Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.001194/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º, do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançá-las, bem como ocorre o seu atingimento.
A escolha de critérios de avaliação pessoal do supervisor não atende a tal exigência quando os pontos a serem analisados não forem claros.
Qualquer valor pago ao empregado a título de PLR deve observar rigorosamente os critérios estabelecidos, sob pena de serem considerados como salário-de-contribuição.
O pagamento de valores que não correspondentes às metas e valores propostas pelo PLR são base de cálculo da contribuição previdenciária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS SÓCIOS.
Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ.
É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN.
A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, pela homologação tácita do Crédito Tributário prevista no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, excluindo do lançamento as competências até 09/2003, inclusive, vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicar-se o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Por voto de qualidade, para que seja mantida a multa de mora como aplicada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 448/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor quanto à multa moratória.
Liege Thomasi Lacroix - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Aplica-se o art. 150, §4º, do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançá-las, bem como ocorre o seu atingimento. A escolha de critérios de avaliação pessoal do supervisor não atende a tal exigência quando os pontos a serem analisados não forem claros. Qualquer valor pago ao empregado a título de PLR deve observar rigorosamente os critérios estabelecidos, sob pena de serem considerados como salário-de-contribuição. O pagamento de valores que não correspondentes às metas e valores propostas pelo PLR são base de cálculo da contribuição previdenciária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS SÓCIOS. Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ. É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN. A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.001194/2008-83
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5432237
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2302-002.824
nome_arquivo_s : Decisao_16327001194200883.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 16327001194200883_5432237.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, pela homologação tácita do Crédito Tributário prevista no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, excluindo do lançamento as competências até 09/2003, inclusive, vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicar-se o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Por voto de qualidade, para que seja mantida a multa de mora como aplicada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 448/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor quanto à multa moratória. Liege Thomasi Lacroix - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Arlindo da Costa e Silva Redator Designado Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5828997
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704967315456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 466 1 465 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001194/200883 Recurso nº 002.824 Voluntário Acórdão nº 2302002.824 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria Programa de Participação nos Lucros e Resultados Recorrente BANCO ITAUBANK Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º, do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançálas, bem como ocorre o seu atingimento. A escolha de critérios de avaliação pessoal do supervisor não atende a tal exigência quando os pontos a serem analisados não forem claros. Qualquer valor pago ao empregado a título de PLR deve observar rigorosamente os critérios estabelecidos, sob pena de serem considerados como saláriodecontribuição. O pagamento de valores que não correspondentes às metas e valores propostas pelo PLR são base de cálculo da contribuição previdenciária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 94 /2 00 8- 83 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 467 2 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS SÓCIOS. Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ. É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN. A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, pela homologação tácita do Crédito Tributário prevista no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, excluindo do lançamento as competências até 09/2003, inclusive, vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicarse o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Por voto de qualidade, para que seja mantida a multa de mora como aplicada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 448/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 468 3 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor quanto à multa moratória. Liege Thomasi Lacroix Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 469 4 Relatório Tratase de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Principal, lavrado em face de BANCO ITAUBANK, do qual foi notificado em 28/10/2008, referente às contribuições da empresa destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 19/29), a empresa não teria cumprido a legislação referente ao Programa de Participação nos Resultados e LucrosPLR, deixandose de fora da autuação os valores pagos até os limites previstos pelas convenções coletivas de trabalho, que foram considerados consoantes à legislação sobre o tema. No tocante ao Programa PLR, foram apontadas irregularidades nos seguintes itens: 1) Vigência do PLR: O Plano prevê revisões anuais obrigatórias, que não foram feitas; 2) Participação dos empregados e do Sindicato no processo de negociação: Não participaram de nenhuma das revisões previstas pelo próprio acordo, tampouco das metas e valores a serem pagos, tendo sido afirmado pela empresa que os valores são discricionariamente definidos e que podem levar em conta resultados globais, ou seja, outras empresas do grupo econômico, inclusive as localizadas no exterior, fora do alcance do dos seus empregados. 3) Regras claras: A empresa leva em conta o comportamento pessoal do empregado, faz comparações entre eles, valoriza a figura do avaliador, trata das metas em tese e não em números objetivamente, não mantém memória de cálculo das aferições das metas à disposição dos funcionários e não prevê limite máximo para pagamento; 4) Metas pactuadas previamente com a participação do Sindicato: Não foi apresentado; 5) Avaliações individuais: Não arquivou e não apresentou; 6) Substituição da remuneração: O acordo substitui programa de bônus e produtividade, utilizandoo para remunerar seus empregados, chegando a pagar, de uma só vez, 179 salários, de modo que a PLR passa a ser a remuneração principal; 7) Pagamento semestral: As metas eram pagas semestralmente, mas calculadas mensalmente, baseadas nas operações realizadas, demonstrandose a natureza de comissão/bônus dessa verba. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 470 5 Além desses fatos, é típico da empresa pagar através de remuneração variável, o que se somaria à descaracterização do PLR. Apresentada impugnação às fls. 123/183, o lançamento foi julgado procedente pelo acórdão de fls. 229/257, cuja ementa foi a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Considerase saláriodecontribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei especifica, integra o salário de contribuição. DECADÊNCIA.INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário deve seguir as regras previstas no Código Tributário Nacional, em face da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante STF n° 08. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. O Relatório de Representantes Legais não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial, nas previstas em lei e após o devido processo legal MULTA. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ART. 22, §1°, DA LEI N.° 8.212/91. As instituições financeiras enquadramse no código FPAS 736, estando obrigadas ao recolhimento de contribuição adicional de 2,5% sobre a base de cálculo estabelecida no art. 22, I e III, da Lei n.° 8.212/91. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 261/332, alegando, em síntese: a) Parte do crédito lançado foi afetado pela decadência (01 a 09/2003); b) O Sindicato e a Confederação participaram de todas as etapas do Plano, tendo assinado o Acordo, com anuência da forma de escolha dos critérios e da avaliação; Fl. 471DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 471 6 c) A participação do Sindicato é obrigatória quando se tratar de Acordo Coletivo de Trabalho, o que não é o caso do PLR em questão. Além disso, o produto final do acordo contou com o arquivamento pelo Sindicato, não sendo necessárias provas de todas as etapas da negociação com sua participação; d) Havia a possibilidade de revisão anual do PLR, entendida esta como a possibilidade de modificarem as disposições do programa de acordo com suas necessidades, sendo certo que a legislação admite a previsão de prazo indeterminado; e) Os elementos subjetivos e objetivos de avaliação se complementam; f) As regras foram claras e objetivas; g) Critérios comportamentais e comparativos de avaliação se coadunam com a finalidade do Programa, pois os empregados sabia que este seria ponto de avaliação, em virtude da interferência desse aspecto nos resultados financeiros da empresa. Não sendo o critério de pagamento exclusivamente financeiros, a avaliação não pode ser exclusivamente objetiva; h) A utilização de critérios comparativos entre os empregados mostrase necessária para se obter um parâmetro capaz de estabelecer melhor desempenho; i) Não existe na legislação limite máximo a ser distribuído a título de PLR; j) O recebimento de valor correspondente a várias vezes o salário do empregado justificase pela sua função diretamente relacionada ao cargo e à sua representação nos resultados da empresa. A título de exemplo, o empregado que recebeu 179 vezes o seu salário, conforme apontado pela autuação, teria conferido resultado 64 vezes maior ao que recebeu; k) A empresa paga aos seus funcionários salários compatíveis com o de mercado, não podendo se falar em substituição da remuneração; l) a ausência de arquivo das avaliações de desempenho que fundamentaram os pagamentos da PLR foi suprida pela demonstração dos resultados individuais arquivados eletronicamente; m) o fato de existir um registro mensal da avaliação dos empregados não significa que os pagamentos de PLR representavam uma comissão pelos serviços prestados, uma vez que os pagamentos de PLR levaram em consideração metas apuradas em periodicidade semestral ou anual; n) Não há habitualidade e retributividade no pagamento; o) é descabida a cobrança do adicional de 2,5% do Recorrente; p) é ilegal a inclusão dos dirigentes no pólo passivo da autuação fiscal; Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 472 7 q) é ilegal a majoração da multa de mora em face do transcurso do tempo; r) é ilegal a aplicação da Taxa Selic como juros de mora. Sem Contra Razões. É o relatório. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 473 8 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Da Decadência No caso em apreço, o Auto de Infração foi lavrado em 28/10/2008, tendo como objeto as contribuições devidas nos exercícios de fevereiro/2003 a dezembro/2006. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 474 9 Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 475 10 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, Fl. 476DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 476 11 págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação. Depreendese dos autos que, da ação fiscal em comento, não houve lavratura de auto de infração relacionado a outros fatos geradores de contribuições previdenciárias, de modo que a fiscalização entendeu que as demais contribuições previdenciárias haviam sido pagas pela empresa. Outrossim, não tendo sido comprovando que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 29/12/2008, tenho como certa a decadência das competências até novembro/2003, isto é, anteriores a dezembro/2003. Do programa de Participação nos Lucros ou ResultadosPLR A Constituição Federal determinou, no seu art. 7º, inciso XI, que a participação pelo empregado nos lucros ou resultados da empresa estaria desvinculada de remuneração, conforme definido em lei. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 477 12 A Lei nº 8.212/1991, ao definir a base de cálculo das contribuições previdenciárias, excluiu a participação nos lucros e resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nos seguintes termos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Diante da norma constitucional e da Lei nº 8.212/91, foi editada a Medida Provisória nº 794/1994, sucessivamente reeditada até posterior conversão na Lei nº 10.101/2000, cuja redação à época dos fatos geradores assim dispunha: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifase). A partir da análise da Lei acima transcrita, quando interpretada conjuntamente com a Constituição Federal,verificase que o intuito do legislador foi o de estimular a criação pelas empresas de Programas de Participação em Lucros e Resultados, como mecanismo de incentivo à produção e de integração do capital da empresa aos recursos humanos. Através do PLR, permitese que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, sem, contudo, empregar lhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 478 13 Exatamente por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes dos empregados e empregadores na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do PLR, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. Neste diapasão, para que os valores pagos aos empregados a título de PLR não sejam tributados, devem observar as exigências legais, bem como o intuito do legislador, para que o espírito do Programa efetivamente seja alcançado. Esta deve ser a análise da fiscalização. Vejase que os dispositivos insertos na Lei 10.101/2000 devem ser rigorosamente observados, tanto para que o contribuinte não tenha que recolher a contribuição previdenciária quando houver PLR instituído na empresa, quanto para que somente as exigências nela contidas possam ser aplicadas. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. Por isso é que os programas de metas, resultados e prazos devem estar pactuados previamente, pois somente desta forma é que seria possível se ter certeza de que os empregados estão cientes das condições do PLR e que os esforços envidados serão recompensados com a distribuição dos valores. No caso dos autos, o auditor fiscal descaracterizou o PLR instituído pelo Banco Recorrente por entender que não preenchia as exigências legais, tampouco a finalidade do Plano. Neste sentido, cabe analisar cada um dos fatos para que se verifique se deve ser mantida a autuação. De início, afirma o auditor fiscal que o PLR previu revisões anuais obrigatórias, o que não teria ocorrido, bem como que o plano foi instituído por prazo indeterminado. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 479 14 A Lei nº 10.101/2000 exige que o plano especifique a periodicidade da distribuição e o prazo de vigência do programa. A razão de tal exigência consiste na necessidade de se permitir ao empregado o tempo que terá para alcançar a meta, bem como por quanto tempo poderá ser bonificado enquanto permanecer na empresa. In casu, a periodicidade de distribuição foi devidamente prevista no Plano, e o prazo indeterminado atendeu também aos objetivos previstos na Lei, eis que o empregado saberia que, enquanto estivesse na empresa, fruiria dos benefícios instituídos pelo Programa. A revisão anual do Programa, inserta em cláusula do Plano, encontra respaldo na necessidade que os empregados e empregadores podem ter de adequar as metas, a data de pagamento, os critérios de recebimento, dentre outros, às circunstâncias atuais. Isto porque um Programa, sobretudo de prazo indeterminado, não poderia ser rígido e imutável, sob pena de se desnudar sua finalidade. A título de exemplo, imaginemos uma meta financeira para todos os empregados que, após alguns anos de vigência do Programa e crescimento da empresa, passasse a ser facilmente obtida. Evidentemente que dita meta teria que ser revista, até para se adequar melhor a uma das finalidades do Programa, que seria a de estimular os empregados, através da participação nos lucros e resultados, a envidar esforços, melhorar a qualidade e aumentar a produtividade. De outro lado, se as condições pactuadas continuam a atender os objetivos da empresa e a servir de estímulo aos seus empregados, não haveria por que revisálas, apenas sob o pretexto de ter que ser feita uma reformulação. Nesse caso, não teria sentido em editar um novo instrumento prevendo os mesmos termos, quando o anterior já tem previsão por prazo indeterminado. Em segundo lugar, firma o AFRFB que o Sindicato não participou do processo de negociação, descumprindo a determinação legal. De fato, a Lei de regência estabelece que o Sindicato seja uma das partes da negociação, quando realizado por convenção ou acordo coletivo, ou participante das negociações quando o instrumento for particular. O PLR do caso narrado se refere à segunda hipótese, em que o Sindicato tem a condição de participante e mero assistente dos empregados. Nesses casos, os termos são elaborados pela comissão formada por representantes dos empregados e empregador, cabendo ao Sindicato assessorar com instruções sobre os direitos da categoria que representa, sem, contudo, ser a sua anuência necessária à validade dos critérios, das metas e das condições do programa. Neste diapasão, entendo que o Sindicato deve ser informado das negociações, dandolhe oportunidade para participar das negociações. Contudo, a sua ausência não pode ser óbice à validade das tratativas, sob pena de se atribuir excessiva força ao órgão de classe, inclusive de vetar o avanço das negociações, o que definitivamente não foi a finalidade da Lei quando permitiu instrumento particular de estipulação do PLR, diverso dos acordos e convenções coletivas. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 480 15 Assim, ainda que seja verdade que o Sindicato não participou ativamente de todas as etapas da negociação, bastaria o seu conhecimento da existência das fases de negociação para que sua participação como assistente tivesse sido atendida. Uma vez que o AFRFB não trouxe qualquer elemento que indicasse que a Recorrente não conferiu a oportunidade ao Sindicato de participar das reuniões e tratativas, não pode haver presunções em desfavor do contribuinte. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de destacar os efeitos da participação do Sindicato: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. 7. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo Fl. 481DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 481 16 do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. Analisando o Plano de Participação nos Resultados (PPR) da autora, encontramse as seguintes características: a) tem por objetivo o atingimento de metas de resultados econômicos e de produtividade; b) há estabelecimento de índices de desempenho econômico para a unidade e para as equipes de empregados que a integram; c) fixação dos critérios e condições do plano mediante negociação entre a empresa e os empregados, conforme declarações assinadas por 38 (trinta e oito) funcionários (fls. 352/389); d) existência de regras objetivas de participação e divulgação destas e do desempenho alcançado. Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes:AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido. (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/10/2010, DJe 24/11/2010) O que soa mais estranho no Relatório Fiscal é a afirmativa de que o Sindicato teria sido ausente das revisões. Ora, este mesmo Relatório aponta a ausência de revisões como um dos motivos para o descumprimento do PLR. Sendo assim, como poderia o Sindicato participar de algo que não existiu? Por todo o exposto é que não se pode entender qualquer vício no Programa sob exame em virtude da participação ou não do Sindicato. O Relatório Fiscal afirma, ainda, que o PLR previu metas tendo em vista resultados globais do grupo econômico, inclusive de empresas localizadas no exterior, o que dificultaria, segundo afirma, o conhecimento pelos empregados do alcance das metas. Ocorre que a legislação não faz qualquer exigência neste ponto. A utilização de metas que considerem o grupo econômico tem total consonância com a finalidade do PLR, que é a de integrar o empregado à empresa como um todo. Toda empresa tem no seu recurso humano o mais precioso insumo. É justamente o somatório dos esforços que faz a empresa se desenvolver, tanto analisada uma Fl. 482DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 482 17 empresa isoladamente, quanto um grupo econômico, inclusive porque os resultados de uma das empresas do grupo reflete no das demais. O fato de alguma empresa do grupo econômico ser localizada no exterior não impede que o empregado acompanhe o atingimento das metas, se houver divulgação desses resultados. Em particular, o ramo de atividade da Recorrente e o nível de fiscalização a que se submete pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários, dentre outros órgãos competentes, faz com que os resultados se tornem ainda mais transparentes. Vejase que não se discute nos autos o desconhecimento dos empregados sobre as regras previstas. Se a comissão de negociação tomou como base dados do grupo empresarial, não há qualquer irregularidade na formalização do acordo. As empresas do mesmo grupo econômico apresentam relações bastante próximas, tanto que o Fisco sempre as considera conjuntamente na ocasião do lançamento, até por imposição legal, já que teriam um mesmo comando de decisões, as vezes até com mesma administração. Estabelecer que os resultados alcançados por outra empresa do grupo econômico sirvam de critério para aferição da participação nos lucros e resultados é medida condizente com a própria sistemática adotada pela legislação previdenciária e trabalhista, já que tratam as empresas como solidárias e intrinsecamente relacionadas umas as outras, inclusive quanto aos fatos geradores das contribuições. O referido Programa não teria qualquer vício, se não fossem os seguintes outros pontos de irregularidades encontrados. O PLR leva em conta o comportamento pessoal do empregado, faz comparação entre eles, valoriza a figura do avaliador, sendo um critério/meta por demais subjetivo. Neste aspecto, o referido Programa deixou demasiadamente abrangente a meta que seria alcançada. Embora tenha graduado os níveis de enquadramento da avaliação pessoal, esta depende dos critérios do superior imediato, sem que o empregado saiba quais os itens seriam analisados e, de que forma, poderia atingir a meta proposta. Não se pretende afirmar que apenas as metas numéricas possuem a objetividade necessária para configuração do PLR, mas sim que a meta deve ser de tal forma objetiva que o empregado possa identificar previamente os meios de alcançála e se a atingiu ou não, independentemente de terceiros para tanto, o que não ocorreu no caso. Ressaltese ainda, que as metas financeiras do Programa seriam “metas em tese”, posto que não quantificadas nem parametrizadas, e definidas ainda sem a participação do sindicato, sendo seus valores definidos discricionariamente pela empresa. As metas financeiras nos dizeres do próprio auditor fiscal são as metas “mais obejtivas” por natureza, desde que parametrizadas, já que o lucro sem quantificação é o objetivo de qualquer empresa privada. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 483 18 Outro ponto de irregularidade no PLR da Recorrente se refere ao pagamento aos empregados, a este título, em valores que não encontram correspondência com as metas e valores propostos no Programa. O PLR não precisa ter limite máximo de pagamento, ao contrário do que foi afirmado pela fiscalização, até porque isso seria ir de encontro à proposta do Programa, já que o empregado que atingisse meta suficiente para lhe garantir o pagamento deixaria de ter os estímulos para produzir mais e com maior qualidade, o que é a finalidade principal do PLR. Contudo, o valor pago, ainda que exceda 179 vezes o valor do seu salário, deve ter correspondência com o que propõe o PLR, o que não aconteceu no caso dos autos, pois não se pode identificar a partir de que metas e critérios o empregado alcançado aquele valor. Vejase que sequer esse argumento foi combatido pela Recorrente. Por todo o exposto, entendo, embora por razões diversas das apontadas pela fiscalização, que o Programa de Participação nos Lucros não atendeu aos critérios legais de objetividade, tampouco todos os pagamentos foram efetuados com base no referido PLR. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior Fl. 484DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 484 19 que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 485 20 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 486 21 Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação Fl. 487DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 487 22 dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Por fim, a termo inicial para fluência de juros de mora é, nos termos do art. 161 do CTN, o vencimento do tributo. Da impossibilidade de análise de alegação da inconstitucionalidade da cobrança do adicional de 2,5% A tentativa do contribuinte de afastar a cobrança do adicional de 2,5% no caso em comento em virtude da sua inconstitucionalidade, esbarra na incompetência desse Conselho para o exame da matéria. Em outras palavras, reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 488 23 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 489 24 Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Assim, afasto a alegação de inconstitucionalidade da cobrança do adicional de 2,5% da contribuição ao presente caso. Da Exclusão dos Corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão do sócio gerente, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 490 25 Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Conclusão Fl. 491DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 491 26 Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja reconhecida a decadência das competências aé até novembro/2003, isto é, anteriores a dezembro/2003, bem como para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008 a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício, como que o rol de corresponsáveis contido no auto de infração tenha finalidade meramente informativa, sem o condão de atribuir responsabilidade às pessoas nele indicadas tal qual previsão na Súmula 88 do CARF. Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2013. Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 492 27 Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 493 28 §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 494DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 494 29 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.187.7962, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de fevereiro/2003 a dezembro/2006. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 495 30 Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que mesmo um computador, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, consegue determinar, sem erro, qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II, da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições Fl. 496DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 496 31 instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 497DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 497 32 III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos Fl. 498DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 498 33 artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu Fl. 499DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 499 34 uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica Fl. 500DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 500 35 (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos Fl. 501DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 501 36 termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de Fl. 502DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 502 37 cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude e sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da art. Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até novembro/2008, inclusive, e em conformidade com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I, da Lei no 9.430/96, para as competências a partir de dezembro/2008, inclusive, em atenção ao princípio tempus regit actum. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado em qualquer caso, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto Fl. 503DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16327.001194/200883 Acórdão n.º 2302002.824 S2C3T2 Fl. 503 38 Arlindo da Costa e Silva, redator designado. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721324/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
FRAUDE. DOCUMENTO ELABORADO DURANTE AÇÃO FISCAL. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. LAUDO PERICIAL. Ilidida por laudo pericial a premissa da autuação quanto à falsidade de documentos por suposta elaboração concomitantemente ao procedimento fiscal, é de se reconhecer a validade jurídica do consórcio formado, aplicando-lhe o disposto no Parecer Normativo CST n. 15, de 23/07/1984 (DOU 26/07/1984) e na Instrução Normativa RFB n. 1.199, de 14 de outubro de 2011.
