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Numero do processo: 10630.000822/94-17
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IPI - AUDITORIA DE PRODUÇÃO - Cabível a presunção legal se a fiscalização serviu-se de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos físcais. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA - NC (21-1) DA TIPI/88 - Exclui-se do lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do beneficio fiscal retroage à data em que os mesmos passaram a atender os requisitos legais. RETROATIVIDADE BENIGNA - Ex-vi do disposto no artigo 45 da Lei n° 9.430/96, a multa prevista no artigo 364, inciso II, do RIPI/82, deve ser reduzida, in casu, para 75% (CTN, art. 106, II "c"). TRD - Indevida a cobrança de encargos da TRD, ou juros de mora equivalentes, no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-09.806
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência as parcelas indicadas no voto do relator. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helvio Escovedo Barcellos e José Cabral Garofano.
Nome do relator: TARÁSIO CAMPELO BORGES
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O. U. V D e Cr.,/ cc2 / ig” C __■c'<`i C Rubrica MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : Adorn() : Sessão Recurso • Recorrente : Recorrida : 10630.000822/94-17 202-09.806 29 de janeiro de 1998 99.178 REFRIGERANTES RIO DOCE LTDA. DRJ em Juiz de Fora - MG IPI - AUDITORIA DE PRODUÇÃO - Cabível a presunção legal se a fiscalização serviu -se de metodologia apropriada e idônea e, ainda, levou em consideração todas •as informações prestadas pela empresa durante a realização dos trabalhos fiscais. REDUÇÃO DE ALIQUOTA - NC (21-1) DA TIPI/88 - Exclui-se do lançamento os valores referentes aos produtos relacionados em Atos Declaratórios da SRF, posto que o gozo do beneficio fiscal retroage A. data em que os mesmos passaram a atender os requisitos legais. RETROATIVIDADE BENIGNA - Ex-vi do disposto no artigo 45 da Lei n° 9.430/96, a multa prevista no artigo 364, inciso II, do RIPI182, deve ser reduzida, in casu, para 75% (CTN, art. 106, IL "c"). T'RD - Indevida a cobrança de encargos da TRD, ou juros de mora equivalentes, no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: REFRIGERANTES RIO DOCE LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência as parcelas indicadas no voto do relator. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helvio Escovedo Barcellos e Jose Cabral Garofano. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 1998 Vinicius Neder de Lima 3residente 0+11 Tardsio Campe Relator 4 orges Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho e Antonio Sinhiti Myasava . Fclb/cf-gb 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 Recurso : 99.178 Recorrente : REFRIGERANTES RIO DOCE LTDA. RELATÓRIO No presente caso, a fiscalização constatou a utilização indevida de redução de aliquota do IPI nas saídas dos refrigerantes feitos à base de sucos naturais, posto que a empresa não possuía, à época, Ato Declaratádo da Secretaria da Receita Federal concedendo- lhe tal beneficio, exigindo o imposto que deixou de ser lançado e pago no período compreendido entre 01.01.90 a 30.09.93. Além da infração acima, foi desenvolvida auditoria de produção na empresa fabricante de refrigerantes das marcas Brahma e Skol, tomando-se como elemento subsidiário as rolhas metálicas utilizadas no fechamento das garrafas, com um percentual de perdas de 5% para as rolhas Brahma e de 8% para as da marca Skol, na qual se apurou, pelo confronto das quantidades de rolhas metálicas consumidas com as quantidades necessárias para vedar a produção registrada, uma omissão de produção, no ano-base de 1990, de 27.263 dúzias de refrigerantes, caracterizadora de omissão de receitas, no valor de Cz$ 3.376.188,04, segundo a denúncia fiscal. Informa o fiscal autuante, na Descrição dos Fatos, que a empresa protocolizou os pedidos de concessão do beneficio de redução de aliquota em 28.09.93, já sob procedimento fiscal. Na sua impugnação, a empresa discorda da cobrança do in que deixou de recolher por se utilizar da redução de 50% na aliquota, sem ter os correspondentes Atos Declaratórios da SRF, findando sua argumentação na Lei n° 7.798/89 e Decreto n° 97.976/89, afirmando que, para usufruir do beneficio, necessário se faz, em primeiro lugar, obter o Certificado de Registro do Produto no Ministério da Agricultura, para depois encaminhar o pedido ao Ministério da Fazenda. Rebate a argumentação do fiscal autuante, que lhe nega o direito A. fruição do beneficio fiscal no período lançado, porque estaria sob procedimento fiscal quando ingressou com os requerimentos de expedição dos Atos Declaratórios para seus produtos, questionando a validade do Termo de Intimação, que the pedira mapas e demonstrativos da produção e das vendas, como Termo de Inicio de Fiscalização para os efeitos da redução de aliquota, que ainda não havia sido constatada pelo fiscal. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 Cita o Acórdão n° 201-66.632/90, da Primeira Câmara deste Segundo Conselho de Contribuintes, no qual foi exarado o entendimento de que, expedido o Ato Declaratório pela Receita Federal, o beneficio da redução retroage ao momento do registro no Ministério da Agricultura. Em apoio A. sua tese, junta copia dos registros dos seus produtos. Por último, questiona a coerência dos argumentos do Fisco, quando entende não ser cabível o direito à fruição do beneficio da redução da aliquota, por falta dos Atos Declaratórios, sem que tenha exigido a diferença de imposto referente ao período posterior ao protocolo dos requerimentos por ela apresentados, cessando a cobrança em setembro de 1993, embora o auto de inflação tenha sido lavrado em 28.12.94. No que diz respeito A. auditoria de produção, a autuada discorda dos indices de perdas utilizados e informa que, a partir de janeiro de 1990, possuía contabilidade de custos coordenada e integrada com o restante da escrituração, e que a Tabela de Coeficientes Técnicos (fls. 401), que indica a relação de consumo insumo/produto no período de nov/88 a ago/91 não foi elaborada com base nos dados desta contabilidade. Alega que os anexos referida tabela referem-se ao período de 01.01.88 a 31.12.89. Reclama também do fato do autuante não ter examinado o consumo dos outros componentes do seu produto, fixando-se apenas no controle das rolhas metálicas. Conclui sua reclamação com pedido de perícia, tendo em vista os Mapas I, II e III, que acosta aos autos, elaborados com base na sua contabilidade de custos integrada, os quais demonstram, na comparação do consumo real de materiais com o consumo teórico dos mesmos materiais, ganho ou perda, em percentuais bem abaixo daqueles constantes da coluna "amplitude" constante na Tabela de Coeficientes Técnicos. Por observância dos ditames legais, apresenta os quesitos que deseja ver respondidos e nomeia o seu assistente técnico. A DRJ em Juiz de Fora — MG, observando as razões de defesa apresentadas pela autuada, antes de julgar o feito, determinou a realização de diligência, com o fim de esclarecer possíveis diferenças de interpretação da Tabela de Coeficientes Técnicos (fls. 401), no tocante aos indices de consumo padrão. No seu Despacho de fls. 439/443, desenvolveu extenso arrazoado sobre como entendeu que devessem ser calculados os indices de perda, que opôs à contribuinte, para que a mesma concordasse ou discordasse, juntando os elementos que julgasse necessários, podendo retificar eventuais falhas, inclusive se contidas na referida tabela, bem como solicitou a apresentação dos Atos Declaratórios da SRF, por ela requeridos em 28.09.93. Determinou, também, que se inquirisse a contribuinte sobre o que significa a assertiva: "Em todos os seus anexos, porém tais comprovantes referem-se ao período de 01.01.88 até 31.12.89", bem como esclarecimento quanto A. existência de contabilidade de custos integrada, que passou a possuir a partir de janeiro de 1990, que aduz fornecer informações mais exatas do que aquelas contidas na Tabela de Coeficientes Técnicos de fls. 401, mas, fez constar na referida tabela a validade ate agosto de 1991. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 Solicitou, ainda, a juntada das provas de que a autuada ofereceu A. fiscalização, que os recusou, os dados extraídos de sua contabilidade de custos integrada, e explicação quanto ao significado das abreviaturas utilizadas nos Mapas I, II e III (fls. 432 a 437). Determinou, por Ultimo, que a autuada respondesse os quesitos que formulou às fls. 419 dos autos, fazendo juntar os elementos comprobatórios pertinentes. Em face das respostas e provas apresentadas, a mencionada DRJ solicitou ao fiscal autuante a reavaliação dos aspectos que deram sustentação à exigência fiscal e especificamente que: a) respondesse por que não foram consideradas as informações do Sistema de Contabilidade de Custos Integrada; b) avaliasse os Mapas I, II e III; c) esclarecesse as diferenças de valores no Quadro 02 (fls. 45) e os informados pela contribuinte no Quadro de fls. 435 (Mapa II); e d) providenciasse as alterações porventura necessárias na exigência fiscal. A empresa, respondendo à Intimação que lhe propôs os quesitos elaborados pela referida DRJ (fls. 450/455), concorda com a forma de calculo das perdas apresentada pela DRJ, que culminou com os percentuais máximos de perdas de 4,894% e 7,585% para os produtos Brahma e Skol, respectivamente, tendo por base a Tabela de Coeficientes Técnicos de fls. 164, porém, alega que referida tabela foi fornecida ao Fisco sob coação, porque s6 teve 5 (cinco) dias para elaborá-la. Além disso, afirma que os dados daquela Tabela foram montados em agosto de 1993, quando a empresa renovara seu parque industrial, passando a ter máquinas mais modernas do que em 1990, com percentuais de perdas menores. Ainda reclama da não utilização de outro insumo para abatimento dos valores obtidos pela fiscalização, e alega que o Fisco, ao levantar o quantitativo de rolhas metálicas a partir das notas fiscais do seu fornecedor, deveria ter ouvido tal fornecedor acerca do método utilizado por ele para determinar a quantidade de unidades por caixa. Informa que, no documento que junta ás fls. 262, fica patenteada uma perda de 3,9%, considerando-se o padrão de peso que é a forma de controle do fornecedor. Alega que a Tabela de Coeficientes Técnicos abrange unicamente o processo produtivo e que existem outros fatores de perdas não contemplados naquela tabela, que alteram os cálculos efetuados pelo Fisco. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES I V Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 Aponta erros no procedimento fiscal: no Quadro 02, as compras não foram de 23.350.000 mas de 23.380.000 de unidades; no Quadro 05, a formula Produção = Vendas + EF - EI, porque desconsidera as quebras e devoluções; e, no Quadro 6, montado a partir dos Quadros 03 e 05. Apresenta sua versão retificada dos Quadros 02, 05 e 06, este Ultimo levantado a partir dos seus Mapas II e III, nos quais não existem diferenças relativas ao ano de 1990. Conclui sua resposta descrevendo os dados controlados pela sua Contabilidade de Custos e informando o significado das abreviaturas utilizadas nos Mapas I, II e III, prometendo enviar, a posterori, a resposta aos quesitos propostos no pedido de perícia. Com relação aos Atos Declaratórios, informa que a SRF não os expedira até aquele momento. A autoridade lançadora, em novo pronunciamento, informa que 98% do crédito-tributário decorre da utilização indevida da aliquota reduzida, por inexistência dos Atos Declaratórios da SRF. No tocante à alegada existência de Contabilidade de Custos, informa: "A autuada não apresentou a integração da contabilidade de custos coin o restante da escrituração, anexando mapas com diferentes tipos de levantamentos, sem apresentar os registros contábeis, os documentos internos de controle e os livros fiscais que materialmente comprovassem tais números. No ano-base de 1990, a contabilidade da contribuinte foi refeita produzindo resultado diverso ao originalmente levantado. Na reescrituração contábil o contribuinte inaugurou sua contabilidade de custos, tentando integrá-la ao restante da escrituração. Como conseqüência dessa reabertura, novo Livro Diário foi gerado, sem que o contribuinte, até a época da assinatura do auto de infração, em 28.12.94, houvesse retificado sua declaração de rendimentos. Talvez por isso mesmo a autuada não nos mostrou, como sendo oficial, o segundo livro onde continha sua contabilidade de custos. Queremos ressaltar que os valores de produção alegados pela contribuinte nos mapas elaborados, em nenhuma hipótese fecham com os registros efetuados no Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, condição "sine qua non" para considerarmos sua contabilidade de custos apta para produzir prova em seu favor e integrada com o restante da escrituração (como exemplo, anexamos cópias do registro da produção do 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES I Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 Guaraná Brahma, produto mais significativo fabricado pela contribuinte). Mais o livro fiscal foi escriturado antes da reescrituração contábil. Ora, os valore ali lançados como de quantidades produzidas são preexistentes, escriturados no mesmo momento temporal da respectiva produção. Como pode a contabilidade de custos, posteriori" alterar o quantitativo de caixas produzido. Poderia haver uma diferença nos valores monetários do Custo dos Produtos Fabricados, do Custo dos Produtos Vendidos, etc.. Uma modificação na quantidade produzida, para que pudesse ser aceita deveria vir acompanhada de concretas provas de sua alteração, dada a modificação na forma de se contabilizar a produção. A alegação de que houve consumo inferno, lançado posteriori", sem a respectiva comprovação fática, através de documentação hábil e idônea, desautoriza sua escrituração posterior. " Em virtude das ponderações da DRJ, alguns cálculos foram refeitos, sendo retificada a omissão de produção de refrigerantes para 22.662 dúzias. Com relação aos demais erros alegados pela contribuinte, o autuante informa que mantém os dados utilizados, por serem os que constam nos livros fiscais e contábeis da fiscalizada. A autoridade de primeira instancia julgou parcialmente procedente o lançamento, retificando a exigência relativa à Auditoria de Produção, em decorrência da alteração proposta pelo autuante, não reconhecendo, entretanto, a utilização de aliquota reduzida, porque a empresa s6 preencheu a primeira das duas condições exigidas para a sua fruição, ou seja, o registro do produto no Ministério da Agricultura, faltando-lhe obter o Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal. Em questão preliminar declara a validade da primeira intimação como sendo o Termo de Inicio da Ação Fiscal, em relação a todos os fatos apurados, estribando-se no artigo 7°, inciso I, do Decreto n° 70.235/72. Com relação à Auditoria de Produção, após detalhar os procedimentos adotados pelo Fisco, a autoridade a quo concluiu que: não houve arbitramento de valores ou parâmetros; é perfeitamente válida a utilização do parâmetro escolhido, ou seja, a rolha metálica, para a auditoria de produção, da forma prevista no artigo 343 do RIPI182; o pedido de perícia deve ser negado, por desnecessário, em face dos elementos que compõem o processo e da debilidade dos argumentos trazidos a. colação; 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 os coeficientes de perdas utilizados são válidos: porque expressam a condição de perda maxima, ou de produção minima; foram declarados pela empresa na Tabela de Coeficientes Técnicos, a qual não contém falhas como alegado, posto que a empresa não a corrigiu, apesar de ter tido várias oportunidades; - a alegação de que o fabricante das rolhas metálicas deveria ter sido ouvido não merece acolhida, já que a manifestação dele ás fls. 262, trazida aos autos pela impugnante, em nada a socorre, uma vez que o índice de 3,9% que a contribuinte alega representar perdas na quantidade de rolhas metálicas fornecidas, nada mais é do que a variação maxima possível no peso da caixa contendo 10.000 rolhas metálicas, devido a pequenas diferenças de espessura que ocorrem no processo de fabricação das chapas; não se pode levar em consideração a reclamação de que a Tabela de Coeficientes Técnicos, elaborada em 1993, prejudica a empresa, se esta, mesmo tendo tido várias oportunidades, não apresentou as correções e as provas de suas argumentações, ou, quando apresentadas, não puderam ser comprovadas; todas as saídas de refrigerantes informadas pela empresa foram contempladas, inclusive o consumo dos funcionários, sob o titulo de outras saidas; - a inconsistência dos valores apresentados pela Contabilidade de Custos da autuada impedem sua utilização como meio de prova em seu favor. Por estas conclusões a autoridade monocratica manteve a cobrança da diferença de imposto não lançado, decorrente da utilização indevida da redução de aliquota, e a tributação da omissão de vendas, na quantidade de 22.662 dúzias de refrigerantes. Não satisfeita com aquela decisão, a empresa recorre a este Conselho, alegando, com relação à utilização de aliquota reduzida, que os seus franqueadores, a Cia. Cervejaria Brahma e a Cervejarias Reunidas Skol Caracu S.A. possuem os Atos Declaratórios da SRF, sendo que, no seu caso, os mesmos encontram-se em tramitação. Informa que seus produtos encontram-se registrados no Ministério da Agricultura e que, quando a SRF baixar os Atos Declamatórios que pleiteou, estes deverão retroagir à data dos citados registros, como tem se pronunciado o Segundo Conselho de Contribuintes em diversos acórdãos. Acrescenta que o Ato Declaratório da Receita Federal é uma simples formalidade, que não lhe pode negar o direito a fruição do beneficio, cujo direito adquiriu 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000822/9447 Acórdão : 202-09.806 quando obteve o registro no Ministério da Agricultura. Ademais, alega que o atraso no deferimento do seu pedido junto A. SRF fundamenta-se em diversas correspondências que recebeu, todas impondo como condição a solução de dividas fiscais, algumas delas inclusive impugnadas. No tocante A. Auditoria de Produção, volta a clamar pelo pedido de perícia para que pudessem ser examinadas todas as saídas, bem como as perdas de produto cheio e o consumo interno, dentro dos padrões constantes da atual Contabilidade de Custos à disposição da fiscalização. Cita o Acórdão n° 202-06.157, de 19.04.94, da 2 Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, cuja ementa transcreve, no qual, ao apreciar a Auditoria de Produção, o recurso foi provido, tendo em vista que a diferença encontrada foi desprezível, segundo laudo técnico do INT, e o Acórdão n° 101-86.788, de 06.07.94, cuja ementa também transcreve, no qual a la Camara do 1° Conselho de Contribuintes manifesta-se no sentido de que "excepcianados aqueles fundados em presunções legais, qualquer outro lançamento tributário que considere ocorrida omissão de receitas, deve repousar em elementos concretos, objetivos, sólidos na sua estruturação. 