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Numero do processo: 23034.034124/2004-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/06/2002
CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. RECOLHIMENTO. IRREGULARIDADES. DIVERGÊNCIAS. PROGRAMA RAI. LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA.
É procedente o lançamento consignado em Notificação de Recolhimento de Débito com fulcro em divergências junto ao Sistema de Manutenção de Ensino (SME) entre os valores deduzidos e o número efetivo de alunos indicados e efetivamente indenizados no programa Relação de Alunos Indenizados (RAI), decorrendo irregularidades nos recolhimentos referentes ao Salário-Educação, não ilididas pela Recorrente com conjunto probatório suficiente a afastar a exação, ainda que parcialmente.
Numero da decisão: 2402-006.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 30/06/2002 CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. RECOLHIMENTO. IRREGULARIDADES. DIVERGÊNCIAS. PROGRAMA RAI. LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA. É procedente o lançamento consignado em Notificação de Recolhimento de Débito com fulcro em divergências junto ao Sistema de Manutenção de Ensino (SME) entre os valores deduzidos e o número efetivo de alunos indicados e efetivamente indenizados no programa Relação de Alunos Indenizados (RAI), decorrendo irregularidades nos recolhimentos referentes ao Salário-Educação, não ilididas pela Recorrente com conjunto probatório suficiente a afastar a exação, ainda que parcialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 30/06/2002 CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO. RECOLHIMENTO. IRREGULARIDADES. DIVERGÊNCIAS. PROGRAMA RAI. LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA. É procedente o lançamento consignado em Notificação de Recolhimento de Débito com fulcro em divergências junto ao Sistema de Manutenção de Ensino (SME) entre os valores deduzidos e o número efetivo de alunos indicados e efetivamente indenizados no programa Relação de Alunos Indenizados (RAI), decorrendo irregularidades nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação, não ilididas pela Recorrente com conjunto probatório suficiente a afastar a exação, ainda que parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 03 41 24 /2 00 4- 39 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 23034.034124/200439 Acórdão n.º 2402006.301 S2C4T2 Fl. 102 2 Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 148/168 em face de decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 140/144 que decidiu pelo indeferimento da defesa apresentada pelo contribuinte em epígrafe (efls. 68/83), mantendo, destarte, o crédito tributário referente ao não recolhimento do salário educação consignado na Notificação para Recolhimento de Débito n. 1205/2004 emitida em 04/11/2004 no valor total de R$ 183.504,04 (efl. 64) com fulcro em divergências junto ao Sistema de Manutenção de Ensino (SME) entre os valores deduzidos e o número efetivo de alunos indicados e efetivamente indenizados no programa Relação de Alunos Indenizados (RAI), conforme Demonstrativo de Divergência (efls. 52/59), decorrendo irregularidades nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação, consoante o disposto na legislação aplicável, especificamente em relação aos períodos de apuração (P.A) 01/07/1998 a 30/06/2002. A Recorrente foi cientificada da NRD n. 1205/2004 (efl. 23) em 02/07/2001 (efl. 25) e apresentou, em 10/11/2004, a impugnação de efls. 68/83 em 30/11/2004 alegando, em apertada síntese, que os novos arquivos relativos às deduções efetivadas nos recolhimentos da contribuição social do SalárioEducação devem ser processados e os comprovantes de arrecadação direta ser notificados. A impugnação de efls. 68/83 foi indeferida nos termos da decisão da lavra do Ilmo. Presidente do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 140/144, havendo dela a Recorrente sido cientificada em 27/03/2006 (efl. 180), e, irresignada, apresentou Recurso Voluntário, em 24/04/2006 (efls. 148/168), repisando os mesmos argumentos suscitados na impugnação de efls. 68/83. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 148/168) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. Consoante relatado, o Recurso Voluntário de efls. 148/168 guerreia contra a decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 140/144 que decidiu pelo indeferimento da defesa apresentada pela Recorrente e manteve o crédito tributário referente ao não recolhimento do salárioeducação consignado na Notificação para Recolhimento de Débito n. 1205/2004 (efl. 64). No mérito, em face dos argumentos apresentados pela Recorrente na peça recursal de efls. 148/168, que não aduz novas razões de defesa, e considerando os termos do Fl. 418DF CARF MF Processo nº 23034.034124/200439 Acórdão n.º 2402006.301 S2C4T2 Fl. 103 3 art. 57, § 3°., do Anexo II do RICARF, entendo suficiente e elucidativo o pronunciamento da decisão recorrida, verbis: Com relação ao questionamento da empresa concernente aos alunos cadastrados na modalidade Indenização de Dependentes, por oportuno, cumprenos expor os fundamentos a seguir desenvolvidos com base no parecer 168/2005 da douta Procuradoria Federal. Inicialmente, citamos o disposto no art. 5°, da Instrução n.° 01, de 23 de dezembro de 1996 do FNDE, o qual determina que: Art 5° A atualização do cadastro dos alunos será procedida, nos prazo que vierem a ser fixado e de conformidade com as orientações gue, para esse fim, forem fomecidas da seguinte forma: [...] II da modalidade Indenização de Dependente, por intermédio de disquete específico ou, na impossibilidade de utilização deste, do formulário Relação de Alunos Indenizados RAI, que serão encaminhados pelo FNDE. O que observa do comando acima é que a norma remeteu a posterior regulamentação o prazo para a atualização do cadastro dos alunos beneficiários. Contudo, com o advento da Instrução N.” 01, de 15 de dezembro de 1998, as empresas passaram a ter a obrigação de realizar a atualização do cadastro todo o semestre, conforme dispõe o art. 5°, inciso Il, verbis: II da modalidade Indenização de Dependente, mediante envio de disquete específico ou transmissão eletrônica de atualização semestral do cadastro no Sistema RAI distribuído pelo FNDE em janeiro de 1998, o qual, se necessário, poderá ser obtido no setor competente da Autarquia. Já na resolução n.° 3, de 18 de dezembro de 2000, e resoluções posteriores, além de haver a previsão de que a atualização deveria ser semestral, houve a determinação de que a mesma deveria ocorrer, obrigatoriamente, até 31 de julho para os dados relativos ao 1° semestre, e 31 de janeiro do exercício seguinte para os dados relativos ao 2° semestre. Desta forma, o que se infere das assertivas acima é que a partir de 1999, momento em que a questão foi integralmente regulada, tomouse obrigatória a atualização semestral dos alunos beneficiários, tomandose necessária a glosa de todas as deduções efetivadas nos semestres em que não houve a atualização do cadastro nos prazos previamente estabelecidos. Importante salientar que as sobreditas resoluções, têm como fundamento de validade a Lei n.° 9.424/96 e o Decreto n.° 3.142/99, que dispõem sobre a contribuição social do SalárioEducação, portanto, apresentando os pressupostos legais que fundamentam e justificam a sua edição, estando apta a produzir todos os efeitos jurídicos a que se propõe. Destarte, concluímos que, à luz da análise efetuada na explanação contida na defesa, a empresa não enviou os arquivos referentes ao povoamento da RAI em tempo hábil, o que a descredencia à consecução do abatimento das deduções efetivadas entre o l.° semestre/98 ao l.° semestre de 2002, devendo assim, ser mantidos todos os valores que foram notificados. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 23034.034124/200439 Acórdão n.º 2402006.301 S2C4T2 Fl. 104 4 Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 148/168), e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955526/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 55 26 /2 00 8- 80 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 276DF CARF MF
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Numero do processo: 13656.721445/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os Embargos de Declaração são o instrumento processual próprio para o saneamento de omissões nos julgados.
MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência.
SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, exige a demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN.
O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.
