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Numero do processo: 13805.005326/95-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1991
CORREÇÃO MONETÁRIA. CONVERSÃO EM BTNF. VALOR DIÁRIO.
Procede, em parte, o lançamento tributário ensejado por diferença apurada ex officio na conta de correção monetária, por utilização equivocada da BTNF em razão da conversão de valores. Comprovado nos autos que houve erro, de igual natureza, por parte do autor do lançamento, reforma-se a exigência fiscal.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas. de PIS, COFINS e CSLL.
Numero da decisão: 1801-001.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira-Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava o provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana de Barros Fernandes.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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CONVERSÃO EM BTNF. VALOR DIÁRIO. Procede, em parte, o lançamento tributário ensejado por diferença apurada ex officio na conta de correção monetária, por utilização equivocada da BTNF em razão da conversão de valores. Comprovado nos autos que houve erro, de igual natureza, por parte do autor do lançamento, reformase a exigência fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas. de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a ConselheiraRelatora Carmen Ferreira Saraiva que negava o provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana de Barros Fernandes. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 53 26 /9 5- 71 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 480 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 6063 com a exigência do crédito tributário no valor de 203.575,47 UFIR, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao anocalendário de 1990 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual. O lançamento fundamentase na insuficiência de receita de correção monetária, em conformidade com o Termo de Verificação e Esclarecimento, fls. 4346: As contas Shopping C. Franca Construção código 1.04.01.02.002 ; Ed.Champs E.B.Residence Orçamento Construção código 1.04.01.051.001; Ed. Mont Grenoble Construção código 1.04.01.053.002 e Ed. Mont Grenoble Elevadores código 1.04.01.053.005, tiveram acréscimos durante o períodobase, sendo que os valores lançados mês a mês, no Razão Auxiliar em BTNF foram convertidos pela BTNF Média, quando deveria ser convertido pelo valor da BTNF do dia do acréscimo, conforme dispõe o Artigo 15 , parágrafo 2 da Lei 7.799/89, abaixo transcrito : A escrituração da movimentação das contas deverá ser feita cm partidas diárias e os lançamentos no Razão Auxiliar cm BTNF poderão ser feitos, em cada conta, pelo total dos débitos e créditos do dia. A empresa ao efetuar a conversão dos acréscimos pela BTN media, apurou Receita de Correção Monetária em valor menor, conforme se constata nos Mapas de Correção Monetária, as fls. 47 a 52, onde os acréscimos foram convertidos pela BTNF do dia. Cabe ainda esclarecer no que concerne ao grupo de contas 1.04.01.053, a empresa lançou a Correção monetária referente aos itens 1.04.01.053.001; 1.04.01.053.002 e 1.04.01.053.005, englobados na Correção Monetária do item 1.04.01.053.004 Correção Monetária do Estoque, por outro lado examinando os Mapas de Correção Monetária elaborados individualmente para cada item acima mencionado, verificamos que no total foi lançado valor de Correção Monetária a menor. Foi elaborado o Mapa Resumo da Correção Monetária à fls 53, onde demonstrase o valor da Correção Monetária apurada pela fiscalização e o valor da Correção Monetária lançada pelo contribuinte, do confronto dos valores apurouse a diferença a lançar. [...] Inicialmente para cada conta constante do Estoque de Imóveis a Comercializar e Imóveis de Uso Ativo Imobilizado, foram elaborados os Razões Auxiliares em BTNF, à fls 41 a 46, onde os acréscimos foram convertidos em número de BTN pela BTNF do dia do referido acréscimo. Em seguida foram Fl. 480DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 481 3 elaborados os Mapas Demonstrativos da Correção Monetária, à fls 47 a 52, e finalmente o Mapa Resumo da Correção Monetária, à fls 53. O total de correção monetária apurado conforme os Mapas perfez o total de CR$ 207.186.260,33 e o total lançado pelo contribuinte foi de CR$144.377,58 havendo, portanto, diferença a lançar no valor de CR$62.328.882,75 . Foram analisadas as informações constantes na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ) anocalendário de 1990, fls. 0415, no Balancete de 31.12.1990, fls. 1640, bem como nos Demonstrativo, fls. 4759. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 4º, art. 10, art. 12, art. 15, art. 16 e art. 19 da Lei nº 7.799, de 31 de dezembro de 1990 e inciso II do art. 387 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 85.450, de 04 de dezembro de 1980 (RIR, de 1980). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituídos o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 6467 com a exigência do crédito tributário no valor de 28.624,27 UFIR a título de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Cientificada em 22.08.1995, fls. 62 e 66, a Recorrente apresentou a impugnação em 19.09.1995, fls. 7074, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que Desde logo, mencionese, com o devido respeito a Auditora Fiscal do Tesouro Nacional que subscreve os Autos de Infração referidos,ser insubsistente e improcedente as exigências fiscais a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Imposto de Renda na Fonte sobre o lucro liquido, como expõe e comprova a autuada. 3. Frisese, por importante, desde logo, que a autuada, em 19/5/1992, impetrou perante o Exmo. Juiz Federal da 20a. Vara em São Paulo, Medida Cautelar, com pedido de provimento de Liminar, nos seguintes termos: "CONCLUSÃO. Demonstrado ficou o FUMUS BONI IURIS que lastreia a postulação aqui formulada. Evidenciado também o PERICULUM IN MORA, representado pela ameaça real e iminente de autuação, a partir' de quando seja a Fazenda citada desta ação. Ex positis, requerse se digne V. Exa.: 1. Conceder a Medida Liminar inaudita altera parte e livre de contracautela, para o fim de eximirse a Fiscalização de autuar e impor penalidade a Autora, relativamente ao objeto desta lide, enquanto a matéria estiver sub judice. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 482 4 2. Mandar notificar a Ré, na pessoa do Delegado da Receita Federal em São Paulo, da concessão da Liminar, para o efeito sobredito. 3. Mandar citar a mesma Ré, por seu representante legalmente habilitado, a fim de que conteste, se quiser, para, a final, ser a ação julgada procedente e confirmada a Liminar, até o julgamento de mérito da lide, a ter por sede a Declaratória a ser oportunamente proposta". [...] A seguir, em data de 03/9/92, a autuada impetrou MANDADO DE SEGURANÇA, perante o Egrégio Tribunal Regional Federal da 3a. Região, pleiteando: "Ex positis, a Impetrante requer seja a Liminar de pronto concedida e l a final, confirmada, para que a Fazenda fique inibida de autuar e impor multa, relativamente a matéria "sub judice”, at que seja prolatada a decisão de mérito, a ter por sede a Ação Declaratória conexa a Cautelar originária, em curso na 20a. Vara da Justiça Federal em São Paulo". [...] Citese, as razões a seguir mencionadas aduzidas no Mandado de Segurança aludido: "1. A ora Impetrante (empresa dedicada ao ramo de construção e venda de imóveis) ajuizou Cautelar Inominada, preparatória de Ação Declaratória, para ter reconhecida por sentença a inexistência de relação jurídica entre ela e a Fazenda Nacional que a obrigue a subsumirse a ilegal e inconstitucional exigência, consubstancia da na Lei n9 7799, de 10.07.89, em seu art. 49, inciso I, letra "b", no sentido de, quando da elaboração de seus balanços anuais, proceder' a correção monetária do estoque de imóveis nãovendidos,, exercendo esta operação influencia altamente significativa no dimensionamento da base contábil ("lucro real") sobre a qual serão calculados os montantes do IRPJ e da Contribuição Social prevista na Lei n9 7689/88. 2. Na Inicial dessa Cautelar distribuída a 20a. Vara da Justiça Federal em São Paulo, onde tomou o n9 92.0054531 9 (doc. n9 2) , a ora Impetrante explicou que, tendo elaborado seu ba lanço de 1991, dentro de todas as exigências regulamentares vigentes, deparou com um resultado absolutamente esdrúxulo: apesar da recessão de vendas, do acúmulo de imóveis sem comprador e, conseqüentemente, da drástica queda de suas receitas, estava obrigada a pagar valores alta altamente expressivos a titulo de IRPJ e CS. 3. Como tais exigências fiscais entram frontal mente em conflito com a realidade fática dos resultados econômicofinanceiros obtidos no exercício social, a ora Impetrante detectou que estava sendo vitima de um artifício contábil imposto por lei mediante o qual uma situação d prejuízo real (ausência de lucro e, por "Isto posto, CONCEDO a liminar, nos termos em que requerida na primeira. instancia". [...]. Conseqüentemente, a Fiscalização deve eximirse de autuar e impor penalidade a Autora [...], relativamente ao objeto desta lide, enquanto a mataria estiver subjudice".[...] Decisão essa que deverá ser acatada, ressaltese, por todas as instancias judiciais e administrativas. [...] Fl. 482DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 483 5 Indevidos os Autos lavrados, e inaplicáveis, por tanto, os dispositivos da Lei n9 7.799, de 10 de julho de 1989, publicada no D.O.U. de 19/9/89, referidos no capítulo DO DIREITO, pela Fiscalização. [...] Não obstante, e além disso, quanto ao mérito, ressaltese, ainda, também por importante, que a autuada, no exercício de que se trata, procedeu a Correção Monetária dos Estoques de Imóveis a comercializar e imóveis de uso Ativo Imobilizado, cumprindo os dispositivos tributários pertinentes à matéria, inexistindo, assim, a diferença de CR$62.328.882,75, apontada pela Fiscalização, no Termo de Verificação e Esclarecimento. [...] Inexiste, portanto, qualquer tributação exigível. Conclui Ante o exposto, pede e espera [...], respeitosamente, se digne Vossa Senhora em conhecer da presente impugnação tempestiva para, deferindoa, determinar a insubsistência dos autos de in fração lavrados, com o decorrente arquivamento do procedimento fiscal, como medida de inteira JUSTIÇA. Está registrado como resultado do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1621.094, de 16.04.2009, fls. 162169: “Lançamento Procedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1990 INSUFICIÊNCIA DE RECEITA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. Verificandose que a empresa lançou em contas referentes ao custo de imóveis receita de correção monetária inferior àquela apurada com base na legislação de regência, procede a tributação da diferença não contabilizada. COISA JULGADA. Não merece reparo o lançamento, visto estar em perfeita consonância com o decisum do TRF da 3ª Região — já transitado em julgado — que, em ação proposta pela contribuinte em epígrafe, reconheceu expressamente a legitimidade da exigência da correção monetária dos imóveis em estoque, prevista nas alíneas "a" e "b" do inciso I do art. 4º da Lei n° 7.799/89. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 1990 AUTUAÇÃO REFLEXA. Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo a decisão dada ao principal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1991 FALTA DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE DA NEGAÇÃO GERAL E DA MERA ALEGAÇÃO. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 484 6 As alegações de defesa devem vir acompanhadas de fundamentos de fato e de direito. Não se admitem, no processo administrativo fiscal, a negação geral nem as alegações desprovidas de fundamentos. Notificada em 02.10.2009, fls. 171, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.10.2009, fls. 175176, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge no seguinte sentido: Em análise nos relatórios de cálculo verificamos que houve vários erros de fatos cometidos pela Auditora Fiscal relativo a valores da BTNF's, datas e estornos de lançamentos contábeis que deveriam ser considerados pela mesma data e BTNF de origem. Em conseqüência dessas divergências na recomposição dos cálculo efetuada pela empresa, da base de cálculo apresentada pela Receita Federal reduziu de Cr$62.328.882,75 para Cr$12.717.198,89 e o imposto de renda devido passou de 46.397,91 UFIR para 7.831,63 UFIR. Estamos apresentando juntamente com esta impugnação anexos das novas planilhas de cálculos apontando os erros cometidos; resumo da correção monetária de estoque, relatório das BTNF's diária e as planilhas de calculo, auto de infração da receita federal, para sejam analisadas e efetuadas as considerações relevantes efetuado pela empresa. Por fim, estamos no aguardo desse novo trabalho fiscal ou uma nova diligência para análise de documentos contábeis, que se fizer necessário para regularização do erro do calculo realizado pela fiscalização, o que reduziria em mais de 80% o valor do imposto cobrado. Nestes termos, Pede e espera deferimento Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se Fl. 484DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 485 7 fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente diz que há “divergências na recomposição dos cálculo efetuada pela empresa, da base de cálculo apresentada pela Receita Federal reduziu de Cr$62.328.882,75 para Cr$12.717.198,89 e o imposto de renda devido passou de 46.397,91 UFIR para 7.831,63 UFIR”. As pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real devem manter Livro Razão Auxiliar em BTN Fiscal, no qual as contas sujeitas à correção monetária são escrituradas adotandose como unidade de conta o valor do BTN Fiscal. No períodobase em que for iniciada a escrituração do Razão Auxiliar em BTN Fiscal, os saldos de abertura das contas serão determinados mediante a divisão do saldo da escrituração transferido do balanço anterior pelo valor do BTN Fiscal no dia desse balanço. A escrituração da movimentação das contas deve ser feita em partidas diárias e os lançamentos no Razão Auxiliar em BTN Fiscal poderão ser feitos, em cada conta, pelo total dos débitos e créditos do dia2. Temse que a autoridade julgadora deve retificar as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros cálculo existentes no Auto de Infração. Fazendo um comparativo entre diferenças alegadas pela defesa e os valores apurados de ofício, verificase que não há qualquer discrepância entre os valores originalmente escriturados pela Recorrente e aqueles apurados de ofício. Há alguns desacordos pontuais na conversão das quantias em cruzeiros reais para BTNF dos dados constantes no Razão Auxiliar em BTNF no anocalendário de 1990, nas seguintes contas: 1.04.01.02.002 – Shopping Center Franca – Construção, fls. 47 e 395; 1.04.01.051.0001 – Edifício Champs Residence , fls. 48 e 396; 1.04.01.053.001 – Edifício Grenoble – Terreno, fls. 49 e 397; 1.04.01.053.002 Edifício Grenoble – Construção, fls. 50 e 398; 1.04.01.053.004 Edifício Grenoble – Estoque, fls. 51 e 399; e 1.04.01.053.005 Edifício Grenoble – Elevadores, fls. 52 e 400. Cabe ressaltar que as divergência apontadas pela Recorrente estão em negrito em relação aos valores escriturados no Livro Razão Auxiliar em BTN Fiscal, no qual as contas sujeitas à correção monetária, em conformidade com a Tabela 1. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: art. 15 da Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 486 8 Tabela 1 – Valores das contas sujeitas a correção monetária escrituradas pela Recorrente e analisandas de acordo com o lançamento de ofício no anocalendário de 1990 Conta 1.04.01.053.002 Edifício Grenoble – Construção Conta 1.04.01.053.005 Edifício Grenoble – Elevadores Conta 1.04.01.051.0001 – Edifício Champs Residence Data Valores Originais Débito/Crédito CR$ Valor da BTNF Diária Valores Recurso Voluntário Débito/Crédito BTNF Valores Auto de Infração Débito/Crédito BTNF Valores Recurso Voluntário Débito/Crédito BTNF Valores Auto de Infração Débito/Crédito BTNF Valores Recurso Voluntário Débito/Crédito BTNF Valores Auto de Infração Débito/Crédito BTNF 31.12.1989 43.312,50 10,9518 0,00 0,00 3.954,83 3.954,83 0,00 0,00 31.12.1989 6.680.798,38 10,9518 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 31.12.1989 239.494,29 10,9518 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 31.12.1989 6.680.798,38 10,9518 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 31.12.1989 2.342.766,60 10,9518 0,00 0,00 0,00 0,00 213.916,12 213.916,12 31.12.1989 2.028.123,71 10,9518 185.186,34 185.186,34 0,00 0,00 0,00 0,00 16.01.1990 34.632,15 13,2376 0,00 0,00 2.616,20 2.616,20 0,00 0,00 16.01.1990 18.425,00 13,2376 1.391,87 1.391,87 0,00 0,00 0,00 0,00 22.01.1990 832.315,00 14,2727 58.315,18 58.315,18 0,00 0,00 0,00 0,00 02.02.1990 37.030,00 17,5251 0,00 0,00 2.112,97 2.112,97 0,00 0,00 05.02.1990 12.993,75 17,9642 0,00 0,00 723,31 723,31 0,00 0,00 05.02.1990 18.425,20 17,9642 1.025,66 1.025,66 0,00 0,00 0,00 0,00 23.02.1990 893.075,00 27,7563 32.175,58 61.230,75 0,00 0,00 0,00 0,00 05.03.1990 12.993,75 31,0455 0,00 0,00 418,54 418,54 0,00 0,00 05.03.1990 18.425,20 31,0455 593,49 593,49 0,00 0,00 0,00 0,00 13.03.1990 61.799,92 36,1018 0,00 0,00 1.711,82 1.711,82 0,00 0,00 25.04.1990 2.111.060,60 41,7340 50.583,71 50.583,71 0,00 0,00 0,00 0,00 27.04.1990 1.276.533,40 41,7340 30.587,37 29.188,58 0,00 0,00 0,00 0,00 04.05.1990 516.308,72 41,7647 12.363,21 12.363,21 0,00 0,00 0,00 0,00 07.05.1990 131.064,29 41,7800 0,00 0,00 3.137,01 3.137,01 0,00 0,00 07.05.1990 18.425,20 41,7800 441,01 441,01 0,00 0,00 0,00 0,00 18.06.1990 225.099,42 45,1800 0,00 0,00 4.982,28 4.982,28 0,00 0,00 18.06.1990 2.311.813,41 45,1800 51.168,96 446.296,03 0,00 0,00 0,00 0,00 30.06.1990 11.487.650,92 48,2057 0,00 0,00 0,00 0,00 238.304,83 238.304,83 30.06.1990 2.342.766,20 48,2057 0,00 0,00 0,00 0,00 48.599,36 48.599,36 10.07.1990 408.254,12 49,4273 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 10.07.1990 2.357.322,64 49,4273 47.692,73 47.692,73 0,00 0,00 0,00 0,00 31.07.1990 1.001.931,47 53,1921 0,00 0,00 0,00 0,00 18.836,10 18.836,10 09.08.1990 1.550.693,87 54,5559 28.423,94 28.423,94 0,00 0,00 0,00 0,00 13.08.1990 7.369.169,00 54,9443 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 22.08.1990 1.260.000,00 56,3256 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 24.08.1990 1.258.142,82 56,7638 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 30.08.1990 2.504.205,96 57,8851 43.261,67 43.261,67 0,00 0,00 0,00 0,00 03.09.1990 1.170.000,00 59,0576 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 04.09.1990 294.766,76 59,3711 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 487 9 06.09.1990 2.335.147,06 60,0029 38.917,24 38.917,24 0,00 0,00 0,00 0,00 11.09.1990 200.000,00 60,6415 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 13.09.1990 76.000,00 61,2869 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 19.09.1990 700.000,00 62,5983 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 24.09.1990 4.128.425,20 63,6692 64.841,79 64.841,79 0,00 0,00 0,00 0,00 24.09.1990 3.307.446,81 63,6692 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 25.09.1990 52.000,00 64,0417 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 28.09.1990 7.369.169,00 65,6852 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 28.09.1990 5.358.089,63 65,6852 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 11.10.1990 859.868,66 68,8398 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 11.10.1990 2.943.418,31 68,8398 29.683,68 29.683,68 0,00 0,00 0,00 0,00 15.10.1990 4.500,00 69,5869 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 16.10.1990 99.500,00 69,9634 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 18.10.1990 2.500.000,00 70,7226 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 19.10.1990 1.185.750,00 71,1053 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 23.10.1990 1.184.862,50 71,8769 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 25.10.1990 265.040,12 72,7646 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 29.10.1990 511.500,00 73,8540 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 31.10.1990 539.446,47 75,1118 0,00 0,00 0,00 0,00 7.181,91 7.181,91 07.11.1990 2.425.000,00 77,1858 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 09.11.1990 2.287.297,97 78,1780 29.258,84 29.258,84 0,00 0,00 0,00 0,00 13.11.1990 2.000.000,00 79,2265 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 14.11.1990 793.128,75 79,7829 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 20.11.1009 1.518.280,56 81,4756 18.634,79 18.634,79 0,00 0,00 0,00 0,00 21.11.1990 1.123.893,58 82,0478 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 26.11.1990 750.000,00 83,9863 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 30.11.1990 1.180.000,00 87,2998 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 30.11.1990 27.107.405,67 87,2998 0,00 0,00 0,00 0,00 310.509,37 310.509,37 30.11.1990 2.046.939,39 87,2998 0,00 0,00 0,00 0,00 23.447,24 23.447,24 11.12.1990 2.857.500,00 92,1791 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 13.12.1990 208.607,23 93,4765 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 14.12.1990 1.000.000,00 94,1320 10.623,38 10.623,38 0,00 0,00 0,00 0,00 20.12.1990 645.000,00 96,8937 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 28.12.1990 1.710.802,66 101,5214 0,00 0,00 0,00 0,00 16.851,65 16.851,65 31.12.1990 15.095.143,14 103,5081 0,00 0,00 0,00 0,00 145.835,38 145.835,38 31.12.1990 27.107.405,67 103,5081 0,00 0,00 0,00 0,00 310.509,37 261.886,81 Conta 1.04.01.02.002 – Shopping Center Franca Conta 1.04.01.053.001 – Edifício Grenoble – Terreno Conta 1.04.01.053.004 Edifício Grenoble – Estoque Data Valores Originais Débito/Crédito CR$ Valor da BTNF Diária Valores Recurso Voluntário Débito/Crédito BTNF Valores Auto de Infração Débito/Crédito BTNF Valores Recurso Voluntário Débito/Crédito BTNF Valores Auto de Infração Débito/Crédito BTNF Valores Recurso Voluntário Débito/Crédito BTNF Valores Auto de Infração Débito/Crédito BTNF 31.12.1989 43.312,50 10,9518 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 31.12.1989 6.680.798,38 10,9518 0,00 0,00 0,00 0,00 610.018,30 610.018,30 31.12.1989 239.494,29 10,9518 0,00 0,00 21.868,03 21.868,03 0,00 0,00 31.12.1989 6.680.798,38 10,9518 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 31.12.1989 2.342.766,60 10,9518 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 488 10 31.12.1989 2.028.123,71 10,9518 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 16.01.1990 34.632,15 13,2376 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 16.01.1990 18.425,00 13,2376 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 22.01.1990 832.315,00 14,2727 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 01.02.1990 37.030,00 17,5251 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 05.02.1990 12.993,75 17,9642 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 05.02.1990 18.425,20 17,9642 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 23.02.1990 893.075,00 27,7563 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 05.03.1990 12.993,75 31,0455 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 05.03.1990 18.425,20 31,0455 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 13.03.1990 61.799,92 36,1018 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 25.04.1990 2.111.060,60 41,7340 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 27.04.1990 1.276.533,40 41,7340 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 04.05.1990 516.308,72 41,7647 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 07.05.1990 131.064,29 41,7800 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 07.05.1990 18.425,20 41,7800 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 18.06.1990 225.099,42 45,1800 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 18.06.1990 2.311.813,41 45,1800 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 30.06.1990 11.487.650,92 48,2057 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 30.06.1990 2.342.766,20 48,2057 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 10.07.1990 408.254,12 49,4273 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 10.07.1990 2.357.322,64 49,4273 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 31.07.1990 1.001.931,47 53,1921 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 09.08.1990 1.550.693,87 54,5559 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 13.08.1990 7.369.169,00 54,9443 134.120,72 134.120,72 0,00 0,00 0,00 0,00 22.08.1990 1.260.000,00 56,3256 22.369,93 22.369,93 0,00 0,00 0,00 0,00 24.08.1990 1.258.142,82 56,7638 22.164,53 22.164,53 0,00 0,00 0,00 0,00 30.08.1990 2.504.205,96 57,8851 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 03.09.1990 1.170.000,00 59,0576 19.811,17 19.811,17 0,00 0,00 0,00 0,00 04.09.1990 294.766,76 59,3711 4.964,82 4.964,82 0,00 0,00 0,00 0,00 06.09.1990 2.335.147,06 60,0029 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 11.09.1990 200.000,00 60,6415 3.298,07 3.298,07 0,00 0,00 0,00 0,00 13.09.1990 76.000,00 61,2869 1.240,07 1.240,07 0,00 0,00 0,00 0,00 19.09.1990 700.000,00 62,5983 11.182,41 11.182,41 0,00 0,00 0,00 0,00 24.09.1990 4.128.425,20 63,6692 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 24.09.1990 3.307.446,81 63,6692 51.947,36 51.947,36 0,00 0,00 0,00 0,00 25.09.1990 52.000,00 64,0417 811,97 811,97 0,00 0,00 0,00 0,00 28.09.1990 7.369.169,00 65,6852 112.189,18 112.189,18 0,00 0,00 0,00 0,00 28.09.1990 5.358.089,63 65,6852 89.139,18 81.572,25 0,00 0,00 0,00 0,00 11.10.1990 859.868,66 68,8398 12.490,87 12.490,87 0,00 0,00 0,00 0,00 11.10.1990 2.943.418,31 68,8398 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 15.10.1990 4.500,00 69,5869 64,67 64,67 0,00 0,00 0,00 0,00 16.10.1990 99.500,00 69,9634 1.422,17 1.422,17 0,00 0,00 0,00 0,00 18.10.1990 2.500.000,00 70,7226 35.349,38 35.349,38 0,00 0,00 0,00 0,00 19.10.1990 1.185.750,00 71,1053 16.675,97 16.675,97 0,00 0,00 0,00 0,00 23.10.1990 1.184.862,50 71,8769 16.484,61 16.484,61 0,00 0,00 0,00 0,00 25.10.1990 265.040,12 72,7646 3.642,43 3.642,43 0,00 0,00 0,00 0,00 29.10.1990 511.500,00 73,8540 6.925,83 6.925,83 0,00 0,00 0,00 0,00 31.10.1990 539.446,47 75,1118 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 07.11.1990 2.425.000,00 77,1858 31.417,70 31.417,70 0,00 0,00 0,00 0,00 09.11.1990 2.287.297,97 78,1780 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 489 11 13.11.1990 2.000.000,00 79,2265 25.244,08 25.244,08 0,00 0,00 0,00 0,00 14.11.1990 793.128,75 79,7829 9.941,09 9.941,09 0,00 0,00 0,00 0,00 20.11.1009 1.518.280,56 81,4756 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 21.11.1990 1.123.893,58 82,0478 13.698,03 13.698,03 0,00 0,00 0,00 0,00 26.11.1990 750.000,00 83,9863 8.930,03 8.930,03 0,00 0,00 0,00 0,00 30.11.1990 1.180.000,00 87,2998 13.516,64 13.516,64 0,00 0,00 0,00 0,00 30.11.1990 27.107.405,67 87,2998 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 30.11.1990 2.046.939,39 87,2998 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 11.12.1990 2.857.500,00 92,1791 30.999,43 30.999,43 0,00 0,00 0,00 0,00 13.12.1990 208.607,23 93,4765 2.231,65 2.231,65 0,00 0,00 0,00 0,00 14.12.1990 1.000.000,00 94,1320 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 20.12.1990 645.000,00 96,8937 6.656,78 6.656,78 0,00 0,00 0,00 0,00 28.12.1990 1.710.802,66 101,5214 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 31.12.1990 15.095.143,14 103,5081 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 31.12.1990 27.107.405,67 103,5081 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Analisando as divergência apontadas pela Recorrente na peça recursal temse que: na Conta 1.04.01.053.005 Edifício Grenoble – Elevadores não foi comprovado que o valor original de CR$37.010,00 referese ao dia 12.02.1990 e por essa razão mantémse incólume a data de 02.02.1990; na Conta 1.04.01.053.002 Edifício Grenoble – Construção cabe razão à Recorrente que indica que o valor da BTNF diária utilizada de ofício contém incorreção e assim, os valores corretos a serem utilizados devem ser: (a) no dia 23.02.1990 o valor de CR$893.075,00 dividido pelo valor da BTNF de 27,7563 resulta em valor devedor de 32.175,58 BTNF e não de 61.230,75 BTNF como foi calculado de ofício; (b) no dia 27.04.1990 o valor de CR$1.276.533,40 dividido pelo valor da BTNF de 41,7340 resulta em valor devedor de 30.587,37 BTNF e não de 29.188,58 BTNF como foi calculado de ofício; e (c) no dia 18.06.1990 o valor de CR$2.311.813,41 dividido pelo valor da BTNF de 27,7563 resulta em valor devedor de 51.168,96 BTNF e não de 446.296,03 BTNF como foi calculado de ofício. na Conta 1.04.01.02.002 – Shopping Center Franca no dia 28.09.1990 o valor de CR$5.358.089,63 dividido pelo valor da BTNF de 65,6852 resulta em valor credor de 81.572,25 BTNF e não de 89.139,19 BTNF como foi calculado pela Recorrente; e na Conta 1.04.01.051.0001 – Edifício Champs Residence no dia 31.12.1990 o valor de CR$27.107.405,67 dividido pelo valor da BTNF de 103,5081 resulta em valor credor de 261.886,81 BTNF e não de 310.509,37 BTNF como foi calculado pela Recorrente. Analisando o Mapa Resumo de Correção Monetária, fl. 59, verificase que os valores constantes na Conta 1.04.01.053.002 Edifício Grenoble – Construção não foram objeto de lançamento e por essa razão não há qualquer retificação a ser feita no Auto de Infração, fls. 6067. Também não cabem qualquer reparos ao Acórdão da 6ª Fl. 489DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 490 12 TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1621.094, de 16.04.2009, fls. 162169, que permanece incólume. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo3. O lançamento de IRRF sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo voto negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes, Redatora designada. Em que pese o entendimento esposado pela Conselheira Relatora, houve divergência no resultado deste julgamento. Transcrevese parte do Relatório, por oportuno: “O lançamento fundamentase na insuficiência de receita de correção monetária, em conformidade com o Termo de Verificação e Esclarecimento, fls. 4346: ‘As contas Shopping C. Franca Construção código 1.04.01.02.002 ; Ed.Champs E.B.Residence Orçamento Construção código 1.04.01.051.001; Ed. Mont Grenoble Construção código 1.04.01.053.002 e Ed. Mont Grenoble Elevadores código 1.04.01.053.005, tiveram acréscimos durante o períodobase, sendo que os valores lançados mês a mês, no Razão Auxiliar em BTNF foram convertidos pela BTNF Média, quando deveria ser convertido pelo valor da BTNF do dia do acréscimo, conforme dispõe o Artigo 15 , parágrafo 2 da Lei 7.799/89, abaixo transcrito : A escrituração da movimentação das contas deverá ser feita cm partidas diárias e os lançamentos no Razão Auxiliar cm BTNF poderão ser feitos, em cada conta, pelo total dos débitos e créditos do dia. A empresa ao efetuar a conversão dos acréscimos pela BTN media, apurou Receita de Correção Monetária em valor menor, conforme se constata nos Mapas de Correção Monetária, as fls. 47 a 52, onde os acréscimos foram convertidos pela BTNF do dia. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 491 13 Cabe ainda esclarecer no que concerne ao grupo de contas 1.04.01.053, a empresa lançou a Correção monetária referente aos itens 1.04.01.053.001; 1.04.01.053.002 e 1.04.01.053.005, englobados na Correção Monetária do item 1.04.01.053.004 Correção Monetária do Estoque, por outro lado examinando os Mapas de Correção Monetária elaborados individualmente para cada item acima mencionado, verificamos que no total foi lançado valor de Correção Monetária a menor. Foi elaborado o Mapa Resumo da Correção Monetária à fls 53, onde demonstra se o valor da Correção Monetária apurada pela fiscalização e o valor da Correção Monetária lançada pelo contribuinte, do confronto dos valores apurouse a diferença a lançar. [...]’ ” (grifos não pertencem ao original) Faz parte do Termo de Verificações e Esclarecimentos o mapa acima referido, de fls. 53, ora transcrito: CONTRIBUINTE : CONSTRUTORA ROMEU CHAP CHAP S.A. C. G. C.: 50.592.625/000168 MAPA RESUMO DA CORREÇAO MONETARIA CONTA CÓDIGO CM. APURADA CM. LANÇADA DIFERENÇA SHOPPING C. FRANCA CONSTR 1.04.01.002.002 19.417.305,67 19.056.600,13 TOTAL 19.417.305,67 19.056.600,13 360.705,54 ED. CHAMPS E.B.RESID. CONSTR. 1.04.01.051.001 36.128.416,89 17.078.365,12 TOTAL 36.128.416,89 17.078.365,12 19.050.051,77 ED. M. GRENOBLE TERRENO 1.04.01.053.001 2.024.023,95 ED. M. GRENOBLE CONSTR. 1.04.01.053.002 90.089.691,87 ED. M. GRENOBLE CM ESTOQUE 1.04.01.053.004 56.461.036,82 108.722.412,33 ED. M. GRENOBLE ELEVADOR 1.04.01.053.005 3.065.785,13 TOTAL 151.640.537,77 108.722.412,33 42.918.125,44 TOTAL GERAL 207.186.260,33 144.857.377,58 62.328.88,75 Como se pode verificar, houve a divergência entre os valores escriturados e apurados de ofício nas contas contábeis cuja raiz é de nº1.04.01.053 (001, 002, 003, 004 e 005), relativas ao Ed. M. Grenoble, a título de correção monetária, ensejando parte do lançamento tributário. Destaco que a própria autoridade fiscal alertou que “...no que concerne ao grupo de contas 1.04.01.053, a empresa lançou a Correção monetária referente aos itens 1.04.01.053.001; 1.04.01.053.002 e 1.04.01.053.005, englobados na Correção Monetária do item 1.04.01.053.004 Correção Monetária do Estoque, por outro lado examinando os Mapas de Correção Monetária elaborados individualmente para cada item acima mencionado, verificamos que no total foi lançado valor de Correção Monetária a menor.” No voto vencido, não obstante haver negado provimento ao recurso voluntário, a Conselheira Relatora reconhece que o lançamento tributário incidiu em erros quanto à quantificação do valor da matéria tributária, no que se refere às contas contábeis em pauta relacionadas com o “Ed. M Grenoble”. Confirase: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 492 14 “Analisando as divergência apontadas pela Recorrente na peça recursal temse que: [...] na Conta 1.04.01.053.002 Edifício Grenoble – Construção cabe razão à Recorrente que indica que o valor da BTNF diária utilizada de ofício contém incorreção e assim, os valores corretos a serem utilizados devem ser: (a) no dia 23.02.1990 o valor de CR$893.075,00 dividido pelo valor da BTNF de 27,7563 resulta em valor devedor de 32.175,58 BTNF e não de 61.230,75 BTNF como foi calculado de ofício; (b) no dia 27.04.1990 o valor de CR$1.276.533,40 dividido pelo valor da BTNF de 41,7340 resulta em valor devedor de 30.587,37 BTNF e não de 29.188,58 BTNF como foi calculado de ofício; e (c) no dia 18.06.1990 o valor de CR$2.311.813,41 dividido pelo valor da BTNF de 27,7563 resulta em valor devedor de 51.168,96 BTNF e não de 446.296,03 BTNF como foi calculado de ofício.” (grifos não pertencem ao original) Mas fundamentou o não provimento ao recurso da seguinte forma: “Analisando o Mapa Resumo de Correção Monetária, fl. 594, verificase que os valores constantes na Conta 1.04.01.053.002 Edifício Grenoble – Construção não foram objeto de lançamento e por essa razão não há qualquer retificação a ser feita no Auto de Infração, fls. 6067.” Por conseguinte, há que se reparar o lançamento tributário, expurgandose do valor da matéria tributável as diferenças apontadas pela recorrente, a saber: Ed. M. Grenoble – contas contábeis : 1.04.01.053 – 001, 002, 003, 004 (valores em BTNF) Data Valor LançadoAI Valor Recorrido e Admitido Diferença a ser expurgada 23/02/90 61.230,75 32.175,58 29.055,17 27/04/90 29.188,58 30.587,37 (1.398,78) 18/06/90 446.296,03 51.168,96 395.127,07 Total 536.715,36 113.931,91 422.783,46 Pelo exposto, votouse em dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes 4 numeração digital Fl. 492DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13805.005326/9571 Acórdão n.º 1801001.555 S1TE01 Fl. 493 15 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 19515.004215/2010-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar privada quando não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa.
DESPESAS MÉDICAS.
