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Numero do processo: 10880.720331/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
REVISÃO DE MATÉRIA COM DECISÃO DEFINITIVA NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Ementa:
A decisão definitiva do processo administrativo fiscal impede a rediscussão das matérias de fato e de direito em outro processo na esfera administrativa, o que seria muito mais que uma simples coisa julgada formal, a qual só impede a continuação da discussão no mesmo processo. A legislação que rege o processo administrativo fiscal, não prevê nenhuma possibilidade de revisão de matéria já decidida em última instância administrativa.
Numero da decisão: 3302-007.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Walker Araújo e Jorge Lima Abud.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Gerson Jose Morgado de Castro, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REVISÃO DE MATÉRIA COM DECISÃO DEFINITIVA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Ementa: A decisão definitiva do processo administrativo fiscal impede a rediscussão das matérias de fato e de direito em outro processo na esfera administrativa, o que seria muito mais que uma simples coisa julgada formal, a qual só impede a continuação da discussão no mesmo processo. A legislação que rege o processo administrativo fiscal, não prevê nenhuma possibilidade de revisão de matéria já decidida em última instância administrativa.
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Ementa: A decisão definitiva do processo administrativo fiscal impede a rediscussão das matérias de fato e de direito em outro processo na esfera administrativa, o que seria muito mais que uma simples coisa julgada formal, a qual só impede a continuação da discussão no mesmo processo. A legislação que rege o processo administrativo fiscal, não prevê nenhuma possibilidade de revisão de matéria já decidida em última instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Walker Araújo e Jorge Lima Abud. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Gerson Jose Morgado de Castro, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3803-000.240, de 22 de agosto de 2012, in verbis: A empresa DIAGEO BRASIL LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, combinado com declaração de compensação, previsto no art. 11 da Lei no 9.779/99 e na IN SRF no 33/99, relativo ao 1º trimestre de 2008. A DRF em Campinas SP deferiu, em parte, o pleito da Recorrente, alegando que parte dos créditos foram consumidos em razão da glosa efetuado quando da lavratura do auto AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 03 31 /2 01 0- 35 Fl. 565DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.512 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720331/2010-35 de infração controlado no Processo nº 10830.003785/2010-33 e, também, porque os créditos escriturados na forma do inciso I, § 1º, do art. 143 do RIPI/2002 (retorno de produtos industrializados por encomenda) somente podem ser utilizados para dedução do imposto devido nas saídas tributadas. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de conformidade, defendendo o direito ao ressarcimento dos créditos do retorno de produtos industrializados por encomenda porque assim reconheceu a SRRF 8ªRF em solução de consulta formalizada por ela Recorrente e, também, que as glosas efetuadas no auto de infração eram improcedentes e foram objeto de impugnação, devendo o julgamento da manifestação de inconformidade ser sobrestado até o deslinde final do auto de infração. A 8a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão preto SP deferiu, em parte, o pleito da Recorrente, para reconhecer o direito ao ressarcimento dos créditos objeto de retorno de produtos industrializados por encomenda, nos termos do Acórdão no 1431.635, de 24/11/2010. A empresa interessada tomou ciência da decisão de primeira instância em 22/03/2011 e interpôs recurso voluntário no dia 19/04/2011, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade sobre a improcedência das glosas efetuadas que resultaram na lavratura do auto de infração e sobre a necessidade de sobrestar o julgamento do recurso voluntário até o trânsito em julgado da decisão administrativa do Processo nº 10830.003785/201033. O julgamento foi convertido em diligência para aguardar a decisão definitiva do processo nº 10830.003785/2010-33. Após se tornar definitiva a decisão proferida nos autos do processo nº 10830.003785/2010-33, o Serviço de Fiscalização da Receita Federal em Campinas elaborou relatório fiscal, no qual informa que não houve alteração em relação aos valores originalmente reconhecidos no despacho decisório pela DRF/Campinas. Em resposta ao relatório fiscal elaborado em resposta à diligência, a recorrente afirmou que ajuizou ação anulatória de débito fiscal para combater a decisão proferida no processo nº 10830.003785/2010-33. Solicitou o sobrestamento do julgamento até a decisão final da mencionada ação anulatória. E, no mérito, buscou demonstrar o seu direito baseado nos fatos constantes e discutidos naquele processo administrativo. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. Preliminarmente, ressalto que não há previsão regimental para o sobrestamento do julgamento até a decisão judicial de ação anulatória de processo que possa agir como prejudicial de outro processo administrativo. Portanto, nego o sobrestamento requerido. Mérito Lembro que a única matéria ainda em discussão se refere à improcedência das glosas efetuadas que resultaram na lavratura do auto de infração, objeto do processo nº 10830.003785/2010-33. A recorrente defende no recurso voluntário e na resposta ao resultado da diligência, razões de fato e de direito já discutidas e decididas no mencionado processo administrativo. É noção cediça que não se pode rediscutir matérias já decididas Fl. 566DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.512 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720331/2010-35 administrativamente em outro processo, em respeito à segurança jurídica. Cabe a esse colegiado apenas aplicar o que lá foi decidido, para não provocar uma confusão jurídica, fato combatido pelo ordenamento jurídico. Cravada essa premissa, reproduzo trechos do relatório fiscal que resume o que foi decidido no processo nº 10830.003785/2010-33 e que tem relação direta com o mérito a ser decidido no processo ora em julgamento. Em decorrência da apuração de débitos de IPI por falta ou insuficiência de lançamento de IPI em saídas tributadas houve o lançamento de ofício dos valores apurados pela fiscalização. Em razão da existência de créditos de IPI em sua escrita fiscal, em atendimento ao princípio constitucional da não-cumulatividade, foi elaborado o demonstrativo “Reconstituição da Escrita Fiscal”, para possibilitar a utilização destes créditos para dedução do IPI lançado de ofício. Como consequência deste procedimento de Reconstituição da Escrita Fiscal anexo ao Auto de Infração de IPI, processo nº 10830.003785/2010-33, houve alteração dos saldos credores de IPI apurados pelo estabelecimento equiparado a industrial, resultando em redução no direito creditório pretendido nos PERDCOMP de ressarcimento de IPI, conforme abaixo resumido: (...) Ao apreciar o Recurso interposto contra o referido Auto de Infração de IPI a 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou parcialmente procedente o lançamento, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar a glosa do saldo credor do IPI existente em 31/12/2004, nos termos do Acórdão no 14- 31.316 de 26/10/2010. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF por sua vez entendeu por reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar lançamento para fatos geradores anteriores a 26/03/2005, nos termos do Acórdão nº 3302-01.766 de 22/08/2012. Os valores exonerados após as decisões de 1ª e de 2ª instância são bastante irrisórios em relação ao total dos valores dos débitos apurados no Auto de Infração de IPI representando valor inferior a 2% e restringiu-se aos lançamentos efetuados no período de 01/01/2005 a 25/03/2005 É importante salientar que em razão de o estabelecimento equiparado a industrial ter apurado (em sua escrita fiscal) saldos devedores de IPI no 1º e 2º decêndios de abril/2005 e considerando que os ajustes decorrentes das decisões dos órgãos julgadores referem-se a fatos geradores anteriores a esta data, constata-se que a partir do 3º decêndio de abril de 2005 não há nenhuma alteração nos valores constantes do demonstrativo “Reconstituição da Escrita Fiscal”, doc. fls. 218/222. Tendo em vista que o demonstrativo “Reconstituição da Escrita Fiscal” foi utilizado para fins de determinação do direito creditório dos PERDCOMP/processos acima referidos, concluímos que apenas o processo referente ao 4º trimestre-calendário de 2004 foi afetado pelas decisões acima referidas. O Despacho Decisório relativo à Declaração de Compensação com crédito oriundo de Ressarcimento de IPI relativo ao 4º trimestre de 2004 – processo nº 10880.973080/2009-56 já foi revisto tendo sido homologada a compensação declarada. No que concerne aos demais processos relativos a Ressarcimento de IPI (acima mencionados), inclusive o presente processo, não houve nenhuma alteração em relação aos valores originalmente reconhecidos pela DRF/Campinas. Esclarecemos, ainda, que nos termos do Acórdão 14-31.635 da 8ª Turma da DRJ/RPO, doc. Fls. 440/447, os créditos escriturados sob o CFOP 1124/1125 foram considerados passíveis de ressarcimento de IPI, entretanto, estes créditos foram integralmente consumidos para dedução do IPI devido em saídas tributadas, lançados de ofício, Fl. 567DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.512 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720331/2010-35 conforme consta do através do Auto de Infração de IPI e respectivo demonstrativo “Reconstituição da Escrita Fiscal”. Observe que o saldo reconstituído da escrita fiscal apurado no demonstrativo de “Reconstituição da Escrita Fiscal” ao final de dezembro/2018 é devedor (coluna F do demonstrativo), o que indica a inexistência de quaisquer resíduos de saldos passíveis de ressarcimento IPI. Portanto concluímos que o valor do direito creditório, de que trata o presente processo, relativo a ressarcimento de IPI do 1º TRIMESTRE 2008, reconhecido pela DRF/Campinas, nos termos do Despacho Decisório de fls. 236/237, não foi alterado em razão do que foi definitivamente decidido pela DRJ e pelo CARF. Portanto, nos termos do relatório fiscal acima reproduzido, não haviam créditos a serem ressarcidos além daqueles que já foram. Sendo assim, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 568DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.900239/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 2005
IMPOSTO RETIDO. RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. FONTE ' PAGADORA.
A fonte pagadora que reteve imposto indevido ou a maior somente tem legitimidade para pleitear sua restituição ou compensação se comprovar o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário.
Em não sendo comprovado por documentação hábil o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário o contribuinte carece de legitimidade para efetuar a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 2301-006.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Antônio Savio Nastureles e Wesley Rocha, que votaram por converter o julgamento em diligência para que o recorrente apresentasse prova de ser parte legítima para pleitear o indébito. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se a este processo o decidido no julgamento do processo 10530.900219/2009-12, paradigma ao qual foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2005 IMPOSTO RETIDO. RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. FONTE ' PAGADORA. A fonte pagadora que reteve imposto indevido ou a maior somente tem legitimidade para pleitear sua restituição ou compensação se comprovar o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário. Em não sendo comprovado por documentação hábil o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário o contribuinte carece de legitimidade para efetuar a compensação pleiteada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Antônio Savio Nastureles e Wesley Rocha, que votaram por converter o julgamento em diligência para que o recorrente apresentasse prova de ser parte legítima para pleitear o indébito. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se a este processo o decidido no julgamento do processo 10530.900219/2009-12, paradigma ao qual foi vinculado. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-30T13:18:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-30T13:18:13Z; Last-Modified: 2019-07-30T13:18:13Z; dcterms:modified: 2019-07-30T13:18:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-30T13:18:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-30T13:18:13Z; meta:save-date: 2019-07-30T13:18:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-30T13:18:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-30T13:18:13Z; created: 2019-07-30T13:18:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-30T13:18:13Z; pdf:charsPerPage: 2161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-30T13:18:13Z | Conteúdo => SS22--CC 33TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10530.900239/2009-93 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2301-006.125 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 04 de junho de 2019 RReeccoorrrreennttee TERMOBAHIA S/A IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2005 IMPOSTO RETIDO. RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. FONTE ' PAGADORA. A fonte pagadora que reteve imposto indevido ou a maior somente tem legitimidade para pleitear sua restituição ou compensação se comprovar o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário. Em não sendo comprovado por documentação hábil o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário o contribuinte carece de legitimidade para efetuar a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Antônio Savio Nastureles e Wesley Rocha, que votaram por converter o julgamento em diligência para que o recorrente apresentasse prova de ser parte legítima para pleitear o indébito. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se a este processo o decidido no julgamento do processo 10530.900219/2009- 12, paradigma ao qual foi vinculado. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 02 39 /2 00 9- 93 Fl. 147DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.125 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900239/2009-93 Relatório Trata-se de manifestação de inconformidade ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada através do PER/DCOMP indicada no referido despacho. O motivo da não homologação da compensação foi o não reconhecimento do direito creditório a que estava vinculada. A interessada foi cientificada do despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: a) em contraprestação a serviços tomados pela requerente, efetuou remessa de capital para empresas sediadas fora do País. Em decorrência, reteve e recolheu Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF sob a operação, mas de forma majorada, pois aplicou uma alíquota de 25%, quando esta tinha sido reduzida para 15%, nos termos do art. 2°-A da Lei n° 10.168, de 2000, com a redação dada pelo art. 7° da Lei n° 10.332, de 19 de dezembro de 2001; b) sob tal operação era devida Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE a uma alíquota de 10%, nos ternos do art. 2°, §§ 2° e 4°, da Lei n° 10.680, de 2000, com a redação dada pelo art. 6° da Lei 10.332, de 2001. Entretanto, por equívoco na apuração dos tributos, deixou de recolher os valores devidos a título de CIDE, e recolheu de forma majorada IRRF à alíquota de 25%, conforme já exposto na alínea anterior; c) ao perceber o equívoco cometido, efetuou a transmissão de PER/DCOMP, no qual utilizou o valor do IRRF pago a maior para compensar os valores devidos a título de CIDE. Procedeu, também, a retificação da DCTF, incluindo o débito relativo à CIDE, mas deixou de reduzir o valor correspondente ao IRRF, o que levou a administração tributária a não visualizar o direito creditório; d) acostou aos autos toda a documentação comprobatória dos fatos alegados, e requer que seja reformado o despacho decisório para que seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação; e e) subsidiariamente, caso a decisão seja no sentido de que alíquota aplicável do IRRF era a de 25%, requer que seja reconhecido, também, a inexistência de débitos de CIDE. A DRJ/SDR considerou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que a fonte pagadora que reteve imposto indevido ou a maior somente tem legitimidade para pleitear sua restituição ou compensação se comprovar o recolhimento do imposto e a devolução desta quantia ao beneficiário. Em seu recurso voluntário a recorrente acrescenta as seguintes alegações acerca de sua legitimidade para pleitear o crédito tributário: a) Antes de adentrar no exame da questão principal, é indispensável uma breve exposição de como eram feitos os pagamentos relativos ao contrato de prestação de serviço entre a recorrente e a empresa estrangeira. b) Em razão das remessas dos valores serem efetuadas a países com os quais o Brasil não possuía acordo de tributação, o cálculo do imposto era feita Fl. 148DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.125 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900239/2009-93 através do “Gross Up", ou seja, a importância remetida era considerada como líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairia o tributo. c) Assim, em um exemplo hipotético, sobre uma fatura equivalente a R$ 100,00, não se calculava R$ 25,00 (25%) de imposto de Renda a ser retido, estipulava-se o valor da fatura para fins de retenção como sendo R$ 100/(1-0,25), resultando no valor de R$ 133,33. Sobre este valor aplicavam-se os 25%, resultando em R$ 33,33 de IR a ser retido, mantendo-se o valor da remessa ao beneficiário em R$ 100,00. d) Tal operação era realizada com vistas a evitar a bitributação internacional. A Termobahia S/A assumia o encargo financeiro relativo ao imposto sobre a renda brasileiro, ficando a empresa contratada com o dever de suportar o encargo relativo ao imposto sobre a renda do seu respectivo país. e) Em uma análise mais acurada, percebe-se que além do dever de efetuar a retenção e o repasse do IRRF, todo o ônus financeiro do respectivo tributo também ficou a cargo da Termobahia S/A. f) Através dos documentos acostados aos autos, facilmente se verifica que importância remetida era considerada como liquida, havendo um reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairia o tributo. Veja-se que entre a recorrente e a empresa contratada foi estipulado valor menor do que aquele sujeito à incidência do IRRF. g) Conforme de depreende do DARF e do comprovante de depósito acostado aos presentes-autos, o valor pago a título de IRRF é superior a 25% do valor líquido remetido. Veja-se que houve o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre qual recaiu o tributo. h) Vale lembrar que a prática do “Gross up" é plenamente admitida pelo Ordenamento Jurídico pátrio. O art. 59 do diploma normativo que dispõe sobre a legislação de rendas e proventos de qualquer natureza, Lei 4.154/62, possibilita que a fonte pagadora assuma o ônus do imposto devido pelo beneficiado. Para tanto, deve-se considerar a importância remetida como líquida, cabendo o reajustamento do rendimento bruto, sobre o qual recairá o tributo. i) Nesta linha, calculado o valor do tributo através do “Gross Up", resta indiscutível que o encargo financeiro do IRRF foi assumido pela Termobahia S/A, cabendo a esta pleiteara sua repetição. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2301-006.104, de 04/06/2019, Fl. 149DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.125 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900239/2009-93 proferido no julgamento do processo nº 10530.900219/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 2301- 006.104): O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Cumpre destacar que é possível a fonte pagadora assumir o encargo financeiro do recolhimento o valor do Imposto de Renda na Fonte, obrigando-se à recomposição do montante da tributação incidente (gross up). Ou seja, a metodologia de cálculo conhecida como "cálculo por dentro", própria dos tributos para os quais a responsabilidade pela retenção e recolhimento é atribuída à fonte pagadora (ou a quem paga), acarreta o reajuste do próprio valor da operação, que passa a ser integrado pelo valor do imposto retido. Se, por exemplo, no contrato está previsto o preço de R$ 100,00 para que seja possível reter os 15% do valor do IRRF devido preservando o valor original, é preciso considerar que esses R$ 100,00 são apenas 85% do valor, sob pena de ver-se modificado o preço transacionado, senão vejamos: Se simplesmente se aplica a alíquota de 15% sobre o valor de R$ 100,00 considerando que o valor total do Imposto integra a renda, a transação passa a ser de R$ 115,00. Só que, daí, se o valor do negócio é de R$ 115,00 aplicando-se a alíquota de 15%, chega-se a um Imposto de R$ 17,15. Inicialmente, entendi que haveria uma dúvida sanada pela fiscalização: se no cálculo do IRRF houve efetivamente a adoção do critério conhecido como “gross up”, no qual o valor do tributo devido está dentro do valor contratado, ou seja, se o imposto de renda que incide sobre o total da renda, no qual o cálculo deve ser feito de tal sorte que, após deduzido o valor do Imposto, a renda permaneça sendo aquela avençada. Ocorre que, tratam-se de pedidos de compensação de suposto crédito de IRRF incidente sobre remessas ao exterior com a CIDE. O crédito decorreria da diferença de alíquota em face do que consta da Lei nº 10.168/2000. Ocorre que, na hipótese de existir a diferença de alíquota alegada (essa hipótese deverá ser objeto de análise pela instância anterior), a compensação somente poderia ser deferida se o contribuinte, responsável pela retenção, comprovasse ter suportado o ônus do tributo ou, do contrário, comprovar ter restituído o valor ao contratado, de quem teria retido indevidamente. Ciente disso, o recorrente esclareceu que dentre os vários contratos feitos pela Termobahia, há alguns em que ela assumiu integralmente o ônus tributário e, em outros, o ônus ficou a cargo do contratado. Analisando o presente processo, que foi indicado como paradigma, percebe-se que o valor da remessa (USD 120.652,00) correspondeu a R$ 375.348,37. Fazendo o cálculo "por dentro" à Fl. 150DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.125 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900239/2009-93 alíquota de 25%, resulta em uma base de cálculo de R$ 500.423,01 e um IRRF de R$ 125.074,64. O valor recolhido foi de R$ 125.103,61. Ou seja, pelo que consta dos autos, parece-me que, pelo menos no caso do processo paradigma, o contribuinte seria parte legítima para pleitear porque assumiu integralmente o ônus tributário. Nesse caso, o processo deveria retornar à primeira instância para análise do alegado direito creditório, já que o acórdão a quo não avançou nessa análise por entender que a parte não era legítima para pleitear o indébito. Contudo, tal argumento foi analisado pelo órgão julgador de primeira instância se o contribuinte comprovou que fez a retenção do valor e devolveu ao contratado a quantia retida a maior. O contribuinte alegou que arcou com o ônus tributário, mas, nesse caso, teria que demonstrar haver recolhido o IRRF na alíquota de 25% (que ele alega ser incorreta, pois o devido seria 15%), mas não juntou o contrato onde alega que esse ônus lhe caberia e por isso a decisão guerreada entendeu por sua ilegitimidade para pleitear a compensação dos supostos créditos. Ante ao exposto, Voto no sentido de Negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente feito, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, tendo em vista que também neste processo o recorrente não juntou aos autos o contrato celebrado com o prestador do serviço. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722853/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
DESCONTO DE SEGURADO. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA.
