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Numero do processo: 10830.912285/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.954
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 28 5/ 20 12 -5 6 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912285/201256 Resolução nº 3402000.954 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912285/201256 Resolução nº 3402000.954 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912285/201256 Resolução nº 3402000.954 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.600559/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2006
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO PER/DCOMP OU RETIFICADORA.
Diante da impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP ou acesso ao sistema de retificação de declaração, o pedido de restituição poderá ser formalizado mediante formulário manual nos moldes da legislação tributária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento, de forma que os autos voltem à Delegacia de origem para que sejam apreciados os pedidos de restituição pendentes, juntamente com a respectiva documentação acostada, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO PER/DCOMP OU RETIFICADORA. Diante da impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP ou acesso ao sistema de retificação de declaração, o pedido de restituição poderá ser formalizado mediante formulário manual nos moldes da legislação tributária. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento, de forma que os autos voltem à Delegacia de origem para que sejam apreciados os pedidos de restituição pendentes, juntamente com a respectiva documentação acostada, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.600559/200990 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.603 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente LORICY FERREIRA DELFINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO PER/DCOMP OU RETIFICADORA. Diante da impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP ou acesso ao sistema de retificação de declaração, o pedido de restituição poderá ser formalizado mediante formulário manual nos moldes da legislação tributária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 60 05 59 /2 00 9- 90 Fl. 259DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento, de forma que os autos voltem à Delegacia de origem para que sejam apreciados os pedidos de restituição pendentes, juntamente com a respectiva documentação acostada, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10730.600559/200990 Acórdão n.º 2402005.603 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, em 16/07/2009, o contribuinte interpôs pedido de revisão de débitos inscritos em dívida ativa da União, alegando ser portador de moléstia grave. Em 18/05/2010, o Interessado apresentou pedido de cancelamento de cobrança da dívida fiscal e baixa de anotação no CADIN endereçado ao Procurador Seccional da Fazenda Nacional em Nova Friburgo. Por meio de despacho, o Procurador Seccional da Fazenda Nacional em Nova Friburgo solicitou que o SEORT/DRF/Niterói se pronunciasse a respeito da isenção por moléstia grave alegada pelo Interessado. Por meio do despacho decisório de 22/10/2010 (fls. 111), o SEORT/DRF/Niterói considerou que o Contribuinte fazia jus à isenção do imposto de renda por ser portador de moléstia grave desde março de 2000 e, em razão disso, decidiu revisar de ofício os lançamentos dos exercícios de 2005, 2006 e 2007 e propor à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Friburgo (PSFN/Nova Friburgo) o cancelamento da inscrição na dívida ativa da União que constava do presente processo. O cancelamento da dívida ativa foi efetuado por meio do despacho de fl. 115. Posteriormente, em 21/12/2010, o contribuinte apresentou novos pedidos de restituição de fls. 132 a 137. Por meio do despacho decisório de fls. 182 a 186, em 19/08/2011, o SEORT/DRF/Niterói decidiu considerar não formulados os pedidos de restituição de fls. 132 e 133 (porque deveriam ter sido apresentados por meio de PER/DCOMP) e 134 e 135 (porque não haveria impedimento para a apresentação de declaração retificadora) e indeferiu os pedidos referentes às fls. 136 e 137, devido à ocorrência de decadência. Após ciência por edital do despacho decisório, o contribuinte apresentou em 12/12/2011, fl. 194, a manifestação de inconformidade, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) considerando que o pedido de revisão de débitos inscritos na dívida ativa da União e a solicitação de isenção do imposto de renda por moléstia grave foram entregues à Agência da Receita Federal em Nova Friburgo em julho de 2009, e que os pedidos só foram analisados pela Delegacia da Receita Federal em Niterói em 22/10/2010, não estaria decadente o pleito do Interessado; 2) ao deferir as solicitações e conceder a isenção, a própria Receita Federal deveria providenciar a devolução dos valores retidos na fonte nos exercícios em questão, haja vista que os valores aparecem nas tabelas constantes do despacho decisório da DRF/Niterói; Fl. 261DF CARF MF 4 3) por não ter sido efetuada a devolução do imposto a que o Interessado fazia jus, apesar do deferimento do pedido de revisão de débitos inscritos na dívida ativa da União e do reconhecimento da isenção da moléstia grave a partir de 2000, o Contribuinte teve que preencher diversos formulários de pedidos de restituição manualmente, que foram anexados a este processo que teve início em julho de 2009 e ainda não foi concluído; 4) o Interessado, no exercício 2008, solicitou a retificação de notificação lançamento e recebeu automaticamente a restituição do imposto em sua conta, sem que tivesse que solicitar em separado. Ao final, o contribuinte requereu a procedência de seu pedido e o recebimento da devolução de imposto de renda pleiteada. A decisão da autoridade de primeira instancia DRJ/RJ julgou, em 5 de julho de 2012, a Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte o pedido do contribuinte, alegando que (fls. 206 a 210): 1) os pedidos de restituição dos DARF, nos montantes de R$ 3.800,00 e R$ 3.753,40, não podem ser apreciados, haja vista que deveriam ser objeto de PER/DCOMP, observado o prazo decadencial da legislação de regência; 2) não podem ser apreciados os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria recebidos nos anoscalendário de 2006 e 2008, haja vista que deveriam ser objeto de declarações retificadoras; 3) rechaçada a decadência suscitada no Despacho Decisório de fls. 171 a 175, cabe à DRF/Niterói/RJ se pronunciar acerca da restituição do imposto de renda retido na fonte nos anos calendário de 2004 e 2005. Desta forma, acordaram os membros da 18ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ, por unanimidade, rejeitar a decadência suscitada no Despacho Decisório e julgar a Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Os autos retornaram a DRF de origem para cientificar o contribuinte do acórdão, mediante entrega de cópia do mesmo, ressalvandolhe a possibilidade de interposição de recurso voluntário ao CARF. E os autos foram enviados à DRF/Niterói/RJ para se pronunciar acerca da mérito do pedido restituição do imposto de renda retido na fonte nos anoscalendário de 2004 e 2005, haja vista o presente acórdão ter afastado a decadência suscitada originalmente. Conforme despacho decisório de fls. 228 e segs, a DRF/Niterói/RJ, em 26/11/2012, decidiu por reconhecer o Direito Creditório relativo ao lançamento do IRPF dos exercícios de 2005 e 2006. Cientificado da decisão de primeira instancia em 25/10/2012, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 244/247, em 05/11/2012, o recurso voluntário aduzindo, em síntese que: 1. Logrou êxito em retificar a declaração do ano calendário 2008, cujo pedido foi processado e o crédito já realizado pela RFB. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10730.600559/200990 Acórdão n.º 2402005.603 S2C4T2 Fl. 4 5 2. Em relação aos créditos pendentes de 2004 e 2006, aduz que não obteve êxito em retificar a declaração de 2006 ou mesmo acessar o sistema Per/Dcomp. Desta forma, requer que os pedidos apresentados em papel, em 21/12/2010, conforme formulário da RFB sejam aceitos para apreciação de seu pedido. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 25/10/2012 (fl. 271), interpôs recurso voluntário no dia 05/11/2012, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. A insatisfação recursal cingese à falta de apreciação pela Receita Federal dos pedidos de restituição dos imposto de renda recolhido através de DARF no anoscalendário 2004 e 2006 e o retido na fonte no anocalendário de 2006, conforme tabela abaixo: AnoCalendário Exercício Valor PGTO 2004 2005 3.753,40 DARF 2006 2007 3.800,00 DARF 2006 2007 16.396,02 DIRPF Ressalta a Recorrente que não há duvidas quanto ao seu direito de isenção do imposto de renda por motivo de ser portadora de moléstia grave, conforme se verifica do despacho de fls 111 emitido em 22 de Outubro de 2010 pela SEORT/RJ/NITEROI, vejamos: De acordo com o Laudo Médico PEricial emitido pelo Hospital Municipal Raul Sertã, o contribuinte é portador de Nefropatia Grave (CID X N 18.0) desde março de 2000 (fl 88). Tratase, portanto, de doença enquadrada no inciso XIV, do artigo 6º, da Lei 7.713/88, com redução dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541/92. Portanto, a satisfação plena das condições para o gozo do benefício da isenção do imposto de renda ocorreu em março de 2000. Neste sentido, a Recorrente formulou os pedidos de restituição via formulário manual e entregues a Receita Federal em 21 de Dezembro de 2010, conforme consta nos autos nas fls. 133, 132 e 135, respectivamente. No entanto, em 5 de julho de 2012, a 18 ª Turma da DRJ/RJ, entendeu conforme acórdão nº 1248.020 (fl. 206 e segs) que não seria possível apreciar os pedidos de restituição entregues via formulário manual conforme a motivação abaixo transcrita: 1) os pedidos de restituição dos DARF, nos montantes de R$ 3.800,00 e R$ 3.753,40, não podem ser apreciados, haja vista que deveriam ser objeto de PER/DCOMP, observado o prazo decadencial da legislação de regência; 2) não podem ser apreciados os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre os proventos de aposentadoria recebidos nos anos Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10730.600559/200990 Acórdão n.º 2402005.603 S2C4T2 Fl. 5 7 calendário de 2006 e 2008, haja vista que deveriam ser objeto de declarações retificadoras; A Recorrente, no entanto, afirma que quando tentou realizar os pedidos de restituição conforme orientado pela DRJ/RJ, ou seja, via Per/Dcomp e declaração retificadora, não logrou êxito tendo em vista que o sistema da Receita Federal acusa decadência no direito a retificar a declaração de 2006 e bloqueio no acesso ao sistema Per/Dcomp pois houve, no passado, inscrição em dívida ativa no CPF da mesma. Alega que, apesar da Receita Federal ter revisado a inscrição em dívida ativa e já realizado sua baixa, a declaração retificadora continua indisponível via sistema, conforme mensagens do sistema que colacionou em sua peça recursal: A legislação tributária de regência, qual seja, a Instrução Normativa nº 1300/12, que estabelece normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, determina que nos casos de impossibilidade de utilização do sistema PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário 'Pedido de Restituição ou Ressarcimento" cujo preenchimento é manual, vejamos: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Fl. 265DF CARF MF 8 Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I a esta Instrução Normativa, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II a esta Instrução Normativa, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Tendo em vista o dispositivo acima vis a vis os pedidos de restituição constantes às fls. 133, 132 e 135, notase que o recorrente está impossibilidade de utilizarse do sistema Per/Dcomp ou retificadora, sendo assim, se utilizou justamente do formulário indicado no Anexo I da Instrução Normativa nº 1300/12 Pedido de Restituição ou Ressarcimento. Desta forma, tendo em visto que o sistema acusa decadência de prazo ou impossibilidade por motivo de inscrição em dívida ativa para que haja solicitação de restituição, entendo que os formulários apresentados às fls 133, 132 e 135, devem ser considerados como legítimos para apreciação pelas autoridades fiscais. Neste sentido, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma que os autos voltem à Delegacia de origem para que sejam apreciados os pedidos de restituição pendentes, formulados às fls. 133, 132 e 135, juntamente com a respectiva documentação acostada, nos termos do voto acima. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906401/2009-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.868, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 64 01 /2 00 9- 82 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10166.906401/200982 Acórdão n.º 9101002.617 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10166.906401/200982 Acórdão n.º 9101002.617 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10166.906401/200982 Acórdão n.º 9101002.617 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900360/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO
O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc.
Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc.
Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96.
COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE
As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário.
Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
Numero da decisão: 1302-002.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 3.293 1 3.292 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900360/200852 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.029 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente CARGILL SPECIALTIES INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 60 /2 00 8- 52 Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.294 2 Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.295 3 (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 08/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.296 4 princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulando o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, na conformidade da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.297 5 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, firmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 48 a 65, com os argumentos abaixo: Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.298 6 DOS FATOS Em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); DA PROVA Inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; É imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; Ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.299 7 DO CRÉDITO PLEITEADO A Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do ano calendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); Referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; Da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; A Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; Inclusive, remanesceu em favor do Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; Em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.300 8 Da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; O crédito utilizado pela Recorrente é líquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; Um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; A D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; A simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.301 9 Tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a consequente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA Cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no anocalendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; O saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; Sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ ano calendário 2001; Assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; Fl. 3301DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.302 10 Uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do anocalendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; O saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a consequente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; A decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que o ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D Autoridade Fiscal. Exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); E nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; Contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; Fl. 3302DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.303 11 DO PEDIDO A Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Vindo os autos para julgamento por este Egrégio Conselho, o mesmo foi convertido em diligência para esclarecer os seguintes pontos (180/190), litteris: É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 3303DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.304 12 Baixado os autos em diligência, foi produzido relatório circunstanciado pela Delegacia da Receita Federal de Limeira/SP, aduzindo, resumidamente, o seguinte (fls. 3258/3262): 2 O valor do saldo negativo de IRPJ é de R$ 140.283,14, mas o crédito utilizado pelo contribuinte para compensação limitouse ao valor do pagamento, esclarecendo que não foi utilizado o pagamento de R$ 106,87, feito para o mês de maio de 2001: 3 Não há previsão legal para restituição de ofício. Portanto o crédito original a ser reconhecido na totalidade dos processos não pode ser superior a R$ 94.185,13. Intimada do relatório de diligência, a recorrente pleiteia que seja homologada a sua PERDCOMP tendo em visto o reconhecimento na integralidade do valor do seu saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 140.283,14. É o relatório. Fl. 3304DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.305 13 Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Quanto ao argumento da decadência trazido pela recorrente, entendemos que não é aplicável ao caso vertente. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório. Superada essa questão, passamos a análise do mérito propriamente dito. Compulsando a PERDCOMP (35945.22590.150404.1.3.042002) objeto da presente lide, observase que o contribuinte pleiteou a compensação de seu débito tributário com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ referente a estimativa do mês de agosto de 2001, senão vejamos: Fl. 3305DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.306 14 Fl. 3306DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.307 15 O despacho decisório não reconheceu o direito creditório da recorrente pelo seguinte motivo (fls.7): Fl. 3307DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.308 16 Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Fl. 3308DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.309 17 Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Passando a análise do mérito do caso em apreço, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto o crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal de agosto de 2001, código de arrecadação 2362. O relatório de diligência ao analisar de forma pormenorizada o cálculo do Imposto de Renda por estimativa no anocalendário de 2001 afirmou o seguinte: 3 No anocalendário de 2001, o contribuinte apurou os seguintes valores de IRPJ devido por estimativa: Fl. 3309DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.310 18 Fl. 3310DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.311 19 O total de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do imposto de renda devido por estimativa é de R$ 26.432,29 e para validar o saldo negativo apurado, o contribuinte teria que ter sofrido retenção no valor total de R$ 45.991,14 e ter oferecido a receita correspondente à tributação. A retenção feita pela fonte pagadora Bradesco já comprova a retenção deduzida bem como o valor oferecido à tributação. Assim, o valor do saldo negativo de IRPJ confirmado é de R$ 140.283,14. (...) Fl. 3311DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.312 20 Diante da análise pormenorizada efetuada pela unidade preparadora, não restam dúvidas quanto ao direito creditório do contribuinte. Contudo, andou bem a unidade preparadora ao chamar a atenção deste colegiado que o contribuinte não pleiteou a compensação do seu saldo negativo de IRPJ (R$ 140.283,14), mas sim do pagamento indevido ou a maior por ele pleiteado em suas DCOMP´s, totalizando a quantia de R$ 94.185,13, isto é, o seu direito creditório está limitado a tal montante. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo a compensação efetivada como saldo negativo do IRPJ até o limite do seu direito creditório que totaliza a quantia original de R$ 94.185,13, conforme tabela abaixo enumerada, incidindo correção monetária a partir de 1 de janeiro de 2002. É como voto. Fl. 3312DF CARF MF Processo nº 10865.900360/200852 Acórdão n.º 1302002.029 S1C3T2 Fl. 3.313 21 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 3313DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.001676/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009
MULTA POR CESSÃO DO NOME. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. RESPONSABILIDADE DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE.
É devida a aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação se comprova a interposição fraudulenta e que o importador ostensivo cedeu o nome, com vista à ocultação do real comprador das mercadorias importadas.
MULTA POR OMISSÃO DE INFORMAÇÃO NECESSÁRIA À DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO. FALTA DE INFORMAÇÃO DO CNPJ NO CAMPO PRÓPRIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO (DI). CABIMENTO.
