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Numero do processo: 13748.001832/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA
Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1302-002.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13748.001832/200817 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.755 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente PETRO ITA TRANSPORTES COLETIVOS DE PASSAGEIROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de recurso interposto em relação ao acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, posto que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 18 32 /2 00 8- 17 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13748.001832/200817 Acórdão n.º 1302002.755 S1C3T2 Fl. 3 2 alegado pagamento indevido foi utilizado para amortização do saldo devedor do parcelamento PAES. O presente processo cuida de Declaração de Compensação apresentada em formulário de papel, por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior. O crédito em questão é relativo a pagamento realizado em 29/10/2004, sob o código de receita 7122 (Parcelamento Lei nº 10.684/03 Demais pessoas jurídicas). O Despacho Decisório, com base em Parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o pagamento invocado estaria integralmente apropriado ao parcelamento realizado pelo sujeito passivo, sob o amparo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), conforme demonstrativos constantes do processo. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, limitandose a argumentar que, no ato de ciência da nãohomologação, não lhe foram fornecidas cópias dos documentos que comprovariam a alocação do pagamento invocado aos débitos parcelados no PAES, de modo que estaria impossibilitado o exercício da ampla defesa e do contraditório. Foram, então, facultadas ao sujeito passivo vistas e cópias do presente processo e aberto o prazo para aditamento da manifestação de inconformidade. O sujeito passivo apresentou aditamento, sustentando que os documentos indicados no Parecer que propôs a nãohomologação das compensações não indicariam os débitos a que teriam sido alocados o pagamento pleiteado. Segundo alegou, tal indicação seria necessária para a confirmação de que o crédito não teria sido alocado a débitos excluídos do parcelamento, por ocasião de pedidos de revisão apresentados, quando da consolidação. A decisão de primeira instância, por unanimidade, não homologou a compensação, uma vez que o pagamento alegado pelo sujeito passivo teria sido integralmente utilizado para a amortização dos débitos incluídos no PAES. Frisou aquela decisão que a "alocação das cotas do parcelamento PAES é feita no débito total consolidado e não em cada tributo devido, como entende o interessado". Regularmente cientificado do Acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso, no qual reitera a necessidade de ter acesso ao contacorrente discriminado do parcelamento especial, sob a mesma fundamentação de que seria preciso verificar se não houve a alocação de pagamentos a débitos já excluídos do parcelamento, e de verificar as migrações ocorridas entre os parcelamentos especiais. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13748.001832/200817 Acórdão n.º 1302002.755 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.745, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13748.001501/200887, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento realizado em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Nos presentes autos, o crédito utilizado nas compensações tem origem no pagamento realizado em 29/10/2004, também no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.745), adequandoa ao caso concreto: I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 31 de maio de 2010, tendo apresentado seu Recurso em 16 de junho de 2010, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso VII, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação referente a pagamento efetuado, em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Não há qualquer demonstrativo que esclareça a razão de a Recorrente entender que o citado pagamento é indevido ou maior que o devido, de forma a ensejar a restituição/compensação. As únicas alegações da Recorrente são no sentido de que não constaria do processo um contacorrente detalhado que mostrasse a que débitos os pagamentos realizados no âmbito do referido parcelamento estariam alocados. Como bem registrado no Parecer que embasou a não homologação da compensação e na decisão de primeira instância, consta do processo o demonstrativo de todos os Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13748.001832/200817 Acórdão n.º 1302002.755 S1C3T2 Fl. 5 4 pagamentos que foram alocados ao parcelamento formalizado pelo sujeito passivo, em um total de R$ 371.449,99, dentre os quais se inclui aquele que embasa a Declaração de Compensação de que trata o presente processo. A par disso, consta do processo extrato da conta do parcelamento em questão, por meio do qual se constata que os débitos incluídos no parcelamento perfizeram um total de R$ 1.969.178,74 (após o ajuste do valor original, que era de R$ 6.342.752,70). Fica patente, portanto, a inexistência de qualquer direito creditório e o acerto da decisão a quo. Como bem pontuado no Acórdão da DRJ, a discussão invocada pela Recorrente, que diz respeito ao detalhamento dos débitos incluídos e amortizados no PAES, deve ser tratada no âmbito do processo de acompanhamento do citado parcelamento. Tal discussão, contudo, não valida, de qualquer modo, o crédito que fundamentou a compensação declarada, já que inegável que os pagamentos efetuados no âmbito do PAES foram utilizados para a amortização parcial dos débitos nele consolidados. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. Por cautela, antes da cobrança do valor indevidamente compensado, deveser verificar se a cobrança do mesmo débito não está sendo/foi realizada em outro processo administrativo, como apontado na decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000408/2006-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2005
PEDIDO COMPLEMENTAR DE ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DIREITO AO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RECONHECIDO PELA AUTORIDADE COMPETENTE. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. DESCABIMENTO.
O decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), é que a atualização monetária não incide sobre créditos de IPI, a não ser que haja oposição estatal ilegítima, em ato que impeça a sua utilização, o que os descaracteriza como escriturais, exsurgindo aí a necessidade de atualizá-los, sob pena de enriquecimento ilegal do Fisco. Tendo o direito creditório sido reconhecido pela Unidade de Origem, não há que se cogitar em reversão de decisão pelas instâncias administrativas de julgamento, não cabendo, assim, por falta de previsão legal, a aplicação da Taxa SELIC.
Numero da decisão: 9303-006.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2005 PEDIDO COMPLEMENTAR DE ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DIREITO AO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RECONHECIDO PELA AUTORIDADE COMPETENTE. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. DESCABIMENTO. O decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), é que a atualização monetária não incide sobre créditos de IPI, a não ser que haja oposição estatal ilegítima, em ato que impeça a sua utilização, o que os descaracteriza como escriturais, exsurgindo aí a necessidade de atualizá-los, sob pena de enriquecimento ilegal do Fisco. Tendo o direito creditório sido reconhecido pela Unidade de Origem, não há que se cogitar em reversão de decisão pelas instâncias administrativas de julgamento, não cabendo, assim, por falta de previsão legal, a aplicação da Taxa SELIC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-30T17:06:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-30T17:06:28Z; Last-Modified: 2018-07-30T17:06:28Z; dcterms:modified: 2018-07-30T17:06:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-07-30T17:06:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-30T17:06:28Z; meta:save-date: 2018-07-30T17:06:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-30T17:06:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-30T17:06:28Z; created: 2018-07-30T17:06:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2018-07-30T17:06:28Z; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-30T17:06:28Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 600 1 599 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.000408/200647 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.999 – 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria TAXA SELIC RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente CALÇADOS MALU LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2005 PEDIDO COMPLEMENTAR DE ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DIREITO AO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RECONHECIDO PELA AUTORIDADE COMPETENTE. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. DESCABIMENTO. O decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, em acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), é que a atualização monetária não incide sobre créditos de IPI, a não ser que haja oposição estatal ilegítima, em ato que impeça a sua utilização, o que os descaracteriza como escriturais, exsurgindo aí a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento ilegal do Fisco. Tendo o direito creditório sido reconhecido pela Unidade de Origem, não há que se cogitar em reversão de decisão pelas instâncias administrativas de julgamento, não cabendo, assim, por falta de previsão legal, a aplicação da Taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 04 08 /2 00 6- 47 Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11065.000408/200647 Acórdão n.º 9303006.999 CSRFT3 Fl. 601 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 556 a 580), interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 20402.932, proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 508 a 515), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2005 CORREÇÃO MONETÁRIA. À falta de disposição legal de amparo é inadmissível a aplicação de correção monetária no caso de ressarcimento de credito básico de IPI. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte, inicialmente, havia oposto Embargos de Declaração (fls. 525 a 537), os quais foram rejeitados (fls. 542 a 544). No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 595 e 596), o contribuinte defende a atualização, pela Taxa SELIC, dos valores reconhecidos em Pedidos de Ressarcimento do Crédito Presumido de IPI na exportação. A PGFN não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. O tema já foi (atualização pela Taxa SELIC em Pedidos de Ressarcimento do Crédito Presumido de IPI) já foi mais que debatido nesta Turma, girando a discussão, fundamentalmente, sobre a interpretação a ser dada ao decidido pelo STJ em Acórdão submetido ao rito do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11065.000408/200647 Acórdão n.º 9303006.999 CSRFT3 Fl. 602 3 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp nº 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 03/08/2009) Citese, ainda, a Súmula nº 411, do mesmo STJ: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. No caso sob análise, ficou configurada a oposição estatal ilegítima?? É indubitável que não. O Pedido de Ressarcimento apresentado neste Processo é complementar de outros, tão somente para que se aplique a Taxa SELIC sobre os valores reconhecidos naqueles (Processos relacionados à fl. 5), conforme consignado nas justificativas para o novo pleito (fl. 4, com grifos meus): “(...) 3 Faz jus, assim, ao crédito presumido do IPI referente ao ressarcimento do PIS e da COFINS inclusos no preço das Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11065.000408/200647 Acórdão n.º 9303006.999 CSRFT3 Fl. 603 4 aquisições dos insumos destinados à produção, conforme o previsto nas Leis n. 9.363/96 e n. 10.236/02 (sic). 4 Tais créditos foram apurados de acordo com a referida legislação e objeto de pedidos de ressarcimento encaminhados a esta Delegacia, dando origem a diversos processos administrativos, os quais foram analisados por Agentes desta Delegacia da Receita Federal, sendo os créditos restituídos ou compensados com tributos do contribuinte. 5 Ocorre, contudo, que decorreu significativo lapso temporal entre o final dos trimestres em que os créditos foram constituídos e sua efetiva devolução e/ou compensação, que se deu por valores nominais, ou seja, sem qualquer atualização. 6 Entende, a Requerente, que, uma vez reconhecido o direito ao crédito, como o foi, em todos os processos administrativos que a seguir relacionamos, os mesmos devem ser atualizados monetariamente, o desde as datas de encerramento de cada trimestre civil, pelos mesmos índices utilizados pela Fazenda Nacional para a atualização dos seus créditos tributários, inclusive com o acréscimo de juros. (...) 10 Por todo o exposto, a Requerente requer o ressarcimento complementar do crédito presumido do IPI, atualizado até a data da sua efetiva restituição ou compensação.” Assim, tendo a Unidade competente para analisar os Pedidos de Ressarcimento reconhecido o direito creditório, por óbvio, estas decisões não poderiam ter sido revertidas ao longo do trâmite do Processo Administrativo Fiscal, não havendo, portanto, em que se falar em atualização pela Taxa SELIC, por falta de previsão legal, ainda que considerada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que versa sobre o tema. Por derradeiro, afasto aqui o argumento, que alguns defendem, de que o ressarcimento seria “espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 603DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002084/2006-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL – CONCOMITÂNCIA Importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação
judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
INEXISTÊNCIA DE DECISÃO PRÉVIA SOBRE HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES POSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO A inexistência de prévia decisão de titular de Delegacia da Receita Federal acerca de pedido de ressarcimento e compensação não constitui causa impeditiva à atividade vinculada do lançamento, nem de sua nulidade, ficando condicionada a confirmação do fundamento jurídico do lançamento,
todavia, à posterior decisão daquela autoridade.
ASSUNTO: NORMAS — GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DÉBITO NÃO CONFESSADO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Os
tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício (Súmula CARF 52).
AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO CARACTERIZAÇÃO MULTA DE OFÍCIO É exigível
a multa de ofício na constituição de crédito tributário
destinada a prevenir a decadência quando, à época do
lançamento, a exigibilidade do crédito tributário não se
encontrava suspensa por determinação judicial.
MULTA ISOLADA DCOMP ENTREGUE ANTES DA MP N°. 135/2003 COMPENSAÇÃO
INDEVIDA ART. 90 DA MP N°. 2.15835/01. DERROGAÇÃO IMPLÍCITA
PELO ART. 18 DA MPV N° 135/03, CONVERTIDA NA LEI N°. 10.833/03. MANUTENÇÃO DA MULTA DE
OFÍCIO ISOLADA As
compensações indevidas efetuadas
antes da publicação da MPV no. 135/2003, sujeitavam-se ao lançamento de oficio para a cobrança dos débitos
indevidamente compensados, com a consequente imposição
da multa de oficio. Ademais, em decorrência da derrogação
parcial do art. 90 da MP 2.15835/2001, pelo art. 18 da MPV n°. 135/2003, convertida na Lei n°. 10.833/2003, tornou-se
desnecessário o lançamento de oficio para a cobrança dos tributos indevidamente compensados já informados em DCTF, permanecendo cabível a multa de ofício para as compensações fundadas em direito creditório não passível de compensação por expressa disposição legal.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DCOMP ENTREGUE APÓS A ENTRADA EM VIGOR DA _LEI N°. 11.051/2004 CRÉDITO OBJETO DE DECISÃO JUDICIAL AINDA NÃO TRANSITADA EM JULGADO
As compensações informadas em DCOMP a partir da entrada em vigor da Lei n°. 11.051/2004, que vinculavam direito creditório fundado em decisão judicial ainda não transitada em julgado, são consideradas não declaradas e, portanto, ensejam a aplicação da multa de oficio isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 1301-000.580
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Valmir Sandri
