a Fl. 6131DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 9 15 documentação necessária, teria constatado a regularidade da empresa; a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos beneficiários constantes no anexo “GMB”, pois há indicação das ações trabalhistas que podem ser confrontadas com a pasta do caso; o sistema contábil SAP, que permitiria a coleta das informações necessárias A. ação fiscal; os documentos de suporte juntados aos autos que indicam as reclamantes e os valores pagos a elas quando, na contabilidade, consta o escritório Mesquita Barros como beneficiário; as informações requeridas pela Fiscalização que não necessariamente devem constar na contabilidade, como os valores discutidos nos processos; o embaraço, o qual pressupõe obstáculo invencível, pois a Fiscalização não orientou a empresa sobre como atender às intimações nem esclareceu quais as suas dúvidas; as situações em que há reclamatória trabalhista sem que resulte na obrigação de recolher tributos ou entregar GFIP; os Razões que teriam sido apresentados da maneira exigida pela Fiscalização e a colocação A disposição da Fiscalização de um funcionário do setor de contabilidade para fornecer as explicações necessárias; a entrega de 426 GFIP relativas aos processos trabalhistas, sendo que houve reconhecimento parcial da Fiscalização pela existência de 82 GFIP; o item “GMBG”, em que se reconhece a entrega de GFIP; o item “GPST”, em que a mesma ação judicial é considerada várias vezes por haver mais de uma pessoa no pólo ativo; o item “PRODD”, em que inexistem divergências em virtude de um mesmo processo receber vários números, dependendo da instância judicial em que se encontre; as questões atinentes ao passo 7, já relatadas; a inocorrência de divergências entre Razões, GPS e GFIP; a averbação das GPS relativas As ações trabalhistas movidas por exempregados das empresas terceirizadas; a não consideração dos recolhimentos das contribuições incidentes sobre as remunerações dos contribuintes individuais; a DIPJ possuir informações sobre os bolsistas, os quais não contribuem para a Previdência Social; Fl. 6132DF CARF MF 16 os recolhimentos das contribuições concernentes As cooperativas e os erros no preenchimento das GPS. A fls. 5071/5090 (volume XVI), o Auditor Fiscal reemitiu os relatórios fiscais, informando a nova numeração das folhas. A fls. 5114/5355, o Auditor Fiscal apresentou sua manifestação acerca da impugnação. Ao iniciar sua exposição, informa que nenhum dos documentos apresentados comprovam as alegações da impugnante. Pelo contrário, os documentos reforçam a autuação. Salienta que, a fls. 1807/1812, foram apresentados documentos de Adhemar Prisco da Cunha Neto, o qual sequer foi mencionado no auto de infração. Relata que: a empresa não foi surpreendida pelo auto de infração, pois foi intimada várias vezes a entregar “documentos precisos e não o fez”; compreendeu as dificuldades da empresa; não teve acesso direto à contabilidade, o que se fez via funcionário; não foi exigido recolhimento de contribuições previdenciárias devidas em decorrência de reclamatórias trabalhistas, mas a obrigação acessória de preencher as GFIP que informam o fato gerador; a impugnante pretendeu repassar a responsabilidade de entrega de GFIP As empresas terceirizadas, embora tenha relação direta com o fato gerador; a comparação entre GPS, GFIP e DIPJ tiveram por objetivo demonstrar que a autuada não apresentou os documentos que justifiquem as diferenças apontadas; a falta de apresentação de documentos prejudicou os trabalhos fiscais na apuração da multa, a qual foi subestimada; a hora foi indicada no auto de infração (AI); foi lavrado o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (TEAF); a lavratura do AI durante a ação fiscal e legal; a auditoria fiscal observou os princípios gerais que norteiam a Administração Pública, “segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé”, sendo inadmissível a alegação da contribuinte (fls. 1457) que tenha agido de máfé; o auto de infração foi lavrado As 9:59 horas do dia 18/11/2004, consoante fls. 01 do AI; a lavratura do AI ocorreu durante a ação fiscal, o que é permitido pelo artigo 293 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1.999. Fl. 6133DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 10 17 Por conseguinte, deixou consignado que o TEAF seria emitido posteriormente, “ao término da ação fiscal”; as argumentações da impugnante evidenciam que tinha em seu poder os documentos que deram suporte As listagens apresentadas, afastando a alegação de cerceamento de defesa; reuniuse com funcionários e representantes da empresa, o que afasta a possibilidade de não ter orientado a empresa; as exigências foram por escrito, sendo ingenuidade acreditar que uma empresa do porte da General Motors cumpriria exigências verbais; as conversas ocorreram com o objetivo de orientar a impugnante; a orientação é admitida pela impugnante ao se referir aos documentos de fls. 1398 e 1399, apresentados “por orientação do próprio Sr. Fiscal”; o prazo concedido para a apresentação dos arquivos magnéticos foi suficiente, pois a autuada, desde 1999, possui escrituração contábil em meio magnético, defendendo que o prazo de vinte dias deve ser concedido quando a empresa necessitar apresentar o arquivo requisitado em um formato especifico, o que não é o caso, visto que os razões foram acessados nos sistemas “on line”. Aproveita para lembrar que os artigos 32 e 33 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1.991, não preveem um prazo mínimo a ser concedido para apresentar documentos ou prestar esclarecimentos, informando que não “se discutiu a possibilidade de apresentar os arquivos magnéticos nos termos da Lei n° 10.666/03 (artigo 8°) e Portaria INSS/DIREP 42/2003”. Questiona: se a intimação foi ilegal, por que a cumpriram? ; a lavratura de auto de infração independe de prévia orientação ao contribuinte e que o instituto da denúncia espontânea veda que eventual correção da falta durante a ação fiscal resulte em impedimento da lavratura do AI. acredita que a impugnante tenha os documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis, mas tais documentos não foram apresentados, o que leva à procedência da autuação. autuou a empresa porque nem todas os fatos geradores foram declarados em GFIP; o procedimento fiscal foi dividido em duas fases, sendo que, na segunda, foram exigidos os créditos porventura devidos; está correto o procedimento de limitar a multa ao número de segurados que laboram na empresa, o qual está em harmonia com o principio da capacidade contributiva. Defende que limitar a autuação ao número de empregados não declarados seria transformar em exceção a regra. A regra é a autuação em 100% do tributo não declarado; Fl. 6134DF CARF MF 18 os documentos juntados pela impugnante confirmam a procedência do lançamento fiscal. A fls. 5136/2137 (Volume XVI), demonstra que a falta de informações acabou por não incluir na autuação os valores pagos a reclamantes; os documentos juntados concernentes à legenda GMB se referem a segurados não mencionados na autuação. Os segurados citados na defesa atrelados â. legenda IN foram incluídos na autuação, mas os documentos apresentados indicam que a autuação foi lavrada a menor; conclui que a conduta da empresa prejudicou a apuração da multa; as intimações para a apresentação de documentos não foram atendidas, ao contrário do que foi alegado na impugnação; informa que o acesso aos sistemas via rede ocorreu em atendimento ao contribuinte, visando a verificação entre os procedimentos determinados nos manuais e os efetivos; as sentenças trabalhistas não foram apresentadas sob a alegação de que o tempo concedido foi exíguo e de falta de manutenção de arquivo no escritório que administra tais processos; a autuada “deixou de apresentar o Razão por conta e subconta e nos casos apresentados, houve falhas insanáveis, no sentido de identificar os beneficiários e a correspondente base de cálculo da contribuição previdenciária”; “a aceitação de planilhas eletrônicas com relação das ações trabalhistas logrou suprir a deficiência aventada acima, a fim de verificar correição no cumprimento da obrigação acessória de preencher a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP. Tal intento não foi atingido, por isso o aprofundamento dos exames: pedindo os razões contábeis, declaração de imposto de renda retido na fonte – dirf e confronto com os dados da declaração de imposto de renda – dipj. Culminou com o auto de infração – AI, lavrado e ora discutido, pelos motivos expostos nos relatórios fiscais da infração e da aplicação da multa.”; o estacionamento foi liberado em local escondido, pois era política da empresa não permitir que automóveis fabricados por concorrentes fossem vistos em seus estacionamentos; por liberalidade da empresa, os Auditores usufruíram dos restaurantes da empresa com o objetivo de analisar o Programa de Alimentação ao Trabalhador; quando perceberam a desorganização da empresa, passaram a requisitar o atendimento às intimações diretamente nos setores responsáveis; foram convidados a andar sempre acompanhados por um funcionário da empresa e que a empresa queria revistar os automóveis todos os dias; Fl. 6135DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 11 19 à medida que os termos eram lavrados, era acentuado o óbice ã Fiscalização; a impugnação não comprova nada que alega; “buscando desenvolver teorias para explicar coincidências no caos provocado pela falta que cometeram, nenhuma coincidência encontrou, e sim a ausência delas, acabando por destruir os próprios argumentos face aos documentos juntados que corroboram toda a fundamentação para o auto de infração”; foi aceito que os documentos requisitados em 27/04/2004 que não foram entregues fossem apresentados paulatinamente, sendo que foram realizadas novas intimações e solicitações por email; a mensagem eletrônica de 05/08/2004 foi fruto de várias tentativas de se conseguirem os documentos; depois foi realizada reunião com o pessoal da empresa com o objetivo de elucidar quaisquer pontos obscuros; reunido (14 responsáveis de área) para discutir o pedido e depois não apresentavam os documentos solicitados na forma e com os esclarecimentos devidos, provocando novos pedidos, novos esclarecimentos, novas faltas um filme triste de ver”; "a cada pedido da fiscalização, os representantes das divas se instalavam em reunido (14 responsáveis de área) para discutir o pedido e depois não apresentavam os documentos solicitados na forma e com os esclarecimentos devidos, provocando novos pedidos, novos esclarecimentos, novas faltas um filme triste de ver"; o prazo concedido à contribuinte para apresentar os documentos não foi tão exíguo como diz a impugnante. O TIAD de 03/09/2004, na realidade trata de documentos requeridos no TIAD 03/08/2004, sendo que, em 05/08/2004, houve uma reunido para que ela fosse devidamente orientada. Prossegue informando que o atendimento As requisições não é tão problemático como alega a impugnante; os outros 24 itens solicitados no segundo TIAD decorrem de esclarecimentos necessários no exame de alguns casos; desde 1991, a legislação dá amparo ao Fisco para requisitar os lançamentos contábeis relacionados aos processos trabalhistas e As obras de construção civil nos detalhes requeridos; há casos em que aguardou meses pela entrega das informações solicitadas; “a planilha anexada pelo Impugnante referente ao atendimento das exigências verbais deve ser a de fls. 1468 a 1481. Os documentos exigidos verbalmente e não apresentados foram objeto de termo para solicitação, sendo que aqueles não apresentados estão citados no relatório fiscal, bem como as Fl. 6136DF CARF MF 20 eventuais deficiências foram direcionadas para solução na fase de levantamento. No caso do funcionário deixado a disposição da fiscalização, foi apenas e tab somente no próprio interesse da impugnante, que assim entendeu melhor demonstrar os razões via rede do que apresentálos via papel. Aliás tal disponibilidade é causada pela própria empresa que limita o acesso aos dados entre os departamento, tais medidas são tratadas em seu manual sob o seguinte número: 09277210 Procedimentos Diversos Controle de Acesso no Ambiente de Informática.”; “a falta de lisura do ContribuinteImpugnante é comprovada pelas considerações acima e a seguir levantadas, o qual demonstrou a intenção de impugnar cada item da autuação e no entanto não o fez, restando confirmado as agravantes de óbice a fiscalização e ter agido com metfé nos termos do item 6.6 e subitens 6.6.1 a 6.7.7 relatório fiscal da infração (fls. 17 a 19), sendo inaplicável a atenuação da multa nos termo do relatório (fis. 20 a 22).”; foi requisitada a apresentação das Demonstrações Financeiras, Nota Explicativa e Parecer de Auditoria caso a empresa os tivesse elaborado. Como a elaboração de tais documentos não era obrigatória, não autuou a empresa pela omissão; “apenas relativamente aos fatos narrados no AI foram pedidos todos os documentos, pois não se concebe lavrar auto de infração por amostragem. “; “se existe a referida facilidade para a fiscalização muito mais Fred ainda é para a empresa. O Contribuinte Impugnante visando