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Numero do processo: 19515.000753/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Em questões tributárias, é a partir da constituição do crédito tributário que a lei assegura ao sujeito passivo a acessibilidade aos autos, com todos os elementos que o instruem, motivam o lançamento e o fundamentam. Se o processo permaneceu no órgão local da Receita Federal do Brasil do domicílio fiscal do autuado, no prazo legal, disponível para vista e para obtenção de certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram, e ainda, aguardando o pagamento dos valores lançados ou as impugnações, que foram apresentadas no prazo regulamentar, não ocorre o cerceamento do direito de defesa, mormente quanto o contribuinte demonstra compreender as infrações autuadas. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicando-se a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic.
OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração de pagamentos de compras, detectada através do cruzamento de informações de fornecedores com os livros e documentos contábeis e fiscais da empresa, autoriza a presunção de que foram pagas com recursos provenientes de receitas omitidas. Verificada a omissão de receita a exação deve ser constituída de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.259
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá
e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Antonio Jose Praga de Souza
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Em questões tributárias, é a partir da constituição do crédito tributário que a lei assegura ao sujeito passivo a acessibilidade aos autos, com todos os elementos que o instruem, motivam o lançamento e o fundamentam. Se o processo permaneceu no órgão local da Receita Federal do Brasil do domicílio fiscal do autuado, no prazo legal, disponível para vista e para obtenção de certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram, e ainda, aguardando o pagamento dos valores lançados ou as impugnações, que foram apresentadas no prazo regulamentar, não ocorre o cerceamento do direito de defesa, mormente quanto o contribuinte demonstra compreender as infrações autuadas. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicandose a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração de pagamentos de compras, detectada através do cruzamento de informações de fornecedores com os livros e documentos contábeis e fiscais da empresa, autoriza a presunção de que foram pagas com recursos provenientes de receitas omitidas. Verificada a omissão de receita a exação deve ser constituída de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 53 /2 00 7- 28 Fl. 1474DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11003.YK9E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000753/200728 Acórdão n.º 1402001.259 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório STAR BKS LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: STAR BKS LTDA (optante pelo regime do lucro presumido – fl.32), empresa acima identificada, foi submetida a procedimento fiscal. Durante a realização dos trabalhos de auditoria, a autoridade fiscal verificou as seguintes irregularidades, no anocalendário de 2002, conforme descrição contida no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 490/499: · Omissão de receitas por constatação de diferenças entre as receitas contabilizadas e aquelas informadas em DIPJ no montante de R$ 12.726.527,70; O referido montante foi obtido por meio da circularização de informações em que a autoridade fiscal, com base nas informações prestadas pelos fornecedores, apurou as operações efetuadas pela fiscalizada. Com os mencionados dados, a autoridade fiscal procedeu a verificação da escrituração da contribuinte e constatou diferenças, as quais foram objeto de intimação fiscal, para esclarecimento da origem dos recursos para as liquidações financeiras dos pagamentos efetuados aos fornecedores. Apesar de lhe ter sido dado oportunidade para se manifestar, nada esclareceu ao Fisco, culminando, por conseqüência, no presente Auto de Infração. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados em 28/03/2007, os seguintes autos de infração, cientificados na mesma data: Fl. 1475DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11003.YK9E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000753/200728 Acórdão n.º 1402001.259 S1C4T2 Fl. 0 3 · Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 503/504): Total do crédito tributário, R$ 634.908,52, incluídos o tributo, multa e juros de mora. Fundamento legal citado à fl. 504; · Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 507/508): Total do crédito tributário, R$ 207.379,40, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal citado à fl. 508; · Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 511/512): Total do crédito tributário, R$ 957.136,10, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal citado às fls. 512; · Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 516/518): Total do crédito tributário, R$ 342.850,51, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal citado à fl. 517. A contribuinte cientificada em 28/03/2007 (fls.503, 507, 511 e 516), apresentou defesa de fls.529/566, em 26/04/2007, alegando em síntese que: · Alega cerceamento defesa em virtude de não lhe ter sido entregue todos os documentos, os quais deram suporte ao presente Auto de Infração (apenas fornecidos os anexos, o Termo de Verificação Fiscal, o Termo de Encerramento e os Autos de Infração); · Houve violação ao art.5º da CF, incisos LIV e LV, os quais tratam do direito ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal; · A documentação do presente PAF foilhe entregue em prazo muito próximo ao termo final da entrega da presente manifestação de inconformidade dificultando sua defesa; · Alguns documentos juntados aos autos são apócrifos visto que constituemse de documentos sem o timbre da empresa (fls.476/477, 479/480, 484, 486/487). Afirma que alguns documentos, inclusive foram elaborados pela autoridade fiscal não tendo, portanto, valor probatório para fins de vinculação entre a autuada e a fornecedora; · As informações fornecidas pela LEXMARK são confusas e contraditórias não podendo servir de base para a autuação. A empresa citada não entregou todas as notas fiscais do período de 01/2002 a 12/2002, enfraquecendo as provas colhidas pelo Fisco; · As notas fiscais não estão acompanhadas dos canhotos de entrega das mercadorias bem como dos conhecimentos de transporte respectivos, documentos estes que comprovariam o recebimento das mesmas; · O ônus da prova existencial material e fática cabe ao Fisco, ou seja, a quem alega (CPC e CPP); · As cópias dos documentos acostados aos autos nada trazem de concreto para a elucidação dos fatos além de não comprovarem as compras ou seu pagamento; · A quitação das duplicatas da LEXMARK foram feitas pela sua coligada BKS CENTERBRAS cujas operações estão escrituradas em sua contabilidade; · A RFB com base em simples indícios, sem provas concretas, lançou arbitrariamente, por presunção, a omissão de receitas; Fl. 1476DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11003.YK9E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000753/200728 Acórdão n.º 1402001.259 S1C4T2 Fl. 0 4 · O presente ato administrativo fere princípios tributários como a tipicidade, verdade real ou material, sendo vedado à Administração utilizarse da verdade ficta ou presumida para a exigência de tributos; · Não foi descontado pela autoridade fiscal o bônus recebido pela autuada por ter cumprido a meta estipulada pela fornecedora de 2% sobre as duplicatas (meta de R$ 5.000.000,00 de compra de produtos LEXMARK); · Inocorrência do fato gerador: a presente atuação baseouse em documentos equivocados entregues pelos fornecedores, não merecendo credibilidade para fins de apuração de tributos (falta de certeza e liquidez dos fatos imputados à contribuinte); · Constatase erro na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS uma vez que não foram deduzidas as parcelas recolhidas de ICMS, devendo, portanto, o Auto de Infração ser anulado; · Contesta a utilização da taxa SELIC para fins de cálculo de juros de mora considerandoa ilegal e inconstitucional por deturpar o conceito jurídico e econômico de juros de mora; · A taxa de juros a ser adotada é a prevista no art.161, §1º do CTN; Protesta pela juntada de documentos, vistoria, diligências, perícias, aditamentos, extratos, declarações entre outros. A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração de pagamentos de compras., detectada através do cruzamento de informações de fornecedores com os livros e documentos contábeis e fiscais da empresa, autoriza a presunção de que foram pagas com recursos provenientes de receitas omitidas. Verificada a omissão de receita a exação deve ser constituída de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. CSLL, PIS e COFINS. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão acerca dos lançamentos decorrentes, tendo em vista que decorrem dos mesmos elementos de convicção. Impugnação Improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 1477DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11003.YK9E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000753/200728 Acórdão n.º 1402001.259 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Em litígio a exigência de IRPJ e reflexos em face da presunção legal de pagamentos não contabilizados, apurados em circularização de fornecedores. Passo a apreciar as alegações recursais. Preliminares A recorrente repisa as alegações de nulidade já enfrentadas em 1a. instância. Quanto a esse tema, formei pleno convencido de que ser trata apenas argumentos protelatórios. Isso porque, tal qual já asseverado na decisão recorrida, no Termo de Verificação Fiscal de fls.490/499 estão contidas informações a respeito dos valores apurados das infrações e a maneira como foram extraídas as informações as quais deram ensejo ao presente auto de Infração bem como a capitulação legal das irregularidades detectadas no curso da fiscalização. Por sua vez, no o Auto de Infração de fls.503/518 discrimina as bases de cálculos dos tributos e contribuições bem como as fundamentações legais por infração e por tributo e contribuição. A recorrente reitera a alegação de nulidade do lançamento em face de ter sido cerceado o seu direito de defesa, ao argumento de que a autoridade fiscal não teria analisado toda a documentação trazida pela contribuinte aos autos. Os fundamentos da decisão recorrida, a meu ver, esgotam essa matéria. Verbis: Depreendese da leitura das razões de impugnação que a autuada revela conhecer plenamente as acusações as quais lhe foram atribuídas, tendoas rebatido, de forma meticulosa, uma a uma e, portanto, não ocorrendo o alegado cerceamento de defesa. Ademais, há de se observar que a estrutura procedimental de determinação e exigência dos créditos tributários da União compreende duas fases. A primeira tem um viés eminentemente inquisitorial, eis que é caracterizada pela execução de atos de ofício cujo objetivo é a coleta de elementos, os quais apontem para existência de um fato jurídico tributário a ensejar o lançamento, mediante auto de infração ou notificação de lançamento. Já a segunda, inaugurada pela impugnação tempestivamente apresentada pelo autuado ou notificado, é informada pelos princípios do contraditório e pela ampla defesa, oportunidade em que a impugnante tem a oportunidade de deduzir suas razões defensórias, bem como requerer as diligências e perícias que entender necessárias. Percebese que a alegação de nulidade está focada em atos que teriam sido praticados pela autoridade autuante em momento anterior à formalização do ato de lançamento, ou seja, em conduta verificada no primeiro momento do procedimento Fl. 1478DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11003.YK9E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000753/200728 Acórdão n.º 1402001.259 S1C4T2 Fl. 0 6 fiscal. Conforme discorrido anteriormente, essa primeira fase do procedimento fiscal tem cunho eminentemente inquisitorial. São coletados dados relativos às operações desenvolvidas pelo fiscalizado e verificado seus reflexos tributários. Ocorrido o fato jurídico tributário e verificado que a contribuinte não efetuou o recolhimento dos tributos decorrentes, impõese o lançamento que vem a ocorrer, justamente, porque a autoridade fiscal não considerou plausível as explicações e documentos trazidos no curso do procedimento de fiscalização. Em verdade, os fatos e matriz legal estão perfeitamente compreendidos pelo autuada, que pode afastar a presunção legal mediante prova da inexistência de pagamentos não contabilizados (mérito), tratase de matéria perfeitamente delineada nos autos, pelo que rejeito as preliminares. Mérito Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Aduz a recorrente: (...) Primeiramente, no que tange ao documentos colacionados aos autos pelo D. Auditor Fiscal Autuante, é certo que tais não são hábeis para a constituição de um crédito tributário. Analisandose os documentos de fis. 479 e 480, percebese tratarse de supostas relações de notas fiscais. Embora conste no cabeçalho desses dois documentos (fis. 479 e 480) os nomes de EPSON DO BRASIL IND E COM LTDA" e "STAR BKS LTDA", tratamse, na verdade, de papéis sulfite sem timbre da empresa. O documento de fis. 479, por sua vez, consta um rabisco, sem a identificação de seu autor; e o de fis. 480, por constar somente o carimbo e visto do AFRF Mauro Imamura, Matrícula 07748, presumese que tenha sido elaborado pelo próprio Auditor Fiscal, invalidando as informações contidas naquele documento. Ambos os documentos, por estarem sem o timbre, não possuem vinculação com a suposta informação da "EPSON", datada de 28.06.2006, fis. 476/477. Observese que, idêntico procedimento ocorreu com os documentos de fis. 486 e 487, pois às fis. 486, consta um rabisco sem a identificação de seu autor. O de fls. 487, por constar, também o carimbo e o visto do AFRF Mauro Imamura, Matrícula 07748, presumese que aquele documento tenha sido elaborado pelo referido Auditor Fiscal, invalidando as informações contidas nele. Ambos os documentos, por se encontrarem sem o timbre da empresa, não tem vinculação com a suposta informação da "EPSON PAULISTA LTDA", datada de 28.06.2006, constante de fis. 484. É certo que esses papéis, serviram de prova para que o D. Auditor Fiscal presumisse a OMISSÃO DE RECEITA, objeto do presente auto de infração. Refutase igualmente, as informações do Fornecedor Lexmark International do Brasil Ltda, posto que contraditórias. Fl. 1479DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11003.YK9E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000753/200728 Acórdão n.º 1402001.259 S1C4T2 Fl. 0 7 Conforme se vislumbra no "Termo de Verificação Fiscal — IRPX, de lavra do AFRF Autuante, a Lexmark informou em sua declaração de informações EconômicoSociais da Pessoa Jurídica — DIPJ 2003, AC 2002, o total de vendas para a STAR BJKS LTDA., no montante de R$ 30.124.094,58. A Lexmark, intimada pela fiscalização da SRF relativo às operações comerciais do anocalendário de 2002 informou à fls. 180 a 185, o montante de vendas no valor de R$ 24.424.894,30 (???) Como a Lexmark negouse a fornecer a ora Recorrente, detalhes das informações prestadas ao Fisco, a Recorrente STAR BKS LTDA., foi obrigada a enviar uma notificação extrajudicial para que ela prestasse as informações solicitadas. Acionada dessa maneira, a Lexmark informou o montante de notas fiscais de saída, relativo ao exercício de 2002, no valor total de R$ 36.520.702,26, sendo que R$ 30.124.094,58 se referem ao Código Fiscal 517 (vendas) e R$ 6.396.607,68, ao Código Fiscal 599 (Simples Remessa). Foi informado, também, que parte dessas notas fiscais forma canceladas, relacionandoas pelo Código Fiscal 132, no montante de R$ 10.846.117,38. Posteriormente, informou que, por estarem em desacordo com o pedido originário, foram recusadas as notas fiscais de venda do cliente STAR BKS LTDA., emitindo, assim, notas fiscais de entrada para recebimento no almoxarifado, no montante de R$ 6.301.447,82. Percebese ainda que, as informações prestadas pelo fornecedor Lexmark, além de serem confusas e contraditórias, NÃO PODERIAM servir como prova para a constituição do crédito tributário. Observese ainda que, a Lexmark não forneceu todas as cópias das notas fiscais abrangidas no período de jan/2002 a dez/2002, enfraquecendo ainda mais a prova colhida pelo Fisco. Além de que, as poucas cópias das notas fiscais anexadas aos autos, não estão acompanhadas dos canhotos de entregue das mercadorias e, tampouco, os conhecimentos de transportes, documentos estes exigidos pela legislação do IPI, que atestariam a entrega e recebimento das mercadorias. Nesse ínterim, a STAR BKS LTDA., ora Recorrente, intimada pela SRF, prestou às fls. 330 a 332, as seguintes informações: Não houve Operação Mercantil no valor total de NFF de R$ 7.536.459,63; Foram devolvidas à Lexmark, através de notas fiscais de devolução, mercadorias no montante de R$ 346.106,50; Não foram encontradas em nossos arquivos o montante de NFFS no valor de R$ 918.928,69. O ônus da prova da existência material e fática dos pressupostos exigidos no Código Tributário Nacional, que embasam a cobrança de qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao Fisco. Não se pode transferir a Recorrente, o dever de prova. (...) Por outro lado, o Fisco não pode exigir da Recorrente, a produção de prova negativa. Caberia a inversão do ônus probandi se a Recorrente admitindo, reconhecendo, confessando a alegação do Fisco, outro lhe opunha, fato impeditivo, modificativo, ou extíntivo, contudo, esse não é o caso dos autos. Fl. 1480DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11003.YK9E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000753/200728 Acórdão n.º 1402001.259 S1C4T2 Fl. 0 8 (...) Desconhecendo tais fatos, as informações prestadas pelo D. Auditor Fiscal em seu "Termo de Verificação Fiscal — IRPJ foram baseadas em cópias de documentos que nada trazem de concreto para elucidar os fatos, além de que, não comprovaram com exatidão que a Recorrente em questão, teria efetivamente, omitida as compras ou seu pagamento. (...) No ano calendário de 2002, necessitou, '1'i'u, estocarse para obter para poder competir com o mercado setorial. Efetuou compras além de suas possibilidades financeiras, endividandose junto aos seus fornecedores. Para não pagar os encargos financeiros, advindos do atraso no pagamento das duplicatas, solicitou à sua empresa coligada "BKS CENTER BRÁS LTDA.", empréstimo para saldar seus compromissos. A sua coligada "BKS CENTER BRAS LTDA", atendendo à sua solicitação e, para não pagar as despesas financeiras da CPMF, efetuou diretamente a quitação das duplicatas emitidas pelo fornecedor Lexmark , lançando esse valor como empréstimo em contacorrente com coligada. Assim sendo, os pagamentos das duplicatas informadas pela empresa Lexmark, não foram efetuadas pela STAR BKS LTDA, mas sim, pela sua coligada "BKS CENTER BRAS LTDA.", e se encontram devidamente registradas na escrita contábil como "ContaCorrente com BKS LTDA". Portanto, não há que se falar em falta de escrituração de pagamentos, como assim entendeu o V. Acórdão objurgado. Ainda assim, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal, por meio de simples indícios — sem ter provas concretas e seguras — arbitrariamente, por presunção de omissão de receitas, constituiu o crédito tributário, o que vedado por nosso ordenamento jurídico. (...) Nesse entendimento, a fiscalização deveria elaborar a planilha de reconstituição da conta caixa para apurar eventual insuficiência de saldos (saldo credor), o que evidentemente, não fez! r°N Desse modo, houve in casu, flagrante desrespeito ao princípio da legalidade, uma vez que a simples desconfiança não tem o condão de gerar obrigação tributária . A lei exige a existência concreta de um FATO (CM, artigo 113, §1 °. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador..."). Impende ressaltar que, a fiscalização deve observar sempre, o principio da tipicidade (ou legalidade tributária específica), em que o fato ocorrido concretamente no mundo real (FATO IMPONÍVEL) deve corresponder, integralmente, ao fato descrito hipoteticamente na norma jurídica (HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA). É o fenômeno da subsunção em que o conceito do fato se encaixa, perfeitamente, ao conceito da norma, que se harmoniza, perfeitamente, com o princípio constitucional da legalidade tributária. (...) Para o anocalendário de 2002, a Lexmark bonificou seus clientes que atingissem no trimestre civil a marca de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) em compras de seus produtos. Como a Recorrente, STAR BKS LTDA., ATINGIU Fl. 1481DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11003.YK9E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000753/200728 Acórdão n.º 1402001.259 S1C4T2 Fl. 0 9 ESSE PATAMAR, conseguiu um bônus de cerca de 2% (dois por cento), a ser abatido em suas duplicatas. Tal como devidamente comprovado nos autos, através do Relatório de Vendas, a Recorrente conseguiu o abatimento nos termos acima. Cumpre salientar que, esse bônus de 2% (dois por cento), foi abatido de suas duplicatas a pagar, não considerados no cálculo da base de cálculo pelo D. Auditor Fiscal. (...) Feita essas considerações, podese concluir que: a) A taxa de juros moratórios de 1% ao mês, fixada pelo parágrafo 1° do artigo 161 do Código Tributário Nacional, é o limite máximo que pode ser aplicado; b) é ilegal a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios por estar excedendo o limite máximo fixado pelo parágrafo 1 0 do artigo 161 do Código Tributário Nacional, além do mais, essa taxa constitui um parâmetro para remuneração de aplicação de capital no mercado financeiro. (....) Do Pedido Ante o todo exposto, espera o recorrente que vossas senhorias , com a habitual ponderação e elevada consciência jurídica, acolha o presente recurso ora oferecido, reformando integralmente o v. acórdão objurgado, para reconhecer o cerceamento de defesa e decretar a nulidade do ato de lançamento, e como corolário, tornando insubsistentes os autos de infração objeto do processo em epígrafe, bem como o crédito tributário. Não sendo esse o entendimento de vossas senhorias, que seja acolhido o presente recurso, reformandose integralmente o v. acórdão e, ao final, seja dado provimento ao recurso, desconstituindose o auto de infração, tudo como medida de justiça! (...) Em resumo, a recorrente repisa as seguintes alegações: 1) Alguns documentos juntados aos autos são apócrifos visto que constituemse de documentos sem o timbre da empresa (fls.476/477, 479/480, 484, 486/487); 2) As informações fornecidas pela LEXMARK são confusas e contraditórias não podendo servir de base para a autuação; 3) As notas fiscais não estão acompanhadas dos canhotos de entrega das mercadorias bem como dos conhecimentos de transporte respectivos; 4) As cópias dos documentos acostados aos autos nada trazem de concreto para a elucidação dos fatos além de não comprovarem as compras ou seu pagamento; 5) A quitação das duplicatas da LEXMARK foram feitas pela sua coligada BKS CENTERBRAS cujas operações estão escrituradas em sua contabilidade; 6) A RFB com base em simples indícios, sem provas concretas, lançou arbitrariamente, por presunção, a omissão de receitas; 7) Não foi descontado pela autoridade fiscal o bônus recebido pela autuada por ter cumprido a meta estipulada pela fornecedora de 2% sobre as duplicatas (meta de R$ 5.000.000,00 de compra de produtos LEXMARK); 7) Inocorrência do fato gerador: a presente atuação baseouse em documentos equivocados entregues pelos fornecedores, e 8) constatase erro na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS uma vez que não foram deduzidas as parcelas recolhidas de ICMS... (vide decisão de 1a. instancia ‘as fls. 602). Fl. 1482DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11003.YK9E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000753/200728 Acórdão n.º 1402001.259 S1C4T2 Fl. 0 10 Pois bem, tal qual na peça impugnatória, as argumentações da contribuinte estão desprovidas de qualquer prova hábil e idônea, constituindose de meras alegações sem valor probatório. No transcurso da auditoria fiscal a contribuinte foi intimada e reintimada para comprovar a escritura dos pagamentos das operações de compras e, caso não escriturado, comprovar a origem dos recursos para as liquidações financeiras dessas compras (vide TVF às fls. 490 e 491), porém não logrou êxito em justificar a expressiva diferença de entre os pagamentos contabilizados no ano de 2002 R$ 2.600.994,35 – e o montante efetivamente pago aos fornecedores R$ 14.576.536,32. Essa diferença de R$ 12.726.527,60 autoriza a presunção legal de omissão de receitas. Frisese que às fls. 492 a 497 estão relacionadas todas as notas fiscais de aquisição de mercadorias efetuadas pela contribuinte, bem com a data exata da quitação, tudo fartamente comprovado nos autos, obtido mediante intimação à fornecedora Lexmark International do Brasil Ltda., CNPJ 00.767.3781000115, A decisão recorrida manteve a exigência exatamente pela falta de apresentação de provas dessas alegações de defesa, bem como diante a robusteza da prova fiscal de que a contribuinte adquiriu e pagou as mercadorias para revenda, não tendo escriturado tais pagamentos, fato que autoriza a presunção legal de Omissão de Receitas, conforme art. 40 da Lei 9.430/1996. Da multa de 75% e Juros a taxa Selic No que concerne às alegações de que a aplicação da multa – e dos juros de mora – representaria confisco e atentado ao princípio da capacidade contributiva, esclareço que, tal qual as DRJ, este Conselho também não é competente para analisar questões de ilegalidade de atos normativos infralegais. Tratase, inclusive de matéria sumulada no CARF. A exigência da multa de oficio 75% e juros de mora a taxa Selic estão de acordo com a legislação. A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% ou 150% nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de Fl. 1483DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11003.YK9E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000753/200728 Acórdão n.º 1402001.259 S1C4T2 Fl. 0 11 confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1484DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.0718.11003.YK9E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA em 23/11/2012 22:27:16. Documento autenticado digitalmente por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA em 23/11/2012. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 20/12/2012 e ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA em 23/11/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/07/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.0718.11003.YK9E Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 429E3C12402C48F4E20D64156B5D8C4AE03BE7A7 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.000753/2007-28. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16349.000431/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CAFÉ CRU EM GRÃOS. INSUMO. COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS PRODUTORAS. CRÉDITO
As compras de café cru em grãos de cooperativas agropecuárias produtoras, na qualidade de insumos a serem submetidos a beneficiamento, conferem ao comprador créditos presumidos de PIS e COFINS, pois a operação goza de suspensão das contribuições.
