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Numero do processo: 11041.000475/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 06/07/2005 a 29/07/2005
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Sendo prescindível ao deslinde da questão, correto o indeferimento da perícia requerida pela recorrente.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SELO DE CONTROLE. IPI. COCKTAIL.
A classificação na posição (2206), pretendida pela contribuinte, pressupõe bebidas fermentadas ou misturas de bebidas fermentadas com bebidas não alcoólicas. O conceito de fermentado e seu teor alcoólico é previsto no Decreto nº 2.314/2001, estando, dessa maneira, correta a classificação do recorrente, na parte em que seus produtos se subsumem à mencionada definição.
Em sendo parcialmente inadequada a classificação fiscal constante do auto de infração, cabível a redução da cobrança, baseada em pressuposto classificatório equivocado.
Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e dar provimento em parte ao recurso voluntário.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto De Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura De Albuquerque Alves e Paulo Roberto Stocco Portes
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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COCKTAIL. FERMENTADO. DESTILADO. Recorrente GUTT GUTT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 06/07/2005 a 29/07/2005 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Sendo prescindível ao deslinde da questão, correto o indeferimento da perícia requerida pela recorrente. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SELO DE CONTROLE. IPI. COCKTAIL. A classificação na posição (2206), pretendida pela contribuinte, pressupõe bebidas fermentadas ou misturas de bebidas fermentadas com bebidas não alcoólicas. O conceito de fermentado e seu teor alcoólico é previsto no Decreto nº 2.314/2001, estando, dessa maneira, correta a classificação do recorrente, na parte em que seus produtos se subsumem à mencionada definição. Em sendo parcialmente inadequada a classificação fiscal constante do auto de infração, cabível a redução da cobrança, baseada em pressuposto classificatório equivocado. Preliminar rejeitada. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e dar provimento em parte ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 04 75 /2 00 5- 59 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto De Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura De Albuquerque Alves e Paulo Roberto Stocco Portes Relatório A interessada acima qualificada foi autuada, fls. 32 a 36, em relação ao Imposto Sobre Produtos Industrializados em virtude de venda e transporte de produtos sem selo de controle, a qual exigiu o que segue: (a) IPI, no valor de R$ 2.272,67, com multa de ofício de 75%, por falta de lançamento desse imposto, nas saídas de bebidas por ele produzidas; (b) multa do art. 499, I, do Decreto 4.544, de 2002, no valor de R$ 4.952,66, pela venda ou exposição de bebidas sem o selo de controle; e (c) multa de 50% do valor comercial do produto, no valor mínimo de R$ 1.000,00, pelo transporte de bebidas sem o selo de controle. Contra a autuação, apresentou impugnação, e preliminarmente requereu o pedido para realização de prova pericial, a qual foi indeferido pela DRJ, em virtude de a empresa não ter atendido os requisitos presente no art. 16, IV do Decreto nº 70.235 de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748 de 1993. Apreciando o Mérito da Impugnação da Contribuinte, a DRJ julgou improcedente, conforme resume a ementa abaixo transcrita (fl. 56 e ss.): CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS. As bebidas Caninha 7 Canas e Caninha da Pipa classificamse no código 2208.40.00 da DPI, referente a rum e outras aguardentes de cana, ao passo que as bebidas Coquetel de Aguardente de Cana com Maçã 7 Canas, Cocktail Coco Gutt Gutt, Cocktail, Maracujá Gutt Gutt, Cocktail Morango Gutt Gutt, Cocktail Pêssego Gutt Gutt, Caipirinha Gutt Gutt e Coqueik Vodka 171 classificamse no código 2208.90.00 da TIPI, referente a outras bebidas espirituosas (alcoólicas). SELO DE CONTROLE . I Estão sujeitas ao selo de controle as bebidas classificadas nos seguintes códigos da TIPI: 2208.40.00 [cachaça e caninha (rum e tafie] e 2208.90.00 (batidas). II Aplicase multa igual ao valor comercial do produto, não inferior a R$ 1.000,00, à hipótese de venda ou exposição à venda de produtos sem o selo de controle. III Aplicase multa igual a cinqüenta por cento do valor comercial do produto, não inferior a R$ 1.000,00, à hipótese de transporte de produto sem o selo de controle. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11041.000475/200559 Acórdão n.º 3202001.393 S3C2T2 Fl. 88 3 Lançamento Procedente. Não resignada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 64 e ss.), pedindo preliminarmente que seja declarado nula a decisão da DRJ, pois não acatou o pedido de realização de perícia. Caso não seja acolhida a preliminar de nulidade do acórdão da DRJ, a empresa alega que a fiscalização descreveu erroneamente a classificação fiscal dos produtos, ao passo que os produtos, Caipirinha GuttGutt, Coácktail de Vodka, Coquetel de aguardente de Cana com Maçã GuttGutt, tratamse de produtos com classificação fiscal 2206 e não 2208 como pretendido pela Fiscalização. Quanto a obrigatoriedade da utilização do selo de controle, afirma a recorrente que tal imposição somente se dá aos produtos classificados no código 2205 e 2208. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, portanto, merece ser apreciado. Preliminarmente, a recorrente suscita a nulidade do aresto da DRJ, por cerceamento do direito defesa, pelo fato de ter negado o pedido de perícia (fls. 64/ss.). A empresa pugna pela realização de perícia com o fito de comprovar que o teor alcoólico das bebidas constantes da autuação, de fato, são bem menores do que o considerado pela fiscalização, ensejando a reclassificação fiscal ora combatida. A DRJ negou esse pedido, uma vez que não foi realizado nos moldes do art. 16, § 1º, do PAF. Eis os seus termos (fl. 59): 7.A respeito do pedido para a realização de prova pericial, deve se ter presente que, de acordo com o art. 16, IV, do Decreto n 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 12 da Lei n' 8.748, de 9 de dezembro de 1993, a impugnação deve mencionar as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, sob pena de ser considerado como não formulado o pedido. 8. O impugnante, no caso, não satisfez os requisitos citados no item precedente, para a apreciação do pedido de perícia, motivo pelo qual esse pleito deve ser considerado não formulado, de acordo com o §1º do citado art. 16. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 4 Como se vê, o acórdão recorrido indeferiu o pedido de perícia por razões formais, a saber: foi indeferido o pedido da empresa, porquanto esta não apresentou os quesitos, na forma do art. 16, § 1º, do PAF. Entendo que a preliminar da contribuinte não merece ser acolhida. É que, além de a recorrente não ter realizado os quesitos, exigidos pelo art. 16, § 1º, do PAF, verifico que a perícia para tal finalidade é prescindível, pois os próprios rótulos da bebidas indicam o seu teor alcoólico. O Fisco não questionou as especificações dos produtos informadas pelo sujeito passivo. A partir dessas informações técnicas, definiu a classificação que entende adequada. REJEITO, portanto,a preliminar suscitada. No mérito, o acórdão recorrido manteve o auto de infração, lavrado em função do transporte pela empresa de produto sem o selo de controle do IPI, porque, ao contrário do que defende a Recorrente, as bebidas objeto da atrairiam a classificação indicada pelos autuantes (2208.40.00 e 2208.90.00), e não pela classificação indicada pela empresa (2206), sendo tal assertiva corroborada pelo Ato Declaratório Executivo SRF n° 45/2005. Confirase (fls. 59/60): 9. O enquadramento das bebidas para a tributação do IPI, por unidade, de que trata o art. 12 da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, já foi efetuado pelo competente Ato Declaratório Executivo SRF n° 45, de 2005, publicado no Diário Oficial da União de 4 de agosto de 2005, classificandoas, inclusive, nos códigos da TIPI adotados pelos autuantes (2208.40.00 e 2208.90.00), o que torna obrigatório o selo de controle, por força do disposto no art. 14 da IN SRF ri° 504, de 2005, combinado com o seu Anexo I. 10. De fato, os rótulos dos produtos Caninha da Pipa e Caninha 7 Canas, copiados_ na fl. 14, revelam graduação alcoólica de 40% em volume. As reproduções dos rótulos dos demais produtos, nas fls. 15 a 18, evidenciam as seguintes graduações alcoólicas: Caipirinha Gutt Gutt, 18%; Cocktail Vodka 171, 28%; Coquetel de Aguardente de Cana com Maçã 7 Canas, 30%; Cocktail Coco Gutt Gutt, Cocktail Maracujá Gutt Gutt, Coe/dai Morango Gutt Gutt e Cocktail Pêssego Gutt Gutt, 13%. 11. A Nota 3 do Capítulo 22 da TIPI reza que, na acepção da posição 2202, consideramse bebidas não alcoólicas as bebidas cujo teor alcoólico em volume não exceda 0,5%. As bebidas alcoólicas, que excedem o referido parâmetro, classificamse, conforme o caso, nas_ posições 2203 a 2206 ou na posição 2208. 12. O texto da posição 2206, pretendida pelo impugnante, se refere a "outra bebidas fermentadas (sidra perada, hidromel, por exemplo); misturas de bebidas fermentadas e misturas de bebidas fermentadas com bebidas não alcoólicas, não especificadas nem compreendidas em outras posições da nomenclatura", o que exclui as bebidas em questão, à vista do teor alcoólico que apresentam, como antes referido. 13. Essas as razões pelas quais o Ato Declaratório Executivo SRF n 45, de 2005, enquadrou os produtos fabricados pelo impugnante na posição 2208, referente a aguardentes, licores e Fl. 90DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11041.000475/200559 Acórdão n.º 3202001.393 S3C2T2 Fl. 89 5 outras bebidas espirituosas (alcoólicas)", nos códigos 2208.40.00 (rum e outras aguardentes de cana) e 2208.90.00 (outros), especificamente nas letras "H", "J" e "L", conforme o caso. 14. Superada a controvérsia a respeito da classificação fiscal dos produtos, devese considerar que a tributação pelo IPI ocorreu estritamente conforme o enquadramento efetuado pelo ato declaratório citado no item anterior (fl. 19), explicitada no demonstrativo da fl. 26, que apurou IPI no valor total de R$ 2.272,67, e não pela aplicação da alíquota ad valorem de 60% como afirma o impugnante. 15. Por último, cabe dizer que as bebidas fabricadas pelo interessado, classificadas nos códigos 2208.40.00 e 2208.90.00 da TIPI, realmente estão sujeitas ao selo de controle, por força do disposto no art. 14 da IN SRF nº 504, de 2005, combinado com o Anexo I desse mesmo ato. Eis o texto das posições em confronto: Contribuinte 2206.00 OUTRAS BEBIDAS FERMENTADAS (SIDRA, PERADA, HIDROMEL, POR EXEMPLO); MISTURAS DE BEBIDAS FERMENTADAS E MISTURAS DE BEBIDAS FERMENTADAS COM BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES DA NOMENCLATURA 2206.00.10 Sidra 2206.00.90 Outras Ex 01 — Com teor alcoólico superior a 20%. Fisco 2208 ÁLCOOL ETÍLICO NÃO DESNATURADO, COM UM TEOR ALCOÓLICO, EM VOLUME, INFERIOR A 80% VOL; AGUARDENTES, LICORES E OUTRAS BEBIDAS ESPIRITUOSAS (ALCOÓLICAS) 2208.40.00 Rum e outras aguardentes de cana 2208.90.00 Outros De acordo com o auto de infração, a classificação correta das bebidas apreendidas seria nas subposições 2208.40.00 e 2208.90.00, porque se tratam de bebida alcoólica destilada ou destiloretificada, enquanto que a posição almejada pela recorrente (2206) trata de bebidas fermentadas e as misturas de bebidas fermentadas com bebidas não alcoólicas. Leiase (fls. 23/ss): Os produtos sob análise: Cocktail de Vodle 171, Coquetel de aguardente de cana com maçã 7 Canas, Coddail de aco Gutt Gutt, Coaxa de Maracujá GuttGutt, Coda:dlde Morango Gutt Gutt, Cockal de INIssego GuttGutt e Caipirinha GuitGutt, não Se enquadramn nas posições 2203 (Cervejas de malte), 2204 (Vinhos de uvas frescas) ou 2205 (Vermutes e outros Vinhos de uvas frescas aromalizados por plantas ou substâncias aromáticas), também não se enquadram na posição 2206, uma vez que essa posição, com relação às misturas, só abrange as misturas de bebidas fermentadas e as misturas de bebidas Fl. 91DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 6 fermentadas com bebidas não alcoólicas, segundo o texto da posição: 2206.00 OUTRAS BEBIDAS FERMENTADAS (SIDRA, PERADA, HIDROMEL, POR EXEMPLO); MISTURAS DE BEBIDAS FERMENTADAS E MISTURAS DE BEBIDAS FERMENTADAS COM BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS, NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES DA NOMENCLATURA? Em cada uma das bebidas denominadas coquetéis O ÚNICO INGREDIENTE ALCOÓLICO ERA UMA BEBIDA ALCOÓLICA DESTILADA OU DESTILORETIFICADA: vodca, aguardente de cana ou álcool etílico potável. Concordo com a autuação, na parte em que assevera que a classificação na posição (2206), pretendida pela contribuinte, pressupõe bebidas fermentadas ou misturas de bebidas fermentadas com bebidas não alcoólicas. Nesse aspecto, o Decreto nº 2.314/1997 traz as seguintes definições sobre bebidas fermentadas: Art . 72. Fermentado de fruta é a bebida com graduação alcoólica de quatro a quatorze por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtida da fermentação alcoólica do mosto de fruta sã, fresca e madura. § 1ºO fermentado de fruta pode ser adicionado de açúcares, água e outras substâncias previstas em ato administrativo complementar, para cada tipo de fruta. § 2ºQuando adicionado de dióxido de carbono, o fermentado de fruta será denominado fermentado de fruta gaseificado. Art . 75. Fermentado de cana é a bebida com graduação alcoólica de quatro a quatorze por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtida do mosto de caldo de canadeaçúcar fermentado. Art . 78. Fermentado de fruta composto é a bebida com graduação alcoólica de quinze a vinte por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtido pela adição ao fermentado de fruta, de macerados ou extratos de plantas amargas ou aromáticas, adicionado ou não de álcool etílico potável de origem agrícola, caramelo e sacarose. À luz dos artigos acima transcritos, percebese que o teor alcoólico de algumas bebidas a qualificam como fermentada. Efetivamente, de acordo com o próprio acórdão recorrido, a Caipirinha Gutt Gutt possui 18% e o Cocktail Coco Gutt Gutt, Cocktail Maracujá Gutt Gutt, Coktail Morango Gutt Gutt e Cocktail Pêssego Gutt Gutt possuem 13% de teor alcoólico, razão pela qual entendo que está correta a classificação fiscal defendida pela Recorrente (2206). Em sendo parcialmente improcedente a classificação fiscal constante do auto de infração, cabível a redução da cobrança nessa medida, com base nesse pressuposto. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11041.000475/200559 Acórdão n.º 3202001.393 S3C2T2 Fl. 90 7 Notese, por fim, que o Ato Declaratório 45, publicado em 04/08/2005, é posterior aos fatos geradores, não podendo, ainda, dispor de forma contrária ao Decreto nº 2.314/1997. Diante do exposto, REJEITO preliminar suscitada e DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para julgar improcedente os lançamentos, alusivos à Caipirinha Gutt Gutt, ao Cocktail Coco Gutt Gutt, ao Cocktail Maracujá Gutt Gutt, ao Coktail Morango Gutt Gutt e ao Cocktail Pêssego Gutt Gutt. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 93DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 13887.000610/2008-92
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010
DECISÃO RECORRIDA. ANULAÇÃO. AFIRMAÇÃO NÃO JUSTIFICADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Anula-se a decisão recorrida que não justifica a afirmação de que o contribuinte não teria logrado êxito em comprovar o pagamento dos débitos geradores de sua exclusão, cerceando, dessa forma, o direito de defesa da Recorrente e impedindo esta Instância Revisora de formar adequada convicção a respeito da matéria.