facilitar seus próprio meios, colocou a disposição funcionário com código de acesso limitado a área contábil (vide Nota 6). Ou seja, sem abertura dos lançamentos quando necessário, por exemplo, verificar qual o processo trabalhista e a respectiva base cálculo previdenciária (área jurídica), ou mesmo a especificado de todos os autônomos (área contas a pagar), e várias outras, conforme as limitações de cada uma delas. Como se vê não agiu com a transparência e boafé devida, porque o seu funcionário não tinha meios próprios (senha) para esclarecer todos os fatos e a empresa não o fez.”; “o auxilio do supervisor contábil ocorreu em função de não termos senhas de acesso e muito menos conhecimento da utilização do sistema contábil informatizado para todas as áreas que se procurou verificar, fato esse que acontece também com os funcionários da empresa.”; “Certo é que foi designada a continuidade dos trabalhos, justamente para aprofundar as verificações que não puderam ser esclarecidas com técnicas de auditoria por amostragem.”; sobre as reclamatórias trabalhistas, os razões indicavam pagamentos ao escritório Mesquita Barros Advogados. Foi informado que a abertura dos valores dependeria do border6 do escritório, o qual não foi apresentado a Fiscalização; “o retrato dos livros é o que está nas fls. 578 a 643 e 682 a 1156, insuficientes para esclarecer os registros contábeis, vez que se reportam a outros livros e documentos, razão dos Fl. 6137DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 12 21 comentários no relatório fiscal e nos comentários a impugnação da suplicante.”; os AuditoresFiscais não abriram gavetas com o objetivo de encontrar documentos, pois todas as solicitações foram feitas mediante termo; e impossível confrontar os processos trabalhistas com a contabilidade, em face da falta de detalhamento da mesma; para a ação trabalhista n° 477/90, a qual não foi mencionada nos arquivos fornecidos pelos advogados, ficou constatada a divergência entre os valores recolhidos e os declarados em GFIP; não se discute a regularidade da contabilização dos cheques aos patronos das causas, mas a necessidade de identificar os segurados envolvidos e os valores pagos a eles; os documentos juntados a fls. 2010/2076 reforçam a autuação, pois a data em que as cópias foram autenticadas (01/12/2004) demonstra que documentos foram localizados após a autuação (18/11/2004); as GPS foram utilizadas como elementos subsidiários, pois o objeto da autuação foi a falta da entrega das GFIP; os documentos juntados relativos ao registro contábil de fls. 953 nada acrescentam, uma vez que o segurado Fernando Amorim de Aguiar não consta na autuação e o segurado José Américo Faria Cintra foi declarado em GFIP durante a ação fiscal; “alegam que jamais foi solicitado as pastas individuais de cada caso, de cada um dos reclamantes, de cada um dos estabelecimentos, com a correlação dos vários números de processos, nas várias instâncias que passou.Isso foi solicitado, desde 16/06/2004 (TIAD – Item 23) fls. 3, por amostragem, e alegaram dificuldades e não possuir as pastas que agora dizem ter. Foi aceito então as planilhas eletrônicas, que contivesse essas informações, as quais vieram na maioria dos casos, apenas com nome do reclamante, número do processo e ano. A idéia era que a auditoria fiscal, desentranhasse todos os processos para ai analisar as informações que deveriam estar com a empresa.”; “o profissional da contabilidade da empresa colocado a disposição por vários dias, não possui a senha para abrir o livro auxiliar de pagamento, via rede, e muito menos as outras áreas envolvidas se empenharam para resolver a questão.”; entende que não houve colaboração porque as obrigações objeto do auto de infração não haviam sido cumpridas; “será mesmo que nada foi solicitado em relação aos processos trabalhistas ? Não é bem assim: Fl. 6138DF CARF MF 22 I. Fls. 30 em 16/06/04 –foi pedido no item 10 – o controle dos processos trabalhistas (proc. n° / situação; resumo do pedido; reclamante; valor da ação); II. Fls. 39 email de 05/08/04 – item c – consta o pedido dos processos trabalhistas: crono grama da execução das GFIP’s, com pelo menos os seguintes dados por mês e ano – total a regularizar (número de segurados) X total de GFIP ‘s efetuadas a partir de 16/06/04 de períodos compreendidos entre 01/1999 a 05/2004; III. Fls. 62 – em 03/09/04 – solicitado os registros contábeis dos processos trabalhistas no período de 01/1999 a 05/2004; IV. Fls. 65 – em 14/09/04 pedido novamente o que foi solicitado nas fls.62; V. Fls. 67 em 14/09/04 –pedido que apresentassem as GF1P ‘s e GPS de todas reclamatórias trabalhistas cujos acordos / sentença transitada em julgado no período de 01/1999 a 05/2004.” a empresa não apresentou todas as informações requisitadas, impedindo a Fiscalização de conhecer todos os fatos geradores a apurar a real extensão das infrações cometidas. Com isso, na lavratura do AI, foi relatada a ocorrência de circunstância agravante bem como a impossibilidade de se atenuar a multa exigida; transcreve, a fls. 5166, parte dos manuais de procedimentos, os quais informam que as solicitações de pagamentos devem ser acompanhadas dos documentos correspondentes e que os registros no sistema contábil são realizados pelos setores onde ocorreram os fatos geradores. Para as reclamatórias trabalhistas, a Assessoria Trabalhista seria a responsável pelos registro e pelo acesso das informações requeridas. Todavia, o sistema não foi aberto A Fiscalização; o sistema SAP não indica o nome da autora, o que impossibilita o cruzamento com os dados apresentados nas planilhas de processos judiciais; a planilha de fls. 167/201 evidencia a falta de elementos nos razões; assim, foram utilizados outros elementos para a formação do banco de dados; a listagem GPST (fls. 357) trata de pagamentos em reclamatórias trabalhistas apuradas unicamente nas GPS, os quais não foram encontrados no livro razão; não requereu a apresentação dos arquivos magnéticos em dois ‘layouts’ diferentes. O problema que ocorreu foi a apresentação inicial do arquivo no formato de imagem, quando havia requerido no formato texto, o qual permite que as informações sejam trabalhadas. Conclui que a empresa procurou atender a Fiscalização pelo meio mais difícil; Fl. 6139DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 13 23 a informação relevante na ação fiscal são os fatos geradores das contribuições fiscalizadas. O nome nas listas de nada servem se isoladamente considerados. A contabilidade ou os documentos extracontábeis apresentados não possuem esta informação; “Fls. 682 passou a 687 Processo 1162/97 autor: JOSE LEONEL OBSERVAÇÕES AFPS – feita nas fls. 687: A referencia ART065/02 igual a do razão é diferente da mencionada na Planilha 2002 – Arquivo 01 (Proc. 1162/97). Resultado: Dificuldade na localização do beneficiário. A remuneração INSS informada na GFIP é de R$ 11.823,67 e o Valor Devido Prev. Social é de R$ 4.262,77, ou seja, nenhum dos dois bate com o valor do documento acima. Fls. 765 passou a 770 Processo 2163/99 2° SJC Autor: ADAUTO JOÃO FILHO OBSERVAÇÕES AFPS – feita nas fls. 770: Processo não informado. Beneficiário incluído na Planilha AFPS PROCESSOS TRABALHISTAS QUADRO GERAL adotado valor do acordo para remuneração.” quanto aos documentos de fls. 760, 789 e 797 (atuais 765, 794 e 797), os lançamentos não motivaram a autuação visto que não estava claro se estavam relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias; os livros Razão apresentados a fls. 1482/1563 são insuficientes para esclarecer os fatos geradores investigados; a análise de informações extracontábeis decorreu do esforço da Fiscalização de identificar todos os fatos geradores, preocupandose com o direito ao beneficio previdenciário eventualmente requerido pelos segurados; a documentação que dá suporte aos registros contábeis não foi apresentada ou a que foi apresentada não os justifica; os livros auxiliares também não foram apresentados; não se pode confundir a falta de entrega de documentos e livros auxiliares com a análise das informações extracontábeis, as quais foram entregues pela autuada; “de forma que a disputa entre os departamentos é de tal ordem, que parece existir várias GM’s dentro da GM Os representantes de áreas se reuniam constantemente para resolver as pendências entre eles e no final virou um jogo de empurraempurra’. A maior preocupação entre os Fl. 6140DF CARF MF 24 chefes de área foi a de se livrarem da responsabilidade da apresentação fiel dos elementos comprobatórios dos lançamentos contábeis. Resultado: Auto de Infração.”; sobre a negativa da Fiscalização em assinar o protocolo de recebimento de documentos, a empresa desejava que o protocolo fosse assinado sem prévia verificação; como a impugnante alegou que “o detalhamento de cada processo consta da pasta do caso, nunca solicitado para consulta pelos Srs. Auditores Fiscais.”, concluiu que os documentos não foram apresentados por má vontade da impugnante; “os documentos estavam na empresa; A chave da sala ocupada pela fiscalização não ficou em nenhum momento em poder da mesma; Impossível responsabilizar a fiscalização pela posse de documentos que enfim estavam sob guarda da própria empresa; Se por qualquer eventualidade algum documento sumisse seria impossível comprovar que não tínhamos como fazelo por não ter recebido os mesmos e simplesmente assinado o protocolo, tal qual uma procuração em branco; Na verdade o que se buscou (e ainda procuram) é a inversão do ônus da prova; Pois agora acusam que tudo foi entregue; O que nos coube e fizemos foi lavrar termos dos documentos pedidos, inclusive daqueles que verbalmente (espontaneamente) não foram apresentados; De outro modo, foi lavrado auto de infração daquilo que não foi apresentado.”; “o Contribuinte não conseguiu rebater efetivamente, nenhum dos casos apontados no auto de infração – AI, se supera em cada momento e logra impugnar aquilo que sequer foi autuado.”; a perícia deve ser indeferida, visto que os documentos apresentados pela impugnante não maculam a exação fiscal. Os documentos trazidos aos autos confirmam a autuação; a impugnante não apresentou o controle de processos trabalhistas na forma requerida pela Fiscalização. Apresentou as seguintes planilhas: “Fls. 202 e 203 – processos arquivados 2001, faltou resumo do pedido e valor da ação; Fls. 204 a 213 – processos arquivados 2002, faltou resumo do pedido e valor da ação; Fls. 214 a 225 – processos arquivados 2003, faltou resumo do pedido e valor da agtio; Fl. 6141DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 14 25 Fls. 226 a 230 – processos arquivados 2004 até maio, faltou o resumo do pedido e valor da ação; Fls. 231 a 233 – nova relação com período de 01/1999 até 08/2002, referente a INSS pagos em reclamações trabalhistas; Fls. 234 a 235 – processos encerrados entre 09/2002 a 05/2004; Fls. 236 a 240 – relatório GPS dos processos trabalhistas de terceiros.”; há incoerência entre as planilhas apresentadas, pois há casos em que o ano indicado em uma planilha não confere com a competência indicada em outra. Cita, por exemplo, as linhas 8, 17, 18, 19, 20, 132 e 124 de fls. 231/233. ante as informações desencontradas, foi requerido, por amostragem, a apresentação de alguns casos específicos, mas a autuada, conhecendo as razões da solicitação, não apresentou qualquer elemento esclarecedor; “o óbice a ação da fiscalização foi exteriorizado através do embaraço da mesma, pois que: O contador é um historiador; A contabilidade registra os fatos fundados em documentos; Os documentos estão em poder do contribuinte; Virtualidade – portando sua veracidade é derivada do confronto entre os fatos, ou seja, os documentos e os registros efetivos; Resoluções e Normas de Contabilidade tratam a respeito e foram reproduzidas no relatório fiscal; Contabilidade Pública – possuem em seus sistemas os dados migrados das informações fornecida pelo contribuinte; Fonte de Dados – portanto o Erário Público não é, por si só, a fonte originária das informações migradas, apenas sistematizador dos dados que o contribuinte forneceu; Verdade material – dessa forma a verdade estabelecida nos sistemas previdenciário é derivada e secundária; O contribuinte não pode se beneficiar da própria excusa em apresentar os documentos que deram ensejo aos registros contábeis para seu beneficio; Apresentaram o MÁXIMO DE ARGUMENTOS com a DOCUMENTOS SEM LIGAÇÃO O OBJETO DA LIDE; Essa apresentação de documentos, equivale a não apresentalos; Fl. 6142DF CARF MF 26 A atuação da defesa impõe ATO DE FÉ ao invés de VISÃO CIENTÍFICA”; o contribuinte foi devidamente orientado, mas preferiu não demonstrar se cumpriu ou não a obrigação acessória em questão; a autuada não demonstrou que foi multada por não ter entregado GFIP relativa a processos trabalhistas julgados improcedentes ou pendentes de julgamento; nas ações trabalhistas em que a autuada foi condenada subsidiariamente, a situação da empregadora não interfere no seu dever de declarar em GFIP; as GFIP concernentes às reclamatórias trabalhistas foram entregues quatro meses após o inicio da ação fiscal. Todavia, não de pode falar em correção da falta visto que a autuada não permitiu se conhecerem todos