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Numero do processo: 19515.000784/2004-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.APLICAÇÃO DAS SÚMULAS CARF 38 e 123.
O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
O recebimento de rendimentos tributáveis com imposto de renda retido na fonte, atrai a regra do CTN, art. 150, § 4º, nos termos da Súmula CARF nº 123.
Numero da decisão: 2402-007.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo-se a ocorrência da decadência em relação à integralidade do crédito lançado.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente GUILHERME AZEVEDO SOARES GIORGI Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.APLICAÇÃO DAS SÚMULAS CARF 38 e 123. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. O recebimento de rendimentos tributáveis com imposto de renda retido na fonte, atrai a regra do CTN, art. 150, § 4º, nos termos da Súmula CARF nº 123. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendose a ocorrência da decadência em relação à integralidade do crédito lançado. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 84 /2 00 4- 36 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 19515.000784/200436 Acórdão n.º 2402007.257 S2C4T2 Fl. 398 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 7ª Tuma da DRJ/SPOII, consubstanciada no Acórdão nº 1722.523 (fl. 323) que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 26/04/2004, o Auto de Infração de fls. 289/29l, acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 287/288 que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 82.250,25, correspondente ao imposto (R$ 31.231,50), multa proporcional (R$ 23.491,12) e juros de mora (R$ 27.437,63, calculados até 31/03/2004), relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 1999, anocalendário 1998. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 290), o procedimento teve origem na apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação em anexo. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificação / análises / conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação de Ação Fiscal de fls. 284/286, parte integrante do Auto de Infração. Cientificado do lançamento em foco, em 27/04/2004 (fl. 289), o interessado apresentou, em 25/05/2004, por intermédio de seus representantes legais (fl. 307), a impugnação de fls. 296/306, instruída com os documentos de fls. 307/316, aduzindo o que se segue: O período de apuração do Imposto de Renda Pessoa Física objeto de apuração restringese ao anobase de 1998, quando a legislação já determinava a apuração e o recolhimento mensais do imposto de renda, acompanhando a ocorrência dos respectivos fatos geradores que se consumavam mês a mês com a imediata disponibilidade econômica da renda. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 19515.000784/200436 Acórdão n.º 2402007.257 S2C4T2 Fl. 399 3 O Lançamento é insubsistente porque o crédito tributário que se pretende constituir, encontrase fulminado e definitivamente extinto pela Decadência nos termos do art.173, I, do CTN. Nessa esteira, para os fatos geradores ocorridos mês a mês, cuja obrigatoriedade dos recolhimentos segundo a lei que rege a matéria seria ao final do primeiro decídio do mês subsequente ao fato gerador, o direito de inscrição dos débitos do anobase de 1998 com início em 01 de janeiro de 1999 encerrouse em definitivo em 31 de dezembro de 200, consumandose de pleno direito a decadência em 01 de janeiro de 2004. Mais, nos termos do art. 150 do CTN, o Imposto de Renda Pessoa Física é típica espécie tributária onde o lançamento dá se por homologação sob a consonância da regra solve et repet, porque o contribuinte por ato próprio recolhe mensalmente o quantum apurado em consonância com fato gerador verificado no período de apuração (que é mensal) para futuramente em "conta de ajuste" providenciar a homologação do valor já recolhido e eventualmente repetir o que pago em excesso. Que, consoante § 4° do art. 150 do CTN, para os casos de lançamento por homologação a regra para a contagem do prazo decadencial encerrase cinco anos decorrido o fato gerador à falta de homologação formal. Traz nesse sentido em sua defesa extensa jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Que a simples verificação de saldo em contas correntes não induz necessariamente à verificação de fato gerador apto ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, visto tratarse de mera presunção para a assunção da ficta existência de acréscimo patrimonial ou de renda não verificados. Que base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física conforme art. 43 do CTN, corresponde à disponibilidade econômica ou jurídica da renda, com o que não se confunde a movimentação bancária que não corresponde, necessariamente, ao conceito intrínseco ao fato gerador ora sob estudo. Assim que, inexiste sequer omissão de rendimentos por parte do Contribuinte a dar respaldo à autuação. Que, nesse sentido, é da doutrina, da interpretação do citado art. 43 do CTN ou mesmo das disposições da Lei 9.430/1996, e também da jurisprudência do Conselho de Contribuintes que se retira o entendimento de que movimentação bancária em conta corrente por si não caracteriza prova da ocorrência do fato gerador do imposto de renda, aptos dar subsídio ao lançamento, mesmo que em sede de apuração fiscal. Ante o exposto, considerada a extinção do crédito tributário pela verificação da decadência, nos termos do art. 150, § 4°, cumulado com art. 156, V, da Lei 5.172/66 ou simplesmente a inexistência de demonstração da ocorrência de fato gerador pela Fl. 399DF CARF MF Processo nº 19515.000784/200436 Acórdão n.º 2402007.257 S2C4T2 Fl. 400 4 simples existência de movimentação bancária, requer seja julgado insubsistente o auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1722.523 (fl. 323), conforme ementa abaixo reproduzida: DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Os rendimentos omitidos apurados com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, embora sujeitos à tributação no mês da sua percepção, estão também sujeitos ao ajuste na declaração anual, pelo que a contagem do prazo decadencial não é mensal, contados do mês em que o crédito foi efetuado pela instituição financeira. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeito ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas de deposito mantidas junto as instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Lançamento Procedente Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fl. 341, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 19515.000784/200436 Acórdão n.º 2402007.257 S2C4T2 Fl. 401 5 Conforme se infere do relatório supra, tratase, o presente caso, de lançamento fiscal em decorrência da apuração, pela fiscalização, de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O Recorrente, reiterando os termos da impugnação apresentada, sustenta, em síntese: * a perda do direito de o Fisco constituir o crédito tributário em face da consumação do lustro decadencial, à luz do art. 150, § 4º, do CTN; e * a improcedência do lançamento com base em presunções, considerando a imprestabilidade dos extratos para comprovar receita, renda ou acréscimo patrimonial. Passemos, então, à análise de cada um dos pontos defensivos sustentados pelo Recorrente. Da Decadência O fato gerador do IRPF, como se sabe, é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2005, 2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...) (acórdão n°2402005.594; 19/01/2017) xxx Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 (...) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGA ÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 19515.000784/200436 Acórdão n.º 2402007.257 S2C4T2 Fl. 402 6 173, I). Súmula CARF n° 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173,1, do CTN. Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendo se que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. (processo n° 10980.725701/201183,1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, julgado em 18/02/2014) Neste sentido, inclusive, é o enunciado da Súmula CARF nº 38, in verbis: Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Como regra geral, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é aquele definido no inciso I, do art. 173 do CTN, nos seguintes termos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entretanto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do Imposto de Renda, havendo pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial contase nos termos do §4º do art. 150 do CTN, que assim dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 19515.000784/200436 Acórdão n.º 2402007.257 S2C4T2 Fl. 403 7 Destarte, é primordial verificar a existência ou não de pagamento a fim de ser fixada qual das duas regras será utilizada para a determinação do termo inicial para a contagem do prazo decadencial. No caso em análise, a Declaração de Ajuste Anual Exercício 1999 (fls. 9 e 13) evidencia a existência de imposto de renda retido na fonte no anocalendário 1998, conforme se infere da imagem abaixo: Registrese, pela sua importância, que o recebimento de rendimentos tributáveis com imposto de renda retido na fonte, atrai a regra do CTN, art. 150, § 4º, nos termos da Súmula CARF nº 123: Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Desse modo, no caso em apreço, como houve antecipação do imposto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase em 31 de dezembro de 1998 e o termo final em 31/12/2003, conforme regra contida no art. 150, § 4º, do CTN, citado acima. O lançamento tributário só se considera definitivamente constituído após a ciência (notificação) do sujeito passivo da obrigação tributária (art. 145 do CTN), que no presente caso ocorreu em 27/04/2004, conforme assinatura no Auto de Infração, fl. 293. Resta, portanto, configurada a perda do direito de o Fisco constituir o crédito tributário em análise, em face da consumação da decadência, nos termos acima declinados. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, extinguindose o crédito tributário em face da decadência (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 403DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.913422/2009-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
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CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 34 22 /2 00 9- 35 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10680.913422/200935 Acórdão n.º 1002000.668 S1C0T2 Fl. 96 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BHE: "Em 25 de maio de 2005 a interessada apresentou a Declaração de Compensação numerada 0991.88730.250505.1.3.044635 (PER/DCOMP juntado às fls. 10/14) valendose de direito creditório referente a pagamento indevido ou a maior, no valor original de R$ 723,82. A mencionada compensação não foi homologada pela DRF de origem, conforme Despacho Decisório nº 831223574, datado de 9 de abril de 2009 (fls. 7), sob o seguinte argumento: Ciente da não homologação da compensação em 30 de abril de 2009, conforme doc. de fls. 46, a interessada apresentou, em 1º de junho de 2009, a manifestação de inconformidade de fls. 1/6, com os argumentos a seguir transcritos: A empresa recebeu em 04.05.2009 despacho decisório não homologando a compensação declarada no PER/DCOMP nº Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10680.913422/200935 Acórdão n.º 1002000.668 S1C0T2 Fl. 97 3 0991.88730.250505.1.3.044635 ao argumento de que;não existiria o crédito utilizado no valor de R$ 723,82 (...). Entretanto, conforme restará comprovado, o crédito de R$ 723,82 (...) existe em virtude de pagamento a maior de CSLL, Cofins e PIS/Pasep Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica, código 5952. Tal recolhimento foi feito de forma equivocada em virtude de erro na apuração do valor a recolher. Relativamente ao mês de Fevereiro de 2005, o valor devido de CSLL, Cofins e PIS/Pasep – Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica, código 5952, foi R$ 10.498,27 (...) e quitado da seguinte forma: Portanto, apreendese que o recolhimento efetuado através de DARF referente à 2ª quinzena do mês de Fevereiro de 2005, no valor de R$ 3.426,64 (...) foi efetuado a indevidamente, gerando um crédito de R$ 1.226,83 (...). Esse equívoco se deveu, em virtude de erro na apuração do valor a recolher, já que não era devido o recolhimento de CSRF para a empresa Samedlar Soluções em Saúde Ltda., CNPJ: 02.965.832/000178 na 1ª quinzena do mês de Fevereiro de 2005. Dessa forma, sendo que a empresa efetuou recolhimento a maior em razão de erro na apuração do valor a recolher, não há dúvidas acerca da existência do crédito de R$ 723,82 (...), devidamente utilizado na Declaração de Compensação nº 0991.88730.250505.1.3.044635. DO ERRO NA DCTF 1º SEMESTRE/2005 As informações da ficha 'débito apurado e créditos vinculados' do mês de Fevereiro/2005, referente à CSLL, Cofins e PIS/Pasep Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica, código 5952, foram inseridas de forma equivocada, uma vez que o débito apurado representa R$2.199.81 (...) e não R$ 3.426,64 (...). Por essa razão, a DCTF relativa ao 1º semestre de 2005 foi devidamente retificada para constar que do recolhimento de R$ 3.426,64 (...), é devido tão somente, R$ 2.199,81 (...). DO ERRO NA DIRF – ANO CALENDÁRIO 2005 A Declaração do Imposto de Renda.Retido na Fonte DIRF 2006, ano .calendário, 2005 foi preenchida de forma equivocada, em virtude de erro na apuração do valor a recolher, tendo em vista que o valor recolhido de CSLL, Cofins e PIS/Pasep Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10680.913422/200935 Acórdão n.º 1002000.668 S1C0T2 Fl. 98 4 jurídica a pessoa jurídica, para a empresa Samedlar Soluções em Saúde Ltda., CNPJ: 02.965.832/000178, não era devido. Por essa razão, a DIRF 2006 anocalendário 2005 foi devidamente retificada para constar que não há retenção de CSLL, Cofins e PIS/Pasep Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica para a empresa Samedlar Soluções em Saúde Ltda., CNPJ: 02.965.832/000178 na 1ª quinzena do mês de Fevereiro de 2005. Em seguida, reitera que tem direito à restituição/compensação, com base no art. 165 do Código Tributário Nacional, que transcreve. Sintetiza sua inconformidade nos seguintes pontos: a) O crédito. utilizado na declaração de compensação 0991.88730.250505.1.3.044635 existe em razão de pagamento a maior; b) A DCTF do 1° semestre de 2005 foi devidamente retificada para fins de demonstrar a existência do crédito de R$ 2.199,81 (...); c) A DIRF 2006, anocalendário 2005 foi devidamente retificada para constar que não há retenção de CSRF para a empresa Samedlar Soluções em Saúde Ltda., CNPJ: 02.965.832/0001 78 na 1ª quinzena do mês de Fevereiro de 2005 d) O referido crédito é passível de compensação pelo sujeito passivo Para comprovar suas alegações, junta os seguintes documentos: Cópias dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARFs), referentes ao mês de apuração Fevereiro de 2005, CSLL, Cofins e PIS/Pasep Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica o PIS, código 5952 Cópia da PER/DCOMP 0991.88730.250505.1.3.044635; Recibo de retificação da DCTF do 1º semestre de 2005, e respectiva ficha de débitos de CSLL, Cofins e PIS/Pasep Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica o PIS, código 5952. Recibo de retificação da DIRF 2006, anocalendário 2005, e respectivo Relatório Total Mensal por código, cód. 1708, da Declaração do imposto de Renda Retido na Fonte DIRF 2006, anocalendário 2005 A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BHE, conforme acórdão n. 0236.716 (efl. 48), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10680.913422/200935 Acórdão n.º 1002000.668 S1C0T2 Fl. 99 5 Data do fato gerador: 11/03/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DÉBITO CONFESSADO. PROVA. Para fins de restituição ou compensação de valor pago indevidamente, a apresentação de DCTF retificadora é insuficiente como prova da redução do valor de débito já extinto mediante pagamento. Neste caso, é imprescindível a efetiva comprovação do direito creditório pleiteado. Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 59), no qual propõe os fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados: Em preliminar de mérito, o Recorrente afirma que "Conforme ADI RFB nº. 09 de 2007, artigo 1º, 'não será exigido o arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento do Recurso Voluntário'". No mérito, o Recorrente diz que "Conforme documentação acostada quando da Manifestação de Inconformidade a recorrente possui crédito de R$ 723,82 (Setecentos e vinte e três reais e oitenta e dois centavos), advindo de pagamento a maior de CSLL, Cofins e Pis/Pasep Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica Código 5952" e que " Tal recolhimento foi feito equivocadamente, devido a erro na apuração do valor". Sustenta que "...a decisão ora combatida não apresenta argumentos sólidos e sustentáveis, eis que inclusive ignorou as DCTF's retificadoras juntadas aos autos no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade". Consigna que "Conforme planilha e cópias das notas fiscais juntadas ao presente recurso, visualizamse as retenções feitas sobre cada pagamento, de forma que se chega ao valor informado na DCTF retificadora, correspondente ao crédito utilizado pela recorrente..." e que "...não há que se falar em inexistência de prova tendo em vista a comprovação, não somente através da DCTF retificadora já constante nos autos, mas também materializada pelas cópias acostadas ao presente Recurso". Ao final requer o acolhimento do presente recurso para o fim de homologação integral da compensação declarada. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Admissibilidade Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10680.913422/200935 Acórdão n.º 1002000.668 S1C0T2 Fl. 100 6 Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar Como preliminar de mérito o Recorrente alega a inexigibilidade do arrolamento de bens para seguimento do recurso voluntário, lastreado no ADI RFB nº. 09 de 2007. Assiste razão ao Recorrente quanto a esse ponto. De fato, o referido ADI reza em seu art. 1º que não será exigido o arrolamento de bens e direitos para seguimento de Recurso Voluntário, configurando matéria pacificada não só em âmbito administrativo, mas também no judicial, motivo porque não requer maiores digressões. Mérito Quanto ao mérito, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 0991.88730.250505.1.3.044635 transmitido em 25/05/2005, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10680.913422/200935 Acórdão n.º 1002000.668 S1C0T2 Fl. 101 7 Como se observa, o suposto crédito de R$ 723,82 informado no mencionado PER/DCOMP decorreria de pagamento indevido ou a maior, e a circunstância fática que motivou seu não reconhecimento está inequivocamente registrada no Despacho Decisório Eletrônico, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 5952 (Retenção de Contribuições pagamento de PJ a PJ de Direito Privado CSLL/COFINS/PIS), do período de apuração de 28/02/2005. Em suas razões de defesa, o Recorrente, em suma, afirma que houve erro na apuração do valor das retenções e que, por isso, apresentou DCTF retificadora contendo os valores corretos, bem como planilha e notas fiscais correspondentes que dariam suporte ao crédito pretendido no citado PER/DCOMP. Em que pese os documentos juntados aos autos, vejo que não são suficientes para infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP proferida pela instância de origem. Isto porque a apresentação da DCTF retificadora em 26/05/2009 (efls. 15) foi feita em data posterior à de ciência do Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, ocorrida em 30/04/2009 (efls. 46), caracterizando a perda da espontaneidade do Recorrente na entrega daquela declaração. Nesta hipótese, a DCTF em questão só poderia ser aceita mediante comprovação inequívoca do erro de preenchimento cometido na DCTF retificada, conforme reza a IN RFB nº 1.599/2015 (destaques deste relator): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10680.913422/200935 Acórdão n.º 1002000.668 S1C0T2 Fl. 102 8 inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, além da DCTF retificadora enviada após a ciência do despacho decisório de não homologação da compensação, o então manifestante apresentou, tão somente, relatório denominado "Total Mensal por Código" extraído dos dados informados na DIRF/2006 original, ambos desacompanhados de quaisquer provas documentais provenientes de sua escrituração contábil fiscal; agora, no Recurso Voluntário, limitouse a juntar aos autos planilha demonstrativa das retenções efetuadas e cópia de notas fiscais de serviços (efls. 65 a 71), ignorando por completo o registro do voto condutor do acórdão recorrido alertando para a necessidade de apresentação de cópias autenticadas das páginas dos livros contábeis e fiscais que guardassem relação com a retificação pretendida e/ou outros documentos que comprovassem a ocorrência do suposto erro cometido. De fato, esse arcabouço probatório seria imprescindível ao batimento dos dados constantes da DCTF retificadora com os da escrituração do contribuinte, para efeito de comprovar a regular transcrição, idoneidade e identidade dos registros e atestar o oferecimento à tributação de receitas que ensejaram retenções legais do período, de modo a permitir, assim, a formação de juízo conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório postulado. Demais disso, os valores de retenções informados na DIRF/2006 são inconsistentes com os constantes do demonstrativo apresentado pelo Recorrente e a informação prestada pelo então manifestante de que a retificou com os valores corretos das retenções correspondentes ao código de recolhimento 5952 não condiz com a realidade, conforme aponta o registro seguinte, extraído do acórdão recorrido (destaques do original): "A contribuinte alega ter retificado a DIRF 2006 'já que não era devido o recolhimento de CSRF para a empresa Samedlar Soluções em Saúde Ltda., CNPJ: 02.965.832/000178' e informa ter anexado o 'Recibo de retificação da DIRF 2006, ano calendário 2005, e respectivo Relatório Total Mensal por código, cód. 1708, da Declaração do imposto de Renda Retido na Fonte DIRF 2006, anocalendário 2005' A respeito dessa prova, que a interessada menciona ter juntado ao processo, cabem algumas considerações: 1. Compulsando os autos, foi encontrado um único documento relacionado a retenções na fonte (doc. de fls. 20), o relatório 'Total Mensal por Código', extraído dos dados informados na DIRF original, e não retificadora. 2. Nesse documento, constam somente informações relativas aos códigos 5952 e 5960. Considerando que o crédito informado na DCOMP analisada envolve pagamento correspondente ao código de recolhimento 5952, não foi possível identificar o Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10680.913422/200935 Acórdão n.º 1002000.668 S1C0T2 Fl. 103 9 motivo de a impugnante se referir ao código 1708 a fim de justificar um suposto erro de preenchimento da DIRF. 3. Ao consultar os sistemas informatizados da RFB, não foram encontradas, para o período em exame e para o código 5952, alterações relativas ao rendimento e à retenção nas DIRFs retificadoras apresentadas pela contribuinte. Desse modo, os documentos trazidos pela impugnante com a finalidade de constituir prova, seja a DIRF (fls. 20) ou a DCTF (15/19), não a socorrem para tal fim. (...) Do exame do relatório consolidado das retenções 'Total Mensal por Código' trazido aos autos pela própria impugnante (fls. 20), cujos valores para o período em exame não foram retificados por declarações posteriormente apresentadas, verificase que os rendimentos sob o código 5952 para o mês de fevereiro de 2005 perfizeram um total de R$ 269.784,07. Aplicandose 4,65% sobre o rendimento informado, nos termos do art. 2º da INÍCIO SRF nº 459, de 2004, obtémse uma retenção de R$ 12.544,96. Entretanto, na DIRF 2006 foi informado o valor de apenas R$ 12.498,27, sendo que, em sua defesa, a impugnante não comprova a origem dessa diferença, limitandose a mencionar que 'não era devido o recolhimento de CSRF para a empresa Samedlar Soluções em Saúde Ltda., CNPJ: 02.965.832/000178'. Desse modo, verificase que, aparentemente, em lugar de direito creditório relativo ao pagamento do débito de código 5952 de fevereiro de 2005, teria havido pagamento a menor para esse mesmo débito". Acrescento que os requisitos de liquidez e certeza do crédito são exigências legais para deferimento da homologação da compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. De resto, é de se ressaltar que não compete a este relator sanar possíveis erros de preenchimento de PER/DCOMP ou demonstrar que a não homologação da compensação foi equivocada, a uma, porque há comprovação evidente e insofismável nos autos de que o suposto crédito foi alocado a outro débito e, a duas, porque o ônus probatório do direito vindicado é do Recorrente, conforme prevê a legislação1 e de acordo com forte corrente jurisprudencial deste CARF, da qual colaciono, como exemplos, os Acórdãos 3201002.303 e 3001000.312: 1 Lei nº 9.784/99: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10680.913422/200935 Acórdão n.º 1002000.668 S1C0T2 Fl. 104 10 ACÓRDÃO 3201002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado Acórdão n.º 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. À vista do exposto, o improvimento do recurso impõese. Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o suposto crédito de R$ 723,82 constante do PER/DCOMP de nº 0991.88730.250505.1.3.04 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10680.913422/200935 Acórdão n.º 1002000.668 S1C0T2 Fl. 105 11 4635 fora integralmente utilizado na quitação de débitos de tributo do código 5952 de período de apuração de 28/02/2005; e, ainda, que o Recorrente não traz elemento de prova capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.902797/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. TIPI.
Produtos relacionados na TIPI com alíquota positiva ou alíquota zero não estão abrangidos pela imunidade objetiva prevista aos derivados de petróleo no § 3º do art. 155 da Constituição Federal. Esses produtos estão dentro do campo de incidência do IPI em decorrência de decreto do poder executivo. Impossibilidade de afastar a sua aplicação por força da súmula CARF nº 2.
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 155, § 3º DA CF. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 20.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2010
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Preclusão do direito de fazê-lo na segunda instância.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2009
LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA.
Por se tratar de matéria de ordem pública a decadência tributária do lançamento deve ser conhecida de ofício, quando não for objeto de impugnação.
DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. PAGAMENTO.
Havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, ressalvado a prática de dolo, fraude ou simulação. A legislação do IPI, art. 183 do RIPI/2010, reconhece expressamente que os créditos escriturais do imposto é tratado com pagamento do imposto.