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Recorrida 2ª Turma da DRJ em São Paulo ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL – CONCOMITÂNCIA Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO PRÉVIA SOBRE HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES POSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO A inexistência de prévia decisão de titular de Delegacia da Receita Federal acerca de pedido de ressarcimento e compensação não constitui causa impeditiva à atividade vinculada do lançamento, nem de sua nulidade, ficando condicionada a confirmação do fundamento jurídico do lançamento, todavia, à posterior decisão daquela autoridade. ASSUNTO: NORMAS — GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DÉBITO NÃO CONFESSADO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício (Súmula CARF 52). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 2 2 AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO CARACTERIZAÇÃO MULTA DE OFÍCIO É exigível a multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência quando, à época do lançamento, a exigibilidade do crédito tributário não se encontrava suspensa por determinação judicial. MULTA ISOLADA DCOMP ENTREGUE ANTES DA MP N°. 135/2003 COMPENSAÇÃO INDEVIDA ART. 90 DA MP N°. 2.15835/01. DERROGAÇÃO IMPLÍCITA PELO ART. 18 DA MPV N° 135/03, CONVERTIDA NA LEI N°. 10.833/03. MANUTENÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA As compensações indevidas efetuadas antes da publicação da MPV no. 135/2003, sujeitavamse ao lançamento de oficio para a cobrança dos débitos indevidamente compensados, com a consequente imposição da multa de oficio. Ademais, em decorrência da derrogação parcial do art. 90 da MP 2.15835/2001, pelo art. 18 da MPV n°. 135/2003, convertida na Lei n°. 10.833/2003, tornouse desnecessário o lançamento de oficio para a cobrança dos tributos indevidamente compensados já informados em DCTF, permanecendo cabível a multa de ofício para as compensações fundadas em direito creditório nãopassível de compensação por expressa disposição legal. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DCOMP ENTREGUE APÓS A ENTRADA EM VIGOR DA _LEI N°. 11.051/2004 CRÉDITO OBJETO DE DECISÃO JUDICIAL AINDA NÃO TRANSITADA EM JULGADO As compensações informadas em DCOMP a partir da entrada em vigor da Lei n°. 11.051/2004, que vinculavam direito creditório fundado em decisão judicial ainda não transitada em julgado, são consideradas nãodeclaradas e, portanto, ensejam a aplicação da multa de oficio isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva (Suplente Convocado). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário impetrado por Quatro Marcos Ltda., contra decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, que manteve o lançamento formalizado por auto de infração lavrado para exigir créditos tributários objeto de compensações efetuadas pelo sujeito passivo, bem como impor multa de ofício isolada àquelas que considerou "não declaradas". O débito objeto de compensação diz respeito à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, com fatos geradores ocorridos em 2002 e 2003, e o direito creditório indicado para a referida compensação é o créditoprêmio de IPI (DL 491/69). Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 194/204), a contribuinte impetrou mandado de segurança objetivando o reconhecimento do direito ao "créditoprêmio" instituído pelo Decretolei n° 491/69 e sua utilização em compensações com o IPI devido ou, em havendo saldo, com qualquer tributo federal, afastandose a restrição contida no Ato Declaratório SRF n° 31/99. Em 10.09.2002, a autoridade judicial deferiu medida liminar para afastar a incidência do Ato Declaratório e qualquer restrição que impedisse a contribuinte de efetuar a autocompensação do créditoprêmio de IPI com tributos administrados pela SRF. Munida da liminar, a interessada formalizou processo administrativo em 10/01/2003 (Processo n° 13896.000042/200314), pedindo ressarcimento dos referidos créditos e, alternativamente, compensação, inclusive com débitos de terceiros. Posteriormente (em 30/06/2003, 30/07/2003 e 27/10/2005), formalizou as declarações de compensação de fls. 125/127. Em 11/06/2004 foi prolatada sentença concedendo parcialmente a segurança, reconhecendo o direito da impetrante ao crédito de estímulo fiscal decorrente do DL n° 491/69, porém negando o pedido de restituição em dinheiro, transferência a terceiros ou emissão de DCC — Documento de Compensação de Crédito. Em 25 de julho de 2005, foi publicado Acórdão do TRF 3ª Região com decisão favorável à União, declarando que o benefício fiscal (crédito prêmio) foi extinto em 04/10/90. Em face dessa decisão, em 25 de julho de 2005 a autoridade fiscal efetuou o lançamento do tributo e acréscimos legais relativos à CSLL indevidamente compensada, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 4 4 correspondente aos períodos de apuração de 31.03.2002, 30.09.2002 e 31.12.2002, e ainda a multa isolada em relação aos períodos de apuração de 30.06.2003 e 31.12.2003. Em impugnação tempestiva o contribuinte suscitou: a) nulidade por incompetência da autoridade lançadora, vez que a matéria estava sob apreciação da Delegacia de Administração Tributária do domicílio fiscal do contribuinte, não podendo a fiscalização decidir questão que estava sob a competência de outra autoridade, nem, tampouco, impor multa por supostas irregularidades quanto ao procedimento de compensação; b) a nulidade por atribuir à conduta a qualidade de "compensação não declarada", inexistente à época do procedimento de compensação; c) a nulidade da aplicação da multa de oficio e multa isolada em virtude de as compensações terem sido efetuadas sob autorização judicial; d) a retroatividade benéfica da norma tributária que considera declarados os débitos formalizados em declarações de compensação para excluir a imposição de multa pela existência da declaração do débito em procedimento de compensação. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, considerou que a falta de decisão administrativa da Delegacia de Administração Tributária quanto ao mérito do pedido de ressarcimento não obsta o lançamento tributário denegatório das compensações realizadas, efetuado pela Delegacia da Receita Federal. Asseverou ainda que a declaração de compensação formalizada antes alteração legislativa introduzida pela Medida Provisória 135, de 2003, não impede o lançamento da multa de ofício para os tributos não declarados em DCTF. Decidiu pelo cabimento da multa de ofício e da multa isolada. Quanto ao mérito do pedido de ressarcimento formulado nos autos do Processo n. 13896.000042/200314, aduziu ter havido renúncia à instância administrativa pela propositura de ação judicial, justificando a imposição das multas decorrentes do lançamento de ofício. Ciente da decisão em 20 de agosto, a interessada interpôs recurso em 18 de setembro objetivando o cancelamento do lançamento, bem como a reforma da decisão denegatória do pedido de ressarcimento formalizado no Processo n. 13896.000042/200314, cujo mérito não foi apreciado pela instância administrativa. Suscita a nulidade do lançamento por incompetência da autoridade lançadora, alega ausência de fundamento legal para a imposição de multa com fundamento em "compensação não declarada" antes de 05/04/2005 e impossibilidade de imposição de multa sob compensação realizada sob autorização judicial vigente à época do lançamento. Insurgese contra a não apreciação do mérito do pedido de compensação, alegandoa inconstitucional. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Como se viu do relatório, cuidase de auto de infração levado a efeito para formalizar exigência de créditos relativos à CSLL, cujos débitos não constaram de DCTF e que foram objeto de compensação, via DCOMP, com crédito prêmio de IPI. A formalização da exigência mediante o auto de infração deuse antes da decisão da autoridade administrativa da DERAT quanto às compensações e ao pedido de ressarcimento do crédito prêmio. Para uma melhor análise dos fatos de meus pares, transcrevo a sua cronologia: 1 Em 19 de agosto de 2002, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança, visando: (a) obter a declaração do direito ao crédito do estímulo fiscal instituído nos moldes do art. 10 do Decretolei n. 491/69, bem como autorizar o aproveitamento com o IPI devido ou, havendo saldo, com quaisquer tributos federais; (b) serem os créditos, objeto de ressarcimento em espécie, transferidos para terceiros, através da emissão de DCC Documento de Compensação de Crédito, nos moldes do Decreto 64.833/69 e da Instrução Normativa n. 21/97. 2 Em 10/09/2002, foi concedida liminar para afastar a incidência do Ato Declaratório n. 21/97 e qualquer restrição que impedisse o contribuinte de efetuar a autocompensação do créditoprêmio de IPI com tributos administrados pela SRF. 3 10/01/2003, o contribuinte formalizou o Processo n° 13896.000042/2003 14, pedindo ressarcimento dos referidos créditos e, alternativamente, compensação, inclusive com débitos de terceiros. 4 em 30/06/2003, 30/07/2003 e 27/10/2005, formalizou as declarações de compensação. 5 Em 11/11/2003, sobreveio sentença concedendo a segurança, reconhecendo o direito da Impetrante ao crédito de estímulo fiscal instituído nos moldes do Decretolei 491/69, respeitada a prescrição decenal, anterior à propositura da ação, e assegurado o direito de escrituração dos créditos, nos termos da legislação vigente à época de sua constituição, com correção monetária dos valores creditados a destempo, pelos mesmos critérios adotados pelo Fisco para correção de seus créditos. 6 Interpostos embargos de declaração pela Impetrante, em 11/06/2004 foram alteradas a fundamentação e a parte dispositiva da sentença, tendo sido a segurança concedida parcialmente, para reconhecer o direito ao benefício fiscal, mas considerou não assistir razão à impetrante quanto ao pedido de restituição em dinheiro, de transferência a terceiros ou emissão de DCC Documento de Compensação de Crédito, nos moldes do Decreto n° 64.833/69 e da IN n. 21/97. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 6 6 7 Interpostos novos embargos de declaração visando o reconhecimento do direito de transferir o crédito a terceiros, nos termos da IN n. 21/97, que foram rejeitados. 8 Em 25 de julho de 2005, foi publicado Acórdão do TRF 3ª Região, que conheceu em parte da apelação da União e, na parte conhecida, acolheu a preliminar de prescrição parcial da pretensão, deu provimento ao seu mérito e deu provimento também à remessa oficial, julgandoa em parte prejudicada, assim como toda a apelação da Impetrante, nos termos do voto do Relator. O acórdão foi favorável à União, declarando que o benefício fiscal (crédito prêmio) foi extinto em 04/10/90. 9 Em 18 de dezembro de 2006, foi lavrado o auto de infração formalizando a exigência da seguinte forma: (a) Para os períodos de apuração de 31/03/2002, 30/09/2002 e 31/12/2002, foram lançados o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, uma vez que tais débitos não estão declarados em DCTF e as Declarações de Compensação não eram consideradas confissão de dívida à época em que foram apresentadas, em 30/06/2003; (b) Com relação ao período de apuração de 30/06/2003, aplicouse a multa isolada, pois, embora a Declaração de Compensação tenha sido apresentada em data anterior à vigência da Lei 10.833/03, o débito encontravase confessado em DCTF; (c) Para o período de apuração de 31/12/2003, aplicouse também apenas a multa isolada, uma vez que a apresentação da Declaração de Compensação ocorreu em 27/10/2005, quando as Dcomps já eram consideradas confissão de dívida e instrumento suficiente para a exigência do crédito tributário, de acordo com a Lei n.10.833/03. 10 Conforme está assentado às fls. 322, consta Recurso Extraordinário em 14/08/2007, na apelação em Mandado de Segurança n° 2002.61.00.018336.0, não constando informação do trânsito em julgado. Nesse passo, os temas levantados no recurso são os seguintes: (i) nulidade do lançamento por incompetência da autoridade lançadora; (ii) Ausência de fundamento legal para a imposição de multa com fundamento em "compensação não declarada" antes de 05/04/2005; (iii) Impossibilidade de imposição de multa sob compensação realizada sob autorização judicial vigente à época do lançamento; (iv) inconstitucionalidade da não apreciação do mérito do pedido de compensação. A alegação de inconstitucionalidade da não apreciação do mérito do pedido de compensação não comporta apreciação, tendo em vista a Súmula CARF nº 1 que enuncia: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” De se registrar que, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, as Súmulas são de observância obrigatória pelos seus membros, razão porque, deixo de conhecer de tal argüição. Passo a análise das demais questões argüidas. 1 Nulidade do Lançamento A recorrente levanta a preliminar de nulidade do auto de infração por incompetência do autuante e por ofensa ao devido processo legal. Alega que o auditor fiscal da Delegacia de Fiscalização não é competente para lavrar o auto de infração, asseverando tratar Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 7 7 se de ato inserido na esfera de competência da DERAT, e que o auto de infração não poderia ser lavrado antes da decisão da DERAT quanto às compensações e ao pedido de ressarcimento do crédito prêmio. Contesta, também, a abrangência do MPF que acobertou o procedimento, entendendo que o procedimento de que decorreu o lançamento não está compreendidas as verificações obrigatórias. À época da lavratura do auto de infração, a unidade da Receita Federal que exercia a jurisdição administrativa sob o domicílio tributário do sujeito passivo era a DERAT/SPO. Assim, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, então vigente, seu titular era a autoridade competente para apreciar originariamente o pedido de ressarcimento de "créditoprêmio" e as compensações a ele vinculadas. Isso não significa, contudo, que seja ele a autoridade que detém a competência exclusiva para lavrar o auto de infração decorrente de não homologação de compensações objeto de DCOMP transmitidas antes de 30/10/2003, como assevera a Recorrente, invocando o art. 68 da IN n. 600/2005. Vejase o que reza o dispositivo mencionado: “Art. 68. A unidade da SRF na qual for proferido o despacho de nãohomologação da compensação objeto de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, bem como da compensação objeto de Declaração de Compensação apresentada à SRF até 30 de outubro de 2003, promoverá o lançamento de ofício do crédito tributário que ainda não tenha sido lançado nem confessado, cientificará o sujeito passivo da nãohomologação da compensação e, se for o caso, do lançamento de oficio (simultaneamente) e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, o pagamento do débito indevidamente compensado.” (negritos acrescentados). Como se vê, a competência da autoridade da unidade onde for proferido o despacho de não homologação para promover o lançamento de ofício será exercida se o crédito ainda não houver sido lançado, o que significa que ela não exclui a competência de outras autoridades para efetuar o lançamento. Conforme já esclareceu a decisão recorrida, “os contribuintes domiciliados na cidade de São Paulo, diferentemente do que se sucede com aqueles domiciliados na maioria das demais cidades brasileiras, podem se sujeitar, em regra, à jurisdição de duas unidades da Receita Federal: a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária — DERAT/SPO, competente para analisar os pedidos de ressarcimento e de compensação; e, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização — DEFIS/SPO, unidade competente para o processamento de lançamentos de ofício.” Vê se, portanto, que o auto de infração foi lavrado por servidor competente para fazêlo auditor fiscal lotado da DEFIS/SPO , não padecendo de vício de incompetência da autoridade como alegado pelo contribuinte. De fato, a lotação do auditor fiscal não influencia em sua competência, sendo essa a jurisprudência desse E. Conselho, conforme enuncia a Súmula CARF nº 27 no sentido de que: “É válido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio do sujeito passivo.” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 8 8 Da mesma forma, a circunstância de o auto de infração ter sido lavrado antes da decisão da DERAT acerca do pedido de ressarcimento e da compensação também não torna nulo o lançamento, eis que compete à Delegacia Especial da Receita Federal de Fiscalização (DEFIS), desenvolver as atividades de fiscalização no âmbito da respectiva jurisdição e processar lançamentos de ofício, imposição de multas e outras penas aplicáveis às infrações à legislação tributária. É de se observar que a lavratura do auto de infração antes da decisão da DERAT quanto à compensação representa tão somente zelo da autoridade tributária, no resguardo do crédito tributário contra os efeitos da decadência. De fato, tendo se firmado o entendimento de que, em caso de não homologação de compensação declarada antes de 30 de outubro de 2003, quando o débito não estiver confessado em DCTF, é necessária a constituição do crédito mediante lançamento de ofício, não poderia, a autoridade fiscal, tendo tomado conhecimento de que a sentença de mérito no Mandado de Segurança não reconheceu o direito à compensação com utilização do crédito prêmio, deixar de efetuar o lançamento de ofício. O servidor foi incumbido (mediante Mandado de Procedimento Fiscal) de realizar procedimentos de fiscalização incluindo as “verificações obrigatórias”, consistentes na averiguação da correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução do procedimento (1991). A extensão do significado das “verificações obrigatórias” foi, com muita propriedade, analisada no voto condutor do Acórdão 1.367/2002, da DRJ de Florianópolis, como a seguir: (...) os limites das verificações obrigatórias são os documentos contábeis e fiscais mantidos pelo sujeito passivo, como tais sua escrituração e as declarações apresentadas ao fisco; conforma se, assim, antes de qualquer outra coisa, em um exame da consistência dos registros e declarações produzidos pelo contribuinte. Havendo necessidade de se estender a fiscalização a elementos externos à documentação fiscal, não se estará mais no âmbito das verificações obrigatórias, devendo o AFRF demandar pela emissão de um novo MPF, com vistas a instrumentar o alargamento da ação fiscal. Esta extensão do significado das verificações obrigatórias está corroborada pelo que consta do artigo 15 da Portaria COFIS n.º 28, de 31/05/2002: Das Verificações Obrigatórias Art. 15. Dentre as verificações previstas na Operação Fiscal “Verificações Preliminares”, são de execução obrigatória aquelas consistentes no cotejo entre os valores constantes da declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), ou declaração equivalente, e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, exceto aqueles sobre o comércio exterior. [...] Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 9 9 §2.º No caso de períodos de apuração para os quais não tenha sido apresentada a DCTF, deverão ser cotejados os valores pagos ou recolhidos com os constantes da escrituração do sujeito passivo. À evidência, limitamse as verificações obrigatórias ao cotejamento entre valores declarados/pagos/recolhidos e aqueles constantes das declarações entregues à SRF ou da escrituração do sujeito passivo. Assim, qualquer procedimento que extrapole tais estritos limites deve, necessariamente, estar instrumentado por MPF específico, com definição minudente do tributo ou contribuição a ser fiscalizado e dos períodosbase alcançados pela ação de ofício. Alega a Recorrente que “que nos termos da Lei 9.430/96 e da IN 600/2005, poderia manusear a Manifestação de Inconformidade, enquanto que sob o procedimento adotado pela fiscalização, ficou impossibilitado de utilizálo, fazendose recorrer apenas pela Impugnação ao Lançamento”. Ocorre que os dois instrumentos (“manifestação de inconformidade” e “impugnação”), no caso, têm a mesma finalidade e produzem o mesmo efeito. Ambos se destinam a formalizar o inconformismo do contribuinte em relação ao mesmo crédito (decorrente da não homologação de compensação declarada pelo contribuinte), e têm o mesmo iter processual: julgamento pela Delegacia de Julgamento, cabendo recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O manejo de manifestação de inconformidade ou de impugnação dependerá da necessidade de formalizar a exigência mediante auto de infração, o que ocorre quando o débito não se encontra confessado. O fato de ter sido expedida carta cobrança e haver um lançamento de ofício sobre a mesma matéria já foi contestado pelo contribuinte no processo relativo à compensação, e obviamente, a cobrança não deverá prosseguir em duplicidade. Ante o acima exposto, rejeito a preliminar de nulidade argüida. 