Numero da decisão: 1301-003.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam por membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, acolher os embargos do contribuinte para sanar omissão apontada apontada, e, por maioria de votos, dar-lhe provimento para cancelar a exigência das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Nelso Kichel que votaram por manter a exigência dessas penalidades. Os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto acompanharam o voto do relator por suas conclusões, sendo o entendimento desses conselheiros agregados ao voto condutor do aresto; (ii) por unanimidade de votos, acolher os embargos dos coobrigados para sanar omissão no acórdão embargado e excluí-los do polo passivo da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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OMISSÃO. Os Embargos de Declaração são o instrumento processual próprio para o saneamento de omissões nos julgados. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, exige a demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 14 45 /2 01 3- 97 Fl. 5372DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, acolher os embargos do contribuinte para sanar omissão apontada apontada, e, por maioria de votos, darlhe provimento para cancelar a exigência das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Nelso Kichel que votaram por manter a exigência dessas penalidades. Os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto acompanharam o voto do relator por suas conclusões, sendo o entendimento desses conselheiros agregados ao voto condutor do aresto; (ii) por unanimidade de votos, acolher os embargos dos coobrigados para sanar omissão no acórdão embargado e excluílos do polo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referentes aos anos calendários de 2007, 2008 e 2009, por meio dos quais foram glosadas amortizações de ágios derivados de operações de reestruturação societária da Contribuinte em questão. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 3209 3222) exige o recolhimento de R$ 39.331.240,08 de imposto, R$ 58.996.860,12 a título de multa de ofício de 150%, prevista no art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e R$ 22.458.138,09 de juros de mora, além de 44.577.058,75 de multa isolada. O lançamento fiscal decorreu das seguintes infrações: I) glosa do encargo com amortização indevida de ágio interno, escriturada na conta 23050000.0000 – Amortização Ágio e declarada nas linhas 20 ou 21 da Ficha 05A das DIPJ’s 2008, 2009 e 2010, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 31823202) e detalhado na planilha Anexo 01 (fls. 32033204), com infração ao disposto nos arts. 3º e 13, III, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 247, 249, I, 251, 299, 324, § 2º, 325, 385 e 386 do RIR de 1999. II) multa de ofício isolada sobre a diferença de estimativa de IRPJ calculada sobre o encargo com amortização do ágio interno, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 31823202) e detalhado na planilha Anexo 02 Fl. 5373DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 3 3 (fls. 32053207), com infração ao disposto nos arts. 222 e 843 do RIR de 1999, art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007). O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 32233236) exige o recolhimento de R$ 19.549.974,76 de contribuição, R$ 29.324.962,14 a título de multa de lançamento de ofício de 150% e R$ 11.163.035,59 de juros de mora, além de R$ 10.565.540,68 de multa exigida isoladamente. As infrações constatadas pelo lançamento são as mesmas do lançamento de IRPJ. O Relatório Fiscal (fls. 31823202) glosou os valores que entendeu não amortizáveis em razão da inexistência de ágio legítimo, ausência de fundamento econômico do ágio, utilização de empresa veículo e não caracterização de despesa dedutível. Ademais, imputou responsabilizada solidária com fundamento nos arts. 124, I e 135, III do CTN aos seguintes sujeitos: Alcoa Inversiones España S.L. (CNPJ nº 05.808.206/000166), cuja razão social anterior era Alcoa Transformación S.L.: controladora da Alcoa Alumínio por ocasião da apuração do ágio interno de R$ 1.551.585.298,70 constituído sobre o patrimônio líquido da interessada, na integralização do aumento do capital da empresa veículo RSAM Participações Ltda., em 31/12/2003, mediante entrega de 6.002.851 ações ordinárias e 724 ações preferenciais da contribuinte; o valor desse ágio acabou integrando o acervo vertido para a interessada por ocasião da incorporação reversa ocorrida em 23/07/2004, quando passou a ser amortizado à razão de 1/60 ao mês;. Eduardo Sampaio Dória (CPF nº 149.048.60896): representante da Alcoa Inversiones España S.L., Alcoa Brazil Holdings Company e Alcoa do Brasil Indústria e Comércio Ltda.; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 3243 3244 e 32533254) Carlos Eduardo Mahfuz (CPF nº 029.768.28814): representante da Alcoa Brasil Holdings Company, Alcoa do Brasil Indústria e Comércio Ltda., Alcoa Inversiones España S.L. e Companhia Geral de Minas; também foi diretor da fiscalizada (até 2005) e da RSAM Participações Ltda.; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32513252) João Luiz Serafim da Silva (CPF nº 002.619.82826) representante da Alcoa Luxembourg S.A.R.L., diretor da interessada e membro do Conselho de Administração da interessada; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32473248) Marcelo de Arruda Barros Rangel (CPF nº 063.855.03860) representante da Alcoa Transformación e Companhia Geral de Minas e diretor da RSAM Participações; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32493250) Adjarma Azevedo (CPF nº 047.186.07868): presidente da fiscalizada em 2003 e membro do seu Conselho de Administração de 2002 a 2004, tendo sido nomeado para compor o Conselho Consultivo da companhia em 14/04/2004; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32453246) Josmar Verillo (CPF nº 392.513.30891): presidente da fiscalizada em 2003 e 2004 e membro do seu Conselho de Administração; é representante da Companhia Geral de Minas na administração da RSAM Participações; Fl. 5374DF CARF MF 4 Franklin Lee Feder (CPF nº 668.181.50810): presidente da fiscalizada desde janeiro/2005; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32413242). O fundamento da imputação de responsabilidade solidária foi assim exposto pela fiscalização: “De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal ficou comprovada a existência de um planejamento tributário indevido, por parte do grupo ALCOA, utilizando algumas PJ para criação e amortização de um ágio ilegal. Houve a demonstração de que essas pessoas, vinculadas ao grupo ALCOA, se reuniram em conluio para a prática das referidas infrações tributárias. As decisões do grupo ALCOA foram manifestadas mediante representantes, procuradores e também dos diretores das pessoas jurídicas brasileiras. Essas pessoas físicas é que conceberam e executaram o planejamento tributário indevido, provavelmente receberam muito bem por isso. Podemos ver nas cópias das atas de reunião dos acionistas, da diretoria e nas alterações dos atos constitutivos, que sempre houve unanimidade nas decisões lavradas naqueles instrumentos que estão assinados por todos. Ou seja, não há qualquer voto divergente, seja na reunião da diretoria ou do conselho de administração, demonstrando que continuamente houve assentimento de todos nos atos praticados. É obrigação legal da fiscalização, ao lavrar um auto de infração, efetuar a correta identificação do sujeito passivo que será o contribuinte, como também daqueles que por expressa disposição legal sejam considerados responsáveis pelos fatos constatados. A diretoria constitui o órgão executivo de uma SA. Compete à diretoria a representação da sociedade e a prática de todos os atos necessários ao funcionamento regular dos negócios empresariais da companhia, observando as orientações do Conselho de Administração e dos acionistas. O mesmo ocorre em relação às sociedades LTDA, obedecendose os respectivos contratos sociais. Da mesma forma, os representantes do grupo ALCOA internacional também atuaram na concepção e execução do esquema, que sabiam indevido e ilegal. Essas pessoas além de participarem da articulação da operação, praticaram os atos societários e comerciais necessários para sua execução, desde a geração do ágio indevido, como do seu aproveitamento igualmente ilegal. Como gestores executivos, tiveram o pleno domínio de todos os fatos necessários para que esse benefício indevido fosse aproveitado pela fiscalizada, com os decorrentes efeitos tributários de redução ilegal do IRPJ e CSLL. Portanto, ficou demonstrado que há nexo de causalidade entre a participação dos diretores e representantes e a geração e aproveitamento desse ágio ilegal, que levou ao grave prejuízo para os cofres públicos que foi descrito no Relatório de Auditoria Fiscal. Dessa forma, ao autuarmos o contribuinte ALCOA ALUMÍNIO SA, CNPJ 23.637.697/000101, atribuímos a responsabilidade solidária passiva pelo crédito tributário devido, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), em face de restarem caracterizados interesse comum e infração de lei na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, porquanto realizaram, em nome das pessoas jurídicas envolvidas, todos os atos que possibilitaram a amortização do ágio indevido, conforme descrito no relatório.” Fl. 5375DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 4 5 Cientificado, o Contribuinte apresentou tempestiva Impugnação aduzindo os seguintes fundamentos para o cancelamento total ou parcial da autuação: I) há nulidade do procedimento fiscal em face: (i) de o procedimento fiscal alcançar períodobase já fiscalizado, cuja fiscalização considerou válidas as amortizações; (ii) da impossibilidade de serem conferidos os cálculos que acarretaram os lançamento fiscais; (iii) de não cumprirem as normas constitucionais e legais relativas à motivação e fundamentação dos atos administrativos;. II) ocorreu a decadência do direito de lançar o IRPJ e CSLL dos anos calendário de 2007 a 2009;. o ágio existiu e foi regularmente amortizado pela impugnante em observâncias das restrições legais aplicáveis; III) na eventual hipótese de não acolhimentos dos pleitos anteriores, a multa agravada deve ser reduzida por não ter havido infração praticada dolosamente, além de haver nulidades no respectivo lançamento, por falta de provas das circunstâncias legais em que ela caberia e por insuficiente fundamentação legal;. IV) não cabe a incidência de juros sobre as correspondentes multas;. a multa isolada deve ser cancelada por não poder incidir concomitantemente com a multa de lançamento “ex offício”; V) devem ser excluídas as sujeições passivas das pessoas arroladas como solidárias, por não ser o caso de solidariedade e por não ter havido atos das mesmas passíveis de enquadramento na hipótese legal de responsabilidade. Os responsáveis também apresentaram tempestivas Impugnações, insurgindo se contra a imputação de responsabilidade. A DRJ julgou improcedentes as impugnações apresentadas, mantendo também a responsabilidade tributária imputada. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 3733/3845) repisando as razões de sua impugnação. Do mesmo modo, a PGFN apresentou contrarrazões defendendo a validade do lançamento. Em composição parcialmente distinta deste Colegiado, o Recurso Voluntário foi julgado parcialmente procedente, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos argumentos atinentes à responsabilidade tributária, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Roberto Silva Junior; e (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o anocalendário 2007 e reduzir a multa de ofício para 75%, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha que negavam provimento. No que se refere à exigência atinente à amortização de ágio, a decisão foi unânime no sentido de negar provimento, sendo que os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto acompanharam o relator pelas conclusões. No que se refere à exigência de juros sobre multa de ofício, a decisão foi por maioria de votos no sentido de negar provimento, ficando vencidos, nessa parte, os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Milene de Araújo Macedo. Fl. 5376DF CARF MF 6 Diante do resultado, o Contribuinte principal opôs Embargos de Declaração aduzindo que o colegiado se omitiu quanto à questão da inexigibilidade da multa isolada cobrada no processo (fls. 4075/4091). Em seguida, os responsáveis tributários apresentaram Embargos de Declaração (fls. 4196/4210) informando que não foram notificados da decisão da DRJ, requerem que seja sanada a omissão quanto à análise dos argumentos relacionados à responsabilidade tributária. Ciente da petição apresentada pelos responsáveis, o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto exarou despacho de saneamento (fls. 5043/5048) determinando a intimação de todos os responsáveis para que aduzam suas razões, retornando o processo ao Colegiado para julgamento dos argumentos aduzidos e dos Embargos opostos. Os responsáveis apresentaram "Recurso Voluntário" de fls. 5075/5019 atacando exclusivamente a questão da responsabilidade solidária. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte principal são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. Os responsáveis tributários, por sua vez, após sua notificação, apresentaram "Recurso Voluntário" (fls. 5075/5019) questionando exclusivamente a parcela do Recurso do Contribuinte principal que não foi conhecida relativamente à responsabilidade tributária imputada. Verificase de pronto que esta petição não tem qualquer impacto potencial ou efetivo sobre a matéria que foi conhecida e julgada, não havendo, portanto, razão para a reforma do Acórdão nº 1301.002.279, mas somente para a sua complementação através do julgamento da matéria que até então não havia sido conhecida nesta instância de julgamento. Desse modo, entendo por adequado receber o "Recurso Voluntário" dos responsáveis como Embargos de Declaração, para sanar a omissão quanto à análise dos argumentos acerca da responsabilidade tributária, e nesses termos reconheço a sua tempestividade e o atendimento aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos pelo Colegiado. Através do Acórdão nº 1301.002.279 o Colegiado decidiu: (i) não conhecer dos argumentos atinentes à responsabilidade tributária; (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o anocalendário 2007 e reduzir a multa de ofício para 75%; (iii) negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à exigência atinente à amortização de ágio e (iv) negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à exigência de juros sobre multa de ofício. I) Embargos de Declaração do Contribuinte Fl. 5377DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 5 7 Compulsando o anexo 02 do relatório fiscal (fls. 3205/3206) verifico que foi lançada a multa isolada de 50% em relação às estimativas de IRPJ referentes aos anos de 2007 e 2008, sem prejuízo do lançamento da multa de ofício qualificada sobre o saldo positivo de IRPJ dos anos de 2007, 2008 e 2009 gerados após a glosa da amortização do ágio gerado na operação societária da Embargante. Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte possui tópico específico sobre o “Descabimento da aplicação da multa isolada”, no qual argumenta que em relação ao período base de 2007 é francamente descabida a exigência de multa isolada em face de possuir origem no mesmo dispositivo de lei (art. 44 da Lei nº 9430) e na mesma infração sobre a qual foi aplicada a multa de ofício qualificada; o pagamento do tributo se dá em duas diferentes etapas, a primeira em caráter provisório e antecipatório, e a segunda quando se apura o ajuste final, de caráter definitivo; logo, o não pagamento do tributo, quando ocorre, constituise em uma única conduta, e não em duas, passíveis de dupla penalização; para que fosse cabível a incidência das duas multas seria necessário que a lei determinasse expressamente, nos incisos I e II do caput, que a exigência das respectivas multas se daria sem prejuízo da cobrança daquela prevista no inciso IV do § 1º. Além disso, aduz que após o encerramento do períodobase não cabe mais a exigência das antecipações que tenham deixado de ser recolhidas no mês próprio, porque seu valor desde então já integra o valor do tributo devido ao final do período e apurado na respectiva DIPJ e, em consequência, também não é mais possível a cobrança da multa que seria devida sobre a falta de insuficiência de recolhimento da sua mera antecipação; outro não será o entendimento se for analisar a questão sob o prisma do princípio da consumação, segundo o qual a infração mais grave absorve aquela mais leve, sendo a pena decorrente daquela suficiente para também punir esta última e excluir uma penalização específica a esta; em relação ao períodobase de 2008. Pugna, também, pela aplicação da Súmula CARF nº 105. Pois bem, de pronto constato que a decisão embargada não se manifestou de forma alguma sobre o cabimento ou não da multa isolada que foi imputada. Em razão disso, podemos concluir haver, sim, omissão no julgado. Havendo cobrança simultânea de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas (em razão da glosa do ágio amortizado) e multa de ofício por falta de pagamento do IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, deve ser mantida apenas a multa de ofício. Este é o teor literal da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Adianto que entendo ainda ser aplicável a Súmula CARF nº 105, a despeito do dispositivo mencionado em seu texto ter sido alterado pela Lei nº 11.488/2007, cuja validade abarca os fatos geradores do presente feito. Por razões de clareza e transparência na motivação, explano meus fundamentos. Fl. 5378DF CARF MF 8 A aplicação de qualquer súmula, mormente à luz do novel CPC/2015, deve se dar em atenção à racionalidade tópicoproblemática que orienta a sua adequada compreensão, tanto que os dispositivos relativos à motivação das decisões dá um tratamento peculiar a elas: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. É dizer, a súmula tem seu conteúdo normativo determinado não pelo seu texto sumular, mas pelas fundamentos determinantes que lhe são subjacentes, que deverão ser, efetivamente, o "fiel da balança" de sua aplicação. Assim, compulsando os precedentes que deram origem à Súmula CARF nº 105, entendeu a jurisprudência dominante que não poderiam ser exigidas concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício, em razão da absorção daquela por esta princípio da consunção ou absorção, típico do Direito Penal, para os casos em que condutas que lesem determinado bem são punidas por tipos penais distintos. Senão vejamos o Acórdão CSRF nº 9101001.261: É dizer, o fundamento da súmula é o fato da infração que dá causa à multa isolada ser menos gravosa que o fato que justifica a multa de ofício, razão pela qual esta absorve aquela. O que define a conduta lesiva ao bem tutelado pela regra penal é exatamente a Fl. 5379DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 6 9 hipótese de incidência dela (lembrando que uma regra jurídica possui hipótese e consequência jurídica), estando sujeita a uma penalidade, estabelecida em sua prescrição. Pois bem, a lei nº 11.488/2007 alterou a Lei nº 9.430/96, em relação aos dispositivos sucessivamente apresentados: Lei nº 9.430/96 art. 44 (...) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Lei nº 11.488/2007 Art. 44. (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela leitura do dispositivo, podemos verificar que a Lei nº 11.488/07 trouxe algumas inovação: I) estendeu a hipótese de multa pros casos de rendimentos auferidos por pessoa física, de fonte pagadora no exterior, que não tenham sido tributados no país da fonte; II) em relação à hipótese existente, reduziu o valor da multa para 50%. Como se vê, em relação à hipótese de falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, não houve alteração da fattispecie punitiva é dizer, a conduta típica permaneceu a mesma, apenas com alteração da sanção aplicada. Ou seja, os fundamentos para a aplicação do princípio da consunção motivo determinante da Súmula CARF nº 105 permanecem presente, haja vista que as condutas ofensivas continuam as mesmas (com a ressalva do acréscimo do art. 44, II, "a" da Lei nº 9.430/96), com alteração apenas na prescrição penal estabelecida pela legislação. As condutas indicadas nas duas normas infracionais continuam sendo uma meio de execução da outra, sem que qualquer alteração nesse ponto tenha decorrido da nova redação legal. Fl. 5380DF CARF MF 10 Isso decorre da diferença entre texto legal e norma jurídica, evidenciada no Direito Positivo pelo art. 13, §2º da Lei Complementar nº 95/98, que autoriza o reconhecimento de que a norma infracional pré e póslei 11.488/2007 possuem hipóteses de incidência que se superpõem, a despeito da alteração da numeração e posição dos dispositivos. Em razão disso, não entendo ter havido modificação de circunstâncias fáticas ou jurídicas que se afastem dos motivos determinantes da Súmula CARF nº 105, de modo que ela permanece aplicável a casos após a edição da Lei nº 11.488/2007. Entretanto, durante o julgamento, fui acompanhado pela maioria dos julgadores pelas conclusões, razão pela qual deve constar expressamente o fundamento prevalecente na Turma, conforme art. 63, §8º do RICARF. O entendimento prevalecente está conforme o voto vencedor no Acórdão CARF nº 1301002.736, proferido pelo Ilustre Conselheiro José Eduardo Dornelas, reproduzido abaixo: A multa isolada aplicada tem como origem as diferenças entre as base de cálculo mensais apuradas pela recorrente e pela fiscalização, e decorre das glosas efetuadas em procedimento de fiscalização, que constatou entre outras infrações, deduções indevidas de despesas/custos na apuração do lucro real do período. Não decorre do não recolhimento de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo contribuinte optante do lucro real anual. Penso que as discussões relacionadas à aplicação da multa isolada devem levar em conta o motivo que levou a autoridade fiscal a aplicála, pois ela não se destina a punir casos de omissão de receita, deduções indevidas de despesas, exclusões não autorizadas ou falta de adição ao lucro líquido. Nessas infrações, deve ser aplicada apenas a multa de ofício, ao contrário do que ocorre na hipótese do não recolhimento (total ou parcial) de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo contribuinte optante do lucro real anual, onde se aplica a denominada multa isolada. Isso porque, no meu sentir, a multa isolada foi instituída para punir apenas os contribuintes que, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixavam de recolher as estimativas mensais. É que encerrado o ano base, já não é juridicamente possível exigir as estimativas, vez que elas possuem natureza de antecipação do tributo a ser apurado no final do período. Assim, encerrado o período, o Fisco só pode exigir o valor devido e não as antecipações. Vale dizer, as estimativas só podem ser exigidas no curso do respectivo período de apuração. Assim, para que a norma que determina o recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa seja imperativa, e não reduzida a mera recomendação, instituiuse a multa isolada, com o propósito específico de punir o descumprimento da norma que impõe a estes contribuintes o recolhimento mensal por estimativa. Por isso, a aplicação da referida multa isolada deve limitarse apenas ao caso em que foi concebida. Aplicála a casos de glosas de despesas efetuadas em procedimento de fiscalização, como é a hipótese dos presentes autos, é uma forma de exacerbar a penalidade sem previsão legal. Ademais, existe entendimento de que a aplicação da multa de ofício afastaria, pelo princípio da consunção, a multa isolada. O E STJ tem decisões nesse sentido, das quais é exemplo a decisão proferida no REsp nº 1.496.354/PR. (...) Assim, ao abrigo do princípio da consunção, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem Fl. 5381DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 7 11 jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Logo, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa do que o ilícito principal. É o que os penalistas, à propósito, denominam de "princípio da consunção". Desse modo, voto por reconhecer a omissão em relação à análise da multa isolada relativo ao anocalendário de 2007 e 2008, para sanála, dando provimento ao pleito do contribuinte para manter apenas a multa de