A empresa é obrigada arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração, e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições a seu cargo devidas.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. FORO INADEQUADO.
O foro administrativo é inadequado para discussões de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade das normas, eis que cabe à Administração Pública o estrito cumprimento das normas em vigor.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. CIÊNCIA E INTIMAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Tendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF sido emitido e o sujeito passivo cientificado de acordo com as normas legais que o regem o mesmo é plenamente válido, não cabendo a nulidade da autuação.
IMPUGNAÇÃO. PROVAS.
A impugnação/recurso deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações.
Numero da decisão: 2202-005.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração, e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições a seu cargo devidas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. FORO INADEQUADO. O foro administrativo é inadequado para discussões de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade das normas, eis que cabe à Administração Pública o estrito cumprimento das normas em vigor. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. CIÊNCIA E INTIMAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Tendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF sido emitido e o sujeito passivo cientificado de acordo com as normas legais que o regem o mesmo é plenamente válido, não cabendo a nulidade da autuação. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação/recurso deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 28 53 /2 01 0- 84 Fl. 2274DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Thiago Duca Amoni (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 12-62.326, proferido pela 11 a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ (DRJ/RJ1) que julgou a impugnação improcedente, mantendo a cobrança do crédito tributário. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Trata-se de crédito tributário lançado pela autoridade fiscal em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo às contribuições sociais devidas pelos segurados e arrecadadas pela empresa. O crédito tributário apurado, consolidado em 11/10/2010, com ciência pessoal pelo interessado em 25/10/2010, consubstancia-se no valor originário de R$28.351,70, que acrescido de multa e juros totaliza a quantia de R$47.038,31, sendo relativo ao período de apuração de 01/2006 a 12/2008. (DEBCAD: 37.292.472-7). Os fatos geradores de contribuições previdenciárias, objeto deste Auto de Infração, não foram declarados até o inicio do procedimento fiscal nas GFIPs, conforme preceitua o art. 32, da Lei 8.212/1991. De acordo com o Relatório Fiscal (RF), em síntese, tem-se que: - Divergência Folha de Pagamento x GFIP: Mediante análise realizada nas folhas de pagamentos apresentadas e as GFIP’s armazenadas nos sistemas coorporativos da SRFB, constatou-se divergências nas contribuições retidas dos segurados empregados sobre o 13° salário do exercício de 2006. Tais divergências foram lançadas nos levantamentos: F1 -FOLHA DE PAGAMENTO (FPAS 515), e F2 - FOLHA DE PAGAMENTO (FPAS 655). Informa ainda o Relatório Fiscal que todas as guias da previdência social, no código de pagamento 2100 (Empresas em Geral) e 2119 (exclusivo para Outras Entidades), relativas ao período de 01/2006 a 12/2008, foram deduzidas (apropriadas) dos créditos previdenciários ora constituídos, estando relacionadas no relatório "RDA - Relatório de Documentos Apresentados", anexo ao auto de infração. Estes pagamentos foram efetuados pela empresa antes do início do procedimento fiscal e se referem a valores declarados e não declarados em GFIP, estas também entregues antes do inicio da ação fiscal. Saliente-se que os valores declarados nas GFIP, antes do início deste procedimento fiscal, foram lançados no levantamento "G1 - GFIP FPAS 515" e "G2 - GFIP FPAS 655". Fl. 2275DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 Neste sentido, destaque-se que os valores declarados nas GFIPS's entregues antes do início da ação fiscal não foram objeto de lançamento na presente fiscalização porque já foram constituídos por meio da própria GFIP, que possui caráter declaratório e natureza jurídica de confissão de dívida. Da mesma forma, todas as retenções escrituradas na conta CRÉDITOS IMPOSTOS RETIDO N FONTE, subconta INSS n° 112.04.010007, foram apropriadas (deduzidas dos créditos ora constituídos), estando relacionadas no relatório RDA - Relatório de Documentos Apresentados. Considerando que os fatos relatados ao longo do relatório configuram em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337-A, inciso I, II e III, do Código Penal, acrescentado pela Lei 9.983, de 14/07/2000, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente para posterior envio ao Ministério Público Federal. A autoridade fiscal considerou que o sujeito passivo cometeu vários ilícitos tributários e aplicou a multa de ofício acrescida de 50%, conforme previsão no artigo 44, § 2o da Lei 9430/96. Foi obedecido o princípio da retroatividade benigna no cálculo da multa. Da impugnação O interessado apresentou sua impugnação em 17/11/2010, cujas alegações são apresentadas, a seguir, em síntese. Primeiramente, solicita a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com base no art. 151, III do CTN. Solicita também que todos os autos de infração apurados na ação fiscal sejam julgados conjuntamente. Das preliminares Da lavratura do auto de infração por servidor incompetente. Alega que o auto de infração foi lavrado por servidor incompetente, tendo em vista que não foi comunicada da inclusão do auditor Elias de Holanda Melo no MPF de n° 04.1.01 00-2010-00473-5, datado de l0/maio/2010. Sem ter recebido qualquer intimação, a Impugnante teve conhecimento que no dia 19/maio/2010, houve alteração na referido MPF, acrescentando o Auditor Fiscal Elias de Holanda Melo, o que implica na impossibilidade do referido Auditor realizar a fiscalização, nos termos do art. 9o, § único, da Portaria nº 11.371/2007 c/c art. 59, inciso I do Decreto n° 70.235/72. Isto porque a citada Portaria determina que em havendo inclusão de novo Auditor Fiscal, o contribuinte deve ser cientificado, o que não ocorreu. Também não há qualquer registro de que o MPF foi prorrogado, o que igualmente compromete a legitimidade do Auditor Fiscal proceder com a Fiscalização. Com base no art. 59, I, do Decreto 70.235/72, entende pela nulidade do auto de infração por ter sido lavrado por servidor incompetente. Da ausência dos Mandados de Procedimento Fiscal que comprovam a prorrogação tempestiva do prazo. No caso em análise, o MPF-F foi lavrado em l0/maio/2010, devendo ser concluído até o dia 07/setembro/2010. Entretanto, por razões estranhas, o referido prazo pode ser prorrogado, nos termos do art. 12 da Portaria 11.371/2007 da SRFB. A autoridade tem o dever de comunicar qualquer alteração nos MPF's, entretanto, isto não foi cumprido. Isto porque, ainda quando em vigor o prazo inicial do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF-F que ensejou a auditoria realizada na impugnante, foi lavrado o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, lavrado em 15/junho/2010. No Fl. 2276DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 entanto, apenas com relação aos tributos federais (PIS/COFINS/IRPJ/CSLL) (Doc 05). Entretanto, o impugnante indaga: por que ser lavrado um Termo de Continuação de Procedimento Fiscal, se o próprio MPF determinou que a fiscalização deveria ser procedida até o dia 07/setembro/2010. Mas não foi só, isto porque, no dia 28/setembro/2010, foi lavrado o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal dando ciência que a Fiscalização iria prosseguir, no entanto, exclusivamente com relação aos tributos federais (PIS/COFINS/IRPJ/CSLL) (Doc. 06). Assim, em total descumprimento ao que dispõe o art 9o, § único, após expirado o prazo do MPF-F, o Auditor Fiscal não comunicou a prorrogação da fiscalização com relação a Previdência Social, nos termos do citado dispositivo legal. Por outro lado, ao consultar o sitio da SRFB, a Impugnante constatou que supostamente o MPF tinha sido prorrogado por diversas vezes, no entanto, não faz qualquer menção à data em que se deu as prorrogações, suprimindo da Impugnante, direitos e garantias fundamentais previstas no art. 5º da Constituição Federal, dentre os quais se destacam o da Publicidade, da Legalidade, do Devido Processo Legal, do Contraditório e da Ampla Defesa (Doc 7). Tal fato macula por completo a autuação fiscal, haja vista que após expirado o prazo de validade do MPF, não poderia a mesmo Auditar Fiscal continuar o procedimento, tomando por base o art. 14, inciso II e 15 da Portaria SRFB n° 11.371/2007. Portanto, como a Impugnante não teve acesso aos documentos que comprovam a alteração e prorrogação tempestiva do MPF, ficou impossibilitada de saber se o Auditor Fiscal que Lavrou o Auto de Infração teria legitimidade para prosseguir com o feito Assim, entende que a presente autuação foi provavelmente lavrada por Auditor Fiscal incompetente, em virtude do que prescreve o art 16 § único da citada Portaria c/c art 59, inciso I do Decreto 70.235/72. (utilizou-se da expressão "provavelmente", pois como os Auditores não cumpriram com suas obrigações, ficou impossibilitada de verificar tal procedimento.) Isto porque a citada Portaria determina que, em havendo EXTINÇÃO do Mandado de Procedimento Fiscal em virtude do decurso do prazo, DEVE ser indicado um novo Auditor Fiscal para a conclusão da fiscalização, posto que a permanência do mesmo implicará, necessariamente, em nulidade do ato em virtude de ser praticado por pessoa incompetente. Sendo assim, em virtude da ofensa Princípios Norteadores do Estado Democrático de Direito, a Impugnante pede a declaração de nulidade da presente autuação. Da impossibilidade de constituir créditos tributários com fulcro em informações contidas no "Livro Diário" - ausência de solicitação do "Livro Caixa". A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado, cuja atividade principal é locação de mão-de-obra e o agenciamento de mão-de-obra temporária. Por não haver qualquer vedação legal, a Impugnante é optante pelo regime de tributação do IRPJ com base no Lucro Presumido. Assim, resta nítido que em virtude do disposto no art 45, § único, da Lei n. 8.981/1995, a Impugnante não está obrigada a manter o Livro Diário. Por outro lado, também não está impedida de manter tal Livro, posto que isto só seria será uma faculdade. Ocorre que em nenhum dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos o Auditor Fiscal solicitou os Livros Diários (vide TIF 1), restringindo-se a solicitar justamente o livro Diário e o Livro Razão, que são dispensados. Fl. 2277DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 Sendo assim, caberia ao Auditor Fiscal apurar as informações contidas no Livro Caixa, ainda que o Livro Razão tivesse registrado na JUCEPE, posto que tal livro não é obrigatório. Como em momento algum foi solicitado da Impugnante o seu Livro Caixa, livro este que contém todas as informações necessárias para que fosse realizada a apuração de eventuais contribuições sociais, entende que lhe foi cerceado o direito de defesa, do contraditório e do devido processo legal. Assim, tal autuação, por ter sida baseada no Livro Diário, é nula de pleno direito. Apresenta julgados administrativos a fim de embasar seu entendimento. Remete-se também às disposições contidas no art. 527, § único c/c o art. 530, inciso III, do Decreto 3.000/99 e conclui que o auto de infração é nulo. Do mérito Aduz a nulidade da autuação, uma vez que os valores que foram retidos na competência de DEZEMBRO/2006 são mais do que suficientes para quitar os créditos das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados. Isto porque, na competência de DEZEMBRO. 2006, a fiscalização constatou que os valores retidos dos empregados totalizam o seguinte: Sendo assim, entende que as citadas contribuições, inclusive a do décimo terceiro salário em virtude da disposição contida no art. 7º da Lei 8.620, de 05.01.1993, são devidas tomando por base o mês de dezembro/2006. Por outro lado, no mês de dezembro/2006, conforme consta no RDA, a Impugnante recolheu em GPS e através de retenções, o valor de RS 271.539,33 (duzentos e setenta e um mil. quinhentos e trinta e nove reais, trinta e três centavos), mais do que suficiente para quitar o pretenso crédito tributário, tal como determina o art. 31, §1° da Lei 8.212, de 24.07.1991. Os valores das retenções contidas nas notas fiscais é superior àquele considerado pela fiscalização. Alega que o Auditor Fiscal desprezou as informações contidas na documentação que lhe foi apresentada, quais sejam, as Notas Fiscais de Prestação de Serviços, onde constam os valores das retenções efetuadas pelos clientes. Aduz que isto é de suma importância para o deslinde da causa, posto que em praticamente todas as competências os valores considerados pela Fiscalização a título de retenção foram inferiores aos valores constantes nas Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Impugnante, sendo isto inconcebível. Há de ser feita uma nova apuração dos valores constantes nas Notas Fiscais a fim de evitar a desconsideração de créditos que pertencem à Impugnante, solicitando diligência para que isto seja verificado. Sendo assim alega que o crédito tributário apurado nesta fiscalização está extinto por força do pagamento. Do pedido. Fl. 2278DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 Finalmente, solicita que seja dado provimento total à impugnação e que o auto de infração seja anulado. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ/RJ1(efls. 2180 e ss.). A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 DESCONTO DE SEGURADO. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração, e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições a seu cargo devidas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. FORO. INADEQUADO. O foro administrativo é inadequado para discussões de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade das normas, eis que cabe à Administração Pública o estrito cumprimento das normas em vigor. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. CIÊNCIA E INTIMAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Tendo o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF sido emitido e o sujeito passivo cientificado de acordo com as normas legais que o regem o mesmo é plenamente válido, não cabendo a nulidade da autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (efls. 2180/2192), ensejando a interposição de recurso voluntário em 05/08/2015 (fls. 2197 e ss.), no qual foram renovados, em linhas gerais, os termos da impugnação, tendo acrescentado que os valores retidos na competência dezembro/2006 são mais que suficientes para quitar as contribuições descontadas dos segurados. Elabora um quadro com valores devidos/retidos/saldos anteriores/créditos, para demonstrar sua alegação. Em 05 de abril de 2017 (efls. 2206 e ss.), esta Turma de Julgamento, por meio da Resolução n.2202-000.763, decidiu converter o julgamento em diligência para que, in verbis: (...) a) intime o contribuinte a identificar e comprovar os valores das retenções de contribuições efetuadas pelos seus clientes que constam das Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas e sua desconsideração pela fiscalização, em relação à competência 13/2006 e para que apresente ainda eventuais guias de recolhimento que possua e que não teriam sido consideradas na mesma competência, e analise eventuais efeitos dessas retenções recolhimentos sobre este lançamento, caso existam. Após, com a anexação de documentos e elaboração de relatório circunstanciado, dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para, querendo, manifestar-se no prazo de trinta dias, e retome os autos para prosseguimento do julgamento. Fl. 2279DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 O contribuinte foi intimado, por meio da Intimação 588/20017 (efls. 2211), a identificar e comprovar os valores das retenções de contribuições efetuadas pelos seus clientes que constam das Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas e sua desconsideração pela fiscalização, em relação à competência 13/2006 e para que apresente ainda eventuais guias de recolhimento que possua e que não teriam sido consideradas na mesma competência, e analise eventuais efeitos dessas retenções recolhimentos sobre este lançamento, caso existam. Consta às efls. 2212/2215, o comprovante da ciência da Intimação n. 588/2017, em 13/06/22017, sendo que não houve manifestação do interessado no prazo previsto de 30 dias. Foi juntado aos autos também TERMO N. 01 –INTIMAÇÃO, referente ao processo de Auto de Infração n. 10480.722854/2010-29 (DEBCAD 37.292.473-5), sendo que este Auto de Infração, foi gerado dentro do mesmo procedimento fiscal, o qual gerou o presente processo Auto de Infração n. 10480.722853/2010-84 (DEBCAD 37.292.478-7), onde destacamos um ponto a ser esclarecido pelo Recorrente, in verbis: 1.5 apresentar eventual guias de recolhimento referente à competência 13/2006, que não tenha sido considerada pela fiscalização no processo em epígrafe e no processo 10480.722853/2010-84, uma vez que na apropriação das GPS (dedução da contribuição lançada) primeiro apropriou-se as GPS sobre a contribuição retida dos segurados e o saldo remanescente sobre as demais contribuição patronais lançadas, e manifeste-se sobre os eventuais efeitos em tais lançamentos, caso tenha sido efetivamente pagas. O contribuinte apresentou as Guias e Comprovantes de Pagamento INSS 2006, conforme consta 2222/2253. No que se refere ao presente Processo Administrativo Fiscal n. 10480.722853/2010-84 foi emitido um Relatório Fiscal de Diligência (efls. 2254 e ss.) esclarecendo que apesar de regularmente intimado, o contribuinte não prestou as informações solicitadas pela fiscalização, qual seja: identificar os valores das retenções de contribuições efetuadas pelos seus clientes que constam das Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas e sua desconsideração pela fiscalização e analise eventuais efeitos dessas retenções sobre o lançamento. Ressaltou ainda, conforme já dito no relatório fiscal, todas as retenções escrituradas na conta CRÉDITO IMPOSTOS RETIDOS NA FONTE, subconta INSS n. 112.04.01.00007, foram consideradas pela fiscalização, situação que pode ser verificada no relatório RDA. Contudo, com relação à competência 13/2006 (13º Salário), objeto do lançamento fiscal sob análise, não houve qualquer valor a ser apropriado. Salientou que após intimação o contribuinte apresentou várias GPS pertinentes ao período 01/2006 a 12/2006 (fls.2222/2253), mas, por não existir, não apresentou a relativa à competência 13/2006. Consoante se pode observar no Extrato CCORGFIP, que segue anexo ao presente relatório, exceto quanto ao estabelecimento 70.059.043/0005-51, no qual consta uma GPS da competência 13/2006 no valor de R$ 22,02 e uma GFIP de mesmo valor, não há nos sistemas corporativos da RFB outras GPS atinentes à competência 13/2006. O Recorrente tomou ciência do resultado da diligência fiscal(29/09/2017), e documentos juntados (02/10/2017), não tendo acrescentado novas alegações. É o relatório. Fl. 2280DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 Voto Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles, Relator. No caso em exame, a decisão de piso traz importantes considerações e conclusão sobre o Auto de Infração em questão, com as quais me alinho plenamente, adotando-as como razão de decidir, sendo que apenas no final do presente voto acrescento algumas considerações Confira-se: PRELIMINARES Das alegações relativas à ilegalidade e inconstitucionalidade Quanto aos questionamentos relativos à legalidade/constitucionalidade de leis, ressalta- se que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN, devendo a autoridade administrativa observar o que determinam as normas legais. Deste modo, o Decreto 70.235/72 dispõe em seu artigo 26-A: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Esta questão