2 Ausência de fundamento legal para a imposição de multa com fundamento em "compensação não declarada" antes de 05/04/2005. Alega a Recorrente que “para as compensações requeridas até 5/04/2005 NENHUM TEXTO NORMATIVO então vigente (as INs 210/2002 e 323/2003) tipificava a conduta que impunha a pena de "COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA", que somente veio a lume da esfera normativa da SRF pela Instrução Normativa 534, de 5 de abril de 2005”. Aduz que “ (...) as disposições que instituem a grave situação "não declarada" não podem ser aplicadas às compensações requeridas em data anterior à existência dessa figura típica” e que “o fundamento legal invocado pelo fiscal não lhe autoriza a imposição de multa, visto que não havia despacho de não homologação das compensações efetuadas, nem muito menos ficou caracterizada qualquer prática prevista nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64”. Conforme se depreende dos autos, os débitos compensados se referem à CSLL dos seguintes períodos de apuração: Período de apuração Valor (R$) Nº Dcomp Data 31/03/2002 276.886,77 13896.001241/200331 30/06/2003 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 10 10 30/09/2002 137.867,14 13896.001241/200331 30/06/2003 31/12/2002 503.290,83 13896.001241/200331 30/06/2003 30/06/2003* 15.429,10 13896.001892/200321 30/07/2003 31/12/2003* 1.479.731,87 19679.011708/200564 27/10/2005 *lançada apenas a multa isolada A autoridade fiscal diferenciou as declarações de compensação apresentadas antes e depois de 31/10/2003, quando sobreveio alteração legislativa que declarou expressamente que as declarações de compensação constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos indevidamente confessados. Para as apresentadas antes de 31/10/2003, caso os débitos não estivessem confessadas em DCTF, seria necessária a lavratura de auto de infração. Esse procedimento está de acordo com a Solução de Consulta Interna nº 3, de 08 de janeiro de 2004, mediante a qual a COSIT orientou: a) Somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003 constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. b) Quanto às Dcomp apresentadas antes da edição da MP nº 135, de 2003, e aos pedidos de compensação pendentes de apreciação, considerados declaração de compensação: b.1) verificado que se trata de compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, devese promover o lançamento de ofício do crédito tributário, sendo que eventuais impugnações e recursos suspendem sua exigibilidade; b.2) constatado que se trata de compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, as manifestações de inconformidade e os recursos apresentados enquadramse no disposto no §11 retromencionado, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, uma vez que se trata de regra de direito processual com aplicabilidade imediata. De se registrar que esse procedimento também está de acordo com o entendimento deste CARF, cuja Súmula nº 52 enuncia: Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. A autoridade fiscal esclarece no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls.194 e seguintes) que: Na presente ação fiscal, para os períodos de apuração de 31/03/2002, 30/09/2002 e 31/12/2002, serão lançados o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, uma vez que tais débitos não estão declarados em DCTF e as Declarações de Compensação não eram consideradas confissão de dívida, à Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 11 11 época em que foram apresentadas, em 30/06/2003. As DComp só passaram a ser consideradas confissão de dívida a partir da edição da Lei 10.833, de 29/12/2003. Com relação ao período de apuração de 30/06/2003, aplicase a multa isolada, pois, embora a Declaração de Compensação tenha sido apresentada em data anterior à vigência da Lei 10.833/03, o débito encontrase confessado em DCTF. Quanto ao período de apuração de 31/12/2003, aplicase também apenas a multa isolada, uma vez que a apresentação da Declaração de Compensação ocorreu em 27/10/2005, quando as DComps já eram consideradas confissão de dívida e instrumento suficiente para a exigência do crédito tributário, de acordo com a já mencionada Lei 10.833/03. A Recorrente contesta a imposição da multa isolada relativa ao débito correspondente ao período de apuração de 30/06/2003. Segundo os argumentos da Recorrente: (a) o fundamento legal para o lançamento tributário deve se ater, exclusivamente, à norma vigente à época da prática do ato pelo contribuinte; (b) devese observar se, no momento em que o contribuinte agiu, estava dando suporte fático ao lançamento tributário que hoje se discute; (c) devese analisar o dispositivo normativo com as mesmas regras atinentes à norma tributária punitiva ou mesmo às de Direito Penal; (e) a situação de “compensações não declaradas” não pode ser aplicada às Dcomps protocolizadas em data anterior a 29/12/2004; ao não estender a exclusão da ilicitude para os débitos regularmente declarados em declarações de compensação anteriores à Lei nº 10.833/2003, o fisco violou o princípio da retroatividade da lei mais benigna e produz punição incompatível com o sistema interpretativo de nosso ordenamento jurídico. O art. 170 do Código Tributário Nacional atribui à lei a possibilidade de autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em junho e julho de 2003, quando a Recorrente apresentou as duas primeiras Dcomps, a lei que autorizava a compensação tinha a seguinte redação: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1ª A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 12 12 § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; Nos termos dos dispositivos legais acima transcritos, a compensação pressupõe a existência de crédito líquido e certo do contribuinte, correspondente a indébito tributário relativo a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal. Assim, frente à legislação então em vigor, as compensações efetuadas configuramse como indevidas, eis que os créditos oferecidos não se referem a indébito tributário, pois o crédito prêmio não é tributo indevido, mas crédito financeiro decorrente de estímulo à exportação, bem como, não havia reconhecimento do suposto crédito (não tributário). E mais, mesmo que os créditos fossem tributários, seu reconhecimento estava sendo postulado judicialmente, e não havia decisão com trânsito em julgado nesse sentido, incorrendo, portanto, em vedação expressa prevista no art. 170A do CTN. Contudo, a Recorrente apresentou as Dcomps autorizada por um provimento judicial (liminar em Mandado de Segurança). Em 30/07/2003, quando foi apresentada a Dcomp sobre a qual incidiu a Multa Isolada questionada (débito relativo ao período de apuração de 30/06/2003), vigorava o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que determinava que fosse feito o lançamento de ofício (e, por conseguinte, com a respectiva multa por lançamento de ofício), em relação às diferenças apuradas em declarações prestadas pelo sujeito passivo decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. Confirase: “Art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” Nessa esteira, a Lei nº 10.833, de 2003, ao atribuir à declaração de compensação o atributo de instrumento de confissão de dívida, tornou despiciendo o lançamento de ofício para exigir o tributo (que já estava confessado). Por isso, no seu art. 18, limitou o lançamento de ofício previsto no art. 90 da MP 2.15835 à imposição da multa de ofício, e em determinadas circunstâncias. Sua redação original (vigência 31/10/2003) era a seguinte: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 13 13 Art. 18 O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. Esse art. 18 da Lei 10.833/2003 sofreu sucessivas alterações, e em 18 de dezembro de 2006, quando foi lavrado o auto de infração, sua redação era a seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1ª Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996 . § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 3º (...). § 4ºSerá também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 14 14 § 5º Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no 4o deste artigo Dessa forma, ao praticar o lançamento de ofício, a autoridade fiscal deveria ter observado à lei em vigor à época da prática do ato, ou a lei posterior vigente, se fosse mais benéfica ao contribuinte. Nesse sentido, a lei vigente na data da apresentação da Dcomp (art. 90 da MP 2.15835), determinava o lançamento de ofício da diferença, ou seja, lavratura de auto de infração exigindo o principal e a multa de 75% (porque, no caso, não há acusação de sonegação, fraude ou conluio, quando a multa seria de 150%). Por seu turno, a lei vigente na data da lavratura do auto de infração determinava o lançamento de ofício apenas da multa (por desnecessária a constituição do crédito relativo ao principal, que se encontrava confessado), no caso, em percentual de 75%, por se tratar de compensação considerada não declarada em vista de o crédito ser referente a crédito prêmio. Portanto, no caso, a lei posterior nem é prejudicial, nem é mais benéfica que a lei vigente na data em que o contribuinte praticou o ato. O valor a ser exigido, em ambos os casos, corresponde ao principal e à multa de 75%. Apenas a exigência do principal não será formalizada no auto de infração, porque o correspondente valor já está confessado. Argumenta a Recorrente impossibilidade de aplicar a “qualidade de não declarada” ao caso concreto, por se tratar de condição criada por lei posterior à entrega da Dcomp. Seguindo a linha de raciocínio da recorrente, temse que: (a) não caberia o lançamento do principal mais multa, nos termos do art. 90 da MP 2.15835/2001, porque houve alteração posterior, mais benéfica, que determinou apenas o lançamento da multa, em determinadas circunstâncias (art. 18 da Lei nº 10.833/2003); (b) as alterações do referido art. 18, que determinam a imposição da multa para as declarações consideradas “não declaradas”, não seriam aplicáveis por imporem penalização não existente quando da entrega da Dcomp. Ocorre que, se o art. 90 da MP só pode ser aplicado com a alteração introduzida pelo art., 18 da Lei nº 10.833/2003, e se esse art. 18 não pode ser aplicado com a redação dada pela Lei 11.051, de 2004, só é possível concluir pela aplicação do art. 90 da MP 2.158/35, com a alteração introduzida pelo art. 18 da Lei 10.833/2003 em sua redação original, ou seja, antes da alteração trazida pela Lei nº 11.051/2004, e o art. 18 da Lei 10.833/2003, em sua redação original, determina o lançamento da multa no caso de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, ou de ser de natureza não tributária, como ocorre no caso concreto (crédito de natureza não tributária, e pleiteado em ação judicial sem decisão transitada em julgado, hipótese expressamente vedada pelo art. 170A do CTN). Na realidade, o sentido da alteração introduzida pelo art. 18 Lei nº 10.833/2003, na norma insculpida no art. 90 da MP 2.15835, foi de que descabe o lançamento do principal nos casos em que esse já estivesse confessado, mas caberia o lançamento da multa se a compensação fosse com infração à lei (multa de 75% ou 150%, se presente ou não o dolo). 3 Impossibilidade de imposição de multa sob compensação realizada sob autorização judicial vigente à época do lançamento Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 15 15 Afirma a Recorrente que as compensações foram efetuadas nos estritos termos da liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.61.00.0183360, no seguinte teor: “...concedo a liminar para, afastando a incidência do Ato Declarat6rio n° SRF 31/99, impedir a prática de qualquer restrição ao exercício do procedimento de autocompensação do créditoprêmio de IPI, instituído pelo Decretolei 491/69, com tributos administrados pela SRF". E aduz: Por sua vez, a concessão da segurança ao final tem o principal efeito de CONFIRMAR A LIMINAR, convalidando seus atos, seus fundamentos e seus efeitos. Assim, independentemente qual seja o dispositivo da sentença final, se ela concede a segurança e nada dispõe quanto à liminar, o dispositivo da liminar continua com sua eficácia mantida em todos os seus termos. De modo que é de terse absolutamente írrito o lançamento tributário de MULTA que se baseia em fatos praticados pelo contribuinte quando este estava acobertado por decisão judicial em liminar proferida em Mandado de Segurança julgado procedente em sentença final, repisese, vigente à época do lançamento. Manifesta o entendimento de que a decisão proferida pela Juíza substituta em Embargos de Declaração não modificou a decisão proferida pelo Juiz Titular quanto ao direito à compensação tributária, apenas negoua para impedir o pedido de restituição em dinheiro e a transferência a terceiros pela emissão de DCC, porque tais disposições da então vigente IN n. 21/97 foram revogadas pela IN n. 41/2000. E afirma que estando à matéria da compensação tributária submetida ao crivo do judiciário, cabe ao fisco apenas fiscalizar o procedimento autorizado pelo Judiciário na liminar que não foi cassada na sentença de mérito. Pondera que “considerandose que a liminar e a sentença deferiram ao impetrante/contribuinte o direito à utilização do créditoprêmio de IPI para pagamento de tributos federais, não se lhe pode dizer que este direito lhe é negado pela legislação”. E conclui: Cumprenos asseverar que as decisões que autorizaram o aproveitamento do créditoprêmio de IPI, asseguraram: a) a existência do direito ao crédito; b) a prescrição decenal; c) a possibilidade de compensação com outros tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal; d) a imediata compensabilidade dos créditos antes do trânsito em julgado, afastando as disposições do artigo 170A do CTN; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 16 16 e) o impedimento à Receita Federal de promover qualquer ato que impeça a utilização do crédito, ressalvada a esta o direito de verificar a exatidão do valor do crédito; f) negouse porem o direito de transferência de créditos a terceiros. Tudo o mais existente em leis, regulamentos, portarias, instruções normativas, etc., que contrariarem as disposições contidas na sentença foram derrogados e não têm qualquer aplicabilidade. Fechar os olhos a essa realidade é querer recusarse, ao mais absurdo dos argumentos, ao cumprimento de ordem judicial. Dessa forma, se à época do lançamento estava vigente norma jurídica individual (SENTENÇA CONFIRMATÓRIA DE LIMINAR AUTORIZATIVA) que reconhecia ao contribuinte o direito de efetuar a compensação, não há espaço jurídico para a imposição de qualquer espécie de multa. Ao entregar as duas primeiras Dcomps, o Recorrente estava amparado por liminar em mandado de segurança, e ao entregar a terceira, já havia sentença, que a Recorrente diz ser confirmatória da liminar. De se observar que a liminar (provimento judicial com base em cognição sumária) produz efeitos até que seja cassada ou até que sobrevenha a sentença (provimento com base em cognição exauriente). Logo, sobrevindo sentença, e se essa for em sentido contrário ao da liminar, ainda que não haja disposição expressa, os efeitos da liminar não prevalecem, pois um juízo de cognição exauriente não confirmou o entendimento obtido a partir de uma cognição sumária. Se a sentença for no mesmo sentido da liminar, esta fica por aquela absorvida, e os efeitos permanecem, mas não mais com base na liminar, e sim na sentença. No caso, há uma controvérsia quanto ao alcance da sentença. O contribuinte entende que a sentença confirmou a liminar quanto à possibilidade de utilizar o crédito prêmio para compensar débitos próprios, negando apenas a possibilidade de transferir o crédito para terceiros. Já a autoridade autuante assevera que a sentença não reconheceu a possibilidade de o contribuinte utilizar o crédito para qualquer compensação. Ocorre que essa controvérsia, entretanto, não tem relevância para solução da questão posta à análise, qual seja, impossibilidade de aplicação da multa. É que quando o auto de infração foi lavrado (18 de dezembro de 2006), já havia sido publicado (em 25 de julho de 2005) o Acórdão do TRF da 3ª Região, que no mérito deu provimento à apelação da União e à remessa oficial, e declarou que o benefício foi extinto em 04/10/90, não reconhecendo o direito da ora Recorrente. Assim, ainda que se entenda que a sentença dava cobertura à compensação realizada, ante a decisão em sentido contrário proferida pelo TRF da 3ª Região, a Recorrente deixou de estar abrigada por qualquer provimento judicial, e tinha o prazo de 30 dias para recolher os tributos indevidamente compensados apenas com os encargos moratórios. Não o tendo feito, correto o lançamento com a multa de ofício. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.002084/200648 Acórdão n.º 1301000.580 S1C3T1 Fl. 17 17 Nesse sentido a Súmula CARF nº 50, verbis: Súmula CARF nº 50: É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. Portanto, ante o acima exposto, rejeito as preliminares suscitas, para no mérito NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 17DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/06/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 12448.727906/2011-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 79 06 /2 01 1- 66 Fl. 507DF CARF MF Processo nº 12448.727906/201166 Acórdão n.º 9202006.771 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 508DF CARF MF Processo nº 12448.727906/201166 Acórdão n.º 9202006.771 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 509DF CARF MF Processo nº 12448.727906/201166 Acórdão n.º 9202006.771 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 510DF CARF MF Processo nº 12448.727906/201166 Acórdão n.º 9202006.771 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 511DF CARF MF Processo nº 12448.727906/201166 Acórdão n.º 9202006.771 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 512DF CARF MF Processo nº 12448.727906/201166 Acórdão n.º 9202006.771 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 513DF CARF MF Processo nº 12448.727906/201166 Acórdão n.º 9202006.771 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 514DF CARF MF Processo nº 12448.727906/201166 Acórdão n.º 9202006.771 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 515DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000030/2003-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO (DCOMPs). ALEGAÇÃO DE ERRO DE PREENCHIMENTO. VINCULAÇÃO A DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. Não comprovado o alegado erro de preenchimento de Declarações de Compensação vinculadas ao direito creditório pleiteado, não se reconhece este na parte consumida por aquelas Dcomps.