0 arbitramento da produção, fundado apenas no consumo de determinada matéria-prima, não se reveste dos elementos essenciais para respaldar o lançamento ". Por fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. A Procuradoria da Fazenda Nacional, através da Seccional localizada em Governador Valadares, manifesta-se pela improcedência do recurso, entendendo que as alegações apresentadas já foram amplamente rebatidas pela autoridade a quo. Quando o processo já se encontrava neste Conselho, a empresa retorna aos autos, desta feita para apresentar cópia dos Atos Declaratórios es 05, 06 e 07, de 08.04.96, que reconhecem o seu direito à utilização da redução de aliquota do IPI prevista no artigo 53 do R1P1182, retroativamente a 03 de fevereiro de 1982, no tocante aos seguintes produtos: LIMÃO ou SODA LIMONADA, refrigerante de laranja SUQUITA e GUARANÁ, todos da marca BRAHMA. o relatório. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR TARASIO CAMPELO BORGES 0 recurso é tempestivo e dele conheço. DAS PRELIMINARES 0 pedido de perícia, manifestado na impugnação e agora reiterado, como questão preliminar, deve ser analisado em primeiro lugar. 0 que deseja a recorrente é que suas máquinas sejam periciadas, com o fim de reavaliar se as perdas são aquelas por ela informadas, bem como que outros insumos integrantes e seus produtos sejam auditados para checagem do resultado obtido pela fiscalização. A Auditoria de Produção é realizada com base nos registros contábeis, fiscais, informações técnicas fornecidas pelo sujeito passivo e através de visitação do representante do Fisco às dependências do estabelecimento industrial, tendo por fim dotar o processo fiscal do maior número de elementos objetivos que possam constituir provas, tanto a favor da Fazenda como do contribuinte. Sobre a necessidade ou não de perícia técnica destinada a esclarecer qualquer ponto obscuro e importante para o deslinde da questão, assim se pronunciou Luiz Henrique Barros de Arruda, em seu Livro Processo Administrativo Fiscall : 'Embora não explicitado no Decreto em apreço2 , deve-se concluir somente ser justificável a formulação de pedidos de diligência ou perícias, pelo Reclamante, quanto a matéria de fato, ou assunto de natureza técnica, cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos, quer pelo volume de papéis envolvidos na verificação, quer pela impossibilidade de deslocar as elementos examináveis. O artigo 17 confere à autoridade preparadora o poder discricionário para deferir ou não o pedido de perícia. Essa liberdade de escolha, no caso, por força dos dizeres do próprio dispositivo que a regula, está condicionada ao exame da prescindibilidade e da possibilidade da medida. 1 BARROS DE ARRUDA, Luiz Henrique — Processo Administrativo Fiscal/Manual — Resenha Tributária/jan.93 — págs. 56 e 59 2 Decreto n° 70.235/71. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -.1 Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 Em outras palavras, o poder discricionário para indeferir pedidos dessa espécie não foi concedido ao agente público para que dele disponha segundo sua conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema, que, em última análise, consiste em fazer aflorar a verdade material com o propósito de certificar a legitimidade do lançamento. Assim é indispensável a validade do ato denegatório da diligência ou da perícia, a declaração formal das circunstâncias que o motivaram, ou seja, das causas que determinaram a conclusão da prescindi bilidade ou da impossibilidade da medida. Caso contrário, configurar-se-á a hipótese prevista no artigo 59, inciso IL " (os destaques são do original). 0 Delegado da Receita Federal, ao indeferir o pedido de perícia, louvou-se em parecer do fiscal autuante, e a autoridade de primeira instância ao manter a negação, embasou-se no procedimento levado a efeito pela fiscalização, que descreveu pormenorizadamente, o qual contemplou, a seu ver, todos os requisitos necessários, de vez que se fundamentou unicamente em dados fornecidos pela autuada, inclusive nos percentuais de perdas por ela declarados e não contestados. Não é outra a minha conclusão, após análise detalhada dos documentos que compõem os autos, onde restou claro que a recorrente teve diversas oportunidades para contestar os dados por ela fornecidos em momentos anteriores, o que não fez. A própria Tabela 'Movimento Estoques 1989" juntada ao recurso deveria ter sido apresentada na fase impugnatória ou por ocasião da diligência determinada pela DRJ, quando a empresa foi questionada sob a validade dos dados constantes da Tabela de Coeficientes Técnicos, da qual foram retirados os percentuais de perdas utilizados na Auditoria de Produção. Saliente-se ainda que o indeferimento da pericia técnica não afronta o direito de ampla defesa, como quer fazer crer a apelante, uma vez que a sua realização só tem sentido quando visa esclarecer qualquer ponto obscuro e importante ao deslinde da questão. No caso em tela, como ficou bem demonstrado, os documentos e demonstrativos constantes no processo são suficientes para que o julgador firme sua convicção. Quanto à menção de que o atraso na expedição dos Atos Declaratórios que solicitara já em 1993, não creio que este seja o foro propicio para apreciação do fato, de vez que refoge a competência deste Colegiado. Acho oportuno esclarecer, entretanto, que os Atos anexados ao processo durante a fase de julgamento em segunda instância serão considerados no julgamento do mérito. Rejeito as preliminares levantadas. 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 DO MÉRITO DA UTILIZAÇÃO INDEVIDA DA REDUÇÃO DE ALIQUOTA A norma legal que autoriza a redução, no caso a NC (22- 1) da TIPI188, dispõe que: "Ficam reduzidas ('2 50% as aliquotas do IPI incidentes sobre as mercadorias classificadas nos códigos 2202.90.0101, 2202.90.0102, 2202.90.0201, 2202.90.0202 e 2202.90.9900, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e estejam registradas no órgão competente desse Ministério. " 0 que se depreende é que, para gozo da redução em foco, os produtos fabricados pela recorrente deverão atender aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e devem estar registrados no órgão competente desse Ministério. Por outro lado, o artigo 53 do RIPI182 determina que a redução em questão será declarada, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal. Essa declaração foi baixada pelos Atos Declaratórios juntados aos autos após a apresentação do recurso, expedidos que foram somente em 08.04.96, os quais indicam, em seu texto retificado em 11.06.96, efeitos retroativos a 03.02.82, para os produtos da marca Brahma (Sukita, Limão Brahma ou Soda Limonada e Guaraná). Nestas condições, a Recorrente, em relação aos produtos acima, já era detentora do direito ao gozo da redução indicada desde 03.02.82, embora sob condição de futuro reconhecimento pela Secretaria da Receita Federal. Feito este reconhecimento, a redução, que remanescia no campo do direito, implementou-se de fato. Para fruição do beneficio da redução da aliquota do ]PI, prevista na NC (22-1) da TIPI188, conforme jurisprudência deste Colegiado, faz-se necessário que o produto seja dotado de Certificado de Registro no Ministério da Agricultura e de Ato Declaratório expedido pela Secretaria da Receita Federal. Neste sentido cito os Acórdãos ifs 201-66.629, de 17.10.90, e 201-67.456, de 23.10.91, sendo também esta a interpretação que verte do Acórdão n° 201-66.632, que integra o processo, as fls. 322/327, da lavra do ilustre Conselheiro Lino de Azevedo Mesquita. Deixo de considerar os demais argumentos apresentados a respeito do atraso na expedição dos Atos Declaratórios, porque, além de estarem desacompanhados das competentes provas, não têm o condão de modificar o que aqui se decide. Pelo exposto, deve ser excluída da exigência fiscal as parcelas do lançamento que correspondem as glosas das 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 reduções de aliquotas utilizadas pela empresa nas saídas dos seguintes produtos da marca BRAHMA: LIMÃO OU SODA LIMONADA, SUQUITA E GUARANÁ. DA AUDITORIA DE PRODUÇÃO Os argumentos expendidos no recurso, no tocante A. Auditoria de Produção, pouco inovam se comparados àque les apostos na impugnação. Por entender que os mesmos foram exaustivamente examinados pelo julgador de primeira instância, adoto suas razões de decidir, da forma como foram resumidas no relatório deste julgado. Alguns pontos do recurso merecem detido análise, o que passo a fazer. A Tabela 'Movimento Estoque 1989" apresentada somente em grau de recurso, veio acompanhada dos seguintes argumentos: a) as entradas e saídas consideradas pelo Fisco foram buscadas somente nas notas fiscais; b) a contribuinte não emite notas de consumo interno e nem tampouco de quebras de produtos cheios: c) por outro lado, estes dados não são lançados em nenhuma linha do Livro de Controle de Produção e Estoque; d) que na diligência não ficou claro que poderia modificar a Tabela de Coeficientes anteriormente fornecida, se quisesse; e) que em nenhum momento o Fisco verificou se o montante das saídas informadas pela contribuinte é a mesma em valores daqueles números constantes do item vendas na contabilidade e na Declaração do IRPJ; f) que a prova dita não produzida pela decisão a quo é a tabela que juntou ao recurso, elaborada dentro dos padrões constantes da atual Contabilidade de Custos; g) que na referida tabela as colunas PNendas e O. Saídas contemplam somente as saídas com notas fiscais. As outras colunas indicam as quantidades de produtos saídos do estabelecimento sob a forma de bonificação, remessa para laboratório e troca de produto recebido dos clientes, que não constaram nos demonstrativos apresentados ao Fisco em 14.09.93. Quando analisei a questão da perícia nas preliminares, a rejeitei devido h. clareza do procedimento fiscal, transparente nos autos, baseado sempre em elementos fornecidos pela reclamante ou retirados de sua contabilidade. Lá também questionei a oportunidade da apresentação da Tabela 'Movimento Estoque 1989" somente na fase recursal, 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 sem justificativa plausível para ter sido negada em todas as oportunidades de defesa anteriores, de modo que a mesma fosse apreciada e considerada pela fiscalização e pela autoridade monocrática. A alegação de que as saídas consideradas pelo Fisco são só aquelas obtidas de notas fiscais (alínea g) depõe contra a contribuinte em todos os sentidos que ela pretende dar, posto que nenhuma saída externa pode dar-se sem a competente emissão da nota fiscal. Está claro, que neste item incluem-se todas as saídas sob a forma de bonificação, remessa para laboratório e troca de produto recebido de clientes. No tocante ao que se alega nas alíneas "a", "b" e "c", entendo que as quebras de produto cheio e o consumo interno foram considerados nos percentuais de 5% e 8%, utilizados pela autuação, não importando o fato de não terem sido incluídos no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. Quanto As alegações de que não sabia que poderia retificar seus dados nas fases processuais anteriores, de que a prova que não fez perante a autoridade a quo é a tabela que ora apresenta e que o Fisco não comparou os dados apurados com sua Declaração de Imposto de Renda, entendo tratar-se de argumentos protelatórios, pelo que as considero desnecessárias neste passo, em que todos elementos motivadores da exigência tributária foram amplamente debatidos. No tocante As ementas de acórdãos transcritos pela apelante, não se prestam ao fim colimado, o primeiro por se tratar de caso diverso, em que a Auditoria de Produção culminou com valores irrisórios, que se confundiam com os valores das pardas admissíveis, e o segundo por se referir a lançamento de IRPJ. No caso do LPL a presunção legal da omissão de receitas apurada em Auditoria de Produção está amparada na norma contida no artigo 343, §1°, do RIPI182. Por tudo que se depreendeu dos dados analisados, o critério adotado pela fiscalização, com as devidas informações técnicas fornecidas pela contribuinte na determinação das quantidades obtidas, fundam-se em elementos que servem, por eles mesmos, para descrever com propriedade as reais quantidades produzidas, nos exatas termos em que foram consideradas. Neste particular, entendo que a decisão recorrida é irreparável. DA MULTA DE OFÍCIO - RETROATIVIDADE BENIGNA Tendo em vista a superveniência da Lei n° 9.430, de 27.12.96, cujo artigo 45 deu nova redação ao inciso I do artigo 80 da Lei n° 4.502/64 (matriz legal do inciso II do artigo 364 do RIPI182), reduzindo a multa de oficio nele prevista para 75%, entendo que 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10630.000822/94-17 Acórdão : 202-09.806 referida redução deve ser aplicada ao caso presente, por força do disposto no artigo 106, inciso alínea "c", do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA - TRD Por fim, quanto A. exigência da TRD, entendo que a mesma é indevida no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991, conforme farta jurisprudência firmada neste Conselho, tendo em vista que a Lei n° 8.383/91, pelos seus artigos 80 a 87, ao autorizar a compensação ou a restituição dos valores pagos a titulo de encargos da TRD, instituidos pela Lei n° 8.177/91 (artigo 9°), considerou indevidos tais encargos, e, ainda, pelo fato da não aplicação retroativa do disposto no artigo 30 da Lei n° 8.218/91, devendo ser mantida a sua cobrança a partir de 30.07.91, quando foram instituidos os juros de mora equivalentes A. TRD pela Medida Provisória n° 298/91, em 29.08.91, convertida, com emendas, na Lei n° 8.218/91. Ademais, a própria Secretaria da Receita Federal já reconheceu a improcedência da exigência da TRD no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991 (Instrução Normativa SRF n° 032/97). Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso para: excluir da exigência as parcelas correspondentes às glosas das reduções de aliquotas nas saídas dos produtos Limão ou Soda Limonada, Sulcita e Guaraná, todos da marca Brahma; reduzir a multa de oficio de 100% para 75%; e excluir da exigência a parcela da TRD no período de 04 de fevereiro a 29 de julho de 1991. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 1998 TARASIO CAMPELO BORGES 14
score : 1.0
Numero do processo: 13896.906529/2009-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 65 29 /2 00 9- 90Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório A contribuinte inicialmente apurou débito de Cofins na competência de dezembro de 2004, realizando por meio de DARF o recolhimento de R$ 21.215,53, em 15/04/2004. Posteriormente revendo a sua contabilidade percebeu que a referida dívida efetiva seria de R$ 175,50, lhe restando um saldo credor de R$ 20.040,03, o que caracteriza o indébito, no seu entendimento. Em 24/01/2005 apresentou o Per/Dcomp no intento de compensar essa diferença, não logrando êxito, pois o seu pleito não foi homologado, uma vez que os sistemas da Receita Federal do Brasil não localizaram o DARF ensejador do aludido crédito. Decorrente dessa situação em 19/10/2006 a contribuinte retificou a Dcomp outrora apresentada ao Fisco, notadamente alterando dados relacionados ao DARF não localizado. Desta feita a não homologação resultou da análise do crédito informado, que foi integralmente utilizado para a quitação de outros débitos próprios. A inconformidade do sujeito passivo se dá em relação à ocorrência de mero erro de fato, que pode ser demonstrado por meio da DIPJ, sob a alegação de que desse erro não pode implicar exação. Vieram os autos conclusos para julgamento pela Turma da DRJ/ cuja decisão por meio do Acórdão nº , encontrase sintetizada através da ementa adiante transcrita: O voto condutor do acórdão acima citado entendeu encontrarse escorreito os termos vazados no Despacho decisório, bem assim que a contribuinte não laborou em demonstrar, por meio de provas hábeis e idôneas a certeza e liquidez do crédito o bastante para a realização da compensação intentada. Cientificado da decisão de piso em 21/03/2012, contra a mesma interpôs recurso voluntário em 16/04/2012, para reiterar de forma minudente os termos vazados na exordial. É o que importa relatar. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13896.906529/200990 Acórdão n.º 3803004.298 S3TE03 Fl. 5 3 Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios, no período situado entre : 01/02/2004 a 29/02/2004, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência e regularidade. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico, bem assim na listagem de créditos/saldos remanescentes e no Demonstrativo Analítico de Compensação (fls. 05, 07 e 08), que atestam a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada, tampouco restou demonstrada a certeza e liquidez do crédito alegado. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. Finalmente é certo ser de iniciativa exclusiva da contribuinte demandar a compensação pela via de Per/DComp. Por conseguinte, também é sua a responsabilidade de demonstração cabal da existência e regularidade do direito creditório nela informado, o que se dá por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, por ocasião da protocolização da manifestação de inconformidade, de acordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, para verificação pelo julgador tributário. O não cumprimento deste requisito legal afasta a possibilidade de atendimento da proposição formulada pela contribuinte no recurso aviado. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Não se pode olvidar que a recorrente teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes à comprovação da certeza e liquidez do crédito informado em valores suficientes a viabilizar a compensação pretendida e não o fez. De igual modo os sistemas de informação da Receita Federal do Brasil possibilitaram demonstrar de forma inconteste a inexistência do crédito alegado em Per/DComp, sistemas estes alimentados por informações fornecidas pela própria contribuinte. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões, em de junho de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19515.001372/2006-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 31/12/2000, 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/03/2002 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 31/12/2002, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/10/2005 a 31/10/2005
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DEFINITIVA DO RESP 973.733-SC. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN.
