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Numero do processo: 11080.918915/2012-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 23/07/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 23/07/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 15 /2 01 2- 99 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918915/201299 Acórdão n.º 3801005.098 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918915/201299 Acórdão n.º 3801005.098 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918915/201299 Acórdão n.º 3801005.098 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918915/201299 Acórdão n.º 3801005.098 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918915/201299 Acórdão n.º 3801005.098 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918915/201299 Acórdão n.º 3801005.098 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918915/201299 Acórdão n.º 3801005.098 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918915/201299 Acórdão n.º 3801005.098 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19647.017127/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão nº 1129.144 (fls. 329/333) proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE (DRJ/REC), na sessão de 15 de março de 2010, que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade protocolada em decorrência da não homologação, com base na iliquidez e incerteza do crédito da contribuinte, das: · DCOMP nº 25013.61017.01107.1.7.035255 (DCOMP Retificada nº 02525.24195.140206.1.3.031488), transmitida em 01/10/2007 (fl. 3), com valor total de R$ 4.064.808,64, decorrente do Saldo Negativo de CSL apurado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 17 12 7/ 20 08 -5 6 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.017127/200856 Resolução nº 1102000.305 S1C1T2 Fl. 476 2 no anocalendário de 2005 com débito de COFINS apurado em janeiro de 2006 (fl. 22); · DCOMP nº 07220.13157.101106.1.3.036421, transmitida em 10/11/2006 (fl. 23), com valor total de R$ 418.723,99, decorrente de Saldo Negativo de CSL apurado no anocalendário de 2005 com débito de COFINS apurado em outubro de 2006 (fl. 26); · DCOMP nº 15930.43112.260706.1.36448, transmitida em 26/07/2006 (fl. 27), com valor total de R$ 698.811,04, decorrente do Saldo Negativo de CSL apurado no anocalendário de 2006 com débito de CSL apurado em junho de 2006 (fl. 30); e · DCOMP nº 20709.60684.280607.1.3.03.5902, transmitida em 28/06/2007 (fl. 31), com valor total de R$ 210.886,16, decorrente do Saldo Negativo de CSL apurado no anocalendário de 2005 com débito de CSL apurado em maio de 2007 (fl. 34). Protocoladas as DCOMPs, o procedimento normal é o seu encaminhamento para análise, tendo a Fazenda Pública prazo decadencial para fazer tal diligência. Assim, a homologação ocorre pelo simples decurso do prazo decadencial ou quando a Fiscalização concorda com a existência do crédito, e entende adequado o procedimento. No caso em tela, dentro do prazo decadencial, mais especificamente em 02/10/2007, foi protocolado Termo de Representação Fiscal (fls. 36/37 e docs. fls. 38/136) junto à SEORT – que faz tal análise – pedindo que fosse negada a homologação das DCOMPs. Isso porque: “Como resultado dos trabalhos fiscais, foi verificada a prática de infrações à legislação tributária, por parte da empresa, que alteraram os resultados fiscais do IRPJ e da CSLL declarados em suas DIPJ dos respectivos períodos de apuração [1999 a 2006]” – fls. 36. O Termo de Representação Fiscal acima citado decorreu de outro processo, qual seja 19647.010151/200783. Nesse processo, conforme aponta o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 40/66) anexado à Representação Fiscal, o Sr. Fiscal: · Glosou exclusão Indevida – 2001; · Glosou a amortização de ágio) – 2001/2006; · Alega não pagamento de IRPJ e CSL por estimativa mensal – 2002/2006; e · Alega o não recolhimento de IRRF sobre distribuição de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) – 2003/2006. Em decorrência dessas glosas, o Sr. AFRF recalculou o saldo de prejuízos fiscais e o saldo de base de cálculo negativa da CSL de períodos anteriores, e, em ambos os casos, a ora Recorrente, no entender do Sr. Fiscal, deixou de ser credora do Fisco. Enfim, no Termo de Representação Fiscal, os AFRFs esclareceram que a empresa estava se utilizando de créditos fiscais do IRPJ e da CSL referentes aos anos de 2005 e 2006 para extinção de débitos próprios por meio de DCOMP. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.017127/200856 Resolução nº 1102000.305 S1C1T2 Fl. 477 3 Entretanto, com a citada investigação, os créditos que a empresa acreditava possuir deixaram de existir. Isto em decorrência da lavratura de diversos Autos de Infração, que são discutidos no processo administrativofiscal nº 19647.010151/200783. Como conclusão, pede que seja providenciada “a expedição dos competentes Despachos Decisórios não homologatórios das DCOMP que utilizam esses créditos para compensação” (fl. 37). Portanto, em concordância com o pleito apresentado na Representação Fiscal, foi lavrado, em 08/10/2008, Termo de Informação Fiscal (fls. 138/139). Ali, a autoridade fiscalizadora defendeu a não homologação da DCOMP, com base nas informações trazidas pelo supramencionado Termo de Representação Fiscal. Em 04/11/2008 foi expedido o Despacho Decisório DRF/RECIFE – PJ (fl. 140) por meio do qual o Sr. Delegado da Receita Federal não homologou a compensação: “NÃOHOMOLOGO, na forma do art. 74, da Lei nº 9.430/9 e alterações posteriores, as compensações dos débitos declarados pelo contribuinte por meio das DCOMP abaixo relacionadas, que utilizaram os créditos relativos a saldo credor de CSLL do ano calendário 2005, haja vista ter sido comprovada a inexistência de fato dos referidos créditos, em razão das glosas efetuadas pela fiscalização da Receita Federal nos valores de apuração do tributo.” – fl. 140. Após a específica identificação das DCOMPs registradas nestes autos, determinou “a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada” (fl. 140). Registra se que fundamenta tal decisão no Termo de Encerramento de Ação Fiscal (Termo de Representação Fiscal – fls. 36 e seguintes) e no Termo de Informação Fiscal (fls. 138/139), os quais determina que passem a integrar o processo, conforme art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99. Intimada a Contribuinte em 26/11/2008, uma quartafeira (fl. 143), protocolou Manifestação de Inconformidade (fls. 157/175 e anexos fls. 176/320) em 22/12/2008 (fl. 157), uma segundafeira. Em resumo, impugnou a cobrança de IRPJ e CSL por estimativa após o encerramento do respectivo anocalendário; requereu o sobrestamento do presente processo enquanto não for julgado o processo administrativofiscal nº 19647.010151/200783; argumenta, enfim, contra a infração que embasa a glosa da despesa, objeto do supracitado processo. A 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade, não reconheceu o direito creditório. O Acórdão nº 1129.144 (fls. 329/334), proferido em 15 de março de 2010, foi assim ementado: “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL AnoCalendário 2005 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Nos termos do art. 170 do CTN, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. COBRANÇA DE DÉBITOS RELATIVOS À IRPJ E CSLL COM BASE EM ESTIMATIVAS. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.017127/200856 Resolução nº 1102000.305 S1C1T2 Fl. 478 4 Na hipótese de compensação não homologada, os débitos referentes a estimativas mensais de IRPJ e CSLL serão cobrados com base na respectiva DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” – fl. 329. Sua decisão foi fundamentada na Lei nº 9.430/96 e suas alterações, especialmente no art. 74 desta Lei. A declaração de compensação constitui confissão de dívida, e a não homologação dá azo à cobrança do débito declarado na compensação. Portanto, entende não se tratar de lançamento de ofício de contribuições e tributos apurados por estimativa. Cita haver, inclusive, a Solução de Consulta Interna nº 18, de 13/10/2006 e a IN SRF nº 600/2005. Conclui, enfim, por rejeitar a primeira preliminar. À continuação, analisa os fatos e afirma que houve fiscalização na empresa, a qual chegou à conclusão de que deveriam ser glosadas despesas de amortização de ágio, ensejando apuração de CSL a pagar, referente ao ano calendário de 2005, e por isso não haveria crédito a ser compensado. Conclui que, ainda que o auto de infração esteja aguardando julgamento, não poderia a empresa ter se utilizado daquele crédito, por não ser líquido e certo, requisitos estabelecidos pelo art. 170 do CTN. Quanto ao pedido de sobrestamento do processo, aguardando a decisão do outro processo administrativofiscal, entende não ser possível. Primeiro, por falta de legislação que preveja tal procedimento. Segundo, exatamente pela falta de liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação. Terceiro, que devem ser seguidos os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, não cabendo a aplicação do artigo do 265 CPC no caso em tela. Registrase que a legibilidade dos últimos dois parágrafos antes da “conclusão” está comprometida devido a falha na digitalização. Não causa prejuízo, entretanto, ao presente julgamento posto ser possível entender que: o primeiro trata da suspensão da exigibilidade dos débitos utilizados na compensação devido à apresentação de impugnação ou recurso voluntário (art. 151, III, do CTN); e o segundo, da impossibilidade de julgar a defesa em relação às glosas de despesas apresentadas, posto que não fazem parte desta lide. A Contribuinte, intimada da decisão em 01/04/2010, uma quintafeira (fl. 338), objetivando ver reformado o Acórdão nº 11.29.144, da 4ª Turma da DRJ/REC, interpôs Recurso Voluntário (fls. 339/355 e anexos fls. 356/375) em 16/04/2010 (fl. 339), com os seguintes fundamentos: PRELIMINARES Primeiro argumenta pela impossibilidade da cobrança de valores supostamente devidos a título de CSL por estimativa após o encerramento do anocalendário. Segundo seu entendimento, encerrados os anosbase de 2006 e 2007, não é mais possível cobrar valores da CSL a título de estimativa, devendo a Fiscalização refazer a base de cálculo final dos respectivos anoscalendários e observar se algum valor, e quanto, ficou efetivamente em aberto, realizando lançamento de auto de infração quanto a este valor. Ainda em sede de preliminar, requer a união do presente processo ao Processo Administrativo Fiscal nº 19647.010151/200783, com o consequente sobrestamento da análise Fl. 381DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.017127/200856 Resolução nº 1102000.305 S1C1T2 Fl. 479 5 das DCOMP até o desfecho do outro processo, onde estaria sendo discutida a existência do saldo negativo da CSL utilizado nos DCOMP. MÉRITO No mérito, repete os argumentos expostos no processo administrativofiscal nº 19647.010151/200783, buscando assim afastar as glosas que geraram a recomposição do crédito e resultaram no indeferimento da homologação das compensações requeridas. Neste sentido, entende indevida a glosa da despesa de amortização de ágio quando da incorporação de sua controladora, e passa a fundamentar a operação. Por fim, pede: · “(i) o cancelamento das cobranças decorrentes da não homologação das compensações de estimativas da CSLL de junho de 2006 e maio de 2007, eis que não há possibilidade de cobrança de valores a título de estimativa mensal após o encerramento dos anosbase; · (ii) o sobrestamento do presente processo administrativo até o desfecho do processo administrativo nº 19647.010151/200783, ou, então a união dos respectivos processos, em razão da clara relação de dependência entre eles; ou · (iii) caso assim não se entenda, que seja analisado o mérito relativo à legalidade da operação realizada pela Recorrente, a fim de que seja reformada a decisão ora recorrida e homologadas integralmente as compensações realizadas.” – fls. 354/355. Registrase, ainda, que foi apensado a estes autos o processo administrativo fiscal nº 10480.722309/200907, que trata de DCOMP em relação a Saldo Negativo do CSL, conforme informação disponível no Sistema Comprot. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator. 1. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos dos art. 7º, § 1º1, do Regimento Interno do CARF, combinado com o art. 2º, incisos I e II2, desse mesmo diploma, os recursos interpostos em processo de compensação, cujo crédito alegado seja CSL, são da competência desta Primeira Seção. 1 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de Fl. 382DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.017127/200856 Resolução nº 1102000.305 S1C1T2 Fl. 480 6 No que tange à legitimidade, a petição está assinada (fl. 339) por advogados com poderes conferidos através de procuração pública, os quais, nos termos dos documentos de fls. 362/363, possuem poderes para a prática desse ato. O recurso é tempestivo, haja vista que a decisão proferida pela DRJ em 15/03/2010 (fl. 329) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 01/04/2010, uma quintafeira (fl. 338) e a interposição foi em 16/04/2010 (fl. 339). Vêse, assim, a tempestividade do ato, à luz da norma prevista no art. 33, do Decreto 70.235/70. Observase, entretanto, que a Contribuinte tenta incluir na lide discussão acerca do débito por ela mesma declarado e constituído na apresentação da DCOMP: as estimativas de CSL “pagas” através dessa DCOMP. Esta matéria não é passível de discussão em processo de PER/DCOMP. O crédito fazendário é constituído pela declaração na DCOMP. Em caso de não homologação da DCOMP, tal crédito deve ser imediatamente cobrado e, inadimplida a exigência fiscal, transmitido diretamente para a Procuradoria da Fazenda Nacional e inscrição na Dívida Ativa. Enfim, igualase à hipótese de DCTF, não sendo cabível instauração de processo administrativo fiscal. É o que se depreende do art. 147, §1º do CTN e do art. 74, especialmente §§6º e seg., da Lei nº 9.430/96. Nesse caminho, recebo parcialmente o recurso, apenas quanto à análise do crédito da Contribuinte contra a Fazenda Pública. 2. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, vêse que o ponto fulcral da lide é a existência ou não do crédito haja vista a lavratura de diversos Autos de Infração, que ora encontramse em fase litigiosa na e. CSRF, e que alteraram a contabilidade da empresa nos anos de 2005 e 2006. Assim, estabelecese como pontos controvertidos: 3. PRELIMINARES · Pode o CARF, em processo de PER/DCOMP, analisar as glosas realizadas na contabilidade da Contribuinte, alvo de outro processo administrativo? · Há efetiva relação de dependência deste processo com o processo nº 19647.010151/200783? Se positivo, é possível julgar este antes do trânsito em julgado daquele? Qual a consequência? reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. §1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. 2 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fl. 383DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.017127/200856 Resolução nº 1102000.305 S1C1T2 Fl. 481 7 · O crédito existe? 3.1. DA GLOSA ANALISADA EM OUTRO PROCESSO Em processo de PER/DCOMP, o CARF está limitado à análise, tão somente, das razões imediatas que levaram à nãohomologação da DCOMP, bem como as motivações e provas trazidas por ambas as partes. In casu, a existência de Autos de Infração contra a Contribuinte que, em tese, cancelam os créditos que ela acredita ter frente à Fazenda Pública. Ocorre que a Contribuinte pleiteia a revisão dos Autos de Infração, e para tanto, a análise das infrações aferidas e que lastreiam tal lançamento. Não fosse o fato de que essa matéria já se encontra em discussão no processo nº 19647.010151/200783, havendo perigo de decisões contraditórias, tal matéria está além da competência dessa lide, que versa tão somente sobre a existência ou não do crédito, não podendo alcançar questões anteriores, como se ocorreram ou não as infrações que geraram os AIIM. Ainda que esta turma entendesse pela adequação da operação, não poderia derrubar os Autos de Infração ali estabelecidos, posto que não foram trazidos ao conhecimento deste juízo, neste processo, e sim em outro, específico. Portanto, não podendo derrubar os autos de infração, não pode alterar a contabilidade da Contribuinte, nem restituíla à situação anterior às glosas. Enfim, impossível analisar, neste processo, a adequação da operação de aproveitamento de ágio. 3.2. SOBRESTAMENTO DO FEITO. DEPENDÊNCIA DA RESOLUÇÃO DE OUTRO PROCESSO. Primeiro, imprescindível registrar que, conforme o próprio Termo de Representação Fiscal (fls. 36/37), a Contribuinte somente foi cientificada do Termo de Encerramento de Ação Fiscal do outro processo (nº 19647.010151/200783) em 25/09/2007. Mais: conforme o Termo de Encerramento de Ação Fiscal, anexado à Representação Fiscal, a fiscalização da empresa foi iniciada em 02/07/2007 (fl. 40). De outro lado, as DCOMP foram apresentadas em 26/07/2006, 10/11/2006, 28/06/2007 e 01/10/2010, esta última retificadora de outra DCOMP, anterior às demais. Portanto, não há que se criticar a liquidez e a certeza do crédito da Contribuinte ao tempo em que apresentou as DCOMP – com exceção da última, a qual, repetese, é apenas retificadora. Segundo, a única razão que fundamenta a não homologação da DCOMP é o lançamento dos AIIM, que resultam na inexistência dos créditos utilizados para a compensação, conforme observado acima, no Termo de Representação Fiscal e no Despacho Decisório de nãohomologação do Delegado da Receita Federal. Enfim, a homologação foi negada, pois o Delegado entende que restou comprovada a inexistência dos referidos créditos. Por sua vez, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, esclarecendo que o crédito ainda está em discussão, e pedindo que o processo de análise da DCOMP seja reunido ao processo que julga os autos de infração. Se não for possível, que ao menos seja suspenso o feito, enquanto espera o julgamento. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.017127/200856 Resolução nº 1102000.305 S1C1T2 Fl. 482 8 A DRJ negou ambos os pedidos sob o fundamento que o auto de infração já foi julgado em sede de DRJ, e que o acórdão manteve a glosa. Em que pese tenha admitido que o processo encontravase à época no CARF para julgamento de Recurso Voluntário e de Ofício, entendeu ser impossível a suspensão do presente processo por inexistência de norma permitindo tal procedimento e que, a mera existência de Auto de Infração demonstrava a incerteza e a iliquidez do crédito utilizado pela Contribuinte para a DCOMP. No Recurso Voluntário, a Contribuinte reafirmou seu pedido de suspensão do processo administrativo ora analisado. Fundamentou seu pleito na prejudicialidade da matéria tratada no processo nº 19647.010151/200783. Como fundamentação legal, apresentou o art. 263 do CPC. Também, o princípio da verdade material. Enfim, o mérito das DCOMP depende integralmente da decisão nos autos do processo nº 19647.010151/200783. Isso porque o Termo de Representação Fiscal e o Termo de Informação Fiscal passaram a fazer parte do presente processo, conforme o Despacho Decisório, como fundamentação para a não homologação da compensação dos débitos da Recorrente. Assim, a não homologação é decorrência lógica da lavratura dos Autos de Infração que compõem o outro processo. Se os autos de infração forem mantidos – e considerando que foram glosadas despesas e lançados valores a serem recolhidos a título de CSL – então não há crédito da contribuinte a ser compensado. Por outro lado, se os autos de infração forem afastados, significa (ou pode significar) que a contabilidade da Recorrente foi escriturada adequadamente, e que ela efetivamente dispunha dos créditos que se utilizou. Pois bem, observando a movimentação do referido processo, verificase que foi prolatado o Acórdão CARF nº 120100.689, de 08/05/2012, no qual foi dada procedência ao Recurso Voluntário e afastadas as glosas, bem como os autos de infração. Neste sentido, se por um lado houve lançamento e acórdão DRJ contrários à Contribuinte, por outro temos a posição do CARF de que não houve infração. Assim, há indício a favor da existência do crédito. Tal insegurança somente será superada quando houver decisão transitada em julgado no processo nº 19647.010151/200783. Acontece que foi interposto Recurso Especial, de sorte que esta questão ainda será analisada pela CSRF. No caso em tela, a existência ou não do crédito somente poderá ser aferida após a decisão irrecorrível da CSRF, transitando em julgado o mérito. Destarte, impossível a esta E. Corte prolatar decisão final sobre a matéria sem ter pleno conhecimento sobre o estado desse outro processo administrativo. Necessário se faz, portanto, requerer diligência. Esta turma já tem decisões no sentido de suspender o julgamento de um processo enquanto aguarda o conhecimento final de outro, como na Resolução nº 1102 000.240, de 10/04/2014, que afirma no voto: “Por questão de prejudicialidade, diante da situação acima exposta, pareceme evidente ser necessário aguardar o desfecho destes quatro processos para se apurar o crédito que deve ser efetivamente reconhecido nestes autos. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que seja determinada a baixa destes autos à Delegacia de Origem para que esta: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.017127/200856 Resolução nº 1102000.305 S1C1T2 Fl. 483 9 a) aguarde o trânsito em julgado dos Processos Administrativos nº 10280.722277/200998; 13204.000123/200519; 10280.722279/200987; e 10280.722269/200941.” Ademais, o processo administrativo fiscal federal é regulamentado pelo Decreto nº 70.235/72, pelo Decreto 7.574/11, pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 256/09, que aprovou o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), e, subsidiariamente, pela Lei nº 9.784/99, conforme previsto no artigo 69 desse diploma normativo. Nada obstante, existem algumas matérias processuais que não foram regulamentadas nestas normas. Assim, conforme o artigo 108 do Código Tributário Nacional, em caso de ausência de norma expressa, o juiz deve se utilizar, sucessivamente, da analogia, dos princípios gerais de direito tributário, dos princípios gerais de direito público e da equidade. Ao se utilizar de analogia, no processo administrativofiscal, devem ser utilizadas primeiro as regras do próprio Código Tributário Nacional, que estabelece normas de Direito Processual Tributário. Em segundo lugar, devese fazer analogia com a Lei nº 5.869/73 (Código de Processo Civil CPC), por se tratar de uma norma processual geral, aplicável subsidiariamente a diversas leis, tais como: a Lei nº 6.830/80 (Lei das Execuções Fiscais), nos termos do seu artigo 1º; a Lei nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), nos termos do seu artigo 90; e a Lei nº 5.452/43 (Consolidação das Leis do Trabalho), nos termos do seu artigo 769. Existem diversos acórdãos do CARF que se utilizam de normas do CPC; por todos, acórdão CSRF nº 9303002.619, de 12/11/2013: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA Nos termos do art. 333 do CPC, que tem aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, é ônus do postulante a incentivo fiscal a prova das alegações que faz. Não demonstrado nos autos que a exportação realizada por outro estabelecimento corresponde às mercadorias a ele remetidas na condição de depósito fechado, descabe a tomada de crédito sobre tais operações de exportação. Portanto, sobre a matéria em tela, assiste razão à Contribuinte quando pleiteia aplicabilidade do art. 265, IV do CPC, mais especificamente na alínea ‘a’: Art. 265. Suspendese o processo: (...) IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Inclusive, a CSRF já se pronunciou expressamente sobre a aplicabilidade deste artigo: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO – Fl. 386DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 19647.017127/200856 Resolução nº 1102000.305 S1C1T2 Fl. 484 10 Pendência de decisão administrativa que influencia nos fundamentos do lançamento do crédito tributário, enseja o sobrestamento do julgamento administrativo com fulcro no artigo 265 do Código de Processo Civil.” (acórdão CSRF nº 930300.136, de 04.05.2009); Enfim, com base em norma e na jurisprudência, entendese inadequado o julgamento da lide no momento. 4. DA DILIGÊNCIA Conforme elucidado, o presente litígio não está em condições de ser resolvido. Por um lado, o crédito da contribuinte lhe parecia líquido e certo à época da transmissão das DCOMP; por outro, as glosas que foram lançadas e ora estão em discussão em outro processo têm, com bastante probabilidade, capacidade de desconstituir o crédito da empresa. Considerando a decisão positiva à Contribuinte exarada pelo CARF, há indício de confiabilidade em relação ao crédito utilizado na DCOMP. Portanto, haja vista o Recurso Especial protocolado pela Procuradoria da Fazenda, parece mais adequado aguardar a decisão daquele outro processo, gerando assim economia processual e segurança jurídica. Portanto, decido pela conversão do julgamento em diligência, para que o processo seja devolvido à Unidade de Origem, e esta aguarde a decisão de mérito final do processo nº 19647.010151/200783. Após, que sejam juntadas cópias das decisões e demais peças imprescindíveis desse processo, de sorte a fornecer informações suficientes a esta Turma para que se pronuncie sobre a matéria, quais sejam: · Fazer relatório circunstanciado do processo nº 19647.010151/200783, indicando, especialmente, os atos praticados pelo Fisco e as respectivas datas de intimação da Contribuinte, quando houver; as petições e documentos acostados aos autos pela ora Recorrente; a decisão final da CSRF, bem como do CARF e da DRJ neste processo; · Após analisar os documentos constantes neste outro processo, intime a recorrente a apresentar, caso queira, os documentos e registros contábeis pertinentes à comprovação do crédito pleiteado no PER/DCOMP em litígio, bem como balancetes contábeis escriturados à época dos fatos, que justifiquem a apresentação das declarações retificadoras; · Instruído o processo com estes elementos, a autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências deverá analisar a contabilidade da Recorrente e lavrar um Relatório Fiscal, concluindo se a Recorrente faz ou não jus ao crédito pleiteado neste processo. · A Recorrente deverá tomar ciência do Relatório Fiscal e serlhe concedido prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar, se desejar. · Encerrados todos os procedimentos, os autos deverão retornar a este Conselho para dar continuidade ao julgamento do litígio. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10805.907523/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade.