os fatos geradores. Ademais, a autuada não pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea; a argumentação de que não teria informações a respeito dos processos que envolvam empresas terceirizadas não procede, pois seus manuais indicam o Procedimento 260052, por meio do qual se mantém rigorosa coleta de informações a respeito dos funcionários destas empresas; não teve dúvidas de que a autuada tinha condições de atender as intimações, o que revela o obstáculo à Fiscalização; “Todas as GFIP ‘s apresentadas após o inicio da ação fiscal foram examinadas e objeto do Quadro Geral dos Processos Trabalhistas (fls. 167 a 201). No entanto, a obrigação foi cumprida após o inicio da ação fiscal. O que discute é que não apresentou, ora apresentou com deficiência, elementos que impossibilitam saber: qual o total dos valores envolvidos em ações trabalhistas; em que constas foram lançadas; checar se os valores lançados nessas contas são ou não base de cálculo para contribuição previdenciária; identificar, individualmente, qual o reclamante e sua correspondente necessidade de efetuar a GFIP; Dai o dolo do contribuinte por ter agido com máfé, trazendo sempre elementos novos, mas sem apresentar os totais, obstando a ação da fiscalização no sentido de: Conferir todos os casos, tendo em vista o total deles, Justamente, para precisar se a amostragem que iria fazer era adequada ao número de casos e valores envolvidos. Fl. 6143DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 15 27 A situação é bem diferente do caso dos contribuintes individuais, pois para essa situação a declaração de imposto de renda determina o preenchimento de campos específicos, onde constam os totais. Isso não ocorre no dos processos trabalhistas. Agora querem que sejam conferidos, os casos já examinados, incluídos nas planilhas mencionadas e que não foram objeto de contestação; pelo menos nenhum documento ou argumento apresentado alterou o conteúdo do auto de infração.”; os segurados Fernando Monesi, Elaide Oneda, Dionisio Aparecido dos Santos, Domingos Joel Costa, Ana Maskaliovas, Ciro Matioli, Carlos Hudson de Freitas, Malaquias Justino, João Caetano da Silva, Gilberto Barbosa Reis, Lucy Caetano Pugliesi, Antonio Carlos de Souza, Antonio de Fátima Silva, Adilson Tenório da Silva, Armando Jurado e José Martins da Silva não foram mencionados no “Banco de Dados Utilizado Para Cálculo da Multa Aplicável (fls. 98 a I45)”; não foram contestados os bancos de dados apresentados pela Fiscalização; sobre alteração dos números dos processos em decorrência do trâmite processual, os segurados mencionados pela autuada não motivaram a autuação; na divergência entre a data do pagamento na contabilidade e a competência da GPS, adotou, por cautela, a competência da GPS. Não procedem as alegações da autuada atinentes aos segurados Pedro Adriano dos Santos, Antonio Pedro Filho e Willian Lopes Wolpi; ainda sobre as divergências, os segurados Raimundo Gomes dos Santos e Oderci Martins Euzébio não constam na autuação; não há divergências para os segurados Oddrio Alves de Faria, Elder Pimentel da Silva e Flávio Francisco de Oliveira, visto que o pagamento foi apurado no livro razão e as informações utilizadas na autuação são as apuradas em GPS; não demonstrou, por meio de sentença ou acordo, qual a competência relativa aos segurados José Carlos dos Santos e Cláudio Vieira Ribeiro, devendo ser mantida a autuação que levou em consideração a competência do lançamento contábil (fls. 927); o valor da multa concernente ao segurado José da Silva Bitencourt foi apurado com base na declaração da empresa em GFIP. A autuada não demonstrou o equivoco na declaração, salientando que foi apresentada apenas parte de uma sentença, a fls. 1830; não há divergências a respeito de Raimundo da Silva Aguiar; Fl. 6144DF CARF MF 28 a regra é a contradição entre os documentos apresentados. Sobre o processo de José Leonel, a informação constante na GFIP não é compatível com a declaração na contabilidade. Confirma a multa fundamentada na ação proposta por Francisco Carlos Cantao em vista das divergências apontadas. há divergência entre o valor declarado em GFIP e o recolhido em GPS para o segurado Raimundo Silva Aguia. A impugnante não trouxe qualquer documentação que comprove que o recolhimento estava errado. Também não protocolou qualquer pedido de restituição decorrente do alegado recolhimentos indevido; a obrigação de declarar os valores pagos em reclamatórias trabalhistas decorre das seguintes normas: inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, artigo 30 da citada lei, § 9º do artigo 276 do RPS, §§ 1° e 2° do artigo 113 do CTN, artigo 115 do CTN e inciso I do artigo 121 do Diploma Tributário. A autuada foi responsabilizada pelo pagamento da obrigação principal, vinculandose ao fato gerador. Os artigos 134 a 143 da Instrução Normativa INSS/DC no 100, de 18 de dezembro de 2003, dão suporte à pretensão fiscal; por meio de doação dos valores recolhidos ern GPS, a impugnante pretende livrarse da obrigação acessória; considera inacreditável que as empresas terceirizadas, que nada pagaram, tenham se preocupado em declarar em GFIP; em momento algum afirmou que as contribuições atinentes aos contribuintes individuais foram recolhidas; a questão é irrelevante visto que a multa em tela independe do recolhimento das contribuições; a autuada não apresentou os razões que indicariam a remuneração dos contribuintes individuais, impossibilitando o conhecimento das despesas com serviços prestados por pessoas físicas informadas na DIPJ, mas que não aparecem na DIRF e nos recibos. Também não demonstrou que as diferenças podem ser explicadas pela existência de estagiários; os manuais de procedimentos da impugnante indicam que devem ser reduzidos a termo os contratos firmados com os autônomos, enfraquecendo a alegação de que os aludidos contratos são verbais; Analisou as GFIP entregues no período de 11/2004 a 06/2005, consolidando as informações na planilha de fls. 5273 e seguintes. Esta planilha indica os casos em que os segurados constam nas GFIP entregues bem como se a informação constante na GFIP é satisfatória; As GFIP entregues indicam que a remuneração dos contribuintes individuais totaliza R$ 3,9 milhões, ao passo que a DIPJ indica o total de R$ 6,3 milhões; Fl. 6145DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 16 29 a respeito das cooperativas, o Manual da GFIP/SEFIP — versão 4.0, de 25/02/2000, já previa a obrigação de declarar os valores pagos a cooperativas de trabalho. Ainda em sua manifestação, a Fiscalização mesmo propugnando pelo indeferimento do pedido de perícia, apresenta seus quesitos, que tratam, basicamente, de: vincular os fatos geradores à contabilidade. Assim, foi requerido que o perito informasse precisamente quais as ações trabalhistas em que a autuada foi ré, discriminando o número do processo, a autora, o valor da condenação ou do acordo, a base de cálculo e a contribuição previdenciária devida; relacionar as reclamatórias apuradas com as planilhas juntadas aos autos; informar os prejuízos sofridos pelos segurados; verificar, relativamente às cooperativas, quais as contribuições devidas pela autuada, independentemente de recolhimento bem como apontar eventuais fatos geradores não mencionados na autuação; manifestar a respeito do acesso às informações; informar em que momento ocorreu a correção da falta bem como a sua extensão; Foi também solicitado ao perito que indicasse os documentos que serviram de suporte às suas conclusões e expusesse as divergências existentes entre a autuação e o laudo pericial. Entende a Fiscalização que o pedido de perícia deva ser indeferido, pois os documentos juntados reforçam a pretensão fiscal, inexistindo a discordância a que se refere o inciso III do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de matgo de 1.972. A seu ver, o pedido é prescindível e protelatório, além de ter focado o recolhimento, não a obrigação de entrega da GFIP. Tendo em vista que a impugnante acusou a Fiscalização de ter agido de máfé ao multála por falta de declaração em GFIP quando o tributo foi recolhido, requer que seja riscada a expressão injuriosa “aplicou a multa sobre todo o valor (pago e não pago) o que demonstra a sua máfé”, nos termos do § 2° do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1.972. A fls. 5344, a Fiscalização informa que sua manifestação levou em consideração, também, os documentos apresentados após a impugnação. Logo, todos os documentos juntados até fls. 5046 foram apreciados. A fls. 5346, descreve fatos a respeito da conduta da autuada: “I. A cultura corporativa se constitui num elemento artificial, imposta a uma estrutura que lhe é conveniente, Fl. 6146DF CARF MF 30 formando várias GM’s dentro da GM — e há lutas entre elas; II. Numa cultura punitiva, estritamente castradora, dá ênfase aos aspectos aparentes, rejeitando totalmente os reais. Dessa forma, cada responsável de área procura fugir da punição e acaba por se defender, olvidando os interesses da empresa; III. As guerras e os atritos departamentais teve como prego o auto de infração, que procura reparar o prejuízo a imensa massa de trabalhadores; IV. Numa seqüência interminável de procedimentos estabelecidos em manuais, os quais inclusive são descumpridos pelos próprios funcionários, nivela o ser humano por baixo tentando encaixalo em hábitos e rotinas; numa tragédia interna — gerando tensão na organização; V. Utilizando de processos de indução, raciocina com fatos particulares para chegar a uma conclusão genérica; VI. Apoiado numa visão invertida querendo induzir a fiscalização a cair nas particularidades de um conta ou outra, sem demonstrar o total envolvido; VII. Acreditam demais nas próprias idéias e jamais duvidam de sua validade gerando um espécie de corporocentrismo; enquanto na verdade em uma situação muito fragmentada, gerando ansiedade e sofrimento para todos os envolvido VIII. O auto de infração reflete em última analise os desajustes organizacionais, cujo padrão observado foi um certo principio de preservação, como se tivessem sendo atacados, numa postura muito projetiva da empresa.; IX. Na sociedade criouse um hiato entre o que a cúpula sabe e os seus subordinados.; X. Revelando na censura de comunicações o maior perigo para o próprio Contribuinte, XI. Necessário se faz conscientizar esses aspectos, reavaliar a estrutura empresarial para escapar dessa patologia.; XII. Pois o único meio de dominar a condição patológica é reconhecela primeiro.” Ao final de sua manifestação, a Fiscalização conclui pela procedência da autuação. Ato continuo, a Seção de Contencioso Administrativo nomeou o Auditor Fiscal Antonio Clarete da Silva como perito do INSS. Na qualidade de perito da impugnante foi nomeado o assistente pericial indicado por ela: Cecilio Nobuyuki Schiguematu. Os quesitos constam a fls. 5361/5367 (Volume XVII). Em apertada síntese, os quinze requisitos propõem que todos os detalhes da autuação sejam apreciados pelo perito, identificandose cada fato gerador e sua relação com os documentos contábeis, as GFIP e as UPS. Fl. 6147DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 17 31 Por meio do despacho de fls. 5370/5377, o AuditorFiscal Antonio Clarete da Silva declinou a nomeação, julgandose impedido por ter sido a autoridade que procedeu com a lavratura da autuação, agindo como representante do INSS. Ademais, possui interesse no deslinde do processo, uma vez que a impugnante utilizou expressão injuriosa contra si. Foi, então, nomeado como perito do Fisco o AuditorFiscal Jayme Guimarães Araújo. A fls. 5381/5382, a impugnante requereu que os quesitos a serem respondidos pelo perito fossem aqueles por ela propostos, pois, a seu ver, “a prova pericial deverá ser realizada no interesse da Autuada”. Entende que não podem prevalecer os quesitos modificados unilateralmente pela Fiscalização. Salienta que a perícia requerida pela Secretaria da Receita Previdenciária aumentará seus custos e demandará maior prazo para ser concluída. A fls. 5384, o AuditorFiscal Jayme Guimarães Araújo, responde os quesitos propostos a fls. 5361/5367. Informa que a autuada, durante o curso da ação fiscal, declarou em GFIP os processos trabalhistas bem como os contribuintes individuais, apresentando os recolhimentos correspondentes. A respeito das cooperativas, não está obrigada a recolher as contribuições em virtude de medida cautelar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região nos autos do Processo n° 2007.03.00.0747754 Entende que a multa deva ser paga em função do número total de segurados que prestaram serviços A empresa, ou seja, deve ser aplicado o limite de 50 vezes o valor mínimo. A seu ver, a multa exigida deve ser atenuada em 50%, tendo em vista a ocorrência de circunstância atenuante, excluindose os valores relativos As cooperativas em decorrência da mencionada decisão judicial. Informa que os pagamentos As cooperativas não foram declarados em GFIP em decorrência da ação judicial. A impugnante apresentou o laudo pericial, a fls. 5400/5498. Após sintetizar os fundamentos da autuada e as razões de defesa, o perito descreve a metodologia aplicada. Indica os dez segurados a respeito dos quais a impugnante não possuía