também se encontra sumulada no CARF - Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARFN°2 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária " Verifica-se assim que esta autoridade julgadora não detém competência para se manifestar quanto á inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou atos normativos, prerrogativa esta outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, eis que, em matéria de direito administrativo, presumem-se constitucionais todas as normas emanadas dos Poderes Legislativo e Executivo. Sendo assim tornam-se inócuos todos os argumentos trazidos relativos à inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos administrativos, com a finalidade de reduzir ou excluir tributo. Das alegações relativas ao Mandado de Procedimento Fiscal - MPF A impugnante alegou vícios de nulidade no Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, apontando, em síntese, como irregularidades a não comunicação da inclusão do auditor Elias de Holanda Melo no MPF de a° 04.1.01.00-2010-00473-5, a falta de registro de sua prorrogação, assim como a falta de comunicação da prorrogação da fiscalização com relação à Previdência Social. No entanto, compulsando-se os autos, conclui-se que tais fatos apontados acima não procedem. Devendo, assim, ser rejeitada esta nulidade requerida. Observa-se que o MPF é a ordem especifica dirigida ao Auditor Fiscal para que. no uso de suas atribuições privativas, instaure os procedimentos fiscais de Fiscalização e de Diligência relativos às contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - SRFB. Fl. 2281DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido e terá a seguinte destinação: Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF-F) - instaurar o procedimento de fiscalização e Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência (MPF-D) -instaurar o procedimento de diligência. O Mandado de Procedimento Fiscal Especial (MPF-E) - será emitido no prazo de 5 (cinco) dias, contados da data de inicio do procedimento fiscal, nos casos de flagrante constatação de irregularidades ou a prática de infrações à legislação. previdenciária, em que o retardo do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova. O Auditor Fiscal forneceu ao sujeito passivo, para este tomar ciência do MPF, o código para a sua visualização no sítio da internet da SRFB. O código de acesso ao MPF deverá ser consignado no termo que formalizar o inicio do procedimento fiscal. Confirma-se tal procedimento no Termo de Início de Procedimento Fiscal, conforme cópia anexada ao auto de infração pelo auditor fiscal. Termo este que tem por finalidade cientificar o sujeito passivo de que ele se encontra sob ação fiscal e intimá-lo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários á verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal. Deve ser dada ciência ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, de cada alteração ocorrida no MPF, tais como prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil - AFRFB. E considerado como primeiro ato de oficio, a emissão de qualquer documento em que seja obrigatória a ciência do sujeito passivo de acordo com a legislação. Verifica-se a ocorrência de tal procedimento com a ciência pelo sujeito passivo do Termo de Intimação Fiscal n° 01, em 07/06''2010, informando a continuidade do procedimento fiscal. Este TIF n° 1, assim como todos os outros TTF's, informa em seu cabeçalho o número do MPF, assim como o seu código de acesso via internet. Verifica- se, então, que o sujeito passivo a todo o momento estava sendo informado da atividade fiscalizatória, o seu prazo de validade, o auditor fiscal responsável e os tributos por ele abrangidos. A todo Termo de Intimação Fiscal (TIF) recebido pelo sujeito passivo, era dada a informação de que o acesso ao MPF estava disponível pela internet, conforme consta bem claro no corpo destes documentos, que foram anexados pelo auditor fiscal como documentos comprobatórios. Verifica-se a informação: "O sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal utilizando o Consulta Mandado de Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, www.receita.fazenda.gov.br, onde deverão ser informados o número do CNPJ ou CPF, conforme o caso, e o código de acesso constante neste termo." Ou seja, a todo momento lhe era dado acesso a este documento, sendo cumprido o que determina a Portaria RFB 11.371 de 12/12/2007: Portaria RFB 11.371 de 12/12/2007 Art. 4° O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, dar-se-á por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o inicio do procedimento fiscal. (...) Fl. 2282DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 Art. 18. Os MPF emitidos e suas alterações permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso de que trata o art. 4º, parágrafo único, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. Além disso, conforme pode ser verificado em consulta via internet, conforme determina a legislação a respeito, consultou-se o MPF e verificou-se que o mesmo foi prorrogado primeiramente até 06/11/2010 e posteriormente até 05/01/2011, ou seja, o procedimento fiscal foi efetuado dentro do prazo de validade do MPF, sendo incabível qualquer alegação em contrário (consulta ao MPF em anexo). Igualmente, a impugnante alega que o procedimento fiscal seria inválido, pois os Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, não abrangeriam as contribuições sociais previdenciárias. Ora, entende-se que isto resta bem claro, eis que estes documentos anexados pela impugnante remetem-se à fiscalização dos tributos fazendários, quais sejam IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, realizada pelo AFRFB Roberto Pinheiro Campos Gouveia, o qual cientifica a impugnante deste procedimento. O caso em exame trata da apuração das contribuições sociais previdenciárias, realizada pelo AFRB Elias de Holanda Melo, da qual a impugnante foi devidamente cientificada através do Termo de Inicio de Ação Fiscal e do MPF em anexo aos autos, seguidos dos Termos de Intimação Fiscal, Termos de Retenção e de Devolução de Documentos e do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. Ou seja. a todo momento a impugnante estava ciente de que estava sendo fiscalizada, seja pelo MPF ou pelos sucessivos Termos de Intimação, não restando dúvida de que o procedimento está coberto pela legalidade. Outrossim a ciência dos documentos de constituição de crédito, bem como de quaisquer termos em que seja obrigatória a intimação ao sujeito passivo, deverá ocorrer dentro do prazo de validade do MPF. Isto que pode ser constatado verificando a data da ciência do Termo de Inicio de Ação Fiscal em 14/05/2010 e do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal - TEPF em 22/10/2010, estando, portanto, dentro do prazo de validade do MPF, de 10/05/2010 a 05/01/2011, conforme consulta a internet no endereço disponível para o sujeito passivo, que por ora anexamos. Pelo exposto, conclui-se que o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF foi emitido e cientificado de acordo com as normas que o regem não cabendo a nulidade da autuação, nos termos dos artigos 59 a 61 do Decreto n° 70.235 de 06/03/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Do lançamento com base no Livro Diário A Impugnante ressalta que por ser tributada com base no Lucro Presumido está dispensada da apresentação do Livro Diário e do Livro Razão. Assim alega que é totalmente descabida a obrigação de lançar mensalmente em títulos próprios a sua contabilidade. Cabe esclarecer que as empresas habilitadas à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido poderão optar por manter escrituração contábil ou manter o Livro Caixa, o qual deverá ser escriturado com toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. São também obrigadas a manter o Livro Registro de Inventário. Assim dispõe o artigo 45 da Lei n°. 8.981/95: "Art. 45. A pessoa jurídica habilitada ã opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I - escrituração contábil nos termos da legislação comercial; Fl. 2283DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 II - Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano-calendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III - em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papeis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do ano-calendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária." (grifei) Ao confeccionar, ainda que por opção própria, o Livro Diário, a empresa deve observar todas as formalidades legais e princípios atinentes à escrituração contábil, caracterizando-se como infração a desobediência a essas regras, conforme determina o Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99: "Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II - lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;" DO MÉRITO Inicialmente, cumpre destacar que é obrigação da empresa recolher as contribuições sociais devidas a seu cargo. O Decreto 3.048/99, seguindo disposição legal, prevê que a empresa é responsável pela arrecadação e recolhimento das contribuições devidas pelos segurados relativamente à remuneração recebida, ainda que indireta, dispondo sobre o assunto da seguinte forma: Decreto 3.048/99 Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: 1 - a empresa é obrigada a: a) arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração; (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 9/06/2003) Pois bem. a impugnante requer a nulidade da autuação pelo entendimento que os valores que foram retidos na competência de Dezembro 2006 são mais do que suficientes para quitar os créditos das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, colocando planilha demonstrativa dos valores apurados pela fiscalização. Entretanto, seu entendimento não merece prosperar, conforme restará demonstrado. Os valores questionados pela impugnante referem-se aos fatos geradores apurados relativos às divergências entre Folha de Pagamento e a GFIP. Tais divergências foram lançadas nos levantamentos: Fl, F11 e F12 - FOLHA DE PAGAMENTO (FPAS 515) e F2, F21 e F22 - FOLHA DE PAGAMENTO (FPAS 655), observando que o presente lançamento trata da apuração na competência 13/2006. Fl. 2284DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 Verifica-se que para a competência 13/2006 a impugnante não trouxe pagamentos que pudessem ser apropriados ao lançamento, a fim de que fossem abatidos dos valores lançados. Outrossim em consulta aos sistemas informatizados Plenus MV2, não há guia de pagamentos para esta competência (consulta em anexo). Já em relação à competência 12/2006, verifica-se no Relatório RDA -Relatório de Documentos Apresentados, que constam os documentos suscitados pela impugnante- quais sejam: DNF: RS 246.539.33 e GPS código 2100: RS 25.000,00, totalizando o valor de R$ 271.539,33, sendo que os mesmos foram devidamente apropriados ao lançamento conforme Relatório RADA - Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, o que pode ser devidamente verificado pela impugnante. Sendo assim não procedem seus argumentos neste ínterim Da consideração pela fiscalização dos valores das retenções contidos nas notas fiscais. Equivoca-se a impugnante mais uma vez, eis que todos os valores de retenção das notas fiscais foram considerados pela fiscalização. Conforme se depreende dos autos, a empresa foi intimada a apresentar notas fiscais de serviço, tendo-o feito conforme se constata através do Termo de Retenção de Documentos n° 1, onde consta a descrição das notas entregues à fiscalização, segundo o Protocolo de Entrega de Documentos. O Relatório Fiscal é claro quando ressalta, em seu item 6) relativo às Guias da Previdência Social, que todas as retenções escrituradas na conta CRÉDITOS IMPOSTOS RETIDO NA FONTE, subconta INSS n° 112.04.010007, foram apropriadas (deduzidas dos créditos ora constituído), estando relacionadas no relatório "RDA - Relatório de Documentos Apresentados ". Outrossim a fiscalização apresentou planilha com o importe das retenções no período fiscalizado, descrevendo detalhadamente, por competência, os valores considerados. Observa-se que a impugnante não trouxe nenhum documento que demonstrasse que os valores não foram considerados corretamente, que a planilha apresentada não corresponderia à realidade encontrada pela fiscalização nos documentos a ela apresentados. Segundo as regras processuais que disciplinam a distribuição do ônus da prova, a demonstração dos fatos extintivos, impeditivos e modificativos incumbe a quem os alega, portanto, à impugnante. Sobre o tema, o artigo 16, inciso III do Decreto n° 70.235/72, assim estabelece: Art. 16 A impugnação mencionará: I -a autoridade julgadora a quem é dirigida; II -a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dado pela Lei n° 8.748. de 1993) No mesmo sentido, há mandamento expresso na Lei 9.784/99, quanto ao ónus probatório, conforme segue: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 2285DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 (...) Neste ponto cabe esclarecer que durante a fiscalização foram lavrados os seguintes Autos de Infrações: DEBCAD – 37.292.472-7 (Contribuição retida dos segurados) – R$ 47.038,31; DEBCAD – 37.292.474-3 (Contribuição dos segurados –sem retenção) – R$ 777.638,20; DEBCAD – 37.292.473-5 (Contribuição Emprega em Geral) – R$ 4.042.907,33); DEBCAD – 37.292.471-9 (Contribuição para Outras Entidades e Fundos) – R$ 761.648,29. Esclareça-se então que os recolhimentos efetuados por meio de GPS bem como as retenções efetuadas das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela contribuinte foram apropriados para se chegar ao valor do tributo devido por competência nos Autos de Infrações acima listados e não somente no DEBCAD 37.292.472-7, objeto do presente processo administrativo. Conforme já exposto acima, é no relatório RDA (efls. 07/12) que consta por competência o valor total dos créditos do contribuinte por competência, que foram apropriados nos lançamentos acima efetuados. Com isso, conclui-se que a tabela elaborado pelo Recorrente (efls. 2203), em grau de recurso, não representa a realidade demonstrada pela fiscalização, uma vez que todos os recolhimentos efetuados por meio de GPS e retenções efetuadas foram aproveitados em sua integralidade nos Autos de Infrações lançados, não havendo nenhum crédito mensal no ano- calendário 2006, segundo consta em sua tabela. Ressalte-se ainda que o contribuinte devidamente intimado a identificar os valores das retenções de contribuições efetuadas pelos seus clientes que constam das Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas e sua desconsideração pela fiscalização, com a devida analise eventuais efeitos dessas retenções sobre o lançamento, não apresentou nenhuma resposta aos questionamentos efetuados. Ademais, não se incumbiu de apresentar nenhum documento seja recolhimento por meio de GPS ou de retenção efetuadas das notas fiscais de prestação de serviço para competência 13/2006, sendo esta a única competência objeto do presente Auto de Infração. Fl. 2286DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-005.314 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.722853/2010-84 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator Fl. 2287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904205/2009-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2004
RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
Recursos especial contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-009.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição. Recursos especial contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 05 /2 00 9- 16 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 9303009.268 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial do contribuinte (fls. 157/183), admitido pelo despacho de fls. 276/278, contra o Acórdão nº 3303002.493 (fls. 129/149), prolatado em 25/02/2014, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para a Cofins, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Pugna o contribuinte em seu especial que as vendas à empresas localizadas na Zona Franca de Manaus equiparamse, para fins fiscais, à receita de exportação, pelo que sobre elas não incide a COFINS. Pede, alfim, o reconhecimento do direito ao indébito e a compensação no limite do valor reconhecido. Em contrarrazões (fls. 280/291), pede a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso especial do contribuinte nos termos em que admitido. A matéria já está pacificada nesta Turma ante os termos do Parecer PGFN/CRJ nº 20166 e a autorização dada pelo Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16/11/2017. O referido Parecer tratou da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas sediadas na ZFM e, tendo em vista decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), nele citadas e as respectivas ementas transcritas, concluiu literalmente: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 9303009.268 CSRFT3 Fl. 4 3 "Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase que o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional expeça ato declaratório que autorize a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais pautadas no entendimento de que não há incidência de PIS/COFINS sobre receita decorrente de vendas de mercadorias de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por oportuno, propõese, ainda, a seguinte nova redação para o item constante da Lista de Dispensa: 1.31 PIS/ COFINS l) Venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus Precedentes: ADI 2.3489/ DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. Resumo: Ao apreciar a cautelar na ADI 2.3489/ DF, o STF, por unanimidade, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, constante do art. 14, § 2º, I, da MP nº 2.03724/ 00 (que afastava da isenção de PIS/COFINS na exportação para o exterior a receita de vendas efetuadas a empresa estabelecida na ZFM), por violação ao art. 40 do ADCT (que teria estabilizado o art. 4º do DL nº 288/67. A partir de então, ou seja, na MP nº 2.03725/ 00, editada em dezembro/2000 (hoje art. 14 da MP nº 215835/ 01), a ressalva à Zona Franca de Manaus foi suprimida. Nesse cenário, o STF firmou, em sede de RE, o entendimento de que a controvérsia acerca da incidência do PIS/COFINS sobre a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus se restringe ao âmbito infraconstitucional, enquanto o STJ e os TRF firmaram o entendimento de que, por força dos arts. 5º da Lei nº 7.714/88, 7º da Lei complementar nº 70/91 e 14 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 4º do DL nº 288/67, não incide PIS/COFINS sobre a receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoa jurídica sediada na Zona Franca de Manaus, pois se trataria de operação equiparada a exportação (art. 4º do DL nº 288/67). ... De sua feita, o aludido Ato Declaratório dispôs: “DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 9303009.268 CSRFT3 Fl. 5 4 mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade'.”. Em consequência, deve provido o recurso do contribuinte diante dos atos administrativos referidos e exarados pela própria PGFN. DISPOSITIVO Forte no exposto, conheço e provejo o recurso do contribuinte para declarar que sobre as receitas decorrentes de vendas à empresas localizadas na Zona Franca de Manaus não incide COFINS. Ressalvase o direito da unidade local certificarse da certeza e liquidez do crédito pugnado e a compensação no limite do indébito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 9303009.268 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.006269/2010-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. NÃO DEPENDENTE
A dedução de despesas médicas da base de cálculo do IPRF restringe-se àquelas incorridas com o tratamento do próprio declarante, ou de seus dependentes, assim considerados aqueles que tenham sido validamente informados na DIRPF revisada.
Numero da decisão: 2001-001.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. NÃO DEPENDENTE A dedução de despesas médicas da base de cálculo do IPRF restringe-se àquelas incorridas com o tratamento do próprio declarante, ou de seus dependentes, assim considerados aqueles que tenham sido validamente informados na DIRPF revisada.
