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Numero do processo: 10711.725374/2011-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/12/2008
SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE LEGAL.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no sistema Siscomex Carga configura a infração aduaneira sancionada com multa regulamentar fixada em preceito legal estatuído em nosso ordenamento jurídico.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração.
A multa por atraso na prestação de informação no Siscomex Carga, sobre dados da desconsolidação, não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA DESCONSOLIDADOR. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA PENALIDADE APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga desconsolidador, ainda que por representação de outro agente, na qualidade de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação no sistema Siscomex Carga, sobre a desconsolidação da carga transportada, tem legitimidade para figurar no polo passivo da exação fiscal e, por conseguinte, para responder pela penalidade aplicada por atraso na prestação da respectiva informação, pelo fato de ter sido justamente este quem lhe deu causa.
Numero da decisão: 3001-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por ilegitimidade da sujeição passiva e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2008 SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE LEGAL. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no sistema Siscomex Carga configura a infração aduaneira sancionada com multa regulamentar fixada em preceito legal estatuído em nosso ordenamento jurídico. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação à administração aduaneira relativa a carga importada, transportada por via marítima, desconsolidada no porto de destino, uma vez que tal fato configura a própria infração. A multa por atraso na prestação de informação no Siscomex Carga, sobre dados da desconsolidação, não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA DESCONSOLIDADOR. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA PENALIDADE APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga desconsolidador, ainda que por representação de outro agente, na qualidade de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação no sistema Siscomex Carga, sobre a desconsolidação da carga transportada, tem legitimidade para figurar no polo passivo da exação fiscal e, por conseguinte, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 53 74 /2 01 1- 30 Fl. 81DF CARF MF 2 para responder pela penalidade aplicada por atraso na prestação da respectiva informação, pelo fato de ter sido justamente este quem lhe deu causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por ilegitimidade da sujeição passiva e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1144.164 da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC que, em sessão de julgamento realizada no dia 05.12.2013, julgou improcedente a impugnação para manter integralmente o crédito tributário lançado. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 45 a 50), que segue transcrito: Relatório Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a interessada, deixou de prestar informação, no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos pela legislação aduaneira. Com efeito, a autuada procedeu à desconsolidação da carga em 23/12/2008, às 17h40min26s, restando intempestiva a informação, tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de “INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO” de forma imediata. Tal conduta, segundo a autoridade fiscal, configuraria descumprimento de obrigação acessória (prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), sujeitando o infrator à multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18/11/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Devidamente cientificada a contribuinte apresenta impugnação, com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: a) não figura como consignatário do Master BL, e a desconsolidação foi realizada por instrução e procuração do consignatário do Master BL, FRANCARGO TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA, uma vez que, somente tem acesso às Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10711.725374/201130 Acórdão n.º 3001000.254 S3C0T1 Fl. 82 3 informações e documentos para desconsolidação após o envio das informações pertinentes ao processo pela FRANCARGO TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA; b) não tem como ser responsabilizada pelo não cumprimento de formalidades junto ao Sistema MercanteSISCOMEX CARGA e Receita Federal; c) pleiteia que seja revogada a cobrança de multa estipulada conforme art. 22 IN 800/07, uma vez que conforme consta nessa Instrução Normativa, com alteração dada pela IN 899/08, art. 50 "Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir do dia 1º de abril de 2009", não há jurisprudência para cobrança. Por fim, requer cancelamento da cobrança da multa no valor de R$ 5000,00, uma vez que não houve dolo ou descumprimento da legislação em vigor no momento da desconsolidação. É o relatório. Da decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão da 6ª Turma da DRJ/REC, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do colegiado a quo julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, com base nos fundamentos do voto condutor, haja vista que, com espeque na Portaria SRF 1.364 de 10.11.2004, respectivo acórdão estava dispensado de apresentar ementa. Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário para em síntese aduzir, em preliminar, que atuou em nome do importador, mediante mandato, e que portanto é equivocada a responsabilidade que lhe foi atribuída no auto de infração, pela suposta infração, ainda mais que é a importadora a única detentora das informações relativas aos dados de embarque das cargas em questão, devendo esta figurar como sujeito passivo da autuação. No mérito, alega que não deixou de prestar quaisquer informações, que, inclusive, foi próativa, agindo em favor do Fisco, devendolhe, por consequência, ser aplicado o benefício da denúncia espontânea inscrita no artigo 138 do CTN, bem como no artigo 102 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com redação dada pelo Decretolei 2.472 de 01.09.1988. Aduz também que este entendimento está alinhado com a jurisprudência dos tribunais judiciais e administrativos. Requer, por fim, que seja considerada insubsistente e improcedente a presente exigência fiscal. Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Fl. 83DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte em 18.02.2014 (terçafeira) tomou conhecimento da Intimação nº 59/2014 juntada às efls. 52/53 dandolhe conta do teor do acórdão vergastado, é o que depreendese do aviso de recebimento "AR" juntado às efls. 78/79. Irresignado com a decisão nele proferida em 20.03.2014 (quintafeira) junta o recurso voluntário, é o que depreendese do protocolo da Alfândega do Porto de Santos, constante da sua "Folha de Rosto" de efl. 55. Concluise no caso sob exame, após cotejar as datas acima mencionadas, que o recurso voluntário foi interposto no interstício legal de 30 (trinta) dias, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Do litígio A autuada, cientificada da decisão de primeira instância, protocolou recurso voluntário (efls. 55 a 74) em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Avançando em suas alegações recursais, requer também que sejalhe aplicado o benefício do instituto da denúncia espontânea. Portanto, em síntese, o litígio cingese aos seguintes pontos: (i) ilegitimidade passiva do recorrente e (ii) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Do contexto fático e jurídico da autuação De plano, cabe destacar que a aplicação da penalidade em comento foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (grifei) (...) Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10711.725374/201130 Acórdão n.º 3001000.254 S3C0T1 Fl. 83 5 E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800 de 2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" que integra o presente Auto de Infração juntado às efls. 02 a 14, a conduta que motivou a imputação da penalidade em apreço foi a prestação da informação a destempo no sistema Siscomex Carga. Para a absoluta evidenciação dos fatos, transcrevese os seguintes trechos da peça acusatória: Dos Fatos A embarcação GRANDE SAN PAOLO chegou ao Brasil através do porto do Rio de Janeiro/RJ, procedente de ANTUERPIA/BÉLGICA, no dia 08/12/2008, tendo atracado às 07:01:00 h, conforme consta nos Extratos da Escala nº 08000290799, às fls. 16 a 17, e do Manifesto nº 1308502317574, às fls. 18. (...) A agência de navegação OCEANUS AGENCIA MARITIMA SA, (...), após ter informado o manifesto nº 1308502317574 e efetuado sua vinculação às escalas dentro do prazo, informou tempestivamente o Conhecimento Eletrônico (C.E. Mercante) Genérico (Máster) nº 130805224264783, no dia 04/12/2008 às 11:47:31 h, conforme extrato do C.E. Mercante do Siscomex Carga às fls. 21 a 23. (...) Verificase que a empresa FRANCARGO TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA constituiu junto ao Departamento do Fundo da Marinha Mercante DEFMM como uma de suas representantes a empresa PRAXIS 2000 ASSESSORIA EM COMERCIO EXTERIOR LTDA, (...), também cadastrada como agente de carga (desconsolidador), como se constata no extrato do sistema Mercante, às fls. 20. (...) No entanto, no Extrato do C.E. Mercante Agregado (HBL) nº 130805233821720, onde figura como transportador representante deste conhecimento o agente de carga Praxis 2000 Assessoria em Comércio Exterior LTDA, verificase que esta empresa procedeu à desconsolidação da carga incluindo o C.E. Mercante Agregado (HBL) nº 130805233821720 somente no dia 23/12/2008, às 17:40:26 h, restando portanto intempestiva a informação, tendo sido gerado inclusive pela sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata, conforme extrato do C.E. Mercante às fls. 24 a 25. (...) Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no inciso III do artigo 22 e parágrafo único do artigo 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 2007 (Publicada no DOU de 28.12.2007, seção, página 48), que seguem transcritos: Fl. 85DF CARF MF 6 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: (...) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. (...) Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção;e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. No caso em apreço, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, o recorrente estava obrigado a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, de que trata o inciso II do parágrafo único do artigo 50, acima transcrito. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pelo recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 17:40:26 horas do dia 23.12.2008 hora/data da inclusão no Siscomex Carga do C.E. Mercante Agregado (HBL) nº 130805233821720, portanto, após a atracação da embarcação no Porto do Rio de Janeiro/RJ, ocorrida em 08.12.2008, às 07:01:00 horas, conforme Extratos da Escala nº 08000290799. Portanto, é indiscutível que o recorrente praticou a conduta infracionária narrada no Auto de Infração em apreço. Demais disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pelo recorrente subsumese concretamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da infração mencionada inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pelo recorrente. Da ilegitimidade passiva O recorrente alegou que, na condição de agente de carga representante do importador, não pode figurar como sujeito passivo da autuação, pois além de agir mediante mandato, é o importador que detém as informações relativas aos dados de embarque das cargas em questão, não podendo recair sobre si a responsabilidade pelo descumprimento do prazo para prestação das referida informações. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10711.725374/201130 Acórdão n.º 3001000.254 S3C0T1 Fl. 84 7 A alegação do recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do artigo 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 2007 tenha se referido apenas ao transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que prestam serviços de transporte e emitem conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do parágrafo 1º do artigo 2º da referida norma complementar IN RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: (...) V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; (...) § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: (...) IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (...) Demais disso, não se pode descuidar da literalidade da disposição contida no artigo 5º da já referida norma complementar, a seguir transcrito: Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. E para tal circunstância igualmente inexiste controvérsia nestes autos, na medida em que se observa que a empresa FRANCARGO TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA. constituiu junto ao Departamento do Fundo da Marinha Mercante DEFMM como sua representante a empresa PRAXIS 2000 ASSESSORIA EM COMERCIO EXTERIOR LTDA. Não bastasse o já elucidado, há ainda expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. Fl. 87DF CARF MF 8 No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, o recorrente, diferentemente do que alega em sua defesa recursal, atuou como representante do transportador estrangeiro no País. Logo, dada essa condição, era dele a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa FRANCARGO TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ele deve responder pela correspondente penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, o recorrente estava obrigado a prestar, tempestivamente, as informações no sistema Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo sua obrigação, foi o autuado quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, devendo por conseguinte responder pela infração em apreço. Por fim, não é demais ressaltar que, os termos do caput do artigo 94 do Decretolei 37 de 1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Com arrimo nessas ponderações, entendo que resta demonstrado que o recorrente deve ser mantido polo passivo da autuação, haja vista existir previsão legal expressa nesse sentido. Da denúncia espontânea da infração. O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que não deixou de prestar quaisquer informações e que agiu em favor do Fisco quando da prestação das respectivas informações, portanto, em conformidade com o previsto no parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pela Lei 12.350 de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10711.725374/201130 Acórdão n.º 3001000.254 S3C0T1 Fl. 85 9 É sem razão a alegação do recorrente, pois no caso em tela a denúncia da infração não restou configurada, haja vista que as informações foram prestadas após a atracação do veículo transportador, de procedência estrangeira, o que, segundo preceitua o parágrafo 3º do artigo 683 do Decreto 6.759 de 2009 (RA/2009), que tem o mesmo teor do parágrafo 3º do artigo 612 do Decreto 4.543 de 2002 (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, in verbis: Art. 612. (...) § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria o recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão 3102002.187 de 26.03.2014, cujos excertos relevantes, com a devida licença, tomo a liberdade de adotar como fundamento de decidir. Vejamos sua transcrição: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor Fl. 89DF CARF MF 10 competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10711.725374/201130 Acórdão n.º 3001000.254 S3C0T1 Fl. 86 11 transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. [...]. (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Fl. 91DF CARF MF 12 A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10711.725374/201130 Acórdão n.º 3001000.254 S3C0T1 Fl. 87 13 [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Pelas circunstâncias fáticas e jurídicas expostas nos presentes autos, ratifico do que foi decidido no voto condutor do acórdão recorrido. Da conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.901125/2008-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999
NULIDADE DA DECISÃO A QUO. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA.
Tendo a decisão recorrida adequada fundamentação quanto às questões decididas, não restando configurado o alegado cerceamento do direito de defesa, nem restando comprovada incompetência das autoridades administrativas que participaram do julgamento, rejeita-se a preliminar suscitada.
SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO REVOGADA. STF.
A isenção da Cofins, atinentes às sociedades civis de prestação de serviços profissionais regulamentados, foi revogada por norma legal, que posteriormente foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal -STF-, cuja decisão possui eficácia ex tunc, alcançando, por conseguinte, todas as relações jurídicas albergadas desde a edição da referida norma revogadora.
Numero da decisão: 3001-000.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. Tendo a decisão recorrida adequada fundamentação quanto às questões decididas, não restando configurado o alegado cerceamento do direito de defesa, nem restando comprovada incompetência das autoridades administrativas que participaram do julgamento, rejeitase a preliminar suscitada. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO REVOGADA. STF. A isenção da Cofins, atinentes às sociedades civis de prestação de serviços profissionais regulamentados, foi revogada por norma legal, que posteriormente foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF, cuja decisão possui eficácia ex tunc, alcançando, por conseguinte, todas as relações jurídicas albergadas desde a edição da referida norma revogadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 11 25 /2 00 8- 12 Fl. 95DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1131.487, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC que, em sessão de julgamento realizada no dia 14.10.2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório postulado. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 48 a 54), que segue transcrito: Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP transmitida pela contribuinte em 15/03/2004 (nº 30663.47056.150304.1.3.049062), por intermédio da qual compensa débito de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep (código de receita 81092, relativo ao período de apuração fevereiro de 2004, com vencimento em 15/03/2004), no valor de RS 407,97, com alegado crédito relativo à Cofins (código de receita 2172) derivado de “pagamento indevido ou a maior”, efetuado em 10/05/1999, período de apuração abril de 1999. Foram acostados aos autos cópias da PER/DCOMP (fls.01/05). 2. Em 24/04/2008, o Delegado da Receita Federal do Brasil no RecifePE proferiu o DESPACHO DECISÓRIO (nº de rastreamento 757757635, as fls.06), que se fez acompanhar de INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES DA ANÁLISE DO CRÉDITO 6 (10 DETALHAMENTO DA COMPENSAÇÃO, VALORES DEVEDORES E EMISSÃO DE DARF (fls. 07 e 08, respectivamente), por intermédio do qual resolveu não homologar a compensação pleiteada pela contribuinte na referida PER/DCOMP, por inexistência de crédito, nos seguintes termos : “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: RS 4.032,16. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em seguida, foram indicadas as características do Darf, cujo valor original total e original utilizado era de R$ 7.805,17. 3. Regularmente cientificada em 05/05/2008 (fls.09/10 e 44) do referido despacho decisório e intimada para pagamento dos débitos indevidamente Compensados, a interessada apresentou, em 21/05/2008, manifestação de inconformidade (fls.13/15), acompanhada de documentos, que vêm a ser cópias: i) da sétima alteração contratual da pessoa jurídica e respectivo registro na Ordem dos Advogados do Brasil Seção Pernambuco OABPE Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10480.901125/200812 Acórdão n.º 3001000.247 S3C0T1 Fl. 96 3 (fls.16/19); ii) dos documentos de identificação do subscritor da impugnação (fls.20); iii) do despacho decisório (fls.21); iv) do Darf mediante o qual quitou o débito no valor de R$ 7.805,17 (fls.22); v) de certidão subscrita pela Coordenadora da Segunda Turma da Diretoria Judiciária do Superior Tribunal de Justiça (fls.23); vi) da Certidão nº 147/2004, passada em 31/08/2004 por servidor do Tribunal Regional Federal da 5ª Região TRF5ª Região (fls.24/26); vii) do acórdão proferido em 17/09/2002 pelo Tribunal Regional Federal da 53 Região TRF5ª Região, relator o Desembargador Federal convocado Hélio Sílvio Ourem Campos, na AMS nº 80.558PE, processo n° 2001.83.00.0145250 (fls.27/41). Naquela peça de defesa, argúi e requer o que segue. 3.1. Discorda da afirmativa de que os pagamentos informados no PER/DCOMP hajam sido integralmente utilizados para quitar os débitos da empresa e acrescenta que, consoante informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC da Delegacia da Receita Federal no Recife DRF/Recife, tal afirmativa decorreu “(...) do fato de a empresa, ao elaborar as declarações de compensação, não ter realizado a retificação das respectivas DCTFs para ajustálas aos novos valores dos débitos apurados”. 3.2. Aduz que, portanto, apenas ocorrera falha procedimental da empresa, ao ter deixado de retificar as DCTF, o que “(...) não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada (sic), garantindo a isenção de COFlNS para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas.” 3.3. Então, segundo documento relativo à ação judicial impetrada pela OABPE, com decisão transitada em julgado, restou garantido seu direito a isenção da Cofins, do que resulta que “(...) todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos, na forma do art. 165, I, do CTN, razão pela qual poderiam ser utilizados pela empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos da empresa para com a Receita Federal.” 3.4. Provada a existência dos créditos relativos a pagamentos a maior de Cofins, requer seja julgada procedente sua manifestação de inconformidade, para ter reconhecido o seu direito sobre tais créditos e, em conseqüência, homologadas as compensações realizadas nas PER/DCOMP que os utilizaram, relacionadas neste processo. Da decisão de 1ª Instância Fl. 97DF CARF MF 4 A 2ª Turma da DRJ/REC, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o supra mencionado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. E o artigo 170A do mesmo diploma legal veda a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o contribuinte interpôs recurso voluntário para aduzir, em síntese, o que segue: Em preliminar, que a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/REC merece reparo, por ter cerceado seu direito de defesa "ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentados ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, da Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa." Sedimenta este inconformismo no fato de "que as decisões proferidas pela DRF/Recife e pela DRJ/Recife são totalmente diferentes", pois a "decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa", porém, "em sede de julgamento por parte da DRJ/Recife não está ocorrendo apenas a revisão da decisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações, que agora sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado da ação, sem que tenha sido oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto". Por fim, questiona "se seria possível à DRJ/Recife, em sede de análise de Manifestação de Inconformidade, inovar completamente ante a decisão proferida pela DRF/Recife ao ponto de indeferir a Manifestação de Inconformidade apresentada com base em argumento completamente novo, sem que tenha sido intimada a empresa a contraargumentar acerca destes novos fatos". No mérito, pretende "demonstrar que a argumentação da DRJ/recife não condiz com a realidade dos fatos". Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10480.901125/200812 Acórdão n.º 3001000.247 S3C0T1 Fl. 97 5 Alega que "a decisão da DRJ/Recife informa que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS". Salienta que a "decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da empresa da COFINS já havia sido encerrada e tendo reconhecido o direito". Tanto que somente "em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o beneficio de isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos". Salienta que tão somente "contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória", que, "como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar". Concluindo entende que está "plenamente demonstrada a realização da hipótese do art. 165, I, do CTN, qual seja a realização de pagamentos a maior por parte da empresa, haja vista a desconformidade da apreciação do caso por parte da DRJ/Recife". Neste sentido, "requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto nº 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei nº 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife, reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título de COFINS e, conseqüentemente, homologar as compensações realizadas nas PER/DCOMP relacionadas a este processo que utilizaram tais créditos". Do encaminhamento O presente processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte, segundo a intimação de efls. 55 e o Aviso de Recebimento AR de efls. 57), em 16.03.2011 tomou conhecimento do acórdão de manifestação de inconformidade. O recorrente, conforme o carimbo aposto por servidor da CAC/DRF/REC na "folha de rosto" da petição juntada à efl. 58, em 13.04.2011 protocola o recurso voluntário apresentado. Fl. 99DF CARF MF 6 Compulsando as datas acima destacadas e confrontandoas com a legislação processual de regência, concluise que o recurso voluntário é tempestivo. Da preliminar de cerceamento do direito de defesa Ressaltese, de plano, que os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes, conforme dispõem os incisos LIV e LV do artigo 5º da Constituição Federal, os artigos 142 e 195 do Código Tributário Nacional, o artigo 6º da Lei 10.593 de 06.12.2002, os artigos 9º, 10, 23 e 59 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, o Decreto 6.104 de 30.04.2007, os artigos 2º e 4º da Lei 9.784 de 29.01.1999 e as Súmulas CARF 6, 8, 27 e 46. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo e como uma espécie de ato jurídico deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (i) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (ii) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (iii) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (iv) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (v) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais, conforme dispõem o artigo 179 da Constituição Federal, o artigo 2º da Lei 4.717 de 29.06.1965, o parágrafo 2º do artigo 9º do DecretoLei 1.598 de 26.12.1977 e a Lei 9.317 de 05.12.1996. Isto posto, não há como concordar com os argumentos do recorrente, pois não se vislumbra qualquer hipótese de nulidade. Não se pode falar em preterição do direito de defesa previamente, in casu, à expedição do despacho decisório, pois é somente depois de realizada sua ciência que abrese o prazo para o contribuinte apresentar sua manifestação de inconformidade, e nesse momento, deve apresentar os argumentos e documentos que entender necessários a albergar sua defesa. Igualmente, diversamente do alegado pelo recorrente, inexiste vício na decisão a quo que pudesse inquinála de nulidade, pois todas as questões abordadas pela decisão recorrida estão fundamentadas, conforme se observa do conteúdo do seu voto condutor. Por certo que a falta de fundamentação tem o condão de gerar nulidade de decisão, que não é o caso destes autos, pois a decisão atacada tem respectiva fundamentação. A alegada inovação jurídica nos argumentos apresentados nas decisões proferidas pela DRF/REC e pela DRJ/REC não configura vício que pudesse macular a decisão recorrida de nulidade, pois não há caracterização de cerceamento do direito de defesa, na medida em que todas as questões enfrentadas pela decisão recorrida estão fundamentadas. O despacho decisório foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais artigo 74 da Lei 9.430 de 1996 e Decreto 70.235 de 1972). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10480.901125/200812 Acórdão n.º 3001000.247 S3C0T1 Fl. 98 7 exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, conforme dispõem os artigos 142 e 195 do CTN, o artigo 6º da Lei 10.593 de 06.12.2002, os artigos 10 e 59 do Decreto 70.235 de 1972 e os artigos 2º e 4º da Lei 9.784 de 1999. Evidenciase também que as autoridade fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme dispõem o artigo 116 da Lei 8.112 de 11.12.1990, o artigo 2º da Lei 9.784 de 1999 e o artigo 37 da Constituição Federal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual o recorrente foi regularmente cientificado. Ainda, na apreciação dos argumentos de defesa apresentados, o colegiado a quo formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional, conforme dispõe o artigo 29 do Decreto 70.235 de 1972. Dito isto, é de se ver que o Despacho Decisório nº de rastreamento 757757635 e o Acórdão 1131.487 da 2ª Turma da DRJ/REC, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos fiscais em apreço. Em assim sendo, a tese exposta pelo defendente não restou demonstrada. A propósito, as divergências suscitadas pelo recorrente quanto a inovação do conteúdo do indeferimento inicial das compensações são matérias de mérito, e assim devem ser enfrentadas, e não como questões para serem enfrentadas em sede de preliminar. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade de cerceamento do direito de defesa suscitada. Dos contextos fático e jurídico Conforme depreendese do relatório do acórdão recorrido, aqui reproduzido, tratase de processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP 30663.47056.150304.1.3.049062, transmitida pelo contribuinte em 15.03.2004, por intermédio da qual compensa débito de PIS/Pasep, relativo ao período de apuração fevereiro de 2004, com vencimento em 15.03.2004, no valor de RS 407,97, com alegado crédito relativo à Cofins, derivado de “pagamento indevido ou a maior”, efetuado em 10.05.1999, período de apuração abril de 1999. Da verificação da legitimidade e materialidade do crédito resultou o despacho decisório que indeferiu o direito creditório e não homologou a referida PER/DCOMP, sob o Fl. 101DF CARF MF 8 fundamento da inexistência de crédito, nos seguintes termos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: RS 4.032,16. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando que o indeferimento do pleito decorreu “do fato de a empresa, ao elaborar as declarações de compensação, não ter realizado a retificação das respectivas DCTFs para ajustálas aos novos valores dos débitos apurados”. Aduziu que apenas ocorrera falha procedimental da empresa, ao ter deixado de retificar as DCTF, o que “não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, (...), garantindo a isenção de COFlNS para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas”. E mais, segundo documento relativo à ação judicial impetrada pela OABPE, com decisão transitada em julgado, restou garantido seu direito a isenção da Cofins, do que resulta que “todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos, na forma do art. 165, I, do CTN, razão pela qual poderiam ser utilizados pela empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos da empresa para com a Receita Federal". Neste contexto, temse que a manifestação foi julgada improcedente sob os fundamentos a seguir reproduzidos, colhidos do voto condutor do acórdão vergastado: 5. Consoante já relatado, o pedido de restituição/compensação efetivado pela interessada por meio do PER/DCOMP de fls. 01/05 foi indeferido pela autoridade administrativa o Delegado de Receita Federal do Brasil no RecifePE em face da constatação de que o alegado crédito já havia sido utilizado para a quitação de outro débito, qual seja, aquele relativo à Cofins, período de apuração abril de 1999. Não restara, portanto, segundo explicitado no DESPACHO DECISÓRIO (fls. 06), crédito disponível para a compensação do débito indicado na citada PER/DCOMP, razão pela qual não foi homologada. 6. Segundo explicitado no item 3 do Relatório, a contribuinte, na sua manifestação de inconformidade, alega ter sido beneficiada por decisão judicial transitada em julgado de iniciativa da OAB PE, da qual é substituída processual, e na qual restou garantido o seu direito à isenção da Cofins. Por esta razão, entende que “(...) todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos, na forma do art. 165, I, do CTN, razão pela qual poderiam ser utilizados pela empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos da empresa para com a Receita Federal.” E aduz, em relação à alegada informação obtida junto ao CAC da DRF/Recife acerca do fato de não ter retificado as DCTF, que isso “(...) não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada (sic), garantindo a isenção de COFINS para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas.” 7. De princípio, cumpre trazer à baila os arts. 170 e 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional (CTN) que cuidam do instituto da compensação, a seguir transcritos, in verbis: (...) Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10480.901125/200812 Acórdão n.º 3001000.247 S3C0T1 Fl. 99 9 8. Da leitura dos textos acima, depreendese que a compensação tributária, além de estar submetida à verificação dos créditos e dos débitos pela autoridade administrativa, os quais deverão estar revestidos dos atributos de liquidez e certeza, não poderá ser homologada pela referida autoridade mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 9. Neste ponto, cabe esclarecer que o PER/DCOMP sob análise foi apresentado em 15/03/2004 portanto, antes do trânsito em julgado da decisão judicial, ocorrido em 09/09/2004. Acrescentese que a contribuinte, ao preencher o PER/DCOMP (fls. 01), i) no campo relativo ao tipo de crédito, informou “pagamento indevido ou a maior”; e ii) no campo em que se indaga se o crédito é oriundo de ação judicial, respondeu “NÃO”. Não havia, pois, crédito líquido e certo a compensar, no momento da transmissão do pedido de compensação. 10. E, tendo em vista que a decisão judicial favorável transitou em julgado posteriormente à apresentação do PER/DCOMP, passase, agora, a analisar a alegação relativa a existência do crédito oriundo da ação judicial patrocinada pela OABPE, em substituição processual dos seus associados. Inicialmente, traça se breve histórico da ação judicial referenciada. (...) 11. Diante do exposto, o que interessa, para deslinde da questão ora sob apreciação, é a determinação dos limites da decisão judicial proferida no bojo da ação de mandado de segurança nº 2001.83.00.0145250, após os desdobramentos posteriores, em especial as decisões proferidas em sede da ação rescisória nº 5471PE e da Rcl nº 6917. 12. De pronto, cumpre trazer a lume entendimento já proferido pelo STJ, ao negar provimento ao REsp nº 522.475AL (2003/00550328), relator o Ministro Luiz Fux, cuja ementa reza, in litteris : (...) 13. Cumpre, também, transcrever as Súmulas de nºs 269 e 271, também do STF :: (...) 14. Aplicandose ao caso concreto em que o contribuinte pretendeu compensar débito posterior à impetração do mandado de segurança, antes do trânsito em julgado da decisão favorável, com alegado crédito anterior à impetração os entendimentos constantes das Súmulas do STF de nºs 239, 269 e 271, reproduzidas nos itens anteriores, temse que a decisão proferida na ação de mandado de segurança nº 2001.83.00.0145250, que transitara em julgado em 09/09/2004, não alcança créditos porventura existentes relativos a períodos de apuração da Cofins anteriores a impetração da ação, bem como só alcança o(s) exercício(s) financeiro(s) albergado(s) pela impetração. 15. Observase, portanto, que o título judicial representado pela decisão transitada em julgado em 09/09/2004 não se apresenta Fl. 103DF CARF MF 10 exigível, faltandolhe, portanto, condição essencial para sua validade, nos termos do inciso II e do parágrafo único do art. 741 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil CPC). (...) 16. É que, tendo o STF reconhecido a constitucionalidade do art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogador da isenção outrora concedida pela LC nº 70, de 1991, objeto do mandado de segurança impetrado pela OABPE, alcançadas estão as decisões judiciais que reconheceram a inconstitucionalidade daquele diploma legal com base na ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Vêse, assim, que o título judicial representado pela decisão transitada em julgado em 09/09/2004, que lastreia a suposta inexigibilidade da Cofins das sociedades civis prestadoras de serviços relacionados ao exercício da advocacia, devidamente registradas na OABPE, não goza do requisito da exigibilidade, pois o STF firmou entendimento pelo reconhecimento da constitucionalidade da revogação da isenção das sociedades referenciadas pela Lei nº 9.430, de 1996. 17. Desta forma, resta claro que, em virtude da decisão na ação rescisória AR 5471PE / Processo nº 2006.05.00.0442426 e da liminar na Reclamação junto ao STF Rcl/6917, a isenção reconhecida judicialmente, transitada em julgado em 09/09/2004 (processo nº 2001.83.00.014520, deixou de existir. Não há, portanto, qualquer possibilidade de considerar indevidas as contribuições para a Cofins recolhidas pela contribuinte. E, por conseguinte, inexistente o direito à compensação, em virtude da falta de liquidez e certeza dos indébitos pleiteados. 18. No que se refere à menção que a contribuinte faz, na peça de defesa, a respeito de ter obtido junto ao CAC da DRF/Recife a informação de que a nãohomologação do pedido de compensação decorrera do fato de não ter retificado a respectiva DCTF, para ajustála aos novos valores dos débitos apurados, e que tal fato “(...) não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE (...)”, tudo o que já se expôs neste Voto mostra ser desnecessário proceder à sua apreciação. Cumpre relembrar que a compensação, como forma de extinção de crédito tributário, somente pode ser autorizada por lei e nos exatos limites fixados pelo Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Esclareçase que o parágrafo 1º do artigo 66 da Lei 8.383 de 1991, posteriormente alterada pela Lei 9.065 de 1995, apenas autorizou a compensação entre débitos e créditos de mesma natureza, ou seja: débitos tributários com créditos tributários e débitos de receitas patrimoniais com créditos de receitas patrimoniais. Ainda, a referida lei determinou que os débitos e créditos tributários deveriam corresponder à mesma espécie de tributo ou contribuição, na medida em que a compensação era feita sem pedido, e somente com esta limitação não haveria reflexos na repartição de receitas tributárias: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10480.901125/200812 Acórdão n.º 3001000.247 S3C0T1 Fl. 100 11 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (...) Com a edição da Lei 9.430 de 1996, acresceuse a permissão de compensação entre tributos de espécies diferentes. Os créditos continuaram sendo, apenas, aqueles passíveis de restituição ou ressarcimento, na forma do inciso I do artigo 73 daquela lei, ao qual se reporta o artigo 74: Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: (...) Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Quanto aos direitos creditórios objeto de contestação judicial, a Instrução Normativa SRF 21 de 10.03.1997, alterada pela Instrução Normativa SRF 73 de 15.09.1997, estipulava procedimento específico, nos seguintes termos: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (...) Em 2001, porém, o Código Tributário Nacional foi alterado para contemplar expressamente a vedação à compensação de direitos creditórios objeto de discussão judicial: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Na sequência, a alteração do artigo 74 da Lei 9.430 de 1996, ocorrida em 2002, já se fez neste contexto, em que proíbe a compensação tendo por referência direito creditório objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, ainda sem trânsito em julgado. Destaquese, ainda, que a partir deste momento a compensação passou a ter efeitos extintivos do crédito tributário, por ocasião de sua declaração à Receita Federal, nos termos da Medida Provisória 66, convertida na Lei 10.637, ambas editadas em 2002: Fl. 105DF CARF MF 12 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Pois bem, quanto ao aspecto fático, o que denotase dos autos é que as decisões proferidas no despacho decisório e na decisão recorrida divergiram tão somente em função dos argumentos de defesa apresentados pelo contribuinte, quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade, ocasião em que, instaurado o litígio, deu a conhecer da existência do Mandado de Segurança 2001.83.00.0145250, e desdobramentos posteriores; e não poderia ser diferente, pois referida ação transitou em julgado somente em 09.09.2004, ou seja, depois da apresentação do PER/DCOMP sob análise, ocorrido em 15.03.2004, razão pela qual, em face da legislação de regência, preferiu manterse silente quanto a origem do alegado direito creditório vindicado. Desse modo, não assiste razão ao recorrente quando este pretende a invalidade dos atos administrativos que questiona, quais sejam, o despacho decisório proferido pela DRF/REC e o próprio acórdão recorrido, na medida em que, como visto alhures, tais decisões apenas e tão somente trataram de sopesar os argumentos por este apresentados, à luz dos elementos fáticos disponibilizados pelo interessado e da legislação de regência. Do mérito propriamente dito Restanos analisar os argumentos trazidos no recurso voluntário, quais sejam: (i) que "a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da empresa da COFINS já havia sido encerrada e tendo reconhecido o direito"; (ii) que "em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o beneficio de isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos"; (iii) que tão somente "contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória"; (iv) e que "como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, (...), os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar". O pedido de reconhecimento do indébito albergado nestes autos, conforme restou sobejamente evidenciado na manifestação de inconformidade e no acórdão recorrido, tem por "pano de fundo", por óbvio, a alegação de inconstitucionalidade do artigo 56 da Lei 9.430 de 1996, que revogou a isenção prevista no inciso II do artigo 6º da Lei Complementar 70 de 1991. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10480.901125/200812 Acórdão n.º 3001000.247 S3C0T1 Fl. 101 13 Porém, antes de analisar os argumentos declinados no recurso voluntário acerca da questão da inconstitucionalidade da norma em referência art. 56 da Lei 9.430/1996, peço licença para, de plano, alertar que a Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória AR 3.761PR, na sessão de 12.11.2008 (DJe 20.11.2008 ed. 262), deliberou pelo cancelamento da Súmula 276 (DJ 02.06.2003, p. 365), cujo verbete enunciava: "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado", tendo por referência a Lei Complementar 70 de 1991 (art. 6º, II), a Lei 8.541 de 1992 (arts. 1º e 2º) e a Lei 9.430 de 1996, que revoga o DecretoLei 2.397 de 1987 (arts. 1º e 2º). Retomando ao tema cerne do litígio, basta, para o completo deslinde da questão meritória aqui suscitada, esclarecer ao recorrente que tal questão encontrase, a quase uma década, absolutamente pacificada. É que a constitucionalidade da citada norma ordinária foi declarada, pelo STF, no Recurso Extraordinário 377.4573, julgado em 17.09.2008, em relação ao qual foi declarada a repercussão geral, nos termos do artigo 543B do CPC Lei 5.925 de 1973, ocasião em que foi também negada a modulação dos efeitos da decisão. Desse modo, em atenção ao que determina o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo STF, sob a sistemática do artigo 543B do CPC, no Recurso Extraordinário 377.4573, verbis: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721.5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei nº 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Civil, nos termos do voto do relator. Fl. 107DF CARF MF 14 Por fim, cabe evidenciar a presente decisão judicial possui eficácia ex tunc, alcançando todas as relações jurídicas albergadas desde a edição da Lei 9.430 de 1996, sendo afastada, inclusive, a mencionada jurisprudência e revogada a Súmula 276 do STJ. Razão pela qual não merece qualquer reparo a decisão proferida no Acórdão 1131.487, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC, notadamente ao que restou expresso no itens 16 e 17 do voto condutor do referido acórdão, na medida em que corretamente pontuou que tendo o STF reconhecido a constitucionalidade do art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996, revogador da isenção outrora concedida pela LC nº 70, de 1991, objeto do mandado de segurança impetrado pela OABPE, alcançadas estão as decisões judiciais que reconheceram a inconstitucionalidade daquele diploma legal com base na ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Vêse, assim, que o título judicial representado pela decisão transitada em julgado em 09/09/2004, que lastreia a suposta inexigibilidade da Cofins das sociedades civis prestadoras de serviços relacionados ao exercício da advocacia, devidamente registradas na OABPE, não goza do requisito da exigibilidade, pois o STF firmou entendimento pelo reconhecimento da constitucionalidade da revogação da isenção das sociedades referenciadas pela Lei nº 9.430, de 1996 e que, em virtude da decisão na ação rescisória AR 5471PE / Processo nº 2006.05.00.0442426 e da liminar na Reclamação junto ao STF Rcl/6917, a isenção reconhecida judicialmente, transitada em julgado em 09/09/2004 (processo nº 2001.83.00.014520, deixou de existir. Não há, portanto, qualquer possibilidade de considerar indevidas as contribuições para a Cofins recolhidas pela contribuinte. E, por conseguinte, inexistente o direito à compensação, em virtude da falta de liquidez e certeza dos indébitos pleiteados. Da conclusão Diante do todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, ante a inexistência do cerceamento do direito de defesa e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.017905/98-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1994
EMBARGOS. OBSCURIDADE.
Constatada obscuridade na fundamentação da decisão, acolhese
os embargos nessa parte, para esclarecer a razão da exclusão da glosa, para no mérito, manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
LUCRO REAL CUSTOS OU DESPESAS COMPROVAÇÃO.