ofício sobre os débitos tributários do período. II) Embargos de Declaração dos Responsáveis Os fundamentos da imputação de responsabilidade passiva são aduzidos em fls. 3198 e seguintes, no relatório fiscal, e se baseia no fato de que "essas pessoas se reuniram em conluio para a prática das referidas infrações tributárias", e que "todos os representantes do grupo ALCOA internacional atuaram na concepção e execução do esquema". Além disso, afirmou o fiscal que: Após tal afirmação, conclui que a responsabilidade solidária passiva decorreria dos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, "em face de restarem caracterizados interesse comum e infração de lei na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, porquanto realizaram, em nome das pessoas jurídicas envolvidas, todos os atos que possibilitaram a amortização do ágio indevido". Em razão dos Embargantes terem sido intimados após a publicação do Acórdão que não conheceu a matéria relativa à responsabilidade tributária, a apresentação tempestiva de seu "recurso", recebido aqui como Embargos de Declaração, torna evidente a omissão da decisão quanto a esta questão. Passo a sanear tal omissão, portanto. Um ponto relevante é a necessidade de congruência da motivação da decisão, tanto interna para não cair em contradição quanto externa guardando referibilidade com os fatos do processo, que por força do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99 se impõe. Nessa linha, o relator anterior deste processo já proferira voto meritório analisando a questão da responsabilidade tributária no presente caso, alinhado com as premissas assentadas majoritariamente pelo Colegiado, mas que acabou vencido quanto ao conhecimento da matéria. Com fulcro no mesmo art. 50, §1º da Lei 9784/99, reproduzo as assunções do Conselheiro Marcos Paulo Caseiro, às quais adiro expressamente: Fl. 5382DF CARF MF 12 Os Termos de Declaração de Sujeição Solidária foram lavrados em nome de Alcoa Inversiones España S.L., Eduardo Sampaio Dória, Carlos Eduardo Mahfuz, João Luiz Serafim da Silva, Marcelo de Arruda Barros, Rangel, Adjarma Azevedo, Josmar Verillo e Franklin Lee Feder, os quais foram vinculados ao cumprimento da obrigação tributária imposta, sob o manto dos artigos 124 I e 135, III do CTN. O art. 124 do CTN1 atribui a responsabilidade solidária para aqueles que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo ou aqueles expressamente designados por lei. Por sua vez, o art. 135, do mesmo diploma legal é aplicável aos representes, diretores ou gerentes das pessoas jurídicas envolvidas. Conforme os termos de Verificação fiscal (fls. 19/20), foi aplicado o art. 124, I a todos administradores dos negócios das empresas envolvidas que tiveram participação ativa no planejamento tributário, de forma a praticar todos os atos societários e comerciais necessários para sua execução, culminando no aproveitamento indevido do ágio. Por sua vez também aplicou o art. 135, III aos representantes, diretores e gerentes das empresas envolvidas, por terem sidos os responsáveis por praticar atos com infração de lei e excesso de poderes à medida que criaram condições artificiais para justificar a amortização indevida do ágio, mediante as sucessivas operações societárias realizadas. Entendo que tais argumentos não devem prosperar. Primeiramente, com relação ao citado art. 124, I, não houve a caracterização do interesse comum ao fato gerador, pois sua acepção é jurídica, pressupondo uma relação jurídica de duas ou mais pessoas configurando como contribuintes, isto é, somente aqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Com efeito, não se reputa razoável a imputação da responsabilidade tributária por apenas terem participado, como administradores, nas práticas societárias que originou a infração fiscal. Tal entendimento é corroborado por este Colegiado, o qual já teve a oportunidade de se manifestar sobre a questão, conforme ementa a seguir: SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. Não me parece suficiente a imputação realizada, de disporem as pessoas físicas de poderes gerenciais, suficiente a desencadear a solidarização levada a efeito. A Fiscalização não comprovou, aliás, nem mesmo argumentou, qual seria o preciso interesse na situação que constituiu o fato gerador (regra do 124, I), nem mesmo qual a relação direta e pessoal com tal situação (regra do 121).(Ac. 1301001.400, Seção em 12/02/2014) Por sua vez, quanto ao art. 135, III do mesmo dispositivo legal, somente pode ocorrer a responsabilização pessoal dos sócios quando estes agem com excesso de poderes ou infração de lei ou ainda de contrato social. No Relatório não há, pois, qualquer comprovação das condutas supostamente dolosas praticadas pelo responsável solidário, sendo descritas somente as infrações realizadas pelas pessoas jurídicas e transcritos os dispositivos legais que embasaram a responsabilização. Fl. 5383DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 8 13 Entendo que a hipótese de responsabilização tributária preceituada pelo artigo em comento pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente essa conduta. Logo, para efeito de atribuição da responsabilidade contida em tal artigo, impõese que o sóciogerente ou diretor tenha praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária. Corroborando este entendimento, temse decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1101728/SP sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (grifei) Nessa esteira, entendo que os atos societários praticados pelos sócios não são capazes de atrair a incidência do art. 135 do CTN. Diante o exposto, entendo que deve ser excluída a responsabilidade de todas as pessoas citadas, pois não restou justificada e comprovada a responsabilidade tributária, conforme os dispositivos legais que embasaram a responsabilização. A despeito do abalizado do voto do Conselheiro Marcos Caseiro, calha fazer considerações adicionais sobre a imputação de responsabilidade realizada. Em primeiro lugar, o art. 124, I do CTN exige um "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal" não qualquer interesse, mas um interesse na realização da conduta descrita em uma hipótese de incidência tributária. Nesse sentido é a jurisprudência do STJ: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE TERCEIROS. ALEGAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. IMPOSSIBILIDADE DE REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL CONTRA Fl. 5384DF CARF MF 14 EMPRESAS CONSTITUÍDAS APÓS O FATO GERADOR DO TRIBUTO DE OUTRA EMPRESA, DITA INTEGRANTE DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. AGRAVOS REGIMENTAIS A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A teor do art. 124, I do CTN e de acordo com a doutrina justributarista nacional mais autorizada, não se apura responsabilidade tributária de quem não participou da elaboração do fato gerador do tributo, não sendo bastante para a definição de tal liame jurídico obrigacional a eventual integração interempresarial abrangendo duas ou mais empresas da mesma atividade econômica ou de atividades econômicas distintas, aliás não demonstradas, neste caso. Precedente: AgRg no AREsp 429.923/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, 2T, DJe 16.12.2013. 2. Da mesma forma, ainda que se admita que as empresas integram grupo econômico, não se tem isso como bastante para fundar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma delas, ao ponto de se exigir seu adimplemento por qualquer delas. Precedentes: AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, 1T, DJe 27.3.2015; AgRg no REsp. 1.433.631/PE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, 2T, DJe 13.3.2015. 3. Agravos Regimentais da FAZENDA NACIONAL e LEMOS DANOVA ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS LTDA ME a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1535048/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/09/2015, DJe 21/09/2015) A noção de interesse comum não deve ser em sentido econômico, como pretende a fiscalização, pois o próprio dispositivo trata de traçar os contornos de juridicidade desse interesse qualificado. A solidariedade do art. 124, I do CTN, como bem sintetiza Augusto Fantozzi, é um meio de reconexão dos efeitos tributários da realização de um fato gerador plurisubjetivo (fattispecie tributarie plurisoggettive) (La Solidarietà nel Diritto Tributario. Torino: UTET, 1968, p. 40 e seguintes), usual nos tributos cuja hipótese de incidência envolva um negócio jurídico, com interesses coincidentes na sua realização e, portanto, realização do fato gerador. Quando se está tratando de tributos como o IRPJ e CSLL, via de regra não há como reconduzir um interesse comum na realização do fato gerador, pois este é uma situação fática pertinente exclusivamente ao contribuinte, salvo casos que envolvam simulações caso contrário seria necessário imputar a solidariedade a todas as pessoas que, em operações de compra e venda, por exemplo, contribuíram para a formação do Lucro Real do exercício. O que pretende a fiscalização é apontar uma coparticipação dolosa dos responsáveis na formação da despesa amortizável de ágio, utilizada para a compensação do tributo devido. Ora, aí mesmo já há acintosa contradição, pois o art. 124, I do CTN exige interesse comum na realização do fato gerador, e a conduta indicada diz respeito à base de cálculo, o que já evidencia a incompatibilidade do raciocínio perpetrado pela fiscalização. Quanto ao art. 135 do CTN, tampouco procede a autuação. Vejamos seu texto: Fl. 5385DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 9 15 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Antes de qualquer coisa, é preciso que se comprove o dolo das condutas dos sujeitos responsabilizados, o que já foi devidamente afastado pelo Colegiado, ao afastar a qualificação da multa de ofício no Acórdão embargado. Todos os atos indicados na fundamentação estavam revestidos de validade formal e material, não se enquadrando como dolo, fraude ou simulação. Em rigor, a operação inteira foi plenamente eficaz, restando sua eficácia afastada apenas perante o Fisco, em razão da ausência de propósito negocial apontado na julgamento embargado. É preciso, ademais, que se demonstre que os atos realizados foram anormais, extrapolando dos poderes atribuídos aos gestores por meio dos estatutos, contrato social ou da lei, delimitando assim também precisamente quem será o responsável. Se os atos realizados foram feitos dentro dos poderes de cada um, não há justificativa para a aplicação do art. 135 do CTN. É o que decidiu o CARF no Acórdão 1402002.687, de relatoria do Ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, assim ementado: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Não havendo qualquer prova nesse sentido, não vislumbro no presente caso os requisitos de responsabilização com base no art. 124, I, tampouco com base no art. 135 do CTN. Desse modo, voto por reconhecer a omissão para sanála, afastando a responsabilidade tributária de todos os responsáveis. Fl. 5386DF CARF MF 16 III) Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento integral aos Embargos de Declaração do Contribuinte Principal e aos Embargos de Declaração dos responsáveis para: a) reconhecer a omissão em relação à análise da multa isolada relativo ao anocalendário de 2007 e 2008, para sanála, dando provimento ao pleito do contribuinte para manter apenas a multa de ofício sobre os débitos tributários do período. b) reconhecer a omissão quanto à análise da questão da responsabilidade de terceiros para sanála, afastando a responsabilidade tributária de todos os responsáveis. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 5387DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904809/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 48 09 /2 01 2- 17 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.563 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 5 4 a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 6 5 Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009703/2002-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE-CALENDÁRIO.
Em outro processo, foram acolhidos os embargos de declaração para retificar o acordão embargado, com efeitos infringentes de modo a propiciar estorno de valores.
