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Numero do processo: 13746.000144/2003-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2002
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NO ACÓRDÃO EMBARGADO.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração sobre em matéria não apreciada na decisão embargada.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3302-005.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração sobre em matéria não apreciada na decisão embargada. Embargos Rejeitados.
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MATÉRIAS NÃO APRECIADAS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. Devem ser rejeitados os embargos de declaração sobre em matéria não apreciada na decisão embargada. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3302002.827, cuja ementa segue abaixo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 01 44 /2 00 3- 45 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13746.000144/200345 Acórdão n.º 3302005.461 S3C3T2 Fl. 436 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adotase integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão embargada aplicou o decidido no 10735.000001/9918. Os embargos alegaram obscuridade e contradição quanto à: 1) coisa julgada e 2) eficácia dos mandados de segurança nº 2001.51100010250 e 2005.51.10.0026900, repetindo as alegações efetuadas nos embargos opostos no processo nº 10735.000001/9918. O despacho de admissibilidade entendeu haver omissão quanto à não observância da Súmula CARF nº 1 (concomitância entre as esferas judicial e administrativa), havendo contradição entre os fundamentos do voto na medida que reconhece a existência de ações judiciais que discutem a matéria em litígio, mas, ainda assim, debateu e decidiu sobre tais matérias, não aplicando os efeitos decorrentes da concomitância. Na forma regimental,o processo foi distribuído a este relator por conexão com processos anteriormente distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Os embargos opostos alegaram obscuridade e contradição quanto à: 1) coisa julgada e 2) eficácia dos mandados de segurança nº 2001.51100010250 e 2005.51.10.0026900 e, como afirmado pela embargante, reiteraramse as alegações aduzidas nos embargos opostos no processo nº 10735.000001/9918. Ocorre que o julgamento efetuado no processo nº 10735.000001/9918 abrangeu diversas matérias, nem todas aplicáveis a todos os processos, devendo ser analisado os efeitos daquela única decisão em cada processo. Assim, concernente a este processo, a recorrente alegou em recurso voluntário a preliminar de homologação tácita, que fora decidida favoravelmente à recorrente no Acórdão nº 3302002.816, proferido nos autos nº 10735.000001/9918, cujo resultado foi aqui aplicado. Transcrevemse a ementa e excertos do referido acórdão: Ementa: Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13746.000144/200345 Acórdão n.º 3302005.461 S3C3T2 Fl. 437 3 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. LEI 9.430/96, ART. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI 9.430/96, ART. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp) que não seja objeto de despacho decisório proferido ou que o sujeito passivo não tenha sido cientificado no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo Excertos: **DÉBITOS ** (i) Homologação Tácita das Compensações de Terceiros Apreciadas as matérias referentes à composição do crédito e às possibilidades de sua utilização, passo a analisar as alegações referentes aos débitos aplicáveis aos processos anexos bem como aqueles que estão sendo apreciados também neste julgamento, quais sejam: Processos nº 10283.002024/200117, 13746.000060/200310, 13746.001220/200259, 13746.001223/200292, 10735.000896/200347, 10930.003102/200391, 11516.001792/200488, 11610.001259/200367, 13746.000058/200332, 13746.000144/200345, 13746.000147/200389, 13746.000252/200318 e 11516.002703/200411. [...] Ou seja, as compensações da Recorrente com débitos próprios e de terceiros estão sujeitas ao regime de homologação, produzindo desde seu protocolo efeito extintivo sob condição resolutória de ulterior homologação, com prazo de 5 (cinco) anos para ocorrer contados da data do protocolo. Não pode agora a SRF alegar inaplicabilidade da homologação tácita “in casu”. Ante o exposto, para as compensações que citem os processos administrativos de crédito n°s 10735.000001/9918, 10736.000202/9970 e 13746.000533/200117 para as quais transcorreu o prazo de 5 (cinco) anos entre a data de protocolo do pedido de compensação e a data de cientificação do despacho decisório de nãohomologação, entendese que houve homologação tácita da declaração de compensação, razão pela qual entendese por definitiva a imputação da forma como foi realizada. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13746.000144/200345 Acórdão n.º 3302005.461 S3C3T2 Fl. 438 4 [...] No processo nº 13746.000058/200332, o pedido de compensação foi protocolado em 15/01/2003, no processo nº 13746.000144/200345 em 12/02/2003, no de nº 13746.000252/200318 em 08/03/2003 e somente em 05/09/2008 a contribuinte foi cientificada do despacho decisório que não homologou as compensações. [...] Nesse sentido, voto por: a) Homologar tacitamente as compensações para as quais decorreu o prazo de 5 (cinco) anos entre o seu protocolo e a cientificação da contribuinte constante dos processos nº 10283.002024/200117, 13746.000060/200310, 13746.001220/200259, 13746.001223/200292, 13746.000058/200332, 13746.000144/200345, 13746.000252/200318, 13746.000147/200389 e 10735.000896/200347, devendo as imputações realizadas serem consideradas definitivas;" Constatase, portanto, que, para este processo, a decisão única proferida no Acórdão nº 3302002.816 e aqui aplicada reconheceu a homologação tácita das compensações analisadas nestes autos, sendo que as demais matérias abordadas na decisão única tornamse aqui prejudicadas. Destarte, os embargos de declaração opostos, ao versarem sobre matérias não decididas neste processo, terminaram por abordar questões estranhas ao julgamento aplicado a este processo, não sendo passíveis de conhecimento. Diante do exposto, voto para rejeitar os embargos de declaração opostos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902320/2006-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 07/06/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. CONSTATAÇÃO DE OFÍCIO. VALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. EXTINÇÃO DO DÉBITO VINCULADO.
Havendo a autoridade fiscal confirmado a validade do direito creditório do contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação nele embasado e extinto o débito vinculado.
Numero da decisão: 2201-004.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 10/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 07/06/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. CONSTATAÇÃO DE OFÍCIO. VALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. EXTINÇÃO DO DÉBITO VINCULADO. Havendo a autoridade fiscal confirmado a validade do direito creditório do contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação nele embasado e extinto o débito vinculado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 10/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO SANTANDER BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 07/06/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. CONSTATAÇÃO DE OFÍCIO. VALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. EXTINÇÃO DO DÉBITO VINCULADO. Havendo a autoridade fiscal confirmado a validade do direito creditório do contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação nele embasado e extinto o débito vinculado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 10/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 23 20 /2 00 6- 57 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 16327.902320/200657 Acórdão n.º 2201004.352 S2C2T1 Fl. 918 2 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 52/60) interposto contra decisão da DRJ SPOI (fls. 42/45) que julgou não homologada a compensação pretendida pelo RECORRENTE por não conhecer o crédito tributário declarado em PER/DCOMP nº 23399.87580.270803.1.3.046156, relativo à compensação de débito de CPMF da 3ºsem/agosto/2003, no montante de R$ 37.810,07 com o crédito oriundo de recolhimento a maior de IRRF, efetuada em 1/06/2003, no valor total do DARF recolhido de R$ 899.582,63. A partir desse ponto, considerando a clareza e didática do relatório dos fatos componentes do despacho de conversão do julgamento em diligência proferido por esta C. 1ªTurma da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do E. CARF, acostado às fls. 743/746, passo a adotálo para relatar parte do presente relatório, na forma abaixo: “Pelo Despacho Decisório de fls. 05, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em face da constatação de que o alegado pagamento indevido ou a maior fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em comento. Cientificado da decisão em 02/05/2008, o Contribuinte apresentou, em 30/05/2008 Manifestação de Inconformidade de fls. 02, aduzindo que: Em decorrência de recálculo da base do imposto de renda foi feito recolhimento a maior, porem não houve a retificação da DCTF e não foi reconhecido o crédito informado na PERDCOMP. Assim, considerando o valor apontado na planilha (fls. 05) perceberseá que o Contribuinte tinha crédito para liquidar o débito compensado. Assim, requer que seja retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor explicitado, bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista a compensação procedia por meio da DCTF com crédito suficiente para suportála. A 10ª Turma da DRJ/SPOI, na sessão de 22/04/2009, pelo Acórdão nº 1621.125, de fls. 42 e seguintes, julgou a compensação não homologada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 11.06.03 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DE FATO. ONUS DA PROVA. Fl. 918DF CARF MF Processo nº 16327.902320/200657 Acórdão n.º 2201004.352 S2C2T1 Fl. 919 3 O erro de fato no preenchimento da DCTF deve ser comprovado pelo sujeito passivo por meio de documentos hábeis e idôneos. A ausência de prova de que o pagamento foi efetuado indevidamente ou em valor superior ao devido impõe a não homologação da compensação a ele vinculada. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR de fls. 51, em 06/05/2009, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 52 e seguintes, em 05/06/2009, aduzindo: O Contribuinte é administrador de fundos de investimento financeiro Santander XXXVIII (FIF VIP 38). O fundo foi tratado como fundo de investimento para não residentes, assim, o IRRF sobre o ganho financeiro era cobrado apenas no momento do resgate das quotas. Em razão de auditoria interna, o Contribuinte detectou que o FIF VIP 38 deveria ser tributado segundo as regras aplicadas aos residentes no Brasil. Neste contexto, a tributação dos ganhos financeiros deveria ser feita mensalmente, com base na diferença positiva entre o valor patrimonial da quota apurada mensalmente. Esta divergência de critérios resultou falta de pagamento do IRRF para alguns meses (meses em que não houver resgate) e no pagamento a maior de IRRF em outros meses (meses em que o valor do resgate foi superior à variação acumulada). Os valores não adimplidos foram quitados, com seus acréscimos legais. E, os pagamentos a maior, ao seu turno, tornaramse créditos do Contribuinte, passíveis de aproveitamento para compensação om outros tributos federais. Assim, o Contribuinte apresentou Pedido de Restituição e Compensação eletrônico objetivando extinguir crédito tributário de IRRF com crédito relativo a recolhimento a maior de IRRF. Aponta que o entendimento da DRJ não pode prosperar uma vez que apenas por equívoco a recorrente deixou de retificar a DCTF de março de 2003, o que resultou na suposta exigibilidade dos valores declarados naquela oportunidade. Passa a discorrer sobre a existência do crédito e a não ocorrência do fato gerador do IRRF no montante indicado na DCTF, juntando documentos. Requer a reforma do Acórdão recorrido para fins de reconhecer o direito de crédito da recorrente e homologar as compensações. Em 28/03/2011, às fls. 110 e seguintes, o Contribuinte apresenta aditivo ao Recurso Voluntário esclarecendo a origem de seu crédito, agora, com base em parecer de auditoria independente anexa à referida petição, juntando documentos. É o relatório.” Fl. 919DF CARF MF Processo nº 16327.902320/200657 Acórdão n.º 2201004.352 S2C2T1 Fl. 920 4 Em 17/06/2014, às fls. 727/730, o RECORRENTE protocolou manifestação informando que a RFB DEINF realizou análise conclusiva acerca da existência do seu direito creditório, após confrontar créditos e débitos no âmbito do sistema SAPO (folhas 1 652 a 1 759 do EDossiê 10080.000984/091320), vindo constatar a extinção total do valor que havia sido mantido em cobrança contra o si. Ato contínuo, diante das informações prestadas pelo RECORRENTE, esta Turma de Julgamento propôs a conversão do julgamento em diligência (fls. 743/746) para que a autoridade preparadora: i) verificasse a liquidez e certeza do crédito alegado em face da documentação acostada aos autos pelo Contribuinte, bem como que procedesse à solicitação de outros documentos que entendesse necessários; ii) verificasse junto à DIORT a existência de despacho certificando a existência do alegado crédito do RECORRENTE; iii) verificasse se os créditos não eram objeto de processo judicial; iv) promovesse relatório consubstanciado acerca da existência do crédito de IRRF pago a maior. Por sua vez, o RECORRENTE apresentou Memoriais ao Recurso Voluntário (fls. 748/761), nos seguintes termos: 1. Não há que se falar em renúncia ao direito de discussão administrativa em razão da propositura de demanda judicial que discuta seu direito creditório; 2. Não foi proposta demanda judicial para reconhecer o direito de crédito deste processo administrativo; 3. O fundamento da discussão judicial é o mesmo (erro na apuração do IRRF das operações do fundo VIP 38). Porém, são diferentes: (a) os períodos de apuração do crédito; (b) os pagamentos indevidos; (c) as PERDCOMP; (d) os tributos compensados; (e) os períodos de apuração dos tributos compensados são completamente distintos, o que afasta qualquer questionamento quanto renúncia do direito de discussão administrativa; 4. O erro cometido no preenchimento da DCTF, cuja retificação espontânea pelo RECORRENTE foi vedada pela RFB por já haver despacho decisório negando compensação pretendida, não pode ser utilizado como subterfugio para negar o direito subjetivo do contribuinte em ter devolvido valores recolhidos a maior, sob pena de enriquecimento ilícito do erário; 5. Nestes casos, é dever da Administração Tributária (à luz do artigo 149, inciso V, e 150 do CTN) proceder com a revisão de oficio, conforme determina o Parecer Normativo PGFN 8/14; 6. A manifestação de inconformidade equipara se à impugnação administrativa, permitindo que o contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa, demonstre a existência do direito creditório pleiteado, por meio de todas as provas cabíveis; 7 Ao final, o RECORRENTE elencou todas as provas que já juntou aos autos que, no seu entender, demonstram a existência do seu crédito, Fl. 920DF CARF MF Processo nº 16327.902320/200657 Acórdão n.º 2201004.352 S2C2T1 Fl. 921 5 como: i) Parecer DEINF emitido pelo DIORT, reconhecendo seu direito creditório ; 8 Por força do ingresso da ação anulatória 001758615.2010.4.03.6100, ajuizada pela RECORRENTE em face da União, visando cancelar os débitos controlados nos PAs (16327.902325/200680, 16327.902311/200666 e 16327.904398/200614), a DEINF viu se compelida a analisar os argumentos e demais provas acerca do direito creditório fruto do erro na apuração do IRRF do Fundo VIP 38. Todos os cálculos do procedimento compensatório foram realizados no sistema SAPO (folhas 1.652 a 1.759 do EDossie 10080.000984/091320) Como resultado dessa análise, a DEINF, por meio do Chefe da DIORT, Auditor Fiscal Sr. Eduardo Cerqueira Leite, concluiu pela existência de praticamente todo o indébito pleiteado, com a manutenção de apenas uma pequena parte da cobrança; 9 O valor da exigência tributária mantida, segundo cálculos e critérios da própria DEINF, para todos os demais processos administrativos foi zero; 10 Após análise de todos os documentos carreados aos autos da mencionada ação anulatória, o perito judicial nomeado no processo, Sr. Aléssio Mantovani Filho, emitiu laudo atestando que o RECORRENTE pagou a maior a quantia de R$ 24.329.562,73 (em agosto/2003), apurada mediante recomposição de todo patrimônio líquido do fundo VIP 38, identificação do IRRF devido seguindo o critério de come cotas e comparação do resultado obtido com aquele erroneamente apurado inicialmente pelo RECORRENTE com base no regime de caixa; 11 . O relatório da auditoria independente informou a composição das aplicações do Fundo FIF VIP 38, bem como a evolução do patrimônio líquido e do resultado do período de 01/01/01 até 29/08/03, tendo definido o real valor devido a título de IRRF, em razão da alteração na sistemática de tributação feita pelo RECORRENTE, e concluiu reportando um indébito R$ 24.533.958,00 (em agosto/2003);; 12 . Os valores identificados pelo perito técnico judicial e pela empresa de auditoria independente foram suficientes para confortar e extinguir as compensações realizadas pelo RECORRENTE; 13 Ao final, requereu provimento ao recurso voluntário, com o reconhecimento do seu direito creditório e extinção das compensações realizadas, bem como dos débitos cobrados, além da baixa dos autos para realização de diligência, caso necessário. A pedido da PFN, requerido nos autos da ação anulatória 0017586 15.2010.4.03.6100 em razão do questionamento judicial levado a efeito pelo RECORRENTE, a DEINF/SPO foi instada a se manifestar acerca da validade da inscrição das dívidas reclamadas. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 16327.902320/200657 Acórdão n.º 2201004.352 S2C2T1 Fl. 922 6 Em 23/06/2016, através do Termo de Intimação nº 124 (fls. 895), a DIORT DEINF requereu a apresentação de novos documentos para o RECORRENTE, sob a alegação de que os documentos até então apresentados eram insuficientes à produção de um relatório de auditoria fiscal que se prestasse ao reconhecimento da liquidez e certeza do crédito tributário que o mesmo almejava. O agente preparador vinculado à DIORTDEINF apresentou o Despacho Decisório de fls. 884/894, elaborado a partir de minuciosa análise dos pedidos de restituição e declarações de compensação do RECORRENTE, em que foram contemplados todos os processos ligados ao fato em análise. A conclusão do aludido despacho considerou que o procedimento adotado pelo contribuinte se encontrava de acordo com a legislação de regência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e após elaboração dos cálculos usuais, decidiu por reconhecer a liquidez e certeza do crédito tributário relativo a diversas DCOMP, dentre as quais encontrase a Declaração objeto do presente processo. Em razão disso, com fundamento no despacho mencionado, no corpo do relatório acima mencionado, a DIORT/DEINF/SPO respondeu aos quesitos formulados por esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do E. CARF, tendo: i) confirmado que a DIORT reconheceu a certeza e liquidez do crédito tributário reclamado pelo RECORRENTE e, assim, homologou a DCOMP nº 23399.87580.270803.1.3.046156, controlada no presente processo, mas que, por falha da DIORT, esta deixou de implementar, na prática, os efeitos da decisão; ii) respondido o quesito 2 formulado por esta C. Turma, informando a existência de Despacho Decisório de Reconhecimento do Direito Creditório e homologação das compensações controladas no presente processo; iii) constatado que o crédito controlado no presente processo não é objeto de discussão judicial; e iv) proposto que a DIORT/DEINF/SPO procedesse à execução das compensações conforme constatações do Despacho Decisório proferido nos autos, proposta que foi aprovada e determinada no bojo do mesmo documento, sendo requerida, na sequência, ciência do seu teor ao RECORRENTE para, após decorrido o prazo com ou sem manifestação deste, os autos serem encaminhados a esta C. Turma, conforme fls. 896/905. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Pela análise dos documentos produzidos ao longo deste procedimento e encartados aos autos, entendo os mesmos terem cumprido sua função de esclarecimento dos fatos e formação da convicção deste julgador (Dec. nº 70.235/72, art. 29), proporcionando aos autos condição de julgamento. Assim, passo a fazêlo. No curso do presente processo, ocorreram diligências para que o RECORRENTE apresentasse documentos relacionados ao deslinde dos fatos, bem como Fl. 922DF CARF MF Processo nº 16327.902320/200657 Acórdão n.º 2201004.352 S2C2T1 Fl. 923 7 sobrevieram trabalhos fiscais, todos de extrema importância e relevância para o esclarecimento dos fatos e contribuição para o deslinde do caso. Merece destaque o Despacho Decisório de fls. 884/894, que por sua leitura se percebe ter sido confeccionado a partir de minuciosa análise dos pedidos de restituição e declarações de compensação do RECORRENTE, em que foram contemplados todos os processos e documentos vinculados ao fato em análise (DARFs, manifestações fiscais e do RECORRENTE), o qual esclareceu e concluiu o quanto ocorrido neste processo e que, por conta disso, elejo para fundamentar as razões do voto. Vejamos. Decorre da análise do Despacho Decisório que o agente preparador vinculado à DIORTDEINF examinou todos os PER/DCOMPs do RECORRENTE, tendo vinculado as declarações de compensação com os respectivos pedidos de ressarcimento, identificando os tributos envolvidos, seus códigos de arrecadação, períodos de apuração, valores e vencimentos, todos resumidos no Quadro 01(fl. 884). Em seguida, foram indicadas as contas contábeis utilizadas para a composição da base de cálculo do IRRF no regime de competência no período em que se constatou diferenças de recolhimento do imposto pelo fundo de investimento (agosto/2000 a julho/2003), cujos dados foram extraídos dos balancetes mensais do RECORRENTE constantes do EDossiê nº 10080.000984/091320 e descritos nos itens A, B, C e D do Quadro 02 do despacho (fl. 886), cujos itens G e H informaram, respectivamente, a correta base de cálculo reconstituída e o valor do IRRF efetivamente devido. Ato contínuo, foram identificados os pagamentos de IRRF do período, com base nos relatórios apresentados pelo RECORRENTE e no acesso ao sistema da RFB, o qual confirmou os pagamentos reportados, dessa análise gerando o Quadro 03 (fls. 888/890). Posteriormente, foram realizadas as alocações possíveis, restando, todavia, saldos não extintos dos créditos tributários de IRRF recalculados, os quais foram, em momento seguinte, integralmente extintos, mediante alocação de outros pagamentos que haviam sido efetuados pelo RECORRENTE (estranhos ao caso), fato que embasou o despacho a declarar a extinção dos créditos tributários apurados conforme o correto regime de tributação. Em momento seguinte, o trabalho fiscal passou a checar a eventual extinção, por compensação, dos débitos informados pelo RECORRENTE nas suas declarações de compensação e pedidos de ressarcimento, os quais foram confrontados mediante processamento feito pelo sistema SAPO da RFB (folhas 1 652 a 1 759 do EDossiê nº 10080.000984/091320), com a relação de pagamentos confirmados também em sistema da RFB (reportados no Quadro 03), tendo como resultado as informações do Quadro 04 do despacho (fl. 891), que evidenciaram a extinção parcial ou total dos débitos do RECORRENTE. Após isso, o despacho trouxe o Quadro 05 (fl. 893), com o resultado da análise dos PER/DCOMP apresentados pelo RECORRENTE em face do indébito apurado no cálculo e no recolhimento indevido do IRRF em nome do Fundo de Investimento Financeiro VIP 38, cuja análise permite verificar não ter restado valor em aberto passível de cobrança com relação à PER/DCOMP nº 23399.87580.270803.1.3.046156, objeto de análise deste processo. Ao final, a conclusão do aludido despacho (que está registrada no EDossiê n° 10080.000.984/091320) considerou que o procedimento adotado pelo contribuinte se Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16327.902320/200657 Acórdão n.º 2201004.352 S2C2T1 Fl. 924 8 encontrava de acordo com a legislação de regência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e após elaboração dos cálculos usuais, decidiu por reconhecer a liquidez e certeza do crédito tributário relativo a diversas DCOMP, dentre as quais encontrase a Declaração objeto do presente processo. Neste ponto, entendo que estas conclusões advindas do Despacho Decisório de fls. 884/894 são suficientes e comprovam realmente a validade do direito creditório do RECORRENTE, capaz de legitimar seus pedidos de compensação e extinguir seu débito. Dessa forma, pelo que foi exposto, tendo as autoridades fiscais competentes constatado a liquidez e certeza do crédito tributário relativo à DCOMP objeto de análise neste expediente, e restando comprovada a extinção do débito do RECORRENTE, entendo por dar provimento ao recurso voluntário. Contudo, cumpre fazer a ressalva de que o débito objeto do presente processo já foi extinto através do EDossiê nº 10080.000984/091320, tendo em vista que houve a homologação da compensação nos autos do mencionado processo. Conforme já explanado acima, a DIORT reconheceu a certeza e liquidez do crédito e, assim, homologou a compensação pleiteada pelo contribuinte. Neste sentido, resta configurado que o pedido do contribuinte já foi acatado nos autos do EDossiê nº 10080.000984/091320. É importante fazer a ressalva acima a fim de evitar o reconhecimento do crédito em duplicidade ao contribuinte. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 924DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720043/2013-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 00 43 /2 01 3- 36 Fl. 108DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2010, anocalendário de 2009, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 36.000,00 por falta de comprovação de pagamento, gerando, assim, saldo de imposto de renda pessoa física suplementar no valor de R$19.724,54, atualizado até dezembro de 2012. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação tempestiva juntando recibos e declarações emitidas pelos profissionais para evidenciar a prestação do serviço. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes por completo para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida parcialmente a glosa das despesas médicas (no que se refere a despesa com a profissional Francisca Eugenia Diniz Pereira, no valor de R$ 4.000,00, entende a DRJ que não foi comprovada por falta de laudo, receituário, radiografias....). Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas pois as declarações e recibos comprovam a despesa. Apresenta, para tanto, provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de receituários, radiografias, laudos e principalmente a declaração emitida pelo profissional, a qual segue em anexo ao RV, com todas as informações necessárias de acordo com a lei. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13749.720043/201336 Acórdão n.º 2001000.338 S2C0T1 Fl. 3 3 Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao serviços de fonaudiologia e ortodontia, além de declaração emitida pelo profissional contendo nome completo do prestador, com CPF/CNPJ do prestador, credenciamento profissional, valor pago pelo contribuinte, endereço completo do profissional, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados, os receituários, exames, radiografias, etc. A decisão de primeira instancia sustentou que a Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Por outro lado, o artigo 73 e § 1º do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece que, verbis: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 110DF CARF MF 4 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. Verificase nos autos que a autoridade fiscal intimou a contribuinte (Termo de Intimação n. 15873/729/12) a comprovar a efetividade dos serviços prestados por meio dos seguintes documentos Laudos, Receituários, Radiografias, Exames, Descrição do Tratamento, etc. Fundamentado o lançamento na falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços, para ter direito às respectivas deduções, não basta à contribuinte apresentar simples recibos, cabendo sim, quando questionado pela autoridade administrativa, comprovar, os serviços prestados. A contribuinte juntou aos autos Atestado emitido pela profissional Claudia Maria Lima Caldeira de Souza (fls. 30/32) que comprovam os serviços médicos prestados pela profissional, logo deve ser restabelecida a dedução de despesas médicas no valor de R$ 32.000,00. Já a declaração emitida pela profissional Francisca Eugênia Diniz Pereira (fls. 42) não detalha o tratamento realizado pela profissional, logo deve ser mantida a glosa. Ademais, tratamentos ortodôntico e endodôntico são acompanhados de radiografias, logo a contribuinte deve juntar aos autos tais documentos. Pelo exposto, conforme planilha abaixo, o lançamento é alterado para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$ 32.000,00..... Ante o exposto, VOTO pela procedência em parte da impugnação, para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$ 32.000,00, e, por conseguinte, apurar imposto a pagar suplementar no valor de R$ 996,15, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação regente. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos, e as declarações emitidas pelo prestador dos serviços, assinada e datada pelos mesmos, não foram suficientes para comprovar as despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13749.720043/201336 Acórdão n.º 2001000.338 S2C0T1 Fl. 4 5 De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação do lançamento no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. CONCLUSÃO: Fl. 112DF CARF MF 6 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas glosadas em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000154/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Configuram omissão de receitas, sujeita à tributação pela sistemática do Simples, os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1402-002.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configuram omissão de receitas, sujeita à tributação pela sistemática do Simples, os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 01 54 /2 01 1- 13 Fl. 747DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 748 2 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone Relatório Fl. 748DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 749 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter as exigências perpetradas no Auto de Infração. Tratase de autuação de infração de omissão de receita, devido a constatação de depósitos bancários não escriturados e informados a fiscalização e de insuficiência de recolhimento do imposto. (anoscalendário 2007 e 2008). Não tem procedimento de exclusão do SIMPLES. Para evitar repetições aproveito o bem elaborado relatório do v. acórdão recorrido. Trata o presente processo de Autos de Infração que formalizam a exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$4.372,57 (quatro mil, trezentos e setenta e dois reais e cinqüenta e sete centavos), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP, no valor de R$3.086,86 (três mil, oitenta e seis reais e oitenta e seis centavos), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$4.372,57 (quatro mil, trezentos e setenta e dois reais e cinquenta e sete centavos), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$12.862,87 (doze mil, oitocentos e sessenta e dois reais e oitenta e sete centavos) e Contribuição para Seguridade Social – INSS, no valor de R$37.042,28 (trinta e sete mil, quarenta e dois reais e vinte e oito centavos) devidos nos períodos de apuração correspondentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, dentro do regime tributário denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora, totalizando crédito tributário, cujo valor consolidado na data dos lançamentos importa em R$133.387,76 (cento e trinta e três mil, trezentos e oitenta e sete reais e setenta e seis centavos). Conforme mencionado nos demonstrativos de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, constantes dos referidos Autos de Infração, os lançamentos do imposto e contribuições objetos do presente processo foram efetuados em virtude da constatação da ocorrência de omissão de receitas levantada com base em depósitos bancários de origem não comprovada e insuficiência de recolhimento, apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal. Consta do Termo de Verificação Fiscal lavrado pelo Auditor Fiscal responsável pelo procedimento fiscal que: I – EQUIPARAÇÃO DA PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA a) O presente trabalho inicialmente teve como objetivo a fiscalização do contribuinte pessoa física Cristiano Francisco de Freitas, CPF891.551.90197, realizada através do Mandado de Fl. 749DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 750 4 Procedimento Fiscal 0810300.2010.00357, relativamente aos anos 2007 e 2008; b) Seu início ocorreu em 25/05/2010, através da afixação do Edital Sefis n°36/2010 no saguão de entrada da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos, contendo intimação para que o contribuinte, pessoa física, acima identificado tomasse ciência do teor do Termo de Início do Procedimento Fiscal e apresentasse os extratos bancários de todas as contas correntes, de poupança e de investimentos existentes em seu nome e de eventuais dependentes nos períodos, mantidas no Brasil e no exterior, relativos aos anos calendário 2007 e 2008; c) Decorrido o prazo estipulado sem que houvesse atendimento à solicitação efetuada, foi enviada Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira ao Banco Bradesco S/A, visando à obtenção de informações necessárias ao desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização; d) As informações dos extratos bancários são indispensáveis à realização dos trabalhos de fiscalização dos anos 2007 e 2008, e a conduta omissiva do contribuinte pessoa física justificou a requisição desses à instituição bancária, nos termos do inciso VII do artigo 3º do Decreto 3.724/2001, c/c inciso I do artigo 33 da Lei 9.430/96; e) Após a obtenção dos dados bancários, foi afixado o Edital Sefis n°80/2010, contendo intimação para que o contribuinte, pessoa física, tomasse ciência do teor do Termo de Entrega de Documentos e do Termo de Intimação Fiscal lavrados em 27/08/2010, com o objetivo de entregarlhe uma via do documento Demonstrativo de Valores Extratos Bancários (contendo informações fornecidas pelo Banco Bradesco S/A), e intimação para que comprovasse a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes bancárias; f) Em 31/08/2010 compareceu à DRF o procurador do contribuinte, pessoa física, momento em que houve a entrega dos mencionados documentos. Como justificativa das operações e movimentações em conta corrente, o contribuinte, pessoa física, comprovou o crédito efetuado em 16/04/08 na c/c 980609 do Banco Bradesco, no valor de R$90.669,98, como decorrente de sinistro e apresentou boletos bancários de cobrança emitidos, acondicionados em quatro caixas destinadas ao transporte de papel reprográfico, com o esclarecimento de que se tratam de comprovantes de recebimentos de transações comerciais efetuadas pelo próprio; g) Com tal esclarecimento, fica demonstrada a ocorrência da exploração em nome individual, de forma habitual e profissional, de atividade econômica de natureza comercial com o fim especulativo de lucro, mediante venda de bens a terceiros, e evidenciada a previsão contida no inciso II do parágrafo 1º do artigo 150 do Regulamento do Imposto de Renda (aprovado pelo Decreto 3.000/99), para equiparação da pessoa física a pessoa jurídica; Fl. 750DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 751 5 h) Tendo em vista que o contribuinte pessoa física Cristiano Francisco de Freitas, CPF891.551.90197, consta no cadastro deste Órgão e também na JUCESP como responsável/titular da empresa CRISTIANO FRANCISCO DE FREITAS HORTIFRUTIGRANJEIROS EPP, CNPJ05.864.290/ 000135, a tributação dos valores apurados decorrentes do presente trabalho é efetuado através desta empresa, em razão da equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, razão pela qual foi expedido o Mandado de Procedimento Fiscal 0810600201000789 para execução de procedimento fiscal na empresa mencionada, relativamente aos anos 2007 e 2008, cujo Termo de Início do Procedimento Fiscal foi lavrado em 21/10/2010; i) Na mesma data foi efetuada ciência ao contribuinte pessoa física Cristiano Francisco de Freitas, CPF891.551.90197, do Termo de Constatação dos fatos apurados até então, bem como do Termo de Encerramento de Fiscalização referente à pessoa física; II – DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RECEITA DECLARADA j) Já verificada a existência de receitas não oferecidas à tributação, como exposto acima, a empresa foi intimada a apresentar sua escrituração contábil e fiscal referente aos anos 2007 e 2008, com a orientação de que a escrituração deveria conter as operações desenvolvidas pela pessoa física, que originaram