LOTEAMENTO IMOBILIÁRIO. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REPARTIÇÃO DE RECEITAS. A pessoa jurídica executora de loteamento em terra alheia submeterá à tributação sua receita operacional, assim considerada sua participação proporcional no preço de venda das unidades imobiliárias, segundo um percentual convencionado entre as partes. Em consequência, o titular da terra loteada submeterá à tributação a receita operacional que correspondem ao percentual que lhe compete nas vendas das unidades imobiliárias, tal como convencionado entre as partes.
Tendo sido corrigido o equívoco contábil de registrar a totalidade das receitas auferidas pelo empreendimento imobiliário, mediante a correta declaração do percentual que lhe cabia e tendo havido recolhimento dos tributos tempestivamente, inexiste qualquer diferença a ser exigida.
Numero da decisão: 1101-001.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 FRAUDE. DOCUMENTO ELABORADO DURANTE AÇÃO FISCAL. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. LAUDO PERICIAL. Ilidida por laudo pericial a premissa da autuação quanto à falsidade de documentos por suposta elaboração concomitantemente ao procedimento fiscal, é de se reconhecer a validade jurídica do consórcio formado, aplicando-lhe o disposto no Parecer Normativo CST n. 15, de 23/07/1984 (DOU 26/07/1984) e na Instrução Normativa RFB n. 1.199, de 14 de outubro de 2011. LOTEAMENTO IMOBILIÁRIO. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REPARTIÇÃO DE RECEITAS. A pessoa jurídica executora de loteamento em terra alheia submeterá à tributação sua receita operacional, assim considerada sua participação proporcional no preço de venda das unidades imobiliárias, segundo um percentual convencionado entre as partes. Em consequência, o titular da terra loteada submeterá à tributação a receita operacional que correspondem ao percentual que lhe compete nas vendas das unidades imobiliárias, tal como convencionado entre as partes. Tendo sido corrigido o equívoco contábil de registrar a totalidade das receitas auferidas pelo empreendimento imobiliário, mediante a correta declaração do percentual que lhe cabia e tendo havido recolhimento dos tributos tempestivamente, inexiste qualquer diferença a ser exigida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10825.721324/2011-04
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5445064
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1101-001.230
nome_arquivo_s : Decisao_10825721324201104.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10825721324201104_5445064.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5872330
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704986189824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.721324/201104 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1101001.230 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria OMISSÃO DE RECEITA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARTHA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 FRAUDE. DOCUMENTO ELABORADO DURANTE AÇÃO FISCAL. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. LAUDO PERICIAL. Ilidida por laudo pericial a premissa da autuação quanto à falsidade de documentos por suposta elaboração concomitantemente ao procedimento fiscal, é de se reconhecer a validade jurídica do consórcio formado, aplicandolhe o disposto no Parecer Normativo CST n. 15, de 23/07/1984 (DOU 26/07/1984) e na Instrução Normativa RFB n. 1.199, de 14 de outubro de 2011. LOTEAMENTO IMOBILIÁRIO. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REPARTIÇÃO DE RECEITAS. A pessoa jurídica executora de loteamento em terra alheia submeterá à tributação sua receita operacional, assim considerada sua participação proporcional no preço de venda das unidades imobiliárias, segundo um percentual convencionado entre as partes. Em consequência, o titular da terra loteada submeterá à tributação a receita operacional que correspondem ao percentual que lhe compete nas vendas das unidades imobiliárias, tal como convencionado entre as partes. Tendo sido corrigido o equívoco contábil de registrar a totalidade das receitas auferidas pelo empreendimento imobiliário, mediante a correta declaração do percentual que lhe cabia e tendo havido recolhimento dos tributos tempestivamente, inexiste qualquer diferença a ser exigida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 13 24 /2 01 1- 04 Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela E. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – DRJ/RPO que cancelou a exigência de crédito tributário referente ao IRPJ (R$ 258.635,90); à CSLL (R$ 149.347,49), à COFINS (R$ 414.854,12); ao PIS (R$ 89.884,94), abrangendo os anoscalendários 2006 a 2008, cifras essas que contemplam apenas o principal sub examen, sendo que as autuações em causa também encerram exigências de multa de ofício (75%) e juros moratórios à taxa SELIC. Como consta no Termo de Verificação Fiscal, ao analisar os livros contábeis apresentados pela Contribuinte, a d. Fiscalização constatou que as receitas contabilizadas eram bem maiores que aquelas declaradas nas DIPJs referentes aos anoscalendários de 2006 a 2008. Intimada, a Fiscalizada esclareceu que a divergência decorria da existência de um consórcio entre ela e as empresas ASSUÃ CONSTRUÇÕES ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. e H AIDAR PAVIMENTAÇÃO E OBRAS LTDA., nos termos dos artigos 278 e 279 da Lei n. 6.404/76, tendo a receita desse consórcio imobiliário sido tributada em cada consorciada proporcionalmente à sua participação no negócio. Os demais aspectos fáticos foram bem delineados pelo minucioso relatório da E. DRJ/POR, parcialmente reproduzido a seguir, verbis: “Verificou a autoridade autuante que as únicas referências na contabilidade do contribuinte ao referido consórcio constavam da conta 4210069 Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas, integrante do grupo Custo de Mercadorias, Produtos e Serviços, que nos anos calendário de 2007 e 2008 continha lançamentos com valores vultosos, cujos históricos eram: ‘Assuã Construções Engenharia e Comércio Ltda, rateio referente instrumento particular de formação de consórcio empresarial, confonne demonstrativo’ e ‘H. Aidar Pavimentação e Obras Ltda, rateio referente instrumento particular de formação de consórcio empresarial, conforme demonstrativo’. Portanto, essas operações estavam registradas na contabilidade como custo. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10825.721324/201104 Acórdão n.º 1101001.230 S1C1T1 Fl. 3 3 Em seguida, o contribuinte foi intimado a comprovar a existência do consórcio. Em resposta, apresentou Instrumento Particular de Formação de Consórcio, datado de 15/09/2006, no qual consta que o CONSÓRCIO M/A2, composto pelas empresas MARTHA, ASSUA e H AIDAR, tem por objetivo implantar um empreendimento imobiliário em terreno de propriedade da primeira, cabendo às duas últimas os gastos necessários à implantação. A MARTHA é a empresa líder do consórcio, tendo ela participação de 50% no resultado do empreendimento, enquanto os outros 50% cabem às outras consorciadas, a serem rateados de acordo com seus interesses. As consorciadas se comprometem a abrir uma conta corrente bancária em nome do consórcio exclusivamente para depositar as receitas decorrentes do resultado do empreendimento, até que fossem rateadas entre elas. O contribuinte apresentou, ainda, planilha mensal de recebimentos, intitulada ESTORIL V PARCELAS RECEBIDAS, relacionando, por lote, os valores recebidos e os valores rateados para cada participante do consórcio. Tendo em vista a referência, no Instrumento Particular de Formação de Consórcio, a um Termo de Ajuste de Conduta, o contribuinte foi intimado a apresentar esse documento. Atendendo à intimação, o contribuinte apresentou o referido documento, datado de 01/06/2006, por meio do qual são excluídos do consórcio 53 lotes de terreno, que são atribuídos aos sucessores dos sócios da MARTHA. Constatou a autoridade autuante que, nos anos de 2006, 2007 e 2008, constava da planilha de recebimentos que coube à MARTHA, respectivamente, 20%, 30,81% e 48,26% das receitas auferidas, fato esse que contraria a previsão no instrumento de formação do consórcio de que sua parte corresponderia a 50%. Na DIPJ apresentada pelo contribuinte foram informadas receitas que correspondem ao montante indicado na planilha de recebimentos. Além disso, constatouse que apenas parte das receitas recebidas ingressaram na conta bancária cuja abertura é prevista no Instrumento Particular de Formação de Consórcio. Intimada a prestar esclarecimentos adicionais sobre o CONSÓRCIO M/A2, a MARTHA apresentou, além dos documentos já referidos, os seguintes: 1 Contrato de Promessa de Permuta de Imóveis, datado de 05/11/2004; 2 Termo de Ajuste de Conduta n° 02, datado de 05/l 1/2008; Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 3 Termo de Ajuste de Conduta n° 03, datado de 05/03/2009. O Contrato de Promessa de Permuta de Imóveis justificava a já mencionada exclusão de 53 lotes do consórcio, prevista no Termo de Ajuste de Conduta n° 1, pois previa um percentual de participação das empresas no resultado do empreendimento diferente do constante do Instrumento Particular de Formação de Consórcio, fixando 58% para a MARTHA e 42% para as outras empresas. Desse mesmo instrumento constam regras que, segundo alega a MARTHA, justificariam o rateio das receitas por percentuais diferentes dos constantes do Instrumento Particular de Formação de Consórcio. No Termo de Ajuste de Conduta n° 02 foi efetuada a partilha do estoque de unidades comuns, tendo a autoridade autuante constatado desproporção entre o número de lotes atribuído a cada uma das empresas e os percentuais de participação no resultado previstos no Instrumento Particular de Formação de Consórcio. Quanto a essa divergência, informou o contribuinte que a distribuição levou em conta o percentual em metros quadrados, já que os lotes tinham metragens diferentes. A propósito da escrituração de todas as receitas do consórcio pela MARTHA e da escrituração dos repasses às outras consorciadas como custos, o contribuinte informou que a Instrução Normativa SRF n° 834/2008 é posterior à formação do consórcio e que sua escrituração foi regularmente efetuada nos termos das normas anteriores. As empresas ASSUÃ e H AIDAR, intimadas a prestar esclarecimentos, confirmaram as mesmas informações já prestadas pela MARTHA acerca do rateio de valores, informando que parte dos valores foi recebida por meio de conta corrente e parte via caixa, diretamente dos adquirentes dos lotes. Ao compulsar os documentos apresentados pelo contribuinte no curso da ação fiscal, constatou a autoridade autuante que o Contrato de Promessa de Permuta de Imóveis, datado de 05/11/2004, faz expressa referência à matrícula n° 85.786, relativa ao imóvel no qual foi implantado o empreendimento que deu causa à formação do consórcio. Ocorre que a referida matrícula, conforme certidão fornecida pelo Registro de Imóveis, somente foi aberta em 05/09/2005. Diante disso, concluiu a autoridade autuante que o referido Contrato de Promessa de Permuta de Imóveis foi elaborada em data posterior, e não em 05/1l/2004, data nele indicada. Em virtude dessa incompatibilidade de datas, a autoridade autuante considerou o Contrato de Promessa de Permuta de Imóveis inidôneo para o fim a que foi apresentado, razão pela qual subsistiram sem respostas as questões Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10825.721324/201104 Acórdão n.º 1101001.230 S1C1T1 Fl. 4 5 levantadas pela fiscalização acerca da existência do consórcio. Como conseqüência, também foi reputado inidôneo o Instrumento de Formação de Consórcio, datado de 15/09/2006, tendo em vista que: “1) Sua cláusula 01.1 é que prevê a implantação do empreendimento. Porém, ele é posterior à venda dos primeiros lotes, o que, conforme informação da fiscalizada, ocorreu em 31/08/2008; 2) Sua cláusula 06.2 prevê o depósito do resultado do empreendimento em conta corrente aberta exclusivamente para esse fim, o que não foi cumprido; 3) Foram excluídos vários lotes do consórcio, através de ajuste de conduta, inclusive com data anterior à formação do consórcio, sem explicação; 4) Sua cláusula 06.01 prevê a participação das consorciadas no RESULTADO do empreendimento, porém, o que foi rateado foi RECEITA; 5) Sua cláusula 06.01 prevê o rateio do resultado do empreendimento em 50% para a fiscalizada e 50% para as construtoras. Nos anos de 2006, 2007 e 2008, foram atribuídos para a fiscalizada, apenas 20,00%, 30,81% e 48,26%, respectivamente, da receita recebida em decorrência do empreendimento.” Baseada nessas razões, a autoridade autuante desconsiderou, para efeitos fiscais, a existência do consórcio, submetendo à tributação na MARTHA a totalidade das receitas recebidas, tese ratificada por sua escrita contábil. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada (150%), em virtude da constatação de que o Contrato de Promessa de Pemruta de Imóveis foi lavrado em data posterior à que nele consta, caracterizando indício de que o documento foi elaborado após o início da ação fiscal, a fim de adequar a escrita contábil e fiscal do contribuinte ao instrumento de formação do consórcio, fato esse que, acaso aceito, reduziria consideravelmente seu ônus tributário. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 355404, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: […] Quanto à multa qualificada (150%), alega o impugnante que não foi especificado na autuação qual dos arts. da Lei n° 4.502/1964, a que faz referência o art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996, foi utilizado como fundamento para sua aplicação. Cabe à autoridade administrativa o ônus da prova da ocorrência de conduta dolosa a autorizar a Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 aplicação de multa qualificada, sendo descabida a utilização de suposições, ilações ou presunções para tanto, conforme reconhece a jurisprudência administrativa. A própria autoridade autuante confessa em seu Termo que apoiou a constituição do crédito tributário em indício de que um determinado documento foi elaborado após o início da ação fiscal, e com base nessa suposta evidência imputou a penalidade exasperada. A desconstituição desse indício pelo laudo pericial compromete a manutenção da exigência em seu todo, inclusive da multa qualificada. Por fim, pelo o impugnante que suas alegações sejam acolhidas, a fim de que seja determinada a improcedência das exações e da qualificação da multa.” (fls. 954/961, sem grifos no original) Ao analisar o feito, a E. DRJ/RPO julgou procedente a impugnação por reconhecer que (i) a premissa da r. autoridade autuante – existência de indícios de que o “Contrato de Promessa de Permuta de Imóveis” teria sido elaborado em período concomitante ao procedimento fiscal, com o único viés de sanar os questionamentos suscitados – teria sido ilidida pelo Laudo Pericial apresentado pela Impugnante; e (ii) os fatos narrados no próprio Termo de Verificação Fiscal, associados ao outros documentos apresentados nos autos, corroboram a alegação da Fiscalizada de que o Consórcio efetivamente existiu, na esteira do Parecer Normativo CST n. 15/1984. Assim, seriam insubsistentes as presunções da Fiscalização quanto à omissão de receitas, conforme se pode extrair dos seguintes excertos, verbis: “Por fim, há que se apreciar as conseqüências dos critérios de contabilização das operações adotados pela MARTHA. Conforme relata a autoridade autuante, o contribuinte contabilizou a totalidade das receitas decorrentes das vendas de lotes do “Estoril 5”, tendo registrado, na conta 4210069 Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas, integrante do grupo Custo de Mercadorias, Produtos e Serviços, lançamentos com valores vultosos, cujos históricos eram: “Assuã Construções Engenharia e Comércio Ltda, rateio referente instrumento particular de formação de consórcio empresarial, confonne demonstrativo” e “H. Aidar Pavimentação e Obras Ltda, rateio referente instrumento particular de formação de consórcio empresarial, conforme demonstrativo”. Disso se infere que o contribuinte contabilizou como custos os valores repassados a seus parceiros na implementação do loteamento “Estoril 5”. Essa cláusula evidencia que as partes convencionaram escriturar cada qual a receita que lhe cabia no empreendimento. Esse, porém, não foi o critério adotado pela MARTHA. A despeito disso, cabe á autoridade administrativa, no exercício da atividade de lançamento, aterse à verdade material, qualificando juridicamente os fatos, tal como ocorridos. Eventual equívoco na Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10825.721324/201104 Acórdão n.º 1101001.230 S1C1T1 Fl. 5 7 contabilização dos fatos não tem o condão de alterar a respectiva natureza, vale dizer, não é o critério de contabilização adotado que determina a ocorrência ou não do fato gerador do tributo. Na situação versada nos autos, pelas razões acima expendidas, ficou demonstrada a presença dos elementos fáticos necessários à aplicação do entendimento versado no Parecer Normativo CST n° 15/1984. Diante disso, a aplicação desse entendimento não é excluída pelo critério de contabilização adotado pelo contribuinte, de modo que as receitas repassadas à ASSUÃ e à H AIDAR não podem ser atribuídas à MARTHA para lançamento dos tributos, tal como entendeu a autoridade autuante.” (fls. 968/969, grifos acrescidos). Em razão da exoneração procedida pela E. DRJ/RPO ter ultrapassado o valor estipulado pela Portaria MF n. 03, de 03 de janeiro de 2008, foram os autos remetidos a este E. Conselho para apreciação do Recurso de Ofício, nos termos do art. 34, I do Decreto n. 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR: O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme se extrai do relatório acima, o presente recurso de ofício versa sobre a efetiva existência de Consórcio entre a Fiscalizada e as empresas Assuã Construções Engenharia e Comércio Ltda. e H Aidar Pavimentação e Obras Ltda. para fins de empreendimento de loteamento de imóvel de propriedade da Fiscalizada, nos termos dos artigos 278 e 279 da Lei n. 6.404/76. Confiramse as redações daqueles dispositivos, verbis: Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. […] Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: [redação vigente à época dos fatos] Segundo apurado pela r. autoridade autuante, o Instrumento Particular de Formação de Consórcio, datado de 15/09/2006, aponta que a Fiscalizada teria 50% (cinquenta por cento) de participação nas receitas advindas da venda dos lotes do empreendimento, cabendo a outra parcela às empresas Assuã e H Aidar, na proporção a ser conveniada entre elas (fl. 55). Em relação à responsabilidade pelo empreendimento, temse que a execução da obra caberia exclusivamente a essas duas últimas consorciadas. Para fins de facilitar o rateio daquelas receitas, restou acordado pelas consorciadas que seria aberta uma Conta Bancária, “em nome do consórcio exclusivamente para depositar as receitas decorrentes do resultado do empreendimento até que fossem rateadas entre as consorciadas” (fl. 55). Diante da apuração de que a Fiscalizada teria registrado em sua contabilidade a totalidade daquelas receitas, e não apenas o percentual que lhe competia, bem como identificado o registro de vultosos custos, a Fiscalização requereu a comprovação da existência do consórcio. Apresentados os documentos solicitados, a Fiscalização identificou que aquelas receitas anteriormente repartidas em 50% (cinquenta por cento) haviam sido percebidas pela Fiscalizada na seguinte proporção: Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10825.721324/201104 Acórdão n.º 1101001.230 S1C1T1 Fl. 6 9 A despeito dessa divergência no percentual inicialmente contratado, restou consolidado no Termo de Verificação Fiscal que (i) a Fiscalizada declarou em suas DIPJs aqueles montantes efetivamente recebidos por meio do Consórcio; e (ii) as demais consorciadas também receberam as diferenças dos valores acima descritos para a totalização de 100 (cem por cento) do investimento, tendo registrado essas receitas em suas respectivas contabilidades, verbis: “As construtoras Assuã Contruções e Engenharia e Comércio Ltda. e H Aidar Pavimentação e Obras Ltda. foram intimadas a informar o valor da receita recebida em decorrência de suas participações no consórcio, de quem haviam recebido, se dos adquirentes dos lotes ou da fiscalizada, e se cláusula do instrumento de formação do consórcio que previa o depósito da receita obedecida. As duas apresentaram a mesma resposta. Confirmaram o recebimento de receita no montante informado pela Fiscalizada, informando que parte foi recebida através de conta corrente e parte foi recebida, via caixa, diretamente dos adquirentes dos lotes.” (fl.59 do TVF, grifos acrescidos). Assim, até aquele momento, inexistiam dúvidas quanto (i) à efetiva existência do Consórcio entre as empresas; e aos fatos de que (ii) a Fiscalizada registrou em sua contabilidade a totalidade das receitas; e (iii) a redução do percentual de participação da Fiscalizada decorreu de Termo de Ajuste de Conduta pactuados entre as consorciadas. Acrescentouse, ainda, que (iv) as demais consorciadas confirmaram a alegação da Fiscalizada de que, verbis: “[…] a contabilização das receitas e despesas foi regular e tempestivamente escriturada em cada uma das consorciadas em relação ao percentual de sua participação no consórcio. Da mesma gorma que o recolhimento dos Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 10 tributos devidos, também feitos regular e tempestivamente por cada uma delas. Mas que, para satisfazer exigência da fiscalização, havia providenciado a contabilização do resultado, apresentado cópia. A escrituração apresentada apenas serviu para ratificar a receita recebida e o valor rateado para cada consorciada, uma vez que não registrou os custos incorridos por cada empresa com o empreendimento.” (fl. 59, sem grifos no original). Diante de todos esses esclarecimentos, a própria Fiscalização reconheceu que, “até o momento, as dúvidas levantadas pela fiscalização acerca da existência do consórcio, estavam, em tese, esclarecidas, subsistindo apenas a falta de escrituração contábil” (fl. 59, destaquei). Nada obstante a clareza dos documentos apresentados e o saneamento das dúvidas suscitadas, a r. autoridade autuante, ao final do procedimento, apegouse a uma suposta fraude que teria sido perpetrada pelo sujeito passivo: o imóvel objeto do empreendimento apenas teve sua matrícula n. 85.706 registrada em 05/09/2005, sendo que já constava em Contrato de Promessa de Permuta de Imóveis, assinado em 05/11/2004. Ou seja, aquele Contrato de Promessa de Permuta – que foi apresentado pela Fiscalizada para justificar a partilha das receitas em percentuais diversos daquele previsto no Instrumento Particular de Formação do Consórcio – fazia referência a imóvel cuja a existência (registro) apenas ocorreria 1 (hum) ano após a data na qual aquele instrumento teria sido assinado. Assim, em razão da incompatibilidade entre essas datas, a Fiscalização declarou a inidoneidade desse Contrato de Promessa de Permuta “para o fim apresentado, subsistindo, sem respostas, todas as questões levantadas pela fiscalização acerca do consórcio” (fl. 60), o que acabou por fazer com que a r. autoridade autuante concluísse que esse documento teria sido elaborado apenas quando já instalada a fiscalização, com vistas a chancelar o argumento da existência do Consórcio. A partir daí, culminou na conclusão da inidoneidade também de todos demais Instrumentos referentes à constituição e validade do consórcio. Em impugnação, a Fiscalizada reconheceu a existência da disparidade de datas, mas salientou que, verbis: “Esse documento deu forma pública aos ajustes verbais c até mesmo escrito efetuados anteriormente, alicerçados na tradição de amizade, confiança e idoneidade já demonstrada por aquelas empresas em parcerias anteriores (Estoril III, IV, ...) e iniciaramse em meados de 2003, promovendo as parceiras construtoras o processo de retificação de área e unificação das matriculas 36.452 e 67.136, sentença homologada em 25.10.2004, que originou a matricula 85.786, onde foi implantado o empreendimento.” (fl. 740, grifos acrescidos). Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10825.721324/201104 Acórdão n.