Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13910.000001/99-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
Ementa:
RECUSO VOLUNTÁRIO. PESSOA NÃO LEGITIMADA. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIDA DE EMBARGOS. NÃO CONHECIMENTO.
Apresentado recurso voluntário por pessoa não legitimada no processo, e, tendo o colegiado administrativo, por lapso manifesto da unidade local da RFB (que entendeu como preenchidos os requisitos para envio ao CARF da peça recursal), endossado pela turma de julgamento, analisado o processo, deve o resultado ser reformado, em sede de embargos, no sentido de não se conhecer do recurso voluntário apresentado.
Numero da decisão: 3401-003.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, não se conhecendo do recurso voluntário interposto, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votaram pela anulação do despacho decisório, e das peças a ele posteriores. O voto do Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente na sessão, foi coletado e computado na reunião de fevereiro/2017.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: Rosaldo Trevisan
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 Ementa: RECUSO VOLUNTÁRIO. PESSOA NÃO LEGITIMADA. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIDA DE EMBARGOS. NÃO CONHECIMENTO. Apresentado recurso voluntário por pessoa não legitimada no processo, e, tendo o colegiado administrativo, por lapso manifesto da unidade local da RFB (que entendeu como preenchidos os requisitos para envio ao CARF da peça recursal), endossado pela turma de julgamento, analisado o processo, deve o resultado ser reformado, em sede de embargos, no sentido de não se conhecer do recurso voluntário apresentado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13910.000001/99-00
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5709889
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.448
nome_arquivo_s : Decisao_139100000019900.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Rosaldo Trevisan
nome_arquivo_pdf_s : 139100000019900_5709889.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, não se conhecendo do recurso voluntário interposto, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votaram pela anulação do despacho decisório, e das peças a ele posteriores. O voto do Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente na sessão, foi coletado e computado na reunião de fevereiro/2017. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6710624
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950734323712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 501 1 500 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13910.000001/9900 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401003.448 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria RESSARCIMENTOIPITITULARIDADE DO CRÉDITO Embargante FAZENDA NACIONAL (Delegado da RFB em Londrina/PR) Interessado CEVAL ALIMENTOS S.A. (Sucedida por SEARA Alimentos S.A.) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 Ementa: RECUSO VOLUNTÁRIO. PESSOA NÃO LEGITIMADA. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIDA DE EMBARGOS. NÃO CONHECIMENTO. Apresentado recurso voluntário por pessoa não legitimada no processo, e, tendo o colegiado administrativo, por lapso manifesto da unidade local da RFB (que entendeu como preenchidos os requisitos para envio ao CARF da peça recursal), endossado pela turma de julgamento, analisado o processo, deve o resultado ser reformado, em sede de embargos, no sentido de não se conhecer do recurso voluntário apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, não se conhecendo do recurso voluntário interposto, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votaram pela anulação do despacho decisório, e das peças a ele posteriores. O voto do Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente na sessão, foi coletado e computado na reunião de fevereiro/2017. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 00 00 01 /9 9- 00 Fl. 501DF CARF MF 2 Almeida, Hélcio Lafetá Reis (suplente), André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de Informação Fiscal (fls. 461 a 463) prestada pelo Delegado da RFB em Londrina/PR, recebida, neste CARF, como embargos de declaração ao Acórdão nº 220100.284, de 04/06/2009, assim ementado: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECISÃO QUE VERSA SOBRE REQUERIMENTO DIVERSO DO CONSTANTE NOS AUTOS. NULIDADE. A decisão que versa sobre requerimento diverso daquele feito pelo contribuinte deve ser anulada e os atos posteriores devem ser realizados novamente. Alega o Delegado da RFB que o crédito não pertence ao estabelecimento da empresa que interpôs o recurso voluntário (Bunge Alimentos S.A.), mas a estabelecimento da empresa Seara Alimentos S.A., e que o recurso voluntário foi encaminhado ao CARF (e julgado) sem atentar para o fato de que a recorrente não era parte no processo. Por meio do Acórdão no 3403003.490, de 27/01/2015, a 3a Turma da 4a Câmara da 3a Seção do CARF não tomou conhecimento dos embargos, por ser a matéria de competência do colegiado ao qual pertencia o conselheiro relator originário (Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, da 1a Turma da 4a Câmara da 3a Seção do CARF). Tendo havido sorteio do processo a mim em 23/06/2016, e, diante do despacho de admissibilidade de fls. 471 a 475, de 02/02/2017, no qual os embargos foram admitidos como inominados, em virtude da detecção de lapso manifesto, em relação à titularidade do crédito, o processo retornou à minha caixa de entrada em 03/02/2017. Pautado no mês de fevereiro de 2017, o processo saiu com vistas ao Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, depois de ter sido efetuada a leitura do voto do relator, que foi acompanhado pelos Conselheiros Robson José Bayerl e Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 471 a 475, passase diretamente à análise do lapso manifesto evidenciado. Como exposto no exame de admissibilidade dos embargos, a unidade da RFB aponta grave erro no julgamento, afirmando que o pedido de ressarcimento foi apresentado por procurador da empresa CEVAL Alimentos S.A., mas o crédito pertence à empresa SEARA Alimentos S.A., para a qual, em processo de cisão, foi vertido o estabelecimento da CEVAL que apurou o crédito pleiteado. Informa ainda a unidade local da RFB que o recurso voluntário foi indevidamente apresentado pela empresa BUNGE ALIMENTOS S.A., e que a referida Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13910.000001/9900 Acórdão n.º 3401003.448 S3C4T1 Fl. 502 3 unidade da RFB enviouo ao CARF sem atentar que a empresa não é parte no processo, tendo o CARF dado provimento ao recurso e anulado a decisão de primeira instância. Identifica, assim, a unidade local da RFB, um erro dela própria no envio ao CARF de peça recursal interposta por pessoa não legitimada, que teria se alastrado à decisão do colegiado administrativo, proferida no Acórdão nº 220100.284, de 04/06/2009. A decisão da DRJ (fls. 401 a 418), recordese, foi no sentido de indeferimento do direito de crédito. E a ciência de tal decisão foi dada à empresa SEARA Alimentos S.A., em 10/01/2008 (AR à fl. 425), em conjunto com a decisão tomada no processo administrativo no 13910.000003/9927. Indicase, às fls. 427/429, que foi ainda dada ciência da decisão à empresa CEVAL Alimentos LTDA, CNPJ no 84.046.101/010237. No entanto, foi a empresa BUNGE ALIMENTOS S.A. que apresentou o recurso voluntário de fls. 434 a 436 (reconhecido como tempestivo pelo despacho de fl. 445), com uma única alegação, que merece aqui reprodução, pelo caráter sintético: E esse único argumento de defesa foi unanimemente acolhido na decisão tomada pelo CARF no Acórdão embargado, que afirmou haver erro no próprio Termo de Diligência Fiscal (fl. 455): Fl. 503DF CARF MF 4 Ainda no relatório que antecede o voto condutor, afirmou o relator (fl. 453): E, tendo sido o crédito previsto no artigo 5o do DecretoLei no 491/1969 restabelecido pela Lei no 8.402/1992, decidiu a turma pelo provimento do recurso voluntário, no seguinte sentido: De fato, o pedido de ressarcimento de fl. 2 sequer trata de créditoprêmio de IPI, remetendo somente ao artigo 5o do DecretoLei no 491/1969, e é registrado pelo estabelecimento da CEVAL Alimentos S.A. de CNPJ (à época, CGC) no 84.046.101/010237. Conforme documento de fl. 134, houve cisão parcial da CEVAL Alimentos S.A., com destinação de parte do patrimônio a SANTISTA Alimentos S.A e SEARA Alimentos S.A., sendo extinta a filial com o CNPJ no 84.046.101/010237. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13910.000001/9900 Acórdão n.º 3401003.448 S3C4T1 Fl. 503 5 O procedimento fiscal foi realizado na sucessora, BUNGE Alimentos S.A., tendo tal empresa sido intimada a apresentar documentos na intimação de fl. 156. Em resposta, a intimada informou (fl. 164): Tais esclarecimentos foram endossados pelo documento de fls. 296/297, que dá conta de que o ativo e o passivo da filial de Jacarezinho passaram a ser da SEARA Alimentos S.A. Assim, a própria BUNGE Alimentos S.A. afirmou textualmente que o presente processo não tratava de um crédito de sua titularidade. Passou, assim, o procedimento fiscalizatório, a incidir sobre a empresa SEARA Alimentos S.A., CNPJ no 02.914.460/004652, tendo a fiscalização, no Termo de fls. 324 a 330, afirmado que se tratava de créditoprêmio de IPI (com fundamento no artigo 1o do DecretoLei no 491/1969), motivando a proposta de indeferimento na extinção gradativa de tal crédito. O parecer que amparou o despacho decisório pelo indeferimento, no entanto, reconhece que o pedido foi com base no artigo 5o do DecretoLei no 491/1969, mas conclui, pelos documentos acostados, que se tratava de créditoprêmio de IPI (fl. 332): E a filial da SEARA Alimentos S.A. de CNPJ no 02.914.460/004652, ciente do despacho decisório (fl. 364), apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 366 a 390 argumentando que efetivamente se tratava de créditoprêmio de IPI. No mesmo sentido a já mencionada decisão da DRJ (fls. 401 a 418), indeferindo o direito de crédito, sempre remetendo à legislação que rege o créditoprêmio de IPI. Diante do exposto, e de ter a empresa legitimada a apresentar recurso da decisão da DRJ sido cientificada, conforme AR de fl. 425, incorrendo em revelia, não deveria ter a unidade local efetuado nova intimação à empresa BUNGE Alimentos S.A., que sequer é parte no processo (conforme ela própria já havia admitido nos autos). Mas o fez, e, para piorar, enviou o recurso apresentado pela parte ilegítima ao CARF, como se legítima fosse. E, para Fl. 505DF CARF MF 6 piorar ainda mais, o CARF, por lapso manifesto, julgou o processo tomando como verdade o que equivocadamente afirmou a unidade local da RFB no encaminhamento. Tal sequência de lapsos manifestos deve ser aqui, em sede de embargos, saneada, retomando o processo a partir do ponto em que seguia seu curso normal, quando foi apreciado pela DRJ (fls. 401 a 418), que decidiu pelo indeferimento do direito de crédito, sendo a efetiva interessada no processo (SEARA Alimentos S.A.) cientificada da decisão, conforme comprova o Aviso de Recebimento de fl. 425: 1 A partir de tal ciência, deveria ter operado a perempção, diante da não apresentação de recurso voluntário. E a unidade, percebendo que o responsável pela apresentação do recurso voluntário não era parte legítima no presente processo, ainda assim poderia ter encaminhado o recurso ao CARF, para que se manifestasse sobre o tema. É desse ponto que se retoma o processo, para julgamento. Como exposto, aqui se reconhece expressamente ter havido lapso manifesto no julgamento efetuado por meio do Acórdão nº 220100.284, de 04/06/2009, que analisou recurso interposto por pessoa não legitimada, sem sequer discutir a legitimidade (provavelmente por ela ter sido, de forma equivocada, atestada pela unidade local da RFB). 1 Tal Aviso de Recebimento se refere a dois processos, o presente e o de no 13910.000003/9927, para o qual consta, em consulta ao sítio eletrônico do CARF, ter havido interposição de recurso voluntário pela BUNGE ALIMENTOS S.A., e julgamento por meio do Acórdão n. 3401002.499, de 26/02/2014, no qual o colegiado administrativo nega provimento ao recurso, de forma unânime. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13910.000001/9900 Acórdão n.º 3401003.448 S3C4T1 Fl. 504 7 Assim, deve o colegiado administrativo, neste estágio do contencioso, em sede de embargos, reconhecer os efeitos infringentes do lapso manifesto detectado, reformando a decisão proferida, que deve analisar a peça de defesa à luz dos argumentos aqui externados. Portanto, em virtude de não ser a parte que interpôs o recurso voluntário legitimada no presente processo, como ela própria reconhece, e como atestam a unidade local da RFB e o despacho de admissibilidade dos embargos, voto por não conhecer do recurso voluntário interposto, mantendose a decisão de piso. Diante do exposto, devem ser acolhidos os embargos, com efeitos infringentes, não se conhecendo do recurso voluntário interposto. Rosaldo Trevisan Fl. 507DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722814/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
PENSÃO ALIMENTÍCIA VOLUNTÁRIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA DEDUÇÃO NO CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA.
Estabelece o art. 8º, inciso II, 'f' da Lei nº 9.250/95 que as pensões alimentícias pagas somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE INTENÇÃO OU ERRO. IRRELEVÂNCIA.
Irrelevante perquirir sobre a intenção do contribuinte na conduta infringente da norma tributária, salvo expressa previsão legal.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Constada omissão de rendimentos decorrentes de processo judicial, é cabível o lançamento de ofício do imposto de renda correspondente.
DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPANHEIRA.
Nos termos do inciso II do art. 35 da Lei nº 9.250/95, poderão ser considerados dependentes o companheiro ou a companheira, desde que haja comprovação de vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho.
Numero da decisão: 2402-005.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA VOLUNTÁRIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA DEDUÇÃO NO CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. Estabelece o art. 8º, inciso II, 'f' da Lei nº 9.250/95 que as pensões alimentícias pagas somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE INTENÇÃO OU ERRO. IRRELEVÂNCIA. Irrelevante perquirir sobre a intenção do contribuinte na conduta infringente da norma tributária, salvo expressa previsão legal. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constada omissão de rendimentos decorrentes de processo judicial, é cabível o lançamento de ofício do imposto de renda correspondente. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPANHEIRA. Nos termos do inciso II do art. 35 da Lei nº 9.250/95, poderão ser considerados dependentes o companheiro ou a companheira, desde que haja comprovação de vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10825.722814/2013-81
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5707065
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.713
nome_arquivo_s : Decisao_10825722814201381.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10825722814201381_5707065.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6703020
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950738518016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1778; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 101 1 100 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.722814/201381 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.713 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2017 Matéria IRPF Recorrente ADMIR JESUS DE LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA VOLUNTÁRIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA DEDUÇÃO NO CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. Estabelece o art. 8º, inciso II, 'f' da Lei nº 9.250/95 que as pensões alimentícias pagas somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE FALTA DE INTENÇÃO OU ERRO. IRRELEVÂNCIA. Irrelevante perquirir sobre a intenção do contribuinte na conduta infringente da norma tributária, salvo expressa previsão legal. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constada omissão de rendimentos decorrentes de processo judicial, é cabível o lançamento de ofício do imposto de renda correspondente. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. COMPANHEIRA. Nos termos do inciso II do art. 35 da Lei nº 9.250/95, poderão ser considerados dependentes o companheiro ou a companheira, desde que haja comprovação de vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 28 14 /2 01 3- 81 Fl. 54DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10825.722814/201381 Acórdão n.º 2402005.713 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/SDR, que julgou procedente em parte Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativa ao ano calendário 2011 (fls. 13/20). O lançamento decorreu da constatação de omissão de rendimentos de R$ 2.878,51 decorrentes de processo judicial federal, dedução indevida de Previdência Privada e Fapi de R$ 1.351,97, dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 1.889,64, e dedução indevida de pensão alimentícia no valor de R$ 19.500,00. Não obstante a impugnação (fls. 2/11), a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 26/35), ensejando a interposição de recurso voluntário em 13/5/2014 (fls. 42/48), no qual foi aduzido, em apertada síntese, que: deve ser admitida a dedução de pensão alimentícia paga voluntariamente, por ser o art. art. 8º, inciso II, 'f' da Lei nº 9.250/95 inconstitucional; que os valores pagos a título de previdência privada em Fapi foram deduzidos em dobro por erro de soma; que a omissão de rendimentos apontada não esclarece a origem da DIRF, e que seria obrigação do lançamento provála; que a relação de dependência é atestada adequadamente pelos documentos juntados. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Ainda que a decisão atacada tenha sido bastante minuciosa e completa, e não se discordando aqui em aspecto algum de seus fundamentos e conclusões, necessário enfrentar as arguições ventiladas no recurso voluntário. Primeiramente, deve ser frisado que o julgador administrativo está jungido ao princípio da legalidade, e o art. 8º, inciso II, 'f' da Lei nº 9.250/95 estabelece que as pensões alimentícias pagas somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, o que não se verifica no caso em comento. Por outra via, cabe afastar os argumentos atinentes à suposta inconstitucionalidade desse dispositivo legal, por atraírem eles a incidência do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343/15): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange à alegação de erro no preenchimento da DIRPF, cabe esclarecer ao recorrente que o lançamento é consequência da verificação, pela fiscalização fazendária, da desconformidade da atuação do contribuinte com o disposto na legislação tributária, independentemente da fé subjetiva ou intenção que tenha pautado sua conduta, ex vi do art. 136 do Código Tributário Nacional. Portanto, de rigor manterse a infração de dedução indevida de previdência privada e Fapi, até mesmo não haver sido comprovado ter sido o recorrente induzido a erro. Quanto à infração de omissão de rendimentos decorrentes de ação judicial federal, apurada pela autoridade lançadora tendo em vista as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal, temse que o contribuinte alega genericamente que "não acha justo ser penalizado por algo que não tenho certeza", mas não traz vestígio sequer de prova apto a infirmar aquelas informações, ônus que lhe cabia. Assim, também não prospera o arrazoado vertido pelo recorrente. Por fim, no tocante à glosa de dedução com a pretensa dependente, a qual o contribuinte alega ser sua companheira, não se vislumbra reparos a fazer. Na espécie, foi acostado aos autos tão somente declaração do recorrente, firmada de próprio punho, autorizando sua companheira a freqüentar as dependências de um clube recreativo (fl.11). Ora, documentos do gênero, ainda que com firma reconhecida, descrevem determinados acontecimentos passados, porém são aptos tão somente a comprovar as declarações em si, mas não a veracidade das informações neles consignadas, a teor do disposto nos arts. 408 e 412 do Código de Processo Civil. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10825.722814/201381 Acórdão n.º 2402005.713 S2C4T2 Fl. 103 5 À mingua de provas adicionais da relação de união estável, não há como acatar a dedução como dependente, nos termos regrados pelo inciso II do art. 35 da Lei nº 9.250/95. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000074/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/11/2002 a 31/12/2004
Ementa:
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESCOLHA DIVERSA. IMPOSSIBILIDADE.
As intimações no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário são regidas pelo art. 23 do Decreto no 70.235/1972, que limita o envio ao endereço postal fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, não contemplando o endereçamento a advogados ou representantes localizados em domicílio diverso.
Numero da decisão: 3401-003.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/11/2002 a 31/12/2004 Ementa: ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESCOLHA DIVERSA. IMPOSSIBILIDADE. As intimações no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário são regidas pelo art. 23 do Decreto no 70.235/1972, que limita o envio ao endereço postal fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, não contemplando o endereçamento a advogados ou representantes localizados em domicílio diverso.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10865.000074/2007-12
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5718873
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.746
nome_arquivo_s : Decisao_10865000074200712.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10865000074200712_5718873.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6744671
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950765780992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1555; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.371 1 1.370 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000074/200712 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.746 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2017 Matéria IPI FRAUDE INTERPOSTA PESSOA Recorrente RODABRÁS INDÚSTRIA BRASILEIRA DE RODAS E AUTOPEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/11/2002 a 31/12/2004 Ementa: ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESCOLHA DIVERSA. IMPOSSIBILIDADE. As intimações no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário são regidas pelo art. 23 do Decreto no 70.235/1972, que limita o envio ao endereço postal fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, não contemplando o endereçamento a advogados ou representantes localizados em domicílio diverso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 00 74 /2 00 7- 12 Fl. 1371DF CARF MF 2 Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 441, lavrado em 23/01/2007 (com ciência ao sujeito passivo na mesma data fl. 3), para exigência de imposto sobre produtos industrializados (IPI), acrescido de juros de mora e multa de ofício agravada (150%), de 2002 a 2004, totalizando o valor de R$ 3.027.942,35. Narrase, na autuação, que, em decorrência de inaptidão no CNPJ da empresa "ESTAMPAR Indústria e Comércio LTDA" (doravante "ESTAMPAR"), a responsabilidade pelo recolhimento do IPI recai sobre a autuada, conforme processo administrativo no 10865.002582/200646, sendo o primeiro tópico da autuação referente ao IPI não lançado nas saídas de produtos tributados do estabelecimento da empresa, vez que nas notas fiscais de saída da "ESTAMPAR" não houve destaque por ser esta optante do SIMPLES. A multa foi agravada em função de a empresa utilizar interposta pessoa (a "ESTAMPAR") com o intuito de modificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. No segundo tópico da autuação, apontase ainda que houve saída de produtos com insuficiência de recolhimento por erro de alíquota em relação a produtos classificados no código NCM 8708.70.90, vez que houve majoração de alíquota de 5% para 15% a partir de 01/11/2002, pelos Decretos no 4.441/2002 e no 4.542/2002, com vigência até 30/04/2004. A terceira e última infração apontada na autuação decorre do lançamento de IPI não recolhido (sem informação em DCTF) de valores apurados nos anos de 2002 a 2004, nos Livros de Registro e Apuração do IPI. A empresa apresenta Impugnação em 22/02/2007 (fls. 757 a 761), argumentando, em síntese, que: (a) em 2004, foram consideradas pela fiscalização, além das receitas próprias da empresa, as operações da empresa "ESTAMPAR", "de propriedade das filhas do sócio majoritário da impugnante", esclarecendose que, "por não possuir cadastro bancário que possibilitasse a movimentação financeira, a impugnante socorreuse de suas filhas", "para efetuar as cobranças de duplicatas e o pagamento de seus fornecedores e funcionários"; (b) todos os recursos transferidos à "ESTAMPAR" foram integralmente para "pagamento de compromissos da impugnante", não havendo propriamente uma transferência de recursos; (c) a empresa "ESTAMPAR" opera regularmente, e a desconsideração de sua personalidade jurídica "representaria uma bitributação"; (d) devem ser excluídos da autuação os valores que se referem efetivamente à "ESTAMPAR"; (e) o processo de inaptidão da ESTAMPAR ainda está em curso, e pode promover alterações na autuação; (f) a multa de ofício deve ser alterada de 150% para 75%, por não restar comprovada a motivação da majoração; e (g) o STF já definiu que o limite da multa a ser aplicada é o valor do tributo. Em 13/01/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 892 a 899), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) a empresa não contestou a exigência relativa ao IPI sobre as saídas dos produtos tributados de seu estabelecimento sem o lançamento do IPI e às alterações nas alíquotas de 5% para 15% do produto de classificação fiscal 8708.70.90, nem tampouco contestou o lançamento relativo ao não recolhimento ou recolhimento a menor do IPI que deixou de ser informado na DCTF, conforme seus Livros de Registro do IPI, restringindose o 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10865.000074/200712 Acórdão n.º 3401003.746 S3C4T1 Fl. 1.372 3 litígio à discordância sobre a exigência do IPI incidente nas saídas tributadas efetuadas por meio da empresa "ESTAMPAR" e à majoração da multa de ofício; (b) deve ser indeferido o pedido de diligência, por ser desnecessário ao deslinde dos fatos; (c) no processo administrativo no 10.865.002582/200646, a empresa "ESTAMPAR" teve seu Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica declarado inapto por inexistência de fato, mediante o Ato Declaratório Executivo no 63, de 14/12/2006 (fl. 341), "tendo sido identificado que ora impugnante utilizavaa como interposta pessoa com o intuito de modificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal", o que não foi negado, mas confirmado pela impugnante, que reconheceu utilizar as contas bancárias da "ESTAMPAR" para efetuar suas transações operacionais e financeiras; (d) conforme demonstrado pela fiscalização, a empresa "ESTAMPAR" dava saída aos produtos supostamente por ela fabricados sem o lançamento do IPI, conforme demonstra a escrituração em seus Livros Registro de Saída anexados aos autos, e, além disso, fez constar na Declaração de Imposto de Renda Simplificada DSPJ, no ano calendário de 2004, tão somente receitas relativas a serviços, não havendo, portanto, que se falar em bitributação; (e) não há como sobrestar o presente julgamento àquele resultado na manifestação de inconformidade contra a inaptidão da "ESTAMPAR", pois ficou evidenciado no presente auto de infração o ilícito é imputado à impugnante, mediante as diversas evidências de que somente há um estabelecimento industrial de fato, pois ambos encontramse no mesmo local (Rua da Palmeiras no 332, Villa Castelar Limeira), não havendo distinção física entre eles, tanto na área administrativa como na área de produção industrial, sendo a atividade econômica de ambos a mesma (CNAE no 2949299 Fabricação de outras peças e acessórios para veículos automotores não especificados anteriormente), e os produtos fabricados e comercializados por ambos também são os mesmos, conforme se verifica dos cadastros da RFB, sendo as operações financeiras e operacionais da impugnante exercidas por meio da "ESTAMPAR", até mesmo para efetuar suas cobranças de duplicatas e efetuar o pagamento de seus fornecedores e funcionários, como afirmou em sua impugnação a autuada; e (f) é cristalino que a utilização de interposta pessoa para encobrir saídas tributadas de IPI sem o devido lançamento do imposto evidencia o intuito de fraude, conforme definido no artigo 72 da Lei no 4.502/1964, não cabendo a discussão sobre proporcionalidade no âmbito administrativo, diante da fixação legal dos patamares das multas. Cientificada da decisão da DRJ em 24/02/2012 (fl. 907), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 27/03/2012 (fls. 915 a 920), basicamente reiterando as razões expressas em sua impugnação, e acrescentando que a multa aplicada é inconstitucional por violação à exigência de lei complementar prévia, por confisco, ofensa ao direito de propriedade e violação aos princípios constitucionais da capacidade econômica, da proporcionalidade e razoabilidade. Em 29/06/2012, a empresa demanda que intimações sejam dirigidas ao escritório dos advogados (fl. 934). Em 27/06/2012, por meio da Resolução no 3401000.521 (fls. 935 a 938), o julgamento foi convertido em diligência, para que a unidade preparadora informasse acerca do andamento do processo no 10865.002582/200646, no qual se discutiu a inaptidão da empresa "ESTAMPAR", e se verificou que esta atuou como interposta pessoa. A unidade preparadora anexou cópia do processo às fls. 940 a 1345, trazendo, às fls. 1330 a 1332, o despacho decisório que culminou na inaptidão. Cientificada a recorrente (fl. 1334), não houve manifestação. Fl. 1373DF CARF MF 4 Em 26/09/2016, por meio da Resolução no 3401000.950 (fls. 1349 a 1355), o julgamento foi novamente convertido em diligência, para que efetivamente fosse cumprida a primeira diligência, na forma em que demandada pelo CARF. Cientificada a empresa a respeito da resolução do CARF, em 29/11/2016 (fl. 1359), percebese que houve, à fl. 1362, solicitação de cópia do processo, fornecida à empresa em 30/12/2016. Não tendo sido apresentada manifestação da empresa, no prazo concedido, o processo foi devolvido ao CARF (fl. 1368). Em fevereiro e março de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo em vista já terem sido avaliados os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário na Resolução no 3401000.950, passase, de imediato, à análise dos temas que remanescem contenciosos, tecendose algumas considerações preliminares sobre a delimitação da lide. Da delimitação da lide Há que se delimitar, inicialmente, a lide. Como exposto no relatório, pairam três imputações de infração sob a responsabilidade da recorrente: (a) produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado com emissão de nota fiscal e IPI não lançado, de novembro de 2002 a dezembro de 2004; (b) produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado com emissão de nota fiscal e erro de classificação fiscal/alíquota; e (c) e IPI lançado em livro e não informado em DCTF, nem recolhido. Desde a impugnação, a defesa é apresentada somente em relação ao item "a", e limitada ao ano de 2004, mais especificamente em relação aos períodos em que se aponta haver interposição da empresa "ESTAMPAR", tendo sido a multa majorada de 75% para 150% (setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004). Restam incontroversas todas as demais imputações, assim, desde a fase da impugnação, como bem detectou a DRJ (fl. 895): "Verificase que a interessada não contestou o lançamento de ofício relativo ao IPI sobre as saídas dos produtos tributados de seu estabelecimento sem o lançamento do IPI e quanto as alterações nas alíquotas de 5% para 15% do produto de classificação fiscal 8708.70.90, nem tampouco contestou o lançamento relativo ao não recolhimento ou recolhimento a menor do IPI que deixou de ser informado na DCTF, conforme seus Livros de Registro do IPI. Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10865.000074/200712 Acórdão n.º 3401003.746 S3C4T1 Fl. 1.373 5 Assim, delimitase o litígio à discordância da exigência do IPI incidente nas saídas tributadas efetuadas através da empresa Estampar, bem como da multa de ofício majorada sobre tal base de cálculo, no que se refere ao ano calendário de 2004, uma vez que o agente fiscal considerou além da receita própria da contribuinte, as operações existentes na empresa Estampar Indústria e Comércio Ltda, de propriedade das filhas do sócio majoritário da impugnante, questionando ainda a multa qualificada no percentual de 150% relativamente a estes fatos geradores." (sic) Nos dizeres da própria recorrente, ainda na fase de impugnação (fls. 757/758): A argumentação é repetida no recurso voluntário (fls. 916/917). Assim, residirá a análise a seguir apenas sobre a primeira infração apontada na autuação, sinteticamente descrita à fl. 4, no item 001, parte 1: Fl. 1375DF CARF MF 6 Em relação às demais infrações, deve ser mantida a autuação, por inexistência de contraditório. Do processo referente à inaptidão da empresa "ESTAMPAR" Há que se recordar que o fato de os recursos da recorrente transitarem pelas contas da empresa "ESTAMPAR" é incontroverso, nos autos, também sendo uníssono que o sócio majoritário da recorrente é pai das duas únicas sócias da ESTAMPAR, e que ambas as empresas estão localizadas em um mesmo endereço. É ainda cediço, nos autos, que foi declarada inapta a empresa "ESTAMPAR", conforme Ato Declaratório Executivo da DRF/Limeira no 63, de 14/12/2006, com efeitos retroagindo a maio de 2004, conforme cópia da publicação em Diário Oficial (fl. 473). Percebase, na transcrição da autuação, que é feita menção expressa ao processo administrativo (de no 10865.002582/200646) que culminou na inaptidão da empresa "ESTAMPAR". E tal menção é que motivou a demanda do CARF à unidade local, para anexação nestes autos das peças processuais correspondentes àquele processo. Tais peças, trazidas às fls. 940 a 1345, com cópia do despacho decisório às fls. 1330 a 1332, dão conta de que além de as empresa se encontrarem no mesmo local, não há distinção física entre elas, tanto na área administrativa, como na área de produção industrial, sendo que os produtos fabricados por ambas são os mesmos. Na manifestação de inconformidade apresentada naqueles autos pela "ESTAMPAR" sustentase que a motivação para o trânsito de recursos da recorrente em suas contas é que "caso fosse efetuado algum depósito na conta corrente dessa empresa, os recursos estariam bloqueados judicialmente, impedindo o cumprimento de obrigações trabalhistas e com fornecedores". Na leitura da unidade local, que apreciou a manifestação de inconformidade (fl. 1331): A inaptidão, assim, é mantida sob os seguintes fundamentos (fls. 1331/1332): Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10865.000074/200712 Acórdão n.º 3401003.746 S3C4T1 Fl. 1.374 7 A empresa foi cientificada do despacho decisório em 11/06/2013 (AR à fl. 1334), tendo havido, em 24/06/2013, solicitação de cópias do processo por Marilda Isabel Alves Gomes, do escritório Grotta, Gianotto e Rosseti (fls. 1336 e 1342). Em nome da verdade material, consultei, antes da segunda conversão em diligência, o processo administrativo no 10865.002582/200646, no sistema "eprocessos", percebendo que não havia andamento posterior, tendo sido o processo arquivado em 15/06/2015, na exata data em que a unidade local devolveu ao CARF os autos (fl. 1346). Percebendo que a providência final demandada na diligência não foi atendida pela unidade local, reiterouse o exposto na fl. 938, ao final da Resolução no 3401000.521, deste CARF, que demandou a primeira conversão em diligência: Após o resultado da diligência, intimar a recorrente para, se quiser, se manifestar no prazo de 30 dias. Adiantouse, na conversão em diligência, que a ciência deveria ser efetuada na forma prevista no artigo 23 do Decreto no 70.235/1972, que regula o processo de determinação e exigência de crédito tributário, não encontrando guarida legal a intimação efetuada no escritório do advogado, como demandado pela parte à fl. 934. Como relatado, a empresa, após cientificada a respeito da resolução do CARF, e após obter cópia do processo, não apresentou manifestação sobre o resultado da diligência. Diante do exposto, percebese que as alegações de defesa não contrapõem, mas endossam a imputação da autuação, restando patente a simbiose apontada pelo fisco em relação à atividade das empresas, que é reconhecida e justificada abertamente pela recorrente como fuga à própria justiça, no processo referente à inaptidão. Fl. 1377DF CARF MF 8 E, no estágio atual, não se vê como possa tal processo (arquivado, e a respeito do qual tem ciência a recorrente, sem apresentar refutação específica) afetar o presente. Assim, pouco resta a analisar, no mérito, diante da flagrante demonstração de ocorrência da única conduta imputada na autuação para a qual a empresa apresenta defesa. Visualizase claramente, no cenário descrito, o dolo e o evidente intuito de fraude, a motivar o agravamento da multa de ofício ao patamar de 150%, com fundamento no artigo 72 da Lei no 4.502/1964. Quanto à possibilidade de o agravamento resultar em valor superior ao tributo, nas excepcionalíssimas situações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964, não há decisão vinculante do STF que se oponha, devendo o julgador administrativo simplesmente velar pela lei, que expressamente estabelece a penalidade em tal patamar, não podendo o colegiado administrativo se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade, conforme assentado na Súmula no 2 deste CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.723115/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/12/2008
JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS.
Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2008, e do que trata de lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL relativos ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes.
DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. CONFIRMA DESPACHO DECISÓRIO PELAS CONCLUSÕES. PREMISSA DIFERENTE.
Descabe a acusação de que a DRJ (1º instância de julgamento) inovou ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade, com base na legislação e divergente do DD emitido pela DRF; não se trata porém de inovação, mas da obediência à legislação por aquela instância julgadora relativamente à matéria em litígio, evidenciando erro na aplicação pelo DD, o que é prerrogativa e obrigação do julgador, não sendo motivo de invalidade do Acórdão.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2008
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO.
O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo ano-calendário, não ter apurado lucro real positivo,somente poderá ser compensado com o que for devido nos anos-calendário subseqüentes.
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS NÃO AUTORIZADA.
O saldo do imposto de renda pago no exterior, somente poderá ser compensado com o IRPJ e a CSLL, mediante regras específicas; não há autorização legal para compensação de eventual saldo ainda remanescente com outros tributos e contribuições federais.
CSLL. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DO IRPJ
Descabe a adição à base de cálculo do IRPJ, do valor apurado de ofício de CSLL não registrada como custo ou despesa.
LUCRO CONTROLADAS. CONSOLIDAÇÃO.
Descabe a adição de custo do produto vendido proveniente de parte relacionada, se a correspondente receita da parte relacionada não foi excluída.
Numero da decisão: 1201-001.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique, que lhe davam provimento.
Fez sustentação oral o Dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755.
Promover a apensação deste processo ao de nº 13884.723267/2012-64.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS- Relator.
EDITADO EM: 02/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Declarou-se impedido o conselheiro José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/12/2008 JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2008, e do que trata de lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL relativos ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. CONFIRMA DESPACHO DECISÓRIO PELAS CONCLUSÕES. PREMISSA DIFERENTE. Descabe a acusação de que a DRJ (1º instância de julgamento) inovou ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade, com base na legislação e divergente do DD emitido pela DRF; não se trata porém de inovação, mas da obediência à legislação por aquela instância julgadora relativamente à matéria em litígio, evidenciando erro na aplicação pelo DD, o que é prerrogativa e obrigação do julgador, não sendo motivo de invalidade do Acórdão. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo ano-calendário, não ter apurado lucro real positivo,somente poderá ser compensado com o que for devido nos anos-calendário subseqüentes. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS NÃO AUTORIZADA. O saldo do imposto de renda pago no exterior, somente poderá ser compensado com o IRPJ e a CSLL, mediante regras específicas; não há autorização legal para compensação de eventual saldo ainda remanescente com outros tributos e contribuições federais. CSLL. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DO IRPJ Descabe a adição à base de cálculo do IRPJ, do valor apurado de ofício de CSLL não registrada como custo ou despesa. LUCRO CONTROLADAS. CONSOLIDAÇÃO. Descabe a adição de custo do produto vendido proveniente de parte relacionada, se a correspondente receita da parte relacionada não foi excluída.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13884.723115/2012-61
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5692397
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.565
nome_arquivo_s : Decisao_13884723115201261.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : EVA MARIA LOS
nome_arquivo_pdf_s : 13884723115201261_5692397.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique, que lhe davam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755. Promover a apensação deste processo ao de nº 13884.723267/2012-64. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS- Relator. EDITADO EM: 02/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Declarou-se impedido o conselheiro José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6671290
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950814015488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.723115/201261 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.565 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2017 Matéria Direito creditório de SN IRPJ Recorrente EMBRAER S/A, CNPJ 07.689.002/000189 Recorrida UNIÃO ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/2008 JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2008, e do que trata de lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL relativos ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. CONFIRMA DESPACHO DECISÓRIO PELAS CONCLUSÕES. PREMISSA DIFERENTE. Descabe a acusação de que a DRJ (1º instância de julgamento) inovou ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade, com base na legislação e divergente do DD emitido pela DRF; não se trata porém de inovação, mas da obediência à legislação por aquela instância julgadora relativamente à matéria em litígio, evidenciando erro na aplicação pelo DD, o que é prerrogativa e obrigação do julgador, não sendo motivo de invalidade do Acórdão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 31 15 /2 01 2- 61 Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 3 2 positivo,somente poderá ser compensado com o que for devido nos anos calendário subseqüentes. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS NÃO AUTORIZADA. O saldo do imposto de renda pago no exterior, somente poderá ser compensado com o IRPJ e a CSLL, mediante regras específicas; não há autorização legal para compensação de eventual saldo ainda remanescente com outros tributos e contribuições federais. CSLL. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DO IRPJ Descabe a adição à base de cálculo do IRPJ, do valor apurado de ofício de CSLL não registrada como custo ou despesa. LUCRO CONTROLADAS. CONSOLIDAÇÃO. Descabe a adição de custo do produto vendido proveniente de parte relacionada, se a correspondente receita da parte relacionada não foi excluída. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique, que lhe davam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755. Promover a apensação deste processo ao de nº 13884.723267/201264. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. EDITADO EM: 02/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Declarouse impedido o conselheiro José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o processo da Declaração de Compensação PER/DComp nº 14554.61506.160709.1.7.027152, retificadora da original nº 20694.21160.300609.1.3.02 5653, págs. 2/9, e PER/Dcomps 37564.38491.310709.1.3.021587, 36109.01176.180809.1.3.023999, 00369.26651.190809.1.7.025803, 21123.69276.290110.1.3.026169, 04925.11772.310510.1.3.020656, em que o contribuinte Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 4 3 requer o crédito de R$58.371.088,05 de Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (SN IRPJ) apurado em 31/12/2008, para compensação de débitos; a origem do crédito são IR pago no exterior e IRPJ retido na fonte códs. 3251, 6147, 6190, 1708, 6800, 5273. 2. O Despacho Decisório Seort nº 001/2013 de págs. 1.016/1.017, reconheceu o crédito de SN IRPJ de R$48.781.837,17 e as PER/Dcomp até o limite desse crédito, restando débitos de: 2362, 07/2009 R$1.759,446,80; 2484, 12/2008 R$167.796,71; 2484, 06/2009 R$1.899.565,98; 2484, 07/2009 R$759.206,59; 2484,12/2009 R$5.598.914,12; 2484, 12/2009 R$1.650.437,07 (págs. 1.019/1.025), exigidos com multa e juros de mora, referentes aos débitos confessados nas PER/Dcomp e cuja compensação não foi homologada; o DD foi cientificado ao contribuinte em 10/01/2013 (pág. 1.030) e o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de págs. 1.032/1.046, em 07/02/2013. 3. Porém, foi efetuada revisão de ofício, Relatório de Revisão Interna de DIPJ, com Revisão de Ofício e Termo Fiscal de Revisão de Ofício, págs. 1.141/1.201, que resultou na emissão do Despacho Decisório Seort nº 126/2013, em substituição ao anterior, em que o crédito reconhecido foi reduzido para R$41.381.233,19; cientificado em 20/05/2013 (pág. 1.204), o contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade em 29/05/2013, págs. 1.205/1.212, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte DRJ/BHE emitiu o Acórdão nº 0247.798 de 28 de agosto de 2013, págs. 1.338/1.356, para julgar improcedente a manifestação de inconformidade e: REJEITAR a arguição de nulidade; NÃO CONHECER das razões apresentadas acerca da demanda tratada no processo nº 13884.723267/201264; INDEFERIR o sobrestamento do processo; NÃO HOMOLOGAR as compensações em litígio neste processo; as ementas foram: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. VALOR EXCEDENTE AO LIMITE COMPENSÁVEL NO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente poderá ser compensado com a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) mediante regras específicas. Não há previsão legal para compensação de eventual saldo ainda remanescente com outros tributos e contribuições federais, nos moldes do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR COMPENSAÇÃO EM PERÍODOS POSTERIORES O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo, somente poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes. 4. Cientificado em 30/09/2013, pág. 1.359, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 20/10/2013, o recurso voluntário de págs. 1.362/1.402. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 5 4 Recurso Voluntário. 5. Relata que, em procedimento de fiscalização, o fiscal entendeu que a empresa não ofereceu à tributação R$15.586.962,83 de lucros auferidos no exterior da controlada direta Embraer Aviation Europe EAE, na França, e R$13.178.422,02 pelas controladas da Embraer Spain HoldingESH, na Espanha, estas últimas controladas indiretas e: (i) adicionou os lucros auferidos no exterior pela EAE (R$ 15.586.962,83), bem como pelas controladas da ESH (R$ 13.178.422,02); (ii) deduziu, de tal montante, a parcela de R$ 1.591.475,01, adicionada a maior pela Recorrente, relativamente aos lucros da Embraer Aircraft Holding ("EAH"), sediada nos Estados Unidos; (111) no que concerne à apuração do lucro real, adicionou a CSLL supostamente devida sobre os lucros no exterior autuados; (iv) apurou o IRPJ e a CSLL devidos sobre as respectivas bases de cálculo objeto das autuações; e (v) deduziu, dos tributos supostamente devidos, o imposto pago no exterior e o imposto de renda retido na fonte (IR Fonte). 6. Resultou diminuição do SN IRPJ de 31/12/2008, de R$()58.371.088,05 apurado pela empresa, para R$()48.781.837,17, apurados pela fiscalização, e que foram reconhecidos no Despacho Decisório, que homologou parte das compensações declaradas, com este crédito. 7. E embora a adição dos lucros no exterior tenha implicado em mera redução do saldo negativo do IRPJ, e não em imposto a pagar, foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, no Processo Administrativo n° 13884.723267/201264, em relação aos quais a Recorrente apresentou impugnação. 8. Posteriormente, foi efetuado Termo Fiscal de Revisão de Ofício e Relatório de Revisão Interna de DIPJ com Revisão de Ofício e Auto de Infração com Revisão de Ofício, em que foi revisado o montante do imposto pago no exterior pela EAE, resultando na redução do SN IRPJ 31/12/2008 para R$()41.381.233,19 e na emissão de novo Despacho Decisório Seort nº 126/2013, em substituição ao anterior e as compensações foram homologadas até esse novo limite. 9. Advoga a nulidade do DD de revisão de ofício, por ausência de erro de fato e impossibilidade de revisão de ofício. 10. Tendo sido efetuada com base no art. 149, VIII e IX do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e convalidada pela DRJ, não estavam presentes os pressupostos legais, porque nenhum fato novo foi levado ao conhecimento do Agente Fiscal que não fosse do conhecimento quando do primeiro Relatório Fiscal, nem se comprovou a ocorrência de fraude, falta funcional ou omissão de ato ou formalidade especial no lançamento anterior, sendo que a revisão de ofício foi efetuada pelo mesmo Agente Fiscal; tampouco houve erro de fato, erro de cálculo ou erro de digitação a autorizar a alteração do lançamento. 11. E tampouco houve simples erro de cálculo ou digitação, como pretende o Sr. Agente Fiscal. Pelo contrário: ao apresentar novo limite do imposto pago na França passível de compensação no Brasil, houve nítida alteração no critério de cálculo adotado pelo Sr. Agente Fiscal, que reflete o novo entendimento que este passou a ter da matéria, ou seja, uma nova forma de interpretar e aplicar a norma que trata da compensação do imposto pago no exterior , e o próprio acórdão da D RJ, inclusive, atesta que não houve erro de fato no caso, mas, sim, súbita alteração de interpretação jurídica; o contexto fático sempre foi o mesmo, apenas tendo sido alteradas as conclusões jurídicas desse contexto. Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 6 5 12. Pugna pela impossibilidade de inovação dos argumentos que fundamentaram o Despacho Decisório pela Turma Julgadora, pois a decisão da DRJ aduziu argumento que não deverá ser acolhido por esse E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que consiste em inovação, que não corresponde ao fundamento do Despacho Decisório; eis que se firmou a premissa de que na ocasião do despacho que não homologou as compensações, o Fisco legitimou a juridicidade do emprego de tributos pagos no exterior na composição do saldo negativo brasileiro, seja para aumentálo, seja para diminuílo, mas apesar disso, o acórdão recorrido adotou critério jurídico distinto: Ou seja, na hipótese de inexistência de imposto a pagar no Brasil, a compensação do imposto já pago no exterior é postergada para compensações futuras com o apurado em períodos subsequentes: ou seja, o imposto pago no exterior jamais pode compor o Saldo Negativo de IRPJ passível de restituição ou compensação nos termos dos arts. 6o e 74 da Lei n° 9.430, de 1996. 13. Argui a nulidade da revisão de ofício, devido aos equívocos do Agente Fiscal; a. comparandose o novo quadro apresentado após a revisão do lançamento com aquele que foi elaborado quando do lançamento original (págs. 1.382/1.384), notase que, no que diz respeito à EAE, o Agente Fiscal deixou de considerar o montante por ele próprio autuado a título de lucros auferidos no exterior (R$ 15.586.962,83) para fins de cômputo da parcela do imposto francês que pode ser compensado no Brasil, enquanto na planilha original tal valor constava da coluna 2 ("Auto"), na planilha que acompanhou o Relatório de Revisão Interna de DIPJ com Revisão de Ofício, tal valor não é apresentado; b. a diferença entre as colunas 6 ("Lucro após Adição") e 5 ("Lucro Antes da Adição"), que monta a R$ 59.239.123,64, não corresponde, como seria esperado, ao montante dos lucros auferidos pela EAE, na França, constante das colunas 1 e 3 ("Fiscal"), qual seja, R$ 55.046.323,87. c. enquanto a coluna 8 ("I Renda s/6") reflete o IRPJ incidente sobre a parcela de R$ 84.665.885,69, constante da coluna 6 ("Lucro após Adição"), o valor expresso na coluna 7 ("I Renda s/5") não guarda qualquer relação com a coluna 5 ("Lucro Antes da Adição"), não expressando o IRPJ incidente sobre R$ 25.426.762,05, como seria de rigor. d. O montante na coluna 7 (R$ 7.380.890,46) é idêntico ao lançado no auto de infração de IRPJ lavrado processo administrativo n° 13884.723267/201264; a coincidência entre os números denota o erro cometido: em vez de apurar o IRPJ que seria devido sobre o lucro antes da adição dos resultados auferidos pela controlada da Recorrente na França, este apenas reproduziu, na coluna 7, o montante do IRPJ alegadamente devido sobre a parcela de R$ 29.619.561,82, lançado por meio de auto de infração; se tivesse feito o cálculo do IRPJ devido sobre a parcela de R$ 25.426.762,05, nos mesmos moldes do quanto realizado com relação à coluna 8, a coluna 7 apresentaria a quantia de R$ 6.332.690.51 que seria o imposto incidente sobre o lucro antes da adição; se na coluna 7 constasse o valor de R$ 6.332.690,51, terseia como consequência o aumento da parcela constante da coluna 9 ("Diferença entre 7 e 8"), a qual corresponde Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 7 6 justamente à diferença entre os valores das colunas 8 ("I Renda s/6") e 7 ("I Renda s/5"); a coluna 9 passaria a apresentar o valor R$14.809.780,91 que é o limite do imposto pago na França compensável no Brasil, porquanto tal valor corresponde ao imposto brasileiro incidente sobre os lucros auferidos pela controlada francesa da Recorrente, certo é que a totalidade do imposto francês efetivamente pago (RS 14.781.494,43), determinado na coluna 4 ("Pagamentos c/ Porcentagem Part."), sendo absolutamente incorreta a pretensão do Sr. Agente Fiscal de recalcular tal limite para R$ 7.380.890,46. e. A coluna 10 trata da parcela do imposto que poderá ser compensada no Brasil: comparase o imposto pago na França com o devido no Brasil, sobre os rendimentos auferidos na França, o menor dos dois valores será a parcela do imposto francês compensável no Brasil; por isso, a coluna 10 é denominada "O Menor Entre 9 e 4": a coluna 9 ("Diferença entre 7 e 8") apresenta o imposto devido no Brasil sobre os rendimentos auferidos na França, e a coluna 4 ("Pagamentos c/ Porcentagem Part."), diz respeito ao próprio imposto francês, convertido em Reais; mas, na coluna 10 o Agente Fiscal não pegou o menor valor, considerandose as colunas 9 e 4 (ainda que calculadas de acordo com os seus critérios), e sim o valor constante da coluna 7 ("I Renda s/5") o qual é o valor do IRPJ sobre lucros no exterior lançado em auto de infração, decorrendo de grave equívoco. Assim, ainda que mantidos os cálculos efetuados pelo Agente Fiscal que estão incorretos, como se demonstrou certo é que, tivesse sido adotados os critérios por ele mesmo alicerçados em sua planilha, o crédito do imposto na França compensável no Brasil seria de R$ 13.761.580,96, e não de RS 7.380.890.46. f. Com isso, o total do crédito de imposto pago no exterior compensável no Brasil passaria a R$ 19.814.225,l29 e o saldo negativo de IRPJ passível de compensação com os demais tributos, R$ 47.761.923,69 (em vez dos R$ 41.381.233,19 reconhecidos no Despacho Decisório SEORT n° 126/2013, conforme tabela a seguir: Imposto de Renda FISCAL(R$) Lucro Real Ajustado 29.619.561,82 Imposto Devido 7.380.890,46 Imposto Pago no Exterior 19.814.225,29 Imposto Renda Fonte 30.559.727,39 Imposto de Renda 0 Públicos 4.768.861,47 Saldo Negativo de IRPJ 47.761.923,69 14. Da necessidade, negada pela DRJ, de sobrestamento do presente processo, ou julgamento conjunto com o processo administrativo nº 13884.723267/201264, para evitar decisões conflitantes, atendendo principalmente aos princípios da razoabilidade e da eficiência, entre os demais a que está sujeita a Administração Pública, dado que o montante de RS 7.380.890,46, equivalente ao IRPJ apurado em razão da adição, de ofício, dos lucros no exterior, foi duplamente considerado pelo Sr. Agente Fiscal: (i) na redução do saldo negativo de IRPJ, que resultou na não homologação de parcela das respectivas compensações; e (ii) na lavratura do auto de infração de IRPJ. Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 8 7 15. No título Do Direito, argumenta que: a. foi incorreto o procedimento quanto ao lucro auferido pela controladas indiretas, porque somou, aos lucros auferidos individualmente pelas controladas da ESH, as parcelas relativas às exclusões que devem ser feitas para fins de elaboração das demonstrações financeiras consolidadas, o que demonstra nas planilhas de pág. 1.398, onde demonstra que, pelo certo, foi oferecido à tributação valor a maior de R$83.445.679,35, que somado aos R$ 1.591.475,01, que dizem respeito à subsidiária americana EAH (que foi reconhecido pelo Agente Fiscal) e diminuído da parcela dos lucros da francesa EAE, supostamente não oferecidos à tributação, de R$ 15.586.962,83, perfaz um crédito para a Recorrente de R$ 69.450.191,53 de lucros no exterior adicionados a maior; b. impossibilidade de tributação dos lucros das controladas indiretas, de forma individualizada, porque o parágrafo 6ª do artigo 1º da Instrução Normativa SRF n° 213, de 2002 dispõe que todos os resultados auferidos no exterior, por meio de investimentos detidos indiretamente em controladas e coligadas, serão consolidados no balanço patrimonial da empresa na qual haja a participação direta; por isso, não há a possibilidade de esses resultados serem tributados segregadamente ou isoladamente, como pretendeu a Fiscalização, sendo, portanto, indevida a adição "de ofício" de tais valores e, consequentemente, a redução do saldo de prejuízo fiscal apurado pela Recorrente; c. não houve planejamento tributário abusivo indevida menção à convenção BrasilEspanha, porque a Recorrente não fez uso das disposições do tratado dado que adicionou os valores decorrentes da sociedade espanhola (R$256.286.679,35); não houve interposição da sociedade espanhola de modo a abrigarse no tratado para evitar duplatributação; d. impossibilidade de adição da CSLL supostamente devida, no valor de R$2.445.651,88, à base de cálculo do IRPJ, pois tal adição só se justifica se a CSLL ter sido previamente deduzida como custo ou despesa, na apuração do lucro líquido, o que não ocorre quando se está diante de tributos lançados de ofício, os quais não foram previamente deduzidos pelos contribuinte autuados porque sequer haviam sido apurados, afinal. 1.1.1 A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário e Razões ao Recurso de Ofício. 16. Que a Recorrente alega, basicamente, que: (a) que não se aplica o método da equivalência patrimonial (MEP) nas empresas sediadas na França; (b) os valores tributados com fundamento no art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, correspondem ao lucro da controlada no exterior (EAE). e não da empresa brasileira autuada (EMBRAER SA); (c) o art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, viola o § 1º do art. 7º do Tratado para evitar dupla tributação firmado entre o Brasil e a França. 17. Acerca do MEP, explica que não é possível impor a aplicação do MEP a pessoa jurídica residente em país estrangeiro, porém a legislação brasileira determina que as pessoas jurídicas (brasileiras), que detenham investimentos relevantes em controladas ou coligadas diretas ou indiretas, estão obrigadas a avaliálos pelo MEP; visa avaliar o valor do investimento Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 9 8 detido pela controladora, considerados todos os lucros auferidos na cadeia de pessoas jurídicas que compõem o grupo empresarial. 18. E que a recorrente, equivocadamente, acredita que a consolidação dos resultados auferidos por controladas diretas e indiretas residentes no exterior deve ser feito pela controlada direta no caso, a EAE. Conforme já explicitado, o MEP é uma imposição da legislação brasileira, que somente obriga a pessoa jurídica residente no Brasil a realizar sua escrituração contábil observando o MEP; portanto, cabe à controladora brasileira o trabalho de realizar a consolidação dos resultados do grupo empresarial, levando em conta os lucros obtidos tanto pelas controladas diretas quanto pelas indiretas. Implica dizer que, mesmo que a legislação francesa não exija que a EAE utilize o MEP, isso não afeta a obrigação da sua controladora residente no Brasil registrar e oferecer à tributação os resultados auferidos por intermédio das pessoas jurídicas controladas pela empresa francesa. Com efeito, essa é a consequência da aplicação do MEP, isto é, determinar o resultado auferido por todo o grupo empresarial, que deve ser vislumbrado como uma unidade econômica. 19. Sobre a aplicabilidade do art. 74 da MP nº 2.158, de 2001, às controladas diretas e indiretas, destaca que a redação do dispositivo não faz qualquer limitação quanto ao conceito de pessoa jurídica controlada, referindose a "controlada ou coligada no exterior", e estas são conceituadas pelo § 2º do art. 243 da Lei das SA's, que abrange tanto a noção de domínio direto quanto indireto, assim como o art. 1.098 do Código Civil; assim o art. 74 da MP nº 158, de 2001, tem aplicação em caráter geral, sem diferenciar entre a modalidade direta ou indireta, além de que objetiva implementar a tributação universal da renda das pessoas jurídicas e, ao mesmo tempo, evitar o diferimento por tempo indeterminado da renda auferida por intermédio de controladas ou coligadas no exterior. 20. Aceitar a aplicação do dispositivo somente para as controladas diretas significaria esvaziar o sentido da norma, porque bastaria constituir pessoas jurídicas intermediárias controladas diretas entre a controladora brasileira e a subsidiária que concentra a produção de riqueza que figuraria como controlada indireta. Diante disso, é fundamental para concretizar a finalidade do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, que a sua aplicação atinja controladas diretas e indiretas situadas no exterior. 21. Tratase de uma regra que permite fixar um marco para a disponibilização de lucros e, com isso, sua inclusão na apuração do IRPJ e da CSLL da controladora ou coligada residente no Brasil. Esse é o núcleo da norma e é a partir dele que devem ser extraídos os efeitos tributários; para fins da incidência do IRPJ e da CSLL, a legislação brasileira criou uma presunção absoluta de que os lucros foram disponibilizados aos sócios brasileiros na data de sua apuração no balanço da controlada ou coligada residente no exterior; então, no momento em que for apurado o lucro no exterior, ele será oferecido à tributação no Brasil na proporção da participação da empresa brasileira em suas controladas e coligadas estrangeiras. Assim, perde força a argumentação da contribuinte de que ainda não teria havido a disponibilização dos lucros para a controlada direta situada na França EAE e, por isso, não poderiam ser tributados os lucros auferidos por intermédio das controladas indiretas. Com efeito, para fins do disposto no art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, basta a apuração do resultado no balanço da controlada seja ela direta ou indireta para que se considerem disponibilizados os lucros para a controladora residente no Brasil, considerados de forma individualizada, inciso 1 do art. 16 da Leí nº 9.430, de 1996, c/c os incisos I e II do § 2o do art. 25 da Leí n° 9.249, de 1995. Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 10 9 22. Sobre a tributação dos lucros auferidos por intermédio da controlada na França, aponta semelhança com o caso Eagle, de enorme repercussão; a Eagle, empresa brasileira que possuia estrutura societária semelhante com a da Recorrente e, em relação à qual entendeuse, no Acórdão nº 10197.070 que o art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, poderia servir de fundamento para que, na apuração do IRPJ e da CSLL da Eagle, fossem incluídos os resultados auferidos por intermédio de sua controlada indireta residente no Uruguai, responsável pelo resultado operacional do grupo que concentrava os lucros do grupo, sendo que a controlada direta se situava na Espanha, e que havia sido interposta, sem motivo negocial, visando atrair a incidência do tratado Brasil Espanha. 23. Identifica que o resultado prático do planejamento tributário elaborado pela contribuinte, é que não haveria tributação no Brasil, nem na França que somente existiria no momento da efetiva distribuição dos resultados auferidos pelas subsidiárias. Isso demonstra o abuso e o desvirtuamento da finalidade do Tratado BrasilFrança, dado que a Convenção que serviria para evitar a dupla tributação sobre a renda e a evasão fiscal, passa a fundamentar uma situação na qual o grupo empresarial não será tributado em nenhum dos Estados Contratantes. Portanto, nada impede que seja adotado o mesmo entendimento firmado no "caso EAGLE" ao julgamento do presente processo administrativo. 