Numero da decisão: 1803-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ANULAÇÃO. AFIRMAÇÃO NÃO JUSTIFICADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Anulase a decisão recorrida que não justifica a afirmação de que “o contribuinte não teria logrado êxito em comprovar o pagamento dos débitos geradores de sua exclusão”, cerceando, dessa forma, o direito de defesa da Recorrente e impedindo esta Instância Revisora de formar adequada convicção a respeito da matéria. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 06 10 /2 00 8- 92 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13887.000610/200892 Acórdão n.º 1803002.570 S1TE03 Fl. 192 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13887.000610/200892 Acórdão n.º 1803002.570 S1TE03 Fl. 193 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 44 numeração digital ND): Trata o presente processo de exclusão do regime do Simples Nacional, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/LIM nº 352899, de 22 de agosto de 2008, às fls. 38, em virtude de a interessada possuir débito com a Fazenda Pública Federal, com a exigibilidade não suspensa. Inconformada, em 17/09/2008, a interessada apresentou contestação à exclusão do Simples Nacional, alegando, em síntese, às fls. 03/32: o contribuinte se enquadra no regime tributário denominado Simples Nacional e, para isto, providenciou, em tempo hábil, as regularizações cadastrais e o parcelamento de débitos não previdenciários na Receita Federal do Brasil, efetuando recolhimento regular do parcelamento, não se justificando a exclusão na forma brutal pretendida pelo ADE nº 352899, de 22/08/2008. o contribuinte possui todas as exigências legais, inclusive estando classificado na condição de ME – Microempresa, para ser optante pelo sistema simplificado do Simples Nacional. o motivo pelo qual foi emitido o Ato Declaratório de exclusão é improcedente, razão pela qual apresenta sua manifestação de inconformidade, nos termos do Decreto nº 70.235/72, e consequente pedido para sua manutenção e enquadramento nas condições preconizadas na legislação do Simples Nacional. a Constituição Federal, em seu capítulo dos princípios gerais da atividade econômica, arts. 170 e 179, prevê tratamento favorecido às empresas de pequeno porte, não restando, deste modo, nenhuma dúvida de que deve ser reconsiderada a decisão do Fisco, visto que, para emissão precipitada do ADE, não considerou o parcelamento de débitos do contribuinte, cujos recolhimentos vêm sendo feitos rigorosamente, devidamente comprovadas pelas cópias de DARF. pede a procedência do seu pedido, para manutenção do contribuinte na condição de ME enquadrada no Simples Nacional, pois disto depende sua sobrevivência, desta condição tributária beneficiada, e requer ainda o cancelamento do ADE nº 352899, por ser carecedor de base material e legal, pelo simples fato de que os débitos apontados foram objeto de parcelamento e estão sendo pagos dentro do prazo legal. O contribuinte anexou aos autos consulta à relação de débitos geradores do ADE, às fls. 16, cópia do pedido de parcelamento para ingresso no Simples Nacional relativo a débitos não previdenciários, efetuado em 17/08/2007, às fls. 29, cópias de recolhimentos sob o código de receita 0285, efetuados no período de agosto/2007 a maio/2008, às fls. 18/28. A autoridade preparadora juntou ao processo cópia do Despacho Decisório relativo ao Parcelamento para Ingresso no Simples Nacional, processo nº 13887.000190/200844, às fls. 34/37, e consulta aos débitos geradores do ADE após prazo de regularização, às fls. 40. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13887.000610/200892 Acórdão n.º 1803002.570 S1TE03 Fl. 194 4 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 43 ND): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. EXCLUSÃO. Se os débitos motivadores da exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional não foram regularizados dentro do prazo legal, devese manter a exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 23/12/2013 (fls. 51 e 52 ND), a tempo, em 16/01/2014, apresenta a interessada Recurso de fls. 53 a 63 ND, instruído com os documentos de fls. 64 a 189 ND, nele argumentando, em síntese: a) que o ADE deve ser declarado improcedente e nulo de pleno direito, posto que ofende aos princípios básicos constitucionais do contraditório e da ampla defesa; b) que, ao tempo da sua emissão, a Recorrente já havia comprovado sua adesão ao parcelamento para ingresso no Simples Nacional e o recolhimento da 1ª parcela e das demais; c) que houve falha do sistema da Receita Federal, que gerou, indevidamente, Darf da 1ª parcela no valor de R$ 50,00, e não de R$ 100,00, recolhido no vencimento; d) que, percebida essa falha, providenciou, no mês subsequente, além do pagamento da 2ª parcela, a confecção de um Darf para complementar o valor da 1ª parcela; e) que, a partir daí, deixou de emitir as guias Darf pelo sistema, confeccionando, ela própria, os Darfs das parcelas para recolhimento, que assim foram recolhidas até abril de 2008; f) que, tendo recebido, em maio de 2008, Termo de Intimação discriminando os débitos pendentes, quais sejam, justamente aqueles objeto do pedido de parcelamento para ingresso no Simples Nacional, computou todos os valores já recolhidos e efetuou o pagamento da diferença ainda no mesmo mês; g) que, portanto, liquidou/quitou integralmente os débitos relacionados naquele Termo de Intimação; h) que, conforme previsto no próprio art. 3º do referido ADE, tendo comprovado o pagamento/quitação da totalidade dos débitos antes pendentes, por si só, referido ato já deveria ter sido tornado sem efeito; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13887.000610/200892 Acórdão n.º 1803002.570 S1TE03 Fl. 195 5 i) que a decisão recorrida sequer fez menção sobre os esclarecimentos trazidos, baseando sua decisão, simplesmente, no não pagamento integral da 1ª parcela do pedido de parcelamento; j) que é importante salientar que, em 2009, na vigência da Lei nº 11.941, mesmo tendo comprovado a quitação desses débitos, requereu sua adesão e ingressou com competente pedido de parcelamento, confirmando a inclusão da totalidade dos débitos no referido parcelamento, incluídos os débitos relacionados no parcelamento para ingresso no Simples Nacional de 2007 e já pagos no prazo do art. 3º do ADE, objeto de todo o imbróglio ora descrito; k) que emitiu, então, um Darf no valor da diferença entre a soma dos débitos entendidos como ainda devidos pelo Fisco e a soma dos valores já pagos, computados até aquela data, efetuando o seu devido recolhimento; e l) que, assim, nenhum óbice existe à inclusão/mantença da Recorrente no Simples Nacional. Em mesa para julgamento. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13887.000610/200892 Acórdão n.º 1803002.570 S1TE03 Fl. 196 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A ora Recorrente foi excluída do Simples Nacional “em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa”, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/Lim nº 352899, de 22/08/2008, com efeitos a partir de 01/01/2009 (fls. 9): 5. No mesmo ADE é dito que (fls. 9): Art. 3º Tornarseá sem efeito a exclusão, caso a totalidade dos débitos da pessoa jurídica sejam pagos ou parcelados no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste Ato Declaratório Executivo (ADE). 6. A decisão recorrida assim se fundamentou (fls. 45 e 46 ND): A contribuinte comprova a adesão ao parcelamento especial para ingresso no Simples Nacional, efetuada em 17/08/2007, anexando comprovantes de recolhimentos efetuados no período de agosto/2007 a maio/2008, às fls. 18/28. Ocorre que, como o contribuinte efetuou o pagamento da diferença no valor da entrada para adesão ao parcelamento especial para ingresso no Simples Nacional fora do prazo, o parcelamento não foi validado e a DRF/Limeira indeferiu o pedido da interessada de revisão do processo nº 13887. 000190/200844, conforme se verifica no Despacho Decisório, às fls. 34/37. Ressaltese que a decisão da Delegacia de origem observou a Instrução Normativa RFB nº 767, de 15/08/2007, que dispõe sobre o parcelamento especial para ingresso no Simples Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13887.000610/200892 Acórdão n.º 1803002.570 S1TE03 Fl. 197 7 Nacional e sobre a regularização de débitos das pessoas jurídicas optantes pelo Sistema relativos a tributos ou contribuições administrados pela RFB: [...]. Vêse que é requisito do ato regulamentador das condições e adesão ao parcelamento que o contribuinte efetuasse o pagamento da entrada, para que seu pedido produzisse efeitos, nos termos dos dispositivos normativos acima reproduzidos. Ora, como o contribuinte efetuou o pedido de parcelamento sem o pagamento integral da primeira prestação, temse que o débito impeditivo de seu ingresso no Simples Nacional permaneceu pendente de regularização, não restando demonstradas as alegações do contribuinte de que houve a suspensão da exigibilidade dos débitos pelo parcelamento. 7. Sucede que, independentemente de o parcelamento especial pleiteado pela Recorrente ter sido admitido ou não, existem pagamentos por ela efetuados até a data de emissão do referido Ato Declaratório Executivo (ADE) que, se comprovados e disponíveis, poderiam salvo equívoco deste Relator quitar integralmente os débitos geradores de sua exclusão do Simples Nacional, como segue: DATA VALOR JUROS TOTAL FLS. 20/8/2007 50,00 0,00 50,00 22 28/9/2007 50,00 0,50 50,50 21 28/9/2007 100,00 0,00 100,00 20 31/10/2007 100,00 0,00 100,00 19 30/11/2007 100,00 0,00 100,00 18 28/12/2007 100,00 0,00 100,00 17 31/1/2008 100,00 0,00 100,00 16 29/2/2008 100,00 0,00 100,00 15 31/3/2008 100,00 0,00 100,00 14 30/4/2008 100,00 0,00 100,00 13 30/5/2008 15,87 0,00 15,87 12 915,87 916,37 8. Vejase que, em data anterior à emissão do ADE de exclusão do Simples Nacional, ou seja, em maio de 2008, pelo Termo de Intimação de fls. 76 ND, o débito da Recorrente era o seguinte (“Obs.: valores válidos para o último dia do mês de emissão da Intimação”): IMP. MULTA JUROS TOTAL 02/2007 212,10 42,42 26,97 281,49 03/2007 259,20 51,84 30,53 341,57 04/2007 223,95 44,79 24,07 292,81 695,25 139,05 81,57 915,87 9. Quanto a esse ponto, a decisão recorrida afirmou que (fls. 46 – ND, grifou se): Diante do exposto, não tendo o contribuinte logrado êxito em comprovar o pagamento dos débitos geradores de sua exclusão ou a existência de alguma condição para suspensão de sua Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13887.000610/200892 Acórdão n.º 1803002.570 S1TE03 Fl. 198 8 exigibilidade, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão do contribuinte do Simples Nacional, com efeito a partir de 01/01/2009. 10. Contudo, não justifica, essa decisão, o porquê da assertiva de que “o contribuinte não teria logrado êxito em comprovar o pagamento dos débitos geradores de sua exclusão”, cerceando, dessa forma, o direito de defesa da Recorrente e impedindo esta Instância Revisora de formar adequada convicção a respeito da matéria. 11. Conforme dito anteriormente, tudo indica que, à época da emissão do ADE de exclusão do Simples Nacional (agosto de 2008) – e mesmo antes, na data da expedição do Termo de Intimação de fls. 76 ND (maio de 2008) – os pagamentos até então efetuados pela Recorrente (ainda que fora do parcelamento especial pleiteado e não admitido) eram, sim, suficientes para a quitação integral dos débitos geradores de sua exclusão do Simples Nacional. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para anular a decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, para que outra seja prolatada na boa e devida forma. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10850.908564/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2001
DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO
É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 64 /2 01 1- 04 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908564/201104 Acórdão n.º 3301002.585 S3C3T1 Fl. 187 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 2.757,53. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 28/02/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2001 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908564/201104 Acórdão n.º 3301002.585 S3C3T1 Fl. 188 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. A 1ª Turma Especial dessa 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência que a Delegacia de origem: a) Examinasse os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificasse a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornasse o processo a este CARF para julgamento. Tomadas as providências requeridas o processo retornou a esse Conselho para decidirmos. É o que importa relatar. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.908564/201104 Acórdão n.º 3301002.585 S3C3T1 Fl. 189 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Tratase de retorno de diligência. Após a devida análise o relatório da diligência chegou à seguinte conclusão: Desta forma, proponho o reconhecimento do direito creditório pleiteado no PER nº 39478.24078.231205.1.2.041059, transmitido em 23/12/2005, no valor de R$2.757,53 (fls. 02/04). Esse é exatamente o montante pleiteado pela Recorrente. Reconhecido o pedido em diligência nada mais há a fazer senão homologálo. Nesse sentido voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13896.910162/2012-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 16 2/ 20 12 -1 2 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910162/201212 Resolução nº 3801000.927 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910162/201212 Resolução nº 3801000.927 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910162/201212 Resolução nº 3801000.927 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 211DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910162/201212 Resolução nº 3801000.927 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 212DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910162/201212 Resolução nº 3801000.927 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 213DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10640.901641/2008-67