2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
Numero da decisão: 1803-002.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: FERNANDO FERREIRA CASTELLANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
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PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 75 23 /2 00 9- 13 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907523/200913 Acórdão n.º 1803002.598 S1TE03 Fl. 78 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de restituição (PER/DComp) 16527.99764.310708.1.3.045296, em 29.02.2008, fls. 0208, com base em pagamento a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código 2089, referente ao período de apuração de dezembro de 2001, apurado pelo lucro presumido. No despacho decisório, proferido em 23/10/2009, fls. 10, foi identificada a utilização do valor integral da DARF de referência do pedido de restituição, qual seja, R$ 11.934,90, não existindo, dessa forma, qualquer crédito a ser restituído. Cientificada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade. Esclarece, inicialmente, tratarse de empresa que desenvolve atividades de análises clínicas, laboratoriais, patologia clínica e ultrassonografia. Seu objeto, em seu contrato, é descrito como “prestação de sérvios de laboratórios de análises e medicina diagnóstica”. Alega, a recorrente, que é optante do regime de tributação pelo lucro presumido, tendo recolhido, regularmente, IRPJ e CSLL a partir de bases de cálculo presumidas correspondentes aos percentuais de 32%. Após a edição da Instrução Normativa IN/SRF nº 539/2005 e da resposta de consulta realizada pela recorrente, anexada aos autos, entendeu ter realizado recolhimentos a maior, durante o período de 30/10/2000 a 28/07/2005, na medida em que poderia ter utilizado as bases presumidas reduzidas, respectivamente em 8% e 12%. Por força de sua interpretação, apresentou inúmeros pedidos de restituição, mediante PER/DCOMP, para cada DARF mensal recolhido a maior, assim como os posteriores pedidos de compensação com os valores futuros, mediantes novos PER/DCOMP. Defende, a recorrente, que após a edição da IN/SRF 539/2005, suas atividades de análises laboratoriais foram equiparadas a serviços hospitalares, de forma que a tributação nos patamares elevados de 32% de lucro presumido é ilegal, devendose aplicar, retroativamente, as alíquotas diminuídas. Em suas palavras temos que: Com a edição da IN/SRF nº 539/2005, em 25/04/2005, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF nº 480/2004, a interessada foi equiparada a “serviços hospitalares”. Sendo assim, a interessada começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente. Os impostos e as contribuições já pagas e declaradas em DCTF foram recalculadas e se verificou que a interessada pagou à maior os tributos. Assim, o contribuinte providenciou o pedido de restituição eletrônica através do programa PER/DCOMP. Uma vez que a IN/SRF nº 539/2005 atribuiu nova interpretação à lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907523/200913 Acórdão n.º 1803002.598 S1TE03 Fl. 79 3 O recorrente, ainda, explica que realizou o pagamento dos DARF conforme lançamentos em DCTF, de acordo com a apuração pelo lucro presumido com base nos patamares majorados de 32%. Isso implicou na impossibilidade de identificação, pelo sistema de mero cruzamento dos dados, dos valores indevidamente recolhidos. Defende que a fiscalização deveria examinar a aplicação da nova interpretação, recalculando, a partir de cada DCTF, o valor a maior constante em cada DARF. Esclarece que o decurso do prazo legal impediria a retificação das DCTF’s. Salienta, ainda, que foi realizada consulta formal e específica pelo contribuinte, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas, devendo ser adotada, obrigatoriamente, a solução, pela fiscalização. Acusa que o único elemento analisado pela autoridade fiscal, para fundamentar o despacho decisório de indeferimento, foi a correspondência de valores constantes de DCTF e DARF. Ressalta a inaplicabilidade dos efeitos da IN/SRF nº 791, de 10/12/2007, que revoga a IN/SRF nº 539/2005, por tratarse de regra prejudicial ao contribuinte. Continua sua argumentação, demonstrando, contabilmente, invocando os dados informados em DIPJ 2004, a apuração efetivamente realizada, assim com os cálculos necessários para a identificação do seu crédito. Basicamente, refaz os cálculos do imposto devido, alterando a base presumida de 32%, para os 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Anexa planilhas de cálculo. Conclui, ao final, requerendo a procedência do pedido de restituição. Junta, ao processo, contrato social, solução de consulta citada, planilha demonstrativa do cálculo do IRPJ com base presumida de 32%, de apuração do IRPJ no período, de novo cálculo do IRPJ com base presumida de 8%, assim como nova apuração, demonstrativa do crédito recolhido a maior (fls. 28 a 49). Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSB nº 03 54.202, de 22/08/2013, fls. 7885, decisão, por unanimidade, de improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos em que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907523/200913 Acórdão n.º 1803002.598 S1TE03 Fl. 80 4 Direito Creditório Não Reconhecido A Delegacia de Julgamento utiliza como fundamento de sua decisão, inicialmente, a faculdade, e não obrigatoriedade, da administração tributária intimar o contribuinte para esclarecimentos ou realizar diligencias diretas. Nos termos da decisão, temos: De início, cabe esclarecer que o despacho decisório foi formalizado com base nas informações prestadas pela contribuinte em Per/Dcomp e DCTF apresentadas a Receita Federal. Eventual intimação para prestar esclarecimentos ou realização de diligência fiscal é uma faculdade da autoridade fiscal competente, haja vista ela dispor das informações prestadas em declarações, não havendo, assim, se falar em nulidade do ato questionado. Continua, a decisão, argumentando que o procedimento de compensação, nos termos do art. 170 do Código tributário nacional, exige a existência de créditos líquido e certo do sujeito passivo. No caso em tela, não existiria crédito a ser compensado, já que a totalidade do valor constante da DARF está alocada para a quitação de IRPJ confessado em DCTF. Nos termos da decisão da DRJ, temos: Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de crédito tributário somente poderá ser autorizada com crédito líquido e certo do sujeito passivo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido o seu exato valor. Sendo líquido e certo o crédito (premissa básica à compensação), procederseá ao encontro das contas devedora e credora. In casu, a compensação realizada na DCOMP 16527.99764.310708.1.3.045296, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ do PA 30/09/2002, confessado em DCTF, conforme consta no despacho decisório. Analisa, ainda, sequencia de normas que regulam a aplicação da alíquota diferenciada de presunção de lucro para os serviços hospitalares, demonstrando os requisitos para sua aplicação. Vejamos: Como se nota no dispositivo acima, na vigência dos referidos normativos, a definição de serviços hospitalares abrange aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN SRF 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, e aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada pela IN SRF n.º 539, de 2005. Vale consignar que no exame de matéria controvérsia relativa à aplicação da legislação tributária, o julgador administrativo devese ater aos exatos limites da norma, não podendo ser extensiva para não alcançar exação não prevista em lei ou fazer desonerações ou estender benefício sem previsão legal. Daí, a sábia Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907523/200913 Acórdão n.º 1803002.598 S1TE03 Fl. 81 5 inteligência do legislador complementar ao prever a interpretação restritiva da legislação tributária. Portanto, para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos, transcritos em linhas pretéritas, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Destaca, ainda, que mesmo que cumpridos os requisitos para a eventual utilização da alíquota diferenciada, o procedimento correta para isso seria a retificação das DCTF e DIPJ. De outro lado, cumprida todas exigências/requisitos, para ter direito a eventual direito creditório, a manifestante antes de apresentar os Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas pela legislação tributária de regência, deveria ter retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para apreciálas é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Concluiu, ao final, que a consulta anexada pelo recorrente não autoriza a aplicação da alíquota diferenciada pelo recorrente, limitandose a indicar os requisitos necessários para isso. Destaca, por fim, a ausência de força vinculante das decisões judiciais e administrativas citadas pelo recorrente. Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.12.2013. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que o único argumento para a improcedência, pela Delegacia de Julgamento, referese ao suposto não preenchimento dos requisitos necessários para a aplicação da equiparação a serviços hospitalares. Inova, tão somente, ao trazer uma série de documentos dos órgãos de vigilância, atestando sua condição de estabelecimento equiparado a hospitalar, como forma de justificar a utilização das alíquotas reduzidas de lucro presumido. Conclui alegando que a divergência resumese, nessa etapa, a mera comprovação da situação de fato. Vale dizer, ainda, que existem, ao todo, sessenta e seis recursos voluntários do contribuinte, versando sobre o mesmo assunto, relativos a totalidade das PER/DCOMP apresentadas na mesma oportunidade, relativa aos 60 meses anteriores a percepção da alteração da interpretação da norma, em suposto respeito às regras de decadência tributária. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 430, de 01.07.2015, DOU de 02.07.2015 e do art. 17 e do art. 18, do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. É o Relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907523/200913 Acórdão n.º 1803002.598 S1TE03 Fl. 82 6 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A discussão do caso em tela referese ao reconhecimento de crédito tributário, decorrente de aplicação retroativa de interpretação acerca da legislação tributária, no tocante aos diferentes percentuais de presunção de lucro. Mais que isso, versa acerca da prova dos requisitos para tal aplicação, além da regularidade da própria via eleita, qual seja, pedido de restituição de créditos não identificáveis na escrituração, diante de ausência de retificação. A análise do presente caso, engloba, assim, três diferentes pontos: i. sujeição ou não do recorrente às alíquotas diferenciadas de lucro presumido; ii. Comprovação dos requisitos; iii. Adequação da via eleita. Passemos aos pontos. Inicialmente, vale dizer, que o contribuinte, laboratório de análises, pode ser beneficiado pelo sistema de percentuais reduzidos do lucro presumido, aplicável as atividades hospitalares. Alertese para o fato de que não tratarei, ainda, da comprovação dos requisitos fáticos para tal sujeição, mas apenas seus aspectos normativos. Durante os exercícios de 2000 a 2005, o recorrente ofereceu a tributação seus resultados com base na presunção de 32%, regra geral para os prestadores de serviços. Em 2005, com a edição da IN/SRF nº 539/2005, norma que alterou a IN/SRF 480/2004, efetivamente explicitouse a possibilidade de aplicação do percentual de 8% e 12%, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL, para as instituições de assistência de saúde, auxiliares das hospitalares, dentre elas os laboratórios de análises estruturados empresarialmente. IN/SRF 480, com redação dada pela IN/SRF 539/2005: (...) Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907523/200913 Acórdão n.º 1803002.598 S1TE03 Fl. 83 7 c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). Vale dizer que esse diploma foi posteriormente alterado pela IN RFB nº 791, de 2007, passando a ter nova redação. Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. A norma em questão, por sua própria natureza, tem nítido viés interpretativo, na medida em que não poderia, de forma alguma, alterar conteúdo de lei tributária. Não poderia definir nova hipótese de incidência, ou mesmo modificala em qualquer aspecto. As duas situações dependem da observância da estrita legalidade. Por exclusão, portanto, somente resta à instrução normativa, no contexto do presente caso, a possibilidade de mero conteúdo interpretativo. Assim, a norma inserida na IN SRF 539/2005 é norma interpretativa, regulada pelo mandamento expresso no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Em outras palavras, sujeitase ao efeito retroativo no tempo. Desta forma, correta a interpretação do contribuinte de que se sujeitaria, em tese, aos percentuais diminuídos de presunção do lucro e, com isso, seria credor de valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos. No que tange a existência de consulta formal à administração, acerca da aplicação das alíquotas reduzidas ao contribuinte, vale dizer que sua conclusão, pela forma extremamente reticente e pouco objetiva, nada atesta. Não afirma, confirma ou infirma a Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907523/200913 Acórdão n.º 1803002.598 S1TE03 Fl. 84 8 aplicação da norma ao contribuinte consulente. Apenas explicita o critério legal, dizendo quais os requisitos que devem ser satisfeitos. Com isso, ela nada conclui, mas apenas direciona a discussão para a análise fática de seus requisitos. Vejamos o teor da resposta a consulta, comunicada ao contribuinte pela Comunicação SEORT nº 831/2006, fls 37 a 45. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase a presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente. 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da Parte II da retro citada resolução, devidamente comprovados por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a sua pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido, aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Reafirmase, então, que a solução da consulta citada pelo contribuinte não soluciona a questão concreta. Apenas indica a necessidade de preenchimento de alguns requisitos para a subsunção aos termos da lei. Nada mais. Houvesse cumprido, a consulta, seu dever normativo, restaria claro a que norma estaria sujeito o contribuinte. Não bastassem esses argumentos, vale ressaltar que o STJ pacificou seu entendimento acerca do assunto, por intermédio do Recurso Especial 1.116.399, sujeito a sistemática dos recursos repetitivos, com a seguinte ementa: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907523/200913 Acórdão n.º 1803002.598 S1TE03 Fl. 85 9 PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907523/200913 Acórdão n.º 1803002.598 S1TE03 Fl. 86 10 Percebese, portanto, que a exigência das licenças e outros requisitos são, a rigor, irrelevantes, bastando, portanto, o mero enquadramento pela descrição do objeto social. A eventual desconsideração de sua natureza depende de construção de prova robusta de elementos concretos para caracterizar eventual simulação e fraude (falsidade de objeto social). Desta forma, no primeiro aspecto de análise do presente voto, de viés estritamente normativo, concluo absolutamente correta a pretensão do contribuinte de enquadrarse na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, adrede citados, pela equiparação aos serviços hospitalares. A retroatividade no tempo, da interpretação, encontra respaldo em nosso sistema normativo. Passemos a análise do preenchimento dos requisitos necessários, agora em sua dimensão fática, à equiparação pleiteada. O recorrente é pessoa jurídica da espécie sociedade limitada, regularmente constituída segundo as leis de regência. Para o enquadramento pleiteado, precisa cumprir uma série de exigências de prestação de serviço de forma específica, com natureza empresarial. Esse requisito, ainda, depende de confirmação pela autoridade sanitária a qual esteja vinculada. Preenchidos esses requisitos, possível a equiparação. O recorrente preenche os requisitos exigidos pela lei. De fato, como bem alertado, a r. decisão da Delegacia de Julgamento tem por principal fundamento a não comprovação de existência de atestado da Vigilância Sanitária acerca do preenchimento de tais requisitos. Em sede de recurso voluntário do contribuinte, foram juntados diversos documentos para a comprovação dessa condição, tais como as licenças sanitárias das Prefeituras de São Bernardo do Campo, de Santo André e do Órgão Federal responsável (SIVISA – Sistema de informação em vigilância sanitária), além de contratos de prestação de serviços com diversas instituições. A rigor, essas licenças sanitárias somente são concedidas aos estabelecimentos que preenchem os requisitos mínimos descritos na legislação de regência, com especial atenção à Resolução – RDC nº 50, de 2002, emitida pela Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de aprovar o Regulamento Técnico destinado ao planejamento, programação, elaboração, avaliação e aprovação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, a ser observado em todo território nacional, na área pública e privada. Em assim sendo, fica presumivelmente comprovado em favor do contribuinte o requisito exigido pela legislação, em função dos documentos carreados aos presentes autos. Afasto, assim, este específico impeditivo lembrado pela Delegacia de Julgamento para o reconhecimento do crédito pleiteado. Desta forma, entendo que o contribuinte traz prova da presença dos requisitos necessários para a aplicação dos percentuais de 8% e 12% aqui aludidos, equiparado à unidade hospitalar. Resta, por fim, analisar se a existência do direito de crédito pleiteado pode ser reconhecida pelo instrumento jurídico utilizado, assim como seu manejo no caso concreto. Tratase, exatamente, do último ponto de análise. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907523/200913 Acórdão n.º 1803002.598 S1TE03 Fl. 87 11 O recorrente utilizouse de pedido de restituição eletrônica de crédito (PER/DCOMP). O crédito apontado decorre de incorreta interpretação e aplicação da legislação tributária, já que tratase de recolhimentos de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, ou seja, pelo contribuinte definidos e apurados. Dessa forma, por evidente, a “contabilidade fiscal” do sujeito passivo não identificaria, de imediato, a existência do crédito. O caminho natural para a identificação de tais créditos pela administração tributária seria a retificação das declarações (DIPJ ou DCTF), o que geraria nova apuração, a menor do que os recolhimentos realizados. O confronto, posterior, com os valores recolhidos (DARF), mostraria o crédito. Optou, contudo, o recorrente, pela utilização direta do pedido de restituição, eletrônico, indicando, em sede de manifestação de inconformidade, a origem de seu crédito, tanto no aspecto interpretativo (fundamento), como operacional (apresenta planilhas de calculo do valor devido e recolhido a maior). Há de se entender que o contribuinte não optou pela melhor via. A administração tributária negou a restituição, tanto pelo despacho decisório, quanto pelo v. acórdão da D. Delegacia de Julgamento, basicamente, pela impossibilidade de identificação do crédito, pelo simples confronto dos dados da contabilidade fiscal do recorrente. Em sede de análise da manifestação, inclusive, alerta o julgador ser faculdade da administração realizar intimações ou mesmo diligenciar pela busca da verdade dos fatos. Por força disso, o pleito foi simplesmente indeferido. Assim, uma primeira impressão, formalista, concluiria pela improcedência, também, do recurso voluntário, já que inadequado o procedimento. Contudo, o presente caso merece análise mais detalhada. Entendo que as regras do processo administrativo não podem ser ignoradas ou flexibilizadas de maneira inconsequente. Regras formais e processuais existem para atingir determinadas finalidades e não por mero capricho do legislador. As regras processuais não guardam um fim em si mesmas. Devem ser, em regra, cumpridas e observadas. O rigor formal, contudo, no processo administrativo, pode e deve ser pontualmente adequado as demandas específicas, de forma a permitir que ao contribuinte não lhe seja negado seu direito. De maneira muito mais perceptível do que no processo judicial, a esfera administrativa pode analisar as diferentes situações, tentando identificar graus de desvio de forma, passíveis ou não de relevação, em confronto com o direito pleiteado e sem afronta às normas de competência. Certamente, existirão desvios de forma ou de procedimento contornáveis, e outros, contudo, incontornáveis. De qualquer forma, o rigor da dinâmica administrativa processual deve ser pautado, sempre, no princípio da verdade real e em suas implicações para o resguardo do direito material. Em assim sendo, a negativa da administração de diligenciar a busca da verdade material, ou mesmo permitir, ou exigir, a comprovação do preenchimento do requisito formal (documentos da vigilância sanitária) parece incompatível, ou, ao menos, muito Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907523/200913 Acórdão n.º 1803002.598 S1TE03 Fl. 88 12 inadequada, frente aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal e aos objetivos que tais princípios perseguem. O caso em tela envolve situação que, a rigor, a administração poderia ter solucionado com diligência, já na instância inicial. A busca da verdade real, especialmente em situações em que o contribuinte pleiteia sua verificação, não são mera faculdade da administração; ao contrário, são obrigações, ainda que não explicitadas em norma de competência funcional, mas decorrentes das regras processuais e das garantias do contribuinte. Somese o fato de que o tempo decorrido, no presente caso, entre o pedido de restituição e o despacho decisório negativo, inviabilizou a retificação das obrigações acessórias respectivas, pelo decurso do prazo legal de 5 anos. Fosse despachado em prazo razoável a negativa de crédito pela inexistência de linguagem adequada (DIPJ/DCTF) para demonstrálo, poderia o contribuinte atender aos desígnios da administração e o presente processo sequer chegaria a este Corte. A demora da administração tributária não pode implicar em cerceamento do exercício do direito de crédito do contribuinte. Desta forma, por todo o exposto, entendo que o sujeito passivo está abrangido pela regra da incidência do percentual de lucro presumido reduzido, comprovou os requisitos necessários e, apesar da evidente inadequação formal inicial, pode ter seu pleito atendido, em claro equilíbrio entre o rigor formal e a verdade material. Procedente, assim, em sua totalidade o recurso voluntário e, em consequência, reconhecido o direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13971.004733/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. POSSIBILIDADE. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 inverte o ônus da prova, atribuindo à Contribuinte a obrigação de comprovar a origem dos depósitos realizados em suas contas mantidas perante instituições financeiras. Trata-se, portanto, de presunção relativa determinada em lei, e portanto permitida no lançamento tributário.
OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Cabe à Contribuinte comprovar a origem dos depósitos que demonstre não se tratar de receita. A apresentação de comprovantes de depósitos acompanhados de e-mails afirmando tratarem-se de adiantamentos não é suficiente, especialmente desacompanhado de demonstrativo de quanto daquele adiantamento foi transformado em serviço prestado e quando.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. POSSIBILIDADE. Se a presunção que os depósitos e creditamentos de origem não comprovados realizados em conta da Contribuinte são receita é suficiente para o lançamento de tributo, então também o é para a exclusão do SIMPLES.
OMISSÃO DE RECEITA. DECLARAÇÃO SUBSTANCIALMENTE INFERIOR. PRÁTICA REITERADA. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
Caracteriza sonegação, com a consequente imposição da multa qualificada, a constatação de que a receita declarada é substancialmente inferior à receita omitida, mormente quando isso constitui prática reiterada.