DEVOLUÇÃO DE EXPORTAÇÕES. CRÉDITO
O aproveitamento de créditos sobre devoluções está condicionado ao fato de a respectiva venda ter sido tributada pelas contribuições. Assim, é vedado o crédito, quando se tratar de devoluções de exportações, que não são tributáveis pelo PIS e COFINS.
Numero da decisão: 3301-004.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CAFÉ CRU EM GRÃOS. INSUMO. COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS PRODUTORAS. CRÉDITO As compras de café cru em grãos de cooperativas agropecuárias produtoras, na qualidade de insumos a serem submetidos a beneficiamento, conferem ao comprador créditos presumidos de PIS e COFINS, pois a operação goza de suspensão das contribuições. DEVOLUÇÃO DE EXPORTAÇÕES. CRÉDITO O aproveitamento de créditos sobre devoluções está condicionado ao fato de a respectiva venda ter sido tributada pelas contribuições. Assim, é vedado o crédito, quando se tratar de devoluções de exportações, que não são tributáveis pelo PIS e COFINS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CAFÉ CRU EM GRÃOS. INSUMO. COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS PRODUTORAS. CRÉDITO As compras de café cru em grãos de cooperativas agropecuárias produtoras, na qualidade de insumos a serem submetidos a beneficiamento, conferem ao comprador créditos presumidos de PIS e COFINS, pois a operação goza de suspensão das contribuições. DEVOLUÇÃO DE EXPORTAÇÕES. CRÉDITO O aproveitamento de créditos sobre devoluções está condicionado ao fato de a respectiva venda ter sido tributada pelas contribuições. Assim, é vedado o crédito, quando se tratar de devoluções de exportações, que não são tributáveis pelo PIS e COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 04 31 /2 00 9- 11 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 553 2 Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Fl. 553DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 554 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "1. LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL S.A, empresa acima identificada, transmitiu PER/DCOMP (Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação). O crédito pleiteado pelo contribuinte referese ao PIS nãocumulativo, vinculado às receitas de exportação, apurado no 1º trimestre de 2008. 2. A DERATSP proferiu Despacho Decisório de fls. 408/432 no qual reconheceu crédito no valor de R$ 721.854,93 e homologou as compensações apresentadas até este montante. O crédito reconhecido está discriminado nos quadros de fl. 430. 3. O fundamento para o não reconhecimento de parte do crédito pleiteado encontrase no próprio Despacho Decisório e pode ser assim sintetizado: 15. Considerando todos os períodos de apuração analisados sob o MPFD em questão, verificase que os principais bens para industrialização e revenda geradores dos valores mais relevantes dos créditos do PIS/COFINS são a laranja para a fabricação de suco e o café em grãos adquirido junto a terceiros para revenda. (....) 22. A Empresa realizou, desde junho de 2007 até o final do ano de 2008, aquisições de “Café In Natura” para revenda, classificada na posição 0901 da TIPI. Intimamos o contribuinte a apresentar um descritivo do processo produtivo dessas operações, o qual nos entregou uma declaração explicando que a empresa adquire, junto a cooperativas e empresas comerciais atacadistas, além de uma pequena parcela de produtores rurais pessoas físicas, o café cru em grãos sem nenhum tipo de beneficiamento. 23. Após ser estocado em armazéns próprios da companhia, o café em grãos passa por um processo de blendagem (“BLEND”): preparação e mistura dos tipos de café para definição de aroma e sabor ou por separação dos grãos por densidade, para posterior comercialização. Ainda apresentou fotografias dos locais de armazenamento e dos equipamentos do processamento do “BLEND”. (….) 31. Sendo o objeto do Pedido de Ressarcimento os créditos integrais do PIS e da COFINS previstos nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, cabenos apurar quais compras de café tem o direito a esses créditos, excluindo da base de cálculo as compras oriundas de cooperativas, de pessoas físicas e com a aplicação da suspensão da incidência do PIS e da COFINS. Dessa forma, calculamos os montantes passíveis de crédito no seguinte modo: a) exclusão de grande parte das compras originadas de cooperativas e pessoas físicas, pois o contribuinte faz jus somente aos créditos presumidos de PIS e Cofins previstos no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, em relação aos produtos Fl. 554DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 555 4 classificados no código 0901 da NCM adquiridos desses fornecedores (café), conforme planilha anexa “CÁLCULO COOPERATIVAS”; b) glosa em alguns períodos de apuração dos totais das compras informadas nos DACONs superiores aos existentes nos registros fiscais existentes nos arquivos magnéticos apresentados (IN 86/2001) conforme planilha anexa “CÁLCULO COOPERATIVAS”; c) glosa em outros períodos de apuração de compras informadas nos DACONs sem registro algum nos arquivos magnéticos, conforme planilha anexa “CÁLCULO COOPERATIVAS”; d) extração das amostragens do percentual de notas fiscais sem a suspensão da incidência do PIS e da COFINS e a consequente aplicação deste percentual sobre a base de cálculo com direito a crédito, conforme planilha anexa “COMPRAS SEM SUSPENSÃO”, ou seja, compras oriundas de fornecedores, excluídas as cooperativas e pessoas físicas, informação esta originada da planilha “CÁLCULO COOPERATIVAS”. (....) 51. Importante se faz, nessa análise, a diferenciação das pessoas jurídicas abarcadas pela suspensão da venda de PIS e COFINS na venda para a agroindústria, daquelas vendas in natura diretamente ao consumidor final ou na revenda, fato inconteste, que nesses casos não há de se falar em crédito presumido, vez que aplica se a alíquota de 0%, conforme § 2º do artigo 2º da Lei 10.833/2003, não caberá direito a crédito o valor de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumos em produtos ou serviços à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição, impedindo este em linha com atuais soluções de consultas da RFB no sentido de não permitir qualquer tipo de creditamento pelos varejistas e revendedores. 52. Por fim, há de ressaltar ainda que os créditos apurados nos termos do artigo 8º da Lei 10.925/2004, não podem ser objeto de compensação ou ressarcimento, servindo apenas para desconto dos valores devidos das contribuições apuradas, como se depreende da leitura dos artigos 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo nº 15, de 22 de dezembro de 2005 e artigo 8º, §3º, II, da IN SRF nº 660/06: 53. Aplicando os normativos aqui comentados no caso concreto, calculamos o crédito presumido adotando o percentual de 35% da alíquota integral perfazendo a alíquota efetiva de 0,5775% (PIS) e 2,66% (COFINS), nos termos do artigo 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004 e posteriores alterações. (….) 68. A apropriação de créditos sobre devoluções de vendas somente ocorre quanto este tipo de operação é tributável, ou seja, quando as vendas são realizadas no mercado interno. Verificamos que o contribuinte distribuiu tais valores entre as colunas de rateio dos mercados interno e externo, incorretamente. 69. Para verificarmos a correção dos valores, somamos somente as devoluções de vendas tributadas no mercado interno, segregando dos arquivos magnéticos Fl. 555DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 556 5 somente os CFOP 1201, 2201, 1202 e 2202 referentes às devoluções de vendas ensejadoras de apuração créditos. (....) 73. Nos termos do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03 a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desta forma os valores referentes a devolução de compras deverão ser estornados. 74. Na mesma linha deverá ser estornado o crédito do PIS e da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação, nos termos do § 13° do art. 3° combinado com o art. 15 da Lei n° 10.833/03. 4. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 22/02/2012 (fl. 436) e apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 449/461 em 23/03/2012 na qual alega: Entendeu o Sr. Auditor Fiscal que a apropriação de créditos sobre devoluções de vendas somente ocorre quando este tipo de operação é tributável, ou seja, quando as vendas são realizadas no mercado interno. Por esta razão, entendeu ser incorreto o procedimento adotado pela Requerente que distribuiu tais valores entre as colunas de rateio dos mercados interno e externo; Para verificar a correção dos valores, somou somente as devoluções de vendas tributadas no mercado interno, segregando dos arquivos magnéticos somente os CFOP 1201,2201, 1202 e 2202 referentes às devoluções de vendas ensejadoras de apuração de créditos; A Requerente procedeu ao rateio dos mercados interno e externo justamente porque a receita obtida das vendas, tanto no mercado interno como no mercado externo são rateadas. O fato das receitas de exportação não sofrerem tributação, conforme art. 5°, I, da Lei n° 10.637/2002 nada tem a ver com a possibilidade de creditamento. Tratase de medida que incentiva a exportação e entrada de dividas no Pais. Por sua vez, o aumento das receitas advindas das vendas no exterior acaba por refletir, ainda que indiretamente, no custo dos produtos comercializados no mercado interno, aplicandose, no caso, o inciso II do art. 3°, da Lei n° 10.637/2002, por conseqüência; Há um claro equivoco da EQAUD em relação ao tratamento tributário dispensado às operações com o produto café cru em grãos pelas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.925/2004, a partir das alterações nelas introduzidas pela Lei 11.051, de 29/12/2004; Não há falar em aplicação da SUSPENSÃO da incidência da contribuição para o PIS e a COFINS, dentro do período analisado neste processo, sobre as receitas auferidas por cooperativas com vendas de café. Basta ver para o teor do inciso II, § 1°, art. 9°, da Lei 10.925, na redação que lhe deu o art. 29 da Lei 11.051/2004: Fl. 556DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 557 6 E quem são (ou eram) as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6° e 7° do art. 8° da Lei 10.925/2004. Os comerciantes atacadistas e as cooperativas que estivessem habilitadas a padronizar, a beneficiar, a preparar e a misturar tipos de café e que podiam se apropriar do crédito presumido de que trata o caput do art. 8° da Lei 10.925/2004 quando, e somente quando, adquirissem café cru em fardos diretamente de produtor pessoa física ou quando recebidos de cooperado pessoa física; Posteriormente, quando da revenda do café, por essas pessoas jurídicas, não havia falar, reprisando afirmação acima, em aplicação de suspensão da incidência do PIS e da COFINS sobre as respectivas receitas, ainda que a revenda do café fosse feita para outros comerciantes atacadistas que também estivessem habilitados a realizar os processos de padronização, beneficiamento, preparação e mistura. Isto por aplicação clara da regra de vedação prevista no inciso II, § 1°, art. 9°, da Lei 10.925, na redação conferida pela Lei 11.051; Ou seja, quando comerciantes atacadistas e cooperativas vendiam o café para outras pessoas jurídicas (comerciantes, indústrias), sobre as respectivas receitas incidia, inexoravelmente, as contribuições para o PIS e a Cofins; na medida em que a Requerente adquiriu café cru em grãos diretamente de comerciantes, e ai pouco importa se esses comerciantes estavam ou não habilitados a padronizar, a beneficiar, a preparar e a misturar, e de cooperativas, que ofereceram suas receitas à incidência do PIS e da Cofins, afinal, lhes era vedado aplicar a suspensão da incidência das contribuições, fica claro que a pretendida "reclassificação" de linhas (de "bens para revenda" para "crédito presumido") quanto ao valor das aquisições de café para revenda feitas pela Requerente não encontra fundamento na legislação pertinente; a Fiscalização requisitou os documentos por amostragem, conforme afirmação constante no item 13 do referido Relatório, em que fica claro que as notas fiscais de compras de insumos e mercadorias para revenda não foram analisados de forma individualizada; para fins de auditoria sobre a tomada dos créditos, inclusive para a identificação dos fornecedores, que no presente caso, fazem toda a diferença para fins de aplicação da legislação suscitada pelo Auditor Fiscal, é imprescindível a análise de cada uma das notas fiscais, em nome do principio da verdade material; não resta dúvida que, não bastasse o equivoco do Auditor Fiscal quanto ao tratamento tributário dispensado as operações com o produto café cru em grãos, no mínimo, os presentes autos devem ser baixados em diligência para que o Auditor Fiscal analise cada uma das notas fiscais e demais documentos que comprovam o direito creditório da Requerente; muito embora a EQAUD não questione/glose valores de crédito presumido indicados no DACON, até porque a Requerente não pleiteou, repitase, ressarcimento de crédito presumido, é fato que o quadro apresentado no item 82 do relatório contém erro material, tendo em vista que os valores de crédito presumido indicados nas linhas "credito presumido — 0,5775%" e "crédito presumido — 2,66%" resultam da aplicação dos referidos percentuais de 0,5775% (PIS) e 2,66% (Cofins) sobre os valores que estão indicados na linha BASE DE CALCULO do referido quadro e que correspondem à soma dos valores obtidos pela EQAUD como componentes da base de cálculo do credito integral; entende que o principio da verdade material não foi observado, pelo que requer se digne essa Egrégia DRJ promover o recálculo do crédito. Se este, Fl. 557DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 558 7 entretanto, não for o entendimento da Ilustre Turma Julgadora, a Requerente requer a baixa dos autos para que a EQAUD execute novas diligências, sempre com vistas à correta aferição do crédito pleiteado; solicita, por fim, que a esta manifestação seja analisada em conjunto à manifestação apresentada nos autos do processo 16349.000424/200910. 5. Em 03/09/2012, a empresa interessada apresentou documento de fls. 470/475 no qual sustenta: DO CRÉDITO PRESUMIDO QUESTÃO SUPERVENIENTE 10 Com relação a esse tópico, a Requerente apresentou algumas considerações, nos itens 34 ao 38 da manifestação protocolada em 22/03/2012, para deixar claro que nenhum valor a titulo de credito presumido fora incluído no pedido de ressarcimento que deu origem a este processo. 11. Referidas considerações se fizeram necessárias diante das considerações feitas no relatório da EQAUD e porque o quadro apresentado no item 76 do mesmo relatório contem erro material, o cálculo da EQAUD deve ser refeito, neste ponto, com a desconsideração do credito presumido pela alíquota de 0,5775% e adoção do crédito integral, mediante utilização da alíquota cheia de 1,65%, de modo a se recompor o credito apurado pela Requerente, cujo procedimento está dentro dos estritos limites determinados pela norma legal e normativa. A Requerente vem a esclarecer, a propósito, que a EQAUD reconheceu o equivoco no Termo de Encerramento de Diligência emitido no âmbito do RPF/MPF n° 08.1.80.002011000220/08.1.80.002010000154 (doc. 3), do qual tomou ciência em 11/05/2012 e destaca os seguintes trechos: Sendo o principal produto industrializado o suco de laranja, procuramos identificar durante as análises se o contribuinte tentou solicitar o crédito presumido sobre as aquisições da fruta laranja para industrialização por meio dos Pedidos de Ressarcimento constantes dos processos administrativos acima listados, pelo fato da existência de vedação legal a época da protocolização dos pedidos. (....) Concluímos pelas análises efetuadas que o contribuinte agiu corretamente ao não incluir nas bases de cálculos objetos dos Pedidos de Ressarcimento o crédito presumido sobre as aquisições de laranjas para industrialização. Para chegarmos a essa conclusão tivemos que calcular o crédito presumido da laranja aplicando o percentual de 35% da alíquota integral perfazendo a alíquota efetiva de 0,5775% (PIS) e 2,66% (COFINS), nos termos do art. 8°,§ 3°, III da Lei 10.925/2004, e finalmente comparando os resultados aferidos com os Pedidos de Ressarcimento e listandoos nos Despachos Decisórios dos processos administrativos aqui comentados. Acontece que o contribuinte compareceu a esta repartição para solicitar esclarecimentos de dúvidas acerca dos cálculos do crédito presumido comentado nos Despachos Decisórios. Checamos as planilhas de cálculos e constatamos que há um erro nas planilhas de cálculo do credito presumido da laranja, apesar de este erro não ocasionar uma necessidade de retificação dos despachos decisórios pelo motivo de não interferir nos créditos deferidos nas decisões dos Despachos Decisórios, pelo fato de o crédito presumido não ser objeto dos Pedidos de Ressarcimento. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 559 8 O erro de cálculo constatado foi a fórmula de cálculo do crédito presumido existente nas planilhas resumos de apuração dos créditos integrais ( não presumido) do item "CONCLUSÃO" de todos os Despachos Decisórios: ao invés de as alíquotas do crédito presumido recair sobre os montantes de compras de laranjas, a fórmula da planilha aponta para a base de cálculo do crédito integral (não presumido), conforme demonstramos no exemplo abaixo: (….) A fim de sanarmos o erro cometido, faço constar através deste Termo de Encerramento os créditos presumidos demonstrados pelo contribuinte e analisados, deixando claro que estes valores não fazem parte dos Pedidos de Ressarcimento nem dos créditos deferidos: (....) CONCLUSÃO E PEDIDO 15. Diante das considerações acima e em beneficio da economia processual e da eficiência administrativa, a Requerente entende que fica superada a necessidade de manifestação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo a respeito do tópico "CRÉDITO PRESUMIDO". 16. Adicionalmente e apenas por oportuno, a Requerente reforça a necessidade de reforma do despacho decisório da EQAUD/DERAT, com vistas à correta aferição do valor do crédito pleiteado, sem a exclusão, da base de cálculo do crédito integral, do montante de R$ 92.726.077,14 6. É o relatório" A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e o Acórdão n° 1669.896, datado de 25/08/15, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 CRÉDITO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. Somente bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior podem originar crédito. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE CAFÉ CRU EM GRÃOS A lei não autoriza o aproveitamento de crédito integral na aquisição de café cru em grãos quando a operação estiver sujeita à suspensão da incidência do Pis e da Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que, basicamente, reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade, que tinham Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 560 9 como objetivo sustentar a tomada de créditos integrais sobre as compras de café cru em grãos de cooperativas e as devoluções de exportações. Consta nas fls. 544 a 551 cópia de decisão judicial que determinou que o presente processo fosse julgado no prazo de sessenta dias. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator O recuso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de glosa de créditos de PIS do 1° trimestre de 2008, objetos de Pedidos de Ressarcimento (PER), aos quais foram vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP). A recorrente calculou créditos integrais sobre compras de café em grãos de cooperativas, enquanto que a fiscalização entendeu que fazia jus tão somente aos créditos presumidos previstos no art. 8° da Lei n° 10.925/04. Ademais, fiscalização glosou créditos sobre devoluções de exportações, sob a alegação de que somente podem ser computadas nas bases de cálculo dos créditos as devoluções derivadas de vendas tributadas. A DRJ ratificou o posicionamento da fiscalização, ao julgar a manifestação de inconformidade. Em suas peças de defesa, a recorrente assim enfrentou as citadas controvérsias: Crédito integral sobre aquisição de café cru em grãos de cooperativas agoropecuárias produtoras i) Interpreta os artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04 no sentido de que as compras de café cru em grãos de cooperativas agropecuárias não estão sujeitas à suspensão do PIS e da COFINS, em razão de as cooperativas também realizarem atividades previstas no § 6° do art. 8° da Lei n° 10.925/04 "(. . .) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial.". Assim, dão direito ao creditamento integral e não presumido. ii) Aponta que a fiscalização baseou seu entendimento no art. 6° da IN SRF n° 660/06, o qual estaria em desacordo com o comando do inciso II do art; 9° da Lei n° 10.925/04, não podendo, portanto, ser adotado. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 561 10 Cômputo na base de cálculo dos créditos das devoluções de exportações i) A recorrente entende que não há vedação legal à tomada de créditos sobre devoluções de exportações. Passemos à análise das alegações da recorrente. CRÉDITO INTEGRAL SOBRE AQUISIÇÃO DE CAFÉ CRU EM GRÃOS Inicio, reproduzindo os dispositivos da Lei n° 10.925/04, necessários à solução da questão: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (...) § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 562 11 dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. § 7º O disposto no § 6º deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (. . .) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF.” Em resposta à intimação (fls. 230 e 231), o contribuinte proveu das seguintes informações acerca das compras de café e de seu processo produtivo: Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 563 12 (. . .) Assim, partimos da premissa de que o café adquirido pela recorrente é insumo de seu processo industrial ("blend"). A recorrente sustenta que as compras de café cru em grãos de cooperativas agropecuárias que desenvolvam atividades produtivas listadas no § 6° do art. 8° da Lei n° 10.925/04 "(. . .) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial." não estão sujeitas à suspensão das contribuições, pelo que dão direito ao crédito integral. Com a devida vênia, divirjo da recorrente. À luz das informações prestadas pela recorrente e dos dispositivos da Lei n° 10.925/04 acima transcritos, minha leitura é a seguinte: i) O crédito presumido é conferido às compras de café de cooperativas, quando insumo ("cru em grãos"), isto é, antes de ser submetido a qualquer tipo de beneficiamento, por pessoa jurídica (recorrente) que o sujeitará, dentre outros processamentos, ao denominado de "blend" caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04. ii) O crédito mencionado no item anterior é presumido, porque a venda da cooperativa agropecuária para a recorrente goza de suspensão. E o fundamento é o inciso III do art. 9° c/c o inciso III do § 1° e caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 564 13 iii) As premissas para a aplicação das regras são as seguintes: 1°) O café deve ser vendido ainda na condição de insumo. 2°) O vendedor deve ser pessoa física ou cooperado pessoa física (caput do art. 8°), cerealista que pratique beneficiamento (inciso I do § 1° do art. 8°), pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária (inciso III do § 1° do art. 8°) ou cooperativa de produção agropecuária (caso em tela, também previsto no inciso III do § 1° do art. 8°). iv) Destaquese que pouco importa se a cooperativa agropecuária também tenha a capacidade de beneficiar o café. Se, como na situação em debate, ela vender café cru em grãos para empresa que o beneficiária, a venda será cursada com suspensão das incidências das contribuições e o comprador (recorrente) terá direito ao desconto de crédito presumido e não integral. Com isto, afastase o entendimento da recorrente, que é no sentido de que o simples fato de a vendedora ser cooperativa agropecuária produtora já seria o suficiente para se descartar a aplicação da suspensão e, por conseguinte, conferirlhe créditos integrais de PIS e COFINS. Por fim, menciono não ser necessário adentrarmos a fundo na segunda alegação da recorrente a fiscalização teria baseado seu entendimento no art. 6° da IN SRF n° 660/06, o qual estaria em desacordo com o comando do inciso II do art; 9° da Lei n° 10.925/04, não podendo, portanto, ser adotado uma vez que, como vimos, a interpretação da fiscalização está integralmente em linha com os dispositivos da Lei n° 10.925/04, n Isto posto, nego provimento aos argumentos da recorrente. CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS DAS DEVOLUÇÕES DE EXPORTAÇÕES Para fins que não interessam à presente lide, a recorrente adota o rateio proporcional dos créditos de PIS e COFINS, às razões das participações percentuais das receitas nos mercados interno e externo na receita total. E, na base de cálculo dos créditos, inclui as devoluções de exportações, que não sofrem incidência do PIS (art. 5° da Lei n° 10.637/02) e da COFINS (art. 6° da Lei n° 10.833/03). O procedimento adotado pela recorrente não tem amparo legal, posto que tão somente podem gerar créditos as devoluções de vendas que tenham sido oferecidas à tributação pelo PIS e COFINS, como segue (incisos VIII dos artigos 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, cujas redações são idênticas): "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei." (g.n.) Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16349.000431/200911 Acórdão n.º 3301004.737 S3C3T1 Fl. 565 14 Portanto, nego provimento aos argumentos da recorrente. CONCLUSÃO Nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 565DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.002887/2009-23
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA.
O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal.
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVA.EFEITOS.
A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei preexistente, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1003-000.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OPÇÃO. CIRCUNSTÂNCIA VEDADA. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVA.EFEITOS. A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei preexistente, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 28 87 /2 00 9- 23 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11516.002887/200923 Acórdão n.º 1003000.076 S1C0T3 Fl. 139 2 Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo ADE DRF/FNS/SC nº 50, de 02.06.2009, fl. 92, com efeitos a partir de 01.01.2005, motivada pela pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal (inciso II do art. 2º e inciso IX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996) e ainda com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM FLORIANÓPOLIS, SC, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo artigo 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009, com fundamento o disposto nos artigos 92 ao 16 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e considerando o constante do processo nº 11516.002887/200923, declara: Art. 1° O contribuinte TECSOUZA PEÇAS E SERVIÇOS LTDA, CNPJ — 02.677.704/000129, excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, haja vista seu titular ou sócio participar com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, cumulado com a constatação de uma receita bruta global superior ao limite de que trata o inciso II do art 2°, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, fato que importa em vedação à sua manutenção no SIMPLES, com fundamento no artigo 9°, inciso IX, da mesma Lei. Art. 2° A presente exclusão surtirá efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005, conforme disposto no inciso II do 15 da Lei nº 9.317/96, facultada a apresentação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) da ciência, à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/BEL/PA nº 0127.491, de 21.10.2013, efls. 111117: EMENTA Comprovada que a soma das receitas declaradas pelas empresas em que a mesma pessoa física participe com 10% ou mais de seu capital ultrapassou o limite permitido para tributação denominada de SIMPLES FEDERAL a exclusão darseá a partir do mês seguinte em que verificada a situação excludente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11516.002887/200923 Acórdão n.º 1003000.076 S1C0T3 Fl. 140 3 Notificada em 10.03.2014, efl. 119, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07.04.2014, efls. 120136, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente à retroatividade dos efeitos da exclusão aduz que: Ocorre que o art.15, II da Lei n° 9.317/96 passou a vigorar com esse teor apenas em 14/10/2005, conforme determinava o art.132, II, 'a' da Lei n° 11.196/05. Antes disso, a redação que valeu entre 14/12/1998 (data de publicação da Lei n° 9.732/98) e 27/08/2001 (data de publicação da MP n° 2.15835) [...] Cumpre, então, verificar porque não é possível a retroação dos efeitos da exclusão até a data fixada pelo ADE DRF/FNS n° 50/09 (01/01/2005). No que diz respeito aos fundamentos da exclusão afirma que: De acordo com o dispositivo legal invocado pela RFB, a exclusão da recorrente do SIMPLES ocorreu em virtude da participação de seu sócio Sr. Álvaro José de Souza em mais de 10% do capital de outra empresa no caso, Metalúrgica Latino Americana Ltda. Dos documentos acostados pelo agente fiscal, denotase que o Sr. Álvaro ingressou na Latino Americana em 02/09/1996 (lª alteração contratual) e retirouse em 23/01/1997 (2ª alteração contratual). Posteriormente, voltou a fazer parte dessa Metalúrgica em 01/12/2000 (3ª alteração contratual). Da recorrente (Tecsouza Peças e Serviços Ltda.) o Sr. Álvaro é sócio desde a sua constituição; ou seja, a partir de 22/06/1998. Num primeiro momento com 50% do capital social da Tecsouza, mas desde 01/12/2000 (3º alteração contratual) com apenas 5%. Desses fatos extraemse duas conclusões simples e lógicas: A Metalúrgica Latino Americana Ltda. não pode ser excluída do SIMPLES como, de fato, não foi porque a participação concomitante 01/12/2000) do Sr. Álvaro em outra empresa (Tecsouza) é inferior a 10% do capital social desta; e à única lei aplicável para exclusão da Tecsouza Peças e Serviços Ltda. é aquela vigente no primeiro momento (termo a quo) em que o Sr. Álvaro, além das cotas sociais da Tecsouza, passou a deter mais 10% do capital social de outra empresa (Latino Americana); o que ocorreu precisamente em 01/12/2000. Como se viu logo de início e foi totalmente desconsiderado pela decisão recorrida, a redação do art. 15, II da Lei n.° 9.317/96 em 01/12/2000 dizia que a exclusão de ofício do SIMPLES decorrente de participação de sócio com mais de 10% do capital de outra empresa só surtiria efeito a partir do mês subsequente àquele em que se procedesse à exclusão. Certamente não é necessário discorrer, neste recurso voluntário, que a exclusão do SIMPLES tratase, inequivocamente, de penalidade/sanção tributária. Logo, só pode incidir sobre um determinado fato a legislação em vigor na data de sua ocorrência, sob pena de violação dos arts.106 e 112 do CTN. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11516.002887/200923 Acórdão n.º 1003000.076 S1C0T3 Fl. 141 4 No presente caso, o evento data de 01/12/2000, mas a autoridade fazendária aplicou dispositivo alterado posteriormente (27/08/2001), que impôs condição mais severa do que a antecedente. Embora aduza que está usando a legislação vigente à época dos fatos ocorridos e que não aplicou retroativamente a Lei n.° 11.196/05, é certo que o acórdão recorrido não logrou êxito em demonstrar que dispositivo utiliza para justificar a exclusão a partir de 01/01/2005. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Ex positis, requer o conhecimento e provimento deste recurso voluntário, a fim de reapreciar os fundamentos (?) e reformar o Acórdão n° 0127.491 2ª Turma da D RJ/BEL, de modo a alterar/corrigir o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 50, de 02 de Junho de 2009 (Processo n° 11516.002887/200923), para que, nos termos da lei, sua exclusão de ofício do SIMPLES surta efeito apenas a partir do mês subsequente àquele em que efetivada (11/2009, uma vez que intimada em 07/10/2009; ou, no máximo, 07/2009, já que o ADE é de 02/06/2009). É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica optante, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11516.002887/200923 Acórdão n.º 1003000.076 S1C0T3 Fl. 142 5 conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência e de sua validade1. O pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica, cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal2. O limite legal que se impõe no período de 01.01.1997 a 31.12.1998, é que na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior ao da opção, receita bruta superior a R$720.000,00 e no início de atividade o valor de R$60.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento naquele período, desconsideradas as frações de meses. No período de 01.01.1999 a 31.12.2005, tenha auferido receita bruta superior a R$1.200.000,00 e no início de atividade o valor de R$100.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento. A partir de 01.01.2006 tenha auferido receita bruta superior a R$2.400.000,00 e no início de atividade o valor de R$200.000,00 multiplicados pelo número de meses de funcionamento3. Em relação aos registros públicos, podese afirmar que existência legal das pessoas jurídicas só começa com o registro de seus atos constitutivos. O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins deve ser exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, dentre outras com a finalidade de dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro. O registro compreende, dentre outros, o arquivamento dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais e sociedades mercantis. Por esta razão, o arquivamento da alteração contratual no órgão competente se revela para todos os fins de direito, passando a surtir efeitos legais oponíveis contra terceiros (Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973 e Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994). O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 2 Fundamentação legal: art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: Lei nº 5.194, 24 de dezembro de 1996, art. 2º e art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e Lei nº 11.307, de 19 de maio de 2006. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11516.002887/200923 Acórdão n.º 1003000.076 S1C0T3 Fl. 143 6 Analisando as condições excludentes legais e cumulativas restou esclarecido que: o sócio Álvaro José de Souza, CPF 485.361.56931, participa da pessoa jurídica Latino Americana Ltda., CNPJ 01.403.820/000197 com mais de 10% (dez por cento) do respectivo capital, de acordo com os Contratos Sociais registrados na Junta Comercial de Santa Catarina, fls. 0307 e 0914; a receita bruta global de ambas as pessoas jurídicas ultrapassou nos anos calendário de 2004 a 2006 o limite legal de R$1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), conforme Tabela 1 que indica as informações extraídas da Declarações Simplificadas das Pessoas Jurídicas, fls. 1590, constantes nos registros internos da RFB. Tabela 1 Receita Bruta Global AnoCalendário (A) Receita Bruta R$ Tecsouza Peças e Serviços Ltda. DSPJ de fls. 28, 40 e 52 (B) Receita Bruta R$ Latino Americana Ltda. DSPJ de fls. 66, 78 e 90 (C) Receita Bruta Global R$ D = (B +C) 2004 1.108.938,79 882.582.61 1.396.455,53 2005 1.058.704,31 978.498,04 2.037.202,35 2006 1.145.482.76 1.396.455,53 2.541.938,29 Assim, a descrição da razão de fato indicada no ato de exclusão está demonstrada de forma inequívoca pelo implemento concomitante das condições legais excludentes. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A contestação proposta na peça recursal, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente discorda dos efeitos retroativos do ato de exclusão. A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. Tendo em vista a falta do procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por ato declaratório da autoridade fiscal que jurisdicione o sujeito passivo, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal. A propósito das questões apontadas pela defesa sobre os efeitos da exclusão, a Lei nº 9.317, prevê: Art. 2° Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: [...] II empresa de pequeno porte, a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11516.002887/200923 Acórdão n.º 1003000.076 S1C0T3 Fl. 144 7 [...] Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; [...] Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Ainda atinente a matéria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial Representativo da Controvérsia REsp nº 1.124.507/MG4, cujo trânsito em julgado ocorreu em 08.06.2010, cuja decisão definitiva de mérito deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. 2. Não merece conhecimento o apelo especial quanto às alegações de contrariedade aos artigos 458 e 535 do CPC, porquanto a recorrente apresentou argumentação de cunho genérico, sem apontar quais seriam os vícios do acórdão recorrido, que justificariam sua anulação. Incidência da Súmula 284/STF. 4 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em Recurso Especial Representativo da Controvésia nº 1.124.507/MG. Órgão Julgador: Primeira Seção. Relator: Ministro Benedito Gonçalves. Julgado em 28 abr. 2010. Publicado no DJe em 06 mai.2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo=200900296277>. Acesso em 27 mai. 2018. 5 Fundamentação legal: 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11516.002887/200923 Acórdão n.º 1003000.076 S1C0T3 Fl. 145 8 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10% de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo n. 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido. Verificase que em 31.12.2004 a Recorrente incorreu em situação excludente e assim a partir do mês seguinte em que se processarem os efeitos da exclusão, ou seja, 01.01.2005, sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Logo, não cabem reparos ao ato administrativo de exclusão e seus efeitos legais devem prevalecer. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11516.002887/200923 Acórdão n.º 1003000.076 S1C0T3 Fl. 146 9 ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. A alegação relatada na peça recursal, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade 6. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.909841/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
IRRF. PAGAMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. RENDIMENTOS. CONTABILIZAÇÃO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO.