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GLOSA. NÃO DEPENDENTE A dedução de despesas médicas da base de cálculo do IPRF restringe-se àquelas incorridas com o tratamento do próprio declarante, ou de seus dependentes, assim considerados aqueles que tenham sido validamente informados na DIRPF revisada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honório Albuquerque de Brito (Presidente), Marcelo Rocha Paura e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 62 69 /2 01 0- 41 Fl. 136DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.309 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.006269/2010-41 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2007, ano-calendário de 2006, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário em decorrência da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 2.191,26. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que a despesa de R$ 1.727,26 refere-se à filha da interessada, incapacitada física ou mentalmente para o trabalho, aduzindo que houve erro no preenchimento da DIRPF por deixar de incluir essa dependente. A DRJ Fortaleza, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => quanto às despesas médicas: Benício Oton de Lima - R$200,00, Alba Lenora G S Passos - R$184,00; e ISMOT Inst Santa Mônica de Ortop e Traumatologia Ltda - R$80,00, não foram contestadas. Tratam-se, pois, de matérias não impugnadas, pelo que, não serão objeto de decisão no presente processo, nos termos do art. 17 do Decreto nº70.235, de 1972. => quanto à despesa médica no valor de R$ 1.727,26 - Fundação Assistencial Servidores do MF, a glosa decorreu do fato de ter sido incorrida com terceiro, e a interessada não informou nenhum dependente na DIRPF revisada (fls. 67/73), fato corroborado pela defesa. Do exposto, considerando que dedução de despesas médicas da base de cálculo do IRPF restringe-se àquelas incorridas com o tratamento do próprio declarante, ou de seus dependentes, ex vi do inciso II do § 1º do art. 80- do Decreto nº 3.000, de 1999, impõe-se a manutenção da glosa. Em sede de Recurso Voluntário, a contribuinte volta a apresentar suas razões para o reconhecimento das despesas médicas, sustentando que não inseriu a dependente por erro de fato e desconhecimento. É o relatório. Voto Conselheiro Fernanda Melo Leal, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Merece ser ratificado, mais uma vez que as despesas médicas: Benício Oton de Lima - R$200,00, Alba Lenora G S Passos - R$184,00; e ISMOT Inst Santa Mônica de Ortop e Traumatologia Ltda - R$80,00, não foram contestadas. Tratam-se, pois, de matérias não Fl. 137DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.309 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.006269/2010-41 impugnadas, pelo que, não serão objeto de decisão no presente processo, nos termos do art. 17 do Decreto nº70.235, de 1972. Não fazem, pois, parte de analise deste acórdao. Mérito - Glosa de despesas com não dependentes Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados, com despesas próprias ou de seus DEPENDENTES para fins fiscais. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º - O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II - restringe-se aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Conforme fora registrado anteriormente, a despesa de R$ 1.727,26 - Fundação Assistencial Servidores do MF foi glosada por ter sido incorrida com terceiro, e a interessada não informou nenhum dependente na DIRPF revisada (fls. 67/73), fato corroborado pela defesa. De acordo com a lei a dedução de despesas médicas da base de cálculo do IRPF restringe-se àquelas incorridas com o tratamento do próprio declarante, ou de seus Fl. 138DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.309 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.006269/2010-41 dependentes, ex vi do inciso II do § 1º do art. 80- do Decreto nº 3.000, de 1999, impõe-se a manutenção da glosa. Assim, em que pese a afirmativa da Recorrente de que teria incorrido em erro material ao deixar de informar a dependente na DIRPF revisada e o seu pleito para de retificação de declaração, esse pedido é insuscetível de apreciação por essa instância administrativa de julgamento. Inteligência do art. 233 da Portaria MF nº 203/2012, que aprova o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil. É importante destacar que o principio de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza possui uma aplicabilidade geral, em qualquer seara do Direito. Em uma definição bem singela, pode-se dizer que o princípio "ninguém pode se beneficiar da própria torpeza" refere-se a questão de que nenhuma pessoa pode fazer algo incorreto e/ou em desacordo com as normas legais e depois alegar tal conduta em proveito próprio. Além disso, resta positivado na legislação tributária o Princípio da Responsabilidade Objetiva - art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN - Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966). Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, busca-se a realidade dos fatos, desprezando-se as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisá-lo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. Fl. 139DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.309 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.006269/2010-41 No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Soma-se ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolver-se em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontra-se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando-se na fundamentação clara e objetiva apresentada tanto pelas autoridades fiscais como na decisão da DRJ, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantida a glosa das despesas médicas em análise. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.913042/2009-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 14/08/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972. Demonstrada a intempestividade nos autos, não se conhece do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.823
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972. Demonstrada a intempestividade nos autos, não se conhece do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 30 42 /2 00 9- 85 Fl. 94DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-000.823 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.913042/2009-85 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão 08-20.218 da DRJ/FOR, que manteve integralmente o indeferimento do pedido de restituição e, consequentemente, a não homologação da compensação vinculada. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "O Contribuinte, supraqualificado foi cientificado do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (DRF/FORTALEZA), fls. 06, através do qual o Titular da Unidade de Jurisdição do . Sujeito Passivo, após apreciar o PER/DCOMP COM DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO, relativo a DARF, com dados ali discriminados, concluiu pela não homologação da compensação. declarada no citado PER/DCOMP: Tal indeferimento se deveu às razões a seguir descritas: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados no citado Despacho Decisório, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformado com o citado Despacho Decisório de fls. 06, do qual tomara ciência em 23/10/2009 (sexta-feira), fls. 41, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 23/11/2009, fls. 10, 11 5 argumentando a insubsistência e improcedência do indeferimento do seu Pleito, alegando em síntese: A Pessoa Jurídica identificada quitara o débito de R$ 155.948,25, referente • a COFINS NÃO-CUMULATIVO, código 5856-01, relativo ao período de apuração de 31/07/2006, através de DARF no valor de R$ 184.688,67, em 14/08/2006, conforme anexo. Dessa forma, foi pago o valor a maior de R$ 28.740;42. Existindo o crédito, foi solicitada a compensação no valor de R$ 28.740,42, referente ao valor pago a maior que fora utilizado para pagamento de débitos de COFINS — Não Cumulativa, código 5856-01 de junho/2004, no valor de R$ 8.319,06 mais juros e multas, totalizando o valor de R$ 14.620,66, e também para pagamento de débito de optante pelo lucro real/estimativa mensal, código 5993-01, de dezembro/2004, no valor de R$ 12.129,73 mais juros e multas, totalizando o valor de R$ 20.362,17, através da PER/DCOMP 07052.90200.220708.1.3.04-1860,: de conformidade com a legislação vigente à época, conforme demonstrado, fls. 11, havendo anexado documentos à sua Defesa." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR) julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 95DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-000.823 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.913042/2009-85 Ano-calendário: 2006 DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte; por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova do erro alegado, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sequência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (52/56), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontra-se dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23-B do RICARF. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário dentro de trinta dias, contados da ciência do Acórdão recorrido, de acordo com o estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O mesmo diploma legal dispõe sobre a regra geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, assim como sobre a definitividade das decisões administrativas, respectivamente, no art. 5 e no art. 42, que se transcreve: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindo-se, na sua contagem, o dia de início e incluindo-se o dia do vencimento. Fl. 96DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-000.823 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.913042/2009-85 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) No presente caso, a ora recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 28/03/11, segunda-feira, conforme Aviso de Recebimento (AR) (fl. 50). Logo, o prazo de 30 dias para a interposição de recurso iniciou-se em 29/03/11 e finalizou-se em 27/04/11, quarta- feira. Todavia, a recorrente somente apresentou seu recurso em 28/04/11, conforme Carimbo de Recebimento (fl. 52), ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto na legislação para sua apresentação. Desta forma, tendo o contribuinte apresentado o Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não houve o cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, estando, portanto, tal recurso intempestivo e não devendo ser conhecido por este Colegiado, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.010696/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO JULGAMENTO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBREPOSIÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. UNICIDADE DA JURISDIÇÃO.
Havendo coisa julgada em favor do Contribuinte, não há espaço para que se faça uma análise diferente daquela exarada pelo Poder Judiciário, sendo necessária sua simples aplicação. Afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa.
PIS. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. ENTRE COOPERATIVA E ASSOCIADOS OU OUTRAS COOPERATIVAS. ART. 79 LEI 5.764/71. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS. INAPLICABILIDADE.
Restando provado nos autos que a receita da cooperativa que foi objeto de lançamento tributário decorre da prestação de serviço à terceiras pessoas jurídicas, as quais não são seus cooperados ou outras cooperativas, incabível se falar em não tributação pela Contribuição ao PIS e pela COFINS.
Numero da decisão: 3402-006.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO JULGAMENTO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBREPOSIÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. UNICIDADE DA JURISDIÇÃO. Havendo coisa julgada em favor do Contribuinte, não há espaço para que se faça uma análise diferente daquela exarada pelo Poder Judiciário, sendo necessária sua simples aplicação. Afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa. PIS. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. ENTRE COOPERATIVA E ASSOCIADOS OU OUTRAS COOPERATIVAS. ART. 79 LEI 5.764/71. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS. INAPLICABILIDADE. Restando provado nos autos que a receita da cooperativa que foi objeto de lançamento tributário decorre da prestação de serviço à terceiras pessoas jurídicas, as quais não são seus cooperados ou outras cooperativas, incabível se falar em não tributação pela Contribuição ao PIS e pela COFINS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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APLICAÇÃO DO JULGAMENTO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBREPOSIÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. UNICIDADE DA JURISDIÇÃO. Havendo coisa julgada em favor do Contribuinte, não há espaço para que se faça uma análise diferente daquela exarada pelo Poder Judiciário, sendo necessária sua simples aplicação. Afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa. PIS. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. ENTRE COOPERATIVA E ASSOCIADOS OU OUTRAS COOPERATIVAS. ART. 79 LEI 5.764/71. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS. INAPLICABILIDADE. Restando provado nos autos que a receita da cooperativa que foi objeto de lançamento tributário decorre da prestação de serviço à terceiras pessoas jurídicas, as quais não são seus cooperados ou outras cooperativas, incabível se falar em não tributação pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 06 96 /2 00 7- 93 Fl. 266DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010696/2007-93 Trata-se de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de São Paulo, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, sobre crédito relativo à Contribuição ao PIS e a COFINS. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Trata-se de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe, referente aos períodos de apuração janeiro/2003 a dezembro/2004, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 4/8 e 10/15 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo), no montante total de R$ 992.638,64. Na Descrição dos Fatos, o auditor fiscal fundamenta o lançamento de ofício nos seguintes termos: Durante o presente procedimento fiscal, foram constatadas divergências entre os valores declarados em DCTF e/ou pagos pelo contribuinte e os valores devidos da COFINS apurados por esta fiscalização, a partir do montante das receitas mensais da prestação de serviços constantes das Notas Fiscais emitidas nos anos-calendário de 2003 e 2004, requisitadas por esta fiscalização no curso desta ação fiscal e prontamente exibidas pelo contribuinte. Por conseguinte, o lançamento objeto do presente Auto de Infração decorre do fato de o contribuinte não ter recolhido os valores devidos dessa contribuição, como também deixou de declarar nas DCTFs dos períodos correspondentes os débitos devidos do PIS, em observância ao que prescreve a legislação tributária vigente. Dessa forma, no presente lançamento de ofício estão sendo lançadas as diferenças apuradas neste procedimento tendo em vista a constatação de tal irregularidade, sendo que essas diferenças do PIS aqui levantadas constam de demonstrativos de apuração que também integram o presente Auto de Infração. Com efeito, acham-se adunados aos presentes autos a planilha elaborada e exibida pelo contribuinte relativa ao ano-calendário de 2004, cujos valores coincidem com os apurados por esta fiscalização, como também as planilhas demonstrativas das diferenças apuradas por esta fiscalização nesses dois anos, declaração de rendimentos dos dois exercícios fiscalizados (DIPJs/2004 e 2005), além de outros elementos, que comprovam a ocorrência da infração aqui apontada. Cientificada dos autos de infração em 19/09/2007, a contribuinte apresentou impugnação em 16/10/2007 (fls. 176/192), na qual, depois de dizer da tempestividade de sua defesa, alega que: a autuação não destacou, nem mesmo levou em conta o devido tratamento do ato cooperativo e a sua separação dos atos não-cooperativos, resultantes da prática da contribuinte, o que resultou em considerações e conclusões injustas e em descompasso com a lei, com a Constituição Federal e com a jurisprudência; o lançamento de ofício vai de encontro com as disposições do art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, que definiu o que é ato cooperativo, conceito este que não pode ser alterado pela legislação tributária por tratar-se de Direito Privado utilizado na Constituição Federal para limitar competências tributárias (art. 110 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional); ato cooperativo, nas cooperativas de trabalho, como é o caso da impugnante, não se desnatura por envolver o cliente, nem pode a lei ser interpretada de forma diferente em relação às cooperativas de outro ramo. Ato cooperativo é todo ato praticado pela sociedade em função do cumprimento de seu papel social; a contribuinte realiza negócios-fim, que consistem na disponibilidade aos cooperados do mercado de trabalho inerente à prestação de serviços médicos aos usuários, e Fl. 267DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010696/2007-93 negócios-meio, que consistem nas contratações que realiza em nome de seus associados, visando cumprir os objetivos da sociedade. Como atos imprescindíveis ao cumprimento de seus objetivos sociais, ao seu funcionamento, os atos auxiliares (assim como os acessórios) são atos cooperativos, enquadrando-se na previsão normativa do art. 79, da Lei nº 5.764, de 1971; – já que esse assunto está sendo julgado pelo Poder Judiciário competente, não se pode perder de vista que a Cofins, que tem como base de cálculo o faturamento, não incide sobre as cooperativas, porque estas não desempenham atividades com o intuito de auferir lucro e nem têm faturamento. É caso de não incidência. A sociedade cooperativa não tem receita nem despesa. A movimentação de recursos que é ligada ao seu objeto social é, em última análise, movimentação de recursos dos cooperados. Não tendo receita, a autuada não tem faturamento; da Cofins, deve-se decodificar esse termo, por meio de interpretação sistemática que considere toda a estrutura do direito cooperativo, compreendendo-se tão-somente no caso de existência de receita pela prestação de serviços a não cooperados, ou seja, no caso, somente se a contribuinte utilizasse profissional de medicina alheio a seu quadro de cooperados; nciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70, de 1991, veiculasse efetivamente uma isenção, seria até desnecessário, pois a incidência se verifica pela ausência, nas relações de fato, da implicação normativa que faz nascer a relação jurídica. A revogação, portanto, não altera – e nem poderia alterar – essa circunstância; os valores cobrados são irregulares, inexatos, injustos e ilegais, pois a base de cálculo eleita pela fiscalização foi todo o faturamento da cooperativa, que, além dos argumentos acima referidos, engloba inexoravelmente atos cooperativos, que estão indubitavelmente fora do campo de incidência da tributação (cita-se a legislação previdenciária – Lei nº 9.876, de 1999, art. 22, inciso IV, bem como a Orientação Normativa nº 20, de 21/03/2000, do Secretário de Previdência Social); mediante ação judicial (processo nº 2005.81.00.016096-3 – 5ª Vara Federal no Ceará), requereu, dentre outros pedidos, a suspensão da exigibilidade da Cofins em questão, mediante a realização dos depósitos judiciais da contribuição cobrada, conforme art. 151, inciso II, do CTN. Tais depósitos vêm sendo realizados desde então. Assim, houve sim o pagamento do PIS/Pasep relativo ao período objeto da autuação. A bem da verdade, ocorreu equívoco na realização dos depósitos, uma vez que o primeiro depósito autorizado contemplou diversos meses objeto do processo judicial, não estando individualizados, mas compondo uma única guia referente ao período de 2003 até meados de 2005. De acordo com o levantamento feito com os documentos que serviram de base de cálculo, o valor foi pago na íntegra – mesmo sem considerar a não incidência ou a separação dos atos não-cooperativos –, ou seja, certamente o depósito é imensamente maior em relação à quantia devida, se devida fosse, o que não é. Dessa forma, não procede a autuação fiscal, uma vez que a exigibilidade está suspensa." A impugnante cita, durante sua argumentação, jurisprudência sobre o conceito de ato cooperativo e a incidência da Cofins sobre eles. Ela também requer a realização de perícia para verificação dos atos cooperativos e a não incidência tributária, indicando seu perito e expondo os quesitos que entende devam ser respondidos, bem como requer a adoção dos expedientes necessários com vistas a proceder à devida alocação das quantias que foram efetivamente depositadas, de modo que se opere a regularização do suposto débito em questão, até a decisão judicial transitada em julgado. Fl. 268DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010696/2007-93 Por fim, a autuada protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, tais como juntada posterior de documentos e especialmente por perícia, como requerido. Sobreveio então o Acórdão da 6ª Turma da DRJ/SPO, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO INCIDÊNCIA. A partir de 1º de novembro de 1999, as sociedades cooperativas estão sujeitas à Cofins sobre o seu faturamento, como determinado pela Lei nº 9.718, de 1998, independentemente de este resultar de atos cooperativos e/ou de atos não cooperativos. DISCUSSÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia à discussão administrativa sobre a mesma matéria, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade a quem caberia o julgamento. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 234 a 247) a este Conselho, requerendo: a) a reforma da decisão, com a anulação e cancelamento do AI por conter cálculos inexatos, e pelo fato de não separar atos cooperativos de atos não-cooperativos, de acordo com os seus argumentos e com as disposições do art. 79, da Lei 5.764/71; b) a anulação e cancelamento do AI em razão da decisão judicial transitada em julgado, a qual determina que sobre os atos cooperativos contidos na produção apresentada pela Coopanest-CE não devem incidir a Cofins o PIS; c) subsidiariamente, seja realizada a produção de prova pericial para exame de ingressos e dispêndios, separação de atos não-cooperativos de atos cooperativos e prova do alegado, sob pena de cerceamento do direito de defesa da contribuinte recorrente, devidamente resguardado pelo art. 5º, LV, da Constituição Federal. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora De acordo com o despacho de fls 264, o recurso é tempestivo, bem como os demais requisitos de admissibilidade encontram-se devidamente preenchidos, de modo que passo a apreciação do mérito. Conforme se depreende do relato acima, a questão de direito discutida nesses autos é a conhecida dicotomia entre atos cooperativos e não cooperativos, para fins de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nos presentes autos, trata-se da cobrança da COFINS, via auto de infração cuja notificação foi feita em 11/07/2007, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004 (fls 6), mediante a seguinte motivação: Fl. 269DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010696/2007-93 Como é consabido, a Contribuição ao PIS e a COFINS possuem legislação análoga, de modo que todas as conclusões referente à cobrança de uma contribuição é aplicável a outra. Disto, percebe-se que este processo é gemelar ao PAF 10380.010697/2007-38, no qual este mesmo Colegiado, nesta mesma data, está a julgar a cobrança da Contribuição ao PIS. Tanto que a base da defesa da Contribuinte é a mesma, e o julgamento perpassa o quanto decidido pelo Poder Judiciário (TRF da 5ª Região) no Processo nº 2005.81.00.016096-3 (0016096-88.2005.4.05.8100), dando origem decisão transitada em julgado em 13/05/2013. Mas, diferentemente do que ocorrera no PAF 10380.010697/2007-38, este processo não teve diligência realizada para fins de separação dos atos cooperativos daqueles não cooperativos, de maneira a dar cumprimento da citada ordem judicial. Assim, seria o caso de, nesse momento processual, fazê-lo. Entretanto, ambos os processos administrativos fiscais (esse, relativo à COFINS, bem como o de n. 10380.010697/2007-38, atinente à Contribuição ao PIS) foram distribuídos a essa Relatora, e podem ser julgados conjuntamente, aproveitando-se os atos lá praticados, sempre tendo em vista a eficiência e a celeridade que nos guiam, sem com isso prejudicar a certeza e os direitos do administrado, conforme determina o caput e o inciso IX do artigo 2º da Lei n. 9.784/99, nos seguintes dizeres: Art. 2 o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; Pois bem. Conforme se depreende do PAF n. 10380.010697/2007-38, justamente para que fosse possível a aplicação do Acórdão do TRF da 5ª Região em favor da Recorrente, a autoridade fiscal de origem foi instada a efetuar a separação entre os atos cooperativos e não cooperativos. Fl. 270DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010696/2007-93 Para tanto, naquele processo, a DRF analisou as Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Recorrente no período atuado, constatando que figuraram como tomadores desses serviços somente pessoas jurídicas: Planos e Seguros de Saúde, Hospitais, Fundações de Seguridade Social, órgãos públicos, além de outras empresas congêneres. Ou seja, percebeu-se que, apesar de ter decisão judicial em seu favor, a Recorrente não pode utilizá-la no presente processo administrativo, uma vez que os fatos aqui tratados não se amoldam à tutela concedida judicialmente. Explico. Na Ação Ordinária de n. 0016096-88.2005.4.05.8100, foi proferida decisão assegurando a tutela requerida pela Contribuinte, mediante Acórdão do TRF da 5ª Região com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA. COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECEITA E FATURAMENTO. ATOS COOPERATIVOS. SOCIEDADE COOPERATIVA. RESULTADOS PARTILHADOS PELOS COOPERADOS. 