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Numero do processo: 10820.902161/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 28/02/2009
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-003.583
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2009 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 61 /2 01 2- 81 Fl. 1086DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp nº 09125.49951.270511.1.2.041688. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2009 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10820.902161/201281 Acórdão n.º 3401003.583 S3C4T1 Fl. 10.631 3 PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. 7. O processo foi distribuído e encaminhado à minha relatoria, e o presente acórdão servirá como paradigma para o lote repetitivo a ele atrelado, devendo aos demais processos ser aplicado o mesmo resultado deste julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. Fl. 1088DF CARF MF 4 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10820.902161/201281 Acórdão n.º 3401003.583 S3C4T1 Fl. 10.632 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1090DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.017870/99-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, o que inviabiliza a instauração de litígio nos termos do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Correto, portanto, o não conhecimento da manifestação de inconformidade na primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 9101-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, o que inviabiliza a instauração de litígio nos termos do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Correto, portanto, o não conhecimento da manifestação de inconformidade na primeira instância administrativa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.017870/9956 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.847 – 1ª Turma Sessão de 12 de maio de 2017 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS Recorrente COMPANHIA QUÍMICA METACRIL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, o que inviabiliza a instauração de litígio nos termos do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Correto, portanto, o não conhecimento da manifestação de inconformidade na primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 78 70 /9 9- 56 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à conversão de Pedido de Compensação em Declaração de Compensação, estando envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas (compensação de créditos com débitos de terceiros). A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1402002.142, de 05/04/2016, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, manteve o não conhecimento da manifestação de inconformidade na fase processual anterior, confirmando o entendimento de que os Pedidos de Compensação de crédito com débito de terceiros não foram convertidos em Declaração de Compensação, o que inviabilizaria a instauração de litígio nos termos do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A conversão, em Declaração de Compensação, do pedido de compensação pendente de análise, nos termos do § 4º do art. 74, da Lei nº 9.430/96; com a redação que lhe foi dada pelo art. 17, da Lei 10.833/2003; não atinge os pedidos envolvendo débitos de terceiros. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO PELA INSTÂNCIA DE PISO. PRECLUSÃO. É preclusa a análise de matéria considerada não conhecida pela Delegacia de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em parte e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 4 3 No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso especial, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: ao afirmar que os pedidos de compensação com créditos de terceiros não foram convertidos em declarações de compensação, conforme determina o §4º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, em razão de suposta vedação trazida pelo caput do mesmo dispositivo, o acórdão recorrido divergiu do entendimento já proferido por este E. Conselho no Acórdão nº 103 23.545 e Acórdão CSRF nº 9101001.852; a Primeira Turma da Câmara Superior, ao julgar Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 9101001.852, sedimentou entendimento que reconhece a convalidação dos pedidos de compensação de débitos com créditos de terceiros em Declarações de Compensação, sendo a eles plenamente aplicáveis as disposições dos §§ 4° e 5º do art. 74 da Lei n° 9.430/96 para fins da contagem do prazo decadencial para a homologação da compensação. Nesse sentido, confirase a ementa do referido paradigma: Acórdão nº 9101001.852 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO REALIZADA DURANTE A VIGÊNCIA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 21/97. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. POSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação de débitos com crédito de terceiros albergados pelo artigo 15 da IN 21/97 devem ser considerados válidos, inexistindo, portanto, restrição à incidência do §5º, do artigo 74, da Lei 9430/96, que prevê o prazo de 5 (cinco) anos para a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. o. r. acórdão recorrido diverge do entendimento firmado pela e. Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no acórdão nº 9101001.852, acima transcrito, já que, na contramão do entendimento acima ilustrado, considerou que o disposto no artigo 74 não se aplica ao presente caso por se tratar de pedido de compensação envolvendo crédito de terceiro; além da divergência apontada, o acórdão recorrido contrasta com o entendimento proferido no Acórdão nº 10323.545, cujo voto vencedor foi proferido pelo Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, atual Presidente da 4ª Câmara, da 2ª Turma da Primeira Seção deste E. CARF, que também reconheceu como legítima a conversão do pedido de compensação com créditos de terceiros em declaração de compensação, bem como a consequente aplicação das disposições do §5º do art. 74 da Lei n° 9.430/96 no tocante ao prazo para sua homologação. Vejase ementa do r. acórdão a seguir: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL DE IRPJ. SALDO NEGATIVO – (...) Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 5 4 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PERDCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Conforme §4º, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Dcomp para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do §5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contado da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considerase tacitamente homologada a compensação efetuada. o r. acórdão recorrido não conheceu o recurso voluntário, por entender inaplicáveis as disposições do art. 74, §4° da Lei nº 9.430/96 em relação aos pedidos de compensação com créditos de terceiros, uma vez que o caput do dispositivo seria dirigido tão somente a situações em que o direito creditório pleiteado e os correspondentes débitos a serem compensados têm origem no mesmo sujeito passivo (fl. 293), mantendo intocada a decisão da DRJ que não conheceu a manifestação de inconformidade da ora Recorrente por ausência de previsão legal; todavia, nos termos sustentados pelos paradigmas ora colacionados, a Recorrente tem legítimo direito à pretensão formulada; isso porque o pedido de compensação em análise foi protocolado durante a vigência da Instrução Normativa SRF nº 21/1997, que autorizava expressamente a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, antes, portanto, da vedação imposta pela Instrução Normativa SRF nº 41/2000, pelo que foi convertido em declaração de compensação e está sujeito à regra de homologação tácita, conforme previsto respectivamente nos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; com efeito, o pedido de compensação objeto da discussão travada nos presentes autos foi protocolado em 18/8/1999, na vigência da Instrução Normativa SRF nº 21/1997 e da redação original do artigo 74 da Lei 9.430/96, que previam expressamente a possibilidade de compensar débitos próprios com créditos de terceiros; com a edição da Lei nº 10.637 em que foi acrescido o §4º ao artigo 74, da Lei 9.430/96, a partir de 1º de outubro de 2002, todos os pedidos de compensação pendentes de apreciação deveriam ser convertidos em Declarações de Compensação (Dcomps), inclusive com efeitos retroativos, desde o seu protocolo; apesar de a Lei n° 10.637/02 também ter alterado o caput do mencionado artigo para estipular que, a partir de sua vigência, só seria admitida a compensação entre débitos e créditos de um mesmo sujeito passivo, o §4º conferiu efeito amplo à convalidação dos pedidos regularmente protocolados de acordo com a legislação de vigência em Declarações de Compensação, já que, até então, nenhuma restrição havia sido legalmente instituída às compensações com créditos de terceiros, não havendo que se falar em penalização dos contribuintes que agiram nos estritos termos da lei; com efeito, nos termos do dispositivo acima, a conversão dos pedidos pendentes em declarações de compensação foi condicionada somente (i) ao atendimento dos requisitos legais exigidos ao tempo do seu protocolo e (ii) à pendência de apreciação pela Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 6 5 autoridade administrativa ao tempo da edição da Lei nº 10.637/02, que introduziu o §4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96; a legislação não estabeleceu qualquer outro requisito à regra de conversão. Pelo contrário, a Instrução Normativa SRF nº 233, de 29/10/2002, também estabeleceu expressamente que os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 30/9/2002 seriam automaticamente convertidos em declaração de compensação; além disso, com o advento da Lei nº 10.833/2003, o §5° do artigo 74, já mencionado, passou a prever o prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação, contados da data da entrega da declaração de compensação; somente em 29 de dezembro de 2004, com o acréscimo do §12 ao artigo 74 pela Lei 11.051/2004 é que as compensações com créditos de terceiros passaram a ser consideradas não declaradas, data em que já ultrapassado o prazo da Fiscalização para homologação do pedido da Recorrente, formulado em 18/8/1999; nesses termos, o pedido de compensação em análise observou estritamente a legislação de vigência à época do seu protocolo, na medida em que havia autorização expressa para a realização de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros, nos termos do que estabelecia o artigo 15 da Instrução Normativa SRF nº 21/97; referido dispositivo somente foi revogado com a edição da Instrução Normativa SRF nº 41, em 07/4/2000, sendo relevante frisar que as compensações com créditos de terceiros objeto do presente processo foram protocoladas antes da referida revogação; é aplicável ao presente caso o prazo de cinco anos para a apreciação dos pedidos de compensação, conforme estabelece o artigo 74, § 5º da Lei n 9.430/96, acrescido pela Lei nº 10.833/2003, nos termos do que expressamente dispôs o artigo 3º da Instrução Normativa SRF nº 233/2002; a IN 460/2004 também prevê a homologação tácita dos pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação até 1º de outubro de 2002, data da entrada em vigor do §4º, do artigo 74, da Lei 9.430/96; considerando, então, a conversão do pedido em Declaração de Compensação desde seu protocolo, temse em 18/8/1999 o prazo inicial para contagem do prazo homologatório, o qual se extinguiu em 18/8/2004, período anterior à vedação trazida pela Lei nº 11.051/2004 e três anos antes da efetiva apreciação do pedido pela Receita Federal; no âmbito judicial, o reconhecimento de homologação tácita de pedidos de compensação com créditos de terceiros, realizados antes da edição da Lei 10.673/2002 e apreciados após cinco anos contados da data do pedido, foi objeto de decisão do pelo E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1320994/RS; ressaltese que, a exemplo do que se verifica nos presentes autos, o referido precedente judicial tratou de hipótese de pedido de compensação com créditos de terceiros protocolada antes das alterações do artigo 74, da Lei 9.430/96; a recorrente destaca ainda, no mesmo sentido dos acórdãos paradigmas acima mencionados, a decisão proferida pela C. 2ª Câmara do Segundo Conselho de Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 7 6 Contribuintes, pela qual restou reconhecida a aplicação da regra de homologação tácita inclusive em relação às compensações de créditos com débitos de terceiros (Acórdão nº 202 19.588); por todo o exposto, requer seja conhecido e dado provimento ao presente recurso para reformar o v. acórdão recorrido a fim de que seja reconhecida a homologação tácita da compensação declarada, em razão do transcurso do prazo decadencial definido pelo §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 22/06/2016, deu seguimento ao recurso especial com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Antes de passar ao exame de admissibilidade da divergência argüida, devese esclarecer que o acórdão ora recorrido conheceu do Recurso Voluntário apresentado pela recorrente, contra a decisão da Turma Julgadora de 1ª Instância, que decidiu não conhecer da manifestação de inconformidade porque entendeu que não se poderia aplicar o contencioso administrativo fiscal a pedido de compensação que não foi convertido em Declaração de Compensação. Assim, toda a análise feita pelo colegiado a quo se deu a respeito da conversão, ou não, do pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, em Declaração de Compensação. E foi sobre as conclusões do colegiado sobre essa matéria, que a recorrente suscitou a divergência jurisprudencial. [...] No acórdão recorrido, o colegiado assentou entendimento no sentido de que o § 4º, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi acrescentado pela Lei nº 10.637, de 2002 à redação original, somente permite a conversão em Declaração de Compensação de pedidos de compensação pendentes de apreciação, que veiculem débitos e créditos do próprio contribuinte, e que o Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/2005, teria esclarecido que, a pedidos de compensação nessas condições, não transmudados em Declaração de Compensação, seriam inaplicáveis as demais disposições do regime das Declarações de Compensação. A primeira decisão indicada como paradigma para este tema, encontra se assim ementada: [...] Os fatos analisados pela decisão paradigma em comentado são, em tudo, similares àqueles apreciados pelo acórdão recorrido. De fato, neste paradigma, analisouse pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, formalizado em 11/08/1999, ao amparo da IN SRF nº 21, de 1997. O colegiado entendeu que referido pedido, por ter sido protocolizado antes da entrada em vigor da IN SRF nº 41/2000 (10/04/2000), não foi atingido pela revogação do art. 15, da IN SRF nº Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 8 7 21/1997 e, nessas condições, existia comando legal a amparar o pedido de compensação de crédito com débito de terceiros no momento em que foi formalizado, consignandose, ainda, que nesse período não havia a restrição no caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96. [...] Também no acórdão recorrido a contribuinte formalizou o pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, em 20/08/1999, ou seja, sob a égide da IN SRF 21/97 e antes, portanto, da entrada em vigor da IN SRF nº 41/2000 (10/04/2000). Portanto, os fatos são idênticos àqueles analisados pelo paradigma. Mas, no caso do recorrido, o colegiado deduziu conclusão em outra direção ao afirmar que o referido pedido não teria sido convertido em Declaração de Compensação, para os efeitos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, dentre eles, a homologação tácita. Assim, a comparação entre o acórdão recorrido e este primeiro paradigma demonstra, adequadamente, a divergência suscitada. Passemos a apreciar o próximo paradigma indicado, que tem o seguinte entendimento assentado em sua ementa: [...] A situação analisada por este paradigma também é em tudo similar àquela analisada pelo recorrido. Neste caso, posicionouse o colegiado no sentido de que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 não poderia ser aplicado na questão por ausência de previsão normativa nesse sentido, por ocasião do pedido de compensação, pois a redação original do dispositivo em referência não estabelecia restrição dessa natureza. Entendeuse que no momento em que foi formulado, o pedido estava absolutamente regular e que a Lei n° 10.637/2002, ao mudar a redação do art. 74, da Lei n° 9.430/96, trouxe também a homologação tácita aos pedidos até então não analisados. Diante da constatação de que se o pedido de compensação não havia sido apreciado até 01/10/2002, data da entrada em vigor da modificação efetuada no §4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Lei n° 10.637/2002, o colegiado assentou que o pedido deveria ser considerado declaração de compensação (Dcomp) para os efeitos previstos naquele artigo, e que mesmo em relação à compensação envolvendo débitos de terceiros, aplicar seia ao pedido o prazo de homologação tácita estabelecido no §5° do art. 74, com a redação determinada pela Lei n° 10.833/2003. O entendimento manifestado neste paradigma foi referendado quando do julgamento do caso pela 1ª Turma Câmara Superior de Recursos Fiscais, deduzido no Acórdão nº 9101001.338, que tem a seguinte ementa: [...] A divergência jurisprudencial, portanto, restou devidamente caracterizada. Em 27/06/2016, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que deu seguimento ao recurso especial da contribuinte. Nos termos do art. 23, §§ 8º e 9º, do Decreto nº 70.235/72, a PGFN seria considerada intimada ao término do prazo de trinta Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 9 8 dias contados da data acima referida, mas antes disso, em 12/07/2016, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: nos termos do art. 74 da Lei n.º 9.430/1996, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa apenas seriam convertidos em declarações de compensação, em observância ao princípio da legalidade, se atendidos os próprios requisitos do caput do citado artigo, dentre eles, tratar o pedido de compensação de créditos próprios, pressuposto que, in casu, não se verifica; tanto o CTN (art. 170) quanto a Lei nº 9.430/96 (arts. 73 e 74), e demais atos normativos aplicáveis à matéria, estipularam normas condicionantes da compensação não só com a finalidade de verificar se os créditos de que um contribuinte se diz titular são líquidos e certos e aptos a liquidar os respectivos débitos, mas também com o desejável objetivo de controlar os créditos tributários extintos por compensação, impedindo, assim, a dispensa dos referidos créditos tributários fora dos casos previstos no CTN (art. 141); por essas razões é que as normas acima expostas levam à conclusão de que o instituto da compensação tem, no Direito Tributário, tratamento diverso do que lhe é dado pelo Direito Privado, mais especificamente o Direito Civil, mormente em face do princípio da legalidade. Nesse ponto, é importante transcrever parte do Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1499/2005 (transcrição contida nas contrarrazões); assim, tendo em vista o princípio da legalidade e a regra de que o fato regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência (irretroatividade das leis), concluise ser imperiosa a manutenção do julgado pelos seguintes motivos: a) os pedidos de compensação foram protocolados em 1999, anteriormente, portanto, à alteração legislativa inaugurada pela MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que alterou a redação do art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/1996, introduzindo, somente a partir de então, o prazo de cinco anos para homologação da compensação; b) considerando o disposto no item ‘a’, não há que se cogitar, no presente caso, de homologação tácita, ainda que decorridos mais de cinco anos entre a data de protocolização do pedido e a ciência do respectivo despacho decisório, pelo fato de que, à época do pleito, marco definidor da legislação aplicável, não estava a administração tributária obrigada ao cumprimento de qualquer prazo para referida apreciação; c) por fim, a pessoa jurídica contribuinte não preencheu, objetivamente, os requisitos normativos constantes dos arts. 170, do Código Tributário Nacional e 74 da Lei n.º 9.430/1996, necessários à homologação da compensação. ante todo o exposto requer a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao citado recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo, por seus próprios fundamentos e pelas razões aqui expostas. É o relatório. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto Pedido de Compensação apresentado em 18/08/1999, no qual a recorrente utilizou créditos cedidos por terceiros. Os referidos créditos foram analisados em outro processo (PA nº 13502.000232/9971), e considerados insuficientes para a quitação de vários débitos, entre eles os constantes do Pedido de Compensação ora examinado. Em razão da insuficiência dos créditos, a Delegacia de origem indeferiu o Pedido de Compensação em pauta, e ainda registrou a impossibilidade de conversão desse pedido em Declaração de Compensação. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito exatamente a essa questão, ou seja, à possibilidade de conversão de Pedido de Compensação em Declaração de Compensação, quando estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas (compensação de crédito com débito de terceiros conforme constava da IN SRF nº 21/1997, ou, na ótica específica deste processo, compensação de débito com crédito de terceiros). Por considerar que "os pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros não foram convertidos em declaração de compensação", a decisão de primeira instância não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, onde ela contestava o indeferimento da compensação, alegando, entre outras coisas, que teria havido a homologação tácita desse procedimento. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, confirmou o entendimento de que os Pedidos de Compensação de crédito com débito de terceiros não foram convertidos em Declaração de Compensação, e, por isso, considerou correta a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada na fase anterior. É importante registrar que tanto o recurso especial quanto as contrarrazões adentram em questões atinentes à ocorrência ou não da homologação tácita da compensação, tratando dos critérios para a sua contagem, etc., mas o exame dessa matéria ainda não está em questão nesse momento, até porque ela não chegou a ser examinada pelas decisões anteriores. Novamente, o que está em questão no recurso especial ora examinado é a possibilidade, ou não, de conversão de Pedido de Compensação em Declaração de Compensação, quando estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas. É que, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996 (com suas várias alterações), essa conversão é necessária para que possa admitir a instauração do litígio administrativo pelo Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 11 10 rito do Decreto nº 79.235/1972 (PAF), o que, neste caso, ensejaria o retorno dos autos à primeira instância administrativa, para o conhecimento das matérias contidas na manifestação de inconformidade, sob pena de supressão de instância. Sobre a possibilidade, ou não, de conversão de Pedido de Compensação em Declaração de Compensação, quando estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sua atual composição, manifestou recentemente o seguinte entendimento: Acórdão nº 9101002.540 Sessão de 20 de janeiro de 2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66, de 2002 e das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. [...] Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado Apesar da bem fundamentada exposição da ilustre Relatora, peço vênia para divergir no mérito. Debatese se poderia se falar em homologação tácita de pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros. Isso porque os pedidos de compensação teriam sido convertidos em declarações de compensação. E, para as declarações de compensação, o Fisco passou a ter um prazo definido em lei para a sua apreciação, sob pena da homologação tácita. A princípio, vale verificar a amplitude das alterações no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002. A redação do artigo foi alterada no seguinte sentido: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 12 11 próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. §5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.(NR) (grifei) Observase que a nova redação do artigo vedou as compensações de débito de terceiros. Por outro lado, dispôs no §4º que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa seriam considerados declaração de compensação, para os efeitos previstos no artigo. Restou consolidada dúvida, ou seja, seriam todos os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Receita Federal convertidos em declaração de compensação e regidos de acordo com as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte, conforme predica o caput do dispositivo legal? A relevância do questionamento aplicase quando vai se analisar se ocorreu a homologação tácita. Isso porque a Lei nº 10.833, de 2003, alterou a redação do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. (...) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, para os pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, aplicase o disposto mencionado no §5º do art. 74, enquanto que, os outros pedidos não convertidos em declaração de compensação não se submeteriam à homologação tácita. Sobre a situação, manifestouse a Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 1499, de 2005: c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 13 12 compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RFB, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por consequência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); Posteriormente, as IN RFB nº 900, de 2008, e 1.300, de 2012, expressamente dispuseram, por meio do parágrafo único dos artigos 86 e 97, respectivamente, que não foram convertidos em Declaração de Compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 (data em que entrou em vigor a MP nº 66, de 2002) que têm por objeto créditos de terceiros, "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. Não se pode olvidar, contudo, que a matéria não encontra jurisprudência pacificada no Conselho de Contribuintes e do CARF. Podem ser encontradas decisões no sentido de que o pedido de compensação com créditos de terceiros estaria amparado pela redação do art. 74 dada pela MP nº 66, de 2002. Por outro lado, encontramse várias decisões que corroboram a tese de que apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte foram transformados em declarações de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. (Acórdão nº 2102002336, sessão de 17 de outubro de 2012, relatora Conselheira Núbia Matos Moura) PRELIMINAR DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS.DESCABIMENTO. Não se equiparando os pedidos de compensação com débitos de terceiros a Declarações de Compensação, não se lhes aplica o prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo. (Acórdão nº 1803001.511, sessão de 02 de outubro de 2012, relatora Conselheira Selene Ferreira de Moraes) COMPENSAÇÃO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO: Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelas autoridades administrativa serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, quando se refiram a créditos e débitos próprios, não se aplicando no caso de débitos de terceiros que tem tratamento Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 14 13 específico. (Art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 10.637/2002c/c IN SRF 21/97 art. 15 §1º). (Acórdão nº 140200335, sessão de 14 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira) Entendo que a redação dada ao caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pela MP nº 66, de 2002, deve nortear a interpretação de todos os dispositivos a ele relacionados, dentre os quais o §4º que trata da conversão dos pedidos de compensação em declarações de compensação, em consonância com as melhores práticas da hermenêutica. Nesse contexto, apenas os pedidos de compensação referentes a crédito do sujeito passivo para compensar débitos próprios, conforme delimita o caput do art. 74 do mencionado dispositivo legal, encontramse aptos a se converterem em declarações de compensação. Quanto aos demais pedidos, não se aplicam as alterações implementadas pela MP nº 66, de 2002, e Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, dentre as quais, a que dispõe sobre o prazo do Fisco para a homologação da compensação de cinco anos contado da entrega da declaração. Portanto, não há que se falar em homologação tácita. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. O contexto do processo em que foi proferida a decisão acima transcrita permitiu que a CSRF abordasse o exame da própria homologação tácita da compensação. Lá, não estava em questão apenas o não conhecimento da manifestação de inconformidade pela decisão de primeira instância administrativa, como ocorre no presente caso. Mas a verificação da ocorrência de homologação tácita naquele caso pautou se exatamente sobre o ponto que interessa aqui, ou seja, sobre a possibilidade, ou não, de conversão de Pedido de Compensação em Declaração de Compensação, quando estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas. É que a referida conversão configura requisito legal básico tanto para a instauração de litígio no rito do Decreto nº 70.235/1972, quanto para que se opere a homologação tácita da compensação. E, atualmente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais entende que essa conversão, quando estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas, não é mesmo possível. Correto, portanto, o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido. Desse modo, adotando os fundamentos acima transcritos, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10580.017870/9956 Acórdão n.º 9101002.847 CSRFT1 Fl. 15 14 Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.903341/2011-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.982
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 41 /2 01 1- 99 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903341/201199 Acórdão n.º 3302003.982 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.509. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903341/201199 Acórdão n.º 3302003.982 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903341/201199 Acórdão n.º 3302003.982 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903341/201199 Acórdão n.º 3302003.982 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13839.903341/201199 Acórdão n.º 3302003.982 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.017106/2005-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2000 a 31/12/2002
COFINS. ISENÇÃO. MP 2.158/2001 ART 14. CONCEITO DE RECEITAS PRÓPRIAS.