A assistência médica seja a título de seguro saúde, seja a título de reembolso de despesas médicas, é salário-de-contribuição quando não ofertados a todos os empregados e dirigentes da empresa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar privada quando não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. DESPESAS MÉDICAS. A assistência médica seja a título de seguro saúde, seja a título de reembolso de despesas médicas, é saláriodecontribuição quando não ofertados a todos os empregados e dirigentes da empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 15 /2 01 0- 16 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.004215/201016 Acórdão n.º 2403002.142 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1635.629, fls. 404/426, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade das imputações dispostas na autuação fiscal, representadas no DEBCAD 37.309.5112 (PARTE PATRONAL), no valor de R$ 536.248,84 (quinhentos e trinta e seis mil, duzentos e quarenta e oito reais e oitenta e quatro centavos), não declaradas em GFIP. O Mandado de Procedimento Fiscal compreendeu as competências de Janeiro a Dezembro de 2005. As exigências fiscais se referem ao fato de ter o contribuinte efetuado pagamentos a seus gerentes, diretores e executivos uma participação nos lucros e resultados da empresa, bem como despesas médicas e plano de previdência complementar, segundo o Relatório Fiscal de fls. 32/44, os fatos geradores se deram da seguinte forma, in verbis: A) PREVIDENCIA PRIVADA 2. Os fatos geradores da contribuição previdenciária constam da Contabilidade da empresa (DOC. 03), sem transitarem pela Folha de Pagamento e tampouco terem sido declarados em GFIP (Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social) antes do início deste procedimento fiscal, como também os respectivos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem como não constam do banco de dados da Receita Federal do Brasil. 3. Será demonstrado no curso do presente Relatório que o contribuinte, em epígrafe, em benefício próprio e de seus administradores – que ocupam funções de direção – efetuou o pagamento de remuneração disfarçada mediante crédito em contas de previdência privada, de forma a assegurar sua dedução no lucro real, e a evitar a incidência de contribuições previdenciária e demais encargos trabalhistas, bem como o pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF no momento do pagamento, propiciando, inclusive, que os ditos empregados submetessem seus rendimentos a uma menor tributação em razão do regime próprio dos planos de previd6encia privada complementar. A.1) DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA – PLANO NÃO EXTENSIVO A TODOS (...) 5. Com a analise destes documentos, nos deparamos com a CLAUSULA 3ª do CONTRATO DE ADESÃO A PLANO MODULAR EMPRESARIAL, que sob o titulo “ELEGIBILIDADE”, infringe toda a legislação supracitada. É o texto desta clausula: “Poderão ser incluídos no Plano os funcionários da INSTITUIDORA, desde que preencham a seguinte condição: exerçam cargo de presidente ou diretor, Fl. 484DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 assim considerados na estrutura organizacional da INSTITUIDORA”. 6. Esta clausula resume que os pagamentos em conta de previdência privada, da empresa ITW, correspondem à remuneração de natureza salarial, pois autoriza o acesso a este beneficio somente aos seguintes segurados ocupantes de altos cargos dentro da organização, conforme listado abaixo: ANTONIO SERGIO CALDAS PACHECO CPF 383.764.33568 GIDEON KOREN CPF 702.300.21891 JOÃO MARCOS PUTINI CPF 305.106.35849 VICENTE JOSE TAMONI CPF 757.689.92804 B) DESPESAS MEDICAS: 2. Os fatos geradores da contribuição previdenciária constam da Contabilidade da ITW DELFAST sem transitarem pela Folha de Pagamento da empresa, tampouco terem sido declarados em GFIP (Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social) antes do início deste procedimento fiscal, como também os respectivos recolhimentos não foram comprovados pela empresa, bem como não constam do banco de dados da Receita Federal do Brasil. (...) 3. Ocorre que na Ficha 5ªLinha 02 incluído como SALARIOS, ORDENADOS E OUTRAS GRATIFICAÇÕES A EMPREGADOS foi encontrado o valor de R$ 32.231,00 o qual foi justificado pela empresa como DESPESAS MÉDICAS Sr. GIDEON KOREM, através do anexo C de respostas ao TIF 02.(DOC.04). Sendo este uma empresa tributada pelo lucro real, verificouse na DIRPJ/DIPJ – pasta IRPJ, ficha Despesas Operacionais , que não constam valores gastos com “Assistência Médica, Odontológica e Farmacêutica a Empregados”, nem encontramos valores registrados na contabilidade; que determinassem este tipo de pagamento/ ressarcimento de Despesa Medica sendo oferecido aos demais empregados; cabendo a estes últimos somente plano de assistência médica. C) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS/RESULTADOS: 2. Os fatos geradores da contribuição previdenciária constam da Contabilidade da ITW DELFAST, transitaram pela Folha de Pagamento especifica de PLR da empresa, não foram declarados em GFIP (Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social) antes do início deste procedimento fiscal, como também os respectivos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem como não constam do banco de dados da Receita Federal do Brasil. C.1. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA – Pagamento sem vinculo com o acordo Fl. 485DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.004215/201016 Acórdão n.º 2403002.142 S2C4T3 Fl. 4 5 1... As contribuições lançadas incidem somente sobre as remunerações pagas aos segurados integrantes do corpo gerencial e executivo da empresa, a titulo de Participação nos Lucros, por não atenderem aos pressupostos previstos nos Artigos 1º, 2º e 3º da Lei 10.101 de 19/12/2000; como descreve o item C.2 deste relatório. O pagamento da Participação nos lucros, em desacordo com esta lei específica, lhe confere a característica de salário de contribuição para fins previdenciários. (...) DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 149/161. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 11ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo, DRJ/SP1, prolatou, em 09 de janeiro de 2012, o Acórdão n° 1635.629, fls. 404/426, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário deve seguir as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966), em face da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal (STF). O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DESPESAS MÉDICAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Entendese por salário de contribuição, para o segurado empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Os valores pagos pela empresa a título de previdência privada e reembolso de despesas médicas enquadramse no conceito de saláriodecontribuição quando não extensíveis à totalidade dos empregados. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. ÔNUS DA PROVA. Ao contestar situações apuradas pela fiscalização em documentos apresentados pelo próprio contribuinte, cabe a este último o ônus da prova de suas alegações, nos termos do artigo 333, inciso II do Código de Processo Civil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 435/449, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, afirmando em síntese que ocorreu decadência, uma vez que a Consolidação do Auto de Infração ocorreu em 02/12/2010 e que o período de apuração se deu no de 01/2005 a 12/2005; o pagamento da participação nos lucros e resultados foi corretamente realizado, a despesa médica possui natureza indenizatória, assim como do plano de previdência privada. É o relatório. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.004215/201016 Acórdão n.º 2403002.142 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl., temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Analisando os autos, percebo que consta as Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP do ano de 2005, nas fls. 350/359, e as respectivas Guias da Previdência Social – GPS, nas fls. 362/374, verifico que houve pagamento em todas as competências, mesmo que parcial, razão pela qual aplico o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências 01/2005 a 12/2005, inclusive o 13º salário. A notificação ocorreu em 10/12/2010, conforme fl. 146. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. Assim, conforme Discriminativo de Débito – DD, fl. 06, os levantamentos DE – DESPESAS MEDICAS DIRETOR, PL – PLR DESACORDO LEI e PP – PREVIDENCIA PRIVADA DIRETORES, todos com período de débito de 02/2005. Restaram portanto, os levantamentos DE1 – DESPESAS MEDICAS DIRETOR, PP1 – PREVIDENCIA PRIVADA DIRETORES, ambos restando apenas a competência de dezembro de 2005. DO MÉRITO DA PREVIDENCIA PRIVADA Afirma o fiscal que da análise do documento de Adesão ao Plano Modular Empresarial, fls. 74/88, há uma cláusula, sob o título “ELEGIBILIDADE” que macula toda a legislação relativa ao plano de Previdência Privada Complementar. A referida cláusula tem a seguinte redação: CLÁUSULA TERCEIRA ELEGIBILIDADE Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.004215/201016 Acórdão n.º 2403002.142 S2C4T3 Fl. 6 9 Poderão ser incluídos no Plano de funcionários da INSTITUIDORA, desde que preencham a seguinte condição: Exerçam cargo de presidente ou diretor, assim considerados na estrutura organizacional da INSTITUIDORA. Portanto, percebese que há condição restritiva de pessoal para ingresso no plano de previdência complementar, com relação ao Plano de Previdência Privada junto à PREVER S.A. SEGUROS E PREVIDÊNCIA. A Lei 8.212/91 em seu art. 22, I trás a contribuição à cargo da empresa de 20% sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título durante o mês: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No entanto, o art. 28, parágrafo 9º trás as exclusões do conceito de salário de contribuição, excetuando assim a incidência de contribuição previdenciária, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A recorrente afirma que todos os funcionários estavam cobertos e os valores seriam apenas diferentes, segundo a DRJ os documentos acostados nas fls. 334/349 demonstrariam que apenas aqueles que estão referenciados na Cláusula 03 foram beneficiados. Percebese que os documentos das fls. 334/349, trazem como beneficiários, apenas os executivos indicados no Relatório Fiscal: Antonio Sergio Caldas Pacheco, Gideon Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Koren, João Marcos Putini e Vicente Jose Tamoni. Nas fls. 387/398, constam os pagamentos ao Unibanco AIG S.A. Seguros e Previdência, que coincidem com o devido pela empresa a estes beneficiários, no anocalendário de 2005. Por esta razão, percebese que, a partir do que nos autos consta, houve ofensa ao dispositivo que exclui do conceito de salário de contribuição, os valores pagos a título de previdência complementar. DAS DESPESAS MÉDICAS Com respeito às despesas médicas o fundamento é o mesmo, a exclusão do conceito de saláriodecontribuição tem como pressuposto a disponibilidade do benefício de assistência médica ou odontológica, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, art. 28, parágrafo 9º, ‘q’. O recorrente, na fl. 445, afirma que ao contrário do que consta no acórdão, a recorrente concedia uma rede de seguro saúde que abrangia a totalidade de seus empregados e dirigentes da empresa. Analisando as fls. 375/398, contam recibos de pagamento durante o ano de 2005, referente a plano de saúde junto a Sul América Seguro Saúde S.A., com valores de R$ 33.089,45, duas vezes ao mês, fazendo referência a Apólice n. 042562. Entretanto, o recorrente não juntou qualquer prova dessa Apólice, seu inteiro teor, seu alcance e os verdadeiros beneficiados, para, assim, poderse analisar se a todos os empregados e dirigentes foi oferecida a assistência saúde. Portanto, em razão de o benefício ter sido pago durante todas as competência do anocalendário 2005, percebese que houve habitualidade no pagamento, caracterizando, assim, salário indireto. DA MULTA No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.004215/201016 Acórdão n.º 2403002.142 S2C4T3 Fl. 7 11 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721510/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. COMPROVAÇÃO DE BENFEITORIAS. Prevalece a Declaração do Contribuinte quanto à existência de benfeitorias, exceto se a Fiscalização provar o contrário.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Precedentes do CARF.
Numero da decisão: 2202-002.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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COMPROVAÇÃO DE BENFEITORIAS. Prevalece a Declaração do Contribuinte quanto à existência de benfeitorias, exceto se a Fiscalização provar o contrário. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Precedentes do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 13/09/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 15 10 /2 00 9- 58 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento n.° 01201/00104/2009, lavrada em face do contribuinte Arnaldo da Cunha Maccheroni, por suposta falta de comprovação de área declarada de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural, assim como falta de comprovação do Valor da Terra Nua declarado, no ano de 2005. (fls. 0208 do EProcesso) da Fazenda Alto Formoso. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (Fl. 03) informa a Receita que foi arbitrado o VTN com base nas informações do SIPT – Sistema de Apuração de Preços de Terra da RFB. No Complemento da Descrição dos Fatos, foi informado que o valor da terra nua declarado seria de R$ 404,50 por hectare, e que a falta de comprovação do VTN declarado ensejaria o arbitramento do valor da terra nua com base nas informações do SIPT da RFB, sendo que o VTN para o município de Chapadão do Céu seria de R$ 2.040,07. Também que: (I) A divisão do imóvel com o desmembramento da área de 2.775,53 hectares ocorreu, em agosto de 2005 conforme AV2023 de 23/08/2005 da Certidão de Matrícula n° 23. Portanto, em 01/2005, data da ocorrência do fato gerador, ainda compunha a área total do imóvel Fazenda Alto Formoso. Assim, nos termos do art. 130 do CTN o ITR seria devido pelo alienante. (II) Foi apresentado um Laudo Técnico acompanhado de ART n° 00018134 2009 036524 10, nos quais não há qualquer indicação do ano que se refere, sendo que o mapa apresentado referese a 03/2009. Ressaltou a Fazenda que o laudo deve comprovar as áreas ocupadas com benfeitorias existentes no imóvel na data da ocorrência do fato gerador, 01/01/2005; (III) na Determinação do Valor da Terra Nua (VTN/R$) afirma que a avaliação foi baseada em pesquisa de preços realizada na cidade, apresentando uma tabela da qual consta relação de nomes e valor, remetendo à Fonte pesquisada, mas que as transações imobiliárias apresentadas não são contemporâneas a data da ocorrência do fato gerador, no presente caso 01/2005. Cumpre ressaltar que conforme dispõe § 2° do Art. 8° da Lei 9.393/96, o VTN declarado deveria refletir o preço de mercado em 1° de janeiro do ano a que se refere à declaração. Que a declaração apresentada pelo corretor de imóvel foi elaborada trazendo de forma genérica o valor de dois tipos de área para o ano de 2005, não constando qualquer referência ao imóvel objeto do laudo apresentado. Quanto a Lei Municipal n° 406 de 10/12/2002 da prefeitura de Chapadão do Céu a mesma dispõe sobre a Tabela de Valores de Imóveis Rurais para cobrança de Imposto Sobre a Transmissão de Bens Imóveis – ITBI, mas que conforme a referida lei, esta conteria valores mínimos para a base de cálculo da cobrança do ITBI, e não o preço de mercado. Por fim, que a avaliadora em seu laudo não demonstra ter realizado vistoria nas amostras apresentadas, nem que estas possuem características semelhantes ao imóvel avaliado, muito menos elaborou demonstrativo que permita entender como chegou aos valores utilizados para cálculo da média. Assim, o laudo técnico apresentado pelo contribuinte para a comprovação do valor da terra nua declarada não atenderia ao solicitado no Termo de Intimação. Restou assim determinada a exigência de crédito tributário no montante de R$ 1.584.888,47, sendo R$ 700.565,12 a título de imposto, R$ 358.899,51 de juros de mora e R$ 525.423,84 de multa de ofício, com a juntada de Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido à fl. 07. Procedimento de Fiscalização Fl. 263DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10120.721510/200958 Acórdão n.º 2202002.393 S2C2T2 Fl. 11 3 Apresentado o DIAT do exercício de 2005, da Fazenda Alto Formoso, na Rod. GO 302 KM 43 – Margem esquerda, no município de Chapada do Céu/GO, foi declarada a área total do imóvel como 11.459.5 hectares (Fl. 1114 do EProcesso). Informou neste ter sido alienada a área de 2.775,5ha, em 23/08/2005, tendo ainda 199 ha de Área de Preservação Permanente, 2.322,9 ha de Área de Reserva Legal, 104,8 ha de Área Ocupada com Benfeitorias, sendo 8.937,6 ha de Área Tributável e 8.832,8 ha de Área aproveitável. Calculou como Valor total do imóvel a quantia de R$ 29.999.957,00, sendo o Valor das Benfeitorias de R$ 2.254.652,00, o Valor das Culturas, Pastagens Cultivadas e Melhoradas e Florestas Plantadas de R$ 23.109.946,00 e o Valor da Terra Nua de R$ 4.635.359,00. Expedido o Termo de Intimação Fiscal n° 01201/00033/2009 (Fl. 1516), foi intimado o contribuinte a apresentar: matrícula atualizada do registro imobiliário, ou em caso de posse, documento que comprovasse a posse e a inexistência de registro de imóvel rural, Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCID do INCRA, documentos que comprovassem as áreas ocupadas com benfeitorias declaradas e laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel dos anos de 2005 e 2006. Apresentado em 11 de maio de 2009 (Fl. 2325) extensa documentação pelo contribuinte, como Laudo Técnico assinado por Engenheiro Agrônomo (Fl. 33), onde se constatou as seguintes áreas: Sede22,0000ha, Estradas Internas82,3518ha, Pista de Pouso 2,7500ha, sendo o total das benfeitorias de 107,1018 ha; Recibo de Entrega da Declaração do ITR do exercício de 2005 (Fl. 37) com a planta do imóvel; Certidão de Matrícula (Fl. 45128), constando a área de 2.880,42,89há de reserva legal em cumprimento ao Termo de Compromisso e Ajustamento de Conduta para cumprimento da Legislação Ambiental, a área de 250,86,73há de área de Reserva Permanente, Georeferenciamento certificado pelo INCRA, assim como parcerias, arrendamentos e outras averbações; Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR Emissão 2003/2004/2005, com data de vencimento de 21.01.2006 (Fl. 129); Laudo de Avaliação do Imóvel (Fl. 130), devidamente assinado por Engenheira Agrônoma, com área identificada de 11.459,4997há, com área de reserva legal de 2.322,9203há, área de preservação permanente 188,0152ha tendo sido encontrado o valor da terra nua (VTN) de R$ 5.711.223,00; declaração de corretor do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Fl. 143) declarando o preço médio do hectare no município de Chapadão do Céu, no ano de 2005 girando em torno de R$ 3.600,00/ha; Declaração da Secretaria da Administração, Finanças e Planejamento da Prefeitura de Chapadão do Céu (Fl. 144145), declarando que a Lei n° 406/2002 que dispunha sobre a Tabela de Valores de Imóveis Rurais para cobrança de ITBI, entrou em vigor em 01 de janeiro de 2003 e surtiu efeito até a disposição do Decreto n° 716 de 11 de janeiro de 2007, que estabeleceu o Mapa Genérico de Valores Imóveis para fins de avaliação do valor venal. Expedida Notificação de Lançamento formalizando o crédito tributário suplementar de ITR, sendo a ciência do contribuinte em 15.12.2009. Impugnação Apresentada impugnação tempestivamente às fls. 211227 do EProcesso, embasada nos seguintes argumentos: Fl. 264DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 4 (i) Que a declaração de ITR do exercício de 2005 estava correta, utilizando o contribuinte os corretos parâmetros e dados; (ii) Que a alíquota aplicável foi escolhida em face do grau de utilização da terra, em consonância com o disposto na legislação e tabela divulgada pela Secretaria da Receita Federal; (iii) Que o Valor da Terra Nua utilizado foi correto e de acordo com os parâmetros da Instrução Normativa SRF n° 256/2002, e de que o Valor da Terra Nua é determinado em função das peculiaridades inerentes a cada propriedade rural, não comportando seja unilateralmente adotado pela Secretaria da Receita Federal; (iv) Que a Receita Federal taxou juntamente áreas isentas de ITR; Ainda, protestou por todos os meios de prova admitidos, inclusive através da realização de perícia, colocando sua propriedade à dispor do fisco para verificações. Decisão da DRJ Considerada tempestiva, a impugnação foi julgada parcialmente procedente, por unanimidade, pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/BSB (fls. 235242 do EProcesso), para restabelecer a área total declarada em 11.459,5 ha, mantendo a glosa da área com benfeitorias de 104,8 há e o VTN arbitrado de R$ 2.040,07/há, com redução do imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal, de R$ 700.565,12 para R$ 65.781,96, uma vez que aceita e deduzida a Área de reserva legal de 2.322,9 há, sendo a Área tributável de 8.937,6ha. Isto, pois restou comprovado o desmembramento da área de 2.775,53 há, conforme matrícula AV2023 e demonstração de inclusão da área na DITR/2005 do adquirente anteriormente à data da entrega da DITR/2005, não sendo mais o impugnante responsável pelo pagamento do ITR sobre a dita área. Quanto às benfeitorias, entendeu a Delegacia de julgamento que seria necessário apresentar o laudo técnico nos termos especificados na intimação, o que não teria ocorrido, vez que o laudo apresentado datado de 11/03/2009, não se referia à situação em 01/01/2005, sendo mantida a glosa neste ponto, registrandose, porém, que tal glosa não alteraria a alíquota de cálculo do ITR restabelecida. Quanto ao Valor da Terra Nua, entendeu o órgão julgador não ter o contribuinte demonstrado o valor excessivo de avaliação do hectare, uma vez que o laudo foi desconsiderado pela autoridade fiscal, por não atender aos requisitos básicos da NBR146533, devendo ser mantido o VTN arbitrado pela autoridade fiscal de R$ 2.040,07 por hectare, recalculandose em razão do restabelecimento da área total do imóvel declarada, uma vez que este corresponde ao VTN médio, por hectare, constante no SIPT para o exercício de 2005, sendo apurado com base nos valores informados pelo próprios contribuintes nas suas respectivas DITR/2005, cujos imóveis se localizam no mesmo município. Assim, deveria o contribuinte ter apresentado um laudo de avaliação complementar, ou mesmo um novo laudo de avaliação que demonstrasse, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º de janeiro de 2005, bem como a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/há abaixo do arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT. Também, que pelo elevado grau de utilização, não poderia possuir um VTN/há que representasse apenas 24,4% do VTN médio do município. Recurso de Ofício Fl. 265DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10120.721510/200958 Acórdão n.º 2202002.393 S2C2T2 Fl. 12 5 De tal decisão, foi proposto o encaminhamento de Recurso de Ofício para apreciação obrigatória a este Conselho, nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/72, quanto à exoneração do tributo da área excluída de tributação, conforme Intimação 080/2010 (Fl. 245). Recurso Voluntário De tal decisão, foi cientificado o contribuinte em 27/04/2010, tendo o mesmo interposto, em 17/05/2010, Recurso Voluntário (Fl. 249259), repisando os argumentos quanto à área ocupada com benfeitorias, não podendo esta ser tributada, em consonância com a legislação e de que a mesma já havia sido comprovada e era existente anteriormente à ação fiscalizadora; e quanto ao VTN de que a metodologia empregada pelo Fisco seria equivocada. Também, de que a rejeição do VTN declarado pelo contribuinte pela simples alegação de que houve subavaliação sem a objetiva explicação das razões seria indevida. Requer ainda a apreciação e valoração do Laudo Técnico. É o relatório Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator. Exclusão da área desmembrada Inicialmente, quanto à exclusão dá área desmembrada da base de cálculo, entendo correta a decisão da Delegacia Regional de Julgamento. Efetivamente há tanto na DITR do contribuinte autuado, como na DITR do adquirente a comprovação da negociação. Ainda, à Fl. 94 do processo há a efetiva averbação da divisão amigável e desmembramento da área de 2.775,53.62 hectares para o Sr. Alberto da Cunha Maccheroni. Também, às fls. 232/233 foi juntada a informação acerca da alienação da dita área para o Sr. Alberto da Cunha Maccheroni, inscrito no CPF 088.364.69604, na data de 23/08/2005. Também, é expresso o art. 130 do Código Tributário Nacional ao dispor que: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Assim, não há que se falar na inclusão de tal área para fins de tributação do contribuinte autuado, devendo ser negado provimento ao recurso de ofício. Valor da Terra Nua Quanto ao Valor da Terra Nua – VTN arbitrado pela Fiscalização no caos em tela, conforme expressamente referido à fl. 240, “esse valor corresponde ao VTN médio, por hectare, constante do Sistema de Preço de Terras — SIPT, para o exercício de 2005 (fls.06), Fl. 266DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 6 sendo apurado com base nos valores informados pelos próprios contribuintes nas suas respectivas DITR/2005”. Em casos como este, é assente o entendimento deste Conselho no sentido da impossibilidade de sua aplicação, consoante se verifica do precedente abaixo, colacionado por amostragem: Número do Processo: 10183.720138/200685 Data de Publicação: 01/10/2012 Contribuinte: AGROPECUARIA NOVA FRONTEIRA LTDA Relator(a): MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA E JUROS. INCIDÊNCIA Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de ofício, impõese a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430/1996, bem como dos juros moratórios calculados pela Taxa SELIC. AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO PARA EXCLUSÃO. Por se tratar de ato constitutivo, a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente à época do fato gerador é condição essencial para fins de exclusão da área tributável a ser considerada na apuração do ITR. EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE MANEJO. A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observandose os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindose que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. (2º Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Ainda quanto ao ponto em questão, da leitura da art. 14 da Lei 9.393/961, entendo que somente poderá a Fiscalização se utilizar do SIPT nos casos (i) de não entrega do DIAT, (ii) de 1 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10120.721510/200958 Acórdão n.