Numero da decisão: 3302-005.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Em outro processo, foram acolhidos os embargos de declaração “para retificar o acordão embargado, com efeitos infringentes” de modo a propiciar estorno de valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 97 03 /2 00 2- 54 Fl. 336DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (fl. 01) no valor de R$ 132.129,49, cujo crédito é oriundo de ressarcimento de IPI (fl. 02), com fundamento na Lei n° 9.779/99, relativo ao 3° trimestre de 2002. A Recorrente apresentou, em 06.11.2002, Pedido de Ressarcimento cumulado com Pedido de Compensação, ainda em formulário, de débitos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Com base na informação fiscal de fls. 51/53, a Delegacia da Receita Federal em Campinas proferiu o Despacho Decisório de fl. 64/65, no qual deferiu parcialmente o valor de R$ 9.059,26 e glosou R$ 123.070,22, homologando parcialmente as compensações pleiteadas. Segundo consta, a contribuinte deu saída a produtos de sua fabricação com classificação fiscal equivocada, e com falta de lançamento do imposto. Conseqüentemente, foi lançado o imposto e reconstituída a escrita fiscal, resultando em redução do saldo credor ao final do trimestre calendário, razão pela qual foi deferido parcialmente o valor solicitado. O Despacho Decisório proferido pela DRF em Campinas se baseou em dados obtidos em procedimento de fiscalização de IPI iniciado para averiguar os anos de 2001 a 2005, e concluído em 15 de dezembro de 2006, mediante a lavratura do Auto de Infração, que deu origem ao Processo Administrativo n° 10830.006632/200661, com exigência de IPI, juros moratórios e multas referentes aos anos de 2002 a 2005; No Auto de Infração lavrado, o AuditorFiscal refez a escrituração fiscal da Recorrente, atribuindo à sua linha de suplementos vitamínicos classificação fiscal diversa daquela considerada pela contribuinte. Com a reconstituição da escrita fiscal da autuada, ultimada no lançamento do IPI materializado com ó Auto de Infração controlado no processo administrativo n° 10830.006632/200661, a DRF Campinas concluiu pela inexistência do crédito do IPI pleiteado. A classificação fiscal imposta pela fiscalização, referente ao código 2202.90.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, relativa aos repositores energéticos e hidroeletrolíticos, ensejou a redução do saldo credor pleiteado pela Recorrente, posto que as saídas de produtos classificados na referida posição são tributadas com base em valores fixos de IPI, ao passo que a classificação fiscal adotada pela contribuinte (código 2106.90.30), referente aos suplementos vitamínicos, prevê saídas tributadas mediante aplicação de alíquota correspondente a 0% (zero por cento). O saldo credor da Recorrente, oriundo de aquisições de insumos e acumulados em razão das saídas tributadas com alíquota igual a 0%, foi utilizado pela fiscalização para então amortizar as saídas consideradas tributadas em função da nova classificação fiscal atribuída à linha de suplementos vitamínicos fabricados pela Recorrente. Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 77/88. Em 20 de dezembro de 2007, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), através do Acórdão n° 1418.050, por unanimidade de votos, deferiu parcialmente a solicitação, reconhecendo o direito creditório de R$ 11.473,62. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10830.009703/200254 Acórdão n.º 3302005.577 S3C3T2 Fl. 337 3 Em virtude da nova reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, considerando os valores lançados no auto de infração, e retificando os equívocos da fiscalização, obtevese um saldo disponível para ressarcimento de IPI em 30/09/2002 de R$ 20.532,88. Como a DRF/Campinas já deferiu parcialmente o valor de R$ 9.059,26, devese deferir a diferença de R$ 11.473,62. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, ao decidir o presente processo, informa que julgou concomitantemente o Processo n° 10830.006632/200661, referente ao Auto de infração, atestando a vinculação entre ambos. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 24/11/2010 (folhas 241), via Aviso de Recebimento. Em 21/12/2010, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões de folhas 222 a 240. Foi alegado: ü A arguição de que o mérito desse processo de ressarcimento/compensação é dependente e vinculado ao Processo n° 10830.006632/200661, resultante do Auto de Infração de IPI lavrado contra a autuada; ü A arguição de ausência de certeza e liquidez do montante do crédito parcialmente reconhecido pela DRJRibeirão Preto; ü A arguição referente ao IPI calculado sob pauta: diferenças em função de capacidade de embalagem não prevista; ü A arguição referente à créditos por mercadorias devolvida; ü A arguição sobre reflexos do equivocado calculo do ano de 2001; ü A arguição de que a DRJ em Ribeirão Preto—SP reconheceu o acerto da classificação fiscal 2106.90.30 no processo n° 10830.002310/200643; ü A arguição referente à suspensão da exigibilidade dos débitos indicados nas compensações declaradas pela Recorrente. DO PEDIDO Demonstrada a improcedência do indeferimento do Pedido de Ressarcimento de IPI, a Recorrente requer seja restabelecido seu direito integral ao crédito de IPI pleiteado, bem como sejam homologadas as compensações declaradas nestes autos. Requer, ainda, que seja reconhecido e incluído o saldo credor apurado em 31.12.2001 e não considerado pela fiscalização na reconstituição da escrita fiscal de 2002, o que redundará em saldo credor maior no trimestre sob exame. Ademais, reitera o pedido de julgamento deste processo em conjunto com o litígio instaurado no Processo n° 10830.006632/200661 (principal), referente ao Auto de Fl. 338DF CARF MF 4 Infração lavrado, tendo em vista que a resolução daquele litígio implicará diretamente na apuração do saldo credor de IPI pleiteado e compensado nestes autos. Em 31 de agosto de 2011, a Recorrente, empresa KORBACH VOLLET ALIMENTOS LTDA, apresenta DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto, renunciando a quaisquer alegações de direito em relação apenas às Compensações declaradas. Portanto, o pleito da Recorrente ficou restringido ao direito creditório pleiteado através do Pedido de Ressarcimento de crédito de IPI. Em 14 de fevereiro de 2012, a 3ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF, através da Resolução nº 380300.148, baixou os autos em diligência à unidade fiscal de jurisdição sobre o recorrente, para que lá se adotem as seguintes providências: a) Aguardese a decisão definitiva a ser proferida nos processos 10830.002310/200643 e 10830.006632/200661(há notícias de que os mesmo já foram julgados, em 01/09/2011 e em 02/02/2011, por meio dos acórdãos n° 3102001.184 e 3102000.888, respectivamente); b) À luz dessas decisões, certifiquese o saldo credor disponível para ressarcimento mediante compensação com o(s) débito(s), objeto da(s) declaração(ões) de compensação do presente processo, em parecer conclusivo, e; c) Devolvase o processo a este Conselho, para julgamento do recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Relator Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 24 de novembro de 2010, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 21 de dezembro de 2010. Da controvérsia. Tratase de Declaração de Compensação no valor de R$ 132.129,49, cujo crédito é oriundo de ressarcimento de IPI. A Recorrente apresentou, em 06.11.2002, Pedido de Ressarcimento cumulado com Pedido de Compensação, ainda em formulário, de débitos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10830.009703/200254 Acórdão n.º 3302005.577 S3C3T2 Fl. 338 5 Em virtude de DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto, renunciando a quaisquer alegações de direito em relação às Compensações declaradas, o pleito da Recorrente ficou restringido ao direito creditório pleiteado através do Pedido de Ressarcimento de crédito de IPI. Do Mérito Tomase como marco inicial para o deslinde da controvérsia a resposta fornecida pela autoridade preparadora à Resolução nº 380300.148, de 14 de fevereiro de 2012, via INFORMAÇÃO FISCAL, às folhas 304 e 305 do processo digital. Foi informado que: Ø Em 01/09/2011 e 29/01/2013, foram proferidas decisões definitivas nos processos n.° 10830.002310/200643 e 10830.006632/200661 Acórdãos n.° 3102011.184 e 3102001.711, respectivamente, pela 2a Turma Ordinária, da 1a Câmara. da 3a Seção de Julgamento.; Ø No Acórdão proferido no processo n.° 10830.002310/200643 foi dado “integral provimento ao Recurso Voluntário para afastar a exigência expressa no Auto de Infração controvertido”; Ø Em 09/04/2014 a Sra. Procuradora Representante da Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão 3102001.84 documentos às fls. 289/303; Ø No processo 10830.006632/200661 foram acolhidos os embargos de declaração “para retificar o acordão embargado, com efeitos infringentes” cópia do Acórdão às fls. 276/288. Assim, estando os processos referentes aos autos de infração do período de 2001 a 2005 encerrados, com decisões favoráveis ao contribuinte, transcrevese abaixo os valores consignados no livro Registro de Apuração do IPI, conforme Informação Fiscal elaborada pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Campinas, em 11/11/2006 documento às folhas 49/56. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar provimento total ao Recurso da Contribuinte. Fl. 340DF CARF MF 6 É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12196.001467/2009-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não se vislumbra a existência de divergência quando há aplicabilidade de decisão de cunho obrigatório emanada da Suprema Corte, na decisão recorrida, mas o acórdão paradigma, por ser de momento anterior, não se manifesta acerca da aplicação da decisão judicial.
Numero da decisão: 9202-006.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se vislumbra a existência de divergência quando há aplicabilidade de decisão de cunho obrigatório emanada da Suprema Corte, na decisão recorrida, mas o acórdão paradigma, por ser de momento anterior, não se manifesta acerca da aplicação da decisão judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se vislumbra a existência de divergência quando há aplicabilidade de decisão de cunho obrigatório emanada da Suprema Corte, na decisão recorrida, mas o acórdão paradigma, por ser de momento anterior, não se manifesta acerca da aplicação da decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 19 6. 00 14 67 /2 00 9- 52 Fl. 180DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2801003.959 proferido pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 10 de fevereiro de 2015, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 131: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE. O recebimento de rendimentos decorrentes de ação judicial trabalhista, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual e a responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos. IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA FÍSICA IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Em se tratando de rendimentos auferidos acumuladamente pelo contribuinte, em decorrência de ação judicial, a tributação deve levar em consideração o regime de competência, e não o regime de caixa. Recurso Voluntário Provido Foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 66/70, no valor de R$ 23.722,08, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2006. A fiscalização verificou que houve omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 79.527,10. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 2 e seguintes. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou procedente o lançamento fiscal, fls. 86 e seguintes. O julgamento do Recurso Voluntário foi sobrestado, por meio da Resolução 2102.000.119. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 12196.001467/200952 Acórdão n.º 9202006.859 CSRFT2 Fl. 3 3 Após, em decorrência da análise do referido Recurso interposto pelo Contribuinte, por meio do Acórdão n.º 2801.003.959, foi dado provimento ao recurso, fls. 131 e seguintes. Em seguida, com a ciência da referida decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 138 a 143, por entender a recorrente que deve ser mantido do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose, tão somente, o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 152 a 154, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão referente ao recálculo (RRA). No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) devese utilizar nos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos; b) não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; c) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. A contribuinte apresentou contrarrazões aduzindo, em síntese, que: a) o Recurso Especial não deve ser conhecido, pois o acórdão recorrido está embasado na atual decisão dominante do STF, havendo prejuízo à ampla defesa e ao contraditório do Contribuinte a alegação nova da Fazenda; b) deve ser mantida a decisão recorrida. É o relatório Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento Aduz a contribuinte, em síntese, o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda, considerando que o acórdão recorrido está em consonância com o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Fl. 182DF CARF MF 4 Por razão distinta da suscitada, de fato, não deve ser conhecido o presente recurso, pois a decisão vergastada utilizou como fundamento de decidir o REsp n.º 783.724/RS e o RE n.º 614.406, na interpretação do art. 12 da Lei n.º 7.713/88, sendo que a decisão paradigma não tratou da aplicação das referidas decisões, razão pela qual não se mostra possível vislumbrar que, caso aplicada a decisão do STF e do STJ, a Turma se posicionaria da maneira ocorrida. Portanto, o acórdão paradigma não serve de parâmetro para a presente análise (aplicação da norma oriunda da decisão proferida nos autos do RE n.º 614.406). Diante do exposto, em razão da ausência de demonstração da divergência jurisprudencial, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37311.002125/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 31/08/2005
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CORRELATA. MESMA DESTINAÇÃO DO AIOP.
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos autos de infração de obrigações principais AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÃO EM GFIP. APLICAÇÃO LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009.
Aplica-se a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação. A multa por descumprimento de obrigação acessória correspondente à omissão em Gfip era fundada no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, que foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, e a conduta passou a ser penalizada nos termos do inc. I do art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Calcula-se a multa com base no menor valor resultante da comparação dos dois dispositivos.
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. PERDA DO OBJETO. OBRIGAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ACESSÓRIA VINCULADA A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
A declaração em sede de repercussão geral reconhecendo a inconstitucionalidade da obrigação principal, acarreta como conseqüência lógica a perda do objeto em processo que discute a respectiva penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória vinculada aqueles fatos.
No julgamento do auto-de-infração por descumprimento de obrigação acessória pela apresentação de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (obrigação principal) relativas aos serviços prestados por associados de cooperativas de trabalho, aplica-se a decisão prolatada pelo STF no RE 595.838/SP.