1. Cuida-se a espécie de AÇÃO DECLARATÓRIA proposta por sociedade cooperativa com o desiderato precípuo de obter o reconhecimento de inexistência de relação jurídica tributária que a obrigue a recolher COFINS, contribuições ao PIS e CSLL sobre os valores que movimenta no exercício dos atos tipicamente cooperativos. Essa pretensão foi julgada improcedente e os autos subiram para apreciação da apelação. 2. A possibilidade de a Lei Complementar n.º 70/91 ser modificada por lei ordinária, a sujeição passiva das sociedades cooperativas às contribuições sociais e o alcance dos atos cooperativos para fins tributários são pontos que receberão interpretação uniformizadora sob a perspectiva constitucional (RE 672215, 597315 e 598085). Todavia, enquanto não sobrevierem tais pronunciamentos, as apelações não ficam sobrestadas, podendo esta eg. Corte local prosseguir no seu mister jurisdicional, aplicando, inclusive, a jurisprudência consolidada na Quinta Região. 3. PEDIDO DE CASSAÇÃO DA SENTENÇA: I. Suscita, a parte autora, a omissão do julgado recorrido no tocante à impossibilidade de incidirem contribuições sobre atos cooperativos, sobretudo porque a questão exigiria produção de prova pericial, sem a qual não se poderia determinar os atos submetidos ou excluídos da tributação. II. Certamente, a produção do exame técnico propiciaria uma compreensão mais precisa da atividade desenvolvida pela parte, mas três observações são obstantes ao pleito: a) a prova não ultrapassa esse campo de facilitação do trabalho, não sendo imprescindível para a decisão; b) o pedido não foi formulado em primeiro grau, quando as partes foram instadas a apontar as provas que ainda pretendiam produzir, consoante atestam as fls. 64 e 65, verso; e c) a petição inicial sequer discrimina as atividades que pretende identificar como atos cooperativos, limitando-se a afirmar, em tese, o que poderia ser ato típico e ato auxiliar. O problema é que o Judiciário resolve a lide ou elimina a ameaça de lesão a direito, sem margem para consultas hipotéticas. III. Consolida-se, assim, a preclusão temporal, cujo consectário é a impossibilidade de pretender desincumbir-se posteriormente do ônus probatório e do ônus de especificar os fatos e fundamentos de sua demanda. E como ônus que é, cumpre a parte responsável suportar desfavoravelmente eventuais lacunas na formação da convicção do magistrado. IV. Sendo assim, proclamadas as teses neste julgamento, o Fisco poderá ainda realizar o exame concreto de comparação dos atos efetivamente praticados pela sociedade autora com os termos em que for assegurada a tutela. V. Neste passo, rejeita-se a preliminar de nulidade da sentença, seja por cerceamento de defesa, seja por eventual violação ao princípio da congruência (decisão citra petita), tendo em vista que a lide foi decidida nos contornos propiciados pelas partes. Fl. 271DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-006.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010696/2007-93 4. PEDIDO DE REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA: I. Postula-se uma tutela declaratória, capaz de delinear os contornos da relação jurídica tributária, afirmando-se quais atos não ensejam a obrigação tributária, quais constituem fatos geradores e em que medida as relações entre cooperativa e terceiros possuem relevo para as contribuições que foram controvertidas (COFINS e contribuição ao PIS, consoante limites da apelação). II. O aspecto subjetivo que caracteriza o ato cooperativo é a relação entre cooperativas e, também, entre cooperativa e associados. O legislador ordinário atento a isso ressalvou, no artigo 86 da Lei, casos diversos, deixando claro: Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Nesta relação com terceiros, os não associados, discriminou-se a repercussão tributária do negócio jurídico: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. III. A leitura destes artigos não pode dispensar um exame mais profundo do art. 86. O terceiro não associado a que se refere a lei certamente não são os pacientes beneficiários dos serviços de saúde, pois estes recebem o atendimento por intermédio da sociedade cooperativa. Justamente pelo controle que a entidade possui desses serviços é que se viabiliza a posterior distribuição proporcional dos ganhos obtidos entre os cooperados. Nestes casos, não há dúvida de que se está a tratar de atos cooperativos. IV. Conquanto os artigos 86 e 87, assim como o 111, da Lei n.º 5.764, refiram-se, sim, ao envolvimento de terceiros com a cooperativa, o objetivo não era outro senão o de aludir aos profissionais que não se associarem à cooperativa, mas que se beneficiam dela de alguma forma ou que com ela contratam sem integrar-se ao corpo societário. Com esse entendimento sobre o terceiro, no sentido de profissional não associado, é que se compreende a necessidade de promover contabilidade apartada, com consequente tributação específica. V. Veja-se que a lei não afirma expressamente não ser tributável o ato típico da cooperativa, porque essa exigência somente se faria necessária no caso de isenção, é dizer, quando, em princípio, a relação tributária se forma, mas o Estado defere o benefício da dispensa o adimplemento. Trata-se, na realidade, de não incidência. A materialidade da hipótese legal não se verifica, a obrigação exacional sequer chega a existir, não se aperfeiçoa. O fato não possui relevância para as contribuições sociais. Por isso, compreende-se que a lei se ocupou de afirmar quando estaria caracterizada a tributação da cooperativa, pois, do contrário, bastaria a regra geral, já estabelecida, de não incidência sobre os atos cooperativos. VI. Para prosseguir na demonstração da falta de tipicidade da conduta da cooperativa, conjugue-se ao aspecto subjetivo do ato cooperativo – cuidado até agora – ao aspecto objetivo, que caracteriza a atividade destas sociedades simples. VII. Enquanto a COFINS e a contribuição para o PIS haurem seu fundamento de validade no art. 195, I, b, da CRFB/88 (e art. 239), como tributos sobre a receita ou faturamento, a rigor as cooperativas não dão ensejo à incorporação desse patrimônio, necessária a caracterização dessas espécies de entradas. Em reverência à necessidade de precisão das explicações, convém ceder espaço à doutrina: “[...] os resultados econômicos positivos, obtidos com a prática de atos cooperativos, não são integrados ao patrimônio da entidade, mas distribuídos entre os cooperativados, na proporção das atividades por eles desenvolvidas. [...] Noutros termos, os valores arrecadados pela cooperativa são transferidos aos cooperativados, deduzidas, apenas, as despesas de administração” (CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário, 24ª ed. São Paulo: Malheiros, 2008. p. 911.). VIII. Dessa feita, se o constituinte originário determina conferir “adequado tratamento tributário” ao ato cooperativo (art. 146, III, c, da CRFB/88), não se poderá perder de Fl. 272DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-006.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010696/2007-93 vista, nesta particularização, que “os resultados econômicos – quer positivos, quer negativos – não permanecem na sociedade; antes, sempre retornam ao associado” (Ibidem, p. 912.). Assim, não haverá mesmo a base econômica das contribuições ao PIS e da COFINS. IX. Em síntese de todo o exposto, não incidem a COFINS e a contribuição ao PIS em relação aos atos cooperativos, sendo estes os realizados internamente entre cooperados e cooperativa, assim como entre sociedades desta natureza. Todavia, havendo interferência de terceiros nessa relação, não haverá ressalva na tributação. Nesse sentido, há, inclusive, precedente da Primeira Seção do col. Superior Tribunal de Justiça: REsp 591298/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro CASTRO MEIRA, julgado em 27/10/2004, DJ 07/03/2005, p. 136. X. Em acessão, algumas ressalvas importantes são feitas por este Tribunal Regional da 5ª Região à regra de que, necessariamente, todo ato praticado pelos cooperados, por intermédio da cooperativa, sejam atos típicos. Na jurisprudência desta eg. Corte, não se tolera mascarar atos de mercado dentre as atividades societárias (Confira-se, a propósito, a AR5547/CE, DESEMBARGADOR FEDERAL RUBENS DE MENDONÇA CANUTO – convocado, PLENO, TRF5, DJE 10/11/2010, p. 16). XI. Sob esse ângulo, a Fazenda Nacional poderá examinar o conteúdo dos atos da cooperativa, para que se resguarde a pertinência com a finalidade destes de prestar “toda assistência cooperativista e administrativa a seus associados pelos seus serviços médicos de anestesia”, nos termos do estatuto social (fl. 30), sob pena de, desprendendo-se, sofrer a imposição tributária. 5. Sucumbência recíproca resultante da impossibilidade de aferição dos atos concretos praticados pela entidade. Apelação parcialmente provida." (g.n.) Havendo coisa julgada em favor do Contribuinte, não há espaço para que se faça uma análise diferente daquela exarada pelo Poder Judiciário, sendo necessária sua simples aplicação. Afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa, em razão da unicidade da jurisdição adotada no sistema brasileiro. De toda sorte, a decisão proferida em favor da Contribuinte vai no mesmo sentido da jurisprudência desse Conselho, bem sintetizado no Acórdão n. 3401005.455, 1 nos seguintes termos: O conceito de ato cooperativo, por seu turno, encontra arrimo no artigo 79 da Lei 5.764/71: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. 1 Esse é também o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 30/12/2004 COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. LEI 5.764/71. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. Recursos Especiais nºs 1.164.716 e 1.141.667. Precedentes STJ." (Número do Processo 11060.002303/2006-72 Data da Sessão 20/09/2017 Relator Demes Brito Nº Acórdão 9303-005.786 - Unânime - grifei) Fl. 273DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-006.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010696/2007-93 Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Vê-se que o chamado ato cooperativo é aquele praticado entre a cooperativa e seus associados, ou seja, atos "típicos", "diretos","internos", conforme dicção do caput do artigo 79 acima, estes, não implicando operação e mercado, leia-se, ato de mercancia, assim entendido, uma mudança de titularidade de um bem (material ou imaterial) a um terceiro não associado, de acordo com a exegese do parágrafo único, do mesmo dispositivo legal. Entrementes, esta disposição não é isentiva, mas declaratória da nãoincidência, como, precisamente, nos ensina o professor Renato Lopes Becho, in RDDT 41/85. Deste modo, se a Cooperativa presta um serviço para si mesma, ou melhor dizendo, para seus associados, não há se falar em faturamento ou receita típica para fins de incidência da COFINS. Haverá prestação de serviços quando houver uma obrigação de fazer, um facere para um terceiro neste caso, um terceiro tomador dos serviços, não associado da cooperativa , que, no caso, não há, repete-se. A Lei 5.764/71 esclarece que ato praticado por cooperativos a terceiros não associados é renda tributável: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. Por outro lado, a Resolução CFC 920/2001, aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 10 - Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas Entidades Cooperativas NBC T 10.8, merecendo destaques: 10.8.1.2 – Entidades Cooperativas são aquelas que exercem as atividades na forma de lei específica, por meio de atos cooperativos, que se traduzem na prestação de serviços diretos aos seus associados, sem objetivo de lucro, para obterem em comum melhores resultados para cada um deles em particular. Identificam-se de acordo com o objeto ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas, ou por seus associados. 10.8.1.4 – A movimentação econômico-financeira decorrente do ato cooperativo, na forma disposta no estatuto social, é definida contabilmente como ingressos e dispêndios (conforme definido em lei). Aquela originada do ato não-cooperativo é definida como receitas, custos e despesas. Já o Poder Judiciário, por seu turno, seja pelo STJ (AgRg no Ag 1.418.104/MG, DJe 14/09/2015; EDcl no REsp. 1.382.587/ES, DJe 04/08/2015; AgRg no AREsp. 674.512/SP, DJe 18/05/2015; REsp. 600.458/MG, DJe 17/04/2015), seja por meio do STF (RE 598.085/RJ; RE 599.362/RJ, estes julgados no mérito de repercussão geral, temas 177 e 323, respectivamente), entenderam de maneira pacificada que os atos praticados por cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos, revelando-se uma atividade empresarial típica (escusas pela repetição desta expressão, também usada para ato cooperativo, porém, de toda proposital, convencido que são atividades típicas, contudo, diversas, cada qual para seus respectivos segmentos), cuja receita auferida está no campo de incidência do PIS e da Fl. 274DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-006.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010696/2007-93 COFINS. Logo, por exclusão, não há incidência das contribuições nos atos cooperativos. (...) De acordo com o artigo 62, § 2° do RICARF2 , diante de decisões de definitivas de mérito em repercussão geral proferidas pelo STF e de repetitivos pelo STJ, deverãoserreproduzidaspelosconselheirosnojulgamentodosrecursosnoâmbitodoCARF(... ) Pois bem. No presente caso, tratando-se de cooperativa de serviços médicos, é fácil concluir que as receitas ora sob análise advêm de atos não cooperativos, uma vez que um dos polos da relação é, sempre, pessoa estranha aos quadros associativos da cooperativa, ou outra cooperativa. É o que ficou demonstrado pelo relatório fiscal de fls. 485/486 do PAF 10380.010696/2007-93. Por conseguinte, tal receita deve ser tributada pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Ressalto que com isso não se infirma que a Cooperativa, em situações como a presente, esteja atuando em prol de seus cooperados. Afirma-se tão somente que, pela lei, impõe- se a tributação. Este tema foi bem exposto no Acórdão n. 3302001.765: O mecanismo, a meu ver, tem por fim evitar a dupla incidência tributária sobre mesmos valores. No âmbito das relações entre cooperativa e cooperados é afastada a tributação porque, na relação entre a cooperativa e terceiros, há incidência tributária. Se a cooperativa age sempre em benefício dos cooperados, os valores que recebe de terceiros serão repassados aos cooperados. Neste repasse não há incidência tributária, porque no fluxo financeiro de terceiros para a cooperativa o ônus fiscal já foi cobrado. Importa ressaltar, que a realização de atos entre as cooperativas e terceiros é perfeitamente legal, quando tem por finalidade o benefício dos seus cooperados (afinal, este é o objeto social da cooperativa, em última análise). Logo, não se está aqui a discutir se os atos praticados pela Recorrente, com terceiros não cooperados, são legais ou não. Não se discute que tais atos foram realizados em benefício dos cooperados. O que se está a analisar é se, nestas operações é cabível a incidência tributária. Conforme mencionado acima, parece-me claro que a legislação eximiu da tributação os atos cooperados, mas manteve a possibilidade de incidência tributária quando da realização de atos das cooperativas, com terceiros, ainda que em benefício de seus cooperados, criando mecanismo visando afastar a bitributação de mesmos valores (cujos beneficiários são, em última instância, os cooperados). Por tudo quanto exposto, vê-se que, pela aplicação do quanto decidido no Processo 0016096-88.2005.4.05.8100, inexistem atos cooperativos in casu. Consequentemente, deve ser mantida a autuação fiscal, que constituiu o crédito tributário relativo a Contribuição ao PIS e a COFINS sobre atos não-cooperativos, uma vez que se referem à serviços prestados a terceiros. Finalmente, os pedidos subsidiários apresentados pela Recorrente não merecem ser acolhidos, porque implicariam em redundância de atos já praticados no PAF 10380.010696/2007-93 e inobservância das normas do processo administrativo fiscal. De fato, não há espaço para a realização de prova pericial para a segregação dos atos cooperativos dos atos não cooperativos, simplesmente porque isto já foi feito pela DRF no PAF 10380.010696/2007-93, nos termos do relatório de fls. 485/486, sendo as conclusões ali alcançadas aplicáveis in totum a esse julgamento, como amplamente demonstrado acima. Tal separação entre atos cooperativos e atos não cooperativos foi realizada justamente em razão do advento da decisão judicial em favor da Recorrente, reabrindo o processo tributário, nos moldes Fl. 275DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-006.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010696/2007-93 do artigo 149 do Código Tributário Nacional. Não há, portanto, que se falar em nulidade do lançamento por conter cálculos inexatos, decorrentes da falta de segregação entre atos cooperativos e não cooperativos. Dispositivo Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 276DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.911066/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2006
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, fazse necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Numero da decisão: 1401-003.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Em razão da ausência do Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, foi o mesmo substituído pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, faz-se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Em razão da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 10 66 /2 00 9- 47 Fl. 320DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.911066/2009-47 ausência do Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, foi o mesmo substituído pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada). Fl. 321DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.911066/2009-47 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do v. acórdão n. 10-28.729 - ia Turma da DRJ/POA, que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade. Conforme bem relatado pela DRJ: Trata-se de Manifestação de Inconformidade (fls.02 a 14) contra Despacho Decisório (f1.01), datado de 20/04/2009, que não homologou Declaração de Compensação por considerar improcedente o crédito informado no PER/DCOMP 32532.27576.260406.1.3.04- 5122. A decisão de improcedência do crédito informado no referido PER/DCOMP, está fundamentada no fato de tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A não homologação da compensação em tela foi estribada nos arts. 165 e 170 do CTN, art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 e art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A interessada foi cientificada da decisão em 30/04/2009 e apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 29/05/2009. Apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório acima identificado, alegando, em síntese que: 1. A manifestante efetuou o recolhimento de valores de IRPJ (código 2362) no montante de R$ 7.234.369,22, conforme comprovantes de arrecadação anexados; 2. Contudo, fechou o exercício referente ao período de 2006 com prejuízo, sendo, portanto, o montante total recolhido a título de IRPJ (código 2362), pagamento indevido ou a maior; 3. Os referidos recolhimentos são comprovado a partir de DARF's anexados à Manifestação de Inconformidade; 4. Cita artigos 2° e 3° da IN RFB n° 900, de 2008 e jurisprudência do TRF5 e TRF4 para fundamentar a procedência de suas alegações. Apreciados os argumentos da manifestação de inconformidade, ela foi considerada improcedente sob o entendimento de que os valores correspondentes a estimativas recolhidos durante o ano-calendário de acordo com a legislação pertinente, que resultarem, na apuração em 31 de dezembro, em pagamento a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, somente poderão ser restituídos ou compensados Fl. 322DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.911066/2009-47 com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. Inconformada com o resultado do julgamento interpôs Recurso Voluntário, no qual requereu: a) seja recebido e provido o presente Recurso Voluntário, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário objeto do pedido de compensação, com base no art. 74, § 110, da Lei n° 9.430/96 c/c art. 151, III, do CTN, pelos fundamentos trazidos no corpo desta peça e; b) seja reformada a decisão recorrida para homologar o pedido de compensação formulado, haja vista que o seu direito creditório permanece hígido, diante do pagamento indevido constatado após apurado prejuízo fiscal no ano de 2006. É o breve relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. O Recurso de Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele conheço. A Recorrente defende ter restado comprovados nos autos, que houve o pagamento indevido de IRPJ por estimativa, pois ao final de período (2006) foi apurado prejuízo fiscal, o que permite a tomada de crédito referente aos valores adiantadamente recolhidos, de modo que o pagamento efetuado por meio de DARF - IRPJ (código 2362) no montante de R$ 7.234.369,22, foi indevido, já que ao final do exercício se apurou prejuízo, o que autoriza a compensação de débitos administrados pela RFB com tal crédito, exatamente nos moldes da conduta adotada pela empresa. Para ilustrar seus argumentos, traz a seguinte tabela com os demonstrativos dos valores pagos: Por fim, assevera que a não homologação da compensação efetuada - que realizou-se dentro do mesmo ano-calendário que havia sido efetivado o recolhimento do imposto Fl. 323DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.911066/2009-47 – apenas se justificaria se não houvesse ocorrido prejuízo fiscal no exercício, o que não é o caso dos autos, conforme amplamente comprovado. Quanto o momento em que seria possível realizar a compensação, ou seja, a possibilidade dela ser realizada antes do período base anual, observo que na data da transmissão das DECOMPS sob exame, estavam em vigor o art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, que passaram a proibir a compensação da estimativa de IRPJ e CSLL paga a maior antes de encerrado o período base anual. No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, e por meio das INs SRF nº 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB nº 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa nº 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: “Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, in verbis: “Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Já com a edição da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. “Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Fl. 324DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.911066/2009-47 Até que o assunto restou pacificado na Súmula CARF nº 84: “É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa”. Contudo, destaca-se que o voto condutor do acórdão recorrido, já em seu início, destaca que a interessada adotou, no ano-calendário em que ocorreu o fato objeto da questão, o lucro real com pagamento de imposto de renda pela estimativa mensal, não levantando balancetes mensais de suspensão/redução para comprovar que efetuou pagamentos de IRPJ a maior, aptos a comprovar o indébito que pretendeu-se compensar. Observo que ainda, em sede de Recurso Voluntário, tais elementos de prova não foram trazidos aos autos, de modo que a primeira condição a possibilitar a compensação pleiteada não restou cumprida. A mera presença nos autos dos comprovantes de pagamentos, no caso DARFs, nos valores descritos na tabela acima, são aptos para provar a ocorrência do pagamento, mas não necessariamente terem sido eles feitos em valores acima do realmente devido a justificar uma compensação. Entendo que, para se configurar o pagamento a maior de um tributo, deve ser confirmado nos autos se no momento do pedido de compensação, ressarcimento ou restituição esse suposto crédito tributário apresentava a característica e natureza jurídica de pagamento a maior, nos termos do artigo 165, inciso I, do CTN. Na falta desta demonstração, não há como confirma-se o pedido de compensação. Isto porque, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PER/DCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. O Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento além das declarações sob sua responsabilidade que pudesse comprovar a origem do seu crédito, tais como a escrituração contábil e fiscal. Se limitou, tão-somente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. Fl. 325DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.610 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.911066/2009-47 É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Fl. 326DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720539/2016-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
PRELIMINAR DE NULIDADE. LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE AUTUANTE. NÃO OCORRÊNCIA.
