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Numero do processo: 13971.722503/2011-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 26/04/2007 a 24/07/2008
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE.
A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação.
PROVAS. COLHIMENTO.
Para instruir procedimento fiscal, o Auditor-Fiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB, no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo e outras autorizadas pelo Poder Judiciário.
SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Comprovado que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica caracterizado a solidariedade passiva tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Jonathan Barros Vita, Fabiola Cassiano Keramidas e Cláudio Monroe Massetti, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. PROVAS. COLHIMENTO. Para instruir procedimento fiscal, o AuditorFiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB, no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo e outras autorizadas pelo Poder Judiciário. SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica caracterizado a solidariedade passiva tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Jonathan Barros Vita, Fabiola Cassiano Keramidas e Cláudio Monroe Massetti, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 25 03 /2 01 1- 65 Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/11/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 173.633,35, em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas através das Declarações de Importação 07/06740240, de 26/abr/07, 07/08343451, de 18/abr/07, 07/13136957, de 24/jul/07, 07/16522777, de 05/nov/07 e 08/11678266, de 24/jul/08, registradas em nome da empresa D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA. A empresa operava como interposta pessoa em comércio exterior para a empresa CRISTALLERIE STRAUSS S/A, praticando assim infração de ocultação do sujeito passivo, com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Face ao que determina o art. 23, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Como responsável solidário: • CRISTALLERIE STRAUSS S/A. Como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A): • CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF 936.292.65987; e • ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF 919.869.82904. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 25/11/2011 (fls. 241 do processo digital), o contribuinte CRISTALLERIE STRAUSS protocolou impugnação, tempestivamente em 22/12/2011, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.584, de 29/09/2011, e fls. 419 à 438, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Alegouse que: Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 4 3 PRELIMINARMENTE. · ILEGALIDADE DA PROVA EMPRESTADA. O cerne da pendenga prendese à idéia de que a Impugnante ocultouse indevidamente, por meio do subterfúgio da interposição fraudulenta de pessoas, para lesar o fisco. Não existe, para tanto, regulamentação específica sobre o tema. Junta textos da doutrina de Luiz Flávio Gomes a respeito do assunto. Para que possa gerar os efeitos pretendidos, a prova emprestada deve respeitar, no mínimo, os princípios constitucionais que regem a matéria, como o do contraditório e do devido processo legal. No caso sob análise, as provas emprestadas foram colhidas em inquérito policial instaurada contra a empresa D&A, após autorização judicial expedido em Mandado de Busca e Apreensão. A Impugnante, no entanto, não era parte deste inquérito, nem do Mandado de Busca e Apreensão. Então, os documentos (supostas "provas") foram apreendidos sem que a Impugnante tivesse qualquer acesso a eles. Depois, ainda sem que a Impugnante tomasse conhecimento do conteúdo dos referidos documentos probantes, eles foram "emprestados" à Receita Federal, sendo que esta última utilizouos para produzir a autuação fiscal ora combatida. Ora, há evidente afronta aos postulados da ampla defesa e do contraditório. Sendo assim, há nulidade absoluta no Auto de Infração expedido, decorrente de prova ilícita, cujo saneamento é impossível. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: TJSP, 6ª Câmara, AP n° 84.8063. DO MÉRITO. SOBRE A INTERPOSICÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. A ocultação de pessoas, mediante interposição fraudulenta, é tipificada como infração por constituir dano ao erário. Transcreve o artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Junta textos da doutrina de De Plácido e Silva a respeito do assunto. Nessa senda, podese definir a infração acima identificada como o ato em que uma pessoa física ou jurídica, agindo em nome próprio, fraudulentamente aparenta ser o responsável por uma operação de comércio exterior pela qual de fato não foi, tendo apenas tentado fazer parecer que seria o seu beneficiário, de modo a interpor se entre a União (sujeito ativo) e o real sujeito passivo, com o objetivo central de ocultar este último da relação obrigacional tributária. Em todo caso, a pessoa que se interpõe, registra a Declaração de Importação (Dl), se apresenta como importadora, é fundamental e determinante, ou seja, é esta, em última instância que realiza as condutas que caracterizam o núcleo do tipo legal da pena de perdimento. Por outras palavras, esta deve ser apenada com o perdimento das mercadorias ou com a pena de multa equivalente. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 5 4 A interposição de terceiros apenas será considerada infração quando existir evidente fraude ou simulação, bem como o conluio entre as partes. INEXISTÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. No caso concreto os fiscais consideraram que houve ocultação do real importador das mercadorias, mediante fraude e simulação nos registros das DIs. Foram tecidos amplos comentários acerca do ônus financeiro das importações, no qual foi demonstrado que as importações foram realizadas por conta e ordem, uma vez que as importações eram pagas com recursos da Strauss. No entanto, os fiscais aduzem, no item 6.2 do Auto de Infração, que este suprimento de recursos, com ocultação da empresa Strauss, por si só, demonstram a ocorrência da interposição fraudulenta de terceiros. Esta omissão, todavia, não trouxe nenhum benefício às partes pela ocultação da real adquirente. Os fiscais não podem concluir que todas as operações realizadas pela D&A sejam fraudulentas, simplesmente por esta empresa (D&A) já ter realizado outras operações fraudulentas. O fisco deve analisar caso a caso, e verificar se em cada caso houve infração fiscal, e, principalmente, se houve fraude. Não foi o que ocorreu no presente, levando a crer que os fiscais efetuaram o mesmo lançamento contra todos os adquirentes de produtos importados por conta e ordem pela D&A. Se a D&A tinha a prática de ocultar o real adquirente, isto era ato exclusivo da mesma. Porém, no caso concreto, esta prática não ensejou qualquer benefício ao real adquirente, nem qualquer dano ao erário. Também não houve qualquer demonstração do conluio entre as partes. O artigo 95 do DecretoLei n° 37/1966 responsabiliza pela infração apenas as pessoas que concorram para sua prática ou dela se beneficiem. Esta simples ocultação não configura dano ao erário. Para que haja dano ao erário é preciso que haja infração fiscal decorrente do não pagamento do tributo devido com conluio entre as partes. Também não há forja de documentos. Há, no máximo, falsidade ideológ0ca, conforme será demonstrado a frente. Em que pese estes fatos, foi efetuado o lançamento com base nas seguintes "causas" de dano ao erário: Burla aos sistemas pela forja documental; Burla aos sistemas pela subversão total de quaisquer controles de importação; Prática de preços inferiores ao de mercado, provocando concorrência desleal, que poderia causar a falência de outras empresas; Quebra da cadeia do IPI. No entanto, em momento algum foi comprovada qualquer infração, pois não há provas de qualquer ato fraudulento, uma vez que toda tributação foi recolhida Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 6 5 normalmente. Até porque, se esta tributação não fosse recolhida, isto ensejaria o lançamento dos tributos devidos, o que não ocorreu, uma vez que todos os tributos foram pagos. Dessa forma, não pode ser aplicada pena de perdimento, nem a conversão dessa pena em pena de multa, uma vez que não ocorreu qualquer dano ao erário, nem fraude, fatos essenciais para aplicação dessa pena, conforme se discorre pormenorizadamente nos tópicos seguintes. Inexistência de dano ao erário decorrente de suposta fuga ou burla aos controles aduaneiros. A fuga aos controles aduaneiros, a fim de agilizar a importação, não representa dano ao erário, pois a contratação de trading company, para a realização das importações de terceiros, não é proibida pela legislação pátria. Igualmente, não há qualquer burla aos controles aduaneiros advinda de fraude aos limites de importações, uma vez que não há qualquer vedação na contratação de empresas importadoras com limites maiores de importação. Portanto, a suposta fuga à parametrização mais rígida não representa qualquer dano ao erário, pois a mesma era possibilitada pela legislação pátria. Junta textos da Jurisprudência: STJ, 2a Turma, REsp n° 639.252, TRF4, 2ª Turma, REOAC n° 95.04.327699. Inexistência de forja documental e de remessa ilegal de divisas. Também justificouse a aplicação da pena de perdimento com base no artigo 105, inciso VI, do DecretoLei n° 37/1966. Aduzem que houve forja documental, mediante subfaturamento das operações de importação, com a falsificação das faturas. Alegaram que a forja de faturas decorre da existência de carimbos falsos de fornecedores e da Câmara de Comércio de Taiwan nas dependências da D&A. No Apêndice "Subvaloração X Subfaturamento" os auditores fiscais fazem a distinção destas modalidades, e conceituam o subfaturamento na importação como a forja da fatura para indicar valor mais baixo do que o transacionado, com o pagamento da diferença mediante envio dos valores "por fora", à margem dos controles legais. Também não há provas de que a Impugnante tenha transferidos quaisquer valores à D&A para fins de remessa ilegal. Pelo contrário, há provas de que não houve qualquer remessa ilegal. Assim, impossível que tenha ocorrido qualquer r messa de divisas, pois os valores antecipados pela Strauss à D&A não superam o valor somado dos bens importados e das despesas de importação. Se tivesse ocorrido o subfaturamento, como afirmam os auditores fiscais, a fazenda deveria lançar os valores correspondentes aos tributos decorrentes das operações subfaturadas. Não o fez, mormente porque não houve subfaturamento. Todas as operações foram regulares. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 7 6 Assim, não pode ser aplicada qualquer pena de perdimento, pois não houve qualquer forja documental, nem remessa ilegal de divisas para o exterior. Junta textos da doutrina: Fernando Capez e Stela Prado. Inexistência de dano ao erário decorrente do subfaturamento. Além do exposto no tópico anterior, importante esclarecer ainda que o subfaturamento, por si só, não é causa que justifica a aplicação de pena de perdimento. O subfaturamento tem como objetivo a diminuição da base de cálculo dos tributos devidos. O subfaturamento é constatado pela diferença entre os valores reais praticados e os valores declarados nos documentos fiscais. No que atine ao subfaturamento o legislador editou normas específicas para regular as penas aplicadas a esta infração, não prevendo a possibilidade de aplicação de pena de perdimento das mercadorias, mas apenas a aplicação de pena de multa. O artigo 88, caput e parágrafo único da Medida Provisória n° 2.1583/2001 que pressupõe a fraude, sonegação ou conluio , prevê a aplicação da pena de multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado. No mesmo sentido, o artigo 108, parágrafo único, do DecretoLei n° 37/1966, prevê que será de 100% (cem por cento) a multa relativa à falsa declaração correspondente ao valor, à natureza e à quantidade, ou seja, o arbitramento do valor das mercadorias pressupõe a existência de fraude, sonegação ou conluio. Junta textos da Jurisprudência: (TRF4, 2a Turma, AMS n° 200570080006565), (TRF4, 4a Turma, AMS n° 200470080015641) e (JFPR, 6a Vara Federal de Curitiba, AO n° 2005.70.00.0264556). Pelo exposto, ainda que haja subfaturamento, não se justifica a aplicação de pena de perdimento, pois para esta infração há pena de multa própria prevista na legislação. Inexistência de quebra da cadeia do IPI. Os auditores fiscais alegam ainda, no item 6.1, que houve, no caso concreto, quebra da cadeia do IPI incidente sobre o lucro agregado na fase comercial posterior ao desembaraço. Estas alegações são inverídicas, haja vista que a Impugnante sempre recolheu o IPI nas suas saídas, como pode ser obser a o i as notas fiscais em anexo (DOC. 04). Apenas deixou de recolher o IPI quando houve remessa para exportação, para a qual há suspensão deste imposto (DOC. 05). Assim, como houve recolhimento do imposto devido, não há dano ao erário, pois não foi quebrada a cadeia do IPI, não podendo ser aplicada a pena de perdimento, e muito menos a pena de multa substitutiva. Haveria quebra da cadeia do IPI apenas quando o real adquirente das mercadorias deixasse de recolher o IPI devido aos cofres públicos, o que não Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 8 7 aconteceu no presente caso. Como não há quebra da cadeia do IPI também não há fraude, sendo impossível a aplicação de pena de perdimento. A empresa sequer se credita do IPI devido na maioria das entradas, por expresso impedimento do Regulamento do IPI, haja vista que as mercadorias importadas são bens de uso e consumo, como pode ser observado no Livro Registro de Entrada em anexo (DOC. 06). Não ocorrendo falta de pagamento do IPI na saída, não há qualquer dano ao erário apto a justificar a imposição da pena de p rdi lento, bem como a pena de multa, relativa a estas mercadorias. REQUERIMENTOS. Face o exposto nesta peça impugnatória, requerse de Vossa Senhoria o recebimento da presente impugnação administrativa e seu processamento, sendo anulado o lançamento fiscal, por ofensa aos fundamentos jurídicos apontados em cada um dos tópicos acima arguidos. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 25/11/2011 (fls. 428 do processo digital), os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram impugnação conjunta, tempestivamente em 21/12/2011, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 501 à 560. Alegouse que: · ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal, eis que: O compartilhamento dos documentos apreendidos (que jamais foram submetidos ao contraditório e ampla defesa), somente poderia ter sido realizado ao término do Inquérito Policial, o que até hoje não ocorreu; A grande maioria dos documentos apreendidos eram da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior, e; As infrações apuradas no presente auto de infração não guardam qualquer relação com os crimes apurados no inquérito policial, razão pela qual se tornam imprestáveis para tanto. · COMPARTILHAMENTO DE PROVAS INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA INOBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO PARA O COMPARTILHAMENTO NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Para fins de aplicação da pena de perdimento e das supostas infrações apontadas no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal se valeu EXCLUSIVAMENTE de provas (invasão domiciliar para apreensão de documentos e quebra de sigilo bancário e telemático) que não merecem respaldo jurídico, vez que ilícitas. Qualquer prova obtida com violação a essas ou outras garantias as quais, constitucionalmente asseguradas, não podem ser admitidas. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 9 8 Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: STF, Voto do Rel. Min. Ilmar Galvão na AP 3073DF, DJU 13/10/95. No caso concreto, as provas utilizadas foram "emprestadas" dos autos do INQUÉRITO POLICIAL N° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) que tramita na Justiça Federal da Comarca de Florianópolis/SC. A D&A não faz parte daquele processo! Nunca teve acesso àqueles autos! Sequer lhe foi dado o direito ao contraditório e à ampla defesa sobre as provas colhidas naquele inquérito. Não merece qualquer respaldo jurídico a prova que não é submetida ao contraditório e à ampla defesa, devendo ser rechaçada, pois ilícita! Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito da validade da "Prova Emprestada". Tais provas, ainda que pudessem ser admitidas para o presente processo fiscal, somente poderiam ter sido utilizadas "após o sucesso das investigações policiais", ou seja, após o trânsito em julgado daquele processo, pois, sem isso, não se pode verificar o "sucesso" das investigações. Outra irregularidade nas provas emprestadas. Conquanto o sigilo tenha sido quebrado "pelos últimos 5 anos" daquele despacho (digase, de 08/Ago/2000 a 08/Ago/2005). verificase que as TODAS as provas juntadas ao presente processo fiscalizatório possuem datas POSTERIORES ao ano de 2005! Aliás, o próprio MPF F menciona que o período das apurações é de 2006 a 2008. Logo, resta cristalino que a autoridade fiscal excedeu os poderes que lhe foram conferidos para a quebra dos sigilos daquelas empresas relacionadas no despacho judicial, evidenciando ainda mais a ilicitude da prova, imprestável, portanto, ao fim que se destina. Por essas razões, IMPUGNAMSE, desde já, TODAS as provas juntadas no presente procedimento que tiveram origem do Mandado de Busca e Apreensão em questão. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS EMPRESA DIVERSA DA INVESTIGADA AUSÊNCIA DE MANDADO JUDICIAL ESPECÍFICO ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente procedimento fiscal é que muitas delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões. Todos os documentos referentes à etapa 'préimportação', tais como planilhas de custo de importação, licenciamentos de importação, certificados de conformidade de produtos, laudos, bem como aqueles referentes ao despacho aduaneiro além de CPU's (dentre os itens 1 a 12 do Auto de Apreensão) estavam na posse e propriedade da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior. Embora a empresa Debossan Despachos Aduaneiros prestasse serviços de desembaraço de mercadorias para a empresa D&A Comércio Exterior (dentre outras empresas), certo é que na época dos fatos, a Debossan Despachos Aduaneiros funcionava em endereço contíguo ao endereço da D&A Comércio Exterior Ltda, Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 10 9 ambas no Edifício Tóquio, um prédio comercial situado na Rua General Osório, n° 880 com diversas salas comercia. Enquanto a D&A estava localizada na Rua General Osório, n° 880, sala L Debossan Despachos Aduaneiros funcionava na sala ao lado, ou seja, no endereço Rua General Osório, n° 880, sala 05. Vejase que a autorização judicial não especificou em qual sala do Edifício Tóquio, na Rua General Osório, 880, funcionava a empresa D&A, mas apenas fez referência que seria no andar térreo. Ocorre que o Mandado de Busca e Apreensão, expedido única e exclusivamente para diligências na empresa D&A Comércio Exterior, foi levado a cabo também nas dependências da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Tal fato ocorreu, provavelmente porque o endereço constante do Mandado não especificava a sala, mas apenas que a empresa funcionava no andar térreo. Ao invés de certificarse de que no andar térreo funcionavam duas empresas distintas, o que fez a autoridade policial foi utilizarse daquela 'ambiguidade' constante da autorização judicial para fazer uma devassa não somente nos computadores da D&A Comércio Exterior, como também da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Aliás, digase de passagem, que o endereço constante no mandado de busca e apreensão não foi informado pela Juíza Federal, mas pela própria autoridade policial. Sendo assim, tudo leva a crer que a autoridade policial, certa de que não obteria um mandado de busca na empresa Debossan Despachos, utilizouse de meios escusos (a informação de endereço não específico), induzindo o magistrado em erro na decretação da medida cautelar. Dessa forma, conseguiria justificar a apreensão de bens e documentos não só na empresa D&A, mas também na Debossan Despachos Aduaneiros. Por esses motivos, imperioso reconhecerse a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, devendose declarar a nulidade de todo o procedimento por mais esse motivo. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS INVESTIGAÇÃO CRIMINAL INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS CRIMES INVESTIGADOS E AS INFRAÇÕES APURADAS ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Para se conseguir que aquela investigação alcançasse a empresa Impugnante, alegouse que a D&A estaria envolvida com o Grupo Roger Tur, efetuando remessas cambiais às margens oficiais com o fim de subfaturamento de mercadorias. Contudo, em que pese toda a devassa realizada contra a Impugnante, com a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, invasão domiciliar através da busca e apreensão de documentos sem mandado de procedimento fiscal, quebra de sigilo de dados, dentre outros, nenhuma prova ou qualquer indício de prova foi encontrado que pudesse ligar a D&A Comércio Exterior com o Grupo Roger Tur originalmente investigado. Por outro lado, de posse de todos aqueles dados, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Lançamento apurando supostas infrações administrativas no controle aduaneiro, como a multa por prestação de informações incorretas no comércio exterior, suposta ocultação do real adquirente de mercadorias ou, em Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 11 10 alguns casos, multas por embarques de mercadorias sem o licenciamento de importação prévio. Ocorre que, de todas as infrações apuradas pela autoridade fiscal ao longo desses anos de fiscalização, nenhuma possui correlação com os crimes investigados no 'processomãe' do grupo Roger Tur. As penalidades aplicadas contra a Impugnante fogem à finalidade para a qual o Mandado de Busca e Apreensão fora concedido: apurar a evasão de divisas ou prática cambial às margens oficiais! Por esse motivo, não se pode aceitar como lícita a prova utilizada no presente processo pois não se presta ao fim a que se destinava. Estáse diante de uma verdadeira inversão das garantias fundamentais do cidadão, insculpidas no art. 5º da Constituição Federal, o que jamais poderá prosperar, devendo ser reconhecida desde já por esse ilustre julgador, ainda que em sede administrativa. Não é admissível que uma quebra de sigilos e garantias, com finalidade específica diante do objeto próprio do processo investigatório em curso, seja deturpada a ponto de chegarse a uma divulgação maior, fora dos parâmetros desse processo, para alcançar infrações administrativas que nenhuma relação possuem com o alvo inicial a que se destinava. A excepcional quebra do sigilo bancário da Impugnante foi autorizada com um único fim: comprovar de alguma forma a remessa de divisas ao exterior às margens oficiais. No entanto, a autoridade fiscal utilizou tais extratos para tentar caracterizar infrações de natureza eminentemente administrativa, longe de caracterizar um ilícito penal. No caso em análise, houve verdadeira deturpação da ressalva constitucional para fins escusos. Utilizouse de meras suposições, sem respaldo em qualquer documentação probante, para a concessão das medidas judiciais próprias e exclusivas da investigação criminal. Desde o início do procedimento criminal, as quebras dos sigilos da Impugnante, bem como o Mandado de Busca e Apreensão, foram baseados em supostos crimes contra a ordem tributária, praticados pela empresa D&A. É sabido que a propositura de ação penal, bem como o procedimento prévio investigatório de crimes somente pode ser admitido após ocorrido o lançamento definitivo do tributo, assim entendido aquele que não comporte mais qualquer recurso na fase administrativa. Tratase, portanto, de expedientes próprios da investigação criminal sendo claramente utilizados de forma indevida para a definição de infrações de cunho administrativo ou créditos tributários. Impossível se referendar tal prática, devendose reconhecer a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, vez que não guardam qualquer relação com os crimes para os quais as quebras das garantias constitucionais foram autorizadas, determinandose o cancelamento do Auto de Lançamento ora impugnado. · AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 12 11 NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO O procedimento fiscal em comento foi instaurado sem o prévio e necessário Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF, o que causa evidente e manifesta ilegalidade, por inobservância dos arts. 2º e 3º da Portaria RFB 3.014/2011. À época em que a Autoridade Fiscal deu início ao Procedimento de Fiscalização, dispunha apenas e tão somente de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, que, de acordo com a própria legislação que trata da matéria, não se presta para a realização de procedimento fiscal. Aliás, o próprio relatório do Auto de Infração ora impugnado demonstra claramente que somente em 16 junho de 2011 houve a conversão do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (Doc. 53 e fls. 18/19 do Auto de Infração). Ou seja, todos os atos de fiscalização praticados pelas Autoridades entre 21/10/2010 e 16/06/2011 são manifestamente nulos, por ausência de MPFF. Já os praticados posteriormente, são igualmente nulos, pois decorrem de atos nulos praticados anteriormente (observância da teoria dos frutos da árvore envenenada). Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 11.371/2007. Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 3.014/2011. Portanto, necessitavam as Autoridades Fiscais, desde o início do procedimento fiscal, de um mandado de procedimento fiscal de fiscalização, nos termos dos arts. 2º e art. 3º de ambas as portarias, acima transcritas, o que não ocorreu, gerando inequívoca ilegalidade, passível de anulação do Auto de Infração. Dessarte, muito mais do que um mero instrumento de controle interno é uma garantia do contribuinte, para que, mediante a apresentação do MPFF lavrado contra si, possa invocar desde o início da fiscalização todos os princípios que a norteiam, notadamente o da ampla defesa e do contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. · EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O lançamento tributário é um ato administrativo de ofício, e como tal, somente poderá se aperfeiçoar se forem seguidos todos os seus requisitos essenciais, procedimentos imprescindíveis à sua perfectibilidade. Da mesma forma, o sujeito contra o qual foi procedido o conjunto de atos, deve tomar a devida e regular ciência dos mesmos. No caso concreto, além do vício formal por falta de MPFFiscalização para realizar o Procedimento Fiscal em questão, a autoridade fiscalizadora também extrapolou os prazos legais para a realização da fiscalização instaurada, além de não ter intimado regularmente os Impugnantes acerca das prorrogações dos prazos do MPF. É certo que, se por um lado é dado à autoridade fiscal o poder de fiscalizar, por outro lado tal poder está submetido a certos limites, dentre os quais, o prazo para a conclusão dos seus atos. Certamente o contribuinte não pode ser submetido a um Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 13 12 procedimento de fiscalização eterna. No caso concreto, portanto, evidenciouse verdadeiro abuso do poder fiscalizatório. Não existe fiscalização por prazo indeterminado. Quando a autoridade fiscal inicia seu trabalho é obrigado a emitir um termo de início. Nesse termo já deve constar prazo máximo para o término do trabalho. Emitido o MPFD no dia 07/out/2010 a autoridade fiscalizadora detinha o prazo máximo de sessenta dias para sua conclusão, ou seja, deveria necessariamente terminar seu procedimento até o dia 06/Jan/2011 ou, solicitar a prorrogação da fiscalização, desde que devidamente justificada, sob pena de arquivamento do processo. Além do mais, verificase que houve diversas prorrogações do prazo do MPF, sem que, contudo, os Impugnantes fossem cientificados a respeito, em total afronta ao disposto no art. 9º, parágrafo único, da então vigente Portaria RFB 11.371/2007. Aliás, os Impugnantes solicitaram expressamente que, caso ocorressem prorrogações desta natureza, fossem estes expressamente notificados a respeito. No entanto, o pleito foi negado ao errôneo argumento de que não haveria previsão legal para tal pedido. No entanto, consoante se pôde ver da leitura do parágrafo único do art. 9º da Portaria que regulamente o MPF, o pleito dos Impugnantes tinha, sim, base legal, razão pela qual devia ter sido atendido. Assim, ao negar o pedido dos Impugnantes, incorreu a Autoridade Fiscal em novo ato ilegal, que acarreta em nulidade todos os atos praticados, mormente porque agiram em total afronta aos princípios constitucionais da publicidade dos atos administrativos, ao direito de informação, da ampla defesa e do contraditório. Diante disso, deve ser declarado nulo o AI por vício formal. · DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O lançamento não está individualizado. O Auto de Infração aplicou pena de perdimento às mercadorias importadas sob o argumento de que a empresa CRISTALLERIE STRAUSS seria a real adquirente das mercadorias, apesar de oculta. A conversão do perdimento cm multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias ocorreu porque os produtos já "teriam sido" consumidos. Como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e intransmissibilidade da pena e, por isso mesmo, só pode ser aplicado em face do proprietário da mercadoria, até porque, logicamente, ninguém pode ser condenado a "perder", ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio, bem ou direito que nunca o compôs. Transcreve o artigo 100 do DecretoLei n° 37/66. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Como se vê, para a concretização da pena de perdimento é imprescindível se obter a exata e completa identificação do proprietário da mercadoria, pois é unicamente este o sujeito que poderá ser apenado ou alcançado pela sanção do Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 14 13 perdimento. No presente caso, apesar de identificar quem supostamente seria o real proprietário oculto, o Fisco autuou as empresas D&A e CRISTALLERIE STRAUSS conjuntamente, na condição de contribuinte, sem qualquer distinção. Assim, se o Auditor Fiscal entende que a CRISTALLERIE STRAUSS se ocultou, então deveria, vem Processo Administrativo e Auto de Infração próprio, individualizar sua conduta, e punila unicamente. Não existe, porque impossível, a "pena de perdimento solidária". A responsabilização solidária, quando prevista em lei, só pode ocorrer para fins de pagamento de tributo, que não se confunde com pena de perdimento e, evidentemente, também não pode ser confundida com a responsabilização penal do agente infrator, esta prevista no art. 95 do Dec.Lei 37/66. O Decreto 70.235/72 veda e impede que sejam reunidos em um só processo. Autos de Infração instaurados contra contribuintes diversos, ainda que em razão do mesmo fato. In casu, porém, não se trata de reunião em um só processo de dois autos de infração contra dois contribuintes diversos, o que já seria ilegal. No presente caso a ilegalidade é ainda mais flagrante, pois se trata de constituir em um único auto de infração, ou seja, um único crédito tributário constante em um único processo administrativo contra dois contribuintes distintos. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. · ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ÉRICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Aspectos Fáticos Relevantes da Empresa D&A (Impugnante) O impugnante faz um relato sobre a constituição da empresa D&A Comércio Exterior Ltda. Ao se consultar o histórico de importações da empresa D&A, poderseá constatar que as importações em seu nome iniciaram efetivamente a partir de Junho de 2005, justamente por conta do benefício fiscal que lhe fora concedido naquele mês. Portanto, embora o foco da empresa D&A tenha mudado, iniciando como uma empresa prestadora de serviços de despacho aduaneiro (em 2003) e consolidandose como uma empresa comercial importadora (a partir de Jun/2005), a sua motivação negocial foi sempre muito bem definida. Todas as alterações contratuais foram realizadas conforme os ditames da lei vigente, sempre administrada pela sua sócia Josiane Denise dos Santos Debossan, essa, aliás, quem deu verdadeira guinada nas atividades da empresa, colocandoa no rumo em que se encontra hoje, não havendo qualquer irregularidade a ser apontada. Das Motivações da Autoridade Fiscal para Inclusão de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert como Responsáveis Solidários. Pelo que se depreende do Relatório do Auto de Infração, conjuntamente do que a autoridade fiscal denominou "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica", a razão que levou à inclusão dos Despachantes Aduaneiros e sócios da Debossan Despachos Aduaneiros 1 (Sr. Caio Debossan e Érica Debossan) a figurarem como responsáveis solidários do presente Auto, foi que a AFRFB entendeu serem eles "sócios ocultos" da empresa D&A. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 15 14 Acontece que a Autoridade Fiscal, data vênia, parte de uma premissa totalmente equivocada para chegar a tal conclusão. A Autoridade Fiscal sustenta que Caio e Érica teriam "tentando ocultarse do quadro societário da empresa D&A com o uso de seus cônjuges na sociedade de direito", e que apesar de a legislação ter desvinculado funcionalmente a profissão de despachante aduaneiro da administração pública, dotoua de múnus público com a impossibilidade de comercializar mercadorias estrangeiras, pois se isso fosse possível "colocaria o despachante aduaneiro em franca vantagem concorrencial, ante as informações de que dispõe em razão de sua profissão, mutatis mutandis, o que o assemelha a um servidor público". Caso a premissa adotada pela Autoridade Fiscal fosse verdadeira, então nenhum servidor público poderia ter seu cônjuge sócio de uma empresa privada. Para se demonstrar que a premissa adotada pela Autoridade Fiscal é falha, tomase como exemplo os inúmeros auditores fiscais cujos cônjuges fazem parte do quadro societário de empresas privadas (muitas vezes de empresas importadoras). No caso hipotético, então, esses funcionários públicos teriam que ser considerados "sócios ocultos daquelas empresas visando obter franca vantagem concorrencial ante as informações de que dispõe". Tal linha de raciocínio, evidentemente, não pode prosperar. Além disso, interessante abrir um parêntesis nesse ponto para uma argumentação sob o plano hipotético, a fim de se demonstrar, sob outro ângulo, que as premissas tomadas pela Autoridade Fiscal são equivocadas. É que, caso a vedação do art. 10, I do Dec. 646/92 pudesse ser considerada válida, mesmo assim ela não atingiria o despachante aduaneiro sócio de uma empresa atuante na importação por conta e ordem. Se por um lado a empresa D&A Comércio Exterior Ltda. sempre foi gerenciada e administrada pela Josiane dos Santos Debossan (conforme pode ser comprovado pelo simples constatação de que é ela quem assina todas as procurações da empresa, livros fiscais, contratos com terceiros, negocia valores, etc.), por outro lado, Caio e Érica Debossan sempre atuaram como sócios e despachantes da empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. Não há que se confundir as duas empresas, pois distintas não só de fato, como também de direito. Da mesma forma, não há o que se falar em sociedade oculta, vez que os sócios de cada pessoa jurídica são conhecidos e exercem suas devidas funções. Ora, o fato das duas empresas terem sócios com laços familiares entre si, não tem o condão de desconsiderar suas personalidades jurídicas. Da mesma forma, não se pode presumir que Caio Debossan e Érica Debossan seriam sócios da empresa D&A pelo simples fato de que seus cônjuges é quem figuram no seu quadro societário, quando todos os documentos jurídicolegais da empresa demonstram o contrário. É um total disparate. Por sua vez, a alegação de que Josiane Debossan e Ivan Luiz Reinert seriam sócios "laranja" ou "presta nomes" também não passa de uma suposição descabida de qualquer fundamentação legal. No que tange especificamente o sócio da D&A, o Sr. Ivan Luiz Reinert, é certo que ele é apenas um sócio quotista e não detinha cunho gerencial na empresa. Aliás, possuía, sim, outro emprego em empresa diversa. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 16 15 É uma verdadeira aberração a presunção feita pela autoridade fiscal, de que Josiane Debossan seria uma 'sócia laranja', baseado numa simples conversa, desconsiderando todo o histórico gerencial da empresa realizado sempre pela Josiane Debossan. A empresa D&A se consolidou na prestação serviços de importação por conta e ordem de terceiros. Todo e qualquer outro serviço atrelado ao comércio exterior, como agenciamento de frete, preparação de documentos, desembaraço aduaneiro, etc. era prestado e cobrado pela Debossan Despachos Aduaneiros. Portanto, esse é o motivo para que Caio e Érica (sócios de fato e de direito Debossan Despachos) recebessem o percentual maior das comissões, repar do restante aos demais. Ou seja, mais um grande equívoco da autoridade fiscal. Érica Debossan, assim como inúmeros outros despachantes aduaneiros que trabalhavam para a D&A Comércio Exterior Ltda., eram apenas mandatários daquela empresa. Érica ao fazer contato com a ANP e buscar subsídios para realizar o cadastro de um dos seus clientes junto àquele órgão estatal, estava simplesmente exercendo seu mister. Como se sabe, a ANP é um dos inúmeros órgãos anuentes de licenciamentos de importação para determinadas mercadorias, razão pela qual Érica Debossan, na qualidade de despachante da D&A, estava angariando informações e procedimentos para que Josiane Debossan realizasse o cadastro de sua empresa junto àquele órgão. Érica Debossan representava, então, a empresa D&A, por força do Mandato que lhe havia sido conferido. O que parece é que a autoridade fiscal pretende fazer crer que a sócia administradora de sua empresa não poderia terceirizar nenhum serviço, devendo pessoalmente tratar de todas as questões burocráticas, e, quiçá, cuidar pessoalmente do desembaraço aduaneiro. Um total desconhecimento da realidade empresarial. Merece destaque esse ponto, para se frisar que a importação por conta e ordem em Santa Catarina é regra, não exceção. Somente as empresas que possuem seus próprios benefícios fiscais de ICMS é quem realizam importações diretas. Sendo assim, despachantes aduaneiros da região invariavelmente firmam parcerias com empresas importadoras de sua confiança, pois se assim não o fizerem, o importador buscará outra comercial importadora e, consequentemente, irá desembaraçar suas mercadorias com outro despachante aduaneiro. Logo, a indicação de empresas comerciais importadoras/exportadoras (assim como empresas de outros ramos, como as de transporte nacional, agentes de carga internacional, inspetores de qualidade, corretores de seguros, tradutores e intérpretes, especialistas em classificação aduaneira, agências bancárias, despachantes aduaneiros dentre outras várias que gravitam a atividade de comércio exterior) é prática comum comercial, eis que se depende de vários prestadores de serviços terceirizados para a internação de mercadorias ou seu envio para o exterior. Contudo, a simples indicação da empresa D&A pela Érica Debossan não pode conduzir ao entendimento de que essa a gerenciava. Fosse assim, Érica e Caio Debossan teriam que ser considerados "sócios ocultos" de inúmeras outras empresas, tais como a ES Logística (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros no transporte internacional); Torre Corretora de Seguros (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros nos seguros internacionais de carga), dentre inúmeros outros. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 17 16 A fim de se esclarecer o imbróglio causado pela autoridade fiscal, vejase que em verdade, o site www.deacomex.com.br é destinado ao "Grupo D&A", ou seja, à todas as empresas pertencentes à família Debossan que atuam no comércio exterior. São ao todo três empresas distintas (D&A Com. Serv. Imp. Exp. Ltda.; Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. e; Confiança Comércio Exterior Ltda.), com motivos negociais específicos a cada uma delas. Não se confundem nem se misturam. Atuam individualmente e livremente, cada qual no seu segmento de mercado. Vejase, portanto, que embora se tratem de empresas distintas, com o passar dos anos, por serem da mesma família, passouse a chamálas apenas como "D&A". Isso, contudo, não quer dizer que esteja se falando apenas da D&A Comércio Serviços Importação Exportação Ltda. (ora Impugnante), mas sim do Grupo de Empresas D&A (Confiança; Debossan e D&A). Por fim, cumpre lembrar que somente poderia a autoridade fiscalizadora incluir os sócios Caio Debossan e Érica Debossan como solidariamente responsáveis no presente auto de infração, caso tivesse comprovado que os mesmos tiveram agido com excesso de poderes, infração de lei, ou em caso de dissolução irregular da empresa, nos termos do art. 135 do CTN. Entretanto, nenhuma das hipóteses ocorreu conforme amplamente demonstrado na presente peça impugnatória. Ainda que ao final da presente Impugnação se entenda que alguma infração tenha ocorrido, certo é que isso não terá o condão de desconsiderar a personalidade jurídica limitada da empresa Impugnante, ao ponto de alcançar qualquer pessoa física que seja, muito menos terceiros que em nada contribuíram para tal infração, tampouco puderam se beneficiar dela. · ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Ainda que se admitisse como correta a aplicação da pena de perdimento e a multa de conversão dela decorrente, mesmo nessa hipótese o Auto de Infração deve ser anulado, diante da manifesta ilegitimidade passiva da D&A. É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome. Essa é, aliás, a exegese que se extrai da conjugação do art. 33 da Lei 11.488/07 com o art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76. Cita Jurisprudência Administrativa, em relação aos seguintes acórdãos da DRFSP: ACÓRDÃO N° 1728100; ACÓRDÃO N° 1728104 e ACÓRDÃO N° 1724943. Pelo mesmo motivo, também não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da Lei 11.488, sob pena de estarse ferindo o princípio do non bis in idem. Transcreve o art. 100 do DecretoLei 37/66. Não bastasse o erro de tipificação legal, é certo que a manutenção da multa de conversão da pena de perdimento em face da D&A causará inegável bis in idem, Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 18 17 pois tal empresa já está respondendo a outro Auto de Infração, de n° 13971.722508/201198, no qual lhe fora aplicada justamente a pena de 10% pela cessão de nome. Assim, se a própria Receita Federal reconhece que a D&A deve ser multada apenas em 10% do valor da operação pela cessão de nome para a importação, não pode figurar, concomitantemente, como sujeito passivo na aplicação da pena de perdimento das mercadorias nem suportar a multa de conversão, no valor aduaneiro das mesmas, pois estaria sendo punida duas vezes pelo mesmo fato. Face ao exposto, o presente Auto de Infração deve ser integralmente anulado ou julgado integralmente improcedente, por erro de tipificação legal. · AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. É de fácil percepção, portanto, que a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro pressupõe a prova da impossibilidade de localização das mercadorias ou de que foram consumidas. Acontece que, no caso concreto, a Autoridade Fiscalizadora aplicou a multa em questão por mera presunção pessoal, pois, pelo que consta nos autos, não foram realizadas diligências nem constatações suficientes, conclusivas, que apontassem claramente que as mercadorias não foram encontradas, ou que já foram consumidas. Do extenso relatório do Auto de Infração impugnado não se extrai qualquer prova de que a Receita Federal tenha buscado 'localizar' a mercadoria em questão. E foi exclusivamente com base neste suposto 'consumo da mercadoria' que a Autoridade Fiscal, de imediato, converteu a pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Não bastasse a flagrante ilegalidade acima apontada, é de se reconhecer também a existência de FLAGRANTE CERCEAMENTO DE DEFESA da D&A, pois esta sequer foi intimada a prestar informações ou esclarecimentos a respeito da localização das mercadorias que envolvem este Auto de Infração. Ora, se a D&A é quem foi autuada pela pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, necessariamente deveria ser intimada a prestar esclarecimentos, informar o paradeiro/situação das mercadorias ou, pelo menos, se defender. Dessa forma, ante a ausência de intimação da D&A, necessária se mostra a completa anulação do Auto de Infração ora impugnado, notadamente porque se está diante de inegável afronta a princípios basilares do Estado Democrático de Direito: ampla defesa e contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Da mesma forma, face à ausência de intimação da D&A, para que esta pudesse apresentar as mercadorias destinadas à pena de perdimento ou, no mesmo prazo, esclarecimentos a respeito das mesmas, resta igualmente prejudicada a aplicação da pena de perdimento e da multa de conversão dela decorrente, inclusive Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 19 18 por violação direta aos direitos constitucionais da ampla defesa e contraditório (CF 5º LV), motivos pelos quais deve ser decretada a nulidade deste Auto de Infração. · INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. A pena de perdimento das mercadorias é sanção aplicável aos casos de comprovada fraude na operação de importação ou de exportação. O próprio art. 23, V do DL 1.455/1976, no qual a Autoridade Fiscal embasa sua autuação, pressupõe a existência de fraude para que reste caracterizado o dano ao Erário. No caso em apreço, contudo, não houve ação nem omissão dolosa. O que houve foi um mero equívoco operacional, um erro de preenchimento da DI, que jamais pode ser considerado doloso, até porque esta "conduta" dolosa não traria benefício algum à Impugnante. Além do mais, a conduta dolosa deve, NECESSARIAMENTE, ter por escopo impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou de situações pessoais que sejam capazes de afetar a obrigação ou o crédito tributário, o que evidentemente não ocorreu no caso em tela, porquanto TODOS OS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO FORAM REGULARMENTE RECOLHIDOS! Em outras palavras, se a conduta da D&A não impediu o conhecimento do fato gerador dos tributos, nem afetou a obrigação tributária e o crédito tributário, não há que se falar em sonegação, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal. Aliás, agarrase tal autoridade no frágil argumento de que a conduta em tela visaria à quebra da cadeia do IPI, o que à toda evidência não prospera, consoante restará demonstrado em tópico apartado. Diante disso, não há que subsistir a forçosa alegação de que a D&A teria agido de forma fraudulenta, pois mesmo eventual erro no preenchimento da DI, além de não ser uma conduta deliberada (dolosa), não contribuiu em nada para que tributos deixassem de incidir ou deixassem de ser pagos, ou ainda que incidissem de forma reduzida. E, se não há fraude, também não há que se falar na aplicação da pena de perdimento das mercadorias, razão a mais para se julgar integralmente improcedente este lançamento tributário. Transcreve o artigo 73 da Lei n° 4.502/64. Nessa toada, mero juízo de delibação é suficiente para verificar que o conluio só existirá se houver a presença de sonegação e/ou fraude. No entanto, restou sobejamente demonstrado que em momento algum a D&A agiu de forma dolosa, a fim de praticar sonegação ou fraude, mormente porque todos os tributos foram regularmente recolhidos. Assim sendo, ante a inexistência de fraude ou sonegação, não há que se falar em conluio com a D&A. · INEXISTÊNCIA DA QUEBRA DA CADEIA DO IPI As mercadorias objeto das DI's que embasam este Auto de Infração estão classificadas ou na NCM 6310.10.00 (DIs 06/01932689 e 06/11946038), na qual o IPI sequer incide (nãotributável), ou na NCM 5503.20.00 (DIs 06/03409750 e 06/07160750), no qual a alíquota sempre foi 0%, conforme consulta feita ao ComexData. Ou seja, não há qualquer conduta dolosa, tendente a praticar fraude ou sonegação de IPI, eis que este tributo sequer incide na operação. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 20 19 Destarte, diante da ausência de qualquer intuito doloso; da ausência de sonegação ou de fraude; da ausência de "quebra da cadeia do IPI"; o Auto de Infração em questão deve ser julgado integralmente improcedente, pois, repitase, não há qualquer fraude na operação em questão, e todos os tributos nela incidentes foram devidamente recolhidos. · INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Heleno Taveira Tôrres a respeito do assunto. No presente caso, verificase que a Autoridade Fiscal fundamenta a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias ao argumento de que se estaria diante de uma interposição fraudulenta. E esta, por sua vez, seria realizada ao propósito de burlar os controles aduaneiros e quebrar a cadeia de incidência de IPI. Relativamente à suposta "quebra da cadeia do IPI", não houve qualquer burla ao recolhimento de tal imposto, notadamente porque as mercadorias importadas ou são materiais não tributáveis pelo IPI ou possuem alíquota 0%, ou seja, não há que se falar em sonegação de um imposto que sequer incide. Da mesma forma, todos os tributos incidentes na operação foram regularmente recolhidos, não se evidenciando, portanto, nenhuma sonegação ou fraude. Já no que se refere à suposta "burla aos controles aduaneiros" e à suposta "interposição fraudulenta", estas, de igual forma, não ocorreram. A Autoridade Fiscal quer fazer crer que a Impugnante ocultou dolosamente o real encomendante das mercadorias, ao argumento de que não teria informado o CNPJ deste no "campo próprio". Ocorre que este "campo próprio" não existia (e ainda não existe). Assim, as importações em questão se tratam de importações diretas para revenda. A importação direta diferese da importação por conta e ordem de terceiros, basicamente porque nesta (conta e ordem), a mercadoria continua sendo de propriedade do adquirente por conta e ordem, enquanto naquela (direta) a mercadoria é de propriedade do próprio importador, que, depois de desembaraçada, irá revendêla no mercado nacional. A empresa Importadora (D&A) cuidou de cumprir todos os aspectos jurídicos, tributários e formais para deixar "às claras" o negócio realizado, não havendo o que se cogitar em "simulação", como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora em seu relatório. Ademais, o negócio concretizado obedeceu todos os requisitos normatizados pela Receita Federal para que a mercadoria seja considerada de propriedade do importador, como é o caso na importação direta para revenda. Transcreve o Ato Declaratório Normativo da SRF n° 7 de junho de 2002 (ADN n° 7/2002). De acordo com o ADN SRF n° 7 como bastaria uma hipótese ser cumprida, para caracterizar a aquisição e propriedade da mercadoria importada pela importadora (D&A Comércio Exterior), descartandose a importação por conta e Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 21 20 ordem de terceiros ou encomenda e, conseqüentemente, qualquer hipótese de "interposição fraudulenta". Desta feita, a Ré não pode negar vigência à normativa da RFB a qual está diretamente vinculada, para concluir que a operação realizada tenha sido meramente uma prestação de serviços. Em suma, tratase claramente de importação própria, para revenda no mercado interno, assim caracterizada tanto do ponto de vista substancial, quanto formal, nos termos da legislação em vigor, especialmente do ADN n° 7/2002. · AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boafé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração. Junta textos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto: (REsp n° 331548/PR, Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 04/05/06) e (REsp n° 512517/SC, Min. Eliana Calmon, DJ de 19/09/05) Por mais que se insistisse na decretação da pena de perdimento à D&A, acreditandose ter havido a ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mesmo depois de toda a argumentação exposta, não há como se negar que houve o recolhimento de todos os tributos devidos na operação. Noutras palavras, a infração supostamente cometida neste caso, não resultou em falta ou insuficiência de recolhimento de tributo. Diante disso, considerandose que não houve falta de recolhimento de quaisquer tributos, a relevação da pena de perdimento, com fulcro no art. 737 do Regulamento Aduaneiro, é medida de Justiça que se impõe. · NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Caso se entenda que houve irregularidades na importação, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal o que ensejaria a aplicação da multa comumente conhecida como "multa por erro", do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento. Aliás, insta frisar a existência de conflito entre a pena de perdimento por "ocultação do real comprador", fundamentada no art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76, com a pena de multa por "omissão do adquirente comprador" fundamentada no art. 711, inciso III, §1°, do Regulamento Aduaneiro. Conforme demonstrado, ao se confrontar a redação do art. 711, III do RA (omitir a identificação do adquirente comprador) com a redação art. art. 23, V do Dec. Lei 1.455/76 (ocultar o comprador da operação), que ensejou a pena de perdimento no AI ora atacado, notase que as tipificações são idênticas para o caso Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 22 21 sob análise, razão pela qual se faria necessária a aplicação da penalidade mais branda, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional. Além do mais, a redação que introduziu a pena de perdimento no caso de "ocultação do real comprador", prevista no art. 23, V do DeL. 1.455/76, veio ao mundo jurídico através da Lei 10.637, de 30/12/2002. Já a redação do art. 711, inciso III, §1°, inciso I do R.A., por seu turno, que aplica multa de 1% do valor aduaneiro no caso da "omissão do real comprador", foi dada pela Lei 10.833 de 29/12/2003, que é mais recente, razão pela qual há de prevalecer, por força do disposto no art. 2°, § 1° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. DOS PEDIDOS. DO EXPOSTO, os Impugnantes requerem: O acatamento das preliminares alhures constatadas, para: · Reconhecer a ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas do Inquérito Policial n° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) e, consequentemente, decretar a integral nulidade do Auto de Infração (tópico 2.1); · Reconhecer a existência de cerceamento de defesa e, consequentemente, oportunizar a juntada posterior de outros argumentos de fato e de direito, além de outros documentos que possam surgir para contrapor a autuação fiscal (tópico 2.2); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF (tópico 2.3); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pelo excesso de prazo para a conclusão procedimental e pela ausência de intimação sobre as prorrogações do MPFF (tópico 2.4); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, por conta da ausência de individualização do lançamento tributário, em virtude da existência de diversos sujeitos passivos no mesmo Auto de Infração (tópico 2.5); · Reconhecer a ilegitimidade passiva e a responsabilidade solidária de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert, para anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tais Impugnantes (tópico 2.6); · Reconhecer a ilegitimidade passiva da D&A para suportar a pena de perdimento e a multa de conversão eis que tal multa não pode ser aplicada ao importador ostensivo, mas tãosomente ao real encomen dante/adquirente , para o efeito de anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tal Impugnante, estendendose automaticamente tais efeitos a Caio e Érica (tópico 2.7); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pela ausência de comprovação do consumo das mercadorias, o que impossibilita a aplicação da pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro (tópico 2.8); Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 23 22 · Decretar a nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, consistente na ausência de intimação da D&A para apresentar as mercadorias a serem destinadas ao perdimento (tópico 2.8); No mérito, os Impugnantes ainda requerem: · Seja reconhecida a inexistência de qualquer fraude, sonegação, conluio e/ou subfaturamento que pudesse ensejar a aplicação de pena de perdimento por suposta interposição fraudulenta (tópico 2.9); · Seja reconhecida a inexistência de quebra da cadeia de IPI nas operações em questão, mormente diante de ser produto não tributável e/ou de alíquota 0% (tópico 2.10); · Seja declarada a inocorrência de ocultação dolosa do real encomendante das mercadorias, a inocorrência de burla aos controles aduaneiros, bem como a inocorrência de interposição fraudulenta, a fim de afastar a pena de perdimento e a multa de conversão; · Seja afastada a hipótese de aplicação da pena de perdimento ao caso concreto, por ausência do elemento danoso; ou, na remota hipótese de se entender realmente aplicável ao caso concreto a pena de perdimento, seja então, relevada tal penalidade, nos termos do art. 737 do R.A.; · Por fim, diante da completa ausência de dolo, fraude, sonegação ou dano, reconhecendo por outro lado a boafé, presente nas atividades das Impugnantes, sejam estas isentadas de qualquer tipo de penalidade, ou, alternativamente, seja aplicada apenas a multa de 1% do Valor Aduaneiro por erro, por se tratar de penalidade mais favorável. A 23a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo – SP julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o lançamento, nos termos do Acórdão no 16050.680, de 25/09/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 16/02/2006 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 24 23 As empresas autuadas e os responsáveis pessoais tomaram ciência da referida decisão nos seguintes dias, conforme AR de fls. 896/899: 17/10/2013 D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA; 18/10/2013 CRISTALLERIE STRAUSS S/A; 19/10/2013 CAIO MARCELO DEBOSSAN; e 19/10/2013 ÉRICA DEBOSSAN REINERT No dia 18/11/2013 os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA., CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram recurso voluntário conjunto, no qual renovam os argumentos da impugnação, acima resumido. No dia 19/11/2013 a empresa CRISTALLERIE STRAUSS S/A protocolizou recurso voluntário, no qual renova os argumentos da impugnação. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos legais e regimentais. Deles se conhece. Como relatado, contra as empresas D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e CRISTALLERIE STRAUSS S/A foi lavrado Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/75 c/c o art. 105, VI e VII do DecretoLei nº 37/66 (arts. 689, VI, VII, XXII e § 1º, c/c art. 673 e 675, IV, todos do RA/2009). Antes de adentrar na lide, é necessário delinear alguns fatos que são absolutamente incontroversos, conforme provas irrefutáveis acostadas aos autos, e sobre os mesmos, por evidente, não há necessidade de considerações complementares às constantes do voto do acórdão recorrido, que aqui se adota integralmente. Primeiro: as mercadorias objeto da aplicação da pena de perdimento, convertida em multa pelo valor aduaneiro, foram desembaraçadas por meio das DIs nºs 07/06740240, de 26/04/2007, 07/08343451, de 18/04/2007, 07/13136957, de 24/07/2007, Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 25 24 07/16522777, de 05/11/2007 e 08/11678266, de 24/07/2008, na modalidade de importação direta pela D&A; Segundo: as mercadorias em tela foram entregues para a empresa STRAUSS, tendo as respectivas Notas Fiscais de Saída sido emitidas pela D&A com o CFOP 5.102; Terceiro: das mercadorias objeto da autuação, os rebolos de diamante são tributados pelo IPI com alíquota zero e os cadinhos e ferramentas manuais são tributados pelo IPI com alíquota positiva (10% e 8%); Quarto: a importação das mercadorias, de fato, foi contratada e realizada por conta e ordem da STRAUSS e consignada (fraudulentamente) em nome da D&A, conforme demonstra a movimentação de recursos financeiros entre essas empresas, demonstrada na descrição dos fatos do auto de infração. Quinto: para atender às despesas com a operação de importação e liquidação de câmbio, a STRAUSS efetuou transferências de recursos financeiros para a D&A, conforme extratos bancários e vinculação às operações demonstrada na descrição dos fatos do auto de infração. Sexto: a empresa D&A não realizou importação direta (por conta própria) das mercadorias em tela e depois as revendeu para a STRAUSS, como formalmente se apresenta a operação. Na realidade, as mercadorias foram importadas pela D&A por conta e ordem da STRAUSS, conforme provas acostadas à descrição dos fatos. Sétimo: as DIs supracitadas foram registradas como importação direta e não como importação por conta e ordem da STRAUSS. Nas DIs não constam a empresa STRAUSS como adquirente e destinatária da mercadoria. Sétimo: as DI acima referidas foram registradas como importação direta e não como importação por conta e ordem da STRAUSS. No campo próprio da DI não consta a empresa STRAUSS como adquirente e destinatária das mercadorias. Oitavo: a empresa D&A efetuou remessas de divisas para o exterior, supostamente ilegais, por meio da empresa ROGER TUR. Independente de serem ilegais ou não, tais remessas não constam da escrituração contábil da D&A. Aparentemente, tais remessas não estão relacionadas com as importações objeto deste processo; Nono: a empresa D&A possuía em seu estabelecimento, ao menos, 43 (quarenta e três) carimbos de fornecedores e autoridades estrangeiros. Esses carimbos foram confeccionados em BlumenauSC pela empresa Carimbos Guido Ltda. Décimo: em cumprimento ao MPFD nº 0920400201000718, o procedimento fiscal teve início com o TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL INTIMAÇÃO Nº 0109/10/DRF/BLU/SAFIS, recebido pela D&A no dia 22/10/2010, conforme AR. Referido MPFD foi convertido no MPFF nº 0920400201100211, tendo a D&A tomado ciência do MPFF no dia 29/06/2011. A ciência do Auto de Infração pela D&A ocorreu no dia 25/11/2011. Dito isso, passemos à apreciação das demais razões do recurso. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 26 25 As matérias postas para apreciação do Colegiado são: 1 em sede de preliminar: 1.1 Ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas ausência de provas nulidade do Auto de Infração; 1.2 Compartilhamento de provas inobservância do contraditório e da ampla defesa inobservância de condição para o compartilhamento nulidade do procedimento fiscal; 1.3 Apreensão de documentos empresa diversa da investigada ausência de mandado judicial específico ilicitude das provas – nulidade; 1.4 Apreensão de documentos investigação criminal inexistência de correlação entre os crimes investigados e as infrações apuradas ilicitude das provas nulidade; 1.5 Ausência de mandado de procedimento fiscal de fiscalização (MPFF) fiscalização irregular nulidade do procedimento fiscal e do Auto de Infração; 1.6 Excesso de prazo na conclusão procedimental ausência de notificação sobre as prorrogações do MPFF nulidade do auto de infração; 1.7 Dois sujeitos passivos no mesmo auto de infração ausência de individualização do lançamento nulidade do auto de infração; 2 no mérito: 2.1 Ilegitimidade de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert para figurarem solidariamente no pólo passivo do auto de infração; 2.2 Ilegitimidade passiva da D&A para aplicação da pena de perdimento e multa de conversão; 2.3 Ausência de prova do consumo das mercadorias mera presunção cerceamento de defesa impossibilidade de conversão da pena de perdimento em multa; 2.4 Inexistência de sonegação, fraude e conluio; 2.5 Inexistência de dano ao erário; 2.6 Inexistência da quebra da cadeia do IPI; 2.7 Inocorrência de ocultação ou de simulação inexistência de burla aos controles aduaneiros importação direta para revenda regularmente caracterizada; 2.8 Ausência do elemento danoso relevação da pena de perdimento; 2.9 Necessidade de aplicação da penalidade mais favorável; Sobre a preliminar de licitude das provas acostadas aos autos, ratifico os fundamentos da decisão recorrida para acrescentar que o conjunto probatório destes autos não Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 27 26 foi colhido para instruir única e exclusivamente o presente processo. Ao contrário, as provas foram colhidas para instruir diversos lançamentos fiscais efetuados contra a empresa D&A, nas importações diretas, e contra a D&A e os verdadeiros importadoras, dentre eles a STRAUSS, nas operações de importação por conta e ordem registradas pela D&A como importação direta. Parte das referidas provas foram coletadas, com expressa autorização judicial, em inquérito policial regularmente instaurado. Também foram coletadas mediante apresentação pelas empresas vinculadas ao lançamento, em cumprimento a intimações expedidas pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil (RFB) e, por último, foram coletadas nos controles internos da Receita Federal do Brasil. As provas coletadas do inquérito policial, que foram compartilhadas com a RFB por expressa ordem do Poder Judiciário (vigente à época do lançamento e, pelo que consta dos autos, não revogada até a presente data) podem e devem ser usadas para instruir os lançamentos realizados contra as empresas que violaram a legislação tributária e aduaneira (no entender da RFB), dentre elas a D&A e a STRAUSS. Isso porque o compartilhamento de provas, autorizada pelo Poder Judiciário, somente se justifica se for para instruir procedimento fiscal de exigência de tributos e penalidades por parte da RFB. É o caso dos autos. Portanto, a legitimidade do uso dessas provas não pode ser questionada administrativamente enquanto vigente a referida ordem judicial de compartilhamento de provas. Em razão disso, se os Recorrentes quiserem contestar o conteúdo da referida decisão judicial, deverão fazêlo no âmbito do Poder Judiciário e não no âmbito administrativo, que não tem competência para afastar legítima e vigente decisão judicial. Além das provas compartilhadas, como prova da infração atribuída aos Recorrentes, a Fiscalização juntou, no curso da ação fiscal, documentos coletados nos controles internos da própria RFB e, também, apresentados pelas empresas autuadas em resposta à intimações da Fiscalização da RFB. Estas provas são suficientes para atestar que a operação de importação, objeto da autuação, não foi uma operação de importação direta, como consignado na DI, mas sim uma operação de importação por conta e ordem da empresa STRAUSS, tendo ocorrido a adulteração da documentação que instruiu a operação de importação e o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Sobre a alegada ausência de contraditório, como bem disse a decisão recorrida, este se estabelece com a impugnação do lançamento, onde o contribuinte tem a oportunidade de contestar todos os fatos a ele atribuídos e apresentar todas as provas que entender importante. O procedimento preparatório do lançamento, e o próprio lançamento, é ato inquisitório, não havendo que se falar em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa nessa fase pela não manifestação do contribuinte sobre as provas colhidas nessa fase do procedimento fiscal. Nesse sentido é a Súmula CARF nº 46, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Quanto as alegações relacionadas ao MPFF, preliminarmente, registrese que a competência para o agente fiscal efetuar o lançamento decorre da lei e não de ato do dirigente da repartição fiscal (art. 7º da Lei nº 2.354/54 e art. 143 do CTN), existindo farta Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 28 27 jurisprudência no CARF no sentido de que irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. É o caso dos Acórdãos nº 1802001.864, de 09/10/2013; 2403002.571, de 15/04/2014; 3102001.669, de 27/11/2012; e 3401002.564, de 23/04/2014. No caso vertente, o MPFF foi emitido antes da lavratura do auto de infração e suas prorrogações foram regularmente publicadas no site da RFB. O MPFF é de junho/2011 e o Auto de Infração é de novembro/2011. Não há nenhuma irregularidade procedimental por parte da administração da RFB. Quando a alegação de falta de individualização do lançamento não tem razão as Recorrentes porque o lançamento é um só (a multa é uma só) e as duas empresas envolvidas na infração respondem, conjunta ou isoladamente, pela infração apurada, nos termos do art. 95, inciso V, do DL nº 37/66. Pelas provas dos autos, correto o procedimento da autoridade lançadora de nomear as duas empresas para responder pelo crédito tributário lançado. Isto posto, rejeito as preliminares de nulidade do procedimento fiscal e do Auto de Infração suscitadas pelas Recorrentes e acima referidas. Quanto ao mérito, a multa em tela foi imposta às empresas Recorrentes em face da comprovação inequívoca da prática de interposição fraudulenta na importação de mercadorias, conforme autoriza o art. 689 do RA/2009 (Decreto nº 6.759/2009), abaixo reproduzido, e da participação dos nomeados responsáveis na prática do ilícito tributário que ensejou a autuação. Art.689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e §1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, §3º, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). A redação atual do parágrafo 1º, acima, é: § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 29 28 equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, §3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) A doutrina nos ensina que interposta pessoa, o mesmo que ‘interposta persona’, é a pessoa que se interpõe, em negócio de outrem, para realizálo em substituição da que tinha a incumbência de fazêlo. É o mesmo que ‘prestanome’. É aquele que comparece num dado negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de outrem, substituindoo e encobrindoo. A ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, consiste em uma infração tipificada como dano ao Erário, punível com a aplicação da pena de perdimento, nos termos do art. 689 do RA/09, acima reproduzido, independente de ter ocorrido ou não falta de recolhimento de tributos. No caso dos autos, está sobejamente provado a prática, pelas empresas Recorrentes, com a participação efetiva dos nomeados responsáveis (Caio e Érica), de interposição fraudulenta na importação, sendo inequívoca a imposição da penalidade objeto deste processo e a legitimidade passiva de ambas (art. 95, inciso V, do DL nº 37/66). Portanto, não procede a alegação da Recorrente D&A de que a multa no valor aduaneiro da mercadoria deve ser aplicada contra a empresa STRAUSS (e não contra ela), proprietária de fato das mercadorias. E não procede exatamente porque quem fraudou a DI objeto destes autos foi a D&A e não a STRAUSS. Quem é o contribuinte nas operações de importação é o importador ostensivo e não o importador oculto. Por ter se beneficiado da fraude, a STRAUSS foi nomeada sujeito passivo responsável pelo crédito tributário lançado. Ademais, as mercadorias saíram do estabelecimento da D&A em simulação de operação de compra e venda, feita pela própria D&A, legalmente proprietária das mercadorias importadas. Sobre a ausência de prova do consumo, para aplicação da penalidade dos autos, a lei não exige que a mercadoria seja, obrigatoriamente, consumida: basta que ela não seja localizada para haver a conversão em multa a que se refere o § 1º, do art. 689 do RA/09, acima reproduzido. Portanto, as Notas Fiscais de Saída provam que as mercadorias não se encontravam, à época da lavratura do auto de infração, no estabelecimento da empresa D&A. E a D&A não logrou provar o contrário, ou seja, não apresentou a mercadoria à Fiscalização, até porque ela não possui instalações para armazenar mercadorias, posto que está instalada em uma sala comercial. Mais ainda, em visita ao estabelecimento da D&A, a Fiscalização constatou, in loco, que lá não existia as mercadorias importadas por ela D&A. Também não procede a alegação dos Recorrentes de inocorrência de sonegação, fraude, conluio, ocultação, simulação ou burla aos controles aduaneiros e de que ocorreu importação direta para revenda, devidamente caracterizada. As provas dos autos são no sentido oposto, conforme já dito no início deste voto que a importação não foi direta, lastreado em vasta prova. Não desconstituiu a D&A as provas relativas aos carimbos encontrados em seu estabelecimento, às remessas de divisas feitas por meio da Roger Tur e a movimentação financeiras entre ela e a STRAUSS. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 30 29 As alegações dos Recorrentes D&A, Caio e Érica, nesta parte, subestimam a capacidade de apreensão dos fatos pelas autoridades administrativas julgadoras. Nenhuma das provas trazidas, de forma legítima, pela Fiscalização foi desconstituída pelos Recorrentes. Eles não lograram provar que os recursos depositados pela STRAUSS em conta bancária da D&A se referem a operações regulares das empresas, de conhecimento do Fisco e devidamente contabilizada nas escritas fiscal e contábil de ambas as empresa. Não apresentaram provas de que as tratativas de negócios da D&A, feitas pelos administradores de fato, Caio e Érica, com empresas clientes dizem respeito a serviço típico de despachante aduaneiro e não de administradores de empresa. Quanto a alegação de ilegitimidade do Sr. Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert para figurar no pólo passivo do auto de infração, conforme demonstrado na Descrição dos Fatos que levaram à autuação, devidamente comprovado no "Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica", os irmãos e Despachantes Aduaneiros, Sra. Érica e Sr. Caio efetivamente dirigiam a empresa D&A, praticando atos típicos de gerência da empresa, que vai desde a negociação com clientes à ascendência sobre os empregados, passando por propaganda onde eles se apresentam como executivos e sócios da D&A, inclusive no site da própria D&A (www.deacomex.com.br), conforme acima se disse. Eventuais negociações com empresas e órgãos intervenientes no comércio, que poderiam ser terceirizadas e que foram efetuadas pelos referidos Despachantes Aduaneiros, não são suficientes para desconstituir os demais atos de efetiva gestão consignados no Auto de Infração, ainda mais quando desacompanhado de contrato específico de prestação desses serviços especializados e da respectiva nota fiscal relativo ao preço do serviço contratado. Por outro lado, a farta documentação probatória juntada aos autos reflete, indubitavelmente, uma intensa atividade de gestão dos negócios da D&A pelos sócios e gestores de fato, Sra. Érica e Sr. Caio. Portanto, está sobejamente provado nos autos que os ditos responsáveis solidários conduziam tanto os negócios da empresa D&A como da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e, externamente, as duas empresas se apresentavam como sendo do "Grupo D&A", sendo que as ações de ambas eram sobrepostas, como bem ficou provado na Descrição dos Fatos e no "Anexo Probante da Sociedade de Fato CaioÉrica". Formalmente, na qualidade de sócios da empresa Debossan Despachos Aduaneiros, os dois atuavam pessoalmente também como despachante aduaneiro nas importações realizadas pela empresa D&A e não foi diferente com as DI objeto da autuação. Portanto, sem reforma a decisão recorrida que manteve a Sra. Érica e o Sr. Caio como responsáveis solidários do crédito tributário lançado. Também não procede o argumento da Recorrente de que não houve quebra da cadeia do IPI porque as mercadorias importadas são tributadas pelo IPI com alíquota zero e, também, que inocorreu ocultação do real importador ou simulação de importação direta, não tendo ocorrido burla aos controles aduaneiros e nem dano ao erário. Antes de entrar nessa matéria, há que se esclarecer que, no comércio exterior e de acordo com as disposições do art. 689 do RA/2009, a interposição fraudulenta caracteriza dano ao erário, que independe de haver ou não insuficiência de recolhimento de tributos, porque o dano ao erário envolve outras variáveis, a exemplo da evasão de divisas e da Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 31 30 concorrência desleal. Portanto, a ocorrência ou não da quebra da cadeia do IPI é irrelevante para a caracterização de ocorrência do delito fiscal "dano ao erário". Retornando ao caso concreto destes autos, embora irrelevante para caracterizar o dano ao erário, não procede o argumento dos Recorrente, a uma porque nas DIs objeto da autuação existem mercadorias tributadas pelo IPI com alíquotas de 10% e 8% e, a duas, porque na operação apurada pelo Fisco, onde ficou provado a simulação de importação direta, uma das conseqüências dessa simulação é que o adquirente da mercadoria (STRAUS) perde a condição de contribuinte do IPI por equiparação a estabelecimento industrial, posto que passa à condição de comerciante de mercadoria importada por terceiros. Por evidente, nesse caso, como a operação de compra e venda da mercadoria importada foi simulada, conforme largamente provado nos autos, o seu preço de venda foi arbitrado pelas partes. Em consequência, o “preço de compra e venda”, assim estabelecido, é sempre inferior ao preço de venda praticado pelo real importador (STRAUSS) no mercado interno. Com essa simulação, a base de cálculo do IPI foi reduzida e, conseqüentemente, o valor recolhido a título de IPI foi inferior ao devido, com evidente prejuízo financeiro para os cofres da União, isso sem falar na postergação do pagamento do PIS e da Cofins nas operações no mercado interno. Portanto, no despacho aduaneiro das operações de importações realizadas pela empresa Recorrente D&A houve a ocultação do real importador, incorrendo na infração do art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76, punida com a multa prevista nos §§ 1º e 3º desse mesmo dispositivo legal. Quanto ao pedido de relevação da pena de perdimento por ausência do elemento danoso, fundada no art. 737 do RA/2009, impende registrar que o CARF não tem competência para relevar penalidades, cabendo tal competência ao Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 736 do mesmo RA/2009, abaixo reproduzido. Art.736. O Ministro de Estado da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais, atendendo (DecretoLei no 1.042, de 21 de outubro de 1969, art. 4o, caput): [...] §2o O Ministro de Estado da Fazenda poderá delegar a competência que este artigo lhe atribui (DecretoLei nº 1.042, de 1969, art. 4º, §2º). Art.737.A pena de perdimento decorrente de infração de que não tenha resultado falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais poderá ser relevada com base no disposto no art. 736, mediante a aplicação da multa referida no art. 712 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 67). Relativamente à alegação de que devese aplicar a penalidade mais favorável porque houve mero erro formal na DI, enganase os Recorrentes porque o conjunto probatório dos autos leva à conclusão que eles Recorrentes (D&A, Caio, Érica e STRAUSS) conheciam toda a operação de importação e que a mesma era por conta e ordem e, mesmo assim, a DI foi registrada como importação direta e as mercadorias foram transferidas para a STRAUSS a Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 3302002.874 S3C3T2 Fl. 32 31 título de venda. Portanto, não ocorreu mero erro formal no preenchimento das DIs que enseje a aplicação da multa do art. 711 do RA/2009. Tanto é que a D&A não apresentou o contrato de prestação de serviço dessa operação e a respectiva nota fiscal de prestação de serviços que prova o recebimento do preço do serviço contratado e que a operação de importação foi por conta e ordem, tendo ocorrido o referido erro no preenchimento da DI. Por fim, e para que não se alegue omissão no julgado, ratifico e, supletivamente, adoto todos os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11516.003960/2010-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Omissão de rendimentos. Depósito bancário. Presunção. Súmula CARF nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA.