O IRRF incidente sobre valores auferidos em períodos anteriores ao do seu efetivo recolhimento poderá ser deduzido na apuração do lucro real, desde que os respectivos rendimentos tenham sido reconhecidos contabilmente e integrados ao lucro tributável na época própria.
Numero da decisão: 1401-002.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito a um crédito adicional de R$10.889.325,14.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PERDCOMP Recorrente TUPY S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IRRF. PAGAMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA. RENDIMENTOS. CONTABILIZAÇÃO. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. O IRRF incidente sobre valores auferidos em períodos anteriores ao do seu efetivo recolhimento poderá ser deduzido na apuração do lucro real, desde que os respectivos rendimentos tenham sido reconhecidos contabilmente e integrados ao lucro tributável na época própria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito a um crédito adicional de R$10.889.325,14. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 41 /2 01 3- 01 Fl. 422DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (nº 08195.36335.310310.1.2.02 0326)em que a Contribuinte pleiteia crédito relativo ao 4º trimestre de 2009, decorrente de saldo negativo de IRPJ. O referido crédito, no importe de R$12.072.781,67, tem origem em retenções de IRRF e foi reconhecido apenas parcialmente pelo despacho decisório de efls. 05/09, proferido pela DERAT/São Paulo: Em decorrência da confirmação apenas parcial do crédito pleiteado, a referida decisão não homologou integralmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 22822.05540.310310.1.3.029854 e não homologou as compensações declaradas nos PER/DCOMP nº 11177.74461.290410.1.3.025279 e 20471.03922.270510.1.3.021625. Irresignada com o despacho decisório da DERAT/SP, a Contribuinte recorreu à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém, que através do Acórdão nº 0128.336 1ª Turma (v. efls. 278/282), considerou a manifestação de inconformidade (v. efls. 11/21) improcedente. Vejamos a ementa do referido acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10880.909841/201301 Acórdão n.º 1401002.704 S1C4T1 Fl. 423 3 Exercício: 2009 Ementa: SALDO NEGATIVO. IRRF. REGIME DE APURAÇÃO. As parcelas de IRRF passíveis de dedução do imposto devido apurado ao final do período, e que poderão compor o saldo negativo do período, devem observar o regime de apuração da respectiva receita que integrou a base de cálculo do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tanto em sua manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário (v. efls. 288/307), a recorrente alega que as parcelas do crédito não confirmadas (R$10.889.325,14) se referem ao IRRF incidente sobre juros recebidos, nos anos calendário 2004, 2005, 2006 e 2007, decorrentes de operações de mútuo com coligada, que foi incorporada em 30/11/2007, e cujos valores de IRRF devidos, que não haviam sido retidos nem recolhidos pela fonte pagadora, foram integralmente pagos, em 24/11/2009, pela própria recorrente, no âmbito do Programa Especial de Parcelamento e Pagamento de Débitos (REFIS IV), de que trata a Lei nº 11.941/09. Posto em julgamento perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 04 de fevereiro de 2015, a Turma julgadora decidiu baixar o processo em diligência proferindo a Resolução nº 1101000.148 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária (v. efls. 314/319). O Colegiado entendeu que, no presente caso, a Contribuinte poderia deduzir as retenções sofridas posteriormente ao período de competência, mas desde que os juros recebidos nos anos calendário 2004, 2005, 2006 e 2007 tivessem sido reconhecidos contabilmente, e integrados ao lucro tributável daqueles períodos, seguindose a correspondente apuração dos tributos devidos sem a dedução das retenções alegadas no ano calendário 2009. Segundo a 1ª TO/1ª Câmara/1ª Seção, a dedução tardia não ultrapassou o prazo prescricional para eventual repetição do indébito, que poderia ter se formado a partir do ano calendário 2004; na verdade, esse fato teria prejudicado a beneficiária, que com a recomposição das apurações passadas poderia ter atualizado seu crédito com juros. Assim, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal competente apurasse se os rendimentos que ensejaram as retenções tardiamente deduzidas foram regularmente escriturados e computados na apuração do lucro tributável nos períodos de referência, bem assim confirmar o recolhimento das retenções com os benefícios da anistia, como apontado pela Recorrente nos autos. Após realizar as diligências necessárias, a Autoridade Fiscal juntou aos autos os relatórios de efls. 363/364 e 409/410, onde restou demonstrado o seguinte: Fl. 424DF CARF MF 4 Os relatórios de diligência foram cientificados à Recorrente, que se manifestou através das petições de efls. 370/371 e 416/417. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. O trabalho deste Relator foi muito facilitado pela antiga 1ª TO/1ª Câmara/1ª Seção, que na Resolução nº 1101000.148 já adiantou a solução para o caso em apreço, determinando a diligência tão somente para comprovar se os rendimentos que deram origem ao IRRF objeto do pedido de restituição foram oferecidos à tributação na época própria. Também foi solicitado à Autoridade Administrativa que comprovasse o recolhimento do aludido imposto no âmbito do parcelamento instituído pela Lei 11.941/09. Conforme o entendimento exposado na Resolução, com o qual concordo inteiramente, a Contribuinte poderia deduzir as retenções sofridas posteriormente ao período de competência, desde que os juros recebidos nos respectivos anos calendário (2004, 2005, 2006 e 2007) tivessem sido reconhecidos contabilmente, e integrados ao lucro tributável daqueles períodos, seguindose a correspondente apuração dos tributos devidos sem a dedução das retenções alegadas no ano calendário 2009. A dedução do IRRF apenas em 2009 não ultrapassou o prazo prescricional para eventual repetição do indébito, que poderia ter se formado a partir do ano calendário 2004; na verdade, segundo a 1ª TO/1ª Câmara/1ª Seção, esse fato teria prejudicado a beneficiária, que com a recomposição das apurações passadas poderia ter atualizado seu crédito com juros. Assim, a Autoridade Administrativa, após proceder à análise da escrituração contábil da Recorrente, constatou o seguinte (v. efls. 363): Os registros contábeis juntados nas fls. 126, 358/362, demonstram que as receitas de mútuo discutidas nos presentes autos foram escrituradas nas suas respectivas competências na conta “3.45.01.005.000 Receita Financeira sobre mútuo”. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10880.909841/201301 Acórdão n.º 1401002.704 S1C4T1 Fl. 424 5 Verificamos também que estas mesmas receitas decorrente de contratos de mútuo foram consignadas no campo “Outras Receitas Financeiras” da Ficha 06A da DIPJ dos anoscalendário 2004 (fls. 205), 2005 (fls. 220), 2006 (fls. 245) e 2007 (fl. 250). Em relação ao IRRF pago em 2009 (v. efls. 409), Realizamos simulações de cálculo e apuramos que os débitos de IRRF foram de fato recolhidos com os benefícios da lei 11.941, qual sejam, a redução de 45% dos juros de mora e anistia da multa. O contribuinte recolheu o IRRF devido conforme guias juntadas às folhas 373/408 e coincidem com os valores informados nas planilhas que constam na manifestação de inconformidade (fls. 16 a 18). Portanto, comprovado o recolhimento do IRRF e o oferecimento à tributação dos rendimentos a que se refere o tributo, opino pelo reconhecimento de crédito adicional a ser considerado no PER/DCOMP nº 08195.36335.310310.1.2.020326, no importe de R$10.889.325,14. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 426DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720681/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/08/2006 a 10/12/2007
FATOS GERADORES. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IPI. INCIDÊNCIA. REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS. RESP nº 1.402.532/SC
São fatos geradores do IPI o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira e a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Assim, sendo equiparado a estabelecimento industrial o importador de produtos de procedência estrangeira que der saída a esses produtos, fica o mesmo obrigado ao pagamento do IPI em dois momentos distintos, relativos aos dois fatos geradores acima citados: desembaraço aduaneiro e saída do estabelecimento.
Por força do §2°, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (arts. 543-B e 543-C do CPC/73, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015), de que os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015).
NÃO-CUMULATIVIDADE. VALORES PAGOS NO REGISTRO DA IMPORTAÇÃO. DEDUÇÃO ADMITIDA.
Na apuração do IPI devido pelos estabelecimentos equiparados a industriais nas saídas de mercadorias importadas impende a dedução do Imposto pago no registro da declaração de importação em decorrência do princípio da não-cumulatividade.
PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Legítimas as exigências em procedimento fiscal conduzido nos termos da legislação tributária federal, mormente as informações e documentos necessários à conclusão dos trabalhos.
O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Estando demonstrada através de relatórios, pareceres e informações a metodologia de cálculo e a apuração do direito creditório e não havendo neles inconsistências, obscuridade ou falhas não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 3201-004.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência do IPI (principal), sobre os quais deverão incidir multa de ofício e juros de mora, nos valores reapurados no demonstrativo fiscal de folhas 222 a 225.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/08/2006 a 10/12/2007 FATOS GERADORES. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IPI. INCIDÊNCIA. REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS. RESP nº 1.402.532/SC São fatos geradores do IPI o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira e a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Assim, sendo equiparado a estabelecimento industrial o importador de produtos de procedência estrangeira que der saída a esses produtos, fica o mesmo obrigado ao pagamento do IPI em dois momentos distintos, relativos aos dois fatos geradores acima citados: desembaraço aduaneiro e saída do estabelecimento. Por força do §2°, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (arts. 543-B e 543-C do CPC/73, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015), de que os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015). NÃO-CUMULATIVIDADE. VALORES PAGOS NO REGISTRO DA IMPORTAÇÃO. DEDUÇÃO ADMITIDA. Na apuração do IPI devido pelos estabelecimentos equiparados a industriais nas saídas de mercadorias importadas impende a dedução do Imposto pago no registro da declaração de importação em decorrência do princípio da não-cumulatividade. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Legítimas as exigências em procedimento fiscal conduzido nos termos da legislação tributária federal, mormente as informações e documentos necessários à conclusão dos trabalhos. O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Estando demonstrada através de relatórios, pareceres e informações a metodologia de cálculo e a apuração do direito creditório e não havendo neles inconsistências, obscuridade ou falhas não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência do IPI (principal), sobre os quais deverão incidir multa de ofício e juros de mora, nos valores reapurados no demonstrativo fiscal de folhas 222 a 225. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IPI. INCIDÊNCIA. REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS. RESP nº 1.402.532/SC São fatos geradores do IPI o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira e a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Assim, sendo equiparado a estabelecimento industrial o importador de produtos de procedência estrangeira que der saída a esses produtos, fica o mesmo obrigado ao pagamento do IPI em dois momentos distintos, relativos aos dois fatos geradores acima citados: desembaraço aduaneiro e saída do estabelecimento. Por força do §2°, do art. 62, do RICARF/2015, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (arts. 543B e 543C do CPC/73, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015), de que os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015). NÃOCUMULATIVIDADE. VALORES PAGOS NO REGISTRO DA IMPORTAÇÃO. DEDUÇÃO ADMITIDA. Na apuração do IPI devido pelos estabelecimentos equiparados a industriais nas saídas de mercadorias importadas impende a dedução do Imposto pago no registro da declaração de importação em decorrência do princípio da não cumulatividade. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 06 81 /2 01 0- 31 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 243 2 Legítimas as exigências em procedimento fiscal conduzido nos termos da legislação tributária federal, mormente as informações e documentos necessários à conclusão dos trabalhos. O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Estando demonstrada através de relatórios, pareceres e informações a metodologia de cálculo e a apuração do direito creditório e não havendo neles inconsistências, obscuridade ou falhas não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência do IPI (principal), sobre os quais deverão incidir multa de ofício e juros de mora, nos valores reapurados no demonstrativo fiscal de folhas 222 a 225. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório elaborado no acórdão nº 380100.284 que decidiu converter o julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra adequadamente os fatos: Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa acima identificada, em função da falta de recolhimento do IPI relativo Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 244 3 às notas fiscais relacionadas nas fls. 63/64 (cópias nas fls. 31/58). Foi lançado o montante de R$ 623.696,09, incluídos nesse valor o imposto, a multa proporcional e juros de mora. 2. Cientificada em 29.09.2010 (AR fl. 65) a interessada apresentou, tempestivamente, em 29.10.2010, impugnação (fls. 72/163) na qual, em síntese: a) Aponta vício no lançamento, afirmando não haver ocorrido a intimação para apresentação dos recolhimentos do imposto, conforme descrito no Auto, tendo o lançamento sido efetivado com documentos que já estavam de posse da Fiscalização. Em função dessa falta de ciência, inexistiu procedimento fiscal; b) Disso resulta, segundo a impugnante, o cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarado nulo o lançamento; c) No mérito alega que, por estar localizada na Zona Franca de Manaus, os produtos por ela importados seriam isentos do imposto (cita art. 3º do Decretolei n° 288, de 1967), não havendo necessidade de recolhimento do IPI; d) Apesar do benefício, informa haver efetuado o pagamento (débitos no extratos anexados à impugnação) quando da importação dos itens, uma vez que “a sistemática de liberação aduaneira não permite que o contribuinte exerça seu direito à isenção”; e) Explica: “Quando uma pessoa jurídica, localizada em Manaus, importa produtos, estes são liberados pela autoridade fiscal somente após os pagamentos de todas as taxas e impostos. Isso, ocorre devido à cobrança, para a contribuinte ver sua mercadoria liberada, é obrigada a pagar tudo que lhe é exigido, sob risco de não conseguir cumprir suas obrigações comerciais. Uma dessas cobranças é o IPI. Ou seja, mesmo sendo uma área de livre comércio, cuja isenção do IPI é expressa na legislação tributária, o importador é compelido, indevidamente, a recolher o imposto, sob pena de não ver suas mercadorias liberadas, correndo risco, caso não o pague, de perder os negócios já fechados. Por essa razão, o IPI lançado na ação fiscal já havia sido recolhido indevidamente na entrada, o que configura mais uma razão pelo qual o lançamento efetuado é indevido, devendo, ser julgado improcedente.” f) Assim, prossegue afirmando que, sendo o fato gerador a entrada do produto estrangeiro, não caberia a aplicação concomitante de outro fato gerador, por configurar bis in idem; g) Reclama da exigência de imposto já recolhido na entrada das mercadorias importadas; Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 245 4 h) Entende que, caso deixem de ser aceitas as teses acima expostas, foi lançado valor indevido em decorrência da não aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI; i) Ao final, requer: “1 Seja declarada a nulidade do auto de infração, em razão dos diversos vícios apresentados; 2 Alternativamente, que seja anulado o lançamento, em decorrência da isenção do IPI para produtos importados que ingressam na Zona Franca de Manaus. 3 Se entender pela incidência do IPI nos produtos importados para a Zona Franca Manaus, mas vendidos para outras localidades, que seja declarado insubsistente o auto de infração, em decorrência do imposto já ter sido recolhido na entrada; 4 Caso vencidos todas as razões anteriores, o que se admite apenas para esgotar os argumentos, que seja aplicada a não cumulatividade, excluindose do auto de infração os valores já recolhidos do IPI, bem como a respectiva multa e juros, conforme cálculos apresentados nas planilhas em anexos.” A DRJ em Belém (PA) julgou improcedente a impugnação nos termos da ementa abaixo transcrita: FATOS GERADORES. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. São fatos geradores do IPI o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira e a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Assim, sendo equiparado a estabelecimento industrial o importador de produtos de procedência estrangeira que der saída a esses produtos, fica o mesmo obrigado ao pagamento do IPI em dois momentos distintos, relativos aos dois fatos geradores acima citados: desembaraço aduaneiro e saída do estabelecimento. NÃOCUMULATIVIDADE A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. A impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, 171 a 189, instruído com os documentos de fls. 190 a 195. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: Nas Preliminares Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 246 5 Da nulidade do lançamento. Inocorrência do fato descrito no auto de infração as intimações apresentadas no presente processo são relativas a um processo anterior, e não podem neste ser tido como válidas para o presente processo; a prova da falta de intimação da revisão interna, é que a intimação apresentada pelo próprio fisco, na qual se pautou a DRJ, é referente à ação fiscal ocorrida na empresa, e não à revisão interna. Nulidade do auto de infração em razão do cerceamento de defesa. o direito à ampla defesa da Recorrente foi ferido de morte também quando não foi dado a esta o acesso aos autos do presente processo; após à lavratura do auto de infração, a Recorrente foi intimada e recebeu cópia tão somente do auto de infração; a recorrente não teve o direito, sequer, de ler o relatório fiscal, para poder melhor se defender. Tanto é assim, que todos os argumentos de mérito, que serão apresentados em seguida, estão apoiados em meras suposições, pois, sem acesso aos autos, sem cópia do relatório fiscal e muito menos do processo, a Recorrente não tem certeza em quais operações ocorreram os fatos geradores dos quais a fiscalização faz exigência. No mérito Dos requisitos da isenção conforme acórdão da DRJ, os requisitos para ter direito à isenção seriam: tipo da mercadoria, a autorização prévia SUFRAMA e a destinação do bem importado. Da não classificação dos carros como "automóvel de passageiros". os veículos de passageiros são caracterizados não só pela capacidade de transporte de pessoas, mas também pela capacidade de levar bagagens. Isto é, são veículos destinados a viagem, tais como ônibus, microônibus, vans, etc; na verificação das notas ficais citadas pela DRJ, nenhum dos veículos encaixam nessa classificação. Eles entram, no máximo, na classificação de "utilitários", o qual já não entram nas exceções da isenção; não se pode estender as exceções da isenção a qualquer veículo automotor, de modo que se os veículos de passeio e utilitários não estão listado nas exceções da isenção da Zona Franca de Manaus, devem ter benefício. Da inscrição na Suframa Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 247 6 juntase ficha cadastral da Recorrente junto à Suframa, na qual se destaca a observação feita no final, onde há a anuência da Suframa ao informar que a empresa tem incentivos quanto ao 1CMS, IPI, PIS e Cofins; como a matéria referente aos requisitos da isenção foi trazida de forma inovadora no processo pela DRJ, não há óbice em juntar essa prova somente agora, segundo o disposto na alínea "c", no § 4o , do art. 16, do Decreto 70.235/7. Do consumo interno a sistemática da isenção referente ao consumo interno, da Zona Franca de Manaus, funciona da seguinte forma: o bem entra com isenção na Zona Franca de Manaus, pois, até então, não se sabe qual será seu consumidor final; a incidência do IP1 ocorrerá somente se o consumidor final for de outra unidade da federação, ou seja, somente após a venda do bem, é que se sabe se irá aproveitar o incentivo ou não. caso o bem seja vendido para dentro da Zona Franca de Manaus, não haverá incidência. Se o bem for para outro estado, aí sim, é que o tributo será recolhido. Nesse caso, uma vez que o IPI foi recolhido na entrada, quando era isento, não poderá ser recolhido na saída. Da nãocumulatividade do IPI segundo a DRJ, a Recorrente teria direito ao crédito somente com escrituração no livro caixa e essa prova deveria ser apresentada pela recorrente. Em primeiro lugar, há de se destacar que a escrituração foi corretamente lançada, pois, como afirmado anteriormente, a recorrente não tem como liberar a mercadoria sem recolher o IPI, desse modo, não teria porque não escriturar o recolhimento. Contudo, há se destacar que, como o presente processo iniciou com um auto de infração, o ônus da prova é do fisco, é a autoridade fiscal que deve provar a irregularidade na escrita fiscal do contribuinte e não o contrário; o lançamento foi efetuado com base nos documentos que estavam de posse do Agente Fiscal. Portanto, se ele não apresentou qualquer divergência na escrituração do IPI da entrada, se não foi lançado o 1P1 do desembaraço da entrada, é porque a escrituração está lançada de modo correto. ainda que não houve a escrituração, a Recorrente teria direito ao aproveitamento do crédito, por força do disposto no art. 191 do Decreto 4.544/2002 (RIPI/2002): portanto, por força do mandamento da Constituição Federal, do art. 163 do RIPl/2002, e, em última análise, do art. 191, também do R1P1/2002, a Recorrente tem direito ao abatimento, no auto de infração, de todo valor recolhido no desembaraço aduaneiro, referente ao IPI. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 248 7 Por fim, requereu que seu recurso fosse conhecido e fosse reformada a decisão da DRJ. Submetido a julgamento, em Turma extinta deste CARF, na sessão de 24/01/2012, decidiram seus conselheiros converter o julgamento em diligência, após afastados os argumentos de nulidade do auto de infração, para a unidade de origem: a) Refazer a apuração do IPI, por período de apuração, considerando o Imposto pago no desembaraço aduaneiro; b) Cientificar a interessada quanto ao teor dos cálculos para se manifestar A DRF em Manaus/AM após solicitar e receber em atendimento às intimações os comprovantes e documentos anexados elaborou Relatório Fiscal, de 15/02/2016 no qual presta informação quanto aos procedimentos realizados em diligência: "4 DO AUTO DE INFRAÇÃO 4.1 Para efeito do cálculo do IPI devido, foram retiradas do Auto de Infração as seguintes Notas Fiscais: 000028, 000029, 000031 e 000032, CFOP 6.912 Remessa de Mercadoria ou bem para Demonstração, não se constituindo, portanto, em uma operação de venda de mercadoria. 4.2 Foram retiradas, igualmente, as Notas Fiscais 000160, 000162, 000180 e 000312, CFOP 5.102 Venda de Mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, por se tratar de vendas para consumo interno na ZFM de produtos abrangidos pela isenção do DecretoLei 288/67. 5 DA IMPUGNAÇÃO. 5.1 Reportandonos à planilha anexada aos autos pelo contribuinte às fls. 159/163, foi acrescentada a Nota Fiscal 000152, CFOP 5.102 Venda de Mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, por se tratar de venda para consumo interno na ZFM de produto excetuado da isenção fiscal conforme §1°, do Art. 3o, do DecretoLei 288/67. 5.2 Foram ajustados os valores das Declarações de Importação, com base nos dados extraídos do Sistema DW Corporativo, da Receita Federal do Brasil, conforme Quadro Demonstrativo das Importações. 5.3 As importações tiveram as entradas registradas na data do desembaraço. 6 CONCLUSÃO: 6.1 Da análise dos documentos constantes dos autos do processo, concluise que houve lançamentos incorretos tanto no Auto de Infração como na Planilha que embasou a impugnação do contribuinte. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 249 8 6.2 Face ao exposto elaboramos um novo Demonstrativo de Apuração de Crédito Tributário IPI, cujos valores constituem o IPI devido, a ser recolhido com os devidos acréscimos legais. 6.3 Por fim, cientificamos o Sujeito Passivo de que, nos pontos em que discordar dos procedimentos e fatos ora relatados, poderá apresentar, por escrito, manifestação de inconformidade com suas razões e alegações, endereçadas diretamente para o Presidente da Terceira Secção de Julgamento, 1ª Turma Especial do CARF, reabrindose o prazo de dez dias para a manifestação do contribuinte, se assim o desejar." O contribuinte teve ciência do Relatório Fiscal e Termo de Encerramento de Diligência em 10/05/2017, por meio de sua Caixa Postal (fl. 237), e não houve manifestação em relação aos documentos. Com essas informações, o processo retornou ao CARF providenciandose nova redistribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O recurso voluntário foi admitido na sessão de julgamento de 24/01/2012, na qual se atestaram os requisitos legais. Consta dos autos que o litígio versa sobre o lançamento do IPI, sem o pagamento do Imposto nas saídas, de bens importados sem direito ao benefício da isenção na entrada, por contribuinte situado na Zona Franca de Manaus. As matérias a serem enfrentadas são: (i) Preliminares de nulidade do lançamento; (ii) Requisitos da isenção na entrada de mercadorias na Zona Franca de Manaus; (iii) Direito ao crédito do IPI pago na importação; e (iv) Incidência do IPI nas saídas. 1. Preliminares de nulidade A matéria foi tratada no julgamento de 24/01/2012 e o Relator adiantou seu posicionamento; inobstante não implicar a adesão desta Turma aquele voto, por concordar com suas razões de decidir, adoto integralmente os seus fundamentos e peço vênia pra reproduzi los: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 250 9 "A recorrente sustentou preliminarmente a nulidade do lançamento de ofício pelos seguintes motivos: fato descrito no auto de infração não existiu, falta de intimação nos termos do art. 7º, inciso I, do Decreto nº 70.235/72 e por cerceamento do direito de defesa. A argumentação não procede, visto que no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que o auto de infração foi lavrado por servidor competente e o inciso II, a que a interessada se reporta, aplicase, apenas, aos casos de despachos e decisões, ressaltando que o auto de infração enquadrase na categoria de atos e termos processuais prevista no inciso I do aludido artigo. Quanto a tese de ausência de “descrição do fato”, tratase de alegação meramente protelatória, tendo em vista que os fatos estão descritos com objetividade nos demonstrativos que integram o lançamento, em especial no item 001 do auto de infração, IPI lançado – insuficiência de declaração de IPI – revisão interna, fl. 04. Ao contrário do alegado de afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, o lançamento de ofício observou o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, em especial os requisitos formais estabelecidos nos arts. 9 e 10, de sorte que a alegação de cerceamento de defesa não pode prosperar, mormente quando se constata que o sujeito passivo demonstra conhecer os fatos motivadores da autuação. Consignese, por pertinente, que as alegações da requerente no sentido de que não teve acesso aos autos administrativo não podem prosperar, pois a requerente não apresentou elementos de prova neste sentido. A requerente foi cientificada expressamente de seu direito de vista dos autos, segundo informações de fl. 08. Nesta esteira não consta que a requerente tenha solicitado vista do processo. Não se pode perder de vista que o lançamento de ofício contém todos os elementos necessários e suficientes para a constituição do crédito tributário. De sorte que não há que se falar em violação ao princípio do amplo direito de defesa, pois a requerente teve a oportunidade de apresentar robusta impugnação, além das razões coerentes desse recurso voluntário. Nesses recursos evidenciamse a correta percepção da matéria e da motivação do lançamento. Além do mais, a Constituição Federal em seu art. 5º, LV, assim estabelece: “Art. 5º.... ...... Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 251 10 LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.” Destarte, o preceito constitucional somente assegura tal direito aos litigantes, e na esfera administrativa fiscal a fase litigiosa iniciase com a apresentação da impugnação, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972. Deste modo, não há que se falar em ampla defesa e contraditório antes da instauração do litígio. Por tais razões, não procedem as alegações de nulidade do auto de infração, posto que não houve transgressão aos requisitos formais legalmente exigidos e a requerente pode exercer sua defesa plena, após ter ciência dos fatos motivadores da exigência". [...] 2. Mérito 2.1 Requisitos da isenção na entrada de mercadorias na Zona Franca de Manaus A autuação diz respeito às saídas das mercadorias do estabelecimento da contribuinte equiparado à industrial, e não à operação de importação. Dessa forma, as questões atinentes à incidência do IPI na importação não foram fundamentos da autuação fiscal e, portanto, não deveriam ser enfrentados no julgamento. Exceção apenas no que se refere ao Imposto pago na entrada que deveria ser deduzido na apuração do IPI devido na saída em razão da nãocumulatividade determinada na legislação. Tal matéria será enfrentada em tópico próprio, mas desde logo pontuase que no procedimento de diligência foi apropriado o crédito do IPI, pago nas aquisições das mercadorias cujas notas fiscais ainda se mantiveram na autuação, a ser deduzido no novo demonstrativo de apuração do IPI. Contudo, a contribuinte irresignada com a autuação alegou em sede de impugnação que a importação de mercadorias efetuada por empresa sediada na Zona Franca de Manaus goza de isenção e que recolheu o IPI nessa operação tãosó por exigência de liberação das mercadorias no despacho aduaneiro. Aventados tais argumentos, a decisão recorrida enfrentouos discorrendo acerca dos requisitos da isenção na entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca de Manaus para demonstrar que o IPI vinculado à importação é devido em tal operação. Portanto, os requisitos da isenção passaram a compor o litígio o que deve ser analisado neste voto, mas repisase, não influenciarão no mérito da decisão quanto às saídas sem o pagamento do IPI (exceto para a dedução do IPI pago na importação) Os requisitos para a entrada de mercadoria estrangeira na ZFM com isenção do IPI são: (i) a destinação ao consumo interno (art. 453 do RA/2002); (ii) a efetiva aplicação da mercadorias nas finalidades indicadas (§ 2º, do art. 453 do RA/2002); (iii) licenciamento nãoautomático, previamente ao despacho aduaneiro, com expressa anuência da Suframa (art. 455 do RA/2002) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 252 11 A isenção não se aplica aos automóveis de passageiros (inciso IV, do § 1º, do art. 453 do Decreto nº 4.543/2002 (RA/2002)). Prescreve ainda a legislação o pagamento de todos os impostos de uma importação do exterior, exceto no caso de isenção específica, sobre as saídas das mercadorias da ZFM para qualquer ponto do território nacional (art. 6º do DL nº 288/1967): Art 6º As mercadorias de origem estrangeira estocadas na Zona Franca, quando saírem desta para comercialização em qualquer ponto do território nacional, ficam sujeitas ao pagamento de todos os impostos de uma importação do exterior, a não ser nos casos de isenção prevista em legislação específica. Por fim, e rechaçando os argumentos da contribuinte de que a liberação das mercadorias importadas somente ocorreu mediante o pagamento do IPI, a modalidade de importação declarada foi de "despacho normal" que exige o pagamento de todos os tributos vinculados à importação no momento do registro da DI , o que significa que não se tratou de admissão na ZFM. Dessa forma, seja pelo não atendimento de algum(ns) do(s) requisito(s) para o gozo da isenção, ou por se tratar de automóveis de passageiro ou por situação aplicada a todas as importações declaração de despacho normal as importações de mercadorias cujas saídas (revendas) foram tributadas pelo IPI não são isentas. Constatase ainda que o extrato da situação cadastral da contribuinte obtida no site da Suframa (fl. 220) não se caracteriza uma "anuência expressa" tal como exigida pela legislação nas situações em que a isenção do IPI nas importações seria permitida. Quanto ao requisito do consumo interno, em que pese algumas das (poucas) importações destinaremse ao consumo da ZFM, não se analisa de forma isolada pois depende do atendimento aos demais expostos linhas acima. 2.2 Direito ao crédito do IPI pago na importação É inconteste o pagamento do IPI na importação das mercadorias revendidas. A recorrente postula pelo dedução do IPI pago na importação na apuração do IPI se restar devido. A DRJ negou o direito sob o fundamento da não comprovação pela contribuinte em razão da não apresentação do Livro Apuração de IPI no qual deveria constar o registro. Na apuração do IPI devido pelos estabelecimentos equiparados a industriais nas saídas de mercadorias importadas impende a dedução do Imposto pago no registro da declaração de importação em decorrência do princípio da nãocumulatividade. Na espécie tributária a regra está prescrita no art. 164 RIPI/2002: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 253 12 (...) V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; Ademais, o direito se concretiza com a disposição do art. 191 do RIPI/2002: Art. 191. Nos casos de apuração de créditos para dedução do imposto lançado de oficio, em auto de infração, serão considerados, também, como escriturados, os créditos a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados até a impugnação. A diligência foi determinada para que o Fisco refizesse a apuração do IPI, por período de apuração, considerando o imposto pago no desembaraço aduaneiro. A Unidade de Origem refez a apuração demonstrando a dedução do IPI pago no registro das DIs e calculou o novo valor do IPI devido nas saídas, conforme Demonstrativos de fls. 222/225. Portanto, verificase a correção da reapuração do valor do IPI devido. 2.2 Incidência do IPI nas saídas. A recorrente discorda da autuação por entender que uma vez pago o IPI na entrada da mercadoria estrangeira a nova incidência caracterizaria o bis in idem. A incidência do IPI na saída de mercadoria importada tem fundamento nos artigos 34, II, cumulado com o art. 9º, I, ambos do Decreto nº 4.544/2002 (RIP/02), que regulamento a Lei nº 4.502/1964: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); [...] Art. 34. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Como se vê não há o alegado bis in idem, o IPI incide na saída de mercadoria estrangeira do estabelecimento importador por equiparação com estabelecimento industrial. Destarte, correta a incidência do IPI nas saídas promovidas pelo estabelecimento da recorrente de mercadoria de procedência estrangeira, deduzido os valores do Imposto pagos na importação. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 254 13 Sobre essa matéria, o Superior Tribunal de Justiça STJ, com fundamento na sistemática do art. 543C, do CPC, firmou o seguinte entendimento: RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIR.4. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II. C/C 51, PARÃG&4FO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART 51. II DO CTN, C/C ART. 4o, I. DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9,1E 35, II, DO RIPI/20/0 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o faio gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4o, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/ 2001 e art. 13, da Lei n. 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles alé então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4", I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou hitrihutação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 4. Precedentes: REsp. n. /.386.686 SC, Segunda Turma, Rei. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013: e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rei Min. Mauro Campbell Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10283.720681/201031 Acórdão n.º 3201004.159 S3C2T1 Fl. 255 14 Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado nos EREsp. n" 1.411749PR, Primeira Seção, Rei Min. Sérgio Kukina, Rei p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014: e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rei Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (EREsp 1403532/SC Rei Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rei p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/10/2015, DJe 18/12/2015) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2° do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF np 343/2015, na redação dada pela Portaria MF n° 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543Cda Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário corroborando os cálculos do IPI devido nas saídas promovidas pela recorrente, reapurados no demonstrativo fiscal de folhas 222 a 225. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912264/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.792
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 64 /2 01 2- 17 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912264/201217 Acórdão n.º 3201003.792 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.637, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912264/201217 Acórdão n.º 3201003.792 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912264/201217 Acórdão n.º 3201003.792 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912264/201217 Acórdão n.º 3201003.792 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.006535/2008-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. LEI 9.249/1995, ART. 24. LEI 9.430/1996, ART. 42. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. RIR/1999, ART. 530, II, a.
É legítima a tributação de omissão de receitas pelo regime de lucro real, na forma do artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, caso o contribuinte se submeta a este regime. Nesse sentido, também é a disposição do artigo 24, da Lei nº 9.249/1995.
O arbitramento dos lucros, na forma do artigo 530, II, a, do RIR/1999, depende da caracterização da hipótese tratada especificamente neste dispositivo no lançamento tributário.