Nos termos do art. 14 da MP 2.158/2001, são isentas da COFINS as receitas "relativas às atividades próprias das entidades" enumeradas no art. 13, entre as quais se incluem as instituições de assistência social e as associações sem fins lucrativos. São próprias, nesse sentido, as atividades alcançadas pelo estatuto social da entidade.
Numero da decisão: 9303-005.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2000 a 31/12/2002 COFINS. ISENÇÃO. MP 2.158/2001 ART 14. CONCEITO DE RECEITAS PRÓPRIAS. Nos termos do art. 14 da MP 2.158/2001, são isentas da COFINS as receitas "relativas às atividades próprias das entidades" enumeradas no art. 13, entre as quais se incluem as instituições de assistência social e as associações sem fins lucrativos. São próprias, nesse sentido, as atividades alcançadas pelo estatuto social da entidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício)
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ISENÇÃO. MP 2.158/2001 ART 14. CONCEITO DE RECEITAS PRÓPRIAS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO OURO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2000 a 31/12/2002 COFINS. ISENÇÃO. MP 2.158/2001 ART 14. CONCEITO DE RECEITAS PRÓPRIAS. Nos termos do art. 14 da MP 2.158/2001, são isentas da COFINS as receitas "relativas às atividades próprias das entidades" enumeradas no art. 13, entre as quais se incluem as instituições de assistência social e as associações sem fins lucrativos. São próprias, nesse sentido, as atividades alcançadas pelo estatuto social da entidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 71 06 /2 00 5- 15 Fl. 605DF CARF MF 2 Relatório Examinase recurso da Fazenda Nacional contra decisão que afastou exigência de COFINS sobre receitas de uma fundação, que considerou atenderem aos ditames do art. 14, X, da MP 2158, como sendo de atividades próprias da entidade. Sua ementa consigna: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 COFINS. FUNDAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. São isentas da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins as receitas relativas às atividades próprias das fundações, entendidas como tal as decorrentes do exercício das atividades para as quais a entidade foi constituída, independentemente de sua origem ou de seu caráter contraprestacinal Para comprovar a divergência, a representação da Fazenda Nacional transcreveu, no corpo do recurso ementas de decisões contrárias, uma das quais envolvendo também fundações de direito privado. Cientificado da admissibilidade do recurso, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi bem admitido, porquanto o paradigma cuida de caso em tudo semelhante e entendeu pelo não enquadramento das receitas contraprestacionais no conceito de receitas das atividades próprias de que trata a Medida Provisória. Dele conheço. Mas lhe nego provimento. De fato, colho da decisão impugnada: Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da Fundação Ouro Branco, em razão da alegação de que, na opinião da autoridade autuante, o sujeito passivo não faria jus à isenção da Cofins instituída pelo art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.158 35, de 27/08/2001. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 16 a 28, a autuada é fundação de direito privado instituída pela pessoa jurídica Aço Minas Gerais S/A, sem fins lucrativos, e que terá como objetivos: Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10680.017106/200515 Acórdão n.º 9303005.045 CSRFT3 Fl. 3 3 a) criar, manter e custear serviços de saúde, constituído por hospitais, ambulatórios e correlatos, visando promover, preservar, recuperar e reabilitar prioritariamente a saúde dos empregados da Açominas e de seus dependentes; b) administrar hospitais, ambulatórios de propriedade de terceiros, e prestar outros serviços, mediante convênios; c) criar, manter e administrar estabelecimentos de ensino, de qualquer grau, inclusive superior e técnico, mas, principalmente, o de nível médio profissionalizante. Esclarece, ainda, que, em resposta a intimação, afirmara a contribuinte não possuir Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Comprovante de Isenção, fornecido pelo INSS e Comprovação da inscrição da entidade no Conselho Municipal de Assistência Social1, mas afirma possuir certidão do Ministério da Justiça que a declara como entidade de Utilidade Pública e apresenta certidão que comprovaria tal alegação2. Aduz, finalmente, com relação a esse aspecto, que a fundação funcionaria como um hospital, prestando serviços a particulares e convênios médicos, não atendendo ao Sistema Único de Saúde. Em voto proferido nessa mesma assentada deixei registrado meu entendimento de que para usufruto da imunidade prevista no art. 195, § 7º dois são os requisitos: primeiro, que a atividade desenvolvida possa se enquadrar numa daquelas a que se refere o art. 203 da Constituição. Quanto a isso, dúvida não há: temos aqui uma instituição dedicada a prestar assistência médica. Cuidados com a saúde, pois, literal no dispositivo constitucional. Em segundo lugar, que tenha como característica a beneficência. E esta última, assim já definiu o excelso STF, não se confunde com gratuidade total dos serviços prestados. No caso presente, como transcrito, entendo não se possa cogitar de tal atributo na medida em que, até onde se pode concluir do relato da autoridade fiscal, gratuidade alguma haveria. Aparentemente, sequer para os próprios empregados da instituidora da fundação. Mas também consignei no mesmo voto que, em meu entender, a Medida Provisória veio exatamente para estender a não tributação pela COFINS às entidades que não cumpram os rígidos requisitos da norma imunitória. E isso se dá tanto para os que não são assistenciais, nos termos do art. 203 a exemplo das instituições de educação remunerada, instituições de caráter cultural ou científico e determinadas fundações de direito privado como daquelas que, embora assistenciais, não sejam beneficentes, como entendo ser aqui o caso. É que o texto legal, a meu ver, nada exige em termos de inexistência de contraprestação. Notadamente, a isenção é concedida nos exatos termos da norma sobre "as receitas relativas às atividades próprias das entidades" enumeradas no art. 13. O que elas precisam, portanto, é decorrer daquilo que a instituição se propõe fazer, como rezarem os seus estatutos. Nada tem isso a ver com gratuidade ou não. Fl. 607DF CARF MF 4 Do Termo de Verificação Fiscal que consta às fls. 16 a 28, extraio o que se tributou: De posse de seus livros fiscais, retiramos os valores de sua receita mensal escriturada, com caráter contraprestacional, sendo elas os serviços de clínica medica, os serviços básicos hospitalares, os serviços das unidades de terapia intensiva, os serviços de farmácia e medicamentos, laboratório e banco de sangue, fisioterapia, radiologia, outros exames, gasoterapia, serviços profissionais médicos, materiais de farmácia, refeições subsidiadas e cantina, além das receitas financeiras e outras receitas, de acordo com os seus balancetes mensais (...) Demonstrado, pois, que as receitas objeto da autuação correspondem à prestação dos serviços médicohospitalares para os quais a entidade foi criada, conforme suas disposições estatutárias, válida a isenção versada na MP. De registrar que as demais receitas, que extrapolam o restrito conceito de faturamento, foram afastadas pela inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718, não tendo subido ao escrutínio deste colegiado. Voto, pois, pelo não provimento do recurso da Fazenda Nacional. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 608DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900784/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 13/10/2006
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.274
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 13/10/2006 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 13/10/2006 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 84 /2 01 2- 15 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13227.900784/201215 Acórdão n.º 3301003.274 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.579, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 13/10/2006, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13227.900784/201215 Acórdão n.º 3301003.274 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13227.900784/201215 Acórdão n.º 3301003.274 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13227.900784/201215 Acórdão n.º 3301003.274 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13227.900784/201215 Acórdão n.º 3301003.274 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 50DF CARF MF
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Numero do processo: 13841.000383/99-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 04/12/1989 a 13/08/1994
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE.
Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
As declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte devem ser homologadas, realizando-se o encontro de contas entre crédito e débito, pelo reconhecimento do direito de crédito, no limite do que restar comprovado como líquido e certo no decorrer do processo.
Numero da decisão: 3401-003.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, acolhendo o resultado da diligência.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS SEMESTRALIDADE Recorrente CIMENTOLÂNDIA COM E REPR DE MATRS DE CONSTRUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 04/12/1989 a 13/08/1994 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. As declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte devem ser homologadas, realizandose o encontro de contas entre crédito e débito, pelo reconhecimento do direito de crédito, no limite do que restar comprovado como líquido e certo no decorrer do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, acolhendo o resultado da diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 03 83 /9 9- 15 Fl. 663DF CARF MF 2 AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo em questão retorna ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") para julgamento, após a realização de uma segunda diligência, determinada pela Resolução nº 3401000.357, de 24/01/2012, da qual tomo emprestado o Relatório, com algumas observações adicionais, conforme abaixo: “Em 13.8.99, a contribuinte Cimentolândia Comércio e Representação de Materiais de Construção Ltda. (CNPJ 61.562.302/000149) protocolou Pedido de Restituição de PIS no valor de R$ 193.283,64, recolhido no período de 4.12.89 a 9.12.94. O Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Campinas – SP decidiu por não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação. Segundo a decisão: a) foram juntados ao processo DARF em nome da matriz 61.562.302/000148 e da filial 61.562.302/000229. Como ambos os estabelecimentos estão sob a jurisdição da DRF/CAMPINAS, são considerados todos os recolhimentos como se fossem da matriz; b) o Pedido de Restituição se deu em 13.8.99. Como os pagamentos foram efetuados entre 4.12.89 e 9.12.94, já havia transcorrido o prazo de 5 anos, ocorrendo a decadência do direito de pleitear a restituição ou compensação de parte dos pagamentos; c) para os recolhimentos efetuados depois de 15.8.94, após reconhecida a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, deve ser aplicada aos débitos de PIS a alíquota de 0,75% sobre o faturamento mensal, nos termos da LC nºs 7/70 e 17/73. Em 8.3.05, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: a) consolidouse o entendimento de que, durante o tempo de vigência dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, a base de cálculo do PIS era o faturamento bruto do sexto mês anterior à ocorrência da hipótese de incidência; Fl. 664DF CARF MF Processo nº 13841.000383/9915 Acórdão n.º 3401003.822 S3C4T1 Fl. 664 3 b) o início da contagem do prazo decadencial para pedir a restituição/compensação dos valores é de 5 anos contados da data em que a contribuinte viu seu direito conhecido, ou seja, neste caso, da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, de 10/10/95; c) transcreve vasta jurisprudência sobre as questões acima. Em sessão de 22.11.05, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas – SP acordou, por unanimidade de votos, indeferir a Manifestação de Inconformidade”. (...) Nessa etapa do processo, importante destacar que a decisão de primeira instância indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, pelos seguintes fundamentos: (i) estaria “extinto o direito à restituição, relativo aos recolhimentos apresentados no pedido, anteriores a 14 de agosto de 1994, em face do transcurso de mais de cinco anos entre aqueles e a formulação do pleito, que se deu em13/08/1999”; e (ii) e com relação aos recolhimentos efetuados após 15/08/1994, não haveria saldo em favor do contribuinte, seguindo o entendimento fixado pelo Parecer PGFN/CAT nº 437/1998 e afastando o entendimento defendido pelo contribuinte de que o prazo previsto no art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 07/70, trataria de base de cálculo retroativa. Volto agora ao relatório da última Resolução. “Em 17.1.06, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual reiterou os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Em resolução nº 20201.112, de 28.3.07, da Segunda Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, o julgamento foi convertido em diligência para que se apurasse a existência de recolhimentos efetuados a maior, a título de PIS e nos períodos informados e, em caso positivo, manifestasse sobre a suficiência dos saldos acumulados desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente, bem como procedesse de imediato o bloqueio dos créditos confirmados até o julgamento definitivo do presente processo”. Mas não foi só. Nessa primeira conversão do julgamento em diligência, em segundo grau de jurisdição administrativa, as duas questões de direito prévias à discussão da existência de crédito em montante suficiente para as compensações declaradas foram devidamente apreciadas. Com relação ao prazo para pleitear a restituição e/ou compensação de indébito nesses casos, afirmou a Relatora naquela ocasião: “Também entende esta Câmara, por maioria, que o direito de repetir indébito decorrente de pagamento efetuado com base em lei declarada inconstitucional prescreve depois de transcorridos cinco anos, contados da data em que publicada a Resolução do Senado Federal, se a inconstitucionalidade foi proferida em controle difuso ou a partir da publicação da ementa da decisão pelo Supremo Tribunal Federal, se proferida em controle concentrado. O direito assim exercido alcança todo o período em que tiver ocorrido o recolhimento indevido. Verificase que o pedido foi formulado dentro do prazo prescricional adotado pela posição majoritária da Câmara”. (grifos nossos) Fl. 665DF CARF MF 4 Já com relação à forma de cálculo para recolhimento do PIS, a Relatora afastou o entendimento exposto pela instância de primeiro piso, ao afirmar que “seguindo na esteira dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, os Conselhos de Contribuintes pacificaram o entendimento de que a base de cálculo para apuração da contribuição do PIS no período em que vigente a Lei Complementar nº 07/70 era formada pelo faturamento ocorrido no sexto mês anterior ao mês em que apurado o fato gerador”. Nesse sentido, a Relatora citou a Súmula nº 15 do 1ª CC. Além disso, a Relatora expressou entendimento de que, na linha do que havia restado pacífico no Superior Tribunal de Justiça, “inexiste correção da base de cálculo representada pelo faturamento do sexto mês anterior por ausência de previsão legal e sua aplicação traduzir alteração da base de cálculo por vias obliquas”. Essas duas conclusões da Relatora constam em entendimento sumulado do CARF, conforme dispõe a Súmula CARF nº 15, com a seguinte redação: “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária”. Portanto, superando esses dois óbices ao reconhecimento do direito de crédito, foi determinada uma primeira conversão do julgamento em diligência, cujo resultado foi descrito no Relatório que venho transcrevendo da seguinte forma: “Em Despacho do Serviço de Orientação e Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira – SP, foram feitos os cálculos (fls. 225 a 242), ficando evidenciado no Demonstrativo de Pagamentos de folha 239 a 242, coluna “Saldo Total”, valores referentes aos eventuais créditos de PIS”. Em seguida, os autos retornaram ao CARF, ocasião em que foi exarada a Resolução nº 3401000.357, de 24/01/2012, que reafirmou que o pedido de restituição/compensação foi feito dentro do prazo legal, mas por fundamento diverso do reconhecimento anterior. Dessa vez, adotouse como fundamento a existência de julgamento em sede de recurso repetitivo, o REsp 1002932/SP, afirmando entendimento por um prazo decadencial de 10 (dez) anos para pedidos formulados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005. Contudo, o julgamento não foi concluído, diante da determinação de nova diligência, nos seguintes termos: “(...) a fim de precisar o período não decaído, bem como explicitar o critério utilizado para a elaboração do demonstrativo, confirmando definitivamente a existência de eventuais créditos de PIS, detalhando assim sua apuração. Destacase a necessidade da elaboração de relatório final de diligência em que, claramente, se diga se o valor dos pagamentos a maior foi ou não suficiente para quitar os débitos indicados pela empresa em seus pedidos de compensação. Se forem suficientes, dizer exatamente quanto resta a ser restituído. Do contrário, indicar o saldo a pagar em cada caso, sempre de forma clara e conclusiva”. Em decorrência, nova diligência foi realizada, sendo emitido o despacho de fls. 653 e seguintes do processo eletrônico. O contribuinte, ora Recorrente, foi devidamente cientificado, porém, não apresentou manifestação a respeito. É o relatório. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13841.000383/9915 Acórdão n.º 3401003.822 S3C4T1 Fl. 665 5 Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. As duas questões prévias à aferição do direito de crédito da Recorrente, prazo para apresentação de pedido de restituição/compensação e forma de recolhimento do PIS no período de vigência da Lei Complementar nº 07/70, já foram ultrapassadas, de forma favorável à Recorrente, por ocasião dos dois julgamentos em segundo grau administrativo, que acabaram sendo convertidos em diligência. De qualquer maneira, atualmente, tais matérias estão sumuladas pelo CARF, como se verifica do teor da Súmula CARF nº 91, com a seguinte redação: “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador”, e da Súmula CARF nº 15, com a seguinte redação: “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária”. E, não apenas a Súmula CARF nº 15 é aplicada aos casos de pedidos de restituição/compensação de PIS decorrentes de discussão como a que é travada nos autos do processo administrativo ora em análise, mas também a Súmula CARF nº 91, que trata do prazo para apresentação de pedidos dessa natureza, como se verifica do Acórdão nº 3301003.063, unânime, de Relatoria do Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, desta Seção. Com isso, passase ao resultado da diligência realizada, para se verificar a existência de direito de crédito e a possibilidade de reconhecimento da homologação das compensações declaradas. Impendese lembrar que a Resolução nº 3401000.357 destacou a necessidade de a diligência mencionar “se o valor dos pagamentos a maior foi ou não suficiente para quitar os débitos indicados pela empresa em seus pedidos de compensação” e, nesse caso, “dizer exatamente quanto resta a ser restituído” ou do contrário “indicar o saldo a pagar em cada caso, sempre de forma clara e conclusiva”. No despacho de fls. 653 e seguintes do processo eletrônico, a unidade responsável pelo trabalho fiscal explicita muito bem o critério utilizado e detalha a sua apuração, afirmando, na seqüência, o seguinte: “Os pagamentos realizados à maior, conforme coluna “VALORES Restituir (deferido)” da planilha supra, foram valorados em 07/99, através do Sistema de Apoio OperacionalSAPO, v. demonstrativos de folhas 622 a 638 ou 639 a 649, com base nos coeficientes da tabela anexa à NE SRF/Cosit/Cosar 08/1997 (mesmos índices utilizados pela RFB na atualização de seus créditos), apurandose o montante de R$ 122.909,45. Fl. 667DF CARF MF 6 Assim sendo, explicitado o critério utilizado para a elaboração dos demonstrativos, detalhando sua apuração, foi confirmada a existência de créditos de PIS (3885) pago a maior que o devido, com base nos Decretos Lei 2.445/88 e 2.449/99, conforme coluna “VALORES Restituir (deferido)” da planilha acima”. Como se verifica, apesar de ter atendido plenamente à determinação da diligência anterior no que diz respeito a critérios e demonstrativos de apuração dos valores, a unidade não se manifestou de forma expressa a respeito do encontro de contas. A unidade chega a conclusão da existência de pagamento a maior, que decorre da diferença entre o foi encontrado como valor devido e valor efetivamente pago, porém, deixa de se manifestar a respeito do encontro de contas e cada valor de crédito encontrado e valor de débito declarado, e eventual saldo a restituir ao Recorrente. Apesar disso, é possível a verificação do valor do direito de crédito reconhecido pela unidade, na coluna “restituir (deferido)” nas tabelas de fls. 654655, e o valor de crédito solicitado pelo Recorrente para utilizar na extinção de débitos, nas declarações de compensação, que consta na coluna “solicitado” das tabelas em referência. Ante o exposto, devidamente apurado o direito de crédito do Recorrente que, cientificado não se opôs aos valores ali encontrados, proponho ao Colegiado conhecer do Recurso Voluntário interposto e lhe dar provimento parcial, para reconhecer a homologação das compensações declaradas, nos limites do crédito reconhecido no trabalho fiscal cujo resultado está exposto no despacho de fls. 653 e seguintes. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 668DF CARF MF
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Numero do processo: 13820.000727/99-16
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2004
Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO
INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia.
DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto nO92.698/86 e Decreto-lei nº 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n° 1.110/95 e suas reedições, especificamente a MP. nº 1.621-36, de 10/06/98 (DOU de.)2/06/98), artigo 18, S 2°, culminando na Lei n° 10.522/02, do art.77 da Lei nº 9.430/96, do Decreto nº 2.1,94/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto nº 20.910/32,art. l°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos' e das teses doutrinárias
predominantes .
COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES -
Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e
das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua. aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nº 8.429/92, art. 4° e Lei nº 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único).
ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da
decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal
de Julgamento para a análise da matéria de mérito no"tocante aos
acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de
cálculo, etc.