Numero da decisão: 1301-001.058
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao
recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1726; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 161 1 160 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.000030/200302 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.058 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de outubro de 2012 Matéria IRPJ/COMPENSAÇÃO Recorrente H. N. PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO (DCOMPs). ALEGAÇÃO DE ERRO DE PREENCHIMENTO. VINCULAÇÃO A DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. Não comprovado o alegado erro de preenchimento de Declarações de Compensação vinculadas ao direito creditório pleiteado, não se reconhece este na parte consumida por aquelas Dcomps. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 00 30 /2 00 3- 02 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (fl. 01), protocolizada em 07/01/2003, de débito de IRRF — Juros sobre Remuneração de Capital Próprio (5706), período de apuração 31/12/2002, vencimento em 08/01/2003, no valor de R$ 164.290,05, com crédito referente a Saldo Negativo de IRPJ (fl. 02), anocalendário 1998, exercício 1999, no valor de R$ 164.290,05. Posteriormente, em 17/08/2006, a interessada apresentou a petição de fls. 157/158, acompanhada dos documentos de fls. 156 e 159/320, por meio da qual, informou que incorreu em erro no preenchimento da declaração de compensação de fls.1/2 e, solicita a sua retificação, anexando, para tanto, nova Declaração de Compensação à fl. 156, na qual consta o mesmo débito compensado porém, o crédito foi alterado para: Saldo Negativo de IRPJ, do ano calendário de 1999, no valor de R$ 325.040,65. Por meio do Despacho Decisório de fls. 327/332 a autoridade preparadora indeferiu o pleito da manifestante fundamentando, em síntese: De acordo com o art. 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição extingue se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Para o saldo Negativo de IRPJ e CSLL, o prazo para restituição/compensação é de cinco anos e começa a fluir no dia seguinte da apuração do débito efetivo de IRPJ e CSLL. O interessado apresentou Declaração de Compensação retificadora em 17/08/2006 (fls. 144), alterando o crédito anteriormente informado (fls. 01/02) de Saldo Negativo do ano calendário 1998, exercício 1999 para Saldo Negativo do ano calendário 1999, exercício 2000. Assim, acatando a norma legal citada, está comprovado que o direito do contribuinte protocolizar a Declaração de Compensação, referente ao Saldo Negativo do anocalendário 1999, exercício 2000, já havia decaído graças ao transcurso do prazo de cinco anos contados das datas de extinção dos créditos tributários. Como o crédito pleiteado na Declaração de Compensação não é passível de restituição, o art. 26, § 3°, VIII da Instrução Normativa SRF 600, de 2005, impede que este seja objeto de compensação. Destarte, a Declaração de Compensação retificadora apresentada em 17/08/2006 (fls. 144), pleiteando crédito de Saldo Negativo do IRPJ não pode ser aceita e nessa situação, conforme estabelece o art. 31, I da IN SRF 600/2005, é considerada não declarada a compensação. Todo o exposto aplicase igualmente às DCOMPs retificadoras, apresentadas pelo interessado em 16/08/2006 e em 28/03/2007 (fls. 192/240. Com o não aceite das Declarações de Compensação retificadoras, passam a ser válidas as Declarações anteriormente entregues. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13819.000030/200302 Acórdão n.º 1301001.058 S1C3T1 Fl. 162 3 A análise do presente processo passa então a verificar a disponibilidade do crédito informado nas Declarações de Compensação. O crédito referente ao Saldo Negativo do IRPJ do ano calendário 1998, exercício 1999, foi aferido e deferido parcialmente no processo administrativo n° 13819.003972/200253. O valor deferido de R$ 108.092,85 foi totalmente utilizado em compensações com débitos próprios, não restando saldo do crédito (fls. 313/314). Portanto, face à ausência de direito creditório, a autoridade administrativa fica impossibilitada de homologar as compensações de débitos pleiteadas nas Declarações de Compensação baseadas no crédito constituído pelo Saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1998, exercício 1999. A não homologação de compensações efetuadas pelo contribuinte, bem como a cobrança dos débitos remanescentes estão regidas pela Lei n° 9.430/96, art. 74, (incluído pela Lei n° 10.833/2003) e na IN SRF 600/2005. As demais DCOMPs, com crédito referente ao Saldo Negativo do IRPJ do 1o. trimestre do anocalendário 2001 e do ano calendário 2000, exercício 2001, devem ser apartadas deste processo e analisadas em processos distintos, um para cada período de apuração do crédito. Não aceitar as Declarações de Compensação retificadoras tratadas no item 2.1 e assim, considerar não declaradas suas compensações. Os débitos deverão ser tratados na análise das Declarações de Compensação retificadas, tendo em vista serem os mesmos; Não homologar as Declarações de Compensação tratadas no item 2.2;e Apartar deste processo as DCOMPs n° , 39859.56594.030205.1.3.020922, 17913.80150.290306.1.3.022030, 33688.76929.260406.1.3.027074 e 27452.07907.290506.1.3.021773, para processos distintos, de acordo com o período de apuração do crédito. Irresignada, a contribuinte interpôs, em 29/01/2008, Manifestação de Inconformidade de fls. 386/420, acompanhada dos documentos de fls. 421/512, aduzindo, em síntese, as seguintes razões de defesa: Resume os fatos para, já de antemão, esclarecer que "o exercício indicado pela Manifestante nas Declarações de Compensação Originais não corresponde ao exercício que de fato era a sua pretensão...", acrescentando, quanto a isso, que já promovera a devida retificação das declarações de compensação, a qual, entretanto, não foi aceita. Com isso, insurgese contra o posicionamento adotado no Despacho recorrido por "contrariar as próprias orientações da Secretaria da Receita Federal'', uma vez que, nas instruções de preenchimento para envio eletrônico das declarações de compensação admitese a apresentação de declaração retificadora, desde que a declaração original tenha sido entregue dentro do prazo de cinco anos e que não haja alteração do valor do débito a ser compensado. E acrescenta: “Ora, se a Manifestante tivesse em seu favor saldo negativo relativo ao ano calendário de 1998, o qual, como já salientado, foi equivocadamente indicado nas Declarações Originais, é evidente que não seria necessária a apresentação das Declarações de Compensação Retificadoras. Mas não é o que ocorre no caso em tela, já que, desde a apresentação das Declarações de Compensação Originais, Fl. 829DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 sempre foi a intenção da Manifestante a compensação do saldo negativo apurado no anocalendário 1999. E como restará comprovado mais adiante, a manifestante tinha sim saldo negativo a ser compensado no anocalendário 1999, o que enseja concluir serem totalmente equivocadas as alegações suscitadas no r. Despacho Decisório para a não homologação de seu direito creditório. Cumpre informar que, da parte do r. Despacho Decisório em questão que não aceitou as Declarações de Compensação Retificadoras, a manifestante interpôs o competente Recurso Administrativo, ainda pendente de análise e julgamento, a fim de comprovar que as referidas declarações foram apresentadas de acordo com as próprias orientações da Secretaria da Receita Federal do Brasil e, portanto, devem ser aceitas, até mesmo de forma a consagrar através delas a verdade dos fatos no caso em tela." Sustenta, ainda, a tese segundo a qual, não admitir as declarações retificadoras, apresentadas para correção do período de apuração e do valor do saldo negativo a ser compensado, equivaleria a afrontar ao Princípio da Verdade Material, norteador dos atos da administração pública. Cita Acórdão do Conselho de Contribuintes. Reforça seu entendimento de que as declarações de compensação, a serem consideradas pelo órgão julgador para análise de suposta decadência do direito à compensação, seriam as declarações originais, e que estas foram apresentadas dentro do prazo legal, pelo que não há que se falar em decadência do direito creditório da defendente. Alega que tanto as declarações retificadoras quanto as originais foram apresentadas eletronicamente com observância aos termos da Instrução Normativa n° 320/2003, que aprovou o programa e as instruções de preenchimento dos pedidos eletrônicos de Restituição e Ressarcimento e da declaração de compensação (PER/DCOMP). Assevera que desde a implantação das declarações de compensação eletrônicas, por meio da IN SRF N° 320/2003, a Secretaria da Receita Federal editou várias instruções normativas que regulamentaram os programas de envio das declarações de compensação pelos contribuintes e que, em todas as instruções houve a indicação expressa da possibilidade de retificação das declarações de compensação apresentadas, desde que não houvesse a inclusão de novo débito ou mesmo o aumento do valor do débito a ser compensado na declaração retificadora. Nesse contexto, aduz que as declarações retificadoras apresentadas atendem aos requisitos impostos porquanto, prestamse à correção de inexatidões atinentes ao período de apuração e ao valor do saldo negativo existentes nas declarações originais, não ocorreu a inclusão de novo débito, e nem tampouco sua alteração e, quando foram apresentadas, as declarações originais ainda não haviam sido analisadas. Concluído o tópico anterior, abre nova frente de defesa para também argumentar a não ocorrência da decadência em relação ao direito creditório advindo do saldo remanescente do crédito relativo ao 2° Trimestre anocalendário de 1999, estampado no pedido de compensação apresentado em 07/01/2003. Quanto a isso, diz que o crédito objeto da compensação nas DCOMPs foi informado ao Fisco quando da primeira apresentação da Declaração de Compensação e por tal motivo não há que se falar em decadência do direito de a Manifestante em utilizálo, mesmo por meio de pedidos de compensação apresentados após decorridos cinco anos do fato gerador do referido crédito, logo, mostrase equivocada a alegação constante no r. Despacho, atinente à Fl. 830DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13819.000030/200302 Acórdão n.º 1301001.058 S1C3T1 Fl. 163 5 obrigatoriedade de pedido de restituição no prazo de cinco anos para aproveitamento do saldo negativo apurado no anocalendário de 1999. Acrescenta que somente seria necessário o pedido de restituição acaso a interessada não tivesse pleiteado diretamente a compensação de saldo negativo apurado no ano calendário de 1999 e devidamente constituído por meio da apresentação de Declaração de Imposto de renda Pessoa Jurídica. Com efeito, há que se admitir que é absolutamente dispensável no caso em tela a apresentação de pedido de restituição para que a Manifestante possa exercer seu direito à compensação do saldo negativo, uma vez que tal crédito foi devidamente constituído pela entrega da declaração de rendimentos (doc. 03). Por fim, acrescenta que há de se concluir que as compensações ora debatidas não estão maculadas pela decadência, já que se referem ao saldo remanescente de créditos objeto de Pedidos de Compensação anteriormente realizados dentro do prazo legal. Prosseguindo, reforça seu argumento de que a decisão que não homologou as compensações fundouse apenas no erro cometido pela manifestante no preenchimento das declarações de compensação originais, sem levar em conta as declarações retificadoras apresentadas para correção do período de apuração e do valor do saldo negativo. Nesse sentido, diz que à autoridade fiscal compete, em atenção ao princípio da verdade material, desconsiderar erros materiais cometidos pelo contribuinte, devendo fundamentar sua decisão em dados efetivamente corretos. A corroborar seu entendimento, cita os artigos 142, 145 e 149 do CTN e traz à colação ementas do Conselho de Contribuintes. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/CAMPINAS/SP), decidiu a matéria por meio do Acórdão 0524.021, de 06/11/2008 (fls. 611 e s.s.), indeferindo a manifestação de inconformidade apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA • JURÍDICA. IRPJ Anocalendário: 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Saldo Credor de IRPJ do anocalendário de 1998, na homologação das compensações, inexiste litígio quanto à matéria. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. Cabível, em sede de julgamento na DRJ, a manifestação de inconformidade contra a não homologação da declaração de compensação, entretanto, a apreciação de argumentos contra a decisão da DRF de nãoaceitação da retificação de declaração de compensação não se insere na competência das Delegacias de Julgamento, sendo objeto de recurso administrativo regido pela Lei n° 9.784, de 1999. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Para melhor compreensão da matéria em litígio, transcrevo excertos do voto combatido, em breve síntese: “Antes de analisar as razões de defesa cumpre registrar que a matéria passível de apreciação nesta Delegacia de Julgamento restringese à oposição à não homologação da compensação veiculada por meio da Declaração de fls. 01, protocolizada em 07/01/2003, indicando débito de IRRF — Juros sobre Remuneração de Capital Próprio (5706), período de apuração 31/12/2002, vencimento em 08/01/2003, no valor de R$ 164.290,05, com crédito referente a Saldo Negativo de IRPJ (fl. 02), anocalendário 1998, exercício 1999, no valor de R$ 164.290,05. (...) A incompetência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento para apreciação do recurso do interessado contra a decisão de não aceitar as Declarações de Compensação retificadoras tratadas no item 2.1 e assim, considerar não declaradas suas compensações não caracteriza, em absoluto, impedimento ao acesso do contribuinte ao contencioso administrativo. Nos litígios que não competem às Delegacias da Receita Federal de Julgamento dirimir, é facultado ao interessado recorrer na forma do contencioso administrativo geral, previsto na Lei n° 9.784, de 1999, como inclusive também consignou a autoridade da DRF em seu Despacho Decisório. Acerca do âmbito de abrangência desse julgamento (no presente caso, competência dessa DRJ limitada à apreciação da nãohomologação da compensação objeto da declaração original), inexiste litígio, tanto que o próprio contribuinte assevera ter apresentado recurso administrativo próprio em oposição à parte da decisão que não aceitou a retificação da Declaração de Compensação originalmente apresentada e objeto de nãohomologação. Assim, delimitada a esfera de competência dessa DRJ para apreciar apenas a nãohomologação da Declaração de Compensação que indicou como crédito saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, temse a observar que, como relatado, a referida nãohomologação foi motivada pela inexistência de saldo compensável, na medida que todo o crédito relativo a IRPJ do anocalendário de 1998, reconhecido em processo próprio, já havia sido utilizado pelo contribuinte. E, em relação a tal constatação, nada opõe especificamente o contribuinte. Pelo contrário, admite inexistir crédito disponível para a compensação, alegando que, em razão disso, foi apresentada declaração de compensação retificadora. Na peça recursal a contribuinte ratifica os argumentos da inicial, aduzindo mais: Fl. 832DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13819.000030/200302 Acórdão n.º 1301001.058 S1C3T1 Fl. 164 7 Em que pese o argumento suscitado na decisão recorrida no sentido de que a matéria versada na referida Manifestação de Inconformidade não é de competência da Delegacia Regional de Julgamento, esse argumento está absolutamente equivocado, haja vista que em nenhum momento a Recorrente pleiteou a retificação de suas Declarações de Compensação pela DRJ, tanto que para isso interpôs o competente Recurso Hierárquico ao Superintendente da Receita Federal do Brasil da 8a. Região. Aliás, como mencionado na decisão ora recorrida, a Recorrente informou a interposição do Recurso Hierárquico contra a parte da decisão que não aceitou as Declarações de Compensação Retificadoras, de modo que tal recurso está pendente de análise e julgamento pelo órgão competente. No mais, da parte que não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, justamente por não considerar os erros materiais incorridos no preenchimento das Declarações de Compensação Originais, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade, a qual foi indeferida pela decisão ora recorrida por ter ignorado o fato de a Recorrente ter interposto o competente recurso para análise das retificações das referidas declarações. Da mera análise dos fatos que antecederam à interposição do presente Recurso Voluntário, resta evidente que a decisão recorrida deve ser integralmente reformada, já que essa sequer poderia ter sido prolatada antes da análise do Recurso Administrativo supracitado ou, pelo menos, deveria ter levado em conta os erros cometidos no preenchimento das Declarações de Compensação Originais, de modo a analisar o direito creditório da Recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material. Nesse passo, por ter o órgão julgador de 1a. instância administrativa ignorado completamente o Recurso Administrativo interposto pela Recorrente e, inclusive, as alegações acerca dos erros no preenchimento das Declarações de Compensação, que por si só comprovam o direito creditório da Recorrente. É evidente a necessidade de reforma in totum da decisão recorrida, de modo que seja assegurado o seu direito de compensar os créditos que possui em seu favor. Isso porque, constatado o erro material no preenchimento das Declarações de Compensação Originais, tal erro acabou por inviabilizar a homologação de todas as compensações pleiteadas pela Recorrente.” Pois bem, no caso, resta evidente que o deslinde da questão passa essencialmente em saber se de fato estamos diante de erro de preenchimento da Dcomp inicialmente entregues (07/01/2003) e, posteriormente retificada (17/08/2006). Por pertinente, registrese que o referido Despacho Decisório que indeferiu as compensações foi cientificado ao contribuinte em 28/12/2007. Compulsando os autos do presente processo, bem como do processo administrativo 13819.003972/200253 o qual trata, também, do mesmo SNIRPJ do ano calendário de 1998 e, que no caso, foi posteriormente retificado para o ano calendário de 1999, constatase na DIPJ/2000, ano calendário de 1999 (original entregue em 29/06/2000), Ficha 13A (Calculo do IR s/Lucro Real) na linha 18 (Imposto a Pagar do 2o. Trimestre) que nenhum valor foi registrado a titulo de saldo negativo (fls. 37). Explicase: Imposto sobre Lucro Real total de R$ 109.184,38 e, parcela dedutível do IRRF de igual valor. Logo, ao contrário do afirmado pela recorrente, não foi apurado saldo negativo do IRPJ para o 2o. trimestre de 1999. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Somente, na DIPJ/2000 retificadora (entregue em 28/03/2007) constatase que o valor do IRRF de R$ 109.184,38 foi retificado para R$ 434.225,03. Em conseqüência foi apurado o SNIRPJ para o 2o. trimestre do ano calendário de 1999 no valor de R$ 325.040,65. Exatamente o valor consignado na DCOMP retificadora entregue em 17/08/2006 (fls. 205/252). Neste passo, concluise, que jamais poderia a ora recorrente transmitir Dcomps retificadoras, em 16/08/2006, consignando um crédito decorrente de SNIRPJ do 2o. Trimestre do ano calendário de 1999 se, sequer, havia sido apurado pela própria recorrente, naquela data, a apuração como visto deuse em 28/03/2007 (DIPJ/2000 retificadora). Ademais, essa conclusão mais se robustece quando se verifica que nenhum outro documento foi trazido aos autos (a não ser as Dcomps retificadoras) como prova das alegações da recorrente. Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 834DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15471.000898/2010-27
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADES. PRAZO PARA OPÇÃO.
A empresa em início de atividade não pode optar pelo Simples Nacional para o mesmo ano-calendário após transcorridos mais de 180 (cento e oitenta) dias de seu cadastro no CNPJ, mesmo que ainda dentro do prazo de 30 (trinta) dias após obtido o seu último registro nas esferas Estadual e/ou Municipal (art. 7º, § 6º da Resolução CGSN nº 04, de 2007).
Numero da decisão: 1003-000.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADES. PRAZO PARA OPÇÃO. A empresa em início de atividade não pode optar pelo Simples Nacional para o mesmo ano-calendário após transcorridos mais de 180 (cento e oitenta) dias de seu cadastro no CNPJ, mesmo que ainda dentro do prazo de 30 (trinta) dias após obtido o seu último registro nas esferas Estadual e/ou Municipal (art. 7º, § 6º da Resolução CGSN nº 04, de 2007).
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INÍCIO DE ATIVIDADES. PRAZO PARA OPÇÃO. A empresa em início de atividade não pode optar pelo Simples Nacional para o mesmo anocalendário após transcorridos mais de 180 (cento e oitenta) dias de seu cadastro no CNPJ, mesmo que ainda dentro do prazo de 30 (trinta) dias após obtido o seu último registro nas esferas Estadual e/ou Municipal (art. 7º, § 6º da Resolução CGSN nº 04, de 2007). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 08 98 /2 01 0- 27 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 15471.000898/201027 Acórdão n.º 1003000.038 S1C0T3 Fl. 79 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório da Eqsimples/Dicat/Derat RJ, de 15/04/2010, à folha 14 (numeração em papel), o qual indeferiu a solicitação de inclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 1º de janeiro de 2010, com fundamento no art. 7º, § 6º da Resolução CGSN nº 04, de 2007, tendo em vista que a mesma solicitação, por via eletrônica, na condição de empresa em início de atividade, foi apresentada pela primeira vez em 18/03/2010, mas só poderia ter sido deferida se apresentada até 20/02/2010, data correspondente a 180 dias após a data de cadastro no CNPJ. A recorrente alega, em síntese, que fazendose uma análise sistêmica do ordenamento aplicável, seguida de uma interpretação teleológica das normas ao fim pretendido, as quais descreve, não deve prosperar a interpretação literal da norma que fundamentou a exclusão. afirma, ainda, que os princípios da isonomia e da segurança jurídica não serão ofendidos ao se interpretar a norma na forma que propõe. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Assim dispõe o art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 2007, nas partes atinentes à lide em tela: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: (...) I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 41, de 01 de setembro de 2008) (...) Fl. 79DF CARF MF Processo nº 15471.000898/201027 Acórdão n.º 1003000.038 S1C0T3 Fl. 80 3 § 6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º deste artigo. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 29, de 21 de janeiro de 2008) (...) A leitura dos dispositivos acima faz concluir, com clareza meridiana, que a EPP em início de atividade no anocalendário da opção não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional nesta condição depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, ainda que observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º acima transcritos, quais sejam, prazo não superior a trinta dias contados do último deferimento de inscrição municipal e prazo não superior a trinta dias contados do último deferimento de inscrição estadual, caso exigíveis. O CTN, em seu Capítulo IV, art. 107 a 112, trata da Interpretação e Integração da Legislação Tributária. A reprodução do art. 107 e do caput do art. 108 são suficientes para orientar a questão: Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: (...) Desta forma, toda e qualquer interpretação da legislação tributária será efetuada dentro das normas ali prescritas, na ausência de disposição expressa. No presente caso, como se viu, há disposição expressa de sentido claro no comando do art. 7º, § 6º da Resolução CGSN nº 04, de 2007, o que torna dispensável o uso de regras legais interpretativas, bem como, e ainda mais, indevida a adoção do modelo interpretativo alternativo proposto pela recorrente. Cabe acrescentar que, conforme extrato "Simples Nacional Consulta Optantes", que anexei ao presente processo, obtido no sítio do Simples Nacional na Internet, a recorrente, embora tenha tido indeferida sua solicitação de inclusão no Simples Nacional relativa ao anocalendário de 2010, é, na presente data, "Optante pelo Simples Nacional desde 01/01/2011". Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720054/2013-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
ALEGAÇÃO GENÉRICA DE NULIDADE SOB ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
DEPÓSITO BANCÁRIO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. POSSIBILIDADE.
