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Numero do processo: 17883.000193/2010-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 28/02/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 93 /2 01 0- 93 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 17883.000193/201093 Acórdão n.º 9202004.748 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 17883.000193/201093 Acórdão n.º 9202004.748 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 17883.000193/201093 Acórdão n.º 9202004.748 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 496DF CARF MF Processo nº 17883.000193/201093 Acórdão n.º 9202004.748 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 17883.000193/201093 Acórdão n.º 9202004.748 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 498DF CARF MF Processo nº 17883.000193/201093 Acórdão n.º 9202004.748 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 17883.000193/201093 Acórdão n.º 9202004.748 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 500DF CARF MF Processo nº 17883.000193/201093 Acórdão n.º 9202004.748 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 17883.000193/201093 Acórdão n.º 9202004.748 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 502DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.016507/98-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1998
MANIFESTAÇÃO CONTAGEM DE LANÇAMENTO E COBRANÇA.
A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15).
Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
Numero da decisão: 1302-002.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Pedido de Restituição. Decadência Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DO CEARÁ COELCE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1998 MANIFESTAÇÃO CONTAGEM DE LANÇAMENTO E COBRANÇA. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 65 07 /9 8- 80 Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10380.016507/9880 Acórdão n.º 1302002.056 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao acórdão n° 0819.281, de 12/11/2010 da 3a Turma da DRJ de Fortaleza CE que por unanimidade de votos não conheceu da manifestação de inconformidade, por ser intempestiva e por tratar de matéria já decida pela DRJ. O pedido de restituição fundamentouse na declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federa (STF) do art. 8° da Lei n° 7.689/88 que não observava o princípio da anterioridade, por determinar o recolhimento da CSLL relativa ao períodobase de 1988 (recolhimentos de abril a setembro de 1989) (Acórdão do STF no Recurso Extraordinário n° 146.733/92, sendo editada Resolução do Senado Federal n° 11 de 31/01/1994). A recorrente recolheu os valores objeto do pedido de restituição no período de abril a setembro de 1989 (fl. 45). Requereu a restituição em 30/12/1998 (fl. 1), após o transcurso do prazo de cinco anos, conforme disposições do art. 168, CTN, verbis: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LC n° 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4°do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A recorrente foi intimada do despacho decisório, em 03/06/2002 e em manifestação de inconformidade de 17/06/2002 (fls. 70/81), a recorrente sustentou que houve equívoco por parte da fiscalização, pois considerou a data do pagamento espontâneo da CSLL, como data de extinção do crédito tributário. Alega que tal entendimento afronta a melhor manifestação da doutrina e da jurisprudência administrativas e judiciais, tendo em vista que a contagem do prazo prescricional quinquenal teria se iniciado em 31/01/1994, data da publicação da Resolução n° 11 do Senado Federal, que consignou os efeitos erga omnes da Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10380.016507/9880 Acórdão n.º 1302002.056 S1C3T2 Fl. 4 3 decisão no Recurso Extraordinário n° 146.733/92. O pedido de restituição foi protocolado em 30/12/1998 (o recolhimento espontâneo deuse no período de abril a setembro de 1989). A recorrente transcreveu ementas de acórdãos e citou doutrina que estariam em consonância com seu entendimento. Não obstante a DRJ de Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendose o entendimento da DRF quanto à contagem do prazo prescricional a partir do pagamento e não da referida declaração de inconstitucionalidade. De outro modo a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário e deferiu o pedido de restituição dos valores de CSLL pagos em 1988 (acórdão n° 10321.684, de 11/08/2004, fls. 119/138). Negouse seguimento ao recurso especial interposto pela PFN (Despacho de Exame de Admissibilidade de fls. 181/184. A Câmara Superior de Recursos Fiscais rejeitou (fls. 201/202) o agravo interposto, em 19/04/2005 (fls. 186/190). Do acórdão transitado em julgado administrativamente (art. 42 do Dec. n° 70.235/72), destacamse os seguintes termos da parte dispositiva: "Diante de tais fatos e, como o pedido de restituição/compensação foi protocolizado em 30/12/1998 e a Resolução 11/94, do Senado Federal, publicada em 31/01/1994, dúvidas não restam de que a recorrente exerceu o direito de pleitear a restituição/compensação dentro do lapso temporal de cinco anos, contados da data da publicação da Resolução 11/94, do Senado Federal, tendo, por via de consequência, direito à devolução/compensação pleiteada, corrigida monetariamente, ressalvado o direito/dever da SRF, efetuar as diligências necessárias à verificação de existência de saldo credor de pagamento da CSL, no anocalendário de 1988". Em cumprimento, a recorrente foi intimada a apresentar cópias autenticadas dos documentos de arrecadação que comprovassem o crédito pleiteado, relacionados ao período de apuração de 1988, vencimento: 28/04/1989, 30/05/1989, 30/06/1989, 28/07/1989, 30/08/1989 e 29/09/1989, no valor total de NCz$138.934,00, haja vista que tais recolhimentos não foram localizados nos arquivos da RFB, além de declaração, sob pena da lei, de que o crédito pleiteado não teria sido compensado. A recorrente apresentou dois termos de resposta, fls. 217/218, 229/230 e cópias dos Darfs, fls. 225/228. Com base nos documentos apresentados pelo interessado, foi proferido Despacho Decisório, em 17/07/2009, reconhecendo o direito creditório referente aos pagamentos abaixo relacionados: Código Arrecadação Valor (NCz$) 0596 28/04/1989 138.934,00 0596 30/05/1989 149.076,00 0596 30/06/1989 163.900,00 0596 31/07/1989 204.608,14 0596 30/08/1989 263.453,82 0596 30/09/1989 340.751,17 A recorrente foi cientificada do referido despacho, em 29/08/2009, fls. 240. Não houve manifestação da recorrente. Em 24/03/2010, fls. 254/256, a recorrente recebeu Carta Cobrança referente a débitos em seu nome que não puderam ser objeto de compensação por insuficiência de saldo. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10380.016507/9880 Acórdão n.º 1302002.056 S1C3T2 Fl. 5 4 Em 22/04/2010, o interessado apresentou manifestação de inconformidade e/ou Pedido de Revisão ex officio (fls. 264/302), por meio do qual requereu, em resumo: a) declaração de tempestividade da respectiva petição e paralisação da cobrança; b) suspensão da exigibilidade; c) revisão ex officio (Súmula n° 473 do STF) para anulação dos débitos em cobrança; d) caso não acolhido o pedido de revisão que a petição seja recebida como manifestação de inconformidade. A DRJ acolheu a petição como manifestação de inconformidade pelo fato de a recorrente ter alegado, preliminarmente, a tempestividade. A DRJ baseouse na SCI Cosit n° 14/2010. A recorrente alegou que caberia à DRJ acolher o pedido de compensação, em que utilizou os valores do pedido de restituição de CSLL, na forma como apresentado, seja pelo fato de que teria sido homologada por decurso de prazo, seja por entender que teria ocorrido a preclusão consumativa do ato processual pelo despacho de 03/06/2002. A DRJ entendeu que para o acolhimento dessas alegações seria necessário considerar que, implicitamente, o referido acórdão teria acolhido o pedido de compensação, como formalizado. Concluiu que, em realidade, o acórdão assegurou à recorrente o direito à restituição, mas advertiu que a DRF deveria diligenciar para se certificar da existência de crédito. Por sua vez, a DRF concluiu que os créditos compensados não eram suficientes para a extinção dos créditos tributários, sobre os quais não houve manifestação por parte da recorrente, no prazo de 30 dias da intimação. Dessa forma, a DRJ registrou que as questões levantadas pela recorrente, em realidade, visavam discutir a abrangência e a extensão do referido acórdão n° 10321.684, de 11/08/2004, fls. 119/138. Frisou, ainda, que além da impossibilidade de se rediscutir o acórdão, havia outro obstáculo à manifestação da recorrente: a questão relativa à tempestividade. Em que pese a petição reportarse Carta Cobrança, recebida em 23/03/2010, fls. 254, a DRF já havia intimado a recorrente do citado Despacho Decisório, fls. 231/234, informandolhe em que termos a compensação seria efetuada. A recorrente recebeu a intimação em 29/08/2009, fl. 240. A manifestação de inconformidade foi protocolada 22/04/2010, fls. 264/302. O Despacho Decisório indicou os pagamentos que seriam considerados no encontro de contas, e que a compensação seria efetuada "até o limite do crédito reconhecido". Demonstrouse de forma clara que não teria havido preclusão consumativa. Nesse contexto, a DRJ concluiu nos seguintes termos: "Portanto, desde a ciência do referido ato, o contribuinte já havia tomado conhecimento de como a DRF Fortaleza iria proceder na execução do acórdão, abrindose, a partir de então, a possibilidade de manifestar o seu descontentamento. Por isso, entendo que esse deve ser o ato a ser considerado para efeitos do exame da tempestividade. De todo o exposto, voto no sentido de não conhecer da petição apresentada às fls. 264/302 por envolver matéria fora da área de competência desta instância administrativa." Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10380.016507/9880 Acórdão n.º 1302002.056 S1C3T2 Fl. 6 5 A recorrente foi intimada do acórdão recorrido em 03/12/2010 (fl. 352) e interpôs recurso voluntário, em 15/12/2010. O recurso voluntário, da mesma forma como ocorreu na manifestação de inconformidade, não faz referência à intimação do referido despacho decisório. Limitase à intimação referente à Carta Cobrança. Nada menciona sobre a conclusão da DRJ de que o prazo de 30 dias para tal manifestação iniciouse da intimação da do despacho decisório que apreciou o pedido de compensação, no qual indicou os créditos que lhe foram assegurados no processo inicial de restituição de CSLL, por inconstitucionalidade do art. 8° da Lei n° 7.689/88. A recorrente centrouse em alegações no sentido de que a DRF teria desrespeitado o acórdão transitado em julgado e que a DRJ não teria verificado seus fundamentos. Ressaltou que, o acórdão no processo de restituição de CSLL asseguroulhe a correção monetária do crédito. E que, não obstante, a DRF não teria observados as normas que estabelecem as correções relativas aos planos econômicos que ocorreram no período. Esse seria o motivo pelo qual a DRF teria concluído que o crédito da recorrente não teria sido suficiente para liquidar os débitos compensados. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL A recorrente está devidamente representada. O recurso voluntário é tempestivo. Todavia, verificase que a DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade, por considerála intempestiva e por entender que não se insere em sua competência avaliar se o acórdão que reconheceu o direito de a recorrente restituir valores de CSLL e corrigilos monetariamente, também teria assegurado o direito à recomposição dos expurgos inflacionários decorrentes dos planos econômicos havidos no período. O Dec. n° 7.574, de 29/09/2011, em seu art. 56, assim dispõe: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). § lo Apresentada a impugnação em unidade diversa, esta a remeterá à unidade indicada no caput. § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. A DRJ, portanto, acolheu a manifestação de inconformidade. Reconheceu que havia se instaurado o contencioso administrativo, à vista das alegações preliminares da recorrente, quanto à tempestividade da petição. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10380.016507/9880 Acórdão n.º 1302002.056 S1C3T2 Fl. 7 6 Todavia, pelo fato de contar o prazo de 30 dias do recebimento da Carta Cobrança, e não da intimação do Despacho Decisório, como exposto no relatório retro, a DRJ concluiu que a manifestação era intempestiva e não a conheceu, por entender que a recorrente era revel e que, em realidade, pretendia estender a abrangência e o alcance do referido acórdão, pois no âmbito daquele processo de pedido de restituição, não se cogitou sobre recomposição de expurgos inflacionários decorrentes de planos econômicos. Nesse contexto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário pelo fato de que somente se acolhida a manifestação de inconformidade e se houvesse decisão desfavorável à recorrente, caberia lhe a interposição de recurso. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 428DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.900757/2009-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.439
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CGTF CENTRAL GERADORA TERMELETRICA FORTALEZA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 57 /2 00 9- 78 Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10380.900757/200978 Acórdão n.º 9303004.439 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n.º 3101001.717, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nºs 210200.001 e 20219.497. O Contribuinte apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial e, caso seja conhecido, seu nãoprovimento, mantendo a decisão recorrida nos termos em que proferida. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.432, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.900758/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.432): Da Admissibilidade "Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10380.900757/200978 Acórdão n.º 9303004.439 CSRFT3 Fl. 4 3 É que, como restou comprovado no exame de sua admissibilidade, enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse que o índice aplicado no contrato celebrado pela contribuinte – o mesmo de que se tratou no primeiro acórdão paradigma – não o desqualificava como predeterminado, neste último chegouse a uma conclusão diversa, ou seja, a de que a aplicação do mesmo índice desnaturou tal condição. Assim sendo, e sem necessidade de maiores digressões, entendemos que o recurso especial interposto pela Procuradoria deve ser conhecido." Do Mérito "A questão posta nos autos cingese a esclarecer se a receita advinda do contrato firmado, por ser anterior a 31 de outubro de 2003, estaria alcançado pelo comando dos artigos 10 e 15 da Lei nº n.º 10.833/03, em razão da Instrução Normativa n.º 468/04, aplicandose, portanto, a sistemática da nãocumulatividade. Por unanimidade de votos, a decisão recorrida reconheceu o direito do Contribuinte de compensar com débitos próprios os créditos de que é titular, decorrentes de pagamentos efetuados a maior realizados a título de COFINS nãocumulativa, sobre as receitas de vendas de energia elétrica, quando esse tributo deveria ter sido calculado no regime cumulativo, de acordo com a a alínea "b" do inciso XI do artigo 10 e no artigo 15 da Lei n.° 10.833/03, do § 3 do artigo 3 da IN SRF n.° 658/06 e do item 3.1 da IN SRF n.° 21/79, por resultarem de contrato firmado antes de 31.10.2003 a preço predeterminado, com prazo de vigência superior a 1 (um) ano (CONTRATO), celebrado com a Companhia Energética do Ceará ("COELCE"). Para melhor elucidar a questão, transcrevo a seguir os dispositivos que serão tratados na presente decisão, iniciando com a art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei n.º10.833/03, in verbis: "Lei 10.833/03 (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;" Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10380.900757/200978 Acórdão n.º 9303004.439 CSRFT3 Fl. 5 4 E artigos 1º e 2º da IN SRF n.º 468/04, trazem a seguinte redação: "Art. 1º Permanecem tributadas no regime da cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, as receitas por ela auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços “Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. (...)." Verificase que a Instrução Normativa da Receita Federal determina a alteração do regime tributário com a existência de cláusula de reajuste, ou seja, altera a situação da pessoa jurídica do regime tributário da cumulatividade para o não cumulativo. Acredito, que referida instrução normativa ultrapassou o poder regulamentar. Isto porque, ao definir a cláusula de reajuste como marco temporal para modificação do caráter predeterminado do preço, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). Cumpre asseverar que o entendimento jurisprudencial só admite alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação ao princípio da legalidade tributária, senão vejamos: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FUSEX. NATUREZA TRIBUTÁRIA. FIXAÇÃO DA ALÍQUOTA POR PORTARIA. IMPOSSIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. 1. É entendimento sedimentado o de não haver omissão no acórdão que, com fundamentação suficiente, ainda que não exatamente a invocada pelas partes, decide de modo integral a controvérsia posta. 2. 'Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10380.900757/200978 Acórdão n.º 9303004.439 CSRFT3 Fl. 6 5 foi apreciada pelo tribunal a quo' (Súmula 211/STJ). 3. 