º 2202002.393 S2C2T2 Fl. 13 7 subavaliação, ou (iii) de prestação de informações equivocadas ou fraudulentas, não podendo se aplicálo quando o contribuinte comprovar que o valor declarado é compatível, como ocorreu no presente caso. Complementando tal artigo, vem o art. 12 da Medida Provisória 2.18356/2001 dispor acerca dos critérios para se chegar ao arbitramento do valor: Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. Ocorre que, o arbitramento por meio do SIPT não condiz com as disposições legislativas, uma vez que não há no mesmo a observação quanto a aptidão agrícola do imóvel, não podendo assim ser aceito tal arbitramento. Assim, entendo que deve ser acolhido o VTN declarado pelo contribuinte. Benfeitorias Como no arbitramento do VTN tributável, deve ser julgado procedente o pedido do contribuinte de exclusão das áreas ocupadas com benfeitorias. O art. 10, §1º, I, “a” da Lei 9.393/96 é claro ao dispor que serão excluídas as benfeitorias para efeitos de apuração do ITR. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; O Decreto no 4.382/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR traz o seguinte conceito de benfeitoria, in verbis: Subseção II Da Base de Cálculo Valor da Terra Nua Fl. 268DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 8 Art. 32. O Valor da Terra Nua VTN é o valor de mercado do imóvel, excluídos os valores de mercado relativos a (Lei nº 9.393, de 1996, art. 8º, § 2º, art. 10, §1º, inciso I): I construções, instalações e benfeitorias; (...) § 2º Incluemse no conceito de construções, instalações e benfeitorias, os prédios, depósitos, galpões, casas de trabalhadores, estábulos, currais, mangueiras, aviários, pocilgas e outras instalações para abrigo ou tratamento de animais, terreiros e similares para secagem de produtos agrícolas, eletricidade rural, colocação de água subterrânea, abastecimento ou distribuição de águas, barragens, represas, tanques, cercas e, ainda, as benfeitorias não relacionadas com a atividade rural. Ao analisar o Laudo Técnico, acostado à fl.33 e apresentado ainda durante a fase fiscalizatória, verifico que há o devido detalhamento da área de Benfeitoria (inclusive informando metragem um pouco superior à declarada; 104,8 ha declarado pelo contribuinte X 107,1018 ha apurada pelo laudo), nesses termos: “Foi feito levantamento topográfico das áreas de Benfeitorias da Fazenda Alto Formoso. Onde constatamos as seguintes áreas: Sede: 22,0000 ha Estradas Internas: 82,3518 ha Pista de Pouso: 2,7500 ha Total: 107,1018 ha” Sendo assim, considerandose que, para fins de ITR, a declaração do contribuinte é presumidamente verdadeira, cabendo à Fiscalização, em caso de dúvida, demonstrar sua inexatidão, entendo que, no caso, quanto às benfeitorias declaradas, deve ser mantida sua glosa na apuração do VTN tributável. Isso porque, além da DIRT de 2005 trazer a informação de 104,8 ha referente a benfeitorias (fl. 13), foi trazido aos autos Laudo Técnico (fl. 33) o qual constatou e descreveu as benfeitorias da Fazenda Alto Formoso (inclusive em área pouco maior que a declarada), por meio de levantamento topográfico, devidamente assinado por Engenheiro Agrônomo devidamente cadastrado no CREA, com a juntada da ART – Anotação de Responsabilidade Técnica. Tratase assim de documento hábil e idôneo, no meu entendimento, para os efeitos a que se presta. A simples alegação de que o laudo foi produzido em 2009, enquanto o caso em tela versa sobre a DITR de 2005 não é suficiente para desqualificálo, não tendo a fiscalização trazido qualquer outros argumento ou prova em contrário nesse tocante. Em casos análogos, assim vem entendendo esse E. Conselho de Contribuintes: Acórdão nº: 2201001.962 Número do Processo: 11040.720019/200881 Contribuinte: PEDRO MARIO ZANETTI JUNIOR Relator(a): RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Data de Publicação: 23/05/2013 Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 10120.721510/200958 Acórdão n.º 2202002.393 S2C2T2 Fl. 14 9 COMPROVAÇÃO. LAUDO. Acolhese, para fins de cálculo do ITR devido, área ocupada com benfeitorias, cuja existência seja devidamente confirmada mediante apresentação de laudo técnico. Recurso Voluntário Provido. Acórdão nº: 2102001.867 Número do Processo: 10855.720025/200891 Data de Publicação: 20/12/2012 Contribuinte: VOTORANTIM PARTICIPACOES S.A. Relator(a): ATILIO PITARELLI Ementa Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 ÁREAS DESTINADAS A BENFEITORIAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. As áreas destinadas às benfeitorias, declaradas como tais pelo contribuinte, não constituem base de cálculo do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto fundamentalmente de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NO SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE, NOTADAMENTE, QUANDO O VALOR POR ELE DECLARADO CONSTITUI SIGNIFICATIVO PERCENTUAL FACE AO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO. O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência. No presente caso, foi apresentado laudo de avaliação com referencias ao mercado imobiliário, merecendo menção ainda, ao fato do valor declarado constituir um percentual aproximado de 61% do valor apurado pela fiscalização. Recurso voluntário provido em parte. Recurso de ofício negado Assim, a mera alegação da Receita de que o Laudo não se trataria da mesma época da ocorrência do fato gerador não se sustenta. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 10 Com base no exposto, voto pelo PROVIMENTO do Recurso Voluntário para restabelecer o VTN informado pelo contribuinte, assim como restabelecer a área de benfeitoria e pelo DESPROVIMENTO do recurso de ofício para o fim de manter a exclusão da área desmembrada. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Fl. 271DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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Numero do processo: 19647.000022/2009-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 31/10/2004 a 31/07/2007
PROVA ILÍCITA. APROVEITAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não podem ser admitidas no processo administrativo provas consideradas nulas pelo Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3403-002.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Antônio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antônio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Antônio Carlos Atulim - Presidente Raquel Motta Brandão Minatel Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antônio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 31/10/2004 a 31/07/2007 PROVA ILÍCITA. APROVEITAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não podem ser admitidas no processo administrativo provas consideradas nulas pelo Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Antônio Carlos Atulim Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antônio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandão Minatel, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 00 22 /2 00 9- 49 Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 99/120), lavrado em 23/12/2008, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, em virtude de equiparação da Recorrente a estabelecimento industrial sob o signo da Operação Dilúvio de que trata a REPRESENTAÇÃO FISCAL01.217522 (Processo nº 10980.007636/200724); o Inquérito Policial 2006.70.00.0224356 (Curitiba)3ª Vara Criminal da Justiça Federal em Curitiba/PR IPL DPF/PGA/PR 009/2006 (Paranaguá); e o LAUDO SRF/DILUVIO CASO CIL/NAGEM apenso 3, objeto da Ação Penal nº 2007.70.00.0111062)” (fls. 101), resultando na apuração de crédito tributário no valor total de R$ 427.024,02. Durante a ação fiscal, foram juntadas cópias do Apenso 3 dos autos do processo gerado pela Operação Dilúvio (fls. 17/55), onde consta relatório de operações de importação subfaturadas, além de interposição fraudulenta de empresas. A Recorrente tomou ciência do Auto de Infração em 5/1/2009 (fls. 686). Em 2/2/2009, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 663/672) tida como tempestiva, consoante certidão de fls. 690. Nessa oportunidade, a Recorrente alegou, em síntese, que, na medida em que o Auto de Infração não demonstrou a ocorrência do fato gerador correspondente ao imposto cobrado, a garantia de ampla defesa da Recorrente fora violada e, portanto, a autuação é nula. Em 14/9/2009, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), sob o argumento de que “não se pode fundamentar uma autuação apenas em relatórios, ainda que verídicos em seu conteúdo” (fls. 693), solicitou diligências (fls. 691/694), principalmente para que fossem carreados aos autos “CÓPIAS DE TODOS OS DOCUMENTOS ESPECIALMENTE REFERIDOS NA REPRESENTAÇÃO FISCAL E NO LAUDO SRF/DILÚVIO – CASO CIL/NAGEM” (fls. 694). Juntados os documentos de fls. 695/965, a Delegacia da Receita Federal em Recife (PE) lavrou o Termo de Informação Fiscal de fls. 966/976, no qual se analisa os referidos documentos. A conclusão da autoridade fiscal é no sentido de que os direitos e garantias da Recorrente foram preservados, e de que há comprovação dos fundamentos legais da autuação. Cientificada da finalização das diligências em 23/2/2010 (fls. 978), a Recorrente interpôs a manifestação de fls. 985/995. Nessa ocasião, a Recorrente reiterou que não lhe fora concedida as garantias constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, visto que, entre outras razões, foram juntadas aos autos provas obtidas por meios ilícitos. No intuito de contrapor os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal em Recife (PE) carreou aos autos novos documentos (fls. 996/1048), cientificando a Recorrente em 28/4/2010 (fls. 1050). Em nova manifestação, apresentada em 26/5/2010 (fls. 1051/1057), a Recorrente aduziu, basicamente, que “o suprimento extemporâneo de tais documentos não tem o condão de sanar a nulidade congênita do lançamento formalizado contra a Impugnante, por se tratar de defeito que macula a própria substância do auto de infração” (fls. 1054). 2 Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.159 Inobstante todas as razões expostas pela Recorrente, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), por meio do acórdão nº 33.063 (fls. 1070/1074), proferido em 4/3/2011, julgou a Impugnação improcedente. No voto do relator, prevaleceu o seguinte entendimento: Apesar dos indícios de fato gerador de IPI, previstos na peça processual que serve de suporte à exigência fiscal, a Fiscalização acatou como prova o fato presumido. Tratase evidentemente de presunção juris tantum, isto é admitese prova ao contrário. A Representação é em tese a presunção de que o autuado possui a condição de Equiparado a Estabelecimento Industrial. Caberia nos autos do presente processo a inversão do ônus da prova, ou seja a autuada demonstrar claramente que não é de fato ou de Direito adquirente de produtos importados no mercado nacional, tipificados no artigo 51 do CTN. Em 19/9/2011, os autos do processo nº 19647.001292/200977 fora apensado aos autos deste processo (fls. 1082). A Recorrente, por sua vez, tomou ciência da decisão supracitada em 19/3/2012, conforme se depreende do Aviso de Recebimento (AR) de fls. 1111. Irresignada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 1112/1143) em 17/4/2012, juntando os documentos de fls. 1144/1153. Em suas razões de recurso voluntário, a Recorrente aduziu, essencialmente, o seguinte: a) Preliminarmente a.1) Nulidade do acórdão recorrido: ofensa aos artigos 28 e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72; e aos artigos 2º, parágrafo único, incisos I, VII e VIII, 3º, inciso III, e 38 da Lei nº 9.784/99 A Recorrente afirma que o acórdão recorrido não considerou todos os argumentos e pedidos constantes da defesa, por exemplo quanto ao pedido de desentranhamento dos documentos obtidos por meios ilícitos. Dessa forma, requer que o acórdão recorrido seja invalidado, “a fim de que sejam remetidos os autos à autoridade julgadora de 1ª instância, para realização de novo julgamento da Impugnação apresentada pela Recorrente” (fls. 1124). a.2) Nulidade do Auto de Infração: ofensa aos artigos 149, 160, incisos V e VI, do RISRFB (Portaria/MF nº 95/07); aos artigos 59, inciso I e §1º, do Decreto nº 70.235/72; e aos artigos 11 e 13, inciso III, da Lei nº 9.784/99 A Representação Fiscal formalizada contra a Recorrente foi lavrada pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 9ª Região, que é incompetente para fiscalizar as atividades da Recorrente, cujo domicílio fiscal é no Município de Recife. Por essa razão, seria “nula a ‘Representação Fiscal’ adotada como fundamento de fato e de direito da autuação”, e, dessa forma, também seria “nulo, por arrastamento, o auto de infração então hostilizado” (fls. 1126). 3 Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL b) No mérito b.1) Insubsistência da autuação por deficiência e ilicitude probatória Consoante a defesa da Recorrente, “todo o acervo de documentos, tanto físico quanto eletrônico, que serviu de lastro probatório para a formalização da autuação fiscal contra a Recorrente está contaminado, indistintamente, pelo vício nulificante da prova ilícita” (fls. 1128). Para comprovar suas alegações, a Recorrente anexou sentença absolutória (fls. 1145/1150) que considerou inválidos, pois obtidos de forma ilícita, os documentos apreendidos durante a “Operação Dilúvio”, bem como os relatórios produzidos a partir deles. Sendo assim, tais documentos deveriam ser desentranhados dos autos deste processo, o que subtrai o lastro probatório da autuação, isto é, “em síntese, a autuação é insubsistente por carência de prova lícita e válida que lhe dê amparo.” (fls. 1131). Ademais, a Recorrente ressalta que a autuação não apresentou provas que sustentassem a presunção de equiparação a estabelecimento industrial, e que tal deficiência não pode ser suprida extemporaneamente, por analogia do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72. Outrossim, os documentos juntados às fls. 695/965 não estão discriminados nos autos de apreensão e circunstanciado de fls. 1014/1020 e 1034/1039, razão pela qual fica obstado o rastreamento de sua origem e legitimidade. Com relação ao cumprimento das diligências requeridas pela 5ª Turma da DRJ/REC, a Recorrente entende que as considerações deduzidas pela autoridade preparadora são imprestáveis, pois “não constavam da autuação lavrada contra a empresa impugnante, configurandose, à evidência, fundamentos fáticos e jurídicos estranhos ao auto de infração” (fls. 1137). Ainda, a Recorrente argumentou que é inadequada a inversão do ônus da prova, pois contraria os termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. b.2) Indevida equiparação da Recorrente a estabelecimento industrial Diferentemente do que se extrai da citada Representação Fiscal, a Recorrente assegura que não se enquadra em nenhuma das hipóteses de equiparação a estabelecimento industrial constantes do art. 9º do Decreto nº 4.544/02. Logo, “as operações de vendas de mercadorias por ela realizadas não se enquadram nas hipóteses de incidência previstas na regramatriz do IPI” (fls. 1140), e, assim, não haveria crédito tributário a ser lançado. b.3) Princípio da nãocumulatividade Inobstante todas as considerações, a Recorrente entende que a decisão recorrida, na medida em que veda a apropriação de créditos de IPI na importação, é infundada, pois fere o princípio da nãocumulatividade previsto constitucional e infraconstitucionalmente. Por fim, em seus pedidos, postulou pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário apresentado, para que “sejam reconhecidas e declaradas as nulidades 4 Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.159 suscitadas nos tópicos I.1 e I.2, segundo a ordem em que foram apresentadas no presente recurso” (fls. 1143). Subsidiariamente, requereu que a autuação fosse declarada insubsistente, “na linha dos argumentos e dos pleitos recursais deduzidos nos tópicos II.1 a II.3, das inclusas razões recursais” (fls. 1143). Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora Admissibilidade O recurso merece conhecimento, pois preenche os requisitos de tempestividade e adequação. 1 Das nulidades suscitadas 1.1 Falta de análise de todos os argumentos da defesa A primeira nulidade aventada no Recurso Voluntário diz respeito ao acórdão recorrido que, segundo alegações da Recorrente, não teria considerado todos os argumentos e pedidos constantes da defesa, por exemplo, quanto ao pedido de desentranhamento dos documentos obtidos por meios ilícitos. É maciça a jurisprudência, tanto administrativa quanto judicial, que os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todos os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. Ademais, não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. 1.2. Incompetência jurisdicional da Fiscalização Alega a Recorrente que a Representação Fiscal foi lavrada pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 9ª Região, no seu entender, seria incompetente para fiscalizar as atividades da Recorrente, cujo domicílio fiscal é no Município de Recife. No tocante a esse item, nego provimento, pelo fato da matéria já estar sumulada no CARF, ex vi do texto da Súmula nº 27, verbis: 5 Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. 2 No mérito Conforme descrito no relatório, a autuação fiscal decorreu da chamada Operação Dilúvio de que trata a Representação Fiscal nº 01.217522 (Processo nº 10980.007636/200724); o Inquérito Policial 2006.70.00.0224356 (Curitiba)3ª Vara Criminal da Justiça Federal em Curitiba/PR IPL DPF/PGA/PR 009/2006 (Paranaguá); e o LAUDO SRF/DILUVIO CASO CIL/NAGEM apenso 3, objeto da Ação Penal nº 2007.70.00.011106 2). Na descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração é apontado como fundamento da autuação a seguinte justificativa: Há de ser considerado que a presente Ação Fiscal circunscrevese aos elementos trazidos à baila pelo LAUDO SRF/DILUVIO, acima citado. Outrossim, tendo em, vista que elementos outros existentes nos referidos processos, não transpõem, suficientemente, o elemento material para que haja uma perfeita compreensão dos critérios que compõem o seu antecedente, principalmente o critério material da hipótese de incidência do IPI, nas operações de Importação, de maneira tal, que garanta a segura e correta execução do lançamento, na conformidade do disposto na legislação de regência; a fiscalização procurou a colaboração do sujeito passivo, Intimandoo a apresentar os elementos necessários a realização dos trabalhos ora realizados, sendo fornecido cópia das Notas Fiscais em questão, bem como o relatório da movimentação das mesmas que anexo ao presente Auto que a seguir será lavrado. (fls.101) – grifos acrescidos Como é possível verificar da leitura do Auto de Infração, todas as provas da Ação Fiscal são decorrentes da chamada “Operação Dilúvio” deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2006, destinada ao combate a suposto esquema de descaminho, fraudes no comércio exterior, sonegação e importações subfaturadas envolvendo importantes empresas. Após diligência requerida pela a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), sob o argumento de que “não se pode fundamentar uma autuação apenas em relatórios, ainda que verídicos em seu conteúdo” (fls. 693), foram carreados aos autos cópias de todos os documentos referidos na representação fiscal e no Laudo SRF/DILÚVIO – Caso CIL/NAGEM” (fls. 694). Notificada da citada diligência, a Recorrente apresentou manifestação (fls. 1051/1057) aduzindo, em suma, que “o suprimento extemporâneo de tais documentos não tem o condão de sanar a nulidade congênita do lançamento formalizado contra a Impugnante, por se tratar de defeito que macula a própria substância do auto de infração” (fls. 1054). A DRJ/REC, por sua vez, considerou procedente o lançamento de ofício e no Acórdão não faz menção acerca da motivação da autuação ou das provas, alegando quanto a 6 Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.159 essa questão unicamente que: “Apesar dos indícios de fato gerador de IPI, previstos na peça processual que serve de suporte à exigência fiscal, a Fiscalização acatou como prova o fato presumido”, e proferiu decisão que está assim ementada: IPI —IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Os produtos importados irregularmente com sua base de cálculo reduzida, para menor, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. Como se pode verificar da ementa e do trecho do voto proferido pela DRJ/REC, e abstraindose da absurda alegação de que o lançamento foi mantido com base em“indícios de fato gerador de IPI” , não há sequer menção sobre a questão da legalidade das provas, porém, entendo que o mérito da autuação sequer poderia ter sido analisado no presente processo, uma vez as provas que embasaram a autuação foram declaradas nulas por terem sido obtidas por meio ilícitos, conforme comprova sentença do Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, proferida na Ação Penal 2007.70.00.0111062/PR (fls. 1145 a 1150) da qual os sócios da empresa Recorrente eram os réus, e que foi trazida junto com o Recurso Voluntário, provam que as escutas telefônicas relativas à “Operação Dilúvio” foram declaradas ilegais pelo Superior Tribunal de JustiçaSTJ. A referida sentença da Ação Penal transcreve trechos de três Habeas Corpus (142.045/PR, 123.342/PR e 109.205/PR), todos relativos a pessoas envolvidas na “Operação Dilúvio” e nos três o STJ enfatiza que as provas foram consideradas nulas em virtude de terem sido decorrentes de escutas telefônicas realizadas sem autorização Judicial o que macularia todos os processos originários de tais provas, inclusive as acusações fiscais, conforme excerto do pronunciamento ministerial a seguir transcrito: Dessa forma, temse que até mesmo naqueles casos em que houve constituição do crédito tributário, esta se deu com suporte em prova eivada pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da “teoria dos frutos da árvore envenenada” (art. 157, §1º, CPP) O Supremo Tribunal Federal tem diversos julgados acerca da imprestabilidade das provas obtidas por meio ilícito, conforme se pode verificar de trechos do voto proferido pelo Min. Celso de Mello: Tenho reiteradamente enfatizado, em diversas decisões proferidas no âmbito desta Corte Suprema, que ninguém pode ser denunciado ou condenado com fundamento em provas ilícitas, eis que a atividade persecutória do Poder Público, também nesse domínio, está necessariamente subordinada à estrita observância de parâmetros de caráter éticojurídico cuja transgressão só pode importar, no contexto emergente de nosso 7 Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL sistema normativo, na absoluta ineficácia dos meios probatórios produzidos pelo Estado. Impõese registrar, como expressiva conquista dos direitos instituídos em favor daqueles que sofrem a ação persecutória do Estado, a inquestionável hostilidade do ordenamento constitucional brasileiro às provas ilegítimas e às provas ilícitas. A Constituição da República, por isso mesmo, sancionou, com a inadmissibilidade de sua válida utilização, as provas inquinadas de ilegitimidade ou de ilicitude. A norma inscrita no artigo 5º, LVI, da Lei Fundamental promulgada em 1988, consagrou, entre nós, com fundamento em sólido magistério doutrinário (Ada Pellegrini Grinover, Novas tendências do direito processual, Forense Universitária, 1990, p. 6082; Mauro Cappelletti, Efficacia di prove illegittimamente ammesse e comportamento della parte, Rivista di Diritto Civile, p. 112, 1961; Vicenzo Vigoriti, Prove illecite e costituzione, Rivista de Diritto Processuale, p. 64 e 70, 1968), o postulado de que a prova obtida por meios ilícitos deve ser repudiada – e repudiada sempre – pelos juízes e Tribunais, "por mais relevantes que sejam os fatos por ela apurados, uma vez que se subsume ela ao conceito de inconstitucionalidade..." (Ada Pellegrini Grinover, op. cit., p. 62). ... A prova ilícita é prova inidônea. Mais do que isso, prova ilícita é prova imprestável. Não se reveste, por essa explícita razão, de qualquer aptidão jurídicomaterial. Prova ilícita, sendo providência instrutória eivada de inconstitucionalidade, apresentase destituída de qualquer grau, por mínimo que seja, de eficácia jurídica. (Ação Penal nº 3073 Distrito Federal RF 252/6869) Este Conselho também já julgou pela impossibilidade de lançamento efetuado com base em prova obtida por meio ilícito, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. ORDEM JUDICIAL DE BUSCA E APREENSÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DE EXECUÇÃO. ILEGALIDADE DA PROVA. A busca e apreensão de documentos é medida excepcional, devendo a sua execução ser realizada sob amparo de ordem judicial, e nos estritos limites e requisitos dela constantes. Ao promover a busca e apreensão de bens e documentos em forma diversa daquela autorizada judicialmente, a autoridade policial descumpriu a ordem judicial de busca e apreensão, invalidando a prova dela decorrente. PROVA ILÍCITA. APROVEITAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite, no processo de formação do lançamento, a utilização de provas adquiridas por meio ilícito, ainda que sob a pretensão de cumprimento de ordem judicial, mas extrapolando os limites nela fixados. Recurso de 8 Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.159 Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 1401 000.829, publicado em 20.11.2012) – grifos acrescidos O Decreto nº 7.574/2011, que consolidou a legislação federal em matéria processual tributária, trouxe definitivamente para o âmbito do processo administrativo Federal a previsão expressa da imprestabilidade das provas obtidas por meio ilícito, verbis: Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, art. 332). Parágrafo único. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos (Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 30). Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, uma vez que as únicas provas do processo foram extraídas do “LAUDO SRF/DILUVIO CASO CIL/NAGEM apenso 3”, objeto da Ação Penal nº 2007.70.00.0111062, e que foram consideradas nulas pelo Poder Judiciário por terem sido obtidas por meio ilícito, o que as torna inadmissíveis também para o processo administrativo ora em julgamento. Raquel Motta Brandão Minatel 9 Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL
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Numero do processo: 14367.000420/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2007
IMUNIDADE. EXIGÊNCIAS LEGAIS.