º 1101001.230 S1C1T1 Fl. 7 11 “Movidos pela indignação provocada em decorrência da mácula lançada em sua dignidade e honradez, submeteram o contrato impugnado (Instrumento Particular de Promessa de Permuta de Imóveis Sem Torna de Qualquer Espécie) a exames periciais tendentes a determinar o efetivo período de sua lavra. Ao cabo das análises, o tradicional e renomado Instituto Del Picchia, eleito para o evento, produziu o laudo pericial cuja cópia a Impugnante aporta aos autos. (doc. 05). A d. DRJ/RPO verificou aquele trabalho pericial (fls. 966) e concluiu que “o perito afirma que as assinaturas avaliadas apresentam consistentes convergências com os respectivos paradigmas dos anos de 2004 a 2006, permitindo afirmar que foram apostas nesse período” (fl. 966). E, de fato, a análise detida daquele Laudo Pericial (fls. 803/853) e de suas conclusões (fls. 813/814) importa no inafastável reconhecimento de que a premissa da Fiscalização – fraude no Contrato de Promessa de Permuta de Imóveis que teria sido produzido em período contemporâneo à fiscalização apenas para gerar a presunção de validade dos atos negociais – não se sustenta, tendo acertadamente a E. DRJ/RPO chancelado as ponderações da Fiscalizada. Com efeito, se extraí das conclusões do Laudo Pericial o seguinte: “As rubricas e assinaturas, particularmente aquelas das lavras de Maria de Lourdes Martha de Pinho e Albino Gomes de Oliveira exibiram modificações morfológicas e/ou grafocinéticas significativas, as quais permitiram as seguintes determinações cronológicas: 1ª – as [assinaturas] questionadas oferecem consistentes convergências com os respectivos paradigmas dos anos de 2004 usque 2006, permitindo decretar sua deposição durante o período em reporte; e 2ª – registram discrepâncias que afastam, tecnicamente, cogitações de terem sido lavradas de 2009 adiante” (fls. 813/814, Conclusão da Perícia, destaquei). Por tais fundamentos, como bem sustentou a Fiscalizada em sua impugnação, inexiste aquela presunção da Fiscalização quanto à inidoneidade de todos os documentos, haja vista que, se o Contrato de Permuta de Imóveis foi assinado em algum período entre 2004 e 2006 e a Fiscalização ocorreu entre 13/09/2010 e 18/08/2011, não haveria fraude no Consórcio, verbis: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 12 “Tendo o procedimento fiscal iniciado em 13/09/2010, conforme Termo de Inicio de fls. 65, e encerrado em 18/08/2011, obviamente resta descaracterizado qualquer indício de que o indigitado documento, no caso o Instrumento Particular de Promessa de Permuta de Imóveis de Qualquer Espécie, tenha sido forjado no curso dos trabalhos fiscais.” (746/747, grifos acrescidos). Assim, é irretocável o posicionamento da d. DRJ/POR no sentido da ausência de “falsidade” do documento e que este visaria tão somente a validar a constituição do consórcio. Por outro lado, como bem observado pela r. decisão a qua, é imprescindível considerar todas as provas existentes – até por observância ao princípio da verdade real – para assentar a repercussão jurídicotributária da existência do Consórcio e a implementação daquele loteamento “Estoril 5”, com a eventual subsunção da situação à hipótese prevista no Parecer Normativo CST n. 15, de 23/07/1984 (DOU 26/07/1984), que assim dispõe, resumidamente: “Em exame a forma de tributação dos lucros auferidos por pessoa jurídica formalmente constituída para a prática de operações imobiliárias que executa empreendimento de loteamento em imóvel de propriedade de outrem – pessoa física ou jurídica – e cuja receita operacional consiste na participação proporcional no preço de venda das unidades imobiliárias, segundo um percentual convencionado entre as partes. Em outras palavras, isto significa que a pessoa jurídica executora nada poderá cobrar do proprietário das terras a título de remuneração por serviços ou obras realizados. Caso venha a receber alguma remuneração, será empreiteira. Nesta última hipótese, a tributação dos resultados não se dará consoante este Parecer. […] 4.4 – Por oportuno, cabe ressaltar que a contabilidade de ambas as partes registrará tão somente o que disser a respeito a cada uma [sic]. […]” (destaquei) Da leitura do Parecer Normativo acima transcrito extraise que a pessoa jurídica executora de loteamento em terra alheia submeterá à tributação sua receita operacional, assim considerada sua participação proporcional no preço de venda das unidades imobiliárias, segundo um percentual convencionado entre as partes. Em consequência, o titular da terra loteada submeterá à tributação a receita operacional que correspondem ao percentual que lhe compete nas vendas das unidades imobiliárias, tal como convencionado entre as partes. No presente caso, já se demonstrou que aquela hipótese prevista no Parecer é exatamente a situação fática descrita pela Fiscalização e corroborada pela E. DRJ/RPO, sendo de rigor, ainda, observar que foram apresentados os seguintes documentos pela empresa Fiscalizada que comprovam a existência de sucessivos ajustes entre as consorciadas, até em Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10825.721324/201104 Acórdão n.º 1101001.230 S1C1T1 Fl. 8 13 razão do longo tempo necessário à consecução do empreendimento (as tratativas iniciaramse em 2003) e a sua complexidade, conforme atesta a relação abaixo: (i) Instrumento Particular de Promessa de Permuta de Imóveis Sem Torna de Qualquer Espécie; Termo de Ajuste de Conduta; Instrumento Particular de Formação de Consórcio Empresarial; Termo de Ajuste de Conduta (fls. 174/231); (ii) Contrato Particular de Prestação de Serviços com Dação em Pagamento firmado entre a Fiscalizada e o Sr. Jurandyr Bueno Filho Arquitetura Ltda., empresa responsável pelo planejamento do empreendimento ‘Estoril 5’, firmado em 15/02/2004 (fls. 777/784); (iii) Aditamento ao contrato do item (ii), passando a figurar como parceiras da Fiscalizada as demais empresas consorciadas, que assumiram a quitação dos honorários, firmado em 16/08/2004 (fls. 785/788); (iv) Declaração à Prefeitura Municipal de Bauru oferecendo imóveis (em hipoteca) como garantia pela execução dos serviços de infraestrutura do empreendimento, em 21/08/2006 (fls. 899/923); (v) Peças publicitárias e notícias veiculadas na imprensa local, dando ciência do empreendimento (fls. 925/943); (vi) Cópias de Contratos de Compromisso de Compra e Venda, firmados entre compradores e a Fiscalizada, tendo as demais consorciadas como “empresas solidárias” (fls. 263/288), firmado em 1º/07/2008. Por toda essa documentação, ressoou inequívoco à E. DRJ/POR que o empreendimento se amolda perfeitamente à hipótese prevista no Parecer Normativo CST n. 15/1984, entendimento que, aliás, reflete o atual disposto na Instrução Normativa RFB n. 1.199, de 14 de outubro de 2011, verbis: “Art. 2º As empresas integrantes de consórcio constituído nos termos dos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 1976, respondem pelos tributos devidos, em relação às operações praticadas pelo consórcio, na proporção de sua participação no empreendimento, observado o disposto nos §§ 1º e 2º. § 1º O consórcio que realizar a contratação, em nome próprio, de pessoas jurídicas ou físicas, com ou sem vínculo empregatício, poderá efetuar a retenção de tributos e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, ficando as empresas consorciadas solidariamente responsáveis.” Para que não restem dúvidas, cumpre reiterar que – desde o início dos esclarecimentos prestados à Fiscalização – tanto a Fiscalizada quanto as demais consorciadas salientaram que “a contabilização das receitas e despesas foi regular e tempestivamente Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 14 escriturada em cada uma das consorciadas em relação ao percentual de sua participação no consórcio” (fl. 59, TVF, destaquei), fato aceito pela própria Fiscalização. Assim, é irretocável o entendimento da E. DRJ/RPO. Por último, apenas registro que as empresas consorciadas acordaram que cada uma registraria e declararia individualmente as receitas recebidas na proporção de suas participações, eis que, à época dos fatos, não estava em vigor a IN 1.199/2011, sendo que eventual equívoco na contabilidade da Fiscalizada, ao registrar a totalidade das receitas e, em contrapartida, lançar os valores repassados à Assuã e H. Adair, não tem o condão de modificar o regime jurídico previsto. Aliás, é estreme de dúvidas que “nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, a fiscalizada declarou os valores que lhe coube segundo a planilha de recebimentos” (fl. 57, TVF), de modo que não houve qualquer prejuízo ao Fisco. Diante de todas essas considerações, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício para manter o cancelamento da exigência determinado pela r. decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721384/2012-33
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. QUINZE PRIEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO, POR DOENÇA OU ACIDENTE. 1/3 (UM TERÇO) SOBRE FÉRIAS E AVISO PRÉVIO INDENIZADO. STJ. POSICIONAMENTO ATUAL. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE ACORDO COM A NOVA SISTEMÁTICA LEGAL.
Em relação aos valores pagos pelo empregador, nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, assim como no que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, equivocado o posicionamento dos julgadores da primeira instância administrativa. In casu, há que se considerar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça - STJ.
Na mesma direção outra recente decisão do STJ (Resp 1.230.957), que na sistemática do art. 543-C do CPC (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado.
A multa de ofício foi corretamente aplicada, conforme se pode verificar do item 20 do acórdão recorrido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.204
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Devem ser excluídos do lançamento, as verbas: os 15 primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, o 1/3 (um terço) de férias indenizadas ou gozadas, aviso prévio indenizado e vale-transporte. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Eduardo de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. QUINZE PRIEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO, POR DOENÇA OU ACIDENTE. 1/3 (UM TERÇO) SOBRE FÉRIAS E AVISO PRÉVIO INDENIZADO. STJ. POSICIONAMENTO ATUAL. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE ACORDO COM A NOVA SISTEMÁTICA LEGAL. Em relação aos valores pagos pelo empregador, nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, assim como no que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, equivocado o posicionamento dos julgadores da primeira instância administrativa. In casu, há que se considerar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça - STJ. Na mesma direção outra recente decisão do STJ (Resp 1.230.957), que na sistemática do art. 543-C do CPC (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. A multa de ofício foi corretamente aplicada, conforme se pode verificar do item 20 do acórdão recorrido. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10945.721384/2012-33
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441833
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.204
nome_arquivo_s : Decisao_10945721384201233.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10945721384201233_5441833.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Devem ser excluídos do lançamento, as verbas: os 15 primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, o 1/3 (um terço) de férias indenizadas ou gozadas, aviso prévio indenizado e vale-transporte. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Eduardo de Oliveira. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5862631
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704993529856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.721384/201233 Recurso nº 10.945.721384201233 Voluntário Acórdão nº 2803004.204 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COSTA OESTE CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. QUINZE PRIEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO, POR DOENÇA OU ACIDENTE. 1/3 (UM TERÇO) SOBRE FÉRIAS E AVISO PRÉVIO INDENIZADO. STJ. POSICIONAMENTO ATUAL. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE ACORDO COM A NOVA SISTEMÁTICA LEGAL. 1. Em relação aos valores pagos pelo empregador, nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, assim como no que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, equivocado o posicionamento dos julgadores da primeira instância administrativa. In casu, há que se considerar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça STJ. 2. Na mesma direção outra recente decisão do STJ (Resp 1.230.957), que na sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. 3. A multa de ofício foi corretamente aplicada, conforme se pode verificar do item 20 do acórdão recorrido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 13 84 /2 01 2- 33 Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.721384/201233 Acórdão n.º 2803004.204 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Devem ser excluídos do lançamento, as verbas: os 15 primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, o 1/3 (um terço) de férias indenizadas ou gozadas, aviso prévio indenizado e vale transporte. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Eduardo de Oliveira. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.721384/201233 Acórdão n.º 2803004.204 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições sociais descontadas (e não recolhidas e nem declaradas) dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, conforme folha de pagamento, recibos de férias e rescisões de contrato (fls. 21/881), O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 24 de outubro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MOMENTO DE OCORRÊNCIA. A formalização do início do procedimento fiscal se dá com a ciência pelo contribuinte do Termos de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), sendo esse o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade legalmente competente para executar procedimentos de fiscalização (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 7º, I; e Lei nº 10.593, de 2002, art. 6º, I, a e c), devendo ser contada da ciência do TIPF o prazo de 60 dias previsto no § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972. Admitirse que o Mandado de Procedimento Fiscal seja o documento mencionado no inciso I do art. 7º do decreto nº 70.235, de 1972, implica o absurdo de se aceitar que a configuração da perda da espontaneidade esteja vinculada ao arbítrio do contribuinte de tomar ciência ou não do Mandado de Procedimento Fiscal no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet (Portaria nº 3.014, de 2011, art. 4º, parágrafo único). ADICIONAIS COMPULSÓRIOS. INSALUBRIDADE. PERICULOSIDADE. TRABALHO NOTURNO. HORAS EXTRAS. NATUREZA SALARIAL. Admitir a natureza indenizatória dos adicionais compulsórios significa adotar a vetusta teoria de que o salário tem natureza jurídica de indenização, pago ao empregado como reparação da energia física e/ou psíquica despendida. Os adicionais compulsórios de insalubridade, periculosidade, trabalho noturno e horas extras integram a remuneração auferida pelo empregado, constituemse em um sobresalário, uma maior contraprestação pelo trabalho Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.721384/201233 Acórdão n.º 2803004.204 S2TE03 Fl. 5 4 em condições anormais ou em horas extraordinárias, e têm natureza de saláriocondição por não se incorporarem ao salário básico. A partir do ordenamento jurídico pátrio (Constituição, art. 7º, IX, XVI e XXIII; e Consolidação das Leis do Trabalho, arts. 59, § 1º, 71, § 4º, 73, 142, § 5º, 192, § 1º), a jurisprudência consagra o caráter retributivo dos adicionais compulsórios (Tribunal Superior do Trabalho: Súmulas nº 24, 60, 132, 139 e 437; e Orientações Jurisprudenciais SDII nº 172 e 242). DOENÇA OU ACIDENTE DE TRABALHO. QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO. NATUREZA SALARIAL. Nos quinze primeiros dias de afastamento em razão de doença ou de acidente do trabalho (antes da percepção do auxíliodoença e do eventual auxílioacidente), há interrupção remunerada do contrato de trabalho, conforme jurisprudência pacífica do Tribunal Superior do Trabalho, impondose o recolhimento da natureza salaria do pagamento efetuado pelo empregador nos quinze primeiros dias, apesar da inexistência da prestação de serviços, por força do art. 4º da Consolidação das Leis do Trabalho e da expressa disposição do § 3º do art. 60 da Lei nº 8.213, de 1991. SALÁRIO MATERNIDADE. PRCEBIDO DURANTE A LICENÇAMATENIDADE. NATUREZA SALARIAL. O saláriomaternidade possui natureza salarial, porque o art. 7º, XVIII, da Constituição assegura que a licença maternidade não prejudica o salário, não tendo o fato de o saláriomaternidade ser custeado pela Previdência Social (desde a edição da Lei nº 6.136, de 1974) o condão de descaracterizar a natureza salarial do pagamento, Em harmonia com o disposto no art. 7º, XVIII da Constituição, a Lei nº 8.212, de 1991, em seu art. 28, § 2º e § 9º, alínea a, assevera que o saláriomaternidade é considerado saláriodecontribuição. Ao atribuir nova redação ao caput do art. 392 da Consolidação das Leis do Trabalho, através da lei nº 10.421, de 2002, o legislador ordinário explicitou novamente a natureza salarial do saláriomaternidade, ao reiterar que a licençamaternidade não prejudica o salário. FÉRIAS GOZADAS. NATUREZA JURÍDICA. As férias gozadas, ao lado do descanso semanal remunerado, são o exemplo clássico de interrupção do contrato de trabalho, ou seja, de que a natureza salarial dos pagamentos efetuados em razão do contrato de emprego não está vinculada diretamente à prestação de serviços ou ao tempo à disposição. Isto porque, em determinadas situações expressamente consignadas, a natureza salarial decorre do conjunto de Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.721384/201233 Acórdão n.º 2803004.204 S2TE03 Fl. 6 5 obrigações assumidas na relação jurídica de emprego, nos termos de disposição expressamente consignada no contrato, na lei, na sentença normativa ou em norma coletiva (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 4º). Em relação às férias, a referida disposição legal expressa decorre do disposto nos artigos 129 e 130, § 2º, da Consolidação das Leis do Trabalho, respaldados pelo art. 7º, inciso XVII, da Constituição. DÉCIMOTERCEIRO SALÁRIO. NATUREZA JURÍDICA. O Décimoterceiro salário integra o saláriode contribuição, por força do § 7º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, tendo natureza jurídica de gratificação salarial, segundo o caput do art. 1º da Lei nº 4.090, de 1962. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Das Preliminares de Mérito. Inexiste MPF_F válido a subsidiar a fiscalização. É irregular a fixação de prazo do MPF_F, situação que ofende o § 2º do art. 7º do decreto nº 70.235/72. A fixação da data do início da fiscalização por parte da Administração tributária é deveras importante e traz incontáveis consequências tanto aos interesses do fisco quando do contribuinte. É patente concluir pela manifesta improcedência da autuação fiscal, haja vista que fundamentada exclusivamente em MPF irremediavelmente nulo, por inobservância às formalidades legais a ele inerentes, o que se requer desde já. Estão decadentes os créditos tributários anteriores a novembro de 2007. Não se enquadram no conceito de saláriodecontribuição a ajuda de custo, o aviso prévio indenizado, o terço constitucional de férias gozadas, os adicionais de horas extraordinárias, sobreaviso, trabalho noturno, insalubridade, periculosidade, décimo terceiro salário, salário maternidade, auxíliodoença e acidente pagos nos primeiros quinze dias de afastamento. O acórdão é omisso no que tange ao auxílio alimentação, auxílio funeral, abono assiduidade e ausências permitidas. Relevante registrar a manifesta omissão do acórdão emanado pela DRJ de origem em relação à impossibilidade de exigência de contribuição previdenciária patronal sobre verbas pagas a título de seguro de vida aos segurados da previd~encia social, empregados da recorrente. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.721384/201233 Acórdão n.º 2803004.204 S2TE03 Fl. 7 6 Pelo exposto, requer se dignem Vossas Senhorias em acolher o presente recurso voluntário e julgálo totalmente procedente para: i) Reconhecer da nulidade do lançamento, porquanto baseado em MPF editado em manifesta inobservância às disposições legais a ele pertinentes; ii) Reconhecer, com fulcro no art. 150, § 4º do CTN, a decadência do direito ao lançamento do crédito tributário cujos fatos geradores anteriores a competência 10/2007. iii) Reconhecer a improcedência do crédito tributário a título de contribuição previdenciária patronal calculada sobre as verbas de natureza indenizatória. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.721384/201233 Acórdão n.º 2803004.204 S2TE03 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Rejeito a preliminar de nulidade do lançamento por inexistência de MPF válido. O mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. Contraria o bomsenso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Processo nº 37166.000411/200454. Acórdão nº 230101.378. Sessão de 28 de abril de 2010. Conselheiro Relator Leonardo Henrique Pires Lopes). No que se refere à preliminar de decadência, razão não assiste ao contribuinte. Considerando a argumentação contida nos itens 7.3 a 7.7 (fl. 1.158) do acórdão recorrido, aplicada a regra do inciso I do art. 173 do CTN, os argumentos do contribuinte sobre a decadência (§ 4º do art. 150 do CTN) não subsistem. No mérito, como bem explicitado nos itens 8 e 8.1 (fls. 1.158 / 1.159) do acórdão recorrido, a mera alegação acerca da indevida tributação das verbas ali referidas, não tem o condão de afastar a tributação, notadamente porque elas não constaram das folhas de pagamento, tendo em vista que os valores foram pagos “por fora”, não sendo, portanto, registrados em folha, recibo de férias ou TRCT. Assim, sem razão o contribuinte quando afirma que o acórdão foi omisso no que tange ao auxílio alimentação, auxílio funeral, abono assiduidade e ausências permitidas. No ponto, basta uma rápida leitura do item 8 do acórdão recorrido para certificar que o contribuinte está completamente equivocado em suas alegações. Contudo, em relação aos valores pagos pelo empregador, nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, assim como no que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, equivocado o posicionamento dos julgadores da primeira instância administrativa. In casu, há que se considerar o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ, in verbis: AgRg no REsp 1353974 / RN AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2012/02419678 Relator(a) Ministra ASSUSETE MAGALHÃES (1151) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.721384/201233 Acórdão n.º 2803004.204 S2TE03 Fl. 9 8 Data do Julgamento 06/11/2014 Data da Publicação/Fonte DJe 21/11/2014 Ementa TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE VALORES PAGOS, NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO DOENTE OU ACIDENTADO, E ADICIONAL DE 1/3 (UM TERÇO) DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.230.957/RS. APRECIAÇÃO DE ALEGADA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE, NA VIA DE RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. Tanto no que diz respeito ao valor pago pelo empregador, nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, assim como no que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, restou pacificada a jurisprudência desta Corte, no julgamento do Recurso Especial 1.230.957/RS submetido ao rito do art. 543C do CPC , no sentido de que tais verbas não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. II. A análise de suposta ofensa a dispositivos constitucionais compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, inciso III, da Constituição da República, sendo defeso o seu exame, no âmbito do Recurso Especial, ainda que para fins de prequestionamento, conforme pacífica jurisprudência do STJ. III. Consoante a jurisprudência do STJ, "[a] questão referente à ofensa ao princípio da reserva de plenário (art. 97 da CF) não deve ser confundida com a interpretação de normas legais embasada na jurisprudência deste Tribunal" (AgRg no REsp 1.330.888/AM, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/02/2014). IV. Agravo Regimental improvido. (Grifouse e destacouse) Na mesma direção outra recente decisão do STJ (Resp 1.230.957), que na sistemática do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) do aviso prévio indenizado. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10945.721384/201233 Acórdão n.º 2803004.204 S2TE03 Fl. 10 9 No que diz respeito ao valetransporte o contribuinte está com a razão quando alega que sobre o referido benefício não deve incidir contribuição previdenciária. Nessa direção é o que dispõe a Súmula CARF nº 88, in verbis: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Assim sendo, devem ser excluídos do lançamento, as verbas: os 15 primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, o 1/3 (um terço) de férias indenizadas ou gozadas, aviso prévio indenizado e valetransporte. Sobre as verbas não referidas no parágrafo anterior, o lançamento deve ser mantido. A multa de ofício foi corretamente aplicada, conforme se pode verificar do item 20 do acórdão recorrido. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. Devem ser excluídos do lançamento, as verbas: os 15 primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, o 1/3 (um terço) de férias indenizadas ou gozadas, aviso prévio indenizado e valetransporte. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000469/2002-47
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999
AUXÍLIO GABINETE E AUXÍLIO HOSPEDAGEM. PARLAMENTARES DO ESTADO DE SÃO PAULO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPF. SÚMULA CARF Nº 87.