O termo inicial para contagem do prazo decadencial de tributo sujeito ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver pagamento, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
TRIBUTO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO NA DATA DE VENCIMENTO. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF nº 5:
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
DECISÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL JULGADO NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO.
No julgamento de processo administrativo fiscal pelos colegiados do CARF, deve ser reproduzida a decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ em matéria infraconstitucional , na sistemática do recurso repetitivo.
Numero da decisão: 3402-002.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr Leandro Bettini, OAB/SP 237509
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente-Substituto).
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrente FUNDAÇÃO SÃO PAULO Recorrida DRJ em SÃO PAULOSP I ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 31/12/2000, 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/03/2002 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 31/12/2002, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/10/2005 a 31/10/2005 LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. A inocorrência de infração à legislação tributária não obriga a constituição do crédito tributário em Notificação de Lançamento e, portanto, não macula, por si só, o auto de infração com vício de nulidade. TUTELA JURISDICIONAL. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DISPOSIÇÕES LEGAIS. AFRONTA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AFASTAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO COLEGIADO ADMINISTRATIVO. SÚMULACARF nº 2: A nãoaplicação de lei por afronta a dispositivos constitucionais configura reconhecimento da inconstitucionalidade da lei não aplicada e o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECISÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL JULGADO NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 72 /2 00 6- 85 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 No julgamento de processo administrativo fiscal pelos colegiados do CARF, deve ser reproduzida a decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ em matéria infraconstitucional , na sistemática do recurso repetitivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 31/12/2000, 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/09/2001 a 30/09/2001, 01/03/2002 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 31/12/2002, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/10/2005 a 31/10/2005 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DEFINITIVA DO RESP 973.733SC. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. O termo inicial para contagem do prazo decadencial de tributo sujeito ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver pagamento, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. TRIBUTO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO NA DATA DE VENCIMENTO. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr Leandro Bettini, OAB/SP 237509 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Junior, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Gilson Macedo Rosenburg Filho (PresidenteSubstituto). Fl. 552DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 19515.001372/200685 Acórdão n.º 3402002.129 S3C4T2 Fl. 552 3 Relatório Contra a pessoa jurídica qualificada neste processo foi lavrado auto de infração para constituição de crédito tributário relativo à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente da constatação de diferença entre os valores devidos e os declarados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), em períodos de apuração compreendidos entre setembro de 2000 e outubro de 2005. A exigência tributária foi impugnada e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP I (DRJ/SPOI) decidiu não apreciar as razões da impugnação que foram submetidas à tutela jurisdicional, nos autos da Ação Declaratória nº 2000.61.00.0082492, com pedido de tutela antecipada, e julgar procedente em parte o lançamento, para reconhecer a extinção, pela decadência, do crédito tributário relativo decorrente dos fatos geradores ocorridos em setembro e em novembro de 2000. Cientificada dessa decisão em 13 de maio de 2011, a contribuinte interpôs recurso voluntário para alegar, em preliminar, a nulidade do lançamento, em virtude da inadequação do meio utilizado para formalização da exigência tributária, a inexistência de renúncia à via administrativa, tendo em vista que, ademais de o art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, referirse a medida judicial proposta após a lavratura do auto de infração, esse dispositivo legal está revogado em face do art. 51 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e a decadência pela aplicação do art. 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, a recorrente alegou, em síntese, que: I – é entidade filantrópica que pratica a assistência social nas áreas de educação e saúde e cumpre os requisitos previstos no art. 14 do CTN e, portanto, é imune às contribuições sociais, por força do art. 195, § 7º, da Constituição Federal; II – o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é competente para afastar norma que afronta disposições constitucionais; III – não houve atraso no recolhimento, visto que o crédito tributário sempre esteve com a exigibilidade suspensa, por isso não podem ser exigidos juros moratórios; e IV – a incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) é ilegal e inconstitucional. Ao final da peça recursal, solicitouse o conhecimento e provimento do recurso para reformar a decisão da primeira instância e desconstituir integralmente o lançamento. É o relatório. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo, foi proposto por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do CARF, por isso deve ser conhecido. Preliminarmente, sobre a formalização da exigência, a recorrente sustentou, em síntese, que, não se tendo constatado infração à legislação tributária, tampouco a ocorrência de fatos geradores sem cumprimento da obrigação principal, o crédito tributário deveria ser constituído em notificação de lançamento e não em auto de infração e, por isso, seria nulo o lançamento. Nesse ponto, cumpre trazer a lume o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que rege o processo de determinação e exigência do crédito tributário, cujos arts. 10 e 11, com a redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelecem, ipsis litteris: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente:; I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (Grifouse) À vista dos dispositivos regulamentadores supratranscritos, no exame da questão suscitada, não se pode olvidar, a competência privativa1 da autoridade administrativa 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 554DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 19515.001372/200685 Acórdão n.º 3402002.129 S3C4T2 Fl. 553 5 para constituir o crédito tributário pelo lançamento, em auto de infração ou em notificação de lançamento, e, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, não é a ocorrência ou a não ocorrência de infração à legislação tributária que determina a forma do lançamento, mas, sim, o agente formalizador da exigência. Notese que o art. 10 do precitado Decreto, ao tratar do auto de infração, prescreve sua lavratura por servidor competente, enquanto o art. 11 desse mesmo Decreto, para a notificação de lançamento, estabelece sua expedição pelo órgão que administra o tributo, sem, contudo, excluir a possibilidade de assinatura da notificação de lançamento por servidor autorizado, que pode ser, inclusive, o servidor competente referido no art. 10. Na prática, a constituição do crédito tributário em auto de infração ou em notificação de lançamento é definida pelos procedimentos necessários à formalização da exigência. Assim, na hipótese em que as informações disponíveis no órgão que administra o tributo forem suficientes para identificar o sujeito passivo, verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido, com ou sem aplicação de penalidade, o crédito tributário pode ser constituído em notificação de lançamento expedida pelo próprio órgão ou em auto de infração, que, geralmente, são de expedição eletrônica. Por outro lado, necessitandose de informações outras obtidas por meio de intimações feitas ao sujeito passivo no curso do procedimento fiscal, como é o caso destes autos, o meio adequado para se constituir o crédito tributário é o auto de infração. Concluise, portanto, que não existe o vício de nulidade argüido pela recorrente, visto que é a competência para o lançamento que definirá a formalização da exigência tributária em auto de infração ou em notificação de lançamento. Ressaltese, a título ilustrativo, que, com esse direcionamento, foi editado o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que, tendo por base legal os arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1072, para trazer maior clareza ao tema, dispôs em seu art. 31: Art.31. O lançamento de ofício do crédito tributário compete: I a AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em auto de infração; ou II ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregado da formalização da exigência ou ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil por ele designado, mediante delegação de competência, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em notificação de lançamento. correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (LEI Nº 5.172, DE 1966 CTN) Fl. 555DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 6 Parágrafo único. O servidor que verificar a ocorrência de infração à legislação tributária federal e não for competente para formalizar a exigência decorrente comunicará o fato, em representação circunstanciada, a seu chefe imediato para adoção das providências necessárias (Decreto no70.235, de 1972, art. 12). Quanto à decadência, em face do disposto no art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – Regimento Interno do CARF (RICARF), com as alterações posteriores,deve ser reproduzida a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 973.733SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux, na forma dos recursos repetitivos, assentou o entendimento de que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de inocorrência de pagamento, aplicase o art. 173, inc. I, do CTN, para se verificar a fluência do prazo decadencial. Do precitado julgado, transcrevese a ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente Fl. 556DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 19515.001372/200685 Acórdão n.º 3402002.129 S3C4T2 Fl. 554 7 dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida quanto à decadência. Sobre a renúncia à via administrativa, incide a Súmula CARF nº 1, divulgada pela Portaria CARF nº 52, de 21 de outubro de 2010, com acórdãos paradigmas são posteriores à vigência da Lei nº 9.784, de 1999, e de observância obrigatória por este colegiado, conforme art. 72 do RICARF, Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Grifouse). Quanto ao mérito, registrese que as razões recursais relativas às qualificações subjetivas da recorrente, que, aliadas ao cumprimento de requisitos previstos no art. 14 do CTN, supostamente lhe confeririam imunidade em relação a exigência formalizada nestes autos, não podem ser aqui apreciadas, em virtude da submissão dessa questão de mérito à tutela jurisdicional, impondose, portanto, a incidência da Súmula CARF nº 1 supratranscrita. À argüição de competência do CARF para deixar de aplicar norma que afronta a Constituição Federal opõese a Súmula CARF nº 22, divulgada pela mesma Portaria CARF nº 52 referida alhures. Isso porque, ao cabo, o afastamento de lei por afronta a disposições constitucionais, com efeito, configura manifestação sobre a inconstitucionalidade da disposição legal afastada. 2 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 8 No que diz respeito à ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa referencial Selic e inexigibilidade dos juros moratórios, eximese aqui de apreciar as argüições trazidas pela recorrente sobre essas questões com minudências, tendo em vista tratarse de matérias já sumuladas pelo CARF, cabendo apenas a reprodução do teor das Súmulas CARF nº 4 e nº 5, respectivamente: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Diante do exposto, voto pela rejeição das preliminares argüidas pela recorrente e, no mérito, por negar provimento ao recurso. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 558DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
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Numero do processo: 10410.720615/2012-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/08/2010
COMPENSAÇÃO
A compensação só poderá ser efetuada com créditos líquidos e certos e entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie.
Numero da decisão: 2403-002.171
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 06 15 /2 01 2- 20 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.720615/201220 Acórdão n.º 2403002.171 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, Acórdão 1136.758 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Trata o presente feito do Resultado da Ação Fiscal desenvolvida no contribuinte acima identificado. Em seu desfavor foram lavrados os Autos de Infração nº 51.018.3700 e 51.018.3719, para a exigência das Contribuições Sociais decorrentes da glosa de compensações indevidamente promovidas pelo contribuinte. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 67 a 79 e seus anexos (fls. 7 a 36 e 38 a 66), as compensações relativas a contribuições de segurados foram glosadas no Auto de Infração nº 51.018.3700 e as da empresa, no de nº 51.018.371 9. Período das glosas : 02 a 08/2009, 04/2010, 06/2010 a 08/2010. Valor total do crédito apurado : R$ 30.562.872,73. A fiscalização afirma ter efetuado a glosa uma vez que as compensações não decorreram de contribuições previdenciárias indevidas, mas, do excedente que teria sido pago em relação a outros tributos administrados pela receita Federal do Brasil. Ainda conforme relato Fiscal, tal excedente referese a: I – saldo negativo de IRPJ em 1998; II saldo negativo de IRPJ em 2003 e 2009; III – COFINS 2008 e 2009; IV – PIS 2008 e 2009. A auditoria fiscal traz, como anexos ao relato fiscal, os seguintes demonstrativos: i planilhas de compensações informadas em GFIP (fls. 80 a 92); ii explicações do contribuinte acerca das origens dos valores compensados (fls. 93 a 100); iii GFIP do contribuinte (e de suas filiais) no período da compensação (fls. 101 a 275). Fl. 459DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A ciência do resultado fiscal foi promovida pessoalmente, em 09/02/2012 (f. 307), tendo a Impugnação sido apresentada em 12/03/2012 (fls. 312 a 253). A autuada traz em sua defesa as seguintes alegações: A tempestividade da defesa; B com a extinção da Secretaria da Receita Previdenciária (Lei nº 11.457/2007), toda a competência de fiscalização e administração das contribuições previdenciárias foi transferida para a Receita Federal do Brasil, não havendo nenhuma vedação expressa ao aproveitamento de créditos decorrentes de pagamento indevidos de outros tributos administrados pela RFB; C a edição da Lei 11.941/2009 operou a revogação do §2º do artigo 89 da Lei 8.212/91, que restringia a compensação de débitos previdenciários; D suposto entendimento pela vedação exposta no parágrafo único do artigo 26 da Lei 11.457/2007 (não aplicação do artigo 74 da Lei nº 9430/1996 para as contribuições referidas no artigo 2ª da Lei 11.457/2007) não abarca as contribuições da autuada, que se encontram previstas na alínea ‘d’ do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91. E a legitimidade do crédito decorrente do PIS e COFINS compensado está em discussão no Processo Administrativo nº 10410.723727/201151. Ao final, pede a nulidade do presente AI. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde reapresenta as teses da impugnação. É o relatório Fl. 460DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.720615/201220 Acórdão n.º 2403002.171 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A recorrente entende correta a compensação de contribuições previdenciárias com créditos tributários de outros tributos, sendo todos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Entendo que não cabe razão à recorrente. A glosa teve como fundamentos a falta de liquidez e certeza dos créditos, uma vez que a fiscalização aponta que “os créditos apontados pela empresa eram superiores aos apurados pela fiscalização ou até mesmo inexistentes, uma vez já utilizados para dedução das contribuições do PIS e da COFINS” e a Lei n° 11.457, de 2007, que criou a RFB, e que expressamente afastou a aplicação das regras de compensação previstas no art. 74 da Lei n° 9.430/1996, às contribuições previdenciárias, conforme comando do parágrafo único do art. 26. Lei 11.457/2007 Art.26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art .2o desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no Fl. 461DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único.O disposto no art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art .2 o desta Lei. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. Lei 7.430/96 Art. 74.O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O instituto da compensação tributária, modalidade de extinção do crédito tributário, está previsto no art. 156, II, e 170, e 170A do CTN, e constitui um dos mecanismos legais utilizados face à apuração de crédito pelo sujeito passivo. Segundo o CTN, a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.720615/201220 Acórdão n.º 2403002.171 S2C4T3 Fl. 5 7 Para o caso de ação judicial, o CTN impôs a vedação da compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) STJ Súmula nº 212 11/05/2005 DJ 23.05.2005 Compensação de Créditos Tributários Medida Liminar A compensação de créditos tributários não pode ser deferida por medida liminar. A compensação tributária depende de autorização legal específica e, em princípio, se opera automaticamente, entre créditos líquidos e certos apurados pelo sujeito passivo, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, cujo prazo para a homologação da compensação será de cinco anos. No ordenamento legal, encontramos o artigo 66 da Lei 8383/91, que trata de compensação de tributos federais e o artigo 89 da Lei 8.212/91 que trata especificamente de compensação de contribuições previdenciárias. LEI 8383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995)(grifei) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente Fl. 463DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (grifei) LEI 8.212/91 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Como visto acima, a compensação só poderá ser efetuada com créditos líquidos e certos e entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 464DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10530.900744/2008-57
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Lucro Presumido. Serviços Hospitalares. Serviços À Saúde. Coeficiente De Apuração.
A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido - de 32% para 8%.
Normas Processuais. Matéria Nova em Fase Recursal. Preclusão.
Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não aventada na manifestação de inconformidade, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição.