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Estando comprovada a existência parcial do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-002.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para homologar a compensação objeto destes autos no limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Estando comprovada a existência parcial do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para homologar a compensação objeto destes autos no limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 16 41 /2 00 8- 67 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901641/200867 Acórdão n.º 1802002.565 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem (DRF Juiz de Fora/MG). Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 0931.546, às fls. 57 a 59: O interessado apresentou o PER/Dcomp n° 42073.71857.270904.1.7.039523 (fls. 05/09), visando compensar crédito relativo a saldo negativo CSLL referente ao ano calendário 2003, no valor de R$ 3.905,75, com débito de CSLL Estimativa referente a Dez/2003, também no valor de R$ 3.905,75. Em 26/08/2008, a DRF/JFA emitiu o Despacho Decisório de fl. 04, no qual se decidiu pela não homologação do referido PER/DCOMP por ter constatado que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na DIPJ/04 consta CSLL a pagar. Contra o feito, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01 e 02, alegando, em suma, o seguinte: Consta do despacho ora impugnado que após analise das informações prestadas no PER/DCOMP 42073.71857.270904.1.7.039523, não foi possível localizar saldo negativo de base de cálculo de CSL na DIPJ correspondente ao período de apuração do crédito informado no aludido PER/DCOMP, e que por isso não foi homologada a compensação pleiteada pela requerente. Face a não homologação, resultou na cobrança de R$3.905, 75 a título de principal além dos acréscimos legais pertinentes. Não concordando com a cobrança desse crédito tributário, vem a peticionária, nessa oportunidade, apresentar suas razões fundamentadas nas provas que com esta seguem. Na verdade, causou espécie a não homologação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, por conseguinte a almejada compensação não foi aceita. Salvo melhor juízo, toda a rotina relativa ao preenchimento do indigitado documento foi seguido de acordo com as normas que disciplinam a matéria, no particular informou devidamente a origem do crédito de que dispunha. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901641/200867 Acórdão n.º 1802002.565 S1TE02 Fl. 4 3 Em virtude do não acolhimento pela via de processamento eletrônico, restou a requerente então essa oportunidade, que o faz com as provas a seguir: Cópia da declaração de Imposto de Renda apresentada no ano de 2003. Observem que nela está corretamente demonstrado o resultado do exercício de 2002, o crédito da CSSL no valor de R$6.064,54 é resultado de R$ 4.080,97 que foi recolhido em 31/07/02 por estimativa conf. DARF em anexo e a diferença no valor de R$1.983,57 vem do ano de 1999 que foi recolhido a maior, bem assim o débito no valor de R$3.905,75 foi devidamente compensado no Perd/Comp com base no ano de 2002, pois no final do exercício de 2002 a CSSL a pagar foi menor que o recolhido. Senhores Julgadores! Não há, portanto, necessidade de a peticionaria alongar em seus argumentos e justificativas para provar que é possuidora do credito que dá sustentação à compensação pleiteada. N. termos espera deferimento. Como já mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. Uma vez não caracterizada a ocorrência de erro de fato, bem como a existência do direito creditório solicitado, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não. Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/11/2010, a Contribuinte apresentou em 03/12/2010 o recurso voluntário de fls. 64 a 67, no qual aduziu: Que em momento algum a empresa desconhece o débito relativo ao anocalendário 2003 e por isso mesmo, junta cópia da DIPJ relativa ao anocalendário de 2002 na qual constam de forma clara o saldo de contribuição recolhida a maior em razão da estimativa, comparada com o valor devido em função do lucro real anual; Desnecessário aduzir nesta oportunidade ser legítima a pretensão da recorrente tentar recuperar os valores recolhidos a maior, no futuro, através da compensação na liquidação de eventuais débitos, conforme pretendeu nesse processo; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901641/200867 Acórdão n.º 1802002.565 S1TE02 Fl. 5 4 Observem também, que na página 3 do PER/DCOMP juntado a este recurso está literalmente demonstrado que o crédito utilizado para compensação é oriundo de exercícios anteriores, no particular o ano calendário 2002. Tal registro por si só rechaça qualquer dúvida a respeito da legitimidade da pretensão da recorrente; Que a própria decisão recorrida, no item 3 acima transcrito, sustenta a existência de base negativa de CSLL naquele ano. Porém, inusitadamente afirma que tal saldo nada tem a ver com a situação fática descrita; Junta todos os DARF's, relativos ao ano de 2002, que comprovam os recolhimentos das estimativas durante o ano calendário, muito superiores ao débito de 2002, haja vista que, apurouse um lucro menor do que aquele que serviu de base para os recolhimentos efetuados durante o ano na estimativa, tornando então, o excesso indevido, por essa razão se pleiteou a compensação, devidamente assegurada por lei, em períodos subseqüentes; Junta ainda, cópia da DIPJ processada pela Secretaria da Receita Federal, que constitui a prova definitiva de todo o crédito de sua titularidade. Nessa robusta prova os Senhores irão encontrar registrados todos os valores que dão sustentação à pretensão da recorrente, tais como o saldo de imposto a recuperar, os valores das bases de cálculos em questão, enfim, todos os elementos indispensáveis à solução satisfatória para a recorrente ver seu direito reconhecido. Indica que na página 12 da aludida declaração encontrase o imposto devido de R$3.905,75, que em confronto com os recolhimentos da estimativa e retenções na fonte, acusam um saldo credor de R$ 4.099,44 (pág. 16 DIPJ), tudo por conseqüência de recolhimentos durante o ano calendário em valores superiores ao devido sobre o lucro final do exercício. O balanço patrimonial constante da declaração do item 5 está literalmente registrado a existência de saldo de R$20.154,72 de impostos e contribuições a recuperar. Desse saldo é que pretende buscar a compensação, por isso a menção no PER/DCOMP (pág. 43 DIPJ 2002/2003). Na sessão realizada em 09/10/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.361 (fls. 89 a 94), solicitando realização de diligência à Delegacia de origem, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 130 a 132, para a retomada do julgamento do recurso. Este é o Relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901641/200867 Acórdão n.º 1802002.565 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou a declaração de compensação nº 42073.71857.270904.1.7.039523, em que utiliza um alegado crédito referente a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que não foi possível localizar saldo negativo de CSLL na DIPJ correspondente ao período de apuração do crédito informado no aludido PER/DCOMP (anocalendário 2003). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, registrando que não houve apuração de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2003, e que também não restou caracterizada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de compensação. Desde a fase processual anterior (manifestação de inconformidade), a Contribuinte vêm informando que o reivindicado direito creditório corresponde a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002, e não de 2003. E para comprovar o seu direito, ela juntou cópia da DIPJ do anocalendário 2002 e cópia de guia de recolhimento de estimativa mensal que daria origem ao alegado crédito. O recurso voluntário objeto destes autos começou a ser examinado em 09/10/2013, e sua análise resultou na mencionada Resolução nº 1802000.361. Naquela ocasião, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF entendeu que a indicação equivocada no PERD/COMP do anocalendário 2003, ao invés de 2002, não inviabilizava a compensação pretendida; que pelos documentos juntados, principalmente pelo PERD/COMP, era possível concluir que a Contribuinte pretendeu quitar débito de estimativa de 2003 com a utilização de crédito de saldo negativo referente ao ano calendário de 2002; mas que apesar da juntada da DIPJ do anocalendário de 2002, demonstrando a existência de saldo negativo de CSLL, ainda não era possível extrair a liquidez e certeza do alegado direito creditório, e nem verificar se ele já fora compensado com outros débitos, o que motivou a realização de diligência para instrução complementar dos autos. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Juiz de Fora/MG prestou a Informação Fiscal de fls. 130 a 132, com o seguinte conteúdo: [...] Assim, havendo necessidade de verificar a liquidez e certeza do saldo negativo do exercício financeiro de 2003, anocalendário Fl. 141DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901641/200867 Acórdão n.º 1802002.565 S1TE02 Fl. 7 6 de 2002, por meio da Resolução nº 1802000.361, datada de 09/10/2013, o presente processo foi enviado ao órgão de origem para que se verifique e informe (docs.fls.89/94): 1 o valor do saldo negativo da CSLL, do anocalendário de 2002; 2 se o eventual saldo negativo da CSLL, do anocalendário de 2002, já fora compensado com outros débitos federais e; 3 se o eventual saldo negativo da CSLL, do anocalendário de 2002, suporta a compensação pretendida através do PER/DCOMP nº 42073.71857.270904.1.7.039523. Ao final, solicita que se apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos, cientificando a interessada desse relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Foram juntados ao processo os documentos de fls.96/128. Inicialmente, analisando conjuntamente a DIPJ/2004 (AC 2003), o PER/DCOMP nº 42073.71857.270904.1.7.039523 (retificador do PER/DCOMP nº 10720.58858.300604.1.3.036970), a tela de consulta do sistema SIEF/FISCEL, que registra os dados declarados na DCTF (contacorrente da PJ), e o pagamento efetuado a título de CSLL, conforme documentos anexados às fls.97/109 e 116/117, verificase ser inviável a compensação do débito de estimativa da CSLL, do período de dezembro de 2003, no valor de R$ 3.905,75, com Saldo Negativo da própria CSLL – SN/CSLL/2004, apurado em 31/12/2003, já que a estimativa de dezembro de 2003 entra na composição desse saldo negativo. Nesse sentido a Resolução do CARF concluiu, com base na documentação carreada aos autos do processo, que a pretensão da empresa foi, de fato, quitar o débito da estimativa de dezembro de 2003, com crédito oriundo do SN/CSLL/2003 (AC 2002). Acrescentese ainda que considerando as informações constantes da DIPJ/2004 (AC 2003), relativamente às estimativas mensais apuradas no anocalendário de 2003, a ausência de confissão do débito em DCTF da antecipação da CSLL (mês de dezembro = R$ 3.905,75), conforme telas anexadas às fls. 102/109 e 125, e a tentativa de extinção, por compensação, do débito do mês de dezembro, podese inferir que, na realidade, a intenção da pessoa jurídica era ajustar a CSLL anual para “zerar” o seu saldo. Veja o quadro abaixo. QUADRO COMPARATIVO – CSLL/2004 (AC 2003) DECLARADO AJUSTADO CSLL Anual Apurada no AC de 2003 3.905,75 3.905,75 () Antecipação do Mês de Dezembro (pagamento) 0 0 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901641/200867 Acórdão n.º 1802002.565 S1TE02 Fl. 8 7 () Antecipação do Mês de Dezembro (compensação) 0 3.905,75 Saldo da CSLL 3.905,75 0 Ultrapassada a preliminar passase ao atendimento dos itens solicitados: Tomandose por base as estimativas declaradas na DIPJ/2003 (AC 2002), bem como a estimativa do mês de junho de 2002, efetivamente recolhida, foi elaborada a planilha de cálculo de fls.121, com a demonstração da apuração do SN/CSLL/2003 (AC 2002), no valor de R$ 2.242,55. Cumpre esclarecer que as consultas realizadas no SIEF/FISCEL (fls.126/128) e na relação de pagamentos efetuados a título de CSLL (fls.118/120), revelam que os únicos débitos de CSLL (código 2372), referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 1999 estão vinculados a pagamentos e a compensações, validados e sem valor disponível. Acrescentese que a empresa não comprovou, nos autos, a existência de saldo de pagamento a maior no ano de 1999, nem sua disponibilidade para quitação do débito da contribuição social no ano de 2003, bem como não declarou a obrigatória vinculação em DCTF, dentro do prazo legal. A tela de consulta do SIEF/PERDCOMP indica não haver transmissão de PER/DCOMP com utilização do SN/CSLL/2003 (AC 2002), conforme doc. fls.110. Por último, a simulação, de fls.122/124, procedida por meio do aplicativo NEOSAPO, versão 4.2.2.8 homologada pela RFB, aponta que o débito de estimativa da CSLL, do mês de dezembro de 2003, no valor de R$ 3.905,75 declarado na DCOMP nº 42073.71857.270904.1.7.039523 é extinto parcialmente no valor de R$ 2.285,84 (3.905,75 – 1.619,91) com a utilização integral do crédito, referente ao SN/CSLL/2003 (AC 2002), apurado na planilha de cálculo de fls.121. Intimada do resultado da diligência fiscal, a Contribuinte não apresentou nenhuma manifestação para contraditar as constatações e os valores acima mencionados, pelo que os adoto como fundamento deste voto. Estando comprovada a existência parcial do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório a título de saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 2002, no valor de R$ 2.242,55, e homologar a compensação objeto destes autos no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10640.901641/200867 Acórdão n.º 1802002.565 S1TE02 Fl. 9 8 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002225/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO NAS IMPORTAÇÕES.