Numero da decisão: 2301-005.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, (a.1) rejeitar as preliminares e (a.2) desconsiderar, do cálculo da multa por omissão de Gfip, as infrações relacionadas aos pagamentos a cooperativas de trabalho; (b) por maioria de votos, (b.1) no cálculo da multa por omissão de Gfip, aplicar o inciso I do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, nos períodos que mais benéfico, de forma autônoma, deixando de aplicar ao caso o art. 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009; vencidos nessa questão os conselheiros Antônio Sávio Nastureles (relator) e João Bellini Júnior, que aplicavam o disposto no art. 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Mauricio Vital.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antônio Sávio Nastureles - Relator.
(Assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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MESMA DESTINAÇÃO DO AIOP. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos autos de infração de obrigações principais AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÃO EM GFIP. APLICAÇÃO LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. Aplicase a legislação inovadora quando mais benéfica ao sujeito passivo. A comparação das multas previstas na legislação, para efeito de aferição da mais benéfica, leva em conta a natureza da exação. A multa por descumprimento de obrigação acessória correspondente à omissão em Gfip era fundada no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, que foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, e a conduta passou a ser penalizada nos termos do inc. I do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Calculase a multa com base no menor valor resultante da comparação dos dois dispositivos. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. PERDA DO OBJETO. OBRIGAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ACESSÓRIA VINCULADA A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. A declaração em sede de repercussão geral reconhecendo a inconstitucionalidade da obrigação principal, acarreta como conseqüência lógica a perda do objeto em processo que discute a respectiva penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória vinculada aqueles fatos. No julgamento do autodeinfração por descumprimento de obrigação acessória pela apresentação de GFIP com informações inexatas, incompletas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 31 1. 00 21 25 /2 00 7- 55 Fl. 537DF CARF MF 2 ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (obrigação principal) relativas aos serviços prestados por associados de cooperativas de trabalho, aplicase a decisão prolatada pelo STF no RE 595.838/SP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, (a.1) rejeitar as preliminares e (a.2) desconsiderar, do cálculo da multa por omissão de Gfip, as infrações relacionadas aos pagamentos a cooperativas de trabalho; (b) por maioria de votos, (b.1) no cálculo da multa por omissão de Gfip, aplicar o inciso I do art. 32A da Lei 8.212, de 1991, nos períodos que mais benéfico, de forma autônoma, deixando de aplicar ao caso o art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009; vencidos nessa questão os conselheiros Antônio Sávio Nastureles (relator) e João Bellini Júnior, que aplicavam o disposto no art. 476 A da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Mauricio Vital. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Antônio Sávio Nastureles Relator. (Assinado digitalmente) João Maurício Vital Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário interposto (efls 179/180), acompanhado das razões (efls 181/222) em face da decisão de primeira instância corporificada pela DECISÃO NOTIFICAÇÃO nº 21.426.4/004/2007 (efls 163/172), exarada em 10/01/2007 que julgou procedente o autodeinfração AI DEBCAD nº 35.889.8757, lavrado em 05/06/2006, por ter sido constatado descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, § 5º da Lei nº 8.212/1991. 1.1. A citada decisãonotificação determinou a relevação parcial da multa aplicada, em vista de ter sido comprovada a correção "nas competências em que as GFIP´s referente às Reclamatórias Trabalhistas foram entregues" (efls 169). 1.2. O montante inicial da penalidade aplicada foi calculado em R$ 1.517.161,07 e, após a relevação, o valor da multa foi estabelecido em R$ 1.489.658,08 (efls 170). Fl. 538DF CARF MF Processo nº 37311.002125/200755 Acórdão n.º 2301005.473 S2C3T1 Fl. 538 3 2. Do Relatório Fiscal de aplicação da multa.(efls 45/54), transcrevese, por pertinente, o inteiro teor do subitens 4.1, 4.1.1, 4.1.2, 4.1.3. e 4.1.4, assim como, parte do subitem 4.1.5 que integram o tópico "IV DA AUTUAÇÃO" (efls 51/53). 4.1 A autuação decorre do fato da empresa apresentar Guias de Recolhimento de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação ás bases de cálculo, ou seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, nas seguintes competências; 4.1.1 Competências 10/2003 a 08/2005 Informação da alíquota referente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho no estabelecimento 03.085.759/001699: A Auditoria Fiscal constatou o enquadramento geral da empresa no CNAE 24732 Fabricação de artigos de perfumaria e cosméticos cuja alíquota^ correspondente é de 2%. Entretanto, verificouse que a empresa informou em GFIP a alíquota de 1% alterando para menor o valor das contribuições previdenciárias devidas e não corrigiu a infração. Também foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n° 35.767.5266 referente à obrigação principal. 4.1.2 Competências 10/2001, 02/2002 a 06/2002, 10/2002. 02/2003 a 04/2003, 06/2003 a 07/2003, 10/2003, 02/2004 a 06/2004, 10/2004 e 02/2005 a 05/2005 Valores pagos pela empresa IGL Industrial Ltda., a título de Participação nos Lucros e Resultados, aos segurados empregados, em desconformidade com a Lei 10.101, de 19 de dezembro de 2000, publicada no Diário Oficial de União em 20 de dezembro de 2000: Todos os pagamentos efetuados a título de Participação nos resultados dos empregados gerentes foram considerados, em todos os estabelecimentos da empresa, como saláriodecontribuição de contribuições previdenciárias, conforme descrito no relatóriofiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n° 35.767.5274 referente à obrigação principal. Ainda todos os pagamentos efetuados a título de Participação nos Lucros ou Resultados aos empregados mensalistas/horistas dos estabelecimentos 03.085.759/000102 de Vinhedo, 03.085.759/000706 e 03.085.759/001770 de Pernambuco, também foram considerados saláriodecontribuição para efeito de contribuições previdenciárias. conforme descrito no mesmo relatório fiscal citado acima. A empresa não informou em GFIP as remunerações dos empregados recebidas conforme descrito acima, e não corrigiu a infração. 4.1.3 Competências 09/2001 a 09/2002, 12/2002 a 02/2005 e 08/2005 Diferenças entre os valores informados em GFIP pela empresa e os valores apurados sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Conforme descrito no relatório fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento ' de Débito DEBCAD n° 35.767.5304 referente à obrigação principal, foram Lapuradas diferenças^entreos.valoresinformados em GFIP referentes à base de O cálculo da prestação de serviços das cooperativas de trabalho: a) Central Nacional Unimed Cooperativa Central CNPJ 02.812.468/000106; Fl. 539DF CARF MF 4 b) Cooperativa Mista de Trabalho dos Motoristas Autônomos de Táxis de Campinas CNPJ 67.231.241/000112; e c) Cooperativa dos Transportadores Autônomos do Auto Tietê Ltda. CNPJ 67.901.140/000101. Houve informação em GFIP dos valores referentes à prestação de serviço da Central Nacional Unimed Cooperativa Central, mas houve apuração de diferenças a maior nas bases de cálculo examinadas. Já não houve informação em GFIP referente às demais cooperativas. Não houve correção da infração. 4.1.4 Competências 09/2001 a 02/2003 e 04/2003 a 08/2005 Rubricas verificadas em Folhas de Pagamento não integrantes do Salário de Contribuição da empresa, em desacordo com Art. 28, inciso I da Lei n° 8.212/91 de 24/07/91 Conforme descrito no relatório fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD nº 35.767.5258 Referente à obrigação principal, foram apuradas diferenças de contribuiçõesTJévídas com base nas seguintes rubricas verificadas em folha de pagamento, com as seguintes denominações: a) Indenização Liberal Código 212; b) Indenização Acordo coletivo Código 213; c) Jubileu de Prata Código 226. Não houve informação em GFIP dos valores dessas rubricas nas remunerações dos segurados empregados da empresa. E não houve correção da infração. 4.1.5 Competências 07/2004, 09/2004, 10/2004, 03/2005, 06/2005, 07/2005 e 08/2005 Remuneração de segurados empregados paga em função de Reclamatórias Trabalhistas Constatouse, por meio do conta corrente da empresa (relatório demonstrativo de Guias da Previdência Social GPSs recolhidas pela empresa), que havia várias GPSs com código de recolhimento 2909 referente a reclamatórias trabalhistas sem nenhuma GFIP correspondente. 2.1. Do Relatório Fiscal de aplicação da multa, transcrevese o item 3 (efls 55/56): 3 Segue, no anexo I. planilha que apurou o valor lotai de RS 1.517.161,07 (um milhão quinhentos e dezessete mil cento e sessenta e um reais e sete centavos) para o Auto de Infração. Além desse anexo, seguem mais quatro anexos referentes: • Anexo II Valores apurados referentes ao PLR por estabelecimento Observese que não será calculada a pane dos segurados empregados referente as diferenças dos empregados gerentes por já receberem remuneração acima do teto máximo; • Anexo III Valores apurados referentes ás Cooperativas de Trabalho; e • Anexo IV Valores apurados por estabelecimento referente às rubricas de tolha de pagamento. • Anexo V Informações de Reclamatórias Trabalhistas 3. No contencioso de segunda instância, verificase nos autos que foram exaradas duas resoluções: Fl. 540DF CARF MF Processo nº 37311.002125/200755 Acórdão n.º 2301005.473 S2C3T1 Fl. 539 5 3.1. A primeira, Resolução nº 230100.082 (efls 252/260; com cópia às efls 392/401), datada de 19/08/2010, converteu o julgamento em diligência para fins de instruir os autos com "informação do andamento dos processos administrativos fiscais que discutem os lançamentos de cada NFLD, contendo informações sobre as contribuições que foram mantidas em cada uma delas e os levantamentos excluídos nos casos de provimento parcial ou total dos recursos" (efls 260). 3.2. A segunda, Resolução nº 2301000.646 (efls 363/365), exarada na sessão de 04/04/2017, converteu o julgamento em diligência, para que fosse dada ciência ao contribuinte das informações que foram anexadas em decorrência da resolução anterior e oportunizado ao recorrente o direito de manifestação. 3.2.1. Transcrevese, o teor do Relatório (efls 364) contido em tal resolução: Tratase de Auto de Infração lavrado pela inobservância da obrigação tributária de declaração de todos os fatos geradores em GFIP. A ciência do auto de infração se deu em 07/06/2006 que trouxe como fundamentos os fatos descritos às fls. 253 e s. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação, fls. 256 e s., em síntese: a) nulidade na autuação por vício de fundamentação e no mandado de procedimento fiscal; e b) não há incidência sobre as parcelas objeto da autuação: PLR e pagamentos a cooperativas de trabalho. Também que não procede a existência de folha de pagamento complementar e diferenças de GILRAT. Foi constatado que os mesmos fatos geradores foram objeto de lançamentos de obrigação principal: 37311.000236/200727 (NFLD 35.767.5258); 37311.002121/200777 (NFLD 35.767.5266), 37311.002124/200719 (NFLD 35.767.5304) e 37311.007847/200615 (NFLD 35.767.5274). Assim, o julgamento fora convertido em diligência para que se buscasse informações sobre os processos principais, fls. 258 e s. Em resposta, a fiscalização informou que os processos estão tramitando no CARF, fls. 272 e s. Em consulta ao eprocesso foi possível constatar o resultado nos processos de obrigação principal: a) 37311.000236/200727 (NFLD 35.767.5258) antes de julgamento do recurso voluntário o recorrente desistiu do recurso e providenciou seu pagamento; b) 37311.002121/200777 (NFLD 35.767.5266) o julgamento do recurso voluntário foi por negar provimento ao recurso por unanimidade de votos; c) 37311.002124/200719 (NFLD 35.767.5304) no julgamento do recurso voluntário, a turma decidiu pela nulidade do lançamento; após, em recurso especial foi dado provimento ao recurso da Fazenda Nacional para que o recurso voluntário fosse reexaminado. Antes do novo exame o recorrente desistiu do recurso e providenciou seu pagamento; e d) 37311.007847/200615 (NFLD 35.767.5274) após julgamento do recurso voluntário por negar provimento, o recorrente providenciou seu pagamento. Fl. 541DF CARF MF 6 4. Manifestação do contribuinte quanto às informações (efls 502/508) reitera pedidos feitos na peça recursal, concernente à alegada dupla penalidade (multa isolada e multas de ofício exigidas pelas NFLD ) assim como formula pedido para redução da multa aplicada em vista da retroatividade benéfica, em virtude da superveniência de legislação mais benéfica (Lei n.° 11.941) que revogou expressamente o § 5º do art. 32 e incluiu o artigo 32A na Lei nº 8.212/1991. É o relatório necessário. Voto Vencido Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 5. Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário apresentado, dele conheço e passo a sua análise. 