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Numero do processo: 16327.001449/2009-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA -
DECADÊNCIA - ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento..
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - Os pagamentos de verbas à título de PLR que cumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.156
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar declarar a decadência até a competência 11/2004 com base no Artigo 150 do CTN. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DECADÊNCIA - ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento.. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - Os pagamentos de verbas à título de PLR que cumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA ARTS. 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência com base no art. 150, § 4º do CTN por se tratar de diferenças de recolhimento.. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Os pagamentos de verbas à título de PLR que cumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 49 /2 00 9- 99 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar declarar a decadência até a competência 11/2004 com base no Artigo 150 do CTN. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16327.001449/200999 Acórdão n.º 2403002.156 S2C4T3 Fl. 1.010 3 Relatório Tratase Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado contra a empresa acima identificada, por descumprimento do contido na Lei 8.212/1991, art. 32, inciso III. De acordo com o Relatório Fiscal de fls 11/14, a fiscalização verificou que a contratação de ESTAGIÁRIOS não atendeu aos quesitos legais. O Contribuinte não apresentou toda documentação que demonstrasse a realização de estágio nos ditames da legislação especifica, Lei N° 6.494 de 7 dezembro de 1977, Medida Provisória n° 2 . 1 6 4 4 1 , de 24 de agosto de 2001 e Decreto n° 87.497, de 18 d e agosto de 1982. Desta forma, a empresa autuada não apresentou documentos solicitados e/ou deixou de prestar os seguintes esclarecimentos: relação dos beneficiários dos valores pagos a título de incentivo desempenho; informar se os valores pagos a título de incentivo desempenho f oram tributados para Previdência Social e Imposto de Renda na Fonte; não esclareceu sobre a divergência na competência dezembro de 2003 dos valores recolhidos ao FNDE; e não apresentou a folha de pagamento de estagiários no leiaute previsto. Inconformada com Decisão de primeira instância (fls. 124/137), a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: DA PRELIMINAR Que deve ser aplicada a decadência qüinqüenal, com base no art. 150, § 4º do CTN declarandose como extemporâneo o lançamento das competências entre 12/2002 a 11/2004. DO MÉRITO Entende que, na condição de sucessora não poderia ser punida com multa por descumprimento de obrigação acessória por parte da sucedida pois o art. 132 do CTN dispõe que a responsabilidade do sucessor recai somente com relação ao tributo; Afirma que a presente autuação é derivada de uma obrigação principal que foi lançada em uma Notificação Fiscal de Lançamento de Débito onde se discute a incidência de contribuições previdenciárias incidentes sobre o salário de estagiários considerados pela fiscalização como segurados empregados, logo, a multa somente pode ser aplicada se aquela NFLD for mantida. Por fim, entende que, mesmo a decisão de primeira instância tendo retificado o valor da multa, esta ainda continua equivocada. Requer o provimento do recurso cancelando o presente Auto de Infração. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Da preliminar A decadência suscitada pela recorrente merece parcial acolhimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. A decisão de primeira instância, embora tenha acolhido a determinação da Súmula 08 do STF, entendeu pela aplicação do art. 173, I do CTN, o que no meu entendimento está equivocado. No presente caso o a autuação foi lavrada em dezembro de 2009, conforme se verifica as fls. 02 e as contribuições mantidas pela decisão de primeira instância referemse às competências 01/2005 a 012/2005, resta fulminado parcialmente o direito do fisco de constituir o lançamento, com base no art. 150, § 4º do CTN, uma vez que houve a cobrança, na presente autuação, de diferenças de recolhimento devendo serem excluídas da autuação as competências até 11/2004. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 16327.001449/200999 Acórdão n.º 2403002.156 S2C4T3 Fl. 1.011 5 Do Mérito Ao contrário do que entendeu a decisão de primeira instância, a matéria discutida na presente autuação está sim vinculada a caracterização de estagiários como segurados empregados, desta forma, a manutenção da autuação deve seguir a mesma conclusão tida naquele processo. Em decisão proferida por esta mesma turma, no julgamento do processo 16327.001895/200812, conexo a esta autuação, foi dado provimento ao recurso do contribuinte julgando improcedente o lançamento fiscal. O Acórdão do referido processo restou assim ementados: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 30/08/2006 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. TERMO DE COMPROMISSO. ESTAGIÁRIOS. RELAÇÃO DE EMPREGO STRICTO SENSU. CONVÊNIO COM CENTRO INTEGRADO EMPRESA ESCOLA CIEE. EMPRESA ESTATAL Se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino não se caracteriza relação de emprego “ stricto sensu ”. Cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Centro Integrado Empresa Escola – CIEE , agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela. O entendimento predominante no Tribunal Superior do Trabalho TST é no sentido de que não se reconhece o vínculo de emprego com estagiário, conforme o disposto no art. 4º da Lei 6.494/77, mormente em se tratando de sociedade cujo acesso se dá somente por meio de concurso público. Recurso Voluntário Provido. Logo, em não se reconhecendo a procedência do lançamento da obrigação principal, não há que se falar em manutenção da obrigação acessória. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, acolher a preliminar de decadência parcial para que sejam excluídos os valores lançados até a competência 11/2004 e no mérito Darlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 325DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.911302/2009-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Numero da decisão: 3803-004.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 649 1 648 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.911302/200919 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.267 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria PER/DCOMP IRPJ Recorrente GRECA DISTRIBUIDORA DE ASFALTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, declinando a competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 13 02 /2 00 9- 19 Fl. 650DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP nº 26122.67428.221205.1.3.047173 (fls. 005008), relativa à compensação do débito de R$ 5.848,24 de IRPJ devido por estimativa (código de receita 2362) no mês de novembro/2005, com utilização da parcela de R$ 4.932,31 do direito creditório de R$ 18.172,44 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 30/11/2004, da estimativa de IRPJ de outubro/2004 (R$ 531.500,17), crédito anteriormente informado no PER/DCOMP nº 29910.74176.221205.1.3.045637 (processo nº 10980.910369/200936). 2. A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 20/04/2009 (fl. 002), não homologou a compensação declarada em 22/12/2005 em face da improcedência do crédito indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução do imposto anual ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 3. Regularmente cientificada em 04/05/2009 (fl. 004), a reclamante apresentou, em 02/06/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 009015, instruída com os documentos de fls. 016028, cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que os contribuintes devem pagar tributos sobre suas operações ou atividades nos termos exatos da lei, e que os valores pagos acima do exigido devem ser a eles repetidos; b) que, tendo optado pela tributação com base no lucro real anual, recolheu antecipações do imposto calculadas por estimativa, com base na receita bruta, conforme determina o art. 2° da Lei nº 9.430, de 1996; que aplicou corretamente a legislação vigente e o valor compensado referese sim a recolhimento a maior que o devido e exigido; c) que a Lei nº 8.981, de 1995, permite a suspensão ou redução do pagamento do imposto devido, em cada mês, desde que se demonstre, por meio de balanços ou balancetes, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido no período em curso; d) que, da mesma forma que o imposto apurado por estimativa, os recolhimentos a maior ou indevidos são passíveis de compensação, pois a obrigação principal, calculada nos termos da lei, também já foi satisfeita; que a não homologação da compensação do valor pago a maior contraria a lei e acarreta exigência de tributo indevido; e) que o pagamento a maior, mesmo no caso de estimativas mensais, onde os valores recolhidos serão deduzidos do devido ao final do exercício, não deve ser considerado como antecipação; d) que o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, permite a compensação, nos meses subsequentes, de valores de tributos pagos a maior, como no presente caso; que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento Fl. 651DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.911302/200919 Acórdão n.º 3803004.267 S3TE03 Fl. 650 3 poderá utilizálo na compensação de débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; e) que o pagamento a maior de estimativa não consta do rol dos créditos elencados no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que não poderão ser objeto de declaração de compensação; cita julgados do Conselho de Contribuintes; f) ao final requer a revisão da decisão exarada por meio do despacho decisório da DRFCuritiba, e que seja suspenso o débito exigido, nos termos do art. 151 do CTN. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 633/638, onde ataca a decisão de primeiro grau. Ato seguido, a repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de litígio referente ao indeferimento do pedido de compensação de crédito de IRPJ. Assim, a matéria deste contencioso é de competência da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto no inciso II do artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 256/2009: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); Ainda vale ainda citar o art. 7 º, § 1º da Portaria nº 256/2009: Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária §1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção Fl. 652DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Deste modo, em virtude de o presente recurso tratar de matéria alheia às competências desta Seção, suscito a preliminar de inexistência de competência desta Seção para julgar a matéria e, por via de conseqüência, devese declinar da competência para a Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, e endereçálo à competente Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. É o voto. Sala das sessões, 26 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 653DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912247/2009-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3403-002.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
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COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 22 47 /2 00 9- 03 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 2 a 61, transmitida em 14/09/2006, na qual se busca compensar valor recolhido a maior ou indevidamente (DARF no valor total de R$ 3.586,06, pago em 15/08/2003) a título de Cofins (valor original do crédito a ser utilizado de R$ 1.483,99) com débito de R$ 814,00 relativo à Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa (período de apuração agosto/2006) e com débito de R$ 2.207,26 a título de Cofins nãocumulativa (ref. agosto/2006). No Despacho Decisório eletrônico de fl. 7 (emitido em 24/08/2009, com ciência em 15/09/2009, conforme documento de fls. 9), acusase que o pagamento (DARF de R$ 3.586,06) foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 12 a 21), alega a empresa que: (a) não implementou a exclusão prevista no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (referente a valores transferidos a para outra pessoa jurídica, observadas as normas regulamentadoras editadas pelo Poder Executivo), tendo recolhido tributos a maior em função disso; (b) a referida norma é autoaplicável; e (c) aplicase ao caso o disposto no art. 66 da Lei no 8.383/1991, “visto que a empresa pretende compensar os valores vencidos com as próprias contribuições objeto do litígio”. Em 09/03/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 36 a 39), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver qualquer documento comprobatório do direito creditório. O julgador afirma ainda que o inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até sua revogação pela MP no 1.991/00 (como endossa o Ato Declaratório SRF no 56/2000), e que o crédito pleiteado no presente processo se refere a período posterior inclusive a tal revogação. Cientificada da decisão de piso em 19/03/2012 (AR à fl. 42), a empresa apresenta recurso voluntário em 18/04/2012 (fls. 43 a 54), tratando de temas que sequer são objeto de questionamento no processo (como arrolamento de bens, habilitação para compensação, inconstitucionalidade dos Decretosleis no 2.445/1988 e no 2.449/1998, semestralidade da base de cálculo e exclusão da multa aplicada). No mérito, não discute a fundamentação adotada pela DRJ para o indeferimento, nem apresenta qualquer documento comprobatório do crédito que indica possuir. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11020.912247/200903 Acórdão n.º 3403002.377 S3C4T3 Fl. 60 3 O contencioso em sede de recurso voluntário restringese à comprovação (ou sua falta) da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação pleiteada. A recorrente alegava originalmente que o crédito decorria da não utilização da faculdade prevista no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, dispositivo por ela entendido como auto aplicável. Contudo, em sede de recurso voluntário parece tratar de tema diverso, afirmando, por exemplo, que (fl. 53): “Conforme restou amplamente demonstrado, a Impugnante (sic) tem direito líquido e certo de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS (sic) decorrentes (sic) dos Decretos inconstitucional (sic) 2445 e 2449, com parcelas vincendas das mesmas contribuições”. Há pouca coisa a se analisar, visto que a argumentação expressa no recurso voluntário não guarda pertinência com o analisado pelo órgão julgador de primeira instância. Resta assim repisar a questão referente à ausência de comprovação do direito creditório expressa em primeira instância. Tendo em vista ter sido o despacho denegatório inicial exarado de forma eletrônica, teve o julgador de primeira instância a cautela de buscar, fundado na verdade material, o alcance da argumentação da então impugnante sobre a discussão jurídica em torno do comando do inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, concluindo que ainda que houvesse documentação comprobatória do direito, não seria procedente o argumento da autoaplicabilidade do referido dispositivo legal. E ainda que fosse procedente tal argumento, os créditos em discussão no presente processo são referentes a período posterior à revogação do citado comando legal. Não tendo sido agregado pela recorrente elemento destinado a refutar o expresso pelo julgador a quo, nem qualquer prova ou mero indício do direito creditório, não há como acolher o pleito de compensação. É de se endossar que a comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. É o que reza o caput do art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) Assim, em face da ausência de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado na DCOMP, não há como prosperar o pleito de compensação da recorrente. É de se destacar adicionalmente que esta Terceira Turma, em casos semelhantes, da mesma recorrente, decidiu recentemente de forma unânime pela não acolhida das compensações, em face da ausência de comprovação do direito creditório2. 2 Acórdãos n. 3403002.237, 3403002.238, 3403002.239, 3403002.240 e 3403002.241. Relator: Antonio Carlos Atulim. Unânimes. Sessão de 23/05/2003. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância. Rosaldo Trevisan Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/08/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002396/00-87
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
GLOSA DA PERDA DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. VALOR IRRISÓRIO. DESCABIMENTO.
Constatado lançamentos de reversão da contas Provisão para Perdas de Investimentos e, apropriação na conta de resultados da Receita Não Operacional-Ganho de Capital Investimento resultante do acordo judicial com o oferecimento à tributação na DIPJ, descabe a glosa efetuada.