O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998, 1999 AUXÍLIO GABINETE E AUXÍLIO HOSPEDAGEM. PARLAMENTARES DO ESTADO DE SÃO PAULO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPF. SÚMULA CARF Nº 87. O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.000469/2002-47
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5431293
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2802-003.261
nome_arquivo_s : Decisao_19515000469200247.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 19515000469200247_5431293.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
id : 5827654
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047704996675584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 250 1 249 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000469/200247 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.261 – 2ª Turma Especial Sessão de 02 de dezembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente CANDIDO GALVÃO DE BARROS FRANÇA NETTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998, 1999 AUXÍLIO GABINETE E AUXÍLIO HOSPEDAGEM. PARLAMENTARES DO ESTADO DE SÃO PAULO. NÃO INCIDÊNCIA DO IRPF. SÚMULA CARF Nº 87. O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 69 /2 00 2- 47 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) – DRJ/SP2, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 130.360,67 relativo aos anoscalendário 1997 e 1998. O lançamento decorreu da constatação de suposta omissão de rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, correspondentes a verbas de "AuxílioEncargos Gerais de Gabinete e Auxílio Hospedagem", consideradas tributáveis pela fiscalização. Na impugnação de fls. 51/78 foi alegado que: consoante disposto nos arts. 629, § 3° e 721, do RIR/94, no art. 7°, § 1°, da Lei n°7.713/1.988, e nos arts. 45, 121 e 128, todos do CTN, concluise que, mesmo nos casos em que o rendimento sujeito à fonte se coloca como adiantamento, o sujeito passivo é a fonte pagadora, por substituição, e não quem recebe, sendo que o ajuste nasce de outra obrigação, que é posterior à primeira, mesmo porque, no caso, os sujeitos passivos são diferentes; resta evidente que, nos termos das Leis nos 7.713/1.988 e 8.134/90, os rendimentos ditos omitidos, se tivessem de ser tributados, deveriam sêlo na fonte, sendo sujeito passivo, por disposição legal, em substituição, o empregador, no caso, a Assembléia Legislativa do Estado de São, Paulo, por vinculação empregaticia, como acusa o lançamento; por outro lado, o art. 919 do RIR/94 dispõe que a fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, quando estabelecido em lei, na qualidade de substituta responsável, ainda que não o tenha retido; como conseqüência, emerge que, no caso em tela, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, por disposição legal, quando pagou aos senhores Deputados a verba objeto de tributação, ainda que não tivesse ela caráter de indenização, o que se admite por argumento, teria que ter retido na fonte o imposto porventura devido, na qualidade de sujeito passivo, segundo a responsabilidade imposta pelo art. 121 do CTN, continuando, desta forma, a ser devedora do imposto não retido (reproduz doutrina); do exposto, concluise que, se algum imposto fosse devido, o seria pelo regime de fonte, sendo o sujeito passivo a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (reproduz jurisprudência); conforme consta do art. 11 da Resolução 783/97, da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, as verbas apontadas pelo Fisco, como omitidas, referemse a valores mensais pagos por essa pessoa jurídica, para cobrir gastos necessários ao funcionamento dos Gabinetes dos senhores Deputados, no legitimo exercício do cargo para o qual foram eleitos Fl. 251DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 19515.000469/200247 Acórdão n.º 2802003.261 S2TE02 Fl. 251 3 (reproduz o art. 11 da referida Resolução e o art. 1° da Resolução 776/96, que dispõe sobre a constituição da estrutura administrativa da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, bem como sobre a competência dos Gabinetes); com a criação da referida verba mensal, o que buscou a Diretoria da Assembléia Legislativa, na verdade, foi o corte das despesas mensais que tinha para possibilitar o pleno e completo exercício dos objetivos perseguidos pelos parlamentares, como: fornecimento de combustível, peças de veículos, custos de manutenção de frota de automóveis, despesas com hospedagem, impressão de livros e matéria didática, cópias reprográficas, material de escritório, assinaturas de jornais e revistas e toda a gama de despesas que, até então, eram pagas pela mesma, tendo esse auxilio caráter indenizat6rio, uma vez que constitui encargos gerais de Gabinete e auxilio hospedagem, adiantamentos para o suporte de gastos necessários e imprescindíveis ao exercício do cargo de parlamentar (reproduz doutrina, no sentido da referida verba não estar sujeita ao imposto de renda); sem acréscimo patrimonial, nem riqueza consumida, não há base para a pretensão deduzida no lançamento, tratandose, no caso, de nãoincidência, o que difere da isenção, não sendo, desta forma, sequer, a Assembléia Legislativa sujeito passivo da obrigação tributária, mesmo porque não nascida (reproduz jurisprudência); não há que se invocar o art. 40, I, do RIR/94, para sustentar a tese no sentido de que só é alcançada pela isenção a ajuda de custo comprovadamente destinada a suportar as despesas de transporte, frete e locomoção do beneficiado, de um município para outro, na medida em que, não há como isentar aquilo que não é passível de tributação (nesse sentido, reproduz doutrina e parte da decisão exarada no processo n° 10983.004437/9610, pela Divisão de Tributação da Delegacia da Receita Federal da 9' Região, onde ficou consignada a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto incidente na fonte ); pela análise do art. 157, 1, da CF, uma outra questão que se impõe no presente caso é o fato de que o beneficiário da arrecadação reclamada, se devida, seria o Estado de São Paulo e se este, por seu integrante Poder Legislativo, não reclama o que lhe seria devido mas, pelo contrario, concorda com o nãorecolhimento, resta evidente que à Unido só cabe, no caso, considerar o valor como integrante da cota que lhe cabe por disposição inserida no inciso II, do art. 157, da CF; há que se considerar que a verba mensal paga aos senhores Deputados é resultado de uma Resolução, prevista regularmente como ato que tem força de lei ordinária; conforme disposto no art. 59 da CF, e de acordo com entendimento jurisprudencial e doutrinário, concluise que as resoluções são espécie do gênero do ato normativo, tal como elencado, e, portanto, reconhecido pelo próprio texto constitucional como tendo força de lei; a Constituição do Estado de Sao Paulo, em seu art. 19, elenca as matérias que devem ser disciplinadas por meio de lei formal, ou seja, de ato normativo resultante do processo legislativo, levado a efeito pela Casa Legislativa, sendo importante salientar que o Regimento Interno da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, ao cuidar da Resolução, atribuilhe eficácia de lei ordinária (reproduz parte do art. 20 da Constituição do Estado de São Paulo, e do art. 145 do Regimento Interno da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, bem como doutrina e jurisprudência acerca da extensão de uma Resolução); Fl. 252DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 sendo a Resolução lei, e até que declarada inconstitucional, gera os efeitos que lhe são próprios; faz prova a favor do impugnante o fato de que partiu da Assembléia Legislativa a informação da nãotributação dos valores recebidos por conta de adiantamento de despesas (reproduz informação fornecida pelo Digníssimo Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo), e foi a própria fonte pagadora, em razão desse entendimento, quem deixou de reter na fonte o que é exigido pelo Fisco Federal, não podendo, desta forma, caracterizarse como omissão de receitas a percepção de valores para cobrir despesas; conforme consta do item 28 da impugnação, é da própria Delegacia da Receita Federal a conclusão de que mesmo que devida fosse a incidência do imposto, a obrigação seria da fonte pagadora, por substituição, ainda que não tivesse retido o imposto, entendimento esse, confirmado pelo PN COSIT n° 01/95 e pela Informação n° 003/SRF/GAB/89, além de outras; ainda que fosse legal a incidência, ao caso se aplicaria o disposto no art. 110, III, do CTN, já que teria havido erro escusável (reproduz jurisprudências, uma no sentido da aplicação do art. 100, III, do CTN, afastando os acréscimos legais do tributo, e outra, no sentido da sujeição passiva da fonte pagadora, e não do beneficiário do rendimento); mesmo os ressarcimentos mensais computados pelo Fisco merecem contestação, sendo que o impugnante está providenciando um completo levantamento dos valores lançados, para a demonstração dos erros cometidos; inconcebível a utilização da taxa SELIC para atualização monetária de tributos federais, na medida em que foi criada e utilizada para a remuneração de títulos privados (reproduz Acórdão prolatado pelo STJ); requer, por fim, o provimento da presente impugnação, para que seja declarada a insubsistência do lançamento. A instância de primeiro grau manteve o lançamento, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado (fls. 83/100): MAJORAÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTA VEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Ausente da legislação tributária federal dispositivo que determine a exclusão da remuneração paga a Parlamentar a titulo de "AuxilioEncargos Gerais de Gabinete e Auxilio Hospedagem", deve ela ser incluída entre os rendimentos brutos para todos os efeitos fiscais. Compete à Unido instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, bem como estabelecer a definição do fato gerador da respectiva obrigação. 0 caráter indenizatório e a exclusão, dentre os rendimentos tributáveis, do pagamento efetuado a assalariado devem estar previstos pela legislação federal para que seu valor seja excluído do rendimento bruto. Não pode o EstadoMembro ou seus Poderes, mediante invasão da competência tributária da Unido, estabelecer, no campo do imposto de renda, isenção ou casos de nãoincidência tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 19515.000469/200247 Acórdão n.º 2802003.261 S2TE02 Fl. 252 5 A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. O autuado interpôs recurso voluntário em 11/7/2005 (fls. 107/136), repisando, em linhas gerais, os argumentos da impugnação, e pedindo, ao final, a declaração de nulidade do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Esclareçase, inicialmente, que embora o contribuinte demande a declaração de nulidade do lançamento, as razões de fato e de direito que fundamentam o pedido são atinentes ao mérito da autuação, e como tal serão a seguir tratadas. O entendimento do CARF acerca do tema se consolidou no sentido de que o AuxílioEncargos Gerais de Gabinete de Deputado e o AuxílioHospedagem, instituídos pelo art. 11 da Resolução nº 783 de 1º/7/1997 da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, possuem natureza indenizatória, sendo necessários para que o parlamentar possa desempenhar o seu mandato, não incidindo sobre eles, portanto, o imposto de renda. Tal caráter prepondera, ainda que as despesas decorrentes dessas verbas não estivessem sujeitas à prestação de contas, o que passou a acontecer a partir do advento da Resolução nº 822, de 14/12/2001 daquela Casa Legislativa. A matéria foi, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 87, aprovada pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em sessão de 10/12/2012 e de observância obrigatória para os membros deste Colegiado, nos termos do caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 256, de 22/6/2009). Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 Considerando que não foi apurado pela fiscalização a utilização dos recursos em benefício próprio não vinculado à atividade legislativa, consoante se verifica da leitura do Termo de Verificação Fiscal de fls. 37/49, cumpre aplicar a referida Súmula ao caso concreto, reconhecendose a improcedência do lançamento. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 255DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10945.003845/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADENCIA.
Tendo em vista que o acórdão recorrido não enfrentou a questão do pagamento antecipado para fins de fundamentar se o prazo a ser aplicado é aquele de que trata o art. 150, §4º, do CTN, ou 173, I, do CTN, os Embargos devem ser acolhidos para sanar esta omissão.
Reconhecendo-se a ocorrência dos pagamentos parciais, deve ser mantida a decadência reconhecida com base no art. 150,§4º, do CTN.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-003.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanear a omissão apontada, mantendo inalterado resultado do julgamento.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADENCIA. Tendo em vista que o acórdão recorrido não enfrentou a questão do pagamento antecipado para fins de fundamentar se o prazo a ser aplicado é aquele de que trata o art. 150, §4º, do CTN, ou 173, I, do CTN, os Embargos devem ser acolhidos para sanar esta omissão. Reconhecendo-se a ocorrência dos pagamentos parciais, deve ser mantida a decadência reconhecida com base no art. 150,§4º, do CTN. Embargos Acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10945.003845/2007-25
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441836
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-003.858
nome_arquivo_s : Decisao_10945003845200725.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CAROLINA WANDERLEY LANDIM
nome_arquivo_pdf_s : 10945003845200725_5441836.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanear a omissão apontada, mantendo inalterado resultado do julgamento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
id : 5862652
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705002967040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.003845/200725 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401003.858 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2015 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ITAIPU BINACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/08/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADENCIA. Tendo em vista que o acórdão recorrido não enfrentou a questão do pagamento antecipado para fins de fundamentar se o prazo a ser aplicado é aquele de que trata o art. 150, §4º, do CTN, ou 173, I, do CTN, os Embargos devem ser acolhidos para sanar esta omissão. Reconhecendose a ocorrência dos pagamentos parciais, deve ser mantida a decadência reconhecida com base no art. 150,§4º, do CTN. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 38 45 /2 00 7- 25 Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanear a omissão apontada, mantendo inalterado resultado do julgamento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10945.003845/200725 Acórdão n.º 2401003.858 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, apresentados pela FAZENDA NACIONAL contra o Acórdão nº 2401002.635, proferido pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária , no dia 16 de agosto de 2012. A Embargante alega que o acórdão embargado está maculado pelo vício da omissão em sua fundamentação. O acórdão embargado acolheu a decadência de parte do lançamento, em virtude de a Autuada ter sido cientificada da NFLD em 30 maio de 2006, conforme atesta o AR juntado às fls. 341, e as contribuições exigidas referiremse às competências de 02/1999 a 08/2005. Para tanto, foi reconhecida a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/91, com respaldo na Súmula Vinculante nº 8 do STF, e declarada a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos até a competência de 04/2001. Ao acolher a decadência, o Acórdão embargado asseverou que o prazo decadencial é aquele prescrito no art. 150, § 4º do CTN, por se tratar, a contribuição previdenciária, de tributo sujeito ao lançamento por homologação. É o que se verifica da ementa transcrita abaixo: DECADÊNCIA ARTS. 45 E 46 LEIS Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103ª da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN. A Embargante sustenta nos Embargos de Declaração ora apreciados que “está consolidado na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o entendimento de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, §4º do CTN é aplicada tão somente naquelas competências onde houve pagamento parcial das contribuições devidas.” Diante disto, alega que o acórdão embargado foi omisso, pois “não se pronunciou sobre a existência de pagamento nem tampouco sobre a incidência do art. 173, I, do CTN.” É o relatório. Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora De fato, conforme jurisprudência assentada neste Egrégio Conselho, o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN, é apenas aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial), a ser homologado. Na hipótese de inexistência de pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial deve ser regido pela norma prevista no art. 173, I, do CTN, deslocandose, o seu termo inicial, para o primeiro dia do exercício seguinte. Nesse sentido é o entendimento já pacificado pelo STJ e também sumulado pelo CARF, através do enunciado n º 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, ao apreciar a decadência, cumpre ao julgador verificar se houve pagamento parcial a ser homologado, hipótese em que o prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação será aquele de que trata o art. 150, §4º, do CTN, ou se não houve pagamento algum, hipótese em que o prazo decadencial é aquele de que trata o art. 173, I, do CTN. Neste cenário, entendo que o acórdão embargado foi realmente omisso ao deixar de averiguar a existência de antecipação de pagamento das contribuições previdenciárias, quando reconheceu a decadência de parte do lançamento, com base no art. 150, § 4º, do CTN. Entretanto, analisando o Relatório Fiscal (fls. 6170), verificase que, em relação a algumas notas objeto de autuação, houve retenção da contribuição previdenciária, recaindo, a exigência, sobre a diferença decorrente do entendimento do Fisco de que a base de cálculo utilizada para retenção estava a menor. Vejamos alguns trechos aqui trazidos a título exemplificativo: Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10945.003845/200725 Acórdão n.º 2401003.858 S2C4T1 Fl. 4 5 BIOCLEAN RET 11 POR CENTO (...) Esta planilha apresenta também a base de cálculo adotada pela fiscalização para o cálculo das retenções (100% para este contrato), o valor das retenções destacados nas notas fiscais e a diferença de valores a lançar como resultado da base de cálculo adotada pela fiscalização multiplicada por 11% menos o valor destacado como retenção. (...) Nas quatro notas ficais com referência à mãodeobra a retenção foi destacada corretamente, não havendo diferença a lançar. (...) HABITAR RET 11 POR CENTO (...) A planilha denominada “Código de levantamento 009 – HABITAR ENGENHARIA E SERV LTDA.” demonstrar o procedimento adotado para se obter a diferença entre as retenções destacadas e as devidas segundo a interpretação desta fiscalização. (...) O valor obtido como diferença da retenção devida alimenta o relatório também em anexo(...) Pois bem, no caso, aplicandose o prazo decadencial de que trata o art. 150, §º do CTN, a decadência terá atingido os créditos tributários cujos vencimentos antecedem 30.05.2001. Se adotado o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, a decadência terá fulminado os créditos tributários cujo vencimento ocorreu até 31.12.2001. Cumprenos averiguar, portanto, se houve pagamento a ser homologado nas competências de 06/2001 a 12/2001. Como se verifica do RL – Relatório de Lançamentos (fls. 36 – 54), foram apurados débitos para as competências compreendidas entre 06/2001 a 12/2001 apenas em relação aos serviços prestados pela empresa Habitar Engenharia e Serviços Ltda. Como apontado no Relatório Fiscal, bem como conforme se verifica do RL Relatório de Lançamentos (fls. 37) os débitos apurados referemse à diferença de retenção, por ter a Fiscalização adotado base de cálculo diversa daquela que fora adotada pelo contribuinte. Ou seja, nas citadas competências, houve pagamento parcial pelo contribuinte, o qual foi objeto de homologação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, para que seja firmado que o prazo decadencial a ser aplicado é aquele de que trata o art. 150, §4º do CTN, em razão da constatação de pagamentos a serem objeto de homologação, mantendo inalterado o resultado do julgamento, que já aplicava este prazo. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.915182/2009-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11020.915182/2009-40
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5439990
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1801-000.342
nome_arquivo_s : Decisao_11020915182200940.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 11020915182200940_5439990.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5852502
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705015549952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.915182/200940 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.342 – 1ª Turma Especial Data 26 de agosto de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente VOESTALPINE MEINCOL S/A (MEINCOL DISTRIBUIDORA DE AÇOS) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. RELATÓRIO E VOTO Este litígio foi objeto da Resolução nº 1801000.194, deliberada em 06 de março de 2013, efls. 389 a 393. Ocorre que as diligências solicitadas não foram realizadas. A Resolução teve como fundamento e pretendeu: “A turma julgadora de primeira instância ressalta a flagrante continência entre os processos e registra no votocondutor que o deslinde deste litígio decorreu basicamente das decisões proferidas em outros litígios administrativos, procedendo à juntada dos despachos decisórios e decisões (que proferiu) daqueles a este processo. Destarte, há que reconhecerse, ex officio, a continência instaurada, nos termos do artigo 104 do CPC. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 15 18 2/ 20 09 -4 0 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.915182/200940 Resolução nº 1801000.342 S1TE01 Fl. 3 2 A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Portaria n° 666/08 orientando no sentido da reunião dos processos: [...] Apesar das Per/Dcomp não veicularem expressamente o mesmo crédito saldo negativo de CSLL, relativo a 2004, ou 2003 observo que a recorrente nos outros processos solicitou a conversão dos pedidos de "restituição de estimativas relativas a 2004" para "saldo negativo de 2004", requerendo, na verdade, o mesmo crédito objeto deste processo, matéria ainda suscetível de apreciação em segunda instância de julgamento. Em consulta ao sistema eprocesso, nesta data, verifico que os processos administrativos acima discriminados estão na tarefa "para distribuição/sorteio" neste órgão colegiado. Dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf (Portaria MF n° 256/09): [...] Destarte, pelo exposto, acolho a prejudicial suscitada pela recorrente e decido o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a realização das seguintes diligências : a) pela juntada dos processos consoante requerido, para o fim de serem analisados e apreciados por este órgão colegiado concomitantemente; b) antes do retorno dos processos, deverão ser encaminhados à autoridade fiscal para intimar a recorrente a apresentar a contabilidade completa e verificar SE: b.1) os registros contábeis escriturados à época dos fatos consignou as estimativas CSLL dos anoscalendário de 2003 e 2004, nos valores acusados pela recorrente; b.2) se procedem as arguições da recorrente sobre a apuração dos valores dos saldos negativos de CSLL, relativos aos referidos anoscalendários; b.3) há outros processos cujos objetos são Per/Dcomp que veiculem créditos de estimativas/saldo negativo CSLL, nos anos em questão, além dos já identificados. A autoridade fiscal deverá elaborar um Relatório Fiscal indicando os saldos negativos dos anoscalendário de 2003 e 2004, bem como os valores das estimativas recolhidas/compensadas admissíveis, consoante auditoria,, e dar ciência à recorrente dos resultados das diligências, facultandolhe prazo regulamentar para manifestarse a respeito destes, se assim o desejar.” Em resposta, a autoridade fiscal fez ponderações a respeito de processos que veiculam sobre estimativas de IRPJ (não pertinentes aos autos) a as seguir transcritas a respeito dos outros dois processos, solicitados, não conclusivas, cujos trechos transcrevo, em suma: “[...] Os processos administrativos n°s 11020.901484/200850 e 11020.901485/2008 02,tratam de pagamentos a maior de CSLL a título de estimativa referentes ao ano de 2003. Taispagamentos foram utilizados para compor o saldo negativo de CSLL do ano calendário 2003, quefoi objeto de duas PERDCOMPs tratadas no processo administrativo de crédito n°11020.908211/200836. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.915182/200940 Resolução nº 1801000.342 S1TE01 Fl. 4 3 4.1 No processo n° 11020.908211/200836, o saldo negativo de CSLL apurado foi de R$ 262.848,26 e o utilizado nas Declarações de Compensação n°s 41109.70478.211107.1.7.036600 e 33084.10758.270307.1.7.034267 foi o valor original de R$ 107.741,52. 4.2. De acordo com cálculos feitos pelo Sistema SAPO de fls. 455/458, o saldo negativoremanescente seria suficiente para quitar os débitos relacionados aos processos mencionados no item 4. [...] Os referidos arquivos digitais são passíveis de utilização, pois esta diligência tem afinalidade de confirmar se as estimativas de CSLL dos anoscalendário 2003 e 2004 foramescrituradas e, nesse sentido, as fichas Razão geradas a partir dos referidos arquivos digitais, docs.de fls. 428/430, demonstram a escrituração das estimativas e da CSLL devida nas respectivas DIPJs,exceto os valores compensados e o valor pago em 2005, referente ao mês de dezembro de 2004. 6.2.Concluindo, o saldo negativo do presente processo somente será confirmado em sua integralidade se os processos administrativos n°s 11020.901484/200850 e 11020.901485/200802 tiverem suas compensações homologadas.” (grifos não pertencem ao original) Assim, devolveu o presente ao CARF, sem atender o requerido no item ‘a’ da diligência solicitada, a saber, chamar os dois processos vinculados a este, nºs 11020.901484/200850 e 901485/200802 e remetêlos para o julgamento em concomitância a este. Compulsando o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09), em seu Anexo II, dispõe o § 7º do artigo 49: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. É competência regimental do Serviço de Controle de Julgamento (Secoj) a distribuição de processos, dentro do órgão – artigo 20, inciso III, Anexo I: Art. 20. Ao Serviço de Controle de Julgamento (Secoj) compete: (...) III distribuir e movimentar os processos administrativos fiscais para as Seções e Câmaras; Fl. 478DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.915182/200940 Resolução nº 1801000.342 S1TE01 Fl. 5 4 Em vista da recusa da unidade de jurisdição da recorrente em avocar os processos nº 11020.901484/200850 e 901485/2008021 e remeter, em retorno, os três processos juntos para serem julgados em mesma sessão, resta determinar que o Secoj proceda à remessa dos referidos autos, devidamente digitalizados, a esta Conselheira, consoante decisão prévia desta Primeira Turma Especial, para que se possa proceder à apreciação e votação conjunta, por flagrantemente interligados seus objetos. Voto em converter, mais uma vez, o julgamento na realização de diligência a ser cumprida pelo Secoj do Carf. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich 1 Na atividade "Distribuir/Sortear"; Equipe 1ª SEJUL/CARF/MF/DF; em 20/08/2014 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000644/2006-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
EMENTA IMPUGNAÇÃO VÍCIO SANADO.