6. A peça recursal suscita nulidade da autuação por vício de fundamentação e no mandado de procedimento fiscal. 6.1. Não assiste razão à Recorrente. Não se verifica nos autos nenhuma circunstância que se amolde às hipóteses previstas nos incisos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, e nem à situação prevista no artigo 60 do mesmo ato. Não se há que falar em preterição do direito de defesa. Além de ter sido oportunizado o direito de defesa em todos os processos relacionadas às obrigações principais, há que se destacar, no presente processo, a cautela verificada na Resolução nº 2301000.646 ao dar concretude aos princípios do contraditório e ampla defesa. 6.2. Por esse modo rejeitase preliminar de nulidade suscitada. 7. Na manifestação (efls 502/508) reitera argumentos para suscitar dupla penalidade, em vista da aplicação de multa isolada (omissão de GFIP) e multas de ofício vinculadas à obrigação principal as exigidas pelas NFLD o que, na visão do Recorrente, caracterizaria bis in idem. 7.1. Não lhe assiste razão. A multa de ofício vinculada à obrigação principal e a multa isolada são penalidades provocadas por infrações tributárias distintas. A multa de ofício vinculada à obrigação principal possui o escopo de penalizar o contribuinte que não declara e/ou recolhe contribuições previdenciárias, no caso em tela, as especificadas em cada um dos processos de autos de infração de obrigações principais. 7.2. A multa isolada, tal como a prevista no artigo 32, inciso IV, § 5º da Lei nº 8.212/1991, objeto do presente processo centrase no descumprimento de um dever instrumental. Assim, a exigência concomitante das duas multas não configura bis in idem, ainda que eventualmente possam ser calculadas sobre uma mesma base de cálculo. 8. Em vista das demais alegações suscitadas na peça recursal terem por referência os autos de obrigações principais, passase, pois à análise acerca da exigência fiscal em julgamento. 9. A questão central do recurso voluntário sob exame consiste, pois, em decidir sobre a procedência ou não do autodeinfração (AI DEBCAD 35.889.8757) lavrado pela auditoria Fl. 542DF CARF MF Processo nº 37311.002125/200755 Acórdão n.º 2301005.473 S2C3T1 Fl. 540 7 fiscal, por omissão em GFIP dos fatos geradores apurados nas NFLD indicadas no quadro que se apresenta a seguir: 10. Em vista do desfecho dos processos especificados no quadro, é imperioso concluir que subsiste o dever instrumental em relação aos fatos geradores correspondentes às obrigações principais lançadas nos processos: 10.1. 37311.000236/200727 (NFLD DEBCAD nº 35.767.5258); 10.2. 37311.002121/200777 (NFLD DEBCAD nº 35.767.5266); 10.3. 37311.002124/200719 (NFLD DEBCAD nº 35.767.5274); 11. Com respeito ao processo 37311.007847/200615 (NFLD DEBCAD nº 35.767.5304), não obstante a notícia sobre a desistência do recurso (frisese, no processo que discute a obrigação principal), há, todavia, circunstância modificativa da sorte da autuação pelo descumprimento da obrigação acessória em relação aos fatos geradores especificados no subitem 4.1.3 do Relatório Fiscal. 11.1. Referimonos ao entendimento que se encontra pacificado no âmbito do CARF, como ilustrado pelo precedente citado a seguir: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DO CARF. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação conferida pela Lei nº 9.876, de 1999, que previa a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Aplicação aos julgamentos do CARF, conforme artigo 62, § 2º, do RICARF. (Acórdão: 9202005.31, de 29/03/2017) 11.2. Acrescentese que este Colegiado e aqui, referindome à 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento tem aplicado reiteradamente o entendimento do STF em seus julgamentos. Vejamos: PROCESSO DEBCAD (NFLD) MATÉRIA (ITEM DO RELATÓRIO FISCAL) OBSERVAÇÕES 37311.000236/200727 35.767.5258 complemento da folha de pagamento (4.1.4) desistiu do recurso e providenciou seu pagamento 37311.002121/200777 35.767.5266 Diferenças de RAT (4.1.1) negar provimento ao recurso por unanimidade de votos 37311.002124/200719 35.767.5274 incidência de PLR (4.1.2) negado provimento ao recurso, o recorrente providenciou seu pagamento 37311.007847/200615 35.767.5304 Cooperativa de trabalho (4.1.3) desistiu do recurso e providenciou seu pagamento Fl. 543DF CARF MF 8 CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE VALORES PAGOS A COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação da Lei 9.876, de 1999, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 2015. (Acórdão nº2301005.114, sessão de 12/09/2017) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF NA SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NOS JULGADOS DO CARF. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. A decisão definitiva de mérito no RE n° 595.838/SP, de 23/04/2014, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária da empresa, prevista no art. 22, inc. IV da Lei n° 8.212/91, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto em seu Regimento Interno. (Acórdão nº 2301005.073; sessão de 06/07/2017) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: “É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 1973), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Acórdão nº 2301005.076; sessão 05/07/2017) Fl. 544DF CARF MF Processo nº 37311.002125/200755 Acórdão n.º 2301005.473 S2C3T1 Fl. 541 9 11.3. Transcrevese, por pertinente, excerto do voto condutor do acórdão nº 2301 005.076 da lavra do Conselheiro João Bellini Júnior, a quem pedimos licença para adotar como parte da presente fundamentação. Da declaração de inconstitucionalidade com trânsito em julgado pelo Plenário do STF do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212, de 1991 O auto de infração referese à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com redação conferida pela Lei 9.876, de 1999, o qual possui a seguinte redação: Lei 8.212, de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016) Em 11/03/2015 transitou em julgado o acórdão publicado em 25/02/2015, o qual rejeitou os embargos de declaração opostos pela União, com o fito de modular o decidido no julgamento do RE 595.838/SP, o qual, proferido em 23/04/2014, declarou inconstitucional a exação prevista na Lei 8.212, de 1991, art. 22, IV: RE 595838 ED / SP Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. Fl. 545DF CARF MF 10 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados RE 595838 / SP Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem.Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (Grifouse.) Ademais, o STF reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada no RE 595.838, para o qual firmou a Tese de Repercussão Geral 166: É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 37311.002125/200755 Acórdão n.º 2301005.473 S2C3T1 Fl. 542 11 Em face disso, o Senado Federal emitiu a Resolução nº 10, de 2016, pela qual “É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, declarado inconstitucional por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 595.838”. De acordo com o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF: Ricarf Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, existindo decisão definitiva do STF, submetida à sistemática da repercussão geral, no sentido de ser inconstitucional o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991), deve esta Turma reproduzir o conteúdo de tal decisão em seus acórdãos. 11.4. Colacionase, ainda, precedente da Câmara Superior ao analisar a matéria sob o ângulo das obrigações acessórias: DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. PERDA DO OBJETO DA AÇÃO. A declaração em sede de repercussão geral reconhecendo a inconstitucionalidade da obrigação principal, acarreta como conseqüência lógica a perda do objeto em processo que discute a respectiva penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória vinculada aqueles fatos. (Acórdão nº 9202003.793 Sessão de 17 de fevereiro de 2016.) 12. Em vista das considerações delineadas nos itens 10 e 11 supra, inexistindo a obrigação principal (concernente aos pagamentos feitos pelos serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho) não há que se falar em descumprimento obrigação acessória vinculada. Já se verifica, pois, a necessidade de perfazer nova apuração da multa, excluindose do cálculo apresentado no Anexo I (efls 57/59), todos os valores especificados no Anexo III (efls 63/75). Mas frisese, não basta tal exclusão, como se verá adiante. Retroatividade Benigna. Critérios do cálculo da multa mais benéfica 13. A sistemática de cálculo das multas previdenciárias foi profundamente alterada com o advento da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Fl. 547DF CARF MF 12 13.1. No presente caso, verificase que a autuação ocorreu em 05/06/2006, com ciência em 07/06/2006, portanto em data anterior à nova sistemática de cálculo das multas. 13.2. Para as competências até novembro de 2008, inclusive, a multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) 14. No caso dos autos, esclareçase que para efeito do cálculo previsto no artigo 476, I, "a", da citada Instrução Normativa, é preciso desconsiderar as parcelas relacionadas aos pagamentos feitos pelos serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho (item 11 supra) e ato seguinte, perfazer a comparação determinada pelo inciso I do mesmo artigo. CONCLUSÃO 15. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e dar provimento parcial, para excluir do cálculo da multa por omissão de GFIP os valores apurados referentes ás Cooperativas de Trabalho e para determinar que seja efetivado novo cálculo da multa nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, na maneira explicitada no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. 16. É como voto. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 548DF CARF MF Processo nº 37311.002125/200755 Acórdão n.º 2301005.473 S2C3T1 Fl. 543 13 Voto Vencedor Conselheiro João Maurício Vital Respeitosamente, ouso discordar do destacado relator na questão da aplicação da regra mais benéfica para o cálculo da multa. Ao presente caso, entendo, assim como o relator, que se aplica a retroação da norma mais benéfica, consoante da alínea c do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Porém, a norma mais benéfica não é a do art. 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que remete ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que, por sua vez, estabelece a multa de 75% sobre o valor do tributo lançado. Esta multa decorre do descumprimento da obrigação principal e incide sobre a totalidade ou diferença do tributo lançado de ofício resultante: 1) de falta de pagamento ou recolhimento, 2) de falta de declaração ou 3) de declaração inexata. Portanto, estará sempre vinculada a uma obrigação principal não adimplida. Trago à baila trecho do Acórdão nº 2301005.197, desta turma, que discorre sobre a natureza das multas tributárias punitivas: As multas punitivas são sanções aplicadas ao contribuinte que deixou de, espontaneamente, cumprir a obrigação tributária, seja ela acessória ou principal. São aplicáveis quando, em atividade plenamente vinculada, o poder público identifica o descumprimento da obrigação e procede ao lançamento, como previsto no art. 142 do CTN, o que implica a imposição legal de penalidade pecuniária, na forma de multa, que integra o crédito tributário. As multas punitivas possuem duas distintas espécies: a multa de ofício e a multa isolada. A multa de ofício surge com o descumprimento da obrigação principal e é a ela vinculada, geralmente representando um percentual do tributo não recolhido. A multa isolada decorre do descumprimento de obrigação acessória e, com o lançamento, convertese em obrigação principal. No caso dos autos, tratase de descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do § 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/1991. Efetivamente, segundo consta do item 2 do voto do relator, não foram informadas em Gfip algumas parcelas pagas aos segurados que deveriam compor o salário de contribuição. A multa prevista, quando do lançamento, para a conduta correspondente à omissão em Gfip era a que constava do § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, que assim determinava: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Fl. 549DF CARF MF 14 A Autoridade Lançadora calculou a multa consoante o dispositivo acima, tendo em conta os limites estabelecidos pelo § 4º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991 (efls. 58 e 59). Porém, com o advento da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a omissão de informações em Gfip passou a sujeitar o infrator à multa prevista no inc. I do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso dos autos, a multa deriva do descumprimento de obrigação acessória. Tendo em conta a retroatividade da norma mais benéfica para aplicação de penalidade, devese comparar, período a período: 1) o valor dos autos, deduzido dos efeitos dos pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, nos termos do voto do relator, com 2) o valor que resultará da aplicação do critério inovador previsto no inc. I do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, exigindose o que for menor. É como voto. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Redator Designado Fl. 550DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000160/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - Em se verificando a existência de omissão na decisão colegiada, há de ser acolhido os embargos opostos.