Numero da decisão: 1301-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 GLOSA DA PERDA DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. VALOR IRRISÓRIO. DESCABIMENTO. Constatado lançamentos de reversão da contas Provisão para Perdas de Investimentos e, apropriação na conta de resultados da Receita Não Operacional-Ganho de Capital Investimento resultante do acordo judicial com o oferecimento à tributação na DIPJ, descabe a glosa efetuada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1872; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.002396/0087 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.269 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2013 Matéria IRPJ/GLOSA DE PERDA DE CAPITAL Recorrente PHIDIAS S/A (atual denominação da Boavista Trading Com. Exterior S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 GLOSA DA PERDA DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. VALOR IRRISÓRIO. DESCABIMENTO. Constatado lançamentos de reversão da contas “Provisão para Perdas de Investimentos” e, apropriação na conta de resultados da “Receita Não OperacionalGanho de Capital Investimento” resultante do acordo judicial com o oferecimento à tributação na DIPJ, descabe a glosa efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos temos do relatório e voto proferidos pelo relator. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 23 96 /0 0- 87 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Trata o presente processo dos autos de infração, para exigência dos créditos tributários, de IRPJ no valor de R$2.784.018,80 e CSLL no valor de R$1.692.797,49, contra o interessado, acima qualificado, decorrente de ação fiscal que apurou infrações tributárias relativas a glosa do prejuízo apurado na alienação de participação societária, que assegurava o controle acionário da empresa, com base nos arts. 195, I, 197 e 369 do RIR/1994, referentes ao anocalendário de 1997, conforme Termo de Constatação juntado às fls. 796/809. 2. Inconformado com as autuações o interessado apresentou as impugnações de fls. 133/142, contra o lançamento do IRPJ e de fls. 171/186, contra o lançamento da CSLL, ambas com o mesmo teor, nas quais alega, em síntese, o seguinte: 2.1) Os autos de infração foram lavrados com o objetivo de desconstituir o prejuízo apurado na venda de participações societárias, representativas da alienação das ações do Banco Boavista S/A, do qual era titular; 2.2) A operação (compra e venda das ações) foi firmada com pessoas não ligadas aos alienantes ou aos seus controladores e atendeu à determinação expressa do Banco Central do Brasil, consubstanciada pela Carta DÍRET07/2560 (fls. 147/148), a qual determinou, alternativamente, para que se evitasse uma intervenção, uma das seguintes soluções: que fosse feito um aporte patrimonial de recursos, para recompor o patrimônio líquido do Banco; ou que fosse transferido o controle acionário a terceiros; 2.3) O autuante sustenta a tese da desconsideração do preço da alienação pelo fato de que os atuais controladores do interessado ingressaram em juízo pleiteando a anulação do negócio e o ressarcimento das perdas sofridas; considerou que o preço pactuado não guardava conformidade como valor efetivo do patrimônio líquido do Banco; 2.4) A observação é correta, porém, até que seja proferida decisão judicial definitiva, invalidando a alienação ou estabelecendo um preço a ser apurado por acordo, a operação produziu os seus efeitos. O próprio fato de estar sendo contestada judicialmente demonstra que a transação não foi artificial, contando, inclusive com a participação da mais alta autoridade monetária do país (o Banco Central do Brasil) para o seu aperfeiçoamento; 2.5) Pela legislação vigente, apenas três casos permitem a desconsideração de um negócio jurídico, para alterar as conseqüências de ordem fiscal: a sonegação, a fraude e o conluio. Certamente não se trata de sonegação, segundo a definição da Lei n° 4.502, pois a transação foi contabilizada em seus mínimos detalhes e estando as instituições financeiras sujeitas à fiscalização e ao controle do Banco Central do Brasil. Fraude ou conluio também não existiram, pois conforme a definição da Lei n° 4.502 não houve ação ou omissão que alterasse as características do fato gerador ou reduzisse ou seus efeitos fiscais; 2.6) A alienação não produziu qualquer vantagem fiscal para o interessado, ao contrário, consolidou uma perda, motivando a discussão do preço em juízo, o que demonstra a inexistência de qualquer acordo prévio entre as partes. Uma vez efetivada a transação, não há como deixar de reconhecer e registrar os efeitos fiscais que lhe são próprios. O fato de pleitear judicialmente a revisão das condições do negócio não é circunstância que a desobrigue a registrar em sua contabilidade os prejuízos sofridos com a venda; 2.7) Alega que o autuante foi incapaz de trazer um único fundamento legal para auxiliar a sua tese. É inquestionável que a negociação foi de compra e venda de participações societárias e que atendeu aos requisitos da legislação civil e comercial, transferindose o domínio do bem vendido contra o pagamento do preço; Fl. 530DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15374.002396/0087 Acórdão n.º 1301001.269 S1C3T1 Fl. 12 3 2.8) A alienação foi devidamente escriturada e realizada pelo seu verdadeiro valor e características, tal como pactuada, pouco importando o preço, pois não é condição de validade do contrato; 2.9) Não se pode aceitar que, em virtude do preço, uma operação de compra e venda seja considerada, para efeitos fiscais, como doação (tese defendida pelo autuante), mormente quando a operação decorreu de determinação expressa da autoridade monetária, que o intimou a realizar um aumento de capital ou a transferir o controle do banco para terceiros; 2.10) O negócio jurídico em que o vendedor entrega um bem ao comprador, contra o pagamento do preço, é compra e venda e não há qualquer disposição legal que condicione a eficácia da operação a uma relação entre o valor econômico do bem e o preço pago; 2.11) Considerar a compra e venda como uma doação e tornar indedutível a perda efetivamente sofrida pelo vendedor, porque o preço praticado poderia ter sido mais elevado, significa atribuir à autoridade lançadora, em caráter unilateral, o direito de fixar a seu talante a base de cálculo do tributo, sem qualquer amparo legal e em desrespeito ao conteúdo jurídico do ato praticado; 2.12) É legalmente impossível validar o auto que tem como pressuposto a transformação de uma compra e venda em doação, para fins fiscais, negandose a contabilidade dos prejuízos daí decorrentes; 2.13) A malsinada alienação de ações objeto do contrato foi realizada em 01 de setembro de 1997. O Lalur apurou prejuízos fiscais em todos os meses antecedentes (de janeiro a agosto de 1997). No mês de setembro, realizada a transação, o prejuízo fiscal elevou se a R$ 68.558.270,00. Assim, mesmo que fosse desconsiderada a alienação para efeitos fiscais, o auto teria que ser julgado improcedente, pois anulados os efeitos positivos ou negativos da venda, restaria para todos os meses do ano a apuração de prejuízo, o que impede a cobrança do tributo reclamado. Por isso, melhor examinada a questão, solicita seja provida a impugnação, para ser considerado improcedente o auto de infração. 3. Por considerar necessária a obtenção de elementos mais atualizados sobre os fatos, especialmente decisões judiciais que envolveram a questão, a fim de auxiliar na convicção do julgador, foram emitidas as intimações de fls. 223; 265 e 268 e, em resposta, juntados os documentos de fls. 224/262 e 273/297 e 301/322, estes últimos constituindo o volume II do presente processo. 4. E relevante destacar a presença de cópia do "Contrato de Compra e Venda de Ações e de Unificação do Banco InterAtlântico S/A e do Banco Boavista S.A", às fls. 64/67 e da petição judicial de Ação Ordinária n° 98.001.2012013 (fls. 70/116); além da menção, à fl. 254, da existência da Medida Cautelar n ° 2000.001.0035496 (2a Vara Cível do Rio de Janeiro) e da Apelação Cível n° 2000.001.04714 (9a Vara Cível do Rio de Janeiro), todas extintas por homologação de “Acordo de Transação para Extinguir e Evitar Litígios e Outros Pactos" (fls. 301/322). A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RJI), decidiu a matéria através do Acórdão 4.691, de 30/12/2003 (fls. 325), julgando o lançamento procedente, tendo sido prolatada a seguinte ementa: Fl. 531DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 Ementa: GLOSA DA PERDA DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. VALOR IRRISÓRIO Caracterizase liberalidade a alienação de investimento de valor contábil vultoso por quantia irrisória (quase zero), revelandose, no caso, incabível a dedução do valor do investimento a título de perda para fins de apuração do lucro real. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1997 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15374.002396/0087 Acórdão n.º 1301001.269 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Na peça recursal a contribuinte aduz que: “Em razão desta negociação realizada sob a égide e inspiração do Banco Central, foi acordada a retirada do capital do Banco dos antigos controladores, cujas ações não tinham mais valor patrimonial. 7. Neste sentido a cláusula 5a do contrato dispôs: "BOAVISTA HOLDINGS e OS ACIONISTAS PESSOAS FÍSICAS se obrigam a vender a totalidade das ações de sua titularidade de emissão do BOAVISTA para o B.I.A. pelo preço total de R$ 1,00 (Hum real), já pago neste ato pelo que BOAVISTA HOLDINGS e os ACIONISTAS PESSOAS FÍSICAS dão ao B.I.A. plena, rasa, geral e irrevogável quitação." 8. É esta a cláusula malsinada que tornouse fundamento para o presente lançamento. 9. Ao alienar as participações societárias detidas pelos antigos controladores pelo valor simbólico de R$1,00 a suplicante como todos os demais sofreu uma evidente perda patrimonial, cujo efeito foi reconhecido para efeitos de cálculo dos tributos objeto da presente demanda.” De fato, a questão gira em torno da alienação da participação societária majoritária (o conjunto de ações representativas de 67,16% do capital total fl. 64, considerando "c"), que garantia ao interessado, junto com aos acionistas pessoas físicas, o controle do Banco Boavista S/A, para o Banco InterAtlântico S/A (IASA), cumulada com a unificação de ambos (fls. 64/67). Mais especificamente, tratou da venda da parcela de ações (30,32% que o Boavista Trading Com. Exterior S/A possuía do Banco Boavista S/A fls. 43, 50 e 52), de propriedade do interessado, pelo preço simbólico de R$0,30 (fl. 106), quando o custo corrigido da sua participação, representada por estas ações no Patrimônio Líquido da investida, foi avaliado em R$66.637.517,51, conforme registro contábil (fl. 63), considerando este deságio (a diferença) como prejuízo, utilizado para acrescer o montante de seu prejuízo fiscal acumulado. Por sua vez, a autoridade fiscal considerou indedutível o valor que a ora recorrente caracterizou como prejuízo havido na transação. Entendeu o auditor fiscal que se tratou de mera liberalidade do interessado, tendo em vista o preço irrisório contratado para a venda (valor simbólico) da sua participação societária, quando a avaliação patrimonial apontava valor real milhões de vezes maior que o da venda do ativo. De se ressaltar que a transação formalizada no contrato de compra e venda, datado de 1º. de setembro de 1997 (fls. 143/146), decorreu de um acordo entre as partes Fl. 533DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 envolvidas (Boavista Trading e IASA), para que o interessado pudesse cumprir determinação imposta pelo Banco Central do Brasil Bacen, para evitar sofrer intervenção ou entrar em fase de liquidação (fls. 68/69 e 78). Tal acordo foi parcialmente questionado no Judiciário, pouco tempo depois, por nova diretoria, culminando em outro pacto ("Acordo de Transação para Extinguir e Evitar Litígios e Outros Pactos", de 30/06/2000 fls. 301/322), posteriormente homologado em juízo, que pôs fim à lide judicial (fls. 276/287), com a extinção dos seguintes processos: Ação Ordinária n° 98.001.2012013; Medida Cautelar n ° 2000.001.0035496 (2a Vara Cível do Rio de Janeiro) e Apelação Cível n° 2000.001.04714 (9a Vara Cível do Rio de Janeiro), surtindo todos os seus efeitos legais, após o trânsito em julgado. Os novos controladores questionaram judicialmente a transação, na ocasião, pleiteando a desconstituição do negócio, ou, então a revisão do preço ajustado da venda do patrimônio (alienação das ações), segundo as próprias palavras da petição da ação ordinária (fl. 106): "Por outro lado, o preço irrisório de UM REAL, consignado para permitir a assinatura do ATO CONTRATUAL, é causa de lucro desmedido, fantástico, extratosférico (sic) para a ré é lucro inadmissível em qualquer sistema jurídico civilizado" (cópia da petição fls. 70/116). No presente caso, conforme demonstrado, a operação (compra e venda), de fato não foi artificial, embora tenha sido contestada principalmente quanto ao seu preço (valor). No entanto, as partes resolveram transigir e acertaram todas as suas litigâncias, por meio de um acordo, de modo que se preservou formalmente o negócio jurídico anterior. Por oportuno, cumpre ainda ressaltar, que os autos do presente processo foi objeto de duas diligências, determinadas pelos membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em Sessão de 17/12/2008 (Resolução 1051.442), nos seguintes termos: “A exigência tributária encontra motivação no fato de a contribuinte ter alienado ativo representado por participação societária, avaliado em R$ 66.637.517,51, pelo valor de R$ 0,30. Contabilizado o prejuízo, o mesmo não foi adicionado quando da apuração do lucro real, sobrevindo a glosa como conclusão do trabalho de auditoria fiscal. O deslinde da questão, ante as peculiaridades do caso, s.m.j., necessita de informações complementares, pelo que, estou propondo a conversão do julgamento em diligências. Explico: Na data de 21 de agosto de 1997 (época dos fatos), o Banco Central do Brasil, encaminhou ao Banco Boavista S.A., o ofício DIRET07/250 (flsl68/69), determinando: a) o aporte de recursos sob a forma de aumento de capital; ou b) a transferência do controle acionário a terceiros. Dispunha aquela missiva que o não acatamento do ora determinado coloca a instituição ao alcance das disposições da Lei 6.024/74, ou seja, caso não atendidas as determinações, seria decretada a intervenção do Banco Boavista S.A., com as conseqüências de estilo. Ato contínuo, na data de 1º. de setembro de 1997, através do instrumento contratual de fls. 143/145 o controle acionário do Banco Boavista S.A. foi alienado ao Banco Inter Atlântico S.A., destacandose a inserção da cláusula oitava, com o seguinte teor: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 15374.002396/0087 Acórdão n.º 1301001.269 S1C3T1 Fl. 14 7 Cláusula Oitava Condição Suspensiva O presente contrato fica sujeito à condição suspensiva da sua aprovação pelo Banco Central do Brasil. Dos autos não consta qualquer informação acerca do cumprimento da condição suspensiva prevista contratualmente e nem mesmo a data em que a aprovação (supostamente) ocorreu. Tal informação é importante porquanto permitirá estabelecer a data em que o negócio jurídico tornouse válido. De outra parte, em dezembro de 1998 foi proposta ação judicial objetivando a anulação daquele contrato, cuja lide foi composta através de acordo entre as partes em junho de 2000, época concomitante com os trabalhos de auditoria fiscal e lavratura do auto de infração. De sua parte, com a peça recursal, a contribuinte informou no item '24', que a indenização então recebida foi lançada como receita para todos os efeitos fiscais, sem, contudo, comprovar tal alegação. Tratase de fato relevante, uma vez que a indenização ocorreu na data de 30 de junho de 2000, como se disse, em época concomitante com os trabalhos fiscais, cujos auditores tinham conhecimento da ação judicial, conforme se depreende da narração dos fatos no Termo de Verificação de fls. 117 e seguintes. DIANTE DO EXPOSTO, conheço do recurso e voto no sentido de converter o julgamento em diligências para que a recorrente seja intimada a comprovar, no prazo de trinta (30) dias: a) a aprovação do BACEN ao convencionado na cláusula oitava do Contrato de Compra e Venda de Ações de fls. 143/145; e b) a efetiva tributação do valor recebido na ação judicial extinta por acordo, de que tratam os autos; informando, detalhadamente, se a tributação decorreu de compensação de prejuízos ou de recolhimento de tributos, parcial ou totalmente. Intimada da resolução, a recorrente trouxe a comprovação da aprovação da transferência do controle acionário e afirmou que, realizado o acordo para extinguir a ação anulatória do contrato de alienação do controle acionário, ofereceu à tributação o resultado apurado, compensandoo com os prejuízos correntes do exercício, sem disso apresentar qualquer comprovação. É o relatório. Voto A recorrente trouxe a prova da aprovação, pelo BACEN, da transferência do controle acionário. Entretanto, deixou de comprovar o oferecimento à tributação do valor recebido no acordo celebrado na ação judicial proposta com o fim de anular o contrato de transferência das ações, descumprindo, neste ponto, a Resolução desta Câmara.. Diante disso, voto no sentido de converter o julgamento em nova diligência para que a recorrente seja intimada a fazer a comprovação faltante e, caso não o faça, para que a autoridade preparadora apure se, de fato, o valor recebido foi tributado e de que forma se deu a liquidação dos créditos tributários decorrentes, oportunizandose à contribuinte se manifestar sobre as conclusões da diligência.” Fl. 535DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 Pois bem, em seguida consta intimação (às fls. 411) para o cumprimento do acima determinado (“AR” de 15/05/2012) e, juntada pela contribuinte dos seguintes documentos: Cópias do Diário Geral 29, com balancetes de outubro e dez/2000 (fls. 416/423) e demonstrativo do Lucro Real, ano 2000; Cópias da DIPJ/2001 e apuração do Lucro Líquido (fls. 425/450); Cópias das AGE e Extraordinária de 19/06/2001 e 18/05/2011 (fls. 452/456). Não consta dos autos (até o encerramento do ultimo volume III, fls. 461) nenhum relatório e/ou manifestação a respeito desta ultima diligência. Compulsando a documentação acostada atesto os lançamentos nos Livros Diários e Razão, bem como nos Balancetes de outubro e dezembro do ano calendário de 2000, da reversão da conta “Provisão para Perdas de Investimentos” no valor de R$66.637.517,51 e, lançamentos na conta apropriação de resultados “Receitas Não OperacionaisGanho Cap. Investimentos” no valor de R$47.389.203,28 resultante do acordo celebrado na ação judicial. Constato, também, na DIPJ/2001, AC/2000, às fls. 426, prova de que houve oferecimento à tributação deste valor (Ficha 06A – Demonstrativo do Resultado, Recebimento de Alienação Bens do Ativo Permanente). De sorte que, pelas constatações acima descritas o contribuinte deverá ajustar o saldo do prejuízo acumulado e da base de cálculo da CSLL desde 31/12/1997, levandose em consideração o valor tributável de R$47.389.203,28 e não conforme demonstrativo do auto de infração no valor de R$66.637.517,51. Pelo exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 536DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/ 08/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 10830.011795/2008-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.177