Apresentada prova documental exclui-se do lançamento o valor glosado a título de custos ou despesas.
Numero da decisão: 1402-000.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e os acolher parcialmente, para sanar obscuridade no acórdão 1402-00.092, de 26.01.2010, para no mérito, manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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NACIONAL DE SEGUROS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994 EMBARGOS. OBSCURIDADE. Constatada obscuridade na fundamentação da decisão, acolhese os embargos nessa parte, para esclarecer a razão da exclusão da glosa, para no mérito, manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. LUCRO REAL CUSTOS OU DESPESAS COMPROVAÇÃO. Apresentada prova documental excluise do lançamento o valor glosado a título de custos ou despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e os acolher parcialmente, para sanar obscuridade no acórdão 140200.092, de 26.01.2010, para no mérito, manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional interpostos contra o acórdão 140200.092, de 26.01.2010, em face de obscuridade e omissão/contradição. O acórdão negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário. Os embargos dizem respeito somente ao julgamento do recurso voluntário. Obscuridade Inicialmente, a PFN transcreveu a seguinte parte do voto condutor do acórdão: Na sessão de 07.11.2007, o recurso foi convertido em diligência, para que autoridade fiscal verificasse se os valores provisionados na conta reserva de sinistros a liquidar foram efetivamente pagos, ainda que em períodos de apuração seguintes, e também para que se manifestasse em relação à documentação apresentada com o recurso. As constatações da autoridade fIscal constam no quadro aposto no relatório acima. Para a provisão relativa aos sinistros dos itens 2 a 5, 7, 10 a 19 e 21, 23 a 24, os mesmos .foram liquidados por pagamento posteriormente ao encerramento do anocalendário de 1994. Devese excluir do lançamento os correspondentes valores tributáveis, em razão da documentação apresentada. Também deve ser excluído o valor relativo ao sinistro do item 20, devido a engano da fiscalização Para OS itens 6 e 9 há registros contábeis de que houve pagamento e há avisos de sinistros. Para os sinistros dos itens 8 e 25, há avisos dos sinistros e informação de que estiveram pendentes até a data da sua anulação, sem pagamento de indenização. Na mesma linha de raciocínio utilizado no julgamento do recurso de oficio, devese aceitar a documentação apresentada como prova. Também para os demais itens está comprovada documentalmente a consistência das contabilizações, em conta de provisão. Aplicase às exigências decorrentes o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, por se tratar dos mesmos fatos. CONCLUSÃO Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário. A Procuradora da Fazenda Nacional, argumenta que em relação aos itens 1, 6, 8, 9, 22 e 25, no relatório de diligência, de fls. 1121/1129, concluiu que no que tange aos itens 8, 22 e 25, não houve qualquer pagamento de indenização por parte da seguradora, conforme se extrai dos documentos de fls. 478, 977/979, 1013/1014 e 1088; em relação aos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 3 3 itens 6 e 9, não houve comprovação de pagamento, não tendo o contribuinte sequer apresentado documentos com esse objetivo; e ainda, no que toca ao item 1, o valor provisionado na reserva de sinistros a liquidar deveria ter sido baixado do sistema de sinistro da empresa desde fevereiro de 1992. Salienta que tais conclusões, a priori, conduziriam à manutenção do lançamento referente aos itens citados, mas que, o colegiado decidiu cancelar as exigências referidas, contrariando as conclusões do relatório de diligência fiscal, sem indicar as razões pelas quais entendeu de maneira diversa. Destaca, que de fato, no que tange aos itens 6, 8, 9 e 25, consta apenas a informação de que seria utilizada no recurso voluntário a mesma linha de raciocínio do recurso de ofício, mas que, não restou claro o posicionamento adotado. E que, conforme se extrai da argumentação expendida no julgamento do recurso de ofício, a documentação apresentada por ocasião da impugnação foi aceita para que não houvesse cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que o agente fiscal autuante não havia indicado o motivo de sua rejeição, mas que, diferente é a situação dos documentos apresentados por ocasião do recurso voluntário, pois, não haveria que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de exposição das razões pelas quais a fiscalização não aceitou os documentos, porque à época da lavratura do auto de infração, o contribuinte não havia sequer apresentado documentação referente aos itens ora analisados. Acrescenta que, ademais, atendendo à resolução 10700.684, a fiscalização analisou os documentos juntados às fls. 328/1089, fundamentado suas conclusões no relatório de fls. 1122/1129. Conclui que o colegiado deve esclarecer suas razões de decidir, elucidando: a) os motivos pelos quais entende que o raciocínio utilizado no recurso de ofício deve ser aplicado também para o julgamento do recurso voluntário; b) os instrumentos de convencimento que levaram a Câmara a divergir das conclusões expostas no relatório de diligência fiscal. Salienta que em relação aos itens 1 e 22, não há manifestação específica do colegiado, mas apenas afirmação geral de que estaria documentalmente comprovada a consistência das contabilizações. Entende ser necessário que sejam apontados os documentos considerados pela Turma para formar sua convicção. Aduz que ao deixar de explicitar os motivos pelos quais divergiu das conclusões expostas no relatório de diligência fiscal e considerou comprovadas as despesas relativas aos itens 1, 6, 8, 9, 22 e 25, o colegiado findou proferir decisão obscura no que tange a sua fundamentação. Contradição/omissão No relatório de diligência fiscal concluiuse que não houve pagamento de sinistro; constatouse que a seguradora fiscalizada se recusou a efetuar o pagamento por ter detectado a ocorrência de irregularidades em relação ao sinistro ocorrido nas dependências do segurado, circunstância reconhecida pela contribuinte, e ao exonerar o crédito tributário relativo ao item 22, sob o argumento de estar comprovada a consistência da contabilização, o Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 4 4 colegiado terminou por proferir decisão em contrariedade às provas constantes nos autos e às próprias informações constantes no relatório do voto, sendo que essa circunstância relevante para o deslinde do feito não foi abordada no voto. Conclui que considerando que a Câmara não se manifestou especificamente quanto a esse item, fazse mister que se posicione quanto à apontada contradição/omissão. Em síntese, a Procuradora da Fazenda Nacional, afirma que a decisão está eivada de vícios: a) obscuridade quanto à fundamentação do acórdão, ou seja, à exposição das razões que levaram o colegiado a divergir das conclusões expostas no relatório de diligência fiscal e considerar comprovadas as despesas relativas aos itens 1, 6, 8, 9, 22 e 25; b) contradição com a prova dos autos e as informações constantes no relatório, dado que o colegiado decidiu estarem comprovadas as despesas relativas ao item 22, apesar do próprio contribuinte ter reconhecido que não houve pagamento de indenização ao segurado. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima Os embargos são tempestivos e devem ser conhecidos. Os embargos dizem respeito ao decidido em relação ao recurso voluntário, mais precisamente, em relação à glosa de custos – reserva de sinistros a liquidar – vida e outros ramos, em que a Turma Julgadora manteve a glosa do valor de R$ 536.175,38, do ano calendário de 1994. Referese a alguns dos itens glosados. Constato que se o Procurador da Fazenda Nacional não entendeu o voto condutor do acórdão, tendo alegado contradição/omissão e principalmente obscuridade, é porque ele precisa ser melhor fundamentado. Pela Resolução nº 10700.684, de 07.11.2007, foi determinada a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal verificasse se os valores provisionados na conta reserva de sinistros a liquidar foram efetivamente pagos, ainda que em períodos de apuração seguintes, e também deveria se manifestar em relação à documentação apresentada com o recurso. A autoridade fiscal elaborou relatório em relação a cada item de sinistro, entretanto, não elaborou relatório conclusivo quanto à glosa ser devida ou indevida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 5 5 Os embargos se referem somente aos itens de sinistros enumerados no relatório de diligência de nºs. 1, 6, 8, 9, 22 e 25. A tabela abaixo contém as informações fornecidas pelo autor da diligência determinada por este colegiado. Nº do Sinistro Constatação 1 Prov. Contábil da reserva em 1991. Particip. Seg. debitada IRB 02/92. O valor provisionado na reserva de sinistros a liquidar deveria ter sido baixado do sistema de sinistro da empresa desde fevereiro de 1992. (sinistro de cosseguro aceito nº 11.00049.91, valor de R$ 8.478,47). 6, 9 De acordo com a tela do sistema de sinistros da Generali, fls. 381 (6) e fls. 485 (9), a ocorrência do sinistro foi avisada à seguradora em 14.11.94, data da provisão contábil da reserva. Foi liquidado em 12.01.95 (6) e em 05.01.95 (9), por pagamento. Não foram apresentados documentos que comprovassem o pagamento do sinistro. 6: 53.00269.94 – R$ 7.934,34; 9: 22.00080.94 – R$ 7.008,00. 8 De acordo com a tela do sistema de sinistros da Generali (fls. 479), a ocorrência do sinistro foi avisada à empresa em 01.09.1993, data da provisão contábil da reserva. O sinistro mantevese pendente até à data da sua anulação, ocorrida em 19.06.95, sem pagamento de indenização, conforme descrito em tela do sistema de fls. 478. – sinistro 53.00185.93 – R$ 10.933,14 – (obs. Mantido o encerramento do sinistro s/i, haja vista que conforme sentença anexada ao MI449/96 do Gejur/MZ, a Generali foi excluída do feito pela prescrição do caso 10.06.96.) 22 Prov. Contábil em 09/93. O pagamento do sinistro não ocorreu valor R$ 74.344,45. – sinistro 15.00003.93.001 – Na perícia efetuada pela seguradora, conforme docs. De fls. 1003 a 1014, foram constatadas irregularidades em relação ao sinistro ocorrido nas dependências do segurado. De acordo com as telas de sinistros da seguradora (fls. 977 a 979) não houve o pagamento do sinistro. O processo foi encerrado em 1996. 25 De acordo com informações constantes na tela do sistema de sinistros da Generali, fls. 1088, a ocorrência do sinistro foi avisada à seguradora em 02.02.94, data de seu provisionamento contábil e liquidado sem pagamento de indenização em 11.12.96. – sinistro 31.00016.94 – Valor R$ 11.194,93. Devese registrar que não se sabe para quais sinistros, não houve apresentação da documentação durante a ação fiscal e para quais a documentação foi considerada incompleta e que documentação estaria faltando, assim a Turma Julgadora concluiu que, em relação à documentação apresentada, como não havia sido declinado o motivo da rejeição da documentação apresentada e a glosa se deu em razão da falta de comprovação, para que não houvesse cerceamento do direito de defesa, todos os documentos apresentados com a impugnação foram aceitos como prova. Para melhor entendimento da matéria, transcrevo a descrição da infração contida no relatório do voto condutor do acórdão embargado: 2) Glosa de custos ou despesas não comprovados (itens 2.1 e 2.2 do TVF – constituição da reserva de sinistros): Valor apurado conforme exame efetuado na conta “reserva de sinistroSP – sinistros a liquidar vida” e “sinistros a liquidar – outros ramos” no mês de dezembro, cujos valores selecionados não foram comprovados, em sua totalidade, glosandose o montante de R$ 148.101,20 e de R$ 1.656.706,79, respectivamente. Em relação ao ramo vida, consta no TVF que a empresa registra em sua Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 6 6 contabilidade, os montantes de comprovação e aprovação do documental apresentado pelo segurado, para solicitação de pagamento do sinistro. Foram selecionadas amostras de vários valores provisionados ao longo do mês de dezembro. No decorrer do teste, verificouse que a contabilização de alguns montantes cujos dossiês que comprovassem efetivamente a consistência de suas contabilizações, em conta de provisão, não foram apresentados durante o trabalho fiscal ou encontramse com o documental precário, não tendo sido, portanto, aceito. Para os outros ramos, a empresa registra todas as operações relacionadas com as solicitações de pagamentos de sinistros, que se encontram em fase de comprovação e aprovação de seu efetivo pagamento, cuja contrapartida registrase no grupo de contas – 321. Efetua assim uma provisão de dispêndios futuros. Da amostragem selecionada do mesmo mês demonstra os valores autuados; Constatase que a fiscalização trabalhou com as provisões pendentes em dezembro de 1994. Chegase a essa conclusão, porque os sinistros ocorreram em várias datas, inclusive em anos anteriores. A Resolução CNSP nº 05/71, determina: 1 – Conceituação 1.1 Para garantia de suas operações, as sociedades seguradoras constituirão reservas técnicas, de conformidade com as presentes Normas, compreendendo: 1.12 Reservas Técnicas comprometidas, ou provisões, destinadas ao atendimento do evento já ocorridos: a) Reserva de Sinistros a Liquidar 4 Da Reserva de Sinistros a Liquidar 4.1. A Reserva de Sinistros a Liquidar será constituída mensalmente e corresponderá, na data de sua avaliação à quantia total das indenizações a pagar por sinistros ocorridos, deduzida a parcela relativa à recuperação de resseguros cedidos. 4.2 No cálculo dessa Reserva tomarseão por base: a) o valor convencionado, em caso de ajuste entre o Segurado e a Seguradora; b) o valor reclamado pelo Segurado, quando não tenha sido impugnado pela Seguradora; c) o valor estimado pela Seguradora, quando não tenha o Segurado indicado a avaliação do dano; d) o valor igual à metade da soma da importância reclamada pelo Segurado e da oferecida pela Seguradora, no caso de divergência de avaliação; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 7 7 e) o valor resultante da sentença transitada em julgado; J) o valor máximo de responsabilidade por vítima e por tipo de dano, nos seguros obrigatórios e de responsabilidade civil. Portanto, a Reserva de Sinistros a Liquidar é uma Reserva Técnica e o art. 346 do RIR/94 autoriza a sua apropriação como encargos do exercício. Assim, podese ter em estoque, reservas constituídas em anos anteriores e no próprio ano, e os pagamentos/liquidação poderão ocorrer no próprio ano ou em anos seguintes. Com o pagamento, ou com a baixa sem pagamento, se realiza a reversão da provisão. No caso da não ocorrência do pagamento esse valor deverá ser acrescentado ao Lucro Bruto. A despesa é incorrida quando do recebimento do aviso do sinistro. Do exposto, em relação aos sinistros questionados pela PFN, podemos afirmar: a) item 1: A provisão contábil da reserva foi efetuada no ano de 1991 e o valor provisionado na reserva de sinistros a liquidar deveria ter sido baixado do sistema de sinistro da empresa desde fevereiro de 1992: A despesa incorreu em 1991 e não está impactando o resultado em 1994, e se deveria ter sido baixada em 1992, caso tenha havido alguma infração, esta teria ocorrido no ano de 1992. b) Itens 6 e 9: As provisões contábeis ocorreram em 1994, e os sinistros foram liquidados em 1995, por pagamento, não tendo sido apresentados comprovantes desses pagamentos: A ocorrência dos sinistros foi avisada à seguradora em 14.11.94 e não há elementos neste processo para afirmar que não tenham ocorrido; em relação à falta de comprovação dos pagamentos, se porventura ocorreu alguma infração, esta se deu no ano de 1995. c) Item 8: A provisão contábil foi constituída em 1993 e o sinistro mantevese pendente até à data de sua anulação, ocorrida em 19.06.95, sem o pagamento de indenização: Assim, a despesa foi incorrida em 1993 e não impactou o resultado em 1994. Se ocorreu alguma infração, esta se deu em 1995. d) Item 22: A provisão contábil foi constituída em 1993, o pagamento do sinistro não ocorreu porque foram constatadas irregularidades em relação ao sinistro ocorrido nas dependências do segurado e o processo foi encerrado em 1996: A despesa incorreu em 1993 e se ocorreu alguma infração, esta se deu em 1996. e) Item 25: A ocorrência do sinistro foi avisada à seguradora em 02.02.94, data de seu provisionamento contábil e foi liquidado sem pagamento de indenização em 11.12.96: A despesa se refere ao mês de fevereiro de 1994, e se ocorreu alguma infração, esta se deu em 1996. Assim, reconheço a existência de obscuridade no acórdão por fundamentação incompleta, mas não reconheço a existência de omissão/contradição. Do exposto, oriento meu voto para conhecer os embargos e os acolher parcialmente, para sanar obscuridade no acórdão 140200.092, de 26.01.2010, para no mérito, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10768.017905/9813 Acórdão n.º 140200.698 S1C4T2 Fl. 8 8 manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 13971.720629/2013-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CONTRIBUINTE DO IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL.
O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira que dá saída a esses produtos equipara-se a estabelecimento industrial, relativamente a essas operações, ficando sujeito ao pagamento do imposto e às obrigações acessórias. Ocorre o fato gerador do IPI na saída, a qualquer título, inclusive transferência, de produtos do estabelecimento que os tenha importado.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO COM
COBERTURA DE CRÉDITO.
É correta a imposição de multa de ofício proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, ainda que a falta de lançamento tenha sido parcial ou que haja saldo credor na escrita fiscal.