'O Fundo de Saúde do Ministério do Exército (FUSEX) é custeado pelos próprios militares que gozam, juntamente com seus dependentes, de assistência médicohospitalar. A contribuição de custeio, tendo em vista seu caráter compulsório, tem natureza jurídica tributária, sujeitandose ao princípio da legalidade. Precedente: REsp 789260/PR, Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 19.06.2006' (REsp 761.421/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 01.03.2007). 4. '(...) por se tratar de lançamento de ofício, o prazo prescricional a ser aplicado às ações de repetição de indébito de contribuições ao FUSEX é o qüinqüenal, nos termos do art. 168, I, do CTN' (REsp 1.068.895/RS, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJe de 20/10/2008) 5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 857.464/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 2.3.2009.) Diante, disto, o STJ e o TRF tem posicionado no sentido de declarar a ilegalidade do art. 2º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 468/04 (redação repetida pelo art. 3º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 658/06). "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. REGRA DE TRANSIÇÃO. ART. 10, XI, "B", DA LEI N. 10.833/03. REGULAMENTAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ART. 92 DA LEI N. 10.833/03. CONCEITO DE "PREÇO PREDETERMINADO". ART. 2º, § 2º, DA IN/SRF N. 468/2004 E ART. 3º, §2º, DA IN/SRF N. 658/2006. ILEGALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). Processo REsp 1476922 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Data da Publicação DJe 29/06/2016." "TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10380.900757/200978 Acórdão n.º 9303004.439 CSRFT3 Fl. 7 6 simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial (REsp. n. 1.089.998 RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18.10.2011). " "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, DJe 13/5/2009. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp. n. 1.310.284 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 06.09.2012)." "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10380.900757/200978 Acórdão n.º 9303004.439 CSRFT3 Fl. 8 7 manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa parte, darlhe parcial provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.” Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1169088 MT 2009/02357184" Com efeito, inferese da leitura da legislação federal que não houve nenhuma previsão de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados, não podendo instrumento normativo hierarquicamente inferior determinar a alteração do regime tributário, em observância da princípio da legalidade. Ademais, as Instruções Normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Nacional, Instruções Normativas não podem modificar Lei, inovar a ordem jurídica, mas apenas conferir executoriedade às leis, nos estritos limites estabelecidos por elas. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10380.900757/200978 Acórdão n.º 9303004.439 CSRFT3 Fl. 9 8 Não obstante à essa constatação, temse que, posteriormente à IN SRF n.º 468/04, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei n.º 11.196/05 que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Pela leitura desse dispositivo, confirmase que não havia nenhuma previsão legal, até o advento da Lei n.º 11.196/05, de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados. Vale ainda esclarecer que a introdução de cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Deve haver uma permanente equivalência entre os encargos suportados pelo particular e a remuneração a ele paga pela Administração. E o artigo 40 da Lei n.º 8.666 de 21 de junho de 1993, que rege as licitações, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação. A mesma lei, dispõe que a aplicação de reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato. O reajuste não provoca alteração contratual, motivo pelo qual é registrado mediante simples apostila. "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10380.900757/200978 Acórdão n.º 9303004.439 CSRFT3 Fl. 10 9 III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato , as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo , podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." (grifouse.) Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. Quanto à IN SRF n.º 658/06, publicada posteriormente à Lei n.º 11.196/05 e que revogou a IN SRF n.º 468/04, que trouxe os arts. 3º e 4º, in verbis: "Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições.” (Grifos meus) Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10380.900757/200978 Acórdão n.º 9303004.439 CSRFT3 Fl. 11 10 É de se considerar, em vista do exposto, que a IN SRF n.º 658/06, especificamente sem eu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei n.º 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei n.º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. No caso concreto dos autos a recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Oficio n° 243/2002 SFF/ANEEL, de 09/04/2002. E através dos laudos apresentados foi comprovado que o Índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. E foi demonstrado que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de Índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, Quanto a variação do custo de produção, os peritos ao analisar o Laudo apresentado pela recorrido, apresentaram a seguinte resposta: 'Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o inicio do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: 1As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; 2O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; 3As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei n° 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e 4A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos.' Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10380.900757/200978 Acórdão n.º 9303004.439 CSRFT3 Fl. 12 11 E posteriormente a recorrida apresentou, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos e também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto. Diante de todos esses elementos ficou comprovado que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005) não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Ademais, a Recorrida apresentou Ofício nº 1431/2006 da ANEEL, onde foi confirmado que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesses processos 'visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados'. Diante dos fatos apurados, nego provimento ao recurso especial da Fazenda, para manter a decisão recorrida." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello por ter sido apresentada no Acórdão 9303004.432 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram pelas conclusões: "A previsão de cláusula de reajuste do contrato, baseada no IGPM ou outro índice ou fórmula de correção monetária, não descaracteriza a condição de preço predeterminado, prestandose à simples manutenção do valor da moeda no tempo. Portanto, a previsão de reajuste do preço do suprimento de energia elétrica da CGTF à COELCE busca evitar que o valor predeterminado pelas partes contratantes seja corroído pelos efeitos da inflação. Portanto, não havendo a descaracterização da condição de preço predeterminado por cláusula contratual prevendo o reajuste por índice de correção monetária, estáse diante de contrato que preenche integralmente os requisitos estabelecidos na exceção do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, sendo imperiosa a manutenção da tributação das receitas dele decorrentes pelo regime de tributação do PIS e da COFINS cumulativo, havendo o direito da Contribuinte à restituição dos valores indevidamente recolhidos a tal título pela sistemática da nãocumulatividade." Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10380.900757/200978 Acórdão n.º 9303004.439 CSRFT3 Fl. 13 12 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 640DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900036/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.008
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 03 6/ 20 12 -3 5 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10480.900036/201235 Resolução nº 3401001.008 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.032. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10480.900036/201235 Resolução nº 3401001.008 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10480.900036/201235 Resolução nº 3401001.008 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 219DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.917380/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.112
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 38 0/ 20 11 -8 2 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10480.917380/201182 Resolução nº 3401001.112 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.794. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10480.917380/201182 Resolução nº 3401001.112 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10480.917380/201182 Resolução nº 3401001.112 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 200DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001339/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
RELATÓRIO
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado TELERJ CELULAR S/A Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. RELATÓRIO Versa o presente processo sobre embargos de declaração (fls. 4152 e segs.) opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 1302001.795 (fls. 2778 e segs.), cuja a ementa assim dispõe sobre a preliminar de decadência: DECADÊNCIA. COFINS e PIS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 33 9/ 20 05 -6 5 Fl. 2836DF CARF MF Processo nº 18471.001339/200565 Resolução nº 1302000.485 S1C3T2 Fl. 2.831 2 Aos lançamentos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplicase o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que o art. 45 da Lei 8.212/91 já foi definitivamente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8). A embargante alega o seguinte: “I– SÍNTESE DOS FATOS Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 120/127, 128/132, 133/137 e 138/144, lavrados no âmbito da DEFICRJO, por meio dos quais são exigidos da Interessada, antes identificada, respectivamente, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 27.737.992,45; a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 163.843,95, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 756.202,90 e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 8.876.157,58, com multa de 75% e demais encargos moratórios. A Segunda Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF proferiu o acórdão nº 1302001.795, ora embargado, no qual decidiu: (...) “III – DOS VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO Ocorre que o acórdão embargado foi omisso sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia. No voto condutor constou: Da decadência Com relação à preliminar de mérito suscitada, também não tem razão a recorrente, pois não há créditos tributários extintos pela decadência nos lançamentos ora em análise. Não procede o entendimento da recorrente de que o fato gerador do IRPJ seja mensal, pois, em 2000, já estava em vigor a Lei nº 9.430/96, a qual só prevê duas modalidades de apuração: fatos geradores trimestrais ou anual. Ademais, a recorrente optou pelo lucro real anual, conforme prova a sua DIPJ a fls. 8 dos autos. Assim, aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do CTN, para o fato gerador do IRPJ e da CSLL de 30/11/2000 (em razão da incorporação), o Fisco poderia efetuar o lançamento até 30/11/2005, logo, como a ciência do auto de infração se deu 20/10/2005, não há falar em decadência de créditos do IRPJ e da CSLL. Notese que se aplica à CSLL o prazo de cinco anos do art. 150, § 4º, do CTN pelo mesmo motivo a seguir abordado no tocante à Cofins e ao PIS. Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 18471.001339/200565 Resolução nº 1302000.485 S1C3T2 Fl. 2.832 3 No que toca aos créditos de Cofins e de Contribuição para o PIS, aplicase o prazo de cinco anos estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que que o art. 45 da Lei 8.212/91 já foi definitivamente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8). Logo, estão extintos pela decadência os créditos relativos ao fato gerador de 31/03/2000 (referentes à Omissão de Receita Operacional caracterizada pela não contabilização de custos de aquisição de aparelho celular digital LGC330W, em 31/03/2000), cujos montantes perfazem: Cofins............ R$ 105.887,52 (doc. a fls. 138); PIS..................R$ 22.942,29 (doc. a fls. 133).”. Como visto, no acórdão embargado não foi indicada a existência de recolhimentos parciais dos tributos exigidos (PIS e COFINS) para o período reconhecido como decaído (fato gerador ocorrido em 31/03/2000). No acórdão de primeira instância também não consta essa informação. Ao revés. Ao analisar a matéria, a DRJ de origem aplicou o disposto no art. 173, I, do CTN: “Desta maneira, o entendimento da Impugnante não pode prevalecer pelas razões acima expostas e à luz dos dizeres do artigo 173, I, também do CTN, que indica como início de tal contagem, para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, qual seja, no caso do anocalendário de 2000, a partir do dia primeiro do mês de janeiro de 2001, dessa forma, o prazo final para que o fisco viesse a adotar qualquer procedimento visando a constituir o crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos naquele anocalendário, escoarseia, inexoravelmente, em 31/12/2005 (ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado), data esta, no entanto, posterior ao término da ação fiscal e, conseqüentemente, da lavratura do auto de infração (18/10/2005), com ciência do contribuinte em 20/10/2005, tendo sido, portanto, o mesmo (crédito tributário), constituído de forma absolutamente regular, isto é, dentro do prazo legal permitido ao fisco, para que efetuasse à revisão dos procedimentos adotados pelo contribuinte. Dessa maneira, é de se descartar a alegação de ocorrência do fenômeno da decadência em relação aos fatos apurados, relativos ao anocalendário de 2000.” Analisando detidamente o inteiro teor da decisão em questão, constata se a existência de omissão em sua fundamentação. Observase que o acórdão embargado não se pronunciou acerca do entendimento sobre o tema encampado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial repetitivo e acerca do disposto no art. 62, § 2º do RICARF/2015. Na verdade, o acórdão embargado não trouxe nenhum fundamento para justificar a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º, em detrimento do art. 173, inciso I, do CTN. Daí a omissão apontada. Fl. 2838DF CARF MF Processo nº 18471.001339/200565 Resolução nº 1302000.485 S1C3T2 Fl. 2.833 4 Dispõe o art. 62, § 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.. Nada obstante essa norma regimental, o acórdão embargado passou ao largo de qualquer consideração acerca do entendimento encampado pelo Superior Tribunal de Justiça em decisão de mérito definitiva sobre o tema. Vejase: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) Sequer há qualquer consideração no julgado objeto dos presentes embargos para afastar, de forma fundamentada, a aplicação do entendimento agora objeto de recurso repetitivo proferido pelo STJ. Vejase que o artigo 62, § 2º do RICARF determina a obrigatoriedade de reprodução dos referidos entendimentos. Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 18471.001339/200565 Resolução nº 1302000.485 S1C3T2 Fl. 2.834 5 A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também tem consolidado o entendimento de que a regra de contagem do prazo decadencial constante do art. 150, §4º do CTN é aplicada tão somente diante da existência, devidamente comprovada nos autos, de pagamento parcial das contribuições devidas. Por outro lado, a inexistência de pagamento parcial implica na utilização da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN. No presente caso, não ficou devidamente exposta a tese da Turma julgadora, se seria necessária ou não a existência de recolhimentos parciais para a contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º do CTN. Não foi aplicado o entendimento sedimentado na jurisprudência do CARF e no STJ em recurso repetitivo de observância obrigatória. Segundo o que consta no julgado, a Turma afastou o entendimento encampado pelo STJ, de modo implícito, inclusive largamente sedimentado na esfera administrativa, para simplesmente declarar a decadência do PIS e COFINS, em relação ao fato gerador ocorrido em 30/03/2000, com base no art. 150, § 4º, do CTN. De todo modo, não houve qualquer manifestação expressa do Colegiado para afastar o entendimento sedimentado no STJ e neste Eg. Conselho em prol do entendimento veiculado em primeira instância. Não consta, tampouco, comprovação nos autos de que houve o recolhimento antecipado dos tributos exigidos. Ao contrário. Informa a fiscalização no Anexo do auto de infração (fl. 119): (...) Assim, o Colegiado foi omisso sobre a questão (ocorrência de pagamentos e indicação das respectivas provas a justificar a contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º, do CTN).”. Em despacho a fls. 2813 e segs., a Presidente da 2ª TO/3ªCâm. à época admitiu os embargos, com base no seguinte fundamento: “A prima facie, não se verifica qualquer omissão da decisão embargada, pois nem a decisão da DRJ nem a autuação abordaram a inexistência de pagamento como fundamento para determinação da regra decadencial aplicável ao caso. Não obstante, a regra de decadência é norma de direito público, a qual cabe ser aplicada inclusive de ofício. Somese a isso o fato de que o julgador do CARF deverá reproduzir, em suas decisões, o que fora decidido pelo STJ no REsp 973733 (representativo de controvérsia), por força do disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF, o qual assim versa; “§ 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pel o Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 2840DF CARF MF Processo nº 18471.001339/200565 Resolução nº 1302000.485 S1C3T2 Fl. 2.835 6 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.”