a movimentação financeira verificada nas contas bancárias; k) Quando do atendimento, verificouse que os arquivos digitais encaminhados através de dois compact disc, foram acompanhados de um único Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, cujo código de autenticação não corresponde às mídias encaminhadas. Nos livros Registro de Entradas, Registro de Saídas e Registro de Apuração de ICMS apresentados os valores incluídos não correspondem à movimentação bancária verificada nas contas pertencentes à pessoa física. Também nas declarações do Imposto de Renda apresentadas não foram inseridos valores condizentes com a movimentação bancária mencionada; l) Os rendimentos declarados pelo contribuinte pessoa física nos anos 2007 e 2008 através de Declaração de Ajuste Anual Simplificada resumemse a: anocalendário 2007, R$38.100,00 recebidos de pessoas físicas/exterior e R$5.790,00, oriundos da empresa ora fiscalizada; e anocalendário 2008, R$18.000,00, oriundos da mencionada empresa; m) Em razão de a pessoa física Cristiano Francisco de Freitas, único titular da empresa ora fiscalizada, já haver sido intimado a comprovar a origem dos créditos verificados nas contas bancárias, tornase desnecessária nova intimação nesse sentido; Fl. 751DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 752 6 n) Através do Termo de Constatação a empresa foi cientificada dos fatos acima elencados, sendolhe concedido prazo para manifestação que decorreu sem pronunciamento; o) A empresa fiscalizada informou receitas brutas relativas aos meses de janeiro e fevereiro/2007 nos valores respectivos de R$83.986,00 e R$148.039,30, através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, com apuração do valor devido do tributo nos montantes respectivos de R$4.535,24 e R$7.994,12, efetivamente recolhidos. No entanto, os créditos bancários relativos aos meses de janeiro e fevereiro/2007, que não tiveram suas origens comprovadas, totalizam respectivamente R$385.278,03 e R$402.840,73; p) Os valores informados através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, não podem ser considerados como contidos nos valores apurados através da movimentação bancária e caracterizados como omitidos, tendo em vista que a fiscalizada não comprovou a origem dos recursos creditados em suas contas corrente; q) Em razão de todo o acima exposto, constatase que a empresa não apresentou elementos capazes de comprovar a origem e justificar os créditos verificados em suas contas bancárias, incompatíveis com as receitas referentes aos meses de janeiro e fevereiro/2007 declaradas/informadas a este Órgão através da DIPJ/PJ Simplificada apresentada, caracterizando dessa forma omissão para fins de exigência do crédito tributário devido, em virtude da disponibilidade de recursos não declarados (Cita jurisprudência de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento no sentido de que não comprovada a origem de depósitos bancários, por documentos hábeis, com coincidência de datas e valores, há presunção legal de ocorrência de omissão de receitas relativas a estes depósitos); FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA EFETUADA r) Constituição Federal, art. 145, caput, inciso I, § 1º; Regulamento do Imposto de Renda, art. 849, caput, § 1º, incisos I, II, § 2º, inciso I (transcritos); III – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO s) Em razão da omissão de receitas nos valores de R$385.278,03 e R$402.840,73, verificada conforme relatado no item II acima, resulta insuficiência dos recolhimentos efetuados do tributo referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, em função da apuração de um maior valor como receita bruta, que implica na aplicação dos porcentuais de 6,2% e 8,2%, respectivamente, sobre a base de cálculo, enquanto a empresa aplicou o porcentual de 5,4% para ambos os períodos; t) para a formalização dos lançamentos foram utilizadas as informações extraídas da DIPJ/PJ – Simplificada apresentada e aquelas obtidas perante instituição financeira; Fl. 752DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 753 7 Regularmente cientificada dos Autos de Infração, a contribuinte, por seu procurador devidamente constituído (Instrumento de Mandato às fls. 624/626) protocola impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. PRELIMINARES Afirma que a impugnação limitase a proclamar a prevalência dos dispositivos do Código Tributário Nacional – CTN sobre quaisquer outras disposições de lei ordinária, sendo que a questão central a ser enfrentada diz respeito à possibilidade de exigência fiscal atinente à omissão de receita com base em extratos bancários indicadores de movimentação financeira em conta corrente do autor, bem como a utilização destes para base de cálculo dos demais tributos cobrados no presente processo. Salienta que o procedimento administrativo baseouse na não contabilização de depósitos bancários junto a instituições financeiras diversas em que, por força de Decreto autorizador, foi o contribuinte intimado a manifestarse,Decreto este inconstitucional nos termos das atuais decisões do Supremo Tribunal Federal. Portanto, os valores apurados nos extratos não servem de base de cálculo para apuração dos tributos discriminados no Auto de Infração, sendo este em sua totalidade improcedente. Argui que, à primeira vista, poderseia entender que se a lei ordinária definisse que presunção seria fato gerador de qualquer tributo, tal situação seria necessária e suficiente para se permitir a hipótese de imposição ao sujeito passivo da relação tributária. Mas só à primeira vista. Em verdade, o art. 114 do CTN apenas pode ser interpretado coerentemente se aquela hipótese configurada nas regras matrizes correspondentes ao tributo regulado, a nível constitucional e complementar, assim como a referida hipótese tiver nascido à luz de metodologia e de técnica inspiradoras de todo o sistema tributário nacional. Argumenta que o Egrégio Tribunal Federal de Recursos havia sumulado entendimento no sentido de ser indevida a exigência fiscal com base em mero lançamento bancário (transcreve a Súmula 182). E, como se percebe, do procedimento administrativo anexo, a autuação foi baseada somente em movimentação bancária, o que torna ilegítima a exigência fiscal. Traz à baila o que reza o artigo 9º do Decretolei nº 2.471, de 2 de setembro de 1988 (transcrito), com o qual entende que o legislador pretendeu afastar da tributação os valores representados em extratos ou em comprovantes de depósitos bancários que não permitem aferir a verdadeira receita, capaz de ensejar tributação. Conclui que não deve prosperar a pretensão do fisco em cobrar a exação tendo por base somente valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários, pois estes não constituem por si só fato gerador de imposto de renda. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 754 8 Aduz ser preciso que as inovações trazidas pela autuação fiscal guerreada sejam analisadas dentro de uma ordem jurídica global, pelo uso da interpretação sistemática e teleológica, o que implica o exame do alcance e conteúdo do imposto sobre a renda, da finalidade tributária e do mecanismo de solução de conflitos de normas, à luz dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (passa ao referido exame sob o título de PERFIL LEGAL E CONSTITUCIONAL DO IMPOSTO DE RENDA, em que discorre sobre o fato gerador do Imposto de Renda, art. 43 do CTN, trazendo vasta doutrina). Em seguida, entende estar demonstrada a inexistência de fatos geradores do Imposto de Renda na operação descrita no Auto de Infração, visto que não houve acréscimo a seu patrimônio, nenhum benefício, nenhuma adição, nenhuma aquisição de disponibilidade, nem econômica, nem jurídica, quiçá dos demais tributos lançados. Sustenta que a Receita não prova em nenhum momento que o dinheiro em conta do autor era oriundo de pagamento de outras fontes pagadoras. Ao contrário, a única prova real são os extratos de depósito bancário, que odiosamente embasaram a autuação. Não há que se falar em tributar aquilo que renda não é, ou quiçá servir de base de cálculo aos demais tributos elencados no Auto de Infração. Em face destes elementos, é inteiramente insubsistente o auto de infração lavrado. A DIVISÃO DAS NORMAS EM PRINCÍPIOS E REGRAS Tece extenso comentário acerca de princípios e regras. OS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Discorre sobre os princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade. CONCLUSÕES Argumenta que decisões do STF apontam claramente a lei complementar como único veículo legislativo para instituir requisitos para o gozo da tributação do Imposto sobre a Renda, bem como a inconstitucionalidade dos meios utilizados pelo Fisco para obtenção de extratos de movimentação financeira (extratos de depósitos bancários). À vista de todo o exposto, requer seja acolhida a impugnação, cancelandose o auto de Infração reclamado. Ato contínuo, a DRJ proferiu v. acórdão mantendo integralmente o Auto de Infração, registrando a seguinte ementa: Fl. 754DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 755 9 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configuram omissão de receitas, sujeita à tributação pela sistemática do Simples, os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 756 10 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual devem ser admitidos. Em relação a quebra de sigilo bancário sem autorização do judiciário e a argüição de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105 e da Lei nº 10.174, ambas de 2001, o Pretório Excelso, decidiu da seguinte forma, conforme pode se verificar da ementa abaixo colacionada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que Fl. 756DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 757 11 evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) No mesmo sentido: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20 112009 EMENT VOL0238307 PP01422 ) Desta forma, entendo que tal alegação relativa a quebra de sigilo bancário deve ser afastada. Passo a analisar a matéria principal. Inicialmente entendo ser importante ressaltar que apesar de a fiscalização ter iniciado os trabalhos de auditoria na pessoa física, Sr. Christiano Francisco de Freitas, e ter solicitado explicações referente a movimentação bancária encontrada na conta da pessoa física (inclusive tanto para a pessoa física, como para a pessoa jurídica, as contas objetos neste processo são as mesmas), a presente autuação exige crédito tributário da empresa individual cujo o Sr. Christiano é o proprietário, a "CRISTIANO FRANCISCO DE FREITAS HORTIFRUTIGRANJEIROS EPP. No intuito de facilitar o entendimento dos fatos ocorridos, vejamos a parte do TVF que nos interessa: Fl. 757DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 758 12 I EQUIPARAÇÃO DA PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA O presente trabalho inicialmente teve como objetivo a fiscalização do contribuinte pessoa física Cristiano Francisco de Freitas, CPF891.551.90197, realizado através do Mandado de Procedimento Fiscal 0810600.2010.00357, relativamente aos anos 2007 e 2008. Seu início ocorreu em 25/05/2010, através da afixação do Edital Sefis n°36/2010 no saguão de entrada da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos, contendo intimação para que o contribuinte pessoa física acima identificado tomasse ciência do teor do "Termo de Início do Procedimento Fiscal" e apresentasse os documentos e informações ali especificados relativos aos anoscalendário 2007 e 2008 (fls.07/08) Decorrido o prazo estipulado sem que houvesse atendimento à solicitação efetuada, foi enviada "Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira" ao Banco Bradesco S/A (fls. 11/12) visando a obtenção de informações necessárias ao desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização. As informações dos extratos bancários são indispensáveis à realização dos trabalhos de fiscalização dos anos 2007 e 2008, e a conduta omissiva do contribuinte pessoa física justificou a requisição desses à instituição bancária, nos termos do inciso VII do artigo 3o do Decreto 3.724/2001, c/c inciso I do artigo 33 da Lei 9.430/96. Após a obtenção dos dados acima (fls. 16/47), foi afixado o Edital Sefis n°80/2010, contendo intimação para que o contribuinte pessoa física tomasse ciência do teor do "Termo de Entrega de Documentos" e do "Termo de Intimação Fiscal" lavrados em 27/08/2010 (fls.48/115) , com o objetivo de entregar lhe uma via do documento "Demonstrativo de Valores Extratos Bancários" (contendo informações fornecidas pelo Banco Bradesco S/A), e intimação para que comprovasse a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrente bancárias. Em 31/08/2010 compareceu à DRF o procurador do contribuinte pessoa física, momento em que houve a entrega dos mencionados documentos. Como justificativa das operações e movimentações em conta corrente, o contribuinte pessoa física comprovou o crédito efetuado em 16/04/08 na c/c 980609 do Banco Bradesco, no valor de R$90.669,98, como decorrente de sinistro (fls.133), e apresentou boletos bancários de cobrança emitidos, acondicionados em quatro caixas destinadas ao transporte de papel reprográfico, com o esclarecimento de que se tratam de comprovantes de recebimentos de transações comerciais efetuadas pelo próprio. Em razão do grande volume de Fl. 758DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 759 13 documentos, uma amostra aleatória encontrase às fls.414/438 "através de cópia. Com tal esclarecimento fica demonstrada a ocorrência da exploração em nome individual, de forma habitual e profissional, de atividade econômica de natureza comercial com o fim especulativo de lucro, mediante venda de bens a terceiros, e evidenciada a previsão contida no inciso II do parágrafo 1 o do artigo 150 do Regulamento do Imposto de Renda (aprovado pelo Decreto 3.000/99), para equiparação da pessoa física a pessoa jurídica. Tendo em vista que o contribuinte pessoa física Cristiano Francisco de Freitas, CPF891.551.90197, consta no cadastro deste Órgão (fls.361) e também na JUCESP (fls.264), como responsável/titular da empresa "CRISTIANO FRANCISCO DE FREITAS HORTIFRUTIGRANJEIROS EPP", CNPJ 05.864.290/000135, a tributação dos valores apurados decorrentes do presente trabalho é efetuado através desta empresa, em razão da equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, razão pela qual foi expedido o Mandado de Procedimento Fiscal 0810600201000789 para execução de procedimento fiscal na empresa CRISTIANO FRANCISCO DE FREITASHORTIFRUTIGRANJEIROS EPP, CNPJ 05.864.290/000135, relativamente aos anos 2007 e 2008, cujo "Termo de Início do Procedimento Fiscal" (fls. 269/279) foi lavrado em 21/10/2010. Na mesma data foi efetuada ciência ao contribuinte pessoa física Cristiano Francisco de Freitas, CPF891.551.90197, do "Termo de Constatação" dos fatos apurados até então (fls. 265/266) bem como do "Termo de Encerramento de Fiscalização" (fls.268) referente à pessoa física. [...] Da leitura do trecho do TVF acima, se pode extrair que a presente autuação não foi feita em nome da pessoa física do Sr. Christiano, mas em nome da empresa por ter entendido a fiscalização que os valores encontrados na conta bancária da pessoa física/jurídica eram na verdade referentes a operações praticadas pela empresa e, por tal motivo, decidiu equiparar a pessoa física com a pessoa jurídica nos termo do inciso II, do parágrafo primeiro do artigo 150 do RIR/99, lavrando Auto de Infração contra a empresa Cristiano Francisco de Freitas Hortifrutigranjeiros. (importante ressaltar que a conta bancária estava em nome da pessoa física, mas também era utilizada pela pessoa jurídica). Em seguida a fiscalização decidiu intimar a empresa autuada para apresentar sua escrituração contábil e fiscal referente ao anocalendário de 2007 e 2008, com a orientação de que a escrituração deveria conter as operações desenvolvidas pela pessoa física que originaram a movimentação financeira verificada nas constas bancárias. Quando atendido a fiscalização verificou que: Fl. 759DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 760 14 os arquivos digitais encaminhados através de dois compact clise, foram acompanhados de um único "Recibo de Entrega de Arquivos Digitais" (fls. 275, 317, 318) , cujo código de autenticação não corresponde às mídias encaminhadas; nos livros "Registro de Entradas", "Registro de Saídas" e "Registro de Apuração de ICMS" apresentados (fls.291/316) , os valores incluídos não correspondem à movimentação bancária verificada nas contas pertencentes à pessoa física ; também nas declarações do Imposto de Renda apresentadas (fl. 276/290) não foram inseridos valores condizentes com a movimentação bancária mencionada. Os rendimentos declarados pelo contribuinte pessoa física nos anos 2007 e 2008 através de Declaração de Ajuste Anual Simplificada resumemse a: anocalendário 2007: R$38.100,00 recebidos de pessoas físicas/exterior e R$5.790,00 oriundos da empresa ora fiscalizada; anocalendário 2008: R$18.000,00 oriundos da mencionada empresa. [...] A empresa fiscalizada informou receitas brutas relativas aos meses de janeiro e fevereiro/2007 nos valores respectivos de R$83.986,00 e R$148.039,30 através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES (fls.) com apuração do valor devido do tributo nos montantes respectivos de R$4.535,24 e R$7.994,12, efetivamente recolhidos. No entanto, os créditos bancários relativos aos meses de janeiro e fevereiro/2007, que não tiveram suas origens comprovadas, totalizam respectivamente R$385.278,03 e R$402.840,73. Os valores informados através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, não podem ser considerados como contidos nos valores apurados através da movimentação bancária e caracterizados como omitidos, tendo em vista que a fiscalizada não comprovou a origem dos recursos creditados em suas contas corrente. Em razão de todo o acima exposto, constatase que a empresa não apresentou elementos capazes de comprovar a origem e justificar os créditos verificados em suas contas bancárias, incompatíveis com as receitas referentes aos meses de janeiro e fevereiro/2007 declaradas/informadas a este Órgão através da DIPJ/PJ Simplificada apresentada, caracterizando dessa forma omissão para fins de exigência do crédito tributário devido, em virtude da disponibilidade de recursos não declarados. Conforme dito no TVF (fl.340 do item Termo de Constatação) os valores indicados nos documentos ("Registro de Entradas", "Registro de Saídas" e "Registro de Fl. 760DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 761 15 Apuração de ICMS") pertencentes da empresa individual (fls.291/316) não correspondem a movimentação financeira verificada nas contas pertencentes a pessoa física/jurídica. Também nas declarações do Imposto de Renda da pessoa jurídica apresentadas não foram inseridos valores condizentes com a movimentação bancária mencionada. Os rendimentos declarados pelo contribuinte pessoa física nos anos 2007 e 2008 através de Declaração de Ajuste Anual Simplificada resumemse a: anocalendário 2007: R$38.100,00 recebidos de pessoas físicas/exterior e R$5.790,00 oriundos da empresa ora fiscalizada; anocalendário 2008: R$18.000,00 oriundos da mencionada empresa. A empresa informou receitas brutas relativas aos meses de janeiro e fevereiro/2007 nos valores respectivos de R$83.986,00 e R$148.039,30 através da Declaração do SIMPLES, com apuração do valor devido do tributo nos montantes respectivos de R$4.535,24 e R$7.994,12, efetivamente recolhidos. No entanto, os créditos bancários relativos aos meses de janeiro e fevereiro/2007, que não tiveram suas origens comprovadas, totalizam respectivamente R$385.278,03 e R$402.840,73. Sendo assim, entendo que a infração de omissão de receita constatado por meio de depósitos bancários restou devidamente comprovada, devendo ser mantido o Auto de Infração. Em relação a alegação de cerceamento do direito de defesa, entendo que também não deve ser acolhida. A acusação está bem instruída com os documentos necessários para demonstrar a infração a legislação tributária de omissão de receita nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96 (287 do RIR/99), sendo que neste caso, a Recorrente é quem tem o ônus de provar que tal diferença não se refere a receita tributável, inexistindo assim cerceamento ao direito de defesa. Em relação as alegações de inconstitucionalidade da legislação referente ao a presunção de omissão de receita, insta esclarecer que nos termos da Súmula 2, este E. Tribunal não tem competência para analisar ou afastar aplicação de lei por entendêla inconstitucional. A Recorrente aduz que o Imposto de Renda tem perfil constitucional explicitado por lei complementar (CTN), em seu art. 43, sendo a expressão “acréscimo patrimonial” ali contida, elemento essencial para que haja fato gerador do tributo, e que não houve por parte do autuado qualquer aquisição de disponibilidade econômica (aumento patrimonial), nem jurídica, pois os depósitos junto aos bancos geraram disponibilidade financeira, mas não econômica, não havendo por que se falar em tributar aquilo que não é renda e que por isso não haveria fato ensejador para caracterizar a hipótese de incidência do Imposto de Renda, muito menos seria fato gerador dos demais tributos lançados. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 762 16 Assinalese que a base de cálculo do Simples não é o acréscimo patrimonial, o resultado ou o lucro, ainda que este seja diminuto em comparação com a receita bruta, mas sim esta última, que no caso da autuada foi constatada por meio dos créditos bancários cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada. Observese que os conceitos de renda, acréscimo patrimonial ou lucro não interessam aos optantes do Simples, quer exista ou não lançamento de ofício, pois a base de cálculo dos tributos devidos em conformidade com este sistema simplificado de tributação é a receita bruta, conforme previsto no art. 5º da Lei nº 9.317/1996. O contribuinte é optante do Simples que é um sistema que se constitui em uma forma simplificada e unificada de recolhimentos de tributos, por meio da aplicação e percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta, que é considerado nos termos do artigo 186 do RIR/99 como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Ressalvadas essas exclusões, é vedado, para fins da determinação da receita bruta apurada mensalmente procederse a qualquer outra exclusão ou individualização em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado, tais como, substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo e isenção, aplicáveis as demais pessoas jurídicas não optantes ao Simples (Lei no 9.317 de 1996, art. 2°, § 2° e IN SRF n° 250/2002, art. 40, §1°, e art. 1'). Portanto, a base de cálculo para optantes do Simples é a totalidade das receitas auferidas pela empresa, não admitindo a exclusão dos valores relativos a gastos efetivados ou depósitos cuja a origem não foi identificada, bem como a individualização das bases tributáveis por imposto ou contribuição. Dando continuidade ao raciocínio, a autuação trata de omissões de receita de microempresas e empresa de pequeno porte, onde existe o artigo 18 da Lei 9.317/1996 que determina que aplicamse as presunções de omissão de receita existentes nas legislações específicas de regência dos impostos e contribuições. Vejamos o texto do dispositivo: “Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. " Sendo assim, foi correta a aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96 quando caracterizado a omissão de receita com base em depósitos bancários não escriturados e sem a comprovação de sua origem. Aos contribuintes cabe demonstrar com documentos idôneos e hábeis o registro e a origem do depósitos não escriturados, quando questionados pela fiscalização, sob pena de serem considerados receita tributável. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 763 17 Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, a que o contribuinte recebeu depósitos, não os escriturou e eximiuse de comprovar depósito por depósito mediante documentação hábil e idônea a sua origem, correta está a autuação. Continuando o raciocínio, entendo importante ressaltar que os depósitos bancários que foram utilizados como instrumento para encontrar os rendimentos presumidamente omitidos nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96 (objeto da infração 1), também serviram como base de cálculo para a infração 2 do Auto de Infração de insuficiência do valor recolhido, apurada de acordo com a recomposição da receita bruta mensal auferida no período e os percentuais progressivos fixados em relação a receita bruta acumulada, nos termos do artigo 188 do RIR/991. Ao enquadrar os depósitos bancários não escriturados como acréscimo à receita bruta declarada pela Recorrente; logo como aumento da base de cálculo; verificouse também um novo enquadramento da alíquota do SIMPLES, ou seja, os valores originalmente recolhidos foram insuficientes, ensejando também a cobrança complementar devido a insuficiência de recolhimentos, conforme demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos, que faz parte do presente processo de débito. Desta forma, não verifico que as duas infrações constantes no Auto de Infração estão imputando a Recorrente dupla tributação, eis que na primeira foi recomposta a receita bruta mensal com base nos depósitos bancários não escriturados e, na segunda, foram aplicados os percentuais progressivos fixados na legislação que prevê exceção para as microempresas e empresas de pequeno porte inscritas no Simples, em relação a receita bruta acumulada. Sendo assim, entendo que ambas infrações indicadas no Auto de Infração estão corretas, devendo ser mantida a acusação fiscal em seus termos. De resto, para complementar a fundamentação do meu voto, colaciono parte do texto do v. acórdão recorrido para complementar meu voto. Em análise, os lançamentos relativos aos períodos de apuração correspondentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, efetuados dentro da sistemática do Simples, em virtude de ter a fiscalização apurado omissão de receitas com base em depósitos bancários, cuja origem, a contribuinte não logrou comprovar, e insuficiência de recolhimento em face da alteração da faixa de receita bruta acumulada, determinante para a escolha dos percentuais aplicáveis para o cálculo do valor a ser recolhido em cada um dos citados períodos de apuração. 1 Este artigo 188 do RIR/99 preve exceção de como será determinada a receita bruta para as microempresas e empresas de pequeno porte inscritas no SIMPLES, conforme pode se verificar em seu texto abaixo colacionado. "art. 188. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais e nas condições estabelecidas no art. 5, e seus parágrfos, da Lei 9.317/96, observado, quando for o caso, o disposo nos arts. 204 e 205." Fl. 763DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 764 18 A impugnante centra a sua inconformidade no fato de a receita omitida ter sido apurada com base em depósitos bancários. Alega que o Decreto autorizador é inconstitucional, nos termos das atuais decisões do STF. Cita a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos e o art. 9º do Decreto nº 2.471, de 1988, com o objetivo de demonstrar que o legislador pretendeu afastar da tributação valores representados por extratos ou comprovantes bancários, que não permitem aferir a verdadeira receita capaz de ensejar tributação. Aduz que o Imposto de Renda tem perfil constitucional explicitado por lei complementar (CTN), em seu art. 43, sendo a expressão “acréscimo patrimonial” ali contida, elemento essencial para que haja fato gerador do tributo, e que não houve por parte do impugnante qualquer aquisição de disponibilidade econômica (aumento patrimonial), nem jurídica, pois os depósitos junto aos bancos geraram disponibilidade financeira, mas não econômica, não havendo por que se falar em tributar aquilo que renda não é. Não haveria fato ensejador a caracterizar a hipótese de incidência do Imposto de Renda, muito menos seria fato gerador dos demais tributos lançados. Aventou, ainda, a inconstitucionalidade dos meios utilizados pelo Fisco para obtenção de extratos de movimentação financeira (extratos de depósitos bancários). Inicialmente, quanto à aventada inconstitucionalidade dos meios utilizados pelo Fisco para obtenção de extratos de movimentação financeira, informo que esse não é o foro competente à discussão. À administração pública cabe seguir as normas vigentes enquanto não afastadas pelo Judiciário, conforme presunção de constitucionalidade da norma legal, devendo o julgador administrativo limitar seu pronunciamento à legalidade dos atos administrativos trazidos à sua apreciação, o que se observa no caso concreto, uma vez que a autoridade tributária agiu conforme lei e decreto vigentes – Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, art. 6º, e Decreto nº 3.724, de 2001, art. 3º, inciso VII – de cuja obediência não pode se afastar sob pena de responsabilidade funcional. A análise de inconstitucionalidade legal é prerrogativa do Poder Judiciário, constitucionalmente atribuída, sendo a matéria insuscetível de decisão no julgamento do processo administrativo fiscal. Também, não procede a manifesta inconformidade da impugnante com o fato da a autoridade fiscal ter caracterizado como omissão de receitas, os valores creditados em suas contas correntes, cuja origem não foi comprovada, e nem foram contabilizados e computados na base de cálculo do imposto e contribuições a que estavam sujeitos, dentro da sistemática do Simples. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 765 19 A apuração da receita omitida a partir da qual foi efetuado o lançamento foi efetuada com base no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: [...] O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, como se vê, determina que ocorrida a situação fática (créditos em conta de depósito ou de investimento não contabilizados sem que o contribuinte, regularmente intimado, comprove a origem dos recursos utilizados), presumese, até prova em contrário (esta a cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita) A presunção legal tributária relativa é instituto cuja propriedade é a de inverter o ônus da prova contra o sujeito passivo, autorizando o fisco a presumir a ocorrência do fato gerador pela verificação da situação tipificada em lei. Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como de fato foi feito, pois está devidamente evidenciado nos autos que o impugnante não apresentou a requerida comprovação, por intermédio de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, até o encerramento do procedimento fiscal, ou mesmo na fase impugnatória. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a consequente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas. Assim, toda a tese desenvolvida pela defesa, acerca da inconstitucionalidade da utilização de depósitos bancários sem comprovação da origem, para fundamentar lançamento tributário decorrente de presumida omissão de receita, fica prejudicada, considerando que a presunção se acha prevista em lei. Na realidade, estando perfeitamente demonstrada nos autos a situação fática descrita no art. 42 como caraterizadora de presunção legal de omissão de receita sujeita à tributação, depreendese que os argumentos da impugnante, no sentido de que não teria ocorrido o fato gerador do Imposto de Renda, definido no art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN, tampouco dos demais tributos lançados, conduzem, na verdade, à análise para a aferição da inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. E, neste ponto, importa reiterar que a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da constitucionalidade ou da legalidade da legislação, cujo controle é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Portanto, discussões que versem sobre a constitucionalidade das leis exorbitam da competência das autoridades administrativas. Por sua vez, a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, que institui o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Fl. 765DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 766 20 Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte – SIMPLES, em seu art. 5º, caput, dispõe que: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) (Grifei) Seguindo as determinações legais contidas no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o Auditor fiscal responsável pela fiscalização apurou a receita omitida pela pessoa jurídica e, aplicando sobre esta os percentuais previstos no art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996, determinou os valores devidos nos períodos fiscalizados, dentro da sistemática do Simples. Portanto, não se vislumbra qualquer irregularidade no ato administrativo adotado, conforme alegado, mas sim um procedimento legal que objetivou viabilizar a fiscalização, estando devidamente amparado pela legislação em vigor. Quanto ao entendimento expressado na Súmula 182, do antigo TFR, é de se esclarecer que foi editada em outro contexto institucional e jurídico do País, não subsistindo à edição da Lei nº 9.430, de 1996, por esta ter autorizado, expressamente, a caracterização como renda omitida pelo contribuinte, na hipótese de não restar comprovada a origem dos depósitos efetuados em instituição financeira, conforme dispõe o seu artigo 42. Igual conclusão aplicase ao comando contido no inciso VII do artigo 9º do Decretolei nº 2.471, de 1988, cujos efeitos jurídicos alcançaram apenas os lançamentos tratando da matéria, já formalizados quando da sua publicação, somente aplicável quando a exigência do tributo está baseada unicamente em extratos ou comprovantes de depósitos bancários, sem a regular intimação ao contribuinte instandoo a comprovar a origem dos depósitos apurados pela fiscalização em conta corrente de sua titularidade, portanto, é aplicável a lançamentos efetuados em situações diversas daquela prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Como os lançamentos contestados foram feitos em harmonia com o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, constando nos autos intimação exigindo, sem sucesso, a devida comprovação da origem dos depósitos bancários relacionados pelo Fisco, depreendese que o pedido de arquivamento do processo com amparo no art. 9º, inciso. VII, do Decreto Lei nº 2.471, de 1988, é totalmente descabido, pois implicaria negar validade ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, plenamente em vigor no nosso ordenamento jurídico. Também, convém registrar que a doutrina e a jurisprudência citadas ou transcritas pela Impugnante em sua defesa servem Fl. 766DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 767 21 apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Portanto, não cabe ao agente do Fisco deixar de aplicar a legislação tributária com base em entendimentos doutrinários contrários à legislação tributária ou com fulcro em decisões judiciais sem efeito erga omnes, em que o sujeito passivo não foi parte do processo, uma vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, mantémse a tributação efetuada pela sistemática do Simples, referente à omissão de receita, apurada com base na presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, assim como atinente à consequente insuficiência de recolhimento, em função da apuração de um maior valor de receita bruta acumulada, que implicou na aplicação dos percentuais de 6,2% (para o mês de janeiro) e 8,2% (para o mês de fevereiro), enquanto que a empresa aplicara o percentual de 5,4% para ambos os períodos. Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Impugnação, rejeitando as preliminares de inconstitucionalidade e mantendo os lançamentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$4.372,57 (quatro mil, trezentos e setenta e dois reais e cinquenta e sete centavos), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP, no valor de R$3.086,86 (três mil, oitenta e seis reais e oitenta e seis centavos), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$4.372,57 (quatro mil, trezentos e setenta e dois reais e cinquenta e sete centavos), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$12.862,87 (doze mil, oitocentos e sessenta e dois reais e oitenta e sete centavos) e Contribuição para Seguridade Social – INSS, no valor de R$37.042,28 (trinta e sete mil, quarenta e dois reais e vinte e oito centavos) devidos nos períodos de apuração correspondentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, dentro do regime tributário denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora. No mais, mantido o lançamento relativo ao IRPJ, igual tratamento deve ser dado aos lançamentos de PIS, Cofins, CSLL e INSS, decorrentes da omissão de receita, ante a íntima relação de causa e efeito. Pelo exposto e por tudo que consta processo nos autos conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 15983.000154/201113 Acórdão n.º 1402002.994 S1C4T2 Fl. 768 22 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 768DF CARF MF
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Numero do processo: 11968.000037/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.588
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem confirme em que datas o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância e protocolizou o recurso voluntário.