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1310; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 325 1 324 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.011795/200828 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2403000.177 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 17 de julho de 2013 Assunto CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 11 79 5/ 20 08 -2 8 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 326 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0532.606 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP , que julgou procedente os lançamentos, oriundos de descumprimento de obrigação tributária legal principal, Auto de Infração – AIOP nº 37.137.6580, no montante de R$ 860.570,49. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, incidente sobre remunerações de segurados empregados que lhe prestaram serviços. Conforme o Relatório Fiscal, o lançamento decorre de Representações Administrativas, às fls. 52 a 53 e fls. 95 a 97, que foram emitidas quando do encerramento de ações fiscais relacionadas às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.767.5258 e NFLD n º 35.767.5274. Com o advento da Lei 11.457/2007, em função da competência da RFB, foi então lavrado o presente AIOP na qual os salários de contribuição que motivaram o lançamento foram extraídos das NFLD nº 35.767.5258 e NFLD n º 35.767.5274, emitidas em 05.06.2006, Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n º 9255724, concluído em 07.06.2006, cujas cópias estão anexadas aos autos. Em relação à apuração dos salário de contribuição, o Relatório Fiscal aponta que os valores apurados se referem a diferenças apuradas de contribuições devidas relativas: (1) a Participação nos Lucros e resultados aos segurados empregados em desconformidade com a Lei 10.101/2000; (2) aos complementos de folhas de pagamento não integrantes no Salário de Contribuição da empresa em desacordo com o art. 28, I, Lei 8212/1991 pagas com as seguintes denominações: (2.1) Indenização Liberal (2.2) Indenização Acordo Coletivo; (2.3) Jubileu de Prata. Conforme o Relatório da Decisão de primeira instância: A respeito da "indenização liberal" foi informado na NFLD n° 35.767.5258, cópia a fls. 85 dos autos: a)A verba é paga a somente a alguns empregados, por ocasião do desligamentos em justa causa, em condições previamente pactuadas, com correspondência como valor da remuneração, o tempo de serviço e a função. Portanto, não se trata,das indenizações legalmente estabelecidas nos artigos 477 e 479 da Consolidação das Leis do Fl. 364DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 327 3 Trabalho, mas de uma gratificação ajustada, que todo empregado tem a expectativa de receber na condição de dispensado sem justa causa, na proporção do seu salário e do tempo de trabalho na empresa; b)Em face das condições e da natureza do pagamento, a Indenização Liberal é esperada pelo empregado como valor a incorporar ao seu patrimônio e constitui uma forma de incentivar a permanência do empregado na empresa. Por outro lado, como a verba é calculada em função do cargo exercido, do salário recebido e do tempo de permanência na empresa, pode ser encarada pelo empregado como uma poupança: na medida em que ascende profissionalmente , atingindo cargos e salários maiores, oferecendo sua força de trabalho à empresa, o empregado sabe que, ao longo do tempo, o valor que receberá por ocasião de dispensa sem justa causa só faz aumentar; c)Portanto, tratase sim de uma gratificação habitual, paga a todos os que cumprem os requisitos estabelecidos pela empresa. No que concerne à "indenização acordo coletivo", a fls. 86, foi informado que a "verba é paga na dispensa do empregado, segundo critérios do tempo de serviço e do salário do trabalhador, entre outros, tendo então característica de prêmio. Não constando no rol d/ exclusões do parágrafo 9o do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, a fiscalização considerou parcela integrante do salário de contribuição". Sobre o "jubileu de prata", explicou a Fiscalização: A verba paga em dinheiro a todo o funcionário que completa 25 anos de serviços na empresa ou no grupo de empresas UNILEVER. Como bonificação vinculada a fatores de ordem pessoal do trabalhador (tempo de serviço, assiduidade, etc.) tratase na verdade de um prêmio, portanto, verba integrante do Salário de Contribuição da empresa, nos termos do Ari. 28, inciso I da Lei n° 8.212/91; Ressaltese ainda, que em face das condições e da natureza do pagamento, o prêmio Jubileu de Prata é esperado pelo empregado como valor a incorporar a seu patrimônio em tempo futuro e constitui uma forma de incentivar a permanência do emprego na empresa ou no grupo UNILEVER. O programa da participação nos lucros ou resultados (PLR) foi tratado na NFLD n° 35.767.5258, cujo relatório fiscal foi juntado a fls. 117/142. Transcrevo, a seguir, a parte do relatório que trata do fato gerador: Verificouse tratarse de um programa anual com fixação de metas anuais e o pagamento é realizado, conforme o atingimento das metas, na competência Fevereiro do ano seguinte juntamente com o salário mensal. No mês de Março, são efetuados os pagamentos a titulo de participação nos resultados de empregados com ocorrência de rescisão do contrato de trabalho. Os valores de pagamento variam de zero (metas não atingidas abaixo de um determinado percentual) a 120% do salário mensal. Seriam formadas ainda Comissões de Empregados para representar os demais funcionários nas discussões dos indicadores e metas, para Fl. 365DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 328 4 acompanhar a evolução das metas e seriam, essas Comissões, escolhidas de comum acordo entre funcionários e gerência. (...) I) Dessa maneira, a empresa alega que instituiu seu programa em 1997 e foram partes amientes todos os Sindicatos que abrangem os estabelecimentos da empresa. Como esse instrumento teria validade por tempo indeterminado, ele supriria, juntamente com as Comissões de empregados estabelecidas, as prescrições legais da Lei 10.101/2000. m) Entretanto, não concorda com esse entendimento a Auditoria Fiscal da Previdência Social, por vários motivos: Em primeiro lugar, a empresa IGL Industrial Lida. foi constituída em 01/03/1999 e iniciou suas atividades com empregados em setembro de 2001. Assim, esse programa foi instituído formalmente numa outra empresa com personalidade jurídica diferente. A empresa Indústrias Gessy Lever Lida. passou a denominarse Unilever Brasil Ltda. e é uma das sócias da empresa IGL Industrial Ltda. Dessa maneira, não se poderia aceitar esse instrumento formal como válido para instituição de Programa de Participação nos Resultados para a empresa IGL Industrial Ltda.. Em todas as informações prestadas pela empresa, nos documentos fornecidos e no próprio instrumento de 1997 (se pudesse ser considerado), é claramente estabelecido que o Programa de Participação nos Resultados da IGL Industrial Ltda. é um programa anual ocorrendo a renovação das Comissões de Empregados anualmente e a fixação de novas metas e indicadores também anualmente. Assim, deveria haver um instrumento de formalização do programa anualmente, com a participação de empresa e empregados, havendo representação do sindicato da categoria e o arquivamento do instrumento no sindicato. •A empresa IGL Industrial iniciou suas atividades com empregados em setembro de 2001, havendo o primeiro pagamento referente ao programa em fevereiro de 2002. Assim, não há que falarse em aplicação de legislação de Medidas Provisórias já que a Lei 10.101/2000já estava em plena vigência. Ou seja, desde o início de suas atividades com empregados em setembro de 2001, deverseia observar as prescrições da Lei 10.101/2000. Mesmo convencida da incidência tributária por falta de observância dos ditames da Lei n° 10.101, de 2002, a Fiscalização decidiu ouvir os sindicados envolvidos. Abaixo transcrevo a informação prestada pelos sindicatos, conforme relatado pelos Auditores notificantes: •O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Abrasivos, Adubos e Corretivos Agrícolas, de Cerâmica Retrataria e Fibra Cerâmica, de Materiais Adesivo, Plástico e Termoelétrico, Química e Farmacêutica e de Perfumaria e Artigos de Toucador de Vinhedo, que abrange o estabelecimento 03.085.759/000102 localizado em Vinhedo SP, respondeu que nunca houve a indicação de nenhum representante do Fl. 366DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 329 5 sindicato para a Comissão que dejine as regras objetivas sobre a Participação nos Lucros ou Resultados. Salientou que, mesmo havendo Dirigentes Sindicais na empresa, eles nunca foram convidados a participar do processo de construção do programa. Ressaltou ainda que a Comissão dos Empregados é indicada pela empresa e não eleita pelos trabalhadores. E concluiu que não foi arquivado nenhum documento referente à Participação nos Lucros ou Resultados da empresa IGL Industrial Ltda. •O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Produtos de Limpeza no Estado de São Paulo (SITIPLESP), que abrange o estabelecimento 03.085.759/000455 localizado em Valinhos SP, respondeu que anuiu em 1997 no acordo celebrado com a empresa Indústrias Gessy Lever Ltda. Mencionou ainda que, após a celebração do referido acordo, o Sindicato acompanha anualmente o Programa de Metas e Resultados no que se refere ao PLR, por meio de seu Diretor e empregado da empresa IGL Industrial Ltda. Luiz Carlos Cremasco. • O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Produtos Farmacêuticos, Medicamentos, Cosméticos, Perfumarias e Artigos de Toucador no Estado de Pernambuco, que abrange os estabelecimentos 03.085.759/000706 e 03.085.759/001770 localizados em Pernambuco, respondeu informando que foi formalizado Acordo Coletivo de Participação nos Resultados em 01/07/1999 entre as Indústrias Gessy Lever Ltda. e Comissão de Trabalhadores com anuência da Federação dos Trabalhadores da Indústria do Estado de Pernambuco. Observou que não há dirigente sindical como empregado da empresa e por isso não houve nenhum representante efetivo na Comissão. Ressaltou que o sindicato fiscaliza e resguarda os direitos dos trabalhadores, nas discussões dos itens, pelas comissões formadas pelos trabalhadores da fábrica. Mencionou ainda que mantém cópia em arquivo dos documentos referentes ò aprovação das metas iniciais e apuração final aprovada pelos trabalhadores e encaminhou amostra do período de 2001 a 2005, além de cópia do instrumento formalizado em 1999. A Fiscalização concluiu que, em relação ao estabelecimento localizado em Valinhos, não pode ser negado que representante do sindicato participa na negociação entre empresas e trabalhadores. Como os procedimentos passam pela chancela do sindicato, não deve ser tributada a PLR. Para os demais estabelecimentos, não ficou demonstrada a participação do sindicato nos acordos, o que contraria o disposto na Lei n° 10.101, de 2000. Nestes casos, entendeu o Fisco que a PLR deve ser tributada. Acerca dos gerente e administradores, a situação encontrada foi diversa. Nos acordos em que os sindicatos estão envolvidos, estes trabalhadores não são tratados na participação nos lucros ou resultados. Pelo contrário: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 330 6 O próprio instrumento (ANEXO III) de estabelecimento do Programa deParticipação nos Resultados (PPR) firmado pela empresa Indústrias Gessy LeverLtda., Comissão de Empregados e com o Sindicato dos Trabalhadores nasAIndústrias de Produtos de Limpeza no Estado de São Paulo em 16/06/1997, que ™não foi considerado como válido para a empresa IGL Industrial Ltda. pela AuditoriaFiscal, mas que foi considerado como instrumento de instituição do programa de Participação nos Resultados no âmbito da empresa, cita na cláusula quinta alínea a) que os empregados que ocupam nível gerencial não participarão do Programa, podendo a empresa, a seu critério , estipular alguma importância a ser paga a título de Participação nos Resultados para esses empregados. A autuada informou que o programa estava formalizado em língua inglesa em um sistema informatizado com segurança digital. Sobre este assunto, relatou a Fiscalização: Destacase, de pronto, o sugestivo nome de Remuneração Variável da Gerência e não Programa de Participação nos Resultados. Outro importante fator de destaque é que as metas de avaliação de desempenho são fixadas entre os gerentes e seus superiores. Os percentuais de remuneração variável são em função do salário anual do gerente e não do salário mensal como nos empregados mensalistas/horistas. Os pagamentos são efetuados nas competências abril e outubro referentes aos resultados obtidos no exercício anterior e na competência maio nos casos de rescisão. Verificouse, pela contabilidade e folhas de pagamento, a ocorrência do pagamento de diferenças noutras competências (junho e julho, por exemplo). Finalmente, são citados no documento (ANEXO VIII última página) os nomes de alguns gerentes e os percentuais de resultado atingidos nos anos de 2003 e 2004. Por conseguinte, concluiu a Fiscalização que estas rubricas deveriam integrar a base de cálculo das contribuições sociais exigidas. O período do débito, conforme o relatório Discriminativo Sintético do Débito – DSD, às fls. 18, é de 12/2002 a 08/2005. A Recorrente teve ciência do AIOP em 08.10.2008, conforme Aviso de Recebimento – AR nº 57.612.2453 BR, às fls. 44 e 45. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Sustenta que não foi suficiente a Fiscalização em Campinas ter excluído as competências 09/2001 a 11/2002, em observância à Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal (STF), porquanto as contribuições relativas às competências 12/2002 a 10/2003 também foram atingidas pela decadência. Propugna pela aplicação do prazo previsto no § 4o do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Requer que seja reconhecida a nulidade da autuação, pois o relatório fiscal não informa os motivos que levaram à tributação do jubileu de Fl. 368DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 331 7 prata, indenização liberal e de acordo coletivo e o programa de participação nos lucros ou resultados. Os fatos motivadores da autuação devem constar no relatório fiscal, consoante o disposto no artigo 37 da Lei n° 8.212, de 1991. Salienta que estas verbas estão desvinculadas do saláríode contríbuição, nos termos do § 9o do artigo 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. O "jubileu de prata" é uma indenização por tempo de serviço, as indenizações são ganhos eventuais desvinculados dos salários e a PLR está expressamente prevista na norma de isenção. Também alega que não foram apresentadas as bases de cálculo apuradas pela Fiscalização para exigir o crédito constituído. Quanto ao mérito, sustenta que as parcelas tributadas não integram a base de cálculo das contribuições exigidas, apenas os ganhos habituais. Os valores pagos aos empregados por mera liberalidade não podem ser tributados. Cita decisões proferidas pela Justiça do Trabalho que afastaram a natureza salarial de prêmios pagos aos empregados em caráter eventual. Argui que o § 9o do artigo 28 da Lei n° 8.212, de 1991, determina a não incidência sobre "as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais" e sobre "a participação nos lucros ou resultados da empresa ". No que toca à "indenização liberal", argumenta que "é uma indenização concedida por livre critério e conveniência do empregador não se amoldando, pois, ao estrito conceito de remuneração ". E paga casualmente uma única vez ao empregado agraciado, o que afasta a habitualidade Traz a baila parecer da lavra de Amauri Mascaro do Nascimento, considerando que o pagamento efetuado em decorrência da rescisão do contrato não é habitual. Defende que a verba não está atrelada ao salário, porque não é calculada em função do esforço laboral ou da remuneração do trabalhador. Alega que a percepção da verba não é um direito trabalhista, por ser concedido por vontade exclusiva da impugnante. Entende a autuação não observou o disposto no § 11 do artigo 201 da Constituição Federal: Traz à baila a Súmula 207 do STF: As Gratificações habituais, inclusive a de Natal, consideramse tacitamente convencionadas, integrando o salário. Lembra que o item 5 da alínea "e" do § 9o do artigo 28 da Lei n° 8.212, de 1991, veda a incidência sobre "as importâncias recebidas a título de incentivo et demissão". Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 332 8 Reconhecendo que a indenização liberal não é propriamente um incentivo à indenização, é uma reparação pelo dano sofrido pelo empregado no momento em que é desligado da empresa. A respeito da "indenização acordo coletivo", informa que decorre da letra "d" da cláusula 18 da Convenção Coletiva de Trabalho, representando uma indenização acessória à constitucionalmente fixada para os empregados que se desligam da empresa. A verba é esporádica e não calculada com base no valor do trabalho prestado pelo empregado, afastandoa do conceito de remuneração e da conseqüente incidência previdenciária. Aplica ao caso, as argumentações atinentes à "indenização liberalidade". No concernente ao "jubileu de prata", argui que a gratificação é paga, por mera liberalidade, aos funcionários que completam 15 ou 25 anos de casa, sendo totalmente desvinculada da remuneração do empregado. Comunica a decisão do Tribunal Superior do Trabalho que entendeu que o prêmio pela assiduidade não se incorpora aos salários. Repisa seus argumentos sobre a incidência previdenciária sobre os ganhos eventuais, o que não é o caso das parcelas em comento. Enfatiza que "a verba intitulada 'Jubileu de Prata' nada mais é que uma sincera homenagem a um empregado que permanece por 15 ou 25 anos na empresa, ou seja, apenas premia um fato raro nos dias de hoje, sem qualquer relação direta com desempenho, realização de trabalho, não tendo ainda, qualquer promessa de habitualidade ". O último tópico discutido pela impugnante é a tributação sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados. Inicia argüindo que, independentemente de previsão legal, a PLR não integra a remuneração. Da mesma forma dispõe a alínea "j" do § 9o do artigo 28 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, independentemente da forma como se dê o pagamento da parcela, a sua natureza não pode ser desconsiderada. Especificamente sobre a PLR dos empregados mensalistas/horistas, afirma que a Fiscalização partiu da premissa falsa de que a Lei n° 10.101, de 2000, não foi cumprida. Expõe que o programa, instituído em todo o grupo, foi avençado entre a empresa ndústria Gessy Lever Ltda., a comissão de empregados e o Sindicato dos Traba..._.uores nas Indústrias de Produtos e Limpeza no Estado de São Paulo. Este programa é "baseado no atingimento de metas préestabelecidas quantitativas e mensuráveis, divididas em três níveis (divisionais, departamentais e locais), sendo que cada nível possui indicadores de atingimenío e pesos que refletem a composição do pagamento ". O PLR foi criado sob a égide da Medida Provisória n° 1.53932, de 10 de junho de 1997, e firmado por prazo indeterminado, "sendo certo que Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 333 9 foram partes anuenles do programa todos os sindicatos que abrangem os estabelecimentos que compõe o Grupo Unilever ". Ademais, a MP vigente quando da criação do programa não previa a elaboração de novos instrumentos com a participação de um representante indicado pelo sindicato, como entendeu a Fiscalização. Considera insuficiente o embasamento da autuação na falta de indicação, por parte da impugnante, durante a ação fiscal, dos representantes sindicais na composição da Comissão de Empregados. Valendose do princípio da eventualidade, passa a defender a validade dos contratos à luz da Lei n° 10.101, de 2000, a qual determina a participação dos sindicatos na elaboração do programa de participação nos lucros e resultados, a fim de garantir a efetiva negociação entra a empresa e seus empregados, evitando que o pagamento da PLR seja uma forma disfarçada de pagamento de salário. Assevera que a própria Fiscalização reconheceu a participação dos funcionários na elaboração do programa. Conclui que não pode ser tributada por um mero descumprimento de formalidade legal. A seu ver, a situação seria muito diferente se pagasse a PLR mensalmente sem qualquer negociação com seus funcionários. Requer o reconhecimento da improcedência dos pagamentos efetuados a título de PLR aos funcionários do estabelecimento localizados na cidade de Vinhedo/SP e no Estado de Pernambuco. Sobre a PLR dos gerentes da empresa, alega que a previsão do pagamento encontrase na cláusula quinta do instrumento normativo do trabalho firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Limpeza do Estado de São Paulo: Participarão e serão beneficiados do Programa os empregados horistas, mensalistas e pessoal de campo que trabalham ou são administrados pelo estabelecimento da empresa retro citado. Empregados de outras empresas porventura adquiridas durante o ano em curso, não serão elegíveis ao presente Programa. Os empregados que ocupam nível gerencial não participarão do Programa, entretanto, poderá a Empresa, a seu critério, estipular alguma importância a ser paga a título de Participação nos Resultados para estes empregados. Como os mencionados gerentes foram contemplados no Termo de Fixação do Plano de Participação no Resultados (PPR), o qual estabelece metas o objetivos a serem .ungidos, quer fazer crer que é descabida a autuação. Por fim, merece ser informado que, a fls. 189/198, foi juntada aos autos cópia do Acórdão n° 04/01689/2002 proferido pela 4a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), em que foi decidido, por maioria, que a gratificação jubileu, paga pela empresa Volkswagen do Brasil Ltda. em condições semelhantes ao Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 334 10 "jubileu de prata" tratado no processo, não compõe a base de cálculo das contribuições previdenciárias A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 0532.606 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP , a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício 2003, 2004, 2005 “JUBILEU DE PRATA”. Valores pagos costumeiramente aos empregados que laboram na empresa em decorrência de sua política de recursos humanos integram o contrato individual do trabalho, como gratificações ajustadas, e compõem a base de cálculo do Salário Educação. “INDENIZAÇÃO LIBERAL”. Verbas pagas por costume a seus empregados desligados e que são objeto de discussão com os sindicatos dos trabalhadores são gratificações ajustadas. Em sendo ganhos habituais percebidos pelos trabalhadores, seu pagamento é fato gerador do SalárioEducação. “INDENIZAÇÃO ACORDO COLETIVO”. A “indenização acordo coletivo” é uma valor pago pela empresa ao empregado desligado por força de acordo coletivo, que tem por finalidade aumentar o patrimônio do trabalhador com o objetivo de auxiliálo em eventual dificuldade na obtenção de novo emprego. Por ser habitual, integra o saláríodecontríbuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). Valores pagos a título de PLR em desconformidade com legislação sofrem incidência do SalárioEducação. Impugnação Improcedente em parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação. (i) As verbas mencionadas pela fiscalização não têm caráter salarial, não integrando a remuneração dos empregados tanto para efeitos trabalhistas quanto para efeitos previdenciários no tocante às contribuições do salárioeducação. Da análise dos dispositivos em referência, concluise que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais, assim como a participação nos lucros e resultados, não integram o conceito de remuneração para fins de incidência das contribuições Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 335 11 previdenciárias, entendimento esse diverso do entendido pelos Dd. Julgadores. (ii) Da indenização liberal Não há que se falar, como defendido pelos Dd. Julgadores que, o fato de ser previamente ajustada (constar na Política de RH), tendo o empregado ciência da existência dessa indenização, não implica no reconhecimento do caráter remuneratório da verba. O montante pago aos empregados nessa situação é feito uma única vez e apenas em uma situação específica, qual seja, demissão sem justa causa, competindo ao empregador estipular o valor e, caso queira deixar de efetuar o pagamento dessa indenização, basta retirála da 'Política de RH', SEM QUALQUER SANÇÃO. Sem dúvida, estas verbas indenizatórias não englobam o salário, já que são ganhos não habituais, de forma que não fazem parte do salário de benefício, nem ao menos representam acréscimo patrimonial (já que apenas ressarcem o prejuízo da perda abrupta do emprego). Na realidade, esses valores indenizatórios somente poderiam ser considerados como verba salarial se tivessem sido pagos com habitualidade aos empregados ou se pagos em decorrência direta dos serviços prestados, nos exatos termos da atual redação do art. 201, §11° da CF/88. Aliás, frisese que o E. Supremo Tribunal Federal sempre entendeu que somente as gratificações ou abonos pagos com habitualidade integrariam o salário de contribuição previdenciária. Nesse sentido o Superior Tribunal de Justiça tem aplicado a Súmula 207 do C. STF. (iii) Da indenização Acordo Coletivo No tocante à verba denominada de 'indenização acordo coletivo', verificase que é decorrente de imposição normativa, estampada na letra "d" da Cláusula 18 da Convenção Coletiva de Trabalho, sob Processo DRT 46.219, tendente a resguardar aos empregados que se desligarem da empresa uma indenização acessória à constitucionalmente fixada. Ademais, entendeu o Sr. Agente Fiscal que a Convenção Coletiva tem força de lei somente entre as partes, não podendo um contrato entre particulares ser oposto às normas legais, entendimento esse adotado na r. decisão ora recorrida. Ocorre que, é de conhecimento comum que o acordo coletivo tem previsão legal no artigo 7o, XXVI, da Constituição Federal e deve ser cumprido quando assinado por todos os envolvidos, entendimento esse já superado pelo E. TST Assim, nenhuma cláusula do Acordo Coletivo pode ser desconsiderada ou mitigada, sob pena de violação frontal à Magna Carta. Ou seja, uma vez previsto que será paga uma indenização em caso de despedido sem justa causa ao empregado, ^ssa Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 336 12 verba, por ser indenizatória e paga uma única vez, não deverá integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Portanto, conforme o 'Acordo' celebrado, uma vez configurada a situação ali prevista, a indenização será paga. MAS SOMENTE NAQUELA SITUAÇÃO ESPECÍFICA!! Em contrapartida, caso isso não ocorra, não receberá bonificação qualquer, POR NÃO SE TRATAR DE REMUNERAÇÃO É pueril e totalmente aquém da responsabilidade social o defendido na r. decisão recorrida, no sentido de que o plus pago ao empregado desligado não está indenizandoo, mas garantindolhe um acréscimo patrimonial para suportar as possíveis dificuldades futuras. Colenda Câmara, o empregador não pode ser penalizado com a tributação sobre mais essa rubrica simplesmente por conceder, por pura liberalidade, um adicional quando da rescisão contratual, visando resguardar o bem estar do empregado diante da situação de desemprego. Notase a liberalidade da verba paga pelo empregador, não caracterizando verba de natureza remuneratória. Assim, inclusive aplicandose o quanto exposto no tópico anterior, forçoso inferirse que a "indenização acordo coletivo" também não consiste em base de cálculo para a contribuição previdenciária e reflexos, razão pela qual deve ser dado provimento ao recurso administrativo, anulando a autuação em epígrafe. (iv) Do Jubileu de Prata Por sua vez, a gratificação 'jubileu de prata' referese a uma homenagem feita pela recorrente aos seus funcionários mais antigos, que completam 15 ou 25 anos de casa. Tratase de uma gratificação paga pela empresa por mera liberalidade, com o único intuito de prestigiar os funcionários com expressivo tempo de trabalho na empresa, totalmente desvinculada da remuneração do empregado, conceito esse já tratado acima. Por tratarse de gratificação eventual (que sequer é conferida a todos os empregados indistintamente), não está sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, conforme preceitua o já exaustivamente citado art. 28, § 9o, "e", "7", da Lei 8.212/91. Com efeito, esses valores somente poderiam ser considerados como verba salarial se tivessem sido pagos com habitualidade aos empregados, nos exatos termos da antiga redação do art. 201, §4° da CF/88, vigente à época dos fatos. Ademais, é de se considerar que o pagamento do 'jubileu de prata' é uma liberalidade da recorrente, que a seu livre critério e conveniência realiza a respectiva liquidação, sendo certo, pois, que o empregado não tem qualquer possibilidade de pleitear judicialmente a mencionada verba. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 337 13 Ressalta a impugnante, ainda, que o E. Conselho de Recursos da Previdência Social já reconheceu, na NFLD 35.350.9051 que valor pago sem habitualidade e que não retribua o trabalho executado não integra o salário. Logo, não restam dúvidas de que todos os prêmios, que foram pagos a título eventual, estão fora do conceito de salário de contribuição, razão pela qual não poderiam ter sido alcançadas pelas contribuições previdenciárias. Aliás, repitase, a verba intitulada "Jubileu de Prata" nada mais é que uma sincera homenagem a um empregado que permanece por 15 ou 25 anos na empresa, ou seja, apenas premia um fato raro nos dias de hoje, sem qualquer relação direta com desempenho, realização de trabalho, não tendo, ainda, qualquer promessa de habitualidade. (v) Da Participação nos Lucros ou Resultados – PLR Logo, independentemente de ser definida em lei específica a forma de pagamento da participação nos lucros, ou resultados (regulamentação), a Lei Maior deixou claro que tais títulos são desvinculados da remuneração, ou seja, não têm caráter salarial, e portanto, não integram o salário de contribuição. No mesmo sentido, é o disposto na legislação previdenciária que, no parágrafo 9o, do art. 28, da Lei n° 8.212/91, regulamenta o custeio da Seguridade Social. Com efeito, a legislação pertinente à participação nos lucros ou resultados das empresas não modificou a regra constitucional de que tal título é desvinculado da remuneração. Isto quer dizer que, mesmo sendo estabelecidas regras quanto a forma de pagamento, não restou alterada a natureza do título. Assim, sob tal aspecto, impossível falarse em débito da recorrente com relação ao pagamento de participação nos resultados aos seus empregados, quando se tem que o art. 7°, inciso XI, da Constituição Federal determina que tal título é desvinculado da remuneração, inexistindo, então, incidência de contribuição ao FNDE. (v.1) Dispensável Participação do Sindicato Diferentemente do defendido pela r. decisão, a Lei 11.101/2000 não exige a participação de sindicato, mas tão somente de um representante. Ainda, não há qualquer menção na supramencionada lei quanto a vigência do acordo coletivo. Na situação em que o PLR é estipulado mediante contrato entre às partes, não há qualquer vedação para que seja acordado por prazo indeterminado. Portanto, mesmo que se entenda que é a Lei 10.101/2000 que deve ser aplicada ao presente caso, não há que se invalidar o PLR acordado Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 338 14 entre as partes, alegando que não poderia ser firmado por prazo indeterminado e que o acordo não foi acompanhado de nenhum representante sindical. Conforme se verifica no Acordo Coletivo celebrado, o Sr. José Carlos Pereira da Silva, representante do Sindicato dos Trabalhadores na Indústrias de Produtos de Limpeza no Estado de São Paulo, participou e anuiu com todo o disposto no acordo. Evidente, portanto, que os empregados estavam assegurados e representados por um membro do sindicato, em cumprimento ao disposto no artigo 2o, inciso I, da Lei 10.101/2000, não devendo prevalecer o defendido na r. decisão, no sentido de que "os sindicatos não encaminharam quaisquer trabalhadores para representálos nas comissões". (v.2) PLR aos empregados mensalistas/horistas (WORK LEVEL 1) No presente caso, a autuação é proveniente ao aludido montante que deveria ser pago a título de salário de contribuição, valor esse baseado na Notificação Fiscal de Lançamento de débito n° 35.767.5274. Quando da autuação, o Fiscal partiu de uma falsa premissa de que o Programa de Participação nos Lucros e Resultados da empresa não estaria em conformidade com a Lei n° 10.101/2000. Assim, a fiscalização presumiu que todos os funcionários da recorrente não estavam incursos em qualquer Plano de Participação nos Resultados, de sorte que os valores pagos a esse título, na verdade, se enquadravam como salários e deveriam ser tributados como tal. (v.3) PLR pago aos funcionários com cargo de gerência (WORK LEVEL 2 a 5) O Sr. Agente Fiscal entendeu, ainda, que os funcionários da recorrente, lotados em função de 'nível gerencial', não estavam incursos em qualquer PLR, o que vem a justificar a desclassificação dessa rubrica e a exigência da contribuição previdenciária. Ocorre que o pagamento do PLR, para os funcionários de nível gerencial, efetivamente seguiu e observou as disposições fixadas em Instrumento Normativo de Trabalho, firmado com o Sindicato profissional respectivo, atendendo assim o ditame legal respectivo. Com efeito, conforme já dito no item anterior, a recorrente valese do PLR firmado pela empresa Indústria Gessy Lever Ltda, Comissão de empregados e com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Produtos de Limpeza no Estado de São Paulo em 16/06/1997. Em referido documento destacase a cláusula Quinta, que estipula a forma de aplicação do PLR aos gerentes: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 339 15 "Participarão e serão beneficiados do Programa os empregados horistas, mensalistas e pessoal de campo que trabalham ou são administrados pelo estabelecimento da empresa retro citado. Empregados de outras empresas porventura adquiridas durante o ano em curso, não serão elegíveis ao presente Programa. Os empregados que ocupam nível gerencial não participarão do Programa, entretanto, poderá a Empresa, a seu critério, estipular alguma importância a ser paga a título de Participação nos Resultados para estes empregados.' Ora, e como visto, pela retro reproduzida disposição normativa, os empregados de nível gerencial estão efetivamente contemplados no Termo de fixação do Plano de Participação nos Resultados PPR. Assim, foi criado, com base na alínea 'a', da cláusula quinta do documento supra citado, um Programa de Participação nos Resultados exclusivo para funcionários gerentes Com base neste Programa, os empregados de nível gerencial da recorrente, que receberam o PPR, necessitaram tingir metas e objetivos previamente estipulados, sendo que o pagamento respectivo observou o montante de cumprimento dessas metas. Desta forma, não resta dúvida de que é descabida a presente autuação também no que tange aos funcionários gerentes, razão pela qual deve ser dado provimento ao presente recurso, anulando a autuação. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 340 16 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0532.606 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas SP , que julgou procedente os lançamentos, oriundos de descumprimento de obrigação tributária legal principal, Auto de Infração – AIOP nº 37.137.6580, no montante de R$ 860.570,49. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, incidente sobre remunerações de segurados empregados que lhe prestaram serviços. Conforme o Relatório Fiscal, o lançamento decorre de Representações Administrativas, às fls. 52 a 53 e fls. 95 a 97, que foram emitidas quando do encerramento de ações fiscais relacionadas às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.767.5258 e NFLD n º 35.767.5274. Com o advento da Lei 11.457/2007, em função da competência da RFB, foi então lavrado o presente AIOP na qual os salários de contribuição que motivaram o lançamento foram extraídos das NFLD nº 35.767.5258 e NFLD n º 35.767.5274, emitidas em 05.06.2006, Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n º 9255724, concluído em 07.06.2006, cujas cópias estão anexadas aos autos. Observase que os autos do processo referente à NFLD nº 35.767.5258 encontramse distribuídos para o presente Relator. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado definitivo do julgamento do conexo processo principaL NFLD n º 35.767.5274, posto que taL processo produz efeitos diretamente nos presentes Autos . Fl. 378DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.011795/200828 Resolução nº 2403000.177 S2C4T3 Fl. 341 17 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe: (i) o resultado final do julgamento do processos administrativo do conexo processo principaL NFLD n º 35.767.5274, com a conseqüente coisa julgada administrativa; (ii) Anexe nos autos do presente processo, todas as decisões do CARF relacionada ao processo principaL NFLD n º 35.767.5274, caso houver. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 379DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000161/2009-05
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DCTF MENSAL E SEMESTRAL. ATRASO NA ENTREGA.
Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 1803-001.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ATRASO NA ENTREGA. Incabível a multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal quando ausente o requisito para sua apresentação e comprovada a impossibilidade fática de entrega da DCTF semestral pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 61 /2 00 9- 05 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório PREVIBOSCH SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO – SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF Mensal — 1.5 referente a Outubro de 2008, no valor de R$2.597,24 (fls. 36). Em 26/01/2009, o interessado supra qualificado apresentou a Impugnação, de fls. 01/14, na qual alega: 1) que até o anocalendário de 2006 entregara a DCTF com periodicidade semestral, porém, ao tentar transmitir por via eletrônica a DCTF referente ao 1° semestre de 2007, o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (RFB) não permitiu a entrega da DCTF semestral, orientandoa pela utilização do "PGD DCTF Mensal" (fls. 39); 2) inconformado com tal situação, em 04/10/2007, formalizou consulta perante a SRRF 88 Região Fiscal, requerendo que se esclarecesse/atestasse que a consulente estava autorizada a entregar a DCTF semestral, que a impossibilidade do envio do arquivo decorria de erro/falha no sistema informatizado do órgão e que a multa por atraso na entrega da DCTF restaria afastada por força da consulta formulada; 3) em 23/11/2008, o contribuinte foi cientificado da resposta à sua consulta (Despacho Decisório SRRF/8° RF/Disit n° 45, de 10/03/2008), que teve a seguinte conclusão: 13. Posto isto declaro a ineficácia da consulta com base no art. 52, I, c/c art. 46 do Decreto n° 70.235, de 1972, dado não versar sobre a interpretação de dispositivos da legislação tributária, mas sobre a solução de problema concreto encontrado pela consulente para transmissão da DCTF semestral referente ao primeiro semestre do anocalendário de 2007, uma vez que o programa não aceitou o documento, emitindo mensagem de obrigatoriedade de DCTF mensal, aparentemente não aplicável a seu caso, problemática essa que deveria ser solucionada por intermédio dos Centros de Atendimento ao Contribuinte CAC, de sua unidade jurisdição, o qual, se não conseguisse encontrar solução imediata para a situação apresentada, deveria solicitar a intervenção dos órgãos superiores apropriados aos quais se subordina. 14. Quanto às condições a serem observadas para a apresentação da DCTF no ano de 2007, encontravamse claramente estatuídas nos arts. 3° a 5° da IN SRF n° 695, de 2006, não ensejando, em princípio, maiores dúvidas. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000161/200905 Acórdão n.º 1803001.929 S1TE03 Fl. 566 3 4) em face da resposta da Disit/SRRF08, em 23/12/2008, o interessado optou por entregar por via eletrônica as DCTF mensais relativas aos meses de janeiro de 2007 a setembro de 2008, o que ensejou a expedição automática da Notificação de Lançamento da Multa pelo Atraso na Entrega da DCTF ora combatida; 5) entende ser descabida a exigência da multa, uma vez que o contribuinte está devidamente enquadrado na hipótese de entrega semestral da DCTF : e do DACON, e foi obrigado a apresentar as DCTF mensais por força de um erro do sistema informatizado da RFB; 6) os seus DACON semestrais foram aceitos pelo sistema, a demonstrar que as DCTF semestrais também deveriam ser aceitas; 7) por ser entidade de previdência privada complementar, para fins de cálculo de receita bruta operacional, as contribuições vertidas para a entidade não são incluídas, estando a reclamante dentro do limite de receita bruta estabelecida no inciso I, do a rt. 3°, da IN SRF n° 695/2006; 8) e por também não estar enquadrada nas hipóteses dos incisos II e III da IN SRF 695/2006, não estava obrigada a entregar a DCTF mensal; 9) sendo assim, conclui que a presente cobrança deve ser cancelada, devendo a notificação de lançamento ser declarada nula. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1637.047, de 30 de março de 2012 (fls. 62/66), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OPÇÃO PELA DCTF MENSAL. Ainda que estivesse desobrigado a apresentar a DCTF mensal, seria cabível a multa pelo atraso na entrega. In casu, não restou comprovado que o contribuinte tomou as devidas providências para exercer o seu pretenso direito de entregar a DCTF semestral. Ciente da decisão em 03/05/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 70), apresentou o recurso voluntário em 04/06/2012 fls. 104/121, onde reitera as alegações da inicial. Em 26/11/2012 complementa suas alegações apresentando os documentos de fls. 418/539, compostos das DACON – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais de 2005 e 2006. É o relatório. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa pelo atraso na entrega da DCTF Mensal de outubro de 2008 (fl. 36). Alega a recorrente em síntese: a) Que “é entidade de previdência complementar fechada, sem fins lucrativos, com personalidade distinta de seus patrocinadores, não tributada pelo lucro real e, ainda, que não aufere receita bruta, já que é mera administradora dos fundos de seus beneficiários.”; b) Que “sempre procedeu a entrega de suas DCTFs na forma semestral, mas que em relação ao 1º semestre de 2007, não logrou êxito na entrega pois o sistema da RFB informou estar sujeita à DCTF mensal”; c) Que “entende estar sujeita apenas a DCTF semestral de acordo com as Instruções Normativas SRF 695/2006 e 786/2007”; d) Que “formulou consulta à Secretaria da Receita Federal e de acordo com a resposta dada em 23.11.2008 foi considerado instrumento inadequado já que não se trata de divergência de interpretação de dispositivos da legislação tributária”; e) Que a decisão de primeira instância merece reforma pois “entendeu equivocadamente que a recorrente não buscou solução adequada para seu problema de entrega das DCTFs e que não comprovou que estava desobrigada à entrega da DCTF mensal.” f) Que “é pessoa jurídica que atua como entidade fechada de previdência complementar não auferindo qualquer tipo de receita. Não possui fins lucrativos, não presta qualquer tipo de serviço e não realiza a venda de mercadorias, limitandose, apenas, à administração dos fundos dos seus beneficiários...”; g) Que “não aufere receitas pois apenas administra os planos de benefícios de natureza previdenciária, devendo ser excluídas da receita bruta das entidades de previdência complementar as contribuições destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas, bem como rendimentos auferidos nas aplicações financeiras de recursos destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates.”; h) Que “conforme atestam as DCTFs de 2005 e 2006, não declarou débitos superiores a R$ 3.000.000,00,...”; Fl. 568DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000161/200905 Acórdão n.º 1803001.929 S1TE03 Fl. 567 5 i) Que “somente apresentou as DCTFs mensais por imposição do sistema da RFB não sendo sua opção tendo entrega normalmente a DACON de forma semestral”; j) Que “a Administração Tributária não encontrou solução para o seu problema considerando indevidamente a consulta ineficaz”; k) Que “no prazo de 30 dias da ciência da solução da consulta formulada, apresentou regularmente as DCTFs mensais, sem no entanto estar obrigada, apenas por imposição dos sistemas da RFB, fato que elide a multa de mora aplicada.” Assiste razão à interessada. Com efeito, deve ser afastada inicialmente a dúvida lançada pela decisão de primeira instância sobre a data da mensagem de erro (fl. 39) impossibilitando a entrega da DCTF semestral. O protocolo da consulta formulada à Administração Tributária (fl. 41) comprova que a mesma está datada de 04/10/2007, dentro portanto do prazo regulamentar para a entrega da DCTF semestral preconizado no art. 8º da Instrução Normativa SRF 695/2006. A solução de consulta foi formulada em 04/10/2007 e teve sua resposta cientificada em 23/11/2008 (fl. 50). Não tem sentido afirmar, portanto, que a contribuinte não comprovou estar impedida de efetuar a entrega da DCTF semestral ou que não buscou de forma legal e transparente a solução para o conflito delineado em qual modalidade (mensal ou semestral) de entrega da DCTF a que estava obrigada nos anos 2007 e 2008. Resta verificar se conforme alega a recorrente, não estava realmente sujeita à entrega da DCTF mensal, fato que afastaria o mérito de suas alegações. Neste sentido cabe verificar as hipóteses de enquadramento delineadas nas Instruções Normativas 695/2006 e 786/2007, que abrangem o período em que deixou de entregar as DCTFs mensais até a ciência da solução de consulta. A Instrução Normativa SRF 695/2006 (já revogada), dispõe: Art. 3 º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas: I – cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II – cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou III – sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou Fl. 569DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. Da mesma forma a Instrução SRF 786/2006 (já revogada), dispõe: Art. 3º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas de direito privado: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais); ou III sucessoras, nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial ocorridos quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. Conforme a recorrente reiteradamente tem afirmado e comprovado através de seu estatuto (fls. 80/99) e DIPJ (fls. 54/59), tratase de entidade de previdência privada fechada que administra planos de previdência complementar, tendo como patrocinadoras as empresas/associações “Robert Bosch Limitada, Ishida Do Brasil Limitada, Associação Dos Funcionários Da Robert Bosch Do Brasil, Bosch Rexroth Limitada, Robert Bosch Tecnologia De Embalagem Limitada, Associação Dos Funcionários Da Robert Bosch Limitada, ZF Sistemas De Direção Limitada”. Portanto a rigor, exceto pequenas taxas de administração, não tem a entidade receitas pois a quase integralidade de seus ingressos decorrem das contribuições dos planos de previdência e as receitas de aplicações financeiras de suas reservas atuariais, que não lhe pertencem mas sim são geridas em seu nome. As cópias da DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais dos anos 2005 e 2006 (parâmetro para o enquadramento nas modalidades mensal ou semestral) juntadas às fls. 418/539 e Balancetes (fls. 127/167), demonstram claramente esta constatação, afastando qualquer dúvida de que as receitas da recorrente estão abaixo do limite anual de R$ 30.000.000,00 de receita bruta. Por outro lado, tampouco atinge a recorrente o limite superior a R$ 3.000.000,00 de débitos declarados nos anos de 2005 e 2006 que a sujeitariam à apresentação da DCTF mensal em 2007 e 2008. Com efeito, conforme atestam as DCTFs fls. 165, 229, 293 e 351, não atinge a contribuinte o limite anual superior a R$ 3.000.000,00 para enquadramento na exigência de DCTF mensal nos anos calendários 2007 e 2008. Estando impedida de apresentar a DCTF semestral por evidente equívoco nos sistemas da RFB e tendo formulado regularmente consulta para solução do seu problema, mesmo sem obter solução satisfatória, não vejo como penalizar a contribuinte com a multa pelo atraso na entrega das DCTFs mensais. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 16327.000161/200905 Acórdão n.º 1803001.929 S1TE03 Fl. 568 7 A multa pelo atraso na entrega da DCTF mensal somente seria aplicável se estivesse enquadrada na obrigatoriedade de entrega mensal da DCTF ou tivesse optado voluntariamente (o que não é o caso) pela entrega mensal. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 571DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13811.000024/99-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl (Substituto) para redigir o acórdão.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl (Substituto) para redigir o acórdão. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 11 .0 00 02 4/ 99 -1 5 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13811.000024/9915 Resolução nº 3401000.756 S3C4T1 Fl. 570 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI do período compreendido entre janeiro e dezembro de 1996, no valor de R$ 2.610.967,00, protocolado em 23/09/1997 (fls.31/32). No relatório de diligência fiscal (fls.414/415), consta que, do crédito pleiteado pela Contribuinte, ela faz jus somente ao montante de R$ 75.844,38, em razão de valores glosados nas seguintes operações, que, segundo a autoridade fiscal, não geram o crédito: vendas a empresas comerciais exportadoras antes de 23/11/1996; aquisição de insumos de pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS; aquisição de insumos de cooperativas de produtos. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.468/480), mas a DRJ em Ribeirão Preto/SP manteve o indeferimento, ao prolatar acórdão (fls. 486/494) com a seguinte ementa: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referente às aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do PIS/Pasep e da COFINS não integram o cálculo do crédito presumido do por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS PARA “TRADING COMPANY”. As vendas para as companhias comerciais exportadoras, “Tranding Company”, só são consideradas como receita de exportação na apuração do crédito presumido a partir da vigência e aplicação da MP 1.48427, de 22/11/1996. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE (sic). Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 05/07/2011 (fl.566) e interpôs Recurso Voluntário em 03/08/2011 (fls.497/512), com as alegações resumidas abaixo: 1 As vendas às empresas comerciais exportadoras são e sempre foram equiparadas à exportação, mesmo antes do advento da Medida Provisória nº 1.48427/96; 2 O art. 3º, do Decretolei nº 1.248, com redação dada pelo do Decretolei nº 1.894/81, garantiu aos produtoresvendedores nas operações de vendas para empresas comerciais exportadoras os mesmos incentivos dados às exportações; Fl. 570DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13811.000024/9915 Resolução nº 3401000.756 S3C4T1 Fl. 571 3 3 O art. 1º, da Medida Provisória 1.48427/96 é meramente explicativo; 4 O STJ já reconheceu, em julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, que as empresas produtoras e exportadoras têm direito de aproveitar crédito presumido da aquisição de insumos de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS; 5 Em julgamento de recurso repetitivo, o STJ já reconheceu o direito da correção pela SELIC dos créditos pagos a destempo pela Fazenda Nacional. Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ, para que seja reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado e que o crédito seja corrigido pela SELIC. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI da Recorrente foi parcialmente indeferido, em razão de algumas glosas, por a autoridade fiscal ter entendido que determinadas operações não geram o crédito presumido do IPI. A DRJ manteve o indeferimento e em seu recurso voluntário a recorrente devolveu as seguintes matérias para serem analisadas: Equiparação à exportação das vendas a empresas exportadoras antes do advento da Medida Provisória nº 1.48427/96; direito ao crédito presumido na aquisição de insumos de pessoas físicas e de cooperativas; direito à correção do crédito presumido pela taxa SELIC. 1Das vendas para empresas exportadoras antes do advento da MP nº 1.484 27/96 Segundo a autoridade fiscal, as vendas para empresas exportadoras somente passaram a gerar crédito presumido do IPI a partir de 23/11/1996, com o advento da MP nº 1.48427/96. A Recorrente, por sua vez, alega que as vendas a empresas exportadoras sempre foram equiparadas à exportação e que a MP nº 1.48427/96 é meramente explicativa. O crédito presumido do IPI atualmente está previsto no art. 1º, da Lei nº 9.363/96, cuja redação é a seguinte: “Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam asLeis Complementares nos7, de 7 de setembro de 1970,8, de 3 de dezembro de 1970, e70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13811.000024/9915 Resolução nº 3401000.756 S3C4T1 Fl. 572 4 Parágrafoúnico.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Ocorre que nem sempre a legislação do crédito presumido do IPI contou com esse texto claro do parágrafo único, do art. 1º, da Lei nº 9.363/96. Essa lei é fruto da conversão da MP nº 1.48427/96, a qual tem como origem a MP nº 725/94, que apresentava o seguinte texto no seu art. 1º: “Art. 1º Fica instituído a favor do produtor exportador de mercadorias nacionais, crédito fiscal, mediante ressarcimento em moeda corrente, destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, que incidirem sobre o valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno pelo exportador para utilização no processo produtivo”. Notese que essa norma fala apenas em “produtor exportador”, dando a entender que o crédito seria gerado somente se o produtor efetivasse a operação de exportação. Somente a partir de 1995, já com algumas reedições da medida provisória original, quando recebeu o número 973/95, é que a norma passou a adotar o termo “crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, mas, mesmo assim, nada dispôs a respeito das vendas para exportadores, senão, vejamos: “Art. 1º O produtor exportador de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. Somente na reedição em que recebeu o nº 1.48427, de 22 de novembro de 1996, a medida provisória passou a ter o § 1º em seu art. 1º e a prever, expressamente, o direito ao crédito nas vendas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação. O texto do parágrafo 1º, do art. 1º, da reedição que recebeu o nº 1.48427/96, é o mesmo vigente até hoje e já transcrito alhures. Com base nisso, foi editada a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 23, de 13 de março de 1997, que apresentava no §1º, do art. 18, a seguinte redação: “§ 1º A receita bruta das vendas efetuadas a partir de 23 de novembro de 1996, para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, será computada como receita da exportação”. Foi com base na norma transcrita acima que a autoridade fiscal indeferiu os créditos das vendas para empresas exportadoras realizadas antes de 23/11/1996, por entender que as vendas para empresas exportadoras passaram a gerar crédito presumido do IPI a partir dessa data. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13811.000024/9915 Resolução nº 3401000.756 S3C4T1 Fl. 573 5 Ocorre que, antes do advento da MP 1.48427/96, já estava em vigor o Decreto lei nº 1.248, de 29 de dezembro de 1972, que determina que as vendas feitas à empresas comerciais exportadoras devem receber o mesmo tratamento das exportações. Isso é possível perceber da leitura dos arts. 1º e 3º do mencionado decretolei, in verbis: “Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. (...) Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto noartigo 1º do Decretolei nº 491, de 05 de março de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora”. Além disso, devese levar em consideração que o objetivo do crédito presumido é o estímulo à exportação e é sabido que as vendas a empresas exportadoras com o fim específico de exportação cumprem o fim de exportação. Portanto, com base nesse contexto, não resta dúvida de que a norma contida no §1º, do art. 1º, da Lei nº 9.363/96, nascido na MP 1.48427/96, apenas esclarece o que já estava previsto no Decretolei nº 1.248/72. Logo, é uma norma meramente interpretativa, passível de retroação, nos termos do art. 106, inciso I, do CTN. As decisões administrativas sobre o assunto em comento são no seguinte sentido: “IPI CRÉDITO PRESUMIDO COMERCIAL EXPORTADORA Incluemse no cômputo da receita de exportação as vendas efetuadas a empresas comerciais exportadoras no exercício de 1996. Recurso provido”. ( 2º CC, 3ª Cam. TO. Processo: 10865.001092/9734. Julgado em 07/07/2004. Rel. COns. Luciana Pato Peçanha Martins) “IPI CRÉDITOPRESUMIDODE IPI NA EXPORTAÇÃO 1) AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS A base de cálculo docréditopresumidoserá determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º. da Lei nº. 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtorexportador(art. 2º. da Lei nº. 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas SRF nrs. 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº. 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que ocréditopresumidode IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às Contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS (IN SRF nº. 