O afastamento da penalidade está condicionado a que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Ainda, deve ser verificado se o produto estava sujeito à licenciamento no momento da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 3201-001.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes e Adriene Maria de Miranda Veras.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO NAS IMPORTAÇÕES. O afastamento da penalidade está condicionado a que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Ainda, deve ser verificado se o produto estava sujeito à licenciamento no momento da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes e Adriene Maria de Miranda Veras. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriene Maria de Miranda Veras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 22 25 /2 00 7- 03 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Relatório A ora Recorrente , em processo de revisão aduaneira, foi autuada (fls. 02 a 66) para pagar a diferença de tributos aduaneiros, multa por falta de licenciamento na importação, multa de 1% por classificação incorreta, na importação da mercadoria “Etoxicina”, de graduação 66,6%, 91%, 92%, 95% e 100%, produto descrito nas DI´s como “aditivos antioxidantes para alimentação animal”, por ela classificada na NCM 2933.49.90, alíquotas de II e IPI de 0% , até 04/02/2004 e, 2% para o II, a partir daquela data, até 31/12/2006. A fiscalização aduaneira reclassificou a mercadoria para a NCM 2309.90.90. Apresentada impugnação, a 2a Turma da DRJ/SP2, através do Acórdão 17 5030818.343, julgou parcialmente procedente o pedido da Recorrente, para, em síntese: i. manter a classificação fiscal adotada pela Recorrente, considerandose que no procedimento de revisão aduaneira, não foi realizado laudo técnico indispensável à plena caracterização da mercadoria; ii. manter a multa por infração administrativa ao controle das importações, para as importações realizadas até o advento da Portaria SECEX n. 17/2003, que determinou como regra, a dispensa de licenciamento, de sorte que a aplicação da multa depende da comprovação de que a mercadoria importada esteja excluída da regra geral; iii. reconhecer parte do pagamento efetuado pela Recorrente; iv. reconhecer como definitivo o lançamento em relação à parte da matéria não impugnada a reclassificação fiscal da “Etoxicina 66,6%” ; v. manter os juros corrigidos pela taxa SELIC, tratandose de argüição de matéria constitucional. Por conseguinte, do valor inicial da autuação, de R$6.045.966,80, a DRJ entendeu remanescer o valor de R$ 93.992,06, referente a parcela de relativa ao produto cuja desclassificação fiscal foi reconhecida pela importadora, a “Etoxicina 66,6%”, que aderiu a programa de parcelamento. Em relação à “Etoxicina 66,6%” foi mantida a multa proporcional ao controle administrativo das importações, bem como a multa por erro de classificação fiscal, de 1%, pois na decisão recorrida entendeuse que a referida mercadoria não teria sido suficientemente descrita, enquanto preparação do tipo utilizado para alimentação de animais, o que teria prejudicado o correto enquadramento da mercadoria. Assim sendo, manteve a multa por infração administrativa ao controle das importações, contudo, fazendo a ressalva de que, por força da Portaria SECEX 17/2003, a regra geral é que as mercadorias sejam dispensadas de licenciamento, de maneira que a autoridade de autuação deveria demonstrar que a .“Etoxicina 66,6%” estava sujeita a licenciamento. Concluiu, assim que, para as importações ocorridas a partir de 02/12/2003 quando entrou em vigor a Portaria SECEX 17/2003, não houve fundamento legal para a manutenção da multa, mantendoa apenas para a DI 03/08255300. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10314.002225/200703 Acórdão n.º 3201001.600 S3C2T1 Fl. 94 3 No que tange à multa por erro de classificação fiscal, considerando o reconhecimento do equívoco pela própria contribuinte, mantevea integralmente. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente informou que concordavas com o pagamento da multa de 1%, no valor de R$ 36.285,16, prosseguindo com o litígio, apenas no que tange à multa ao controle administrativo, em relação à qual, alegou: i. a descrição das mercadorias era suficiente para identificar o produto importado, devendo ser aplicado o disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/97; ii. aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna, previsto no art.106 do CTN, em vista da edição da Portaria SECEX 17/2003. Na sessão de maio de 2013 essa Turma Julgadora, converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora juntasse aos autos a DI 03/08255300, bem como informasse se o produto importado, “Etoxicina 66,6%”, estava sujeita a licenciamento à época dos fatos. Retornando os autos, às fls.445 e ss foi juntada a DI requerida, bem como , às fls. 448, foi juntada informação da autoridade preparadora no sentido de que : Considerandose a NCM tomada como correta pela Autoridade Fiscal realizadora da autuação (NCM 2309.90.90), foram feitas pesquisas ao histórico do seu Tratamento Administrativo à época da autuação, onde foi identificada a existência do Destaque nº 001 para o capítulo 23. Tal destaque determina a necessidade de LI não automática concedida pelo Ministério da Agricultura quando o produto se destina a “USO NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL”. Instada a se manifestar, a Recorrente afirmou que a descrição dos referidos produtos traz claramente a informação de que se tratam de aditivos antioxidantes para alimentação animal, não sendo crível a alegação de não ser possível percebêlos como "uma preparação do tipo utilizado na alimentação de animais", devendo , portanto, ser aplicado ao presente caso, o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97. Ainda, entendeu a Recorrente que a diligência realizada não atende integralmente à finalidade pretendida, posto que se restringiu a avaliar o tratamento administrativo aplicável ao NCM 2309.90.90, não avaliando o tratamento administrativo atribuído ao NCM 2933.49.90, que era a classificação fiscal originalmente atribuída. Requer ao final, a complementação da conclusão da diligência, para o fim de que seja informado qual o tratamento administrativo dado ao NCM 2933.49.90 na época dos fatos geradores, intimandose a Recorrente do respectivo resultado. Alternativamente, requer a reforma parcial do Acórdão DRJ/SP2 n° 17 50.308, de modo que seja reconhecida a improcedência do lançamento fiscal relativamente à multa ao controle administrativo das importações, correspondente a 30% do valor aduaneiro, prevista no artigo 633, II, do Decreto n° 4.543/2002, em vigor à época. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Em relação à revisão de ofício, entendo que não há reparos a serem feitos à decisão da DRJ/SPO2, na medida em que as mercadorias “Etoxicina”, em sua diversas concentrações, foram reclassificadas com base tãosomente, nas descrições das declarações de importação em cotejo com as regras incidentes sobre a classificação fiscal de mercadorias. A importadora descreveu as referidas mercadorias como “aditivo antioxidante para alimentação animal”, de sorte que a fiscalização entendeu que esses produtos deveriam se classificar na posição 2309, para “preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais”. Observese que foram apresentados três laudos técnicos pela importadora, do Laboratório de Análises da Fundação de desenvolvimento da UNICAMPFUNCAMP, corroborando a classificação fiscal empregada pela empresa, caracterizando a mercadoria como produto químico de composição isolada e definida, devendose classificar na NCM 2933.49.90, uma vez que estariam excluídos da posição “2309”, na qual se classificam as “preparações”. Ora, a controvérsia, portanto, cingiuse à caracterização das mercadorias importadas enquanto “produtos químicos de composição isolada e definida” ou como “preparações”, discrímen erigido pelo Sistema Harmonizado, para levar a classificação a um ou outro capítulo. Por conseguinte, é inexorável se entender que apenas um laudo técnico poderia dirimir a controvérsia, procedimento o qual se absteve a fiscalização. Nesse passo, vale a transcrição da decisão ora recorrida: Consoante noção cediça, para que se possa formar convicção quanto ao adequado enquadramento tarifário de um produto, é indispensável conhecer, com minudência, todas as características, para assim chegarse a sua correta identificação e, em observância às normas pertinentes, laborar a correspondente classificação fiscal. [...] Compulsando os autos, constatamos que o fisco não trouxe qualquer documento no sentido de identificar as mercadorias e, assim, comprovar o acerto da reclassificação procedida. De outro lado, a impugnante apresentou três Laudos Técnicos emitidos pelo Laboratório de Análises da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp FUNCAMP, relativamente a três DIs glosadas no Auto de Infração, os quais se originaram de Fl. 475DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10314.002225/200703 Acórdão n.º 3201001.600 S3C2T1 Fl. 95 5 pedido de exame laboratorial feito pela Receita federal Alfândega do Porto de Santos (fls.198/203) Ao omitirse sobre a produção do laudo técnico, validouse a classificação empregada pela importadora, mormente porque esta apresentou os laudos técnicos que estribavam a classificação adotada, devendo nessa parte ser mantida a decisão recorrida que julgou improcedente o lançamento e seus respectivos consectários legais. Assim sendo, nego provimento à revisão de ofício. Com relação ao recurso voluntário, este preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto ao produto cuja desclassificação fiscal foi reconhecida pela importadora, a “Etoxicina 66,6%”, que aderiu a programa de parcelamento, foi mantida a multa proporcional ao controle administrativo das importações, bem como a multa por erro de classificação fiscal, de 1%. É de se observar que a Recorrente, com relação a essa mercadoria, aceitou a (re)classificação fiscal imposta pela autoridade aduaneira, pagando a multa de 1% por erro de classificação fiscal, informando na peça de recurso voluntário, que procederia ao pagamento. Por conseguinte, o objeto do recurso voluntário cingese à multa por falta de licenciamento das importações, relativa à “Etoxicina 66,6%”, apurada no valor de R$47.636,90, pois apenas foram consideradas as importações anteriores à vigência da Portaria SECEX 17/2003. Em consonância com o relatório, a multa por infração ao controle administrativo às importações apenas foi mantida em relação à DI 03/08255300, a única que teria sido registrada anteriormente à Portaria SECEX 17/2003. Ora, no caso em tela, há norma administrativa da própria Secretaria da receita Federal, Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/97, que prescreve não restar caracterizada a infração combatida, caso haja descrição da mercadoria, que permita à autoridade administrativa perquirir sobre a correta classificação fiscal a ser adotada. Analisandose o resultado da diligência, com a juntada da DI 03/08255300, verificase que no campo “descrição detalhada da mercadoria” consta “SANTOQUIM MIXTURE 655.1” (fl.447). A referida descrição não é suficiente para que se possa alcançar a posição 2309 da Tarifa Externa Comum, que abarca “preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais”, ressaltandose que, a Recorrente não se opôs, nesse caso, contra a desclassificação fiscal perpetrada. Sobre a alegação segundo a qual a diligência realizada não atenderia integralmente à finalidade pretendida, posto não avaliou o tratamento administrativo atribuído ao NCM 2933.49.90, que era a classificação fiscal originalmente atribuída, é despicienda para a formação da convicção do julgador. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Isto porque a multa por infração ao controle administrativo das importações, enquanto multa administrativa aduaneira, visa a coibir que mercadorias importadas que possam afetar a segurança e saúde pública, ingressem no território nacional , sem o controle dos órgãos anuentes. Ou seja, a sua racionalidade dirigese a importações que, por erro na classificação fiscal, possam se furtar ao correto tratamento administrativo, previsto na legislação. Em síntese,considerandose que, do resultado da diligência, constatouse que o produto não estava corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, bem como, que à época do fato gerador, estava sujeito ao licenciamento na importação, é de ser mantida a penalidade. Em face do exposto, julgo improcedente o recurso de ofício, bem como improcedente o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 477DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 13609.000534/2003-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
RECAUCHUTAGEM OU RECAPAGEM DE PNEUS PARA CONSUMO DE DESTINATÁRIO ENCOMENDANTE. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI.
Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, tem-se como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 - ou do RIPI/2002.
Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto.
O regime da não-cumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao
tributo incidente sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam
consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega.
Numero da decisão: 3802-002.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RECAUCHUTAGEM OU RECAPAGEM DE PNEUS PARA CONSUMO DE DESTINATÁRIO ENCOMENDANTE. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, tem-se como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 - ou do RIPI/2002. Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto. O regime da não-cumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega.
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EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, temse como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002. Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto. O regime da nãocumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 05 34 /2 00 3- 90 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Trata o presente processo a DCOMP, formalizada pela contribuinte onde se pretendeu a extinção de débitos, apontando crédito originário de Ressarcimento de IPI apurado no trimestre referido na ementa, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 33/99. A Fiscalização verificou tratarse de empresa que “realiza serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus, trabalhando sempre por encomenda de seus clientes, isto é, a empresa não compra as carcaças de pneus para revendêlas após o recondicionamento, mas executa as reformas nas carcaças fornecidas pelos próprios clientes, sob encomenda. Além disso, a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus”. Acrescentou, ainda, a autoridade fiscal que “pelo Livro Registro de Saídas ... verificase que todas as notas fiscais ali registradas são de prestação de serviços” e que “toda a receita consignada no Livro Razão provém da prestação de serviços ou são receitas financeiras ou recuperação de algum tipo de despesa”. Destacouse, ainda, no Relatório Fiscal, que o contrato social da empresa e alterações posteriores indica que o objeto social é o “serviço de reforma e conserto de pneus em geral”. Concluindo que o estabelecimento não se caracteriza como industrial, pois as operações que realiza não se distinguem como industrialização, conforme o art. 4º do RIPI/1998 e o inciso XI do art. 5º1 do mesmo regulamento [que exclui as operações ali indicadas do conceito de industrialização]. Logo, indicou o indeferimento dos pedidos de ressarcimento, “por ineficácia dos mesmos, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte do imposto”. Assim sendo, foi proferido Despacho Decisório com base nas constatações contidas no Relatório Fiscal, ou seja, indeferindo o direito creditório e não homologando a DCOMP. Argumenta na manifestação de inconformidade, o seguinte: alega que o relatório de auditoria fiscal distorce a aplicação da legislação e omite partes do processo industrial, ao procurar descaracterizar a industrialização exercida sobre produto usado, deteriorado ou inutilizado renovando ou restaurando o produto para utilização, nos termos do inciso V do art. 4º do RIPI/1998; 1 Art. 5º Não se considera industrialização: XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); Fl. 295DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000534/200390 Acórdão n.º 3802002.876 S3TE02 Fl. 295 3 pondera que descaracterizada estaria a industrialização se estivesse consertando um pneu que ainda possui vida útil mas que necessite de reparo (como numa borracharia) e o devolvendo ao cliente, o que não é o caso, haja vista que o pneu “reformado”, antes da reforma, não possuía mais vida útil; destaca o conceito de pneu ou pneumático reformado dado pelo art. 2º, III da Resolução nº 258/99, do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente: “todo pneumático que foi submetido a algum tipo de processo industrial com o fim específico de aumentar sua vida útil de rodagem em meios de transporte, tais como recapagem, recauchutagem ou remoldagem, enquadrandose, para efeitos de importação, no código 4012.10 da Tarifa Externa Comum – TEC”; argumenta que o pneu recauchutado é um produto novo, classificado na NCM 40.12 – Pneumáticos recauchutados ou usados de borracha; protetores, bandas de rodagem para pneumáticos e ‘flaps’ de borracha – à qual é atribuída alíquota zero, enquanto que os pneus novos classificamse na NCM 40.11 – Pneumáticos novos, de borracha; acrescenta que “tem sua atividade principal classificada de acordo com o CNAE 2.0 enquadrada na subclasse 22.12.9.00 – ‘REFORMA DE PNEUMÁTICOS USADOS’, que pertence à seção C – ‘INDUSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO’, divisão 22 – ‘FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA E DE MATERIAL PLÁSTICO’, grupo 221 – ‘FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE BORRACHA’ e classe 22129 – ‘REFORMA DE PNEUMÁTICOS USADOS’” e conclui que “caso a reforma de pneumáticos usados não fosse uma atividade industrial a CONCLA – Comissão Nacional de Classificação, responsável pelas normas de utilização e padronização das classificações estatísticas nacionais, teria colocado esta atividade em outra seção que não fosse a seção C que contempla apenas as atividades das INDUSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO”; pondera que houve afronta à jurisprudência do Conselho de Contribuinte que afirma que o recondicionamento é um processo de industrialização, nos termos do Acórdão 20208348, de 20/03/1996; contesta a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a atividade exercida não caracteriza industrialização e afirma que a atividade de recauchutagem é efetiva industrialização na medida em que aperfeiçoa o produto para consumo, nos termos do conceito dado pelo § único do art. 46 do CTN; menciona ainda que não pode ser considerado oficina seja pelo número de empregados (em média 25), seja pelo parque industrial (dotado de diversos equipamentos de potência superior ao limite fixado pela lei), seja pela utilização de mãodeobra que representa cerca de 15% do custo do produto final; cita a Solução de Consulta DISIT/SRRF/10ª RF nº 245, de 18/12/2007, que conclui que as atividades de recapagem, recauchutagem e recondicionamento de pneus usados configuram operações de industrialização, sendo irrelevante ou não a incidência do ISS, excepcionando, de tal conceito de industrialização quando tais atividades forem realizadas por encomenda direta do consumidor ou usuário na residência do preparador ou oficina com preponderância do trabalho profissional; menciona estar juntando, por amostragem, cópias de notas fiscais de entrada e de saída de 1999 e 2001 [que na realidade compõem o ANEXO I do processo nº 13609.000326/200391] por meio das quais pretende demonstrar que é falso afirmar que todos os clientes fornecem as carcaças para a recauchutagem; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 pede, ao final, seja declarada a insubsistência do indeferimento do pedido de ressarcimento e da nãohomologação da compensação. A DRJ solicitou diligência para verificar a existência, no período a que se refere o pleito, de saídas para terceiros encomendantes estabelecidos com o comércio dos produtos recondicionados pela empresa, ou seja, caso em que a operação de recondicionamento não estaria excluída do conceito de industrialização, e que não se aplicaria, pois, o disposto no inciso XI do art. 5º do RIPI/1998 e, se for o caso, apurar o valor dos créditos passíveis de ressarcimento. Concluiuse que: i não houve saídas de produtos a terceiros encomendantes que sejam estabelecidos com o comércio de produtos recondicionados, segundo informação do próprio contribuinte; ii verificando os livros apresentados pelo contribuinte constatamos que este realizou corretamente o estorno dos créditos pleiteados. Empresa foi cientificada e reforça os argumentos da manifestação de inconformidade no sentido de reconhecimento imediato da atividade industrial do contribuinte, pois que sua produção de pneumáticos recauchutados é diferente dos pneumáticos novos, conforme tabela do IPI; que sua atividade não se confunde com a atividade de borracharia que faz remendos e reparos em pneus danificados restabelecendo sua condição de uso; que a carcaça é utilizada como matériaprima no processo industrial que entrega um produto novo, ou seja, pneu recauchutado, produto este diferente do pneumático novo. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: RECAUCHUTAGEM DE PNEUS SOB ENCOMENDA DE CONSUMIDOR FINAL. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99 decorre do saldo credor do IPI incidente na aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos que estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando a atividade de recauchutagem ou regeneração de pneus é efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante [excludente do conceito de industrialização, na forma do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002], situação esta não afastada pela interessada, mediante apresentação de provas documentais, quando da apresentação da manifestação de inconformidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO I COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado pela interessada para compensar os débitos objeto das DCOMPS em análise, cabe a não homologação das compensações sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de ressarcimento. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000534/200390 Acórdão n.º 3802002.876 S3TE02 Fl. 296 5 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Enfatiza que coleta carcaça e entrega pneus usados. O resultado é pneu reformado destituído de qualquer marca. Argumenta que o julgamento da 1 ª decisão deve ser nulo, inclusive por inovar, quando do pleito de diligência realizado. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente de indeferimento do direito creditório decorrente da constatação, pela Fiscalização, de que a empresa realiza os serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus por encomenda de seus clientes, que se tratam de consumidores finais e não de comerciantes de pneus. Dessa forma, afasta a atividade realizada pela empresa do conceito de industrialização prescrito no art. 4º, V2, do RIPI/1998 (renovação ou recondicionamento) e a enquadra na hipótese de exclusão de tal conceito indicada no art. 5º, XI3, do mesmo regulamento. Inicialmente, observase que o objeto social é o serviço de reforma e conserto de pneus em geral. Consta no Relatório de Auditoria Fiscal, tratarse de empresa que “realiza serviços de recapagem ou recauchutagem de pneus, trabalhando sempre por encomenda de seus clientes, isto é, a empresa não compra as carcaças de pneus para revendêlas após o recondicionamento, mas executa as reformas nas carcaças fornecidas pelos próprios clientes, sob encomenda. Além disso, a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus”. 2 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). 3 Art. 5º Não se considera industrialização: XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem assim o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); Fl. 298DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Bem como “pelo Livro Registro de Saídas (....) verificase que todas as notas fiscais ali registradas são de prestação de serviços” e que “toda a receita consignada no Livro Razão provém da prestação de serviços ou são receitas financeiras ou recuperação de algum tipo de despesa”. A questão resumese se o estabelecimento exerce atividade de industrialização, ou a atividade encontrase afastada do conceito de industrialização, por conta de estar inserida na exclusão do conceito de industrialização. Antes de adentrar no mérito, argumenta a recorrente que houve inovação, quando do pedido de diligência pela DRJ. Transcrevo passagem do texto motivador da mesma pela decisão a quo: Contrapondo a motivação do indeferimento com a demonstração, pela requerente, mediante notas fiscais de saída apresentadas por amostragem, da existência de saídas para terceiros que, pela atividade exercida [comércio varejista ou atacadista de pneumáticos e câmaras de ar], s.m.j, tratamse de pessoas jurídicas estabelecidas com o comércio dos produtos por ela recondicionados, entendeu esta Relatora pela necessidade de retorno do processo à DRF de origem, em diligência, para verificar a existência, no período a que se refere o pleito, de saídas para terceiros encomendantes estabelecidos com o comércio dos produtos recondicionados pela contribuinte [caso em que a operação de recondicionamento não estaria excluída do conceito de industrialização, não se aplicando, pois, o disposto no inciso XI do art. 5º do RIPI/1998] e, se fosse o caso, apurar o valor dos créditos passíveis de ressarcimento. Em resposta à diligência, conclui a fiscalização que (já relatado, inclusive): não houve saídas de produtos a terceiros encomendantes que sejam estabelecidos com o comércio de produtos recondicionados, segundo informação do próprio contribuinte; verificando os livros apresentados pelo contribuinte constatamos que este realizou corretamente o estorno dos créditos pleiteados. A recorrente foi cientificada e, inclusive, apresentou razões adicionais de defesa, no sentido de reconhecer a sua atividade industrial, uma vez que sua produção de pneumáticos recauchutados é diferente dos pneumáticos novos, conforme tabela do IPI; que sua atividade não se confunde com a atividade de borracharia que faz remendos e reparos em pneus danificados restabelecendo sua condição de uso; que a carcaça é utilizada como matéria prima no processo industrial que entrega um produto novo, ou seja, pneu recauchutado, produto este diferente do pneumático novo. De pronto, afasto as alegações da recorrente, pois não houve inovação nos autos, tampouco cerceamento de defesa; não ensejando nulidade de julgamento e sim pleito para esclarecimentos adicionais para convencimento do julgador. Passando ao mérito, a recorrente apresentou, através das cópias de notas fiscais de entrada e de saída de 1999 e 2001, anexadas por amostragem (ANEXO I do processo nº 13609.000326/200391) e informa que não trabalha somente por encomenda de clientes consumidores finais, mas, que adquire as carcaças de pneus de diversos fornecedores, executa a operação de recondicionamento, e revende o produto a uma terceira pessoa (distinta do fornecedor das carcaças). Fl. 299DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000534/200390 Acórdão n.