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Numero do processo: 12448.737010/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA.
A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão de desistência expressa do contribuinte.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão de desistência expressa do contribuinte. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 70 10 /2 01 1- 95 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Data da lavratura dos Auto de Infração: 06/12/2011 Data da Ciência dos Auto de Infração: 06/12/2011 Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ no Rio de Janeiro I/RJ que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.362.2988 e 37.362.2996, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre pagamentos efetuados a favor de segurados empregados e segurados contribuintes individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 25/52 e anexos. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas mediante os autos de infração em testilha referemse a pagamentos de remunerações aos empregados e contribuintes individuais, destinados a retribuir o trabalho, não oferecidos a tributação previdenciária e nem declarados nas respectivas GFIP, conforme abaixo especificado: · DEBCAD 37.362.2988, no montante de R$ 675.470,57, que acrescido de multa e juros perfez o valor consolidado em 06/12/2011 de R$ 1.512.880,77, concernente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre remunerações pagas a empregados e contribuintes individuais. · DEBCAD 37.362.2996, no montante de R$ 22.694,37, que acrescido de multa e juros perfez o valor consolidado em 06/12/2011 de R$ 36.881,06, correspondente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços à autuada. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.362.2970 (CFL 68), decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições Fl. 825DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12448.737010/201195 Acórdão n.º 2302003.416 S2C3T2 Fl. 824 3 previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 344/371 e 576/583. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1257.263 11ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 653/676, julgando procedente em parte a impugnação oferecida pelo Sujeito Passivo, para excluir do crédito tributário lançado à parcela referente à alimentação fornecida in natura, e retificando o crédito tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 644/652. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 13/08/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 681. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 695/723, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Nulidade da Notificação Fiscal por violação ao contraditório e à ampla defesa, pela indicação dos diretores da Recorrente como corresponsáveis pelas infrações combatidas; · Nulidade do Acórdão, pelo indeferimento do pedido de diligência; · Impossibilidade de cobrança de contribuições previdenciárias sobre bolsa auxilio de estagiários, a contraprestação de serviços eventuais por segurados contribuintes individuais e as premiações por desempenho – Incentive House; · Que houve erro na exigência do pro labore indireto; · Ratifica o pedido de perícia para verificar se valores constantes das contas contábeis da n° 4.121 e 453 foram adicionados ao resultado do ano de 2008; Ao fim, requer o Recorrente a declaração de nulidade das autuações. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 13/08/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 12/09/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DA DESISTÊNCIA DO RECURSO. Após a interposição de Recurso Voluntário em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em São Paulo I/SP, que julgou procedente o lançamento tributário formalizado por intermédio do Auto de Infração nº 37.109.5875, de 08 de agosto de 2007, o Sujeito Passivo protocolizou na DRF em São Paulo I/SP Petição Formal, a fls. 185/186, informando ter aderido à anistia fiscal para pagamento integral do débito objeto dos presentes autos, na modalidade à vista, manifestando a desistência expressa e irrevogável do direito de questionar o débito objeto do presente Processo Administrativo Fiscal, bem como a renúncia a quaisquer alegações de direito acerca da exigibilidade do referido débito, requerendo, ao fim, a homologação da desistência e posterior extinção do feito. Após a interposição de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ no Rio de Janeiro I/RJ que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.362.2988 e 37.362.2996, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre pagamentos efetuados a favor de segurados empregados e segurados contribuintes individuais, o Sujeito Passivo protocolizou na DRF no Rio de Janeiro I Petição Formal, a fls. 820/821, informando ter aderido ao programa de pagamento incentivado de débitos, denominado “REFIS da Copa”, previsto na Lei nº 12.996/2014, na modalidade de parcelamento, manifestando a desistência expressa e irrevogável do presente Processo Administrativo Fiscal, bem como de qualquer impugnação e/ou recurso já interposto e /ou cabível, renunciando a quaisquer alegações anteriormente aduzidas. Nesse contexto, pugnamos pelo não conhecimento dos recursos voluntários interpostos, em razão de pedido expresso de desistência formulado pelos Recorrentes em petição formal a fls. 185/186. 2. CONCLUSÃO Fl. 827DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12448.737010/201195 Acórdão n.º 2302003.416 S2C3T2 Fl. 825 5 Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, em razão da desistência expressa e irrevogável requerida pelo Recorrente. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.017378/2009-70
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SIGILO BANCÁRIO. LEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.. SÚMULA CARF Nº 02.
A requisição das informações bancárias tem previsão na Lei Complementar 105, de 2001 regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, de tal forma que a Requisição de Informação Financeira foi legal. O CARF não é competente para apreciar apelo recursal que busca reconhecimento de inconstitucionalidade do dispositivo legal. Aplicação da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REQUISITO. PRÉVIA INTIMAÇÃO DOS TITULARES. MORTE DO TITULAR ANTES DA INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE REGULAR INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO COM BASE NO ART. 42 DA LEI 9.430/1996. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A PROCURADOR COM PODERES PARA MOVIMENTAR A CONTA ISOLADAMENTE. DEVER PROBATÓRIO A CARGO DO FISCO. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE IMPROCEDENTE.
Para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro e 1997, o art. 42 da Lei 9.430, de 1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, mantida no país ou no exterior, em relação aos quais os co-titulares, regularmente intimados, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. Todavia, a Fiscalização não pode atribuir responsabilidade solidária ao procurador, unicamente porque este detinha poderes para movimentar a conta isoladamente, posto que o Fisco tem o dever de provar, ainda que por meio de um conjunto indiciário consistente, que o instrumento de mandato foi utilizado de forma antijurídica, o que não se deu nestes autos. Além disso, em lançamento amparado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não é correto indicar como sujeito passivo pessoa que falecera antes da intimação para comprovar origem dos recursos depositados.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 06/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SIGILO BANCÁRIO. LEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.. SÚMULA CARF Nº 02. A requisição das informações bancárias tem previsão na Lei Complementar 105, de 2001 regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, de tal forma que a Requisição de Informação Financeira foi legal. O CARF não é competente para apreciar apelo recursal que busca reconhecimento de inconstitucionalidade do dispositivo legal. Aplicação da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REQUISITO. PRÉVIA INTIMAÇÃO DOS TITULARES. MORTE DO TITULAR ANTES DA INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE REGULAR INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO COM BASE NO ART. 42 DA LEI 9.430/1996. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A PROCURADOR COM PODERES PARA MOVIMENTAR A CONTA ISOLADAMENTE. DEVER PROBATÓRIO A CARGO DO FISCO. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE IMPROCEDENTE. Para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro e 1997, o art. 42 da Lei 9.430, de 1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, mantida no país ou no exterior, em relação aos quais os co-titulares, regularmente intimados, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. Todavia, a Fiscalização não pode atribuir responsabilidade solidária ao procurador, unicamente porque este detinha poderes para movimentar a conta isoladamente, posto que o Fisco tem o dever de provar, ainda que por meio de um conjunto indiciário consistente, que o instrumento de mandato foi utilizado de forma antijurídica, o que não se deu nestes autos. Além disso, em lançamento amparado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não é correto indicar como sujeito passivo pessoa que falecera antes da intimação para comprovar origem dos recursos depositados. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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SIGILO BANCÁRIO. LEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.. SÚMULA CARF Nº 02. A requisição das informações bancárias tem previsão na Lei Complementar 105, de 2001 regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, de tal forma que a Requisição de Informação Financeira foi legal. O CARF não é competente para apreciar apelo recursal que busca reconhecimento de inconstitucionalidade do dispositivo legal. Aplicação da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REQUISITO. PRÉVIA INTIMAÇÃO DOS TITULARES. MORTE DO TITULAR ANTES DA INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE REGULAR INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO COM BASE NO ART. 42 DA LEI 9.430/1996. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A PROCURADOR COM PODERES PARA MOVIMENTAR A CONTA ISOLADAMENTE. DEVER PROBATÓRIO A CARGO DO FISCO. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE IMPROCEDENTE. Para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro e 1997, o art. 42 da Lei 9.430, de 1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, mantida no país ou no exterior, em relação aos quais os cotitulares, regularmente intimados, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. Todavia, a Fiscalização não pode atribuir responsabilidade solidária ao procurador, unicamente porque este detinha poderes para movimentar a conta isoladamente, posto que o Fisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 73 78 /2 00 9- 70 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 tem o dever de provar, ainda que por meio de um conjunto indiciário consistente, que o instrumento de mandato foi utilizado de forma antijurídica, o que não se deu nestes autos. Além disso, em lançamento amparado no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não é correto indicar como sujeito passivo pessoa que falecera antes da intimação para comprovar origem dos recursos depositados. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004, decorrente de apuração de omissão de rendimentos caracterizada por dois depósitos bancários de origem não comprovada (um de R$50,00, outro de R$400.000,00). O lançamento amparouse no art. 42 da Lei 9.430/1996. O Termo de Verificação Fiscal consta às fls. 08/13. O procedimento de fiscalização teve origem contra o Sr. Jairo Amaral. Em razão de sua não localização no domicílio tributário, a autoridade fiscal tentou intimálo (o Sr. Jairo Amaral) no endereço da empresa a cujo quadro societário pertencia Vega Distribuidora de Petróleo CNPJ n° 03.906.304/000100. Sem êxito na citada tentativa, procedeuse à intimação por meio do Edital n° 56/2009, afixado em 16/04/2009, considerandose o Sr. Jairo Amaral intimado em 04/05/2009 para: a) apresentar extratos das contas bancárias que deram origem à movimentação financeira de R$798.036,00, durante o anocalendário 2004, junto ao Banco Bradesco S/A; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.017378/200970 Acórdão n.º 2802003.200 S2TE02 Fl. 227 3 b) comprovar a origem dos recursos depositados/creditados nas contas bancárias especificadas, mediante apresentação de documentação hábil e idônea; c) mediante exibição dos recibos de entrega, comprovar a apresentação das Declarações de Rendimentos do anocalendário 2004; d) apresentar declaração de próprio punho sobre ter movimentado contas bancárias apenas na citada instituição financeira ou informar sobre outras nas quais porventura possuiu contas bancárias no referido anocalendário. Tendo em vista que o interessado não se manifestou, em 30/06/2009, foram requisitadas ao Bradesco S/A as informações acerca de sua movimentação financeira, o que foi atendido, em 28/07/2009, com o fornecimento de fichas cadastrais, cópia de instrumento de procuração e extratos da contacorrente n° 450.1519, da agência 46, aberta em 15/06/2004. A autoridade lançadora ressaltou a importância da informação acerca da existência de procuração por instrumento público outorgada pelo Sr. Jairo Amaral ao Sr. Alfredo Checchia Neto CPF 068.925.25873, observando que a natureza da conta corrente mantida junto ao Bradesco S/A permitia a movimentação, isoladamente, tanto pelo titular quanto pelo procurador o que, conforme disposto nos art. 124 e 125 do Código Tributário Nacional CTN caracteriza a responsabilidade solidária. Em decorrência dessa constatação, o Sr. Jairo Amaral, na condição de contribuinte, e o Sr. Alfredo Checchia Neto, na qualidade de responsável solidário, foram intimados a comprovar a origem dos valores creditados/depositados na conta corrente n° 450.1519, da agência 46 do Banco Bradesco S/A, conforme Termo de Intimação, emitido em 16/10/2009 (fls. 29/30, numeração digital 31/32). O Sr. Alfredo apresentou manifestação de fls. 33 acompanhada dos seguintes documentos: a) declaração de ajuste anual simplificada, imposto de renda pessoa física, exercício 2005, anocalendário 2004 de Jairo Amaral, inscrito no CPF/MF sob n° 121.873.218 00, onde consta empréstimo de mútuo financeiro contraído junto a Vega Distribuidora de Petróleo Ltda., CNPJ/MF 03.906.304/000100; ( f l s . 