24. Sobre a acusação da Recorrente de que o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001 viola os arts. 7º e 10 do Tratado BrasilFrança, pois se está a tributar os lucros da EAE domiciliada na França e não da Embraer S/A, no Brasil, aponta que o dispositivo atacado consiste em norma voltada para a disciplina das CFCs, seja pela interpretação gramatical, pois disciplina os elementos que devem compor a base de cálculo do IRPJ e CSLL, lucros obtidos por intermédio das controladas e coligadas no exterior e estabelece estabelecendo uma presunção absoluta quanto ao momento da disponibilização destes lucros para a controladora ou coligada brasileira; seja pela interpretação histórica, pois editada quando a atenção dos principais países estava voltada para as práticas de concorrência fiscal internacional prejudicial e se desenvolveram parâmetros e modelos a fim de eliminar condutas prejudiciais à tributação internacional e o Brasil adotou as normas CFC, para fins de incidência tributária, visando combater a elisão fiscal; e pela interpretação finalística, pois o objetivo do art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, foi implementar a tributação universal da renda das pessoas jurídicas e, ao mesmo tempo, evitar o diferimento por tempo indeterminado da renda auferida por intermédio de controladas ou coligadas no exterior. 25. Ambas as normas, o art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, e o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, objetivam efetivar a tributação em bases universais e coibir o diferimento indeterminado dos rendimentos produzidos no exterior por meio de controladas ou coligadas; cita voto no SRF no ADI 2.588. 26. Ainda no que tange à acusação que o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001 viola os arts. 7º e 10 do Tratado BrasilFrança, argumenta que, em se tratando de norma CFC, é de sua essência o tratamento das controladas ou coligadas no exterior como pessoa jurídicas distintas da controladora ou coligada residente no Brasil e é direcionada às últimas; constitui apenas uma técnica de tributação, visando apenas incluir na apuração do tributo devido pela empresa residente no Brasil, os resultados obtidos por esta por intermédio da subsidiária estrangeira, fixando a data da disponibilização dos lucros à sócia brasileira; referese à parcela que caberia à sócia brasileira do lucro apurado pela subsidiária no exterior, aproximandose da concepção de dividendos, no caso, dividendo ficto, ou dividendo atribuído (§§ 37 a 39 dos comentários OCDE ao art. 10 da Convençãomodelo); em síntese, não visa tributar o lucro da pessoa Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 11 10 jurídica residente em outro país; o que conduz à interpretação sistemática da IN SRF nº 213, de 2002, que regulamentou o dispositivo; assim o § 7º do art. 1º explicita que é tributado o lucro disponibilizado pela controlada coligada no exterior, o que equivale a dividendos distribuídos por presunção legal; e os tributos pagos no exterior serão utilizados para a compensação do tributo a ser pago no Brasil, calculado sobre o lucro distribuído, pelo valor bruto, na proporção de participação da empresa brasileira; cita Acórdão nº 110100.365 do CARF. 27. A exigência de IRPJ e CSLL sobre a parcela do lucro atribuído à controladora ou coligada brasileira não viola o Tratado BrasilFrança, para evitar dupla tributação sobre a renda, porque tem por objeto os lucros da empresa brasileira, sócia da empresa no exterior e a norma CFC não viola o propósito do tratado, segundo entendimento da OCDE, que reconhece que o modelo das regras CFC varia entre os países, mas que o traço comum desse tipo de regra é a tributação dos residentes de um Estado Contratante em relação à renda proveniente de sua participação em empresas estrangeiras, característica presente no art. 74 da MP n° 2.158 35/2001, e não há limite para o direito de um Estado Contratante tributar seus próprios residentes, dessa forma não viola o art. 7º do Tratado. 28. Quanto ao art. 10, relativo à tributação de dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante, sendo dividendos todos os rendimentos provenientes de direitos de participação nos lucros da sociedade; a tributação do montante integral dos lucros, antes do desconto do imposto pago no país da fonte, é simples técnica de arrecadação, que consiste em tributar o bruto e deduzir, do tributo apurado, o imposto pago no país da controlada. Essa foi a técnica instituída na legislação brasileira devidamente explicitada no § 7o do art. Io da IN SRF n° 213, de 2002. Os lucros auferidos por meio da EAE e disponibilizados segundo o art. 74 da MP 2.158, de 2001, enquadramse no conceito de dividendos presumidos, que atrai a incidência do Artigo 10 do Tratado; cita Acórdãos nº 10808.865 e nº 10517.382, do então 1º Conselho de Contribuintes e nº 110100.365 do CARF. 29. Sobre a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, diz que defensores da tese da inaplicabilidade de juros sobre a multa salientam a menção do legislador no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a débitos de tributos e contribuições, diferentemente de legislação anterior, que reportava a débitos de qualquer natureza (DecretoLei n° 2.323, de 1987, e Lei n° 8.218, de 1991) e em interpretação supostamente literal, defendem que apenas o valor de tributos e contribuições submeterseia aos juros moratórios e a multa de ofício não sofreria a incidência de juros de mora; porém, a interpretação literal não pode ignorar o termo "decorrentes" antes de "tributos e contribuições; quanto às finalidades da lei, as multas possuem finalidades punitiva e educativa, concretizadas mediante uma expressão pecuniária e afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar essas finalidades, dado que, no decurso do procedimento administrativo e eventual judicial, a multa perderia valor sem a aplicação dos juros moratórios; por isso, o crédito tributário, constituído dos impostos e contribuições e respectivas multas de ofício, que fazem parte de um todo, deve ser uniformemente corrigido nos termos da legislação; transcreve jurisprudência. 30. Não há dúvidas, segundo a dicção do art. 161 do CTN, do acréscimo de juros de mora sobre o crédito não adimplido no vencimento. Uma simples análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 12 11 Contrarrazões ao recurso de ofício 31. Advoga a necessidade de manutenção do lançamento relativo à exigência de IRPJ, cancelado pela DRJ, porque os valores de IRPJ lançados neste processo também serviram para reduzir o saldo negativo que está sendo debatido no processo administrativo nº 13884.723115/201261, tendo concluído que, se mantida a autuação, haveria duplicidade de exigência. 32. Considera que a autoridade fiscal agiu corretamente nos dois processos: quando constatou que a contribuinte deixou de oferecer valores à tributação, diminuindo indevidamente a base de cálculo do IRPJ, estava no dever legal de realizar o lançamento; ao analisar o pedido de compensação da contribuinte, que tinha por base os valores de saldo negativo de IRPJ, identificou que havia glosas a serem feitas no saldo negativo de IRPJ e estava obrigada legalmente a realizar os ajustes. 33. O fundamento usado para cancelar a autuação de IRPJ foi a suposta dupla tributação da contribuinte, pela exigência no Auto de Infração e pela redução do saldo negativo de IRPJ; no entanto, enquanto não terminados os dois processos administrativos, não haverá certeza se a contribuinte será efetivamente onerada em duplicidade: se o resultado do processo administrativo n° 13884.723115/201261 for favorável à contribuinte, implicaria o restabelecimento de toda a base negativa de IRPJ. Como a recorrente interpôs recursos em ambos os processos administrativos, que serão submetidos ao CARF, é possível que o julgamento do recurso favoreça a contribuinte no tocante ao saldo negativo do IRPJ; assim, a autuação do IRPJ concomitantemente à redução do saldo negativo de IRPJ somente se consolidará como dupla tributação depois de encerrada as discussões nos dois processos administrativos. Por essa razão, deve ser reformada a decisão proferida pela DRJ/RJ1, para que seja restabelecido o lançamento referente ao IRPJ. 34. Conclui requerendo que seja negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte e dado provimento ao recurso de ofício. 1.1.2 Processo apensado. 35. Apensado ao presente, encontrase o processonº 13884.720004/201384, de cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada neste processo Voto Conselheiro Relator Eva Maria Los 2 Processos nº 13884.723115/201261 e 13884.723267/2012.64. Julgamento conjunto. 36. Ambos tratam do IRPJ e da CSLL apurados no anocalendário 2008, no mesmo procedimento de revisão da DIPJ 2009/2008. 37. Por isso, os julgamentos dos processo nº 13884.723115/201261, que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de SN IRPJ apurado em 31/12/2008, e nº 13884.723267/2012.64, que trata de lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL apurados em 31/12/2008, só fazem sentido se concomitantes. Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 13 12 38. A RFB disciplinou o procedimento na Portaria RFB nº 354, de 11 de março de 2016: Art. 3° Os autos serão juntados por apensação nos seguintes casos: (...) III indeferimento de pedido de ressarcimento ou não homologação de DCOMP e o lançamento de ofício deles decorrentes. § 1° No caso de que trata o inciso III do caput, o processo principal ao qual devem ser apensados os demais será: I o que contiver os autos de infração, se houver; ou (...) § 2° A apensação, na hipótese a que se refere o inciso III do caput, deve ser efetuada: I depois do decurso do prazo de contestação dos autos de infração e dos despachos decisórios e envolverá todos os processos para os quais tenham sido apresentadas impugnações e manifestações de inconformidade, observado o disposto no § 18 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e II na unidade da RFB em que estiverem todos os processos, se a fase processual em que se encontrarem permitir. 39. O procedimento de apensação implica em que ambos processos receberão julgamentos em Acórdãos distintos, porém concomitantes, a fim de evitar duplicidade ou decisões conflitantes. 40. No caso, os processos não se encontram apensados, quando deveriam ter sido, porém nada obsta que o julgamento se processe como se o fossem. 3 Nulidades. 41. Advoga a nulidade do DD de revisão de ofício, por ausência de erro de fato e impossibilidade de revisão de ofício e nulidade da própria revisão de ofício, devido aos equívocos do Agente Fiscal, que aponta. 42. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 43. Iniciando a análise, pela revisão de ofício, verificase que à luz da legislação transcrita, não é caso de nulidade se o Agente Fiscal cometeu erros ou equívocos, pois o Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 14 13 objetivo do contraditório é justamente expurgálos; no caso, se confirmados erros, este serão analisados e sanados no julgamento no CARF. 44. Quanto à possibilidade de edição de novo DD pela DRF, com base em revisão de ofício, verificase que; a. foi proferida por autoridade competente, dado que se trata de Auditor Fiscal da Receita Federal, devidamente autorizado pelo Delegado da DRF de jurisdição, para o reexame, pág. 1.075 (994), consoante Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2 e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34; b. não ocorreu preterição do direito de defesa, pois a Recorrente foi cientificada e apresentou sua manifestação de inconformidade a qual foi acolhida; c. tendo sido a PERDcomp original mais antiga deste processo enviada em 30/06/2009, não havia decorrido o prazo de 5 (cinco) anos, na data da ciência em 20/05/2013 (pág. 1.204 (1.285), do Despacho Decisório Seort nº 126/2013, proferido com base na revisão de oficio. d. No que tange a revisão de ofício de lançamento, art. 149, VIII e IX do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966: i. o lançamento fiscal no processo nº 13884.723267/2012.64 não foi objeto de revisão de ofício, mas resultou da mesma revisão de ofício que embasou o DD Seort 126/2013, que cancelou o anterior assim, quanto ao Auto de Infração daquele processo, não se aplica o argumento do recurso voluntário, pois foi lavrado posteriormente e não foi revisado de ofício; e mesmo que fosse, desde que eventual lançamento complementar resultante não esteja alcançado pelo prazo de decadência, e o procedimento de revisão seja autorizado pela autoridade competente, e o contribuinte seja devidamente cientificado e lhe seja concedido prazo para defesa, não há impedimento; ii. a revisão de ofício da Revisão Interna da DIPJ decorreu de ter sido identificado que o valor do IMPOSTO PAGO EXTERIOR não eram R$20.834,138,76 (apurado à pág. 992, coluna 10) deduzidos na planilha MAPA COMPARATIVO DIPJ x LUCRO REAL AJUSTADO da coluna "FISCAL" de pág. 993 (na primeira revisão da DIPJ efetuada), mas R$13.433.534,79, explicado no Relatório de Revisão Interna de DIPJ com Revisão de Ofício, item 11, letras A, B, C, págs. 1.143/1.144, e planilha de págs. 1.275/1.276 (1.194/1195), sendo que na DIPJ, o valor de IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR compensado pelo contribuinte foi R$23.042.499,39, apurado por este na planilha de pág. 950 (944), intitulada RESULTADO DAS CONTROLADAS NO EXTERIOR; iii. o Agente Fiscal identificou o que considerou erro de fato e revisou a sua planilha de cálculo anteriormente efetuada (e que havia embasado o DD nº 001/2013) de pág. 1.073 (992); iv. portanto, a revisão efetuada se enquadra no disposto no art. 149, IX do CTN. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 15 14 v. contudo, analisarseá, no mérito, à luz dos argumentos apresentados pela Recorrente, as apuração fiscal foi correta. 45. A revisão de ofício de Despacho Decisório, reduzindo o valor do crédito originalmente reconhecido, é objeto do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, (Publicado(a) no DOU de 04/09/2014, seção 1, pág. 24) : COMPETÊNCIA PARA EFETUAR A REVISÃO DE OFÍCIO. Compete à autoridade administrativa da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência fiscal proceder à revisão de ofício do lançamento, inclusive para as hipóteses de tributação previdenciária. REVISÃO DE OFÍCIO – ATO INSTRUMENTO DA REVISÃO. O despacho decisório é o instrumento adequado para que a autoridade administrativa local efetue a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, a retificação de ofício de débito confessado em declaração, e a revisão de ofício de despacho decisório que decidiu sobre reconhecimento de direito creditório e compensação efetuada. RECORRIBILIDADE DA DECISÃO PROFERIDA EM REVISÃO DE OFÍCIO. A revisão de ofício nas hipóteses aqui tratadas não se insere nas reclamações e recursos de que trata o art. 151, III, do CTN, regulados pelo Decreto nº 70.235, de 1972, tampouco se aplica a ela a possibilidade de qualquer outro recurso. Todavia, este posicionamento não deve ser aplicado para os casos de reconhecimento de direito creditório e de homologação de compensação alterados em virtude de revisão de ofício do despacho decisório que tenha implicado prejuízo ao contribuinte. Nesses casos, em atenção ao devido processo legal, deve ser concedido o prazo de trinta dias para o sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade e, sendo o caso, recurso voluntário, no rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, enquadrandose o débito objeto da compensação no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. (Grifouse.) 4 Acórdão DRJ. Inovação. 46. Quanto ao Acórdão DRJ, cabe verificar se os argumentos que o fundamentaram resultarem em inovação, o que se fará na análise do mérito, neste voto. 5 Mérito. Do Direito: 47. Sobre ter sido incorreto o procedimento quanto ao lucro auferido pela controladas indiretas, porque somou, aos lucros auferidos individualmente pelas controladas da ESH, as parcelas relativas às exclusões que devem ser feitas para fins de elaboração das demonstrações financeiras consolidadas, o que demonstra nas planilhas de pág. 1.398, cabe razão ao contribuinte, o que será esclarecido adiante neste voto. 48. Sobre a impossibilidade de tributação dos lucros das controladas indiretas, de forma individualizada, de fato, o parágrafo 6º do artigo 1º da IN SRF n° 213, de 2002 assim o determina, ou seja, que sejam consolidados, por exemplo, os lucros das controladas da ESH, na Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 16 15 mesma, e, na sequencia, os da ESH, considerados na controladora residente no Brasil, que foi o procedimento adotado, tanto pelo contribuinte como pelo fiscal. 49. Alega que não houve planejamento tributário abusivo indevida menção à convenção BrasilEspanha, porque a Recorrente não fez uso das disposições do tratado dado que adicionou os valores decorrentes da sociedade espanhola (R$256.286.679,35); não houve interposição da sociedade espanhola de modo a abrigarse no tratado para evitar dupla tributação. Efetivamente, a recorrente adicionou os lucros das controladas diretas e indiretas, na apuração do lucro real; a fiscalização detectou valores omitidos, e por outro lado, reconheceu valor declarado a maior; portanto, não o que considerar que a ESH tenha sido constituída com o fito de evadir a tributação destes lucros, por se tratar de controlada situada em país, com o qual o Brasil mantém acordo para evitar bitributação. 50. Sobre a impossibilidade de adição da CSLL supostamente devida, à base de cálculo do IRPJ, cabe razão co contribuinte, como será esclarecido adiante 5.1 TRIBUTAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR 51. O art. 25 da Lei n° 9.249, de 1995, dispõe que o lucro das empresas residentes no Brasil será também composto pelos resultados auferidos no exterior, com base no princípio da tributação em bases universais. Dessa forma, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior passaram a integrar o lucro real das pessoas jurídicas brasileiras. 52. O art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, define o elemento temporal do fato gerador, ou seja, o momento em que se consideram disponibilizados os lucros para as controladoras ou coligadas brasileiras, o que não está em discussão neste caso. 53. O objeto da Lei n° 9.249, de 1995, e do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, não é o lucro de empresa estrangeira, mas os lucros da sociedade controladora sediada no Brasil. Significa que o enfoque da legislação nacional foi delimitar o conceito de lucro real, incluindo na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da empresa brasileira a parcela de lucros auferidos no exterior por intermédio de suas controladas ou coligadas. 54. A acusação de que o art. 74 afrontaria o artigo 7º das Convenções decorre do errôneo entendimento, expressamente rechaçado pelo STF, de que a tributação incidiria sobre lucros da controlada estrangeira, o que não é correto. Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. (Vide ADI nº 2588, 2001). (Grifouse) 55. O Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal STF, decidiu em 10/04/2013 (Publicado em 10/02/2014), com efeito erga omnes e vinculante, na ADI 2588 / DF Distrito Federal, Ação Direta De Inconstitucionalidade: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 17 16 omnes e efeito vinculante, conferir interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº 2.15835/2001 não se aplica às empresas “coligadas” localizadas em países sem tributação favorecida (não “paraísos fiscais”), e que o referido dispositivo se aplica às empresas “controladas” localizadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei), vencidos os Ministros Marco Aurélio, Sepúlveda Pertence, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. O Tribunal deliberou pela não aplicabilidade retroativa do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa, que lavrará o acórdão. Não participaram da votação os Ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, por sucederem a ministros que votaram em assentadas anteriores. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 10.04.2013. 56. Do teor do texto transcrito, se extrai que o STF acolheu com eficácia erga omnes e efeito vinculante, que a empresa brasileira deve ser tributada pelo IRPJ e pela CSLL sobre os lucros e outros resultados de empresas controladas e coligadas situadas no exterior ou seja, claro está que a legislação brasileira sobre tributação de resultados obtidos no exterior é dirigida à empresa brasileira os resultados auferidos por esta, no exterior são objeto de tributação na empresa residente no Brasil. 5.2 MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL MEP 2. A Lei das SA's determina que as participações detidas pela empresa, no capital de controladas e coligadas sejam avaliados pelo Método da Equivalência Patrimonial MEP, art. 248; o art. 25, § 2º, I da Lei nº 9.249, de 1995, que a apuração de lucros nas controladas no exterior seja segundo as normas da legislação brasileira; também, legislação tributária determina expressamente que os resultados das filiais, sucursais, controladas e coligadas situadas no exterior sejam considerados de forma individualizada.isso é o que preceitua o inciso I do art. 16 da Lei n° 9.430, de 1996, c/c os incisos I e II do § 2o do art. 25 da Lei n° 9.249, de 1995. 3. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, Lei das SA's. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 4. Lei nº 9.430, de 1996: Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 18 17 5. Lei n° 9.249, de 1995: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. § 2o Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; 6. E a IN SRF nº 213, de 2006, determina a consolidação dos resultados das controladas indiretas, na controlada direta. 7. Porém, não há contradição; o termo "consolidação" presente no § 6º do art. 14 da IN SRF nº 213, de 2002, significa demonstrar no balanço os resultados auferidos por outras sociedades ou entidades de que participa a pessoa jurídica controlada, ainda que essa participação seja indireta; referese à consolidação dos lucros, na proporção de participação detida no patrimônio das controladas, avaliado pelo MEP 8. Acerca do MEP, a legislação brasileira determina que as pessoas jurídicas (brasileiras), que detenham investimentos relevantes em controladas ou coligadas diretas ou indiretas, estão obrigadas a avaliálos pelo MEP; visa avaliar o valor do investimento detido pela controladora, considerados todos os lucros auferidos na cadeia de pessoas jurídicas que compõem o grupo empresarial. 9. O MEP é uma imposição da legislação brasileira, que somente obriga a pessoa jurídica residente no Brasil a realizar sua escrituração contábil observando o MEP; portanto, cabe à controladora brasileira o trabalho de realizar a consolidação dos resultados do grupo empresarial, levando em conta os lucros obtidos tanto pelas controladas diretas quanto pelas indiretas. Implica dizer que, mesmo que a legislação francesa não exija que a EAE utilize o MEP, isso não afeta a obrigação da sua controladora residente no Brasil registrar e oferecer à tributação os resultados auferidos por intermédio das pessoas jurídicas controladas pela empresa francesa. Com efeito, essa é a consequência da aplicação do MEP, isto é, determinar o resultado auferido por todo o grupo empresarial, que deve ser vislumbrado como uma unidade econômica. 5.3 TRATADO INTERNACIONAL OU ACORDO PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO. 57. A IN SRF nº 213, de 2002, que regulamentou os arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; os arts. 16 e 17 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; o art. 1º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; no art. 3º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000; e os arts. 34 e 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, determina Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 19 18 no §7º do art. 1º: "Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem.”. Significa que, no momento em que for apurado o lucro no exterior, ele será oferecido à tributação no Brasil – na proporção da participação da empresa brasileira em suas controladas e coligadas estrangeiras e, apurados o IRPJ e CSLL devidos no Brasil, se realmente houve pagamento de tributo no exterior, será considerado para fins de compensação com o tributo a ser pago no Brasil. 58. O art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, expressamente reconhece o direito à compensação do imposto pago no exterior até o montante devido, no Brasil, a título de IRPJ e CSLL. Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. 59. Dessa maneira, a renda auferida por intermédio das controladas residentes no exterior não será tributada mais de uma vez, basta que apresente o comprovante dos tributos pagos no país estrangeiro. Com isso, restará afastada a indesejada dupla tributação. 60. Portanto, fica claro que o Tratado para Evitar Bitributação, entre Espanha e Brasil, não impede a tributação de resultado da ESH: a. a partir da fração dos lucros da controlada ESH, a que a controladora tem direito (neste caso 100%) , antes de descontado o imposto pago na Espanha, efetuase a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela Autuada; dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduzse o valor do imposto pago pela controlada na Espanha. 61. Dessa forma, a controlada direta e as indiretas, na Espanha, são tributadas pelos países de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago no exterior até o limite do devido no Brasil do total de IRPJ mais CSLL, sobre os lucros do exterior. 5.4 RESULTADOS DE CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. 62. Os rendimentos ou ganhos de capital auferidos por coligadas e controladas da controlada direta no exterior deverão ser consolidados por esta última, que é controlada direta da empresa no Brasil. 63. A IN SRF nº 213, de 07 de outubro de 2002, tendo em vista o disposto no Código Tributário Nacional CTN e as leis referentes à tributação de lucros oriundos do exterior, determinou: Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 20 19 Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação específica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. § 1º Os lucros referidos neste artigo são os apurados por filiais e sucursais da pessoa jurídica domiciliada no Brasil e os decorrentes de participações societárias, inclusive em controladas e coligadas. § 2º Os rendimentos e ganhos de capital a que se refere este artigo são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (...) § 7º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. (...) Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (,,,) § 4º A compensação do imposto será efetuada, de forma individualizada, por controlada, coligada, filial ou sucursal, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas, coligadas, filiais ou sucursais. (...) § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. (...) § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 21 20 § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. (...) § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo ano calendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes. § 16. Para efeito do disposto no § 15, a pessoa jurídica deverá calcular o montante do imposto a compensar em anos calendário subseqüentes e controlar o seu valor na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). § 17. O cálculo referido no § 16 será efetuado mediante a multiplicação dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real, considerados individualizadamente por filial, sucursal, coligada ou controlada, pela alíquota de quinze por cento, se o valor computado não exceder o limite de isenção do adicional, ou pela alíquota de vinte e cinco por cento, se exceder. 64. O § 6º do art. 14 supra determina claramente que os lucros das controladas indiretas deveriam ter sido consolidados na controlada direta ESH, na Espanha. 