Jose Henrique Mauri - Presidente
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques dOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) eValcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Jose Henrique Mauri Presidente Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) eValcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 19 68 .0 00 03 7/ 20 07 -1 9 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Resolução nº 3301000.588 S3C3T1 Fl. 121 2 Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Do Auto de Infração Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da pessoa jurídica Thot Comércio e Distribuição Ltda, onde é formalizada a exigência de Imposto de Importação, PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação, acrescidos de juros e multa proporcional a tais tributos, além das multas por violação ao controle administrativo das importações e pela classificação da mercadoria em desacordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Consigna a autoridade fiscal que o sujeito passivo promovera a importação de 115 toneladas do produto denominado “prémistura para pão, marca MULTIPLE”, classificandoo na subposição 1901.20.00, da NCM, próprio para “mistura e pastas para preparação de produtos de padaria, pastelaria e da indústria de bolachas e biscoitos”, ao invés do código 1101.00.10, próprio para farinha de trigo. O suporte fático para tal reclassificação, pelo Fisco, teria sido extraído do laudo técnico de análise n° 2024/20061, expedido pelo Centro Tecnológico de Controle da Qualidade L. A. Falcão Bauer, onde foi consignada a conclusão de que o produto importado tratarseia de farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo 2,04 % de cloreto de sódio (sal) e não, conforme declarado pelo Contribuinte, premistura para elaboração de pão. Assim sendo, consigna a Autoridade Aduaneira que o novo produto identificado recebe classificação em outro capítulo da NCM, sob o código 1101.00.10 Farinha de Trigo, diversa daquela adotada na declaração de importação, com alíquota de 12% de Imposto de Importação. Ressaltase que o procedimento fiscal, que culminou com a constituição do presente crédito tributário, encontrase devidamente fundamentado e discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, de fl. 06/08. No Demonstrativo de Apuração, de fl. 09, encontrase o cálculo do IPI apurado, assim como no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, de fl. 10, constatamse os valores de multa e juros (IPI). À fl. 11, dos autos, encontrase o Demonstrativo de Apuração da Multa do Controle Administrativo das Importações, enquanto que, na fl. 12, verificase o Demonstrativo de Apuração da Multa Regulamentar. Quanto às autuações relacionadas com a Cofinsimportação e o Pis/Pasep importação, e consectários legais, as Descrições dos Fatos e Enquadramento Legal, de fl. 14/16 e 18/20 explicitam a forma de apuração e os valores encontrados. Da Impugnação Devidamente cientificado, em 10/01/2007, fl. 01, comparece o sujeito passivo ao processo, para impugnar o lançamento, em 08/02/2007, às fl. 47/63, alegando, em síntese: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Resolução nº 3301000.588 S3C3T1 Fl. 122 3 1) de início, vem a requerente apresentar defesa consolidada contra os autos de infração referentes à cobrança de Imposto de Importação, Multa por Classificação Incorreta, Multa por Falta de LI, PIS/PASEP Importação e COFINS Importação; 2) ataca a Norma de Execução Coana no 03 de 03 de agosto de 2006, que teria norteado a ação fiscal da qual decorrera o lançamento guerreado, alegando que dita norma retiraria do Ministério da Saúde e da Vigilância Sanitária a competência para coletar amostras e examinar produtos alimentícios. Critica o fato de tal norma estabelecer um único laboratório (vinculado à Alfândega de Santos) para realizar o exame de todos os produtos descritos como prémisturas de trigo. Questiona ainda o fato de tal norma não estabelecer prazos ou valores para a realização dos exames, e não determinar a entrega de amostra para fins de produção de contraprova. Faz crítica aos quesitos e exames indicados na referida norma, e a suposta ausência de fundamentação para tal escolha. Alega que, segundo informações repassadas pelo exportador, caso adotados “métodos de dosagem com alta resolução e alta eficiência, via HPLC”, seriam comprovadas as informações prestadas na declaração de importação e demais documentos que instruem o despacho. Aduz ter obtido liminar judicial para que suas mercadorias fossem liberadas do Pátio Alfandegário de Suape, com conseqüente coleta de amostras e realização dos exames; 3) Argúi a nulidade do auto de infração pelas razões a seguir expostas: O lançamento seria nulo pelo fato de não lhe terem sido fornecidas as contraprovas das amostras colhidas pela RFB. No particular, cita o DL 986 de 21/10/69 e conclui que tais contraprovas deveriam ter sido prontamente entregues à impugnante. Aduz que somente após a conclusão dos exames laboratoriais requeridos pela autoridade fiscal fora a impugnante notificada a solicitar, no prazo de 180 dias, a contraprova retida pela RFB. Reafirma que a competência para submeter produtos alimentícios a análise seria, nos termos do referido DL, do Ministério da Saúde; Seria igualmente nulo o lançamento em razão de a base de cálculo do PIS e da Cofins, instituída nos termos da Lei 10.865/2004, ser inconstitucional. Nesse ponto, argumenta que a EC 42/2003 previu como base de cálculo para contribuições incidentes sobre operações de importação o “valor aduaneiro dos produtos importados”, sendo portanto inconstitucional acrescer a tal montante o valor do ICMS e das próprias contribuições; 4) Requer a entrega das contraprovas e a realização de diligência. Ao final de sua peça impugnatória, o contribuinte solicita o fornecimento, em prazo razoável e condições de conservação, das contraprovas das amostras colhidas pela autoridade fiscal. É o que importa relatar." A DRJ no Recife (PE) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 1136.619, datado de 11/04/12, foi assim ementado: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/08/2006 Farinha de Trigo Fortificada. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Resolução nº 3301000.588 S3C3T1 Fl. 123 4 A mercadoria “Farinha de trigo fortificada com ácido fólico e ferro, contendo 2,04 % de cloreto de sódio (sal)” classificase no código NCM 1101.00.10, conforme Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/08/2006 Nulidade. Cerceamento do Direito de Defesa. Não Caracterização. Só se admite a nulidade do auto de infração lavrado por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A competência do Auditor Fiscal da RFB para verificar e identificar mercadorias, inclusive alimentos, no âmbito da conferência aduaneira não se confunde com a competência dos agentes do Ministério da Saúde. A disponibilização das amostras colhidas para produção de contraprovas, mesmo que após a conclusão da perícia requerida, garante o exercício do direito de defesa pelo contribuinte. Acesso a Contraprovas. Prazo e Condições de Conservação. Perícia. Constatado que o sujeito passivo foi devidamente cientificado da disponibilidade, por prazo determinado, das amostras coletadas do bem importado, sendolhe franqueada a realização de contraprova e elaboração de laudo pericial, e que o interessado não adotou as medidas pertinentes, incabível a solicitação de complementação da instrução processual, mormente quando os autos reúnem os elementos necessários à formação da convicção do julgador . Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que novamente contesta a reclassificação fiscal, porém, desta feita, exclusivamente com base em Laudo Técnico, até então não apresentado. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11968.000037/200719 Resolução nº 3301000.588 S3C3T1 Fl. 124 5 Voto Trago para a turma proposta de conversão deste julgamento em diligência, com o objetivo de obter os dados necessários para concluir quanto à tempestividade ou não da protocolização do recurso voluntário. Consta que a ciência da decisão da DRJ deuse no dia 26/12/12 (AR, fl. 95), o que fixa como prazo final para a entrega do recurso voluntário o dia 25/01/13. Na primeira folha da peça recursal (fl. 108), há registro, efetuado "à mão", de que o recebimento ocorreu no dia 21/01/13. Isto posto, em princípio, é intempestiva e, por conseguinte, não deve ser conhecida. Foram então emitidas as cartas de perempção e cobrança, juntadas aos autos em 28/01/13 (fl. 97) e cuja ciência foi tomada pelo contribuinte em 30/01/13 (AR, fl. 100). Contudo, tal conclusão é posta em dúvida, ao lerse o despacho de encaminhamento do processo para o CARF (fl. 116), emitido pela Inspetoria da RFB em Recife (PE) e cujo último parágrafo transcrevo abaixo: "(. . .) Registramos, por oportuno, que o termo de perempção, fls. 97 foi lavrado no dia 28/01/2013, antes, portanto, do encaminhamento em 12/03/2013 do citado recurso, apresentado, tempestivamento (sic) em 27/01/2013, conforme se verifica às fls. 390. Em 13/03/13" De pronto, surgem as seguintes questões: a) Conforme acima mencionado, consta como data de ciência da decisão da DRJ o dia 26/12/12 (AR, fl. 95). Assim, a protocolização do recurso, para ser considerada como tempestiva, teria de ter ocorrido em 25/01/13 e não em 27/01/13. Diante disto, surge o primeiro questionamento: em que data/registro de ciência da decisão da DRJ a unidade de origem se baseou para considerar como tempestiva uma entrega efetuada em 27/01/13? b) Na primeira página do recurso voluntário, foi indicado como data da protocolização o dia 21/01/13 e não 27/01/13. A primeira data foi retificada? Se positivo, onde se encontra o registro da entrega em 27/01/13? O despacho de encaminhamento colocanos em dúvida acerca tanto da data da ciência da decisão de primeira instância quanto da protocolização da recurso voluntário. Para evitar que cometamos qualquer tipo de equívoco no processo de admissibilidade do recurso voluntário, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem confirme as datas em que o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância e que protocolizou o recurso voluntário. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 14485.000203/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e nem daquelas que, mesmo relacionadas à lide tributária, não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida.
CO-RESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. NÃO CONHECIMENTO.
As pessoas físicas listadas na Relação de Co-Responsáveis - CORESP não integram o pólo passivo da relação tributária. Referido relatório tem finalidade meramente informativa, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito Processo Administrativo Fiscal - PAF.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se verifica procedente a alegação por ausência de fundamentação legal quando as normas legais que respaldam a autuação encontram exaustivamente relacionadas no documentos integrantes da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito.
ARBITRAMENTO. NÃO VERIFICAÇÃO.
Não resta caracterizado o lançamento pela modalidade de arbitramento quando as contribuições previdenciárias e de terceiros são determinadas com base na remuneração dos segurados, consoante informado pela empresa.
INCORREÇÃO DOS VALORES LANÇADOS. INOCORRÊNCIA.
Observando-se que os valores das contribuições previdenciárias dos segurados empregados foram calculados nos estritos termos da legislação de regência, respeitando-se, inclusive, o limite máximo do salário de contribuição legalmente estabelecido, verifica-se improcedentes as alegações quanto a incorreção dos valores objeto de lançamento.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. CTN.
À contagem do prazo decadencial das contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades ou fundos, denominados terceiros, aplicam-se as regras previstas no Código Tributário Nacional.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CTN. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial observará o disposto no 173, I do Codex Tributário.
O prazo para o pagamento das contribuições relacionadas à competência 12 somente vence no mês de janeiro, mês a partir do qual o lançamento pode ser realizado.
CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. SEGURADO EMPREGADO. CONFIGURAÇÃO.
Ficando evidenciada a existência de pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação na relação pactuada entre trabalhador e empregador restará caracterizado o vinculo desses trabalhadores na condição de segurados empregados da Previdência Social.
Numero da decisão: 2402-006.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e nem daquelas que, mesmo relacionadas à lide tributária, não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida. CORESPONSÁVEIS. PÓLO PASSIVO. NÃO INTEGRANTES. NÃO CONHECIMENTO. As pessoas físicas listadas na Relação de CoResponsáveis CORESP não integram o pólo passivo da relação tributária. Referido relatório tem finalidade meramente informativa, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito Processo Administrativo Fiscal PAF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se verifica procedente a alegação por ausência de fundamentação legal quando as normas legais que respaldam a autuação encontram exaustivamente relacionadas no documentos integrantes da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 02 03 /2 00 8- 71 Fl. 621DF CARF MF 2 ARBITRAMENTO. NÃO VERIFICAÇÃO. Não resta caracterizado o lançamento pela modalidade de arbitramento quando as contribuições previdenciárias e de terceiros são determinadas com base na remuneração dos segurados, consoante informado pela empresa. INCORREÇÃO DOS VALORES LANÇADOS. INOCORRÊNCIA. Observandose que os valores das contribuições previdenciárias dos segurados empregados foram calculados nos estritos termos da legislação de regência, respeitandose, inclusive, o limite máximo do salário de contribuição legalmente estabelecido, verificase improcedentes as alegações quanto a incorreção dos valores objeto de lançamento. DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. CTN. À contagem do prazo decadencial das contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades ou fundos, denominados terceiros, aplicamse as regras previstas no Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CTN. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial observará o disposto no 173, I do Codex Tributário. O prazo para o pagamento das contribuições relacionadas à competência 12 somente vence no mês de janeiro, mês a partir do qual o lançamento pode ser realizado. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. SEGURADO EMPREGADO. CONFIGURAÇÃO. Ficando evidenciada a existência de pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação na relação pactuada entre trabalhador e empregador restará caracterizado o vinculo desses trabalhadores na condição de segurados empregados da Previdência Social. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1672.707 da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), que julgou procedente em parte impugnação relacionada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada sob o Debcad nº 37.010.1960, para a apuração de contribuições sociais previdenciárias correspondentes à parcela dos segurados e destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), além de contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos, os denominados Terceiros, abrangendo o período de 01/1998 a 12/2005. Relatório Fiscal De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 114/115), a empresa se utiliza de modo habitual da mão de obra de profissionais por ela classificados como autônomos, mas que na verdade são colaboradores empregados, em nada diferenciados dos demais trabalhadores por ela mantidos, com direito inclusive ao recebimento periódico de férias e do décimo terceirosalário. Impugnação Em sede impugnatória, alegase, em síntese, que: a emissão e a remessa da notificação fiscal ocorreram em período não coberto pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF e suas prorrogações; Não poderia a ação fiscal ser prorrogada sem um mandado com prévia intimação do contribuinte; Fl. 623DF CARF MF 4 o MPF teve seu término em 22 de dezembro de 2006, somente em 16/01/2007 foram postadas parte das Notificações fiscais, 5 (cinco) para um total de 18 (dezoito) com recebimento pelo contribuinte ora notificado em 18/01/2007; as demais Notificações, como a ora impugnada, somente foram postadas nos Correios no dia 26/01/2007 e recebidas em 27/01/2007, sendo que o Mandado de Procedimento Fiscal estava vencido desde 22/12/2006; as notificações fiscais não foram devidamente formalizadas até a data final do MPF, passaramse mais de 30 dias do vencimento do MPF e o contribuinte não as recebeu; a ação fiscal está viciada e é nula, posto que preterido o disposto na Portaria MPS/SRP nº 3.031/2005 (arts. 12, 13 e 15); toda fundamentação legal que serviu de base para o lançamento do crédito deve ser informada ao notificado para que o mesmo possa exercer plenamente seu direito de defesa; ausência de fundamentação legal é vicio insanável e, consequentemente, torna nulo o lançamento; ocorreu ainda nulidade do procedimento fiscal tendo em vista, conforme relatório fiscal, a escrituração contábil da empresa foi apresentada à fiscalização em meio digital, conforme disposto no art. 8º da Lei 10.666/2003 e o Fisco não cumpriu a obrigação de também apresentar ao contribuinte os arquivos digitais dos relatórios fiscais, conforme art. 663 da Instrução Normativa nº 03/2005; de maneira não criteriosa, entendeu a fiscalização que 22 prestadores de serviços, considerados pela empresa como contribuintes individuais, são segurados empregados da Impugnante; auditoria fiscal sequer listou as atividades desenvolvidas pelos contribuintes individuais; o relatório fiscal não consigna que os trabalhadores laboravam com total subordinação em relação ao empregador e não informa onde os serviços são prestados, a sua natureza ou em qual filial os segurados prestavam serviços; a relação de emprego emerge como resultado da combinação dos cinco elementos (pressupostos) da mesma, que vem a ser: realizados por pessoa fisica, pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade, excetuado, portanto, o pressuposto da pessoa física, todos os demais pressupostos referemse ao processo (modus operandi) de realização do trabalho; imprescindível isolarse a diferença especifica a separar a figura do empregado de outras figuras congêneres, isolarse o pressuposto que, presente na relação de emprego, não se verifique no trabalho autônomo, eventual, avulso e temporário; no caso dos 22 prestadores de serviço autônomo, não transparece a subordinação, posto que exercem atividade profissional remunerada, explorando, em proveito próprio, sua força de trabalho, sem se submeter a certa intensidade de ordens e interferências do tomador inexistiu subordinação jurídica em relação a estes prestadores de serviço, pelo que não se configura o tipo legal da relação de emprego, afirmandose como autônoma a relação jurídica pactuada entre as partes; Fl. 624DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 4 5 dentre estes 22 prestadores de serviço temse advogados, consultores, especialistas em marketing, militares fora da ativa especializados em gestão de segurança pessoal e patrimonial, vários antigos colaboradores aposentados, que passaram a ser consultores, laborando em suas residências e engenheiros mecânicos que inclusive são contratados como autônomos porque tem outras atividades; o fato de que estes autônomos em algumas vezes vieram a perceber remuneração adicional, que a empresa entendeu chamar também de décimo terceirosalário, bem como remuneração em período de férias não desqualifica a condição de autônomo; inexiste a subordinação, pelo que deve ser declarada nula a exação fiscal consubstanciada pela presente notificação fiscal. Transcreve doutrina; Em nenhum momento a auditoria fiscal demonstrou dependência, uma das características do vinculo de emprego. Reproduz doutrina e jurisprudência; a fenomenologia da incidência no espectro do Direito Tributário somente pode ser descrita com base na conhecida RMI – Regra Matriz de Incidência; os fatos jurídicos que se afiguram indispensáveis ao nascimento do liame obrigacional, a contribuição do art. 22, I da Lei número 8.212/1991, não estão presentes nesta notificação fiscal de lançamento de débito; referido dispositivo que define contribuição a cargo da empresa, destinada a seguridade social, diz respeito a remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo, durante o mês, aos segurados empregados lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, nos termos da lei ou do contrato, ou ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho; no presente caso todos os segurados informados são contribuintes individuais, não sendo devidas contribuições ao SAT, a Terceiros e desconto de segurados, que passaram a ser devidos apenas a partir de 04/2003, quando passaram a ser recolhidos; descabimento na aplicação da multa de mora; os encargos moratórios, na forma que estão sendo impostos caracterizam verdadeiro confisco; a multa moratória é indenização pelo descumprimento do dever de pagar tributo, a seu tempo; resultam de fatos jurígenos dispares e, assim, se aplicam conjuntamente, sempre dentro do traçado constitucional, que veta o confisco e determina observância à capacidade contributiva; o STF já reconheceu a inconstitucionalidade de leis, com fulcro no principio indigitado, na proibição de excesso, temdo obtemperado que o poder de taxar somente pode ser exercido dentro dos limites que o tornem compatível com a liberdade de trabalho, de comércio e de indústria e com direito de propriedade; a multa, se imposta, dever ser reduzida dos atuais 30% para razoáveis e aceitáveis níveis de 2%, sob pena de violação do principio constitucional da vedação do confisco; a leitura sistemática dos dispositivos legais citados na peça impugnatória e os fatos nela descritos impõe as seguintes constatações: i) caso a contribuição que está sendo lançada seja declarada em GFIP a multa de mora será reduzida Fl. 625DF CARF MF 6 em 50%; ii) não pode o contribuinte, com a alteração da legislação em momento posterior ao da ocorrência de alegada infração, sofrer maior gravame na aplicação da multa. Requer a Impugnante a retificação dos valores aplicados com relação A multa de mora, no que tange A redução de 50% em todo o período; considerandose a natureza remuneratória da Taxa Selic e a inconstitucionalidade e ilegalidade de sua aplicação, em matéria tributária, não há que se admitir sua utilização, no presente caso; para o cômputo dos juros de mora que seriam eventualmente devidos se devida fosse a obrigação principal somente poderia ser utilizado o percentual legal de 1% (um por cento) ao mês; os períodos anteriores a 2002 foram atingidos pela decadência; outro vicio verificado na NFLD é quanto à imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário aos sócios e procuradores da empresa, o que não se pode aceitar, conforme estabelecido na Relação de Co Responsáveis que compõe a NFLD; Reproduz decisões administrativas que diz fundamentar as razão trazidas na impugnação. Requer seja cancelada a NFLD lavrada e homologada a extinção do respectivo crédito tributário, excluídos da condição de coresponsável pelo pagamento do crédito tributário os sócios e procuradores arrolados na relação de coresponsáveis e deferidas as diligências que se fizerem necessárias, para fins de comprovação do exposto na impugnação. Protesta pela juntada de outros documentos fiscais que foram considerados necessários para a análise e julgamento da presente notificação. Diligência O julgamento foi convertido em diligência (fl. 256) para pronunciamento do Auditor Fiscal notificante em relação às seguintes alegações do contribuinte: a) a fiscalização não cita as atividades desempenhadas pelos trabalhadores reenquadrados como empregados e não demonstra a relação de emprego destes, notadamente na caracterização da subordinação jurídica; b) não se observou o limite do saláriodecontribuição dos segurados em seu novo enquadramento; c) no período em que a contribuição da empresa sobre a remuneração de contribuintes individuais era de 15%, não houve lançamento suplementar de 5% pelo reenquadramento. Em atendimento à diligência demandada pela DRJ/SPO, foi emitida a Informação Fiscal de fls 342/346 segundo a qual: a autuada firmou contrato com trabalhadores que estiveram a ela vinculados por registro de emprego, segundo dados extraídos do programa CNIS CIDADÃO da Previdência Social; os valores dos descontos dos segurados, lançados na NFLD, foram apurados de acordo com os limites estabelecidos em Portarias baixadas pelo Ministério da Previdência Social; em consequência do advento da Súmula Vinculante de n° 8, expedida pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei no 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei no Fl. 626DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 5 7 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, foi procedida a exclusão dos lançamentos relativos aos meses anteriores a 12/2001, que se encontravam abrangidos pela decadência à data da notificação do contribuinte, ocorrida em 27/01/2007. Cientificado da manifestação do Fisco em razão da diligência demandada pela DRJ/SPO a contribuinte apresentou a manifestação a seguir resumida: foi comprovado o transcurso de mais de cinco anos que os documentos solicitados não foram requeridos na época, tendo ocorrido a prescrição intercorrente; os documentos requeridos pela Fiscalização foram incinerados, o que impossibilitou sua apresentação; o relatório fiscal no item 3.1, ao contrário do que afirma a defendente, afirma que os documentos foram solicitados no transcurso da apuração fiscal, realizada em 2006, e não tendo a intimada apresentado os documentos que lhe haviam sido solicitados, em 22/12/2006 foi lavrado auto de infração nº 37.066.6054; a demonstração da existência do vínculo deve ser comprovada pelas condições impostas no referido dispositivo legal. A remuneração é apenas um dos itens, não negado pelo Impugnante, posto que admitiu o pagamento relativo a serviços prestados sem vinculo. a questão do pagamento do décimoterceirosalário a contribuintes individuais não pode consagrar a ocorrência do vinculo de emprego; o relatório fiscal apenas destacou, no item 4.2, que a remuneração é mensal, por isso, há vínculo empregatício. Ou seja, o mesmo equivocase novamente, uma vez que, sendo eventual e sem subordinação não estão os trabalhadores enquadrados no art. 3º da CLT.; não cuidou o auditor fiscal de demonstrar que os 8 segurados nomeados no item 4.2.1 do relatório de diligência mantinham, individualmente, as condições de obreiro, nos termos do art. 3º da CLT; o fato de os contribuintes individuais em outras oportunidades possuírem o vínculo de emprego também não pode ser tomado como presunção do vínculo por todo o período; tratamse de técnicos que, no período fustigado pela ação fiscal, procuraram ter outros compromissos e clientes, não tinham dedicação exclusiva ao ora Impugnante, possuíam escritório e atendiam fora do estabelecimento do contribuinte e trabalhavam sem subordinação; o Auditor averiguou, no período que esteve no contribuinte por mais de anos, que nenhum dos autônomos por ele elencados, trabalhavam internamente, que havia ou não subordinação etc; mesmo assim, insiste em aplicar auto de infração de forma equivocada, o que realmente não deve subsistir, devendo declarar procedente as impugnações da contribuinte, enfim, cancelando o auto de infração. novamente equivoca o Auditor ao alegar no item 4.2.2 que o contribuinte deixou de cumprir em três ocasiões apresentação dos documentos, assim, abriu mão de sua anunciada disposição de provar suas alegações; Fl. 627DF CARF MF 8 ocorre que nas três ocasiões foram devidamente apresentados os documentos requeridos: i) 22/12/2006 apresentou todos os documentos requeridos, exceto folha dos autônomos, uma vez que a empresa cumpriu a norma, possuindo folha dos individuais o que não foi aceito pelo auditor (doc.06); ii) 15/03/2011 conforme doc. 08, foram requeridos documentos comprobatórios e esclarecimentos pertinentes a serviços prestados, demonstrouse com a juntada de documentos que são consultores, advogados, engenheiros, etc; e iii) 08/05/2013 foram requeridos recibos e contratos de 2001 a 2003, que são documentos que perfazem mais de 10 anos, os quais, já estão incinerados, em consonância com o artigo 206 do Código Civil. o Auditor equivocouse ao narrar tal fato, pois, conforme demonstra o Auto de Infração 37.066.6054, doc. 06, no Relatório Fiscal da Infração, in verbis: “A empresa, solicitada a apresentar, entre outros documentos, as folhas de pagamento de seus colaboradores autônomos, deixou de fazêlo, o que constitui infração ao artigo 33, parágrafo segundo, da Lei 8.212/91, c/c com o artigo 232 do Regulamento da Previdência Social” o auditor fiscal lavrou auto de infração supra, simplesmente porque o contribuinte não apresentou folha de pagamento dos autônomos. na ocasião, explicouse a impossibilidade de apresentar folha de pagamento de autônomos, pois, somente temos folha de pagamento de contribuintes individuais, pois, adequou ao art. 12, da Lei nº 8.212/91. o Auditor não aceitou aduzindo que não apresentou documentos requeridos, o que está sendo discutido no Auto de Infração 37.066.6054. A fim de comprovar o alegado juntase cópia da impugnação protocolada no dia 30/01/2007 (doc. 07); não foram requeridos recibos de pagamentos dos valores, bem como, contratos de prestações de serviços; o Auditor deixou que decorresse o prazo ao não requerer documentos na época própria; alega que os valores lançados na NFLD foram apurados conforme Portarias, porém, conforme devidamente aduzido os lançamentos estão inadequados, porquanto não discrimina o saláriodecontribuição devido, o saláriode contribuição reconhecido pelo contribuinte, a contribuição efetivamente recolhida e a diferença de recolhimento. não é possível o arbitramento; não existe memória de cálculo, não ocorreu materialização do fato jurídico tributável ao caso concreto. assim, não há que se falar nas apurações conforme Portarias, estando, portanto, nulo o auto de infração. quanto à alegação do item 06, a aplicação da Súmula Vinculante 08 não foi correta, posto que alcança também a competência 12/2001. Pede a juntada dos documentos anexados, reiterando todos termos da impugnação inicial. A DRJ/SPO considerou a impugnação procedente em parte, nos termos da ementa da decisão fustigada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2005 Ementa: Fl. 628DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 6 9 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIÇOS PRESTADOS POR CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRESSUPOSTOS DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO EMPREGADO. São segurados obrigatórios da Previdência Social, na categoria empregado, as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Por efeito do princípio da primazia da realidade, presentes os requisitos da prestação de serviço com vínculo empregatício deve a auditoria fiscal desconsiderar o contrato de prestação de serviços originalmente pactuado e efetuar o lançamento das contribuições devidas no tomador de serviços. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD encontrase revestida das formalidades legais, apresentando adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, não havendo que se falar em sua nulidade. MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CIÊNCIA. PRORROGAÇÕES. Inexiste previsão legal para ciência do sujeito passivo relativamente às prorrogações e complementação do Mandado de Procedimento Fiscal inicial, não havendo, portanto, que se falar em nulidade do lançamento fiscal. A cientificação do lançamento ao sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA PARCIAL. Declarada pelo STF a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. O prazo de prescrição contase a partir da constituição definitiva do crédito, isto é, da data em que não mais se admita a Fazenda Pública discutir a seu respeito em procedimento administrativo. Por absoluta falta de previsão legal, não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo tributário. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios Fl. 629DF CARF MF 10 integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. O anexo CORESP Relação de CoResponsáveis não tem como escopo incluir os sócios da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim, listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. TAXA SELIC. MULTA. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, ambos de caráter irrelevável. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por ocasião do Recurso voluntário o sujeito passivo repisa questões trazidas na impugnação, exceto quanto à inconstitucionalidade da multa lançada, a aplicação de Taxa Selic como fator de correção do tributo ou de alegada nulidade pelo fato de o Fisco não lhe ter disponibilizado os arquivos digitais dos relatórios de fiscalização. Além disso, trata em item específico de questões acerca de preliminar de nulidade em vista de propalada não emissão de auto de infração pela não apresentação de documentos relativos a folhas de pagamento de seus resumos, bem como escrituração contábil, exibida em meio magnético. Aduz ainda em referido item que “Os auditores fiscais não especificaram o dispositivo legal que prevê o arbitramento das contribuições de contribuintes individuais, quando todos os elementos estão presentes para que esta contribuição seja objeto de lançamento com discriminação do valor devido, mês a mês, nome a nome”. Cria tópico abaixo reproduzido: VII DO ARBITRAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO E A BASE DE CÁLCULO UTILIZADA. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 7 11 Embora tenha apresentado toda a documentação solicitada pela fiscalização e que pudesse ratificar as informações declaradas quanto ao pagamento das parcelas de prólabore, entendeu a fiscalização de constituir o presente lançamento a este título. O fato de lançamento de adições ao lucro real demonstrado pelo LALUR reflete apenas uma possível conservadora da empresa. O que se incluiu no LALUR foi apenas o percentual de 2/7 (dois sétimos) do valor de depreciação de veículos e aeronaves e gastos de combustível, posto que assim determina Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal, quando não se pode comprovar que os veículos são utilizados exclusivamente no trabalho. Reflete a possibilidade de uso dos bens nos fins de semana para atividades não vinculadas à empresa. Não é o caso dos dirigentes da RECORRENTE, que laboram de segunda a segunda, qual seja, sem folgas. No item destinado às conclusões traz argumentos novos sobre pretensos equívocos cometidos pela autoridade autuante que teriam alterado substancialmente os elementos do lançamento, ocasionando a exigência de um tributo apurado por critérios diferentes daqueles que seriam corretos. Infere que, por isso, deve ser anulado por vício material o lançamento dos valores relativos aos prestadores de serviços qualificados pela fiscalização como segurados empregados. Faz considerações sobre a hipótese de novo lançamento a ser eventualmente realizado e sobre a aplicação do art. 173, II do CTN. Discorre sobre vício formal e material, transcrevendo trecho de decisão do CARF a esse respeito. Diz ter demonstrado que os valores lançados não estão corretos e que não existe a memória de cálculo necessária a demonstração do salário de contribuição anterior, do novo salário de contribuição, com o limite de contribuição do segurado e os novos valores que foram lançados, bem assim que não foram considerados os limites do salário de contribuição para os segurados contribuintes individuais, que sequer são nominados, como deveriam, mês a mês. Requer, por fim, o cancelamento da NFLD e a exclusão de sócios e procuradores da empresa da condição de coresponsável pelo pagamento do crédito tributário. É o relatório. Fl. 631DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Conhecimento O recurso é tempestivo, mas deve ser conhecido apenas parcialmente, eis que há matérias alheias à lide, além de alegações que não foram objeto de impugnação ou da decisão recorrida. De saída há que se esclarecer que o tópico denominado “VII DO ARBITRAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO E A BASE DE CÁLCULO UTILIZADA”, além de não ter sido suscitado na impugnação também não tem nenhuma relação com o presente processo, motivo pelo qual não há como ser conhecida a matéria ali veiculada. Com relação às alegações apresentada pelo contribuinte, dispõem o inciso III do art. 16 e o art. 33 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Da leitura dos dispositivos acima, vêse que os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o recurso e os pontos de discordância que possuir o autuado deverão ser apresentados, via de regra na impugnação, admitindose que novas razões sejam trazidas no recurso voluntário somente quando essas se prestam a contrapor a decisão de primeira instância administrativa. Dessa forma, os novos argumentos insertos no recurso voluntário, item destinado às conclusões da recorrente, a respeito de hipotético vício material a que estaria acometido o lançamento não serão objeto de análise por se tratar de matéria estranha à impugnação e à decisão recorrida, ou seja, tratase de matéria que também não merece conhecimento. Coresponsáveis Sobre relação de coresponsáveis que integra o auto de infração, cabe esclarecer que esta tem por finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis, conforme determina o Código Tributário Nacional CTN e permitir que se cumpra o estabelecido no inciso I do § 5° art. 2° da Lei n° 6.830/1980, in verbis: Art. 2° Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui Fl. 632DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 8 13 normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal § 5° O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I – o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros. [...] Esclareçase que as pessoas físicas listadas na Relação de Coresponsáveis – CORESP não integram o pólo passivos da lide tributária. O auto de infração fora lavrado exclusivamente contra a pessoa jurídica, tendo o CORESP finalidade exclusivamente informativa, não atribuindo responsabilidade a que quer que seja, motivo pelo qual esse assunto não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 88: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Em razão disso, não conheço do pedido. Nulidades MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF Infere a recorrente que o lançamento seria nulo, pois a emissão e remessa da NFLD teriam ocorrido em período não coberto por Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Outra questão aventada na peça recursal é que a ação fiscal não poderia ser prorrogada sem um mandado com prévia intimação ao contribuinte. O MPF é documento emitido pela Administração para que o sujeito passivo, objeto de algum procedimento fiscal, seja intimado de que tal procedimento emana e será realizado por autoridade competente. O que se verifica no caso concreto é que o prazo previsto no MPF inicial não foi suficientes para a conclusão da ação fiscal, o que levou à emissão de MPF Complementares no sentido de prorrogar o período de fiscalização. O procedimento de prorrogação dos MPF é previsto na legislação e o fato de o contribuinte ser cientificado da prorrogação após terminado o prazo do MPF anterior não é razão para nulidade do lançamento. Segundo a recorrente, ao término de cada MPF imaginava que a ação fiscal havia sido encerrada sem qualquer lançamento e em seguida era surpreendida pela entrega do MPF Complementar. Ora, eventual prejuízo à recorrente decorreria da execução de uma ação fiscal não precedida de MPF, esta sim, situação que poderia ensejar nulidade. Fl. 633DF CARF MF 14 No entanto, os MPF existem e ao recebêlos à época em que foram apresentados, a reclamante tomou ciência de que o procedimento fiscal não havia sido encerrado o que permitiu que o Fisco continuasse os trabalhos de fiscalização, afastando qualquer alegação futura de prejuízo sob tal argumento. Tampouco se pode considerar que a ciência do lançamento efetuada após o prazo de encerramento do MPF seja motivo de nulidade, uma vez que a finalidade de existência do mandado já teria sido efetivamente cumprida. De resto, estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal, como ocorreu no presente caso, não há que se falar em irregularidades no lançamento se foram seguidas as disposições legais pertinentes à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 da Lei nº 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e no art. 660 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005, vigente à época do lançamento. Assim, tendo o Auditor Fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no MPF não são causa de nulidade do auto de infração. Ademais, o entendimento que tem prevalecido no âmbito deste Conselho é no sentido de que supostas irregularidades no MPF não ensejam nulidade do lançamento, conforme se depreende do Acórdão n° 9202003.956, de 22/04/2016, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Logo, irrelevantes os argumentos sobre irregularidades no procedimento fiscal, cabendo afastar a preliminar visto não se vislumbrar a nulidade alegada. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A respeito da propalada ausência de fundamentação legal, que redundaria em vicio insanável e tornaria nulo o lançamento, importa esclarecer que a legislação que deu azo à lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito está exaustivamente relacionada no relatório denominado “FLD Fundamentos Legais do Débito” (fls. 95/100), não havendo como reputar válidas as razões recursais. ARBITRAMENTO Outra nulidade apontada na peça recursal diz respeito ao que a recorrente chama de “exação fiscal com arbitramento de contribuições de segurados contribuintes individuais”. Segundo infere: i) não existem as condições para arbitramento, tendo em vista que sequer foi emitido auto de infração pela não apresentação de documentos relativos a folhas de pagamento e seus resumos, bem como pela não entrega de escrituração contábil, Fl. 634DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 9 15 apresentada inclusive em meio magnético; ii) a autoridade autuante não teria especificado o dispositivo legal que prevê o arbitramento das contribuições de contribuintes individuais. Sobre o arbitramento, o dispositivo a lhe dava respaldo era o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, vigente à época lançamento: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente.(Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...] Notese que para que o Fisco se utilize do permissivo legal que respalda o lançamento por referida modalidade (arbitramento), é necessário que haja recusa ou sonegação de documento ou ainda sua apresentação deficiente. Acontece que o indigitado dispositivo não foi suscitado pela autoridade lançadora porque o lançamento não foi feito por arbitramento, mas sim com base na remuneração efetivamente recebida por cada trabalhador qualificado como contribuinte individual pela empresa e considerado segurado empregado pela Fiscalização. As planilhas de fls. 116/117, por exemplo, demonstram que a autoridade autuante se valeu inclusive de informações obtidas na contabilidade da empresa para efetuar o lançamento. O quadro de fl. 118 relaciona todos os trabalhadores caracterizados pelo Fisco como empregados, e os demonstrativos de fls. 119/129 especificam as remunerações recebidas mês a mês por esses trabalhadores. Essas foram as remunerações que serviram de base para o lançamento. Não houve, como elucubra a recorrente, o arbitramento da base de cálculo das contribuições, posto que essa foi extraída de documentos apresentados/confeccionados pelo próprio sujeito passivo dentre os quais encontramse, além das demonstrações contáveis, DIRF e GFIP. Há também documentos que comprovam a efetividade dos pagamentos como extratos bancários, recibos de pagamento, dentre outros (fls. 130/144). A esse respeito, o Relatório Fiscal, esclarece: 3.2 – Os valores ora apurados foram extraídos dos lançamentos efetuados pela empresa na DIRF – declaração do imposto de renda retido na fonte – e na GFIP – guia de recolhimento do FGTS e de informações à Previdência Social. Fl. 635DF CARF MF 16 Quanto a asserção contida nos apelos apresentados de que a recorrente não teria sofrido autuação por não apresentação de folha de pagamento, é importante asseverar que tal afirmação não encontra respaldo na verdade dos fatos, pois segundo consta do Relatório Fiscal: 3.1 – Em virtude da não apresentação das folhas de pagamentos de autônomos foi lavrado o auto de infração de n. 37.066.6054. A respeito das alegações recursais sobre esse assunto, cumpre reproduzir trecho do voto condutor da decisão recorrida: A Impugnante contesta a referida informação, alegando que a fiscalização equivocouse ao narrar tal fato, pois conforme demonstra o AI Debcad nº 37.066.6054, a empresa, embora intimada, deixou de apresentar folhas de pagamento de seus colaboradores autônomos, sendo que na ocasião a empresa explicou ao Auditor Fiscal a impossibilidade de apresentar folha de pagamento de autônomos, pois somente teriam folha de pagamento de contribuintes individuais, pois fez as adequações nos termos do art. 12, V da Lei nº 8.212/91, o que não teria sido aceito pela fiscalização. Cabe destacar que esta alegação também foi objeto da impugnação apresentada contra o AI Debcad nº 37.066.6054, motivo pelo qual o referido processo foi encaminhado em diligência fiscal, sendo esclarecido pelo Auditor Fiscal Autuante que: (...) 3.1 Especificamente em relação aos trabalhadores sem vínculo de emprego foram feitas duas solicitações formais, através dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD: o primeiro, de 31/03/2006, cuja cópia segue anexa ao presente despacho, solicitoulhe, entre outros documentos, a “folha de pagamento de todos os trabalhadores (empregados e não empregados) e tabela de eventos gerada pelo sistema”; o segundo TIAD, de 23/11/2006, reiterando o primeiro, solicitoulhe a “folha de pagamento de trabalhadores autônomos” – termo utilizado pela empresa em seus históricos contábeis. (...) 4. – A empresa efetivamente, como ela própria afirma (fl. 27), prepara as folhas de pagamento relativas aos trabalhadores sem vínculo de emprego. Prova o fato os históricos contábeis apresentados em seus livros Diário, que fazem referência a pagamentos relativos à folha de autônomos: “P/VR.LÍQUIDO FL. AUTÔNOMOS 01/04/AR”. (...) Ainda que não tivesse o Fisco autuado a empresa pela falta de apresentação de folhas de pagamento de todos os segurados a serviço da empresa, esse fato não teria o condão de infirmar o lançamento, tendo em conta que, consoante já se demonstrou acima, o lançamento das contribuições aqui referidas não foi efetuado por arbitramento. Do mesmo modo, o fato de não ter havido autuação em razão da não apresentação de demonstrações contábeis não tem relevância alguma para o caso em questão. Aliás, importa repisar que a contabilidade serviu até mesmo de fonte de informação na determinação da base de cálculo das contribuições objeto da presente NFLD. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 10 17 INCORREÇÃO DOS VALORES LANÇADOS Absolutamente despropositadas as alegações de que os valores lançados não estariam corretos, inexistiria demonstração da base de cálculo anterior e do novo salário de contribuição e ainda de que não teriam sido considerados os limites do salário de contribuição para os segurados e que sequer teriam sido os segurados nominados mês a mês no auto de infração. Talvez uma análise perfunctória dos elementos acostados aos autos evitaria que o representante do sujeito passivo proferisse e continuasse a repetir impropérios tão medonhos. Em primeiro lugar as bases de cálculo consideradas para na definição do valor dos tributos foram as remunerações informadas, como já se disse, em GFIP, DIRF e na contabilidade da recorrente. Significa dizer que não há necessidade de demonstração desse “novo salário de contribuição” pelo simples fato de inexistir essa nova base de cálculo idealizada pela apelante. Outra questão que aqui se repete, por necessário, é que os demonstrativos de fls. 119/129 especificam as remunerações recebidas mês a mês por cada um dos segurados referidos na autuação. E mais, o documento denominado “ RL – Relatório de Lançamentos” (fls. 46/88) detalha, também mês a mês, e por levantamento, o valor da remuneração paga aos trabalhadores de que trata a NFLD, indicando o valor da contribuição devida por cada segurado e não recolhida pela empresa. Vejamos por exemplo o excerto do levantamento “CE2 – CARACTERIZAÇÃO VÍNCULO” relativo à competência 01/2002 (fl. 72): Fl. 637DF CARF MF 18 Considerandose que para a citada competência a tabela de contribuição dos segurados empregados é aquela constante do Anexo II à Portaria MPAS nº 1.987/2001, a sistemática de cálculo e o valor da contribuição pode ser aferida a partir das informações contidas no Relatório de Lançamentos sem grandes esforços matemáticos. Vejamos: Anexo II Tabela de Contribuição dos Segurados Empregado,Empregado Doméstico e Trabalhador Avulso, para Pagamento a Partir da Competência Junho de 2001 SaláriodeContribuição (R$) Alíquota para Fins de Recolhimento ao INSS(%) até 429,00 7,65 de 429,01 até 540,00 8,65 de 540,01 até 715,00 9,00 de 715,01 até 1.430,00 11,00 Apercebase que o limite máximo sobre o qual incide a contribuição de segurados empregados equivale a R$ 1.430,00 e que todos os trabalhadores relacionados no levantamento CE2 – CAREACTERIZAÇÃO VÍCULO da competência 01/2002 percebem remuneração superior a esse limite máximo do salário contribuição. Implica dizer que o cálculo da contribuição dos segurados será feito pela aplicação da alíquota de 11% sobre esse limite máximo de R$ 1.430,00 (base de cálculo do tributo), conforme quadro a seguir: Nome do Trabalhador Remuneração Apurada Base de Cálculo da Contribuição Alíquota Contribuição do Empregado ALCIDES TAKANO 8.112,31 1.430,00 11,00% 157,30 EUNICE SUMICO YONAMINE 8.089,20 1.430,00 11,00% 157,30 HIROMI KUBOTA 8.089,20 1.430,00 11,00% 157,30 KEIJI FUKUZAVA 3.108,02 1.430,00 11,00% 157,30 KOITI DEIDO 5.358,34 1.430,00 11,00% 157,30 LUIZ YOCHIAKI DA 5.778,00 1.430,00 11,00% 157,30 MANOEL SEJI T. NEN 4.851,39 1.430,00 11,00% 157,30 MASSAMITSU SONZATO 7.511,40 1.430,00 11,00% 157,30 MASSAO SHINZATO 1.947,51 1.430,00 11,00% 157,30 TADASHI KASHIWARA 8.089,20 1.430,00 11,00% 157,30 TAKANORI UMEDA 2.939,54 1.430,00 11,00% 157,30 YOSHIAN HIGA 3.120,12 1.430,00 11,00% 157,30 Com base no quadro acima constatase que, ao revés do que infere a recorrente, foi devidamente considerado o limite máximo do salário de contribuição (R$ 1.430,00) quando do cálculo do tributo, o qual correspondeu a R$ 157,30 para todos os segurados, conforme consta do relatório de lançamentos da competência 01/2002 (levantamento CE2 – Caracterização Vinculo). Informase ainda que essa mesma sistemática foi replicada para os demais levantamentos e para todas as competências abrangidas na NFLD. Decadência Com relação à decadência, verificase que, no caso em apreço, o lançamento foi realizado com fundamento no art. 45 da Lei nº 8.212/1991, segundo o qual o prazo decadencial das contribuições previdenciárias seria de 10 anos. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal – STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08, estendo os efeitos da decisão aos contribuintes em geral. A seguir, transcrevese a parte final do voto que Fl. 638DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 11 19 decretou a inconstitucionalidade das mencionadas disposições legais e o intero teor da Súmula Vinculante: Parte final do voto condutor da decisão do STF Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Os efeitos da Súmula Vinculante encontramse previstos no artigo 103A da Constituição Federal: Art. 103A O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. O dispositivo constitucional foi regulamentado pela Lei n° 11.417/2006 que estabelece os contornos a respeito da edição, revisão e do cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal. Em face do texto constitucional e da Lei nº 11.417/2006, temse que a partir da publicação na imprensa oficial do enunciado da Súmula Vinculante nº, 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados à sua aplicação. Em razão disso e, uma Fl. 639DF CARF MF 20 vez afastado por inconstitucionalidade o art. 45 da Lei n° 8.212/1991, cabenos então verificar a regra inscrita no Código Tributário Nacional CTN aplicável ao caso concreto, se seu art. 150, § 4º ou art. 173, I. Abaixo reproduzidos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Sobre a regra de decadência aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, proferida no REsp nº 973.733 SC (2007/01769940), sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, e portanto de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em virtude do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, é no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 640DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 12 21 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifos do original) O REsp 766.050/PR encontrase entre os precedentes da decisão consubstanciada no REsp 973.733/SC e tem seu entendimento transcrito no repetitivo do STJ. Segundo esse entendimento, (...) em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de Fl. 641DF CARF MF 22 quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador” (...) Assim, com base nos nas disposições contidas no CTN, o STJ esclareceu que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exemplo das contribuições previdenciárias, o art. 173, I aplicase nas seguintes situações: a) caso não tenha havido antecipação de pagamento; b) nas situações em que se verificar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; e c) na ausência de declaração prévia do débito. De modo distinto, ocorrendo pagamento antecipado, ainda que em montante inferior ao devido, a regra decadencial a ser considerada é o § 4º do art. 150 do CTN, a menos se comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação ou, caso o pagamento tenha sido efetuado após a adoção, pelo Fisco, de regras preparatórias ao lançamento. Sobre a ocorrência de pagamento antecipado, a Súmula CARF nº 99, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, esclarece: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Vejase que a Súmula CARF nº 99 é clara no sentido de que, para as contribuições previdenciárias, o pagamento antecipado restará caracterizado no caso de recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado devido na competência do fato gerador a que se referir a autuação, “mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração”. No caso concreto, o sujeito passivo foi cientificado da NFLD em 27/01/2007 (vide Aviso de Recebimento – AR da NFLD de fl. 145). Desse modo, tendo em vista que não se tem notícias do recolhimento antecipado de contribuições sobre a remuneração dos segurado arrolados no auto de infração, ainda que na condição de contribuintes individuais, o dispositivo do CTN em que a situação se enquadra é o art. 173, I (prazo decadencial contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Em face do exposto, constatase que foram alcançadas pela decadência as contribuições relativas às competências até 11/2001 (e não até 12/2001 como pretende a recorrente), tendo em vista que o prazo para o pagamento das contribuições relacionadas à competência 12/2001 somente vence no mês 01/2002, mês a partir do qual o lançamento poderia ser realizado. Dito isso, nego provimento ao recurso voluntário no que se refere à decadência. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 13 23 Mérito Dispõe a alínea “a” do art. 12 da Lei nº 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; [...] Além de transcrever o artigo da Lei 8.212/1991 acima reproduzido, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 estabelece no § 2º de seu art. 229 que o Auditor Fiscal pode desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento do trabalhador como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições estabelecidas para tal. Confira se: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 229. [...] [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) [...] O enquadramento de determinado trabalhador como segurado empregado pressupõe a comprovação de que na relação pactuada estejam presentes os requisitos de i) pessoalidade; ii) onerosidade; iii) não eventualidade; e iv) subordinação. Tais requisitos também podem ser extraídos da legislação trabalhista, conforme se verifica da leitura do art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT: Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Na situação fática, relata a autoridade autuante que: No transcorrer dos trabalhos de fiscalização da empresa constatamos que a empresa se utiliza de modo habitual da mão de obra de profissionais por ela classificados como autônomos, mas que na verdade são colaboradores empregados, em nada diferenciados dos demais trabalhadores mantidos pela empresa, Fl. 643DF CARF MF 24 com direito inclusive ao recebimento periódico de férias e do décimo terceiro salário. Nas situações abordadas no feito fiscal, não há qualquer dúvida quanto a natureza onerosa das relações pactuadas entre empresa e trabalhadores, restando verificar a existência ou não dos demais requisitos. Relativamente à pessoalidade, embora diga a recorrente que os segurados da previdência social laboram “prestando consultoria inclusive com utilização de outros prestadores, empregados seus”, não se carreou aos autos nenhum elemento de prova nesse sentido, motivo pelo qual não vejo como desconsiderar que os serviços executados pelos obreiros referido na Notificação Fiscal tenha natureza personalíssima. Segundo relatado no recurso voluntário, os contratos são referentes a prestadores de serviço na condição de advogados, consultores, especialistas em marketing, militares fora da ativa e vários antigos colaboradores aposentados que passaram a ser consultores, laborando em suas residências, além de engenheiros mecânicos que são contratados como autônomos porque desenvolvem outras atividades. Ainda segundo descrito pela recorrente, “pessoas de alta qualificação que não querem se sujeitar à subordinação clássica dos empregados e, pela qualificação e serviços já prestados ao Impugnante, passam a laborar em condições especiais”. Pois bem, embora conste dos instrumentos particulares de fls. 281 e ss que os contratos não geram vinculação de natureza empregatícia, isso, por si só, não tem a menor relevância, pois há que se considerar, tanto na seara trabalhista quanto tributária, o princípio da primazia da realidade, isto é, o que vale é o que acontece no mundo dos fatos e não o que está escrito. Nesse sentido, a verdade dos fatos impera sobre qualquer contrato formal e assim o sendo, diante de conflitos entre o que está escrito e o que ocorre de fato, prevalece, por óbvio, o que ocorre no mundo fatos. Daí porque esses próprios instrumentos denunciam a natureza não eventual das relações neles estabelecidas. Vejase o que consta do contrato de assessoria jurídica celebrado com o Sr. Alcides Takano onde, a exemplo do que acontece nos demais casos, a trabalhador desenvolve atividades contínuas, por prazo indeterminado e com percepção de remuneração fixa: Fl. 644DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 14 25 Importa esclarecer que a não eventualidade não tem relação com o tempo em que o trabalhador estará à disposição da empresa, com o local onde os serviços são prestados ou com a atividade e o nível de especialização do profissional, mas com a permanente necessidade daqueles serviços pelo empregador. Na situação retratada no contrato em tela, assim como nas referentes aos outros instrumentos particulares, o contratado está à disposição da empresa, em local por ela designado, para desenvolver tarefas previamente estabelecida e de contínua necessidade. Não se trata da contratação de um profissional da área jurídica para defender determinada causa, onde teríamos por certo um contribuinte individual, mas de um empregado da área do Direito que desenvolve atividades da rotina da pessoa jurídica. No que toca à subordinação, que é um dos mais importantes elementos caracterizadores do vínculo de emprego, temos que a constatação de sua existência não tem correlação com subordinação técnica, não se relacionando com a qualificação do obreiro, como imagina a recorrente. Também não se traduz em subordinação econômica. Melhor dizendo, não importa a condição econômica alcançada pelo trabalhador para que tal elemento reste configurado. A subordinação referida na legislação trabalhista e de custeio previdenciário trata se de subordinação jurídica, caracterizada pelo poder conferido ao empregador para que esse exerça a direção dos trabalhos executados, orientando o modo como esse será realizado, fiscalizando e até mesmo punindo o trabalhador. O poder diretivo, que caracteriza a subordinação, revelase pela assunção, pelo empregador, dos riscos das atividades exercidas. Em outras palavras, por se submeter o empregador às ameaças inerentes ao desempenho do negócio jurídico, detém o poder diretivo da relação estabelecida. Asseverese que a possibilidade de reparação de dano ocasionado pelo empregado, prevista nos contratos acostados aos autos, não lhe transfere os riscos da atividade, tampouco elide a subordinação, tratase tãosomente de cláusula inerente à relação de emprego, expressamente prevista no § 1º do art. 462 da CLT. Nos caso aqui examinado, os funcionários considerados pela empresa como contribuintes individuais tratamse de trabalhadores que desempenharam pessoalmente, no período fiscalizado, atividades remuneradas mensalmente, de forma continuada e sob a direção da empresa. O fato de esses trabalhadores terem recebido valores a título de décimoterceiro salário e férias apenas corrobora sua condição de empregados do recorrente. Aliás, o próprio sujeito passivo admite ter alterado a situação de empregados seus para a categoria de contribuintes individuais após a aposentadoria desses, o que deixa ainda mais patente as irregularidades constatadas pelo Fisco, eis que a relação de emprego não se modifica pela mera superveniência de aposentadoria. Além do que, não se pode olvidar da informação prestada pela autoridade autuante de que os trabalhadores aqui referidos estiveram vinculados à empresa, em períodos diversos do fiscalizado, na condição de empregados. Vejamos o que consta do relato fiscal (fl. 343): 4.2.1 A insistência em negar a existência do vínculo empregatício decorre do fato de que tais contratos foram firmados com trabalhadores que estiveram a ela vinculados por registro de emprego, segundo dados contidos no sistema CNIS CIDADÃO da Previdência Social: Hiromi Kubota, contratado em 01/12/2000 , esteve vinculado à contratante como empregado, de 01/02/73 a 01/02/2000. Foi considerado sem vínculo de Fl. 645DF CARF MF 26 emprego pela intimida de 02/2000 até 12/2006, em 01/2007 foi novamente registrado como empregado. Massamitsu Shinzato, contratado em 01/12/2000, esteve vinculado à contratante como empregado de 01/11/74 a 03/08/99. Foi considerado sem vínculo de emprego pela intimada de 08/1999 até 04/2007, em 02/05/2007 foi novamente registrado como empregado. Massao Shinzato, contratado em 01/12/2000, esteve vinculado à contratante como empregado de 01/11/74 a 11/03/88 e de 10/06/88 a 30/06/99. Foi considerado sem vínculo de emprego pela intimada de 02/2000 a 02/2006. Tadashi Kashiwara, contratado em 01/12/2000, esteve vinculado à contratante como empregado de 01/02/71 a 31/08/99 e de 02/01/2007 a 27/10/2008. Foi considerado sem vínculo de emprego pela intimada de 09/1999 a 09/2002. Eunice Sumico Yonamine, contratada em 01/12/2000, esteve vinculada à contratante como empregada de 01/10/90 a 24/07/97. Foi considerada sem vínculo de emprego pela intimada de 01/1998 a 12/2005, em 02/05/2007 foi novamente registrada como empregada. Alcides Takano, contratado em 01/03/2001 , esteve vinculado à contratante como empregado, de 14/12/1978 a 20/09/1982, de 08/12/83 a 20/02/2001 e de 01/03/2002 a 10/12/2004. Foi considerado sem vínculo de emprego pela intimada de 03/2001 a 03/2002. José Gomes da Silva, contratado em 01/09/2002 , esteve vinculado à contratante como empregado de 01/07/76 a 04/03/79, de 11/06/79 a 01/05/85, de 22/04/91 a 20/07/91 e de 02/01/2007 a 02/07/2012. Foi considerado sem vínculo de emprego pela intimada de 09/2002 a 12/2004. Dorival Costa, contratado em 01/06/2003, está vinculado à contrtante como empregado desde 01/06/2006 . Foi considerado sem vínculo de emprego pela intimada de 06/2003 a 06/2006. No que concerne à assertiva trazida no recurso voluntário de que a materialização do fato jurídico tributável não teria ocorrido no caso concreto, os fundamentos aduzidos pelo sujeito passivo estão acostados na premissa de que os trabalhadores referidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito seriam contribuintes individuais. Contudo, restou demonstrado que tais obreiros enquadramse na categoria de segurado empregado, não havendo como considerar os argumentos suscitados na peça recursal a esse respeito. Sem razão a recorrente também nesse ponto. Decisões Administrativas e Doutrina Relativamente às decisões administrativas exaustivamente transcrita no apelos da contribuinte, há que se dizer que essas se aplicam às partes envolvidas nas lide a que se referem e que, por terem sido adotadas em contextos fáticos diversos, não acodem à recorrente. O mesmo se aplica à doutrina suscitada. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 14485.000203/200871 Acórdão n.º 2402006.121 S2C4T2 Fl. 15 27 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 647DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.720152/2016-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 06/05/2011, 27/06/2011, 07/07/2011, 20/07/2011, 12/09/2011, 19/10/2011, 29/11/2011, 16/12/2011, 27/12/2011, 29/12/2011
CONTRATO DE AFRETAMENTO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXECUÇÃO SIMULTÂNEA. Mesmo antes da alteração promovida pela Lei nº 13.043/2014, é legítima a celebração de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás.
CONTRATO DE AFRETAMENTO. PREVISÃO DE SERVIÇOS. A previsão de serviços relacionados à navegação e à manutenção da própria embarcação afretada não altera a natureza de afretamento do contrato, nas modalidades por tempo ou por viagem.
TRANSFERÊNCIA MALICIOSA DE VALORES DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA O DE AFRETAMENTO. NECESSIDADE DE DETERMINAÇÃO. Se a fiscalização entender que há transferência maliciosa de valores do contrato de prestação de serviços para o de afretamento, ela deve determinar ou, ao menos, estimar os valores transferidos, e não simplesmente desconsiderar por completo o conteúdo econômico do contrato de afretamento e lançar todo os valores contratados como se decorrentes da prestação de serviços fossem.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-004.592
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (Relator). Designada a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (Relator). Designada a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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EXECUÇÃO SIMULTÂNEA. Mesmo antes da alteração promovida pela Lei nº 13.043/2014, é legítima a celebração de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás. CONTRATO DE AFRETAMENTO. PREVISÃO DE SERVIÇOS. A previsão de serviços relacionados à navegação e à manutenção da própria embarcação afretada não altera a natureza de afretamento do contrato, nas modalidades por tempo ou por viagem. TRANSFERÊNCIA MALICIOSA DE VALORES DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA O DE AFRETAMENTO. NECESSIDADE DE DETERMINAÇÃO. Se a fiscalização entender que há transferência maliciosa de valores do contrato de prestação de serviços para o de afretamento, ela deve determinar ou, ao menos, estimar os valores transferidos, e não simplesmente desconsiderar por completo o conteúdo econômico do contrato de afretamento e lançar todo os valores contratados como se decorrentes da prestação de serviços fossem. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (Relator). Designada a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 01 52 /2 01 6- 92 Fl. 4618DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.619 2 José Henrique Mauri Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão nº 0739.244, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis. O presente processo administrativo traz lançamento de CIDE sobre pagamentos relativos à prestação de serviços técnicos por residentes ou domiciliados no exterior, relativos à Unidade de Produção, Armazenamento e Transferência de Petróleo e Gás Natural (tradução de “Floating Production Storage and Offloading” FPSO) Espírito Santo BC10 e do NavioSonda Clyde Boudreaux, por ausência de recolhimento, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: No curso da ação fiscal, a Autoridade autuante constatou [...]: No curso dos trabalhos de fiscalização deuse conta da existência de relações de negócios envolvendo sociedades mercantis nacionais e estrangeiras, de cujo contexto se insere o contribuinte sob fiscalização, razão pela qual o relato a seguir, se faz mister, para melhor entendimento dos fatos que levaram ao presente lançamento: a) a empresa estrangeira, a qual interessa prestar, para a SHELL, em território nacional, algum tipo de serviço, entre os quais a prospecção, perfuração, avaliação, completação e "workover", cria uma empresa no Brasil, sobre a qual detém o controle acionário/cotas; Fl. 4619DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.620 3 b) a SHELL realiza contratos distintos: um, com a empresa estrangeira, controladora do Grupo, e proprietária da unidade afretada, o qual é específico para o afretamento de embarcações e outro, com empresa do mesmo grupo, criada no Brasil, para a prestação de serviços, que prevê pagamentos bem discrepantes, conforme quadro demonstrativo abaixo: c) o propósito da metodologia adotada de contratos bipartidos do serviço a ser prestado é o escoamento, para o exterior, da maior parte dos valores envolvidos, já que, dessa maneira, "é possível enquadrar grande parte do valor contratado sob o alcance de alíquota zero, que obsta a retenção na fonte para afretamento de embarcações (Lei n° 9.481/97, art. 1°, inciso I)". Além do mencionado benefício fiscal referente ao IRRF pretendido pela Contribuinte, outro efeito verificado com a metodologia adotada é não o enquadramento de grande parte do valor contratado no campo de incidência da CideRemessas). No entanto, conforme restou esclarecido no Termo de Verificação, a Autoridade Fiscal entendeu inexistir, no presente caso, contratação autônoma de afretamento. Como visto, a Autoridade autuante entendeu que, materialmente, as remessas ao exterior em questão correspondem a contraprestações devidas em razão de serviços prestados por meio da utilização da FPSO Espírito Santo – BC 10 e do naviosonda Clyde Boudreaux. Quanto à FPSO Espírito Santo – BC 10, o contrato denominado Bare Boat Charter BBC (afretamento a casco nu) foi celebrado em 04/11/2006 entre Brazilian Deepwater Production Ltd., que é a proprietária da unidade flutuante, sediada nas Bermudas, e a sociedade holandesa Tamba BV, ligada à Fiscalizada SHELL. Já o contrato de prestação de serviços foi celebrado no mesmo dia 04/11/2006 entre a SHELL e a sociedade Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda. Quanto a esses contratos, a Autoridade Fiscal assim esclarece as relações entre as partes envolvidas: Fl. 4620DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.621 4 Para um melhor olhar e compreensão da real estrutura da contratação, convém ressaltar a ligação entre as empresas envolvidas nos contratos: as empresas Tamba B.V e a fiscalizada SHELL são integrantes do mesmo grupo, Royal Dutch Shell. Já Brazilian Deepwater Production Ltd, fretadora da unidade à Tamba BV, é sócia majoritária, com 99,90% do capital da empresa nacional Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda., anteriormente denominada SBM Projeto Novo Serviços Marítimo Ltda., contratada pela SHELL para o serviço de operação e manutenção da unidade. Brazilian Deepwater Production Ltd é uma jointventure do grupo SBM Offshore, proprietária e construtora da FPSO Espírito Santo Vale ainda ressaltar que, por meio de contrato celebrado em 03/12/2008, a SHELL afretou de Tamba BV a unidade FPSO para o período de utilização inicial de quinze anos. Esse contrato foi denominado BBC Local. Em análise ao contrato BBCLocal, em que Tamba BV figura como fretadora (contratada) e SHELL como afretadora (contratante), a Autoridade Fiscal destacou os seguintes pontos: Conforme o disposto no referido contrato, nomeado como BBC Bare Boat Charter/afretamento a casco nu, BBC Local, na Seção II, artigo 1º, item 4 –Definições, o termo “afretamento” abrange o afretamento, serviços de tripulação marítima, desmobilização e outros trabalhos a serem realizados pela contratada. O instrumento contratual também determina que a contratada afretará a FPSO já instalada, totalmente equipada e pronta para operar, com os fins de produção, tratamento, armazenamento e exportação de hidrocarbonetos dos campos BC10 (Seção II, artigo 2º, itens 2.1 e 2.3). Reza ainda o contrato que, os custos e despesas com consertos e manutenção dos equipamentos são atribuídos à contratada no exterior, a qual, no ato, se compromete em manter os padrões de desempenho da FPSO, durante todo seu período de utilização, e que, para tal, há de necessitar constantes manutenções e substituições de peças, em face dos desgastes normais ou eventuais dos equipamentos, em decorrência do seu uso (Seção II, artigo 3º, itens 3.1 e 3.2) É também de responsabilidade da fretadora no exterior, consoante contido em cláusula contratual (Seção II, artigo 3º, itens 3.4 a 3.7), não só o fornecimento da tripulação marítima para a navegação, bem como a gestão marítima da instalação; a manutenção de um sistema formal para o gerenciamento de saúde, segurança e ambiente, assumindo total responsabilidade pela adequação, estabilidade e segurança de todas as operações e métodos necessários; manter toda documentação em dia, com a FPSO totalmente certificada para atender aos regulamentos governamentais que permitam a Fl. 4621DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.622 5 permanência da unidade no território Brasileiro, além da desmobilização da FPSO ao final do período de utilização. Em adição, no tocante ao gerenciamento de saúde, segurança e ambiente, a seção VI, artigo 1 (itens 1.4.1 a 1.4.3; 1.5.1 e 1.5.2; 1.7.1; 1.8.1 a 1.8.5), artigo 2 e artigo 3 (itens 3.2, 3.4, 3.6), em seus itens, claramente demonstra que a contratada Tamba assume absoluta responsabilidade pelas funções gerenciais de saúde, segurança e ambiente, não só desenvolvendo e supervisionando programas e políticas para tanto, mas também inclusive provendo equipamentos para proteção de funcionários e instalações adequadas. Portanto, a contratação do afretamento, o chamado BBC Local, tratou não só do afretamento da unidade FPSO, mas nele também alocou serviços, como demonstrado à exaustão, desvirtuandose do conceito de “afretamento a casco nu”. Referindose à ligação entre os contratos de afretamento (BBC e BBCLocal) e de prestação de serviços, a Autoridade Fiscal prossegue nos seguintes termos: A cláusula 5.4, item ii, no artigo 5, Seção II, do contrato de afretamento estipula que o término do contrato de O & M (operação e manutenção) é base para o encerramento do afretamento e do período de utilização da FPSO pactuado, o que evidencia o estreito vínculo de ambos contratos, afretamento e serviços. Pelo referido contrato de afretamento da BC10, a SHELL pagou à Tamba B.V., mensalmente, os valores contratados à taxa diária, relacionados no Apêndice I do 4º aditivo, em dólares norte americanos, os quais foram escriturados como principal, conta do razão contábil 7210100 – Aluguéis gerais e 820477 juros sobre empréstimos (Itens 1.4 Pág. 13 e 1,14 pág 16). Importa ressaltar que a este contrato de afretamento BBC Local, contratado pela fiscalizada SHELL e Tamba BV, precedeu o contrato EPW – 110306 BBBR/ contrato de afretamento, denominado BBC, pactuado entre Brazilian Deepwater Production Ltd BDP e Tamba BV (Holanda). Este contrato foi obtido junto ao processo de Requerimento de Admissão Temporária, anteriormente mencionado. Tal contrato de afretamento BBC foi celebrado em 04 de novembro de 2006. Mais uma vez destacamos o fato de que esta é a mesma data em que foi celebrado o contrato de serviços O & M entre SHELL e SBM Projeto Novo Serviços Marítimo Ltda. (Operações Marítimas em Mar profundo Ltda), em paralelo. Referindose, agora, ao contrato de afretamento (BBC) celebrado entre a proprietária Brazilian Deepwater Production (BDP) e Tamba BV, a Autoridade Fiscal destaca os seguintes pontos: Fl. 4622DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.623 6 Deste pacto contratual, denominado de afretamento BBC, observase que: • O período de utilização inicial é de 15 anos, podendo ser estendido; • A descrição dos endereços para notificações (apêndice 1, Seção2), informa que, para a contratada Brazilian Deepwater, aquelas devem ser encaminhadas aos cuidados de SBM Production Contractors; • O “apêndice 2 da Seção 1 Forma do Contrato” é celebrado pela SHELL, Brazilian Deepwater e Tamba B.V; portanto, traz a SHELL como parte do contrato. Os itens 1 e 2 do referido apêndice definem a SHELL como operadora do BC 10, e, em adição, informam que a contratada Brazilian Deepwater consente na celebração do BBC Local, entre SHELL e Tamba B.V, sendo que esta última se compromete que nada no BBC Local modificará ou afetará os termos do BBC celebrado. Deste modo, deve o BBC Local fielmente retratar e se ater aos termos do BBC; e, mais além, que fica estipulado que a rescisão do BBC provoca a resilição do BBC Local; • Ainda neste apêndice, sob a ótica do que informa o seu item 3, em troca deste consentimento dado pela contratada Brazilian Deepwater, qual seja a de que a empresa Tamba pudesse contratar localmente com SHELL, com vistas a afretar a unidade FPSO, a SHELL, acorda a SHELL com a contratada BDP que, caso haja alguma falha no pagamento a ser efetuado pela Tamba B.V, ela, SHELL, será responsável pelo pagamento, diretamente à contratada, se fazendo, portanto, em substituir obrigações concernentes à parte contratante; • A seção II Condições do Contrato, artigo 1 Definições, em seu item 1.35, informa que, previamente, já