São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições.
PRELIMINAR DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO EM VEZ DE NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO. OBEDIÊNCIA.
Inexiste nulidade em lançamento de contribuições previdenciárias (empresa, GIILRAT e de Terceiros) mediante auto de infração quando obedecidos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n. 70.235/72.
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 150, §4°., DO CTN. INAPLICABILIDADE. EXISTÊNCIA DE DOLO. INCIDÊNCIA DA REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN.
Caracterizado dolo, fraude ou simulação, não há de se falar da aplicação da regra especial de decadência consignada no art. 150, § 4°., in fine, do CTN, impondo-se a incidência da regra geral do art. 173, I, do Codex tributário.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Caracterizada a conduta consciente e reiterada do contribuinte em não pagar ou retardar ao máximo o pagamento das contribuições previdenciárias, consubstanciada na transmissão recorrente de GFIP zeradas, incide a multa qualificada do art. 44, I, e § 1º da Lei n. 9.430/96.
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS (EMPRESA, GIILRAT E TERCEIROS). PROCEDÊNCIA.
Restando constatado que o contribuinte não declarou verbas remuneratórias (salários) dos segurado empregados em GFIP antes do início da ação fiscal, não comprovou o recolhimento ou a provisão das contribuições previdenciárias correspondentes na escrita contábil, nem apresentou documentos hábeis a comprovar a não-incidência das contribuições previdenciárias sobre o pagamento das referidas verbas, é procedente o lançamento de ofício (auto de infração) que constituiu o crédito tributário referente às contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2402-007.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira (Presidente)
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE AUTUANTE. NÃO OCORRÊNCIA. São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO EM VEZ DE NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO. OBEDIÊNCIA. Inexiste nulidade em lançamento de contribuições previdenciárias (empresa, GIILRAT e de Terceiros) mediante auto de infração quando obedecidos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n. 70.235/72. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 150, §4°., DO CTN. INAPLICABILIDADE. EXISTÊNCIA DE DOLO. INCIDÊNCIA DA REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. Caracterizado dolo, fraude ou simulação, não há de se falar da aplicação da regra especial de decadência consignada no art. 150, § 4°., in fine, do CTN, impondose a incidência da regra geral do art. 173, I, do Codex tributário. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizada a conduta consciente e reiterada do contribuinte em não pagar ou retardar ao máximo o pagamento das contribuições previdenciárias, consubstanciada na transmissão recorrente de GFIP zeradas, incide a multa qualificada do art. 44, I, e § 1º da Lei n. 9.430/96. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS (EMPRESA, GIILRAT E TERCEIROS). PROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 39 /2 01 6- 82 Fl. 1954DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.939 2 Restando constatado que o contribuinte não declarou verbas remuneratórias (salários) dos segurado empregados em GFIP antes do início da ação fiscal, não comprovou o recolhimento ou a provisão das contribuições previdenciárias correspondentes na escrita contábil, nem apresentou documentos hábeis a comprovar a nãoincidência das contribuições previdenciárias sobre o pagamento das referidas verbas, é procedente o lançamento de ofício (auto de infração) que constituiu o crédito tributário referente às contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira (Presidente) (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 1800/1838) em face do Acórdão n. 01 34.415 4ª. Turma da DRJ/BEL (efls. 1778/1788) que julgou improcedente a impugnação (e fls. 1727/1764), apresentada em 05/01/2017 (efl. 1703), e manteve os lançamentos lavrados em 05/12/2016 e constituídos em 09/12/2016 (efl. 1698), consignados no Auto de Infração CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA E DO EMPREGADOR valor total de R$ 14.995.328,42 Contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GIILRAT) incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, referentes a diferenças nas Folhas de Pagamento a título de Salários, nas competências 01/2011 a 08/2011 e 10/2011 a 12/2011 (efls. 1434/1442) e no Auto de Infração CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS valor total de R$ 3.627.558,02 Contribuições devidas a terceiros (FNDE – Salário Educação, INCRA, SENAT, SEST e SEBRAE), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, referentes a diferenças nas Folhas de Pagamento a título de Salários, nas competências 01/2011 a 08/2011 e 10/2011 a 12/2011. (efls. 1443/1456) conforme discriminado no relatório fiscal (efls. 1460/1474). O acórdão recorrido sumarizou seu entendimento na ementa abaixo transcrita: Fl. 1955DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.940 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 MULTA QUALIFICADA. DOLO. ALÉM DA PURA INADIMPLÊNCIA. Driblar o sistema de cobrança automática da Receita Federal de forma reiterada, por meio de transmissões de GFIP zeradas retificadoras das GFIP com todas as informações, seguida do não recolhimento das Contribuições a cargo da empresa durante todo anocalendário ultrapassa o limite da mera inadimplência, configurando uma opção consciente em não pagar ou retardar ao máximo o pagamento das contribuições previdenciárias, GILRAT e as destinadas a outros entidades e fundos. Essa prática subsumese às normas que autorizam a qualificação da multa. DECADÊNCIA. DOLO. Constatada a existência de comportamento consciente, planejado, com objetivo de reduzir o recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiros a contagem do prazo decadencial se desloca do § 4º do art. 150 para a regra geral contida no art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional CTN. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. PAF. JULGADOR ADMINISTRATIVO. LIMITES. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS. TRÊS PODERES. 1. O Processo Administrativo Fiscal não é o palco apropriado para discussão sobre qual critério ou percentual seria mais seguro para que a multa de ofício não afete o direito de propriedade. A norma que veda a instituição de tributo e multa com caráter confiscatório é dirigida ao legislador. 2. Tampouco possui o julgador de litígios administrativos fiscais, no âmbito da Administração Tributária Federal, competência para decidir sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis que, eventualmente, fundamentaram a confecção de determinado lançamento tributário. Pelo contrário, a opção do sistema jurídico pátrio foi pela unicidade da jurisdição, portanto, é vedado ao julgador administrativo negar vigência a determinado dispositivo normativo, sejam regras ou princípios, sob a alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Esta atribuição foi reservada ao poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do teor da decisão de piso em 24/07/2017 (efls. 1795/1796), a impugnante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário na data de 21/08/2017 (efl. 1797), enfrentando os lançamentos em sua totalidade, conforme resumido no pedido abaixo transcrito: Fl. 1956DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.941 4 [...] Deve ser reconhecida a nulidade do lançamento pela incompetência da DELEGACIA AUTUANTE, DEFIS SÃO PAULO, a quem não foi delegada competência para julgar processos relativos à ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA, auto de infração para débitos já confessados em GFIP e compensação de oficio de créditos não realizada, ante a competência originária da DERAT DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA, conforme Regimento Interno da SRF vigente quando do lançamento fiscal, bem como dado a incompatibilidade do relatório fiscal e relatório de fundamentos legais do débito. O primeiro sugere que o auto de infração deuse em função de contribuições devidas nos termos do artigo 22, I e II da Lei 8.212/91. No entanto, o mesmo termo de verificação fiscal informa que o contribuinte confessou os débitos em GFIP, sendo o auto de infração lançado com estes valores, que teriam sido excluídos do sistema GFIP. O procedimento não foi comprovado. Deve ser acatado neste caso um PARECER DA PGFN, O PARECER PÚBLICO PGNF/CAT NÚMERO 466/2014, APROVADO EM 02 DE ABRIL DE 2014 PELA PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, emitido a partir de CONSULTA INTERNA da Receita Federal do Brasil especificamente para os casos da SÃO PAULO TRANSPORTES e que assim conclui: "Ante o exposto, mantendo o posicionamento desta CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários exposto nos Pareceres PGFN/CAT 135/2009 e 2793/2009, com a necessária adequação à jurisprudência consolidada do STJ, concluise que: a) A natureza jurídica do instituto da retenção descrito no artigo 31 da Lei 8.212/91 é de responsabilidade tributária por substituição; b) Na hipótese de ter ocorrido a retenção, por parte da empresa contratante (tomadora) de serviços executados mediante cessão de mão de obra, do montante da contribuição previdenciária devida, será ela responsável direta e exclusivamente pelo pagamento do referido tributo. c) Não havendo a retenção, subsiste a responsabilidade da empresa cedente de mão de obra JUNTAMENTE COM A EMPRESA TOMADORA e, d) Também se aplica esse entendimento quando o tomador de serviços executados mediante cessão de mão de obra for entidade da Administração Pública. Deve ser acatado o direito da RECORRENTE de proceder à compensação de créditos válidos decorrentes do crédito havido junto ao CONSÓRCIO SETE que integra, conforme artigo 112 da IN 971. Em diligência fiscal deverá ser verificado se as empresas participantes do mesmo procederam à alocação do crédito dentro do limite disponível. Fl. 1957DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.942 5 Este crédito relativo à retenção de 11% incidente sobre as faturas ou recibos, nos termos dos artigos 44 a 48 da IN 900 de 30/12/2008, deve ser concedido ao RECORRENTE independentemente de constar em GFIP, tendo em vista a documentação anexada, com determinação do procedimento de concessão do crédito pela Procuradoria Geral Especializada do INSS, vinculada à Advocacia Geral da União. O documento que contém a numeração fls.1323/1324, relativo a processo judicial, extraído do Mandado de Segurança noticiado é muito claro em relação ao direito da RECORRENTE quanto ao crédito de 11% incidente sobre o faturamento para compensação de suas contribuições previdenciárias. Pelo documento, a Procuradora da AGU Dra. Sofia Mutchnik declara em documento intitulado CONSULTA: "A nosso ver, portanto, temse que o dever de recolher aos cofres previdenciários a retenção de 11% da Nota Fiscal relativa à cessão de mão de obra é único e exclusivo do tomador, não podendo ser cobrado tal montante do sujeito passivo direito da obrigação tributária (o detentor da folha de salários que cede a mão de obra ao tomador)". Conclui a douta procuradora com a assertiva de que há de se abater todos os débitos lançados nas prestadoras de serviço. Tratase de "coisa julgada", ante decisão do Egrégio Tribunal Regional Federal da Terceira Região que considerou válido o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional e manteve lançamento em face da SÃO PAULO TRANSPORTES em relação à responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidente sobre a folha de pagamento dos prestadores de serviço. Foram anexados durante a ação fiscal os AUTOS DE INFRAÇÃO lançados pela RECEITA FEDERAL DO BRASIL em face da SECRETARIA MUNICIPAL DOS TRANSPORTES, que definem os valores que passarão a ser considerados como créditos do RECORRENTE e das demais empresas que integram o CONSÓRCIO. O crédito havido está dentro do contido no lançamento em relação ao GRUPO DAS EMPRESAS DE TRANSPORTE PARTICIPANTES DO CONSÓRCIO INTEGRADO PELA RECORRENTE. O artigo 31 da Lei 8.212/91, redação da Lei 9711/2008 determinava a compensação das retenções para as contribuições previdenciárias. Compulsando a planilha anexa à impugnação, vemos que a primeira retenção, crédito do RECORRENTE foi em 01/2006. O valor deve ser atualizado pela taxa SELIC para a competência seguinte, que recebeu ainda outro crédito. Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.943 6 Assim, até 12/2007 havia um total de retenções não alocadas como crédito do RECORRENTE que atualizadas pela SELIC atingem valor infinitamente superior ao crédito tributário lançado. O RECORRENTE dispunha de créditos suficientes para a compensação integral dos valores ora lançados. Como o CONSÓRCIO é formado por empresas do grupo, e os seus créditos não foram utilizados em várias competências pela integrante EMPRESA CIDADE DUTRA LTDA, os valores dos créditos da retenção devem ser integralmente alocados na ora RECORRENTE, que detinha em todo o tempo a maior parte da mão de obra que atendia ao transporte público do Município de São Paulo. Demonstra ainda o RECORRENTE que não utilizou os créditos de retenção anteriormente. Sobre este fato o Recorrente apresenta documento não disponível anteriormente, cuja existência é posterior à Impugnação, relativa a Oficio encaminhado pela SÃO PAULO TRANSPORTES À CPI do INSS em curso junto ao Doutro Senado Federal do Brasil. Deve ser declarada a decadência, em qualquer hipótese, de contribuições lançadas no período de 01 a 11/2011 ante a evidente decadência do período, nos termos do artigo 150 parágrafo 4° do CTN e da Súmula 99 do CARF, Súmula CARF n° 99: "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração". A este respeito também a Solução de Consulta Interna 03/2013 que também se pede juntada, em função de princípio inserto no CARF, a busca da verdade material. Notória ainda a Decadência invocada no período de 01/2001 a 11/2011, pelas razões já expostas, mercê da aplicação inclusive da SUMULA 99 DO CARF. Inexiste no presente processo qualquer prova de conduta do contribuinte que pudesse levar à aplicação de multa qualificada, ante a inexistência de qualquer elemento que o determine, mormente pelo fato de que as contribuições previdenciárias lançadas foram devidamente informadas a tempo e modo, e deveriam ser de imediato objeto de cobrança, quando não recolhidas, não cabendo sequer a emissão de auto de infração. GFIPs posteriores foram efetuadas apenas no intuito de atender demandas de processos na justiça do trabalho. Sem contrarrazões. Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.944 7 É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele conheço. Para uma melhor contextualização da presente lide, resgato, no essencial, o relatório fiscal (efls. 1460/1474): [...] 2.5. Da análise da documentação, conforme será demonstrado a seguir, constatouse que a empresa: Remunerou os segurados empregados a título Salários, sendo esta remuneração apurada através das folhas de pagamento, nas competências de 01/2011 a 08/2011 e 10/2011 a 12/2011. 2.6. Em relação a tais verbas remuneratórias a empresa: Não as declarou em GFIP antes do início da ação fiscal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir da competência 01/1999; Não comprovou o recolhimento ou a provisão das contribuições previdenciárias correspondentes na escrita contábil; e Não apresentou documentos hábeis a comprovar a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o pagamento das referidas verbas remuneratórias. [...] 3.2. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados foram apuradas com base nas Folhas de Pagamento comparadas com os valores declarados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs, obtidos através do Sistema GFIPWEB, com código de status 1 (GFIPS exportadas), relativas às competências 01/2011 a 12/2011 e 13º 2011. Os valores tributados foram referentes às diferenças de Salário de Contribuição, apuradas entre os valores constantes nas Folhas de Pagamento e os valores declarados nas GFIPs. 3.3. A empresa comprovou o recolhimento parcial dos valores não declarados nas GFIPs, através de Guias de Recolhimento da Previdência Social GPS, no valor anual de R$ 2.301.237,53, apuradas no procedimento fiscal e não apropriadas pela fiscalização; pois tais valores são compatíveis com os recolhimentos apenas das contribuições descontadas dos Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.945 8 segurados empregados, que não são objeto da presente ação fiscal. [...] 3.5. Constatouse no procedimento fiscal, que existem no Sistema GFIPWEB várias GFIPs com código de status 7 ou excluídas. Estas GFIPs não foram consideradas pela fiscalização, visto que sem motivo aparente respaldado pelo Manual da GFIP, tais documentos foram substituídos por outros com informação de remuneração zerada. Os valores anteriormente informados nas GFIPs excluídas estavam compatíveis com os valores lançados nas Folhas de Pagamento. Tal procedimento adotado pelo contribuinte, foi supostamente um mecanismo criado com o objetivo de excluir estas remunerações da base de cálculo das contribuições previdenciárias das GFIPs. Assim sendo, o contribuinte agiu intencionalmente, em tese, com o evidente intuito de sonegação, o que configura infração à legislação tributária, conforme definido no art. 71 da Lei nº 4.502 de 30/11/1964. [...] Em sede de recurso voluntário, a Recorrente apenas reproduz, ipsis litteris, os mesmos argumentos aduzidos na impugnação, sem aduzir novas razões de defesa. Muito bem. Em face das alegações do Recorrente, e em homenagem ao princípio da verdade material, converteuse o julgamento em diligência à Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal para averiguar existência de retenção de contribuições sociais pelo tomador do serviço no anocalendário 2011 passíveis de aproveitamento no lançamento em litígio, nos termos da Resolução n. 2402.000.727, de 13 de março de 2019 (efls. 1.895/1908). A diligência foi atendida pela Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal (efls. 1913/1935) e consolidada em informação fiscal, que assim concluiu: I Demanda do CARF Conforme Resolução n° 2402000.727 da 4° Câmara /2° Turma Ordinária do CARF datada de 13 de março de 2019 às folhas 1895 a 1908 do processo, em atendimento à solicitação de Diligência Fiscal conforme Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.00201900387 e respectivo Código de Acesso 18964319 referente ao PROCESSO 19515.720.539/201682, informamos que: 1 Foi emitido o Termo de Início ao contribuinte em 29/04/2019 com AR em 02/05/2019 para apresentação dos documentos que comprovem a existência de retenção de contribuições sociais pelo tomador de serviço no AnoCalendário de 2011 passíveis de aproveitamento no lançamento em litígio. 