65. Também é claro o § 2º do art. 1º, de que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, sujeitos à incidência do IRPJ e CSLL, de que trata a legislação que a IN regulamenta, são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 66. De onde se depreende que a ESH deveria consolidar os resultados de suas respectivas controladas e oferecer à tributação na Espanha; e os resultados da ESH auferidos pela Autuada devem compor o seu lucro real. 67. Dessa forma, mediante consolidação vertical, tanto os resultados próprios da controlada direta ESH, com os resultados das controladas indiretas, compõem os resultados que a Autuada auferiu do exterior que esta deve adicionar ao lucro real. 5.5 VERIFICAÇÃO SE A CONTROLADA DIRETA ESH CUMPRIU A DETERMINAÇÃO DE CONSOLIDAR OS RESULTADOS DAS RESPECTIVAS CONTROLADAS EM TERCEIROS PAÍSES (CONTROLADAS INDIRETAS DA AUTUADA) . 68. O agente fiscal certificouse de que a Embraer Spain Holding ESH tratavase de uma holding pura, sem atividades operacionais próprias; isto é, os resultados que consolidaria seriam os das suas respectivas controladas (controladas indiretas da Recorrente), pág. 1.230 (1.149) : Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 22 21 — x)Pelo balanço acima da Embraer Spain em seu Ativo verificase apenas a existência de investimentos nas controladas e na demonstração de resultados apenas receitas de participações (financeiras), não se observa no balanço e nos resultados, despesas com empregados, bens móveis e instalações operacionais). 69. O agente fiscal, conforme o relatório de Revisão Interna de DIPJ com revisão de Ofício, págs. 1.222/1.267 (1.141/1.185) e Planilha de Revisão de Ofício de págs. 1.275 (1.194), verificou que a recorrente adicionou lucros de controladas no exterior, porém ao efetuar a verificação constatou valores não adicionados, que incluiu, revisou os valores dos impostos pagos no exterior e constatou que a taxa de conversão de moeda estrangeira para a moeda nacional estava incorreta e esclareceu: — OS LUCROS FORAM ADICIONADOS POR CONTROLADA INDIRETAS — OS LUCROS FORAM CALCULADOS CONFORME A % DE PARTICIPAÇÃO. — A MOEDA UTILIZADA FOI O EURO, CONFORME FOI ELAABORADO O BALANÇO CONSOLIDADO (FLS) — O TOTAL DA COLUNA RECEITAS CONFERE COM O VALOR DO BALANÇO CONSOLIDADO (FLS) — FORAM EXCLUÍDOS PARA APURAR O LUCRO INDIVIDUAL DE CADA CONTROLADA INDIRETA DA EMBRAER A ELIMINAÇÕES DE OPERAÇÕES COM PARTES RELACIONADOS, TAIS ELIMINAÇÕES SOMENTE SE UTILIZAM NA TÉCNICA DE CONSOLIDAÇÃO. — FICARAM ASSIM AJUSTADOS OS LUCROS DE CADA PARTICIPAÇÃO INDIRETA DA EMBRAER BRASIL, NAS EMPRESAS DEPENDENTES DA EMBRAER SPAIN, NA % DE PARTICIPAÇÃO DA EMBRAER BRASIL. 70. Planilha: Relatório Revisão Interna de DIPJ Revisão de Ofício Coligadas e Subsidiárias: 11) Lucros no exterior adic ao Lucro Real adicionados pelo contribuinte Agente fiscal: Correção lucro adic a maior/menor Explicação IR pago no Exterior conforme compro vantes, pág. 1.251 (1.170) % part Pag ext x % part EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH 8.294.687,43 1.591.475,01 13.061.024,45 100% 13.061.024,45 EMBRAER AVIATION EUROPE EAE 55.046.323,87 15.586.964,55 Euro (21.812.852 16.999.312 = 4.813.540)* 3,23815R$/Euro, valor a menor reconhecido pela Recorrente, pág. 1.224 (1.143) 14.781.494,43 100% 14.781.494,43 EMBRAER CREDIT LTD ECL 1.810.962,52 EMBRAER OVERSEAS 5.180.791,30 EMBRAER ASIAN PACIFIC 509.587,00 EMBRAER SPAIN (*) HOLDING ESH 256.286.116,21 13.178.421,03 5.553.325,43 45% e 51% 2.776.248,25 EMBRAER REPRE SENTATION LLC ERL 58.961.179,55 Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 23 22 Total 386.089.647,88 27.173.910,57 33.395.844,31 30.618.767,13 (*) Lucros e impostos pagos no exterior das controladas da ESH pág. 1.228 (1.147) pág. 1.228 (1.147) pág. 1.228 (1.147) pág. 1.247 (1.166) Rel rev Int Rev. Ofício (*) EMBRAER SPAIN HOLDING ESH + controladas país part % valor do lucro a adicionar no LALURR$ Diferença não adicionada 12) pagto IR no exterior pagto ext x % particip EMBRAER SPAIN HOLDING ESH 21.380.107,35 Air Holdings SGPS Portugal 70% 6.027.400,91 ECC Leasing e Co Irlanda 100% 38.068.569,23 ECC Inv Switrzeland Suíça 100% 0,00 ECC Insurance & Finance Ilhas Cayman 100% 0,00 Embraer Finance Ltda Ilhas Cayman 100% 174.102.909,91 OGMA Ind Era Portugal Portugal 45% 7.843.203,65 932.461,93 419.607,87 Harbin Embraer Co Ltd China 51% 16.552.623,10 4.620.863,50 2.356.640,39 Embraer Merco AS Uruguai 100% 104.735,83 Listral S/A Portugal 45% 5.384.987,27 EPH Portugal 100% 0,00 E Operacional SM S/A Portugal 100% 0,00 Ec Estruturas S/A Portugal 100% 0,00 Total 269.464.537,25 13.178.421,03 5.553.325,43 2.776.248,25 71. Verificase, que o contribuinte, compensou R$4.483.509,49 de CSLL com imposto pago no exterior, pág. 676 (670) linha 69 da Ficha 17 Cálculo da CSLL; e compensou R$23.042.499,19 de IR pago no exterior, compensados na Ficha 12A Cálculo do IR sobre o Lucro real, linha 13, pág. 947 (941) e que compuseram a apuração do Saldo Negativo de IRPJ que reivindicou nas PER DComp: b. porém, conforme Ficha 09 A Demonstração do Lucro real, págs. 668/669 (662/663), apurou R$0,00 de lucro real, portanto R$0,00 de IRPJ devido assim, não estava autorizada a compensar IRPJ pago no exterior, pois este só poderia ser aproveitado na compensação de IRPJ apurado no Brasil sobre os respectivos lucros de cada controlada no exterior, sem previsão para compor SN a ser utilizado na compensação de outros tributos; c. como já visto, os §§ 15, 16 e 17 do art. 14 da IN SRF nº 213, de 2002, assim determinam. d. Portanto, correta a conclusão no Acórdão DRJ/BHE nº 0247.798, sintetizada nas ementas: IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. VALOR EXCEDENTE AO LIMITE COMPENSÁVEL NO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente poderá ser compensado com a contribuição Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 24 23 social sobre o lucro líquido (CSLL) mediante regras específicas. Não há previsão legal para compensação de eventual saldo ainda remanescente com outros tributos e contribuições federais, nos moldes do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR COMPENSAÇÃO EM PERÍODOS POSTERIORES O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo,somente poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes. 5.6 QUANTIFICAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR COMPENSÁVEL. 72. Superada a questão do quantum que poderia ser compensado no anocalendário 2008, que se concluiu ser limitado pelo valor do IRPJ e CSLL calculado no Brasil sobre os lucros no exterior, passase à quantificação do valor compensável. 73. O autuante refez a apuração do IRPJ e CSLL devidos depois de adicionados os lucros no exterior listados na coluna "Correção lucro adic a maior/menor" da tabela supra: R$15.586.964,55 da EAE e R$13.178.421,03 da ESH e revisou os valores de IRPJ e CSLL efetivamente devidos e os valor de imposto pagos no exterior passíveis de aproveitamento na compensação do IR devido: e. pág. 1.256/1.258 (1.175/1.177) CSLL DIPJ, Ficha 17, pág. 675 (669 Agente Fiscal BASE CALCULO CSLL 81.698.339,22 81.698.339,22 Exclusão EAH pleiteada pela empresa a acatada pelo Agente Fiscal 1.591.475,01 Adição dos lucros da EAE (admitido pela empresa) + ESH 28.765.384,85 BASE DE CÁLCULO DA CSLL Ajustada (fonte DIPJ) 108.872.249,06 CSLL DEVIDA 7.352.850,53 9.798.502,42 IMPOSTO PAGO EXTERIOR DEDUZIDO 4.483.509,69 4.483.509,69 CSLL RETIDA FONTE 1.054.099,12 1.054.099,12 ESTIMATIVA PAGA 1.094.223,09 1.094.223,09 CSLL A PAGAR 721.018,63 3.166.670,72 Diferença 2.445.651,89 Concluindo que a empresa apurou R$2.445.651,89 de CSLL a menor que devia. f. pág. 1.256/1.258 (1.175/1.177) IRPJ DIPJ Ficha 12 A, pág. 647 (941) Agente Fiscal LUCRO REAL (fonte: DIPJ) 0,00 0,00 (+) CSLL a maior apurada 2.445.651,89 (+) Adição dos lucros da EAE (admitido pela empresa) + ESH EAH (redução acatada pelo fiscal) 27.173.910,57 Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 25 24 LUCRO REAL AJUSTADO 29.619.562,46 IRPJ DEVIDO 0,00 7.380.890,62 IR PGO EXTERIOR 23.042.499,19 13.433.534,79 IRRF 30.559.727,39 30.559.727,39 IRRF órgãos públicos 4.768.861,47 4.768.861,47 IRPJ a pagar 58.371.088,05 41.381.233,03 74. O contribuinte discorda da adição dos R$2.445.651,89 de CSLL e do valor de IR pago no exterior compensado, que o Agente Fiscal reduziu a R$13.433.534,79. 5.7 IR PAGO NO EXTERIOR PASSÍVEL DE COMPENSAR O IR DEVIDO NO BRASIL. ACÓRDÃO DRJ/BHE. NÃO SE TRATA DE INOVAÇÃO. 75. O Acórdão DRJ divergiu da interpretação dada à legislação no Despacho DecisórioDD: g. o DD apurou o imposto pago no exterior compensável com IRPJ devido no Brasil calculado sobre os lucros no exterior adicionados, e mesmo que a controladora sediada no Brasil tenha apurado lucro real igual a zero, deduziu o imposto pago no exterior, da mesma forma como deduziu o IRRF aqui no Brasil, na apuração do SN IRPJ, cujo valor é discutido pelo contribuinte; h. a DRJ decidiu com base na legislação vigente, §§15, 16, 17 do art. 14 da IN SRF nº 213, de 2002, que, em tendo a controladora sediada no Brasil, apurado lucro real zero, descabe qualquer dedução relativa a compensação de imposto pago no exterior, pois apenas é admitida a dedução do IRRF aqui no Brasil, e apurou que o SN IRPJ corretamente apurado é de R$35.328.588,86, menor que o do DD revisado de ofício. Deduções do IR R$ IRRF por órgãos públicos, no Brasil 4.768.861,47 IRRF no Brasil 30.559.727,39 SN IRPJ 31/12/2008 35.328.588,86 76. O contribuinte acusou que a DRJ inovou ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade, com base em premissa diferente da do DD e que, tendo o DD admitido que o imposto no exterior poderia ser compensado, legitimou o emprego do tributo incidente no exterior na composição do saldo negativo; não se trata porém de inovação, mas da obediência à legislação por aquela instância julgadora relativamente à matéria em litígio, evidenciando erro na aplicação pelo DD, o que é prerrogativa e obrigação do julgador, não sendo motivo de invalidade do Acórdão DRJ. 77. De fato, o litígio administrativo passa por várias instâncias, com vistas a aumentar a segurança da decisão final, conferindo ao contribuinte direito de contrapor fatos, documentos e argumentos contra o Despacho Decisório emanado da Delegacia de jurisdição e contra a DRJ, perante o CARF; nestas etapas, as várias instâncias julgadoras examinam a matéria eventuais divergências de interpretação ainda podem ser levadas à discussão perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 26 25 5.7.1 Imposto pago no exterior. Planilha do contribuinte. 78. À pág. 950 (944), o contribuinte apresentou sua planilha de cálculo, na qual demonstra os valores de IR pago no exterior pelas controladas que compensou: i. R$23.042.499,19, como parcela na composição do SN IRPJ 31/12/2008, Ficha 12A. Cálculo do IR sobre o Lucro Real, pág. 947 (941); j. R$4.483.509,49, na compensação da CSLL devida apurada na DIPJ, pág. 675 (670). 79. Utilizou, portanto, R$27.526.008,68. 80. Analisandose a planilha do contribuinte, verificase que informou impostos recolhidos no exterior apenas para a EAH, EAE e ESH: Controlada no exterior Lucro Imposto pago no exterior IR devido (25%) CSLL devida (9%) IRPJ devido compensado CSLL devida compensada EAH 8.294.687,43 16.440.367,75 2.073.671,86 746.521,87 2.073.671,86 746.521,87 EAE 55.046.323,87 17.307.416,31 13.761.580,97 4.954.169,15 13.761.580,97 3.545.835,34 ESH 256.286.116,21 5.323,867,41 64.071.529,0523.065.750,46 5.323,867,41 0,00 Total 39.071.651,47 79.906.781,8828.766.441,48 21.159.120,24 4.292.357,21 IRRF pelas controladas da ESH 2.074.531,22 1.883.378,95 191.152,27 Total geral 41.146.182,69 23.042.499,19 4.483.509,49 EAH: A totalidade foi utilizada para compensar o IRPJ devido e a CSLL devida, no Brasil EAE: Compensou o valor devido de IRPJ; e o saldo na compensação de parte da CSLL ESH: Consumiu todo imposto pago no exterior para compensar parte do IRPJ devido. 5.7.2 Imposto pago no exterior. Planilha fiscal. Relatório Revisão Interna de DIPJ Revisão de Ofício, págs. Coligadas e Subsidiárias: 11) Lucros no exterior adic ao Lucro Real adicionados pelo contribuinte Agente fiscal: Correção lucro adic a maior/menor IR pago no Exterior conforme compro vantes, pág. 1.251 (1.170) % part Pag ext x % part EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH 8.294.687,43 1.591.475,01 13.061.024,45 100% 13.061.024,45 EMBRAER AVIATION EUROPE EAE 55.046.323,87 15.586.964,55 14.781.494,43 100% 14.781.494,43 EMBRAER SPAIN HOLDING ESH 256.286.116,21 13.178.421,03 5.553.325,43 45% e 51% 2.776.248,25 Total 27.173.910,57 33.395.844,31 30.618.767,13 81. Temse primeiramente, que o valor do imposto pago no exterior, verificado com os comprovantes, reduziuse a R$33.395.844,31 e, considerada a proporção de participação no capital, reduziuse a R$30.618.767,13. Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 27 26 82. O contribuinte não contestou esta conclusão, portanto, este é o valor a ser considerado como pago, em 2008. 5.7.3 Imposto pago no exterior, compensável. 5.7.3.1.1 Lucro da controlada ESH. 83. Primeiramente, cabe analisar o questionamento da Recorrente sobre o valor dos lucros da Embraer Spain Holding ESH, de que foi incorreto o procedimento quanto ao lucro auferido pela controladas indiretas, porque somou, aos lucros auferidos individualmente pelas controladas da ESH, as parcelas relativas às exclusões que devem ser feitas para fins de elaboração das demonstrações financeiras consolidadas, o que demonstra nas planilhas de pág. 1.479 (1.398), onde demonstra que, pelo certo, foi oferecido à tributação valor a maior de R$83.445.679,35, que somado aos R$ 1.591.475,01, que dizem respeito à subsidiária americana EAH (que foi reconhecido pelo Agente Fiscal) e diminuído da parcela dos lucros da francesa EAE, não oferecidos à tributação, de R$ 15.586.962,83, perfaz um crédito para a Recorrente de R$ 69.450.191,53 de lucros no exterior adicionados a maior. 84. Na planilha à pág. 1.168 (1.087), anexada com a manifestação de inconformidade, há anotação manual de que o valor R$28.273.257,76, adicionado aos lucros da Embraer Finance Ltda EFL1, controlada da ESH, tratase Custo do Produto Vendido CPV às págs. 952/953 (946/947), na coluna da EFL1 consta a Demonstração de Resultados desta (e das demais controladas da ESH): EFL1 Vendas Brutas 70.284.855,75 Custo do Produto Vendido 81.344.785,45 Outros 53.071.527,67 Partes relacionadas 28.273.257,78 Despesas operacionais 3.950.371,37 Receitas/despesas financeiras 40.503.209,12 Lucro 25.492.908,05 85. O contribuinte alega que os valores "Partes relacionadas", são as parcelas relativas às exclusões que devem ser feitas para fins de elaboração das demonstrações financeiras consolidadas. 86. Na planilha fiscal, pág.1.275/1.276 (1.194/1.195) os valores de CPV de 'Partes relacionadas" foram adicionados aos lucros das empresas Embraer Finance Ltda, Ogma Ind Aer Portugal, Listral S/A e EPH; o agente fiscal explicou, pág. 1.246 (1.165): – FORAM EXCLUIDOS PARA APURAR O LUCRO INDIVIDUAL DE CADA CONTROLADA INDIRETA DA EMBRAER A ELIMINAÇÕES DE OPERAÇÕES COM PARTES RELACIONADOS, TAIS ELIMINAÇÕES SOMENTE SE UTILIZAM NA TÉCNICA DE CONSOLIDAÇÃO. 87. O agente Fiscal consolidou os lucros de cada controlada da ESH nesta última, portanto, as exclusões de custos de "Partes relacionadas" visando a consolidação, deveriam ser feitas contra as contrapartidas correspondentes das "Parte relacionadas"; por exemplo, se o valor do CPV "Partes relacionadas" da Embraer Finance Ltda for diminuído de 28.273.257,78 Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 28 27 euros, aumentando o lucro desta, este valor deveria ser deduzido da receita da "Parte relacionada" correspondente o que não está demonstrado; cabe destacar que a IN SRF nº 213, de 2002, determina que a apuração dos impostos a compensar deve ser individual por controlada, por isso, deve ser calculado sobre o lucro individual de cada uma delas. 88. Assim, a planilha de pág. 1.276 (1.195), relativa à ESH não procede; e os valores da planilha de pág. 1.276 (1.195), devem ser os da pág. 1.479 (1.398), planilha do contribuinte: Planilha pág. 1.276 do processo (1.195) Lucro individual Part % Lucro % R$3,23815/Euro EAH 21.380.107,35 Air Holdings SGPS 6.027.400,91 ECC Leasing Co 38.068.569,23 ECC Inv Switzerland 0,00 ECC Insurance & Fin sem alteração sem alter sem alteração 0,00 Embraer Finance Ltda 25.492.908,08 100% 25.492.908,08 82.549.860,30 Ogma Ind Era Portugal 5.342.079,00 45% 2.403.935,55 7.784.303,90 Harbin Embraer Co 16.552.623,10 Embraer merco AS sem alteração sem alter sem alteração 104.736,83 Listral S/A 255.863,00 45% 115.138,35 372.835,25 EPH 13.025,98 100% 13.025,98 0,00 E Operacional SM S/A 0,00 EC Estruturas sem alteração sem alter sem alteração 0,00 Total 172.840.436,87 89. A planilha supra evidencia que foi adicionado ao lucro, pela recorrente, valor a maior de R$83.445.679,34, resultante da diferença entre R$256.286.116,21 de lucros da ESH que adicionou e o valor de R$172.840.436,87, da tabela supra. 5.7.4 Equívocos do Agente Fiscal apontados no recurso voluntário. 90. Foram refeitos os cálculos, porém, cabe comentar sobre a planilha fiscal apurada na revisão de ofício, pág. 1.275 (1.194), em relação à qual o contribuinte apontou erros. 91. Tem razão o litigante, não só nas discrepâncias que apontou, pois as incongruências a invalidam: a. deixou de computar os lucros autuados da EAE, R$15.586.962,83; b. a diferença entre a coluna 6 lucro depois da adição e a coluna 5 lucro antes da adição, corresponde ao dobro dos valores dos lucros no exterior da coluna 3; c. não está esclarecida a origem dos valores de ambas colunas 5 e 6; d. Na coluna 7, apura IR sobre lucro negativo da empresa EAE, em relação à qual deixou de adicionar o valor de R$15.586.962,83, reconhecido como omitido pela Recorrente. 92. Cabe portanto, refazer os cálculos. Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 29 28 5.7.4.1 Imposto pago no exterior, compensável. 93. Seguindo a orientação dada pela IN SRF nº 213, de 2002, revisamse os cálculos, conforme a seguir: DIPJ Acórdão Soma Ficha 09ALL antes do IRPJ 665.486.695,17 Lucros no exterior, linha 08 EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH 8.294.687,43 1.591.475,01 6.703.212,42 EMBRAER AVIATION EUROPE EAE 55.046.323,87 15.586.964,55 70.633.288,42 EMBRAER CREDIT LTD ECL 1.810.962,52 1.810.962,52 EMBRAER OVERSEAS 5.180.791,30 5.180.791,30 EMBRAER ASIAN PACIFIC 509.587,00 509.587,00 EMBRAER SPAIN HOLDING ESH 256.286.116,21 83.445.679,34 172.840.436,87 EMBRAER REPRESENTATION LLC ERL 58.961.179,55 58.961.179,55 Total lucro exterior 386.089.647,88 69.450.189,80 316.639.458,08 Apuração dos impostos pagos no exterior compensáveis no Brasil empresa EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH EMBRAER AVIATION EUROPE EAE EMBRAER CREDIT LTD ECL EMBRAER OVERSEAS EMBRAER ASIAN PACIFIC EMBRAER SPAIN HOLDING ESH EMBRAER REPRE SENTATION LLC ERL Lucro no exterior 6.703.212,42 70.633.288,42 1.810.962,52 5.180.791,30 509.587,00 172.840.436,87 58.961.179,55 IR 15% +AIR 1.651.803,11 17.634.322,11 428.740,63 1.271.197,83 103.396,75 43.186.109,22 14.716.294,89 IR pago no exterior 13.061.024,45 14.781.494,43 2.776.248,25 Lucro Real 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Ficha 09A, linha 08, Lucros disp no exterior 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 Lucro Real antes dos lucros externos 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 Lucro Real + lucros externos 379.386.435,47 315.456.359,47 384.278.685,37 380.908.856,59 385.580.060,89 213.249.211,02 327.128.468,34 Imposto no exterior compensável = o menor valor entre "IR 15%+AIR" e "IR pago no exterior" 1.651.803,11 14.781.494,43 0,00 0,00 0,00 2.776.248,25 0,00 94. Verificase que a Recorrente apurou lucro real zero, sendo que tinha adicionado R$386.089.647,89 de lucros recebidos do exterior; assim, excluídos estes, verificase que o lucro real antes da adição era prejuízo fiscal no mesmo valor; e somados os lucros do exterior revisados, individualmente, por cada controlada, mesmo assim apurase prejuízo fiscal. 95. A IN SRF nº 213, de 2002 determina que, o valor compensável é apurada pela diferença entre o que é devido de IRPJ depois da adição e antes da adição neste caso, ambos resultam que não há IRPJ devido. 96. Por isso, nenhum imposto pago no exterior poderá ser compensado como a empresa não apura IRPJ a pagar, não há o que compensar. 97. Por outro lado, a IN SRF nº 215, de 2002, nos §§ 15, 17 e 17 do art. 4º, autoriza que o valor do tributo pago sobre os lucros no exterior, oferecidos à tributação no Brasil, mas Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 30 29 que não possam ser compensados no respectivo anocalendário, porque a pessoa jurídica no Brasil não apurou lucro real positivo, podem ser compensados com o que for devido nos anos calendário subsequentes, e serão calculados pela alíquota de quinze por cento, se o valor computado não exceder o limite de isenção do adicional (AIR), ou pela alíquota de vinte e cinco por cento, se exceder. 98. No caso, conforme a tabela supra, os valores compensáveis nos anoscalendário seguintes são: a. EAH R$1.651.803,11 b. EAE R$14.781.494,43 c. ESH R$2.776.248,25. 5.7.5 Dedução de imposto pago no exterior, do lucro real igual a zero e apuração de saldo negativo de IRPJ. 99. Não há previsão nem autorização na legislação, para que imposto pago no exterior seja compensado com outros tributos que não o IRPJ e CSLL calculados sobre os lucros no exterior do mesmo período ou de períodos de apuração subsequentes. 5.8 APURAÇÃO DO IRPJ E CSLL DEPOIS DE ADICIONADOS/EXCLUÍDOS LUCROS NO EXTERIOR LISTADOS NA COLUNA "CORREÇÃO LUCRO ADIC A MAIOR/MENOR" 5.8.1 Adição CSLL devida adicional apurada. 100. O contribuinte aponta impossibilidade de adição da CSLL supostamente devida, no valor de R$2.445.651,88, à base de cálculo do IRPJ, pois tal adição só se justifica se a CSLL ter sido previamente deduzida como custo ou despesa, na apuração do lucro líquido, o que não ocorre quando se está diante de tributos lançados de ofício, os quais não foram previamente deduzidos pelos contribuinte autuados porque sequer haviam sido apurados, afinal. 101. Segundo a legislação, algumas adições devem ser realizadas somente na apuração da base de cálculo do IRPJ : Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996: Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. 102. Contudo o valor da CSLL apurado de ofício, não foi registrado como custo ou despesa a justificar a adição à base de cálculo do IRPJ. Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 31 30 103. A apuração do IRPJ e CSLL devidos depois de adicionados os lucros no exterior listados na coluna "Correção lucro adic a maior/menor": () R$ 1.591.475,01 da EAH e adição dos R$15.586.964,55 da EAE e R$83.445.679,34 da ESH, passa a ser: DIPJ Ficha 12A, pág. 947 (941) Acórdão DIPJ, Ficha 17, pág. 675 (669) Acórdão Lucro real 0,00 0,00 Base de cálculo CSLL 81.698.339,22 81.698.339,22 Exclusão EAH pleiteada pela empresa a acatada pelo Agente Fiscal 1.591.475,01 Exclusão EAH pleiteada pela empresa a acatada pelo Agente Fiscal 1.591.475,01 Exclusão ESH, valor a maior 83.445.679,34 Exclusão ESH, valor a maior () 83.445.679,34 Adição dos lucros da EAE (admitido pela empresa) 15.586.964,55 Adição dos lucros da EAE (admitido pela empresa) 15.586.964,55 Lucro real 0,00 69.450.189,80 Base de cálculo da CSLL Ajustada 12.248.149,42 IRPJ apurado 0,00 0,00 CSLL apurada 7.352.850,53 1.102.333,45 () IRPJ exterior compensação 23.042.499,19 0,00 Imposto pago no exterior compensação 4.483.509,69 0,00 () IRRF 30.559.727,39 30.559.727,39 confirmado pela Revisão, pág. 1.258 (1.177) CSLL retida Fonte 1.054.099,12 1.054.099,12 () IRRF órgãos públicos 4.768.861,47 4.768.861,47 idem) Estimativa paga 1.094.223,09 1.094.223,09 IR a pagar (SN IRPJ) 58.371.088,05 35.328.588,86 CSLL a pagar 721.018,63 1.045.988,76 5.9 CONCLUSÃO 104. A correta apuração resulta em SN IRPJ de 31/12/2008, no valor de R$() 35.328.588,86 (confirmando a conclusão da DRJ) e de SN CSLL no valor de R$() 1.045.988,76. 105. O DD reconheceu R$()41.381.233,19 de crédito de SN IRPJ, portanto R$ 6.052.644,33 a maior do que o contribuinte teria direito. Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 13884.723115/201261 Acórdão n.º 1201001.565 S1C2T1 Fl. 32 31 106. Verificase que os impostos recolhidos no exterior não podem ser utilizados na compensação do IRPJ no anocalendário 2008; e tampouco para compensar a CSLL deste ano, confirmando a conclusão da DRJ. 107. Apuraramse, repitase, valores de impostos no exterior a serem registrado na parte B do LALUR, para compensação nos anoscalendário seguintes, totalizaram R$19.209.545,79: a. EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH R$1.651.803,11 b. EMBRAER AVIATION EUROPE EAE R$14.781.494,43 c. EMBRAER SPAIN HOLDING ESH R$2.776.248,25. 108. Porém o contribuinte consumiu R$27.526.008,68 nas compensações indevida, e o DD reconheceu R$17.917.044,48, para compensações do IRPJ (R$13.433.534,79) e da CSLL (R$4.483.509,69) , o que reduz os valores a serem registrados na parte B do LALUR, para: a. EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH: R$(1.651.803,11 () 359.301,80)= 1.292.501,31 b. EMBRAER AVIATION EUROPE EAE: R$(14.781.494,43 () 14.781.494,43)=0,00, porque o valor devido é maior que o recolhido, conforme tabela do parágrafo 93 deste voto; c. EMBRAER SPAIN HOLDING ESH: R$(2.776.248,25 () 2.776.248,25)=0,00, porque o valor devido é maior que o recolhido, conforme tabela do parágrafo 93 deste voto. Voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Relator Eva Maria Los Relator Fl. 1614DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000213/2009-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens - bens ou serviços - utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.009
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens - bens ou serviços - utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12571.000213/2009-92
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736979
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.009
nome_arquivo_s : Decisao_12571000213200992.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 12571000213200992_5736979.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6826248
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049207594549248