Numero da decisão: 9101-003.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Luís Flávio Neto, substituído pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Redator Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ARBITRAMENTO DO LUCRO. RReeccoorrrreennttee TRANSPORTADORA MATUPA LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. LEI 9.249/1995, ART. 24. LEI 9.430/1996, ART. 42. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. RIR/1999, ART. 530, II, a. É legítima a tributação de omissão de receitas pelo regime de lucro real, na forma do artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, caso o contribuinte se submeta a este regime. Nesse sentido, também é a disposição do artigo 24, da Lei nº 9.249/1995. O arbitramento dos lucros, na forma do artigo 530, II, a, do RIR/1999, depende da caracterização da hipótese tratada especificamente neste dispositivo no lançamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Luís Flávio Neto, substituído pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Redator Ad Hoc AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 65 35 /2 00 8- 88 Fl. 4497DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.498 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Considerando que fui designado relator ad hoc para o presente processo, tendo em vista o pedido de exoneração realizado pela relatora original, após a sessão de julgamento, transcrevo, adiante, relatório e voto por ela trazidos na data do julgamento. Tratamse de autos de infração (Efls. 799 ss.) para a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS, COFINS, relativamente aos anos calendário 2002 a 2004, decorrente da acusação fiscal de omissão de receitas configurada pela existência de diferenças entre os totais mensais correspondentes aos depósitos bancários, que não teriam sido contabilizados, e os correspondentes faturamentos constantes em DIPJ, com a imputação de multa de ofício agravada no percentual total de 112,5% e multa qualificada agravada no total de 225%, conforme o Termo de Verificação Fiscal (Efls. 793 ss.). Insurgindose, a contribuinte apresentou impugnação administrativa (E fls. 873 ss.), sustentando decadência; contabilização e pagamento no prazo dos tributos; quebra ilegal do sigilo bancário e agravamento da multa; ausência de utilização de interposta pessoa ou embaraço à fiscalização; autuação sem observância da contabilização, inaplicabilidade da multa qualificada, confisco na tributação de depósitos no lugar do lucro; tributação indevida pela Contribuinção do PIS e COFINS sobre créditos bancários representativos de do recebimento de ativos, receita operacional, transferências bancárias entre matriz e filial e empréstimos no lugar do faturamento; necessidade de arbitramento do lucro; base de cálculo excessiva; erros grosseiros: créditos não eliminados, créditos de empréstimos, redução de saldos devedores e transferências entre contas da mesma titularidade não foram eliminados dos créditos totais tributados; créditos em duplicidade: desconto comercial; existência de depósitos bancários realizados em março de 2003, no montante de R$ 9.878.809,64; que foram considerados em duplicidade; inaplicabilidade da multa qualificada (Súmula 14 do CARF); necessidade de realização de diligência; reuerendo por fim o arquivamento defintivo da representação para fins penais. Fl. 4498DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.499 3 Diante de tais alegações, foi solicitada diligência (Efls. 1262 ss.) pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, para que saneasse o processso, permitindo a sua apreciação. Em resposta, foi apresentada informação fiscal (E fls. 1349 ss.), registrando a desistência parcial da impugnação, por inclusão dos débitos no programa de parcelamento estabalecido pela Lei n. 11.941/2009, ante se chegar à seguinte conclusão: "Do exposto, e com base nos elementos apresentados pelo contribuinte no curso do presenteprocedimento de diligência, concluímos, conforme quadroresumo a seguir (cujo detalhamento mensalestá demonstrado no anexo 5 deste relatório), que a totalidade dosdepósitos/créditos bancáriosintegrantes da movimentação financeira mantida pelo contribuinte nos anos calendário de 2002, 2003 e2004 junto aos bancos Daycoval, Bradesco, Industrial e Comercial, Rural, HSBC Bank Brasil e Unibanco, e que constituiu a base tributável do lançamento formalizado através do processo administrativo fiscal n. 19515.006535/200888, compreendia valores representativos de transferências entre contas de mesma titularidade majoritariamente transferências entre matriz e filiais e de valores não identificados como receita tributável, como empréstimos/financiamentos, estornos, cheques devolvidos, resgates de aplicações financeiras, créditos CPMF e outros: (...)" Na sequência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I proferiu o acórdão n. 1630.323 (Efls 1382 ss.), julgando parcialmente procedente a impugnação, pelas razões resumidas na seguinte ementa: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese, segundo o previsto pelo artigo 150 do CTN, em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo, em razão da ocorrência de pagamento (recolhimento) efetuado por parte do contribuinte. No caso de não haver pagamento ou de haver a ocorrência de situação prevista para qualificação da multa de ofício, aplicase o previsto no artigo 173 do CTN. Foram atingidos pela decadência os lançamentos do PIS e da COFINS, relativos aos meses de janeiro a novembro de 2002. QUEBRA ILEGAL DO SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Os dados bancários foram obtidos, legalmente, com base no previsto no Decreto n° 3.724/2001, artigo 2o , § 5o e artigo 3o , incisos VII e XI. Fl. 4499DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.500 4 OMISSÃO DE RECEITA. VALOR NÃO DECLARADO NA "DIPJ". É válido o lançamento realizado em decorrência da comprovação da omissão de receita caracterizada pela não informação à Receita Federal do Brasil, através da DIPJ, de valores creditados em conta bancária relativos a cobrança de vendas realizadas. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. . Crédito em conta bancária sem apresentação de documentoe comprovação da origem caracteriza presunção legal de omissão de receita. Exonerada a parte do lançamento referente as transferências de numerários entre contas bancárias, apuradas através de diligência realizada. MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. Correta a aplicação da multa qualificada sobre o IRPJ e lançamentos reflexos decorrente das receitas omitidas, pois a conduta do contribuinte se enquadrou no previsto no art. 71, inciso I, da Lei n.° 4.502/64, ao sonegar imposto e contribuições não informando valores de receitas tributáveis na DIPJ, agindo reiteradamente com essa finalidade, tentando impedir o conhecimento, por parte das autoridades tributárias, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Correto o agravamento da multa em 50%, em razão do não atendimento às intimações. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Acordam os membros da 4a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, e manter parcialmente o crédito tributário. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1 o da Lei n.° 8.748, de 9, dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Submetase à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância." A referida decisão foi complementada pelo acórdão n. 1631.20 (Efls. 1488 ss.), no qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I a re ratificou, após ter apreciado a manifestação da contribuinte sobre a diligência realizada. Na sequência, a contribuinte opôs embargos de declaração (Efls. 1494 ss.) alegando omissão, para que fosse reconhecida a manifestação apresentada (Efls. 1496 Fl. 4500DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.501 5 ss.) e se procedesse à reanálise de sua impugnação, "sob a óptica da referida manifestação, sob pena de ter ratificado o cerceamento ao exercício de seu direito constitucional de defesa." Posteriormente, a contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 4189 ss.) basicamente nos mesmos termos de sua impugnação administrativa. Neste ponto, foi proferido despacho de sobrestamento (Efls. 4251 ss.), diante do julgamento da questão do sigilo fiscal na sistemática da repercursão geral pelo Supremo Tribunal Federal no RE n. 601.314/SP, aplicandose o então artigo 62A, parágrafo primeiro, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Na sequencia, consta nos autos decisão (Efls. 4245 ss.) da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá (MT) julgamento do pedido de revisão de parcelamento, na qual assim se registrou: "(...) 21. Em suma, constatase que a interessada, ainda que com relação à modalidade em debate que se habilitou inicial e provisoriamente nos termos da Lei nº 11.941/09, e apesar de sua correta adesão ao parcelamento na sua fase inicial, frisese, não cumpriu todos os requisitos normativos para o aperfeiçoamento do parcelamento pretendido, visto que não observou os §§ 1º, 2º e 3º do art. 15 da mesma Portaria, no que concerne à prestação de informações necessárias à consolidação do parcelamento. 22. Diante do contexto acima, o sistema informatizado da RFB que controla o parcelamento da Lei nº 11.941/09 corretamente veio a considerar cancelada a modalidade de parcelamento em debate escolhida pela interessada, conforme extratos em anexo (fls. 77/81). (...) Conclusão 28. Em face do acima fundamentado, proponho o indeferimento do pedido de revisão de inclusão parcial de débitos da interessada no parcelamento da Lei nº 11.941/09, bem assim o encaminhamento deste processo ao Setor de Processos Fiscais (ProFisc) para que: a) seja dado prosseguimento à cobrança dos débitos do presente processo nº 10183722010/201113, uma vez que a contribuinte não os incluiu no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, nos termos do § 3º do art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009; b) informe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), no âmbito dos processos administrativos nº 19515 006.535/200888 e 19515007.524/200815 que lá se encontram e dos quais foi segregado o presente processo, quanto ao teor desta decisão, encaminhando àquele Conselho uma cópia deste Fl. 4501DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.502 6 Despacho Decisório para fins de juntada em cada um dos aludidos processos administrativos; e (...)" Do julgamento do recurso resultou o acórdão n. 1301001.821 (Efls. 4290 ss.), em que substancialmente se negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário, afastandose o agravamento da multa e mantendose a qualificada. Leiase a sua ementa: Fl. 4502DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.503 7 Em face do referido acórdão, a Fazenda Nacional primeiramente opôs embargos de declaração (Efls. 4315 ss.) "para sanar a omissão apontada e declarar expressamente que o recurso voluntário do contribuinte, em relação à decadência da Contribuição ao PIS e da Cofins, teve o provimento negado, bem como para explicitar se anuiu ou não com a conclusão do Relator no sentido de “limitar a matéria tributável correspondente à omissão de receita por presunção legal referente aos períodos de apuração de janeiro de 2003 e dezembro de 2003 ao valor consignado no auto de infração (R$ 11.232.788,30 e R$ 17.340.636,87).” A contribuinte também opôs embargos declaratórios (Efls. 4328 ss.), que foram rejeitados pelo despacho às Efls. 4379 ss. Os embragos da Fazenda Nacional foram admitidos por despacho (Efls. 4342 ss.) e acolhidos pelo acórdão n. 1301001.901 (Efls. 4343 ss.), que contou com a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS. OMISSÃO. Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõese a análise da matéria com vistas a sanar a omissão. Fl. 4503DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.504 8 PRAZO DECADENCIAL. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. MULTA QUALIFICADA MANTIDA. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. Mantida a multa qualificada em face da existência de dolo, fraude ou simulação, aplicase ao lançamento das contribuições ao PIS e Cofins o prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do CTN. Alegação de decadência afastada." A Fazenda Nacional interpôs então recurso especial (Efls. 4355 ss.), no que se refere à parcela do acõrdão recorrido que desconstituiu o agravamento da multa, no pelo que apresentou como paradigma os acõrdãos n. 9101001.456 e 10421.835, no sentido de que "enquanto o acórdão recorrido decidiu por reduzir a multa de ofício para 75%, mesmo restando configurada a inobservância pelo Contribuinte de intimação fiscal, o acórdão paradigma adotou solução diversa, qual seja, a manutenção do agravamento da multa ante o descumprimento da intimação fiscal.". A contribuinte também interpôs seu recurso especial (Efls 4400 ss.) defendendo a necessidade de arbitramento do lucro, para o que apresentou como paradigmas os acórdãos n. 1301000.425 e 1401000.881. Sequencialmente, a contribuinte ofereceu contrarrazões ao recurso fazendário (Efls. 4434 ss.), antes da análise de seu seguimento, que acabou sendo negado por despacho de admissibilidade (Efls. 4462 ss.), do qual à PGFN tomou ciência, registrando a não interposição de recurso. Por fim, o recurso da contribuinte foi recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 4479 ss.), que compreendeu haver divergência com relação ao segundo paradigma, uma vez que o primeiro foi proferido pela mesma turma que julgou o acórdão recorrido. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da contribuinte. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra Redator Ad Hoc Lembrando que fui designado relator ad hoc para o presente processo, tendo em vista o pedido de exoneração realizado pela relatora original, após a sessão de julgamento, utilizome do relatório e voto por ela trazidos na data do julgamento. Nos seguintes termos: CONHECIMENTO Fl. 4504DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.505 9 O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose ao caso concreto, restou a julgamento como resultado dos despachos de admissibilidade apenas o recurso da contribuinte, ao qual dado seguimento somente com base no segundo acórdão paradigma, com o que se está de acordo pelos termos desenvolvidos, uma vez que se verifica divergência com relação à adoção ou não do arbitramento no caso de autuação por omissão de receitas. Assim, VOTASE POR CONHECER o recurso especial da contribuinte. MÉRITO Considerando a análise de conhecimento procedida, a única matéria devolvida a julgamento referese à necessidade de a constituição do crédito ter se dado por arbitramento, segundo a recorrente diante do vulto das receitas omitidas, o que só na oportunidade do recurso especial veio por ela a ser defendida com tal veemência: "O recorrente aponta uma única alegada divergência: a apuração da base de cálculo a partir do lucro real q'''uando o montante da base tributável encontrada supera em muito o valor declarado, o que forçaria a adoção do lucro arbitrado, nos seguintes termos (fls. 4401): O Auditor Fiscal realizou o Lançamento do Imposto de Renda e seus reflexos, no regime de tributação pelo Lucro Real, por Fl. 4505DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.506 10 entender que houve omissão de receitas (presunção legal Artigo 42 da Lei 9.430/96); [...]A omissão de receita que consta nos Autos representa 20,59 vezes a Receita Bruta da DIPJ em 2002; 33,28 vezes a Receita Bruta da DIPJ em 2003 e 19,51 vezes a Receita Bruta da DIPJ em 2004 e foi integralmente tributada como Lucro, ou seja, o fisco exigiu Imposto de Renda e CSLL sobre Receitas e não sobre o lucro apurado. [...]Acontece que a omissão tributada e apurada por diferença, quando da comparação com DIPJ é tão expressiva, que obriga a desclassificação da escrita, com o consequente arbitramento do lucro, como determina o inciso I e os itens a e b do inciso II do Artigo 530 do RIR/99. A imposição legal para o Arbitramento do Lucro e por consequência do regime de tributação das contribuições sociais é questão do Direito Impositivo e não uma escolha pessoal do Agente Fiscal, fato integralmente ignorado no Acórdão Recorrido. A ilegalidade praticada neste processo, exaustivamente denunciada no Recurso Voluntário, na Sustentação Oral e nos Embargos de Declaração, não encontra qualquer base para a sua manutenção e o pior, confronta o entendimento reiterado do CARF em inúmeras decisões sobre a Indevida Tributação de Receitas como se lucro fosse e a sua Desproporcionalidade para o computo no Lucro da Pessoa Jurídica." Objetivamente, sobre ela se manifesta para se considerar, não pela questão específica do vulto das receitas e também tendo que se desconsiderar toda a defesa da contribuinte até então desenvolvida de que não teria havido omissão de receitas, considero que apesar de a circularização dos depósitos bancários permitir o conhecimento da receita da contribuinte, não possibilita, de outro turno, o acesso aos seus redutores, como despesas que não poderiam ser tomadas com base nessa apuração. Na medida em que a base de cálculo do IRPJ referese ao lucro real, pensase que com o foco estrito nas receitas não é possível se aferilo, razão pela qual seria cabível o arbitrmento, de modo que a sua não realização implica a necessária desconstituição do lançamento realizado. Isso porque, somandose as funções das bases de cálculo dos tributos ao conceito de renda, considerase como base do imposto em questão a medida do acréscimo patrimonial auferido por uma entidade a p artir dos incrementos e decréscimos verificados num dado período de tempo. Com essas noções, também, das quais se extrai agora o arquétipo constitucional da base de cálculo do Imposto sobre a Renda, é que se pode passar à leitura Fl. 4506DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.507 11 do artigo 44 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a ba se de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis”. Fiel às premissas assumidas, tornase simples perceber que o legislador complementar, numa atitude coerente, confirmou que a base de cálculo do Imposto sobre a Renda seria o montante da renda ou dos proventos tributáveis. Basta, para isso, se abstrair os signos real, arbitrado ou presumido, colocados entre vírgulas, que correspondem justamente às formas dessa mensuração. Verdadeiramente, o chamado lucro real é a base por excelência do imposto e, diante da possibilidade de sua medição, se impõe sobre as for mas arbitrada ou presumida apenas prevalentes em face da inviabilidade de se aferir ou comprovar a referida base real, no primeiro caso, ou quando por eleição do contribuinte em vista de seu enquadramento em critérios legais específicos, na segunda hipótese. Com relação ao chamado lucro arbitrado, o próprio Código Tributário Nacional deixa claro que se trata de uma solução secundária, aplicável somente nas situações em que a mensuração da base de cálculo real do imposto mostrase prejudicada em razão da omissão ou ausência de fé dos esclarecimentos prestados, declarações apresentadas ou documentos expedidos pelo sujeito passivo ou terceiro obrigado. Vejase seu artigo 148: "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por bas e, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Especificando tais circunstâncias, a legislação ordinária do Imposto sobre a Renda enumerou as hipóteses em que o arbitramento seria cabível, limitandoas aos casos em que o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração conforme as leis comerciais e fiscais ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas por esta última; essa escrituração contiver relevantes indícios de fraudes, ou vícios, erros ou deficiências que as torne imprestável para identificar movimentação financeira, inclusive bancária, ou para determinar o lucro real; o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese de apuração pelo lucro presumido, ou ainda optar indevidamente por esta forma de tributação; o comissário ou Fl. 4507DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.508 12 representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separa damente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior; o contribuint e não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razo ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Por outra via, podese afirmar que, a despeito de o lucro real ser a base de cálculo por excelência do Imposto sobre a Renda, sua apuração pode ocorrer de forma arbitrada estritamente nas hipóteses enumeradas pelo artigo 530 do Decreto nº 3.000/1999, uma vez que, nestes casos, será mais provável a aproximação do efetivo acréscimo patrimonial, que não pode ser mensurado da forma ordinária de se medir o lucro real. Afinal, considerando que segundo o artigo 6º do histórico Decreto nº 1.598/1977 (art. 247 RIR/99) este corresponde ao lucro líquido do período de apuração, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações por ele admitidas, não basta, portanto, para a tributação da renda, tão somente a verificação das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Exigese, para que se avalie o efetivo acréscimo patrimonial percebido, a dedução dos custos e despesas despendidos para a formação dessas receitas. Pensase ser este o sentido de se promover o arbitramento, quando não se é possível, sob o pretexto de se estar calculando o lucro real, chegar ao mais aproximado acréscimo patrimonial. Pensase que se verificar somente as receitas, como realizado pela fiscalização, levase a uma tributação mais distoante do ganho efetivamente auferido que a conta obitida com a apuração do lucro arbitrado, por isso, a regra de exceção. Do contrário, certamente se estará alcançando materialidade estranha ao campo de competência constituciionalmente delimitado para a atributação da renda. Nesse sentido, temse também as razões do acórdão n. 1401000.881, cujos trechos de interesse transcrevese a seguir: "Permissa venia, o auto de infração está inquinado de nulidade absoluta, posto que faz equivaler a receita omitida ao conceito de renda. Isso porque, ausente os elementos necessários para se apurar a renda efetiva da empresa pela sistemática legal, qual seja, o lucro real, e ante a ausência de opção do contribuinte por sistemática diversa, impõese à Autoridade Fiscal, quando da lavratura do auto de infração, a utilização do arbitramento como forma de identificação do lucro passível de tributação. Sobre o tema, convém notar o conceito de renda definido pelo jurista Humberto Ávila (obra): Fl. 4508DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.509 13 Após essas considerações, podese conceituar a hipótese de incidência do imposto sobre a renda: produto líquido (receita menos as despesas necessárias à manutenção da fonte produtora ou da existência digna do contribuinte) calculado durante o período de um ano. (Conceito de Renda e Compensação de Prejuízos Fiscais p. 34) Na mesma linha, também é o entendimento dos Professores Roque Antônio Carrazza e Misabel Abreu Machado Derzi: [...] “renda” não é o mesmo que “rendimento”. De fato, este é qualquer ganho isoladamente considerado, ao passo que aquela é o excedente de riqueza obtido pelo contribuinte entre dois marcos temporais (geralmente um ano), deduzidos os gastos e despesas necessários à sua obtenção e mantença. (Imposto sobre a Renda, 2009, p. 190) Entretanto, o que não foi desmentido nessa corrente, quer nas teorias, quer nas mais expansionistas, é o fato de que renda não é rendimento. Rendimento é só a idéia de determinado ganho e sua noção independe do tempo. Já renda é, necessariamente, a livre disposição da parcela acrescida de riqueza, do excedente de que pode dispor alguém, pressupondo o abatimento dos gastos necessários para produzila e mantêla. (Direito Tributário Brasileiro de Aliomar Baleeiro, 2003, 0. 