34/36); e b) diário geral, termo de abertura do balanço patrimonial, relativo ao período de encerramento de 01/01/2004 a 31/12/2004 da Vega Distribuidora de Petróleo Ltda., onde consta em passivo circulante, o valor relativo ao contrato de mútuo realizado com Jairo Amaral (sócio). (fls. 37/42) Foi fornecida, também, cópia de alteração contratual e consolidação de contrato social de Vega Distribuidora de Petróleo Ltda. (fls. 44/54). O Sr. Alfredo argumentou que atuou em apenas três movimentações; que a procuração foi revogada com o falecimento do cliente; que agiu de boafé; que o Sr. Jairo Amaral não era indigente e sim advogado militante e proprietário de imóvel (conforme escritura e conta de água anexos); que o extrato de movimentação financeira demonstra ter se tratado de empréstimo. A autoridade consignou: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 a) os documentos apresentados demonstram que, em 07/04/2003, o Sr. Jairo Amaral adquiriu 100 cotas do capital social da empresa Vega, equivalente a R$10.000,00, de acordo com as informações apresentadas em sua DIRPF 2005 (fls. 35) e fls. 02 da alteração contratual (fls. 45); b) embora inexista comprovação de qualquer vínculo entre o Sr. Alfredo e a empresa Vega Distribuidora de Petróleo Ltda, o mesmo está de posse de documentos de Jairo Amaral e, sobretudo, daqueles pertencentes à referida pessoa jurídica; c) o Sr. Jairo, sócio detentor de R$10.000,00 do capital social da empresa, contraiu, com esta, empréstimo de R$400.000,00, valor este depositado em sua contacorrente em 14/07/2004, mediante transferência bancária, sendo que metade desse valor foi repassada ao Sr. Jair Possato e, em 2005, ambos se retiraram da sociedade; d) vários indícios qualificam a conduta como antijurídica; em tese, buscavam elidir a ocorrência de fato gerador de imposto de renda; d.1) inexiste residência no endereço informado como domicílio do Sr. Jairo Amaral; tratase dos fundos de uma creche municipal, conforme foto de fls. 11/12; d.2) ausência de propósito negocial no alegado empréstimo, pois falta razão para um cotista detentor de apenas 1% do capital social tomar recursos em valor correspondente a 40% do capital social de empresa; d.3) as seguintes informações demonstram a situação econômica do Sr. Jairo Amaral: entrou na sociedade com 68 anos de idade; apresentou DIRPF como isento nos exercícios 2002 e 2009, conforme banco de dados da Receita Federal do Brasil; inexiste registro de bem imóvel vinculado a seu CPF; de acordo com o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) da Previdência Social, sua instrução é até 4a série primária e recebeu benefício assistencial ao idoso de 06/05/2005 a 26/11/2008, o qual foi cancelado por falecimento (fls. 60/61). e) diante do exposto e, principalmente, em razão da falta de capacidade econômica de Jairo Amaral, está comprovado que o citado mútuo é uma simulação com objetivo de afastar da incidência do imposto de renda sobre os R$400.000,00 que transitaram pela conta corrente do Bradesco, n° 450151, da agência 46, sendo operada efetivamente por Alfredo Checchia Neto, sendo, portanto, necessária a qualificação da multa em 150%, nos termos da Lei 4.502/64, e proposição de representação fiscal para fins penais. O Sr. Alfredo Checchia Neto protocolizou a impugnação (fls. 63/87) acompanhada dos documentos (fls. 88/114), alegando, em síntese: a) Preliminar ilegitimidade passiva O auditor fiscal alega que o Sr. Jairo Amaral encontrase em lugar incerto e não sabido, por não ter sido localizado no número 31 da rua Deoclésio Câmara Matos, Vila Carminha, em Campinas, o que seria tentativa de embaraçar e impedir a constituição da exigência tributária, entretanto, o endereço é válido e existente, constituindose em imóvel adquirido pelo falecido Sr. Jairo em 20/06/1996, conforme averbação R.07/39.229. A cópia da conta de água (fls. 108) explica que o n° 31 fica ao lado da casa de n° 560, confusão decorrente de alterações na numeração dos imóveis da citada rua; b) a requisição de informações acerca da movimentação financeira do Sr. Jairo, foi feita de forma ilícita, quebrando o sigilo fiscal constitucionalmente protegido; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.017378/200970 Acórdão n.º 2802003.200 S2TE02 Fl. 228 5 c) reitera argumentos já expendidos, com os quais refuta a alegação de incapacidade econômica do Sr. Jairo; d) inexistência do fato gerador, pois os documentos juntados aos autos demonstram claramente que o valor movimentado na conta do Sr. Jairo teve origem em empréstimo realizado pela empresa da qual era sócio, comprovado com as saídas de caixa desta e as declarações de imposto de renda pessoa física, não se configurando o fato gerador previsto no art. 43 do CTN; e) o valor repassado pela empresa ao Sr. Jairo, a título de empréstimo, foi devolvido em seguida, como consta na DIRPF que anexa. Ademais, quando ocorreu o crédito na conta do Sr. Jairo, o banco solicitoulhe a comprovação de sua origem, o que foi atendido conforme documento cuja cópia segue juntada, protocolizada em 30/11/2004, e omitido pela instituição financeira quando do oferecimento de informações solicitadas pelo Sr. Fiscal; f) a realização do empréstimo e a devolução dos valores são comprovadas também pelo extrato juntado à impugnação, no qual está evidenciado que o Sr. Jairo, devolveu R$300.000,00 (trezentos mil reais) através do pagamento de uma dívida da Vega Distribuidora, junto a Centro Sul Distribuidora, parte desse valor (R$ 50.000,00) foi pago em forma de honorários ao advogado que acompanhou o acerto entre Vega e Centro Sul, Sr. Antonio Simões Júnior, e o saldo do empréstimo, foi sacado para pagamentos diversos, a pedido da empresa; g) não houve fraude, pois é natural que o impugnante, como advogado e procurador do falecido empresário, tenha documentos relacionados à atividade desenvolvida pelo cliente; h) a ausência de propósito negocial é tema que não cabe ao Sr. fiscal analisar, mas sim às partes envolvidas; e i) Inexiste previsão legal para a multa de 150% aplicada, que é abusiva e inconstitucional, por caracterizarse como confisco. Acrescenta que, apenas para argumentar, o percentual deveria ser fixado em 20%, conforme art. 59 da Lei n° 8.383/91. A impugnação do Sr. Alfredo Checchia Neto foi indeferida, pelas razões abaixo resumidas: a) a legitimidade passiva decorre da solidariedade estatuída pelo inciso I do art. 124 e respectivos efeitos descritos no art. 125, ambos do CTN e o interesse comum se revela na necessidade harmônica e concomitante na manutenção das contas bancárias onde seriam efetuados os créditos de numerários, e se exterioriza nos atos de abertura, operacionalização e manutenção dessas contas e na apuração de depósitos de origem não comprovada em conta mantida e operada por sujeitos diversos, isoladamente, e a autoridade fiscal lançadora destacou que a qualificação do Sr. Alfredo como responsável solidário decorreu, principalmente, do fato de ter poderes para, isoladamente, movimentar a conta corrente mantida junto ao Bradesco S/A e, subsidiariamente, o titular da conta ser pessoa que, conforme apurado, não detinha capacidade econômica que justificasse sua posição nos atos praticados; b) por meio da procuração foi outorgado mandato para atuação nas mais variadas esferas da vida civil e com amplos poderes, não sendo razoável aceitar que procuração Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 tão ampla se justifique para a prática de atos tão restritos como afirma o impugnante e o fato de a revogação do mandato só ter ocorrido com o falecimento do Sr. Jairo demonstra a comunhão de interesses existente entre ambos; c) no que tange à condição do Sr. Jairo Amaral, o auditor fiscal responsável apurou que o mesmo foi beneficiário de benefício assistencial destinada a pessoas de baixa renda, essa informação consta do banco de dados da Previdência Social, responsável pelo pagamento do citado benefício assistencial (fls. 60/61) e não há dúvida de que se trata da mesma pessoa, tendo em vista o conjunto de informações coincidentes números de RG e CPF, data de nascimento, nome da mãe, data de óbito, endereço. A condição de pobreza do Sr. Jairo é confirmada pela informação de que faleceu em entidade destinada a abrigar idosos carentes Asilo São Vicente de Paulo, em Lins/SP (cópia de certidão de óbito às fls. 102); d) não existe prova de que o Sr. Jairo Amaral é o mesmo que possui registro na OAB como advogado, conforme afirma o impugnante; e) quanto aos elementos trazidos pelo impugnante acerca de propriedade de imóvel transmitida ao Sr. Jairo Amaral, em 14/04/2008, a qual esse teria transmitido por doação, em 30/05/2008, a Ana Cristina Beozzo Amaral, o acórdão indicou que não existe registro desse bem vinculado ao CPF de Jairo Amaral, após 1994; f) rejeitou a alegação de que a autoridade fiscal não averiguou exaustivamente a localização da residência do Sr. Jairo Amaral, pois há fotos do local (fl. 11/12) e a conta do serviço de água e esgoto, com vencimento em 15/10/2002, não identifica o responsável pelo pagamento, e o nº 560 não coincide com o nº 570, que o impugnante alega existir conjuntamente com o nº 31, na Rua Deoclesio Câmara Mattos e a foto que o impugnante apresenta (fls. 110), ainda que contivesse nº legível, não constitui documento hábil e idôneo; g) não é a situação econômica do Sr. Jairo o elemento caracterizador da responsabilidade solidária do Sr. Alfredo, mas sim o fato de este deter amplos poderes para operar em nome do primeiro e para movimentar isoladamente a conta bancária em que foram efetuados os depósitos cuja origem não restou comprovada, conforme apontado pela autoridade fiscal lançadora; h) não houve ilegalidade na requisição de informações à Instituição Financeira; i) a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996 dispensa o Fisco de comprovar acréscimo patrimonial, uma vez que, após intimado, o contribuinte não comprovou a origem dos recursos; j) não procedem as alegações de que o valor de R$400.000,00 teve origem em empréstimo da empresa Vega Distribuidora de Petróleo Ltda para o sócio, Jairo Amaral; que a origem foi comprovada pelo documento de fls. 111 e que esse recurso teve como destinação R$300.000,00 para pagamento de dívida da Vega Distribuidora junto a Centro Sul Distribuidora, sendo que R$50.000,00 foram pagos a Antônio Simões Júnior, a titulo de honorários advocatícios, e os restante foi sacado para pagamentos diversos, a pedido da empresa. A razão dessa conclusão é não constar nos autos o contrato de mútuo, nem a prova da efetiva devolução do montante pelo Sr. Jairo à empresa mutuante, além de o contrato de mútuo ter sido simulado para afastar a incidência do imposto de renda, sendo depositado em conta efetivamente operada por Alfredo Cecchia Neto e, certamente, sem o conhecimento do Sr. Jairo Amaral; Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.017378/200970 Acórdão n.º 2802003.200 S2TE02 Fl. 229 7 l) a falta de propósito negocial para o suposto empréstimo é o fato de o titular da conta corrente ser sócio com 1% do capital social e o depósito representar 40% do capital da sociedade; ter constado o empréstimo na declaração de ajuste anual não é suficiente para provar o fato; m) a multa qualificada foi corretamente aplicada devido à comprovação de que a operação de mútuo foi uma simulação com intuito de afastar a incidência do imposto de renda; n) a DRJ não tem competência para apreciar o pleito de inconstitucionalidade e a multa de 20% não se aplica ao caso concreto. A ciência do acórdão e a interposição do recurso voluntário ocorreram em 28/09/2011 e 26/10/2011, respectivamente. Colhese da peça recursal a seguinte argumentação: 1. preliminarmente, afirma que o acesso às informações financeiras sem autorização judicial foi inconstitucional (do contribuinte e da qual decorreram efeitos sobre o recorrente) e requer, não o pronunciamento sobre inconstitucionalidade de lei, e sim o reconhecimento da arbitrariedade do lançamento, uma vez que reconhecido pelo STF a inconstitucionalidade, o que encontra respaldo no art. 62A do Regimento Interno do CARF, caso não seja esse o entendimento dessa Turma, requer o sobrestamento do processo até decisão definitiva do STF, nos termos do art. 62 do Regimento Interno do CARF; 2. Preliminarmente, requer o reconhecimento da ilegitimidade passiva do recorrente, pois: 2.1) a legislação não contempla hipótese de responsabilidade solidária por meio de quebra de sigilo bancário, nem mesmo a Lei Complementar 105/2001; 2.2) a autoridade fiscal atribuiu responsabilidade solidária com base na existência de procuração pública outorgada ao recorrente e na situação de quase indigência do contribuinte, Sr. Jairo Amaral, fatos cuja insubsistência já foi demonstrada, pois o Sr. Jairo era (a) sócio da empresa Vega, que como distribuidora de petróleo tem como um dos requisitos estabelecidos na Portaria ANP 202/1999, a capacidade econômica da empresa e dos sócios, (b) proprietário de imóvel quando da realização do mútuo (fls. 106) , (c) advogado, regularmente inscrito na OAB nº 45360 (fls. 103), não se sustentando a premissa do acórdão recorrido de falta de comprovação de que se trata da mesma pessoa (consultas ao sítio do TJSP por número na OAB, nome e número de processos); 2.3. enquanto o trabalho fiscal adotou a premissa de que o Sr. Jairo Amaral era praticamente um indigente, a decisão de primeira instância desvia dessa direção e aduz que a responsabilidade solidária teria lugar, não propriamente em razão da situação econômica do Sr. Jairo Amaral, e sim em virtude do instrumento de procuração outorgado pelo referido contribuinte ao recorrente; 2.4. o interesse comum que caracterizaria a solidariedade não pode ser caracterizado apenas e tão somente pela existência de um Instrumento de Procuração, o que violaria os preceitos referentes ao instituto do mandato, regulados pelos art. 653 e 663 do Código de Processo Civil, notadamente porque (a) o mandatário age em nome e no interesse do Fl. 233DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 mandante, sendo este o único responsável, (b) os atos praticados pelo mandatário não são de seu interesse, mas sim do interesse do mandante. 2.5. não houve transferência de valores entre mandante e mandatário e não ficou demonstrado que o recorrente teria atuado na operação de mútuo ocorrida entre o contribuinte e a empresa Vega. 2.6. a boafé da atuação como advogado deve ser presumida e devese reconhecer que, como mandatário, tem dificuldades na produção de provas por desconhecer minúcias das operações. No mérito, o recorrente sustenta: 3. a não ocorrência do fato gerador, previsto no art. 43 do CTN, pois os documentos comprovam que os valores depositados na conta de Jairo do Amaral foram objeto de mútuo entre ele e a empresa Vega, operação que foi declarada pelo Sr. Jairo e pela empresa (fls. 35 e 38) e também foi comprovado o pagamento da dívida resultante desse empréstimo por meio do pagamento à empresa Centro Sul (R$300.000,00; fls. 114), honorário advocatícios ao Dr. Antônio Simões Júnior (R$50.000,00; fls. 113) e pagamentos diversos a pedido da empresa (R$50.000,00), as questões comerciais alusivas à concessão do empréstimo não podem servir de fundamento para a autuação; 4. não caracterização da fraude e o não cabimento da multa de 150%, notadamente pela não comprovação do dolo do recorrente na suposta fraude e porque a multa, da forma como exigida, contraria o entendimento proferido em diversos precedentes. Ao final, requer fazer sustentação oral. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.193, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. Após indevida distribuição à 2ª Turma Ordinária desta Câmara, o processo foi redistribuído a este Relator. O processo foi incluído em pauta de julgamentos em setembro de 2014, porém retirado de pauta para corrigir a publicação quanto à indicação do recorrente. Corrigida a publicação, o processo retornou à pauta para julgamento em outubro de 2014, sessão em que foi realizada sustentação oral e, em seguida, deferido pedido de vistas ao Conselheiro Jaci de Assis Júnior. O processo retorna à pauta de julgamento em novembro de 2014. É o relatório . Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.017378/200970 Acórdão n.º 2802003.200 S2TE02 Fl. 230 9 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Das preliminares O acesso aos dados bancários do Sr. Jairo Amaral amparouse na Lei Complementar 105/2001. As decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. De outro giro, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. Aplicase a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Legal o acesso aos dados bancários do Sr. Jairo Amaral, portanto não há nulidade em relação aos efeitos da fiscalização sobre o recorrente. Por estas razões, rejeito a preliminar à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários. Os parágrafos do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF foram revogados ela Portaria MF 545, de 18/11/2013, o que leva à rejeição da preliminar alusiva ao sobrestamento do julgamento. O recorrente pleiteia o reconhecimento da ilegitimidade passiva sob alegação de que a legislação não contempla hipótese de responsabilidade solidária por meio de quebra de sigilo bancário, nem mesmo a Lei Complementar 105/2001. Todavia, a atribuição de responsabilidade tributária ao recorrente baseouse em constatações de ordem fática e nos art. 124 e 125 do CTN. As razões de fato devem ser analisar como questões de mérito mais à frente, porém a preliminar deve ser rejeitada desde já. Do mérito A autoridade fiscal atribuiu responsabilidade tributária ao recorrente em relação ao depósito na conta corrente existente em nome de Jairo Amaral em virtude dos poderes que o recorrente detinha, como procurador, para movimentar isoladamente a conta. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Transcrevese excerto do Termo de Verificação Fiscal (fls. 09): Observo que a natureza da conta corrente citada é daquela que poderia ser movimentada tanto pelo titular quanto procurador isoladamente, assim surge a figura da responsabilidade tributária. (...) Do todo exposto até este momento restaria a Fazenda Pública impedida de exigir o crédito tributário constante deste auto de infração, senão vejamos um contribuinte em local incerto ou ignorado embaraçando e impedindo a constituição da exigência tributária, mas somos acudidos pela figura da responsabilidade solidária, é o que dispõe o Código Tributário Nacional – Lei 5172/66 sobre o assunto: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Assim, está solidariamente obrigado, Alfredo Checchia Neto – CPF 068.925.25873, com domicílio na rua Reverendo Guilherme Kerr, 70 Nova Campinas, CEP 13092390 na qualidade cotitular de conta corrente. (grifos não constam do original) Não obstante, a existência de procuração que permite a movimentação isolada por parte do procurador, isoladamente, não é o suficiente para atribuir ao mesmo a qualidade de cotitular da conta corrente. Outrossim, o fato de o titular (Jairo Amaral) estar em local incerto ou ignorado e de ter sido constatada a inexistência do endereço informado como seu domicílio tributário, isoladamente, não permite atribuir responsabilidade ao procurador com poderes para movimentar isoladamente a conta corrente. Essa atribuição de responsabilidade ao procurador requer um conjunto indiciário mais robusto. Em face de diversas constatações alusivas à situação pessoal de Jairo Amaral, a autoridade fiscal concluiu pela sua falta de capacidade econômica e quase indigência, consequentemente reputou que o alegado mútuo financeiro foi uma simulação para impedir a Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.017378/200970 Acórdão n.