DECADÊNCIA - ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento.
Numero da decisão: 2301-005.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301-004.033, de 14/05/2014, rerratificar a decisão, dando-lhe provimento parcial, retificando a questão da decadência para reconhecer decaídos os levantamentos até 11/2003 e ratificando a decisão quanto aos demais levantamentos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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DECADÊNCIA ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301004.033, de 14/05/2014, rerratificar a decisão, dandolhe provimento parcial, retificando a questão da decadência para reconhecer decaídos os levantamentos até 11/2003 e ratificando a decisão quanto aos demais levantamentos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 60 /2 00 8- 22 Fl. 1691DF CARF MF 2 Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte acima identificado, em Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte acima identificado, em face do Acórdão 2301004.033– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por entender pela existência de contradição na decisão supra mencionada. Na análise da admissibilidade o Ilustre Conselheiro Presidente desta Colenda Turma assim se manifestou: Antes de proceder à análise do pedido em tela, importa salientar que se trata de Embargos de Declaração, previsto no art. 65 do RICARF, pelo qual o embargante pode obter o esclarecimento dos pontos obscuros do acórdão embargado, o enfrentamento de questão não enfrentada, quando houver omissão ou a reparação ou eliminação de eventuais contradições que porventura contenha. (grifos nosso) Com relação a contradição apontada no item (a) e a omissão apontada no item (b), assiste razão à embargante. Consta na ementa do Acórdão que o motivo da aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN foi a ocorrência de simulação : DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Na ocorrência de simulação, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. (grifos nosso) Porém, contraditoriamente em seu voto, a Conselheira Relatora em nenhum momento argumenta quanto a existência de dolo, fraude ou simulação para justificar a aplicação do art. 173, I do CTN. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 10803.000160/200822 Acórdão n.º 2301005.290 S2C3T1 Fl. 1.692 3 Referente a omissão levantada no item (b), cabe observar que, conforme art. 72 do Regimento Interno do CARF, as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos seus membros. Portanto, considerando que a Súmula n.º 99, entrou em vigor em data anterior a publicação do Acórdão ora embargado, constatase que houve a omissão suscitada pelo embargante, tendo em vista que a referida Súmula trata de matéria discutida nos presentes autos, qual seja, a caracterização de pagamento antecipado para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN. Conclusão Diante do exposto, devese acolher os Embargos de Declaração e, conseqüentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar os vícios apontados pelo Sujeito Passivo. Analisaremos aqui tão somente a parte embargada do Acórdão, razão pela qual deixarei de mencionar todos os levantamentos contidos nos autos, nos atentando apenas para a questão da decadência aplicada na decisão ora guerreada. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Inicialmente cumpre esclarecer que o processo foi a mim distribuído tendo em vista que a conselheira relatora do Acórdão Embargado não pertence mais aos quadros deste conselho. Conforme bem verificado no despacho de admissibilidade dos presentes Embargos, o Acórdão 2301004.033 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, contém uma contradição que necessita ser sanada e foi questionada através do recurso adequado. Em meu entendimento razão assiste ao Embargante. Compulsando os auto não verifiquei a existência ou a menção de que tenha havido a simulação apontada pela então relatora, capaz de determinar a aplicação do art. 173, I em detrimento do art. 150, § 4º do CTN. No caso dos autos, temos que a empresa recolhia as contribuições previdenciárias periodicamente, porém, não considerava um certo número de trabalhadores como sendo seus empregados e com relação a estes não havia o recolhimento. Isto não significa que nenhum recolhimento era efetuado, o que pra mim serve como esteio para aplicação do art. 150, § 4º do CTN para a contagem do prazo decadencial. Fl. 1693DF CARF MF 4 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a autuação foi lavrada em dezembro de 2008 e as contribuições referemse às competências 01/2003 a 09/2007, restando fulminado parcialmente o direito do fisco de constituir o lançamento, com base no art. 150, § 4º do CTN, uma vez que houve a cobrança, na presente autuação de diferenças de recolhimento devendo serem excluídas da autuação as competências até 11/2003. Ante ao exposto; VOTO no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO com efeitos Infringentes, par,a sanando o vício apontado no Acórdão 2301004.033 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária de 14/05/2014, RERATIFICAR a decisão, DANDOLHE PROVIMENTO PARCIAL, Retificando a questão da Decadência com fulcro no art. 150, § 4º do CTN, estando decaídos os levantamento até 11/2003 e Ratificando a decisão quanto aos demais levantamentos. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 10803.000160/200822 Acórdão n.º 2301005.290 S2C3T1 Fl. 1.693 5 Fl. 1695DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660344/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.746
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 44 /2 01 2- 18 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660344/201218 Acórdão n.º 3401004.746 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660344/201218 Acórdão n.º 3401004.746 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660344/201218 Acórdão n.º 3401004.746 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660344/201218 Acórdão n.º 3401004.746 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660344/201218 Acórdão n.º 3401004.746 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660344/201218 Acórdão n.º 3401004.746 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.901381/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1401-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900318/2010-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 13 81 /2 00 9- 80 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13227.901381/200980 Acórdão n.º 1401002.544 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 0125.456 3ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação correlata ao crédito de IRPJ não reconhecido. A Recorrente transmitiu declaração de compensação em 05/12/2008, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 5993, do período de apuração de 09/2006. A unidade de origem, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que após analisadas as informações prestadas pela Recorrente foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que: a) A empresa efetuou pagamento de IRPJ Código de Receita: 5993, relativo ao período de apuração de 09/2006; b) Por ocasião do levantamento do balancete de suspensão e/ou redução nesse mês, após os ajustes apresentou lucro fiscal inferior ao já apurado em períodos anteriores, ou seja, não teria nada a recolher mesmo assim recolheu.; c) Oportunamente, aproveitou o crédito do pagamento indevido para compensar, via PER/DCOMP e de forma legal, débitos próprios. Diante dos fatos apresentados, requereu a anulação do Despacho Decisório, por questão de justiça e direito. Apreciados tais argumentos, o despacho decisório restou mantido, sob o entendimento de que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado defendendo estar suficiente comprovado seu direito creditório. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13227.901381/200980 Acórdão n.º 1401002.544 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.523, de 17/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ estimativa mensal, referente ao período de apuração de fevereiro/2006, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ estimativa mensal, do período de apuração de 09/2006, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.523): O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o ano calendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, no entendimento da decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Ocorre que, conforme apontado pela recorrente em sede de voluntário, embora a compensação tenha se dado de forma equivocada, uma vez que ao entregar a DCTF, a recorrente ao invés de simplesmente comparar o valor devido com o valor recolhido a título de estimativa e assim declarar somente o valor Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13227.901381/200980 Acórdão n.º 1401002.544 S1C4T1 Fl. 5 4 devido, caso apurasse valor a maior do que o recolhido por estimativa, declarou o valor apurado como devido e apresentou PERD/DCOMP para compensálo. Considerando que as informações acima transcritas restam localizadas na DIPJ e LALUR, que apontam a base de cálculo da contribuição e os DARFs (fls.) devidamente pagos que originaram o crédito em discussão. Tratase, portanto, de erro de fato no preenchimento do PER aqui analisado, que não pode, sob hipótese alguma, refletir na glosa de estimativas já liquidadas, computadas na apuração do saldo negativo do IRPJ do período. Desta forma, tendo a Recorrente comprovado de maneira incontroversa que as estimativas mensais de outubro de 2006 foram liquidadas através da quitação antecipada autorizada pela Lei nº 13.043/2014 (Doc. 7 do RV), não pode ser mantida a redução do saldo negativo de 2004. Ademais, consolidando este entendimento, temos: SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das estimativas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 75DF CARF MF
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