289) Vêse que a interpretação realizada pela Autoridade Fiscal deforma a lógica do sistema jurídico no qual o art. 42 foi inserido, resultando em tributação da receita omitida e não do lucro, afastandose completamente do fato gerador dos mencionados tributos. O art. 42 está atrelado e é indissociável do contexto normativo em que ele está inserido, existindo todo um ordenamento jurídico que é anterior e superior à sua existência. O citado dispositivo, entretanto, não autoriza o Fisco a fechar os olhos e ignorar toda a lógica de tributação do Imposto de Renda, tributando às cegas a integralidade das movimentações financeiras, determinando, por absurdo, a ilegal incidência direta do IRPJ e da CSLL sobre as receitas e não sobre o resultado da contribuinte, extrapolando os limites definidos pelo Código Tributário Nacional. A base de cálculo do IRPJ é o lucro, definido conforme as suas três formas de apuração: real, arbitrado ou presumido, de acordo com o art. 44 do CTN. Segundo o art. 6° do Decretolei 1.598/72, o lucro real é o lucro líquido do exercício, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação própria. Por sua vez, o lucro líquido deve ser apurado com observância das disposições da lei comercia1. A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido ajustado de acordo com as prescrições da legislação específica. Em vista desse pano de fundo, concluise que o art. 42 não pode ser visto de forma isolada, aplicado às cegas pelo Fisco, de modo a tributar depósitos bancários vultosos que certamente não refletem os lucros auferidos com a atividade. Esse dispositivo deve ser interpretado dentro do contexto normativo no qual está Fl. 4509DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.510 14 inserido, nunca se esquecendo de que o fato gerador do IRPJ é a própria renda e não meras receitas/faturamento. Assim, estando comprovado que a omissão de receitas efetivamente ocorreu e está inequivocamente comprovada nos autos, tenho que o melhor caminho que deveria ter sido adotado pela Autoridade Fiscal seria o arbitramento do lucro, diante da sua impossibilidade de aceitar ou de apurar o lucro real da pessoa jurídica. O regime de tributação pelo lucro arbitrado, no qual a parcela de custos e despesas é implícita e automaticamente computada mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, revelase apropriado, legal e mais realista para a determinação da correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL, evitando a mera e ilegal incidência direta desses tributos sobre a receita e não sobre o lucro. Isso porque, o que se visa tributar é a renda e o arbitramento do lucro cumpre essa função, eis que, conhecida a receita, presume se as despesas incorridas na atividade, encontrandose o lucro tributável, sobre o qual devem recair as exigências de IRPJ e CSLL. O arbitramento nada mais é do que uma das formas de apuração do lucro tributável, quando da impossibilidade de utilização ou opção pelo Lucro Real ou Presumido, não tendo efeito de penalidade. Inclusive, é interessante destacar que, embora o arbitramento seja uma modalidade mais gravosa de apuração do lucro, o que se pretende, na verdade, é identificar com razoabilidade o lucro tributável, sobre o qual irá incidir o IRPJ e a CSLL. Assim, verificada a omissão de receitas pela Autoridade Fiscal, inviabilizada apuração pelo lucro real e diante da total ausência de provas em sentido diverso, resta como única opção para a fiscalização o arbitramento do lucro tributável no período auditado. No mesmo sentido, seguem os precedentes deste E. Conselho: OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO REAL. A omissão de receitas é tributada pelo regime de apuração do lucro real, se foi esta a opção exercida pelo contribuinte e estão presentes os requisitos necessários, sendo o arbitramento do lucro medida extrema, só cabível nos casos de falta ou imprestabilidade da escrituração. (acórdão 107.09101 do processo nº 10580010005200291). CSLL OMISSÃO DE RECEITA Na impossibilidade de se apurar o lucro real com base nos livros e documentos fornecidos pela contribuinte, deve a fiscalização proceder ao arbitramento do lucro com base na receita bruta quando conhecida, aplicandose os percentuais fixados no art. 15 da Lei nr. 9.249/95. (acórdão nº 101.95321 do processo nº 10410003149200242) ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO A falta de apresentação de livros e documentos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real dá ensejo ao arbitramento de seus lucros. Caracterizamse como omissão de receita os valores Fl. 4510DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.511 15 creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Publicado no D.O.U nº 193 de 06/10/2008. (Acórdão nº 10323506 do Processo 10380010314200560). ARBITRAMENTO DOS LUCROS. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Estando documentadas nos autos as inúmeras tentativas de obter os livros e documentos da empresa, que possibilitariam a apuração do lucro real, todas elas frustradas, não resta alternativa ao fisco senão o arbitramento. (Acórdão nº 10194820 do Processo 10140000853200351). ARBITRAMENTO DO LUCROS e o contribuinte, intimado, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, declarando, inclusive, não possuílos, a autoridade fiscal fica adstrita a proceder ao arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS A falta de comprovação da origem dos recursos depositados em contas correntes mantidas junto a instituições financeiras autoriza a presunção de omissão de receitas, representada pela soma dos depósitos, desconsiderados os representativos de transferências entre contas do mesmo titular, e as receitas declaradas pelo contribuinte. (Acórdão nº 10196557 do Processo 13603001239200653). LUCRO ARBITRADO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS E DE LIVROS E DOCUMENTOS NECESSÁRIOS A APURAÇÃO DO LUCRO REAL A não apresentação da declaração de rendimentos, bem assim dos livros e da documentação contábil e fiscal, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. IRPJ OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Caracteriza a hipótese de omissão de receitas a existência de depósitos bancários não escriturados, se o contribuinte não conseguir elidir a presunção mediante a apresentação de justificativa e prova adequada à espécie. (Acórdão nº 10809559 do Processo 10865002377200508 e Acórdão nº 10195319 do Processo 19515001753200231) IRPJ ARBITRAMENTO NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES CABIMENTO A não apresentação dos livros e da documentação contábil, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular,pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, Fl. 4511DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.512 16 não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Acórdão nº 10196705 do Processo 15983000364200644)" Por essas razões, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso da contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Redator Ad Hoc Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa Redatora designada. Apresento o presente voto vencedor, considerando que a maioria do Colegiado entendeu por negar provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendo o acórdão recorrido quanto à apuração do lucro real. Lembro que o auditor fiscal autuante apurou o IRPJ e tributos reflexos identificando depósitos judiciais sem a comprovação da origem, conforme Termo de Verificação Fiscal que acompanha os lançamentos: Por meio dos Termoa Fiscais 07, 08 e 11 foi solicitado à fiscalizada que comprovasse mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações de créditos/depósitos nas contas correntes de sua titularidade discriminadas nos referidos termos, tendo sido alertado à fiscalizada que a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionados no termo, na forma e prazos estabelecidos, ensejaria, com relação aos valores questionados, o respectivo lançamento de ofício, a título de omissão de receitas ou de rendimentos, nos termos do artigo 849 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, sem prejuízo de outras sanções legais que coubessem. (...) Assim, por todo o exposto acima, esta fiscalização promoveu a constituição dos créditos tributários, "ex officio" correspondentes ao IRPJ, CSLL, PiS e COFINS tendo como base os valores omitidos, de acordo com os demonstrativos a seguir: Dentre os dispositivos legais que fundamentaram os auto de infração, destacase o artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, que prevê: Fl. 4512DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.513 17 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O §2º deste dispositivo legal estabelece que a tributação da omissão de receita, constatada por valores creditados em conta, sem a comprovação da origem, " submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos." No mesmo sentido, é o artigo 849, §1º, II, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999, Decreto 3.000), sendo o citado artigo do RIR também referido no Termo de Verificação Fiscal: Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). § 1º Em relação ao disposto neste artigo, observarseão (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, §§ 1º e 2º): I o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira; II os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O artigo 24, da Lei nº 9.249/1995, confirma a possibilidade de tributação pelo lucro real, ao dispor: Fl. 4513DF CARF MF Processo nº 19515.006535/200888 Acórdão n.º 9101003.555 CSRFT1 Fl. 4.514 18 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Assim, a tributação da omissão de receita omitida pode ser pela sistemática do lucro real, como procedido pelo auditor fiscal autuante. Nesse sentido, decidiu a Turma a quo, em acórdão recorrido, conforme voto do então Relator: Alega o contribuinte que se fosse verdadeira a omissão de receitas apontada, a autoridade fiscal estaria obrigada a arbitrar o lucro, apontando o art. 530, II "a" do RIR/99 (...) Não procede a alegação, porque o lançamento não se baseou no que consta da escrituração do contribuinte. Como repetidamente afirmado, a omissão no oferecimento à tributação foi apurada a partir da análise dos extratos bancários do contribuinte, e o art. 537 do Regulamento do Imposto de renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), cuja base legal é o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, que dispõe que "verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente" O acórdão recorrido não merece reparos, pois a autuação não teve por fundamento os vícios de escrituração referidos no artigo 530, II, a do RIR/1999 e a legislação autoriza a tributação de omissão de receita pelo lucro real, conforme artigos 24, da Lei nº 9.249/1995 e 42, da Lei nº 9.430/1996, referidos acima, que fundamentam o Termo de Verificação Fiscal que acompanhou os lançamentos. Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 4514DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722814/2015-54
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. EXCLUSÃO.
A prestação de serviços caracterizados como cessão ou locação de mão-de-obra impede a opção e permanência no regime do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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ATIVIDADE VEDADA. EXCLUSÃO. A prestação de serviços caracterizados como cessão ou locação de mãode obra impede a opção e permanência no regime do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo (SP), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 28 14 /2 01 5- 54 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10166.722814/201554 Acórdão n.º 1001000.703 S1C0T1 Fl. 126 2 mediante o Acórdão nº 1678.069, de 21/06/2017 (efls. 106/115), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo, formalizado em 07/04/2015 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF, de representação fiscal para exclusão do Simples Nacional (fls. 87 a 95, acompanhada de anexos às fls. 2 a 77), nos seguintes e exatos termos: (...) DESPACHO DECISÓRIO n° 1821/2015/DIORT/DRF/BSB SIMPLES NACIONAL Cessão de mão de obra Atividade vedada EXCLUSÃO DE OFÍCIO No curso da análise do Processo 10166.729935/201446, de 06/11/2014, constatouse que a empresa em epígrafe exerce atividade vedada aos optantes do Simples Nacional caracterizada pela cessão ou locação de mão de obra, nos termos previstos pelo inciso XII do art. 17 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. A locação de mão de obra pela empresa encontrase prevista no Contrato SIGES n° 5557/2008, celebrado em 26/12/2008 entre a Caixa Econômica Federal e a empresa em epígrafe, na qualidade de Contratada (fls. 25 à 50). Conforme objeto especificado na Cláusula Primeira do referido Contrato, a Contratada se compromete a prestar serviços de iluminação, montagem de exposições, manuseio de obras de arte e acervo técnico, atendimento cultural, sonoplastia, maquinaria cênica, bilheteria e supervisão, objetivando o funcionamento do espaço "Caixa Cultural Brasília", sediado no Distrito Federal. A locação de mão de obra pela empresa encontrase expressamente prevista no seu objeto social descrito na Terceira Alteração do Contato Social, registrada na Junta Comercial do DF em 29/03/2011, bem como na Quarta Alteração do Contrato Social, registrada na Junta Comercial do DF em 24/09/2012, estando esta última atualmente em vigor (fls. 9 à 19). Conforme histórico registrado no Portal do Simples Nacional, a empresa consta como optante pelo Simples Nacional em dois períodos distintos (fls. 51 à 53). O primeiro período de opção teve início em 01/07/2007 e término em 30/09/2012, em razão de exclusão automática por comunicação obrigatória do exercício da atividade vedada relativa à locação de mão de obra, nos termos da análise efetuada através do já citado Processo 10166.729935/2014 46. O segundo período de opção teve início em 01/01/2015 e permanece vigente até a data atual. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10166.722814/201554 Acórdão n.º 1001000.703 S1C0T1 Fl. 127 3 DA DECISÃO A Lei Complementar n° 123/2006, em seus artigos 17 e 18, estabelece as diversas vedações ao ingresso no Simples Nacional, bem como as exceções à sua aplicação, dentre as quais destacase aquela objeto desta análise: "Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (.....) XII — que realize cessão ou locação de mãodeobra; (...) § 1° As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos §§ 5°B a 5°E do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo. (...) Art. 18. (...) § 5ºC. Sem prejuízo do disposto no §1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo IV desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis: Iconstrução de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores; II (REVOGADO); III (REVOGADO); IV (REVOGADO); V (REVOGADO); VI serviço de vigilância, limpeza ou conservação. (...) § 5°H A vedação de que trata o inciso XII do caput do art. 17 desta Lei Complementar não se aplica às atividades referidas no § 5°C deste artigo. (Incluído pela Lei Complementar n° 128, de 2008) (produção de efeitos: 1º de janeiro de 2009)" (grifamos) Portanto, por força da Lei Complementar n° 128/2008, a partir de 1º de janeiro de 2009, apenas as atividades relacionadas no parágrafo 5°C do art. 18 encontramse excepcionadas da vedação relativa à locação de mão de obra imposta aos optantes do Simples Nacional, quais sejam, as atividades de construção de imóveis e Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10166.722814/201554 Acórdão n.º 1001000.703 S1C0T1 Fl. 128 4 obras de engenharia em geral, execução de projetos e serviços de paisagismo, decoração de interiores, e serviço de vigilância, limpeza ou conservação. No mesmo rumo, ao tratar das contribuições previdenciárias, o parágrafo 2° do artigo 191 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009, também expressa entendimento idêntico em relação à cessão de mão de obra: "Art. 191. (...) § 2° A ME ou a EPP que exerça atividades tributadas na forma do Anexo III, até 31 de dezembro de 2008, e tributadas na forma dos Anexos III e V, a partir de 1° de janeiro de 2009, todos da Lei Complementar n° 123, de 2006, estará sujeita à exclusão do Simples Nacional na hipótese de prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra, em face do disposto no inciso XII do art. 17 e no § 5°H do art. 18 da referida Lei Complementar. "(Grifamos). Assim, pelas normas citadas, constatase que as atividades exercidas pela empresa, quais sejam, "serviços de iluminação, montagem de exposições, manuseio de obras de arte e acervo técnico, atendimento cultural, sonoplastia, maquinaria cênica, bilheteria e supervisão", não se encontram excepcionadas da vedação pertinente à locação de mão de obra. Resta analisar o alcance do conceito de cessão de mão de obra, que se encontra definido no âmbito do parágrafo 3º do artigo 31 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: "§ 3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei n° 9.711, de 1998). " (Grifamos). A Resolução CGSN n° 94, de 29/11/2011, também dispôs sobre a abrangência do conceito de cessão de mão de obra em seu artigo 104: "Art. 104. (...) § 1° Cessão ou locação de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores, inclusive o MEI, que realizem serviços contínuos relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 2° Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. § 3° Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10166.722814/201554 Acórdão n.º 1001000.703 S1C0T1 Fl. 129 5 execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. § 4° Por colocação à disposição da empresa contratante, entendese a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. (...)" O exame da legislação anteriormente transcrita permite concluir que as atividades de "serviços de iluminação, montagem de exposições, manuseio de obras de arte e acervo técnico, atendimento cultural, sonoplastia, maquinaria cênica, bilheteria e supervisão", realizadas pela empresa XIKO SOM SOM, PALCO E LUZ LTDA ME nas dependências da "Caixa Cultural Brasília", caracteriza de forma inequívoca a cessão de mão de obra por parte da mesma. Assim, a partir da assinatura do citado Contrato SIGES n° 5557/2008, em 26/12/2008, fica claramente evidenciado que a empresa incorreu na vedação aos optantes do Simples Nacional expressamente prevista no inciso XII do art. 17 da Lei Complementar n° 123/2006. Além da situação acima descrita, e conforme já comentado, o Contrato Social da empresa atualmente vigente prevê expressamente em seu objeto a locação de mão de obra pela empresa. O entendimento do Comitê Gestor do Simples Nacional acerca da presença de atividade vedada ao Simples no contrato social da empresa encontrase expresso no item 2.5 da Seção de Perguntas e Respostas do Portal do Simples Nacional na Internet, abaixo transcrito: "2.5. Se constar do contrato social alguma atividade impeditiva à opção pelo Simples Nacional, ainda que não venha a exercêla, tal fato é motivo de impedimento à opção? Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VI da Resolução CGSN n° 94, de 2011, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VII da Resolução CGSN n° 94, de 2011, seu ingresso no Simples Nacional será permitido, desde que declare, no momento da opção, que exerce apenas atividades permitidas. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social. " (grifouse) No mesmo rumo, a declaração das atividades fins no contrato social deve ser tomada como caracterizadora da empresa, como reza o Enunciado n° 54 da I Jornada de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal, ao comentar o artigo 966 do Código Civil: "54 Art. 966: é caracterizador do elemento empresa a declaração da atividadefim, assim como a prática de atos empresariais." Por força dos artigos 30 e 31 da Lei Complementar n° 123/2006, a empresa deveria ter efetuado a comunicação obrigatória de sua Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10166.722814/201554 Acórdão n.º 1001000.703 S1C0T1 Fl. 130 6 exclusão do regime simplificado até o último dia útil do mês subsequente ao da assinatura do Contrato com a Caixa Econômica Federal, ou seja, até 30/01/2009, com produção de efeitos a partir de 1°/01/2009: "Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: (...) II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou (...) § 1° A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: (...) II na hipótese do inciso II do caput deste artigo, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação de vedação; § 2° A comunicação de que trata o caput deste artigo darseá na forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor." (...) Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; (...) "A despeito da obrigação expressa na norma, de acordo com o histórico registrado no Portal do Simples Nacional, a empresa ingressou no regime simplificado em 1°/07/2007 e efetuou a comunicação obrigatória sobre a vedação relacionada à cessão de mão de obra somente em 20/03/2014, com efeitos a partir de 1°/10/2012 (fls. 52). Na ocorrência de falta de comunicação obrigatória da situação excludente por parte do contribuinte, a Lei Complementar n° 123/2006, em seus artigos 28 e 29, dispõe que: "Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10166.722814/201554 Acórdão n.