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-06-21T01:00:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-06-21T01:00:30Z; Last-Modified: 2017-06-21T01:00:30Z; dcterms:modified: 2017-06-21T01:00:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-06-21T01:00:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-06-21T01:00:30Z; meta:save-date: 2017-06-21T01:00:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-06-21T01:00:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-06-21T01:00:30Z; created: 2017-06-21T01:00:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2017-06-21T01:00:30Z; pdf:charsPerPage: 1674; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-06-21T01:00:30Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12571.000213/200992 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.009 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DITZEL & SANCHES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 13 /2 00 9- 92 Fl. 443DF CARF MF Processo nº 12571.000213/200992 Acórdão n.º 9303005.009 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803002.899, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, consignando a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da sociedade e as despesas com manutenção de veículos da frota própria, empregados no processo produtivo ensejam o creditamento da Contribuição Social não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO Os encargos de depreciação sobre semireboque, peças para caminhão e outros relacionados, incorporados ao ativo imobilizado, e empregados no processo produtivo, adquiridos depois de 30/04/2004, ensejam direito a crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo que: · Para efeito de crédito do tributo, a legislação esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente; · No caso concreto, os insumos glosados pela autoridade fiscal, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham tido alguma relação com o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, não se enquadrando, portanto, na condição de insumo para o aproveitamento do crédito da contribuição. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 12571.000213/200992 Acórdão n.º 9303005.009 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros argumentos: · Que deve ser mantido o entendimento do colegiado do acórdão recorrido, eis que proveu o recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos referentes aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da empresa e às despesas com manutenção de veículos da frota própria, fundamentando que para a caracterização do bem ou serviço como insumo, é suficiente o seu emprego no processo de produção, ainda que não haja contato direto com o produto em fabricação; · Os combustíveis e lubrificantes utilizados, seja no transporte dos produtos destinados à venda, seja no transporte da matériaprima utilizada em seu processo produtivo, geram direito a crédito, já que atendem aos critérios de pertinência e essencialidade; · As despesas com bens e serviços de manutenção de veículos utilizados no transporte de produtos destinados à venda e de matériaprima geram direito a crédito, haja vista que tais bens, ainda que indiretamente, são aplicados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.003, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 12571.000207/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.003): Da Admissibilidade "O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que, confrontando os conceitos de “insumo” empregados pelos arestos envolvidos é irrefragável a confirmação do dissídio jurisprudencial. Quanto às Contrarrazões apresentadas, devem ser consideradas, eis que tempestivas." Fl. 445DF CARF MF Processo nº 12571.000213/200992 Acórdão n.º 9303005.009 CSRFT3 Fl. 5 4 Do Mérito "Designoume a Presidência para a redação do acórdão já que a proposta da relatora, de negar provimento ao recurso da Fazenda, não restou acolhida. Frisese, desde logo, que a decisão combatida já aplicou entendimento de que as Instruções Normativas da SRF, ao equipararem o conceito de insumo para fins das contribuições ao do IPI o restringiram em excesso. Sendo sua aplicação, porém, o objeto do recurso da Fazenda Nacional, natural começar pelos motivos que me levam a rejeitar tal exigência, uma vez que, embora nisso não divirja da i. relatora, essa rejeição, para mim, leva a diferente conclusão. É que, acredito já seja de conhecimento amplo, também não adiro à tese de que o conceito de insumos que permitem a tomada de créditos, nos termos do art. 3º da Lei 10.637, para o PIS e do art. 3º da Lei 10.833, para a COFINS, seja tão restrito quanto o pretendido por elas. Mas apenas rejeitar o critério da IN SRF também não nos leva muito longe. Parece igualmente óbvio que permitir a inclusão de toda e qualquer despesa, desde que aceita pela legislação do IRPJ, tampouco está em conformidade com o texto legal, que tanto se esmerou em enunciar as hipóteses ensejadoras. Por isso, para avançar na fixação de um critério para tal conceito que seja suficientemente flexível para permitir a análise de qualquer item, fixeime na expressão legal "bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviço e na produção ou fabricação..."1. Dessa expressão, algumas conclusões se impõem de plano; a) os beneficiários do crédito podem ser fabricantes, mas também "produtores", e mesmo prestadores de serviço; b) um serviço pode se enquadrar como tal, e mesmo que "utilizado na prestação de serviço". Essas observações preliminares já são suficientes para rejeitar a pretensão de utilizar o critério há muito aceito para o IPI: que o bem candidato a gerador de crédito entre em contato físico com o bem que está sendo industrializado. Por óbvio, ela não se aplica nem à "prestação de serviço", nem a um serviço como insumo. Mas uma atenta leitura do §4º do art. 8º da IN 4042 deixa igualmente claro que a SRF não o pretendeu aplicar aos serviços em qualquer das 1 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; 2 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 446DF CARF MF Processo nº 12571.000213/200992 Acórdão n.º 9303005.009 CSRFT3 Fl. 6 5 "pontas". Pretende fazêlo, porém, sempre que se estiver cuidando de "produção ou fabricação", aparentemente tomando as duas expressões como sinônimas. E é aí, a meu ver, que começam os problemas. Por primeiro, não me parece que o legislador da 10.833 (assim como o da 10.637) tenha buscado equiparar as expressões, atento que estava à possibilidade de que a "produção" ensejadora de crédito no âmbito das contribuições não corresponda a uma efetiva industrialização nos termos do IPI. Como é cediço, fora daquele contexto produção pode se referir, e no mais das vezes se refere, a um conjunto de atividades bem maior, que inclui, entre outras, a atividade agropecuária, bem como a agroindustrial. Ainda assim, como em todos os casos há um produto físico gerado ao final de um processo produtivo, pareceria, em princípio, razoável a adoção daquele critério mesmo quando de industrialização em sentido estrito não se tratasse. O problema, entretanto, é que o critério do Parecer Normativo CST 65/79 destinase a definir o que se poderia enquadrar no conceito de "produto intermediário" apenas referido mas não definido no art. 25 da Lei 4.502/643 . Ou seja, ele não é destinado à definição do que seja insumo, mas do que seja produto intermediário, ou mais precisamente, de qual seria o critério para considerar um bem como consumido no processo produtivo. Sobre esse ponto, peço licença para reproduzir considerações que expendi em julgamento realizado ainda no antigo Conselho de Contribuintes, no já distante ano de 20084: Como se disse no relatório, o contribuinte recorre de decisão que lhe negou o ressarcimento de saldo credor originado no registro de créditos de IPI em relação às aquisições de energia elétrica, produto considerado pelo IPI como nãotributado. Entende possível incluir a energia elétrica consumida no processo produtivo entre os “produtos que, embora não se integrando ao produto final, são consumidos no processo produtivo, desde que não compreendidos entre os bens do Ativo Permanente”, consoante redação do art. 147 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 (atual art. 164 do Regulamento baixado em 2002). A SRF considera, com base no Parecer Normativo CST nº 65/79, entre outros, que não, visto não ter contato físico com o produto em elaboração. Para mim, a decisão recorrida não merece reparos. É que, embora lastreada na orientação do Parecer Normativo, a que está vinculada, e com a qual não concordo inteiramente, o que fez foi dar correta aplicação ao princípio da nãocumulatividade. Para melhor 3 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; 4 Julgamento do recurso voluntário nº 147.752, no Processo 10830.000989/200474, sessão de agosto de 2008 Fl. 447DF CARF MF Processo nº 12571.000213/200992 Acórdão n.º 9303005.009 CSRFT3 Fl. 7 6 compreensão, necessário um registro, ainda que breve, da evolução legislativa da matéria. Como se sabe, a Lei nº 4.502/64, foi a última a regular o extinto Imposto Sobre o Consumo instituído pelo Decretolei nº 7.404/45 e transformado no IPI. Na evolução legislativa daquele imposto é que se vai encontrar pela primeira vez tentativa de aplicação do princípio de tributação sobre o valor agregado. Tratase, como é de sabença geral, da disposição do art. 213 da Lei nº 3.520/58: Art. 213 ... 2º Os fabricantes pagarão o impôsto com base nas vendas de mercadorias tributadas, apuradas quinzenalmente, deduzido, no mesmo período o valor do impôsto relativo às matérias primas e outros produtos adquiridos a fabricantes ou importadores ou importados diretamente, para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados; Após ser regulamentada pelo Decreto 45.422/59, essa lei foi alterada pela de nº 4.153, já em 1962, na qual se promoveu grande ampliação do instituto. Vejamos: Art. 34. O artigo 148 do atual Regulamento do Imposto de Consumo aprovado pelo Decreto nº 45.422, passa a vigorar com as seguintes alterações: a) As palavra As palavras "nas vendas de mercadorias tributadas" são substituídas pelas seguintes: "nas entregas a consumo de mercadorias tributadas"; b) Para os fins do art. 148, entendemse como adquiridos para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados: na fabricação as matérias primas ou artigos e produtos secundários ou intermediários que, integrando o produto final ou sendo consumidos total ou parcialmente no processo de sua fabricação, sejam utilizados na sua composição, elaboração, preparo, obtenção e confecção, inclusive na fase de aprêsto e acabamento. Portanto, além das matérias primas, davam direito de abatimento do valor devido as aquisições dos chamados produtos secundários e intermediários. Na busca de distinção entre eles, confirmouse a definição mais ou menos consensual de que produtos intermediários são os que partilham com as matérias primas o caráter de se integrarem fisicamente aos produtos fabricados, delas diferindo apenas pelo fato de já serem produtos prontos, passíveis, assim, de utilização adicional. Já os produtos secundários é que consistiam naqueles que, embora não se integrando ao produto final, fossem consumidos, total ou parcialmente, no processo de fabricação. Ocorre que a Lei nº 4.502/64 suprimiu a referência a produtos secundários como possibilitadores de dedução do IPI devido pelas saídas. Confiramse os artigos da Lei 4.502 que cuidaram da matéria: Fl. 448DF CARF MF Processo nº 12571.000213/200992 Acórdão n.º 9303005.009 CSRFT3 Fl. 8 7 Art. 25. Para efeito do recolhimento, na forma do art. 27, será deduzido do valor resultante do cálculo. I o impôsto relativo às matériasprimas produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados; II o impôsto pago por ocasião do despacho de produtos de procedência estrangeira ou da remessa de produtos nacionais ou estrangeiras para estabelecimentos revendedores ou depositários. Art. 27. A importância a recolher será: I no caso do inciso I do artigo anterior a resultante do cálculo do impôsto; II No caso do inciso II a necessária à manutenção de saldo suficiente para cobertura do impôsto devido pela saída dos produtos; III no caso do inciso III a resultante do cálculo do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento produtor na quinzena anterior, deduzida: a) do valor do impôsto relativo as matérias primas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos no mesmo período, quando se tratar de estabelecimento industrial; b) do valor do impôsto pago por ocasião do despacho ou da remessa, quando se tratar de estabelecimento importador, arrematante ou revendedor, considerados, para efeito da apuração, os capítulos de classificação dos produtos. § 1º Será excluído do crédito o impôsto relativo às matérias primas, produtos intermediários e embalagens que forem objeto de revenda ou que forem empregados na industrialização ou no acondicionamento de produtos isentos e não tributados. § 2º O devedor remisso, sujeito ao recolhimento antecipado, utilizar seá do crédito de impôsto, mediante adição ao seu saldo. § 3º O impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos a revendedores não contribuintes, será calculado, para efeito de crédito mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sôbre 50% (cinqüenta por cento) do seu valor constante da nota fiscal. § 4º Em qualquer hipótese, o direito ao crédito do impôsto será condicionado às exigências de escrituração estabelecidas nesta lei e em seu regulamento, e, quando não exercido na época própria, só poderá sêlo, cumprida a formalidade do inciso I do art. 76 ou quando o seu valor fôr incluído em reconstituição de escrita, efetuada pela fiscalização. § 5º Quando ocorrer saldo credor numa quinzena, será êle transportado para a quinzena seguinte, sem prejuízo da obrigação do contribuinte apresentar ao órgão arrecadador, dentro do prazo legal previsto para o recolhimento, a guia demonstrativa dêsse saldo. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 12571.000213/200992 Acórdão n.º 9303005.009 CSRFT3 Fl. 9 8 Ainda assim, o primeiro regulamento do IPI já editado após a Lei 4.502 – Decreto 56.791/65 – ao “regulamentar” o dispositivo acima, estabeleceu: Art. 27. Para efeito do recolhimento, será deduzido do valor resultante do cálculo, na forma do art. 29: I o impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados, compreendidos, entre os primeiros, aquêles que, embora não se integrando no nôvo produto, são consumidos no processo de industrialização; Ou seja, mantevese a possibilidade de dedução do imposto pago sobre os produtos secundários, agora “apelidados” de produtos intermediários. Ainda mais, sua redação irrestrita parece permitir que aí se incluíssem mesmo os produtos para uso e consumo e os constituintes de máquinas e equipamentos, visto que nem mesmo quanto a estes houve qualquer restrição. Tal largueza de conceitos, porém, não vinha sendo aceita pelo Fisco, o que suscitou diversos questionamentos ao Poder Judiciário quanto à abrangência do conceito de produtos intermediários. Em diversos julgados proferidos, a partir de 1966, no âmbito do STF (RMS 19.625GB, julgado em 20/6/1966, relator Ministro Victor Gomes; Recurso Extraordinário 18.661PE, julgado pelo Pleno em 16/10/1968 sob relatoria do Ministro Aliomar Baleeiro), firmouse o entendimento de que a expressão poderia sim englobar produtos que fossem apenas consumidos no processo industrial, desde que cumpridos, porém, dois requisitos primordiais: que os produtos consumidos fossem essenciais e específicos à fabricação em questão (vide votos condutores das decisões mencionadas). Pelo primeiro, requerse que o processo produtivo não se possa completar na ausência daquele “produto intermediário”; pelo segundo, que não sejam eles de uso comum, indiscriminado a todo e qualquer processo industrial. Destarte, o primeiro requisito determinava a exclusão, entre outros, da energia elétrica usada para iluminação, ainda que do ambiente onde se realizasse a produção, que poderia perfeitamente prosseguir sem a sua presença (salvo, talvez, situações muito específicas de ausência completa de iluminação natural).Também dos combustíveis empregados para acionamento de máquinas e equipamentos (em que também se pode utilizar a eletricidade). Pelo segundo, afastouse a aplicação ao desgaste de equipamentos físicos (depreciação de máquinas, equipamentos e instrumentos), componentes da estrutura física do estabelecimento, porque comuns a praticamente todo processo industrial. Tentando, ao meu ver, dar aplicação a essas restrições impostas pelo Judiciário é que o Regulamento seguinte, baixado pelo Decreto 70.163/72, acresceu a necessidade de que o consumo se desse de forma “imediata e integral”, bem como incluiu a restrição aos bens integrantes do ativo permanente. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 12571.000213/200992 Acórdão n.º 9303005.009 CSRFT3 Fl. 10 9 Suscitou, porém, novos questionamentos judiciais (Recurso Extraordinário ao STF nº 79.601RS, de 1974, também relatado pelo Ministro Aliomar Baleeiro e, no extinto Tribunal Federal de Recursos, a Apelação Cível nº 44.781SP, de 1978, relatada pelo Ministro Carlos Velloso). Em ambos, ratificaram os Tribunais Superiores os critérios estabelecidos nos julgamentos anteriores, mesmo com a mudança de redação introduzida no Regulamento do Imposto. Daí, viuse o Poder Executivo instado a alterar novamente a redação dos decretos regulamentares posteriores, que deixaram de trazer a restrição quanto ao consumo imediato e integral. Essa ausência, então, suscitou a edição do mencionado Parecer Normativo nº 65/79, pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, que vincula a possibilidade de crédito ao emprego sobre o produto em elaboração.Tratase de nova tentativa de dar aplicação aos critérios aceitos no Poder Judiciário5. Embora imprecisa, tal definição, a meu ver, atinge o cerne da discussão, ao menos para a grande maioria dos processos industriais. É que, salvo honrosas exceções que têm de ser comprovadas caso a 5 O que resulta claro nos itens 8 a 10 do citado Parecer Normativo: 8. No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do art. 27 do Decreto nº 56.791/65, inciso I do art. 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que, embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1. A norma constante do direito anterior (inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia, restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito ao crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2. O dispositivo vigente (inciso I do art. 66 do RIPI/79), por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9. Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matériasprimas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). Fl. 451DF CARF MF Processo nº 12571.000213/200992 Acórdão n.º 9303005.009 CSRFT3 Fl. 11 10 caso, não vemos, em princípio, como considerar essenciais e específicos ao processo artigos que sequer entrem em contato direto com o produto em elaboração. De todo modo, restringindose a discussão do presente feito, à energia elétrica, dúvida não tenho de que, de ordinário, ela não pode ser considerada produto intermediário mesmo nessa mais ampla acepção. Há, por certo, situações em que a energia elétrica cumpre aqueles requisitos: tratase daqueles processos que requerem a separação molecular, via eletrólise, para que o processo possa continuar. Presentes aí a essencialidade e a especificidade, mas também a aplicação sobre o produto em elaboração como requer o Parecer. Assim, não demonstrado nos presentes autos que a energia elétrica é empregada dessa forma, ou de alguma similar, não vejo como acatar sua inclusão no conceito de produtos intermediários, mesmo na mais ampla definição que a eles se deu nos últimos regulamentos do IPI. E isso bastaria à negativa de provimento do recurso do contribuinte. Mas, como disse, esse é apenas o primeiro dos requisitos, e a energia elétrica também não cumpre o segundo: não há IPI algum para gerar crédito. Deveras, a energia elétrica está fora do campo de incidência do imposto, merecendo na TIPI a expressão NT – de não tributado. É certo que há outra linha de questionamento judicial, esta mais recente, que diz respeito a essa necessidade de que tenha havido destaque de IPI na aquisição feita. Mas esses questionamentos, normalmente, a isso se resumem, sendo indiscutível o enquadramento do produto adquirido na condição de matéria prima ou produto intermediário. Por isso, o “quase ineditismo” deste recurso, a que fiz referência no relatório. Nele se discutem os dois requisitos. Com efeito, aqui se tem um produto que, segundo as disposições do Parecer Normativo, não é matéria prima, produto intermediário nem material de embalagem e que também não sofreu o gravame do imposto. E quanto a esse último aspecto, da forma mais importante, isto é, não está sequer no seu campo de incidência. Da leitura das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições não chego à conclusão de que, para elas, também se precise demarcar o que significa "ser consumido no processo produtivo". Seja porque a expressão legal não é essa, como também porque não se está a definir produto intermediário, mas sim insumo. Já se vê daí que, com as escusas sempre necessárias, não tenho como partilhar a premissa de sua excia. o ministro Herman Benjamim, citado no voto do dr. Henrique. É que, a meu ver, a legislação do IPI não identifica o conjunto formado por matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ao conceito de insumo. Para tanto, é óbvio, não basta dizer que aquele conjunto é insumo; é preciso, mais, dizer que só ele o é. Mas, longe disso, a este último não é dada qualquer definição formal naquela legislação, a começar pela Lei 4.502/64 em que sequer se encontra o vocábulo "insumos". Mesmo nos decretos regulamentares, o que se diz ou sempre se pode ler é que aquele conjunto é insumo; nada Fl. 452DF CARF MF Processo nº 12571.000213/200992 Acórdão n.º 9303005.009 CSRFT3 Fl. 12 11 há sobre a recíproca. Assim, pareceme, mesmo para o legislador do IPI, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem formam um subconjunto do conjunto mais amplo dos insumos. Aliás, de não ser assim, desnecessárias seriam as diversas ressalvas a itens passíveis de enquadramento no conjunto maior. Especialmente, no artigo definidor dos créditos não se precisaria especificar que ele se restringe àquele subconjunto; bastaria autorizálo aos "insumos", que seria a mesma coisa. A consequência lógica dessa divergência é que não se precisa pensar em legisladores tributários distintos. Mesmo admitindo que o conceito de insumos deva ser uno para todos os efeitos tributários, nada há que impeça usarse o que proponho aqui: bem utilizado no processo produtivo e aí "consumido" ainda que não por um contato físico com o produto em elaboração. Mas é preciso demarcar bem quando começa o processo produtivo, pois, como já reiterou suficientemente a doutrina, não se está aqui limitado aos "produtores" no sentido do IPI, isto é, a lei não está a cuidar apenas de processos industriais, stricto sensu, embora seja aqui o caso. Destarte, quando o produto final gerado (e a ser vendido) depende de uma etapa prévia, ainda não exatamente industrial, mas que seja realizada pela mesma empresa, não vejo nenhuma incompatibilidade com a lei em considerar também integrante do processo essa etapa prévia, como ocorre em diversas cadeias produtivas, a exemplo da celulose, do álcool etc. Embora irrelevante para o presente caso, o critério genérico há de ser, portanto, o do início das operações que culminarão com a obtenção daquilo que gerará a receita da empresa, esta que será a base de cálculo da exação. E em se tratando aqui de uma simples operação industrial, parece fácil identificálo com o início das operações tipicamente industriais como o faz também a IN SRF. Assim, nesses casos de empreendimentos tipicamente industriais minha única divergência com o critério da IN SRF se prende à exigência de que os insumos tenham contato físico com o produto final, o que já excluiria, de plano, todos os serviços, mas não só. Por ele, também ficariam de fora todos os itens normalmente glosados no IPI embora participantes efetivos do processo, onde se desgastam, também sem controvérsia, mesmo sem ter "contato" com o produto em elaboração. De outra banda, não adiro à noção de essencialidade que é por muitos advogada. Como primeiro contraargumento, porque, preservada a premissa econômica de racionalidade do empresário, seria difícil encontrar algum item efetivamente empregado no processo, e portanto gerador de custo, sem que haja necessidade para tal, no mínimo, para que o produto final seja aceito pelo consumidor. De fato, esse critério apenas nos leva a uma nova dificuldade, qual seja, a delimitação do grau de necessidade do item em consideração: seria ela estritamente técnica ou também econômica, no sentido acima? A primeiro opção nos levaria a ter de nos embrenhar nas minúcias de cada processo produtivo; a segunda, a aceitar praticamente todo e qualquer gasto. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 12571.000213/200992 Acórdão n.º 9303005.009 CSRFT3 Fl. 13 12 Em segundo lugar, porque há inúmeros itens, especialmente de serviços, que são "essenciais ao", mas não "utilizados no", processo produtivo. Além desse requisito, considero igualmente excluídos pela expressão "utilizados no processo produtivo" os bens que devem compor o ativo permanente, o que significa que, em meu entender, a legislação das contribuições preservou este específico óbice existente quanto ao IPI. E assim concluo porque, quanto a eles, a legislação permitiu a dedução da despesa de depreciação e desde que o bem ativado seja efetivamente empregado no processo produtivo o que inviabiliza a tomada de crédito sobre o valor integral da aquisição de uma só vez. Rejeitados, assim, os demais critérios, o da IN, o da essencialidade e o da apropriação de custos nos termos da legislação do IR, analiso cada item candidato a insumo sob o duplo ponto de vista: a) participa efetivamente do processo produtivo? b) aí se desgasta em menos de um ano, de modo a não ser ativado? Respostas afirmativas a ambas levamme a aceitálo. Passando, então, ao caso concreto, vêse que se debate a despesa com combustíveis e lubrificantes empregados em frota própria, que é utilizada para transportar a matéria prima e os produtos elaborados. Conforme se comprova da simples leitura da passagem transcrita, a lei apenas deferiu o creditamento com esses itens "quando utilizados como insumo na fabricação de produtos ou prestação de serviços". Necessário, pois, que elas se refiram a atividades que ocorram durante o processo produtivo, o que não se dá tanto no transporte de matérias primas a serem nele empregadas, nem com respeito a transporte de produtos finais dele decorrentes. O segundo item objeto de polêmica referese a bens utilizados na manutenção de tais veículos. A negativa tem o mesmo respaldo, ainda que aqui com mais intensidade, pois sequer estão eles mencionados em qualquer dos incisos do ato legal. Com efeito, o legislador apenas autorizou o creditamento, no que se relaciona aos bens do ativo permanente, quando se trate de depreciação. Não há, pois, tal direito em ambas as situações para os que, como este conselheiro, advogam a tese acima exposta. Com tais considerações, entendeu o colegiado descabido o creditamento deferido na decisão recorrida, e deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001268/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2803-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine os autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Relatório
Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles. Também, informa-se que no E-Process há a duplicação do processo.
É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16004.001268/2008-24
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739139
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2803-000.235
nome_arquivo_s : Decisao_16004001268200824.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 16004001268200824_5739139.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine os autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Relatório Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles. Também, informa-se que no E-Process há a duplicação do processo. É o relatório.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
id : 6841505
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1147; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.001268/200824 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2803000.235 – 3ª Turma Especial Data 15 de abril de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente M4 LOGISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine os autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos para julgamento. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 26 8/ 20 08 -2 4 Fl. 1DF CARF MF Processo nº 16004.001268/200824 Resolução nº 2803000.235 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles. Também, informase que no EProcess há a duplicação do processo. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Processo nº 16004.001268/200824 Resolução nº 2803000.235 S2TE03 Fl. 4 3 Voto. Em razão da ausência de documentação e duplicação indevida dos autos digitais, deve os autos retornarem a autoridade preparadora para fins de juntada dos documentos do referido processo, Isso posto, voto para converter o presente processo em diligência para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais e elimine a autos digitais duplicados e idênticos. Realizada a diligência, retornem os autos a julgamento. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo VettoratoRelator Fl. 3DF CARF MF
_version_ : 1713049207697309696
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720593/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE.
Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72, bem como do art. 142 do CTN, alem disso não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. Eventuais equívocos de aplicação ou interpretação da legislação tributária podem implicar em cancelamento da exigência, fato que não se verifica no presente processo.
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO.
A incorporação de ações da Bovespa Holding pela empresa Nova Bolsa equivale a uma alienação de ações, sujeitando o respectivo ganho à incidência do imposto de renda.
PIS/COFINS. FATO GERADOR. VENDA DE AÇÕES.
A venda de ações integra a receita oriunda do exercício da atividade empresarial típica da instituição financeira, compondo o faturamento da contribuinte, fato gerador da Cofins e do PIS.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
A falta de recolhimento do imposto sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada.