º 2802003.200 S2TE02 Fl. 231 11 tributação do depósito de R$400.000,00 na conta operada efetivamente pelo então recorrente sem o conhecimento de Jairo Amaral. As constatações acerca da situação pessoal de Jairo Amaral foram relacionadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/13), em síntese: 1. inexistência do endereço informado como domicílio tributário; 2. ausência de propósito negocial para que um cotista com 1% do capital social tome empréstimo na ordem de 40% desse mesmo capital; 3. falta de capacidade econômica representada pela apresentação de declarações de isento nos exercícios 2009 e 2002; nenhum registro de imóvel em seu nome; CNIS informando instrução até 4ª série primária e recebimento de benefício ao idoso no período em que, formalmente, constava como sócio da empresa Vega. Ao rebater argumentos impugnatórios que buscaram refutar a conclusão da autoridade lançadora, o acórdão recorrido assinalou: 1. quanto ao pagamento do citado benefício assistencial (fls. 60/61) a Jairo Amaral, não há dúvida de que se trata do mesmo Jairo Amaral destes autos, tendo em vista o conjunto de informações coincidentes números de RG e CPF, data de nascimento, nome da mãe, data de óbito, endereço. A condição de pobreza do Sr. Jairo é confirmada pela informação de que faleceu em entidade destinada a abrigar idosos carentes Asilo São Vicente de Paulo, em Lins/SP (cópia de certidão de óbito às fls. 102). 2. não existe prova de que o Sr. Jairo Amaral é o mesmo que possui registro na OAB como advogado. 3. quanto aos elementos trazidos pelo impugnante acerca de propriedade de imóvel transmitida ao Sr. Jairo Amaral, em 14/04/2008, a qual esse teria transmitido por doação, em 30/05/2008, a Ana Cristina Beozzo Amaral, não existe registro desse bem vinculado ao CPF de Jairo Amaral, após 1994. 4. no tocante à localização da residência do Sr. Jairo Amaral, a conta do serviço de água e esgoto, com vencimento em 15/10/2002, não identifica o responsável pelo pagamento, e o nº 560 não coincide com o nº 570, que o impugnante alega existir conjuntamente com o nº 31, na Rua Deoclesio Câmara Mattos e a foto que o impugnante apresenta (fls. 110), ainda que contivesse nº legível, não constitui documento hábil e idôneo; 5. não é a situação econômica do Sr. Jairo o elemento caracterizador da responsabilidade solidária do Sr. Alfredo, mas sim o fato de este deter amplos poderes para operar em nome do primeiro e para movimentar isoladamente a conta bancária em que foram efetuados os depósitos cuja origem não restou comprovada. Na fase recursal, o recorrente alega: 1. a autoridade fiscal atribuiu responsabilidade solidária com base na existência de procuração pública outorgada ao recorrente e na situação de quase indigência do contribuinte, Sr. Jairo Amaral, entretanto o Sr. Jairo Amaral era: Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 (a) sócio da empresa Vega, que como distribuidora de petróleo tem como um dos requisitos estabelecidos na Portaria ANP 202/1999, a capacidade econômica da empresa e dos sócios; (b) proprietário de imóvel quando da realização do mútuo (fls. 106); (c) advogado, regularmente inscrito na OAB nº 45360 (fls. 103), não se sustentando a premissa do acórdão recorrido de falta de comprovação de que se trata da mesma pessoa (consultas ao sítio do TJSP por número na OAB, nome e número de processos). 2. enquanto o trabalho fiscal adotou a premissa de que o Sr. Jairo Amaral era praticamente um indigente, a decisão de primeira instância desvia dessa direção e aduz que a responsabilidade solidária teria lugar, não propriamente em razão da situação econômica do Sr. Jairo Amaral, e sim em virtude do instrumento de procuração outorgado pelo referido contribuinte ao recorrente. 3. o interesse comum que caracterizaria a solidariedade não pode ser caracterizado apenas e tão somente pela existência de um Instrumento de Procuração, o que violaria os preceitos referente ao instituto do mandato, regulados pelos art. 653 e 663 do Código de Processo Civil, notadamente porque (a) o mandatário age em nome e no interesse do mandante, sendo este o único responsável, (b) os atos praticados pelo mandatário não são de seu interesse, mas sim do interesse do mandante. 4. não houve transferência de valores entre mandante e mandatário e não ficou demonstrado que o recorrente teria atuado na operação de mútuo ocorrida entre o contribuinte e a empresa Vega. 5. a boafé da atuação como advogado deve ser presumida e devese reconhecer que, como mandatário, tem dificuldades na produção de provas por desconhecer minúcias das operações. O anocalendário autuado é o de 2004, período em que, segundo constam nos contratos sociais, o Sr. Jairo Amaral era sócio da empresa Vega. A situação pessoal do Sr. Jairo deve ser mensurada nesse período. Os benefícios assistências pagos a partir de 06/05/2005 e o óbito em um asilo de idosos em 2008 não são suficientes para demonstrar a situação econômica de Jairo Amaral em 2004. Na certidão do 3º Cartório de Registro de Imóveis (fls. 106) consta o registro, em 20/06/1996, da aquisição por Jairo Amaral, em 23/07/1980, de imóvel denominado como “Lote de terreno sob nº 5 da quadra O da Vila Carminha a rua 9”. Verificase que o Sr. Jairo Amaral era proprietário de imóvel no anocalendário 2004. O acórdão recorrido reputou não comprovado que o Jairo Amaral em questão é o advogado de que trata a pesquisa de fls. 103, no entanto, fato relevante é que a supracitada certidão do Registro de Imóveis e a ficha cadastral no Bradesco (fls. 21) indicam Jairo Amaral como advogado. O acórdão recorrido considerou que a conta de serviço de água e esgoto (fls. 108), referente ao mês de setembro de 2002, não serve de prova porque não identifica o responsável pelo pagamento e o nº 560 não coincide com o n° 570 que o impugnante alega existir conjuntamente com o nº 31 (que seria o domicílio tributário do Sr. Jairo Amaral). Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.017378/200970 Acórdão n.º 2802003.200 S2TE02 Fl. 232 13 Não obstante, essa conta de água é importante elemento de prova, pois demonstra que (a) existe o endereço indicado por Jairo Amaral como seu domicílio tributário, tanto que lá havia fornecimento do referido serviço público; e (b) há uma precária numeração das residências, posto que o número 31 e indicado como “AO LADO n 560”. Com o objetivo de explicar a divergência na numeração, o recorrente juntou fotos da casa de nº 570/31 (fls. 109/110). O mesmo endereço informado ao Fisco foi informado ao Banco Bradesco como endereço de correspondência (fls. 21). Essas evidências fragilizam a premissa da autoridade lançadora de que não existe o endereço indicado por Jairo Amaral como seu domicílio tributário e que esse fosse quase um indigente. A irregularidade no endereço é novamente motivo de devolução da correspondência quando se tentou dar ciência do julgamento de primeira instância. Justificase a intimação por edital, mas não a presunção de que o recorrente era cotitular da conta corrente. De outro giro, colhese do Termo de Verificação Fiscal que uma das premissas da autoridade lançadora foi que a conta corrente era operada efetivamente por Alfredo Checchia Neto e, certamente, sem o conhecimento de Jairo Amaral. Em sentido contrário, o acórdão recorrido consignou que a procuração que Jairo Amaral outorgou ao recorrente para atuação nas mais variadas esferas da vida civil e com amplos poderes e a revogação do mandato somente com o falecimento do Sr. Jairo demonstra a comunhão de interesses existente entre ambos. Tem razão o recorrente ao afirmar que a boa fé do mandatário se presume, cabendo ao Fisco provar o uso do instrumento do mandato de forma antijurídica. Ainda que remanesçam indícios que justificassem maiores investigações acerca de possível ligação do recorrente com a operação tributada, não há comprovação nos autos de um conjunto de indícios forte o bastante para qualificálo como cotitular da conta corrente ou como responsável solidário. As diligências necessárias à constituição de crédito tributário e identificação dos sujeitos passivos são próprias das autoridades lançadoras e não do órgão julgador, bem como estariam sujeitas ao prazo decadencial. Cabe ao órgão julgador aferir a legalidade do lançamento. Quando da tentativa de intimação relativa à fiscalização em curso (fls. 17/19), o Sr. Jairo Amaral já estava falecido (fls. 102), portanto diverso do que descrito no auto de infração e exigido para aplicação do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, não houve a regular intimação do Sr. Jairo Amaral para justificar a origem dos recursos depositados. Não cumpridos os requisitos para o lançamento com base no art. 42 da Lei 9.430/1996 contra Jairo Amaral caracterizase um vício substancial do lançamento (e não meramente formal) a sua indicação como sujeito passivo. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 Notese que a não localização do contribuinte somada ao desconhecimento do fato de seu falecimento levou a autoridade fiscal a adotar como premissa a existência de “um contribuinte em local incerto ou ignorado embaraçando e impedindo a constituição da exigência tributária, mas somos acudidos pela figura da responsabilidade solidária”(fls. 09). Logo, pautada em premissa equivocada e sem o exaurimento do dever de provar a sujeição passiva do recorrente a autoridade fiscal não poderia designálo como responsável solidário. De outro giro, a inteligência da súmula CARF nº 25, por analogia, serve de esteio aos autos. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Sem a intimação do contribuinte (já falecido) ou ao responsável tributário não há espaço para a aplicação da presunção legal em comento contra Jairo Amaral (espólio), assim como também não permitiria, sem a necessária comprovação, atribuir ao mandatário a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído em função do depósito na conta corrente mantida em nome do mandante. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 240DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10530.001008/97-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
Em respeito a princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Constituição Federal, a decisão judicial transitada em julgado, proferida em ação proposta pela contribuinte, deve ser cumprida pela administração tributária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. Em respeito a princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Constituição Federal, a decisão judicial transitada em julgado, proferida em ação proposta pela contribuinte, deve ser cumprida pela administração tributária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 10 08 /9 7- 18 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10530.001008/9718 Acórdão n.º 3801004.365 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1513.685, de 18 de setembro de 2007, da 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), referente ao processo administrativo n° 10530.001008/9718, referente a pedido de restituição da contribuinte, em que foi deferida a solicitação em parte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/SDR, que assim relatou os autos: “Tratase de pedido (fl.01) apresentado pela interessada em 01/10/1997 pretendendo ter restituído valores recolhidos a título de FINSOCIAL à alíquota superior a 0,5%, conforme demonstrativo de folhas 02/03. Visando instruir seu pleito, ao processo foram anexados os DARF de recolhimento (fl. 04/14), fotocópia da sentença proferida pela Juíza da Quinta Vara Federa/BA nos autos da Ação Ordinária nº 96.00.148163 (fl. 15/19), reconhecendo o direito de a interessada compensar o FINSOCIAL com débitos da COFINS, e declaração de rendimentos dos exercícios de 1990, 1991 e 1992 (fls. 20/25). Em atenção à intimação de folhas 27/28, às folhas 32/35 foram anexadas fotocópias da sentença já mencionada, e também, às folhas 29/43, do julgamento da Apelação Cível º 1997.01.00.056791/BA pelo Tribunal Regional Federal – TRF da 1ª Região, negando provimento à apelação da Fazenda Nacional. Por sua vez, em atenção à intimação de folhas 44/47, foram anexadas as mesmas fotocópias relativas às ações judiciais (fl. 49/58), além do Livro de Registro de Apuração do ICMS (fl.60/94). Intimada às fl. 101/102 a apresentar a comprovação da homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial e da renúncia à sua execução, e a indicar os débitos a serem compensados, a interessada informa à fl. 103 que o acórdão nº 1997.01.00.056791/BA transitou em julgado em 17/03/1999, prescrevendo assim em 18/03/2005 o seu direito à execução do título judicial, e correndo, consequentemente, a renúncia tácita do direito de ingressar com pedido de execução do titulo, inclusive dos honorários e custas processuais. Foi proferido pela DRF/Feira de Santana o Despacho Decisório nº 1372/2006 (fl. 107/109), no qual foi observado que o pedido de restituição da interessada encontrase instruído com Sentença da Justiça Federal de 1ª Instância que lhe assegurou tão somente o direito à compensação de valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL, mas não se manifestou quanto à devolução de quantias pagas a maior, enquanto o acórdão do TRF apenas negou provimento à apelação da Fazenda Nacional. Por conseguinte, com base no art. 165 DO Código Tributário Nacional – CTN e no art.50 da Instrução Normativa SRF nº 600, Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10530.001008/9718 Acórdão n.º 3801004.365 S3TE01 Fl. 4 3 de 2005, conclui a autoridade a quo que o pedido de restituição não foi apreciado pelo Poder Judiciário, por ter sido garantido apenas o direito á compensação do FINSOCIAL com débitos a compensar, não foram reconhecidos os valores do FINSOCIAL a restituir. Citada em 15/09/2006 do referido despacho decisório (Aviso de Recebimento – AR à folha 135), EM 02/10/2006 a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade de folhas 110/117, alegando que: Em 1997, ingressou com Pedido de Restituição dos valores pagos a maior a título do FINSOCIAL, àquela época já reconhecido por sentença judicial, e após o trânsito em julgado da decisão judicial favorável, instruiu o processo administrativo com todas as peças necessárias à qualificação e homologação do seu crédito, mas teve seu pedido negado sob o fundamento de que a decisão judicial lhe garantia apenas direito à compensação, e não à restituição do crédito; O pedido de restituição visava averiguar a certeza e qualificar o crédito, permitindo à contribuinte, após o julgamento judicial, optar pela restituição, ressarcimento ou compensação, conforma dispõem os arts. 12, §4º e 17 da IN SRF nº 21, de 1997, em vigor à época do pleito; Pela interpretação da norma, ficava claro que, independente dos ditames da sentença, era necessário que a contribuinte ingressasse com Pedido de Restituição, entendimento corroborado p3ela IN SRF nº 233, de 2002, em seu artigo 4º, ainda pelo art.26 da IN SRF nº 600, de 2005, sendo incoerente e sem sentido a apresentação de débitos a compensar, conforme ementas do Conselho de Contribuintes que corroborariam seu entendimento; Tendo procedido na forma entendida pela repartição à época em que formulo o seu pleito, não pode a contribuinte, após ser punida em face da mudança o entendimento sobre a matéria; No despacho decisório, a autoridade administrativa alega a inexistência de débitos compensáveis, mas, em verificando a inexistência de débitos no “conta corrente”, deveria a auditoria fiscal intimar a interessada para apresentar declarações de compensação dos débitos vincendos, à medida em que fossem sendo constituídos, até que houvesse a liquidação total do crédito, ou então, restituílo, uma vez que não há limitação legal em sentido contrário. Outros contribuintes na mesma situação tiveram seus pleitos atendidos, conforme fotocópia de decisões exaradas em outros processos administrativos (fl. 118/125), e , portanto, a DRF/Feira de Santana está dando tratamento diferenciado a contribuintes em situação idênticas, ferindo os princípio da impessoalidade e isonomia previstos no art. 37 da Constituição Federal, tratandose de entendimento isolado que difere de outras delegacias; Requer, ao final, que seja determinada a apuração do crédito da interessada, podendo a devolução ser feita em forma de Fl. 191DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10530.001008/9718 Acórdão n.