Numero da decisão: 301-31.045
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Jose Lence Carluci
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DRJ/CAMPINAS/SP FINSOCIAL RESTITUIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - Reconhecida pelo Supr~mo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da is.onomia. DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - Sua não ocorrência ao caso face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação também do Decreto nO92.698/86 e Decreto-lei nO2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. 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COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua. aplicação uniforme pelos órgãos subordinados compete aos Cons.elhos de Contr-ibuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os ptocessos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência: .e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nO8.429/92, art.~4° e Lei nO 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único). ANÁLISE DO MÉRITO - Mastada a preliminar de ~corrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no"tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar a decadência e devolver o processo à DRJ para julgamento do mérito, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 19 de fevereiro de 2004 ~D~IROS Presidente ~/ , OSE LENCE CARLUCI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, ATALINA RODRIGUES ALVES, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI e LUIZ ROBERTO DOMINGO. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional. • • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 128.009 301-31.035 FLAMEX COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. DRJ/CAMPINAS/SP JOSÉ LENCE CARLUCI RELATÓRIO • Trata o presente processo de pedido de restituição/compensação da Contribuição para o Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, apresentado em 22 de outubro de 1999 (fl. 01), relativo à parçela recolhida acima da alíquota de 0,5% (meio por cento), referente ao período de apuração de setembro de 1989 a março de 1992 (fls. 09/13 5). 1. A autoridade fiscal indeferiu o pedido (fls. 196/197), sob alegação de que o direito do contribuinte pleitear a restituição ou compensação do indébito estaria decaído, pois o prazo para repetição de indébitos relativo a tributo ou contribuição pagos com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no exercício do controle difuso de constitucionalidade das leis, seria de cinco anos, contados da data da extinção do crédito nos termos dispostos no Ato Declaratório SRF nO96, de 26 de novembro de 1999. • 2. Cientificado da decisão em 10 de abril de 2000, o contribuinte impugnou o despacho decisório em 09/0512001 (fls. 2001202), alegando em síntese e fundamentalmente, que: 3.1. o prazo de cinco anos para repetição de indébito de tributo inicia-se quando ele tornou-se indevido, pela declaração de inconstitucionalidade, pela edição de Resolução do senado Federal ou ato do Poder Executivo ou Legislativo, dispensando a constituição do crédito tributário, que no caso seria da MP 1.110/1995; 3.2. a extinção do crédito tributário opera-se com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de 10 (dez) anos: 05 para a homologação tácita e mais 05 para o exercício do direito da restituição de recolhimento indevido, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça; 2 J MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 3.3. o prazo decadencial do FINSOCIAL é de dez anos, conforme artigo 3° do DL 2.049/83 e art. 102 do Decreto 92.698/86; 3.4. requer a improcedência do despacho que determinou o indeferimento do pedido de restituição, restabelecendo seu legítimo direito à restituição dos valores pagos a maior a título de FINSOCIAL. • • A DRJ/Campinas-SP indeferiu a soliçitação do contribuinte alegando que "O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que ó devido, em virtude de posterior declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no controle difuso, extingue-se após o transcurso do prazo de.05 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. O crédito. tributário é extinto pelo pagamento, não influenciando na contagem do prazo para pleitear a repetição de indébito, o fato de a extinção Ter sido sob condição resolutória. Precedentes do Supremo Tribunal Federal." Inconformado com a decisão da DRJ o contribuinte, tempestivamente, impetrou Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes no qual reitera os argumentos expressos no pedido anterior e ainda reafirma, que;. • Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito "erga omnes" à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. (Acórdão nOCSRF/ 01 - 03.239 de 19/03/2001). • Tratando-se de tributo ou contribuiç~o, exigida por força de lei cuja execução tenha sido suspensa por Resoluçãó do Senado Federal, o termo inicial do prazo de cinco anos, para pleitear a sua restituição/ compensação, é :a'.<data da publicação da Resolução. 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • 128.009 301-31.035 São passíveis de restituição os valores recolhidos indevidamente que não tiverem sido alcançados pelo prazo extintivo do direito de pedir, contados a partir da data do ato que reconheça ou conceda ao contribuinte, o efetivo direito de pleitear a restituição (Acórdão n° 105 - 13.559 de 25/0712001, do 1° CC.) • • É o relatório . "..' ." '. 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 VOTO • • A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutrinária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar juridicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a restituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Superada que seja essa questão que coloco em sede de preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito em face da legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos tributários à vista da documentação acostada aos autos. Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. I - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituição de tributos) o Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos trabalhos da Comissão Especial do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o contribuinte terá direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I. Inconstitucionalidade da legislação tributária ou do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 lI. Cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 11I. Erro da autoridade administrativa na identificação do contribuinte, no cálculo da alíquota ou da verba, ou na extração ou conferência da guia de pagamento; IV Cobrança de crédito tributário prescrito; V Reforma, anulação, revogação ou rescisão da decisão administrativa ou judicial condenatória; VI. Na hipótese prevista nos arts. 136 e 137, parágrafo único, observado o disposto no art. 209. Art. 204. O direito de pleitear a restituição prescreve no prazo de cinco anos contados: I. Na hipótese prevista na alínea I do art. 201, da data em que passar em julgado a decisão nela referida; lI. Nas hipóteses previstas nas alíneas lI, 11I e IV do art. 201, da data da extinção do crédito; 11I. Na hipótese prevista na alínea V do art. 201, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial, que tenha reformado, anulado ou rescindido a decisão condenatória; IV Na hipótese prevista na alínea VI do art. 201, da data da celebração do ato jurídico novo, referido no art. 136." Ao caso interessa-nos o inciso I de ambos os artigos. A Comissão analisou o Anteprojeto e, com referência aos artigos acima, apresentou a sugestão 446, a seguir: " 446. (A) Idem. (B) No art. 201, suprimir o inciso I. (C) A primeira hipótese de restituição, prevista no Anteprojeto (art. 201, item I), parece assentar no pressuposto de que a decisão judicial, declaratória da inconstitucionalidade, prevalece não apenas "inter partes", senão também "erga omnes", sendo oponível à Fazenda por todos os possíveis interessados, ainda que estranhos à demanda. 6 MINIsTÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 Sim, porque a restituição, postulada por quem tenha sido parte no feito, isto é, por quem haja ingressado em juizo está assegurada no item V, do artigo em referência, de sorte que o citado item I, assegura, positivamente, o direito de todos os contribuintes, por força de uma perigosa generalização dos efeitos da "coisa julgada". O assunto, como se vê, afIora um delicado tema de Direito Constitucional, tão proficientemente versado por juristas da estirpe de Pontes de Miranda, Castro Nunes, Francisco Campos, Lucio Bittencourt e outros. Não nos abalançamos a discutir tão magna questão, reservada ao debate dos mais doutos, sendo nosso propósito, tão-somente, tecer rápidas considerações derredor do assunto, tendo em vista certas conseqüências de ordem prática. Discorrendo sobre o assunto, eis como se manifesta o provecto Lucio Bittencourt: "É justamente por força da "eficácia natural" da sentença declaratória da inconstitucionalidade, que esta passa a atuar em relação a "todos", sem distinção, tenham ou não sido partes do processo, atingindo em cheio o ato visado, que se torna pela força do decreto judiciário, irrito, insubsistente, inoperante, ineficaz para todos os efeitos. É como se não fosse lei, - diz Black - não confere direitos; não impõe deveres; não fornece proteção - it confers no rights; it imposes no duties; it affords no protection" (O CONTROLE JURISDICIONAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Edição Revista Forense - 1949 p. 142). Não nos convencem, data venia, as razões aduzidas pelo festejado jurista, tanto mais que é o próprio Autor que, linhas atrás, ao falar dos efeitos indiretos da sentença, reconhece não terem os tratadistas americanos, assim como os brasileiros, "conseguido apresentar fundamento técnico, razoavelmente aceitável, para justificar essa extensão", sendo mister, prossegue o Autor, para explicar esse fenômeno de repercussão indireta da sentença - "partir de um conceito de coisa julgada diverso do dominante". As ponderações do insigne Professor, aliadas ao fato de, entre nós, incumbir ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, da lei ou decreto considerados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (Constituição Federal, art. 64), bastam a convencer de que os efeitos da "coisa julgada", em matéria de inconstitucionalidade, são os regulares, alcançados apenas os litigantes, reservada que está a outro Poder a incumbência de, suspendendo a execução da lei fulminada pela Suprema Corte, generalizar os efeitos da decisão declaratória da inconstitucionalidade. Este é, com efeito, o mais robusto argumento que se pode opor à perigosa tese da generalização dos efeitos da coisa julgada, pelo só fato da prolação da sentença, argumento que é tanto mais procedente quanto é certo que, se a simples decisão 7 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 • • judicial bastasse a invalidar a lei, suspendendo-lhe a execução, redundante ou inútil seria a provisão do art. 64, da Constituição Federal, entendimento que se pode admitir, máxime em se tratando de preceito constitucional, visto como é princípio assente que "verba cum effectu sunt accipienda". Concludente a este respeito, é o raciocínio do Df. Othon Sidou, o qual, em bem elaborada monografia, recentemente dada à estampa, assim se externa: "Entendemos que se o Constituinte adotou (e já em duas Cartas políticas) a expressão "SUSPENDER A EXECUÇÃO", quis deixar expresso que, só a partir de então, o ato que vinha sendo adotado deixaria de o ser. A menos que incidíssemos no contra-senso de admitir que algum ato suspendesse o que já estivesse suspenso". (INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E REPARAÇÃO DE DANO POR MANDADO DE SEGURANÇA Editora "CÂMBIO" - 1953 - p. 45) Acresce que o ato senatorial não é irretratável, definitivo, sabido que, em face de novo pronunciamento do Pretório Excelso, poderá o Senado levantar a suspensão da execução da lei malsinada, que, assim, voltará a figurar no elenco dos diplomas legais sadios, tal como admite o eminente Pontes de Miranda, em seus lúcidos "Comentários à Constituição de 1946" - VoI. 11 - p. 58. Tal circunstância assaz relevante, é de molde a desaconselhar a adoção do dispositivo do art. 201, item I, o Anteprojeto, tendente a compelir a Fazenda a restituir tributos arrecadados com fundamento em lei acaso. declarada inconstitucional, mas que, por força de novo pronunciamento, poderá convalescer. (D) Aprovada (111)." Em resultado da análise do Anteprojeto a Comissão aprovou a Sugestão 446 acima, culminando no texto do Projeto do Código Tributário Nacional cujos artigos correspondentes passaram a ser os números 130 e 134, respectivamente, no seguinte teor: "Art. 130. O contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento nos seguintes casos: I. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador "efetivamente ocorrido; 11. Erro na identificação da contribuinte, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do tributo, ou na 8 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° . ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; UI. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória; IV. Ulterior desaparecimento, modificação ou redução dos resultados efetivos do negócio ou ato jurídico que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal, em conseqüência: a) De nulidade declarada por decisão judicial definitiva; b) Do inadimplemento de condição suspensiva; c) Do implemento da condição resolutória. Art. 134. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de seis meses quando o pedido se baseie em simples erro de cálculo, ou três anos nos demais casos, contados: I. Nas hipóteses previstas nas alíneas I e U do art. 130, da data da extinção do crédito tributário; 11. Na hipótese prevista na alínea lU do art. 130, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória; m. Nas hipóteses previstas na alínea IV do artigo 130,da data em que transitar em julgado a sentença anulatória, ou em que se verificar o inadimplemento da condição suspensiva ou o implemento da condição resolutória." Vê-se, então, que pela aprovação da Sugestão 446, a Comissão elaborou o texto definitivo do Projeto, excluindo a hipótese dos incisos I, dos arts. 201 e 204 do Anteprojeto que dispunham sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, declarada por decisão judicial. O Relatório da Comissão esclarece as razões da exclusão, e aceitação da Sugestão 446, conforme exposto a seguir: . "As hipóteses de restituição enumeradas nas alíneas I a IV do art. 130, correspondem às das alíneas I a VI do art. 201 do Anteprojeto, com as seguintes modificações:' 9 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 A referência expressa ao tributo inconstitucional (art. 201 nOI) foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela da alínea 11 do mesmo artigo (art. 130 nOI). Ficou, assim, implicitamente atendida a sugestão 446. (grifos não são do original). Nos arts. 134 e 135, a Comissão mddificou o sistema do correspondente art. 204 do Anteprojeto. Est~, em concordância com o regime processual que instituía nos Livros 'vIII e IX, unificava os prazos de caducidade do direito à restituição e de prescrição da ação correspondente àquele direito. Em conseqüência do destaque da matéria processual (supra: 8), a Comissão restabeleceu o sistema do vigente Decreto nO20.910 de 1932, fixando, respectivamente nos arts. 134 e 135, o prazo de caducidade do exerCÍcio do direito à restituição, e da prescrição da ação destinada a efetivar aquele direito, quando exercido em tempo hábil. (grifei) No cômputo dos prazos, entretanto, a Comissão, tendo em vista a tendência moderna do direito para o encurtamento dos prazos extintivos, consagrou uma duração total de cinco anos, dividindo assim o prazo atualmente previsto no art. 1° do Decreto n° 20.910 citado, à razão de três anos para a caducidade do direito, e de dois anos para a propositura da ação que o efetive. Distinguiu-se ainda, quanto ao primeiro desses prazos, as hipóteses em que a restituição decorra de simples erro de cálculo, a exemplo do que faz o art. 666 da Consolidação das Leis das Alfândegas (interpretado pelo Decreto nO20.230 de 1931), reduzido porém o prazo, em tais hipóteses, para seis meses, o que é suficiente por se tratar de matéria facilmente apurável." (grifei) o Projeto foi encaminhado ao Congresso Nacional resultando na Lei nO5.172/66, que materializa o Código Tributário Nacional vigente. Como sabemos, a Lei ao ser editada, adentra o mundo jurídico e desvincula-se dos fatos e condições que lhe deram origem, passando a regrar fatos concretos "ex nunc ". A "mens legislatori" dá lugar à "mens legis" . . As considerações acima auxiliam a compreensão do texto da lei posta, cuja interpretação será então conforme os ditames do Direito, no magistério dos sempre festejados mestres Carlos Maximiliano e Alípio Silveira~ Dessas considerações acima conclui-se que: 10 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 128.009 301-31.035 a Comissão do Código Tributário Nacional reconhece que a referência expressa ao tributo inconstitucional, prevista no art. 201, inciso I, do Anteprojeto foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela do inciso IIdo mesmo artigo, que corresponde ao art. 130, I, do Projeto e ao art. 165, Ido Código Tributário Nacional; inseriu no Código Tributário Nacional o sistema do vigente Decreto n° 20.910/32, fixando o prazo de 5 anos, quando exercido em tempo hábil; o tempo hábil para o exercício desse direito começa a fluir da data em que se originou o direito, conforme prescreve o art. 1° do referido Decreto, ou seja, que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 2 anos da data do ato ou fato, do qual se originaram. • • esse direito, "in casu" se originou da declaração de inconstitucionalidade. • o Código Tributário Nacional VIgente passou, ntão, a albergar a hipótese de restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. 11- PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Preambularmente cabe destacar o comando do art. 4° da Lei n° 8.429, de 02/06/92 (DOU de 03/06/92), in verbis: "Art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos." (grifei) E reafirmado no art. 2° da Lei nO9.784/99, .aplicável aos processos administrativos de qualquer natureza, in verbis: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." (grifei). 11 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 • A matéria encontra-se com abundante elaboração doutrinária em face da Constituição Federal pelos juristas de escol de nosso País, pelo que me permito transcrever alguns excertos para deles extrair as conclusões para os casos concretos submetidos ao julgamento desta Câmara, a seguir. Quanto à aplicação dos princípios constitucionais pelos Conselhos de Contribuintes assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Ficais, no Acórdão nO CSRF/ 01 - 03.620: . "MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o poder Executivo pode deixar de aplicar a lei que contrarie a Constituição do País. Os Conselhos de Contribuintes como órgãos judicantes do Poder Executivo encarregados da realização da justiça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique em violação de princípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal baseada em dispositivo constitucional". (grifei). 1- CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Lenta e gradualmente o Supremo Tribunal Federal consolida-se como autêntica corte constitucional, que não somente possui o monopóliq da censura em relação aos atos normativos federais ou estaduais em face da Constituição Federal no âmbito do controle abstrato de normas como também detém a última palavra sobre a constitucionalidade das leis na sistemática do controle incidental, pelo menos em última instância, através de recurso extraordinário . Se se admite que a declaração de inconstitucionalidade proferida no processo de controle abstrato de normas tem eficácia erga omnes, como justificar razoavelmente que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no caso concreto, deva ter eficácia limitada às partes? Por que condicionar a eficácia geral dessa decisão a um ato do Senado Federal se se admite hoje, até com certa naturalidade, que o Supremo Tribunal Federal pode suspender liminarmente a eficácia de qualquer ato normativo, inclusive de uma emenda constitucional, no processo de controle abstrato de normas? Os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ou de impugnação não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade, (Gilmar Ferreira Mendes - Revista Trimestral" de Direito Público nO 2/93, pp. 267/276). 12 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 • Pode o poder executivo deixar de cumprir a lei por considerá-la inconstitucional? o problema não é novo e há muito se tem discutido. O eminente Min. Themistocles Brandão Cavalcanti, ex-Procurador-Geral e ex-Consultor-Geral da República, com a sua autoridade em Direito Público, nos ministra, desde 1964, a seguinte lição: "O que se tem admitido é permitir aos responsáveis pela política administrativa, a não aplicação de leis inconstitucionais, usando do processo usual de interpretação, que consiste na aplicação da lei hierarquicamente superior que exclui, desde logo, a aplicação da lei menor que com ela vem colidir. ("Do Controle da Constitucionalidade", ed. Forense, Rio, 1966, p. 180). E mais adiante: "Os funcionários de categoria superior, responsáveis pela decisão podem e devem considerar a aplicação das normas, em função de sua categoria hierárquica." E acrescenta: "Nada justifica a aplicação de uma lei inconstitucional. Mesmo em caso de dúvida fundada, esta deve ser afastada por um exame judicial da controvérsia, desde que os interessados se insurjam contra a recusa do Executivo." Decidiu o STF que: "É lícito aos Poderes Legislativo e Executivo anularem os próprios atos, quando inconstitucionais" (recurso extraordinário n° 61.342. relator Min. Eloy da Rocha, in RDA 93/191). Sendo lícita ao Executivo a anulação de atos inconstitucionais, mais lícita será a recusa de praticá-los quando previamente constatada a inconstitucionalidade . (Orlando Miranda Aragão - Revista de Direito Público nO26, págs. 70/72) 2 - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A doutrina, sobretudo do direito administrativo e do direito tributário, acentua a distinção entre princípio e norma. O princípio é mais importante que a norma. Donde: violar princípio é algo muito mais grave que violar norma. O princípio é descrito por linguagem figurada ou metafórica: norte, vetor, alicerce do sistema constitucional, é dizer: disposição capital diante da qual a exegese das outras normas insertas no sistema há de conformar-se. (José Souto Maior Borges - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 - p. 143) 13 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 • Ao prefaciar seu admirável Tratado de Direito Privado, averbou Pontes de Miranda que: "os sistemas jurídicos são sistemas lógicos, compostos de proposições que se referem a situações da vida, criadas' pelos interesses mais diversos". A função social do Direito é dar valores a estas situações, interesses e bens, e regular-lhes a distribuição entre os homens. Na fecunda formulação de sua teoria tridimensional do Direito, demonstrou Miguel Reale que a norma jurídica é a síntese. resultante de fatos ordenados segundo distintos valores. Com efeito, leciona ele. Onde quer que haja um fenômeno jurídico há, sempre e necessariamente, um fato subjacente (fato econômico, geográfico, demográfico, de ordem técnica, etc.); um valor que confere determinada significação a este fato; e finalmente uma regra ou norma que representa a relação ou medida que integra um daqueles elementos ao outro, o fato ao vàlor. Pois os princípios constitucionais. são precisamente a síntese dos valores principais da ordem jurídica. A Constituição, como já vimos, é um sistema de normas jurídicas. Ela não é um simples agrupamento de regras que se justapõem ou que se superpõem. A idéia de sistema funda-se na harmonia de partes que convivem sem atritos. Em passagem que já se tornou clássica, escreveu Celso Antonio Bandeira de Mello: "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico (",,)". (grifei) "Violar um princípio é muito mais grave do que transg~edir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais ..." (Luís Roberto Barroso - Revista Trimestral de Direito Público nO 1/93 pp. 171/172). 3 - PRlNCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRA TIVA 14 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 • A moralidade tem a função de limitar a atividade da administração. Exige-se com base nos postulados, que a forma, que o atuar dos agentes públicos atenda a uma dupla necessidade: a de justiça para os cidadãos e de eficiência para a própria administração, a fim de que consagrem os efeitos-fins do ato administrativo consagrados no alcance da imposição do bem comum. (grifei) Não satisfaz às aspirações da Nação a atuação do Estado de modo compatível só com a mera ordem legal. Exige-se muito mais. Necessário se torna que a administração da coisa pública obedeça a determinados princípios que conduzam à valorização da dignidade humana, ao respeito à cidadania e à construção de uma sociedade justa e solidária. Está, portanto, o administrador obrigado a se exercitar de forma que sejam atendidos os padrões normais de conduta que são considerados relevantes pela comunidade e que sustentam a própria existência sodal. Nesse contexto, o cumprimento da moralidade além de se constituir num dever que deve cumprir, apresenta-se como um direito subjetivo de cada administr~do. (grifei). o que se afirma é que, tanto em situação de normalidade como em estado de anormalidade, o administrador não pode, sob qualquer pretexto, deixar de exercer as suas atribuições longe do princípio da moralidade. Nada justifica a violação desse dogma, por mais iminente que seja a necessidade da entrega da prestação da atividade administrativa. (grifei). Dificuldade maior se apresenta para o administrador, pois, terá que, com base em conceitos axiológicos, examinar qual a posição que deve prevalecer, em face do interesse público. O que é certo é a impossibilidade de praticar o ato com ruptura dos laços que envolvem o princípio da moralidade. (grifei). . o valor jurídico do ato administrativo não pode ser afastado do valor moral. Isso implica um policiamento ético na aplicação das leis, o que não é proibido, porque o defendido é a lisura nas práticas administrativas, fim, também contido na norma legal. A administração pública não está somente sujeita à lei. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir, pelo que inexiste liberdade de agir. Deve, assim, vincular a gestão administrativa aos anseios e necessidades do administrado, mesmo que atue, por autorização legal, como senhor da conveniência e da oportunidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividade. A moralidade é um atributo, ao lado da licitude, da possibilidade e da certeza, que deve presidir o nascimento e posterior desenvolvimento de qualquer ato administrativo. Este, conseqüentemente, não deve contrariar nenhum princípio de ordem ética que impere em determinado organismo social, sob pena de não lhe ser reconhecida validade. 