É permitido ao Fisco analisar informações do contribuinte constantes de documentos e registros de Instituições Financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, devidamente justificados em documento próprio acostado aos autos, em obediência ao Decreto nº 3.724/2001 e às hipóteses do art. 33 da Lei nº 9.430/96, independentemente de autorização judicial.
Após a edição da Lei Complementar nº 105/2001 e decisão definitiva do E. Supremo Tribunal Federal, prevaleceu entendimento de que a norma veiculada não resulta em quebra de sigilo bancário, mas, sim, em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, também protegida do acesso indevido de terceiros.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA.
A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Não há conflito objetivo de tal norma com o conteúdo do art. 43 do CTN.
Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES E DEMAIS TRIBUTOS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. MESMA FUNDAMENTAÇÃO E DESFECHO.
No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de CSLL, de Contribuição para o PIS, de COFINS e das Contribuições Previdenciárias.
Numero da decisão: 1402-003.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria constitucional alegada e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o Acórdão recorrido.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). DEPÓSITO BANCÁRIO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. POSSIBILIDADE. É permitido ao Fisco analisar informações do contribuinte constantes de documentos e registros de Instituições Financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, devidamente justificados em documento próprio acostado aos autos, em obediência ao Decreto nº 3.724/2001 e às hipóteses do art. 33 da Lei nº 9.430/96, independentemente de autorização judicial. Após a edição da Lei Complementar nº 105/2001 e decisão definitiva do E. Supremo Tribunal Federal, prevaleceu entendimento de que a norma veiculada não resulta em quebra de sigilo bancário, mas, sim, em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, também protegida do acesso indevido de terceiros. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO VÁLIDA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 54 /2 01 3- 08 Fl. 1064DF CARF MF 2 A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento de ofício dos tributos correspondentes sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos recursos lá creditados. Não há conflito objetivo de tal norma com o conteúdo do art. 43 do CTN. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil, com teor diretamente relacionado aos créditos constituídos. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES E DEMAIS TRIBUTOS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. MESMA FUNDAMENTAÇÃO E DESFECHO. No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de CSLL, de Contribuição para o PIS, de COFINS e das Contribuições Previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer da matéria constitucional alegada e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 13864.720054/201308 Acórdão n.º 1402003.261 S1C4T2 Fl. 1.065 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1031 a 1054) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ (fls. 983 a 1007) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 853 a 968), mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 756 a 834). A Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional, exigindose no presente feito créditos de IRPJ (autuação principal), CSLL, PIS, COFINS e Contribuição Patronal Previdenciária (decorrentes), referentes ao anocalendário de 2008, acrescidos de multa de ofício na monta de 757%, sob a acusação fiscal de omissão de receitas em face da constatação da existência de depósitos bancário cuja origem não fora comprovada. Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 761/834, lavrados pela Delegacia da Receita Federal de São José dos Campos, onde estão sendo exigidos da interessada acima identificada: o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 11.870,68 (fls. 761/771); a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP, no valor de R$ 8.493,41 (fls. 772/782) a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 36.888,70 (fls. 796/807) e a Contribuição Patronal Previdenciária, no valor de R$ 104.599,15 (fls. 808/819), todos acrescidos de multa de 75% e juros de mora, calculados até março/2013. A autuação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ fundouse em OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, referente a valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, com base no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Por decorrência da omissão de receitas apurada exofficio quanto ao IRPJ, foram lavrados os autos de infração relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição Patronal Previdenciária INSS. Fl. 1066DF CARF MF 4 Os tributos foram apurados segundo a forma adotada pelo contribuinte para o anocalendário de 2.008, sob a sistemática do SIMPLES NACIONAL, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006. Em virtude da omissão de receitas apurada, constatouse ainda insuficiência de recolhimento de IRPJ e contribuições (PIS, COFINS, CSLL e INSS), por conta de mudança de faixa da receita acumulada, implicando na alteração dos percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelas empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL. Junto aos autos encontramse ainda os demonstrativos de cálculos de fls. 820/832 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 756/760. (...) Após a apuração dos depósitos de origem não comprovada, o fiscal autuante deduziu as receitas declaradas na Declaração Anual do SIMPLES NACIONAL (fls. 19/25) e apurou as receitas omitidas, como consta, a seguir, do quadro extraído da fl. 759 (Termo de Verificação Fiscal): (...) A empresa tomou ciência do lançamento por via postal, como consta no Aviso de Recebimento – AR, em 28/03/2013 (fl. 795). E, inconformada com a autuação, a empresa apresentou, em 26/04/2013, a impugnação de fls. 853/877, instruída com os documentos de fls. 878/968. Sinteticamente, a empresa alega o que segue. PROVA ILÍCITA NULIDADE DO LANÇAMENTO para que o Fisco se valha das informações fornecidas pelas instituições financeiras a respeito da movimentação bancária, a fim de lançar crédito tributário mediante procedimento administrativofiscal, é imprescindível a autorização judicial; DA ALEGADA NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS que requereu dilação de prazo por 60 (sessenta) dias a fim de dar cumprimento ao termo de intimação fiscal datado de 22.02.2013, entretanto antes mesmo de analisar o pedido de deferimento de prorrogação do prazo a autuada foi surpreendida com o recebimento do auto de infração, tendo sido suprimida sua oportunidade para justificar os demais lançamentos apontados pelo auditor; em cada extrato, há diversos lançamentos de crédito e débito, cada qual designado pelo seu dia de ocorrência, número do documento e valor, sendo singela a identificação de cada débito e crédito; os próprios lançamentos e demais documentos existentes, traduzem com exata perfeição a movimentação bancária da autuada, sendo devidamente documentadas com os Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 13864.720054/201308 Acórdão n.º 1402003.261 S1C4T2 Fl. 1.066 5 comprovantes de transferência que representam a saída, ou a devolução do numerário à sua origem, evidenciando documentalmente a inexistência de aproveitamento econômico destes recursos, corroborado por inúmeros documentos apresentados no curso dos trabalhos de fiscalização, que reiteram e corroboram a afirmação de que os recursos somente transitaram em sua conta, sem qualquer benefício ou rendimento à autuada; as receitas oriundas das operações de venda da empresa Madeitex, cujas duplicatas foram descontadas pela autuada, e cujos comprovantes foram enviados à autoridade fiscal foram simplesmente ignorados, ou melhor, foram considerados créditos com origem não comprovada, e são estes constantes dos anexos AC20; AC27; BC20; BC44; BC52; CC3; CC19 (fls. 878/905), totalizando o valor de R$ 33.765,02, que correspondem a duplicatas de venda oriundas da Madeitex cujos recursos entraram diretamente na conta da empresa autuada; outros valores, cujos comprovantes foram entregues à autoridade fiscal mas foram considerados como não comprovados correspondem a valores decorrentes de vendas efetuadas pela empresa Madeitex cujos recursos foram posteriormente transferidos à contacorrente da autuada, a saber: ∙Anexo BC43 (fls. Crédito no valor de R$ 78.000,00 decorre de duplicatas da Madeitex cujos recursos foram creditados junto ao Banco Mercantil da própria Madeitex e posteriormente foram transferidos para a conta da autuada, conforme se apura pelo extrato de duplicatas; ∙Anexo CC12 + Anexo CC13 + Anexo CC14 (fls. 909/910) Crédito no valor de R$ 3.759,00 decorre de duplicatas da Madeitex cujos recursos foram creditados junto ao Banco do Brasil da própria Madeitex e posteriormente foram transferidos para a conta da autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada e extrato comprovando a transferência; ∙Anexo CC22 + Anexo CC23 (fls. 911/912) Crédito no valor de R$ 1.400,00 decorre de duplicatas da Madeitex cujos recursos foram creditados junto ao Banco do Brasil da própria Madeitex e posteriormente foram transferidos para a conta da autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada e extrato comprovando a transferência; ∙Anexo DC20 + Anexo DC21 + Anexo DC22 (fls. 913/914) Crédito no valor de R$ 4.690,00 decorre de duplicatas da Madeitex cujos recursos foram creditados junto ao Banco do Brasil da própria Madeitex e posteriormente foram transferidos para a conta da autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada e extrato comprovando a transferência; ∙Anexo HC29 + Anexo HC30 + Anexo HC31 + Anexo HC32 + Anexo HC33 + Anexo HC34 (fls. 915/918) Crédito no valor de R$ 5,240,00 decorre de duplicatas da Madeitex cujos recursos Fl. 1068DF CARF MF 6 foram creditados junto ao Banco do Brasil da própria Madeitex e posteriormente foram transferidos para a conta da autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada e extrato comprovando a transferência; Anexo HC37 + Anexo HC39 + Anexo HC40 + Anexo HC42 + Anexo HC44 –(fls. 919/923) Crédito no valor de R$ 5.087,43 decorre de duplicatas da Madeitex cujos recursos foram creditados junto ao Banco do Brasil da própria Madeitex e posteriormente foram transferidos para a conta da autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada e extrato comprovando a transferência parcial do valor; ∙Anexo HC56 (fl. 924) Crédito no valor de R$ 821,22 decorre de duplicata da Madeitex cujos recursos foram creditados junto ao Banco do Brasil da própria Madeitex e posteriormente foram transferidos para a conta da autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada e extrato comprovando a transferência parcial do valor; Anexo IC1 + Anexo IC2 + Anexo IC3 + Anexo IC4 + Anexo IC5 + Anexo IC6 + Anexo IC7 + Anexo IC8 + Anexo IC10 + Anexo IC11 + Anexo IC12 + Anexo IC13 + Anexo IC14 + Anexo IC15 + Anexo IC16 + Anexo IC17 + Anexo IC18 + Anexo IC19 + Anexo IC20 + Anexo IC21 + Anexo IC22 + Anexo IC23 + Anexo IC24 + Anexo IC25 + Anexo IC26 + Anexo IC27 + Anexo IC28 + Anexo IC29 + Anexo IC30 + Anexo IC31 + Anexo IC32 + Anexo IC33 – fls. 925/926 Crédito no valor de R$ 194.872,00 decorre de duplicatas da Madeitex cujos recursos foram creditados junto ao Banco do Brasil da própria Madeitex e posteriormente foram transferidos para a conta da autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada e extrato comprovando a transferência parcial do valor; Anexo IC34 Crédito no valor de R$ 167,20 – fl. 927 – decorre de duplicata da Madeitex cujos recursos foram creditados junto ao Banco do Brasil da própria Madeitex e posteriormente foram transferidos para a conta da autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada e extrato comprovando a transferência parcial do valor; Anexo KC2 + Anexo KC3 + Anexo KC4 + Anexo KC5 + Anexo KC6 + Anexo KC7 + Anexo KC8 + Anexo KC9 + Anexo KC10 + Anexo KC11 + Anexo KC12 + Anexo KC13 + Anexo KC14 + Anexo KC15 + Anexo KC16 + Anexo KC17 + Anexo KC18 + Anexo KC19 + Anexo KC20 + Anexo KC21 + Anexo KC22 – fls. 928/929 Crédito no valor de R$ 56.100,00 decorre de duplicatas da Madeitex cujos recursos foram creditados junto ao Banco do Brasil da própria Madeitex e posteriormente foram transferidos para a conta da autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada e extrato comprovando a transferência parcial do valor; Anexo LC17 fl. 930 Crédito no valor de R$ 138,00 decorre de duplicata da Madeitex cujos recursos foram creditados junto ao Banco do Brasil da própria Madeitex e posteriormente foram transferidos para a conta da autuada, conforme se apura pela Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 13864.720054/201308 Acórdão n.º 1402003.261 S1C4T2 Fl. 1.067 7 nota fiscal anexada e extrato comprovando a transferência parcial do valor; Todos os valores acima destacados tem origem comprovada, estando plenamente justificado que tais recursos apenas transitaram na contacorrente da autuada, não refletindo qualquer acréscimo patrimonial, posto que pertence exclusivamente à empresa Madeitex e tais recursos retornaram à sua origem seja através de transferência, seja através de pagamento de débitos da própria Madeitex não sendo razoável punir administrativamente a autuada em razão de valores supostamente não comprovados, eis que a prova encontrase presente conforme constatase por simples confronto às declarações ora firmadas e os documentos que acompanham a defesa; pior que isso, os valores decorrentes de operações de venda realizadas pela própria autuada, cujos comprovantes foram entregues à autoridade fiscal, foram considerados como não comprovados, a saber: Anexo CC11 – fls. 931/932 Crédito no valor de R$ 1.594,80 decorre de duplicata da própria autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada ao procedimento administrativo; Anexo CC24 – fls. 933/934 Crédito no valor de R$ 1.980,00 decorre de duplicata da própria autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada ao procedimento administrativo; ∙Anexo CC31 – fls. 935/936 Crédito no valor de R$ 993,60 decorre de duplicata da própria autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada ao procedimento administrativo; ∙Anexo DC14 – fls. 937/938 Crédito no valor de R$ 4.291,20 decorre de duplicata da própria autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada ao procedimento administrativo; ∙Anexo DC23 —fls. 939/940 Crédito no valor de R$ 2.654,46 decorre de duplicata da própria autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada ao procedimento administrativo; Anexo FC30 – fls. 941/942 Crédito no valor de R$ 1.974,25 decorre de duplicata da própria autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada ao procedimento administrativo; Anexo FC36.1 – fls. 943/944 Crédito no valor de R$ 4.348,80 decorre de duplicata da própria autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada ao procedimento administrativo; ∙Anexo GC73 – fl. 945 Crédito no valor de R$ 2.123,80 decorre de duplicata da própria autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada; Anexo LC21 – fl. 946 Crédito no valor de R$ 300,00 decorre de duplicata da própria autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada; Fl. 1070DF CARF MF 8 finalmente, existem valores substanciais cujos documentos a autuada não teve oportunidade de apresentar durante a fiscalização, em face do precipitado encerramento dos trabalhos fiscais, mas que a autuada tem como comprovar sua origem, mediante documentos anexados, a saber: Anexo BC48 – fl. 947 Crédito no valor de R$ 12.000,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo CCF4 + Anexo CCF5 + Anexo CCF6 + Anexo CCF7 + Anexo CCF8 + Anexo CCF9 + Anexo CCF10 – fl. 948 Crédito no valor de R$ 118.510,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo CCF25 – fl. 949 Crédito no valor de R$ 18.000,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo CCF26 + Anexo CCF27 + Anexo CCF28 – fl. 950 Crédito no valor de R$ 41.208,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo CCF32 – fl. 951 Crédito no valor de R$ 14.200,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo CCF33 + Anexo CCF34 + Anexo CCF35 + Anexo CCF36 + Anexo CCF37 + Anexo CCF38 – fl. 952 Crédito no valor de R$ 135.150,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo ECF46 – fl.953/954 Crédito no valor de R$ 6.114,91 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados consubstanciado no termo aditivo de operação de fomento mercantil; Anexo GCF1 – fl. 955 Crédito no valor de R$ 17.000,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 13864.720054/201308 Acórdão n.