º 3801004.365 S3TE01 Fl. 5 4 restituição por ordem de crédito ou pela compensação com débitos vincendos. Por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade, entendeu a DRJ/SDR por conhecer a manifestação de inconformidade apresentada, consoante julgado que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: Normas de Direito Tributário Período de Apuração: 04/11/1989 a 06/04/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. O Direito de efetuar a compensação de créditos de FINSOCIAL, assegurado por decisão judicial transitada em julgado, pressupõe a existência de crédito líquido e certo. É legitimo ao contribuinte requer administrativamente o pedido de restituição previamente a pedido de compensação de créditos. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. Em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Constituição Federal, a decisão judicial transitada em julgado, proferida em ação proposta pela contribuinte, deve ser cumprida pela administração tributária. Solicitação Deferida em Parte. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, a fls. 181/184, postulando a reforma da decisão, requerendo a contribuinte a procedência total do pedido de restituição. É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10530.001008/9718 Acórdão n.º 3801004.365 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Consoante se verifica no voto do acórdão ora recorrido, somente foi deferido à recorrente a restituição dos valores posteriores a 29/10/1991, sendo considerado abrangidos pela prescrição quinquenal, haja vista que a ação judicial foi ajuizada cinco anos após a referida data. Assim, temos que a questão trazida pela recorrente em recurso voluntário é que na sentença da ação judicial já havia sido deferida a compensação de valores a ser realizada em liquidação em relação a parcelas compensáveis recolhidas antes de 29/10/1991 que “tenham obtido homologação de lançamento dentre desta limitação temporal”. Ainda, refere o Magistrado que “se a homologação se deu um dia ou mais depois dessa data, desaparece o efeito prescricional”. Na parte dispositiva da sentença exarada, ainda constou expressamente que “respeitandose a alegação de prescrição, acolhida nos termos da fundamentação retro – ou seja, todos os créditos porventura existentes antes de 28.10.1991 estarão prescritos, se já tiverem sido objeto de homologação pela Fazenda Nacional até este limite temporal”. Deste modo, alega a recorrente que “não há prova, nem processo administrativo nem no judicial, de tal homologação, até porque a mesma nunca ocorreu. Portanto, os valores pagos antes de 28.10.1991 não foram atingidos pela prescrição e devem ser restituídos à empresa, nos termos da sentença judicial que reconheceu o crédito”. Devese considerar que não há prova de negativa de homologação por parte da Fazenda Nacional de tal modo que se faz imperioso o cumprimento exato da decisão judicial, que excluiu a prescrição se os créditos porventura existentes antes de 28.10.1991 tivessem sido homologados. Cabe cumprir exatamentos os termos da decisão judicial sem alterações. A decisão ainda declara expressamente que a prescrição alegada: “(...) só se tornam efetivas após a homologação do lançamento (este feito unilateralmente), pela autoridade adminstrativa”. Não havendo homologação expressa não terá ocorrido a prescrição. Em face do exposto, encaminho o voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10530.001008/9718 Acórdão n.º 3801004.365 S3TE01 Fl. 7 6 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13808.003931/2001-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000
PIS/PASEP - FALTA DE RECOLHIMENTO - RECOLHIMENTOS ESPONTÂNEOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO - LANÇAMENTO PARCIALMENTE MANTIDO.
Escoimado o lançamento dos recolhimentos espontaneamente efetuados antes do inicio da ação fiscal, bem como das respectivas multas, deve ser mantida a r. decisão, se na fase recursal, a recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar as exigências do lançamento mantidas.
PAF - RECURSO DE OFÍCIO - SUCUMBÊNCIA INFERIOR À ALÇADA REGIMENTAL - COISA JULGADA ADMINISTRATIVA
Embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, relativamente à glosa de certos créditos, sendo o valor da sucumbência inferior ao limite de alçada, é incabível o Recurso de Oficio, operando-se a coisa julgada administrativa em relação às referidas matérias.
Numero da decisão: 3402-002.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em face da concomitância. Na parte conhecida deu-se provimento nos termos do voto do relator
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Moraes Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior, Leonardo Mussi da Silva (Suplente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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A discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição, salvo nos casos em que a matéria suscitada na impugnação ou recurso administrativo, se prenda a competências privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa, como é o caso da decadência e dos efeitos da exigibilidade do crédito tributário constituído através do lançamento em face de liminar, e dos consectários lógicos do seu inadimplemento, como é o caso da multa e dos acréscimos moratórios consubstanciados no referido lançamento (arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN), que não foram objeto da segurança. PAF RECURSO DE OFÍCIO SUCUMBÊNCIA INFERIOR À ALÇADA REGIMENTAL COISA JULGADA ADMINISTRATIVA Embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, relativamente à glosa de certos créditos, sendo o valor da sucumbência inferior ao limite de alçada, é incabível o Recurso de Oficio, operandose a coisa julgada administrativa em relação às referidas matérias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000 PIS/PASEP FALTA DE RECOLHIMENTO RECOLHIMENTOS ESPONTÂNEOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO LANÇAMENTO PARCIALMENTE MANTIDO. Escoimado o lançamento dos recolhimentos espontaneamente efetuados antes do inicio da ação fiscal, bem como das respectivas multas, deve ser mantida a r. decisão, se na fase recursal, a recorrente não apresentou nenhuma evidencia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 39 31 /2 00 1- 13 Fl. 928DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 concreta e suficiente para descaracterizar as exigências do lançamento mantidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em face da concomitância. Na parte conhecida deuse provimento nos termos do voto do relator GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Winderley Moraes Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior, Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 860/863) contra o v. Acórdão DRJ/CPS nº 7.846 de 01/12/04 constante de fls. 833/839 exarada pela 5ª Turma da DRJCampinas SP que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar “procedente em parte”, o lançamento original de PIS/PASEP (MPF nº 0812100/01057/01 fls. 256/268), notificado em 30/07/01 (fls. 265), no valor total de R$ 251.377,67 (PIS R$ 152.997,17; e Juros R$ 98.380,50), que acusou a ora Recorrente de falta ou insuficiência de recolhimento da PIS no período de 31/01/97 a 31/12/00, lavrado com exigibilidade suspensa em razão medida liminar concedida no MS n° 1.999.61.00.0244281 pelo MM. Juiz da 8ª Vara Federal de São Paulo. Depois de consignar que a impugnação era tempestiva preenchendo os demais pressupostos de admissibilidade, r. decisão de fls. 833/839 da 5ª Turma da DRJ Campinas SP, houve por bem julgar “procedente em parte”, o lançamento original de PIS/PASEP, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. Na vigência da Lei n° 9.718, de 1998, as receitas financeiras da Fl. 929DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.003931/200113 Acórdão n.º 3402002.121 S3C4T2 Fl. 3 3 pessoa jurídica integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO. LANÇAMENTO DE OFICIO. LMPOSSIBILIDADE. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido o recolhimento integral do valor devido, conforme determinado por lei, descabe o lançamento de ofício. Comprovado pela contribuinte o recolhimento do tributo, previamente à ação fiscal, excluemse do Auto de Infração os valores lançados indevidamente. Lançamento Procedente em Parte” Em decorrência da r. decisão supra citada excluiu do lançamento original os valores dos tributos exigidos com duplicidade de base de cálculo já incluídas no faturamento da Recorrente, conforme demonstrativo dela constante, na seguinte conformidade: P.A. Lançado Excluído Mantido Jan/1997 6.568,70 6.568,70 0,00 Fev/1997 5.683,37 5.683,37 0,00 Mar/1997 4.075,65 4.075,65 0,00 Abr/1997 3.852,60 3.852,60 0,00 Maio/1997 3.330,87 3.330,87 0,00 Jun/1997 3.334,13 3.334,13 0,00 Jul/1997 5.913,24 5.913,24 0,00 Ago/1997 3.801,85 3.801,85 0,00 Set/1997 4.617,81 4.617,81 0,00 Out/1997 4.617,81 4.617,81 0,00 Nov/1997 5.311,22 5.311,22 0,00 Dez/1997 6.480,67 6.480,67 0,00 Jan/1998 9.436,04 9.436,04 0,00 Fev/1998 8.461,46 8.461,46 0,00 Mar/1998 7.130,63 7.130,63 0,00 Abr/1998 7.191,62 7.191,82 0,00 Maio/1998 7.046,67 7.046,67 0,00 Jun/1998 6.841,30 6.841,30 0,00 Jul/1998 10.159,22 10.159,22 0,00 Ago/1998 6.760,67 6.760,67 0,00 Set/1998 5.878,11 5.878,11 0,00 Out/1998 6.850,85 6.850,85 0,00 Nov/1998 7.767,49 7.767,49 0,00 Dez/1998 4.819,39 4.819,39 0,00 Jan/1999 0,00 0,0,00 0,00 Fev/1999 76,79 62,71 14,08 Mar/1999 172,63 148,97 23,66 Abr/1999 86,16 71,45 14,71 Maio/1999 156,78 150,33 6,45 Jun/1999 228,19 218,96 9,23 Jul/1999 157,35 154,26 3,09 Ago/1999 193,39 184,97 8,42 Set/1999 265,83 258,53 7,30 Out/1999 188,35 188,34 0,01 Nov/1999 178,59 178,50 0,00 Dez/1999 281,07 222,55 58,52 Jan/2000 125,00 123,51 1,49 Fev/2000 2.895,58 117,06 2.778,52 Mar/2000 0,00 0,00 0,00 Abr/2000 153,62 153,62 0,00 Maio/2000 167,40 167,40 0,00 Jun/2000 1.466,06 206,71 1.259,35 Jul/2000 103,90 103,90 0,00 Ago/2000 208,74 208,73 0,01 Fl. 930DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Set/2000 219,49 219,40 0,00 Out/2000 172,24 166,86 5,38 Nov/2000 162,81 162,81 0,00 Dez/2000 204,55 204,55 0,00 TOTAL 153.796,09 149.605,88 4.190,21 Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 860/863) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a decisão de 1ª instância merece “reforma” tendo em vista que em relação à parcela remanescente o valor de R$ 2.778,52, referente ao mês de fevereiro de 2000 foi devidamente recolhido (é o montante devido pela filial das Nações Unidas), conforme guia DARF no respectivo valor, bem como planilha descrevendo os valores da contribuição no respectivo período (docs. 1A/1B) e, em relação ao valor de junho de 2000, igual a R$ 1.259,35, está diligenciando no sentido de localizar em seus arquivos o respectivo comprovante de recolhimento. Submetido o recurso a julgamento, em sessão de 11/03/08, através da Resolução nº 20400.535 (fls. 887/890) a C. 4ª Câmara do antigo 2º CC, acolhendo proposta do ínclito Cons. Rodrigo Bernardes de Carvalho, por unanimidade de votos converteu o julgamento em diligência, na forma do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, para que a autoridade preparadora apure a autenticidade do DARF (Il. 866) colacionado aos autos pela interessada, bem como se certifique do efetivo ingresso do numerário nos cofres do Tesouro Nacional. No atendimento à diligência solicitada, às fls. 907 a d. Fiscalização certifica que: “Atendendo a diligência solicitada através da Resolução n° 204 00.535, confirmamos a autenticidade do DARF(f.866) no valor de R$ 3.118,06, fl. 901 e esclarecemos que o referido recolhimento foi efetuado em 18.04.2000, antes, portanto do início do procedimento fiscal e que não foi aproveitado pela fiscalização na lavratura do auto de infração. Diante do exposto, proponho o retorno do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento.” É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, e no mérito merece parcial provimento. Inicialmente anoto que embora tenha havido sucumbência parcial da Fazenda Pública, relativamente ao cancelamento das exigências de PIS e respectivas multas e acréscimos, sendo o valor da sucumbência inferior ao limite de alçada, o d. Presidente da C. 2ª Turma da DRJ de Brasília DF deixou de interpor o Recurso de Oficio, operandose a coisa julgada administrativa em relação às referidas matérias, remanescendo apenas a discussão do mérito das exigências de PIS no valor de R$ 4.190,21 e respectivos acréscimos moratórios, mantidas pela r. decisão recorrida. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.003931/200113 Acórdão n.º 3402002.121 S3C4T2 Fl. 4 5 Da mesma forma, verificase que a mera existência de ação judicial para discutir a legitimidade da exigência de PIS objeto do lançamento, já impede o reexame da mesma matéria de mérito objeto do presente recurso, que sequer poderia ser reapreciada na instância administrativa, seja porque de acordo com a lei processual “nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide” (art. 471 do CPC), sendo “defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas” (art. 473 do CPC), seja ainda porque, havendo concomitância de discussão este E. Conselho tem reiteradamente proclamado, que “a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição” (cf. Ac. nº 201 77.493, Rec. nº 122.188, da 1ª Câm. do 2º CC em sessão de 17/02/04, Rel. Antonio Mario de Abreu Pinto; cf. tb Ac. Acórdão no 20177.519, Rec. no 122.642, em sessão de 16/03/04 Rel. Gustavo Vieira de Melo Monteiro). Nesse sentido a jurisprudência dominante do 1º CC cristalizada na Súmula nº 1, recentemente aprovada, que expressamente dispõe: “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (cf. DOU1 de 26/6/06, p. 26 e RDDT vol. 132/239). Notese que, nem mesmo a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, poderia obstar o lançamento tributário, pois como já assentou a jurisprudência uniforme do E. STJ “a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar” (cf. Ac. da 1ª Seção do STJ nos Emb. de Divergência no R. Esp. nº 572.603PR, Reg. nº 2004/01217933, em sessão de 08/06/05, Rel. Min. CASTRO MEIRA, publ. in DJU de 05/09/05 p. 199 e in RDDT vol. 123 p. 239), eis que “o prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judicial.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no R. Esp. nº 119986SP, Reg. nº 1997/00110168, em sessão de 15/02/01, Rel. Min. ELIANA CALMON, publ. In DJU de 09/04/01 p. 337 e in RSTJ vol. 147 p. 154), sendo certo que a procedência, ou improcedência do débito principal remanescente objeto do lançamento, já se encontra adredemente vinculada à sorte da decisão final do processo judicial. Nessa ordem de idéias, não há concomitância ou óbice no exame de certas matérias objeto do recurso que, prendendose à extinção do crédito tributário pelo pagamento inserese na competência privativamente atribuídas pela lei à autoridade administrativa (ex vi dos arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN), que não foi objeto da ação judicial. Entretanto, diante do resultado da diligência solicitada através da Resolução n° 20400.535, certificando “a autenticidade do DARF(f. 866) no valor de R$ 3.118,06, fl. 901”, bem como que o referido “recolhimento foi efetuado em 18.04.2000, antes, portanto do início do procedimento fiscal e que não foi aproveitado pela fiscalização na lavratura do auto de infração”, referida importância deve ser excluída do lançamento. No mais, a r. decisão recorrida já escoimou os erros de fato e as imperfeições do lançamento deduzindo as importâncias exigidas em duplicidade, razão pela qual merece subsistir por seus próprios e jurídicos fundamentos. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Isto posto voto no sentido preliminarmente não conhecer da matéria objeto de concomitância e na parte conhecida DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apenas para excluir do lançamento crédito tributário comprovadamente extinto pelo pagamento (R$ 3.118,06) conforme certificado pela d. Fiscalização. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de julho de 2013 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 933DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 02/10/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10640.001601/2007-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REABERTURA DA DISCUSSÃO DE MÉRITO. DESCABIMENTO.