Mantém-se a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-004.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Mantémse a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 39 60 /2 01 0- 18 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 245 2 Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5a Turma da DRJ/FNS (Fls. 201), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: DA AUTUAÇÃO Mediante o auto de infração de folhas 122 a 127, exigese da contribuinte acima identificada a importância de R$ 78.514,43, acrescida de multa proporcional (R$ 58.885,82) e juros de mora calculados até 29/10/2010 (R$ 20.005,47), relativos a fatos geradores verificados no anocalendário 2007. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fls. 124 a 126) e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 114 a 121), além dos dispositivos legais infringidos, verificase que a autuação se deu em face das seguintes irregularidades: a) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; e b) Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. No Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora descreve o desenvolvimento da ação fiscal, que se iniciou em 07/01/20107, através do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 09.2.01.002010000169 e do Termo de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal (fls. 8 e 9). No procedimento fiscal foi emitido ainda o Termo de Intimação Fiscal – TIF de número 222/2010 (fls. 73 a 74). Além disso, demonstra a apuração das irregularidades, descrevendo, pormenorizadamente, os procedimentos adotados a partir da análise dos documentos apresentados. Encerrando os trabalhos fiscais, foi elaborada Representação Fiscal Para Fins Penais, formalizada no processo no 11516.003961/201062. DA IMPUGNAÇÃO: A contribuinte apresenta a impugnação de folhas 132 a 148. Após uma breve descrição dos fatos, assim se pronunciou, em resumo: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 246 3 No item destinado às alegações de direito, inicia sua exposição sob o título “11.1. A não ocorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e omissão de rendimentos recebidos de pessoa física”, no qual transcreve os argumentos constantes na petição protocolada em 28/09/2001, aduzindo que a autoridade lançadora ignorou os esclarecimentos e documentos apresentados naquela oportunidade, afirmando que informou a origem e a que título foram recebidos os recursos depositados em sua contacorrente junto ao Banco do Brasil. Passa a impugnar especificamente os valores não aceitos pela autoridade lançadora, como segue: (a) Recursos com procedência da própria contribuinte: Aduz que os valores apontados como de procedência da própria contribuinte serviam para pagamento de cartão de crédito, dentre outras despesas, e muitas vezes eram resgatados de alguma aplicação (conforme comprovam documentos juntados com a petição de 28/09/2010). Diz que também foram emitidos pela impugnante dois cheques no valor de R$ 10.000,00 cada um, em 10/05/2007 e 10/06/2007 (doc. 04), referentes à negociação de compra de um apartamento por parte de sua mãe Tereza Spritz Bosa junto à Criciúma Construções (doc. 3), em 24/11/2003, onde foi acordado esse pagamento por ocasião da entrega das chaves. Menciona que tal fato está provado pela declaração firmada pela Imobiliária Terraz Ass. Imobiliária Ltda. (doc. 05). Tais pagamentos foram reembolsados à impugnante por Tereza Spritz Bosa por meio de vários outros depósitos avulsos que foram identificados na lista como de procedência da própria contribuinte. Com tais alegações, busca comprovar que tais recursos já haviam sofrido a incidência de tributação, não se tratando de remuneração por qualquer tipo de serviço ou atividade profissional da contribuinte, devendo ser excluídos da base de cálculo da tributação apurada pela Auditoria Fiscal. (b) Recursos com procedência de Luciana Werneck Pereira: Diz ainda que recebeu recursos em sua contacorrente provenientes de Luciana Werneck Pereira, a título de reembolso de despesas com a filha de Luciana e seu namorado, este filho da impugnante, conforme mencionado e comprovado na petição protocolada em 28/09/2010. (c) Recursos com procedência da Campos Almeida Engenharia Ltda. E Renê da Silva: Diz que os recursos foram recebidos em face da seguinte transação: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 247 4 A IMPUGNANTE adquiriu direitos sobre o apartamento no 202, situado no Edifício Maison Slovinski, junto à Construtora Campos Almeida; A Construtora Campos Almeida, com a autorização da IMPUGNANTE, negociou o apartamento com Antônio Carlos Nunes e emitiu uma nota promissória no valor de R$ 210.000,00 em favor da IMPUGNANTE; Posteriormente, a IMPUGNANTE recebeu direitos sobre o apartamento nº 102B, torre 02, do Edifício Boulevard Oriano, situado na Rodovia João Paulo, no 710, Bairro João Paulo, Florianópolis, avaliado por R$ 173.000,00 e recebeu ainda, em pagamentos avulsos, os R$ 37.000,00 restantes; Por fim, a IMPUGNANTE negociou os direitos que recebeu sobre o apartamento no Edifício Boulevard Oriano, por R$ 173.000,00, com Renê da Silva. Esclarece que obteve os seguintes documentos para comprovar as alegações supra: 01. Contrato de Compra e Venda do apartamento nº 202 do Edifício Maison Slovinski, tendo como vendedora a Construtora Campos Almeida e compradora a IMPUGNANTE, celebrado em 08/03/2002 (doc. 06). 02. Solicitação de transferência de dito imóvel, diretamente da Construtora Campos Almeida para Antônio Carlos Nunes, firmada pela IMPUGNANTE em 20/04/2007 (doc. 07). 3. Contrato de Compra e Venda do apartamento no 102B, torre 02, do Edifício Boulevard Oriano, tendo como vendedora a IMPUGNANTE e como comprador Renê da Silva, celebrado em 29/05/2007 (doc. 08). 4. Dois cheques, nos valores de R$ 18.000,00 e R$ 5.000,00 (doc. 09), depositados no dia 13/09/2007 na conta da IMPUGNANTE, que comprovam que tais pagamentos foram efetuados por Renê da Silva por conta da venda acima mencionada. Requer a juntada dos documentos antes citados e reforça que estes comprovam os fatos alegados, pugnando pela exclusão dos valores recebidos da Campos Almeida Engenharia Ltda. e Renê da Silva. (d) Recursos com procedência de Márcio Rosa: Alega que manteve relacionamento afetivo com Márcio Rosa durante 05 (cinco) anos, razão pela qual, por vezes, aquele efetuava depósitos na conta bancária da impugnante, e que tais depósitos diziam respeito a despesas do casal com viagens e passeios. Requer a juntada dos documentos que comprovam as citadas transações bancárias envolvendo ambos (doc. 10) e a relação Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 248 5 que havia entre as partes. Requer, outrossim, a juntada das declarações (doc. 11) firmadas por Iara Loser Miola (Auditora da Receita Federal) e Ione Ramos (Juiza do Trabalho), ambas amigas da IMPUGNANTE e que tiveram conhecimento da relação afetiva havida entre a impugnante e Márcio Rosa entre os anos de 2004 e 2008. Com os esclarecimentos prestados e novos documentos apresentados, diz que não prevalecerá o Auto de Infração. A contribuinte ainda elabora um item acerca da multa e dos juros abusivos, alegando o caráter confiscatório dessas exigências e malferimento aos princípios constitucionais que cita, carreando doutrina e jurisprudência em favor de sua tese. Requer, ao final, o cancelamento do crédito tributário, e, caso não seja acolhido esse pedido, que não prosperem a multa e os juros aplicados, em face do seu caráter confiscatório. Apresenta, ainda, um rol dos documentos anexados à impugnação para comprovar suas alegações: Doc. 01. Procuração; Doc. 02. Cópia do protocolo da petição recebida pela Auditora Fiscal em 28/09/2010; Doc. 03. Cópia do Contrato de Compra e Venda de imóvel tendo como vendedora Criciúma Construções Ltda. e como compradora Tereza Spritz Bosa; Doc. 04. Cópias dos dois cheques de R$ 10.000,00 cada, emitidos pela IMPUGNANTE nos dias 10/05/2007 e 10/06/2007 para a Construtora Criciúma; Doc. 05. Cópia de declaração firmada pela Imobiliária Terraz Ass. Imobiliária Ltda.; Doc. 06. Cópia do Contrato de Compra e Venda de imóvel tendo como vendedora a Construtora Campos Almeida e compradora a IMPUGNANTE; Doc. 07. Cópia da Solicitação de transferência de imóvel, diretamente da Construtora Campos Almeida para Antônio Carlos Nunes; Doc. 08. Cópia do Contrato de Compra e Venda de imóvel tendo como vendedora a IMPUGNANTE e como comprador Renê da Silva; Doc. 09. Cópias dos dois cheques, nos valores de R$ 18.000,00 e R$ 5.000,00 depositados no dia 13/09/2007 na conta da IMPUGNANTE; Doc. 10. Cópias de transações bancárias envolvendo a IMPUGNANTE e Márcio Rosa; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 249 6 Doc. 11. Declarações firmadas por Iara Loser Miola e Ione Ramos acerca da relação afetiva havida entre a IMPUGNANTE e Márcio Rosa. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/FNS entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Cientificada em 13/01/2012 (Fls. 221), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/02/2012 (fls. 222 a 97), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 250 7 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que o lançamento objeto do presente processo versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de rendimentos de pessoa física. Quanto ao mérito, a Recorente limitase a repetir seus argumentos da impugnação, no sentido da impossibilidade da autuação com base apenas em presunção de omissão de renda dos depósitos bancários do art. 42 da Lei 9.430/96, bem como busca comprovar as origens dos depósitos. Entendo que no que diz respeito a presunção de omissão de renda com base nos depósitos bancários a matéria já encontrase pacificada no ambito do CARF; com o emprego da seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por este Conselho: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias; in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por fim, não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem. Sendo assim, quanto a omissão de rendimentos, acato integralmente o entendimento esposado pela DRJ que, assim se manifesta em seu Acórdão(fls. 211 à 215): (a) Recursos que a contribuinte alega serem procedentes da Campos Almeida Engenharia Ltda. e de Renê da Silva (itens 15, 16, 17, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 29, 30 e 31): Na impugnação a contribuinte reafirma que adquiriu direitos sobre o apartamento no 202, situado no Edifício Maison Slovinski, junto à Construtora Campos Almeida, e que esta construtora, com a autorização da impugnante, negociou o Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 251 8 apartamento com Antônio Carlos Nunes e emitiu uma nota promissória no valor de R$ 210.000,00 em favor dela. Posteriormente, a impugnante teria recebido direitos sobre o apartamento nº 102B, torre 02, do Edifício Boulevard Oriano, situado na Rodovia João Paulo, nº 710, Bairro João Paulo, Florianópolis, avaliado por R$ 173.000,00 e recebeu ainda, em pagamentos avulsos, os R$ 37.000,00 restantes. Esclarece, por fim, teria negociado os direitos que recebeu sobre o apartamento no Edifício Boulevard Oriano por R$ 173.000,00, com Renê da Silva. Com o objetivo de comprovar as transações acima, apresentou e requereu a juntada aos autos dos seguintes documentos: 01. Contrato de Compra e Venda do apartamento nº 202 do Edifício Maison Slovinski, tendo como vendedora a Construtora Campos Almeida e compradora a IMPUGNANTE, celebrado em 08/03/2002 (doc. 06 – fls. 165 a 170). 2. Solicitação de transferência de dito imóvel, diretamente da Construtora Campos Almeida para Antônio Carlos Nunes, firmada pela IMPUGNANTE em 20/04/2007 (doc. 07 – fls.178 ). 3. Contrato de Compra e Venda do apartamento no 102B, torre 02, do Edifício Boulevard Oriano, tendo como vendedora a IMPUGNANTE e como comprador Renê da Silva, celebrado em 29/05/2007 (doc. 08 – fls. 172 a 181). 4. Dois cheques, nos valores de R$ 18.000,00 e R$ 5.000,00 (doc. 09), depositados no dia 13/09/2007 na conta da IMPUGNANTE, que comprovam que tais pagamentos foram efetuados por Renê da Silva por conta da venda acima mencionada. Esclareçase, inicialmente, que esses documentos objetivam comprovar não só a origem dos depósitos cujo depositante não foi identificado, mas que a contribuinte alega ser da Campos Almeida Ltda. e de Renê da Silva, ora tributados como omissão de rendimentos recebidos caracterizados por depósitos bancários, mas também, elidir os depósitos tributados como omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, cujo depositante foi identificado pela fiscalização como sendo Renê da Silva e Ana Carolina da Silva, que serão objeto de análise no tópico seguinte. Pois bem. Na resposta à Intimação 222/2010, a contribuinte, embora tenha justificado as transações acima, não apresentou os documentos comprobatórios dos fatos alegados, o que levou a fiscalização, acertadamente, a tributar os valores depositados na conta corrente da contribuinte, uma vez identificado o depósito mas não a sua origem. Com relação aos valores que alega ter recebido da Campos Almeida, a contribuinte não apresentou com a impugnação qualquer outra documentação que comprovasse a transmissão Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 252 9 dos direitos referentes ao imóvel adquirido da citada construtora (apartamento nº 202 do Edifício Maison Slovinski), tampouco, que os valores depositados na sua conta bancária, identificados nos depósitos 15,16 e 17, tenham sido efetuados pela Campos Almeida. O único documento apresentado para comprovar essa transação, além do contrato de aquisição do imóvel junto a Campos Almeida (fls. 165 a 172), foi a Nota Promissória de R$ 210.000,00, emitida pela Campos de Almeida Engenharia Ltda. De fato, como asseverado pela autoridade lançadora, essa Nota Fiscal, por si só, não comprova a origem dos diversos depósitos efetuados ao longo do ano de 2007 que foram identificados pela interessada como provenientes da venda do apartamento 202, do Edifício Maison Slovinski. A solicitação de fl. 171, onde a contribuinte solicita à Campos de Almeida a transferência do direito sobre o imóvel a Antônio Carlos Nunes é insuficiente para comprovar a transação entre Edna Maria Bosa e Antonio Carlos Nunes, até porque é uma solicitação da contribuinte à Campos Almeida, sem interveniência de Antonio Carlos Nunes, que não assinou este documento. Assim, devem ser mantidos os depósitos identificados nos itens 15, 16 e 17, cuja origem a contribuinte atribui à Construtora Campos Almeida. Tocante aos pagamentos atribuídos a Renê da Silva, verificase pelo contrato particular de promessa de compra e venda de imóvel, fls. 172 a 181, datado de 29 de maio de 2007, que Edna Maria Bossa (promitente vendedora), comprometeuse a vender à Renê da Silva um apartamento localizado no Edifício Boulevard Oriano, situado à Rodovia João Paulo, nº 710, Bairro João Paulo, em Florianópolis, pelo valor total de R$ 173.000,00, que seriam pagos nas seguintes condições (cláusula segunda): “A) R$18.000,00 (dezoito mil reais) como sinal e princípio de pagamento (ARRAS), representados neste ato pelo cheque n°850606, agência 0016 do Banco do Brasil, do qual será dada plena, geral e automática quitação da quantia recebida após a devida compensação do mesmo e R$155.000,00 (cento e cinqüenta e cinco mil reais) representados por uma nota promissória única, de igual valor, vencível no dia 30 (trinta) de julho do corrente ano, impreterivelmente, a ser resgatada pela Promitente Vendedora concomitantemente à assinatura da Escritura Definitiva de Compra e Venda”. A fim de reforçar a tese de que os valores antes listados (21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 29, 30 e 31) referemse a essa transação imobiliária, a contribuinte apresentou, ainda, cópia de um cheque no valor de R$ 18.000,00, de 12/09/2007, da Cooperativa de Crédito, emitido por pessoa jurídica. E, ainda, um cheque de R$ 5.000,00, emitido por Renê da Silva em 12/09/2007. Entretanto, os citados documentos não comprovam que a contribuinte tenha adquirido o imóvel localizado no Edifício Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 253 10 Boulevard Oriano, situado à Rodovia João Paulo, nº 710, Bairro João Paulo, em Florianópolis, objeto da promessa de compra e venda mencionada. A ausência da prova da aquisição da propriedade desse imóvel fundamentou o lançamento dos valores que a contribuinte atribui a origem a Renê da Silva, sendo que, com a impugnação, não foram apresentados outros elementos de prova do alegado. De se ver, ainda, que os documentos de fls. 105 a 113, que a contribuinte relaciona como comprobatórios dos depósitos efetuados por Renê da Silva, não identificam Renê da Silva como depositante. Portanto, a interessada não também não logrou êxito em vincular os rendimentos que lhe são atribuídos a recebimentos referentes a transação imobiliária com Renê da Silva. (b) Recursos depositados pela própria interessada A justificativa da contribuinte, relacionada aos depósitos de menor monta, de que teriam sido efetuados por ela própria para o pagamento de despesas (cartão de crédito), também está desacompanhada da prova legalmente exigida para a elidir a tributação dos valores lançados, pelo que devem ser mantidos no rol dos depósitos cuja origem não está identificada. (c) Recursos com procedência de Luciana Werneck Pereira Igualmente, a contribuinte não apresentou nenhum elemento de prova além dos documentos e justificativas já apresentados na petição de 28/09/2010 (vide fls. 85 a 87), não restando comprovado nos autos o recebimento de valores de Luciana Werneck Pereira para o custeio de despesas com sua filha, namorada do filho da impugnante. (d) Marcio Souza Rosa Do mesmo modo, os documentos de fls. 95 a 97 não comprovam que Marcio Souza Rosa tenha depositado valores para a contribuinte no anocalendário 2007. De se ver que o comprovante de TED de fl. 179 demonstra a transferência da conta bancária da contribuinte ao favorecido Marcio de Souza Rosa do valor de R$ 5.000,00 Portanto, não foi comprovada a origem dos depósitos que a contribuinte atribui a Marcio Souza Rosa, ainda que tenha comprovado, mediante declarações de fls. 182 e 183, o relacionamento com a citada pessoa. (e) Reembolsos efetuados pela mãe da impugnante Sra. Tereza Spritz Bosa: A impugnante alega que sua mãe efetuou diversos depósitos, a fim de reembolsála pelo pagamento de duas parcelas de R$ 10.000,00, mediante cheques emitidos em 01/05/2007 e 01/06/2007 (fl. 180) para a Construtora Criciúma Ltda., Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 254 11 relativos à pagamento de um apartamento adquirido por sua mãe, conforme documentos apresentados. No instrumento particular de compromisso de construção e de compra e venda de imóvel – fls. 151 a 159, consta que a Sra. Tereza Spritz Bosa adquiriu um imóvel junto à Criciúma Construções Ltda, em 24/11/2003, obrigandose ao pagamento de R$ 20.000,00, equivalentes, nesta data, a 27,2807 CUB’s, a serem pagos em uma única parcela, em moeda corrente nacional, com vencimento na entrega das chaves do imóvel objeto do contrato (cláusula VI, alínea “c”), que deveriam ser atualizados na forma prevista no item VII do contrato. Anexou, ainda, cópia de 2 cheques no valor de R$ 10.000,00 (fls. 160 a 171), que são nominais, todavia, nos mesmos não se pode inferir, com certeza, o nome do beneficiário. Apresentou, também, uma declaração da Terraz Assessoria Imobiliária Ltda., de que no mês de maio do ano de 2007, efetuaram, a pedido de Tereza Spritz Bosa, a entrega à Construtora Criciúma Ltda., dos cheques números 851861 e 851862 da conta 247790 do Banco do Brasil, de emissão de Edna Maria Bosa, os quais se destinavam ao pagamento de dívida que a Sra. Tereza havia contraído em 24/11/2003 junto aquela construtora, referente torna de permuta de imóvel de Criciúma – SC, por imóvel localizado em Jurerê – SC. Com tais documentos, a interessada comprova que de fato, quitou dívida de sua mãe mediante a emissão de dois cheques, conforme afirma. Por outro lado, a interessada não apresentou documentos que comprovassem depósitos realizados por sua mãe para ressarcimento do valor entregue à Construtora Criciúma Ltda., sequer indicando as datas e os valores que supostamente teriam essa origem. Desse modo, também não pode ser acolhida mais esta justificativa apresentada pela contribuinte. 