Numero da decisão: 3302-005.297
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Recorrente REAL PLASTIC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUINTE DO IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira que dá saída a esses produtos equiparase a estabelecimento industrial, relativamente a essas operações, ficando sujeito ao pagamento do imposto e às obrigações acessórias. Ocorre o fato gerador do IPI na saída, a qualquer título, inclusive transferência, de produtos do estabelecimento que os tenha importado. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO. É correta a imposição de multa de ofício proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, ainda que a falta de lançamento tenha sido parcial ou que haja saldo credor na escrita fiscal. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 06 29 /2 01 3- 67 Fl. 1232DF CARF MF 2 [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários, em desfavor da contribuinte epigrafada no montante de R$ 13.692.661,21 (treze milhões, seiscentos e noventa e dois mil, seiscentos e sessenta e um reais, vinte e um centavos),consolidado na data do lançamento, consoante demonstrativo de fl. 1.009. Relata o Termo de Verificação Fiscal (fls. 972/978), que a empresa autuada, durante os anos de 2010 e 2011, revendeu matériaprima importada sem o destaque do IPI, lastreandose no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002. A Lei permite que o estabelecimento industrial dê saída a matériaprima com suspensão do IPI. Ocorre que, ao importar a matériaprima para revenda, o estabelecimento é equiparado a industrial. Deveria, assim, destacar o IPI. A Fiscalização promoveu, de ofício, o lançamento do IPI não destacado, efetuou a recomposição da escrita fiscal e constituiu os respectivos créditos tributários, acrescidos de multa e juros, para os períodos em que resultaram saldo devedor. Houve também aplicação da multa de ofício pela falta de lançamento do IPI com cobertura de crédito, nos períodos em que não se apurou saldo devedor.(grifei). Regularmente cientificada do lançamento em 09/04/2013, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1.033/1.050, em 09/05/2013. Aduziu em sua defesa as razões resumidamente expostas a seguir. 1 Da revenda das mercadorias importadas. A Fiscalização caracterizou as saídas das mercadorias do estabelecimento da empresa como revenda de matériasprimas importadas, cuja conclusão assentouse exclusivamente em presunção baseada nas informações dos CFOP das notas fiscais. Nunca houve afirmação, por parte da impugnante, de que as mercadorias tivessem sido simplesmente revendidas. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 13971.720629/201367 Acórdão n.º 3302005.297 S3C3T2 Fl. 1.233 3 Em resposta ao Termo de Intimação nº 2 (que solicitava a confirmação de que as operações, representadas pelas notas fiscais dos anexos indicados, eram revendas de matériasprimas, que não sofreram industrialização), as informações prestadas deram conta que se tratavam de resinas termoplásticas, que sofreram processo de aperfeiçoamento, de acordo com os pedidos feitos pelos clientes, enquadrandose no inciso II, art 4º, RIPI. Visando atender aos requisitos do Programa PróEmprego, do Estado de Santa Catarina, a interessada utilizou equivocadamente os CFOP de revenda, pois seu processo industrial não altera a funcionalidade do produto importado. Referido programa concede benefícios tributários ao importador de mercadorias destinadas à comercialização ou, se industrializadas, não alterem a funcionalidade e a denominação do produto importado. 2 Da equiparação a estabelecimento industrial. No auto de infração, tentouse estabelecer a operação de importação como elemento essencial para a determinação da equiparação ao importador. Porém, de acordo com a descrição fática e o enquadramento legal dado pela Fiscalização, a equiparação a industrial deveu se à saída, por revenda, sem sofrer processo de industrialização, de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, do estabelecimento importador. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, houve industrialização no estabelecimento da empresa, de modo que a suspensão é cabível, nos termos do art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002. 3 Dos efeitos da equiparação a industrial. O CTN autoriza que a lei estabeleça equiparações ao importador ou ao industrial, para efeitos de sujeição passiva. Para que a lei proceda à equiparação, é necessária a afirmação de uma analogia entre o contribuinte e o equiparado. Neste sentido, para que haja equiparação a estabelecimento industrial, é preciso que entre este sujeito e o equiparado haja alguma semelhança essencial. A equiparação tributária é um instrumento meramente fiscal, ou seja, tem por fim alcançar a isonomia tributária (art. 150, II, CF). O fato do comerciante ser equiparado não significa que se torne industrial, mas que passa a ser tratado pela legislação tributária da mesma maneira que este. Por equiparação, estaria sujeito às mesmas obrigações principais e acessórias do industrial, devendo o mesmo prevalecer em relação ao art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002. A equiparação não deve ser apenas para a cobrança do IPI, mas também para o caso da suspensão, sob pena da distorção da isonomia. Fl. 1234DF CARF MF 4 O objetivo da suspensão do IPI é evitar a acumulação de crédito conforme se observa na exposição de motivos da Medida Provisória nº 66, predecessora da Lei nº 10.637, de 2002, e nela convertida posteriormente. 4 Da não incidência do IPI na revenda. Não há fato gerador do IPI na saída do estabelecimento importador, de bens importados para revenda, se não houve operação de industrialização realizado no estabelecimento. Em se tratando de importação de bens industrializados para revenda, o entendimento jurisprudencial do STJ e do TRF/4ª Região é no sentido de que o fato gerador ocorre no desembaraço aduaneiro, não havendo nova incidência do imposto quando da saída do produto para sua comercialização. 6 Da duplicidade da multa. Nos demonstrativos de apuração do auto de infração, ficou evidenciada a cobrança da multa de 75% sobre o IPI que supostamente deixou de ser lançado e depois, novamente, sobre os valores que supostamente teriam deixado de ser recolhidos. A capitulação da multa, prevista no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com alteração da Lei nº 11.488, de 2007, descreve duas condutas e apenas uma única multa para qualquer das duas condutas, mas no caso, houve a cobrança da multa isolada e esta é indevida. Ao final requer o cancelamento do auto de infração em razão dos fatos e dos fundamentos expostos. É o relatório do essencial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 Ementa:CONTRIBUINTE DO IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. O estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira que dá saída a esses produtos equiparase a estabelecimento industrial, relativamente a essas operações, ficando sujeito ao pagamento do imposto e às obrigações acessórias. Ocorre o fato gerador do IPI na saída, a qualquer título, inclusive transferência, de produtos do estabelecimento que os tenha importado. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO. É correta a imposição de multa de ofício proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 13971.720629/201367 Acórdão n.º 3302005.297 S3C3T2 Fl. 1.234 5 ainda que a falta de lançamento tenha sido parcial ou que haja saldo credor na escrita fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 Ementa:ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A PRETENSÃO. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito. Cabe à postulante o ônus da comprovação do direito alegado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 08/07/2013, conforme AR de fl. 1.177, apresenta em 02/08/2013, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 1.178, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 1.179/1.219, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede impugnatória, refutando ainda a fundamentação da decisão de piso por entender que foram utilizadas presunções hipotéticas, para inferir quanto ao aos destinos dos polímeros, relacionando os CNAEs utilizados pelos adquirentes e os CFOPs. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da matéria não impugnada A recorrente traz em preliminar três razões que segundo seu entendimento levariam à nulidade do auto de infração. Ocorre que essa matéria é inédita desde a instauração da lide, uma vez que não constou da peça impugnatória. Com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º Fl. 1236DF CARF MF 6 9.532/1997)], a matéria (nulidade do auto de infração) não será apreciada, uma vez que por força do artigo 17 acima referido as matérias submetidas à primeira instância administrativa, determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pelo recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição como já destacado na análise anterior. Assim, deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto à matéria acima destacada. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Quanto à questão meritória, as matérias nucleares residem basicamente nas seguintes questões: a) de que embora os CFOPs, listados no Anexo 1 do TVF (fls. 979/1.008) tenham sido incorretamente preenchidos, fato que constitui quando muito, um mero indício e não uma prova de que a recorrente revendeu matérias primas; b) de que a recorrente em suas manifestações jamais disse que revendeu matériaprima, sendo possível observar em suas respostas às intimações que as operações relacionadas na NF dos Anexos 1 e 2 correspondem à saída de resinas termoplásticas, às quais foram importadas e posteriormente submetidas a um processo de aperfeiçoamento, através da aplicação de aditivos específicos, segundo as fases do processo produtivo indicadas na peça recursal. Verificandose as peças instrutórias dos autos, constatase que o Termo de Verificação Fiscal TVF, fls.972/1.030, peça integrante e indissociável do auto de infração, foi precedido dos Termos de Intimação Fiscal TIF, nºs 14, fls.902/971 e respectivas respostas às intimações referidas, cujos excertos, a seguir se reproduz: 3. Infrações 3.1 Revenda de matériaprima sem destaque de IPI Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 13971.720629/201367 Acórdão n.º 3302005.297 S3C3T2 Fl. 1.235 7 De acordo com as notas fiscais emitidas, durante os anos de 2010 e 2011 a fiscalizada revendeu matériaprima importada sem o destaque de IPI, lastreandose no artigo 29 da lei 10.637/2002. Os códigos fiscais de operação (CFOP) registram corretamente a revenda de mercadorias e a fiscalizada declara que as classificações das mercadorias revendidas correspondem à matériasprimas importadas. Em resposta ao TIF nº 01, afirma a autuada, fl.936: As notas fiscais relacionadas no Anexo 1 do citado Termo de Intimação saíram do estabelecimento com suspensão de IPI com base no art. 29 da Lei 10.637/2002, conforme solicitação dos correspondentes clientes destinatários em forma de declaração escrita, onde afirmam expressamente que atendem a todos os requisitos para usufruto do benefício.(grifei). (...) (...), a empresa importa e industrializa resinas termoplásticas, as quais passam por um processo industrial de mistura, com a aplicação de corantes, branqueadores, ou seja, aditivos químicos e físicos específicos para polímeros. O resultado é um produto com característica de forma diferenciada, de acordo com os pedidos feitos pelos clientes, onde a mistura permite ao cliente comprador a utilização direta em processo produtivo. A partir das misturas feitas no processo produtivo, o material ganha uma maior resistência, e permite um melhor aproveitamento do processo industrial a ser desenvolvido na etapa seguinte.(grifei). Segue relação dos insumos empregados no processo e correspondentes classificações fiscais de acordo com as posições da NCM: Fl. 1238DF CARF MF 8 Observase do Anexo 1, fls.979/1006, que a relação das notas fiscais correspondem à saída de insumos, com as respectivas NCM 3901.20.29, 3902.1020, 3901.1010 e 3901.1092, em sua quase totalidade e CFOP 6102, insumos esses que estão identificados como matériaprima importada pela autuada, na resposta ao TIF nº 01 como acima já destacado. É importante consignar que embora a recorrente ressalte em sua peça recursal o processo produtivo, no qual referidos insumos importados são utilizados, no entanto , exceto quanto à descrição do citado processo produtivo, não há nos autos qualquer prova quanto à utilização dos referidos insumos importados no processo produtivo referenciado pela recorrente. Notese que a recorrente acosta ao recurso voluntário as NF nº 1571, fl. 1210, de 26/03/2010 cujo valor do IPI é ZERO, constando referida NF do Anexo 1 e 1459, de 12/03/2010 fl.1211, com destaque de IPI, no entanto referida NF não consta do Anexo 1. Há portanto um descompasso entre o que argui a recorrente em sua peça recursal e a prova dos autos. Nesse sentido destaca a o órgão a quo: (...) Por outro lado, a autuada contesta, dizendo que as mercadorias não foram simplesmente revendidas. Explica que os produtos importados foram industrializados em processo de aperfeiçoamento, que não alteraram a sua funcionalidade e denominação. Entretanto, o conjunto das informações constantes dos autos revelam uma série de inconsistências que não permitem acatar as alegações da impugnante.(grifei). Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 13971.720629/201367 Acórdão n.º 3302005.297 S3C3T2 Fl. 1.236 9 Pugna ainda a recorrente que a equiparação a industrial é tanto para o destaque do IPI, quanto para a suspensão deste, no entanto essa é uma questão jurídica que não encontra ampara na norma de regência do IPI, tampouco nas normas gerais do CTN, ex vi do artigo 1111, I do CTN. Com efeito, verificase que há expressa previsão legal para a incidência do IPI na importação dos produtos relacionados na TIPI e na saída dos referidos produtos, do estabelecimento importador, conforme dispõe a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964: Art. 1º O Impôsto de Consumo incide sôbre os produtos industrializados compreendidos na Tabela anexa. (...) Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. (...) Art. 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira;(grifei). II as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2º Excluemse do disposto no inciso II os estabelecimentos que operem exclusivamente na venda a varejo. (Renumerado do parágrafo único pelo DecretoLei nº 34, de 1966) (...) Art. 35. São obrigados ao pagamento do imposto I como contribuinte originário: a) o produtor, inclusive os que lhe são equiparados pelo art. 4º com relação aos produtos tributados que real ou fictìciamente, saírem de seu estabelecimento observadas as exceções previstas nas alíneas “a” e “b” do inciso II do art. 5º. b) o importador e o arrematante de produtos de procedência estrangeira com relação aos produtos tributados que importarem ou arrematarem. (grifei) 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Fl. 1240DF CARF MF 10 Assim, a expressa previsão legal de destaque de IPI nas saídas do estabelecimento importador, afasta a possibilidade suspensão do referido imposto, como expressa o entendimento da recorrente. Por todo o exposto, constatase que a fundamentação nuclear da presente autuação reside na constatação pela fiscalização de saídas de matériasprimas importadas, sem destaque do IPI, hipótese não compatível com as disposições do 2art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, em que pretendia encontrar abrigo a recorrente, restando a menção pela decisão de piso às declarações dos adquirentes como reforço argumentativo de sua fundamentação. Cabe ainda ressaltar que a respeitável jurisprudência colacionada não vincula as decisões deste órgão colegiado. Quanto à duplicidade da multa, destaquese a redação do art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Nesse mister, pela minudência e fundamentação didática, tomo de empréstimo os excertos da decisão de piso a respeito: A infração é caracterizada tão somente pela falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, independentemente do contribuinte possuir créditos na escrita fiscal suficientes para compensar os débitos assim apurados, ou que tenha recolhido uma parcela dos débitos devidos. A conjunção “ou”, aposta no trecho do texto legal (“imposto que deixou de ser lançado ou recolhido”), indica situações alternativas e não cumulativas, referindose a segunda situação exclusivamente na hipótese de se apurar saldo devedor no período. No caso concreto, consta no Auto de Infração (fl. 1.014/1.015) um total de R$ 8.890.894,91 de IPI não lançado nas notas fiscais e não escriturados. Deste total, R$ 5.843.609,44 resultaram em imposto a recolher (saldo devedor apurado nos meses de janeiro de 2010 a outubro de 2011) e R$ 3.047.285,47 foram compensados pelos créditos gerados nas entradas. É o que se vê nos demonstrativos do auto de infração (fls. 1.016/1.019): · Total do IPI não lançado = R$ 8.890.894,91. · IPI não lançado sem cobertura de crédito = R$ 5.843.609,44. 2 Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 13971.720629/201367 Acórdão n.º 3302005.297 S3C3T2 Fl. 1.237 11 Multa de 75% _ R$ 5.843.609,44 x 0,75 = R$ 4.382.707,10. · IPI não lançado com cobertura de crédito = R$ 3.047.285,47. Multa de 75% _ R$ 3.047.285,47 x 0,75 = R$ 2.285.464,11. Ante o exposto, VOTO POR CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO E NA PARTE CONHECIDA, REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 1242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720021/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições.
OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições.
OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à glosa de créditos de fretes e, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao Recurso quanto à inclusão das bonificações na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Recurso negado.
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OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das contribuições. OMISSÃO DE RECEITAS Bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à glosa de créditos de fretes e, pelo voto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 21 /2 01 1- 92 Fl. 354DF CARF MF 2 qualidade, por negar provimento ao Recurso quanto à inclusão das bonificações na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração de PIS e COFINS relativamente ao primeiro trimestre de 2006. Basicamente, nos termos do descrito no TVF, o lançamento foi levado a efeito tendo em vista o seguinte: Glosa de despesas de frete na operação de venda: valores constantes como créditos a descontar na linha 07 das fichas 6A (PIS) e 16A (COFINS) dos DACON a título de "despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda". Averba a fiscalização nos termos das legislações de regência que só poderão ser descontados créditos relativos à despesas incorridas com fretes utilizados na operação de venda e de bens adquiridos para revenda quando o ônus for suportado pelo vendedor. Intimado a segregar os lançamentos contábeis a esse título, discriminando, separadamente, as despesas com fretes na operação de venda, das despesas de combustíveis, lubrificantes, armazenagem, concluiu a fiscalização que descabe o crédito com despesas de armazenagem e que das despesas de fretes contabilizadas somente podem ser deduzidas aquelas referente a contratações "de fretes ocorridas nas operações de vendas de mercadorias", não podendo ser deduzidas as despesas com combustível e lubrificantes utilizados pela empresa em sua frota. O documento 14 detalha os valores das glosas; O outro item do auto de infração referese à subvaloração da base imponível das contribuições por não ter o contribuinte oferecido à tributação as "bonificações recebidas de fornecedores em disponibilidade". Informa a fiscalização que "o recebimento destas disponibilidades ocorreu de formas variadas, quais sejam, recursos em moeda contabilizados a débitos em contas correntes bancárias, ou ordens de pagamento sem identificação ou cheques em carteira, posteriormente destinadas a depósito em contas bancárias do sujeito passivo". Afirmou o Fisco: Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10970.720021/201192 Acórdão n.º 3402004.937 S3C4T2 Fl. 355 3 Conclui a fiscalização "que o art. 1º, § 2º, da Lei 10.637/2002 (PIS) e o art. 1º, § 2º, da Lei 10.833/2003, preconizam que os recursos auferidos a título de bonificações em disponibilidade (verbas repassadas pelos fornecedores) devem integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativa pois se enquadram no conceito de faturamento", e acresce: Na sequência a fiscalização detalha a forma como a empresa vinha contabilizando tais valores para demonstrar a distorção que ela acarreta, pois "esta receita de bonificações vai para a apuração da base de cálculo de IRPJ e da CSLL, mas não vai para a base de cálculo do PIS e COFINS devidos". Esta distorção fica evidenciada pela fiscalização, conforme o que abaixo reproduzse: O documento 16 demonstra os valores da base de cálculo das contribuições refeitas pelo Fisco, e os valores finais a pagar encontramse nos "Demonstrativos de Apuração do PIS e COFINS e da Movimentação dos Saldo de Créditos a Descontar", conforme docs. 10 e 04, respectivamente. Impugnado o lançamento, a DRJ/JFA (fls. 315/319) manteve o mesmo na íntegra. Não resignada, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 325/340). Alegou em síntese: EM RELAÇÃO À GLOSA DOS FRETES Que dedicase "ao comércio atacadista de mercadorias em geral, na modalidade de atacadistadistribuidor, adquirindo grandes quantidades de mercadorias diretamente dos fabricantes, de outros atacadistas ou de importadores, armazena, revende tais Fl. 356DF CARF MF 4 mercadorias e as entrega, diretamente nos estabelecimentos varejistas, compradores, por meio de veículos próprios e de terceiros, nos mais diversos pontos do território nacional". No ano de 2007, averba, utilizava 240 caminhões de sua propriedade para entrega de mercadorias revendidas em cerca de 1.500 estabelecimentos em pelos menos 17 estados da Federação. Entende, em suma, que para que seja admitido o princípio da nãocumulatividade "todos os custos e despesas necessárias à atividade comercial sobre os quais tenha incidido as guerreadas contribuições nas etapas anteriores sejam passíveis de creditamento". Entende que a expressão "despesas com frete" constante das leis de regências das contribuições no sistema não cumulativo "não tem um sentido único de "fretes contratados", nem pode ser interpretada de forma isolada sem se considerar todo o complexo jurídico tributário que levou à implantação da incidência do PIS e da COFINS, pelo regime nãocumulativo", discorrendo sobre tal tese. Ou seja, em suma, entende que devem ser admitidas as despesas por ela incorridas para entregar as mercadorias que revende utilizandose de frota própria. Entende que "a lei utiliza a palavra FRETE e não expressão frete contratado". Colaciona jurisprudência que vai ao encontro de sua assertiva. E conclui, no ponto, que tem direito de aproveitar, "a título de despesas com frete", os gastos incorridos e pagos, na compra de combustíveis e de lubrificantes que utilizou em veículos de sua propriedade que fizeram a entrega aos compradores das mercadorias a ele vendidas"; SOBRE AS BONIFICAÇÕES RECEBIDAS DE FORNECEDORES, EM DISPONIBILIDADES Alega que tais bonificações foram recebidas incondicionalmente, independente de qualquer contrapartida por parte da compradora e que são destinados, basicamente, a reduzir os custos das diversas mercadorias compradas da empresa bonificadora com o objetivo de incentivar as vendas de seus produtos. Elas permitem, alega, que os fornecedores reduzam os custos das mercadorias a serem revendidas, "tornando os preços finais de venda mais atrativos e competitivos". Consigna que elas não representam receitas e que foram corretamente contabilizadas a crédito de contas de descontos obtidos e de uma contra representativa de ações comerciais de incentivo a vendas, e que, por tal, não integram a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS, e como, continua, são contas de resultado são encerradas no balanço como redutoras de custo das mercadorias vendidas e provocam aumento do lucro líquido, tendo sido tributadas pela CSLL e pelo IRPJ. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire A GLOSA DE CRÉDITOS A empresa informa que efetua, em veículos próprios, a entrega das mercadorias que revende e alega que os valores glosados da base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins são indevidos visto que não há previsão de limitação alguma, quanto ao direito do contribuinte de considerar como créditos no cálculo da COFINS, de despesas realizadas com fretes feitos com utilização de veículos próprios, como é o caso dos combustíveis e lubrificantes O inciso IX do art. 3º e o inciso II do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/2003, que admitem o crédito para a Cofins e PIS/Pasep relativamente à “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10970.720021/201192 Acórdão n.º 3402004.937 S3C4T2 Fl. 356 5 vendedor”, não se aplica à empresa, pois a armazenagem e frete aí mencionados, evidentemente, referemse aos serviços de terceiros, prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País, e não às despesas próprias. O transporte de produtos, executado por empresa dedicada a atividade comercial, entre seus estabelecimentos ou destes para os clientes, não caracteriza o frete da operação de venda de que trata a legislação. Ainda assim, em que pese a extensa argumentação recursal no sentido de tentar demonstrar que despesas com combustíveis e lubrificantes, quando efetuadas por empresas que efetuam a entrega das mercadorias vendidas por meio de transporte próprio, geram crédito de PIS/Pasep e Cofins, entendo que, para a solução da lide no presente lançamento, a discussão sobre se as despesas com esse tipo de operação se caracterizam como aquelas relativas “frete na operação de venda” é de todo dispensável, tendo em vista a norma de regência. Os citados incisos IX do art. 3º e II do art. 15, da Lei 10.833/2003, estabelecem para a Cofins e para o PIS/Pasep, respectivamente, que “do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Dessumese que, nos termos do comando legal transcrito, para que a empresa possa se apropriar de créditos relativo “frete na operação de venda”, é indispensável que o ônus seja suportado pelo vendedor, o que não ocorre no caso em tela. A recorrente informa que “no exercício da sua atividadefim, prevista no contrato social, de atacadistadistribuidor, revende mercadorias adquiridas no atacado, diretamente das indústrias ou de importadores, a comerciantes varejistas ou a outros atacadistas e as entrega nos estabelecimentos indicados pelos compradores, utilizando veículos (caminhões) de sua propriedade e assumindo todo o ônus do transporte (frete), cujo custo está embutido no preço das mercadorias revendidas”, e ainda que “os custos dos combustíveis consumidos são incluídos nos preços das mercadorias revendidas”. Significa dizer que a impugnante transfere o ônus da despesa de frete para o comprador, o que é exatamente o inverso do que preconiza o dispositivo legal acima citado. Na verdade, é normal no comércio atacadista, e até mesmo no varejista, a transferência do custo do transporte da mercadoria vendida ao comprador, quando o local de entrega for distante da sede da vendedora. Algumas empresas cobram o valor do frete de forma destacada, outras, como a impugnante, embutem esse valor no preço final da mercadoria vendida. Em qualquer dos casos não existe direito ao crédito de PIS/Pasep e Cofins, visto que o ônus não é suportado pelo vendedor e sim pelo comprador. Portanto, correta a glosa. A INCLUSÃO DAS BONIFICAÇÕES NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES No presente auto de infração, foram tributados como “omissão de receitas” os valores recebidos, em moeda, de fornecedores a título de bonificações cujo objetivo seria a promoção de ações comerciais e precificação. Fl. 358DF CARF MF 6 Quanto à base de cálculo da contribuição para a Cofins, a Lei 10.833/2003 estabelece: Art 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Assim, não existe dúvida de que toda e qualquer receita auferida pela empresa integra a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep a para a Cofins. A impugnante alega que por não representarem receitas, os respectivos valores, em consonância com as normas brasileiras de contabilidade e os princípios contábeis geralmente aceitos, foram corretamente contabilizados a crédito de contas de descontos obtidos e uma conta representativa de ações comerciais de incentivo a vendas. Em verdade, os valores recebidos são descontos e não receitas auferidas. Ora, descontos, sejam eles incondicionais ou não, são valores que reduzem o total pago em uma determinada compra. No caso, a empresa em vez de redução recebeu um acréscimo de receita. Usando dos exemplos constantes no Termo de Verificação Fiscal (TVF), teríamos a seguinte situação: a empresa pagou R$ 100,00 recebeu os mesmos R$ 100,00 em mercadorias e mais um acréscimo de R$ 10,00. Desconto não é, visto que a adquirente ao invés de pagar menos, recebeu mais. Até se poderia admitir hipótese de desconto, se, no exemplo acima, a empresa ao receber os R$ 10,00 de bonificação usasse como base de cálculo dos créditos de PIS/Pasep e Cofins, o valor de R$ 90,00. Assim, outra não pode ser a conclusão de que tais bonificações recebidas em moeda corrente integram a base de cálculo das contribuições, nos termos da legislação de regência. Nesse sentido, vários julgados da 3ª Turma da CSRF. Como exemplo, citese o Acórdão 9303004.608, de 26/01/2017, cuja ementa, neste mérito, dispõe: COFINS NÃOCUMULATIVA. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições nãocumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. CONCLUSÃO Forte em todo exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10970.720021/201192 Acórdão n.º 3402004.937 S3C4T2 Fl. 357 7 É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.907123/2012-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para solicitar ao recorrente, que junte nestes processos, em conformidade com a planilha acostada aos autos, para juntar as Notas Fiscais naquele documento listadas, para após, proceder à análise dos documentos porventura trazidos e acostados no cumprimento desta diligência. Ainda, caso entenda necessário, intimar o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a confirmar a existência do alegado indébito.