Numero da decisão: 1102-001.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto (relator), que dava parcial provimento para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregório - Relator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há omissão da decisão de primeira instância quando a decisão de primeiro grau expressamente afasta dos argumentos levantados na Impugnação, ainda que fundamente sucintamente. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional, criando uma presunção relativa de omissão de receita, a qual cabe à Contribuinte afastar. Para tanto, basta que a fiscalização identifique depósitos nãoexplicados nas contas da Contribuinte e intimea para que comprove a origem destas movimentações. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Conforme art. 16 da Lei nº 9.317/96, ao ser excluída do SIMPLES, a empresa passa a ser tributada pelas mesmas regras das demais pessoas jurídicas. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. PROVAS ILÍCITAS. INEXISTÊNCIA DE NEXO CAUSAL. Não há nulidade da autuação quando provas tidas como ilícitas em processo penal não servem de fundamentação para o lançamento dos tributos. NULIDADE DO PROCESSO. SUPRESSÃO DE DOCUMENTOS DOS AUTOS. INOCORRÊNCIA. O processo administrativo fiscal não se confunde com o procedimento de fiscalização. Nem todos os documentos fornecidos pela Contribuinte à autoridade fiscalizadora devem ser anexados aos Autos de Infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. POSSIBILIDADE. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 inverte o ônus da prova, atribuindo à Contribuinte a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 47 33 /2 00 8- 43 Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.483 2 obrigação de comprovar a origem dos depósitos realizados em suas contas mantidas perante instituições financeiras. Tratase, portanto, de presunção relativa determinada em lei, e portanto permitida no lançamento tributário. OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Cabe à Contribuinte comprovar a origem dos depósitos que demonstre não se tratar de receita. A apresentação de comprovantes de depósitos acompanhados de emails afirmando trataremse de adiantamentos não é suficiente, especialmente desacompanhado de demonstrativo de quanto daquele adiantamento foi transformado em serviço prestado e quando. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. POSSIBILIDADE. Se a presunção que os depósitos e creditamentos de origem não comprovados realizados em conta da Contribuinte são receita é suficiente para o lançamento de tributo, então também o é para a exclusão do SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. DECLARAÇÃO SUBSTANCIALMENTE INFERIOR. PRÁTICA REITERADA. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Caracteriza sonegação, com a consequente imposição da multa qualificada, a constatação de que a receita declarada é substancialmente inferior à receita omitida, mormente quando isso constitui prática reiterada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto (relator), que dava parcial provimento para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ricardo Marozzi Gregório. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator (assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregório Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.484 3 Relatório Observase, inicialmente, que o presente Recurso Voluntário versa sobre dois processos: Processo Matéria 11516.008027/200812 Neste processo “encontramse os elementos relacionados à constituição das exações no âmbito do SIMPLES (ano 2005)” fl. 325. 13971.004733/200843 Este processo “contempla a formalização os tributos apurados no ano de 2006, pela sistemática das empresas em geral.” fl. 325. Em apertadíssima síntese, sofrendo fiscalização em 2008, a Contribuinte se viu excluída de ofício do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2006, bem como foi autuada em relação aos anos de 2005 e 2006 – gerando assim dois processos distintos, um para cada ano –, por omissão de receitas e insuficiência de recolhimento, sendo então constituídos créditos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS/PASEP e INSS. Nesta esteira, foi imposta multa qualificada, bem como determinada a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais. Julgamse agora dois recursos voluntários – um para cada processo – interpostos contra o Acórdão nº 0720.149 (fls. 1.216/1.246) proferido da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (DRJ/FNS), na sessão de 04 de junho de 2010, que, por unanimidade de votos, decidiu rejeitar as preliminares de nulidade dos autos de infração e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, mantendo o lançamento tributário. Dita decisão foi levada ao conhecimento da Contribuinte em 24/06/2010 (fl. 1.265). Em suma, a Contribuinte foi cientificada do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 05/07) em 13/08/2008 (fl. 07), referente ao Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 0920400.2008.003263, por meio do qual foi dado início à fiscalização da Contribuinte quanto aos tributos abrangidos pelo SIMPLES, nos anoscalendários de 2005 e 2006. Neste Termo também foram requisitados diversos documentos, como parte da fiscalização. Após sucessivos pedidos de documentos e informações por parte do Fisco, e do protocolo de petições da Contribuinte fiscalizada, em 11/11/2008 foi emitida Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES (fls. 03/04), que foi apreciada na mesma data, sendo exarado então o Ato Declaratório Executivo Fiscal de Exclusão do SIMPLES Federal nº 58/2008 (fl. 61). A Recorrente foi cientificada em 03/12/2008 (fl. 61). Em 28/11/2008 foram lavrados autos de infração para exigência de tributos pela sistemática do SIMPLES, referentes ao ano de 2005: IRPJ (fls. 913/922), PIS/PASEP (fls. 925/934), CSL (fls. 935/944), COFINS (fls. 945/954) e INSS (fls. 955/964), configurando assim o processo administrativofiscal nº 11516.008027/200812 (fl. 340). A Recorrente foi cientificada em 03/12/2008 (fls. 919, 931, 941, 951 e 961). AnoCalendário 2005 SIMPLES Auto de Infração Fls. 913/964. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.485 4 Tributo Multa TOTAL IRPJ R$ 29.143,17 R$ 41.853,25 R$ 70.996,42 CSLL R$ 46.245,85 R$ 66.484,97 R$ 112.730,82 COFINS R$ 92.491,14 R$ 132.969,99 R$ 225.461,13 INSS R$ 192.085,11 R$ 275.899,75 R$ 467.984,86 PIS/PASEP R$ 29.143,17 R$ 41.853,25 R$ 70.996,42 TOTAL R$ 948.169,65 As infrações foram assim tipificadas no auto de infração do IRPJ: 001 – Omissão de receita da atividade mensurada em face a créditos/depósitos bancários cuja origem não logrou ser comprovada, infração caracterizada na forma das circunstâncias fáticas declinadas no Termo de Verificação Fiscal lavrado no encerramento dos trabalhos, subitem ‘3.1.1 – Omissão de Receita – Créditos Bancários não Comprovados’, ato que passa a integrar os Autos de Infração lavrados na constituição do crédito tributário decorrente. Enquadramento Legal: art. 24 da Lei nº 9.249/95; Arts. 2º, §2º; 3º, §1º, alínea “a”; 5º; 7º, §1º e 18 da Lei nº 9.317/96; Art. 42 da Lei nº 9.430/96; Art. 3º da lei nº 9.732/98; Arts. 186, 188 e 199 do RIR/99. 002 Insuficiência de recolhimento nos impostos e contribuições abrangidos no SIMPLES, decorrente da declaração a menor de receita da atividade, infração caracterizada na forma das circunstâncias fáticas expendidas no Termo de Verificação Fiscal lavrado no encerramento dos trabalhos, subitem ‘3.1.2 Insuficiência de Recolhimento sobre a Receita Declarada’, ato que passa a integrar os Autos de Infração lavrados na constituição do crédito tributário decorrente. Enquadramento Legal: art. 5º da Lei nº 9.317/96 c/c art. 3º Lei nº 7.732/98; Arts. 186 e 188, RIR/99.” – fls. 920/922. Nos autos de infração para exigências do PIS/PASEP, da CSLL, da COFINS, e da contribuição ao INSS, as mesmas infrações foram tipificadas. Também em 28/11/2008 foram lançados autos de infração referentes ao IRPJ (fls. 284/294); à CSLL (fls. 295/304); à COFINS (fls. 305/314); e ao PIS/PASEP (fls. 315/324) referentes ao ano de 2006, pela sistemática do Lucro Arbitrado, no processo administrativo fiscal nº Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.486 5 13971.004733/200843 (fl. 340). A Recorrente foi cientificada em 03/12/2008 (fls. 291, 301, 311 e 321). Ano Calendário 2006 Arbitramento Auto de Infração Fls. 284/324. Tributo Multa TOTAL IRPJ R$ 105.957,57 R$ 131.289,88 R$ 237.247,45 CSLL R$ 53.601,31 R$ 67.961,04 R$ 121.562,35 COFINS R$ 148.929,65 R$ 206.127,03 R$ 355.056,68 PIS/PASEP R$ 31.828,30 R$ 44.330,95 R$ 76.159,25 TOTAL R$ 790.025,73 As infrações assim foram tipificadas nos autos de infração do IRPJ: “Arbitramento do lucro que se faz em face a não apresentação de assentos inerentes ao lucro real, e também por erros e deficiências evidenciadas na escrita comercial apresentada, tornandoa imprestável para determinar o lucro real e a identificar a efetiva movimentação financeira. Os fatos que motivaram a utilização do regime estão declinados no Termo de Verificação Fiscal lavrado no encerramento dos trabalhos, precisamente no subitem ‘2.2 Anocalendário de 2006’”. Art. 530, incisos II e III, do RIR/99. 001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de receita da atividade mensurada em face a créditos/depósitos em conta corrente bancária cuja origem não logrou ser comprovada, infração caracterizada na forma das circunstâncias fáticas expendidas no Termo de Verificação Fiscal lavrado no encerramento dos trabalhos, precisamente no subitem ‘3.2.2 Omissão de Receita – Créditos Bancários não Comprovados’, ato fiscal que passa a integrar os Autos de Infração lavrados na constituição do crédito tributário decorrente. Arts. 27, I e 42 da Lei nº 9.430/96. Arts. 287, 532 e 537 do RIR/99. 002 – RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) RECEITA DA ATIVIDADE REGISTRADA/DECLARADA Receita da atividade submetida à tributação por regime inadequado, suscitando recolhimento a menor dos impostos e contribuições, infração caracterizada na forma das circunstancias fáticas expendidas no Termo de Verificação Fiscal lavrado no encerramento dos trabalhos, precisamente no Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.487 6 subitem ‘3.2.1 Receitas Declaradas e Tributadas Indevidamente pelo Simples’, ato fiscal que passa a integrar os Autos de Infração lavrados na constituição do crédito tributário decorrente. Art. 532 do RIR/99” – fl. 292/294 Nos autos de infração referente à CSLL, aplicouse as mesmas infrações. Nos casos da COFINS e do PIS/PASEP, também foram aplicadas a infração de omissão de receita (002); por outro lado, a infração 001 não corresponde ao lucro arbitrado, mas sim à insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada. Na mesma data foi lavrado ainda o Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal (fls. 325/341 e 965/981). Os autos contêm dois Termos de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, um para cada processo apensado. Em que pese sejam idênticos em conteúdo, não são cópias um do outro, sendo perceptível a diferença na assinatura da ciência parte ao final de cada um, por exemplo. De qualquer sorte, pela identidade de conteúdo material, relatarseá apenas uma vez, indicando as páginas respectivas em ambos. No TVF o Sr. AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF) dá as seguintes explicações: AnoCalendário 2005: “As verificações confirmaram o enquadramento regular no sistema – SIMPLES, de forma que, na determinação das exações atinentes ao ano em questão, serão observadas as regras inerentes ao regime e forma de pagamento a que se submeteu o sujeito passivo (SIMPLES).” – fls. 327 e 967. AnoCalendário 2006: “No ano em epígrafe, o contribuinte permaneceu enquadrado no SIMPLES, consoante evidencia a declaração simplificada acostada às fls. 261 a 278. Não obstante, as verificações fiscais empreendidas culminaram na caracterização de circunstâncias que desautorizam a permanência nesse regime simplificado. Restou configurado que no ano de 2005 a receita efetivamente auferida ultrapassa o limite estabelecido para enquadramento no sistema, circunstância que veda a permanência no ano seguinte.” – fls. 327 e 967. (...) “Neste cenário, onde inexiste opção do contribuinte por forma de tributação do IRPJ, cumulado com o não atendimento de requisitos inerentes à tributação pelo regime do lucro real, resta à administração tributária, por exclusão, mensurar os resultados fiscais pelas regras do lucro arbitrado, precisamente com fulcro nas hipóteses previstas no artigo 530, incisos II e III, do RIR/99.” – fls. 328 968. INFRAÇÕES APURADAS E SUAS IMPLICAÇÕES TRIBUTÁRIAS Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.488 7 ANO DE 2005 – OMISSÃO DE RECEITA – CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS “Compulsando dados econômicos e financeiros, notadamente a movimentação de ativos financeiros com a receita da atividade registrada, exsurgiu flagrante descompasso, não elucidado a partir dos assentos exibidos na esteira do Termo de Início de Fiscalização. À guisa de ilustração releva destacar que a escrita comercial apresentada sequer consigna rubrica correspondente a conta corrente mantida em instituição bancária, encontrando se os fatos atinentes totalmente obscuros, notadamente a nível da escrita que mantém. Neste cenário, as transações registradas na conta corrente mantida no Banco do Brasil (agência: 09210; conta n°: 11.6831), a crédito e a débito, via de regra, restaram não elucidadas.” – fls. 329 e 969. (...) “Destarte, a despeito de ter sido regularmente instado a comprovar a origem dos créditos bancários especificados, não logrou fazêlo. Decorridos mais de 60 (sessenta) dias da formalização da primeira Intimação, nenhuma das operações de crédito bancário questionadas restou comprovada. Assim, a rigor, não se observou nenhum esforço efetivo no sentido de comprovar as aludidas operações de crédito bancário. Ademais, o condicionamento da comprovação ao fornecimento das informações pela instituição bancária afigurase medida apenas protelatória, uma vez que a demanda, no que concerne à comprovação da origem dos créditos, cingese a assentos inerentes a sua escrituração, sendo responsável pela guarda.” – fls. 330 e 970. (...) “Pela legislação tributária de regência da matéria em pauta (art. 42 da Lei n° 9.430/96), caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais não seja comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Destarte, os fatos levantados e acima anotados subsumemse a norma insculpida no citado dispositivo legal, configurando omissão de receita da atividade os montantes indicados na coluna "DEPÓSITOS/CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS".” – fls. 331 e 971. (...) “No âmbito dos consectários legais aplicados registrese que, diante do evidente intuito de fraude caracterizado, é de se aplicar à qualificação da multa. Não restam dúvidas quanto à intenção do contribuinte em deixar de tributar receitas da sua atividade econômica, causando prejuízo aos cofres públicos. A multa de oficio qualificada aplicável ao caso em tela está prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 c/c o artigo 19 Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.489 8 da Lei n° 9.317/96, e que tem como pressuposto para sua aplicação a existência de “evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964”. ANO 2005 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO SOBRE A RECEITA DECLARADA “A situação fiscal delineada, onde apenas parte da receita auferida foi submetida ao gravame das exações federais, pela sistemática do SIMPLES, acarretou também insuficiências de recolhimento em relação às receitas declaradas, ante a tributação por percentual inferior ao que efetivamente deveria ter sido aplicado. Consolidandose as receitas declaradas e as omitidas, levantamento evidenciado no quadro demonstrativo de fls. 180 a 181, intitulado “DEMONSTRATIVO DE PERCENTUAIS APLICÁVEIS SOBRE A RECEITA BRUTA”, verificase que o contribuinte submeteu à tributação as receitas declaradas por percentuais inferiores aos estabelecidos para o seu faturamento acumulado, gerando, por consequência, insuficiência de recolhimento. O cálculo dessas diferenças está detalhado no "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS VALORES NÃO RECOLHIDOS", de fls. 182 a 187.” – fl. 333 e 973. ANO 2006 – RECEITAS DECLARADAS E TRIBUTADAS INDEVIDAMENTE PELO SIMPLES “Conforme suso declinado, as verificações implementadas no ano de 2005 culminaram na exclusão do sujeito passivo, de oficio, do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2006. Nestas circunstâncias, as receitas declaradas foram submetidas à tributação por sistemática inadequada, implicando no recolhimento a menor das exações.” – fls. 333 e 973. (...) “Essa prática [não emissão de Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, modelo 8] também acarreta deficiências na escrituração dos livros fiscais, notadamente do livro Registro de Saídas. Diante da inexistência de documentos fiscais de sua emissão, consigna no livro Registro de Saídas, no campo destinado à identificação dos documentos fiscais, numeração que não corresponde a nenhum documento fiscal. Ademais, processa um único registro por mês, em montante que se dispõe a oferecer a tributação, uma vez que inexistem os documentos hábeis que deveriam lastrear o assento. Cópia do livro Registro de Saídas, juntado às fls. 228 a 241, evidencia o modus operandi.” – fls. 334/335 e 974/975. (...) “Ante a impossibilidade de se determinar à apuração dos resultados fiscais pelas regras do lucro real, em face às razões acima expendidas, resta determinálos em consonância com as normas do lucro arbitrado. Tratandose de receita conhecida, Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.490 9 pode o lucro suscetível de tributação pelo IRPJ ser determinado em percentagem desta. Considerando que a empresa exerce a atividade de transporte rodoviário de cargas, submetese no arbitramento do lucro ao percentual de 9,6%, consoante disposto no artigo 532 do RIR/99, que tem por base legal a Lei n° 9.249/95, artigo 16, e a Lei n° 9.430/96, artigo 27, inciso I. Outrossim, a infração assim caracterizada, afora a incidência do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), subsumese também as normas de incidência da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), da contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS), e ainda da contribuição para o programa de integração social (PIS). Destarte, na forma de lançamento decorrente, as bases apuradas serão submetidas ao gravame das aludidas exações.” – fls. 335 e 975. ANO 2006 – OMISSÃO DE RECEITA – CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. “No mesmo sentido das circunstâncias fáticas declinadas no subitem “3.1.1 – Omissão de Receita – Créditos Bancários não Comprovados”, a omissão de receita da atividade, mensurada a partir de créditos bancários não comprovados, também se configurou no anocalendário de 2006.” – fls. 335 e 975. (...) “No mesmo sentido da infração comentada no subitem anterior, ante a impossibilidade de se determinar os resultados fiscais pelas regras do lucro real, a omissão de receita ora caracterizada subsumese as normas de tributação do lucro arbitrado. Considerando que a empresa exerce a atividade de transporte rodoviário de cargas, submetese no arbitramento do lucro ao percentual de 9,6%, consoante disposto no artigo 532 do RIR/99, que tem por base legal a Lei nº 9.249/95, artigo 16, e a Lei nº 9.430/96, artigo 27, inciso I. Outrossim, a infração em comento, afora a incidência do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), subsumese também as normas de incidência da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), da contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS), e ainda da contribuição para o programa de integração social (PIS). Destarte, na forma de lançamento decorrente, as omissões apuradas serão submetidas ao gravame das aludidas exações.” – fls. 336/337 e 976/977. ANO 2006 – DETERMINAÇÃO DAS IMPLICAÇÕES PECUNIÁRIAS “No âmbito dos consectários legais infligidos, notadamente acerca da infração detalhada no subitem ‘3.2.2 — Omissão de Receita — Créditos Bancários não Comprovados’, cumpre esclarecer que, diante do evidente intuito de fraude caracterizado, é de se aplicar à qualificação da multa. As circunstâncias fáticas que ensejam a aplicação já estão Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.491 10 declinadas no subitem “3.1.1 — Omissão de Receita — Créditos Bancários não Comprovados”.” – fls. 338 e 978. OUTROS FATOS CONSTATADOS “Ocorre que dentre os documentos apreendidos pela Policia Federal, no estabelecimento sede da empresa em questão, mediante o Mandado de Busca/Apreensão/Seqüestro expedido no âmbito do Inquérito Policial n° 0184/2008 DPF/IJI/SC, constam diversas notas fiscais de sua emissão, documentos que, além de não estarem refletidos na escrita comercial e fiscal, não se conformam, aparentemente, com as normas de emissão. No período abrangido pela fiscalização (anos de 2005 e 2006), constam às notas fiscais de nº s 00002 a 00010, todas emitidas contra a empresa Inlogs Logística Ltda1, e que têm como objeto o serviço de transporte rodoviário. Nenhum desses documentos está refletido na escrita comercial e fiscal mantida pelo contribuinte, além do que, para a natureza do serviço consignado nestes documentos, o modelo utilizado, aparentemente, não se mostra adequado. Afora esses aspectos, as aludidas notas fiscais, via de regra, consignam valores expressivos, nada usuais para empresa enquadrada no Simples.” – fls. 338 e 978. (...) “No cenário assim delineado, onde existem diversas notas fiscais emitidas, eivadas de anomalias, em relação às quais não logrou ser comprovada a efetividade do serviço descrito, e onde, os responsáveis pela empresa emitente alegam desconhecer os aludidos documentos, inferese que se trata de notas fiscais emitidas graciosamente. Destarte, esses fatos, a despeito de não caracterizarem infração à legislação dos tributos ora fiscalizados, configuram, em tese, ilícito de ordem penal, tipificado como falsidade ideológica. Por essa razão, em compasso com os ditames da Portaria RFB n° 665, de 24 de abril de 2008, a constatação ensejará a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais, ato onde serão declinadas as circunstâncias fáticas de caracterização do ilícito.” – fls. 339 e 979. Intimada a Contribuinte em 03/12/2008 (fl. 341 e 981), uma quartafeira, apresentou Impugnação a ambos os processos na mesma data: 30/12/2008 (fls. 349 e 989), uma terçafeira. Quanto ao processo administrativofiscal nº 13971.004733/200843, a Impugnação (fls. 349/395) pode ser assim resumida: 1. Indevida exclusão do sistema simples, haja vista que a fiscalização não logrou êxito em comprovar que a impugnante teria ultrapassado os limites de faturamento anual, no ano de 2005. 1 Vide fls. 24/32 dos autos. Ali estão diversas cópias de Notas Fiscais, anexas à Intimação Fiscal nº 01. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.492 11 2. Nulidade da exclusão haja vista que a fiscalização não comprovou no presente processo que a impugnante teria obtido receitas superiores aos limites estabelecidos na legislação do simples. 3. Nulidade da exclusão do simples, como decorrência do acatamento das razões de nulidade do processo 11516.008027/200812. 4. Indevido arbitramento, haja vista que à impugnante deveria ser oportunizada a escrituração de seus livros comerciais (diário e razão), após a sua exclusão do simples. 5. Nulidade do lançamento em vista da supressão nos autos, quanto a documentos entregues à fiscalização no curso da ação fiscal. 6. Nulidade do lançamento haja vista que sua origem está em provas ilícitas coligidas nos autos do inquérito policial nº 184/2008DPF/IJI/SC. 7. Nulidade do lançamento, haja vista que o encerramento da fiscalização ocorreu antes que a Impugnante houvesse recebido informações e documentos requisitados junto ao Banco do Brasil S.A., para o fim de exibi los aos r. Fiscais. 8. Nulidade do lançamento por considerar adiantamentos recebidos de clientes como se fossem receitas omitidas. 9. Nulidade do lançamento por presunção, haja vista que a totalidade das receitas foi tributada. 10. Necessidade de serem abatidos os valores de adiantamento, na hipótese de prevalecer a presunção ora combatida. 11. Nulidade do lançamento haja vista a imposição de multa agravada (150%) em lançamento decorrente de presunção de receitas, sem comprovação do evidente intuito de fraude. 12. Falta de comprovação de evidente intuito de fraude a amparar a imposição de multa agravada. 13. Improcedência da multa agravada por inexistência de crime contra a ordem tributária. 14. Nulidade da multa agravada pela ausência de tipicidade da conduta. 15. Ofensa ao art. 2º da Lei nº 9.784/99. 16. Direito da Impugnante ao benefício da redução de multas, para pagamento em até 30 dias da ciência do trânsito em julgado administrativo da presente demanda. 17. Da aplicabilidade das disposições das normas contidas no art. 6º da Lei nº 8.218/91 e do art. 60 da Lei nº 8.383/91, ambos com a redação que lhes é dada pela Medida Provisória 449 de 03/12/2008. Já a Impugnação ao processo nº 11516.008027/200812 (fls. 989/1.026) pode ser assim resumida: Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.493 12 1. Nulidade do lançamento em vista da supressão nos autos, quanto a documentos entregues à fiscalização no curso da ação fiscal. 2. Nulidade do lançamento haja vista que sua origem está em provas ilícitas coligidas nos autos do inquérito policial nº 184/2008DPF/IJI/SC. 3. Nulidade do lançamento haja vista que o encerramento da fiscalização ocorreu antes que a impugnante houvesse recebido informações e documentos requisitados junto ao Banco do Brasil S.A., para o fim de exibi los aos r. Fiscais. 4. Nulidade do lançamento por considerar adiantamentos recebidos de clientes como se fossem receitas omitidas. 5. Nulidade do lançamento por presunção, haja vista que a totalidade das receitas foi tributada. 6. Necessidade de serem abatidos os valores de adiantamento, na hipótese de prevalecer a presunção ora combatida. 7. Nulidade do lançamento haja vista a imposição de multa agravada (150%) em lançamento decorrente de presunção de receitas, sem comprovação do evidente intuito de fraude. 8. Falta de comprovação de evidente intuito de fraude a amparar a imposição de multa agravada. 9. Improcedência da multa agravada por inexistência de crime contra a ordem tributária. 10. Nulidade da multa agravada pela ausência de tipicidade da conduta. 11. Ofensa ao art. 2º da Lei nº 9.784/99. 12. Direito da Impugnante ao benefício da redução de multas, para pagamento em até 30 dias da ciência do trânsito em julgado administrativo da presente demanda. 13. Da aplicabilidade das disposições das normas contidas no art. 6º da Lei nº 8.218/91 e do art. 60 da Lei nº 8.383/91, ambos com a redação que lhes é dada pela Medida Provisória 449 de 03/12/2008. A 3ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade, julgou procedente o lançamento. O Acórdão de nº 0720.149 (fls. 1.216/1.246), proferido na sessão de 04 de junho de 2010, assim foi ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 Exclusão do Simples. Excesso de Receita. Efeitos no ano calendário subsequente (2006). Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.494 13 O art.15, inciso IV, da Lei 9.317/96 dispõe que os efeitos da exclusão de ofício, motivada por excesso de receita em relação ao limite legal estabelecido neste diploma legal, começam a operar a partir do ano calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite. Depósitos Bancários. Origens. Presunção Legal. Omissão de Receita. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Lucro Arbitrado. Excluída do Simples, os lucros foram arbitrados e os impostos e contribuições sociais foram apurados sob esta forma de tributação, deduzindose os valores recolhidos pelo Simples. A ciência destes lançamentos e do ato de exclusão do Simples podem se dar na mesma data, não havendo assim qualquer preterição de direito de defesa. A partir da data de produção dos efeitos de exclusão do SIMPLES a pessoa jurídica, atendidas todas as demais condições legais, pode optar pelo lucro presumido ou apurar o imposto de renda e a contribuição social pela regra, que é o lucro real. Em não se verificando as condições necessárias para a tributação por um destes regimes de apuração do IRPJ, impõe se o arbitramento do lucro. Lucro Arbitrado. Receita Bruta Conhecida. Base de Cálculo. Reputase correta a base de cálculo do lucro arbitrado considerada: a receita informada na DIPJ e a presunção legal de omissão de receita por falta de comprovação dos créditos bancários. PIS. COFINS. CSLL. Lançamentos Decorrentes. Efeitos da decisão relativa ao lançamento principal (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevaleceram na apreciação destes, desde que não presentes arguições especificas ou elementos de prova novos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 Atos Fiscais. Descrição dos Fatos. Enquadramento Legal. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.495 14 O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. Arguições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 Presunções Legais Relativas. Distribuição do ônus da Prova. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Multa de Oficio Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Oficio. Legitimidade. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 351, de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade dos Autos de Infração e, no mérito, em julgar improcedente a impugnação, mantido o crédito tributário.” Os fundamentos da decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/FNS podem se assim resumidos: ANO CALENDÁRIO 2005 NULIDADE – AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS NOS AUTOS Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.496 15 “Quanto às questões levantadas pela Impugnante no item I de sua impugnação (fls. 972 a 973), ora relatoriadas, de se dizer que a ausência, nos autos, dos documentos que ali menciona, em nada interferem na solução do litígio posto, de forma que não há que se cogitar de nulidade dos lançamentos” – fl. 1.232. NULIDADE – PROVAS ILÍCITAS “Não há evidências nos autos de que a Fiscalização tenha se utilizado de documentos coletados pela Polícia Federal, eventualmente considerados como prova ilícita pela Justiça Federal. Ainda, a Fiscalização não foi realizada junto à Autuada a partir da operação policial consubstanciada no IP 0184/2008 – DPF/IJI/SC, como foi afirmado na impugnação. Desta forma, não se pode dizer que o presente procedimento fiscal esteja eivado de nulidades por conta de contaminação conforme arguido pela Impugnante com base na teoria dos “frutos da árvore envenenada”.” – fl. 1.233. (...) Tomando por base o art. 195 do CTN, conclui a DRJ: “De forma que, conforme a natureza da infração apontada, supra, não há como se considerar que foi utilizado qualquer meio ilegal na obtenção de provas, uma vez que os dados extraídos e trazidos aos autos pela Fiscalização dizem respeito a atividades comerciais do contribuinte fiscalizado.” – fl. 1.235. ENCERRAMENTO DA FISCALIZAÇÃO ANTES DA ENTREGA DE DOCUMENTOS PELA INSTITUIÇÃO BANCÁRIA “Quanto às questões levantadas pela Impugnante no item III de sua impugnação (fl.978 a 980), ora relatoriadas, de se dizer que documentos que amparem a escrituração comercial devem estar sob a guarda da própria empresa e disponíveis para apresentação às autoridades fiscais. Se seus documentos bancários ainda não lhe foram entregues pelo banco, o fato de a Fiscalização ter encerrado a ação fiscal sem que a Impugnante apresentasse tais documentos não afeta em nada o lançamento, uma vez que é responsabilidade da própria empresa manter em boa guarda seus documentos.” – fl. 1.235. MÉRITO “Quanto às questões levantadas pela Impugnante no item IV de sua impugnação (fls.980 a 986), ora relatoriadas, de se dizer que após a edição da lei nº 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação adequada, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, assim, dispondo em seu art. 42” – fl. 1.235. (...) Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.497 16 “Tratase, portanto, de uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida.” – fl. 1.236. (...) “A caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido – ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta provém de receitas então omitidas.” – fl. 1.236. (...) “Notório que estas empresas realmente fizeram várias operações comerciais, sendo comum as transferências bancárias da empresa TC Transportes e Logística Ltda. para a Impugnante. Percebese tal evidência pela documentação trazida pela Impugnante, acostada às fls.1.028 a 1.135, ocorre que tais documentos (cópias de transferência eletrônicos entre contas correntes – BB e outros) não comprovam a natureza da operação, ou seja, se tratam de adiantamentos de clientes (como afirmado na impugnação) ou de pagamentos por serviços prestados pela Impugnante, trabalho de conciliação que cabe, não à Fiscalização apurar, mas sim à Contribuinte autuada, a ela é quem cabe a perfeita identificação dos créditos bancários. Assim, não comprovada a origem dos créditos bancários, e verificado que a receita total (omitida e declarada) ultrapassou, no ano de 2005, o limite legal para permanência no Simples, correto o ato de ofício de exclusão (fl.59) da Interessada do SIMPLES, com efeitos a partir do ano calendário seguinte (a partir de 01/01/2006).” – fl. 1.237. ANO CALENDÁRIO 2006 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES “Quanto às questões levantadas pela Impugnante nos itens I, II e III de sua impugnação (fls.346 a 353), ora relatoriadas, de se dizer que se tratam de matérias envolvendo as causas que motivaram a sua exclusão da Impugnante do SIMPLES, causas estas que já foram devidamente objeto de apreciação, conforme julgamento do litígio relativo ao ano calendário de 2005, ora feito neste Voto. Assim, estas alegações restaram superadas e não necessitam ser novamente apreciadas.” – fl. 1.237. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.498 17 NULIDADE POR NÃO TER SIDO OPORTUNIZADA A ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS APÓS A EXCLUSÃO DO SIMPLES “Como relatoriado, a Impugnante alegou pela nulidade dos lançamentos, uma vez que não lhe foi oportunizado a escrituração de seus livros Diário e Razão e, ainda, que foi cientificada da exclusão do SIMPLES e dos lançamentos de ofício (autos de infração) na mesma data, que em seu entendimento, a exclusão deveria preceder aos lançamentos. Não assiste razão a Impugnante. De se mostrar. Por meio da Intimação Fiscal nº 01, item 3 (fl.89), alertada que a contribuinte não poderia permanecer no SIMPLES a partir de 01/01/2006, ela foi intimada a apresentar o balanço patrimonial e a demonstração de resultado e Livro de Apuração do Lucro Real, relativos ao ano calendário de 2006, sendolhe concedido, contrariamente ao alegado, um prazo de quinze dias.” – fl. 1.238. (...) “A cópia do Livro Diário acostada às fls. 242 a 260 [disponibilizados por ocasião do início da fiscalização] evidencia o constatado pelos autuantes, não havendo alternativa que não o arbitramento de lucro relativo ao ano calendário de 2006, pois a escrituração apresentada revelouse imprestável para apuração do lucro real e/ou não contém a devida escrituração da movimentação financeira/bancária.” – fl. 1.239. VICIO PROCEDIMENTAL “Quanto ao fato de o ato de exclusão e os autos de infração terem sido cientificados à contribuinte na mesma data, de se dizer apenas que tal procedimento não conflita com a legislação tributária vigente, ou seja, excluída do SIMPLES, a empresa fica submetida a outro regime de tributação, no caso, feito pelas regras do Lucro Arbitrado, e das exigências fiscais de ofício daí decorrentes, como foi feito no presente processo. O fato de se darem na mesma data não traz qualquer prejuízo à Impugnante para sua defesa.” – fl. 1.239. NULIDADE – FALTA DE DOCUMENTOS NOS AUTOS “Quanto às questões levantadas pela Impugnante no item V de sua impugnação (fls.355 a 356), ora relatoriadas, de se dizer que a ausência, nos autos, dos documentos que ali menciona, em nada interferem na solução do litígio posto, de forma que não há que se cogitar de nulidade dos lançamentos.” – fl. 1.239. NULIDADE – PROVAS ILÍCITAS “De se dizer que tais afirmações repetem aquelas apresentadas na impugnação relativa ao ano calendário de 2005, já relatoriadas e devidamente apreciadas neste Voto. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.499 18 Basta um breve resumo da infração apontada pela Fiscalização, para nos certificarmos que a Impugnante incorre em grave equívoco em suas afirmações preliminares da nulidade dos autos de infração.” – fl. 1.240. (...) “De forma que, conforme a natureza da infração apontada, supra, não há como se considerar que foi utilizado qualquer meio ilegal na obtenção de provas, uma vez que os dados extraídos e trazidos aos autos pela Fiscalização dizem respeito a atividades comerciais do contribuinte fiscalizado. De se rejeitar, por absoluta impropriedade da alegação como posta pela Interessada, de nulidade dos autos de infração.” – fl. 1.241. ENCERRAMENTO DA FISCALIZAÇÃO ANTES DA ENTREGA DE DOCUMENTOS PELA INSTITUIÇÃO BANCÁRIA “Quanto às questões levantadas pela Impugnante no item VII de sua impugnação (fls.361 a 363), ora relatoriadas, de se reiterar que documentos que amparem a escrituração comercial devem estar sob a guarda da própria empresa e disponíveis para apresentação às autoridades fiscais. Se seus documentos bancários ainda não lhe foram entregues pelo banco, o fato de a Fiscalização ter encerrado a ação fiscal sem que a Impugnante apresentasse tais documentos não afeta em nada o lançamento, uma vez que é responsabilidade da própria empresa manter em boa guarda seus documentos.” – fl. 1.241. DA OMISSÃO DE RECEITAS “Quanto às alegações levantadas pela Impugnante nos itens VIII, IX e X (fls.363 a 374) de sua impugnação, ora relatoriadas, de se reiterar que após a edição da Lei nº 9.430/996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação adequada, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, assim, dispondo em seu art. 42” – fl. 1.242. (...) “É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário.” – fl. 1.242. (...) “Consoante Intimação Fiscal (fls. 87 a 110) a contribuinte foi intimada e reintimada (fls.126 a 129) a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.500 19 mantida junto a instituição financeira, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96.” – fls. 1.242/1.243. (...) “A conta contábil de adiantamentos de clientes tem natureza credora, uma vez que tratase de um passivo da contribuinte junto a seu cliente, uma vez que se não prestar o serviço para o qual foi feito o adiantamento, a contribuinte deve devolver os recursos recebidos.” – p. 1.243. (...) “Afinal, daqueles montantes expressivos a título de adiantamentos de clientes, durante os anos de 2005 e 2006, quanto já foi transformado em receita tributável? É possível que adiantamentos de clientes, efetivados em fevereiro por ex., ainda estejam em aberto? Ou seja, ainda não foram realizados os serviços pactuados neste mês? Assim, não comprovada a origem dos créditos bancários, mantida a omissão de receita com base no art. 42 da Lei 9.430/96.” – fl. 1.243. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA “Contrariamente ao alegado, entendo existirem, sim, na conduta da contribuinte as condições necessárias à aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, as quais foram, sim, identificadas pelos auditores fiscais, conforme consta no relato a fl.329 do Termo Fiscal.” – fl. 1.243. (...) “Apesar de não ter havido no lançamento tributário infração de outra natureza, como por ex., uma omissão materialmente comprovada de receita, e de a Impugnante ter trazido aos autos documentos que, entretanto, não foram capazes de identificar a origem de dos créditos bancários, ainda assim entendo justificável a aplicação da multa de ofício qualificada.” – fl. 1.244. (...) “Aí está a conduta dolosa da contribuinte. Seus extratos bancários revelam a existência de movimentação financeira (créditos bancários, despesas, etc.) mas não revelam o quanto daqueles créditos (adiantamentos de clientes) já poderiam ser normalmente tributados por já se caracterizarem em receitas da empresa. Esta informação, a empresa sonegou ao Fisco Federal, pois ao não registrar contabilmente sua conta corrente bancário (a única, por sinal), manejava ao seu bel prazer o quantum de receita iria oferecer à tributação, nos dois anos, de 2005 e 2006. Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.501 20 Não está aqui se justificando a multa aplicada (de 150%) por conta de recusa/dificuldade da contribuinte em apresentar os devidos esclarecimentos de todos os créditos bancários apontados na intimação fiscal. O que aqui não se pode conformar é com a conduta da contribuinte que, sob o manto de empresa tributada pelo SIMPLES, não registrava sua movimentação financeira e com isto manipulava sua conta de receita, prejudicando as demais empresas que operam em condições idênticas e de acordo com as regras deste sistema de tributação simplificado.” – fl. 1.244/1.245. REDUÇÃO DA MULTA PARA 50% “Por fim, quanto às alegações/solicitações acerca de redução de multa de ofício para 50%, mesmo após a decisão de primeira instância administrativa, de se dizer apenas que tal redução somente tem lugar se o pagamento do crédito tributário exigido for efetuado durante o prazo legal concedido para apresentação de impugnação.” – fl. 1.245. Assim ficou o dispositivo do Acórdão em debate: “É o voto, pela improcedência da impugnação, mantido o crédito tributário.” – fl. 1.246. Não foi interposto recurso de ofício. A Contribuinte, intimada da decisão em 24/06/2010 (fl. 1.265), objetivando ver reformado o acórdão nº 0720.149, da 3ª Turma da DRJ/FNS, interpôs, em 16/07/2010 (fl. 1.275) Recurso Voluntário referente ao processo nº 1397.004733/200843 (fls. 1.275/1.336 e docs. fls. 1.337/1.364) e na mesma data apresentou também Recurso Voluntário referente ao processo nº 1397.008027/200812 (fls. 1.365/1.409 e docs. fls. 1.410/1.437), anexado ao presente processo. Os dois recursos apresentados são, em sua maior parte, idênticos. Neste relatório, faremos referência ao recurso de fls. 1.275/1.336, pois há mais enfrentamentos do que no recurso de fls. 1.365/1.409. De qualquer modo, o resumo abarcará todas questões presentes nos dois recursos. Enfim, os pedidos foram: “Por todo o exposto requer: Sejam recebidas, e pela turma de julgamento acatadas, as presentes razões de Recurso, para que seja declarada nula a exclusão do SIMPLES por todas as razões expostas, e consequentemente seja declarado nulo o Auto de Infração ora combatido; Na improvável hipótese de se manter a exclusão do SIMPLES [Auto de Infração, no segundo recurso], que sejam acatadas as presentes razões de Recurso, para afastar o arbitramento levado a efeito pelos r. Auditores Fiscais. Caso não seja este o entendimento de V.Sas., requererse, sejam abatidos dos valores Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.502 21 presumidos, todos créditos em conta bancária, comprovados como adiantamentos recebidos de clientes; Na hipótese de prevalecer algum valor lançado, que seja reconhecida a improcedência da multa agravada; Que sejam reconhecidas as nulidades apontadas no presente Recurso; A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com fundamento no art. 151, III do CTN; Que todas as intimações sejam dirigidas aos advogados que esta subscrevem, cujo endereço para correspondência consta no rodapé da presente Impugnação; Provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente a pericial, documental (inclusive novos documentos que se fizerem necessários) e testemunham, se for o caso.” – fl. 1.336. Os argumentos que fundamentam os pedidos podem ser assim resumidos: DO ADIANTAMENTO RECEBIDOS DOS CLIENTES “Conforme reproduzido a seguir, a Recorrente relacionou e provou todos os depósitos que se referem a adiantamentos recebidos de clientes em 2005, os quais não configuram receitas.” – fl. 1.277. (...) “Além dos documentos bancários comprovantes das transferências e mensagens, via email ou carta com requisição e/ou autorização para a efetivação das operações de transferências, com indicações claras de que se tratam de adiantamentos. Com efeito, há constantes orientações para que o valores transferidos sejam debitados em conta corrente de Vô Bráulio Transportes. Em outras ocasiões há indicações de que as transferências devem ser efetivadas ‘a título de adiantamento de fretes’, conforme se pode constatar do exame dos documentos em anexo (Doc. 11 da Impugnação).” – fl. 1.277/1.278. (...) “Destaquese que todos os valores acima indicados, [apresentou uma lista na qual relaciona um total de R$ 3.899.667,30 (três milhões, oitocentos e noventa e nove mil, seiscentos e sessenta e sete reais e trinta centavos), durante os meses de fevereiro a dezembro – fls. 1.279/1.282] ref. 2005 estão respaldados em comprovantes obtidos junto à cliente TC Transportes e Logística Ltda. (fls. 552/662), a qual foi a responsável pelas referidas transferências bancárias.” – fl. 1.282. (...) Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.503 22 “Diante de tudo o que acima se tratou, a decisão ora atacada desconsidera todos os fatos, provas e argumentos e conclui pela não comprovação dos créditos bancários.” – fl. 1.283. DO DESCABIMENTO DA PRESUNÇÃO “Ainda mais relevante é o fato de que, uma vez constatado que os créditos bancários encontramse devidamente explicados quanto à sua origem, com indicação de que se tratam de adiantamentos, não caberia à fiscalização adotar a figura da presunção de créditos bancários de origem não comprovada.” – fl. 1.283. “Com efeito, se a fiscalização pretendesse não acatar tais adiantamentos, o que se faz aqui a título de mera argumentação, deveria reclassificar tais valores para receitas e promover o lançamento desprovido da figura presunção.” – fl. 1.283. (...) “Assim sendo, se o fisco apresenta duas hipóteses quanto à natureza dos valores (1 – adiantamentos e; 2 – serviços prestados) e descarta uma (adiantamento, conforme sustenta a Recorrente), então lhe caberia adotar a outra hipótese (pagamentos por serviços prestados). Logo, se são receitas por serviços prestados, descabe a figura da presunção. Assim sendo, não podem ser tomados os créditos bancários (cujas origens estão devidamente comprovadas) como supostas receitas omitidas por presunção, razão pela qual não houve excesso dos limites de faturamento para manterse SIMPLES. Por tais razões, requerse a nulidade do presente lançamento, haja vista a equivocada exclusão da Recorrente do SIMPLES.” – fl. 1.284. DA AUSÊNCIA DE PROVA DO EXCESSO DE RECEITAS “Tratase de uma prova à qual a fiscalização não poderia se desincumbir e por esta razão merece ser declarada nula a presente exclusão do SIMPLES, com efeito a partir de 01.01.2006. Todavia, mais surpreendente é o fato de que a decisão atacada silencia quanto a este argumento de defesa [que a autoridade lançadora não incluiu os extratos bancários de 2005 nos autos, gerando nulidade], incidindo em cerceamento de defesa.” – fl. 1.285. DA NULIDADE EM RAZÃO DAS PROVAS ILÍCITAS “Ao examinar estas questões, os julgadores a quo se limitam a indicar que ‘Não há evidências nos autos de que a Fiscalização tenha se utilizado de documentos coletados pela Polícia Federal, Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.504 23 eventualmente considerados como prova ilícita pela Justiça Federal’. Certo é que embora a Recorrente não fosse alvo de investigação no âmbito do Inquérito Policial nº 0184/2008 – DPF/IJI/SC, em trâmite junto à Polícia Federal, foi deferido pedido de Busca e Apreensão no endereço de sua sede, (fls. 397/398), pelo fato de que Carlos Alberto Wanzuit, pai dos sócios da Recorrente estava sendo alvo das citadas investigações. Vário equipamentos, informações e documentos da Recorrente foram apreendidos pela Polícia Federal (fls. 399). Ocorre que a fiscalização é nula, haja vista que contra a Recorrente nenhuma investigação havia” – fl. 1.286. (...) “É inconteste que esta fiscalização somente foi desencadeada a partir da operação policial consubstanciada no IP 0184/2008. Há indicação expressa às fls. 258, item 4 do processo 11516.008027/200812.” – fl. 1.287. (...) “Ocorre que a decisão judicial que autorizou a referida busca, dentre outras providências contra os investigados naquele IP, ao tratar do Compartilhamento de informações com a Receita Federal (fls. 400), assim estabelece: ‘Compartilhamento de informações com a Receita Federal. O pedido tem procedência para dar impulso à investigações. A Polícia Federal fica autorizada a compartilhar os elementos de prova desta investigação com a Receita Federal, com o intuito de apurar a responsabilidade dos investigados nos delitos em tese praticados.’ No presente caso, está configurado que o lançamento decorre daquele compartilhamento não autorizado em relação à Recorrente. Portanto, afora a figura dos investigados (e a Recorrente não era investigada – fls. 518/520), nenhuma outra pessoa poderia ser objeto das ações da Polícia Federal ou da Receita Federal, no âmbito do IP 0184/2008, a não ser com novas autorizações judiciais, as quais não ocorreram.” – fl. 1.287. (...) “Por outro lado, ainda que a Recorrente fosse alvo das investigações, o presente Auto de Infração encontrase viciado.” – p. 1.288. (...) A própria juíza que deferiu as buscas e demais providencias naquele IP (mas que não foi a autoridade que deferiu aqueles primeiros pedidos de escutas), reconheceu, posteriormente (Fls. Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.505 24 401/405), a nulidade absoluta de provas coletadas através de escutas telefônicas no período de 09.08.2007 a 19.11.2007, por entender que são provas ilícitas, pois que obtidas em total afronta ao princípio constitucional e processual do JUÍZO NATURAL.” – fl. 1.288. (...) “Em recente decisão em grau de recurso, o R. TRF 4ª.R. confirmou aquela decisão. E mais: reconheceu a ilegalidade das provas citadas, desde o pedido originário da interceptação das comunicações telefônicas (fls. 406/408).” – fl. 1.289. (...) “Assim sendo, não há como ser mantido o presente Auto de Infração, a não ser pela quebra das garantias constitucionais e ainda as previstas na lei nº 9.784/99, que trata do Processo Administrativo Federal.” – fl. 1.289/1.290. DO ENCERRAMENTO DA FISCALIZAÇÃO ANTES DE A CONTRIBUINTE PODER PROVAR QUE NÃO HOUVE OMISSÃO DE RECEITAS “A decisão atacada procura esclarecer que é obrigação do contribuinte manter a documentação à mão para apresentação à fiscalização. Ocorre que a Recorrente informou naquela defesa que não era investigada na operação policial, todavia, vários equipamentos, informações e documentos da Recorrente foram apreendidos pela Polícia Federal (fls. 399), estando, pois impossibilitada de apresentar diversos documentos. Para atender a fiscalização requereu ao Banco do Brasil estas informações, as quais jamais foram recebidas, embora insistentes apelas tenham sido feitos.” – fl. 1.290. OMISSÃO DO ACÓRDÃO DRJ “A decisão atacada não aprecia estes argumentos [que “a totalidade das receitas foi tributada”] referentes ao ano base de 2005, embora tenha indicado às fls. 1098verso do presente processo, que teria apreciado. Por mais esta razão é nula a decisão atacada, haja vista incidir em cerceamento de defesa.” – fl. 1.290/1.291. INDEVIDO ARBITRAMENTO: DEVERIA SER OPORTUNIZADA À IMPUGNANTE A ESCRITURAÇÃO DE SEUS LIVROS COMERCIAIS APÓS A SUA EXCLUSÃO DO SIMPLES “A exclusão deveria preceder o lançamento ora combatido. Assim é visto que à Recorrente deve ser oportunizado regularizar seus livros, a partir da sua exclusão. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.506 25 Conforme indicado na peça impugnatória, não basta que a fiscalização, no curso da ação fiscal intime a Recorrente (fls. 89) a apresentar balanços trimestrais e Lalur. Esta informou (fls. 112) que não dispõe dos mesmos, haja vista o regime de tributação que adotava (SIMPLES). Ora, a partir da exclusão do SIMPLES, a Recorrente tem o direito de ser intimada para apresentar os Balanços e LALUR, com o fim de não ser submetida ao arbitramento de seu lucro.” – fl. 1.291. (...) “Porém, a partir da combatida exclusão, poderia evitar o arbitramento de seus livros e a apresentação dos Balanços trimestrais e Lalur. Como tal intimação não ocorreu, data vênia, é nulo o presente arbitramento.” – fl. 1.292. SUPRESSÃO NOS AUTOS DE DOCUMENTAÇÃO ENTREGUE À FISCALIZAÇÃO “Foi noticiado na Impugnação que em atendimento à intimação fiscal nº 01, a Recorrente apresentou sua petição, em 02.10.2008 (fls. 31/33), esclarecendo os quesitos dos r. auditores fiscais e anexando diversos documentos identificados pelos ANEXOS de nºs 1 a 10 daquela petição. Estranhamente, ao compulsar os autos em questão, constatase a ausência dos documentos denominados DOC. ANEXO 8, 9 e 10, quais sejam, relação de bens da empresa com indicação do valor de mercado, cópias dos certificados de propriedade dos veículos e cópia de escritura do terreno da empresa, sob registro nº R5 10.906, respectivamente. Destaquese que às fls.36, sob o item 5, a fiscalização reconhece que lhe foram entregues” – fls. 1.293/1.294. (...) “No mesmo sentido ocorreu com o atendimento à intimação fiscal nº 02. A Recorrente apresentou sua petição, em 23.10.2008 (fls. 38/39), esclarecendo os quesitos dos r. auditores fiscais e anexando diversos documentos identificados pelos ANEXOS de nºs 1 a 6 daquela petição. Novamente constatase a ausência dos documentos denominados DOC. ANEXO 4, 5 e 6 daquela petição (...) Portanto, é nulo o lançamento em vista do vício apontado. Está maculada a integridade dos autos nos quais foram apurados os valores lançados.” – fl. 1.294. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CONSIDERAR ADIANTAMENTOS RECEBIDOS DE CLIENTES COMO SE FOSSEM RECEITAS OMITIDAS Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.507 26 “Além dos documentos bancários comprovantes das transferências e mensagens, via email ou carta com requisição e/ou autorização para a efetivação das operações de transferências, com indicações claras de que se tratam de adiantamentos. Com efeito, há constantes orientações para que os valores transferidos sejam debitados conta corrente de Vô Bráulio Transportes. Em outras ocasiões há indicações de que as transferências devem ser efetivadas ‘a título de adiantamento de fretes’, conforme se pode constatar do exame dos documentos em anexo (fls. 552/662).” – fl. 1306. DO RECONHECIMENTO DOS ADIANTAMENTOS PELO R. JULGADORES A QUO “Neste ponto os r. julgadores reconhecem os adiantamentos. Apenas pretendem saber quais (ou quantos) destes já teriam sido convertidos em receitas. Ora, as receitas são aquelas declaradas como tais pela Recorrente. Se a fiscalização considera que podem haver outras receitas não reconhecidas como tal, pois inexistência de conversão de adiantamentos em receitas, caberia à fiscalização fazer tal prova, mas não o fez.” – fl. 1.315. “Ademais, o valor dos adiantamentos se justifica, inclusive, como já citado, em vista que a Recorrente necessitou utilizálos na aquisição de caminhões para atender à própria TC Transportes e Logística Ltda.” – fl. 1.315. OMISSÃO DO ACÓRDÃO DRJ “Com efeito, em flagrante cerceamento de defesa constatase que a decisão recorrida silencia quanto aos seguintes argumentos apresentados na Impugnação: Em vista do sistema de tributação adotado pela Impugnante (sistema SIMPLES), sua escrituração contábil também era simplificada, mediante escrituração do Livro Caixa, o qual ‘não permite identificação dos valores de movimentação bancária’ (fls. 38 e 130). O controle da conta corrente entre a Impugnante e seus clientes é elaborado em planilhas financeiras” fl. 1317. (...) “Os argumentos abaixo, reproduzidos na sua íntegra, não foram apreciados pelos r. Julgadores a quo, e sendo assim, a decisão é nula, o que desde já se requer. [...] na improvável hipótese de sua manutenção, se assim entenderem V.Sas., devem ser excluídos dos valores presumidos, todos os adiantamentos comprovados pela Impugnante, o que desde já se requer” – fls. 1320/1321. DA MULTA AGRAVADA Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.508 27 “A Recorrente trouxe aos autos os comprovantes da origem dos créditos em sua conta bancária. Só por este motivo, há de se afastar o agravamento da multa.” – fl. 1.321. (...) “Neste ponto os r. julgadores reconhecem os adiantamentos. Apenas pretendem saber quais (ou quantos) destes já teriam sido convertidos em receitas. Ora, as receitas são aquelas declaradas como tais pela Recorrente. Se a fiscalização considera que podem haver outras receitas não reconhecidas como tal, pois inexistência de conversão de adiantamentos em receitas, caberia à fiscalização fazer tal prova, mas não o fez. Tratase de suposição. Todavia, tais suposições foram dissipadas, na medida em que a Recorrente comprovou a origem de seus créditos (adiantamentos), os quais, digase de passagem, encontravamse registrados na TC Transportes e Logística Ltda.” – fl. 1.322. (...) “Ou seja, os r. Auditores Fiscais não identificaram a prática de sonegação. Não identificaram o evidente intuito de fraude, ou valores que seriam comprovadamente de receitas não oferecidas à tributação ou não lançadas nos livros.” – fl. 1.323. (...) “Data maxima venia, há grave equívoco na conclusão dos r. Auditores Fiscais. Assim é, haja vista que nos casos de lançamento por presunção de receita omitida, em que não é comprovado o evidente intuito de fraude, a multa cabível, se for o caso, deve se limitar à multa simples, qual seja 75%.” – fl. 1.323. (...) “O evidente intuito de fraude estaria caracterizado se, ao invés de presumir a existência de supostos valores de receita não oferecida à tributação, com base em créditos constatados em extratos bancários, a fiscalização comprovasse práticas da Recorrente tendentes a ocultar a tributação sobre determinados valores ou a existência real (com documentos comprovantes) de que houveram receitas não oferecidas à tributação. Assim seria, se, por exemplo, fossem identificadas Notas Fiscais ou Conhecimentos de Transporte de Cargas emitidos e representativos de efetivos serviços prestados e recebidos os respectivos valores, mas que estivessem à margem da contabilidade e das declarações ao fisco” – fl. 1324. DA MULTA QUALIFICADA Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.509 28 “A decisão objeto do presente recurso se omite totalmente quanto aos argumentos expendidos sob o item XIII, XIV e XV da Impugnação. Veiamos: (...) No entanto, a fiscalização não indicou qual seria o dolo, ou o evidente intuito de fraude, praticado pela Impugnante. Há nos autos, apenas notícias de que haveria descompasso entre a movimentação de ativos financeiros com a receita da atividade registrada” – fl. 1326. Em 30/09/2013, a Contribuinte trouxe aos autos (fls. 1450 e 1461) “decisão do Recurso Criminal em Sentido Estrito (proveniente do IP nº 0184/2008) [...] após o trânsito em julgado”. Por tal motivo, foi oportunizada a manifestação da d. PGFN nos autos (fl. 1470), que ocorreu por intermédio da petição de fls. 1471/1479, alegando: “O primeiro ponto que a procuradoria ressalta é que a decisão trazida pelo contribuinte não declarou nulas todas as provas produzidas no inquérito policial e ressalvou expressamente que poderiam as investigações levadas a cabo pela polícia ter prosseguimento com base em prova não contaminada pelas provas ilícitas produzidas” – fl. 1472. (...) “O segundo ponto que a procuradoria ressalta é que os lançamentos de que tratam os presentes autos estão baseados em elementos de prova colhidos em ação fiscal autônoma realizada pela RFB” – fl. 1477. (...) “Por fim e apenas para fins de argumentação, ressaltese que mesmo que os lançamentos aqui tratados estivessem baseados na documentação apreendida pela PF (o que não ocorre), não se poderia afirmar de plano que caberia sua anulação, uma vez que a decisão no Recurso Criminal em Sentido Estrito de nº 2008.72.00.0067446/SC, reconheceu higidez de parte das provas colhidas no IP 0184/2008” – fl. 1478. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator. 1. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.510 29 Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto n° 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do art. 2º, incisos I, II e IV2, do Regimento Interno do CARF, processos cujo objeto seja auto de infração lavrado para exigência de IRPJ e CSLL, e de outros tributos, quando decorrentes das fiscalizações que resulte na lavratura de IRPJ e/ou CSLL, são da competência desta Primeira Seção. No que tange à legitimidade, as petições estão assinadas (fls. 1.336 e 1.409, respectivamente) por advogado devidamente constituído nos autos, conforme procuração às fls. 345/347. A tempestividade do recurso também é atestável. A decisão proferida pela DRJ em 04/06/2010 (fl. 1.216) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 24/06/2010, uma quintafeira (fl. 1.265) e o recurso foi interposto em 16/07/2010 (fl. 1.275 e 1.365, respectivamente), uma sextafeira, ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33, do Decreto n° 70.235/70, que se encerrou em 26/07/2010, uma segundafeira (primeiro dia útil após o trigésimo dia – 24/07/2010 – que caiu em um sábado). Desta feita, por presentes os pressupostos de admissibilidade determinados pelo Decreto 70.235/1972, do Recurso Voluntário tomo conhecimento. 2. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, impõese determinar os pontos controvertidos, a partir dos argumentos constantes no Recurso Voluntário e na fundamentação do Acórdão combatido. As questões, sucessivamente, são as seguintes: DAS PRELIMINARES: 1. Da nulidade da decisão da DRJ: 1.1 Deixou de analisar algum argumento? Este cerceamento é suficiente para declarar a nulidade do procedimento? 2. Da nulidade do procedimento de fiscalização: 2.1 Era necessário aguardar a entrega dos documentos requisitados ao Banco? É possível afastar esta falha procedimental posto que a contribuinte poderia ter entregue esses documentos no curso do processo administrativo? 2 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); IV – demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.511 30 2.2 Os Prazos ofertados e Documentos requisitados foram suficientes? Houve cerceamento de defesa? 2.3 Era necessário oferecer prazo para a elaboração de Livros Fiscais? Possível? 3. Da nulidade das provas: 3.1 A ocorrência de Inquérito Policial concomitante ou anterior é causa impeditiva da fiscalização tributária? 3.2 Há indício de que a presente fiscalização tenha decorrido de provas colhidas no Inquérito Policial? Quais provas? 4. Houve supressão de documentos nos autos? Em caso afirmativo, estes eram essenciais à defesa? De qualquer sorte, é causa suficiente para a nulidade do lançamento? DO MÉRITO: 1. O Sr. AFRF apresentou indícios de omissão de receita nos termos do art. 42, da Lei nº 9.430/1996? 2. Os valores supostamente omitidos já foram tributados? 3. A Contribuinte apresentou provas idôneas e hábeis a provar que as entradas não constituíram receita? É possível excluílas da base de cálculos? A quem cabe o ônus da prova, ao fisco ou à contribuinte? 4. Quanto à exclusão do SIMPLES: houve excesso de receitas? DA MULTA 1. A qualificação da multa está de acordo com a previsão legal? 3. PRELIMINARES 3.1. OMISSÃO DO ACÓRDÃO DRJ Alega a contribuinte, no Recurso Voluntário referente ao processo nº 13971.004733/200843, que o acórdão da DRJ foi omisso com relação aos Tópicos IX (da nulidade do lançamento por presunção, haja vista que a totalidade das receitas foi tributada) e X (da necessidade de serem abatidos os valores de adiantamentos, na hipótese de prevalecer a presunção ora combatida) da sua impugnação (fls. 1.317 e 1.320, respectivamente). Afirma o mesmo no Recurso Voluntário ao processo nº 1397.008027/200812 (fls. 1.391 e 1.394). Ocorre que a decisão recorrida expressamente afasta ambos os argumentos: “Quanto as questões levantadas pela Impugnante nos itens VIII, IX e X (fls.363 a 374) de sua impugnação, ora relatoriadas, de se reiterar que após a edição da Lei nº. 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação adequada, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, assim, dispondo em seu art. 42” – fl. 1.242. Portanto, a decisão de primeiro grau abordou todas as razões levantadas pela recorrente na impugnação, não havendo porque se falar em nulidade. O CARF já decidiu dessa forma: Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.512 31 NULIDADE DA DECISÂO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e abordada todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há se falar em nulidade. (Acórdão CARF nº 2102002.381, de 20/11/2012). Não há que se falar, portanto, em cerceamento de defesa por omissão do acórdão recorrido. Com relação aos argumentos em si, serão analisados em momento oportuno. 3.2 DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Considerando ainda que a Contribuinte impugnou o processo de fiscalização, convém analisar os diversos argumentos levantados: i) o fato de que não se aguardou a entrega dos documentos pela instituição financeira; ii) que somente foi cientificada da exclusão do SIMPLES no momento em que foi intimada dos Autos de Infração; e iii) que não foi oportunizado prazo para elaboração dos Livros Fiscais. 3.2.1. CERCEAMENTO DE DEFESA POR INOBSERVÂNCIA DE PRAZO ADEQUADO NA FISCALIZAÇÃO Entrega de documentos pela instituição financeira Iniciada a fiscalização, a autoridade fiscal requereu diversos documentos e livros contábeis, inclusive os extratos bancários da Contribuinte. Alega a Recorrente que adimpliu tal exigência, ofertando os extratos bancários, conforme relata em sua impugnação (fl. 365). Da mesma forma, a autoridade lançadora deixa claro que já dispunha de tais documentos na Intimação Fiscal nº 01 (fl. 9). Analisando esta movimentação financeira, a Autoridade Fiscal compilou aqueles lançamentos referentes às entradas de recursos na conta da empresa, intimandoa, através da Intimação Fiscal nº 01/2008, de 17/09/2008 (fls. 9/12), a comprovar a origem de tais depósitos. Ressaltou algumas movimentações cuja documentação deveria ser requerida da instituição financeira (especialmente cópias de cheques). Em resposta, a Contribuinte apresentou documentação comprobatória referente às movimentações especificadas do anocalendário 2006. Quanto àquelas especificadas do ano de 2005, e do restante das operações de depósito/creditamento, explicou que solicitara mais informações à instituição financeira em 24/09/2008, e que esta informara que seria necessário um prazo de 90 dias úteis para o levantamento da documentação solicitada (petição ao banco e resposta – fl. 116/119). Em 07/10/2008, na Intimação Fiscal nº 02/2008 (fls. 36/39), a autoridade lançadora considerou desarrazoado o prazo estimado pelo Banco. Admitindo a apresentação de documentação referente ao ano 2006, reintimou a comprovação das movimentações referentes ao ano anterior (2005): especificamente quatro cheques compensados e dois “pagamentos diversos”. Também, considerando que a manutenção dos documentos era de responsabilidade da entidade fiscalizada, à exceção das cópias dos cheques, declarou que a entrega de documentação pela instituição financeira seria dispensável. A empresa respondeu a esta segunda intimação fiscal, em 23/10/2008 (fls. 40/41), ressaltando a importância da documentação requisitada ao banco, bem como apresentando mais documentos. Autuada, a empresa apresentou impugnação argumentando, entre outras questões, que teria sido cerceado o seu direito de defesa, posto que a autoridade fiscalizadora não aguardou o prazo requerido pela instituição financeira para apresentar a documentação solicitada. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.513 32 Ao analisar o tema, a DRJ entendeu que não houve cerceamento do direito de defesa uma vez que é obrigação da Contribuinte manter seus livros escriturados e acompanhados da documentação comprobatória. Assim, o simples fato de a fiscalização não ter aguardado a instituição financeira entregar a documentação não é suficiente para anular os lançamentos, vez que a própria Contribuinte deveria dispor dessa documentação. A Contribuinte recorreu da decisão, reafirmando a importância da documentação solicitada ao banco e esclarecendo que não dispunha da documentação porque diversos de seus equipamentos e documentos foram apreendidos pela Polícia Federal, o que foi comprovado pela juntada de Mandado e Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão (fls. 403/405). Em que pese a argumentação suscitada pela Contribuinte, não é possível falar em cerceamento do direito de defesa. Primeiro, porque a fiscalização atendeu aos requisitos estabelecidos no art. 42 da Lei nº 9.430/96, quais sejam, identificou os depósitos realizados em favor da Recorrente e intimoua para que comprovasse a origem deles. Segundo, porque realmente é dever da Contribuinte manter sua contabilidade acompanhada da documentação comprobatória. Terceiro, porque apenas foram apreendidos os seguintes documentos referentes à Recorrente: i) talonário de Notas fiscais (001 a 050); ii) oito carnês de compraleasing de caminhões; e iii) quatro folhas de balanço patrimonial, os quais não são relevantes para a solução da lide, já que nenhum deles comprova a origem dos depósitos bancários. Quarto, porque a Contribuinte poderia ter trazido a documentação solicitada à instituição financeira após a apresentação da impugnação ou mesmo em sede desse e.CARF, a qual seria devidamente apreciada, com base no princípio da verdade material, contudo, assim não procedeu, a despeito de ter tido tempo mais do que suficiente. Em conclusão, não houve cerceamento do direito de defesa e nulidade dos autos de infração, pelo fato simples fato de a autoridade lançadora não ter aguardado o prazo requerido pelo banco para disponibilizar a documentação. 3.2.2. CERCEAMENTO DE DEFESA POR VÍCIO NO PROCEDIMENTO DE APURAÇÃO DO LUCRO REFERENTE 2006 Da exclusão do SIMPLES O fato de que o Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão ainda não tenha se tornado definitivo não causa prejuízo ao lançamento do Auto de Infração. Esta é a determinação da Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Registrase, ademais, que o CARF tem mantido este entendimento, conforme se verifica pelo acórdão nº 1402001.749, de 30 de julho de 2014: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.514 33 PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77). Portanto, pode e deve, sob pena de responsabilidade funcional, a autoridade fiscal dar continuidade ao procedimento de fiscalização, após a exclusão do simples, e realizar o lançamento dos tributos. Ao analisar as regras de exclusão do SIMPLES, a Recorrente entendeu que a fiscalização incorreu em erro ao formalizar o ato de exclusão e, concomitantemente, lançar os tributos. Segundo expôs, deveria ter sido intimada da sua exclusão do programa especial antes da constituição do crédito fazendário para que pudesse elaborar seus livros contábeis e, assim, não ser submetida ao arbitramento do lucro. Dois são os equívocos da Contribuinte. Primeiro, a autoridade lançadora intimoua, informando de que seria excluída do SIMPLES, bem como concedendo oportunidade de juntar sua escrituração, para que o tributo fosse apurado com base no lucro real, como se observa na Intimação Fiscal nº 01/2008, de 17/09/2008: “As verificações empreendidas até o presente momento já configuram, de forma inequívoca, a obtenção de receitas, no anocalendário de 2005, em montante superior ao limite estabelecido para o enquadramento no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES. (...) Diante desse delineamento, e em observância as normas que regem a atividade de fiscalização, que recomendam facultar, nessas circunstâncias, a opção pela tributação com base no lucro real, caso o contribuinte mantenha escrituração que assim o possibilite, intimamos o contribuinte a apresentar, com o fito de oportunizar essa opção, os assentos a seguir especificados. Outrossim, a sua não apresentação ensejará a determinação dos resultados em consonância com as regras do lucro arbitrado.” – fl. 11. Portanto, restou devidamente demonstrado que, contrariamente ao que sustentado pela Contribuinte, ela foi efetivamente intimada de sua exclusão no SIMPLES. Segundo, ainda que assim não fosse, só é obrigatória a intimação da Contribuinte excluída do SIMPLES nos moldes do SIMPLES Nacional, i.e., conforme a Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006: Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (...) § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.515 34 da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. (grifo nosso) O caso ora analisado, entretanto, versa sobre os anoscalendários de 2005 e 2006, i.e., sob os auspícios do SIMPLES Federal, regido pela Lei nº 9.317/96. Essa norma estabelecia apenas que: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Em outras palavras, excluída do SIMPLES FEDERAL, a Contribuinte será simplesmente tributada pelas regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, que, conforme estabelece o art. 219 do RIR/99, são o Lucro Real, o Lucro Presumido e o Lucro Arbitrado. Não há previsão de que lhe seja franqueada oportunidade para que escolha qual forma prefere. Em suma, seja porque a autoridade lançadora franqueou à Contribuinte a oportunidade de ser tributada pelo lucro real, seja porque não há previsão expressa na legislação de regência que estabeleça a exigência de intimação da Contribuinte para que opte por qual forma prefere ser tributada, não é possível dar provimento ao pedido da Recorrente e reconhecer o cerceamento do direito de defesa. 3.3. DA NULIDADE DAS PROVAS POR ILICITUDE DERIVADA Do compartilhamento de provas É necessário observar que as Notas Fiscais emitidas contra a Inlogs Logística Ltda. foram recebidas pelo compartilhamento de provas realizado entre a Secretaria da Receita Federal e a Polícia Federal. É o que se observa da Intimação Fiscal nº 01/2008, emitida em 17/09/2008 (fls. 9/12): “Na seara dos documentos fiscais emitidos pelo sujeito passivo, as circunstâncias evidenciadas também suscitam dúvidas, demandando esclarecimentos. Ocorre que dentre os documentos apreendidos pela Policia Federal, mediante o Mandado de Busca/Apreensão/Seqüestro expedido no âmbito do Inquérito Policial n° 0184/2008 – DPF/IJI/SC, constam diversas notas fiscais emitidas pela empresa, documentos que, além de não estarem refletidos na escrita comercial e fiscal, não se conformam, aparentemente, com as normas de emissão. No período abrangido pela fiscalização (anos de 2005 e 2006), constam às notas fiscais de nos 00002 a 00010, cópia em anexo, todas emitidas contra a empresa Inlogs Logística Ltda, tendo na descrição o serviço de transporte rodoviário. Nenhum desses documentos está refletido na escrita comercial e fiscal, além do que, para a natureza do serviço consignado nestes documentos, o modelo utilizado, aparentemente, não se mostra adequado. Afora esses aspectos, as aludidas notas fiscais, via de regra, consignam valores expressivos, nada usuais para empresa enquadrada no Simples. Assim, para a plena elucidação da matéria, fica o contribuinte intimado a:” – fl. 10. Tal entendimento se confirma, ainda, pela leitura da Intimação Fiscal nº 02, de 07/10/2008 (fls. 36/39), na qual a Autoridade Fiscal afirma: “Também por intermédio da Intimação Fiscal nº 01, item 2 precisamente, foram denunciadas aparentes anomalias Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.516 35 evidenciadas acerca de documentos fiscais de sua emissão, apreendidos pela autoridade policial na esteira do cumprimento de Mandado de Busca/Apreensão/Sequestro, expedido no âmbito do Inquérito Policial nº 0184/2008 – DPF/IJI/SC. Com o fito de elucidar dúvidas suscitadas, instouse o contribuinte nos seguintes termos: (...) Na missiva apresentada em resposta, consignou que não sabe informar a origem dos referidos documentos. Tal informação, obviamente, não atende a solicitação em questão. Ademais, além de configurar desleixo em relação à exigência regularmente lhe notificada, ofende a inteligência das autoridades incumbidas da investigação. É inconcebível que fatos dessa natureza não sejam de conhecimento dos responsáveis pela empresa” – fls. 37/38. Tendo em vista que “A contribuinte não sabe informar a origem de referidos documentos” (fl. 34), resposta oferecida à Intimação Fiscal nº 01, e repetido fato na Impugnação quanto no Recurso Voluntário, essas Notas Fiscais não parecem ter sido juntadas pela Contribuinte, ou mesmo por ela disponibilizadas. Outra situação é referente à omissão de receitas. Na mesma Intimação Fiscal nº 01 em que a autoridade lançadora apresentou as referidas Notas Fiscais encontrase referência à omissão de receitas inferida pela movimentação financeira da entidade, observada pela análise dos “dados econômicos e financeiros, notadamente a movimentação de ativos financeiros com a receita da atividade escriturada” (fl. 9). Em anexo, apresentou um “Demonstrativo Consolidado de Depósitos no Banco do Brasil S/A” (fls. 13/23). Este demonstrativo foi elaborado com base nas informações e documentos apresentados pela própria contribuinte, quais sejam os extratos bancários requisitados no Termo de Início do Procedimento Fiscal e entregues antes do Termo de Intimação Fiscal nº 01. Não parece haver dúvidas quanto à origem destas informações: a data de emissão dos extratos é de 14/08/2008 (fl. 140, por exemplo), o dia seguinte àquele em que a Contribuinte foi intimada do início da fiscalização – 13/08/2008 (fl. 7). Também, a própria Contribuinte esclarece que “disponibilizou aos r. Auditores Fiscais, todos os seus extratos de movimentação de sua conta bancária” (fl. 365). Destarte, chegase à conclusão de que as movimentações financeiras que embasaram o lançamento não derivaram de provas compartilhadas, mas sim de documentação fornecida pela própria contribuinte. As Notas Fiscais, por sua vez, parecem derivar do inquérito policial. Ocorre que elas não serviram de base para o lançamento, nem mesmo para produção das demais provas elencadas neste processo fiscal. Pelo contrário, conforme se entende do Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, as Notas Fiscais apresentadas durante a fiscalização não geram efeitos tributários, mas apenas servem de embasamento para possível processo penal: “Ocorre que dentre os documentos apreendidos pela Polícia Federal, no estabelecimento sede da empresa em questão, mediante o Mandado de Busca / Apreensão / Sequestro expedido no âmbito do Inquérito Policial nº 0184/2008 – DPF/IJI/SC, contam diversas notas fiscais de sua emissão, documentos que, além de não estarem refletidos na escrita comercial e fiscal, não Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.517 36 se conformam, aparentemente, com as normas de emissão.” – p. 338. (...) “Destarte, esses fatos, a despeito de não caracterizarem infração à legislação dos tributos ora fiscalizados, configuram, em tese, ilícito de ordem penal, tipificado como falsidade ideológica.” – p. 339. Portanto, não parece ter relevância se essas notas fiscais foram recebidas por compartilhamento do Inquérito Policial, haja vista que não embasam – e logo não fazem parte – dos autos de infração ora atacados. Portanto, voto pelo afastamento desta preliminar. 3.4. SUPRESSÃO DE DOCUMENTOS DOS AUTOS A Contribuinte alega nas impugnações que diversos documentos entregues à fiscalização não constam dos autos, o que, em seu entendimento, geraria o cancelamento dos Autos de Infração. A DRJ decidiu que a falta dos documentos apontados em nada interfere na solução do processo, de sorte que não gera nulidade a sua supressão. Em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte reafirma a existência de supressão de documentação, indicando especificamente quais documentos estariam suprimidos dos autos. Na sua lista, apontamse documentos relativos a relação de bens, registros de imóveis etc. É necessário concordar com a DRJ. Observase, inicialmente, que os documentos que teriam sido suprimidos do processo, segundo a Contribuinte, foram todos entregues durante a fiscalização. Ao realizar o lançamento, a autoridade fiscal anexa apenas aquelas provas que julga necessárias à comprovação do crédito constituído. Esta é a lição do art. 9º do Decreto nº 70.235/72: devem ser juntadas ao Auto de Infração os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Portanto, os documentos não foram suprimidos dos autos; pelo contrário, jamais foram juntados. E com razão, posto que não há nenhum indício de que teriam condão de provar o crédito ou auxiliar a defesa. Se, entretanto, a Contribuinte entendia serem indispensáveis à sua defesa, deveria tê los juntado em sua Impugnação, conforme o art. 15 do mesmo diploma legal. Destarte, afastada também esta nulidade, passase à análise do mérito. 3. MÉRITO 4.1. DA POSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA Os Autos de Infração foram lançados pela existência, essencialmente, de omissão de receita, o que gerou recolhimento insuficiente dos tributos. No procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal averiguou, através da análise dos extratos bancários, movimentação financeira muito superior àquela declarada pela Contribuinte. Intimoua, então, a apresentar comprovação da origem dos depósitos ou créditos naquela conta bancária. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.518 37 Em suas respostas, a Contribuinte apresentou provas referentes a alguns dos lançamentos especificados em ambas as Intimações Fiscais (vide, por exemplo, fls. 40/41), contudo não explica nem comprova a origem dos depósitos relacionados no Demonstrativo Consolidado de Depósitos no Banco do Brasil (fls. 13/23), anexado à Intimação Fiscal nº 01. Destarte, a autoridade lançadora toma aqueles depósitos como receitas, lançando os Autos de Infração ora impugnados. Em sede de Impugnação, a Contribuinte argumenta pela impossibilidade de utilização de presunção quando a sua receita já fora tributada. Inclusive, afirma que cabe à Fiscalização comprovar o auferimento de receitas, o que não foi realizado. A DRJ, em seu acórdão, ressalta a presunção legal criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. Explica que cabe à contribuinte comprovar que aqueles valores creditados não constituíram receita. Em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte alega ser inadequada a utilização de “presunção” para configurar os depósitos como receita. Explica que demonstrou trataremse de adiantamento das empresasclientes, mas que, caso o fisco afaste esta possibilidade, então deve caracterizálos – os depósitos – como receitas, e não presumir omissão de receita. Incompreensível o seu objetivo nesta passagem. Ora, se a fiscalização agiu conforme o art. 42 da Lei nº 9.430/96, há necessariamente presunção. Presumir significa julgar segundo certas probabilidades, supor, imaginar. No caso, o artigo 42 cria uma presunção relativa de que os valores creditados em instituições financeiras, cuja origem a Contribuinte não comprove, são receitas omitidas do Fisco. Relativa porque a pessoa titular da conta pode comprovar a sua origem, demonstrando não se tratar de receita omitida. Enfim, tendo acesso às movimentações bancárias da Contribuinte fiscalizada (fls. 140/230 e 794/861) – prova, portanto, da entrada dos valores –, agiu corretamente a autoridade lançadora intimandoa para comprovar a origem dos valores creditados. Quando a empresa não conseguiu demonstrar tal origem, adequado o lançamento presumindo se tratar de receita omitida. Sobre o tema, já existe inclusive Súmula estabelecida no CARF: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Não há razão, portanto, para ser questionada a possibilidade de presunção pelo Fisco neste ponto. 4.2. DA INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE A ENTRADA NÃO REPRESENTOU RECEITA: A Contribuinte alega, tanto em sede de Impugnação quanto em sede de Recurso Voluntário, que diversos valores creditados tratarseiam de adiantamentos efetivados por suas clientes. Com razão, explica que adiantamentos não são receitas. Acontece que não basta alegar, é necessário comprovar. Buscando comprovar que os valores creditados configuraramse adiantamentos, anexa à impugnação comprovantes de depósitos e emails de diversas empresas. Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.519 38 Analisando essas provas, a DRJ não discute a veracidade, apenas a habilidade delas para comprovar que os valores creditados não se converteram em renda após o creditamento inicial como adiantamento. Atacando a decisão de primeiro grau, a Contribuinte argumenta que a própria DRJ reconheceu que se tratavam de adiantamentos. Em seguida, argumenta que caberia à Fiscalização comprovar que aqueles adiantamentos foram convertidos em receita, e não o inverso. Não juntou nenhuma nova prova neste sentido em sede de Recurso Voluntário. Analisando a documentação colacionada, observamos que alguns dos emails juntados apresentam indícios de inveracidade. É o caso da carta eletrônica juntada à fl. 444, na qual uma de clientes, a TC Transportes, através de um dos seus membros (Sr. Carlos Wanzuit), pediu que outro colaborador (Sr. Ilson) programasse o depósito em favor da Vô Braulio, ora Recorrente, para o dia 23/03/2006. Acontece que essa carta eletrônica foi enviada em 28/03/2006, ou seja, cinco dias após a data em que deveria ter sido realizado o depósito. No mesmo sentido, à fl. 445, em email datado de 05/04/2006, o mesmo Sr. Carlos Wanzuit pede que o Sr. Ilson deposite em favor da Vô Braulio recursos a título de adiantamento de frete, com data retroativa para 05/03/2006. Ainda que se tomem como verdadeiros os demais emails, que não estão eivados por tal vício, e seja aceito que a Contribuinte efetivamente comprovou quem realizou alguns dos depósitos, as referidas comunicações servem apenas como indício – mas não como provas cabais – de que os depósitos são adiantamentos. Outras provas deveriam ter sido juntadas, como contratos, as contas particulares mantidas com cada uma destas empresas, nas quais lança os valores adiantados e os valores dos serviços posteriormente realizados etc. Mas, como bem ressaltou a DRJ, considerando o montante dos supostos adiantamentos, os serviços devem ter sido efetivamente prestados em algum momento, ou então os valores devolvidos. Poderia a Contribuinte ter juntado provas desta prestação em momento posterior (outra competência fiscal), ou então a respectiva devolução. Portanto, haja vista que não comprovou efetivamente tratarse de adiantamentos e, tampouco, qual parcela destes valores foram convertidos em receita, não há como aceitar esta argumentação e nem deduzir quaisquer valores dos autos. 4.3. DA ADEQUAÇÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES; Como apontado nos itens anteriores, há presunção relativa de que os valores creditados cuja origem restou incomprovada são receitas omitidas do Fisco. Neste sentido, também conforme os pontos anteriores, a Contribuinte não comprovou a inexistência de receitas, especialmente no que toca ao ano de 2005. Observando, por outro lado, o art. 9º da Lei de regência do SIMPLES Federal (Lei nº 9.317/96), não poderá ser tributada pelo SIMPLES a pessoa jurídica que, no ano imediatamente anterior, tiver auferido receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). Ora, considerando que no ano de 2005, segundo a fiscalização, a recorrente teve, apenas de depósitos não comprovados, um total de R$ 3.694.968,56; considerando, ademais, a determinação do art. 42 da Lei nº 9.430/96; considerando, por fim, que a Contribuinte não comprovou a origem destes creditamentos, logo devem ser presumidos como receita, então efetivamente extrapolou o limite de receita permitida pelo programa. Destarte, adequada a exclusão de ofício do SIMPLES, conforme o art. 14 da Lei nº 9.317/96. Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.520 39 Com relação ao ano de 2006, se considerarmos que houve vício procedimental por falta de intimação para a apresentação de escolha por qual regime a Contribuinte preferiria ser tributada, então não há consequências efetivas, neste acórdão, para a exclusão do SIMPLES. Se, por outro lado, o vício não foi reconhecido, então foi adequada a atuação da autoridade lançadora. Haja vista a exclusão do SIMPLES, a Contribuinte passa a ser tributada conforme as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 16). Ora, não possuindo a Contribuinte os assentos necessários à apuração do lucro real, então esta opção está descartada. Ademais, os livros comerciais, segundo a Fiscalização, não são fidedignos. Resulta, portanto, necessário o arbitramento do Lucro, de sorte que a autoridade lançadora agiu acertadamente. 