1.1 Conclusão sobre os depósitos bancários de origem não comprovada: Como visto acima, a interessada não levou a efeito o ônus que lhe cabia, ou seja, não trouxe nenhuma documentação, coincidente em data e valor, comprobatória da origem de cada um dos valores em questão. Há que se mencionar que o conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 255 12 Desta forma, demonstrado o fato presuntivo depósito de origem não comprovada provado está o fato presumido omissão de rendimentos por força de dispositivo legal, mais precisamente o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Seguindo, quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, também adoto integralmente o entendimento da DRJ, às fls. 215 e 216: 2. Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 120 e 121, a autoridade lançadora identificou valores creditados na conta nº 24.7790, ag. 35440, do Banco do Brasil, no ano de 2007, em relação aos quais a contribuinte apresentou documentos que identificam quem efetuou o depósito em sua conta, portanto, sua origem é conhecida. Colhese do relatório fiscal, que a contribuinte teria alegado no procedimento fiscal que vendeu os direitos sobre um apartamento localizado no Edifício Maison Slovinski, e que desta transação passou a ter direitos sobre outro apartamento, localizado no Edifício Boulevard Oriano, e que vendeu tais direitos a Renê da Silva. No entanto, como não houve a comprovação de tais transações e da natureza de tais recursos, os valores abaixo discriminados foram submetidos à tributação no presente auto de infração, como rendimentos recebidos de pessoas físicas: […] Como visto no tópico acima, a interessada não comprovou a aquisição do imóvel objeto da promessa de compra e venda firmada com Renê da Silva. Portanto, pelos mesmos motivos elencados no item 1, alínea “a”, acima, devem ser mantidos os lançamentos referentes aos depósitos identificados como de Renê da Silva. Tocante à transferência realizada por Carolina Souza da Silva, a contribuinte também não comprovou a origem do depósito. De se ressaltar que, mesmo que houvesse prova da aquisição do imóvel que a interessada alega ter posteriormente transmitido à Renê da Silva, ainda assim não estaria comprovado nos autos o vínculo de Carolina Souza da Silva com a transação, e que a transferência de R$ 78.000,00 para a conta bancária da contribuinte se refira ao contrato particular de promessa de compra e venda de imóvel apresentado à fl. 172181, uma vez que este foi firmado entre a contribuinte e Renê da Silva, sem a intervenção de Carolina Souza da Silva. Em face do exposto, deve ser mantido, por insuficiência de provas das alegações da contribuinte, o lançamento da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.003960/201018 Acórdão n.º 2801004.028 S2TE01 Fl. 256 13 Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 11080.100944/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA.
Não comprovada a retenção, deve ser mantida a glosa da compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte na declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2202-002.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão 2202-02.791, 09/09/2014, para sanando as contradição, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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GLOSA. Não comprovada a retenção, deve ser mantida a glosa da compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte na declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão 220202.791, 09/09/2014, para sanando as contradição, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 09 44 /2 00 7- 34 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Ausente, justificadamente, o Conselheiro RAFAEL PANDOLFO. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.100944/200734 Acórdão n.º 2202002.991 S2C2T2 Fl. 111 3 Relatório O contribuinte em epígrafe teve lavrada contra si a Notificação de Lançamento de fls. 04/06, em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física Dirpf referente ao exercício 2004, anocalendário 2003, apurandose o Imposto de Renda suplementar de R$ 14.133,85, sujeito a multa de mora (código Darf 0211). Na DIRPF (fls. 38/40), havia sido apurado o imposto a restituir de R$ 5.123,45. Foi glosado o valor de R$ 19.257,30, compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, uma vez que o contribuinte, embora regularmente intimado a comprovar os valores assim compensados, não o fez. O valor glosado foi declarado como Imposto de Renda retido pela Associação dos Funcionários Públicos do Estado do RGSul, CNPJ n.o 92.741.016/000254. O contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, através do arrazoado de fls. 01/02. A ciência do lançamento ocorreu em 29 de outubro de 2007, conforme aviso de fl. 32, enquanto que a impugnação foi protocolizada em 07 de novembro de 2007. Afirma, inicialmente, que recebeu, no ano de 2003, rendimentos do Hospital Ernesto Dornelles, CNPJ n.' 92.741.016/000254, relativamente aos acordos judiciais celebrados nos Processos n.' 00331.009/978, 00330.029/975 e 00330.001/973, distribuídos nas 9.a, 29.ae 1.a Varas do Tribunal Regional do Trabalho TRT do RS, em que representou os reclamantes Roberto Pereira Renck, Samy Ritter e Yvan Guedes Neves. Aduz que, nesses processos, foi determinado, em sentença, a um, que o rendimento devido ao ora impugnante, a título de honorários advocatícios, seria pago de forma líquida, já descontado o Irrf no ato do depósito judicial; e, a dois, que o Hospital Ernesto Dornelles deveria arcar com todas as obrigações previdenciárias e fiscais dos processos, sendo responsável pelo pagamento dos correspondentes DARFs e das GPS, bem como pela comprovação desses pagamentos e anexação dos respectivos comprovantes nos autos dos correspondentes processos trabalhistas. Informa, ainda, que, embora houvesse peticionado inúmeras vezes no sentido que fosse feita a comprovação dos pagamentos dos tributos em questão, não obteve êxito, pois não foi apresentado nenhum pagamento relativo ao Irrf. Solicita, portanto, a regularização de sua situação no tocante ao processamento da Declaração de Ajuste Anual Simplificado do exercício 2004, anocalendário 2003, com base nas cópias em anexo. Postula, ainda, seja feita essa regularização também quanto às declarações dos exercícios 2005 e 2006, pois o acordo feito no TRT prevê a realização de pagamentos pelo reclamado em cinqüenta meses. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegra, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. Não comprovada a retenção, deve ser mantida a glosa da compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte na declaração de ajuste anual. Devidamente cientificado dessa decisão a Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera requer que seja excluída a multa e juros tendo em vista que foi induzido ao erro pela fonte pagadora.. Em sessão de julgamento ocorrida em 18 de setembro de 2012, os autos foram convertidos em diligência através da Resolução 220200.311, onde foi determinado: Desta forma, para atendermos o princípio da verdade material, proponho a conversão dos autos em diligência para: a) intimar a fonte pagadora, AFPE – Hospital Ernesto Dornelles, CNPJ 92.741.016/00254, para informar quais valores foram pagos a título de honorários advocatícios, no processo trabalhista 00331.009/978 no anocalendário de 2003, ao Recorrente, e quais foram os valores retidos ou que deveriam ter sido retidos na fonte de imposto de renda; b) informar se os valores pactuados no acordo pagos ao Recorrente, foram pagos líquidos do imposto, e, c) após o retorno da intimação, o Recorrente no prazo de 15 dias se manifeste sobre a mesma, aproveitando a oportunidade para demonstrar quais foram os valores recebidos da fonte pagadora. Com o retorno da diligência e resposta do Recorrente, os autos retornaram para julgamento para esse colegiado. Em sessão de julgamento ocorrida em 09 de setembro de 2014, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, consubstanciado no acórdão 220202.791, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.100944/200734 Acórdão n.º 2202002.991 S2C2T2 Fl. 112 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. O SECAT interpôs embargos de declaração informa que houve contradição no voto condutor que afastou a multa do ofício por erro escusável, e no caso em concreto o que foi aplicado foi a multa de mora. Entendo que assiste razão a Embargante portanto os embargos devem ser acolhidos, conforme despacho de admissibilidade. É o relatório Fl. 114DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator Os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Tratase de Embargso de Declaração apresentado pela SECAT, relativo ao Acórdão nº 220202.791, de 09 de setembro de 2014. A Embargante informa que o Recorrente houve contradição no voto condutor que afastou a multa do ofício por erro escusável, e no caso em concreto o que foi aplicado foi a multa de mora. Entendo que assiste razão à Embargante, no caso dos autos foi aplicada a multa de mora ao invés de multa de ofício. Desta forma, há contradição a ser saneada uma vez que a multa a ser analisada seria a incidência ou não da multa de mora no presente caso e não da multa de ofício como constou no voto condutor. Entendo, portanto, devam ser acolhidos os embargos interpostos pela SECAT. Tratase de lançamento onde foi efetuado a glosa do Irfonte deduzido pelo Recorrente em sua declaração de ajuste anual. Alega o Recorrente em sua impugnação que recebeu o valor líquido descontado do imposto de renda que foi objeto de dedução. A DRJ negou provimento ao pleito tendo em vista a falta de comprovação da retenção pela fonte pagadora. Em sede de recurso o Recorrente limitouse a questionar a incidência da multa de ofício e dos juros tendo em vista ter sido induzido a erro pela fonte pagadora, é são essas razões que passo a examinar. Quanto à incidência da multa de mora, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não assiste razão ao Recorrente, tendo em vista que a multa de mora é devida pois esta devidamente tipificada na legislação tributária. E não foi exigida a multa de ofício no presente caso. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.100944/200734 Acórdão n.º 2202002.991 S2C2T2 Fl. 113 7 Diante do exposto acolho os embargos de declaração para retificar o acórdão acórdão 220202.791 de 09 de setembro de 2001 para sanando a contradição, com efeitos infringentes para negar provimento a orecurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 116DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 12326.005496/2010-02
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. COMPETÊNCIA DO CARF.
A competência do CARF é limitada ao julgamento do litígio posto pela recorrente.
IRPF. RETENÇÃO NA FONTE X AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 12.
A tributação por retenção na fonte a título de antecipação do imposto anual não se confunde com a tributação decorrente do ajuste anual. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
IRPF. MULTA E JUROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGADA INDUÇÃO A ERRO POR INFORMAÇÃO EQUIVOCADA DA FONTE PAGADORA.
Não há demonstração de que a fonte pagadora tenha induzido a contribuinte a erro. Ao contrário, o lançamento foi baseado na informação prestada pela fonte pagadora e a recorrente não apresentou comprovante que demonstrasse ter recebido, da fonte pagadora, informação diversa do que esta passou ao Fisco. A multa e os juros incidem sobre o imposto a pagar suplementar apurado na decisão de primeira instância. Como essa base de incidência não está em litígio, não há fundamento legal para exclusão da multa e dos juros.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-003.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. COMPETÊNCIA DO CARF. A competência do CARF é limitada ao julgamento do litígio posto pela recorrente. IRPF. RETENÇÃO NA FONTE X AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 12. A tributação por retenção na fonte a título de antecipação do imposto anual não se confunde com a tributação decorrente do ajuste anual. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Aplicação da Súmula CARF nº 12. IRPF. MULTA E JUROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGADA INDUÇÃO A ERRO POR INFORMAÇÃO EQUIVOCADA DA FONTE PAGADORA. Não há demonstração de que a fonte pagadora tenha induzido a contribuinte a erro. Ao contrário, o lançamento foi baseado na informação prestada pela fonte pagadora e a recorrente não apresentou comprovante que demonstrasse ter recebido, da fonte pagadora, informação diversa do que esta passou ao Fisco. A multa e os juros incidem sobre o imposto a pagar suplementar apurado na decisão de primeira instância. Como essa base de incidência não está em litígio, não há fundamento legal para exclusão da multa e dos juros. Recurso voluntário negado.
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COMPETÊNCIA DO CARF. A competência do CARF é limitada ao julgamento do litígio posto pela recorrente. IRPF. RETENÇÃO NA FONTE X AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 12. A tributação por retenção na fonte a título de antecipação do imposto anual não se confunde com a tributação decorrente do ajuste anual. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Aplicação da Súmula CARF nº 12. IRPF. MULTA E JUROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGADA INDUÇÃO A ERRO POR INFORMAÇÃO EQUIVOCADA DA FONTE PAGADORA. Não há demonstração de que a fonte pagadora tenha induzido a contribuinte a erro. Ao contrário, o lançamento foi baseado na informação prestada pela fonte pagadora e a recorrente não apresentou comprovante que demonstrasse ter recebido, da fonte pagadora, informação diversa do que esta passou ao Fisco. A multa e os juros incidem sobre o imposto a pagar suplementar apurado na decisão de primeira instância. Como essa base de incidência não está em litígio, não há fundamento legal para exclusão da multa e dos juros. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 54 96 /2 01 0- 02 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007, decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal – CEF, no valor de R$292.378,31, decorrentes de ação na Justiça Federal, após deduzidos os honorários advocatícios. A contribuinte impugnou, alegando que os rendimentos são isentos por se tratar de aposentadoria ou pensão pagos a maior de 65 anos; que não foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF de R$12.521,31; que o valor do rendimentos refere se a diversos exercícios e, se dividido pelo números de anos envolvidos, não teria imposto a pagar; e que tem pouca instrução e não foi orientada a declarar o rendimento, entendendo que a retenção já resolvia a obrigação com o Fisco. A impugnação foi deferida somente na parte alusiva à compensação do IRRF, nos demais pontos o indeferimento teve por fundamento que: a) não se aplica o art. 12A e sim o caput do art. 12 da Lei 7.713/1988, que estabelece que os rendimentos recebidos acumuladamente o imposto incide, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos; b) a contribuinte tem mais de 65 anos e os rendimentos recebidos acumuladamente decorrem de acertos da pensão recebida do INSS, preenchendo os requisitos para reconhecimento da isenção, que, no ano calendário 2007, teve limite mensal de R$1.313,69. Todavia, cabe observar que esse limite é aplicado à soma das aposentadorias/pensões do contribuinte, e não para cada uma das fontes pagadoras e que a contribuinte informou em sua DIRPF rendimentos isentos (pensão maior de 65 anos) no valor de R$9.473,53 (fl. 30), sendo que, dos documentos anexados, não é possível saber como esse valor foi distribuído entre os meses, de forma que não há demonstração de que, no mês de março, quando recebeu os rendimentos acumulados, não se utilizou do limite mensal integralmente; e c) por força do art. 3º do DecretoLei 4.657/1942, com as alteração introduzidas pela Lei 3.238, de 1957, e do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN não é possível eximir a responsabilidade tributária com base em razões de cunho pessoal. A ciência do acórdão ocorreu em 21/08/2012 (fls. 51). Fl. 75DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 12326.005496/201002 Acórdão n.º 2802003.336 S2TE02 Fl. 75 3 O recurso voluntário foi interposto no dia 20/09/2012 com as seguinte razões: 1. o acórdão recorrido deixa claro que houve a omissão de rendimentos, todavia foi não proposital, visto que não era conhecedora da legislação e foi orientada que bastava a retenção na fonte para que a situação com a Secretaria da Receita Federal do Brasil fosse resolvida; 2. a retenção do imposto é de responsabilidade da fonte pagadora que é, no mínimo, coresponsável pela indução ao erro por parte da contribuinte; 3. o mérito da questão é que a fonte pagadora fez os cálculos incorretos e induziu a contribuinte a deixar de recolher o valor de R$62.133,19 na época própria; 4. requer que seja reconhecido o dever de pagar apenas o valor principal (R$62.133,19), cancelandose a multa e os juros, pois há época não houve a retenção pela fonte pagadora. Em 12/11/2012 a contribuinte foi intimada a pagar a parte não litigiosa (valor principal – imposto de R$62.133,19). É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A competência do CARF é limitada ao julgamento do litígio posto pela recorrente: o cabimento ou não dos juros de mora e da multa de ofício aplicados sobre o imposto de R$62.133,19 que a recorrente reconhece como devido. A razão do apelo pela exclusão dos citados acréscimos legais é um erro de interpretação da legislação e a suposta indução a erro pela fonte pagadora. Como a retenção na fonte foi mera antecipação, a apuração de imposto anual, pode ocorrer, mesmo que a retenção na fonte tenha sido feita corretamente. A recorrente faz confusão entre a tributação por retenção na fonte a título de antecipação do imposto anual e a tributação decorrente do ajuste anual. De todo modo, aplicase a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Não há demonstração de que a fonte pagadora tenha induzido a contribuinte a erro. Ao contrário, o lançamento foi baseado na informação prestada pela fonte pagadora e a recorrente não apresentou comprovante que demonstrasse ter recebido, da fonte pagadora, informação diversa do que esta passou ao Fisco. Por força dos dispositivos legais citados no lançamento (fls. 3; numeração digital fls. 5), a multa e os juros incidem sobre o imposto a pagar suplementar apurado na decisão de primeira instância (fls. 47), que é de R$62.133,19. Como essa base de incidência não está em litígio, não há base legal para exclusão da multa e dos juros. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723354/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. RECIBO. DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO.
Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vício. A boa-fé se presume, enquanto que má-fé precisa ser comprovada.
A exigência de provas adicionais quanto à veracidade dos recibos não pode ser fundada exclusivamente em ilações subjetivas a respeito da forma de pagamento ou dos valores do tratamento, mas, sim, em provas concretas a respeito da ausência de prestação de serviços ou dos pagamentos efetuados.
Não logrando a fiscalização desconstituir a veracidade das declarações postas nos documentos comprobatórios, é de se admitir a sua dedutibilidade.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2201-002.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acatar a despesa médica no valor de R$ 9.746,00.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. RECIBO. DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vício. A boa-fé se presume, enquanto que má-fé precisa ser comprovada. A exigência de provas adicionais quanto à veracidade dos recibos não pode ser fundada exclusivamente em ilações subjetivas a respeito da forma de pagamento ou dos valores do tratamento, mas, sim, em provas concretas a respeito da ausência de prestação de serviços ou dos pagamentos efetuados. Não logrando a fiscalização desconstituir a veracidade das declarações postas nos documentos comprobatórios, é de se admitir a sua dedutibilidade. Recurso Provido.
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DEDUTIBILIDADE. RECIBO. DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é necessário comprovar que o mesmo contenha algum vício. A boafé se presume, enquanto que máfé precisa ser comprovada. A exigência de provas adicionais quanto à veracidade dos recibos não pode ser fundada exclusivamente em ilações subjetivas a respeito da forma de pagamento ou dos valores do tratamento, mas, sim, em provas concretas a respeito da ausência de prestação de serviços ou dos pagamentos efetuados. Não logrando a fiscalização desconstituir a veracidade das declarações postas nos documentos comprobatórios, é de se admitir a sua dedutibilidade. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para acatar a despesa médica no valor de R$ 9.746,00. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 33 54 /2 00 9- 46 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Versam os presentes autos sobre dedução indevida com despesa de instrução e com despesas médicas, no valor total de R$ 56.483,67. Cientificado do lançamento, o recorrente, em tempestiva Impugnação, concorda com a infração de “dedução indevida com despesa de instrução”. Entretanto, no que tange à outra infração, questiona a glosa do valor de R$ 9.746,00, ao alegar que este se refere a despesas médicas do próprio contribuinte. No mais, requer prioridade na análise da Impugnação, em razão do Estatuto do Idoso. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/POÁ conheceu a Impugnação, e por unanimidade de votos, julgoua improcedente. Ao fundamentar, considerou insuficiente a referência apenas a “atendimento médico”, no recibo apresentado, reputando indedutível a despesa, tendo em vista seu elevado valor. Nesse sentido, afirmou ser possível, pelo recorrente, a apresentação de elementos complementares ao recibo de pagamento. O recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fundado nas seguintes razões: a) A decisão recorrida está equivocada, pois foram comprovados os pagamentos à médica; b) O artigo 80, do Regulamento do Imposto de Renda, prevê a possibilidade de dedução, bem como seus requisitos, caso ocorra pagamentos efetuados à médicos. Nesse sentido, afirma que os requisitos estão presentes. c) O Fisco estaria invadindo a privacidade do Recorrente, e desrespeitando o dever de sigilo dos médicos, ao pretender que o Recorrente prestasse informações referentes a seu tratamento. d) Negase o direito de quitar dívidas em dinheiro, de acordo com o trecho da decisão recorrida: “em regra, as dívidas de valores elevados são pagas em cheque ou cartão de crédito”. e) Caso o Fisco entenda que os recibos apresentados são inidôneos para comprovar o pagamento das despesas médicas, seria necessário que o mesmo comprovasse a existência de fraude, sonegação fiscal, ou qualquer irregularidade, a fim de afastar a presunção de boa fé. Segue, asseverando não terem ocorrido tais irregularidades no presente caso, pois a médica Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11080.723354/200946 Acórdão n.º 2201002.560 S2C2T1 Fl. 120 3 (Larissa Widholzer Galant) recolheu seu IR sobre os valores recebidos do Recorrente. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Assiste razão o recorrente. A validade dos recibos e declarações deve ser avaliada apenas em virtude do que dispõe a lei, conforme exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250/95, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou do CNPJ do prestador. A exigência de provas adicionais quanto à veracidade dos recibos não podem ser fundadas exclusivamente em ilações subjetivas a respeito da forma de pagamento ou dos valores do tratamento, mas, sim, em provas concretas a respeito da ausência de prestação de serviços ou dos pagamentos efetuados. Com base nos enunciados legais acima apontados, passo à análise dos recibos glosados pela autoridade fiscal. Da análise dos recibos de fls. 11 e seguintes, lá constam, nome, endereço, CRM e CPF da médica e indicação do beneficiário do tratamento, qual seja, o próprio recorrente. Assim reconheço a dedutibilidade das despesas com a profissional Larissa Widholzer Galant. Neste sentido, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF ACÓRDÃO: 9202003.159: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS DEDUTIBILIDADE RECIBO DOCUMENTO HÁBIL ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO. Os recibos, desde que atendidos os requisitos previstos no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26 de março de 1999, são documentos hábeis para comprovar os dispêndios com despesas médicas e embasar a sua dedutibilidade. Para desqualificar determinado documento é Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 necessário comprovar que o mesmo contenha algum vicio. A boafé se presume, enquanto que máfé precisa ser comprovada. Recurso especial provido. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário, para excluir a glosa do valor de R$ 9.746,00, referente à profisional Larissa Widholzer Galant. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/03/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11543.001088/2002-36
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 01 08 8/ 20 02 -3 6 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11543.001088/200236 Resolução nº 1802000.628 S1TE02 Fl. 604 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, que homologou parcialmente pedido de compensação (convertido em declaração de compensação) apresentado pela Contribuinte acima identificada. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1215.003, às fls. 529 a 540: Trata este processo de pedido de compensação de crédito no valor de R$ 377.532,81 (fls. 01 e 16) com débitos de IRPJ, CSLL, COFINS, FUNRES e FINAM relacionados à folha 10. De acordo com o Parecer SEORT n° 120/2007 de folhas 247 e 248, o interessado não demonstrou as origens dos créditos, mesmo após intimado a esclarecêlas, e por isso teve seu pleito indeferido. O Despacho Decisório de folha 249 concluiu pelo nãoreconhecimento do direito creditório e pela nãohomologação das compensações pleiteadas. A ciência foi dada em 02/03/2007 (fl. 253). Em 29/03/2007 o interessado apresentou manifestação de inconformidade às folhas 254 a 257, alegando que: o Auditor Luiz Cezar Garcia esteve por vários dias no escritório do interessado analisando os livros Diário e Razão e os balancetes e balanços, além dos DARF originais; a recusa do pedido de compensação se deu após 1.820 dias do pedido inicial, sem análise do direito. Foram juntados ao processo os DARF relacionados no anexo ao pedido de compensação. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ homologou parcialmente o pedido de compensação, que foi convertido em declaração de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. FUNRES. Feita a opção de aplicação nos Fundos, o eventual excesso verificado sobre os percentuais escolhidos nos respectivos códigos passa, automaticamente, a ser considerado como sendo com a utilização de recursos próprios, ainda que permaneça inferior aos limites legais de aplicação vigente. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11543.001088/200236 Resolução nº 1802000.628 S1TE02 Fl. 605 3 Reconhecido o direito creditório do interessado, devem ser homologadas as compensações solicitadas através de pedidos administrativos, dentro do limite do crédito reconhecido. Rest/Ress. Def. em Parte Comp. Homolog, em Parte Cientificada dessa decisão em 18/07/2012, a Contribuinte apresentou em 15/08/2012 o recurso voluntário de fls. 566 a 572, procurando demonstrar que o crédito reconhecido na primeira instância administrativa, no montante de R$ 62.617,60, acabou sendo utilizado para compensação de débitos já quitados, tanto por meio de DARF quanto pelos encontros de contas realizados pela própria Delegacia de Julgamento. Nesse sentido, ela apresenta os seguintes argumentos: após a homologação do crédito ora apurado, foi expedido pelo SECAT/DRF/VIT 1FAZ, a notificação n.° 210/2012, que apresentou o acórdão 1215.003, com o extrato do processo eletrônico de cobrança n.° 10783.721.829/201285; ocorre que o referido processo, de forma equivocada, compensou débitos já pagos, com o crédito apurado nos quadros constantes da decisão recorrida; no referido extrato, os débitos do 4º trimestre de 1998 foram compensados com o crédito oriundo do acórdão 1215.003. Ocorre que o referido débito, ou seja, o IRPJ (0220) do 4º Trimestre de 1998, foi declarado na importância de R$ 68.231,86, e teve como pagamento um DARF de R$ 77.496,58, restando ainda um saldo credor de R$ 9.264,72, conforme demonstrado no quadro XI do relatório constante do acórdão 1215.003; o débito do IRPJ (0220) do 1º Trimestre de 1999 foi declarado no valor de R$ 7.605,31, e pago com o DARF de R$ 42.625,00, restando ainda um crédito de R$ 35.019,69, conforme demonstrado no quadro XI do relatório constante do acórdão 1215.003; o débito do IRPJ (0220) do 2º Trimestre de 1999 foi declarado no valor de R$ 6.890,10, sendo pago um DARF de R$ 4.240,00, e o restante, ou seja, R$ 2.650,10, foi compensado com o saldo de crédito do 1º Trimestre de 1999, conforme demonstrado no quadro XI do relatório constante do acórdão 1215.003; neste sentido, os únicos débitos que foram compensados corretamente com os créditos apurados no acórdão 1215.003, foram os débitos de FINAN (1825) da competência 01/1999, no valor de R$ 228,16, e FUNRES (1838), da competência 01/1999, no valor de R$ 1.901,33; quanto ao débito de IRPJ (0220) do 2º trimestre de 2000, foi declarado o valor de R$ 7.444,82, foi pago um DARF de R$ 5.896,00, e o restante, ou seja, R$ 1.548,82, foi compensado com o crédito do 1º trimestre de 2000, conforme demonstrado no quadro XII do acórdão 1215.003; para o débito do IRPJ (0220) do 4º Trimestre de 2000, foi declarado o valor de 5.902,63, e pago um DARF de R$ 2.818,00, e o restante, ou seja, R$ 3.084,63, foi compensado com o saldo credor do 3º trimestre de 2000, conforme demonstrado no quadro XII do acórdão 1215.003; Fl. 605DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11543.001088/200236 Resolução nº 1802000.628 S1TE02 Fl. 606 4 para o débito da CSLL (6012) do 1º Trimestre de 2000, foi declarado o valor de R$ 11.046,80, foi compensado o valor de R$ 3.600,00 com o crédito apurado para o 2º Trimestre de 1999, e o restante, ou seja, R$ 7.446,80, foi compensado com o crédito do IRPJ do 3º Trimestre de 1998, conforme os quadros IX e XV do acórdão 1215.003; diante do exposto, a Requerente, espera e requer que seja acolhido o presente recurso, revisando assim o extrato do processo n.° 10783.721.829/201285, para o fim de assim ser decidido, pelo cancelamento dos débitos já quitados, e em conseguinte, que seja efetuada a compensação dos débitos restantes, com o crédito apurado no acórdão ora mencionado, homologando o restante do crédito que por ventura for apurado. Este é o Relatório. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11543.001088/200236 Resolução nº 1802000.628 S1TE02 Fl. 607 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que homologou parcialmente pedido de compensação (convertido em declaração de compensação) por ela apresentado em 06/03/2002, em que utilizou um alegado crédito de R$ 377.532,78 proveniente de pagamentos indevidos ou a maior a título de IRPJ, CSLL, FUNRES e FINAM, referentes a vários períodos de apuração dos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, conforme planilha às efls. 275. Com tais créditos a Contribuinte pretendia quitar débitos de IRPJ, CSLL, COFINS, FUNRES e FINAM referentes a variados períodos de apuração dos anoscalendário de 1997, 1998, 1999 e 2000, conforme planilha às efls. 310. A negativa da Delegacia de origem se deu pelos seguintes fundamentos: [...] Em resposta (fls. 200), o contribuinte voltou a afirmar que os créditos teriam sua origem em "pagamentos indevidos e/ou a maior", apresentando as mesmas planilhas que já faziam parte do processo. Tais planilhas não demonstram a origem dos créditos, não demonstram o porquê de serem os pagamentos considerados indevidos ou a maior que o devido, pelo contribuinte. Nelas não há qualquer referência às bases de cálculo, aos valores que seriam devidos e os correspondentes pagamentos a maior. Em razão disso, o contribuinte recebeu nova solicitação de documentos, em 09 de novembro de 2006 (fls. 245), ficando intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, apoiada na escrituração contábil e fiscal, se os pagamentos indevidos ou a maior o foram por erro, em duplicidade, sem que houvesse débito a liquidar ou outra razão. Tanto na solicitação de fevereiro quanto na de novembro de 2006, o contribuinte tomou ciência de que o não atendimento das solicitações implicaria no julgamento do processo no estado em que se encontrava. Pelo exposto, considerando que o contribuinte não atendeu às solicitações mencionadas, deixando de demonstrar os alegados saldos de pagamentos a maior que o devido, que seriam passíveis de restituição, proponho o indeferimento do pleito e a conseqüente não homologação das compensações pretendidas. Na seqüência, ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, a Delegacia de Julgamento transcreveu a legislação tributária sobre os fundos de investimentos regionais e indeferiu os créditos decorrentes de pagamentos relativos a esses fundos (FINAM e FUNRES), argumentando: Fl. 607DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11543.001088/200236 Resolução nº 1802000.628 S1TE02 Fl. 608 6 que a opção de investimentos nesses fundos é irretratável; que os DARF não poderão sofrer modificação relativa ao código ou ao valor da Receita; que havendo excedente ou o não atendimento das condições para a fruição do benefício fiscal, a aplicação no fundo continua a existir porque a opção é irretratável, mas sua fonte de recurso deixa de ser a parcela do imposto renunciada pela União, e passa a ser parcela de rendimentos da própria pessoa jurídica. Quanto aos créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL, a Delegacia de Julgamento constatou tanto excessos quanto insuficiências de recolhimento nos diversos períodos de apuração (trimestres) dos anoscalendário acima citados, e após promover encontros de contas para quitar as referidas insuficiências, reconheceu saldo remanescente de crédito no valor de R$ 62.617,60. Nesta fase recursal, a Contribuinte não questiona propriamente o valor do crédito reconhecido pela Delegacia de Julgamento. Seu inconformismo se dirige à forma de utilização destes R$ 62.617,60 pela Delegacia de origem, que segundo ela, teria compensado esse crédito com débitos já quitados, tanto por meio de DARF quanto pelos encontros de contas realizados pela própria Delegacia de Julgamento. Realmente, há indicação de que o referido crédito foi utilizado para a compensação de débitos que a Delegacia de Julgamento já havia considerado como extintos, seja por DARF, seja pelos encontros de contas que ela promoveu. É o caso, por exemplo, dos débitos de IRPJ dos PA: 4º trimestre de 1998; 1º e 2º trimestres de 1999; 2º e 4º trimestres de 2000; e o débito de CSLL do 1º trimestre de 2000. O confronto dos quadros constantes da decisão de primeira instância administrativa (fls. 538/540) com o extrato de débitos do processo (fls. 555/557), evidencia que os débitos citados acima, já extintos pela DRJ, foram novamente considerados para o fim de reduzir o crédito que remanesceu daquela decisão, sendo que alguns deles estão sendo novamente exigidos (parcial ou integralmente), como se estivessem ainda em aberto. A causa desse problema é que o pedido de compensação não indicou apenas os saldos líquidos de crédito (excedentes) e as parcelas dos débitos em aberto (insuficiências). O pedido abrangeu todos os créditos que a Contribuinte entendia possuir (pagamentos feitos), e todos os débitos que ela pretendia ver reconhecidos como quitados (inclusive aqueles referentes aos períodos de apuração onde havia excesso de recolhimento). Nesse contexto, é necessário que a Delegacia de origem examine as alegações da Contribuinte, e, sendo elas procedentes, refaça o encontro de contas, com a elaboração de um novo extrato de débitos em aberto. O resultado desse trabalho deve constar de relatório circunstanciado, com a ciência da Contribuinte para que possa se manifestar no prazo de 30 dias, se for do seu interesse. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11543.001088/200236 Resolução nº 1802000.628 S1TE02 Fl. 609 7 Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Vitória/ES atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 609DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 14474.000181/2007-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
O CTN, na c, II, Art. 106, determina que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Ocorre que para a correta aplicação da determinação deve-se comparar as penalidades que existiam antes com a atual, devido a alteração legislativa.