15 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 A função da moralidade administrativa é de aperfeiçoar a atividade pública e de fazer crescer no administrado a confiança nos dirigentes da Nação. Ela visa o homem como administrado, em suas relações com o Estado, contribuindo para o fortalecimento das instituições públicas. A Constituição, sensível aos VICIOS identificados pela Nação na prática da. administração pública, não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida, fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. O amplo controle da atividade administrativa se exerce, assim, na atualidade, não só pelos administrados diretamente, como, também, pelo Poder Judiciário, em todos os atributos do ato administrativo. A Constituição de 1988, em vários de seus artigos, quer de modo explícito, quer de modo implícito, faz referência ao princípio da moralidade administrativa, sem confundi-lo com o da legalidade. Como idéia de dever para o administrador público e como um direito subjetivo da Nação é que o princípio da moralidade administrativa se impõe no caput do art. 37, da Carta Magna, da forma seguinte: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte" A moralidade se apresenta no texto da Carta Magna, conforme visto, com força de princípio imperativo. Pressupõe, conseqüentemente, que o administrador há de pautar, de modo obrigatório e permanente, a sua atuação pela ética da Administração Pública, que visa sempre o bem comum. (grifei). A obediência ao princípio da moralidade administrativa impõe ao agente público que revista todos os seus atos das características de boa fé, veracidade, dignidade, sinceridade, respeito, ausência de emulação, de fraude e de dolo. São qualidades que devem aparecer, de modo explícito, em todos os atos administrativos praticados, sob pena de serem considerados viciados e sujeitos aos efeitos da nulidade. É certo que a Constituição de 1988 percebeu, em atendimento ao coro da Nação, que a administração pública necessita ter a base nuclear dos seus atos na moralidade. Isso significa a negação de apoio para os atos praticados com violação a esse princípio. (grifei). 16 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 • Há, assim, de reconhecer as fronteiras não só do lícito e ilícito, mas, também, do justo e do injusto, tudo visando a que o ato praticado, quer legislativo, quer administrativo, não seja atacado de não - moralidade. (grifei). o exame sistemático dos dispositivos da Constituição Federal que tratam da aplicação do princípio da moralidade administrativa estão a determinar que é necessário que impere na administração pública o referido postulado, exigindo-se de todos os agentes públicos, independentemente do grau hierárquico exercido, de se vincularem a um dever geral de ótima administração, como conseqüência da sujeição ao interesse público. (grifei). A jurisprudência resulta do exame da lei e dos fatos. Indispensável se torna que tudo seja feito de modo que o Juiz faça sua opção pela solução mais justa e consentânea com os valores reclamados pela Nação. Embora não seja a jurisprudência uma criadora do direito, na prática muito se aproxima dessa qualidade, na medida em que fixa entendimento sobre a relação existente entre o fato e a norma. (grifei). No Direito Brasileiro, há de se considerar como relevante a contribuição da jurisprudência para a construção do conceito de moralidade administrativa. Através dos pronunciamentos reiterados dos juizes vêm se formando conceitos que expandem a abrangência dos efeitos do referido princípio, por vir detectando, em determinados dispositivos da Constituição Federal e de legislação hierarquicamente inferior, mesmo implicitamente, a obrigatoriedade do agente público ser fiel ao princípio da moralidade administrativa. o reconhecimento do cidadão ter direito subjetivo a ser exigido do administrador público para que se comporte com sustentáculo no princípio da moralidade administrativa, foi feito pelo então Tribunal Federal de Recursos, em voto da lavra do eminente Ministro Washington Bolívar de Brito, ao julgar o Agravo de Instrumento 44790, DF: "Se é certo que a Constituição assegura a todo cidadão o direito subjetivo ao governo honesto, não menos certo é que os governantes, cujos atos são atacados, em nome da moralidade administrativa, onde e quando essa moralidade for posta em dúvida, que a sua atuação foi inspirada no bem comum e tem amparo legal, além de trazer benefícios, e não lesões à comunidade" Constatada essa realidade constitucional, resta que se torne eficaz e efetivo o princípio da moralidade administrativa, se exercendo o controle dos atos que o violarem sem quaisquer peias ou amarras. (grifei). (José Augusto Delgado - Revista Trimestral de Direito Público n° 1/93 pp. 209/222) 17 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 4 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE PÚBLICA A tese envolve reconhecimento de que o ordenamento jurídico impõe a compatibilidade da conduta do agente público com determinados parâmetros éticos. A existência de um princípio jurídico da moralidade significa que algumas valorações morais do grupo são recepcionadas pelo Direito Público. A existência de um princípio jurídico da moralidade pública não significa a incorporação da Moral pelo Direito. Os preceitos morais têm existência autônoma frente ao Direito, verificando-se apenas uma juridicização parcial deles. Quando se alude a um princípio jurídico da moralidade quer-se afirmar que a qualificação jurídica das condutas externas subordina-se aos parâmetros não só da lei jurídica como também da moralidade. Mas, há peculiaridade que diferencia o princlplO da moralidade pública frente à quase totalidade dos demais princípios jurídicos. Trata-se da referência às vivências éticas predominantes na sociedade. o princípio da moralidade pública contempla a determinação jurídica da observância de preceitos éticos produzidos pela sociedade, variáveis segundo as circunstâncias de cada caso. A apuração do conteúdo jurídico do princípio da moralidade pública envolve, por isso, uma aproximação e uma dinâmica. Há um núcleo axiológico que produz desdobramentos mais ou menos indefinidos. . A essência do princípio da moralidade pública consiste na invalidade de todos os atos praticados pelo Estado incompatíveis. com a interpretação ética do sistema e das normas jurídicas (constitucionais ou não). Essa pluralidade de significados potenciais da norma jurídica encontra limites no sistema jurídico. Entre nós, o sistema jurídico - constitucional incorporou o princípio jurídico da moralidade pública. Por decorrência, o aplicador do Direito está obrigado a considerar também o fator ético - a moralidade pública - ao definir a interpretação cabível para determinado dispositivo normativo. Entre diversas interpretações possíveis - ou mais precisamente, entre diversas condutas possíveis de ser validadas frente à Constituição - , o aplicador deverá optar por aquela conforme aos princípios jurídicos (inclusive ao princípio da moralidade pública). Enfim, não se concebe, frente à CF/88, uma solução eticamente reprovável, cuja adoção se fundasse em argumentos de técnica jurídica. (grifei). 18 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 o conteúdo jurídico da princípio da moralidade públic'a resulta .da conjugação de dois conceitos básicos, que são a supremacia do interesse público e a boa-fé. A partir desse núcleo, agregam-se outras vivências consagradas eticaIl?-ente. Não se confunde interesse público com interesse do aparato estatal. O Estado, como sujeito de direito, pode adquirir certas conveniências, de modo similar ao que se passa com qualquer sujeito de direito. Não significa, porém que tais circunstâncias se caracterizem como interesses públicos, para os fins da aplicação dos princípios ora examinados. Configura-se aqui a diferença apontada por Renato Alessi entre interesse público primário e interesse secundário, difundida entre nós por Celso Antonio Bandeira de Mello. Enfim, como afirmou Gordillo, "o interesse público não é o interesse da Administração Pública. Deve-se ter em vista que nenhum interesse público se configura como conveniência egoística da Administração Pública. O chamado interesse secundário (Alessi) ou interesse da Administração Pública não são públicos. Aliás, nem ao menos são interesses na acepção. jurídica do termo. São meras circunstâncias, alheias ao Direito. Ou seja, o Estado não possui interesses qualitativamente similares. O Estado não se encontra no mesmo plano dos particulares, mas não simplesmente por essa qualidade pesso<;tl.É que a natureza dos interesses que titulariza é diversa dos interesses individuais, particulares, egoísticos. Quando atua na tutela desses interesses, não se pode cogitar de fenômeno similar ao que ocorre com os interesses particulares. Ao aludir-se a moralidade pública, nesse terceiro aspecto, cogita-se da perfeição ética do relacionamento entre o Estado e os cidadãos. A moralidade significa que o Estado é instrumento de realização do bem público e, não de opressão social. A concentração de poderes e a superioridade do interesse público retratam, por assim dizer, a sen1idão do Estado em face da comunidade. (grifei). Como ensina Bandeira de Mello, o Estado "poderia po.rtanto ter o interesse secundário de resistir ao pagamento de indenizações, ainda que procedentes, ou de denegar pretensões bem fundadas que. os administrados lhe fizessem, ou de cobrar tributos ou tarifas por valores exagerados. Estaria, por tal modo, defendendo interesses apenas "seus", enquanto pessoa, enquanto entidade animada do propósito de despender o minimo de recursos e abarrotar-'Se deles ao máximo. Não estaria, entretanto, atendendo ao interesse público, aO interesse primário, isto é, àquele que a lei aponta como sendo o interesse da coletividade: o da observância da ordem jurídica estabelecida a título de bem curar o interesse de todos" (Curso de Direito Administrativo, 63 ed., Malheiros, 1995, p. 22). (grifei). '. O Estado de Direito Democrático tal como aquele consagrado pela CF/88, reconhece que a supremacia do interesse público não significa ~upressão de interesses privados. Um dos mais graves atentados à moralidade pública consiste no sacrificio prepotente, desnecessário ou desarrazoado de interesse privado. O Estado não existe contra o particular, mas para o particular. Mas, além disso, a supremacia 19 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 do interesse público não conduz à supressão da pluralidade de interesses jurídicos tuteláveis. (grifei). A moralidade pública exclui não apenas os beneficios e vantagens indevidos para os particulares ocupantes da função públ~ca. ExcluÍ, também, a obtenção de vantagens reprováveis ou abusivas pelo Estado 'para si próprio. Não se torna válida a espoliação dos particulares como instrumento de enriquecimento público. O Estado não existe para buscar satisfações similares às que norteiam a vida dos particulares. A tentativa de obter a maior vantagem possível é válida e lícita, observados os limites do Direito, mas apenas para os sujeitos privados. Não é conduta admissível para o Estado, que somente está legitimado a atuar para realizar o bem. comum e a satisfação geral. O Estado não pode ludibriar, espoliar ou prevalecer-se da fraqueza ou da ignorância alheia. O princípio da moralidade indica sob esse ângulo, lealdade do Estado frente aos cidadãos. A ação e a omissão do Estado devem ser cristalinas, inequívocas e destituídas de reservas, ressalvas ou segundas-intenções. Não se legitima o ardil sob argumento de que se destina a abarrotar de recursos os cofres públicos. "A moralidade pública é compatível com a duplicidade de intentos normativos. Não se concilia com a moralidade que a lei tenha duplo conteúdo: um texto aparente e formalmente compatível com a Constituição e uma efetiva e real mens legis inconciliável com ela. Como asseverou José Eduardo Soares ~de Melo "A tributação implica intromissão do governo nas atividades dos particulares, mediante substanciais desfalques em seus patrimônios. Assim, compreende-se que.a participação financeira - pela via tributária - há que ser certa, precisa, previamente conhecida, como corolário dos princípios da boa-fé e lealdade, que devem presidir a.' atividade administrativa" (ICMS - Teoria e Prática, Dialética, 1995, p. 98). A moralidade se relaciona, ademais, com a segurança jurídica. Ambos os princípios asseguram a previsibilidade da conduta 'estatal e a certeza sobre a disciplina normativa. Mas a moralidade representa algo .mais, por envolver um conteúdo ético para a disciplina jurídica. Ou seja, não é necessária apenas a segurança jurídica, mas se impõe que a disciplina jurídica (segura p'orque estável e previsível) seja também compatível com a moralidade. O Estado ao produzir a norma tributária ou ao aplicá-la não pode olvidar os princípios jurídicos nem atender apenas às palavras do t'exto legal, buscando respaldo em prodígios de raciocínio para justificar desvios éticos. Nesse ponto preciso é que se avoluma a relevância do princípio da moralidade pÚblica. Não 20 ',,". MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 permite o Estado condutas viciadas por defeitos éticos. O Estado não está legitimado a produzir leis imorais nem a aplicar, de modo imoral, uma lei. (grifei). (Marçal Justen Filho - Revista trimestral de Direito Público n° 11/95 pp.45/58) 5- PRlNCÍPIO DO ENRIQUECIMENTO SE"MCAUSA É um princípio constitucional implícito que, ao lado do princípio da moralidade administrativa, também se aplica ao caso, impondo à União que o cumpra, restituindo ou compensando o que indevidamente se apropriou do contribuinte a título de tributo posteriormente desconstituído pela Suprema Corte, institucionalmente a competente para dizer a última palavra em matéria constitucional. Cria-se por lei um tributo sob a forma de contribuição, o contribuinte paga espontaneamente sob a presunção de ser a mesma constitucional. Via de regra entre o pagamento e a decisão do Supremo o lapso temporal ultrapassa cinco anos. Fixar-se o dies a quo, como a data do pagamento (crédito tributário) e não a data da publicação de decisão judicial no mais das vezes impossibilita o contribuinte credor de reaver o que legitimamente lhe pertence, revelando-se um enriquecimento ilícito do Poder Público além de afrontar o princípio da moralidade administrativa, traindo a sua boa-fé. ' Esse fato pode conduzir ao seguinte quadro. Da mesma forma como pode o Fisco lançar o tributo suspenso por uma das hipóteses legais,. visando a prevenção da decadência, o contribuinte, em clima de desconfiança gerado, recolhe os tributos, pede a restituição dentro dos 5 (cinco) anos e judicialmente argúi a inconstitucionalidade m INTERESSE PÚBLICO VERSUS INTERESSE FAZENDÁRIO O interesse fazendário não se confunde muito menos sqbrepaira o interesse público, Perante o Texto Constitucional, subordina-se ao interesse público e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele', Oportuna, a respeito, a preleção, sempre preciosa, de Celso Bandeira de Mello: "Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como répresentante do corpo social. Interesse secundário é aquele que atina tão só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e q~e por isso " 21 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa". Estribados em tão sólidas lições doutrinárias, podemos proclamar, com toda a convicção, que o mero interesse arrecadatório - interesse secundário que - não pode fazer tábua rasa à legalidade, à isonomia e aos direitos constitucionais dos contribuintes. No mesmo sentido, Alberto Xavier pontifica: " ...num sistema econômico que tenha como princípios ordenadores a livre iniciativa, a concorrência e a propriedade privada torna-se indispensável eliminar, no maior grau possível, todos os fatores que possam traduzir-se em incertezas econômicas suscetíveis de prejudicar a expansão livre da empresa designadamente a insegurança jurídica". Segue-se, pois, que nenhuma justificativa extra jurídica (v.g., o aumento das receitas) poderá validamente subverter os princípios básicos do sistema constitucional brasileiro, iluminados, todos eles, pelo princípio da segurança jurídica. As garantias constitucionais limitam o poder de tributar e sancionar. O propósito de abastecer de dinheiro os cofres públicos não pode chegar, num Estado de Direito como o nosso, ao ponto de lesar direitos subjetivos das empresas e dos particulares que delas participam. Afinal predominância do interesse público não é sinônimo de lesão de direitos. Não podemos invocar o interesse fazendário (ou seja qual for o nome que lhe queiramos atribuir) para justificar qualquer iniciativa, quer no plano fático, que não se contenha estritamente nos lindes do texto constitucional.. É que não há interesse maior do que o representado pelo respeito às exigências sistemáticas da ordem constitucional. (Roque Antônio Carrazza - Revista Trimestral de DireitÇ>Público n° 13/96, pp. 16). O interesse público, no caso, é a realização do Direito e da justiça através da satisfação plena dos princípios constitucionais atras expostos. O interesse fazendário por certo restará satisfeito, pois, os recursos eventualmente restituídos ao contribuinte certamente retornarão ao erário indiretamente sob a forma de outros tributos, após terem gerado novos investimentos, empregos, etc. 22 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 '. Em abono a esta tese vem a própria PGFN em lúcido Parecer n° 877/03, aprovado e publicado no D.O.V. de 02/09/03, in verbis: "Por conseguinte, se, por força da lei, a prescrição fulmina, elimina ou extingue o crédito tributário, vale dizer a "relação tributária", cabe ao administrador, por dever de perseguir o interesse público primário, mesmo atritando com o interesse público secundário, meramente patrimonial do Estado, reconhecer a prescrição no caso concreto posto às suas vistas". (grifei). IV - NASCIMENTO DO DIREITO À RESTITUIÇÃO /COMPENSACÃO DECORRENTE DE. LEI INCONSTITUCIONAL o direito à restituição nasce com a declaração de inconstitucionalidade que faz as vezes de lei (norma individual) - não se aplicando, portanto, a norma do art. 165 C/C art. 168 do CTN. O renomado tributarista Hugo de Brito Machado citado no Parecer PGFN n° 1.238/99 leciona: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta. Ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torres, que ensina: "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado dei decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de Tributos, Forense, Rio de Janeiro, 1983, p. 169). Neste sentido é o Acórdão nO1999.03.99.074347, do TRF 33 Região 63 T. e o Acórdão nOAMS 95.03.056070-5, da 43 T. do TRF 33 Região, no seguinte teor, que, apesar de se referir ao FINSOCIAL é aplicável pelos seus fundamentos jurídicos: "Quando fundado o pedido em inconstitucionalidade de norma reconhecida incidentalmente pela Corte Suprema, o tenJ.1oinicial do prazo para fins de determinação do lapso prescricional deverá ser a data de publicação de primeira decisão proferida, posto ser fato inovador da ordem jurídica, suprimindo norma tributárIa até então válida e cogente, pois com força de lei. No caso, o primeiro aresto 23 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 do Colendo Supremo Tribunal Federal foi publicado no Dm de 02/04/93, devendo a partir desta data ter início .0 cômputo do lapso prescricional, pois não se pode considerar inerte o contribuinte que até então, em razão da presunção da constitucionalidade da lei, obedecera a norma indevidamente exigida, já que a inércia é elemento indispensável para configuração do instituto da prescrição. (Acórdão nO 1999.03.074347-5-SP-TRF 33 Região- 63 T. - FINSOCIAL - Compensação tributária - Precedentes do STJ)" "I - Tributário. Finsocial. Majorações da alíquota. Compensação. Espécies tributárias. Cofins. PIS e CSL. U - Correção monetária. Critérios utilizados. IPC, INPC, UFIR e Selic. Limitação ao pedido. Aplicação do IPC, BTN e UFIR. lU - Prescrição. Dies a quo. Reconhecimento jurídico do pedido (Decreto nO 1601, de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória n° 1110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições).!. - É irrecusável a inconstitucionalidade da cobrança do Finsocial tal como reconhecida pelo STF (RE 150.764- 1 PE) e pela própria Administração Pública (Dec. 1.601/95), quanto a majorações da alíquota da contribuição. 2 -:-A aplicação dos juros, tomando-se por base a taxa Selic, a partir de 1° de janeiro de 1997, nos termos do art. 39 da lei 9.250/95, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária ou de outros já que estes fatores de atualização de moeda já se encontram considerados nos cálculos fixadores da referida taxa. 3 - O exercício da compensação deve ser restrito a parcelas de Cofins, PIS E CSL. 4 - O dies a quo do prazo prescricional é a data do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do poder Executivo, por meio do Decreto 1601 de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória 1110, de 30 agosto de 1995 e suas reedições, com o que dispensa seus procuradores de atuarem, nas matérias ali apontadas, extraindo -se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênio prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável com fulcro no art. 174, inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. 5. - Matéria preliminar argüida pela impetrante acolhida. Apelação da impetrante parcialmente provida. Apelação da União e remessa oficial às quais se dá parcial provimento." Ac uIÍ da 4° T do TRF da J3 R- AMS 95.03.056070-5 - ReI. Des. Fed. Andrade Martins - j 14.03.01 - Aptes.: Trancham S/A Ind. e Cqm. E União Federal! Fazenda Nacional; Apdos.: os mesmos - Dm 02110/01 p. 159 - ementa oficial" 24 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 • Além disso, houve pagamento indevido de algo que pela declaração de inconstitucionalidade perdeu a natureza de tributo passando a ser um crédito, uma dívida passiva contra a União, passando a se reger pelas hormas do CTN que se referem a restituição de créditos tributários por força da inserção nele do sistema do Decreto nO20.910/32 atrás explicitado. Assim, a norma a se~ aplicável é a do Dec. n° 20.910, de 06/01/32, vigente há mais de 60 anos, que reza élf1 seu art. lOque todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qmfl for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas prescrevem em 5 anos da data :do ato ou fato do qual (direito) se originaram. Esse direito in casu se originou da declaração de inconstitucionalidade (o ato). o art. 146, 111,"b", da C.F. estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre "prescrição e decadência" tributárias e o CTN, com "status" de lei complementar dispõe a respeito nos arts. 165/168. Aplicável, portanto, ao caso, pelas razões acima expostas, apesar de o montante indevidamente pago com a declaração de inconstitucionalidade passar a configurar l:Im crédito financeiro do contribuinte. Tratando-se do FINSOCIAL, comungo éom a linha adotada nos inumeráveis arestos do Segundo Conselho de Contribuintes no sentído de que inexistindo Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da .lei declarada inconstitucional na via indireta há de se fixar o termo iniciai ,como a data' da Medida Provisória nO 1110/95 (31/08/95), data essa em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela Administração Tributária, linha essa também adotada pelo TRF da 3a Região, nos Acórdãos acima transcritos. Porém, há ainda um fato a ser considerado, tendo em: vista que as Medidas Provisórias mantinham sua eficácia, ou seja, cap~cidade de produzir efeitos jurídicos durante 30 (trinta) dias a partir de sua edição, 'perdendo-a se não fossem convertidas em Lei nesse período. Daí, a necessidade de suas constantes reedições, com o mesmo ou outro texto, nesse prazo, até a edição da Lei formal pelo Congresso, concretizada na Lei n° 10.522, de 19/07/02, cujo texto em .relação ao FINSOCIAL repete. Ocorre que a MP. nO1.110/95 e suas reedições posteriores até a MP. 1621 - 35, de 12/05/98 prescreviam que "o disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas". A partir da edição da MP. n° 1621 -36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 o parágrafo 20 do artigo 18 passou a ser assim redigido:' S 20 - O disposto neste artigo não implicarii restituição ex officio de quantias pagas.'" Ou seja, a Administração passou a reconheçer o direito ao pedido de restituição, formulado pelo contribuinte. .. 25 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 A jurisprudência administrativa também tem se conduzido por essa linha jurisprudencial perfilhada pelo Judiciário, conforme se aquilata pelos inumeráveis Acórdãos das Câmaras dos três Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo os Acórdãos nOs201.76383,76291, 76382,76363,76258, 76337, 202-14121, 14304, 14337, 13973, 14442,i4140, 107- 07031, CSRF/01-03754, entre outros. Já, tratando-se da restituição/compensação da Cota de Contribuição na Exportação do Café, instituída pelo Decreto-lei nO2.295/86 a situação diverge dos tributos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, no que tange ao dies a quo para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição. É que neste caso, não houve declaração de inconstitucionalidade do referido Decreto-lei pelo STF, eis que o mesmo não foi recepcionado pela vigente Constituição Federal, porque, com ela incompatível, face ao seu artigo 146. A declaração de inconstitucionalidade poderia ter evidentemente ocorrido, face à Constituição anterior, se pleiteada. Restou, portanto, revogado o referido dispositivo legal, não adentrando o mundo jurídico a partir da vigente Constituição, razão porque, o STF se absteve de declarar inconstitucional um Decreto-lei que passou à condição de inexistente. Porém, reconheceu o STF sua revogação a partir desta Constituição. Assim, conclui-se que: • os efeitos desse reconhecimento retro agem, até a data da entrada em vigor da nova Constituição e não até a data da edição do Decreto-lei n° 2295/86, porque, o mesmo não foi declarado inconstitucional; e, por força do art. 34 do ADCT, a retro ação produzirá efeitos a partir de 01/03/89 (primeiro dia do quinto mês seguinte a da: promulgação da Constituição). • o "dies a quo" para a contagem do prazo decadencial é o da decisão do STF que reconheceu a não recepção do Decreto-lei 2295/86 pela atual Constituição. V COMPETÊNCIA PARA INTERPRETAR A LEGISLACÃO NO ÂMBITO DOS MINISTÉRIOS A Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, em seu art. 2° inciso 11, alínea "b", incluiu entre os órgãos de execução da Advocacia-Geral da União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios. 26 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 No art. 11 da mesma lei foram estabelecidas as competências das Consultorias Jurídicas, em seis incisos dos quais destaca-se o de n° IH, verbis: "HI - fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação quando não houyer orientação normativa do Advogado-Geral da União." Cabe assinalar que as competências da AGU e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios, já foi objeto do Parecer AGU/ MF - 06/98, adotado pelo Advogado Geral da União, aprovado pelo Presidente da República em 15/09/98 e publicado no D.O.V. de 24/09/98. Há também o Parecer AGU n° 02/99, no mesmo sentido (D.O.V. de 07/05/99) Pela mesma legislação tais Pareceres, uma vez aprovados pelo Presidente da República ou pelos Ministros são normativos, vinculativos e cogentes para os administrados. VI - ANÁLISE DOS PARECERES DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL QUE TRATAM DA MATÉRIA A validade jurídica dos Pareceres, seu alcance e vinculatividade aos órgãos e entidades da Administração Pública encontra amparo na Lei Complementar nO73, de 10/02/93, que institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, da qual participa a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional como órgão de direção superior. Neste sentido dispõem os artigos 4° incisos X e XI, 11, inciso IH e arts. 39 a 44 da referida Lei. Os pareceres sob análise são os a seguir enumerados: 1- Parecer PGFN/CAT n° 1538/99, que mantém O Parecer PGFN/CAT n° 678/99 • Parecer PGFN/CAT n° 550/99 - termo a quo nos casos de leis declaradas inconstitucionais, nos controles" difuso e concentrado é a data do pagamento. "indevido (art. 165, I C/C art. 168 do CTN) divergindo dos entendimentos consagrados no STJ e TRF la Região que é a da p.ublicação dd Acórdão do STF em ADIN e a da publicação da Resolução do Senado Federal na via incidental. ., 27 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • 128.009 301-31.035 Quanto ao item 43, do Parecer, observe-se que há lei dispondo a respeito (Lei nO20910/32). Conclui pela atenuação ex tunc de leis declaradas inconstitucionais pelo STF para os casos de decisões judiciais já consolidadas. . 