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito aocréditopresumido(IN SRF nº. 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas Fl. 573DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13811.000024/9915 Resolução nº 3401000.756 S3C4T1 Fl. 574 6 complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. 2) EXPORTAÇÕES ATRAVÉS DEEMPRESASCOMERCIAISEXPORTADORAS Estando em pleno vigor, no ano de1996, os artigos 1º. e 3º. do DecretoLei nº. 1.248, de 29.11.72, são assegurados ao produtorvendedor os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação nasvendasaempresascomerciais exportadorasdestinadas à exportação. 3) TAXA SELIC NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º., da Lei nº. 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº. 2.138/97 tratado de restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso provido”. (2º CC. 1ª Cam. TO. Processo 10675.000979/9761, julgado em 17/04/2001). Portanto, a Recorrente tem direito ao crédito, mesmo naquelas operações de vendas para empresa exportadoras, com o fim específico de exportação, anteriores a 23/11/1996. 2. Do direito ao crédito presumido na aquisição de insumos de pessoas físicas e de cooperativas. O debate acerca do direito ao crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas já foi acirrado outrora. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o tema, ao editar a Súmula 494, cuja redação é a seguinte: “Súmula 494 O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP”. Portanto, não restam mais dúvidas de que a Recorrente tem direito ao crédito relativo à aquisição de insumos de pessoa física e de cooperativas. Desse modo, excluo a glosa relativa a esse item. 3. Do direito à correção do crédito presumido pela taxa SELIC. Como parte do crédito foi reconhecida, cabe analisar a aplicabilidade da Taxa Selic para a correção dos créditos conhecidos. O Superior Tribunal de Justiça, no jumento do Recurso Especial nº 993.164, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do Código de Processo Civil, assim decidiu acerca desse tema: "PROCESSUAL CIVIL RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA IPI CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS LEI Nº 9.363/1996 INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 23/1997 (...) Fl. 574DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13811.000024/9915 Resolução nº 3401000.756 S3C4T1 Fl. 575 7 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do art. 543C do CPC : REsp 1035847/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa Selic (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Relª Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, Julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...)15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ nº 8/2008." (STJ REsp 993.164 1ª S. Rel. Min. Luiz Fux DJe 17.12.2010 ) (Grifos nossos) Recentemente, o STJ, ao julgar o embargo de divergência em agravo nº 1.220.942, mencionando a decisão transcrita acima, estabeleceu que basta a mora no reconhecimento do direito ao ressarcimento para que o contribuinte tenha direito à correção pela taxa SELIC, bem como a correção incidirá também nos créditos do PIS e da COFINS. Vejamos a ementa: “TRIBUTÁRIO IPI CREDITAMENTO DIFERENÇA ENTRE CRÉDITO ESCRITURAL E PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM DINHEIRO OU MEDIANTE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS MORA DA FAZENDA PÚBLICA FEDERAL INCIDÊNCIA DASÚMULA Nº 411/STJ CORREÇÃO MONETÁRIA TERMO INICIAL PROTOCOLO DO PEDIDO TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME CRIADO PELOART. 543C, CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 QUE INSTITUÍRAM OS RECURSOS REPRESENTATIVOS DA CONTROVÉRSIA 1 É pacífico o entendimento do STJ no sentido de que, em regra, eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento foi injustamente obstado pela Fazenda. Jurisprudência consolidada no enunciado nº 411, da Súmula do STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". 2 No entanto, os equívocos na aplicação do enunciado surgem quando se está diante de mora da Fazenda Pública para apreciar pedidos administrativos de ressarcimento de créditos em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos. 3 Para espancar de vez as dúvidas a respeito, é preciso separar duas situações distintas: a situação do crédito escritural (crédito de um determinado tributo recebido em dado período de apuração e utilizado para abatimento desse mesmo tributo em outro período de apuração dentro da escrita fiscal) e a situação do crédito objeto de pedido de ressarcimento (crédito de um determinado tributo recebido em dado período de apuração utilizado fora da escrita Fl. 575DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13811.000024/9915 Resolução nº 3401000.756 S3C4T1 Fl. 576 8 fiscal mediante pedido de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos). 4 Situação do crédito escritural: Devese negar ordinariamente o direito à correção monetária quando se fala de créditos escriturais recebidos em um período de apuração e utilizados em outro (sistemática ordinária de aproveitamento), ou seja, de créditos inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados em períodos de apuração subseqüentes. Na exceção à regra, se o Fisco impede a utilização desses créditos escriturais, seja por entendêlos inexistentes ou por qualquer outro motivo, a hipótese é de incidência de correção monetária quando de sua utilização, se ficar caracterizada a injustiça desse impedimento (Súmula nº 411/STJ). Por outro lado, se o próprio contribuinte acumula tais créditos para utilizálos posteriormente em sua escrita fiscal por opção sua ou imposição legal, não há que se falar em correção monetária, pois a postergação do uso foi legítima, salvo, neste último caso, declaração de inconstitucionalidade da lei que impôs o comportamento. 5 Situação do crédito objeto de pedido de ressarcimento: Contudo, no presente caso estamos a falar de ressarcimento de créditos, sistemática diversa (sistemática extraordinária de aproveitamento) onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída. São utilizáveis fora da escrita fiscal. Nestes casos, o ressarcimento em dinheiro ou ressarcimento mediante compensação com outros tributos se dá mediante requerimento feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das vicissitudes burocráticas do Fisco, demora a ser atendido, gerando uma defasagem no valor do crédito que não existiria caso fosse reconhecido anteriormente ou caso pudesse ter sido utilizado na escrita fiscal mediante a sistemática ordinária de aproveitamento. Essa foi exatamente a situação caracterizada no Recurso Representativo da Controvérsia REsp.nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009, onde foi reconhecida a incidência de correção monetária. 6 A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada "resistência ilegítima" exigida pelaSúmula nº 411/STJ. Precedentes: REsp. nº 1.122.800/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 1.3.2011; AgRg no REsp. nº 1082458/RS e AgRg no AgRg no REsp. nº 1088292/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgados em 8.2.2011. 7 O Fisco deve ser considerado em mora somente a partir da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. 8 Embargos de divergência providos”. (STJ EDAG 1.220.942 (2012/00953416) 1ª S. Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe 18.04.2013 p. 614)(grifo nosso) Fl. 576DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13811.000024/9915 Resolução nº 3401000.756 S3C4T1 Fl. 577 9 Portanto, a taxa SELIC é devida a partir da data de transmissão da PER/DCOMP, tanto para os créditos já reconhecidos pela DRF, quanto para os créditos reconhecidos neste julgamento. Como no julgamento do STJ foi reconhecida a sistemática do art. 543C, do CPC, é o caso da aplicação do art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o seguinte: “Art. 62A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto, para formar o acórdão da DRJ e reconhecer o direito creditório da Recorrente em relação às vendas a empresas comerciais exportadoras ocorridas antes de 23/11/1996 e em relação às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, bem como reconhecer o direito à correção pela taxa SELIC de todo crédito da Recorrente. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça – Relator Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente relator em prosseguir o julgamento no estado em que se encontra o processo, haja vista que pendem ainda questões de ordem fática passíveis de adequado esclarecimento. Primeiramente, respeitante ao ponto de vista externado em sessão quanto ao direito vindicado, reconhecimento das vendas a empresas comerciais exportadoras como exportações para fins de apuração do crédito presumido, oportuno registrar que compartilho do mesmo ponto de vista. Com efeito, ainda que a Medida Provisória nº 1.484/96 e suas antecessoras não tenham feito remissão à possibilidade de cômputo de aludidas vendas a titulo de exportação, o que somente ocorreu com a publicação da 27ª versão deste instrumento, tenho que sua admissibilidade não decorre das disposições dos diplomas que regularam o crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tampouco de sua inclusão pela MP 1.48427/96, de novembro de 1996, mas sim, por força da equiparação procedida pelo DecretoLei nº 1.248/72. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13811.000024/9915 Resolução nº 3401000.756 S3C4T1 Fl. 578 10 Consoante art. 3º deste ato legal, são assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei (operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação), os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo 1º do Decretolei nº 491, de 05 de março de 1969 (“crédito prêmio de IPI). Desde então e independente de previsão legal específica, as vendas a pessoas jurídicas referidas no sobredito decretolei são equiparadas a exportação para o fim de fruir benefícios fiscais concedidos por lei. Contudo, notese, o próprio DL 1.248/72 cuidou de estabelecer condições e requisitos mínimos indispensáveis para que, tanto as operações comerciais, como as pessoas jurídicas adquirentes, pudessem se enquadrar em suas disposições. Neste sentido, considerase venda “com o fim específico de exportação”, aquela onde as mercadorias são diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para i) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora ou ii) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento (art. 1º, parágrafo único). Por seu turno, conforme art. 2º e incisos, as empresas comerciais exportadoras devem atender aos seguintes requisitos: possuir registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; constituirse sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e, possuir capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. O contribuinte afirma que as vendas realizadas atendem às exigências do referido DecretoLei nº 1.248/72, no entanto, não há elementos nos autos que possam corroborar suas alegações. Por outro lado, não é possível ignorar os argumentos por ausência de prova específica, haja vista que esta questão de fato nunca foi objeto de altercação neste processo, que se limitou às matérias de direito para denegação do pleito. Neste sentido, mostrase oportuna a conversão do julgamento em diligência para que sejam realizadas as seguintes verificações: Confirmar se as vendas glosadas atendiam às determinações previstas no art. 1º , parágrafo único, do DL 1.248/72 (que as mercadorias tenham sido diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, ou depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação; Atestar se as adquirentes, por ocasião das vendas, preenchiam os requisitos arrolados no art. 2ºdo DL 1.248/72 (se possuíam registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (CACEX) – atual SECEX – e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; se estavam Fl. 578DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13811.000024/9915 Resolução nº 3401000.756 S3C4T1 Fl. 579 11 constituídas sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e, se possuíam capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional); Uma vez que sobreditas vendas, de fato, atendam ao DL 1.248/72, apurar qual o novo montante a ser ressarcido; Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl, Redator designado. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 16 /10/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA, Assinado digitalmente em 16/10/2013 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 11065.100420/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE.
É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal.
Numero da decisão: 3401-002.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Robson José Bayerl (Suplente).
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Recorrida DRJ PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Robson José Bayerl (Suplente). JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Suplente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 04 20 /2 00 9- 01 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativa do segundo trimestre de 2009 (fls.1/4), com fundamento no §1o, do art. 5o, da Lei nº 10.637/02, recebida pela RFB em 23/07/2009. Na análise, a autoridade fiscal glosou o crédito relativo à mãodeobra fornecida pelas empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte. A autoridade fiscal relatou que o fornecimento desse serviço de mãoobra poderia ter sido utilizado como insumo, contudo, entendeu que essas empresas, apesar de serem formalmente empresas independentes, na verdade são do mesmo grupo econômico da Lótus Calçados Ltda (pleiteante do crédito) e que a separação dessas empresa é simulada (fls.68/76). A Contribuição apresentou manifestação de inconformidade (fls. 95/107), mas a DRJ em Porto Alegra/RS manteve as glosas, ao prolatar acórdão (fls.135/145) com a seguinte ementa: “PRESTAÇÃO DE SERVIÇO INEXISTÊNCIA MATERIAL E FACTUAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS – SIMULAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FAVORÁVEIS À CONTRIBUINTE. A realização de prestação de serviços quando a empresa encomendante e as empresas prestadoras de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da prestação de serviços por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 06/07/2011 (fl.147) e interpôs Recurso Voluntário 04/08/2011 (fls.148/166), com as alegações resumidas abaixo: 1 O despacho decisório é nulo em razão do cerceamento de defesa, vez que a autoridade fiscal não apontou os fundamentos legais que levaram à desconsideração do negócio realizado entre a Recorrente e as terceirizadas. Além disso, a DRJ, para manter o indeferimento, utilizouse de normas não apontadas no despacho decisório; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11065.100420/200901 Acórdão n.º 3401002.265 S3C4T1 Fl. 174 3 2 As três empresas foram constituídas regulamente e recolhem todos os seus tributos; 3 Foram vários ateliers de calçados terceirizados que prestaram serviço à empresa Recorrente, bem como a empresa Adão Acker prestou serviços a outras empresas, conforme demonstrados nos documentos anexos à manifestação de inconformidade, o que descaracteriza a alegação do fisco de que as terceirizadas prestavam serviços com exclusividade à Recorrente; 4 O fato de Solange Matte, dona da empresa de mesmo nome, ser esposa de Lauro Henrique Matte, sócio administrador da Recorrente, como relatado pela autoridade fiscal, não descaracteriza a independência e autonomia das duas empresas; 5 O desmembramento da empresa para que uma cuide de parte específica da produção, além de necessária para o aprimoramento da produção, é utilizada como planejamento tributário, elisão fiscal, não havendo proibição legal; 6 Para se seja aplicada a desconsideração dos atos jurídicos praticados, prevista no art. 116, Parágrafo Único, do CTN, deve ser provada a ocorrência da simulação ou da dissimulação; Ao fim, a Recorrente pediu que seja acolhida a preliminar de cerceamento de defesa por falta de fundamento legal e, caso assim não se entenda, sejam as glosas efetuadas declaradas ilegais e se reconheça o direito creditório. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pediu o ressarcimento do PIS do segundo trimestre de 2009, mas parte do crédito foi glosada em razão de a autoridade fiscal entender que as empresas que prestavam serviço de fornecimento de mãodeobra eram, na verdade, do mesmo grupo empresarial. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 O cerne da questão é saber se as operações da Recorrente com as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte consiste na prestação de serviço de fornecimento de mãodeobra ou se, na realidade, tratase de grupo econômico, cuja separação é uma simulação. Mas, antes da análise dessa questão, deve ser analisada a questão de nulidade arguida pela Recorrente. 1. Da nulidade do despacho decisório A Recorrente alega que o despacho decisório é nulo, pois não utilizou qualquer fundamento legal para glosar os créditos. Nesse ponto, tem razão a Recorrente. Realmente, tanto no relatório fiscal, denominado nesses autos como “auto de infração”, quanto no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei nº 10.637/02). Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico. O cerceamento de defesa ficou ainda mais evidenciado, quando a Recorrente optou por se defender do Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, que autoriza a desconsideração dos negócios jurídicos praticados com intuito de dissimulação, mas a DRJ considerou que no caso não se aplica o Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, mas sim o art. 149, inciso VII, também do CTN. Esse fato demonstra claramente que a falta de fundamento para a desconsideração do negócio jurídico entre a Recorrente e a terceirizada prejudicou na defesa da Recorrente. Além disso, a falta de fundamentação no despacho decisório e no relatório fiscal faz com que qualquer fundamentação legal utilizada nos julgamentos posteriores (DRJ e CARF) configurem inovação de fundamento, por utilização de norma não ventilada pela delegacia de origem, como ocorreu, no presente caso, quando a DRJ utilizou o art. 149, inciso VII, do CTN, para fundamentar a desconsideração do negócio jurídico. Com isso, por estar presente o cerceamento de defesa, devem ser declarados nulos os atos praticados desde o relatório fiscal, para que os autos retornem à delegacia de origem, para retificação da fundamentação da delegacia de origem, para que ela aponte em qual norma se apóia para descaracterizar os negócios jurídicos praticados entre a Recorrente e as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, para declarar nulo o relatório fiscal, nestes autos denominado de “auto de infração”, o despacho decisório e o acórdão da DRJ, devendo os autos retornarem à delegacia de origem para elaboração de um novo relatório fiscal e despacho decisório, apontandose a norma legal na qual se apóia a desconsideração do negócio praticado entre a Recorrente e as empresas terceirizadas. É como voto. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 11065.100420/200901 Acórdão n.º 3401002.265 S3C4T1 Fl. 175 5 Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 08 /08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726379/2011-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA ATRASO NA ENTREGA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 79 /2 01 1- 18 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 35) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0640.014, de 27 de março de 2013 (fls. 49/53), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 26/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 57), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726379/201118 Acórdão n.º 1803001.861 S1TE03 Fl. 85 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DCTF antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 02/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 11995.000072/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 29/09/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - PREVIDENCIÁRIO
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de- infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL D
Data do fato gerador: 29/09/2003
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE - SOLIDÁRIA. EXISTÊNCIA - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8212/91, nos termos do art. 30, IX.”