Numero da decisão: 3301-005.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para aplicar a decadência aos fatos geradores de 01/2008 a 11/2008.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. TIPI. Produtos relacionados na TIPI com alíquota positiva ou alíquota zero não estão abrangidos pela imunidade objetiva prevista aos derivados de petróleo no § 3º do art. 155 da Constituição Federal. Esses produtos estão dentro do campo de incidência do IPI em decorrência de decreto do poder executivo. Impossibilidade de afastar a sua aplicação por força da súmula CARF nº 2. CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 155, § 3º DA CF. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 20. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Preclusão do direito de fazêlo na segunda instância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2009 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 27 97 /2 01 1- 51 Fl. 230DF CARF MF 2 Por se tratar de matéria de ordem pública a decadência tributária do lançamento deve ser conhecida de ofício, quando não for objeto de impugnação. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. PAGAMENTO. Havendo pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, ressalvado a prática de dolo, fraude ou simulação. A legislação do IPI, art. 183 do RIPI/2010, reconhece expressamente que os créditos escriturais do imposto é tratado com pagamento do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para aplicar a decadência aos fatos geradores de 01/2008 a 11/2008. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados, apurados no 2º trimestre/2008, cumulado com declaração de compensação. Foi apresentado o PER/DCOMP n° 07112.41092.301210.1.3.016040 (fls. 172175), declarando a compensação por um crédito histórico no valor de R$ 3.406.346,76. A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, emitiu o Termo de Informação Fiscal de fls. 178180 e o despacho decisório de fl. 168, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando a compensação correlata, tendo em vista que o resultado da diligência foi a lavratura de um auto de infração para constituir crédito tributário sobre algumas operações (débito) e, também, realizar glosas de crédito. O auto de infração recebeu o numero de processo 16095.720242/201374. Conforme referido TIF, o auto de infração teve, em síntese, as seguintes acusações: Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 231 3 Sobre os débitos, afirmou: Houve emissão de Notas Fiscais sem destaque do imposto na saída dos produtos classificados pela empresa na posição fiscal 2710.1992 e 2710.1999, relacionada na TIPI com alíquota de 8%. As saídas se referem a venda de mercadorias de produção do estabelecimento como também a revenda de mercadorias adquiridas ou recebida de terceiros, importadas; Neste contexto, afirmou a fiscalização que o parágrafo único do artigo 2° do Regulamento do IPI vigente na época dos fatos previa que o campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" ( não tributado). Sobre as glosas, afirmou. A empresa também produziu e promoveu saídas por vendas de produtos classificados na posição fiscal 2710.1931, 2710.1932, que também não tiveram destaque do imposto, esses relacionados na TIPI como não tributados (N/T). (...) O artigo 11 da Lei 9.779/99, possibilita a manutenção do crédito relativo à aquisições de insumos aplicados em produtos tributados à alíquota zero ou isento, imunes quando destinados à exportação. (...) O § 3° do artigo 2° da IN 33/99 dispõe que deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Considerando esse ordenamento os créditos pelas aquisições das matérias primas, PI e ME aplicados nos produtos classificados nas posições 27.10.1931 e 2710. 1932, foram apurados e por não terem direito a manutenção, na reconstituição da escrita fiscal foram estornados. A fiscalização ainda apontou que o estabelecimento utiliza insumos comuns na fabricação de produtos tributados e produtos não tributados. Em vista disso, e com base em listas técnicas fornecidas pela Recorrente contendo a discriminação dos insumos aplicados nos produtos industrializados, com seus valores, características e NCM, a fiscalização adotou uma metodologia para a quantificação das glosas. Com isso, elaborou uma relação percentual entre a quantidade de cada matériaprima utilizada no produto tributado e a quantidade do produto não tributado. O percentual encontrado foi utilizado no total dos créditos, em cada mês, para fins de apuração dos créditos que deveriam ser estornados. Com base nestas conclusões da fiscalização e do auto de infração, foi proferido o Despacho decisório com o seguinte teor: Fl. 232DF CARF MF 4 Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 3.406.346,76 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto: NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 07112.41092.301210.1.3.016040 INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no(s) PER/DCOMP: 10029.58550.141210.1.1.011085 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/02/2014. Inconformada, a Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade (fls. 0218), instaurando o contencioso administrativo, argumentando, em síntese: pugnou pela suspensão do presente processo, em razão do trâmite do processo relacionado ao auto de infração, nº 16095.720242/201374, por uma questão de segurança jurídica, razoabilidade e para fins de evitar decisões conflitantes, nos termos do art. 265 do CPC; afirmou que a fiscalização não se baseou em nenhum critério técnico para justificar a desclassificação dos produtos como derivados de petróleo; afirmou que não há incidência de IPI sobre derivados de petróleo, nos termos do art 155, § 3º da Constituição; a própria TIPI incorreu em total desrespeito à imunidade constitucional por pretender a tributação do IPI sobre os produtos mencionados no capítulo 27.10, reservados aos derivados de petróleo, ao prever, para determinados itens desse capitulo, alíquotas positivas do imposto; Fl. 233DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 232 5 afirmou que as notas explicativas sobre o capítulo 27.10, notadamente as Notas 2 e 3, não deixam dúvidas de que os produtos ali classificados são hidrocarbonetos. afirmou que nem mesmo o Decreto n° 4.544/02 (RIPI), determinou qualquer restrição ao conceito de derivados de petróleo, como pretende fazer crer o auto de infração; afirmou que os produtos que negocia possuem mais de 70% de hidrocarbonetos derivados de petróleo em sua composição, sendo o que basta para serem quimicamente considerados hidrocarbonetos (derivados de petróleo), classificados nas posições 2710.1932, 2710.1992 ou 2710.1999 segundo sua destinação, isto é, lubrificante com aditivos, líquido para transmissões hidráulicas, etc; o Art. 18, § 3º do RIPI/2002 não estabelece nenhuma restrição ao conceito de derivados de petróleo. A simples classificação química dos produtos como hidrocarbonetos os deveria enquadrar automaticamente no conceito de derivados de petróleo; é imprescindível que se reconheça a imunidade, e, por via de consequência, a ilegalidade da exigência de valores de IPI sobre tais produtos imunes; sobre as glosas dos créditos, afirmou que a não cumulatividade do IPI prevista na constituição prevê a possibilidade de abatimento dos débitos do imposto, com os créditos decorrentes de aquisição de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário; se houve aquisição de bem gravado pelo imposto, é direito do contribuinte escriturar o crédito em sua contabilidade. Havendo saída isenta ou não tributada, inexistirá débito a ser compensado quando do cálculo do saldo do imposto a recolher do mês de competência, que poderá ser credor ou devedor. Contudo, em havendo saldo credor, é direito do contribuinte a manutenção dos créditos e a sua alocação para as competências seguintes; o art. 11 da Lei n° 9.779/99 apenas explicitou um direito preexistente dos contribuintes no tocante à legislação, sendo constitucionalmente garantido aos contribuintes a manutenção de seus créditos a despeito de haver saídas não tributadas ou imunes; somente a partir de Junho/2010, com o Decreto n° 7.212/2010 (novo RIPI), posterior aos fatos geradores em questão, é que a legislação regulamentadora passou a prever expressamente a vedação ao crédito decorrente da aquisição de insumos utilizados na produção de produtos imunes; Em 14/01/2015 foi proferido o Acórdão 0131.083 pela 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 183197), julgando improcedente a manifestação de inconformidade, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 234DF CARF MF 6 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. IPI. ALÍQUOTA. PRODUTOS DAS POSIÇÕES 2710.19.92 e 2710.19.99. A saída dos produtos classificados nas posições fiscais 2710.19.92 e 2710.19.99 da Tabela de Incidência do IPI TIPI submetese à alíquota de 8%. IPI. CRÉDITOS. MP, PI E ME EMPREGADOS EM PRODUTOS NT. Não podem ser escriturados créditos relativos a matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, inclusive quando se trate de produtos alcançados por imunidade. RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. REQUISITOS E CONDIÇÕES. O ressarcimento de IPI vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a espécie, devendo ser indeferido quando sua existência não resulte demonstrada pelo contribuinte. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. A declaração de compensação somente pode ser homologada quando o respectivo direito creditório resulte comprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Como fundamento de decidir, a DRJ apresentou os seguintes argumentos: não há previsão na legislação específica previsão para o sobrestamento de processos administrativos, ainda que presente eventual conexão ou relação de prejudicialidade; a previsão existente é acerca da conexão de processos, contudo, como o processo administrativo do auto de infração se encontra em fase recursal diversa, não seria possível operacionalizar tal apensamento; há presunção de legalidade e constitucionalidade das leis e regulamentos. À autoridade administrativa não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia de preceitos normativos. Impõese ao agente da Administração Pública aplicálas; quanto aos débitos do imposto, relativos aos produtos das posições 2710.19.92 e 2710.19.99 da TIPI, a imunidade relativa a derivados do petróleo restringese aos Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 233 7 hidrocarbonetos decorrentes do refino, sendo que os produtos compostos de petróleo que não se beneficiam de imunidade encontramse relacionados na TIPI com alíquota positiva ou zero e, portanto, sujeitos ao pagamento do imposto; haver na TIPI produtos com notação "NT" não implica, necessariamente, que esta notação decorre de imunidade ou não incidência (pois se trata de produto natural), tendo em vista a existência de produtos industrializados que poderiam ser tributados pelo imposto, mas aos quais o legislador ordinário, por razões de ordem extrafiscal, optou por não tributar; a legislação tributária (art. 18, § 3º, do RIPI/2010) adota como critério para interpretação do alcance da imunidade constitucional conferida a derivados de petróleo o da imediatidade, pelo qual somente são imunes os produtos obtidos diretamente do refino (decomposição do petróleo bruto por intermédio de destilação fracionada), excluindose, por decorrência, os produtos ulteriormente colocados em circulação mercantil e aqueles que venham a ser obtidos por qualquer processo de industrialização subsequente (transformação ou beneficiamento ulteriores); os produtos do caso concreto, embora se tratem de óleo essencialmente constituído por hidrocarbonetos, classificase na subposição 2710.19.92 e outros 2710.19.99, ambos com alíquota de 8%; Quanto às glosas. não há autorização normativa para o aproveitamento de créditos decorrentes da nãocumulatividade do IPI quando se trate da industrialização de produtos NT, aí incluídos os imunes; o art. 11 da Lei n.º 9.779, de 11/01/1999, trouxe inovação na legislação do IPI, permitindo a manutenção dos créditos em situações específicas, mas a partir da vigência de tal disposição normativa; as saídas realizadas estão com notação NT (27.10.1931 e 2710. 1932), mas não porque são imunes, mas sem tributação porque o legislador ordinário, fundado em razões de ordem extrafiscal, não quis tributar; assim como os demais produtos que integram a posição 2710 que também não se encontram gravados por imunidade; com isso, para as saídas sem tributação (NT), os créditos devem ser estornados, e mesmo que fossem imunes, apenas a imunidade decorrente de exportação permite a manutenção dos créditos; esta disposição normativa somente pode ser afastada mediante a declaração de sua ilegalidade ou inconstitucionalidade, o que se encontra obstado, porém, ao julgador administrativo; ou seja, os produtos imunes a que se referem a IN SRF nº 33/1999 e o RIPI/2002, limitase àqueles imunes porque destinados à exportação (inciso III do §3° do art. 153 da CF/1988); cita o Ato Declaratório Interpretativo nº 5, de 17/04/2006; Fl. 236DF CARF MF 8 afirma haver matéria não impugnada e, portanto, preclusa, relativa à metodologia utilizada pela fiscalização para o cálculo da glosa, elaborando um cálculo proporcional entre os insumos utilizados em produtos tributados e produtos não tributados. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou, no prazo, seu recurso voluntário (fls. 206227), repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade, acrescentando apenas que, ao contrário do que foi alegado pela decisão de primeira instância, a Recorrente não pretende que seja julgada a inconstitucionalidade/ilegalidade de dispositivo legal na via administrativa, mas tão somente que o referido dispositivo legal seja interpretado e aplicado corretamente ao caso em questão. Isso porque, continua a Recorrente, a norma faz menção aos conceitos de “imediato e direto” como pretendeu fazer crer a decisão recorrida, estabelecendo apenas duas exigências, quais sejam: (i) seja o produto decorrente do refino de petróleo; e (ii) possa ele ser classificado quimicamente como hidrocarboneto. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior O recurso voluntário é tempestivo e por atender os demais requisitos da legislação será conhecido. O presente julgamento se reflete em todos os demais processos listados abaixo, todos incluídos no mesmo auto de infração 16095.720242/201374, pois representam a mesma discussão de PER/DCOMP, alterandose apenas o período de apuração. Assim, apenas será preciso verificar, em cada um deles, se há algum período atingido por decadência: 16682.902792/201128 RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. 16682.902793/201172 RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. 16682.902794/201117 RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. 16682.902795/201161 RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. 16682.902796/201114 RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. 16682.902797/201151 RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. 16682.902798/201103 RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. 16682.902799/201140 RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. 16682.902800/201136 RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. 16682.902801/201181 RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. 16682.902802/201125 RAIZEN COMBUSTIVEIS S.A. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 234 9 Preliminarmente, afastase a possibilidade de suspensão do feito, nos termos do art. 265 do CPC/1973, pois o processo administrativo relativo ao auto de infração, nº 16095.720242/201374, encontrase em momento processual muito mais avançado, tendo já o julgamento de seu recurso voluntário já efetuado por esta colenda 1ª turma ordinária, inclusive, com julgamento de Recurso Especial interposto pela Recorrente na Câmara Superior, aguardandose, neste momento, o juízo de admissibilidade de embargos de declaração opostos pela Recorrente. Com isso, afastase a possibilidade de suspensão do feito, nem mesmo de conexão, pois, além de em fases processuais distintas, o mérito do processo relativo ao auto de infração já foi julgado. Quanto ao mérito, a controvérsia se restringe ao débito de IPI, em razão da realização de operações com produtos industrializados sem destaque na nota fiscal e classificados na NCM 2710.1992 e 2710.1999, com alíquota de 8%. Há também controvérsia sobre as glosas de crédito diante da falta de estorno na escrituração decorrente de aquisições das matérias primas, PI e ME aplicados nos produtos classificados nas posições 27.10.1931 e 2710. 1932, os quais possuem notação "NT" na TIPI. Creio correta a autuação fiscal e a decorrente não homologação dos PER/DCOMPs, em razão da constituição do débito do imposto (crédito tributário), em virtude da falta de destaque do imposto nos documentos fiscais que representam a realização de operações com produtos industrializados classificados na NCM 2710.1992 e 2710.1999, cuja alíquota na TIPI era de 8%. Quanto às glosas de crédito de MP e PI utilizados na industrialização de produtos com notação NT, de fato, há ausência de previsão legal pela manutenção dos créditos de insumos utilizados em produtos industrializados, mas com notação NT. No entanto, a discussão deveria ter sido baseada em categorias tributárias, e não o foi, nem mesmo pela Recorrente em sua impugnação. A própria DRJ em sua respeitável decisão, traz argumentos que poderiam ser a solução do caso, com um arrazoado acerca das hipóteses de utilização da notação NT na TIPI: i) para casos de não incidência pura e simples, pois diante de um produto in natura ou não industrializado; ii) para casos de não incidência em razão de uma regra de imunidade que retira a competência tributária para uma dada situação ou objeto; iii) não incidência no exercício da competência tributária, pois, embora diante de um produto industrializado, o legislador pretende não tributar por razões extrafiscais. Esta última hipótese de não incidência, a meu ver, tem natureza jurídica de isenção, sendo, portanto, possível a manutenção do crédito da não cumulatividade decorrentes das aquisições de MP, PI e ME, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Porém, não há clareza nos autos sobre qual é a natureza da notação NT para os produtos classificados nas posições 27.10.1931 e 2710. 1932, já que a Recorrente fincouse no argumento de que tais produtos são NT porque são derivados de petróleo e, portanto, Fl. 238DF CARF MF 10 imunes, enquanto que a fiscalização e a d. DRJ, diante destes argumentos, afirmam que apenas na imunidade decorrente de exportação há possibilidade de manutenção dos créditos. Ressaltese, no entanto, que esta colenda 1ª Turma Ordinária já julgou, em 2016, o auto de infração que realizou a constituição dos débitos e as glosas de crédito, no autos do processo nº 16095.720242/201374, também concordando in totum com a fiscalização e com a r. decisão de piso, mantendose as glosas e os lançamentos do débito, apenas reconhecendo, de ofício, um período de decadência do direito de lançar (decisão mantida pela CSRF). Na CSRF, em sede de Embargos no Recurso Especial, a discussão resumese à possibilidade de rediscussão da matéria não impugnada em primeira instância administrativa, relativo à metodologia do cálculo das glosas. Como o mérito do auto de infração já foi julgado e por concordar com os termos do v. acórdão proferido por esta turma no julgamento do recurso voluntário do auto de infração, peço vênia para transcrever seus fundamentos para adotálos como fundamentos desta decisão: Produtos das Posições 2710.19.92 e 2710.19.99 da TIPI Como visto a primeira controvérsia a ser debatida é quanto ao lançamento do IPI em relação aos produtos da posição fiscal 2710.19.92 e 2710.19.99. A fiscalização afirma que esses produtos estão relacionados na TIPI Tabela do IPI com aplicação de alíquota positiva de 8%. Que são produzidos e revendidos pelo contribuinte sem o lançamento do imposto nas notas fiscais de venda. No caso os produtos de revenda são importados, tendo sido pago o IPI correspondente por ocasião da importação. A recorrente entende que são produtos derivados de petróleo abrangidos pela imunidade constitucional. Alega que a decisão recorrida incorre em equívoco ao sustentar que a questão discutida seria de cunho eminentemente constitucional. Nesse sentido sustenta que o próprio RIPI/2002, em seu § 3º do art. 18, é que determinava a não incidência do IPI sobre derivados de petróleo. Portanto a discussão não é de âmbito constitucional, mas de aplicação incorreta da lei pela fiscalização. Ressaltese que não há controvérsia sobre referida classificação fiscal. Entendo que nesse caso a razão está com a fiscalização e com a decisão recorrida. É que a sistemática de tributação do IPI é efetuada com base na TIPI, nos termos do art. 2º, parágrafo único, do RIPI/2002: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 235 11 Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). A leitura do dispositivo acima transcrito não deixa margem de dúvidas. O campo de incidência do IPI foi determinado por lei que estabeleceu competência à TIPI para definir os produtos com incidência ou não do IPI e suas respectivas alíquotas. É de conhecimento primário que os produtos atingidos por imunidade constitucional estão fora do campo de incidência do imposto. Portanto, se os produtos da posição fiscal 2710.1992 e 2710.1999, estão listados na TIPI com alíquota positiva, o legislador infraconstitucional entendeu que eles não são destinatários daquela imunidade. Portanto, se da TIPI consta alíquota positiva, tal fato não é controverso, tratase de produto industrializado abrangido no campo de incidência do IPI. Entendo desnecessária toda a discussão travada a respeito se é ou não hidrocarboneto ou se é ou não um derivado de petróleo. Na verdade assim está descrita a dita imunidade na CF: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) § 3º À exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Por sua vez, coube ao Regulamento do IPI, limitar o vastíssimo termo "derivados de petróleo". Assim o fez no art. 18, § 3º do Decreto nº 4.544/2002, nos seguintes termos: Art. 18. São imunes da incidência do imposto: (...) IV a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (Constituição, art. 155, § 3º). (...) § 3º Para fins do disposto no inciso IV, entendese como derivados do petróleo os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto Fl. 240DF CARF MF 12 de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos. (...) Como já dito, essas normas estão tratando de produtos industrializados que estão fora do campo de incidência do IPI. Tratase de uma imunidade objetiva que alcança o produto independente de sua destinação ou de quem o fabrica. O instrumento legal utilizado pela legislação do IPI, para identificar os produtos que estão fora de seu campo de incidência é a TIPI, conforme determinação do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2002, acima transcrito. Nesse sentido assim consta da TIPI, para o período abrangido pelo lançamento, aprovada pelo Decreto nº 6006/2006: NCM Descrição Alíquota (%) 2710.19.92 Líquidos para Transmissões Hidráulicas 8 2710.19.99 Outros 8 Ressaltese que em várias posições consta a expressão NT (Não Tributado) que são utilizados para designar os produtos que estão fora do campo de incidência do IPI, ou por imunidades constitucionais ou até mesmo por determinação legal como bem apontou a decisão recorrida. Aliás, peço licença para transcrever trecho da citada decisão que ilustra bem a questão dos produtos NT da TIPI: (...) Em análise da legislação aplicável à espécie, notadamente da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 7.660/2011, e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias – NESH, aprovada pela IN RFB nº 807/2008, verificase, de pronto, que há três “espécies” de bens que se encontram fora do campo de incidência do IPI, que podem ser descritos como seguem: a) Produtos naturais ou em bruto que, em razão de sua própria natureza, encontramse fora do campo de incidência do imposto, já que não sofreram qualquer processo de industrialização, tais como os animais vivos classificados no Capítulo 1 da TIPI. Tais produtos possuem notação NT. b) Produtos abrangidos pela imunidade. Aqui, encontramse produtos alcançados por: b.1) imunidade objetiva, tais quais os livros, classificados na posição 49.01 da TIPI e com notação NT; e b.2) imunidade condicionada, relacionada a duas hipóteses: produtos industrializados destinados à exportação e papel para impressão de livro, jornais e periódicos, os quais não possuem notação NT na TIPI. c) Produtos retirados do conceito de industrialização sob determinadas condições, os quais não possuem a notação NT na TIPI (v.g., não se considera industrialização o preparo de refrigerantes, à base de extrato concentrado, por meio de máquinas, automáticas ou não, em restaurantes, bares e estabelecimentos similares, para venda direta a consumidor, nos termos do art. 5º, § 2º, do Decreto Lei nº 1.686/1979). Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 236 13 d) Produtos que poderiam ser tributados pelo imposto, mas aos quais o legislador ordinário, por razões de ordem extrafiscal, optou por não tributar, tal qual a farinha de trigo da posição 1101.11.10. Tais produtos também possuem a notação NT na TIPI. Acerca do tema, Raymundo Clovis do Valle Cabral Mascarenhas, em sua obra “Tudo sobre IPI”, vol. 1, 3ª edição, págs. 18 e 19, também conclui: “A Tabela de incidência do IPI – TIPI relaciona todas as coisas existentes, objeto de comercialização, quer sejam produtos naturais ou industrializados. Os produtos naturais evidentemente estão seguidos da notação NT (que significa não tributado), por força da norma constitucional básica que estabelece a incidência do imposto somente sobre os produtos industrializados. Os produtos industrializados, assim considerados também os produtos naturais que tenham sofrido um processo mínimo de elaboração ou beneficiamento, poderão constar da TIPI seguidos da alíquota de incidência, ainda que zero, ou da notação NT. Podemos dividir os produtos relacionados na TIPI com a notação NT em três categorias: a) Produtos naturais (animais, vegetais e minerais) em estado bruto, sem que tenham passado por qualquer processo de elaboração, para os quais a União não tem competência para instituir (e cobrar) o IPI. Neste caso, não há que se falar em imunidade, mas em falta de autorização constitucional para que seja cobrado o imposto sobre tais produtos. (...) b) Produtos industrializados que, por determinação da Constituição, não possam ser alcançados pela incidência do imposto. São os produtos imunes ao IPI (...). c) Produtos industrializados que o legislador ordinário não quis tributar. (...).” Deriva das constatações acima que nem todos os bens com notação NT na TIPI são “produtos naturais ou em bruto” ou “produtos imunes”. Logo, não é da simples notação utilizada pelo legislador ordinário que se poderá concluir, a priori, qual a natureza do bem ou produto, posto que, reafirmese, a referida notação não se encontra reservada exclusivamente a “produtos da natureza” ou “produtos imunes”. (...) Essa sistemática faz todo sentido na aplicação da legislação atinente ao IPI e também ao II. A imensa vastidão de produtos industrializados justifica a adoção da classificação dos produtos na NCM e a correspondente adoção da TIPI para determinar a incidência ou não de referidos tributos. No Fl. 242DF CARF MF 14 caso a fiscalização está vinculada sim à aplicação das alíquotas previstas na TIPI. Entender que essas alíquotas não obedecem o preceito constitucional da imunidade tributária aos derivados de petróleo, significa negar validade à TIPI que foi aprovada por Decreto do Poder Executivo. Ou seja, significa sim afastar a aplicação da Lei por eventual inconstitucionalidade. Se a tese do recorrente estiver correta, não acho que seja o caso, teríamos que declarar a inconstitucionalidade do decreto que aprovou a TIPI, situação não permitida aos julgadores do processo administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 2 e art. 26 A do Decreto nº 70.235/72. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” Portanto nego provimento ao recurso voluntário nessa matéria. Crédito de Insumos Utilizados em Produtos NãoTributados A outra matéria controversa é quanto ao aproveitamento de crédito de IPI em relação à aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem quando destinados à industrialização de produtos não tributados ou imunes. Nessa questão o recurso voluntário repetiu exatamente os mesmos argumentos de sua impugnação. Não combateu, portanto, especificamente as razões de decidir utilizada na decisão recorrida. Por essa razão e por concordar com aquela decisão, utilizoa como fundamento para negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. Assim transcrevo abaixo a parte do voto daquela decisão: (...) Sustenta o impugnante o direito à apropriação de créditos relativos à aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem quando destinados à industrialização de produtos não tributados ou imunes. É patente, contudo, a ausência de autorização normativa para o aproveitamento de créditos decorrentes da nãocumulatividade do IPI quando se trate da industrialização de produtos NT, aí incluídos os imunes. Nesse sentido, até o ano de 1998, a regra geral era no sentido da anulação do crédito relativo a insumos tributados utilizados na industrialização de produtos desonerados do imposto. Por tal razão, encontravase gravado no art. 174 do então vigente RIPI/1998: “Art. 174. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decretolei n.º 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, e Lei n.º 7.798, de 1989, art. 12): I relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos isentos, não Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 237 15 tributados ou que tenham suas alíquotas reduzidas a zero, respeitadas as ressalvas admitidas;” Como exceção à regra, o vigente DecretoLei n° 491/1969, em seu art. 5° (restabelecido pelo art. 1º, II, da Lei nº 8.402/1992), prescrevia e prescreve: “Art. 5º É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados (restabelecido pelo art. 1° da Lei Ordinária n°8.402/1992). Conforme já explicitado, o referido dispositivo constitui exceção legal ao regramento da operacionalização do principio da nãocumulatividade. Por sua vez, o art. 11 da Lei n.º 9.779, de 11/01/1999, trouxe inovação na legislação do IPI, nos seguintes termos: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda.” A partir da vigência de tal disposição normativa (a qual ampliou as hipóteses de utilização e aproveitamento dos créditos e saldos credores do imposto), tornou se possível a utilização dos créditos decorrentes da aquisição de produtos isentos e alíquota zero (produtos os quais, frisese, encontramse inclusos no campo de incidência do IPI). Foi mantida, porque não revogada, a exceção relativa a produtos exportados, os quais, não obstante haverem sido excluídos do campo de incidência do imposto pelo art. 153, § 3º, III, da Constituição Federal de 1988, obtiveram o favor fiscal de manutenção e utilização dos créditos correspondentes. Por decorrência, a IN SRF nº 33/1999 assim dispôs: “Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei n.º 9.779, de 1999, darseá de conformidade com esta Instrução Normativa. (...) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à Fl. 244DF CARF MF 16 alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999.” Por sua vez, o Decreto nº 4.544/2002 – RIPI/2002 passou a dispor, em perfeita correspondência para com as disposições legais vigentes: “Art. 176. É admitido o crédito do imposto relativo às MP, PI e ME adquiridos para emprego na industrialização de produtos destinados à exportação para o exterior, saídos com imunidade (Decretolei n.º 491, de 1969, art. 5.º, e Lei n.º 8.402, de 1992, art. 1.º, inciso II). (...) Art. 190. (...) § 1.º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal. (...) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 25, § 3.º, Decretolei n.º 34, de 1966, art. 2.º, alteração 8.ª, Lei n.º 7.798, de 1989, art. 12, e Lei n.º 9.779, de 1999, art. 11): I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; (...) § 2.º O disposto na alínea a do inciso I aplicase, inclusive, a produtos destinados ao exterior. (...) Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de Fl. 245DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 238 17 aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11).” Desta feita, resulta suficientemente óbvio que a disposições normativas constantes da IN SRF nº 33/1999 e do RIPI/2002, no sentido de que, a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos e tributados à alíquota zero, continuaram excluindo os produtos nãotributados, cujos créditos correspondentes devem ser estornados, posto que tais disposições, como assinala o próprio impugnante, não poderiam ou podem inovar o conteúdo das leis que lhes servem de suporte, as quais não autorizam o crédito relativo a MP, PI e ME empregados na industrialização de produtos nãotributados. Ou seja, os produtos imunes a que se referem a IN SRF nº 33/1999 e o RIPI/2002, limitase àqueles imunes porque destinados à exportação (inciso III do §3° do art. 153 da CF/1988). Tratase, pois, da imunidade condicionada à exportação, que encontra exceção legal à regra geral de anulação do crédito relativo a insumos tributados utilizados na industrialização de produtos desonerados do imposto, nos termos do art. 5° do DecretoLei nº 491/1969. Logo, não houve a extensão do beneficio, sem base legal, para os produtos alcançados por imunidade objetiva, como é o caso da energia elétrica, derivados de petróleo, minerais etc., excluídos do campo de incidência do IPI e, portanto, não tributados, nos termos da limitação constitucional. Não se está diante, assim, de interpretação extensiva da lei, inclusive em razão da constatação de que careceria de validade a disposição infralegal que extrapolasse o conteúdo da lei respectiva, conforme já referido. Finalmente, em 18/04/2006, foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo n.º 5, de 17/04/2006, como segue: “Art. 1.º Os produtos a que se refere o art. 4.º da Instrução Normativa SRF n.º 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2.º O disposto no art. 11 da Lei n.º 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5.º do Decretolei n.º 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4.º da Instrução Normativa SRF n.º 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Fl. 246DF CARF MF 18 Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n.º 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5.º do Decreto n.