A utilização dos embargos de declaração para contestar a fundamentação da decisão atacada, não estando presentes os pressupostos de cabimento estabelecidos pelo artigo 65 do Anexo II do RICARF, não pode ser admitida. Configurada a tentativa da parte de reabrir o julgamento pelo mesmo órgão prolator da decisão que lhe foi desfavorável. Os aclaratórios não se prestam à rediscussão da matéria decidida. Não houve a omissão na apreciação das provas alegada pela Fazenda Nacional, pois a Turma analisou o objeto social da contribuinte, o contrato por ela firmado com o Banco Rural, o respectivo aditamento e os contratos celebrados com as pessoas físicas e, com base em tais documentos, concluiu, por unanimidade de votos, pela dedutibilidade das perdas no recebimento dos créditos.
Embargos de Declaração ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 1103-001.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Breno Ferreira Martins Vasconcelos.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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REABERTURA DA DISCUSSÃO DE MÉRITO. DESCABIMENTO. A utilização dos embargos de declaração para contestar a fundamentação da decisão atacada, não estando presentes os pressupostos de cabimento estabelecidos pelo artigo 65 do Anexo II do RICARF, não pode ser admitida. Configurada a tentativa da parte de reabrir o julgamento pelo mesmo órgão prolator da decisão que lhe foi desfavorável. Os aclaratórios não se prestam à rediscussão da matéria decidida. Não houve a omissão na apreciação das provas alegada pela Fazenda Nacional, pois a Turma analisou o objeto social da contribuinte, o contrato por ela firmado com o Banco Rural, o respectivo aditamento e os contratos celebrados com as pessoas físicas e, com base em tais documentos, concluiu, por unanimidade de votos, pela dedutibilidade das perdas no recebimento dos créditos. Embargos de Declaração ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 16 01 /2 00 7- 32 Fl. 628DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional às fls. 620625 contra o acórdão nº 110300.162, por meio do qual esta 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deu provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte e negou provimento ao recurso de ofício. A controvérsia objeto do presente processo administrativo gira em torno da possibilidade de a contribuinte considerar dedutíveis, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, despesas relativas a perdas no recebimento de créditos de até R$5.000,00 e vencidos há pelo menos seis meses. Às fls. 2436 (relatório fiscal) a autoridade fiscal concluiu pela indedutibilidade de tais valores porque, (i) após a realização de diligências, constatou que “nenhum dos devedores teve contato com a empresa, sequer tendo conhecimento da existência da mesma” e (ii) a própria contribuinte afirmou que seu único cliente no período colhido pela autuação fiscal (2002 e 2003) foi a sua controladora Banco Rural S/A, fato esse que (ii.1) desqualifica a relação de clientes e (ii.2) impede a dedução dos valores ainda que os créditos fossem detidos contra essa pessoa jurídica, por força do que dispõe o art. 24, §10 da IN SRF nº 93/97: Art. 24. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. (...) § 10. Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. Como decorrência da glosa de tais despesas, foram exigidos débitos de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício qualificada e agravada de 225% e de juros de mora, bem como foi aplicada multa isolada de 50% sobre os valores não recolhidos a título de estimativas mensais de IRPJ e CSLL em razão da impossibilidade de as despesas em questão serem computadas nos balancetes de suspensão/redução (autos de infração de fls. 923). Na impugnação de fls. 105124, a contribuinte afirmou que, de acordo com seu contrato social, seu objeto envolve a intermediação de negócios e apresentou contrato de prestação de serviços para intermediação de empréstimos e financiamentos celebrado em 28/02/97 com o Banco Rural S/A com interveniência/anuência da GNPP – Sociedade Nacional de Previdência Privada (doc. 01 fls. 137138). Também foi anexado aos autos o aditamento celebrado em 05/07/1999 (doc. 02 fls. 140141), por meio do qual a contribuinte ficou responsável “pela boa liquidação dos empréstimos/financiamentos por ela intermediados, Fl. 629DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10640.001601/200732 Acórdão n.º 1103001.117 S1C1T3 Fl. 629 3 ficando o BANCO autorizado a debitar em sua conta corrente o valor das prestações não liquidadas em seus respectivos vencimentos.” Para comprovar que os devedores tinham conhecimento dessa situação, foram apresentados contratos firmados entre as pessoas físicas e o Banco Rural S/A nos quais a contribuinte figurou como “interveniente intermediário” (fls. 142263). Com base em tais argumentos, a contribuinte defendeu que “os créditos contabilizados como perda não eram contra o Banco Rural” (fls. 113), mas sim contra as pessoas físicas devedoras, razão pela qual é inaplicável o §6º do art. 9º da Lei nº 9.430/96, que veda a dedução de perdas no recebimento de créditos com pessoa jurídica controladora, sendo tais valores, portanto, dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A contribuinte também requereu a redução da multa de ofício de 225% para 75%. No acórdão de fls. 509529, a Delegacia Regional do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I deu parcial provimento à impugnação, tendo reduzido a multa de ofício de 225% para 75% e mantido a glosa das despesas relativas à perda no recebimento de créditos por entender que “A interessada, ao deduzir como perdas, créditos não vinculados a sua atividade operacional, já que estava subrogada nos direitos do credor, por força de convenção particular, as quais não podem ser opostas à Fazenda Pública, tem obrigação de adicionála ao lucro real, tendo em vista o que dispõe a legislação que norteia a matéria.” (ementa – fls. 509510). Dessa decisão foi interposto Recurso de Ofício (fls. 510). Inconformada com o referido acórdão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 541551, no qual reiterou os argumentos trazidos aos autos em sede de impugnação e afirmou que (i) o contrato firmado com o Banco Rural foi amparado pela Resolução BACEN nº 2.166, o que demonstra estar vinculado às atividades da RS Empreendimentos e (ii) os créditos por ela contabilizados se assemelham aos créditos transferidos às empresas de factorings, os quais podem ser reconhecidos como perdas a despeito de serem provenientes de vendas ou serviços realizados por terceiros. Ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, esta Turma entendeu, por unanimidade de votos, pela dedutibilidade das perdas no recebimento dos créditos colhidos pela autuação fiscal, pois “da conjugação do contrato social da Recorrente com o contrato de prestação de serviços firmado com o Banco Rural, exsurge a atividadefim praticada pela contribuinte: intermediação de financiamento, assumindo como cessionária do banco cedente o adimplemento em caso de não pagamento pelo terceiro; hipótese na qual se subroga nos direitos da credora originária.” (fls. 615) Esta Turma concluiu, ainda, que, a despeito de o Banco Rural ser controlador da contribuinte, não seria aplicável a regra contida no art. 9º, §6º da Lei nº 9.430/96, pois os créditos de difícil liquidação registrados pela contribuinte não eram detidos contra tal pessoa jurídica, mas sim contra as pessoas físicas devedoras. Nessa mesma ocasião foi negado provimento ao recurso de ofício. Nos Embargos de Declaração de fls. 620625, a Fazenda Nacional alegou haver omissão no acórdão proferido por esta Turma por não haver nos autos prova de cessão eficaz dos créditos à contribuinte, tampouco do envio de notificação aos devedores, o que Fl. 630DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA 4 contraria os requisitos da cessão de crédito e da subrogação estabelecidos pelo Código Civil e, consequentemente, torna inoponível a terceiros e ao Fisco o contrato celebrado com o Banco Rural. É o relatório. Voto Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos Os embargos de declaração foram opostos por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Devem, portanto, ser conhecidos. Nos termos do artigo 65 do Anexo II do RICARF, os embargos de declaração são cabíveis quando identificada no acórdão a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria se pronunciar a Turma. Conforme relatado, a Fazenda Nacional alega haver omissão no acórdão de fls. 610616 pelos seguintes motivos: Foi única e exclusivamente com base naquele aditivo contratual, que autorizava o Banco Rural a debitar em conta corrente da RS o valor referente aos débitos não liquidados que essa egrégia Turma julgou improcedente o lançamento. A omissão consiste na inobservância das normas que regem o instituto da cessão de crédito e da subrogação convencial [sic] e, por conseguinte, na pertinente análise das provas dos autos, o que afastaria a tese em favor da dedução. NÃO HOUVE CESSÃO DE CRÉDITO EFICAZ NO PRESENTE CASO, DE MODO QUE INEXISTE QUALQUER RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL ENTRE A RS EMPREENDIMENTOS E AS PESSOAS FÍSICAS. (...) A cessão de crédito pressupõe o atendimento das formalidades previstas no art. 288 transcrito, seguindose a devida notificação do devedor (art. 290), sem as quais o pretenso negócio não produz qualquer efeito em relação a terceiros. Ainda que se pudesse cogitar, como o fez em uma passagem o voto condutor, da existência de uma subrogação convencional pelo pagamento, a sua eficácia perante terceiros, incluindose o Fisco, pressupõe os mesmos requisitos do instituto da cessão de crédito, por força do que dispõe os artigos 347, I, e 348, do Código Civil (...) Não há nos autos principais, bem como em seus anexos, qualquer instrumento público ou particular de cessão de crédito, e nem mesmo Fl. 631DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10640.001601/200732 Acórdão n.º 1103001.117 S1C1T3 Fl. 630 5 prova da notificação da suposta cessão aos devedores. (fls. 621623 – grifos originais) Na conclusão dos embargos de declaração, a Fazenda Nacional afirma que deixaram de ser apreciados os seguintes pontos por esta Turma: 1) Obediência às normas que regem a cessão de crédito eficaz; 2) Análise da titularidade do crédito em face das pessoas físicas; 3) Inexistência de qualquer elemento que demonstre a existência de relação jurídica obrigacional entre a RS Empreendimentos e as pessoas físicas devedoras do Banco Rural; e 4) Situação jurídica da RS Empreendimentos nos contratos celebrados entre o Branco Rural e as pessoas físicas – mera intermediária e Procuradora do Banco. Como se vê, a Embargante afirmou que os julgadores desta Turma deixaram de apreciar adequadamente as provas, isto é, os contratos acostados aos autos pela contribuinte porque não analisaram se tais documentos atendem aos requisitos estabelecidos pelo Código Civil para a cessão de crédito e a subrogação convencional. Não assiste razão à Embargante. A leitura do acórdão de fls. 610616 demonstra que esta Turma analisou o objeto social da contribuinte, o contrato por ela firmado com o Banco Rural, o respectivo aditamento e os contratos celebrados com as pessoas físicas e, com base em tais documentos, concluiu, por unanimidade de votos, pela dedutibilidade das perdas no recebimento dos créditos por entender que (fls. 615) a atividadefim da Recorrente é a intermediação de empréstimos/financiamentos, dos quais arca com a obrigação perante a cedente (Banco Rural) em caso de inadimplência do devedor, sub rogandose em tais direitos perante o terceiro. A conclusão alcançada não padece de omissão a exigir que nova decisão supra tal defeito. Em seu voto, o Relator consignou um raciocínio claro de que, havendo contratos celebrados entre as partes (RS e Banco Rural) e transparecidos aos tomadores de crédito, ocorreu uma cessão de crédito e a consequente subrogação. Evidente, portanto, que os julgadores, naquela assentada, analisaram as normas que regem a cessão de crédito, para alcançar a conclusão de que os créditos não eram detidos contra o Banco Rural, mas sim contra as pessoas físicas, permitindo a dedução das respectivas perdas. Para que não restem dúvidas, enfrento cada uma das questões alegadamente omitidas. Conforme registrei, esta Turma analisou os documentos trazidos aos autos e entendeu válidos os contratos que ensejam a cessão dos créditos à contribuinte, o que afasta a omissão apontada no item “1”. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA 6 A titularidade do crédito em face das pessoas físicas, apontada como omissão no item “2” acima, foi expressamente analisada por esta Turma, conforme se depreende do seguinte trecho do voto condutor (fls. 615): A posição da Recorrente como Interveniente entre o Banco e o tomador do empréstimo é posta de forma expressa no “contrato de empréstimo a servidor público mediante pagamento por consignação em folha de pagamento”, mais especificamente no item 7 do contrato, onde consta: ‘7 – INTERVENIENTE INTERMEDIÁRIA RS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (...)’ (fls. 140). A omissão apontada no item “3”, também relacionada à existência de vínculo obrigacional entre a contribuinte e as pessoas físicas, igualmente não está presente no caso dos autos, pois o Relator, ao apreciar a decisão proferida pela DRJ, afirmou que (fls. 615) a previsão contratual acima transcrita de logo afasta a fundamentação da decisão recorrida, na qual se afirma que ‘não tem a interessada, em nenhum momento, seu nome citado em quaisquer cláusulas ali presentes. O seu devedor, portanto, desconhecia qualquer ligação, vinculação com a interveniente do seu empréstimo. Nenhuma relação jurídica havia entre eles’ (fls. 518). E concluiu Assim, na ótica deste Relator não há como não se entender que a atividadefim da Recorrente é a intermediação de empréstimos/financiamentos, dos quais arca com a obrigação perante a cedente (Banco Rural) em caso de inadimplência do devedor, subrogandose em tais direitos perante o terceiro. Por fim, quanto ao alegado item “4”, não se trata de omissão, mas de simples conclusão lógica, de raciocínio excludente. Ora, se esta Turma entendeu haver relação jurídica de cessão de crédito entre as partes, não se impõe a necessidade de pronunciamento sobre todas as demais relações jurídicas possíveis (v.g. mera intermediária, procuradora do banco), excluídas pela conclusão já alcançada. É a aplicação pura e simples do princípio lógico do terceiro excluído. Ao contrário do quanto alegado pela embargante, portanto, não há omissão no acórdão de fls. 610616. Parece desejar a embargante, assim, a reabertura do julgamento pelo mesmo órgão prolator da decisão que lhe foi desfavorável, expediente descabido no âmbito de embargos de declaração, via que “não se presta para tal propósito”, segundo afirmou o Ministro Castro Meira1 reproduzindo jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, vejamos: (...) os aclaratórios não se prestam a rediscutir matéria previamente decidida, sendo que os efeitos infringentes a eles atribuídos são apenas incidentais, quando, acolhidos para sanar um dos vícios acima mencionados, mostraremse necessários à modificação do julgado. (...) 1 EDcl no AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.431.637 PE (2012/02685240). Fl. 633DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10640.001601/200732 Acórdão n.º 1103001.117 S1C1T3 Fl. 631 7 Em resumo, bem ou mal, a controvérsia foi solucionada, razão pela qual é vedado o manejo dos embargos declaratórios que buscam o simples reexame da matéria decidida." (Destaque acrescido)2 Conclusão Diante do exposto, conheço dos Embargos e lhes nego provimento. É o meu voto. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2014 (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator 2 EDcl no AgRg no Recurso Especial nº 1.051.059 RJ (2008/00861030). Fl. 634DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10925.902383/2009-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 23 83 /2 00 9- 21 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902383/200921 Acórdão n.º 1803002.405 S1TE03 Fl. 93 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902383/200921 Acórdão n.º 1803002.405 S1TE03 Fl. 94 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902383/200921 Acórdão n.º 1803002.405 S1TE03 Fl. 95 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902383/200921 Acórdão n.º 1803002.405 S1TE03 Fl. 96 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902383/200921 Acórdão n.º 1803002.405 S1TE03 Fl. 97 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902383/200921 Acórdão n.º 1803002.405 S1TE03 Fl. 98 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10380.004180/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/03/2009