restava determinada a celebração de um contrato de O & M entre a SHELL e a S.B.M Brasil, com a mesma data deste afretamento BBC, qual seja, 4 de novembro de 2006. Assim como, em seu item 1.28, menciona que já era definido um contrato BBC LOCAL, fretamento “casco nu”, celebrado entre Tamba e SHELL, segundo o qual a empresa Tamba concordava em fretar a FPSO à Shell Brasil. Tais itens reforçam a evidência de que se tratam de contratações interligadas; • Segundo A seção II Condições do Contrato, artigo 2 Afretamento, a contratada BDP fornecerá a FPSO já instalada, totalmente equipada, certificada e em operação, para assim, a empresa Tamba fretála à Shell Brasil, nos termos e condições do BBC; Fl. 4623DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.624 7 • A contratada Brazilian Deepwater, por sua conta e custos, se compromete em manter os padrões de desempenho da FPSO, durante todo seu período de utilização, que, para tal, necessita constantemente de manutenções e substituições de peças, fornecendo tais materiais que se façam necessários (seção II Condições do Contrato, artigo 3 Obrigações da Contratada BBC); • A rescisão do contrato de O & M enseja rescisão do afretamento BBC (seção 2Condições do Contrato, artigo 5 Período de Utilização do BBC e Desmobilização, item 5.4, ii), o que reitera a interligação e vínculo entre os contratos de afretamento e serviços; • Caso o fretamento contratado seja resilido como resultado da rescisão do contrato de O & M, e esta rescisão do ajuste contratual O & M seja fruto de falha do contratado O & M, qual seja, SBM Brasil, então a contratada Brazilian Deepwater será responsável para com Tamba por qualquer perda e dano porventura por esta incorrida, exceto em relação ao limite das perdas e danos já cobertas pelo contrato O & M (artigo 9, item 9.5, Seção II). Isto demonstra que a controladora Brazilian Deepwater assume total responsabilidade pelos danos que o descumprimento de contrato de serviços pela SMB Brasil Ltda, controlada, vier a causar, atestando a estreita ligação entre ambas. Relembrandose que a proprietária da FPSO é detentora de 99,9 % do capital social da prestadora de serviços SBM Brasil (Operações Marítimas em Mar profundo Ltda); • A cláusula 20.3, prevê a responsabilidade total por parte da contratada Brazilian Deepwater pelo trabalho realizado concernente à FPSO; • As cláusulas 22.1 a 22.7 do artigo 22 da seção II Condições do Contrato, dispõe [sic] que a Brazilian Deepwater fará com que a SBM Brasil seja incorporada no Estado do Espírito Santo e designada como importadora e exportadora de registro, ou seja, ficando responsável pela importação não só da FPSO, mas também de todas as peças, equipamentos e sobressalentes necessários à operação da FPSO, a serem fornecidos pela própria BBC [sic] para o desempenho do trabalho, sob o regime REPETRO. Assim, a contratada BBC [sic] deve fazer com que a SBM Brasil cumpra com todas as disposições do referido regime e da legislação alfandegária brasileira. [...] Quanto ao contrato de prestação de serviços, a Autoridade Fiscal destacou os seguintes aspectos: Fl. 4624DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.625 8 Em paralelo ao contrato de afretamento, BBC, e na mesma data, a Shell Brasil Ltda celebrou o contrato de prestação de serviços O&M (Operação e Manutenção), de número EPW 110306 C BBR, com a empresa SBM Projeto Novo Serviços Marítimos Ltda, CNPJ 07.283.129/000101, domiciliada na Av. Nossa Senhora dos Navegantes, nº 451, enseada do Suá – Espirito Santo. O referido contrato foi apresentado a esta fiscalização em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 13, de 28/09/2015. Aqui reiterase que a empresa, posteriormente designada de Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda., tem como sócia majoritária a empresa estrangeira Brazilian Deepwater Production Ltd., ou seja, aquela que, de fato, fretou a unidade FPSO para a SHELL por intermédio de Tamba B.V. Analisandose as funções e salários pagos pela contratada Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda., consubstanciandose em dados extraídos da Guia do Fundo de Garantia e Informações à Previdência, verificouse que entre as pessoas contratadas, em média 75, não constam profissionais com qualificações para prestarem serviços de alta tecnologia, para elaborar e implementar projetos marítimos destinados à produção de petróleo e gás natural, tendo sido detectada a presença de apenas um engenheiro. No demonstrativo acima, cujos dados foram extraídos da GFIP, as informações têm os seguintes significados: A) CBO código brasileiro de ocupação; B) As funções definidas de acordo com os códigos CBO a serem informadas na GFIP; C) Quantidade de segurados em cada função; D/E) os menores e os maiores salários pagos em cada função. Fl. 4625DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.626 9 Quanto ao pessoal dedicado ao cumprimento do contrato de afretamento BBCLocal, de responsabilidade de Tamba BV, a Autoridade Fiscal destacou: Por meio do TIF número 18, o contribuinte foi intimado a apresentar a relação das pessoas utilizadas pela contratada Tamba B.V, para atender ao contrato de afretamento, contendo nomes e funções desempenhadas. Contudo, a sua resposta se limitou a “esclarecer que não há, no contrato de afretamento, a listagem com os nomes das pessoas que compõem a tripulação mínima de segurança, mas tão somente a indicação que deverá haver pessoas para cumprir as funções requeridas pela Norma de Autoridade Marítima para embarcações empregadas na navegação em mar aberto (Norma – 01/DPC) da Marinha do Brasil, através de sua Diretoria de Portos e Costas”. Ou seja, não atendeu adequadamente ao que lhe fora inquerido. Deste modo, considerandose que a tripulação mínima a que se refere à resposta é formada por profissionais a bordo da embarcação que se dedicam à condução da embarcação, mantendose a sua segurança e navegabilidade, (tripulação náutica), geralmente estrangeiros, é solar afirmarse que não foi com esta tripulação náutica que a contratada supriu as demandas do contrato de afretamento aos quais se propõe, com relação aos itens vinculados à parte de pessoal relativas às funções gerenciais de saúde, segurança e ambiente, bem como na prática de desenvolver e supervisionar programas e políticas de melhorias no setor de pessoal, inclusive provendose equipamentos para proteção de funcionários e instalações adequadas. (vide Seção VI, Gerenciamento de Saúde, Segurança e Ambiente HSE) . Depois de expor o resultado de sua avaliação das cláusulas dos contratos em questão, e de apresentar os elementos relativos ao pessoal empregado na operação da unidade flutuante, a Autoridade Fiscal concluiu o seguinte: A título de afretamento, foram pagos, em 2011, à empresa fretadora Tamba B.V, R$ 282.713.716,25 (duzentos e oitenta e dois milhões, setecentos e treze mil, setecentos e dezesseis reais e vinte e cinco centavos), verba esta remetida ao exterior em nome da contratada, conforme consta nos contratos de câmbio, enquanto que, a título de prestação de serviços de operação e manutenção foram pagos, no mesmo ano, à empresa SBM Projeto Novo Serviços Marítimos Ltda, R$ 18.266.299,90 (dezoito milhões, duzentos e sessenta e seis mil, duzentos e noventa e nove reais e noventa centavos). Isto é, do total dos dispêndios com a FPSO, com custos de afretamento e serviços de operação/manutenção, apenas 6% foi destinado a este último, enquanto que 94% total pago foi a título de afretamento, o que configura uma exagerada desproporção, e evidencia a manobra dissimuladora utilizada para retirar receitas do campo de incidência Fl. 4626DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.627 10 dos tributos, uma vez que o afretamento foi considerado pela SHELL como sujeito à incidência de alíquota zero do Imposto de Renda. Há evidências de que tanto a empresa Fretadora Brazilian Deepwater Production, enquanto fretadora da unidade FPSO, como a Prestadora de Serviços SBM BRASIL pertencem ao grupo econômico liderado por SBM OFFSHORE. Pesquisandose o site da SBM OFFSHORE na internet, verificase que esta se apresenta como especialista em operações de “lease and operate”, as quais conjugam o fornecimento e a operação de equipamentos no segmento petróleo. No mesmo site obtivemos relatório denominado “Corporate Social Responsibility Report CSRR 2009, cuja página 44 exibe quadro descritivo da frota empregada nas operações de “lease and operate”, em 2009. Neste, consta a unidade FPSO Espírito Santo, cujo cliente é Shell, no campo BC10 no Brasil. Na página 45, a descrição de suas atividades no ano informa que a FPSO, Espírito Santo, é fretada por BC10, Joint venture, operada pela Shell juntamente com ONGC, Campos e Petrobrás, tendo como coventures SBM OFFSHORE e MISC, sob um contrato de aluguel e operação da FPSO de 15 anos. No mesmo site, onde demonstra suas atividades pelo mundo, obtivemos uma ficha descritiva da FPSO, Espírito Santo, que informa que a mesma pertence à joint venture formada por SBM OFFSHORE e MISC. Ainda no mesmo site colhemos o relatório denominado “HalfYear Results”, cuja página 17/18, em seu item 3, “Accounting Policies and Measuraments”, contém quadro que contempla a participação da SBM Offshore em jointventures, e informa a sua participação com 51% na jointventure Brazilian Deepwater Production e, como sendo a controladora também de Operações Marítimos em Mar Profundo Brasileiro Ltd (SBM Brasil). Por todo o acima exposto, a fiscalizada SHELL infringiu a legislação tributária, ao efetuar pagamentos ao exterior, a título de afretamento da FPSO, Espírito Santo, sem retenção de IRF, sem o recolhimento da CIDE, e sem PIS/COFINS Importação. Os tributos são devidos em razão das seguintes evidências fáticas: a) Não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados, os quais são muito específicos, envolvendo riscos operacionais altíssimos, além de se exigir tripulação treinada e qualificada, esta disponibilizada pela fretadora; b) A unidade FPSO, Espírito Santo, não obstante a existência de um pacto contratual de afretamento “local” entre Tamba B.V, empresa do grupo Royal Dutch Shell, e Shell Brasil Petróleo, foi de fato fornecida por empresa do Grupo SBM, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira SBM Brasil contratada para a prestação de serviços de operação e manutenção; ou seja, uma empresa do Grupo SBM foi contratada para prestar serviços utilizandose de unidade que o próprio Grupo SBM forneceu; Fl. 4627DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.628 11 c) Tratase de uma só contratação, cujo fundamento econômico é o serviço de produção de petróleo de petróleo e gás natural, indevida, propositalmente e artificialmente dicotomizada, a fim de evitar a incidência do imposto de renda, da CIDE, e do PIS/COFINS Importação sobre a maior parte da remuneração. Diante do contexto concreto dos contratos aqui descritos, todos intrinsicamente relacionados entre si, em que pese a repartição meramente formal em dois ajustes contratuais, afretamento e serviços, não há, pois, à evidência, que se falar em afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Quanto ao naviosonda Clyde Boudreaux, a Autoridade Fiscal esclarece que, no mesmo dia 11/02/2011, a SHELL celebrou contrato de afretamento com a sociedade holandesa Noble Drilling (Nederland) BV, e contrato de serviços de perfuração com a sociedade Noble do Brasil Ltda. Sobre entre esses contratos, a Autoridade Fiscal assim se manifestou: Em 11 de fevereiro de 2011 foi celebrado o pacto contratual de afretamento do Navio Sonda Clyde Boudreaux, n° 4610030069, entre Shell Brasil Petróleo Ltda., na condição de contratante, e Noble Drilling (Nederland) B.V, esta empresa holandesa contratada para executar o programa de perfuração, testes, suspensão, workover, abandono e completação de poços em alto mar da contratante, no Parque das Conchas. O contrato de afretamento da unidade de perfuração é complementar, e foi realizado em estreito alinhamento com o contrato de serviços de perfuração número 4610030068, celebrado entre a Shell Brasil Petróleo Ltda e a empresa Noble do Brasil Ltda, CNPJ 40.330.078/000199 localizada na cidade de Macaé, RJ. Ambos os contratos são interrelacionados, a ponto de qualquer violação ocorrida acarretar consequências em comum, em sendo a rescisão do contrato de prestação de serviços ser base para a resilição do contrato de afretamento (item 11 do contrato de afretamento, e item 10 da Seção II Cláusulas do contrato, do contrato de serviços). Dispõe esta cláusula que se qualquer parte deixar de cumprir suas respectivas obrigações em um contrato, o descumprimento o será também considerado como não realização no outro contrato. Os contratos de afretamento e de serviços foram assinados nas mesmas datas, ou seja, em 11 de fevereiro de 2011, prevendose o mesmo prazo; vale dizer, de 25/03/2011 a 15/04/2011. [sic] Pelo afretamento do Navio Sonda Clyde Boudreaux a Shell pagou a importância de R$ 83.790.709,79 (oitenta e três milhões, setecentos e noventa mil, setecentos e nove reais e setenta e nove centavos), abrangendo a gestão, supervisão, pessoal, plantas, materiais de consumo e instalações necessários para a satisfação das cláusulas contratuais. Pela prestação de serviços a Shell pagou R$ Fl. 4628DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.629 12 22.849.093,00 (vinte e dois milhões, oitocentos e quarenta e nove mil e noventa e três reais), ou seja, 21,43% do valor contratado a título de afretamento, revelando a desproporção de valores existente entre os dois contratos celebrados. Coubera à contratada e fretadora Noble Drilling fornecer toda a administração, supervisão, pessoal, materiais e equipamentos, planta e instalações, exceto aqueles fornecidos nos termos do contrato de prestação de serviços. Dentre suas responsabilidades estão incluídas também a adequação e segurança de quaisquer operações desenvolvidas na unidade (cláusula 5.3). O pessoal da fretadora para fornecer o afretamento tem como englobados o capitão, os oficiais e tripulantes marítimos da unidade de perfuração (cláusula 9). A fretadora Noble Drilling declara no referido contrato que possui a experiência e a capacidade, incluindo supervisores suficientes e competentes e outras pessoas, para executar o trabalho de forma eficiente, rápida e com segurança (cláusula 9.1). Além de fornecer continuamente tal pessoal, a contratada Noble Drilling assegurou que o pessoal chave não poderia ser substituído sem aprovação prévia da SHELL, e que envidará todos esforços para operar a empreitada com o seu próprio quadro de pessoal permanente, em preferência a pessoal de agências (cláusula 9.2). Dispõe, inclusive, o referido contrato, que a SHELL pode notificar a Noble para retirar do local de trabalho qualquer diretor, empregado ou agente da Noble, da plataforma, que seja incompetente ou negligente em suas funções (cláusula 9.12). [...] Na clausula 3.2, seção IV, que assenta sobre o escopo da empreitada, consta que a contratada terá disponível, desde a data do inicio do contrato e pela sua duração, pessoal da contratada suficiente para executar a empreitada com eficiência, conforme requerido no contrato. Esta mesma seção, em seu item 2, define empreitada como a provisão da unidade de perfuração pela contratada, sendo ela, contratada, exclusivamente responsável pela operação e manutenção dos itens por ela fornecidos, e por prestar assistência e suporte às subcontratadas, outras contratadas, ou à própria contratante, ao longo das operações de perfuração desenvolvidas. Aqui, reiterase, que, malogrado o contrato ter sido nominado afretamento, este, de fato, abarcou serviços em seu escopo de forma conjunta. A cláusula 3.3, seção IV, traz a listagem do pessoal, referente à provisão mínima composta de apenas um comandante (engenheiro de Fl. 4629DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.630 13 balsa), um imediato e dois operadores de radio. Tratase de pessoas vinculadas à equipe náutica, que têm funções específicas a bordo da embarcação, portanto com a finalidade de manter navegabilidade e segurança. Desta forma, considerandose as complexas atribuições assumidas pela contratada para executar as operações às quais se obrigou no contrato de afretamento, podese concluir que não foi apenas com esta tripulação náutica que a contratada supriu as demandas do contrato acima citadas e as demais. Citase, como exemplo, o serviço de base de suporte descrito no item 2.6.2 (de A a H) da seção IV, a qual prescreve a exigência de pessoal não apenas vinculado à referida tripulação. No contrato de afretamento, a seção II, cláusula 23, item 23.5 responsabilidade da CONTRATADA por poluição informa que, no caso de despejo de óleo e outros resíduos no mar, por conta de negligência ou violação de dever do GRUPO DA CONTRATADA, a responsabilidade recai sobre a Fretadora NOBLE DRILLING. Fazse necessário esclarecer que, na seção II do contrato de afretamento, de que tratam as Cláusulas Contratuais, a cláusula 1 Definições, descreve GRUPO DA CONTRATADA como sendo a contratada e suas afiliadas, e contratadas de serviços e suas afiliadas. Sendo descrita contratada de serviços a NOBLE DO BRASIL, empresa brasileira que, em paralelo, celebrou o contrato de prestação de serviços. Isto demonstra que, em caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade conjunta recai sobre a Fretadora Noble Drilling e sobre a Prestadora de Serviços Noble do Brasil (cláusula 23.5, tanto no contrato de afretamento como no de prestação de serviços). Ressaltase que, segundo informação extraída da DIPJ do ano 2011, naquele ano a NOBLE DO BRASIL Ltda era controlada pela NOBLE DRILLING HOLDING LLC (99,99%). Informações extraídas do site da NOBLE CORPORATION relacionam as empresas que compõem o Grupo NOBLE, entre estas incluída a NOBLE BRASIL, bem como as unidades que compõem a sua frota (cópias anexadas ao processo fiscal). [...] Do acima exposto, se conclui que tal como observado no contrato da FPSO, Espírito Santo, não se pode atribuir os pagamentos ao simples afretamento, visto que, no caso in concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados. A unidade Clyde Boudreaux foi fornecida por empresa do Grupo NOBLE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração. Fl. 4630DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.631 14 A empresa Noble do Brasil Ltda, do Grupo NOBLE, foi contratada para prestar serviços, utilizandose de unidade que o próprio Grupo NOBLE fornecera. Tratase, portanto, de uma só contratação, dicotomizada artificialmente, a fim de evitar a incidência do imposto de renda, da CIDE, e do PIS/COFINS Importação sobre a maior parte da remuneração. Diante do contexto concreto dos contratos aqui descritos, em que pese a repartição formal e dualidade contratual, afretamento e serviços, não há que se falar em afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados, e, o fundamento econômico da contratação é o serviço de perfuração /exploração para produção de petróleo e gás natural. Cabe, ainda, registrar que a Autoridade Fiscal também analisou as contratações relacionadas à operação da FPSO FLUMINENSE, tendo concluído o seguinte: Da análise do contrato de afretamento apresentado, não foi identificada a presença de serviços embutidos, prestados pela fretadora, bem como não restou caracterizado vínculo entre a prestadora de serviços Modec Serviços de Petróleo e a fretadora Shell e And P. Offshore Services B.V. [...] IMPUGNAÇÃO Da exigência fiscal a Contribuinte foi cientificada em 03/05/2016 (fl. 2724). Irresignada, em 02/06/2016 apresentou a Impugnação de fls. 2736 a 2803, mais anexos, em que primeiramente contextualiza os fatos da seguinte forma: 2. DOS FATOS. A Impugnante é empresa internacionalmente conhecida, integrante do grupo angloholandês RoyalDutch Shell, que se destina à exploração de petróleo sob regime de concessão no mar territorial brasileiro, notadamente na Bacia de Campos/RJES. É de conhecimento geral que a extração de petróleo do fundo do mar é uma atividade de risco e complexa, que depende da contratação de inúmeros serviços especializados, e, também, da locação de diversos equipamentos absolutamente imprescindíveis para a sua realização. Sem sombra de dúvidas, o equipamento mais importante nesta atividade é embarcação (plataforma, naviosonda ou FPSO), que interliga a planta fabril até o local do poço submarino de petróleo. Como o Brasil possui alto custo para produção de plataformas, FPSOs, ou naviossonda, a praxe adotada pelo mercado é afretar a embarcação do exterior, o que é inclusive estimulado pela legislação Fl. 4631DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.632 15 que desonerou a carga tributária incidente sobre a contraprestação do afretamento mediante concessão de alíquota zero para IRRF e PIS/COFINSimportação, assim como pela própria legislação do REPETRO. Evidentemente, também é absolutamente necessário contratar profissionais especializados que saibam operar a planta fabril localizada na embarcação. Também é praxe do mercado que o grupo econômico que dispendeu milhões e milhões de dólares para construir a embarcação disponibilize os profissionais que irão operála. Neste contexto, a Impugnante celebra dois contratos distintos: • o primeiro, de afretamento da embarcação, para ter a mesma totalmente equipada e tripulada à sua disposição por um determinado lapso temporal; • o segundo, de prestação de serviços local, para a operação e manutenção da planta fabril, ou seja, para a efetiva extração de hidrocarbonetos do subsolo. Apesar de ser um modelo contratual expressamente admitido (e inclusive induzido) pela legislação tributária1, a Receita Federal passou a questionar uma suposta manipulação nos valores remetidos a título de afretamento para o exterior (com alíquota zero de IRRF, e PIS/Cofinsimportação), em contraposição aos valores devidos a título de prestação de serviços, estes tributados no Brasil, como informa no Termo de Verificação Fiscal TVF (doc. n° 04): "Nestas fiscalizações verificouse. recorrentemente que, para prestação de serviços de prospecção, perfuração, completação e "workover". a empresa produtora e exploradora, necessitando contratar serviços de prospecção, perfuração, avaliação, completação e "workover", firmou dois contratos: um de prestação de serviços, com empresa nacional; e outro de afretamento, com empresa estrangeira controladora da primeira. Na operação, atribuiuse valor bastante expressivo ao contrato de afretamento (cerca de 90% da soma dos dois contratos), cujos pagamentos foram destinados ao exterior, sem retenção de imposto de renda na fonte. Valor menor (cerca de 10% do total) foi atribuído à prestação de serviços, e pago à contratada nacional, com retenção do respectivo imposto. Deste modo, a autoridade fiscal vislumbrou artificio de triangulação, com intuito de mascarar uma única contratação para a prestação de serviços, da qual faz parte o fornecimento da embarcação. Na ocasião, a autoridade fiscal ressalvou que se tratava de tributar "um mínimo possível ",já que ficara de Fl. 4632DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.633 16 fora grande parte da base tributável remetida para o exterior sem tributação, e jamais reingressada." Essa suposta "bipartição artificial" dos contratos de afretamento e prestação de serviços vinculados à indústria de óleo e gás decorre de antigo inconformismo da Receita Federal com o benefício fiscal instituído pelo art. 1º da Lei 9.472/1997, que reduziu a zero a alíquota do IRRF sobre tais remessas. Com efeito, inicialmente o Fisco pretendeu questionar unicamente o enquadramento das plataformas de petróleo no "conceito legal de embarcação" (vide Acórdão n° 106144312), para fins de incidência da alíquota zero de IRRF. Posteriormente, a Receita Federal passou a considerar que as prestadoras de serviços de operação da planta fabril (contrato de operação e manutenção O&M) estabelecidas no Brasil seriam as reais beneficiárias dos rendimentos recebidos como contraprestação pelo afretamento. Assim, os valores remetidos ao exterior a título de afretamento seriam receitas omitidas das prestadoras de serviço brasileiras (Acórdão n° 1402001.439). Não tendo logrado êxito com as estratégias anteriores, a Receita Federal passou a exigir das concessionárias os tributos incidentes na importação de serviços dos campos de exploração, ao argumento de que o contrato de afretamento seria artificial, pois seu objeto se confundiria com o de prestação de serviços de O&M, razão pela qual foram requalificados como uma grande importação de serviços, dos quais o afretamento seria atividademeio. 2.1. Síntese dos fundamentos da autuação. Como adiantado, o procedimento fiscal em referência requalificou os contratos de afretamento por entender que o objeto dos mesmos é a prestação de serviços, e também que as unidades afretadas não se enquadrariam no conceito legal de embarcação. Via de consequência, passou a exigir IRRF, Cideremessa e PlS/Cofins importação sobre os valores remetidos ao exterior a título de afretamento para as empresas Tamba BV e Noble Driling. Em relação ao FPSOFluminense, contudo, a exigência é apenas de IRRF. 2.1.1. Quanto ao afretamento do FPSOFluminense. O contrato de afretamento do FPSOFluminense foi considerado hígido pela autuação. Apesar disto, foi lavrado auto de infração para exigir IRRF sobre as remessas ao único fundamento de que esta unidade não se enquadraria como uma embarcação para os fins do art. 1º, inciso I, da Lei 9.481/1997. Fl. 4633DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.634 17 2.1.2. Quanto ao afretamento do FPSOEspírito Santo. O FPSOEspírito Santo foi construído pela Brazilian Deepwater Production Ltd. e, posteriormente, afretado com opção de compra na essência um contrato de leasing financeiro denominado Bare Boat Charter ou BBC por Tamba BV, empresa sediada na Holanda com composição societária idêntica ao do consórcio explorador de BC10. A Tamba BV, por sua vez, afretou o FPSOEspírito Santo para a Impugnante nos termos do REPETRO (denominado LBBC doc. n° 05). Este afretamento foi realizado sob a modalidade "por tempo" (time charter), ou seja, no qual toda a gestão náutica é de responsabilidade do fretador. Também foi celebrado um contrato de prestação de serviços de O&M entre a Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda. e a Impugnante, na qualidade de líder do consórcio BC10 (doc. n° 06). Este contrato de prestação de serviços engloba a operação e manutenção da planta fabril localizada dentro da embarcação. O diagrama abaixo ajuda a compreender a operação. Registrese que no período autuado a proporção entre o valor do afretamento em relação ao de prestação de serviços de O&M era de 94% e 6%, respectivamente. 2.13. O afretamento do naviosonda Clyde Boudreaux. Fl. 4634DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.635 18 O naviosonda Clyde Boudreaux foi afretado diretamente pela Impugnante junto à Noble Drilling BV, detentora da unidade (doc. n° 07). Este contrato de afretamento também foi realizado sob a modalidade "por tempo" (time charter), ou seja, no qual a gestão náutica (equipagem, navegação e serviços conexos como saúde, segurança e meio ambiente e a manutenção da embarcação) são de responsabilidade do fretador (Noble BV). Concomitantemente à celebração do contrato de afretamento entre Noble BV e a Impugnante, foi celebrado um contrato de prestação de serviços de O&M entre a Impugnante e a Noble Brasil Ltda., para que esta operasse a referida sonda. O contrato de prestação de serviços engloba a operação e manutenção da planta fabril localizada na embarcação (doc. n° 08). Também cabe registrar que, no período autuado, a proporção entre o valor do afretamento em relação ao de prestação de serviços de O&M era de 78,57% a 21,43%, respectivamente, conforme aduz o próprio TVF. O diagrama abaixo ajuda a compreender a operação. Após essa contextualização inicial, a Impugnante passou a atacar os fundamentos da autuação, nos seguintes termos: 2.2. Fundamentos da autuação. [...]Os fundamentos da autuação podem ser resumidos nos seguintes pontos: 1) A análise das cláusulas dos contratos de afretamento e prestação de serviços de O&M demonstrariam a confusão entre o objeto dos mesmos; 2) O contrato de afretamento contém cláusulas que englobam a prestação de diversos serviços, o que demonstra que não é um mero contrato de afretamento "a casco nu"; Fl. 4635DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.636 19 3) O pessoal fornecido pelo fretador não seria suficiente para prestar todos os serviços de gestão náutica relacionados no aludido contrato; 4) No caso do FPSO Espírito Santo, o quadro de funcionários da Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda. (conforme GFIP) não apresentaria pessoal qualificado para a prestação dos serviços de O&M contratados; e 5) Haveria "evidente desproporção" entre o valor do afretamento e o contrato de prestação de serviços, conclusão essa que não teria sido alterada pela Lei 13,043/2014 que não se aplicaria aos fatos geradores em análise (maio a dezembro de 2011). Com base nestes elementos, concluiu o Fiscal autuante que a Impugnante não teria realizado a importação do FPSOEspírito Santo e do NavioSonda Clyde Boudreaux mediante afretamento, mas importado apenas serviços técnicos especializados, os quais deveriam sofrer normalmente a incidência de PIS/COFÍNSimportação, sem os benefícios do REPETRO. É ver: [...]Em relação aos contratos celebrados com as empresas Tamba £. V. e Noble Drilling (Netherland) BV, constatouse que os pagamentos efetuados englobam não só o afretamento, como também a prestação de serviços de operação e manutenção da FPSO. Espírito Santo, bem como da Sonda Clyde Boudreaux. Desta forma constatase que a SHELL infringiu a legislação tributária por não efetuar a retenção de IRF e o recolhimento da CIDE, do PIS e da COFINS Importação, conforme relacionado na tabela a seguir:" Como se vê, a autuação fiscal decorre diretamente da requalificação realizada sobre os contratos de afretamento de embarcação, que, no entender da Fiscalização, teriam por objeto a prestação de serviços. Assim, a procedência da autuação passa, necessariamente, pela manutenção desta premissa adotada, qual seja, de que as remessas ao exterior empreendidas pela Impugnante não remuneram o afretamento, mas a prestação de serviços técnicos especializados. Até este ponto, a Impugnante descreve os fundamentos da autuação. Logo em seguida, expõe seu entendimento acerca desses mesmos fundamentos, apresentando uma síntese do que serão suas razões de defesa, da seguinte forma: Com a devida vénia, os fundamentos contidos no Termo de Verificação Fiscal são insubsistentes pelo seguinte: a) A coligação de contratos de afretamento e de prestação de serviços de O&M é absolutamente normal na indústria de petróleo, e a existência de cláusulas impondo obrigações e responsabilidade recíprocas se justifica pela natureza da atividade desempenhada; Fl. 4636DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.637 20 b) A própria legislação do REPETRO admitia a coligação de contratos de prestação de serviços de O&M e de afretamento à época dos fatos geradores autuados, sem impor qualquer limitação; c ) Tais limitações apenas foram introduzidas pela Lei 13.043/2014, que, todavia, não determinaria quaisquer ajustes aos contratos de afretamento celebrados pela Impugnante; d) Para requalificar o negócio jurídico realizado a autoridade administrativa deveria ter comprovado a existência de simulação, o que não foi feito; e) Ademais, há razões econômicas que justificam a forma negocial adotada pela empresa e os preços de afretamento e prestação de serviços pactuados; f) Ainda que se entenda que eventual desproporção entre os valores pactuados a título de afretamento e de prestação de serviços autorizaria a requalificação do negócio jurídico, os tributos lançados deveriam recair apenas sobre a parcela que ultrapasse o percentual razoável, e não sobre a integralidade da remessa ao exterior; g) Caso se entenda pela manutenção da requalificação dos contratos de afretamento como importação de serviços, a autuação deverá ser cancelada em razão do necessário reconhecimento do direito ao crédito na exata proporção do débito lançado; h) Por fim, deve ser ao menos cancelada a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. É o que se passa a demonstrar. Depois de sintetizar seus argumentos de defesa no item 2.2 de sua petição, a Impugnante passa a detalhálos nos itens 3 a 8, sendo que no item 3 há uma questão preliminar de violação ao art. 146 do CTN. Para não tornar ainda mais extenso este Relatório, os referidos argumentos serão detalhadamente apresentados e analisados no Voto. Ao final de sua petição, no item 9, a Contribuinte requer a extinção do crédito tributário lançado e protesta pela juntada posterior de documentos, especialmente pareceres jurídicos e técnicos e a tradução juramentada de documentos em língua estrangeira, à luz do art. 16, § 4º, “a” e § 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. Em 28/06/2016, por meio da petição de fls. 4317 a 4320, a Contribuinte requereu a juntada dos documentos de fls. 4347 a 4536. Assim, em sua impugnação, alega, em síntese: preliminarmente, violação do art. 146 do CTN; no mérito; legalidade da coligação de contratos de afretamento e prestação de serviços com execução simultânea; inexistência de desproporção entre o valor do afretamento e dos serviços prestados, nos termos da Lei 13.043/14; necessidade de cancelamento do auto de Fl. 4637DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.638 21 infração em razão do direito ao crédito decorrente do Pis/ Cofins autuado; falta de previsão legal dos juros sobre multa de ofício. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 06/05/2011, 27/06/2011, 07/07/2011, 20/07/2011, 12/09/2011, 19/10/2011, 29/11/2011, 16/12/2011, 27/12/2011, 29/12/2011 CONTRATO DE AFRETAMENTO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXECUÇÃO SIMULTÂNEA. Mesmo antes da alteração promovida pela Lei nº 13.043, de 2014, é legítima a celebração de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás. CONTRATO DE AFRETAMENTO. PREVISÃO DE SERVIÇOS. A previsão de serviços relacionados à navegação e à manutenção da própria embarcação afretada não altera a natureza de afretamento do contrato, nas modalidades por tempo ou por viagem. TRANSFERÊNCIA MALICIOSA DE VALORES DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA O DE AFRETAMENTO. NECESSIDADE DE DETERMINAÇÃO Se a fiscalização entender que há transferência maliciosa de valores do contrato de prestação de serviços para o de afretamento, ela deve determinar ou, ao menos, estimar os valores transferidos, e não simplesmente desconsiderar por completo o conteúdo econômico do contrato de afretamento e lançar todo os valores contratados como se decorrentes da prestação de serviços fossem. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado No acórdão de primeira instância, consta recurso de ofício. A PGFN foi cientificada do encaminhamento dado ao processo e "informa que aguardará a colocação do processo em pauta para fins de acompanhamento e de realização de sustentação oral". Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 4638DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.639 22 Fl. 4639DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.640 23 Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. Preliminar Preliminarmente, em sua impugnação, a contribuinte socorrese do art. 146 do Código Tributário Nacional (CTN), que veda "a retroatividade da modificação de critério jurídico. Basicamente registra a suspensão de tributos no ingresso das unidades sob o REPETRO1; defende a homologação expressa dos requisitos do REPETRO pelo despacho aduaneiro; bem como a decadência do direito de realizar a revisão aduaneira. De fato, as unidades em pauta foram trazidos às águas brasileiras sob o regime REPETRO, com suspensão de tributos Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep Importação e CofinsImportação conforme as normas de regência. No entanto, o fato gerador dessas contribuições suspensas a entrada de bens estrangeiros no território nacional (art. 3°, I, da Lei 10.865) é totalmente distinto do fato gerador das contribuições objeto do presente processo o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado (inciso II do mesmo artigo). A impugnante destaca ainda que: Observese que as ligações societárias entre as empresas envolvidas nos contratos não estavam patentes à época dos respectivos despachos aduaneiros, assim como o órgão fiscalizador não teve acesso, à época, a todos os documentos levantados na fiscalização em pauta. Estes vieram ao conhecimento da RFB posteriormente e embasam a autuação sob análise. Ademais, a dita operação de prestação de serviços, os respectivos pagamentos contraprestacionais, fatos geradores dessa autuação, também só tiveram curso, por óbvio, após a chegada ao Brasil das ditas unidades. A Organização Mundial das Aduanas (ou World Customs Organization, na designação em inglês). tem como um de seus objetivos a facilitação do comércio internacional, no sentido de harmonizar e simplificar procedimentos aduaneiros (em tradução livre), atendendo a demandas da economia e da sociedade2. O Estado brasileiro tem promovido, com 1 Regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens que se destina às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e gás natural. 2 WORLD CUSTOMS ORGANIZATION. What is Customs Procedures and Facilitation? Fl. 4640DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.641 24 base em modernização normativa, a consecução de tal objetivo, com a mudança de foco da fiscalização, do curso do despacho aduaneiro para os momentos pré e pósdespacho, nesse último caso, amparado no instituto da revisão aduaneira. A idéia é reduzir o quanto possível a verificação no curso do despacho, tornando mais ágeis e menos onerosas as operações de comércio exterior, ao deixar para a revisão aduaneira uma verificação mais detalhada. Assim, a verificação que ocorre no despacho aduaneiro não é, nem pode ser exaustiva, sob pena de frenar o dinamismo do comércio internacional e a economia nacional, por consequência. No processo judicial civil, é largamente utilizado o provimento liminar ou antecipatório de tutela, emitido em sede de cognição sumária; para que, após atendida a urgência, o juízo, em função de verificação exauriente, promova decisão definitiva. O mesmo se passa no desembaraço. Em função da necessária celeridade, a cognição é sumária, deixando se a exauriente para a revisão pósdespacho. A homologação prevista art. 150 do CTN é do lançamento e não do despacho ou do pagamento dos tributos incidentes na importação ou dos requisitos do REPETRO, como que levar a crer a contribuinte. E só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso deste. É o que se conclui em artigo da autoria deste relator3: O art. 150 do CTN [...]define que “O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Tal dispositivo divide o instituto do lançamento por homologação em duas partes: a antecipação do pagamento e o lançamento operado por ato expresso da autoridade administrativa. É pacífico na doutrina e na jurisprudência ser o lançamento por homologação a modalidade adequada aos tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior. No desembaraço, não há expressa homologação. Nem a norma a estabelece, nem a autoridade administrativa a declara. Ainda que se verifiquem a mercadoria e as respectivas informações, inclusive a classificação fiscal, não ocorre o requisito legal para que se opere esta modalidade de lançamento: a expressa homologação. Ao contrário, a lei prevê a possibilidade de revisão aduaneira, a fim de apurar as informações prestadas pelo importador, no prazo de cinco anos, mesmo as já verificadas. O parágrafo 4º do mesmo artigo afirma que a outra forma pela qual se opera o lançamento é pela via tácita: “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação“. No caso dos tributos incidentes na importação, considerase ocorrido o fato gerador no momento Disponível em: <http://www.wcoomd.org/home_pfoverviewboxes_pfoverview.htm>.Acesso em: 05 ago. 2014. 