º 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior.” Em face das constatações anteriormente consignadas, resulta evidente que o Ato Declaratório Interpretativo nº 5, de 17/04/2006, ao referir que o disposto nas respectivas leis de incidência não se aplica aos produtos com a notação NT, amparados por imunidade e excluídos do conceito de industrialização, nada mais fez que elucidar que inexiste disposição legal que assegure o direito à manutenção do crédito de IPI quando o produto industrializado é imune (objetivamente) e, portanto, não tributado (uma vez que se encontra fora do campo de incidência do imposto). Em outros dizeres, o referido Ato Declaratório não inovou a ordem jurídica nem representou mudança de critério jurídico, haja vista que apenas explicitou o já contido na legislação tributária. No mais, reafirmese que as alegações acerca da (inexistente) inconstitucionalidade ou ilegalidade dos preceitos normativos em tela não podem ser opostas ao julgador administrativo. (...) Além disso referido tema já se encontra pacificado no Poder Judiciário. O Supremo Tribunal Federal através de seu Plenário, já teve a oportunidade de se pronunciar sobre a temática dos insumos tributados seguidos de saída desonerada, como constante no resultado do julgamento do Recurso Extraordinário 475.551/PR (DJe de 13/11/2009), assim ementado: “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. INSUMOS OU MATÉRIAS PRIMAS TRIBUTADOS. SAÍDA ISENTA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. ART. 153, §3°, INC. II, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART. 11 DA LEI N. 9779/99. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO: INEXISTÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO. 1. Direito ao creditamento do montante de Imposto sobre Produtos Industrializados pago na aquisição de insumos ou matérias primas tributados e utilizados na industrialização de produtos cuja saída do estabelecimento industrial é isenta ou sujeita à alíquota zero. 2. A compensação prevista na Constituição da República, para fins da não cumulatividade, depende do cotejo de valores apurados entre o que foi cobrado na entrada e o que foi devido na saída: Fl. 247DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 239 19 o crédito do adquirente se dará em função do montante cobrado do vendedor do insumo e o débito do adquirente existirá quando o produto industrializado é vendido a terceiro, dentro da cadeia produtiva. 3. Embora a isenção e a alíquota zero tenham naturezas jurídicas diferentes, a conseqüência é a mesma, em razão da desoneração do tributo. 4. O regime constitucional do Imposto sobre Produtos Industrializados determina a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, esta a substância jurídica do princípio da não cumulatividade, não aperfeiçoada quando não houver produto onerado na saída, pois o ciclo não se completa. 5.Com o advento do art. 11 da Lei n. 9779/99 é que o regime jurídico do Imposto sobre Produtos Industrializados se completou, apenas a partir do início de sua vigência se tendo o direito ao crédito tributário decorrente da aquisição de insumos ou matérias primas tributadas e utilizadas na industrialização de produtos isentos ou submetidos à alíquota zero. Recurso extraordinário provido” (g.n.) Em consonância com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça – STJ já havia decidido, nos autos do RESP nº 1.015.855/SP (DJe de 30/04/2008), que os casos de produtos com notação NT e imunes estão fora do alcance do previsto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Confirase: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3o, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. Fl. 248DF CARF MF 20 (...) 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de não tributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5o, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos não tributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. (g.n.) A decisão recorrida, portanto, além de afinada com esse entendimento, está sintonizada com a jurisprudência iterativa desta Corte Administrativa. Exemplificativamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRILIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO III, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Não gera crédito de IPI a aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. A previsão para manutenção dos créditos previsto no art. 11, da Lei nº 9.779/99, alcança exclusivamente aqueles insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorrer da exportação. (Acórdão nº 3201002.096 de 15/03/2016. Processo 11050.001316/200210). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IPI. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 240 21 Não podem ser escriturados créditos relativos a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, inclusive quando se trate de produtos alcançados por imunidade objetiva.Aplicação da Súmula CARF n. 20. (Acórdão nº 3201001.866 de 28/01/2015. Processo nº 16682.720026/201228). Não bastasse isso essa matéria também é objeto da Súmula CARF nº 20, a qual vincula os julgadores desse colegiado. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Portanto nego provimento ao recurso voluntário também nessa matéria. Matérias Preclusas As duas matérias acima enfrentadas foram as únicas objeto da impugnação. Conforme relatado, o contribuinte em seu recurso voluntário apresentou matéria não impugnada a partir do item III.3 "DO ERRO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS GLOSADOS". Nesse tópico o recorrente afirma que houve erros na metodologia de apuração da base de cálculo do IPI, sendo que, em nome do princípio da verdade material, não há que se falar em preclusão, citando jurisprudência do CARF e pedindo o conhecimento e acatamento do seu recurso voluntário. Pugna pela realização de diligência para confirmação dos erros apontados. Posteriormente, em 08/07/2015, cerca de um ano após a apresentação do recurso voluntário, o contribuinte apresentou o requerimento de efls. 617/627, por meio do qual inova praticamente todos os argumentos de defesa apresentando laudo técnico no qual apontaria uma série de erros na apuração do auto de infração, inclusive decadência parcial do lançamento. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas teses deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, o Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 250DF CARF MF 22 (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se a matéria for expressamente contestada e seus argumentos submetidos à primeira instância, determinando os limites do litígio. Todas essas novas questões não tendo sido apontadas na impugnação, impedem o seu conhecimento por essa turma julgadora. Concluise que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros – São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) Tenho entendimento que determinados elementos possam ser sim apreciados, quando apresentados a destempo, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, os quais indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, sobretudo em relação a documentos que permitem o rápido convencimento do julgador. O afastamento da preclusão em privilégio da verdade material pode se dar apenas diante de prova que se mostre inconteste para o julgador. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 241 23 Não entendo que esse seja o caso dos autos. A matéria inovada no contexto do recurso voluntário, além de não apresentar qualquer demonstrativo está totalmente desacompanhada de elementos de prova, tanto é que o recorrente solicita a realização de diligências para sua comprovação. Quanto ao laudo técnico apresentado pelo contribuinte, cerca de um ano após a apresentação do recurso voluntário, embora elaborado com refinamento técnico não pode ser objeto de conhecimento por essa turma dada a sua clara intempestividade. Notório verificar que para confirmação dos elementos apresentados no laudo técnico, seria necessária a realização de diligência o que por si só afasta o caráter de prova incontestável. Nesse sentido, para contrapor a vasta jurisprudência apresentada pelo contribuinte que em tese, lhe seria favorável, transcrevo abaixo decisão da CSRF a respeito do acolhimento de provas após a impugnação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PRECLUSÃO APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL RATEIO DE CUSTOS. Em que pese o princípio do formalismo moderado que informa o processo administrativo fiscal, não é razoável, depois da impugnação, a reabertura de oportunidade ao sujeito passivo para trazer a prova quando, sem qualquer justificativa aceitável, ele deixou de fazêlo em duas oportunidades anteriores (no curso da fiscalização e com a impugnação). Contudo, se aspectos específicos da prova a ser produzida demonstram que ela não se realizaria mediante a apresentação de planilhas e demonstrativos, e se os documentos trazidos posteriormente são suficientes a formação da convicção do julgador, não demandando diligências, o sopesamento dos princípios da verdade material, do formalismo moderado e do princípio finalístico do processo justificam o acolhimento das provas.(Acórdão nº 9101002.114, de 24/02/2015, da 1ª Turma da CSRF Processo nº 19740.000090/200605). Veja que embora tenha havido o acolhimento das provas, exaltouse o seu caráter de excepcionalidade. No presente caso a situação é ainda mais extrema, pois não estamos falando unicamente de provas, mas de novas matérias de defesa que sequer foram aduzidas na impugnação e a maior parte delas nem no recurso voluntário, somente em laudo técnico, o qual foi apresentado cerca de um ano após a apresentação do recurso voluntário. Assim, entendo que não estamos diante de um caso de excepcionalidade em que a norma processual deva ser abrandada em nome dos Fl. 252DF CARF MF 24 princípios da verdade material e do formalismo moderado que instruem o processo administrativo fiscal. O contribuinte nem sequer demonstrou qualquer impossibilidade ou justificativa plausível para que não tivesse submetido todas essas matérias em sua impugnação. Decadência Reconhecimento de Ofício Muito embora o contribuinte não tenha suscitado a decadência nem em sua impugnação e nem no recurso voluntário, entendo ser ela uma questão de ordem cogente, de análise obrigatória pelas autoridades lançadoras e julgadoras, e, em razão disto, analiso de ofício a questão decadencial no presente lançamento. Neste sentido transcrevo abaixo o art. 150 do CTN. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifei) De acordo com este dispositivo do CTN, se houver antecipação do pagamento, e não ocorrendo as situações de dolo, fraude ou simulação, o prazo para a fazenda pública efetuar o lançamento decai em cinco anos contados do fato gerador. O presente auto de infração foi cientificado ao contribuinte em 20/12/2013, fl. 245, e abrangeu fatos geradores desde janeiro/2008. Assim, na regra do § 4º do art. 150 do CTN, acima transcrito, com a antecipação do pagamento, só poderiam ser objetos de lançamento os fatos geradores ocorridos de dezembro/2008 em diante. No presente processo não constam provas de que tenha havido recolhimentos do IPI no período de 2008, porém na planilha de reconstituição da escrita fiscal do IPI, fl. 267, consta a informação da existência de créditos escriturais do IPI, os quais são considerados pagamentos para fins da legislação do IPI. Confira o disposto no art. 124 do RIPI/2002: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, Fl. 253DF CARF MF Processo nº 16682.902797/201151 Acórdão n.º 3301005.849 S3C3T1 Fl. 242 25 art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, como houve antecipação de pagamentos, representados pela existência de créditos escriturais reconhecidos pela fiscalização, e não há acusação de dolo, fraude ou simulação, há que se reconhecer que para o presente caso, o prazo decadencial deve ser contado em cinco anos da ocorrência do fato gerador. Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 20/12/2013, a fazenda pública somente poderia lançar no presente caso os fatos geradores ocorridos até 21/12/2008. Portanto há que se reconhecer o transcurso do prazo decadencial relativo aos fatos geradores de 01/2008 a 11/2008. Não foram atingidos pela decadência os períodos lançados a partir de 12/2008, pois para este mês o fato gerador mensal deuse em 31/12/2008. Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário para lhe dar parcial provimento, reconhecendose decadência para os fatos geradores ocorridos entre 01/2008 até 11/2008. Salvador Cândido Brandão Junior Relator Fl. 254DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.001061/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, por maioria, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque e Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
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IND. PERES ARTACHO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado em converter o julgamento em diligência, por maioria, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque e Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Trata o presente processo de autuação fiscal de IRPJ e reflexos de CSLL, PIS e COFINS (fls. 04 a 83) por omissão de receitas bem como de lançamento de IRRF por pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa (fls. 3975 a 4050). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .0 01 06 1/ 20 10 -3 5 Fl. 8294DF CARF MF Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.659 S1C2T1 Fl. 3 2 O lançamento em valores globais importou em R$ 9.618.037,82, referente a fatos geradores dos anos de 2005 a 2007, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 30/04/2010. A omissão de receitas restou demonstrada por meio de 2 (duas) infrações: Saldo Credor de Caixa e Depósitos Bancários com Origem não Comprovada, tendo sido mantida, ao final, a opção da Recorrente pelo Lucro Presumido. A Recorrente apresentou no curso do procedimento fiscal seus extratos bancários mediante regular intimação da autoridade autuante, bem como seus registros contábeis. Do confronto dos extratos bancários com os registros contábeis da movimentação financeira, a autoridade autuante detectou depósitos bancários não escriturados, os quais foram relacionados e entregues à Recorrente a fim de que esta, sob intimação, comprovasse as suas origens. Informa o relatório fiscal, no corpo do Auto de Infração, que alguns valores, relativos a aportes de sócios, foram justificados pela Recorrente. Quanto aos demais, foi aplicada a presunção de Omissão de Receitas, prevista no art. 42 da Lei 9.430/96. Além de examinar os créditos nas contas bancárias, o rastreamento procedido pela autoridade autuante estendeuse para as saídas de recursos, com especial atenção aos cheques compensados. Observou a autoridade autuante a existência de cheques compensados, conforme informação dos extratos bancários, porém registrados na contabilidade a débito da conta Caixa. Diante desta distorção, procedeu a autoridade autuante a recomposição do caixa conforme fls. 3537 a 3885, tendo sido apurados saldos credores, os quais, após confirmação de não se tratarem de erro de escrituração, foram transpostos para a base de cálculo do imposto e da contribuição devida no Auto de Infração. Adicionadas as omissões de receita às bases de cálculo do IRPJ e contribuições, os novos valores devidos foram comparados com os débitos confessados em DCTF, de modo a se apurar também eventuais insuficiências de recolhimento com base nas próprias receitas declaradas. Os pagamentos efetuados por meio de cheques compensados foram objeto de intimação a fim de que a Recorrente explicasse se foram de fato efetuados para custear despesas regulares da empresa. A resposta da Recorrente foi positiva. Contudo, não teve êxito a Recorrente, como informa a descrição dos fatos no Auto de Infração, em apresentar os documentos de despesas e custos que se relacionassem com os pagamentos efetuados por meio dos cheques compensados. Não conseguindo a Recorrente, assim, identificar os beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cheques compensados, foi dado a cada um destes o enquadramento do art. 61 da Lei 8981/95, referente à tributação de IRRF na modalidade pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Fl. 8295DF CARF MF Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.659 S1C2T1 Fl. 4 3 Em primeira instância, a Impugnação foi julgada improcedente em decisão assim ementada: Assumo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 AÇÃO FISCAL. OBSCURIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A ação fiscal foi detalhada na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(s) do Auto de Infração do IRPJ, desde o seu início, intimações ao contribuinte, informações prestadas, operacionalização dos cálculos dos demonstrativos, bases para os números finais, não se podendo falar em obscuridade e cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. Os Autos de Infração objetos do presente processo estão de acordo com o art. 10 do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal PAF) e em nada afrontam o art. 59 do PAF, que trata dos casos de nulidade. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO DE SALDO 'PELA EXCLUSAO DE CHEQUES COMPENSADOS LANÇADOS A DEBITO DESTA CONTA. Os cheques emitidos pela empresa em favor de terceiros, compensados por instituição bancária, lançados a débito da conta “Caixa” como recurso, deverão ter seu correspondente registro a crédito nesta conta, pela saída de caixa para o pagamento do gasto, para que se opere a neutralidade da sistemática contábil adotada. Não comprovando a empresa o registro da saída é legítima a recomposição do saldo da conta “Caixa”, com a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos. A consequente apuração de saldo credor evidencia a prática de omissão de receitas. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e Cofins e IRF. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente reitera em síntese as mesmas alegações feitas na Impugnação, quais sejam: Em preliminar, que o lançamento é nulo por cerceamento de direito de defesa, nos termos do art. 59 do PAF, por não ser possível compreender o teor da autuação dada a sua obscuridade; Fl. 8296DF CARF MF Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.659 S1C2T1 Fl. 5 4 Que não foram juntados os documentos auxiliares a partir dos quais foram deduzidos os valores constantes no Auto de Infração na coluna "imposto ou valor tributável"; Roga à instância julgadora que esta explique como a autoridade autuante encontrou os valores de fls. 85 a 277; pergunta se tais valores correspondem a imposto ou valor tributável; quais os documentos que corresponderiam a estes valores; quais folhas do processo correspondem cada lançamento; A falta de esclarecimento para os questionamentos acima demonstraria que a descrição dos fatos foi genérica e, portanto, nulo o lançamento; · Que a tributação de IRRF pagamento sem causa se deu com base em presunção do pagamento, e não pelo pagamento em si; · Que haveria erros na recomposição do livro caixa; · Que, conforme a jurisprudência, não procede o lançamento baseado exclusivamente em extratos bancários; · Que a autoridade autuante não excluiu dos depósitos com origem não comprovada as receitas tidas por omitidas, assim como não excluiu as receitas declaradas; · Que deixou a autoridade autuante de considerar em seus cálculos, em prejuízo da Recorrente, valores a serem abatidos a título de suprimento de recursos por aumento de capital; injeção financeira efetuada por sócios; adiantamento de fornecedores; transferência de numerário entre contas bancárias de mesma titularidade; recebimento de empréstimos obtidos junto a bancos, etc.; · Que o valor global da autuação contraria a capacidade contributiva; Conversão do feito em diligência O julgamento foi convertido em diligência conforme Resolução de fls. 8262 que, em síntese, determinou: a) Esclareça a metodologia utilizada para os cálculos apontados pela Recorrente, conforme acima indicado, cotejandoos com os supostos equívocos mencionados; b) Caso necessário, ratifique ou retifique todos os valores que serviram de base para a autuação, elaborando demonstrativos com os respectivos montantes; c) Informe se os documentos trazidos pela Recorrente na peça recursal possuem o condão de alterar os lançamentos efetuados. Em caso afirmativo, a autoridade deve intimar a empresa para comprovar a origem, pertinência e veracidade dos documentos, confrontandoos com os registros contábeis devidamente escriturados; d) Elabore parecer conclusivo sobre os procedimentos efetuados e os montantes apurados, intimando o Contribuinte para, no prazo legal, manifestarse acerca do resultado dos trabalhos. A autoridade diligenciante juntou seu relatório às fls. 8276 a 8278, respondendo que: Fl. 8297DF CARF MF Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.659 S1C2T1 Fl. 6 5 Item a): As planilhas juntadas às fls. 1497 a 1.603 é resultado da extração dos lançamentos contábeis de entrada, relativos aos cheques compensados, registrados na conta contábil “CAIXA”; O contribuinte alega que no demonstrativo de pagamentos sem causa e sem identificação, juntados às fls 1497 a 1603 (processo em papel), (processo digital fls. 1912 a 2018), observase um emaranhado de cálculos desconexos, apontando alguns supostos erros de cálculos, no demonstrativo retrocitado, que teriam sido cometidos na composição do Caixa. Informou a título de exemplo, alguns saldos registrados às fls. 1529 e 1530. Um rápido manuseio dos autos, constatase que os referidos documentos não se referem à recomposição do Livro Caixa o qual se encontra acostados às fls. 2740 a 3084 do processo papel e fls 3537 a 3885 do processo digital. As planilhas acostadas às fls 1497 a 1603 (processo em papel) referemse aos lançamentos de entrada, relativos aos cheques compensados, registrados na conta contábil “CAIXA”, cujas planilhas foram encaminhadas ao contribuinte, acompanhadas de Termo de Intimação lavrado em 09/02/2010, fls.1495 a 1496 (processo papel). Alguns saldos não convergem porque foram extraídos do Livro Razão/conta “CAIXA”, apenas os lançamentos relativos aos registros de entrada de cheques compensados. Item b): Ratifico todos os valores que serviram de base para a autuação; Item c): Os documentos trazidos pela recorrente à peça recursal poderão alterar os lançamentos efetuados desde que tenha vinculação direta com as operações que deram origem aos referidos lançamentos. No entanto, o contribuinte não comprovou que tais documentos acobertam as operações acima referidas. Quanto aos Livros Razão, Livro Diário e Plano de Contas, os dados relativos a estes livros, juntados aos autos, foram extraídos dos arquivos digitais apresentados pelo Contribuinte durante o procedimento fiscal. Cabe ressaltar que os valores relativos às transferências bancárias, empréstimos/financiamentos, foram excluídos dos créditos efetivados na conta bancária para apuração do montante dos créditos bancários sem origem comprovada, bem como, o montante das receitas declaradas pelo contribuinte. Os recolhimentos efetuados também foram considerados para apuração dos tributos devidos e o lançamento de ofício. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência, não tendo mais, contudo, se manifestado. É o relatório Voto Fl. 8298DF CARF MF Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.659 S1C2T1 Fl. 7 6 Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Relator. A ação fiscal detectou que a maior parte das receitas da Recorrente não eram oferecidas à tributação de IRPJ e CSLL, como se observa pelos valores apurados nas infrações Saldo Credor de Caixa e Depósitos Bancários com Origem não comprovada. A atuação da autoridade autuante foi impecável na apuração das infrações mencionadas, tendo ainda rastreado a saída dos recursos e tributado IRRF por pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa. Aplicou ainda corretamente as presunções de omissão de receitas por Saldo Credor de Caixa e Depósitos Bancários com origem não comprovada conjuntamente, visto que uma eventual dedução do valor apurado numa infração contra outra dependeria de prova das origens que só o próprio contribuinte poderia fazer, e não fez. A presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovada, nos termos do previsto no art. 42 da Lei 9.430/96, pode ser aplicada, ao contrário do alegado pela recorrente, sem a necessidade de se arrolar outros indícios de omissão de receita, bastando que o contribuinte não consiga explicar a origem dos recursos ingressados em suas contas bancárias porém não contabilizados. A jurisprudência apontada pela recorrente não se aplica ao caso, dado referirse a período anterior à vigência do dispositivo legal aplicado, o qual vem sendo considerado constitucional pelo Poder Judiciário. Não obstante o brilhantismo do trabalho fiscal, há algumas considerações que reputo merecerem ser feitas. O inconformismo da Recorrente manifestado nas duas instâncias questiona os valores da autuação que, em seu entender, seriam incompatíveis com a atividade econômica efetivamente por ela desenvolvida. Neste caso, convém esclarecer do que se trata efetivamente a autuação. Ocorre que 70% da autuação fiscal é formada por IRRF na modalidade pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Ou seja, não se trata de omissão de receitas próprias, mas de responsabilização da Recorrente pelo Imposto de Renda em tese devido por todas as pessoas físicas e jurídicas beneficiárias dos pagamentos efetuados com os tais cheques compensados, segundo ainda a aplicação da alíquota especial máxima de 35% apurada "por dentro" isto é, com reajustamento da base de cálculo, além de multa de ofício e juros. Logo, cumpre então ressaltar que a maior parte da autuação fiscal não tem relação com as infrações apuradas na atividade econômica própria da Recorrente, mas com a mera não identificação dos beneficiários, bem como da causa, dos pagamentos efetuados por meio dos registros contábeis relativos aos cheques compensados. Tratase de um dispositivo da legislação do Imposto de Renda especialmente criado para substituir tributariamente os beneficiários pela fonte pagadora quando as suas operações não forem transparentes ou forem despropositadas, isto é, não forem comprovadas. Fl. 8299DF CARF MF Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.659 S1C2T1 Fl. 8 7 Assim, a autuação de IRRF no valor de R$ 6.749.656,96 não se alteraria qualquer que fosse a sua opção pelo regime de tributação, pelo Lucro Presumido ou mesmo pelo SIMPLES, posto não se relacionar com o lucro da fonte pagadora. A caracterização dos pagamentos sem causa e sem beneficiário identificado aparece com a detecção de registros na conta Caixa como se fossem entrada de recursos originário de bancos. Detectou a fiscalização, contudo, que tais registros não correspondiam a entrada de recursos em caixa oriundo de bancos, mas, ao contrário, a saídas das contas mediante cheques compensados. Assim, a Recorrente foi intimada a responder se tais registros, de fato pagamentos e não embolsos, se referiam a despesas da empresa, como se observa no relatório fiscal: O contribuinte informou, em 26/02/2010, que os cheques compensados contabilizados como entrada na conta patrimonial "CAIXA", foram realmente utilizados para pagamentos de duplicatas, notas fiscais e demais despesas de empresa (...). (...) Com relação à contabilização dos cheques compensados como entrada de recursos na "CAIXA" do Ativo Circulante Disponível, o contribuinte não comprovou a utilização destes como origem de recursos para pagamentos de custos, despesas, encargos da empresa, ou seja, não identificou a causa, como também, o beneficiário de cada cheque compensado. Resultando em saldo credor de caixa e configurando OMISSÃO DE RECEITA e PAGAMENTO SEM CAUSA E SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. A Recorrente foi ainda intimada a apresentar os documentos comprobatórios, no caso de tais pagamentos se referirem a despesas da empresa, como nota fiscal, fatura, duplicata, etc. (efls. 2111). Para justificar estes pagamentos feitos, lançados na conta Caixa como cheques pagos em dinheiro, porém registrados nos extratos como cheques compensados, informa o relatório fiscal que o contribuinte apresentou comprovantes bancários que não eram compatíveis com a informação constante dos extratos. Além disso, dizem respeito em alguns casos a bancos diferentes. Assim, a Recorrente foi novamente intimada às efls. 3392, desta vez a apresentar demonstrativo contendo número de cheque, valor, data de compensação, banco, agência correspondente a cada pagamento efetuado, bem como, cópia dos respectivos cheques, conforme modelo anexo à intimação. Contudo, a Recorrente respondeu à intimação de forma evasiva, como se observa a seguir (fls. 3402): A empresa, desde a sua existência, optou pelo pagamento dos impostos dentro do regime de "Lucro Presumido" e nunca possuiu uma escrita contábil regular, pois todos os impostos federais sempre foram calculados e pagos de acordo com receitas auferidas pela emissão de suas notas fiscais de vendas. Fl. 8300DF CARF MF Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.659 S1C2T1 Fl. 9 8 Assim sendo e diante das exigências enunciadas na sua intimação, tornase impossível elaborar um demonstrativo dentro dos padrões por V.Sas. estabelecido, tendo em vista ser impraticável a juntada dos documentos pertinentes. Tivesse a Recorrente atendido corretamente as intimações da Fiscalização, considerável parte da autuação de IRRF poderia ter sido evitada. Acerca da origem dos valores utilizados na base de cálculo do Auto de Infração de IRRF, tendo em vista o suscitado pela Recorrente, tais questionamentos foram elucidados pela autoridade diligenciante em seu relatório, cujo trecho reproduzo a seguir: O contribuinte alega que no demonstrativo de pagamentos sem causa e sem identificação, juntados às fls 1497 a 1603 (processo em papel), (processo digital fls. 1912 a 2018), observase um emaranhado de cálculos desconexos, apontando alguns supostos erros de cálculos, no demonstrativo retrocitado, que teriam sido cometidos na composição do Caixa. Informou a título de exemplo, alguns saldos registrados às fls. 1529 e 1530. Um rápido manuseio dos autos, constatase que os referidos documentos não se referem à recomposição do Livro Caixa o qual se encontra acostados às fls. 2740 a 3084 do processo papel e fls 3537 a 3885 do processo digital. As planilhas acostadas às fls 1497 a 1603 (processo em papel) referemse aos lançamentos de entrada, relativos aos cheques compensados, registrados na conta contábil “CAIXA”, cujas planilhas foram encaminhadas ao contribuinte, acompanhadas de Termo de Intimação lavrado em 09/02/2010, fls.1495 a 1496 (processo papel). Alguns saldos não convergem porque foram extraídos do Livro Razão/conta “CAIXA”, apenas os lançamentos relativos aos registros de entrada de cheques compensados. Prestadas estas necessárias explicações, adentro o mérito da autuação de IRRF. Pesou contra a Recorrente, a meu ver também, que tais pagamentos foram feitos com recursos os quais, como se depreende pela leitura do relatório fiscal, transitavam de fato à margem da tributação, pois eram registrados na contabilidade como se fossem ingressos de recursos em espécie, quando, de fato, encobriram saldos credores de caixa. Não obstante isto, observo que uma parte considerável destes pagamentos pode possuir causa e beneficiários identificáveis, conforme documentos juntados aos autos às fls. 4227 a 8258. Estes documentos apresentados pela Recorrente, se correlacionados, ao menos parcialmente, a pagamentos que deram causa à autuação de IRRF, podem comprovar a causa e o beneficiário em certos casos, reduzindo, assim, o montante da autuação fiscal. Este, inclusive, foi o ponto de vista esposado nos fundamentos da Resolução de fls. 8262 a 8266, e confirmado pela própria autoridade diligenciante, conforme exposto em seu relatório de fls. 8277. Na Resolução: c) Informe se os documentos trazidos pela Recorrente na peça recursal possuem o condão de alterar os lançamentos efetuados. Em caso afirmativo, a autoridade deve intimar a empresa para comprovar a Fl. 8301DF CARF MF Processo nº 10670.001061/201035 Resolução nº 1201000.659 S1C2T1 Fl. 10 9 origem, pertinência e veracidade dos documentos, confrontandoos com os registros contábeis devidamente escriturados. No Relatório Fiscal de Diligência: Os documentos trazidos pela recorrente à peça recursal poderão alterar os lançamentos efetuados desde que tenha vinculação direta com as operações que deram origem aos referidos lançamentos. No entanto, o contribuinte não comprovou que tais documentos acobertam as operações acima referidas. Para esta comprovação, entendo que bastaria o atendimento pela Recorrente a uma intimação nos moldes da feita às efls. 1907. Quanto à exigência de cópia dos cheques, entendo que esta pode ser dispensável para fins de IRRF pagamento sem causa e, no seu lugar, tomado por base a verossimilhança entre os pagamentos e as datas e valores dos documentos comprobatórios a serem apresentados. É bem verdade que a Recorrente já foi mais de uma vez intimada a comprovar tais operações, tendo no entanto se mantido inerte. Contudo, os elementos dos autos me levam a concluir, por uma questão de equidade inclusive, que nova oportunidade deve ser dada à Recorrente devendo, portanto, ser repetida a intimação. Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em nova diligência para as seguintes providências: 1. Dar cópia desta Resolução à Recorrente; 2. Reintimar a Recorrente a fim de que esta comprove, mediante disponibilização à autoridade diligenciante de documentos hábeis e idôneos (notas fiscais, recibos de pagamentos de empregados, etc.) ordenados e relacionados em planilha, a identificação do beneficiário e da causa dos pagamentos que deram azo à autuação de IRRF de forma a esclarecer se se trataram de gastos da atividade de empresa, independente de como estiverem escriturados na contabilidade; 3. Relacionar a autoridade diligenciante os valores que forem aceitos para fins de redução da autuação de IRRF e os demais, justificados pela Recorrente porém rejeitados, agrupados por tópicos de fundamento de recusa num relatório circunstanciado; 4. Que seja concedido prazo razoável à Recorrente para atender ao solicitado; e 5. Que seja dada ciência do relatório à Recorrente a fim de que esta, no prazo de 30 (trinta) dias, aduza eventuais considerações acerca do resultado da diligência. Após cumprido o solicitado, os autos deverão retornar a esta Turma do CARF para prosseguir o julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Fl. 8302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900237/2014-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE.
O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. BENFEITORIAS.
Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (artigo 79 e 81, inciso II do Código Civil). Dessarte, os dispêndios com materiais de construção, assim como se dá com as benfeitorias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito da Contribuição ao PIS e COFINS na forma de depreciação.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS.
Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação.
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 125.
Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10. 833, de 2003.
