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Numero do processo: 11610.005433/2001-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
Ementa:
CRÉDITO DE IPI. COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DA COFINS. CRÉDITO JÁ RECONHECIDO E UTILIZADO EM OUTRO PROCESSO.
É inviável a análise de novo pedido de ressarcimento e compensação quando o mesmo crédito pleiteado já foi reconhecido e utilizado em outro processo.
Numero da decisão: 3401-002.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: CRÉDITO DE IPI. COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DA COFINS. CRÉDITO JÁ RECONHECIDO E UTILIZADO EM OUTRO PROCESSO. É inviável a análise de novo pedido de ressarcimento e compensação quando o mesmo crédito pleiteado já foi reconhecido e utilizado em outro processo.
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COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DA COFINS. CRÉDITO JÁ RECONHECIDO E UTILIZADO EM OUTRO PROCESSO. É inviável a análise de novo pedido de ressarcimento e compensação quando o mesmo crédito pleiteado já foi reconhecido e utilizado em outro processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 54 33 /2 00 1- 89 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI do 2o Trimestre de 2001, no valor de R$ 942.535,68, protocolado em 09/11/2001 (fl.3), para compensar débito da COFINS de setembro de 2001 (fl.62). No termo de verificação fiscal (fls. 128/129), o auditorfiscal relata que constatou duplicidade no pedido de ressarcimento, pois a Contribuinte já havia pedido o ressarcimento do mesmo valor e do mesmo período no processo nº 13657.000389/200118 e utilizado o crédito para compensar com débito da COFINS relativo ao período de julho de 2001, por meio do processo de compensação nº 13657.000443/200117, em 30/08/2004. Com base nisso, o pedido da Contribuinte foi indeferido por despacho decisório (fl.139/141). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.145/148), mas a DRJ em Juiz de Fora/MG manteve o indeferimento, ao prolatar acórdão com a seguinte ementa (fls.181/185): “RESSARCIMENTO. LEI n° 9779, de 1999. Concluise pela inexistência de saldo credor de IPI a ressarcir, em virtude de reconhecimento anterior da totalidade do crédito e sua compensação em outro processo. E, como nada mais há a ressarcir, no período, impõese a nãohomologação da compensação pleiteada. Compensação não Homologada”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 15/05/2009 (fl.187) e interpôs Recurso Voluntário (fls.203/212) em 03/06/2009, conforme AR de fl. 213, com as alegações resumidas abaixo: 1 O pedido de ressarcimento do processo nº 13657.000389/200118, era relativo à filial da Recorrente em Pouso Alegre, enquanto a compensação pleiteada se relacionava com débito de COFINS de julho de 2001 que é apurado pela matriz. Contudo a Recorrente percebeu que não havia débito do mês de julho de 2001 a compensar pela filial, o que levou a pleitear o ressarcimento representado pelo presente processo administrativo (nº 11610.005433/200189), para compensação do débito de COFINS de setembro de 2001; 2 A Receita Federal alega que procedeu à compensação de ofício do débito de julho de 2001 pelo processo nº 13657.000443/200117, contudo, como não existia débito a ser compensado em julho de 2001, a Receita Federal não poderia proceder à compensação de ofício; Fl. 565DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11610.005433/200189 Acórdão n.º 3401002.337 S3C4T1 Fl. 525 3 Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ, para que seja reconhecido o direito creditório e a compensação do crédito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento do crédito de IPI do 2o trimestre de 2001 para compensar com débito da COFINS de setembro de 2001, contudo o pleito foi indeferido, em razão de o pedido de ressarcimento já ter sido reconhecido em outro processo e já ter sido utilizado na compensação da COFINS de julho de 2001. Refutando a decisão da delegacia de origem, a Recorrente alega que o crédito reconhecido em outro processo não foi utilizado porque não existia débito a ser compensado no mês de julho de 2001. Compulsando os autos, é notório que a Recorrente já havia pleiteado o pedido de ressarcimento do crédito de IPI, do 2o Trimestre de 2001, no valor de R$ 942.535,68, através do Processo nº 13657.000389/200118, exatamente como feito neste processo ora analisado. Na fl.132 está presente o despacho decisório do Processo nº 13657.000389/200118, pelo qual foi reconhecido integralmente o crédito pleiteado e a ordem de que ele deveria ser utilizado para a compensação com débitos existentes constante daquele processo e/ou com débitos apurados pela SAORT/DRF/VER/MG. Com base nessas informações, chegase à conclusão de que o direito creditório já foi analisado e deferido em favor da Recorrente no Processo nº 13657.000389/200118, de modo que não cabe mais a análise dele neste processo. A SAORT/DRF/VER/MG procedeu às diligências e constatou débito da COFINS de julho de 2001 e efetuou a compensação do valor exato ao valor do crédito, em 30/08/2004, conforme demonstra a fl.133 dos autos. A Recorrente apresentou DCTF retificadora somente em 23/08/2005 (fls.99/109), ou seja, quase um ano depois da compensação. O §1o, do art. 147, do CTN, determina que a declaração retificadora deve ser apresentada antes do lançamento, que, no presente caso, foi a data da compensação, pois foi o momento em que a autoridade fiscal avaliou a DCTF original e concordou com a declaração da Recorrente, portanto, homologou o lançamento dela. Como o crédito de julho de 2001 já tinha sido reconhecido e compensado e a DCTF ratificadora foi apresentada após a compensação, não há como analisar novo pedido de Fl. 566DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 compensação. E como neste processo está sendo pedido o crédito e não há como compensar, a Recorrente teria que ter feito um pedido de restituição. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto para manter o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Relator Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 567DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 24/03/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000988/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
Processo Administrativo Fiscal. Nulidade. Julgamento Conjunto de processos. Necessidade. Ausência de enfrentamento da multa isolada.
A decisão de primeira instância administrativa deverá analisar e enfrentar os questionamentos feitos pelo contribuinte quanto à multa isolada, bem como apreciar a alegada concomitância com a multa de ofício lavrada pela fiscalização no mesmo ato de lançamento. Não o fazendo, incorre em nulidade a decisão recorrida.
Recurso conhecido e provido para anular a decisão da DRJ.
Numero da decisão: 1201-000.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso, acolhendo a preliminar de nulidade da decisão recorrida.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André de Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 Processo Administrativo Fiscal. Nulidade. Julgamento Conjunto de processos. Necessidade. Ausência de enfrentamento da multa isolada. A decisão de primeira instância administrativa deverá analisar e enfrentar os questionamentos feitos pelo contribuinte quanto à multa isolada, bem como apreciar a alegada concomitância com a multa de ofício lavrada pela fiscalização no mesmo ato de lançamento. Não o fazendo, incorre em nulidade a decisão recorrida. Recurso conhecido e provido para anular a decisão da DRJ.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 Processo Administrativo Fiscal. Nulidade. Julgamento Conjunto de processos. Necessidade. Ausência de enfrentamento da multa isolada. A decisão de primeira instância administrativa deverá analisar e enfrentar os questionamentos feitos pelo contribuinte quanto à multa isolada, bem como apreciar a alegada concomitância com a multa de ofício lavrada pela fiscalização no mesmo ato de lançamento. Não o fazendo, incorre em nulidade a decisão recorrida. Recurso conhecido e provido para anular a decisão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso, acolhendo a preliminar de nulidade da decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André de Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 09 88 /2 00 8- 32 Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por RAFAEL CORREIA FU SO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que cobra da empresa contribuinte débitos referentes ao 1RPJ — Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, no valor total de R$ 449.737,80, à CSLL — Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, no valor total de R$ 201.163,32, ao PIS — Contribuição ao Programa de Integração Social, no valor total de R$ 678,202,00, à COFINS — Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor total de R$ 2.536.582,14, além de Multa isolada de IRPJ no valor de R$ 182.073,11 e de Multa isolada de CSLL no valor de R$ 75.163,30. Os valores totais englobam o tributo (principal), as multas e os juros estabelecidos. Todos os valores somados resultam em R$ 4.122.924,6737 de exigência. Segundo o Termo de Verificação Fiscal: O contribuinte teria agido com intenção inequívoca de ocultar do conhecimento do Fisco a existência da receita de sua atividade, por ter apresentado DIPJs relativas aos anos calendário 2004 e 2005 com ausência de receitas. Foram apresentadas DIPJs retificadoras após o início da fiscalização, estando o contribuinte excluído de sua espontaneidade. As informações prestadas nas DIPJs retificadoras constam da escrituração contábil do contribuinte, apresentada regularmente sob intimação. A escrituração contábil apresenta o provisionamento dos tributos sob fiscalização, o que revelaria o inequívoco conhecimento da ocorrência dos fatos geradores respectivos. Em relação ao IRPJ e à CSLL, houve prejuízo fiscal em 2004 e resultado positivo em 2005, tendo o contribuinte optado, em ambos os anos, pelo lucro real anual com pagamentos de estimativas mensais. Seria cabível, assim, o lançamento do valor devido em relação ao anocalendário 2005, além das multas isoladas pelo não pagamento das estimativas mensais. Em relação ao PIS e à COFINS, o crédito tributário constituído encontrase detalhado do "Demonstrativo de Apuração" integrante do auto de infração. Os diminutos valores que declarou devedor por meio de DCTF foram excluídos da valor apurado. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 11/12/2008 e apresentou impugnação em 07/01/2009, na qual se insurge contra a autuação com as seguintes alegações, em síntese: Descaracterização do intuito de fraude: não teria havido qualquer intuito de fraude com o propósito de omitir o pagamento do imposto e das contribuições. Teria havido apenas um "atraso na contabilidade da Impugnante que, por mera coincidência, teve o encerramento da mesma referente aos anos calendário de 2004 e 2005 praticamente no inicio do procedimento fiscal". Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 11634.000988/200832 Acórdão n.º 1201000.799 S1C2T1 Fl. 3 3 O fato de o próprio AuditorFiscal ter se alicerçado na contabilidade apresentada para a apuração das exações revelaria a inexistência de intuito de fraude (houve apenas pequenos "ajustes" em relação ao PIS e COFINS, mas os valores são exatos em relação ao IRPJ e à CSLL). Que a falha (atraso) na escrituração contábil fez com que o escritório responsável aconselhasse o contribuinte a apresentar DIPJs "zeradas" apenas para evitar a multa por atraso na entrega da declaração, para posterior retificação. A multa "agravada" somente poderia ser aplicada se o contribuinte tivesse apresentado a DIPJ inexata também em relação aos anoscalendário subsequentes a 2004 e 2005. Assim, não teria acontecido uma – prática reiterada de omissão de informações através de D1PJ", o que desqualificaria a multa de oficio. Além desses argumentos, o contribuinte também havia impugnado o lançamento da multa isolada de forma tempestiva, conforme cópia das impugnações às fls. 1678 e seguintes e 1756 e seguintes, porém essas impugnações, por um lapso não foram juntadas pela Receita Federal, incorrendo o contribuinte em revelia, separação do débito para cobrança e decisão da DRJ sem esses argumentos. Com isso, o contribuinte se manifestou por meio de petitório em 21 de março de 2011, sobre o equívoco cometido pela Receita Federal, que ocasionou na falta de enfrentamento de argumentos importantes e a cobrança de um débito que havia sido impugnado. Desta feita, a Receita Federal reconheceu o erro cometido e determinou que os autos do processo segregado (processo n° 11643.000989/200887) fosse remetidos à DRJ, considerando como já julgado os outros itens do lançamento, que permaneceram no CARF para julgamento do Recurso Voluntário. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso Antes de adentrar qualquer questão ou matéria que envolve o Recurso Voluntário interposto, entendo que há uma questão prejudicial que merece acolhida, na qual redunda na anulação da decisão da DRJ, visto que argumentos trazidos pelo contribuinte em sua impugnação quanto a multa isolada, como a concomitância com a multa de ofício, por exemplo, jamais poderia ser julgada de forma separada, visto a sua prejudicialidade. Até mesmo porque, conforme exposto no relatório, a Receita Federal entendeu que equivocouse em não enfrentar questões da multa isolada aplicada na sistemática Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por RAFAEL CORREIA FU SO 4 da estimativa, e, com isso, houve de forma indevida a separação dessa penalidade em outro processo, para fins de cobrança. Com isso, quando da DRJ julgou os tributos envolvidos e a multa de ofício, ou seja, não enfrentou a multa isolada conjuntamente, esse argumento da concomitância, por exemplo, ficou de fora, pois a multa isolada não era objeto de impugnação aos olhos da Receita e da DRJ num primeiro momento. Diante disso, entendo pela anulação integral da decisão da DRJ, remetendo os autos à referida instância administrativa para o julgamento conjunto de todos os argumentos de defesa trazidos pelo contribuinte, incluindo a questão da multa isolada, sob pena de prejudicialidade no julgamento e cerceamento do direito de defesa, destacando ainda que os processos devem ser apensados novamente e julgados em conjunto, ou que se cancele o processo administrativo n° 11634.000989/200887 e julgue a matéria da multa isolada como parte integrante do processo n° 11634.000988/200832. É como voto! Rafael Correia Fuso Relator Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 06/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por RAFAEL CORREIA FU SO
score : 1.0