Numero da decisão: 1302-002.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, com relação a exigência do Pis/Cofins. O conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72, bem como do art. 142 do CTN, alem disso não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. Eventuais equívocos de aplicação ou interpretação da legislação tributária podem implicar em cancelamento da exigência, fato que não se verifica no presente processo. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações da Bovespa Holding pela empresa Nova Bolsa equivale a uma alienação de ações, sujeitando o respectivo ganho à incidência do imposto de renda. PIS/COFINS. FATO GERADOR. VENDA DE AÇÕES. A venda de ações integra a receita oriunda do exercício da atividade empresarial típica da instituição financeira, compondo o faturamento da contribuinte, fato gerador da Cofins e do PIS. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A falta de recolhimento do imposto sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.720593/2013-12
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5732988
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.093
nome_arquivo_s : Decisao_16327720593201312.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 16327720593201312_5732988.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, com relação a exigência do Pis/Cofins. O conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6800811
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049207773855744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720593/201312 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.093 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2017 Matéria INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL Recorrente DEUTSCHE BANK CORRETORA DE VALORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72, bem como do art. 142 do CTN, alem disso não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. Eventuais equívocos de aplicação ou interpretação da legislação tributária podem implicar em cancelamento da exigência, fato que não se verifica no presente processo. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações da Bovespa Holding pela empresa Nova Bolsa equivale a uma alienação de ações, sujeitando o respectivo ganho à incidência do imposto de renda. PIS/COFINS. FATO GERADOR. VENDA DE AÇÕES. A venda de ações integra a receita oriunda do exercício da atividade empresarial típica da instituição financeira, compondo o faturamento da contribuinte, fato gerador da Cofins e do PIS. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A falta de recolhimento do imposto sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, por maioria de votos, em negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 93 /2 01 3- 12 Fl. 492DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 3 2 provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, com relação a exigência do Pis/Cofins. O conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao acórdão 1458.560 da 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, referente ao auto de infração, de 29/05/2013, fl. 142, relativo ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS dos anoscalendário de 2008, relativamente a incorporação e resgate de ações perante a Bovespa Holding S.A. e a Nova Bolsa S.A. Da fiscalização A recorrente, no âmbito de suas atividades de corretora de títulos e valores mobiliários, possuía (31/12/2007) saldo de 8.036.518 ações da Bovespa Holding, contabilizadas contabilizadas na rubrica na conta COSIF 1.3.1.20.10.005 "Ações de Companhias Carteira Própria", perfazendo o montante de R$17.921.435,14. Em 08/05/2008, a Nova Bolsa S.A.incorporou as ações da Bovespa Holding S.A. e a Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. No processo de incorporação de ações, uma ação da Bovespa Holding passou a valer 1,42485643 ações da Nova Bolsa, de forma que pelas 4.821.911 ações BOVH3 que a Deutsche Bank Corretora detinha foram recebidas 6.870.530 ações de emissão da Nova Bolsa. Os acionistas da Bovespa Holding também receberam ações PN resgatáveis da Nova Bolsa, na proporção de uma ação PN resgatável para cada 10 ações da Bovespa Holding. à Deutsche Bank Corretora recebeu 803.652 ações PN resgatáveis da Nova Bolsa em maio de 2008. Já no caso da Bovespa Holding S.A. o valor unitário atribuído a cada ação ordinária foi de R$ 24,82. As ações preferenciais foram atribuídas aos então acionistas da Bovespa Holding S.A. e imediatamente resgatadas ao valor unitário de 17,15340847. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 4 3 Em 13/06/2008, efetuouse o resgate das 803.652 ações PN da Nova Bolsa pelo valor de R$13.785.367,59, conforme informações prestadas pela recorrente. A fiscalização registrou que nessa operação a Deutsche Bank Corretora deveria ter reconhecido esse valor, como lucro auferido na venda das ações, sob o fundamento de que a incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A. caracterizou se em alienação das ações dos acionistas originários. Nesse contexto, registra que a recorrente não poderia ter excluído esse resultado da venda dessas ações (R$13.785.367,59) da base de cálculo do PIS e da COFINS. Por ser sociedade corretora, sujeitase à tributação do PIS e da COFINS nos moldes dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e art. 10, I, da Lei nº 10.833/03). Concluiu, assim, que esse resultado deveria ter sido adicionado à base de cálculo dessas contribuições. A fiscalização concluiu, ainda, que teria havido postergação de IRPJ e CSLL pelo fato de que, somente no resgate das ações pela recorrente perante a Nova Bolsa S.A., teria havido o reconhecimento dos resultados. Houve, também, a aplicação de multa isolada, em virtude da não inclusão pela recorrente das diferenças entre os valores entregues para a formação do patrimônio da Nova Bolsa S.A., na base de cálculo das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. Da Impugnação Em sua impugnação (fl. 175), a recorrente apresentou as razões pelas quais defende que não haveria, no caso, omissão de receita. Alegou, também, que o auto de infração não teria fundamentado a suposta omissão de receita. Em sequência, sustentou que não caracterizaria fato gerador de IRPJ e CSLL a incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A.; que a operação constituiria substituição de bens, promovida de forma compulsória e independente da vontade da acionista recorrente. Salienta que, na operação de incorporação não teria havido alienação de ações, mas mera substituição de bens sem transferência de patrimônio; que somente quando as ações da recorrente fossem vendidas, em momento posterior, poderia haver tributação. Sustentou a inexigibilidade do PIS e da COFINS, sob a alegação de que o fato de haver contabilizado as ações no ativo circulante teria sido um erro que, dessa forma, teria sido correta a exclusão das respectivas bases de cálculo. Alegou que o fato de as ações da Bovespa Holding S.A. terem sido incorporadas a valor de mercado (R$24,82), não geraria impacto tributário na recorrente. Encerrou sustentando que não poderia haver cumulação de multa de ofício e multa isolada. Do Acórdão da DRJ A primeira decisão da DRJ foi anulada por esse Conselho. Na oportunidade, concluiuse que teria havido equívoco quanto ao objeto desse PAF. A decisão anulada adentrou a questões relativas à desmutualização, ocorrida por ocasião da extinção da Bovespa associação civil sem fins lucrativos e a instituição da Bovespa Holding S.A. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 5 4 A DRJ proferiu nova decisão e com base nos fundamentos a seguir sintetizados, manteve a conclusão de improcedência da impugnação da recorrente. A preliminar de nulidade, sobre inexistência de omissão de receita e falta de enquadramento legal, foi rejeitada pela DRJ. Quanto à alegação da recorrente de que entre a Bovespa Holding S.A. e a Nova Bolsa S.A. teria havido apenas uma substituição de bens, a DRJ concluiu que sujeitase à tributação pelo IRPJ o ganho apurado nessa operação, por se constituir em alienação de ações, materializada pela transmissão onerosa da propriedade de ativos. A DRJ também ratificou o entendimento da fiscalização no sentido de que as ações recebidas pela recorrente devem ser classificadas no ativo circulante, por terem sido adquiridas com a intenção de venda em curto prazo (art. 179, inc. I da Lei nº 6.704/76) e a receita decorrente de sua alienação é operacional e decorrente da atividade operacional típica da empresa, o que atrai a incidência do PIS e COFINS. A multa isolada, concomitantemente à multa de ofício, também foi mantida pela DRJ. Do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada do Acórdão 1458.560 da DRJ, em 03/06/2015, conforme Aviso de Recebimento dos Correios – AR (JH70146331 8 BR), fl. 422. Apresentou recurso voluntário, em 02/07/2015, fl. 424. O recurso voluntário reapresenta as razões sustentadas na impugnação da recorrente, conforme retro sintetizado. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator A recorrente está devidamente representada e o recurso voluntário foi interposto tempestivamente. Conheço do recurso. Preliminar de Nulidade A recorrente alega nulidade do auto de infração, por considerar que não há omissão de receita e, caso houvesse, o auditor fiscal estaria obrigado a tipificar a ocorrência de omissão de receita. O auto de infração (fl. 144) registrou que houve omissão de receitas referentes a permuta das ações da Bovespa Holding por ações da Nova Bolsa S.A. (BM&F Bovespa, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (TVF). Indicou que o fato gerador se deu em 31/12/2008, valor apurado: R$108.926.969,49 e multa de 75%. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 6 5 Enquadrou essa ocorrência nas disposições do art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249 inc. II, 251, 277, 278, 279 e 288 do RIR/99. Analisados os fatos e os fundamentos consignados no auto de infração e TFV, verificase, ao contrário das razões preliminares da recorrente, que o auto de infração preenche os requisitos e formalidades legais. Nesse sentido, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, ratificandose os fundamentos do acórdão recorrido. Do Mérito O acórdão recorrido concluiu que: a) é devido IRPJ e CSLL sobre a alienação das ações da Bovespa Holding S.A. no processo de incorporação de suas ações pela Nova Bolsa S.A., atual BM&F Bovespa S.A.; que nesse processo houve postergação pela recorrente de parte do IRPJ e CSLL devidos; b) é devido o recolhimento de PIS e COFINS na venda de ações PN resgatáveis da Nova Bolsa, bem assim na venda de ações da Bovespa Holding em maio de 2008; c) é devida a multa de ofício e a multa isolada, cumulativamente. No processo de incorporação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa, o valor unitário atribuído a cada ação ordinária da Bovespa Holding S.A. foi de R$24,82, conforme item 3.4 do "Fato relevante" publicado em 17/04/2008. Dessa forma o valor total do investimento da recorrente avaliado a preço de mercado por ocasião da incorporação seria de R$119.679.831,02 (4.821.911 x R$ 24,82). A DRJ ratificou o entendimento da DRF de que a incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A. caracterizouse como alienação de ações e a receita bruta auferida pela recorrente naquela operação constituise em ganho que deveria ter sido oferecido à tributação na forma detalhada no TVF, a seguir reproduzida: Valor de mercado das ações Bovespa na incorporação: R$119.679.831,02 () Valor contábil ações Bovespa na incorporação: R$10.752.861,53 = Resultado líquido na incorporação de ações: R$108.926.969,49 Quantidade Custo Unitário Valor Total (R$) Bovespa Holding S.A. 4.821.911 24,82 119.679.831,02 Bovespa Holding S.A. 2.048.619 0 0 Total 6.870.530 17.4193 119.679.831.02 O custo médio das ações da Nova Bolsa S.A., resultado da incorporação das ações da Bovespa Holding e da BM&F S.A., passou a ser R$17.4193, conforme quadro acima. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 7 6 Em 04/05/2009, a recorrente efetuou a alienação de 6.870.530 ações BM&F Bovespa ON, tendo apurado o resultado conforme "Quadro Demonstrativo de Vendas Ocorridas em 2009" apresentado em resposta à intimação fiscal: Data da Venda (Pregão 04/05/2009 Quantidade de ações ON vendidas 6.870.530 Valor da Venda R$64.492.078,71 Custo das Ações R$1.798.000,64 Resultado Apurado R$62.694.078,07 Na alienação ocorrida em 04/05/2009, a recorrente reconheceu um resultado maior, por considerar um custo menor, que o custo, médio apurado na alienação das ações da Nova Bolsa de R$ 17,4193. Considerando o custo médio apurado após a incorporação das ações da Bovespa Holding, o custo das ações da Nova Bolsa vendidas em maio de 2009 seria de R$ 119.679.831,02. Dessa forma teria apurado um prejuízo de R$ 55.187.752,31, conforme a seguir demonstrado: Data da Venda 04/05/2009 Quantidade de ações ON vendidas 6.870.530 Valor da Venda 64.492.078,71 .Custo das ações considerando custo médio de R$ 17,4193 119.679.831,02 Resultado apurado 55.187.752,31 Resultado apurado pelo contribuinte 62.694.078,07 Diferença: resultado apurado resultado reconhecido 117.881.830,38 Constatase que, o ganho de R$108.926.969,49 apurado em maio de 2008, foi postergado para o anocalendário de 2009, quando foram alienadas as 6.870.530 ações da Nova Bolsa e foram reconhecidos resultados, conforme se verifica acima. Conforme já vimos anteriormente o resultado líquido obtido na incorporação de ações em 2008 foi de R$108.926.969,49. A DRF e a DRJ concluíram que esse resultado deveria ter sido tributado pelo IRPJ e CSLL, em 2008, de acordo com os artigos 247, 248, 251 e parágrafo único, 277 do RIR/99. Consultada a DIPJ/2010, anocalendário 2009, verificouse que a recorrente apurou lucro real de R$104.937.235,41 e base de cálculo da CSLL de R$103.938.929,41. Consultada a DIPJ/2011, anocalendário 2010, verificouse que a recorrente apurou lucro real de R$39.826.374,23 e base de cálculo da CSLL de R$ 37.483.745,13. No TVF (fl. 118 e 119) apresentaramse quadros demonstrando a recomposição do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL nos anos calendário 2009 e 2010, considerando o resultado recalculado na venda das ações em 2009. No ano calendário 2009 a recorrente apurou IRPJ no valor de R$26.210.308,85 e CSLL no valor de R$15.890.839,41. Na forma demonstrada no TVF, esses valores recolhidos referentes ao ano calendário de 2009 foram considerados postergação do pagamento desses tributos sobre o resultado auferido na permuta das ações em 2008. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 8 7 No ano calendário de 2010 a recorrente apurou IRPJ no valor de R$9.932.593,55 e CSLL no valor de R$5.622.561,77. Conforme apresentado, parte desses valores recolhidos referentes ao ano calendário de 2010 foram considerados postergação do pagamento desses tributos sobre o resultado auferido na permuta das ações em 2008. Analisandose o recurso voluntário, verificase que a recorrente, sobre esse ponto, alegou que a alienação de ações ocorrida no referido processo de incorporação, não constituiria fato gerador de IRPJ e CSLL e que o ganho de capital somente deveria ser oferecido à tributação por ocasião do efetivo resgate das ações. Alegando se tratar de entendimento coincidente com o seu, a recorrente colacionou apenas trechos do acórdão 9202003.579 2ª Turma, de 03/03/2015. Proc. 10680.726772/201188. Todavia, como se pode observar na ementa a seguir transcrita, integralmente, o caso citado se refere a imposto de renda de pessoas físicas, tratase de sócios de empresas que tiveram ações ou cotas incorporadas. Portanto, não se aplica à presente situação, como segue: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, devem, apenas, promover tal alteração em suas declarações de ajuste anual. Ademais, nos termos do artigo 38, § único, do RIR/99, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, o contribuinte não recebeu nenhum numerário em razão da operação autuada. Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. Inexistência de fundamento legal que autorize a exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço.Recurso especial negado. Da mesma forma, verificase que as citações doutrinárias colacionadas pelo recorrente não amparam sua tese de que, somente no efetivo resgate das ações é que haveria a incidência tributária. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 9 8 De outro lado, em relação à caracterização da incorporação de ações da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A. como alienação sujeita à incidência do IRPJ e CSLL, o acórdão recorrido apresenta os seguintes fundamentos: Como o evento de incorporação de ações da BOVESPA S.A, a valor de mercado, CONFIGURA ALIENAÇÃO ficta, pois acarretará a liquidação do investimento temporário original, o ganho líquido (receita financeira) deverá ser objeto de tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Como conseqüência, o investimento original deverá ser baixado e o novo ativo recebido escriturado ao custo de aquisição correspondente ao preço de mercado constante do laudo de avaliação. A operação de incorporação de ações está prevista no artigo 252 da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas), e corresponde a uma forma de alienação em sentido amplo, conforme exposto na doutrina a seguir transcrita. . Incorporação de Ações "Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembleiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembleiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação deverá autorizar o aumento de capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei' ns'9.457, de 1997). § 2º A assembleiageral da. companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do, capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997). § 3º Aprovado o laudo de avaliação pela assembleiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação é os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem" A respeito do art. 252 da Lei das S.A., encontramos a seguinte doutrina de Modesto Carvalhosa (Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, Ed. Saraiva, 2009, tomo II, fls.132): Fl. 499DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 10 9 "Na constituição derivada, de que trata este artigo, há uma falsa incorporação, ou seja, a aquisição das ações de determinada companhia, sendo a incorporadora a única adquirente. Tendo em vista a proteção dos interesses dos acionistas minoritários de ambas as sociedades a incorporadora e a incorporada a lei criou uma série de dispositivos especiais, em tudo semelhantes ao negócio e aos procedimentos da incorporação autêntica. Tratase, o negócio de incorporação de ações, ao mesmo tempo de uma incorporação e de uma alienação fictas. No primeiro caso, porque não se incorpora uma sociedade em oura, na medida que a incorporadora subsiste como pessoa jurídica, ou seja, como sociedade mercantil de direito privado, revestindo o tipo de companhia. No segundo caso, porque o controlador da sociedade incorporada aliena não apenas suas ações à incorporadora, mas também a dos minoritários, num negócio sui generis, que lembra a expropriação do direito administrativo. Tratase, com efeito, de negócio sui generis a que, por lei, está permanentemente sujeito o acionista minoritário da incorporadora: ter suas ações vendidas à incorporadora independentemente de sua vontade (...) Ou seja, considerando que no ato jurídico não há uma mera substituição de ativos, e sim uma transmissão onerosa da propriedade de ativos mensurados por laudo de avaliação, temos que a incorporação de ações constitui uma das espécies do gênero alienação, no sentido amplo. Tal entendimento acarreta a tributação da pessoa física e da pessoa jurídica. O procedimento de incorporação de ações é bem descrito por Edmar de Oliveira Andrade Filho em "Imposto de Renda das Empresas", Editora Atlas, 9ª Edição, 2012, pág. 519, que por sua didática transcrevemos a seguir trechos do mesmo: "A incorporação de ações é regida pelo artigo 252 da Lei 6.404/76 e que tem por objetivo a criação de uma subsidiária integral (sociedade unipessoal referida no artigo 251 da referida lei) a partir de sociedade já existente; envolve, pois a conversão de uma sociedade com dois ou mais sócios ou acionistas para tornála unipessoal de modo que todas as ações sejam de titularidade de uma sociedade brasileira. Pode ou não haver transformação em sentido próprio (art. 220 da Lei 6.404/76) que designa a mudança de tipo de sociedade; só haverá transformação se a sociedade que vier a se tornar subsidiária integral não for uma sociedade por ações. A transformação é exigida porque o caput do art. 251 da Lei nº 6.404/76 determina que a "subsidiária integral" seja uma sociedade por ações. O artigo 252 da Lei n° 6.404/76 estabelece um procedimento especial para esta conversão e dá o nome de incorporação de ações. A palavra incorporação, nesse Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 11 10 contexto, não tem a mesma significação de incorporação de sociedade, pois não há a extinção de sociedade, mas sim mera conversão de sociedade anônima. A operação de incorporação de ações requer a existência de pelo menos três partes distintas. A sociedade investida, que se tornará uma subsidiária integral e, portanto, passará a ter um único acionista; a sociedade incorporadora de ações ou cotas, que terá seu capital aumentado em decorrência, de subscrição feita pela terceira parte, representada pelos demais sócios ou acionistas da sociedade investida e que "trocarão" as ações ou cotas do capital daquela que, se tornará subsidiária integral por ações ou cotas da sociedade incorporadora que, como visto, terá o seu capital aumentado mediante a emissão de novas ações ou cotas Em termos práticos, a sociedade que vier a ser a incorporadora das ações adquire todas as ações (ou o restante para completar a totalidade, se ela já for acionista) da sociedade que vier a ser sua subsidiária integral; essa aquisição é feita mediante o recebimento por conferência das ações ou cotas em subscrição do aumento de seu próprio capital. Assim, a recebedora das ações ou cotas da sociedade que vier a se tornar a subsidiária integral extingue a obrigação pela subscrição das ações mediante á entrega de ações de seu próprio capital. ............................. Na sociedade que se tornará a única acionista da subsidiária integral (incorporadora de ações ou cotas) a realização de uma assembléia geral é necessária porque haverá aumento de seu capital social e porque certos acionistas ou sócios poderão dissentir da decisão e requerer o reembolso do valor de suas ações ou cotas. Ademais a, lei impõe formalização de um protocolo de justificação com os termos do negócio jurídico a ser realizado e a apresentação de um laudo de avaliação do valor econômico das ações ou cotas que estarão sendo objeto de troca e que, em última análise, diz respeito ao valor do aumento do capital social, que pode ser realizado com ou sem prêmio (ágio na emissão de ações). Na sociedade (ou nas sociedades) que vier a subscrever ações ou cotas do capital da sociedade incorporadora das ações, a assembléia geral deve ser convocada em razão do disposto em Lei (parágrafo 2º o artigo 252), que exige que uma operação desta natureza deva contar com a deliberação prévia dos sócios ou acionistas que podem dela dissentir. Neste caso, a Lei retira dos administradores os poderes para realizar uma operação que envolve ativos da sociedade. ............................ Fl. 501DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 12 11 Sob a perspectiva daquele que realiza a troca das ações ou quotas, há a s substituição de investimentos que pode acarretar ou não a apuração de ganho ou perda de capital;tudo fica a depender do valor a ser atribuído a operação, se maior ou menor que o valor contábil do investimento primitivo, que é substituído por outro. Está operação pode ser qualificada como sendo passível de produzir uma alienação ou uma liquidação do investimento. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. Com efeito, o detentor das ações ou cotas as entrega sob a forma de conferência de bens para subscrição de capital e recebe ações ou cotas da sociedade que teve seu capital aumentado e que passou a\ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral. Todavia, não se \pode olvidar que o fenômeno possui afinidade funcional com a liquidação de investimento por incorporação de sociedade nos termos do artigo 227 da Lei nº 6.404/76; de fato, o investimento na antiga sociedade (aquela que se tornou a subsidiária integral) deixa de existir em razão do cancelamento das antigas ações ou cotas da controladora (único acionista ou cotista) da subsidiária integral. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações são realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil haverá apuração de ganho de capital tributável e, se for o caso, haverá a realização do ágio ou deságio já amortizado e objeto de controle na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real." Em suma, resta a conclusão de que o ato societário de incorporação da totalidade das ações da Bovespa Holding S.A., ocorrido em maio de 2008, implicou alienação das ações possuídas pelos acionistas originários. Na primeira instância de julgamento administrativo, temos o seguinte acórdão específico para um caso de incorporações de ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa: Acórdão nº 1640.12229/12/2012 10ª Turma da DRJ/SPI Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008s Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 13 12 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATIVIDADE TÍPICA DE CORRETORA. TRIBUTAÇÃO A incorporação de ações da Bovespa Holding pela empresa Nova Bolsa equivale a uma alienação de ações, atividade típica do objeto social da contribuinte, sendo, portanto, uma receita tributada pelo IRPJ. E, finalmente, recentemente, deuse o julgamento de Recurso Especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, onde manifestouse no sentido de que a "incorporação de ações'constitui uma forma de alienação em sentido amplo". (Acórdão nº 920200.662 da 2ª Turma de 12/04/2010). Acórdão nº 920200.662 12/04/2010 Assunto: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL As operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitas a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior (entre o valor de, mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Recurso especial provido.'' Primeira conclusão de mérito Analisados os fundamentos do acórdão recorrido e as razões de recurso voluntário, cujos pontos principais foram retro citados, entendo como correta a conclusão da DRJ no sentido de que a referida substituição de ações da Bovespa Holding S.A. por ações da Nova Bolsa S.A., atual BM&F Bovespa S.A., de fato, implicou ganho de capital para a recorrente, o qual deveria ter sido oferecido à tributação pelo IRPJ e CSLL, por ocasião da incorporação das ações e entrega das novas ações pela Nova Bolsa S.A. É evidente que houve substituição de bens, como sustenta a recorrente. Porém, também é evidente que o resultado dessa operação se materializou em ganho para a acionista recorrente, tendo em vista que a incorporação integral das ações da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A. foi realizada a preço de mercado. Acompanhando ainda a conclusão do acórdão recorrido, o fato de a recorrente deixar de oferecer esse resultado à tributação para fazêlo somente na oportunidade que resgatou as ações, caracterizou postergação, como demonstrado no TVF, cujos pontos específicos foram retro transcritos. Nesse ponto, portanto, não assiste razão à recorrente. Não há fundamento para a verificada postergação quanto ao oferecimento à tributação. Do PIS e da COFINS sobre a Alienação e Resgate das Ações Fl. 503DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 14 13 A fiscalização concluiu que as ações recebidas pela recorrente deveriam ser classificadas no ativo circulante, por terem elas sido adquiridas com a intenção de venda em curto prazo (artigo 179, I da Lei nº 6.404/76), e a receita decorrente de sua alienação é operacional e decorrente da atividade operacional típica da empresa, o que atrai a incidência do PIS e da COFINS. Conforme exposto no TVF, a recorrente é tributada pelo PIS e pela COFINS, nos termos da Lei nº 9.718/98, a qual em seus artigos 2º e 3º estabelece que as contribuições devem ser calculadas com base no faturamento das pessoas jurídicas, faturamento este que corresponde a sua receita bruta. Observandose que para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS são permitidas algumas exclusões da receita bruta, que estão prescritas no parágrafo 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Entre as exclusões permitidas, encontrase a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente, prevista no inciso IV, do referido dispositivo legal. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) , § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2° excluemse da receita bruta: IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. A recorrente reconheceu no Demonstrativo de Base de Cálculo do PIS e da COFINS o resultado da venda das ações preferenciais na rubrica "Outras Rendas Operacionais": O contribuinte, porém excluiu, em junho de 2008, da base de cálculo do PIS e da COFINS o ganho auferido na venda dessas ações preferenciais, no grupo "Outras Exclusões (sem COSIF específico), na linha "Lucros na Alienação de Investimentos do Ativo Permanente". Por ser sociedade corretora, os resultados obtidos nas operações de venda das ações PN resgatáveis da Nova Bolsa e alienação das ações da Bovespa Holding no processo de incorporação de ações pela Nova Bolsa, comporiam o resultado operacional, sujeito à incidência das contribuições do PIS e da COFINS, pois o objeto social da empresa, previsto em seu estatuto contemplava a compra e venda de títulos e valores mobiliários, por conta de terceiros ou por conta própria, e o artigo 11 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, estabeleceu que fosse classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais e acessórias, que constituísse objeto da pessoa jurídica. Portanto devem ser adicionados na base de cálculo do PIS e da COFINS o montante de R$13.785.367,59 (receita referente ao resgate de ações preferenciais) em junho de 2008. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 15 14 Efeitos da alienação de ações da Bovespa Holding S/A na base de cálculo do PIS e da COFINS Em 04/06/2008, a recorrente alienou 3.214.607 ações da Bovespa Holding S.A., apurando resultado líquido de R$78.014.753,49. A receita da venda dessas ações foi contabilizada na conta COSIF 7.15.2.0.007 "Resultado com Ações Próprias". Examinando os registros contábeis, constatamos que a recorrente, após subscrever e receber as ações da Bovespa Holding S.A, classificouas no ativo circulante, inclusive aquelas vendidas no IPO, na conta COSIF 1.3.1:20.10.005 "Ações de Companhias : Carteira Própria". A fiscalização entendeu que essa classificação contábil está correta, considerando especificamente as seguintes contas COSIF (Plano Contábil das Instituições Financeiras definido pelo Banco Central): I Ativo 1 CIRCULANTE E REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 1.3 TÍTULOS~E VALORES MOBILIÁRIOS E INSTRUMENTOS FINANCEIROS DERIVATIVOS. 1.3.0.00.004 TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS E INSTRUMENTOS FINANCEIROS DERIVATIVOS 1.3.1.00.007Livres 1.3.1.20.001 TÍTULOS DE RENDA VARIÁVEL 1.3.1.20.104 Ações de Companhias Abertas Verificouse que as normas permitem somente a exclusão das receitas da venda do ativo permanente. Na forma apresentada, o resultado da venda das ações compõe o Resultado Operacional da recorrente, pois estavam classificadas no Ativo Circulante. Por conseguinte, a receita proveniente da venda não pode ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS. Por sua vez, a recorrente apresenta as seguintes alegações, a respeito: 45. Contudo, o fato de a Recorrente ter contabilizado tais ações em conta do ativo circulante em nada altera esse cenário, pois como se sabe, a contabilidade não cria fatos, apenas os registra. O equívoco no registro daqueles títulos não pode ensejar tributo e acréscimos legais, pois o erro não é fato tributável, conforme tem decidido reiteradamente esse prestigiado Conselho Administrativo. 46. Com efeito, as referidas ações deveriam ter sido contabilizadas em conta do permanente até o momento da venda em bolsa de valores, razão pela qual sua negociação jamais poderia ser alcançada pela incidência das contribuições para o PIS e para a COFINS, por força de expressa isenção. Citou ementa de acórdão que não aplica ao presente caso. Já o acórdão recorrido, concluiu que a receita bruta apurada na alienação das ações da Bovespa Holding, na incorporação de ações pela Nova Bolsa S/A, integra a base de Fl. 505DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 16 15 cálculo da contribuição devida no exercício de atividade empresarial típica de instituição financeira (corretora de títulos e valores mobiliários), em conformidade com as disposições do art. 2º da Lei nº 9.718/98,vigente à época, verbis: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Segunda conclusão de mérito Analisados os registros da fiscalização, os fundamentos do acórdão recorrido e as razões de recurso voluntário, cujos pontos principais foram retro citados, entendo como correta a conclusão da DRJ no sentido de que as receitas em questão decorreram da atividade operacional da recorrente, sendo correta a classificação contábil no ativo circulante e devida a incidência do PIS e da COFINS. Assim, não há como acolher os argumentos da recorrente. Ratificamse, dessa forma, as respectivas conclusões e fundamentos do acórdão recorrido. Da Multa Isolada e Multa de Ofício Proporcional A fiscalização registrou que na DIPJ da recorrente, relativa ao anocalendário de 2008, às fichas 11 e 16, verificase que o contribuinte utilizouse do pagamento da estimativa com base na receita bruta e acréscimos, para fins de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social por Estimativa. No entanto, a recorrente não incluiu na base de cálculo das estimativas mensais, tanto do imposto de renda quanto da contribuição social sobre o lucro líquido, o valor das diferenças entre os valores entregues para a formação do patrimônio da Nova Bolsa. Nesse sentido, concluiu que seria devida a multa isolada sobre tais valores. Fundamentou a aplicação da multa nas disposições do art. 44, II "b" da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, em seu art. 14, verbis: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 506DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 17 16 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Diante de tais constatações, aplicouse a multa isolada e a multa de ofício proporcional. A recorrente sustentou que não é devido cumular tais multas, sobre os mesmos valores. Transcreveu ementas de acórdãos do Carf, nesse sentido. O acórdão recorrido apresenta fundamentos, por meio dos quais concluiuse na mesma linha da fiscalização, isto é, que é devida a multa isolada, em virtude da falta de recolhimento, nas estimativas mensais, do IRPJ e da CSLL relativos ao ganho de capital auferido pela recorrente, relativamente às ações que recebeu da Nova Bolsa S.A., no referido processo de incorporação integral das ações da Bovespa Holding S.A. Terceira conclusão de mérito Analisados os registros da fiscalização, os fundamentos do acórdão recorrido e as razões de recurso voluntário, cujos pontos principais foram retro citados, também entendo como correta a conclusão da DRJ, pois, alinhado aos fundamentos legais expressos no TVF, concordo que não se trata de duplicidade de pena sobre os mesmos valores. Verificase que a recorrente optou por regime de tributação que lhe obriga a promover antecipações mensais. Nesse sentido, o fato de não fato de excluir o referido ganho de capital do cálculo da estimativa, enseja a multa isolada. O fato de haver encerrado o exercício, não afasta a multa isolada. Pois essa decorre especificamente da opção da recorrente pelo regime de tributação anual (receita bruta) com pagamento de estimativas mensais. Essa é a essência do art. 44, inc. II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, em seu art. 14, retro transcritos. A multa proporcional, no caso, é devida, cumulativamente com a multa isolada, em função das faltas de recolhimentos no ajuste anual, como observado no auto de infração. Assim, nesse ponto, concluo que não há como acolher as razões de recurso da recorrente. Mantenho a multa isolada e a multa proporcional, pelos fundamentos da DRF, ratificados pela DRJ. Conclusão final Fl. 507DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 18 17 Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Declaração de Voto Conselheiro Suplente – Gustavo Guimarães da Fonseca Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Deutsche Bank – Corretora de Valores S.A., por meio da qual se insurge contra acórdão da DRJ que manteve autuação fiscal em seu desfavor que, em apertada síntese: a) efetuou o lançamento tributário a fim de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e da COFINS quanto a operação de resgate das Ações Preferenciais detidas pela recorrente na “Nova Bolsa”; b) declarou a existência de obrigação tributária concernente às duas contribuições mencionadas anteriormente, desta vez, em razão da alienação efetiva da ações havidas pela empresa junto à Bovespa; c) lançou crédito tributário afeito à exigência de IRPJ e CSLL, incidentes sobre o ganho de capital observado quando da incorporação de ações da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A. Inicialmente, entendi haver vício material na exigência implementada pela Auditoria Fiscal, especificamente em relação ao lançamento da contribuição para o PIS e da COFINS em relação, tanto à liquidação das ações da Nova Bolsa, como quanto a alienação das ações havidas pela recorrente junto a Bovespa. Numa primeira análise, considerando que as ações da Bovespa havidas pela empresa estavam originariamente registradas em conta do ativo permanente em 31/12/2007, me pareceu razoável assumir que as ações recebidas quando ato de incorporação destas pela Nova Bolsa tivessem sido registradas em conta da mesma natureza, ainda que formalmente consideradas pela própria Recorrente em conta do ativo circulante (daí a alegação de erro material). A premissa, por mim assumida, contudo, vai de encontro ao próprio princípio da verdade material, invocado pelo contribuinte para justificar o alegado erro de escrituração; isto porque, não há nos autos, notícias, fatos ou documentos que demonstrem que, antes da autuação, semelhante vício tivesse sido reconhecido pelo insurgente, não tendo sido verificada Fl. 508DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 19 18 qualquer retificação dos balanços pela empresa a fim de (re) colocar tais títulos na conta do ativo permanente ou, quando menos, no ativo realizável de longo prazo. Vale lembrar que o princípio da verdade material impõe, realmente, à autoridade lançadora (e também a este Conselho) o mister de exaurir a matéria fática que permeia o ato de lançamento. Sobre tema, calha trazer a colação os ensinamentos de José Eduardo Soares de Melo: Considerando os princípios da tipicidade cerrada e da legalidade, somente se pode cogitar da existência do fato gerador da obrigação tributária quando ocorridos os aspectos previstos na norma de incidência, uma vez que as relações jurídicas devem pautarse pelos critérios da segurança jurídica e certeza, não se aceitando lançamentos tributários louvados em singelas presunções, ficções e indícios. (JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELO, Curso de Direito Tributário, Ed. Dialética). Por certo, a assunção de presunções (não decorrentes de lei – iure et de iure), notadamente quando existem documentos previamente disponibilizados ao fisco suficientes para retirar a certeza das conclusões constantes do ato de lançamento, é a antítese do primado da verdade material. Todavia, não se pode exigir da autoridade lançadora, ainda que sob o pálio da verdade material, que desconsidere, justamente, as informações prestadas pelo próprio contribuinte para desnaturar os fatos volitivamente confessados, sem, de forma substancial, se apresentar dados ou documentos que possam demonstrar, efetivamente, que tais informações não eram verdadeiras ou, lado outro, foram registradas pela empresa por erro de fato. O contribuinte, digase, limitouse a afirmar em sua defesa, que as ações recebidas da Nova Bolsa teriam sido, equivocadamente, registradas em conta do ativo circulante; quando menos, teria que demonstrar ter ocorrido a retificação de seus balanços antes do resgate da ações PN/Bovespa verificada em 30/06/2008 ou, mesmo, da alienação noticiada na mesma data. Aliás, digase, o curto lapso temporal entre a data do recebimento das ações e a sua posterior alienação dão conta da real intenção do recorrente de negociálas em operações típicas de corretagem de títulos e valores imobiliários (atividade descrita no inciso IV da cláusula 4ª do Estatuto Social da empresa). E, para reforçar tal assertiva, impende trazer a colação as disposições da Lei 6.404/75, invocadas, inclusive, pela Auditoria Fiscal: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte (...). Inegavelmente, a míngua de qualquer dado adicional, há que se considerar correto o lançamento realizado pela empresa na conta de ativo circulante, já que as operações ora tratadas foram realizadas no mesmo exercício em que recebidas as ações. Objetivamente, o recorrente não ofereceu nenhum dado fático que permitisse, seja à própria autoridade lançadora, seja aos órgãos colegiados de julgamento, inferir a veracidade de suas alegações (no tocante ao alegado “erro de escrituração”). Fl. 509DF CARF MF Processo nº 16327.720593/201312 Acórdão n.º 1302002.093 S1C3T2 Fl. 20 19 Insistase, é o próprio princípio da verdade material que impede a adoção de outra conclusão que não aquela demonstrada a partir dos documentos contábeis do contribuinte; se não nos é dado presumir fatos para efetuar o lançamento tributário (ou julgalo válido), também não nos será permitido presumir a veracidade das alegações do recorrente sem um minus documental a, quando menos, indiciar a procedência de suas assertivas. Uma vez registradas em conta do ativo circulante, o tratamento tributário das alienações ulteriores tem, obrigatoriamente, que seguir as disposições do arts. 2º e 3º da Lei 9.718 e 11 do DecretoLei 1.598, de 26 de dezembro de 1977 (como bem pontuado pelo D. Relator, na exposição de seu voto); os resultados observados a partir, tanto do resgate das ações PN, quanto da venda das ações havidas junto à Bovespa, teriam que ser considerados como operacionais (por que registrados pelo próprio contribuinte como tal) e não como vendas de ativos permanentes, sujeitandose, pois, integralmente, à exigência da contribuição para o PIS e da COFINS. Nestes termos, e revendo meu posicionamento (externado quando da sessão de julgamento), ei por bem negar provimento ao recurso voluntário, acompanhando integralmente, o voto do Relator. Fl. 510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.722365/2010-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito.
PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL.
A Administração Pública tem o poder-dever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poder-dever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta.
DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO.
Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas.
DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE.
O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção.
SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE.
É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material.
Numero da decisão: 1402-002.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poder-dever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poder-dever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE. É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10380.722365/2010-03
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5728369
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.473
nome_arquivo_s : Decisao_10380722365201003.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10380722365201003_5728369.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6779533
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049207793778688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2243; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 264 1 263 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.722365/201003 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.473 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria IRPJ Recorrente PANAGRA DO BRASIL LTDA. (SUCEDIDA) INCORPORADA PELA CONSTRUTORA MARQUISE S/A. (SUCESSORA). Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poderdever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 23 65 /2 01 0- 03 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 265 2 FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE. É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 266 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face v. acórdão, que manteve o decidido no Despacho Decisório de 23/06/2010 (fl. 778), que por sua vez, adotou a Informação Fiscal de fls. 752/763, de 21/06/2010, fundamentada no Relatório de Análise Tributária da SAPAC de fls. 209 e seguintes, de 11/05/2010, onde relatou um esquema de fraude, simulação e conluio entre empresas, com origem remota em negócios fictos de compra e venda de imóveis, geradores de créditos inexistentes de tributos federais e subsequente celebração de contratos simulados entre as empresas dos grupos empresariais CEC Internacional S/A e Grupo Marquise, com o fim de auferimento de vantagens fiscais ilícitas em prejuízo da fazenda nacional. Segundo consta do Relatório de Análise Tributária da SAPAC, o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, "tais créditos" eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência. Destaca a autoridade fiscal que os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Ao Grupo CEC, estão ligadas as empresas: Sul Diesel S/A; Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda e Maximar Fomento Mercantil Ltda EPP; Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda; Xingu Administração e Participação S/A; à RCA International Commodities S/A estão ligadas as empresas BEX Internacional S/A; Canavieira Florestamento e Reflorestamento S/A e Panagra do Brasil S/A; Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A e quanto ao Grupo capitaneado pela Construtora Marquise S/A a Capitalize Fomento, Comercial Ltda, Construtora Marquise S/A e Ecofor Ambiental S/A. Segundo a autoridade fiscal, conforme descreve às fls. 252/256 do Anexo do Relatório de Análise Tributária, temse os quadros (abaixo colacionados) e a auditoria cruzada das operações intragrupos para rastreamento da origem dos créditos, que geram imposto a recuperar em face das transações realizadas entre contribuintes dos dois grupos empresariais. Vejamos o fluxograma e em seguida as notas explicativas com o panorama global do planejamento tributário ocorrido entre os grupos CEC e MARQUISE. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 267 4 Seguem as explicações do fluxograma com enfoque global do planejamento tributário entre os grupos empresarias. I) PRINCIPAIS CARACTERES DOS ATOS DE GERAÇÃO FICTÍCIA DE TRIBUTOS 1 Instrumentação por Contratos de Promessa de Compra e Venda de Imóveis formalizados apenas "no papel". 2 — Ausência do substrato material especifico de uma efetiva compra e venda imobiliária (animo de pagar o preço objetivando a transcrição no Cartório de Registro de Imóveis). 3 — Inserção de clausula previsora de multa desarrazoada com o objetivo de entabular a incidência de IRFONTE e conseqüente conversão em crédito transferível de IRRF/Saldo Negativo de IRPJ com destinação posterior préconcebida. 4 — Presença de clausula estipulatória, temporalmente delimitada, de ENCARGOS FINANCEIROS especialmente superavaliados até o mês de Julho/2004, com o objetivo de gerar Créditos de PIS/COFINS NãoCumulativos para posterior transferência. 5 — Agregação daqueles encargos financeiros, conforme nova clausula especialmente alocada para tal, de multa imotivada a Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 268 5 ser reconhecida no especifico mês de Julho/2004, com o mesmo objetivo de gerar Créditos de PIS/COFINS NãoCumulativo. 6 — Operações sempre concebidas e entabuladas como sendo a Prazo, onde o adquirente nada paga (por absoluta inexistência de recursos para tal), e o alienante nada cobra (por ter a operação de compra e venda função outra que não a ordinária aquisição de imóvel). 7 — Operações concebidas sempre em meio a pessoas ligadas. 8 — Operações realizadas em circulo, com vendas sucessivas, reclamando a utilização igualmente simulada do artifício das cessões fictícias de crédito, ante o registro meramente contábil da "venda anterior' ainda não recebida. 9 — Utilização de operações com imóveis , superavaliados, dado o alto valor atribuído aos bens, considerado como método IDEAL a garantir ao Grupo Empresarial transmitente a maior cifra possível de Créditos Fiscais Fictícios, proporcionando maiores vantagens ao Grupo Empresarial recepcionador. II) DETALHES OBSERVADOS NOS ATOS INTERMEDIÁRIOS PRATICADOS COMO CONDIÇÃO NECESSÁRIA À IMPLEMENTAÇÃO DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO QUE OBJETIVOU A TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS A PARTIR DOS ATOS DE GERAÇÃO FICTÍCIA DE TRIBUTOS 1 — Manipulação contábil das empresas adquirentes e alienantes dos bens imóveis geradores dos créditos fiscais fictícios. 2 — Receitas e despesas com origens apenas nas operações intragrupo ou intergrupos empresariais, adequando valores e resultados contábeis/fiscais, sendo sempre aquelas inferiores a estas. 3 — Preparação das empresas para as operações de CISÕES SELETIVAS, com criação de PJs para cumprirem vida efêmera e papéis préordenados. 4 — Segregação dos créditos de tributos fictícios vertidos para as Pessoas Jurídicas então surgidas das Cisões Seletivas. 5 — Negociação simulada das ações/quotas das pessoas jurídicas criadas a partir das Cisões Seletivas com os integrantes do Grupo Empresarial interessado na captação dos créditos fictos. 6 — Incorporações intermediárias das pessoas jurídicas surgidas das Cisões Parciais Seletivas por outras pessoas jurídicas ligadas ao Grupo Empresarial solvente e lucrativo, interessado na captação dos créditos fiscais fictos. III) DETALHES OBSERVADOS NOS ATOS DE RECEPÇÃO FINAL DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FICTÍCIOS PRATICADOS NO SEIO DAS EMPRESAS DO GRUPO EMPRESARIAL. SOLVENTE E LUCRATIVO INTERESSADO NA CAPTAÇÃO ESPECÍFICA DE CRÉDITOS COM O FIM DE EXTINGUIR SEUS DÉBITOS PRÓPRIOS SEM QUALQUER DESEMBOLSO REAL. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 269 6 1 — Chamamento das situações postas pelas Cisões seletivas para o patrimônio das pessoas jurídicas componentes do Grupo Empresarial lucrativo e solvente. 2 — Captação final dos créditos precedida de transações comerciais/financeiras simuladas, tendentes a ofuscar e obscurecer a visão imediata da recepção direta e pré ordenada dos créditos fiscais fictícios. 3 — Incorporações intermediárias dissimuladoras da recepção direta e imediata dos créditos pelo Grupo Empresarial interessado na captação final. 4 — Incorporações finais (préordenadas) das diversas pessoas jurídicas de vida efêmera recheadas todas de créditos fiscais fictícios. 5 — Usufruto do almejado "recheio fiscal" via PER/DCOMPs pelo Grupo Empresarial economicamente lucrativo, em flagrante prejuízo do Fisco. A autoridade fiscal elaborou longo despacho, descrevendo as transações realizadas entres as empresas adiante citadas. Consta do relatório, que o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, os créditos eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência Como destacado pela autoridade fiscal, os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma em si mesmo, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Segundo a autoridade fiscal, conforme descreve nos seguintes quadros, que geram imposto a recuperar em face das transações realizadas entre contribuintes dos dois grupos empresariais: Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 270 7 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 271 8 Por fim, o trabalho fiscal objetivou oferecer sólida fundamentação probatória e a motivação legal para o indeferimento liminar de qualquer pedido de restituição/compensação que envolva os créditos tributários de Imposto de Renda Retido na Fonte (convertido ou não em Saldo Negativo de IRPJ) e das Contribuições para o PIS Não Cumulativo e COFINS Não Cumulativo, cujas origens — imediata ou remota — decorra das transações celebradas entre as empresas Cio Grupo CEC e do Grupo Marquise. Foram analisados no documento os fundamentos primáiros da origem dos créditos utilizados finalisticamente pelas empresas do Grupo Marquise em PER/DCOMPs diversas entregues ora pela Construtora Marquise S/A, ora pela ECOFOR Ambiental S/A, ora pela Capitalize Fomento Comercial Ltda. Também forma procedidas as demonstrações dos vícios insanáveis dos negócios jurídicos presentes e considerados em todas as etapas do planejamento tributário evasivo que, ao fim, almejou como objetivo real e querido pelas partes, a geração ficta de créditos para aproveitamento dos mesmos em PER/DCOMPs. Conclusivamente, pretendese que as elementares "simulação", "fraude" e "conluio", qualificadoras da conduta das partes nos casos concretos examinados, sejam não só inseridas na análise, como também e principalmente, pautem a razão de decidir por parte dos Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 272 9 julgadores, no sentido do indeferimento liminar daqueles pedidos restitutórios/compensatorios, fundamentados na origem que apontamos. Assim, tendo em vista que o ponto inicial que criou os créditos que se pretende restituir e compensar é o mesmo dos processos abaixo indicados, tendo em vista a relação de causa e efeito, todos devem ser julgados conjuntamente. 10380.009193/200694 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901897/200611 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901733/200693 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901737/200671 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901739/200661 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901735/200682 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.720384/200872 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720385/200817 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720499/200867 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722709/201076 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722703/201007 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722244/201053 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722365/201003 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722355/201060 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722361/201017 CONSTRUTORA MARQUISE S/A 10380.721600/201011 CONSTRUTORA MARQUISE S/A No presente caso, insta alertar ainda que, em 29/12/2003 ocorreu uma cisão parcial da emprese PANAGRA DO BRASILS.A.. e posteriormente um incorporação de uma parte da empresa cindida pela CONSTRUTORA MARQUISE S/A. A parte que foi cindida e incorporada pela Construtora, é relativa a parcela do patrimônio liquido estimada por Laudo de Avaliação de 31/12/2003 em R$ 1.080.807,00 representada por direitos creditórios e obrigações a pagar. (Instrumento de Protocolo de Cisão, com registro do documentos na Junta Comercial do Estado do Ceará em 23/01/2004). Consta também, que nesta operação de cisão parcial com versão de parcela do patrimônio da CINDIDA, para a sociedade receptora, será reduzida a participação dos acionistas Jose Carlos Valente Pontes, CPF, n° 022926533/20 e José Erivaldo Arraes, CPF no 048941383/87, que substituirão parcela de sua participação societária na CINDIDA, por ações de capital da RECEPTORA, recebendo cada acionista, da CINDIDA, 4.156.950 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 273 10 (quatro milhões, cento e cinquenta e seis mil, novecentas e cinqüenta) ações, sem valor nominal,[...] No presente caso, o fato que gerou os créditos ora discutidos, foi a venda de um terreno da (Brasil Exportação de Castanhas, CNPJ 05.719.141/000182, nome empresarial atual BEX Internacional S/A) BEX, para a PANAGRA DO BRASIL S.A. Importante ressaltar, que em ambos grupos CEC e Marquise, temos como acionistas o Sr. Jose Carlos Valente Pontes, CPF, n° 022926533/20 e o Sr. José Erivaldo Arraes, CPF no 048941383/87. A BRASIL EXPORTAÇÃO DE CASTANHAS S/A, CNPJ 05.719.141/000182, era, pelo menos até o anocalendário 2000, coligada da pessoa jurídica CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA., CNPJ 07.791813/0000125, conforme atestam os registros contábeis efetuados nos Livros Razão desta última empresa, relativos aos anos de 1999 e 2000, respectivamente as fls. 458 e 190 dos autos, onde se lêem os lançamentos de "Empréstimos e Adiantamentos a Cias. Coligadas, Brasil Exportação de Castanhas S/A". E ambas empresas, a BEX e a PANAGRA, a pessoa física Paulo Sérgio Carneiro Porto, CPF 090.379.18387, era DiretorPresidente de BRASIL EXPORTAÇÃO DE CASTANHAS S/A na data atribuída ao Contrato de Promessa de Compra e Venda do terreno situado em Caucaia/CE (30/12/1998), como se verifica pela leitura do instrumento contratual. Nessa mesma data, a referida pessoa física era também dirigente de CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA./PANAGRA BRASIL S.A., a se considerar a informação aposta por esta empresa na Ficha 43 de sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ do anocalendário 1998. Pois bem, após o alerta acima, passo a relatar os fatos e alegações constantes nos autos. Tratase de Recurso Voluntário face v. acórdão, que manteve o decidido no Despacho Decisório, que por sua vez, adotou a Informação Fiscal, fundamentada no Relatório Fiscal, de 11/05/2010, onde relatou "um esquema anormal de gestão de empresas", que "engendraram planejamento tributário visivelmente de natureza evasiva [...] voluntariamente praticada entre os agentes, tais como os elementos do dolo e da simulação, além do necessário conluio entre as partes". Versam, os presentes autos, sobre os Pedidos de Restituição — PER de numeros 01759.87076.270903.1.2.049454 (11s. 02/04) e 2 I 886.29988.270903. 1.2.047342 (11s. 80/82), formalizados por PANAGRA DO BRASIL S/A. CNP.1 07.793.813/000125 (novo nome empresarial de CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA.), relativos a pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, depois retificados para Pedidos de Restituição de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ do anocalendário 2002. Compulsando os autos, percebo que o presente processo foi originalmente formalizado para análise manual do PER de n° 01759.87076.270903.1.2.049454 (conforme despachos de lis. 01 e 05). Em seguida, os autos do processo de n° 10380.009183/200659, que cuidam do pedido de retificação do tipo de crédito cuja restituição fora pleiteada por meio do Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 274 11 mencionado PER — de pagamento indevido ou a maior de IRRF para saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 — Foram anexados aos presentes autos (conforme termo de lis. 20). Já o PER de no 21886.29988.270903.1.2.047342 foi originalmente autuado no processo de numero 10380.901736/200627. também para o fim de sua análise manual (segundo despachos de fls. 79 e 83). A semelhança do que ocorrera no caso no primeiro PER. Os autos do processo que trata do pedido de retificação do tipo de crédito cuja restituição lora pleiteada por meio do PER de n" 21886.29988.270903.1.2.047342 — de pagamento indevido ou a maior de IRRF para saldo negativo de 1RPJ do anocalendário 2002 (processo de n° 10380.009180/2006 IS) — foram anexados aos autos do processo dc n° 10380.901736/2006 27 (conforme termo de fls. 98). Em seguida, os autos do processo de n° 10380.901736/200627 Foram juntados, por anexação, aos presentes autos, que passaram a cuidar de toda a matéria atinente restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 apurado por CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA., CNPJ 07.793.813/000125 (conforme Termo de 11s. 156). Em 15/07/2005 e 18/07/2005, CONSTRUTORA MARQUISE S/A. CNPJ 07.950.702/000185, sucessora de CANAVIEIRA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA. (PANAGRA DO BRASIL S/A), formalizou as Declarações de Compensação DCOMP de nos 27970.84214.150705.1.3.020440 (fls. 08/11 dos autos apensados) e 09102.35802.180705.1.3.023643 (fls. 01/04 dos autos apensados) , para o Fim de compensar valores devidos de IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relativos aos períodos de apuração março/2004, maio/2004, junho/2004 e agosto/2004, com o saldo negativo de 1RPJ do anocalendário 2002 havido por sucessão da empresa mencionada. As DCOMP transmitidas pela sucessora foram baixadas para análise manual no âmbito do processo de número 10380.720383/200828, cujos autos foram juntados, por apensação, aos do presente processo, conforme termo de fls. 34 dos autos apensados. Em seguida, veio aos autos, a Informação Fiscal (fls.766/771), que se fundamentou no Relatório de Análise Tributária da SAPAC, que concluiu o seguinte: 23. Como se viu, o Contrato de Compra e Venda de Imóveis, constituindose como os documentos remotos originadores de todas as demais operações que envolveram os Grupos Empresariais (CEC e Marquise), leva à conclusão de que nenhuma operação imobiliária de fato ocorreu, dado o elenco de provas indicidrias graves, precisas e concordantes entre si, apresentados nos incisos acima referidos, as quais foram apontadas pelo Relatório de Análise Tributária. Diante dessas constatações, não pode o Fisco têlos (os contratos) como produtores dos efeitos pretendidos pelas partes. Em conseqüência, há que se não homologar todas as compensações vinculadas ao crédito descabido. No caso vertente, inexiste pagamento indevido, muito menos saldo negativo do IRPJ, no anocalendário 2000, o que fulmina o pretenso da empresa. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 275 12 24. Destarte, é de se concluir que: a) inexiste o crédito alegado pela interessada, uma vez que, como restou fartamente demonstrado nos autos, ele decorreria de um ato simulado (venda fictícia de imóvel), engendrado com o concurso de terceiros, por meio de conluio, objetivando burlar a Fazenda Nacional, para extinguir débitos tributários legítimos, com a utilização de pretensos créditos, cuja titularidade teria sido adquirida pela Construtora Marquise S/A, em processo de sucessão societária; b) inexiste motivação jurídica para a imposição da multa contratual que teria dado causa à incidência do IRFF, que veio a constituir o pretenso direito de crédito adquirido pela Construtora Marquise S/A, CNPJ n° 07.950.702/000185, uma vez que a pretensa adquirente do imóvel (Panagra do Brasil S/A, CNPJ n° 07.793.813/000125), nem ao menos cumpriu a obrigação de pagar à pretensa alienante (Brasil Exportação de Castanhas, CNPJ 05.719.141/000182, nome empresarial atual BEX Internacional S/A) o valor correspondente à entrada do respectivo valor da operação; assim, é óbvio que, se se tratasse de uma transação normal, não cabia a esta transferir a posse e a propriedade do imóvel para terceiros, sem qualquer contrapartida da parte adquirente, o que torna injustificável o acatamento pacifico do reconhecimento da divida relativa à aludida multa; c) inexiste hipótese fática para a incidência do IRRF na situação tratada nos autos, em razão de a multa de que se cuida ainda que fosse legitima não corresponder à rescisão de contrato, única situação eleita pelo legislador como hipótese de incidência do tributo no caso de pagamento ou crédito de multas contratuais, nos termos do art. 70 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 25. Por todo o exposto e considerando o Relatório de Análise Tributária, fls. 195/265, aprovado pela Delegada da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE, com cópia em anexo para conhecimento da empresa em prestigio ao Principio do Contraditório e da Ampla Defesa, proponho: a) O NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório almejado pela empresa, anocalendário 2000, relativamente ao Saldo Negativo do IRPJ e, por conseguinte, o INDEFERIMENTO dos PER n° 25014.96649.270903.1.2.044158, fls. 02/04, e 16192.74107.270903.1.2.044610, fls. 72/74; b) a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações objeto dos PER/DCOMP n° 07721.67870.140705.1.7.029053 e 12834.43940.140705.1.7.02.4957, ambos baixados para tratamento manual por intermédio do processo n° 10380.720382/200883, juntado por apensação ao presente processo, e todas as demais compensações, caso existentes, vinculadas ao direito creditório, ora descabido; A Informação Fiscal, sintetiza as operações de compra e venda do imóvel/terreno entre as empresas do mesmo grupo, onde na primeira compra, gerou crédito indevido de IRRF e na segunda de PIS/COFINS. Devido a tais fatos, os pedidos de restituição e de compensação foram negados, conforme r. Despacho Decisório de fls.778, abaixo colacionado. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 276 13 Com base nos fundamentos consubstanciados na Informação Fiscal, fls. 766/777, que aprovo, e no uso da competência de que trata o art. 203, inciso X, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n.° 125, de 04 de março de 2009, decido: a) NÃO RECONHECER o direito creditório almejado pela empresa, anocalendário 2002, relativamente ao Saldo Negativo do IRPJ e, por conseguinte, INDEFERIR os PER/DCOMP n° 01759.87076.270903.1.2.049454, fls. 02/04, e 21886.29988.270903.1.2.047342, fls. 80/82; b) NÃO HOMOLOGAR as compensações objeto dos PER/DCOMP n° 09102.35802.180705.1.3.023643 e 27970.84214.150705.1.3.020440, ambos baixados para tratamento manual por intermédio do processo n° 10380.720383/2008 28, juntado por apensação ao presente processo, e todas as demais compensações, caso existentes, vinculadas ao direito creditório não reconhecido; C) Intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência da presente decisão da não homologação e do não reconhecimento do direito creditório almejado, pagar os débitos indevidamente compensados, assegurandolhe o direito á manifestação de inconformidade contra a denegatória do pleito perante a Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal em Fortaleza DRJFOR, como lhe faculta o art. 66 da IN RFB n° 900/2008. A Recorrente ofereceu manifestação de inconformidade de fls.785 e seguintes, sem juntar documentos novos, referente ao não reconhecimento do direito creditório. Os autos forma encaminhados para Delegacia da Receita Federal de Fortaleza, que se manifestou e informou que para os pedidos de compensação do processo anexo 10380.720383/200828, feitos com estes créditos dos pedidos de restituição destes autos em epígrafe, foi lavrado Auto de Infração exigindo multa isolada, formalizado no processo administrativo 10380.722365/201003. Em seguida, a DRJ proferiu v. acórdão de fls.880/916, mantendo o Despacho Decisório, registrando a ementa abaixo colacionada e concluindo da seguinte forma. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OBTENÇÃO DE CÓPIAS DOS AUTOS. DEMORA. Não havendo o contribuinte logrado provar que foi a Repartição Fiscal competente que deu causa A demora no seu acesso As copias que solicitou dos autos do processo, Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 277 14 não há como acatar a preliminar de preterição do direito A ampla defesa, ao contraditório c ao devido processo legal. A possibilidade de obter cópias de peças dos autos é uma faculdade que possui o contribuinte para o exercício do seu direito de defesa; todavia, para exercêla, por evidentes razões operacionais, deve requerer as cópias junto ao brgíio Preparador do processo em tempo hábil, notadamente cm Função do elevado número de folhas de que se compõem os autos. A declaração de nulidade de atos praticados no âmbito do processo administrativo fiscal federal demanda que reste provado prejuízo ao exercício do direito de defesa do sujeito passivo. Demonstrado nos autos que o contribuinte compreendeu as razões de fato e de direito em que se Fundou o Despacho Decisório objeto dos autos, tanto é que manejou argumentos de defesa pertinentes, não há que se cogitar de nulidade processual. DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ONUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição c compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do lato jurídico. Esse poderdever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar latos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 278 15 DIREITO CREDITÓRIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo fático, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS 0 SALDO NEGATIVO. IRRELEVÂNCIA, PARA FINS DE PROVAR A MATERIALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. O lato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO DIREITO CREDITÓRIO TRANSFERIDO. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS. É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o direito pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por fim, concluiu da seguinte forma: Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 279 16 Em seguida, foi interposto Recurso Voluntário pela Construtora Marquise S/A, descrevendo os fatos ocorridos, requerendo basicamente a reforma do v. acórdão recorrido, reiterando as alegações da manifestação de inconformidade e basicamente alegando (fls.5/9 do RV) que não pode ser responsabilizada por atos ilícitos praticados por suas sucedidas e terceiros, eis que agiu de boafé e não tinha conhecimento das irregularidades para a criação dos créditos, no momento em que incorporou a parte da PANAGRA. Alega que a empresa BEX, teria parcelado o IRRF relativo as multas contratuais da operação de compra e venda do terreno e, por tal motivo, restaria comprovado o direito ao crédito no momento da incorporação. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 280 17 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e foi interposto por seu representante com poderes para tanto, motivo pelo qual deve ser admitido. Da alegação de nulidade, por erro de sujeição do sujeito passivo. Tal alegação não deve ser provida. Vejamos. 1 Ficou constatado nos autos, que a Recorrente incorporou a parte cindida da empresa Panagra do Brasil Ltda., que transportou o saldo negativo de IRPJ, objeto do da compensação do processo 10380.901735/200682. 2 Quem fez o pedido de compensação, foi a empresa incorporadora Capitaliza Recorrente. 3 Restou comprovado que a Recorrente, pertencia ao grupo empresarial Marquise, que juntamente com o grupo CEC, criaram um sistema de geração de créditos indevidos, que foram utilizados nos pedidos de compensação do processo com final 200682, que fundamentou a lavratura deste Auto de Infração. 