3 CAVALCANTI FILHO, Antonio C. C. Reclassificação Fiscal em Sede de Revisão Aduaneira. Revista da Receita Federal: Estudos Tributários e Aduaneiros, BrasíliaDF, v.01, n.01, p. 260276, ago./dez. 2014. Fl. 4641DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.642 25 do registro da Declaração de Importação (DI), como determina o art. 23, caput, do DecretoLei nº 37, de 1966, [...] e o prazo de cinco anos é evidentemente distante do desembaraço. Como não se opera o lançamento com o desembaraço, via de regra aquele se dá de forma tácita, no prazo quinquenal. [...] Em sentido estrito, só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso desse; o que ocorre, por exemplo, quando há exigência da autoridade administrativa, contra a qual se insurge o contribuinte, como previsto no art. 570, § 3º, do RA (BRASIL, 2009c). O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) endossa essa posição, conforme se percebe no excerto transcrito a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/1999 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. O Auto de Infração não contém qualquer ilegalidade, não restando configurada ausência de fundamentação legal a ensejar a nulidade daquele. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. Não constitui homologação de lançamento o ato de desembaraço aduaneiro, salvo se a autoridade fiscal expressamente assim o declarar. REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO. A verificação da regularidade da importação, em sede de revisão aduaneira, pode ocorrer no prazo de cinco anos, contado da data de registro da declaração de importação. [...]. (BRASIL, 2006b, grifo nosso). Não havendo qualquer homologação, nem sendo exaustiva a verificação em sede de despacho, não razão para dizer que houve atestado de regularidade dos contratos, como quer fazer crer a recorrente. Também não há que se falar em mudança de critério jurídico em função do despacho para ingresso no regime em foco, aplicável o instituto a situação diversa, como se depreende de trecho do mesmo artigo: E continua o doutrinador, esclarecendo que, se dá a mudança de critério jurídico quando a “autoridade administrativa [...] simplesmente substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”, ou ainda “quando em face da situação de fato sobre a qual incidiu a norma se atribua a esta um significado, quando outro podia Fl. 4642DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.643 26 ser atribuído” (MACHADO, 2005, p. 128 e 163)4. Sobre o assunto, cita Kelsen: “a interpretação de uma lei não deve necessariamente conduzir a uma única solução como sendo a única correta, mas possivelmente a várias soluções que na medida em que apenas são aferidas pela lei a aplicar têm igual valor, se bem que apenas uma delas se torne Direito positivo no acto do órgão aplicador” (1998 apud MACHADO, 2005, p. 128). Finalmente traz a lume o seguinte exemplo: No DecretoLei nº 406, de 1968, determinado artigo traz a expressão “valor do produto ...”, inicialmente interpretado como custo de produção. Depois como preço de venda do produto. Ambas as interpretações constaram de atos normativos expedidos por autoridades competentes (MACHADO, 2005, p. 171). A própria citação do hoje Desembargador Federal Leandro Paulsen trazida pela impugnante sobre sob o dito art. 146, "abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos, que implique em prejuízo relativamente a situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade dos atos administrativos normativos, quando o contribuinte confiou nas normas anteriores", deixa claro não se tratar do caso em pauta, não havia qualquer investigação sobre a questão da prestação de serviços oculta, muito menos situação consolidada à respeito, tampouco aplicação de nova norma distinta da aplicada anteriormente. Nesse tem decidido este CARF: DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. "REVISÃO ADUANEIRA". POSSIBILIDADE. É possível a "revisão aduaneira", não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita). (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3401003.199, de 23/08/2016, rel. Conselheiro Rosaldo Trevisan). Não há que se falar também em decadência do direito de realizar a revisão aduaneira. Por óbvio, a questão da prestação de serviços (distinta da suspensão dos tributos incidentes no ingresso no país das unidades flutuantes), não é matéria aduaneira, inaplicável assim o art. 54 do DecretoLei 37/66. Sobre a preliminar, o acórdão de piso decidiu na mesma linha: Fato é que, no Auto de Infração ora atacado, não são exigidas contribuições incidentes no ingresso de bens no País. Na verdade, embora 4 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional, volume III. São Paulo: Atlas, 2005. Fl. 4643DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.644 27 estejamos tratando de PIS/PASEPImportação e de COFINSImportação, não se trata daquele PIS/PASEP Importação e daquela COFINSImportação abrangidos pelo ato concessório do REPETRO. Aquele PIS/PASEPImportação e aquela COFINSImportação, suspensos por força do REPETRO, incidiram sobre a entrada das unidades flutuantes, e não é este o objeto da exigência sob exame. Tratamos, neste processo, do PIS/PASEPImportação e da COFINS Importação incidentes sobre serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior, à luz do que dispõe o § 1º do art. 1º da Lei nº 10.865, de 2004. Tratamos, neste processo, de contribuições incidentes sobre outros fatos geradores, completamente distintos daqueles que compuseram o objeto de análise do REPETRO, ocorridos posteriormente à entrada das unidades flutuantes no País, em decorrência da execução dos contratos ora sob análise. Mérito Joint venture formada pela SHELL, ONGC e Petrobrás sagraramse concessionárias na exploração do bloco BC10. Estas constituíram, em solo holandês, uma sociedade de propósito específico denominada TAMPA BV, com participação de 50% da SHELL (impugnação, fl. 2736 e seguintes) (ambas assim integram o grupo ROYAL DUTCH SHELL). A BRAZILIAN DEEPWATER PRODUCTION LTD., sediada nas Bermudas, construiu e é proprietária da FPSO. Também é sócia majoritária, detendo 99,90% do capital, da brasileira OPERAÇÕES MARÍTIMAS EM MAR PROFUNDO LTDA., anteriormente denominada SBM PROJETO NOVO SERVIÇOS MARÍTIMO LTDA. A TAMPA firmou contrato denominado Bare Boat Charter BBC, (traduzido como afretamento a casco nú), em 04/11/2006, com a BRAZILIAN DEEPWATER, (figurando esta como afretadora e aquela como fretadora). A SHELL celebrou contrato de prestação de serviços de operação e manutenção da unidade (O&M), no mesmo dia 04/11/2006, com a OPERAÇÕES MARÍTIMAS. A SHELL contratou com a TAMPA, em 03/12/2008, o afretamento da FPSO, para utilização inicial por quinze anos, em contrato denominado BBCLocal. Segundo a autuação, "A FPSO BC10 FPSO Espírito Santo é uma plataforma flutuante situada na Bacia de Campos", " com comprimento de 330 metros, capacidade para processamento diário de 100 mil barris de petróleo e 1,42 milhão de metros cúbicos de gás natural, além de poder armazenar cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo para carregamento até a costa por naviospetroleiros". Fl. 4644DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.645 28 No contrato BBCLocal estão previstos uma série de serviços a serem prestados e mantidos pela fretadora, TAMPA BV, que não se caracterizam como afretamento, como: a) gestão marítima de instalação e desmobilização da unidade flutuante, ao final do período de utilização; b) reparo e manutenção de equipamentos (incluindo substituição de peças); durante todo o período de utilização da unidade flutuante: d) atendimento aos regulamentos governamentais a permanência da unidade no território Brasileiro, manutenção de documentação e certificação; c) manutenção de sistema de gerenciamento de saúde, segurança e ambiente; inclusive provendo equipamentos para proteção de funcionários e instalações adequadas; e d) custos e despesas com consertos e manutenção dos equipamentos. A SHELL também contratou o afretamento do naviosonda Clyde Boudreaux com a holandesa NOBLE DRILLING (Nederland) BV. No mesmo dia, contratou de serviços de perfuração, testes, suspensão, workover5, abandono e completação de poços em alto mar, com a sociedade brasileira NOBLE DO BRASIL Ltda, controlada pela empresa holandesa, a qual detém 99,99% de seu capital. Afretamento e navegação Descreve a impugnante que a TAMBA afretou a FPSO Espírito Santo à SHELL, nos termos do REPETRO, na modalidade "por tempo" (time charter), ou seja, na qual toda a gestão náutica é de responsabilidade do fretador. Sobre o tema, assim se manifesta o acórdão de piso: Como se nota, a lei tributária reduz a zero a alíquota das contribuições na hipótese de afretamento, sem fazer qualquer distinção entre as modalidades de afretamento, desde que a embarcação não seja destinada ao transporte de pessoas para fins turísticos. E notese que aqui estou considerando que tanto o FPSO quanto o naviosonda são embarcações, haja vista que, para fins tributários, os incisos I e II do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, autorizam afirmar que FPSO e naviosonda são embarcações. E a segunda razão pela qual é irrelevante a previsão dos serviços encontrados nos contratos de afretamento sob exame está no fato de que são justamente eles que caracterizam as modalidades “por tempo” ou “por 5 Intervenções nos poços que têm como objetivo a manutenção da produção de óleo e gás. Fl. 4645DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.646 29 viagem”. Em outras palavras, é da natureza dos contratos de afretamento por tempo ou por viagem a previsão de serviços relativos à gestão náutica (tripulação, segurança das pessoas embarcadas, manutenção do casco e demais equipamentos relacionados à navegabilidade, etc.). A previsão de serviços relacionados à navegação e à manutenção da própria embarcação afretada não altera a natureza de afretamento do contrato. Ainda que haja a previsão desses serviços, continua sendo afretamento, conforme são muito claros nesse sentido os incisos II e III do art. 2º da Lei nº 9.432, de 1997: Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; III afretamento por viagem: contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens; (destaque acrescido) Recuperando a análise das cláusulas dos contratos de afretamento sob exame, empreendida pela Autoridade Fiscal no presente caso, podese verificar que todos os serviços que neles encontramse previstos estão relacionados à navegação e à segurança a bordo. Esse é um dos pontos trazidos na Impugnação, e que se revelou verdadeiro. [...] Isso posto, há que se concordar com a Impugnante. Considerando que os serviços relacionados pela Autoridade Fiscal no seu Termo de Verificação, como contidos nos contratos de afretamento, somente se referem à navegação e à manutenção da embarcação e, considerando, ainda, que a presença de serviços dessa espécie não altera a natureza de afretamento do contrato (por tempo ou por viagem), de se concluir que não procede a tese de que os contratos sob exame seriam, em essência, de prestação de serviços, e não de afretamento. Nesse ponto, não assiste razão à impugnante, nem ao acórdão mencionado. A Lei 9.432, de 1997, a qual trata da ordenação do transporte aquaviário, em seu art. 2º, dispõem sobre autorização para afretamento, o afretamento a "casco nú" do afretamento "por tempo". Fl. 4646DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.647 30 Conforme descrito no relatório do acórdão de primeira instância, o contrato entre a SHELL e a TAMPA, apesar de ser "nomeado como BBC Bare Boat Charter/afretamento a casco nu", especifica que "o termo “afretamento” abrange o afretamento, serviços de tripulação marítima, desmobilização e outros trabalhos a serem realizados pela contratada", de fato, podendo ser enquadrada como "contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado". Mas, o art. 9º da mesma lei faz relacionar afretamento (no caso, de embarcação), seja por viagem ou por tempo: a) ao transporte de mercadorias; b) navegação interior de percurso nacional; e c) nas navegações de apoio portuário e marítimo (neste caso, o exemplo é a utilização de rebocadores): Art. 9º O afretamento de embarcação estrangeira por viagem ou por tempo, para operar na navegação interior de percurso nacional ou no transporte de mercadorias na navegação de cabotagem ou nas navegações de apoio portuário e marítimo, bem como a casco nu na navegação de apoio portuário, depende de autorização do órgão competente e só poderá ocorrer nos seguintes casos: No mesmo sentido, a parte final do já transcrito inciso III, do art. 2º da dita lei fala transporte e viagens: "à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens". Quando as unidades flutuantes em questão permanecem, de alguma forma ancoradas, fixas, portanto, estacionadas, realizando perfuração, testes, suspensão, workover, abandono e completação de poços em alto mar (o naviosonda) ou produção, armazenamento e transferência de petróleo e gás natural (a plataforma) ou ainda O&M, ou seja, operação e manutenção, como fora declarado o contrato de prestação de serviços, ou simplesmente exploração de petróleo e gás, não estão em navegação (ou realizando transporte), fora portanto do conceito de afretamento. Assim os serviços de, no caso da FPSO: a) reparo e manutenção de equipamentos (incluindo substituição de peças); durante todo o período de utilização da unidade flutuante; b) atendimento aos regulamentos governamentais a permanência da unidade no território Brasileiro, manutenção de documentação e certificação; c) manutenção de sistema de gerenciamento de saúde, segurança e ambiente; inclusive provendo equipamentos para proteção de funcionários e instalações adequadas; e d) custos e despesas com consertos e manutenção dos equipamentos; E, no caso do naviosonda: a) gestão, supervisão, pessoal, plantas, materiais de consumo e instalações necessários para a satisfação das cláusulas contratuais; Fl. 4647DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.648 31 b) administração, supervisão, pessoal, materiais e equipamentos, planta e instalações, exceto aqueles fornecidos nos termos do contrato de prestação de serviços; c) adequação e segurança de quaisquer operações desenvolvidas na unidade; e d) provisão da unidade de perfuração pela contratada, sendo ela, contratada, exclusivamente responsável pela operação e manutenção dos itens por ela fornecidos, e por prestar assistência e suporte às subcontratadas, outras contratadas, ou à própria contratante, ao longo das operações de perfuração desenvolvidas; estão previstos nos contratos apresentados como de afretamento das unidades flutuantes, mas tratam da exploração de petróleo e gás. Só serão serviços relacionado à navegação e, portanto, ao afretamento, quando as unidades estiverem, por óbvio, navegando, no deslocamento do exterior ao ponto das águas brasileiras em que executarão serviços de exploração de petróleo e gás, no seu retorno ao exterior, e em deslocamentos entre tais pontos, para nova operação de exploração. A gestão marítima de instalação e desmobilização da unidade flutuante, ao final do período de utilização, esta não se relaciona em absoluto à navegação. A preponderância dos serviços de O&M, ou de exploração do petróleo e gás e não de afretamento, como fora declarado o contrato, é afirmada pela própria contribuinte em sua impugnação: Este justamente o propósito do contrato de prestação de serviços: Nesse ponto, observese que os contratos de afretamento eram bem mais custosos que os de prestação de serviços, numa relação de 94/ 6% para a FPSO e 79/ 21% para o naviosonda, proporção que não encontra amparo na confessada preponderância da atividade industrial de exploração de petróleo e gás. Corroboram tais conclusões, as seguintes evidências: a) FPSOEspírito Santo: BBCLocal: O instrumento contratual também determina que a contratada afretará a FPSO já instalada, totalmente equipada e pronta para operar, com os fins de produção, tratamento, armazenamento e exportação de hidrocarbonetos dos campos BC10 (Seção II, artigo 2º, itens. Reza ainda o Fl. 4648DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.649 32 contrato que. os custos e despesas com consertos e manutenção dos equipamentos são atribuídos à contratada no exterior, a qual, no ato, se compromete em manter os padrões de desempenho da FPSO, durante todo seu período de utilização, e que, para tal, há de necessitar constantes manutenções e substituições de peças, em face dos desgastes normais ou eventuais dos equipamentos, em decorrência do seu uso (Seção II, artigo 3º, itens 3.1 e 3.2). [...] BBC: A cláusula 20.3, prevê a responsabilidade total por parte da contratada Brazilian Deepwater pelo trabalho realizado concernente à FPSO; b) NavioSonda Clyde Boudreaux: Na clausula 3.2, seção IV, que assenta sobre o escopo da empreitada, consta que a contratada terá disponível, desde a data do inicio do contrato e pela sua duração, pessoal da contratada suficiente para executar a empreitada com eficiência, conforme requerido no contrato. Assim, os contratos apresentados como de afretamento, de fato, são contratos de prestação de serviços de exploração de petróleo e gás, fundindose, portanto, com os contratos apresentados como de prestação de serviços de O&M. Se os ditos pagamentos tratam de prestação de serviços, incide a CIDE sobre a prestação de serviços técnico por residentes ou domiciliados no exterior nos termos da primeira parte do art. 2o, § 2o da Lei 10.168/2000, com as modificações introduzidas pela Lei 10.332/2001: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) [...] § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.332, de 2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou Fl. 4649DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.650 33 domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) A impugnação argumenta que a proporção de 94% e 6% para a FPSO, corresponde a um único ano, mas que tais percentuais variam significativamente ao longo do tempo, em função de depreciação da unidade, como também dos custos dos serviços prestados (por exemplo, em função de salários, taxas de câmbio), chegando a um mínimo de 72%, o que não altera o raciocínio exposto no presente voto. Coligação dos contratos de afretamento e prestação de serviços A impugnação, ao longo de seu capítulo 6, alega a legalidade da coligação de contratos de afretamento e prestação de serviços com execução simultânea, pelos argumentos que se seguem, defendendo, ao final, que as cláusulas contratuais fazem prova a favor da contribuinte. O Código Civil, em seu art. 167, §1º, II, define o instituto da simulação: "Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: contiverem declaração ou cláusula não verdadeira aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem". Sobre simulação cito Clóvis Beviláqua: Dizse que há simulação, quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma, em que o agente faz entrar nas relações da vida. É um ato fictício, que encobre e disfarça uma declaração real da vontade, ou que simula a existência de uma declaração que não se faz6. O que se verifica, no presente caso, para cada unidade flutuante, é que havia um negócio aparente, um contrato de afretamento e outro de prestação de serviços de O&M; e um único negócio real, a prestação de serviços de exploração de petróleo e gás, posto que o objeto de ambos era o mesmo, vinculado à utilização da função fabril das unidades; caracterizase assim a simulação. A declaração aparente contida nos contratos conscientemente assinados pelas partes envolvidas não condiz com a realidade das operações que elas mesmas protagonizavam. Ainda sobre a questão da legalidade, a impugnante defende a impossibilidade de requalificação do negócio jurídico sem a indicação da patologia que invalide a manifestação de vontade nele contido. Não lhe assiste razão. A patologia é justamente a simulação acima demonstrada. Insurgese contra a alegação de que haveriam serviços embutidos no contrato de afretamento, apesar de admitir haver serviços prestados pelo fretador da embarcação, ainda que o objeto destes fosse o afretamento: 6 BEVILÁQUA, Clóvis. Teoria Geral do Direito Civil. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Rio, 1980, p. 225. Fl. 4650DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.651 34 E prossegue: Com efeito, não considerou a clara distinção entre a gestão náutica da embarcação (navegação, tripulação e manutenção do casco) e a gestão comercial da mesma (no caso da Impugnante, operação da planta de extração de petróleo). Neste sentido, vejase a definição trazida pela ANTAQ na Resolução n° 1811 de 02.09.2010: "Art. 2º Para os efeitos desta norma, consideramse: I gestão náutica da embarcação: é o controle efetivo pela empresa brasileira de navegação sobre a administração dos fatos relativos ao aprovisionamento, equipagens, à navegação, estabilidade e manobra do navio, à segurança do pessoal e do material existente a bordo, à operação técnica em geral, ao cumprimento das normas nacionais e internacionais sobre segurança, prevenção da poluição do meio ambiente marinho e direito marítimo, e à manutenção apropriada da embarcação; II gestão comercial da embarcação: é o controle efetivo pela empresa brasileira de navegação sobre a negociação de contratos de transporte ou de operações de apoio marítimo e portuário, inclusive o adimplemento das obrigações comerciais assumidas nas esferas pública e privada;" No caso dos contratos de afretamento autuados, todos os serviços neles previstos são aqueles decorrentes da gestão náutica, ao passo que a gestão comercial ficou a cargo do prestador de serviços de O&M. Ora, como já demonstrado, há, no contrato apresentado como de afretamento, serviços que se relacionam à navegação, mas o que prepondera são serviços relacionados à operação de exploração de petróleo e gás. E mais, a gestão dita como náutica, pela norma da ANTAQ, também ocorre quando as unidades flutuantes em questão permanecem, de alguma forma ancoradas, fixas, portanto, estacionadas, realizado exploração de petróleo ou gás; situação em que as unidades não estão em navegação. Não tem razão, portanto, a impugnante. Alega a recorrente a irrelevância das cláusulas contratuais recíprocas para desnaturar o contrato de afretamento. Justifica, com razões econômicas e características da indústria do petróleo e gás a coincidência de datas de determinados contratos, a predefinição de "quem irá operar a planta" e cláusulas de responsabilidade solidária, bem como a interferência ativa da SHELL na prestação dos serviços contratados. Afirma a impugnante, também, que contratos ainda que tomados por coligados, devem ser considerados individualmente, embora não os considere como mistos, nos Fl. 4651DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.652 35 termos da doutrina que trouxe. De fato, há elementos para considerar tais contratos coligados e não mistos. E tal coligação não significa, por si só, simulação. Pondera ainda que a coligação de contratos de afretamento e de prestação de serviços na indústria de petróleo e gás nunca foi vedada pela legislação, encontra menção na norma do REPETRO (cita disposições a IN RFB 844/08) e, com o advento da Lei 13.403/14, ficou admitida expressamente essa possibilidade. A coligação, de fato, não era vedada à época dos fatos. Ainda que haja plausibilidade nos últimos argumentos da empresa, considerados isoladamente; o caso em pauta foge à situação regular prevista na legislação. O que restou caracterizado nos autos é uma simulação, na qual a empresa declara, mediante contratos, uma situação de um contrato de afretamento e outro de O&M, quando, a realidade dos negócios era a exploração de petróleo, da qual era tinha consciência. A mesma impugnação, em seu capítulo 6, alega que, no caso do navio sonda Clyde Boudreaux, a proporção de pagamentos afretamento/ serviços seria de 78,57%/ 21,43%, estaria dentro dos parâmetros 80%/20%, estabelecidos pela já referida Lei 13.043/14: Art. 106. O art. 1o da Lei no 9.481, de 13 de agosto de 1997, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 2o a 8o, renumerandose o atual parágrafo único para § 1o: (Vigência) “Art.1o ............................................................................ § 1o ........................................................................................ § 2o No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS); II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda); e [...] Tal norma, no entanto, não se aplica aos fatos geradores sob autuação, ocorridos em 2011. É que não se enquadram nas hipóteses de exceções à irretroatividade da lei tributária, constantes do art. 106 do Código Tributário Nacional. A lei em pauta não é expressamente interpretativa, pois lhe falta tal menção. Com isso inclusive concorda a Fl. 4652DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.653 36 impugnante no trecho: "nem mesmo se as restrições legais impostas ao gozo do benefício fiscal fossem aplicadas de forma retroativa (um despautério aos olhos do art. 150, III, da CF/88 [...]" (grifos da contribuinte). Em 2017, a Lei 13.586 alterou ligeiramente a regra, passando o dito § 2o a ter a seguinte redação, em sua parte final: "a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação sobre o valor total dos contratos dos seguintes percentuais". Mesmo para os fatos geradores ocorridos após a vigência do dispositivo sob exame, a norma não estabelece que, se forem respeitados ou dentro deles tais limites, haveria que se afastar demonstrada simulação nos contratos envolvidos, nem que estabeleceria um parâmetro para "arbitramento", como ventila a impugnante. Apenas estabelece um limite para a parcela de afretamento nos contratos de execução simultânea de afretamento e serviços e para a redução da alíquota de IRF. A dizer, ainda que a proporção contratada não desrespeitasse tal norma, mas não refletisse o real negócio praticado, manterseia qualquer autuação. A impugnação aduz a inversão do dever de prova na alegação da autuação de falta de pessoal especializado. Tais argumentos da fiscalização não são determinantes nem necessários para a manutenção da autuação, não tendo sido sequer considerados no presente voto. Entende também a impugnação, que entendendose pela simulação, a fiscalização deveria segregar, para fins de tributação, o que de fato foi afretamento: Assim não entendo. Não ofereceu à época da fiscalização, nem em sede de impugnação, qualquer informação dando conta do real custo de afretamento, dentro do contrato BBCLocal. Se assim o fez, é porque entendeu que tal contrato tratava de um objeto único, que revelouse, depois, tratarse de prestação de serviços de exploração de petróleo, fundindose ao contrato assinado como de O&M. Configuração negocial a) FPSO Espírito Santo: A configuração negocial apresentada: BRAZILIAN DEEPWATERS, Bermudas, afreta à TAMPA, holandesa, a FPSO. Esta afreta a mesma unidade à SHELL brasileira, controladora daquela, que contrata serviços de O&M da OPERAÇÕES MARÍTIMAS, controlada da primeira, no mesmo dia do primeiro contrato. Fl. 4653DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.654 37 O contrato BBC, entre BRAZILIAN DEEPWATER e TAMBA, determina que o contrato BBCLocal entre TAMBA e SHELL deve espelhálo, previamente determinando o reafretamento à SHELL, colocaa como garantidora dos pagamentos à BRAZILIAN DEEPWATER: a) o apêndice do contrato BBC define a SHELL como parte dele; além de definila "como operadora do BC10" e informa que a BRAZILIAN DEEPWATER consente na celebração do BBC Local, entre SHELL e TAMBA B.V, e que e esta última se compromete que nada no BBC Local modificará ou afetará os termos do BBC; e b) no contrato BBC, SHELL e BRAZILIAN DEEPWATER acordam que, caso haja alguma falha no pagamento a ser efetuado pela TAMBA B.V, a SHELL, será responsável pelo pagamento, diretamente à contratada. Assim, a SHELL garante os pagamentos à BRAZILIAN DEEPWATER. Tal contrato também estabelece que a rescisão do contrato de O & M determina a rescisão do contrato BBC, assumindo a Brazilian Deepwater responsabilidade pelos eventuais danos por descumprimento do contrato com a SBM Brasil (OPERAÇÕES MARÍTIMAS): a) A rescisão do contrato de O & M enseja rescisão do afretamento BBC (seção 2Condições do Contrato, artigo 5 Período de Utilização do BBC e Desmobilização, item 5.4, ii), [...]; b) Caso o fretamento contratado seja resilido como resultado da rescisão do contrato de O & M, e esta rescisão do ajuste contratual O & M seja fruto de falha do contratado O & M, qual seja, SBM Brasil, então a contratada Brazilian Deepwater será responsável para com Tamba por qualquer perda e dano porventura por esta incorrida, exceto em relação ao limite das perdas e danos já cobertas pelo contrato O & M (artigo 9, item 9.5, Seção II). Isto demonstra que a controladora Brazilian Deepwater assume total responsabilidade pelos danos que o descumprimento de contrato de serviços pela SMB Brasil Ltda, controlada, vier a causar, [...]; a) Navio sonda Clyde Boudreaux: A configuração negocial apresentada: SHELL afreta da holandesa NOBLE DRILING o naviosonda e contrata prestação de serviços de perfuração, testes, suspensão, workover, abandono e completação de poços em alto mar da brasileira NOBLE DO BRASIL. Ambos os contratos estão interrelacionados, em termos de descumprimento e rescisão, e como as contratadas assumem responsabilidades conjuntas: O contrato de afretamento da unidade de perfuração é complementar, e foi realizado em estreito alinhamento com o contrato de serviços de perfuração número 4610030068, celebrado entre a Shell Brasil Petróleo Ltda e a empresa Noble do Brasil Ltda, CNPJ 40.330.078/000199 localizada na cidade de Macaé, RJ. Fl. 4654DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.655 38 Ambos os contratos são interrelacionados, a ponto de qualquer violação ocorrida acarretar consequências em comum, em sendo a rescisão do contrato de prestação de serviços ser base para a resilição do contrato de afretamento (item 11 do contrato de afretamento, e item 10 da Seção II Cláusulas do contrato, do contrato de serviços). Dispõe esta cláusula que se qualquer parte deixar de cumprir suas respectivas obrigações em um contrato, o descumprimento o será também considerado como não realização no outro contrato. [...] No contrato de afretamento, a seção II, cláusula 23, item 23.5 responsabilidade da CONTRATADA por poluição informa que, no caso de despejo de óleo e outros resíduos no mar, por conta de negligência ou violação de dever do GRUPO DA CONTRATADA, a responsabilidade recai sobre a Fretadora NOBLE DRILLING. No capítulo 5 de sua impugnação, a contribuinte ressalta que a FPSO, construída pela BRAZILIAN DEEPWATER foi afretado à TAMPA, com opção de compra; que a FPSO está registrado no ativo nãocirculante da TAMPA BV, uma empresa real, com funcionários próprios e que aufere resultados positivos em decorrência de suas operações comerciais; que TAMPA e OPERAÇÕES MARÍTIMAS não são empresas do mesmo grupo econômico; que os pagamentos realizado em decorrência dos contratos de afretamento encontramse sujeitos ao controle dos preços de transferência. Destaquese que: a) Incide IRPF a alíquota zero sobre receitas "receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas", por força da Lei n° 9.481/97, art. 1°, I; b) Incide PIS/PasepImportação e Cofins/Importação a alíquota zero "sobre o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, referente a aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de [...] embarcações e aeronaves utilizados na atividade da empresa", aí incluído o afretamento, salvo as " destinadas ao transporte de pessoas para fins turísticos", nos termos da Lei nº 10.865/04, art. 8º, §§ 14; e c) Os contratos de afretamento eram bem mais custosos que os de prestação de serviços, numa relação de 94/ 6% para a FPSO e 79/ 21% para o naviosonda. Assim a autuada beneficiavase da aplicação da alíquota zero ao IRPF, ao Pis/PasepImportação e Cofins/Importação, além de escapar da incidência da CIDE, sobre a parcela majoritária do que fora contratado referiase a afretamento, o que não ocorreria se a parcela maior fosse registrada como prestação de serviços. São dados a demonstrarem a estreita vinculação entre as empresas envolvidas e os negócios travados, bem como a vantagem tributária obtida com tal configuração. Do apresentado, inferese o propósito tributário e não econômico da arquitetura negocial, considerando que o contrato de afretamento fazia parte de uma Fl. 4655DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.656 39 simulação, na qual o negócio real era a prestação de serviço de exploração de petróleo. Observese no entanto que o propósito negocial não é determinante para as conclusões do presente voto, mas sim a simulação negocial praticada. Juros moratórios sobre multa de ofício Ao final de sua impugnação, resta alegada, a ilegitimidade da incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada, por falta de previsão legal. O art. 161 do CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta", tendo tal crédito decorrente da obrigação principal, esta que " surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária ", nos termos dos artigos 113, § 1º, e 139 do mesmo Código, havendo, portanto, base legal para tal incidência. No mesmo sentido do núcleo do presente voto, tem havido decisões neste CARF: Assunto: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009 ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita nos casos é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. [...] (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3302003.095, de 15/03/2016, rel. Conselheiro designado Paulo Guilherme Deroulede). Assunto: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009 Fl. 4656DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.657 40 CONTRATO DE AFRETAMENTO DE SONDA DE PERFURAÇÃO VINCULADO A CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO, PRODUÇÃO E PERFURAÇÃO DE POÇO DE PETRÓLEO. REAL NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE. 1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal contida nos instrumentos contratuais. Segundo os fatos comprovados nos autos, o único contrato existente foi o de prestação de serviços de exploração, produção e perfuração de poços de petróleo, embora, formalmente, tenham sido firmados dois contratos, um de afretamento da sonda de perfuração e outro de prestação de serviços, bipartidos com o único propósito de evitar a incidência da CIDE. 2. Se o fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos necessários, é parte integrante e indissociável do real contrato prestação dos serviços de prospecção e perfuração de poços de petróleo, os valores remetidos ao exterior a título de remuneração dos mencionados serviços sujeitamse à incidência da CIDE e integram a base de cálculo da referida contribuição. [...] (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3302004.754, de 26/09/2017, rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento). Conclusão Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 4657DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.658 41 Voto Vencedor Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Peço licença ao Ilustre Relator, para divergir quanto ao provimento do recurso de ofício. A maioria desta 1ª Turma Ordinária de Julgamento, ao analisar as acusações fiscais e os fundamentos do acórdão n° 0739.244, da 3ª Turma da DRJ/FNS, concluiu que a decisão recorrida não merece reparos. A acusação fiscal fundamentase nos seguintes pilares: a) a contratação segregada entre afretamento e prestação de serviços é indevida, uma vez que o afretamento seria parte indissociável da prestação de serviços; b) a contratação segregada entre afretamento e prestação de serviços é artificial, pois a empresa contratada para prestar os serviços não possuiria capacidade operacional para esse fim e c) o negócio jurídico teria o único objetivo de afastar a tributação, através do enquadramento na norma que instituiu benefício de alíquota zero. Por sua vez, o acórdão primoroso da DRJ foi construído sobre os seguintes pilares: I Quanto à contratação segregada entre afretamento e prestação de serviços, não há falarse em contratação indevida, porquanto a IN RFB nº 941/2009 já a admitia. II Necessária verificação da existência de elementos que evidenciam haver abusividade na contratação segregada, ou seja, análise da prova de que a empresa teria executado planejamento tributário abusivo para escapar da incidência tributária de maneira dissimulada. Conclui ao final que não houve a abusividade por parte da empresa. III Afasta um a um dos pontos em que se fundamentou a autoridade fiscal, para concluir pela licitude da conduta da empresa: “(i) a previsão de serviços no contrato de afretamento é a prova de que, na realidade, não se trata de afretamento; (ii) a falta de capacidade operacional das empresas contratadas para a prestação de serviços evidencia a artificialidade da contratação; e (iii) a desproporção observada entre os valores pagos a título de afretamento e de prestação de serviços, viabilizada pela contratação envolvendo pessoas vinculadas, é o indício final que caracteriza uma “manobra dissimuladora utilizada para retirar receitas do campo de incidência dos tributos”.” Assim, considerando que: a) A conduta da Recorrida de celebração de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, estava amparada pela legalidade, mesmo antes da Lei nº 13.043/2014. Fl. 4658DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.659 42 b) A validade do planejamento é aferida após verificação de adequação da conduta no campo da licitude ou da ilicitude. Assim, a opção negocial do contribuinte no desempenho de suas atividades, quando não integrar qualquer hipótese de ilicitude, é perfeitamente possível e não susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa para fins de tributação. c) Para que haja simulação que legitime a desconsideração do negócio jurídico, é necessário: (i) conluio entre as partes; (ii) divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado; e (iii) intenção de lograr o Fisco. d) O lançamento tributário com a desconsideração do negócio jurídico realizado e a exigência do tributo incidente sobre a suposta “real” operação, deve estar acompanhado de provas cabais dos fatos nele constituídos. e) Não logrou êxito a fiscalização em comprovar a abusividade na contratação segregada. f) Os temas foram abordados no voto condutor da DRJ de forma minuciosa. Por conseguinte, nos termos do art. 57, § 3º, do RICARF, com redação da Portaria n° 329/2017 e do art. 50, §1o da Lei n° 9.784/99, adotase como razões de decidir, os fundamentos do acórdão n° 0739.244 da 3ª Turma da DRJ/FNS, verbis: Em análise à defesa referente à acusação de que a contratação segregada do afretamento em relação à prestação de serviços seria, por si só, indevida, entendo que assiste razão à Impugnante. Em outras palavras, entendo que a contratação segregada