A ausência da informação do número de inscrição no CNPJ do suposto encomendante predeterminado no campo próprio da DI descaracteriza a operação de importação por encomenda e altera o procedimento de controle aduaneiro apropriado a real operação de importação, circunstância que configura a prática da correspondente infração.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009
MANADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). DESCUMPRIMENTO DO PRAZO EMISSÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Eventual irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do auto de infração, quando este atende todos os requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto 70.235/1972.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009 MULTA POR CESSÃO DO NOME. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. RESPONSABILIDADE DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. É devida a aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação se comprova a interposição fraudulenta e que o importador ostensivo cedeu o nome, com vista à ocultação do real comprador das mercadorias importadas. MULTA POR OMISSÃO DE INFORMAÇÃO NECESSÁRIA À DETERMINAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADUANEIRO. FALTA DE INFORMAÇÃO DO CNPJ NO CAMPO PRÓPRIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO (DI). CABIMENTO. A ausência da informação do número de inscrição no CNPJ do suposto encomendante predeterminado no campo próprio da DI descaracteriza a operação de importação por encomenda e altera o procedimento de controle aduaneiro apropriado a real operação de importação, circunstância que configura a prática da correspondente infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009 MANADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). DESCUMPRIMENTO DO PRAZO EMISSÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Eventual irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do auto de infração, quando este atende todos os requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto 70.235/1972. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 16 76 /2 01 0- 72 Fl. 544DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra a decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 772.114,92 referente a multa por prestação de forma inexata de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial (R$ 4.042,82), multa por cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários (R$ 50.405,44) e multa por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente (R$ 717.666,66). Depreendese do “Termo de verificação fiscal e de descrição dos fatos” que é parte integrante do auto de infração que: A importadora “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” registrou as Declarações de Importação n° 09/12572021, n° 09/14902584, n° 09/15428193 e 09/1734943 6, no período entre 17/09/2009 e 08/12/2009, declarando ser a importadora e adquirente das mercadorias por elas amparadas. Apenas no campo destinado a “Dados complementares” a interessada registrava que as importações tinham por encomendante a empresa “Têxtil Fine Ltda”. Os documentos que instruíram os despachos de importação traziam como adquirente a “Têxtil Fine Ltda”. A “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” registrou as Declarações de Importação sem apor no campo próprio o nome da adquirente das mercadorias, conforme determina a legislação, em especial a Lei n° 11.281/2006 e a Instrução Normativa SRF n° 634/2006, pelo fato de a adquirente “Têxtil Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 631 3 Fine Ltda” estar impedida de importar por ter atingido o limite para o qual havia sido habilitada (habilitação simplificada para atuação no comércio exterior em valor de pequena monta, prevista na Instrução Normativa SRF n° 650/2006). No período no qual o limite para realizar importações ainda não havia sido atingido, a “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” registrava as operações de importação na modalidade por conta e ordem da “Têxtil Fine Ltda”. Atingido o limite, as operações passaram a ser registradas como se a “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” fosse a importadora e adquirente das mercadorias, ocultando a informação de que a real adquirente era a “Têxtil Fine Ltda”. Depois que a “Têxtil Fine Ltda” se habilitou como exclusivamente encomendante, as operações voltaram a informar que ela era a adquirente das mercadorias. A simulação realizada propiciou a burla do controle aduaneiro da capacidade econômica da adquirente das mercadorias. A “Têxtil Fine Ltda” antecipava os recursos referentes às importações que a “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” registrou como sendo por sua própria conta, ou seja, os recursos utilizados nas operações provinham da “Têxtil Fine Ltda”. Posteriormente a “D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” realizava os lançamentos contábeis para ajustálos à modalidade de importação declarada. A “Têxtil Fine Ltda” apresentou, inclusive, cópia de recibo emitido por corretora de seguros, no qual assume o pagamento do seguro internacional das mercadorias. A simulação constatada determina a apreensão das mercadorias para a aplicação da pena de perdimento, nos termos do Decreto lei n° 1.455/1976, com as alterações da Lei n° 10.637/2002, regulamentada pelo artigo 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009. Entretanto, em razão de as mercadoria terem sido entregues a consumo, por ser a penalidade mais específica aplicável, em face da impossibilidade material da aplicação da pena de perdimento, foi lavrada a multa equivalente ao valor comercial das mercadorias, prevista no artigo 704 do mesmo Regulamento Aduaneiro. A “omissão ou prestação de forma inexata ou incompleta de informação de natureza aduaneiratributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, qual seja, as informações estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para inclusão em campo próprio da DI, para a descrição detalhada da operação, da identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador e adquirente (comprador), por NCM (mercadorias com classificação fiscal distintas)” determinou a infração punível com a multa lavrada equivalente a um por cento do valar aduaneiro das mercadorias, prevista no artigo 84, inciso I, da Fl. 546DF CARF MF 4 Medida Provisória n° 2.15835/2001 c/c com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833/2003. Também foi lavrada a “multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários”, prevista no artigo 33 da Lei n° 1 1.488/2007. Regularmente cientificadas por via postal (AR's fl. 310v), não consta dos autos que a interessada “Têxtil Fine Ltda” tenha apresentado impugnação. A interessada “D A & Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda” apresentou a impugnação tempestiva de folhas 315 a 354, com os documentos de folhas 355 a 418 anexados, na qual defende que: A fiscalização foi promovida de forma ilegal, pois perdurou por nove meses e envolveu indevidamente Declarações de Importação já desembaraçadas que não eram o escopo da investigação. Não há que se falar em ocultação do real importador ou cessão do nome da pessoa jurídica, pois a Impugnante jamais tentou ocultar o verdadeiro adquirente da pessoa jurídica em questão, qual seja, a empresa Têxtil Fine. Ao contrário, praticou todos os atos necessários para que a operação de importação ocorresse de forma transparente para a Receita Federal. Não houve ocultação do adquirente, sendo que todos os documentos inclusive aqueles apresentados para o despacho aduaneiro (pedidos, faturas invoice e comerciais, conhecimentos de carga, packing lists) informam que as importações têm como adquirente das mercadorias a “Têxtil Fine Ltda”. “Antes mesmo de iniciar as operações por encomenda, a Impugnante e a empresa Encomendante firmaram “Contrato de Importação por Encomenda”, solicitando a vinculação dos CNPJs das duas empresas na Receita Federal, ocasião na qual foi apresentado uma via do seguinte contrato (doc. Anexo): ...” O importador não omitiu o CNPJ do encomendante no campo “adquirente por conta e ordem” da DI (como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora), mas sim, foi impedido de incluílo em razão de um problema operacional pelo Siscomex. Isso porque, ao incluir o CNPJ do encomendante no campo do adquirente por conta e ordem, o sistema analisa o limite de importações do adquirente. Todavia, na modalidade “por encomenda” os reclusos empregados e o limite a ser analisado é o do importador, não do encomendante. A IN SRF n° 634/06 determina que o CNPJ do encomendante deve ser informado “em campo próprio”. Todavia, como até hoje não há “campo próprio”, o parágrafo único de seu artigo 3° recomendou que se indique o CNPJ do encomendante no campo do adquirente “por conta e ordem” e no campo “informações complementares” que se trata de uma importação “por encomenda”. Essa situação acabou por gerar problemas de ordem operacional para o importador, como dito. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 632 5 Restou demonstrado que o importador estava impedido operacionalmente pelo sistema de indicar o CNPJ do encomendante no campo do adquirente por conta e ordem. Todavia não houve descumprimento do parágrafo único do artigo 3° da IN SRF 634/06, pois foram tomadas “todas as providências legais necessárias para operacionalização da importação para encomendante prédeterminado, quais sejam: formulou contrato de importação por encomenda com a Têxtil Fine; vinculou o referido contrato na Receita Federal deixando cristalina a operação que iria se realizar, e, por fim; Informou no campo “Informações Complementares” da DI se tratar de importação por encomenda,...” A empresa D & A agiu na mais absoluta boafé, sendo que a não informação do CNPJ do encomendante no campo “adquirente por conta e ordem” da DI poderia ser, no máximo, tratada como mero equívoco, mas muito longe de se caracterizar fraude ou simulação do negócio que queria praticar, qual seja, a própria importação na modalidade “por encomenda”. O erro poderia ser sanado com mera retificação da DI, cumulada, se fosse o caso, com a multa por infração ao controle administrativo aduaneiro, nos termos do art. 711, § 1°, I, do Regulamento Aduaneiro. Não houve nenhum intuito doloso ou fraude, pois os documentos que deveriam ser analisados pela fiscalização juntamente com os dados da Declaração de Importação, no procedimento de conferência aduaneira, sempre deixaram evidente que a adquirente das mercadorias era a empresa “Têxtil Fine Ltda”. A norma exige apenas que o encomendante seja habilitado no Radar. Todavia, diferentemente do que entende a fiscalização, não há a exigência de que a habilitação seja na modalidade de “exclusivamente por encomenda”, pois não há menção específica a qualquer das modalidades. Como o limite a ser verificado é o do importador e não do encomendante, não havia qualquer restrição à realização das importações na modalidade por encomenda. Análise da IN SRF n° 650/06, artigo 2° leva à conclusão que, das submodalidades de habilitação simplificada, apenas aquela que se refere a comércio exterior de pequena monta é que apresenta limitações quanto a valores a serem importados. Portanto, “não pode prosperar qualquer alegação da autoridade fiscal no sentido de que o encomendante estaria “Impedido” de realizar a presente operação por ter seu “limite tomado”, pois quando se tratar de importação por encomenda, não há o que se falar em “limite” de importação para o encomendante, mas tão somente para o importador ostensivo.” No presente caso, a encomendante já havia utilizado seu limite para realizar importações próprias ou por sua conta e ordem. Todavia essa situação não lhe impedia de realizar importações por encomenda. Fl. 548DF CARF MF 6 A importação por encomenda se caracteriza pela aquisição de mercadorias importadas no mercado interno, sendo que essas mercadorias já vêm com o comprador prédeterminado quando sai do exterior. Assim, o encomendante é equiparado a industrial e se sujeita à tributação do IPI como constatou a fiscalização quando da análise das notas fiscais de saída, nas quais o imposto foi destacado e recolhido, não havendo nenhum lançamento por parte da fiscalização. A lei que criou essa modalidade de importação, Lei n° 11.281/2006, também não estabeleceu nenhuma restrição ou limite para as importações por encomenda. Apenas ressalvou que, caso os valores da encomenda sejam incompatíveis com o patrimônio líquido do encomendante, a Receita federal do Brasil pode