4 A Recorrente e o grupo empresarial o qual pertencia, participaram e trabalharam em conjunto com as empresas do Grupo CEC, para criar um sistema de produção de créditos e compensálos, por meio de simulação de contratos/promessas de compra e venda de terrenos. 5 O objetivo final, era reduzir ou deixar de pagar imposto. Tais constatações da auditoria da fiscalização, estão muito bem descritas na Informação Fiscal, que se fundamentou no Relatório de Análise Tributária da SAPAC de 11/05/2010, e nas provas juntadas nestes autos e nos outros ligados aos grupos CEC e Marquise, mais a frente colacionados. Sendo assim, como quem praticou o ato de pedir as compensações dos créditos indevidos que não foram homologados devido a constatação da simulação e do conluio em sua criação foi a Recorrente incorporadora, entendo que a sujeição passiva do Auto de Infração está correta, coesa e precisa. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 281 18 Em relação as alegações de que a sucessão da empresa PANAGRA, não poderiam prejudicar a Recorrente, também entendo que não devem ser providas. No presente caso, insta alertar que, em 29/12/2003 ocorreu uma cisão parcial da emprese PANAGRA DO BRASILS.A. e, posteriormente, um incorporação de uma parte da empresa cindida pela CONSTRUTORA MARQUISE S/A. A parte que foi cindida e incorporada pela Construtora, é relativa a parcela do patrimônio liquido estimada por Laudo de Avaliação de 31/12/2003 em R$ 1.080.807,00 representada por direitos creditórios e obrigações a pagar. (informação constante no processo final 200661 Instrumento de Protocolo de Cisão, com registro do documentos na Junta Comercial do Estado do Ceará em 23/01/2004). Nesta operação de cisão parcial, consta que da versão de parcela do patrimônio da CINDIDA, para a sociedade receptora (Construtora), será reduzida a participação dos acionistas Jose Carlos Valente Pontes, CPF, n° 022926533/20 e José Erivaldo Arraes, CPF no 048941383/87, que substituirão parcela de sua participação societária na CINDIDA, por ações de capital da RECEPTORA, recebendo cada acionista, da CINDIDA, 4.156.950 (quatro milhões, cento e cinquenta e seis mil, novecentas e cinqüenta) ações, sem valor nominal,[...] Ou seja, quando da cisão e incorporação da PANAGRA, pela Construtora Marquise, foi constatado que os Srs. Jose Carlos Valente Pontes, CPF, n° 022926533/20 e José Erivaldo Arraes, CPF n° 048941383/87, eram acionistas das duas. ( protocolo de cisão) Sendo assim, entendo que no momento da cisão parcial da PANAGRA e incorporação pela Construtora Marquise, tinham os mesmos principais acionistas, não tendo como acolher agora a alegação da Recorrente de que não tinha conhecimento das ilegalidades do crédito e que não poderia ser responsabilizada pelos atos praticados pela BEX e PANAGRA. Assim, em relação ao Auto de Infração de multa isolada, aplicada pela não homologação da compensação, em tramite nos autos deste processo final 201003, tendo em vista a constatação da fraude, simulação e conluio nas operações que criaram os créditos, entendo que deve ser mantido em seus termos. O Auto de Infração foi lavrado exigindo multa isolada qualificada no percentual de 150% sobre R$ 542.937,61, que foi o total dos débitos indevidamente compensados, informados nas compensações que não foram homologadas no processo 10380.901735/200682, com base no parágrafo segundo do artigo 18 da Lei 10833/03. O dispositivo e a legislação que fundamentaram a multa acima apontados, não foram alterados até o momento, não se aplicando o pedido de retroatividade benigna da Recorrente, que trata de multa disposta no artigo 74 da Lei 9.430/99. Em relação a impossibilidade de aplicação da multa de ofício em casos de sucessão, entendo que tal pedido também não pode ser acatado, eis que existe a Sumula 47 do CARF/MF, cujo colaciono seu verbete abaixo. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10380.722365/201003 Acórdão n.º 1402002.473 S1C4T2 Fl. 282 19 Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo integralmente o Auto de Infração. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000496/2007-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes (relatora), que entenderam não ser necessária a realização de diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rita Eliza da Costa Bacchieri.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovezan Bozza.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : 2ª SEÇÃO
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 17546.000496/2007-31
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736116
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-000.071
nome_arquivo_s : Decisao_17546000496200731.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 17546000496200731_5736116.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes (relatora), que entenderam não ser necessária a realização de diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rita Eliza da Costa Bacchieri. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovezan Bozza.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6819095
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049207799021568
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-04-27T16:27:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-04-27T16:27:13Z; Last-Modified: 2017-04-27T16:27:13Z; dcterms:modified: 2017-04-27T16:27:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:16145cd5-b5f4-479b-a384-500277afdcb2; Last-Save-Date: 2017-04-27T16:27:13Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-04-27T16:27:13Z; meta:save-date: 2017-04-27T16:27:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-04-27T16:27:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-04-27T16:27:13Z; created: 2017-04-27T16:27:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2017-04-27T16:27:13Z; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-04-27T16:27:13Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 5.140 1 5.139 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17546.000496/200731 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9202000.071 – 2ª Turma Data 25 de janeiro de 2017 Assunto CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes (relatora), que entenderam não ser necessária a realização de diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rita Eliza da Costa Bacchieri. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovezan Bozza. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 75 46 .0 00 49 6/ 20 07 -3 1 Fl. 5141DF CARF MF Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 5.141 ___________ Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 240102.248, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de lavratura da NFLD realizada em 15/01/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 12/2001 a 12/2004, decorrente de valores creditados aos administradores a título de participação nos lucros, sem a incidência da contribuição previdenciária, resultando em crédito tributário com incidência da taxa SELIC e imputação de multa. Não conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, às fls. 197/224, argumentando basicamente que a autoridade fiscal deixou de demonstrar, de forma minimamente clara, as razões que efetivamente o levaram a conclusão que ensejaram o presente auto, em face de descaracterização dos pagamentos como participação nos lucros. Argumentou, ainda, que a participação nos lucros nos termos de lei não é salário de contribuição. Em informação fiscal à fls. 294 a 310, a autoridade fiscal descreveu que restou constatado que a pessoa jurídica que detém o controle administrativo de um grupo econômico, nos termos do art. 748 da IN 03/2005, resultando em responsabilidade solidária entre seus componentes, relativamente as contribuições previdenciárias. Dessa forma, foram assim cientificados dos termos das NFLD e AI lavrados as seguintes pessoas jurídicas: BSA BEBIDAS LTDA; ANEP ANTÁRTICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA; ITB ICE TEA DO BRASIL LTDA; COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV; MORENA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA; AROSUCO AROMAS E SUCOS LTDA; AGREGA INTELIG}ENCIA EM COMPRAS LTDA; FAZENDA DO POÇO AGRÍCOLA E RESFLORESTAMENTO; EAGLE DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS S/A; CERVEJARIAS REUNIDAS SKOLCARACU S/A; INDUSTRIAS DE BEBIDAS ANTÁRTICA DO SUDESTE S/A; TRANSPORTADORA LIZAR LTDA; DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS ANTÁRTICA DE MANAUS LTDA; FRATELLI VITA BEBIDAS LTDA; CRBS S/A; e CERVEJARIA MIRANDA CORREIA S/A. Às fls. 349/1216 foram colacionadas aos autos as defesas apresentadas por todas as empresas pertencentes ao grupo econômico. Dentre outras alegações, as empresas alegaram em sua defesa que não se enquadravam na condição de pessoa jurídica de controladora ou administradora e a AMBEV nem exercia direção financeira e ou administrativa. Ressaltou que não restou demonstrado a existência de atividade relacionada à direção controle e administração exercida pela AMBEV. Face o questionamento, a autoridade procedeu a caracterização do grupo econômico, 1247 a 1251. DRJ emitiu DecisãoNotificação confirmando a procedência do lançamento, às fls. 1568/1589. Fl. 5142DF CARF MF Processo nº 17546.000496/200731 Resolução nº 9202000.071 CSRFT2 Fl. 5.142 3 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 1620/1637. Após retornar os autos com o cumprimento de diligência, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 4698/4721, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, restando assim ementado o acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PAGAMENTO A ADMINISTRADORES CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. O pagamento a administradores, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias. A não apresentação de documentos durante o procedimento fiscal, acaba por inverter o ônus da prova, passando ao recorrente a obrigação de provar que a constituição do crédito encontrase equivocado, ou que não ocorreram os pagamentos lançados a conta de despesa. A alegação de que valores lançados contabilmente à conta despesas na verdade não se concretizaram, só pode ser aceita, quando o recorrente demonstra a realização das reversões. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2004 GRUPO ECONOMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. EXISTÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8212/91, nos termos do art. 30, IX. O fato da empresa ter condições financeiras de arcar com os débitos, não exclui as empresas do grupo econômico da condição de responsáveis solidárias. Recurso Voluntário Negado Às fls. 4900/4903, a Contribuinte Companhia de Bebidas das Américas – AMBEV apresentou Embargos de Declaração, arguindo contradição no acórdão embargado; porém, restaram os mesmos rejeitados às fls. 4916/4922. Às fls. 4949/4961, o Contribuinte Ambev S/A interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos para analise, em relação a dois temas: a) natureza do PLR, enquanto o acórdão guerreado decidiu pela manutenção de parte dos lançamentos perpetrados por meio do AI lavrado ao entender que Fl. 5143DF CARF MF Processo nº 17546.000496/200731 Resolução nº 9202000.071 CSRFT2 Fl. 5.143 4 apenas os valores pagos aos diretores empregados não estavam submetidos à contribuição previdenciária, o paradigma estabeleceu que independe se o pagamento do PLR é feito ao diretor empregado ou não empregado/estatutário, sendo afastada a contribuição previdenciária em ambos os casos; b) indicação dos representantes legais da empresa na relação de co responsáveis – CORESP, tendo o acórdão guerreado decidido pela manutenção dos sócios como corresponsáveis no lançamento fiscal, por entender que se trata apenas de uma lista dos representantes legais da autuada, sem apreciar a questão com as consequências negativas decorrentes deste entendimento. Pondera que o paradigma entendeu pela exclusão dos representantes legais da empresa da lista de corresponsáveis por flagrante prejuízo as pessoas arroladas, tendo em vista que poderão ser incluídos no polo passivo de uma futura inscrição em dívida ativa sem que tenham sido apurados infração tributária, nos termos do art. 135 do CTN. Às fls. 50075031, o Contribuinte Londrina Bebidas Ltda também interpôs Recurso Especial e igualmente alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido para analise, em relação ao pagamento de PLR. Explica que o acórdão guerreado decidiu pela manutenção de parte dos lançamentos perpetrados por meio do AI lavrado ao entender que apenas os valores pagos aos diretores empregados não estão submetidos à contribuição previdenciária. Afirma que o paradigma estabeleceu que independe se o pagamento do PLR é feito ao diretor empregado ou não empregado/estatutário, sendo afastada a contribuição previdenciária em ambos os casos. Considera que as decisões em comento divergem acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento de PLR a diretor não empregado. Às fls. 5107/5111, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação às divergências arguidas, uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando as divergências jurisprudenciais apontadas. Às fls. 5113/5127, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, esclarecendo, inicialmente, que a autuação se deu sobre remunerações creditadas a diretores não empregados de uma sociedade empresária e não em relação a empregados, submetidos ao regime celetista. Na sequencia, arguiu, em síntese, que as relações havidas entre os diretores e o Conselho de Administração nas sociedades anônimas são regidas pelas determinações contidas na Lei nº 6.404/76 e no próprio estatuto social, não restando caracterizada a subordinação jurídica na acepção trabalhista e, por corolário, a relação de emprego. Firmada a premissa de que os diretores de Sociedades Anônimas possuem vínculo de natureza societária, devendo regerse pelas determinações da Lei nº 6.404/76 e do Estatuto da Empresa, é absurda a pretensão do recorrente de enquadrar a participação estatutária paga aos diretores executivos como participação nos lucros e resultados da empresa, nos termos previstos no art. 7º, inciso XI, da CF e Lei n.º 10.101/2000. Como se retira da leitura tanto do art. 7º, XI, da CF/88, como do art. 3º da Lei nº 10.1001/2000, escopo da instituição da participação nos lucros e resultados é retirar de tal parcela a natureza salarial, para que não haja quaisquer reflexos em outras verbas trabalhistas, como, por exemplo, férias e aviso prévio, bem como para que não seja considerada saláriodecontribuição para fins previdenciários. Sabese, por outro lado, que as remunerações dos diretores que não possuem vínculo empregatício não são base de cálculo das denominadas verbas trabalhistas e previdenciárias. Ora, diante da finalidade da lei, não faz sentido atribuir aos valores recebidos pelos diretores a natureza jurídica de PLR, pois, para esses diretores, os efeitos instituídos pela legislação (desvinculação dessas quantias da base de cálculo das verbas trabalhistas e previdenciárias) não ocorreriam, por absoluta falta de objeto. E mais, o próprio Fl. 5144DF CARF MF Processo nº 17546.000496/200731 Resolução nº 9202000.071 CSRFT2 Fl. 5.144 5 instituto da PLR encontrase no título “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”, no capítulo “Dos Direitos Sociais”, precisamente no art. 7º, IX, do diploma legal máximo. Observase que essas normas visam conferir proteção ao trabalhador subordinado, àquele que ostenta algum vínculo de emprego. Ora, em tal situação não se enquadra a figura do diretor não empregado, que, portanto, não faz jus a PLR. Diante de tal contexto, temse que os valores pagos não podem ter sua natureza de verba remuneratória afastada, devendo haver a incidência da contribuição previdenciária. Após, vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade tendo sido demonstrada divergência a ser sanada por este colegiado, portanto, merece ser conhecido. Considero que a anuência do patrono quanto a atos processuais não realizados, nos casos em que não tenha havido prejuízo as partes, possam ser tidos como sanados. Contudo, vencida, aguardo a diligência suscitada pelo Colegiado. É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Redatora Designada Peço vênia para divergir da ilustre Relatora no que tange a preliminar de saneamento do processo. Conforme exposto no relatório foram apresentados dois recursos, um pela empresa AMBEV S.A. e outro pela empresa Londrina Bebidas Ltda.. Ambos são recursos de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, e foram processados com base nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do CARF vigente na época (Portaria MF n° 256/2009). Fl. 5145DF CARF MF Processo nº 17546.000496/200731 Resolução nº 9202000.071 CSRFT2 Fl. 5.145 6 Necessário destacar que o recurso apresentado pela contribuinte Londrina Bebidas Ltda. traz para debate duas matérias cujo entendimento do acórdão recorrido lhe foi desfavorável: 1) ilegitimidade passiva face ausência de conceito de grupo econômico e conseqüente inaplicabilidade do instituto da responsabilidade solidária, e 2) não incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento de PLR a diretor não empregado. Ocorre que embora sejam duas as matérias que se pretende devolver a essa Câmara Superior, o juízo de admissibilidade foi omisso quanto ao primeiro ponto. Observase que o despacho nº 2400932/2014 limitase a confirmar a existência de divergência em relação a incidência da contribuição social sobre PLR a diretor não empregado. Importante citar o que previa o art. 67 e 68 da citada Portaria MF n° 256/2009: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. Fl. 5146DF CARF MF Processo nº 17546.000496/200731 Resolução nº 9202000.071 CSRFT2 Fl. 5.146 7 § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. Art. 68. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data da ciência da decisão. § 1° Interposto o recurso especial, compete ao presidente da câmara recorrida, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negarlhe seguimento. § 2° Se a decisão contiver matérias autônomas, a admissão do recurso especial poderá ser parcial. A interpretação que faço do dispositivo é no sentido de ser do Presidente da Câmara a competência exclusiva para o conhecimento ou não de eventual recurso interposto pelas partes, havendo neste último caso a reapreciação pelo presidente do CARF. Assim, a competência do Colegiado limitase a revisão do despacho que admitir Recurso Especial não lhe competindo conhecer originalmente de matéria não apreciada ou mesmo negada quando da respectiva análise de admissibilidade. Tal entendimento fica ainda mais evidente se considerarmos que a decisão que nega seguimento ao recurso em determinada matéria, confirmada pelo presidente do CARF, tem caráter definitivo, ou seja, não pode ser revista nem mesmo pelo Colegiado. Assim, embora não tenha havido prejuízo às partes e embora tenhamos, por determinação constitucional, que buscar a celeridade processual, essa busca não pode mitigar outras garantias como, por exemplo, a do devido processo legal (substancial e formal) o qual está intimamente relacionado à segurança jurídica. Diante do exposto, se faz necessária a conversão do julgamento em diligência com a devolução dos autos à Câmara competente para realização da complementação do juízo de admissibilidade. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 5147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721629/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REVISÃO DO LANÇAMENTO.
Em respeito ao princípio da verdade material, cabe a revisão do lançamento de acordo com as provas carreadas aos autos.
Numero da decisão: 2401-004.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Em respeito ao princípio da verdade material, cabe a revisão do lançamento de acordo com as provas carreadas aos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10140.721629/2013-79
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5726057
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.821
nome_arquivo_s : Decisao_10140721629201379.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
nome_arquivo_pdf_s : 10140721629201379_5726057.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
id : 6772097
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049207802167296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 101 1 100 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.721629/201379 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.821 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de maio de 2017 Matéria IRPF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA IRRF. Recorrente DAVIS RIBEIRO DE SENA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Em respeito ao princípio da verdade material, cabe a revisão do lançamento de acordo com as provas carreadas aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 16 29 /2 01 3- 79 Fl. 102DF CARF MF 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 4.099,19, acrescido de multa de mora e juros de mora (fls. 22/25), referente a glosa do valor de R$ 4.099,19, indevidamente compensado a título de imposto de renda retido na fonte IRRF, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras declarado em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf. O contribuinte impugnou o lançamento alegando que está questionando o valor de R$ 540,00, CNPJ 00.394.452/053304, que embora o valor seja indevido, o total de rendimentos também diverge. Diz que concorda com a infração de compensação indevida para o CNPJ 30.822.936/000169. A DRJ/RJO julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento, conforme Acórdão 1269.262, fls. 48/51, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. Estando o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte emitido pela fonte pagadora em conformidade com a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e com a DAA, não há ajustes a fazer no lançamento quanto aos rendimentos tributáveis. GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. Mantémse a glosa de compensação de IRRF quando não comprovada a sua retenção mediante documentação hábil e idônea. Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário e ao art. 36 da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PARTE DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Consta do voto do acórdão de impugnação: O Impugnante alega que do IRRF compensado referente ao Comando do Exército, CNPJ 00.394.452/053304, no valor de R$ 1.905,01, não estaria correta a glosa de R$ 540,00. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10140.721629/201379 Acórdão n.º 2401004.821 S2C4T1 Fl. 102 3 Contudo, no comprovante de rendimentos fornecido pelo Comando do Exército (fl. 05) esta fonte pagadora confirma o valor de IRRF informado na DIRF, R$ 16.056,21 (fl. 47), ratificandoo e, portanto, confirmase a diferença entre o IRRF declarado em DIRF e o declarado pelo contribuinte em sua DAA, R$ 17.961,22 (fl. 12), confirmandose a correção da glosa de IRRF compensado indevidamente no valor de R$ 1.905,01 (NL fl. 23). Cientificado do Acórdão em 9/4/15 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 72), o contribuinte, representado por sua curadora, apresentou recurso voluntário em 5/5/15, fls. 74/78, que contém, em síntese: Diz que ocorreu um preenchimento equivocado da Declaração de Ajuste Anual DAA 2009/2008, por ausência tempestiva dos documentos das fontes pagadoras. Ressalta que já estava à época acometido dos primeiros sintomas de Parkinson e do mal de Alzheimer, o que dificultou a elaboração da DAA. Esclarece que as divergências mencionadas se referem aos rendimentos recebidos do Comando do Exército e às respectivas deduções, cujos valores foram obtidos à época pela soma dos contracheques e comparativo com a ficha financeira, ao invés do comprovante de rendimentos, que só foi obtido mais tarde. Quanto aos rendimentos recebidos do Banco do Brasil, estes foram equivocadamente lançados como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste anual, quando na verdade eram parte rendimentos isentos e parte rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Diz haver divergência na base de cálculo. Afirma que vários foram os erros no preenchimento da DAA 2009/2008, incluindo o IRRF do Comando do Exército que foi declarado com igual valor ao da contribuição previdenciária, ambos errados, mas apenas o primeiro corrigido pela malha, a ausência da pensão alimentícia judicial paga a exesposa Nair C. Ribeiro de Sena (documentos de fls. 86/92) e da despesa médica referente à contribuição para uso da estrutura médica do exército e a incorreta classificação dos rendimentos de aplicação financeira. Quanto ao valor efetivamente pago de pensão, consta do comprovante de rendimentos emitido pelo Comando do Exército, o montante de R$ 30.469,00 e nome da beneficiária Nair C. Ribeiro de Sena. Consta também o valor de R$ 449,70 de pagamento de Despesas Médico OdontoHospitalares ao Exército Brasileiro, bem como o correto valor da contribuição previdenciária oficial de R$ 18.981,11. De acordo com as informações do Banco do Brasil, é possível confirmar que não houve rendimentos tributáveis na DAA desta fonte pagadora em 2008, apenas rendimentos isentos e tributados exclusivamente na fonte, com valor e cuja soma é bastante próxima ao equivocadamente declarado como sujeito ao ajuste. Fl. 104DF CARF MF 4 Diz que a utilização de extratos periódicos para o preenchimento da DAA levou à equivocada interpretação de que seriam rendimentos sujeitos ao ajuste, o que foi detectado em malha, que glosou a compensação do IRRF informado, mas não excluiu o respectivo rendimento declarado apesar de sabedora de sua natureza. Apresenta quadro no qual diz apurar a correta base de cálculo e imposto devido e apura saldo de imposto a restituir. Entende que o acórdão recorrido deve ser reformado, conforme documentos acostados aos autos, inclusive o considerado não impugnado. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10140.721629/201379 Acórdão n.º 2401004.821 S2C4T1 Fl. 103 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Dos documentos juntados aos autos, vêse claramente que o sujeito passivo equivocouse ao fazer sua declaração de ajuste anual, que apresenta erros nos rendimentos tributáveis, isentos e sujeitos à tributação exclusiva, e deixou de informar todas as despesas dedutíveis informou apenas e errado a contribuição previdenciária oficial, e não informou a pensão alimentícia e despesas médicas. No comprovante de rendimentos juntado às fls. 5/6, constam os valores discriminados na tabela 1. Tabela 1 Valores comprovante de rendimentos Rendimentos tributáveis 130.999,11 Despesas dedutíveis contribuição previdenciária 18.981,11 pensão alimentícia 30.469,00 despesas médicas 449,70 imposto retido 16.056,21 Ocorre que a fiscalização, ao efetuar o lançamento cuidou apenas de glosar o imposto retido na fonte declarado a maior, sem refazer a declaração do contribuinte, desconsiderando as despesas dedutíveis e os valores corretos. Diante dos fatos que ora se apresentam, os erros cometidos, o valor das despesas dedutíveis originalmente somados e declarados no campo relativo à contribuição previdenciária, a documentação trazida no recurso voluntário, a moléstia do contribuinte, entendo que o lançamento deve ser revisto, considerando os valores da tabela 1, apurandose o imposto conforme discriminado na tabela 2. Sendo assim, em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário e ao art. 36 da Lei 9.784/99, com razão o sujeito passivo. Fl. 106DF CARF MF 6 Tabela 2 IRPF apurado Rendimentos tributáveis 130.999,11 Despesas dedutíveis contribuição previdenciária 18.981,11 pensão alimentícia 30.469,00 despesas médicas 449,70 total 49.899,81 Base de cálculo apurada 81.099,30 Imposto apurado 15.716,37 Imposto retido 16.056,21 Imposto a restituir 339,84 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