do afretamento em relação à prestação de serviços encontra amparo na legislação tributária do País, inclusive à época dos fatos abrangidos pelo lançamento. Conforme restou claro, a Autoridade Fiscal entendeu que a segregação dos contratos é indevida haja vista que “o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados”, de modo que “tratase de uma só contratação, cujo fundamento econômico é o serviço de produção de petróleo de petróleo e gás natural”. Em sua extensa e bastante didática defesa, a Contribuinte esclareceu a natureza diversa e o objeto próprio de cada um dos contratos – de afretamento e de prestação de serviços de operação e manutenção (O&M) –, que justificam a celebração de contratos coligados (e não um único contrato de prestação de serviços abrangendo a disponibilização da unidade flutuante). Depois, demonstrou que há razões para que a contratação seja realizada com empresas vinculadas entre si, e também que é natural que haja cláusulas contratuais recíprocas entre contratos coligados. A Contribuinte também esclareceu que a existência de certos serviços não desnatura o contrato de afretamento por tempo, embora aqui há que se registrar a confusão que existe entre a denominação prevista nos contratos (“afretamento a casco nu” – Bare Boat Charter) e a essência de “afretamento por tempo”, ou time charter, que neles é encontrada e, inclusive, reconhecida diversas vezes na própria peça impugnatória. A eventual consequência dessa confusão entre a denominação do contrato e sua essência será objeto de análise mais adiante neste mesmo Voto. Fl. 4659DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.660 43 Voltando à questão da legalidade do arranjo contratual utilizado, da mesma forma que a Impugnante, entendo que a própria Receita Federal, mesmo antes de 2011, já considerava legítima a coexistência de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, pois nas suas Instruções Normativas expressamente admite a celebração de contratos dessa natureza por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás, inclusive quando as contrapartes são pessoas jurídicas vinculadas, conforme passo a demonstrar. Para esclarecer esse ponto, cumpre recuperar a legislação do REPETRO. Com amparo no parágrafo único do art. 79 da Lei nº 9.430, de 1996, o Presidente da República editou o Decreto nº 3.161, de 1999, instituindo o REPETRO, nos seguintes termos: Decreto nº 3.161, de 2 de setembro de 1999 Institui o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO. Art. 1º Fica instituído, nos termos deste Decreto, o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, conforme definidas na Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. § 1º Os bens de que trata este artigo são os constantes de relação estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. [...] Art. 5º A Secretaria da Receita Federal expedirá as normas necessárias ao disciplinamento do REPETRO. [...] Embora o Decreto instituidor do REPETRO não tenha sido acima reproduzido na íntegra, há que se registrar que nele apenas se conferiu as linhas gerais dos benefícios abrangidos pelo regime. E, como restou claro na transcrição acima, ele delegou à Secretaria da Receita Federal a expedição de normas estabelecendo a disciplina do regime. Em obediência ao comando contido no Decreto instituidor do REPETRO, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa SRF nº 112, de 1999, abaixo reproduzida na parte pertinente ao que aqui se pretende demonstrar: Instrução Normativa SRF nº 112, de 06 de setembro de 1999 Dispõe sobre a aplicação do regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO. Art. 1º O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, instituído pelo Decreto nº 3.161, de 2 de setembro de 1999, será aplicado de conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. [...] Fl. 4660DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.661 44 REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA Art. 6º O regime aduaneiro de admissão temporária aplicase aos bens referidos no caput e no § 1º do art. 2º importados para utilização exclusiva nas atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, por pessoa jurídica que tenha firmado contrato de concessão ou que possua autorização do órgão competente para exercer essas atividades no País, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. [...] § 2º O regime aduaneiro de que trata este artigo poderá ter como beneficiária pessoa jurídica sediada no País que tenha sido subcontratada pela concessionária para executar as atividades de pesquisa ou produção de petróleo ou gás natural. Art. 7º O regime de admissão temporária, na hipótese de que trata o artigo anterior, aplicase a bens: I pertencentes a pessoa sediada no exterior, importados sem cobertura cambial; e II que procedam diretamente do exterior ou que se encontrem no território nacional nas condições estabelecidas no art. 3º. [...] CONCESSÃO DO REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA Art. 10. O regime de admissão temporária será concedido pelo titular da Unidade local da Secretaria da Receita Federal responsável pelo despacho aduaneiro. § 1º A concessão do regime será efetuada exclusivamente com base em Requerimento de Concessão do Regime RCR, de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa Nº 164, de 1998, apresentado pela pessoa que promova a importação do bem ou, na hipótese de exportação com saída ficta do território nacional, nos termos dos arts. 3º e 4º, pela pessoa que tenha direito de utilizálos no País para execução das atividades referidas no art. 1º. § 2º O RCR será instruído com os documentos que comprovem o atendimento dos requisitos estabelecidos no art. 6º e, no caso de admissão temporária de embarcação estrangeira, também com a autorização para operar em mar territorial brasileiro, expedida pelo órgão competente do Ministério da Marinha, e com o inventário dos bens existentes a bordo no momento de sua entrada no mar territorial brasileiro, trazidos sem cobertura cambial e necessários à sua atividade no País. [...] (destaques acrescidos) Como se nota, a Instrução Normativa SRF nº 112, de 1999, foi o primeiro ato normativo que identificou os possíveis beneficiários do REPETRO. Naturalmente, havia previsão de que a concessionária autorizada a exercer as atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural poderia requerer o enquadramento no regime (art. 10, § 1º). Mas, além da concessionária, a IN SRF nº 112, de 1999, Fl. 4661DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.662 45 deixou claro que a pessoa jurídica subcontratada pela concessionária para executar as atividades de pesquisa ou produção de petróleo ou gás natural também poderia requerer o enquadramento no regime (art. 6º, § 2º). De qualquer forma, como restou bem claro nesse primeiro ato normativo que disciplinou o acesso ao REPETRO, somente poderia se enquadrar como beneficiária do regime a pessoa jurídica que estivesse diretamente envolvida com as atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, fosse ela a própria concessionária ou a pessoa jurídica por ela subcontratada para exercer essas atividades. Nessa Instrução Normativa SRF nº 112, de 1999, também é importante notar que no § 2º do seu art. 10 havia a primeira referência que se fez na legislação do REPETRO a “embarcação estrangeira”. Notase que se trata, apenas, da especificação de uma condição adicional relacionada à embarcação passível de ser abrangida pelo REPETRO, importada por pessoa jurídica beneficiária do regime. Nesse caso, antes de importar embarcação estrangeira, a beneficiária do regime deveria providenciar autorização, expedida pelo Ministério da Marinha, para que a referida embarcação pudesse operar no mar territorial brasileiro. Nada além disso. Menos de um ano depois de sua publicação, a IN SRF nº 112, de 1999, foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 27, de 2000. Essa IN publicada no ano 2000, apesar de ter apresentado um detalhamento maior, basicamente manteve a máxima de que beneficiária do REPETRO era a pessoa jurídica que estivesse à frente da execução das atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, fosse ela a própria concessionária ou a pessoa jurídica por ela subcontratada para exercer essas atividades, conforme se verifica no seu art. 7º, § 1º e no seu art. 9º, abaixo reproduzidos: Instrução Normativa SRF Nº 27, de 01 de março de 2000 Dispõe sobre a aplicação do regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO. Art. 1º O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, instituído pelo Decreto nº 3.161, de 2 de setembro de 1999, será aplicado de conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. [...] REGIME ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA REQUISITOS PARA A APLICAÇÃO DO REGIME Art. 7º O regime aduaneiro de admissão temporária será aplicado aos bens referidos no caput e no § 1º do art. 2º importados para utilização exclusiva nas atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, por pessoa jurídica que tenha firmado contrato de concessão ou que possua autorização do órgão competente para exercer essas atividades no País, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. § 1º Será beneficiária do regime aduaneiro de que trata este artigo a pessoa jurídica responsável pela execução das atividades contratadas. Fl. 4662DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.663 46 § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o parágrafo anterior não for sediada no País, será beneficiária do regime a pessoa jurídica com sede no País por ela autorizada a promover a importação do bem. Art. 8º O regime de admissão temporária, na hipótese de que trata o artigo anterior, aplicase a bens: I pertencentes a pessoa sediada no exterior, importados sem cobertura cambial; e II que procedam diretamente do exterior ou que se encontrem no território nacional nas condições estabelecidas nos arts. 4º e 5º. Parágrafo único. Tratandose de embarcação estrangeira, a aplicação do regime estará condicionada, ainda, à apresentação de autorização para operar no mar territorial brasileiro, expedida pelo órgão competente do Ministério da Marinha. [...] SOLICITAÇÃO E CONCESSÃO DO REGIME Art. 9º O regime de admissão temporária será concedido por solicitação da pessoa jurídica autorizada a executar as atividades referidas no art. 1º ou por ela subcontratada ou autorizada, nos termos do art. 7º. [...] (destaques acrescidos) Nessa Instrução Normativa SRF nº 27, de 2000, também é importante notar que, no parágrafo único do seu art. 8º, mantevese a referência a “embarcação estrangeira” apenas com a finalidade de especificar condição adicional para que sua importação fosse beneficiada pelo REPETRO. Mas a Instrução Normativa SRF nº 27, de 2000, também durou pouco. No mesmo ano foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 87, de 1º de setembro de 2000. De qualquer forma, mantevese a máxima de que beneficiária do REPETRO era a pessoa jurídica que estivesse à frente da execução das atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, fosse ela a própria concessionária, a pessoa jurídica contratada pela concessionária ou as subcontratadas para exercer essas atividades, conforme se verifica no seu art. 5º, abaixo reproduzido: Instrução Normativa SRF nº 87, de 01 de setembro de 2000 Dispõe sobre a aplicação do regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural Repetro. Art. 1º O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural Repetro, instituído pelo Decreto nº 3.161, de 2 de setembro de 1999, será aplicado de conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. [...] HABILITAÇÃO AO REPETRO Art. 4º O Repetro poderá ser utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal SRF. Fl. 4663DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.664 47 Art. 5º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997; e II que mantenha controle contábil informatizado, inclusive da situação e movimentação do estoque de bens sujeitos ao Repetro, que possibilite o acompanhamento da aplicação do regime, bem assim da utilização dos bens na atividade para a qual foram importados, mediante utilização de sistema próprio. § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, a pessoa jurídica contratada, pela concessionária ou autorizada, para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem assim às subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o parágrafo anterior, contratada pela concessionária ou autorizada, não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela autorizada a promover a importação de bens. [...] REGIME ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA REQUISITOS PARA A APLICAÇÃO DO REGIME Art. 11. O regime aduaneiro de admissão temporária poderá ser aplicado aos bens referidos no caput e no § 1º do art. 2º importados para utilização exclusiva nas atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, que atendam as seguintes condições: I pertençam a pessoa sediada no exterior; II sejam importados sem cobertura cambial; e III procedam do exterior ou tenham sido objeto de despacho aduaneiro de exportação, nas condições estabelecidas no art. 8º e caput do art. 9º. Parágrafo único. Tratandose de embarcação estrangeira, a aplicação do regime estará condicionada, ainda, à apresentação de autorização para operar no mar territorial brasileiro, expedida pelo órgão competente do Ministério da Marinha. [...] (destaques acrescidos) Nessa Instrução Normativa SRF nº 87, de 2000, no parágrafo único do seu art. 11 foi mantida a mesma referência anteriormente feita a “embarcação estrangeira”, mais uma vez apenas para fins de especificar condição adicional relacionada ao bem passível de ser abrangido pelo REPETRO, importado por pessoa jurídica beneficiária do regime. E novamente, poucos meses depois, outra IN foi expedida para disciplinar o REPETRO. Tratase da Instrução Normativa SRF nº 4, de 2001, que revogou a IN SRF nº 87, de 2000. No entanto, a nova IN simplesmente manteve a mesma redação da IN anterior. A revogação se explica pela prática que Receita Federal possuía à época, de anualmente reeditar suas instruções normativas. Fl. 4664DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.665 48 Neste momento, vale registrar que, em 2002, o Decreto instituidor do REPETRO foi revogado pelo então novo Regulamento Aduaneiro, que passou a ser o fundamento para as instruções normativas da Receita Federal sobre o tema, sem trazer inovação no que se refere ao tema da presente análise. Voltando a atenção para a Instrução Normativa SRF nº 4, de 2001, ela vigorou até 2008, ano em que foi editada a Instrução Normativa RFB nº 844, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores alcançados pelo lançamento fiscal ora combatido. Em sua redação original, a Instrução Normativa RFB nº 844, de 2008, tinha a seguinte redação na parte pertinente à presente análise: Instrução Normativa RFB nº 844, de 09 de maio de 2008 Dispõe sobre a aplicação do regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro). Art. 1º O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), instituído pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, será aplicado em conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Para efeitos desta Instrução Normativa considerase: I pesquisa ou exploração: conjunto de operações ou atividades, incluídas as de perfuração, destinadas a avaliar áreas, objetivando a descoberta e a identificação de jazidas de petróleo ou gás natural; e II lavra ou produção: conjunto de operações coordenadas de extração de petróleo ou gás natural de uma jazida e de preparo para sua movimentação. [...] CAPÍTULO II DA HABILITAÇÃO AO REPETRO Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens. [...] CAPÍTULO IV Fl. 4665DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.666 49 DO REGIME ESPECIAL DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA Art. 14. O regime aduaneiro de admissão temporária poderá ser aplicado aos bens referidos no caput e no § 1º do art. 2º, desde que atendam as seguintes condições: I pertençam a pessoa sediada no exterior; II sejam importados sem cobertura cambial; e III procedam diretamente do exterior, tenham sido objeto de despacho aduaneiro de exportação nas condições estabelecidas no art. 10 ou tenham sido transferidos de outro regime aduaneiro. Parágrafo único. Tratandose de embarcação ou plataforma, a aplicação do regime fica condicionada, ainda, à apresentação da autorização para permanência no mar territorial brasileiro, emitida pelo órgão competente da Marinha do Brasil. [...] (destaques acrescidos) Como se nota, em sua redação original, a Instrução Normativa RFB nº 844, de 2008, não alterou a IN anterior na parte relativa ao que aqui se pretende demonstrar. Ou seja, continuou prevalecendo a máxima de que beneficiária do REPETRO era a pessoa jurídica que estivesse à frente da execução das atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, fosse ela a própria concessionária, a pessoa jurídica contratada pela concessionária ou as subcontratadas para exercer essas atividades, conforme se verifica no seu art. 5º. Além disso, foi mantida a referência anteriormente feita a “embarcação estrangeira” na especificação de condição adicional relacionada ao bem passível de ser abrangido pelo REPETRO. Também é importante registrar que, na redação original da Instrução Normativa RFB nº 844, de 2008, não havia qualquer referência a contrato de afretamento de embarcações, embora houvesse várias menções a contratos de aluguel de bens estrangeiros. Apenas com a alteração promovida pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009, a Instrução Normativa RFB nº 844, de 2008, passou a se referir expressamente aos contratos de afretamento. E o mais importante é notar que, com essa alteração, a Receita Federal expressamente admitiu que a mesma pessoa jurídica contratada pela concessionária para a prestação de serviços pudesse providenciar o fornecimento de bem necessário a essa execução, amparado em contrato de afretamento distinto do contrato de serviços, desde que tivessem execução simultânea. Tratase da previsão contida no § 3º do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 844, de 2008, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: Fl. 4666DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.667 50 I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens. § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) § 4º Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 1º, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) [...] (destaques acrescidos) Ou seja, com esse § 3º incluído no art. 5º da IN RFB nº 844, de 2008, pela IN RFB nº 941, de 2009, a própria Receita Federal admitiu que a concessionária da exploração de petróleo pudesse celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. Antes de seguir adiante com a análise da evolução dos atos normativos da RFB relativos ao REPETRO, cabe destacar que, em 2009, foi publicado o Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, com o novo Regulamento Aduaneiro, contendo redação semelhante ao Regulamento de 2002, na parte relativa ao REPETRO. Voltando à evolução dos atos normativos da RFB que tratam do REPETRO, em 2010, o regramento foi novamente alterado, desta vez pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010. Como resultado dessas alterações, a IN RFB nº 844, de 2008, assumiu a redação que se encontrava vigente à época de ocorrência dos fatos geradores alcançados pelo lançamento fiscal ora combatido. Mas, antes de abordar a alteração promovida pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010, que é a que importa no momento, vale destacar que a alteração por ela promovida no art. 5º da IN RFB nº 844, de 2008, reproduz com exatidão o art. 461A do Regulamento Aduaneiro, introduzido apenas três dias antes pelo Decreto nº 7.296, de 10 de setembro de 2010. Na nova redação dada ao art. 5º da IN RFB nº 844, de 2008, pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010, a grande inovação foi a inclusão da pessoa jurídica contratada para o afretamento no rol de possíveis beneficiárias do REPETRO, ao lado da concessionária da exploração de petróleo e da pessoa jurídica contratada (ou subcontratada) para a prestação de serviços, como se verifica no inciso II do § 1º: Fl. 4667DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.668 51 Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) [...] (destaques acrescidos) A partir da transcrição acima, resta claro que, como resultado das alterações promovidas em 2010, foi rompida aquela máxima presente desde o início do REPETRO, de que beneficiária do REPETRO deveria ser a pessoa jurídica que estivesse à frente da execução das atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural. Isso porque, a partir da vigência do art. 461A do Regulamento Aduaneiro e da Instrução Normativa RFB nº 1070, de 2010, uma pessoa jurídica que não estivesse à frente da execução das referidas atividades poderia ser beneficiária do REPETRO, desde que fosse a parte contratada em afretamento de embarcação estrangeira, conforme se verifica na nova redação dada ao inciso II do § 1º do art. 5º da IN RFB nº 844, de 2008. Mas, o mais importante aqui é observar que uma das combinações possíveis que se pode extrair da nova redação dada ao § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844, de 2008, é a hipótese em que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também é parte no contrato de afretamento. Ou seja, podese afirmar que a Receita Federal, com amparo direto no Regulamento Aduaneiro, continuou admitindo que a concessionária da exploração de petróleo pudesse celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. Por fim, há que se registrar que a IN RFB nº 844, de 2008, foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.415, de 4 de dezembro de 2013, atualmente em vigor. Com base na análise acima empreendida, podese concluir que a Receita Federal, mesmo antes de 2011, já admitia a possibilidade de a concessionária da exploração de petróleo celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. E se é autorizada a contratação segregada do afretamento e dos serviços com uma mesma pessoa jurídica, a princípio, sem que haja outros elementos que evidenciem eventual planejamento fiscal abusivo (tal como ressaltado no parágrafo 18 da Solução Cosit nº 225, de 2014, adiante transcrito), não haveria razão para se Fl. 4668DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.669 52 opor a esse mesmo arranjo contratual, no caso de a concessionária da exploração de petróleo celebrar a contratação com pessoas jurídicas distintas, porém vinculadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico, como no presente caso. Essa é a razão de minha discordância em relação ao mais importante fundamento do lançamento, qual seja, a premissa de que, no contexto sob exame, haveria uma indissociabilidade absoluta entre o fornecimento da unidade flutuante e a prestação de serviços realizada por meio dela, o que tornaria a contratação segregada indevida por natureza. Ainda segundo a Autoridade Fiscal, a contratação segregada somente teria sido admitida após a alteração promovida pela Lei nº 13.043, de 2014 (Termo de Verificação, item IV). Neste ponto, há que se concordar com a Contribuinte quando, no item 4.7 de sua Impugnação, afirma que a Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, ao alterar o art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, inovou apenas no sentido de estabelecer um limite objetivo para uma prática que já era admitida anteriormente, na hipótese de serem vinculadas as contrapartes dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, com execução simultânea e celebrados com uma mesma pessoa jurídica, normalmente a concessionária da exploração de petróleo: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) [...] § 2º No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS); (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda); e (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) [...] (destaques acrescidos) Fl. 4669DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.670 53 Portanto, com a devida vênia, no meu modo de ver o melhor entendimento para o tema aqui analisado é o seguinte: o arranjo contratual utilizado pela Impugnante não encontrou amparo na legislação tributária apenas com a alteração promovida pela Lei nº 13.043, de 2014. Na verdade, esse arranjo já era expressamente admitido pela própria Receita Federal pelo menos desde de alteração promovida pela IN RFB nº 941, de 2009. Ademais, é exatamente esse o entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB (Cosit), expresso na Solução de Consulta nº 225, de 19 de agosto de 2014, e expedido antes mesmo da publicação da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014. Na referida solução de consulta, a Cosit se manifestou da seguinte forma: 15. É certo que as empresas são livres para montar os seus negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta pois tem como limite a observância das leis. 16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação. 17. No caso ora analisado, a consulente afirma que será responsável por fornecer o equipamento afretado enquanto uma outra empresa brasileira será a operadora do equipamento, sendo que as duas empresas são independentes e não pertencem ao mesmo grupo econômico. 18. Esse aspecto é importante porque a vinculação entre as empresas responsáveis pelo afretamento do equipamento e pela sua operação poderia configurar, quando associada a outros aspectos, tais como a desproporção da remuneração pactuada e ausência de propósito negocial, um planejamento fiscal abusivo com a conseqüente descaracterização do negócio por parte do Fisco. [...] (destaques acrescidos) Como se nota, na Solução de Consulta nº 225, de 2014, depois de tratar da contratação segregada com pessoas jurídicas distintas e independentes, a Cosit alertou que, no caso de as contratantes serem vinculadas, a contratação poderia configurar um planejamento fiscal abusivo quando associada a outros aspectos, tais como a desproporção da remuneração pactuada e ausência de propósito negocial. Ou seja, para a Cosit, no caso de as contratantes serem pessoas jurídicas vinculadas, a contratação segregada, por si só, não é suficiente para caracterizar a abusividade do arranjo contratual. Em outras palavras, no caso de a concessionária da exploração de petróleo celebrar contratos de afretamento e de prestação de serviços com pessoas jurídicas distintas, mas pertencentes a um mesmo grupo econômico, a adoção desse arranjo contratual somente invade o campo da ilicitude quando estiverem presentes outros elementos que evidenciem o caráter abusivo da estratégia. E esse é o aspecto que agora precisa ser analisado. No presente caso, existem outros elementos que evidenciam haver abusividade na estratégia? Conforme depreendese do Termo de Verificação, segundo a Autoridade Fiscal, (i) a previsão de serviços no contrato de afretamento é a prova de que, na Fl. 4670DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.671 54 realidade, não se trata de afretamento; (ii) a falta de capacidade operacional das empresas contratadas para a prestação de serviços evidencia a artificialidade da contratação; e (iii) a desproporção observada entre os valores pagos a título de afretamento e de prestação de serviços, viabilizada pela contratação envolvendo pessoas vinculadas, é o indício final que caracteriza uma “manobra dissimuladora utilizada para retirar receitas do campo de incidência dos tributos”. Antes de enfrentar essas questões, é preciso deixar consignado o seguinte. Embora não tenha se sustentado a premissa básica adotada pela Autoridade Fiscal, qual seja, de que “tratase de uma única contratação” uma vez que “o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados”, o lançamento fiscal pode ser procedente se restar comprovado que, embora permitida a contratação segregada, no presente caso a Contribuinte teria abusado de sua liberdade de autoorganização para evadirse da incidência tributária de maneira dissimulada. É preciso dizer isso porque, embora tenha caído por terra a premissa básica adotada pela Autoridade Fiscal, não se pode ignorar todo o conjunto probatório coletado e o esforço analítico e argumentativo empreendido na hipótese de eles, isoladamente, ainda que sem o apoio do pilar principal, serem suficientes para demonstrar a ilicitude na conduta da Impugnante. Seguese, então, à análise dos três aspectos acima enumerados. A PREVISÃO DE SERVIÇOS NOS CONTRATOS DE AFRETAMENTO Segundo a Autoridade Fiscal, a previsão de serviços no contrato de afretamento é a prova de que, na realidade, não se trata de afretamento. Este argumento encontrase intimamente relacionado com a confusão, já destacada neste Voto, que existe entre a denominação prevista nos contratos relativos à FPSO Espírito Santo (Bare Boat Charter – “afretamento a casco nu”) e a essência de time charter (“afretamento por tempo”), que neles é encontrada. Inclusive, essa confusão é fato incontroverso, pois a Autoridade Fiscal identificou a previsão de serviços nos contratos de afretamento celebrados pela Impugnante, e a Impugnante expressamente reconheceu haver tal confusão, como se verifica nos excertos abaixo reproduzidos: Termo de Verificação Fiscal FPSO Espírito Santo Conforme o disposto no referido contrato, nomeado como BBC Bare Boat Charter/afretamento a casco nu, BBC Local, na Seção II, artigo 1º, item 4 – Definições, o termo “afretamento” abrange o afretamento, serviços de tripulação marítima, desmobilização e outros trabalhos a serem realizados pela contratada. O instrumento contratual também determina que a contratada afretará a FPSO já instalada, totalmente equipada e pronta para operar, com os fins de produção, tratamento, armazenamento e exportação de hidrocarbonetos dos campos BC10 (Seção II, artigo 2º, itens 2.1 e 2.3). Reza ainda o contrato que, os custos e despesas com consertos e manutenção dos equipamentos são atribuídos à contratada no exterior, a qual, no ato, se compromete em manter os padrões de desempenho da FPSO, durante todo seu período de utilização, e que, para tal, há de necessitar constantes manutenções e substituições de peças, em face dos desgastes normais ou eventuais dos equipamentos, em decorrência do seu uso (Seção II, artigo 3º, itens 3.1 e 3.2). Fl. 4671DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.672 55 É também de responsabilidade da fretadora no exterior, consoante contido em cláusula contratual (Seção II, artigo 3º, itens 3.4 a 3.7), não só o fornecimento da tripulação marítima para a navegação, bem como a gestão marítima da instalação; a manutenção de um sistema formal para o gerenciamento de saúde, segurança e ambiente, assumindo total responsabilidade pela adequação, estabilidade e segurança de todas as operações e métodos necessários; manter toda documentação em dia, com a FPSO totalmente certificada para atender aos regulamentos governamentais que permitam a permanência da unidade no território Brasileiro, além da desmobilização da FPSO ao final do período de utilização. Em adição, no tocante ao gerenciamento de saúde, segurança e ambiente, a seção VI, artigo 1 (itens 1.4.1 a 1.4.3; 1.5.1 e 1.5.2; 1.7.1; 1.8.1 a 1.8.5), artigo 2 e artigo 3 (itens 3.2, 3.4, 3.6), em seus itens, claramente demonstra que a contratada Tamba assume absoluta responsabilidade pelas funções gerenciais de saúde, segurança e ambiente, não só desenvolvendo e supervisionando programas e políticas para tanto, mas também inclusive provendo equipamentos para proteção de funcionários e instalações adequadas. Portanto, a contratação do afretamento, o chamado BBC Local, tratou não só do afretamento da unidade FPSO, mas nele também alocou serviços, como demonstrado à exaustão, desvirtuandose do conceito de “afretamento a casco nu”. (destaque acrescido) Impugnação FPSO Espírito Santo No caso dos autos, percebese que embora denominado como bareboat charter (afretamento a casco nu em tradução livre), o fretador obrigouse a entregar a embarcação totalmente equipada e tripulada para operála por prazo determinado responsabilizandose ainda pela gestão da segurança, saúde e meio ambiente. Ou seja, tratase de um clássico contrato de afretamento por tempo (ou time charter), o qual realmente engloba algumas modalidades de serviços (denominadas como gestão náutica'), com disponibilização do respectivo pessoal necessário para a tarefa nos termos do art. 2º, inciso II, da Lei 9.432/1997. destaque acrescido) Registrese, ainda, que no caso do naviosonda Clyde Boudreaux, a Autoridade Fiscal também identificou a presença de serviços no contrato de afretamento, e a Impugnante também reconheceu tal circunstância: Termo de Verificação Fiscal – Naviosonda Clyde Boudreaux Coubera à contratada e fretadora Noble Drilling fornecer toda a administração, supervisão, pessoal, materiais e equipamentos, planta e instalações, exceto aqueles fornecidos nos termos do contrato de prestação de serviços. Dentre suas responsabilidades estão incluídas também a adequação e segurança de quaisquer operações desenvolvidas na unidade (claúsula 5.3). O pessoal da fretadora para fornecer o afretamento tem como englobados o capitão, os oficiais e tripulantes marítimos da unidade de perfuração (cláusula 9). A fretadora Noble Drilling declara no referido contrato que possui a experiência e a capacidade, incluindo supervisores suficientes e competentes e Fl. 4672DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.673 56 outras pessoas, para executar o trabalho de forma eficiente, rápida e com segurança (cláusula 9.1). Além de fornecer continuamente tal pessoal, a contratada Noble Drilling assegurou que o pessoal chave não poderia ser substituído sem aprovação prévia da SHELL, e que envidará todos esforços para operar a empreitada com o seu próprio quadro de pessoal permanente, em preferência a pessoal de agências (cláusula 9.2). Dispõe, inclusive, o referido contrato, que a SHELL pode notificar a Noble para retirar do local de trabalho qualquer diretor, empregado ou agente da Noble, da plataforma, que seja incompetente ou negligente em suas funções (cláusula 9.12). Vêse que essas disposições extrapolam os aspectos de um afretamento e envolvem consequências a serem aplicadas pela má prestação de serviços. Na clausula 3.2, seção IV, que assenta sobre o escopo da empreitada, consta que a contratada terá disponível, desde a data do início do contrato e pela sua duração, pessoal da contratada suficiente para executar a empreitada com eficiência, conforme requerido no contrato. Esta mesma seção, em seu item 2, define empreitada como a provisão da unidade de perfuração pela contratada, sendo ela, contratada, exclusivamente responsável pela operação e manutenção dos itens por ela fornecidos, e por prestar assistência e suporte às subcontratadas, outras contratadas, ou à própria contratante, ao longo das operações de perfuração desenvolvidas. Aqui, reiterase, que, malogrado o contrato ter sido nominado afretamento, este, de fato, abarcou serviços em seu escopo de forma conjunta. A cláusula 3.3, seção IV, traz a listagem do pessoal, referente à provisão mínima composta de apenas um comandante (engenheiro de balsa), um imediato e dois operadores de rádio. Tratase de pessoas vinculadas à equipe náutica, que têm funções específicas a bordo da embarcação, portanto com a finalidade de manter navegabilidade e segurança. Desta forma, considerandose as complexas atribuições assumidas pela contratada para executar as operações às quais se obrigou no contrato de afretamento, podese concluir que não foi apenas com esta tripulação náutica que a contratada supriu as demandas do contrato acima citadas e as demais. Citase, como exemplo, o serviço de base de suporte descrito no item 2.6.2 (de A a H) da seção IV, a qual prescreve a exigência de pessoal não apenas vinculado à referida tripulação. Impugnação Em relação ao FPSOEspírito Santo e ao naviosonda Clyde Boudreaux, o auto de infração impugnado questiona a idoneidade da "bipartição" dos contratos de afretamento e de prestação de serviços de O&M. Como já foi dito, há no caso dois contratos distintos celebrados: (i) um contrato de afretamento time charter que compreende a disponibilização da embarcação, a gestão náutica e a manutenção do "casco" do navio; e [...] E qual seria a consequência dessa confusão para o deslinde do presente caso? A meu ver, nenhuma. Fl. 4673DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.674 57 A previsão dos serviços encontrados nos contratos de afretamento sob exame é justamente o fator que lhes conferem a natureza de afretamento “por tempo”. Em outras palavras, é da natureza dos contratos de afretamento por tempo a previsão de serviços relativos à gestão náutica (tripulação, segurança das pessoas embarcadas, manutenção do casco e demais equipamentos relacionados à navegabilidade, etc.). A previsão de serviços relacionados à navegação e à manutenção da própria embarcação afretada não altera a natureza de afretamento do contrato. Ainda que haja a previsão desses serviços, continua sendo afretamento, conforme são muito claros nesse sentido os incisos II e III do art. 2º da Lei nº 9.432, de 1997: Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; III afretamento por viagem: contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens; (destaque acrescido) Recuperando a análise das cláusulas dos contratos de afretamento sob exame, empreendida pela Autoridade Fiscal no presente caso, podese verificar que todos os serviços que neles encontramse previstos estão relacionados à navegação e à segurança a bordo. Esse é um dos pontos trazidos na Impugnação, e que se revelou verdadeiro. A argumentação da Impugnante nesse sentido é longa, e já foi reproduzida neste Voto. Abaixo, reproduzo apenas um pequeno excerto que ilustra bem o que foi alegado quanto a essa questão: No caso dos contratos de afretamento autuados, todos os serviços neles previstos são aqueles decorrentes da gestão náutica, ao passo que a gestão comercial ficou a cargo do prestador de serviços de O&M. [...] Pelo próprio relato fiscal verificase que todos os alegados "serviços" prestados conjuntamente são exatamente aqueles acessórios e absolutamente necessários à própria gestão náutica da embarcação. A bem da verdade, no Termo Fiscal, referindose à FPSO Espírito Santo, há uma referência a obrigação da fretadora contratada BDP que se relaciona não à manutenção da embarcação, mas sim à manutenção dos equipamentos utilizados na prestação de serviços. Mas não se trata da execução, propriamente dita, dos serviços de manutenção dos equipamentos utilizados na extração de petróleo. Tratase, sim, da obrigação de assumir os custos relacionados ao fornecimento das partes e peças necessárias para que a contratada para o serviço possa cumprir seu papel de manter os equipamentos operando. Nesse sentido, são os seguintes os pertinentes excertos do Termo Fiscal: Fl. 4674DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.675 58 • A contratada Brazilian Deepwater, por sua conta e custos, se compromete em manter os padrões de desempenho da FPSO, durante todo seu período de utilização, que, para tal, necessita constantemente de manutenções e substituições de peças, fornecendo tais materiais que se façam necessários (seção II Condições do Contrato, artigo 3 Obrigações da Contratada BBC); [...] • As cláusulas 22.1 a 22.7 do artigo 22 da seção II Condições do Contrato, dispõe [sic] que a Brazilian Deepwater fará com que a SBM Brasil seja incorporada