documentos, impedindoo de averiguar a situação da reclamatória trabalhista proposta. Informa dezessete processos em que a decisão judicial foi proferida antes janeiro de 1999, mês em que passou a ser obrigatória a entrega de GFIP. Em resposta ao quesito 1, a fls. 5412, com base no relatório fiscal, informa que ainda não foram declaradas em GFIP as remunerações de alguns contribuintes individuais. Fl. 6148DF CARF MF 32 Informa que a empresa declarou parte das remunerações dos contribuintes individuais em Lançamento de Débito Confessado (LDC) no valor de R$ 65.093,35. Confirma que, em relação As reclamatórias trabalhistas propostas por exempregados próprios em que a autuada foi condenada, houve recolhimento da contribuição devida e entrega da correspondente GFIP. Argui que, em relação As cooperativas, a proposição de ação judicial posterior A autuação torna indevida a exigência de GFIP, uma vez que o manual da versão 6.4 do SEFIP expressamente prevê que deverão ser declaradas as contribuições que a empresa considera efetivamente devidas, pois a GFIP tem natureza de confissão de divida. Sobre ao valor máximo da multa a ser exigida em cada competência, concluiu que a multa remanescente é bem inferior a este limite, tornandoo inaplicável ao caso. Nada concluiu a respeito das agravantes visto que não possui informações ou provas materiais contundentes. Responde o quesito 2 considerando a multa aplicável no valor de R$ 48.252,00. Quanto ao quesito 3, descreve o procedimento fiscal e confirma a ocorrência de irregularidades, pois algumas declarações e alguns pagamentos não haviam sido apresentados. Salienta que parte substancial dos recolhimentos foram realizados, especialmente as contribuições descontadas dos segurados. As contribuições não recolhidas foram declaradas no LDC n° 35.753.1760, cujo parcelamento foi registrado sob o número 60.313.5030. Apresenta planilha informando os totais pagos e parcelados. No que concerne ao quesito 4, partindo da premissa de que o LDC exime a empresa de declarar os fatos geradores em GFIP por implicar a duplicidade de constituição de crédito, conclui que resta a declaração dos segurados Luis Costa Ferreira, Dario Ademar Rosado Nunes e Vera Ernestina M. Miranda, totalizando multa no valor de R$ 871,00. No quesito 5, reconhece que a empresa recolheu contribuições incidentes sobre valores pagos a cooperativas e informa que, em 27/03/2006, moveu ação judicial objetivando a declaração da inconstitucionalidade do tributo. No quesito 6, informa que as contribuições relativas As cooperativas foram recolhidas no código 2631, quando o correto seria 2100. A empresa procedeu com a correção das GPS, restando as relativas As notas fiscais emitidas pela cooperativa Mister Coop Cooperativa de Transportadores Autônomos da Grande São Paulo arroladas a fls. 5425. A resposta para o quesito 7 foi que a existência de nab judicial exime a autuada de declarar as contribuições em GFIP. Quanto aos quesitos 8 e 13, informa, a fls. 5428/5458, as ações em que a autuada foi excluída do processo, foi absolvida ou Fl. 6149DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 18 33 condenada. Neste último grupo de ações, informou aquelas movidas por exempregados e as movidas por funcionários de empresas terceirizadas. Discrimina, também, as ações que não envolveram verbas de natureza remuneratória. No quesito 13, informa as ações em que as empresas terceirizadas foram condenadas, cabendo a elas os recolhimentos das contribuições e as declarações em GFIP. Nos quesitos 9, 10 e 12, o perito conclui que todas as ações em que a autuada foi condenada em processos movidos por ex empregados próprios com pagamento de verbas remuneratórias houve o recolhimento da contribuição e emissão de GFIP. Salienta o perito que não verificou se as GFIP entregues foram preenchidas corretamente. No concernente ao quesito 11, expõe que a autuada não entregou GFIP com informações das ações trabalhistas movidas por exempregados de empresas terceirizadas. Complementa, mostrando que existem determinados campos da GFIP que dificilmente são de conhecimento das empresas contratantes. Sao eles: “PIS/PASEP, número da CTPS, data de admissão, código de identificação do nível de exposição a riscos ambientais, etc.” Lembra que muitas das empresas terceirizadas já haviam encerrado suas atividades, tornando “ainda mais remota a possibilidade de obtenção de informações sobre exempregados dessas empresas”. Em relação ao quesito 13 informa as reclamatórias trabalhistas não definitivamente julgadas Responde ao quesito 14 confirmando que as GFIP foram declaradas com o número da reclamatória trabalhista na Vara do Trabalho. Traz alguns exemplos ern que os números dos processos são alterados nas diferentes fases processuais. Comunica, por fim, que não lhe foram apresentados quesitos complementares. Ciente da perícia realizada pelo AuditorFiscal Jayme Guimarães Araújo que concluiu pela integral correção da falta, a impugnante, a fls. 5500/5501, alega que há pontos a serem retificados na autuação. São eles: “(i) a Requerente foi excluída dos processos trabalhistas; (ii) a Requerente foi absolvida da condenação nos processos trabalhistas; (iii) a Requerente foi condenada nas reclamações trabalhistas, mas cujas verbas new foram base para a incidência da contribuição previdenciária; e (iv) as reclamações trabalhistas foram ajuizadas por ex empregados de empresas terceirizadas” Cientificada de todas as peças juntadas aos autos, a impugnante reiterou suas alegações, a fls. 5632/5634. Fl. 6150DF CARF MF 34 Em 29/02/2009, a fls. 5849/5851, a impugnante requer a retroatividade da penalidade prevista no artigo 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1.991, com redação dada pela Medida Provisória n° 499/2008, no termos da alínea “c” do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. A DRJ/CPS considerou a impugnação parcialmente procedente, aplicando, retroativamente, a penalidade mais benigna prevista em norma superveniente (Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009), por virtude do disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN, reduzindo o valor da multa aplicada para R$ 32.500,00, conforme se extrai da parte dispositiva do acórdão recorrido. Vejamos: Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação contra o Auto de Infração (AI) nº 35.619.0358, aplicando retroativamente a penalidade mais benigna prevista na Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, na forma do voto condutor. A multa remanescente é de R$ 32.500,00. (Grifamos) Em razão de o valor exonerado ultrapassar aquele previsto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, vigente à época, a decisão foi submetida ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para apreciação do recurso necessário. Sem recurso voluntário ou contrarrazões. É o relatório. Fl. 6151DF CARF MF Processo nº 15758.000429/200887 Acórdão n.º 2402005.861 S2C4T2 Fl. 19 35 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão (...) exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda”. Consoante relatado, por ocasião da decisão de primeira instância administrativa, encontravase vigente a Portaria MF nº 3/2008. Ocorre que, atualmente, a matéria é tratada na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, cujo art. 1º dispõe: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Analisandose o Auto de Infração (fl. 2), constatase que o valor da multa aplicada equivale a R$ 2.483.648,23. Confirase: Fl. 6152DF CARF MF 36 Vêse que após a decisão da DRJ/CPS referida multa foi reduzida para R$ 32.500, tendo o contribuinte sido exonerado em R$ 2.451.148,23, ou seja, valor inferior àquele estabelecido na Portaria MF nº 63/2017, o qual deve ser observado por ocasião do julgamento por este Conselho. Conclusão Assim, tendo em vista que o valor exonerado é inferior ao previsto na Portaria MF nº 63/2017, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 6153DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.729632/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, que negava provimento, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Relatora), Marcelo Milton da Silva Risso e José Alfredo Duarte Filho que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 27/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, que negava provimento, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Relatora), Marcelo Milton da Silva Risso e José Alfredo Duarte Filho que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 27/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 29 63 2/ 20 12 -0 5 Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 15504.729632/201205 Resolução nº 2201000.267 S2C2T1 Fl. 3 2 Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigações principais, consoante discriminação adiante esmiuçado. a) AI DEBCAD 37.351.9770, importando R$ 6.235.957,56, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte da empresa e devidas a título de GILRAT, com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD. Foram confeccionados os levantamentos: “CE – Caracterização Empregado“, incidindo a parte devida pela empresa (rubrica 12, alq. 20%) e GILRAT (rubrica 13, alq. 2%), não declarado em GFIP, período de 01/2007 a 12/2007; "EI – Estagiário sem Formalidades Legais”, incidindo a parte devida pela empresa (rubrica 12, alq. 20%) e GILRAT (rubrica 13, alq. 2%), não declarado em GFIP, período de 01/2007 a 12/2007; “PL – Pro Labore Pago com Empréstimo”, incidindo a parte devida pela empresa (rubrica 14, alq. 20%), não declarado em GFIP, período de 01/2007 a 12/2007; b) AI DEBCAD 37.351.9788, importando R$ 1.139.713,39, dos segurados, com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD. Foram confeccionados os levantamentos: “ CE – Caracterização Empregado“, incidindo a parte devida pelos segurados empregados (rubrica 11), não declarado em GFIP, período de 01/2007 a 12/2007; “ EI – Estagiário sem Formalidades Legais”, incidindo a parte devida pelos segurados empregados (rubrica 11), não declarado em GFIP, período de 01/2007 a 12/2007; O relatório fiscal aduz que (fls. 25/45): Foram emitidos termos de sujeição passiva em face da responsabilidade solidária prevista no inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/91 e alterações e no inciso II do art. 124 da Lei º 5.172/66 – Código Tributário Nacional, existente entre as empresas SEI ENGENHARIA LTDA, a CHAVES & VAZ CONSULTORIA LTDA e a autuada, que pertencem ao mesmo grupo econômico, situação comprovada por possuírem os mesmos sócios e, a administração de todas elas ser responsabilidade do sócio administrador ROGÉRIO VIEIRA CHAVES, conforme se pode comprovar nos contratos sociais anexos a presente processo. DA CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADOS Inicialmente, merece ressaltar, que a SEI exige que os profissionais se constituam em pessoa jurídica para lhe prestarem serviços. Tal fato foi constatado por diversas vezes ao longo do procedimento fiscal e, pode ser comprovado ao confrontar as datas de emissão das notas fiscais com os pagamentos realizados. Verificase que até a formalização das pessoas jurídicas os profissionais recebiam os pagamentos como adiantamentos, situação confirmada na conta contábil sintética 1.1.06– ADIANTAMENTOS A FORNECEDORES, onde estão detalhados, nas contas analíticas, por prestador de serviços, os valores pagos. Observase, ainda, que a escrituração dos provisionamentos relativos as notas fiscais a emitir, são creditadas na conta contábil 2.1.01 – “Fornecedores”, e debitadas Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 15504.729632/201205 Resolução nº 2201000.267 S2C2T1 Fl. 4 3 na conta 4.1.03 – “Custos de Serviços Terceirizados”, em nome das empresas fornecedoras, antes mesmo da sua existência legal, como se pode confirmar nos lançamentos transcritos da escrituração digital, devidamente certificada no SVA, recibo anexo. Concretizada a formalização da empresa, são emitidas diversas notas fiscais de serviços, em uma mesma data, tendo como contrapartida os adiantamentos realizados. (...) É fundamental destacar a existência de contratação de ex empregados que se constituíram em pessoas jurídicas, mantendo, no entanto, as características inerentes aos segurados empregados. Segue a relação dos profissionais que continuando a prestar serviços a SEI após o seu desligamento da empresa, mantendo, de fato, a continuidade da relação de emprego. Os serviços desenvolvidos pelos profissionais considerados empregados são específicos da atividade fim da empresa ou compõem seu quadro administrativo. A seguir serão relacionados, por lotação, os cargos existentes na empresa, que na confrontação com as atividades exercidas pelos contratados sem vinculo empregatício, anexo CE, constatase a similaridade das funções: (...) Outro ponto a ser considerado é a existência de duas categorias de pessoas jurídicas contratadas: contratos de serviços internos: aqueles em que os profissionais trabalham dentro da SEI ou nas empresas que a contratou (sic), cumprindo horário de trabalho, conforme se pode constatar nas medições onde estão especificados: a matricula do funcionário, o nome, os centro de custos nos quais os serviços foram prestados, a atividade desenvolvida, o tipo, ou seja, tipo 1 horas normais ou tipo 2 reposição de horas devidas. Foram anexos, por amostragem, contratos, Ordens de Serviço, Controle Mensal de OEST, Apropriação de Horas, Fichas de Registro de Empregado e Lista Atividades2007, que possibilitam averiguar o tipo de serviços prestados, as horas desprendidas em cada atividade, as faltas e reposições de horas: contratos de serviços externos: aqueles em que os profissionais trabalham fora da SEI, recebendo pelo serviço contratados, sem continuidade nas atividades. Cabe esclarecer, que alguns serviços são prestados pelas empresas dos empregados a seguir relacionados e, são pagos como serviços externos, sendo, na verdade, complemento de suas atividades na empresa, caracterizando, assim, remuneração adicional pelos serviços fora do horário de trabalho e, base de incidência das contribuições objeto do presente levantamento: (...). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO DE Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 15504.729632/201205 Resolução nº 2201000.267 S2C2T1 Fl. 5 4 OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as pagas ou creditadas as contribuintes individuais. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Pelo princípio da Primazia da Realidade, que demonstra que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à forma de contratação, presentes os requisitos de pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação, detém o fisco o poder dever de proceder à caracterização de segurado empregado para fins previdenciários. CONSECTÁRIOS LEGAIS. JUROS. TAXA SELIC. São devidos acréscimos legais com base em aplicação da taxa de juros SELIC sobre contribuições sociais recolhidas em atraso, conforme artigo 35 da lei n° 8.212/91 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO PROFISSIONAL DO ADVOGADO. Não cabe intimação no domicílio profissional dos advogados por falta de previsão normativa, visto que o rol do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 é exaustivo. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Prescreve o art. 30, IX, da Lei 8.212/91 que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Impugnação Improcedente Destacase que o devedor principal apresentou pedido de parcelamento do débito, contudo, em razão do disposto na norma regente da matéria, não obteve êxito no pleito. Conforme o documento de fls. 1.725 e seguintes, devido a não de apresentação de recurso pelo devedor principal, o débito constante dos autos foi encaminhado para inscrição em dívida ativa. Porém, constatada a ausência de intimação dos devedores solidários acerca do acórdão de impugnação, foi cancelada a inscrição e os autos retornaram para prosseguimento do feito. Foi interposto recurso voluntário pelos devedores solidários, no qual os contribuintes aduziram: a) a não caracterização da condição de empregado (deficiência na demonstração); b) cobrança da contribuição relativa aos segurados sem observância do teto do saláriodecontribuição c) inexistência e não comprovação de simulação; d) decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário; e) retroatividade benigna da multa aplicada. Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 15504.729632/201205 Resolução nº 2201000.267 S2C2T1 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, os autos em análise têm por finalidade apurar e constituir os créditos relativos às contribuições sociais não recolhidas aos cofres públicos no prazo legal estabelecido, não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, destinadas à Seguridade Social, contribuição do segurado, não descontada dos mesmos, da empresa, inclusive para o financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre os valores pagos aos empregados, indevidamente considerados como empresários ou como estagiários e, valores relativos ao prólabore considerado como empréstimo. Cabe destacar que se tratam de matérias não impugnadas os levantamentos "EI Estagiário sem Formalidades Legais" e "PL Pro Labora Pago com Empréstimo" que foram apartados do presente processo para cobrança imediata. Também não foi impugnada a solidariedade passiva das empresas Sei Engenharia LTDA e Chaves e Vaz Consultoria. A devedora principal tem por objeto a prestação de serviços técnicos de consultoria e de engenharia de projetos, abrangendo a execução de projetos conceituais e básicos, detalhamento civil, elétrico e mecânico, serviços técnicos de engenharia de gerenciamento na atividade de planejamento e fiscalização de obras civis e de montagens industriais, conforme contrato registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais – JUCEMG sob o número 4841005 de 27/04/2012, anexo aos autos. Aduzem as recorrentes que o presente lançamento contraria o artigo 129 da Lei n.º 11.196/2005, pois nenhum juiz decretou a desconsideração da personalidade jurídica das prestadoras e a autoridade lançadora também não possui essa prerrogativa, já que, como sabido, o parágrafo único do art. 116 do CTN ainda depende de regulamentação. A situação dos autos é caso de "terceirização", onde uma pessoa jurídica, de maneira simulada, contrata outra pessoa jurídica que, na verdade, é meramente formal, constituindose de empregados daquela. Tratase, como se afirmou acima, de conduta condizente com simulação, que é afastada para descortinarse o fato ocultado, que é a relação jurídica entre a empresa que realmente realiza uma atividade econômica e a mãodeobra aplicados nessa atividade (art. 116, parágrafo único do CTN c/c o art. 149 do mesmo diploma legal), sendo plenamente possível o procedimento adotado pelo fisco, quando comprovada a existência dos requisitos da relação de emprego, o que será analisado adiante. Além disso, alegaram os recorrentes a ausência de demonstração pela fiscalização do vínculo empregatício, considerando que não foi feita demonstração individualizada do suposto vínculo que cada pessoa teria com a SEI. Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 15504.729632/201205 Resolução nº 2201000.267 S2C2T1 Fl. 7 6 Fazem menção ao Acórdão n.º 2401003.633 desse Conselho no qual restou consignado o entendimento no sentido da necessidade de listar os segurados empregados e contribuintes individuais que estão sendo vinculados de ofício à terceira pessoa jurídica, informando os serviços que foram prestados, sobretudo de maneira a oferecer condições ao exercício pleno da ampla defesa e do contraditório. Também mencionaram os contribuintes o Acórdão 2301004.269 do CARF no qual a Turma entendeu que: para que se caracteriza a formação de um vínculo de emprego, faz se necessária a constatação dos requisitos do contrato de trabalho descritos no art. 3º da CLT: continuidade (não eventualidade), subordinação, onerosidade e pessoalidade. no relatório de lançamentos RL nominouse as pessoas físicas, porém o relatório fiscal não descreveu de forma minuciosa como a atividade se desenvolveu ao longo do tempo em que permaneceram prestando serviços na empresa notificada. Sustentaram, ademais, que a auditoria trabalho, por amostragem (fls. 34 e 42), considerou a existência de vínculo de emprego entre representantes/prepostos de 210 prestadoras e a SEI, mas juntou ao processo apenas 24 exemplos (fls. 4131103). Nesse contexto, entendem os contribuintes que não restou comprovada/demonstrada a existência dos requisitos da relação laboral entre a autuada e os sócios e/ou funcionários das empresas prestadoras de serviços (...), não ocorrendo a perfeita subsunção do fato à norma. Acerca da caracterização do vínculo empregatício, o Relato Fiscal assim dispôs: O caráter genérico da descrição dos serviços se prende a utilização dos profissionais em diversos projetos desenvolvidos pela empresa, nos quais são emitidas as ordens de serviços e os respectivos controles dos serviços prestados. b) A não eventualidade está claramente definida no prazo estipulado no contrato de prestação de serviços e nas prorrogações do mesmo, consistindo em verdadeiro contrato de trabalho por prazo indeterminado, fato confirmado pelos sucessivos pagamentos recebidos, conforme anexo CE. “CLÁUSULA SEGUNDA VIGÊNCIA O presente Contrato terá vigência de 12(doze) meses a contar da data de sua assinatura.(grifo nosso) 2.2 Mediante aviso escrito da SEI à CONTRATADA, dado com 10 (dez) dias de antecedência ao término, poderá o prazo de vigência, acima estipulado, ser prorrogado por um período adicional conforme acordo entre as partes.(grifo nosso) 2.3 A SEI poderá, a qualquer tempo, mediante aviso por escrito, determinar o encerramento, a diminuição ou a suspensão temporária do trabalho de cada profissional em função da programação de trabalho, assim como, solicitar a exclusão ou substituição do mesmo.” c) A subordinação está determinada pela definição por parte da contratante da obrigação de seguir os requisitos de controle de processo de execução ditados pelas normas vinculadas ao Sistema da Qualidade da SEI. Tais requisitos requerem medidas quanto à pessoal, Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 15504.729632/201205 Resolução nº 2201000.267 S2C2T1 Fl. 8 7 metodologia de trabalho, hardware/software, verificação da qualidade e outras que assegurem o bom desempenho dos serviços, não deixando ao contratado qualquer possibilidade de autonomia na gestão dos serviços prestados: “CLÁUSULA PRIMEIRA OBJETO (...) 1.3 Os serviços serão executados, de acordo com a programação de trabalho que for estabelecida pela SEI à qual deverão ser diretamente apresentadas os resultados correspondentes.” “CLÁUSULA QUINTA OBRIGAÇÕES DAS PARTES 5.1 Constituem obrigações da CONTRATADA, sem prejuízo de quaisquer outras fixadas neste instrumento, das decorrentes de lei ou exigências da SEI, as seguintes: 5.1.1 Executar os serviços objeto do presente Contrato rigorosamente de acordo com as condições e especificações solicitadas pela SEI e dentro da mais alta técnica, atendendo sempre às normas, regulamentos e leis em vigor, e responsabilizandose pelo seu resultado ou efeito, seja técnica, civil ou penalmente. 5.1.2 Seguir obrigatoriamente todos os requisitos de controle de processo de execução ditados pelas normas vinculadas ao Sistema da Qualidade da SEI. Tais requisitos requerem medidas quanto à pessoal, metodologia de trabalho, hardware/software, verificação da qualidade e outras que assegurem a qualidade dos serviços.” Outra característica da subordinação é o controle das horas trabalhadas detalhadas no Controle de Apropriação de Horas, valores transcritos do relatório da empresa JRR Serviços S/S Ltda:(...). É necessário ressaltar que os prestadores de serviços exercem funções na estrutura organizacional da empresa inclusive de chefia, como se pode confirmar nos documentos de controle existentes. Durante o período sob ação fiscal o Sr. Fernando Procópio Lage, da empresa F & E Consultoria Ltda, exerceu a gerência dos contratos dos prestadores de serviços, tal situação pode ser comprovada pela rubrica aposta nos relatórios de Controle Mensal de OEST. O Sr. JOSE MARIA TEIXEIRA, da empresa BRAGA MARINS SERVIÇOS LTDA, exercia a função de coordenador de projeto, como se pode comprovar nos Relatórios de Despesas de Viagens – RDV, emitidos em favor dos seguintes profissionais, documento RDV anexo: Sr. Anderson Claudino, com a função de inspetor, em visita ao cliente MBR, o Sr. Márcio Richter, com a função de inspetor, em visita a Cia Vale do Rio Doce, MARCIO RICHTER e o Sr. Mariozan Aparecido de Oliveira, também com a função de inspetor, em visita ao cliente a Cia Vale do Rio Doce. A Gerência Financeira era exercida pela Sra. OFELIA VIANA BOSSI, da empresa DIGEF DIGITACAO E SERVI ECONOM FINANCEIROS LTDA. d) A pessoalidade está evidente nos sucessivos pagamentos realizados aos segurados detalhados no anexo CE. Observase na Apropriação de Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 15504.729632/201205 Resolução nº 2201000.267 S2C2T1 Fl. 9 8 Horas acima transcrita, que o controle é realizado por profissional e não por empresa prestadora do serviço. Quando sócios distintos da mesma pessoa jurídica prestam serviços simultâneos, cada um possui projetos e responsabilidades próprios e independentes. Cada profissional assina ordens de serviços distintas e são emitidas, no mesmo mês, notas fiscais separadas para cada sócio prestador do serviço. Os Relatórios de Despesas de Viagens são individualizados por serviço e, constatase ainda, a cláusula de vedação a subcontratação sem autorização da contratante (cláusula próforma, visto que não foi constatada a subcontratação): “CLÁUSULA QUINTA OBRIGAÇÕES DAS PARTES 5.1.4 Não subcontratar a execução dos serviços, salvo autorização escrita da SEI, firmada por seus representantes legais. A autorização de subcontratação não eximirá a CONTRATADA da integral responsabilidade, face à SEI, pela fiel e cabal execução dos serviços e cumprimento de todas as obrigações deste Contrato. 