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS.
Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE
O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II c, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.797
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I- por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para manter os valores pagos a MARIA EVELINE PINHEIRO LIMA e que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. II- por voto de qualidade, em manter os demais levantamentos, vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Gustavo Vettorato e Amilcar Barca Teixeira Junior.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Obrigação Acessória Recorrente HOSPITAL ANTÔNIO PRUDENTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/03/2009 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para manter os valores pagos a MARIA EVELINE PINHEIRO LIMA e que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 41 80 /2 00 9- 71 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 3 2 aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. II por voto de qualidade, em manter os demais levantamentos, vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Gustavo Vettorato e Amilcar Barca Teixeira Junior. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por ter apresentado GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social com ausência de fatos geradores. O r. acórdão – fls 818 e ss, conclui pela procedência parcial da impugnação apresentada, retificando o Auto lavrado exonerando o montante de R$ 29.161,20 e determinando a aplicação das alterações da lei 8212/91 trazidas pela lei 11941/09, se mais favorável. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Aplicação da multa prevista no art. 32, IV, §5°, da Lei n.° 8.212/1991, quando, em verdade, o referido dispositivo encontravase revogado por força da Medida Provisória n.° 449, desaguando em nulidade da autuação. Não há dúvidas, pois, quanto à flagrante ofensa ao dever de motivação no caso, por não constar os motivos explícitos que levaram a autoridade a aplicar dispositivo de lei revogado. · Os fatos descritos pela autoridade fiscal não são geradores de contribuições previdenciárias. · Em verdadeira inovação ao que constou da autuação, a DRJ, em ilegal aditamento dos fundamentos da autuação, manteve os lançamentos do levantamento ASM, afirmando que o regulamento do plano de saúde da empresa não albergava os funcionários de filiais (registrese que o Hospital Antônio Prudente recorrente — é unidade única e sequer possui filais) e restringia a participação de funcionários no período do contrato de experiência. O acórdão considerou que a assistência à saúde prestada pelo Recorrente aos seus funcionários deveria sofrer a incidência de contribuição previdenciária por haver supostamente duas categorias de empregados desassistidos: os contratados temporários e os colaboradores de filiais. Esse argumento não prospera, seja em relação aos contratados temporários, por não se exigir para eles a cobertura do plano de saúde, seja em relação aos colaboradores das filiais da fundação Ana Lima, por se tratar de empregados de entidade diversa da autuada. · Por sua particularidade, o contrato de trabalho temporário ou de experiência possui expressa previsão legal, contida no art. 443, §2°, da Consolidação das Leis do Trabalho. Não por outra razão, a jurisprudência não enxerga no contrato de experiência diversas garantias constantes dos contratos de trabalho por prazo indeterminado. Aliás, seria um contrassenso para empregadores e empregados permitir que os trabalhadores ainda em experiência (com menos de três meses de vínculo com a empresa, portanto) e que podem, por exemplo, permanecer na empresa por apenas 30 dias, Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 5 4 aderissem a planos de saúde com duração mínima em geral superior a um ano e com períodos de carência específicos, os quais, na maior parte das vezes, chegam a ser de três ou mais meses. · Quanto ao levantamento EST Pagamentos efetuados a estagiários sem apresentação de documentação, não deve prosperar pois os documentos anexados à primeira defesa (fls. 1709/1753, anexo II. processo 10.380.004182/200961) são justamente termos de compromisso de estágios, juntados por amostragem. O entendimento da DRJ de que a não apresentação da FREQUÊNCIA INDIVIDUALIZADA desses estagiários nas respectivas instituições de ensino também desnaturaria os mencionados contratos, é ainda mais absurda. Nesse sentido, registrese o que diz o Decreto n.° 87.497, de 18/08/1982 que regulamentava a Lei n.° 6.494, de 07/12/ 1977, vigente à época dos fatos: Art . 6o A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1o O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. [...] · Por último, o auto de infração objeto destes autos traz lançamento referente a pagamentos supostamente pagos por fora para a empregada Maria Eveline Pinheiro Lima. A mencionada conclusão parte de entendimento equivocado da autoridade fiscal e mantido pela DRJ.Na realidade, a mencionada empregada era a responsável pelo SESMT da empresa, em face do que efetuava despesas as quais deveriam ser ressarcidas pela empresa, pois diziam respeito aos eventos que deveria participar ou realizar em nome da empresa, viagens a trabalho, etc.Assim, todas as despesas realizadas a tal título tinham sua solicitação analisada pelo Recorrente, mediante prestação de contas, com os respectivos comprovantes, pela mencionada empregada, e, caso aprovadas, ressarcidas a empregada.Repisese, portanto, não se tratar de pagamento de salário, mas ressarcimento de despesas de responsabilidade do Recorrente e efetuadas pela empregada, não podendo, configurar salário pago por fora, visto que sequer integram o salário de contribuição. · Requer seja cancelada a totalidade do débito fiscal objeto da autuação objeto destes autos e todos os seus consectários. b)Na remotíssima hipótese de não ser reconhecida a improcedência dos lançamentos, hipótese levantada apenas em homenagem à argumentação, seja declarada a nulidade do auto de infração por ausência de fundamentação. c) Caso assim não se entenda, seja realizada a adequação da multa conforme legislação vigente à época da autuação, aplicandose o art. 32A, I da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 11.941/2009. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 6 5 É o relatório. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA AUTUAÇÃO LEVANTAMENTO ASM Tratase de contribuições devidas em razão de pagamento de planos de saúde em desconformidade com a lei 8212/91. Segundo consta dos autos, o programa de assistência médica HAPVIDA não permite a adesão de empregados antes do término do período de experiência de 90(noventa) dias. A lei 8212/91 disciplina a matéria em seu art. 28 §9º, "q": § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) O art. 111 do CTN traz: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 8 7 A norma legal é de solar clareza, se a cobertura não abrange a totalidade dos empregados, o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico integra o salário de contribuição para todos os fins, não merecendo reparo no lançamento. Ressaltese de que os contratados em experiência são considerados empregados, sendo vedado ao intérprete da lei excetuar onde esta não o fez. Transcrevo jurisprudência a respeito. PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGADA OMISSÃO. NÃO APRECIAÇÃO DA POSSIBILIDADE DE EXCLUSAO DA INCIDENCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO OCORRENCIA DA ISENÇAO. EMBARGOS CONHECIDOS E NÃO PROVIDOS. 1. Somente cabem embargos de declaração quando "houver na sentença ou no acórdão, obscuridade, omissão, dúvida ou contradição". 2. Não plausibilidade da tese de possível ilegalidade na relação jurídica que obriga a embargante a pagar o plano de saúde da generalidade de seus empregados com base em isenção prevista no artigo 28, parágrafo 9º da lei 8212/91, 3. A exclusão dos valores do saláriodecontribuição com a não incidência de contribuição previdenciária somente ocorrerá no exato momento em que a destinação dos valores ocorrer em relação à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Se os valores fornecidos a tal título se restringirem a uma parcela dos empregados e dirigentes, eles passam a integrar o salário de contribuição. Assim, qualquer omissão verificada no pagamento da respectiva contribuição deverá ser fiscalizada e objeto de autuação fiscal. 4. As isenções previstas legalmente devem ser interpretadas de forma literal, na forma do art 111, inciso II do CTN. No caso em tela, a norma isencional exige que a empresa beneficie a totalidade dos seus empregados e dirigentes com os valores relativos à "assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas médico hospitalares e outras similares." como condição ao gozo de benefício. Somente nessa hipótese estarseá diante de caso de isenção. 5. Se em relação à parte dos empregados e alguns sócios gerentes o desconto relativo ao plano de saúde é feito em valor inferior ao constante do contrato base celebrado com a empresa prestadora de serviços, a diferença em relação a qual não há ônus do trabalhador, constitui, por si só, liberalidade da empresa consistente em salário indireto digno de incidência tributária. Assim, mesmo que se admita sejam descontados os valores de todos os empregados e sócios gerentes, parte deles se beneficia de desconto menor em folha de pagamento de forma que em relação a estes se deve presumir tenha havido liberalidade da empresa a constituir fato gerador da contribuição previdenciária. 6. Embargos de declaração conhecidos mas não providos. (EDAC 20068100002941301, Desembargador Federal Frederico Pinto de Azevedo, TRF5 Quarta Turma, DJE Data::20/05/2010 Página::685.) (grifei). Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 9 8 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar privada quando não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. DESPESAS MÉDICAS. A assistência médica seja a título de seguro saúde, seja a título de reembolso de despesas médicas, é saláriodecontribuição quando não ofertados a todos os empregados e dirigentes da empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte.PROC: 19515.004214/201063. Acórdão 2403002.141. Cons. Marcelo Magalhães Peixoto. Data 13/09/2013. (grifei). LEVANTAMENTO EST PAGAMENTOS EFETUADOS A ESTAGIÁRIOS A fiscalização informa fls 538: Acerca da letra "A" do item 1 :A auditoria elaborou planilha(fls.464/513) relacionando nominalmente os beneficiários das folhas de pagamento de estagiários em todos os meses, com base nos arquivos digitais da folha de pagamento fornecida pela empresa durante a fiscalização realizada anteriormente. Essa planilha foi fornecida empresa juntamente com o TIPF, mesmo assim, a empresa não forneceu a auditoria documentação solicitada (contrato de estágio de cada um dos segurados, seguro de vida dos estagiários e as frequências escolares individualizadas )que comprovasse de maneira inequívoca a regularidade da condição de estagiário dos envolvidos . Apresentou apenas os documentos anexados na defesa(fls.03 a 46 do anexo II do processo10.380.004182/200961) .A empresa alegou também em sua defesa que parte dos pagamentos de bolsas de estágio eram para médicos residentes ,porém não apresentou a documentação necessária a comprovação da condição de médico residente de acordo com a Lei6.932/81(comprovante de credenciamento da empresa junto a Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 10 9 Comissão Nacional de Residência Médica, contrato padrão individualizado de todos os envolvidos) . Se tal alegação fosse verídica, a empresa deveria desde o inicio ter tratado esses supostos "médicos residentes "como contribuintes individuais ,fazendo folha de pagamento especifica ,declarado suas remunerações em GFIP e recolhendo as contribuições sociais devidas , o que de fato não ocorreu .A auditoria também solicitou esclarecimentos da empresa pela não inclusão desta informações nas GFIP, não obtendo nenhuma resposta .Portanto ,a empresa não comprovou a veracidade de suas alegações . O estágio de alunos era disciplinado pela Lei 6494/77 e decreto 87497/82: Lei 6494/77: Art. 1º As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) § 2º o estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares.(Incluído pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino. ... Art. 4º O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza e o estagiário poderá receber bolsa, ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, ressalvado o que dispuser a legislação previdenciária, devendo o estudante, em qualquer hipótese, estar segurado contra acidentes pessoais. Decreto 87.497/82: Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 11 10 Art . 1º O estágio curricular de estudantes regularmente matriculados e com freqüência efetiva nos cursos vinculados ao ensino oficial e particular, em nível superior e de 2º grau regular e supletivo, obedecerá às presentes normas. ... Art . 5º Para caracterização e definição do estágio curricular é necessária, entre a instituição de ensino e pessoas jurídicas de direito público e privado, a existência de instrumento jurídico, periodicamente reexaminado, onde estarão acordadas todas as condições de realização daquele estágio, inclusive transferência de recursos à instituição de ensino, quando for o caso. Art . 6º A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1º O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. § 2º O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5º. § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso. ... Art. 8º A instituição de ensino ou a entidade pública ou privada concedente da oportunidade de estágio curricular, diretamente ou através da atuação conjunta com agentes de integração, referidos no caput do artigo anterior, providenciará seguro de acidentes pessoais em favor do estudante. (Redação dada pelo Decreto nº 2.080, de 1996) Também a lei 11.788/08, de 25.09.08, que revogou a lei 6494/77: Art. 1o Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam freqüentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos. ... Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 12 11 Art. 3o O estágio, tanto na hipótese do § 1o do art. 2o desta Lei quanto na prevista no § 2o do mesmo dispositivo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos: I – matrícula e freqüência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II – celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; III – compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. § 1o O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7o desta Lei e por menção de aprovação final. § 2o O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. Acerca dos residentes, a lei 6932/81 traz: Art. 1º A Residência Médica constitui modalidade de ensino de pósgraduação, destinada a médicos, sob a forma de cursos de especialização, caracterizada por treinamento em serviço, funcionando sob a responsabilidade de instituições de saúde, universitárias ou não, sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional. § 1º As instituições de saúde de que trata este artigo somente poderão oferecer programas de Residência Médica depois de credenciadas pela Comissão Nacional de Residência Médica. ... § 4o As certificações de especialidades médicas concedidas pelos Programas de Residência Médica ou pelas associações médicas submetemse às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS). (Incluído pela Lei nº 12.871, de 2013) § 5o As instituições de que tratam os §§ 1o a 4o deste artigo deverão encaminhar, anualmente, o número de médicos certificados como especialistas, com vistas a possibilitar o Ministério da Saúde a formar o Cadastro Nacional de Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 13 12 Especialistas e parametrizar as ações de saúde pública. (Incluído pela Lei nº 12.871, de 2013) ... Art. 3º O médico residente admitido no programa terá anotado no contrato padrão de matrícula: a) a qualidade de médico residente, com a caracterização da especialidade que cursa; b) o nome da instituição responsável pelo programa; c) a data de início e a prevista para o término da residência; d) o valor da bolsa paga pela instituição responsável pelo programa. Cabe a empresa comprovar que a contratação de alegados estagiários e residentes cumpre o que exigido nas respectivas legislações, o que não foi feito, apesar de devidamente intimada para tal. A fiscalização reiteradas vezes solicitou os documentos comprobatórios dos referidos estágios e residências, os quais não foram entregues. Via de consequência, correto o entendimento fiscal em não considerar tais segurados com estagiários ou residentes, posto que não demonstrada tal relação. PAGAMENTOS PAGOS A EMPREGADA MARIA EVELINE PINHEIRO LIMA O relatório fiscal, fls 542, informa: ... a empresa alega em sua defesa tratase de reembolso. A auditoria solicitou da empresa (TIPF anexo) a "Prestação de contas mensal" juntamente com a documentação hábil, idônea e inequívoca, coincidentes em datas e valores (lançados), relativamente aos valores supostamente gastos pela Sra. Eveline para realização de atividades da empresa. Apesar do novo prazo concedido, a empresa não apresentou, nenhum documento além dos já apresentados em sua defesa. Analisando os documentos anexados na defesa (anexo III a IX do processo 10.380.004182/200961), concluise que os documentos em sua totalidade não apresentam qualquer vinculação com gastos da empresa e com os valores lançados na contabilidade, inclusive foram apresentados diversos recibos em branco (sem nome do destinatário). Vale ressaltar que as compras relativas .aos recibos e cupons fiscais apresentados não são inerentes a atividade da empresa, veja a titulo de exemplo, cupom fiscal da folha 55 do anexo IX do processo 10.380.004182/2009¬61 (compra de vestido e bebidas alcoólicas), ou da folha 51 do anexo III do processo 10.380.004182/200961 (compra de Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 14 13 esmalte risque e óleo risque) tipicamente referente a despesa pessoal. Portanto, o contribuinte novamente não comprovou que os pagamentos realizados são na verdade de REEMBOLSO, apesar desta nova oportunidade concedida. Em seu recurso a empresa simplesmente alega novamente que as despesas "... diziam respeito aos eventos que deveria participar ou realizar em nome da empresa...", sem anexar documentos que afastasse o que demonstrado pela fiscalização. Ao contrário, as despesas de vestido, bebidas, esmalte, se revestem de caráter pessoal, sendo assim correto o procedimento adotado. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE O art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente, caso esta seja mais benéfica ao contribuinte. As multas em GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, senão vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.004180/200971 Acórdão n.º 2803003.797 S2TE03 Fl. 15 14 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A,I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. No cálculo da multa devem se observados os valores mínimos, por competência, elencados no parágrafo 3º do mesmo artigo 32A. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A,I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10830.903156/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
COMPROVAÇÃO DO ERRO. VERDADE MATERIAL.
Restando comprovado pelo contribuinte o erro em que se funda o lançamento impositiva se torna sua desconsideração em prol da verdade material.
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ.
O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização.
DIPJ É CAPAZ DE PRODUZIR EFEITOS PARA FINS DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
A IN SRF nº 166/99 reconhece a produção de efeitos da DIPJ, para fins de restituição e/ou compensação de tributos.
Numero da decisão: 1302-001.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.O Conselheiro Eduardo de Andrade acompanhou o relator pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPROVAÇÃO DO ERRO. VERDADE MATERIAL. Restando comprovado pelo contribuinte o erro em que se funda o lançamento impositiva se torna sua desconsideração em prol da verdade material. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização. DIPJ É CAPAZ DE PRODUZIR EFEITOS PARA FINS DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A IN SRF nº 166/99 reconhece a produção de efeitos da DIPJ, para fins de restituição e/ou compensação de tributos.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.O Conselheiro Eduardo de Andrade acompanhou o relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPROVAÇÃO DO ERRO. VERDADE MATERIAL. Restando comprovado pelo contribuinte o erro em que se funda o lançamento impositiva se torna sua desconsideração em prol da verdade material. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização. DIPJ É CAPAZ DE PRODUZIR EFEITOS PARA FINS DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A IN SRF nº 166/99 reconhece a produção de efeitos da DIPJ, para fins de restituição e/ou compensação de tributos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.O Conselheiro Eduardo de Andrade acompanhou o relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 31 56 /2 00 8- 91 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 10830.903156/200891 Acórdão n.º 1302001.541 S1C3T2 Fl. 79 3 Relatório EMS SIGMA PHARMA PARTICIPAÇÕES S.A., já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP DRJ/CPS, que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação – DCOMP n° 36872.38589.061004.1.3.040469, por meio da qual a contribuinte, ora recorrente, fez uso de pagamento indevido de IRPJ Estimativa verificado no período de apuração encerrado em 31/05/2004, uma vez que no entendimento daquele orgão a quo, não restou comprovada a existência do alegado pagamento indevido ou a maior, portanto inexistente o direito creditório e, portanto, a compensação que dele se aproveitaria não pôde ser homologada. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento indevido. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 6), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 20/08/2008 (fl. 48), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 09/09/2008 (fls. 8/9), na qual alega: 1) O contribuinte apresentou declaração de compensação (N° Declaração: 18855.73072.141004.1.3.042490 — Recibo 28.56.11.22.94) na data de 14/10/2004 tendo em vista saldo de crédito de IRPJ existente em função do recolhimento efetuado a maior no período de apuração 05/2004. Porém esta Dcomp não se tratava de Dcomp Inicial, e sim de saldo de crédito de Declaração apresentada em 14/09/2004 sob o n° de declaração 36984.81826.140904.1.3.048837, Recibo 10.64.06.75.98. 2) Não existia valor devido referente a Apuração de 05/2004, porém o valor recolhido foi de R$ 863.327,63, gerando saldo a ser compensado no valor integral do DARF. 3) Na Dcomp inicial, discriminada acima, após utilização parcial para pagamento de COFINS (Cód. Receita 5856), com período de apuração agosto de 2004 e recolhimento em 15/09/2004, apurouse um saldo de RS 736.664,04, sendo esse o saldo do crédito original, podendo o mesmo ser utilizado em Dcomp posterior. 4) Em 06/10/2004, foi apresentado nova Dcomp (N° Declaração: 36872.38589.061004.1.3.040469 — Recibo 40.96.05.10.13), com a finalidade de utilizarse parcialmente do Crédito de R$ 736.664,04, saldo este apurado conforme o Per/Dcomp detalhado nos itens 2 e 3 dessa Manifestação. 5) Utilizouse na DCOMP detalhada no item 04 desta Manifestação (n° Declaração 36872.38589.061004.1.3.040469 — Recibo 40.96.05.10.13), parte do Fl. 80DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 4 crédito para pagamento de IRRF (Cód. Receita 3426) referente a 1°semana de Outubro de 2004, porém apurouse ainda saldo do crédito original de 261.187,46, podendo ser utilizado em Dcomp posterior. 6) Complementarmente, a DCTF referente ao 2° Trimestre de 2004, está sendo retificada, pois a Declaração Original não detalhava tal crédito. 9) Apresentamos cópia da DIPJ Referente ao Exercício de 2004, onde não existe saldo apurado de IRP.I a recolher referente ao Período de Apuração 03/2004. Apresentamos também cópia da DCTF Original e da DCTF Retificadora. Cientificada da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs recurso voluntário através do qual repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, neles insistindo. Ademais, aduz que a Autoridade Administrativa Fazendária deve privilegiar a verdade material em detrimento do formalismo, e alega que no presente caso foi cabalmente demonstrada a regularidade das operações através dos documentos trazidos aos autos Por fim pede o provimento integral do Recurso Voluntário, ou subsidiariamente que os autos sejam baixados em diligência, a fim de que possam ser verificadas os lançamentos contábeis que embasaram as informações prestados em DIPJ e DCTF Retificadora. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 10830.903156/200891 Acórdão n.º 1302001.541 S1C3T2 Fl. 80 5 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O Recurso Voluntário é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Tratase de pedido de compensação onde o contribuinte deseja ver compensado crédito advindo de recolhimento a maior de IRPJ Estimativa, relativo ao período de apuração Maio/04, recolhimento em Jun/04, com valor histórico na data da transmissão da Dcomp de R$ 736.664,04, contra débitos de IRRF Aplicações Financeiras de Renda Fixa apurado na 1ª semana de setembro/04, no valor principal de R$ 492.308,45. O despacho decisório, eletrônico, de nº 781188342, da DRF Campinas, não homologou a compensação pleiteada sob o fundamento de que o pagamento havia sido totalmente utilizado para quitar o valor de IRPJ Estimativa declarado em DCTF. O contribuinte manifesta sua inconformidade quanto à referida não homologação, argumentando, em síntese, que o valor declarado em DCTF devese a erro formal no preenchimento da mesma, sendo que não havia qualquer valor devido a título de IRPJ Estimativa para o período de apuração em questão (maio/04), uma vez que a empresa até aquele momento apresentavase em situação de prejuízo fiscal. Aduz ainda que o referido prejuízo fiscal poderia ser corroborado pela fiscalização através do conferência dos valores declarados na DIPJ/05, configurandose, desta forma, um pagamento indevido à título de IRPJ Estimativa da ordem de R$ 863.327,63, o qual poderia ser compensado contra débitos tributário deste mesmo contribuinte, como de fato já o havia sendo, restando um saldo a compensar na data da transmissão da DCOMP, objeto deste litígio, da ordem de R$ 736.664,04. A DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada para manter a não homologação das compensações pleiteadas sob o fundamento de que: "(...) o sucesso da contribuinte, nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, em ver homologada a compensação declarada condicionase a comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito. A retificadora que pretendeu demonstrar a existência do crédito por si só, não tem o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. No entendimento deste julgador, a decisão recorrida foi omissa ao desprezar completamente a DIPJ apresentada pelo contribuinte (e disponível para a fiscalização no momento em que o despacho eletrônico fora proferido), o que, ao meu ver, caracteriza a preterição do direito de defesa dos Contribuintes prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. Ademais, tal preterição de direito deveria ser sanada, sob pena de supressão de instância. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 6 Considerando que as informações relativas ao direito creditório do contribuinte poderiam ter sido verificadas perante o sistema da RFB pela fiscalização, entendo que não há necessidade de anular os atos praticados, por força do quanto dispõe o art. 59, §3º, do Decreto nº 70.235/72 – a declaração de nulidade não será pronunciada se a decisão de mérito for a favor de quem aquela aproveitaria. Não é possível negar validade a outras informações constantes no banco de dados da Receita Federal no momento da decisão – a exemplo da DIPJ ignorada. Ainda, o descumprimento da obrigação de retificar a DCTF (a qual fora retificada apenas alguns dias após exarado o despacho decisório de não homologação da compensação pleiteada) não enseja a perda do direito creditório, uma vez que a IN SRF nº 166/99 reconhece a produção de efeitos da DIPJ, para fins de restituição e/ou compensação de tributos. Art. 4 º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2 º , inciso I, da Instrução Normativa SRF n º 22, de 18 de abril de 1996. Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a não homologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Portanto, a Fiscalização não poderia ter limitado sua análise apenas às informações prestadas em DCTF, já que havia informações provenientes de outras declarações nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado. Isto é, caberia à Fiscalização, ao menos questionar a divergência existente entre as declarações (DIPJ e DCTF), cotejandoas com os lançamentos contábeis, por fim, procedendo com eventual retificação espontânea (de ofício) que se fizesse necessária. O simples fato de haver divergências entre as informações constantes em DCTF e DIPJ, por si só, já obrigava a Fiscalização a aprofundar as suas investigações, de modo a corroborar sua convicção sobre os fatos e direito. Assim sendo, restando incontroverso que não subsiste o ato de não homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP, mister se faz analisar se o crédito alegado pelo contribuinte revestese da liquidez e certeza necessárias para que a compensação pleiteada seja homologada. Compulsando os documentos juntados aos autos, verifico que o alegado pagamento de R$ 863.327,63, foi efetivamente comprovado através da cópia do DARF em que se deu tal recolhimento (documento de fls. 19). Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 10830.903156/200891 Acórdão n.º 1302001.541 S1C3T2 Fl. 81 7 Ademais, a DCTF retificadora (ainda que declarada a destempo) também encontrase às fls 21 e seguintes, bem como a DIPJ/05, a qual comprova o prejuízo fiscal acumulado em maio de 2004, portanto confirmando que nenhum valor seria devido a título de IRPJ Estimativa. Tal DIPJ encontrase às fls. 20 e seguintes dos autos. Portanto, baseandome no princípio da verdade material, e acatando a tese de que mero erro formal no preenchimento de declaração acessória, desde que devidamente comprovada por outros elementos de prova, não teria o condão, para invalidar ou mesmo macular eventual direito creditório do contribuinte, entendo que existe o direito creditório e que este se reveste de certeza e liquidez suficientes para possibilita a sua utilização através de Dcomp. Assim, comprovado que não havia valor devido a título de IRPJ Estimativa para o período de apuração maio de 2004 e também comprovado o recolhimento de R$ 863.327,63, resta ao contribuinte um direito creditório neste mesmo valor a ser compensado, ou seja, todo este valor resta disponível para aproveitamento como crédito a favor do contribuinte, subtraindose, por óbvio, as eventuais outras compensações já efetuadas. Em outras palavras, ficou evidenciado nos autos que o pagamento de IRPJ Estimativa em questão (DARF às fls. 19) foi indevido, indébito este que poderia ter sido comprovado pela Fiscalização através da DIPJ/05 apresentada pelo contribuinte antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, bem como pela DCTF Retificadora, ainda que esta só tenha sido retificada após a edição do referido despacho decisório, mas, de toda sorte, antes da edição do Acórdão do órgão julgador a quo. Em suma, como o comprovante de recolhimento (DARF), bem como DCTF e DIPJ dos períodos de apuração foram devidamente juntados aos autos, restando devidamente comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não vejo óbice ao atendimento do pleito formulado pelo contribuinte. Em se tratando de indébito tributário, na forma do art. 39, § 4º da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei 9.532/97, deve o mesmo ser atualizado à taxa SELIC desde o momento do recolhimento indevido – mais precisamente a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou maior que o devido até o mês anterior ao da compensação e de 1% no mês em que esta estiver sendo efetuada. Por todo o acima exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 736.664,04, valor este disponível na data da transmissão da DCOMP, e para homologar a compensação pleiteada, até o limite do direito creditório reconhecido, devendo a autoridade fiscal se ater a eventual compensações que já possam ter sido efetuadas pelo contribuinte. Sala de Sessões, 23 de outubro de 2014. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 8 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10950.004718/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O Prazo legal para interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados a partir da ciência do julgamento de primeira instância, conforme preconiza o art. 33 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O Prazo legal para interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados a partir da ciência do julgamento de primeira instância, conforme preconiza o art. 33 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 47 18 /2 01 0- 70 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por MUNICÍPIO DE MOREIRA SALLES, em face do acórdão que manteve integralmente a n. 35.275.7065, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal que o levantamento foi realizado através dos dados contábeis, através de relatórios de empenhos emitidos, fornecidos pelo contribuinte em arquivo digital. O lançamento compreende as competências de 08/2005 a 12/2008, tendo sido o contribuinte cientificado do relatório fiscal aditivo em 09/07/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a ausência do MPF a justificar a ação fiscal; 2. As notificações não descrevem com clareza a legislação aplicável na correção monetária, bem como, nos juros utilizados para o cálculo das multas delas advindas, acarretando em novo cerceamento de defesa; 3. que não ficou claramente demonstrado e provado pelo fisco o enquadramento dos dispositivos legais infringidos, bem como, não foi observado pelo sujeito ativo o disposto nos artigos 112 e 142 do Código Tributário Nacional; 4. A multa aplicada no percentual de 75% é desproporcional, confiscatória, extrapola os limites da razoabilidade e desvirtua sua finalidade. Cita o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10950.004718/201070 Acórdão n.º 2402004.355 S2C4T2 Fl. 160 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Da análise dos autos, verifico que a recorrente fora intimada do v. acórdão de primeira instância na data de 17/02/2014 (sextafeira), conforme AR de fls. 143. Dessa forma, o prazo recursal de 30 (trinta) dias teve início na data de 20/02/2012 (segundafeira). Logo, o termo final do prazo recursal deuse em 20/03/2012 (terçafeira). Tendo em vista que o recurso foi protocolado na data de 21/03/2012 (fls. 144), o mesmo é intempestivo. Ante todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10680.903355/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 03 35 5/ 20 11 -6 5 Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.903355/201165 Resolução nº 1301000.222 S1C3T1 Fl. 2.031 2 Relatório EPC ENGENHARIA PROJETO CONSULTORIA S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, que indeferiu parcialmente pedido veiculado por meio de manifestação de inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedidos de compensação, em que a contribuinte busca extinguir débitos de sua titularidade com crédito decorrente de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativo ao anocalendário de 2007. Despacho Decisório (eletrônico) emitido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (fls. 1.627) indeferiu a compensação pleiteada, conforme transcrição abaixo. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARCELA DO CRÉDITO ... RETENÇÕES NA FONTE ... SOMA PARCELA DO CRÉDITO PER/DCOMP ... 1.446.301,76 ... 1.446.301,76 CONFIRMADAS ... 1.158.009,99 ... 1.158.009,99 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 1.446.301,76 Valor na DIPJ: R$ 1.145.583,67 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 2.369.005,34 IRPJ devido: R$ 1.223.421,67 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: ... Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 02/04), a contribuinte trouxe as seguintes alegações: Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.903355/201165 Resolução nº 1301000.222 S1C3T1 Fl. 2.032 3 que a DIPJ/2008 contemplou o crédito IR retido na fonte do ano de 2007 no valor de R$2.369.005,34 e o IRPJ do exercício R$ 1.223.421,67, de modo que a diferença apurada a título de base negativa de IRPJ é legítima; que, em razão de mudança de sua sede e dos responsáveis pelos arquivos contábeis, teve que se empenhar em requerer às fontes retentoras os comprovantes emitidos à época, procedimento que se mostrou moroso, lento, de modo que só obteve sucesso em obtê los após a emissão do Despacho Decisório (solicitou que fossem juntadas ao processo cópia de notas fiscais emitidas em 2007 e de extratos bancários correspondentes a cada pagamento de Nota Fiscal do exercício de 2007) que a mera análise documental de contraste da DIPJ/2008 e da PER/DCOMP com os comprovantes e notas fiscais anexados já seria suficiente para apurar a verdade dos fatos; que, caso os comprovantes e notas fiscais anexados não bastassem para o convencimento quanto à legitimidade das compensações efetuadas, solicitava a produção de prova pericial contábil, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, ou de nova prova documental, para que ficasse definitivamente comprovado que os créditos compensados em PER/DCOMP são legítimos e, portanto, deve ser invalidada a exigência fiscal. A já citada 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, analisando a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0245.324, de 13 de junho de 2013, pela procedência parcial da manifestação de inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: Declaração de Compensação. O reconhecimento do direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ depende da comprovação das parcelas de composição do crédito informadas no PERDCOMP. IRRF – Comprovação. O imposto de renda retido na fonte, somente pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se o contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que sofreu a retenção deste tributo. A Turma Julgadora de primeiro grau, confirmando retenções na fonte de imposto e pagamentos/compensações de estimativas, reconheceu direito creditório no montante de R$ 862.591,88. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1.802/1810, por meio do qual sustenta: que as fontes pagadoras não cumpriram várias obrigações fiscais, tendo elas deixado de fornecer os comprovantes anuais de retenção e as DIRFs; que, considerando que o saldo negativo é apurado com base nos registros contábeis, que, por sua vez, são baseados em diversos documentos como as notas fiscais, a análise destas é providência essencial para se chegar à verdade material (relaciona os tomadores de serviço que, segundo alega, deixaram de declarar ou declararam a menor o imposto retido); Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.903355/201165 Resolução nº 1301000.222 S1C3T1 Fl. 2.033 4 que a autoridade julgadora deixou de adotar vários procedimentos necessários para apuração do crédito, como a intimação de ofício das fontes pagadoras e a determinação de perícia técnica; que o indeferimento parcial do direito reclamado também decorreu de pendência de julgamento ou do indeferimento de pagamentos de estimativas via compensação; que, nos termos do art. 151, III, do CTN, c/c art. 74 da Lei nº 9.430/96, durante todo o contencioso administrativo, o débito de estimativa mensal compensado tem sua exigibilidade suspensa, não podendo haver qualquer cobrança em desfavor do contribuinte, inclusive indireta, como a redução de saldo negativo apurado no final do exercício; que, ainda que haja decisão definitiva contrária à homologação da compensação de um débito de estimativa, ainda assim essa parcela deverá ser considerada válida para efeitos de composição do saldo negativo, uma vez que, nesse caso, o crédito tributário será exigido do contribuinte mediante emissão de DARF para pagamento ou em eventual execução fiscal; que o indeferimento da perícia técnica é contraditório e obscuro, além de estar em manifesto confronto com o art. 38, parágrafo 2º, da Lei nº 9.784/99 e de ter causado cerceamento de defesa em seu desfavor; que a Receita Federal não concedeu o prazo de dez dias para alegações antes do acórdão (art. 44 da Lei nº 9.784/99), o que agravou ainda mais o cerceamento de defesa. Reitera, ao final, a realização de prova pericial. É o Relatório. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.903355/201165 Resolução nº 1301000.222 S1C3T1 Fl. 2.034 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de pedidos de compensação, em que a contribuinte busca extinguir débitos de sua titularidade com crédito decorrente de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativo ao anocalendário de 2007. Em conformidade com a FICHA 12 A da Declaração de Informações (DIPJ) apresentada (fls. 1.679), o saldo negativo relativo ao anocalendário de 2007 decorreu da seguinte composição: IMPOSTO DEVIDO R$ 1.230.951,38 () FUNDO DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE R$ 7.529,71 () IMPOSTO RETIDO NA FONTE R$ 1.320.219,76 () IMPOSTO RETIDO – DEMAIS ENTIDADES ADM. PUB. R$ 182.024,18 () IMPOSTO INCIDENTE S/GANHOS RENDA VARIÁVEL R$ 14.209,17 () IMPOSTO PAGO POR ESTIMATIVA R$ 852.552,23 SALDO NEGATIVO R$ 1.145.583,67 Apreciando Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância reconheceu parte do direito creditório pleiteado, eis que: i) verificou que foram confirmadas retenções no total de R$ 1.158.009,99 (montante que já havia sido acolhido no Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte – fls. 1.627); e ii) confirmou estimativas pagas e compensadas no montante de R$ 928.003,56. Diante de tais confirmações, a Turma Julgadora reconheceu o direito creditório no montante de R$ 862.591,88, conforme demonstrativo abaixo. IMPOSTO DEVIDO R$ 1.230.951,38 () FUNDO DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE R$ 7.529,71 () IMPOSTO RETIDO NA FONTE R$ 1.158.009,99 () ESTIMATIVA PAGA/COMPENSADA R$ 928.003,56 SALDO NEGATIVO R$ 862.591,88 Relativamente às estimativas, a decisão de primeira instância assinala que algumas compensações não foram homologadas. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.903355/201165 Resolução nº 1301000.222 S1C3T1 Fl. 2.035 6 Do referido julgado, extraio as informações consignadas no quadro abaixo. MÊS VALOR COMPENSADO VALOR CONFIRMADO PROCESSO ADMINISTRATIVO ABRIL/2007 353.602,07 353.602,07 10680.925498/200911 JUNHO/2007 296.399,75 296.399,75 10680.925498/200911 JULHO/2007 109.182,28 0,00 10680.925498/200911 JULHO/2007 170.146,65 170.146,65 10680.930336/200997 AGOSTO/2007 219.809,91 89.079,18 10680.930336/200997 Pelo que foi possível depreender dos registros constantes do sistema eprocesso e no sítio do CARF na internet, os processos administrativos acima referenciados encontramse na seguinte situação: 10680.925498/200911: aguardando formalização de decisão relativa a recurso voluntário na 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara; 10680.930336/200997: aguardando formalização de decisão relativa a embargos na 1ª Turma Especial desta 3ª Câmara. Por entender que (a) as decisões administrativas irreformáveis prolatadas nos processos administrativos nºs 10680.925498/200911 e 10680.930336/200997 poderão interferir diretamente na solução da controvérsia instaurada no presente feito, e que (b) no caso de eventual reconhecimento direito creditório em qualquer dos processos, a unidade administrativa competente para informar, com exatidão, os valores porventura extintos por compensação, é a Delegacia da Receita Federal responsável pela execução dos referidos julgados, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a unidade administrativa de origem (Delegacia da Receita Federal), a partir do momento em que tenha recepcionado as decisões finais exaradas nos processos administrativos nºs 10680.925498/200911 e 10680.930336/200997, informe se houve extinção por compensação, ainda que parcial, das estimativas relativas aos meses de julho de 2007 (processo nº 10680.925498/200911) e agosto de 2007 (processo nº 10680.930336/2009 97). “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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