Numero da decisão: 3402-006.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da nãocumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. BENFEITORIAS. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (artigo 79 e 81, inciso II do Código Civil). Dessarte, os dispêndios com materiais de construção, assim como se dá com as benfeitorias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito da Contribuição ao PIS e COFINS na forma de depreciação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 02 37 /2 01 4- 93 Fl. 303DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS. Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 125. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10. 833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sobre crédito relativo à Contribuição ao PIS e a COFINS. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de JiparanáRO (fls. 32), que deferiu parcialmente/indeferiu o crédito pleiteado pelo contribuinte através do PER n° 3I67S.72811.291110.1.1.101683. Através do referido PER, o contribuinte solicitou o ressarcimento de R$ 20.399,15, a título de Pis Não Cumulativo Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 334 3 Mercado Interno do período de apuração 1º Trimestre/2010, com a subsequente compensação de débitos, através de DCOMP, tendo a RFB reconhecido o crédito de R$ 71,52. A diferença se de deu em razão das glosas dos seguintes créditos: 1. créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda; 2. créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias; 3. créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias; 4. créditos indevidos apurados sobre a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência monofásica; 5. créditos indevidos apurados sobre a devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica; As glosas se deram no âmbito de procerdimento auditoria levada a efeito para apurar os créditos de PIS e Cofins declarados pelo contribuinte em DACON no ano calendário 2010. As glosas foram objeto de Manifestação de Inconformidade nos processos abaixo discriminados. Esses processos, por tratarem de matérias conexas, decorrentes dos mesmos fatos, estão sendo julgados conjuntamente na presente sessão. O detalhamento e a fundamentação das glosas, bem como a apuração dos saldos credores/devedores de PIS e Cofins, mês a mês, constam do Relatório Fiscal de fls. 36/217. A relação das notas fiscais objeto de glosa consta dos Anexos I a IV. Fl. 305DF CARF MF 4 Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou tempestivamente, conforme Despacho de fl. 246, a Manifestação de Inconformidade de fls. 3/31, alegando em síntese que: Do direito de crédito: a Recorrente realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis, sendo seus produtos destinadas ao mercado interno e tributados à alíquota zero para PIS e Cofins, conforme determina a legislação vigente; a Recorrente, com base no artigo 3º das Leis 10.637/2002 para PIS e artigo 3º da Lei 10.833/2003 para COFINS, realizou créditos sobre insumos e serviços necessários a atividade que exerce. No entanto, cabe ressaltar, que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que estes são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos; considerando que seu produto final é tributado à alíquota zero, com base no artigo 17 da Lei 11.033/2004 e artigo 16 da Lei 11.116/2005 a empresa protocolou através do programa Perdcomp os pedidos de ressarcimento dos créditos vinculados a saídas para o mercado interno, bem como apresentou para o período a Dacon a fim de demonstrar a apuração das contribuições para o PIS e a Cofins; Créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda: o agente fiscal transcreveu toda esta legislação para dizer que há vedação expressa para desconto de créditos sobre aquisições de combustíveis e, por extensão, também “não há como permitir o desconto de créditos em relação ao frete, o qual compõe o custo de aquisição de tais bens (combustíveis)” (cfe Relatório Fiscal – pg 21); a redação da norma que exclui os combustíveis da base de crédito é clara. E com base nesta norma que a Recorrente não tomou créditos de PIS e Cofins sobre as aquisições de combustíveis. No entanto, em momento alguma qualquer norma relativa ao PIS e Cofins disciplinou qualquer regra acerca de custo ou insumos/serviços vinculados; o artigo 3º das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 autoriza expressamente que as empresas submetidas ao regime não cumulativo poderão creditarse de “bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, na produção, na fabricação de bens ou produtos destinados à venda”; o frete é um insumo necessário e imprescindível para a realização da atividade comercial a que se propõem a Recorrente. o frete é uma operação comercial totalmente independente da compra do combustível, tem fornecedores distintos e Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 335 5 documentos fiscais (NFs) distintos, de forma que o pagamento deste serviço independe da operação “compra de combustível”; a Receita Federal, através da IN 404/2004, conceituou insumo para fins de créditos de Cofins e atribuiu o conceito que se aplica ao IPI, pois conceituou insumos apenas para empresas que realizam a fabricação de algum produto. Ao editar tal norma, a RFB foi além do seu dever de normatizar, ao tentar impor um conceito restritivo e oriundo das regras de IPI, já que o conceito estabelecido pela IN remete à fabricação ou produção, desgaste e alteração; a questão já foi tema de decisões do CARF e de tribunais judiciais que em suas decisões entenderam que os créditos de PIS/Cofins devem abranger todo custo ou despesa necessária à atividade da empresa; da mesma forma que vem decidindo o CARF e os Tribunais, as Soluções de Consulta da Receita Federal também dispõem neste sentindo, reconhecendo inclusive o frete sobre compras como insumo. Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias: a empresa trata como benfeitorias as definidas nos §§ 2º e 3º do artigo 96 do Novo Código Civil, Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, a saber: “São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore” ou ainda, “podem facilitar seu uso”; todas as manutenções e reparos necessários à conservação das instalações, prédio e reformas da estrutura física da empresa, necessárias e utilizadas para realização da atividade fim da empresa, são lançados a título de benfeitorias; o regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 em seu artigo 301, define o tratamento dado as pequenas despesas e dita que os custos de aquisição cujo valor sejam de até R$ 326,61 ou se de valor maior e que sua vida útil seja de até um ano podem ser lançadas diretamente como custos, sem serem imobilizadas; as benfeitorias são de valores inferiores ao limite ou de vida útil menos que um ano, foram lançadas direto como custos no mês incorrido, portanto não sofrem depreciação; para que funcione adequadamente e o cliente se sinta bem, constantemente são realizados benfeitorias em todo o empreendimento; Fl. 307DF CARF MF 6 como há grande movimentação de veículos pesados no pátio, como o calçamento é a base de lajota, constantemente são realizados reparos no pátio e nos muros que cercam o estabelecimento, com a utilização de pó de pedra, areias, cimentos, brita, etc. e com geração de entulhos; na área de abastecimento, como já afirmado, caminhões de grande porte circulam nas rampas, constantemente há reparos, com a utilização de ferragens, cimento, brita, pinturas em geral, sinalizações, troca de telhas da cobertura, manutenção em forros de PVC, gerando entulhos, etc; no que se refere aos banheiros destinados aos motoristas, sempre ocorre quebra de pias e vasos sanitários, culminado com sua troca, manutenção de chuveiros, hidráulica, lâmpadas, instalações elétricas, pisos, revestimentos, telhados, peças de reposição do aquecimento solar, pinturas em geral, etc. com geração de entulhos; esta é a destinação dos materiais adquiridos pela empresa, a título de benfeitorias, em que são utilizadas na manutenção de todas as instalações e que são úteis e necessárias para a conservação do patrimônio e realização da venda; estas pequenas manutenções/reparos denominados benfeitorias no caso em análise são efetuados sem projeto de execução, de forma que os documentos que comprovam sua realização são as notas fiscais e cupons fiscais de pagamentos de materiais e serviços, todas já apresentados ao Auditor e integrantes a este processo; na verdade, benfeitorias são obras ou gastos realizados na coisa imóvel, com a finalidade de conservála, melhorála ou embelezála, com o intuito na atividade comercial, em dar boa aparência ao ambiente e atrair o cliente. Se essas obras ou gastos mudassem a natureza da coisa imóvel, aí sim deveria haver um projeto, não podendo então ser consideradas como benfeitorias e sim como imobilizações e sofreriam a depreciação ou a amortização em caso de bens de terceiros; Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias. o Auto de Infração glosou integralmente os valores dos aluguéis de máquinas e equipamentos pagos à Pessoas Jurídicas; o art. 3° inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) é expresso em admitir o desconto de crédito de de “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”; no entanto, o agente fiscal fundamentou sua glosa no fato de tais máquinas e equipamentos terem sido alugados para realização das benfeitorias em prédios próprios e de terceiros e nesta condição deveriam estas despesas ter sido imobilizadas e os créditos tomados através dos encargos e depreciação e amortização; Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 336 7 a legislação é clara quando autoriza a realização de créditos sobre aluguéis de máquinas e equipamentos, desde que pagos à pessoa jurídica. Somente isso; a legislação que autoriza o lançamento de créditos sobre aluguéis de máquinas e equipamentos pagos a pessoas jurídicas não estabelece qual deverá ser a contabilização de tal serviço, tampouco determina o que deve ser imobilizado ou não; Créditos indevidos apurados sobre a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência monofásica: a Recorrente equivocadamente considerou como tributadas alguns tipos de mercadorias que tem incidência monofásica para PIS e Cofins, conforme apontou o agente fiscal em seu relatório, no qual relacionou os itens excluídos; é correta a referida exclusão, se confirmada a tomada de créditos de produtos monofásicos. Mas também será correta a análise da base de débitos, já que a Recorrente oferecia a tributação todos os produtos sobre os quais tomava crédito; em momento algum, o Auditor Fiscal manifestouse no Relatório Fiscal acerca dos pagamentos indevidos efetuados pela Recorrente. Também não apresentou qualquer demonstrativo de cálculo que pudessem contemplar tais ajustes; assim, para que a glosa de tais itens esteja correta é preciso que se analisem os tipos de produtos, se monofásicos ou não e, também a base de débitos, para que o ajuste seja correto; desta forma, é justo e correto que tais valores sejam revistos, tanto em relação ao débito quanto em relação ao crédito; desde já requerse tal ajuste, para que a empresa não seja duplamente prejudicada, tendo em vista que o Despacho Decisório em debate excluiu o crédito e manteve o débito. Créditos indevidos apurados sobre a devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica: indevidamente a recorrente tomou créditos sobre devolução de mercadorias que tem incidência monofásica para PIS e Cofins conforme apontou o agente fiscal em seu relatório, no qual relacionou os itens excluídos; a contabilização dos créditos na devolução de vendas de mercadorias sujeitas à incidência monofásica é prova de que a empresa tributou indevidamente esses produtos na saída; Fl. 309DF CARF MF 8 desta forma, é justo e correto que tais valores sejam revistos, tanto em relação ao débito quanto em relação ao crédito; desde já requerse tal ajuste, para que a empresa não seja triplamente prejudicada, tendo em vista que o Despacho Decisório em debate excluiu o crédito e manteve o débito. Das compensações. como a Requerente faz jus ao crédito na integralidade solicitada, requer igualmente na integralidade a homologação das compensações realizadas e não homologadas ou homologadas parcialmente por insuficiência ou inexistência de crédito no Despacho Decisório; Suspensão da exigibilidade dos débitos: de acordo com o art. 151, inciso II do CTN, o débito deve ter sua exigibilidade suspensa; Ao final, requer a Recorrente. 1. Seja acolhido a presente Manifestação de Inconformidade; 2. Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o fim de Reconhecer os créditos da Recorrente de PIS NÃO CUMULATIVO no montante de 20.399,15 referente ao 1º Trimestre/2010, eis que apurados na forma da legislação em vigor e de direito; 3. Que sejam incluídos no montante da base de cálculo de créditos os valores relativos ao insumo frete sobre compras de mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos produtos comercializados pela Recorrente, foram por ela suportados e atendem a condição de Insumo conforme determina a legislação de regência da matéria. 4. Que seja determinada a inclusão na base de créditos dos valores lançados a título de benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros, eis que atendem o conceito de benfeitoria e a legislação de regência. 5. Que sejam incluídos no montante da base de créditos os valores pagos a título de locação de máquinas e equipamentos pagos a Pessoas Jurídicas, eis que legítimos, conforme comprovam os documentos anexados pela Recorrente, e que atendem a legislação de regência da matéria; 6. Que, seja determinada também a revisão da base de cálculo dos débitos, para o fim de ajustar os valores efetivamente devidos, já que a Recorrente tributou todos os produtos sobre os quais tomou crédito, inclusive os supostamente sujeitos a regime monofásico e da devolução de vendas de tais produtos; 7. Que em relação a todos os itens acima sejam afastadas interpretações equivocadas e diversas das constantes nas Leis Fl. 30 29 10.633/2002 e 10.833/2003, eis que tais normas são claras e não cabe a agente fiscal criar novas regras; Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 337 9 8. Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; Sobreveio então o Acórdão da 5ª Turma da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 PIS/COFINS. EMPRESA DISTRIBUIDORA OU REVENDEDORA. FRETE NA AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero de PIS e Cofins nas vendas, em razão do regime monofásico, não podem creditarse dos custos de frete incidentes na compra dos combustíveis. BENFEITORIAS. Os dispêndios com benfeitorias, sejam elas necessárias, úteis ou voluptuárias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. BENFEITORIAS. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (art 43 do CC). ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS. Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos em que se discute direito creditório, sua comprovação incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência ou perícia a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, em que repisa os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Contudo, não foram objeto de recurso: i) a exclusão dos créditos sobre bens para revenda sujeitos à incidência monofásica da Contribuição ao PIS e da COFINS; ii) a exclusão dos créditos sobre devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica da Contribuição ao PIS e da COFINS. Ademais, foi apresentado novo tópico acerca do direito à atualização dos créditos pleiteados pela taxa Selic. Fl. 311DF CARF MF 10 É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário encontramse devidamente preenchidos, de modo que passo a apreciação do mérito. Mas antes, saliento que este processo está sendo julgado conjuntamente com os demais processos de ressarcimento, bem como com o auto de infração lavrado contra a Recorrente, sendo que as razões adotadas neste último são aqui aplicadas. 1. Créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda A Recorrente é empresa dedicada preponderantemente ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes, conforme se depreende do seu Contrato Social e é salientado pela autoridade lançadora no Relatório fiscal, nos seguintes termos: "a atividade comercial da contribuinte, consiste, resumidamente, na revenda de combustíveis e lubrificantes (Matriz – Vilhena/RO e Filial 1 – Porto Velho/RO), com exceção da Filial 2 – Vilhena/RO, denominada “Fazenda Batista”, que tem como atividade principal o reflorestamento." É então dentro desse específico setor da economia que deve ser analisada a tributação da Contribuição ao PIS e da COFINS no presente caso. Pois bem. Os combustíveis (gasolina, óleo diesel, querosene de aviação e outros) a partir de 1º de julho de 2000 são tributados pelas referidas Contribuições pela modalidade monofásica, incidindo uma única vez no fabricante ou importador, desonerando a receita da venda desses produtos nos distribuidores e varejistas. Como é consabido, a incidência monofásica tem por objetivo concentrar a incidência tributária, de modo que são aplicadas aos produtores ou importadores alíquotas diferenciadas, superiores às básicas, enquanto os demais (atacadistas e verejistas) são tributados à alíquota zero. Cumpre destacar que a incidência monofásica não se confunde com o instituto da substituição tributária, uma vez que nesta última as receitas estão obrigatoriamente sujeitas ao regime cumulativo, o que não acontece na primeira. Dessa forma, mesmo dentro da sistemática monofásica, os produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas poderão estar sujeitos ao regime cumulativo ou não cumulativo, de acordo com o regime de tributação da pessoa jurídica (presumido ou real, respectivamente). Ou seja, a incidência monofásica não é exceção à aplicação do regime não cumulativo e, consequentemente, no desconto de créditos inerente à essa modalidade de tributação. 1 Contudo, há regras na legislação que precisam ser observadas. Quando ocorre a tributação concentrada no início da cadeia produtiva, não haverá a apuração de créditos e débitos nas etapas posteriores. 1 BERGAMINI, Adolpho. et alii. Manual do PIS e da COFINS. São Paulo: Fiscosoft Editora Ltda, 2013, pp. 367 a 369. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 338 11 Por isso é que, com relação aos varejistas, acertadamente o artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua o direito ao crédito da aquisição de combustíveis (dentre outros produtos), os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; Assim, não há dúvida de que não poderia a Recorrente tomar crédito dos combustíveis que adquire para revenda. E corretamente não o fez. Tal exceção ao creditamento dos produtos atingidos pela monofasia, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda. Explico. Mas antes de tudo, ressalto que não se discute aqui o direito ao crédito segundo a regra do artigo 3º, inciso II, das Leis n. 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS), na condição de insumo necessário. Com efeito, a discussão em torno do que seriam insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade das Contribuições não guarda relação com o caso dos autos, vez que o inciso II do artigo 3º cuida de hipótese de bens e serviços, utilizados como insumo, na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Essa, contudo, não é a situação da Recorrente, que pagava o frete na aquisição de bem destinado para a revenda. A revenda, enquanto operação comercial (como o atacado e o varejo), não se confunde com a prestação de serviços ou com a produção de bens, como de longa data vaticinam a Receita Federal, este Conselho e o Poder Judiciário. O direito ao crédito do frete referente à compra de mercadorias para revenda, aplicável ao presente caso decorre, isto sim, do próprio inciso I do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS) Tratando especificamente do frete de empresas varejistas, a doutrina já se manifestou em diversas ocasiões, exatamente no sentido do seu resguardo pelo supracitado dispositivo legal (inciso I do artigo 3º da Lei n. 10/.833/2003 e 10.837/2002). As palavras de Marco Aurélio Greco2 sobre o tema são as seguintes: Assim, quando uma empresa adquire para revenda determinado bem e contrata o respectivo transporte, este faz parte indissociável da aquisição a que se refere o inciso "I", 2 PIS e COFINS Fretes pagos para o transporte de Mercadorias. in PEIXOTO, Marcelo Magalhães e MOREIRA JUNIOR, Gilberto de Castro (coords). PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Volume 2. São Paulo: MP Editora, 2013, p 356. Fl. 313DF CARF MF 12 ainda que seja um dispêndio separado do preço do bem em sentido técnico. Realmente, só tem sentido adquirir para revender se o comprador receber o que comprou, pois, sem isto, não poderá garantir a entrega ao cliente. Portanto, para quem compra para revenda, o direito ao crédito de PIS/COFINS sobre o frete pago para que o bem chegue em seu estabelecimento está abrangido pelo inc. I do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. A conclusão, de fato, não poderia ser outra. Afinal, o frete compõe o custo de aquisição do produto, conforme dispõe o artigo 289, §1º do RIR/99, vigente à época dos fatos: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação Nesse sentido, a própria Receita Federal já se manifestou em algumas oportunidades sobre o direito ao crédito decorrente do frete contratado na aquisição de produtos para revenda: Solução de Consulta Nº 234, de 13 de Agosto de 2007 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS O contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo de aquisição, podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos da COFINS. Dispositivos Legais: Lei Nº 10.833, de 2003, art. 3º; RIR/99, art. 289,§ 1º e Instrução Normativa SRF Nº 247, de 2002, art. 66. Assunto: Contribuição para o PIS O contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo de aquisição, podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos do PIS. Dispositivos Legais: Lei Nº 10.637, de 2002; Lei Nº 10.833, de 2003,arts. 15 e 16; RIR/99, art. 289, § 1º e Instrução Normativa SRF Nº 247, de 2002, art. 66. (grifamos). SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 15 de 27 de Fevereiro de 2007 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 339 13 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: FRETES NA AQUISIÇÃO Os custos de transporte até o estabelecimento do contribuinte, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, integram custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda, constituindo base de cálculo dos créditos a serem descontados das contribuições devidas. ICMSSUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Para fins de determinação da base de cálculo da contribuição, independentemente de qual seja o regime de cobrança desta, o contribuinte substituto do ICMS pode excluir da receita bruta o respetivo valor cobrado a título de substituição tributária destacado em nota fiscal, visto não ter a natureza de receita própria. (grifamos) Daí é que a própria autoridade fiscal, ao lavrar o presente auto de infração, justificou a glosa no fato de que, por estar o combustível sujeito ao regime monofásico e não gerar direito a crédito de PIS e Cofins na aquisição pelo revendedor, do mesmo modo, não geraria direito a crédito o frete respectivo, já que compõe o custo de aquisição do combustível. Ou seja, admite que, caso inexistente a questão da monofasia com a vedação ao crédito do produto, seria o caso de se reconhecer o crédito relativo ao frete contratado pela varejista. Assim, o raciocínio da autoridade é claro: o frete segue a mesma sorte do produto transportado, no que diz respeito ao direito ao creditamento. Entretanto, há um erro na premissa adotada e, consequentemente, na conclusão que se chegou no lançamento tributário. Vejamos. A Recorrente adquire mercadorias para revenda (combustíveis), porém a empresa vendedora não entrega os produtos no seu pátio mais especificamente, em seus tanques. Dessa forma, ela precisa contratar serviços de fretes de outra pessoa jurídica (transportadora) para que o produto chegue até seus estabelecimentos e que possa ser destinado à venda. Este frete, enquanto receita da transportadora, é tributado pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Em outras palavras, no caso do frete pago pelo comprador, há duas notas fiscais distintas. Uma para a distribuidora e outra para o transportador. A Distribuidora é sujeita ao regime monofásico, mas o transportador é tributado pelo regime não cumulativo. Nesses termos, fica evidente que o frete é uma operação autônoma em relação a aquisição do combustível. Tratase, em verdade, de operação comercial com a transportadora, na sistemática de incidência da nãocumulatividade, sendo que, repitase, a sua receita pela transportadora é tributada pela Contribuições. Vejase que, efetivamente, a Recorrente contrata empresa transportadora para proceder o frete, emitindo nota fiscal específica para essa operação (distinta daquela emitida pela distribuidora de combustível), conforme informações constantes do Anexo I do auto de infração. Tais dispêndios, portanto, são custo de aquisição de serviços de fretes e não custo de aquisição de combustível. Ou seja, muito embora estejam relacionadas como acima mencionado, já que o custo do frete integra o custo de aquisição do bem para revenda, nos Fl. 315DF CARF MF 14 termos do artigo 289, §1º do RIR/99 são operações distintas, com fornecedores distintos, e o mais importante, regimes de incidência distintos. Dessarte, devem ser analisadas de forma separada no que tange ao direito crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. 3 Traçada tal premissa, fica clara a conclusão no sentido de que, sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível, no modelo monofásico, pago ao distribuidor) e do frete (transporte, na nãocumulatividade, pago à empresa transportadora), não há que se falar que o destino do crédito do frete segue o mesmo daquele da mercadoria, como fez a autoridade fiscal ao fundamentar o lançamento tributário. Pelo contrário. Justamente em razão da distinção de regimes, permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, nos termos do artigo 3º, inciso I das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, assim como existe para qualquer outro atacadista ou varejista que trabalhe com produtos tributados na sistemática da não cumulatividade. Não há na legislação nada que impeça tal creditamento para empresas como a Recorrente, já que inexiste critério de discrímem, em relação ao frete, do presente caso em comparação com qualquer outra empresa atacadista ou varejista. Inclusive, o raciocínio aqui empregado é o mesmo daquele adotado em outros julgamentos deste Conselho a respeito da possibilidade de tomada de crédito das Contribuições relativamente ao frete de produtos não tributados. Destaco a seguir passagem do voto da Conselheira Maysa De Sá Pittondo Deligne, no Acórdão 3402003.520, a respeito do tema: "Entretanto, ao contrário do que afirmou a fiscalização, o direito ao crédito pelo serviço de transporte prestado (frete) não se condiciona à tributação do bem transportado, inexistindo qualquer exigência nesse sentido na legislação. A restrição ao crédito se refere, APENAS, ao bem/serviço não tributado ou sujeito à alíquota zero (art. 3º, §2º, II, Leis n.º 10.637/2002 e n.º 10.833/2003), e não aos serviços tributados que possam ser a eles relacionados, como o caso: "Art. 3º (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)" (grifei) Como evidenciado pela fiscalização, não se discute aqui a natureza da operação sujeita ao crédito (frete na aquisição de bens para revenda, tributado e assumido pelo adquirente). O que se discute, apenas, é a suposta impossibilidade de tomada do crédito em razão do bem transportado ser sujeito à alíquota zero, restrição esta não trazida na Lei. Nesse sentido, vejamse outros acórdãos deste E. Conselho: 3 Não é demais reavivar a passagem da doutrina de Marco Aurélio Greco alhures transcrita, que confirma que tecnicamente os dispêndios com o produto e com o frete não se confundem: "assim, quando uma empresa adquire para revenda determinado bem e contrata o respectivo transporte, este faz parte indissociável da aquisição a que se refere o inciso "I", ainda que seja um dispêndio separado do preço do bem em sentido técnico." Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 340 15 "(...) CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" (Processo n.º 13971.005212/200994 Sessão de 20/08/2014. Relator Alexandre Kern. Acórdão n.º 3403003.164. Voto Vencedor do Conselheiro Ivan Allegretti. Maioria grifei) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição." (Processo n.º 10950.003052/200656. Sessão de 19/03/2013. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3403001.938. Maioria grifei) A mesma premissa adotada pela fiscalização no presente caso, mantida pela decisão de primeira instância, foi afastada com veemência e clareza pelo I. Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan em seu voto no julgamento do último acórdão acima ementado: "A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): (...) Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto" (grifei). Cito ainda no mesmo sentido, os Acórdãos nº 3403 001.944, de 09 de março de 2013 e 3302004.886, de 25 de outubro de 2017. Fl. 317DF CARF MF 16 Por tudo quanto exposto, voto no sentido de reverter as glosas referentes aos fretes de combustíveis. 2. Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias A glosa aqui tratada se deu porque, segundo a fiscalização, a Contribuinte se creditou da Contribuição ao PIS e da Cofins na aquisição de bens do ativo imobilizado diretamente sob forma de custo no mês em que incorrido, quando na realidade, deveria creditarse na forma de dapreciação futura. De outra parte, Recorrente afirma que as compras eram destinadas à benfeitorias necessárias à suas atividades e que, como tais, geram direito de crédito na forma de custos. Ou seja, a divergência repousa não no direito ao crédito em si, mas na forma de sua apropriação. A matéria em discussão é disciplinada pelo artigo 3° das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, abaixo transcritos na parte que interessa à solução da presente lide: Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão deobra, tenha sido suportado pela locatária; (...) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; _________________________ Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 341 17 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) §1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Pela leitura dos dispositivos, vemos que existem duas formas de geração de crédito excludentes entre si. Os bens adquiridos como insumos (inciso II) geram direito de crédito diretamente sobre o custo incorrido no mês (§ 1º, inciso I). Enquanto isso, no caso dos bens do ativo imobilizado, o direito de crédito se dá na forma de futura depreciação (§ 1º, inciso III). É certo que o ativo imobilizado (artigo 179, inciso IV da Lei n. 6.404/76) 4 compreende os bens de natureza duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade. 5 Em outras palavras, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao exercício contínuo das atividades da pessoa jurídica (vide artigo 301 do RIR/99 e CPC n. 27), aí incluídos aqueles que tem finalidade unicamente administrativa, ou seja, que não são empregados diretamente na produção ou na comercialização de mercadorias e de serviços, ou ainda, na locação, integram o ativo permanente. Também não há dúvidas de que as instalações prediais da empresa e, por conseguinte, as benfeitorias nelas realizadas, se inserem no conceito de ativos imobilizados. Logo, seus créditos de PIS e Cofins devem, em regra, ser calculados sobre a depreciação, conforme preconiza o citado artigo 3º, §1º, inciso III das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. 4 Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; 5 In: FIPECAFI. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. São Paulo. Atlas, p. 198. Fl. 319DF CARF MF 18 Somente seria possível a contabilização de bens ativáveis como custos se o valor unitário do bem fosse inferior a R$ 326,61 ou se sua vida útil inferior a um ano. No caso de bens valor unitário inferior a R$ 326,61, a contabilização como custo depende ainda de que atividade exercida não exija utilização de um conjunto desses bens. Tudo isso nos termos do artigo 301 do RIR/99, vigente à época dos fatos aqui tratados. In verbis: Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano. § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado. Portanto, e como bem posto pela decisão Recorrida, em se tratando de bens corpóreos adquiridos para a manutenção das atividades da empresa, sua contabilização deverá ocorrer obrigatoriamente em conta do imobilizado, pouco importando se a aquisição se destina a manutenção, reparo, ampliação de instalações, com ou sem projetos, seja benfeitoria necessária, útil ou voluptuária. Ainda sobre o artigo 301 do RIR/99, friso que, conforme se verifica dos autos e se confirma nas palavras da própria Recorrente, os bens objeto de glosa são em sua grande maioria materiais de construção (areia, cimento, brita, ferragens, tintas, telhas, forros de PVC, vasos sanitários, instalações elétricas e hidráulicas, pisos, revestimentos, etc), aos quais não se aplica a regra do valor unitário prevista no art. 301 do RIR/99, tendo em vista sua utilização conjunta e/ou incorporação ao imóvel. É o que concluímos pela jurisprudência administrativa a respeito da matéria: ACÓRDÃO 1º Conselho de Contribuintes n°: 10193.676 de 07/11/2001 IRPJ. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. BENS DO ATIVO DEDUZIDOS COMO DESPESAS. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados na construção de muros de arrimo, benfeitorias e reformas, devem ser ativados, independentemente do custo unitário tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (art 43 do CC). Tal conclusão se alinha com os artigos 79 e 81, inciso II do Código Civil de 2002, os quais esclarecem que não perdem o caráter de imóveis os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele se reempregarem. Corroborando tudo quanto exposto, temos que permitir que os contribuintes tomem crédito dos gastos com os materiais para obras de benfeitorias no momento em que incorrem nessas despesas, significaria conceder o crédito em duplicidade, pois o mesmo será apropriado também no futuro, via depreciação da benfeitoria que estará contabilizada no ativo imobilizado, uma vez concluída a obra. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 342 19 Finalmente, destaco que a jurisprudência desse Conselho vai no mesmo sentido das razões aqui adotadas, conforme se infere da ementa a seguir colacionada: Ementa(s) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, DO INFORMALISMO MODERADO E DA AMPLA DEFESA. OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as peças de reposição, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. BENFEITORIAS. DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, e aos Fl. 321DF CARF MF 20 serviços de mão de obra e materiais da construção civil, comprovadamente prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação/amortização incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. (Acórdão 380303.205, Sessão de 17 de julho de 2012) Assim, encaminho o meu voto no sentido de que, de fato, os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS foram apropriados de forma equivocada pela Recorrente, já que não poderiam ter sido tomados como custos no mês em que incorrido, mas sim na forma de depreciação futura. Portanto, deve ser mantida a glosa dos créditos sobre gastos com a realização de benfeitorias. 3. Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias A glosa aqui tratada diz respeito à locação de caçambas, máquinas e outros equipamentos utilizados em construção civil. Com efeito, em resposta à intimação da Fiscalização, a Contribuinte informou que tais bens foram locados para utilização na limpeza e preparação de realização de benfeitorias do imóvel, bem como na retirada de entulho de tais obras. Diante desses elementos, entendeu a autoridade fiscal que os dispêndios integram os custos de benfeitorias em imóvel próprio e de terceiro, portanto, deveriam ser contabilizadas no ativo imobilizado, para posterior depreciação, e somente nesta condição seriam válidos os créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins, com fulcro no artigo 3º, inciso IV das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2002. É a literalidade do TVF, o qual reproduzo abaixo: 3.4.3 Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias. Analisando a documentação apresentada, verificouse a existência de valores referentes a locação de caçambas, máquinas e outros equipamentos utilizados em construções civis, valores estes que foram informados no DACON na Linha 6 “Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica”. Em função disso, intimouse a contribuinte, por meio do TIF nº 3, de 08/12/14, para justificar em qual atividade da empresa é utilizado o bem locado. Em resposta, a contribuinte informou que tais bens foram locados para utilização na limpeza e preparação da realização de benfeitorias do imóvel, bem como na retirada de entulhos decorrentes de tais obras. O Art. 3º, IV, da Lei 10.637/2002 e o Art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003 permitem o desconto de créditos apurados em relação à locação de prédios, máquinas e equipamentos, desde Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 343 21 que pagos a pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da empresa. Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; _______________________________ Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Entretanto, em que pese o permissivo legal acima transcrito, entendemos que tais gastos integram o custo das benfeitorias realizadas e que, portanto, deveriam ter o mesmo tratamento a elas atribuído, qual seja, a contabilização no imobilizado para posterior depreciação ou amortização. Com relação a benfeitorias, a estas cotas de depreciação e/ou amortização é que a lei permite a apuração de créditos de PIS e COFINS. Desse modo, pelas mesmas razões expostas no tópico 3.4.2 Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias, foram glosadas as despesas efetuadas com a locação de bens utilizados na preparação, limpeza e remoção de entulhos decorrentes das obras de benfeitorias realizadas pela contribuinte, cuja relação completa encontrase no Anexo III desse relatório, que resultou nos valores mensais constantes da tabela abaixo. (...) (grifei) Pois bem. É verdade que os valores gastos pela Recorrente com aluguel de máquinas e equipamento para a construção de benfeitorias deve seguir a mesma sorte das obras, ou seja, ser contabilizado no ativo imobilizado. Isto porque nas normas contábeis a esse respeito (NBC TG 27), segundo o princípio do reconhecimento dos custos de um item do ativo imobilizado, "esses custos incluem custos incorridos inicialmente para adquirir ou construir item do ativo imobilizado e os custos incorridos posteriormente para renoválo, substituir suas partes, ou dar manutenção a ele" (item 10). Fl. 323DF CARF MF 22 Ademais, na parte de mensuração no reconhecimento segundo a qual o reconhecimento como ativo deve ser mensurado pelo seu custo está claro que integram os elementos do custo "quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração" (item 16, b). Dentre os exemplos de custos diretamente atribuíveis, estão os "custos de preparação do local" (item 17, b). Por essas razões, assim como ocorre com os materiais de construção tratados no item anterior, os alugueis de máquinas e equipamentos para a edificação de benfeitorias deve ser contabilizado no ativo imobilizado tão logo a obra seja finalizada, iniciandose o período de depreciação fiscal e, consequentemente, o direito a tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS segundo a legislação sobre o tema, qual seja o inciso VI do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, conjuntamente com o seu §1º, inciso III. Com efeito, a legislação de regência da Contribuição ao PIS e da COFINS permite a apuração de créditos em relação a "máquinas e equipamentos" em duas situações distintas. A primeira é aquela tratada no inciso IV do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, a qual versa sobre o aluguel das referidas máquinas e equipamentos, condicionando que os valores pagos a título da locação sejam destinados à pessoa jurídica, para a consecução de atividades da empresa. Aqui, a lei diz somente que os gastos com aluguel devem estar direcionados à atividade da empresa, de modo que o crédito não está necessariamente ligado ao setor fabril ou a prestação de serviços. Portanto, mesmo a despesa com aluguel relativa à área administrativa das empresas ou aquelas tidas por empresas comerciais pode gerar crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS (vide Solução de Consulta DISIT/SRRF 08 n. 492, de 31 de dezembro de 2009 6 e Acórdão 3301005.016, de 28 de agosto de 20187). Na apropriação de créditos nos termos do inciso IV, estes serão calculados no momento do dispêndio sobre o valor da locação, sendo que esse montante estará contabilizado como custo da sociedade. Já a segunda situação vem disciplinada pelo inciso VI do mesmo artigo, o qual autoriza a apuração de créditos de “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Aqui, portanto, falase em 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS. No cálculo da contribuição para o PIS/Pasep apurada pelo regime nãocumulativo podem ser descontados créditos relativos ao valor dos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, aí compreendidas tanto suas atividades industriais, comerciais e de prestação de serviço, quanto suas atividades administrativas, desde que esses aluguéis sejam pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV e § 3º. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS. No cálculo da Cofins apurada pelo regime nãocumulativo podem ser descontados créditos relativos ao valor dos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, aí compreendidas tanto suas atividades industriais, comerciais e de prestação de serviço, quanto suas atividades administrativas, desde que esses aluguéis sejam pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso IV e § 3º. 7 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.(...) Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 344 23 máquinas e equipamentos que serão contabilizados no ativo imobilizado da sociedade. Nesse caso, o legislador restringiu o direito a tomada de crédito, ao estabelecer que as situações que permitem a sua apuração estão adstritas aos bens adquiridos ou fabricados para: a) locação a terceiros; b) utilização da produção de bens destinados à venda; ou c) utilização na prestação de serviços. Ou seja, não é todo e qualquer bem destinado ao ativo imobilizado que dará direito ao crédito das Contribuições, mas tão somente aqueles destinados a uma das três citadas finalidades estabelecidas pela lei (vide Acórdãos 3301002.806 e 3102002.166 deste Conselho). 8 Apurarseá os créditos nos moldes do inciso VI de acordo com a depreciação dos bens corpóreos adquiridos, contabilizados no ativo imobilizado. A decisão recorrida estabelece a distinção dos regimes, dando exemplos didáticos sobre sua aplicação. São seus dizeres: A interpretação integrada do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) deve levar à seguinte conclusão: os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, são sim, em regra, passiveis de créditos calculados a partir dos valores pagos nessas operações, desde que não ativáveis, hipótese em que o crédito será calculado sobre a depreciação. À evidência, as máquinas e equipamentos a que se refere o inciso IV, passiveis de crédito, são aquelas utilizadas nas atividades operacionais da empresa. Assim, por exemplo, se um posto de gasolina utiliza bombas de combustíveis locadas de terceiro, essa locação será contabilizada como custo e, por óbvio, poderá ser objeto de crédito de PIS e Cofins, calculado sobre o valor da locação, na forma do inciso IV. 8 A jurisprudência deste Conselho é tranquila a respeito do tema, conforme é possível depreender das ementas abaixo colacionadas: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. (...) (Processo 13603.724612/201113, Acórdão 3301002.806) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 (...) ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível o direito à apropriação de créditos da Cofins não cumulativa sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado se não foi comprovado pelo contribuinte que os bens depreciados foram utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, ou utilizados nas atividades da empresa, no caso de edificações e benfeitorias, e que foram adquiridos a partir de 1/4/2004. (Processo n. 11080.931975/201116. Acórdão 3102002.166). Fl. 325DF CARF MF 24 Por outro lado, se esse mesmo posto de gasolina aluga andaimes de terceiros para a execução de uma obra de ampliação de suas instalações, o valor dessa locação deverá ser contabilizado no ativo imobilizado e, por conseguinte, não gerará direito de crédito de PIS e Cofins sobre o custo de locação, mas sobre a depreciação do imóvel. Traçada tal conceituação, fica realmente claro que a fiscalização motivou o lançamento pelo fato de que as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos "integram o custo das benfeitorias realizadas e que, portanto, deveriam ter o mesmo tratamento a elas atribuído, qual seja, a contabilização no imobilizado para posterior depreciação ou amortização". Ou seja, atribuiu como fundamento jurídico da autuação o comando do inciso VI do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Desse modo, assim como concluído no item anterior, encaminho o meu voto no sentido de que, de fato, os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS foram apropriados de forma equivocada pela Recorrente, já que não poderiam ter sido tomados como custos no mês em que incorrido, mas sim na forma de depreciação futura. Portanto, deve ser mantida a glosa dos créditos sobre gastos com o aluguel de máquinas para a realização de benfeitorias. 4. Da suspensão da exigibilidade. Com relação ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído nos presentes autos, com fundamento no art. 151 do CTN, o mesmo carece de objeto, pois atendido está. 5. Correção do valor do crédito pela Taxa Selic No que se refere ao pedido de correção do valor do crédito pela Taxa Selic, tratase de matéria preclusa, já que não foi apresentada em manifestação de inconformidade. (artigo 17 do Decreto nº 70.235/72). De toda sorte, os artigos 13 e 15, inciso VI da Lei nº 10.833/2003 colocam expressa vedação legal a tal pretensão, em relação tanto à COFINS como à Contribuição ao PIS. Destaco seu conteúdo: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI no art. 13 desta Lei. Inclusive, tal matéria é objeto da Súmula CARF n. 125, cujo teor transcrevo abaixo: No ressarcimento da Cofins e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, afasto a pretensão da Recorrente sobre a correção dos créditos pleiteados pela Taxa Selic. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13227.900237/201493 Acórdão n.º 3402006.470 S3C4T2 Fl. 345 25 Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.914581/2009-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2005
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado.
Numero da decisão: 1001-001.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à primeira instância para que seja ali julgado o mérito em sua íntegra.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2005 COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado.
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POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, devese retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à primeira instância para que seja ali julgado o mérito em sua íntegra. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 45 81 /2 00 9- 34 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 15374.914581/200934 Acórdão n.º 1001001.200 S1C0T1 Fl. 201 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 98/100) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 93, que não homologou a compensação constante da DCOMP 14530.21120.311005.1.3.04 1437 (folhas 48/53), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, tendo em vista que os valores do DARF de período de apuração 30/04/2005, data de vencimento e arrecadação 31/05/2005, código de receita 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL) e valor total de R$ 49.190,37, informado como origem do crédito, foram integralmente utilizados para quitação do débito da contribuinte discriminado no DARF, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade (folhas 12/15), a contribuinte alega, em síntese, que há crédito disponível no DARF no valor original de R$ 6.000,00. No acórdão a quo, a nãohomologação foi mantida tendo em vista a impossibilidade de utilização de créditos de estimativas pagas a maior em compensações que não tenham como crédito o saldo negativo do referido tributo ao final do período de apuração, determinada pelo art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Ciência do acórdão DRJ em 02/12/2011 (folha 103). Recurso voluntário apresentado em 02/01/2012 (folha 105). A recorrente, às folhas 105/109, em síntese, ratifica suas alegações expressas na manifestação de inconformidade quanto ao mérito, que acabaram por não ser totalmente analisadas tendo em vista a adoção da premissa da impossibilidade utilização de indébitos de estimativas em compensações. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 15374.914581/200934 Acórdão n.º 1001001.200 S1C0T1 Fl. 202 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. O acórdão a quo apresenta entendimento ultrapassado quando afirma que somente o saldo negativo do tributo apurado na declaração de ajuste anual poderia ser objeto de restituição, nunca o recolhimento de estimativa. Isto porque, tendo em vista a publicação da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5/12/2011, que homogeneizou o entendimento da RFB a respeito da possibilidade de restituição ou compensação de pagamentos indevidos de estimativas, conforme ementa transcrita a seguir, é cabível a análise da existência do direito creditório pleiteado pela contribuinte na DCOMP em análise. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 15374.914581/200934 Acórdão n.º 1001001.200 S1C0T1 Fl. 203 4 Isto posto, verificase que, pela Solução de Consulta supra, restou decidido pela aplicação do disposto no art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que passou a permitir a compensação de pagamentos indevidos de estimativas, aos processos pendentes de decisão administrativa. Tal entendimento é consolidado na Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Assim, para que não haja supressão de instância no julgamento, deve o processo retornar à DRJ que proferiu o acórdão a quo para que, afastada a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações, seja o mérito analisado na íntegra naquela instância julgadora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à primeira instância para que seja ali julgado o mérito em sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.939827/2013-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 15/12/2004 através dos PER/DCOMP às fls. 9 a 91. Têm por objeto o Saldo Negativo de IRPJ apurado pela empresa no 3º trimestre do anocalendário de 2007, no valor de R$ 129.847,24. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 39 82 7/ 20 13 -2 3 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10880.939827/201323 Resolução nº 1001000.094 S1C0T1 Fl. 461 2 O pedido foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo (DeratSP), com fundamento no Despacho Decisório nº 064334491, eletrônico, de 04/09/2013 (fls. 2 a 5). O Despacho Decisório informou que, analisadas as PER/DCOMP, dos R$ 132.761,15 informados como retenção na fonte, apenas R$ 93.814,40 haviam sido confirmados pelos sistemas da Receita Federal. Que o valor original do saldo negativo informado nos PER/DCOMP, confirmado na DIPJ, era de R$ 129.847,24. Que, considerandose apenas os valores de retenções na fonte confirmados, o valor do saldo negativo disponível era de R$ 90.900,42. Que o crédito reconhecido era insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologava parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 17333.10031.310709.1.3.020792. As retenções de imposto não confirmadas, no valor total de R$ 38.946,75 (R$ 132.761,15 – R$ 93.814,40), são detalhadas no quadro constante às fls. 4 e 5, denominado Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 92 a 117, alegando que as retenções de R$ 132.761,15 foram detalhadamente informadas na DIPJ, e são objeto de rigoroso controle por parte da empresa, conforme demonstrativo que apresenta, às fls. 102 a 107, extraído de sua contabilidade. Ainda, argumentou que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 38.946,75, parte (R$ 15.901,00) não foi confirmada porque declarada à Receita Federal pelo CNPJ da matriz, enquanto nos PER/DECOMP foram informados os CNPJ das filiais. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – RJ, no Acórdão de Manifestação de Inconformidade às fls. 165 a 169 do presente processo, negou provimento à manifestação da empresa, confirmando o Despacho Decisório. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Não comprovado o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, indeferese o pedido de compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 IRRF. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÕES NÃO CONFIRMADAS NA DIRF. REGISTROS CONTÁBEIS. Os registros contábeis da pessoa jurídica beneficiária do rendimento não constituem, por si sós, documentos hábeis para comprovar a retenção do imposto retido na fonte. Argumentou que o legislador elegeu como documento comprobatório, por excelência, o informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, conforme art. 55 da Lei nº Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10880.939827/201323 Resolução nº 1001000.094 S1C0T1 Fl. 462 3 7.450, de 23/12/1985. Que, no caso concreto, a interessada não havia apresentado os informes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, o que não a impediria de provar, por outros meios, as retenções sofridas. Que esta comprovação, todavia, haveria de ser inequívoca. Que a simples apresentação de demonstrativo, relacionando por clientes, não comprovava de forma inequívoca as retenções, por se tratar de documento produzido unilateralmente, pelo próprio interessado. Que para que tais registros pudessem ser aceitos como comprovantes hábeis, deveriam estar acompanhados dos livros contábeis, das notas fiscais de prestação de serviços e de extratos bancários onde estivessem evidenciados os valores líquidos recebidos e as respectivas fontes pagadoras. Inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 176 a 182. Nele alega novamente que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 38.946,75, parte (R$ 15.901,00) não foi confirmada porque declarada à Receita Federal pelo CNPJ da matriz, enquanto nos PER/DCOMP foram informados os CNPJ das filiais. Além disso, buscando sanar a falta de comprovação do crédito tributário apontada pelo julgador de primeira instância, anexou ao recurso a cópia das notas fiscais referentes às quatro fontes pagadoras responsáveis pelos maiores valores de retenções não comprovadas (planilha no corpo do recurso, à fl. 180, cópia das notas fiscais às fls. 229 a 426). Alegou ser inviável anexar todos os documentos referentes a todas as fontes pagadoras. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Como dito acima, a recorrente afirma que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 38.946,75, parte, no valor de R$ 15.901,00, não se confirmou porque foi declarada à Receita Federal, através de DIRF, no CNPJ da matriz, enquanto em seus PER/DCOMP as retenções foram informadas nos CNPJ das filiais. Junta, no corpo do recurso, planilha com a lista das referidas retenções, totalizando R$ 15.901,00, informando, para cada retenção, o CNPJ da filial que a efetuou e o CNPJ da matriz, responsável pela DIRF. De fato, verificase que nas PER/DCOMP (fls. 9 a 91) as retenções foram informadas pelos CNPJ das filiais. E, de fato, em obediência ao artigo 15, incisos I e IV, da Lei nº 9.779/1999, abaixo reproduzidos, os pagamentos de IRRF são efetuados, obrigatoriamente, de forma centralizada pela matriz da empresa, bem como a declaração a eles referente: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10880.939827/201323 Resolução nº 1001000.094 S1C0T1 Fl. 463 4 I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; (...) IV a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais e as declarações de informações, observadas normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Para confirmar a informação trazida pela recorrente sobre as retenções efetuadas por filiais, é necessário que se acesse as DIRF das fontes pagadoras, nas quais supostamente há o detalhamento das retenções na fonte de cada um de seus estabelecimentos. Tratase de confirmação indispensável ao julgamento do processo. Tais informações, disponíveis nos sistemas da Receita Federal, independem de intimação à recorrente ou da apresentação de qualquer documento de sua parte. Caso se comprovem verdadeiras, influenciarão de forma decisiva no reconhecimento do direito de crédito, no valor retido informado nas DIRF. Caso houvessem sido detectadas pelos sistemas, ou verificadas manualmente na unidade de origem, os valores de crédito correspondentes teriam sido automaticamente homologados. Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando o retorno do processo à unidade de origem, para que esta confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente na planilha constante do Recurso Voluntário (planilha à fl. 178), as retenções na fonte efetuadas pelas filiais ali elencadas. A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 463DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.720040/2015-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
LEI VIGENTE. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, afastando a aplicação de comando legal vigente, conforme Súmula CARF no 2.
PERÍCIA. FORMAÇÃO DE CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
As demandas de perícia se prestam à formação e convicção do julgador, e não à produção de provas pelas partes. Estando o processo devidamente instruído pelas partes, e sendo os elementos nele constantes suficientes à decisão, o indeferimento de perícia não constitui cerceamento do direito de defesa, nem enseja nulidade processual.
RESPONSABILIADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. TERCEIROS. COEXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. REAIS BENEFICIÁRIOS DE ESQUEMA FRAUDULENTO. RESPONSABILIZAÇÃO. CABIMENTO.
Em uma mesma autuação, é possível coexistirem responsáveis solidários de direito e de fato (terceiros) com fundamento nos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Cabível a atribuição de responsabilidade quando se comprova que os recursos provenientes das operações que se concluiu serem fictas eram direcionados a pessoas físicas, beneficiárias do esquema fraudulento, ou a empresas a elas relacionadas, seja diretamente ou por meio de outras empresas por elas controladas ou com sua participação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OPERAÇÃO CORROSÃO. AQUISIÇÃO SIMULADA DE MERCADORIAS. GLOSAS DE CRÉDITO. CABIMENTO.
Demonstrado, no bojo da Operação Corrosão, e em relatório produzido pela fiscalização, que foram efetuadas aquisições simuladas de mercadorias, que não correspondem às operações de fato realizadas, cabível a glosa dos créditos correspondentes e o lançamento da Contribuição para o PIS/PASEP devida.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FRAUDE. DECADÊNCIA. MAJORAÇÃO DA MULTA.
Caracterizada a fraude, aplica-se a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44).
REGIME ADOTADO PARA APURAÇÃO DE IRPJ/CSLL. NÃO AFETAÇÃO DO LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
O regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, em processo referente ao mesmo período, ainda não definitivamente julgado, não afeta o presente lançamento, referente a Contribuição para o PIS/PASEP, no qual foram glosados os créditos indevidos. Tais créditos são indevidos tanto na cumulatividade quando na não cumulatividade.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
COFINS. OPERAÇÃO CORROSÃO. AQUISIÇÃO SIMULADA DE MERCADORIAS. GLOSAS DE CRÉDITO. CABIMENTO.
Demonstrado, no bojo da Operação Corrosão, e em relatório produzido pela fiscalização, que foram efetuadas aquisições simuladas de mercadorias, que não correspondem às operações de fato realizadas, cabível a glosa dos créditos correspondentes e o lançamento da COFINS devida.
COFINS. FRAUDE. DECADÊNCIA. MAJORAÇÃO DA MULTA.
Caracterizada a fraude, aplica-se a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44).
REGIME ADOTADO PARA APURAÇÃO DE IRPJ/CSLL. NÃO AFETAÇÃO DO LANÇAMENTO DE COFINS.
O regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, em processo referente ao mesmo período, ainda não definitivamente julgado, não afeta o presente lançamento, referente a COFINS, no qual foram glosados os créditos indevidos. Tais créditos são indevidos tanto na cumulatividade quando na não cumulatividade.
