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Numero do processo: 10209.000727/2002-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/06/2000
DRAWBACK - SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO PARCIAL. ART. 319, I E PARÁGRAFO ÚNICO DO DECRETO Nº 91.030/1985. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Decorrido o termo final para extinção do regime de drawback suspensão sem que providenciado, no prazo, um dos procedimentos previstos no inciso I, do art. 319 do Decreto nº 91.030/1985 (RA/85), tem-se por inadimplido o compromisso assumido no ato concessório.
Verificado o recolhimento parcial dos tributos devidos tais pagamentos devem ser considerados pela administração pública. O valor remanescente não quitado deve sofrer a incidência de multa de ofício e juros de mora, pois decorrente de lançamento em procedimento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento para manter a multa de mora e juros de mora sobre o valor recolhido e aplicar a multa de ofício sobre o valor devido e não recolhido. Vencido o Relator Vinicius Toledo de Andrade, que votou por afastar a multa de ofício. Designado o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira para redação do voto vencedor quanto a exigência da multa de ofício. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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INADIMPLEMENTO PARCIAL. ART. 319, I E PARÁGRAFO ÚNICO DO DECRETO Nº 91.030/1985. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Decorrido o termo final para extinção do regime de drawback suspensão sem que providenciado, no prazo, um dos procedimentos previstos no inciso I, do art. 319 do Decreto nº 91.030/1985 (RA/85), temse por inadimplido o compromisso assumido no ato concessório. Verificado o recolhimento parcial dos tributos devidos tais pagamentos devem ser considerados pela administração pública. O valor remanescente não quitado deve sofrer a incidência de multa de ofício e juros de mora, pois decorrente de lançamento em procedimento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento para manter a multa de mora e juros de mora sobre o valor recolhido e aplicar a multa de ofício sobre o valor devido e não recolhido. Vencido o Relator Vinicius Toledo de Andrade, que votou por afastar a multa de ofício. Designado o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira para redação do voto vencedor quanto a exigência da multa de ofício. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Winderley Morais Pereira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 07 27 /2 00 2- 84 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 3 2 Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "A empresa em epígrafe, através da Declaração de Importação n° 00/05641475 promoveu a importação de mercadorias, sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, na modalidade suspensão, amparada pelo Ato Concessório n°: 168600/000010 9, de 09/05/2000. 2. Destaca a fiscalização na descrição dos fatos e Relatório de Auditoria, fls.12/15, que parte dos insumos importados (255,162 m3 de madeira aglomerada) não foram utilizados nos produtos exportados, conforme informa o importador no processo 10.209.000502/200228, no qual solicita a nacionalização dos referidos insumos. Esclarece, porém a fiscalização, fls.14 que "... o importador anexou telas de pagamento de imposto de importação e de produtos industrializados. Entretanto, não foi considerado em virtude de não haver vinculação com a declaração de importação ou com o ato concessório bem como o período de apuração que, neste caso, seria a data de registro da DI". 3. Em face do exposto, foram lavrados os Autos de Infração, fls.02/06 e 07/11, exigindo o recolhimento do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados Vinculado à importação, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, perfazendo, na data de sua constituição, um crédito tributário no valor de R$ 45.257,45. 4. Cientificado do lançamento em 10/12/2002, conforme fl. 02, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 06/01/2003, a impugnação de fls. 52/55, arguindo em síntese: 4.1 que os pagamentos referentes aos impostos de importação e sobre produtos industrializados foram efetuados em 12/09/2002, por meio do SISBB, autenticação n° 0A5438 65242140721F 20D02D01209500, todavia, por não haver "CAMPO ESPECÍFICO PARA DISCRIMINAR QUE O PAGAMENTO SE Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 4 3 REFERIA A DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO, OS VALORES FORAM PAGOS SEM CORRESPONDENTE, razão pela qual permanecem no sistema de arrecadação da Receita Federal, sem vinculação alguma com qualquer obrigação tributária da empresa, porém, não há dúvida que se referem ao pagamento de II e IPI, levando em consideração que os códigos desses impostos utilizados para o pagamento; 1038 e 0086, respectivamente; 4.2 ressalta que se não há espaço para fazer a vinculação do pagamento com o ato concessório de drawback, essa falha é do próprio sistema e a empresa não pode ser penalizada por isso; 4.3 a multa de 75% exigida no auto de infração está completamente fora dos parâmetros da realidade do caso, posto que a empresa recorrente não pode ser penalizada, visto que pagou dentro do prazo o imposto e, ainda assim sofrer tamanho golpe, que fere de morte os princípios da boa intenção e legalidade sobre os atos de probidade dessa empresa; 4.4 embora a legislação tributária estabeleça duas figuras que são a compensação e a restituição, neste caso, não se pode pensar em restituição, pois o imposto é devido e foi pago, portanto só resta ser vinculado através de compensação; 4.5 requer ao final a devida vinculação dos pagamentos efetuados, gerando a compensação sobre o imposto pago, bem como a anulação do auto de infração com fundamento no artigo 59, § 2° do Decreto n° 70.235/72. 5. Através do Pedido de Diligência n° 101, de 27/10/2004, fls. 72/74, solicitouse à unidade de origem, providências no sentido de averiguar a vinculação de receitas suscitada na peça de defesa. Em cumprimento à diligência adotou a fiscalização as providências mencionadas no relatório de fls. 101/102, concluindo pela impossibilidade de efetuar a vinculação dos citados pagamentos à DI em referência. 6. Cientificado o contribuinte da diligência e do seu resultado, conforme fls. 102, apresentou em 17/12/2004, a manifestação de inconformidade de fls. 105/110, reiterando os argumentos já colacionados na peça de defesa, trazendo ainda à evidência, respeitável jurisprudência administrativa." A impugnação apresentada foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/FOR 6.143, de 28/04/2005, decisão proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE., cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/06/2000 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 5 4 Improcedente a arguição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 21/06/2000 Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. Restando comprovado nos autos a não aplicação dos insumos importados ao amparo de ato concessório sob o regime de drawbacksuspensão, nos produtos exportados, é cabível a cobrança dos tributos, além de multas e juros moratórios. Eventuais recolhimentos efetuados sem correlação com o crédito tributário em análise não podem ser acatados para fins de extinção deste. Lançamento Procedente." O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, em que a recorrente, em breve síntese, aduz: (i) celebrou compromisso de exportar 297,354 m³ de madeira compensada (lâminas de carvalho), dos quais apenas 18,752 m³ foram efetivamente exportados (Aditivo ao ato concessório, item 26, anexo 2, p. 2). Assim, a diferença (255,162 m³) foi objeto de pedido de nacionalização objeto do processo n° 10209.000502/200228 (anexo 4); (ii) Os pagamentos referentes aos impostos de importação e de produtos industrializados alusivos ao referido pedido de nacionalização foram efetuados oportunamente em 12/09/2002 por meio do SISBB, autenticação n° 0A543865242140721F 20D02D 01209500; (iii) por não haver no dito sistema eletrônico campo específico para discriminar que o pagamento se referia à declaração de importação sob exame, tal informação não podia como não foi impressa, razão pela qual no sistema de arrecadação da Receita Federal o valor correspondente aparece sem vinculação alguma com qualquer obrigação tributária da recorrente; (iv) não pode haver qualquer dúvida quanto à vinculação fática do pagamento efetuado pelo SISBB aos impostos devidos em razão do pedido de nacionalização de que trata o processo n° 10209.000502/200228, dada a evidente e inquestionável coincidência de impostos (IPI e II, códigos (1038 e 0086), valores e data de recolhimento; (v) é aplicável o princípio da compensação pelo evidente e inquestionável fato de ter pago oportunamente os impostos alusivos ao pedido de nacionalização; (vi) No dia 12/09/2002, portanto, antes da autuação fiscal sob exame, endereçou ao Inspetor da Alfândega do Porto de Belém o pedido de nacionalização aqui tratado, anexando o comprovante de pagamento e no dia 30/12/2002, encaminhou novo Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 6 5 expediente ao Inspetor da Alfândega do Porto de Belém, esclarecendo o porquê da não vinculação específica do comprovante de recolhimento, ou seja, mero erro involuntário e escusável, decorrente da ausência de campo específico no sistema eletrônico utilizado para o pagamento; (vii) demonstrou sua boafé e firme propósito de cumprir com as obrigações legais pertinentes; (viii) O próprio Auditor Fiscal responsável pela lavratura dos autos de infração questionados, efetuou a juntada do processo n° 10209.000502/200228 ao processo sob exame, comprovando, destarte, a existência do procedimento formal de alocação dos valores pagos referente ao imposto de importação e ao imposto sobre produtos industrializados, vinculado ao Ato Concessório em análise; (ix) a nãoconsideração do pedido de nacionalização em virtude do documento apresentado referente ao pagamento realizado não constar vinculação à declaração de importação nem ao Ato Concessório, bem como o período de apuração dos tributos não seria a data de registro da declaração de importação, não pode prevalecer, pois a ocorrência de erros involuntários e escusáveis no preenchimento de formulários não descaracteriza o cumprimento firmado no Ato Concessório, conforme exaustivamente tem decidido o Conselho de Contribuintes; (x) quando muito ocorreu um erro involuntário e escusável na utilização da sistemática de pagamento, porém, este foi efetuado regularmente e há provas dessa operação; e (xi) impossibilidade da descaracterização da comprovação de exportação com o benefício fiscal do drawback pela ocorrência de mero erro involuntário e escusável quando do preenchimento de formulários. Pede a recorrente, ao final, o provimento do seu recurso voluntário. O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido convertido o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 3021.401, de 11 de setembro de 2007. Mencionada Resolução determinou a adoção das seguintes providências: "Para que se possa decidir o pleito, necessário seja verificado se o pagamento espontâneo realizado pela recorrente foi integral. Em face do exposto, voto por converter em diligência o presente processo, o qual deve ser remetido à repartição de origem para que seja providenciada a seguinte diligência: a) apurar o valor dos tributos, juros e multa de mora devidos pela recorrente pela não conclusão total do drawback suspensão, na data em que devidos, bem como informe qual o valor devido na data de 12/09/2002, discriminado cada parcela; b) verificar se os pagamentos de fls. 65 realizados pela recorrente adimplem integralmente o valor devido; Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 7 6 c) elaborar uma planilha demonstrando as eventuais diferenças apuradas." A diligência foi cumprida através do Relatório Fiscal (fls. 175/176) em que foram respondidas as providências solicitadas na diligência , com os seguintes esclarecimentos: a) os valores dos impostos remontam, respectivamente, em R$ 12.299,23 (II) e R$ 8.937,44 (IPI vinculado à importação); b) o pagamento realizado pela recorrente não adimple o valor total devido. c) considerados os pagamentos, as eventuais diferenças foram apontadas na planilha a seguir: É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Assiste parcial razão a recorrente. O Mandado de Procedimento Fiscal que dá origem a lavratura dos Autos de Infração teve início em 19/09/2002, com ciência pela recorrente em 25/11/2002. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 8 7 Por sua vez, os Autos de Infração foram lavrados em 27/11/2002 e ciência da recorrente em 10/12/2002. A recorrente, conforme já indicado no relatório, celebrou compromisso de exportar 297,354 m³ de madeira compensada (lâminas de carvalho), dos quais apenas 18,752 m³ foram efetivamente exportados (Aditivo ao ato concessório, item 26, anexo 2, p. 2). Assim, a diferença (255,162 m³) foi objeto de pedido de nacionalização objeto do processo n° 10209.000502/200228, protocolizado em 12/09/2002. Conforme provado nos autos, os pagamentos referentes aos impostos de importação e de produtos industrializados alusivos ao referido pedido de nacionalização foram efetuados oportunamente em 12/09/2002 por meio do SISBB, autenticação n° 0A5438652421 40721F 20D02D01209500. Denotase, então, que a recorrente antes do início de qualquer procedimento por parte da fiscalização, efetivou o pedido de nacionalização e efetuou o pagamento dos valores dos impostos (II e IPI) que entendeu devidos. Ocorre que, os pagamentos efetuados pela recorrente não foram suficientes para quitar tais impostos, conforme apurado em diligência e demonstrado na planilha já mencionada. Perfilho o entendimento de que devem ser reconhecidos os pagamentos parciais efetivados pela recorrente e a ausência de vinculação de tais pagamentos, conforme argumentado pela recorrente, por não haver no dito sistema eletrônico campo específico para discriminar que o pagamento se referia à declaração de importação sob exame, caracteriza erro escusável. No presente caso, não reconhecer os pagamentos efetivados pela recorrente significa mutilar o direito material da recorrente que fez efetiva prova de tal pagamento. Sobre a prevalência do direito material sobre questões procedimentais assim decidiu o CARF: "Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 10/02/2000 a 31/08/2001 Ementa:RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DRAWBACK SUSPENSÃO. OPERAÇÕES REALIZADAS NO REGIME COMUM DE IMPORTAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.Uma vez comprovado o adimplemento parcial do compromisso de exportação, pactuado em Ato Concessório de Drawback, deve ser reconhecido, nessa medida, o direito de restituição dos tributos indevidamente pagos na importação, por flagrante erro do contribuinte no processamento das operações. O reconhecimento do direito material não pode ser inviabilizado por questões procedimentais. Precedente do CARF. Recurso voluntário provido em parte." (Processo 11128.000769/200440; Acórdão 3202001.423; Relator Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 9 8 Conselheiro THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES; Sessão de 11/12/2014) Estáse diante de situação em que a recorrente agiu de boafé com o recolhimento parcial, mas majoritário dos impostos devidos No caso vertente, indispensável aludir a princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito: a proteção da confiança ou da boafé e a segurança jurídica, sempre e incisivamente referidos nas obras do inigualável José Joaquim Gomes Canotilho. (GOMES CANOTILHO, José Joaquim. Direito Constitucional. 6ª ed., Coimbra, Almedina, 1996, p. 380.) Juarez Freitas anota que “o princípio da proteção da confiança ou da boafé merece o acatamento digno de um dos princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito e, por conseguinte, do Direito Administrativo, cumprindo, porém, manejálo com moderação, prudência e seriedade para não desarmonizar o todo orgânico dos princípios regentes das relações publicistas.” (FREITAS, Juarez. A anulação dos atos administrativos em face do princípio da boafé. Boletim de Direito Administrativo, fevereiro de 1995, pp. 95 e seguintes.) E a boafé foi alçada como princípio da atividade administrativa, revelando se meio na solução de conflitos entre a Administração e o administrado, como mecanismo das relações jurídicas no atendimento ao interesse coletivo. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça se pronunciou: “O direito da legalidade da administração constitui apenas um dos elementos do postulado do Estado de Direito. Tal postulado contém igualmente os princípios da segurança jurídica e da paz jurídica, dos quais decorre o respeito ao princípio da boafé do favorecido, legalidade e segurança jurídica constituem dupla manifestação do Estado de Direito, tendo por isto, o mesmo valor e a mesma hierarquia. Daí resulta que a solução para um conflito concreto entre a matéria jurídica e interesses há de levar em todas as circunstâncias que o caso possa eventualmente ter.” (STJ. RESP 63.451. Voto do Min. Humberto Gomes de Barros, unânime, 1ª Turma.) Assim, temse que o Direito não se constitui da soma de regras jurídicas, mas de uma unidade de sentido, com valores incorporados a regras, e tais valores e regras traduzidos em princípios. Os princípios gozam de supremacia, tanto do ponto de vista material como do formal, quando em confronto com os demais integrantes da pirâmide normativa. De acordo com a doutrina, os princípios devem ser considerados como a fonte básica e primária do ordenamento jurídico, implicando que a sua invocação deve prevalecer sobre as demais normas da estrutura jurídica. Está claro que a recorrente agiu de boafé, tanto que, efetivou o pagamento do II e do IPI por ocasião do pedido de nacionalização da mercadoria não exportada. Entendo que merece reconhecimento a tese de erro escusável alegada em sede recursal. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 10 9 O Superior Tribunal de Justiça tem decidido acatar a tese de boafé do contribuinte quando não provado que este teve a intenção de provocar dano ao erário. Neste sentido: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO FORMULÁRIO DE AJUSTE SIMPLIFICADO. ART. 136 DO CTN. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO AGENTE. BOAFÉ DO CONTRIBUINTE E INEXISTÊNCIA DE DANO OU DE INTENÇÃO DE O PROVOCAR RECONHECIDAS PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. JULGAMENTO BALIZADO PELA EQÜIDADE E PELO PRINCÍPIO IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE. AFASTAMENTO DA MULTA. I Apesar da norma tributária expressamente revelar ser objetiva a responsabilidade do contribuinte ao cometer um ilícito fiscal (art. 136 do CTN), sua hermenêutica admite temperamentos, tendo em vista que os arts. 108, IV e 112 do CTN permitem a aplicação da eqüidade e a interpretação da lei tributária segundo o princípio do in dubio pro contribuinte. Precedente: REsp nº 494.080∕RJ, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 16∕11∕2004. II In casu, o Colegiado a quo, além de expressamente haver reconhecido a boafé do contribuinte, sinalizou a inexistência de qualquer dano ao Erário ou mesmo de intenção de o provocar, perfazendose, assim, suporte fácticojurídico suficiente a se fazerem aplicar os temperamentos de interpretação da norma tributária antes referidos. III Ademais, apenas a título de registro, tal entendimento do Sodalício de origem, como cediço, não comportaria revisão por parte desta Corte Superior em face do óbice sumular nº 7 deste STJ. IV Recurso especial desprovido.” (RESP 699.700; Rel. Min. Francisco Falcão; 1ª Turma; DJ 03/10/2005) “RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. NOTA FISCAL. ERRO FORMAL. PREJUÍZO AO FISCO. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. AUSÊNCIA. IDONEIDADE DO DOCUMENTO. 1. Uma simples falha no preenchimento da nota fiscal que não acarrete prejuízo ao erário, nem a intenção de fraudar o Fisco , não pode acarretar o reconhecimento de sua inidoneidade para justificar a realização de outro lançamento pelos fiscais da Fazenda. 2. Recurso especial desprovido.” (REsp 1089785/MG, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 11/03/2009) Ainda: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 11 10 "APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO. ICMS. COMPROVADA DUPLICIDADE NO DOCUMENTO AUXILIAR A NOTA FISCAL ELETRÔNICA (DANFE) EM MAIS DE UM DOCUMENTO AUXILIAR DE CONHECIMENTO DE TRANSPORTE ELETRÔNICO (DACTE). ERRO FORMAL. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE E DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. IDONEIDADE DO DOCUMENTO. PEDIDO DE REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FIXAÇÃO COM EQUITATIVIDADE. QUANTUM MANTIDO. RECURSO E REMESSA DESPROVIDOS. "I Apesar da norma tributária expressamente revelar ser objetiva a responsabilidade do contribuinte ao cometer um ilícito fiscal (art. 136, CTN), sua hermenêutica admite temperamentos, tendo em vista que os arts. 108, IV e 112 do CTN permitem a aplicação da equidade e a interpretação da lei tributária segundo o princípio do 'in dubio pro contribuinte'. Precedente: REsp nº 494.080/RJ, rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 16.11.2004. II In casu, o Colegiado a quo, além de expressamente haver reconhecido a boa fé do contribuinte, sinalizou a inexistência de qualquer dano ao Erário ou mesmo de intenção de o provocar, perfazendose, assim, suporte fáticojurídico suficiente a se fazerem aplicar os temperamentos de interpretação da norma tributária antes referidos. III [...] Recurso Especial desprovido".” (STJ REsp n. 699.700/RS, rel. Min. Francisco Falcão, j. 21.6.2005, DJe de 3.10.2005 destaquei) (TJSC, Apelação Cível n. 2013.0780610, de Itajaí, rel. Des. João Henrique Blasi, j. 15072014). No caso presente, o erro escusável cometido pela recorrente é passível de convalidação pela administração pública, pois o vício alegado não causa repugnância à ordem jurídica. Por analogia, entendo aplicável a conclusão exposta pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no processo 10831.001062/200794, o qual entendeu que havendo inadimplemento parcial do regime (drawback suspensão), a cobrança do tributo deve ser proporcional. Tal decisão está ementada nos seguintes termos: "REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/10/2006 DRAWBACK SUSPENSÃO. DEVOLUÇÃO DA MERCADORIA AO EXTERIOR. DÉFICIT NO BALANÇO DE PAGAMENTOS. INADIMPLEMENTO PARCIAL DO REGIME. COBRANÇA DOS TRIBUTOS SUSPENSOS PROPORCIONALMENTE AO VALOR DO DÉFICIT. POSSIBILIDADE. No âmbito do regime drawback suspensão, a devolução ao exterior de mercadoria importada com cobertura cambial deverá acompanhada da prova de ingressos de divisas no País em valor correspondente, no mínimo, ao custo total da importação da mercadoria devolvida, incluídos os valores relativos a frete, seguro e demais despesas incorridas na importação. O ingressos de divisas em valores inferior ao custo total de importação configura o inadimplindo parcial do regime, devendo a cobrança Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 12 11 dos tributos suspensos ser feita de forma proporcional ao valor déficit apurado no balanço de pagamentos. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Processo 10831.001062/200794; Acórdão 380200.842; Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento; Sessão de 13/02/2012) Ainda, do CARF é de considerar a decisão proferida no processo "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO PARCIAL. Pagamento espontâneo do imposto, regido pela Portaria DECEX 24, de 26/08/92 (DARF fl. 39), menos onerosa e mais benéfica ao contribuinte do que a Port. MEFP594/92. Descabimento da multa de ofício e dos acréscimos legais. Não ficou caracterizado o intuito de burlar o fisco. Recurso voluntário provido." (Processo 11131.001030/9526, Acórdão 30329.198; Relator Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI; Sessão de 16/11/1999) Assim, por ter efetivado o pagamento parcial dos impostos devidos e restado valor a pagar conforme apurado, entendo que assiste parcial razão à recorrente. Deve ser observado, que por meio do Ato Concessório n° 168 600/000010 9, foi concedido o prazo de até 20/06/2002 para a utilização dos bens no processo produtivo do beneficiário, sendo que ao seu término, deveria ocorrer a exportação por parte de recorrente. Como tal situação não ocorreu, aplicável a multa moratória e juros de mora. O Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (aprovado pelo Decreto 91.030/1985), em seu artigo 319, parágrafo único, previa que no caso de destinação para consumo (nacionalização de insumos importados) os tributos deveriam ser pagos com os acréscimos legais devidos, in verbis: "Art. 319. As mercadorias admitidas no regime que, em seu todo ou em parte, deixem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas ao seguinte procedimento: I — no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, no prazo de até trinta dias da expiração do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior ou reexportação; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; c) destinação para consumo interno das mercadorias remanescentes; Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 13 12 II — no caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concessório, deverá ser requerida a regularização junto ao órgão concedente, a critério deste. III — no caso de renúncia ao benefício, deverá ser adotado, no momento da renúncia, um dos procedimentos previstos no inciso I. Parágrafo único — Na hipótese da alínea "c", inciso I, deste artigo, os tributos suspensos deverão ser pagos com os acréscimos legais devidos." Tais acréscimos legais devidos estavam encartados no art. 59, da Lei 8.383/1991, assim como no art. 84, da Lei 8.981/1995 para os fatos geradores a partir de 01/01/1995, conforme, respectivamente, a seguir transcritos: "Art. 59 Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente." "Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; II multa de mora aplicada da seguinte forma: (...)" Ainda, o art. 61 da Lei 9.430/1996, estabelece que os débitos da União não pagos nos prazos previstos serão acrescidos de multa e juros de mora, nos termos seguintes: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 14 13 § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Tal tema já foi decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos seguintes moldes: "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 13/01/1995 a 24/05/1995 DRAWBACK. NACIONALIZAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. O regime drawback permite a importação de insumos com a suspensão da exigibilidade do pagamento dos tributos devidos desde que sejam destinados à elaboração de produtos a serem exportados. No caso do beneficiário não cumprir com o pactuado (exportação) e destinar os insumos para o consumo interno no País (nacionalizar) deverá fazer o recolhimento dos tributos devidos, que estavam com a exigibilidade suspensa até então, acrescidos da multa de mora e juros moratórios (...)" (Processo 10830.000830/9841; Acórdão 930301.659; Relator Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Sessão de 04/10/2011) Do voto destaco: "Destarte, a expressão "acréscimos legais devidos" prescrita no parágrafo único do artigo 319 do Regulamento Aduaneiro, referese, portanto, à multa de mora e aos juros moratórios." Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, de modo a considerar os pagamentos parcialmente efetuados pela recorrente, mantidos os valores remanescentes de II (R$ 748,63) e IPI (R$ 544,00), apurados em diligência, bem como, a imposição da multa moratória e juros de mora, afastandose, por via de consequência, a multa de ofício aplicada no percentual de 75%. É como voto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator designado Coubeme a designação para redigir o voto vencedor que prevaleceu em relação ao bem fundamentado voto do relator, com o qual ouso divergir. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 15 14 O cerne da divergência de votos cingese à cobrança da multa de ofício efetuada pelo Fisco em lançamento de ofício em decorrência do inadimplemento do compromisso de exportar assumido em ato concessório de drawback suspensão. De outra banda, a contribuinte efetuou parte do pagamento dos tributos suspensos na importação amparada pelo Regime acrescidos de juros e multa de mora, uma vez que efetuado após expirado o prazo de extinção do compromisso, contudo, antes de ciência do referido lançamento fiscal. Entende o nobre relator que ao caso é devida a multa de mora, eis que efetuada nos termos do art. 319 do RA/1985. A turma decidiu em sua maioria pela cobrança de multa de ofício, em relação à diferença de tributos não pagos, pois efetuada em procedimento de ofício em decorrência do adimplemento do regime de drawback suspensão. A seguir, os fundamentos deste voto vencedor. A nacionalização da mercadoria excedente do Regime de Drawback suspensão sem o pagamento integral dos tributos devidos, acrescidos de juros e multa de mora, após o prazo de 30 dias decorrido da data de extinção prevista no ato concessório, não o torna adimplido. Isto porque o importador deve atender a uma das providências para extinção do Regime no prazo mencionado, na hipótese de existir mercadorias não empregadas no processo produtivo previsto no drawback É o que prescreve o comando do art. 319 do RA/1996, transcrito no voto acima. No mesmo sentido, dispõe o subitem 27.1, combinado com o disposto no subitem 26.3, da Consolidação das Normas do Regime Drawback, anexa ao Comunicado Decex nº 21, de 11 de julho de 1997, vigente na época da emissão do AC, a seguir transcrito: 26.3 Na modalidade de suspensão, vencido o Ato Concessório de Drawback e não cumprido o compromisso de exportar, em razão da não utilização ou utilização parcial da mercadoria importada, a beneficiária deverá adotar, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da data limite para exportação, estabelecida no Ato Concessório de Drawback, uma das providências relacionadas a seguir: I providenciar a devolução ao exterior da mercadoria não utilizada; II requerer a destruição da mercadoria imprestável ou da sobra, sob controle aduaneiro, às suas expensas; ou III destinar a mercadoria remanescente para consumo interno, com o devido recolhimento dos tributos e adicionais exigidos na importação, com os acréscimos legais previstos na legislação, observadas no que couber, as normas gerais de importação. (...) 27.1 Será declarado o inadimplemento do Regime de Drawback, modalidade suspensão, se vencido o prazo Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10209.000727/200284 Acórdão n.º 3201003.497 S3C2T1 Fl. 16 15 estabelecido no item 26.3 e não comprovada a adoção de uma das providências previstas. Assim, ultrapassado o trinídio para as providências de extinção, sem o completo atendimento ao requisito do inciso III do subitem 26.3 temse por inadimplido o Ato concessório, e o contribuinte sujeitase ao lançamento de ofício do crédito tributário nos termos da legislação. Ou seja, os saldos dos tributos não pagos, com os acréscimos de multa de ofício e juros de mora passam a ser devidos a contar da data do registro da declaração de importação em que se pleiteou a suspensão. O fisco exigiu a totalidade dos tributos suspensos, com multa de ofício e juros de mora. A diligência solicitada por turma deste CARF demonstrou que o contribuinte recolheu apenas parte dos tributos suspensos na DI, acrescidos de juros e multa de mora. Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte (12/09/2002) previamente à ciência do lançamento (10/12/2002) devem ser considerados e excluídos da exigência fiscal. Dessa forma, permanecem devidas as diferenças de tributos não recolhidos pelo contribuinte e apontadas no Relatório Fiscal (fls. 175/176), acrescidas de multa de ofício e juros de mora, a contar da data do registro da DI nº n° 00/05641475, pois que exigido em procedimento legal de lançamento de ofício. Nesse sentido, voto para dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para manter aa exigências das diferenças de II e IPI, e respectivas multas de ofício e juros de mora lançadas em procedimento de ofício. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 212DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.905348/2009-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇÃO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO
O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
Numero da decisão: 3001-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇÃO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
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COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇÃO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 53 48 /2 00 9- 07 Fl. 54DF CARF MF 2 comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório 825021989 Tratase de decisão em Per/Dcomp número 26966.52242.310305.1.3.04 8604, referente a pagamento indevido ou a maior. O limite do crédito analisado foi na ordem de R$ 626,95. A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, foram localizados pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Diante da inexistência do crédito em favor da recorrente, foi considerada não homologada a compensação, sendo posto em cobrança crédito tributário no valor de R$ 267,02 de principal, multa no valor de R$ 53,40 e juros correspondentes a R$ 164,51. Manifestação de Inconformidade Ocorrência de Erro Em sua defesa, a Recorrente alega que no mês de maio de 2004, apurou débito de Cofins no valor de R$955,48, e, por equívoco, informou indevidamente em DCTF, que o valor do débito era de R$ 1.582,43. DCTF retificadora Para regularizar, retificou a DCTF do 2.º trimestre de 2004, alterando o valor do débito para R$ 955,48 e vinculou o DARF de R$ 1.582,43 com a informação do pagamento de R$955,48. Restou, assim, crédito no valor de R$ 656,95, objeto da Per/Dcomp. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.905348/200907 Acórdão n.º 3001000.202 S3C0T1 Fl. 55 3 DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0639.399 3 ª Turma ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o processo de manifestação de inconformidade (fls. 11/12) apresentada em 30/04/2009, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 26966.52242.310305.1.3.048604, nos termos do despacho decisório emitido em 25/03/2009 pela DRF em Curitiba/PR (cópia à fl. 02). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 31/03/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 626,95 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 14/06/2004, sob o código 5856, no valor de R$ 1.582,43), e um débito de IRPJ (cod. 5993), relativo ao mês de agosto de 2004 (R$ 267,02, mais multa e juros de mora). Segundo o despacho decisório, cientificado em 02/04/2009 (fl. 05), a compensação não foi homologada porque o pagamento indicado como indevido (que foi localizado) já havia sido integralmente utilizado na extinção do débito de Cofins não cumulativa (cód. 5856) de maio de 2004 (de R$ 1.582,43). Na manifestação apresentada a contribuinte limitase a informar que houve erro na DCTF. Afirma que a declaração foi retificada e pede a reforma do despacho decisório. Resta delineado no voto do mencionado acórdão, o fluxo de informações a respeito da formação do crédito em discussão. Segundo consta, teria havido pagamento indevido ou a maior no montante de R$ 626,95 (DARF de 14/06/2004 (cod.5856). Erro em DCTF, DIPJ e DACON A autoridade julgadora de primeira instância, ao consultar o sistema de controle de DCTF, listou quatro declarações transmitidas e que o débito de Cofins não Fl. 56DF CARF MF 4 cumulativa (5856) originalmente confessado (relativo ao mês de maio/2004) foi reduzido de R$ 1.582,43 para R$ 955,48. Ressaltou, que essa redução ocorreu apenas na DCTF que veio a ser transmitida em 28/04/2009, ou seja, após o despacho decisório. Nesta linha, consultou o sistema de controle de declarações de IRPJ, constatou que houve a transmissão de uma única declaração (antes da emissão e ciência do despacho decisório). Nessa declaração (transmitida em 30/06/2005) consta a informação de que o débito de Cofins não cumulativa de maio de 2004 corresponde a R$ 934,20. Em uma nova consulta, agora no sistema de controle de Dacon, dois demonstrativos foram transmitidos, em 29/07/2004 e 22/10/2004. No último demonstrativo transmitido consta que o débito de Cofins não cumulativa de maio de 2004 corresponde a R$ 1.582,43. Diante do conflito existente entre os valores informados, e uma vez que a redução do valor originalmente confessado deuse na DCTF enviada após a emissão e ciência do despacho decisório, entendeu que, à falta de prova, a decisão questionada não merece ser corrigida. Em suma, sem a comprovação do equívoco não houve como considerar inválidos os valores tempestivamente confessados e que encontram apoio em declarações prestadas pela contribuinte. Recurso Voluntário Aduziu em sua defesa que transmitiu Per/Dcomp pleiteando o crédito de R$ 626,95. Erro na Apuração Ao verificar que a compensação foi glosada, procedeu à revisão de seus lançamentos contábeis e esclareceu que apurou débito de Cofins no valor de R$ 955,48, mas, por equívoco, informou que o débito era de R$ 1.582,43. Retificou a DCTF, alterando o valor do débito para R4 955,48 e vinculou o DARF de R$ 1582,43 com a informação do valor pago de R$ 955,48. Como meio de prova a seu favor, indicou a DIPJ, além de outros já juntados com a Manifestação de Inconformidade. Frente à negativa da DRJ, pugnou pela aplicação da verdade material. Voto Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.905348/200907 Acórdão n.º 3001000.202 S3C0T1 Fl. 56 5 Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Mérito O litígio contido neste processo administrativo fiscal gira em torno da falta, por parte da Recorrente, da efetiva demonstração de seu erro. Pretende a Recorrente, através de seu Recurso Voluntário, ver reconhecida, e, por conseguinte, restar declarada por este Conselho, a ocorrência de erro. Erro no preenchimento Segundo consta, a recorrente teria recolhido o valor de Cofins R$955,48, e, por equívoco, informou indevidamente em DCTF, que o valor do débito era de R$ 1.582,43. Origem do Crédito Pleiteado A alegação da Recorrente referese a ocorrência de erro material na apuração do tributo em tela, tendo ocorrido pagamento a maior, motivo pelo qual manejou a referenciada DCOMP, a fim de ressarcir o que considerou indevido, vez que apontou, a seu entender, a existência de crédito próprio suficiente para fomentar a compensação. Nestes autos, a Recorrente aponta ter retificado a DCTF do 2.º trimestre de 2004, alterando o valor do débito para R$ 955,48 e vinculou o DARF de R$ 1.582,43 com a informação do pagamento de R$955,48, a fim de esclarecer a origem dos créditos. A fim de demonstrar seu crédito, é dever da Recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores Fl. 58DF CARF MF 6 ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou, o reflexo nas declarações eletrônicas retificadoras obrigações acessórias que servem para constituir o crédito tributário. No entanto, não indicou, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados, isto sim, de memoriais de cálculo, servirão à apreciação do julgador, e convencerse, justamente, do real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PR OVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invo cado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.905348/200907 Acórdão n.º 3001000.202 S3C0T1 Fl. 57 7 produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a i nexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus d e prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado. "Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a confissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Da Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 60DF CARF MF 8 Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.904562/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 45 62 /2 01 1- 83 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10805.904562/201183 Acórdão n.º 1401002.251 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.192, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10805.904562/201183 Acórdão n.º 1401002.251 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.192, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10805.904562/201183 Acórdão n.º 1401002.251 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 04/11/2013 via ARECF de efls. 108 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 117 a 126), conforme protocolo de efl. 117, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10805.904562/201183 Acórdão n.º 1401002.251 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10805.904562/201183 Acórdão n.º 1401002.251 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10805.904562/201183 Acórdão n.º 1401002.251 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10805.904562/201183 Acórdão n.º 1401002.251 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.901811/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA
Com a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não se instaura a fase litigiosa do contencioso administrativo fiscal, impedindo-se, assim, a análise do Recurso Voluntário, mesmo que este seja apresentado dentro do prazo de 30 dias, contado do recebimento do acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1302-002.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (suplente convocado) e Flavio Machado Vilhena Dias. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins (suplente convocado) e Flavio Machado Vilhena Dias. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 18 11 /2 01 2- 11 Fl. 86DF CARF MF 2 O contribuinte, Equatorial Soluções SA, ora Recorrente, apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 00580.58701.310111.1.3.043243), com a qual pretendia utilizar um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código 2089) para quitar débitos próprios de tributos federais. Contudo, em despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em São Luiz, o crédito indicado no mencionado PER/DCOMP não foi reconhecido e, por consequência, a compensação não foi homologada. O Recorrente foi devidamente intimado do despacho decisório que não homologou a compensação pretendida. Contudo, ao apresentar sua Manifestação de Inconformidade, com as alegações acerca da suposta legitimidade do crédito indicado na PER/DCOMP, o fez após ultrapassados os 30 dias estipulados na legislação em vigor para manejo do recurso administrativo. Desta feita, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I (SP), demonstrando aquela intempestividade, proferiu acórdão, no qual não conheceu do apelo do contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo e não pode ser conhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Devidamente intimado, o Recorrente apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que o indeferimento do crédito indicado no pedido de compensação só ocorreu por um "erro da administração", uma vez que, pela análise detida das declarações do contribuinte, o direito creditório deveria ser reconhecido. Assim, independentemente da intempestividade da Manifestação de Inconformidade, requereu que o Recurso Voluntário fosse conhecido e provido, para, ao final, ser reconhecido o crédito utilizado para o pagamento de débitos próprios do contribuinte, como indicado no pedido de compensação apresentado. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias A questão posta em análise é simples e não demanda maiores divagações. . Como se depreende dos autos, o Recorrente foi intimado do despacho decisório que não homologou o crédito indicado em pedido de compensação no dia 16/11/2012, sendo o dia o 18/12/2012 o último dia para o manejo da Manifestação de Inconformidade. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10320.901811/201211 Acórdão n.º 1302002.668 S1C3T2 Fl. 88 3 Entretanto, a Manifestação de Inconformidade só foi protocolizada no dia 21/12/2012, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. Como é sabido, o art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96 (redação dada pela Lei n.º 10.833/2003), determina que, nos casos de pedidos de compensação, em que não houver a homologação pela autoridade fiscal ou que se esta homologação for parcial, o contribuinte deverá apresentar Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias, contados do recebimento do despacho denegatório. Confirase a redação do dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. E mais: o artigo 14 do referido Decreto aduz que a apresentação da Impugnação da exigência fiscal, que, mutatis mutandis, tem a mesma função da Manifestação de Inconformidade, instaura "a fase litigiosa do procedimento". Assim, não restam dúvidas, pela interpretação sistemática do ordenamento, em especial daqueles dispositivos que regem o processo administrativo em âmbito federal, que a não apresentação ou a apresentação fora do prazo previsto em lei de Impugnação/Manifestação de Inconformidade afasta a instauração da fase litigiosa administrativa, tornando, por consequência, a autuação fiscal definitiva (pelo menos em âmbito administrativo). Esta é, inclusive, a orientação do Ato Declaratório Normativo COSIT n.º 15/1996. Vejase: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Fl. 88DF CARF MF 4 Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação do Despacho Decisório lavrado pela autoridade fiscal. Assim, é preclusa a matéria apresentada no Recurso Voluntário, uma vez que, repitase, não foi instaurada a fase litigiosa do contencioso administrativo. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem inúmeros julgados nesse sentido. Como exemplo, citase: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Terceira Seção QUARTA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO MATÉRIA: PIS ACÓRDÃO: 3402003.473 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2000 COMPENSAÇÃO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. Desta feita, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que não atacou em específico a declaração de intempestividade do acórdão recorrido, à luz do que determina os preceitos do art. 17 e 33 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10320.901811/201211 Acórdão n.º 1302002.668 S1C3T2 Fl. 89 5 Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.722038/2013-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2008 a 30/07/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008
RECEBIMENTO DE NOTAS DE CRÉDITO. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. TRIBUTAÇÃO.
Os recebimentos de Notas de Crédito como decorrentes de ajustes nos preços dos fornecimentos à contribuinte para garantir sua rentabilidade/lucratividade se classificam como receitas operacionais. Em sendo assim, estão dentro do campo de incidência da Cofins.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009, 01/11/2009 a 30/11/2009
RECEBIMENTO DE NOTAS DE CRÉDITO. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. TRIBUTAÇÃO.
Os recebimentos de Notas de Crédito como decorrentes de ajustes nos preços dos fornecimentos à contribuinte para garantir sua rentabilidade/lucratividade se classificam como receitas operacionais. Em sendo assim, estão dentro do campo de incidência do PIS.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2008 a 30/07/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 9303-006.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2008 a 30/07/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 RECEBIMENTO DE NOTAS DE CRÉDITO. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Os recebimentos de Notas de Crédito como decorrentes de ajustes nos preços dos fornecimentos à contribuinte para garantir sua rentabilidade/lucratividade se classificam como receitas operacionais. Em sendo assim, estão dentro do campo de incidência da Cofins. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009, 01/11/2009 a 30/11/2009 RECEBIMENTO DE NOTAS DE CRÉDITO. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Os recebimentos de Notas de Crédito como decorrentes de ajustes nos preços dos fornecimentos à contribuinte para garantir sua rentabilidade/lucratividade se classificam como receitas operacionais. Em sendo assim, estão dentro do campo de incidência do PIS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2008 a 30/07/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
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BASE DE CÁLCULO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NOKIA SOLUTION AND NETWORKS DO BRASIL TELECOMUNICAÇÕES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/07/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 RECEBIMENTO DE NOTAS DE CRÉDITO. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Os recebimentos de Notas de Crédito como decorrentes de ajustes nos preços dos fornecimentos à contribuinte para garantir sua rentabilidade/lucratividade se classificam como receitas operacionais. Em sendo assim, estão dentro do campo de incidência da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009, 01/11/2009 a 30/11/2009 RECEBIMENTO DE NOTAS DE CRÉDITO. CARACTERIZAÇÃO COMO RECEITA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Os recebimentos de Notas de Crédito como decorrentes de ajustes nos preços dos fornecimentos à contribuinte para garantir sua rentabilidade/lucratividade se classificam como receitas operacionais. Em sendo assim, estão dentro do campo de incidência do PIS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2008 a 30/07/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 20 38 /2 01 3- 55 Fl. 1078DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.071, de 17/05/2016, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/07/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 NOTA DE CRÉDITO INTERNACIONAL. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. NATUREZA JURÌDICA DE BONIFICAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins os valores recebidos a título de bonificação, via Nota de Crédito Internacional, quando haja elementos que vinculem inequivocamente a bonificação às operações realizadas, ausência de condição para o recebimento das Notas de Crédito, e comprovação do efetivo recebimento dos valores. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.079 3 Irresignada, a Recorrente suscita divergência quanto à a) possibilidade de exclusão das bonificações da base de cálculo das contribuições sociais não cumulativas e b) quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 9303003.810 e 9303003.548. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 967/971. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (979/1044). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que os recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Para melhor elucidar a questão e fazer o cotejo com os acórdãos paradigmas, passamos a transcrever excertos do Termo de Constatação e Encerramento (fls. 281/288), bem como do voto condutor e da declaração de voto que integram o acórdão recorrido: Termo de Constatação e Encerramento: 2 A NOKIA SIEMENS NETWORKS DO BRASIL SISTEMA DE COMUNICAÇÕES LTDA (NOKIA COMUNICAÇÕES) firmou Contrato de Distribuição com a NOKIA SIEMENS NETWORKS OY (NOKIA FINLÂNDIA), versando especialmente sobre a política de preços praticados entre as partes e sua observância no que concerne às regras de preços de transferência. Com alegado respaldo nesse Acordo, a NOKIA FINLÂNDIA enviou à sua coligada brasileira, entre os meses de junho e dezembro de 2008, o montante de R$ 153.952.978,15, mediante a emissão de notas de crédito. 3 È possível deduzir, observandose os históricos das contas contábeis nºs 400005 – Custo de Produtos Acabados Vendidos – Transf Edi, e 479110 – Outros Custos Diretos – Serviços, que a NOKIA COMUNICAÇÕES anotou em sua contabilidade que do total da verba recebida, R$ 53.821.423,19 destinavamse a cobrir eventuais ajustes de preços de transferência nas aquisições de programas de computador, enquanto R$ 100.131.554,96 teriam sido remetidos pela NOKIA FINLÂNDIA para compensar ajustes relativos a compras de produtos. 4 Na elaboração dos cálculos de preços de transferência dos bens importados, a empresa apurou ajuste de R$ 15.869.656,35 (fls.08 a 36). 5 Ao ser solicitada a memória de cálculo dos preços de transferência aplicável aos programas de computador Fl. 1080DF CARF MF 4 adquiridos de vinculadas no exterior, alegou, no entanto, ser incabível tal providência, apesar de ter contabilizado o recebimento de verbas para essa finalidade, posto que (fls. 42 e 43): “ Nos termos do § 9º do artigo 241, do RIR (Decreto 3000/99), não se aplicam os cálculos de preço de transferência aos caso de royalties e assistência técnica, científica, administrativa ou assemelhada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 18, § 9º), portanto a NSM está dispensada de efetuar o cálculo de preços de transferência para os programas de computador importados decorrentes de licença de uso, objeto de contrato de exploração de direitos autorais sobre programa de computador, e ainda o pagamento considerado como de direitos autorais ou rendimentos percebidos pela ocupação, uso, fruição ou exploração dos bens e direitos, nos termos do art. 22 da Lei 4.506/64; e, do Decreto nº 2.465, de 19 de janeiro de 1998 que promulga o Acordo para evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em matéria de Impostos sobre a Renda, celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Finlândia, em Brasília, em 2 de abril de 1996, artigo 12, item 3, verbis: “O termo royalties usado neste Artigo designa as remunerações de qualquer natureza pagas pelo uso ou pela concessão do uso de um direito de autor sobre uma obra literária, artística ou científica (inclusive os filmes cinematográficos, filmes ou fitas de gravação de programas de televisão ou radiodifusão), qualquer patente, marcas de indústria ou comércio, desenho ou modelo, plano, fórmula ou processo secreto, ou por informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico”. 6 Como se nota, porém, há uma grande diferença entre os valores advindos do exterior e o montante apurado quando da efetiva aplicação das normas de preços de transferência no tocante aos bens importados. 7 Questionada, mediante o Termo de Intimação 02/2013, acerca da discrepância referida no item anterior, informou que (fls. 41 e 42): “Para o cálculo do preço de transferência durante o 2008, apuramos o valor de R$ 84.385.694,30 que corresponderam às notas de crédito, mas um ajuste/adição de R$ 3.817.136,96 ainda foi necessário, quando da apuração anual do imposto de renda.” 8 Não é verdadeira a afirmação feita pela empresa e relatada no item anterior. O valor do ajuste apurado, claramente verificável nas memórias de cálculo totalizou apenas R$ 15.869.656,35. (...) 11 Ao ser perquirida sobre a eventual inclusão dos valores recebidos na basede cálculo do PIS e da Cofins, a empresa manifestouse da seguinte forma: “ Os valores recebidos a titulo de ajuste de preço via nota de crédito não sãoreceita para fins de incidência do PIS e da COFINS, posto que dispõe o art. 1º dasLeis e nº 10.833/2003 e nº Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.080 5 10.637/2002 que o PIS e a COFINS têm como fatogerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pelapessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificaçãocontábil,que não é o caso aqui, mas valores recebidos para fins de redução decusto, nos termos do artigo 45 e inciso II, da Lei nº 10.637/02, que prevê o ajustede custo para fins de preços de transferência devem ser implementados, comoregra, por meio de ajuste contábil na conta de estoque onde o bem estejaregistrado, ou como redução do custo, caso o bem já tenha sido baixado pararesultado, e esse é o entendimento demonstrado na decisão abaixo: 12 A NOKIA COMUNICAÇÕES contabilizou os valores contra contas contábeisde custos e, de um modo ou de outro, alegou o recebimento como forma de neutralizar oefeito dos preços de transferência e, desta forma, recompor margens de lucro, afetadaspela vinculação, embora apenas pequena parte do total recebido estejacomprovadamente destinada a cobrir os ajustes de preços de transferência apurados. (...) 19 No presente caso, os valores recebidos por NOKIA COMUNICAÇÕES, nãoclassificáveis como recuperação de custo, decorrem de suas atividades sociais,acresceram ao patrimônio da empresa e são marcados pelo caráter da definitividade,amoldandose perfeitamente ao conceito jurídico de receita, hábil a compor a base decálculo do PIS e da Cofins. Voto condutor do acórdão recorrido: Assim sendo, não há como negar que: (i) os valores recebidos decorrem bonificações redutoras de custo, com fundamento na realização do princípio do arm's lenght; (ii) que os valores foram efetivamente contabilizados como redução de custo, de maneira individualizada por produto; e (iii) houve efetivo ingresso desses recursos no Brasil. Portanto, não compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins os valores recebidos a título de bonificação, via Nota de Crédito, quando haja elementos que vinculem inequivocamente a bonificação às operações realizadas, ausência de condição para o recebimento das Notas de Crédito, e comprovação do efetivo recebimento dos valores. Declaração de voto: Optei por apresentar esta declaração de voto por entender que os aportes financeiros recebidos por meio das notas de crédito Fl. 1082DF CARF MF 6 não se identificam com bonificações, conforme sustentou o ilustre relator. (...) No caso concreto, é fato inconteste que os aportes financeiros recebidos do exterior, por meio das notas de crédito, não constituem receitas operacionais, uma vez que possuem causa distinta do faturamento ou de qualquer outra operação resultante da execução do objeto social da pessoa jurídica. A causa jurídica dessas receitas foi a necessidade de redução do custo de aquisição de bens para revenda, a fim de que não fossem violadas as regras estabelecidas para a fixação do preço de transferência entre empresas coligadas. Desse modo, embora os valores recebidos por meio das notas de crédito sejam receitas, não se tratam de receitas operacionais e, por tal motivo, não podem ser tributadas pelo PIS e COFINS não cumulativos, nem antes e nem depois do advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014. Consoante se verifica, a Recorrente adquiriu programas de computador de empresa estrangeira a ela vinculada. Posteriormente, recebeu, via Nota de Crédito, da mesma empresa, valores que foram contabilizados em conta redutora do custo dos produtos adquiridos, uma parte, e, a outra parte, como ajustes de preços de transferência. Há, nos autos, três teses diferentes para o mesmo fato jurídicotributário. Para a fiscalização, a de que os valores assim recebidos pela Recorrente constituem receita operacional, motivo por que deveriam compor as bases de cálculo das contribuições; a adotada no voto condutor do acórdão recorrido (que, portanto, fundamentou o decisum confrontado; tudo antes assentado por seu relator é, com a devida vênia, absolutamente contraditório e confuso, uma vez que, após reproduzir o art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, que estabelece, como base de cálculo das contribuições, a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, afirma que a legislação é expressa em limitar a sua incidência às receitas operacionais), que atribuiu aos mesmos valores a natureza de bonificações redutoras de custo, e, finalmente, a defendida na declaração de voto, a de que tais valores são, na verdade, receita não operacional (como já adiantamos, esta última não constitui a razão de decidir do acórdão recorrido). Segundo estas duas últimas teses, não deveriam integrar as mesmas bases de cálculo. Ao atribuir aos valores recebidos da empresa estrangeira a natureza de bonificações, e havendo, segundo consignado no acórdão recorrido, elementos vinculandoos às operações realizadas e ausente condição para o recebimento das Notas de Crédito, tais valores deveriam, sob este entendimento, ser excluídos das bases de cálculo dos PIS/Cofins. Já o primeiro paradigma, por seu turno, consubstanciou o entendimento de que as bonificações condicionais, concedidas em razão de obrigações contratuais, sujeitas a evento futuro, que não foram consignadas na nota fiscal de entrada e não reduziram o Custo das Mercadorias Vendidas (como no caso!), não podem representar redução de custo, devendo ser tratadas como receita a ser computada na apuração da contribuição social não cumulativa. Nesse contexto, entendemos comprovada a primeira divergência. E, sublinhe se, também a segunda, uma vez que o acórdão recorrido, diferentemente do paradigma, afastou a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Passemos ao mérito. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.081 7 No concernente à primeira divergência, cumpre registrar que o controle fiscal dos preços de transferência se impõe em função da necessidade de se evitar a perda de receitas fiscais. Essa redução se verifica em face da alocação artificial de receitas e despesas nas operações com venda de bens, direitos ou serviços, entre pessoas situadas em diferentes jurisdições tributárias, quando existe vinculação entre elas, ou ainda que não sejam vinculadas, mas desde que uma delas esteja situada em país ou dependência com tributação favorecida ou goze de regime fiscal privilegiado. No caso específico da importação (obviamente, não se trata de receita de exportação, como pretende a Recorrente), quando o preço parâmetro, apurado pelos métodos de importação, for inferior ao preço praticado, significa que o contribuinte reconheceu como custo ou despesa valor maior que o devido, de modo que a diferença deverá ser tributada.1 E por que deverá ser tributada? Porque, evidentemente, ao reconhecerse, na escrituração, um custo de aquisição superior ao que deveria ter sido praticado, o lucro foi inferior ao que seria apurado, fosse a aquisição realizada pelo valor correspondente ao preço apropriado, tanto que o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que deve ser adicionada ao lucro líquido, para o efeito de apuração do IRPJ e da CSLL, a parcela de custo que excedeu o preço de transferência. Vejam: Preços de Transferência Bens, Serviços e Direitos Adquiridos no Exterior Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. (g.n.) Ora, o fato de os valores recebidos referiremse às operações anteriormente realizadas não torna, ipso facto, incondicional o seu recebimento, a ponto de levar apenas a uma mera redução do custo de aquisição dos programas de computador, sem alteração do resultado do período. Aliás, no caso em exame, assim somente se procedeu para que fosse observada a legislação que disciplina o controle fiscal dos preços de transferência. No momento da aquisição dos programas, sequer se cogitava do recebimento posterior de valores via Nota de Crédito. A propósito da impossibilidade de atribuirse aos valores recebidos a natureza da recuperação de custos, vale transcrever aqui, como razões adicionais, porque de clareza meridiana, os argumentos adotados na decisão de primeira instância administrativa (Acórdão DRJ/POA nº 1051.810, de 18/09/2014), os quais, na integralidade, adotamos: 1 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/dipjdeclaracaode informacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2010/capituloxixirpjcslloperacoesinternacionais2009.pdf Fl. 1084DF CARF MF 8 Por sua vez, não procede o esforço de argumentação da contribuinte ao tentar enquadrar as Notas de Crédito com recuperação de custo e considerar esta recuperação como não tributável. Em primeiro lugar, como já analisamos acima, as Notas de Crédito se referem a receitas decorrentes de ajuste no preço dos fornecimentos à contribuinte para garantir sua rentabilidade/lucratividade e são tributáveis. Em segundo lugar, é necessário fazer uma interpretação extensiva/ampla para se considerar as Notas de Crédito como recuperação de custo. Isto porque a expressão “recuperação” significa “voltar à posse de coisa que foi perdida, roubada ou furtada; adquirir novamente; readquirir” (Dicionário Eletrônico Houais 1.0) ou “ato ou efeito de reaver, alguém, a posse daquilo que perdeu, ou de ser reintegrado na posse de que foi esbulhado” (SIDOU, J.M. Othon. Dicionário Jurídico da Academia Brasileira de Letras Jurídica, 3ª Edição, 1995, Editora Forense Universitária). Fundamental, portanto, o retorno de algo que foi perdido para a conceituação da recuperação. No caso em apreço, não fica demonstrado que houve uma perda na importação, seja física ou intelectiva. O que ocorre é que as Notas de Crédito emitidas pela empresa exportadora são para garantir sua rentabilidade/lucratividade devido ao ajuste do preço de transferência para fins de apuração de IRPJ e CSLL em um momento posterior à importação propriamente dita, quando da apuração destes. Em terceiro lugar, mesmo considerando as Notas de Crédito como recuperação de custo, haveria impedimento referentes aos valores e a dedutibilidade destes para fins de PIS e Cofins não cumulativos. No pertinente aos valores, observase que os valores de ajuste do preço de transferência pela legislação brasileira são em quantia muito inferior (R$ 75.284.268,13) aos valores considerados pela contribuinte e representados nas Notas de Crédito (R$ 168.858.504,38), que foram calculados pelas normas da OCDE. Aceitar todo o valor das Notas de Crédito como recuperação de custos seria admitir que a legislação pátria pode ser alterada por legislação estrangeira. Por isso, somente seria dedutível como recuperação de custo o valor admitido pela legislação brasileira (R$ 75.284.268,13). Aliás, supostos argumentos referentes a valores recolhidos a maior ou indevidamente de IRPJ e CSLL devido ao modo de contabilização do ajuste do preço de transferência pelas normas da OCDE devem ser objeto de processo específico destes tributos, não neste processo que trata de lançamento de PIS e Cofins nãocumulativos. No pertinente à dedutibilidade, verificase que não é porque é recuperação de custo que é automaticamente passível de dedução do PIS e da Cofins nãocumulativos. A legislação que regula estas contribuições, prevê que somente são isentas ou Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.082 9 dedutíveis (art.1º, §3º da Lei 10.637/2002 e art.1º, §3º da Lei 10.833/2003) determinadas receitas, custos, provisões e despesas, sendo que não há previsão para recuperação de custo decorrente de Notas de Crédito que se referem a recebimentos decorrentes de ajuste no preço dos fornecimentos à contribuinte para garantir sua rentabilidade/lucratividade. É um equívoco, ademais, pretender atribuir aos valores recebidos a natureza de receita não operacional. Conforme se assentou na Declaração de Voto, No caso concreto, é fato inconteste que os aportes financeiros recebidos do exterior, por meio das notas de crédito, não constituem receitas operacionais, uma vez que possuem causa distinta do faturamento ou de qualquer outra operação resultante da execução do objeto social da pessoa jurídica. A causa jurídica dessas receitas foi a necessidade de redução do custo de aquisição de bens para revenda, a fim de que não fossem violadas as regras estabelecidas para a fixação do preço de transferência entre empresas coligadas. Discordamos. Receitas operacionais são aquelas "normais" auferidas pela empresa, oriundas da exploração de seu objeto social, ainda que, em interpretação restritiva, não decorram da venda de mercadorias e da prestação de serviços. As não operacionais, por seu turno, são, basicamente, as que decorrem da venda de bens do ativo permanente, como ganhos em desapropriações, em alienação de investimentos etc. (Decreto nº 3.000, de 1999 RIR/99; arts. 418 e ss.). Os valores recebidos pela Recorrente, vimos, destinaramse a garantir a sua lucratividade decorrente de ajuste no preço de transferência de programas de computador adquiridos a uma empresa estrangeira vinculada. As transações comerciais anteriores, inseridas no campo das atividades ordinárias da Recorrente, indubitavelmente integram o seu resultado operacional, assim como, também, façamos um paralelo com um supermercadista, os chamados "pedágios" que este recebe de seus fornecedores, em dinheiro ou em mercadorias para melhor disposição dos produtos dentro da loja – prateleira, publicidade (no objeto social de um supermercadista não figura, obviamente, o recebimento de vantagens pecuniárias pela melhor exposição dos produtos de determinada marca). Tais valores não correspondem, na literalidade das expressões, a uma "venda de mercadorias" ou a uma "prestação de s erviços", mas nem por isso deixam de corresponder a uma receita auferida na consecução do objeto social do supermercadista. Operacional, portanto, devendo, sem a menor dúvida, integrar a base de cálculo do PIS/Cofins. Por último, mas não menos importante, sublinhese que, ainda que não operacionais fossem as receitas recebidas pela Recorrente, a base de cálculo do PIS/Cofins na sistemática não cumulativa, como se sabe, compreende a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (arts. 1º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), de modo que as exclusões da mesma base de cálculo são taxativas, não exemplificativas, como se entendeu na declaração de voto. Fl. 1086DF CARF MF 10 A segunda divergência é matéria de apreciação frequente nesta Turma, que vem decidindo pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme foi definido no Acórdão nº 9303002.400, de 15/08/2013, de relatoria do Conselheiro Joel Miyazaki, aqui transcrito e adotado como razão de decidir: A matéria trazida à apreciação deste colegiado restringese à incidência de juros de mora sobre multa de ofício não paga na data de seu vencimento. A decisão recorrida afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir esse entendimento não merece prosperar, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre os créditos tributários não pagos no vencimento, aí incluídos aqueles decorrentes de penalidades, senão vejamos. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente, conforme o § 1º do art. 113 do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória: § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Paralelamente, o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, indubitavelmente, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Conforme palavras do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres: “Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, o que se verá será, justamente, o inverso, uma Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.083 11 obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. “ Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica é que a penalidade é crédito tributário. Passamos agora a verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. A norma geral, estabelecida no art. 161 do Código Tributário Nacional, dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A par dessa norma geral, para não deixar margem à dúvida, o legislador ordinário, estabeleceu que os créditos decorrentes de penalidades que não forem pagos nos respectivos vencimentos estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que transcrevo abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em suma, temse que o crédito tributário, independentemente de se referir a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse sentido, temse que incide juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, doulhe provimento. É como voto. Fl. 1088DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.084 13 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos do processo, inclusive do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, peço vênia ao ilustre relator para manifestar meu entendimento. Quanto ao conhecimento do Recurso Especial, importante recordar que o auto de infração imputou a exigência do PIS e da Cofins do ano calendário de 2008, alegando que teria havido omissão de receitas. A autoridade fiscal entendeu que os valores recebidos das notas de crédito correspondentes aos ajustes de preços de transferência efetuados entre o sujeito passivo e a sua matriz sediada na Finlândia seriam receitas passíveis de tributação pelas contribuições. Considerando que a DRJ julgou de forma desfavorável ao sujeito passivo, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário que, por sua vez, foi provido pela 2ª turma ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção. É de se trazer, então, os fundamentos que suportaram a decisão favorável – o que, para melhor elucidar, transcrevo parte do voto do acórdão recorrido (Grifos meus): “ [...] Ora, em primeiro lugar, há que se observar que não se trata de receita tributável pelas contribuições em comento, nos termos do art.1º, §1º da Lei 10.833 e 10.637: Art. 1o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os respectivos valores decorrentes do ajuste a Fl. 1090DF CARF MF 14 valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Vejamos o segundo item, relativo aos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art.183 da Lei 6.404/76 que se refere apenas aos elementos do ativo decorrentes de operações de longo prazo serão ajustados a valor presente, sendo os demais elementos ajustados quando houver efeito relevante. Quanto à primeira espécie de receita tributável, há que se reproduzir o conteúdo do art.12 DecretoLei nº1.598/77: Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral. III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. A legislação é expressa em limitar a incidência à chamadas receitas operacionais, descritas no artigo acima. As notas de crédito analisadas não se adequam aos incisos I e II, por não serem produto de venda de bens ou prestação de serviços. Além disso, não se subsume ao inciso III por não se tratar de resultado auferido em operações de conta alheia. Quanto ao inciso IV, mais amplo que os demais, tampouco pode fundamentar a incidência, haja vista que as notas de crédito não são receitas da atividade ou objeto principal da empresa, mas simples meios financeiros de realizar o ajuste dos preços de transferência. A jurisprudência é farta de exemplos de rechaço a tentativas de ampliação do conceito de receita tributável pelas contribuições para atingir receitas não operacionais, para além das hipóteses da legislação. Ainda que se considere subsumível ao conceito de receita tributável pelas contribuições do PIS e COFINS, esses valores deveriam ser excluídos da base de cálculo, como se demonstrará adiante. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.085 15 Colocando em parênteses as vicissitudes de se tratar de uma operação sujeita a regras de tributação internacional, o que se verifica, no caso, é a presença de uma forma análoga de bonificação a Nota de Crédito opera como um redutor de custos da adquirente dos produtos, haja vista que os custos não podem ser aproveitados na contabilização do lucro real para além do preço parâmetro estipulado nos termos da lei 9.430/96. [...]” Da leitura do voto do acórdão recorrido, vêse que foram utilizados dois fundamentos para afastar a tributação dos r. ajustes pelo PIS e Cofins, quais sejam, de que, caso entenda ter tal ajuste natureza de receita não se trata de receita operacional e, portanto, não haveria tributação pelas contribuições, nos termos do art. 12 do DecretoLei 1.598/77. E, que tal ajuste não teria natureza de receita, vez se tratar de mero redutor de custo – tal como juridicamente seria por analogia uma bonificação. Sendo assim, resta claro que houve dois fundamentos para se dar provimento ao recurso especial. No que tange aos acórdãos indicados como paradigmas, temos que os fatos lá tratados não se assemelham ao ora discutido – ou seja, não se tratam de ajustes decorrentes de preço de transferência. Os arestos paradigmas apenas trataram de discussões acerca de bonificações, descontos condicionais e incondicionais de operações realizadas com sociedades varejistas concedidas por seus fornecedores. Nenhum acórdão indicado como paradigma tratou do recebimento de notas de crédito, tampouco de preços de transferência e seu ajuste que, por sua vez, decorrem da observância do Contrato de Distribuição. O que, já resta demonstrado que não há similitude fática entres os arestos recorrido e os indicados como paradigma. Dessa forma, considerando não haver similitude fática entre os arestos, não há como se conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. Fl. 1092DF CARF MF 16 Frisese tal entendimento o acórdão 9303006.208 – que demonstra a decisão dessa mesma turma que, por unanimidade de votos, não conheceu um recurso especial , consignando a seguinte ementa: “ Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 26/07/2007 a 22/01/2008 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. ” Ademais, temse que, independentemente de os acórdãos indicados como paradigma terem tratados de fatos efetivamente diferentes, é de se atentar que os arestos paradigmas ainda não refutaram ou contemplaram a primeira fundamentação trazida no recorrido – qual seja, da receita não operacional que não seria tributável pelo PIS e Cofins, nos termos do art. 12 do DecretoLei 1.598/77. O que entendo que não há como dar seguimento ao recurso especial que ataca apenas um dos fundamentos da decisão recorrida. Nesse ínterim, importante trazer a ementa do acórdão 9303005.111 da lavra da ilustre Conselheira Vanessa Cecconello, onde firmamos o seguinte entendimento: “ Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 06/09/2001 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. Não deve ter seguimento o recurso especial que ataca apenas um dos fundamentos da decisão recorrida, quando o outro é suficiente para manutenção do acórdão.” Em vista de todo o exposto, entendo que não devo conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.086 17 Quanto ao mérito, entendo que os valores recebidos por meio das notas de crédito emitidas pela NSNOy seriam meros ajustes de preços de transferência, não estando encartados no conceito de receita. Em respeito ao art. 18 da Lei 9.430/96, vêse nos autos que o sujeito passivo observou devidamente o cálculo do preço de transferência, conforme rege a legislação brasileira. E, ainda que a matriz na Finlândia, da mesma forma, efetuou devidamente o cálculo de preço de transferência, observando as normas da OCDE. Tanto é assim, que após a apuração do valor correto, constatou diferenças que foram objeto de devolução ao sujeito passivo. O que chamamos de ajustes de preço de transferência. Vêse, assim, que tal ajuste deve ser tratado como redutor de custo, pela inteligência do art. 45, inciso II, da Lei 10.637/02, in verbis: “ Art. 45. Nos casos de apuração de excesso de custo de aquisição de bens, direitos e serviços, importados de empresas vinculadas e que sejam considerados indedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, apurados na forma do art. 18 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica deverá ajustar o excesso de custo, determinado por um dos métodos previstos na legislação, no encerramento do período de apuração, contabilmente, por meio de lançamento a débito de conta de resultados acumulados e a crédito de: [...] II conta própria de custo ou de despesa do período de apuração, que registre o valor dos bens, direitos ou serviços, no caso de esses ativos já terem sido baixados da conta de ativo que tenha registrado a sua aquisição.