No que se refere ao período em questão, as entidades beneficentes de assistência social, para fazerem jus ao benefício do parágrafo 7o do artigo 195 da CF/88, devem comprovar o atendimento às exigencias estabelecidas no artigo 55 da Lei n° 8.212/91.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
LIEGE LACROIX THOMASI - Presidenta Substituta.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 27/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANA SATO, ARLINDO DA COSTA E SILVA E PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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EXIGÊNCIAS LEGAIS. No que se refere ao período em questão, as entidades beneficentes de assistência social, para fazerem jus ao benefício do parágrafo 7o do artigo 195 da CF/88, devem comprovar o atendimento às exigencias estabelecidas no artigo 55 da Lei n° 8.212/91. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 04 20 /2 00 9- 98 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LIEGE LACROIX THOMASI Presidenta Substituta. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 27/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANA SATO, ARLINDO DA COSTA E SILVA E PAULO ROBERTO LARA DOS SANTOS. Relatório Adoto o relatório de fls. 162/165: Tratase de crédito constituído por meio do Auto de Infração — AI, DEBCAD n° 37.255.7449, referente a contribuições apuradas em ação fiscal como não recolhidas à Seguridade Social, referente ao período de janeiro a dezembro de 2007, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000420/200998 Acórdão n.º 2302002.087 S2C3T2 Fl. 25 3 contribuinte individuais que lhes prestaram serviços, destinadas a Outras Entidades ou Fundos/Terceiros, no valor de R$91.488,34 (consolidado em 07/12/2009), incluídos os valores de multas e juros aplicáveis. 0 Relatório Fiscal de fls. 19/27 informa em síntese que: 1 O contribuinte informou em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social ser portador de isenção da quota patronal referente a contribuições sociais previdenciárias, mediante a alocação do código FPAS 639 Entidade Filantrópica (Lei n° 3.577/59 e DecretoLei n° 1.572/77) e Entidade Beneficente de Assistência Social (Lei n° 8.212/91); 2 Embora tenha apresentado o CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, o contribuinte não requereu a isenção de contribuições previdenciárias à Receita Federal do Brasil RFB, conforme determinava o artigo 303, §1°, I, da Instrução Normativa IN/SRP n° 03/2005; 3 Pelo descumprimento do preceito legal acima e pelos motivos expostos, o contribuinte não faz jus à isenção da parcela patronal de contribuição previdenciária; 4 Foi aplicado, então, o código FPAS 574 — Estabelecimento de Ensino para fins de aplicação das alíquotas patronal, GILRAT e outras entidades e/ou terceiros; 5 Em decorrência da desconsideração da empresa como entidade beneficente de assistência social EBAS e da retificação dos códigos FPAS, CNAE e CNAEFISCAL, foram alterados os códigos de recolhimentos de GPS 2305 Entidades Filantrópicas com Isenção Total ou Parcial para 2100 Empresas em Geral, para que fossem aproveitados) os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, sendo que não foram efetuadas alterações no contracorrente da empresa; 6 O código de Terceiros utilizado foi 0099, por não haver convênios; 7 Ao utilizar o código FPAS 639, em GFIP, o contribuinte teve a intenção de iludir a autoridade fazendária com conduta sistemática no período referente ao Exercício de 2007; 8 Para fins de apuração do débito, foram criados os levantamentos fiscais "GFD DECLARAÇÕES EM GFIP " e "Z7 TRANSF DO LEV GFD ATÉ 11/2008 ", sendo o tipo de multa aplicada a única diferença entre os dois levantamentos, tendo sido aplicada exclusivamente a multa de mora de 24% no levantamento GFD e, no levantamento Zl, tãosomente a multa de ofício de 75% infrações de não recolher, de não declarar ou declarar com omissões/incorreções por conta da publicação da Medida Provisória de n° 449/2008 combinado com o disposto no artigo 106, II, do CTN Princípio da Retroatividade Benigna. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 9 Foram comparadas, então, as multas antes e após a edição da Medida Provisória MP n° 449/2008, aplicandose a mais benéfica (planilha em anexo). 10 As contribuições para Outras Entidades e Fundos foram todas lançadas com multa de mora de 24%, sendo que, para fins da comparação referida no item anterior, não foram consideradas as contribuições destinadas a Outras entidades e Fundos. 11 Nos levantamentos fiscais efetuados, foram considerados estritamente os montantes declarados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social; 12 Os lançamentos/fatos geradores estão discriminados nos anexos que compõem o presente auto de infração; 1 3 0 crédito tributário lançado encontrase fundamentado na legislação constante no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito, considerandose a legislação vigente no período relativo às competências deste auto de infração. . 14 Dentre outros, os seguintes documentos subsidiaram a auditoria fiscal em questão: Estatuto Social e alterações; Certificado de Empresa Beneficente de Assistência Social CEBAS; Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP; e Guias de Recolhimento da Previdência Social GPS; 15 Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais pela prática, em tese, de crime de sonegação fiscal previdenciária, não abrangendo o presente auto de infração devido ao fato de este der referente a Outras Entidade, sendo anexadas fotocópias de documentos (elementos de prova), que evidenciam a prática do ilícito, incluindo o Estatuto Social e Alterações, CEBAS, Cartão do CNPJ, GFIP's e GPS; 16 Documentos lavrados no procedimento fiscal: AIOP DEBCAD 37.258.2125 (parte segurados); AIOP DEBCAD 37.255.7520 (parte patronal); AIOP DEBCAD 37.255.7449 (parte Terceiros); AIOA DEBCAD 37.255.7430 (CFL 68); e AIOA DEBCAD 37.258.2117 (CFL 78). A Associação em tela foi pessoalmente cientificada da autuação em 09/12/2009, conforme data da assinatura de ciência aposta à fl. 01, e apresentou defesa em 07/01/2010, acostada aos autos às fls.. 32/51 e anexos de fls. 52/157. Na impugnação, a interessada defende que faz jus à imunidade tributária concedida pela Constituição Federal, pelos documentos que anexa e argumentos que apresenta, abaixo sumarizados: 1 0 lançamento em tela se fundamentou em normativos inconstitucionais contidos na instrução normativa SRP n° 03/2005, uma vez que estes normativos regulamentam dispositivos inconstitucionais da Lei n° 8.212/91, que tratam indevidamente da isenção/imunidade acima mencionada; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000420/200998 Acórdão n.º 2302002.087 S2C3T2 Fl. 26 5 2 As leis de n° 8.212/91 e 12.101/09 não poderiam regulamentar as exigibilidades para que uma instituição de assistência social pudesse ou possa fazer jus à isenção/imunidade prevista no artigo 150, VI, "c", da Constituição Federal de 1988, pois apesar de o aludido dispositivo mencionar simplesmente "lei", o que vários juristas entenderiam como regulamentação por lei ordinária, o referido benefício é uma notória limitação ao poder de tributar, classificada na própria seção, devendo portanto ser regulamentado por lei complementar, formalmente superior à ordinária; 3 — Não cabe à lei ordinária, mas sim à lei complementar, a função de explicitar o conteúdo de norma constitucional de imunidade de impostos e contribuições sociais tendo como destinatárias as entidades beneficentes de assistência social e educação, veiculada no art. 150, inciso V I , letra "c" e no §7° do art. 195 da CF, quanto aos pressupostos de sua aplicação; 4 Para afastar a possibilidade de aplicação de lei ordinária, os juristas redigiram o CTN Código Tributário Nacional, estabelecendo norma geral sobre a imunidade, consagrando como critérios para o seu gozo pela entidades previstas na alínea "c" do inciso IV do artigo 9o, apenas três condições; 5 O Ministro Marco Aurélio, Presidente do STF à época, em decisão liminar proferida na ADIN 20285, referendada pelo Plenário do STF, não deixa dúvida quanto à necessidade de lei complementar para regular a imunidade de que cuida o §7° do art. 195 da CF, eis que trata de limitação ao poder de tributar, incidindo o art. 146, II, CF, de forma que deveriam ser atendidos os artigos 9o e 14 do CTN e não o artigo 55 da Lei n° 8.212/91, por inconstitucionalidade formal do mesmo; 6 Isto posto, é de se reconhecer a inconstitucionalidade formal do art. 55 da Lei n° 8.212/91, devendo ser o §7° do artigo 195 da CF regulamentado pelo art. 9o e 14 do CTN; 7 O simples fato da entidade ser reconhecida pelo órgão competente já a tornaria apta a fazer jus à imunidade em questão (transcreve ementa de decisão judicial) 8 A competência para reconhecer uma instituição como Entidade Beneficente de Assistência Social EBAS é do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, e não da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB.Devidamente intimado do decisum, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário que, em síntese, repetiu as argumentações dispostas na impugnação. 9 O certificado emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS é o documento que exterioriza o direito à imunidade inserta no art. 195, §7°, da Carta da República e, não, o pretenso ato declaratório anteriormente emitido pelo INSS e agora pela RFB, previsto no art. 208, do RPS Regulamento da Previdência Social, haja vista, tratarse de Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 imunidade e não isenção, como já exposto e posição essa abalizada pelos Tribunais pátrios (transcreve ementa de decisão judicial); 10 O ato declaratório constitui apenas em um objeto de interesse fazendário, o que muito difere do interesse público (cita Cazarra); 1 1 0 artigo 299 da IN 03/2005, o art. 55 da Lei n° 8.212/91 e o art. 29 da Lei n° 12.101/09, apesar de inconstitucionais, foram plenamente atendidos pela impugnante, conforme os documentos anexos, de forma que apesar de serem inconstitucionais, estão plenamente atendidos e assim continua fazendo jus à imunidade, já que respeita todos os requisitos necessários à obtenção da imunidade (transcreve decisão judicial); 12 Não pode a RFB agir em desacordo com o seu poder, sem harmonia de competência com outro órgão do Poder Executivo, ou seja, não pode o Fisco, diante das razões fáticas e dos documentos comprobatórios de que a impugnante é uma entidade de assistência social ou beneficente, não reconhecer tal condição e dizer que a mesma não faz jus aos benefícios, quando o órgão competente Conselho Nacional de Assistência Social a reconhece e tem o zelo de requerer a renovação do cadastro por norma legal; 13 A Administração Pública deve atender aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; 14 Os princípios susomencionados devem ser atendidos conjuntamente, utilizandose o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, para o qual a legalidade deveria abranger o caráter constitucional da norma, para assim aplicála em consonância ao interesse comum e não arrecadatório do Fisco. Em 31 de outubro de 2011, a DRJ em Belém/PA entendeu ser improcedente a impugnação apresentada. Devidamente intimado do decisum, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário que, em síntese, repetiu as argumentações dispostas na impugnação. É o relatório.. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. 1 PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000420/200998 Acórdão n.º 2302002.087 S2C3T2 Fl. 27 7 lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2APLICABILIDADE DO ARTIGO 14, CTN VS ART. 55, DA LEI N. 8.212/91 Necessário, inicialmente distinguir a aplicação das disposições do art. 14 do CTN daquelas estabelecidas no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Importante deixar patente que as contribuições sociais não foram inseridas no contexto do Código Tributário Nacional, não sendo regidas pelas regras dele emanadas, mormente naquelas relativas à fruição de imunidade ou isenção. Prova disso está no texto de DecretoLei n° 27, editado posteriormente à aprovação da Lei n°5.172, conforme se depreende de seu texto de abertura, verbis: DecretoLei n°27, de 14 de Novembro de 1966 Acrescenta à Lei 5172, de 25 de outubro de 1966, artigo referente às contribuições para fins sociais. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000420/200998 Acórdão n.º 2302002.087 S2C3T2 Fl. 28 9 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o parágrafo único do art. 31 do Ato Institucional n°2, tendo em vista o Ato Complementar n°31 CONSIDERANDO a necessidade de deixar estreme de dúvidas a continuação da incidência e exigibilidade das contribuições para fins sociais paralelamente ao Sistema Tributário Nacional, a que se refere a Lei número 5.172, de 25 de outubro de 1966; É certo que o Supremo Tribunal Federal afirmou a natureza tributária das contribuições sociais instituídas pela Constituição Federal de 1988. Entretanto, o mesmo Tribunal também reconhece que tais exações não se vinculam integralmente ao texto do referido Código. Assim, o art. 14 do CTN destinase, exclusivamente, a delimitar os requisitos necessários à fruição da imunidade de impostos. A norma do art. 150, VI, "c", da CF/88, disciplinou a imunidade aos impostos, vedando sua incidência sobre as seguintes situações, verbis: "c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Já as contribuições para a seguridade social, a seu turno, têm a imunidade prevista no § 7º do art. 195da Constituição da República, nos seguintes termos: "§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Como já declarado pelo Supremo Tribunal Federal — STF, em diversas oportunidades, dentre elas a ADIN n. 2.0285, quando a Carta Magna utiliza o termo isenção, está, na realidade, tratando de imunidade. Assim, contatase na literalidade dos textos constitucionais acima transcritos que os destinatários da imunidade de impostos não coincidem com os destinatários da imunidade das contribuições sociais. O legislador ordinário cumprindo o comando constitucional quanto às contribuições sociais delineou os requisitos de fruição do beneficio no art. 55 da Lei n. 8.212/91, como segue: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficias a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. A redação acima transcrita encontrase isenta da alteração introduzida pela Lei n. 9.732/98, suspensa por liminar do STF na Ação Direita de Inconstitucionalidade n. 2.0285. A respeito do tema, peço vênia para me reportar aos substanciosos fundamentos insertos no Acórdão nº 1613.990, exarado pela 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos autos do processo administrativo n° 36624.002167/200708, tendo em vista rechaçarem de uma vez por todas a pretensão da recorrente a propósito da matéria, como segue: “ […] 4.20. O Contribuinte alega que sendo a imunidade do art. 195, §, da CF, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos para o seu gozo somente podem ser instituído por lei complementar, em face do disposto no art. 146, II, razão pela qual o art. 55 da Lei nº 8.212/81, por ser dispositivo de legislação ordinária, seria inconstitucional. Entretanto, entendemos que tal posicionamento não está de acordo com o Sistema Constitucional Brasileiro e, tampouco, com o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. 4.21. Vários argumentos há para evidenciar que o dispositivo constitucional não exige lei complementar para sua regulamentação. A interpretação sistemática do disposto no artigo 195, § 7º com o disposto no artigo 146, II da Carta que exige lei complementar para regular as limitações constitucionais ao poder de tributar também não prospera. Senão vejamos: a) O artigo 150, VI, “c”, que regulamenta a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades de assistência social e de educação sem fins lucrativos, a despeito de ser regulamentado pelo artigo 14 do CTN, igualmente foi regulamentado por uma lei ordinária, a Lei nº 9.532/98, que teve sua constitucionalidade formal questionada Fl. 250DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000420/200998 Acórdão n.º 2302002.087 S2C3T2 Fl. 29 11 na ADIn 1.802, tendo o STF admitido que lei ordinária possa regulamentar a imunidade de impostos: b) A própria Carta criou exceções à regra do artigo 146, II. São elas: i) imunidade de Imposto de Renda, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, à pessoa com idade superior a 65 (sessenta e cinco) anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimento de trabalho (art. 153, § 2º, II da CF, posteriormente revogado pela EC 20); ii) imunidade do Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º da CF, alterado pela EC 42); iii) imunidade do ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, no qual somente incidirá somente o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro (art. 153, § da CF). Tais leis, que regulam a imunidade do IR, do ITR, e do IOF são ordinárias. A imunidade do IR a do IOF pela Lei nº 7.766 e 8.894/94. c) a Constituição Federal deve ser interpretada de forma ampla, de modo que desapareçam as aparentes contradições entre seus dispositivos quando considerados de forma isolada. Assim, para se fazer esta interpretação sistemática não cabe interpretar somente dois dispositivos constitucionais, e sim todos os que tratem da matéria. Deve ser salientado que contribuições sociais. Estatui o artigo 149 da Constituição Federal: “Compete exclusivamente à União instituir contribuições econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo”. De verse que às contribuições sociais, só tem aplicabilidade o inciso III do art. 146 da Carta Magna, excluindose, portanto, os incisos I e II do dispositivo em foco. d) se fosse necessária lei complementar regulamentadora o artigo 195, § 7º da Carta não teria mencionado expressamente “que atenda requisitos de lei”, visto que, por se tratar de imunidade, teria incidência a regra geral do art.146, II. È evidente que o caso em questão é uma das exceções à regra geral que exige lei complementar em tais hipóteses. e) uma da finalidades da exigência de regulamentação por lei complementar de dispositivo constitucional é estimular na legislação ordinária dos entes federados um mínimo de unidade e coerência. No caso da imunidade das contribuições da Seguridade Social isso não seria sequer necessário, porquanto somente a União pode instituir contribuições para o custeio da seguridade social da empresas privadas, dentre elas as entidades beneficentes. Estados, o Distrito Federal e os Municípios, segundo o artigo 146, § 2º da Carta, somente pedem instituir cobrança de seus servidores para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de seus servidores. Diverso é o caso Fl. 251DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 dos impostos, e que é prevista competência concorrente da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo necessário que lei complementar regule as limitações constitucionais ao poder de tributar. 4.22. Por outro lado, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal só é exigível a lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, ou seja, quando a Carta Magna alude genericamente a “lei” para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende toda a legislação ordinária. 4.23. Assim, de acordo com a orientação consolidada pelo STF, quando a Constituição afirma que “são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, § 7º), ela está exigindo que a isenção somente ocorrerá se houver efetivamente o cumprimento de requisitos estabelecidos em lei ordinária. Não há que se falar em inconstitucionalidade do art. 55, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que, conforme foi acima mencionado, leis complementares somente se justificam nas hipóteses expressamente mencionadas no próprio texto constitucional, como sabidamente tem decido, há muito, o Pretório Excelso. 4.24. No Mandado de Injunção 616SP, o STF discutiu o tema, figurando na relatoria o Ministro Nelson Jobim. Na oportunidade, o STF decidiu que a norma constitucional já havia sido regulamentada pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO”. 4.25. Recentemente, o STF manteve tal posicionamento, conforme pode ser constatado na decisão proferida pelo Ministro Sepúlveda Pertence (AG. REG no Recurso Extraordinário nº 408823), cujo teor é o seguinte: “DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não préquestionada a questão referente à ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Sustenta a agravante que a questão suscitada no RE não é a existência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicada o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000420/200998 Acórdão n.º 2302002.087 S2C3T2 Fl. 30 13 Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em razão do disposto no art. 195, § 7º da Constituição, reconheceu à inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchido os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, entende que o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: ‘CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃOPARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1A, do C. Pr. Civil). Brasília, 02 de outubro de 2006. “MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – RELATOR.” 4.26. O Supremo Tribunal Federal, no agravo de instrumento nº 647933, publicado em 15 de março de 2007, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, novamente consolidou esse entendimento: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA – INVIABILIDADE – DESPROVIMENTO DO AGRAVO. O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folhas 46 a 55, assim resumido: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. O § 7º do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes Fl. 253DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. Ocorre que, in casu, há regra específica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7º, já mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica à “lei”, não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na cidade lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). Apelação improvida. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atuase em sede excepcional à luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacífica a respeito, devendose ter presente o Verbete nº 279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise, conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folhas 49). Conheço do agravo e o desprovejo. Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. 4.27. Deve ser enfatizado que o art. 14 do CTN regulamenta a imunidade relativa a impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. Não é aplicável às contribuições devidas à seguridade social, que não são impostos, muito menos incidentes sobre o patrimônio, a renda e serviços. A imunidade, nos casos destas contribuições, está prevista no art. 195, § 7º, da CF e a sua regulamentação não está sujeita a lei complementar, conforme determinação do próprio legislador constituinte. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000420/200998 Acórdão n.º 2302002.087 S2C3T2 Fl. 31 15 4.28. Portanto, ficam afastadas as alegações referentes à aplicação do art. 14 do CTN, no caso em questão, tendo em vista que conforme posicionamento consolidado no Supremo Tribunal Federal, os requisitos a serem cumpridos para o exercício do direito ao benefício fiscal previsto no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98. 4.29. Desta forma, para terem direito à isenção das contribuições devidas à seguridade social, às entidades beneficentes de assistência social não basta o cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Para tanto, é necessário o cumprimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme determina a própria Constituição Federal. […]” O legislador infraconstitucional acresceu aos requisitos que considerou necessários à imunidade das contribuições sociais as mesmas regras previstas no art. 14 do CTN para os impostos. Tal entendimento está em consonância com aquele já manifestado pela Segunda Turma da CSRF, em 15 de outubro de 2007: Acórdão n° CSRF/0202.808 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 30/06/1997 Ementa: IMUNIDADE. Somente fazem jus à imunidade do art. 195, § 7 º da CF/88 as entidades beneficentes de assistência social que preencham os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Como dito no relatório, a empresa teve cancelada a partir de 01/01/1994, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n. 8.212/91, por meio do Ato Cancelatório n. 001/2005, de 21/02/2005, por infração ao artigo 55, da Lei n. 8.212/91, uma vez que, as entidades de fins filantrópicos devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. Registrese que houve contencioso administrativo [Acórdão n. 2115/2005, exarado pela 4ª Turma de Julgamento do CRPS – fls. 237/244], tendo sido mantida validade e eficácia do ato cancelatório. Nesse sentido, entendo improcedentes as alegações recorrentes. 