º 1402003.261 S1C4T2 Fl. 1.068 9 Anexo GCF2 – fl. 956 Crédito no valor de R$ 2.800,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo GCF3 – fl. 957 Crédito no valor de R$ 8.830,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo GCF4 – fl. 958 Crédito no valor de R$ 58.500,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo GCF5 – fl. 959 Crédito no valor de R$ 30.880,76 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo GCF6 – fl. 960 Crédito no valor de R$ 62.238,25 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; ∙Anexo GCF7 – fl. 961 Crédito no valor de R$ 7.000,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo GCF8 – fl. 962 Crédito no valor de R$ 11.500,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo GCF9 – fl. 963 Crédito no valor de R$ 22.000,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo GCF10 – fl. 964 Crédito no valor de R$ 39.512,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Fl. 1072DF CARF MF 10 Anexo GCF11 – fl. 965 Crédito no valor de R$ 17.749,46 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; ∙Anexo GCF12 – fl. 965 Crédito no valor de R$ 4.000,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo IC3.1 – fl. 966 Crédito no valor de R$ 18.000,00 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo IC4.1 – fl. 967 Crédito no valor de R$ 49.270,60 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Anexo IC7.1 – fl. 968 Crédito no valor de R$ 13.808,68 referente a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme comprovam os documentos anexados, consubstanciado no termo aditivo de operação de faturização; Cumpre destacar que todas as demais operações representadas pelos respectivos termos aditivos de operação de faturização foram consideradas como créditos devidamente comprovados pela autoridade fiscal, mas os termos aditivos de operação de faturização não puderam ser apresentados pela autuada anteriormente porque houve encerramento precipitado da fiscalização, antes mesmo da analise do pedido de deferimento de prorrogação de prazo; entretanto, como pode ser observado pelos documentos colacionados, tais créditos possuem origem igualmente comprovada, devendo ser expurgados da base de cálculo da multa. ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal, o objeto dos lançamentos diz respeito a creditamentos de valores de terceiros IDENTIFICADOS, para conta corrente de titularidade da autuada e, posteriormente com a respectiva saída ou débito, sendo os créditos e débitos simultâneos, cujos valores simplesmente transitaram pela conta corrente da autuada, não importando em rendimentos, notadamente porque inexistiu aumento patrimonial, sendo singela a constatação de que não houve nenhuma saída da conta corrente bancária para outro destino que não aquele da própria conta ou empresa que o enviou; alega que a jurisprudência, seja no âmbito administrativo, seja no judicial entende descaber cogitarse Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 13864.720054/201308 Acórdão n.º 1402003.261 S1C4T2 Fl. 1.069 11 da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica, de renda ou de proventos de qualquer natureza, pela simples constatação da realização de depósito em conta bancária pertencente ao contribuinte e que os depósitos bancários podem, quando muito, configurar meros indícios da obtenção de rendas ou de proventos de qualquer natureza; o art. 42 da Lei 9.430/96 estabeleceu a presunção juris tantum de caracterização de omissão de receita ou de rendimento ou depósito bancário em relação ao qual o contribuinte não comprove a origem dos recursos através de documentação hábil e idônea, operando uma significativa mudança no tratamento tributário concernente à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda, invertendose, com isto, o ônus da prova, visto que o titular da conta bancária passou a ter o ônus de provar que valores creditados em suas contas correntesbancárias não se referem a receitas omitidas, sob pena de sujeitarem a autuação do fisco por acréscimo patrimonial a descoberto. sucede que a autuada está desobrigada de escrituração contábil, portanto, para que o depósito bancário se transforme em renda tributável, é necessário que seja comprovada, aí nesse caso, pelo FISCO, de que houve a utilização dos valores depositados como renda consumida (ex: aplicações em imóveis, carros e outros bens próprios ou benefício pessoal do contribuinte), o que não existe – a autuada não fez, à luz dos documentos bancários, nenhuma movimentação que não seja transferência devolução para a empresa Madeitex. o FISCO teria que comprovar o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos; mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, o depósito bancário não constituise, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida, isto porque, a posse de numerário alheio, como por exemplo, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica; também pela dicção do art. 110, do CTN, a presunção contida no art. 42, da Lei n° 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou de provento para neles incluir depósitos bancários, podendo, quando muito, autorizar a tributação de tais depósitos por presunção, desde que verificado caso a caso, bem como se ocorreu a renda consumida, mas jamais tributar sobre a totalidade indiscriminada dos depósitos, pois, como diz o próprio nome, o imposto incide sobre a renda, jamais sobre o principal; Fl. 1074DF CARF MF 12 meros indícios não são suficientes para se caracterizar infrações; DO PEDIDO FINAL: em seu pedido final, requer que seja declarada a nulidade do auto de infração relativamente ao Imposto de Renda, tendo em vista a falta de comprovação de obtenção de lucro, aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, de renda ou proventos de qualquer natureza sob o fato alegado, sendo ilegitima a tributação arbitrada com base em simples depósitos bancários, conforme já consolidado pela jurisprudência dominante, bem como para o fim de declarar a nulidade do auto de infração lavrado por mera presunção por afrontar princípios constitucionais insculpidos em cláusulas pétreas, devendo, ao final, ser julgado TOTALMENTE IMPROCEDENTE o Auto de Infração; Alternativamente, caso não seja este o entendimento deste órgão, requer, desde logo, o expurgo, da base de cálculo da apuração, de todos os valores cuja origem encontrase devidamente comprovada, determinandose a redução da multa, na forma da Lei. Processada a Defesa, foi proferido pela 15ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PRELIMINAR. NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade, quando, pelo exame dos autos, verificase que autoridade lançadora descreveu corretamente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, com perfeita identificação da matéria tributável, sendo certo também que os autos de infração foram formalizados com fundamentação e enquadramento legal adequados, com a penalidade aplicável, tudo em estrita observância aos requisitos legais previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não tendo havido, conseqüentemente, qualquer ofensa ao disposto no art. 59 do mesmo Decreto nº 70.235/1972. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 13864.720054/201308 Acórdão n.º 1402003.261 S1C4T2 Fl. 1.070 13 No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizamse como receitas omitidas os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. INSS O que ficou decidido em relação ao lançamento do IRPJ aplicase, também, às contribuições dele decorrentes PIS, COFINS, CSLL e INSS, uma vez que não haja argumentos diferenciados a ensejar conclusão diversa. Diante de tal revés, foi oposto o Recurso Voluntário, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, repisando as supostas nulidades no lançamento, bem como as razões de improcedência das exações. Igualmente, não são acostados documentos. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1076DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, cabe aqui uma breve consideração sobre a tempestividade deste apelo. Tempestividade Primeiro devese esclarecer que à época da prolatação do v. Acórdão da DRJ a quo, a Recorrente encontravase em situação INAPTA perante a Receita Federal do Brasil, com LOCALIZAÇÃO DESCONHECIDA constante de seu cadastro1. Tal fato foi confirmado com retorno da intimação de tal decisão com o A.R. negativo (fls. 1029). Além disso, a Autoridade Fiscal responsável havia também procedido à intimação da Contribuinte de tal r. decisão na pessoa e no endereço de sua Representante legal (vide fls. 1018 a mesma que subscreveu a Impugnação e posteriormente conferiu Procuração ao Advogado signatário do Recurso Voluntário). Tal intimação fora recebida com sucesso em 04/09/2014 pela Representante da Recorrente. Não obstante, posteriormente, também se procedeu a Edital, afixado inicialmente em 10/09/2014 na Repartição competente (fls. 1055). Por sua vez, o Recurso Voluntário foi postado dia 09/10/2014, como atesta carimbo oficial da RFB, preenchido e assinado por Servidor da SECAT na primeira folha das suas razões (fls. 1031). Como se observa, caso considerada como válida a intimação da Representante da empresa, o Recurso Voluntário seria intempestivo. 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/CNPJ/cnpjreva/Cnpjreva_Comprovante.asp Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 13864.720054/201308 Acórdão n.º 1402003.261 S1C4T2 Fl. 1.071 15 Ainda que seja procedimento justificável buscar os representantes legais2 de uma empresa que encontrase inapta, mormente quando o atual endereço cadastral é desconhecido, assim como revelase perfeitamente atendido o propósito do ato praticado, permitindo a ciência de Representante e Mandatária da Contribuinte para o exercício do contraditório (dentro do corolário do princípio da instrumentalidade das formas, insculpido nos arts. 154 e 277 do Código de Processo Civil de 2015), tal manobra não encontra previsão expressa e específica no Decreto nº 70.235/72. Então, mesmo sendo claramente defensável a validade de tal ato de intimação, que deflagraria a contagem do prazo recursal, o efeito da adoção de tal raciocínio implicaria, ulteriormente, em prejuízo da Parte recorrente. E dependendo de interpretação diversa daquela literal e mais objetiva, extraída apenas do Decreto nº 70.235/72 (que não prevê expressamente a intimação postal do contribuinte, na pessoa do seu representante), não se mostra adequada a prevalência desse entendimento o qual implicaria em preclusão temporal do direito da Contribuinte Pelo exposto, adotase, então, o Edital procedido como meio válido de intimação da ora Recorrente; e, vez que este fora afixado em 10/09/2014 na Repartição fiscal, o prazo teve início apenas 15 dias após tal ato, o que faz revelarse tempestivo o Apelo interposto. Desconsiderase a alegação da Recorrente que tomou ciência do v. decisum recorrido em 09/09/2014, vez que ausente qualquer elemento de prova que suporte tal afirmação. Razões de Recurso Voluntário Preliminarmente, assim como procedido na Impugnação, alega a Recorrente a nulidade da Autuação, posto que teria se baseado em provas obtidas ilicitamente, sem autorização judicial para a quebra de sigilo fiscal. 2 Tal postura da Fiscalização já foi registrada no Acórdão nº 1402002.823, de relatoria deste mesmo Conselheiro, publicado em 27/02/2018. Fl. 1078DF CARF MF 16 Fundamenta suas alegações, expressamente, em suposto entendimento do E. Supremo Tribunal Federal, arrimado no princípio da dignidade da pessoa humana, que teria condicionado a decisão judicial a obtenção de informações bancária dos contribuintes, em conformidade com o art. 5º, inciso XII, da Constituição da República de 1988. Traz julgado do E. TRF da 3ª Região que aplica tal entendimento da E. Suprema Corte, o qual procedeu à interpretação conforme a constituição da Lei Complementar nº 105/2001, da Lei nº 9.311/96 e do Decreto nº 3.724/01, concluindo que a quebra de sigilo fiscal depende de ordem do Poder Judiciário. Pois bem, tal entendimento jurisprudencial judicial, realmente, é existente e pacífico. Em relação a questão aventada, não há qualquer reparo na indicação de precedentes feita pela Recorrente. Contudo, não há qualquer tentativa de demonstração de como, efetivamente, se operou a quebra de seu sigilo pela Fiscalização durante a Ação Fiscal para a ulterior lavratura dos Autos de Infração, sendo mera arguição genérica e informativa. Em relação a tal assunto jurídico, claramente, não foi declarada pelo E. STF a inconstitucionalidade de tais dispositivos, mas, sim, contido e definido o alcance de suas prescrições, de acordo com o delineamento constitucional das limitações do Fisco e das garantias dos contribuintes. De fato, podem ocorrer violações e abusos, que culminariam em vício das exações resultantes de tal manobra. Mas não se mencionou sequer como teria a Fiscalização obtido os dados e informações referentes à movimentação financeira da Recorrente, de modo a violar as previsões legais invocadas. Observase dos autos que a Autoridade Fiscal devidamente emitiu o RMF ao Banco Santander (fls. 206 a 210), objetivamente apontado como fundamento da requisição a ocorrência das hipóteses do art. 33 da Lei nº 9.430/96, bem como relatando que: Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 13864.720054/201308 Acórdão n.º 1402003.261 S1C4T2 Fl. 1.072 17 Uma vez que a fundamentação técnica e factual utilizada pelo Fisco não foi sequer mencionada nas razões de Apelo e, muito menos, contraposta, contestada ou comprovada inverídica, sem qualquer esclarecimento sobre a razão pela qual a Contribuinte não foi encontrada nos endereços antigo e novo de seus registros societários, não podese presumir a inadequação do documento e a sua contrariedade à devida aplicação dos comandos da Lei Complementar nº 105/2001, da Lei nº 9.311/96 e do Decreto nº 3.724/01, conforme a Carta Magna. Desse modo, estáse diante de alegação abstrata e genérica, que visa à declaração de nulidade do lançamento de ofício, arrimado apenas em disposições constitucionais. No mais, é também aplicável aqui o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se conhecendo das alegações exclusivamente fundamentadas em dispositivos e princípios constitucionais. Em relação ao mérito, a Contribuinte primeiramente alega de forma geral, que os valores colhidos pela Fiscalização, considerados como omissão de receita, apenas transitaram pelas suas contas, mas não teria havido aproveitamento econômico de tal numerário, não representando qualquer rendimento ou benefício. Podese resumir a alegação da Contribuinte em duas linhas argumentativas; a primeira de que a maior parte dos valores era de titularidade de outra empresa, a "Madeitex Comércio Varejista de Artefatos de Látex Ltda.", cujo o sócio e administrador era marido da titular e administradora da Recorrente. Confirase a justificativa trazida para a circulação de numerário de terceiro em suas contas: Fl. 1080DF CARF MF 18 (...) Ainda que a Recorrente alegue ser notório, exceto para o auditor fiscal, que para cada entrada, existe uma respectiva saída comprovando a restituição simultânea do numerário, não houve qualquer demonstração de influxo de valores e da alegada correspondência aritmética de entradas e saídas. Mais do que isso, não há qualquer prova (contrato, acordo, troca de correspondência, etc.) que justifique, legalmente, esse empréstimo das contas corrente da Contribuinte pela outra empresa, de titularidade do marido da sua sócia e administradora. Na segunda linha argumentativa, explicase que essa maior parte dos valores, objeto das Autuações, referemse a duplicatas de vendas da Madeitex, mas descontadas pela própria Recorrente, afirmando que os valores retornaram à sua verdadeira titular posteriormente (vide documentos de fls. 878 a 930, de titularidade dessa outra companhia). Ainda que possível ser esta a realidade por trás dos fatos, tais alegações não bastam para afastar a presunção de omissão de receitas, devidamente empregada pela Fiscalização, ao passo que não existe qualquer documentação justificando, juridicamente, o trânsito de tais valores, supostamente de terceiro, pelas contas da Contribuinte (que tem como objeto social apenas a venda de material de uso médico e hospitalar) ou mesmo que a própria Madeitex registrou e tributou esses valores em sua própria contabilidade. A alegação de existência de empréstimo de conta bancária não é elemento apto para desconstituir a infração fiscal presumida sob análise. Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 13864.720054/201308 Acórdão n.