º 3802002.876 S3TE02 Fl. 297 7 Em análise das notas fiscais de saída apresentadas, notase, no Quadro Dados Adicionais, Campo Informações Complementares, a indicação do número da Nota Fiscal de Entrada. Este fato configura a situação do art. 5º, inciso XI, na forma do art. 333, IV, § 1º, do RIPI/2002 [art. 310, IV, §1º no RIPI/1998], ou seja: Art. 333. A Nota Fiscal, modelos 1 ou 1A, será emitida: IV na saída, em restituição, do produto consertado, restaurado ou recondicionado, nos casos previstos no inciso XI do art. 5º; § 1º Da nota fiscal prevista no inciso IV do caput constará a indicação da nota fiscal emitida, pelo estabelecimento, por ocasião do recebimento do produto. [destaques da Relatora]. Consta da maioria das notas fiscais de saída apresentadas, a indicação do CFOP 5.99 e a descrição da natureza da operação “Reformas”. Algumas poucas apresentam o CFOP 6.99, com descrição de operação “Reformas fora do Estado”. A apresentação das notas fiscais não logrou êxito em contrapor a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a atividade encontrase afastada do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º, inciso XI, do RIPI/2002 [ou do RIPI/1998]. Ao contrário, a emissão das notas fiscais de saída da forma mencionada revela que ela dá saída aos produtos recondicionados para o próprio autor da encomenda, para uso deste, ou seja, o encomendante é o consumidor final do produto, não o revende, enquadrando a atividade exercida, portanto, como prestação de serviços sujeita somente ao ISS. A decisão a quo, menciona dois Pareceres que esclarecem, em termos de conceituação do que seja operação de recauchutagem, bem como a destinação do produto é determinante se a operação é tributada ou não pelo IPI, isto é, se está enquadrada ou não no conceito de industrialização, conforme: O PARECER NORMATIVO CST nº 299/70, que dispõe: A recauchutagem de pneus, operação consistente em restaurar ou recapear os pneus usados, de forma a restaurar a sua utilização, caracterizase como "renovação" (RIPI4, art. 1º , § 2º , inc. V) e, pois, industrialização; o estabelecimento que a executa será, para os efeitos do IPI, um estabelecimento industrial e o seu titular será, em consequência, contribuinte do imposto, com relação aos mencionados produtos, saídos de seu estabelecimento (RIPI, art. 53, inciso I). ......... Todavia, "exvi" do disposto no inciso I, § 4º , do referido art. 1°, a citada operação não será considerada industrialização quando executada em pneus usados, por encomenda direta de terceiros, não estabelecidos com o comércio de tais produtos, ou seja, sem intuito de revenda. Nessa hipótese e, em consequência, a saída dos produtos acabados não obriga ao pagamento do imposto. 4 O regulamento a que se reporta o parecer é o RIPI/67 [ Decreto nº 61.514, de 12/10/1967]. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 As empresas recauchutadoras, segundo declara a respectiva entidade de classe, executam a mencionada operação, nas seguintes modalidades: a) por encomenda direta do proprietário, para uso deste; b) por encomenda do proprietário, para uso deste, mas por intermédio do borracheiro; c) por conta própria, para a revenda; d) por encomenda do borracheiro, para a revenda. Nenhuma dúvida subsiste nas modalidades descritas em "a", "c" e "d": eis que no primeiro caso, a operação se equipara a conserto, não alcançada pelo imposto, enquanto que as duas outras ("c" e "d") configuram renovação, sujeitas ao tributo às respectivas saídas. Merece, contudo, algumas considerações a modalidade descrita em "b". Então, não há dúvidas quanto à atividade de recauchutagem de pneus tratar se de operação de industrialização. No entanto, a destinação do produto recondicionado [se para revenda a terceiros ou para uso do autor da encomenda] é que determinará se a operação é tributada ou não pelo IPI, isto é, se está enquadrada ou não no conceito de industrialização. Da mesma forma o PARECER NORMATIVO CST nº 437/70: Isto posto, somos de parecer que a operação de industrialização de objetos usados adquiridos de particulares para revenda a terceiros efetivamente se enquadra no conceito de "renovação ou recondicionamento" a que se refere o RIPI, o já transcrito inc. V, § 2º , art. 1º . Só nesse conceito, e não noutro. Portanto, se o produto usado submetido a um processo de recondicionamento ou renovação for destinado ao encomendante proprietário da carcaça do pneu, para uso deste (consumidor final), a operação equiparase a conserto, não alcançada pelo IPI. Se o encomendante for revender o produto recondicionado, caso em que o encomendante comerciante será estabelecimento equiparado a industrial, por força do inciso IV do art. 9º do RIPI/1998 (ou do RIPI/2002). No entanto, no Termo de Verificação Fiscal consta que “a fiscalizada trabalha somente com consumidor final, sem atender a comerciantes de pneus” foi confirmada pela recorrente. Assim sendo, conceitualmente, será industrialização se o pneu for recauchutado para venda. Como se trata de encomenda do usuário, a exclusão do conceito de industrialização depende da atividade deste último: se for estabelecido com o comércio de pneus, é; do contrário, não, nos termos do inciso XI do art. 5º RIPI/98 e 2002. Por final, a recorrente limitouse a discutir que sua atividade está inserida no processo de industrialização, não aduzindo provas que lhe dessem respaldo para alcance do seu pleito. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do Fl. 301DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.000534/200390 Acórdão n.º 3802002.876 S3TE02 Fl. 298 9 direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifei) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos do IPI, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 302DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10850.904502/2011-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sat Jan 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o Cofins incidente sobre os combustíveis, incluído o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrada nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exonerada as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero.
Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o Cofins incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que dava provimento. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OAB-PE nº 25.620. Antecipado o julgamento para o dia 25 de fevereiro no período matutino a pedido da recorrente.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 10/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o Cofins incidente sobre os combustíveis, incluído o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrada nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exonerada as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o Cofins incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que dava AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 45 02 /2 01 1- 15 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 provimento. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OABPE nº 25.620. Antecipado o julgamento para o dia 25 de fevereiro no período matutino a pedido da recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 10/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904502/201115 Acórdão n.º 3801002.954 S3TE01 Fl. 97 3 Relatório A Recorrente apresentou Pedido de Restituição de contribuições que por meio de despacho decisório de fls.e com fundamento na informação fiscal, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de gasolina e óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar de sair produtos com alíquota zero, as tributações do COFINS, referentes ao óleo diesel e à gasolina, ocorrem de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade insurgindose contra o teor do despacho decisório na qual alegou, em síntese, que por entender ter direito ao crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; que não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo diesel, doravante englobados pelo termo combustível; que as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à nãocumulatividade; Assim, considerando que a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei n.º 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e que a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade, entende, desse modo ter direito ao crédito. A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDA VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativos às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da não cumulatividade. É incontroverso que a Lei n.º 9.990/2000 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a Recorrente o presente recurso com base nos mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904502/201115 Acórdão n.º 3801002.954 S3TE01 Fl. 98 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da Contribuição para o PIS/Pasep supostamente incidente sobre aquisição de gasolina A e óleo diesel. Inicialmente, é oportuno esclarecer que as operações comerciais com os combustíveis derivados de petróleo, incluindo o óleo diesel e gasolina, desde a fonte até o consumidor final, normalmente se desenvolvem em três etapas bem definidas e distintas, a saber: a uma nas refinarias, na qualidade de produtoras, vendem o combustível para as distribuidoras; a duas, nas distribuidoras, por sua vez, revendemno aos varejistas; e a três nos varejistas, que, por último, revendem o produto aos consumidores finais. Em face das peculiaridades do setor de combustíveis derivados de petróleo e tendo conta a magnitude do volume de operações e valores envolvidos em toda a cadeia de comercialização, com o objetivo de tornar mais simples e eficaz o controle da arrecadação, ao longo do tempo, o regime de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes da venda de tais produtos ocorreram de forma concentrada, seja sob a modalidade de substituição tributária para frente, seja sob a forma de tributação monofásica. Sob a forma de substituição tributária, enquanto vigente, a incidência das referidas Contribuições deuse da seguinte forma: a) até 31/01/1999, concentrada nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas: em relação à Cofins, esta sistemática foi adotada desde a instituição desta contribuição pela Lei Complementar n.º 70, de 1991 (art. 4º); no que tange à Contribuição para o PIS/Pasep, ela foi introduzida a partir da vigência da MP n.º 1.212, de 1995 (art. 6º1), convertida na Lei n.º 9.715, de 1998; e, b) no período de 01/02/1999 a 30/06/2000, concentrada nas refinarias, na condição de contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas: com o advento da Lei n.º 9.718, de 1998 (art. 4º2), foi unificada a legislação sobre a forma incidência das duas Contribuições 1 Art. 6º A contribuição mensal devida pelos distribuidores de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o menor valor, no País, constante da tabela de preços máximos fixados para venda a varejo, sem prejuízo da contribuição incidente sobre suas próprias vendas. 2 Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 sobre as receitas das vendas de combustíveis. Nesta nova forma de substituição, as refinarias foram indicadas como contribuintes substitutas no lugar das distribuidoras eleitas na sistemática anterior. A indicação das refinarias como contribuintes substitutas das distribuidoras (2ª etapa) e varejistas (3ª etapa) resultou na concentração dos recolhimentos das ditas Contribuições na origem da cadeia comercial, englobando as duas etapas seguintes (distribuição e varejo), caracterizando um típico regime de substituição tributária “para frente”, no qual as refinarias recolhiam de forma antecipada e direta, com base em fato gerador futuro e presumido, as contribuições que seriam devidas nas operações subseqüentes, efetuadas pelas distribuidoras e pelos varejistas (contribuintes substituídos), que sofriam a incidência de forma indireta. Dessa forma, antevendo a possibilidade da não ocorrência da última fase da cadeia de comercialização, em conformidade com o disposto no art. 150, § 7º, da CF/1988, foi assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica (contribuinte substituído), o ressarcimento dos valores das Contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins (recolhidos na origem pela refinaria) relativos à última operação não realizada de aquisição de gasolina ou óleo diesel, isto é, possivelmente, a operação final entre os varejistas e os consumidores finais (3ª etapa), mediante compensação ou restituição (na verdade ressarcimento), na forma e de acordo com os requisitos estabelecidos no art. 6º da Instrução Normativa SRF n.º 6, de 29 de janeiro de 1999, a seguir transcrito: Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. §2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º, multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pela IN SRF n.º 24/99, de 25/02/1999) § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7°a 14 desta Instrução Normativa. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904502/201115 Acórdão n.º 3801002.954 S3TE01 Fl. 99 7 Essa sistemática, foi extinta a partir de 01/07/2000 pelos artigos. 2º e 43 da Medida Provisória n.º 1.99115, de 2000, que nesta específica edição, ao dar nova redação ao art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, aboliu a sistemática de substituição tributária, substituindo a pelo regime de tributação monofásica, na origem, ou seja, na refinaria de petróleo, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na nova sistemática de tributação as refinarias passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme estabelecido no inciso I do art. 43 da mesma MP 1.99115, de 2000, que se tornou definitivo com a reprodução no inciso I do art. 42 da MP n.º 2.15835, de 24 agosto de 2001, assim expresso: Art.42.Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência monofásica, a tributação das refinarias e das distribuidoras e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pela refinaria não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre as refinarias, assim como os pagamentos por elas realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos nas refinarias. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária em debate. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 2000 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de combustíveis, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de derivados de petróleo. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904502/201115 Acórdão n.º 3801002.954 S3TE01 Fl. 100 9 Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das sistemáticas de apuração e cobrança das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de tributação, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida, não é possível estender a análise. Até tenho me posicionado que quando a empresa está sujeita aos dois regimes de tributação, poderá descontar créditos quanto aos combustíveis utilizados como insumo na prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso. Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos ao regime monofásico adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos ao regime para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, com caráter interpretativo não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. O artigo 17 veio para suprir a dúvida que existia, por ex., para as empresas de embalagens que adquiriam insumos com tributação e para as quais se negava indevidamente o direito de crédito. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pela prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de combustíveis estão sujeitas à alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Em conseqüência, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência nãocumulativa e submetida à alíquota zero, quando auferida pelos comerciantes atacadistas e varejistas (caso em apreço), nessas etapas, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Assim sendo voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904502/201115 Acórdão n.º 3801002.954 S3TE01 Fl. 101 11 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10166.010861/2008-22
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2005
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS EM VIRTUDE DE TRABALHOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS NO ÂMBITO DO PNUD-ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. SÚMULA 39 DO CARF
Em que pese o Superior Tribunal de Justiça consignar que os rendimentos do trabalho auferidos por prestador de serviços técnicos especializados prestados no Brasil, por contribuinte residente no país, por conta do PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em face do entendimento pacificado, quando do julgamento do Recurso Especial nº. 1159379-DF, em 08/06/2011, por sua Primeira Seção, de que os mesmos são isentos e não tributáveis, independentemente da natureza do vínculo sob o qual foi prestado o trabalho,por força do art. 62 do Regimento Interno do CARF, deve ser aplicada a Súmula 39 deste Órgão Judicante, a qual dispõe em sentido contrário.