(assinado digitalmente)
ORLANDO RUTIGLIANI BERRI - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para solicitar ao recorrente, que junte nestes processos, em conformidade com a planilha acostada aos autos, para juntar as Notas Fiscais naquele documento listadas, para após, proceder à análise dos documentos porventura trazidos e acostados no cumprimento desta diligência. Ainda, caso entenda necessário, intimar o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a confirmar a existência do alegado indébito. (assinado digitalmente) ORLANDO RUTIGLIANI BERRI - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
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DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para solicitar ao recorrente, que junte nestes processos, em conformidade com a planilha acostada aos autos, para juntar as Notas Fiscais naquele documento listadas, para após, proceder à análise dos documentos porventura trazidos e acostados no cumprimento desta diligência. Ainda, caso entenda necessário, intimar o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a confirmar a existência do alegado indébito. (assinado digitalmente) ORLANDO RUTIGLIANI BERRI Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, não houve reconhecimento de direito creditório tendo sido considerao insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 07 12 3/ 20 12 -1 9 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.907123/201219 Resolução nº 3001000.055 S3C0T1 Fl. 101 2 Manifestação de Inconformidade Alega a recorrente ter procedido a revisão de sua escrita fiscal, constatando, neste procedimento, a apuração equivocada de Cofins, o que teria resultado em pagamento a maior. O despacho decisório entendeu por não homologar a compensação em razão da insuficiência de provas acostadas a fim de fazer valer a apuração tida por incorreta. A origem do crédito poderia ser observada, segundo consta, entre o cotejo da DACON. DCTF e o comprovante de recolhimento, uma vez que deduzido o valor da Cofins efetivamente devido, resta salutar a existência do crédito. Para fins de comprovação de seu direito, junta, dentre outros, planilhas explicativas da origem do crédito, constando coluna enumerando as notas fiscais que deram origem aos créditos de entrada, e, demonstrando a apuração. DRJ/RPO A decisão sobre a manifestação de inconformidade apresentada teve a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/12/2008 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: Trata o presente de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins, referente ao fato gerador de novembro/2008. A DeratSP, por meio do despacho decisório de fl. 7, indeferiu o pedido porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir o próprio tributo, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, de fls. 12/17, alegando, em resumo, que, relativamente ao mês de novembro de 2008, o valor da contribuição devida era de R$ 109.146,95, mas que realizou um pagamento de R$ 130.829,10, resultando assim em um indébito no valor original de R$ 21.682,15, que utilizou para compensar com débito da Cofins referente a Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.907123/201219 Resolução nº 3001000.055 S3C0T1 Fl. 102 3 agosto/2009, conforme cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), que anexa. Assim, alega, em síntese, que a não homologação da compensação padeceria de falta de motivação fática e legal, pois deveria ter sido permitida a colaboração da interessada no procedimento ou uma simples consulta à DCTF da interessada e ao comprovante de pagamento para se constatar a existência do indébito. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. Recurso Voluntário Em seu Recurso Voluntário, a recorrente limitouse a reprisar os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem, solicite ao recorrente, que junte neste processo, em estrita conformidade com a planilha acostada em fls., para juntar as Notas Fiscais naquele documento listadas, para após, proceder à sua análise. Ainda, caso entenda necessário, intime o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a confirmar a existência do alegado indébito, de modo a confirmar a existência do alegado indébito, no que tange à alegação de ter incorrido em erro na apuração Cofins. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905373/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras.
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.953
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 73 /2 01 2- 45 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10283.905373/201245 Acórdão n.º 3302004.953 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório pela unidade de origem que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega em síntese que: • Sua manifestação de inconformidade era tempestiva e afirmou que recebeu a Intimação da Exigência em 23/01/2013 e apresentou a manifestação em 22/02/2013. • Ressalta, que “ainda que o recurso seja intempestivo, o que se admite apenas para fins de argumentação, a autoridade local encarregada da administração do tributo (Delegacia da Receita Federal em Manaus) não é competente para julgar a tempestividade do recurso, devendo este seguir para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, órgão competente para julgar tal fato, conforme previsão do art. 35 do Decreto nº 70.235/72.” • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10283.905373/201245 Acórdão n.º 3302004.953 S3C3T2 Fl. 4 3 • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo de energia elétrica prevista no inciso III, conforme DACONs retificadoras para pagamento das contribuições vencidas no período; • “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. 17ª TURMA ACÓRDÃO N° 1246124 de 10 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em face das evidências de erro na apuração e recolhimento do tributo, e não se verificando outros impedimentos ao reconhecimento do direito creditório alegado, cumpre admitir a compensação promovida até o limite do crédito informado na DCOMP. 3ª TURMA ACÓRDÃO N° 1638673 de 11 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO. SALDO UTILIZÁVEL. Verificado erro no despacho decisório, o qual afirmara equivocadamente ter sido o valor pago indevidamente totalmente utilizado em momento anterior, restabelecese o direito ao crédito contra o Fisco a ser utilizado nas compensações constantes da DCOMP. Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 • “é fato que a Declaração entregue à Receita Federal do Brasil pela Manifestante não nega seu direito à compensação e, mais, comprova a legitimidade de seu comportamento idôneo.” • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo e homologar integralmente a PER/DCOMP constante nos autos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08 033.532. O fundamento adotado foi o de que a manifestação de inconformidade havia sido apresentada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal, considerandose, portanto, intempestiva. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10283.905373/201245 Acórdão n.º 3302004.953 S3C3T2 Fl. 5 4 Cientificada, a requerente protocolou o recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em sede de preliminar, a recorrente alegou que a decisão do órgão julgador de primeiro grau de não analisar o mérito em razão da apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade não merecia prosperar, pelas seguintes razões: a) a manifestação da inconformidade fora apresentada com apenas 1 (um) dia de atraso, porque não fora possível protocolar no dia 21/1/2015, mas somente no dia seguinte, por “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.”; e b) não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.”; e c) a autoridade julgadora desconsiderou os princípios basilares do processo administrativo, a saber, os Princípios da Verdade Material, da Moralidade e do Informalismo Moderado É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.936, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10283.905335/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.936): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese à preliminar de intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, que foi apreciada no julgamento de primeiro grau, por força do que dispõe o art. 56, § 2º, do Decreto 7.574/2011, a seguir transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14e15). [...] Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10283.905373/201245 Acórdão n.º 3302004.953 S3C3T2 Fl. 6 5 §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [...] (grifos não originais) Não há controvérsia nos autos quanto ao descumprimento do prazo de apresentação da manifestação de inconformidade. Nas próprias peças defensivas colacionadas aos autos, a recorrente, expressamente, reconhecera que a peça instauradora do litígio fora apresentada no dia seguinte ao vencimento do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Diante dessa constatação, não remanesce qualquer dúvida que, como não foi instaurado o litígio em relação ao mérito, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972, induvidosamente, este Colegiado não poderá se manifestar sobre as questões meritórias alegadas pela recorrente no recurso em apreço. Portanto, a presente análise limitarseá à preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pela recorrente. E em relação a essa questão, no recurso em apreço, a recorrente alegou que a manifestação da inconformidade não fora apresentada dentro prazo legal, porque “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.” Acontece que a recorrente não trouxe à colação dos autos nenhum elemento probatório que confirmasse o alegado. Assim, em razão dessa omissão, por razão óbvia, não há ser acatada tal alegação. A recorrente alegou que não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.” No âmbito do processo administrativo fiscal, por disposição expressa do caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado ao julgador afastar aplicação ou deixar de observar preceito legal dotado de plena vigência e eficácia, inclusive, em situações que, em tese, possa configurar conflito com os princípios constitucionais explícitos ou implícitos. Assim, ainda que se possa vislumbrar, no caso em tela, algum conflito com os princípios da razoabilidade, ampla defesa e do contraditório, há de prevalecer o disposto no art. 14, combinado com o disposto no art. 15, ambos do Decreto 70.235/1972. Portanto, não há como acatar a presente alegação suscitada pela recorrente. Com base no mesmo fundamento, também não merece acolhimento a alegação da recorrente de que a autoridade julgadora desconsiderou princípios basilares do processo administrativo, tais como os princípios da verdade material, da moralidade e do informalismo moderado. Aliás, no caso, não houve desconsideração dos referidos princípios no julgamento de primeiro grau, haja vista que as autoridades julgadoras Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10283.905373/201245 Acórdão n.º 3302004.953 S3C3T2 Fl. 7 6 não apreciaram as questões meritórias, por estrito cumprimento do disposto nos referidos preceitos legais. Com base nessas considerações, resta demonstrado que a decisão de primeiro foi proferida com estrita observância das normas legais que regem o processo administrativo fiscal, portanto, não há qualquer reparo a ser feito. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão recorrida. Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não trazendo a recorrente à colação dos autos nenhum elemento probatório que infirmasse a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10293.720080/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Constatada a necessidade de esclarecimento quanto a questão relevante, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para que eventual obscuridade apontada seja sanada.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE
AVERBADO.
Cabe excluir da tributação do ITR a área de reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-006.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.347, de 30 de março de 2017, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: Patrícia da Silva
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a necessidade de esclarecimento quanto a questão relevante, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para que eventual obscuridade apontada seja sanada. ÁREA DE RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Cabe excluir da tributação do ITR a área de reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador.
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Constatada a necessidade de esclarecimento quanto a questão relevante, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos, para que eventual obscuridade apontada seja sanada. ÁREA DE RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Cabe excluir da tributação do ITR a área de reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9202005.347, de 30 de março de 2017, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 72 00 80 /2 00 7- 11 Fl. 162DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Cuidase de Embargos interpostos pelo Conselheiro Relator do Voto Vencedor, como segue: Tratase de embargos de declaração de iniciativa deste membro do Colegiado, com fulcro no previsto no art. 66 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Refirome aqui ao Acórdão nº 9.202005.347, deste Colegiado, julgado na sessão plenária de 30 de março de 2017, onde, pelo voto de qualidade, deuse provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Transcrevese a ementa e decisão do julgado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, não tendo ocorrido tal apresentação, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . Decisão: por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. A propósito, notase, no referido Acórdão, a existência de lapso manifesto a ser sanado, tanto em sua Ementa como no voto vencido de iniciativa da Relatora e no voto vencedor representativo da maioria qualificada do Colegiado, uma vez que se tratava, no feito, de julgamento de Area de Reserva Legal em litígio, com averbação de TRAL ocorrida antes do fato gerador (vide efls. 17 e 33 a 35) e não de Área de Preservação Permanente, como assumido pelo Colegiado durante a sessão julgadora. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10293.720080/200711 Acórdão n.º 9202006.491 CSRFT2 Fl. 163 3 É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Perfeitamente delineada a contradição da decisão da turma com relação ao acórdão como publicado, entendo seja necessário rever a decisão, partindo do pressuposto apontado: de área de Reserva Legal em litígio, com averbação de TRAL ocorrida antes do fato gerador (vide efls. 17 e 33 a 35). Assim, para que não haja teratologias e por irrepreensíveis as razões do voto vencedor, colaciono: Assim, consoante entendimento dominante da CSRF, aceito a apresentação intempestiva do ADA ou da comunicação da existência da áreas isentas ao órgão de fiscalização ambiental, desde que antes do início da ação fiscal. Isso porque, até essa data, seria possível ao órgão ambiental começar espontaneamente procedimento de verificação das informações. Assim, no exame do caso concreto, se faz necessário investigar se o contribuinte, até o início do procedimento fiscal 09/ 08/2007. (fl. 12), já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência da área de reserva legal declarada. A Certidão de fls. 36/38 comprova que, antes da data de ocorrência do fato gerado (01/01/2005), já havia ocorrido a comunicação da existência da área de reserva legal ao órgão de fiscalização ambiental, eis que foi firmado, em data de 02 de maio de 2003, Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal entre o proprietário do imóvel e o instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA com área de 13.951,20 ha. Dessa forma, restando também comprovada a comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental da área de reserva legal de 13.951,20 ha, tal área deve ser aceita para fins de exclusão da área tributável pelo ITR. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer a área de reserva legal de 13.951,20 ha. Assim, voto no sentido de conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9202005.347, de 30 de março de 2017, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 164DF CARF MF 4 Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.006301/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa na qual esteja escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO.
Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições nas hipóteses previstas em lei.
PIS. COFINS. PAGAMENTOS EFETUADOS PELAS PESSOAS JURÍDICAS A OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO. RETENÇÃO NA FONTE. SERVIÇOS DE APOIO A FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS.
Embora sujeitas à retenção na fonte do imposto sobre a renda, os valores pagos a titulo de comissões pela prestação de serviços de apoio a operações de financiamento de veículos não se sujeitam à retenção na fonte das contribuições sociais, por falta de previsão legal.
SÚMULA CARF Nº. 28. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-000.781
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Carlos Pelá
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa na qual esteja escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições nas hipóteses previstas em lei. PIS. COFINS. PAGAMENTOS EFETUADOS PELAS PESSOAS JURÍDICAS A OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO. RETENÇÃO NA FONTE. SERVIÇOS DE APOIO A FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS. Embora sujeitas à retenção na fonte do imposto sobre a renda, os valores pagos a titulo de comissões pela prestação de serviços de apoio a operações de financiamento de veículos não se sujeitam à retenção na fonte das contribuições sociais, por falta de previsão legal. SÚMULA CARF Nº. 28. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário desprovido.