Numero da decisão: 3401-006.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos quatro recursos voluntários apresentados.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, afastando a aplicação de comando legal vigente, conforme Súmula CARF no 2. PERÍCIA. FORMAÇÃO DE CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. As demandas de perícia se prestam à formação e convicção do julgador, e não à produção de provas pelas partes. Estando o processo devidamente instruído pelas partes, e sendo os elementos nele constantes suficientes à decisão, o indeferimento de perícia não constitui cerceamento do direito de defesa, nem enseja nulidade processual. RESPONSABILIADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. TERCEIROS. COEXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. REAIS BENEFICIÁRIOS DE ESQUEMA FRAUDULENTO. RESPONSABILIZAÇÃO. CABIMENTO. Em uma mesma autuação, é possível coexistirem responsáveis solidários de direito e de fato (terceiros) com fundamento nos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Cabível a atribuição de responsabilidade quando se comprova que os recursos provenientes das operações que se concluiu serem fictas eram direcionados a pessoas físicas, beneficiárias do esquema fraudulento, ou a empresas a elas relacionadas, seja diretamente ou por meio de outras empresas por elas controladas ou com sua participação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 40 /2 01 5- 07 Fl. 14127DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. “OPERAÇÃO CORROSÃO”. AQUISIÇÃO SIMULADA DE MERCADORIAS. GLOSAS DE CRÉDITO. CABIMENTO. Demonstrado, no bojo da “Operação Corrosão”, e em relatório produzido pela fiscalização, que foram efetuadas aquisições simuladas de mercadorias, que não correspondem às operações de fato realizadas, cabível a glosa dos créditos correspondentes e o lançamento da Contribuição para o PIS/PASEP devida. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FRAUDE. DECADÊNCIA. MAJORAÇÃO DA MULTA. Caracterizada a fraude, aplicase a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44). REGIME ADOTADO PARA APURAÇÃO DE IRPJ/CSLL. NÃO AFETAÇÃO DO LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. O regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, em processo referente ao mesmo período, ainda não definitivamente julgado, não afeta o presente lançamento, referente a Contribuição para o PIS/PASEP, no qual foram glosados os créditos indevidos. Tais créditos são indevidos tanto na cumulatividade quando na não cumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 COFINS. “OPERAÇÃO CORROSÃO”. AQUISIÇÃO SIMULADA DE MERCADORIAS. GLOSAS DE CRÉDITO. CABIMENTO. Demonstrado, no bojo da “Operação Corrosão”, e em relatório produzido pela fiscalização, que foram efetuadas aquisições simuladas de mercadorias, que não correspondem às operações de fato realizadas, cabível a glosa dos créditos correspondentes e o lançamento da COFINS devida. COFINS. FRAUDE. DECADÊNCIA. MAJORAÇÃO DA MULTA. Caracterizada a fraude, aplicase a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44). REGIME ADOTADO PARA APURAÇÃO DE IRPJ/CSLL. NÃO AFETAÇÃO DO LANÇAMENTO DE COFINS. O regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, em processo referente ao mesmo período, ainda não definitivamente julgado, não afeta o presente lançamento, referente a COFINS, no qual foram glosados os créditos indevidos. Tais créditos são indevidos tanto na cumulatividade quando na não cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 14128DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.128 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos quatro recursos voluntários apresentados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre os Autos de Infração de fls. 8801 a 8834, e 8835 a 88671, lavrados em 03/06/2015, para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP, e de COFINS, referentes ao período de 01/01/2010 a 31/12/2011, acrescidas de juros de mora e de multa de ofício majorada (150 %), totalizando originalmente R$ 4.399.567,89 (PIS) e R$ 19.965.727,61 (COFINS), por insuficiência de recolhimento, conforme detalhado em Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal (TVCAF). São ainda arrolados como sujeitos passivos, além da empresa “Luckmetais Comércio de Metais LTDA” (doravante “LUCKMETAIS”), na qualidade de responsáveis solidários: “Paulo Henrique Escobar Cerqueira” (doravante “PAULO HENRIQUE”), ciente da autuação em 12/06/2015 (fl. 9013); “Rafael Escobar Cerqueira” (doravante “RAFAEL”), ciente da autuação em 12/06/2015 (fl. 9009); “João André Escobar Cerqueira” (doravante “JOÃO ANDRÉ”), ciente AR sem data, com carimbo de 10/06/2015 (fl. 9005); “João Carlos Magarotto (doravante “JOÃO CARLOS”), ciente da autuação em seu nome e da empresa, como responsável, em 12/06/2015 (fls. 8989 e 8993); “Ednaldo Coelho da Silva” (doravante “EDNALDO”), ciente da autuação por edital publicado em 08/06/2015 (fl. 8997); “Paulo Cesar Verly da Cruz” (doravante “PAULO CESAR”), ciente AR sem data, com carimbo de 13/06/2015 (fl. 9017); e “João Natal Cerqueira” (doravante “JOÃO NATAL”), ciente AR sem data, com carimbo de 10/06/2015 (fl. 9001). No TVCAF de fls. 8929 a 8986, narrase que: (a) a fiscalização da DRF São Bernardo do Campo/SP, sob acompanhamento do Ministério Público Federal, objetivou auditar várias empresas (a maioria delas relacionadas em relatório anterior de auditoria, da DRF Nova Iguaçu/RJ, que indicava empresas domiciliadas em SP e RJ com indícios de emissão de milhares de notas de vendas inexistentes em 2010 e 2011), entre as quais a “LUCKMETAIS” (integra o TCAF o Relatório Geral de Auditorias, indicando o modus operandi das empresas); (b) no curso da ação fiscal, verificouse que a “LUCKMETAIS” simulava ter comprado mercadorias e/ou matériasprimas de outras empresas pseudofornecedoras (“noteiras”), que não 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 14129DF CARF MF 4 possuíam existência de fato conforme comprovado pela fiscalização, e por trabalho do Escritório de Pesquisa e Investigação (ESPEI) da 7ª Região Fiscal da RFB, por meio de diligências in loco – transacionando mais de R$ 70 milhões em 2010 e mais de R$ 114 milhões em 2011, em notas fiscais fraudulentas (figuras demonstrativas à fl. 8030); (c) a “LUCKMETAIS” foi constituída em 13/03/2007, em São Caetano/SP, por “JOÃO CARLOS” (70%) e sócia que se retirou após dois meses, transferindo suas cotas a “EDNALDO”, com capital social de R$ 100.000,00 e sem muita expressividade econômica, mas que movimentou cerca de R$ 189 milhões entre 2009 e 2011, e transferiu, durante a fiscalização, seu endereço para Curitiba/PR, onde obteve baixa da respectiva pessoa jurídica; (d) iniciado o procedimento fiscal em 29/04/2013, o contribuinte “LUCKMETAIS” foi intimado a apresentar documentação, tendo retornado o termo de intimação, via correios, com a mensagem de “MUDOUSE”, apesar de o endereço ser o informado à RFB em cadastro, o que ensejou nova intimação, por edital; (e) não apresentados os extratos bancários solicitados, foi demandada Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF); (f) intimado o sócio “EDNALDO”, em seu domicílio informado à RFB, em virtude de não ter sido localizada a empresa, também este termo de intimação retornou, via correios, com a mensagem de “NÃO EXISTE O NÚMERO INDICADO”; (g) em diligência no endereço cadastral informado pela “LUCKMETAIS” à RFB, em 08/07/2013 foi encontrada uma loja de bijuterias (foto à fl. 8033), não tendo os proprietários nem o locador notícias sobre a “LUCKMETAIS”; (h) intimado o sócio “JOÃO CARLOS” a informar à RFB o novo endereço da empresa, houve ciência em 02/07/2013, e o endereço cadastral foi alterado para Curitiba, em 17/07/2013, mas a intimação enviada a tal endereço em 01/08/2013 retornou, via correios, com a mensagem de “AUSENTE”, e, em uma segunda tentativa, em 13/09/2013, com a mensagem de “MUDOU SE”, verificandose que o contribuinte havia promovido a sua baixa no seu novo domicílio fiscal em Curitiba/PR; (i) analisandose os extratos obtidos junto ao banco, via RMF, foram verificados cheques relativos a compras de diversos fornecedores, intimandose o sócio “JOÃO CARLOS” (que consta no cartão de assinaturas do banco) a comprovara efetiva aquisição das mercadorias por documentação hábil, não tendo sido apresentados os documentos em uma primeira intimação, e, em segunda intimação, entregues algumas duplicatas e comprovantes de pagamento referentes aos anos de 2010 e 2011 (discriminação às fls. 8035/8036); (j) intimada a apresentar conhecimentos de transporte e comprovantes de seu pagamento, não houve resposta, nem informação se o transporte teria sido efetuado por meios próprios; (k) verificado que havia indícios de irregularidades nas empresas que teriam emitidos as notas fiscais (ausência de registro de movimentação financeira, ausência de entregas de declaração à RFB, sócios com patrimônio incompatível com o volume transacionado, e inexistência de fato – análise dos fornecedores “ALUMIBRAS”, “DOGMA”, “LASAC”, “POLLYBRASIL”, “RCPROAMBIENTE”, “SUDCOBRE”, “FRAGA”, “POLIMET”, “BLACK STAR”, “FONTINY”, “GALEÃO”, “LEVAL”, “LORETO”, “MURION”, “O.M.C”, “ROTHAPLASMET”, “TEKNOYA”, “UNA” e “VEIGA”, às fls. 8939 a 8959, na qual se percebe a total ausência de entrega de DIPJ, GPIF, além de não habilitação no SINTEGRA e relação entre os sócios de algumas empresas fornecedoras), o contribuinte foi informado, solicitandose que apresentasse documentos que comprovassem a efetiva entrega das mercadorias (relacionados às fls. 8937/8938), tendo sido apresentados, em resposta, notas fiscais de compras e de vendas, e cópias de livro de registro de entradas 2010/2011, informandose que em função do encerramento da empresa, outros documentos não foram arquivados, e que todas as aquisições eram feitas a partir de pedidos de compra (que não apresentou), e que avaliava os fornecedores dentro das exigência das ISO9000; (l) com base nas informações das diligências, foi aberta fiscalização na empresa “TRANSFORME Ind. E Com. De Metais e Papéis LTDA” (doravante “TRANSFORME”), em São Bernardo do Campo/SP, sendo verificado que a “LUCKMETAIS” registrava operações contábeis simuladas/inexistentes, com o objetivo de aumentar o passivo da conta fornecedores, emitindo cheques para o pagamento de título comercial para transparecer a existência das operações Fl. 14130DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.129 5 perante os fiscos, mas os recursos de tais cheques eram direcionados a pessoas totalmente estranhas às operações, à margem das escritas fiscal/contábil, totalizando movimentação de mais de R$ 3 bilhões (cf. tabela de fl. 8961 e gráfico do modus operandi à fl. 8964); (m) as movimentações das empresas (localizadas nos Estados de SP e RJ) eram feitas majoritariamente em uma mesma agência do Bradesco (radial LesteUSP), em contas de diferentes empresas, várias com números sequenciais, e divergem da contabilidade (exemplos às fls. 8962 a 8964, onde se destaca que a fraude é similar à praticada pelas demais empresas analisadas no “Relatório Geral de Auditorias”); (n) glosados os créditos das aquisições, foram, por consequência, lançados os valores que passaram a ser devidos, a título das contribuições (cf. tabela de fl. 8968), com multa majorada para 150%, em função da prática reiterada, sistemática e dolosa de contabilizar pagamentos e operações comerciais fictícias com empresas inidôneas e inexistentes (art. 72 da Lei no 4.502/1964), com a devida representação fiscal para fins penais; (o) em relação à responsabilidade, foram incluídos como solidários os sócios da “LUCKMETAIS” à época dos fatos geradores, “JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”, verificandose para onde migravam os recursos após circularem entre as empresas participantes: as empresas “KOPRUM”, “EMPÓRIO”, “CIMEELI”, “NATURE”, que tinham em sues quadros societários “PAULO HENRIQUE” e “RAFAEL” (“KOPRUM”), “PAULO CESAR” e “JOÃO NATAL” (“EMPÓRIO”, “CIMEELI” e “NATURE”), sendo o principal articulador “JOÃO NATAL”, sócios de várias empresas e investimentos, que abastecia as contas correntes das empresas, principalmente na citada agência do Bradesco, em face das facilidades para abertura de contas e movimentações; e (p) várias empresas, sob controle da família Cerqueira (“PAULO HENRIQUE” e “RAFAEL”), nas quais participavam ainda “PAULO CESAR” e “JOÃO NATAL”, constituíam “caixa” para as operações, na forma descrita às fls. 8972/8984, onde aparece ainda outro integrante da família Cerqueira, “JOÃO ANDRÉ”, com fluxos e participações detalhados às fls. 8984/8985, pelo que a responsabilidade, com fundamento nos artigos 124, II e 135, III foi imputada a estas cinco pessoas físicas. Noticiase, ao final, que os autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL foram lavrados nos processos no 10932.720129/201484 (ano de 2009) e no 10932.720037/201585 (2010/2011), e o referente a IPI (2010/2011) no processo no 10932.720038/201520, e que, pelo fato de estar baixada a empresa “LUCKMETAIS”, a ciência se dá ao sócio responsável, “JOÃO CARLOS”. O “Relatório Geral de Auditorias” da chamada “OPERAÇÃO CORROSÃO” se encontra às fls. 9018 a 9131. “JOÃO NATAL”, acusado de principal articulador, é o primeiro a apresentar Impugnação, em 08/06/2015 (fls. 9135 a 9174), alegando, em síntese, que: (a) foi incluído de forma arbitrária como devedor solidário mesmo sem fazer parte do quadro societário da empresa “LUCKMETAIS”, e jamais ter se relacionado diretamente com tal empresa; (b) houve decadência, conforme art. 150, § 4o do CTN; (c) o lançamento é nulo por impossibilidade de invocar simultaneamente as responsabilidades referidas nos arts. 124 e 135 do CTN, como já decidiu o CARF; (d) não se configurou o interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN, não havendo sequer prova de relação direta entre o indicado como responsável e a autuada, e a solidariedade fundada no art. 124 somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo de relação obrigacional; (e) há inconsistência nos fatos indicados no trabalho fiscal para tentar fundamentar sua sujeição passiva solidária, existindo “ardil intenção fiscal de macular a imagem do impugnante”, ao trazer notícia sensacionalista ao processo; (f) não foi demonstrado qualquer envolvimento da empresa “NATURE” (da qual possui 99,99% das quotas sociais) na suposta fraude fiscal; (g) até 10/08/2010 era apenas acionista da “CIMEELI”, não compondo sua diretoria, e, depois disso, simples quotista, com participação de R$ 1,00; (h) não era sócio da empresa “KOPRUM” (que sequer figura como responsável solidária na autuação) em todo o período fiscalizado, e não participava de sua Fl. 14131DF CARF MF 6 administração, sendo arbitrário o trabalho fiscal de imputar responsabilidade a partir de indícios de recebimentos de valores por pessoa jurídica à qual não pertencia; (i) não participa, desde 2002, da empresa “EMPÓRIO”; (j) o trabalho fiscal não indica qualquer depósito ou transferência bancária que a empresa “LUCKMETAIS” (autuada) teria feito em seu favor, e imputar responsabilidade solidária com base em envolvimento indireto (em “itinerário” dos recursos) equivaleria a sujeitar a pessoa repetidas vezes à imputação pelo mesmo fato; (k) aplicase ao caso a “Teoria da Insignificância”, pois ainda que tenham sido depositados eventuais valores na conta bancária de sua titularidade, tais valores são ínfimos se comparados com os totais envolvidos na suposta fraude fiscal; (l) há ausência de comprovação do suposto redirecionamento dos recursos financeiros hipoteticamente recebidos pelas empresas “KOPRUM”, “CIMEELI” e “EMPÓRIO” aos “reais beneficiários”, sendo falaciosos o fluxo denominado de “Fluxo Financeiro Família Cerqueira”, apontando falhas referido no fluxo, como a ausência de individualização das condutas; (m) na dúvida sobre a aplicação a penalidade, deveria ser acolhido o externado no art. 112 do CTN; (n) o trabalho fiscal é nulo, pois, entendendo restar prejudicado o valor probante das notas fiscais que lastreariam as aquisições, deveria o fisco ter adotado o regime do lucro arbitrado para fins de apuração dos tributos devidos, conforme RIRart. 530; (o) com base nas declarações de IRPF, o laudo pericial contábil anexo à defesa (fls. 9309 a 9336) verifica que as alterações patrimoniais são compatíveis com a renda declarada e justificada; (p) a circunstância agravante cometida pela pessoa jurídica não se comunica com os responsáveis solidários, em função da personalização da pena; (q) a multa, no percentual aplicado (150%), é inconstitucional e confiscatória; e (r) demandase perícia técnica para resposta aos quesitos de fls. 9175/9176. “JOÃO ANDRÉ”, por seu turno, apresentou Impugnação em 08/07/2015 (fls. 9339 a 9369), alegando, basicamente, os mesmos argumentos que “JOÃO NATAL”, com a mesma demanda por diligência, e adicionando que “JOÃO ANDRÉ” sequer consta do “itinerário” dos recursos, não tendo recebido transferências bancárias ou depósitos. “PAULO CESAR”, por sua vez, apresentou Impugnação em 13/07/2015 (fls. 9482 a 9526), também invocando os argumentos trazidos pelos outros impugnantes (inclusive o de necessidade de perícia, com quesitos diversos), e agregando que foi utilizada prova ilícita, por quebra ilegal de sigilo bancário, e que a motivação de figurar no polo passivo se deve a participação no quadro societário de empresas que sequer foram autuadas, e a ser um dos reais beneficiários do esquema, o que não é comprovado. No mesmo sentido as Impugnações apresentadas por “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”, ainda em 13/07/2015 (fls. 9589 a 9621, com quesitos às fls. 9622/9623, e fls. 9723 a 9754, e quesitos às fls. 9755/9756). A empresa “LUCKMETAIS” apresentou, também, sua Impugnação, às fls. 9840 a 9978, assinada por “JOÃO CARLOS”, argumentando, em síntese, que: (a) a agência bancária do Bradesco referida pela fiscalização é conhecida por congregar como clientes empresas do ramo de matais, restando “conhecida no mercado pelos empresários de tais seguimentos” (sic), sendo livre a opção da empresa pela escolha de estabelecimento bancário; (b) a declaração de inidoneidade das empresas que transacionaram com a “LUCKMETAIS” não se presta a comprovar qualquer desvio de conduta desta, que sempre tomou todas as precauções no tocante à aquisição dos produtos, tudo devidamente pautado na conduta de boa fé, e não poderia a empresa saber do que nem o fisco ainda sabia; (c) as transações comerciais efetivamente ocorreram, como comprova a documentação entregue ao fisco, aplicandose ao caso o disposto no REsp no 1.148.444/MG, na sistemática do art. 543C do CPC então vigente, e Súmula STJ no 509, que esclarecem que o adquirente de boafé não pode ser responsabilizado por verificação de futura inidoneidade da documentação apresentada pelo vendedor; (d) é inconcebível que depósitos e movimentações financeiras, sem provas, sejam presumidos como Fl. 14132DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.130 7 fraudulentos, sendo ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, conforme Súmula no 182, do extinto TFR; (e) houve violação ao contraditório e à ampla defesa, por ausência de relatório final conclusivo e elucidativo dos fatos, e ausência de acesso a anexos (colacionando dezenas de páginas de excertos gerais e abstratos acadêmicos que se prestariam a qualquer processo administrativo), para afirmar que não lhe foram disponibilizados relatório final e anexos; (f) houve infringência ao princípio da vedação ao confisco, com a multa no patamar de 150%, havendo posicionamento de tribunais superiores sobre a confiscatoriedade de multas como a de 75%, reduzindoa a 20%; (g) houve incongruências e inconsistências no lançamento, sem apontalas especificamente, mas afirmando que foi demonstrada a regularidade de todas as operações pela empresa; (h) é ônus do fisco comprovar que não merece fé o que consta na documentação fiscal; (i) basta ao fisco verificar seu banco de dados para saber que houve efetivo recolhimento dos tributos e contribuições decorrentes do exercício de sua atividade; (j) em momento alguma a empresa transacionou com as empresas “SOHO”, “CARMAX”, “FORT”, “SPARTACO”, “W.G.M.” e “SELTA”, havendo erro material do lançamento nesse aspecto; (k) várias das empresas tidas como inidôneas/inexistentes continuam ativas, com estoque, funcionários, e responsáveis legais, citando algumas à fl. 9922, assim como outros erros que atestariam a desídia da fiscalização; (l) no caso de multa majorada (150%) não há responsabilidade de sócio (mencionando “André Attivo”) a menos que comprovada uma das hipóteses do art. 135 do CTN, que não opera conjuntamente com o art. 124 da mesma codificação; (m) a relação da empresa “LUCKMETAIS” com o Sr. “JOÃO NATAL”, e suas empresas, é comercial, e a empresa “TRANSFORME “ existe, tem sede, estoque e responsáveis; e (n) é ilegal e inconstitucional a quebra de sigilo bancário. Ao final de sua defesa, tece a empresa considerações gerais sobre os princípios da capacidade contributiva e da isonomia tributária, voltando a defender, agora com menções acadêmicas/jurisprudenciais, a constitucionalidade da quebra de sigilo bancário, e a tratar novamente do tema da relação comercial da empresa “LUCKMETAIS” com outras. Conforme documento de fl. 13767, ocorreu revelia em relação a “JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”, sendo consideradas tempestivas as cinco impugnações apresentadas pelas pessoas físicas, e intempestiva a apresentada pela pessoa jurídica. A decisão de primeira instância (fls. 13769 a 13841), proferida em 18/08/2016, foi, por unanimidade de votos, pela improcedência das impugnações apresentadas pelas pessoas naturais, responsáveis solidários pelos créditos tributários constituídos, e pelo não conhecimento da impugnação apresentada pela pessoa jurídica autuada, dada a intempestividade do feito, sob os seguintes fundamentos: (a) a notificação à pessoa jurídica se deu em 12/06/2015 (em que pese a peça recursal sustentar, sem prova, que a ciência teria sido em 19/06/2015 – fl. 9841), sendo a impugnação datada de 14/07/2015 recepcionada na repartição fiscal em 17/07/2015 (fl. 13765), o que caracteriza intempestividade, ensejando o não conhecimento da peça; (b) aplicase ao caso o disposto no art. 173, I, do CTN, não havendo que se falar em decadência, tendo em vista a existência de dolo; (c) não restou caracterizada nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto no 70.235/1972; (d) não é necessária a realização de perícia, tendo em vista os robustos elementos probatórios que figuram no processo; (e) nenhum dos dois sócios da “LUCKMETAIS” (“JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”, ambos revéis) possui capacidade econômica que respalde a movimentação financeira da empresa, da ordem de mais de R$ 255 milhões no período verificado, o que demonstra se tratarem de interpostas pessoas, conclusão que pode ser confirmada pela análise de suas declarações de ajuste anuais juntadas ao presente processo; (f) no contexto delituoso a empresa “LUCKMETAIS” ostentava o status de ser uma das produtoras dos chamados créditos tributários podres, já que simulava ter comprado Fl. 14133DF CARF MF 8 mercadorias e/ou matériasprimas de várias outras empresas que atuavam como pseudofornecedoras (“noteiras”), transacionando fictamente com empresas inexistentes cerca de R$ 146 milhões em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta; (g) a empresa não apresentou documentação que comprovasse os créditos das contribuições em DACON, após intimada; (h) a análise detalhada da situação dos fornecedores (que não recolhiam tributo algum, nem apresentavam declarações fiscais, e sequer tinham existência física) levou à conclusão pela inexistência fática das transações, glosandose os créditos apropriados das contribuições (referindo exemplos, nos quais o pagamento reverteu à própria “LUCKMETAIS”, para destinatários diversos); (i) tendo em vista tudo o que foi apurado e demonstrado, chegase à conclusão de se estar perante uma simulação fraudulenta, concretizada no bojo das empresas diligenciadas na chamada “Operação Corrosão”, em que foi apurada a inexistência fática das pessoas jurídicas, a presença de interpostas pessoas seus contratos sociais, o que se deu em razão da existência de uma organização voltada para a apuração de créditos inexistentes, como denunciado pela fiscalização, arquitetada por empresários que, possuindo o chamado “domínio do fato”, fizeram o dinheiro transitar de forma virtual entre as empresas “noteiras” para, em uma etapa posterior, retornar significativa parcela dos recursos para organizações empresariais de suas respectivas propriedades, seja como quotistas, seja como acionistas, ainda que as participações tenham se dado por meio de outras pessoas jurídicas”; (j) consoante estatuído pelo art. 8o, II, da Lei no 10.637, de 2002, e pelo art. 10, II, da Lei no 10.833, de 2003, que tratam da apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, permanecem sujeitas ao regramento estabelecido para a apuração cumulativa das contribuições sociais em apreço as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (k) os recursos das operações simuladas eram destinados a terceiros estranhos às operações registradas, acabando por desaguar em diversas empresas em que as pessoas naturais responsabilizadas de forma solidária possuíam participação societária, e, em algumas ocasiões, os recursos foram depositados diretamente em contas bancárias pertencentes às ditas pessoas naturais (mais de R$ 34 milhões saíram das contas da “LUCKMETAIS” para irrigar contas de pessoas jurídicas que a fiscalização demonstrou serem inexistentes de fato”, sob a órbita das citadas pessoas físicas, o que leva à regularidade da responsabilização, inclusive pela multa de ofício majorada (150%), cuja constitucionalidade não comporta discussão administrativa; e (l) há precedentes do CARF que admitem expressamente a responsabilização de dirigentes formais ou informais, em “grupo econômico”. A ciência da decisão de piso ocorreu em 13/12/2016 para “JOÃO NATAL”, “JOÃO ANDRÉ”, “PAULO HENRIQUE” e “RAFAEL” e (fls. 13902 a 13905), sendo “JOÃO CARLOS”, revel, em seu nome e da empresa “LUCKMETAIS”, que teve a impugnação não conhecida, cientificado da decisão de piso em 14/12/2016 (fls. 13906/13907), e “EDNALDO”, igualmente revel, cientificado por edital (fl. 14119), após tentativa frustrada pela via postal (fls. 14116/14117). “PAULO CESAR”, para quem sequer havia documento comprovando a ciência da decisão de piso, apresentou Recurso Voluntário em 10/01/2017 (fls. 13909 a 13953), reiterando as alegações de decadência, ilegitimidade passiva por ausência de interesse comum, econômico e jurídico, destacando que não pertence à chamada “família Cerqueira”, e que não participava com poder de decisão nas empresas citadas no relatório fiscal, e recebeu um único depósito, no valor de R$ 17.500,00, que não adveio da “LUCKMETAIS”, aplicandose ao caso o art. 112 do CTN. No mais, reitera a alegação de confiscatoriedade da multa aplicada, e reitera a demanda por perícia, alegando que a negativa por parte da DRJ feriu seu direito de defesa. Os integrantes da família “Cerqueira”, “JOÃO ANDRÉ”, “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”, apresentaram Recursos Voluntários em 11/01/2017 (fls. 13966 a 13998, 13999 a 14028, e 14029 a 14114, respectivamente) sustentando, basicamente, em reiteração ao já argumentado nas impugnações, que: (a) ocorreu decadência; (b) o lançamento nulo por vício insanável na motivação de sujeição passiva aos e invocar conjuntamente os arts. Fl. 14134DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.131 9 124 e 135 do CTN; (c) não restou configurada, no caso, a responsabilidade solidária por ausência de interesse comum, jurídico e econômico, por não figurarem os sujeitos no mesmo polo da relação obrigacional, e por ser inconsistente a demonstração individualizada da responsabilidade, inclusive no que se refere à majoração da multa, devendo, no caso de dúvida, ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN; (d) o lançamento é improcedente, por não ter sido utilizado o lucro arbitrado, o que ensejaria a apuração das contribuições pelo regime cumulativo; e (e) a majoração da multa a torna confiscatória. Adicionam ainda que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa na negativa de concessão, pela DRJ, da perícia solicitada, e que a família “Cerqueira” tem tradição no comércio de metais, em função do trabalho desenvolvido pelo pai, “JOÃO NATAL”, e que as empresas em discussão faziam parte de um planejamento sucessório, sendo que os filhos “JOÃO ANDRÉ” (com 22 anos e estudante de Ciências Biológicas ao tempo dos fatos, e que só veio a ter conta bancária em 2013), “RAFAEL” (à época com 23 anos e também estudante) e “PAULO HENRIQUE” (à época com 25 anos, e, igualmente, estudante) não detinham poderes de administração nas empresas, mencionandose o entendimento da DRJ no processo no 10932.720038/201520, também da “LUCKMETAIS” (em relação a “JOÃO ANDRÉ”). Na peça recursal de “PAULO HENRIQUE” é mais detalhada a argumentação em relação à alegação de ausência de comprovação, por parte do fisco, do “itinerário dos recursos” (fls. 14043 a 14101), no sentido de que a argumentação do fisco de que os recursos seriam advindos da “LUCKMETAIS” é conflitante com a referente aos processos da “STAR METALS” e da “ANSESIL”, entre outros, havendo a responsabilização das mesmas pessoas físicas, em processos distintos, pelos mesmos fatos, e de que há equívocos em relação ao quadro societário da “KOPRUM” ao longo do tempo, no relatório fiscal, pois a empresa, até 13/10/2010, não tinha nos quadros societários membros da família “Cerqueira”, havendo ainda equívocos em relação ao movimento de valores (com cômputos de saídas como se fossem entradas – fls. 14062 e seguintes). Na Informação Fiscal de fl. 14121, entendeuse pela tempestividade do recurso de “RAFAEL”, e que, pelo fato de o recurso ser “total”, aproveitaria aos demais, nos termos do art. 7o da Portaria RFB no 2.284, de 29/11/2010. No CARF, o processo foi sorteado e devolvido, em 03/05/2018, por extinção do mandato da conselheira relatora original (fl. 14124), sendo a mim redistribuído, por sorteio, em outubro de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator 1. Da Admissibilidade dos recursos Na verificação em relação à tempestividade dos recursos apresentados, percebo, preliminarmente, que não consta no processo a comprovação da ciência da decisão de piso ao recorrente “PAULO CESAR”. À fl. 13881, temse a intimação a ser destinada a tal Fl. 14135DF CARF MF 10 sujeito passivo, datada de 07/12/2016, ao lado das demais intimações (inclusive de sujeitos passivos que já não compunham o contencioso). Apesar de figurarem oito intimações às fls. 13849 a 13901, há apenas seis documentos de ciência, às fls. 13902 a 13907, que se somam a um sétimo (fls. 14116/14117), sem sucesso, vertido posteriormente em edital (fls. 14118/14119). No envio ao CARF, a unidade preparadora da RFB sequer se manifesta sobre a tempestividade dos recursos voluntários, à exceção do apresentado por “RAFAEL”, que foi entendido como tempestivo, e aproveitado aos demais sujeitos passivos, com fundamento na Portaria RFB no 2.284, de 29/11/2010, que foi recentemente revogada, pela Portaria RFB no 2.123, de 27/12/2018, que não deu novo tratamento à matéria. Eis a Informação Fiscal de envio do processo ao CARF (fl. 14121): Como o Recurso Voluntário apresentado por “PAULO CESAR” foi apresentado em 10/01/2017, entendo que há dúvidas sobre sua tempestividade, visto que a unidade preparadora da RFB poderia têlo cientificado ainda em 07/12/2016, tornando a data derradeira após o trintídio recursal o dia 06/01/2017 (sextafeira). Como nos demais documentos de ciência assinados em 07/12/2016, a efetiva ciência somente se deu após 13/12/2016, é razoável crer, no entanto, que a peça apresentada em 10/01/2017 (digase, antes de todos os demais recorrentes) seja tempestiva. Os demais recorrentes, filhos de “JOÃO NATAL” (“JOÃO ANDRÉ”, “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”) apresentaram peças recursais em 11/01/2017, tendo sido cientificados da decisão e piso em 13/12/2016, sendo tempestivos, assim, os recursos voluntários. Cabe, no entanto, destacar que são revéis os seguintes sujeitos passivos: “LUCKMETAIS”, “JOÃO NATAL”, “JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”. Seguese, assim, na análise dos recursos voluntários apresentados por “PAULO CESAR”, “JOÃO ANDRÉ”, “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”, já recordando que o próprio Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal (TVCAF), à fl. 8986, asseverou: Fl. 14136DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.132 11 2. Dos processos referentes a IRPJ e CSLL Em consulta ao sítio web do CARF, percebese que o processo referente a IRPJ e CSLL do mesmo período (2010/2011), de no 10932.720037/201585, foi recentemente julgado por meio do Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018, tendo sido negado provimento ao recurso de ofício, de forma unânime: “LUCRO ARBITRADO. DEVER DA FISCALIZAÇÃO. Em que pese ser uma medida excepcional, a apuração pelo arbitramento é obrigatória, caso a fiscalização constate a presença de um dos requisitos elencados na legislação que determinam essa forma de apuração, devendo a constituição do crédito tributário se dar com base no lucro arbitrado. É nula autuação que, ao invés de apurar o lucro arbitrado, constitui o crédito tributário pela forma de tributação de opção do contribuinte.” (grifo nosso) Concordou o CARF, no caso, com a decisão da DRJ, no sentido de que o art. 47, II, da Lei no 8.981/1995 determina que o lucro será arbitrado quando “a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável...”, sendo tal ditame seguido pelo art. 530 do RIR/1999. O relator, na DRJ, em tal processo, chegou a afirmar que caso a tributação ocorresse pelo arbitramento, os montantes seriam bem inferiores: “Para o anocalendário 2010, totalizandose os valores, temse que se a tributação ocorresse pelo arbitramento dos lucros o resultado seria de R$2.273.675,49. Como a tributação foi efetivada com no lucro real, a autoridade lançadora chegou ao resultado de R$17.592.887,98. Quanto ao anocalendário 2011, a tributação pelo lucro arbitrado seria de um montante de R$2.893.372,89, enquanto pelo lucro real foi de R$28.486.460,22.” O processo referente ao IPI do mesmo período (2010/2011), de no 10932.720038/201520, também foi recentemente julgado, por meio da Resolução no 3301 001.008, de 29/11/2018, na qual se decidiu unanimemente declinar da competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. Fl. 14137DF CARF MF 12 Verificando a ação fiscal, inicialmente destinada a apuração de IRPJ, percebese que sua amplitude, a partir do termo de fl. 5676, passa a: Diante do narrado no TVCAF, não se tem a mínima dúvida de que as autuações referentes aos distintos tributos derivam dos mesmos elementos de prova, apurados inicialmente na chamada “Operação Corrosão”. Caracterizada assim a situação de processos “reflexos”, na definição estabelecida pelo Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015, suscitando a discussão sobre a competência para julgamento: “Art. 2o À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF no 152, de 2016) (...) Art. 6o Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1o Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (...) Fl. 14138DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.133 13 § 2o Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. (...)” (grifo nosso) Entendo, no caso, que diante da prolação de decisão, no processo principal, no 10932.720037/201585 (Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018), ainda que não definitiva, pois pendente de apreciação Recurso Especial da Fazenda Nacional, deve seguir este colegiado na análise do presente contencioso. 