Deve ser conhecida a impugnação que teve sanado o vício de representação processual.
Numero da decisão: 1401-000.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para conhecer da impugnação e determinar o retorno dos autos para que se analise o mérito na DRJ. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento ao recurso, em face do não conhecimento da impugnação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 EMENTA IMPUGNAÇÃO VÍCIO SANADO. Deve ser conhecida a impugnação que teve sanado o vício de representação processual.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.000644/2006-20
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441144
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-000.985
nome_arquivo_s : Decisao_19515000644200620.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 19515000644200620_5441144.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para conhecer da impugnação e determinar o retorno dos autos para que se analise o mérito na DRJ. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento ao recurso, em face do não conhecimento da impugnação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
id : 5859503
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705028132864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.409 1 2.408 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000644/200620 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401000.985 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2013 Matéria IRPJ/Reflexos Recorrente FREFER SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERRO E AÇO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 EMENTA IMPUGNAÇÃO VÍCIO SANADO. Deve ser conhecida a impugnação que teve sanado o vício de representação processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para conhecer da impugnação e determinar o retorno dos autos para que se analise o mérito na DRJ. Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento ao recurso, em face do não conhecimento da impugnação. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 44 /2 00 6- 20 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000644/200620 Acórdão n.º 1401000.985 S1C4T1 Fl. 2.410 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de BrasíliaDF. Em 06/04/2006, após conclusão do procedimento de fiscalização, o Auditor Fiscal lavrou contra a interessada os Autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS o atinentes ao anocalendário 2001, cujo crédito tributário perfaz o montante de RS 9.369.94610, assim discriminado por exação fiscal: I Auto de filtração do IRPJ (fls.152/155): a) IRPJ, R$ 2.486 767,69; b) Juros de Mora (calculados até 3 1/03/2006), RN 1.839.959,41: c) Multa de Ofício (75%), R$ 1.865,075,76. Total do credito tributário do Auto de Inflação do IRPJ: R$ 6.191,80,86 Infração imputada: OMISSÃO DE RECEITAS OPERACIONAIS DIFERENÇA DE ESTOQUES A. descrição completa da infração imputada consta do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do lançamento de oficio, à Fl. 149 c que ora transcrevemos em parte, verbis: (...) BASE DE CÁLCULO E ENQUADRAMENTO LEGAI, PARA AUTUAÇÃO 50 A. diferença de estoque em poder de terceiros na. matriz, em RS 2,656343,36, conforme descrito no item 3.5f deveria ter sido, mas não foi, retornado a ela e daí ser transferida para outras unidades, [filiais de Piracicaba e/ou São Paulo/ com o conseqüente aumento de seus estoques inventariados no final do período ¡31 12.2000 e 31 12 2001 / Tal diferença constituíra a base de cálculo para autuação. 51 Adicionado a isto também, não foram considerados a diferença dos estoques reconstituído1; e inventariados, a partir dos registros das filiais de Piracicaba, e São Paulo em poder de terceiros, de R$ 7.386 727,41 [soma dos valores dos itens 7 e S do quadro do item 49/. Tal diferença constitui também, a. base de cálculo para autuação 52 Diante do exposto, o contribuinte será autuado mediante lavratura de auto de infração decorrente da pressuposição de omissão de receitas por diferenças dos estoques apurados no inventário, com. base no artigo 24 da Lei. 9249/9.5, artigo 41 da Lei 9.430/96, artigos 249, inciso II, 2.5! e parágrafo único, 261, 274, 279, 286, 288 e 289 do RIR/99 já citado. Pato gerador Valor tributável Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000644/200620 Acórdão n.º 1401000.985 S1C4T1 Fl. 2.411 3 31/12/2001 R$ 2.656.343,36 31/12/2001 R$ 7.386.727,41 II Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS lançamento reflexo (fls. 156/159): a) PIS, R$ 65 279,95; b) Imos de Mora (calculados ate 31/03/2006),. R$ 50 945,82; c) Multa de Ofício (75%), R$ 48.959,96. Total do crédito tributário do Auto de Infração do PIS : RS 165.185,73. INFRAÇÃO REFLEXA FALTA/INSUFICIÊNCIA DO PIS, PELA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL Valores tributáveis são os mesmos do auto de infração do IRPJ, ou seja: Fato gerador Valor tributável 31/01/2001 RS 2.656.343,36 31/12/2001 R$ 7.386.727,41 (...) III Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS lançamento reflexo (fls 160/163): a) COFINS, RS 2.656 343,36; b) luins de Mora (calculados até 3 I/O.V2006), R$ 235.154,58: c) Multa de Ofício (75%), \l% 225.969,08. Total do crédito tributário do Auto de Infração da COFINS: R$ 762.395.78. INFRAÇÃO REFLEXA OMISSÃO DE RECEOTA OPERACIONAL Os valores tributáveis são os mesmos do auto de infração do IRPJ, ou seja: Fato gerador Valor tributável 31/01/2001 R$ 2 656.343,36 31/1 2/2001 R$ 7.386.727,41 legislação estadual do ICMS, fato suficiente para contaminar todo o trabalho fiscal; além disso, acabou partindo de pressuposições e de premissas equivocadas, ou seja: a) imputação de infração "omissão de receitas" baseada cm indícios, conforme item 52 do Termo do Verificação Fiscal, verbis: Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000644/200620 Acórdão n.º 1401000.985 S1C4T1 Fl. 2.412 4 ( ) 52 Diante do exposto, o contribuinte será autuado mediante lavratura de auto de infração decorrente da pressuposição de omissão de receitas por diferenças dos estoques computados no inventário, com base no artigo 24 da Lei 9249/95, artigo 41 da Lei 9.430/96; artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 261, 274, 279, 286, 288 e 289 do RIR/99 fã citado. (■■ ) Que a fiscalização não comprovou, com elementos claros, que a impugnante praticara, a conduta de omissão de receitas, pois não teria a Fiscalização se aprofundado em seu trabalho investigativo; b) diferença de critérios (custo da mercadoria x valor contábil da. mercadoria): que o ICMS c o IPI impostos recuperáveis pelo princípio da. não cumulatividade e destacados nas notas fiscais são excluídos quando da contabilização dos estoques; que, assim, quando se analisa os valores registrados no Livro Registro de Inventário, se analisa os valores das mercadorias excluídos o ICMS c o IPI. (valor custo de aquisição); que, por sua vez, quando se analisa os Livros de Registro de Filtrada e Saída (coluna valor contábil), este valor contábil de aquisição da mercadoria está acrescido do ICMS e do IPI; que, sendo assim, a comparação da Fiscalização tem por base duas grandezas de natureza distintas; que esse equívoco é suficiente para demonstrar que os valores levantados pela Fiscalização não poderão ser tomados como base para autuação, pois resta claro não haver diferença de estoque, na medida que a. fiscalização, cm última análise, considerou o valor contábil sem exclusão do ICMS e do IPI, gerando assim uma suposta omissão de receitas; que, assim, não haveria a suposta omissão dc receita imputada pela Fiscalização; c) equívoco na reconstituição do Livro de Entrada e Saída Ano 2000 Código COf 594: que, nesse ponto, se equivocou a fiscalização, pois a real descrição do código COF 594 de acordo com o Regulamento do ICMS de São Paulo é: 5.94 e 6.94 Remessa simbólica de insumo utilizado na industrialização por encomenda c Remessa simbólica de insumo recebido e incorporado ao produto final so encomenda de outro estabelecimento, respectivamente; que, dessa forma, está equivocado o entendimento da Fiscalização de que no ano de 2000 as operações objeto do COF 594, no montante de RS 2.685.044,23, tratavam de mercadorias de propriedade da impugnante, pois, na realidade, tal valor registrado pela impugnante nesse código trata dE insumos recebidos pela mesma para industrialização e transformação em produto final, que segue posteriormente paia seus clientes (fls. 263/276); que o citado valor tratase de estoque de terceiros em poder temporário da impugnante e jamais seria registrado em seu inventário como sendo estoque da impugnante em poder de terceiros! Por fim, a impugnante, com base nas alegações acima sumarizadas, pediu a nulidade e o cancelamento do lançamento fiscal (lançamento principal e reflexos) Competência, para julgamento da presente lide, desta 2a Turma da DR.I/Brasília, em face da. Portaria nº 161, de 08/02/2007. Antes do julgamento, a DRJ constatou a seguinte irregularidade processual. Eis o teor do despacho de fls.322/323 : Senhor Presidente da Segunda Turma: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000644/200620 Acórdão n.º 1401000.985 S1C4T1 Fl. 2.413 5 Em 05/05/2006, a contribuinte apresentou impugnação aos Autos de Infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), lavrados em 06/04/2006. A impugnação foi assinada em nome da. contribuinte, pelo Sr.Aparecido Donizete Dias (lis. 173/187). A impugnante acostou aos autos a procuração à fl. 240, que confere poderes de representação ao Sr. Aparecido Donizete Dias. Entretanto, duas irregularidades foram constatadas nessa procuração: Uma, o instrumento do mandato a procuração foi passada em 26/10/2004 com prazo de validade de um ano (fl. 240).Logo, quando da apresentação da impugnação em 05/05/2006 tal procuração já estava com prazo de validade vencido. Duas, tratase de procuração conjunta, onde, necessariamente, dois dos procuradores devem assinar. No caso, a. impugnação foi assinada por apenas um dos procuradores, quando deveriam ser dois. Por conseguinte, a procuração constante dos autos é inválida. Se não houver a regularização da representação legal cm tempo hábil, a impugnação será considerada inexistente, impedindo a formação da lide e o conhecimento da matéria. Quanto à. oportunidade paia regularização de representação legal, o Decreto 70.235/72 é omisso, não a prevê Entretanto, em face do parágrafo único do art. 6° da Lei 9.784/91, o qual deve ser aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o servidor deve orientar o contribuinte, quando da. apresentação da impugnação, para sanar ou suprir eventuais falhas, couro, no caso, a falha na representação legal. Como tal vício não foi constatado quando da apresentação da impugnação, tornase mister, agora, baixar os autos do processo para a unidade de origem da Receita Federal do Brasil, para que a contribuinte proceda a regularização de sua representação legal. Quanto ao prazo para regularização da representação legal, aplicase, por analogia, o disposto no art. 37 do Código de Processo Civil, verbis: "Art. 37 Sem instrumento de mandato, o advogado não será admitido a procurai em juízo. Poderá, todavia, em nome da parte, intentar ação, a fim de evitar decadência ou prescrição, bem como intervir, no processo, para praticar atos reputados urgentes. Nesses casos, o advogado se obriga, independentemente de. caução, a exibir o instrumento de mandato no prazo de J.5 (quinze) dias, prorrogável até outros 15 (quinze) dias, por despacho do juiz Parágrafo único. Os atos, não ratificados no prazo, serão havidos por inexistentes, respondendo o advogado por despesas e perdas e danos. Portanto, a unidade do origem da Receita Federa] do Brasil deverá intimar a interessada paia regularizar sua representação legal nos presentes autos, dando prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de sua impugnação não ser conhecida, mantendose. De plano, o crédito tributário conforme lançado. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000644/200620 Acórdão n.º 1401000.985 S1C4T1 Fl. 2.414 6 Os autos do processo foram baixados para a unidade de origem da RFB para que a contribuinte pudesse regularizar sua representação legal, conforme proposto pelo despacho acima. A interessada tornou ciência da intimação em 07/02/2008 (quintafeira), conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 314; e foi lhe dado um prazo limite para regularização da representação legal nos autos até 22/02/2008. Vencido o prazo de quinze dias sem regularização da representação legal, os autos retornaram à DRJ para prosseguir no julgamento. Porém, em 04/04/2008 acostou aos autos nova procuração dada ao Sr. Aparecido Donizete Dias. A DRJ MANTEVE não conheceu da impugnação, nos termos das ementas abaixo: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IMPUGNAÇÃO ASSINADA. EM NOME DA EMPRESA,PELO GERENTE ADMINISTRATIVOFINANCEIRO. PROCURAÇÃO COM PRAZO DE VALIDADE VENCIDO. REPRESENTAÇÂO LEGAL INVÁLIDA. VÍCIO NÃO SANADO TE MP ESTIVA MENTE, NÃO INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. Não se conhece da impugnação apresentada em nome da empresa por funcionário sem representação legal válida, por ser tal impugnação juridicamente inexistente, não sendo apta à instauração da lide processual. Embora, dado prazo para regularização da representação legal, a interessada deixou transcorrer in albis o lapso temporal, juntando a nova procuração a destempo. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, bem assim, em um longo arrazoado, cita doutrina e jurisprudência e propugna pelo conhecimento de sua impugnação com base no formalismo mitigado e no princípio da verdade material vigentes no Processo Administrativo Fiscal. Baseandose nesses princípios, então assevera que a regularização mesmo a destempo de nova procuração sanaria o incidente processual. É o relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000644/200620 Acórdão n.º 1401000.985 S1C4T1 Fl. 2.415 7 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto Relator Juízo de Admissibilidade No presente julgamento fazse necessário analisar primeiro os pressupostos processuais. No caso está em questionamento a decisão da DRJ que não conheceu da impugnação por irregularidade processual tornando a referida defesa inexistente e assim não se formando a lide. Ratifico em todos os termos da decisão da DRJ. De fato, não se instaurou a fase litigiosa, uma vez que a defesa foi ofertada por procurador não habilitado nos autos, ou seja, não houve cumprimento de um dos requisitos de admissibilidade: o da regular representação processual. No caso, não foi comprovado nos autos que o signatário da impugnação tinha poderes paia agir em nome da interessada nos autos. E não se fale que não foi dado oportunidade para essa regularidade. Conforme despacho de fls. , a DRJ encaminhou o feito para que a delegacia intimasse o contribuinte a proceder com a devida regularização processual, sob pena de não conhecimento da mesma. Cabe a princípio salientar que o CPC aplicase subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal. No vazio deste último cabe a disciplina do primeiro. Acertadamente foi lhe dado o prazo previsto no CPC, de 15 dias, mas o contribuinte quedouse inerte. Conforme bem colocado pela DRJ, não lhe vem em socorro nem mesmo considerando a prorrogação de mais 15 dias prevista no referido Código: Art. 37. Sem instrumento de mandato, o advogado não será admitido a procurar em juízo. Poderá, todavia, em nome da parte, intentar ação, a fim de evitar decadência ou prescrição, bem como intervir, no processo, para praticar atos reputados urgentes. Nestes casos, o advogado se obrigará, independentemente de caução, a exibir o instrumento de mandato no prazo de 15 (quinze) dias, prorrogável até outros 15 (quinze), por despacho do juiz. Parágrafo único. Os atos, não ratificados no prazo, serão havidos por inexistentes, respondendo o advogado por despesas e perdas e danos. É que a interessada apenas em 04/04/2008, sem ao menos pedir nova prorrogação de prazo ou justificarse de alguma forma, acostou aos autos nova procuração apenas no 56° dia, após a data de ciência da intimação. Ajuntada de nova procuração foi feita com 43 (quarenta e três) dia de atraso. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000644/200620 Acórdão n.º 1401000.985 S1C4T1 Fl. 2.416 8 A não instauração da lide é inclusive ratificada pelo art. 40 da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999 Lei Geral do Processo Administrativo federal o qual se aplica subsidiariamente ao Processo Administrativo fiscal: Art 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessárias à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará no arquivamento do processo O contribuinte em sua defesa apela para o formalismo mitigado no PAF, bem assim ao princípio da verdade material. É claro que aqui existe aqui um conflito de princípios: verdade formal x verdade material. Sempre vejo com bons olhos a aplicação do princípio da verdade material e procuro aplicálo na medida do possível, pois afinal ele também tem limites. Não se pode fugir de uma tendência de se equilibrar a verdade formal buscada através de um procedimento detalhando ao máximo as “regras do jogo”. Verdade aqui se confunde com atingir certos objetivos, mas dentro da “regra do jogo”. A própria filosofia trilha esse caminho se analisarmos a filosofia atual de Habermas, onde a verdade ideal só pode ser alcançada através da legitimação pelo procedimento, na medida em que construimos um procedimento ideal, em que nos preocupemos mais em tentar acertar as “regras do jogo” através de uma ampla discussão dessas regras seguido de mudanças contínuas de aperfeiçoamento. Ademais a busca da verdade material demandaria tempo demais e nesse sentido seria utópica. Então, nada mais adequado do que a idéia de um processo pautado por alguns limites (temporais ou materiais) na questão relativa à prova ou à formação da lide, como é o caso. Se estas limitações de ordem processual estão muito genéricas ou radicais demais, então vamos flexibilizálas mais ainda, mas criando novas regras e não desrespeitando as já existentes. Não podemos nos afastar do fato de que há ritos e formas inerentes a todos os procedimentos, e nesse sentido não há como se aceitar a informalidade absoluta, como se o direito à contestação do direito em si ou à prova fosse ilimitado. Para Paulo Bonilha, “o processo administrativo deve observar a forma e os requisitos mínimos indispensáveis à regular constituição e segurança jurídica dos atos que compõe o processo”. A concentração dos atos em momentos processuais oportunos tem a finalidade de proteger o Estado contra a protelação injustificada do processo. Por exemplo, a liberdade de suscitar questões, a possibilidade ilimitadas de alegações, a nãoobservância das fases lógicas do procedimento, a ocultação proposital dos fatos pelo contribuinte em determinada fase processual para sua apresentação em momento posterior, constituem fatores para a demora do processo, muitas vezes contrário ao interesse público. Em resumo, o aparecimento dessas limitações no processo de cognição probatório seja através das cada vez mais usadas presunções de direito material embutidas na legislação tributária, seja através de limites temporais, lógicas e consumativas para Fl. 389DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000644/200620 Acórdão n.º 1401000.985 S1C4T1 Fl. 2.417 9 apresentação das provas e contestações, apenas indica que a verdade formal se equilibra junto com a verdade material. Por todo o exposto, nego provimento por constar que a lide não se instaurou desde a primeira instância. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 390DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000644/200620 Acórdão n.º 1401000.985 S1C4T1 Fl. 2.418 10 Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Redator Designado Em que pese as sempre bem articuladas razões do nobre Conselheiro Antonio Bezerra Neto, a Turma Julgadora, por maioria, entendeu por bem em divergir de seu entendimento, tendo este Conselheiro sido designado para a redação das razões do voto vencedor. A questão é saber se deve ser conhecida a impugnação tempestivamente apresentada quando o contribuinte, intimado a regularizar a representação processual, o faz a destempo do prazo fixado para tanto. É que a Contribuinte apresentou impugnação por meio de procurador, cujo instrumento de mandato não atendia aos requisitos exigidos para o processo administrativo fiscal. Assim, a Contribuinte foi intimada para regularizar a sua representação processual, o que fez fora do prazo assinalado pela Autoridade Fiscal. Em que pese os bem talhados fundamentos apresentados no voto vencido, temse que o processo administrativo não possui os rigores do processo judicial. É certo que, na busca pela verdade real e amplo direito de defesa dos contribuintes, admitese mitigar o formalismo exacerbado, na ausência de prejuízo para as partes litigantes. No caso em apreço, temse que impugnação foi tempestivamente apresentada, e o vício de representação processual suprido antes de qualquer provimento definitivo por parte da Autoridade Fiscal, razão pela qual a Turma Julgadora entendeu pelo conhecimento da impugnação. Diante do exposto, deve o presente feito retornar para julgamento perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, com o conhecimento da peça de impugnação. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 391DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 18186.002240/2008-49
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2004
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional.