exigir garantias para a liberação das mercadorias, ou seja, não há impedimento para a importação, apenas eventual exigência de garantia para entrega da mercadoria importada. A fiscalização confunde “lançamentos e pagamentos realizados em processos que as importações foram realmente realizadas na modalidade “por conta e ordem”, com os do processo de importação realizados na modalidade “por encomenda”.” (...) “Por estas razões, restam especificamente impugnados todas as conclusões acerca os lançamentos contábeis apresentados no relatório do Auto de Infração, devendo ser considerados os documentos anexos para a apuração dessas importações.” (sic) A Lei n° 11.281/2006 “nao impediu o importador de receber “sinal” ou “adiantamento” de seus clientes. O requisito legal necessário é que o importador possua “recursos próprios” (art. 11, § 3°), ou seja, “capacidade econômicofinanceira” para suportar a importação, o que é muito diferente.” A lei não ode interferir nas práticas comerciais normais, tal como receber sinal ou antecipação de pagamento. E caso isso ocorresse se estaria diante de uma inconstitucionalidade por contrariar o disposto no art. 1° e art. l70 da Constituição Federal. Ademais a D &A possuía plena capacidade de importação, pois à época dos fatos a estimativa para importações era da ordem de U$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil dólares), ou seja, é uma empresa fortemente consolidada no ramo do comércio exterior, longe de poder ser considerada “empresa laranja”, “empresa fantasma” ou “empresa de fachada”. Portanto, para se saber se as importações foram realizadas com recursos próprios do importador, devese se indagar se “caso não houvessem pagamentos antecipados a importadora teria conseguido realizar a operação?” Em nenhum momento a fiscalização investigou a capacidade financeira da importadora. “Em momento algum a autoridade fiscalizadora consegue comprovar, eficazmente, que foram feitos adiantamentos para a realização das importações, pois os valores remetidos à importadora tratamse de pagamentos por operações já realizadas e não adiantamentos.” Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 633 7 Pelas razões expostas há que se “concluir pela descaracterização das infrações aplicadas, principalmente quanto à pena de perdimento por ocultação do encomendante da operação, vez que, de fato, não houve qualquer ocultação, muito menos intuito doloso ou tentativa de fraude ou simulação.” Há nulidade por falta de competência da Autoridade Fiscal e pela inexistência de MPFF específico para revisão aduaneira. A fiscalização teve nítido caráter externo e envolveu Declarações de Importação já desembaraçadas, fatos que obrigam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal específico. O desatendimento à exigência determina a nulidade do procedimento, por vício formal, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/1972. Houve abuso do poder fiscalizatório, pois o prazo de conclusão do procedimento fiscal foi excessivo, chegando a 268 dias, quando não deveria ultrapassar 90 dias e, se fosse o caso, ser prorrogado por, no máximo mais 90 dias caso houvesse justificativa. Portanto o auto de infração é nulo por vício formal. Há incorreta adequação fática ao enquadramento legal, pois a fiscalização concluiu que as mercadorias deveriam ser apreendidas, porém, presumindo que tenham sido consumidas aplicou a multa do artigo 704 do Regulamento Aduaneiro. Todavia tal multa somente é aplicável para as mercadorias que entram no País sem que tenham sido submetidas aos controles aduaneiros, ou seja, ocultas, sem submissão ao despacho aduaneiro, o que não é caso, pois todas as mercadorias foram devidamente amparadas em Declarações de Importação. E ainda que se admitisse a adequação fática ao artigo 704, seu parágrafo único exclui expressamente sua aplicação “quando houver tipificação mais específica no Regulamento Aduaneiro”. Portanto, se a própria fiscalização concluiu que caberia a apreensão das mercadorias para aplicação da pena de perdimento, a multa em referência não poderia ser aplicada. Dessa forma, há erra na penalidade aplicável, fato que determina a nulidade do auto de infração sem resolução do mérito. O consumo das mercadorias foi presumido pela fiscalização, ou seja, não houve comprovação dessa alegação. Portanto, a multa não pode ser aplicada, devendo, também por este motivo, ser anulado o auto de infração. Há ilegitimidade passiva, pois a pena de perdimento é sanção que visa punir o real adquirente da mercadoria e não o importador ostensivo. Por outro lado, o adquirente não pode responder pela multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. A fundamentação legal para aplicação da multa de 10% é nula, pois a fiscalização descreve que houve cessão de nome para operações de exportação, quando, em verdade não foi realizada nenhuma operação de exportação, mas unicamente importações. Fl. 550DF CARF MF 8 Ademais fundamenta a penalidade em dispositivo que trata de perdimento de moeda, completamente estranho aos fatos. Assim, por total desrespeito ao princípio da legalidade e da ampla defesa, tendo em vista o evidente erro/ausência na fundamentação legal aplicada é nula a autuação. Todas as características das operações demonstram que se tratam de operações de importação na modalidade por encomenda, nos termos da Lei n° 11.281/2006, sendo as mercadorias de propriedade do importador, conforme preconiza o Ato Declaratório Normativo n° 7/2002, e posteriormente revendidas ao encomendante prédeterminado. Não houve ocultação do adquirente, tendo o importador plena capacidade financeira para suportar as operações que realizou. No máximo houve irregularidades meramente formais que não determinariam a aplicação da pena de perdimento. É aplicável ao caso o disposto no artigo 102 do Decretolei n° 37/1966, pois o importador declarou voluntariamente, em todos os documentos, que se tratava de importação por encomenda. Todos os tributos foram devidamente recolhidos, portanto aplicável a relevação da pena de perdimento preceituada no artigo 737 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 7.659/2009). Aplicável também o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, para aplicar unicamente, se for o caso, a multa prevista no artigo 711 do Regulamento Aduaneiro. A multa lavrada, prevista no artigo 704 do Regulamento Aduaneiro se refere ao valor comercial das mercadoria se foi calculada pela fiscalização com base nos valores da notas fiscais de saída. Todavia, ao caso se aplicaria, em tese, a conversão da pena de perdimento, prevista no parágrafo 1° do artigo 689 do RA, que equivale ao valor aduaneiro das mercadorias e não do valor das notas fiscais de saída. Requer sejam acatadas as preliminares de nulidade do auto de infração, no mérito seja cancelado o auto de infração. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 466/481), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado procedente em parte e exonerado o crédito tributário no valor de R$ 717.666,66, referente à multa regulamentar do IPI por entregar a consumo ou consumir mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Eventual irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 634 9 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/09/2009 a 08/12/2009 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS A NORMA. PENALIDADE. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma que a tipifica, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. IMPOSTO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, é responsável solidário pelo imposto de importação e responde conjunta ou isoladamente pela infração. A autuada D&A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda., doravante denominada D&A, foi cientificada da decisão de primeira instância em 11/2/2011, (fls. 484/487) e a responsável solidária Têxtil Fine Ltda., doravante denominada Têxtil Fine, foi cientificada em 22/2/2011 (fls. 489/490), mas não apresentou recurso voluntário. Em 14/3/2011, a autuada D&A apresentou o recurso voluntário de fls. 491/465, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória quanto à preliminar de nulidade do auto de infração e às questões de mérito remanescentes. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os recursos interpostos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Nos recursos em apreço foram apresentadas razões de defesa sobre questões preliminares e de mérito. Da Preliminar de Nulidade da Autuação. A recorrente D&A alegou nulidade da autuação por ausência de MPFF específico para o procedimento de revisão aduaneira de natureza externa, uma vez a fiscalização lavrou incontáveis intimações fiscais contra várias outras empresas, com o fito de juntar elementos probatórios até então não disponíveis no âmbito da RFB. Sem razão a recorrente, pois, de acordo com extrato de fl. 465 e em conformidade com o disposto na Portaria RFB 11.371/2007, no procedimento fiscal em tela o referido MPFF foi emitido em 19/4/2010 e prorrogado a sua validade até 16/10/2010. Também fica demonstrado que não procede a alegação de que o referido documento fora emitido somente em agosto de 2010. Fl. 552DF CARF MF 10 Entretanto, embora o procedimento de revisão aduaneira tenha se iniciado no dia 10/11/2009, com a ciência da recorrente no Termo de Início de Fiscalização de fl. 32, portanto, antes da expedição do referido MPFF, no dia 6/8/2010, na data da lavratura dos autos infração colacionados aos autos, o referido documento encontravase com seu prazo de validade em dia. Acontece que essa irregularidade, de natureza meramente procedimental, não tem o efeito de acarretar nulidade de toda a investigação anteriormente realizada pela fiscalização e tampouco da autuação em apreço, conforme alegou a recorrente, porque o simples atraso na emissão do MPF não representa vício formal insanável apto a acarretar a declaração de nulidade da autuação, haja vista que o referido documento, quando ainda exigido a sua emissão, tinha por finalidade o controle e a transparência da atividade de fiscalização. Sabidamente, o atraso na emissão do MPF, por falta de previsão legal, não implica nulidade da autuação, haja vista que essa suposta irregularidade não se enquadra em nenhuma das hipótese de nulidade prevista no art. 59 do PAF. A uma, porque o atraso na emissão do referido documento, evidentemente, não resultou em cerceamento do direito de defesa da recorrente. A duas, porque o descumprimento dessa formalidade não implica nulidade do lançamento por incompetência da autoridade lançadora, matéria que se encontra, expressamente, definida em lei. Com efeito, dispõe o art. 142 do CTN, que compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento. Da mesma forma, no âmbito dos tributos federais, determina o art. 10 do PAF, que o auto de infração deve ser lavrado por servidor competente. E no que tange aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tal competência foi atribuída ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), conforme expressamente estabelecido no art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002, com a redação dada pelo art. 9º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Por essas razões, fica demonstrado que o descumprimento de aspectos formais atinentes à expedição ou expedição a destempo do MPF não tem o condão de macular a higidez do auto de infração lavrado por autoridade fiscal competente, com estrita observância do disposto no art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto 70.235/1972. No mesmo sentido, o entendimento esposado em inúmeros julgados deste Conselho, a exemplo dos acórdãos nº 1802001.864, de 09/10/2013; 2403002.571, de 15/04/2014; 3102001.669, de 27/11/2012; e 3401002.564, de 23/04/2014, e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), tal como explicitado no acórdão CSRF/0105.558, cuja ementa segue transcrita: MPF – DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 – NULIDADE – O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como conseqüência a nulidade do ato. (CARF. CSRF. 1ª Turma. Ac. CSRF/0105.558, de 4/12/2006, Rel. Cons. José Henrique Longo) Em suma, eventual inobservância de algum requisito ou condição atinente à expedição, validade e prorrogação do MPF, por se tratar de exigência instituída por ato Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 635 11 normativo de natureza infralegal, destinado ao planejamento e controle da atividade fiscal, certamente, não contamina o auto de infração com vício formal insanável que acarrete a sua nulidade, especialmente, quando o procedimento foi realizado com observância aos ditames do art. 142 do CTN e do art. 10 do PAF. No caso em questão, com a emissão do MPFF, ainda que posterior ao início do procedimento fiscal, e o cumprimento integral dos requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto 70.235/1972, induvidosamente, não há que se falar em mácula na autuação de modo conspurcar a sua legitimidade. Com base nessas considerações, rejeitase as alegações de nulidade do auto de infração suscitadas pela recorrente. Das Questões de Mérito. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal e de Descrição dos Fatos de fls. 286/314, as autuadas foram impostas as seguintes penalidades: a) multa de igual ao valor comercial da mercadoria, por importação irregular (simulação de importação por conta própria) de mercadoria entregue a consumo, capitulada no art. 704 do Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009 (Decreto 6.759/2009); b) multa de 10% (dez por cento) do valor da operação, por cessão do nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, capitulada no art. 727 do RA/2009; e c) multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria pela omissão e prestação de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, estabelecida no art. 711, III, do RA/2009. No julgamento de primeira instância, o Colegiado afastou aplicação da primeira penalidade, capitulada no art. 704 do RA/2009, sob o argumento de que a tipificação específica da infração e respectiva penalidade seria no § 1º do artigo 689 do RA/2009 e não no artigo 704 do RA/2009, como procedera a fiscalização. Entretanto, como não foi submetida a recurso de oficio, por estar abaixo do limite de alçado o valor do crédito exonerado, a decisão que cancelou a referida multa deve ser considerada definitiva na esfera administrava, nos termos do parágrafo único do artigo 421 do Decreto 70.235/1972. Em face dessa circunstância, no presente julgamento, cabe analisar apenas as controvérsias remanescentes, referentes à aplicação da segunda e terceira penalidades, o que será feito nos tópicos a seguir. 1 "Art. 42. São definitivas as decisões: [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de oficio." Fl. 554DF CARF MF 12 Da multa de 10% (dez por cento) do valor da operação por cessão do nome. Antes de analisar a legalidade da aplicação da referida multa, é imprescindível definir se, no caso em tela, houve ou não a prática da infração por interposição fraudulenta nas referidas operações de importação. Essa questão deve ser definida previamente, porque a infração por cessão do nome somente ficará configurada se comprovado o efetivo acobertamento do real interveniente ou beneficiário nas referidas operações de importação, conforme definido no art. 727 do RA/20092, que tem a seguinte redação, in verbis: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000, 00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (grifos não originais) De acordo com o Termo de Verificação Fiscal colacionado aos autos (fls. 286/314), o motivo da aplicação da segunda penalidade foi a apuração da prática, pela importadora D&A, da infração caracterizada pela cessão do nome, para fim de acobertar a responsável solidária Têxtil Fine, mediante simulação de operações de importação por encomenda, realizadas em nome desta última. Para a fiscalização, o modus operandi adotado pela autuada D&A consistia em registrar a DI em nome próprio e incluir apenas no campo de “Dados complementares” a informação de que a operação era realizada “para encomendante prédeterminado”. Ao assim proceder, inequivocamente, a recorrente burlava os critérios de controle estabelecidos no Siscomex, pois, para fins de análise fiscal, não eram levados em consideração pelo sistema os dados e os limites de valores de importação exigidos da real adquirente das mercadorias, no caso, a responsável solidária Têxtil Fine. De outra parte, a recorrente alegou que não cometera a referida infração, porque não realizara operação de importação simulada por conta e ordem da responsável solidária Têxtil Fine, mas sim operação de importação por encomenda em nome da referida empresa, uma vez que: a) a encomendante da mercadoria fora identificada de forma completa e detalhada, incluindo o endereço completo, em todos os documentos utilizados na instrução do despacho aduaneiro de importação, inclusive no campo destinado aos dados complementares da própria DI; b) não omitira, de forma intencional, o CNPJ da encomendante no campo da DI destinado ao “adquirente por conta e ordem”, mas porque fora impedida, em razão de um problema operacional no Siscomex, porém, tal irregularidade, no máximo, deveria ser tratada como mero equívoco e não como fraude ou simulação de importação “por encomenda”; e 2 A matriz legal do referido preceito regulamentar é o art. 33 da Lei 11.488/2007. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 636 13 c) a lei e a regulamentação infralegal não estabeleciam limites para a importação por encomenda nem impediam o importador de receber “sinal” ou “adiantamentos” de seus clientes. Com base no exposto, fica evidenciado que o cerne da controvérsia gira em torno da definição do tipo de importação que foi efetivamente realizada pela recorrente. Especificamente, se as referenciadas operações de importação atenderam os requisitos atinentes à operação de importação por encomenda, conforme defendido pela recorrente, ou não atenderam tais requisitos e, da forma como realizada, tratam de operação por conta e ordem da responsável solidária, realizada de forma dissimulada, conforme entendera a fiscalização. E caso se confirme o entendimento da fiscalização, resta ainda saber se tais operações de importação enquadramse como operação de importação por conta própria simulada, mediante a ocultação do real adquirente e importadora das mercadorias, no caso, a pessoa jurídica Têxtil Fine. Para esse desiderato, previamente, cabe definir se as operações em comento atendem, simultaneamente, os requisitos formais e materiais determinados para a operação de importação por encomenda. Em conformidade com o disposto no art. 11, § 1º, da Lei 11.281/2006, os requisitos formais da operação de importação por encomenda foram estabelecidos na Instrução Normativa SRF 634/2006. Além de outros requisitos de natureza procedimental, em razão da pertinência com a controvérsia em apreço, cabe analisar os requisitos que se encontram estabelecidos no art. 3º da referida IN, que segue transcrito: Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1ºdeverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Fl. 556DF CARF MF 14 Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. (grifos não originais) O primeiro preceito normativo exige, previamente ao registro da Declaração de Importação (DI), que o importador esteja vinculado ao encomendante no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), o que não ocorreu no caso em tela, conforme asseverado pela própria recorrente. E para que houvesse tal vinculação era imprescindível que o encomendante tivesse apresentado, perante a unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando (i) nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e (ii) o prazo e operações para os quais o importador foi contratado, o que também não ocorreu, haja vista que não foi apresentado a prova de que tal requerimento tenha sido formalizado. Enquanto que o segundo preceito normativo estabelece que o importador por encomenda informe, em campo próprio da DI, o número de inscrição do encomendante no CNPJ, porém, enquanto não disponível no sistema campo específico para essa modalidade de importação, a determinação era que fosse utilizado o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem de terceiro, contido na ficha “Importador” e indicado no campo “Informações Complementares” a informação de que se tratava de operação de importação por encomenda. No caso em tela, não há controvérsia de que a exigência, atinente à informação do tipo de operação de importação, foi adequadamente cumprida, mas que a exigência, relativa a informação do número de inscrição no CNPJ, foi descumprida. Segundo alegou a recorrente, a omissão dessa informação fora motivada por problema de natureza operacional no Siscomex, pois, ao informar, no referido campo, o número de inscrição no CNPJ da suposta encomendante da mercadoria, o sistema não permitia o registro da DI, por duas razões: a) havia se esgotado o limite de valor de importação, atribuído a suposta encomendante, relativo ao regime de habilitação simplificada, para prática de atos no Siscomex, previsto no art. 2º da Instrução Normativa SRF 650/2006; e b) a referida pessoa jurídica não estava habilitada no Siscomex como encomendante predeterminada, nos termos do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa SRF 634/2006. Assim, com base nas justificativas apresentadas pela própria recorrente, inferese que o problema por ela relatado, obviamente, não era de natureza operacional (falha de funcionamento do sistema), mas vinculado à operacionalização das rotinas internas de controle do sistema, introduzida com vistas a assegurar o controle administrativo e aduaneiro das importações, em especial, a idoneidade e a capacidade econômicofinanceira do encomendante. Portanto, em vez de problema operacional, o empecilho suscitado pela recorrente, na verdade, confirma a eficácia das rotinas de controle introduzidas no Siscomex, com fim de evitar que fosse o ultrapassado o limite de valor das importações fixado para o importador por encomenda. Por essa razão, temse por descabida a alegação apresentada pela recorrente. Por conseguinte, temse por confirmado o descumprimento da exigência concernente à omissão da informação do número de inscrição do CNPJ da encomendante, requisito formal essencial para fim de definição da operação de importação por encomenda. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 637 15 Não se pode olvidar, ademais, que tais formalidades visam assegurar o cumprimento dos preceitos legais que estendem ao encomendante as condições de sujeição passiva e responsabilidade tributária, razão pela qual a identificação do encomendante tanto no Siscomex quanto na DI revestese de condição imprescindível, para o regular processamento da operação de importação deste jaez. De outro modo, se a operação de importação por encomenda for realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos em ato normativo expedido pela RFB, expressamente, dispõe o § 2º do art. 113 da Lei 11.281/2006, que, por presunção, a respectiva operação de importação deve ser considerada por conta e ordem de terceiros. Por sua vez, o aspecto material da operação de importação por encomenda, extraise do art. 11 da Lei 11.281/2006. Com base nesse preceito legal, definese que a operação de importação por encomenda como aquela em que o importador adquire as mercadorias no exterior com recursos próprios, promove o despacho aduaneiro em seu próprio nome, efetua o pagamento de todas as despesas relativas ao desembaraço da mercadoria com recursos próprios e, por fim, revende as mercadorias desembaraçadas ao encomendante que lhe foi previamente vinculado por contrato e no Siscomex (encomendante predeterminado). Por força dessas características, chegase a conclusão que não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos financeiros do encomendante, ainda que parcialmente, conforme expressamente determina o parágrafo único do art. 1º da Instrução Normativa SRF 634/2006, a seguir transcrito: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. (grifos não originais) Nos autos, há elementos probatórios adequados e suficientes que confirmam que a recorrente descumpriu o requisito formal, concernente à falta de informado do número do CNPJ da encomendante no campo próprio da DI, conforme anteriormente demonstrado. No que tange ao descumprimento do requisito material, atinente à antecipação de recursos financeiros para o pagamento dos dispêndios relativos às referidas importações, a recorrente alegou que, ainda que se entendesse não ser possível tal antecipação, nos autos, não restara comprovado que houve pagamentos antecipados nas supostas operações de importação por encomenda. Segundo a recorrente, na tentativa de demonstrar a ocorrência de pagamentos antecipados, concernentes às referidas operações de importação, a fiscalização 3 "Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1º A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2º A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001." Fl. 558DF CARF MF 16 confundira “lançamentos e pagamentos