3. Da adoção do regime de lucro (real ou arbitrado) e seu impacto na presente autuação E o primeiro tema a analisar, que é prejudicial aos demais, se refere exatamente ao motivo da improcedência unânime da autuação de IRPJ e CSLL para o mesmo período: a alegação de que seria obrigatória a adoção do lucro arbitrado, e, por com sequência, da apuração das contribuições (COFINS e Contribuição para o PIS/PASEP) pela sistemática cumulativa. Colacionese, inicialmente, a fundamentação legal invocada no Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018, o art. 47, II, da Lei no 8.981/1995 (presente no art. 530 do RIR/1999, e no art. 603 do RIR/2018): “SEÇÃO V Do Regime de Tributação com Base no Lucro Arbitrado Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. (...)” (grifo nosso) A legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa (Lei no 10.637/2002), em seu art. 8o, II, dispõe que “[p]ermanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei... as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado”. No mesmo sentido a Lei no 10.833/2003, art. 10, II, versando sobre a COFINS não cumulativa. Assim, aplicarseia às referidas contribuições, na hipótese de lucro arbitrado de IRPJ, entendida como obrigatória no Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018, a sistemática da cumulatividade, não havendo que se falar em créditos. Fl. 14139DF CARF MF 14 Contudo, não comungamos do entendimento expresso no Acórdão no 1302 003.012, de 15/08/2018. Em relação à mesma “Operação Corrosão”, cabe destacar a decisão igualmente unânime, em sentido diverso, dada pelo Acórdão no 1402002.459, de 11/04/2017: “CUSTOS INDEDUTÍVEIS. LUCRO ARBITRADO. Nos casos de lançamento por glosa de custos tidos como inexistentes, não há que se falar na necessidade de arbitramento para evitar que se tribute receita como se lucro fosse. Ademais, no presente caso, o valor glosado não tem relevância significativa em relação aos recursos financeiros movimentados pela pessoa jurídica de forma a justificar a apuração do resultado por lucro arbitrado.” A nosso ver, pouco sentido faz a aplicação do art. 47, II, da Lei no 8.981/1995, nos casos em que se verifica, de forma determinada/específica, quais as operações simuladas que foram escrituradas em desacordo com a real transação, permitindo a determinação da base de cálculo dos créditos tomados. No caso em análise, o próprio propósito da fraude apontada pela fiscalização é exatamente a tomada de créditos. E, a partir do procedimento fiscal, é possível saber quais foram os créditos tomados indevidamente: aqueles de operações de compra e venda que, embora escrituradas, sequer existiram. Tanto que, no Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018, originário dos mesmos fatos aqui apurados, foi possível ao julgador de piso discernir o que, a seu juízo, “deveria ter feito a fiscalização”, quantificando os valores de lucro (real e arbitrado), por período. No caso das contribuições, entendo que as consequências de um ou outro caminho adotado em relação a IRPJ e CSLL, no entanto, não trazem maiores sobressaltos ao deslinde do contencioso, pois ambas apontam para a não acolhida integral dos créditos demandados pela empresa (e glosados pela fiscalização). E esse entendimento só endossa a decisão pelo seguimento do julgamento. Rechaço, portanto, a alegação de que o regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, no processo no 10932.720037/201585, julgado (ainda não definitivamente) pelo Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018, macule a discussão no presente processo, referente a lançamento das contribuições (COFINS e Contribuição para o PIS/PASEP), assim como a alegação de que eventual adoção de regime entendido como incorreto pelo julgador, naqueles autos, possa afetar a quantificação do lançamento referente a glosas de crédito de contribuições aqui travado. 4. Da negativa de perícia pela instância de piso e dos novos pedidos de perícia Suscitase, ainda, em sede recursal, a nulidade da decisão de piso pela denegação da demanda por perícia, o que teria cerceado a defesa dos recorrentes. Sobre o tema, a DRJ expressa que cinco impugnantes demandaram perícia, e que os requisitos formais (basicamente, elaboração de quesitos e designação de responsável pelo acompanhamento) estariam preenchidos, mas, materialmente, a perícia era desnecessária, ante à “suficiência e a robustez da instrução processual levada a termo pela autoridade fiscalizadora” (fl. 13812), que esclarecia todos os pontos controversos levantados pelos então impugnantes. Fl. 14140DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.134 15 Verificandose tanto os quesitos das diligências demandadas (fls. 9175/9176, 9370/9371, 9523/9524, 9622/9623 e 9755/9756), quanto a análise efetuada pelo julgador de piso em relação às provas produzidas pelas partes, percebese que assiste razão à DRJ. Questões referentes a qual o período autuado, qual descrição do fato, ou quem são os sujeitos passivos, quais as pessoas envolvidas no “esquema” ou os montantes envolvidos/destinatários de recursos, ou qual o objeto da autuação, ou ainda quais as datas de ciência, são flagrantemente respondidas no próprio texto do TVCAF, que integra o Auto de Infração. Por seu turno, questões de direito, referentes a entendimento sobre cabimento de determinado regime, sobre a ocorrência de decadência ou sobre a confiabilidade ou não da contabilidade, não são afetas à perícia, mas à atividade do próprio julgador, que apenas deve demandar diligência caso tenha dúvida de fato. E são igualmente pouco afetas a perícia as indagações sobre a correção ou não do procedimento adotado pelo fisco, ou sobre quais outras empresas/pessoas deveriam/poderiam ser incluídas no lançamento, que constituem matéria de defesa, sob ônus probatório a cargo dos recorrentes, na medida em que rechaçam acusações documentadas pelo fisco. As demandas de perícia se prestam à formação e convicção do julgador, e não à produção de provas pelas partes. Estando o processo devidamente instruído pelas partes, e sendo os elementos nele constantes suficientes à decisão, o indeferimento de perícia não constitui cerceamento do direito de defesa, nem enseja nulidade processual. Assim, endossase o entendimento externado pela DRJ sobre a desnecessidade de perícia, reiterandose a negativa em relação à nova demanda pericial sequer detalhada em fase recursal, e rechaçandose a alegação de nulidade da decisão de piso por sua denegação, que não ensejou cerceamento do direito de defesa. 5. Da ocorrência de fraude, e suas consequências na majoração da multa e no cômputo da decadência Outro tema que afeta a todos os sujeitos passivos do contencioso é a existência ou não de fraude, e suas consequências sobre a multa de ofício aplicada (majoração de 75% para 150%) e sobre a decadência (deslocamento para o art. 173, I, do CTN). No entanto, não há, por parte dos recorrentes que restaram ativos no contencioso argumento substantivo de que não tenha existido fraude, no caso em análise. Cada qual se limita a negar sua participação no episódio, e a desqualificar o trabalho da fiscalização, acusando a multa de confiscatória e a solidariedade imputada de arbitrária. É indiscutível, no presente processo, que a empresa “LUCKMETAIS”, nos anos de 2010 e 2011, tendo no quadro societário duas pessoas de baixo patrimônio (incompatível com as transações) e que sequer continuam a apresentar defesas (“JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”), efetuou aquisições de mercadorias (da ordem de R$ 170 milhões) de empresas que não tinham existência de fato, tomando créditos de tais compras, pela não cumulatividade, sendo notório que não tomou as mínimas medidas cabíveis para evitar o ocorrido. Aliás, recordese que a própria “LUCKMETAIS”, que agora figura como revel, ao lado de seus sócios no polo passivo, sem apresentar defesa nesta fase contenciosa, Fl. 14141DF CARF MF 16 alterou sua sede e foi baixada, ambas as medidas adotadas no curso da fiscalização. Adicione se que o endereço da sede anterior, que transacionou as cifras mencionadas (embora não se possa afirmar com convicção que a empresa chegou a operar efetivamente aí, visto que a imobiliária declarou não ter intermediado locação à empresa, sem indicar qual seria tal intermediário), aparece em foto à fl. 8032: Basta ler o TCAF para saber (e não há controvérsias em relação a isso) quem foram os fornecedores indicados em documentos para as aquisições da “LUCKMETAIS”. Citamos aqui apenas os três primeiros da listagem elaborada no TCAF, já incentivando a leitura complementar dos excertos do TCAF em relação aos demais (fls. 8943 a 8959), para os quais (sintetizese aqui) se perceberá exatamente as mesmas características (para “POLLYBRASIL”, “RCPROAMBIENTE”, “SUDCOBRE”, “FRAGA”, “POLIMET”, “BLACK STAR”, “FONTINY”, “GALEÃO”, “LEVAL”, “LORETO”, “MURION”, “O.M.C”, “ROTHAPLASMET”, “TEKNOYA”, “UNA” e “VEIGA”), havendo intersecções societárias e de endereço, além de fotos reveladoras das instalações das empresas, inclusive sócios que, além de possuírem patrimônio incompatível com o volume transacionado, eram analfabetos (caso da “FONTINY”), ou declararam que suas assinaturas foram falsificadas nos documentos constitutivos (caso da “LEVAL”): Fornecedor Características ALUMIBRAS Endereço em Duque de Caxias/RJ, com elevada movimentação financeira entre 2009 e 2012, mas receita bruta declarada apenas em 2009, e um único funcionário, que é também sócio da “POLIMET”, fornecedora da “LUCKMETAIS”. Sócio principal com perfil econômico incompatível. Empresa não habilitada no SINTEGRA. Não se comprovou a efetiva entrega ou transporte de nenhuma mercadoria transacionada. DOGMA Endereço em Duque de Caxias/RJ, com elevada movimentação financeira entre 2009 e 2011, mas jamais apresentou DIPJ, GFIP, DCTF, nem recolheu tributos, e não tem funcionários registrados. Seu endereço é originalmente o mesmo das empresas “LASAC” e “NEWSMETAL”, também citadas na “Operação Corrosão”. No endereço atual, não foi Fl. 14142DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.135 17 localizada, pois o número é inexistente, e pessoas que vivem nas imediações desconhecem a empresa. Empresa não habilitada no SINTEGRA. Não se comprovou a efetiva entrega ou transporte de nenhuma mercadoria transacionada. LASAC Endereço em Duque de Caxias/RJ, com elevada movimentação financeira entre 2010 e 2012, jamais recolheu tributos ou apresentou DIPJ, DCTF, GFIP, nem informa empregados registrados. Seu endereço coincide com as empresas “DOGMA” e “NEWSMETAL”, também citadas na “Operação Corrosão”. Sócios com perfil econômico incompatível ao volume transacionado. Empresa não habilitada no SINTEGRA. Não se comprovou a efetiva entrega ou transporte de nenhuma mercadoria transacionada. Ademais, várias dessas empresas, entre outras, mencionadas na “Operação Corrosão”, apesar de serem sediadas em diferentes estados, várias no RJ, possuíam contas correntes e movimentações financeiras em uma mesma agência bancária (Ag. 0559Bradesco SP USP Radial Leste), com números de conta próximos, conforme se demonstra à fl. 8961/8962 (v.g., “LUCKMETAIS” e “ALUMIBRAS”). Aliás, no relatório referente à “Operação Corrosão” se atesta que algumas das contas de tal agência sequer possuíam cartões de assinaturas/autógrafos ou cadastros (fl. 9130). Nenhuma dessas informações é comprovadamente afastada pelas defesas, e seria absolutamente desprovido de lógica imaginar que a “LUCKMETAIS” fazia uma mínima checagem (ou mesmo visita) a seus fornecedores nesse cenário. Aliás, afastase qualquer invocação à boafé (que redundaria em reconhecimento das operações em face da jurisprudência dominante), pois em absolutamente nenhuma transação aqui discutida foi comprovado o transporte ou a entrega da mercadoria, sendo as operações meramente documentais. O que se vê, nas figuras de fl. 8930, que compilam as vendas milionárias à “LUCKMETAIS” em 2010 e 2011, efetuadas por empresas fornecedoras com idênticas características de ilicitude, perceptíveis a olho nu ao ser mediano, denota um esquema criado para gerar créditos e sonegar tributos, deixando aparente para o fisco uma empresa baixada, sem capacidade operacional, e com sócios de patrimônio incompatível com os volumes transacionados, todos eles já ausentes deste contencioso: Fl. 14143DF CARF MF 18 Daí o fisco ter seguido adiante, buscando identificar quem estava efetivamente por trás deste esquema, tarefa que só foi possível em face da requisição de movimentação financeira (na forma permitida na legislação – Lei Complementar no 105/2001, Lei no 9.430/1996 e Decreto no 3.724/2001), exatamente na já conhecida agência bancária. Não tenho, nesse cenário, nenhuma dúvida sobre a ocorrência de fraude, na forma disciplinada pelo art. 72 da Lei no 4.502/1964. É desafiante imaginar que a “LUCKMETAIS” possa ter sido desatenciosa e pouco diligente a tal ponto que tenha transacionado as substanciais cifras descritas com empresas que nunca existiram com operacionalidade para sua prática, realizando aquisições de mercadorias que sequer consegue comprovar que recebeu de fato ou entregou (nenhuma delas!). E, havendo fraude, aplicase a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, não havendo configuração de decadência no presente processo, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44). Sobre ser confiscatória tal multa, assim como inconstitucional eventual obtenção de dados bancários, cabe simplesmente remeter à legalidade e vigência de suas normas instituidoras, e á impossibilidade de discussão administrativa de constitucionalidade, bem estabelecida na Súmula CARF no 2: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No entanto, essa era a parte fácil do lançamento, e que já parecia esperada pela empresa “LUCKMETAIS”, preparada para ser a parte visível perante o fisco (e quem quer que a estivesse comandando de fato, já que os sócios, que se ausentaram deste contencioso, não comprovaram a contento fazêlo, embora sejam responsáveis de direito, de acordo com a legislação tributária). Necessário, então, perscrutar sobre a correção do procedimento fiscal na busca pela responsabilização de outras pessoas físicas, sem ligação societária com a “LUCKMETAIS”. É o que se faz a seguir, já esclarecendo que as conclusões aqui externadas são suficientes para a manutenção integral do lançamento em face de empresa “LUCKMETAIS”, e de seus sócios “JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”, revéis, assim como de “JOÃO NATAL”, que igualmente deixou transcorrer in albis o prazo recursal. Fl. 14144DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.136 19 6. Da responsabilidade das pessoas físicas Resta, no presente tópico, discutir a atribuição de responsabilidade a “PAULO CESAR”, “JOÃO ANDRÉ”, “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”, à luz de seus respectivos recursos voluntários apresentados. Antes da análise individualizada, no entanto, cabe enfrentar uma alegação geral de impossibilidade de cumulação de capitulação das reponsabilidades nos arts. 124 e 135 do CTN. Sobre tema conexo, já tratamos no Acórdão no 3403002.517, de 22/10/2013, entre outros, nos quais se aclarou que “a responsabilidade pessoal referida no art. 135 não implica o afastamento do contribuinte da relação tributária”: “SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 135, III DO CTN. SOLIDARIEDADE. Na hipótese prevista no art. 135, III do CTN não incorre em erro na eleição do sujeito passivo o lançamento efetuado contra o contribuinte. A responsabilidade pessoal referida no art. 135 não implica o afastamento do contribuinte da relação tributária.” (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 22.out.2013) (grifo nosso) Na ocasião, endossamos, com acolhida do colegiado, que não há relação excludente entre a responsabilização do art. 135 e aquela prevista, em geral, na legislação tributária (remetendo ao contribuinte): “Nesse tópico, há que se destacar, de início, que não se discorda da aplicabilidade do art. 135, III ao caso, mas se opõe veementemente à interpretação de que a responsabilidade aí tratada seja exclusiva, e afaste a figura do contribuinte. O tema é controverso, e nem de longe as poucas referências bibliográficas citadas no Recurso Voluntário espelham um entendimento doutrinário dominante. Poderíamos inclusive endossála, de início, com obra expressiva, de Luciano AMARO, que afirma que o dispositivo (art. 135, III do CTN) exclui do pólo passivo da obrigação a figura do contribuinte (que, em princípio, seria a pessoa em cujo nome e por cuja conta agiria o terceiro), ao dispor no sentido de que o executor do ato responda pessoalmente. A responsabilidade pessoal deve ter aí o sentido (que já se adivinhava no art. 131) de que ela não é compartilhada com o devedor “original” ou “natural”. Não se trata, portanto, de responsabilidade subsidiária do terceiro, nem de responsabilidade solidária. Somente o terceiro responde “pessoalmente”. Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver a prática de ato para o qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido Fl. 14145DF CARF MF 20 a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. [...] O problema está em se definir os atos a que se refere o art. 135. 2 (grifo nosso) Hugo de Brito MACHADO, no entanto, considera inaceitável tal entendimento, afirmando que A lei diz que são pessoalmente responsáveis, mas não são os únicos. A exclusão da responsabilidade, a nosso ver, teria de ser expressa. Com efeito, a responsabilidade do contribuinte decorre de sua condição de sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária. Independe de disposição legal que expressamente a estabeleça. Assim, em se tratando de responsabilidade inerente à própria condição de contribuinte, não é razoável admitirse que desapareça sem que a lei o diga expressamente. Isto, aliás, é o que se depreende do disposto no art. 128 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”. Pela mesma razão que se exige dispositivo legal expresso para a atribuição da responsabilidade a terceiro, também se há de exigir dispositivo legal expresso para excluir a responsabilidade do contribuinte. 3 (grifo nosso) Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro ALVES, em obra coordenada por Paulo Afonso Brum Vaz e Leandro Paulsen, redige artigo específico sobre o art. 135, III, do CTN, sustentando que [...] é de se ter em mente que a doutrina classificou a responsabilidade tributária como por substituição ou por transferência. Haverá responsabilidade por substituição quando é esquecido, desde logo, o contribuinte, e chamado a responder pela obrigação o responsável, e responsabilidade por transferência quando este somente é chamado a responder após a tentativa de satisfação da obrigação em face do contribuinte (subsidiária) ou quando são acionados de forma conjunta (solidariedade). [...] A este trabalho nos interessa uma modalidade de responsabilidade de terceiros, especialmente aquela delineada no art. 135, III, do CTN. Da análise inicial da responsabilidade tributária em sentido amplo, [...] temse que aquela prevista no art. 135, III, do CTN pode ser classificada como responsabilidade por transferência, pois há a exigência do tributos do contribuinte (a sociedade empresária), não sendo excluída a responsabilidade desta pelo cumprimento da obrigação. Aliás, conforme ensina Zenildo BODNAR, ainda que se proceda à responsabilização do sóciogerente ou do 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 318319. 3 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 21. ed. Malheiros: São Paulo, 2002, p. 142. Fl. 14146DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.137 21 administrador, esta não exclui a responsabilidade da pessoa jurídica, face ao princípio da separação patrimonial entre a pessoa jurídica e os seus sócios. 4 (grifo nosso). Outro trabalho específico sobre o tema, recentemente merecedor do Prêmio CARF 2010 de monografias em Direito Tributário, de autoria de Fabrizio Candia dos SANTOS, apresenta visão complementar sobre o tema, dispondo que [...] ao tratar da responsabilidade de terceiros, o CTN estabeleceu duas regras distintas: uma, conservando a sua caracterização de terceiro para vinculálo subsidiariamente ao credor nos casos em que, por sua omissão ou ação, reste inadimplida obrigação tributária. Em outra ponta, caso um ato ilícito do terceiro produza um fato gerador, deixa o mesmo (sic) de ser terceiro para vincularse pessoal e solidariamente à obrigação. A solidariedade decorre do comum interesse na situação que constitui o fato gerador, interesse esse revelado no momento em que excede os limites da lei. 5 (grifo nosso) A análise destes dois últimos posicionamentos é ainda mais enriquecedora quando aliada aos ensinamentos de Paulo de Barros CARVALHO, que entende tratarem os artigos referentes à responsabilidade de terceiros (como o art. 135) não de uma relação tributária, mas de uma relação de cunho obrigacional, de índole sancionatória (sanção administrativa): Nosso entendimento é no sentido de que as relações jurídicas integradas por sujeitos passivos alheios ao fato tributado apresentam a natureza de sanções administrativas. [...] Tudo fica mais evidente, porém, quando atinamos ao disposto na Seção II – “Responsabilidade de Terceiros”. Sob o manto jurídico da solidariedade, escondese a providência sancionatória, de maneira nítida e insofismável. [...] Cremos haver demonstrado a natureza do vínculo que se instala, sempre que pessoa externa ao acontecimento do fato jurídico tributário é transportada para o tópico de sujeito passivo. Teremos uma relação jurídica, de cunho obrigacional, mas de índole sancionatória. Alguns autores invocam a extinção da obrigação tributária, quando o responsável paga a dívida, como um argumento contrário à tese que advogamos. O argumento, todavia, é inconsistente. Nada obsta a que o legislador declare extinta 4 ALVES, Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro. Resstudo da responsabilidade tributária (Art. 135, III, do CTN) em face da Lei COmplementar n. 123, de 14122006. In PAULSEN, Leandro; VAZ, Paulo Afonso Brum (org.). Curso Modular de Direito Tributário. Florianópolis: Conceito, 2008, p. 213214. 5 SANTOS, Fabrizio Candia dos. A responsabilidade tributária de todos os sócios na dissolução irregular de sociedades limitadas. In I Prêmio CARF de monografias em direito tributário 2010. Brasília: Valentim, 2011, p. 225226. Fl. 14147DF CARF MF 22 a obrigação tributária, no mesmo instante em que também se extingue a relação sancionatória. Dáse por satisfeito, havendo conseguido seu objetivo final. 6 (grifo nosso) A que obrigação tributária se refere o professor da PUC/SP, quando fala que o legislador pode declarála extinta com o termo da relação sancionatória? Certamente o rigor terminológico do mestre não faria com que sustentasse que está extinta uma obrigação que jamais nasceu. E se ela nasceu, tem alguém no pólo passivo. E esse alguém é originariamente o contribuinte. Percebase que aquilo que Paulo de Barros CARVALHO designa como sanção administrativa é albergado pela chamada responsabilidade tributária em sentido amplo, referida por Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro ALVES. E notese ainda que, independentemente de ser designada a pessoa a que se refere o art. 135, III como responsável tributário ou responsável por sanção administrativa, a figura do contribuinte é inafastável. Arrematese a discussão sobre o tema com a ponderação de Ricardo Lobo TORRES, que objetivamente assevera que Outra coisa é a responsabilidade de que cuida o art. 135. Nela existe a solidariedade ab initio, e o responsável se coloca junto do contribuinte desde a ocorrência do fato gerador. [...]. A Fazenda credora pode dirigir a execução contra o contribuinte ou o responsável. 7 (grifo nosso) Aliás, esse é o entendimento externado por este CARF em decisões recentes. A título ilustrativo, transcrevase excerto de Acórdão unânime da 1a Seção, proferido em 2011: “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. SOLIDARIEDADE. I Condutas do sócioadministrador, desde a não escrituração das operações contábeis, passando pelo não envio declarações obrigatórias de pessoa jurídica, consubstanciaram uma série de atos ordenados, um por um, visando ocultar as receitas auferidas que deveriam ter sido oferecidas á tributação. Tais ações e omissões, além de infringirem a legislação comercial e tributária vigente, caracterizaram o dolo, restando demonstrada subsunção ao inciso III, art. 135 do CTN. II O termo “pessoalmente responsável”, do artigo 135 do CTN, trata de responsabilidade surgida direta e pessoalmente, o que não quer dizer, contudo, que a pessoa jurídica fique desobrigada, até porque, caso o fosse, deveria haver uma menção expressa de exclusão de responsabilidade. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.O decidido em relação à matéria principal estendese aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação. 8 (grifo nosso) 6 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 324327. 7 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Tributário e Financeiro. 14. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2007, p. 268. 8 CARF. Acórdão 1302000.458. 3a Câmara. 1a Seção. Rel. Cons. Marcos Rodrigues de Mello, unânime, Sessão de 26.jan.2011. Fl. 14148DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.138 23 Também nesta turma, a matéria já foi assim decidida de forma unânime, recentemente: “SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 135, III DO CTN. SOLIDARIEDADE. Na hipótese prevista no art. 135, III do CTN não incorre em erro na eleição do sujeito passivo o lançamento efetuado contra o contribuinte. A responsabilidade pessoal referida no art. 135 não implica o afastamento do contribuinte da relação tributária.” 9 (grifo nosso) A construção jurídica mais sólida, assim, a nosso ver, aponta para a manutenção do contribuinte na relação tributária, nas hipóteses de que trata o art. 135, III. Incabível, destarte, a alegação de haveria erro na eleição do sujeito passivo, por ser exclusiva a responsabilidade do terceiro.” (grifos no original) O raciocínio expendido é válido para enfrentar a acusação de que seriam incoerentes as figuras da responsabilidade solidária (art. 124 do CTN) e pessoal (art. 135 do CTN) em uma mesma imputação fiscal. Aliás, havendo provas de que pessoas, inclusive alheias aos quadros societários de empresa, atuaram organizadamente como grupo econômico ou para blindar o patrimônio da empresa, este colegiado já admitiu a menção a ambas as responsabilizações no mesmo procedimento: “RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. SÓCIOS E PESSOA JURÍDICA. GRUPO ECONÔMICO. ARTIGOS 124, I E 135, III, AMBOS DO CTN. INTERESSE COMUM. ILICITUDES COMETIDAS. DEFLAGRAÇÃO. Sócios e pessoa jurídica que formam grupo econômico com o interesse comum em lesar a Administração Pública, com farta documentação comprovando ilícitos em fraudes de merenda escolar, licitações e ausência de recolhimento de tributos são responsáveis tributários, a teor dos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN.” (Acórdão 3401 003.427, Rel. Cons. Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, maioria, sessão de 28.mar.2017) (grifo nosso) CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. CONFIGURAÇÃO. Nos termos dos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, há solidariedade entre os agentes quando houver interesse comum na situação que constitua o fato gerador, o que se verifica quando os dirigentes de grupo econômico empresarial, através de sucessivas alterações societárias e operações de cisão e incorporação, em clara violação da lei, transferem os ativos para determinadas pessoas jurídicas do conglomerado visando a blindagem do patrimônio contra ações tendentes à exigência e satisfação do crédito 9 CARF. Acórdãos 3403001.763 e 764, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 25.set.2012. Fl. 14149DF CARF MF 24 tributário constituído, o que também sujeita os envolvidos à responsabilidade pessoal pelo crédito respectivo.” (Acórdão 3401003.888, Rel. Cons. Robson José Bayerl, maioria, sessão de 26.jul.2017) (grifo nosso) Basta, assim, que reste delineada a forma pela qual as pessoas físicas que figuram no polo passivo da autuação possuem relação com a conduta imputada, para que se configure, dentro das figuras arroladas pelo CTN, a responsabilização, que, digase, não é excludente (entre as figuras). No presente processo, as autuações foram lavradas indicando como contribuinte a “LUCKMETAIS”, como “responsáveis solidários de direito” os sócios “JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”, e os demais como “responsáveis de fato” (fls. 8801/8802 e 8835/8836). Recordese que restam, no contencioso, apenas quatro “responsáveis de fato”, configurandose a revelia em relação a todas as figuras ostensivas da “LUCKMETAIS” (que, digase, não possuíam patrimônio nem estrutura compatível com o que foi transacionado). Afirma a fiscalização que, com base nas informações obtidas em diligências, foi aberta fiscalização na empresa “TRANSFORME” (e em 21 outras empresas do ramo, entre as quais a “LUCKMETAIS”), que registravam operações contábeis simuladas/inexistentes, com o objetivo de aumentar o passivo da conta fornecedores, emitindo cheques para o pagamento de título comercial para transparecer a existência das operações perante os fiscos, mas os recursos de tais cheques eram direcionados a pessoas totalmente estranhas às operações, à margem das escritas fiscal/contábil, totalizando movimentação de mais de R$ 3 bilhões, com o modus operandi abaixo esquematizado (fl. 8964): Assim, eram emitidos títulos falsos, em transações inexistentes de fato (como as aquisições de mercadorias pela “LUCKMETAIS”), e os pagamentos eram efetuados em cheques, sendo os recursos direcionados, conforme rastreamento dos recursos (nas citadas contas da mesma agência do Bradesco), a terceiras pessoas, estranhas às operações contabilmente registradas. Os exemplos de fls. 8962 a 8964 demonstram a contento, em seu conjunto, a nosso ver, que as transações bancárias não correspondiam a pagamento de mercadorias Fl. 14150DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.139 25 adquiridas (à margem da análise mais completa efetuada no relatório de fls. 9018 a 9131). No entanto, há que se verificar a motivação específica para a responsabilização das pessoas físicas consideradas responsáveis “de fato”, no lançamento. A fiscalização individualiza as condutas às fls. 8971 a 8985, onde descreve como os recursos percorriam itinerário até chegarem a destinatários, em regra, da família “Cerqueira”, sob o comando do patriarca “JOÃO NATAL”. No relatório da “Operação Corrosão” é acrescido a esse núcleo de controle “PAULO CESAR” (fl. 9031): “Entre os diversos “modus operandi” identificados e que serão minuciosamente descritos no decorrer deste relatório, constatamos que os reais beneficiários deste gigantesco embuste, que possuem o chamado “domínio dos fatos” , pessoas físicas e jurídicas, abasteciam financeiramente essas empresas, injetando recursos que peregrinavam entre as diversas contas correntes mantidas em sua grande parte na Agência 0559 SP/USP Radial Lesta do Banco Bradesco S\A e retornavam ao coração financeiro da quadrilha, seu caixa, mantido através de várias empresas ligadas aos nacionais e empresários JOÃO NATAL CERQUEIRA e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, seus familiares e suas empresas, estas sediadas nos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais (...)” (grifo nosso) Em tal relatório podem também ser visualizadas características e fotos das empresas do grupo identificadas na operação (fls. 9035 a 9113), e a relação intrincada entre elas, que, em sua maioria, possuíam contas na mesma agência bancária: “METALAZUL” (inexistente de fato e em nome de pessoa que declarou à Polícia desconhecer a empresa, mas controlada de fato por “EVERSON CHIRICO MARTINEZ”, da empresa “ANSESIL”, que assinava cheques da empresa, o que foi reconhecido pelo banco com a mensagem “autorizado por EVERSON” com cheques canalizados à família “ESCOBAR CERQUEIRA”); “STAR METALS” (igualmente inexistente e em nome de interpostas pessoas, que declararam desconhecer a empresa); “ANSESIL” (que tem “EVERSON” no quadro societário, com 95% das cotas); “CASEMETAL” (que atuava sob a interposição de “JOÃO CARLOS AVILEZ”, cujo advogado era primo de “EVERSON”); e “COBMETAIS” (com responsáveis analfabetos); assim como a “LUCKMETAIS”. E segue o relatório da “Operação Corrosão”, em excertos dos quais expurgamos as desnecessárias adjetivações e remissões a publicações em veículos de imprensa, preservando a tecnicidade (fls. 9113 a 9117): “Após a organização criminosa promoverem (sic) a simulação dos pagamentos dos títulos a essas empresas inidôneas, partícipes das fraudes, com a emissão dos cheques e emissão das notas fiscais, bem como as respectivas contabilizações desses eventos, visando transparecer plena legalidade aos olhos dos Fiscos Estaduais e Federal, já que haviam várias empresas constituídas em diversos pontos do território nacional, os recurso retornavam