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10935.006301/200904 Acórdão n.º 140200.781 S1C4T2 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em função da omissão de receitas de comissões recebidas pela prestação de serviços de apoio à operações de financiamento, apuradas a partir de Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) entregues pelas fontes pagadoras e cópias de notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela autuada, enquanto que a empresa apresentou Declaração de Inatividade para o ano calendário 2005, DIPJ do ano 2006 zerada e nenhuma declaração relativa ao 1º semestre de 2007, tampouco tendo apresentado Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) ou Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). Assim, foram lançados os impostos em referência, fatos geradores 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, acompanhados por multa de oficio de 150% do art. 44, II da Lei n° 9.430/96 e juros de mora segundo o art. 61, § 3° da Lei nº. 9.430/96. Ressaltese que, regularmente intimada a contribuinte declarou não possuir livros Diário, Razão ou Caixa, somente registros de Prestação de Serviços e Controle de Pagamento do ISS (fl. 38), razão pela qual a apuração do montante lançado se deu no regime do lucro arbitrado. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 150/158) é possível verificar os demonstrativos dos Rendimentos Informados em DIRF de Terceiros. A empresa apresentou impugnação às fls. 202/209, alegando, em síntese: 1) que cabe às instituições financeiras reter o PIS e a COFINS incidentes sobre as comissões pagas à autuada, entendimento esse pacificado pelo STF, cabendo à autuada apenas destacar na nota fiscal essas retenções; portanto, contesta as exigências dessas contribuições, por se considerar isenta da obrigação de seu recolhimento. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10935.006301/200904 Acórdão n.º 140200.781 S1C4T2 Fl. 3 3 2) Quanto às declarações não entregues ou entregues com dados incorretos, o que acarretou a apuração de omissões de receita, no comparativo com os dados fornecidos pelas instituições financeiras, afirma que a culpa seria do contador, já que o mesmo tinha obrigação contratual de elaborar toda a escrituração contábil, possuindo a documentação pertinente. 3) O microempresário é leigo especialmente quanto à escrituração e a evolução da era digital permite que o contador emita declarações não conferidas pelo empresário. Assim, o arbitramento do lucro não seria justo para o caso da empresa. 4) A multa qualificada e a representação contra a contribuinte ao Ministério Público Federal são abusivas, já que a autuada cumpriu todas as exigências feitas pelo agente fiscal. Pleiteia a redução da multa aplicada no caso de manutenção dos lançamentos e a responsabilização do contador. A decisão recorrida manteve integralmente o lançamento por entender que: (i) as fontes pagadoras efetuaram apenas a retenção do IR, conforme DIRFs entregues (fls. 20/36). Portanto, descabidas as alegações sobre retenção na fonte de PIS e COFINS; (ii) nenhuma receita referente às atividades de compra, venda e consignação de veículos usados foi objeto de lançamento, razão pela qual descabida a alegação envolvendo substituição tributária; (iii) a não apresentação dos livros obrigatórios para apuração do lucro real implica na adoção do lucro arbitrado; (iv) a conduta da contribuinte configura sonegação fiscal capaz de ensejar a aplicação de multa qualificada; houve reincidência na infração; (v) a autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Inconformada, a contribuinte apresenta recurso voluntário tempestivo repisando os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A decisão recorrida não merece reforma. Embora sujeitas à retenção na fonte do IR, os valores pagos a titulo de comissões pela prestação de serviços de apoio a operações de financiamento de veículos não se sujeitam à retenção na fonte das contribuições sociais, por falta de previsão legal. Assim, não está sendo cobrada a retenção na fonte de PIS e COFINS como entendeu a contribuinte. Nesse passo, esclareçase que o auto de infração cobra PIS e COFINS devidos sobre as receitas cuja declaração foi omitida ao Fisco. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10935.006301/200904 Acórdão n.º 140200.781 S1C4T2 Fl. 4 4 No que tange à contestação do arbitramento do lucro e a suposta culpa do contador da empresa, transcrevo os fundamentos da decisão recorrida que tomo como meus: (...). Não procede tal alegação. De acordo com o que dispõe o art. 121, II do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, o sujeito passivo da obrigação principal é o contribuinte (a empresa), pois tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador; a responsabilização de um terceiro, no caso o contador, só seria possível se a litigante provasse que este era mandatário ou preposto seu e praticou atos com excesso de poderes ou infração a lei (art. 135, do CTN); mas, na impugnação, a contribuinte meramente afirma que, conforme contrato de prestação de serviços pactuado entre a autuada e o contador, "os acessórios contábeis deveriam ser leitos pelo contador", o que não é base para responsabilização de um terceiro. No que tange ao regime de apuração pelo lucro arbitrado, tem se que a contribuinte foi intimada, fls. 2, em 23/06/2009, a apresentar livros obrigatórios Diário e Razão dos ou livro Caixa e documentos que apóiam tais registros, livros de registro de Entradas e Saídas e Apuração do ICMS e Registro de 1SS; em 30/06/2009, declarou formalmente que não possui livros Diário, Razão e Caixa, tampouco extratos bancários do período solicitado, somente livros de entrada, saída e apuração do ISS, anexados às fls. 42/80, onde os registros referentes aos anos calendário 2005 e 2006 são sempre R$ 0,00 (zero), estando registra receitas somente de 02 a 06/2007, num total de R$ 25.588,80, enquanto que só de comissões de apoio a financiamentos foram informados em Dirf, rendimentos de R$ 119.115,20, nesse período, fl. 151. A empresa havia apresentado declaração de Inatividade para o anocalendário 2005, DIPJ pelo lucro presumido para 2006 totalmente zerada sem qualquer recolhimento e não apresentou declaração para o 1º semestre de 2007, fls. 7/19; também não declarou qualquer débito para esses períodos; portanto, se não efetuou a opção pelo lucro presumido, ou pelo lucro real anual o que deve ser efetivado mediante o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou do inicio das atividades, opção essa irretratável para todo o anocalendário, conforme determinam os arts. 222, parágrafo único e 232 do RIR de 1999; tal opção não foi efetuada, restando a apuração na regra geral, ou seja, pelo lucro real trimestral, impossibilitada pela ausência de escrituração contábil e respectiva documentação. Conforme disposto no art. 530, III do RIR de 1999, a não apresentação dos livros obrigatórios para a apuração do lucro real, implica na adoção do lucro arbitrado, o que foi corretamente, feito pelo autuante. (...). No que toca à aplicação de multa qualificada, compartilho do entendimento de que restou configurado o intuito de fraudar o Fisco. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10935.006301/200904 Acórdão n.º 140200.781 S1C4T2 Fl. 5 5 Muito embora tenha mostrado presteza com a fiscalização, fornecendo os documentos que tinha e informando os documentos que não tinha, não é possível conceber a ausência de dolo da autuada que não escritura suas movimentações e informa estar inativa em diversas DIPJ's, sabendo não ser esta sua realidade. Frisese que em alguns períodos a DIPJ foi entregue sem apontar qualquer movimentação. Em que pesem as alegações da contribuinte acerca do seu desconhecimento sobre os fatos narrados, não restou comprovado nos autos que seu contador tenha agido de forma ilegal, contrariando sua orientação. Não pode assim, pretender se beneficiar por sua própria torpeza. Logo, mantenho a multa qualificada. Finalmente, quanto às alegações sobre a abusividade da Representação Fiscal para Fins Penais, citese entendimento exposto no acórdão recorrido e sumulado por este Conselho: Súmula CARF nº. 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Posto isso, mantenho a decisão recorrida, de modo que voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16561.720135/2014-83
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. LEGALIDADE DA IN SRF 243/2002.
A IN SRF nº 243/2002 conforma-se à disposição do artigo 18, da Lei nº 9.430/1996, com redação conferida pela Lei nº 9.959/2000, ao proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-003.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. LEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. A IN SRF nº 243/2002 conformase à disposição do artigo 18, da Lei nº 9.430/1996, com redação conferida pela Lei nº 9.959/2000, ao proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 35 /2 01 4- 83 Fl. 3932DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratamse de recurso especial interposto por ABB LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrente”) em face do acórdão n. 1402002.390 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 2a Turma Ordinária, 4a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, considerando legítima a fórmula estabelecida pela IN 243/2002 para o cálculo dos ajustes de preços de transferência pelo chamado “método PRL60”. A referida decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF no 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produçaõ. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuraca̧õ do preco̧ parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O contribuinte interpôs recurso especial (efls. 3828 e seg.), o qual foi integralmente admitido por despacho (efls. 2660 e seg.), “admitindo a rediscussão da matéria em relação ao preço de transferência pelo do método PRL 60 previsto na Instruçaõ Normativa no 243, de 2002 em face do art. 18 da Lei no 9.430, de 1996, com alteracõ̧es da Lei no 12.715, de 2012”. A PFN, então, apresentou contrarrazões, nas quais, embora não apresente fundamentos para o não conhecimento do recurso especial do contribuinte, requer lhe seja negado provimento (efls. 3913 e seg.) Fl. 3933DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.933 3 Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos para a admissibilidade do recurso especial, razão pela qual não merece reparos. 1. A evolução legislativa do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Suas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas prédeterminadas pelo legislador ordinário, um preço que seria praticado por partes independentes (“preço parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. Assim, por exemplo, se em uma operação de importação entre partes vinculadas o importador brasileiro realizar o pagamento de $25,00 por um bem cujo preço parâmetro seja de $10,00, a legislação dos preços transferência determinará um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL, de forma a se adicionar a parcela excedente ($15,00) e, assim, acrescer a base tributável e consequentemente aumentar o montante dos tributos devidos. O preço parâmetro, nesse exemplo, corresponde ao limite da dedutibilidade do custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de relações societárias mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Entre os referidos métodos, interessa ao recurso especial em julgamento o Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Em sua redação original, o art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, previa apenas a margem de lucro de 20% para o cálculo do preço parâmetro conforme o método PRL (doravante “PRL20”): Fl. 3934DF CARF MF 4 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; Em 1999, por meio da Medida Provisória nº 2.0134, convertida na Lei n. 9.959/2000, foi introduzida alteração na alínea “d” desse dispositivo, que passou a dispor quanto à possibilidade da adoção da margem de lucro de 60% para o cálculo do método PRL dos preços de transferência (PRL60), com especial destaque à parte em negrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Na sequência, foi editada pela Secretaria da Receita Federal (doravante “SRF”) a IN 113/2000, que dispunha “sobre as hipóteses de utilização do Método do Preço de Revenda menos Lucro”. Em 2001, foi editada a IN 32, que incorporou os enunciados da IN 113/2000 ao indicar a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do PRL 60, com especial destaque à parte em negrito: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens; b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. Fl. 3935DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.934 5 § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, Pis/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação de pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere o inciso IV, alínea "a" do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens , serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Fl. 3936DF CARF MF 6 Em 2002, embora não tenha sido realizada nenhuma reforma por meio de Lei, a IN 243 tornou público que a SRF conduziria uma ampla mudança na metodologia de cálculo do PRL60, com o abandono das fórmulas anteriormente adotadas na IN 113/2000 e na IN 32/2001. Esse é o cerne do recurso especial em análise. Os enunciados da IN 243/2002 relativos à matéria seguem transcritos, com destaque à parte em negrito: MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. Fl. 3937DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.935 7 § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Em 2012, por sua vez, por meio da Medida Provisória nº 563, convertida na Lei n. 12.715/2012, foram introduzidas amplas alterações na Lei n. 9.430/96, contemplando todo o inciso II desse dispositivo e tornandoo mais apto a fundar a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o Fl. 3938DF CARF MF 8 custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e (…) É evidente a distinção dos textos adotados, de um lado, pela IN 243/2002, e de outro lado, pela IN 32/2001 e especialmente pela Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. O quadro a seguir compara os dispositivos mais dessas três fontes do Direito mais relevantes à solução do presente caso concreto: FONTE PRIMÁRIA: Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000 FONTE SECUNDÁRIA: IN 32/2001 FONTE SECUNDÁRIA: IN 243/2002 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: (...) V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. As diferenças textuais em questão são relevantes para a solução do recurso especial em análise, conforme tópicos abaixo. 2. As fórmulas adotadas em cada etapa dessa evolução legislativa para o cálculo do PRL60. Fl. 3939DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.936 9 O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Considerando o conhecido valor líquido da operação de revenda (PR) e a margem de lucro (L) apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP), que será o valor limite para que o correspondente bem, serviço ou direito importado de parte vinculada seja dedutível da base de cálculo do IRPJ ou da CSL. Notese que cada um desses fatores possui uma função determinante na fórmula prescrita no art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, o que evidencia a decisão consciente do legislador ordinário ao enunciar a Lei n. 9.959/2000, sendo relevante destacar que: quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (relacionada) sem o controle da administração tributária dos preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcelas dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passam a ser indedutíveis. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal na IN 113/2000 e na IN 32/2001, (vide tópico “1”, acima) e encontrou justificativas por diferentes perspectivas, a saber: Equilíbrio. A adoção de uma margem de lucro de elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil dessa base; Indução positiva. O legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento e de incentivo à produção nacional, de forma que: quanto maior for a agregação de valor no Fl. 3940DF CARF MF 10 Brasil, maior será o preçoparâmetro e, consequentemente, menor será o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela da Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Como se evidenciou no tópico “1”, acima, o legislador ordinário apenas realizou uma reforma legal para incorporar essa “melhoria” em 2012, com a edição da Lei n. 12.715. Por sua vez, em 2002, a IN 243 indicou a necessidade da adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia a correta decorrência da Lei n. 9.959/2000. Analiticamente, o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”, abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: PP =VDBI * 100% * PR – L60% * VDBI * 100% * PR) VDBI + VA VDBI + VA Em que: VDBI à valor declarado do bem importado PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Como se pode observar, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Supõese que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois isso não teria sido contemplado pelo legislador. A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula, diversa daquela que até então seria de aceitação geral: PP = PR − L − VA L = 60% PR A fórmula da IN 243/2002, conforme alegado, expressaria com maior clareza e, ainda, imprimiria melhorias a essa segunda fórmula que supostamente seria possível abstrair do texto do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Conforme a fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o Fl. 3941DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.937 11 insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente fundamentaria a IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% deveria incidir apenas sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60 ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Analítico da fórmula para o cálculo da “margem de lucro” 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda diminuído do valor agregado no Brasil. 60% apenas da parcela do preço líquido de venda do produto proporcional à participação dos bens, serviços ou direitos importados. Analítico da fórmula para o cálculo do “preço parâmetro” Totalidade do valor líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR = 100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL 60: ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Aplicação das fórmulas ao exemplo proposto: L = 60% (100,00 – 50,00) PP = 100,00 – 30,00 L = 60% * 100,00 PP = 100,00 – 60,00 – 50,00 RESULTADO 70,00 10,00 Fl. 3942DF CARF MF 12 A função de tais fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, de forma as operações consideradas arm’s length, conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”, enquanto que, para a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “ R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI1, em obra de referência sobre o tema dos preços de transferência: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preçoparâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador.” Restando evidenciado que a IN 243/02 veicula fórmula diversa, supostamente vocacionada a “melhor” tratar do problema da proporcionalidade do insumo utilizado na produção do produto nacional, surge a questão crucial do presente recurso especial: a referida Instrução Normativa possui legitimidade para tanto e agiu nos lindes de sua competência regulamentar? É o que será analisado no tópico seguinte do deste voto. 3. As fontes formais do Direito tributário e o extravasamento das funções da IN 243/2002. O tema das fontes é fundamental ao Direito tributário pátrio. Nosso ordenamento apresenta peculiar complexidade, com elevado número de espécies normativas, cada qual com uma função própria, vocacionadas à impressão juridicidade, eficiência, segurança jurídica, inteligibilidade, coesão, coerência e completude ao sistema jurídico. 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. Fl. 3943DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.938 13 Sob uma perspectiva formalística2, as referidas espécies normativas podem ser organizadas em fontes primárias3 e fontes secundárias4 do Direito tributário. A Lei n. 9.430/96 é fonte primária do Direito tributário. Em face do princípio da reserva legal, o legislador ordinário possui competência privativa para estabelecer o método de cálculo do preço parâmetro para possíveis ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSL, adotando como diretriz fundamental a tributação da renda conforme o acréscimo patrimonial. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá influenciar na composição da base de cálculo desses tributos, com potencial de redução dos custos dedutíveis na apuração do acréscimo patrimonial tributável, tratase de matéria sob a competência privativa do legislador ordinário. É o que se depreende da Constituição Federal, art. 150, I, e do Código Tributário Nacional, art. 97. A IN 243/2002, por sua vez, é fonte secundária do Direito Tributário, cuja função subalterna é de aclarar ou atribuir maior operacionalidade à norma prescrita pela Lei n. 9.430/96, que é a fonte primária. Notese que nenhuma das partes discorda da função limitada e secundária das Instruções Normativas: essa é uma questão de direito incontroversa nesse processo administrativo. A questão que realmente desafia antagônicas posições neste processo administrativo é saber se a IN 243/02 extravasou os limites da Lei n. 9.430/96, descumprindo a sua função e restando despida de validade. De um lado, a administração fiscal atualmente argumenta que do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, seria possível abstrair ao mesmo tempo duas diferentes fórmulas, ainda que estas possam conduzir a resultados muito diferentes: a primeira fórmula seria aquela admitida pela IN 32/2001 e, a segunda, que supostamente daria fundamento à IN 243/2002. De outro lado, o contribuinte argumenta que apenas a fórmula indicada pela IN 32/2001 seria compatível com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. Assim, nenhuma das partes discorda que as normas prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, comportam a fórmula indicada pela IN 32/2001 para o cálculo do preço parâmetro apurado pelo método PRL60. A discordância se dá apenas em relação à fórmula prevista pela IN 243/2002, que é diferente. A discordância em questão exige o enfrentamento das seguintes questões: O legislador ordinário poderia outorgar à administração fiscal a escolha de uma entre diversas fórmulas para o cumprimento do método PRL60 de controle de preços de transferência? Se a resposta à questão precedente for positiva, o legislador ordinário efetivamente conferiu à administração fiscal tal outorga na vigência da Lei n. 9.430/96 com as alterações que lhe foram introduzidas com a Lei n. 9.959/2000? 2 As fontes do Direito tributário podem também ser observada por uma perspectiva material, a qual não contribui imediatamente para o tema em análise. 3 Em especial: Constituição Federal, Lei Complementar, Lei Ordinária, Medida Provisória, Tratados Internacionais, Decreto legislativo, Decreto (casos especiais), Convênio, Resolução. 