Numero da decisão: 1801-001.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. DCTF. RETIFICAÇÃO. A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade completa do contribuinte, escriturada à época dos fatos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Constatado nos autos que o Despacho Decisório descreveu fartamente a situação fática da contribuinte e as razões de indeferimento do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, e dele constou a fundamentação legal, não se caracteriza o cerceamento de defesa. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NOVA EM FASE RECURSAL. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não aventada na manifestação de inconformidade, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitandose o princípio processual da dupla jurisdição. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 07 44 /2 00 8- 57 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. COEFICIENTE DE APURAÇÃO. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1523.088/10 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, fls. 35 e 36, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 19 a 23. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Trata o presente de pedido de restituição do valor de R$ 3.453,35 referente ao pagamento indevido ou a maior do IRPJ lucro presumido, código 2089 do período de apuração 11/2003, requerido através do PER/DCOMP 18769.86549.191104.1.3.041825, para compensação com o débito do IRPJ lucro presumido, código 2089, do 2° trimestre de 2004, no valor de R$ 3.139,44 (fl. 23). Através do Despacho Decisório Eletrônico n° 759919129 (f l .10), o pedido foi negado pela DRF de Feira de Santana sob a seguinte justificativa: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 6.068,80. Valor do crédito original reconhecido: R$ 3,83. À partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo insuficiente para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp". Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900744/200857 Acórdão n.º 1801001.739 S1TE01 Fl. 3 3 Tempestivamente o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, trazendo ao PAF a informação de que " conforme débitos consolidados em DIPJ/2004 relativos ao IRPJ (2089) do 4o trimestre de 2003, ficou apurado um saldo de imposto de renda a pagar no total de R$ 48.902,02. Diante dos pagamentos descritos abaixo, cuja soma perfaz um total pago de R$ 57.100,86, fica constatado um crédito para esse período de R$ 8.198,84". Junta planilha informando pagamentos em 28/11 , 30/12 de 2003 e 30/01 de 2004. [...] Como visto, o contribuinte pretende obter a restituição do pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 3.453,35, parte do recolhimento efetivado em 30/12/2003, referente ao IRPJ lucro presumido, do período de apuração 12/2003, código de arrecadação 2089, no valor de R$ 6.068,80. Em sua defesa esclarece o contribuinte, que é optante pelo lucro presumido, e apurou no 4o trimestre do anocalendário de 2003, um valor a pagar de R$ 48.902,02, mas recolheu a maior a quantia de R$ 57.100,86, conforme DARF recolhidos em 28/11/2003 (R$ 21.570,31), 30/11/2003 (RS 6.068,80) e 30/01/2004 (R$ 29.461,75), o que lhe permitiria requerer restituição no valor de R$ 8.198,84. Constatase inicialmente, que o contribuinte errou quando no Per/Dcomp informou apenas o DARF de R$ 6.068,80, para sustentar o seu pedido de restituição, quando na verdade, tal pagamento a maior só se configuraria, com a análise dos 03 DARF em conjunto, já que estes cobririam, o recolhimento do trimestre. De fato os 03 DARF em conjunto, perfazem um recolhimento para o código 2089, do 4o trimestre de 2003, no montante de RS 57.100,86 conforme extratos do sistema SINAL (fl. 33), para um IRPJ apurado no mesmo período no montante de R$ 48.902.02, segundo a DIPJ (fl. 34). A análise das DCTF Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais do período, indica que o contribuinte apresentou a Ia DCTF em 09/02/2004, confessando um débito de IRPJ lucro presumido para o 4o trimestre de 2003, no valor de R$ 57.097.03, alocando para a quitação deste débito os DARF recolhidos em 28/11/2003 (R$ 21.570,31), 30/01/2004 (RS 29.461,75) e o DARF que é objeto do presente pedido de restituição, cujo recolhimento efetivo em 30/11/2003, foi de RS 6.068,80, mas na DCTF foi alocado R$ 6.064,97, o que liberaria para restituição, apenas R$ 3,83, conforme decidido no Despacho Decisório objeto deste PAF, o qual ratifico. Estranhamente, em 09/05/2009, o contribuinte retifica a DCTF original e exclui todos os débitos antes confessados. Em 17/11/2009, procede outra retificação da DCTF, desta vez, restabelecendo a confissão de todos os débitos, com exceção do débito do IRPJ do 4o trimestre, que antes foi confessado como RS 57.097,03 e inexplicavelmente desapareceu (fls 29 a 32). [...] No caso específico, o fato gerador do IRPJ do 4o trimestre de 2003, ocorreu em 31/12/2003, e o Despacho Decisório foi emitido em 09/05/2008, tendo como lastro, as informações prestadas pelo próprio contribuinte, na sua DCTF original enviada em 09/02/2004 cujas informações espelhavam um saldo disponível para restituição de apenas R$ 3,83. As alterações da DCTF efetuadas em 09/05/2009 e 17/11/2009, por terem ocorrido após 05 anos da ocorrência do falo gerador, não podem produzir Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 nenhum efeito jurídico, uma vez que o lançamento já estava homologado, não mais podendo ser objeto de retificação.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de fls. 38 a 44, inovando os termos da defesa exordial, em síntese: a) exerce a atividade de laboratório de análises clínicas ligada à assistência à saúde, praticando serviços hospitalares. b) entende ser o despacho decisório nulo por ausência de motivação; o indeferimento do pleito deuse por mero cruzamento de informações sem uma análise da liquidez e certeza do indébito tributário; cita doutrina sobre os atos administrativos vinculados e a necessária motivação; em um processamento eletrônico podem ocorrer falhas ocasionadas por erro de preenchimento dos contribuintes, não contemplando a verdade material, pelo que as informações veiculadas nestas declarações são inaptas para desconstituir o direito pleiteado; isto tudo causa o cerceamento de defesa e, portanto, o despacho é nulo; c) quanto ao mérito, a recorrente defende que no anocalendário em questão apurou o lucro na forma presumida utilizando o coeficiente indevido de 32% sobre a receita bruta total, quando deveria ter aplicado o percentual de 8%; d) argúi que formulou consulta à Administração Tributária e obteve parecer favorável ao seu propósito, no sentido de ser declarado que as atividades laboratoriais de análises clínicas são considerados serviços hospitalares, inclusive com caráter retroativo; cita a ementa da Solução de Consulta SRRF/5ª RF, de 16 de fevereiro de 2007, processo administrativo nº 10530.002386/200653; e) com fulcro no entendimento da Solução de Consulta, refez os cálculos de apuração do IRPJ e CSLL, utilizando o percentual de 8%, tornandose credor do indébito formado pela diferença de percentuais; f) desta forma, as DIPJ e DCTF ativas no momento do Despacho Decisório não espelhavam a verdade material dos fatos, espelhada na contabilidade; estes erros podem ser saneados de ofício, consoante dispõe o art. 147, §2º, do Código Tributário Nacional (CTN); Por fim, requer que a retificadora da DCTF relativa ao 1º trimestre de 2004 seja admitida para o reconhecimento do crédito e as compensações pleiteadas sejam homologadas. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 28/07/10, fls. 37; Recurso – 24/08/10, fls. 38 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Preliminarmente, cumpre esclarecer que o fato de o Despacho Decisório ser emitido eletronicamente não lhe abstrai os atributos do ato administrativo. Nem tampouco a simplicidade do procedimento fiscal que faz o cotejo entre os valores declarados pelo próprio contribuinte e aqueles veiculados nos Per/Dcomp. A análise é sumária, porém plena de Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900744/200857 Acórdão n.º 1801001.739 S1TE01 Fl. 4 5 eficácia. Como todo ato administrativo goza dos atributos de presunção de legitimidade, legalidade e autoexecutoriedade. A motivação do ato em questão está bem explícita em seu bojo e tanto assim que a recorrente entendeu perfeitamente que o crédito solicitado, pago por Darf, foi integralmente utilizado para quitar débito de tributo acusado nos sistemas. Os quadros demonstrativos analíticos expõem inclusive os períodos de apuração, código de receita, valor total do Darf, data da arrecadação, número do pagamento, valor original e para qual período e tributo foi alocado para quitálo. Não procede, portanto, a alegação de cerceamento de defesa, salientandose que a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade argumentando que apurou um saldo de imposto de renda a pagar no total de R$ 48.902,02, mas recolheu R$ 57.100,86, o que resultaria na devolução de R$ 8.198,84, o que constatouse, nos autos, não ser a verdade material dos fatos e agora, em sede recursal, vem expor a verdadeira razão de o porquê estar pleiteando a devolução dos pagamentos efetuados para quitação de débitos então espontaneamente apurados. No mérito, a pretensão da recorrente tampouco merece acolhida. A argumentação apresentada pela recorrente em esfera recursal está ferida pela preclusão processual. O requerimento da recorrente em obter a devolução do crédito tributário porque entende praticar serviços hospitalares e haver recolhido os tributos federais pela apuração indevida do Lucro Presumido são matérias não apresentadas na manifestação de inconformidade, sendo insuscetível de ser apreciada por este órgão colegiado de segunda instância, consoante dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, mutatis mutandis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) A apreciação de matéria nova ofende o princípio do duplo grau de jurisdição. Enriqueço esse voto com a ementa do Acórdão nº CSRF / 0103.351/01, prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MATÉRIA PRECLUSA – O julgamento administrativo iniciase com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com a tributação do valor omitido, sendo “extra petita” a decisão que afasta a exigência. Recurso de ofício provido. (grifos não pertencem ao original) Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Todavia, pelo amor ao embate jurídico, esclareçase à recorrente que a Solução de Consulta avocada não lhe favorece, haja vista a sua ementa ser genérica para todos os casos em que há a dúvida de poder ou não enquadrarse como prestadora de serviço hospitalar. Verifiquese a ementa (única parte apresentada pela recorrente da referida consulta formulada): “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ / Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ementa: LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. SERVIÇOS HOSPITALARES. A pessoa jurídica que exerça a atividade de laboratório de análises clinicas ligada à atenção e assistência à saúde, 9atribuição 4) de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n°. 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n°. 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n°. 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 da Lei n°. 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrarse nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 966 do Código Civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF n°. 480, de 2004. Esse entendimento aplicase retroativamente. (grifos não pertencem ao original) À época da apuração do tributo em tela, a Instrução Normativa (IN) SRF nº 480/04, em seu artigo 27, §§ 1º e 2º, estabelecia: Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares somente aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares. § 1º Para os efeitos deste artigo, consideramse estabelecimentos hospitalares, aqueles estabelecimentos com pelo menos 5 (cinco) leitos para internação de pacientes, que garantam um atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. § 2º Para efeito de enquadramento do estabelecimento como hospitalar levarseá, ainda, em conta se o mesmo está compreendido na classificação fiscal do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), na classe 85111 – Atividades de Atendimento Hospitalar. A norma interpretativa faz o sentido lógico, considerandose a interpretação sistemática das normas, sem a qual qualquer consultório médico – que também atua em área ligada à atenção e assistência à saúde – se enquadraria no conceito super relativizado que a recorrente pretendeu atribuir ao termo “prestação de serviço hospitalar”. Mas as instruções normativas não servem para legislar. Somente elucidam a norma tributária e constituem fonte secundária do Direito Tributário, pois, por serem Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900744/200857 Acórdão n.º 1801001.739 S1TE01 Fl. 5 7 normativas, são as denominadas normas complementares previstas no artigo 100, mais especificamente inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Todavia, frisese, são atos interpretativos não podendo ir além das normas tributárias. Dito isto, prossigamos para a norma insculpida no artigo 15, da Lei nº 9.249/95, que dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] A norma tributária, vigente à época, não disse que os demais serviços ligados à área da saúde, desvinculados dos hospitais, fossem tratados como serviços hospitalares. E quando a norma não diz, não cabe aos intérpretes o fazer, quando mais se trata de normas tributárias, cuja tipicidade é cerrada. Ao revés do que pretende a recorrente, como visto, inúmeros atos administrativos, Soluções de Consulta e inclusive decisões judiciais versaram sobre esta matéria. E nem hoje a norma tributária igualou os serviços hospitalares aos demais serviços prestados na área da saúde. Pelo contrário, esse assunto foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça. A jurisprudência da Corte Superior foi pacificada no mesmo sentido ora sustentado. A exemplo, citese o acórdão extraído do REsp nº 925.175/SC, da lavra do ministro Castro Meira: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS. ATIVIDADES HOSPITALARES. ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95. 1. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95, que diminui a base de cálculo, resultando em menor valor a recolher de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades hospitalares, deve ser interpretado restritivamente, para abranger, além Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 dos próprios hospitais, apenas os estabelecimentos que dispõem de "estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes" (REsp 786.569/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 30.10.06). 2. No caso concreto, não podem ser enquadrados no conceito de serviços hospitalares os exames realizados em laboratórios de análises clínicas, porquanto os favores fiscais não comportam interpretação analógica. Precedentes da Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. (grifos não pertencem ao original) A recorrente, pois, não faz qualquer prova de que enquadrase no conceito de prestação de serviço hospitalar. E, nos casos de repetição de indébito tributário, o ônus da prova é da parte que requer. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Destarte, afastada a alegação de que a Solução de Consulta invocada favorece a requerente, por seu caráter genérico e não individualizado, acompanhase no todo as razões de decidir esposadas pela Turma Julgadora de Primeira Instância, a saber, que as retificações a destempo da DCTF atribuindo o valor 0,00 (zero) para o IRPJ do 4º trimestre de 2003 não pode/deve ser admitida, pelo que corretos os pagamentos efetuados pela recorrente, cujos valores foram calculados em acordo com o percentual de 32% para a apuração do lucro na forma presumida, consoante determinação legal. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10530.900744/200857 Acórdão n.º 1801001.739 S1TE01 Fl. 6 9 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11080.723409/2012-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008
IRPJ. CSSL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE APURAÇÃO. SERVIÇOS QUE SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE OBRAS CIVIS.
A execução de serviços de engenharia civil, mediante contratação sob a modalidade de empreitada global com fornecimento de materiais, tem tributação, sob a sistemática do lucro presumido, com a utilização de coeficiente de presunção de 8%, o que decorre da aplicação da Instrução Normativa SRF nº 480/2004, da Instrução Normativa SRF nº 539/2005, e do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 06/1997.
A tributação diferenciada com a alíquota de 8% se aplica exclusivamente quando se tratar de contrato de empreitada de construção (ainda que em acepção mais ampla) e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade. Inteligência do art. 1º, § 7º, II, da Instrução Normativa nº. 480/2004 que determina.
O conceito de construção deve ser tido em acepção mais ampla, abrangendo também as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, entre as quais se incluem as instalações elétricas e hidráulicas, desde que tenham por objeto benfeitoria agregada ao solo ou subsolo.
Numero da decisão: 1103-000.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva seguiu o relator pelas conclusões.