439/96 2 - Parecer PGFN/CRE n° 948/98, que se refere ao PGFN/CRF • Confirma o entendimento do Parecer PGFN/CRF n° 439/96, incluindo também as DRJ, além dos c.c., na obrigação de afastar a aplicação de normas declaradas i~constitucionais. • Esclarece o alcance da expressão "as decisões do STF que fixem de forma inequívoca e definitiva" ... constante do art. 1° do Dec. 2346/97, no seguinte sentido: 1- decisão do STF, ainda que única, em ADIN; 2- idem, se a execução for suspensa por Resolução do SENADO; 3- a decisão plenária, transitado em julgado, ainda que única e por maioria de votos, se nele foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela. 3- Parecer PGFN/CRJ/ n° 3401/02 - FINSOCIAL • Trata dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade de lei em sede de controle difuso e não suspensa a execução pelo Senado Federal. • As sentenças transitadas em julgado favoráveis à Fazenda Nacional relativamente ao pedido de restituição/compensação de créditos do FINSOCIAL (majoração de alíquotas) são irreversíveis. • Efeitos da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma em outras ações decididas pelo STF, não alcança os casos já definitivamente julgados (com trânsito em julgado de sentença favorável à União). • A coisa julgada é imutável, intangível (salvo em caso de ação rescisória). 28 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 128.009 301-31.035 o Senado não conferiu a eficácia "erga omnes" à decisão do STF proferida no RE 150.764/PE. o Senado não baixou Resolução suspensiva da aplicação de Lei inconstitucional conforme relator em decisão política (repercussão na economia nacional) e também tel}do em vista que o acórdão do STF embora do pleno, ocorreu pelo voto de.. . 6 contra 5 de seus membros. Os efeitos "erga omnes" no caso, só>fazem coisa julgada em relação às partes no processo, observada a coisa julgada, que deve ser cumprida favorável ou' :'oesfavorável às partes envolvidas. • O Parecer é vinculativo quanto ao se~ objeto exposto nos itens 1° e 2° e 3° supra, apenas, não entrando no méritó do problema de prescrição e decadência. Da análise dos aludidos Pareceres entendo que nas decisões dos recursos atinentes a matéria, pelos Conselhos de Contribuintes, estes não devem interpretar a legislação que disciplina tal matéria quando há parecer da PGFN dispondo, porém, é de sua obrigação nas decisões aplicar a legislação em vigor, obedecendo aos ditames da Constituição, de seus princípios expressos e implícitos e em especial a Lei 9.784/99, aplicável subsidiariamente, que, no parágrafo único, inciso I, do seu artigo 2° prescreve: "Art. 2° , . Parágrafo único - Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - Atuação conforme a lei e o Direito." ..' Note-se que na expressão "a lei e o direito"" contida no ar( 2° - supra não há redundância eis que a legislação quer enfatizar que nas decisões não. somente a lei (direito positivo) deve ser aplicada mas também a doutrina, a jurisprudência e os princípios que informam e embasam todo o ordenamento jurídico, núcleos que são, do sistema jurídico. VII- COMPETÊNCIAS INSTITUCIONAIS DOS.' ÓRGÃOS JUDICANTES ADMINISTRATIVOS' DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS (Delegacias='da Receita Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes) 29 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 Via de regra nos julgados das DRJs, acertadamente, afirma-se a vinculatividade das mesmas aos atos emanados no âmbito da Secretaria da Receita Federal, entre eles, para o caso, o Parecer COSIT nO58/98 e o Ato Declaratório SRF nO96/99. Além disso, o Dec. n° 2346/98 em seu art. 4° apresenta uma condicionante, conforme se constata: "Art. 4° Fica o Secretário da Receita Federal e o Procurador - Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo que: I. não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; 11. não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; 111. sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; '. IV. sejam formuladas desistências de ações d,eexecução "fiscal" Ora, o mencionado dispositivo é mandamental, uma Ordem do Chefe do Poder Executivo às autoridades nele mencionadas - Secretário da Receita Federal e Procurador-Geral da Fazenda Nacional - para que cumpram o determinado em seus incisos I a IV cujos lindes se comportam dentro de dois marcos: 1. âmbito de suas competências; 2. base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Penso que o dispositivo acima não comporta discricionariedade, sendo portanto, vinculativo para as autoridades a que se destinam. As competências da Secretaria da Receita Federal como órgão, e do Secretário da Receita Federal como dirigente estão previstas no Regimento Interno da SRF aprovado pela Portaria:MP nO227/98 (revogada), artigos l° e 190, e pela Portaria :MPn° 259/01, artigos 1° e 209. Por elas vê-se que, no tocante aos procedimentos de determinação e exigências de créditos tributários sua competência fica adstrita ao comando das DRJs, órgãos afetos à sua estrutura administrativa (artigo 10, inciso V e artigo 209, incisos 30 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 XXVII e XXVIII, da Portaria MF 259/01), não alcançando a atuação dos órgãos judicantes de Segunda Instância, cuja competência e desvinculação ao SRF foi preservada em homenagem ao princípio de ampla defesa, do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, que estabelece o conhecido "tripé"(acusado, acusador e julgador), um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mormente.~o tocante ª restituição de indébitos tributários, que, no rol das competências, a portaria nllnisterial silencia. . No Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que não se confunde com o da SRF, ambos expedidos pela mesma autoridade hierárquica, a matéria consta em artigos específicos cujos textos determinam a "apreciação de direitos creditórios relativos a tributos e contribuições" de suas competências recursaIS. Ainda, na análise das competências, penso que a decisão da DRJ nesses casos está correta em seu entendimento no sentido de sua "incompetência para atender o pedido ou mesmo analisá-lo sob qualquer outra ótica que não seja aquela preconizada pelo Parecer COSIT nO58/98", e AD SRF n086/99, uma vez que tal órgão está vinculado aos atos emanados dentro de sua linha hierárquica, revelada através da Portaria SRF nO 3608/94, item IV e do seu Regimento Interno. Isso não impede, entretanto, que os Conselhos possam analisar o problema à luz de todo o ordenamento jurídico, razão de sua existência institucional. VIll- DECLARACÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI NO CONTROLE DIFUSO Uma última palavra acerca dos efeitos das decisões judiciais proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal e não objeto de Resolução do Senado Federal reconhecendo o efeito erga omnes dessas decisões. A Constituição é um todo orgânico, coerente e consistente, não se admitindo contradições entre seus diversos dispositivos. Assim, quando ela consagra o princípio da igualdade com todos os seus desdobramentos, neles incluída a isonomia, ele é vetor para quaisquer outras normas constitucionais não erigidas à categoria de princípios. Assim, quando o art. 52 da C. F. prescreve que compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, isto não significa que a omissão dessa formalidade irá ter o efeito de negar a aplicação do princípio para dar legitimidade a contribuintes que se encontrem na mesma situação daquele que provocou a manifestação do Supremo pela inconstituciona.1idade da lei, conforme preceitua o artigo 150, inciso 11,da Constituição Federal. 31 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 A lei, uma vez declarada inconstitucional pelo órgão que detém a competência exclusiva para tanto, não pode ser inconstitucional para uns e constitucional para outros que se encontrem na mesma situação fática mormente porque as justificativas para a omissão do Senado não se lastreiam em considerações jurídicas, como por exemplo, o fato de em plenário do Supremo a decisão não ter sido tomada por unanimidade e que, portanto, outra decisão em outro caso conàeto poderá ser divergente. Enquanto isso não ocorrer a decisão é válida erga. omnes em homenagem ao princípio da isonomia. (artigo 150,11, da C.F.) Ademais, o efeito erga omnes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações em que se argúi a inconstitucionalidad~ qe lei foi confirmado pela Lei n° 9882, de 03/12/99 que conferiu eficácia ao preceito do S lOdo art. 102 da Constituição Federal. Senão vejamos. A ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de 'lei ou ato normativo federal são processadas e julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal Federal na forma da Lei nO9868, de 10/11/99. As causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal , serão julgadas pelo Supremo Tribunal Federal mediante recurso extraordinário, e, na forma da Lei n° 9882, de 03/12/99, quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. o S 3° do art. 10, da Lei nO9.882/99 prescreve que a decisão do STF exarada no processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental nos termos do S 1° do art. 102 da C.F. terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. No caso concreto, a inconstitucionalidade da lei declarada pelo STF decorre de argüição, embora incidental, de lesão ou descumprimento de preceito fundamental da C.F. quais sejam os princípios da legalidade, igualdade, moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa. IX - CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES RELATIVAS ÀFINSOCIAL I - Tributos Lançados por homologação 32 ~ 'J MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 No caso dos tributos lançados por homologação a tese prevalecente tanto no âmbito administrativo, quanto no judiciário é a de que, decorridos 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador decai o direito de o FISCO lançar ou rever o lançamento, tendo em vista ter ocorrido a homologação tácita e a condição resolutória inerente a essa modalidade, extinguindo-se o crédito tributário, com o pagamento antecipado. Aplica-se, portanto, ao pleito de restituição, o prescrito no art. 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 1° do Decreto n° 20.910/32, ainda vigente e incorporado ao CTN, segundo o qual, todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato ou fato, do qual se originaram, quando não se tratar de pleito fundado em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 11- Necessidade de Lei Complementar Após o advento da Constituição Federal de '1988, as normas sobre prescnçao e decadências tributárias passaram a ser definidas por lei complementar (art. 146,111, "b"). A Carta Constitucional vigente, em seu art. 149 atribui competência à União instituir contribuições sociais, observado o disposto no seu artigo 146, 111. O FINSOCIAL, instituído pelo Decreto-lei n° 2.049/83, regulamentado pelo Decreto n° 92.698/96, que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébito, a partir da vigência da Constituição Federal passou a se amoldar aos ditames do Código Tributário Nacional, que tem o statusde lei complementar, cujo prazo estabelecido é de 5 (cinco) anos para a prescrição e a decadência. Inaplicável, portanto à referida contribuição o prazo decadencial/prescricional de 10 (dez) anos previsto no Decreto-lei no..2.049/83 e Decreto n° 92.698/86. 111 - Lei Declarada Inconstitucional Por sua vez, a inconstitucionalidade da majoração de alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, foi declarado, ainda que em controle difuso, pelo STF e reconhecida pela Administração na edição da MP nO 1110/95, publicada a 31/08/95, considerando-se. que a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a partir da edição da MP. n° 1.621 - 36, de 10/06/98, publicada nODOU de 12/06/98 . CONCLUSÃO À vista do acima exposto, cujos fundamentos entendo solidamente lastreados nos princípios constitucionais, nas leis que determinam sua fiel 33 ••• :<.r MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 128.009 301-31.035 observância, na jurisprudência e nas correntes doutrinárias, voto pelo provimento do recurso voluntário relativo à FINSOCIAL, no sentido de ser acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do pedido de restituição e conseqüente devolução do processo ao órgão prolator da Decisão de Primeira Instância, afastada que está a preliminar de decadência pelos seus fundamentos, devendo a mesma autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido (pagamentos efetuados, documentos acostados, acréscimos legais, planilhas de cálculo, períodos de apuração, idoneidade dos documentos, certificação dos recolhimentos, DARFs originais ou não autenticados, créditos já compensados com outros tributos, etc). Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2004 L", OSE LENCE CARLUCI - Relator 34 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034 00000035
score : 1.0
Numero do processo: 10509.000135/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/08/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. NORMA POSTERIOR AO EMBARQUE. VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE
Inaplicável a multa prevista na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, visto que à época do embarque a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito jurídico indeterminado, "imediatamente após realizado o embarque".
Somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos.
Numero da decisão: 3302-004.304
Decisão: Crédito Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente ABSA AEROLINHAS BRASILEIRAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/08/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. NORMA POSTERIOR AO EMBARQUE. VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE Inaplicável a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, visto que à época do embarque a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito jurídico indeterminado, "imediatamente após realizado o embarque". Somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos. Crédito Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 9. 00 01 35 /2 00 9- 54 Fl. 335DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório do r. Acórdão de Recurso Voluntário nº 3801005.241, de fls.228/235, conforme a seguir transcrito: Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10509.000135/200954, contra o acórdão nº 0734.840, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis I (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 21 de maio de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação da Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$5.000,00, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo vôo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF n.º 28/1994, alterada pela IN SRF n.º 510/2005. Consta no Auto de Infração uma relação com as informações acerca dos embarque e data do registro dos respectivos dados, bem como da DDE e número do voo (fls. 11). Junta também às fls. 13/21, extratos do Sistema Siscomex (consulta dados de embarque e consulta histórico despacho). Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação alegando, em síntese, o que segue: 1Cerceamento do direito de defesa e ausência de provas da infração: não existem no processo cópias de telas do MANTRA que comprovem as informações da fiscalização constantes da planilha que embasou o auto, a qual não tem qualquer valor probatório. É latente o desrespeito ao art. 9.º do Decreto n.º 70.235/72 que determina a instrução do auto de infração com elementos de prova. 2A lei aplicável deve sempre ter sido publicada anteriormente a ocorrência do Fato Gerador para que possa surtir efeitos no ordenamento jurídico, conforme preceitua o principio da anterioridade, razão pela qual não poderá ser aplicada a IN/SRF n° 510/2005, cuja publicação ocorreu em 15 de fevereiro de 2005, que estipulou prazo para prestação de informação. Anteriormente não havia prazo, não podendo, então, retroagir norma que imponha prazo não vigente à época dos fatos. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 3302004.304 S3C3T2 Fl. 336 3 3A Instrução Normativa n.º 510/2005 não é lei, razão pela qual não pode estabelecer um prazo que vincule o cumprimento de uma obrigação acessória. A Lei n.º 10.833/2003 jamais poderia ter delegado à Secretaria da Receita Federal a capacidade de estabelecer prazo para cumprimento de uma obrigação acessória. Esta lei fere o princípio da legalidade. 4 Referese ao aumento de exportações no ano de 2004, razão pela qual a Receita Federal se manifestou verbalmente no sentido de permitir que as averbações fossem realizadas em prazo indeterminado. 5 Os atrasos ocorreram também pela ineficiência do Sistema da Receita Federal que é falho e sai do ar a todo instante e ainda pela demora do agente de carga em entregar os conhecimentos ocasionando atraso nas averbações. É de responsabilidade do agente de carga fazer constar as informações precisas no documento de conhecimento aéreo. 5 Não cabe a aplicação da multa tendo em vista que a informação quanto embarque foi prestada e o texto da lei é claro que haverá a imposição da multa a quem não prestar a informação. Deve ser considerada a ocorrência da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. 6 Houve violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. 7 Existe previsão legal específica na constatação de mercadoria transportada não manifestada ou não informada à SRF na forma e no prazo estabelecidos legalmente, prevista no art. 107, XI, “a”, do DecretoLei n.º 37/66. 8 Pelas razões expostas, requer a improcedência do lançamento e ainda uma auditoria no Sistema da receita Federal, visto que a planilha juntada não possui qualquer valor probatório. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2004 Ementa: Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fl. 78/127, expondo que: 1 O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; Fl. 337DF CARF MF 4 2 A impossibilidade de aplicação das normas IN 510/2005, utilizada para embasar o auto de infração, e da IN 1.096/2010, uma vez que não vigentes à época dos fatos e prejudiciais à recorrente; 3 Necessário afastamento da penalidade ora aplicada à Recorrente em razão da aplicação do Instituto da denúncia espontânea, cuja legislação sofreu modificação para abranger também as penalidades de natureza administrativa; 4 Impossibilidade de responsabilização da Recorrente pelo descumprimento da obrigação acessória contida no art. 37 da IN nº 28/94 em razão das folhas técnicas do Sistema Siscomex; 5 Inexistência de embaraço à fiscalização, bem como necessária desoneração das exportações e também nítida violação à finalidade do ato administrativo; 6 Violação ao princípio da isonomia, tendo em vista que diversas companhias aéreas autuadas exatamente pela mesma infração já tiveram seus débitos definitivamente exonerados na via administrativa. É o sucinto relatório. Através do Acórdão nº 3801005.241 foi dado provimento ao recurso voluntário, em sede preliminar, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa ora combatida. Cientificada do referido acórdão o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. Nos termos do acórdão nº 9303003.564, de 26/04/2016, fls.295/303, a CSRF ao julgar o recurso especial, assim decidiu conforme excertos da ementa e voto a seguir transcritos: Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 3302004.304 S3C3T2 Fl. 337 5 Recurso Especial Provido em Parte. Excertos do voto: Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado.(grifei). Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea.(grifei). (...) Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as Fl. 339DF CARF MF 6 questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário.(grifei). Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Após ciência do julgamento do recurso especial a empresa ABSA AEROLINHAS BRASILEIRAS S.A. interpôs Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 9303 003.564, de 26 de abril de 2016, fls. 295 a 303, tendo sido rejeitados, em caráter definitivo, nos termos do despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração, de fls.326/330. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da Impossibilidade de responsabilização da Recorrente em razão das falhas técnicas do Sistema Siscomex Quanto às supostas falhas técnicas do Sistema Siscomex, cabe destacar que as normas procedimentais preveem as alternativas quanto ao fornecimento de informações pelo responsável pela carga quando da indisponibilidade do Siscomex, no entanto, conforme será analisado na parte meritória esse não foi o suporte fático da autuação. Violação ao princípio da isonomia Quanto à suposta violação ao princípio da isonomia, tendo em vista que diversas companhias aéreas autuadas, exatamente pela mesma infração, já tiveram seus débitos definitivamente exonerados na via administrativa, cabe ressaltar que o processo uma vez formalizado e integrando o contencioso administrativo, pela impugnação, será apreciado pelas instâncias de julgamento com observância da lei instrumental, Decreto nº 70.235, de 1972 e da lei material aplicável ao caso, portanto, ainda que supostamente formalizados em decorrência de situação idêntica, o resultado do julgamento advém da apreciação soberana dos órgãos de julgamento que detêm a competência para tal, tendo o sujeito passivo direito aos recursos definidos pela legislação de regência. Rejeitase portanto, as preliminares suscitadas. MÉRITO Da multa pela extemporaneidade dos dados de embarque Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 3302004.304 S3C3T2 Fl. 338 7 Para melhor compreensão da situação fática, transcrevese a seguir excertos da Descrição dos Fatos, fls.01/21: (...) prestação de informação dos dados de embarque de mercadoria no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) fora do prazo estabelecido na legislação, relativamente a três embarques realizados no Aeroporto Internacional de Salvador (SalvadorBA) No caso listado foi extrapolado o prazo de 2 (dois) dias para a informação dos dados de embarque, em se tratando de transporte por via aérea, de acordo com o previsto no art.37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27/04/1994, com redação dada pela IN SRF n° 510/2005 (grifei). (...) a Noticia Siscomex n° 105, (...) que o termo "imediatamente" deveria ser interpretado como o lapso temporal de 24( vinte e quatro) horas,(grifei). ....art. 37 da IN SRF n° 28/1994, foi alterado pela IN SRF n° 510, de 2005, passando a vigorar com a seguinte redação, mais benéfica ao contribuinte e aplicável neste caso concreto:(grifei). Observase portanto que o lançamento decorre da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003, pela não informação ou informação fora do prazo sobre a carga transportada, conforme dados do embarque, de fls. 11/20, o qual ocorreu em 26/08/2004. É de relevo destacar que estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, ex vi do 1inciso V do artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade. Esclarecida a situação fática, analisase a base legal aplicada. DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) 1 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 341DF CARF MF 8 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...)(grifei) Constatase que o dispositivo legal em comento remete à Secretaria da Receita Federal a disciplina da forma e prazo para a prestação, das informações nele explicitadas. Dispunha a IN SRF nº 28, de 1994, vigente à época do embarque: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Em cumprimento à determinação acima gizada, a então SRF, com o escopo de normatizar os procedimentos editou os seguintes atos: IN SRF nº 510, de 2005, que definiu o prazo de comunicação em 02(dois) dias, aplicado no caso concreto para a exigência em lide: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.(grifei). IN RFB nº 1.096, de 2010: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. Notese que, objetivamente estabelece o dispositivo legal ([artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003) uma sanção quando da ocorrência do seguinte pressuposto fático: ....deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. À época do embarque, ocorrido em 26/08/2004, vigia a IN SRF nº 28, de 1994, com o seguinte enunciado [Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX]. Ocorre que integra o núcleo infracional acima [deixar de prestar informação...] duas situações, na forma e prazo, cujo rito procedimental ficou à cargo da RFB, no entanto para a espécie dos autos, cuja cominação deveuse pela extrapolação de dois dias à data de embarque, utilizandose a definição de prazo estabelecida na IN SRF nº 510, de 2005, por ser mais benéfica ao contribuinte, visto que comparada às disposições interpretativas da Notícia Siscomex n° 105, de 1994, é inaplicável a multa exigida, visto que a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito indeterminado [Imediatamente após realizado o embarque], ou melhor, um conceito jurídico indeterminado, cuja compreensão é incerta, ambígua, contrapondose assim a um conceito jurídico determinado como soí acontecer por exemplo com as medidas de grandezas, prazos, etc, tampouco a Notícia Siscomex n° 105, de 1994, se insere na categoria dos atos Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 3302004.304 S3C3T2 Fl. 339 9 administrativos normativos, disciplinados nos incisos I dos artigos 100 e 103 do CTN, visto que carece de um requisito fundamental que é a publicidade. Nesse mister, importa realçar que é princípio assente no seio constitucional o da não retroatividade da lei penal, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). O cânone interpretativo fundamental é o de que as leis devem ser interpretadas de acordo com as normas superiores da Constituição. Nesse sentido é importante ressaltar que em sede infraconstitucional, consagra o Código Tributário Nacional CTN no 2art. 106 a possibilidade de aplicação retroativa da legislação tributária a fatos pendentes nas hipóteses nele elencadas que são: a) lei expressamente interpretativa e; b) tratandose de ato não definitivamente julgado: lei tributária penal que estabeleça penalidade mais branda; que deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; ou deixe de considerar determinado fato como infração. Assim deduzse da situação fática, que à época do embarque, a norma procedimental não dispunha do prazo a ser observado para a prestação das informações, requisito esse que só foi estabelecido pela IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, norma não vigente à época do embarque, portanto inaplicável ao caso, visto que a condição imposta pela lei, para a cominado da multa [deixar de prestar informação... no prazo estabelecido ], inexistia à época do embarque, tampouco há que se falar em aplicação de norma mais benéfica, uma vez que ao caso sub examine são inaplicáveis as disposições do artigo 106 do CTN. Ante os fundamentos acima, podese concluir que somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos. Ex positis, estando o auto de infração formalizado com o lançamento da multa, com base IN SRF nº 510, de 14/022005, DOU de 15/02/2005, norma não vigente à época do embarque, tornase incabível ao caso em apreço. Cabe ainda destacar que a interpretação acima encontra precedente neste E. Conselho, conforme dispõe o acórdão 3102002.040, de 25/09/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/01/2004 a 26/01/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA A responsabilidade em relação as infrações é do representante do transportador estrangeiro, nos termos da legislação pátria. 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 343DF CARF MF 10 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza. Necessidade de restar demonstrado o prejuízo a defesa. Acusação fiscal compreendida. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO.IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. AUSÊNCIA DE NORMA ESTABELECENDO PRAZO PARA COMUNICAÇÃO DO EMBARQUE ANTES DE 15/02/2005. Até a edição da IN SRF nº 510/2005 não havia prazo estabelecendo data para comunicação de embarque. Expressão “imediatamente” é indeterminada.(grifei). Excluir a penalidade imposta decorrente dos embarques realizados antes de 15/02/2005. Recurso Voluntário Provido. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS E NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720670/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
SALÁRIO INDIRETO - AJUDA ALIMENTAÇÃO - IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura e vales-refeição, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN.