2 Não tendo a empresa se manifestado no prazo concedido, foi emitido novo Termo de Intimação em 20/05/2019 com AR em Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.946 9 21/05/2019 prorrogando o prazo para apresentação de documentos. II Conclusão da diligência O contribuinte não atendeu à intimação, tendo a diligência sido encerrada nesta data com encaminhamento do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal por via postal. [...] TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, encerramos nesta data a DILIGÊNCIA, TDPF n° 08.1.90.002019003870 referente ao Processo n° 19515.720.539/201682, sem que o contribuinte acima identificado tenha se manifestado, conforme Informação Fiscal da Diligência anexa. E, para surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em duas vias de igual teor e forma, assinado pela Auditora Fiscal da Receita Federal e pelo sujeito passivo entregue por via postal. [...] Como se observa, não obstante os esforços da autoridade fiscal, o Recorrente, mesmo cientificado, por duas vezes, não apresentou os documentos solicitados. Nessa perspectiva, considerandose que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto a decisão recorrida, pelas suas razões de decidir, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 9 de junho de 2015, e alterações posteriores: [...] Com fundamento no art. 59, I, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972 e dos artigos 12 e 31 do Decreto 7.574, de 29 de setembro de 2011 a Interessada entende que os lançamentos são nulos, uma vez que realizados por Agente e Delegacia incompetentes e de forma equivocada, já que em seu entendimento não caberia Auto de Infração, mas sim Notificação de Lançamento pela não homologação da compensação. Transcrevese o 31 do Decreto 7.574/2011, citado pela Impugnante, com o objetivo de afastar qualquer dúvida sobre a competência do AuditorFiscal da Receita Federal para realizar o lançamento de ofício das Contribuições Sociais, objeto do presente processo. O lançamento de ofício compete ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, podendo a exigência do crédito tributário ser formalizada em auto de infração ou em notificação de lançamento.(Redação dada pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.947 10 Outrossim, para afastar de vez qualquer dúvida sobre a competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para realizar o lançamento de Contribuições Federais, citase a Lei 11.457, de 16 de março de 2007: “São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (destacouse) Após a citação deste comando legal, como dito, dúvida não pode persistir que o AuditorFiscal da Receita é o servidor competente para realizar o lançamento tributário, de ofício, das Contribuições Federais. No mesmo sentido, não macula de nulidade os lançamentos em razão da mudança de endereço da empresa na fase final de ação fiscal. A Delegacia Especial de Fiscalização de São Paulo DEFIS/SP é competente para tais lançamentos realizados por AuditoresFiscais, não há norma estabelecendo, para o caso concreto, a necessidade do término da ação fiscal se realizar em Delegacia diversa da que iniciou referido procedimento, pelo contrário há normas ratificando os procedimentos fiscais mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, consoante a inteligência do § 2º, art. 9º do Decreto 70.235/72. Ademais, não houve nenhum prejuízo à contribuinte, tampouco cerceamento ao seu direito de defesa. As descrições fática, metodológicas e os fundamentos legais constantes no Corpo do Auto de Infração e no Relatório Fiscal foram suficientes para a Interessada exercitar seu amplo direito de defesa, com bem demonstra as 38 (trinta e oito) laudas de impugnação. Outra nulidade suscitada diz respeito à corporificação dos lançamentos tributários, que no entendimento da Impugnante não caberia auto de infração, mas sim notificação de lançamento pela não homologação da compensação. Ocorre que o objeto do processo é outro, a compensação entra no atual cenário apenas como parte da defesa da Interessada, que solicita, por ocasião da impugnação, uma compensação de ofício com base em eventuais créditos a ser apurados. Portanto, não há nenhum conflito, tampouco nulidade na utilização de Autos de Infração para lançar Contribuições Previdenciárias da empresa, GILRAT e de outras entidades e fundos. ainda mais se obedeceram os requisitos contidos no art. 10 do Decreto 70.235/72. Não se vislumbra nenhuma nulidade decorrente da existência de MPF Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização , fl. 2. No entendimento da Impugnante, não teria necessidade, pois entende que a fiscalização tratou apenas de um procedimento interno de revisão de declaração, nos termos do inciso IV, art. 10 da Portaria 3.014/2011. Ocorre que o Mandado de Fl. 1963DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.948 11 Procedimento fiscal é um mecanismo de controle administrativo que torna o procedimento fiscal mais transparente e legítimo. O sujeito passivo pode verificar a autenticidade do mesmo com a utilização do programa “Consulta Mandado de Procedimento Fiscal”, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet. No vertente caso é só verificar o Termo de Início de Procedimento Fiscal, fl. 4, e o conteúdo da intimação que ele carrega, para verificar que a fiscalização foi ampla, não se reduziu a uma auditoria interna de declaração, neste ponto, é de bom alvitre não confundir o procedimento de fiscalização com seus resultados. A Instrução Normativa RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, trata do prazo de vigência dos Mandados de Procedimentos Fiscais e suas respectivas prorrogações. No caso sob exame, as prorrogações estão tão todas consignadas no Demonstrativo de Prorrogações, fl. 3, in fine, ou seja, temse a norma e os fatos adequados às normas, nenhum irregularidade ou nulidade poderia resultar do prazo utilizado para realizar a fiscalização. O tempo previsto no art. 24 da Lei 11.457, de 16 de março de 2017, não diz respeito ao tempo para fiscalizar, mas sim para proferir a decisão administrativa a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativo do contribuinte. Assim, afastase as preliminares de nulidade dois lançamentos, uma vez que foram realizados por agentes competentes e sem preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72. Por oportuno, observase que na seara administrativa não é apropriado falar em cerceamento do direito de defesa na fase anterior ao lançamento tributário, pois só após a Impugnação tempestiva é que se inaugura a fase litigiosa. É neste estágio que incidem as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, visto que esses princípios, nos termos da Constituição Federal, aplicamse aos litigantes, no marco de um processo administrativo ou judicial. Vencidas as preliminares, passase a análise da prejudicial de mérito, no caso, se ocorreu ou não a decadência do direito de a Administração Tributária Federal realizar os lançamentos tributários. A Impugnante sustenta que as competências 01/2011 a 11/2011 estão decadentes, com fulcro no § 4º, art. 150, do Código Tributário Nacional e na Súmula CARF nº 99. CTN, art. 150, § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 1964DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.949 12 No caso em tela se constata pagamentos parciais para as competências lançadas, referentes as contribuições descontadas dos segurados do RGPS7, no entanto, a aplicação do § 4º só ocorrerá se a situação fática não se subsumir a exceção contida no final do mencionado parágrafo: "salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação", neste caso, a regra a ser aplicada para contagem do prazo decadencial será a contida no art. 173, I do Código Tributário Nacional CTN8: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A causa dos lançamentos foi a não declaração em GFIP válida das Contribuições Previdenciárias, GILRAT e para outras entidades e fundos. A interessada transmitia a GFIP com os valores devidos à Previdência e com as Contribuições retidas dos segurados. Em seguida, no mesmo mês, no seguinte ou no máximo em dois meses, ela enviava uma GFIP retificadora zerada, sobrepondo todas as informações anteriores. Em sua Impugnação ela justifica que as retificação foram decorrentes de decisões da Justiça do Trabalho, a empresa teve que entregar novas GFIP com alteração no salário de contribuição. Esta realidade não foi confirmada. Em pesquisa ao sistema GFIPWEB se constatou que as retificações resultaram em zerar todos os valores devidos à Previdência e os retidos dos Segurados do RGPS e não simples alterações para mais ou para menos desses valores. É de todo oportuno lembrar que as alterações nas informações prestadas em GFIP será formalizada mediante a apresentação de GFIP retificadora, elaborada com a observância das normas constantes do Manual da GFIP, conforme estabelece o art. 463 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009. Resta ressalvar, nesta seara, que há muito anos a GFIP retificadora sobrepõe as informações da GFIP retificada, em razão disso o manual9 de preenchimento das GFIP é extremamente repetitivo no sentido de que as novas informações ou fatos geradores omitidos devem ser informados mediante a transmissão de nova GFIP, contendo todos os fatos geradores, inclusive os já informados, com as respectivas correções e confirmações. Chega a colocar com letra garrafais um aviso antes mesmo do índice: AVISO IMPORTANTE PELA NOVA SISTEMÁTICA DE RETIFICAÇÃO, ORIENTADA NESTE MANUAL, É NECESSÁRIO O ENVIO DO ARQUIVO Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.950 13 COM TODOS OS DADOS CONTIDOS NO ARQUIVO ANTERIOR (A RETIFICAR), COM AS DEVIDAS CORREÇÕES. Observase que a Interessada, como os outros contribuintes, tinha todas as informações para fazer a retificações de GFIP sem a opção de zerálas. Não se pode olvidar que a contribuinte não é uma pequena empresa e está há muito tempo no mercado, sem espaço para alegar desconhecimento deste procedimento básico de retificação de Declarações. Como a Impugnante só recolheu as Contribuições Previdenciárias retidas dos salários dos segurados, sem pagar a parte da empresa, entende que cabia "à Receita Federal tão somente a cobrança da diferença entre os valores confessados e os valores recolhidos". Repousa aqui, a gravidade da opção de zerar as GFIP, pois o sistema de cobrança, em um ambiente de lançamento por homologação, parte do pressuposto que o declarado é verdadeiro. No caso concreto, a manutenção das GFIP zeradas não gera nenhum tipo de cobrança, a não ser por ocasião de uma eventual fiscalização, com de fato aconteceu. No que diz respeito ao pagamento das contribuições da empresa, a Impugnante propõe uma solução sem amparo normativo, fazer uma compensação de ofício com crédito não certos e não líquidos, uma vez que ainda controversos no âmbito de outro litígio10 em face do Município de São Paulo Secretaria Municipal de Transportes. Tal proposta contraria os preceitos básicos do instituto da compensação tributária, que deve ser realizada mediante a existência de crédito líquido e certo e em obediência as formalidade exigidas na legislação tributária. Neste contexto, resta caracterizado o dolo da Interessada, um interesse consciente em zerar, reiteradamente11, as GFIP e mantêlas zeradas, obstacularizando a cobrança automática das Contribuições Previdenciárias da Empresa, GILRAT e de Terceiros. Portanto, o cálculo da decadência, no caso sob exame, deve ser realizado com base na regra entalhada no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Neste compasso, todas as competências foram lançadas dentro do prazo, não ocorreu, portanto, decadência. Consignase, para iniciar a análise do mérito, que as Contribuições Previdenciárias retidas pela empresa e pagas em GPS não foram objeto de lançamento neste processo. Neste aspecto, não se constata nenhuma ausência de apropriação, GPS de fls. 1.704/1.716, uma vez os valores recolhidos são os devidos de Contribuições Previdenciárias dos Segurados do RGPS. Por outro lado, como visto ao norte, não é possível atender ao pedido de compensação de eventual crédito decorrente de Auto de Infração relacionado a retenção de 11% que deveria incidir sobre os repasses efetuados às viações prestadoras de serviço e Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.951 14 ser realizada pela Secretaria Municipal de Transportes, Processo 19311.720413/201190, uma vez que não se trata de crédito líquido, nem certo, portanto, não passível de compensação, nos termos do art. 170 de Código Tributário Nacional. Tampouco atende as formalidades necessárias de um pedido de compensação. O próprio interessado demonstra total desconhecimento sobre o valor e a existência do alegado crédito, ao solicitar que "Receita Federal do Brasil diligencie para que os valores lançados em face da Municipalidade sejam alocados para os reais prestadores de serviço”. Observase que o crédito tributário 51.000.4440 foi exonerado pelo Acórdão 05 039.653, de 11 de dezembro de 2012, proferido pela DRJ em Campinas. Portanto, indeferese o pedido de diligência, por ser desnecessário ao deslinde do presente litígio e não atender aos requisitos estampados no art. 16 do Decreto 70.235/72. Na mesma toada, indeferese o pedido de adição de cópia do Processo 19311.720413/201190, por não haver coincidência de partes, envolver questões de sigilo fiscal e também não ser necessário para solução do litígio. Observase que os argumentos relacionados à cessão de mão de obra acompanhado da citação de conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 466/2014, que versa sobre retenção em cessão de mão de obra e igualmente os excertos de decisões administrativos e judiciais relacionados ao tema, são argumentos que não se aplicam ao presente litígio e sim ao Processo 19311.720413/201190 Município de São Paulo Secretaria Municipal de Transportes. Notase que a Impugnante possui todos os dados referentes as GFIP enviadas, inclusive com seu respectivo status, pois referidas Declarações preenchidas e transmitidas pela própria Interessada. Qualquer divergência em relação a base de cálculo ou alíquotas aplicadas nos lançamentos deveria vim acompanhada de provas, de referência a competência que eventual divergência ocorreu e dos motivos que a fundamente. Alegações genéricas desacompanhadas de prova não tem o condão de alterar os lançamentos, ainda mais quando estes foram realizados com base em declarações anteriormente produzidas pela própria Interessada. Mantémse, além dos levantamentos que lastrearam os lançamentos, pois no caso sob análise não existia outro instrumento de cobrança, pois as GFIPS foram zeradas e, neste passo, são mantidas as multas, inclusive no percentual de 150%, pois o dolo restou evidenciado, conforme visto anteriormente, por ocasião da análise da decadência, e sintetizado no parágrafo seguinte. Ao transmitir as GFIP retificadoras zeradas a Interessada contornava o sistema de cobrança automática da Receita Federal de forma reiterada. Não recolhia as contribuições de responsabilidade da empresa e ao mesmo tempo não era Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 19515.720539/201682 Acórdão n.º 2402007.494 S2C4T2 Fl. 1.952 15 cobrada pelo sistema, assim, configurouse uma opção consciente em sonegar as contribuições, primeiro declarava que devia, depois retificava as declarações, zerando todas as informações, e não pagava as contribuições da empresa, nem tampouco seria cobrada, a não ser por ocasião de uma eventual fiscalização, como de fato aconteceu, portanto, não se trata de um mera inadimplência, mas de uma opção consciente em não pagar ou retardar ao máximo o pagamento das contribuições litigiosas. Referida opção subsume as normas contidas no art. 44, I e § 1º da Lei 9.430/96. Não se pode olvidar que este Órgão Julgador falece de competência para afastar normas presumidamente constitucionais, conforme dicção do art. 26A do Decreto 70.235/72, portanto, por ser improfícuo, não se estabelece o debate sobre qual o critério ou percentual seria mais adequado para que aplicação das leis tributárias respeitasse o princípio do nãoconfisco, ainda mais em situações que envolvem o elemento doloso. Conclusão Em vista do exposto, da ausência de nulidades, votase pela Improcedência da Impugnação, pela manutenção integral dos autos de infração que compõem este processo. [...] Ante o exposto, voto por conhecer o recurso voluntário, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1968DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720073/2013-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
FPAS. ENQUADRAMENTO. REVISÃO.
O enquadramento na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS é efetuado pelo sujeito passivo em função de sua atividade econômica, sendo passível de revisão, quando constatada sua incorreção.
No caso de frigorífico, apenas os empregados envolvidos diretamente na atividade de abate é que se enquadram no código FPAS 531. Em relação aos outros empregados, suas atividades são classificadas no código FPAS 507.
Numero da decisão: 2202-005.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson.