Numero do processo: 13054.001684/2008-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento para aguardar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (RE 606107), nos termos do voto do relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RECEBIMENTO POR TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente MINUANO CORTE E COSTURA INDUSTRIAL LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE RS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento para aguardar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (RE 606107), nos termos do voto do relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 2ª Turma da DRJ que julgou procedente em parte manifestação de inconformidade contra despacho decisório que deferiu parcialmente Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) referente a crédito do PIS nãocumulativo. A ementa do acórdão contempla o seguinte: BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE ICMS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 54 .0 01 68 4/ 20 08 -4 9 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13054.001684/200849 Resolução nº 3401000.713 S3C4T1 Fl. 234 2 Os valores recebidos em decorrência de transferência de créditos de ICMS a terceiros devem ser incluídos na base de cálculo da contribuição, exceto nas hipóteses de créditos oriundos de operações de exportação a partir de 1º de janeiro de 2009. No recurso, tempestivo, a contribuinte insiste no ressarcimento integral, defendendo, inclusive, a não inclusão, na base de cálculo da Contribuição, da cessão de créditos do ICMS a terceiros. É o Relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não deve ser julgado nesta oportunidade, por conter matéria submetida à repercussão geral no STF. Refirome à inclusão (ou não) dos valores correspondentes ao recebimento pela transferência de créditos do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins não cumulativos, tema que está sob análise do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 606107, com repercussão geral já definida. Como informa o sítio do Colendo Tribunal na internet (consulta em 14 de maio de 2013), o debate no RE nº 606107 versa sobre o seguinte: 283 Incidência do PIS e da COFINS nãocumulativos sobre valores recebidos a título de transferência de ICMS. Recurso extraordinário em que discute, à luz dos artigos 149, § 2º, I; 150, § 6º; 155, § 2º, X, a; e 195, caput, I, b, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, da exigência de que o valor correspondente às transferências de créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS pela empresa contribuinte seja integrado à base de cálculo das contribuições Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS nãocumulativas. Impõese o sobrestamento do julgamento em obediência ao § 2º do art. do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13054.001684/200849 Resolução nº 3401000.713 S3C4T1 Fl. 235 3 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a inclusão ou não, na base de cálculo do PIS Faturamento e Cofins nãocumulativos, dos valores recebidos pelas transferências de créditos do ICMS. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 235DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904417/2012-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/10/2011
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Vooluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2011 a 31/10/2011 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Vooluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 44 17 /2 01 2- 38 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 15 2 Recurso Vooluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da DRJ/POR, referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/RPO, que assim relata: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Declaração de Compensação e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter compensado crédito. Em seu pedido, a contribuinte expressamente declara no campo próprio que "o crédito não tem como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal". Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, sob o fundamento de que os pagamentos localizados foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada do Despacho Decisório a contribuinte ingressou, com a manifestação de inconformidade e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 17 4 1. Preliminarmente, reclama o recebimento do recurso, não obstante a intimação ter sido recebida eletronicamente e considerar tal via em desacordo com os fatos, emfunção das garantias constitucionais e legais que aponta, dentre elas o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, o art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430/1996, e o art. 35, do decreto70.235/1972. 2. Alega a nulidade do Despacho Decisório decorrente da insuficiência de fundamento, dado que não foi esclarecida a indisponibilidade de crédito tampouco houve intimação da empresa para esclarecer o porquê de ter considerado o recolhimento indevido ou a maior, e, em conseqüência, não teria sido efetivamente julgado o motivo da restituição. Cita o art. 37, da Constituição Federal, e os artigos 2º, inciso VIII, e 50, da Lei nº 9.784/1999. Afirma que o despacho eletrônico não teria passado pelo crivo de um auditor fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade de crédito. Entende que o indeferimento se deveu exclusivamente ao encontro de contas entre o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF e que não teria sido investigadas as possíveis causas para restituição, sequer aquelas reconhecidas pela própria Receita Federal no art. 2º da IN nº 900/2008. Reforça a argüição de nulidade com fundamento no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, pois a falta de explicação sobre os motivos da suposta indisponibilidade de crédito tornaria a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência do crédito. Traz decisão administrativa. 3. Alega também ter havido cerceamento do direito de defesa, citando o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, e doutrina. Fundamenta a alegação no fato de que a autoridade administrativa não teria analisado o mérito do pedido nem intimado a empresa para prestar esclarecimentos, nos termos do art. 65, da IN nº 900/2008, o que teria violado o direito à ampla defesa e o dever de eficiência dos atos administrativos. Expõe também que a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram seu entendimento e que tal falta de motivação obstaria até mesmo a produção de provas necessárias, já que sequer seria sabido o que não foi reconhecido. 4. No mérito, afirma a legitimidade do crédito postulado. Esclarece que procedeu ao envio eletrônico do pedido de restituição/compensação, em atendimento ao disposto na IN RFB nº 900/2008, tendo utilizado para tanto o programa PER/DCOMP, e, no entanto, a análise da restituição/compensação se deu também por via eletrônica sem considerara causa do pedido, que teria sido a utilização da base de cálculo ampliada para o cálculo da contribuição, com a inclusão tanto da receita decorrente de seu faturamento quanto das demais receitas que não deveriam compor aquela base de cálculo, de acordo com teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes. Portanto, o pedido formulado tem como base declaração de Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 18 5 inconstitucionalidade já transitada em julgado, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996. 5. Clama pela produção posterior de provas, conforme regra autorizadora do art. 16, §4º, alínea a, a ser realizada no momento em que a lide esteja delineada nos seus termos, considerando que nem a autoridade administrativa nem a impugnante sabem ao certo o motivo do indeferimento, em virtude da omissão dos motivos do indeferimento pela autoridade administrativa e da falta de oportunidade para esclarecimentos por parte da empresa, conforme já defendido nos outros pontos da manifestação da contribuinte. Conclui requerendo o recebimento do recurso, em seus efeitos devolutivo e suspensivo, para seu julgamento, a declaração de nulidade do Despacho Decisório, a remessados autos à Delegacia de origem para que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito, o julgamento pela total procedência do recurso, caso não sejam reconhecidas as nulidades argüidas, com o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, e a produção de todos os meios de prova admitidos em direito,em especial prova documental, bem como o direito de produzilas em momento posterior. É o relatório. Acordaram os membros da Turma de Julgamento da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, restando assim a ementa do referido julgado com o seguinte teor, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO GENÉRICA. Não pode prosperar a alegação genérica de que são inconstitucionais as normas aplicáveis ao caso concreto e/ou a menção a teses tributárias e jurisprudência não especificadas, por impossibilitar à instância julgadora identificar suficientemente os argumentos a serem apreciados. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 19 6 alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada apresenta a contribuinte Recurso Voluntário, onde apresenta resumo dos fatos, e após, nas razões de direito, requer a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação, bem como pela falta das diligências necessárias à comprovação do crédito pela Delegacia de origem. Por fim, caso não sejam acolhidas as nulidades argüidas, requereu que seja reconhecido o direito creditório. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 20 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, não se vislumbra razões para reforma do acórdão da DRJ de Ribeirão Preto (SP), conforme se verá a seguir. Em recurso voluntário a contribuinte requereu a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação do despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido tratou com perfeição o assunto. No tocante às preliminares de nulidade, não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende a contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação do crédito alegado, como também, não se caracteriza cerceamento de defesa o fato de a Contribuinte não ter sido intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, como será demonstrado. Com relação ao instituto da compensação cumpre transcrever o regramento emanado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 21 8 créditos que seriam utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O PER/DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre a contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevêm a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. No caso concreto, a contribuinte declarou débitos de PIS, COFINS e IPI, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior” . Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a integralmente utilizado, não havendo, portanto, o referido “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR” do tributo em exame. Assim, a análise declaração prestada pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito pretendido pela compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pela contribuinte. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que motivou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado, conforme consta do Despacho Decisório. Em suma, os motivos da não homologação da compensação pleiteada residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. Cabe observar ainda que o fato de o Contribuinte não ter sido previamente intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar prova sobre o alegado crédito indicado na Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"), objeto do despacho decisório, não configura cerceamento de defesa. Isso porque o referido e fundamentado Despacho foi exarado por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil e dele foi a contribuinte regularmente cientificada, sendolhe possibilitada a apresentação, no prazo regulamentar de 30 dias a manifestação de inconformidade, tal como fez, contudo desacompanha de documentos comprobatórios do direito alegado. Acrescentase que, distintamente do que ocorria no regime de compensação por requerimento (art. 74 da Lei n° 9.430/96 em sua redação original), quando o contribuinte deveria apresentar prova do seu crédito quando da formalização do pedido de restituição ou compensação, já que compete ao requerente provar o seu direito, a partir da vigência da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, dentro, portanto, do regime de compensação por via declaratória (art. 74 da Lei n° 9.430/96 em sua nova redação), não é exigido que a prova documental do indébito acompanhe a Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"). Ao contrário do que alega a impugnante, o art. 65 da IN n°900/08 faculta à autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 22 9 a compensação, que se condicione o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, quando houver necessidade de se comprovar a exatidão das informações prestadas, o que não ocorreu no presente caso. A Autoridade da RFB competente dispunha de todos os dados necessários, informados pelo próprio contribuinte, para decidir sobre o referido pedido de compensação, não caracterizando cerceamento de defesa a sua não intimação. Cabe observar ainda que o artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972 prescreve que "A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, sendo tal disciplina, afeta ao Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, aquela que rege o contencioso concernente à nãohomologação da compensação. Assim, temos que Despacho Decisório não homologatório de compensação não se confunde com lançamento ou revisão de lançamento, estando ligado ao instituto da compensação, enquanto a manifestação de inconformidade obedece ao mesmo rito processual que também submete a impugnação do lançamento, conforme comanda o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/96. Portanto, é a partir da não homologação da Declaração de Compensação que o contribuinte poderá opor resistência à pretensão, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, como ocorreu no presente caso. Não se vislumbra, assim, no Despacho Decisório recorrido qualquer ofensa ao princípio da ampla defesa, visto que ele foi plenamente observado pela Autoridade que o proferiu e exercitado pela Interessada, por meio da manifestação apresentada. Ademais, todos os elementos próprios devidos ao processo foram respeitados, em estreita obediência aos ditames da Lei n° 9.784/99 e do Decreto n° 70.235/72, não se observando, ainda, qualquer das situações de nulidade enumeradas no art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, é de se rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, pois