AUXÍLIO-TRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO STF.
O valor do auxílio-transporte pago habitualmente em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros.
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO DE 11%. EMPRESA PRESTADORA OPTANTE PELO SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS PELO STJ.
A retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mão-de-obra é incompatível com o sistema de recolhimentos simplificado de impostos e contribuições federais - SIMPLES (RESP 1.112.467/DF).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a: a) aviso-prévio indenizado; b) auxílio-transporte, ainda que em pecúnia; e c) retenção de 11% sobre prestadores de serviços optantes pelo SIMPLES/SIMPLES NACIONAL; II) por voto de qualidade, a) dar parcial provimento para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a auxílio-alimentação pago in natura, compreendendo os vales-refeição e congêneres, vencidos os conselheiros Fábio Piovesan Bozza,Alexandre Evaristo Pinto e Maria Anselma Coscrato dos Santos que davam provimento em maior extensão; e b) negar provimento ao recurso na questão do agravamento da multa por reincidência, vencidos os conselheiros Fábio Piovesan Bozza,Alexandre Evaristo Pinto e Maria Anselma Coscrato dos Santos; e III) por maioria de votos, dar parcial provimento para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a bolsa de estudo a médicos residentes, bolsa FUNDAP e bolsa-trabalho paga a pesquisadores e auxílio-moradia, vencidos o conselheiro relator e a conselheira Andrea Brose Adolfo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fábio Piovesan Bozza.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes Relator
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO HABITUALMENTE E EM DINHEIRO. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA DO STF. O valor do auxíliotransporte pago habitualmente em pecúnia aos segurados empregados tem natureza indenizatória; portanto, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a terceiros. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE 11%. EMPRESA PRESTADORA OPTANTE PELO SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS PELO STJ. A retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra é incompatível com o sistema de recolhimentos simplificado de impostos e contribuições federais SIMPLES (RESP 1.112.467/DF). Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 06 70 /2 01 4- 31 Fl. 8045DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, dar parcial provimento para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a: a) avisoprévio indenizado; b) auxíliotransporte, ainda que em pecúnia; e c) retenção de 11% sobre prestadores de serviços optantes pelo SIMPLES/SIMPLES NACIONAL; II) por voto de qualidade, a) dar parcial provimento para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a auxílioalimentação pago in natura, compreendendo os valesrefeição e congêneres, vencidos os conselheiros Fábio Piovesan Bozza,Alexandre Evaristo Pinto e Maria Anselma Coscrato dos Santos que davam provimento em maior extensão; e b) negar provimento ao recurso na questão do agravamento da multa por reincidência, vencidos os conselheiros Fábio Piovesan Bozza,Alexandre Evaristo Pinto e Maria Anselma Coscrato dos Santos; e III) por maioria de votos, dar parcial provimento para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a bolsa de estudo a médicos residentes, bolsa FUNDAP e bolsatrabalho paga a pesquisadores e auxíliomoradia, vencidos o conselheiro relator e a conselheira Andrea Brose Adolfo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fábio Piovesan Bozza. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes – Relator (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 8046DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.046 3 Relatório Tratamse de recursos de ofício e voluntário interpostos contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 06/03/2014 sobre pagamentos de remunerações indiretas, bolsas a residentes médicos, pesquisadores e sobre retenção sobre cessão de mão de obra. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. ALIMENTAÇÃO. RUBRICA SUB ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA/VALE ALIMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos em pecúnia/vale alimentação a título de alimentação, considerandose parcela integrante do saláriodecontribuição. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A partir da vigência do Decreto nº 6.727/2009 (DOU 13/01/2009), o aviso prévio indenizado passou a fazer parte do saláriodecontribuição, incidindo contribuição previdenciária sobre tal valor. VALETRANSPORTE EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela empresa a título de valetransporte, em desacordo com a lei, constituem fatos geradores da contribuição previdenciária. MÉDICO RESIDENTE. VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE BOLSA DE ESTUDO E AUXILIOMORADIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O médico residente recebe remuneração por serviço autônomo prestado a hospital sendo devida a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores recebidos. BOLSA TRABALHO. VALORES PAGOS PELA EMPRESA A PESSOAS FÍSICAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela empresa a título de bolsa trabalho, a pessoas físicas que lhe prestaram serviços sem vínculo empregatício, caracterizamse como remuneração paga a segurados contribuintes individuais, havendo a incidência da contribuição previdenciária. Fl. 8047DF CARF MF 4 AI Debcad nº 51.052.4311 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RETENÇÃO INCIDENTE SOBRE VALORES DE MÃODEOBRA CONTIDOS EM NOTAS FISCAIS/FATURA. RETIFICAÇÃO DO CRÉDITO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE 11% DO VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A cessão de mãodeobra é a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mãodeobra, a importância retida. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, fornecidos pela contratada, discriminados no contrato e na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, desde que comprovados. Não havendo discriminação na nota fiscal, não há redução da base de cálculo. Os serviços de manutenção de instalações, de máquinas ou de equipamentos não estarão sujeitos à retenção quando não mantida equipe à disposição da contratante. As empresas optantes pelo Simples Nacional que prestarem serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada não estão sujeitas à retenção de 11%, referida no art. 31 da Lei nº 8.212/1991, sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitidos, exceto a ME ou a EPP tributada na forma do Anexo IV da Lei Complementar nº 123/2006, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009. Na cessão de mãodeobra a prestação de serviço dáse necessariamente nas instalações da tomadora ou na de terceiros, nunca nas da contratada, sob pena de restar descaracterizada a cessão de mãodeobra. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção quando a contratada não possuir empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o seu faturamento do mês anterior for igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do salário de contribuição, cumulativamente. A relação dos serviços sujeitos à retenção é exaustiva. ERRO DE FATO Constatado equívoco no lançamento, cabe a sua retificação. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A autoridade fiscal, por dever funcional, deve formalizar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício Fl. 8048DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.047 5 de suas atribuições, identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária. Não cabe à autoridade julgadora em sede de contencioso administrativo manifestarse acerca do cabimento, ou não, de Representação Fiscal para Fins Penais. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Debcad nº 51.046.5030 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias configura infração à legislação previdenciária, ensejando a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Debcad nº 51.052.4320 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. PREPARAÇÃO EM DESACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS DISPOSTOS EM REGULAMENTO. REINCIDÊNCIA. AGRAVAMENTO DA MULTA. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, no prazo de cinco anos contados da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. Constatada a reincidência cabe o agravamento da multa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Do Lançamento O crédito abrange os Autos de Infração Debcads nºs 51.046.504 8, 51.052.429¬0, 51.052.4303, 51.052.4311, relativos à obrigação principal e os Autos de Infração Debcads nºs 51.052.4320 e 51.046.5030 relativos à obrigação acessória. 1) O Auto de Infração Debcad nº 51.046.5048 abrange o lançamento nas competências 01/2009 a 12/2009 da contribuição previdenciária da empresa e da contribuição para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, incidentes sobre a remuneração de empregados e da contribuição previdenciária da empresa sobre a remuneração de Fl. 8049DF CARF MF 6 segurados contribuintes individuais. O montante do crédito, consolidado em 21/02/2014, corresponde a R$ 3.337.345,72 (três milhões, trezentos e trinta e sete mil, trezentos e quarenta e cinco reais e setenta e dois centavos), fls. 04. 2) O Auto de Infração Debcad nº 51.052.4290 abrange a contribuição dos segurados empregados e dos contribuintes individuais, no período de 01/2009 a 12/2009. O montante do crédito, consolidado em 21/02/2014 corresponde a R$ 1.422.202,97 (um milhão, quatrocentos e vinte e dois mil, duzentos e dois reais e noventa e sete centavos), fls. 18. 3) O Auto de Infração Debcad nº 51.052.4303 abrange os valores de retenção sobre notas fiscais/faturas de serviços prestados no período de 01/2009 a 12/2009 mediante cessão de mãodeobra ou empreitada nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/1991 com as alterações da MP nº 1.66315/1998, convertida na Lei nº 9.711/1998. Tais valores foram apurados com base na nota fiscal de prestação de serviço ou documento equivalente, contrato de prestação de serviços e arquivos digitais contábeis e, consoante informa o item 19.4 do Relatório Fiscal, foram retidos e não foram recolhidos pelo sujeito passivo, caracterizando apropriação indébita. O montante do crédito, consolidado em 21/02/2014, corresponde a R$ 132.281,02 (cento e trinta e dois mil, duzentos e oitenta e um reais e dois centavos), fls. 29. 4) O Auto de Infração Debcad nº 51.052.4311 abrange os valores que deveriam ter sido retidos sobre notas fiscais/faturas de serviços prestados no período de 01/2009 a 12/2009 mediante cessão de mãodeobra ou empreitada nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/1991 com as alterações da MP nº 1.66315/1998, convertida na Lei nº 9.711/1998. O montante do crédito, consolidado em 21/02/2014, corresponde a R$ 1.875.690,76 (um milhão, oitocentos e setenta e cinco mil, seiscentos e noventa reais e setenta e seis centavos), fls. 40. 5) O Auto de Infração Debcad nº 51.052.4320, às fls. 84, foi lavrado em razão do sujeito passivo ter descumprido obrigação acessória prevista na legislação previdenciária pelo fato de não ter preparado as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. O item 18 do Relatório Fiscal consigna que a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, exceção feita aos médicos residentes, não constou discriminada nas folhas de pagamento no período de 01/2009 a 12/2009. Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 30. A multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/1991, combinado com os artigos 283, I, “a” e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, corresponde a R$ 1.812,87 (um mil, oitocentos e doze reais e oitenta e sete centavos). Fl. 8050DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.048 7 A autoridade lançadora identificou a existência de circunstância agravante– uma reincidência genérica, que elevou a multa em duas vezes, totalizando R$ 3.265,74 (três mil, duzentos e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos). 6) O Auto de Infração Debcad nº 51.046.5030, às fls. 02, foi lavrado em razão do sujeito passivo ter descumprido obrigação acessória prevista na legislação previdenciária ao apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP da competência 03/2009 com omissão de informação de 53 (cinqüenta e três) segurados contribuintes individuais, identificados no item 17.1 do Relatório Fiscal (fls. 304). Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 78. A multa aplicada de R$ 500,00 (quinhentos reais), fls. 02, está capitulada no artigo 32A, caput, inciso I e parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212/1991, incluídos pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação. Serão aqui transcritas apenas os trechos objeto de recurso: Explica que a Universidade Estadual de Campinas UNICAMP é uma Autarquia de regime especial do Governo do Estado de São Paulo, criada pela Lei Estadual nº 7.655, de 28 de dezembro de 1962, constituindose em ente da Administração Pública Estadual. Conforme disposto no artigo 2° de sua lei de criação, tem por finalidade ministrar o ensino universitário e pós graduado, promover a pesquisa pura e aplicada e formar e treinar técnicos de nível médio e superior. Também no ato de constituição há previsão de que a Universidade Estadual de Campinas gozará de autonomia didática, administrativa, financeira e disciplinar, o que foi elevado à norma constitucional em 1988 através do artigo 207 da Constituição Federal. Relata que a UNICAMP exerce atividade inerente à finalidade do Estado, prestando serviço público, haja vista a previsão da própria Constituição Federal no inciso V do artigo 208 de que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um. É um ente da Administração Pública Estadual, possuindo todos os deveres e as prerrogativas que são característicos às pessoas jurídicas de direito público. Diferenciase, ainda, das demais autarquias, pela autonomia que a caracteriza como uma "autarquia em regime especial", tal como consta do texto da Lei de sua criação. Desse modo, os benefícios instituídos e pagos aos servidores públicos, lato sensu, Fl. 8051DF CARF MF 8 devem refletir essa situação, sempre observando a supremacia do interesse público sobre o particular. Aduz que a Universidade Estadual de Campinas institui as suas próprias normas internas, programas e benefícios, com fundamento na autonomia que lhe confere a sua lei de criação e a própria Constituição Federal, como passa a demonstrar. 2. DO AUXILIO ALIMENTAÇÃO A Universidade Estadual de Campinas, autarquia pública em regime especial, no pleno exercício da autonomia universitária que lhe foi conferida não só pela sua lei de criação como também pela Constituição Federal, no artigo 207, instituiu o Programa de Auxílio Alimentação em 2004, que foi alterado pela Deliberação CONSUA36/2008, nos seguintes termos: "O Reitor da Universidade Estadual de Campinas, na qualidade de Presidente do Conselho Universitário, tendo em vista o decidido em sua 108a Sessão Ordinária, realizada em de 05.08.2008, baixa a seguinte Deliberação: Artigo Io O Programa de Auxílio Alimentação instituído pela Deliberação CONSUA030/2004 de 14 de dezembro de 2004, passa a vigorar pelo disposto nesta deliberação. Artigo 2° O auxílio será concedido de acordo com a seguinte distribuição e valores: ... Explica que os valores pagos a título de auxilio alimentação o são por força da referida norma, instituída com fundamento na autonomia que a Constituição Federal lhe conferiu e não por previsão em contrato de trabalho ou decorrência de costume. Relata que a Universidade concedeu prioridade ao atendimento de seus empregados de baixa renda (aqueles com referência menor receberam auxílio alimentação em valores mais altos) e que além de oferecer refeições diárias a seus servidores, concede auxilio alimentação na forma de vale alimentação, que pode ser utilizado para a compra de gêneros alimentícios em toda a rede de estabelecimentos credenciados. Destaca que a Consolidação das Leis do Trabalho, em seu artigo 458, considera salário não só o pagamento efetuado em dinheiro, mas também a alimentação e outras prestações “in natura” que o empregador fornecer habitualmente ao empregado por força do contrato ou de um costume, o que não seria o caso, não havendo como se considerar salário a alimentação concedida aos seus empregados, na forma de auxílio alimentação, instituído por programa próprio desta Universidade. A Lei n° 6.321/1976, ao dispor sobre a dedução, do lucro tributável para fins de imposto de renda das pessoas jurídicas, do dobro das despesas realizadas em programas de alimentação do trabalhador, prevê expressamente no artigo 3º que não se inclui como salário de contribuição a parcela paga “in natura” pela empresa nos programas de alimentação aprovados pelo Fl. 8052DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.049 9 Ministério do Trabalho. Nesse sentido, consolidouse o entendimento no Tribunal Superior do Trabalho, por meio da Subseção de Direitos Individuais I, na Orientação Jurisprudencial nº 133: "a ajuda alimentação fornecida por empresa participante do programa de alimentação ao trabalhador, instituído pela Lei n° 6.321/1976, não tem caráter salarial. Portanto, não integra o salário para nenhum efeito legal". Entende que a exigência formal de ser inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador não pode representar óbice à concessão de um benefício ao próprio empregado, devendo levarse em conta o objetivo precípuo da norma inscrita no artigo 28, §9° da Lei n° 8.212/1991, a saber, oferecer um incentivo fiscal aos empregadores que concedam alimentação aos seus empregados. Assevera que a forma de atendimento do programa auxílio alimentação desta Universidade está também de acordo com o que prevê o PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador do Ministério do Trabalho, considerando que o empregador pode atender a seus empregados através de (i) serviço próprio, responsabilizandose pela aquisição dos alimentos e por seu preparo; (ii) fornecimento de alimentação coletiva, contratando uma empresa e terceirizando o serviço ou (iii) prestação de serviço de alimentação coletiva, contratando uma empresa para operacionalizar o sistema de documentos de legitimação, tais como tíquetes, vales, cartões eletrônicos, etc. Por todos esses motivos, entende que estando a norma interna da Universidade que instituiu o programa próprio do auxílio alimentação em conformidade com o PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, observando, inclusive, seus pressupostos de implementação, os valores pagos a tal título não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Entende que o desembolso realizado pela Impugnante com o pagamento do auxílio alimentação aos seus empregados há que ser considerado uma despesa operacional, e que os valores não podem ser considerados complemento salarial ou comporem o salário de contribuição. Conclui que os valores “in natura” pagos aos empregados da Impugnante não podem sofrer a incidência de contribuição previdenciária, ainda que esta Universidade não estivesse, no ano de 2009, cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador. Colaciona ementário de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que não é necessária a inscrição do empregador no PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador para a não incidência da contribuição previdenciária. Informa que, de boafé, providenciou o seu cadastro no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador do Ministério do Fl. 8053DF CARF MF 10 Trabalho e Emprego no ano corrente, evitandose, assim, apontamentos futuros. 3. DO SUBSÍDIO ALIMENTAÇÃO Alega que o d. Relatório Fiscal apontou irregularidade também no pagamento em pecúnia de "subsídio alimentação" a alguns trabalhadores desta Universidade. O Superior Tribunal de Justiça tem consolidado em sua jurisprudência o entendimento de que o valor concedido pelo empregador a título de valealimentação não se sujeita à contribuição previdenciária mesmo nas hipóteses em que o benefício é pago em dinheiro (REsp 1185685/SP, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10/05/2011). Explica que a Universidade Estadual de Campinas, além de conceder o auxílio alimentação a seus empregados na forma “in natura”, o que é feito tanto através dos valesalimentação (auxílio alimentação, tratado no capítulo precedente), quanto mediante o preparo e o fornecimento das refeições aos seus empregados nas dependências do campus universitário (nos restaurantes universitário, administrativo e do Hospital de Clínicas), também auxilia certos empregados, que não realizam suas refeições em nenhum desses restaurantes por estarem impossibilitados de fazêlo, com o pagamento de subsídio alimentação. Exemplifica através dos servidores administrativos que exercem as suas atividades no escritório da Universidade na capital do Estado (localizado na Rua Simão Alvares, n° 356, 4º andar, em São Paulo) ou dos profissionais da área da saúde que laboram diariamente no Hospital Municipal Mario Gatti, com o qual a Impugnante mantém convênio, e que se localiza do outro lado da cidade. Esses empregados não conseguem, como fazem todos os outros empregados que trabalham no campus universitário, se alimentar nos restaurantes em que a Universidade oferece refeições diárias. Alega que o pagamento de tais valores a certos servidores nada mais é do que a extensão da alimentação “in natura” a aqueles que não podiam, de fato, se alimentar nos restaurantes nas dependências do campus universitário e necessitavam, por esse motivo, da ajuda desta Universidade para subsidiar suas refeições. Aduz que essa exposição afasta o caráter salarial conferido à verba por esta auditoria, de modo que não se justifica a incidência de contribuição previdenciária sobre tais valores. Consolidouse no Superior Tribunal de Justiça o posicionamento do Min. Luiz Fux, atualmente ministro do STF, no sentido de que "o valor concedido pelo empregador a título de valealimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que referido benefício é pago em dinheiro". Traz os ensinamentos do Professor Carraza para esclarecer que a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (“in natura”). Fl. 8054DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.050 11 Seja na hipótese anterior em que a alimentação é fornecida “in natura” para os empregados na forma autorizada pelo Programa de Alimentação do Trabalhador (em que pese neste não haver cadastro), seja na hipótese do presente capítulo, em que a alimentação é fornecida em pecúnia aos empregados que não fazem suas refeições nos restaurantes desta Universidade (por trabalharem noutro local ou por se ativarem em jornada na qual não são servidas refeições nos restaurantes universitários), alega que não há como serem considerados complemento salarial o auxílio alimentação e subsídio alimentação fornecido pela Impugnante a seus servidores. Conclui que devem ser afastadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores mencionados, considerando que a ausência de inscrição (concernente ao auxílio alimentação) ou previsão (relativamente ao subsídio alimentação) no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, não desvirtua a natureza jurídica desses benefícios. 4. DO SUBSÍDIO TRANSPORTE Alega que a Receita Federal entendeu que a verba paga a título de subsídio transporte aos empregados desta Universidade, por se encontrar em desacordo com a Lei nº 7.418/1985, compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária. A legislação do vale transporte estabelece, no artigo 4º, que "a concessão do beneficio implica a aquisição pelo empregador dos vales transporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residênciatrabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar". A Universidade Estadual de Campinas, todavia, ao invés de adquirir e fornecer "vales transporte" a seus servidores coloca à disposição destes um serviço de transporte em regime de fretamento contínuo, o qual consiste em um sistema de transporte fretado contratado pela UNICAMP que objetiva atender o deslocamento de seus servidores da residência ao trabalho e viceversa. Para usufruir desse serviço, franqueado a todos os servidores da Universidade, o interessado deve previamente se cadastrar, o que só ocorre nas linhas atendidas e em que houver lugares disponíveis. Havendo disponibilidade, os estagiários remunerados e não remunerados, os empregados da FUNCAMP, da ADUNICAMP e do STU Sindicato dos Trabalhadores da UNICAMP, nessa ordem, também podem utilizar o transporte. O pagamento do subsídio transporte surge no contexto em que servidores desta Universidade, que não conseguiriam utilizar o serviço de transporte fretado em virtude de que este não atende a todo o percurso da residência ao trabalho, justamente por residirem muito distante do ponto de embarque, passam a contar com auxílio prestado pela Impugnante no valor equivalente ao Fl. 8055DF CARF MF 12 custo da passagem do transporte urbano multiplicado pelo número de viagens realizadas em um mês. Explica que o subsídio transporte nada mais é do que uma extensão do serviço de transporte fretado fornecido pela Universidade a seus servidores, estando adequada a alternativa encontrada pela Impugnante de prestar a aqueles empregados, até então impossibilitados de utilizar o serviço de fretamento. Alega que não há irregularidade no procedimento adotado, pois ainda que não esteja totalmente de acordo com a legislação do vale transporte sob o ponto de vista da d. Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, o STF já decidiu a respeito, consolidando o entendimento de que, mesmo quando pago em pecúnia, não incidem contribuições previdenciárias sobre o vale transporte. Alega que esse benefício, que é de interesse social e não constitui salário para todos os efeitos, não podendo, pois, sofrer incidência tributária, ainda nas situações em que for pago em dinheiro ao trabalhador, destacando que tanto a Lei Estadual nº 6.248/1988 quanto a Lei Federal n° 7.418/1985 expressamente declaram que o auxílio transporte não tem natureza salarial. Independentemente da forma de pagamento do vale transporte, esse benefício detém natureza indenizatória. Nessa senda decidiu o STF, enfatizando que a questão constitucional envolvida ultrapassa os interesses subjetivos da causa e salientando que o artigo 2º da Lei 7.418/1985, instituidora do vale transporte, estabelece inequivocamente que esse benefício não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para todos os efeitos; não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de FGTS e não se configura como rendimento tributável do trabalhador. A discussão no julgamento realizado pelo STF e reproduzido pelo STJ consistiu em perquirir se a substituição da entrega do benefício em valestransporte pela sua concessão em dinheiro teria o condão de lhe atribuir caráter salarial e concluiuse, com precisão, que, independentemente de o benefício ser pago em vale transporte ou em moeda, isso em nada afeta o caráter não salarial do auxílio transporte. Entendeuse que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de valestransporte afronta a Constituição Federal em sua totalidade normativa. Por essas razões, não concorda com o d. Relatório Fiscal no tocante à incidência de contribuição previdenciária sobre o fornecimento do subsídio transporte aos trabalhadores desta Universidade que, por residirem em local não atendido pelo serviço de transporte fretado oferecido a seus servidores ou muito distante dos pontos do sistema de fretamento, são indenizados pela Impugnante para que consigam fazer uso desse serviço, assim como os seus pares. Consolidado, portanto, o entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que não incide contribuição social sobre o vale transporte pago em pecúnia, não há como os valores pagos Fl. 8056DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.051 13 a título de subsídio transporte aos empregados desta Universidade serem considerados salário e comporem a base de cálculo da contribuição previdenciária. 5. DO AVISO PRÉVIO INDENIZADO O Relatório Fiscal identificou pagamentos a título de aviso prévio indenizado nas competências de janeiro, abril, novembro e dezembro de 2009 que não foram declarados em GFIP e não sofreram o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias. Entende que os pagamentos efetuados a título de aviso prévio indenizado não possuem natureza salarial, tendo em vista que não existe contraprestação devida ao serviço prestado, mas sim o recebimento de verba indenizatória em razão da rescisão do contrato de trabalho. Esse entendimento é o que sempre prevaleceu na vigência da alínea "f', inciso V do §9° do artigo 214 do Decreto nº 3.048/1999 e persiste atualmente, não obstante tenha havido a revogação daquele dispositivo pelo artigo 1º do Decreto nº 6.727/2009, a qual não tem o condão de autorizar a cobrança de contribuições previdenciárias sobre tais valores. Assevera que é pacífico o entendimento do Tribunal Regional Federal da 3ª Região no sentido de que a revogação da alínea "f', inciso V, § 9°, artigo 214 do Decreto n° 3.048/1999 pelo artigo 1° do Decreto n° 6.727/2009 não autoriza a cobrança de contribuições previdenciárias sobre o valor do aviso prévio indenizado, pois, diante da ausência de previsão legal e constitucional para tanto, não cabe ao Executivo, por meio de mero decreto, "forçar" a integração de pagamentos a título de aviso prévio indenizado à base de cálculo da exação. O entendimento do Superior Tribunal de Justiça vem ao encontro do quanto exposto e corrobora o procedimento adotado pela Impugnante no sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado em virtude de seu caráter indenizatório. Com base nos mesmos fundamentos, o Egrégio TRT da 3ª Região e o STJ têm entendido que não incide contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado porque o seu pagamento não tem natureza salarial, já que não é feito a título de contraprestação de serviços, mas a título de indenização pela rescisão do contrato de trabalho sem o cumprimento do prazo previsto em lei. Conclui que o aviso prévio não compõe parcela do salário do empregado e não tem caráter salarial, possuindo, ao contrário, natureza de compensação, pois é pago com a finalidade de ressarcir o patrimônio do empregado dispensado sem justa causa, de modo que não se justifica, por qualquer ângulo que se analise a hipótese presente, a incidência da contribuição previdenciária. Fl. 8057DF CARF MF 14 6. DO AUXÍLIO MORADIA No que diz respeito ao pagamento de bolsa de estudo aos médicos residentes da Universidade, a fiscalização teria verificado que são efetuados pagamentos de valores a título de (i) Bolsa Fundap rubrica 77, (ii) Complemento da Bolsa Fundap rubrica 199 e (iii) Auxílio Moradia rubrica 686. Explica que a Bolsa Fundap é paga aos médicos residentes pela Secretaria de Saúde do Estado, através da própria Fundação de Desenvolvimento Administrativo de São Paulo e o recolhimento da devida contribuição previdenciária deve ser efetuado por tal instituição, nada podendo ser atribuído à Impugnante. Sobre a complementação à Bolsa Fundap recebida pelos médicos residentes, paga sob a rubrica 199, reconhece ser devida a contribuição previdenciária, o que teria realizado do período de abril a dezembro de 2009. Relata que efetuou o recolhimento da contribuição previdenciária a contar da competência 04/2009, de modo que, nas competências 01, 02 e 03/2009, deixou a Universidade de recolhêla e estaria, neste momento, efetuando o pagamento dos valores devidos a tal título, acrescida dos juros legais e da multa reduzida a 50% na forma do artigo 6º da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pelo artigo 28 da Lei nº 11.941/2009. Ressalva, desde já, que na impossibilidade de fazêlo, isto é, sendo cerceado o direito desta Universidade de efetuar o pagamento pretendido junto ao Atendimento ao Contribuinte, requer seja determinada por esta Delegacia Regional da Receita Federal do Brasil a expedição da competente guia. Quanto aos valores pagos aos médicos residentes da Universidade a título de auxílio moradia, alega que não são devidas contribuições previdenciárias, tendo em vista a natureza indenizatória dessa verba, que é paga a alunos médicos residentes e não empregados dos programas de Residência Médica da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP. Os médicos residentes recebem bolsas pagas pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, administradas pela Fundap, que são complementadas pela Impugnante. Muitos dos médicos residentes não são cidadãos campineiros. Para amparar esses jovens, que, recémchegados a Campinas, não tinham onde se hospedar, a Universidade Estadual de Campinas alugou alguns apartamentos para que seus alunos (e não empregados, frisese) pudessem morar enquanto permanecessem estudando e atuando nos programas de Residência Médica da Faculdade de Ciências Médicas. Essa providência, todavia, tornouse insuficiente para atender a todos os alunos médicos residentes que dela necessitavam e o Magnífico Reitor da Universidade à época, atendendo ao pleito do Diretor da Faculdade de Ciências Médicas, deferiu o pagamento do que se passou a chamar "auxílio moradia" como uma forma de indenização para aqueles alunos que não se beneficiavam da moradia “in natura” pela Universidade e, Fl. 8058DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.052 15 ainda assim, necessitavam desse subsídio para que pudessem continuar seus estudos e exercer as suas atividades na Faculdade de Ciências Médicas. Nesse contexto, o auxíliomoradia disponibilizado aos alunos médicos residentes nasceu de uma condição específica, isto é, tratase de verba destinada especificamente a compensar a aqueles alunos pelo alto custo da moradia na cidade de Campinas, sobretudo no Distrito de Barão Geraldo, onde deveriam residir para se dedicarem à sua Residência Médica na Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP. Diante dessa natureza indenizatória é que não se admite a incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento efetuado a título de auxílio moradia pela Universidade, visando a indenizar seus alunos que, não se beneficiando do aluguel, têm a necessidade de se manter em uma cidade na qual o custo de vida é elevado para o desenvolvimento de suas atividades no programa de Residência Médica da UNICAMP. O auxílio moradia, pago aos alunos desta Universidade como uma forma de contribuir, compensar seus gastos com aluguel, não pode ser tratado como salárioutilidade, porque não se está tratando de empregados, mas sim de alunos residentes médicos. Ainda que se considerassem empregados os residentes médicos, o que somente se admite por amor à argumentação devese levar em consideração que o não recolhimento da contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos alunos a título de auxílio moradia está fundamentado também na alínea "m" do §9° do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, segundo a qual "não integram o saláriodecontribuição os valores correspondentes a transporte, alimentação e HABITAÇÃO fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, POR FORÇA DA ATIVIDADE, EXIJA DESLOCAMENTO E ESTADA " (destacamos). Sujeitandose a uma jornada de residência médica integral e à realização de plantões, de modo que não podem residir em outro local, o que igualmente justifica o pagamento do auxílio moradia efetuado como forma de compensação. Cita ainda a seu favor o disposto na Medida Provisória nº 1.858 9/1999, reeditada sucessivamente até a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, em seu artigo 25: "o valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxílio moradia, não integrante da remuneração do beneficiário em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, considerase da mesma natureza deste direito, não se sujeitando à incidência do imposto de renda, na fonte ou na declaração de ajuste ". Os valores pagos por pessoa jurídica de direito público como a UNICAMP, entidade autárquica do Estado de São Paulo, a título de auxílio moradia não constituem acréscimo patrimonial, Fl. 8059DF CARF MF 16 possuindo natureza indenizatória. Nesse sentido se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n° 615625. A Ministra Relatora Denise Arruda, seguida pelos demais Ministros da Primeira Turma do STJ, ilustrou que a Exposição de Motivos 746, que acompanha a proposta de alteração da MP 1.8588/1999, a qual, após sucessivas reedições, foi substituída pela MP 2.15835/2001, esclarece expressamente o tratamento diferenciado conferido ao auxílio moradia prestado por um ente de direito público e um ente particular. Nessa última hipótese, os valores pagos a título de auxílio moradia têm natureza remuneratória, o que não ocorre quando o pagamento é efetuado por pessoa jurídica de direito público, por expressa previsão no ordenamento jurídico. Daí a impossibilidade de o auxílio moradia pago aos médicos residentes ser considerado para a base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pela Impugnante, haja vista, de um lado, a condição de alunos e, de outro lado, o caráter incontroverso indenizatório de tal benefício. Argumenta que a Consolidação das Leis do Trabalho permite em seu artigo 458 o pagamento do salário em utilidades. Para a Orientação Jurisprudencial nº 131 da Seção de Direitos Individuais do Tribunal Superior do Trabalho, "as vantagens previstas no art. 458 da CLT, quando demonstrada a sua indispensabilidade para o trabalho, não integram o salário do empregado ", o que foi consagrado pela própria legislação previdenciária (na Lei nº 8.212/1991, artigo 28, § 9°, alínea "m"). Por todas as perspectivas de exame da matéria, não subsiste razão para a incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a título de auxílio moradia aos alunos médicos residentes desta Universidade, reconhecido seu caráter indenizatório e não salarial. 7. DA "BOLSA TRABALHO" O d. Relatório Fiscal apontou o pagamento de valores a alunos pesquisadores na Nota de Liquidação de Despesa nas competências de 03 a 07 e 12/2009 e considerou tal pagamento como "remuneração a contribuintes individuais", devendo compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de que os valores foram declarados na Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte. Explica que a Universidade, por um equívoco, declarou na DIRF, sob o código 0588 rendimento de trabalho sem vínculo empregatício, os valores do auxílio financeiro prestado aos estudantes "bolsistas", valores estes que não eram passíveis de retenção. Esclarece que a retenção do IR realizada pela Impugnante foi indevida e está sendo retificada a DIRF por esta Universidade, conforme faz prova documento anexo, para que a devolução dos valores retidos indevidamente possa ser solicitada à Fazenda Estadual e a restituição aos alunos bolsistas possa ser providenciada. Fl. 8060DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.053 17 Ressalta que o auxílio financeiro aos estudantes (ou bolsa trabalho, se assim se preferir chamar) é pago sem compromisso de carga horária ou outra característica de contraprestação, não possuindo nenhum viés salarial. Consiste em uma assistência concedida a alunos desta Universidade que se dedicam ao desenvolvimento de estudos e pesquisas de natureza científica. Cuidase de um benefício pago eventualmente, isto é, sem habitualidade, o que se verifica no d. Relatório Fiscal ao apontar o seu pagamento apenas nas competências 03/2009 a 07/2009 e 12/2009. Tratandose de "ganho eventual", assim conceituado pela legislação previdenciária não incide a contribuição ao INSS, tendo em vista o disposto no artigo 28, §9°, alínea " e " da Lei nº 8.212/1991: "não integram o saláriodecontribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculadas do salário ". Arrematando a questão, o §2° do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991, ao dispor sobre a contribuição patronal, elucida que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9° do artigo 28 da mesma lei. Conclui que não podem ser considerados como remuneração os valores pagos aos alunos pesquisadores, não devendo, por conseqüente, comporem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 8. DAS RETENÇÕES Lei n° 9.711/1998 Afirma que o Relatório Fiscal apontou irregularidades relacionadas à retenção fiscal determinada pela Lei nº 9.711/1998, não realizada pela Impugnante, na qualidade de tomadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, ou presumidamente realizada e não repassada à Previdência Social, em todas aquelas notas fiscais arroladas nos Anexos VII e VIII. O Auto de Infração DEBCAD nº 51.052.4311 referese às contribuições presumidas retidas pela Universidade (anexo VII) e o Auto de Infração DEBCAD nº 51.052.4303 referese às supostamente retidas e não recolhidas (anexo VIII), que em tese configurariam a prática do crime de apropriação indébita previdenciária. 8.1 Notas fiscais em duplicidade e notas fiscais não encontradas Relaciona às fls. 7430 notas fiscais que teriam sido lançadas em duplicidade e às fls. 7431 elenca notas fiscais que não teria encontrado, apesar de terem sido procuradas em todos os arquivos contendo documentos atinentes aos contratos, segundo afirma. 8.2. Da inocorrência de apropriação indébita previdenciária Esclarece que o procedimento adotado pela Universidade, de maneira alguma, corresponde à conduta típica descrita no artigo Fl. 8061DF CARF MF 18 168A do Código Penal, pois não houve a retenção (pelas justificativas adiante expostas) dos valores que, entendem a fiscalização, deveriam ter sido retidos e recolhidos à Previdência Social. E, se não houve a retenção, pois considerada indevida pela Impugnante, afastase a possibilidade de enquadrála como incursa nas sanções do tipo penal supracitado, diante da ausência de um de seus elementos objetivos, qual seja, a retenção. Afirma que das diversas situações retratadas na planilha anexa, na qual foi analisada, em cada uma das notas, a irregularidade apontada pela d. Auditora da Receita Federal do Brasil e foi apresentada uma justificativa para a não retenção, é necessário deixar claro que, em nenhum caso, houve a retenção de valores pela Impugnante e o seu não recolhimento à Previdência Social. Dito de outra forma, ainda nos casos em que o valor da contribuição previdenciária foi destacado na nota fiscal apresentada para pagamento pela contratada, a Impugnante pagou integralmente à contratada o valor naquela constante, inclusive o valor que, segundo entende o d. Relatório Fiscal, era devido à Previdência Social, jamais retendo valores e deixando de recolhêlos ao INSS, deles se apropriando indevidamente. A não apropriação indevida de valores pertencentes à Previdência Social pode ser verificada da confrontação entre a nota fiscal paga à contratada e a nota de liquidação de despesa, documento que comprova que os valores constantes da nota fiscal ou fatura foram sempre pagos na íntegra à contratada, mesmo naqueles casos em que o valor do INSS está em destaque na nota fiscal, não havendo que se falar, assim, na configuração do crime previsto no artigo 168A do Código Penal. Estaria a demonstrar, através da planilha anexa, a qual integra a presente impugnação e esclarece, caso a caso, o porquê da não retenção da contribuição previdenciária, seja sobre o valor total da nota fiscal/fatura, seja sobre parte dele, ou seja, os fundamentos de fato e de direito que embasaram a não retenção dos valores devidos à Previdência Social em cada uma das hipóteses apontadas pelo Relatório Fiscal. Afirma que não ocorreu em nenhum caso a apropriação de quaisquer valores pela Impugnante (que, se não recolheu à Previdência Social, foi exatamente porque não fez a retenção dos valores nos casos que entendia indevida). Frisa que a planilha anexa apresenta a justificativa para a não retenção e, ao lado, a indicação dos documentos (igualmente em anexo) que têm o condão de comprovar o embasamento da não retenção em cada um dos casos analisados. 8.3. Dos valores de materiais não integrantes da base de cálculo Explica que nos contratos administrativos celebrados pela Impugnante para execução de obras, o objeto da contratação consiste não só na mãodeobra como também em todo o material necessário à execução dos serviços contratados. Fl. 8062DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.054 19 Conquanto a Lei nº 8.212/1991, em seu artigo 31, estabeleça que a base de cálculo para a retenção consiste no valor bruto da nota fiscal ou fatura, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005, no artigo 149, § 3°, trouxe uma exceção àquela regra, prevendo que os valores dos materiais ou equipamentos discriminados no contrato, nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços não integram a base de cálculo da retenção. Em novembro de 2009, houve a revogação daquele instrumento pela Instrução Normativa RFB nº 971/2009 que, no artigo 121, caput, manteve a mesma redação e, no §3°, acrescentou que se consideram discriminados no contrato os valores consignados relativos a material ou equipamentos, ou previstos em planilha à parte, desde que esta integre o contrato mediante cláusula expressa. Ressalta que em 89 dos casos analisados existia expressa previsão na cláusula terceira do contrato de que o objeto consistia em material e mãodeobra, sendo a retenção realizada sobre o valor da mãodeobra verificada na medição. Em um único caso, na ausência de instrumento contratual, a retenção, igualmente realizada sobre o valor da mãodeobra, foi destacada na nota fiscal e proposta. A Impugnante, prevendo expressamente em cláusula contratual que o objeto do contrato era composto pela mãodeobra e pelos materiais ou constando a medição da nota fiscal e proposta, atendeu às determinações constantes das Instruções Normativas para que a retenção ocorresse sobre a mãodeobra e não sobre o valor total da nota fiscal ou fatura, deixando fundamentadamente de incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores dos materiais empregados na execução da obra. Explica que o pagamento da contratada é feito sobre a parte da obra efetivamente executada, o que só é possível se verificar através de sua medição, condição para o próprio pagamento inclusive, conforme fazem prova os contratos, as medições, as notas fiscais e as notas de liquidação de despesa em anexo. E, sendo o cálculo da retenção efetuado no momento em que será realizado o pagamento da contratada, depois da medição da obra, obviamente não se incluem os valores relativos aos materiais empregados para executála. Deve ser afastada a pretensão do d. Relatório Fiscal de fazer incidir as contribuições previdenciárias sobre o valor total da nota fiscal ou fatura, porque a hipótese presente se enquadra perfeitamente à exceção prevista nas Instruções Normativas, que foi reconhecida pela própria d. Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, tendo em vista os valores de materiais fornecidos pela empresa contratada não integrarem a base de cálculo da contribuição previdenciária. 8.4. Das empresas contratadas enquadradas no Simples Nacional Fl. 8063DF CARF MF 20 Alega que não existe qualquer irregularidade no pagamento efetuado sem a retenção dos valores devidos ao INSS pela Impugnante àquelas empresas que não se sujeitam à retenção legal devido ao seu enquadramento no Simples Nacional. Nos contratos administrativos celebrados pela Impugnante com microempresa ou empresa de pequeno porte enquadradas no Simples Nacional, não é devida retenção, nos termos dos artigos 274C da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005 e 191 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: "as ME e EPP optantes pelo Simples Nacional que prestarem serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada NAO estão sujeitas à retenção referida no art. 31 da Lei nº 8.212 de 1991 sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitidos". Portanto, entende como correto o procedimento que adotou, ao deixar de efetuar a retenção e pagar o valor integral à empresa contratada, justamente por ser esta microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional, o que foi devidamente verificado por esta Universidade seja pela declaração entregue pela própria contratada (15 casos), seja através de consulta realizada no site da Receita Federal, que esclarece, inclusive, se a empresa, à época, era optante pelo Simples Nacional e se enquadrava na norma que autoriza a não retenção (44 casos). 8.5 Das equipes das contratadas não mantidas à disposição da contratante Nos contratos administrativos celebrados pela Impugnante tendo por objeto a manutenção de máquinas e equipamentos, não houve a retenção em virtude de que, nesses casos, não se configura a cessão de mãodeobra tendo em vista que a equipe da empresa contratada não se manteve à disposição da contratante. De fato, conceituam os artigos 143 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005 e 115 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 que se entende por cessão de mãodeobra a colocação à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e forma de contratação, inclusive através de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019/1974. E o § 3° desses artigos expressamente estabelecem que se entende por colocação à disposição da contratante a cessão do trabalhador em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Desse modo, não há como se considerar cessão de mãodeobra os serviços que eventualmente foram prestados pela empresa contratada à contratante, tendo em vista que não se encontrava a equipe daquela à disposição desta, sendo correto o pagamento efetuado integralmente pela Impugnante às empresas contratadas para a manutenção de máquinas e equipamentos sem a retenção apontada pelo d. Relatório Fiscal. Fl. 8064DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.055 21 Acrescentese, que para estes contratos em que a equipe da contratada não estava à disposição da contratante, o que afasta a caracterização da cessão de mãodeobra, existem quatro situações: a) em 12 casos analisados, a Universidade reteve e recolheu os valores destacados na nota à Previdência Social, não obstante entenda não serem devidos; b) em 129 casos, não foi feita a retenção e os valores devidos ao INSS sequer estavam destacados na nota fiscal; c) em 24 casos, a Universidade deixou de reter a contribuição previdenciária porque, na nota fiscal apresentada, a empresa apontou que não era devida a retenção e d) em 6 casos, os dados da nota fiscal referente ao mês de competência não conferem com aqueles apresentados no Relatório Fiscal, todavia, sendo possível verificar se tratar da presente hipótese, se esclarece que, pelos motivos expostos, não era devida a retenção. Em todos os casos os valores constantes da nota fiscal/fatura foram pagos integralmente à contratada, inclusive os valores devidos ao INSS, pois, não se configurando a cessão de mãode obra, não havia a obrigatoriedade de retenção. Conclui que inexiste a incorreção apontada quanto a não retenção pela Universidade dos valores devidos à Previdência Social pela contratada, que não cedeu mãodeobra à contratante. 8.6. Dos serviços realizados pelos proprietários das empresas Nas notas fiscais/faturas relativas a serviços prestados pelo próprio proprietário da empresa contratada, não houve a retenção justamente porque esta é dispensada, nos termos dos artigos 148 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 e 120 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, que cuida das hipóteses de dispensa da retenção. O inciso II desses artigos dispõe expressamente que a contratante fica dispensada de efetuar a retenção e a contratada de registrar o destaque da retenção na nota fiscal, fatura ou recibo quando a contratada não tiver empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o faturamento do mês anterior for de até duas vezes o limite máximo do salário de contribuição. E o parágrafo 1º exige a apresentação pela contratada à contratante de declaração, assinada por seu representante legal, de que não possui empregados e de que o seu faturamento nos mês anterior atendeu ao limite previsto no inciso II, sob as penas da lei. Conforme informado na planilha anexa, existem quatro casos em que a retenção foi corretamente dispensada em virtude de ter sido o serviço prestado pelo proprietário da empresa que declarou não possuir empregados. Fl. 8065DF CARF MF 22 Da documentação anexa constatase que a declaração exigida por lei foi devidamente entregue pelas empresas contratadas, inexistindo, assim, irregularidade nos pagamentos efetuados pela Impugnante sem a retenção da contribuição previdenciária ante a expressa previsão legal da dispensa. 