PNUD. SÚMULA 39 DO CARF.
Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA INFORMADOS PELA FONTE COMO DE TRABALHO ASSALARIADO, NÃO HAVENDO PROVA QUE SUPORTE ALEGAÇÃO DE TRATAR-SE DE BOLSA DE PESQUISA. LANÇAMENTO MANTIDO.
Tendo a fonte pagadora informado rendimentos em DIRF, com natureza de trabalho assalariado, não se pode dar guarida a alegação genérica de tratar-se de bolsa de pesquisa, sem qualquer suporte probatório.
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. COMPENSAÇÃO DE DESPESAS SUPOSTAMENTE REFERENTES A CONDOMÍNIO E OUTRAS, SEM PROVA DE QUE TERIAM SIDO EFETIVAMENTE PAGAS PELO CONTRIBUINTE E QUE NÃO TERIAM SIDO REPASSADAS AO LOCATÁRIO. LANÇAMENTO MANTIDO.
Não havendo prova de que despesas compensáveis com valores recebidos a título de aluguéis teriam sido efetivamente pagas pelo contribuinte e que não teriam sido repassadas ao locatário, é de manter-se o lançamento.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-002.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente).
Carlos André Ribas de Mello Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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RENDIMENTOS RECEBIDOS EM VIRTUDE DE TRABALHOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS NO ÂMBITO DO PNUDORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. SÚMULA 39 DO CARF Em que pese o Superior Tribunal de Justiça consignar que os rendimentos do trabalho auferidos por prestador de serviços técnicos especializados prestados no Brasil, por contribuinte residente no país, por conta do PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em face do entendimento pacificado, quando do julgamento do Recurso Especial nº. 1159379DF, em 08/06/2011, por sua Primeira Seção, de que os mesmos são isentos e não tributáveis, independentemente da natureza do vínculo sob o qual foi prestado o trabalho,por força do art. 62 do Regimento Interno do CARF, deve ser aplicada a Súmula 39 deste Órgão Judicante, a qual dispõe em sentido contrário. PNUD. SÚMULA 39 DO CARF. “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA INFORMADOS PELA FONTE COMO DE TRABALHO ASSALARIADO, NÃO HAVENDO PROVA QUE SUPORTE ALEGAÇÃO DE TRATARSE DE BOLSA DE PESQUISA. LANÇAMENTO MANTIDO. Tendo a fonte pagadora informado rendimentos em DIRF, com natureza de trabalho assalariado, não se pode dar guarida a alegação genérica de tratarse de bolsa de pesquisa, sem qualquer suporte probatório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 08 61 /2 00 8- 22 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. COMPENSAÇÃO DE DESPESAS SUPOSTAMENTE REFERENTES A CONDOMÍNIO E OUTRAS, SEM PROVA DE QUE TERIAM SIDO EFETIVAMENTE PAGAS PELO CONTRIBUINTE E QUE NÃO TERIAM SIDO REPASSADAS AO LOCATÁRIO. LANÇAMENTO MANTIDO. Não havendo prova de que despesas compensáveis com valores recebidos a título de aluguéis teriam sido efetivamente pagas pelo contribuinte e que não teriam sido repassadas ao locatário, é de manterse o lançamento. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente). Carlos André Ribas de Mello – Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (flS. 09 e ss.), relativo ao exercício 2005, anocalendário 2004, em virtude de suposta omissão de rendimentos do exterior pagos a consultores por organismos internacionais – Derc, omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica e omissão de rendimentos de aluguéis. Inconformado, o contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 01 e ss., alegando, em breve síntese, que Alega, resumidamente, que os rendimentos pagos pela SETEC correspondiam à bolsa de pesquisa e, portanto, de acordo com o art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995, a IN SRF nº 15, de 2001, o Parecer Normativo CST nº 326, de 1971 e o Parecer PGFN/CAJE nº 593, de 1990, eram isentos de tributação; que a Setec abriu uma conta bancária em seu nome e lá depositou os valores sem o seu conhecimento, fato que demonstra não haver prestado serviços para a SETEC de nenhuma espécie em contrapartida dos valores recebidos; que requer a devolução do IRRF indevidamente retido pela empresa no valor de R$ 36,05; que, quanto a rendimentos de aluguéis, informa que após abatidas as despesas informadas em Livro Caixa, restaram os rendimentos no valor de R$ 1.384,00 já oferecidos à tributação; que seu pleito foi deferido parcialmente na análise da SRL, mas o Auditor Fiscal considerou somente as despesas relativas às comissões imobiliárias; que, com relação aos rendimentos pagos pelo PNUD, aduz que desenvolveu no ano de 2004 pesquisa para o IPEA Fl. 121DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10166.010861/200822 Acórdão n.º 2802002.639 S2TE02 Fl. 120 3 financiada pelo PNUD, intitulada Aspectos econômicos e ambientais da demanda contingente por água no Distrito Federal; que o valor recebido corresponde à bolsa de pesquisa e, por conseguinte, é isenta de tributação; que os rendimentos auferidos do PNUD têm a mesma natureza das bolsas de pesquisa outrora recebidas, razão pela qual não abdicará de se defender. Lista uma série de trabalhos executados e publicados pelo contribuinte, pelos quais teria recebido bolsas de pesquisa. Cita a jurisprudência. Em julgamento, a 6ª Turma da DRJ/BSB, em sessão realizada no dia 28/02/2012, por unanimidade, julgou procedente o lançamento aos fundamentos de que não é o contribuinte funcionário domiciliado no exterior de Organismos Internacionais de que o Brasil seja parte, hipótese em que gozaria de isenção nos termos da Lei n.4506/64; que tratados e acordos internacionais mencionados no acórdão concedem isenção a funcionários da Nações Unidas ou das Agências Especializadas que constem nas listas elaboradas por organismos Internacionais, também não sendo esta a condição do contribuinte; que a isenção não foi conferida a técnicos que prestem serviços a estas entidades sem vínculo empregatício, invocando a este respeito a súmula CARF n.39; que, quanto a omissão de rendimentos pagos por pessoa jurídica (SETEC), a fonte os informou à RFB em DIRF como rendimentos de trabalho assalariado (fl.39), não havendo qualquer documento que comprove as alegações do contribuinte de que tratarseia de bolsa de estudos; quanto aos rendimentos de aluguéis, alega que abateu as despesas de livrocaixa; que é verdade que há despesas dedutíveis do montante a ser oferecido a tributação a título de alugúeis percebidos, porém, é necessário que o contribuinte demonstre que suporta efetivamente tais despesas, não as repassando ao locatário, por exemplo, por meio da exibição do Contrato de Locação e comprovantes do pagamento das despesas, mas o contribuinte não desincumbiuse de tais provas, para além dos documentos de fls.6874, já refutados pela DRF, a não ser para admitir a dedução da comissão da administradora predial; que o tal livrocaixa apresentado pelo contribuinte tem valor meramente informativo, por sua anotações, mas não tem o condão de provar a efetivação das despesas ou que as mesmas foram efetivamente suportadas pelo contribuinte, sem serem repassadas ao locatário. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl. 107 (numeração CARF), o Recorrente, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fls. 108 e ss., repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e acrescendo considerações acerca de seu curriculum vitae, tecendo críticas ao PNUD e citando a jurisprudência. É o relatório. Voto Fl. 122DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, no particular em que impugna a exigência concernente à omissão de rendimentos do trabalho e de aluguéis. No que diz respeito a omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, a questão se resolve no enunciado da súmula n.39 CARF, verbis: “os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Observese que dentre os acórdãos que conduziram à elaboração da Súmula há decisões que trataram justamente da condição de técnicos e peritos contratados sem vínculo empregatício, no âmbito do PNUD. Não posso deixar, porém, de consignar que o entendimento, pacificado do Superior Tribunal de Justiça é diverso, desde o julgamento do Recurso Especial nº. 1159379 DF pela Primeira Seção daquela Corte de Justiça em junho passado próximo. Observese que não se está diante de mera decisão de uma das Turmas do STJ, mas de julgado da Primeira Seção, que tem por fim precisamente a uniformização da jurisprudência das turmas. O acórdão, relatado pelo Ministro Teori Albino Zavascki, está assim ementado, verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AO PNUD. ISENÇÃO. MULTA. SÚMULA 98/STJ. 1. O Acordo Básico de Assistência Técnica firmado entre o Brasil, a ONU e algumas de suas Agências, aprovado pelo Decreto Legislativo 11/66 e promulgado pelo Decreto 59.308/66, assumiu, no direito interno, a natureza e a hierarquia de lei ordinária de caráter especial, aplicável às situações nele definidas. Tal Acordo atribuiu, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas, os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50. 2. O autor prestou serviços de assistência técnica especializada, na condição de Técnico Especialista, ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, de quem recebia a correspondente contraprestação. Assim, os valores recebidos nessa condição estão abrangidos pela cláusula isentiva de que trata o inciso II do art. 23, do RIR/94, reproduzida no art. 22, II, do RIR/99. 3. Nos termos da Súmula 98/STJ, embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório. 4. Recurso especial provido.” (REsp 1159379 / DF, 2009/01944819, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2011, Publicado no Dje em 27/06/2011.) Tive o cuidado de ler o inteiro teor da decisão e está claro e firmado o entendimento daquela E.Corte de que também gozam da isenção do imposto os “peritos de assistência técnica” contratados no Brasil pelas Nações Unidas no âmbito do PNUD, independentemente de constarem em relações para este fim. No caso em tela, o STJ considerou que técnico, contratado na qualidade de consultor, ainda que a título precário, deveria ser entendido como subsumido na categoria de “perito de assistência técnica”. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10166.010861/200822 Acórdão n.º 2802002.639 S2TE02 Fl. 121 5 A atual jurisprudência daquela Corte de Justiça observa o art.5º, número 1, do Decreto nº.59.308/66, que dispõe, ipsis litteris: “Artigo V (Facilidades, Privilégios e Imunidades): 1. O Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazêlo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização da Nações Unidas, a "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas"; b) com respeito às Agências Especializadas, a "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas; (...)” (Grifei.) E ainda: “Artigo IV (Obrigações Administrativas e Financeiras do Governo): (...) d) a expressão "perito", tal como é empregada neste parágrafo, compreende, também qualquer outro pessoal de assistência Técnica designado pelos Organismos para servir no país, nos têrmos do presente acordo, excetuandose qualquer representante, no país, da Junta de Assistência Técnica e seu pessoal administrativo; (...)” Por fim, cito um excerto do acórdão do STJ, cuja ementa acima colacionei: “No caso dos autos, consta do acórdão recorrido que "o autor foi contratado como prestador de 'serviços técnicos especializados, na função específica de Técnico Especialista' no período de 01 ABR 1993 a 31 DEZ 1994" (fl. 308), o que permite, sem dúvida, a sua inclusão na categoria de "perito" a que se refere o art. IV, d do Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, razão pela qual, mutatis mutandis , a ele se aplica o mesmo entendimento adotado no voto transcrito.” Adotam idêntica tese os seguintes julgados do STJ, além do acima citado: Recurso Especial 1165029 / DF e Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Agravo 1289545 / DF. Porém, no caso presente, impõese, pelo artigo 62 do Regimento do CARF, a observância da Súmula supracitada. No que diz respeito a omissão de rendimentos do trabalho pagos por pessoa jurídica, SETEC, assiste razão à DRJ de que os mesmos foram informados pela fonte pagadora em DIRF como tributáveis, não havendo documento ou qualquer outra prova nos autos que corrobore o que afirma o contribuinte, que teriam natureza de bolsa de pesquisa. Por fim, no que diz respeito aos rendimentos de aluguéis, também está correta a DRJ ao afirmar que não há prova nos autos de que depesas eventualmente dedutíveis de rendimentos de aluguéis foram efetivamente pagas pelo contribuinte e suportadas sem repasse ao locatário. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Isto posto, sou pelo improvimento do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/ 02/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10950.901177/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/11/1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGA O DIREITO CREDITÓRIO POR CONSIDERAR INSUFICIENTE O CRÉDITO INFORMADO NA DCOMP PELA RECORRENTE.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Apenas quando se verificarem dos elementos trazidos aos autos, que se está diante de erro de fato, veiculado no despacho decisório, este pode ser superado pelo julgador administrativo, mormente em face do Princípio da Verdade Material, vetor do processo administrativo fiscal.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO.