No presente caso, a decisão a quo - equivocadamente - definiu por penalidade que não é aplicada atualmente, motivo do proviemnto do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente na data de formalização do Acórdão
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho arruda Junior
Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator-Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). O CTN, na “c”, II, Art. 106, determina que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre que para a correta aplicação da determinação devese comparar as penalidades que existiam antes com a atual, devido a alteração legislativa. No presente caso, a decisão a quo equivocadamente definiu por penalidade que não é aplicada atualmente, motivo do proviemnto do recurso. Acordam os membros do colegiado, pelo voto qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 01 81 /2 00 7- 97 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data de formalização do Acórdão (Assinado digitalmente) Manoel Coelho arruda Junior Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira RedatorDesignado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 9202003.251 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão no 2403 00.390, proferido pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2 Seção de Julgamento do CARF em 10/02/2011 (fls. 119/131), interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 135/146, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°256, de 22 de junho de 2009. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: "PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁR1AS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfracdo, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. (.) CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5°, LEI N° 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI N° 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI N°8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c art. 32, § 5°, Lei n°8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso voluntário provido em parte." O acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional em 05/05/2011, segundo RM n° 18.719, fls. 133, considerandose intimada 30 (trinta) dias após (§§ 7° ao 9°, do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.457, de 16/03/2007, D.O.U. de 19/03/2007). Recurso especial apresentado em 17/06/2011, conforme RM no 12.479, fls. 134, dentro, portanto, do prazo de 15 (quinze) dias estabelecido no artigo 68 do Regimento Interno do CARF. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 O pedido foi devidamente instruído com cópias dos acórdãos indicados como paradigmas e/ou reprodução integral de suas ementas no corpo do recurso, nos moldes dos §§ 7° a 9° do artigo 67 do RICARF. Segundo a Fazenda Nacional, no presente caso há nítida divergência entre a decisão recorrida e o paradigma que apresenta, o Acórdão n.° 240100.127. Segue abaixo trecho de sua ementa: "(..) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA — DESCUMPRIMENTO — INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP — Guia do recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL — PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA — APLICAÇÃO. Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o principio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE." Afirma que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que hora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória em que também se lavrou NFLDs em decorrência da mesma ação fiscal. Explica que, naquela ocorrência, consignouse que o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I da Lei 9430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica as situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, sob pena de bis in idem. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 4ª Câmara, da Segunda Seção prolatou Despacho n. 2400381/2011 [fls. 147] que deu seguimento ao Especial interposto: [...] Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma, motivo pelo qual entendo que está configurada a divergência jurisprudencial apontada. As decisões em comento referemse a auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista na Lei n° 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 50, acrescentado pela Lei n° 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 40 do Decreto n° 3.048/1999 que consiste em a empresa apresentar GFIP — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. III — Da conclusão Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 9202003.251 CSRFT2 Fl. 4 5 Pelo exposto, nos termos do art. 68 do RICARF, dou seguimento ao recurso especial de divergência. Encaminhemse os autos ao órgão de origem para que o contribuinte tome ciência deste despacho e, querendo, apresente contrarazões e recurso especial relativo â. parte do acórdão que lhe foi desfavorável, consoante o disposto no art. 69 do RI CARF. Intimado a se manifestar, o Autuado apresentou contrarrazões [fls. 123 e ss] que, em síntese, reitera os argumentos do acórdão recorrido e requer, ao final, que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatadas pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF as divergências suscitadas pela Contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões à respeito da mesma matéria. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória [GFIP] segundo as novas disposições legais. A multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, passou a ser prevista no artigo 32A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. DISPOSITIVO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 9202003.251 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua decisão quanto à forma de calculo da multa. Quanto à forma de cálculo da retroatividade benigna na autuação em questão, temos a informar que houve alteração nas autuações por descumprimento da obrigação acessória em questão, com o surgimento da Medida Provisória (MP) 449/2009. Para o cálculo da multa em questão (em síntese, preenchimento de GFIP com erros nos dados relacionados aos fatos geradores) foi editada a Medida Provisória (MP) 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4º, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em Lei. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio de notificação e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32ª Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa, deve prevalecer o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: 1. Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou 2. Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 9202003.251 CSRFT2 Fl. 6 9 qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação correlata. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO: Diante o exposto, voto pelo provimento do recurso da PGFN, nos termos solicitados. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000152/2006-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
RENDIMENTOS DECLARADOS. DEPÓSITOS LANÇADOS. DEDUÇÃO. Considerando que as contas bancárias englobam todos os rendimentos do contribuinte, pressupõe-se que também os rendimentos declarados transitaram pelas contas bancárias do mesmo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Súmula CARF n. 38.
TAXA SELIC. ILEGALIDADE. Não cabe a este Conselho Administrativo se manifestar sobre inconstitucionalidade/ilegalidade de lei.
TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Conforme súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-002.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam exonerados da base de cálculo do tributo os rendimentos declarados na DIRPF dos respectivos anos-calendário.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 RENDIMENTOS DECLARADOS. DEPÓSITOS LANÇADOS. DEDUÇÃO. Considerando que as contas bancárias englobam todos os rendimentos do contribuinte, pressupõe-se que também os rendimentos declarados transitaram pelas contas bancárias do mesmo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Súmula CARF n. 38. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. Não cabe a este Conselho Administrativo se manifestar sobre inconstitucionalidade/ilegalidade de lei. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Conforme súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte
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DEPÓSITOS LANÇADOS. DEDUÇÃO. Considerando que as contas bancárias englobam todos os rendimentos do contribuinte, pressupõese que também os rendimentos declarados transitaram pelas contas bancárias do mesmo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Súmula CARF n. 38. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. Não cabe a este Conselho Administrativo se manifestar sobre inconstitucionalidade/ilegalidade de lei. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Conforme súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam exonerados da base de cálculo do tributo os rendimentos declarados na DIRPF dos respectivos anos calendário. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 52 /2 00 6- 34 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório Recurso Voluntário que visa reverter a decisão proferida no Acórdão de Impugnação n. 1725.764 da 7a. Turma da DRJ/SPOII, que considerou procedente o lançamento tributário de ofício objeto deste processo, relativo a depósitos bancários com origem não justificada. A ciência ao Acórdão de Impugnação ocorreu em 19/08/2008 e o Recurso Voluntário foi interposto em 15/09/2008. DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Os rendimentos omitidos apurados com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, embora sujeitos à tributação no mês da sua percepção, estão também sujeitos ao ajuste na declaração anual, pelo que a contagem do prazo decadencial não é mensal, contados do mês em que o crédito foi efetuado pela instituição financeira. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. Restando caracterizada a declaração inexata, por omissão de rendimentos, impõese a aplicação da multa de 75,00%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. A redução da penalidade somente pode ser concedida nos termos e condições previstos em lei. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000152/200634 Acórdão n.º 2101002.687 S2C1T1 Fl. 3 3 O recorrente, inconformado com o Acórdão de Impugnação aduz as seguintes razões para a modificação da decisão: 1. Considerando o art. 173, I do CTN, o crédito tributário relativo aos meses 01/2001 e 02/2001 estariam fulminados pela decadência já que o lançamento de ofício ocorreu em 20/03/2006. 2. A autoridade lançadora não considerou o valor de R$ 902,40 de IRPF declarado na DIRPF do ano calendário 2002. O julgador a quo entendeu que o contribuinte deveria comprovar que alguns dos depósitos/créditos relacionados no Demonstrativo de Valores Extratos Bancários AnoCalendário 2002 têm origem em rendimentos tributáveis informados na declaração de rendimentos juntada aos autos.Entretanto isso teria sido feito e, por isso, o fiscal deduziu a importância lançada na declaração do imposto lançado de ofício (R$ 902,40). Isso quer dizer que os valores lançados no auto de infração estão inseridos valores já lançados na DIRPF pelo contribuinte. 3. Entende que a incidência da taxa SELIC em matéria tributária é ilegal e deveria ser analisada pelo CARF. A SELIC, neste caso, fere princípios como o da anterioridade, pois o contribuinte não sabe qual será o valor da obrigação tributária, além da indelegabilidade de competência tributária e da segurança jurídica. Após a interposição do recurso, os procuradores do contribuinte renunciaram ao mandato. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. Relativamente à preliminar de decadência, observo que o art. 150 par. 4o. do Código Tributário Nacional (CTN) determina o prazo de 5 anos para a Fazenda Pública rever/homologar o lançamento feito pelo contribuinte, contados a partir do fato gerador. No caso de lançamento de ofício de omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários cuja origem não foi justificada, o entendimento deste Conselho é de que o fato gerador ocorre em 31/dezembro do anocalendário, conforme a seguir. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Desta forma, o lançamento de ofício dos valores relativos ao ano calendário 2001 deveria ter sido realizado até o dia 31 de dezembro de 2006. A ciência ao auto de infração ocorreu em 27/03/2006. Assim, não há que se falar em decadência do lançamento. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Observo que a argumentação do recorrente é no sentido da aplicação do art. 173 do CTN, que lhe é mais prejudicial, tendo em vista que, por este dispositivo o fisco teria mais tempo para efetuar o lançamento fiscal. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Considerando que todas as contas bancárias do contribuinte foram investigadas, entendo que também os valores declarados regularmente ao fisco federal nas DIRPF´s transitaram pelas contas bancárias do contribuinte. Desta forma, não deveriam integrar a base de cálculo do lançamento dos depósitos bancários não comprovados/justificados. Nesse sentido, também a decisão no Acórdão 2801003.733 da 1ª Turma Especial desta Segunda Seção de Julgamento, cuja decisão restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.000152/200634 Acórdão n.º 2101002.687 S2C1T1 Fl. 4 5 Com relação à utilização da taxa SELIC para a indexação dos valores devidos, o entendimento deste Conselho, em consonância com as decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, está expresso na Súmula n. 4, a seguir. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abl de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Dado o exposto, voto por afastar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso para que seja exonerado da base de cálculo do tributo os rendimentos declarados nas DIRPF´s dos respectivos anoscalendário. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 224DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 23/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10805.901013/2011-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 18 1 17 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.901013/201157 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.374 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria Compenação Recorrente FIXOPAR COMERCIO DE PARAFUSOS E FERRAMENTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 10 13 /2 01 1- 57 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O sujeito passivo ingressou com Manifestação de Inconformidade contra despacho que não homologou a compensação declarada na Dcomp, por meio da qual pretendia extinguir um débito referente à Cofins. Assim a DRF não homologou a compensação pela inexistência de saldo credor suficiente, em virtude de utilização para quitação de débitos anteriores à presente compensação. O sujeito passivo aduz em sua Manifestação de Inconformidade que o ICMS não poderia compor a receita bruta apurada para fins fiscais, afirmando que a incidência de um imposto estadual (ICMS) sobre tributos federais (PIS e COFINS) gera a incidência de tributo sobre tributo, o que seria Inconstitucional. Reitera que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS apresentase inconstitucional, trazendo à baila diversos Recursos Extraordinários. A 3ª Turma da DRJ Curitiba, na sessão de julgamento de 11 de setembro de 2013, por meio do acórdão 0643.528 indeferiu o pedido de restituição e não reconheceu o direito creditório, consoante a ementa adiante transcrita: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETENCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar incoformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinçao de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901013/201157 Acórdão n.º 3803006.374 S3TE03 Fl. 19 3 mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador de serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão em 10/01/2014 e irresignado com o resultado do julgamento, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 10/02/2014, portanto, tempestivo. Aduz em seu Recurso os mesmos argumentos utilizados em sua Manifestação de Inconformidade, não incorporando às suas razões de defesa nenhum novo argumento ou prova. É o relatório. Voto Conselheiro Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. No que tange à inconstitucionalidade alegada há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL 0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que resolvida a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados os limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios quais sejam: material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901013/201157 Acórdão n.º 3803006.374 S3TE03 Fl. 20 5 Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2º do artigo 1º da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “...Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotando o como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901013/201157 Acórdão n.º 3803006.374 S3TE03 Fl. 21 7 Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento. (Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901013/201157 Acórdão n.º 3803006.374 S3TE03 Fl. 22 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20 042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901013/201157 Acórdão n.º 3803006.374 S3TE03 Fl. 23 11 § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901013/201157 Acórdão n.º 3803006.374 S3TE03 Fl. 24 13 Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901013/201157 Acórdão n.º 3803006.374 S3TE03 Fl. 25 15 geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 002316944.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida..TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF 3). Data de publicação: 16/06/2011. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901013/201157 Acórdão n.º 3803006.374 S3TE03 Fl. 26 17 Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902871/2008-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
DCOMP. SALDO NEGATIVO. PROVA.
Não se homologa a compensação cujo crédito de saldo negativo não está devidamente assentado nos registros contábeis e fiscais do contribuinte.
Numero da decisão: 1801-002.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 DCOMP. SALDO NEGATIVO. PROVA. Não se homologa a compensação cujo crédito de saldo negativo não está devidamente assentado nos registros contábeis e fiscais do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Joselaine Boeira Zatorre, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 28 71 /2 00 8- 12 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10120.902871/200812 Acórdão n.º 1801002.329 S1TE01 Fl. 3 2 Relatório ALGODOCÉU BENEFICIADORA DE ALGODÃO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0347.872 (fl. 55), pela DRJ Brasília, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação nº 21744.24924.311006.1.7.032987 (fl. 36). Verificada divergência entre o saldo negativo demonstrado na referida DCOMP (R$ 1.252,43) e aquele declarado em DIPJ (R$ 13.609,21), o contribuinte foi intimado para sanear a inconsistência (fl. 37). Expirado o prazo dado na intimação, a DCOMP foi não homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 41, com a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, em que afirma que o saldo negativo é aquele apontado em sua DIPJ e que demonstrou na DCOMP apenas o saldo negativo remanescente após a realização de duas autocompensações, em 2002. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fl. 55), em razão de o reclamante não ter demonstrado, com sua escrituração contábil, aquilo que havia alegado. A decisão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 31/12/2001 SALDO NEGATIVO. SALDO REMANESCENTE. Não trazendo o sujeito passivo a comprovação contábil do saldo negativo que afirma ter remanescido após as compensações que efetuou de modo escritural, não há como reconhecer o direito creditório. Cientificado dessa decisão, o contribuinte impetrou o recurso voluntário de fl. 69, afirmando que desconhecia a necessidade de apresentar a sua contabilidade, fazendoo agora. Juntou documentos. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10120.902871/200812 Acórdão n.º 1801002.329 S1TE01 Fl. 4 3 O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Conforme o contribuinte descreve em sua manifestação de inconformidade (fl. 2), ele apurou saldo negativo de CSLL relativo a 2001 no valor de R$ 13.609,21. Por meio de autocompensações, utilizou R$ 12.356,83 deste saldo para quitar as estimativas de CSLL devidas em fevereiro e março de 2002, remanescendo disponível R$ 1.252,43, que pretende utilizar na presente compensação. Para demonstrar sua afirmação, agora em sede de recurso voluntário, apresentou parte de seu Livro Diário de 2001 (fls. 71/74), parte do Livro Razão de 2001 (fls. 75/76), parte do Livro Razão de 2002 (fls. 77/78) e parte do Livro Diário de 2002 (fls. 79/85). Compulsando os referidos documentos, podese verificar no Livro Razão de 2002 (fl. 78) que a conta contábil “112050009 CSLL P/ESTIM. A COMP./01 (003867)” iniciou o ano com o saldo de R$ 13.462,45, portanto já inferior ao saldo negativo declarado em DIPJ. Nessa mesma conta, estão registradas as autocompensações apontadas pelo recorrente (embora em março e abril), que levaram o saldo dessa conta a R$ 1.105,62. Todavia, também há o registro de uma outra autocompensação, agora para quitar a estimativa de CSLL de outubro de 2002, no valor de R$ 1.105,62, reduzindo a zero o saldo dessa conta. Prosseguindo nessa verificação, constatase que a referida conta foi debitada pelo valor de R$ 2.302,69, a título de correção monetária, o que levou o seu saldo ao mesmo valor. Esse valor foi utilizado para compensar CSLL de dezembro de 2002, levando novamente a zero o valor remanescente do saldo negativo de 2001. Esses registros são parcialmente compatíveis com o relato contido na manifestação de inconformidade, uma vez que lá foi omitida a autocompensação de outubro de 2002. Ademais, o saldo negativo registrado na contabilidade é inferior àquele apontado na DCOMP e o contribuinte acresceu a esse saldo negativo um valor a título de correção monetária, o que não tem suporte legal, no aspecto tributário. Assim, não há crédito de saldo negativo a ser reconhecido, conforme os registros contábeis e fiscais constantes dos autos. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 10120.902871/200812 Acórdão n.º 1801002.329 S1TE01 Fl. 5 4 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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