º 1402003.261 S1C4T2 Fl. 1.073 19 Frisese que, da forma como apresentadas as circunstância, alegações e carência documental, permitese até aventar que a empresa Madeitex ocultou receitas das suas próprias atividades através do uso das contas corrente da Recorrente. Assim, uma vez que ônus probatório recai sobre o contribuinte nesse caso, prevalece a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em relação aos demais valores, a Recorrente afirma e traz documentos (fls. 932 a 946) apontado que parte das transações eram de sua própria titularidade (incluindo notas de venda), mas quando entregues para a Fiscalização foram considerados como não comprovados. Ora, uma vez que a Autoridade Fiscal colheu valores na monta de R$ 2.755.274,13, efetuando, corretamente, a subtração dos R$ 52.248,78 declarados no período em DASN, a simples prova de titularidade em nada socorre a Contribuinte. Deveria aqui ter se procedido à prova específica de declaração e oferta a tributação desses valores, com o fito de comprovar que já estavam inclusos nos resultados tributados, já considerados pelo Fisco, ou de uma de motivação legal para não terem sido declarados e onerados o que não ocorreu. Por fim, em relação ao restante dos valores autuados, a Recorrente afirma tratarse de valores oriundos de faturização (factoring), procedido mais uma vez pela Maidetex, cujo o montante foi creditado diretamente nas suas contas (vide fls. 947 a 968). E acrescenta que diante do encerramento precipitado dos trabalhos da Fiscalização, antes da análise de pedidos de prorrogação, a comprovação de tais depósitos ficou prejudicada, antes da lavratura das Autuações. Mais uma vez, as alegações e as provas trazidas não combatem a acusação fiscal dos Autos de Infração, vez que a Madeitex seria a cedente, a faturizada, titular dos créditos objeto de fomento mercantil (e não a Recorrente). Ausente também a simples tentativa de demonstração de que tais valores foram declarados e tributados, tal fato reforça a procedência da infração de omissão de receitas. E, como bem apontado pela DRJ a quo, dentro dessa explicação apresentada, poderseia até inferir que tais recebimentos de créditos, oriundos de factoring procedido pela Madeitex, expressam pagamentos de vendas por esta outra companhia, igualmente omitidos. Fl. 1082DF CARF MF 20 Desse modo, tais alegações de fato e supostas comprovações do direito alegado da Recorrente restam afastadas, mostrandose prevalente a presunção de omissão de receitas e procedente as exações fiscais. Em acréscimo e complemento àquilo acima exposta, visando não haver margens para omissões, diante do princípio da dialeticiade, tendo em vista que em relação a tal matéria em seu Recurso Voluntário a Recorrente limitouse a repetir suas razões de Impugnação, bem como a excepcional clareza e precisão do v. Acórdão recorrido, colacionase a seguir trechos das suas razões de decidir, as quais endossase integralmente: Destaquese que, da mesma forma que, na autuação, os depósitos foram considerados individualizadamente, em datas e valores, para que seja cancelada a autuação, a prova de que foram contabilizados deve ser também individualizada. Melhor dizendo, cada depósito individualmente considerado, na data e valor constante da intimação, deve ter sua causa esclarecida e, mais ainda, comprovado não se tratar de receitas à margem da contabilidade. A empresa explica que os valores correspondentes aos documentos AC20, AC27, BC20, BC44, BC52, CC3 e CC19 (fls. 878/905), totalizando o montante de R$ 33.765,02, corresponderiam a duplicatas de venda oriundas da Madeitex, cujos recursos entraram diretamente na conta da empresa autuada. Tal explicação serviria para justificar receitas da Madeitex, mas não para justificar o ingresso de tais receitas na Suturex. Ademais, porque não há lançamento neste valor na planilha de fls. 733/754. A interessada explica que o valor constante do Anexo BC43 , no valor de R$ 78.000,00 decorreria de duplicatas da Madeitex cujos recursos teriam sido creditados na conta da Madeitex junto ao Banco Mercantil e posteriormente transferidos para a conta da autuada. De forma análoga, a explicação serviria para justificar receitas da Madeitex, mas não para justificar o ingresso de tais receitas na Suturex. A empresa apresenta ainda a mesma alegação, de que os depósitos cuja origem não restou justificada referemse a créditos decorrentes de duplicatas da Madeitex cujos recursos foram creditados na conta desta empresa junto ao Banco do Brasil e posteriormente transferidos para a conta da autuada, quanto aos seguintes valores: Anexo CC12 + Anexo CC13 + Anexo CC14 (fls. 909/910) Crédito no valor de R$ 3.759,00; ∙Anexo CC22 + Anexo CC23 (fls. 911/912) Crédito no valor de R$ 1.400,00; Anexo DC20 + Anexo DC21 + Anexo DC22 (fls. 913/914) Crédito no valor de R$ 4.690,00; Anexo HC29 + Anexo HC30 + Anexo HC31 + Anexo HC32 + Anexo HC33 + Anexo HC34 (fls. 915/918) Crédito no valor de R$ 5,240,00; Anexo HC37 + Anexo HC39 + Anexo HC40 + Anexo HC42 + Anexo HC44 – (fls. 919/923) Crédito no valor de R$ 5.087,43; Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 13864.720054/201308 Acórdão n.º 1402003.261 S1C4T2 Fl. 1.074 21 Anexo HC56 (fl. 924) Crédito no valor de R$ 821,22; Anexo IC1 + Anexo IC2 + Anexo IC3 + Anexo IC4 + Anexo IC5 + Anexo IC6 + Anexo IC7 + Anexo IC8 + Anexo IC10 + Anexo IC11 + Anexo IC12 + Anexo IC13 + Anexo IC14 + Anexo IC15 + Anexo IC16 + Anexo IC17 + Anexo IC18 + Anexo IC19 + Anexo IC20 + Anexo IC21 + Anexo IC22 + Anexo IC23 + Anexo IC24 + Anexo IC25 + Anexo IC26 + Anexo IC27 + Anexo IC28 + Anexo IC29 + Anexo IC30 + Anexo IC31 + Anexo IC32 + Anexo IC33 – fls. 925/926 Crédito no valor de R$ 194.872,00; Anexo IC34 Crédito no valor de R$ 167,20 – fl. 927 e Anexo KC2 + Anexo KC3 + Anexo KC4 + Anexo KC5 + Anexo KC6 + Anexo KC7 + Anexo KC8 + Anexo KC9 + Anexo KC10 + Anexo KC11 + Anexo KC12 + Anexo KC13 + Anexo KC14 + Anexo KC15 + Anexo KC16 + Anexo KC17 + Anexo KC18 + Anexo KC19 + Anexo KC20 + Anexo KC21 + Anexo KC22 – fls. 928/929 Crédito no valor de R$ 56.100,00; Anexo LC17 fl. 930 Crédito no valor de R$ 138,00. Deve aqui ser elucidado, mais uma vez: se as receitas eram da Madeitex, deveriam integrar sua contabilidade. Por outro lado, salvo prova em contrário, em se tratando de duplicatas que foram transferidas à interessada, é perfeitamente factível que se refiram a pagamentos de obrigações da Madeitex junto à Suturex, ou seja, receitas desta última, mormente porque a causa dos depósitos não restou comprovada. A empresa alega, ainda, que todos os valores acima destacados têm origem comprovada, e que tais recursos apenas transitaram na contacorrente da autuada, não refletindo qualquer acréscimo patrimonial, posto pertencerem exclusivamente à empresa Madeitex. Ora, se pertenciam a esta última, como já foi dito, deveriam integrar sua contabilidade. Se, contrariamente, ingressaram na conta corrente da autuada, sem que sua causa para a autuada seja elucidada, presumese legalmente tratarse de recursos à margem da contabilidade, devendo sofrer a correspondente tributação, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Defende também que existem valores decorrentes de operações de venda realizadas pela própria autuada, cujos comprovantes foram entregues à autoridade fiscal mas foram considerados como não comprovados. São eles: Anexo CC11 – fls. 931/932 Crédito no valor de R$ 1.594,80; Anexo CC24 – fls. 933/934 Crédito no valor de R$ 1.980,00; Anexo CC31 – fls. 935/936 Crédito no valor de R$ 993,60; Anexo DC14 – fls. 937/938 Crédito no valor de R$ 4.291,20; Anexo DC23 – fls. 939/940 Crédito no valor de R$ 2.654,46; Anexo FC30 – fls. 941/942 Crédito no valor de R$ 1.974,25; Anexo FC36.1 – fls. 943/944 Crédito no valor de R$ 4.348,80; Anexo GC73 – fl. 945 Crédito no valor de R$ 2.123,80 decorre de duplicata da própria autuada, conforme se apura pela nota fiscal anexada e Anexo LC21 – fl. 946 Crédito no valor de R$ 300,00. Antes de analisar este argumento, transcrevo novamente o quadro extraído da fl. 759 (Termo de Verificação Fiscal): Fl. 1084DF CARF MF 22 De sua leitura, verificase que, na autuação, foram deduzidas todas as receitas integrantes da Declaração Anual Simplificada do Simples Nacional, sendo tributada a diferença – R$ 2.755.274,13. Portanto, não basta a interessada alegar que tais valores se referem a receitas, há que demonstrar que foram declaradas. Neste sentido, somente o valor de R$ 1.594,80, referente ao mês de fevereiro, poderia até ser considerado como declarado, caso a nota fiscal de fl. 932 estivesse legível – como não está, não há como excluir tal valor da autuação. Quanto aos demais valores, não há provas de que tenham integrado as receitas declaradas à RFB, no montante de R$ 52.248,78. A empresa adiciona existirem valores cujos documentos não teve oportunidade de apresentar, relativos a operação de faturização realizada pela Madeitex cujo montante foi creditado diretamente na conta corrente a autuada, conforme a seguir discriminado: Anexo BC48 – fl. 947 Crédito no valor de R$ 12.000,00; Anexo CCF4 + Anexo CCF5 + Anexo CCF6 + Anexo CCF7 + Anexo CCF8 + Anexo CCF9 + Anexo CCF10 – fl. 948 Crédito no valor de R$ 118.510,00; Anexo CCF25 – fl. 949 Crédito no valor de R$ 18.000,00; Anexo CCF26 + Anexo CCF27 + Anexo CCF28 – fl. 950 Crédito no valor de R$ 41.208,00; Anexo CCF32 – fl. 951 Crédito no valor de R$ 14.200,00; Anexo CCF33 + Anexo CCF34 + Anexo CCF35 + Anexo CCF36 + Anexo CCF37 + Anexo CCF38 – fl. 952 Crédito no valor de R$ 135.150,00; Anexo ECF46 – fl.953/954 Crédito no valor de R$ 6.114,91; Anexo GCF1 – fl. 955 Crédito no valor de R$ 17.000,00 referente a operação de faturização; Anexo GCF2 – fl. 956 Crédito no valor de R$ 2.800,00; Anexo GCF3 – fl. 957 Crédito no valor de R$ 8.830,00; Anexo GCF4 – fl. 958 Crédito no valor de R$ 58.500,00; Anexo GCF5 – fl. 959 Crédito no valor de R$ 30.880,76; Anexo GCF6 – fl. 960 Crédito no valor de R$ 62.238,25; Anexo GCF7 – fl. 961 Crédito no valor de R$ 7.000,00; Anexo GCF8 – fl. 962 Crédito no valor de R$ 11.500,00; Anexo GCF9 – fl. 963 Crédito no valor de R$ 22.000,00; Anexo GCF10 – fl. 964 Crédito no valor de R$ 39.512,00; Anexo GCF11 – fl. 965 Crédito no valor de R$ 17.749,46; Anexo GCF12 – fl. 965 Crédito no valor de R$ 4.000,00; Anexo IC3.1 – fl. 966 Crédito no valor de R$ 18.000,00; Anexo IC4.1 – fl. 967 Crédito no valor de R$ 49.270,60 e Anexo IC7.1 – fl. 968 Crédito no valor de R$ 13.808,68. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 13864.720054/201308 Acórdão n.º 1402003.261 S1C4T2 Fl. 1.075 23 Para fins de análise dos argumentos trazidos aos autos, cabe destacar que a operação de Factoring é um mecanismo de fomento mercantil que possibilita à empresa fomentada vender seus créditos, gerados por suas vendas a prazo, a uma empresa de Factoring, resultando assim no recebimento imediato desses créditos futuros, o que aumenta seu poder de negociação, por exemplo, nas compras à vista de matériaprima, pois a empresa não se descapitaliza. Feita esta referência, verificase, segundo declaração da própria interessada, que quem realizou as operações de factoring foi a Madeitex, cujos montantes foram creditados diretamente na conta corrente a autuada. Ora, se os valores pertenciam à Madeitex e foram por ela transferidos à interessada, mais uma vez se explica a causa para a primeira, mas não para a segunda. Examinando ainda, por amostragem, os documentos apresentados, verificase, por exemplo, à fl. 947, que a Four Factoring forneceu recursos à Madeitex, no valor de R$ 12.000,00 para aquisição de matéria prima e custeio de insumos, deixando assim a impressão de que a Suturex vendeu mercadorias no montante antes referido à Madeitex. Esta mesma consideração pode ser feita em relação aos contratos de fls. 948/952, onde se infere que a autuada vendeu mercadorias para a Madeitex. Conclusivamente, os documentos juntados, ao invés de contribuir para a defesa da interessada, agravam ainda mais sua situação, posto indicarem serem os valores neles constantes receitas de venda de mercadorias da autuada à Madeitex. Ainda, em suma, a Recorrente alega que não se poderia proceder a lançamento de ofício com base apenas em depósitos bancários, violando o conceito legal de renda, veiculado no art. 43 do CTN, sendo vedada a prevalência de exigência exclusivamente fundada em ficção, implicando em enriquecimento injusto da União, regulado nos art. 884 e seguintes do Código Civil, o que também representa afronta ao art. 110 daquele Codex Tributário. Não assiste razão à Recorrente. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 está validamente inserido no sistema tributário nacional, veiculando presunção iuris tantum da omissão de receitas quando devidamente colhidas e comprovadas pela Fiscalização as condutas e ocorrências legalmente arroladas, justificada pela principiologia da praticabilidade tributária. Fl. 1086DF CARF MF 24 O efeito de tal disposição é a inversão do ônus da prova sobre a ocorrência da infração de omissão de receitas, diante da devida fundamentação para a sua aplicação, dentro das hipótese previstas. Logo não se trata de tributação fundada em movimentação bancária, mas, sim, em disposição legal expressa, presente há mais de duas décadas na legislação federal da tributação sobre a renda, que valese de corriqueira técnica de abstração. Não existe violação ao conceito legal de renda, estampado no art. 43 do CTN ou mesmo enriquecimento injusto qualquer. Há muito a legitimidade jurídica de tal dispositivo não representa celeuma neste E. CARF, não procedendo os supostos conflitos legais aventados. Também cabível aqui a dicção da Súmula CARF nº 26, em face da alegação de que movimentação financeira em conta corrente não reflete renda adquirida ou disponível: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Diante do exposto, voto por não conhecer da matéria constitucional alegada e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1087DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000965/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1994 a 30/09/1994
DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8.
O prazo decadencial para constituição da contribuição previdenciária é de cinco anos.
Numero da decisão: 2301-005.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O prazo decadencial para constituição da contribuição previdenciária é de cinco anos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias, NFLD Debcad nº 37.131.8513, relativo ao período de 01/05/1994 a 30/09/1994. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 09 65 /2 00 7- 87 Fl. 124DF CARF MF 2 Consta do processo que, para os mesmos fatos geradores, foi lavrada, em 21/12/2004, a NFLD nº Debcad nº 35.781.7826, que foi anulada. Em substituição, lavrouse, em 8/11/2006, a NFLD Debcad nº 35.781.7826, que também foi anulada. Por fim, lavrouse a NFLD Debcad nº 37.131.8513, em análise nestes autos. A Recorrente apresentou impugnação (efls. 40 a 46) em que alegou a decadência quinquenal. A DRJ de origem, por meio do Acórdão nº 14.24.668, de 18/06/2009, entendeu que não se aplicaria, ao caso o disposto na Súmula Vinculante nº 8 e, portanto, a decadência seguiria a regra do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991. No recurso voluntário (efls. 112 a 118), a Recorrente reafirmou estarem decaídos os períodos lançados. É o suficiente relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. A única questão sob litígio é decadência. Alega a Recorrente que os períodos lançados já haviam sido atingidos pela decadência quinquenal. A decisão a quo apreciou a matéria e assim se pronunciou (101 a 106): Portanto, não restaram alcançados pela decadência os lançamentos anteriormente efetuados posto realizados em conformidade respectivamente com os incisos I e II do artigo 45 da Lei 8.212/91, submetendose a presente NFLD em decorrência da alteração no dispositivo legal aplicável advinda da publicação da Súmula Vinculante 08 do STF ao prazo decadencial cominado no artigo 173, II do CTN o qual foi regularmente observado pela autoridade lançadora. O entendimento do colegiado recorrido é que, por ter havido três lançamentos, sendo que os dois primeiros foram anulados, o prazo decadencial passaria a contar da anulação do ato administrativo, nos termos do in. II do art. 173 do CTN1. No entendimento da decisão de origem, se o lançamento original se aperfeiçoou antes do advento da Súmula Vinculante nº 8, a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, estaria correta, porquanto era a norma vigente ao tempo do lançamento. Entenderam, os julgadores de primeira instância, que a alteração no dispositivo legal aplicável promovida pela decisão do STF não alcançaria os lançamentos perfeitamente constituídos. Ainda que seja respeitável o entendimento do colegiado precedente, com ele não posso concordar. Eis que a declaração de inconstitucionalidade não implica na simples 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 16004.000965/200787 Acórdão n.º 2301005.478 S2C3T1 Fl. 125 3 alteração do dispositivo legal tido por inconstitucional, mas em extirpálo do mundo jurídico desde o seu surgimento, pelo menos enquanto regra geral. A Súmula Vinculante nº 8 deve ser interpretada para além do seu enunciado, sendo importante conhecer seus fundamentos. O STF foi chamado a dirimir a controvérsia a partir de reiteradas decisões quanto à prevalência das regras decadenciais do CTN sobre as que constavam dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça assim havia decidido na Arguição de Inconstitucionalidade em Recurso Especial nº. 616.348/MG: Nos termos do art. 146, III da Constituição Federal, a Lei Complementar deve estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. Dentre esses temas de normas gerais estão a decadência e a prescrição, que somente podem ser veiculadas por instrumentos normativos próprios. Daí se conclui, ao menos nesses exame preliminar, que o art. 45 da Lei 8.212, que instituiu o plano de custeio da Previdência Social, padece de vício de inconstitucionalidade ao dispor de prazo de 10 anos para que o INSS lance os tributos sob sua administração. Ora, sendo o CTN materialmente lei complementar e considerando que decadência é norma geral de direito tributário, cuja regulação somente pode se dar por lei complementar2, não poderia o legislador, em 1991, instituir a decadência por lei ordinária. Este é o fundamento da Súmula Vinculante nº 83. É certo que os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 foram modulados, nos termos do art. 27 da Lei nº 9.868, de 19994, para aplicar efeitos ex nunc à decisão apenas às repetições de indébitos ajuizadas após 11/06/2008. Para qualquer outra circunstância, a decisão vinculante retroage ao advento da norma atingida, como se ela sequer houvesse existido. Portanto, ao contrário do que sustentou a decisão recorrida, Súmula Vinculante nº 8 é de aplicação obrigatória no presente caso. Nos autos consta que o lançamento contempla contribuições de 1994 e se completou, originariamente, em 21/12/2004 (efl. 100) com a NFLD nº Debcad 35.781.7834, que foi anulada por vício insanável (efl. 97) e substituída pela NFLD Debcad 35.781.7826, também anulada (efls. 96 a 98) e substituída pela NFLD Debcad 37.131.8513, que é a matéria deste litígio. Ora, o primeiro lançamento, a despeito de ter sido anulado, já estava atingido pela decadência; tanto pela aplicação do art. 173, I, quanto do art. 159, § 4º do CTN. Assim, os fatos subsequentes não poderiam ter o condão de restabelecer o crédito tributário que já se encontrava extinto. 2 Art. 146. Cabe à lei complementar: ................................................................................ III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: ................................................................................ b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 3 Precedentes representativos do STF: RE 556.664 e RE 559.943. 4 Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Fl. 126DF CARF MF 4 Conclusão Voto por conhecer do recurso e DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13887.720201/2016-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Outros elementos de prova podem acompanhar o laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV.