4. DA MULTA QUALIFICADA Conforme relatado no início deste acórdão, a autoridade lançadora fundamentou a qualificação da multa, em seu Termo de Verificação Fiscal, no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, que, antes da sua alteração pela Lei nº 11.488/07, afirmava: II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Registrase que a Lei de 2007 mudou a redação original, transformando a multa qualificada do inciso II em outra multa, qual seja a multa isolada de 50% sobre o valor dos pagamentos mensais. Não se trata, entretanto, de motivo suficiente para derrubar esta multa de 150%, posto que a Lei nº 11.488/07 alterou também a redação do §1º, criando a multa qualificada de 150%, que deve ser aplicada nas mesmas hipóteses daquela em que o Auditor Fiscal caracterizou a conduta da Contribuinte. Portanto, a lei posterior não retroage neste caso. Enfim, no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora explicou haver “indubitável” dolo na conduta da Contribuinte pela prática reiterada e sistemática de deixar de oferecer à tributação receitas da sua atividade econômica. Ademais, utilizouse de artifícios destinados a evitar o conhecimento desta receita pela Administração Tributária, não dando conhecimento em sua escrituração de conta corrente bancária (fls. 332 e 972). A Contribuinte impugna multa qualificada sob o argumento de que não restou comprovado o evidente intuito de fraude e nem a tipicidade criminaltributária da conduta. Por sua vez a DRJ mantém a multa qualificada, argumentando que a Contribuinte não trouxe as provas requeridas para a identificação da origem dos créditamentos, que sua conduta revela voluntariedade e que estaria causando um prejuízo ainda maior, posto que qualificada no SIMPLES concorria em desigualdade de condições com o mercado. Em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte insiste na tese de que não restou comprovado o evidente intuito de fraude e nem a tipicidade de sua conduta. Ademais, alega que comprovou a origem dos creditamentos em anexo à Impugnação, não havendo que se falar, portanto, em sonegação. Pois bem, a multa podia ser qualificada em três hipóteses da Lei nº 4.502/64: sonegação (art. 71); fraude (art. 72); e conluio (art. 73). O art. 73 descreve conluio como o ajuste entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas) visando os efeitos da fraude ou da sonegação. Não há nenhuma prova de que a autoridade Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.521 40 fiscal tenha identificado conluio no caso ora analisado. Nem mesmo indicou qual teria sido esta outra pessoa partícipe do ilícito. Por sua vez, o art. 72 delineia a fraude como a ação ou omissão dolosa que vise impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador. Também não parece ser o caso dos autos, haja vista que ocorreram depósitos na conta da contribuinte, o que – segundo as regras do art. 42 e que já se estabeleceu neste voto – configuraram receita. Logo, tampouco houve fraude. Por fim, a sonegação, como definida pelo art. 71, é a ação ou omissão com o intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador. O fato de que não mantinha escrituração adequada é um indício – forte, inclusive – de que havia sonegação. Especialmente quando observada a diferença entre o valor da receita declarada e o valor depositado na conta (cf. fls. 336 e 976 seria da ordem de mais de R$ 4 milhões). Ocorre, por outro lado, que foi a própria empresa quem entregou os extratos bancários, dos quais se elaborou o Demonstrativo Consolidado de Depósitos. Não bastasse isso, ela comprovou satisfatoriamente a origem de diversos valores na Impugnação, ainda que não comprovasse não se tratar de receita. Também, entregou boa parte da documentação solicitada no procedimento de fiscalização, havendo fundamentação para a documentação não disponibilizada. Enfim, há indícios que a Contribuinte buscava colaborar com a fiscalização, bem como com a arrecadação da Fazenda Pública. Registrase, outrossim, que em tese a Contribuinte agia de máfé ao não informar da existência daquela conta bancária e dos depósitos ali realizados. Ocorre que, compulsando os extratos bancários juntados (fls. 140/230 e 794/861), observamse além dos muitos depósitos e creditamentos, diversos pagamentos, transferências a débito etc. Portanto, se a Contribuinte não escriturava as receitas presumidas, tampouco escriturava as despesas. Percebese, portanto, tratarse de falha na escrituração, o que gera o arbitramento do lucro e a presunção de omissão de receita, mas não comprova o intuito de sonegação. Ademais, o CARF já se pronunciou definitivamente sobre a matéria, elaborando, inclusive, duas súmulas: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Não restando comprovada fraude, sonegação nem conluio, então é necessário afastar a qualificação da multa, reduzindoa para 75%. 5. TRIBUTAÇÃO REFLEXA No caso, foram lançados Autos de Infração referentes à CSL, ao PIS/PASEP, à COFINS e ao INSS. Considerando que o lançamento tributário do IRPJ se baseia tão somente na existência de omissão de receitas, aplicase aos demais tributos as mesmas conclusões que chegamos no corpo do voto. 6. CONCLUSÃO Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.522 41 Por todo o exposto, voto pelo parcial provimento do Recurso Voluntário no sentido de: Preliminarmente, afastar as nulidades de cerceamento de defesa alegadas, quais sejam: omissão no acórdão da DRJ; utilização de provas ilícitas; supressão de documentos dos autos; em razão de o procedimento de fiscalização não ter ofertado prazo suficiente para a comprovação da origem dos depósitos realizados na conta bancária da contribuinte; e pela falta de cientificação da Contribuinte quanto ao Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES, antes da lavratura dos referidos Autos de Infração, para que pudesse fazer a opção pelo método de tributação. Quanto ao mérito: a) Reconhecer a possibilidade de utilização de presunção relativa de omissão de receitas e declarar válidos os créditos, posto que a contribuinte não logrou comprovar que os depósitos apontados em sua conta bancária não consistiram em receita. b) Declarar que cabia à Contribuinte comprovar que não auferiu receita em valor superior ao limite do SIMPLES, o que não foi feito, e portanto adequada a exclusão do programa. c) Quanto à multa, dar provimento ao recurso voluntário para derrubar a qualificação, mantendo apenas a multa de ofício de 75%. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório – Relator Designado Sem embargo da fundamentação contida no voto do ilustre Relator, peço vênia para divergir de suas conclusões quanto à aplicação da multa qualificada. É que, nesse ponto, o Relator entendeu que os fatos apurados não caracterizam a sonegação. Todavia, a própria descrição dos fatos transcrita do TVF revela que a empresa praticou de forma reiterada a figura da sonegação. Com efeito, foi relatado que: "a escrita comercial apresentada sequer rubrica correspondente a conta corrente mantida em instituição bancária, encontrandose os fatos atinentes totalmente obscuros, notadamente a nível da escrita que mantém"; "Essa prática [não emissão de Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, modelo 8] também acarreta deficiências na escrituração dos livros fiscais, notadamente do livro Registro de Saídas. Diante da inexistência de documentos fiscais de sua emissão, consigna no livro Registro de Saídas, no campo destinado à identificação dos documentos fiscais, numeração que não corresponde a nenhum documento fiscal. Ademais, processa um único registro por mês, em montante que se dispõe a oferecer a tributação, uma vez que inexistem os documentos hábeis que deveriam lastrear o assento." Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.523 42 “Ocorre que dentre os documentos apreendidos pela Policia Federal, no estabelecimento sede da empresa em questão, mediante o Mandado de Busca/Apreensão/Seqüestro expedido no âmbito do Inquérito Policial n° 0184/2008 DPF/IJI/SC, constam diversas notas fiscais de sua emissão, documentos que, além de não estarem refletidos na escrita comercial e fiscal, não se conformam, aparentemente, com as normas de emissão. No período abrangido pela fiscalização (anos de 2005 e 2006), constam às notas fiscais de nº s 00002 a 00010, todas emitidas contra a empresa Inlogs Logística Ltda3, e que têm como objeto o serviço de transporte rodoviário. Nenhum desses documentos está refletido na escrita comercial e fiscal mantida pelo contribuinte, além do que, para a natureza do serviço consignado nestes documentos, o modelo utilizado, aparentemente, não se mostra adequado. Afora esses aspectos, as aludidas notas fiscais, via de regra, consignam valores expressivos, nada usuais para empresa enquadrada no Simples.” O ilustre Relator reconheceu que o fato de a empresa não manter escrituração adequada é um indício da sonegação, especialmente quando observada uma diferença entre o valor da receita declarada e o valor depositado na conta (da ordem de mais de R$ 4 milhões). No entanto, não se convenceu da conduta em razão de a empresa, sob intimação fiscal, ter apresentado extratos bancários e boa parte da documentação solicitada, bem como ter comprovado a origem de valores que não se tratavam de receita. Entendeu, assim, que se tratava de mera falha na escrituração. Ora, a constatação de que a receita declarada é substancialmente inferior à receita omitida, mormente quando isso constituiu prática reiterada, caracteriza a sonegação, com a consequente imposição da multa qualificada. Nesse sentido, vejamse os seguintes julgados: MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Auferir vultosas receitas sem declarálas à administração tributaria e com pagamento mínimo de tributos e contribuições, sem qualquer justificativa razoável, é conduta dolosa que se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art, 71 da Lei n. 4.502/64, justificandose a qualificação da penalidade. (Acórdão nº 910100.461) MULTA QUALIFICADA. Resta caracterizada a sonegação de que trata o art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, quando o sujeito passivo declara ao Fisco valores expressivamente inferiores aos escriturados, pois deixou de levar ao conhecimento da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador e, se tal conduta se repete em diversas declarações, evidenciase o intuito de fraude. (Acórdão nº 910100.228) MULTA QUALIFICADA CONDUTA CONTINUADA A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada. (Acórdão nº 0105.810) 3 Vide fls. 24/32 dos autos. Ali estão diversas cópias de Notas Fiscais, anexas à Intimação Fiscal nº 01. Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.524 43 O atendimento do contribuinte às intimações da fiscalização afasta a imposição da multa agravada, mas nada interfere nas figuras penais que determinam a aplicação da multa qualificada. Portanto, o conjunto de condutas colhidas na autuação caracteriza a figura da sonegação prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, verbis: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O ilustre Relator ainda invoca a aplicação das Súmulas nº 14 e 25 do CARF. Contudo, os texto das Súmulas são claros. A Súmula nº 14 não autoriza a qualificação da multa a partir, e por si só, da simples apuração de omissão de receita. Há, nesse sentido, a confirmação de que para se fazer a qualificação é necessária a “comprovação do evidente intuito de fraude”, tal como estava previsto no texto vigente no inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis A Lei nº 11.488/07, no entanto, reconfigurou os dispositivos deste artigo, deslocando a hipótese de qualificação da multa para o § 1º. Apesar de o novo texto ter suprimido a menção à “comprovação do evidente intuito de fraude”, foi mantida a exigência de observância das figuras penais definidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Confirase: § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13971.004733/200843 Acórdão n.º 1102001.325 S1C1T2 Fl. 1.525 44 No mesmo sentido, essa exigência já foi diretamente incorporada na Súmula nº 25. Destarte, não se pode concordar com a aplicação das súmulas no presente caso. Essas foram as razões pelas quais a Turma, por maioria, decidiu manter a aplicação da multa qualificada. (assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregório Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 18/06/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/06/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 15374.911453/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.153
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto
vencedor.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado EDITADO EM: 29/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de pedido eletrônico de restituição e declaração de compensação (PER/Dcomp) apresentado pelo interessado no dia 15/06/2004, por intermédio do qual pretende compensar débito de PIS/Pasep, referente ao período de apuração de 05/2004, mediante o aproveitamento de crédito da mesma Contribuição (PIS/Pasep), supostamente recolhida de forma indevida ou a maior, relativa ao período de apuração de 03/2003, em face da não utilização, à época da apuração e pagamento, de crédito incidente sobre serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na atividade industrial. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.911453/200858 Despacho n.º 330200.153 S3C3T2 Fl. 2 2 A autoridade administrativa competente, por meio do Despacho Decisório de fl. 08, não reconheceu a existência do crédito alegado e não homologou a compensação declarada. O pagamento de PIS/Pasep tido como indevido fora alocado integralmente ao débito de mesmo valor declarado em DCTF, não restando comprovado a existência de pagamento a maior ou indevido. Ciente desta decisão no dia 25/08/2008, dela a interessada não concordou e ingressou com manifestação de inconformidade, na qual alega, em apertada síntese, que: a) o crédito compensado através de PER/Dcomp teve sua origem no levantamento de gastos de prestação de serviços de manutenção, apurados no período de fevereiro de 2003 a março de 2004, cujos créditos não foram considerados quando da efetivação do pagamento, conforme dispõe a Instrução Normativa (IN) SRF n° 247/2002 (arts. 66 e 67), alterada pela IN SRF n° 358/2003; b) os valores dos créditos foram levantados conforme planilha anexa (fl. 22), tendose por certo o direito da empresa em aproveitar os créditos dai decorrentes; c) ao realizar a compensação permitida pela legislação a empresa informou à Receita Federal, através da DCTF. Na oportunidade informou, inclusive, os números dos PER/Dcomp's gerados; A autoridade julgadora de primeira estância indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1329.797, de 17/06/2010, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. Somente a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte da suposta existência do crédito a ser utilizado na compensação, não se prestando a tal comprovação o simples cotejo do pagamento arrecadado com o valor do débito declarado em DCTF não espontaneamente apresentada. Ciente desta decisão em 17/08/2010 (fl. 197), a interessada ingressou, no dia 13/09/2010, com o recurso voluntário de fls. 199/205, no qual renova os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescente que: 1 a decisão recorrida se afasta da verdade material dos fatos que deram origem ao pedido de compensação. Os fatos levam à conclusão de que o crédito utilizado na compensação é legítimo posto que decorre da aquisição de serviços de manutenção; 2 a despeito da retificação efetuada em dezembro de 2009, a manutenção da DCTF está impedindo a recorrente de aproveitar um crédito legítimo, o que viola o princípio da verdade material, não devendo prosperar o entendimento da decisão recorrida de que não deve ser admitida a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. 3 a documentação juntada ais autos reflete, com extrema clareza, a materialidade do crédito apurado pela recorrente e utilizado na compensação sob análise. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.911453/200858 Despacho n.º 330200.153 S3C3T2 Fl. 3 3 É o Relatório. Voto Em que pese as contundentes considerações trazidas ao processo pelo eminente Relator, tenho me manifestado reiteradamente sobre a necessidade de maior respeito por parte das autoridades administrativas do principio da verdade material em suas decisões. As alegações trazidas aos autos pela Recorrente, juntamente com documentos que entendeu pertinentes, dão conta da existência de credito de PIS não cumulativo que deixou de ser apropriado na época própria, e que uma vez identificado procurouse utilizar. De fato me parece que os procedimentos, é o numero deles é cada vez maior, adotados pelo recorrente merecem certa censura, mas, a meu ver, não podem afastar o direito concedido pela legislação de regência a utilização dos créditos a que entende fazer jus. A própria Receita Federal, por vezes, ainda tem dificuldade em orientar os contribuintes a cerca da forma correta a ser utilizada nestes casos. No presente processo, parece correto afirmar que o direito ao crédito pleiteado deixou de ser apreciado ante o entendimento de que “somente a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte da suposta existência do crédito a ser utilizado na compensação, não se prestando a tal comprovação o simples cotejo do pagamento arrecadado com o valor do débito declarado em DCTF não espontaneamente apresentada.” Ou seja, a Recorrente não teria comprovado que o credito a que entende fazer jus estaria corretamente consignado em sua contabilidade. É neste ponto que entendo que a realização de diligência se torna imprescindível para o bom deslinde do presente processo. Neste contexto voto no sentido de converter o presente processo em diligência para que a autoridade preparadora verifique os registros contábeis da Recorrente a fim de confirmar a existência dos alegados créditos e se eventualmente não foram utilizados em períodos posteriores, trazendo também aos autos outras informações que repute significativas para o bom deslinde do processo. A Recorrente deverá ser intimada para se manifestar do resultado da presente diligencia. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11080.904861/2013-65
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/10/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 48 61 /2 01 3- 65 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904861/201365 Acórdão n.º 3801005.055 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904861/201365 Acórdão n.º 3801005.055 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904861/201365 Acórdão n.º 3801005.055 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904861/201365 Acórdão n.º 3801005.055 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904861/201365 Acórdão n.º 3801005.055 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904861/201365 Acórdão n.º 3801005.055 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904861/201365 Acórdão n.º 3801005.055 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904861/201365 Acórdão n.º 3801005.055 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10865.001314/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/04/2001 a 30/04/2006
ACÓRDÃO DA DRJ. FUNDAMENTO OU MOTIVAÇÃO. MODIFICAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não demonstrado que o acórdão da DRJ alterou o fundamento ou a motivação do lançamento, é improcedente o argumento de que a decisão recorrida deveria ser reformada.
DECADÊNCIA. IPI. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com os Regulamentos de IPI de 1998, 2002 e 2010, os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoam-se com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, não procedendo, por conseguinte, o argumento de que o art. 150, § 4º, do CTN somente se aplicaria aos casos de pagamento antecipado.
CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ILEGITIMIDADE.
Apenas as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais é que fazem jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS.
O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-001.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão da DRJ. No mérito, por unanimidade de votos, declarar a decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 07/07/2001; e, por maioria de votos, nem relação às demais questões suscitadas, negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado José Ricardo Silva, OAB/DF nº. 19.366.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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DECADÊNCIA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente COPERSUCAR COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANA DE AÇÚCAR, AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2001 a 30/04/2006 ACÓRDÃO DA DRJ. FUNDAMENTO OU MOTIVAÇÃO. MODIFICAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não demonstrado que o acórdão da DRJ alterou o fundamento ou a motivação do lançamento, é improcedente o argumento de que a decisão recorrida deveria ser reformada. DECADÊNCIA. IPI. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com os Regulamentos de IPI de 1998, 2002 e 2010, “os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoam se com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo”, não procedendo, por conseguinte, o argumento de que o art. 150, § 4º, do CTN somente se aplicaria aos casos de pagamento antecipado. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ILEGITIMIDADE. Apenas as empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais é que fazem jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 13 14 /2 00 6- 15 Fl. 747DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão da DRJ. No mérito, por unanimidade de votos, declarar a decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 07/07/2001; e, por maioria de votos, nem relação às demais questões suscitadas, negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado José Ricardo Silva, OAB/DF nº. 19.366. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator ad hoc Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração de fls. 05/19, relativo a Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 1.110.965,87, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A contribuinte tomou ciência do lançamento em 07/07/2006 (fl. 06). Constitui o litígio, o lançamento do IPI não recolhido, pela Filial ora autuada, em razão da glosa do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/1996, transferido pela Matriz da cooperativa, considerado indevido pela fiscalização, uma vez que a cooperativa não é produtora do açúcar que exporta, não se equiparando a empresa comercial exportadora Contra o lançamento, a empresa apresentou impugnação, pedindo que fosse julgada improcedente a autuação. Apreciando o pleito da contribuinte, a DRJ, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme resume a ementa abaixo transcrita (fls. 339 e ss): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2001 a 30/04/2006 DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário que não tenha sido declarado e nem recolhido é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. Incabível a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10865.001314/200615 Acórdão n.º 3202001.470 S3C2T2 Fl. 748 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN) Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Não resignada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 720 e ss.), afirmando a DRJ inovou na fundamentação do auto de infração; que ocorreu a decadência do tributo lançado, na forma do art. 150, § 4º, do CTN; e que, na qualidade de cooperativa centralizadora de vendas, age como mandatária das próprias usinas cooperadas, o que a qualifica como produtora, por ficção legal, além de exportadora, fazendo jus ao crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/1993 . A recorrente acrescentou, ainda, que não faria sentido ser responsável pelo recolhimento do IPI (art. 35 da Lei nº 4.502/1964) e do PIS/COFINS (art. 66 da Lei nº 9.430/1996) das usinas cooperadas e, contraditoriamente, não poder apurar o crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS/COFINS. O processo digitalizado, então, foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 749DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 4 O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Aprecio, primeiramente, a preliminar de que a DRJ teria alterado o fundamento do auto de infração para agravar a situação da recorrente. Segundo a recorrente, quando o acórdão recorrido assentou que “somente o cooperado tem direito ao crédito presumido, visto ser um estabelecimento produtor/exportador que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, o acórdão recorrido teria alterado o fundamento do lançamento. Entretanto, tal fundamento é idêntico ao consignado no auto de infração (fls. 07/09): Com efeito, esta fiscalização constatou o recebimento, escrituração e utilização dos créditos indevidos, via compensação nos Livros de Apuração do IPI da filial ora fiscalizada (fls.29/241), acarretando o não recolhimento do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI, no exato valor dos créditos transferidos, nos períodos abaixo indicados. A norma concedente do beneficio fiscal, prevista na Lei n° 9.363/96, não abrange a empresa que não produz a mercadoria, não fazendo jus ao crédito presumido em referência, sendo que no caso presente nem a matriz e nem filial são produtores. Os valores apurados foram glosados e serão exigidos através do presente auto de infração, com a devida aplicação da multa e dos acréscimos legais. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Quanto à decadência, acolho o pedido da empresa para que se aplique o prazo de cinco anos, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, em lugar do prazo do art. 173, I, do CTN. Isso porque “os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo”, não procedendo, por conseguinte, o argumento de que o art. 150, § 4º, do CTN somente se aplicaria aos casos de pagamento. É o que dispõem os Regulamentos do IPI de 1998, 2002 e 2010: Regulamento IPI – 1998 Art. 111. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 190 e 191 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, eLei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e74). *** Art. 113. Antecipado o recolhimento do imposto, o lançamento se tornará definitivo com a sua expressa homologação pela autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150). Fl. 750DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10865.001314/200615 Acórdão n.º 3202001.470 S3C2T2 Fl. 749 5 Parágrafo único. Ressalvada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, terseá como homologado o lançamento efetuado nos termos do art. 111, quando sobre ele, após cinco anos da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa não se tenha pronunciado (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, § 4º); Regulamento IPI – 2002 (Decreto 4.544/2002) Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). *** Art. 126. Antecipado o recolhimento do imposto, o lançamento se tornará definitivo com a sua expressa homologação pela autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150). Parágrafo único. Ressalvada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, terseá como homologado o lançamento efetuado nos termos do art. 124, quando sobre ele, após cinco anos da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa não se tenha pronunciado (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, § 4º); Regulamento IPI – 2010 (Decreto 7.212/2010) Art.183.Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação deles, nos termos do art. 268 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa(Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, caput e§ 1º,Lei no9.430, de 1996, arts. 73 e 74,Lei no10.637, de 2002, art. 49,Lei no10.833, de 2003, art. 17, eLei no11.051, de 2004, art. 4o). *** Art.185.Antecipado o recolhimento do imposto, o lançamento tornarseá definitivo com a sua expressa homologação pela autoridade administrativa(Lei nº 5.172, de 1966, art. 150). Parágrafo único.Ressalvada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, terseá como homologado o lançamento efetuado nos termos doart. 183 quando sobre ele, após cinco anos da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa não se tenha pronunciado(Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, § 4º). Ao seu turno, quanto à penalidade art. 78 da Lei nº 4.502/1964, relativa ao IPI, dispõe que “o direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da infração”. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 6 Dessa forma, reconheço a decadência do tributo lançado, relativo aos fatos geradores ocorridos antes de 07/07/2001, considerando que a contribuinte tomou ciência do lançamento em 07/07/2006 (fl. 06). DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário nessa parte. Por fim, no mérito da apuração do crédito presumido, cumpre tecer algumas considerações. Como bem destacou o acórdão recorrido, o art. 1º da Lei nº 9.363/1996 destina a pessoa jurídica produz e, simultaneamente, exporte, o crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/COFINS. Confirase: Verificase que o benefício do crédito presumido do IPI foi instituído para incentivar o produtor de mercadoria nacional e não o vendedor para o exterior, exceto nos casos em que se trate da mesma pessoa, produtoraexportadora, conforme disposição da própria Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, art.1°, que declara, seguida das demais normas que disciplinaram a matéria, Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 19/97, artigo 2º, e Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, artigo 2°: Art.1° – A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n° 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único – O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. (g.n.) Pelo texto da Lei no 9.363, de 1996, vêse que faz jus ao crédito presumido do IPI a pessoa jurídica produtora e exportadora de produtos nacionais, objetivando que parte do ônus da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, embutido em matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), utilizados pelo produtor em produtos exportados, lhe seja devolvido. Então, as condições para que haja o direito ao crédito presumido do IPI é a) que a pessoa jurídica industrialize e exporte; b) que, nos produtos que tenha industrializado e exportado, tenha sido utilizado MP, PI e ME cuja aquisição tenha sofrido a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Sem desconhecer dessa realidade normativa, a recorrente defende que o conceito de produtor, no caso de cooperativa centralizadora de vendas, deve integrado pelo que dispõe a Lei das Cooperativas (Lei nº 5.764/1971), principalmente os arts. 79 e 83. O art. 79 diz que os atos praticados entre cooperada e a cooperativa não constituem compra e venda nem nenhuma outra operação de mercado: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas Fl. 752DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10865.001314/200615 Acórdão n.