5.1.5 Renunciar a todos e quaisquer direitos de ação, autoria, propriedade, reprodução, tradução, “royalties” ou quaisquer outros relativos ao uso ou exploração dos resultados dos serviços, direto deste Contrato. e) A onerosidade está definida na cláusula terceira e nos diversos pagamentos vinculados a emissão das notas fiscais de serviços, devidamente aprovadas, conforme detalhado no anexo CE. “CLÁUSULA TERCEIRA – REMUNERAÇÃO 3.1 Estimase para este contrato o valor de R$ 227.500,00 (Duzentos e vinte e sete mil e quinhentos reais) não podendo a CONTRATADA pleitear pagamentos/serviços visando atingir este valor. 3.2 Pelos serviços objeto do presente Contrato com escopo e condições definidos nas Ordens de Serviço mencionadas no item 1.2 da Cláusula Primeira, a SEI pagará à CONTRATADA de acordo com a importância definida em cada Ordem de Serviço emitida. 3.3 No valor pactuado, à exceção única e exclusiva de despesas de viagens (diárias, transporte, combustíveis), que deverão ser pré aprovadas pela SEI, já estão incluídas, por conta e responsabilidade da CONTRATADA, todas e quaisquer despesas necessárias à perfeita execução dos serviços, inclusive as relativas a tributos, encargos sociais e trabalhistas. “CLÁUSULA QUARTA CONDIÇÕES DE PAGAMENTO 4.1 Para os pagamentos pela SEI à CONTRATADA esta procederá ao faturamento dos serviços, no primeiro dia útil do mês seguinte ao da realização dos mesmos, mediante a apresentação da Nota Fiscal/Fatura acompanhada do respectivo Relatório de Atividades, para aprovação do representante da SEI. 4.2 Desde que aprovados o Relatório de Atividades e o valor da Nota Fiscal/Fatura, será o pagamento efetuado até o 3o (terceiro) dia útil após o recebimento pela SEI das faturas emitidas contra o Cliente Final, referentes ao mês correspondente ao da realização dos serviços pela CONTRATADA. No caso de pagamentos que se referirem a Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 15504.729632/201205 Resolução nº 2201000.267 S2C2T1 Fl. 10 9 serviços executados para propostas e para projetos no regime de homem/hora, os mesmos serão efetuados até o 10o (décimo) dia corrido do mês subseqüente a prestação de serviços, desde que cumprida o item 5.1, da cláusula 5ª. 4.3 Sem prejuízo dos procedimentos acima previstos, a CONTRATADA deverá apresentar à SEI, juntamente com a fatura, os comprovantes de recolhimentos do ISS, FGTS, INSS incidentes sobre os contratos de trabalho e sobre RPA, PIS, COFINS e outras obrigações sociais criadas pelo poder público, que incidam ou venham a incidir sobre a mãodeobra empregada, na execução dos serviços contratados, durante todo o período contratual previsto. 4.4 A SEI terá o direito de reter ou suspender o pagamento no caso de ocorrerem glosas por faturamento indevido e sempre que a CONTRATADA se encontre inadimplente com quaisquer dos termos ou condições do presente Contrato.” 4.1.1.7 Cabe elucidar que o Controle dos Serviços são executados pelos prestadores de serviços da seguinte forma: a) A gerência administrativa da SEI é exercida pelo Sr. Fernando Procópio Lage, cartão de visita onde consta seu nome e cargo, anexo ao processo, presta serviços através da empresa F & E Consultoria Ltda, durante o período sob ação fiscal exerceu a gerência dos contratos dos prestadores de serviços. O Sr. Fernando Procópio Lage assina os relatórios de Controle Mensal de OEST, tal situação pode ser comprovada pela rubrica aposta nos mencionados controles, anexados por amostragem. b) O controle de horas de serviços prestados pelos profissionais que utilizam as Pessoas jurídicas é feito de forma sistemática, conforme se pode comprovar nos documentos anexados por amostragem, cópias dos contratos de prestação de serviços, do Controle Mensal de OEST, dos controles de apropriação de horas, todos fornecidos pela atuada. c) O controle das despesas de viagem é realizado pelo coordenador do projeto, que autoriza o seu pagamento. A título de exemplo podemos destacar a atuação do Sr. JOSE MARIA TEIXEIRA, da empresa BRAGA MARINS SERVIÇOS LTDA, que exercia a função de coordenador de projeto no período sob procedimento fiscal, fato que pode ser comprovado pelos Relatórios de Despesas de Viagens – RDV, emitidos em favor dos seguintes profissionais: Sr. Anderson Claudino, com a função de inspetor, em visita ao cliente MBR, conforme documento anexo RDV ANDERSON CLAUDINO, o Sr. Márcio Richter, com a função de inspetor, em visita a Cia Vale do Rio Doce, conforme anexo RDV MARCIO RICHTER e o Sr. Mariozan Aparecido de Oliveira, também com a função de inspetor, em visita ao cliente a Cia Vale do Rio Doce. d) A Gerência Financeira no período do procedimento fiscal era exercida pela Sra. OFELIA VIANA BOSSI, da empresa DIGEF DIGITACAO E SERVI ECONOM FINANCEIROS LTDA, que continua atuando na empresa, inclusive possuindo procuração para representá la, documento anexo. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 15504.729632/201205 Resolução nº 2201000.267 S2C2T1 Fl. 11 10 Assim, concluiu a fiscalização que o conjunto probatório demonstra que os profissionais prestaram serviços de forma pessoal, nãoeventual, onerosa e subordinada, o que leva a concluir que a utilização da pessoa jurídica foi simulada, objetivando, na realidade, dissimular o vínculo empregatício existente entre os prestadores dos serviços e a autuada. Cabe destacar que a atividade da empresa (consultoria de projetos) está prevista no disposto no art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, conforme transcrito abaixo: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto noart. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Dessa feita, tornase salutar procederse à análise dos demais requisitos caracterizadores da existência de vínculo de emprego, já que pessoalidade não ocupa papel relevante, na presente análise. Sobre os demais requisitos, cumpre destacar que a fiscalização entendeu que a "subordinação está determinada pela definição por parte da contratante da obrigação de seguir os requisitos de controle de processo de execução ditados pelas normas vinculadas ao Sistema da Qualidade da SEI. Tais requisitos requerem medidas quanto à pessoal, metodologia de trabalho, hardware/software, verificação da qualidade e outras que assegurem o bom desempenho dos serviços, não deixando ao contratado qualquer possibilidade de autonomia na gestão dos serviços prestados". O conceito de subordinação, contudo, a despeito de sua importância, é também o mais complexo dos elementos do contrato de trabalho a identificar. A eventual sujeição do trabalhador ao poder de organização do proprietário do estabelecimento não se confunde com a subordinação jurídica que decorre do art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho. Tampouco se materializa a subordinação trabalhista na mera sujeição do prestador de serviço a algumas diretrizes ou, em termos gerais, a determinadas obrigações. Em outras palavras, não se confunde a subordinação com a simples necessidade de seguir, na execução do trabalho, certas regras. Entendêla de tal modo, com tamanha amplitude ou largueza, levaria a resultado claramente absurdo, na medida em que todo o contrato, de uma forma ou de outra, cria, pela sua mera natureza obrigatória, vínculo entre as partes contratantes. Do que se disse anteriormente tirase a necessidade de diferenciar, com mais rigor, a subordinação inerente ao contrato de trabalho da mera existência de regras impostas para a prestação de serviço ou, podese bem dizer, da subordinação em termos gerais, decorrente de todo contrato ou do estatuto legal, mas insuficiente para a configuração do vínculo de emprego. Na verdade, a subordinação própria do contrato de trabalho é mais do que a necessidade de o trabalhador seguir certas regras na prestação do serviço, ainda quando impostas pelo beneficiário do trabalho, titular do empreendimento. Compreende a prerrogativa, Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 15504.729632/201205 Resolução nº 2201000.267 S2C2T1 Fl. 12 11 de que se investe o tomador de serviço, em decorrência da relação de emprego, de modular, a cada passo ou quando queira, segundo as conveniências do negócio – observados, é óbvio, os limites legais e contratuais próprios –, a atividade exercida pelo trabalhador, determinando o trabalho a ser feito, a forma, o local e o momento de sua realização, bem como fiscalizando, durante a prestação de serviço, o cumprimento das ordens dadas e, quando pertinente, sancionando o descumprimento delas. Nesse contexto, entendo que não se caracteriza como subordinação jurídica o fato de os trabalhadores obedecerem às normas vinculadas ao Sistema da Qualidade da Empresa, de modo que não se vislumbra a existência de vínculo empregatício. No que se refere à afirmação de que "a não eventualidade está claramente definida no prazo estipulado no contrato de prestação de serviços e nas prorrogações do mesmo, consistindo em verdadeiro contrato de trabalho por prazo indeterminado (fls. 38), afirmam os recorrente que é curioso notar que, da pequena amostragem que compõe o lançamento, extraise algo completamente diferente do que a fiscalização intuiu. De fato, dos 24 contratos anexados aos autos (fls. 413416, 463466, 500503, 519522, 545548, 559562, 593596, 636638, 656, 659, 694, 697, 717720, 733736, 761764, 772775, 803806, 816 819, 837840, 858861, 892895, 936939, 950953, 966969, 10081011 e 10691072) todos possuem prazos pré estabelecidos (alguns de seis meses, a maioria de 12, outros de 14, 18, 24, enfim). Das 24 avenças juntadas, todas com objeto específico e preciso, apenas 5 foram prorrogadas (fls. 417, 639, 737, 896897 e 970), ou seja, 20,83%. Com a devida vênia, a prorrogação é a exceção e não a regra. Assim, descumpridos os requisitos mencionados, tornase irrelevante à análise dos demais. Portanto, não se exonerando o fisco do ônus de comprovar o vínculo de emprego, considero nulo do auto de infração sob análise, tendo em vista inclusive a natureza dos serviços prestados. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Em que pesem os argumentos e fundamentos da ilustre Conselheira Relatora, ouso discordar de suas conclusões. Entendo serem necessários alguns esclarecimentos por parte da autoridade julgadora, ressaltando a impossibilidade de que esta inove no lançamento, ou seja, explicitando que somente caberá ao Fisco prestar as informações solicitadas, na forma indicada. Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 15504.729632/201205 Resolução nº 2201000.267 S2C2T1 Fl. 13 12 Para que se verifique, com clareza e a necessária distinção fática, a relação de emprego asseverada, se faz mister que a Autoridade Lançadora, dentro do período fiscalizado: i) esclareça, por meio de planilha ordenada pelos nomes dos trabalhadores, quais mantém vínculo de emprego com a Recorrente e simultaneamente, preste serviços por meio das pessoas jurídicas constantes do lançamento. Menciono, como exemplo, que às folhas 36 do processo digitalizado (folhas 12/21 do relatório fiscal), a Sra Artênia Liana Soares Tavares consta como prestando serviços pela Supportt Projetos e Fisc Civis Ltda e pela A&A Desenhos Ltda ME. ii) esclareça, por meio de planilha, quais os prestadores de serviços da Recorrente possuem mais de um sócio que, na visão do Fisco, trabalhem com vínculo de emprego para a Recorrente. iii) elabore planilha, por ordem do nome do segurado e relacionado à empresa prestadora de serviços, com as competências em que houve a emissão de notas fiscais contra o Recorrente, com os respectivos valores. iv) especifique quais os sócios das empresas prestadoras de serviços que, na visão da Autoridade Lançadora, trabalhavam na estrutura operacional ou administrativa da Recorrente, consoante se afirma às folhas 39/40 do processo digitalizado, indicando as provas que constam dos autos sobre tal afirmação. v) intime o sujeito passivo para que apresente as reclamatórias trabalhistas em que não houve o reconhecimento do vínculo de emprego. Ressalto que, após a resposta dos esclarecimentos acima, tal informação deve ser franqueada ao Recorrente, por meio de cientificação deste, como abertura de prazo de trinta dias, para que, querendo, o sujeito passivo se manifeste sobre os esclarecimentos prestados, explicitando que não houve impugnação da sujeição passiva solidária que, portanto, se tornou incontroversa e preclusa. Após, retornem os autos para este Colegiado. Encaminhese o presente processo administrativo para a unidade jurisdicionante do contribuinte para cumprimento da presente diligência. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Fl. 2131DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.011656/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
Ementa:
SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho.
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI.
A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos.
DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO.
Devem ser excluídos da base de cálculo os valores depositados que o Contribuinte comprove apenas ter transitado por sua conta bancária.
Numero da decisão: 2202-003.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo tributável para R$ 1.993.493,13 no ano-calendário 2003 e para R$ 139.203,75 no ano-calendário 2004.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 Ementa: SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO. Devem ser excluídos da base de cálculo os valores depositados que o Contribuinte comprove apenas ter transitado por sua conta bancária.