3MÉRITO Fl. 255DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 3.1Histórico e Ausência de pedido de fruição Para melhor esclarecimento fazse necessário apontar o histórico das isenções de contribuições no direito pátrio em função das alterações legislativas que envolveram a matéria. Primeiramente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, e às entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: de declaração de utilidade pública; de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado;desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000420/200998 Acórdão n.º 2302002.087 S2C3T2 Fl. 32 17 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. No presente caso, como já analisado a recorrente não possuía direito adquirido anteriormente à Constituição de 1988. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994,foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993,prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. Desse modo, ao contrário do afirmado pela recorrente, a mesma não possui direito adquirido à imunidade. As decisões do STJ no Mandado de Segurança 10.375 e do STF no Agravo 634.048 tiveram objeto distintos. Nesses autos discutiuse o direito adquirido à renovação do CEBAS. O motivo para emissão do Ato Cancelatório foi a remuneração de diretores. Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Assim, ao contrário do afirmado pela recorrente, o STF não declarou Fl. 257DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 18 inconstitucional o art. 55 da Lei 8.212, o que foi declarado inconstitucional foi a alteração promovida pela Lei 9.732 no art. 55 da Lei n 8.212. Em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. O art. 55 da Lei n º 8.212 de 1991 que previa os requisitos necessários à obtenção do direito à isenção foi revogado pelo art. 44 da Lei n º 12.101 (DOU de 30 de novembro de 2009). De acordo com o previsto no art. 31 da Lei n º 12.101 de 2009, a Receita Federal deixou de ter competência para apreciar os requerimentos de isenção. O direito ao benefício será exercido pela entidade desde a data da publicação da concessão da certificação, atendidos os requisitos do art. 29 da Lei n º 12.101, independentemente de pedido ao órgão fazendário. Nesse sentido é o teor do art. 31, in verbis: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. Destacase que o reconhecimento do direito à recorrente se efetivou em 29 junho de 2005, conforme Ato Declaratório. Portanto, em período anterior à alteração da Lei n 12.101. A atuação do órgão fiscalizador ocorrerá na hipótese de descumprimento pela entidade do art. 29 da Lei n º 12.101, sendo lavrado diretamente o auto de infração, conforme expressamente previsto no art. 32 da Lei n º 12.101, nestas palavras: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção.7 § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000420/200998 Acórdão n.º 2302002.087 S2C3T2 Fl. 33 19 § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Por seu turno, a concessão ou de renovação dos certificados não é mais de competência do CNAS, passando tal exercício para os Ministérios respectivos, nestas palavras: Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. § 1o A entidade interessada na certificação deverá apresentar, juntamente com o requerimento, todos os documentos necessários à comprovação dos requisitos de que trata esta Lei, na forma do regulamento. § 2o A tramitação e a apreciação do requerimento deverão obedecer à ordem cronológica de sua apresentação, salvo em caso de diligência pendente, devidamente justificada. § 3o O requerimento será apreciado no prazo a ser estabelecido em regulamento, observadas as peculiaridades do Ministério responsável pela área de atuação da entidade. § 4o O prazo de validade da certificação será fixado em regulamento, observadas as especificidades de cada uma das áreas e o prazo mínimo de 1 (um) ano e máximo de 5 (cinco) anos. § 5o O processo administrativo de certificação deverá, em cada Ministério envolvido, contar com plena publicidade de sua tramitação, devendo permitir à sociedade o acompanhamento pela internet de todo o processo. § 6o Os Ministérios responsáveis pela certificação deverão manter, nos respectivos sítios na internet, lista atualizada com os dados relativos aos certificados emitidos, seu período de vigência e sobre as entidades certificadas, incluindo os serviços prestados por essas dentro do âmbito certificado e recursos financeiros a elas destinados. Como regra de transição, a Lei n º 12.101 dispõe em seu artigo 35 que os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolados e ainda não julgados até a data de publicação dessa Lei serão julgados pelo Ministério da área no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a contar da referida data. Para os pedidos de isenção em curso na Receita Federal não há regra de transição prevista na Lei n º 12.101. Desse modo, para os pleitos formulados até a data da publicação da Lei n o. 12.101 há que se observar o procedimento disposto na Lei n 8.212. Para Fl. 259DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 20 os fatos geradores ocorridos após a publicação da Lei n 12.101, não é mais necessária formulação de pedido do reconhecimento do direito. No caso, somente estão sendo cobrados fatos geradores ocorridos anteriormente à publicação da Lei n ° 12.101, e que também são anteriores ao requerimento da isenção (29 de junho de 2005). De acordo com o previsto no art. 55 da Lei n 8.212 (na redação vigente à data do pedido) é necessário que a entidade entre outros requisitos formulasse o requerimento, o que não foi feito [fato inconteste]. 3.2Obrigatoriedade Do Recolhimento O lançamento teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento e recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não há razão para a cobrança do tributo As folhas de pagamento foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização, que foram arrecadadas dos segurados. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Ademais, o lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores Fl. 260DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000420/200998 Acórdão n.º 2302002.087 S2C3T2 Fl. 34 21 apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado contribuinte individual que deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, a partir da competência 04/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. O valor retido da remuneração dos segurados e seu não repasse à Seguridade Social, configura, em tese, a prática de crime previsto no art. 168A do Código Penal Brasileiro, com redação da Lei n.º 9.983/2000, para as competências a partir de 10/2000. À área administrativa não discute a conduta criminosa do contribuinte, mas lhe cumpre informar à autoridade competente, o Ministério Público Federal, o que não pode ser desconsiderado. Todavia, tal fato não tem influência na aplicação da multa moratória e de ofício. 3.2Da multa QUANTO À MULTA, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 261DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 22 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e da forma menos onerosa ao contribuinte. 3.3SELIC No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14367.000420/200998 Acórdão n.º 2302002.087 S2C3T2 Fl. 35 23 pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 24 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/ 08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10880.962360/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas.
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NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão da repartição de origem proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF) e com as informações declaradas pelo próprio contribuinte. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 60 /2 00 8- 58 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, esta manejada contra o despacho decisório da repartição de origem que não reconhecera o direito creditório relativo ao PIS, pleiteado por meio de Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), e, por conseguinte, não homologara a compensação declarada, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitar débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação, alegando que o crédito pleiteado se referia à parcela da contribuição indevidamente declarada e paga, pois que relativa a saídas gratuitas (brindes), que não se encontram abrangidas pela receita ou faturamento, base de cálculo da contribuição, inocorrendo, nos casos da espécie, o fato gerador do tributo. Segundo ele, não foram poucas as saídas gratuitas a título de brindes ou amostras grátis no período do crédito almejado, conforme comprovaria o demonstrativo anexo à peça impugnativa, tendo incorrido em erro ao não retificar as declarações respectivas. Tal equívoco, ainda segundo o então Manifestante, não macularia o seu direito de obtenção dos créditos, que teriam sido facilmente apurados se a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida, nos termos propugnados pelo art. 24 da IN SRF n° 600/2005. Para o contribuinte, a emissão do despacho decisório da forma ocorrida violaria os princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar enriquecimento sem causa da União, ferindo o caput do artigo 37 da Constituição Federal e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I, da Lei 9.784/1999. A decisão denegatória do pedido do Manifestante foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.962360/200858 Acórdão n.º 3301001.897 S3C3T1 Fl. 213 3 A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido De acordo com o i. Relator a quo, mesmo que o contribuinte tivesse retificado as declarações originalmente apresentadas, reduzindo o valor da contribuição, ainda assim, essa providência não teria sido suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados, conforme preceitua o art. 147, § 1o, do Código Tributário Nacional (CTN). Ainda segundo o julgador, a defesa apresentara apenas um demonstrativo e uma outra listagem intitulada “balancete”, este destituído dos elementos mínimos exigidos (como nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e número de registro no CRC), estabelecidos pelas Normas Brasileiras de Contabilidade, de acordo com a NBC T.2.7, aprovada pela Resolução CFC n° 685/90, vigente à época do fato gerador. Consignou, ainda, o não acostamento aos autos dos documentos contábeis hábeis a comprovar a composição da base de cálculo da contribuição, como, por exemplo, Livro Razão, Livros de Registro de Entrada, Livros de Registros de Saída, ou Notas Fiscais, que evidenciassem o erro alegado. Quanto à afirmativa do contribuinte de que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal e diligenciado o estabelecimento, como determinaria o art. 24 da IN SRF n° 600/2005, salientou o Relator que, ao contrário dessa alegação, a IN SRF no 600/2005, em seu art. 24, não obriga, mas, sim, faculta à autoridade administrativa a determinação de diligência para verificar a exatidão das informações prestadas. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, reitera seu pedido de reconhecimento do seu direito creditório e de homologação da compensação e solicita a decretação de nulidade do despacho decisório, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo acrescentados os seguintes: a) a decisão recorrida não afirmou em nenhum momento que o crédito não existiria, tendo apenas alegado que ele não teria sido adequadamente comprovado, o que não se sustenta, bem como que a autoridade administrativa “poderia”, mas não estava obrigada a realizar diligências para verificar a exatidão das informações prestadas pela Recorrente – diligências essas que, muito a propósito, não foram realizadas no caso concreto; b) nulidade do Despacho Decisório por ter se limitado a indeferir a compensação com base em suposta inexistência do crédito, sem mesmo o Recorrente ter sido intimado para apresentar os documentos comprobatórios dos créditos declarados ou determinado a realização de diligências em seu estabelecimento; c) o art. 4o da IN SRF nº 600/2005, ao estabelecer que a autoridade administrativa “pode” condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e realização de diligências, em nenhum momento deu poder à autoridade Fl. 214DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 administrativa para negar sumariamente o direito de crédito, sem realizar prévia investigação deste; d) os documentos apresentados na primeira instância e não acolhidos pela Delegacia de Julgamento, sob a alegação de não conter os elementos mínimos necessários, foram entregues juntamente com a Manifestação de Inconformidade, esta subscrita por representante legal da pessoa jurídica, atestando, implicitamente, a veracidade das informações ali contidas; e) “Não atribuir valor probatório aos documentos juntados à Manifestação de Inconformidade é partir do pressuposto de que a Recorrente os fraudou, com o objetivo de criar direito de crédito artificial, situação essa que não pode ser tolerada”. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópias de documentos por ele identificados como (i) “demonstrativo de composição da base de cálculo”, (ii) balancetes idênticos aos anteriormente juntados à Manifestação de Inconformidade, mas contendo os elementos que a decisão recorrida reputou essenciais, a saber: o nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e registro no CRC”, (iii) “demonstrativo das Notas Fiscais que não deveriam ter sido incluídas na base de cálculo, (...) com indicação de seus respectivos valores contábeis e Códigos Fiscais de Operação (‘CFOP’)” e (iv) Termo de Abertura, Termo de Encerramento e páginas do Livro Registro de Saídas em que as referidas Notas Fiscais foram lançadas”. Em 28 de setembro de 2011, o contribuinte protocolizou no CARF pedido de julgamento em conjunto de 78 processos versando sobre o mesmo objeto, qual seja, o direito a crédito da contribuição para o PIS e da Cofins decorrente da inclusão indevida na base de caĺculo do valor das mercadorias saídas do estabelecimento a título gratuito. É o relatório. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. Quanto ao pedido de julgamento em conjunto de todos os 78 processos do Recorrente versando sobre o mesmo objeto, ha ́que se registrar que as disposições regimentais que cuidam da distribuição e do sorteio de processos para julgamento no CARF não determinam providências nesse sentido, havendo previsaõ de sorteio de no máximo 15 processos por lote, condição essa que impossibilita o atendimento do pleito. Desde já, adianto que a decisão da DRJ não merece reparos. Adoto como razões de decidir, mutatis mutandis, as precisas palavras do i. Relator Hélcio Lafetá Reis, da 3a Fl. 215DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.962360/200858 Acórdão n.º 3301001.897 S3C3T1 Fl. 214 5 Turma Especial desta Terceira Câmara do CARF, proferidas quando do julgamento do Processo no 10880.962352/200810 (um dos 78 do Recorrente), nos seguintes termos: I. Preliminar. Nulidade do despacho decisório. Quanto à preliminar de nulidade do despacho decisório, devese ressaltar, de pronto, que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF original. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente; pois, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei no 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto no 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF no 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade arguida. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 disposto no art. 74, § 11, da Lei no 9.430/1996 –, alegou que o crédito pleiteado se referia à parcela da contribuição indevidamente declarada e paga, pois que relativa a saídas gratuitas (brindes), que não se encontram abrangidos pela receita ou faturamento, base de cálculo da contribuição, inocorrendo, nos casos da espécie, o fato gerador do tributo. Para comprovar os referidos valores dos brindes, o contribuinte trouxe aos autos, na fase de impugnação, um demonstrativo extremamente resumido, de uma folha, contendo valores globais de quatro contas, assim como uma relação por ele intitulada “balancete”, esta em duas folhas, contendo a identificação de algumas contas e colunas de débitos e créditos, elementos esses que foram considerados pela autoridade julgadora de primeira instância, no meu entender corretamente, como insuficientes para comprovar o direito reclamado. Não trouxe o contribuinte aos autos a escrituração contábilfiscal, nem as notas fiscais, estas indispensáveis para se verificar a forma como as mercadorias tidas como brindes deram saída do estabelecimento. Em razão da total falta de prova, além da não entrega, ainda que após o despacho decisório, da DCTF retificadora, evidenciouse flagrante descaso do interessado no que tange à comprovação de seu alegado direito. Devese ressaltar que demonstrativos elaborados pelo próprio contribuinte não têm o condão de substituir as provas próprias do processo administrativo fiscal, ainda mais quando desacompanhados dos documentos em que constam, originalmente, as informações a que fazem referência. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente, ao insinuar que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.962360/200858 Acórdão n.º 3301001.897 S3C3T1 Fl. 215 7 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Com base no excerto supra, é possível concluir que o interessado, tendo em vista o duplo grau de jurisdição, deveria ter produzido a prova de suas alegações na fase de Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Não se pode ignorar que informação não suscitada na primeira instância administrativa, momento em que se instaura a fase litigiosa do PAF, vindo a ser demandada apenas na peça recursal, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento; precipuamente nos casos de pedidos de ressarcimento/restituição e de declarações de compensação, em que o interessado tem o dever de comprovar o direito pleiteado, sendo o procedimento administrativo da espécie inaugurado pelo próprio sujeito passivo, cabendolhe o ônus de comprovar sua alegação. A Lei n° 9.784/1999, que disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seu art. 3°, inciso III, estipula que o administrado tem direito de apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; contudo, tal dispositivo não se sobrepõe à regra do referido art. 16 do PAF, pois, conforme consta do art. 69 da Lei n° 9.784/1999, esta se aplica apenas subsidiariamente ao processos administrativos específicos regidos por lei própria. Nos casos de lançamento de ofício de crédito tributário, em que a Administração tributária exige do contribuinte determinado tributo e seus acréscimos legais, a ela – Administração tributária – cabe o ônus da prova, pois que o processo se inicia a partir de sua atuação, devendo, por conseguinte, o lançamento se encontrar embasado em elementos probatórios consistentes do descumprimento da obrigação tributária. Diferentemente dessa situação, temse o processo inaugurado por pedido do próprio interessado, pois aqui cabe a ele, e não à Administração tributária que o apreciará, explicitar e comprovar o direito pleiteado. Conforme nos ensina José Antônio Savaris1, a exigência de um prazo previamente estabelecido para a apresentação de provas não afronta o direito de ampla defesa, pois a preclusão se afigura indispensável ao devido processo legal, configurandose a ampla defesa como direito vasto ou de grande extensão e não como um direito irrestringível. Não existem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da verdade material e da ampla defesa devem ser sopesados dialeticamente com os 1 SAVARIS, José Antônio. O processo administrativo tributário e a Lei 9.784/99. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 94, pp. 7997, julho 2003. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 princípios da celeridade processual, da eficiência, da oficialidade, dentre outros, na tarefa de se reconstruir os fatos sob análise no processo. “De acordo com Marcos Vinicius Neder, a concentração dos atos em momentos processuais oportunos tem a finalidade de proteger o Estado contra a protelação injustificada do processo, como a proposição ilimitada de alegações, a nãoobservância das fases lógicas do procedimento ou a ocultação proposital dos fatos pelo contribuinte em determinada fase processual, para a sua apresentação em momento posterior. A criação de regras de preclusão probatória, pois, decorre da necessidade de se garantir o andamento lógico do processo”2. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5o, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo”.3 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). Provas trazidas aos autos a destempo somente podem ser acatadas se devidamente justificada e fundamentada a razão de sua intempestividade. As exceções previstas no § 4o do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2 NEDER, Marcos Vinicius;; LÓPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 65 e 205. In: BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de junho de 2013). 3 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de junho de 2013. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.962360/200858 Acórdão n.º 3301001.897 S3C3T1 Fl. 216 9 O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos novos elementos que, segundo ele, não deixariam dúvidas quanto ao seu direito. Contudo, ainda que se abstraísse da preclusão consumativa, tais elementos não seriam suficientes para comprovar o indébito alegado. O denominado “demonstrativo de composição da base de cálculo” é o mesmo que havia sido apresentado na primeira instância, havendo nele informações que mais confundem do que esclarecem. Ali são identificados valores globais sob as seguintes rubricas: “débito apurado”, “suspensão”, “pagamento”, “saídas grátis eletrodomésticos”, “saídas grátis assistência técnica”, “saídas grátis importados”, “saídas grátis diversas diversos”, “devoluções”, “total”, “valor apurado”, “correção” etc., sem haver qualquer explicitação quanto à origem de tais valores. No Recurso Voluntário, a relação que havia sido identificada como “balancete” na Manifestação de Inconformidade foi substituída por uma outra denominada “Relatório Notas Fiscais Saídas”, sendo relacionados vários números de notas fiscais, o estabelecimento emissor, a data de emissão, o CFOP, o valor contábil, o no do livro e a página, sendo que as referidas notas fiscais não foram apresentadas nem mesmo por amostragem, ainda que apenas uma delas. Não se pode ignorar que tal documento (a nota fiscal) é imprescindível para se aferir a natureza da saída da mercadoria, precipuamente nos casos de saídas gratuitas. Se o contribuinte havia incluído as alegadas notas fiscais relativas a brindes no cômputo da receita bruta para fins de apuração da contribuição, é porque tais notas foram emitidas com um determinado valor, sem o qual inexistiria possibilidade de sua inserção no faturamento. Nessa situação, a apresentação da cópia da nota fiscal tornase condição sine qua non à comprovação pretendida, pois somente conhecendo o seu teor, pode se constatar a natureza e a extensão da operação. O mesmo se diga em relação ao livro Registro de Saídas, cuja cópia foi trazida aos autos juntamente com a peça recursal. Nele, além das informações constantes do relatório supra, há a identificação dos débitos de IPI e de ICMS incidentes em cada operação, dados esses que nada acrescem à defesa do Recorrente, pois que, reafirmese, desacompanhados dos documentos a que fazem referência, quais sejam, as notas fiscais respectivas. Conforme preceitua o parágrafo único do art. 195 do Código Tributário Nacional (CTN), evidenciando a necessidade de apresentação dos documentos fiscais que embasam os registros contábeis, “[os] livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram”. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Del Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. A defesa genérica não é apta a favorecer a defesa do ora Recorrente e, inexistindo prova material do direito pleiteado, não se vislumbra necessidade de se enfrentar o mérito, ou seja, as razões de direito alegadas, pois ainda que favoráveis à tese do interessado (não incidência da contribuição sobre brindes), quando desacompanhadas dos elementos fáticos comprobatórios da ocorrência do evento, em nada favorecem a defesa da parte, dada a sua inocuidade. Nesse sentido, dada a ausência de comprovação, com documentação hábil, do indébito alegado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Bernardo Motta Moreira Relator Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 19647.004707/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000
IMPUTAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO AOS DÉBITOS COMPENSADOS EM ATRASO.
ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se cogita da aplicação
do art. 138 do CTN quando não há pagamento, mormente se as
compensações promovidas em atraso não foram acompanhadas dos juros de mora devidos.
IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. REGULARIDADE. O direito creditório
reconhecido deve ser imputado proporcionalmente aos débitos compensados acrescidos de multa e juros de mora devidos até a data da compensação. A imputação linear não tem amparo no Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1101-000.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado em: 1)por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade; e 2)por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento, mormente se as compensações promovidas em atraso não foram acompanhadas dos juros de mora devidos. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. REGULARIDADE. O direito creditório reconhecido deve ser imputado proporcionalmente aos débitos compensados acrescidos de multa e juros de mora devidos até a data da compensação. A imputação linear não tem amparo no Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade; e 2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Marcelo de Assis Guerra e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 47 07 /2 00 5- 31 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. Relatório O Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n. 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELERN Celular S/A). Segundo consta do Relatório de Informação Fiscal, referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação adotada pela solução de consulta interna n. 182. Essa solução de consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável. Assim, foi apartado do processo administrativo n. 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos referentes a compensações específicas, as quais não guardavam relação direta com os lançamentos objeto do Auto de Infração de que derivou o processo originário. Novos processos foram inaugurados, dentre os quais este, e que tratavam de objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. A interessada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP de fls. 01/06, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ com débito de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$155.636,23, seria decorrente de saldo negativo do imposto apurado em 31/12/2000. Em diligência realizada pela DRF de Recife, concluiuse pala existência do crédito apontado na DCOMP, mas afirmou sua insuficiência para compensar o débito assinado pela contribuinte, porque não foram calculados e incluídos, na compensação, os juros e a multa de mora. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 4 3 Por meio do Despacho Decisório de fl. 19, o fiscal homologou parcialmente a compensação, até o limite do crédito reconhecido, aproveitandoo para compensar de maneira proporcional o débito e seus consectários. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em que alega: A denúncia espontânea da infração eximiria a aplicação da multa de mora, conforme prevê o art. 138 do CTN; A imputação proporcional de principal e multa é ilegal; e A revisão de ofício havida nos autos do processo n. 19647.009690/200699 teria afrontado os arts. 145, 146 e 149 do CTN e estaria, portanto, eivado de vício insanável. A decisão de primeira instância negou provimento à manifestação de incoformidade, aduzindo os seguintes argumentos: O débito discutido no processo tratase, exclusivamente, daquele declarado espontaneamente pela contribuinte na DCOMP; de forma que não teria sido influenciado pela modificação havida com a revisão de ofício do processo n. 19467.009690/200699. A Solução de Consulta Interna Cosit n. 18, de 2006, que 2. fundamentou a revisão de ofício do processo n. 19467.009690/200699, apesar de ter sido posterior à lavratura do auto de infração de que decorre aquele processo, teria beneficiado o sujeito passivo ao reduzirse o débito da estimativa não homologada que era objeto daquele processo. Na quitação de débito fiscal por meio de Declaração de Compensação haveria incidência de juros e de multa de mora. Quando a compensação for insuficiente para extinguir o crédito tributário, serão compensados, na mesma proporção, o tributo ou a contribuição e os correspondentes acréscimos legais. O débito remanescente foi objeto do processo de cobrança n. 10469.721071/200942, que se encontra a este processo apensado. Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou, tempestivamente, o presente Recurso Voluntário, em que reitera os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Primeiramente, cabenos analisar a preliminar de nulidade levantada pela contribuinte, de que a revisão de ofício no lançamento teria implicado vício sanável, na medida Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 5 4 em que resultou de interpretação posterior à lavratura do Auto de Infração guerreado no processo n. 19647.009690/200699. Ocorre que o débito discutido neste processo é rigorosamente aquele espontaneamente declarado pela contribuinte na DCOMP, não sofrendo, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n. 19647.009690/200699. Nesse aspecto, não vislumbro a necessidade de reformar o acórdão recorrido, e coaduno com os argumentos de primeira instância, verbis: “7.Naquele processo, de exigência de crédito tributário, verificouse, entre outras infrações, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em consequência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anoscalendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. 8. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMP que constituíam confissão de dívida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. 9. Portanto, diversamente do que esgrime a defesa, o processo n. 19647.009690/200699 é que foi influenciado por este, e não o contrário. É através do presente processo que o débito da estimativa não homologada será cobrado, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. A homologação parcial ora combatida nestes autos em nada decorreu do processo n. 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e o débito que será cobrado por via do presente processo é rigorosamente aquele espontaneamente declarado pela contribuinte na DCOMP. Não sofreu o débito, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n. 19647.009690/200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CIN.” Afastada a preliminar de nulidade, voltome à questão de mérito. A existência do crédito em si não é objeto de discussão, pois este foi reconhecido desde o Despacho Decisório que homologou parcialmente o pedido de compensação. A controvérsia constante do seguinte processo gira em torno da possibilidade de exigirse ou não multa de mora na situação em que a contribuinte extingue crédito tributário em atraso por meio de compensação; e, sendo esta premissa positiva, se poderia a Fiscalização compensar o crédito de maneira proporcional com o débito e seus consectários. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 6 5 A interpretação do Superior Tribunal de Justiça exarada no Recurso Especial n. 1149022SP, que foi recebido segundo o rito repetitivo, deu fim à controvérsia sobre a incidência de multa de mora na hipótese da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. Destarte, cabenos, neste processo, indagar se a extinção do crédito tributário em atraso por meio de declaração de compensação seria equiparável ao pagamento na esteia de restar caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138; e, daí, aplicarse o entendimento do STJ que pugna pela não incidência de multa de mora. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação, a compensação tornase definitiva. Luciano Amaro, em Direito Tributário Brasileiro, elenca o rol de causas extintivas do crédito tributário, no qual inclui a compensação, e sobre a qual escreve: “A compensação, quando couber, é modo alternativo de satisfação do débito tributário. O sujeito passivo da obrigação tributária tem, pois, a faculdade legal de extinguila por compensação, nos termos do que for previsto em lei”.1 Como a Medida Provisória n. 66 de 2002 introduziu a sistemática da compensação, por meio da qual se extingue o crédito tributário, há de se admitir que o contribuinte pode, no lugar do pagamento, preferir compensar o que deve com o crédito que possui. Desarrazoado seria exigir do contribuinte detentor de crédito junto à Fazenda Pública que efetuasse, a fim de caracterizar a denúncia espontânea, pagamento que poderia ser suprido pela compensação. À opção dele, pode ser feito o pagamento do débito confessado espontaneamente ou declarada a compensação a extinguir o débito, extinção esta que poderá ficar sem efeito caso não homologada a compensação. Não poderia ser outra a interpretação, porquanto a norma contida no art. 138 do CTN comporta uma sanção premial, que exime o contribuinte do recolhimento da penalidade, quando ele se adianta e confessa, antes de qualquer atuação fiscal. A norma visa a incentivar um comportamento positivo do contribuinte, no sentido de assegurar o direito creditório da Fazenda Pública. Fica, então, excluída a responsabilidade pela infração, quando o contribuinte promove o adimplemento do direito creditório do Fisco, por iniciativa própria, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, verbis: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do 1 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 19ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2013. p 415 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 7 6 pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.”(grifamos) Com o afã de promover esse comportamento positivo por parte do contribuinte que a norma prevê a exclusão da responsabilidade pelas infrações. O dispositivo ressalva, no entanto, a denúncia apresentada após o início do procedimento fiscalizatório relacionado àquela infração, porque o incentivo de que trata a norma não quer facultar ao contribuinte redenções de última hora. No presente caso, a compensação ocorreu (i) antes do início de qualquer atuação da Fiscalização, e (ii) concorreu para o cumprimento da obrigação tributária. Não houve prejuízo ao Fisco, porque, independentemente da forma escolhida pelo sujeito passivo de extinguir o débito, recolheuse o tributo. Dessa maneira, imperioso afirmar que fica caracterizada a denúncia espontânea. Caracterizada a denúncia espontânea, a multa moratória deve ser excluída por ser obrigada a aplicação da jurisprudência do STJ, como determina a norma contida no art. 62 A do RICARF. O STJ já se manifestou acerca da discussão aqui travada no Recurso Especial nº 1149022SP, que foi recebido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. Assim restou ementado o acórdão referente ao processo a que se fez alusão, verbis: “1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 8 7 inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp 1149022, unânime, Relator Min. Luiz Fux, trânsito em julgado em 30/08/2010)” (destacamos) Este entendimento já prevaleceu neste conselho, como se verifica a partir da leitura do acórdão 3401002.107, da relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que restou assim ementado: “DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 9 8 do contribuinte e homologada a compensação a extinção torna se definitiva. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.” (destacamos) Ainda que esse não fosse meu entendimento, e considerasse impossível a equiparação da compensação ao pagamento a fim de importar a espontaneidade, teríamos de avançar no juízo demandado a este colegiado e apreciar a higidez da imputação proporcional da compensação. Como já salientei acima, somente afastada a interpretação que admite a extinção do crédito tributário por suas diversas formas como meio idôneo de caracterizar a denúncia espontânea, terseia que avançar nesta segunda matéria. Fáloei, porém, somente como recurso adicional de fundamentação desta decisão. Tendo mais de um débito com a Fazenda Pública, e não sendo possível a amortização total com os créditos que possui, em outra via, contra a Fazenda Pública, cabe ao contribuinte, por meio de sua Declaração de Compensação, indicar os débitos que gostaria de compensar. Tendo o contribuinte indicado o débito relativo ao tributo como aquele destinado à compensação, a Fiscalização teria a oportunidade de proceder o lançamento de multa e juros moratórios desacompanhados dos tributos em Auto de Infração específico, mas não poderia deixar de cumprir seu dever, que tem como contraparte a faculdade do sujeito passivo de extinguir o crédito tributário da maneira que melhor lhe aprouver, desde que amparado pela lei. Com a entrada em vigor da Lei n. 9.430, a sistemática da imputação proporcional deixou de ser aplicada, visto que a norma oportuniza o lançamento dos consectários desacompanhados da obrigação principal. Esta questão foi apreciada pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que prolatou o acórdão n. 910101.233, sob a relatoria do conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, que restou assim ementado: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 10 9 “POSTERGAÇÃO. PAGAMENTOS EFETUADOS NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.430/1996. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. INAPLICABILIDADE. A partir da vigência da Lei nº 9.430/1996, que instituiu nova disciplina para exigência dos pagamentos em atraso sem os acréscimos de juros e multa de mora, é inaplicável o método da imputação proporcional. Na apuração do quantum devido, devese considerar, como valor do imposto ou contribuição postergados, a totalidade dos valores pagos no período subsequente, sem a dedução dos juros e multa de mora.” Mais adiante, o voto repete o disposto na ementa, qualificando o entendimento como pacífico naquele colegiado: “Como já assentado por esta Corte, a partir da vigência da Lei nº 9.430/1996, que instituiu nova disciplina para exigência dos pagamentos em atraso sem os acréscimos de juros e multa de mora, é inaplicável o método da imputação proporcional. Em consequência, na apuração do quantum devido na hipótese de postergação, devese considerar como valor do imposto ou contribuição postergados a totalidade dos valores pagos no período subsequente, sem a dedução dos juros e multa de mora.” (grifamos) Quanto à imputação proporcional da compensação cabe dizer que é motivo bastante para anular o Despacho Decisório impugnado, porque não compete à autoridade fiscalizadora exigir um encontro de débitos e créditos diferente daquele aspirado e indicado pelo contribuinte. Diante o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O presente voto expressa o entendimento majoritário deste Colegiado contrário à caracterização de denúncia espontânea por meio de declaração de compensação (DCOMP) e favorável à imputação proporcional do direito creditório aos débitos compensados. Pretende a interessada ver aplicado o disposto no art. 138 do CTN à sua conduta. Porém, está ali disposto: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 11 10 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. E, no presente caso, não se verificam várias das premissas assim estabelecidas: · não houve pagamento, modalidade de extinção do crédito tributário prevista no art. 156, I do CTN, distinta da compensação, prevista no inciso II do mesmo artigo; · as compensações não foram acompanhadas dos juros de mora, como destacou a autoridade julgadora de 1a instância: [...] Com efeito, ao examinarse a DCOMP, verificase que a empresa atualizou o valor do crédito pleiteado, porém, em relação ao débito, considerou apenas o valor principal, sem preencher os campos atinentes aos juros e à multa de mora, não obstante o débito já estivesse vencido à data da compensação. (negrejouse) Portanto, ainda que superado o fato de não se tratar, aqui, de pagamento, mas sim de compensação, o fato é que o débito compensado em atraso não reúne os requisitos previstos no art. 138 do CTN, para se cogitar de sua aplicação. Por oportuno consignese que os casos nos quais o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou favoravelmente à exclusão da multa moratória, no rito do art. 543C do Código de Processo Civil, tratavam apenas de pagamento, como se constata das ementas a seguir transcritas: · Resp nº 1.149.022 – SP (Questão relativa à configuração de denúncia espontânea – artigo 138, do CTN – na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa – antes de qualquer procedimento do fisco –, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente), transitado em julgado em 01/09/2010: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 12 11 qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e Resp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. · RESp nº 962.379 (Configuração ou não de denúncia espontânea relativamente a tributo federal sujeito a lançamento por homologação – PIS/COFINS –, regularmente declarado pelo contribuinte – DCTF, mas pago com atraso), transitado em julgado em 30/04/2009: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 13 12 Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS– GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Recordese, também, que sob o mesmo rito, a aplicação do art. 138 do CTN foi afastada pelo Superior Tribunal de Justiça em caso de parcelamento, consoante ementa do acórdão proferido no REsp nº 1.102.577, transitado em julgado em 26/06/2009: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ART. 543C DO CPC. 1. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. 2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. Logo, não se cogita de denúncia espontânea no presente caso, e os acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº 9.430/96 são validamente aplicáveis na liquidação dos débitos mediante imputação do direito creditório reconhecido. E esta imputação, por sua vez, deve ser proporcional, vez que o Código Tributário Nacional não ampara a amortização linear, na medida em que se limita a abordar a imputação de pagamentos nos seguintes termos: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes. Inexistindo neste, ou em outros dispositivos do CTN, regra expressa de precedência entre tributo, multa (de mora ou de ofício) e juros moratórios, a forma de alocação de pagamentos entre as parcelas componentes de um mesmo crédito tributário deve ser definida mediante utilização da analogia admitida no art. 108 do CTN, tendo em conta o que estabelecido em outro ponto daquele Código: Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 14 13 Portanto, se a restituição obedece a critério proporcional, por analogia e simetria, a imputação do pagamento também deverá observálo. Significa dizer que o direito creditório reconhecido deve ser distribuído proporcionalmente para quitação do principal, multa e juros de mora devidos na data da entrega da DCOMP, exigindose ou cobrandose o principal remanescente, que será acrescido de multa e juros de mora calculados até a data em que o recolhimento complementar venha a ser efetivado. A possibilidade de se exigir, isoladamente, penalidades em razão da inobservância do prazo de recolhimento de tributos, cumulada com a falta de recolhimento de multa de mora, deixou de existir com a revogação do art. 44, §1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, pela Lei nº 11.488/2007. Assim, o art. 43 da Lei nº 9.430/96 somente resta aplicável para fins de constituição de juros de mora isolados, nas hipóteses em que o sujeito passivo deixa de recolhêlos em razão de ordem judicial, e a constituição deste crédito tributário se faz necessária para prevenir a decadência. Registrese, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça já firmou interpretação, no âmbito do REsp nº 921.911/RS, em favor da imputação aqui em debate, ou seja, de direito creditório utilizado para compensação de débitos em atraso, sem acréscimos moratórios. A ementa do referido julgado, proferido pela Primeira Turma daquele Tribunal em 01/04/2008, deixa claro o entendimento ali firmado: TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 163 DO CTN. PRETENSÃO DE, NA COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA, APLICAREMSE REGRAS DO CÓDIGO CIVIL SOBRE IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. 1. A regra dos arts. 374 e 379 do CC de 2002 não se aplica às compensações tributárias. 2. Impossível, juridicamente, o acolhimento de pretensão no sentido de que, primeiramente, na compensação, sejam os juros devidos considerados em primeiro lugar como pagamento e, em seguida, o principal. 3. O art. 163 do CTN regula, exaustivamente, a imputação do pagamento nas relações jurídicotributárias. 4. A compensação tributária deve ser feita de acordo com as regras específicas estabelecidas para regular tal forma de extinção do débito. Nãoaplicabilidade do sistema adotado pelo Código Civil. 5. Nãoaplicação de analogia para decidir litígio tributário quando a questão enfrentada não é disciplinada pelo CTN. 6. Recurso especial conhecido e parcialmente provido. O Ministro José Delgado, citando doutrina e outras decisões judiciais, afastou a aplicação subsidiária do Código Civil em matéria tributária em razão da revogação expressa do art. 374 daquele diploma legal, e complementou que proceder de forma distinta daquela adotada pela Receita Federal ensejaria quebrar de isonomia entre os critérios para a cobrança de débitos e créditos fiscais. Reforçou, ainda, que o caput do art. 163 do CTN, bem como a natureza indexadora da taxa SELIC, permitem concluir que o montante do crédito tributário é uno e indivisível, justificando a imputação proporcional, além do fato de a capitalização de juros ser vedada pelo art. 167 do CTN. Posteriormente, em acórdão proferido em 14/10/2008, sob relatoria do Ministro Castro Meira, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça adotou o mesmo entendimento, acrescentando o reconhecimento da validade das Instruções Normativas que Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 15 14 disciplinaram a imputação na forma aqui adotada. Reproduzse a ementa do referido acórdão, decorrente do AgRg no Resp nº 971.016/SC: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CÓDIGO CIVIL. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. AMORTIZAÇÃO DOS JUROS ANTES DO PRINCIPAL. ART. 354 DO CC/2002. INAPLICABILIDADE. OFENSA AO ART. 108 CTN. INOCORRÊNCIA. 1. "Se as normas que regulam a compensação tributária não prevêem a forma de imputação do pagamento, não se pode aplicar por analogia o art. 354 do CC/2002 (art. 993 do CC/1916) e não se pode concluir que houve lacuna legislativa, mas silêncio eloqüente do legislador que não quis aplicar à compensação de tributos indevidamente pagos as regras do Direito Privado. E a prova da assertiva é que o art. 374 do CC/2002, que determinava que a compensação das dívidas fiscais e parafiscais seria regida pelo disposto no Capítulo VII daquele diploma legal foi revogado pela Lei 10.677/2003, logo após a entrada em vigor do CC/2002" (REsp 987.943/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 28.02.2008). 2. A imputação de pagamento não é causa de extinção do crédito tributário, representa apenas a forma de processamento da modalidade extintiva, que é o pagamento. Daí porque, silenciando o Código Tributário sobre esse ponto específico, nada impede que a Administração expeça atos normativos que regulem o processamento da causa extintiva. 3. O fato de, na seara tributária, a imputação vir regulamentada em atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal – IN's 21/97, 210/2002, 323/2003 e 600/2005 –não implica qualquer violação da ordem constitucional ou legal, uma vez que a reserva de lei complementar (art. 146 da CRFB/88) não abrange essa matéria e o art. 97 do CTN não exige a edição de lei formal para tratar do tema. 4. Nos termos do art. 108 do CTN, a analogia só é aplicada na ausência de disposição expressa na "legislação tributária". Por essa expressão, identificamse não apenas as leis, tratados e decretos, mas, também, os atos normativos expedidos pela autoridade administrativa (arts. 96 e 100 do CTN). Dessa forma, não há lacuna na legislação tributária sobre o tema imputação de pagamento, o qual, como dito, não é objeto de reserva legal. 5. Inexistência de ofensa aos arts. 354 do CC/2002 e 108 do CTN. 6. Agravo regimental não provido. Acórdão mais recente, proferido em 10/02/2011 em razão do REsp nº 1.115.604/RS, confirma a manutenção deste entendimento no âmbito do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DOS AT. 165, 458 E 535, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. PRECATÓRIO. MORATÓRIA DO ART. 78 DO ADCT. JUROS DE MORA EM CONTINUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE NA HIPÓTESE. RESPEITO DO PRAZO CONSTITUCIONAL. PRECEDENTES. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. ART. 354 DO CC/02. INAPLICABILIDADE NA SEARA TRIBUTÁRIA. PRECEDENTES. 1. Cumpre afastar a alegada ofensa dos arts. 165, 458, II e 535 do CPC, eis que o acórdão recorrido se manifestou de forma clara e fundamentada sobre as questões que foram postas à deslinde, adotando, contudo, orientação contrária à pretensão dos ora recorrentes, não havendo que se falar em deficiência ou omissão na prestação jurisdicional conferida na origem. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 19647.004707/200531 Acórdão n.º 1101000.945 S1C1T1 Fl. 16 15 2. A jurisprudência desta Corte é pacífica quanto à não incidência de juros moratórios em continuação quando do pagamento das parcelas do precatório na forma do art. 78 do ADCT, desde que respeitado o prazo constitucional. Precedentes. 3. Não havendo direito ao cômputo de juros moratórios na hipótese, resta prejudicada a análise da alegada ofensa dos arts. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95 e 161, § 1º, do CTN. Contudo, em razão do princípio da non reformatio in pejus, deve ser mantido o acórdão recorrido na parte que determinou a incidência de juros legais de 6% ao ano, a partir da segunda parcela. 4. A imputação do pagamento na seara tributária tem regime diverso àquele do direito privado (artigo 354 do Código Civil), inexistindo regra segundo a qual o pagamento parcial imputarseá primeiro sobre os juros para, só depois de findos estes, amortizarse o capital. Precedentes. 5. Recurso especial não provido. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004580/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
LANÇAMENTO EFETUADO EM NOME DO FALECIDO, APÓS A PARTILHA DOS SEUS BENS. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Após a lavratura da Escritura Pública de Inventário Administrativo e Partilha Amigável e a emissão da Declaração de Operações Imobiliárias - DOI, descabe o lançamento, contra o falecido, de créditos tributários devidos até a data da partilha ou adjudicação. Nesses casos, o lançamento deve ser feito contra os sucessores, individualmente.