no Estado do Espírito Santo e designada como importadora e exportadora de registro, ou seja, ficando responsável pela importação não só da FPSO, mas também de todas as peças, equipamentos e sobressalentes necessários à operação da FPSO, a serem fornecidos pela própria BBC [sic] para o desempenho do trabalho, sob o regime REPETRO. Assim, a contratada BBC [sic] deve fazer com que a SBM Brasil cumpra com todas as disposições do referido regime e da legislação alfandegária brasileira. Quanto ao naviosonda Clyde Boudreaux, a situação não é diferente. No contrato de afretamento somente há serviços relacionados à gestão náutica, o que preserva sua natureza de contrato de afretamento por tempo, conforme se depreende da leitura do próprio Termo Fiscal: Coubera à contratada e fretadora Noble Drilling fornecer toda a administração, supervisão, pessoal, materiais e equipamentos, planta e instalações, exceto aqueles fornecidos nos termos do contrato de prestação de serviços. Dentre suas responsabilidades estão incluídas também a adequação e segurança de quaisquer operações desenvolvidas na unidade (cláusula 5.3). O pessoal da fretadora para fornecer o afretamento tem como englobados o capitão, os oficiais e tripulantes marítimos da unidade de perfuração (cláusula 9). (destaque acrescido) Isso posto, há que se concordar com a Impugnante. Considerando que os serviços relacionados pela Autoridade Fiscal no seu Termo de Verificação, como contidos nos contratos de afretamento, somente se referem à navegação e à manutenção da embarcação e, considerando, ainda, que a presença de serviços dessa espécie não altera a natureza de afretamento do contrato (por tempo ou por viagem), de se concluir que não procede a tese de que os contratos sob exame seriam, em essência, de prestação de serviços, e não de afretamento. CAPACIDADE OPERACIONAL PARA A EXECUÇÃO DOS SERVIÇOS DE O&M Segundo a Autoridade Fiscal, a falta de capacidade operacional das empresas contratadas para a prestação de serviços evidencia a artificialidade da contratação. Quanto a esse ponto, tratandose da FPSO Espírito Santo e a contratada Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda., a Autoridade Fiscal assim se manifestou: Em paralelo ao contrato de afretamento, BBC, e na mesma data, a Shell Brasil Ltda celebrou o contrato de prestação de serviços O&M (Operação e Manutenção), de número EPW 110306 C BBR, com a empresa SBM Projeto Novo Serviços Marítimos Ltda, CNPJ 07.283.129/000101, domiciliada na Av. Nossa Fl. 4675DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.676 59 Senhora dos Navegantes, nº 451, enseada do Suá – Espirito Santo. O referido contrato foi apresentado a esta fiscalização em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 13, de 28/09/2015. Aqui reiterase que a empresa, posteriormente designada de Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda., tem como sócia majoritária a empresa estrangeira Brazilian Deepwater Production Ltd., ou seja, aquela que, de fato, fretou a unidade FPSO para a SHELL por intermédio de Tamba B.V. Analisandose as funções e salários pagos pela contratada Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda., consubstanciandose em dados extraídos da Guia do Fundo de Garantia e Informações à Previdência, verificouse que entre as pessoas contratadas, em média 75, não constam profissionais com qualificações para prestarem serviços de alta tecnologia, para elaborar e implementar projetos marítimos destinados à produção de petróleo e gás natural, tendo sido detectada a presença de apenas um engenheiro. No demonstrativo acima, cujos dados foram extraídos da GFIP, as informações têm os seguintes significados: A) CBO código brasileiro de ocupação; B) As funções definidas de acordo com os códigos CBO a serem informadas na GFIP; C) Quantidade de segurados em cada função; D/E) os menores e os maiores salários pagos em cada função. Fl. 4676DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.677 60 Como se nota, quando a Autoridade Fiscal afirmou que “não constam profissionais com qualificações para prestarem serviços de alta tecnologia, para elaborar e implementar projetos marítimos destinados à produção de petróleo e gás natural, tendo sido detectada a presença de apenas um engenheiro”, ficou nas entrelinhas seu entendimento no sentido de que os serviços não teriam sido efetivamente prestados por essa empresa. Contrapondose ao que restou expresso no Termo Fiscal, a Contribuinte alegou o seguinte: 3.3. Quanto à alegação de falta de pessoal especializado para a prestação de serviços: indevida inversão do dever de prova. O TVF também traz como prova da artificialidade da coligação entre os contratos a alegação de que a empresa prestadora de serviços de O&M não teria pessoal técnico qualificado para atuar na extração de petróleo. Vejase, por exemplo a acusação feita em relação ao FPSOEspírito Santo: "Analisandose as funções e salários pagos pela contratada Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda., consubstanciandose em dados extraídos da Guia do Fundo de Garantia e Informações à Previdência, verificouse que entre as pessoas contratadas, em média 75, não constam profissionais com qualificações para prestarem serviços de alta tecnologia, para elaborar e implementar projetos marítimos destinados à produção de petróleo e gás natural, tendo sido detectada a presença de apenas um engenheiro.” [...] Como se vê, para chegar à conclusão de que haveria confusão contratual entre os serviços de O&M e o afretamento a autoridade fiscal alegou que a empresa prestadora de serviços Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda. teria registrado em sua GFIP "a presença de apenas um engenheiro". [...] Com a devida vênia, o Fisco novamente está chegando a conclusões precipitadas, com base em indícios que não são, nem de longe, conclusivos. Em primeiro lugar, faltou ao Fisco demonstrar que os funcionários apresentados realmente carecem de qualificação técnica necessária para a prestação de serviços de O&M. Há uma mera ilação, despida de qualquer fundamento técnico. Em segundo lugar, ainda que a empresa Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda. não tenha registrado em sua GFIP funcionários contratados sob o regime celetista com capacidade técnica para a prestação dos serviços contratados, nada obsta que parte do serviço seja subcontratada, como consta expressamente da cláusula 09 do contrato de O&M: "Artigo 9 Subcontratos 9.1 O contratado para O&M não deve subcontratar todo o trabalho de O&M. O contratado para O&M não deve subcontratar qualquer parte do trabalho de O&M sem aprovação prévia da empresa; contanto que. por outro lado, o contratado para O&M possa, sem aprovação prévia da empresa, subcontratar qualquer parte do trabalho de O&M para (i) um subcontratado aprovado (contanto que uma porção do trabalho então subcontratado esteja dentro da categoria designada para o referido subcontratado aprovado no capítulo VII subcontratados aprovados (...)." Como prova de que parte dos serviços são efetivamente subcontratados, a Impugnante junta aos autos a nota fiscal que comprova a subcontratação de serviços Fl. 4677DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.678 61 de calibração de instrumentos pela empresa Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda. junto à empresa Metroval (doc. n° 09): [...] Como se nota, em relação a este ponto o Fisco não foi capaz de demonstrar, sequer minimamente, a existência de insuficiência de pessoal para a prestação dos serviços relativos à gestão comercial (O&M), ou dos serviços conexos à gestão náutica. Em conclusão, apesar de o Fisco adotar a premissa de que existiria confusão entre o objeto dos contratos de prestação de serviços de O&M e de afretamento, em momento algum a autoridade fiscal acusa diretamente a Impugnante de praticar simulação em razão de os serviços de O&M serem prestados pelo fretador. Não traz nenhum elemento concreto neste sentido, apenas ilações vagas e descontextualizadas, motivo pelo qual não se pode aceitar a requalificação dos contratos com base em tão frágeis fundamentos. Em análise a esse aspecto da argumentação trazida pela Autoridade Fiscal, entendo ser bastante frágil sua contribuição para a conclusão obtida no Termo de Verificação, conforme passo a explicar. Como dito acima, ao afirmar que no quadro de funcionários da Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda. “não constavam profissionais com qualificações para prestarem serviços de alta tecnologia”, ficou subentendido que, sob a ótica da Autoridade Fiscal, os serviços não teriam sido efetivamente prestados por essa empresa. Embora não tenha sido expressa nesse sentido, com a apresentação dessa constatação, pareceme que a Autoridade Fiscal pretendeu fazer crer que provavelmente a empresa estrangeira contratada para o afretamento era quem estaria, de fato, realizando os serviços de O&M, o que reforçaria sua tese de que havia uma grande confusão contratual. Há dúvidas se, realmente, faltava capacidade operacional à Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda., afinal, a própria Autoridade Fiscal trouxe um quadro com indicação de mais de setenta funcionários registrados sob o regime celetista, entre eles diversos técnicos com salários nada desprezíveis. Além disso, a Impugnante ainda ressalta a possibilidade de subcontratações. De qualquer forma, sem qualquer outro elemento para respaldar a conclusão de que “não constavam profissionais com qualificações para prestarem serviços de alta tecnologia”, tal afirmativa acaba por se caracterizar como mera opinião, revelandose muito frágil para sustentar uma conclusão de tamanha relevância. Isso posto, concluo que não restou comprovado que inexistia capacidade operacional pela Operações Marítimas em Mar Profundo Ltda. A PROPORÇÃO ENTRE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE AFRETAMENTO E SERVIÇOS Segundo a Autoridade Fiscal, a desproporção observada entre os valores pagos a título de afretamento e de prestação de serviços, viabilizada pela contratação envolvendo pessoas vinculadas, é o indício final, que caracteriza uma “manobra dissimuladora utilizada para retirar receitas do campo de incidência dos tributos”. Fl. 4678DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.679 62 No caso da FPSO Espírito Santo, a Autoridade Fiscal afirmou o seguinte: A título de afretamento, foram pagos, em 2011, à empresa fretadora Tamba B.V, R$ 282.713.716,25 (duzentos e oitenta e dois milhões, setecentos e treze mil, setecentos e dezesseis reais e vinte e cinco centavos), verba esta remetida ao exterior em nome da contratada, conforme consta nos contratos de câmbio, enquanto que, a título de prestação de serviços de operação e manutenção foram pagos, no mesmo ano, à empresa SBM Projeto Novo Serviços Marítimos Ltda, R$ 18.266.299,90 (dezoito milhões, duzentos e sessenta e seis mil, duzentos e noventa e nove reais e noventa centavos). Isto é, do total dos dispêndios com a FPSO, com custos de afretamento e serviços de operação/manutenção, apenas 6% foi destinado a este último, enquanto que 94% total pago foi a título de afretamento, o que configura uma exagerada desproporção, e evidencia a manobra dissimuladora utilizada para retirar receitas do campo de incidência dos tributos, uma vez que o afretamento foi considerado pela SHELL como sujeito à incidência de alíquota zero do Imposto de Renda. Há evidências de que tanto a empresa Fretadora Brazilian Deepwater Production, enquanto fretadora da unidade FPSO, como a Prestadora de Serviços SBM BRASIL pertencem ao grupo econômico liderado por SBM OFFSHORE. [...] Para demonstrar que a fretadora de fato era a Brazilian Deepwater Production, a Autoridade Fiscal colocou sob dúvida a capacidade operacional da empresa Tamba BV, do grupo Shell, que afretou a FPSO sob amparo do contrato BBCLocal: Por meio do TIF número 18, o contribuinte foi intimado a apresentar a relação das pessoas utilizadas pela contratada Tamba B.V, para atender ao contrato de afretamento, contendo nomes e funções desempenhadas. Contudo, a sua resposta se limitou a “esclarecer que não há, no contrato de afretamento, a listagem com os nomes das pessoas que compõem a tripulação mínima de segurança, mas tão somente a indicação que deverá haver pessoas para cumprir as funções requeridas pela Norma de Autoridade Marítima para embarcações empregadas na navegação em mar aberto (Norma – 01/DPC ) da Marinha do Brasil, através de sua Diretoria de Portos e Costas”. Ou seja, não atendeu adequadamente ao que lhe fora inquerido. Deste modo, considerandose que a tripulação mínima a que se refere à resposta é formada por profissionais a bordo da embarcação que se dedicam à condução da embarcação, mantendose a sua segurança e navegabilidade, (tripulação náutica), geralmente estrangeiros, é solar afirmarse que não foi com esta tripulação náutica que a contratada supriu as demandas do contrato de afretamento aos quais se propõe, com relação aos itens vinculados à parte de pessoal relativas às funções gerenciais de saúde, segurança e ambiente, bem como na prática de desenvolver e supervisionar programas e políticas de melhorias no setor de pessoal, inclusive provendose equipamentos para proteção de funcionários e instalações adequadas. (vide Seção VI, Gerenciamento de Saúde, Segurança e Ambiente HSE) . Por fim, a Autoridade Fiscal concluiu: Diante do acima exposto, verificase que todos estes elementos presentes no contrato de afretamento BBC indicam que a empresa Brazilian Deepwater Production foi a fretadora de fato da unidade FPSO, e, ainda, corroboram as evidências da interligação e vinculação das empresas envolvidas e dos contratos celebrados, cujo fim econômico precípuo é o serviço de produção de petróleo e gás natural na BC10. [...] Fl. 4679DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.680 63 b) A unidade FPSO, Espírito Santo, não obstante a existência de um pacto contratual de afretamento “local” entre Tamba B.V, empresa do grupo Royal Dutch Shell, e Shell Brasil Petróleo, foi de fato fornecida por empresa do Grupo SBM, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira SBM Brasil contratada para a prestação de serviços de operação e manutenção; ou seja, uma empresa do Grupo SBM foi contratada para prestar serviços utilizandose de unidade que o próprio Grupo SBM forneceu; Quanto ao naviosonda Clyde Boudreaux, a Autoridade Fiscal afirmou o seguinte: Pelo afretamento do Navio Sonda Clyde Boudreaux a Shell pagou a importância de R$ 83.790.709,79 (oitenta e três milhões, setecentos e noventa mil, setecentos e nove reais e setenta e nove centavos), abrangendo a gestão, supervisão, pessoal, plantas, materiais de consumo e instalações necessários para a satisfação das cláusulas contratuais. Pela prestação de serviços a Shell pagou R$ 22.849.093,00 (vinte e dois milhões, oitocentos e quarenta e nove mil e noventa e três reais), ou seja, 21,43% do valor contratado a título de afretamento, revelando a desproporção de valores existente entre os dois contratos celebrados. [...] A unidade Clyde Boudreaux foi fornecida por empresa do Grupo NOBLE, mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração. A empresa Noble do Brasil Ltda, do Grupo NOBLE, foi contratada para prestar serviços, utilizandose de unidade que o próprio Grupo NOBLE fornecera. Tratase, portanto, de uma só contratação, dicotomizada artificialmente, a fim de evitar a incidência do imposto de renda, da CIDE, e do PIS/COFINS Importação sobre a maior parte da remuneração. [...] No item 3.3 de sua defesa, a Contribuinte questiona o papel que a Autoridade Fiscal atribuiu à Tamba BV, nos seguintes termos: Tampouco deve impressionar a alegação contida no TVF de que "não foi com esta tripulação náutica que a contratada (TAMBA BV) supriu as demandas do contrato de afretamento aos quais se propõe." Com base em que exatamente? Neste ponto, faltou ao Fiscal autuante indicar como esta suposta constatação prejudicaria a idoneidade do negócio jurídico realizado pela Impugnante. Ora, ainda que parte dos serviços inerentes ao time charter, como segurança, meio ambiente e saúde, tivessem sido subcontratados (o que também está previsto no afretamento celebrado pela Impugnante com Tamba BV, registrese), qual seria a relevância disso para aferir a validade do contrato? Esta pergunta simplesmente não foi respondida, o que autoriza de plano a desconsideração desta alegação. Ora, conforme afirmei acima, com a dúvida acerca do papel da Tamba BV no arranjo contratual examinado, a Autoridade provavelmente pretendeu reforçar seu argumento no sentido de que, no caso da FPSO Espírito Santo, a fretadora de fato e a prestadora de serviços O&M são empresas vinculadas. Fl. 4680DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.681 64 Para fins de justificar a existência e o papel da Tamba BV como fretadora de fato e de direito da FPSO Espírito Santo para a SHELL, a Impugnante discorre longamente nos itens 4.1 e 4.2 (fls. 46 a 52 da petição). Inclusive, a Contribuinte juntou ao processo as demonstrações financeiras e o certificado de residente fiscal da Tamba BV, com o intuito de comprovar a composição societária e a substância econômica da empresa na Holanda. De qualquer forma, no caso da FPSO Espírito Santo, ainda que a fretadora e a prestadora de serviços O&M sejam mesmo empresas vinculadas (como são no caso do naviosonda Clyde Boudreaux), a grande questão é que o vínculo, em si, não é vedado conforme já visto neste Voto. O problema com o vínculo entre fretadora e prestadora de serviços está no fato de que, quando presente, ele pode viabilizar a transferência maliciosa dos valores contratados da prestação de serviços para o afretamento, para fins de escapar do ônus da tributação. Portanto, em vez de gastar energia com a determinação de quem é a contraparte de fato do contrato de afretamento da FPSO Espírito Santo, podese desde logo passar à questão principal: há, no presente caso, em relação à FPSO Espírito Santo e também ao naviosonda Clyde Boudreaux, transferência maliciosa dos valores contratados da prestação de serviços para o afretamento? Salta aos olhos a desproporção entre os valores da contratação do afretamento e da prestação de serviços: 94% x 6% no caso da FPSO Espírito Santo e 79% x 21% no caso do naviosonda Clyde Boudreaux. Diante da magnitude da desproporção observada, pode ter havido transferência maliciosa dos valores contratados da prestação de serviços para o afretamento? Pode até ser que sim. Posso afirmar que houve? Não, não posso, afinal o valor das unidades flutuantes afretadas está na casa de bilhão de dólares americanos. E uma rápida olhada no manual de operações juntado ao processo autoriza concluir que se trata de um equipamento altamente sofisticado, com diversos controles que, possivelmente, permitem sua operação com reduzida intervenção humana quando comparada à dimensão da empreitada. Mas o sentimento deste Julgador a esse respeito não é importante. Fato é que a Impugnante trouxe diversos elementos para demonstrar que inexiste transferência maliciosa entre os valores de um contrato para o outro (itens 4.3 para a FPSO Espírito Santo e 5.2 para o naviosonda Clyde Boudreaux, além de planilhas de custo e revisões periódicas dos valores contratados). De seu lado, a Autoridade Fiscal não demonstrou ter havido tal transferência. Limitouse a afirmar que há uma “exagerada desproporção” entre os valores contratados, mas não indicou, nem de maneira aproximada, qual seria o cenário correto. E é compreensível que tenha agido dessa forma, afinal tal determinação não era necessária na linha argumentativa adotada no Termo de Verificação. Pareceme muito claro que os valores que teriam migrado maliciosamente dos contratos de serviços para os de afretamento (se é que isso aconteceu) não foram identificados (nem ao menos estimados) no Termo de Verificação porque a Autoridade Fiscal entendeu que se tratava “de uma só contratação, cujo fundamento econômico é o serviço de produção de petróleo de petróleo e gás natural”. Em outras Fl. 4681DF CARF MF Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão n.º 3301004.592 S3C3T1 Fl. 4.682 65 palavras, considerando que no presente caso foi adotada a premissa de que inexistia afretamento autônomo, para a Autoridade Fiscal tudo o que foi pago às contratadas o foi a título de contraprestação de serviços, de modo que, sob essa premissa, realmente não fazia sentido determinar qual seria o valor realmente devido para algo que não existia (o afretamento). O problema é que essa premissa ruiu. Existem, sim, contratos de afretamento no presente caso, inclusive com amparo na própria legislação tributária, conforme já demonstrado neste Voto. Desse modo, se é que houve transferência maliciosa dos valores contratados da prestação de serviços para o afretamento, ela deveria ter sido determinada. Isso posto, há que se concordar com a Impugnante quando afirma que “a Fiscalização não poderia ter simplesmente considerado que todos os valores pagos a título de afretamento correspondem a uma remuneração pela prestação de serviços (como se o afretamento não tivesse nenhum valor econômico)”. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a integralidade do acórdão n° 0739.244 da 3ª Turma da DRJ/FNS. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Redatora Fl. 4682DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.908828/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. DIREITO À UTILIZAÇÃO APÓS A CONFIGURAÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR. SÚMULA 84 DO CARF. PROCEDÊNCIA.
Sendo constatada a efetiva existência de pagamento a maior por estimativa o direito à utilização do crédito exsurge imediatamente após a realização do pagamento, não necessitando aguardar o encerramento do exercício para possível composição de saldo negativo.
Numero da decisão: 1401-002.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. Participou do julgamento em substituição à Conselheira Lívia De Carli Germano, o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. DIREITO À UTILIZAÇÃO APÓS A CONFIGURAÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR. SÚMULA 84 DO CARF. PROCEDÊNCIA. Sendo constatada a efetiva existência de pagamento a maior por estimativa o direito à utilização do crédito exsurge imediatamente após a realização do pagamento, não necessitando aguardar o encerramento do exercício para possível composição de saldo negativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. Participou do julgamento em substituição à Conselheira Lívia De Carli Germano, o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
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DIREITO À UTILIZAÇÃO APÓS A CONFIGURAÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR. SÚMULA 84 DO CARF. PROCEDÊNCIA. Sendo constatada a efetiva existência de pagamento a maior por estimativa o direito à utilização do crédito exsurge imediatamente após a realização do pagamento, não necessitando aguardar o encerramento do exercício para possível composição de saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. Participou do julgamento em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 88 28 /2 00 9- 16 Fl. 312DF CARF MF 2 substituição à Conselheira Lívia De Carli Germano, o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso, com os nossos acréscimos. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório – DD em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) 11362.89673.260208.1.3.044558, por intermédio da qual o contribuinte, que apura os tributos devidos com base no lucro real – estimativa mensal, pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2484) referente a 11/2007, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2484), efetuado em 31/01/2007. Em decisão proferida pela DRF Ribeirão Preto em 07/10/2009 (intimação por edital), não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada no presente processo por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Em 18/11/2009, irresignado, interpôs o contribuinte Manifestação de Inconformidade na qual alega, em síntese, que: a) A requerente pleiteou o ressarcimento para fins de compensação de débitos referentes à CSLL do período de apuração de novembro/2007, com créditos de CSLL (código 2484) do período de apuração de dezembro de 2006, por meio da PER/DCOMP 11362.89673.260208.1.3.044558; b) Ocorre que a requerente foi notificada acerca do despacho decisório que não homologou a compensação. A justificativa foi de que o crédito tratase de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica pelo lucro real, assim o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, nos termos do art. 10 da IN/SRF n.° 600/2005; c) Entretanto, em que pese a diligência e aplicação do ilustre subscritor do referido despacho, não deve o mesmo prevalecer por absoluta falta de amparo legal e ausência da devida interpretação sistemática das legislações aplicáveis à espécie; d) Segundo o despacho decisório, a requerente não poderia compensar os créditos que possuía de CSLL (código 2484), pois tratase de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica pelo lucro real, em razão do disposto no art. 10 da IN/SRF n.° 600/2005, no entanto, referido dispositivo não encontra amparo legal, assim, não poderia impedir a requerente de proceder a compensação do crédito de CSLL por estimativa que possui; e) Isso porque, dispõe o art. 170 do CTN que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública; f) Porém, a Lei n° 9.430/96, cujo art. 74 disciplina a compensação de débitos com créditos próprios no âmbito da Receita, não impede a compensação de valores pagos a maior a título de CSLL por estimativa com débitos que possui do mesmo ou de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, muito menos restringe o seu uso somente no valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10840.908828/200916 Acórdão n.º 1401002.399 S1C4T1 Fl. 313 3 apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período, como está previsto no art. 10 da IN/SRF n.° 600/2005; g) É sabido que a instrução normativa é uma norma de eficácia limitada à lei, não lhe sendo permitido ampliar as disposições legais, mas tão somente explicar ou esclarecer dada matéria; h) Portanto, a IN/SRF n.° 600/2005 extrapolou o seu limite legal, na medida em que criou uma nova hipótese de vedação ao direito dos contribuintes de compensar seus créditos tributários, qual seja, a vedação da compensação por meio de PER/DCOMP dos créditos relativos a pagamento indevido ou a maior de CSLL, no decorrer do anocalendário, para somente no fim do mesmo ano calendário, que o § 3° do art. 74 da Lei n.° 9.430/96 não prevê; i) Além disso, o dispositivo restritivo disposto na IN/SRF n° 600/2005 foi revogado pela IN/SRF n° 900/2008 e, por conta disso, a Receita Federal do Brasil esclareceu que os recolhimentos indevidos ou a maior a título de antecipações mensais por estimativa podem ser objeto de Dcomp; j) Em função disso, a requerente tem o direito de compensar o débito referente ao CSLL do período de apuração de novembro/2007, com valores pagos a maior a titulo de CSLL (código 2484) do período de apuração de dezembro de 2006, em conformidade com o pleiteado através da PER/DCOMP 11362.89673.260208.1.3.044558, devendo ser reformado o despacho decisório que não homologou a compensação. Analisando a manifestação do contribuinte em confronto com a decisão da Delegacia de origem a Delegacia de Julgamento proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/01/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão a recorrente apresenta recurso voluntário no qual alega a incorreção da decisão em razão de alegar ter apresentado documentos que comprovam a existência do crédito relativo a pagamento a maior de CSLL de dezembro/2006 que foi utilizado neste processo e não aceito pela DRJ. Tomando conhecimento do recurso, a turma de julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência com vistas a verificar os valores dos créditos alegados Fl. 314DF CARF MF 4 pela empresa, os valores devidos a título de CSLL e confirmar a existência do pagamento a maior em discussão. A fiscalização, diligenciando junto ao contribuinte, apresentou as seguintes conclusões acerca do crédito pretendido. Elaboramos o quadro a seguir, que detalha os valores declarados em DCTF ao longo de 2006 de CSLL por estimativa e o montante efetivamente extinto em cada um dos meses do ano de acordo com o crédito vinculado pela contribuinte em suas DCTF: O próximo quadro trata das compensações que pretenderam extinguir o débito de CSLL por estimativa relativo a dezembro de 2006, de modo a demonstrar a origem dos R$ 188.623,60 inseridos a título de “valor extinto” em relação a dezembro de 2006 no quadro anterior: Como se percebe, o débito de estimativa de CSLL referente a dezembro de 2006 sequer foi integralmente extinto. Caberá portanto ao CARF decidir se é cabível o reconhecimento dos R$ 340.503,18 como pagamento indevido tendo em vista que do débito de R$ 644.213,96, apenas R$ 188.623,60 foram extintos por compensação, estando a diferença não extinta (mais que os R$ 340.503,18 recolhidos) sob julgamento administrativo. É o relatório. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10840.908828/200916 Acórdão n.º 1401002.399 S1C4T1 Fl. 314 5 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Trata o presente recurso de análise da possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido a título de CSLL pago por estimativa para a compensação com diversos outros débitos da empresa. A declaração de compensação foi considerada nãohomologada em razão de não ser possível a utilização de pagamento a maior ou indevido a título de IRPJ ou CSLL por estimativa na compensação de outros débitos. Transcrevo, abaixo, os termos do despacho decisório em questão. Transcrevemos, abaixo, o teor do art. 10, da IN RFB nº 600/2005: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 316DF CARF MF 6 A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o anocalendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período, a existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desbordava dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdãos paradigma precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. No caso específico deste processo, verificase que, após a realização de diligência junto à empresa foi constatado que ocorreu efetivamente o pagamento a título de estimativa de CSLL. Nesta mesma diligência o fiscal responsável informa, no entanto, que o valor do débito de CSLL de dezembro/2006 informado na DIPJ e DCTF foi quitado por meio de compensações diversas e que, destas compensações, apenar o valor de R$ 188.623,60 foram homologados, estando os demais saldos de débitos não compensados em discussão administrativa. Entende, assim, o fiscal que como o débito do referido período não foi integralmente quitado, não existe pagamento indevido do mesmo período. Informa, ainda, que a data de recolhimento do DARF é do dia 31/01/2007, enquanto que os PER/DCOMP teriam sido enviados em 23/01/2007. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10840.908828/200916 Acórdão n.º 1401002.399 S1C4T1 Fl. 315 7 Com relação a este detalhe específico, não pudemos confirmar as datas acima, visto que não foram acostados ao processo cópias dos outros PER/DCOMP citados, nem do DARF do recolhimento. Inobstante estes detalhes, que a bem da verdade não tem influência sobre o valor do crédito pretendido, devemos levar em consideração dois aspectos não enfrentados antes. Primeiro, a decisão que não homologou as compensações utilizou, como seu fundamento jurídico, a existência de norma impeditiva da utilização de pagamento indevido de estimativa e não a alegação de inexistência do crédito; Segundo, em relação aos saldos de débitos de CSLL de dezembro/2006 que não foram integralmente compensados e que se encontram em discussão, estes débitos serão obrigatoriamente objeto de cobrança administrativa e executiva e, assim, deverão ser quitados posteriormente. Mais ainda, devese considerar que estando em discussão estes débitos poderão ser posteriormente considerados homologados. Em face destas considerações devemos destacar que, em relação à decisão, esta deve ser considerada incorreta diante da edição da Súmula CARF nº 84, que, expressamente autorizou a utilização de crédito relativo a pagamento a maior ou indevido de estimativa já após o seu pagamento. Assim, juridicamente falando, a decisão deve ser revista em razão da referida Súmula. Outro ponto a considerar, este relativo à efetiva existência do crédito, é que apesar de o responsável pela diligência tecer considerações em relação ao fato de que o débito de CSLL de dezembro/2006 foi informado como quitado por compensação e que muitas destas compensações não foram homologadas, restando saldo de débitos em valor maior do que o crédito pretendido, devese levar em conta outros aspectos. Vejamos. 1 – Os débitos informados em declaração de compensação constituem confissão de dívida, assim, não homologada a compensação estes são objeto de cobrança e execução. Resultado desta ação é que mesmo não homologados integralmente os débitos serão quitados de uma forma ou de outra, seja por meio de julgamento procedente dos recursos acaso impetrados, seja por meio de cobrança administrativa e judicial. Assim, mesmo não homologadas as compensações os débitos deverão ser pagos em função de sua confissão por meio do PER/DCOMP. 2 – Assim considerando, estes débitos que foram objeto de compensação não homologada devem fazer parte da composição do crédito do contribuinte, haja vista que serão extintos posteriormente. Por isso, no presente caso, havemos de considerar que o débito de CSLL de dezembro/2006 foi integralmente quitado por meio de compensações e, assim, o pagamento realizado a mesmo título em janeiro/2007 pode sim ser considerado indevido, posto não haver débito a ser quitado com o mesmo. Por todo o exposto, comprovandose que efetivamente existe o crédito e que na forma da Súmula 84 deste CARF, este poderia ser utilizado na compensação de outros créditos, há de se reconhecer a existência do crédito pleiteado e a possibilidade de sua utilização nos PER/DCOMP a ele vinculados. Fl. 318DF CARF MF 8 Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para reconhecer o direito de utilização do crédito relativo ao pagamento indevido de estimativa de CSLL do mês de dezembro/2006, no valor de R$ 340.503,18, na compensação de outros débitos informados nos PER/DCOMP vinculados ao crédito, imediatamente após a ocorrência do pagamento a maior, de acordo com a Súmula 84 deste CARF. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.900673/2012-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório produzido pelo tribunal de origem, a 2ªTurma da DRJ/Belo Horizonte (efl. 34 e ss): DESPACHO DECISÓRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 90 06 73 /2 01 2- 65 Fl. 52DF CARF MF 2 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 31046991 emitido eletronicamente em 04/09/2012, referente ao PER/DCOMP nº 16153.73444.240610.1.3.048216. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$11.210,18, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/01/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 18/09/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 17/10/2012, tendo destacado, na exposição dos fatos, que a empresa desconhece a utilização total do crédito em outra DCOMP, porém reconhece a sua tentativa de utilização parcial desse crédito em outras declarações de compensação que, somadas, resultam no total do crédito pleiteado (R$41.253,73). Faz referência à legislação pertinente, para destacar que a autoridade administrativa tem que informar em que débito está alocado o crédito, acrescentando que, como prova, segue anexa cópia do Darf em que se funda o crédito alegado e não reconhecido na DCOMP. Caso haja algum erro de preenchimento, não se pode negar que se trata de erro de fato como já amplamente discutido no mundo jurídico, enfatizando ainda os seguintes pontos de discordância: a) o Darf de R$41.253,73 foi recolhido no dia 25/01/2010; b) o crédito não foi utilizado em nenhum débito que ultrapasse o valor dos débitos objeto de compensação nesta e em outras DCOMP que tem como base o mesmo Darf. No Recurso Voluntário, a Recorrente, em suma, repete as alegações já expressas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13433.900673/201265 Acórdão n.º 3001000.332 S3C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 16.042,88 (efl. 7), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas em DCTF, quando o contribuinte deixa de comprovar eventual erro cometido no preenchimento daquela declaração. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. No caso, o manifestante não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Fl. 54DF CARF MF 4 Compete ao contribuinte comprovar o direito ao crédito postulado na Declaração de Compensação. Não se encontram nos autos, entretanto, smj, nenhuma prova robusta do solicitado. Não pode a administração tributária aquiescer com o pedido da Recorrente sem que ela apresente elementos que comprovem a justiça de seu pleito. Não há, assim, como acatar o pedido de reforma da decisão do tribunal a quo. Assim, por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.913821/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 09053.524, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, em 31/01/2006, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 82 1/ 20 12 -0 0 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10680.913821/201200 Resolução nº 1302000.565 S1C3T2 Fl. 3 2 O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.556, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.556): O exame dos documentos constantes do processo nº 13009.00062/200504 indica que o sujeito passivo parcelou, em janeiro de 2005, débitos relativos a estimativas de CSLL, referente ao anocalendário de 1999, no total de R$ 588.468,60. Em agosto de 2006, contudo, o referido parcelamento foi rescindido, para adesão ao parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Em setembro de 2009, nova rescisão, desta vez para adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Extrato constante à fl. 292 daquele processo, ainda, faz parecer que todo o débito teria sido quitado no âmbito deste último parcelamento. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.913821/201200 Resolução nº 1302000.565 S1C3T2 Fl. 4 3 É que o presente processo constitui paradigma em relação a lote de processos com fundamento em idêntica questão de direito (repetitivos), na forma permitida pelo art. 47, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. PROCESSO DATA DO PAGAMENTO VALOR TOTAL DO PAGAMENTO 10680.913813/201255 30/06/2005 23.178,06 10680.913814/201208 29/07/2005 23.523,58 10680.913815/201244 31/08/2005 23.851,71 10680.913816/201299 30/09/2005 24.212,44 10680.913817/201233 31/10/2005 24.538,40 10680.913818/201288 30/11/2005 24.844,81 10680.913819/201222 29/12/2005 25.144,69 10680.913821/201200 31/01/2006 25.464,13 10680.913820/201257 24/02/2006 25.774,89 10680.913822/201246 31/03/2006 26.024,79 10680.913823/201291 28/04/2006 26.333,37 10680.913824/201235 31/05/2006 26.568,06 10680.913816/201299 30/06/2006 26.846,21 Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.913821/201200 Resolução nº 1302000.565 S1C3T2 Fl. 5 4 a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Cumpridas as diligências, reencaminhese o processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 158DF CARF MF
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