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DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO. Devem ser excluídos da base de cálculo os valores depositados que o Contribuinte comprove apenas ter transitado por sua conta bancária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo tributável para R$ 1.993.493,13 no anocalendário 2003 e para R$ 139.203,75 no anocalendário 2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 16 56 /2 00 8- 40 Fl. 2416DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir crédito de IRPF. Intimado, apresentou Impugnação que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ. Inconformado, interpôs Recurso Voluntário. Chegando ao CARF, o julgamento foi convertido em diligência para analisar a documentação juntada. Enfim, realizada esta, retornam para continuidade do julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 08/08/2008 foi lavrado Auto de Infração (fls. 5/9) para constituir IRPF em face do Contribuinte pela identificação das seguintes infrações: · Omissão de rendimento de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas; · Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; · Falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão; Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/24): "Diante do acima exposto, relativamente aos anos calendários de 2003 e 2004, apuramos as seguintes infrações: • OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS AO CARNE LEÃO: Em conformidade com o Art. 42, § 2° da Lei n ° 9.430/96, foram tributados os valores de R$ 281.151,75 e R$ 211.545,57 recebidos nos anos calendários de 2003 e 2004, respectivamente, a titulo de honorários advocatícios obtidos através do fiscalizado ( documentos fls. 106 e 341) e ratificado em diligência junto aos advogados ( documentos fls. 718 a 849), conforme discriminado Fl. 2417DF CARF MF Processo nº 10380.011656/200840 Acórdão n.º 2202003.910 S2C2T2 Fl. 2.417 3 abaixo e consolidados na Tabela n° 8 (fls. 31). Para o lançamento foram considerados tais valores de acordo com os esclarecimentos do próprio contribuinte. Vale salientar que nas planilhas e demais documentos de fls. 108 a 338 — ano 2003 e fls. 342 a 552 ano calendário 2004 ), apresentados pelo contribuinte constam os números dos processos, os nomes dos advogados responsáveis por tais ações, os valores dos precatórios pagos e o valor dos honorários correspondentes. Podese observar que os valores dos honorários correspondem a 30% dos valores dos precatórios, distribuídos entre os advogados de acordo com o percentual que de direito lhes cabe. Referidos rendimentos não foram oferecidos à tributação pelo contribuinte conforme se constata nas suas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2004 e 2005, anos calendários de 2003 e 2004. Embora recebidos no decorrer do ano, os rendimentos omitidos foram lançados no presente Auto de Infração no mês de dezembro, tendo em vista que o contribuinte não apresentou os valores mensais recebidos: • MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TITULO DE CARNÉ LEÃO: Tendo em vista que o contribuinte não recolheu o carnê leão correspondente aos valores de R$ 281.151,75 e R$ 211.545,57, recebidos de pessoas físicas, respectivamente nos anos calendários de 2003 e 2004, e por ele omitido em suas declarações de rendimentos dos exercícios correspondentes, foi lançada a multa isolada em conformidade com o artigo Art. 8° da Lei n° 7.713/88 c/c arts. 43 e 44, inciso II, alínea "a", da Lei no 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66 ( Código Tributário Nacional ). • OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: De acordo com todas as razões acima expostas, não foram comprovados pelo contribuinte os depósitos efetuados, no ano calendário de 2003, no valor total de R$ 2.811.940,67 e no ano calendário de 2004 no valor total de R$ 400.324,28, apurados conforme Tabelas n° 1 a n° 7, (fls. 24 a 30), partes integrantes do presente Termo de Verificação, e portanto, considerados como omissão de rendimentos prevista no artigo 42, da Lei n.° 9.430/96," fls. 22/23 (grifos no original) Intimado em 13/08/2008 (fl. 871), o Contribuinte apresentou Impugnação em 04/09/2008 (fls. 874/879). Em 19/09/2011, foi proferido o acórdão DRJ nº 0821.785 (fls. 881/917), que restou assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 Fl. 2418DF CARF MF 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para os altos geradores ocorridos a partir dc I° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n0 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. ONUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, 6, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, mormente se a movimentação bancária supera em muito o montante de rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual. DEPOSITO BANCÁRIO. ORIGEM COMPROVADA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. LIBERAÇÃO DE PRECATÓRIOS. RENDIMENTOS SUJEITOS A CARNÊLEÃO. Comprovada a origem do depósito bancário como proveniente de levantamento de precatórios, feito através de processo judicial, no qual o senhor contribuinte atuou como advogado, cabível a averiguação da tribulação dos honorários advocaticios relacionados aos precatórios, pagos pelos clientes beneficiários dos precatórios. Não se tendo informado na Declaração do Ajuste Anual nenhum rendimento percebido de pessoas fisicas, caracterizada está a infração de omissão de rendimentos. Não há como se elidir o ilícito se a documentação de demonstração dos precatórios e dos correspondentes honorários advocaticios foi apresentada pelo próprio contribuinte e não foi objeto da argumentação de incompatibilidade com a verdade dos fatos. RENDIMENTOS PERCEBI DOS DE PESSOAS JURÍDICAS. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. Tratandose de precatórios gerados em processo judicial contra o Instituto Nacional do Seguro Social, os honorários de sucumbencia são rendimentos percebidos de pessoa jurídica, mormente se o Instituto Nacional do Seguro Social fez a retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte, quando da liberação do precatório, conforme a documentação apresentada pela CEF, instituição financeira que foi utilizada para pagamento dos precatórios. RECOLHIMENTO DE CARNÊLEÃO. COMPENSAÇÃO. Verificandose recolhimento de Carneleão correlacionado rendimentos percebidos de pessoas físicas que foram omitidos da Declaração de Ajuste Anual, temse como correta a compensação dos valores recolhidos, na apuração do Imposto de Renda no Auto de Infração, urna vez que estarse tributando rendimentos que sofreram tributação no mês da percepção, mas foram omitidos da Declaração de Ajuste Anual. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 Fl. 2419DF CARF MF Processo nº 10380.011656/200840 Acórdão n.º 2202003.910 S2C2T2 Fl. 2.418 5 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas não podem negar aplicação As leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis 6. tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. DECISÕES DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Aplicase a súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARE, com efeito vinculante conforme Portaria do Ministro da Fazenda n° 383, de 2010, somente quando o acórdão, citado na defesa, enquadrase como acórdão paradigma. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRNCIA PELO FISCO. É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. NÃO VIOLAÇÃO DAS GARANTIAS INDIVIDUAIS INSERIDAS NOS INCISOS X E XII DA CF/88. SIGILO FISCAL. O sigilo bancário só tem sentido enquanto protege o contribuinte contra o perigo da divulgação ao público, nunca quando a divulgação é para o fisco que, sob pena de responsabilidade, jamais poderá transmitir o que lhe foi dado a conhecer. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" fls. 881/883; Efetivamente, reduziu o lançamento para: "Relativamente ao exercício financeiro de 2004, anocalendário 2003: 1) Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 847.150,71; Fl. 2420DF CARF MF 6 2) Multa de Oficio, no percentual de 75%, no valor de R$ 635.363,03; 3) Multa de Oficio Isolada, no valor de R$ 36.721,97. Relativamente ao exercício financeiro de 2005, anocalendário 2004: 1) Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 168.264,20; 2) Multa de Oficio, no percentual de 75%, no valor de R$ 126.198,15; 3) Multa de Ofício Isolada, no valor de R$ 28.875,97." fl. 917; Intimado em 09/03/2012 (fls. 922), o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 04/04/2012 (fls. 924/973 e docs. anexos fls. 974/2.325), argumentando em síntese: · Que a mera constatação de movimentação financeira não é suficiente para a configuração de auferimento de rendimento; · Que os valores depositados são dos beneficiários (clientes), cabendo ao escritório, em média, 30%, valores este que ainda é rateado entre os componentes da sociedade; · Que seus clientes são pessoas simples, muitas analfabetas e residentes em áreas rurais, razão pela qual não é possível fazer transferência bancária mas tão somente entrega de numerário direto ou através dos correios que também só aceitam remessa em espécie; · Que muitas vezes os clientes não eram encontrados em uma primeira tentativa, ou haviam falecido, de sorte que os recursos retornavam para suas contas bancárias até a identificação dos clientes ou de seus herdeiros; · Que o sigilo bancário e a intimidade estão resguardado pela CF/1988; · Que os precatórios sempre eram repassados, sob pena de se configurar apropriação indébita, o que não consta no caso concreto; e · Que apresentou toda a documentação pertinente, inclusive elaborando uma tabela indicando: 1. Nº do Precatório; 2. Nº do Processo; 3. Nome do cliente/beneficiário; 4. Valor bruto; 5. Valor do IR; 6. Valor Líquido; Fl. 2421DF CARF MF Processo nº 10380.011656/200840 Acórdão n.º 2202003.910 S2C2T2 Fl. 2.419 7 7. Honorários; 8. Valor da parte/cliente; 9. Valor da CPMF; e 10. Valor efetivamente pago/remetido à parte/cliente. Chegando ao CARF, for proferida a Resolução nº 2202000.578, de 14/04/2014 (fls. 2.333/2.346), determinando a conversão do julgamento em diligência para: "1 Que a fiscalização aprecie os argumentos/provas, particularmente aquelas previstas no recurso voluntário, sobre a validade das provas apresentadas, bem como realize intimações e diligências que julgar necessárias para formação de sua convicção sobre as explicações propostas pelo recorrente, particularmente no que toca aos precatórios apontados pelo recorrente em seu recurso; 2 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento." fl. 2.346 (grifos no original); Em 23/03/2016 foi formalizado o Relatório Fiscal (fls. 2.349/2.355 e docs. anexos fls. 2.356/2.378), no qual a autoridade diligenciadora concluiu que mais uma parte dos depósitos bancários haviam sido comprovados, sugerindo a sua exclusão da base de cálculo, mas a manutenção do restante. Intimado, o Contribuinte já se manifestou em relação ao resultado da diligência (fls. 2.408/2.413). É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Da inconstitucionalidade O Contribuinte se alonga argumentando sobre questões de inconstitucionalidade. Acontece que, nos termos da Súmula CARF nº 02 e do art. 62 do Anexo II ao RICARF, este Conselho não tem competência para afastar a aplicabilidade da Lei com Fl. 2422DF CARF MF 8 base em argumentos de inconstitucionalidade. Por esse motivo, não é possível dar provimento ao recurso com base nesses argumentos. Do sigilo bancário: O Contribuinte argumenta pela impossibilidade do acesso direto pela autoridade fazendária ao seus dados bancários, prescindindo da tutela judicial. Percebese, entretanto, que o STF já reconheceu, por meio do RE nº 601.314, em sede de repercussão geral que obrigatoriamente deve ser repetido por este Conselho, nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF a validade da quebra do sigilo bancário realizada diretamente pela autoridade fazendária, prescindindo de autorização judicial para tanto: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em Fl. 2423DF CARF MF Processo nº 10380.011656/200840 Acórdão n.º 2202003.910 S2C2T2 Fl. 2.420 9 relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe198 DIVULG 1509 2016 PUBLIC 16092016) Neste, inclusive, restou fixada a seguinte tese: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; Por essa razão, não pode prevalecer o presente argumento. Da presunção de omissão de rendimento: Argumenta o Contribuinte, ainda, que não é possível lavrar auto de infração lastreado em presunção, muito menos baseada simplesmente em extratos bancários, sem uma análise aprofundada da autoridade lançadora. Tratase de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Ademais, a redação da Lei é clara: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 2424DF CARF MF 10 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em outras palavras, identificados depósitos bancários, exigese tão somente que a autoridade fazendária intime o Contribuinte para comprovar a origem dos recursos. A este é que cabe o ônus da prova, não sendo suficiente a apresentação de argumentos ou indícios. Nesse caminho, não pode prevalecer a tese de que cabia à autoridade fazendária aprofundar as investigações quando o Contribuinte, devidamente intimado, não logrou apresentar os documentos requeridos. Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas tratando da matéria, e nenhuma delas questiona a sua legalidade. São os casos das Súmulas CARF nº 26, 30 e 38. Comprovação da origem dos recursos: Enfim, desde a fiscalização, o Contribuinte vem esclarecendo que atua como advogado, de sorte que são depositados em suas contas valores referentes às causas e que, depois de deduzir seus honorários, repassa os valores a seus clientes. Em outras palavras, esclarece que os recursos não são integralmente seus, mas apenas uma pequena porcentagem. Efetivamente, a questão resta comprovada nos autos, inclusive a autoridade lançadora já constatou e admitiu essa realidade à época do lançamento, como se observa do Termo de Verificação Fiscal, uma vez que lançou determinados valores como honorários (decorrentes do trabalho sem vínculo jurídico). Acontece que, nos casos de lançamento lastreado em depósitos bancários de origem não comprovada, não basta demonstrar sua atividade em linhas gerais, mas é necessário vincular a origem dos depósitos/creditamentos bem como demonstrar que já foram oferecidos à tributação (ou outra causa que afaste a tributação, como não ser seu rendimento, ou que se trata de rendimento isento etc.). In casu, o Recorrente juntou uma série de documentos, em especial: · Tabela pormenorizando os recursos, suas origens e o valor que lhe corresponde; · Vales postais emitidos pela ECT e comprovantes de ordem de pagamento em dinheiro emitidas contra bancos demonstrando a remessa dos recursos para seus respectivos titulares; · Espelhos de processos e comprovantes de Requisições de Pequeno Valor (RPV) e de Precatórios; · Petições judiciais demonstrando sua atividade; · Comprovantes de retenção do IRRF nos processos judiciais; · Contratos de honorários advocatícios; · Procurações; Fl. 2425DF CARF MF Processo nº 10380.011656/200840 Acórdão n.º 2202003.910 S2C2T2 Fl. 2.421 11 · Declarações de óbitos de alguns clientes; e · Recibos de entrega dos recursos aos clientes. Em sua diligência, a autoridade fiscalizadora esclareceu que, já durante a fiscalização, o Contribuinte havia apresentado vasta documentação comprobatória dos precatórios, o que levou à não inclusão de R$ 2.578.360,33 para o ano calendário de 2003 e R$ 2.138.398,94 para o ano calendário de 2004 na base de cálculo do lançamento. Compulsando então a documentação juntada em sede de recurso voluntário, constatou que boa parte coincidia com aquela documentação já juntada e aceita durante a fiscalização. Por essa razão, elaborou uma planilha identificando os beneficiários e as provas que não constavam anteriormente: Registrou ainda que no seio da diligência intimou o Contribuinte do seu resultado e que o recorrente apresentou a mesma planilha apresentada anteriormente, sem apresentar novas documentações. Efetivamente, percebese que o Contribuinte, em sua manifestação, apresenta alegações genéricas. Outrossim, que não apresentou tabela indicando quais os valores que entendia ter comprovado mas que não foram aceitos. Nesse sentido, uma vez que concordo com a análise do direito efetuada pela autoridade fiscalizadora, e ante a inexistência de contestação especifica acerca dos valores e das provas aceitas/recusadas, entendo ser necessário dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir o lançamento na forma proposta pela diligência, reduzindo para R$ 1.993.493,13 em 2003 e R$ 139.203,75 em 2004. Dispositivo: Fl. 2426DF CARF MF 12 Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo para R$ 1.993.493,13 no anocalendário 2003 e para R$ 139.203,75 no anocalendário 2004. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Fl. 2427DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.723544/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.857
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 35 44 /2 01 1- 61 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10469.723544/201161 Acórdão n.º 3302003.857 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.424. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10469.723544/201161 Acórdão n.º 3302003.857 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10469.723544/201161 Acórdão n.º 3302003.857 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10469.723544/201161 Acórdão n.º 3302003.857 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10469.723544/201161 Acórdão n.º 3302003.857 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000711/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE.