8.7. Dos serviços executados na sede da empresa contratada Nos contratos administrativos em que a prestação de serviços é desenvolvida na sede da empresa contratada, não se dá a cessão de mãodeobra e não há, por conseqüência, obrigação de a contratante reter os valores devidos por aquela à Previdência Social. Isso porque o artigo 143, § 3° da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005, com idêntica redação o artigo 115, §1° da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, logo após conceituar cessão de mãodeobra como sendo a colocação à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem certos serviços, esclarece de maneira clara que "dependências de terceiros" são aquelas indicadas pela contratante que não sejam as suas próprias e não pertençam à empresa prestadora dos serviços. Alega que em se tratando de serviços prestados na sede da empresa contratada, que não se confunde com "dependências de terceiros", não se verifica a cessão de mãodeobra e, por conseqüente, em 17 casos analisados, enquadrados à hipótese presente, correto o procedimento da Impugnante ao deixar de reter valores quando do pagamento da empresa contratada. 8.8. Da natureza dos serviços não enquadrada no rol sujeito à retenção Nos contratos administrativos celebrados pela Impugnante em que a natureza do serviço contratado não se enquadra no rol de serviços sujeitos à retenção previsto nos artigos 145 e 146 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 e 117 e 118 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não havia justificativa para que tivesse a Impugnante retidos os valores apurados pela fiscalização no momento em que efetuou o pagamento à empresa contratada. Alega que sendo exaustiva a relação dos serviços sujeitos à retenção, conforme previsão dos artigos 147 e 119 das Instruções Normativas MPS/SRP nº 3/2005 e RFB nº 971/2009, respectivamente, e não se encontrando os serviços contratados apontados em 38 casos no rol dos artigos supracitados, corretamente não ocorreu a retenção da contribuição previdenciária pela contratante, sendo o pagamento efetuado integralmente à contratada, a quem compete efetuar os devidos recolhimentos previdenciários. 8.9. Da dispensa de retenção em função do valor dos serviços Relata que nos pagamentos efetuados pela Impugnante em que o valor correspondente a 11% dos serviços contidos em cada nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços era inferior ao limite mínimo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal Fl. 8066DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.056 23 do Brasil para recolhimento em documento de arrecadação, dá se a dispensa de retenção autorizada pelo artigo 148,1 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005. Explica que em dois casos analisados, estava dispensada de reter a contribuição previdenciária (e a empresa contratada de registrar o destaque da retenção da nota fiscal, fatura ou recibo) em razão de que o valor equivalente a 11% da mãodeobra (já que os valores dos materiais e equipamentos não entram no cálculo da contribuição previdenciária) era inferior ao limite mínimo previsto para o recolhimento em documento arrecadatório. Assim, necessária se faz a interpretação concomitante dos artigos 148, I e 149, §3° da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005 para se concluir que, em ambos os casos analisados, está correto o procedimento adotado pela Impugnante, ao deixar de efetuar a retenção dos valores devidos ao INSS porque diante de causa expressa de dispensa. 8.10. Dos serviços de transporte em regime de fretamento Não foi objeto de recurso ... 9. DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Auto de Infração Debcad nº 51.046.5030 CFL 78 – R$ 500,00. Não foi objeto de recurso Auto de Infração Debcad nº 51.052.4320CFL 30 Não foi objeto de recurso Não obstante, a Impugnante não reconhece a circunstância agravante prevista no artigo 290, V do Regulamento da Previdência Social que supostamente teria autorizado a elevar a acima mencionada multa em duas vezes. Alega que não tem conhecimento de que se trata o Auto de Infração ao qual o d. Relatório Fiscal fez referência ao mencionar ser a Impugnante "reincidente genérica", em relação ao qual apenas foi anexada tela do sistema corporativo, que não identifica o caso e em nada esclarece sobre qual ação fiscal está se referindo, impossibilitando, inclusive, a defesa da Impugnante no que diz respeito ao agravamento da multa que lhe foi imposta. Ademais, mesmo sem saber de que se trata a infração, constata se que o respectivo auto foi lavrado em 14/07/2009 e o pagamento se deu em 26/08/2009, o que afasta qualquer entendimento de que as infrações ora autuadas possam ser agravadas por aquela infração. Fl. 8067DF CARF MF 24 Alega que se em 26/08/2009 ocorreu o pagamento do AI lavrado em 14/07/2009, dentro do prazo de 5 anos a contar daquela data é que, praticando o contribuinte uma nova infração, poderá ser considerado reincidente, específica ou genericamente. No d. Relatório Fiscal são apuradas contribuições relativas ao período abrangido na mesma competência, a saber, 2009. Assim, não há como infração concomitante ou anteriormente praticada seja considerada reincidência se, para tanto, se faz necessária a ocorrência de "nova infração". Afirma que essa é a conclusão a qual se chega a partir do disposto no parágrafo único do artigo 290 do Decreto nº 3.048/1999, ao caracterizar a reincidência como "a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data da data do pagamento da autuação anterior". Do pedido final Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal nos pontos impugnados, requer a Universidade Estadual de Campinas seja acolhida a presente impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. Impugnação em duplicidade A impugnação foi repetida às fls. 7610/7664. Recolhimentos O sujeito passivo requereu a juntada aos autos de comprovantes de pagamento das guias de recolhimento discriminadas em planilha anexa, em relação aos valores por ele reconhecidos como devidos. Tais pagamentos teriam sido efetuados com base na atual redação do art. 6º, inciso I, da Lei nº 8.218/1991, com redução de multa em 50% (fls. 7665/7666). Para os demais valores lançados, permanece a impugnação. É o Relatório. Fl. 8068DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.057 25 Voto Vencido Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 8069DF CARF MF 26 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito AuxílioAlimentação Segundo o relatório fiscal são fatos geradores os benefícios de alimentação fornecida aos segurados empregados in natura ou valerefeição pelo fato de que a recorrente não se inscreveu no programa de alimentação do trabalhador – PAT. Sobre esse matéria, através do Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U. de 22/12/2011, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: Fl. 8070DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.058 27 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". O fornecimento de refeições, ou seja, alimentação in natura não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado inscrição no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Assim, inclinome à jurisprudência do STJ acolhida pela PGFN para afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílioalimentação que não tenha sido oferecido em dinheiro, mas através das modalidades previstas pela legislação, como alimentação in natura e valesrefeição ou congêneres. Assim, ainda que prevista em lei, auxílioalimentação em pecúnia, como é o caso o subsídioalimentação, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A regra de incidência é da competência do sujeito ativo, no caso a União. A previsão legal para o pagamento em pecúnia não se incompatibiliza com a incidência sobre as parcelas, eis que não se trata de infração, mas de fato gerador da obrigação tributária. Auxíliotransporte Tratase de matéria com trânsito em julgado no Supremo Tribunal Federal em 24/02/2012, que declarou a inconstitucionalidade da cobrança ainda quando o benefício é pago em pecúnia. Segue ementa do acórdão: RE 478.410 RECURSO EXTRAORDINÁRIO EMENTA: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. Fl. 8071DF CARF MF 28 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. Assim, em cumprimento ao artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, inclino à tese da Suprema Corte para que sejam excluídos do lançamento os valores correspondentes ao benefício em exame: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) ... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Auxíliomoradia, bolsa de estudo a médicos residentes, bolsa FUNDAP e bolsatrabalho paga a pesquisadores Tratase de matéria sobre a qual ainda não houve pronunciamento definitivo de nossos tribunais superiores. Conforme artigo 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, fica vedado a este CARF afastar o artigo 28 da Lei nº 8.212/91 sob fundamento de inconstitucionalidade: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 8072DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.059 29 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa (...) Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ressaltase também o artigo 458 da CLT tem regra literal quanto a natureza salarial do fornecimento de moradia ao empregado: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Tratandose de contribuinte individual, no caso o médicoresidente ou pesquisador sem vínculo empregatício, o valor relativo ao benefício integra a remuneração pelo serviço. Também é o entendimento que deve ser aplicado aos pagamentos bolsa de estudo a médicos residentes, bolsa FUNDAP e bolsatrabalho paga a pesquisadores a esses profissionais sem vínculo empregatício com o recorrente. Nesse sentido, pela incidência da bolsa de estudos paga a médicosresidentes, transcrevo a solução de consulta COSIT nº 217, de 18/08/2015: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS EMENTA: Contribuição Patronal. Base de cálculo. Residência médica. A bolsa de estudos paga ou creditada ao médicoresidente, participante do programa de que trata a Lei nº 6.932, de 1981, integra a base de cálculo da Contribuição Social Previdenciária da empresa. Fl. 8073DF CARF MF 30 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº8.212, de 1991, art. 12, inciso V, alíneas “g” e “h”, e art. 22, inciso III; Decreto nº3.048, de 1999, art. 9º, inciso V, alíneas “j” e “l”, § 15, inciso X, e art. 201, incisos II e III, § 2º; Instrução Normativa RFB nº971, de 2009, arts. 6º, inciso XXV; 9º, inciso XVIII, e 57, incisos I e II, e § 2º. Com efeito, outro não poderia ser o entendimento, a própria que disciplina as atividades do médico residente cuidou de incluílos na condição de contribuintes individuais da previdência social, o que afasta eventual isenção de outros tributos sobre as bolsas de estudos ou outras ajudas financeiras em pecúnia ou in natura que lhes sejam oferecidas e se caracterizem como salário de contribuição: LEI No 6.932, DE 7 DE JULHO DE 1981. Dispõe sobre as atividades do médico residente e dá outras providências ... Art. 4o Ao médicoresidente é assegurado bolsa no valor de R$ 2.384,82 (dois mil, trezentos e oitenta e quatro reais e oitenta e dois centavos), em regime especial de treinamento em serviço de 60 (sessenta) horas semanais. (Redação dada pela Lei nº 12.514, de 2011) § 1o O médicoresidente é filiado ao Regime Geral de Previdência Social RGPS como contribuinte individual. (Redação dada pela Lei nº 12.514, de 2011) Ressaltase que a constituição federal veda o emprego da analogia para a concessão de isenção tributária, impondo a edição de lei específica e o código tributário nacional, a adoção de interpretação literal do dispositivo legal que outorga isenção: Artigo 150 (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. Código tributário nacional Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Do contrário, teríamos mais um caso de renúncia fiscal, em que benefícios da previdência social seriam concedidos relativamente a determinado período aquisitivo para o Fl. 8074DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.060 31 qual não houvera contribuição, o que também violaria o princípio contributivo do sistema de previdência social, artigo 201 da constituição federal: Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: ... Quanto à alegação de que a bolsa FUNDAP teria sido paga pela Secretaria de Estado de Educação de São Paulo, trouxe às fls. 7.980 recibos de pagamento para o beneficiário Gabriel Moulin Gouvea, fls. 7.983, que não consta da lista anexa ao relatório fiscal às fls. 361, também trouxe declaração da própria recorrente e legislação do Estado de São Paulo com a informação sobre a instituição de pagamento do benefício. Assim, não apresentou contraprova que modificasse nesse parte o lançamento fiscal. Retenção sobre a cessão de mão de obra Quanto às notas fiscais emitidas em 12/2009, nos valores de R$ 7.495,68, R$ 5.164,48 e R$ 7.782,40, não é falta de juntada nos autos que modificaria o lançamento que se apoiou na escrituração contábil do recorrente. Inclusive, essas notas fiscais foram emitidas pelos mesmos prestadores de serviços cujas cópias dos documentos constam dos autos. Foram extraídas de lançamentos contábeis, com toda uma presunção de veracidade em favor do fisco. Caso, de fato, não se tratasse de serviços sujeitos a retenção, caberia ao recorrente fazer prova do contrário. Quanto à alegação de ausência de retenção a afastar a representação fiscal para fins penais RFFP, esse órgão carece de competência para o exame acerca da prática, em tese, do crime, conforme Súmula CARF nº 28. O fato de o recorrente, na condição de contratante, ter efetuado o pagamento integral da nota fiscal de serviço não modifica o lançamento tributário, terá repercussão sob a análise da RFFP: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Quanto à previsão contratual de fornecimento de material e equipamento, com efeito, ambas as instruções normativas, artigo 149 da IN MPS/SRP nº 03/2005 e art. 121 da IN RFB nº 971/2009, exigem que nota fiscal de serviço discrimine material ou equipamento para que a retenção somente incida sobre os serviços propriamente ditos, mesmo quando o contrato discrimina o valor do material e do equipamento. É a nota fiscal que comprova a que se refere o pagamento. A ausência de valores correspondentes ao material eventualmente empregado significa, como prova juris tantum, que não foi repassado o custo ao contratante. Em relação às notas fiscais mantidas no lançamento, o recorrente não apresenta outro documento que não o contrato e medições de obra, mas não outro documento relativo ao desembolso financeiro, nem mesmo um lançamento contábil onde pudesse ter escriturado separadamente valores relativos a material e equipamento. Quanto a ausência de características para a subsunção ao conceito de cessão de mão de obra, como bem reconheceu o recorrente às fls. 7.906, a decisão recorrida foi Fl. 8075DF CARF MF 32 diligente em excluir do lançamento todos os serviços comprovadamente prestados sem continuidade ou no próprio estabelecimento do cedente da mão de obra. Em relação ao contrato 40748307, o recorrente alega ter trazido aos autos o documento; no entanto, verifico que a numeração é diferente e também que o objeto, fls. 8.009, ao contrário do que se afirma, indica a manutenção de equipamentos instalados no hospital das clínicas da UNICAMP. Mesma constatação em relação ao contrato com a Toshiba Medical do Brasil Ltda, com o seguinte objeto: O objeto da presente é a contratação de prestação de serviços de manutenção preventiva e corretiva, bem como a assessoria técnica para o equipamento de Raio X, instalado no GASTROCENTRO, conforme especificações detalhadas no Anexo I Quanto às prestadoras de serviços enquadradas no SIMPLES, a decisão recorrida já excluiu todas as demais empresas que não tenham como objeto social construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores e serviço de vigilância, limpeza ou conservação, conforme preceitua o artigo 191 da IN RFB nº 971/2009. Contudo, a jurisprudência do STJ se consolidou na extensão para todas as empresas optantes pelo SIMPLES/SIMPLES NACIONAL – Sistema de Pagamento Simplificado de Impostos e Contribuições Federais. A matéria foi apreciada pelo plenário do STJ sob rito dos recursos repetitivos, artigo 543C do CPC, tendo assim decidido: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (ERESP 511.001/MG). 1. A Lei 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Por este regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa optante dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União (art. 3º, § 4º). 2. O sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, que constitui "nova sistemática de recolhimento" daquela mesma contribuição destinada à Seguridade Social. A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo art. 31 da Lei 8.212/91 e no percentual de 11%, implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. 3. Aplicase, na espécie, o princípio da especialidade, visto que há incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que elegeu as empresas tomadoras de serviço como Fl. 8076DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.061 33 responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas (Lei 9.317/96). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08 (recurso especial nº 1.112.467/DF). Assim, por aplicação do artigo 62A da Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 devem ser excluídos do lançamento os valores relativos a prestadores de serviços comprovadamente optantes pelo SIMPLES/SIMPLES NACIONAL: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto ao serviço mantido no lançamento apesar da alegação na impugnação de que teria sido prestado diretamente pelos sócios, não foi matéria do recurso. Também sustenta a recorrente que o serviço mantido no lançamento relativo a empresa Jodmac Campinas Mont. E Inst. Ltda não estaria previsto na lei como sujeito a retenção; no entanto, tratase de serviços de construção civil que sempre sujeitamse à retenção (art. 145, III da IN MPS/SRP nº 03/2005). Até porque não existe a hipótese de não ser prestado sem os elementos da cessão de mão de obra. Quanto a inclusão na base de cálculo do material empregado na obra, também vale os fundamentos acima. Sempre quando não há discriminação do material ou equipamento na nota fiscal de serviço a retenção incide sobre o valor bruto. Também alega o recorrente ser caso de aplicação do artigo 148, I da IN SRP nº 03/2005; contudo, vêse que sustenta sua afirmação na hipótese de que a incidência não seja sobre o valor bruto da nota fiscal. Como já aqui examinado, as notas fiscais não discriminaram o custo com material ou equipamento e o valor bruto supera o limite previsto no ato normativo: Art. 148. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção e a contratada de registrar o destaque da retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo, quando: I o valor correspondente a onze por cento dos serviços contidos em cada nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços for inferior ao limite mínimo estabelecido pela SRP para recolhimento em documento de arrecadação; Avisoprévio indenizado De fato, a jurisprudência do STJ em recurso repetitivo é no sentido da não incidência sobre o avisoprévio indenizado. O entendimento no Resp nº 1.230.957 tornouse definitivo com a publicação da decisão do STF pelo não conhecimento da matéria por ausência de repercussão geral; trânsito em julgado em 06/10/2014: Fl. 8077DF CARF MF 34 RECURSO ESPECIAL Nº 1.230.957 RS (2011/00096836) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE : HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA/ ADVOGADO : LUCAS BRAGA EICHENBERG E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS INTERES. : ASSOCIACAO NACIONAL DE BANCOS ASBACE ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR E OUTRO(S) INTERES. : ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MANTENEDORAS DE ENSINO SUPERIOR ABMES ADVOGADO : FÁBIO DA COSTA VILAR EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. ... REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 745.901 PARANÁ RELATOR :MIN. TEORI ZAVASCKI ADV.(A/S) :JORGE WADIH TAHECH EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NATUREZA JURÍDICA DA VERBA. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. 1. A controvérsia relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de aviso prévio indenizado, fundada na interpretação da Lei 8.212/91 e do Decreto 6.727/09, é de natureza infraconstitucional. 2. É cabível a atribuição dos efeitos da declaração de ausência de repercussão geral quando não há matéria constitucional a ser apreciada ou quando eventual ofensa à Carta Magna ocorra de forma indireta ou reflexa (RE 584.608 RG, Min. ELLEN GRACIE, DJe de 13/03/2009). 3. Ausência de repercussão geral da questão suscitada, nos termos do art. 543A do CPC. Decisão: O Tribunal, por maioria, reconheceu a inexistência de repercussão geral da questão, por não se tratar de matéria constitucional. Não se manifestou o Ministro Gilmar Mendes. Fl. 8078DF CARF MF Processo nº 10830.720670/201431 Acórdão n.º 2301004.883 S2C3T1 Fl. 8.062 35 Assim, em cumprimento ao artigo 62A da Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 assiste razão ao recorrente: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Agravamento por reincidência Comparandose o pagamento do Auto de Infração Debcad nº 37.210.3472, 26/08/2009, com a data de ciência do Auto de Infração sob exame, 06/03/2014, contatase que não havia decorridos cinco anos, caracterizandose, assim, a reincidência: Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: I tentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; ou V incorrido em reincidência. Correta a aplicação de agravante da multa. Por tudo, voto pelo provimento parcial para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a: a) auxílioalimentação pago in natura, compreendendo os valesrefeição e congêneres; b) avisoprévio indenizado; c) auxíliotransporte, ainda que em pecúnia; e d) retenção de 11% sobre prestadores de serviços optantes pelo SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 8079DF CARF MF 36 Voto Vencedor Conselheiro Fábio Piovesan Bozza Com as vênias ao conselheiro relator, no presente voto analiso tão somente a questão atinente à exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores relativos a bolsa de estudo a médicos residentes, bolsa FUNDAP e bolsatrabalho paga a pesquisadores e auxíliomoradia. Em comum, tais verbas carecem da característica principal exigida pelo art. 195, inc. I, alínea “a” da Constituição Federal de 1988 para se submeterem à incidência das contribuições previdenciárias: serem consideradas rendimentos do trabalho. Ora, a Recorrente é entidade pública de ensino que auxilia financeiramente estudantes – e não empregados – a estudar, sem compromisso de carga horária e sem executar atividades contraprestacionais em benefício da “empregadora”. Tal característica afasta a natureza jurídica de tais verbas como retribuição laboral, aproximandoas a uma doação com o encargo de estudar. Por essas razões, considero que a exigência fiscal não se sustenta, devendo ser cancelada nessa parte. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Redator designado Fl. 8080DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907620/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.397
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.907620/201245 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.397 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria PERDCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente PARATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 76 20 /2 01 2- 45 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10925.907620/201245 Acórdão n.º 3302004.397 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07034.036. O fundamento adotado, em síntese, foi: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.379, de 28 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.907614/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.379): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10925.907620/201245 Acórdão n.º 3302004.397 S3C3T2 Fl. 4 3 "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10925.907620/201245 Acórdão n.º 3302004.397 S3C3T2 Fl. 5 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/ RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10925.907620/201245 Acórdão n.º 3302004.397 S3C3T2 Fl. 6 5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785 2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.907620/201245 Acórdão n.º 3302004.397 S3C3T2 Fl. 7 6 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.907620/201245 Acórdão n.º 3302004.397 S3C3T2 Fl. 8 7 técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.907620/201245 Acórdão n.º 3302004.397 S3C3T2 Fl. 9 8 de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.907620/201245 Acórdão n.º 3302004.397 S3C3T2 Fl. 10 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.907620/201245 Acórdão n.º 3302004.397 S3C3T2 Fl. 11 10 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 66DF CARF MF
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