NÃO IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FATOS QUE ENSEJARAM A AUTUAÇÃO - PROCEDÊNCIA DE UM ÚNICO FATO JÁ É SUFICIENTE PARA MANUTENÇÃO DA AUTUAÇÃO.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO-32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS,
APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 NFLD CORRELATAS
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está
diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.996
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de formação de grupo econômico. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os
conselheiros Igor Araújo Soares , Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/09/2003 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXISTÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8212/91, nos termos do art. 30, IX.” NÃO IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FATOS QUE ENSEJARAM A AUTUAÇÃO PROCEDÊNCIA DE UM ÚNICO FATO JÁ É SUFICIENTE PARA MANUTENÇÃO DA AUTUAÇÃO. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de formação de grupo econômico. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares , Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n. 35.601.6323, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Em especial deixou de informar as remunerações relativas ao período de 05/1999 a 05/2003 referentes aos valores das Bases de Cálculo das contribuições previdenciárias referentes às folhas de pagamento complementares, e de rubricas constantes em folhas normais, conforme planilhas fl. 06. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 29/09/2003, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 06/10/2003. Foi anexado relatório fiscal do grupo econômico, fl. 25 a 62. Em síntese a autoridade fiscal esclarece: No Anexo Especial às fls. 25 à 91 (Anexo composto pelas Partes I , II e III além de Documentos Complementares de n's 01 à 26) os Auditores Fiscais da Previdência Social — AFPSs caracterizam a formação de grupo econômico da qual faz parte a autuada tendo em vista "...a prática de esforços conjuntos praticados entre pessoas visando um fim de interesse comum.". 4.1. Através dos documentos que compõem o Anexo Especial , a Auditoria Fiscal • de Previdência Social configurou a formação de um grupo econômico de fato, pelo tipo de movimentação financeira realizado entre os estabelecimentos, a interrelação empresarial , o envolvimento das mesmas pessoas físicas no quadro societário ou na condição de gerentes ou, ainda, na qualidade de procuradores das empresas, além do que, o grupo se autodenomina "GRUPO CAMPBOI". 4.2. Os AFPSs relacionam as empresas participantes do GRUPO CAMPBOI na parte I do Anexo Especial às fls. 32 à 34, que transcrevemos a seguir: 1.FRIGORÍFICO CAROMAR LTDA CNPJ: 52.471.729/000140 2.FRIGORíFICO SANTA ESMERALDA LTDA CNPJ: 02.170.737/000188 3.VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA CNPJ: 03.201.870/0001 17 4.TRANSPORTADORA PEREIRA & DIAS LTDA CNPJ: 69.285.054/000147 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 5.R.P.M.C. COM. DE CARNES E DERIVADOS LTDA CNPJ: 62.067.129/000506 6.ML COMÉRCIO DE CARNES LTDA CNPJ: 56.066.020/0001 10 7.MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA CNPJ: 01.222.671/000160 8.SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA CNPJ: 02.172.552/000102 9.SANTA ESMERALDA ALIMENTOS II LTDA CNPJ: 55.596.548/000138 10.CASA DE CARNES AMOREIRAS LTDA CNPJ: 53.121.349/000148 11 .SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA CNPJ: 05.148.550/000176 12.DISTRIBUIDORA DE CHARQUE CAMPINAS LTDA CNPJ: 01.767.548/000124 13.TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA CNPJ: 74.624.248/000160 14.DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA CNPJ: 57.622.466/000146 15.LEME DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA CNPJ: 05.038.439/000127 16.CORTE SCHEFER AGROPECUÁRIA S/A CNPJ: 62.617.782/000160 17.VITÓRIA GUAPIAÇU PARTICIPAÇÕES LTDA CNPJ: 05.274.340/000124 18.MÁXIMA CENTRAL DE RASTREABILIDADE LTDA CNPJ: 05.430.029/000127 4.3. No citado Anexo Especial , partes II e III às fls. 35 à 62, estão identificados os Sócios e os procuradores das respectivas empresas e os vínculos dessas pessoas com as empresas que compõem o grupo. 4.4. Os documentos complementares apresentados às fls. 63 à 91 , previamente relatados na introdução do Anexo Especial às fls. 25 à 31 , atestam a relação de interdependência entre as empresas, ou melhor, a estreita relação entre as empresas que compõem o grupo econômico. Não concordando com a autuação apresentou a empresa notificada principal, defesa, fl. 103: De outro lado, no tocante ao AI em questão, consta que a impugnante deixou de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho, ou emitir documento de comprovação de exposição em desacordo com o laudo. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 4 5 Entretanto do TIAD — Termo de Intimação para Apresentação de documentos, não fora concedido à impugnante prazo hábil para que atendesse ao determinado, já que, o Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho — LTCAT, atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho e seus trabalhadores, em vista de sua complexidade, demanda um período maior de tempo para sua confecção. Em razão disto, após apenas 07 (sete) dias da solicitação contida no TIAD, veio os Senhores Auditores Fiscais á procederem a autuação da impugante, ora guerreada, sem lhe conceder, como dito, tempo necessário e hábil para cumprimento do determinado, razão pela qual improcede o AI, protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos e que se façam necessário no curso do processo administrativo. Insta consignar, que dos supostos vínculos trazidos pelos Senhores Auditores Fiscais, todas as empresas e pessoas físicas, incluindose a ora impugnante, possuem personalidade jurídica própria e distinta uma da outra, como também, não se encontram satisfeitos os requisitos legais de formação de grupo econômico capitulados na legislação, seja na Lei das S/A, no CTN ou na Lei 8.212/91. Não conformada com a autuação parte das responsáveis solidárias apresentaram impugnação, fls. 124 a 220, argumentando a empresa Vitória Agroindustrial, em síntese, tendo em vista que as demais apresentaram ou recurso idêntico a da empresa Vitória, ou idêntico ao da Frigorifico Caromar.: “A responsabilização por infração não pode ser transferida a terceiros. Não bastasse isto tudo, o crédito oriundo de auto de infração tem como única razão de ser a punição do infrator por descumprimento de determinação legal. Ou seja, visa punir o agente infrator e não terceiros que nada têm a ver com aquele ato e nem poderiam têlo evitado ou mesmo praticado de acordo com a lei supostamente infringida. Especificadamente, o auto de infração aqui combatido foi lavrado em punição à infração às Leis n.s 8.212/91 e 8.213/91. Neste caso, só a autuada, acusada da prática daquela infração, é que poderia eventualmente têla evitado. Portanto, só ela pode ser punida, em razão do principio da individualização da pena. Responsabilidade tributária de terceiros estranhos ao fato gerador é até admissivel em determinados casos, conforme explicado acima. Mas esta pretensa "terceirização" da punição por infração à lei extrapola todos os limites permitidos. Ao se referir a um tal responsável pela infração, supostamente alheio ao ato, o CTN não está possibilitando a punição de terceiros, que nada têm a ver com o ato infrator. Na verdade, se trata daquele responsável em nome de quem o agente tenha praticado o ato. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Exemplo clássico é a infração praticada por gerente ou preposto da empresa, cuja responsabilidade pela infração irá recair sobre o responsável em nome de quem aquele ato foi praticado, no caso a própria empresa. A impugnante nada tem a ver com a autuada, repitase. Não tem meios nem porquê fiscalizar o cumprimento das obrigações dela. Por tudo isto, esta condição de responsável solidária da impugnante pelos débitos tributários da autuada é absolutamente indevida. Ante o exposto, a impugnante pede seja ela excluída da condição de responsável solidária pelo recolhimento do crédito tributário combatido. Com relação as responsáveis solidárias descritas no auto de infração em questão. Ouve manifestação nos seguintes termos: Dentro do prazo regulamentar, apresentaram impugnações as seguintes empresas do grupo: DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA, em 23/10/2003, protocolada sob n° 37330.003879/200371, fls. 132 à 138; CASA DE CARNES AMOREIRAS LTDA, em 23/10/2003, protocolada sob n° 37330.003984/200318, fls. 140 à 146; CORTE SCHEFER AGROPECUÁRIA S/A, em 06/11/2003, protocolada sob n° 37330.004261/200328, fls. 210 à 214; DISTRIBUIDORA DE CHARQUE CAMPINAS LTDA, em 06/11/2003, protocolada sob n° 37330.004369/200311, fls. 216 à 220; LEME DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA, em 23/10/2003, protocolada sob n° 37330.003866/200300, fls. 156 à 162; MÁXIMA CENTRAL DE RASTREABILIDADE LTDA, em 23/10/2003, protocolada sob n° 37330.003905/200361, fls. 164 à 170; VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA , em 23/10/2003, protocolada sob n° 37330.004006/200385, fls. 124 à 130; VITÓRIA GUAPIAÇU PARTICIPAÇÕES LTDA, em 23/10/2003 , protocolada sob n° 37330.003999/200378 , fls. 148 à 154; e, FRIGORÍFICO CAROMAR LTDA , em 21/10/2003 , protocolada sob n° 37330.003447.2003 60 , fls. 101 à 106. 6. As defesas apresentadas pelas empresas acima relacionadas foram protocoladas considerando as datas das postagens dos envelopes nos correios , os quais se encontram anexados ao processo de NFLD — Debcad n° 35.601.6307, de 26/09/2003 lembrando que as defesas para diversos processos (NFLD e AI) de uma mesma empresa do grupo foram enviadas juntas via correios, anotando que estas defesas foram todas assinadas pelo mesmo procurador, o advogado Sr. José Macedo — OAB/SP n° 19.432 e alegam em síntese: Fl. 507DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 5 7 6.1. Que não integram o grupo econômico denominado "GRUPO CAMPBOr; 6.2. Que embora o artigo 121 do CTN autorize o fisco para incluir qualquer coresponsável, os artigos 124 e 128, do mesmo Código, determinam que essa inclusão só é possível se o terceiro estiver vinculado ao fato gerador do tributo , tendo os contribuintes alegado inclusive que esta relação deva ser tão estreita a ponto de permitir uma fiscalização pelos co responsáveis; 6.3. Que as impugnantes não têm qualquer meio para fiscalizar os recolhimentos de contribuições pela autuada. 6.4. Que o artigo 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91 , subroga ao adquirente, consignatário ou à cooperativa as obrigações da pessoa física descritas na alínea 'a', inciso V do artigo 12 e as obrigações do segurado especial impostas pelo artigo 25, ambos da Lei n°8.212/91; 6.5. Que a imputação da pena aos componentes do alegado grupo econômico extrapola os limites impostos pelo artigo 136 do CTN. 6.6. Requerem, ante o exposto acima, que sejam excluídas da condição de responsáveis solidárias pelo recolhimento do crédito tributário combatido. 6.7. A autuada , Frigorífico Caromar Ltda , alegou , em síntese, que: 6.7.1. O objeto social e as atividades desenvolvidas pelos empregados segurados e avulsos/autônomos não se enquadram no dispositivo legai descrito na NFLD. 6.7.2. Após o Termo de Intimação para Apresentação do LTCAT não foi concedido prazo (concedido apenas 7 dias) maior para que a empresa confeccionasse o documento. 6.7.3. Não existem vínculos entres as empresas citadas, que justifiquem a formação de grupo econômico. 6.7.4. Seja , assim , declarada a improcedência da presente autuação. 7.Intempestivamente, foram apresentadas as impugnações das seguintes empresas: MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA, em 28/10/2003, protocolada sob n° 37330.003616/200361 fls. 204 à 208; RPMC COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA , em 28/10/2003 , protocolada sob n° 37330.003663/200313 , fls. 198 à 202; ML COMÉRCIO DE CARNES LTDA , em 28/10/2003 , protocolada sob n° 37330.003570/200381 , fls. 180 à 184; Fl. 508DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA , em 28/10/2003 37330.003669/200382 , fls. 192 à 196; TRANSPORTADORA PEREIRA & DIAS LTDA , 437330.003750/200362 , fls. 172 à 178; e, TTRANSPORTADORA DIRCEU LTD, 37330.004395/2003 49 , fls. 186 à 190. 8. As defesas intempestivas apresentadas pelas quatro primeiras empresas acima relacionadas foram protocoladas junto à Agência da Previdência Social em São José do Rio Preto e foram todas assinadas pelos advogados Sr. Wilson Fernando Lehn Pavanin e Sr. Iran de Paula Júnior (os mesmos procuradores da Defesa Tempestiva da empresa Frigorífico Caromar Ltda) , enquanto que as duas últimas defesas intempestivas do item anterior foram protocoladas considerando as datas das postagens dos envelopes nos correios, os quais se encontram anexados ao processo de NFLD — Debcad n° 35.601.6307, de 26/09/2003, observando que as defesas de uma mesma empresa para diversos processosNFLD/AI foram enviadas juntas via correios , sendo estas duas últimas defesas assinadas pelo mesmo procurador que assinou as Defesas Tempestivas acima, o advogado Sr. José Macedo — OAB/SP n2 19.432 , e, em síntese , apresentam as mesmas alegações do item 6 e subitens. 9. Não contestaram o presente Auto de Infração , até o presente momento, as seguintes empresas: SANTA ESMERALDA ALIMENTOS II LTDA; FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA; e, SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA; Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 226 a 238 . Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 277, onde alega: Frigorifico Caromar Ltda., pelos procuradores abaixo assinados, nos autos do DEBCAD em epígrafe, por não se conformar com respeitável decisão que julgou procedente o respectivo lançamento, interpõe o presente recurso, ratificando expressamente as razões apresentadas em sua impugnação. Quanto à pretensa caracterização de grupo de empresas e responsabilização solidária delas no débito cobrado, a ora recorrente ratifica expressamente as razões apresentadas pela Vitória Agroindustrial Ltda. no recurso apresentado por ela, ao qual se remete. Por aqueles motivos, a recorrente pede seja dado provimento a este recurso com a conseqüente exclusão dela da condição de responsável solidária pelo recolhimento do crédito tributário combatido. (não impugnou) Neste mesmo sentido apresentaram recursos idêntico os seguintes solidários: Fl. 509DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 6 9 Transportadora Pereira e Dias Ltda., RPMC Comércio de Carnes e Derivados Ltda., Meat Center Comércio de Carnes Ltda Santa Esmeralda Alimentos II Ltda Frigorífico Santa Esmeralda Ltda Corte Schefer Agropecuária Ltda Casa de Carnes Amoreiras Ltda Santana Agroindustrial Ltda., Transportadora Dirceu Ltda Distribuidora de Carnes vale do Mogi Ltda. Ressaltese que todos os recursos foram idênticos, alegando: “pelos procuradores abaixo assinados, nos autos do DEBCAD em epígrafe, por não se conformar com respeitável decisão que julgou procedente o respectivo lançamento, interpõe o presente recurso, ratificando expressamente as razões apresentadas pela Vitória Agroindustrial Ltda. no recurso apresentado por ela, ao qual se remete. Por aqueles motivos, a recorrente pede seja dado provimento a este recurso com a conseqüente exclusão dela da condição de responsável solidária pelo recolhimento do crédito tributário combatido.” Considerando que todos os recursos reportamse ao da empresa Vitória Agroindustrial, fl. 282, convém expor seus argumentos: De acordo com resultado de fiscalização do INSS, o Frigorífico Caromar Ltda. teria infringido disposições das Leis ns.8.212/91 e 8.213/91. Por isto, lavrouse contra ele o AI referente ao DEBCAD oem epígrafe. Depois disto, a ora recorrente foi incluída na condição de corresponsável por aquele débito, pois, segundo o INSS, ela e o Frigorífico Caromar fariam parte de um Grupo Econômico denominado "GRUPO CAMPBOI". Inconformada com isto, pois a empresa autuada nada tem a ver com ela, a recorrente apresentou impugnação ao lançamento e requereu fosse excluída da condição de responsável solidária. Para tanto, invocou a limitação imposta pelo art. 128, do CTN, para a inclusão de terceiros na condição de coresponsáveis pelas obrigações tributárias. Quando a recorrente refere aquele inciso IV do art. 30, ela o faz para exemplificar um dos casos em que a empresa responsável pelo recolhimento de contribuições de terceiros tem meios para fiscalizar aqueles recolhimentos oit até mesmo fazêlos em lugar dele, o que não ocorre na hipótese objeto destes autos. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 3. Como fundamento legal, a decisão atacada, invocou o art. 265, § 1 0, da Lei n. 6.404/76, e art. 2°, § 2°, da CLT, Em síntese, traz as mesmas alegações, quais sejam: argumenta que os documentos que não foram apresentados correspondem a notas de fretes, que não foram contratados pelo recorrente, por isso não possui as referidas notas. Também questiona o grupo econômico formado. Pela simples leitura destes dispositivos observase a caracterização de grupo de empresas demanda requisito objetivo: a existência de uma empresa controladora e suas controladas. A despeito da recorrente não ser sócia da empresa autuada nem ter nenhuma voz de mando nela, a decisão combatida ainda assim insiste na formação do grupo com base naqueles artigos citados. Para tanto, se socorre de interpretação dele por especialista em Direito do Trabalho, DÉLIO MAGALHÃES, segundo o qual não é indispensável a existência de uma sociedade controladora para a caracterização do grupo. Com mil respeitos, a decisão atacada extrapolou a interpretação daquele doutrinador, que se refere exclusivamente à caracterização de grupo de empresas no âmbito do Direito do Trabalho, não do Direito Tributário, caso daqui. E a diferença entre um e outro caso é enorme. A par disto, se a condição de grupo surgir de maneira involuntária, ou seja, sem a expressa manifestação das empresas neste sentido, o reconhecimento desta condição deve advir pela comprovação de fatos não declarados pelas empresas, mas perceptíveis por causa do íntimo relacionamento entre elas. Neste caso, se se pretender o reconhecimento da existência do grupo de empresas para fins de responsabilização solidária delas nos débitos trabalhistas, estes "fatos" a serem provados são mais brandos, dispensam, de certa forma, os rigores do art. 2°, § 2°, da CLT, tendo em vista os princípios protecionistas que regem o Direito Trabalhista. Ao contrário disto, se o reconhecimento da existência do grupo tiver por objetivo a solidariedade em débitos tributários caso daqui: art. 30, IX, da Lei n. 8.212/91 devemse observar rigorosamente todos os requisitos legais exigidos para tanto: existência de uma empresa controladora e uma ou mais empresas controladas (art. 2°, § 2°, CLT; art. 265, LSA), coligadas nos moldes do art. 1.098, I, do CC/2002. Sendo assim, só será considerado grupo de empresas para fins tributários se presentes os requisitos objetivos do art. 265, da Lei 6.404/76, e do próprio art. 2°, § 2°, da CLT, repitase, interpretados restritivamente. Ou seja, a existência de uma empresa controladora e uma ou mais controladas, coligadas na forma do art. 1.098, I e II, do CC/2002. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 7 11 5. Além disto, a solidariedade não se presume. Decorre da lei ou da vontade das partes. Neste caso, a recorrente nega expressamente a responsabilidade solidária dela nos eventuais débitos da autuada perante o INSS. Resta, pois, eventual responsabilização legal. 