não há qualquer razão para que seja considerado inválido o Despacho Decisório recorrido. Assim, consoante restou apreciado pela DRJ de Ribeirão Preto, verificase que em seus pedidos originais, a contribuinte informou, no campo próprio da PER/DCOMP, que a restituição pleiteada se fundava em “pagamento indevido ou a maior” e não há registro nesse documento que indique se tratar de pedido fundado em alegação de inconstitucionalidade de norma jurídica. Ao contrário do afirmado na manifestação de inconformidade e recursos voluntário, o campo referente à existência de fundamento de inconstitucionalidade, a seguir transcrito, está preenchido com informação negando se tratar dessa situação para os casos ali expressamente identificados: O CRÉDITO, perfeitamente identificado no presente documento eletrônico, TEM como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal? NÃO (grifouse) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 23 10 Deste modo, a contribuinte para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, acena com a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS alegando hipoteticamente e genericamente que haveriam afrontas a Constituição Federal, apesar de ter respondido “NÃO” ao questionamento da PER/DCOMP, consoante se verifica a fl. 02 do presente processo administrativo fiscal. Assim, temos que a contribuinte apresentou em Manifestação de Inconformidade pretensão de revisão do valor do débito confessado por ter utilizado equivocadamente a base de cálculo ampliada para o cálculo da contribuição, com a inclusão tanto da receita decorrente de seu faturamento quanto das demais receitas que não deveriam compor aquela base de cálculo, “de acordo com teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”. Quanto a referida alegação de inconstitucionalidade, não vislumbro motivos para alterar os argumentos trazidos no voto da DRJ de origem, in verbis: “Em primeiro lugar, a alegação de inconstitucionalidade como fundamento para o pedido deve ser analisada considerando os termos em que o próprio pedido foi materializado. O fundamento apontado no momento do registro do pedido original pela requerente foi o “pagamento indevido ou a maior”, complementado pela informação de que não se trata de “alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal”. Portanto, se no momento da impugnação é explicitado pela requerente tratarse de fundamento de inconstitucionalidade, esse só poderá ser considerado dentro do contorno estabelecido no pedido inicial, sob pena de se caracterizar inovação e, conseqüentemente, restar configurado novo pedido. Além do mais, para pedido a partir da vigência da MP nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que alterou a redação do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, considerase não declarada a compensação cujo crédito tenha como fundamento alegação de inconstitucionalidade fora daquelas hipóteses; portanto, a alegação de inconstitucionalidade só pode ser conhecida no regime de apreciação da manifestação de inconformidade dentro das hipóteses que não caracterizariam a compensação como não declarada. Nesses termos, há que se enquadrar o fundamento de inconstitucionalidade em uma das quatro hipóteses descritas nos parágrafos anteriores. No entanto, a precariedade da descrição do fundamento não permite sequer adentrar essa seara. A contribuinte limitase a mencionar genericamente “teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”, sem sequer indicar uma decisão Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 24 11 específica ou dispositivos legais objeto dessas teses, apenas se referindo a receitas que não deveriam compor a base de cálculo do tributo e a inconstitucionalidade na ampliação da base de cálculo declarada em ação já transitada em julgado. A fundamentação apresentada é tão genérica que a contribuinte sequer esclarece em seu instrumento quais seriam as parcelas indevidamente incluídas na base de cálculo ou se a contribuição seria aquela sujeita ao regime cumulativo ou ao regime nãocumulativo, apenas aponta o tipo de contribuição, o período de apuração e o valor pleiteado. Dentre outras não menos relevantes, também a omissão do regime de tributação é essencial, pois cada regime se encontra sujeito a arcabouço normativo distinto e, portanto, eventuais inconstitucionalidades seriam atribuídas a leis distintas, leis essas também não citadas na singela argumentação apresentada. Ora, a omissão, pela manifestante, da natureza das parcelas questionadas, dos dispositivos legais que estariam eivados de inconstitucionalidade, da explicitação da tese de inconstitucionalidade sustentada e das decisões de tribunais que tenham discutido a matéria impede a consideração dessa linha de argumentação por total impossibilidade de identificação da tese a ser debatida e dos elementos fáticos correspondentes. Logo, é improcedente a alegação genérica da contribuinte.” Salientase ainda que diante da alegação da contribuinte de inconstitucionalidade de lei tributária, necessária a aplicação ao presente caso do disposto na Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, deixou de fazer pronunciamento sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, por força do disposto na Súmula acima transcrita. Ainda, cumpre registrar que a contribuinte não traz em momento algum aos autos qualquer documento/prova que dê sustentação a qualquer de suas alegações, tratando sempre de forma genérica. Ou seja, as conjecturas aventadas não são suficientes para comprovar a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, tal como expressamente referido no pedido de compensação (PER/DCOMP). O chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o sujeito passivo assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza nos termos do disposto no art.170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 25 12 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Ao não trazer aos autos documentos que comprovem suas alegações, a contribuinte viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende dos artigos 15, caput, e 16, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 1972, abaixo transcrito: "Art. 15 A impugnação, formalizada por escrito e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. " Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do Código de Processo Civil: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Necessário destacar que o presente Recurso Voluntário, tal qual a Manifestação de Inconformidade, vieram desacompanhados de qualquer documento comprobatório do direito alegado. Diante disto, resta devidamente demonstrado que competia à contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904417/201238 Acórdão n.º 3801003.004 S3TE01 Fl. 26 13 liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170 do CTN. A comprovação do indébito é um requisito indispensável e cabe ao suposto credor fazêla. No entanto, a Manifestante não logrou tal comprovação. Assim, não vislumbrase nenhuma nulidade, não existindo violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto no art. 5°, LV, da CF/88, devendo ser afastadas por completo a preliminares de nulidade do Acórdão recorrido. Deste modo, em conformidade com o art. 170 do CTN, bem como com ao art. 333, I, do CPC e também com os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72, verificase que as razões expostas no Recurso Voluntário da contribuinte não procedem. Quanto a alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, aplicável ao caso concreto a Súmula 02 do CARF, não sendo o presente Conselho competente para análise de tal matéria. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919737/2009-30
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido.
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Recorrida fAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 97 37 /2 00 9- 30 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Tratase de recurso em Manifestação de Inconformidade que manteve na integra a decisão do Despacho Decisório, fls. 93/99, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito deferido do período de apuração de 01/10/2000 a 31/12/2000. A ciência do teor do Despacho Decisório de fls. 93/99 ocorreu em 18 de agosto de 2009 conforme se vê do “AR”, fl. 101. Consta que o motivo para o deferimento parcial em razão da não observância da cumulatividade anual dos valores dos custos e a glosa de aquisição de não contribuintes da COFINS do PIS, isso é, compras de pessoas físicas. A Recorrente sustenta que a Lei nº 9.363/96 não determinou expressa ou implicitamente a exclusão, para fins de apuração do benefício fiscal, o valor dos insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS. Assevera que ao contrário do que fixou o Legislador Ordinário, a Instrução Normativa nº 21/97 estabeleceu restrição à fruição do benefício que a lei não previa. Argumentou também que o Despacho Decisório deixou de atualizar monetariamente o saldo credor pela Selic, inobservando as disposições do § 4º do artigo 39, da Lei nº 9.250/95, assim como, deixou de aplicar a homologação tácita dos débitos declarados por meio das Dcomp nº 18561.71031.110804.1.3.01.6466 e 03120.19348.180804.1.3.01.6730 nos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, apresentadas em 11 e 18 de fevereiro de 2004.. Em razões recursais insiste nos argumentos sustentados na fase inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Alegou o contribuinte fato extintivo do direito da União não homologar as compensações. Os pedidos de compensação foram apresentados em 18/07/2000, 15/08/2000 e 28/09/2000, conforme especificado na fl. 289. O contribuinte tomou ciência do despacho que homologou parcialmente as compensações apenas em 17/10/2007, conforme AR de fl. 299. Assim, os pedidos de compensação estavam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002. Estes pedidos foram convertidos em declarações de compensação desde as datas dos respectivos protocolos, nos termos do art. 49, combinado com o art. 63, I, da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96. Ora, o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/97, com as redações que lhe foram dadas pelas Leis nº 10.637/02 e pela Lei nº 10.833/03, estabelece que o prazo para a homologação da Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10880.919737/200930 Acórdão n.º 3403002.795 S3C4T3 Fl. 4 3 compensação declarada pelo contribuinte será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, se a declaração de compensação mais recente neste processo foi protocolada em setembro de 2000 e o contribuinte só tomou ciência do Despacho Decisório de homologação parcial em outubro de 2007, é inequívoco que todas as compensações analisadas neste processo foram homologadas pelo fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Constatase o reconhecimento parcial do crédito presumido solicitado e consequentemente, homologou as compensações declaradas no presente processo até o limite do direito creditório. E alegação é de que as Dcomp nº 18561.71031.110804.1.3.01.6466 e 03120.19348.180804.1.3.01.6730, apresentadas em 11 e 18 de fevereiro de 2004, não foram homologadas, em que pese o Acórdão de número afirmar que foram. Entretanto, da análise do Despacho Decisório não é possível chegar à mesma conclusão do julgado de piso, sendo um dos pedidos da manifestação de Inconformidade e do Recurso Voluntário, entendo que assiste razão a Recorrente. Verificada a extinção do crédito tributário pela homologação tácita das compensações, tornase desnecessária a análise do mérito da glosa efetuada no pedido de ressarcimento, mesmo porque o contribuinte não conseguirá aproveitar novamente o valor glosado em novas declarações de compensação, pois o programa não permite a transmissão de declaração que utilize crédito anterior a cinco anos da data da transmissão. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 18471.000188/2005-28
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO
A desistência do contencioso administrativo efetuada pelo contribuinte, quando ainda não existia trânsito em julgado no referido processo administrativo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1802-002.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO A desistência do contencioso administrativo efetuada pelo contribuinte, quando ainda não existia trânsito em julgado no referido processo administrativo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo.
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Recorrente SUPERPESA CIA DE TRANSPORTES ESPECIAIS E INTERMODAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO A desistência do contencioso administrativo efetuada pelo contribuinte, quando ainda não existia trânsito em julgado no referido processo administrativo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, fls.272/276, que a seguir transcrevo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 01 88 /2 00 5- 28 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Trata o presente processo dos autos de infrações lavrados pela Defic (RJ), referentes ao anocalendário de 2000, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 167.795,94 (fls. 128/135 etermo de verificação As fls. 126/127), acrescido da multa de 75% e dos encargos moratórios, além do ajuste total na base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro liquido — CSLL, no valor de R$ 302.682,55 (fls. 136/138). 2 Fundamentaram as exações de IRPJ: 2.1 Despesas operacionais não necessárias — o interessado deduziu como despesas financeiras (conta n° 3.1.6.05.01 "juros sobre financiamentos e despesas com financiamentos") os valores de R$ 101.720,48 (30/6), R$ 57.275,97 (30/9) e R$ 143.686,10 (31/12), referentes a empréstimos bancários. Nos mesmos períodos, concedeu empréstimos a empresas coligadas sem apropriação de encargos financeiros, caracterizando empréstimos repassados, tornando as despesas indedutiveis, por não serem necessárias à manutenção da fonte de receitas, de acordo com os arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300 do RIR/1999. 2.2 Compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro real — em 31/3 o interessado compensou indevidamente prejuízos fiscais de exercícios anteriores, no valor excedente de R$ 695.183,77, por não respeitar o limite legal (arts. 247, 25, inciso III, 251, parágrafo único e 510 do RIR/1999) e a sentença prolatada no processo judicial n° 98.00120521 (29° Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro), a qual julgou improcedente o pedido (fls. 63/107). 2.2.1 Segundo o autuante não houve postergação do imposto, vez que nos exercícios subseqüentes em que houve lucro, o contribuinte compensou prejuízos acumulados de períodos anteriores, dentro do percentual permitido de 30%. 