. Assim, uma vez afastada a aplicação do art. 45 da Lei 8.202/91, a decisão embargada incorreu em omissão ao não reproduzir o disposto no REsp 973733, para fins de fixação da regra decadencial aplicável ao caso, conforme exige o RICARF.” É o relatório. VOTO Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Relator. O despacho de encaminhamento a fls. 2801 informa que a data de remessa dos autos para ciência do acórdão embargado pela Fazenda Nacional se deu em 16/03/2016, logo, houve a intimação pessoal presumida da recorrente em 15/04/2016, nos termos do art. 7º, §§ 1º e 3º, da Portaria MF nº 527/2010, razão pela qual os embargos de declaração opostos em 06/04/2016 (vide despacho de encaminhamento a fls. 2811) é tempestivo (art. 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, RICARF). É verdade que os embargos de declaração são o remédio processual adequado quando a decisão embargada incorre em obscuridade, em contradição entre a sua fundamentação e a sua parte dispositiva; ou em omissão na apreciação de algumas das questões preliminares ou de mérito que compõem o pedido da parte. Não obstante, estamos diante de uma hipótese sui generis de cabimento de embargos de declaração, decorrente de norma do Regimento Interno deste Colegiado que impõe a obrigatoriedade de os Conselheiros reproduzirem, em suas decisões, as decisões definitivas de mérito, proferidas pel o Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista para os recursos representativos de controvérsias. Ora, a omissão do julgador em observar a norma cogente estabelecida no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF desafia embargos de declaração, pois não se trata aqui de discutir o mérito da decisão, mesmo porque, pela redação dada ao referido parágrafo, não cabe qualquer juízo de valor pelo Conselheiro, mas simplesmente reproduzir a decisão do STF ou do STJ no seu voto. Logo, quando o embargante questiona tal omissão, não está a querer rediscutir o mérito, mas simplesmente fazer constar do acórdão embargado a decisão judicial que deveria ser nele reproduzida. Assim, deveria ter sido reproduzida no acórdão embargado a decisão proferida pelo STJ ao julgar o REsp 973733, cuja ementa a seguir transcrevo em parte: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 18471.001339/200565 Resolução nº 1302000.485 S1C3T2 Fl. 2.836 7 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).”. Por sua vez, não havendo acusação de dolo, fraude ou simulação, tornase imperioso, para fins de aplicação do que fora decidido pelo STJ, saber se houve pagamento antecipado. Sem tal informação, não há como saber se a regra decadencial aplicável ao caso é a do art. 150, §4º, do CTN. Conforme já apontado pelo embargante, não há nos autos qualquer documento que informe se houve pagamento antecipado de Cofins e Contribuição para o PIS referente ao fato gerador de março de 2000 (créditos tributários considerados atingidos pela decadência no acórdão embargado). Assim, se eventualmente esta Turma resolver acolher os embargos para darlhes os efeitos infringentes buscados pelo embargante, não haverá como aplicar a referida decisão judicial na espécie, por falta de informações nos autos sobre a existência ou não de pagamento antecipado de Cofins e Pis referente ao fato gerador de março de 2000. Por essa razão, voto por converter o julgamento destes embargos em diligência, para que a Unidade de Origem informe se consta para o CNPJ da TELERJ CELULAR S/A no sinal pagamento, recolhimento de Cofins e Contribuição para o PIS, referente ao fato gerador de março de 2000. A Unidade de Origem deverá dar ciência do relatório final de diligência à TELERJ CELULAR S/A, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos, antes de retornar o processo ao CARF para prosseguimento do feito. Alberto Pinto Souza Junior Fl. 2842DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36624.000809/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2401-004.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, negar-lhes provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, negar-lhes provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.083 1 1.082 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36624.000809/200726 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401004.601 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE/ISENÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ISCP SOCIEDADE EDUCACIONAL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão apontada no julgado. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 09 /2 00 7- 26 Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 36624.000809/200726 Acórdão n.º 2401004.601 S2C4T1 Fl. 1.084 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, negarlhes provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 36624.000809/200726 Acórdão n.º 2401004.601 S2C4T1 Fl. 1.085 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 1.045/1.047, contra o Acórdão nº 2401003.870, da relatoria do Conselheiro Igor Araújo Soares, o qual está juntado às fls. 1.033/1.042. 2. O crédito tributário diz respeito à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.065.6300, concernente ao período de 01/2000 a 08/2005, lavrada para a exigência de contribuições previdenciárias correspondentes à retenção de 11% (onze por cento) sobre notas fiscais de serviços/faturas de cessão de mão de obra. A ciência da NFLD ocorreu em 28/12/2006 (fls. 3/106). 3. Alega a embargante a existência de omissão e/ou contradição no v. acórdão, sob o seguinte fundamento: (i) falta de pronunciamento a respeito da adesão do contribuinte antes do julgamento do recurso voluntário ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que tal ato equivale à concordância com a exigência fiscal (fls. 905). 4. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 22/5/2015, que interpôs os embargos de declaração em 18/6/2015 (fls. 1.044 e 1.048). 5. Tendo em vista que o conselheiro relator originário não mais integra a Turma, o processo foi sorteado no âmbito da 1ª Turma da 4ª Câmara, na sessão de 13/4/2016, para análise da admissibilidade dos embargos. 6. Os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, cujo processo foi devolvido para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 1.074/1.075). 7. Ressalto que consta manifestação do contribuinte a respeito dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional. Em síntese, o interessado defende a correção do julgado proferido no âmbito do colegiado e requer a negativa de provimento ao recurso (fls. 1.059/1.064). É o relatório. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 36624.000809/200726 Acórdão n.º 2401004.601 S2C4T1 Fl. 1.086 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 8. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo ao exame de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 9. Antes, porém, novamente saliento que a minha designação como relator, por intermédio de sorteio, foi devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 9.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 240103.870, submetendo as questões à apreciação da Turma. Tal juízo não implica, contudo, anuência ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 10. Pois bem. Assinala a Fazenda Nacional que o colegiado não se pronunciou sobre a adesão do contribuinte ao parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009, noticiada às fls. 905 dos autos, o que caracteriza a desistência do recurso voluntário, em razão da perda de interesse no julgamento do apelo recursal. 11. Na Intimação nº 613/2010, datada de 2/8/2010, referente ao encaminhamento da decisão de primeira instância para ciência do fiscalizado, verifico que a unidade preparadora da RFB manifestase nos termos a seguir copiados (fls. 905): 1. Pela presente dáse ciência do Acórdão n° 1624.771 e do relatório DADR da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Sao Paulo I (SP) , cujas copias seguem anexas. 2. Como o contribuinte aderiu ao Parcelamento previsto na Lei 11.941/09, informamos que o processo aguarda a consolidação do parcelamento para que sejam adotadas as providências cabíveis. 12. Ocorre que no âmbito do parcelamento de que tratam os arts. 1º a 13 da Lei nº 11.941, de 2009, o requerimento de adesão não implicava a inclusão automática de débitos, visto que os créditos tributários a serem parcelados deveriam ser indicados pelo sujeito passivo no momento da consolidação do parcelamento (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009). 13. Daí porque, logo em seguida, na Intimação nº 713/2010, de 30/8/2010, a unidade da RFB retifica a intimação anterior e declara expressamente o direito do fiscalizado à interposição de recurso voluntário, no prazo legal, dado que não havia desistência do contencioso administrativo (fls. 910) 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 36624.000809/200726 Acórdão n.º 2401004.601 S2C4T1 Fl. 1.087 5 13.1 Consta também do teor da Intimação nº 713/2010 que: (...) 7. Caso o contribuinte tenha optado pela inclusão deste débito no Parcelamento previsto na Lei 11.941/09, informamos que o processo ficará sobrestado aguardando a consolidação do referido parcelamento, desconsiderando, assim, a cobrança acima. (...) 14. Nada obstante, o recurso voluntário foi protocolado em 13/9/2010, juntado às fls. 914/935, e encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 21/9/2010, sem qualquer alusão, por parte do Fisco, à inclusão do débito tributário discutido em acordo de parcelamento (fls. 937). 14.1 Na sequência de fls. dos autos igualmente não localizei comprovação de parcelamento da NFLD nº 37.065.6300. 15. Destarte, pelos elementos que instruem os autos a omissão apontada pela Fazenda Nacional é manifestamente improcedente, inexistindo comprovação de desistência do contribuinte quanto à discussão administrativa do crédito tributário, devido à inclusão do débito no parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009, antes do julgamento do recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO, por ausência do vício apontado pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 1087DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720130/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
A solicitação de prova pericial só tem fundamento quando existem nos autos elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar entendimento e constata a necessidade de pronunciamento específico.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN.
O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
CUSTOS INDEDUTÍVEIS. LUCRO ARBITRADO.
Nos casos de lançamento por glosa de custos tidos como inexistentes, não há que se falar na necessidade de arbitramento para evitar que se tribute receita como se lucro fosse. Ademais, no presente caso, o valor glosado não tem relevância significativa em relação aos recursos financeiros movimentados pela pessoa jurídica de forma a justificar a apuração do resultado por lucro arbitrado.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
CSLL. AUTUAÇÃO REFLEXA.
Por se tratar de lançamento reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
Numero da decisão: 1402-002.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ratificar a decisão de primeira instância quanto à definitividade da responsabilidade tributária imputada a Antonio Ubiratã Bianchi, e, no que se refere aos recursos voluntários dos demais coobrigados, rejeitar o pedido de perícia, a arguição de decadência e de utilização indevida da sistemática de apuração do resultado pelo lucro real e, no mérito, dar-lhes provimento para excluir João Natal Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz e Rafael Escobar Cerqueira da relação jurídico-tributária.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A solicitação de prova pericial só tem fundamento quando existem nos autos elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar entendimento e constata a necessidade de pronunciamento específico. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 CUSTOS INDEDUTÍVEIS. LUCRO ARBITRADO. Nos casos de lançamento por glosa de custos tidos como inexistentes, não há que se falar na necessidade de arbitramento para evitar que se tribute receita como se lucro fosse. Ademais, no presente caso, o valor glosado não tem relevância significativa em relação aos recursos financeiros movimentados pela pessoa jurídica de forma a justificar a apuração do resultado por lucro arbitrado. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 CSLL. AUTUAÇÃO REFLEXA. Por se tratar de lançamento reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ratificar a decisão de primeira instância quanto à definitividade da responsabilidade tributária imputada a Antonio Ubiratã Bianchi, e, no que se refere aos recursos voluntários dos demais coobrigados, rejeitar o pedido de perícia, a arguição de decadência e de utilização indevida da sistemática de apuração do resultado pelo lucro real e, no mérito, dar-lhes provimento para excluir João Natal Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz e Rafael Escobar Cerqueira da relação jurídico-tributária. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1993; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 5.122 1 5.121 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.720130/201417 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.459 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2017 Matéria CUSTOS INDEDUTÍVEIS Recorrente STAR METAL'S INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A solicitação de prova pericial só tem fundamento quando existem nos autos elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar entendimento e constata a necessidade de pronunciamento específico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 30 /2 01 4- 17 Fl. 5122DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 CUSTOS INDEDUTÍVEIS. LUCRO ARBITRADO. Nos casos de lançamento por glosa de custos tidos como inexistentes, não há que se falar na necessidade de arbitramento para evitar que se tribute receita como se lucro fosse. Ademais, no presente caso, o valor glosado não tem relevância significativa em relação aos recursos financeiros movimentados pela pessoa jurídica de forma a justificar a apuração do resultado por lucro arbitrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL. AUTUAÇÃO REFLEXA. Por se tratar de lançamento reflexo, aplicase a ele o resultado do julgamento da autuação tida como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ratificar a decisão de primeira instância quanto à definitividade da responsabilidade tributária imputada a Antonio Ubiratã Bianchi, e, no que se refere aos recursos voluntários dos demais coobrigados, rejeitar o pedido de perícia, a arguição de decadência e de utilização indevida da sistemática de apuração do resultado pelo lucro real e, no mérito, darlhes provimento para excluir João Natal Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz e Rafael Escobar Cerqueira da relação jurídicotributária. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 5123DF CARF MF Processo nº 10932.720130/201417 Acórdão n.º 1402002.459 S1C4T2 Fl. 5.123 3 Relatório O auto de infração de fls.3.3203.353 exige R$6.931.796,03 a título de imposto de renda pessoa jurídica e, R$2.504.086,22 de contribuição social sobre o lucro líquido, acrescidos de multa qualificada de 150% e juros moratórios, perfazendo até 12/2014 o crédito de R$28.208.190,23. A infração imputada é a contabilização de custos com base em documentos inidôneos, conforme minuciosamente descrito no Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal que instrui os autos. O presente lançamento abrange fatos geradores ocorridos ao longo do ano calendário de 2009. O auto de infração indica como responsáveis solidários pelo crédito tributário em discussão, as seguintes pessoas: JOÃO NATAL CERQUEIRA, CPF 652.867.82868, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 070.444.78603, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 060.046.14670, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 078.463.27666, PAULO CÉSAR VERLY DA CRUZ, CPF 496.131.207 00 e ANTONIO UBIRATÃ BIANCHI CPF 270.014.52831. A responsabilidade solidária foi imputada com base no disposto no inciso I do artigo 124, c/c inciso III do art. 135, do CTN . A justificativa está detalhada no Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal, fls 3.3543.3398 E Anexos, fls. 33993409 Com exceção de Antonio Ubiratã Bianchi, que não apresentou impugnação, coobrigados apresentaram impugnação específica mas com várias reivindicações em comum assim resumidas: I) declarar vício insanável ante a impossibilidade de imputar responsabilidade com base no art. 124, inciso I e 135, III por serem situações que não se confundem, (II) declarar a ilegitimidade do reclamante, e determinada a sua exclusão do pólo passivo do Auto de Infração, considerando que os fundamentos apresentados pelo Fisco para justificar que a sua responsabilidade solidária não se amolda à hipótese do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, pois não configuram em hipótese alguma, prova do interesse comum na realização do fato gerador da obrigação principal, tendo a fiscalização se baseado em frágeis presunções; (III) declarar a ilegitimidade do Impugnante, e determinada a sua exclusão do pólo passivo do Auto de Infração, por força do disposto no art. 112, Código Tributário Nacional, aplicandose o benefício da dúvida em relação ao Impugnante; (IV) determinar a desconstituição dos lançamentos fiscais de IRPJ e CSLL, com a extinção ex tunc dos respectivos créditos tributários, face ao equívoco do trabalho fiscal ao não se adotar o arbitramento, determinado pelo artigo 530 do RIR; (V) aplicar o Princípio da Insignificância, no que se refere aos eventuais recursos auferidos por pessoa jurídica em relação a qual o Impugnante já teve participação societária, seja diretamente ou na sociedade integrante do quadro societário daquela. Fl. 5124DF CARF MF 4 Como alegações específicas, cada um dos coobrigados apresenta razões para demonstrar que não fariam parte de qualquer esquema fraudulento acrescentando que não deveriam responder pela multa qualificada. Em relação à exigência tributária, suscitam a ocorrência da decadência e o equívoco da apuração da exigência pois o resultado deveria ter sido obtido por arbitramento. Requerem a obtenção de prova pericial. A pessoa jurídica autuada não apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR prolatou o Acórdão 0652.905 considerando improcedentes as impugnações com manutenção integral da exigência e da responsabilidade dos coobrigados. A decisão consubstanciouse na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 CANCELAMENTO DA DECISÃO ANTERIOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REALIZAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Tendo o órgão de origem deixado de anexar ao processo a peça de defesa de um dos arrolados como responsável solidário, a quem se imputou a definitividade da responsabilidade, impõese proferir novo acórdão, apreciando os argumentos contidos na referida impugnação, com vistas a preservar o direito à ampla defesa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. Em consequência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na Impugnação não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, nos termos do artigo 17 do Decreto no70.235/72, na redação dada pela Lei nº9.532/97. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 5125DF CARF MF Processo nº 10932.720130/201417 Acórdão n.º 1402002.459 S1C4T2 Fl. 5.124 5 Exercício: 2009 DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadência de cinco anos contase a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Esta regra é excepcionada nas hipóteses em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações em que o prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prescreve o art. 173, I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS DE FATO. É correta a caracterização dos impugnantes como sujeitos passivos solidários, na forma do art. 124, I, do CTN, visto que as provas trazidas aos autos demonstram à evidência que, embora não integrassem formalmente o quadro societário da empresa autuada, eles não só a controlavam de fato, como também tinham interesse comum na situação que veio a constituir o fato gerador da obrigação tributária. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis as pessoas físicas que participem efetivamente do processo decisório para engendrar operações com o objetivo de reduzir a carga tributária, demonstrando o interesse comum ao auferir, direta ou indiretamente, os benefícios delas decorrentes. PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que, apesar de que apresente seus motivos e contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito, seja prescindível para a composição da lide. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de multas, sendo incabível, para a consecução dessas finalidades, a aplicação do princípio da insignificância ou da bagatela, por parte do órgão julgador administrativo. PEDIDO DE REDUÇÃO DA MULTA. Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do CTN, sendo inerente ao lançamento de ofício, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal. Fl. 5126DF CARF MF 6 PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INSTITUTOS DE DIREITO PENAL. INAPLICABILIDADE AO DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA lei não confere discricionariedade à autoridade julgadora administrativa para aplicar, no âmbito do Direito Tributário, institutos próprios do Direito Penal, face tratarse de atividade vinculada e obrigatória, estando subordinado aos comandos que estiverem expressamente previstos em lei. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o hostilizado Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72.. Devidamente cientificados, todo os coobrigados que apresentaram impugnação formalizaram recursos voluntários a esta Corte ratificando em essências as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 5127DF CARF MF Processo nº 10932.720130/201417 Acórdão n.º 1402002.459 S1C4T2 Fl. 5.125 7 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Os recursos voluntários dos coobrigados foram tempestivos e interpostos por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual deles conheço. Ratificase a inexistência de qualquer peça de defesa em nome da pessoa jurídica autuada e do coobrigado Antonio Ubiratã Bianchi. Especificamente contra o lançamento tributário, os recursos trazem arguição de decadência, da impropriedade de apuração do resultado pelo lucro real e solicitação de prova pericial. Em relação à decadência, nos termos da legislação de regência, mantida a imputação da multa qualificada – eis que não questionada quanto às razões de aplicação a contagem do prazo decadencial deve ocorrer com base no inciso I, do art. 173, do CTN, ou seja, com termo inicial no primeiro dia seguinte do exercício em que o lançamento poderia ser realizado. Em relação ao IRPJ e à CSLL, com apuração trimestral, considerase ocorrido o fato gerador em 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009 e 31/12/2009. Para os três primeiros trimestres o termo inicial para contagem do prazo decadencial seria 02/01/2010 e o termo final seria 02/01/2015. Com ciência da autuação em data anterior (24/12/2014) não ocorreu a caducidade o que, por óbvio, aplicase também ao 4º trimestre. Quanto à necessidade de apuração pelo lucro arbitrado, nos casos de glosa de custos não há como suscitar que tal sistemática impede que se tribute receita como se lucro fosse eis que o lançamento não envolve omissão de receitas. Além disso, importa registrar que a empresa em questão movimentou recursos financeiros de quase R$ 200 milhões no período sob exame. Os custos glosados não chegam a trinta por cento (30%) desse montante. Não vejo representatividade que justifique o arbitramento. A necessidade de prova pericial só tem fundamento quando existem nos autos elementos sobre os quais o julgador não consegue firmar entendimento e convicção e constata a necessidade de pronunciamento específico de órgão ou agente especializado. Isso não ocorreu no presente caso. No que se refere à imputação da responsabilidade importa preliminarmente definir o alcance dos dispositivos que regem a matéria. Sob esse prisma, esclareçase que a solidariedade prevista no art. 124, do CTN, não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o Fl. 5128DF CARF MF 8 condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 1 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Por outro lado, definida a responsabilidade com base no enquadramento em alguns dos dispositivos do art. 135, do CTN (normalmente o inciso III) é cabível a aplicação em conjunto com o art. 124, II do mesmo diploma legal, para definir que essa responsabilidade é solidária ainda que, reconheço, o tema não é pacífico na doutrina. Entretanto, conforme entendimento sobre o qual não há qualquer divergência na doutrina ou na jurisprudência, o inciso III, do Art. 135 é direcionado àquelas pessoas que exercem de fato a administração da pessoa jurídica e nesse exercício pratiquem o ato infracional previsto do dispositivo em comento. Não basta ter sido beneficiado pela infração cometida. Tal circunstância pode, em tese, até gerar conseqüências na esfera penal mas, sem a prova do poder de gerência e/ou da prática do ato, não pode haver o enquadramento no inciso III, do art, 135, do CTN. No caso sob exame, a autoridade lançadora fez elogiável procedimento de auditoria para analisar a real destinação dos valores correspondentes às operações de compra que restaram não comprovadas. Relativamente aos coobrigados João André Escobar Cerqueira, Rafel Escobar Cerqueira e Paulo César Verly da Cruz, a ação fiscal demonstrou que os recursos foram em alguns casos direcionados a eles ou a outras pessoas jurídicas por eles administradas. Entretanto, nenhum deles exercia cargo com poder de decisão na pessoa jurídica autuada, mesmo que de fato, nem tampouco foi indicada contra eles a prática da conduta infracional enquadrável no mencionado dispositivo. Daí porque entendo que não há como manter a responsabilidade que lhes foi imputada, motivo pelo qual voto por dar provimento ao recurso dos coobrigados João Natal Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira, Paulo César Verly da Cruz e Rafael Escobar Cerqueira e excluílos da relação jurídico tributária. 1 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 5129DF CARF MF Processo nº 10932.720130/201417 Acórdão n.º 1402002.459 S1C4T2 Fl. 5.126 9 Fica prejudicada a análise das demais razões de defesa concernente à imputação da responsabilidade a esses coobrigados. Aplicamse ao lançamento da CSLL as disposições aqui explanadas referentes ao IRPJ. (assinado digitalmente ) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 5130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000811/2009-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO DE ESCRITA NO JULGADO. CABIMENTO.
A existência de equívoco na decisão consubstanciado na indicação errônea da titularidade do recurso julgado justifica o acolhimento de embargos inominados nos termos do art. 66 do RICARF.
Numero da decisão: 9202-005.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, rerratificando o Acórdão nº 9202-004.420, de 25/08/2016, para sanar o erro material apontado no voto, sem efeitos infringentes, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, rerratificando o Acórdão nº 9202-004.420, de 25/08/2016, para sanar o erro material apontado no voto, sem efeitos infringentes, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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DMED Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO DE ESCRITA NO JULGADO. CABIMENTO. A existência de equívoco na decisão consubstanciado na indicação errônea da titularidade do recurso julgado justifica o acolhimento de embargos inominados nos termos do art. 66 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, rerratificando o Acórdão nº 9202004.420, de 25/08/2016, para sanar o erro material apontado no voto, sem efeitos infringentes, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 08 11 /2 00 9- 58 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 12963.000811/200958 Acórdão n.º 9202005.296 CSRFT2 Fl. 460 2 Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Em sessão plenária de 25 de agosto de 2016, foi julgado o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, proferindose decisão consubstanciada no Acórdão nº 9202 004.420, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN. Não havendo nos autos comprovação do pagamento do tributo, ainda que parcial, devese aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN. Súmula 555 do Superior Tribunal de Justiça. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso Especial do Contribuinte negado. Intimado da decisão o Contribuinte apresentou embargos inominados onde narra haver erro material no acórdão que merece ser reparado nos termos do art. 66 do Anexo II do RICARF. Segundo o contribuinte: O Auto de Infração em referência apontou como período de apuração e de débito de abril/2004 a setembro/2008. Entretanto, no voto da Conselheira Relatora ao analisar a prefacial suscitada pelo Embargante de decadência, fez constar períodos divergentes daquele apontado no Auto de Infração lavrado pela fiscalização. Vejase que no primeiro parágrafo do item decadência no seu voto constou o período de 01/01/2004 a 30/09/2008. Já no final, quando da conclusão de sua análise quanto a prefacial aponta outro período, agora, compreendendo os meses de janeiro/2004 a dezembro/2008. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 12963.000811/200958 Acórdão n.º 9202005.296 CSRFT2 Fl. 461 3 Nos termos da "Informação nº 125/2016RFB/DRF/PCS/SACAT" de efls. 436, os embargos não foram conhecidos por suposta intempestividade. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual esclarece que apenas os Embargos de Declaração estão sujeitos ao prazo de 5 (cinco) dias, não havendo qualquer fixação de termo para interposição de embargos inominados fundamentados no art. 66 do Anexo II do RICAF. Esta Conselheira entendendo pela tempestividade dos embargos e pela existência do erro o material, por lapso manifesto, apontado pelo embargante entendeu por acolher os embargos inominados. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Tratase de embargos inominados interpostos pelo contribuinte nos termos do art. 66 do Regimento Interno deste Conselho, o qual determina que o vício material caracterizado por lapso manifesto deve ser sanado mediante a prolação de novo acórdão: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Conforme apontado, no presente caso o erro material está presente na redação do ultimo parágrafo, parte conclusiva, do tópico "Da Decadência" constante das fls. 08 do acórdão recorrido,o qual fez constar como período de apuração os meses de janeiro/2004 às dezembro/2008. O erro manifesto é claramente constatado se considerarmos as datas citadas na ementa do julgado (Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2008), e na parte inicial do tópico preliminar constante das fls. 06 do voto: No que tange ao reconhecimento da decadência, esclarecemos que o lançamento é referente as Contribuições Previdenciárias destinadas a outras entidades e fundos nos períodos de 01/01/2004 a 30/09/2008, tendo o contribuinte sido intimado pessoalmente em 21/12/2009 (fls. 01). Conforme se verifica das fls. 02 do processo o período de apuração do lançamento efetivamente compreende 04/2004 a 09/2008. Assim, rerratificando o acórdão embargado, onde se lê: Logo, no caso em tela onde o período de apuração compreende os meses de janeiro/2004 à dezembro/2008, o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento, nos moldes do art. 173, I do CTN, foi 1º de janeiro de 2005. Assim, considerando que o Contribuinte foi notificado do lançamento em 21/12/2009 (fls. 01), devese afastar a decadência. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 12963.000811/200958 Acórdão n.º 9202005.296 CSRFT2 Fl. 462 4 Devese ler: Logo, no caso em tela onde o período de apuração compreende os meses de janeiro/2004 à setembro/2008, o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento, nos moldes do art. 173, I do CTN, foi 1º de janeiro de 2005. Assim, considerando que o Contribuinte foi notificado do lançamento em 21/12/2009 (fls. 01), devese afastar a decadência. Destacase que referida autuação não altera a conclusão do Acórdão nº 9202 004.420, permanecendo a decisão no que tange ao não reconhecimento da decadência por força da aplicação do art. 173, I do CTN. Diante do exposto, acolho os embargos sem efeitos infringentes para, sanando o erro material apontado, manter a decisão anterior de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 462DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720073/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. DEDUÇÃO.
Inicia-se a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva dedução pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco.
ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS.
O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações.
A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado.
Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos.
A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso.
A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros.
Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. DEDUÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva dedução pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 73 /2 01 4- 18 Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.060 2 A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.061 3 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário (fls. 2844 a 3009) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (fls. 2748 a 2829) que manteve integralmente as Autuações sofridas pela ora Recorrente (fls. 2172 a 2216). O processo versa sobre exações de IRPJ e CSLL, referentes aos anos calendário de 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013, verificadas após Procedimento Fiscal iniciado em 13/01/2012, em face da ora Recorrente, concluindo pela glosa da amortização do ágio decorrente de aquisições de participação societária e incorporações ocorridas em 1996, 1998, 2000, 2003, 2007 e 2008, com a aplicação de multa qualificada de 150%. As Autuações resumemse na verificação por parte da Fiscalização de que o Contribuinte teria realizado operações sem propósito negocial e justificativa econômica, valendose de empresas veículos para propiciar a entrada de investimento estrangeiro no Brasil, sendo as companhias investidoras do exterior as verdadeiras detentoras do ágio percebido nas operações, e empregando outros ardis jurídicos fraudulentos para tanto. A operação colhida, analisada de forma macro, compreende duas grandes suboperações, que podem ser denominadas aquisição KCB e aquisição Kenko, permitindo também estas serem divididas em etapas, que perduraram por alguns anos, havendo uma multiplicidade de negócios societários em cada uma delas. Em ambas as suboperações o Grupo KimberlyClark teria se valido de empresas veículos, as quais foram criadas no Brasil e capitalizadas por empresas estrangeiras, controladoras do Grupo, exclusivamente para viabilizar a aquisição de participações societárias, fato este que demonstraria serem estas empresas internacionais as reais titulares da despesa percebida. Em face da complexidade das operações, sua duração e inúmeros atos e negócios jurídicos colaterais ocorridos, para permitir uma demonstração fiel do entendimento da Fiscalização, bem como garantir uma compreensão mais aprofundada e detalhada dos fatos por trás da presente contenda, colacionase os trechos conclusivos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2221 a 2299), repetido pelo relatório da DRJ: Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.062 4 Descrição das Infrações (...) Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.063 5 (...) Ágio percebido e glosado pela Fiscalização Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.064 6 Na sequência do Termo de Verificação Fiscal, demonstrase, em cada período, como o ágio foi amortizado, as compensações de prejuízo, levando em consideração outros eventos tributários e contábeis de relevância que levaram à formação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos períodos apurados, utilizados para se obter o valor líquido da glosa aplicada na lavratura das Autuações em tela (fls. 2252 a 2263). Ainda, consta do TVF a transcrição de inúmeras respostas formuladas nos 17 Termos de Intimação enviados à Empresa, referentes a esclarecimentos acerca das razões da adoção de tal estrutura, bem como dos motivo de criação e explicações sobre o funcionamento das empresas holdings utilizadas nas operações (fls. 2264 a 2269). Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.065 7 Conclusão da Análise da MacroOperação Societária Para concluir, em relação à estrutura societária optada pela ora Recorrente, a R. Autoridade Tributária faz os seguintes comentários, mencionando o uso de empresas sem funcionários próprios e sediadas conjuntamente: Fl. 3066DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.066 8 Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.067 9 Infração Tributária Prossegue o TVF descrevendo a Infração Tributária ocorrida. A Fiscalização, expressamente, adota como premissa que não haveria qualquer propósito negocial nas operações apuradas: Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.068 10 Igualmente, explica como nasce o ágio em aquisições societárias, transcrevendo o art. 385 do RIR/99. Defende que o ágio seria um desembolso a maior pela empresa investidora na aquisição de empresa investida, em relação ao seu próprio valor contábil, na expectativa de obtenção de receitas futuras, sendo despesa necessária à expansão das atividades e da capacidade lucrativa da empresa investidora. Afirma que é um processo de neutralização de investimento, no sentido de que a realização de rentabilidade da investida não se caracteriza como lucro, mas tão somente como reposição de capital (fls. 2273 a 2276). E acrescenta que: Sustentase que nem sempre é possível, então, o aproveitamento do ágio na alienação do investimento. Traz como exemplo de requisito validador a extinção da sociedade investida por meio de incorporação, verificandose a confusão patrimonial. Explica que, tal mecanismo, teria sido a razão que justificou o legislador permitir e regulamentar, por meio dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, o aproveitamento do ágio, como forma de assegurar a recuperabilidade do ágio sem, no entanto, permitir seu aproveitamento abusivo (fls. 2279). E conclui da seguinte maneira: Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.069 11 Também citase o reflexo de tal regramento no art. 386 do RIR/99 e pondera ser obrigatória a confusão patrimonial para a amortização do ágio, pela empresa que figurou como investidora, explicando (fls. 2284): (...) Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.070 12 Diante de tal posicionamento jurídico, considera os fato ocorridos, e faz a seguinte construção (fls. 2286): Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.071 13 Enfim, em relação à infração tributária, são tecidas as seguintes conclusões (fls. 2287 a 2291): (...) (...) Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.072 14 (...) Assim, em suma, a infração tributária tem como objeto a ausência de propósito negocial, pela utilização, por companhias estrangeiras, de empresas veículos e expedientes simulados, não podendo estas companhias gozarem do ágio, vez que essa seria uma despesa de investimento daquelas outras, domiciliadas fora do Brasil. O TVF se estende, demonstrado a D. Autoridade Tributária, como computou o ágio glosado em adição às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, no período de 2008 a 2013, com fundamento no art. 229 do RIR/99 (fls. 2291 a 2294). Multa Qualificada Ainda, a Fiscalização explica a imperiosidade da aplicação de Multa de Ofício e passa a fundamentar a sua qualificação, elevando sua razão para 150%. Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.073 15 Alega a ocorrência de fraude na macrooperação societária (2295 a 2297): (...) Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.074 16 Por fim, intimase o Contribuinte para retificar seu LALUR, atestase a devolução dos documentos, encerando o TVF que acompanha os Autos de Infração (fls. 2298 a 2299). Impugnação Notificada dos lançamentos em tela, a ora Recorrente apresentou Impugnação (fls. 2311 a 2742), pormenorizadamente descrevendo cada uma das operações trazidas no TVF, e alegando, em suma: Que as operação são a concretização da estratégia negocial para a entrada do Grupo KimberlyClark, estrangeiro, no Brasil, planejado no inicio da década de 1990, com implementação a partir de 1996, para participar do mercado de tissues (guardanapos, papel higiênico, toalhas, etc.) operação do Ágio KCB, bem como no mercado de wipes (fraldas, absorventes, lenços umidecidos, etc.) operação Ágio Kenko . Que as operações que sucederam a entrada no Brasil também tiveram o condão de organização societária, em face da saída de outras empresas, desfazimento de joint ventures e outro eventos negociais ocorridos até 2008. Que as operações foram planejadas muito antes e somente se iniciaram concretamente em 1996, então, antes da vigência da Lei nº 9.532/97, a qual permitiu e regulamentou o aproveitamento de ágio naquelas transações. Em relação à operação Àgio KCB, a Recorrente alega e demonstra que esta foi realizada em 2 momentos. Inicialmente celebrou com o Grupo Klabin, nacional, um contrato de investimento, por meio de aumento do capital da empresa Klabin Tissues. Foram emitidas novas quotas, subscritas pela KCTissueB (empresa nacional, criada pelo Grupo Kimberly Clark), que integralizou seu valor em dinheiro. Esse aumento foi objeto de laudo, não sendo o ágio gerado na operação, nem seu valor, fruto de questionamento pelo Fisco. A empresa KCTissueB ficou, então, com 31,375% de participação na empresa investida. O ágio verificado é de R$ 57.730.448,05. Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.075 17 Em momento posterior, o Grupo KimberlyClark efetuou a aquisição da participação que a empresa Marsbaum detinha na Klabin Tissue. Tal operação não gera ágio, como reconhecido no TVF. Haveria, então, cenário em que o controle da Klabin Tissue (que nesse momento altera o nome para Klabin Kimberly) era dividido, 50% com o Grupo Klabin e 50% com o Grupo KimberlyClark, efetivando, dessa forma, a parceria pretendida para a entrada no mercado nacional de tissues. Tal modalidade de parceria seria comum e largamente aceita no Brasil e no mercado mundial. Alega que tal parceria prevaleceu, com a mesma configuração societária, por mais de 5 anos (até 2003), denotando, inclusive, duração relevante da KlabinTissueB, a primeira holding envolvida na operação com controle pelo Grupo KimberlyClark. Em 2003, o Grupo Klabin decide encerrar a parceria e aliena sua participação com ágio para o Grupo KimberlyClark, através de venda pela empresa Klabin das suas quotas da Klabin Kimberly à KCTissueB. Tal operação foi acompanhada de laudo, sua formação e valor, igualmente, não são questionados na Autuação. Nessa operação, o Grupo Kimberly Clark detém todo o controle da Klabin Kimberly e, portanto, alterouse o nome Klabin Kimberly para KimberlyClark Brasil Indústria e Comércio de Produtos de Higiene Ltda "KCB" (atual denominação da Recorrente).O ágio verificado é de R$ 222.416.919,95. Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.076 18 Em 2007, 4 anos depois, o Grupo KimberlyClark, diante de situação de controle total da empresa autuada (mesmo sendo empresa do Grupo, a participação da Marsbaum, nessa data, já tinha sido adquirida pela KCTissueB em operação que não gerou ágio), restando a KCTissueB como única sócia, decidiu simplificar sua organização societária efetuando a incorporação da KCTissueB pela KCB. Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.077 19 Teria, finalmente com esse ato, o ágio anteriormente registrado na conta de investimento da KCTissueB em KCB passado a ser ativo diferido da KCB, sendo, somente então, amortizado com base nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. Em relação à operação Ágio Kenko, a Recorrente alega e demonstra que esta foi realizada em 3 etapas. Em um primeiro momento, como passo inicial para entrar no mercado nacional de wipes em 1996, constituiuse a empresa Minority Comercial Ltda. Minority e, logo após, a empresa KCC Comercial Ltda. KCC, uma holding do Grupo KimberlyClark no Brasil, promoveu aumento de capital nessa primeira companhia. Na sequência, efetuouse uma permuta de participação societária, entre a KCC e a empresa nacional Brasfanta Indústria e Comércio Ltda. Brasfanta, entregando KCC quotas da Minority e recebendo, da Brasfanta, quotas da empresa Kenko, no equivalente a 51% de participação. Em razão da diferença entre o valor do custo de aquisição das quotas da Minority e o valor da participação da Kenko, verificouse, aqui, o ágio de R$ 66.150.440,30, devidamente arrimado em laudo de avaliação de rentabilidade futura, não questionado pela Fiscalização. Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.078 20 Em 2000, 4 anos depois, a empresa Fanta Empreendimentos e Participações Ltda. Fanta, holding do Grupo Brasfanta, promove o aumento de capital da empresa Salonicco Participações S/A Salonicco, através da integralização de 10.523.001 quotas da empresa Kenko, sendo essa detenção de capital equivalente a 19% daquela empresa. Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.079 21 Logo depois, a KCC aporta capital na empresa Salonicco, conferindo o montante de R$ 128.189.175,30. Posteriormente, a KCC retirase da Salonico, recebendo as quotas da Kenko conferidas pela Fanta, momento em que se registrou ágio no montante de R$ 99.420.135,30, baseado em expectativa de rentabilidade futura, o que não foi questionado pela Fiscalização. Já em 2006, valendose de opção prevista em acordo de quotistas, a Fanta cede para a Fonte Farma do Brasil S/A o remanescente das quotas que possuía na Kenko, logo em seguida sendo, novamente, essas quotas transferidas à empresa Alercon Comércio de Produtos Têxteis e Plásticos S/A. Todas essas empresas são do mesmo Grupo Brasfanta. Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.080 22 Igualmente em 2006, o Grupo KimberlyClark decide adquirir toda a participação na empresa Kenko. Assim, a empresa KimberlyClark Holding e Representações do Brasil KCR adquire da Alsercon os 30% remanescentes de participação societária da Kenko. Na aquisição se percebeu o ágio de R$ 185.852.300,00, fundamentado em expectativa rentabilidade futura, que também não foi questionada pela Fiscalização. Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.081 23 Depois de 2 anos, em 2008, o Grupo KimberlyClark, já detendo todo o controle da Kenko, resolve simplificar o modelo societário de gestão, fazendo com que a Kenko incorporasse a KCC e a KCR, contabilizando o ágio, anteriormente gerado, em seu ativo diferido. Por fim, ainda em 2008, como medida de igual otimização societária, a KCB (Recorrente) incorporou a Kenko e deu início à amortização do ágio. Também alega a Recorrente em sua Defesa a decadência do direito do Fisco lançar os tributos ora exigidos. Tanto pela ótica da aplicação do art. 150 § 4º do CTN em relação ao anocalendário de 2008, tanto pela tese de que, independentemente da forma de contagem temporal, não poderia a Fiscalização alcançar fatos ocorridos entre 1996 e 2008, implicando na caducidade total do lançamento. Alega a total validade do ágio, de ponto de vista econômico, tendo como base operações reais e eficazes. Também pugna não ter suporte jurídico o TVF, aduzindo que teria a Fiscalização desvirtuado a interpretação da intenção do Legislador ao permitir a amortização do ágio, tecendo acusações meramente com base no uso de empresas veículos, frisando que as operações perduraram mais de 12 anos. Da mesma forma, contrapõe outras acusações pontuais do TVF, como uso de empresa de gaveta, de que não haviam acionistas minoritários envolvidos, uso de operação casaesepara e outras, referentes ao suposto planejamento tributário abusivo, demonstrando que a Fiscalização teria trazido informações impertinente, bem como indevidamente especulado sobre as reais intenções dos administradores das empresas. Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.082 24 Por fim, refuta a alegação de perpetração de fraude, pleiteando o afastamento da multa qualificada. Acórdão DRJ Devidamente processado o feito, os autos foram encaminhados para julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (fl. 2748 a 2829), a qual manteve integralmente o crédito tributário exigido. Confirase trechos do julgado a quo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. TERMO A QUO. DATA DE AQUISIÇÃO DO BEM. IRRELEVÂNCIA. Para a contagem do prazo decadencial, importa a data em que o sujeito passivo incorreu na despesa de amortização, e não o momento em que o bem amortizado foi adquirido. DIREITO DE AUTOORGANIZAÇÃO. EXERCÍCIO ABUSIVO. CARACTERIZAÇÃO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. PROPÓSITO EXTRATRIBUTÁRIO SUFICIENTE. O direito de autoorganização, como qualquer direito, não tem no Brasil a feição absoluta própria do liberalismo radical. Em nosso ordenamento, os direitos recebem proteção a fim de serem exercidos apropriadamente, em benefício do seu titular, mas também da sociedade. Quando alguém usa do seu direito para alcançar objetivos inusitados e prejudica terceiros, caracterizase o abuso de direito, que é ato ilícito e, como tal, não merece tutela. Dessa forma, como o direito de autoorganização não existe para que os contribuintes paguem menos impostos, deverá ser exercido com algum propósito extratributário, a fim de que eventual redução ou supressão de tributos seja oponível ao Fisco. COMPROVAÇÃO DO PROPÓSITO EXTRATRIBUTÁRIO. VANTAGENS EM ABSTRATO. INSUFICIÊNCIA. Mencionar possíveis vantagens de uma alternativa não comprova que esta foi escolhida em razão daquelas. Cabe Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.083 25 ao contribuinte, para comprovar seu interesse, demonstrar que efetivamente fruiu os benefícios, ou então, esclarecer porque a expectativa de vantagem não se concretizou. NECESSIDADE DE CONFUSÃO PATRIMONIAL OU EXTINÇÃO DE EMPRESA VERSUS SUFICIÊNCIA DE UNIÃO ENTRE RECEITAS E DESPESAS. INCORPORAÇÃO. DISCUSSÃO IMPERTINENTE. É impertinente a discussão quanto à necessidade de confusão patrimonial ou extinção de empresa e a suficiência da união entre as despesas de amortização e as receitas que lhe deram causa, quando a dedução decorre de incorporação, pois nessa alteração ocorrem tanto a extinção de uma das empresas quanto a confusão patrimonial e a união de receitas com despesas. Em outras palavras, quando se trata de incorporação, os três institutos (união, extinção e confusão) ocorrem juntos ou não ocorrem. Portanto, não interessa saber se a união sem confusão nem extinção é suficiente para tornar a amortização dedutível, pois não há união sem confusão ou sem extinção, quando o caso sob análise é de incorporação. EMPRESA USADA COMO VEÍCULO NA CRIAÇÃO DO ÁGIO. INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA DEDUÇÃO DAS AMORTIZAÇÕES. A legislação estabelece que se a empresa “A” adquire a empresa “B” com ágio, e, em seguida, “B” incorpora “A”, então o ágio pode ser fiscalmente amortizado. Situação diversa ocorre quando “A” constitui e capitaliza “C”, para que esta adquiria “B”, que vem a incorporar “C”. Em regra, o ágio não é fiscalmente amortizável e só pode ser aproveitado na alienação do investimento, para compor o custo de aquisição. A incorporação representa uma exceção a essa regra porque nela o investimento é extinto e, consequentemente, não pode mais ser alienado. Sendo assim, em virtude da impossibilidade de se alienar o investimento, a legislação autoriza a amortização do ágio. Por outro lado, quando “B” incorpora “C”, subsiste o investimento de “A” em “B”, não se justificando a amortização, posto que a alienação ainda é possível. Além disso, quando a lei estabelece a incorporação da investidora pela investida, ou viceversa, como hipótese para a dedução, está tratando, evidentemente, da real investidora, e não de uma investidora fictícia ou formal, criada para dar passagem ao capital. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. EMPRESA VEÍCULO. CONCEITO. Uma empresa funcionará como veículo em certa operação se receber e repassar algo, em geral um ativo, sem que exista um Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.084 26 propósito extratributário suficiente para explicar essa circulação, independentemente de ter duração efêmera ou não, de ser uma sociedade operacional ou não, de em regra cumprir suas obrigações ou não. Até mesmo uma empresa longeva, operacional e que costuma cumprir suas obrigações, pode ser usada como veículo em certa operação se receber e repassar recursos sem propósito extratributário. Sendo assim, para refutar a acusação de uso de empresaveículo é inócuo comprovar que a referida empresa teve longa duração, era operacional e em regra cumpria suas obrigações, se, por outro lado, não ficar demonstrado que, na operação em questão, havia um propósito extratributário para ela receber e repassar os recursos. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. FALTA DE PROPÓSITO EXTRATRIBUTÁRIO PARA ALGUMA ETAPA. ABUSO DE DIREITO. INCORPORAÇÃO. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A falta de propósito extratributário para alguma das etapas da aquisição de participação societária com ágio caracteriza o abuso do direito de autoorganização, que é ato ilícito, de tal forma que, se houver incorporação entre investidora e investida, a despesa com amortização do ágio permanecerá fiscalmente indedutível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA QUALIFICADA. INCORPORAÇÃO SIMULADA. A simulação de incorporação da real investidora pela investida constitui fraude, que é punível com multa qualificada. MULTA QUALIFICADA. REGISTROS. TRANSPARÊNCIA VERSUS OCULTAÇÃO. Registros tanto pode servir para dar transparência a fatos quanto para ocultálos. Ocorre a segunda hipótese quando se verifica que os registros não espelham a realidade, pois correspondem apenas a simulações. JUROS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTAS. Os juros incidem sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, e não simplesmente sobre tributos e contribuições. Portanto, como a multa decorre do tributo, sobre ela também incidem os juros. Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.085 27 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) CARÊNCIA DE PROPÓSITO EXTRATRIBUTÁRIO 16. Já nos manifestamos sobre a necessidade de um propósito extratributário como condição de oponibilidade ao Fisco para as operações societárias (Ac. 1255.144, de 24/04/2013). 17. Em suma, dissemos que o direito de autoorganização, como qualquer direito, não tem no Brasil a feição absoluta própria do liberalismo radical. Em nosso ordenamento, os direitos recebem proteção a fim de serem exercidos apropriadamente, em benefício do seu titular, mas também da sociedade. Quando alguém usa do seu direito para alcançar objetivos inusitados e prejudica terceiros, caracterizase o abuso de direito, que é ato ilícito e, como tal, não merece tutela. Dessa forma, como o direito de autoorganização não existe para que os contribuintes paguem menos impostos, deverá ser exercido com algum propósito extratributário, a fim de que eventual redução ou supressão de tributos seja oponível ao Fisco. (...) Alegase que a atuação por meio de uma personalidade jurídica brasileira traria inúmeras vantagens ao investidor estrangeiro, como, por exemplo, endereço, receptividade, desburocratização (fl. 2.340). Contudo, ainda que essas vantagens existissem, elas não serviriam como motivação extratributária, pois não esclarecem uma das etapas da aquisição: a circulação do capital pela empresa brasileira, antes de chegar à empresa alvo. Em princípio, para obter as vantagens, bastaria constituir a empresa brasileira, sem ter que necessariamente usála como via de passagem para o capital. (...) 31. Em regra, o ágio não é fiscalmente amortizável e só pode ser aproveitado na alienação do investimento, para compor o custo de aquisição. A incorporação representa uma exceção a essa regra porque nela o investimento é extinto e, consequentemente, não pode mais ser alienado. Sendo assim, em virtude da impossibilidade de se alienar o investimento, a legislação autoriza a amortização do ágio. Por outro lado, quando “B” incorpora “C”, subsiste o investimento de “A” em “B”, não se justificando a amortização, posto que a alienação ainda é possível. Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.086 28 32. Além disso, quando a lei estabelece a incorporação da investidora pela investida, ou viceversa, como hipótese para a dedução, está tratando, evidentemente, da real investidora, e não de uma investidora fictícia, pela qual o capital apenas circulou. 33. Dessa forma, seja por falta de comprovação de um propósito extratributário, seja porque as operações societárias não se subsumem à hipótese de dedução, devese manter as glosas. (...) 47. Por fim, na primeira e segunda etapas de aquisição da Interessada (descritas às fls. 2224/2234 e 2314/2316), assim como na terceira etapa de aquisição da Kenko (fls. 2247/2248 e 2319/2320), os recursos financeiros se originaram de diversas empresas do grupo KC, entre as quais se destacam a KC_Delaware e a KC Holland Holdings BV, e apenas circularam pelas empresasveículo KCTissueB e a KCR. Dessa forma, por meio das incorporações das duas últimas pela Interessada e pela Kenko, se simularam as incorporações das investidoras pelas investidas, embora, de fato, estas tenham incorporado apenas as suas investidoras aparentes. 48. Sendo assim, como houve fraude em todas as operações que geram o ágio amortizado, devese manter a multa qualificada. (...) Inconformado com tal resultado, o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, ora sob análise, basicamente reiterando suas razões de Impugnação, ainda que de forma mais sintética e considerando os termos do V. Acórdão recorrido (fls. 2844 a 3009). Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.087 29 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como se verifica do relatório, o presente processo tem como objeto a glosa da amortização de ágio procedida pela Recorrente, entre 2008 e 2013, fruto de operações societárias, realizadas entre 1996 e 2008, classificadas como parte de planejamento tributário abusivo. Decadência Considerada matéria preliminar, a Recorrente alega, sob enfoques jurídicos diversos, a suposta ocorrência da decadência do direito do Fisco lançar os tributos sob exigência. Ainda que de maneira breve, alega a Recorrente que já decaiu o direito do fisco de questionar a validade das operações em que os ágios glosados foram formados. Afirma que as operações ocorridas entre 1996 e 2008 estariam fora do alcance da Fiscalização em 2014, quando lavradas as autuações. Para fundamentar sua tese, traz passagens de julgados deste E. CARF e trechos de doutrina jurídica. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. O objeto dessa modalidade de caducidade é a limitação temporal para a constituição do crédito tributário, a contar do nascimento da obrigação tributária, e não a prerrogativa fazendária de análise de eventos e fatos envolvidos na formação dessa obrigação, não havendo base para tal suposta vedação cronológica. Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.088 30 A Infração Tributária descrita no lançamento se reveste de glosa de amortizações da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos nos anoscalendário de 2008 a 2013, supostamente culminando na redução indevida do montante das obrigações tributárias deste exato período. O fato jurídico tributário colhido pela Fiscalização não é, propriamente, as operações que deram origem a essa despesa, mas seu aproveitamento fiscal, em momento ulterior. Atualmente, existe forte corrente jurisprudencial administrativa, especificamente em relação à decadência em autuações que envolvem o aproveitamento de ágio, restando certo que se inicia a contagem do prazo decadencial a partir da dedução da despesa, podendo livremente o Fisco remeterse a operações anteriores a tal ocorrência. Ilustrando tal posição, confirase trecho do recente Acórdão nº 9101.002.387, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria do I. Conselheiro Luís Flávio Neto, publicado em 14/09/2106: Ocorre que o prazo de decadência em questão apenas começa a fluir a partir do momento em que o contribuinte realiza a amortização do ágio, pois somente a partir daí é possível cogitar inércia do fisco: a partir da dedução das despesas de ágio da base de cálculo do tributo, caso o fisco discorde, deverá lavrar AIIM para a glosa correspondente, o que não seria possível antes da efetiva amortização ter sido levada a termo pelo contribuinte. Inclusive, alternativamente, a Recorrente também alega a consumação da decadência, mas dentro dos moldes do pensamento acima expresso, defendendo a necessária aplicação da contagem quinquenal contida no § 4º do art. 150 do CTN, o qual excluiria o ano calendário de 2008 do período colhido pela N. Autoridade Tributária. Porém, para a aplicação de tal dispositivo, é necessário afastar a ocorrência de simulação e fraude, suscitada no TVF, o que permitiu a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN na realização do lançamento. Tal assunto, ainda que de total pertinência para a alegação de decadência, compõe a fundamentação meritória das Autuações, que será mais adiante analisada, com a devida detenção e profundidade, aproveitandose a conclusão de ocorrência ou não de tal conduta para a verificação da sua suposta ocorrência, desde já considerando a relação de prejudicialidade com essa matéria preliminar. Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.089 31 Mérito Inicialmente, cabe ressaltar que o tema amortização de ágio neste E. CARF não é recente e, atualmente, existe prolífera quantidade de autuações, já devidamente processadas e julgadas até seu exaurimento recursal, o que permite, preliminarmente, identificar quais os pontos e assuntos mais sensíveis em relação a tal matéria tributária. Assim, mister verificar, precisamente, no extenso TVF, bem como no v. Acórdão, quais foram os fundamento legais específicos utilizados para o lançamento e sua posterior manutenção, fazendo, assim, o primeiro corte necessário para o julgamento das Autuações. Ainda que a própria Autoridade Fiscal tenha decidido por segregar a descrição dos fatos em 2 (duas) operações societárias, as quais originaram, de forma autônoma, as despesas com ágio, observase no TVF que a fundamentação jurídica e descrição da infração tributária foi feita de maneira única, levando à conclusão de que, ainda que possuindo detalhes e alguns eventos considerados isoladamente, ambas operações societárias descritas padeceriam dos mesmos defeitos e vícios que fundamentam o lançamento de ofício. Nesse sentido, temos que a inexistência de motivação extratributária é tratada pela Fiscalização com o motivo maior, concentrador de toda a fundamentação da atuação. E fica, também claríssimo, que o cerne dessa acusação de ausência de propósito negocial, seria a utilização de empresas holdings no Brasil, pelo Grupo Kimberly Clark, para acobertar as reais investidoras, ambas estrangeiras e únicas titulares de tal ágio, quais sejam, KimberlyClark Wordwide e KimberlyClark Corporation (fls. 2271 e 2272). Comprovando tal constatação, quando versa sobre infração tributária, a Fiscalização parte de tal premissa, abrindo sua fundamentação com o expressão operações societárias maculadas pelo "vácuo negocial" (fls. 2273). No decorrer de seu relato, após digressão sobre a previsão legal da dedutibilidade do ágio, vaise, então, acrescentando detalhes e eventos pontuais em ambas suboperações (incorporações KCB e Kenko), afirmando que não se verificou a requeria união patrimonial (vez que as reais investidoras estão no exterior e não absorveram as investidas, brasileiras), pois direito à amortização do ágio surge da subsunção de situações fáticas às hipóteses previstas na legislação vigente, digase alienação ou liquidação do investimento Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.090 32 adquirido com ágio (regra geral do art. 391, c/c art. 426 do RIR/99) ou extinção por incorporação da participação da investida pela investidora que efetivamente pagou pelo ágio (ou viceversa), com a ocorrência da "confusão patrimonial" e classifica a macrooperação, como um todo, de engenharia societária abusiva. São estes os fundamentos materiais da infração tributária. Mais adiante no TVF, abordase apenas aspectos da contabilização do ágio, multa de ofício, multa qualificada e retificação do LALUR. Apesar da notória repercussão dos julgados sobre o tema, existe certa disparidade quanto à fixação precisa de todos requisitos de uma operação para permitir o livre aproveitamento do ágio. Mas é plenamente seguro afirmar que se entende relevante e necessário para a verificação objetiva da formação lícita do ágio, nos moldes das prescrições do art. 385 e 386 do RIR/99, a presença dos seguintes elementos: 1) o efetivo sacrifício econômico no momento do investimento que lhe originou; 2) realizado entre partes não relacionadas; 3) arrimado em laudo válido, contemporâneo, exarado por terceiro competente e; 4) nas operações em que há a extinção de pessoa jurídica, a absorção do patrimônio da investida pela investidora (ou vice versa). Frisese que, no presente caso, em momento algum se questionou o real emprego de recursos nas aquisições que formaram o ágio (no sentido de ser uma despesa artificial), sua fundamentação econômica (expectativa de rentabilidade futura, seu montante, a qualidade dos laudos de avaliação e seu registro) ou mesmo a independência das partes celebrantes das operações que geraram a despesa. Apenas um elemento daqueles acima elencados foi questionado pela Fiscalização, qual seja, a absorção patrimonial entre as empresas que transacionaram, vez que através de planejamento tributário abusivo, sem motivação extratributária, teria se mascarado os reais investidores, pela utilização de empresas veículos no Brasil. Ou seja, para a N. Autoridade Fiscal, a confusão patrimonial entre as empresas nacionais do Grupo não bastou para o aproveitamento do ágio. Posto isso, resta clara a circunscrição dos fatos e condutas da Recorrente que teriam dado ensejo à glosa, assim como a matéria a ser enfrentada. Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.091 33 Essa questão específica sobre o ágio também guarda controvérsia. Contudo, é possível se observar uma evolução de entendimento neste E. CARF, na qual se analisa mais profundamente as circunstâncias no emprego das chamadas empresas veículos e, dentro da correta e necessária racionalização da verificação de provas e fatos envolvidos, permitese a constatação, individual e concreta, da legalidade de tal manobra. Em caso que tratava de acusação muito semelhante, ilustrase de maneira ampla tal entendimento no Acórdão nº 1201.001.267, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria do I. Conselheiro Marcelo Cuba Neto, publicado em 18/02/2016: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". (...) Pois bem, desde logo devese deixar claro que a fiscalização em momento algum alega que o ágio nasceu de uma operação realizada entre empresas que fazem parte do mesmo grupo econômico. Ao contrário, pelo que se vê no TVF o ágio decorreu de uma transação entre partes independentes e em pé de igualdade (arm's length transaction). Resumindo, não se trata aqui de “ágio interno”. São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se convenceu da ilegalidade do aproveitamento do ágio pela fiscalizada: (i) falta de propósito negocial, e; (ii) emprego de empresa veículo. (...) Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.092 34 que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos. Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. (...) No mesmo sentido temos também o Acórdão nº 1302.001.977, proferido pela C. de 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria da I. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich e voto vencedor o I. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, publicado em 13/10/2016 e o Acórdão nº 1301.002.111, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria do I Conselheiro Waldir Veiga Rocha, publicado em 19/08/2016. Agora, afastada a possibilidade de glosar o ágio aproveitado pela mera constatação do emprego de estrutura que contemple empresas veículo, fazse importante analisar os elementos pelos quais a N. Autoridade Fiscal entendeu serem estas companhias parte de planejamento tributário abusivo, inclusive apurando se foram consideradas, formalmente em si, como argumento de invalidade da estrutura societária, contrariando o entendimento supra apresentado. Quando da demonstração da suposta inexistência de motivação extratributária, após transcrições de perguntas e respostas contidas nos Termos de Intimação Fiscal enviados ao Contribuinte, a Fiscalização faz a seguinte conclusão: 85. Apesar de todas as respostas fornecidas pela fiscalizada, restou inexplicada, a esta fiscalização, a não ser por motivo exclusivamente tributário, a opção de uma multinacional por um esquema com mais de 6 empresas interpostas e intervenientes entre a matriz e suas coligadas (por certo tempo) e controladas, empresa essas sem funcionários, sede ou qualquer propósito negocial, a não ser como condutoras de recursos originados no Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.093 35 exterior, algumas vezes diretamente, outras vezes por supostos empréstimos quitados por outras empresas do mesmo grupo sediadas no exterior, por meio de outras empresas veículos do mesmo grupo; (fls. 2270) (...) 87. Resta claro, portanto que a única motivação da escolha do esquema de empresas veículo interpostas entre as reais adquirentes das participações societárias, a KimberlyClark Wordwide, sediada em Delaware, conhecido paraiso fiscal americano, e a Kimberly Clark COmporation e o trajeto meandrico dos recursos utilizados para adquirir a Kenko e a própria fiscalizada, fazendo parecer, à primeira vista, que os recursos advinham de atividades negociais dessas empresas de fachada é exclusivamente tributária, se valendo a empresa de expedientes tendentes a ocultar a realidade das simplórias operações de compra de participações societárias no Brasil, que poderiam ter sido realizadas de forma clara e objetiva; 88. Ora, empresas não constituem empresas sem motivo relevante. (...) 