A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros - tradings, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas.
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. ESTABELECIMENTOS DIVERSOS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA.
O valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção da agroindústria, centralizada na matriz ou distribuídas em diversos estabelecimentos, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei 8.212/91. Inteligência do art. 22-A do mesmo dispositivo, acrescentado pela Lei 10.256/2001.
Numero da decisão: 2401-004.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros trading’s, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. ESTABELECIMENTOS DIVERSOS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA. O valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção da agroindústria, centralizada na matriz ou distribuídas em diversos estabelecimentos, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei 8.212/91. Inteligência do art. 22A do mesmo dispositivo, acrescentado pela Lei 10.256/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 07 11 /2 00 9- 73 Fl. 211DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Carlos Alexandre Tortato. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 2401004.774 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório USINA ZANIN AÇUCAR E ALCOOL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 13a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1235.702/2011, às fls. 164/169, que julgou procedente o lançamento fiscal, referentes às contribuições destinadas ao SENAR, em relação ao período de 01/2005 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal, às efls. 56/68, consubstanciado no seguinte Auto de Infração: AI DEBCAD nº 37.190.8124, referente ao período de 01/2005 a 12/2006, pertinente às contribuições devidas ao SENAR. De acordo com o Relatório Fiscal, constituem fatos geradores desta Autuação a receita bruta proveniente: a) da comercialização da produção rural própria, em virtude da glosa de compensação efetuada indevidamente; b) da comercialização da produção industrializada adquirida de terceiros; c) da comercialização da produção industrializada adquirida de terceiros decorrente do exercício da atividade econômica autônoma; d) da exportação; e e) da produção rural própria, com empresas comerciais exportadoras. Informa o Fiscal autuante que procedeu à comparação entre os valores de multa previstos nos regimes anteriores e posterior à Lei 11.941/2009, resultando na retroação benigna da legislação nas competências discriminadas na tabela constante do item 9.4 do Relatório Fiscal. Entretanto, o procedimento descrito não repercute no presente lançamento, por se tratar exclusivamente de valores devidos ao SENAR, em que cabe apenas multa de mora. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 172/201, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, sustentando serem imunes ao SENAR as receitas obtidas com suas exportações, quer diretas ou realizadas via trading company. Esclarece que as contribuições ao SENAR destinamse às entidades privadas de serviço social e de formação profissional, visando custear as atividades que concretizam os objetivos da Ordem Social, e não se destinam, portanto, ao custeio dos interesses próprios de categorias profissionais ou econômicas. Aduna arestos e excertos doutrinários em abono de suas teses, buscando classificar as contribuições ao SENAR como contribuições sociais para os efeitos da imunidade prevista no art. 149, § 2°, I da CF. Acrescenta deve ser a norma de imunidade interpretada de modo amplo, a fim de dar plena concretude à vontade do constituinte, que , no caso, pretendeu exonerar da tributação todas as operações que tenham como finalidade a exportação. Fl. 213DF CARF MF 4 Afirmar está coberta pela imunidade prevista na Constituição, toda exportação feita via trading companies. Alega que a compensação de indébito do SENAR com contribuição da mesma natureza não é vedada pela legislação, sendo impedido apenas a compensação da contribuição de fundo específico com a destinada a outro fundo. Explicita que o valor do produto da revenda de álcool hidratado carburante, combustíveis e óleo lubrificante está fora do campo de incidência, só sendo devidas pelo homem do campo ou agroindústrias. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 2401004.774 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De acordo com o Relatório Fiscal, constituem fatos geradores desta Autuação a receita bruta proveniente: a) da comercialização da produção rural própria, em virtude da glosa de compensação efetuada indevidamente; b) da comercialização da produção industrializada adquirida de terceiros; c) da comercialização da produção industrializada adquirida de terceiros decorrente do exercício da atividade econômica autônoma; d) da exportação; e e) da produção rural própria, com empresas comerciais exportadoras. DA IMUNIDADE Por sua vez a contribuinte sustenta serem imunes ao SENAR as receitas obtidas com suas exportações, quer diretas ou realizadas via trading company. Aduna arestos e excertos doutrinários em abono de suas teses, buscando classificar as contribuições ao SENAR como contribuições sociais para os efeitos da imunidade prevista no art. 149, § 2°, I da CF. Esclarece que as contribuições ao SENAR destinamse às entidades privadas de serviço social e de formação profissional, visando custear as atividades que concretizam os objetivos da Ordem Social, e não se destinam, portanto, ao custeio dos interesses próprios de categorias profissionais ou econômicas. Acrescenta deve ser a norma de imunidade interpretada de modo amplo, a fim de dar plena concretude à vontade do constituinte, que, no caso, pretendeu exonerar da tributação todas as operações que tenham como finalidade a exportação. Afirma estar coberta pela imunidade prevista na Constituição, toda exportação feita via trading companies. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão da imunidade quanto as contribuições, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. Como se sabe, o art. 149 da Constituição Federal determinou a não incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação. Vejamos o que determina o referido dispositivo constitucional: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do Fl. 215DF CARF MF 6 previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(grifamos) Como se vê, o legislador constitucional estabeleceu que as receitas decorrentes da exportação são imunes à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Notase que o Constituinte foi bastante claro ao delimitar as contribuições que seriam imunes. Tenho o entendimento pessoal de que “contribuição social” é um gênero do qual são espécies as contribuições para custeio da intervenção no domínio econômico (CIDE) e as de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Porém, o alcance da norma legal somente terá amplitude a todas as espécies quando o legislador contemplar o termo "contribuição social" em sentido lato, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde o constituinte foi por demais enfático ao delimitar as contribuições que estariam sob o manto da imunidade sob análise, quais sejam, as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo, o que rechaça de plano a pretensão da contribuinte ao pretender incluir em aludido benefício fiscal as contribuições destinadas a terceiros – SENAR. In casu, a Constituição Federal não restringiu o conceito de receita de exportação abrangido pela imunidade consagrada pelo inciso I do §2º do seu art. 149. Por sua vez, o Poder Executivo, ao regulamentar esta previsão constitucional, através da IN SRP nº 03/2005, estabeleceu que apenas haverá a imunidade quando a receita de exportação decorrer de comercialização diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Vejamos o teor do §1º do art. 245 do referido ato normativo: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto.(grifo nosso) Desse modo, verificase que a norma constitucional que institui a imunidade não pode ser mitigada por lei, muito menos por ato normativo expedido pela autoridade administrativa. É preciso, então, que seja respeitada a limitação do exercício da competência imposta pelo legislador constituinte. O entendimento pessoal deste Conselheiro é de que se interpreta de forma teleológica a previsão consagrada no § 2º do art. 149 da CF, no sentido de que a imunidade Fl. 216DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 2401004.774 S2C4T1 Fl. 5 7 contemplada neste dispositivo abrange as receitas decorrentes da comercialização de produtos nacionais com destino ao exterior. Portanto, não é razoável excluir da abrangência dessa norma imunizante as operações que possuem o fim específico de exportação, como é o caso das vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras cujo destino das mercadorias comercializadas seja unicamente o exterior. No entanto, em relação à contribuição ao SENAR, que trata o caso concreto, o mesmo entendimento não deve ser aplicado, conforme passo a demonstrar. É assente na doutrina e na jurisprudência que a contribuição ao SENAR possui a natureza jurídica de contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois se destina a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, que é o produtor rural, sendo exigida de contribuintes vinculados a este setor e a arrecadação é destinada a ações de formação profissional rural e promoção social de trabalhadores e produtores rurais. Tendo, portanto, a natureza de contribuições de interesse das categorias profissionais, a contribuição ao SENAR não está incluída na regra de imunidade prevista no inciso I §2 º art. 149 da Constituição. Conforme transcrito em linhas acima, o referido artigo prevê em seu caput que “Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais e econômicas”. Como se vê, existem três tipos de contribuições previstas no art. 149 da Constituição, quais sejam: (i) contribuições sociais; (ii) contribuições de intervenção no domínio econômico; e (iii) contribuições de interesse das categorias profissionais e econômicas. Entretanto, no §2º, inciso I, apenas encontrase prevista a imunidade das receitas de exportação em relação às “contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico”. Logo, resta claro que a imunidade prevista em relação às receitas decorrentes da exportação não abrange as contribuições de interesse de categoria profissionais ou econômicas. Neste aspecto, deve ser mantida a incólume a decisão recorrida. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR Insurgese a contribuinte contra incidência da contribuição destinada ao SENAR cobrada nos casos de venda de álcool hidratado carburante, combustíveis e óleo lubrificante, por entender que o estabelecimento responsável pela operação, cuja atividade seria a comercialização de combustíveis adquiridos de terceiros, não exerce atividade de agroindústria. Explicita que o valor do produto da revenda de álcool hidratado carburante, combustíveis e óleo lubrificante está fora do campo de incidência, só sendo devidas pelo homem do campo ou agroindústrias. Fl. 217DF CARF MF 8 Sem razão a recorrente! Mais uma vez, o recorrente não apresenta qualquer documento capaz de comprovar suas alegações, argumentos sem provas não são suficientes para rechaçar a pretensão fiscal e o bem fundamento acórdão de primeira instância. Quanto a matéria dispõe a Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009: "Art. 173. A partir de 1º de novembro de 2001, a base de cálculo das contribuições devidas pela agroindústria é o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, exceto para as agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura e para as sociedades cooperativas. Parágrafo único. Ocorre a substituição da contribuição tratada no caput, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta decorrente da comercialização em todas as atividades, ressalvado o disposto no inciso I do art. 180 e observado o disposto nos arts. 170 e 171."(grifamos) Por extensão, a contribuição para o SENAR subsumese à mesma linha interpretativa, eis que consectária da contribuição substitutiva prevista no art. 22A, a teor do parágrafo 5° da Lei 8.212/91: "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 5o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001)." O Decreto n° 4.032, de 26 de novembro de 2001 trouxe os artigos 201A e 201B que versam o seguinte: "Art.201A.A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas no inciso I do art. 201 e art. 202, é de: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 2401004.774 S2C4T1 Fl. 6 9 (...) Art.201B.Aplicase o disposto no artigo anterior, ainda que a agroindústria explore, também, outra atividade econômica autônoma, no mesmo ou em estabelecimento distinto, hipótese em que a contribuição incidirá sobre o valor da receita bruta dela decorrente." (grifo nosso) Considerando que o Posto de Combustíveis referido não se constitui em empresa diversa da autuada, cuja classificação como agroindústria não está sendo contestada, não paira qualquer dúvida quanto à base de cálculo da comercialização de produtos ali realizada. O produto de toda a cadeia produtiva da agro, centralizada na matriz ou distribuída entre diversos estabelecimentos, industrializados ou não, próprio ou adquirido de terceiros, é base de cálculo da contribuição previdenciária. Neste diapasão, o valor bruto da receita proveniente da revenda de álcool hidratado carburante, combustíveis e óleo lubrificante por estabelecimento vinculado à agroindústria, integra a base de cálculo da contribuição destinada ao SENAR, devida por disposição expressa acima citada. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a integralidade do lançamento fiscal, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 219DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.723517/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.856
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente NATAL VEÍCULOS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 35 17 /2 01 1- 98 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10469.723517/201198 Acórdão n.º 3302003.856 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.639. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10469.723517/201198 Acórdão n.º 3302003.856 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10469.723517/201198 Acórdão n.º 3302003.856 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10469.723517/201198 Acórdão n.º 3302003.856 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10469.723517/201198 Acórdão n.º 3302003.856 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 146DF CARF MF
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