[...]” Ademais, por se tratar de ajuste de preço, não há como contabilmente tratálo como “receita”, eis que não se trata de receita nova e que acresce ao patrimônio do sujeito passivo. Apenas estaria recompondo o seu patrimônio, ajustando o custo assumido quando do cálculo do preço de transferência na forma da legislação brasileira vigente. Ocorreu apenas devolução de preço. Fl. 1094DF CARF MF 18 Não há que se falar ainda em ajustes de preços de fornecimentos com intuito de garantir a rentabilidade do sujeito passivo, bem como de se vincular por analogia a natureza jurídica de bonificação, eis que são especificamente valores recebidos decorrentes de ajuste de preço de transferência. Sendo assim, entendo que assiste razão ao sujeito passivo ao ter contabilizado como redução de custo, de maneira individualizada por produto, vez que tais valores decorreram da aplicação das regras de preços de transferência e OCDE. O Grupo Nokia adota o padrão OCDE. Tanto é assim que o próprio Contrato de Distribuição detalha as políticas de preços de transferência conforme regras da OCDE. Em vista do exposto, nego provimento ao Recurso Interposto pela Fazenda Nacional. Quanto à outra questão posta em recurso – qual seja, incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, expresso que, relativamente a esse tema, entendo que a autoridade fazendária não poderá exigir juros de mora sobre o valor da multa de oficio. Ora, a Lei nº 9.430/96 prevê expressamente no art. 61 que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)” Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.087 19 Nesse ínterim, somente considerando esse dispositivo, vêse claro que somente os débitos de tributos e contribuições – valor principal se sujeitam aos juros de mora, e não os decorrentes de multa de mora. Nessa senda, se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, tornase claro que também não cabe impor tais juros sobre a multa de ofício. Ademais, importante trazer que não há como se entender que o débito tributário seja composto por juros de mora e outras penalidades tributárias, vez que a legislação vigente, em respeito à natureza jurídica de cada evento, demonstra a segregação de cada débito, quer seja, de débito tributário, débito decorrente de encargos moratórios e débito relativo à penalidade administrativa. Essa distinção é demonstrada expressamente no artigo 161, caput, do CTN, in verbis: “ Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Tal dispositivo traz que o crédito tributário deve ser acrescido dos juros de mora e das penalidades cabíveis – segregando o crédito tributário dos juros de mora e das penalidades assecuratórias. Ademais, temse ainda que, caso ignorássemos tais dispositivos e forçosamente invocássemos o art. 113 do CTN para entender que há incidência de juros sobre a multa de ofício, in verbis (Grifos meus): “ Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 1096DF CARF MF 20 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Vêse que, mais uma vez, não há como se interpretar que seria cabível a aplicação dos juros sobre a multa de ofício, eis que o art. 113, § 1º, do CTN traz que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador. Ora, e qual débito surge com o fato gerador do tributo? O débito que surge com o fato gerador do tributo é o próprio “valor principal” – valor do tributo apurado nos termos da legislação vigente. Entender que a multa de ofício surge com o fato gerador do tributo seria extrapolar a natureza dessa multa, vez que tal multa somente passa a existir com o lançamento de ofício. A motivação de sua existência não é a ocorrência do fato gerador do tributo, mas sim o lançamento de ofício. Sendo assim, tornase equivocado defender ser aplicável os juros sobre a multa de ofício, invocando o art. 113 e o art. 139 do CTN, sob a alegação de que: · O crédito tributário decorre da obrigação principal, nos termos do art. 139 do CTN; · A obrigação principal abrange o valor principal do tributo e as penalidades pecuniárias, nos termos do art. 113, inciso I, do CTN; · Então, o crédito tributário é composto pelo valor principal e multa de ofício; e · Sendo assim, seria aplicável os juros de mora sobre a multa de ofício, por compor o débito tributário a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96. A interpretação equivocada não merece prosperar. Vejamos: 1. Traz o art. 139 do CTN (Grifos meus): “ Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” 2. O art. 139, assim, considera que o crédito tributário surge com a obrigação principal; 3. Traz o art. 113, § 1º, do CTN: “ [...] Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.088 21 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” 4. O art. 113, § 1º c/c o art. 139, do CTN, portanto, diz que o crédito tributário decorre com a obrigação principal que, por sua vez, surge com a ocorrência do fato gerador do tributo; 5. O que se conclui que o crédito tributário não poderia ser composto pelo valor da multa de ofício, eis que tal multa não surge com o fato gerador do tributo, mas com o lançamento de ofício; 6. Por conseguinte, não há que se falar em aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96 e do art. 161 do CTN, vez que tais juros somente incidem sobre o crédito tributário. Em vista de todo o exposto, entendo que não são aplicáveis juros sobre a multa de ofício. Frisese tal entendimento o Acórdão nº 9101000.722 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (já sob a estrutura do CARF): “ JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada”. (grifos nossos) Ademais, tornase impossível também ignorar os entendimentos proferidos no mesmo sentido da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF ao julgar recurso especial nº 202131.351 (Acórdão CSRF/0203.133), bem como da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº 140100.027), da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos autos do processo nº 10680.011107/200629 (Acórdão nº 220100.126). Aproveito ainda trazer que não há como se invocar equivocadamente o art. 30 da Lei 10.522/02 para se aplicar os juros sobre a multa de ofício. Fl. 1098DF CARF MF 22 Eis a redação do art. 30 da Lei 10.522/02 (Grifos Meus): Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. E o art. 29 referendado no dispositivo (Grifos meus): “ Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. [...] Ora, os débitos “de qualquer natureza” tratados no art. 30, caput, da Lei, são específicos – ou seja, somente são aqueles decorrentes de fatos geradores ocorridos até 31.12.94, nos termos do art. 29 da Lei 10.522/02. Sendo assim, apenas trago que não há também como se aplicar os juros sobre a multa de ofício, invocando tais dispositivos e cegandose a literalidade da norma. O que resta a essa conselheira entender que assiste razão ao sujeito passivo nessa parte, sob pena de afrontarmos o CTN e extrapolarmos os dizeres da legislação vigente. Diante do exposto, exponho o entendimento de que o Recurso Especial interposto pela Fazenda não deva ser conhecido. E, se conhecido, forte nas razões expostas, devese negar provimento ao seu recurso. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Declaração de Voto Conselheiro Demes Brito Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.089 23 Em que pese concordar com o brilhante voto do Ilustre Relator Charles Mayer de Castro Souza, divirjo da equivocada e confusa tese adotada pelo Relator da turma a quo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, bem como, da conclusão apresentada na declaração de voto pelo ex presidente da turma Conselheiro Antonio Carlos Atulim, levando a efeito a negativa de provimento do Recurso apresentado pela Contribuinte. O apelo (fls. 678 a 710), cuja admissibilidade ora se analisa, suscita divergência jurisprudencial quanto à (1) possibilidade de exclusão das bonificações da base de cálculo das contribuições sociais não cumulativas e (2) quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. In caso, tratase de auto de infração lavrado em face da recorrida, para a cobrança de PIS e COFINS, ambos não cumulativos, dos meses de outubro e novembro de 2009. A Autoridade fiscal identificou que a NOKIA SIEMENS NETWORKS OY (NOKIA FINLÂNDIA) remeteu para a ora recorrente – empresa coligada, o montante de R$ 168.858.504,38, amparada por meio de notas de crédito. Intimada para fundamentar as razões de tais remessas, a Contribuinte informou que se tratava de quantia enviada com o fim de permitir a recomposição dos seus lucros, conforme estabelecido em contrato de distribuição firmado entre a contribuinte e a controladora no exterior, segundo a política do Grupo Nokia, com vistas a ajustar o excesso de custos do fornecimento de bens e serviços da Nokia Finlândia para a fiscalizada, para atendimento das regras de preço de transferência e, com isso, manter o equilíbrio financeiro e a competitividade da empresa. Analisandose, no entanto, os fatos e documentos juntados aos autos, a Fiscalização concluiu que em razão de tais remessas a empresa, na verdade, auferiu receitas que não foram incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, realizando, assim, o lançamento. Por sua vez, a decisão recorrida deu provimento ao Recurso com a tese equivocada de que: "após reproduzir o art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, que estabelece, como base de cálculo das contribuições, a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, afirma que a legislação é expressa em limitar a sua incidência às receitas operacionais), que atribuiu aos mesmos valores a natureza de bonificações redutoras de custo, e, finalmente, a defendida na declaração de voto, a de que tais valores são, na verdade, receita não operacional". Fl. 1100DF CARF MF 24 Discordo diametralmente de ambos fundamentos, entendo que o Relator da decisão recorrida deveria ter empreendido uma analise detida junto aos autos, ao invés de criar uma tese alheia ao lançamento, o que por via de conseqüência, resultou na negativa de provimento ao Recurso Especial da Contribuinte em razão da matéria chegar deturpada nesta E. Câmara Superior. Como bem colocado pelo Relator, o controle fiscal dos preços de transferência se impõe em função da necessidade de se evitar a perda de receitas fiscais. Essa redução se verifica em face da alocação artificial de receitas e despesas nas operações com venda de bens, direitos ou serviços, entre pessoas situadas em diferentes jurisdições tributárias, quando existe vinculação entre elas, ou ainda que não sejam vinculadas, mas desde que uma delas esteja situada em país ou dependência com tributação favorecida ou goze de regime fiscal privilegiado. No caso em espécie, não se trata de receita de exportação, "quando o preço parâmetro, apurado pelos métodos de importação, for inferior ao preço praticado, significa que a Contribuinte reconheceu como custo ou despesa valor maior que o devido, de modo que a diferença deverá ser tributada".2 Portanto, "ao reconhecer, na escrituração, um custo de aquisição superior ao que deveria ter sido praticado, o lucro foi inferior ao que seria apurado, fosse a aquisição realizada pelo valor correspondente ao preço apropriado, tanto que o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que deve ser adicionada ao lucro líquido, para o efeito de apuração do IRPJ e da CSLL, a parcela de custo que excedeu o preço de transferência". O fato dos valores recebidos referiremse às operações anteriormente realizadas não torna, ipso facto, incondicional o seu recebimento, a ponto de levar apenas a uma mera redução do custo de aquisição dos programas de computador, sem alteração do resultado do período. Aliás, no caso em exame, assim somente se procedeu para que fosse observada a legislação que disciplina o controle fiscal dos preços de transferência. No momento da aquisição dos programas, sequer se cogitava do recebimento posterior de valores via Nota de Crédito. Dessa forma, impossível atribuir valores recebidos a título de natureza de recuperação de custos. Neste sentido, não há que se falar em natureza jurídica de bonificação, ou atribuir aos valores recebidos o conceito de receita não operacional. Quanto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, esta E. Câmara Superior, firmou entendimento de que independentemente de se referir a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Com essas considerações, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito 2 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/dipjdeclaracaode informacoeseconomicofiscaisdapj/respostas2010/capituloxixirpjcslloperacoesinternacionais2009.pdf Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10880.722038/201355 Acórdão n.º 9303006.246 CSRFT3 Fl. 1.090 25 Fl. 1102DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.904177/2012-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/03/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito.
PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL.
Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3001-000.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri- Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito. PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL. Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 41 77 /2 01 2- 51 Fl. 210DF CARF MF 2 Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães Relatório Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, não houve reconhecimento de direito creditório tendo sido considerao insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Retificação da DACON A fim de ver garantido seu crédito, retificou as DACON, indicando a ocorrência de alíquota zero em razão de venda de produtos alimentícios, tais como arroz, hortícolas, etc. DRJ/BHE A decisão sobre a manifestação de inconformidade apresentada teve a seguinte ementa: Acórdão 0248.719 2 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 29240988 emitido eletronicamente em 01/08/12, referente ao PER/DCOMP nº 18268.82623.200208.1.3.044219. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10925.904177/201251 Acórdão n.º 3001000.297 S3C0T1 Fl. 216 3 nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor de R$ 216,08, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/04/07. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que a empresa tem como atividade econômica o comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios; que a empresa tributava PIS e Cofins de produtos que não possuem incidência da contribuição; que diante disso constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses; que a Lei 10.865/2004 em seu art. 28, inc. III reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS /Pasep e Cofins, incidentes sobre a receita bruta decorrentes da venda no mercado interno; que a Lei 10.925/2004, art. 1º, reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno; que a Lei 11.196/2005, art. 51 acrescenta os incisos XI, que inclui o leite fluido pasteurizado ou industrializado e leite em pó, integral ou desnatado, destinados ao consumo humano; e o inciso XII que inclui queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo coalho, ricota e requeijão; que diante disso foram retificadas os Dacons e feito um pedido de restituição do crédito vinculado ao pagamento e posteriormente um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição; que não se justifica a não homologação do pedido de restituição sob a alegação de falta de crédito, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao pagamento a maior. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. Fl. 212DF CARF MF 4 O contribuinte informa sobre reduções de alíquota de alguns produtos e relata que pagou a contribuição social sobre esses produtos sem observar as reduções. Entretanto, não apresenta nenhum documento fiscal que comprove a aquisição dos produtos, nem os reflexos em sua contabilidade para a quantificação das supostas diferenças. Sobre o fato de o Darf ter sido utilizado para pagamento dos tributos confessados em DCTF, não há nenhuma contestação. Recurso Voluntário Sustenta ter incluído em sua apuração de Pis/Cofins, produtos submetidos à alíquota zero e monofásicos, excluindo o IPI da base de cálculo, vez que componentes do custo e, portanto, base de cálculo da exação. Ainda, informa ter ofertado à tributação, itens como brindes e doação, cujo conceitos divergem do proposto pela legislação como base aptas a incidirem a contribuição, a inclusão de brindes e doações na base de cálculo da receita e pela não inclusão do IPI na compra de mercadorias, além dos produtos submetidos à alíquota zero. DACON Retificadora Face aos erros cometidos na apuração dos tributos, procedeu à retificação da Dacon, informando a ocorrência das rubricas acima mencionadas. Fundamento Legal do Crédito Em seu favor, menciona a legislação que traz a redução à zero das alíquotas dos produtos que comercializa e o devido tratamento ao Comprovação do Crédito Sustenta ter demonstrado, através das cópias dos livros de entrada e saída, além de planilhas explicativas, a ocorrência de tributação a maior. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento parcial. Vez que excluo os itens relativos aos brindes, doações e produtos submetidos à monofasia, por ter sido argumento de cunho inovador, vez que surgiu apenas no momento do Recurso Voluntário, considerando, portanto, estar precluso seus argumentos. Pagamento a maior A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10925.904177/201251 Acórdão n.º 3001000.297 S3C0T1 Fl. 217 5 Não há, entretanto, nos autos, notícia das razões e fatos, do apontado erro na apuração do tributo tido como causador do pagamento a maior. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente sua COFINS, mas, até o presente momento processual, desvirtuouse da questão central. A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido Fl. 214DF CARF MF 6 integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10925.904177/201251 Acórdão n.º 3001000.297 S3C0T1 Fl. 218 7 No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Fl. 216DF CARF MF 8 Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10925.904177/201251 Acórdão n.º 3001000.297 S3C0T1 Fl. 219 9 Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, Fl. 218DF CARF MF 10 o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antrecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Conclusão Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10925.904177/201251 Acórdão n.º 3001000.297 S3C0T1 Fl. 220 11 Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720517/2011-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ADIÇÃO AO LUCRO REAL. CONTABILIZAÇÃO COMO DESPESA. NEUTRALIDADE.
A adição ao lucro real de valor contabilizado como despesa implica em neutralidade tributária incompatível com o argumento de realização do ativo.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de créditos tributários com débitos de titularidade do sujeito passivo só pode ser efetivada sob o rito do art. 74, da Lei 9.430/96, sendo condição necessária a apresentação da Declaração de Compensação ali prevista.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.
A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA.