89. Fato também relevante sobre as holdings interpostas é o de que 3 delas nunca distribuíram dividendos à sua matriz; 90. Salta aos olhos ainda que pelo menos 4 das holdings criadas não possuíam funcionários, nem administradores, além de estarem sediadas no mesmo endereço, ou seja, eram meras cascas vazias, ou empresas veículo, embora tenham tido vida mais longa do que normalmente se constata em casos semelhantes; (fls. 2271) E encerra o item da justificação da ausência de motivação extratributária, com a seguinte conclusão: 92. Portanto fica claro pelos motivos expostos acima que a única real razão para a constituição dessas holdings era para se aproveitar, indevidamente, da amortização do ágio gerado em sua aquisição, ou seja, a empresa se beneficia de seu própria ágio e do ágio originado na operação de compra de outra empresa por terceiras empresas, sediadas no exterior, a KC Delaware e a Kimberly Clark Corporation, onde o ágio deveria estar escriturado. (destacamos) Nessa análise, já fica claro que, efetivamente, a grande razão da ausência de motivação extratributária ou "vácuo negocial" é a utilização de 6 (seis) empresas holdings pela Recorrente na macrooperação societária de entrada do Grupo KimberlyClark no Brasil. Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.094 36 Como antes mencionado, tal fato não pode, isoladamente, permitir o lançamento tributário pretendido. Aprofundando as acusações da Fiscalização, percebese que se atribui o rótulo de cascas vazias às 6 (seis) holdings, por 4 (quatro) delas não possuírem funcionários, administradores (mas sem efetivamente apontar vício no contrato social, vez que todos estavam regularmente registrados na Junta Comercial competente) e nem sede independente (em outra passagem alegouse simplesmente não possuírem sede). Aparentemente, conferindo todo o respeito ao trabalho da N. Autoridade Fiscal, houve uma má interpretação do conceito de Direito Comercial de empresas holdings, de forma que suas características próprias e plenamente lícitas foram utilizadas como argumento para constatação de sua suposta "inexistência". Permitindose aqui uma tradução livre, o próprio verbo inglês to hold significa "deter", "segurar". Assim, sua própria nomenclatura já indica a sua função primordial: deter participações de outras empresas. O Prof. Modesto Carvalhosa1 define a função e as atividades das empresas criadas sob a rubrica de holding assim: A entidade econômica concentracionista, que surge das coligações e do controle de outras sociedades, encontram na holding o instrumento fundamental de sua organização. As holdings são sociedades não operacionais que têm seu patrimônio composto de ações de outras companhias. São constituídas ou para o exercício do poder de controle ou para a participação relevante em outras companhias, visando, nesse caso, constituir a coligação. Em geral, essas sociedades de participação acionária não praticam operações comerciais, mas apenas a administração de seu patrimônio. (...) Tem assim a sociedade holding como característica diferencial e objetivo principal a participação relevante em uma atividade econômica de terceiros, em vez do exercício de atividade produtiva ou comercial. Possui como características principais: ter seu patrimônio formado de ações emitidas por outras companhias, exercer o 1 Comentários à Lei de Sociedades Anônimas. V. 4. Tomo II. São Paulo: Saraiva, 1998. pp. 14/15. Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.095 37 controle sobre elas ou delas participar em caráter permanente, com investimento relevante no seu capital. Assim, o objeto social da holding é sempre o de participar do capital de outra sociedade, como controladora ou investidora (coligação). (destacamos) Nesse sentido, essa modalidade empresarial é o instrumento societário mais utilizado para organização e operação interna de grandes grupos, dado a sua simplicidade de constituição, funcionamento e operacionalização. Assim, dentro de sua condição de companhias não operacionais, sem caráter comercial, mercante, a acusação de possuírem as holdings mesma sede ou de não terem funcionários, nada mais faz do que confirmar sua correta classificação societária e natureza jurídica. Em relação a grandes grupos estrangeiros, é extremamente natural se organizarem por meio de tais figuras, principalmente em outros países. Nos primeiros contatos com o novo mercado, é plenamente compreensível a escolha por não criar uma nova estrutura complexa, ou mesmo uma filial, que espelharia, ainda que parcialmente, por razões de políticas internas e compliance, a organização e a configuração institucional de sua matriz, representando, inclusive, um acréscimo injustificável de custos nesse momento inicial. A literatura doutrinaria2, dentro de uma abordagem mais prática e voltada ao empresariado, cita essa vocação da holding para investimentos internacionais: A holding pode ter o caráter de internacionalidade, isto é, manter ações de companhias que não estejam necessariamente no mesmo país. Ela se mostra importante "ponte" controladora de exportação, importação e investimentos estrangeiros. (grifamos) E o fato de não remeter dividendos aos exterior, como citado pela D. Autoridade Fiscal, ilustra apenas uma decisão financeira do Grupo, totalmente de acordo com a estratégia de se constituir e firmar no Brasil, garantindo, em um segundo momento, após a entrada no país, a presença de recursos próprios. Digase até que tal alegação possui certa contraditoriedade, ao passo que inicialmente se apontou para a origem e a detenção estrangeira do capital investido como um 2 LODI, Edna Pires. LODI, João Bosco. Holding. 4ª edição. São Paulo: Cengage Learning, 2001, p. 9. Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.096 38 motivo para a desconsideração das holdings, inclusive mencionando empréstimos, e, depois, reveste de mácula o fato de não se remeter ao exterior os dividendos aqui percebidos o que, na verdade, evidencia uma independência e destinação doméstica desse capital dentro da operação brasileira do Grupo, legitimando as operações daquelas companhias. Voltando à conclusão primordial da ocultação da reais detentoras do ágio (as controladoras estrangeiras do grupo), podese, agora, concluir que a desconsideração de todas essas empresas holdings (o que, na prática, promoveu a Fiscalização) deuse por fundamentos alicerçados em presunções e condenações dirigidas às figuras e aos negócios societários celebrados. Não pode haver e muito menos prevalecer a criação de uma nova obrigação quanto à forma com que as empresas estrangeiras adentram o país para participar do mercado brasileiro. E uma vez aqui fixadas, seja através de holding, filiais ou promovendo jointventures, deve ser dado o mesmo tratamento fiscal às empresas aqui constituídas e operantes, não podendo simplesmente desconsiderar suas personalidades com base em mera constatação de que são geridas e financiadas por grupos estrangeiros. Fazse também necessário considerar que, seja na operação KCB, ou seja na operação Kenko, a entrada do Grupo no Brasil se iniciou em 1996 (fato registrado e constatado pela própria Fiscalização), o que logicamente leva à conclusão que a decisão empresarial de adquirir participações em empresas do mercado doméstico, dos ramos de wipes e tissues, deu se antes mesmo da edição da Lei nº 9.532/97, prejudicando a afirmação de que toda engenharia societária abusiva visava aproveitar, indevidamente, da amortização do ágio gerado nessas operações. Naturalmente, após a veiculação de tal prerrogativa fiscal pelo legislador, os gestores das empresas controladas por esse grupo internacional, aqui constituídas, passaram a se valer dessa despesa dedutível, naturalmente considerando sua ocorrência na organização de seus negócios, até com base legal no art. 153 da Lei 6.404/763, fato esse que não implica em qualquer ilicitude. Não obstante, as previsões dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/974, consideradas conjuntamente, expressamente autorizam o aproveitamento do ágio percebido pela empresa 3 Art. 153. O administrador da companhia deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios. 4 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.097 39 sucessora, até mesmo no caso da incorporação reversa, garantindo a sobrevivência da dedutibilidade desse valor, mesmo após um rearranjo da estrutura organizacional societária de um determinado grupo depois da aquisição pretendida. Corroborando com a posição aqui sustentada, confirase a ementa e trecho de voto que compõem o Acórdão nº 1301.001.505, proferido pela C. 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.098 40 Seção de Julgamento, de relatoria do I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães e voto vencedor o I. Conselheiro Valmir Sandri, publicado em 25/02/2015: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 DESPESA. DESNECESSIDADE. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Se, por um lado, a Fiscalização reúne argumentos e demonstrativos que indicam a apropriação de dispêndios com pessoa ligada em conta específica, cujos serviços que serviram de fundamento foram contabilizados em rubrica distinta, e, por outro, o contribuinte não aporta aos autos argumentos e documentos capazes de elidir a tese de duplicidade de registros, há de se manter a glosa. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para fins de dedução, na apuração do resultado fiscal, do gasto incorrido, não basta ao contribuinte descrever as características operacionais de suas atividades e demonstrar a plausibilidade de sua ocorrência no mundo fático, tornase necessário reunir ao processo comprovantes hábeis e idôneos que possibilitem desautorizar a glosa perpetrada pela autoridade fiscal. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (destacamos) E, ainda que acompanhando o Voto vencedor, em Declaração de Voto, acrescenta o I. Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado: Do exame das operações realizadas, entendo que, desta feita, restou evidenciado que não estamos diante da criação do chamado ágio interno, ou seja, aquele criado exclusivamente dentro de um grupo de empresas sem modificação efetiva da participação societária de seus controladores. Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.099 41 No presente caso o Banco Societé Brasil, por meio de uma empresa controlada (Trancoso), adquirida especificamente para esse fim, adquiriu o controle da empresa Cacipar, anteriormente convencionada entre o Banco Societè e os sócios da empresa vendedora. (...) O ágio, portanto, não foi formado em operação interna (intragrupo), mas sim da entrada de capital de um novo investidor no grupo que promoveu a efetiva alteração do controle societário da empresa vendida. A fiscalização apontou uma série de questionamentos formais ao negócio entabulado, tais como: ausência de deliberação interna no Grupo Societé visando transferir a aquisição do investimento por meio da empresa Trancoso; ausência de notificação do vendedor, estabelecida no contrato de compra e venda, quanto à cessão de direitos; erros e inconsistências no Livro de Transferência de Ações do Banco Cacique. Entendo que não obstante tais aspectos formais não são suficientes para invalidar a conclusão de que ocorreu o pagamento de um ágio na aquisição de um participação entre partes não relacionadas. O fato de o negócio ter sido entabulado pela Banco Soceté Brasil e efetivado por meio de um empresa controlada, que recebeu o aporte de capital para fazer o investimento ao meu ver não contamina o negócio, nem desnatura a ocorrência do ágio. Havia inclusive previsão contratual para que ocorresse dessa forma. Ainda que não tenha existido a notificação prévia é certo que os vendedores não se opuseram, tanto que celebraram a venda. Não enxergo simulação neste caso, mas sim a adoção de uma estrutura para as operações societárias compatível com o negócio efetivamente realizado, ainda que evidentemente estruturada com vistas a obtenção dos benefícios futuros de amortização desse ágio, conforme a previsão legal. Entendo que, desta feita estamos no campo daquelas situações em que o contribuinte se valeu licitamente do direito de organizar o seu negócio de acordo com suas necessidades e/ou interesses, inclusive optar pela forma negocial que lhe propiciasse o menor custo ou maior vantagem tributária, obedecidos os ditames legais. (destacamos) No que tange ao presente caso, deve ser acrescentado que, entre a primeira operação que gerou o ágio e seu aproveitamento, passaramse 12 (doze) anos, outro elemento este que, contundentemente, opõese à alegação que toda a engenharia societária foi engendrada com o evidente intuito de "criar" despesas. Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.100 42 Nesse exato sentido, esta mesma C. 2ª Turma Ordinária, no Acórdão nº 1402.001.409, de votação unânime, com relatoria do I. Cons. Presidente Leonardo de Andrade Couto, publicado em 13/08/2013, julgando caso muito semelhante ao presente, entendeu pela possibilidade do gozo do ágio gerado em operações que utilizaram empresas veículo, apontando o I. Relator para o lapso temporal que demandou a execução da suposta engenharia tributária. Confirase a ementa e trechos de tal julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A reorganização empresarial, sob amparo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. (...) O primeiro aspecto digno de nota é o lapso temporal de sete (7) anos entre a criação da empresa e a incorporação pela controlada. Na prevalência da tese do planejamento fiscal orquestrado terseia quase uma exercício de futurologia. Ademais, não vislumbrei nas circunstâncias mencionadas pelo Fisco nenhuma razão legal que impedisse a incorporação em momento anterior. Assim, perguntase: é razoável a montagem de uma estrutura de planejamento em que o benefício tributário almejado só ocorrerá muito tempo depois, em situação empresarial possivelmente diversa e absolutamente imprevisível? (...) Mesmo que se admita a expressão “empresa veículo” aplicável ao caso, o foco da análise não pode ser a prática em si, como decorrência da desconfiança que a expressão suscita, mas as justificativas para fazêlo. Nesse ponto, entendo que as razões apresentadas pela defesa guardam coerência com o conteúdo dos autos e merecem guarida. (...) Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.101 43 Posto isso, a caracterização das holdings como cascas vazias, desprovidas de personalidade, não se sustenta, vez que plenamente justificável a sua criação, desempenhando sua natural e esperada função durante anos, dentro de estrutura empresarial que permitiu um modelo de operação de investimento estrangeiro que perdurou por mais de uma década, superandose, nesse ponto, a constatação de ausência de motivação extratributária e as alegações de simulação e fraude. Também é necessário observar que, aqui, não se trata de um processo que versa sobre lucros no exterior de coligadas e controladas ou a alegações de abuso de tratado, que têm como fundamento maior a tributação sob bases universais, no qual o Legislador, ao derrubar as limitações da territorialidade nacional, permitiu buscar os fatos jurídicos tributários ocorridos no exterior, praticados e percebidos por empresas estrangeiras. Tratase de uma glosa de ágio, percebido em operações ocorridas no Brasil, entre empresas brasileiras. Negar a dedutibilidade de uma despesas de investimento, sob a justificativa de que os seus reais detentores são empresas estrangeiras, desconsiderando anos de operações societárias e parcerias comerciais verdadeiras, ocorridas no Brasil (não foi questionada a legitimidade da parceria com o Grupo Klabin, que perdurou 9 anos, e nem com o Grupo Brasfanta, que perdurou 10 anos), pelo simples fato de o financiamento efetivo de tal investimento advir, originalmente, das controladoras internacionais de um grupo mundial não é razoável e simplesmente ignora o cenário globalizado da economia atual. Se válida essa lógica, toda empresa sediada no Brasil que promoveu uma aquisição, a qual se valeu anteriormente de financiamento de controladora ou coligada estrangeira, não seria titular de suas despesas, bastando apenas o Fisco regredir o necessário no tempo, até encontrar o patrocínio estrangeiro. E uma vez demonstrado que as empresas holdings, brasileiras, estavam regularmente constituídas, dentro de seus propósitos, essas, naturalmente, revestiramse de investidoras quando do dispêndio para uma aquisição societária, devidamente registrando essa sua despesa, inclusive a parcela percebida como ágio, não podendo também manterse a glosa sob a alegação da falta de absorção patrimonial entre investida e investidora. Uma prova disso é que a Recorrente, outrora chamada de empresa veículo, é uma firme personificação societária do Grupo KimberlyClark hoje, no Brasil, movimentando relevantes somas, responsável por boa fatia do mercado, comprovando o alcance econômico e o real propósito extratributário por trás de todas essas operações de entrada, investimentos, Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.102 44 parcerias e, finalmente, a sua reorganização societária, após o seu definitivo estabelecimento mercadológico. Frisese ainda aqui que, em diversos trechos da descrição dos fatos contida no TVF, apontase para alguns pontuais e instantâneos eventos, como a doação de quotas, empréstimos realizados intragrupo, permuta de participação societária, entre outros, sem que a Fiscalização, especifica e concretamente, tenha demonstrado que haveria ilicitude tributária ou mesmo civil, mas mesmo assim rotulando de abusiva e fraudulenta a gestão do Grupo Econômico. Pertinente dizer que é necessária uma desmistificação no uso da figura dos grupos investidores estrangeiros e da adoção de estratégias empresariais com estruturas societárias, consideradas engenharia complexa, como fundamentos próprios para o lançamento tributário. Em não havendo a demonstração precisa de como determinado ato influenciou na invalidade da formação do ágio ou a prova de sua ilicitude, tais fatos devem ser considerados como a regular prerrogativa organizacional do grupo. A acusação de ausência de propósito negocial é tema da maior importância e sensibilidade para o Direito Tributário brasileiro, posto que praticamente ausente sua regulamentação legislativa, demandando que tal conclusão interpretativa, quando alcançada, seja arrimada em demonstrações robustas, concretas e meticulosamente fundamentadas. Apreciando agora, precisamente, os ágios formados nas operações descritas e os negócios pontuais que foram celebrados, temos o seguinte cenário: Operação KCB Mercado de Tissues 1) Em 1998, aumento de capital Klabin Tissue, subscrevendo novas quotas e integralizando na KCTissueB R$ 133.532.900,00, verificandose o ágio de R$ 57.730.448,05; 2) Em 2003, a Klabin S/A vende o resto de sua participação na Klabin Tissue para KCTissueB, por R$ 335.681.999,61, verificandose o ágio de R$ 222.416.919,95. Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.103 45 Observese que as operação foram realizadas entre o Grupo KimberlyClark e o Grupo Klabin, em um primeiro momento materializando a planejada entrada do conglomerado estrangeiro no ramo de tissues do Brasil e, no segundo momento, o desfazimento da jointventure, com a passagem do controle total para Grupo KimberlyClark, denotando já estar este firmado com sucesso no país. Além das Autuações não apontarem defeitos quanto ao seu valor, avaliação e registro, fica claríssima a legitimidade econômica de tais operações e a patente justificava extratributária. Ou seja, excluída a argumentação de planejamento tributário abusivo pelo emprego de empresa veículos, tais operações nada mais transparecem do que a normalidade. Operação Kenko Mercado de Wipes 1) Em 1996, a KCC efetua permuta de participação societária com a Brasfanta, em face da diferença positiva do custo de aquisição das participações entregues e a expectativa de rentabilidade futura das recebidas, verificandose o ágio de R$ 66.150.440,30; 2) Em 2000, após aportar capital na empresa Salonicco, a KCC retirase da mesma, recebendo quotas da Kenko, em face da diferença positiva entre o valor da sua participação societária inicial e a expectativa de rentabilidade futura da participação recebida, verificandose o ágio de R$ 99.420.135,30; 3) Em 2006, a KCR (do Grupo KimberlyClark) adquire da Alsercon as quotas remanescentes da Kenko, por R$ 205.380.500,00, verificandose o ágio de R$ 185.852.300,00. As operações foram realizadas entre o Grupo KimberlyClark e o Grupo Brasfanta, inicialmente permitindo a entrada do Grupo no mercado nacional, agora de wipes, e num segundo demonstra o aumento de sua participação e, ao final, a consolidação do controle do Grupo KimberlyClark sobre o negócio investido. Da mesma forma, as Autuações não apontam defeitos jurídicos quanto seu valor, avaliação e registro contábil. Cabe aqui comentar e abordar situações tratadas como simulação e fraude, ocorridas na Operação Kenko. Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.104 46 A permuta de participação societária descrita, ocorrida em 1996, foi rotulada de fraudulenta por diversas vezes no TVF. Fundamenta o Fisco que a permuta seria simulada por travestir a compra e venda como troca. Não procede tal acusação. Primeiramente, a permuta de quotas e ações, encarada de maneira formal e objetiva, é plenamente lícita, não havendo qualquer vedação na Lei Civil ou Comercial em relação a tal manobra. Faz parte da liberdade empresarial. Em se tratando de grandes grupos empresariais, a prática se revela justificada, vez que grande parte de seu valor está fragmentado e organizado em diversas empresas, até dentro de uma multiplicidade de seguimentos mercadológicos, sendo, muitas vezes, mais prático e interessante às partes promover a permuta do que, mutua e simultaneamente, movimentar numerário de seus caixas, o qual atende a inúmeras outras funções. Mais importante é o fato de não ter sido apontado qual seria a vantagem de se travestir uma compra e venda de permuta e qual seria a lesão ao Erário, ainda que mediata. Ora, se hipoteticamente permutase bens de valores diferentes e não se apura um eventual ganho de capital (ou outra forma de incremento patrimonial), tratando estes como de igual valor, haveria, sim, a vantagem indevida nessa camuflagem e, então, a sua ilegitimidade. Não é o caso. Atribuiuse valores distintos aos bens, tanto que se apurou ágio em tal permuta, sendo que o Fisco não questiona o valor das participações permutadas e a documentação que lhe atestou elemento essencial que poderia ser ilegalmente manipulado pelas partes para gerar vantagem. Ainda, a empresa do Grupo da Recorrente recebeu o bem nominalmente menos valioso, de acordo com tal valoração incontroversa, assim, se hipotética e eventualmente houvesse algum ganho suprimido na troca, esse seria da outra parte permutante. Em relação à segunda etapa acima descrita, na Operação Kenko, a Fiscalização aponta para a ocorrência de uma manobra denominada casaesepara, no ano 2000, observada pelo aporte de dinheiro pela empresa KCC na Salonicco, posteriormente, retirandose da mesma com as quotas da Kenko, aportadas originalmente pela Fanta. Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.105 47 Aqui é aplicável a mesma lógica quanto à acusação anterior de permuta fraudulenta. As operações chamadas de casaesepara, em breve resumo geral, darseiam pela constituição de uma empresa, na qual, quando da integralização dos bens que formam seu capital social, seus sócios incluem bens e direitos a serem, posteriormente, "trocados", quando da sua saída e/ou extinção da mesma. Tais manobras são condenadas pois pode haver a manipulação dos valores do bens, alterandose custos de aquisições, suprimindo eventuais ganhos de capital (ou outra forma de incremento patrimonial). Por força da condenação dos efeitos que podem resultar de tal operação, há de se convir que se tornou famigerada esta "troca" entre sócios, dentro do atual contexto jurisprudencial. Porém, não há vedação na Lei Comercial e na regulamentação societária desta forma de desconstituição de empresas, com o câmbio dos bens aportados. Desse modo, assim como no caso das empresas veículos e da alegada permuta fraudulenta, é necessária a demonstração de como as partes se beneficiaram e, de que modo, fora o Fisco prejudicado. Caso contrário, a manobra deve prevalecer, principalmente se guardar expressão econômica, negocial. Mais uma vez, não foi demonstrado e muito menos comprovada qualquer vantagem para as partes neste suposto casaesepara. O TVF apenas aponta a sua ocorrência e explica, didaticamente, em abstrato, como funciona a operação. Não mostra como teria interferido essa conduta na formação do ágio. Não há qualquer informação, análise ou apontamento acerca de ilícitos, manipulação de valores e, principalmente, de quais vantagens, então, teriam sido obtidas por qualquer um dos sócios da Salonicco. Ao contrário. Novamente, foi apurado ágio na retirada de capital da KCC com as quotas da Kenko, não havendo questionamentos por parte da Fiscalização da sua existência financeira, avaliação e registro contábil, atendose a classificálas como inválidas pela formalidade negocial. Assim, o grande ardil, usualmente por trás da operação casaesepara, não foi demonstrado, não podendo simplesmente se presumir que ocorreu, ainda que adotado o mesmo ritual societário, formal, pelas partes do negócio o que, isoladamente, não basta para configurar infração tributária ou fraude. Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.106 48 Digase mais, ainda que de maneira meramente argumentativa, mesmo que desconsiderada a operação societária, prevalecendo, então, a acusação da Fiscalização de que foi uma compra e venda, pela imperiosidade do art. 167 do Código Civil5, subsistirá um legítimo negócio de compra e venda para todos os fins jurídicos, como o Legislador de 2002 previu. Nesse sentido, foi alegado e expressamente atestado que a operação casae separa carregava, na sua substância, uma compra e venda, inclusive evidenciando elementos onerosos e típicos dessa operação. Diante disso, o ágio gerado permanece, uma vez que prevalece a mesma diferença positiva entre o valor contábil da participação societária vendida (Grupo Brasfanta) e o valor por ela pago (Grupo KimberlyClark) com base em avaliação de rentabilidade que não foi questionada, denotando seu regular conteúdo econômico e razão de celebração. Inegavelmente tratouse de operação onerosa. Reforçando a validade jurídica dessas operações para a formação e aproveitamento do ágio, não é necessário que se ocorra uma compra e venda, formal e propriamente dita, para seu surgimento válido. Entendese que qualquer forma de sacrifício econômico, no investimento que gera o ágio, sendo ele oneroso (no sentido de representar o desfazimento de uma riqueza para adquirente, em face da expectativa de rentabilidade futura) já basta para validar essa despesa. Confirase trecho do Acórdão nº 9101.001.657, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria da I. Conselheira Susy Hoffmann, publicado em 14/11/2013: De fato, não havendo distinção na lei, não cabe ao intérprete fazêlo. Por aquisição entendese qualquer forma de absorção a um patrimônio jurídico de algo novo, não tendo, tal absorção, por único meio uma compra e venda. Pode se dar, como na hipótese, pela subscrição de ações novas, o qual se insere, indubitavelmente, no conceito de “participação societária adquirida”. Não se vislumbra, portanto, a alegada violação ao artigo 20 do Decreto Lei n° 1.598/77. Neste dispositivo, também, o termo aquisição não aponta para qualquer restrição do seu significado. 5 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.107 49 Na mesma linha, o artigo 385 do RIR/99 esclarece o tratamento tributário que deve ser dado pelo contribuinte à participação societária adquirida, qualquer que seja a forma de aquisição, o que inclui a subscrição de capital. Uma vez que a controlada incorpore sua empresa controladora, aplicarseá o disposto na Lei 9.532/97 e o ágio será dedutível. Caso o legislador quisesse excluir cada uma dessas formas de aquisição de participação societária do tratamento tributário disposto nos artigos 385 e 386 do RIR o teria feito na própria Lei. Ocorre que é esperado que a regra legal alcance todas as hipóteses equivalentes de forma homogênea, garantindo um tratamento isonômico aos contribuintes a elas sujeitos. Não é relevante para a amortização do ágio a origem dos recursos investidos: se já estavam na empresa, ou se derivam de subscrição de capital, ou se decorrem da contribuição de bens e direitos em aumento de capital. O que importa é que, em todas essas hipóteses de aquisição de participação societária, a posição patrimonial da investida e da investidora é equivalente e não há razão para não permitir a fruição do benefício de amortização do ágio após realizada a incorporação reversa. (...) Importante salientar que o CARF tem se manifestado, ainda que indiretamente, sobre o tema, com inúmeros julgados, por suas Turmas Ordinárias neste mesmo sentido. Cito, a título de exemplo, os seguintes acórdãos: 1301000.711 (Caso Tele Norte); 140200.802 (Caso Santander); 140200.993 (Caso Cosern); 120100.689 (Caso CELPE); 920200.662; 110100.354; 120100.548 (Caso Ale); 110100354 (Caso Vivo); 10196.125 (Caso Coinbra); 140200.342 (Casp DAS); 110100.708. (destacamos) Naturalmente, para o Fisco colher e analisar as operações, procedeuse a uma desmontagem do filme da entrada de um grande grupo estrangeiro no país e seu desenvolvimento, partindoo em inúmeras fotografias de suas etapas, as quais, ainda que isoladas, demandam seu contexto global e temporal para serem devidamente interpretadas. Aproveitando toda a matéria aqui debatida, é notório que, há mais de uma década, este E. CARF (e o antecessor E. Conselho de Contribuintes) vem adotando tese que prega a prevalência da substância sobre a forma dos negócios jurídicos, ainda que longe de ser uma unanimidade doutrinária, mas prestigiada pela cátedra de respeitáveis Autores. Curiosamente, como já relatado, observase que em algumas conclusões que levaram às desconsiderações que permitiram a lavratura das Autuações e, principalmente, nas acusações de ocorrência de simulação e fraude, privilegiouse o inverso: a verificação das formas utilizadas pela Recorrente, em detrimento à constatação de que essas possuíam Fl. 3108DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.108 50 conteúdo econômico ou razão empresarial seja per si ou, até mesmo, quando inseridas dentro um plano negocial maior e complexo. Em qualquer circunstância, não pode o Fisco desconsiderar negócios, atos e pessoas jurídicas por simples alegações formais e rótulos conceituais sem a devida, concreta e robusta demonstração de vantagem fiscal, real e palpável, por parte do contribuinte, através de ilícitos ou mesmo abusos perpetrados por este, de maneira intencional. Dentro da mencionada tese, seria necessária a conjugação desses elementos. Confirase a lição do próprio Marco Aurélio Greco6: Como diversas vezes afirmado acima, o contribuinte tem o direito de se autoorganizar; e dispor a sua vida como melhor lhe aprouver; não está obrigado a optar pela forma fiscalmente mais onerosa. Porém, o que disse acima é que esta reorganização deve ter uma causa real, uma razão de ser, um motivo que não seja predominantemente fiscal. Sublinhei o termo "predominantemente", pois este é o conceito chave. Se determinada operação ou negócio privado tiver por efeito reduzir a carga tributária, mas se num motivo empresarial, o direito de autoorganização terá sido adequadamente utilizado. Não haverá abuso! O Fisco nada poderá objetar! (...) Com a tese do abuso de direito aplicado ao planejamento fiscal, se o motivo predominante é fugir à tributação, o negócio jurídico será abusivo e seus efeitos fiscais poderão ser neutralizados perante o Fisco. Ou seja, sua aplicação não se volta a obrigar ao pagamento de maior imposto, mas a inibir as práticas sem causa, que impliquem menor tributação. Por outro lado, isto não significa que o Fisco possa simplesmente invocar o abuso para desqualificar o negócio jurídico. Ao contrário, como o negócio jurídico é resultado do exercício de um direito de autoorganização que se apóia no valor liberdade, os negócios lícitos gozam de presunção de não abusividade. Assim, cabe ao Fisco o ônus da prova da finalidade predominantemente fiscal do negócio para que, aí sim, possa justificar a desqualificação. (destacamos) 6 Planejamento Tributário. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2011. p. 204. Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.109 51 Em acréscimo, especificamente sobre a adoção de padrões infracionais predeterminados, rótulos formais previamente definidos na jurisprudência, comenta Misabel de Abreu Machado Derzi7: Se o modo de pensar que cria padrões e esquemas ou pauta de valores, estabelecendo presunções, não é uma mera interpretação, mas retificação e modificação da própria lei, enfraquecese o Poder Legislativo e esvaziase o conteúdo das leis. Em cada um desses desvios, fortalecese o Poder Executivo, alargase seu campo de atuação, em detrimento do Poder Legislativo que perde o monopólio da produção de leis. Assim, a ausência de proprósito negocial ou da motivação extratributária demandam comprovação individual e concreta, não podendo ser presumidas. Por sua vez, quando da acusação de fraude e simulação, como estampadas no Código Civil ou mesmo como trazida no art. 72 da Lei nº 4.502/648, é certo que precisa ser demonstrado, especificamente, o dolo na intenção do agente e o consequente impedimento ou retardamento do gozo do direito de terceiro ou o seu prejuízo. Carecem de tal demonstração as Autuações, simplesmente valendose da conclusão reiterada de que a macrooperação, lá descrita, visava exclusivamente diminuir ilegalmente sua base tributável (fls. 2296), a qual, como exaustivamente demonstrado, não configurou ilícito e, muito menos, fraude. O v. Acórdão também entende haver a configuração de fraude pelo simples fato das operações envolverem empresas veículo (fls. 2823 a 2825). Por fim, diante de todas essas análises e demonstrações, entende este Conselheiro não se sustentar a acusação de inexistência de motivação extratributária, restando clara a legitimidade das operações que compuseram os planos de entrada e estabelecimento do Grupo KimberlyClark no Brasil, ao longo de sua efetiva execução por mais de 12 anos, sendo plenamente lícito o financiamento estrangeiro por controladoras, mesmo através do uso de empresas veículo na aquisição de participações societárias, bem como a reorganização do Grupo, em momento posterior, quando as circunstâncias empresariais, inclusive das parcerias inicialmente firmadas, alteraramse, não podendo se glosar o aproveitamento da regular despesa de ágio verificada ao longo de tal empreitada. 7 Direito Tributário, Direito Penal e Tipo. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 342. 8 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.110 52 Uma vez esvaziada a fundamentação jurídica das Autuações sob análise, devem estas serem integralmente canceladas, ficando prejudicadas as matérias de caducidade, aplicação de multas e a sua mensuração. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao Recurso Voluntário, reformandose v. Acórdão recorrido, para afastar o crédito tributário sob exigência. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 3111DF CARF MF
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