4 Em especial: Decreto regulamentar; Instruções Normativas; Portarias; Normas complementares. Fl. 3944DF CARF MF 14 Se a resposta à questão precedente for positiva, a IN 243/2001 teria ou não adotado uma das possíveis fórmulas matemáticas comportadas pelos enunciados prescritivos do 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00? 3.1. A (im)possibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. O princípio da legalidade em matéria tributária não requer que todos e quaisquer elementos necessários à operacionalização de uma norma tributária estejam expressa e exaustivamente previstos em lei ordinária. A adoção de cláusulas gerais ou conceitos indeterminados não representa uma ofensa a priori a esse princípio, pois não se pode exigir do legislador ordinário o fechamento da totalidade dos conceitos5. Também não se pode afastar, a priori, a possibilidade de o legislador ordinário outorgar à administração fiscal dispor sobre elementos que favoreçam a aplicação da norma tributária, com procedimentos que lhe tornem mais operacionais, palatáveis e socialmente mais eficazes. No entanto, não pode o Poder Legislativo delegar ao Poder Executivo a competência para a seleção dos elementos componentes da hipótese de incidência ou do consequente normativo (obrigação tributária). A indelegabilidade da competência tributária, norma constitucional tão bem delineada na obra de ROQUE ANTONIO CARRAZZA6, impede que o legislador ordinário transfira à administração fiscal a eleição dos critérios componentes da base de cálculo do tributo ou de outros elementos atinentes à ocorrência do fato gerador do tributo, à sua quantificação ou à identificação do sujeito passivo. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá tutelar o controle dos preços de transferência e influenciar na composição do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSL, apenas a lei ordinária é competente para prescrever os seus termos. Aceita essa premissa, qualquer divergência de uma instrução normativa em relação à lei deverá ser resolvida com a vitória da lei, pois o legislador ordinário possui a competência privativa e indelegável de decidir sobre o matéria. Logo, diante de uma divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, esta última deveria ser aplicada sem questionamentos. Uma observação é necessária por dever de ofício: ainda que a assertiva do parágrafo anterior possa ser inconteste, caso o legislador ordinário descumpra o seu dever e delegue a sua competência à administração fiscal para a eleição dos elementos da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em tese, os julgadores do CARF, por força regimental, poderiam vir a ser constrangidos ao acatamento dessa lei ordinária e ao cumprimento da norma infralegal, editada diretamente pelo fisco. Ocorre que o RICARF7 reserva ao Poder Judiciário reconhecer inconstitucionalidades. Ao aceitarse tal situação em tese, tornase imediatamente relevante ao julgador administrativo a análise do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para verificar se, no caso concreto, há em seus enunciados a decisão clara do legislador ordinário de outorgar à administração fiscal a escolha da fórmula inerente ao método PRL60. 5 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 290 e seg. 6 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional. São Paulo : Ed. Malheiros, 2003, p. 425. “As competências tributárias são indelegáveis. Cada pessoa política recebeu da Constituição a sua, mas não a pode renunciar, nem delegar a terceiros. É livre, até, para deixar de exercitala; não lhe é dado, porém, permitir, mesmo que por meio de lei, que terceira pessoa a encampe.” 7 RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” Fl. 3945DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.939 15 No entanto, não há outorga expressa do legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, para que a administração fiscal compusesse uma fórmula que “melhor” se prestasse ao controle dos preços de transferência. Pelo contrário, a referida fórmula foi expressamente prescrita pelo legislador ordinário no aludido dispositivo. Conforme evidenciado no tópico “2”, acima, o legislador ordinário conscientemente elegeu a função de cada um dos fatores componente da fórmula para o cálculo do PRL60, não deixando espaço de discricionariedade para a administração fiscal. As normas da Lei n. 9.430/96 que prescrevem a fórmula para o cálculo do PRL60 são autoaplicáveis, não tendo a sua eficácia condicionada a instruções normativas ou outros atos infralegais. Por consequência, a administração fiscal tem o dever observar a fórmula compreendida imediatamente da Lei n. 9.430/96 para o cálculo do PRL60. 3.1.1. A tese da pluralidade semântica da Lei 9.430/96 e do papel integrativo da IN 243/2002. Se não houve outorga expressa do legislador ordinário à SRF, o intérprete persistente poderia cogitar da adoção, pelo legislador ordinário, de termos dotados de indeterminação semântica que implicitamente conferiria à administração fiscal a prerrogativa de arquitetar uma nova forma de cálculo do PLR60. Naturalmente tal expediente poderia ser questionado mesmo no âmbito do CARF, pois coerentes argumentos poderiam colocar em dúvida uma delegação implícita de tal nível. Ainda assim, não me furto de expor essa investigação, pois o seu resultado corrobora com a conclusão do presente voto: os enunciados prescritivos da Lei n. 9.430/96 seriam eivados de dubiedade suficiente para comportar pluralidade de fórmulas matemáticas capazes de conduzir a resultados muito diferentes o método PRL60? Um único elemento de dúvida parece surgir dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. Ocorre que o legislador ordinário acresceu ao artigo “o” a preposição “de”, no seguinte trecho abaixo sublinhado: “d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Ao que tudo indica, tal fator não altera a conclusão de que a fórmula que decorre imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, é aquela indicada pela IN 32/01. Tratase de mero erro de grafia do legislador, que não enseja pluralidade de sentidos quanto aos enunciados em questão. No entanto, a administração fiscal passou a suscitar que a preposição “de” teria o mérito de assegurar que a parcela do valor agregado fosse deduzida do próprio preço de venda e não da base de cálculo da margem de lucro. O passo seguinte a essa assunção seria a restruturação do enunciado prescritivo, para “melhorálo” e tornálo compatível com a fórmula adotada pela IN 243/2002. Notese que o acatamento desse argumento, para a legitimação da IN 243/2001, demanda que o intérprete reordene a forma como as alíneas foram dispostas pelo Fl. 3946DF CARF MF 16 legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9430/96, de modo a excluir a participação de parte do texto do item 1 da alínea “d” e, assim, “criar” uma nova alínea “e”, inexistente no texto aprovado pelo Congresso Nacional. Ou seja, para que a fórmula proposta pela IN 243/2001 pudesse ser suportada pela Lei n. 9.430/96 vigente à época dos fatos, o seu art. 18, II, deveria ser visualizado como se possuísse a seguinte redação: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (…) e) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; A referida tese não esconde a sua complexidade. Concluída essa restruturação do texto da art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, ainda não chegaria à fórmula da IN 243/2002, pois novas concessões ainda deveriam ser feitas para acomodar as inovações na fórmula indicada pela SRF. A IN 243/2002 não assumiria apenas a função que originalmente lhe seria rotineira, de imprimir maior operacionalidade, tornar palatável a sua compreensão aos agentes fiscais. Essa instrução normativa teria função mais sofisticada, de traduzir uma linguagem do legislador ordinário que a todos se apresenta como inteligível, de forma a expressar, de forma escorreita, a verdadeira mensagem que, embora de dificílima compreensão para a sociedade em geral, não teria passado desapercebida aos olhos da SRF. Tal como um oráculo, a IN 243/2002, então, conduz um rearranjo do art. 18, II, da Lei n. 9430/96, com a reconstrução estrutural do texto legal, uma série de novos fatores nas fórmulas “traduzidas” pela IN 243/2002. Em uma espiada muito brusca, o referido exercício pode aparentar tratarse de “interpretação” ou mesmo assumir o propósito de “integração”. Em teoria, no caso, o expediente da integração, tutelado pelo art. 108 do CTN, “pressupõe uma lacuna a ser preenchida, i.e., a falta de decisão do legislador acerca de determinada situação”8. Com isso, uma análise mais acurada evidencia que a IN 243/02 NÃO leva a cabo qualquer expediente de integração, mas realmente inova em matéria inserida no âmbito de competência privativa do legislador ordinário. Não há verdadeira lacuna no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. O legislador ordinário efetivamente manifestou decisão consciente quanto à formula a ser adotada para o cálculo do PRL60. A IN 243/02, em verdade, veicula uma segunda fórmula, capaz de alcançar resultados diversos da primeira e, com isso, desviase do plano normativo. 8 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 675 e seg. Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.940 17 Notese que um mero fator textual (acréscimo da preposição “de” ao objeto “o”), não é suficiente para se cogitar que esteja presente uma atribuição do legislador à SRF para que arquitetasse uma fórmula “melhor” ou de qualquer outra forma “diversa” daquela que se pode construir imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É relevante repetir que a referida construção argumentativa, que supostamente daria suporte à IN 243/2002, conduz a uma fórmula muito distinta, com resultados extremamente dispares. Merece destaque o seguinte trecho, do acima referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “3. Quesito. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a fórmula da Lei 9.430 é plurívoca e sugere que a IN 243 apenas decorre de uma das interpretações possíveis da Lei 9.430. Do ponto de vista da matemática, é possível afirmar que a IN 243 apenas interpreta a Lei 9.430? É possível deduzir a fórmula da IN 243 dos comandos contidos na Lei 9.430? Conforme já afirmamos na Constatação 3, não é verdade que a IN 243 é uma interpretação possível da Lei 9.430. Em sua defesa, a Fazenda Nacional emprega a fórmula em situações hipotéticas e dessas situações extrai conclusões genéricas. Essas conclusões são incorretas do ponto de vista matemático.” Na doutrina nacional, uma série de autores se opõe a essa (re)construção. Nesse sentido, LUÍS EDUARDO SCHOUERI9 leciona, in verbis: “7.8.3.5.1. De imediato, devese notar que tal entendimento contrariaria a própria literalidade do método. Afinal, o legislador da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/00, não acrescentou um quarto método àqueles aceitos para a apuração dos preços de transferência. Ou seja: o artigo 18 da referida Lei continuou contemplando, em seus três incisos, apenas três métodos. Nesse sentido, o que se teve foi, apenas, um desdobramento de um mesmo método: o método denominado, pelo próprio legislador, ‘Preço de Revenda menos Lucro’. Assim, pressupõese, pela literalidade do método, que se apure o preço parâmetro pela fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro’. Tivesse o legislador a intenção de modificar a fórmula, para passar a ser fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro menos valor agregado’, então no mínimo deveria ele, por coerência, deixar de chamar o método de ‘Preço de Revenda menos Lucro’.” Assim, ainda que se considere possível abstrair mais do que uma fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, as seguintes constatações são suficientes para a desconsideração da fórmula indicada pela IN 243/2002: não há decisão expressa ou mesmo implícita do legislador ordinário para que a SRF procurasse arquitetar uma fórmula “melhor” do aquela que se compreende imediatamente do texto legal; Fl. 3948DF CARF MF 18 a interpretação sustentada, que daria suporte à IN 243/2002, parte de uma construção argumentativa complexa, que por si só coloca em dúvida a sua correção; os limites da IN 243/2002 estão adstritos à regulamentação administrativa da aplicação do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para tornálo mais operacional, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais, esclarecer à sociedade interpretações específicas e, assim, dotar a norma legal de maior eficácia social. Qualquer previsão presente na IN 243/2002 que conduza ao incremento de ônus tributário, que não decorra da precedente decisão do legislador ordinário, devem ser desconsideradas. No subtópico seguinte, será analisada sob uma série de perspectivas a (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. 3.2. A (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. A fórmula indicada pela IN 243/2002, para o cálculo do método PRL60, é considerada por alguns como uma “melhoria” ao texto veiculado pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96: supostamente, terseia uma fórmula “melhor” para regular a aplicação da legislação de preços de transferência. Tais “melhorias”, no caso, converteriam os “preços de revenda menos lucro” (“PRL”) em “PRLVA” (preço de revenda menos lucro menos valor agregado). Ainda que se considere, por hipótese, que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, comporta mais do que uma fórmula matemática, seria preciso verificar se a IN 243/2002 teria adotado alguma destas (como sustenta a PFN) ou se teria extravasado os limites a que estaria adstrita (como sustenta o contribuinte). Os subtópicos seguintes apresentam fundamentos que conduzem à conclusão de que a fórmula indicada pela IN 243/96 para o cálculo dos preços de transferência é incompatível com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 3.2.1. Incompatibilidades formais e a ofensa ao princípio da legalidade aferida por critérios objetivos. Não vem ao caso, nesse subtópico, saber se o comparativo de superioridade que adjetiva a fórmula indicada pela IN 243/02 seria “melhor” ou “pior”. Interessa, aqui, constatar que ambos os adjetivos comparativos pressupõem que a fórmula indicada pela IN 243/02 seja de algum modo ou grau diferente daquela estabelecida no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É por si só relevante ou mesmo decisivo ao julgador aferir que a fórmula indicada pela IN 243/2002 é “diferente” daquela veiculada no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Ocorre que a Instrução Normativa deveria assumir tão somente a função de tornar mais operacional a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais e dotar a norma legal de maior eficácia social. Diante do monopólio reservado ao legislador ordinário para a decisão quanto à fórmula que deve ser 9 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.941 19 adotada para o método PLR60, os pontos de distinção da IN 243/02 em relação à Lei 9.430/96 têm a validade fulminada de plano, reclamando desconsideração pelos aplicadores do Direito. Como se pôde observar no tópio “1”, acima, a Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, NÃO autoriza uma série de elementos constantes na IN 243/2001, em especial: a exclusão do valor agregado no Brasil no cálculo do preço parâmetro. Conforme decisão do legislador ordinário, o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para o cálculo da margem de lucro; atribuirse relevância ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Não obstante, por meio da IN 243/2002, a SRF não só tomou a decisão de eleger como fator determinante o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido na composição da fórmula de cálculo do PRL60, como também estipulou qual seria esse percentual de participação. Merece destaque o seguinte trecho, do já referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 3. A IN não pode seguir como uma direta interpretação da Lei 9.430/96; é inevitável o acréscimo de alguns postulados, pressupostos ou comandos à lei para que desta possa ser derivada a IN 243. Do ponto de vista da lógica matemática, esta constatação é a consequência da combinação de dois fatos já provados acima: de um lado, sabemos (cf. Constatação 2) que a fórmula da IN 243 é diferente da da Lei 9.430/96; de outro lado, sabemos (cf. Constatação 1 e sua demonstração) que cada fórmula é expressão algébrica, única e fiel, do respectivo normativo. Logo, nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”. Como o tema em análise envolve fórmulas matemáticas, é contundente o parecer do referido Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel e Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Se os matemáticos derivam uma determinada fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, mas uma outra fórmula da IN 243/2002, bem como afirmam que, sob o ponto de vista matemático, “nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”, há evidência eloquente de que a Instrução Normativa divergiu da Lei, extravasando o seu âmbito de competência e infringindo a reserva legal. A IN 243/2001, como fonte secundária, teria a função de apenas atribuir maior operacionalidade, clareza e, assim, executar com fidelidade a fonte primária, que é a Lei Fl. 3950DF CARF MF 20 9.430/96. No entanto, a IN 243/2002 claramente nega eficácia à decisão do legislador ordinário, que supostamente não teria sido técnico o suficiente e dado ensejo a desequilíbrios. Correta ou não, cabe ao Poder Legislativo o monopólio da decisão sobre como será o controle dos preços de transferência no Direito tributário brasileiro. Antes de 1996, precisamente por decisão do legislador ordinário, sequer havia, no Brasil, qualquer controle sobre os preços de transferência. A ele, legislador ordinário, cabe tratar privativamente sobre a tema em discussão. Dessa forma, por obstaculizar que os agentes fiscais executem adequadamente a decisão do legislador ordinário, veiculada pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, a IN 243/2001 merece imediata repulsa. Como julgador administrativo, não afastar a aplicação da IN 243/2001 redundaria igualmente em negar eficácia à decisão enunciada pelo único agente competente para prescrever a fórmula de cálculo do PRL60, que é o legislador ordinário. Recusome a isso. Não se trata de saber qual das fórmulas é “melhor”: tratase de respeitar o monopólio da decisão detido pelo legislador ordinário. Esse entendimento encontra fundamento na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, como se observa desse trecho do conhecido voto do Min. ALIOMAR BALEEIRO, no RE 69784, in verbis: “A justiça é uma idéiaforça, no sentido de FOUILLÉ, mas varia no tempo e no espaço, senão de indivíduo. Fixao o legislador e o juiz há de aceitála como um autômato. Inúmeros Acórdãos do Supremo Tribunal Federal, declaram que lhe não é lícito corrigir a justiça intrínseca na lei, substituindose as escolhas do legislador.” A IN 243/2002 realmente violou o princípio da legalidade. Ao adotar fórmula diversa daquela prevista pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e extravasar a sua função secundária e meramente regulamentar, a IN 243/2002 majorou tributos com o cerceamento da dedutibilidade do custo de bens, direitos e serviços importados de partes relacionadas e aplicados à produção em território brasileiro. Como a função precípua da CSRF é uniformizar entendimentos divergentes adotados pelas Turmas Ordinárias do CARF, insta observar que há uma série de decisões deste Tribunal que também concluíram ser ilegal a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do método PLR60, como se observa das seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica na desistência de discutir essa matéria na esfera administrativa. Aplicação da Súmula CARF nº 1. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro Fl. 3951DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.942 21 segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. (CARF, Acórdão 1202000.835, sessão de 07.08.2012) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (CARF, Acórdão 1101000.864, sessão de 07.03.2013) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (CARF, Acórdão 1201000.803, sessão de 07.05.2013) Nesse mesmo sentido, há substancial consenso doutrinário quanto ao extravasamento da IN 243/2001 na regulamentação do PLR60. Citese, por exemplo, LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD10, que suscitam, in verbis: “As disposições trazidas pela IN 243/02 têm implicações significativas, provocando um aumento substancial no valor dos ajustes tributáveis (...). Uma alteração na sistemática de cálculo do PRL implica mudança na determinação da base de cálculo do tributo e, consequentemente, do próprio montante tributável. A nosso ver, uma alteração de tal natureza só poderia ser implementada por lei, e não por meio de instrução normativa, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. As instruções normativas são normas secundárias cuja única função é esclarecer as disposições contidas em lei, não 10 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 237. Fl. 3952DF CARF MF 22 podendo nunca inoválas ou contrariálas. A IN 243/02 não poderia validamente alterar o critério legal de apuração do PRL ou contrariar as disposições da Lei n. 9.959/00, mas assim o fez” No mesmo seguir, assim se posiciona GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JR.11, in verbis: “Se compararmos as fórmulas acima, é possível verificar que a Instrução Normativa SRF 243/2002 reduziu consideravelmente o preço parâmetro que configura o limite de dedutibilidade para fins de IRPJ e CSLL, o que aumenta a base de cálculo das exações, sem qualquer fundamentação legal, ocasionando uma total incongruência com as disposições contidas na Lei n. 9.430/1996”. Por todos esses fundamentos já expostos, parece certo que a fórmula de cálculo do PRL60 indicada pela IN 243/2002 deve ser desconsiderada. 3.2.2. Incompatibilidades formais e o princípio da anterioridade em matéria tributária. Com o reforma de 2012, empreendida pela Lei n. 12.715 (dez anos após a edição da IN 243/2002), o legislador ordinário finalmente adotou enunciados que claramente prescrevem a adoção de uma fórmula diversa daquela adotada com a Lei n. 9.959/2000, mais apta a lidar com a proporção do insumo importado aplicado na produção nacional. Desse modo, somente após 10 anos da publicação da IN 243/2002 é possível identificar maior respaldo à fórmula então indicada pela SRF. Conforme dispõe a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, alterações legislativas: Como regra, devem respeitar o princípio da irretroatividade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “a”); Como regra, devem respeitar o princípio da anterioridade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “b”); Excepcionalmente, podem ter eficácia retroativa “quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados” ou, ainda, quando forem benéficas ao contribuinte (CTN, art. 106). A Lei n. 12.715/2012 inaugurou uma nova sistemática de cálculo do método PLR, com a decisão consciente do legislador de inovar o regime até então vigente e com o assumido potencial de aumento da carga tributária. Diante desse cenário, a fórmula para o cálculo do PRL que se obtém da norma enunciada pelo legislador ordinário na Lei n. 12.715/2012 deverá se submeter a dois corolários básicos do princípio da segurança jurídica: os princípios da anterioridade e da irretroatividade. O art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a vigência da novel fórmula de cálculo do PLR para o dia 01.01.2013, fazendo referência específica à 11 MOREIRA JR., Gilberto de Castro. Método do preço de revenda menos lucro no caso de agregação de valor no país. Confronto entre a Lei n. 9.430/1996 e a Instrução Normativa n. 243/2002, in Tributos e Preços de Transferência – 3o Volume. São Paulo : Dialética, 2009, p. 105. Fl. 3953DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.943 23 alteração que introduzira por meio seu art. 48 ao art. 18 da Lei n. 9.430/1996. É o que se observa textualmente na Lei n. 12.715/2012: Art. 48. Os arts. 12, 18, 19 e 22 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: (…) Art. 78. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (…) § 1. Os arts. 48 e 50 entram em vigor em 1 de janeiro de 2013. Caso a Lei n. 12.715/2012 apenas confirmasse a norma introduzida pela Lei n. 9.959/2000, ratificando os método PLR60 até então vigente sem qualquer incrementar a obrigação tributária, então não seria necessário observar o princípio da anterioridade. Além disso, referida norma poderia ser considerada interpretativa, com efeitos retroativos. Mas não é o caso: por tratarse de decisão consciente do legislador ordinário em alterar a metodologia do PLR com potencial de aumentar o ônus tributário imposto à sociedade, a referida deve respeitar a anterioridade e não pode ser aplicada retroatividade. A exposição de motivos da MP n. 563/2012, que foi convertida na aludida Lei n. 12.715/12, demonstra com nitidez a decisão do legislador em alterar a norma até então vigente para o cálculo do PLR e adotar vacatio legis em respeito ao princípio da anterioridade, de aplicação obrigatória na hipótese de majoração do ônus de IRPJ e CSL: “56. A medida proposta também visa a aperfeiçoar a legislação aplicável ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no tocante a negócios transnacionais entre pessoas ligadas, visando a reduzir litígios tributários e a contemplar hipóteses e mecanismos não previstos quando da edição da norma, atualizandoa para o ambiente jurídico e de negócios atual. Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. (...) 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. (...) 63. Como algumas das alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao princípio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013. O art. 42 do Projeto Medida Provisória possibilita que a pessoa jurídica opte pela aplicação das disposições contidas nos arts. 38 e 40 na apuração das regras de preços de transferência relativas ao anocalendário de 2012. A opção implicará na obrigatoriedade de observância de todas as alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40.” Fl. 3954DF CARF MF 24 Assim, se a Lei n. 12.715/2012 apresenta alguma eficácia interpretativa, seria a de esclarecer que a fórmula adotada pela IN 243/2002 não encontrava fundamento de validade na vigência do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, devendo ser mantida a incontroversa fórmula indicada pela IN 32/2001. Para o período relevante, é preciso reconhecer que a IN 243/2002 extravasou os limites a que estaria adstrita. É necessário aplicar diretamente a norma prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, tal como interpretada pela IN 32/2001, que restou incontroversa. 3.2.3. Incompatibilidades materiais e a ofensa ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva. Embora evidências matemáticas e demais constatações expostos nos subtópicos anteriores sejam suficientes para o afastamento da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60, há ainda outras evidências jurídicas que justificam a desconsideração do ato infralegal. Tais evidências defluem de seu conteúdo, representando incompatibilidades materiais da IN 243/02 em face da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. A administração fiscal deve agir nos estritos limites normativos atinentes à matéria dos preços de transferência, respeitando os princípios e regras consagrados pelo legislador ordinário. E há, no caso da legislação dos preços de transferência, princípios e regras que não podem ser ignorados, especialmente pertinente à igualdade tributária e à capacidade contributiva. Nesse ponto, é importante fazer referência à seguinte passagem do estudo de LUÍS EDUARDO SCHOUERI12, que bem sintetiza alguns dos elementos essenciais para a solução do recurso especial em análise, in verbis “1.3.9. É, pois, sob pena de caracterizar o arbítrio, que o legislador se vê obrigado a eleger princípios e, uma vez escolhidos, aplicálos conscientemente. 1.3.10. Especialmente em matéria tributária, surge como princípio parâmetro, escolhido pelo próprio constituinte, a capacidade contributiva. Nesse sentido, deve a tributação partir de uma comparação das capacidades econômicas dos potenciais contribuintes, exigindose tributo igual de contribuinte em equivalente situação. Por óbvio, tal princípio somente se concretiza quando é possível compararemse os contribuintes. 1.3.11. No caso de transações entre pessoas vinculadas, entretanto, as realidades econômicas comparadas são diversas, frustrandose qualquer comparação. 1.3.12. A diversidade acima apontada resulta da circunstância de as transações entre partes vinculadas não terem passado pelo mercado, como o fizeram as empresas independentes. 1.3.13. Assim, podese dizer que enquanto a moeda constante nas contas das empresas com transações controladas está expressa em unidades ‘reais de grupo’, empresas independentes têm seus resultados expressos em ‘reais de mercado’. 1.3.14. Nesta perspectiva, o papel da legislação de preços de transferência é apenas ‘converter’ valores expressos em ‘reais de grupo’ para ‘reais de mercado’, possibilitando, daí, uma efetiva comparação entre contribuintes com igual capacidade econômica. 1.3.15. Nesse sentido, verificase que a legislação de preços de transferência não distorce resultados da empresa. Apenas ‘converte’ para uma mesma 12 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 1415. Fl. 3955DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.944 25 unidade de referência (‘reais de mercado’) a mesma realidade expressa noutra unidade. 1.3.16. Nesse contexto, as disposições de controle de preços de transferência da Lei n. 9.430/96 somente se justificam caso corroborem essa conversão acima referida, o que se dá mediante a aplicação do princípio arm’s length, que será verificado mais profundamente nos capítulos posteriores. Vale dizer, caso a aplicação da lei ou de sua regulamentação em um caso concreto extrapole os limites dessa conversão, isso deverá ser considerado uma desobediência ao princípio constitucional da igualdade e da capacidade contributiva e, portanto, a aplicação nesse caso deverá ser corrigida ou até mesmo desconsiderada.” (negrito acrescido ao original) É fundamental para a matéria em análise, então, compreender que a legislação brasileira dos preços de transferência busca precisamente neutralizar a desigualdade nas operações entre partes vinculadas. Nos casos em que o método PLR60 seriam aplicáveis, a aludida norma se voltaria exclusivamente às operações de importação realizadas por empresas vinculadas e que, por meio de ajuste de preços de venda de bens, serviços ou direitos, apresentassem a potencialidade de transferir resultados ao exterior sem a correspondente tributação. Se era esse o objetivo do legislador ordinário, é de difícil aceitação que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 teria prescrito critérios de eliminação de desigualdades tão voláteis e indeterminados que possibilitassem à administração fiscal exigir ajustes a partir preços parâmetros compreendidos em um intervalo de “ R$10,00” a “R$ 70,00”. Ocorre que o princípio da igualdade vivificado pelo padrão arm’s length, pressupõe a eleição consciente, pelo legislador ordinário, de critérios de distinção aptos a tratar semelhantes de forma equivalente, com os ajustes que se façam necessários na base de cálculo do IRPJ e CSL para a corrigir diferenciações injustificadas. A tese de que, dos enunciados do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, seria possível abstrair duas fórmulas capazes de conduzir a preços parâmetros tão dispares (“10,00” ou “70,00”, por exemplo), conflita por si só com o princípio da igualdade, pois torna insustentável a sua concretização. Na verdade, o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, efetivamente elegeu expressamente os critérios de distinção que, conforme a sua decisão, seriam aptos para vivificar o princípio da igualdade e da capacidade contributiva. A “segunda fórmula” indicada pela IN 243/2002, então, enfraquece arbitrariamente o princípio da igualdade, pois nega eficácia jurídica ao critérios de distinção eleitos pelo legislador ordinário (art. 18, II, da Lei n. 9.430/96), a quem compete o monopólio da decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60. Nesse seguir, ao advogar que a Lei n. 9.430/96 teria concedido tamanha discricionariedade à administração, a PFN pode estar suscitando a ocorrência de delegação de competência tributária, o que é vedado pela Constituição Federal (art. 150) e pelo CTN (art. 97). Se a lei tivesse permitido a adoção de fórmulas que tão dispares, possivelmente a constitucionalidade de tal lei poderia inclusive vir a ser questionada perante o Poder Judiciário. 3.2.4. Incompatibilidades materiais e a falácia dos “fins” que justificariam os “meios”. O julgamento do presente recurso especial pode dar ensejo a um deslize no processo de concretização do Estado de Direito: relativizar o princípio da legalidade (meio), Fl. 3956DF CARF MF 26 para que o Brasil conte com uma norma de preço de transferência supostamente “melhor” e vocacionada a aferir adequadamente os preços de mercado, inclusive com a consideração proporcional dos insumos importados de partes vinculadas (fins). Como já se constatou acima, esse argumento de que “os fins justificam os meios” esbarra no princípio da estrita legalidade em matéria tributária. No entanto, tendo em vista a importância do tema, não se pode deixar de investigar se os referidos “fins” apregoados para a legitimação da IN 243/2002 realmente teriam potencial de concretização. Sob a perspectiva matemática, o estudo desenvolvido pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, acima citado, apresentou as seguintes conclusões: “2. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a fórmula da IN 243 corrige defeitos da Lei 9.430. Essa afirmação é correta do ponto de vista da matemática? Não. Essa manobra é parecida com os argumentos desvendados no quesito anterior, mas ela precisa ser tratada separadamente pois a derivação de sua conclusão é mais complexa. Na essência do método, mostrase que a fórmula da Lei 9.430 apresenta falhas as quais são corrigidas na fórmula da IN 243. A inadequação deste método como argumento em prol da eficácia da IN 243 está na omissão do fato de que a fórmula definida por esse normativo possui falhas semelhantes às da fórmula da Lei 9.430.” Também merece destaque o seguinte trecho, colhido da citada “Constatação 5” do mesmo estudo, in verbis: “(i) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP menor que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for de 60%; (ii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP igual ao valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for menor que 60%; (iii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP maior que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for maior que 60%;” Notese, ainda, a conclusão do mesmo matemático em relação a esse outro quesito que lhe foi apresentado, in verbis: “1. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a aplicação da IN 243 pode ser benéfica aos contribuintes. Essa afirmação tem sustentação matemática? A alegação da Fazenda Nacional de que ‘... a metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 pode ser considerada benéfica ao importador’ (...) está errada pois sabemos, conforme provado em minha Constatação 5, que a fórmula da IN 243 acarreta ajuste tributário e, consequentemente, tributação, toda vez que a lucratividade da produção for inferior a 60%. (...)” Conclui o matemático que “a fórmula da IN 243 falha em apurar o valor justo do Preço Parâmetro a partir de valores de produtos corretamente declarados pelo contribuinte quando a margem de lucro efetiva sobre o PLV for menor que 60%”. A evidência matemática, então, aclara que a fórmula indicada pela IN 243/2002 não soluciona problemas presentes na fórmula legal, imediatamente construída a partir do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Além disso, como evidenciou o matemático, a fórmula da IN 243/2002 tem o potencial de agravar o ônus fiscal sobre o contribuinte. Fl. 3957DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.945 27 Assim, se a IN 243/02 apresenta outros vícios, inclusive formais, que justificam a sua desconsideração para a apuração do PRL60, também é possível observar vícios materiais que a tornam imprópria para o controle dos preços de transferência. 4. Conclusões Por todo o exposto, há evidências mais do que suficientes para se afirmar que a fórmula indicada pela IN 243/2002 descumpre com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Se há uma “segunda fórmula” alternativa àquela da IN 32/2001, que se adeque à moldura prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, não se trata da fórmula indicada pela IN 243/2002. Voto, assim, para conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia ao voto do Relator, entendo pela improcedência do recurso especial. A definição de preços de transferência tem por finalidade minimizar a manipulação dos preços praticados entre pessoas vinculadas, que pudesse implicar na transferência de lucros para o exterior. A questão que se discute no recurso especial ora analisado é se a IN SRF 243/2002 ultrapassa a imposição tributaria estabelecida pela Lei nº 9430/1996, que definiu a forma de cálculo do método PRL (Preço de Revenda Menos Lucro). Destacase o teor do artigo 18 e seguintes da Lei nº 9.430/1996: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 3958DF CARF MF 28 d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) (destaques nossos) Os contribuintes questionam a proporcionalização, explicitada pela Instrução Normativa SRF 243/2002, da forma seguinte: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. (...) § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. Fl. 3959DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.946 29 § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A Instrução Normativa anterior (IN SRF 32/2001) atribuía interpretação distinta na definição do Preço Parâmetro, ao dispor: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 3960DF CARF MF 30 II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Primeira consideração necessária é sobre a alteração interpretativa efetuada pelo IN SRF 243/2002, quando comparada com a interpretação consagrada pela IN SRF 32/2001. A alteração assegura aos contribuintes a aplicação da interpretação anterior aos fatos geradores ocorridos antes da edição da IN SRF 243/2002, nos termos do artigo 146, do Código Tributário Nacional. Não obstante isso, a interpretação da IN SRF 32/2001 não é a única e sequer a mais adequada, na interpretação da Lei nº 9.430/1996. Exatamente por isso é procedente a autuação fiscal, pautada nas disposições da IN SRF 243, que proporcionaliza o preço parâmetro ao bem importado aplicado à produção, em regramento conformado aos ditames da Lei nº 9.430/1996. Fl. 3961DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.947 31 Nesse sentido, decidiu esta Turma da CSRF em diversos precedentes, como no acórdão nº 9101002.175, de relatoria do exConselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, cuja fundamentação adoto: Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência Colacionamos trecho do voto do exConselheiro pertinentes para explicitar o racional pela legalidade da IN 243: Com isto, vemos claro que margem de lucro não se confunde com valor agregado. A margem de lucro, em condições normais, está sujeita às condições de livre mercado. Agregar significa juntar com outro, reunir a algo existente. Agregar valor é acrescentar utilidade, qualidade ou mesmo aparência ou beleza a algo que já existe. O grau de utilidade, qualidade ou beleza é subjetivo e depende do interesse que a clientela tem no produto. E isto vai influenciar na margem de lucro, mas não no valor agregado. O valor agregado transforma um produto original e o custo desta transformação aumenta o seu custo original e, assim, deve ser mensurado economicamente para compor o preço, como acima definido. O direito tributário somente pode ser aplicado sobre hipóteses de incidência que prescrevam atividades econômicas objetivas. Assim, não se pode tributar a utilidade, a qualidade ou a beleza, mas sim os fatos econômicos decorrentes. E o IRPJ/CSLL é pautado pelo Lucro, ou seja, um instituto econômico objetivo. O lucro é composto de vendas menos custo, portanto, o valor agregado, no caso de tributação de IRPJ/CSLL pelo preço de transferência é um custo e não margem de lucro. (...) Vejase que a metodologia do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) universalmente utilizada, indica que se deve ter como base o preço de revenda do bem importado, para se calcular o preço parâmetro, pois é a margem de lucro (de operações entre partes não relacionadas) que é tida como parâmetro para servir de comparação, mas se houver outros custos ou riscos (que corresponde ao valor agregado) isto deve ser considerado devidamente e segregado. Portanto, quando o bem importado sofre agregação de valor transformando num outro produto, o valor agregado deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, sobre o qual se aplica uma margem de lucro para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado, conforme estipula a metodologia da IN Fl. 3962DF CARF MF 32 243/02 que, porém, usa margens fixas ao invés de usar margens de lucro comparadas, como é caso do Manual da OCDE. Esta metodologia é corroborada no Manual de Preços de Transferência para Países em Desenvolvimento da ONU que, inclusive, traz especificamente a metodologia brasileira, com as margens fixas para o PRL.1 De lembrar que embora o Brasil não seja membro da OCDE, é membro da ONU. Vejase que se os outros custos não forem devidamente isolados no cálculo do preço parâmetro podese chegar a números absurdos (e esta segregação é feita por meio da proporcionalização do custo) (...) Se o bem importado teve valor agregado no país transformandoo num outro produto, tal valor deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, o que é feito pela proporcionalização de sua participação do custo do bem, sobre o qual se aplica uma margem de lucro (no caso definida em lei ordinária) para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado. São também precisas considerações do exConselheiro Wilson Fernandes Guimarães, em voto proferido a respeito do tema, em um dos processos em julgamento na presente reunião: O que a legislação de preços de transferência objetiva, portanto, é identificar, por meio de métodos matemáticos, o custo (no caso da importação) efetivo de determinado bem, serviço ou direito, caso a operação não seja realizada com pessoa vinculada ou com pessoa situada em país ou dependência com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo à divulgação de informações referentes à sua constituição societária ou titularidade. Observase que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço de revenda para chegar ao custo. Assim, me parece razoável que se possa buscar a expressão matemática do preço parâmetro por meio do caminho inverso, isto é, através dos elementos formadores do preço. Em elevada sintetização, a formação de preços consiste em um processo de acumulação de custos, acrescida de uma margem de lucro. Admitida uma liberdade terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, podese afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos totais incorridos no processo produtivo, incluídos aí a remuneração dos fatores de produção (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro. A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo produtivo (remuneração de fatores = valor agregado) + impostos, descontos incondicionais, comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro. No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro a insumo importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação livre dos Fl. 3963DF CARF MF Processo nº 16561.720135/201483 Acórdão n.º 9101003.414 CSRFT1 Fl. 3.948 33 elementos previstos na lei como integrantes do preço de revenda. Daí que se considera esse preço de revenda diminuído dos descontos incondicionais; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro fixada pela lei (60% sobre o preço de revenda após deduzidos os descontos incondicionais, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas); e do valor agregado do país. Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos: PP = PR – C/D – ML (PR – C/D) – VA Onde: PP = Preço Parâmetro; C/D = Custos e Despesas previstos na lei; ML = Margem de Lucro VA = Valor Agregado Considerando “PR – C/D” como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos: PP = PLV – ML (PLV) – VA Vêse, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos e despesas incorridos; margem de lucro; e valor agregado) chegar ao valor de comparação estipulado pela lei. Noutra vertente, utilizandose a mesma nomenclatura acima, o preço parâmetro sugerido pelas Instruções Normativas anteriores à edição da IN 243, na interpretação que tem sido emprestada em variadas teses de defesa, seria expresso da seguinte forma: PP = PLV – ML (PLV – VA) ou PP = PLV – ML (PLV) + ML (VA) Notese que, neste caso, o preço de comparação (preço parâmetro), que deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente sobre ele, porém, acrescido da margem de lucro incidente sobre o valor agregado, o que, à evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei. (...) Creio não restar dúvida que a Instrução Normativa 243/2002 revela interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001), mas isso não autoriza a conclusão de que a interpretação anterior estava Fl. 3964DF CARF MF 34 em conformidade com a lei e a atual representou inovação. Ao contrário, como anteriormente demonstrado a interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização trazida pela IN 243, penso que a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. Tratandose de comparação de custos (CUSTO LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto. A proporcionalização em comento produz a exclusão in totum do valor agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro. Releva notar que os efeitos econômicos decorrentes da aplicação do método PRL 60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da margem de lucro de 60%, matéria em relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar do estabelecido em lei. Esclareço que, aqui, não se está negando eventuais efeitos negativos, do ponto de vista econômico, da fórmula estampada na IN 243, mas, apenas, destacando que ela retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. (Processo Administrativo nº 16561.72006/201142, acórdão nº 1301001.983). Diante deste quadro, e adotando as razões acima reproduzidas, voto por negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 3965DF CARF MF
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