3 CSLL. 3.1 Em conseqüência da primeira infração de IRPJ, lançouse esta contribuição. 4 Ao impugnar as exigências, fls. 162/192 (documentos de fls. 193/195), o interessado alega, em síntese, que: a limitação percentual de que trata o art. 15 da Lei 9.065/1995 é inconstitucional; para a regular e efetiva apuração do lucro e, por conseguinte, da hipótese ensejadora do IRPJ e da CSLL, impõese a dedução integral dos prejuízos acumulados; ao tributar renda que, no caso das empresas é o lucro por elas auferido, sem proceder a dedução dos prejuízos estarseia tributando o patrimônio, incorrendo em confisco; a questão viola os princípios da capacidade econômica, da isonomia e do direito adquirido, além de criar depósito compulsório; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.000188/200528 Acórdão n.º 1802002.062 S1TE02 Fl. 284 3 o tratamento fiscal adequado seria o de postergação do pagamento do imposto e não de falta de recolhimento, devendo ser observado o PN 02/96; é dedutivel a despesa financeira de empréstimos repassados as coligadas, desde que os juros sejam rateados entre as mesmas; se fosse cabível a glosa, incidiria na proporção do repasse do empréstimo e não sobre o total da despesa; a quase totalidade do empréstimo tomado foi consumido pelo interessado; os juros apurados com base na taxa Selic são remuneratórios e não moratórios; a fixação da taxa Selic pelo Bacen vai de encontro ao principio da segurança jurídica e do inciso V, do art. 97 do CTN; requer diligência para apuração de eventual postergação de imposto. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ1) por unanimidade de votos decidiram por NÃO CONHECER DE PARTE DA IMPUGNAÇÃO em que há concomitância com a ação judicial e JULGAR PROCEDENTES EM PARTE os lançamentos: do imposto sobre a renda de pessoa jurídica — IRPJ, para se exigir o valor de R$ 167.795,94 (30/3/2000), acrescido da multa de 75% e dos encargos moratórios, bem como reduzir o prejuízo fiscal em R$ 73.279,91 (31/12/2000); e da contribuição social sobre o lucro liquido — CSLL, para reduzir a base de cálculo negativa em R$ 73.279,91 (31/12/2000). A decisão foi proferida mediante o Acórdão nº 1220.109, de 29 de julho de 2008 (fls.e207/225), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DESPESAS FINANCEIRAS. REPASSE DE EMPRÉSTIMOS OBTIDOS PARA EMPRESAS COLIGADAS/CONTROLADAS. RATEIO DAS DESPESAS. As despesas financeiras de empréstimos parcialmente repassados às empresas coligadas/controladas devem ser proporcionalizadas entre as partes. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. Falece competência aos órgãos da administração tributária para apreciar questões de natureza constitucional. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL. POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DO IMPOSTO. INOCORRÊNCIA. Verificado que em períodos posteriores à autuação o contribuinte respeitou o limite de 30% para compensação dos prejuízos fiscais ou apurou prejuízo fiscal, inocorre o efeito de postergação no pagamento do imposto. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial importa em renúncia as instancias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. JUROS DE MORA. SELIC. A exigência dos juros de mora calculados a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC está em consonância com o Código Tributário Nacional CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. A pessoa jurídica foi cientificada do Acórdão em 19/08/2008, conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.222 e interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/09/2008 (fls.232/241). A Recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar parte da Impugnação por entender que esta teria o mesmo objeto da Ação Ordinária n° 98.00.120524. Todavia, nos autos da Apelação Cível n° 2000.02.01.0495560, interposta contra sentença lançada nos autos da mencionada Ação Ordinária, foi proferida decisão autorizando a ora Recorrente a realizar "compensação dos prejuízos apurados no exercício de 1994 sem as limitações do artigo 58 da Medida Provisória nº 812/94, em relação à contribuição sobre o lucro, nos termos da fundamentação ". Assim, entende que, com base em decisão judicial transitada em julgado, poderia sim compensar os prejuízos do exercício do ano de 1994 sem a limitação dos 30% (trinta por cento), em relação à CSLL. Desta forma, ainda que, segundo o entendimento da DRJ, a ora Recorrente tivesse renunciado tacitamente à instância administrativa quando do ajuizamento da ação ordinária em comento, a decisão judicial acima mencionada deve ser cumprida pela SRFB no que diz respeito à compensação integral da base de cálculo negativa da CSLL relativa ao ano de 1994. Quanto às despesas financeiras de empréstimos repassados pela Recorrente â sociedade coligadas alega que merece reforma à decisão de primeira instância ao entender que deveriam ser apropriadas proporcionalmente entre as partes. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18471.000188/200528 Acórdão n.º 1802002.062 S1TE02 Fl. 285 5 Aduz que, a quase totalidade do empréstimo em questão foi utilizada pela ora Recorrente, e foi por este motivo, que ela suportou sozinha todos os seus respectivos encargos. Portanto, deveria ser respeitada a autonomia e a vontade das partes envolvidas no empréstimo em comento, pois se a parte que teria a faculdade de repassar o ônus por ela assumido, não o fez, não poderia a d.fiscalização obrigála a fazer. A Recorrente considera inadmissível ser punida por cumprir o contrato celebrado com a instituição financeira, suportar o ônus de um empréstimo que ela mesma realizou, e não poder gozar da contrapartida da apropriação de juros para fins de abatimento do IR e da CSLL só porque parte destes valores foram repassados a empresas coligadas sem quaisquer ônus. A Recorrente contrapõese à cobrança de multa de oficio e juros de mora, alegando que a falta de recolhimento do imposto estava amparada pelo efeito devolutivo e suspensivo da Apelação Cível n° 2000.02.01.0495560, que foi interposta contra a sentença prolatada nos autos da Ação Ordinária n° 98.00.12052. Argúi que, neste sentido, o art. 63, da Lei n° 9.430/1996, determina que não caberá lançamento de multa de oficio nos casos em que a exigibilidade do credito tributário estiver suspensa. Finalmente requer: (i) que dê total provimento ao presente Recurso Voluntário, reformandose a decisão de primeira instância, para o fim de determinar o cancelamento da exação ora combatida; e (ii) ainda que se entenda que a ora Recorrente deva sujeitarse ao recolhimento do valor principal do credito tributário consubstanciado no AI em referencia, o que apenas se admite por amor ao debate, que seja afastada a incidência de multa de oficio e dos juros de mora, visto que o não recolhimento do tributo baseouse em decisão judicial, não sendo passível, portanto, a imposição de qualquer sanção por parte da D. Fiscalização. A Recorrente protocolizou a solicitação de desistência do recurso voluntário em 19 de dezembro de 2013. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado a Recorrente apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/09/2008, todavia apresentou em 19 de dezembro de 2013 a solicitação de desistência do mencionado recurso. Assim, temse que houve renúncia expressa da pessoa jurídica ao direito sobre o qual se fundamenta a sua contestação, portanto, descabe a discussão dos autos de Fl. 285DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 infração em sede de recurso voluntário e, por conseqüência cabe o prosseguimento da cobrança do crédito tributário constituído por meio do lançamento de ofício. O § 3º do artigo 78 do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009 e alterações posteriores), deixa claro que, no caso de desistência, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, vejamos: ... Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (Grifei) Assim, a desistência do contencioso administrativo efetuada pelo contribuinte, quando ainda não existia trânsito em julgado no referido processo administrativo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10140.720148/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - COOPERATIVAS DE TRABALHO.
A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV da Lei ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999
A UNIMED - Cooperativa Médica, trabalha em nome de seus cooperados prestando serviços na área médica, porém os serviços incluem a prestação de mão de obra (sobre o qual há incidência) e fornecimento de outros procedimentos, sendo assim, a sua contratação pela autuada constitui fato gerador de contribuição previdenciária.
APLICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL - INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - COOPERATIVA DE TRABALHO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Embora tenha o recorrente questionado a subsunção da contratação da ccoperativa UNIMED ao caso concreto, compete ao auditor apenas verificar se a referida contratação se amolda ao fato gerador de contribuições previdenciárias, estando o mesmo impedido seja de declarar a ilegalidade, ou mesma afastar a aplicação da legislação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV da Lei ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999 A UNIMED Cooperativa Médica, trabalha em nome de seus cooperados prestando serviços na área médica, porém os serviços incluem a prestação de mão de obra (sobre o qual há incidência) e fornecimento de outros procedimentos, sendo assim, a sua contratação pela autuada constitui fato gerador de contribuição previdenciária. APLICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO COOPERATIVA DE TRABALHO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Embora tenha o recorrente questionado a subsunção da contratação da ccoperativa UNIMED ao caso concreto, compete ao auditor apenas verificar se a referida contratação se amolda ao fato gerador de contribuições previdenciárias, estando o mesmo impedido seja de declarar a ilegalidade, ou mesma afastar a aplicação da legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 01 48 /2 01 2- 65 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720148/201265 Acórdão n.º 2401003.466 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente AI de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 51.008.9550, em desfavor do recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho entre as competências 01/2009 a 11/2010. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 13 e seguintes, contribuições sociais da empresa devidas à previdência social, incidentes sobre o total das remunerações pagas a cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, na forma do artigo 22, IV da lei 8.212/1991; 3. No anexo I foram listadas as notas fiscais apresentadas, bem como os valores das bases a serem tributadas. No caso em questão, as bases de cálculo da contribuição previdenciária são os valores lançados nas faturas a título de atos cooperativos principais. No anexo II foram juntadas as cópias das faturas apresentadas. O anexo III é composto pelo Relatório de Lançamentos;cumprimento de tais finalidades, a entidade veio a contratar a cooperativa de trabalho UNIMED NORDESTE RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS LTDA., inscrita no CNPJ sob o nº 87.827.689/000100, com a qual mantém parceria para atendimento de seus colaboradores e associados, bem como seus dependentes. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 06/03/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 08/03/2012. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 77 a 88. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 112 a 117 destes autos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE O VALOR PAGO A COOPERATIVA DE TRABALHO. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por INTERMÉDIO de COOPERATIVAS de TRABALHO. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 130 a 142, onde traz praticamente os mesmos argumentos da impugnação, quais sejam: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 1. Mantém com a cooperativa Unimed contrato de prestação de serviços no modelo custo operacional. Por esta modalidade, tão somente reembolsa a Unimed o valor das despesas efetuadas, acrescida de uma taxa administrativa de 15% pela utilização da rede credenciada, não havendo relação entre a contratante e os médicos credenciados. A contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações a cooperados são devidamente recolhidas pela cooperativa Unimed. Ad argumentandum, se algum valor fosse devido, seria somente sobre a taxa administrativa de 15%; 2. A cobrança de contribuição previdenciária sobre qualquer valor acima dos 15% incide em bitributação; 3. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA 3.1. A contribuição social que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços em relação a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho prevista no inciso IV, do artigo 22 da lei 8.212/91, é uma nova base de cálculo estranha às previstas no inciso I do artigo 195 da CF; 3.2. Como a enumeração do citado artigo da CF é exaustiva, o inciso IV do artigo 22 da lei 8.212/91 é inconstitucional; 3.3. A relação jurídica formada a partir da contratação de uma cooperativa para a prestação de serviços a uma determinada empresa apresenta como sujeitos, exclusivamente, a empresa tomadora e a cooperativa, sendo a figura dos cooperados absolutamente estranha a esta relação; 4. IMPRESCINDIBILIDADE DE LEI COMPLEMENTAR PARA INSTITUIR NOVAS BASES DE CÁLCULO DISTINTAS DAS PREVISTAS NO TEXTO CONSTITUCIONAL 4.1. A lei 9.876/99, por ser uma lei ordinária, contraria o texto constitucional consolidado nos artigos 195 §4 e 154, I, que traçam as condições a serem observadas, caso se pretenda instituir uma fonte de custeio diversa daquelas já mencionadas no caput do artigo 195 da CF; 4.2. Somente poderia ser instituída esta contribuição se fosse instituída por lei complementar; 4.3. Na hipótese dos autos, entretanto, verificase que os cooperados a que faz referência à norma impugnada atuam por intermédio de cooperativas. Ou seja, a relação se dá, em verdade, entre empresa tomadora do serviço e cooperativa pessoa jurídica, portadora de direitos e obrigações, que assume, por si e em seu nome, as responsabilidades advindas do contrato de prestação de serviço. Portanto, a situação legal prevista no artigo 22, IV, da lei 8.212/91, não se amolda ao comando do artigo 195, I, a da CF; 4.4. Citando parecer do Ministério Público Federal, diz que outro aspecto que merece destaque diz respeito à incompatibilidade da base de cálculo fixada no art. 22, IV, da Lei n.