O lançamento fiscal encontra-se parcialmente decadente.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A empresa é obrigada a recolher, na forma e prazo definidos pela legislação vigente, as contribuições de que trata a Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-004.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para declarar a decadência das competências anteriores a 11/2000, inclusive. Vencidos os conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2004 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional. O lançamento fiscal encontra-se parcialmente decadente. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher, na forma e prazo definidos pela legislação vigente, as contribuições de que trata a Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18186.002240/2008-49
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5433165
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.060
nome_arquivo_s : Decisao_18186002240200849.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 18186002240200849_5433165.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para declarar a decadência das competências anteriores a 11/2000, inclusive. Vencidos os conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5833031
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705045958656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2068; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 293 1 292 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18186.002240/200849 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.060 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente INDÚSTRIA DE CABOS ELÉTRICOS PAULISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2004 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional. O lançamento fiscal encontrase parcialmente decadente. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher, na forma e prazo definidos pela legislação vigente, as contribuições de que trata a Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para declarar a decadência das competências anteriores a 11/2000, inclusive. Vencidos os conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 22 40 /2 00 8- 49 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 294 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 295 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada contra a empresa supracitada, referente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais (autônomos) e sobre pró labore dos sócios. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O Contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 29/03/2006 (fl. 3). Inconformado apresentou impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: a fiscalização não comprovou habilitação para realizar do auditoria contábilfiscal ou da revisão contábilfiscal, junto ao Conselho Regional de Contabilidade – CRC, portanto o lançamento fiscal deve ser nulo; foi imputada onerosa multa sem ao menos verificar a capacidade contributiva do contribuinte; não há a certeza e liquidez referente aos valores lançados; a multa é confiscatória; a taxa de juros não pode ser superiores a 12% ao ano, nem ser aplicada a taxa selic; protestase por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de novos documentos e a oitiva de testemunhas; por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 296 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Consta do relatório fiscal, fls. 56/58, que o lançamento fiscal se refere às contribuições sociais devidas sobre remunerações pagas a contribuintes individuais (autônomos), assim como, sobre prólabore retirado pelos sócios, período de 01/1999 a 02/2004. Foram incluídos valores relativos à contribuição de 11% sobre as remunerações pagas que deveriam ter sido retidos dos contribuintes individuais (autônomos), a partir da competência 04/2003. As competências lançadas compreendem (relatório DSD, fls. 15/19): 01/1999 a 03/1999, 08/2000 a 12/2000, 01/2001 a 12/2001, 01/2002 a 05/2002, 07/2002 a 12/2002, 01/2003 a 12/2003, 01/2004, 02/2004. Há recolhimento de contribuições para as competências, relatório – RDA, fls. 30/32: 01/1999 a 03/1999, 02/2000, 01/2000, 02/2000, 04/2002, 08/2002 a 12/2002, 01/2003, 02/2003, 08/2004. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 29/03/2006 (fl. 3). DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 297 5 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipótese de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º do CTN, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Assim sendo, para as competências sem recolhimento prévio demonstrado nos autos (comp. 08/2000 a 12/2000, 01/2001 a 12/2001, 01/2002, , 03/2002, 05/2002, 07/2002, 03/2003 a 12/2003, 01/2004, 02/2004) deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN, estão decadentes as competências: 08/2000 a 11/2000. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 298 6 Para as competências com recolhimento prévio demonstrado nos autos (comp. 01/1999 a 03/1999, 02/2002, 04/2002, 08/2002 a 12/2002, 01/2003, 02/2003) devese aplicar a regra do art. art. 150, § 4º do CTN. Estão decadentes as competências: 01/1999 a 03/1999. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 29/03/2006 (fl. 3). Destarte, para o lançamento fiscal estão decadentes as competências anteriores a 11/2000, inclusive. DO LANÇAMENTO FISCAL A recorrente não contestou diretamente os valores lançados pela fiscalização. Assim, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente, nos termos do art. 17 do Decreto 70. 235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, no âmbito federal. COMPETÊNCIA LEGAL DO AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL Sobre a competência do AuditorFiscal para a lavratura de Auto de Infração, a Lei 1.457, de 16 de março de 2007 esclarece a matéria: Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) § 3o As obrigações previstas na Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; Fl. 298DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 299 7 c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; A base legal para a competência dos atos de Auditoria fiscal da Receita Federal foi a Lei 1.457/2007, em especial os artigos 2o e 6o. Destarte, não há necessidade da fiscalização comprovar habilitação para realizar auditoria contábilfiscal ou revisão contábil fiscal perante o Conselho Regional de Contabilidade – CRC, como quer o contribuinte. MULTA. LEGALIDADE. NÃO CONFISCATÓRIA. A multa aplicada no lançamento fiscal encontra respaldo na lei 8.212/91, conforme demonstrado no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. Aplicada a multa na forma da lei não pode ser considerada confiscatória, pois este juízo de admissibilidade já foi feito pelo poder legislativo quando da sua aprovação. Cabe a autoridade administrativa aplicar as determinações legais e zelar pelo cumprimento da obrigação tributária, respeitando o princípio da legalidade. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto nº. 70.325/72, acrescentado pela MP nº 449/2008. Ademais, consta da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. SUMULA CARF É devida e legal a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 300 8 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Pondo fim à discussão, o STF, em sede de repercussão geral, no julgamento do RE 582461/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, em 18/05/2011, decidiu ser legítima a incidência da Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. O contribuinte protestas por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de novos documentos e a oitiva de testemunhas, entretanto, até o momento do julgamento não concretizou o intento. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, discriminativo de débito, instrução para o contribuinte, fundamentos legais, relatório fiscal, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91, e demais dispositivos mencionados nos autos. Não há que se falar em falta de certeza e liquidez relativa aos valores lançados. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência das competências anteriores a 11/2000, inclusive. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 300DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006178/2006-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para esclarecimento de questões de fato quanto a: (1) dados cadastrais e demais informações existentes relativas às contas mantidas no MTB- Hudson Bank e (2) fontes pagadoras dos aluguéis objeto do lançamento e, eventual oferecimento dos valores ao fisco pelo cônjuge da autuada. Vencido o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. Designada a conselheira Maria Cleci Coti Martins para redação do voto vencedor. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Gustavo Froner Minatel OAB/SP 210198.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Redatora Designada.
EDITADO EM: 24/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10830.006178/2006-49
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5455200
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2101-000.202
nome_arquivo_s : Decisao_10830006178200649.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDUARDO DE SOUZA LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 10830006178200649_5455200.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para esclarecimento de questões de fato quanto a: (1) dados cadastrais e demais informações existentes relativas às contas mantidas no MTB- Hudson Bank e (2) fontes pagadoras dos aluguéis objeto do lançamento e, eventual oferecimento dos valores ao fisco pelo cônjuge da autuada. Vencido o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. Designada a conselheira Maria Cleci Coti Martins para redação do voto vencedor. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Gustavo Froner Minatel OAB/SP 210198. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator. MARIA CLECI COTI MARTINS - Redatora Designada. EDITADO EM: 24/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5896077
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705086853120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.006178/200649 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2101000.202 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de março de 2015 Assunto IRPF Recorrente CLARICE SZPIGEL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para esclarecimento de questões de fato quanto a: (1) dados cadastrais e demais informações existentes relativas às contas mantidas no MTB Hudson Bank e (2) fontes pagadoras dos aluguéis objeto do lançamento e, eventual oferecimento dos valores ao fisco pelo cônjuge da autuada. Vencido o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. Designada a conselheira Maria Cleci Coti Martins para redação do voto vencedor. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Gustavo Froner Minatel OAB/SP 210198. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora Designada. EDITADO EM: 24/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 06 17 8/ 20 06 -4 9 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 3 2 Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde a Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 1729.328 da 8ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 361/381), que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, mantendo crédito tributário exigido a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, no montante histórico de R$ 343.011,80, correspondendo a imposto R$118.072,29, multa agravada de 112,5% R$132.831,32, e os juros de mora R$92.108,19, calculados até 31/10/2006. Para melhor compreensão do caso em análise, se faz necessário transcrever algumas informações advindas do Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/51, in verbis: “2. INFORMAÇÕES PRELIMINARES 3. A presente ação fiscal decorre da CPI do BANESTADO e trata de operações em dólares efetuadas no MTBHudson Bank no ano calendário 2001 no montante de US$ 395.000,00 em conjunto com seu cônjuge IRINEU SZPIGEL, CPF n° 682.518.15800. Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0810400.2006 003690, objetivando analisar as informações obtidas pela Justiça Federal junto As autoridades do Governo dos Estados Unidos da América, as quais foram transferidas para a Receita Federal do Brasil, conforme breve histórico relatado a seguir: 4. Em 29/04/2004, em decisão no Processo n° 2004.70000082670, o Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba decretou a quebra do sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônica recebida da CPMI do Banestado, que, por sua vez, os receberam da Promotoria distrital de Nova York, relativamente As contas mantidas no MTBCBCHudson Bank, Safra Bank e Lespan. 5. No item 26 da mesma decisão, o Juízo autoriza, também, o compartilhamento de todos esses dados com a Receita Federal, Bacen e Coaf, para instruir as atividades especificas desses órgãos. 6. A documentação fora entregue ao Ministério da Justiça do Brasil pelo US. Department of Justice, Criminal Division, Office of International Affairs, atendendo a requisição do Governo Brasileiro, datada de 26 de novembro de 2.003, conforme expediente daquela unidade em 29 de janeiro de 2.004, após certificações de diversas autoridades daquele pais da origem da documentação relacionada ao caso. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 4 3 7. Em 16/12/2003, o juiz da Suprema Corte, Honorable John Cataldo, expediu o documento denominado "Order To Disclose" visando liberar a CPMI do Banestado e ao Ministério da Justiça provas e documentos havidos em investigações e procedimentos do Grande Júri conhecido como "International Money Loundering by John Doe". 8. Em 18 de fevereiro de 2.004, o Diretor da Secretaria Nacional de Justiça, Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça, através do Oficio n° 66/2004/DRCISNJMJ, acusa o recebimento dos documentos e os faz encaminhar ao Procurador da República no Estado do Paraná. 9. A fiscalizada realizou operações no MTBHudson Bank no anocalendário 2001 no montante de US$ 395.000,00 (trezentos e noventa e cinco mil dólares dos Estados Unidos da América). 10. Por meio do memorando SRRF08/DIFIS/EQPAF/467/2006 de 31/05/2006 foi encaminhado a SAPAC/DRF/CAMPINAS cópia do Memorando EEF/Port.463/2004 n°33/2006 de 24/04/2006 e de seus anexos com Representações fiscais em meio eletrônico contra contribuintes desta jurisdição, incluindo a contribuinte acima qualificada. 11. De acordo com o Memorando EEF/Port.463/2004 n°33/2006 de 24/04/2006, as representações fiscais em meio eletrônico foram obtidas na análise das "mídias" eletrônicas das contas Merchants, Lespan, Safra, e MTBHudson 12. A Cofis/Difis encaminhou CD com os dados obtidos em meio magnético referentes às operações efetuadas. A equipe especial de Fiscalização preparou relatórios em meio magnético com as operações efetuadas por cada contribuinte. Os relatórios de representação estão impressos. 13. Em 27/06/2005, foi elaborado o Laudo n° 1496/2005INC com a finalidade de identificar os responsáveis ( titulares ou procuradores ou representantes) pela conta n° 030101301, denominada KUNDO S.A., consolidar sua movimentação financeira, identificar o relacionamento com outras Pessoas Físicas e/ou Jurídicas investigadas, correntistas do Banestado — NI, Beacon Hill — NI, Merchantes Bank — NI, Safra — NI e Lespan. De acordo com este laudo, foram analisadas as ordens de pagamento, sob a forma de mídia digital, sejam recebidas (I e C) ou remetidas (0 e D) pela conta investigada N° 030101301, mantida no MTBCBCHUDSON BANK. Os principais campos existentes nessas ordens de pagamento são: • Account Number: número da conta que teve o sigilo afastado • Value data: data da operação • Dollar_amount: valor da transação expresso em dólares norteamericanos • IN Out: indica o tipo de transação "I" (ordens recebidas de outros bancos, "O" (ordens remetidas para outros bancos) "C" ordens recebidas de outras contas mantidas no MTB Bank ) e "D" (ordens remetidas para outras contas mantidas no MTB Bank) • Reference: número da transação gerada pelo respectivo sistema • Originador: pessoa física ou jurídica ordenante da transação • Original Bank: banco do qual se originou a ordem de pagamento recebida pelo MTB Bank • Instruction Bank: informações complementares do Original Bank Fl. 487DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 5 4 • Beneficiary Bank: instituição (banco ou empresa) intermediária da transação • Beneficiary Info: beneficiário final da transação • Senders aba num: número ABA do banco que remeteu os recursos • Senders name: nome do banco que remeteu os recursos • Receivers aba num: número do ABA do banco que recebeu os recursos • Other Bank Info: outras informações sobre a transação 14. Na representação da Sra. CLARICE SZPIGEL, consta que houve as seguintes movimentações financeiras, para a conta n° 30101301 no MTB, cujo beneficiário foi a conta KUNDO. DATA Nº CONTA Valor da movimentação em Dólares 14/03/2001 30101301 155.000,00 15/08/2001 30101301 240.000,00 15. De acordo com a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física exercício 2002, ano calendário 2001, não constam saldos de contas no exterior na Declaração de Bens da fiscalizada. 16. SUJEIÇÃO PASSIVA 17. As informações e os documentos disponibilizados para a Secretaria da Receita Federal foram obtidos por meio da quebra do sigilo bancário determinado pela Justiça Norte Americana, conforme relatado acima no item Informações Preliminares. O material remetido para as autoridades judiciárias brasileiras foi encaminhado ao Departamento da Policia Federal (força tarefa CC5), e posteriormente compartilhado com a Secretaria da Receita Federal que, através da Portaria n° 463/04, de 30 de abril de 2004, nomeou Equipe Especial de Fiscalização para a análise fiscal do material recebido, chegandose à conclusão que a fiscalizada efetuou transações financeiras entre instituições bancárias localizadas fora do Brasil, sendo uma destas instituições o Merchants Bank/NYC 18. A Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF nº 463/2004 apresentou duas Representações Fiscais contra a pessoa física CLARICE SZPIGEL, onde a mesma, juntamente com seu cônjuge IRINEU SZPIGEL, consta como remetente de duas operações totalizando US$ 395.000,00: Dados da representação eletrônica encaminhada Memo EEF/Port. 463/04 nº 33/2006 de 24/04/ Operações em que a contribuinte abaixo consta como remetente: Nome: CLARICE SZPIGEL CPF: 038.716.43831 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 6 5 Conta: KUNDO — Número: 30101301 1ª operação • Account_Number: número da conta que teve o sigilo afastado 30101301 • Value_data: data da operação 14/03/01 • Dollar_amount: valor da transação expresso em dólares norteamericanos 155.000,00 • IN_Out: indica o tipo de transação "I" (ordens recebidas de outros bancos, "0" (ordens remetidas para outros ancos) "C" ordens recebidas de outras contas mantidas no MTB Bank) e "D" (ordens remetidas para outras contas mantidas no MTB Bank) I • Reference: número da transação gerada pelo respectivo sistema 20010314B1Q8983C003683I • Original Bank : banco do qual se originou a ordem de pagamento recebida pelo MTB Bank AC606910832; 1RINEU SZPIGEL OR CLARICE SZPIGEL; I P.O. BOX 321 MIDTOWN STATION; NEW YORK 10018 • Instruction Bank: informações complementares do Original Bank ACZZEC1; EPIC NEW YORK (EC1); PI INTERFACE; INTL PRIVATE BANKING; NEW YORK NY • Beneficiary Bank: instituição (banco ou empresa) intermediária da transação ;;; • Beneficiary Info: beneficiário final da transação AC030101301; KUNDO • Senders_name: nome do banco que remeteu os recursos MARINE NYC • Receivers_name: nome do banco que recebeu os recursos CBC NY 2ª operação • Account_Number: número da conta que teve o sigilo afastado 30101301 • Value_data: data da operação 15/08/2001 • Dollar_amount: valor da transação expresso em dólares norteamericanos Fl. 489DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 7 6 240.000,00 • IN Out: indica o tipo de transação "I" (ordens recebidas de outros bancos, "O" (ordens remetidas para outros ancos) "C" ordens recebidas de outras contas mantidas no MTB Bank) e "D" (ordens remetidas para outras contas mantidas no MTB Bank) I • Reference: número da transação gerada pelo respectivo sistema 20010815B1Q8983C0037251 • Original Bank : banco do qual se originou a ordem de pagamento recebida pelo MTB Bank AC606910832; IRINEU SZPIGEL OR CLARICE SZPIGEL; I P.O. BOX 321 MIDTOWN STATION; NEW YORK 10018 • Instruction Bank: informações complementares do Original Bank ACZZEC1; EPIC NEW YORK (EC1); PI INTERFACE; INTL PRIVATE BANKING; NEY YORK NY • Beneficiary Bank: instituição (banco ou empresa) intermediária da transação ;;; • Beneficiary Info: beneficiário final da transação AC030101301; KUNDO • Senders_name: nome do banco que remeteu os recursos MARINE NYC • Receivers_name: nome do banco que recebeu os recursos CBC NY 19. A identificação dos contribuintes efetuada pela Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF nº 463, de 30 de abril de 2004, via de regra, obedeceu aos seguintes passos: a) Seleção dos campos da mídia eletrônica que foram pesquisados (Order Customer, ACC Party, Ult.Benef, details ofpayment, para BHSC); b) Leitura e pesquisa individualizada de cada um dos nomes que apareceram na mídia, nos sistemas da SRF (CPF, CNPJ); c) O nome foi identificado, positivamente, quando correspondeu a um só nome constante dos sistemas (sem homônimos, único no Brasil) ou quando, embora com homônimos, foi vinculado a um endereço, também constando da mídia, que era seu próprio ou de empresas a que estivesse vinculado; Fl. 490DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 8 7 d) Via de regra, quando houve homônimos, não foi efetuada identificação positiva, salvo quando outras informações constantes da mídia trouxeram a convicção necessária (endereços, nomes de esposas, filhos ou empresas); e) Quando as consultas aos sistemas da SRF não foram suficientes para firmar convicção, as pesquisas se estenderam à interne e companhias telefônicas, para checagem de endereços constantes da mídia. f) Em alguns casos, a identificação foi efetuada após diligência fiscal nos locais informados na mídia eletrônica, constando, nesses casos, relatórios sucintos da forma de identificação. 20. Conforme se pode verificar do sistema informatizado da SRF, na base CPF existe apenas uma CLARICE SZPIGEL, que conforme declaração de imposto de renda pessoa física é cônjuge de IRINEU SZPIGEL, CPF n° 682.518.15800, e ainda na base CPF existe apenas um IRINEU SZPIGEL. As telas dos referidos sistemas constituem o anexo I, II e III, e fazem parte do presente termo de verificação. 21. DO PROCEDIMENTO FISCAL 22. Da análise das informações repassadas pela Justiça Federal, constatouse que, no ano de 2001, a fiscalizada efetuou transações financeiras no exterior, através da instituição bancária MTB HUDSON BANK. As transações referemse a valores em que a fiscalizada foi ordenante, nas datas e valores a seguir discriminados: DATA Nº CONTA Valor da movimentação em Dólares 14/03/2001 30101301 155.000,00 15/08/2001 30101301 240.000,00 23. A contribuinte acima identificada, programada regularmente para fiscalização conforme Mandado de Procedimento Fiscal, não foi localizado no endereço fornecido a Secretaria da Receita Federal como sendo o de sua residência. 24. Em 14/08/2006, foi enviado, com AR (Aviso de Recebimento), Termo de Inicio de Fiscalização à RUA CANDIDO BUENO, n° 912, 2° PISO CENTRO, JAGUARIUNA SP — CEP 13820000, endereço constante da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física/2006, tendo a correspondência sido devolvida com a justificativa "MUDOUSE". 25. Visando localizar a contribuinte acima identificada, pesquisei nos sistemas informatizados da Receita Federal e constatei que a mesma recebe rendimentos tributáveis da empresa ENGRATECH TECNOLOGIA EM EMBALAGENS PLÁSTICAS S/A, CNPJ n° 05.825.478/000174, endereço a Rua Iguatemi, 448, 5º Andar, CJ 502, 504, 506, 508, 510, ITAIM BIBI São Paulo, CEP 01451010, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física exercício 2005. 26. Identificado o seu endereço profissional, tentei, via telefone 01137043714, contato, tendo sido atendida pela Sra. Erica, que me informou que a Sra. Clarice não Fl. 491DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 9 8 estava e que a pessoa que poderia me fornecer o telefone da mesma era a Sra. Daniela. Após várias tentativas de falar com a Sra. Daniela, consegui falar com a mesma no dia 25/08/06 aproximadamente às 08:00 e pedi que a Sra. Clarice entrasse em Contato com a Receita Federal, mas a referida atendente preferiu impedir o acesso a fiscalizada, alegando que não acreditava ser telefonema da Secretaria da Receita Federal, mesmo quando lhe forneci o telefone da DRF/Campinas para ligação de retorno da Sra. Clarice Szpigel. 27. Dispõe o art. 28, parágrafo 3°, do RIR/99 (aprovado pelo Decreto 3000/99), in verbis: “§ 2º Quando se verificar pluralidade de residência no Pais, o domicilio fiscal será eleito perante a autoridade competente, considerandose feita a eleição no caso da apresentação continuada das declarações de rendimentos num mesmo lugar (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 171, § 2º). § 3º A inobservância do disposto no parágrafo anterior motivará a fixação, de oficio, do domicilio fiscal no lugar da residência habitual ou, sendo esta incerta ou desconhecida, no centro habitual de atividade do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 171, § 3º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 127, inciso I)." (grifei) 28. Assim, em 28.08.2006, enviei via correio, com A.R., para o endereço da empresa Engratech, onde a contribuinte Clarice Szpigel trabalha, intimação para que a Senhora CLARICE SZPIGEL comparecesse ou fizesse contato com a Receita Federal em Campinas, para tomar ciência de procedimento fiscal de seu interesse. 