Aloysio José Percínio da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta
Relator
(assinado digitalmente)
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 IRPJ. CSSL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE APURAÇÃO. SERVIÇOS QUE SE ENQUADRAM NO CONCEITO DE OBRAS CIVIS. A execução de serviços de engenharia civil, mediante contratação sob a modalidade de empreitada global com fornecimento de materiais, tem tributação, sob a sistemática do lucro presumido, com a utilização de coeficiente de presunção de 8%, o que decorre da aplicação da Instrução Normativa SRF nº 480/2004, da Instrução Normativa SRF nº 539/2005, e do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 06/1997. A tributação diferenciada com a alíquota de 8% se aplica exclusivamente quando se tratar de contrato de empreitada de construção (ainda que em acepção mais ampla) e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade. Inteligência do art. 1º, § 7º, II, da Instrução Normativa nº. 480/2004 que determina. O conceito de construção deve ser tido em acepção mais ampla, abrangendo também as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, entre as quais se incluem as instalações elétricas e hidráulicas, desde que tenham por objeto “benfeitoria agregada ao solo ou subsolo”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 34 09 /2 01 2- 13 Fl. 954DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 955 2 Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva seguiu o relator pelas conclusões. Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa até aquela fase: “O processo trata de impugnação a auto de infração (AI) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), às fls1. 744/771, relativo a fatos geradores havidos nos quatro trimestres de 2007 e de 2008; o lançamento foi no valor originário de R$ 5.797.169,98, que acrescido de multa de ofício e juros moratórios, calculados até março de 2012, montaram a R$ 12.559.009,28. A infração apurada pela agente fiscal foi a aplicação incorreta do percentual de determinação do lucro presumido de 8% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de serviços em geral, quando o correto seria de 32%, o que acarretou valores declarados e recolhidos a menor do IRPJ pela contribuinte. O enquadramento legal dessa infração foram os arts. 3º da Lei nº 9.249 de 26/12/1995, 518 e 519 do Decreto nº 3.000 de 26/03/1999 – RIR/99. Relatório da Ação Fiscal O relatório da ação fiscal (RAF) informou que a contribuinte alegava realizar reformas em bens imóveis (tanques de armazenamento, caldeiras, conversores, esferas e torres, bens estes que são fixados ao solo), em virtude do desgaste decorrente de seu uso e, por força dos contratos, aplicava materiais na realização de seus trabalhos. Assim, a impugnante entendia que poderia adotar como coeficiente de presunção da base de cálculo do IRPJ o percentual de 8%, e para a CSLL de 12%; para tanto, invocava também entendimento expresso pela RFB através do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30/1999 (ADN Cosit 30/99). Em pesquisa sobre as atividades da contribuinte, a fiscalização encontrou informações no site da empresa segundo as quais as atividades por ela prestadas seriam serviços de engenharia, manutenção e montagem. Seguindo sua pesquisa, a fiscal apurou ainda que as atividades expressamente realizadas pela contribuinte se enquadravam, como privativas da área de engenharia mecânica, de acordo com a relação de atividades específicas daquela modalidade profissional para fins de preenchimento de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no site do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (CREARS). Fl. 955DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 956 3 Os serviços prestados pela contribuinte decorreram de diversos contratos, alguns deles na condição de sócia ostensiva em Sociedades em Conta de Participação (SCP). Das cópias dos contratos correspondentes aos serviços, a agente fiscal extraiu os seguintes: • serviços de manutenção e montagem em torres, vasos, reatores e permutadores de calor; • planejamento, supervisão técnica e controle de qualidade; • serviços de caldeiraria, tubulação e soldas; • serviços de inspeção e manutenção de vasos de pressão e esferas GLP; • serviços de manutenção em tanques de armazenamento e esferas; • serviços de manutenção em conjunto conversor; • serviços de manutenção, fabricação, montagem e desmontagem de tubulações e plataformas; • serviços de manutenção nos fornos e trocadores de calor; • ensaios não destrutivos; • montagem e desmontagem de andaimes tubulares; • serviços de manutenção em caldeira; • projeto, suprimento, construção e montagem das interligações com tanque de armazenamento. Disso concluiu que todos eles poderiam ser perfeitamente identificados na descrição de atividades do CREA, englobando as mais diversas prerrogativas da área de engenharia mecânica, não se caracterizando como empreitadas de construção civil. Os serviços prestados pela contribuinte não se enquadrariam no conceito fixado pelo ADN Cosit 30/99, estando mais alinhados com aqueles dispostos como de competência privativa do engenheiro mecânico no art. 12 da Resolução CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura) nº 218/1973. Tais serviços seriam referentes a processos mecânicos, máquinas em geral, instalações industriais e mecânicas, equipamentos mecânicos e eletromecânicos, sistemas de produção de transmissão e de utilização de calor, sistemas de refrigeração e de ar condicionado, seus serviços afins e correlatos, incluindo execução de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção. Dessa forma, a fiscalização concluiu que a prestação de serviços na área da engenharia mecânica ou mesmo de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais, tem suas receitas sujeitas à aplicação do percentual de 32% para determinação da base de cálculo presumida, tanto do IRPJ, quanto da CSLL. Nas DIPJs apresentadas para os anos calendário de 2007 e 2008, foi constatado que a fiscalizada informou IRPJ e CSLL a pagar relativos a SCP. O regime de apuração dos lucros adotado para a SCP foi o mesmo regime que havia sido adotado para a fiscalizada, ou seja: presumido. Intimada, a contribuinte apresentou sete contratos de constituição de SCP, relacionados aos contratos de prestação de serviços, dos quais participavam mais duas empresas, sendo ela a sócia ostensiva. Abaixo segue o quadro resumo dos contratos e das sócias participantes, com os respectivos serviços contratados: Fl. 956DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 957 4 Daí, a agente fiscal concluiu: Vale destacar que compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração do resultado, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação. Considerase sócio ostensivo aquele que, na sociedade, se obriga para com terceiros, sendo, portanto, perante a administração tributária, o responsável pelo cumprimento das normas aplicáveis à SCP, conforme art. 991 do Código Civil . Nos contratos de constituição de SCP apresentados, constatase que a fiscalizada assume a condição de sócia ostensiva. Como os serviços prestados pelas SCP’s eram os mesmos que a sua sócia ostensiva prestava em suas operações próprias, adotamos o mesmo entendimento exposto nos itens acima relativamente às atividades desenvolvidas pelas SCP’s constituídas. Impugnação A contribuinte inicia seu arrazoado com a síntese dos fatos que levaram ao lançamento. Naquele ponto, salienta que as atividades por ela desenvolvidas, que originaram as diferenças de IRPJ lançadas, eram de manutenção no sistema do conjunto conversor nas paradas de manutenção prestados para a empresa Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás, objeto do contrato nº 1400.0021525.06.2. Tais serviços foram executados por ela, individualmente, bem como através da SCP com a BG Engenharia Ltda. Partindo do contrato, a impugnante procura demonstrar que a situação de fato enquadraria sua atividade como de construção de imóveis ou obras de serviços auxiliares e complementares da construção civil, conforme disposto no ADN Cosit 30/99. Anexa como conjunto probatório os documentos: a) Instrumento de Contrato n. 1400.0021525.06.2, firmado com a PETROBRÁS, e seu Anexo I (fls. 820/862); Fl. 957DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 958 5 b) resumo (descrição) dos serviços prestados pela impugnante junto à unidade petrolífera de Araucária/PR (fl. 863); c) fotografias dos bens nos quais os serviços foram realizados (fl. 864); d) Notas Fiscais/Fatura de Prestação de Serviços e Relatórios de Medição que lhes dão suporte (fls. 865/875); e) Notas Fiscais dos Materiais utilizados na prestação (amostragem), tudo extraído do respectivo contrato (fls. 876/901). O contrato disporia de forma sucinta que a prestação de serviços seria de manutenção, mas em regime de empreitada global, com fornecimento de mão de obra e materiais. Ainda que a palavra utilizada no contrato fosse manutenção, que traduziria em linhas gerais a combinação de todas as ações (técnicas ou administrativas) com o objetivo de manter ou recolocar um bem em estado de plena utilização, a verdade material seria outra. Abaixo, transcrevemos a síntese da exposição dos argumentos da contribuinte, colocada ao final da impugnação para justificar sua solicitação de cancelamento da autuação: a) os serviços de montagem, reparação, pintura e manutenção de caldeiras, sistemas conversores, tubulações, reatores e outras estruturas da empresa contratante (PETROBRÁS), constituemse em obras de grande vulto, executadas em bases de sustentação que estão fixadas ao solo, portanto, realizadas em "bens imóveis", caracterizandose como "prestação de serviços de construção civil"; b) doutrina e legislação conceituam "construção civil" como sendo a atividade que se exerce sobre bens imóveis, assim considerado o solo e tudo o que nele se agrega, não se podendo transportar, sem destruição, de um lugar para outro (Código Civil, arts. 79 e 81); c) de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 30, de 14.10.1999, a atividade de "construção" é gênero, da qual são espécies a "edificação", "demolição", "reforma", "reconstrução", "reparação", "pintura", "colocação de vidros e esquadrias", em bens imóveis; d) os serviços prestados pela Impugnante, nos anos de 2007 e 2008, junto à PETROBRÁS, abrangem manutenção em sistemas conversores, montagem e desmontagem de andaimes, caldeiraria, tubulação e soldas, pintura, instalações elétricas, reforma em concretos isolantes substituição de tubos, tijolos e outros componentes, enquadrandose no conceito de "construção civil", definido pelo ADN COSIT n. 30/99, havendo, inclusive, decisões no mesmo sentido, como se vê na ementa do Acórdão 1020315, de 13.07.2009, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, e, no Acórdão n. 1202000.612, de 18 de outubro de 2011, da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); e) tanto os serviços de "engenharia" como os de "construção civil" exigem a "Anotação de Responsabilidade Técnica" (ART), não sendo esse requisito, por si só, suficiente para diferenciar ambas as atividades; f) considerando que o serviço foi prestado juntamente com o fornecimento de materiais, a apuração do IRPJ e da CSLL segue o disposto no art. 518 do RIR/99 e nos arts. 15 e 20, da Lei n. 9.249/95 (com a redação dada pela Lei n. 10.684/03), Fl. 958DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 959 6 que determinam a aplicação dos coeficientes de presunção de 8% e 12% sobre a receita bruta, respectivamente; g) de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 6, de 13.01.1997, na atividade de "construção civil", o percentual de 32% sobre a receita bruta somente se aplica quando houver emprego de mão de obra, sem o emprego de materiais, h) a retenção de 1,2%, pela fonte pagadora (PETROBRÁS), deixa claro que o percentual de presunção adotado pela recorrente nos anos calendário de 2007 e 2008 (8% sobre a receita bruta mensal), está correto, o que é corroborado, inclusive, pelo art. 32, inc. II, da Instrução Normativa SRF n. 480/04 (na redação dada pela IN SRF n. 539/05); e, por fim, que i) a retenção efetuada pela fonte pagadora com base no percentual de 1,2%, não altera os percentuais previstos na legislação, exceto em relação aos serviços de construção civil com fornecimento de materiais, hipótese em que o coeficiente de presunção da pessoa jurídica beneficiária do pagamento, é aquele determinado no momento da retenção (no caso, 15% x 8% = 1,2%), consoante art. 32, inc. II, da Instrução Normativa SRF n. 480/04 (na redação dada pela IN SRF n. 539/05)”. A 5ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS, em sessão de 31/08/2012, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 1040.183 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação com base no lucro presumido. COMPROVAÇÃO DO EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS INDISPENSÁVEIS. Mesmo na atividade de prestação de serviços de construção civil sob o regime de empreitada, o percentual de presunção do lucro é de 32%, quando não houver comprovação do fornecimento de todos os materiais indispensáveis à execução da obra. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada da decisão de primeira instância em 11/09/2012 (AR fls. 921), a ESTRUTURAL SERVIÇOS INDUSTRIAIS LTDA., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1040.183, recorre em 09/10/2012 (fls 923 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando os argumentos da peça impugnativa e acrescenta novos argumentos em decorrência da decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 960 7 Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezrra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A questão dos autos trata de “infração apurada pela agente fiscal foi a aplicação incorreta do percentual de determinação do lucro presumido de 8% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de serviços em geral, quando o correto seria de 32%” nos contratos de manutenção prestados para a empresa Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás, executados pela Recorrente, individualmente, bem como através de sociedade em conta de participação (SCP) com outras empresas. Antes de adentrarmos ao mérito, sobre qual seria o percentual correto, tomando por base as atividades da Recorrente, para determinação do lucro presumido; vejo a necessidade de tratamos um pouco mais sobre a responsabilidade tributária na sociedade em conta de participação (SCP); neste tipo o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiros, tantos públicos quanto privados; os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. A constituição da SCP não está sujeita às formalidades legais prescritas para as demais sociedades, não sendo necessário o registro de seu contrato social na Junta Comercial. Normalmente são constituídas por um prazo limitado, no objetivo de explorar um determinado projeto. Após, cumprido o objetivo, a sociedade se desfaz. E, segundo o art. 991, do Código Civil Brasileiro (Lei nº. 10.402/2002), temos que: “Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único. Obrigase perante terceiro tãosomente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social.” Fl. 960DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 961 8 De acordo com os arts. 148 e 149, do Decreto nº. 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), as SCP são equiparadas às pessoas jurídicas, para os efeitos do Imposto de Renda e da CSLL, sendo que na apuração dos resultados, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas atinentes às pessoas jurídicas em geral. As SCP podem tributar o lucro mediante a opção pelo lucro real (trimestral ou estimado) ou lucro presumido trimestral, conforme determina a legislação (no art. 14 da Lei nº 9.718/1998 e IN SRF nº. 31/2001). Dessa forma, observadas as hipóteses de obrigatoriedade de tributação pelo lucro real, as SCP podem optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Ressaltese que, a opção da SCP pelo regime de tributação com base no lucro presumido não implica a simultânea opção do sócio ostensivo, nem a opção efetuada por este implica a opção daquela. Ainda, que as SCP que exerçam as atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis não poderão optar pelo lucro presumido enquanto não concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado. O recolhimento dos tributos e contribuições devidos pela SCP será efetuada mediante a utilização de DARF específico, em nome do sócio ostensivo. Ou seja, compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela SCP. Ultrapassado esse ponto, é importante ressaltar que na sessão de 04 de dezembro de 2012, essa 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, quando do julgamento do processo nº. 11080.724523/201007 da mesma Recorrente, porém restrito ao exercício de 2006, consubstanciado através do Acórdão nº. 1103000.795 da lavra do ilustre Conselheiro pernambucano Hugo Correia Sotero, a quem rendo minhas homenagens e peço vênia para transcrever parte do voto que, por maioria, deu provimento ao recurso voluntário, “verbis”: “Razão assiste a Recorrente ao afirmar que a execução de serviços de engenharia civil, mediante contratação sob a modalidade de empreitada global com fornecimento de materiais, tem tributação, sob a sistemática do lucro presumido, com a utilização de coeficiente de presunção de 8%, o que decorre da aplicação da Instrução Normativa SRF nº 480/2004, da Instrução Normativa SRF nº 539/2005, e do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 06/1997. Quanto a este aspecto, não há discussão no processo. Para fins de comprovação da subsunção dos serviços executados em cumprimento às obrigações estabelecidas nos diversos contratos celebrados em relação à Petróleo Brasileiro S/A, argumenta a Recorrente no sentido de que: (a) os serviços que constituem o escopo das contratações foram realizados em bens imóveis – “edificações e instalações existentes nas unidades petrolíferas”; (b) os contratos consubstanciam empreitadas globais com fornecimento de materiais; e, Fl. 961DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 962 9 (c) o conceito legal de ‘construção de imóveis’, para abranger, também, “os seus serviços auxiliares, complementares e de outras obras semelhantes como é o caso da demolição, reparação, pintura, conservação e/ou reforma”. Efetivamente, os documentos acostados pela Recorrente comprovam que os Contratos celebrados em face da PETROBRÁS previam o fornecimento integral dos materiais e equipamentos necessários à execução das obras, sendo nesse sentido o item 2.4.1 do Contrato nº. 1350.0021375.06.2 (fl. 652), o item 10.4 do Contrato nº. 1050.0021572.06.2 (fl. 575), e o item 2.4.1 do Contrato nº. 1050.0021572.06.2 (fl. 533). Estabelecem os Contratos, efetivamente, empreitadas globais com fornecimento integral de materiais. Quanto à descrição dos serviços – malgrado o laconismo dos instrumentos, o que afirma a própria Recorrente –, estabelecem os aludidos Contratos: (a) Contrato nº. 1050.0021572.06.2 – “serviços de manutenção em torres, vasos e permutadores durante a parada da unidade U1240 incluindo planejamento, execução dos serviços, supervisão técnica, controle de qualidade, montagem e desmontagem de andaimes na REDUC”; (b) Contrato nº. 1050.0021572.06.2 – “manutenção de Torres, Vasos e Permutadores da Unidade U1240 (Desasfaltação a Propano), e seus Sistemas de Preaquecimento, incluindo a execução dos serviços, supervisão técnica, planejamento, controle da qualidade, montagem e desmontagem de andaimes”; e, (c) Contrato nº. 1350.0021375.06.2 – “serviços caldeiraria, tubulação e soldas nas paradas de manutenção das unidades 30/31 da UNRLAM”. No corpo dos instrumentos se destaca a indicação da execução de serviços de reforma (substituição de materiais, reparo, substituição de tijolos de paredes internas, soldas, instalação elétrica), pintura, instalação de suportes de aço para sustentação do concreto refratário, instalação de concreto refratário nas pernas de sustentação do equipamento, incluindo preparação do concreto, cura hidráulica e testes específicos de garantia dos serviços, reparos gerais de alvenaria nas bases de concreto do equipamento, incluindo a preparação das formas, aplicação do concreto, cura hidráulica e acabamento. Da especificação dos serviços se extrai a incorreção do asserto da Delegacia de Julgamento ao afirmar que o escopo das contratações se resumia à execução de serviços de engenharia mecânica, conceito que, obviamente, não abarca as atividades descritas, mormente aqueles pertinentes à instalação e preparação de concreto, reparos gerais de alvenaria em bases de concreto, pintura e reforma. Identificada a situação de fato específica – natureza dos contratos (empreitada com fornecimento de materiais) e a natureza dos serviços – resta identificar se os serviços efetivamente executados pela Recorrente se enquadram no conceito de construção civil, de sorte a permitir a aplicação do coeficiente de 8% sobre o faturamento para obtenção da base tributável no regime do lucro presumido. A primeira interpretação possível é no sentido de que a tributação diferenciada (coeficiente de 8%) se aplica exclusivamente à edificação de bens imóveis, não se estendendo à respectiva manutenção. No entanto, nos termos do que dispõe o art. 1º, § 7º, II, da Instrução Normativa SRF nº. 480/2004, entendese por construção por empreitada com emprego de materiais, ‘a contratação por Fl. 962DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 963 10 empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra’. Interpretando a norma este Conselho estabeleceu que a caracterização de serviços de engenharia, para fins de enquadramento no regime de tributação diferenciada, exige a configuração de três condições: (a) tratarse de contrato de empreitada; (b) de construção (ainda que em acepção mais ampla); e, (c) com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade. O dissecar do conjunto probatório indica que os contratos celebrados entre a Recorrente e a PETROBRÁS são contratos de empreitada com fornecimento (integral) de materiais, restando aferir se as atividades especificadas se enquadram no conceito de “construção”. Este Conselho, no Acórdão nº. 130100.456 (3ª. Câmara, 1ª. Turma, rel. Waldir Veiga Rocha), consignou que ‘Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido e, em consequência, ao lucro arbitrado, o conceito de construção deve ser tido em acepção mais ampla, abrangendo também as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, entre as quais se incluem as instalações elétricas e hidráulicas, desde que tenham por objeto “benfeitoria agregada ao solo ou subsolo”. Estão compreendidas nesse conceito as obras de construção civil em sentido estrito, bem assim as obras de implantação/instalação de iluminação pública, por seu caráter de definitividade e de incorporação aos logradouros públicos em que realizadas’. É fato que os contratos não previram a edificação de estruturas em concreto, porém, ao estabelecerem a obrigação da Recorrente de executar serviços de reforma (substituição de materiais, reparo, substituição de tijolos de paredes internas, soldas, instalação elétrica), pintura, instalação de suportes de aço para sustentação do concreto refratário, instalação de concreto refratário nas pernas de sustentação do equipamento, incluindo preparação do concreto, cura hidráulica e testes específicos de garantia dos serviços, reparos gerais de alvenaria nas bases de concreto do equipamento, incluindo a preparação das formas, aplicação do concreto, cura hidráulica e acabamento, definiu escopo contratual que se subsume ao conceito (amplo) de construção civil, definido no art. 1º, § 7º, II, da Instrução Normativa SRF nº. 480/2004”. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos e as razões de decidir expostas no processo nº. 11080.724523/201007, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para desonerar a Recorrente da imposição tributaria confirmada pela 5ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS, através do acórdão n° 1040.183 referente aos exercícios de 2007 e de 2008, mantendo aplicação do percentual de determinação do lucro presumido de 8% sobre as receitas tributáveis auferidas em decorrência do contrato nº. 1050.0021572.06.2, como determinam as Instruções Normativas SRF nºs 480/2004 e SRF nº 539/2005, e também no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 06/1997. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 964 11 Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Declaração de Voto Não obstante o costumeiro esmero do I. Relator, que tão bem expôs o caso ao Colegiado, peço vênia para respeitosamente tecer breves considerações, afinadas com a minha interpretação já anunciada quando do julgamento do processo nº 11080.724523/201007, apreciado por esta Terceira Turma Ordinária, em que proferi um dos votos vencidos. O cerne da discussão cingese à definição de qual o percentual de presunção a ser aplicado, tendo em consideração as atividades desempenhadas pelo contribuinte, tudo à luz das provas produzidas. Para o autuado, serviços de reformas, com emprego de materiais, em tanques de armazenamento, caldeiras, conversores, esferas e torres, decorrentes do desgaste decorrente do seu uso, seriam enquadráveis no percentual de presunção de 8% para fins de cálculo do lucro presumido. No curso do procedimento fiscal, o contribuinte apresentou os seguintes contratos celebrados com a Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás: Unidade de Negócio Sócia Participante Contrato Descrição do Serviço REFAP BG Engenharia 8000.0000519.06.2 Serviços de Projeto, Suprimento, Construção e Armazenamento TQ01P. REFAP BG Engenharia 8000.0000636.07.2 Serviços de manutenção do conjunto conversor na parada geral programada da Unidade de Craqueamento REFAP BG Engenharia 1050.0032340.07.2 Serviços de manutenção e montagem em Torres, Vasos, Reatores e Permutadores de Calor REFAP BG Engenharia 1200.0031684.07.2 Serviços de manutenção e montagem em Torres, Vasos, Reatores e Permutadores de Calor REFAP STEELTEC Proj. Serv. Técnicos Ltda 1200.0031684.07.2 Serviços de manutenção e montagem em Torres, Vasos, Reatores e Permutadores de Calor REFAP BG Engenharia 1400.0021525.06.2 Serviços de manutenção no sistema do conjunto conversor nas paradas de manutenção REFAP BG Engenharia 1400.0035600.07.2 Serviços de manutenção de parada programada na unidade de Fl. 964DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 965 12 recuperação de enxofre e periféricos Na impugnação, salienta que as atividades desenvolvidas, que originaram as diferenças de IRPJ constituídas, diziam respeito à execução do contrato nº 1400.0021525.06.2. No seu entender, tais atividades seriam de construção de imóveis ou obras de serviços auxiliares complementares da construção civil. Apresentou, ainda, os seguintes documentos: a) Instrumento de Contrato n. 1400.0021525.06.2, firmado com a PETROBRÁS, e seu Anexo I (fls. 820/862); b) resumo (descrição) dos serviços prestados pela impugnante junto à unidade petrolífera de Araucária/PR (fl. 863); c) fotografias dos bens nos quais os serviços foram realizados (fl. 864); d) Notas Fiscais/Fatura de Prestação de Serviços e Relatórios de Medição que lhes dão suporte (fls. 865/875); e) Notas Fiscais dos Materiais utilizados na prestação (amostragem), tudo extraído do respectivo contrato (fls. 876/901). Pois bem, a Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) intermediação de negócios; Fl. 965DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 966 13 c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Como é sabido e ressabido, o percentual de presunção relacionado à prestação de serviços em geral é 32% (trinta e dois por cento), nos termos do supracitado art.15, III, “a”, da Lei nº 9.249/95. Tal dispositivo, como se nota, excepciona apenas serviços relacionados à área médica. A defesa ancora a sua tese no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13/01/97, que, em seu inciso I, dispunha que nas atividades de construção por empreitada o percentual a ser aplicado seria de 8% (oito por cento) quando houvesse emprego de materiais em qualquer quantidade: “O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (...)” Fl. 966DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 967 14 Limitouse, portanto, à atividade de construção. Verseá adiante que o termo “construção” relacionase, até mesmo intuitivamente, com uma ação, um processo, de criar, erguer, fabricar, edificar, elaborar. Para fins tributários, especialmente para a definição do percentual de presunção buscado, considerando que o art.15 da Lei nº 9.249/95 não excepcionou, do percentual de 32% (trinta e dois por cento), atividades de construção, o alcance do ADN Cosit nº 6/97 deve ser buscado em atos da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que inseridos em um outro contexto. Assim, por exemplo, mencionese a IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que dispôs: Art. 1º Os órgãos da administração federal direta, as autarquias, as fundações federais, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e as demais entidades em que a União, direta ou indiretamente detenha a maioria do capital social sujeito a voto, e que recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) reterão, na fonte, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para o PIS/Pasep sobre os pagamentos que efetuarem às pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. ..... § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: I serviços prestados com emprego de materiais, os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços; II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. A construção a que alude o ADN Cosit nº 6/97 não é outra, senão a relacionada à construção civil. Tal exceção, e como tal deve ser apreciada de forma restritiva, sob pena de a particularidade transformarse em regra, não abarca toda e qualquer atividade de construção, mas apenas aquelas afetas à modalidade civil. Apenas para se ater a poucos exemplos, as atividades de montagem (construção em sentido amplo) de circuitos elétricos, ainda que executados em equipamentos industriais que compõem uma instalação petrolífera, não se beneficia do percentual reduzido de presunção; tampouco de condicionadores de ar, vasos de pressão e dutos de determinado maquinário. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 968 15 Por este ângulo, aqui se rechaça qualquer interpretação que tente conferir ao termo construção, previsto no ADN nº Cosit nº 6/97, sentido diverso de atividades relacionadas à construção civil. A atividade do Fisco federal, a menos que reproduzisse o alcance técnico do termo “construção civil” não poderia extrapolar tal significado, que, frisese, é buscado em área específica do conhecimento, diversa das ciências jurídicas. Na espécie, a fonte da qual se serve o intérprete é abastecida pelos entendimentos do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), responsável, em conjunto com os Conselhos Regionais, por regulamentar e fiscalizar o exercício profissional dos que atuam nas áreas que representa, sistematizando os respectivos campos de atuação profissional. Outro não pode ser o caminho a ser trilhado quando se busca extrair a norma que interessa ao presente caso concreto, especialmente quando de exceção. Assim, no Anexo II da Resolução nº 1.010, de 22 de agosto de 2005, o Confea explicita que atividades de “construção civil” incluemse no campo de atuação profissional da engenharia, modalidade civil. Em que pese a “construção civil” ser, à luz de tal Resolução, um setor da Engenharia Civil, não se descaracteriza, no meu entender, quando se está diante de obras de particulares setores da Engenharia Civil. Assim, a execução de um projeto de uma ponte (sistemas estruturais), de uma fundação (geotecnia), de rodovias (transportes), de adução de água para abastecimento doméstico (hidrotecnia), de tratamento de águas (saneamento básico), de recuperação de processos erosivos (recursos naturais), por exemplo, normalmente demandam atividades de construção civil. Não se pode fugir de tais especificações. Mas a questão dos autos prescinde até mesmo de tentar caracterizar determinada atividade de construção como sendo de construção civil. Ao menos considerando as provas dos autos, o sujeito passivo não prestou serviços de construção. O contrato celebrado com a Petrobrás teve como objeto a prestação de serviços de “manutenção no sistema do conjunto conversor nas paradas de manutenção”. Incluiria: Serviços de Planejamento, Acompanhamento e Programação dos serviços; Serviços de Caldeiraria e Solda. Todos os ensaios não destrutivos necessários à garantia da qualidade dos serviços. Montagem e desmontagem de andaimes tubulares ou especiais para execução dos serviços. Limpeza e remoção de resíduos oriundos dos serviços, bem como a manutenção da limpeza nos locais de trabalho. Serviços de elevação de carga. Serviços de Pintura. Vêse, portanto, que as atividades diziam respeito essencialmente a serviços de manutenção de conjunto conversor, que incluiria serviços de calderaria e de aplicação de solda. A montagem e desmontagem de andaimes, por exemplo, não pode ser considerado um serviço contratado, prestado ao contratante, mas um meio, a cargo do contratado, para executar Fl. 968DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 969 16 o objeto contratual. De igual forma, os serviços de elevação de carga. Também os serviços de pintura e limpeza nos locais de trabalho estavam inseridos no contexto de prestação de serviços de manutenção. Em outras palavras, se do serviço de manutenção resultava a necessidade de pintura, por exemplo, de tubulações e caldeiras, cabia ao contratado fazêlo; se deixava resíduos imprestáveis, cabialhe a remoção. O termo manutenção, nos moldes contratuais, não encerrou qualquer sentido, ainda que minimamente, de construção. Menos ainda de construção civil. Como definido pelo Confea, no glossário objeto do Anexo I da Resolução nº 1.010/05, para o termo manutenção deve prevalecer o seguinte entendimento: “atividade que implica conservar aparelhos, máquinas, equipamentos e instalações em bom estado de conservação e operação”. Caberia ao contribuinte, então, comprovar que durante a execução prestou algum serviço de construção. Ao intérprete caberia averiguar se se trata de construção civil. A questão resolvese primeiramente no campo probatório. As notas fiscais acostadas pelo contribuinte possuem a seguinte descrição: “Serviços de manutenção no cjto conversor com utilização de equipamentos e emprego de materiais”. A seu turno, no “Relatório de Medição” emitido pela Petrobrás consta a seguinte descrição: “70.000.139 – Manutenção – Equip. Estáticos” ; Não mencionam, portanto, qualquer atividade de construção. Por sua vez, as notas fiscais de fornecedores do contribuinte confirmam que os serviços prestados foram de manutenção, não de construção, tudo em consonância com o contrato firmado e respectivas notas fiscais de serviços prestados. Tal fato não passou despercebido na decisão de primeira instância. In verbis: “Analisando as cópias do razão contábil da contribuinte, às fls. 876/877, seguidos de notas fiscais de fornecedores, às fls. 978/901, observase que os materiais empregados são quase totalmente ligados a atividades de soldagem: eletrodos de tungstênio e grafite, gás oxigênio industrial, gás argônio, gás acetileno, escovas industriais. Como exceção encontrase nota com referencia à aquisição de quatro sacos de cimento no valor total de R$ 74,58 e três tubos para água e esgoto que somam R$ 59,15.” Assim, não se concorda com a tese de que serviços de manutenção de equipamentos, com o uso de soldas, eletrodos, cilindros de gases, escovas, arames, fixadores e bocais, possam ser considerados como serviços de construção. Até mesmo a nota fiscal em que se faz referência à aquisição de 4 (quatro) sacos de cimento, no valor total de R$ 74,58, de 2 (dois) tubos soldáveis, no valor total de R$20,92, e de 1(um) tubo de esgoto, no valor de R$38,23, têm o condão de caracterizar os serviços prestados à Petrobrás como serviços de construção, ainda que tenham sido empregados na execução do ajuste considerado. A verdade é que o Recorrente sequer se desincumbiu do ônus de anexar às peças de defesa amostra representativa que poderia confirmar qualquer atividade de Fl. 969DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 970 17 construção. Em casos como este, não basta, por exemplo, o contrato descrever os serviços a serem prestados. Essencial é que os documentos fiscais e as quitações do tomador, estes sim relacionados com a efetiva execução, estejam coerentes com o que restou formalmente contratado. Como visto, tal amostra converge para atestar a prestação de serviços de manutenção de equipamentos, não de construção. Menos ainda, de construção civil. Tais documentos não comprovam, por exemplo, ter havido edificação, demolição, reforma, reconstrução, ampliação, atividades que confeririam, no entender do Recorrente, amplitude ao conceito de construção. O fato de os serviços terem sido prestados em unidade petrolífera, que, por óbvio, como destacou o Recorrente, “estão construídas sobre bases de sustentação incorporadas ao solo, sendo, portanto, parte integrante das mesmas”, não os caracteriza como serviços de construção. A tese do Recorrente confere características de construção a todo e qualquer serviço de reparo em equipamento que esteja montado em tal unidade. Lixar, soldar, pintar, isolar, não significa necessariamente construir. Se o serviço de lixar é executado em uma reforma de edifício, se a solda é necessária para se formar um elemento estrutural de aço (v.g., vigas, pilares e treliças de coberturas), se a pintura faz parte, por exemplo, do acabamento de uma parede ou teto, ou se o isolamento térmico ou acústico é realizado no contexto de uma edificação, todos estes serviços podem ser considerados no contexto da construção civil. Agora, se são prestados, como no caso concreto, para manter o funcionamento de determinada instalação industrial, como caldeiras, tanques, esferas, a situação é deveras diferente. Caso tenha havido, por exemplo, reparo, ainda que no contexto de conservação, de um elemento estrutural da edificação petrolífera, caberia ao contribuinte, além de proválo, ter segregado a respectiva remuneração, exatamente para fins de aplicação do percentual diferenciado de presunção, como previsto na legislação de regência. Nem o acórdão nº 130100.456, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara do CARF, mencionado pelo I. Relator, auxilia, com a devida vênia, o Recorrente, pois tratou de “implantação/instalação de iluminação pública”, em nada se assemelhando ao caso sob análise. Em tal decisão, e isso é importante ressaltar, fezse, inclusive, uma diferenciação entre construção (ainda que na ocasião, aquele colegiado tenha entendido pela compreensão, no conceito, der obras e serviços auxiliares de engenharia) e manutenção. A ementa é esclarecedora, no que importa reproduzir: “(...) LUCRO PRESUMIDO. LUCRO ARBITRADO. CONCEITO DE CONSTRUÇÃO. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido e, em consequência, ao lucro arbitrado, o conceito de construção deve ser tido em acepção mais ampla, abrangendo também as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, entre as quais se incluem as instalações elétricas e hidráulicas, desde que tenham por objeto “benfeitoria agregada ao solo ou subsolo”. Estão compreendidas nesse conceito as obras de construção civil em sentido estrito, bem assim as obras de implantação/instalação de iluminação pública, por seu caráter de definitividade e de incorporação aos logradouros públicos em que realizadas. A contrário senso, excluemse do conceito os serviços de mera manutenção, substituição, recuperação ou eficientização de iluminação pública, da mesma forma que os serviços de Fl. 970DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 971 18 iluminação temporária e decorativa destinados a eventos de duração específica. No respectivo voto condutor, podese conferir o sentido dado ao vocábulo construção, que norteou tal decisão: De se ver, a seguir, se os contratos tratam de construção. O Vocabulário Jurídico (De Plácido e Silva, volume I, Editora Forense) assim define esse termo: CONSTRUÇÃO Derivado do latim contructio, de construere, possui a significação de estrutura, compleição, formação ou edificação. Dessa forma, tanto pode indicar a configuração de uma pessoa ou de uma coisa, como se entende a ação de construir ou execução de obras. Construção. Na terminologia do Direito Civil, é mais comumente aplicado para indicar o edifício ou prédio (em sentido estrito), já construído (obra executada), como para apontar toda espécie de obra ou edificação que se esteja executando. Nesta última acepção, pois, não somente se entende construção a obra realizada para erguer ou edificar uma casa, um sobrado, um arranhacéu, genericamente chamados de prédios; mas, toda obra executada de parte dele, como sejam chaminés, muros, paredes, ou mesmo as várias espécies de tapumes divisórios. Essa definição permite que a construção de que trata o ADN COSIT nº 6/1997 seja tida em uma acepção mais ampla, não se atendo estritamente a um edifício ou prédio. Foi com esse fundamento que o próprio legislador, embora tendo por finalidade a regulação de assunto diverso (a possibilidade ou não de opção pelo SIMPLES), estendeu a abrangência do conceito para fins tributários, vejase o art. 9º, inciso V e § 4º da Lei nº 9.317/1996 (grifo não consta do original): Art. 9.º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) V – que se dedique à compra e venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; (...) § 4º Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Ao esclarecer a aplicação desse artigo, a Administração Tributária introduziu o conceito de “obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil”, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 30, de 14 de outubro de 1999 (D.O.U. de 18.10.1999): Fl. 971DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 972 19 [...] a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: I – a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; II – sondagens, fundações e escavações; III – construção de estradas e logradouros públicos; IV – construção de pontes, viadutos e monumentos; V – terraplenagem e pavimentação; VI – pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e VII – quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. O conceito assim estendido de construção foi empregado e ratificado pela Administração Tributária no que toca à matéria aqui discutida – percentual aplicável às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais, para fins de determinação do lucro presumido – em diversas Soluções de Consulta, algumas das quais já referidas neste voto, proferidas anteriormente ao advento da IN SRF nº 480/2004. No entanto, um importante limite deve ser posto a essa ampliação. Mesmo fazendo incluir as instalações elétricas e hidráulicas (atividade societária da recorrente, vide Contrato Social à fl. 65) no conceito de construção, não se pode nunca perder de vista que a construção deve ter por objeto “benfeitoria agregada ao solo ou subsolo”. Melhor explicando, não é qualquer instalação elétrica ou hidráulica que se pode haver por construção, mas apenas aquelas em que os materiais empregados venham a se incorporar de forma definitiva ao imóvel construído (aqui em sentido estrito), perdendo assim sua característica de bens móveis. A contrário senso, nas situações em que, mesmo havendo emprego e instalação de materiais, estes possam ser posteriormente removidos ou desinstalados sem qualquer prejuízo, dano ou descaracterização ao bem ao qual, supostamente, se teriam incorporado, não se pode entender tratarse de “construção”. Assim, e já passando à análise dos contratos e demais documentos apresentados no caso concreto, desde logo afasto a possibilidade de ter por construção aqueles nos quais o objeto contratual são os serviços de manutenção, substituição, recuperação ou eficientização de iluminação pública (fls. 317/323, 324/328, 341/349, 359/373, 403/405, 1174/1197 e 1718/1755). Os serviços de manutenção e assemelhados, por sua natureza, não se amoldam ao conceito de construção anteriormente explicitado, e seria forçar os limites delineados pelos atos legais e infralegais a tentativa de aqui enquadrálos.” Fl. 972DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.723409/201213 Acórdão n.º 1103000.854 S1C1T3 Fl. 973 20 Observese que, nas normas citadas, não se nota qualquer traço de intimidade entre as atividades de construção e manutenção. Ao revés, afastouse “a possibilidade de ter por construção aqueles nos quais o objeto contratual são os serviços de manutenção”. Por todo o exposto, pedindo mais uma vez licença ao I. Relator, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 973DF CARF MF Impresso em 23/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 16/0 7/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ALOYSIO JOSE PERC INIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Numero do processo: 10665.720815/2010-29
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO.
Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refira-se à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I).
PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo.
FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete na operação de venda (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto.
FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Trata-se de matéria-prima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, a, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL.
Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado.
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO.
O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Redator designado.
EDITADO EM: 06/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO. Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refira-se à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I). PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete na operação de venda (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto. FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Trata-se de matéria-prima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, a, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL. Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO. O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO. Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refirase à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I). PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 08 15 /2 01 0- 29 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto. FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL. Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO. O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fl. 360DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720815/201029 Acórdão n.º 3802001.318 S3TE02 Fl. 360 3 REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Redator designado. EDITADO EM: 06/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo ora Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO A compensação é regular no caso da existência de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A manifestação de inconformidade referese à pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados à vendas efetuadas com alíquota zero, formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. O acórdão da DRJ não reconheceu o crédito relativo ao frete nas aquisições e nos retornos de produtos enviados para industrialização perante terceiros; na “remessa de arroz acabado para entrega a clientes, mas antes passando pela Matriz”; no transporte de subprodutos, de arroz a granel entre estabelecimentos industriais da pessoa jurídica e na aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. O ressarcimento foi admitido apenas no tocante ao frete na aquisição de matériaprima (arroz em casca) de produtor rural pessoal física, de embalagens e na remessa de matériaprima para industrialização, nos anos de 2005 e 2006. A Recorrente, nas razões recursais de fls. 330348, pleiteia a reforma da decisão recorrida, alegando que o frete na remessa e no retorno de matériaprima para industrialização por terceiros estaria vinculado ao processo produtivo, integrando, assim, o custo de industrialização do produto acabado. Sustenta ainda que a Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 não poderia ser invocada como fundamento para a vedação do crédito de frete Fl. 361DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 na transferência de produto acabado entre a filial e a matriz, porquanto, de acordo com o art. 16, § 4º, da Instrução Normativa nº 740/2007, seus efeitos não podem retroagir. Alega ter direito ao crédito nas transferências entre estabelecimentos, uma vez que se trata de operação realizada com o intuito de aperfeiçoar a logística de distribuição, isto é, despesas vinculadas diretamente à operação de venda. Aduz que o frete na remessa de subprodutos e de arroz a granel para ser industrializado, de produto acabado e de subproduto destinado à venda deve ser reconhecido, segundo recente jurisprudência do Carf, que interpreta o conceito de insumo de modo abrangente de todos os custos e despesas necessários para a operação do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 30/08/2011 (fls. 329), interpondo recurso tempestivo em 28/09/2011 (fls. 330). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O pedido de ressarcimento foi formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que assim dispõem: Lei nº 11.116/2005 “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Lei nº 11.033/2004 “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Fl. 362DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720815/201029 Acórdão n.º 3802001.318 S3TE02 Fl. 361 5 Os créditos em discussão, por sua vez, referemse às despesas de frete devido no transporte (i) de produtos enviados para industrialização por terceiros (“retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”); (ii) de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (iii) de subprodutos; (iv) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (v) de aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. I PRODUTOS ENVIADOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Cumpre destacar que, embora a decisão recorrida se refira à “aquisições e retorno de produtos enviados para industrialização junto a terceiros, com alíquota zero (item C)”, notase, a partir do termo de verificação de fls. 10 e seguintes, que, a rigor, a glosa do crédito diz respeito ao frete no “retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”. A legislação aplicável ao regime nãocumulativo do PIS/Pasep e da Cofins disciplina o creditamento decorrente das despesas com frete nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; É preciso ter cautela na interpretação da amplitude do direito ao crédito relativo às despesas com frete. Isso porque, embora o art. 3º, IX, refirase à “frete nas operações de venda”, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos. Este, porém, não decorre do inciso IX, mas dos incisos I e II do art. 3º, porque a base de cálculo do crédito constitui o custo de aquisição do bem, que também é composto pelo frete pago na entrega. O creditamento do frete, assim, ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou bem adquirido para revenda. Com efeito, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, o cálculo do crédito deve considerar o custo de aquisição do bem ou serviço: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: Fl. 363DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. O custo de aquisição, por outro lado, compreende as despesas de transporte, independente de se tratar de frota própria ou de frete pago a terceiro, consoante prevê o art. 13, § 1º, “a”, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Na aquisição de insumos e de mercadorias para revenda, portanto, o contribuinte tem direito ao crédito do frete, à medida que este integre o custo de aquisição, consoante amplamente reconhecido em diversas soluções de consulta: [...] FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago na aquisição dos insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica dará direito ao credito da Cofins apenas quando se tratar de produto ainda em fase de industrialização, de forma que o custo desse transporte seja considerado custo de produção. Caso se trate de produto acabado, esse frete não dará direito ao crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo (Solução de Consulta Disit 08 nº 169, de 23 de Junho de 2006). FRETE NA AQUISIÇÃO. O custo do transporte (frete), pago a pessoa jurídica domiciliada no País, de bens adquiridos para Fl. 364DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720815/201029 Acórdão n.º 3802001.318 S3TE02 Fl. 362 7 revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática não cumulativa da Cofins. A partir de 01/05/2004, o frete contratado com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior também pode gerar crédito nessa sistemática (Solução de Consulta nº 104, de 06 de Dezembro de 2004. No mesmo sentido, cf.: Solução de Consulta Disit 06 nº 63, de 12 de Julho de 2010; Solução de Consulta nº 449, de 16 de Novembro de 2006; Solução de Consulta nº 234 de 13 de Agosto de 2007) Ao promover a glosa do crédito, a autoridade competente não divergiu dessa orientação, consoante se depreende da seguinte passagem do ato que serviu de fundamento para o despacho decisório (fls. 10 e seguintes): “Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens, conforme artigo 289, § 1º do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, como é o caso das aquisições de pessoas físicas e com alíquota zero, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito.” De fato, na industrialização por encomenda, a pessoa jurídica executora está sujeita à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 25, I, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 25. A pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, sujeitase, conforme o caso, às alíquotas previstas nas alíneas a ou b do inciso I do art. 1o da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos nelas referidas. Parágrafo único. Na hipótese a que se refere o caput: I as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis à pessoa jurídica executora da encomenda ficam reduzidas a 0 (zero); e” Assim, não há direito ao crédito, porque, nas hipóteses de alíquota zero, o adquirente somente pode se creditar quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep ou pela Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 3º [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Portanto, como o crédito do frete na aquisição de bens não é autônomo em relação ao crédito do insumo adquirido porque se operacionaliza de forma atrelada ao crédito do insumo, compondo a respectiva base de cálculo , não há como reconhecer o direito ao crédito ao Recorrente, uma vez que a operação não está sujeita à incidência da contribuição. II PRODUTO ACABADO PARA VENDA, PORÉM, COM PASSAGEM PRÉVIA PELO ESTABELECIMENTO DA MATRIZ A legislação, consoante destacado acima, estabelece que o contribuinte tem direito ao crédito de frete nas operações de venda, desde que tenha suportado o ônus respectivo (Lei nº 10.8333, art. 3º, IX): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O acórdão da DRJ, por sua vez, entendeu que o Recorrente não teria direito ao crédito, porque a mercadoria, por questões de logística, circulava pelo estabelecimento da matriz: “As remessas dos produtos acabados da unidade de Capivari do Sul para Minas Gerais para entrega aos clientes; por questão de logística, esta mercadoria circula pelo estabelecimento matriz. Esse gasto não pode ser considerado como insumo porque se refere a frete de produto acabado da filial para a matriz. Portanto, não gera crédito, conforme orientação da citada Solução de Divergência.” (fls. 323). A decisão recorrida referese à Solução de Divergência Cosit nº 26/2007, que recebeu a seguinte ementa: EMENTA: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720815/201029 Acórdão n.º 3802001.318 S3TE02 Fl. 363 9 Essa interpretação, entretanto, carece de sentido. Isso porque “se o crédito é assegurado na hipótese de transporte da indústria diretamente para o consumidor final, não há razões para negar esse mesmo direito quando a mercadoria é remetida previamente a um centro de distribuição. O que ocorre, na espécie, é apenas um desmembramento das etapas de transporte do bem destinado à venda. Ao invés de manter o estoque na fábrica, remetendo a mercadoria para o destino final após a concretização da venda, o contribuinte promove o deslocamento em duas etapas” 1. No caso em exame, a partir do Anexo IV do termo de verificação fiscal, nota se claramente que se trata de “remessa de arroz acabado para entrega a clientes”. O fato da mercadoria, por questões de logística, circular previamente pelo estabelecimento da matriz em nada afeta o direito ao crédito, porque a legislação autoriza o creditamento desde a unidade produtora até o consumidor final. Desse modo, entendese que deve ser reconhecido o direito ao crédito. III FRETE NO TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS O crédito do frete no transporte de subprodutos destinados à venda não foi reconhecido, porque, de acordo com a decisão recorrida, “o transporte de subproduto está fora do processo produtivo e não pode ser considerado como insumo”. Por outro lado, “seguindo o disposto na Solução de Divergência nº 26, de 30/05/2008, o gasto com o transporte de subprodutos não deve gerar créditos de PIS/Cofins” (fls. 325). Entendese, entretanto, que a SD nº 26/2008 não pode ser invocada fundamento para a vedação do direito ao crédito, porque, de acordo com sua ementa, reproduzida no item anterior, a mesma não trata do transporte de subprodutos. Na verdade, devese ter presente que subproduto nada mais é do que um resíduo ou produto secundário do processo industrial. Muitas empresas, limitamse ao seu descarte no ambiente ou em aterros sanitários, dentro de uma etapa do procedimento industrial conhecida como lançamento ou disposição de resíduos. Outras, por política ambiental ou por razões econômicas, notadamente quando o produto secundário apresenta valor comercial ou quando a sua disposição se apresenta muito onerosa, promovem a sua comercialização. A legislação, ao conceder o direito ao crédito, não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX). Portanto, em se tratando de venda de produto ou subproduto, o que é irrelevante , o sujeito passivo pode se creditar. IV REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO De acordo com a decisão recorrida, “[...] o gasto com transporte de arroz a granel, mesmo que ainda em fase de industrialização, entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica não proporciona o direito ao crédito do PIS e da Cofins”, porque “o arroz a granel equivale a um produto ou a um subproduto para o contribuinte” (fls. 325). 1 SEHN, Solon. PISCofins: nãocumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 334. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 Essa interpretação, porém, não pode ser acolhida. Afinal, se o transporte do arroz à granel ocorre para fins de industrialização, não cabe qualificálo como produto nem como subproduto. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004: “Art. 8º [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Na verdade, arroz a granel em nada difere do arroz em casca remetido para industrialização. Ambos são matériaprima para o produto final. Portanto, se a DRJ reconheceu o direito ao crédito em relação a este, também deveria ter admitido o creditamento em relação ao primeiro, porque, consoante destacado no exame do item I, o frete integra o custo de aquisição. O acórdão, portanto, deve ser reformado nesse particular. V – AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA A DRJ não admitiu o creditamento do frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete, fuso transportador e de pêssego enlatado, com base nos seguintes fundamentos: “Segundo contribuinte, neste caso se trata de frete incidente sobre a aquisição de produto acabado (pêssego enlatado), subprodutos adquiridos e destinados a revenda, produtos estes tributados pelo PIS e a Cofins. Tratase, também, da glosa de créditos relativos a frete sobre transporte na aquisição de roletes, cone de roletes, fuso transportador. Na presente situação, não se vislumbra que esse frete referese a insumos. Esse gasto está fora do processo produtivo. Por isso não gera direito ao crédito de PIS/Cofins.” (fls.325/326). No que tange aos roletes, cone de roletes, fuso transportador, o Recorrente alega que seriam insumo do processo produtivo, inclusive com contato direto com a matéria prima. Todavia, do exame dos autos, verificase que não há qualquer prova nesse sentido. Tampouco há qualquer elemento que permita aferir a vida útil de tais bens, o que se afigura relevante à medida que tais produtos, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato. O Recorrente, dito de outro modo, deveria ter demonstrado as circunstâncias da utilização de tais bens no processo produtivo e, principalmente, que o mesmos sofrem um desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. Por fim, em relação ao frete na aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) adquirido para revenda, entendese que o crédito deve ser reconhecido, porque, de Fl. 368DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720815/201029 Acórdão n.º 3802001.318 S3TE02 Fl. 364 11 acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, reproduzido acima, o cálculo deve considerar o custo de aquisição do bem, no qual se inclui o frete. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, para efeitos de reconhecimento do direito ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte (a) de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (b) venda de subprodutos; (c) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (d) de aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) para revenda. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor COFINS. Regime nãocumulativo. Creditamento. Despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. No caso presente, filiome ao voto exarado pelo i. Conselheiro Relator no que toca ao reconhecimento de direito creditório da COFINS (regime nãocumulativo) previsto na Lei nº 10.833, de 2003, referente às despesas de frete devido no transporte relativo à: i) venda de subprodutos (art. 3º, IX, da Lei); ii) remessa de arroz à granel para industrialização (art. 3º, II, da Lei); (iii) aquisição de produto acabado – “pêssego enlatado” para revenda (art. 3º I, da Lei). Entendo, em consonância com os fundamentos exposto pelo i. Relator, que, em relação ao itens ii e iii acima, o custo do frete integra o custo de aquisição do insumo ou do produto para revenda refletindo positivamente no direito creditório previsto no art. 3º, I e II da Lei nº 10.833, de 2003. Noutro giro, peço vênia ao i. Relator para, acompanhando a divergência inaugurada pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, pontuar meu entendimento de que as despesas de frete devido no transporte de produto acabado para entrega a clientes, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz, não são hábeis à geração de créditos. Tratase, no caso, de frete de produto acabado da filial para a matriz, custo este não albergado pela legislação de referência. Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Destaquei. Com efeito, o mero deslocamento de mercadorias acabadas de uma unidade para outra da mesma pessoa jurídica – operação em que inexiste qualquer contrato subjacente de transferência de propriedade do produto não se confunde com o serviço de frete na operação de venda. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 A estrutura do artigo 3º da Lei apresenta, a par de um dispositivo aberto que remete ao conceito de insumo (inciso II), um rol taxativo de hipóteses de creditamento que, em que pese não se enquadrarem no conceito de insumo, são, ainda assim, admitidos ao creditamento, de maneira a exigir uma interpretação restritiva nesses demais casos – e.g., aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; edificações e benfeitorias em imóveis; vale transporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção; e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Ainda, havendo previsão literal sobre as hipóteses de creditamento não se tratando, portanto, de ausência de disposição expressa (art. 108 da Lei nº 5.172, de 1966 – CTN) – penso incabível o uso de analogia no presente, ainda mais quando para fins de alargamento das hipóteses de creditamento legalmente elencadas, como sói ocorrer na tentativa de equiparar as despesas de transporte de mercadorias acabadas entre estabelecimentos da empresa ao serviço de frete na operação de venda. Também não há que se falar em crédito por conta do artigo 3º, II da Lei em estudo por também não se tratar aqui de frete na aquisição de insumos – hipótese em que o custo de transporte integraria o custo dos mesmos. Dessa forma, entendo, por ausência de dispositivo legal permissivo, não existir direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Conselheiro Presidente Fl. 370DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10980.726345/2011-15
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 45 /2 01 1- 15 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de auto de infração (fl. 25) lavrado em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade do lançamento e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0639.987, de 27 de março de 2013 (fls. 46/50), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 25/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 54), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726345/201115 Acórdão n.º 1803001.841 S1TE03 Fl. 82 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou as DCTFs antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912671/2009-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO.
Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
Numero da decisão: 3803-004.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 26 71 /2 00 9- 42Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Versa o imbróglio sobre repetição de indébito tributário decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS efetuado pela contribuinte, posteriormente objeto de Per/DComp transmitida em 31/05/06, que resultou não homologada, por meio de despacho decisório eletrônico nº 844667280, por insuficiência de saldo credor para a realização da compensação declarada. A contribuinte conhecendo o teor do referido despacho apresentou a sua irresignação ao feito, aduzindo em síntese: – que cometeu erro de forma ao não retificar a DCTF correspondente ao período em que realizou o pagamento indevido, quando da ocasião da compensação declarada, a fim de informar que o valor recolhido fora efetivamente maior que o devido naquele período de apuração; (ii) – que a ausência de retificação da DCTF não invalida ou inutiliza o crédito de PIS da empresa, eis que o crédito tributário já se encontra extinto, ex vi do art. 156, II, do CTN; (iii) – requer a juntada posterior de documentos aos autos, por absoluta impossibilidade de fazêlo oportunamente (cópias da DIPJ original dos períodos referentes ao crédito utilizado na DComp, bem como as memórias de apuração dos tributos ali destacados, relativos ao crédito utilizado pela empresa.) Tudo isto em razão do recolhimento efetuado por meio de DARF no valor de R$ 26.843,68 para pagamento de COFINS, na competência de 01/2002, quando o valor devido desse tributo seria inferior. Conclusos foram os autos submetidos a apreciação pela 9a Turma de julgamento da DRJ/CPS, que em sessão realizada em 15/03/2012, proferiu decisão por meio do Acórdão nº 0537.275, sintetizada através da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.912671/200942 Acórdão n.º 3803004.239 S3TE03 Fl. 6 3 Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. PEDIDO DE DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. O pedido de juntada de documentos após a impugnação deve ser indeferido quando não demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A decisão hostilizada ao analisar os fatos que provocaram a sua intervenção nos autos manifestouse no sentido de que o sucesso da contribuinte, em ver homologada a compensação declarada condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito. Isto porque o lançamento é efetuado com base na declaração do próprio sujeito passivo, que presta a autoridade administrativa as informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação (CTN, art. 147). Portanto, a admissão da DCTF retificadora está condicionada à apresentação do erro de fato presente em declaração anterior e, no caso em concreto a contribuinte não apresentou qualquer razão ou documento que comprove o seu direito. Nos autos não há nenhuma apuração, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior que esse suporte ao crédito tributário aproveitado. A responsabilidade de comprovação do alegado é da contribuinte e deve fazê lo no momento da impugnação ao feito, em conformidade ao disposto no art. 16, § 4o, do Dec. nº 70.235/72, não se tratando de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. No caso a contribuinte não demonstra, com fundamentos, qualquer ocorrência que justifique a sua impossibilidade de apresentação de provas, o pretendido motivo de força maior. Cientificada do teor contido na decisão de piso em 11/05/12, conforme AR colacionado aos autos, irresignada a contribuinte protocolou o seu apelo em 11/06/12, de acordo com o registro efetuado na folha de face do recurso voluntário, para reiterar minudentemente os argumentos expendidos na exordial. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o que importa relatar. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência e regularidade. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico, que atesta a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada. A referida decisão pronunciouse quanto ao limite do valor do crédito original utilizado integralmente na extinção de outros débitos próprios regularmente informados pela contribuinte, não restando saldo credor suficiente para à satisfação da compensação informada em Per/DComp já descrita nos autos. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Assiste razão ao juízo de primeira instância quando formulou assertivas de que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo mantevese escorreita a decisão recorrida, quando assinalou que a não homologação confirmando a extinção da obrigação tributária, não ocorreu in casu, por falta da apresentação de documentação hábil e idônea que demonstrasse a existência e a regularidade do crédito alegado na DComp, uma vez que a planilha tão somente não tem o condão de imprimir certeza e liquidez ao direito creditório informado no Per/DComp, nos moldes preconizados no art. 170 do CTN, para o fim do disposto no art. 156, II, do mesmo diploma legal. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.912671/200942 Acórdão n.º 3803004.239 S3TE03 Fl. 7 5 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. Finalmente é certo ser de iniciativa exclusiva da contribuinte demandar a compensação pela via de Per/Dcomp e, por tal razão, também é sua a responsabilidade de demonstração cabal da existência e regularidade do direito creditório nela informado, o que se dá por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, por ocasião da protocolização da manifestação de inconformidade, de acordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, para verificação pelo julgador tributário. A recorrente não laborou em demonstrar de forma inconteste a existência do crédito alegado, nem tampouco infirmar as razões de decidir do despacho decisório e da decisão de primeira instância, mesmo tendo a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez, oportunamente. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala de Sessões em 25 de junho de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11050.001506/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/09/2004
LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No julgamento de atos administrativos, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a validade ou não do lançamento de ofício lavrado por servidor competente, não se inserindo na competência do órgão julgador a alteração da fundamentação legal da exigência inicial.
Numero da decisão: 3803-004.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/09/2004 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No julgamento de atos administrativos, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a validade ou não do lançamento de ofício lavrado por servidor competente, não se inserindo na competência do órgão julgador a alteração da fundamentação legal da exigência inicial.
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INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, após o desembaraço da mercadoria mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque anteriormente declarado em Declaração de Despacho de Exportação (DDE). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/09/2004 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No julgamento de atos administrativos, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a validade ou não do lançamento de ofício lavrado por servidor competente, não se inserindo na competência do órgão julgador a alteração da fundamentação legal da exigência inicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 15 06 /2 00 9- 11 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11050.001506/200911 Acórdão n.º 3803004.313 S3TE03 Fl. 99 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 73 a 91) interposto em contraposição à decisão da DRJ Florianópolis/SC (fls. 60 a 62) que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 11 a 28), esta manejada em oposição ao auto de infração (fls. 2 a 6) lavrado para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00, decorrente da prestação de informação intempestiva sobre veículo ou carga transportada. Consta do auto de infração que o contribuinte registrara no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) os dados de embarque de exportação fora do prazo legal de 7 (sete) dias, infração essa sujeita a multa, nos termos do art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n ° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n ° 10.833, de 2003. De acordo com o autuante, a obrigação do transportador encontrarseia estabelecida no art. 37 do mesmo Decretolei, com observância do prazo estipulado no § 2º do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, com a redação dada pelo parágrafo único do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005. Ainda de acordo com o agente fiscal, o referido prazo deveria ser observado pelo transportador por navio e por viagem realizada, apurandose eventual infração a cada operação de embarque. O auto de infração apresenta como enquadramento legal os arts. 15, 17, 24, 27, 30, 31, 32, 36 a 43, 52, 53, 54, 55, 59 e 60 do Decreto nº 4.543, de 2002 e o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n ° 10.833/03. Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) não ocorrera nenhum embaraço ou prejuízo para o controle da carga pela Alfândega antes da saída da mercadoria da zona alfandegária ou do pais, uma vez que as informações foram prestadas muito tempo antes da instauração do procedimento fiscal, tendo sido o próprio requerente quem dera ciência à Receita Federal do fato sob comento;; b) no decorrer do procedimento de embarque, surgem diversos problemas ocasionados pela não informação de todos os dados da carga pela empresa exportadora ou pelo agente transitório de carga, ocasionando, não por sua culpa, atrasos no registro no Siscomex; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11050.001506/200911 Acórdão n.º 3803004.313 S3TE03 Fl. 100 3 c) ausência de tipicidade para a autuação, pelos seguintes fatos: (i) não deixara de prestar informação, (ii) não se trataria de empresa de transporte internacional, nem tampouco um agente de carga; d) tratarseia de mera Agência de Navegação Marítima da empresa transportadora, não respondendo por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos com base no DecretoLei n° 37/66; e) o prazo estabelecido na IN SRF n° 510/2005 não se aplicaria aos embarques realizados em 2004, pois não se trataria de aplicação do princípio da retroatividade benigna, o que tornaria a autuação nula; f) houve ofensa aos princípios da legalidade e da motivação, sendo a multa abusiva. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a Impugnação, argüindo que, quanto à alegação de ilegitimidade passiva, os Agentes Marítimos seriam os representantes dos navios e armadores nos portos, perante as autoridades governamentais e portuárias, encontrandose sob sua responsabilidade a administração de cada escala do navio, incluindo documentação da embarcação e da carga, controles de origem fiscal, recolhimento de tributos, contato com as autoridades e contratação dos diversos serviços necessários. Dessa forma, ainda segundo o julgador de piso, o representante, no Pais, do transportador estrangeiro seria responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação nos casos em que se opera a transferência de responsabilidade pelo pagamento desse imposto, nos termos do inciso II do parágrafo único do art. 32 e do art. 95 do DecretoLei n° 37, de 1966, com redação dada pelo DecretoLei n ° 2.472, de 1988, assim como da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007. No mérito, aduziu o relator do acórdão recorrido que a IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, determinava que referido registro deveria ser dado imediatamente após o embarque, tendo sido o termo "imediatamente" interpretado pela Notícia Siscomex n° 105, em 27/07/1994, em que se definiu tratarse do prazo de até vinte e quatro horas, prazo esse que veio a ser ampliado para sete dias por meio da IN SRF n° 510/2005. Segundo o relator, a aplicação do novo prazo fixado na IN SRF n° 510/2005 deveria ser observada, alcançando os casos pretéritos não definitivamente julgados, por configurar hipótese de retroatividade benigna, mais benéfica para o sujeito passivo, prevista na alínea "b" do inciso II do art. 106 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Cientificado da decisão em 6/10/2011 (fl. 71), o contribuinte interpôs, em 3/11/2011, o Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do auto de infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, sendo ressaltado o seguinte: 1) a responsabilidade do agente marítimo, nos termos já decididos pelo Poder Judiciário, assim como pela AdvocaciaGeral da União (AGU), se restringe à esfera comercial, não alcançando as infrações tributárias e/ou trabalhistas; Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11050.001506/200911 Acórdão n.º 3803004.313 S3TE03 Fl. 101 4 2) a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação valendose de um fundamento totalmente distinto do utilizado em outros julgamentos versando sobre a mesma matéria; 3) ao contrário do alegado na decisão recorrida, não seria o caso de retroatividade benigna da IN SRF nº 510/2005, eis que antes de sua vigência não era exigido qualquer rigorismo no registro de dados no Siscomex; 4) as informações foram inseridas no Siscomex antes de qualquer procedimento fiscal, tratandose de denúncia espontânea da infração, a reclamar pela não imposição de penalidade (art. 138 do CTN e art. 102 do Decretolei nº 37/1966). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 1 Preliminar. Ilegitimidade passiva. No que se refere à alegada ilegitimidade passiva, conforme já destacou o julgador a quo, temse que os agentes marítimos são os representantes dos navios e armadores nos portos, perante as autoridades governamentais e portuárias, e atuam como mandatários do transportador estrangeiro no País. Nos termos do art. 32, parágrafo único, alínea “b”, e do art. 95, inciso I, do DecretoLei nº 37, de 1966, o representante do transportador estrangeiro no País é responsável solidário pelo imposto de importação e responde por eventuais infrações, conjunta ou isoladamente, quando concorrer para sua prática. Essa previsão legal encontrade em consonância com o contido no art. 135, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), que estipula que os mandatários são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) assentou, em julgamento definitivo submetido à regra dos recursos repetitivos (art. 543C do Código de Processo Civil – CPC) que, após a alteração promovida pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, no art. 32 do DecretoLei nº 37, de 1966, o agente marítimo representante no País do transportador estrangeiro passou a ser responsabilizado solidariamente, portanto, sem benefício de ordem, pelo cumprimento das obrigações tributárias decorrentes de sua atividade de representação. Diante da regra insculpida no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, a referida decisão do STJ deve ser reproduzida pelos conselheiros nos julgamentos no âmbito do CARF. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11050.001506/200911 Acórdão n.º 3803004.313 S3TE03 Fl. 102 5 Dessa forma, se o representante do transportador estrangeiro no País não cumpre as normas vigentes, inclusive aquelas relativas ao cumprimento de obrigações acessórias, ele responde pessoalmente pela infração, inexistindo, no presente caso, a alegada ilegitimidade na identificação do sujeito passivo, em razão do que se afasta a preliminar de nulidade arguida. 2 Inovação da fundamentação legal do auto de infração. O relator do voto condutor do acórdão recorrido fundamentou a autuação com base no art. 37 da IN SRF n° 28, de 27/04/1994, que determinava que o referido registro deveria ser dado imediatamente após o embarque, tendo sido o termo "imediatamente" interpretado pela Notícia Siscomex n° 105, em 27/07/1994, como sendo o prazo de até vinte e quatro horas, prazo esse que veio a ser ampliado para sete dias por meio da IN SRF n° 510/2005. De pronto, informo que não se conseguiu acesso ao teor da referida Notícia Siscomex nº 105, de 1994, nem no sítio da Receita Federal, nem em consulta a outros sites na internet, tendo sido localizadas outras notícias emitidas no mesmo ano de 1994, mas não a referida pelo julgador de piso. Consultandose a descrição dos fatos presente no auto de infração (fls. 3 a 6), é possível verificar que a autuação se baseara no art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966, cujo prazo ali estipulado estaria definido no § 2º do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, com a redação dada pelo parágrafo único do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005. Notese que o agente autuante não fez qualquer menção à aplicação da retroatividade benigna para se valer da Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, referindose a ela como se fosse aplicável ao fato sob análise neste processo, fato esse ocorrido em 2004, quando a referida norma complementar ainda não havia sido editada. Não há no auto de infração qualquer referência à Notícia Siscomex n° 105, de 27/07/1994, em que, segundo o julgador a quo, haveria definição do prazo de até vinte e quatro horas como equivalente ao termo “imediatamente” presente na redação original do art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, prazo esse modificado pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, aplicável ao presente caso, conforme já dito, por força da retroatividade benigna. Ao se tentar manter o lançamento da multa com base em outros argumentos e outros atos normativos que não aqueles descritos no auto de infração, estáse a inovar, em sede de julgamento administrativo, a fundamentação legal, procedimento esse incompatível com a competência daquele Colegiado, pois que consistente em uma nova feitura do auto de infração. Nos termos do § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), para se sanear ou complementar um lançamento de ofício já formalizado, com inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, devese lavrar um novo auto de infração, de caráter complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação da matéria modificada, não cabendo ao órgão julgador essa providência, pois que da competência privativa, na esfera federal, do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da função de fiscalização. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11050.001506/200911 Acórdão n.º 3803004.313 S3TE03 Fl. 103 6 Não se sustenta, portanto, a fundamentação do auto de infração arguida pelo julgador de piso. 3 Denúncia espontânea. O Recorrente se vale da previsão contida no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, para requerer a aplicação da denúncia espontânea, pelo fato de que, segundo ele, prestara todas as informações relativas ao embarque antes de qualquer medida da fiscalização relacionada à alegada infração. Eis o teor do dispositivo: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (grifei) Constatase do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo DecretoLei nº 37, de 1966, exclui a aplicação de penalidades tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, havendo a exceção apenas em relação à penalidade aplicada na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, o que não corresponde ao elemento fático deste processo, qual seja, atraso do registro no Siscomex de informação relativa a embarque de mercadoria informada em Declaração de Despacho de Exportação (DDE). A denúncia espontânea encontrase disciplinada no art. 138 do CTN da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11050.001506/200911 Acórdão n.º 3803004.313 S3TE03 Fl. 104 7 Com base no art. 138 do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido1 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Nesse mesmo sentido, temse a súmula nº 49 do CARF que estipula que “[a] denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula referemse às declarações do imposto de renda (DIRPF e DIPJ), de retenção na fonte (DIRF) e DCTF. Consoante tais entendimentos, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias. Contudo, no presente caso, temse uma regra expressa específica determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966), disposição legal essa válida e vigente a reclamar por sua observância por parte da Administração Pública. Tal regra encontrase inserida no corpo da mesma lei (DecretoLei nº 37, de 1966) que estipula a multa administrativa sob comento, o que corrobora com a conclusão de que se aplica à inobservância da obrigação acessória sob comento. Conforme consta da descrição dos fatos no auto de infração, a ação fiscal iniciarase após o desembaraço da mercadoria e, também, após o registro no Siscomex dos dados de embarque pelo transportador, registro esse efetuado, portanto, antes de qualquer procedimento fiscalizatório, o que torna o fato sob exame consentâneo com a previsão normativa supra reproduzida. Registrese que o referido § 2º inexistia originariamente no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, vindo a ser incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, para abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010 (art. 40, que alterou o art. 32, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966), passouse a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. Mostrase evidente a intenção do legislador de estimular o cumprimento espontâneo da obrigação acessória por parte do contribuinte ou responsável, adotando o entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias. Por se tratar de matéria relativa a responsabilidade infracional, a inovação promovida em 2010 pela Medida Provisória nº 497 aplicase a fatos pretéritos, por força do contido no art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, em que se estipula que a lei se aplica retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. 1 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j. 17/6/2010; etc. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11050.001506/200911 Acórdão n.º 3803004.313 S3TE03 Fl. 105 8 Não se pode perder de vista que a atuação da Administração Pública é vinculada e obrigatória, sob pensa de responsabilidade funcional do agente, não podendo ela agir em desconformidade com o sistema jurídico. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa fiscal aplicase tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória, visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 2. Conforme apontou o Relator Desembargador na aludida decisão, o descumprimento de obrigação acessória constitui infração à legislação tributária, podendo ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis. De acordo com a ressalva do mesmo art. 138 do CTN, ao destacar a expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta o pagamento de tributo. A expressão “se for o caso” explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). 3 A súmula CARF, no meu entendimento, não estará sendo inobservada com a adoção deste entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a orientaram, o seu disciplinamento abrange as declarações periódicas a que os sujeitos passivos se encontram obrigados a apresentar, seja em razão de sua condição de contribuinte ou de responsável, para repassar à Administração tributária as informações necessárias à análise do cumprimento da obrigação tributária principal. Além disso, a previsão legal específica (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966) diferencia este caso dos demais, não se vislumbrando possibilidade de inobservância do imperativo legal. No caso sob análise, a Declaração de Despacho de Exportação (DDE) já havia sido apresentada, restringindose a obrigação acessória ao registro do embarque no Siscomex, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento da obrigação principal. 4 Conclusão. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar a multa aplicada. 2 AC 2001.70.00.0268477/PR, 1ª T., excerto do voto do Rel. Des. Fed. Wellington Mendes de Almeira, j. 17/10/2002. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11050.001506/200911 Acórdão n.º 3803004.313 S3TE03 Fl. 106 9 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/08/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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