°8.212/91 " valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços" com aquela prevista no art. 195, I, "a", da Constituição da República "folha de salário e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados". O valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços constitui base de cálculo mais ampla; uma vez que engloba não apenas o valor relativo à contraprestação do trabalho; mas qualquer despesa ou prestação agregada, como, por exemplo, tributos ou custos com material. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720148/201265 Acórdão n.º 2401003.466 S2C4T1 Fl. 4 5 5. DA POSSIBILIDADE DE UMA LEI INCONSTITUCIONAL DEIXAR DE SER CUMPRIDA PELO APLICADOR ADMINISTRATIVO Tem o julgador administrativo, o poder de não aplicar no seu campo de ação, lei flagrantemente inconstitucional, pois sendo um agente político age com plena liberdade funcional, desempenhando suas atribuições com prerrogativas e responsabilidades próprias, estabelecidas na Constituição e em leis especiais. Na atitude de repelir a lei inconstitucional o Administrador Público não se rebela à lei, mas obedece a Constituição da República, que é a lei suprema;. 6. Ante todo exposto, não resta melhor sorte ao auto de infração, ora impugnado, que seja declarado improcedente visto que esta alicersado no vicio da inconstitucionalidade. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 128. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar o procedimento adotado pelo auditor na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal devidamente descrita não apenas no relatório fiscal, que detalha o lançamento, bem como todos os demais relatórios que compõem o auto em questão. Considerando os inúmeros questionamentos do recorrente acerca da sua natureza, face as exigência que lhe são impostas pelo presente AIOP, importante destacar que a UNISAUDE (como entidade não lucrativa) em relação aos segurados que contrata, ou mesmo no caso de contratação de outras entidades ou mesmo cooperativas, possui as mesmas obrigações que as empresas em geral, tendo em vista sua equiparação. Vejamos o que diz a lei 8212/91 a esse respeito: Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. A base dos argumentos do recorrente são a impossibilidade jurídica de se lançar contribuição que desde a sua consTituição, já nasceu sob o manto da inconstitucionalidade. Contudo, discordo que essa argumentação seja capaz de determinar a improcedência da presente autuação. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720148/201265 Acórdão n.º 2401003.466 S2C4T1 Fl. 5 7 A lei 8212/91, que descreve as regras de custeio de contribuições previdenciárias, é expressa ao determinar a incidência da contribuição prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, sobre faturas/notas fiscais que, como no caso vertente, se refiram a prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho na área de saúde, como é caso da UNIMED: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (.) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluido pela Lei n° 9.876, de 1999). Foi identificado pelo auditor fiscal o registro contábil de pagamento de faturas a cooperativas de trabalho, no caso a UNIMED, surgindo, neste caso, o fato gerador da contribuição sobre a contratação de cooperativas. O argumento de que era mera intermediária na contratação da cooperativa, não a desincumbi de proceder ao recolhimento da contribuição devida, face restar descrito pelo auditor ser a UNISAÚDE a contratante da cooperativa, mesmo em se tratando de contrato de prestação de serviços no modelo custo operacional. Segundo o recorrente, nessa modalidade, a UNISAUDE tão somente reembolsa a Unimed o valor das despesas efetuadas, acrescida de uma taxa administrativa de 15% pela utilização da rede credenciada, não havendo relação entre a contratante e os médicos credenciados. Realmente, não há contratação do médico diretamente, mas este presta serviço, por intermédio da cooperativa. Essa é a base de uma cooperativa, reunir seus cooperados, para que por intermédio de uma cooperativa prestem serviços para diversas empresas e entidades, que isoladamente não conseguiriam atender. Assim, não existe respaldo para o argumento que a UNIMED não forneceria os serviços de seus cooperados diretamente, muito menos que não poderia incidir contribuição previdenciária sobre a contratação de uma pessoa jurídica.. O objetivo da constituição de uma cooperativa nada mais é por definição legal, do que a prestação de serviços em nome dos seus cooperados sem finalidade lucrativa. Assim, a UNIMED – Cooperativa Médica, trabalha em nome de seus cooperados prestando serviços na área médica, porém os serviços incluem a prestação de mão de obra (sobre o qual há incidência) e fornecimento de outros procedimentos. Contudo, o legislador, já vislumbrando dita possibilidade, determinou uma base de calculo diferenciada, conforme descrito n lançamento em tela. Apenas, para reforçar a caracterização de prestação de serviços enquanto cooperativa de trabalho, valhome ainda, de informação descrita no sitio http://www.unimed.com.br/pct/ index.jsp?cd_canal=58672&cd_secao=58671, que descreve que atualmente o Sistema Unimed tem 32% de participação no mercado nacional de planos de saúde, atendendo 15,1 milhões de clientes. São 377 cooperativas médicas com abrangência em 74,9% do território nacional, nas quais 106 mil médicos cooperados desenvolvem suas atividades. Argumentou, ainda o recorrente, que a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações a cooperados são devidamente recolhidas pela cooperativa Unimed. Se Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 algum valor fosse devido, seria somente sobre a taxa administrativa de 15%. Contudo, equivocado, encontrase o recorrente posto que a contribuição em tela incide sobre a contratação de serviços prestados por pessoas físicas, sendo este apenas intermediado pela cooperativa de trabalho. E a remuneração do segurado contribuinte individual filiado à cooperativa de trabalho decorre da prestação de serviços por intermédio da cooperativa às pessoas físicas ou jurídicas (artigo 285 da IN SRP n° 003/05). Ou seja, a nota fiscal ou fatura emitida pela cooperativa encontrase diretamente relacionada à remuneração do cooperado e por esse motivo, foi utilizada como base para cálculo da contribuição em tela. Observase que a cooperativa é conceituada como uma sociedade de pessoas sem fins lucrativos, constituída com a finalidade de prestar serviços a seus associados na forma estabelecida pela Lei n° 5.764/71. A cooperativa de trabalho é uma das espécies de cooperativas previstas na legislação e tem como objetivo intermediar as relações entre seus associados e terceiros contratantes. .Assim, ao contratar e registrar contabilmente os pagamentos a cooperativa, passou o recorrente a ser sujeito passivo da obrigação que ora se lança. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS E DA POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Quanto a possibilidade de órgãos administrativos manifestaremse acerca da constitucionalidade de lei, ou mesmo afastar o julgador norma, flagrantemente inconstitucional, discordo do posicionamento adotado pelo recorrente, assim como o fiz em relação ao pedido de sobrestamento. Nesse sentido, no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições pautada na lei n° 9.876/1999 institui contribuição (nova) não prevista no texto constitucional., determinando a exigência de contribuições sobre a faturas de cooperativas de trabalho, frisese que, assim ,como já defendido pela autoridade julgadora, entendo que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as regras previstas na Lei n ° 8.212/1991. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis contribuições sobre as faturas emitidas pela contratação de Cooperativas de Trabalho médico. Entendo assim, que externado pelo próprio recorrente, que a Constituição da República é clara ao definir as competências para apreciar questionamentos de constitucionalidade, seja por via de controle abstrato (concentrado), seja em via de controle concreto (difuso). E clara também a Carta Magna em reservar apenas aos órgãos do Poder Judiciário a competência para declarar a constitucionalidade ou não de atos normativos. Assim sendo, a esfera administrativa não é o foro adequado para discussões acerca da constitucionalidade das leis e dos atos normativos, estando tal vedação atualmente prevista no Decreto n° 70.235/1972, que trata do processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, incluído pela Medida Provisória n° 449/2008, e posterior lei 11.941/2009, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. " Fl. 178DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.720148/201265 Acórdão n.º 2401003.466 S2C4T1 Fl. 6 9 § 6o 0 disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) I — que _Id tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) II— que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da Unido, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei n°11.941, de 2009) Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, foi correta a aplicação do presente auto de infração pelo órgão previdenciário nos termos em que se encontra. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902251/2012-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/04/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 51 /2 01 2- 85 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902251/201285 Acórdão n.º 3801002.329 S3TE01 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902251/201285 Acórdão n.º 3801002.329 S3TE01 Fl. 66 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902251/201285 Acórdão n.º 3801002.329 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902251/201285 Acórdão n.º 3801002.329 S3TE01 Fl. 68 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16643.000303/2010-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, DETERMINAR o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que prosseguia no julgamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
José Evande Carvalho Araujo- Relator
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, DETERMINAR o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que prosseguia no julgamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Relator (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .0 00 30 3/ 20 10 -8 7 Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.263 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 e 296 a 340, referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, anocalendário 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 71.555.254,75, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Por bem descrever os fatos, transcrevo a descrição da ação fiscal e das infrações lançadas constante no relatório de 1a instância (fl. 1.140): De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 305 a 340), a empresa TEVECAP S/A CNPJ nº 57.574.170/000105 foi incorporada pela Abril Comunicações S/A em 31.12.2007, e aproveitou naquela data o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL acumulados nos períodos anteriores, sem observar o limite de 30% do lucro líquido ajustado previsto nos artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. A empresa incorporadora alegou à fiscalização que efetuou tal procedimento já que, em razão da extinção da empresa incorporada, não poderia aproveitar os prejuízos e bases de cálculo negativas nos exercícios subseqüentes, e que a limitação imposta pela legislação não se aplica ao caso de extinção da pessoa jurídica, já que a regra limitadora da compensação não extingue o direito à utilização dos prejuízos, mas apenas a difere. Os AuditoresFiscais não aceitaram o argumento, e efetuaram lançamentos em face da incorporadora, para exigir os tributos que deixaram de ser recolhidos em virtude da compensação acima do limite legal, por entender que o procedimento do contribuinte não encontra amparo legal. O presente processo trata do lançamento do IRPJ, e o processo nº 16643.000304/201021, da CSLL. Entendem os autuantes que a legislação em questão não prevê exceção para o caso de extinção da pessoa jurídica, e que ela deve ser interpretada restritivamente, por se tratar de benefício fiscal, que, além disso, pode ser modificado ou suprimido pelo ente federativo, sem que isso configure ofensa a um pretenso direito adquirido dos sujeitos passivos. No que se refere ao IRPJ, a base de cálculo do próprio período foi de R$ 409.024.312,87, e o contribuinte compensou o mesmo valor a título de prejuízos fiscais de períodos anteriores, acima do limite de R$ 122.707.293,86, caracterizando um excesso de R$ 286.317.019,01, base de cálculo utilizada no lançamento. A fiscalização deixou registrado que o contribuinte possuía saldos acumulados de prejuízos fiscais suficientes para efetuar as compensações no limite de 30%. Por fim, foi imputada a responsabilidade tributária à empresa Abril Comunicações S/A, como sucessora da TEVECAP S/A, nos termos do artigo 132 do CTN, inclusive no que se refere à multa de ofício, já que Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.264 3 o artigo 129 expressamente determina que as regras de responsabilidade dos sucessores previstas no Código aplicamse a créditos tributários, o que inclui as multas cominadas ao sujeito passivo infrator. Os autuantes acrescentam que a responsabilidade pela multa de ofício é da sucessora, especialmente nos casos em que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico, como é o caso, e, portanto, a incorporadora conhecia os atos ilícitos praticados pela incorporada. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 351 a 397), acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, da descrição do recurso feita pelo relatório do acórdão de primeira instância (fls. 1.140 a 1.143): Pede o julgamento conjunto das impugnações referentes ao IRPJ e à CSLL, bem como que seja proferida uma única decisão, em face dos princípios da economia e celeridade processual. Esclarece que foi autuada (processo nº 19515.004172/200927) para ajustar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em função da glosa do valor de R$ 17.148.719,79, referente à exclusão de parte do valor da Provisão para baixa de investimentos (receita de venda da empresa Canbrás, efetuada em 2004, com condição suspensiva, cujo reconhecimento se deu em 2007), e de R$ 10.966.766,70, referente à exclusão de Reversão de Provisão de ICMS, também no anocalendário 2004. Tais autuações resultaram na redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa do ano de 2004. Caso mantidas as glosas no processo citado, e se mantida a limitação na compensação do prejuízo fiscal neste processo, no mínimo deve ser observado que a receita de venda da empresa Canbrás TV a Cabo Ltda, reconhecida em 2007 pela impugnante, e considerada pela Fazenda como incorrida em 2004, não pode impactar no lucro apurado no anocalendário 2007, sob pena de se incorrer em uma dupla tributação. Entende por isso ser nula a presente autuação, por ofensa ao artigo 142 do CTN, por conter erro na apuração da base de cálculo. Assim, requer seja reconhecida a nulidade, ou, no mínimo, que seja determinado o ajuste das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. No mérito, afirma que as compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores são previstas na legislação tributária para que o IRPJ e a CSLL não alcancem o patrimônio do contribuinte, mas apenas o seu lucro. Entende necessário, para fins de apuração do acréscimo patrimonial, que sejam absorvidas as perdas anteriores da empresa, observandose os resultado acumulados, e não apenas aqueles apurados em determinado exercício. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.265 4 Faz um histórico da legislação que trata do assunto, concluindo que, até o advento da Lei nº 8.981/95, era imposto um limite temporal para aproveitamento dos prejuízos e bases negativas, que poderiam acarretar a perda desse direito, caso a empresa não conseguisse utilizálos ao longo do prazo concedido. Para que isso não ocorresse, e em respeito à Lei nº 6.404/76, que determina que do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o imposto de renda, a legislação a partir da Lei nº 8.981/95 estabeleceu um limite quantitativo para a compensação, eliminando o limite temporal. O artigo 33 do DecretoLei nº 2.341/87, por sua vez, vedou que os valores não aproveitados sejam transmitidos à empresa sucessora por incorporação, fusão ou cisão, no seu entender para evitar que sejam realizadas reorganizações societárias com o único propósito de aproveitar os resultados negativos de uma das empresas envolvidas nas operações, e porque esses resultados negativos não guardam relação com a apuração de resultados da própria sucessora, não podendo se falar, nesse caso, em necessidade da compensação para evitar a tributação do patrimônio da sucessora. Entende que a limitação de 30% das compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL teve por objetivo garantir uma arrecadação mínima para o Fisco, garantindo, em contrapartida, o direito ao aproveitamento integral dos valores negativos ao longo do tempo, para que seja respeitada a tributação apenas sobre os acréscimos patrimoniais, o que pressupõe a continuidade da empresa. Conclui então que não se aplica a trava dos 30% no caso de extinção por incorporação, já que a empresa sucessora não poderá aproveitar os prejuízos da sucedida, nem haverá exercícios futuros em que esta última possa compensálos integralmente, sob pena de violação aos artigos 43 e 44 do CTN. Por isso, o artigo 58 da Lei nº 8.981/95 e os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 não alcançam a situação de extinção da pessoa jurídica, e não podem embasar os lançamentos efetuados. Caso o legislador tivesse pretendido limitar a compensação de prejuízos também a esse caso, teria sido expresso. Não o sendo, o artigo 112 do CTN impõe que se dê interpretação mais favorável ao contribuinte. Afirma que a empresa sucedida agiu amparada em jurisprudência pacífica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deve ser observada, prestigiando os princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança legítima. Tece considerações acerca dos lucros apurados em 2007, destacando que os autos de infração não questionam a sua origem, os valores de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL acumulados, ou mesmo a sua incorporação pela impugnante, mas apenas a possibilidade de seu aproveitamento integral no momento da extinção da empresa para abatimento de resultados positivos. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.266 5 Afirma que não houve qualquer tentativa de transferência ou planejamento fiscal, e que aplicar a trava dos 30% no caso em questão implica em ignorar todo o investimento operacional da empresa extinta, fazendoa tributar um único lucro gerado, anos depois, no momento da sua extinção. Se mantida a autuação fiscal, entende ter direito a deduzir da base de cálculo do IRPJ o montante lançado a título de CSLL, bem como deduzir da base de cálculo do IRPJ o montante lançado a título de IRPJ, por conta do artigo 41 da Lei nº 8.981/95, que permite a dedução de tributos e contribuições, sob o regime de competência, na determinação do lucro real. Contesta a multa de ofício aplicada, no seu entender incabível por não se comunicar à incorporadora, a teor do artigo 132 do CTN, que veda a transmissão da responsabilidade por penalidades ao sucessor, uma vez que, de maneira expressa, a restringe apenas ao montante do tributo devido, o que respeita o princípio da individualização da pena, que veda apenarse quem não tenha cometido a conduta ilícita. Além disso, aduz que, por força do artigo 100, inciso III e parágrafo único do CTN, a multa e os juros devem ser cancelados, já que a empresa sucedida agiu em conformidade com prática reiterada da administração, especificamente a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Isso seria razão suficiente também para configurarse o erro de proibição por parte do contribuinte, no sentido de excluir o dolo de sua conduta, pois, apesar de conhecer os elementos constitutivos da conduta proibida, entendia que a conduta por ele praticada não correspondia àquela proibida. Ainda caso mantida a autuação, o impugnante ressalta que é indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Os juros previstos no artigo 161, §1º do CTN aplicamse apenas ao montante do principal lançado, caso contrário não haveria razão para o mesmo dispositivo, logo em seguida ressalvar que a aplicação de juros não causa prejuízo à imposição das penalidades cabíveis. A própria Lei nº 9.430/96, nos seus artigos 6º, §2º, 28 e 61, trata da incidência de juros apenas sobre o valor do tributo, e não da multa de ofício. Conclui requerendo o cancelamento da autuação, e protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, especialmente a posterior juntada de documentos, caso seja necessário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou procedente em parte o lançamento, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 1.138 a 1.154): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.267 6 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei nº 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. RECEITA INCORRETAMENTE RECONHECIDA EM 2007. EXCLUSÃO. Excluise da base de cálculo do IRPJ receita auferida em 2004 e incorretamente reconhecida pelo contribuinte no anocalendário 2007, conforme ficou demonstrado no processo nº 19515.004172/200927. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA INCORPORADORA. O sucessor por incorporação responde pela multa de ofício decorrente de infração cometida pela sucedida quando se tratar de empresas do mesmo grupo econômico, ainda que lançada posteriormente ao evento societário, já que tinha conhecimento prévio da situação que levou à autuação fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) reconheceuse que as receitas tributadas no processo nº 19515.004172/2009 27 estavam incluídas na base de cálculo do IRPJ lançada neste processo. Nesse sentido, a autoridade julgadora não considerou que esse fato acarretasse na nulidade da autuação, mas determinou a exclusão do montante de R$ 17.148.719,79 da base de cálculo do lançamento; b) a compensação de prejuízos de exercícios anteriores, assim com das bases negativas da CSLL, nada mais é que um benefício fiscal, não existindo a garantia do direito de seu total aproveitamento; c) não existe previsão legal para compensação de prejuízos de exercícios anteriores acima do limite de 30% do lucro líquido ajustado, mesmo no caso de extinção da pessoa jurídica; d) não existe previsão legal para se deduzir da base de cálculo do IRPJ os valores do próprio IRPJ e da CSLL lançados; e) é possível se imputar à incorporadora multa de ofício por infrações cometidas pela incorporada antes da incorporação, em especial quando se tratam de empresas do mesmo Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.268 7 grupo econômico, pois, nessas hipóteses, aquela tem conhecimento do passivo desta, assumindoo; f) o artigo 100, III e parágrafo único do CTN, não se aplica na hipótese de decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, que têm previsão expressa no inciso II e limitase às decisões a que a lei atribua eficácia normativa (como é o caso das súmulas com efeito vinculante); g) o erro de proibição se revela inaplicável, de maneira geral, às infrações à lei tributária, que independem de dolo, conforme artigo 136 do CTN; h) quanto aos juros incidentes sobre a multa de ofício, tratase de assunto afeito à cobrança do crédito tributário e deve ser objeto de contestação na ocasião propícia e em face da autoridade competente, que não é a Delegacia de Julgamento; i) indeferiuse o pedido genérico para produção de provas e posterior juntada de documentos, já que a oportunidade para tal se deu com a interposição da impugnação, sendo possível fazêlo em momento posterior apenas se comprovadas uma das hipóteses do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. RECURSOS AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Pela decisão ter exonerado valor superior ao limite de alçada, definido pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o Presidente da Turma de Julgamento da DRJ recorreu de ofício a este Conselho, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Na fl. 1.161, a unidade de origem atestou a ciência do julgamento por decurso de prazo em 20/2/2013, 15 dias depois da disponibilização dos documentos através da Caixa Postal, Módulo eCAC, do Site da Receita Federal. Em 6/3/2013, o contribuinte apresentou o recurso de fls. 1.173 a 1.233, onde, após solicitar o julgamento conjunto dos autos que contêm os lançamentos de IRPJ e CSLL, argumenta que: a) a empresa TEVECAP S/A acumulou um saldo de prejuízo contábil de mais de R$1.200.000,00, totalmente relacionado a sua atividade operacional, fato não contestado nos autos; b) a empresa TEVECAP alienou todas as suas operações, e por isso foi incorporada pela recorrente, não havendo qualquer planejamento fiscal, fato também não contestado na autuação; c) assim, o que está sob discussão é tãosomente a possibilidade de uma empresa aproveitar integralmente seus prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumulados, no momento de sua extinção, para abatimento de resultados positivos, mormente quando estes são oriundos de alienação dos investimentos; Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.269 8 d) a Lei n° 9.065, de 1995, eliminou o risco de o contribuinte perder o direito ao aproveitamento dos prejuízos e bases negativas, quando, ao invés de estabelecer um prazo para tanto, determinou um limite quantitativo, autorizando o aproveitamento de uma fração do prejuízo acumulado e da base negativa que poderia ser aproveitada anualmente, qual seja, o equivalente a 30% da base de cálculo do tributo apurado. Nesse passo, o limite quantitativo assegura a utilização integral do prejuízo fiscal, já que elimina o limite temporal para a sua utilização, uma vez que tem por premissa a regra geral da continuidade da pessoa jurídica. E a regra do artigo 33 do Decretolei n° 2.241, de 1987, veda tãosomente a transferência de prejuízos para a incorporada, ou seja, sem exceção, as limitações existentes foram notadamente observadas pela Recorrente; e) O fundamento de validade (ou seja, de aplicação) da “trava” é o direito temporal (sem prescrição) à recuperação integral dos resultados negativos, o que implica, necessariamente, na premissa de continuidade da pessoa jurídica. Assim, se a limitação para o aproveitamento de prejuízo fiscal e base negativa tem como pressuposto a existência de exercícios futuros para aproveitamento dos resultados negativos (que a empresa foi proibida de utilizar naquele momento), então, na iminência do encerramento da empresa, a trava deixa de ser aplicável, pela impossibilidade do cumprimento de sua condição, qual seja, postergação do aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas restantes em exercícios futuros; f) proibir a compensação integral dos prejuízos viola o próprio conceito constitucional de renda; g) compensação de prejuízos não é mero benefício fiscal; h) ao contrário do afirmado na decisão recorrida, o entendimento sobre a matéria já estava sedimentado, no âmbito administrativo, no sentido da não aplicabilidade da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no caso de extinção da pessoa jurídica, sendo que a decisão trazida pelos Julgadores de 1a instância, contrária a essa tese, representa posicionamento isolado do CARF, inclusive fundamentado em situação fática absolutamente diversa daquelas usualmente julgadas acerca desta matéria. Apresenta como exemplos de julgados favoráveis a sua tese os Acórdãos nºs 10806.682, CSRF/0104.258, 10194.515, 10807.456, 10709.243, CSRF/0105.100, 110300.619, 110300.617, 1201 00.165, 120100.108, 10709.447 e 10195.872; i) a possibilidade de se aproveitar integralmente os resultados negativos na extinção da pessoa jurídica decorre da própria lógica de sua limitação, estando expressa na exposição de motivos da Medida Provisória que a originou, sendo, nos termos de estudo do Prof. Eurico de Santi, “uma norma implícita ou derivada do Sistema Tributário, que dispensa menção específica”; j) é necessária previsão legal expressa para se afastar a trava dos 30% em um contexto de continuidade da empresa, como se faz no art. 14 da Lei n° 8.023, de 1990, para os prejuízos na atividade rural, mas não para a situação de extinção da pessoa jurídica, porque da norma existente (de vedação de 30%) já se extrai o pressuposto fático de sua aplicação manutenção do direito de compensar; l) a maior parte do resultado de 2007 corresponde a receitas decorrentes de venda de participações societárias, no valor de R$ 485.770.757,09. Por se tratar de uma holding, que detinha as participações vendidas, o custo deste investimento está em grande parte refletido nas despesas financeiras incorridas com a sua manutenção, que geraram os Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.270 9 resultados negativos que implicaram na composição do prejuízo fiscal acumulado e na base de cálculo negativa até o anocalendário de 2007. Assim, a exclusão dos prejuízos das receitas de vendas alcança o verdadeiro conceito de ganho de capital; m) a multa de ofício não pode prosperar, nos termos do art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN, porque a conduta adotada era plenamente admitida pela jurisprudência administrativa. No mesmo sentido, a penalidade deve ser cancelada porque o contribuinte incorreu, no mínimo, no que se denomina “erro de proibição”, pois seguiu interpretação mansa e reiterada das jurisprudências administrativa e judicial; n) é indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Ressaltese que o voto esmiúça os fundamentos das letras “d”, “e”, “f” e “g” por meio de detalhada análise da evolução legislativa sobre a matéria, em especial das normas atualmente em vigor, e de abalizada doutrina. Do mesmo modo, o argumento do item “h” é aprofundado com a discussão de decisões do STJ e do STF, buscando demonstrar que tratam de situações diversas, e do Acórdão nº 10515.908, utilizado como fundamento da decisão recorrida, que teria analisado planejamento que travestiu prejuízo fiscal em saldo negativo de imposto, alcançando com isso a compensação de prejuízos fiscais entre sucessora e sucedida, o que é expressamente proibido no ordenamento jurídico. Ao final, pugnase pelo provimento do recurso voluntário, bem como pelo desprovimento do recurso de ofício, cancelandose o auto de infração em sua totalidade. Observese que as matérias “dedução do IRPJ e da CSLL da base de cálculo do IRPJ” e “impossibilidade de imputação de multa de ofício à incorporadora por infrações da incorporada”, que constavam da impugnação, não foram repetidas no voluntário, e portanto não compõem mais a lide. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, numerado digitalmente até a fl. 1.261. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso de ofício foi interposto corretamente, pois a decisão exonerou valor superior ao limite de alçada, e portanto merece ser conhecido. Do mesmo modo, devese conhecer do recurso voluntário, por ser tempestivo e atender às demais condições de admissibilidade. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.271 10 Esclareçase que, nesta mesma sessão de julgamento, também será apreciado o processo nº 16643.000304/201021, que cuida da autuação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL relativa aos mesmos fatos. PRELIMINAR DE SOBRESTAMENTO Antes de passar à análise dos recursos propriamente ditos, devo levantar, de ofício, uma preliminar de sobrestamento do feito. Isso porque, na sessão de 11 de abril de 2013, esta Turma decidiu por sobrestar o julgamento em processo que tratava da trava de 30% para compensação de prejuízos, nos termos do art. 62A, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (Resolução nº 1102000.150, Relator Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé). Naquela decisão, entendeuse que o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu, em 9/10/2008, a existência de repercussão geral no Recurso Extraordinário 591.3406/SP, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, cuja ementa se, transcreve: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – PREJUÍZO – COMPENSAÇÃO – LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. Acrescentouse que existiam decisões monocráticas do Ministro Dias Toffoli, nos RE 433.767/SP, 547.226/SP e 232.959/SC, todas de 26/10/2011, que, nos termos do art. 328 do Regimento Interno do STF, determinavam a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que fosse aplicado o disposto no art. 543B do CPC, demonstrandose, assim, o sobrestamento do feito nos termos do § 1º do artigo 62A do anexo II do RICARF, que também se transcreve: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.272 11 Respeitosamente, discordo dessa decisão. Há tempos tenho defendido que o sobrestamento de processos no CARF deve se dar apenas em situações excepcionais. Ora, se a matéria ainda se encontra em análise no STF, não existem motivos para que o Tribunal Administrativo aguarde pelo desfecho da discussão judicial. Afinal, por se tratar de questão admitida pelo STF, certamente cuida de aspectos constitucionais, que não podem ser apreciados nesta instância, nos termos da Súmula CARF nº 2 e do art. 62 do anexo II do RICARF. Além disso, não provido seu pleito na esfera administrativa, sempre restará ao contribuinte a opção de buscar a guarida do Judiciário. Assim, entendo que não existe sentido em se interromper o curso normal de uma decisão administrativa para se aguardar a ação de outro Tribunal, regido por outras prioridades. Acrescentese que, levada a ferro e a fogo a idéia de sobrestamento, o trabalho deste CARF poderia restar simplesmente inviabilizado. Isso porque a idéia de repercussão geral e de sobrestamento estão intrinsecamente ligadas. Dessa forma, quando o STF decide que determinada matéria tem repercussão geral, está na lógica do sistema que as instâncias inferiores aguardem a decisão final, evitando que se gastem esforços em matéria que será pacificada pela esfera máxima do Poder Judiciário. É esse o espírito do art. 543B do CPC, que determina que, quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. Assim, em última análise, toda matéria cuja repercussão geral for reconhecida deveria ter sua análise sobrestada no CARF. Dessa forma, na área previdenciária, somente para citar um exemplo, com a discussão sobre a constitucionalidade da contribuição ao SAT (Seguro de Acidente de Trabalho), pouco se restaria a fazer na esfera administrativa, haja vista que a maioria das autuações trazem essa rubrica. Do mesmo modo, caso o STF decida, um dia, discutir sobre a constitucionalidade da multa de ofício de 75%, melhor será suspender o funcionamento desta 1a Seção de Julgamento até a espera do resultado final. Ademais, há que se ressaltar a enorme importância de nossas decisões para a formação da jurisprudência judicial. Nós somos a instância técnica tributária de mais alto nível. Não há sentido em se abrir mão dessa posição tão duramente conquistada, e adotar uma postura passiva, de aguardo por uma decisão futura e incerta. Faço essas ponderações sabendo que a determinação de sobrestamento está no Regimento do CARF e que, mesmo sem com ela concordar, devo a ela me submeter. Mas, por todo o exposto, aplico o dispositivo regimental da forma mais restrita possível. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.273 12 Assim, entendo que se deve sobrestar o julgamento apenas quando existir determinação expressa no acórdão do STF em que se reconheceu a repercussão geral, sendo este o entendimento prevalente no âmbito da 2a Seção de Julgamento, onde tive a honra de militar como Conselheiro Substituto da Fazenda Nacional por três anos. Contudo, para minha surpresa, verifiquei que, no âmbito desta 1a Seção, via de regra não se contenta em se analisar a decisão originária que determinou a repercussão geral, mas realizase profunda busca de decisões monocráticas dos Ministros do STF determinando o sobrestamento dos autos. Ora, senhores, como já dito, o sobrestamento é conseqüência direta da repercussão geral. Caso se procure, é evidente que se encontrará uma decisão monocrática que determine que as instâncias inferiores não enviem mais processos sobre aquela matéria. Para quem acha que essa é a solução correta, apenas aponto para o imenso volume de processos que está sobrestado nesta 1a Seção relativos à quebra de sigilo bancário. Enquanto outras Seções de Julgamento continuam a apreciar a matéria, haja vista que inexiste ordem expressa de sobrestamento no acórdão que reconheceu a repercussão geral, esta 1a Seção, na maioria dos casos, tem suspendido o julgamento dos recursos voluntários em processos em que os extratos bancários foram obtidos por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF. Resultado: centenas de processos parados, com vultoso crédito tributário sub judice, em muitas situações decorrentes de importantes operações de combate à sonegação, tudo em aguardo da agenda de outra tribunal. E foi isso que aconteceu na decisão pretérita desta Turma. Não existe qualquer ordem de sobrestamento do feito no RE 591.3406/SP. Esta só foi encontrada em decisões monocráticas do Ministro Dias Toffoli. Nesse caso, de acordo com o entendimento acima exposto, eu já estaria suficientemente confortável para não sobrestar o andamento deste processo. Contudo, existem razões adicionais. Na verdade, a constitucionalidade da trava dos 30% já foi decidida, pelo STF, no Recurso Extraordinário 344.9940/PR, julgado em 25/3/2009, tendo como relator o Ministro Marco Aurélio, e como redator do acórdão o Ministro Eros Grau, que restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do inicio de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.274 13 Em análise daquele voto, verificase que a discussão se iniciou em 11/11/2004, mas foi suspensa com o pedido de vistas da Ministra Ellen Gracie. O julgamento só foi retomado em 25/3/2009, quando já havia se reconhecido a repercussão geral para a mesma matéria no RE 591.3406/SP. Tal fato não passou despercebido pelo julgadores, que, instados a discutir a matéria no processo com repercussão geral, optaram por continuar com a análise naqueles autos, porque diversos votos já haviam sido colhidos. Mas há que se entender que a constitucionalidade da trava dos 30% já restou pacificada no âmbito do STF, que, quando retomar a discussão no RE 591.3406/SP, certamente a confirmará. E o mais interessante é que diversos Ministros não têm sobrestado o andamento do feitos que versam sobre a matéria, mas julgado os processos com o entendimento do RE 344.9940/PR. É o caso dos Ministros Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa, como demonstram as ementas das decisões abaixo transcritas: Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COMPENSAÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. EXISTÊNCIA DE PRECEDENTES DO PLENÁRIO SOBRE O TEMA CONSTITUCIONAL DEBATIDO. JULGAMENTO DA MATÉRIA NOS TERMOS DO ART. 557, CAPUT, DO CPC. POSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I A possibilidade de compensação de prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores caracteriza benefício fiscal cuja restrição ou ausência não importa ofensa ao texto constitucional. II A revisão ou revogação de benefício fiscal, por se tratar de questão vinculada à política econômica que pode ser revista pelo Estado a qualquer momento, não está adstrita à observância das regras de anterioridade tributária previstas na Constituição. III – A existência de orientação do Plenário da Corte sobre a questão constitucional debatida legitima o julgamento monocrático do recurso nos termos do art. 557 do CPC. IV Agravo regimental improvido. (Agravo Regimental no RE nº 617.389/SP, julgado em 08/05/2012, Relator Min. Ricardo Lewandowski) Ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. COMPENSAÇÃO. PREJUÍZOS FISCAIS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. CONSTITUCIONALIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I A possibilidade de compensação da base de cálculo negativa apurada em exercícios anteriores caracteriza benefício fiscal cuja ausência não importa ofensa ao texto constitucional. Precedentes. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.275 14 II A inexistência dessas compensações não altera as bases de cálculo ou as hipóteses de incidência da CSL ou do IR, por não modificarem os conceitos de renda ou de lucro. III – Ausência de ofensa ao princípio da capacidade contributiva, de manifestação de efeito confiscatório ou de configuração de empréstimo compulsório, tendo em conta que se trata, na hipótese, de benesse fiscal, cuja concessão não é imposta pela Constituição Federal. IV Agravo regimental improvido. (2o Agravo Regimental no RE nº 584.909/RJ, julgado em 17/04/2012, Relator Min. Ricardo Lewandowski) Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE NEGATIVA DA CSLL. VIOLAÇÃO DOS CONCEITOS CONSTITUCIONAIS DE RENDA E DE LUCRO. VIOLAÇÃO DA REGRA DA ANTERIORIDADE. INEXISTÊNCIA. Segundo orientação firmada por esta Suprema Corte, a compensação de prejuízos fiscais acumulados e da base de cálculo negativa da CSLL representam benefícios fiscais, cuja ausência não viola os conceitos constitucionais de renda ou de lucro. Tal entendimento aplicase às modificações realizadas pela IN 198 e pela IN 90, não obstante terse firmado no julgamento da constitucionalidade dos arts. 42 e 58 da Lei 8.981/1995. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (Agravo Regimental no RE nº 612.737/BA, julgado em 04/10/2011, Relator Min. Joaquim Barbosa) O interessante nessas decisões é que todas são muito posteriores a 9/10/2008, data em que se acolheu a repercussão geral no RE 591.3406/SP, e que foram tomadas por unanimidade de votos, inclusive por Ministros que possuem decisões monocráticas que adotam o sobrestamento dos feitos para a matéria. Diante da constatação de que o próprio STF muitas vezes opta por não sobrestar a discussão sobre o assunto, reconhecendo que a matéria já se encontra pacificada naquela Corte, fica difícil entender que se deve fazer o oposto na esfera administrativa. Existe ainda outro argumento, possivelmente o mais forte de todos: a matéria se encontra pacificada, no âmbito administrativo, no conteúdo da Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.276 15 Ora, as súmulas são de adoção obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do §4o do art. 72 do anexo II do RICARF, e, diante de conflito com a determinação regimental de sobrestamento, deve prevalecer a autoridade dos verbetes sumulares até sua revogação. Foi assim que se decidiu no Acórdão nº 110100.607, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, julgado na sessão de 20 de outubro de 2011, tendo por relatora a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que possui a seguinte ementa na parte de interesse à discussão: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. LIMITAÇÃO. MATÉRIA EM APRECIAÇÃO PELO STF COM RECONHECIMENTO DE REPERCUSSÃO GERAL. MATÉRIA SUMULADA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. Não há razão para o sobrestamento de litígio que já se encontra pacificado no âmbito administrativo desde a edição da Súmula nº 3 do 1o Conselho de Contribuintes, mormente se o enunciado desta é compatível com o posicionamento que o Supremo Tribunal Federal vem adotando acerca da matéria. Desta forma, voto por rejeitar a preliminar de sobrestamento por mim levantada de ofício. Entretanto, esse posicionamento não foi referendado pelo restante da Turma Julgadora, que achou por bem sobrestar o julgamento deste processo. Assim, excluí do voto a análise do mérito dos recursos de ofício e voluntário até o retorno dos autos. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araújo Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Redator Designado Conforme se depreende do relatório supra, versa o caso dos autos sobre a legitimidade (ou não) da limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais para apuração da base de incidência do IRPJ imposta pelas Leis n. 8.981 (art. 42) e 9.065 (art. 12), ambas de 1995. Sobre o tema, essa Corte Administrativa consolidou entendimento – com base em texto de lei de constitucionalidade afirmada por jurisprudência do C. Supremo Tribunal Federal – no sentido de que “para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.” (CARF, Sumula n. 3, proveniente da Súmula 3 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes). Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.277 16 Supervenientemente à edição de citada súmula, editouse a Portaria n. 586/2010, pela qual foi acrescido o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, segundo o qual (a) as decisões definitivas de mérito proferidas pelos Tribunais Superiores na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF e, no que interessa ao caso (b) deverão ficar sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B do CPC. Verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Também supervenientemente à edição de citada súmula, e nada obstante o tema em referência já ter sido objeto de exame pelo C. Supremo Tribunal Federal, a própria C. Suprema Corte decidiu revisitalo por meio de julgamento de Recurso Extraordinário n. 591.3406/SP, de relatoria do Exmo. Ministro Marco Aurélio Melo, cuja repercussão geral foi reconhecida por meio de acórdão assim ementado, verbis: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – PREJUÍZO – COMPENSAÇÃO – LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. Como bem reconhecido pelo ilustre Conselheiro Relator, o instituto da repercussão geral é ínsito à sistemática prevista no art. 543B do CPC e ao conseqüente sobrestamento dos processos que versam sobre a mesma temática. Não há que se falar em “repercussão geral” (para fins de processamento de recursos extraordinários) fora do campo de incidência do citado dispositivo de lei processual. Não cabe, de um lado, ter como certa a repercussão geral da controvérsia e, ao mesmo tempo, afastála (controvérsia) da sistemática do CPC e da obrigatoriedade de sobrestamento das causas, já que a “repercussão geral” encontra previsão e respaldo normativo no próprio art. 543B do CPC. A lei de regência (no caso, o CPC) impõe aos Tribunais o sobrestamento dos processos que versam sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido reconhecida, à exceção, obviamente, daqueles que forem escolhidos como “representativos de controvérsia” para exame pelo C. Supremo Tribunal Federal. Vejase, nesse sentido, o disposto no art. 543B, caput e parágrafos do CPC, verbis: Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.278 17 Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Não por outro motivo os Exmos. Ministros do C. Supremo Tribunal Federal vêm sobrestando os julgamentos relativos à matéria sob exame, conforme se depreende, a título ilustrativo, de acórdão proferido pela 2a Turma da C. Suprema Corte, de Relatoria do Exmo. Min. Gilmar Mendes, pelo qual foi dado provimento por unanimidade de votos a embargos de declaração em agravo regimental em recurso extraordinário apresentados por contribuinte para que recurso extraordinário de matéria análoga à presente fosse devolvido ao Tribunal de origem, com base no disposto no art. 543B do CPC, enquanto não definitivamente apreciada a constitucionalidade da limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL objeto do RERG 591.340, acima referido, verbis: “Embargos de declaração em agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Tributário. Imposto de renda de pessoa jurídica. Limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL. Repercussão geral reconhecida. Mérito pendente. RERG 591.340, rel. Min. Marco Aurélio, DJe 7.11.2008. 3. Embargos de declaração acolhidos. 4. Recurso extraordinário devolvido ao Tribunal de origem, com base no disposto no art. 543B, do CPC”. (RE 435576 AgRED/PB, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, DJe 12032012) No mesmo sentido, citemse decisões monocráticas (a) do Exmo. Ministro Dias Toffoli, nos RE 630.921/SP (de 02.02.2011), RE 362.100/SP (de 01.08.2012), RE 433.767/SP, 547.226/SP e 232.959/SC (todas de 26/10/2011); e (b) do Exmo. Ministro Marco Aurélio, no AI 714.189/SP (de 26.05.2010) e RE 418.807/RS, que, nos termos do art. 328 do Regimento Interno do STF, determinavam o sobrestamento dos respectivos processos e a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que fosse aplicado o disposto no art. 543B do CPC. Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.279 18 Essa sistemática foi transportada ao processo administrativo tributário federal por meio do art. 62A do Regimento Interno do CARF acima citado. Pelas razões acima expostas, tal qual aos Tribunais Judiciários, impõese o sobrestamento dos recursos sempre que neles houver controvérsia submetida à sistemática do art. 543B do CPC (“repercussão geral”), ao menos enquanto não editado ato normativo que venha a restringir o alcance de referido dispositivo regimental. Notese que o tema não é novo a esse Colegiado. Na sessão de 11 de abril de 2013, esta Turma decidiu por sobrestar o julgamento em processo que tratava da trava de 30% para compensação de prejuízos, nos termos do art. 62A, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (Resolução nº 1102000.150, Relator Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé). No caso, o ilustre Conselheiro Relator sustentou que não haveria razão para o sobrestamento do litígio pois este já se encontraria pacificado em âmbito administrativo com a edição da Súmula CARF n. 3. No entender do ilustre Conselheiro, “no conflito entre a determinação de sobrestamento do art. 62A e a obrigatoriedade de observância das súmulas do CARF do art. 72, ambos do anexo II do Regimento, deve prevalecer a autoridade dos verbetes sumulares até sua revogação”. Acrescentou ainda que, “apesar da matéria ter sido reconhecida como de repercussão geral no RE 591.3406/SP em 9/10/2008, o STF decidiu pela constitucionalidade da trava de 30% em 25/3/2009, no RE 344.9940/PR, sendo certo que alguns Ministros optam por não sobrestar os feitos, adotando o entendimento já pacificado”. Atestou, por fim, que a aplicação da regra regimental poderá levar à suspensão da grande maioria dos julgamentos da Corte, ante a repetição de alguns temas em muitos processos administrativos. Em que pese não mereça crítica a afirmação de que a regra regimental pode impedir ou retardar julgamentos de muitas questões relevantes pelo CARF, é inadequado afastar a aplicação de regra cogente por razões de natureza pragmática. No caso da limitação de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas para formação da base de cálculo do IRPJ e CSLL, especificamente, atestar que a constitucionalidade respectiva já foi reconhecida pelo C. Supremo Tribunal Federal é, com a devida vênia, negar a realidade, o fato incontroverso, de que o recurso extraordinário sobre a temática tem repercussão geral reconhecida e se encontra pendente de julgamento. Por sua vez, pretender aplicar súmula editada anteriormente à edição da norma regimental e, especialmente, anteriormente à modificação do cenário jurídico sobre o tema (qual seja, revisitação do tema pelo C. STF mediante recepção de novo recurso submetido à sistemática do art. 543B do CPC) é, com a devida vênia, novamente negar a realidade de que a determinação de sobrestamento é sempre preliminar (prévia) ao exame do mérito da causa, no qual a súmula poderia (ou não) ser aplicada. Não há, portanto, conflito entre súmula e norma regimental como sugere o ilustre Conselheiro. Dáse apenas eficácia ao dispositivo regimental vigente e diferese o exame do mérito para momento posterior à decisão definitiva proferida pelo C. Supremo Tribunal Federal no recurso submetido à sistemática do art. 543B do CPC, no qual, reiterese, a súmula pode ou não ser aplicada. Notese que tal assertiva é até intuitiva, pois não se duvida que citada súmula não será aplicada caso o C. STF reconheça a inconstitucionalidade da Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16643.000303/201087 Resolução nº 1102000.173 S1C1T2 Fl. 1.280 19 limitação de compensação de prejuízos em referência no julgamento do citado recurso extraordinário. Por tais fundamentos, oriento voto no sentido de propor a conversão do julgamento em diligência para que seja sobrestado o andamento desta lide até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B, do CPC a respeito da (in)constitucionalidade da limitação da compensação de prejuízos fiscais para a formação da base de cálculo do IRPJ de que tratam as Leis n. 8.981 e n. 9.065, ambas de 1995. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOSE EVANDE CARVA LHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10860.721534/2011-68
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. REVOGAÇÃO DOS PARÁGRAFOS PRIMEIRO E SEGUNDO DO ART. 62-A DO RICARF.
Os parágrafos do art. 62-A do RICARF foram revogados pela Portaria n.º 545, do Ministério da Fazenda, de 20 de novembro de 2013. De acordo com a Portaria, os parágrafos primeiro e segundo do art. 62-A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) ficam revogados, consequentemente, o órgão administrativo não precisa mais esperar uma determinação expressa do Supremo Tribunal Federal (STF) ou do Superior Tribunal e Justiça (STJ) para sobrestar um processo administrativo cuja matéria está pendente de julgamento nas Cortes Superiores.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2803-003.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. REVOGAÇÃO DOS PARÁGRAFOS PRIMEIRO E SEGUNDO DO ART. 62-A DO RICARF. Os parágrafos do art. 62-A do RICARF foram revogados pela Portaria n.º 545, do Ministério da Fazenda, de 20 de novembro de 2013. De acordo com a Portaria, os parágrafos primeiro e segundo do art. 62-A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) ficam revogados, consequentemente, o órgão administrativo não precisa mais esperar uma determinação expressa do Supremo Tribunal Federal (STF) ou do Superior Tribunal e Justiça (STJ) para sobrestar um processo administrativo cuja matéria está pendente de julgamento nas Cortes Superiores. Embargos Rejeitados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1901; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 685 1 684 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.721534/201168 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2803003.219 – 3ª Turma Especial Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado FLIGTH LOGÍSTICA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. REVOGAÇÃO DOS PARÁGRAFOS PRIMEIRO E SEGUNDO DO ART. 62A DO RICARF. Os parágrafos do art. 62A do RICARF foram revogados pela Portaria n.º 545, do Ministério da Fazenda, de 20 de novembro de 2013. De acordo com a Portaria, os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) ficam revogados, consequentemente, o órgão administrativo não precisa mais esperar uma determinação expressa do Supremo Tribunal Federal (STF) ou do Superior Tribunal e Justiça (STJ) para sobrestar um processo administrativo cuja matéria está pendente de julgamento nas Cortes Superiores. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 15 34 /2 01 1- 68 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10860.721534/201168 Acórdão n.º 2803003.219 S2TE03 Fl. 686 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10860.721534/201168 Acórdão n.º 2803003.219 S2TE03 Fl. 687 3 Relatório 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2803003.023, prolatado por esta Turma Especial na sessão de 18 de fevereiro de 2014, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. SÚMULA CARF 77. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77) A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional está sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, devendo recolher a contribuição previdenciária correspondente. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Constatada a ocorrência do fato gerador, as exigências fiscais, sejam elas principais ou acessórias, são aplicáveis à autuada igualmente as demais pessoas jurídicas, ainda que a exclusão do regime do Simples encontrese em discussão em processos administrativo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte. 2. Aduz a embargante que acórdão proferido está maculado de omissão e contradição em razão “da presente lide ter implicação com o objeto do recurso especial Fl. 689DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10860.721534/201168 Acórdão n.º 2803003.219 S2TE03 Fl. 688 4 repetitivo nº 1.230.957”. Entende a embargante que esta Turma Especial “não poderia se pronunciar a respeito de questões objeto do recurso especial repetitivo, sob pena de ofender ao RICARF, art. 62A, §§ 1º e 2º.” 3. Requer, ao final, o provimento dos embargos de declaração apresentados para sanar a contradição e a omissão, conforme indicadas. É o relatório. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10860.721534/201168 Acórdão n.º 2803003.219 S2TE03 Fl. 689 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. 1. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n 256, de 22/06/2009, a existência de contradição entre a decisão e seus fundamentos possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 2. Entendese por contradição o vício consistente em duas afirmativas ou duas negativas, ou uma afirmativa e outra negativa, que reciprocamente se excluem, de modo a não poderem subsistir. Nesses casos os embargos têm por fim provocar a declaração da assertiva ou negativa que deve prevalecer. 3. Todavia, que pese a louvável intenção da embargante, não se vislumbra no v. acórdão a contradição apontada. Pelo contrário, esta Turma Especial não infringiu, em nenhum momento, qualquer dispositivo do Regimento Interno deste Conselho, pois, como é cediço, os parágrafos do art. 62A, do RICARF, foram revogados pela Portaria n.º 545, do Ministério da Fazenda, de 20 de novembro de 2013. 4. De acordo com a Portaria, os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) ficam revogados, consequentemente, o órgão administrativo não precisa mais esperar uma determinação expressa do Supremo Tribunal Federal (STF) ou do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para sobrestar um processo administrativo cuja matéria está pendente de julgamento nas Cortes Superiores. 5. Ora, os embargos de declaração possuem o escopo de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 6. Destarte, é de extrema clareza que o acórdão prolatado respeitou as disposições expressas do RICARF, não subsistindo, por consectário, qualquer supedâneo para o acolhimento dos presentes embargos. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10860.721534/201168 Acórdão n.º 2803003.219 S2TE03 Fl. 690 6 7. Em razão do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 01/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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