às contas correntes daqueles que possuíam o chamado “domínio do fato”, ou seja, o clã da família CERQUEIRA, o patriarca, João Natal Cerqueira e seu sócio PAULO CESAR VERLY DA CRUZ , bem como às empresas de direito e de fato desse (...) grupo econômico (...): Fl. 14151DF CARF MF 26 CIMEELI COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE METAIS E LIGAS LTDA, (...) constituída em 20/03/1996, (...) que tinha como quadro societário a empresa NATURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (...) com 99,99% de participação societária, JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 65286782868 com 0,01% de participação societária e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, CPF 49613120700 com 0,00% de participação na sociedade (...); NATURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 05/01/2006, (...) que tinha como quadro societário os empresários nacionais JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 65286782868 com 99,99% de participação societária e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ – CPF 49613120700, com 0,01% de participação societária respectivamente; P.R.J. PARTICIPAÇÕES, EMPREENDIMENTOS LTDA, (...) constituída em 13/11/2003, (...), tendo como quadro societário os empresários nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 06004614670 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 07044478603 com 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33 de participação societária respectivamente. Tramitou ainda na sociedade, JOÃO NATAL CERQUEIRA, CPF 65286782868 no período de 01/04/2011 a 14/01/2014; XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 09/07/2012, (...), tendo como quadro societário as empresas ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 10.461.488/000108, com 50% de participação societária, DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 07044478603 com 0% de participação societária, figurando como administrador. Tramitou também nesta sociedade, o nacional LUCAS NECESSIAN DE CARVALHO, CPF 09189671716 no período de 09/07/2012 a 18/12/2013; ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 21/09/2012, tendo como quadro societário as empresas DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.407.133/000130 com 50% e participação societária, ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.461.488/000108 com 50% de participação societária, e como administrador, a pessoa física de RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRACPF 07044478603 com 0% de participação societária respectivamente. Tramitou por esta sociedade, o nacional LUCAS NECESSIAN DE CARVALHO – CPF 09189671716 no período de 21/09/2012 a 18/12/2013; KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, (...) constituída em 13/04/2007, (...) tendo como quadro societário as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 13.576.294/000146 com 0,01 de participação societária, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 16.509.511/000173, com 99,99% de participação societária, as Fl. 14152DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.140 27 pessoas físicas de PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 06004614670 com 0% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA CPF 07044478603, como responsável pelo CNPJ na Secretaria da Receita Federal do Brasil; TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 29/03/2011, (...), tendo como quadro societário as empresas DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária, ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.461.488/000188 com 50% de participação societária e a pessoa física de RAFAEL ESCOBAER CERQUEIRA – CPF 07044478603 com 0% de participação societária, figurando como administrador no CNPJ; ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 07/11/2008, tendo como quadro societário os nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 06004614600 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 07044478603 COM 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33% de participação societária respectivamente; RAFAEL ESCOBAR EMPREENDIMENTOS LTDA – (...) constituída em 18/08/2003, (...) tendo como quadro societário os nacionais RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 07044478603 com 95% de participação societária e MARIA ANGELINA ZAIA ESCOBAR CERQUEIRA CPF 00721668860 com 5% de participação societária respectivamente; MARALINDAN EMPREENDIMENTOS LTDA, (...) constituída em 12/09/2005, (...), possuindo quadro societário composto pelas pessoas físicas PAULO CESAR VERLY DA CRUZ – CPF 49613120700 com 99,99% de participação societária e JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 65286782868 com 0,01% e participação societária respectivamente; DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 16/07/2009, (...), que tinha em seu quadro societário familiares de PAULO CESAR VERLY DA CRUZ e compunha tal empresa, ao mesmo tempo, a participação acionária em várias outras conforme acima demonstrado; EMPÓRIO DE METAIS LTDA (...) constituída em 03/12/1996, (...) tinha em seu quadro societário os empresários PAULO CESAR VERLY DA CRUZ – CPF 49613120700 e JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 652867828068 respectivamente.” (grifo nosso) Tais empresas eram, direta ou indiretamente (v.g., mediante sociedades em conta de participação SCP) o destino dos recursos das empresas inidôneas que realizavam as Fl. 14153DF CARF MF 28 pseudotransações, como se demonstra às fls. 9119 a 9121 (transações via SCP), e às fls. 9121 e seguintes, de onde se extrai: “Uma das principais empresas dessa organização, que tinha a função de atuar como uma espécie de “caixa”, era a KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 08.759.416/000108, que tinha como sócias as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA E XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, sendo que essas três empresas estavam sob controle da família “CERQUEIRA” do Estado de Minas Gerais. Ao percorrem o itinerário delituoso, os recursos eram direcionados principalmente à empresa inexistente de fato PERFIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA CNPJ 01035995/000182 e depois redirecionados a KOPRUM em forma de depósitos e/ou transferência em valores elevadíssimos. A KORPUM, possuía a denominação antiga de COMERCIO DE METAIS JARDINÓPOLIS LTDA. Vejamos a mecânica de retorno dos valores. (relação de cheques da PERFIBRAS para a COM. DE METAIS JARDINÓPOLIS à fl. 9123, à CIMEELI à fl. 9124) (Planilhas com os reais beneficiários às fls. 9125 a 9128)” Como exposto, em complemento ao referido relatório, a fiscalização individualiza as condutas dos responsáveis às fls. 8971 a 8985, onde descreve como os recursos percorriam itinerário até chegarem aos destinatários. A partir das transferências eletrônicas para a “PERFIBRAS”, os recursos eram direcionados à “KOPRUM”, a “JOÃO NATAL” e a “RAFAEL ESCOBAR EMPREENDIMENTOS”, como demonstrado às fls. 8973/8974, para valores substanciais. A partir das transferências para a “FRAGA”, os recursos eram direcionados a “EMPORIO”, “JOÃO NATAL” e a “RAFAEL”, conforme demonstrado às fls. 8974/8975. A partir das transferências para a “INGAÍ”, os recursos eram direcionados a “CIMEELI”, conforme demonstrado às fls. 8976/8977. A partir das transferências para a “ALUMIBRAS”, os recursos Fl. 14154DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.141 29 eram direcionados a “EMPORIO”, “JOÃO NATAL”, “RAFAEL”, “PAULO CESAR”, “RAFAEL ESCOBAR EMPREENDIMENTOS”, “ESCOBAR CERQUEIRA COM. VEÍCULOS” e “COM. DE METAIS JARDINÓPOLIS LTDA”, conforme demonstrado às fls. 8977 a 8980. A partir das transferências para a “ANSESIL”, os recursos eram direcionados a “EMPORIO”, “JOÃO NATAL” e “RAFAEL”, como demonstrado às fls. 8980 a 8983. E, a partir das transferências para a “STAR METALS”, os recursos eram também direcionados a “EMPORIO”, “JOÃO NATAL” e “RAFAEL”, “PAULO CESAR”, conforme demonstrado às fls. 8983/8984. A partir do exposto, não se tem dúvidas de que os recursos provenientes das operações que já se concluiu serem fictas eram direcionados a empresas sempre relacionadas a uma das pessoas indicadas no polo passivo da autuação, seja diretamente ou a empresas por elas controladas ou com sua participação, sendo, no caso, irrelevante que as pessoas físicas que remanescem no contencioso exercessem cargos formais de administração em tais empresas. Recordese que se está a tratar de “responsabilidade de fato”. Pelo que se percebe, a autuação concentrouse nas pessoas em relação às quais se afunilavam os recursos advindos das operações simuladas, fundandose no “domínio do fato” (daí não figurarem no polo passivo outras pessoas, como parece solicitar a defesa, ainda que esta não tenha movido esforços objetivos para melhor detalhar sua demanda). E, pelo que se observa, as relações entre as pessoas físicas, e a intrincada rede de empresas por elas comandadas vão além do simples domínio do fato, havendo elementos que permitem concluir pela construção de um esquema recheado de empresas que transacionam fictamente entre si, mas cuja real motivação de existência é a geração de créditos irregulares, ao desamparo da legislação tributária, mostrando ao fisco empresas sem patrimônio e qualquer capacidade de saldar suas dívidas (grande parte sequer se dignando a apresentar declarações ou pagar qualquer tributo), enquanto no produto do ilícito se encontram pessoas físicas que obtêm o real proveito de todo o esquema, diretamente ou por meio de empresas, da forma mais distante possível da fiscalização, que a eles somente chegou depois de intenso trabalho de rastreamento dos recursos. As alegações de defesa de todos os recorrentes são no sentido de que há ilegitimidade passiva por ausência de interesse comum, econômico e jurídico, e de que eles não detinham poder de decisão nas empresas, assim como que o valor que receberam foi insignificante diante do volume da imputação fiscal. “PAULO CESAR”, por exemplo, afirma que recebeu um único depósito, no valor de R$ 17.500,00, e que tal depósito não adveio da “LUCKMETAIS”. Por certo que a relação de tal pessoa física com a “LUCKMETAIS” não era direta. Aliás, esse era exatamente o objetivo do esquema construído, de ocultação dos reais beneficiários. E já se destacou que “PAULO CESAR”, ao lado de “JOÃO NATAL”, por meio empresas como “EMPORIO”, CIMEELI” e “NATURE”, além de outras empresas que figuram em seus intrincados quadros societários, conforme exposto, foram reais beneficiários do esquema fraudulenta contribuído para gerar créditos decorrentes de aquisições simuladas, sendo parte do destino dos recursos afunilados das atividades ilícitas do esquema, que não se restringia a R$ 17.500,00, como se percebe em visão sistêmica, tomando em conta todos os fatos, as empresas, os quadros societários e o modus operandi evidenciado. Por certo que a responsabilidade não se limita ao ostensivo, e que isso é exatamente o resultado desejado em qualquer esquema fraudulento que busque mostrar ao fisco Fl. 14155DF CARF MF 30 apenas pessoas insolventes, como o aqui evidenciado. Fosse a responsabilidade de terceiros, como “PAULO CESAR”, limitada ao “fato gerador” ostensivo, ou a depósitos diretos em sua conta pelo sujeito passivo criado para ser mero veículo da fraude, simples seria a atividade (digase, ilícita) de sonegar tributos, no país. As alegações recursais de que os filhos de “JOÃO NATAL” (“JOÃO ANDRÉ”, “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”) seriam estudantes universitários à época dos fatos (com vinte e poucos anos), e que participavam dos quadros societários das empresas em função de um planejamento sucessório de seu pai, em nada altera o aqui exposto, a nosso ver, em função de a sistemática adotada ser precisamente voltada a seu benefício, assim como ao benefício de seu pai, “JOÃO NATAL”, e de “PAULO CESAR”, todos sujeitos passivos identificados por meio do itinerário dos recursos que constituíram o fruto do ilícito perpetrado (a DRJ apresenta tabelas resumidas sobre o tema às fls. 13827/13828). Os depósitos encontrados nas contas de “JOÃO NATAL” (superiores a 1 milhão), “RAFAEL” (R$ 378 mil) e “PAULO CESAR” (R$ 17.500,00), como exposto, não resumem a destinação dos recursos oriundos da “LUCKMETAIS”, que se alastram ainda a mais de R$ 30 milhões, espalhados pelas empresas em cujos quadros societário circulavam os sujeitos passivos aqui arrolados, entre os quais também figuram “JOÃO ANDRÉ” e “PAULO HENRIQUE”. O que se esperava da defesa, no caso, era a simples comprovação de que as operações que a fiscalização imputa como simuladas eram, de fato, reais e existentes (v.g., que houvesse, ao menos, transporte das mercadorias nas operações de compra e venda). E, diante de não haver comprovação de existência real das operações (o que resta claro nestes autos), o que se aguardava das pessoas físicas beneficiárias dos recursos que são frutos das simulações era um esclarecimento do que ocorreu, de fato (caso não tenha sido efetivamente o que o fisco alega e documenta) com os recursos que circularam pelas várias empresas nas quais figuravam tais pessoas no quadro societário. Essa transparência, a nosso ver, restou ausente nas peças de defesa. A defesa, ao invés de efetivamente rechaçar o fluxo financeiro desenhado e comprovado pelo fisco (e que versava sobre empresas totalmente construídas por tais pessoas físicas e/ou em seu proveito), ou apontar que os efetivos destinatários finais seriam terceiros, demonstrandoo (o que de plano comprovaria a improcedência da teoria desenvolvida na autuação), limitase a defender que não poderiam ter sido usados dados bancários (o que aqui já se afastou, por haver previsão legal expressa de requisição de movimentação financeira), e a apontar erros pontuais. Tais apontamentos recursais de erros de cômputos (de saídas e/ou entradas) em algumas operações, e em relação ao quadro societário de empresas ao longo do tempo não são abrangentes a ponto de afastar o cenário geral evidenciado e o modus operandi identificado. Como aqui já comentado em tópico anterior, não parece a defesa preocupada em afastar a ocorrência de fraude, mas, simplesmente, em evitar que o fato de que a descoberta de que o itinerário dos recursos que dela são fruto aponte para grupo restrito de pessoas possa ocasionar sua responsabilização. Se as pessoas físicas foram as efetivas beneficiárias da fraude, como demonstrado, em sistemática que não foi concebida para permitir identificação precisa de cada parcela sonegada, com intrincada composição societária entre empresas, dissuadindo a fiscalização, cabível a responsabilização conjunta. Ademais, o pagamento por parte de um aproveita ao outro. Fl. 14156DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.142 31 Não vemos, no caso, deficiência probatória a cargo da fiscalização, para as citadas pessoas físicas, como se entendeu em outros julgados (v.g., Acórdãos no 1301003.625 e no 1402002.459 em sentido oposto os Acórdãos no 1401002.882 e no 1201002.368, para as mesmas pessoas físicas), mas sim um conjunto probatório suficiente a endossar não só a ocorrência de fraude como a responsabilização das pessoas arroladas no polo passivo, inclusive (e principalmente) aquelas sem vínculo formal com a empresa “LUCKMETAIS”, mas que, de fato, logravam os benefícios da fraude perpetrada. Em relação a serem várias autuações, de diferentes empresas envolvidas no esquema fraudulento, possibilitando multiplicidade de exigências em relação aos mesmos sujeitos passivos, cabe ressaltar que isso, por si, não é motivo nem para a improcedência de todos os lançamentos, nem para sua total manutenção, cabendo a análise individualizada, à luz de eventual dupla exigência objetivamente apontada e quantificada pela defesa, o que não se vê, objetivamente, no presente processo, em que as alegações de duplicidade são gerais/genéricas. E, por fim, no que se refere à alusão ao art. 112 do CTN, entendese indevida no presente processo, onde não paira dúvida sobre nenhuma das circunstâncias ali presentes, estando bem demonstrados nos autos os elementos necessários à formação de convicção do julgador. 7. Das Considerações Finais Diante da inexistência de apresentação de recurso por parte de “Luckmetais Comércio de Metais LTDA”, “João Carlos Magarotto”, “Ednaldo Coelho da Silva” e “João Natal Cerqueira”, e por todo o exposto nos tópicos anteriores deste voto, não merecem provimento os recursos voluntários apresentados por “Paulo Cesar Verly da Cruz”, “Paulo Henrique Escobar Cerqueira”, “Rafael Escobar Cerqueira”, e “João André Escobar Cerqueira”. Pelo exposto, voto por negar provimento aos quatro recursos voluntários apresentados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 14157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720324/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE
Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX.
PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE.
O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
Numero da decisão: 3401-005.980
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, devese parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, no art. 3º, I, “b”, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendose observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 03 24 /2 01 1- 84 Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) JULGAMENTO EM CONJUNTO. AUTO DE INFRAÇÃO E PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Não configura cerceamento do direito de defesa o fato de o julgamento administrativo, relativo a determinado auto de infração, ter sido efetuado em data anterior a que ocorre a análise de manifestação de inconformidade de compensação não homologada, envolvendo o mesmo fato gerador e tributo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência. ANÁLISE DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. É descabida a discussão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício em processo administrativo de manifestação de inconformidade que não homologou a compensação, quando os débitos relacionados no PERDCOMP não foram objeto de lançamento de ofício. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que a empresa tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do despacho decisório e que lhe foi oferecido prazo para defesa, inclusive com acolhimento de petição e documentos apresentados após seis meses da petição original, resta superada a discussão sobre nulidade por cerceamento do direito de defesa. (...) Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 4 3 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno. REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. MOMENTO. No regime da nãocumulatividade, os créditos a descontar/ressarcir/compensar devem ser apurados em relação às aquisições de insumos/bens para revenda, ou serviços, ocorridos no próprio mês de apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. MOMENTO DE UTILIZAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, observado o prazo de prescrição de cinco anos contados do primeiro dia do mês seguinte ao de sua apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. ASSUNTO: (...) COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Não há como considerar líquido e certo o direito creditório relativo a período de apuração abrangido por auditoria fiscal, que redundou na formalização de exigência do período em que o suposto crédito teria sido apurado. (...) Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401005.972, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 12585.000330/201111. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401005.972): "Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Defesa Não assiste razão à Recorrente concernente a sua afirmativa de que teria havido cerceamento de defesa quando do despacho decisório, em vista de esse não ter fundamentação clara. Ora, não encontra abrigo essa assertiva, uma vez que, pela análise dos autos, não houve falta de clareza ou justificação por parte da fiscalização; se a motivação vier a ser insuficiente para o não reconhecimento do crédito, não é caso para admitir a nulidade, mas sim de provimento quando da análise mérito do recurso – o que será analisado a posteriori. Por fim, ressalto que os vícios que podem ensejar a nulidade do lançamento são aqueles previstos no artigo 59, do Decreto 70.235/1972. Não identifico no presente processo, quaisquer das hipóteses ali encontradas, razão pela qual afasto a preliminar suscitada pela Recorrente. Do Mérito Em síntese, o cerne do presente recurso possui três grandes pontos que devem ser analisados por esse colegiado: Qual deve ser o critério utilizado para o reconhecimento de receitas de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos nãocumulativos de COFINS passíveis de ressarcimento? É possível a apropriação de créditos decorrentes da não cumulatividade em período de competência distinto daquele em que houve a aquisição do bem ou do serviço? No caso concreto, qual deve ser o critério adotado para “insumo”, para apropriação de créditos de COFINS não cumulativo, e os bens e serviços que geraram os créditos Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 6 5 glosados por ocasião do despacho decisório se adequam àquele conceito? Vejamos. SOBRE O MOMENTO PARA O RECONHECIMENTO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO A previsão para a utilização do saldo credor de COFINS não cumulativa proveniente de operações de exportação e respectivo cálculo via rateio proporcional decorre está na própria Lei Federal 10.833/2003, nos artigos 3º e 6º: Art. 3º (...) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I Apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II Rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 6º § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I Dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II Compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 7 6 §2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no §1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. §3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Ora, a legislação ordinária previu expressamente a possibilidade de se fazer a apropriação de créditos de exportação via rateio proporcional, porém, não previu qual seria o critério temporal para se definir qual o momento que a receita bruta, seja de mercado interno, seja a de exportação, seria tida como gerada. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa 404/2004, que regulamentou a matéria – a despeito de ter sido legitimada pela legislação ordinária a fazêlo – tampouco o fez, limitandose a reprisar os ditames exarados na norma federal. Caberia então verificar se haveria outra norma complementar que pudesse ser aplicada na estipulação do momento em que a receita de exportação seria apurada. Nesse contexto, a decisão ora recorrida caminhou bem ao entender que a Portaria MF 356/1988 seria aplicável ao caso, já que ela definira, há muito tempo, que A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. Não só isso, partindose da discussão sobre quando se aperfeiçoa a operação de venda ao exterior, é importante ressaltar que, nos próprios argumentos na decisão recorrida, ela não se adstringe à mera verificação da data da emissão das respectivas notas fiscais, mas sim quando houve a tradição do bem ao respectivo cliente no exterior: A adoção do regime de competência revela que, sob o aspecto contábil, o momento do reconhecimento da receita, no caso de venda de mercadorias para o mercado externo, a exemplo de vendas no mercado interno, ocorre no momento da tradição. Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 8 7 Com efeito, o que determina a obtenção de uma receita não é a emissão da NF ou da fatura como o termo faturamento poderia levar a supor, mas sim a realização dos atos pelos quais foi fixada a contraprestação. Sob essa questão, extraise do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações Fipecafi (Sérgio de Iudícibus e outros. São Paulo: Atlas, 2003, p. 333): (...) o momento do reconhecimento da receita de vendas deve ser, normalmente, o do fornecimento de tais bens ao comprador. Nas empresas industriais e nas empresas comerciais, a contabilização das vendas pode ser feita pelas notas fiscais de vendas, já que a entrega dos produtos é praticamente simultânea à da emissão das notas fiscais. Ocorre, comumente, todavia, uma pequena defasagem entre a data da emissão da nota fiscal e a da entrega dos produtos, quando a condição da venda é a entrega no estabelecimento comprador. Teoricamente, deveriam ser registradas como receita somente após a entrega dos produtos. (não grifado no original) Com a entrega dos bens (ou a prestação dos serviços), e não com a mera contratação ou emissão da nota fiscal, o vendedor teria realizado o esforço necessário para fazer jus ao preço. Ocorre que o local de entrega dos bens pode ser livremente pactuado pelas partes, e essa definição vai interferir no momento em que se considera auferida a receita. Sendo certa a adoção da premissa acima, caberia, no caso concreto, entender quando houve, de fato, a entrega dos bens objeto de exportação ao comprador no exterior. Diante desse cenário, talvez fosse relevante a condição de compra e venda para cada uma das notas fiscais através dos denominados INCOTERMS , porém, em se tratando de exportação, basta trazer à baila o fato de que, em qualquer hipótese de condição de venda, o responsável por proceder ao despacho de exportação é o exportador, qual seja, o Recorrente, não sendo possível, em qualquer hipótese, conceber a tradição de bem antes da averbação do embarque para o exterior. Assim, sem entrar nos meandros de cada negociação comercial, pareceme razoável adotar como parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. Nessa linha, entendo a administração fazendária acertou ao se utilizar dessa premissa, devendo ser mantida a decisão de primeiro grau. SOBRE OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS O entendimento fazendário, que restou confirmado na decisão recorrida, direcionase no sentido de que os bens e serviços Fl. 3506DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 9 8 somente poderiam ter seus créditos imputados ao período de competência em que foram adquiridos. Contudo, não comungo do mesmo posicionamento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu dessa mesma maneira, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 10 9 Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 11 10 Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, reformo a decisão recorrida para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados os demais requisitos legais para seu creditamento. SOBRE O CONCEITO DE INSUMOS. SUA APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO Seguindo a crescente orientação da Receita Federal sobre o tema, o despacho decisório veio a glosar créditos referentes a: serviço com pagamento de estadia e translado, passagens aéreas e hospedagens, sessão de mão de obra de motorista, locação de veículos, e despesas de transporte de funcionários. Fl. 3509DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 12 11 Quantos à glosa de créditos sobre esses itens, creio não merecer reforma a decisão recorrida. Conforme vem sendo exaustivamente discutido pela doutrina e jurisprudência judicial, o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de COFINS nãocumulativa deve ser alargado, porém não a ponto de se confundir com o conceito de despesa dedutível, como chegouse a cogitar. De fato, a Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional do PIS e da COFINS limitouse a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) Fl. 3510DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 13 12 II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 3511DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 14 13 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. Fl. 3512DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 15 14 E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente trata se do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 16 15 No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, Fl. 3514DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 17 16 expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 18 17 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Fl. 3516DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 19 18 Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 20 19 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Seguindo essa linha, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, culminando na edição do Parecer Normativo COSIT 5/2018, que amplificou o espectro para a apropriação de créditos sobre insumos na atividade dos contribuintes: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; Fl. 3518DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 21 20 a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Analisando o teor do leading case, bem como do Parece COSIT acima ementado, verificase que, no caso concreto, ainda que não guiado por esses, a fiscalização acertadamente glosou créditos sobre despesas que – evidentemente – não teriam conexão direta com a atividade da Recorrente a ponto de ser tratada como imprescindível ou essencial à sua geração de receitas, especialmente aqueles mencionados no Despacho Decisório, itens 67 e 68. Por isso mesmo, entendo pela manutenção dessas glosas, não merecendo reforma a decisão de primeiro grau nesse particular. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso, e darlhe provimento parcial." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 22 21 Fl. 3520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.720164/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPROCEDÊNCIA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a comprovação mediante documentação hábil e idônea de sua existência.
PROVA PERICIAL. CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas
Numero da decisão: 2401-006.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPROCEDÊNCIA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a comprovação mediante documentação hábil e idônea de sua existência. PROVA PERICIAL. CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 01 64 /2 00 7- 02 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório ELEUSIO CURVELO FREIRE, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente da glosa das áreas preservação permanente e de utilização limitada por não restarem comprovadas e arbitramento do valor da terra nua VTN. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo que os VTN médios usados pela SRF, do município de Esperança não se adequam aos imóveis do contribuinte devido a localização dos mesmos, na região limítrofe com o município de Algodão de Jandaira, sendo que o VTN aplicável, por similaridade com o imóvel do contribuinte seria o de Algodão de Jandaira. Explicita que os valores de terras comercializadas e desapropriadas nas vizinhanças do imóvel, estão com valores próximos aos que foram declarados, conforme escrituras de terras passadas nos últimos anos no Cartório de Registro de Imóveis de Esperança No tocante a área de preservação permanente, área de reserva legal e de utilização limitada, informa que a verborragia de leis, artigos e exigências legais apresentados Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 4 3 são do total desconhecimento de todos os fazendeiros do semiárido nordestino, inclusive o contribuinte. Pugna pela realização e produção de prova pericial. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, o contribuinte não regularmente intimado não comprovou o valor declarado, entendendo a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel fora arbitrado. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 5 4 plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento (EXCEÇÃO) do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 7, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (grifamos) Assim se manifesta o art. 12 da Lei n° 8.629, de 1993: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 6 5 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (grifei) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Nesse sentido é a jurisprudência pacífica deste Tribunal, vejamos: VTNVALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 7 6 no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.781, de 31/08/2017) ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.687, de 27/07/2017) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. Considerando a apresentação da Laudo de avaliação pelo Contribuinte, deve ser considerado o Valor da Terra nua nele constante.(acórdão CSRF n° 9202007.331, de 25/10/2018) Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL No que se refere a dedução das áreas de preservação permanente e das áreas de utilização limitada da área total do imóvel para obtenção da área tributável pelo ITR, deve se observar: a) um aspecto estritamente legal onde é exigido, além de efetivamente existir as áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, que atendam aos requisitos legais; b) que a normatização destas áreas, entre outras providências, é parte do cumprimento da obrigação do Poder Público na defesa e preservação do meio ambiente, favorecendo ou premiando com a isenção de tributos os proprietários que comprovam e legalizam a existência dessas áreas, bem como a sua intenção de mantêlas dessa forma e, evidentemente, penalizando os que não cumprem com essa obrigação. Em suma, a preservação do meio ambiente é obrigatória, porém, para que tenha direito á exclusão da área total para obtenção da área tributável pelo ITR devem ser observados os requisitos legais. Sem maiores elucidações e delongas sobre legislação e entendimentos, o caso dos autos é de fácil deslinde, visto que o contribuinte não comprovou a existência das referidas áreas, não apresentou Laudo Técnico e/ou outros documentos capazes de atestar a existência das áreas, não merecendo guarida o seu pleito. PERÍCIA Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 8 7 Quanto ao pedido de perícia, o exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. Compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e como instrumento de convicção para a solução da lide. Logo, prescindível a perícia não merece acolhimento o pleito do recorrente. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 97DF CARF MF
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