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FPAS. Recorrente JBS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 FPAS. ENQUADRAMENTO. REVISÃO. O enquadramento na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS é efetuado pelo sujeito passivo em função de sua atividade econômica, sendo passível de revisão, quando constatada sua incorreção. No caso de frigorífico, apenas os empregados envolvidos diretamente na atividade de abate é que se enquadram no código FPAS 531. Em relação aos outros empregados, suas atividades são classificadas no código FPAS 507. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), e Ronnie Soares Anderson. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 73 /2 01 3- 72 Fl. 4441DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Auto de Infração de DEBCAD nº 37.365.6726, atinente ao anocalendário 2009, e relativo a contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos – Terceiros, destinadas ao Serviço Social da Indústria – SESI (1,5%), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI (1,0%), e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (0,6%), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos estabelecimentos enquadrados no código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social 531. Conforme o relatório fiscal (fls. 595/605), a autuação se refere às contribuições devidas a terceiros incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados alocados no setor industrial, nos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 531. A fiscalização considerou que somente os empregados do setor de abate poderiam ser enquadrados no FPAS 531, sendo que os demais deveriam ser enquadrados no FPAS 507, de acordo com o art. 137 e Anexo II da IN SRP nº 03/05, vigente à época, e tendo em vista que a atividade preponderante da empresa é a industrialização dos insumos adquiridos. Consta do relato fiscal a informação de que o setor de abate é definido como o setor que abarca as seguintes atividades: (i) recepção dos animais; (ii) condução e lavagem; e (iii) atordoamento, sendo que somente os valores referentes a essas atividades poderiam ser lançados com o FPAS 531. Não obstante impugnada (fls. 4046/4095), a exigência foi mantida pela instância de piso (fls. 3855/3860), consoante acórdão cuja ementa se transcreve na sequência: AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, inclusive os relatórios DD Discriminativo do Débito e RL Relatório de Lançamentos, os quais discriminam, por estabelecimento e competência, as bases de cálculo apuradas, as alíquotas aplicadas, as contribuições exigidas, e os acréscimos legais (multa e juros) devidos. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados nas Folhas de Pagamento e GFIP´s Fl. 4442DF CARF MF Processo nº 19515.720073/201372 Acórdão n.º 2202005.400 S2C2T2 Fl. 4.442 3 Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, de sua própria elaboração. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuições devidas a Terceiros, caberá ao contribuinte formular pedido de restituição ou realização sua compensação, nos termos e condições estabelecidos em atos normativos. AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA.CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, inclusive os relatórios DDDiscriminativo do Débito e RL Relatório de Lançamentos, os quais discriminam, por estabelecimento e competência, as bases de cálculo apuradas, as alíquotas aplicadas, as contribuições exigidas, e os acréscimos legais (multa e juros) devidos. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados nas Folhas de Pagamento e GFIP´sGuias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, de sua própria elaboração. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuições devidas a Terceiros, caberá ao contribuinte formular pedido de restituição ou realização sua compensação, nos termos e condições estabelecidos em atos normativos. Não compete à autoridade julgadora apreciar pedido de restituição e declaração de compensação, tarefas reservadas a outras autoridades administrativas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 4443DF CARF MF 4 Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a fiscalização para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.º 5.172/66). O lançamento das contribuições relativas às competências abrangidas pelo presente Auto de Infração (AI) foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte tendo em vista o artigo 10 do Decreto 7.574/2011. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa pela falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto 7.574/2011. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 FPAS. ENQUADRAMENTO. REVISÃO. O enquadramento na tabela de códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS é efetuado pelo sujeito passivo em função de sua atividade econômica, sendo passível de revisão, quando constatada sua incorreção. No caso de frigorífico, apenas os empregados lotados no setor de abate é que se enquadram no código FPAS 531. Em relação aos outros empregados, suas atividades são classificadas no código FPAS 507. Tal feito deu ensejo à interposição de recurso voluntário em 27/06/2013 (fls. 4101/4126), no qual foi alegado, conforme síntese efetuada pelo relator da Resolução nº 2402 00.519 (fl. 4207/4212): a) o entendimento da fiscalização de que só o setor de abate pode ser enquadrado no FPAS 531 é incorreto, pois todos os procedimentos realizados até a serragem da carcaça ao meio compõem o setor de abate, devendo ser realizada diligência para determinar até qual procedimento se enquadra no setor de abate; Fl. 4444DF CARF MF Processo nº 19515.720073/201372 Acórdão n.º 2202005.400 S2C2T2 Fl. 4.443 5 b) o resfriamento e a desossa, procedimentos realizados após o abate, também devem ser qualificados como indústria rudimentar, devendo ser igualmente enquadrados no FPAS 531, eis que não há transformação, nessas fases, de matéria prima em bens de consumo ou produção, que é a definição de indústria que se enquadra no FPAS 507; c) vício do auto de infração, pois este teria sido lavrado contra a matriz incorretamente, uma vez que os fatos são relativos às filiais, não havendo sequer Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) relativo a estas, devendo se considerar que a competência para fiscalizar e cobrar é da DRF competente pela jurisdição de cada filial; (...); e e) caso não seja esse o entendimento, pleiteia o repasse dos valores destinados ao INCRA para os demais “terceiros”, pois a empresa recolheu “contribuição a terceiros” à alíquota de 2,7%, e a impossibilidade de exigência de contribuição ao SESI para os estabelecimentos do Estado de São Paulo, pois afirma haver Convênio firmado para recolhimentos dos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 507 diretamente àquela instituição. À ocasião daquela Resolução, datada de 26/01/2016, o julgamento foi convertido em diligência para que se procedesse à exata definição das atividades que compõem o setor de abate e qual o critério adotado para essa definição. Realizada tal providência (fls. 4277/4288), e manifestandose o contribuinte sobre o feito (fls. 4300/4309), retornou o processo ao CARF, sendo exarada a Resolução nº 2202000.816 em 07/06/2018 (fls. 4313/4316), determinando fosse intimado o SESISP com vistas à confirmação dos termos da Notificação apresentada às fls. 4161 e seguintes, e do Convênio em evidência, em especial no que concerne a sua abrangência territorial (filiais da empresa alcançadas pelo Convênio nº 5.199), bem como ao seu período de vigência. Efetuada a diligência requerida, com posterior nova manifestação do autuado (fls. 4412/4426), os autos retornaram ao Colegiado para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e, atendendo aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. No tocante à aludida nulidade do auto de infração por ter sido lavrado contra a matriz, e não contra cada CNPJ, adoto a fundamentação da vergastada quanto a esse ponto como razões de decidir, por bem abordar a questão: Fl. 4445DF CARF MF 6 13. A Impugnante argumenta que outra causa de nulidade do Auto de Infração em epígrafe seria o fato de não ter sido lavrado contra cada CNPJ específico, mas apenas contra a matriz. 13.1 Não assiste, porém, razão à Defendente, como segue: 13.2 A Lei nº 8.212/91, em seu artigo 15, dispõe, in verbis: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; 13.3 Ao definir a empresa, enquanto contribuinte das contribuições previdenciárias, resta claro que o artigo cuidou de definir, em verdade, não a atividade abstrata de organização dos fatores da produção com vistas ao lucro, que é a empresa, mas o empresário, seja ele pessoa física – firma individual – ou pessoa jurídica, enquanto aquele que exerce tal atividade, fazendoo por intermédio do conjunto de elementos corpóreos e incorpóreos definidos em lei como estabelecimento. 13.4 No entanto, cumpre distinguir entre a obrigação em si e a responsabilidade. À primeira vista, podem significar sinônimos da mesma realidade fenomênica. Contudo, tal não se mostra efetivo. Em verdade, a teoria das obrigações, enquanto relação jurídica, e assim também o é a relação de sujeição tributária, assume uma particularidade dúplice, qual seja, a distinção entre a obrigação e a responsabilidade. 13.5 A obrigação se constitui no vínculo jurídico pelo qual um dos sujeitos deve a outro uma prestação, e ao segundo corresponde o direito de exigir seu adimplemento: é uma relação de puro débito. Já a responsabilidade se constitui em corolário do inadimplemento da prestação obrigacional, ou seja, exsurge secundária e condicionalmente, a partir do momento em que o devedor, obrigado à prestação, não a desempenha. 13.6 Assim, embora pareçam institutos semelhantes, se diferem. Por óbvio, o inadimplemento da obrigação gera a responsabilidade que recai sobre o elemento patrimônio, pertencente ou não ao devedor originário. Dessa forma, tanto a legislação civil como a tributária definem os devedores, isto é, os sujeitos obrigados à prestação que se constitui o objeto da relação jurídica, e, após isto, definem os responsáveis, isto é, pessoas que podem ou não coincidir com a pessoa do devedor originário, daí advindo que a definição de sujeito devedor pode conduzir à definição do responsável, mas não o contrário. 13.7 Muito embora o lançamento seja, ao final, consolidado no estabelecimento matriz, enquanto titular organizacional da empresa, de rigor reconhecer que cada conjunto de informações relativo ao lançamento, como a identificação da base de cálculo, o enquadramento em alíquotas, devem ser devidamente demonstrados de forma segregada, devendo haver a consideração de créditodébito em relação a cada estabelecimento. 13.8 No presente caso, pelas Planilhas Demonstrativas “Setor de Abate” e “SESI/SENAI/SEBRAE” juntadas às fls. fls. 422/3.638, em cotejo com o DD – Discriminativo do Débito (fls. 346/379), e RL – Relatório de Lançamentos (fls. 385/407), integrantes do Auto de Infração, verificase que a Fiscalização apurou os fatos geradores ocorridos nos estabelecimentos e procedeu ao lançamento das bases de cálculo de forma separada para cada uma das filiais. Cada estabelecimento foi tratado de forma independente em relação aos fatos geradores das contribuições ao SESI, SENAI e SEBRAE, objeto da autuação em comento. Fl. 4446DF CARF MF Processo nº 19515.720073/201372 Acórdão n.º 2202005.400 S2C2T2 Fl. 4.444 7 13.9 Assim, ao contrário do que afirma a Impugnante, foi plenamente respeitada a regra de que cada estabelecimento da empresa, embora não provido de personalidade jurídica distinta, é devedor das contribuições de Terceiros cujos fatos geradores tenha praticado, ainda que o lançamento se consolide na responsabilidade do estabelecimento matriz. 13.10 No que se refere ao Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 02/03), mais uma vez o Contribuinte faz confusão entre os institutos da obrigação e da responsabilidade. No MPF consta, claramente, que está identificado o Contribuinte/Responsável, no caso, a matriz CNPJ 02.916.265000160. 13.11 Ante todo o exposto, o presente Auto de Infração DEBCAD 37.365.6726 encontrase revestido das formalidades legais, gozando de liquidez e certeza, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, artigo 37 da Lei nº 8212/91, e artigo 142 do CTN, observados os princípios da motivação, verdade material, e da legalidade dos atos administrativos, e propiciando o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa, constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo. E, quanto à questão de fundo, temse que as entidades ou fundos para os quais dada pessoa jurídica deve contribuir estão vinculadas à atividade empresarial por ela desenvolvida, consoante respectivo CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas, de acordo com o art. 137 da IN MPS/SRP nº 03/05, vigente à época do lançamento. As alíquotas associadas são identificadas por meio do enquadramento na Tabela de Alíquotas em conformidade com o código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social, enquadramento esse realizado pelo próprio sujeito passivo: Art. 137. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos incidem sobre §2º O enquadramento na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, é efetuado pelo sujeito passivo de acordo com cada atividade econômica por ele exercida, ainda que desenvolva mais de uma atividade no mesmo estabelecimento, observados os §§ 1° e 2° do art. 581 da CLT. (...) ANEXO II 2.ATIVIDADES SUJEITAS A ENQUADRAMENTOS ESPECÍFICOS 2.1.CONCEITOS PARA ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADES NO CÓDIGO FPAS (...) Indústria. Para fins de recolhimento das contribuições sociais destinadas à seguridade social e a outras entidades e fundos, entendese como indústria (FPAS 507) o conjunto de atividades destinadas à transformação de matériasprimas em bens de produção ou de consumo, servindose de técnicas, instrumentos e Fl. 4447DF CARF MF 8 maquinarias adequados a cada fim. Configura indústria a empresa cuja atividade econômica do setor secundário que engloba as atividades de produção e transformação por oposição ao primário (atividade agrícola) e ao terciário (prestação de serviços). Indústria rudimentar. Para fins de recolhimento das contribuições sociais destinadas à seguridade social e a outras entidades e fundos, entendese como indústria rudimentar (FPAS 531) o conjunto de atividades destinadas à produção de bens simples, para industrialização ou consumo, nos quais o processo produtivo é de baixa complexidade. (...) Indústrias relacionadas no art. 2º do Decretolei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970. A relação é exaustiva e se refere a indústrias rudimentares, as quais, por força do dispositivo, contribuem para o Incra e não para o Sesi e Senai. Tratandose de pessoa jurídica classificada como indústria e que empregue no processo produtivo matériaprima ou produto oriundo da indústria rudimentar a que se refere o art. 2º do Decretolei nº 1.146, de 1970, serão devidas contribuições de acordo com o FPAS 507 e código de terceiros 0079. 2.2.RELAÇÃO DE ATIVIDADES SUJEITAS A ENQUADRAMENTOS ESPECÍFICOS I INDÚSTRIAS RELACIONADAS NO ART. 2º DO DECRETOLEI Nº 1.146, DE 1970. O dispositivo relaciona indústrias rudimentares destinadas à produção de bens simples, para industrialização ou consumo, para os quais se emprega processo produtivo de baixa complexidade. (...) Os frigoríficos enquadramse no FPAS 507, relativamente aos empregados que trabalham no setor industrial, e no FPAS 531, quanto aos empregados envolvidos diretamente com a matança (indústria rudimentar), conforme discriminativo da Tabela 1 do Anexo II da IN SRP nº 03/05: Fl. 4448DF CARF MF Processo nº 19515.720073/201372 Acórdão n.º 2202005.400 S2C2T2 Fl. 4.445 9 Vale ressaltar que a IN SRP nº 03/05, no § 3º de seu art. 139, assim regra sobre a fiscalização do enquadramento realizado pelo sujeito passivo: Art. 139. Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos do art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações decorrentes do art. 3º da Lei nº 11.098, de 2005, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas às outras entidades ou fundos, conforme alíquotas discriminadas na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. § 1º O recolhimento dessas contribuições deve ser efetuado juntamente com as contribuições devidas pelo sujeito passivo à Previdência Social, observados os § § 2º, 6º, 9º e 10. (...) § 3º Caso seja feito enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo III, a SRP, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. Conforme já relatado, o contribuinte enquadrou todos os estabelecimentos objeto de autuação como sendo de FPAS 531, o que foi objeto de exame da autoridade fiscal. Porém não é demasiado anotar que o SESI/SENAI enviou o Comunicado SESI/SENAI/SP DJ/GC/00474/2010, comunicando sobre a existência de enquadramento indevido quanto ao código FPAS, em alguns estabelecimentos da empresa. Chegase, então, ao cerne da controvérsia, ou seja, delimitar a abrangência da atividade de abate, dentro da indústria de processamento de carne bovina, realizada pelo frigorífico. Fl. 4449DF CARF MF 10 Para a fiscalização, o setor de abate compreende tão somente as atividades de (i) recepção de animais, (ii) condução e lavagem e (iii) atordoamento de animais. Após diligência realizada em estabelecimento da empresa (fls. 4277/4288), a autoridade fiscal reiterou seu entendimento, pois: ...após o atordoamento dos animais todas as demais atividades realizadas pela Contribuinte contam com conjunto de métodos de produção industrial, a utilização de maquinários, intensa tecnologia para produção em larga escala. Verdadeira linha de produção industrial. Afastamse por completo de uma atividade rudimentar de baixa complexidade ou de processos artesanais. Além disso, ressaltou que à época do lançamento o contribuinte não informou quais seriam as outras atividades passíveis de serem enquadradas como rudimentares e inclusas no setor de abate. Já o recorrente entende que o setor de abate engloba outras atividades além dessas, quais sejam: (i) a atividade de içar o boi; (ii) cortar a carótida; (iii) rastreamento/tipificação para checar a origem do animal; (iv) a sangria; (v) a esfola; (vi) a atividade de tirar o couro; (vii) evisceração; (viii) separação das vísceras; e (ix) serragem da carcaça ao meio. Para ele, somente com a serragem da carcaça ao meio é que se encerra o setor de abate, iniciandose após essa fase o resfriamento e a desossa. Nesse sentido, e em contraponto às conclusões da diligência fiscal, diante da mesma realidade fática busca enfatizar o que considera uso intensivo de mãodeobra nas atividade posteriores ao atordoamento das reses, conforme manifestação (fls. 4300/4309) da qual se extrai os seguintes excertos exemplificativos: Exemplificativamente, a Manifestante cita a atividade de corte da carótida. Essa atividade é desenvolvida por funcionário apto para tanto, com a ajuda de 2 (duas) facas, sendo 1 (uma) delas com capacidade de perfuração e outra com capacidade de corte. Podese afirmar que todo o trabalho é desenvolvido de forma manual. (...) As planilhas acostadas pela própria Autoridade Fiscal às fls. 422 a 3641, formuladas na lavratura do Auto de Infração atestam, de forma inequívoca, a quantidade abundante de mão deobra humana utilizada pela Manifestante nas atividades que compõem o setor de abate, que compreendem: içar o boi, cortar a carótida, rastrear/tipificar para checar a origem do animal, sangria, esfola, atividade de tirar o couro, evisceração, separação das vísceras e serragem da carcaça ao meio. Concluise, deste modo, que as atividades de içar o boi, cortar a carótida, rastrear/tipificar para checar a origem do animal, sangria, esfola, atividade de tirar o couro, evisceração, separação das vísceras e serragem da carcaça ao meio compreendem o setor de abate e são desenvolvidas por meio de mãodeobra humana, com pequeno auxílio de tecnologia, notadamente no que se refere à locomoção de animais dentro do setor, fato que não descaracteriza a baixa complexidade do processo produtivo desenvolvido pela Manifestante. Fl. 4450DF CARF MF Processo nº 19515.720073/201372 Acórdão n.º 2202005.400 S2C2T2 Fl. 4.446 11 O que se constata é que diante dos mesmos procedimentos e situações, o autuado defende a existência de indústria rudimentar, "desenvolvida por meio de mãodeobra humana, com pequeno auxílio de tecnologia, notadamente no que se refere à locomoção de animais dentro do setor", enquanto a fiscalização verifica "a utilização de maquinário intensa tecnologia para produção em larga escala. Verdadeira linha de produção industrial". Ora, abate é a matança de animais para consumo, sendo difícil conceber que empregados envolvidos em etapas posteriores à morte do animal possam ser abrangidos nos afazeres de indústria rudimentar, visto que a definição das atividades de frigorífico vinculadas a esse FPAS 531 requerem que os empregados estejam "diretamente envolvidos com a matança". Dessa feita, os empregados alocados em setores como "bucharia", "desossa", "rotulagem", "cozimento/enlatamento", "evisceração" e tantas outros presentes nas planilhas disponibilizadas pelo sujeito passivo não se adequam, à evidência, no conceito de funcionários "diretamente envolvidos com a matança". De outra parte, ainda que pareça razoável que os empregados envolvidos em atividades tais como "corte da carótida" e "sangria" estejam abarcados no aludido conceito normativo pois a morte do animal pode ocorrer não no momento no atordoamento, mas somente na etapa posterior da sangria o fato é que nas planilhas colacionadas aos autos às fls. 422/3641 não estão tais pessoas discriminadas de maneira apartada e transparente, de modo a permitir sua eventual exclusão para fins de recálculo da exigência tributária. Nem ao menos, registrese, aponta o recorrente quais lotações lá constantes corresponderiam ou englobariam as atividades em comento. Reiterese que não foi a autoridade lançadora, a seu alvitre, que definiu que apenas os empregados envolvidos diretamente com a matança poderiam ser enquadrados sob o FPAS 507, mas sim a IN SRP nº 03/05, no seu Anexo II, que assim dispôs. Poderia o recorrente, ao menos, ter carreado aos autos estudos acadêmicos, publicações ou mesmo normas/pareceres de órgãos públicos que regulamentam a sua atividade (vg, estudos do Ministério da Agricultura, da Embrapa, etc.) de modo a embasar com maior tecnicidade seus argumentos quanto à abrangência do setor de abate, ou à definição de indústria rudimentar. Limitouse, contudo, a tecer considerações genéricas sobre tais temas, as quais se revelam insuficientes para a reforma do lançamento. Demandou o recorrente, ainda, que o repasse dos valores destinados ao INCRA para os demais “terceiros”, pois a empresa recolheu “contribuição a terceiros” à alíquota de 2,7%, e a impossibilidade de exigência de contribuição ao SESI para os estabelecimentos do Estado de São Paulo, pois afirma haver Convênio firmado para recolhimentos dos estabelecimentos enquadrados no código FPAS 507 diretamente àquela instituição. Todavia, a informação em diligência que atendeu os termos da Resolução nº 2202000.817 deixou claro a improcedência dessas alegações, conforme lá aduzido à guisa de conclusão (fls. 4412/4418): Fl. 4451DF CARF MF 12 3.12 Em relação aos fatos geradores do ano 2009, poderia ser exonerada do lançamento fiscal (i) somente a Contribuição para o SESI e (ii) somente em relação aos estabelecimentos 000836; 001131; 001727; 002707; 002960; 003509, em razão dessas contribuições serem recolhidas diretamente ao SESI, por meio do Convênio firmado. 3.13 Entretanto, compulsando os autos, podese concluir que esta fiscalização não efetuou lançamento fiscal em relação aos citados estabelecimentos, pois já havia considerado que tais estabelecimentos estariam alcançados pelo Convênio entre a JBS e o SESI. 3.14 Diante disso, como os estabelecimentos alcançados pelo referido lançamento fiscal não estão contemplados pelo Convênio com o SESI, entendemos que o auto de infração referente ao ano de 2009 também não merece reparos, devendo ser mantido na íntegra. Intimada a se manifestar sobre tais esclarecimentos, nada opôs com relação a tal ponto, não mais levantando discordância (fls. 4076/4078). E, quanto à pretensão de "repasse" dos valores destinados ao INCRA, pagos a maior, a órgãos diversos SESI, SENAI e SEBRAE, vale transcrever o arrazoado vertido pela decisão vergastada quanto à matéria, por não divergir este relator dessas razões (fls. 4122/4123): 15. No presente caso as filiais objeto da autuação classificaramse integralmente no código FPAS 531, quando a classificação correta para os empregados não alocados no setor de abate seria o código FPAS 507, conforme apurado pela Fiscalização e ratificado neste voto. 15.1 No caso concreto, diante dos códigos FPAS envolvidos, temse que no código FPAS 531 a contribuição ao INCRA é feita no percentual de 2,7%, e no código FPAS 507 a contribuição ao INCRA é no percentual de 0,2%. 15.2 No que se refere aos empregados reenquadrados no FPAS 507, de fato houve um recolhimento a maior do INCRA. Neste caso, caberá ao Contribuinte pleitear sua restituição, em processo específico, ou realizar a compensação, consoante as regras previstas na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2002, publicada no Diário Oficial da União em 21/11/2012. 15.3 Observe que as disposições da IN RFB nº 1.300/2012 atendem ao comando contido no art. 89 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) 15.4 Cabe lembrar ainda que, consoante a já citada IN RFB nº 1.300/2012, não compete à autoridade julgadora apreciar pedido de restituição e declaração de compensação, tarefas reservadas a outras autoridades administrativas. Fl. 4452DF CARF MF Processo nº 19515.720073/201372 Acórdão n.º 2202005.400 S2C2T2 Fl. 4.447 13 Art. 69 . A decisão sobre o pedido de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, relativo ao Reintegra e o pedido de reembolso, caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJ) ou da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, ressalvado o disposto nos arts. 70 e 72. Parágrafo único. A restituição, o reembolso ou o ressarcimento dos créditos a que se refere o caput , bem como a compensação de ofício desses créditos com os débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, caberão à DRF, à Derat, à Demac/RJ ou à Deinf que, à data da restituição, do reembolso, do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Em síntese, então, deve ser mantido o lançamento. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 4453DF CARF MF
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