A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 1402-002.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso voluntário: i) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência; e: ii) por voto de qualidade quanto à exigência da multa isolada. Vencidos os conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento parcial nessa matéria para cancelar a multa incidente sobre os valores da exclusão tida como indevida.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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CONTABILIZAÇÃO COMO DESPESA. NEUTRALIDADE. A adição ao lucro real de valor contabilizado como despesa implica em neutralidade tributária incompatível com o argumento de realização do ativo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PER/DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de créditos tributários com débitos de titularidade do sujeito passivo só pode ser efetivada sob o rito do art. 74, da Lei 9.430/96, sendo condição necessária a apresentação da Declaração de Compensação ali prevista. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 17 /2 01 1- 98 Fl. 2106DF CARF MF 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso voluntário: i) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência; e: ii) por voto de qualidade quanto à exigência da multa isolada. Vencidos os conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento parcial nessa matéria para cancelar a multa incidente sobre os valores da exclusão tida como indevida. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 16682.720517/201198 Acórdão n.º 1402002.817 S1C4T2 Fl. 2.107 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Tratase de lançamentos que exigem do interessado acima as seguintes exações: 1.1 IRPJ no valor de R$ 218.190.921,00, acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora (fls. 843/852); 1.2 multa exigida isoladamente sobre estimativa de IRPJ no valor de R$ 156.124.018,57 (fls. 843/852); 1.3 CSLL no valor de R$ 79.787.886,69, acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora (fls. 853/857); 1.4 multa exigida isoladamente sobre estimativa de CSLL no valor de R$ 61.740.709,55 (fls. 858/865). 2. Os lançamentos de IRPJ e de CSLL se referem ao anocalendário de 2007, cuja apuração foi anual para esses tributos. 3. Os lançamentos de multa isolada referemse a alguns meses dos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, conforme visto nos demonstrativos de fls. 803/806 e 839/842. 4. É parte integrante dos lançamentos o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 766 e ss, o qual explicita os fatos e circunstâncias que levaram à autuação tanto do IRPJ, da CSLL e das mencionadas multas, como também do PIS/Pasep e da Cofins. Contudo, os lançamentos dessas últimas contribuições foram consignados no processo 16682.720516/201143, a ser julgado pela DRJ – RJO 2. 5. O conteúdo do referido termo, no que concerne à autuação do IRPJ, da CSLL e das multas exigidas isoladamente, vai resumido abaixo: Exclusão indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL 5.1 Esclarece o fiscal autuante que, indagado acerca das exclusões ao Lucro Real indicadas nas linhas 29 e 49 da ficha 09 A da DIPJ 2008/07, o fiscalizado apresentou a abertura dos valores declarados na DIPJ, onde se destaca a parcela correspondente ao Ajuste FRG CVM 371/01, no valor de R$ 1.001.242.477,63, que compõe o valor declarado na linha 49 da ficha 09 A. Segundo o autuante, o fiscalizado asseverou que tal exclusão foi promovida mediante aplicação da MP 453/2008, convertida na Lei nº 11.948, de 2009, artigo 5º. 5.2 Alerta o fiscal autuante que se trata de receita decorrente da reversão de passivo atuarial do fiscalizado, baixado em dezembro de 2007, em decorrência de reavaliação promovida, conforme relatado na citada Nota n°. 30 das Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis de 31/12/2007 (e consoante Deliberação CVM n°. 371/2000). Fl. 2108DF CARF MF 4 5.3 Alerta a fiscalização que, conforme art. 6º da citada Lei nº 11.948, de 2009, o reconhecimento de tal receita pelo regime de caixa (realização) previsto no art. 5º da lei, só se aplica a partir do anocalendário de 2008, inclusive. 5.4 Destaca o fiscal autuante que o fiscalizado alterou seu entendimento anterior (que apontava, equivocadamente, o art. 5º caput e § único da Lei 11.948/2009, como supedâneo legal da exclusão pretendida), reconhecendo que a fundamentação legal pretendida estava equivocada, não havendo previsão legal para sua aplicação retroativa ao anocalendário de 2007 de provisão de superávit oferecido à tributação no ano de 2007. 5.5 Esclarece o fiscal que o fiscalizado apenas informou que, por se tratar de previdência privada, o valor foi excluído da base do IRPJ e da CSLL, sem esclarecer se promoveu a tributação de tal exclusão (ou diferimento). 5.6 Finalizando, observa a fiscalização que nos registros contábeis do contribuinte, a contrapartida da reavaliação patrimonial efetuada (reavaliação e conseqüente baixa do passivo atuarial) se deu através de reconhecimento de receita do exercício de 2007, não se tratando, portanto, de provisão, de reserva de reavaliação, ou de qualquer outra figura da espécie. 5.7 Segundo a fiscalização, na apuração das diferenças a serem exigidas de ofício, foram, ainda expurgadas as compensações indevidas dos saldos negativos (IRPJ e CSLL) do ano de 2006 (analisadas a seguir) e consideradas as retenções na fonte, os incentivos fiscais e os recolhimentos antecipatórios declarados em DCTF e efetivamente pagos. O contribuinte não promoveu compensações de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, na apuração do resultado fiscal tributável de 2007 (o mesmo se dando nos anos anterior e seguinte) e, tampouco, apresentou registro de saldos compensáveis no LALUR. 5.8 Os saldos negativos do anocalendário de 2007 (R$ 43.845.629,25 IRPJ e R$ 13.720.468,78 CSLL), indicados na DIPJ 2008/07, devidamente expurgados dos efeitos das compensações indevidas [pela utilização irregular (sem DCOMP) de saldos negativos (R$ 11.725.930,85 IRPJ e R$ 3.396.532,49 CSLL) do ano anterior A.C.2006], foram integralmente absorvidos na autuação, reduzindo o valor exigido de ofício, na medida em que foi considerada, em benefício do sujeito passivo, a totalidade das retenções na fonte e dos recolhimentos antecipatórios efetivamente realizados [ver planilhas de apuração anexas ao Termo de Verificação, fls. 803/806 e 839/842]. Multa pela falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ e de CSLL 5.9 Relata fiscalização que, além das mencionadas exclusões indevidas nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, o fiscalizado buscou, mediante saldos negativos de IRPJ e de CSLL de períodos anteriores, compensar irregularmente parte de suas parcelas devidas de estimativa mensal dessas exações nos anos de 2007, 2008 e 2009 (vide demonstrativo de fls. 803/806 e 839/842), haja vista que essas alegadas compensações não foram registradas em PER/DCOMP. Ou seja, o fiscalizado buscou adimplir boa parte de suas estimativas mensais mediante compensação informal (sem PER/DCOMP). 5.10 A fiscalização, assim, promoveu a recomposição dos correspondentes balancetes mensais de suspensão ou redução (art. 35 da Lei 8.981/95 c/c art. 2° da 9.430/96; art. 222 do RIR/99) apresentados nas DIPJs 2008/07, 2009/08 e 2010/09, bem como, nas planilhas de apuração das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apresentadas pelo fiscalizado, de maneira a considerar a incidência (em dezembro de 2007) da receita decorrente da reavaliação do passivo atuarial (Ajuste FRG CVM 371/01, no valor de R$ 1.001.242.477,63), indevidamente excluída do lucro real e da Fl. 2109DF CARF MF Processo nº 16682.720517/201198 Acórdão n.º 1402002.817 S1C4T2 Fl. 2.108 5 base de cálculo da CSLL, em 2007, e, ainda, de sorte a excluir os efeitos das compensações indevidas promovidas pelo sujeito passivo, que resultaram em insuficiência de recolhimento de IRPJ e de CSLL (estimativas mensais), ao longo dos anos de 2007 a 2009, cujos valores corrigidos são apresentados nas planilhas juntadas ao Termo. 5.11 Esclarece a fiscalização que em face da peculiaridade do rendimento indevidamente excluído da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (receita de reavaliação do passivo atuarial), apenas para o mês de dezembro de 2007 teria sido necessária a recomposição do respectivo balancete. 5.12 No que tange às compensações indevidas [que utilizaram saldos negativos de IRPJ e de CSLL para amortizar valores devidos de IRPJ e CSLL mensais, sem a correspondente declaração de compensação] os balancetes mensais de suspensão/redução foram todos recompostos de sorte a expurgar seus efeitos. 5.13 Assim, na apuração pela fiscalização dos valores mensais devidos de IRPJ Estimativa e da CSLL Estimativa, dos anos de 2007, 2008 e 2009, foram integralmente consideradas as seguintes deduções: recolhimentos antecipatórios DCTF; as retenções na fonte de IRPJ e de CSLL; e os recolhimentos de estimativa por ele promovidos. 5.14 Diante disso, uma vez identificada a falta ou insuficiência de recolhimento mensal das estimativas do IRPJ e da CSLL, aplicouse a multa prevista no art. 44, § 1o, inciso IV, da lei 9.430/96 e alterações posteriores. 5.15 Os demonstrativos apresentam a recomposição do cálculo das estimativas do IRPJ e da CSLL, bem como a apuração das multas aplicadas. 6. O enquadramento legal dos lançamentos pode ser observado às fls. 800/801. Da impugnação 7. Irresignado com a autuação o interessado apresentou impugnação ao lançamento (fls. 992/1048), na qual alega, em síntese: 7.1 que os pressupostos dos lançamentos de COFINS e de PISPASEP são os mesmos que deram suporte ao lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da CSLL; logo, consoante legislação, doutrina e jurisprudência que cita, ambos os autos devem ser julgados pelo mesmo colegiado; 7.2 que, no mérito, o referido ajuste decorre de reversão de passivo atuarial, relacionado aos compromissos de FURNAS com a Fundação Real Grandeza, da qual é patrocinadora e que tem como principal benefício o pagamento de previdência privada (como complemento à aposentadoria da previdência oficial) aos funcionários da empresa, sendo que o parágrafo único do artigo 5º, da Lei nº 11.948, de 2009, autoriza que ditos resultados positivos do ajuste atuarial possam ser excluídos da base de cálculo dos tributos, quando do seu registro consoante o regime de competência, devendo ser a ela adicionados somente no período de apuração em que ocorrer a sua respectiva realização; 7.3 que há que se aplicar retroativamente a referida norma, pois o ordenamento estabelece que a lei mais benéfica deve ser aplicada retroativamente, alcançando fatos geradores anteriores à sua vigência; Fl. 2110DF CARF MF 6 7.4 que o artigo 106, II, do CTN, portanto, trata das três hipóteses de retroatividade que lhe favorecem sem empecilhos do ordenamento constitucional, o qual só proíbe a retroação de lei que agrave sua situação; 7.5 que a nova lei autorizou à pessoa jurídica patrocinadora de previdência privada considerar os ajustes positivos de compromissos referentes a planos de benefícios administrados por entidades fechadas de previdência complementar, para fins fiscais, no momento de sua realização (regime de caixa). Isto implica a permissão de efetuar a respectiva exclusão, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no momento da escrituração contábil por competência, de modo a evitar uma prematura repercussão desse registro contábil no campo tributário, fazendose o reconhecimento do resultado positivo paulatina e posteriormente, à medida de sua realização; 7.6 que qualquer infração que FURNAS possa ter cometido quanto ao ano calendário de 2007 foi apagada pelo novo tratamento dado à matéria, diante do ingresso, no mundo jurídico, do diploma legal retro mencionado; 7.7 que, mesmo que se admitisse, por hipótese, existir amparo jurídico para a cobrança de diferença de IRPJ e de CSLL realizada pelo auditorfíscal, ainda assim o cálculo efetuado no auto de infração leva a uma absurda distorção no montante do crédito tributário constituído; 7.8 que, embora tenha feito a exclusão de tal rubrica em 31/12/2007, ofereceu, sim, esse resultado positivo à tributação, reconhecendoo por regime de caixa, à medida de sua realização, durante o anocalendário de 2008 e de 2009, como preconizou o art. 5º da Lei 11.948, o que foi devidamente comprovado na sua escrituração contábil e nas demonstrações financeiras apresentadas ao condutor do feito fiscal, bem assim nas declarações entregues à Receita Federal do Brasil; 7.9 que, no máximo, teria havido postergação no recolhimento dos tributos IRPJ e CSLL de 2007, calculados sobre as referidas "receitas", que foram gradativamente pagos ao longo de 2008 e de 2009, no momento da realização efetiva; o que implica dizer que, para que se conheçam os efeitos da postergação, há que se proceder conforme Parecer Normativo CST nº° 02, de 28 de agosto de 1996, o que não foi feito; 7.10 que, dessa forma, deve ser cancelada integralmente essa parte dos autos de infração IRPJ e CSLL; Da multa exigida isoladamente 7.11 que, nessa parte, os saldos negativos de IRPJ e de CSLL existem materialmente e estão devidamente escriturados em seus registros contábeis/fiscais, desse modo, podem ser aproveitados como amortização de valores a recolher, mediante a sistemática de estimativas mensais; 7.12 que não se admite a dupla cobrança dessas multas isoladas e das demais penalidades de ofício já exigidas neste processo administrativo, compreendendo mesmos períodos e mesma base de cálculo . 7.13 que já está assentado na jurisprudência administrativa do CARF que tal concomitância de cobrança não encontra nenhum respaldo jurídico no ordenamento pátrio e, portanto, não merece prosperar a sua cobrança; 7.14 que a multa de ofício é abusiva e que os juros calculados à taxa Selic fere princípios constitucionais que menciona. Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 16682.720517/201198 Acórdão n.º 1402002.817 S1C4T2 Fl. 2.109 7 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE prolatou o Acórdão 1241.423 considerando a impugnação totalmente improcedente em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PLANOS DE BENEFÍCIOS. PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA.RECEITAS. LUCRO LÍQUIDO. EXCLUSÃO INDEVIDA. Mantémse o lançamento se não elididos os pressupostos que lhe deram causa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 PLANOS DE BENEFÍCIOS. PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADA.RECEITAS. LUCRO LÍQUIDO. EXCLUSÃO INDEVIDA. Mantémse o lançamento se não elididos os pressupostos que lhe deram causa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO SEM PER/DCOMP. Incide multa de 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal de estimativa que deixar de ser efetuado. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS.CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação concomitante da multa isolada sobre estimativa não paga e a multa de ofício sobre o tributo apurado em 31/12. JUROS. TAXA SELIC. Sobre o montante de tributo não pago incidem juros calculados à taxa Selic. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. Fl. 2112DF CARF MF 8 Em primeira apreciação, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, a fim de que fosse verificada a possível ocorrência de postergação tendo em vista que, conforme alegado na defesa, o valor tributado em 2007 teria sido acrescentado ao resultado nos anocalendário de 2008 e 2009. Cumprida a diligência, com manifestação da interessada, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 16682.720517/201198 Acórdão n.º 1402002.817 S1C4T2 Fl. 2.110 9 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A questão principal sob exame consiste no tratamento contábilfiscal a ser dado à reversão de passivo atuarial de Furnas junto à Fundação Real Grandeza decorrente do superavit acumulado pela Fundação apurado no anocalendário de 2007, conforme detalhado no relatório deste Acórdão. Cabe, em primeiro lugar, definir a natureza do valor em questão. O sujeito passivo, ao defender aplicável à espécie o art. 5º, da Lei nº 11.948/2009, assume que se trata de receita pois o texto legal é claro nesse sentido (destaques acrescidos): Art. 5o Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição Social para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, a pessoa jurídica patrocinadora poderá reconhecer as receitas originárias de planos de benefícios administrados por entidades fechadas de previdência complementar, na data de sua realização. Parágrafo único. Para fins do disposto no caput, as receitas registradas contabilmente pelo regime de competência, na forma estabelecida pela Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão regulador, poderão ser excluídas da apuração do lucro real, da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição Social para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e serão adicionadas no período de apuração em que ocorrer a realização. Art. 6o O disposto no art. 5º aplicase inclusive aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008. De acordo com o Termo de Verificação a interessada teria admitido o equívoco em suscitar durante o procedimento fiscal o dispositivo legal em referência. Entretanto, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, foram mantidos os argumentos de defesa pela tributação dos valores apenas na data de realização, conforme estabelecido no texto legal. Tanto é assim que em primeira apreciação nesta Corte o julgamento foi convertido em diligência para que fosse apurada a alegada postergação como decorrência da realização que teria ocorrido nos anoscalendário de 2008 e 2009. Quanto à aplicação do art. 5º, da Lei nº 11.948/2009 ao caso, em regra a lei tributária só se aplica a fatos geradores a ela, no caso referentes ao anocalendário de 2009. A Fl. 2114DF CARF MF 10 exceção deve ser expressa e no caso ela de fato existe, mencionada no art. 6º do mesmo diploma legal, estabelecendo o alcance da norma ao anocalendário de 2008. Em relação ao anocalendário de 2007, a recorrente suscita que a norma em comento abrangeria aquele período pela aplicação ao caso do art. 106, do CTN. Não posso concordar. De imediato, não vislumbro sob que parâmetro o dispositivo poderia ter natureza interpretativa, pois não há indicação de nenhum dispositivo que estaria sendo interpretado. Quanto ao inciso II, do art. 106, do CTN; não se pode olvidar que se aplica a infrações e penalidades, o que não é o caso. Conforme bem esclarecido pela decisão recorrida em posicionamento que endosso, a Lei nº 11.948, de 2009, estabelece uma faculdade de apuração do IRPJ e da CSLL. A critério da pessoa jurídica patrocinadora de plano de previdência privada, a partir de 2008, poderia ela reconhecer as receitas originárias de planos de benefícios administrados por entidades fechadas de previdência complementar, na data de sua realização. Pelo que se vê, não se trata de norma que tenha deixado de definir algum ato como infração (alínea “a”, II, art. 106, CTN), ou que tenha deixado de exigir obrigação acessória (alínea “b”), ou que tenha reduzido alguma penalidade (alínea “c”). A opção de diferir a realização de receita não implica nem mesmo dizer que há, de forma automática, algum benefício difuso e indistinto para todas as pessoas jurídicas submetidas à norma. No que se refere à realização que teria ocorrido nos anoscalendário de 2008 (R$ 70.196.252,31) e 2009 (R$ 931.046.225,32), transcrevese parte da resposta do sujeito passivo à intimação que lhe foi entregue durante o procedimento de diligência. Em primeiro lugar, a exclusão tida como indevida que gerou a presente autuação: A seguir a contabilização em 2008 da realização do valor de R$ 70.196.252,31: Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 16682.720517/201198 Acórdão n.º 1402002.817 S1C4T2 Fl. 2.111 11 Percebese que, com base numa suposta neutralidade fiscal, a adição ao LALUR do valor líquido de R$ 70.196.252,31 (R$ 74.323.057,58 R$ 4.126.805,27) não implicou na realização suscitada pela defesa. O mesmo raciocínio aplicase ao valor de R$ 931.046.225,32 no ano calendário de 2009, pois o procedimento do sujeito passivo foi idêntico. Isso porque os valores em questão foram contabilizados em contas de despesas, ou seja, foram excluídos na contabilidade para depois serem adicionados ao resultado via LALUR. Ou se está diante de uma despesa indedutível ou, conforme ressaltado no relatório de diligência, da assunção de que a despesa não teria razão de existir a não ser com base numa suposta neutralidade fiscal sem base legal em termos tributários. Seja qual for a razão, fato é que a suposta realização não poderia vir acompanhada da contabilização dos valores em conta de despesa. Toda a explicação trazida pelo sujeito passivo nas peças de defesa, inclusive na manifestação quanto ao relatório de diligência para justificar os procedimentos, perdem o significado quando demonstrado que não houve a tributação posterior via realização. Por esse motivo voto por negar provimento ao recurso nessa matéria. Quanto à multa de ofício isolada, foi imputada sob duas circunstâncias: numa delas o sujeito passivo apurou estimativas devidas mas deixou de pagálas sob a alegação de terem sido quitadas mediante compensação com saldos negativos de IRPJ de anos anteriores. A autoridade lançadora não acatou tais compensações, tendo em vista o total descumprimento das Fl. 2116DF CARF MF 12 regras estabelecidas no art. 74, da Lei nº 9.430/97 pois sequer foram apresentados pedidos de compensação. Na outra situação, a multa isolada teve origem na alteração do resultado decorrente da indevida exclusão no lucro real da contrapartida do ajuste da reversão de passivo atuarial, apurada pela Fiscalização No primeiro caso, não há que se falar em concomitância pois tratase de irregularidade distinta daquela que gerou o lançamento do IRPJ e da CSLL. A questão sob exame prendese ao fato de que o sujeito passivo fez compensações por conta própria ao desabrigo do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Essa norma legal deixa claro que o rito ali estabelecido não se trata de uma opção. Transcrevese parte do dispositivo em questão: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. [...] Não se trata, como quer ver a recorrente, de simples obrigação acessória. Através da formalização do pedido/declaração de compensação (Per/Dcomp) é formalizada a confissão de dívida quanto aos débitos a serem compensados. Mais ainda, são indicadas as informações necessárias à verificação da liquidez e certeza do crédito a fim de que se proceda à homologação da compensação requerida com os registros pertinentes nos sistemas de controle da RFB. Sem essa verificação, não há como afirmar se as informações quanto ao crédito contidas nos registros da requerente estão amparadas por documentação hábil e idônea. Descabe falar em verdade material quanto a dados que, sem procedimentos de análise, não podem se tidos como líquidos e certos. Registrese que, diferentemente do alegado, o sujeito passivo foi intimado a apresentar as Dcomps. Transcrevese parte do Termo de Intimação nº 12: Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 16682.720517/201198 Acórdão n.º 1402002.817 S1C4T2 Fl. 2.112 13 Correto, portanto, o procedimento fiscal nessa parcela de exigência da multa isolada. Quanto à concomitância, o argumento aplicase exclusivamente à parcela da multa decorrente da exclusão indevida do lucro real correspondente ao fato gerador 31/12/2007. O pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Fl. 2118DF CARF MF 14 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 16682.720517/201198 Acórdão n.º 1402002.817 S1C4T2 Fl. 2.113 15 (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui exposta, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. Fl. 2120DF CARF MF 16 O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 2 Idem, Idem Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 16682.720517/201198 Acórdão n.º 1402002.817 S1C4T2 Fl. 2.114 17 Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual voto por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. Importa ressaltar que a Súmula CARF nº 101 NÃO SE APLICA A FATOS GERADORES POSTERIORES À MP Nº 351/2007, eis que as decisões que serviram de base à edição da Súmula não levaram em consideração a mudança legislativa. No que se refere à suposta natureza de confisco do percentual da multa de ofício, tratase de arguição de inconstitucionalidade das normas que estabelecem a incidência dessa penalidade, tema esse ao qual falece competência para apreciação nesta Corte, nos termos da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A utilização da taxa SELIC como indexador dos juros de mora é matéria consolidada nesta Corte através da Súmula CARF nº 3, a qual todos os Conselheiros são regimentalmente subordinados: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em resumo de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento integralmente ao recurso voluntário. Fl. 2122DF CARF MF 18 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 2123DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.003273/2007-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS.