É nulo o lançamento que, nessas circunstâncias, tenha sido feito em nome do falecido, por não ser ele o sujeito passivo do crédito tributário.
Numero da decisão: 2101-002.239
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)_______________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
_________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Após a lavratura da Escritura Pública de Inventário Administrativo e Partilha Amigável e a emissão da Declaração de Operações Imobiliárias DOI, descabe o lançamento, contra o falecido, de créditos tributários devidos até a data da partilha ou adjudicação. Nesses casos, o lançamento deve ser feito contra os sucessores, individualmente. É nulo o lançamento que, nessas circunstâncias, tenha sido feito em nome do falecido, por não ser ele o sujeito passivo do crédito tributário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 45 80 /2 00 8- 11 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor da pessoa física em epígrafe, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 21 a 25, na qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2003. A infração apontada, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 22, consiste na dedução indevida de despesas médicas. Foi apresentada impugnação às fls. 1 a 13, na qual Regina Lucia Neves Zerbini de Faria, em nome do espólio de João Carlos Zerbini de Faria, alegou que os recibos das despesas médicas apresentados eram legítimos, que a apresentação de cheque nominativo é faculdade que favorece o contribuinte na perda ou ausência do recibo e que, se o Fisco entendeu que o contribuinte agiu de máfé, deveria comprovar tal fato. Ao examinar o pleito, a 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) decidiu pela procedência do lançamento, por meio do Acórdão n.º 0230.545, de 24 de janeiro de 2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa de dedução a título de despesas médicas, quando não forem apresentados documentos hábeis que comprovem o efetivo pagamento pela prestação dos serviços. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi então interposto recurso voluntário, no qual alegouse que o espólio de João Carlos Zerbini de Faria havia se encerrado em data anterior à do lançamento, sendo impossível a exigência de crédito tributário de pessoa (espólio) que não mais existe. No mais, foram repisados os argumentos de impugnação. Juntouse Escritura Pública de Inventário Administrativo e Partilha Amigável emitida pelo Serviço Notarial do 2.º Ofício de Campo Belo (MG). Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.004580/200811 Acórdão n.º 2101002.239 S2C1T1 Fl. 3 3 Ao final, pediuse fosse declarada a nulidade do lançamento, em virtude da impossibilidade de se exigir do espólio, herdeiros ou meeira obrigação que surgiu após a realização da partilha e encerramento do inventário. Caso o argumento não fosse admitido, pediuse o cancelamento da glosa das despesas médicas e redução da multa de oficio de 75% para 10%. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Antes de adentrar o mérito do pedido, impende analisar a questão prejudicial suscitada, a saber, de ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo. Consoante a Escritura Pública de Inventário Administrativo e Partilha Amigável emitida pelo Serviço Notarial do 2.º Ofício de Campo Belo (MG), em 1.º de setembro de 2007, João Carlos Zerbini de Faria faleceu em 5 de maio de 2007 (fls. 66 e seguintes). Por meio desse mesmo documento, a mencionada Escritura Pública, promoveuse a partilha dos bens do falecido entre sua viúva e seus filhos. Consta do mesmo documento ter sido emitida Declaração de Operações Imobiliárias DOI (fls. 70, frente e verso). Já a Notificação de Lançamento, expedida contra o já falecido, está datada de 18 de fevereiro de 2008, e seu o recebimento no seu domicílio ocorreu em 27 de fevereiro de 2008 (vide fls. 17). O artigo 131 do Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172, de 1966), que trata da responsabilidade tributária por sucessão, estipula, em seus incisos II e III, serem pessoalmente responsáveis: (II) o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; e (III) o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Ocorre que, na data da emissão da Notificação de Lançamento, João Carlos Zerbini de Faria já havia falecido e não existia mais nem mesmo o seu espólio, pois já tinha sido realizada a partilha dos seus bens. Salientase que, em 1º de setembro e 2007, foi lavrada a Escritura Pública de Inventário Administrativo e Partilha Amigável, na qual constatase que também foi emitida a competente Declaração de Operações Imobiliárias – DOI (fls. 97 e seguintes), de comunicação obrigatória à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por força do artigo 8º da Lei n.º 10.426, de 2004. Diante disso, a responsabilidade pelo crédito tributário já havia, no momento do lançamento, se consolidado nas pessoas dos sucessores de João Carlos Zerbini de Faria, razão pela qual o lançamento deveria ter sido promovido não em nome do falecido ou mesmo em nome do espólio, mas em nome dos sucessores, nos termos do inciso II do artigo 131 do CTN. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Todavia, observase que a Notificação de Lançamento integrante destes autos foi lavrada equivocadamente em nome do falecido. Tendo em vista que, na data da própria emissão da Notificação do Lançamento (quanto mais na data em que foi recebida no domicílio do falecido), já havia sido feita a partilha dos seus bens, com emissão de DOI, o lançamento deveria ter sido efetuado contra os seus sucessores, individualmente, e não contra João Carlos Zerbini de Faria, falecido meses antes. Esse equívoco da Fiscalização acarretou um vício de ordem material no lançamento, vez que configurou um erro na aplicação de um dos critérios da regramatriz de incidência tributária, qual seja, o critério pessoal, na expressão do sujeito passivo. Pelos motivos externados, há que se reconhecer a nulidade do lançamento, por ter sido configurado erro na identificação do sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 83DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000102/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/10/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PENALIDADE - GFIP - OMISSÕES - INCORREÇÕES - RETROATIVIDADE BENIGNA.
A ausência de apresentação da GFIP, bem como a sua entrega com atraso, com incorreções ou omissões, constitui violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Redator-Designado
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/10/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PENALIDADE - GFIP - OMISSÕES - INCORREÇÕES - RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como a sua entrega com atraso, com incorreções ou omissões, constitui violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Redator-Designado EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/10/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como a sua entrega com atraso, com incorreções ou omissões, constitui violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 01 02 /2 00 7- 94 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – RedatorDesignado EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Auto de Infração, tendo em vista a apresentação de GFIP sem as informações referentes aos pagamentos efetuados aos autônomos (contribuintes individuais), bem como dos segurados empregados da filial 00429, no período de 08/2003 a 04/2004, além de informações incorretas quanto à alíquota de SAT/RAT (1% ao invés de 2%). Foi aplicada a multa prevista no artigo 32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, e art. 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Em sessão plenária de 14/04/2011, foi julgado o Recurso Voluntário em nome do Contribuinte em epígrafe, proferindose o Acórdão 2403000.507 (fls. 71 a 76), assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11330.000102/200794 Acórdão n.º 9202002.721 CSRFT2 Fl. 228 3 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5°, LEI Nº 8.212191 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI No 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI N'8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA – ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º Lei n° 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n° 8.212/1991, c/c o art. 32A, Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.” Cientificada do acórdão em 03/06/2011 (fls. 77), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de fls. 80 a 91, com fundamento no art. 67, anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a questão do dispositivo legal que deve retroagir na aplicação da penalidade, se o art. 32A, ou o art. 35A, da Lei 8.212, de 1991. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho 2400 383/2011, de 11/07/2011 (fls. 186 a 189). O apelo apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, o que significa que não é legitima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da mesma lei (multa isolada); com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise dos artigos 32A e 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991; o primeiro deles assim dispõe: "Art. 32A. 0 contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: 1 — de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II — de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo". tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento); assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; contudo, a MP nº 449, de 2008, também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11330.000102/200794 Acórdão n.º 9202002.721 CSRFT2 Fl. 229 5 "Art. 35A. Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996". tal dispositivo remete à aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que dispõe: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. essa foi a conclusão a que chegou o eminente relator do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito, logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a multa prevista no lançamento de oficio (artigo 44 da Lei 9.430, de 1996); o Parecer PGFN/CAT nº 433, de 2009, ao analisar a repercussão das alterações introduzidas pela MP nº 449/2008 na sistemática das infrações à legislação previdenciária, pontua: "25. Com a nova sistemática introduzida pela MP 449, de 2008, a conduta de apresentar declaração inexata ao Fisco passou a ser apenada na forma do art. 32A, inciso II, que assim dispõe: ‘Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas.’ 26. O dispositivo transcrito impõe penalidade pecuniária para a mesma infração prevista no revogado § 5° do art. 32, qual seja, o fornecimento de declaração incorreta ou incompleta ao Fisco, mas agora possui dicção mais genérica, sem distinguir se a inexatidão se refere ou não ao fato gerador do tributo. Esse novo preceito contempla, sem dúvida, multa pelo descumprimento de obrigação acessória agora sensivelmente mais branda e que não se vincula à eventual infração relativa ao não pagamento do tributo. Em outras palavras, o fato gerador da referida multa não abrange, à semelhança do fato gerador do antigo art. 32, § 5°, da Lei 8.212, de 1991, a conduta do contribuinte que não efetua o pagamento tempestivo do tributo devido. 27. Por conseguinte, entendemos que a comparação do art. 32, § 5º da Lei 8.212, de 1991, quando isoladamente aplicado, deve ser feita em relação ao recente art. 32A, II, para fins de aferição da norma mais benéfica. Conforme pondera Leandro Paulsen, o art. 106, II, "c", do CTN, "pressupõe multas que se apliquem a situações idênticas ". 28. Ouestiona a RFB se o cotejo do revogado art. 32, § 5°, da Lei 8.212, de 1991, não deveria ser feito em relação ao recente art. 35A, da mesma lei, que prevê a aplicação da multa do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1997, nas hipóteses de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias. (...) 30. Com efeito, voltandonos primeiramente ao art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, observase a imposição de multa de ofício no importe de 75 % sobre ‘a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata’. 31. Poderseia pensar, num primeiro momento, que a penalidade pecuniária ora referida teria incidência quando houvesse falta de declaração ou declaração inexata (descumprimento de obrigação acessória) ou, alternativamente, quando houvesse o não pagamento ou pagamento parcial do tributo devido (multa moratória). 32 No entanto, não é essa a sistemática legal. A multa prevista no art. 44. inciso I, é única, no importe de 75%, e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total ) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11330.000102/200794 Acórdão n.º 9202002.721 CSRFT2 Fl. 230 7 declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. 33 Com efeito, observase que somente haverá o lançamento de ofício, na forma do art . 44, inciso I, se ainda não houver sido constituído o crédito tributário , em outras palavras , se o tributo ainda não foi objeto de confissão de dívida por não ter sido apresentada a declaração, ou porque a declaração apresentada foi incompleta ou omissa. Sendo assim, as duas infrações, nesse caso, são verificadas simultaneamente e, portanto , haverá a incidência de apenas uma multa (de ofício), no montante de 75% do tributo não recolhido, a teor do art. 44, I, da Lei 9.430, de 1997. 34. Registrese que tal multa, dirigida a punição de ambas as condutas, não deve ser cumulada com outra penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória decorrente da não entrega, ou da entrega inexata, da mesma declaração (a exemplo da multa do art. 32A, II já referido), sob pena de inaceitável bis in idem." [destacouse] nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A, da MP nº 449. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento do recurso e o seu provimento, reformandose o acórdão recorrido, no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica, se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A, da MP nº 449, de 2008. Cientificado do acórdão recorrido, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 04/08/2011 (AR de fls. 103), o Contribuinte ofereceu, em 23/08/2011, as ContraRazões de fls. 105 a 107. Voto Vencido Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Quanto às ContraRazões, oferecidas pelo Contribuinte, estas são intempestivas, razão pela qual delas não conheço. Tratase de Auto do Infração, tendo em vista a apresentação de GFIP sem as informações referentes aos pagamentos efetuados aos autônomos (contribuintes individuais), bem como dos segurados empregados da filial 00429, no período de 08/2003 a 04/2004, além de informações incorretas quanto à alíquota de SAT/RAT (1% ao invés de 2%). Foi aplicada a multa prevista no artigo 32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8.212, de 1991, com as alterações da Lei Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 n° 9.528, de 1997, e art. 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. O Auto de Infração está associado ao Lançamento de Débitos Confessados – LDC, conforme Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal – TEAF de fls. 12. Na decisão recorrida, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinandose que a multa seja recalculada, conforme o art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009, caso seja mais benéfico ao Contribuinte. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientavam as exigências previdenciárias, tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. §5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11330.000102/200794 Acórdão n.º 9202002.721 CSRFT2 Fl. 231 9 d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” (grifei) Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo) e de LDC – Lançamento de Débitos Confessados (descumprimento de obrigação principal, noticiada no TEAF), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e LDC não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de unificar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídica, de duas penalidades para a mesma conduta, o que conduz à interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para o Contribuinte: a soma das duas multas, aplicadas no presente Auto de Infração e no LDC correspondente; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11330.000102/200794 Acórdão n.º 9202002.721 CSRFT2 Fl. 232 11 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Designado Em que pese o merecido respeito a que faz jus a Ilustre Relatora, peço vênia para dela discordar. Entendo que com o advento da Lei n. 11.941/2009 a multa pelo descumprimento de dever de apresentar corretamente a GFIP passou, por força da irretroatividade benigna, a ser regida pelo artigo 32A da Lei n. 8.212/1991, e não mais pelo antigo parágrafo 5º. Tal entendimento se aplica ainda que tenha havido, como no caso presente, exigência de contribuição previdenciária formalizada em NFLD relativa ao mesmo período. Neste diapasão, não compartilho do entendimento que passei a denominar de “cesta de multas”, segundo o qual a multa por descumprimento de obrigação acessória, lançada no presente auto de infração, deveria ser somada à multa por falta de recolhimento da contribuição, lançada na NFLD, para fins de comparação coma multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n. 9.430. Transcrevo a seguir o voto vencedor do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, nos autos do Processo nº 36378.002129/200615, cujos fundamentos adoto, verbis: “A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituem violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Isso é inquestionável. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, entendo que a penalidade para tal infração, a qual até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Segundo penso, ainda que o contribuinte tenha pago integralmente as contribuições previdenciárias devidas, estará sujeito à penalidade pela ausência de apresentação ou pela entrega com omissões ou com incorreções da GFIP (artigo 32A da Lei n° 8.212/91). Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 A redação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Grifei) Portanto, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é aplicável apenas na hipótese de haver tributo não pago, ao passo que a multa do artigo 32A da Lei n° 8.212/91 incide ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas. Pareceme ser escorreito afirmar que a DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Sob minha ótica, a penalidade lançada contra a contribuinte (§5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91) restou substituída pela multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Diante do exposto, na parte não atingida pela decadência, voto no sentido de que se calcule a penalidade devida pela contribuinte de acordo com a regra do artigo 32A da Lei n° 8.212/91.” Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 12DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11330.000102/200794 Acórdão n.º 9202002.721 CSRFT2 Fl. 233 13 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assin ado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10980.923612/2009-86
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98.
A base de cálculo do PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3802-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Declarou-se impedido o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 36 12 /2 00 9- 86 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Declarou se impedido o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 25/27 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, onde o direito creditório aduzido diz respeito a parte de pagamento de PIS (código de receita 8109) efetuado em 13/08/2004, que a interessada buscava compensar com débito do IRPJ (código de receita 2362) vencido em 31/05/2006. Aduziu a reclamante que o crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, e que o mesmo foi aproveitado nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressalta estar amparada pelos artigos 165 e 170 do CTN. A primeira instância não reconheceu o direito creditório sob o argumento de que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e ainda, que a realidade não se enquadrava dentre as possibilidades de afastamento de norma inconstitucional elencadas pelo Decreto no 2.346, de 10 de outubro de 1997. A ciência da decisão que indeferiu o pedido da recorrente ocorreu em 21/05/2012 (fls. 31). Inconformada, a mesma apresentou, em 18/06/2012, o recurso voluntário de fls. 33/37, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. Requer, ao final, seja homologada a compensação intentada. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A discussão se limita à análise do direito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, uma vez que nos autos não se faz referência a insuficiência probatória do crédito guerreado. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 41DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10980.923612/200986 Acórdão n.º 3802002.067 S3TE02 Fl. 41 3 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Tal dispositivo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC nº 20/98. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10980.923612/200986 Acórdão n.º 3802002.067 S3TE02 Fl. 42 5 Quanto ao levantamento do crédito em favor da interessada, nada foi analisado a respeito dessa questão, posto que o litígio se restringiu à questão da inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, conforme ressaltado. Assim, superada aduzida questão de direito em favor do sujeito passivo, e considerando que não há nos autos elementos suficientes para o exame do montante do crédito em favor da recorrente, deverão os autos ser remetidos à instância a quo para que esta se pronuncie sobre o direito creditório reclamado pela interessada. Com essas considerações, voto para dar parcial provimento ao recurso para que os autos sejam remetidos à primeira instância a fim de que esta se manifeste especificamente sobre o mérito do crédito tributário alegado sem a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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