º 1001000.703 S1C0T1 Fl. 131 7 I — verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (...) § 3° A exclusão de ofício será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributantes. (...) § 5° A competência para exclusão de oficio do Simples Nacional obedece ao disposto no art. 33, e o julgamento administrativo, ao disposto no art. 39, ambos desta Lei Complementar. § 6° Nas hipóteses de exclusão previstas no caput deste artigo, a pessoa jurídica será notificada pelo ente federativo que promoveu a exclusão. (...)" (grifamos). De acordo com delegação de competência prevista nos retrocitados artigos 28 e 29 da Lei Complementar n° 123/2006, a exclusão do regime simplificado encontrase regulamentada pela Resolução CGSN n° 94, de 29 de novembro de 2011: "Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (...) XXII que realize cessão ou locação de mãodeobra; (...)" "Art. 73. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP à RFB, em aplicativo disponibilizado no Portal do Simples Nacional, darseá: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 117, de 2 de dezembro de 2014): (...) II obrigatoriamente, quando: (...) c) incorrer nas hipóteses de vedação previstas nos incisos II a XIV e XVI a XXVII do art. 15, hipótese em que a exclusão: (Redação dada pela Resolução CGSN/SE n° 115, de 4 de setembro de 2014) 1. deverá ser comunicada até o último dia útil do mês subsequente ao da ocorrência da situação de vedação; 2. produzirá efeitos a partir do primeiro dia do mês seguinte ao da ocorrência da situação de vedação; (...) Art. 76. A exclusão de oficio da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) III a partir da data dos efeitos da opção pelo Simples Nacional, nas hipóteses em que: Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10166.722814/201554 Acórdão n.º 1001000.703 S1C0T1 Fl. 132 8 a) for constatado que, quando do ingresso no Simples Nacional, a ME ou EPP incorria em alguma das hipóteses de vedação previstas no art. 15; (Lei Complementar n° 123, de 2006, art. 2°, inciso I e § 6°; art. 16, caput) (...) "Assim, em relação ao segundo período de opção pelo Simples da empresa, e em razão da manutenção da atividade de locação de mão de obra no seu Contrato Social, a empresa deve ser excluída do regime simplificado a partir do seu ingresso, ou seja, a partir de 1°/01/20015. Pelo exposto, PROPONHO a exclusão de ofício do Simples Nacional da empresa com efeitos a partir de 1°/01/2009 e 1°/01/2015, em razão da locação de mão de obra. (...) (grifos e negritos do original) ATO DE EXCLUSÃO 2. A DRFB/Brasília/DF emitiu o Ato Declaratório Executivo nº 90, em 28/07/2015, para excluir a contribuinte do Simples Nacional com efeitos retroativos a partir de 01/01/20009 e 01/01/2015, em relação ao primeiro e ao segundo períodos de opção da empresa pelo regime simplificado, respectivamente, com fulcro no artigo 29, inciso I e parágrafo 3°, no artigo 30, inciso II do caput e inciso II do parágrafo 1°, e ainda no artigo 31 inciso II, todos da Lei Complementar n° 123/2006, bem como no artigo 15, inciso XXII, no artigo 73, inciso II, alínea "c", itens 1 e 2, e ainda no artigo 76, inciso III, alínea "a", todos da Resolução CGSN n° 94, de 29 de novembro de 2011. (fl. 97). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 3. Cientificada do retrotranscrito Despacho Decisório e do ADE em 02/10/2015 (fls. 99 e 100), a defendente apresentou contraditório em 22/10/2015 (razões às fls. 101 e 102, sem anexos), com o seguinte teor: (...) DO DIREITO DA PRELIMINAR Encontrando amparo na Lei Complementar nº 123/2016, em seu Artigo 18: (O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte comercial, optante pelo Simples Nacional, será determinado mediante aplicação da tabela do Anexo I desta Lei Complementar); § 5°B (Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços); XV produções cinematográficas, audiovisuais, artísticas e culturais, sua exibição ou apresentação, inclusive no caso de música, literatura, artes cênicas, artes visuais, cinematográficas e audiovisuais. (Incluído a partir de 1º de janeiro de 2010 pela Lei Complementar nº133, de 28 de dezembro de 2009). DO MÉRITO Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10166.722814/201554 Acórdão n.º 1001000.703 S1C0T1 Fl. 133 9 Em face do decidido, solicitamos o INDEFERIMENTO, da referida EXCLUSÃO DE OFICIO, ora vista, estarmos exercendo a PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, Art. 18, § 5°B, XV, e não a LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA, Art. 17, XII, conforme entendimento do Comitê Gestor. (...)(negritos do original) A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 ATIVIDADE VEDADA. EXCLUSÃO. A prestação de serviços caracterizados como cessão ou locação de mãodeobra impede a opção e permanência no regime do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 27/07/2017, conforme Aviso de Recebimento à efl. 117, a recorrente apresentou recurso voluntário em 02/08/2017 (efls. 120/122), conforme carimbo à efl. 120. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera as alegações apresentadas em sede de primeira instância, ou seja, que "realizava uma execução de serviços, não se tratando de locação de Mão de Obra" e transcreve trecho do contrato de serviço, com o objetivo de comprovar a "caracterização do serviço prestado como execução de serviço, por hora, e não uma locação de mão de obra", in verbis: CLÁUSULA QUARTA DAS OBRIGAÇÕES DA CAIXA A CAIXA obrigase a: I indicar os locais e horários em que deverão ser prestados os serviços. CLÁUSULA QUINTA DA FORMA DE PAGAMENTO Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10166.722814/201554 Acórdão n.º 1001000.703 S1C0T1 Fl. 134 10 Parágrafo Primeiro Os pagamentos serão efetuados de acordo com o quantitativo de horas de serviços executados no mês, devidamente identificado na Nota Fiscal. Por fim, cita julgados do CARF e do TCU de empresa que possui contratos com a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL com objetos idênticos ao da empresa XIKO SOM, mas não tiveram como decisão o desenquadramento do SIMPLES NACIONAL. Os argumentos de que "realizava uma execução de serviços, não se tratando de locação de Mão de Obra" foram fundamentadamente afastados no Despacho Decisório e em primeira instância. Por concordar com todos os seus termos e conclusões, com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, adoto as razões de decidir do colegiado a quo, cujos excertos do voto transcrevo a seguir, complementandoo ao final: (grifos não constam do original) 4. Lei Complementar nº 123/2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, assevera em seu artigo 17, inciso XII e § 1º, combinado com o artigo 18, § 5ºC e 5ºH: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XII que realize cessão ou locação de mãodeobra; (...) § 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos §§ 5ºB a 5ºE do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo. Art. 18. (...) § 5ºC. Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo IV desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis: I construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores; (...) VI serviço de vigilância, limpeza ou conservação. (...) Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10166.722814/201554 Acórdão n.º 1001000.703 S1C0T1 Fl. 135 11 § 5ºH. A vedação de que trata o inciso XII do caput do art. 17 desta Lei Complementar não se aplica às atividades referidas no § 5ºC deste artigo. (...)(grifos acrescidos) 5. Assim, pela leitura dos retrotranscritos dispositivos legais, concluise que somente estão excepcionadas da vedação consignada no art. 17, inciso XII, da Lei Complementar nº 123/2006, as atividades de construção de imóveis e obras de engenharia em geral (inclusive sob a forma de subempreitada), execução de projetos e serviços de paisagismo, decoração de interiores e serviço de vigilância, limpeza ou conservação. 6. Na representação para exclusão que se examina a locação de mãodeobra foi caracterizada no Contrato celebrado entre a requerente e a Caixa Econômica Federal em 26/12/2008 (fls. 25 a 50), para prestação de serviços de iluminação, montagem de exposições, manuseio de obras de arte e acervo técnico, atendimento cultural, sonoplastia, maquinaria cênica, bilheteria e supervisão, com o objetivo de amparar o funcionamento do espaço "Caixa Cultural Brasília", sediado no Distrito Federal. Há, ainda, menção explícita à atividade de locação de mãodeobra no objetivo social inserido na Terceira Alteração Contratual da contribuinte, de 29/03/2011, que consigna que ela se dedica, dentre outras atividades, à terceirização de mãodeobra, de projetos, arte/educação, locação de mãodeobra temporária e prestação de serviços de conservação e manutenção de edifícios (fls. 15 a 19). 7. Assim, confirmase o óbice ao Simples Nacional em razão da atividade exercida pela recorrente, sendo plenamente cabível a emissão do Ato Declaratório Executivo nº 90/2015 para excluíla da sistemática simplificada, porquanto guarda perfeita consonância com a legislação de regência do regime em questão. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 8. No contraditório apresentado a recorrente afirma que exerce as atividades previstas no art. 18, § 5°B, inciso XV, da Lei Complementar nº 123/2006 produções cinematográficas, audiovisuais, artísticas e culturais, sua exibição ou apresentação, inclusive no caso de música, literatura, artes cênicas, artes visuais, cinematográficas e audiovisuais , e não a que restou caracterizada na representação para exclusão (locação de mãodeobra). 9. Neste quesito, cabe declarar a improcedência do pleito da defendente, porquanto o conjunto probatório acostado aos autos encontra perfeita consonância com o óbice ao Simples Nacional caracterizado pela atividade de locação de mão deobra. CONCLUSÃO 10. Em consonância com o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente. Conforme se extrai do voto condutor do acórdão recorrido, os termos do contrato foram devidamente analisados, não havendo necessidade de nenhuma observação reparo no presente voto. Quanto aos julgados citados pela recorrente, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10166.722814/201554 Acórdão n.º 1001000.703 S1C0T1 Fl. 136 12 erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912301/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.829
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 23 01 /2 01 2- 97 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912301/201297 Acórdão n.º 3201003.829 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.674, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912301/201297 Acórdão n.º 3201003.829 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912301/201297 Acórdão n.º 3201003.829 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.912301/201297 Acórdão n.º 3201003.829 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13850.720178/2015-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência para sobrestá-lo até que seja proferida decisão administrativa definitiva nos processos 13884.905622/2012-11 e 16561.720116/2014-57, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência para sobrestálo até que seja proferida decisão administrativa definitiva nos processos 13884.905622/201211 e 16561.720116/201457, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte identificado acima, referente à cobrança do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 22562265), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão das seguintes infrações apontadas no Relatório Fiscal de fls. 21892255: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 50 .7 20 17 8/ 20 15 -0 4 Fl. 3206DF CARF MF Processo nº 13850.720178/201504 Resolução nº 1301000.607 S1C3T1 Fl. 3 2 1) Glosa da Estimativa de Março/2012, no valor de R$ 43.790.912,97, cujas parcelas de R$ 36.021.762,48 e R$ 7.769.150,49 foram compensadas com saldo do imposto pago no exterior em 2010 e 2011 (saldo de R$ 44.339.961,52 controlado na Parte “B” do Lalur) e com o saldo do imposto de renda retido no exterior em 2010 e 2011, respectivamente; 2) Glosa da parcela de R$ 635.629,57 da estimativa de dezembro/2012 compensada com o imposto pago no exterior pela Embraer Aviation Europe (França) em 2012; a contribuinte apurou o valor compensável de R$ 33.269.797,75 mediante aplicação da alíquota de 15% de IRPJ e adicional sobre o lucro de R$ 133.079.191,01 3) Glosa da parcela de R$ 677.827,12 da estimativa de dezembro/2012 compensada com o imposto retido no exterior no anocalendário de 2012 (R$ 1.253.830,49), pois a Autoridade Fiscal considerou passíveis de compensação os valores de R$ 552.461,72 e R$ 23.541,65 apurados mediante aplicação da alíquota de 15% de imposto de renda sobre os valores contabilizados das receitas com juros (R$ 3.683.078,12) e com venda de serviços (R$ 156.944,36); 4) Glosa da parcela de R$ 946.643,72 do débito de estimativa do mês de junho/2012, cuja compensação declarada no PER/DCOMP n° 00052.57000.251012.1.3.178030, com utilização do crédito objeto de pedido de ressarcimento nº 14094.76116.160712.1.1.172876, não foi homologada pela DRF/São José dos Campos por insuficiência do crédito indicado (Reintegra), nos autos do processo nº 13884.905622/201211; 5) Diferença de R$ 12.333.454,42 de lucros auferidos por controladas no exterior adicionados a menor ao lucro real do anocalendário de 2012; a contribuinte adicionou ao Lalur o valor de R$ 173.879.745,63 de lucros disponibilizados no exterior, mas a Autoridade Fiscal apurou lucros no montante de R$ 186.213.200,05; 6) Glosa da compensação de R$ 19.672.543,46 de prejuízos fiscais de períodos anteriores, conforme Sapli, porquanto o saldo compensável anteriormente disponível foi absorvido pelas infrações tratadas nos autos dos processos nºs 16561.720116/201457 (ajuste dos preços de transferência do anocalendário de 2009) e 13850.720263/201483 (lucros no exterior adicionados a menor ao lucro real do anocalendário de 2010). O saldo negativo declarado de IRPJ do anocalendário de 2012, no valor de R$ 26.682.637,45, foi utilizado como direito creditório no PER/COMP nº 01462.53135.201213.1.3.023411 (fls. 8088), nos autos do processo nº 13850.720112/2015 14. Ao final da fiscalização, o auditor fiscal chegou a um saldo positivo de IRPJ no valor de R$ 27.367.876,84, conforme planilha de fl. 2240. Cientificado, o Contribuinte apresentou tempestiva Impugnação aduzindo preliminarmente a nulidade da autuação sob o argumento de cerceamento do direito de defesa em decorrência da utilização de fundamentação legal e fática obscura e incoerente pois o Relatório Fiscal (RF) está repleto de alegações desconexas, fundadas em transcrições legislativas e fáticas descoordenadas, que dificultaram demasiadamente o entendimento das acusações contra ela emitidas. Também solicita sobrestamento do julgamento do presente processo até que seja proferida decisão definitiva no processo nº 13884.905622/201211, relativo à compensação da estimativa de junho/2012 por meio do PER/DCOMP nº 00052.57000.251012.1.3.178030, no valor de R$ 946.643,72. No mérito, contesta todas as glosas efetuadas, com argumentos que serão oportunamente apresentados. A DRJ/Curitiba julgou parcialmente procedente a Impugnação, não acatando a preliminar de nulidade, mas julgando procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda Fl. 3207DF CARF MF Processo nº 13850.720178/201504 Resolução nº 1301000.607 S1C3T1 Fl. 4 3 Pessoa Jurídica IRPJ, reduzindo para R$ 43.518.806,92 o valor do saldo negativo do ano calendário de 2011 e mantendo a exigência de R$ 23.280.575,85 a título de imposto do ano calendário de 2012, acrescidos da multa de lançamento de ofício de 75% e dos acréscimos legais. Em seu voto, a DRJ: a) afastou a parcela de lucros auferidos por controladas no exterior adicionados a menor apontada no item 5 (acima); b) reconheceu a compensação do montante de R$ 944.311,18, referente a retenções na fonte das empresas Embraer Aircraft Holding e Harbin Embraer Aircraf Ind. Co., relativo a receitas de juros e serviços prestados diretamente item 3 (acima); c) afastou a compensação proporcional de prejuízos fiscais de 1,84% sobre o lucro de R$ 133.079.191,01 da Embraer Aviation Europe (fl.27722773), restabelecendo a compensação de R$ 33.269.797,75 do imposto pago no exterior em 2012 com a estimativa de IRPJ em dezembro/2012, mas rejeitou o saldo de R$ 36.021.762,48 relativo ao imposto pago nos anoscalendário de 2010 e 2011, por falta de provas do cômputo desses lucros na determinação do lucro real da Recorrente no anocalendário correspondente. Irresignado, o Contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando todas as razões de sua Impugação, e aduzindo complementarmente a nulidade parcial da decisão da DRJ por inovação no critério jurídico utilizado na autuação. Da mesma forma, em razão da exoneração parcial do sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, a autoridade de primeira instância interpôs Recurso de Ofício nos termos do art. 34, I e §1º do Decreto 70.235/72. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende a todos os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Da mesma forma, o Recurso de Ofício atende aos seus requisitos de admissibilidade e ultrapassa o valor de alçada, também devendo ser conhecido pelo Colegiado. O presente processo não se encontra maduro para julgamento por este Colegiado, em razão da existência de processos prejudiciais com capacidade de afetar as conclusões fiscais que embasaram a autuação em trâmite no âmbito deste CARF. Há diversas razões para tanto, que serão aduzidas em seguida: I) Glosa da parcela de R$ 946.643,72 do débito de estimativa do mês de junho/2012, cuja compensação declarada no PER/DCOMP n° 00052.57000.251012.1.3.17 8030, com utilização do crédito oriundo do Reintegra, objeto de pedido de ressarcimento nº 14094.76116.160712.1.1.172876, não foi homologada pela DRF/São José dos Campos por insuficiência do crédito indicado, nos autos do processo nº 13884.905622/201211; Fl. 3208DF CARF MF Processo nº 13850.720178/201504 Resolução nº 1301000.607 S1C3T1 Fl. 5 4 O contribuinte apresentou a compensação relativo a débitos de estimativa do mês de junho/2012, totalizando R$ 23.435.081,49, que foi subtraído do Lucro Real na apuração do IRPJ de 2012. Entretanto, do montante objeto do PER/DCOMP, apenas R$ 22.488.437,77 foi reconhecido pela fiscalização, restando a parcela de R$ 946.643,72 que foi glosada. O processo no qual essa glosa é discutida se encontra atualmente no CARF, pendente de distribuição desde 02/09/2016, de modo que ela não pode ser tomada por definitiva por este Colegiado. De pronto, é evidente a vinculação entre os processos em razão de decorrência, nos termos do art. 6º, §1º, II do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; Entretanto, não é possível a este Colegiado requerer o apensamento deste processo aos presentes autos através da sua distribuição por dependência (art. 6º, §2º do RICARF), haja vista que a matéria é de competência da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por se tratar o REINTEGRA de um regime aduaneiro especial de exportação, nos termos do art. 4º, XVII do Anexo II do RICARF. Desse modo, tratase de hipótese clara de aplicação do art. 6º, §5º do anexo II do RICARF: § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Portanto, é mister que o Colegiado decida pelo sobrestamento do presente processo na Câmara, determinando a vinculação dele ao PAF nº 13884.905622/201211, que deverá ter o seu resultado juntado a estes autos, após exarada decisão definitiva na esfera administrativa. II) Glosa da compensação de R$ 19.672.543,46 de prejuízos fiscais de períodos anteriores, conforme Sapli, porquanto o saldo compensável anteriormente disponível foi absorvido pelas infrações tratadas nos autos dos processos nºs 16561.720116/201457 (ajuste dos preços de transferência do anocalendário de 2009) e 13850.720263/201483 (lucros no exterior adicionados a menor ao lucro real do anocalendário de 2010). A despeito da presente questão não ter sido esclarecida devidamente no relatório fiscal, a DRJ trouxe os fundamentos jurídicos para a glosa dos prejuízos fiscais aproveitados pelo contribuinte, nos seguintes termos (fls. 2782/2783): Fl. 3209DF CARF MF Processo nº 13850.720178/201504 Resolução nº 1301000.607 S1C3T1 Fl. 6 5 Inexistia qualquer valor compensável em 31/12/2011 e 31/12/2012 porquanto o saldo de R$ 114.079.447,84 de prejuízos fiscais existente em 31/12/2008 foi compensado pela interessada com o lucro real declarado nos anoscalendário de 2009 (R$ 256.392.194,80), 2010 (R$ 48.541.459,78) e 2011 (R$ 13.901.023,52) e o saldo remanescente foi integralmente absorvido pelas autuações tratadas nos processos nºs 16561.720116/201457 (R$ 50.472.907,88) e 13850.720263/201483 (R$ 15.188.214,94): No processo nº 16561.720116/201457 foi tributado o ajuste de R$ 50.472.907,88 decorrente da aplicação de método de preços de transferência no ano calendário de 2009, relativamente a custos, despesas e encargos de importação de bens, serviços e direitos adquiridos de pessoa vinculada no exterior, tendo a exigência correspondente sido integralmente mantida por este colegiado em sessão também realizada em 16/01/2017, por meio do Acórdão 0656.615 da 1ª Turma da DRJ/Curitiba. Quanto ao processo nº 13850.720263/201483, foi apurada a diferença de R$ 15.188.214,94 de lucros no exterior adicionados a menor ao lucro real do ano calendário de 2010 (fls. 27152731), tendo esta exigência absorvido a parcela de R$ 4.556.464,49 do saldo de prejuízos fiscais nos autos do processo nº 13884.721004/201300. Considerando que a contribuinte, cientificada por via postal em 04/08/2014, optou por não apresentar impugnação, foi declarada a revelia na forma prevista no artigo 21 do Decreto nº 70.235, de 1972. Quanto ao segundo processo, a própria DRJ informa o seu trânsito em julgado na esfera administrativa. Todavia, o processo nº 16561.720116/201457 se encontra atualmente no CARF, indicado para pauta em Maio/2018, sob a relatoria do Conselheiro Luiz Toselli. Verificase que parte dos prejuízos fiscais utilizados pelo contribuinte foram glosados em razão do processo nº 16561.720116/201457, razão pela qual o mesmo se torna prejudicial para o deslinde deste feito, podendo afetar negativamente o saldo positivo de IRPJ calculado pela fiscalização. Desse modo, o presente processo deve também ser sobrestado até que o processo nº 16561.720116/201457 seja definitivamente julgado na esfera administrativa. Após o seu trânsito em julgado administrativo, deve a sua decisão final ser juntada a estes autos. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para sobrestálo até o julgamento definitivo dos processos administrativos: a) 13884.905622/201211 e b) 16561.720116/201457. Após o trânsito em julgado desses processos, cópia da decisão definitiva deverá ser juntada aos presentes autos, retornando o processo a este relator para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 3210DF CARF MF
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