º 3202001.470 S3C2T2 Fl. 750 7 cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Já o art. 83 dispõe que a Cooperativa é mandatária das cooperadas, possuindo plenos poderes em relação a produção que lhe foi entregue para comercialização: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. Combinando ambos os dispositivos, a recorrente sustenta que, na qualidade de cooperativa centralizadora de vendas, é uma longa manus dos produtores (in casu, todos pessoas jurídicas), pois a Lei das Cooperativas torna a remessa de mercadorias entres eles um ato que não implica operação de mercado (não havendo, ipso jure, transferência de propriedade), atribuindo à cooperativa a qualidade de procuradora com plenos poderes, a sua livre disposição, sobre os produtos que lhes foram entregues pelos cooperados. Em uma palavra: a cooperativa é as cooperadas, por ficção legal. Se as cooperadas são produtoras a cooperativa também o é. Partindo dessa premissa, a matriz da cooperativa ora recorrente apurou de forma centralizada o crédito presumido, conforme é permitido aos destinatários desse benefício fiscal, na forma do art. 15, II, da Lei nº 9.779/1999. In verbis: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: [...] II – a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, de que trat a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Por igual, encadeando seu raciocínio, a cooperativa recorrente transferiu o saldo credor do crédito presumido para sua filial, na forma do art. 4º da Portaria MF nº 93/2004: Art. 4o O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno. § 1º O crédito presumido, apurado pelo estabelecimento matriz, que não for por ele utilizado, poderá ser transferido para qualquer outro estabelecimento industrial ou equiparado a industrial da pessoa jurídica para efeito de dedução do valor do IPI devido nas operações de mercado externo. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 8 § 2o A transferência de crédito presumido de que trata o parágrafo anterior será efetuada através de nota fiscal, emitida pelo estabelecimento matriz, exclusivamente para essa finalidade. (...) A meu ver, o conjunto das citadas normas jurídicas não conduz a afirmação de que o crédito presumido é da cooperativa nem tampouco que o crédito presumido é das usinas cooperadas. Os enunciados normativos permitem concluir que é facultado tanto a cooperada quanto à cooperativa o poder de apurar o crédito presumido, pois a ambas se aplica o conceito de produtor e exportador. O que não é possível é ambas se creditarem, uma vez que isso exigiria expressa autorização legal. Porém, o Relatório da Ação Fiscal deixa claro que as usinas cooperadas não apuraram o crédito presumido (fls. 277/ss.). Esse fato, a meu ver, torna factível a apuração do crédito presumido pela cooperativa centralizadora de vendas. Ademais, a impossibilidade de apuração, pela cooperativa, do crédito presumido, faria com que as usinas cooperadas fizessem uso limitado do benefício fiscal, uma vez que seus maiores débitos (IPI, PIS e COFINS) já são apurados pela cooperativa recorrente, nos termos art. 35 da Lei nº 4.502/1964 e do art. 66 da Lei nº 9.430/1996, como constatou o Relatório da Ação Fiscal. No contexto de ser somente autorizado às pessoas jurídicas cooperadas a apuração do crédito, estas terão, por um lado, um grande número de crédito presumido, que não poderão ser utilizálo para abater seus débitos apurados pela cooperativa. Para evitar esse paradoxo, o Relatório da Ação Fiscal orienta à autuada que cada unidade cooperada abata, por si só, os débitos de IPI informados pela cooperativa com seu crédito presumido e, depois disso, informe a cooperativa se há montante residual a recolher. Ou seja, a autoridade fiscal diverge do procedimento, indicando outro a ser realizado – e no meio tempo autua e glosa todos os créditos gerados na operação como um todo da cooperativa e suas cooperadas. Todavia, isso não me parece razoável nem condizente com a interpretação conjunta da Lei nº 9.363/1996 c/c da Lei nº 5.764/1971. Ao fim e ao cabo, utilizandose um ou outro procedimento, o sistema cooperado, visto em conjunto, irá recolher a mesma soma de tributos e calcular o mesmo montante de crédito presumido. A própria autoridade fiscal reconheceu, ainda, que a apuração do crédito presumido do IPI pela cooperativa centralizadora de vendas seria mais conveniente para a fiscalização, mas não seria possível por suposta “falta de amparo na legislação”. Entretanto, como demonstrado, a legislação tributária não veda o crédito presumido pala cooperativa centralizadora de vendas, salvo se se entender que esta não se qualificaria no conceito jurídico de produtor, mesmo à luz da Lei das Cooperativas. Notese que o conceito jurídico de produtor adotado no presente voto possui significado literal e jurídico, o que se harmoniza com o art. 111 do CTN. Dizer o inverso caracteriza uma petição de princípio, pressuposta na falsa premissa, de que a Lei nº 5.764/1971 não qualificaria a cooperativa como produtora. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10865.001314/200615 Acórdão n.º 3202001.470 S3C2T2 Fl. 751 9 Acrescentese, ainda, que a Nota Cosit nº 234/2003, que vedou a apuração de crédito presumido pelas cooperativas centralizadoras de vendas, não vincula o CARF em sua interpretação acerca da legislação tributária. Forte nesses argumentos, REJEITO a preliminar suscitada e DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para julgar improcedentes os lançamentos. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. A divergência em relação ao voto do ilustre Conselheiro Relator referese exclusivamente à utilização de créditos presumidos do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, pela Coopersucar. O Relator votou por dar provimento ao Recurso Voluntário, nesta parte. A Turma, entretanto, por maioria de votos, entendeu que deveria ser mantida a cobrança nesta matéria, sendo este Conselheiro designado para elaborar o voto vencedor. Na mesma sessão de julgamentos fui relator de processo idêntico do mesmo recorrente, razão pela qual mantenho os mesmos termos do voto proferido no Acórdão nº 3202 001.468, de 24/02/2015, o qual passa a reproduzir abaixo. A matéria em discussão referese à utilização supostamente indevida de créditos presumidos do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Tais créditos foram recebidos em transferência do estabelecimento matriz, o qual, no entender da fiscalização, não teria direito à apuração de crédito presumido, por não ser empresa produtoraexportadora, nos termos da Lei n° 9.363/1996, nem comercial exportadora. Assim, após a glosa efetuada pela fiscalização, foi realizada a reconstituição da escrita fiscal e o lançado o imposto devido. Segundo alegou a fiscalização, a Recorrente não teria direito aos citados créditos presumidos em decorrência do estabelecimento matriz não atender conjuntamente as condições de ser uma empresa produtora e exportadora. Portanto, a fiscalização entendeu que o estabelecimento que pretenda se beneficiar desse estímulo proceda à exportação de produtos que ele próprio industrializa. Deve haver, portanto, a existência do binômio industrializaçãoexportação, ainda que a exportação não se efetive de forma direta, mas por meio de comercial exportadora. E, conclui, afirmando que “quem teria direito ao crédito presumido do IPI é a empresa produtora, no caso as pessoas jurídicas cooperadas produtoras do açúcar (Usinas) e não a cooperativa que realiza a exportação”. A Recorrente alega, no mérito, que “é quem pode registrar e compensar o crédito presumido do IPI, por conta e ordem de cada cooperado, tendo em vista ser ela a MANDATÁRIA LEGAL das suas afiliadas, para todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta. Ou seja, a lei é que determina que ela aja em nome das filiadas nos atos Fl. 755DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 10 negociais de comercialização dos produtos. De outra parte, a Copersucar, embora não fabrique os produtos exportados, pode realizar todos os cálculos do incentivo em discussão, em razão de deter todos esses dados, uma vez que é, também, responsável, na condição de substituto tributário do IPI devido pelas cooperadas, conforme disposto no artigo 35 da Lei n° 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo artigo 31 da Lei n° 9.430/96 e ainda a responsável pelo recolhimento da COFINS e do PIS das suas cooperadas, de acordo com o determinado no art. 66 da Lei nº 9.430/96”. No meu entender não assiste razão à Recorrente. Vejamos. Uma vez que o crédito presumido do IPI foi contabilizado pela interessada em sua escrituração, e que foi transferido de sua matriz, a questão resumese à legitimidade desses créditos. Devese perquirir se a escrituração dos créditos pela cooperativa é ou não regular. Afirma a Recorrente que nunca pretendeu que o direito fosse seu, que seria mera mandatária legal dos associados. Entretanto, a Fiscalização glosou o aproveitamento do crédito presumido efetuado pela cooperativa em sua própria contabilidade. Com esta conduta a cooperativa agiu como mandatária do cooperado na realização das vendas, mas agiu como “senhora e dona” do crédito presumido, quando dele se apropriou ao escriturálo nos seus livros e ao transferilo para suas filiais. Deste modo, não há como concordar com a argumentação da Recorrente, uma vez que estão frontalmente em desacordo com o disposto no artigo 1º da Lei n° 9.363/96, que estabelece que o direito ao crédito presumido é do produtor vendedor e não de terceiros, que apenas se limitaram a comercializar a produção, como se deu no caso da Copersucar. A presente questão foi objeto de consulta formulada pela Copersucar à Administração Tributária, que culminou na Nota Cosit n° 234, de 1° de agosto de 2003. No parágrafo 21.4 desta Nota ficou consignado expressamente que não cabe à cooperativa centralizadora de vendas da apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados. E no parágrafo 21.5 consta que cabe aos cooperados o cumprimento de todos os deveres instrumentais ao benefício, como a apresentação do DCP – Demonstrativo do Crédito Presumido. A informação trazida pela fiscalização comprova que no caso concreto o procedimento da cooperativa foi exatamente o contrário do que foi estabelecido na Nota Cosit no 234/2003, pois demonstram inequivocamente que a cooperativa escriturou em seu Livro de Apuração do IPI o crédito presumido que era dos cooperados. Vejamos os textos dos parágrafos citados da Nota Cosit n° 234/2003: 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias. Deste modo, com o procedimento a interessada tratou o crédito presumido como se seu fosse. A matriz apurou e escriturou o crédito e o transferiu a sua filial, ora Recorrente. Não se trata de procedimento de associado, mas de procedimento da cooperativa. Vejase que não encontra respaldo legal a afirmação da interessada de que teria “mandato legal” para agir em nome dos associados. Primeiramente, porque o chamado “mandato legal” restringese aos atos para os quais a cooperativa foi criada, os chamados atos cooperativos. Tratase de ato regulado pelo direito privado e restrito, no caso de pessoas jurídicas, ao próprio objeto social dos associados. A relação jurídicotributária, por sua vez, não pode sofrer alterações/restrições relativamente aos sujeitos passivos, sem expressa e especifica previsão legal, ao teor da disposição do art. 123 do Código Tributário Nacional. Na Fl. 756DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10865.001314/200615 Acórdão n.º 3202001.470 S3C2T2 Fl. 752 11 ausência de disposição especifica em lei tributária, não poderia concluir a interessada que seu direito derivaria de interpretação de disposição específica de direito privado. Ademais, a apuração centralizada prevista em lei diz respeito a estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica produtora e exportadora. No caso das cooperativas, isso não ocorre, pois os produtores e exportadores são os associados, o que impede vislumbrarse hipótese de centralização. De igual modo, não procede a correlação utilizada pela Recorrente referente à Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 190, de 20 de agosto de 2002, e o artigo 20 da MP 135/2003, uma vez que se referem a outro tributo – a CIDE, que tem materialidade e legislação totalmente distinta do tributo objeto deste litígio – IPI, que deve seguir a sua própria legislação. Não há fundamento legal para a pretensão da Recorrente. Anotese, ainda, que sendo o crédito presumido um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto, a Lei nº 9.363/96 dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora, verbis: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. (negritamos) Portanto, a apuração e transferência do crédito presumido, da forma como realizada, foi irregular, devendo ser mantida a glosa. Neste passo, peço vênia para transcrever trechos do voto muito bem articulado do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no Acórdão n° 20215.308, sessão de 01 de dezembro de 2003, que tratou de idêntica matéria em relação à mesma Recorrente, cujos para fundamentos acolho e adoto neste voto, verbis: A solução da presente lide cingese, basicamente, em determinar se cooperativas podem pleitear o crédito presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para a Seguridade Social — COFINS e para o Programa de Integração Social PIS incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem feitos por usinas cooperadas e por elas utilizadas na fabricação de produtos que vieram a ser exportados por intermédio da cooperativa central. A autuada, cooperativa de usinas de açúcar, apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas; posteriormente, o transferiu de seu estabelecimento matriz para filial sua, que é adjacente a cada uma das usinas cooperadas, para a compensação de débitos do IPI. Predita usina transfere o produto por ela fabricado para a correspondente filial da Copersucar, que é responsável pela comercialização dos produtos recebidos da usina e pela apuração do IPI, como substituta tributária. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 12 A fiscalização efetuou a glosa do crédito presumido, por entender que a cooperativa não faz jus ao beneficio instituído pela Lei n° 9.363, de 1996. A requerente contesta o lançamento defendendo que promove a venda e a exportação do produto em nome dos cooperados, ou seja, a usina é quem produz e exporta, tendo direito ao beneficio. A apuração centralizada do crédito presumido pela Copersucar seria feita em nome e para as cooperadas. A Lei n° 9.363/1996, ao conceder o favor fiscal em comento, elegeu como única beneficiária a empresa produtora exportadora, nos termos seguintes: “Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares N. 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior”. Para fazer jus ao crédito presumido de IPI, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, o interessado tem, obrigatoriamente, de preencher, cumulativamente, a duas condições: a primeira delas é ser produtor de mercadorias nacionais e a segunda é ser exportador das mercadorias por ele fabricadas. A exportação pode ser direta ou por intermédio de empresa comercial exportadora. No caso presente, a reclamante não satisfaz uma dessas condições, qual seja, a de ser a produtora das mercadorias nacionais exportadas. Com isso, não há, de forma lícita, possibilidade de apropriarse do crédito presumido das mercadorias que exportou em nome de seus cooperados. Por outro lado, o fato de ser cooperativa central de compras e comercializar, em nome dos cooperados, a produção destes, não lhe confere legitimidade para pleitear os benefícios e incentivos fiscais eventualmente assegurados aos associados, pois estes não perdem, em favor da cooperativa a capacidade para exercer direitos e contrair obrigações. Na realidade, a outorga que a lei confere à cooperativa para representar seus associados, nos termos do art. 83 da Lei n° 5.764/71, é a de amplos poderes para dispor da produção dos associados inclusive para gravála ou dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade. Todavia, essa outorga, por si só, não implica em transferência de qualquer direito do associado para a sociedade, salvo o de dispor da produção entregue por aquele a esta. Na realidade, essa entrega da produção, no caso da Copersucar e de seus cooperados, em tudo se assemelha a um contrato de compra e venda, com alienação definitiva da propriedade dos produtos para a cooperativa. (...) Merece ser aqui ser ressaltado que os benefícios e incentivos fiscais são direitos personalíssimos conferidos por lei a pessoas que satisfaçam todas as condições estabelecidas na norma concessiva do favor fiscal. Por outro lado, o vínculo jurídico existente entre a sociedade cooperativa e os estabelecimentos cooperados não leva à despersonalização jurídica de qualquer deles, nem a perda da autonomia dos estabelecimentos cooperados. Com isso, não há confusão entre as pessoas da cooperativa e dos cooperados, mantendo cada um a capacidade de adquirir direitos e contrair obrigações. Em assim sendo, não tem a sociedade cooperativa legitimidade para exercer, em nome próprio, qualquer direito das afiliadas, menos ainda quando se trata de direito personalíssimo, que só o titular pode exercêlo diretamente. Demais disso, a própria existência do direito ao crédito presumido nas operações de exportação relatadas nestes autos é bastante questionável, pois como dito linhas Fl. 758DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10865.001314/200615 Acórdão n.º 3202001.470 S3C2T2 Fl. 753 13 acima, para fazer jus ao beneficio, o interessado deve, obrigatoriamente, preencher duas condições cumulativas: a primeira delas é ser produtor de mercadorias nacionais e a segunda é ser exportador das mercadorias por ele fabricadas, sendo que a exportação podese dar por meio de empresa comercial exportadora. No caso em análise, já se demonstrou que a Copersucar não satisfaz uma dessas condições, qual seja, a de ser a produtora das mercadorias nacionais exportadas. Por outro lado, as usinas produtoras, atendem à primeira condição, mas não preenche a segunda, pois não exportam diretamente as mercadorias por elas fabricadas, nem o fazem por meio de empresas comerciais exportadoras (...). Ademais, é farta e pacífica a jurisprudência deste Tribunal Administrativo na mesma linha de entendimento exarado neste voto, inclusive em várias decisões onde a Recorrente também é parte. Cito os seguintes julgados: Acórdão n° 20178.165, sessão de 26/01/2005, Conselheira Relatora Josefa Maria Coelho Marques; Acórdão n° 20180.783, sessão de 11 de dezembro de 2007, Conselheiro Relator Walber José da Silva; Acórdão n° 201 81.396, sessão de 03 de setembro de 2008, Conselheiro Relator José Antônio Francisco; Acórdão nº 3202000.560, de 22/08/2012, Conselheiro Relator Luís Eduardo G. Barbieri; Acórdão nº 3301001.732, de 26/02/2013, Conselheira Redatora Andrea Medrado Darzé. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e de ofensa a princípio constitucionais, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão destas matérias. Nesta esfera se faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Conclusão Ante ao exposto, voto de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 759DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/06/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 13971.001150/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2002 a 31/12/2005
Ementa:
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROSENTREPESSOASJURÍDICAS.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadaspelasinstituiçõesfinanceiras.
PROVAS - A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 3402-002.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, ALEXANDRE KERN, JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROSENTREPESSOASJURÍDICAS. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadaspelasinstituiçõesfinanceiras. PROVAS A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 11 50 /2 00 7- 80 Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, ALEXANDRE KERN, JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. Relatório Como forma de elucidar os fatos contidos nos autos, reproduzo o relatório da Resolução nº 340200.582, de 21 de agosto de 2013, que converteu o julgamento em diligência, verbis: Em julgamento tempestivo recurso do contribuinte de decisão que considerou parcialmente procedente lançamento de IOF sobre operações entendidas pelo fisco como mútuo, sendo a autuada a mutuante. Os contratos foram celebrados com a mesma mutuária entre 02 de janeiro de 2002 e dezembro de 2005 e a ciência da autuação ocorreu em 23 de maio de 2007. Em Termo de Verificação de fls. 123/132 aduz a autoridade fiscal responsável pelos trabalhos que, intimada, a empresa apresentou um total de 48 contratos de mútuo em que figura como mutuante celebrados entre janeiro de 2002 e dezembro de 2005 e que em todos se previa a devolução dos recursos em 2015. "...Da análise dos contratos de mútuo, constatase que todos os contratos tinham um prazo de vigência superior a um ano e com o valor do principal definido. Todos os contratos foram firmados após a edição da Lei n° 9.779/99... Deste modo,...a base de cálculo é o principal entregue ou colocado a disposição do mutuário; e a alíquota é igual a 0,0041% ao dia, limitada a trezentos e sessenta e cinco dias. A partir das planilhas contendo o valor do principal, foi elaborada a planilha com a apuração do IOF, calculado a partir da aplicação da alíquota de 1,4965% (365*0,0041%) sobre a base de cálculo..." A autoridade fiscal não juntou aos autos nenhuma peça da contabilidade da empresa, resumindose os anexos do auto de infração ao próprio termo acima indicado e aos contratos em que a autuação se baseia, além do MPF. Pela parte transcrita do termo, os valores foram apurados tomando exclusivamente por base o contrato, isto é, considerouse sempre como base de cálculo o valor disponibilizado e para determinarse a alíquota Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.001150/200780 Acórdão n.º 3402002.575 S3C4T2 Fl. 101 3 considerouse que esse valor integral permaneceu à disposição da mutuaria por mais de um ano. Por isso, como primeira preliminar apontada em tempestiva impugnação apresentada, a empresa requereu a nulidade da autuação dado que o critério para apuração do montante do imposto estava em total desacordo com a legislação de regência, que prevê a incidência do imposto no prazo em que os recursos efetivamente permaneçam à disposição do mutuário. Isto é, se antes de um ano ocorrerem pagamentos totais ou parciais o prazo a ser considerado não pode ser de um ano como fez a fiscalização. Entende que isso afronta a disposição do art. 10 do Decreto 70.235/72. O argumento é retomado no mérito. Além dessa preliminar apontou ainda a decadência do direito do fisco quanto aos contratos celebrados anteriormente a 23 de maio de 2002 por aplicação da regra contida no art. 150, § 4° do CTN. No mérito, que as operações praticadas não se enquadram na definição civil de mútuo em face da inexistência da cobrança de remuneração. Isso porque os contratos não previam a incidência de qualquer encargo para a mutuária, seja a titulo de juros ou de correção monetária. O argumento aqui é de que, por isso, o valor a ser devolvido não seria de mesma "qualidade e valor" como exigido pela lei civil. Ainda, que a Constituição não albergaria incidência de IOF em operações realizadas por instituição não financeira. E, subsidiariamente caso se entenda devido o imposto, defende que houve erro na determinação do quantum a tributar. Isso porque a fiscalização teria deixado de considerar que houve, em diversos contratos, liquidações em período inferior a um ano e em outros, amortizações dos valores inicialmente disponibilizados, o que imporia, em ambos os casos, a incidência proporcional ao período de efetivo uso do recurso. Como comprovação dessa alegação juntou à peça de defesa planilhas visando a demonstrar as amortizações ocorridas, os saldos remanescentes e o correto valor do tributo. A DRJ acolheu a decadência apontada afastando da autuação os valores relativos aos contratos celebrados antes de 23 de maio de 2002. Rejeitou a preliminar por se tratar, em verdade, de argumento de mérito e, quanto a este, considerou devido o IOF dado que há legislação especifica prevendo sua incidência, a qual não pode ser afastada por eventual contrariedade à Constituição antes que o Poder Judiciário o proclame, e que não exige que haja remuneração do valor entregue para configurar o mútuo. Quanto à determinação do montante do tributo, o voto proferido reconhece que a metodologia de cálculo deveria ser a indicada pela empresa desde que tenha mesmo havido as amortizações ou liquidações apontadas. Aduziu, porém, que a empresa não produziu as provas necessárias, na medida em que limitouse a juntar planilhas desacompanhadas de qualquer documento que comprove os pagamentos alegados. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 O recurso repete os argumentos não acolhidos. Quanto ao último ponto, relativo à metodologia de cálculo e conseqüente apuração do imposto, defende que as planilhas já apresentadas na impugnação guardam perfeita consonância com os registros contábeis (balancetes analíticos do livro diário). Anexa ao recurso outras planilhas e cópias desses balancetes para checagem do alegado. A 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que fosse identificada a existência de amortizações e, existindoas, que fosse determinado o montante do IOF a ser exigido levando em conta as amortizações. A Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau (SC) realizou o trabalho de campo e emitiu o relatório fiscal, fls. 831/834, cujas principais conclusões reproduzo: (...) 7. Examinando os Livros Razão da contribuinte, referentes ao período de 2002 a 2005, verificase que houve as amortizações alegadas pela contribuinte. Todavia, é importante registrar que a contabilidade da contribuinte não contempla registros individualizados para cada um dos quarenta e oito (48) contratos de mútuo que operou com a mutuaria Posthaus Ltda no citado período. Ao contrário, a contribuinte possui uma conta única de ativo circulante de curto prazo representativa de todos os mútuos efetuados, cujo saldo cresce com os recursos liberados e decresce com as amortizações, mas sem qualquer individualização no que diz respeito aos contratos firmados no citado período. Além disso, é de se registrar ainda que a citada conta única de ativo circulante de curto prazo já possuía um saldo elevado em 01/01/2002 de R$ 9.739.156,63; 8. Desse modo, em razão da ausência de registros que individualizem os mútuos na contabilidade da contribuinte, tem se que a forma de cálculo por ela apresentada segue um critério de amortização arbitrado posteriormente ao Auto de Infração que não se ampara em registros contábeis expressos em sua contabilidade; 9. Além disso, o cálculo da contribuinte não considera nenhuma amortização em relação ao saldo da conta única de ativo circulante representativa dos mútuos existente em 01/01/2002. Ou seja, em seu cálculo a contribuinte expurgou tal montante da citada conta única de ativo de curto prazo representativa dos mútuos, fato que torna o seu cálculo bastante favorável; 10. Em face ao exposto, é de se concluir que em relação à primeira parte da diligência solicitada que trata da existência de registros contábeis das amortizações, a resposta è que tais amortizações existem; 11. Em relação a segunda parte da diligência, que trata do cálculo do imposto que deveria ser exigido computandose as amortizações, considerando que as citadas amortizações não guardam vinculo direto a qualquer dos 48 contratos de mútuos Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.001150/200780 Acórdão n.º 3402002.575 S3C4T2 Fl. 102 5 operados no período sob exame, em razão da inexistência de contas individualizadas na contabilidade da contribuinte, entendo então prejudicada esta segunda parte pelas razões que passo a relatar; 12. Registrese que a Terceira Seção do CARF entendeu que no cálculo do IOF devido devem ser computadas as amortizações havidas na contabilidade. Todavia, em face da inexistência de contas de mútuos individualizadas, temse que não há como calcular o IOF devido considerando as amortizações havidas sem que se o faça pelo método do crédito rotativo; (...) 19. Registrese por fim que se a Terceira Seção do CARF entender que à contribuinte é facultado, no cálculo do IOF devido, apropriarse das amortizações por contrato de mútuo individualizado, diversamente da forma como tais amortizações se encontram efetivamente registradas em sua contabilidade, ou seja, sem a existência dos correspondentes registros contábeis individualizados por contrato de mútuo efetuados em Livros Auxiliares, então, nestes termos, o cálculo apresentado pela contribuinte está correto. O sujeito passivo tomou ciência do relatório fiscal em 01/12/2010 e apresentou sua manifestação sobre as constatações fiscais nos seguintes termos: (...) cumpre registrar que, ao contrário do alegado pelo Sr. Auditor Fiscal, não é possível concluir que a simples ausência de resposta quanto a existência de Livros Contábeis Auxiliares, quando do atendimento da intimação fiscal, significaria que tal documentação é inexistente. Não há qualquer permissão legal ou infralegal que permita presunção no sentido pretendido pela r. autoridade fiscal. A referida omissão decorre de simples equívoco da Recorrente — equivoco este evidentemente escusável, face à suficiência das informações contidas nos documentos anteriormente apresentados e a possibilidade dos mesmos serem agrupados e, desta forma, comparados com a contabilidade da empresa a fim de chancelar sua regularidade e adequação. Assim, tal presunção, além de despida de qualquer fundamento legal, está destituída de qualquer razoabilidade: a Recorrente, quando do atendimento a tal intimação, apresentou documentos suficientes à correta apuração do IOF porventura devido. De todo modo, em face do equívoco cometido, a Recorrente apresenta, nesta oportunidade, registros auxiliares em que se encontram registradas, individualmente, todas as operações de mútuo (e amortizações) celebradas com a Posthaus Ltda. no período objeto de autuação (Doc. 03). Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 Tais registros corroboram integralmente as informações anteriormente prestadas pela Recorrente e, conforme consignado pela própria autoridade fiscal, são suficientes para assegurar a regularidade do cálculo do IOF apresentado pela Recorrente . Desta forma, requerse que, em observância ao principio da verdade material, tais registros sejam considerados por V.Sas. para o fim de reconhecer a regularidade do cálculo apresentado pela Recorrente. Por oportuno, caso V.Sas. entendam necessário, requerse, desde já, a conversão do feito em diligência com o objetivo de que se proceda a análise anteriormente determinada por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também à luz da referida documentação. Em 21/08/2013, o julgamento foi convertido novamente em diligência para análise dos livros auxiliares aduzidos pelo recorrente. Após o trabalho de análise feito pela Unidade de Origem, os autos retornaram ao Colegiado para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade, de sorte que conheço do recurso e passo a análise de mérito. Como já relatado, o processo versa sobre auto de infração para constituir créditos tributários referentes aos fatos geradores do IOF ocorridos entre 01/2002 e 12/2002. O primeiro argumento do recorrente diz respeito a incidência do IOF apenas aos mútuos realizados por instituições financeiras. Essa afirmação carece de fundamento legal, uma vez que o art. 13 da Lei nº 9.779/99 determina a aplicação das regras praticadas pelas instituições financeiras às pessoas jurídicas que efetuarem operações de mútuo financeiro. Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.001150/200780 Acórdão n.º 3402002.575 S3C4T2 Fl. 103 7 § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. O segundo ponto colocado na discussão gira em torno do cálculo do IOF nas operações realizadas pelo recorrente com a sociedade Posthaus. A fiscalização afirma que não há individualização dos contratos de mútuo realizados pelo recorrente com a sociedade Posthaus, logo, não é possível verificar as liberações e as amortizações de cada contrato e, por consequência, uma redução no prazo de incidência do imposto. Já o recorrente apresenta documentos que, em tese, individualizam cada contrato e permitem a análise das datas de amortização e liberação. Portanto, a lide posta nos autos cingese à questão fática, de sorte que peço vênia aos pares para fazer uma pequena digressão sobre o tema. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 333 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. O risco de errar ao presumir dimensionase na razão inversa à do grau de probabilidade de que a relação entre a ocorrência de um fato e a de outro se mantenha sempre. Quanto maior a probabilidade, menor o risco; menor a probabilidade, maior o risco a assumir. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.001150/200780 Acórdão n.º 3402002.575 S3C4T2 Fl. 104 9 A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 Regressando à lide, os autos foram remetidos à Unidade Preparadora para verificação dos documentos a ele acostados e que poderiam lastrear a antítese apresentada pelo recorrente. Feito o trabalho de campo, foi emitido relatório fiscal que reproduzo as partes que entendo relevantes ao julgamento. (...) Os documentos acostados aos autos após a ciência do Termo de Diligência Fiscal foram inseridos nas folhas 857 928 do processo. Esses documentos apresentam, para cada contrato individualmente, todas as liberações e amortizações dos contratos de mútuo realizados com a sociedade Posthaus Ltda. Ocorre que os registros desses documentos não estão escriturados na contabilidade de forma individual, estando agrupados em duas contas: 3030 Outros créditos Posthaus e 224 Contratos financeiros Posthaus. Os documentos apresentados muito embora tenham sido apresentados como Razões Auxiliares, não possuem as formalidades exigidas de um livro Diário Auxiliar, quais sejam: termo de abertura e encerramento e autenticação no órgão competente. Deste modo, concluo que os registros acostados aos autos permitem a individualização dos contratos de mútuo, embora não estejam devidamente registrados em livros auxiliares autenticados. Assim sendo, caso a Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entenda que à contribuinte é facultado, no cálculo do IOF devido, apropriarse das amortizações por contrato de mútuo, as planilhas em anexo a este relatório contém, para cada contrato, todas as amortizações, datas e valor do IOF. A seguir, apresento uma planilha com o resumo dos novos valores apurados: (...) Pelo relatório fiscal, foi possível identificar cada contrato e as respectivas amortizações de forma a determinar que em certos contratos o prazo de incidência do imposto era menor do que afirmava a Autoridade Autuante. Diante desta nova perspectiva, os valores do lançamento foram revistos e descritos no bojo do relatório acima mencionado. O recorrente tomou ciência deste relatório fiscal e concordou com a metodologia de cálculo adotada pela Fiscalização e com os novos valores apresentados no parecer do Auditor Fiscal, ressalvando os montantes que se encontravam decaídos. Decadência esta que fora declarada pela primeira instância de julgamento. Reproduzo os dizeres do sujeito passivo, verbis: (...) Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.001150/200780 Acórdão n.º 3402002.575 S3C4T2 Fl. 105 11 III — DOS CÁLCULOS APRESENTADOS PELO AUDITOR FISCAL Conforme se verifica pelas planilhas apresentadas pelo Sr. AuditorFiscal em sua diligência, os cálculos foram realizados de acordo com o período em que os recursos efetivamente estavam disponíveis ao mutuário, conforme disposto no art. 7°, I, "b", Item 1, do Decreto n° 4.494/02 e art. 1° da IN 46/01. Diante disto, a Requerente informa que está de acordo com a metodologia de cálculo adotada pelo Sr. AuditorFiscal e com os novos valores apresentados em seu Relatório de Diligência, ressalvando os montantes que se encontram decaídos — conforme disposto no Item II. (...) No final da petição apresentada pelo recorrente com suas considerações sobre a conclusão da diligência, requer que seja declarada a total improcedência da autuação pela inexistência de previsão legal que autorize o lançamento de IOF com base em presunções, pela inexistência de suporte fático e/ou legal que as ampare e pela da aplicação dos princípios da tipicidade cerrada in dúbio pro contribuinte. Entendo que não há mais lide a ser resolvida nestes autos, pois o recorrente concordou com a nova apuração dos valores do IOF referentes aos períodos de apuração compreendidos entre 06/2002 e 12/2005. Essa concordância, ao meu sentir, afastou as alegações de falta de suporte fático ou legal, bem como a afirmação de que o lançamento foi feito com base em presunções. Isto posto, dou provimento parcial ao recurso para que sejam observadas as amortizações e diminuído o lançamento tributário do IOF nos termos do relatório fiscal de fls. 939/941. É como voto. Sala de sessões, 11/12/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/03/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 13886.000557/00-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.201
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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(nova denominação de NOVA ODESSA TELEMÁTICA E ENGENHARIA LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13886.000557/0057 Resolução n.º 330200.201 S3C3T2 Fl. 1.028 2 Relatório Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Tratase de Pedido de Restituição (fls. 01) de PIS, recolhido no período de 09/1989 a 09/1995, de acordo com as disposições constantes dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449. O Despacho Decisório (fls. 288/290) negou o pedido da Recorrente, por entender que na data da apresentação do Pedido de Restituição já havia decaído o direito do contribuinte, na medida em que o prazo para restituição de tributos pagos indevidamente seria de 05 anos contados a partir do fato gerador. Ademais, entendeu a DRF que, de todo modo, não haveria indébito a ser restituído, pois o parágrafo único do art. 6° da Lei Complementar n° 7/70, tratava de prazo de pagamento e não da base de cálculo do PIS. Como aquele prazo foi alterado por diversas leis ordinárias de semestral para trimestral e, posteriormente, para mensal, aplicandose essas alterações, ao invés de indébitos, apurarse iam saldos mensais de contribuição a pagar e não pagamentos a maior. Logo, além de decaídos, os créditos se tornaram débitos em virtude da impossibilidade de aplicação do critério da semestralidade. Cientificada da decisão a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 293/298), na qual alegou a inocorrência da decadência de seu direito de pleitear a restituição do indébito, pois o prazo para tanto seria de 05 anos contados da data da homologação do lançamento, e não da data do fato gerador tributário. Ademais, no mérito, alegou que houve a suspensão da aplicação dos referidos Decretosleis, considerados inconstitucionais, o que ocasionou a exigência do PIS na forma da semestralidade da base de cálculo – recolhimento no mês, com base em faturamento do sexto mês anterior – o que, portanto, resultou em recolhimentos a maior do que os devidos. Ao efetuar o exame de admissibilidade da Manifestação de Inconformidade a DRF constatou sua intempestividade e decidiu pela extinção do processo, sem possibilidade de apresentação de qualquer outro recurso administrativo, expedindo, ainda, Declaração de Revelia (fls. 302/315), cuja ciência foi dada à Recorrente em 12/09/2001. Os autos foram remetidos para arquivo. Em 15/07/2002, sobreveio petição da Recorrente (fls. 322/324), na qual informa que em razão da extinção do processo administrativo ajuizou mandado de segurança (processo nº 2001.61.09.0053650) através do qual buscou o reconhecimento de seu direito creditório, bem como o direito de compensar o indébito com tributos vincendos. Informa que obteve sentença favorável na referida ação judicial e que, portanto, apresentava pedido de que o valor do Pedido de Restituição original fosse atualizado – nos termos da decisão judicial, até aquela data– bem como fossem aceitos os Pedidos de Compensação, relativos aos créditos objeto deste processo administrativo. Foi anexada cópia do mandado de segurança (fls. 326/421), bem como da decisão judicial concessiva da segurança (fls. 422/426), da certidão à fl. 427, da publicação à fl. 428, e das planilhas de apuração do crédito (fls. 432/465). Na seqüência, foram anexados aos autos diversos Pedidos de Compensação, relativos aos débitos apurados nas competências de 06/2002 a 08/2002 (fls. 474/480). Por Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13886.000557/0057 Resolução n.º 330200.201 S3C3T2 Fl. 1.029 3 anexação, foram trazidos a estes autos outros Pedidos de Compensação, relativos ao mesmo crédito (fls. 747,772, 791, 810, 820, 848, 867 e 886). A DRF intimou a Recorrente a apresentar, novamente, cópia da ação judicial, DARF’s comprobatórios dos recolhimentos e planilhas de apuração do valor cuja restituição foi pleiteada (fls. 494), o que foi atendido pela Recorrente, que trouxe aos autos, também, cópia da decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (fls. 510/515), que lhe foi desfavorável e reconheceu a extinção do direito de pleitear a restituição pretendida, pelo decurso do prazo, que seria de 05 anos a contar dos fatos geradores. Informou, contudo, a existência de Recurso Especial por ela interposto, para reforma da mencionada decisão (fls. 516/540), o qual aguardava julgamento. Em face desses fatos, a DRF em Limeira proferiu um novo Despacho Decisório para este processo (fls. 948/952), indeferindo o pedido da interessada nos seguintes termos: "... INDEFIRO o pedido de restituição protocolado pelo contribuinte acima identificado em cumprimento à decisão judicial que julgou extinto o direito do contribuinte de pleitear a restituição dos valores do PIS recolhidos com base nos Decretoslei n° 2.445 e 2.449/88 e conseqüentemente NÃO HOMOLOGO as compensações declaradas neste processo". Intimada da decisão a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 955/975), na qual alega a inocorrência da decadência, pois o prazo seria de 05 anos contados da homologação do lançamento, bem como requer seja reconhecido o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade. A DRJ manteve o indeferimento do Pedido de Restituição e a não homologação das compensações (fls. 986/ 992), considerando que a em relação à questão do prazo decadencial há concomitância com o processo judicial – razão pela qual não poderia manifestarse – e decidindo pela impossibilidade da compensação dos valores, antes do trânsito em julgado do processo judicial, nos termos do artigo 170A do CTN. Sobreveio o Recurso Voluntário da Recorrente (fls. 995/1014), no qual além de reiterar os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, alega que seria desnecessário aguardar o trânsito em julgado da medida judicial para promover as compensações porque a matéria é pacífica na jurisprudência, em especial no STF, o que, portanto, tornaria indiscutivelmente líquido e certo seu direito. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A questão que se coloca nos autos, acerca do direito da Recorrente à restituição de indébitos derivados do pagamento do PIS, com base nas disposições dos DecretosLei nº Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13886.000557/0057 Resolução n.º 330200.201 S3C3T2 Fl. 1.030 4 2.445 e 2.449, foi levada pelo contribuinte ao Judiciário. Desta feita, de acordo com a Súmula nº 01 do CARF, havendo concomitância, prevalece a decisão judicial, verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Na discussão judicial, pelo que se conclui da análise das peças constantes destes autos, não restaram dúvidas quanto à inconstitucionalidade das normas que serviram de base para o cálculo e pagamento do PIS, e a existência do indébito, dada a vasta e pacífica jurisprudência a respeito da matéria. Restou a discussão a respeito do prazo decadencial para pleitear a restituição dos valores. Estas questões, portanto, não podem ser objeto de análise por este Tribunal, restandonos curvarnos à decisão do Judiciário. Relativamente ao mandado de segurança, e às decisões judiciais proferidas, apesar da sentença de primeira instância ter aplicado a regra dos 05 anos contados a partir da homologação do lançamento (favorável, portanto, ao contribuinte), o Tribunal Regional Federal reformou a decisão, para determinar a extinção do direito ao crédito, por ocorrência da decadência, que segundo o Tribunal seria de 05 anos, contados do fato gerador. Tendo a ação judicial sido ajuizada em 12/2001, a Recorrente já não teria mais direito à recuperação destes valores. Por ocasião da decisão da DRJ restava pendente de julgamento o Recurso Especial interposto pela Recorrente, o que, aliás, foi utilizado como argumento para a decisão da Delegacia, que justificou sua decisão na necessidade de aplicar a decisão judicial então vigente (qual seja, a do Tribunal Regional Federal). Entretanto, em pesquisa realizada na página eletrônica do Superior Tribunal de Justiça, constatei que foi proferida decisão no Recurso Especial (processo nº 861.683) interposto pela Recorrente, a qual reformou a decisão do Tribunal Regional Federal, para reconhecer seu direito creditório, na medida em que o prazo decadencial de 05 anos deveria ser contado a partir da homologação do lançamento. Decidiuse, então, pela decadência apenas dos valores correspondentes às competências de 10/1990 a 10/1991 (sic). Embora a decisão do Recurso Especial seja favorável à Recorrente, há notícia de que foi interposto Recurso Extraordinário pela Fazenda Nacional. Não há, contudo, registro na página eletrônica dos Tribunais Superiores a respeito do teor deste Recurso, tampouco sobre o conteúdo da decisão final proferida no processo. Assim, entendo que, conquanto possamos analisar a questão do direito à compensação dos valores antes do trânsito em julgado da decisão – como realizado pela Recorrente – a depender do teor da decisão final proferida nos autos da medida judicial, torna se inócua esta discussão, análise e eventual decisão. Afinal, se a decisão final do Judiciário for no sentido de inexistência do direito ao crédito, em razão de sua extinção por decadência, de nada vale uma decisão deste Tribunal reconhecendo ou negando o direito da Recorrente à compensação dos valores, antes do trânsito em julgado da referida medida judicial. Desta forma, por todo o exposto, voto por determinar a baixa dos autos à Delegacia de origem, para que a Recorrente seja intimada a esclarecer, no prazo de 30 dias: Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13886.000557/0057 Resolução n.º 330200.201 S3C3T2 Fl. 1.031 5 (i) Se houve decisão nos autos do Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, contra o acórdão prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 861.683; (ii) Em havendo decisão, qual seu teor, comprovandoo por cópia a ser trazida aos autos; (iii) Se houve trânsito em julgado da referida decisão, comprovando a informação por meio dos documentos pertinentes; (iv) Se, por hipótese, existe alguma ação rescisória, eventualmente ajuizada contra tal decisão, comprovando a informação por meio de documentos pertinentes. Após a apresentação das suas informações, a Delegacia poderá, se assim entender necessário, apresentar considerações, no prazo de 10 dias da juntada das informações, quando então os autos deverão ser encaminhados a mim, para julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de março de 2012. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 17613.721095/2013-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2012
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. SÚMULA CARF Nº63. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO.
Para gozo da isenção do IRPF pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Além disso, a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Para fins de isenção é necessária a presença cumulativa desses dois requisitos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar a omissão de rendimentos referente ao período de janeiro a dezembro de 2011, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2012 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. SÚMULA CARF Nº63. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO. Para gozo da isenção do IRPF pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Além disso, a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Para fins de isenção é necessária a presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido.
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ISENÇÃO. SÚMULA CARF Nº63. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO. Para gozo da isenção do IRPF pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Além disso, a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Para fins de isenção é necessária a presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar a omissão de rendimentos referente ao período de janeiro a dezembro de 2011, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 10 95 /2 01 3- 16 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 17613.721095/201316 Acórdão n.º 2801003.998 S2TE01 Fl. 186 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CGE (acórdão nº 0434.953), em processo administrativo envolvendo o contribuinte Washington Luis Alves. Foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 12/15 que apontou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$157.412,28, referente à declaração de IRPF do Exercício 2012, AnoCalendário 2011. Desta forma foi apurado crédito tributário no valor de R$ 9.035,98. Ressaltese que à fl. 16 foi juntada cópia do Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, datado de 24/06/2013, onde consta o indeferimento por não terem sido comprovados os valores informados pelo contribuinte. Na complementação dos fatos constou a informação de que o contribuinte somente tem direito à isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria por invalidez permanente quando ocasionada por acidente em serviço, moléstia profissional ou moléstia grave entre aquelas definidas na Lei e seja comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União dos Estados do Distrito Federal e dos Municípios. No presente caso foi apresentado laudo particular do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória, não sendo este aceito pela fiscalização. O contribuinte apresentou impugnação alegando que o laudo médico apresentado está de acordo com as exigências da Receita Federal. Aduz que o médico que o atestou é credenciado pelo Sistema Único de Saúde e presta atendimento no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória. Refere ainda que se trata de hospital público e o laudo possui todos requisitos, exceto o timbre do hospital, pois este seguiu o modelo constante no site da Receita Federal. Por fim, juntou novos documentos para comprovar ser portador de moléstia grave para fins de isenção de IRPF. Após a apresentação da impugnação, em duas oportunidades o contribuinte protocolou requerimentos solicitando prioridade no julgamento (fls. 38/41 e 47/51). Ainda foram protocolados outros dois requerimentos em que foi solicitada a juntada de laudos dos médicos Lauro Ferreira da Silva Pinto (fls.57/58) e Carlos Urbano Gonçalves Ferreira Junior (82/84). A decisão da 3ª Turma da DRJ/CGE julgou o lançamento procedente (fls.88/94), visto que os laudos apresentados ao longo do processo não foram emitidos por serviço médico oficial da União, Estados ou Municípios e também não atendem às exigências previstas em Lei para um laudo pericial para fins de isenção do IRPF. Ressaltaram ainda, que o benefício da isenção se aplica apenas aos rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão e no caso dos autos tampouco restou demonstrada a natureza dos rendimentos glosados. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 17613.721095/201316 Acórdão n.º 2801003.998 S2TE01 Fl. 187 3 Ressaltese que após a decisão ser proferida, foi juntado novo requerimento do contribuinte (fls.96/108). Desta vez houve a juntada de laudo pericial expedido por médico do TRT da 17ª Região, contudo este não pode ser analisado. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls.83/89) reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Ressaltou que o laudo emitido pelo serviço médico do TRT preenche todos os requisitos legais e deveria ter sido analisado pela Delegacia quando da decisão. Esclareceu ainda que recebe pensão vitalícia do Sr. Alexandre Gonçalves Volpato, seu excompanheiro, que era servidor do TRT da 17ª Região. Foram juntados documentos e certidões que comprovam a natureza dos rendimentos recebidos e glosados. É o relatório. Voto Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres, relator. Conheço do recurso voluntário, visto que tempestivo e reunindo todas as condições de admissibilidade. Mantenho o entendimento de que devem ser aceitos os documentos juntados pelo contribuinte juntamente com o Recurso Voluntário. Um dos mais importantes princípios norteadores do processo administrativo é o princípio da verdade real, em que o julgador deve sempre tentar buscar a verdadeira realidade dos fatos, razão pela qual entendo que a documentação juntada nesta oportunidade corrobora para a apreciação correta dos fatos e posterior julgamento. O presente recurso trata do tema de isenção de imposto de renda por pessoa portadora de moléstia grave. Sobre o assunto, o CARF já editou a seguinte súmula: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Pela leitura do enunciado, resta claro que devem estar preenchidos dois requisitos para que haja a isenção do tributo: os rendimentos devem ser decorrentes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Além disso, é necessária a apresentação de laudo pericial que seja emitida obrigatoriamente por serviço médico oficial de União, Estados ou Municípios, não sendo aceitos laudos emitidos por médicos particulares. Desta forma, passo à análise do presente caso. A Fiscalização glosou o valor de R$ 157.412,28, referente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Na impugnação foram juntados documentos que informavam que tal valor era decorrente de “rendimentos de trabalho assalariado”, motivo pelo Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 17613.721095/201316 Acórdão n.º 2801003.998 S2TE01 Fl. 188 4 qual o acórdão entendeu que não houve comprovação efetiva de que os rendimentos eram de benefícios da inatividade. O contribuinte informou em sua impugnação que recebia pensão de seu ex companheiro, porém efetivamente não houve apresentação de prova robusta quando da apresentação de impugnação. Após a decisão e juntamente ao Recurso Voluntário, foram anexados novos documentos visando comprovar a natureza dos rendimentos recebidos (fls.131/140). Pela análise da documentação, restou comprovado que o contribuinte é beneficiário de pensão vitalícia por morte do Sr. Alexandre Gonçalves Volpato, servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região. Além de uma certidão específica emitida pelo Tribunal e que consta a informação, foram juntados outros documentos como extratos da pensão, certidões e a cópia da decisão administrativa que reconheceu o direito do ora recorrente ao recebimento da referida pensão. Sendo assim, entendo que o requisito legal referente à natureza dos rendimentos restou devidamente comprovado pelo contribuinte, razão pela qual, passo à análise das provas juntadas para comprovação da existência de moléstia grave. Em relação à matéria temos a disposição do art.6º, XIV da Lei nº 7.713/88, vejamos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. XV os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, de transferência para a reserva remunerada ou de reforma pagos Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 17613.721095/201316 Acórdão n.º 2801003.998 S2TE01 Fl. 189 5 pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto, até o valor de: a) R$ 1.313,69 (mil, trezentos e treze reais e sessenta e nove centavos), por mês, para o anocalendário de 2007; b) R$ 1.372,81 (mil, trezentos e setenta e dois reais e oitenta e um centavos), por mês, para o anocalendário de 2008; c) R$ 1.434,59 (mil, quatrocentos e trinta e quatro reais e cinqüenta e nove centavos), por mês, para o anocalendário de 2009; d) R$ 1.499,15 (mil, quatrocentos e noventa e nove reais e quinze centavos), por mês, para o anocalendário de 2010; e) R$ 1.566,61 (mil, quinhentos e sessenta e seis reais e sessenta e um centavos), por mês, para o anocalendário de 2011; f) R$ 1.637,11 (mil, seiscentos e trinta e sete reais e onze centavos), por mês, para o anocalendário de 2012; g) R$ 1.710,78 (mil, setecentos e dez reais e setenta e oito centavos), por mês, para o anocalendário de 2013; h) R$ 1.787,77 (mil, setecentos e oitenta e sete reais e setenta e sete centavos), por mês, a partir do anocalendário de 2014. Ainda, a Solução de Consulta Interna – Cosit nº 11 de 03 de julho de 2012 esclarece os requisitos para validade do laudo médico a ser apresentado: A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial, assim entendido como documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, independentemente de ser emitido por médico investido ou não na função de perito, observadas a legislação e as normas internas especificas de cada ente. O laudo pericial deve conter, no mínimo, as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 17613.721095/201316 Acórdão n.º 2801003.998 S2TE01 Fl. 190 6 e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. Para efeito do reconhecimento das isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 , sem prejuízo das demais exigências legais relativas à matéria, somente podem ser aceitos laudos periciais expedidos por instituições públicas, ou seja, instituídas e mantidas pelo Poder Público, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os laudos médicos expedidos por entidades privadas não atendem à exigência legal, não podendo ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. O recorrente apresentou novo laudo pericial emitido pelo serviço médico do TRT da 17ª Região em duas oportunidades (fl. 108 e 131). Após exame da documentação, entendo que está revestido de todos os requisitos exigidos na lei e mencionados anteriormente, vejamos: a) o órgão emissor: TRT 17ª Região – Seção de Saúde SESA b) a qualificação do portador da moléstia: Washington Luiz Alves, CPF 001.852.37738 c) o diagnóstico da moléstia: Síndrome de Imunodeficiência Adquirida – CID B 20.1/B24 – diagnosticada por meio de exames em 25/05/2010. d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático: prazo de 07 anos, contados desde 25/05/2010. e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial: Cláudia Carioca Duarte – CRM/ES 4693 – Matrícula TRT/ES 308.17.0480 – Analista Judiciária – médica do TRT/ES. Entendo que o laudo preenche todos os requisitos necessários para fins de isenção de IRPF, visto que também foi emitido por médico integrante do serviço oficial da União, Estados ou Municípios. A Solução de Consulta Interna Cosit nº 11 prevê em seu item 13, que devem ser aceitos os laudos expedidos pelo serviço médico dos órgãos integrantes do Poder Judiciário, como é o caso dos autos, pois a profissional que o forneceu é analista judiciária na especialidade médica do TRT do Espírito Santo. Por fim, a isenção atinge os proventos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial emitido posteriormente à concessão da pensão. Considerando que o laudo atesta que o recorrente é portador da moléstia grave desde 25/05/2010, entendo que os rendimentos recebidos em 2011 no valor de R$157.412,28, estão isentos de IRPF. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 17613.721095/201316 Acórdão n.º 2801003.998 S2TE01 Fl. 191 7 Por todo o exposto, dou provimento ao recurso e cancelar a infração de omissão de rendimentos no período de janeiro a dezembro de 2011. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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