6. Ante o exposto, a recorrente pede seja dado provimento a este recurso com a conseqüente exclusão dela da condição de responsável solidária pelo recolhimento do crédito tributário combatido. Apesar de ter inicialmente sido considerado deserto, pela não apresentação do depósito recursal, a empresa obteve medida liminar para seguimento do recurso independente do depósito recursal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 329. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Em primeiro lugar cumprenos destacar a possibilidade de atribuir a grupo econômico, mesmo que “de fato” a responsabilidade para assumir multas resultantes do descumprimento de obrigações acessórias. Vejamos trecho de acordão do STJ do Ministro Herman Benjamin, Resp 1.199.080 SC (2010/01144730): TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PENALIDADE PECUNIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE EMPRESAS INTEGRANTES DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. INTELIGÊNCIA DO ART. 265 DO CC/2002, ART. 113, § 1°, E 124, II, DO CTN E ART. 30, IX, DA LEI 8.212/1991. 1. A Lei 8.212/1991 prevê, expressamente e de modo incontroverso, em seu art. 30, IX, a solidariedade das empresas integrantes do mesmo grupo econômico em relação às obrigações decorrentes de sua aplicação. 2. Apesar de serem reconhecidamente distintas, o legislador infraconstitucional decidiu dar o mesmo tratamento – no que se refere à exigibilidade e cobrança – à obrigação principal e à penalidade pecuniária, situação em que esta se transmuda em crédito tributário. 3. O tratamento diferenciado dado à penalidade pecuniária no CTN, por ocasião de sua exigência e cobrança, possibilita a extensão ao grupo econômico da solidariedade no caso de seu inadimplemento. (...) Para o perfeito entendimento da questão, devese preliminarmente analisar a incidência do art. 265 do Código Civil de 2002 cumulada com a do art. 124, II, do CTN, segundo os quais poderemos falar em solidariedade quando a lei assim dispuser. Tratase de solidariedade por presunção legal. No caso dos autos, a Lei 8.212/1991 prevê, expressamente e de modo incontroverso, em seu art. 30, IX, a solidariedade das empresas integrantes do mesmo grupo econômico em relação às obrigações decorrentes de sua aplicação: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 8 13 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (..) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei (grifei); Firmada esse premissa, passemos à análise do art. 113 do CTN, no qual o legislador, ao enunciar as espécies de obrigações tributárias, deu disciplina especial às penalidades pecuniárias. Fenômeno evidenciado por Luiz Alberto Gurgel de Faria, in verbis: O preceito é bastante criticado na doutrina em razão de inserir a penalidade pecuniária como um dos objetos da obrigação principal, o que poderia gerar a idéia de confusão entre tributo e multa, em total desacordo com a disciplina contida no art 3° do CTN ("Tributo é toda prestação compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada"). Certamente não foi essa a intenção do legislador, após definir de forma tão clara o tributo, de maneira que o dispositivo há de ser interpretado como uma equiparação entre tributo e penalidade pecuniária, para efeitos de exigência e cobrança; ou seja, através do citado preceptivo se iguala o tratamento concedido às referidas exações, ambas as constituindo o crédito tributário (art. 139 do CTN). Não se deve, destarte, confundir tributo com penalidade pecuniária, que são coisas distintas, apenas recebendo disciplina legal equivalente para facilitar a cobrança conjunta. (Código Tributário Nacional Comentado, coordenador:Vladimir Passos de Freitas, 4. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007, fls. 574575, grifei). Observase que, apesar de serem reconhecidamente distintas, o legislador infraconstitucional decidiu dar o mesmo tratamento – no que se refere à exigibilidade e cobrança – à obrigação principal e à penalidade pecuniária, situação em que esta se transmuda em crédito tributário. Nessa linha de raciocínio, em razão de interpretação sistemática do ordenamento brasileiro, ante a previsão legal expressa (art. 30, IX, da Lei 8.212/1991) e pelo tratamento diferenciado dado à penalidade pecuniária no CTN, quando de sua exigência e cobrança, há que reconhecer a extensão ao grupo econômico da solidariedade no caso de seu inadimplemento. Assim, verificada a ocorrência in concreto da infração, tratou a agente fiscal de lavrar o presente Auto, em cumprimento do disposto no art. 293 do Regulamento da Previdência Social, devendo por força do disposto no art. 30, IX da lei 8212/91, indicar as empresas pertencentes ao grupo como solidárias. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunÈâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. QUANTO AO GRUPO ECONÔMICO Quanto ao questionamento dos recorrentes para que se desconsidere a existência de grupo econômico, entendo que pertinente a sua apreciação. Assim, conforme se depreende da legislação tributária, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que em sendo constatado que a administração de empresas é realizada de forma centralizada, por um sócio comum entre as mesmas, ou mesmo não figurando expressamente como sócio, exerça a direção de fato sobre as mesmas, deverseá atribuir a todos as empresas do grupo a responsabilidade pelas obrigações principais e acessórias. Senão vejamos os dispositivos legais. O artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria trazidas nos presentes autos, ensejando a possibilidade de indicação de várias empresas pelo montante do débito: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” No mesmo sentido, reportase a legislação trabalhista em seu § 2º, do art. 2º da CLT, ao tratar da matéria: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” A Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 265 e 267, nos seguintes termos: Fl. 515DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 9 15 “ Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Fl. 516DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Assim, após identificar os dispositivos legais que disciplinam a matéria, pertinente, apreciar os argumento trazidos pelo auditor fiscal, que justificaram a indicação do grupo: "...a prática de esforços conjuntos praticados entre pessoas visando um fim de interesse comum.". 4.1. Através dos documentos que compõem o Anexo Especial , a Auditoria Fiscal • de Previdência Social configurou a formação de um grupo econômico de fato, pelo tipo de movimentação financeira realizado entre os estabelecimentos, a interrelação empresarial , o envolvimento das mesmas pessoas físicas no quadro societário ou na condição de gerentes ou, ainda, na qualidade de procuradores das empresas, além do que, o grupo se autodenomina "GRUPO CAMPBOI". Identificou a autoridade fiscal em seu relatório fl. 25, os inúmeros fatos constatados durante o procedimento fiscal que foram determinantes para configuração do grupo: donde podemos elencar alguns: Empresas: SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA x TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA. – utilização de serviços de transporte sem pagamento; RP.M.C. COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LIDA. (CNPJ: 62.06Z129/0003 36) x MARCA "CAMPBOI" – nota fiscal com logotipo CAMPBOI; VITÓRIA AGROIIVDUSTRIAL LIDA. x MARCA "CAMPBOI" – resumos de folha de pagamento com cabeçalho CAMPBOI; DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA. x MARCA "CAMPBOI" Certificado da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, concedendo regitro de produtos a marca CAMPBOI; SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA. X MARCA "CAMPBOI" nota fiscal com o logotipo – CAMPBOI; FRIGORlF7C0 SANTA ESMERALDA LIDA. X VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA x MARCA "CAMPBOI" – noticia de jornal deignando grupo entre a Frig. Anta Emeralda e Vitória Agroindustrial; VITÓRIA AGROIIVDUSTRIAL LIDA. x MARCA "CAMPBOI" – panflrto com o nome da marca CAMPBOI; FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA. X VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA x MARCA "CAMPBOI" – panfleto com o nome da marca CAMPBOI; FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA. X FRIGORÍFICO CAROMAR LIDA – declaração acerca da alteração do nome do frig. Caromar, para anta Emeralda junto ao Cetesb; I2P.M.0 COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA. (CNPJ: 62.067.129/0003 36) (antiga denominação: CAMPBOI COMÉRCIO E REPR DE CARNES E DERIVADOS LIDA.) x FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LIDA. x FRIGORÍFICO CAROMAR LTDA – reclamações trabalhitas, identificando que as empresas envolvemse num mesmo objetivo e empreendimento e pagamento de acordo trabalhistas de uma em nome das outras; VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA. x CORTE SCHEFER AGROPECUÁRIA S/A. – histórico contábil de transferência de ativo; FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA. X VITÓRIA AGROINDUSTRL4L LTDA – nota fiscal de venda de quase todo o ativo da Santa Esmeralda para Vitória; Fl. 517DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 10 17 SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA. (antiga: J.B.LEATHER IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA.) x TRANSPORTADORA PEREIRA & DIAS LTDA – venda de veículos com divergência entre valores na contabilidade do vendedor e do comprador. FRIGORIFICO CAROMAR TRANSPORTADORA PEREIRA & DIAS LTDA. e DIVERSAS PESSOAS FÍSICAS: (Sr. Dirceu e Sr. César) emissão de folhas de pagamento com assinatura do chefe de Pessoal da Caromar; Identificoue que o sr. Dirceu José Corte e César Furlan Pereira figuram como sócios de diversas das empresas designadas como solidárias. Nesse sentido, entendo que a autoridade julgadora, esclareceu devidamente a possibilidade de formação de grupo econômico de fato, conforme se observa dos pontos dos relatórios transcritos acima. Importante notar, que nenhuma das empresas, rebateu qualquer dos pontos trazidos, resumindo, em idênticos recursos, a relatar que não possuem qualquer relação com a empresa autuada. Ora, entendo que compete ao auditor identificar quais os elementos de prova que o levaram a formação do grupo, mas em realizando dita caracterização, compete as recorrentes a apresentação de fatos capazes de desconstituir o lançamento, ou afastarlhe a responsabilidade que lhe foi imputada. Em nenhum dos recursos apresentados, houve a demonstração da inexistência do grupo, ou do equivoco cometido pelo auditor. Na decisão notificação também restou evidenciado os motivos que levaram a considerar as ditas empresas, como integrantes do grupo, senão vejamos: Conforme já mencionado, as peças das impugnações tempestivas, relatadas acima, apresentaram os mesmos argumentos e mesmas teses de defesa , tendo sido assinadas pelo mesmo procurador. 15. Traz o item 6. do Anexo Especial às fls. 31, as Fundamentações Legais aplicáveis ao presente caso (Grupo EconômicoSolidariedade) — Código Tributário Nacional CTN , artigo 124, incisos I e II, e Lei n° 8.212/91 , artigo 30, inciso IX. Os argumentos expendidos pelos impugnantes em seus arrazoados, de que não integram o grupo econômico CAMPBOI , invocando o Código tributário Nacional, não são suficientes para elidir o procedimento fiscal, haja vista o que dispõe o referido Código e outras normas vigentes quanto à identificação e a relação de solidariedade de um Grupo Econômico: 15.1. Os artigos 121, 124 e 128 do CTN, citados pelos defendentes, tratam das obrigações do sujeito passivo, da solidariedade e da responsabilidade de terceiros, assim in verbis: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: 1 as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação". grifamos 15.2. A Lei n° 6.404/76, que dispõe sobre as Sociedades Anônimas, de aplicação subsidiária "in casu", em seu artigo 265, ao conceituar o Grupo de Sociedades, o fez com a seguinte redação: "Art. 265. A sociedade controlèdora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capitulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1°.A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas". 15.3. Ainda, a mesma Lei, no artigo 267, preceitua: "Art. 267. O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo único. Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade". E notese que esta palavra "grupo" é utilizada quando se auto denominam Grupo Campboi" , conforme se verificará nos itens posteriores desta decisão. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 11 19 15.4. O § 2° do artigo 2° da Consolidação da Leis do Trabalho,aprovada pelo DecretoLei 5.452 de 01/05/1943, dispõe in verbis: Art.2° Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. §1° §2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. (...) 15.8. Observase, então, que o grupo de sociedade caracterizase pela reunião devárias empresas, cada uma com personalidade jurídica e patrimônio próprios, que se obrigam a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetivos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. 16. No caso em análise, as empresas envolvidas exercem atividades de criação e/ou abate de gado bovino ( VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA, SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA, SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA, FRIGORIFICO CAROMAR LTDA, CORTE SCHEFER AGROPECUÁRIA S/A e FRIGORÍFICO SANTA ESMERALDA LTDA), o transporte de gado bovino para o abate, o transporte de carnes e outros produtos do abate (TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA E TRANSPORTADORA PEREIRA & DIAS LTDA) e, finalmente, o trabalho com produtos do abate (couro, etc) e a comercialização do produto final ( RPMC COM. DE CARNES E DERIVADOS LTDA, ML COMERCIO DE CARNES LTDA, MEAT CENTER COMÉRCIO DE CARNES LTDA, CASA DE CARNES AMOREIRAS LTDA, DISTRIBUIDORA DE CHARQUE DE CAMPINAS LTDA, DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA E LEME DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA). Exercem , portanto , atividades que se relacionam e que , apesar dos esforços em negar a formação deste grupo econômico (esforços conjuntos , digase , conforme impugnações que se assemelham nas alegações e assinam pelo mesmo procurador) , se interligam na formação de um grupo conforme exaustivamente , e de forma conclusiva demonstram o anexo especial às fls. 25 à 91. 16.1. Os documentos que trazem o citado Anexo Especial demonstram , de forma cabal e definitiva, a existência de combinação de recursos com forte elo entre aquelas empresas, e Fl. 520DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 que transcrevemos parte a seguir, por desnecessário a total repetição das fls. 25 à 91: 16.1.1. A autodenominação pelas empresas relacionadas neste Auto de Infração como "GRUPO CAMPBOr (subitens 4.1 à 4.8 da introdução do Anexo Especial , às fls. 25 à 27, e documentos complementares n''s 02 à 09, às fls. 64 à 74). 16.1.2. A prestação de serviços de transporte sem o efetivo pagamento pela tomadora (subitem 4.1 do Anexo Especial às fls. 25 e documento complementar n° 01 às fls. 63). 16.1.3. A insofismável solidariedade das empresas do grupo quanto às reivindicações nas reclamatórias trabalhistas, transitadas em julgado (subitem 4.10 do Anexo Especial às fls. 27/28 e documentos complementares n°s 11 à 19, às fls. 76 à 84). 16.1.4. A participação do Sr. Dirceu José Corte no quadro societário das empresas VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA, SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA, TRANSPORTADORA DIRCEU LTDA, DISTRIBUIDORA DE CARNES VALE DO MOGI LTDA, CORTE SCHEFER AGROPECUÁRIA S/A e VITÓRIA GUAPIAÇU PARTICIPAÇÕES LTDA (subitem 4.14 do Anexo Especial , às fls. 30 , e constante na Parte II do Anexo Especial às fls. 35 à 56). 16.1.5. A participação do Sr. César Furlan Pereira no quadro societário das empresas VITÓRIA AGROINDUSTRIAL LTDA, CASA DE CARNES AMOREIRAS LTDA, RPMC COM. DE CARNES E DERIVADOS LTDA, VITÓRIA GUAPIAÇU PARTICIPAÇÕES LTDA; MÁXIMA CENTRAL DE RASTREABILIDADE LTDA, TRANSPORTADORA PEREIRA & DIAS LTDA e SANTA ESMERALDA ALIMENTOS LTDA (subitem 4.14 do Anexo Especial , às fls. 30, e constante na Parte II do Anexo Especial às fls. 35 à 56). 16.2. De acordo com os autos da presente autuação (e demais processos de Auto de Infração e NFLDs contra a empresa , nesta mesma ação fiscal , e que constam às fls. 24), não foi apresentado à fiscalização nenhuma convenção ou acordo entre as empresas, não havendo, portanto , como determinar qual delas é a controladora ou quais são as controladas, mas isso, evidentemente, não pode ser usado como argumento para excluir responsabilidades perante o fisco, conforme o exposto acima. Ademais , com os elementos trazidos aos autos pelo Anexo Especial , restou inconteste a solidariedade entre as empresas deste grupo econômico , tanto que estas provas fulminaram os argumentos. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em sua peça recursal, seu entendimento não merece acolhimento, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Notificação e Relatório Fiscal Complementar e, bem assim, na decisão recorrida, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 12 21 Verificase, portanto, que o fisco previdenciário não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ou grau de parentesco, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente elecandos acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. DO MÉRITO Toda e argumentação do recorrente está em demonstrar a impossibilidade de constituição de grupo econômico de fato, o que já restou rejeitado em sede preliminar. Quanto ao mérito da autuação não apresentou o recorrente qualquer questionamento. Dessa forma, na ausência de recurso expresso, presumese a concordância com os termos da decisão proferida. Ademais, não existe qualquer vício na autuação. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de informar a remuneração das pessoas físicas transportadores (contribuintes individuais), fato este não constestado no recurso do auto de infração da obrigação principal. Assim, justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da NFLD conexa. No caso, importante identificar o resultado das NFLD lavradas, que se encontra em julgamento nessa mesma sessão, Processo 11995.002490/200813. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – FOLHA DE PAGAMENTO NÃO IMPUGNAÇÃO – CONCORDÂNCIA COM OS TERMOS DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/1999 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXISTÊNCIA – OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8212/91, nos termos do art. 30, IX.” Recurso Voluntátio Negado Processo11995.000072200964 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – FOLHA DE PAGAMENTO NÃO IMPUGNAÇÃO – CONCORDÂNCIA COM OS TERMOS DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/2003 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXISTÊNCIA – OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei 8212/91, nos termos do art. 30, IX.” Recurso Voluntátio Negado Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 13 23 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do autodeinfração ao presente caso, contudo, devendo o cálculo da multa aplicada pela omissão de fatos geradores, ser reapreciada nos termos abaixo expostos. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou Fl. 524DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 525DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11995.000072/200964 Acórdão n.º 2401002.996 S2C4T1 Fl. 14 25 Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte, conforme descrito acima. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER recurso, para rejeitar as preliminares de nulidade e de formação de grupo econômico, e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 526DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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