Numero da decisão: 2001-000.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Outros elementos de prova podem acompanhar o laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 72 02 01 /2 01 6- 16 Fl. 65DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre doença grave. A DRJ recusou o laudo fundamentando que a interpretação da legislação é literal, nos seguintes termos: O laudo de fl. 6 afirma que o interessado é portador de espondiloartrose lombar, doença não incluída no rol das moléstias que asseguram a isenção dos proventos de aposentadoria. Ressaltese que o único método de hermenêutica jurídica permitido para a definição do verdadeiro sentido e alcance da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção é o literal (inciso II do art. 111 do CTN). Assim, o benefício invocado não pode ser estendido a quem não preencha rigorosamente as condições e requisitos exigidos para sua concessão, especificados em consonância com o art. 176 do CTN. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão sobre doença grave. A DRJ recusou o laudo fundamentando que a interpretação da legislação é literal. O laudo fala em espondiloartrose lombar, e a legislação em espondiloartrose anquilosante. Tratase de doença de denominação um pouco imprecisa, havendo vários termos para expressar a mesma doença como se observa nesse texto do Manual da Perícias e Auditorias Médicas do Distrito Federal: Espondilite Anquilosante, inadequadamente denominada de espondiloartrose anquilosante nos textos legais, é uma doença inflamatória de etiologia desconhecida que afeta principalmente as articulações sacroilíacas, interapofisárias e costovertebrais, os discos intervertebrais e o tecido conjuntivo frouxo que circunda os corpos vertebrais, entre estes e os ligamentos da coluna. (...) Dentre as denominações comumente dadas à espondilite anquilosante podemos destacar as seguintes: espondilite (ou espondilose) rizomélica, doença de PierreMarieStrumpell, espondilite ossificante ligamentar, síndrome (ou doença) de Veu Bechterew, espondilite reumatóide, espondilite juvenil ou do Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13887.720201/201616 Acórdão n.º 2001000.538 S2C0T1 Fl. 3 3 adolescente, espondilartrite anquilopoiética, espondilite deformante, espondilite atrófica ligamentar, pelviespondilite anquilosante, apesar de a Escola Francesa utilizar a designação de pelviespondilite reumática. No nosso entender, a literalidade exigida para isenção se aplica a doença, no caso espondiloartrose. A adjetivação anquilosante pode acompanhar a qualificação, como lombar também pode, e, de maneira nenhuma, existe a indicação de que a espondiloartrose que o contribuinte apresenta, e estava em tratamento há 8 anos, não seja anquilosante. Cirurgia total de quadril em janeiro 2015, e o tratamento contínuo e longo indicam que o seja. Não vemos restrição que outros elementos complementem o laudo. Considerando caracterizada a doença prevista, entendemos que faz jus o contribuinte, pois o fundamento para a recusa fica superado. O contribuinte apresentou, com o recurso voluntário, outras argumentações e documentos relativamente a doenças graves. A neoplasia apontada pelo contribuinte ocorreu em 1983, podendo ser doença sujeita a controle periódico, não há documentos nos autos indicando a continuidade. As doenças cardíacas relatadas, também poderiam apontar ao direito de isenção. No entanto, tais doenças estão relatadas parcialmente, sem laudo oficial, e não são examinadas aqui, pois o fundamento desse voto está em que a recusa apresentada no acórdão de impugnação foi vencida. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722760/2009-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros.
Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições.
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes.
É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL.
Há expressa vedação legal de incidência de juros moratórios e de correção monetária sobre o valor do crédito apurado pelo contribuinte no sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ex vi art. 13 e 15 da Lei 10.833/03.
Numero da decisão: 9303-006.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial apenas quanto a Taxa SELIC.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Há expressa vedação legal de incidência de juros moratórios e de correção monetária sobre o valor do crédito apurado pelo contribuinte no sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ex vi art. 13 e 15 da Lei 10.833/03.
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APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matériaprima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadramse em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 60 /2 00 9- 91 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 3 2 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratamse de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Há expressa vedação legal de incidência de juros moratórios e de correção monetária sobre o valor do crédito apurado pelo contribuinte no sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, ex vi art. 13 e 15 da Lei 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial apenas quanto a Taxa SELIC. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3402002.438, de 19 de agosto 2014 (efolhas 235 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 5 4 PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. COFINS. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. ÓBICE CRIADO PELA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA. O art. 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que incide a correção ela SELIC. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 256 segs) diz respeito ao conceito válido do vernáculo insumo empregado pelo legislador nas normas que regulamentam o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins e à incidência de correção monetária e/ou juros moratórios sobre o valor dos créditos apurados. Requer a manutenção das glosas revertidas pela decisão recorrida em relação (i) às despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a fábrica; (ii) às despesas com fretes e armazenagem. Também, (iii) que seja afastada a aplicação da Taxa SELIC sobre os créditos a serem ressarcidos. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 283 segs. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Antes de mais nada, no caso do presente litígio, pareceme prudente identificar com clareza qual a matéria recorrida. O excerto que segue, extraído do voto condutor da decisão a quo, esclarece quais glosas foram revertidas em relação aos dispêndios com o transporte da mercadoria até a empresa. Os demais serviços arrolados foram empregados em reparos e manutenções das próprias “tubovias”, o que, a meu sentir, até poderiam gerar o direito ao desconto de créditos, mas através de depreciação, mas, para tanto, deverseia comprovar se seria o caso de serem levados ao ativo permanente e posteriormente depreciados, o que, a toda evidência, prescindiria de prova relativa ao tempo de vida útil que referidos dispêndios agregariam ao ativo sobre os quais foram empregados. Tratandose de pedido de ressarcimento, referida prova assistiria à Recorrente, e, a míngua do cumprimento de tal ônus, não é possível aferir o direito ao crédito em questão. Desta forma, merece ser parcialmente afastada a glosa, apenas sobre os dispêndios com a rubrica produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA. Em relação ao tópico Armazenagem e Fretes na Operação de Venda do acórdão recorrido, decidiuse, conforme ementa correspondente, que Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a estes inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 7 6 armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. Além desses, o recorrido admitiu a aplicação da Taxa Selic/correção monetária sobre o valor do ressarcimento pleiteado. Mérito Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Feito o necessário intróito acerca da matéria controvertida nos autos, releva destacar que, no vertente litígio, ainda que a divergência a respeito do conceito válido de insumos permeie toda a discussão travada nos autos e seja o principal fundamento da decisão ora contraditada, pareceme que a questão nuclear que se apresenta pouco tem a ver com esse assunto. Tal como espero, isso ficará claro na análise de cada um dos dois tópicos nos quais são identificadas as glosas revertidas em segunda instância de julgamento. Passo a eles. 1 Dispêndios com o transporte do insumo até a fábrica por Tubovia As notas fiscais carreadas aos autos (efolhas 66 segs) identificam a mercadoria importada pela empresa para fabricação de adubos e fertilizantes como ácido sulfúrico e ácido fosfórico. A efetiva aplicação dessas mercadorias no processo produtivo da recorrente para obtenção do produto final é matéria incontroversa nos autos. Com efeito, o que se discute, desde o início, é a agregação de determinados gastos ao custo de aquisição desses insumos, assunto que, concessa venia, como já antecipei, passa ao largo da discussão acerca da abrangência do conceito de insumos na aplicação da legislação das contribuições1. 1 Releva destacar que, embora isso, o recurso deve ser admitido, pois, a despeito da precisão na abordagem feita pelo recorrido, a amplitude do conceito de insumo foi, inegavelmente, fundamento da decisão tomada, como demonstra a exaustiva abordagem do assunto encontrada no voto condutor da decisão recorrida. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 8 7 O gasto que a empresa considerou passível de ser agregado ao custo do insumo empregado em seu processo produtivo está identificado na decisão recorrida, tal como já foi explicitado no preâmbulo do vertente acórdão, como transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica. Na Informação Fiscal, efolhas 04 e segs, a Fiscalização Federal fundamenta a decisão de glosar os créditos correspondentes a esses gastos. II.2 Cálculo indevido de crédito com Bens e Serviços Utilizados como insumos 6. O contribuinte foi intimado (fls.72/73) a apresentar alguns documentos classificados como código CFOP 1.949 e 2.949 que foram incluídos na base de cálculo dos créditos apresentados em meio magnético. Na análise desses documentos restou comprovado que o contribuinte incluiu despesas com bens e serviços a título de Insumos que não são assim considerados. Para serem considerados como insumos os serviços consumidos tem que ser utilizados na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que serão vendidos, conforme artigo 3 o da Lei 10.833/2003 e IN 404/2004. (...) Os serviços não aceitos estão no quadro abaixo, bem como uma descrição sumária dos serviços prestados fornecida pelo contribuinte. Cópias dos documentos entregues encontramse às fls. 176/195. Ainda na Informação, o dispêndio que deu origem à glosa revertida pela instância a quo, está descrito na tabela à efolhas 7 (no texto acima, "quadro abaixo"), nos seguintes termos. Fornecedor: Macra Adm E Serviços Sc Ltda Aplicação dos serviços: Produto descarregado no porto transportado até a fábrica por TUBOVIA. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de um gasto com serviços realizados pela empresa Macra Adm e Serviços Ltda vinculados ao transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa. O Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, especifica quais gastos estão compreendidos no custo de aquisição de estoques. Segue o texto. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. A regra não destoa da legislação do Imposto de Renda. Observese (Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto). Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Ou seja, não é difícil perceber que o custo com o transporte dos insumos até o estabelecimento do contribuinte está, sem dúvida, compreendido no custo de aquisição desses insumos. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 10 9 Levandose em conta os critérios contábeis aceitos e a própria legislação tributária aplicável, tomando por base as informações disponíveis nos autos, não vejo razão para que esse dispêndio com o pagamento de serviços prestados por terceiros para o transporte até a fábrica, por Tubovia, de insumos importados e efetivamente empregados no processo produtivo da indústria, seja desconsiderado para efeito de apuração do custo de aquisição desses insumos. Assim, uma vez que essa instância recursal tenha por competência dirimir dúvidas acerca da correta interpretação da legislação tributária, entendo que a decisão deve ser pelo reconhecimento do direito à agregação de gastos da natureza dos que aqui se trata ao custo final de aquisição dos insumos empregados no processo produtivo da empresa. Isto posto, necessário, contudo, destacar uma questão que parece ter passado à margem da decisão recorrida. Conforme a própria recorrente já afirmava em sede de manifestação de inconformidade (efolhas 42 e segs), o produto importado é contemplado por benefício fiscal que reduziu a zero a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Observese. Na qualidade de empresa produtora, importadora, comercializadora e exportadora de adubos e fertilizantes, a Requerente usufrui o benefício fiscal da alíquota zero das citadas contribuições na importação e também, sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno dos citados produtos, conforme estabelece o art. 1º o da Lei n. 10.925/2004, in verbis1: Observe que esta foi uma das razões do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, conforme excerto abaixo transcrito do voto da DRJ: (...) Além disso, como os insumos são adquiridos à alíquota zero (art.l" da Lei 10.925/2004), mesmo que fossem adquiridos no mercado interno, não poderiam ter direito de crédito sobre bens e serviços agregados ao custo de aquisição ao custo da matériaprima. Isto porque se não há tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e insumos que se agregam a matériaprima, como o frete ou seguro, pois a natureza da Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 11 10 tributação incidente sobre o principal (insumos) não pode ser descaracterizada por elementos secundários que se agregam ao principal. (...) Ora, como é de sabença, os insumos que não são onerados pelas Contribuições não dão direito ao crédito no sistema de apuração não cumulativo instituído pelas Leis 10.833/03 e 10.637/022. Como pretendo ter deixado claro até aqui, o que se debate nos autos não é se os gastos com transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa tratase ou não de um insumo aplicado no processo produtivo de fabricação de adubos e fertilizantes, mas se esses dispêndios podem ser agregados ao custo de aquisição do ácido sulfúrico e do ácido fosfórico (e outros quaisquer que sejam pelo mesmo meio de transporte conduzidos), esses, sim, insumos utilizados na fabricação do produto final. Como se viu, a priori, com base nas informações disponíveis, podem, contudo, no caso concreto, essa decisão, de cunho eminentemente jurídico, não tem qualquer repercussão na solução da lide, pois os valores correspondentes terminam por ser acrescidos ao custo de um insumo que não dá direito ao crédito. 2 Armazenagem e Fretes na Operação de Venda A teor da decisão recorrida, a glosa diz respeito aos créditos decorrentes de gastos com (i) serviços de emissão de notas fiscais de armazenagem e de importação; (ii) serviço de medição de equipamentos armazéns portuários; (iii) serviços de transporte de produto a granel de inflável – diárias e (iv) serviços de carregamento no Porto de Rio Grande. Inicialmente, cumpre destacar que os gastos de que ora se trata, acima descritos tal qual descrevera a própria empresa em sua contabilidade, representam uma gama de serviços que não parecem estar relacionados única e exclusivamente com as operações de venda, como sugere o título utilizado no acórdão recorrido para este tópico. 2 Art.3º § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 12 11 Conforme Informação Fiscal, a razão pela qual a Fiscalização Federal não reconheceu o direito de crédito para esses gastos foi a seguinte. Na análise dos valores apurados pelo contribuinte a título de Fretes e Armazenagem nas Operações de Vendas em conjunto com explicações apresentadas (fls.68/71, 127/128), que correspondem aos valores da linha 7 dos Dacon, foi constatado que alguns não são efetivamente de frete ou armazenagem nas operações de venda, conforme o disposto no art.3° da Lei 10.833/2003. (...) 5. Os valores não aceitos são os das rubricas contábeis 1.1.06.04.0002 Armazenagem Exterior e 3.1.04.46.4602 Gastos c/Exportação relativos a movimentações em armazéns portuários, serviços de emissão de notas fiscais e serviços de transporte dentro das dependências da empresa ou de armazenagem temporária de matérias primas, conforme quadro demonstrativo abaixo e as cópias dos documentos entregues pelo contribuinte a fls.129/175. Por seu turno, o acórdão recorrido decidiu pela reversão da glosa, em síntese, sob o seguinte fundamento. Analisando referida descrição, temse que a glosa não procede com relação aos itens “b”, “c” e “d”, acima listados, [ (ii), (iii) e iv neste voto] pois que efetivamente tratam de transportes de produtos acabados destinados a exportação (ou de transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo), ou ainda, pertinentes aos serviços de armazenagem como no caso de medição dos equipamentos dentro dos armazéns o que é inerente a própria armazenagem, e, finalmente, a parte final do transporte e armazenagem, que é o carregamento do produto para embarque de exportação. Visivelmente, duas razões bem distintas motivaram a reversão da glosa. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 13 12 A primeira, diz respeito, agora sim, ao conceito de insumos na legislação das Contribuições. A segunda, referese à possibilidade de apropriação de créditos nos gastos com o transporte do produto acabado ou gastos pertinentes à armazenagem e transporte desse. Como se vê, tratamse de matérias bem distintas. Quanto a elas, de plano, cabe esclarecer que inexiste qualquer previsão legal que conceda direito à apropriação de créditos para gastos genéricos com a armazenagem e o transporte do produto acabado, apenas para os gastos com frete e armazenagem na operação de venda e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Já em relação aos gastos associados ao "transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo", o que se percebe a mais absoluta falta de clareza sobre a natureza desses gastos e a ausência de qualquer evidência de sua necessária segregação contábil. Muito pelo contrário, ao que parece, todos os dispêndios foram misturados uns com os outros, tanto que terminaram por ser reunidos em um único tópico, como se fossem todos iguais ou muito semelhantes. Como se viu, não são. São gastos distintos, cujas alegações destinadas ao reconhecimento do direito ao crédito estão fundamentadas em pressupostos igualmente distintos. É verdade que, de lado a lado, há parcas informações na identificação desses gastos; contudo, uma vez que nos processos de reconhecimento de direito de crédito o ônus da prova recaia sobre quem o alega, ou seja, sobre o administrado, os fundamentos e provas que justificariam a reversão da glosa determinada pelo Fisco haveriam de ser encontradas no contraditório. À luz desse pressuposto, buscase no recurso voluntário apresentado pela então recorrente a defesa e a comprovação de seu direito à apropriação de créditos em relação a esses gastos. O excerto que segue retrata com inteireza os fundamentos nos quais baseouse o pedido (efolhas 175 e segs). Visando apresentar uma melhor compreensão sobre a importância desses serviços na atividade produtiva da Recorrente, imperioso esclarecer que tais custos são indispensáveis à sua atividade produtiva, vale dizer: sem a utilização de tais serviços, não seria possível à Recorrente Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 14 13 produzir os bens comercializados que geram as receitas tributadas para o fins do PIS e da COFINS. A toda evidência, essa não é uma motivação que possa ser acolhida por este Colegiado. A jurisprudência predominante deste Conselho, à qual esse Relator se filia, consagra o entendimento de que somente os insumos empregados no processo produtivo e os demais gastos relacionados no art 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02 dão direito ao crédito. Uma vez que o contribuinte não tenha demonstrado que os gastos que deram origem aos créditos glosados pelo Fisco enquadramse em quaisquer das duas hipóteses previstas no inciso IX do art. 3º3 e tampouco que foram gastos com o transporte da mercadoria até a fábrica, a glosa deve ser mantida. 3 Correção Monetária e Incidência de Juros de Mora Finalmente, a empresa não tem melhor sorte em relação à possibilidade de que o valor objeto do pedido de ressarcimento sofra qualquer tipo de correção monetária ou que sobre ele incida a Taxa de Juros Selic. Há vedação expressa em Lei que obsta a atualização dos créditos do contribuinte apurados no sistema não cumulativo. Observese. Lei 10.833/03 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) 3 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11080.722760/200991 Acórdão n.º 9303006.870 CSRFT3 Fl. 15 14 E não será demais lembrar que as decisões tomadas no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos, não alcançam a matéria ora litigada. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. As decisões que autorizaram a correção dos créditos escriturais do IPI e do crédito presumido das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins são aplicáveis exclusivamente às lides nas quais algum desses assuntos esteja sendo controvertido, o que, por óbvio, não é o caso dos autos. Voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 307DF CARF MF
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