Os débitos para com a União, decorrentes dc tributos c contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir dc 1° de janeiro dc 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, por determinação legal.
Numero da decisão: 1802-002.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGA O DIREITO CREDITÓRIO POR CONSIDERAR INSUFICIENTE O CRÉDITO INFORMADO NA DCOMP PELA RECORRENTE. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Apenas quando se verificarem dos elementos trazidos aos autos, que se está diante de erro de fato, veiculado no despacho decisório, este pode ser superado pelo julgador administrativo, mormente em face do Princípio da Verdade Material, vetor do processo administrativo fiscal. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. Os débitos para com a União, decorrentes dc tributos c contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir dc 1° de janeiro dc 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, por determinação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 11 77 /2 00 8- 13 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.901177/200813 Acórdão n.º 1802002.014 S1TE02 Fl. 37 2 (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.901177/200813 Acórdão n.º 1802002.014 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que por unanimidade de votos julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Trata o processo de Declaração de CompensaçãoPer/Dcomp 14933.87008.281004.1.7.047336, retificadora, transmitida em 28/10/2004, fls. 1/5, relativa à compensação de débitos 6012 CSLL demais PJ que apuram o IRPJ com base em lucro real trimestral, do 3° trimestre de 2004, com utilização do direito creditório de pagamento indevido ou a maior de CSLL em 30/11/1999, no valor do principal de R$ 1.926,90, mais R$ 19,27 de juros, totalizando o valor original de R$ 1.946,17. 2. A DRF em Maringá/PR, por meio do Despacho Decisório proferido em 24/04/2008, no de rastreamento 763944218 (fls. 6/8), não homologou as compensações declaradas, porque a partir das características do Darf discriminado no Per/Dcomp, localizaramse pagamentos, porem integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível; apurou o saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/05/2008, no valor do principal de R$ 1.807,91, acrescido de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório por via postal (AR recebido em 03/06/2008, fl. 9), a contribuinte apresentou, tempestivamente, em 25/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 10/17, na qual alega que o crédito foi pautado nos §§ 1º e 2º do art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e teve origem em pagamento indevido ou a maior, pois para aquele período de apuração, poderia ter compensado 1/3 da Cofins devida sobre o faturamento mensal, com a CSLL; como a empresa pagou toda a CSLL devida, nasceu o direito de postular a compensação, dado que dispunha de direitos Creditórios de Cofins. 4. Ressalta que a exigência tributária passa a ter sua exigibilidade suspensa (art. 151, III do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), a partir da apresentação da impugnação, portanto, não pode haver impedimento à empresa de obter sua CPD — EM ou ser alvo de outros impedimentos que prejudiquem suas atividades. 5. Aponta o direito à compensação, art. 170 do CTN, art. 74, § 1° da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 26, §1° da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, decisões judiciais, para respaldar seu direto à compensação, destacando que a Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002, modificou a legislação e permitiu ao contribuinte fazer a compensação por sua conta e risco, reservando à autoridade administrativa a ulterior homologação. 6. Requer que, se não acatada a Dcomp, se exijam somente juros de mora, excluindo quais quer outras penalidades, bem como que seja Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.901177/200813 Acórdão n.º 1802002.014 S1TE02 Fl. 39 4 respeitada a exigibilidade suspensa dos débitos e que sejam analisadas as Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ da empresa a partir do banco de dados da RFB” A DRJ de Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/1999 PER/DCOMP ELETRÔNICO NÃO HOMOLOGADO. Indevida em parte a não homologação da compensação pleiteada se a existência de crédito de saldo negativo de CSLL de períodos anteriores é confirmada em parte. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. Os débitos para com a União, decorrentes dc tributos c contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir dc 1° de janeiro dc 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, por determinação legal. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 18/01/2011, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 02/02/2011, onde alega que a 2ª Turma de Julgamentos proferiu acórdão julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade que ela havia apresentado, não homologando sua compensação. A partir daí faz uma análise teórica sobre a origem de seu direito creditório, citando diversas leis e julgados sobre o direito a compensação de 1/3 da Cofins a base de cálculo da CSLL, bem como do direito de compensar tributos recolhidos a maior ou indevidamente. No entanto, não junta qualquer novo documento novo sobre a existência do direito creditório. No pedido requer que: “a) Seja recebido e processado o Recurso Voluntário para julgar insubsistente o processo administrativo nº. 12417.73908.281004.1.3.041300; b) Seja homologada a declaração de compensação realizada pela recorrente em todo período transcrito no processo administrativo, por ser direito previsto na Lei 9.718/98; c) Caso não seja acatado o pedido de insubsistência acima pleiteado no item "a", por não ser este o entendimento desta Seção de Julgamento, requer seja aplicado aos valores declarados nas declarações de compensações somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade (juros de mora, Multa Isolada, Multa), nos termos do art. 63 e seguintes, da Lei 9.430/96; d) Seja os créditos aqui discutidos nos termos do inciso III, do Art.151, do Código tributário Nacional e § 11º, art.74, da Lei 9.430/96, considerado com exigibilidade suspensa; Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.901177/200813 Acórdão n.º 1802002.014 S1TE02 Fl. 40 5 e) Por fim, requerse a análise através do próprio banco de dados da Receita Federal do Brasil, das DIPJ’s entregues pela notificada nos períodos de 1999 e 2000, pois por ter se passado mais de cinco anos da data de entrega de tais declarações, a notificada não possui mais a mencionada documentação.” Este é o Relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.901177/200813 Acórdão n.º 1802002.014 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de processo de compensação onde a Recorrente alega que cometeu erro no preenchimento da DIPJ, uma vez que não teria se aproveitado da dedução de 1/3 da Cofins na base de cálculo da CSLL referente ao 2º trimestre de 1999, paga em 30/07/1999, muito embora a legislação vigente a época lhe desse o direito a esse crédito. Verificado o seu erro a contribuinte informa que procedeu com a retificação da apuração dde seu tributo devido, tendo gerado um crédito no valor de R$ 1.709,16. Esse valor foi utilizado para a compensação da CSLL, código 2372 (PJ optante pela apuração com base no lucro presumido ou arbitrado), referentes aos períodos de apuração do 4º trimestre de 2000 e do 1° trimestre de 2004. Aparentemente a Recorrente não se atentou para o julgamento proferido pela DRJ de Curitiba (PR) que ao invés de negar provimento a manifestação de inconformidade, não homologando o direito creditório da contribuinte, como alegado às fls. 42, deu parcial provimento ao recurso apresentado para reconhecer o crédito referente apenas ao montante de 1/3 da Cofins paga no período em questão. Com efeito, de acordo com a DRJ às fls 33v, o direito da Recorrente calculado em conformidade com o art. 8º, §§, da Lei nº 9.718, de 1998, que permite a compensação de até 1/3 da Cofins efetivamente paga nos meses compreendidos nos correspondentes períodos de apuração da CSLL, apresentase nos seguintes valores: Período / DARF’s CSLL Cofins 1/3 Cofins Mar/99 3.473,74 242,64 80,88 Jun/99 5.188,51 217,18 72,39 Set/99 5.846,03 217,89 72,63 Dez/99 3.552,31 210,95 70,32 Total 18.060,59 888,66 296,22 Concluiuse, portanto, que o direito creditório da contribuinte no período em questão não montava a quantia de R$ 1.926,90, como alegado no pedido de compensação, mas apenas R$ 72,63, montante esse reconhecido. Ciente da decisão, a ora Recorrente ao invés de atacar a decisão da DRJ, juntando provas e trazendo novos argumentos para sustentar o seu pedido inicial, colacionou leis, teses e julgados para sustentar que teria direito a recalcular a sua CSLL do período de apuração do 3º trimestre de 1999 e com isso compensar o montante do tributo pago a maior. Assim, o Recurso não foi acompanhado de suporte probatório que demonstrasse o montante da Cofins paga, através de DARF ou retenção de fonte por Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.901177/200813 Acórdão n.º 1802002.014 S1TE02 Fl. 42 7 substituição tributária, a exemplo de sua escrita contábil, notas fiscais de aquisição de produtos tributados na origem, bem como sua documentação suporte. Nesse sentido reza o RIR/99: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º)” Destarte, apenas a documentação contábil completa, que reflita de maneira inconteste o direito creditório da Recorrente, demonstrando que a Cofins recolhida, além da demonstração de que o crédito utilizado na DCOMP não foi reaproveitado no ajuste ou nas estimativas do anocalendário subseqüente, seriam hábeis a fazer com que o Princípio da Verdade Material laborasse a seu favor. Destarte, nos processos administrativos originados de decisões que não homologam declarações de compensação, o conflito originarseá do não reconhecimento da relação de débito do Fisco e, por conseguinte, da não extinção da relação de seu crédito, pois na compensação concorrem duas relações jurídicas de cargas opostas – relação jurídica da obrigação tributária a relação de indébito do Fisco que, combinadas, se anulam. A Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 20031 alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para aplicar às situações de nãohomologação da compensação o rito do processo administrativo fiscal federal, prescrevendo que a manifestação de inconformidade é o veículo introdutor de conflito, no âmbito da jurisdição administrativa. Todavia, o contencioso administrativo originado da impugnação ao lançamento de ofício não se confunde com aquele decorrente de manifestação de inconformidade da decisão que não homologa o direito creditório nas compensações efetuadas pelo contribuinte. Com efeito, na impugnação o contribuinte visa a desconstituir o lançamento tributário, ato jurídico produzido pelo Fisco, nos termos do art. 142 do CTN, ao passo que no caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de 1§ 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.901177/200813 Acórdão n.º 1802002.014 S1TE02 Fl. 43 8 maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Nesse sentido, a despeito do Princípio da Verdade Material ser importante vetor do processo administrativo fiscal, não pode ser aplicado sem base empírica, ou seja, à míngua das provas competentes para constituir juridicamente o fato afirmado pela Recorrente, pois a “verdade” deve ser encontrada nos autos. Esse Conselho vem admitido a relativização da preclusão na apresentação de provas, sob o lastro do Princípio Verdade Material, porém, frisese, sempre quando o contribuinte logre trazer aos autos, ainda que intempestivamente, elementos probatórios que espelhem o direito afirmado. Em face do exposto, verificase que a inércia da Recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante do não reconhecimento do direito creditório reivindicado. A autoridade administrativa, nesse caso não tem discricionariedade para afastar ou não as penalidades incidentes sobre a não compensação do tributo, uma vez que as mesmas decorrem da lei. A exigência de multa de mora, tem respaldo na Lei n° 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do pra:o previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se reftre o ,sr 3" do art. 5", a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) A multa constante do despacho que não homologou a compensação, é a que incide sobre os débitos confessados, no recolhimento com atraso; os débitos informados no Per/Dcomp, cuja exigência foi determinada no Despacho Decisório proferido c confirmada neste Acórdão, constituem confissão de divida em função da entrada em vigor da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003 (posteriormente convertida na Lei n." 10.833, de 29 de dezembro de 2003), que no seu art. 17, § 6º atribuiu as Dcomp o caráter de confissão. de divida; podendo, portanto cobrados administrativamente, uma vez não homologada a respectiva compensação. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.901177/200813 Acórdão n.º 1802002.014 S1TE02 Fl. 44 9 Assim sendo voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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