Tratando-se de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros como receitas para fins de incidência da contribuição do PIS.
COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes.
COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. No presente caso, as glosas referentes a Alimentação, Cesta básica, Vale transporte,Assistência médica/odontológica, Matérias de manutenção/conservação, Materiais químicos e de laboratórios, Materiais de limpeza; Materiais de expediente, .Outros materiais de consumo, Serviços de segurança e vigilância, Serviços de conservação e limpeza, Serviços de manutenção e reparos, Outros serviços de terceiros, Gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte.
Numero da decisão: 9303-006.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar -lhe provimento parcial para reverter as glosas referente à uniforme de vestuário, aos lubrificantes e aos combustíveis, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que deu provimento ao recurso em menor extensão, excluindo somente uniformes e equipamentos de proteção. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: DEMES BRITO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar -lhe provimento parcial para reverter as glosas referente à uniforme de vestuário, aos lubrificantes e aos combustíveis, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que deu provimento ao recurso em menor extensão, excluindo somente uniformes e equipamentos de proteção. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
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BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. Tratandose de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros como receitas para fins de incidência da contribuição do PIS. COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes. COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. No presente caso, as glosas referentes a Alimentação, Cesta básica, Vale transporte,Assistência médica/odontológica, Matérias de manutenção/conservação, Materiais químicos e de laboratórios, Materiais de limpeza; Materiais de expediente, .Outros materiais de consumo, Serviços de segurança e vigilância, Serviços de conservação e limpeza, Serviços de manutenção e reparos, Outros serviços de terceiros, Gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 32 73 /2 00 7- 81 Fl. 760DF CARF MF Processo nº 16366.003273/200781 Acórdão n.º 9303006.223 CSRFT3 Fl. 760 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial para reverter as glosas referente à uniforme de vestuário, aos lubrificantes e aos combustíveis, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que deu provimento ao recurso em menor extensão, excluindo somente uniformes e equipamentos de proteção. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e Contribuinte, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº330200.873, proferido pela 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito a crédito de COFINS não cumulativoa sobre despesas com equipamentos de proteção individual. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Mercado Externo (fl. 01), protocolizado em 17/05/2007, relativo ao 1º trimestre de 2007, apurado no regime de incidência não cumulativa, com fundamento na Lei n° 10.833/2003. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 392, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados à fl. 381, e aos Fl. 761DF CARF MF Processo nº 16366.003273/200781 Acórdão n.º 9303006.223 CSRFT3 Fl. 761 3 pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores. Incluiu na base de cálculo outras receitas constantes do Grupo 81 Outras Receita Operacionais". Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 423/437. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 13/03/2010, conforme AR de fl. 472, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 13/04/2010, com o recurso voluntário de fls.473/487, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; e Gastos Gerais. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. BASE DE CÁLCULO. INDENIZAÇÃO DE SEGUROS. Tratandose de ingressos eventuais relativos a recuperação de valores que integram o ativo, não se pode considerar as indenizações de seguros ora discutidas como receitas para fins de incidência da contribuição em comento. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 16366.003273/200781 Acórdão n.º 9303006.223 CSRFT3 Fl. 762 4 Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de Cofins não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte" Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, suscitando divergência jurisprudencial quanto à exclusão, da base de cálculo do PIS, do valor da indenização de seguro recebida pela Contribuinte. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigma, o acórdãos n°s 20401.194, de 26/04/2006, e 280300.088, de 05/05/2009. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por ter sido comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 619/621. Vejamos: "A decisão recorrida considerou que a indenização não é receita e, por isto, não integra a base de cálculo da Cofins, independente do regime de tributação. As decisões paradigmas consideram como receita a indenização de seguro recebida e, ainda, incluem o seu valor da base de cálculo da Cofins". Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para manutenção do acórdão recorrido, no que se refere ao reconhecimento de valores relativos à indenização de seguros não tem natureza de receita para fins de tributação do PIS. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte também interpõe Recurso Especial, requerendo que seja conhecido e dado provimento ao presente recurso para reformar a decisão recorrida e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, atualizando pela SELIC, ensejando, por conseqüência, a homologação das compensações vinculadas. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3401001.713 e 930301.741. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 732/738. Vejamos: "DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo, apenas em relação à interpretação do termo “insumo” previsto na legislação do PIS e da Cofins, de que tratam o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, excetuando a glosa sobre o item “Serviço temporário contratado com sindicato”, e, por força do art. 71 do Anexo II do RICARF, submeto o presente despacho à apreciação do Presidente da CSRF". Houve Reexame de admissibilidade do Recurso Especial, o Presidente do CARF, manteve na integra o despacho do Presidente da Câmara. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 16366.003273/200781 Acórdão n.º 9303006.223 CSRFT3 Fl. 763 5 Voto Demes Brito Conselheiro Relator Os Recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, nos termos do despacho de admissibilidade. Passo ao julgamento. A matérias divergentes submetidas a julgamento por esta E.Câmara Superior, envolve a interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, bem como a exclusão ou não, da base de cálculo da COFINS, referente a indenização de seguro recebida pela Contribuinte. Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Mercado Externo (fl. 01), protocolizado em 09/11/2005, relativo ao 3º trimestre de 2005, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.833/2003. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 422, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados à fl. 403 e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores. Incluiu na base de cálculo outras receitas constantes do Grupo 81 Outras Receita Operacionais". Por outro lado, a decisão recorrida decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito a crédito de COFINS não cumulativa sobre despesas com equipamentos de proteção individual. 1. Recurso da Fazenda Nacional Divergência "exclusão da base de cálculo da COFINS, referente a indenização de seguro recebida pela Contribuinte" No que tange a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, quanto à exclusão, da base de cálculo da COFINS não cumulativa, do valor da indenização de seguro recebido pela Contribuinte, não lhe assiste razão. Com efeito, à inclusão das receitas do Grupo 81 Outras Receita Operacionais na base de cálculo, como bem decidido pela decisão recorrida, assiste razão à Contribuinte, às indenizações de seguro recebidas, ficou comprovado que tais valores não afetaram o patrimônio da Contribuinte tão pouco seu resultado operacional. Para ser receita, há que afetar o patrimônio da pessoa jurídica. A indenização de seguro tem a mesma natureza do bem sinistrado, já integrante do patrimônio do segurado, e não se confunde com alienação de bens porque o segurado não realizou operação mercantil alguma. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 16366.003273/200781 Acórdão n.º 9303006.223 CSRFT3 Fl. 764 6 Deve, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS os valores líquidos lançados na contabilidade da recorrente na conta 811044001 Indenizações de Seguros, referente aos meses de Julho/05 R$ 23.964,00, Agosto/05 R$ 1.410,00 e Setembro/05 R$ 8.848,00 Para que não se alegue, contrariedade, obscuridade e omissão, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional quanto a inclusão da base de cálculo do PIS, do valor da indenização de seguro recebido pela Contribuinte. 2. Interpretação do termo "insumo" previsto na legislação da COFINS não cumulativa, de o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 16366.003273/200781 Acórdão n.º 9303006.223 CSRFT3 Fl. 765 7 Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte industrializa, comercializa no mercado interno e exporta diversos produtos (café solúvel, óleo de café, extrato de café, etc), de industrialização própria. Exporta ainda mercadorias adquiridas de terceiros. Tais valores estão devidamente registrados em seus livros contábeis/fiscais. Sem embargo, ressaltase que a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas foi considerado o crédito presumido previsto no § 10, do artigo 3º da Lei 10.637/2002, introduzido pelo artigo 25 da Lei 10.684/2003, que prevê a aplicação da alíquota de 1,155% (70% de 1,65%) sobre as referidas aquisições. As aquisições estão relacionadas, por divisão, juntamente com amostragem dos documentos. Os créditos aproveitados pela Contribuinte foram acrescidos do ICMS e diminuídos do IPI. Deste modo, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; Fl. 766DF CARF MF Processo nº 16366.003273/200781 Acórdão n.º 9303006.223 CSRFT3 Fl. 766 8 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Destarte, o conteúdo contido no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS. Diferentemente do presente caso, as glosas referentes a Alimentação, Cesta básica, Vale transporte, Assistência médica/odontológica, Matérias de manutenção/conservação, Materiais químicos e de laboratórios, Materiais de limpeza; Materiais de expediente, .Outros materiais de consumo, Serviços de segurança e vigilância, Serviços de conservação e limpeza, Serviços de manutenção e reparos, Outros serviços de terceiros, Gastos gerais.entendo não serem essenciais ao processo de produção da Contribuinte. Por outro lado, a Contribuinte não teve nenhum interesse em apresentar seu processo produtivo, e fundamentar seu direito, pelo contrario, em sua peça Recursal alega apenas que o direito a crédito " conceito de insumo" deve ser o mesmo aplicado ao imposto de renda. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 16366.003273/200781 Acórdão n.º 9303006.223 CSRFT3 Fl. 767 9 Esta E. Câmara Superior, atual composição, tem como regra debater "insumo" por "insumo", para verificar se de fato os insumos utilizados no processo produtivo são essenciais ao processo de produção, salvo entendimento dos Conselheiros Fazendários que não adotam o critério da essencialidade. Neste sentido, em recente julgamento por esta Turma, os acórdãos de nºs 9303005.678 e 9303005.679, julgado na sessão de 19 de setembro, de Relatoria da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, empreendeu toda fundamentação lastreada em laudos, processo de produção e essencialidade dos insumos utilizados no processo de produção. Como dito, a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas já foi considerado o crédito presumido. Nos termos do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, como pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, entendo ser essencial atividade da Contribuinte, uniforme/vestuário e equipamentos de proteção individual, desde que, relacionados ao processo produtivo. Para que não se alegue, contrariedade, obscuridade e omissão, utilizo subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, para que não reste qualquer resquício de dúvida quanto aos fundamentos empregados no decisum. in verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, voto no seguinte sentido: i) nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional quanto a inclusão da base de cálculo da COFINS, do valor de indenização de seguro recebido pela Contribuinte. ii) dou parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para reverter as glosas referente a uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual, lubrificantes e combustíveis, excluindose ainda da base de cálculo da Fl. 768DF CARF MF Processo nº 16366.003273/200781 Acórdão n.º 9303006.223 CSRFT3 Fl. 768 10 COFINS,valores líquidos lançados na contabilidade da Contribuinte referente a indenizações de Seguros. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 769DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720830/2011-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 20/11/2006
DECISÃO JUDICIAL PROFERIDA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITOS.
Deve ser mantido lançamento do crédito tributário em cumprimento à decisão (transitada em julgado) proferida em ação judicial movida pela contribuinte que, no curso do processo administrativo, reconheceu ser ilegítima o pleito de isenção/imunidade do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF incidente sobre a venda de imóvel ao INCRA para fins de reforma agrária.