29. Contudo, mesmo sendo funcionária da referida empresa, a correspondência da Secretaria da Receita Federal a ele dirigida foi recusada, e o correio a devolveu apontando o nome da pessoa que manifestou a recusa. 30. A pessoa que se recusou a receber a correspondência dirigida ao fiscalizado, foi identificada como Tais. 31. Em nova tentativa de dar ciência do Termo de Inicio de Fiscalização, compareci, em 30.08.2006, ao endereço da empresa ENGRATECH SÃO BERNARDO TECNOLOGIA EM EMBALAGENS PLÁSTICAS S/A, CNPJ 05.248.082/000101, com sede em São Bernardo do Campo — SP, e filial no Município de Jaguariúna, na Av. Armando Mario Tozzi, 363, Bairro Santa Úrsula, da qual seu cônjuge IRINEU SZPIGEL é sócio, e onde fui atendida pelo Senhor Manoel José Bueno, CPF 024.828.57856, que alegou que o Sr. Irineu não estava na empresa. 32. Nessa ocasião foi deixado recado e telefone para que o Sr. Irineu e sua esposa Clarice entrassem em contato com a Receita Federal para tomar ciência de procedimento fiscal de seu interesse. 33. Finalmente, em 31.08.2006, via telefone, uma pessoa identificouse como Antônio Carlos Picolo, alegou ser procurador da fiscalizada e agendou data para tomar ciência da fiscalização. 34. Em 04.09.2006, mediante procuração, a fiscalizada tomou ciência do Termo de Inicio de Fiscalização e foi INTIMADA a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os esclarecimentos, informações e/ou documentos a seguir especificados: Fl. 492DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 10 9 1. Comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos, na qualidade de ordenante, no Banco MTB HUDSON BANK, conforme discriminados a seguir: DATA Nº CONTA Valor da movimentação em Dólares 14/03/2001 30101301 155.000,00 15/08/2001 30101301 240.000,00 2. Apresentar os comprovantes de Rendimentos auferidos/recebidos no ano calendário 2.001, com os respectivos recolhimentos/pagamentos de Imposto de Renda na Fonte; 3. Esclarecer e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, se os valores das transações bancárias discriminadas estavam sujeitos e se foram oferecidos à tributação. 35. Nesta mesma ocasião, recebeu, por meio de seu procurador, o Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.04.002006.003690 e a seguinte documentação obtida por determinação judicial, referente às conclusões dos trabalhos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Banestado: 1) Oficio n° 0015/05FTCC5 2) Conclusão do processo n° 2004.70000082670 3) Oficio n° 0123/2004CPMI "BANESTADO" 4) Relatório elaborado pela equipe especial de fiscalização referente ao CPF 038.716.43831. 36. Em 22.09.2006, a fiscalizada entregou na DRF/CAMPINAS, no serviço de protocolo, uma petição onde alega, em síntese, que: 1 Por ser pessoa física não mantém escrituração de sua movimentação financeira; 2 Não se lembra de cada uma das operações financeiras que porventura tenha realizado; 3 Não tem registro das operações listadas pela fiscalização no MTB HUDSON BANK; 4 Nunca manteve conta bancária no MTB HUDSON BANK; 5 Desconhece a origem das informações em poder do Fisco que possibilitaram a elaboração dos documentos que foram apresentados; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 11 10 6 Diante do desconhecimento da origem das informações em poder do Fisco, requer que a repartição disponibilize o seu acesso ao dossiê ou qualquer outro documento que esteja em poder da fiscalização; 7 Que em relação ao item 2 do Termo de Inicio de Fiscalização, está apresentando parte dos elementos solicitados; 37. Em relação ao item 3 do Termo de Inicio de Fiscalização, nada alegou. 38. Nesta mesma data, a fiscalizada requer que todas as intimações sejam remetidas no endereço: Avenida Armando Mário Tozzi, n° 363, Jardim Santa Ursula em JaguaritinaSP. 39. Analisando as alegações da fiscalizada, fica evidenciada a tentativa de fugir de tema central e objetivo da ação fiscal que é a movimentação financeira efetuada no exterior, pela fiscalizada. 40. A referida movimentação financeira está devidamente identificada e documentada e cuja origem é, inclusive, assunto de domínio público, pois foi objeto de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, amplamente divulgada pela mídia. 41. Contudo, esclareço mais uma vez a fiscalizada, respondendo, a seguir, a cada uma das suas alegações: 1 A fiscalização não pediu escrituração fiscal de movimentação financeira da fiscalizada, o que de fato, na condição de pessoa física, ela não está obrigado por lei a fazer. Por outro lado, mesmo que tivesse feito, espontaneamente, a tal escrituração, a mesma não teria valor probante, pois a comprovação da origem e movimentação de valores se faz com documentos hábeis e idôneos e não com escrita efetuada pela interessado; 2 Também não foi solicitado à contribuinte que "lembrasse" de suas operações bancárias. Foram pedidos, sim, esclarecimentos e comprovações referentes origem dos recursos que comprovadamente movimentou nas duas operações especificadas e identificadas, com datas e valores; 3 Os registros de suas operações foram fornecidos juntamente com o Termo de Inicio de Fiscalização. 4 Também não foi solicitada a confirmar se possui conta MTB HUDSON BANK, pois a sua relação com o referido banco estrangeiro está documentada. 5 Quanto à origem das informações em poder do Fisco, o histórico da obtenção das mesmas está inserido nos documentos que lhe foram fornecidos. 6 Está demonstrado que a contribuinte tem conhecimento das informações em poder do fisco, entretanto essas mesmas informações estarão à sua disposição também no processo fiscal que será formalizado na conclusão da presente fiscalização. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 12 11 42. Com o objetivo de verificar se dispunha de recursos para a saída de tal numerário, a fiscalizada foi intimada, em 28/09/2006, a: a) informar e comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, os elementos especificados abaixo, com detalhamento mensal, referentes aos anos calendários 2001: 1 rendimentos tributáveis, isentos e tributados exclusivamente na fonte percebidos pelo(a) epigrafado e seu(s)s dependente(s); 2 aquisição(ões) e alienação(ões) de bens e direitos; (...) 18 dispêndios efetuados com telefone fixo 19 dispêndios efetuados com telefone celular 20 dispêndios efetuados com conta de água 21 dispêndios efetuados com conta de luz 22 dispêndios efetuados com seguro de carro 23 dispêndios efetuados com assinatura de jornais e revistas 24 dispêndios efetuados com empregados domésticos 25 dispêndios efetuados com seguro de vida b) Apresentar, cópias autenticadas dos contratos de compra e venda de imóveis, bem como reserva de usufruto, realizados no ano calendário 2001, referentes aos imóveis situados a rua prof. Artur Ramos nº 350 e rua 55, n°11, Guarujá/SP. 43. Em atendimento a intimação lavrada em 28/09/2006, a fiscalizada em 11/10/2006, com relação aos itens abaixo, afirma que por ser pessoa física não mantem escrituração de sua movimentação financeira e, portanto, não possui as informações solicitadas: a) pagamentos efetuados a titulo de Cando de Crédito; b) pagamentos e doações efetuados (despesas médicas e/ou hospitalares, pensão alimentícia judicial, advogados, engenheiros, etc); c) dispêndios efetuados com IPTU (...) Fl. 495DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 13 12 n) dispêndios efetuados com assinatura de jornais e revistas o) dispêndios efetuados com empregados domésticos p) dispêndios efetuados com seguro de vida 44. A fiscalizada informou que recebeu doações de seu marido Sr. Irineu Szpigel no ano calendário 2001 no valor de R$ 55.000,00. 45. Na mesma data a fiscalizada apresentou as escrituras de compra e venda dos imóveis situados a rua Prof. Artur Ramos nº 350 e rua 55, n°11, Guarujá/SP. 46. Para que a fiscalizada ordenasse transações financeiras, era necessário que tivesse disponibilidade de recursos financeiros. A disponibilidade de recursos, independentemente de sua denominação, origem e do local onde se encontre, caracteriza rendimentos passíveis de tributação, nos termos do art. 43 caput e parágrafo 1° e art. 45 do CTN. 47. Tendo em vista que a fiscalizada não apresentou qualquer elemento que demonstrasse a origem dos recursos movimentados ou prova de que os mesmos foram submetidos a tributação anteriormente, foi elaborado o Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001, considerando os dados constantes da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2002, da Declaração de Imposto Retido Fonte DIRF, ano calendário 2001 e as operações financeiras realizadas no exterior. 48. Quanto aos dispêndios no exterior foi utilizado a metade, (50% cinqüenta por cento), do valor cuja movimentação foi ordenada simultaneamente com seu esposo, convertido em reais de acordo com a IN/SRF/73/98. 49. Na falta de maiores informações foram consideradas aquelas que mais favoreceram a fiscalizada, isto é, na falta de mais elementos foram lançados no mês de janeiro os recursos / origens recebidos e lançados no mês de dezembro os dispêndios / aplicações efetuados no referido ano calendário analisado. 50. Em 26/10/2006, a fiscalizada foi intimada a: a) Analisar a Planilha Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001, apontando eventuais incorreções e, se for o caso, distribuir corretamente os valores nela contidos durante o anocalendário; b) Caso haja correções a serem consideradas, apresentar documentação, hábil e idônea, comprobatória das modificações anotadas. 51. A Planilha a Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001, encontrase no anexo III e faz parte do presente termo de verificação. 52. Em 14/11/2006, em atendimento a fiscalização, a contribuinte informa: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 14 13 a) não mantém escrituração de sua movimentação financeira b) a intimação e planilha apresentadas pela fiscalização não trazem o critério utilizado para seu preenchimento c) que não foram utilizados os rendimentos isentos e os tributados exclusivamente na fonte das instituições financeiras. d) Que a contribuinte presume que os valores com a rubrica "dispêndio no exterior" referemse aos valores em dólares relacionados no Termo de Inicio de Fiscalização. e) Que a contribuinte desconhece as operações listadas pelo fisco. 53. Diante das alegações da contribuinte a Planilha Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001 foi revista, nada tendo sido adicionado uma vez que a fiscalizada não declarou os rendimentos isentos e rendimentos tributados exclusivamente na fonte na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física — DIRPF, exercício 2002. O rendimento isento no valor de R$ 55.000,00 referente à doação de IRINEU SZPIGEL, já constou da planilha apresentada à fiscalizada. 54. A conversão das transações financeiras ("dispêndios no exterior"), ocorridas em moeda Dólar dos Estados Unidos da América, foi efetuada para moeda Reais do Brasil de acordo com INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF n° 41, de 19 de abril de 1999, por ser mais adequada aos fatos e ainda mais favorável à fiscalizada. Assim, foi abandonada a conversão pela IN SRF 73/98. 55. A Planilha a Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001, encontrase no anexo IV e faz parte do presente termo de verificação. (...) 59. Tendo em vista que as transações foram efetuadas, pela fiscalizada, em conjunto com seu cônjuge IRINEU SZPIGEL, que apresentaram declarações de rendimentos em separado e que não comprovaram, com documentação hábil e idônea, as origens de recursos, foi considerado como disponibilidade de renda para cada um 50% do valor das movimentações realizadas nas datas mencionadas. 60. Os valores ordenados pela fiscalizada foram expressos em Dólar dos Estados Unidos da América, os quais foram convertidos para a moeda corrente nacional (Real) conforme regra estabelecida na IN SRF n 2 41, de 19 de abril de 1999: INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF n° 41, DE 19 DE ABRIL DE 1999. "Art. 1°. Para fins de determinação da base de cálculo dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o valor em reais das transferências do e para o exterior será apurado com base na cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si." Fl. 497DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 15 14 61. DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 62. Com base nos elementos acima descritos foi elaborada Planilha a Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001, em anexo, que faz parte do presente termo. 63. Demonstrouse pelas planilhas a existência de sinais exteriores de riqueza/ gastos incompatíveis com a renda disponível nos seguintes meses, sendo que referido valor será tributado: MÊS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO mar/01 128.198,80 ago/01 280.150,69 TOTAL 408.349,49 64. Da análise e pesquisas efetuadas nos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal (DIRF, informações prestadas pelas fontes pagadoras) verificouse que na DIRPF/2002 não consta o rendimento tributável de aluguel recebido no montante de R$ 34.593,38, com Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 5.193,13, de Lojas Arapuá, CNPJ 00.354.053/000100. Motivo pelo qual referido rendimento foi adicionado aos rendimentos tributáveis da DIRPF/2002. 65. lançamento de acordo com os artigos 835 e 841 do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3000/99. 66. Os valores totais apurado acima foram incluídos na Declaração de Ajuste Anual do IRPF/2002 como rendimento tributável, resultando em Imposto de Renda a Pagar conforme demonstrado na Minuta de Cálculo a seguir apresentada: 67. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO 68. Agravase a penalidade, na forma do art. 44, parágrafo 2°, da Lei 9460/96, quando em procedimento de oficio a contribuinte deixa de atender a solicitação da Fl. 498DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 16 15 Autoridade Fiscal, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e outras fontes de informações. 69. O fiscalizado não foi localizado no endereço fornecido à Secretaria da Receita Federal como sendo o de sua residência. 70. Procurado nas empresas das quais é sócio recusou recebimento de correspondência expedida pela Receita Federal por meio de seus subordinados. 71. Regularmente intimado a apresentar informações sobre os saldos bancários no inicio e final de cada mês do período fiscalizado, recusouse a fazêlo, alegando não estar obrigada a manter escrituração de sua movimentação financeira. 72. Regularmente intimado não informou nem apresentou qualquer elemento relativo aos dispêndios no ano calendário 2001. 73. Considerando a dificuldade na localização da fiscalizada, bem como o não fornecimento de informações que poderia ter obtido junto As instituições financeiras agravo a multa de oficio para o percentual de 112,5%. 74. CRÉDITO TRIBUTÁRIO 75. Diante dos fatos descritos, foi lavrado Auto de Infração para cobrança do crédito tributário, decorrente das infrações constatadas: Acréscimo Patrimonial a Descoberto/Sinais Exteriores de Riqueza e Omissão de Rendimento recebido de Pessoa Jurídica, do qual este Termo passa a fazer parte integrante. 76. A presente ação fiscal restringiuse a análise das informações extraídas da documentação repassada pela Justiça Federal, relativamente As transações financeiras ocorridas no exterior no ano de 2001. Fica, portanto, ressalvado o direito de a Fazenda Nacional fazer verificações posteriores e cobrar o que for devido em razão dos fatos, circunstâncias e elementos não verificados e/ou não conhecidos nesta oportunidade; 77. E, para constar e surtir seus efeitos legais, lavramos o presente termo, em 03 (três) vias de igual teor, assinado pelo(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal, cuja ciência e cópia do contribuinte se dará via postal, por Aviso de Recebimento (AR).” Nesses termos, segundo disposto no Auto de Infração de fls. 13/19, a Contribuinte teria cometido as seguintes infrações tributárias: 001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS 002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA Fl. 499DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 17 16 Diante da Autuação foi apresentada Impugnação cujos argumentos trazidos foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Lavrado o Auto de Infração, a contribuinte foi cientificada em 14/12/2006 (fls. 06), apresentando a defesa de fls. 140/172: A contribuinte repete as alegações tecidas durante o procedimento fiscal. Com efeito, assevera que: * A documentação não conteria qualquer comprovação de eventual solicitação, feita pela contribuinte, para realização de transações financeiras fora do pais. Apesar de solicitado, não lhe teria sido disponibilizado o dossiê da Receita Federal do Brasil, para que pudesse averiguar porque seu nome consta como ordenante de operações desconhecidas. Aduz também que não haveria registro do nome da contribuinte no Laudo de Exame EconômicoFinanceiro e, portanto, faltaria comprovar que as operações apontadas foram ordenadas pela contribuinte. * Nulidade do procedimento porque está apoiado em informações oriundas de processo judicial do qual a contribuinte não é parte. Valor relativo da prova emprestada. Afirma que o trabalho fiscal teve inicio e fim com a prova emprestada. * Equivoco na apuração individualizada de acréscimo patrimonial referente a patrimônio comum, já que a contribuinte é casada em regime de comunhão universal de bens. A despeito de apresentar Declarações de Ajuste Anual em separado, os bens do casal constam na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. * Aduz a contribuinte que inexistiria omissão de rendimentos de aluguéis, sendo que o montante de R$ 34.593,38 estaria incluso no total de R$ 65.035,56 declarados por seu marido. * Impossibilidade de agravamento da multa, pois a contribuinte deveria ter sido intimada no endereço fornecido quando da entrega da D1RPF de 2006. * Indevida cobrança de juros sobre a multa de oficio.” (fls.367). Atentando aos argumentos de defesa e às provas colacionadas nos autos, a 8ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em São Paulo II (SP) proferiu decisão que restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. BENS COMUNS. Os rendimentos comuns produzidos por bens ou direitos, cuja propriedade decorra do regime de casamento (comunhão universal) podem ser tributados em separado na proporção de cinquenta por cento do total dos rendimentos para cada consorte. Artigo 4°, II e parágrafo único da IN SRF nº 15/2001. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 18 17 PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É licito ao Fisco federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Artigo 332 do CPC. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO POR NÃO ATENDIMENTO DAS INTIMAÇÕES. Cabe o agravamento da multa de oficio, por não atendimento das intimações, quando resta caracterizado o descaso da contribuinte para com a fiscalização ou o descumprimento proposital das solicitações. Artigo 44 da Lei n° 9.430/96 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita á incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Artigos 113, § 1°; 139; e 161, do CTN. Lançamento Procedente” No Recurso Voluntário disposto às fls. 409/469, a Recorrente repisou suas argumentações de Defesa, insistindo na nulidade do procedimento fiscal, diante do erro da metodologia aplicada para verificação do acréscimo patrimonial, em face do patrimônio único do casal que apenas ofertava Declarações em separado, devendo ser considerado os bens e direitos declarados pelo seu cônjuge, assim como todos os dispêndios do casal. Ressalta a necessidade de apresentação de provas do ilícito fiscal, e ainda a impossibilidade de produção de prova negativa, tanto quanto questiona o valor da prova emprestada apropriada nos autos. Alega o cerceamento do direito de defesa, decorrente da indisponibilização do dossiê tido pela DRF local, da indisponibilidade das provas da acusação e da utilização de documentos em língua estrangeira. Levanta a tese de que somente após a apuração do patrimônio comum, confrontandose os efetivos recebimentos com os efetivos desembolsos, é que o Fisco pode verificar se houve ou não acréscimo patrimonial. Defende a inexistência de omissão de rendimentos dos valores de alugueis, porquanto os respectivos valores teriam sido declarados pelo seu cônjuge. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 19 18 No mais, reforça a inexistência de motivações para o agravamento da multa, e impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa, para ao final requerer a decretação da nulidade do Auto de Infração, ou, subsidiariamente, a improcedência da equivocada exigência fiscal. Distribuído o feito para nossa Relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em princípio, conforme se verifica nos autos, importa salientar que na Impugnação e no Recurso Voluntário em julgamento, a Contribuinte/Recorrente se esforça em arguir a inexistência de provas que confirmem sua participação no envio de recursos para o exterior. No caso, alega inexistir qualquer registro de requisição ou ordem feita pela Recorrente para a realização de transações financeiras no exterior, muito menos a prova da movimentação de recursos, não justificando a presunção adotada pela r. fiscalização. Afirma que a única "prova" utilizada pelo Fisco para lavratura do auto de infração é um relatório interno, gerado pela própria Coordenação de Fiscalização da Receita Federal do Brasil, que aponta a Recorrente como ordenante das operações investigadas. Nesse sentido, dispõe que, além deste documento apresentarse extremamente parcial, apenas atesta com base nos dados obtidos da CPMI do Banestado, que a Receita Federal do Brasil "concluiu" a titularidade das operações, por meio das informações colhidas. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 20 19 Ocorre que tal "conclusão" não possuiria qualquer respaldo fático, e sequer jurídico, uma vez que a Recorrente nunca foi investigada por qualquer CPMI, e tampouco é parte no processo judicial em que se autorizou o compartilhamento das informações com outros órgãos. De fato, uma análise cuidadosa nos documentos acostados aos autos, fica evidente que em nenhum momento foram juntados aos autos documentos que confirmassem a investigação da Recorrente por meio de CPI, muito menos sua participação no ilícito apontado. No caso, o Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.04.002006.003690 que findou no presente lançamento fiscal decorreu de documentação obtida por determinação judicial, referente às conclusões dos trabalhos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Banestado, em que se observa: 1) Oficio n° 0015/05FTCC5 (fls. 71/73 e 109/111) 2) Conclusão do processo judicial n° 2004.70000082670 (fls. 75/83 e 113/121); 3) Oficio n° 0123/2004CPMI "BANESTADO" (fls. 69 e 107) Ocorre que em nenhum destes documentos há sequer citação do nome da Recorrente como investigada ou responsável por alguma situação censurável. Vale destacar que o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro, de nº 1496/2005, juntado aos autos (fls. 251/273), onde foram identificados os responsáveis (titulares ou procuradores ou representantes) pela movimentação financeira da conta corrente da KUNDO S/A n° 030 101301, não aponta em nenhum momento algum indício de participação da Recorrente nas atividades questionadas pela fiscalização. Por sua vez, o denominado “Relatório elaborado pela equipe especial de fiscalização referente ao CPF 038.716.43831” – da Recorrente, não consta nos autos, mas apenas supostamente algumas páginas do mesmo. Assim, os únicos elementos de prova que relacionam a Recorrente aos fatos examinados estão dispostos nas fls. 85, 87 e 89, repetidos nas fls. 101, 103 e 105, que, repita se, supostamente são advindas do conclamado Relatório da Equipe Especial de Fiscalização. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 21 20 Pior é que tais páginas apenas indicam valores e o nome da Recorrente e de seu esposo, dispostos numa folha apresentada como espécie de formulário, não conferindo qualquer indicação da origem, quais as provas colhidas que serviram de fundamento, elementos de convicção ou qualquer outro subsídio a confirmar os dados lançados. Por outro lado, atentese que a tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está fundada nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: “Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” (grifamos) Fl. 504DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 22 21 Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda disposto no Decreto nº 3.000/1999, prevê expressamente: “Art.55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...) Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86.” Avultam das normas transcritas que o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, incidirá sobre o acréscimo patrimonial, compreendido como rendimento bruto do Contribuinte, que não corresponda ao seu rendimento declarado. E a presunção legal da omissão de rendimentos representada pelo acréscimo patrimonial a descoberto, decorre da constatação lógica de que ninguém aumenta seu patrimônio sem a obtenção dos recursos para isso necessários. Neste sentido, para que seja desconstituída a presunção fiscal, cabe ao Contribuinte/Fiscalizado justificar o acréscimo patrimonial verificado, com provas e/ou documentos satisfatórios, que apontem a disponibilidade financeira por meio de rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis ou, ainda, tributáveis exclusivamente na fonte. Não obstante, embora seja ônus do contribuinte desconstituir o lançamento fiscal com documentos hábeis e idôneos, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária –, eis que a realidade fática anunciada no presente procedimento fiscal, em razão da acusação da contribuinte em remeter valores para o exterior, aponta para uma solução diferente quanto à produção de provas visando afastar a presunção fiscal. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 23 22 É que, em nenhum momento foram juntados aos autos provas da saída de recursos financeiros da Contribuinte/Recorrente para o exterior. A bem da verdade, para a compreensão do caso, vale destacar que o art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. Vejamos a letra da lei: “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” A bem da verdade, o direito brasileiro consagra a possibilidade de uso da prova indiciária. Entretanto, no caso de uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os rudimentos de prova juntados, tratando de articulálos de forma tal a demonstrar a inequívoca conduta ilícita do contribuinte. Se a congruência dos elementos de prova existentes não resultar o possível resultado afirmado pelo agente fiscal, não restará força probatória para a acusação por falta de elementos de convicção. No caso, avultam dos autos, mais categoricamente descrevido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/51, que a Contribuinte/Recorrente foi intimada mais de uma vez a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas bancárias mantidas no exterior. E a Contribuinte/Autuada em suas manifestações, se resumia a afirmar desconhecer as transferências bancárias. Diante da ausência de resposta plausível da Fiscalizada, mas também deixando de atentar à falta de documentação existente nos autos, a Fiscalização lavrou o Auto de Infração de fls. 13/19, considerando ter havido omissão de rendimentos em face de acréscimo patrimonial a descoberto, além de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas – alugueis, que não foram ofertados a tributação. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 24 23 Contudo, pelo escorço fático, as alegações de nulidade da exigência fiscal quanto a suposto acréscimo patrimonial decorrente do envio de recursos para o exterior, em razão de suposta ausência de provas, merecem acolhimento. Ora, do exame dos documentos que compõe o processo verificase que o nome da Contribuinte/Recorrente somente é mencionado nos formulários trazidos nas fls. 85, 87 e 89, repetidos nas fls. 101, 103 e 105, supostamente elaborados pela Equipe Especial de Fiscalização, sem que haja nenhuma informação, narrativa ou dado concreto da conformação do envio dos valores dispostos nas citadas páginas. Na verdade, inexiste qualquer documento que comprove a ordem ou o comando do envio de numerários para a Conta corrente analisada no exterior. Tanto assim que nos documentos oriundos da Justiça Federal e no Laudo Pericial juntado aos autos, o nome da Contribuinte/Recorrente, não é mencionado sequer uma única vez. Além disso, o denominado “Relatório elaborado pela equipe especial de fiscalização”, constituída por Portaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil, apesar de não existente nos autos, se estiver desacompanhado de elementos contundentes, por si só não é prova suficiente de que a Recorrente tenha realizado a operação ali indicada. Presumese que as informações constantes do referido Relatório elaborado pela Equipe Especial de Fiscalização foram extraídas das planilhas eletrônicas recebidas das autoridades americanas, nas quais constam os movimentos das contas e subcontas administradas ou mantidas no Banestado, Beacon Hill, Merchants Bank, Safra e Lespan, em face de ordens de pagamento recebidas ou remetidas para a conta investigada n° 030101301, mantida no MTBCBCHUDSON BANK. Acreditase, portanto, na possibilidade do nome da Recorrente ter sido mencionada como ordenante da remessa de recurso ao exterior, nos documentos encaminhados ao governo brasileiro pelas autoridades americanas, de modo que conformam indícios da realização da remessa de recurso indicada no Auto de Infração. No entanto, tais fatos são apenas indiciários. Não se pode descartar a possibilidade de uso indevido do nome do contribuinte, apenas pelo fato da inexistência de homônimos nos registros dos nomes nacionais. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 25 24 Vale ressaltar que não foram acostados aos autos documentos assinados pela Recorrente ou mesmo fornecidos por instituições financeiras brasileiras ou americanas, os quais lhe indicassem como ordenante de recursos ao exterior. Deste modo, o nome da Recorrente aparece apenas nas folhas dos formulários juntados ao feito, sem que haja nenhuma prova contundente ou no mínimo esclarecedora da realidade material levantada nos autos. Desta forma, temse que os elementos trazidos pela autoridade fiscal aos autos não são suficientes para comprovar, de forma inequívoca, que a Recorrente realizou as remessas de recursos ao exterior, de modo que tais valores – correspondentes à remessa de recursos ao exterior, devem ser excluídas do demonstrativo de variação patrimonial a descoberto. Neste sentido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003, 2004 (...) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS AO EXTERIOR. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. MULTA DE OFÍCIO 75%. LANÇAMENTO EM NOME DE HERDEIROS. INAPLICABILIDADE. Conforme legislação vigente, o lançamento não comporta multa de ofício de 75% quando o crédito tributário é constituído em nome dos herdeiros após a homologação da partilha. Recurso Voluntário Provido em Parte” (Acórdão nº 2102 002.833, Processo nº 18471.000065/200759, Redatora Designada Conselheira Núbia Matos Moura, 2ª TO/ 1ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 02/06/2014 grifamos) Destaquese, ainda, que exigir que a Recorrente trouxesse aos autos documentos que atestassem o não envio ou a existência de recursos que justificassem a remessa ao exterior, equivale a exigir a apresentação de prova negativa ou confissão fática, sendo certo que não se pode esquecer que o ônus da prova, quando da imputação de infração de omissão de Fl. 508DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 26 25 rendimentos, é da autoridade fiscal. Ou seja, não é o caso de o contribuinte ter que provar que não fez a remessa de recursos para o exterior e sim de a autoridade fiscal demonstrar, de forma inequívoca, que a remessa foi realizada pelo contribuinte. Nestes termos, voto por excluir a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, do anocalendário de 2001, exercício 2002, quanto a remessa de recursos ao exterior, no valor definido no Termo de Verificação Fiscal, desconstituindo o lançamento fiscal referente. Por outro lado, quanto a consideração das provas produzidas pela Contribuinte/Recorrente em relação ao recebimento de alugueis e suas consequências no crédito tributário lançado, sua postura não pode prevalecer. De fato, restaram omitidos os valores recebidos a título de aluguel relativos ao imóvel locado a Lojas Arapuã, com CNPJ/MF nº 00.354.053/000100, porquanto não há provas de que foram ofertados a tributação. E a tese de que tais valores foram lançados a tributação na Declaração de Ajuste de seu esposo (fls. 340), não se sustenta diante da divergência entre os números de CNPJ/MF das Fontes Pagadoras (CNPJ/MF nº 51.655.637/000157) , assim como dos valores totais referentes. A Recorrente também insurgiuse contra a aplicação da multa agravada, por entender que não cometeu qualquer ato que justificasse o agravamento imputado. De fato, a multa agravada aplicada no auto combatido resta prevista na Lei nº 9.430/96, nos seguintes termos, conforme texto vigente na data da autuação: “Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) Fl. 509DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 27 26 IIcento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) a) prestar esclarecimentos; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)” Da análise dos autos e de todo seu conjunto probatório, em que pese a tentativa de interpretação dada aos fatos pela Recorrente, entendo que a opção da contribuinte em se furtar a apresentar quaisquer documentos referentes às suas operações financeiras, comprovantes de rendimentos, pagamentos efetuados e dispêndios em seu nome, arriscando encobrir alguma disponibilidade econômica, figuram no mínimo como tentativa de negar a prestação de esclarecimentos solicitados pela Fiscalização. A meu ver, sua recusa mostrase ainda mais injustificada quando observamos que a Recorrente poderia prestar as informações solicitadas (quanto a movimentação financeira, origem de seus recursos, comprovação de seus dispêndios), porquanto, em tese, apenas fariam prova contrária à alegativa de remessa de recursos ao exterior, destacando a verdade fática e jurídica evidenciada pela ausência de provas neste sentido por parte da Fiscalização Tributária, durante todo o procedimento fiscal. Neste sentido, conformando hipótese de não atendimento pelo sujeito passivo, dos esclarecimentos solicitados pela Fiscalização, entendo que deva ser mantida a multa agravada de 112,5%, estabelecida no art. 44, § 2º, “a” da Lei nº 9.430/96, nos termos do texto vigente a época do lançamento fiscal. A Recorrente também pretende afastar a incidência de juros sobre a multa aplicada, ao entendimento de que as sanções devem ser aplicadas ao sujeito passivo para combater a impunidade, não havendo que se falar em acréscimos moratórios sobre a mesma, porquanto somente será devida a partir da decisão definitiva, que trará a certeza da infração sobre a qual deverá recair a penalidade prevista na legislação. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 28 27 Sobre a matéria, importa destacar que a multa de ofício não está inserida no conceito de tributo (art. 3° do CTN), apesar do § 1º do art. 113 do CTN, reconhecer que possui a mesma natureza da obrigação tributária. Na letra da lei: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” (grifamos) No mesmo sentido aponta o artigo 139 do CTN: “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Contudo, quanto a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício arbitrada pela fiscalização, não se pode ignorar a disposição legal trazida no artigo 61, § 3º da Lei 9.430/96, que prevê expressamente: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” Ou seja, o legislador ordinário estabeleceu que os juros moratórios incidirão sobre o “débito”, conceito utilizado com distinção e especificidade pelo legislador, para autorizar a aplicabilidade da Taxa Selic (§ 3º do art. 5º da Lei nº 9.430/96). E este CARF já pronunciou entendimento de que o referido “débito” corresponde ao direito subjetivo da Fazenda exigir do sujeito passivo o cumprimento da Fl. 511DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 29 28 obrigação tributária, que nos termos do Código Tributário Nacional (art. 3º), tem como pressuposto a licitude do fato subsumido à materialidade da regra matriz de incidência. Em sentido diverso, a multa decorre do descumprimento do ato lícito, exigido por lei, e não se confunde com o crédito tributário em sentido estrito, mesmo que possua a mesma natureza jurídica. Nesse contexto é que o CTN, em seu art. 161 (caput) prevê que sobre o valor devido a título de tributo incidirão juros moratórios, independentemente da aplicação de qualquer medida sancionatória que possa incidir cumulativamente sobre o débito. Tal conformação impõe a conclusão da não incidência de juros sobre a penalidade imputada pelo descumprimento da ordem tributária. Neste sentido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 (...) JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9.430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1º, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art. 161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora.” (Acórdão nº 2202002.571, Processo nº 19515.003398/200587, Relator Cons. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ªSEJUL/CARF/MF/, Data de Publicação: 09/06/2014); “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006, 2009 (...) TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 30 29 Recurso voluntário provido em parte” (Acórdão nº 2202002.429, Processo nº 12448.734760/201113, Redator Designado Conselheiro Antônio Lopo Martinez, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 20/11/2013); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 (...) Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A Lei 9.430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1º, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art. 161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora.” (Acórdão nº 110300.193, Processo nº 16327.001478/200527, Redator Designado Cons. Marcos Shigueo Takata, 1ª CÂMARA/ 1ª SEJUL/ CARF/MF/DF, Data de Publicação: 18/05/2010) Deste modo, apesar de alguns posicionamentos deste CARF em sentido diverso, entendo pela ilegalidade da incidência de juros de mora sobra a multa aplicada, na melhor interpretação do art. 161 do CTN c/c art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste sentido. Por fim, sobre a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios, não há o que discutir nos termos da Súmula nº 4 deste CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ante todo o acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para desconstituir a tributação lançada a título de acréscimo patrimonial a descoberto, em face da inexistência de provas nos autos que a Recorrente efetivou remessa de recursos ao exterior, assim como para afastar a incidência de juros de mora sobre a multa aplicada, mantendo todo o restante dos valores delimitados na decisão recorrida. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 31 30 É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Voto Vencedor Conselheira Maria Cleci Coti Martins Com a devida vênia ao Conselheiro Relator, entendo que o processo carece de documentação instrutória/probatória, o que pode ser saneado de ofício. Tendo em vista que não foram trazidos aos autos documentos bastantes para dar suporte ao fato de que o contribuinte é efetivamente o responsável pelas transferências bancárias, entendo que deve ser dada oportunidade à autoridade fiscal para complementar a instrução dos autos nesse quesito. Por outro lado, a contribuinte argumenta que os valores relativos à aluguéis lançados já teriam sido declarados na DIRPF do cônjuge, o que é permitido por lei. As divergências encontradas relativamente aos aluguéis referemse ao número CNPJ do locatário e também aos valores declarados. Desta forma, voto converter o julgamento do recurso em diligência para esclarecimento de questões de fato quanto a: (1) dados cadastrais e demais informações existentes relativas às contas mantidas no MTB Hudson Bank e (2) fontes pagadoras dos aluguéis objeto do lançamento e eventual oferecimento dos valores ao fisco pelo cônjuge da autuada. A autoridade fiscal deverá fazer análise dos documentos em termo circunstanciado que deverá ser submetido à recorrente para, se desejar, apresentar manifestação em 30 dias. É como voto. Maria Cleci Coti Martins Redatora Fl. 514DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 36624.006286/2005-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/08/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO.
Reconhecida a duplicidade de recolhimento de valores pelo órgão competente, entende-se ser possível a compensação com o lançamento fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-004.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para reconhecer o direito à compensação de valores recolhidos em duplicidade pelo contribuinte com os valores lançados na notificação fiscal - NFLD nº 35.672.442-5, nos termos do despacho da Equipe de Revisão de Débitos/EQREV/DICAT, DRF de Administração Tributária em São Paulo, de 22/07/2014, folhas 192/195 do processo: 35462.000685/2005-54, apensado ao processo: 36624.006286/2005-60.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2002 a 31/08/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. Reconhecida a duplicidade de recolhimento de valores pelo órgão competente, entende-se ser possível a compensação com o lançamento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 36624.006286/2005-60
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441839
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.196
nome_arquivo_s : Decisao_36624006286200560.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 36624006286200560_5441839.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para reconhecer o direito à compensação de valores recolhidos em duplicidade pelo contribuinte com os valores lançados na notificação fiscal - NFLD nº 35.672.442-5, nos termos do despacho da Equipe de Revisão de Débitos/EQREV/DICAT, DRF de Administração Tributária em São Paulo, de 22/07/2014, folhas 192/195 do processo: 35462.000685/2005-54, apensado ao processo: 36624.006286/2005-60. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 5862667
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705098387456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 347 1 346 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36624.006286/200560 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.196 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de março de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO: EMPRESA EM GERAL Recorrente COMERCIAL QUINTELLA COM. E EXPORTAÇÃO S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/08/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. Reconhecida a duplicidade de recolhimento de valores pelo órgão competente, entendese ser possível a compensação com o lançamento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para reconhecer o direito à compensação de valores recolhidos em duplicidade pelo contribuinte com os valores lançados na notificação fiscal NFLD nº 35.672.4425, nos termos do despacho da Equipe de Revisão de Débitos/EQREV/DICAT, DRF de Administração Tributária em São Paulo, de 22/07/2014, folhas 192/195 do processo: 35462.000685/200554, apensado ao processo: 36624.006286/200560. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 62 86 /2 00 5- 60 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36624.006286/200560 Acórdão n.º 2803004.196 S2TE03 Fl. 348 2 Relatório Tratase de crédito tributário lançado contra a empresa acima identificada (NFLD nº 35.672.4425), correspondente a contribuições sociais previdenciárias e de Terceiros a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, período de 04/02 a 08/02. São divergências nas competências 04/02, 05/02 e 08/02 entre os valores declarados em Guia de Recolhimento da Previdência Social e Informações ao FGTS GFIP e os valores recolhidos em Guia da Previdência Social – GPS. Os valores declarados pela empresa foram confrontados com as respectivas folhas de pagamento, constatandose divergências existentes nas competências mencionadas referente à falta de recolhimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal negou provimento à impugnação. DO RECURSO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: que na impugnação demonstrou ser titular de créditos líquidos e certos em face do INSS, por força do recolhimento em duplicidade das competências janeiro/2001 e março/2001, objeto da NFLD n° 35.435.2466, integralmente quitada em data anterior; que recolheu as competências abril/2002 e maio/2002, objeto da autuação, entretanto, por um lapso quando do preenchimento das guias de recolhimento registrou as competências erradas de janeiro e março de 2001; que o fato foi relatado à fiscalização que desconsiderou por completo a existência dos créditos apontados; requer que seja aplicado o artigo 89, §8° da Lei 8.212/91, compensando os valores existentes de crédito com os valores lançados pela fiscalização; o crédito em questão não carece de liquidez, certeza, indispensáveis para se admitir a compensação pleiteada, na medida em que apresentou documentos que comprova que as competências janeiro e março de 2001 foram integralmente recolhidas através da NFLD 35.435.2466, vindo a ser novamente recolhidas através de GPS própria, por erro em seu preenchimento, quando de fato se tratava das competências abril e maio de 2002, objeto da notificação em discussão; por fim, requer a reforma da decisão recorrida. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36624.006286/200560 Acórdão n.º 2803004.196 S2TE03 Fl. 349 3 É o relatório. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36624.006286/200560 Acórdão n.º 2803004.196 S2TE03 Fl. 350 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. O contribuinte requer a compensação parcial do crédito tributário lançado vez que efetuou recolhimento nos meses 04/02 e 05/02, contudo, por equívoco fez constar nas guias de recolhimento (GPS), fls. 141 e 142, as competências 01/01 e 03/01, que tratam do lançamento ocorrido na NFLD n 235.435.2466, que foi quitado em recolhimento próprio. Assim, requer a compensação do crédito alegado, nos moldes do art. 89, §8o, da Lei 8.212/91. Consta da decisão recorrida, fls. 205/208 que: a empresa apresentou documentos referentes as guias GPS's recolhidas em 30/04/02 e 29/05/2002, que dizem respeito aos estabelecimentos com CNPJ de nº 00.994.533/000136 e nº 00.994.533/004719, com competência para 01/01 e 03/01; diante da alegação do contribuinte e da documentação acostada aos autos, verificou que as guias anexadas pela empresa não são provas suficientes do equivoco que a empresa diz ter cometido no momento de recolher as competências referentes aos meses 04/02 e 05/02; observou, ainda, que nas competências apuradas no lançamento fiscal em discussão, a empresa efetuou recolhimentos, os quais foram considerados pela fiscalização, conforme o DAD Discriminativo Analítico de Débito, bem como em pesquisa realizada no sistema informatizado do órgão, conforme fls. 4/5 e 199/204; para que a empresa faça jus à compensação pleiteada é necessário que o crédito seja líquido e certo, entretanto, não se encontra demonstrado pelo contribuinte nos autos; para que a empresa possa se beneficiar da compensação, nos moldes do art. 89, §8o, da Lei 8.212191, teria primeiramente que requerer mediante a via adequada a restituição do eventual crédito. É necessária a comprovação de que o contribuinte faça jus ao crédito para ser possível a compensação dos valores com o lançamento fiscal; considerando que a documentação acostada pela empresa não comprovou a existência efetiva do crédito, nem de requerimento para a análise de eventual restituição, não é possível efetivar o pedido de compensação requerido pelo contribuinte, já que não foi cumprido o disposto no art.89,§8o, da Lei 8.212/91. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Da análise do art. 89, parágrafo 8o da Lei 8.212/91, tanto na redação dada pela Medida Provisória nº 252/2005, quanto pela redação da Lei nº 11.196, de 2005, verificase a necessidade de crédito líquido e certo a restituir a ser compensado com os valores constantes em lançamento fiscal. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36624.006286/200560 Acórdão n.º 2803004.196 S2TE03 Fl. 351 5 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, ainda que parcelado sob qualquer modalidade, inscritos ou não em dívida ativa do INSS, de natureza tributária ou não, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação em procedimento de ofício. (Incluído pela Medida Provisória nº 252, de 2005). Sem eficácia § 8oVerificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). Consta do processo: 35462.000685/200554 (fls. 192/195), apenso aos autos ora em discussão (processo: 36624.006286/200560), despacho da Equipe de Revisão de Débitos/EQREV/DICAT, DRF de Administração Tributária em São Paulo, de 22/07/2014, que após análise do pedido e documentos apresentados pelo contribuinte, reconheceu a duplicidade dos recolhimentos, e não como erro de preenchimento como alegado pelo contribuinte. Assim sendo, reconheceu a constituição do crédito como líquido e certo no valor de R$ 121.447,69 para apropriação na notificação fiscal NFLD n° 35.672.4425, propondo a análise em conjunto dos autos. Reconhecida a duplicidade do recolhimento de valores pelo órgão competente quando da quitação da NFLD nº 35.435.2466, a possibilidade de compensação com os valores lançados na notificação em epígrafe (NFLD nº 35.672.4425), e com base no art. 89, parágrafo 8o da Lei 8.212/91, entendese ser possível a compensação dos valores recolhidos em duplicidade com o lançamento fiscal em debate. Os fatos geradores expressamente não contestados serão considerados não impugnados, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, permanecendo válidos para o lançamento fiscal em epígrafe. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD, a Instrução para o Contribuinte – IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, Relatório Fiscal, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à compensação de valores recolhidos em duplicidade pelo contribuinte com os valores lançados na notificação fiscal NFLD nº 35.672.4425, nos termos do despacho Fl. 351DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36624.006286/200560 Acórdão n.º 2803004.196 S2TE03 Fl. 352 6 da Equipe de Revisão de Débitos/EQREV/DICAT, DRF de Administração Tributária em São Paulo, de 22/07/2014, folhas 192/195 do processo: 35462.000685/200554, apensado ao processo: 36624.006286/200560. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 352DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