Numero da decisão: 2201-004.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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VENDA DE IMÓVEL AO INCRA Recorrente EDUARDO CARDOSO DE CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 20/11/2006 DECISÃO JUDICIAL PROFERIDA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITOS. Deve ser mantido lançamento do crédito tributário em cumprimento à decisão (transitada em julgado) proferida em ação judicial movida pela contribuinte que, no curso do processo administrativo, reconheceu ser ilegítima o pleito de isenção/imunidade do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre a venda de imóvel ao INCRA para fins de reforma agrária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 30 /2 01 1- 77 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10140.720830/201177 Acórdão n.º 2201004.127 S2C2T1 Fl. 1.107 2 Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 1087/1098, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 1057/1061, que não conheceu a impugnação do RECORRENTE por concomitância ente o processo judicial e o administrativo, mantendo lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF de fls. 03/12, lavrado em 14/06/2011, relativo a fato gerador ocorrido em novembro/2006, com ciência do RECORRENTE em 20/06/2011 (fl. 1037). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 4.771.166,85, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Em breve síntese, conforme Descrição dos Fatos de fls. 04/08, o presente lançamento decorreu da falta de recolhimento do IRRF em decorrência da alienação de imóvel rural (Fazenda Água Viva) para o INCRA em 20/11/2006. O RECORRENTE informou, durante a fiscalização, que a venda se tratou de procedimento semelhante à desapropriação, onde há a imunidade prevista no art. 184, §5º, da Constituição Federal. Apresentou cópia de escritura pública de compra e venda e ação judicial (ação declaratória de inexistência de relação jurídico tributária). A fiscalização então observou que, na declaração relativa ao anocalendário 2006, o RECORRENTE não apurou o ganho de capital nem ofereceu à tributação os valores relativos às benfeitorias. Verificou que o total da operação de venda do imóvel foi de R$ 21.056.929,18, sendo R$ 17.315.900,72 (pagos através de TDAs) atribuídos à terra nua e R$ 3.741.028,46 (pagos à vista) atribuídos às benfeitorias. Em razão do valor atribuído às benfeitorias e que não foi declarado na DIRPF do anocalendário 2006, a autoridade fiscal apurou a omissão de rendimentos da atividade rural (arbitramento do resultado) no valor de R$ 3.584.220,38 e o consequente imposto de renda de R$ 190.304,44. Em relação ao valor de R$ 17.315.900,72 recebido a título de VTN, verificou que o custo de aquisição foi de R$ 1.600.000,00 e, após as reduções legais da base de cálculo, apurou o ganho de capital de R$ 13.056.482,73 e o consequente imposto de renda de R$ 1.958.472,41. Da Impugnação Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10140.720830/201177 Acórdão n.º 2201004.127 S2C2T1 Fl. 1.108 3 O RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua Impugnação de fls. 1042/1051. No inteiro teor do acórdão recorrido a autoridade julgadora de primeira instância relatou, com precisão, as alegações de defesa da RECORRENTE; a conferir: “ a aquisição da propriedade rural pelo INCRA deuse conforme escritura pública de compra e venda de imóvel para fins de assentamento de trabalhadores rurais, pelo interesse do outorgado comprador em adquirir o imóvel descrito para assentamento de trabalhadores rurais em área vistoriada pelo INCRA conforme processo administrativo; não havia e nunca houve o interesse livre do contribuinte em alienar o imóvel rural, o fez em razão da omissão do Estado em lhe dar a garantia do direito à livre exploração de imóvel de sua propriedade, impedindo a ação de trabalhadores ditos “sem terra”, que invadiram seu imóvel produtivo e ali permaneceram impedindo sua atividade produtiva; sendo a propriedade produtiva, não poderia ser desapropriada para fins de reforma agrária, no entanto o INCRA a desapropriou com o título negocial de compra e venda, operação prevista no Decreto n° 2.614/98; a negociação em tudo é idêntica à desapropriação, pois o INCRA decidiu adquirila, definiu o preço e a forma de pagamento, pagou com TDAs com prazos longos de vencimento e ao vendedor só restou a opção de vendela desta forma ou continuar sofrendo a ação do Movimento Sem Terra, que estava ocupando sua fazenda; a única razão de a escritura ter sido de compra e venda e não de desapropriação era o fato de ser terra que estava sendo explorada, portanto produtiva, e não terra destinada à especulação, mas foi de fato uma desapropriação, não houve nenhum ganho de capital mas sim uma indenização, havendo no caso um tratamento desigual e prejudicial a quem não usava o imóvel rural somente para fins especulativos, com violação clara e inequívoca do princípio da isonomia, transcrevendo jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a matéria; há que se deixar consignado que o procedimento fiscal teve origem em demanda oriunda da Justiça Federal, em julgamento de 1ª instância, onde pretendeu obter Declaração de Imunidade de Imposto de Renda, no entanto a discussão jurídica deuse com argumentos outros (pois discussão em tese), tendo o Exmo. Sr. Juiz entendido que indenizações por desapropriações para fins de reforma agrária não estão imunes ao imposto de renda sobre ganhos de capital, mas tão somente sobre os tributos referentes a operações de transferência do imóvel; esta decisão judicial, já recorrida, não tem o condão de interferir no processo administrativo fiscal, tendo em vista que, após o lançamento, vem apresentar argumentos e jurisprudência do Conselho de Contribuintes que provam a regularidade do procedimento fiscal adotado pelo impugnante. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10140.720830/201177 Acórdão n.º 2201004.127 S2C2T1 Fl. 1.109 4 Ao final, pede que seja apartado o valor relativo ao lançamento de omissão de renda da atividade agrícola, para que seja parcelado, e seja excluído da tributação o valor relativo aos recursos recebidos pela alienação do imóvel rural ao INCRA.” Da Decisão da DRJ Ao final do julgamento na primeira instância, a DRJ não conheceu da impugnação apresentada pelo RECORRENTE e manteve o crédito tributário lançado, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 GANHOS DE CAPITAL CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO JUDICIAL E O ADMINISTRATIVO A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda implica renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, naquilo em que houver identidade de objetos. RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL MATÉRIA ADMITIDA Concordando o contribuinte expressamente com o lançamento de determinada matéria, não fica instaurado o litígio nesta parte, devendo o crédito correspondente ser objeto de cobrança imediata. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” A autoridade julgadora de primeira instância consignou que o contribuinte expressamente concordou com o lançamento relativo à omissão de rendimentos da atividade rural. Assim, em 18/07/2011, foi transferido para o processo nº 10140.721174/201120 o crédito tributário correspondente ao valor de imposto de R$ 190.304,44, como os respectivos acréscimos legais (fls. 1053/1054). Assim, constatou que o caso cingese ao ganho de capital e findou por não conhecer da impugnação apresentada. Alegou, na ocasião, que “esta discussão e análise sobre a diferença dos efeitos tributários entre a desapropriação e a venda se tornam desnecessárias no presente caso, tendo em vista a proposição pelo contribuinte de uma Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídico Tributária em 04/12/2006, logo após a concretização da venda ao INCRA, na qual pediu para a Justiça Federal ‘reconhecer o direito do Requerente à imunidade prevista no artigo 184, §5º da Constituição Federal, tendo em vista que o negócio realizado com o INCRA revestiuse de todas as características da desapropriação, conforme alegado na inicial.’ (fl. 72)”. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10140.720830/201177 Acórdão n.º 2201004.127 S2C2T1 Fl. 1.110 5 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE foi intimada da decisão da DRJ em 07/02/2013, conforme fl. 1083, e apresentou, em 04/03/2013, o recurso voluntário de fls. 1087/1088. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou as razões de sua impugnação. Acrescentou, em preliminar, que deveria ser apreciado seu recurso, sob pena de cerceamento do direito de defesa, pois a matéria objeto da ação judicial não é idêntica ao do presente processo, pois “na ação judicial se discute a existência ou não de relação jurídica tributária entre o contribuinte e União, em relação a imunidades previstas na Constituição Federal”, ao passo que “no presente processo se discute a base de cálculo, o mérito legal do lançamento etc. Não se discute se a União pode ou não lançar o tributo, mas sim o próprio lançamento, sua base de cálculo, alíquotas, etc.” Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminarmente. Julgamento definitivo da ação judicial. Observo que o RECORRENTE aponta para a existência de processo judicial (Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídico Tributária), com identidade de partes e objeto em relação ao presente processo administrativo. O RECORRENTE reconhece expressamente que a ação por ele ajuizada possui o mesmo objeto de fundo do caso em análise. Na ação judicial, o RECORRENTE pleiteia o reconhecimento do direito “à imunidade prevista no art. 184, §5º, da Constituição Federal, tendo em vista que o negócio realizado com o INCRA revestiuse de todas as características da desapropriação, conforme alegado na inicial” (fl. 72). Ao descrever os fatos na referida ação judicial, o RECORRENTE informa que o negócio realizado com o INCRA foi a venda do imóvel denominado Fazenda Água Viva, localizada no município de Tacuru/MS, com área de 3.342ha. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10140.720830/201177 Acórdão n.º 2201004.127 S2C2T1 Fl. 1.111 6 Conforme Descrição dos Fatos de fls. 04/08, a autoridade fiscal informou que a origem do presente lançamento teve início justamente com a fiscalização da venda do imóvel rural denominado Fazenda Água Viva para o INCRA. A ação judicial do RECORRENTE foi inicialmente distribuída sob o nº 000998943.2006.4.03.6000 para a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul. Posteriormente, após sentença que indeferiu o pleito do RECORRENTE (fls. 103/107), foi remetida ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região para apreciação do Recurso de Apelação interposto pela RECORRENTE. Na ocasião, foi dado provimento parcial à apelação tão somente para reduzir a condenação em honorários, mantendo o entendimento de que o negócio realizado pelo RECORRENTE e o INCRA não está acobertado pelo manto da imunidade. Cito trecho do acórdão proferido na ocasião: “ No caso dos autos, a verba recebida pelo autor não tem a caracterização indenizatória, pois decorre da venda ao Instituto Nacional de Reforma Agrária INCRA do imóvel rural de propriedade do autor, denominada Fazenda Água Viva, localizada no Município de Tacuru, Estado do Mato Grosso do Sul, com área de 3.344 hectares, pelo valor de R$ 21.056.929,18. Não obstante a argumentação do autor de que restou comprometida a viabilidade econômica da utilização ou até mesmo a venda do imóvel rural para terceiros por força da pressão dos movimentos sociais no local, impossível a decretação de isenção requerida no feito.” Foi apresentado Recursos Especial e Extraordinário por parte do RECORRENTE, porém ambos foram inadmitidos pelo TRF3. Consequentemente, o RECORRENTE apresentou agravo a fim de destrancar os recursos para os Tribunais Superiores. Em pesquisa no sítio eletrônico do Superior Tribunal de Justiça – STJ (www.stj.jus.br), constatei que o Agravo em Recurso Especial interposto pelo RECORRENTE (distribuído sob o nº AREsp 1023749) foi apreciado pelo Ministro Relator Mauro Campbell Marques. De acordo com a Decisão Monocrática publicada em 05/12/2006, o Recurso Especial do RECORRENTE foi conhecido em parte, no entanto deve o seu provimento negado. Em abril/2017 os autos foram remetidos para o STF a fim de que fosse apreciado o Agravo em Recurso Extraordinário interposto pelo RECORRENTE (ARE 1039171). Em 05/12/2017 foi publicada decisão do Ministro Relator Celso de Mello no sentido de não conhecer do recurso extraordinário do RECORRENTE, nos seguintes termos: “Sendo assim, e em face das razões expostas, ao apreciar o presente agravo, não conheço do recurso extraordinário a que ele se refere, por ser este manifestamente inadmissível (CPC, art. 932, III).” Portanto, como a decisão do STF foi publicada em 05/12/2017 e não houve a apresentação de qualquer recurso, entendo que se esgotou o debate no âmbito judiciário, estando definitivamente julgada a questão envolvendo a imunidade pleiteada pelo RECORRENTE em relação à venda da Fazenda Água Viva ao INCRA. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10140.720830/201177 Acórdão n.º 2201004.127 S2C2T1 Fl. 1.112 7 Sendo assim, quanto a incidência do IRRF sobre o ganho de capital decorrente da venda do imóvel rural Fazenda Água Viva para o INCRA, o presente processo administrativo deve seguir a sorte da ação judicial interposta pela RECORRENTE, devendo ser improvidas as razões levantadas pelo RECORRENTE respeito da imunidade que acobertaria tal negócio. Portanto, não há mais sentido esse órgão julgador debater as questões adjacentes à incidência do tributo sobre o negócio realizado entre o RECORRENTE e o INCRA, em razão da existência de norma individual e concreta proveniente da ação judicial e que findou por julgar a verba proveniente da venda da Fazenda Água Viva como não indenizatória e, consequentemente, não imune. Ademais, entendo que assiste razão ao RECORRENTE quando o mesmo afirma que o seu recurso deve ser apreciado, pois há outras questões objeto do presente lançamento que não estão sendo discutidas na ação judicial. Inclusive, em preliminar de suas razões recursais, cita que no presente processo administrativo, “não se discute se a União pode ou não lançar o tributo, mas sim o próprio lançamento, sua base de cálculo, alíquotas, etc.”. Reputo correto o raciocínio do RECORRENTE. Contudo, em seu recurso voluntário, o RECORRENTE não apresenta outra matéria de defesa se não a suposta imunidade, pois entende que a venda de seu imóvel rural se equipara a desapropriação para fins de reforma agrária. Não questiona a base de cálculo, a alíquota, o valor de alienação, o custo de aquisição. Enfim, não discute qualquer outro tema que não a equiparação da venda do imóvel a uma desapropriação para fins de reforma agrária. Portanto, considerase não impugnada matéria não expressamente contestada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Conclusão. Em razão do exposto, voto por conhecer do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, ressaltando que a conclusão deve observar o que restou decidido pelo judiciário. Não foram apresentadas outras questões de defesa envolvendo o lançamento. Portanto, deve ser mantido o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10140.720830/201177 Acórdão n.º 2201004.127 S2C2T1 Fl. 1.113 8 Fl. 1113DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.905343/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras.
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.940
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2009 a 31/03/2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 43 /2 01 2- 39 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10283.905343/201239 Acórdão n.º 3302004.940 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório pela unidade de origem que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega em síntese que: • Sua manifestação de inconformidade era tempestiva e afirmou que recebeu a Intimação da Exigência em 23/01/2013 e apresentou a manifestação em 22/02/2013. • Ressalta, que “ainda que o recurso seja intempestivo, o que se admite apenas para fins de argumentação, a autoridade local encarregada da administração do tributo (Delegacia da Receita Federal em Manaus) não é competente para julgar a tempestividade do recurso, devendo este seguir para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, órgão competente para julgar tal fato, conforme previsão do art. 35 do Decreto nº 70.235/72.” • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10283.905343/201239 Acórdão n.º 3302004.940 S3C3T2 Fl. 4 3 • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo de energia elétrica prevista no inciso III, conforme DACONs retificadoras para pagamento das contribuições vencidas no período; • “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. 17ª TURMA ACÓRDÃO N° 1246124 de 10 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em face das evidências de erro na apuração e recolhimento do tributo, e não se verificando outros impedimentos ao reconhecimento do direito creditório alegado, cumpre admitir a compensação promovida até o limite do crédito informado na DCOMP. 3ª TURMA ACÓRDÃO N° 1638673 de 11 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO. SALDO UTILIZÁVEL. Verificado erro no despacho decisório, o qual afirmara equivocadamente ter sido o valor pago indevidamente totalmente utilizado em momento anterior, restabelecese o direito ao crédito contra o Fisco a ser utilizado nas compensações constantes da DCOMP. Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 • “é fato que a Declaração entregue à Receita Federal do Brasil pela Manifestante não nega seu direito à compensação e, mais, comprova a legitimidade de seu comportamento idôneo.” • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo e homologar integralmente a PER/DCOMP constante nos autos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08 033.519. O fundamento adotado foi o de que a manifestação de inconformidade havia sido apresentada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal, considerandose, portanto, intempestiva. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10283.905343/201239 Acórdão n.º 3302004.940 S3C3T2 Fl. 5 4 Cientificada, a requerente protocolou o recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em sede de preliminar, a recorrente alegou que a decisão do órgão julgador de primeiro grau de não analisar o mérito em razão da apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade não merecia prosperar, pelas seguintes razões: a) a manifestação da inconformidade fora apresentada com apenas 1 (um) dia de atraso, porque não fora possível protocolar no dia 21/1/2015, mas somente no dia seguinte, por “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.”; e b) não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.”; e c) a autoridade julgadora desconsiderou os princípios basilares do processo administrativo, a saber, os Princípios da Verdade Material, da Moralidade e do Informalismo Moderado É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.936, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10283.905335/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.936): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese à preliminar de intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, que foi apreciada no julgamento de primeiro grau, por força do que dispõe o art. 56, § 2º, do Decreto 7.574/2011, a seguir transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14e15). [...] Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10283.905343/201239 Acórdão n.º 3302004.940 S3C3T2 Fl. 6 5 §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [...] (grifos não originais) Não há controvérsia nos autos quanto ao descumprimento do prazo de apresentação da manifestação de inconformidade. Nas próprias peças defensivas colacionadas aos autos, a recorrente, expressamente, reconhecera que a peça instauradora do litígio fora apresentada no dia seguinte ao vencimento do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Diante dessa constatação, não remanesce qualquer dúvida que, como não foi instaurado o litígio em relação ao mérito, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972, induvidosamente, este Colegiado não poderá se manifestar sobre as questões meritórias alegadas pela recorrente no recurso em apreço. Portanto, a presente análise limitarseá à preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pela recorrente. E em relação a essa questão, no recurso em apreço, a recorrente alegou que a manifestação da inconformidade não fora apresentada dentro prazo legal, porque “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.” Acontece que a recorrente não trouxe à colação dos autos nenhum elemento probatório que confirmasse o alegado. Assim, em razão dessa omissão, por razão óbvia, não há ser acatada tal alegação. A recorrente alegou que não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.” No âmbito do processo administrativo fiscal, por disposição expressa do caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado ao julgador afastar aplicação ou deixar de observar preceito legal dotado de plena vigência e eficácia, inclusive, em situações que, em tese, possa configurar conflito com os princípios constitucionais explícitos ou implícitos. Assim, ainda que se possa vislumbrar, no caso em tela, algum conflito com os princípios da razoabilidade, ampla defesa e do contraditório, há de prevalecer o disposto no art. 14, combinado com o disposto no art. 15, ambos do Decreto 70.235/1972. Portanto, não há como acatar a presente alegação suscitada pela recorrente. Com base no mesmo fundamento, também não merece acolhimento a alegação da recorrente de que a autoridade julgadora desconsiderou princípios basilares do processo administrativo, tais como os princípios da verdade material, da moralidade e do informalismo moderado. Aliás, no caso, não houve desconsideração dos referidos princípios no julgamento de primeiro grau, haja vista que as autoridades julgadoras Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10283.905343/201239 Acórdão n.º 3302004.940 S3C3T2 Fl. 7 6 não apreciaram as questões meritórias, por estrito cumprimento do disposto nos referidos preceitos legais. Com base nessas considerações, resta demonstrado que a decisão de primeiro foi proferida com estrita observância das normas legais que regem o processo administrativo fiscal, portanto, não há qualquer reparo a ser feito. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão recorrida. Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não trazendo a recorrente à colação dos autos nenhum elemento probatório que infirmasse a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 186DF CARF MF
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