realizados em processos que as importações ocorreram na modalidade ‘por conta e ordem’, com os quatro processos de importação realizados na modalidade ‘por encomenda’”, haja vista que a recorrente, anteriormente, já havia realizado importações por conta e ordem da empresa Têxtil Fine. Não procede a alegação da recorrente, pois, diferentemente do alegado, a fiscalização teve o cuidado de apresentar, separadamente, a análise das transferências de recursos atinentes às duas modalidades de importação realizadas pela responsável solidária Têxtil Fine. De fato, no subitem 3.1 do citado Termo de Verificação Fiscal (fls. 294/299) foram explicitadas as transferências de recursos referentes às importações por conta e ordem da Têxtil Fine, em que constou o seu número de inscrição no CNPJ no campo próprio da DI. Da mesma forma, no subitem 3.2 do citado Termo de Verificação Fiscal (fls. 299/307), com base nos documentos contábeis e fiscais fornecidos pelas próprias autuadas, foram apresentadas detalhadamente às transferências, por meio de contacorrente bancária, de recursos financeiros da responsável solidária Têxtil Fine para a recorrente D&A, com discriminação dos valores recebidos nas datas coincidentes ou anteriores aos pagamentos dos encargos das importações realizados pela importadora D&A. Tais depósitos confirmam que os recursos empregados nas referidas operações de importação pela recorrente D&A eram provenientes da suposta encomendante Têxtil Fine. E diante dessa comprovação, deixa de ter relevância a alegação da recorrente de que possuía plena capacidade financeira para arcar com os custos decorrentes das citadas importações, pois o aspecto central para o deslinde da controvérsia em comento consiste em saber de quem era titularidade dos recursos financeiros empregados na liquidação dos encargos financeiros inerentes às respectivas operações de importação. E com base nos demonstrativos elaborados pela fiscalização, corroborado por documentação adequada coligida aos autos, não remanesce qualquer dúvida quanto ao fato de que, para o custeio das referidas operações, tais recursos foram, parcial ou totalmente, fornecidos pela responsável solidária Têxtil Fine. Pelas mesmas razões, a capacidade financeira da suposta encomendante também deixa ter relevância para o deslinde do caso em tela, o que torna desnecessária a análise da situação financeira desta última, conforme pretensão da recorrente. Ainda em relação a esse ponto da lide, cabe ressaltar que, além de não comprovar o alegado, a recorrente afirma na peça recursal que os valores depositados em sua contacorrente bancária representavam “uma parte do valor da operação (compra)” antecipada pela suposta encomendante, pois, a depender do cliente, havia "necessidade de uma análise comercial da operação e a possibilidade de concessão de crédito para a operação ou da exigência de pagamento antecipado (sinal) como garantia da transação comercial". Essa alegação em nada contribui para defesa da recorrente, ao contrário, confirma a alegação da fiscalização de que a pessoa jurídica Têxtil Fine antecipava os recursos referentes às importações que a D & A registrou como sendo por sua própria conta. Em suma, a referida alegação ratifica que os recursos, totais ou parciais, utilizados nas referidas operações de importação provinham da responsável solidária Têxtil Fine. E a comprovação da transferência dos recursos financeiros do real importador (Têxtil Fine) para o importador aparente (D&A) implica (i) presunção da operação de importação por conta e ordem de terceiro, nos termos do art. 274 da Lei 10.637/2002, e (ii) a qualificação do fornecedor dos recursos financeiros como o real importador e beneficiário da operação de importação. 4 "Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001." Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 638 17 Em suma, chegase a conclusão que, seja sob o aspecto material, seja sob o aspecto formal, as operações de importação realizadas pela recorrente, por presunção legal, foram realizadas por conta e ordem da responsável solidária Têxtil Fine. Assim, uma vez definida que, por presunção, as respectivas operações de importação foram realizadas por conta e ordem da responsável solidária Têxtil Fine, cabe analisar se a recorrente cumpriu os requisitos da modalidade de importação por conta e ordem de terceiros. Sabidamente, a operação de importação por conta e ordem de terceiros5 é aquela em que a pessoa jurídica contratante (adquirente da mercadoria) compra a mercadoria no exterior com recursos próprios, mas quem realiza o procedimento de despacho aduaneiro de importação da mercadoria é a pessoa jurídica contratada (importadora por conta e ordem de terceiro), que atua como mera prestadora de serviços de importação de mercadorias estrangeiras, podendo, eventualmente, prestar serviços de cotação de preços e intermediação comercial. Para que seja considerada regular, em consonância com a remissão estabelecida no art. 80 da Medida Provisória 2.15835/2001, essa modalidade de operação de importação deverá atender os requisitos e condições estabelecidos nos arts. 2º a 3º da Instrução Normativa SRF 225/2002, a seguir transcritos: Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias" A propósito desses requisitos, cabe esclarecer que o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF 7/2002 trata da definição das importações efetuadas por conta 5 Essa modalidade de importação foi introduzida no ordenamento jurídico do País por meio da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, vigente a partir de 27 de agosto de 2001, data da sua publicação. Os aspectos tributários, de responsabilidade tributária e por infração a legislação aduaneira e os requisitos formais da dita operação encontramse estabelecidos nos arts. 77 a 81 da referida MP. Fl. 560DF CARF MF 18 e ordem de terceiros, para fins definição da forma de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, e não dos requisitos da operação de importação por encomenda, como alegado pela recorrente. Por conseguinte, o disposto no referido Ato não se aplica ao caso em tela. Há que se ressaltar ainda que, uma vez descaracterizada, por presunção legal, a operação de importação por encomenda, em razão do descumprimento de requisitos formais e materiais, evidentemente, essa circunstância não pode ser relevada em razão de: (i) toda a documentação utilizada na instrução do despacho aduaneiro de importação indicar a responsável solidária Têxtil Fine como "encomendante" da mercadoria, (ii) constar do campo "Dados complementares" das DI a informação referente à identificação do encomendante e da própria modalidade de importação, (iii) o contrato de vinculação entre importador e encomendante, exigido no § 1º do art. 2º da Instrução Normativa SRF 634/2006, ter sido apresentado perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e (iv) a importadora e a encomendante estarem habilitadas a realizar operações de importação, ainda que o limite estabelecido para a encomendante realizar operações por conta própria ou por sua conta e ordem. Além disso, essas circunstâncias somente contribuíram para corroborar a boa fé da recorrente se ela não houvesse burlado a sistemática de controle do Siscomex e registrado a operação de importação sob a modalidade de importação por “conta própria” simulada ou importação por conta e ordem de terceiro dissimulada, mediante a ocultação do real comprador das mercadorias importadas nas respectivas DI. Do sopesamento de todas essas circunstâncias, resta a convicção de que a conduta atribuída à recorrente subsumese perfeitamente à infração por dano ao Erário, definida no art. 23, V, do Decretolei 1.455/1976, e sancionada com a pena de perdimento da mercadoria ou multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do citado art. 23, §§ 1º e 3º, a seguir transcritos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. [...] § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. [...] (grifos não originais) Assim, demonstrada que as operações de importação foram realizadas sob a modalidade de importação por conta própria simulada ou importação por conta de terceiro dissimulada, consequentemente, a conduta atribuída à recorrente também se enquadra na hipótese da infração descrita no art. 33 da Lei 11.488/2007, ou seja, de acordo com os Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 639 19 elementos coligidos aos autos também resta demonstrado que a recorrente cedeu seu nome, com vistas ao acobertamento da real compradora das mercadorias importadas, no caso, a responsável solidária Têxtil Fine. A recorrente alegou ainda que houve desrespeito ao princípio da legalidade e da ampla defesa, em razão do evidente erro/ausência de fundamentação legal da multa em apreço, pois tanto a descrição dos fatos como o enquadramento legal levavam a situação completamente estranha aos fatos. Sem razão a recorrente, pois, embora a fiscalização tenha citado, no enquadramento legal da infração (fl. 285), alguns preceitos regulamentares não relacionados diretamente com a tipificação da questionada infração, verificase que o art. 727 do RA/2009, bem como a sua matriz legal, o art. 33 da Lei 11.488/2007, foram expressamente consignados. Além disso, compulsando as robustas peças defensivas colacionadas aos autos verificase que, ao contrário do alegado, não restou evidenciado qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente, uma vez que ela demonstrou perfeito conhecimento das imputações que lhe foram feitas e delas defendeuse adequadamente. Por fim, a recorrente alegou que, nos autos do processo nº 10920.005216/200980, proferido na data do acórdão recorrido, o Colegiado a quo, por meio do acórdão nº 0722.909, com base no voto da lavra do mesmo Relator, decidiu afastar a aplicação da multa em apreço, fixada no art. 33 da Lei 11.488/2007. Mais uma vez, não procede a alegação da recorrente. De fato, o referido julgado afastou a aplicação da multa em apreço, porém as circunstâncias fáticas nele retratadas foram distintas das que aqui foram apuradas e comprovadas pela fiscalização. Naquele processo, as declaradas operações de importação por encomenda não foram descaracterizadas pelo Colegiado julgador, porque, segundo o voto condutor do julgado, não houve comprovação de que os recursos nelas empregados tivessem provindo da adquirente das mercadorias. Com efeito, a única irregularidade apurada e comprovada no âmbito do citado processo foi a falta de indicação do número de inscrição no CNPJ da encomendante da mercadorias e essa circunstância foi relevada pelo Colegiado julgador de primeiro grau ante a demonstração dos fatos que infirmavam a ocultação do adquirente/comprador, mediante fraude ou simulação, conforme entendera a fiscalização. Para corroborar o asseverado, segue transcrito os excertos relevantes extraídos do voto condutor do citado julgado: Por outro lado, o simples fato de a identificação do encomendante não ter sido aposta no campo devido das Declarações de Importação, por si só, não caracteriza a infração prevista no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009, pois no presente caso não se pode afirmar que houve ocultação do comprador ou adquirente das mercadorias. Os fatos que levam a essa conclusão são os seguintes: A informação referente à identificação do encomendante e da própria modalidade de importação foi devidamente registrada no campo de "Dados complementares" das Declarações de Importação; Fl. 562DF CARF MF 20 Os documentos que ampararam as importações trazem com clareza a identificação do adquirente das mercadorias, no caso o encomendante; As interessadas apresentaram, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, o contrato que firmaram para fins de vinculação do importador ao encomendante; A importadora e a encomendante estavam habilitadas a realizar operações de importação, ainda que o limite estabelecido para a encomendante realizar operações por conta própria ou por sua conta e ordem houvesse sido ultrapassado; e principalmente, As operações não foram descaracterizadas como tendo sido realizadas na modalidade de importação para revenda a encomendante predeterminado, pois não se comprovou que os recursos nelas empregados tenham provindo da adquirente das mercadorias. As impugnantes trazem ainda aos autos documentos que amparam sua alegação de que, em tempo muito anterior ao da efetivação das importações autuadas, foi solicitada a habilitação ordinária da empresa encomendante que, todavia, não foi processada a tempo pela unidade competente. Desse fato, aliado ao histórico de importações que a própria fiscalização demonstrou, se depreende que não houve intenção de ocultar a adquirente das mercadorias, mas sim necessidade de se alterar a modalidade de importação em razão do impedimento operacional. O que se conclui, portanto, é que não houve ocultação do adquirente/comprador, mediante fraude ou simulação, e portanto não restou caracterizada a infração imputada às interessadas e prevista no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009, não sendo portanto aplicável a pena de perdimento ou sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. (grifos não originais) Ainda em relação ao referido processo, cabe ainda registrar que, de acordo relatório encartado no citado acórdão, a própria fiscalização asseverou que os "pagamentos pelas mercadorias foram realizadas pela 'Tecnoblu Importadora e Exportadora de Acessórios Têxteis Ltda' em datas posteriores à emissão das notas fiscais de saída da 'D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda'". Ou seja, sob o aspecto material, as operações importação atendiam as exigência legais estabelecidas para a modalidade de importação por encomenda. Por todas essas considerações, chegase a conclusão que, no caso em tela, a recorrente praticou a conduta concernente a cessão do nome com vista ao conbertamento do real comprador das mercadorias importadas, por conseguinte, devida a aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da operação, conforme proposto pela fiscalização. Da multa de 1% (um por cento) por omissão de informação. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 640 21 A fiscalização enquadrou a infração e a penalidade em apreço no art. 69, §§ 1º e 2º, I, da Lei 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar deforma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação; importador/exportador; adquirente (comprador)/ fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; [...] (grifos não originais) Medida Provisória 2.15835/2001: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º 0 valor da multa prevista neste artigo será de RS 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. De acordo com a descrição dos fatos consignada no referido Termo de Verificação Fiscal (fl. 314), a não inclusão, no campo próprio das DI, do número do CNPJ da compradora da mercadoria configurava não prestação de informações de natureza Fl. 564DF CARF MF 22 administrativotributária ou comercial, estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, necessária à determinação do procedimento aduaneiro apropriado. Por sua vez, a recorrente alegou que não descumprira a referida obrigação, estabelecida no parágrafo único do art. 3º da Instrução Normativa SRF 634/2006, uma vez que tomara todas as providências legais necessárias para a correta operacionalização da importação por encomenda, quais sejam: "verificou haver a habilitação no RADAR de ambas as empresas; formulou contrato de importação por encomenda com a TÊXTIL FINE; vinculou o referido contrato na Receita Federal deixando cristalina a operação que iria se realizar, e, por fim; Informou no campo 'Informações CompIementares' da DI se tratar de importação por encomenda". Sem a razão a recorrente. Como a prestação referida informação era de suma importância com vistas à determinação do apropriado procedimento de controle aduaneiro a ser adotado em relação as referidas operações de importação. No caso, como fora prestada a referida informação, o Siscomex qualificou as citadas operações como sendo de importação por conta própria, excluindoas dos controles inerentes à operação de importação por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. Também não procede a alegação da recorrente de que a multa em questão era inaplicável, porque na suposta omissão não houve culpa e muito menos dolo, mas sim erro decorrente de falha operacional do Siscomex, posto que, sabidamente, a responsabilidade por infração à norma da legislação aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estatuído no art. 946, § 2º, do Decretolei 37/1966. Com base nessas considerações, rejeitase às alegações da recorrente e mantémse a multa aplicada, uma vez que demonstrada que a prática da conduta imputada à recorrente enquadrase perfeitamente na hipótese da infração definida nos referidos preceitos legais. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 6 "Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10920.001676/201072 Acórdão n.º 3302003.724 S3C3T2 Fl. 641 23 Fl. 566DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722967/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/12/2009
EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT.
A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.
RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016.
As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-003.637
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dérouledè - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 29 67 /2 00 9- 47 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10280.722967/200947 Acórdão n.º 3302003.637 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Recorrente que formaliza a exigência de multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada (multa regulamentar). Os fatos que ensejaram a cominação da pena foi a desídia da contribuinte agente de navegação, representando empresa operadora de embarcação em viagem internacional que prestou, fora do prazo estabelecido na legislação aduaneira, informação sobre veículo ou carga por ela transportada. Cientificada sobre o teor do auto de infração, a Contribuinte apresentou suas razões de defesa em impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por intermédio do Acórdão 16070.488, cuja ementa se transcreve na parte de interesse: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 01/12/2009 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informações sobre carga transportada. Por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. A retificação ocorreu após intimação da fiscalização, o que inibe a denúncia espontânea. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia de normas, pois não está calcada em Ato Declaratório Executivo, mas sim em artigo de Lei. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário. (...) Irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouledè, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.624, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10280.721580/201198, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10280.722967/200947 Acórdão n.º 3302003.637 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.624): "Tendo em vista se tratar de recurso voluntário tempestivo1 e que apresenta todos os requisitos formais para seu conhecimento, submetoo a julgamento por este colegiado. A ação fiscal sob julgamento referese à prestação extemporânea de informações retificadoras referentes ao Conhecimento Eletrônico n. 021105089493067 (importação, em 13/06/2011) vinculado à escala n. 11000182350 cuja atracação ocorreu em 30/05/2011 e desatracação em 31/05/2011. A autoridade fiscal considerou que a retificação foi extemporânea porque não ocorreu dentro das 48 horas antes da chegada da embarcação, que é o limite estabelecido pela legislação pertinente2, mais especificamente os arts. 22, II, "d" e art. 45 da Instrução Normativa n. 800/2007. A recorrente define suas funções da seguinte maneira: "(...) é uma reconhecida empresa que exerce a atividade de agenciamento marítimo para diversos armadores estrangeiros que necessitam de representantes no país para auxiliálos nas operações de carga e descarga; emissão de documentos; suporte técnico aos navios; abastecimento em geral; etc". E, por esse motivo, defende que o entendimento acolhido pelo colegiado que julgou improcedente a impugnação não merece prosperar, já que: "(...) não se confunde a figura do agente marítimo, que opera na modalidade 'NVOCC', na consolidação/desconsolidação documental, responsável pela unitização/desunitização de cargas, com a figura de transportador. (...) 13. Sendo a Recorrente mera mandatária do transportador no momento do registro das informações junto ao SISCOMEX, não é possível sua responsabilização por eventuais erros cometidos pelo transportador, tampouco a ele se equipara para fins de responsabilidade tributária para os efeitos do DecretoLei n. 37/66, o que demonstra que o entendimento mantido no acórdão ora recorrido resta equivocado". A recorrente destaca, ainda, que não há no auto de infração provas que a identifique como empresa transportadora ou responsável por prestar as informações ao Siscomex. 1 A contribuinte foi considerada intimada sobre o teor do acórdão recorrido em 28/12/2015, conforme certifica o Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Posta DTE à folha 97 dos autos eletrônicos. Por sua vez, o recurso voluntário foi protocolizado em 22/01/2016, conforme registrado no Termo de Análise de Solicitação de Juntada à folha 149 dos autos eletrônicos. 2 Art. 37 do DL 37/1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27/12/2007, e; art. 673 do Decreto n. 6.759, de 05/02/2009. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10280.722967/200947 Acórdão n.º 3302003.637 S3C3T2 Fl. 5 4 Defende que a hipótese dos autos amoldase a denúncia espontânea prevista no art. 102 do DL 37/663, com a redação conferida pela Lei n. 12.350/2010, já que as informações mencionadas na autuação foram prestadas muito antes da lavratura do auto de infração e do início de qualquer procedimento fiscal. Afirma que o procedimento fiscal só ocorreu porque a própria recorrente retificou as informações já consignadas. Em 22/04/2016 a recorrente acosta petição aos autos, informando a superveniência de fato relevante, que foi a edição da Solução de Consulta COSIT n. 02, de 04/02/2016, que foi assim resumida: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto Lei n. 37/1966, com a redação dada pela Lei n. 10.833/2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB n.800, de 27/12/2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos legais: DecretoLei n.37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27 de dezembro de 2007. Ressalta, ainda, que as Soluções de Consulta COSIT, por força do disposto no art. 9º da Instrução Normativa n. 1.396/2013, possuem efeito vinculante perante a Administração Tributária, razão pela qual o entendimento nelas consagrado deve ser observados pelas autoridades fiscais, e respaldo o sujeito passivo que o aplicar, independentemente de ser o consulente. Razão assiste a recorrente. Se depreende do precedente abaixo que a determinação consagrada pela COSIT vincula a todos no âmbito administrativo, inclusive os julgadores: Com efeito, a Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. (Acórdão n. 3301002.880, proferido em 15/03/2016 pela 1ª Turma da 3ª Seção de Julgamentos). Tendo em vista que a autuação fiscal ocorreu não pela extemporaneidade na apresentação de informações, mas sim pelo atraso na 3 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 2º. A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10280.722967/200947 Acórdão n.º 3302003.637 S3C3T2 Fl. 6 5 retificação das informações já prestadas, é de rigor a exoneração da multa imposta, em conformidade com o que dita a Solução de Consulta COSIT n. 2, de 4 de fevereiro de 2016. Assim, pelas razões já esclarecidas, dou provimento ao recurso voluntário apresentado por CMA CGM do Brasil Agência Marítima Ltda." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência do acórdão da DRJ em 28/12/2015, apresentação do RV em 20/01/2016). E, da mesma forma que no caso do paradigma, o motivo da exigência da penalidade nestes autos foi a retificação de informações prestadas anteriormente, retificação/alteração que o Fisco considerou como efetuada fora do prazo. Portanto, aplicável ao presente litígio, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, a Solução de Consulta COSIT nº 2, de 4 de fevereiro de 2016. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908444/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.365
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 84 44 /2 01 1- 21 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/04/2009 a 30/06/2009. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.022, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10882.908444/201121 Acórdão n.º 3401003.365 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000803/2006-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/10/2006
OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO.
Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendose as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 08 03 /2 00 6- 64Fl. 1180DF CARF MF 2 demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração de classificação fiscal relativo a mercadoria constante da DI 06/12364040, abrangendo multa por erro de classificação e diferenças de tributos. A impugnação argumentou a nulidade do lançamento, por inépcia; discorreu sobre o equipamento importado; defendeu a classificação fiscal adotada, com fulcro em laudo técnico; deduziu razões de ordem econômica para improcedência da autuação; e, aduziu o descabimento das multas e dos juros de mora, com fulcro no art. 100, III, parágrafo único do Código Tributário Nacional. O julgamento foi convertido em diligência para juntada de cópias de processos judiciais atinentes à questão (MS 2004.34.00.0066088 e AO 0053926 61.2010.4.01.3400) Uma vez cumprida a diligência determinada, a DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos pelo autuado, mormente quando a realização de diligência oportuniza dirimir eventuais dúvidas. DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando da realização de diligência, é admissível que a fiscalização junte novos documentos para esclarecer os fatos em causa, ainda que tenham sido produzidos antes do lançamento. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 10111.000803/200664 Acórdão n.º 3401003.514 S3C4T1 Fl. 11 3 DOCUMENTO GRAFADO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. AUSÊNCIA DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. ADMISSIBILIDADE. A ausência de tradução juramentada de documento grafado em idioma estrangeiro não impede sua utilização nos autos, desde que fique demonstrada a ausência de prejuízo para as partes envolvidas. TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. COSTUME ADMINISTRATIVO. PUBLICAÇÃO DE ATO FIXANDO O ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. FATOS POSTERIORES. Diante da publicação de ato que fixe entendimento diferente do que vinha sendo aceito pela Administração anteriormente, não há falar em costume administrativo em relação aos fatos posteriores a esse ato.” Em recurso voluntário o contribuinte, como preliminar, argüiu a impossibilidade de juntada de documentos e esclarecimentos pela autoridade preparadora e a invalidade de documentos em língua estrangeira. No mérito, teceu considerações sobre suas atividades e o equipamento importado; defendeu a inaplicabilidade da classificação adotada para aparelhos de radionavegação; citou precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e soluções de consulta de aparelhos similares; abordou os laudos técnicos apresentados; e, rechaçou a possibilidade de alteração do critério jurídico e também o cabimento das multas e dos juros respectivos. Alicerçada na informação de opção pela via judicial, consubstanciada na Ação Ordinária nº 004787847.2014.4.01.3400, Seção Judiciária do Distrito Federal, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a 1ª Turma Especial, através do Acórdão 3801004.301, de 17/09/2014, declarou a concomitância das discussões e não conheceu do recurso voluntário. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs embargo de declaração alegando omissão do julgado quanto à impossibilidade de modificação de critério jurídico e a inaplicabilidade das multas e juros moratórios, matérias não deduzidas perante o Poder Judiciário. Os embargos foram admitidos pelo presidente do colegiado argüido e, posteriormente, redistribuídos por sorteio, em função de reorganização do órgão, promovida pela Portaria MF 343/2015. É o relatório. Fl. 1182DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos de declaração manobrados preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Preamburlamente, cabe examinar o objeto da demanda judicial instalada e a sua coincidência com as questões postas no contencioso administrativo, bem assim os efeitos processuais daí decorrentes, para então verificar a existência da ventilada omissão. Consoante petição inicial juntada aos autos, o pedido do recorrente, na esfera judicial, no que tange ao mérito, consistiu na i) declaração de inexistência de relação jurídico tributária que autorizasse a União a exigir a classificação na posição 8526.91.00 da NCM, ii) o reconhecimento do direito de classificar o produto importado na posição 8517.62.71 e, ainda, iii) a determinação da anulação dos autos de infração que cita, dentre eles, o albergado pelo presente processo. Em 26/06/2015 foi proferida sentença julgando procedente o pedido formulado, estando o dispositivo vazado nos seguintes termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídico tributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC.” (sublinhado) Atualmente o processo judicial aguarda julgamento de apelação pelo TRF 1ª Região. Como se vê, há pedido expresso, devidamente acolhido, ainda que pendente de recurso, para declarar o cancelamento do lançamento abrigado neste processo administrativo. É certo que, em âmbito judicial, o recorrente não expôs a impossibilidade de modificação de critério jurídico, em sede de revisão aduaneira, tampouco o cabimento das multas e juros, com lastro no art. 100 do Código Tributário Nacional, como fundamento de seu pedido; todavia, o pedido formalizado, tanto administrativa como judicialmente, é idêntico, Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 10111.000803/200664 Acórdão n.º 3401003.514 S3C4T1 Fl. 12 5 qual seja, a declaração de improcedência da autuação, de modo que, sob esse ângulo, a concomitância é patente. Dessarte, a delimitação da lide é feita pelo pedido apresentado, que sobre ele deverá se manifestar e decidir a autoridade julgadora correspondente, sendo a parte dispositiva dessa decisão aquela que oferecerá a resposta ao pleito, sendo essa a parte sujeita ao trânsito em julgado e, por via de conseqüência, à imutabilidade típica da coisa julgada. Como existe decisão de mérito no processo judicial, a formação da coisa julgada é inexorável, incidindo na espécie a inteligência do art. 508 do Código de Processo Civil, segundo o qual, transitada em julgado a decisão, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor, tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. De qualquer modo, entendo que, mesmo omisso o acórdão arguido, no mérito, não merece acolhida o aclaratório manobrado, haja vista que, em relação à impossibilidade de modificação do critério jurídico, verificouse a preclusão consumativa da matéria, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, porquanto não integrante da impugnação protocolada. Respeitante ao descabimento das penalidades e juros moratórios, com lastro no art. 100, III e parágrafo único do CTN, pela pretensa observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas, temse que a aceitação da classificação fiscal empregada pelo contribuinte nas declarações de importação que cita, por parte da fiscalização, é anterior à edição do ADI SRF nº 22, de 20/08/2004, que modificou o entendimento oficial acerca da classificação fiscal da mercadoria importada, como anotado pela decisão recorrida, verbis: “Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Suscita que desde o início de suas operações vinha promovendo a importação do equipamento em foco, sem que houvesse nenhuma contestação por parte dos fiscais alfandegários. Assim, estaria caracterizada a ocorrência de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, o que elidiria a cobrança de penalidades e de juros na exação sob exame. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2003, publicado no DOU de 4/9/2003, a Receita Federal oficializou seu entendimento quanto à classificação fiscal dos equipamentos ali indicados, em cuja descrição se enquadrava o caso MCT, conforme se demonstra: (...) Assim, ainda que em períodos anteriores ao referido ADI o MCT viesse sendo desembaraçado em código distinto, Fl. 1184DF CARF MF 6 como alega a defesa, não há falar em costume administrativo em relação a operações posteriores à publicação desse Ato, realizadas em desconformidade com a orientação nele formalizada. O ADI 14/2003 supriu eventual necessidade de norma complementar para definir a classificação fiscal dos equipamentos nele indicados. As operações contrárias a ele, na realidade, passaram a ser frontalmente ilegais. A partir da vigência desse Ato, embora o mesmo tenha sido revogado pelo ADI SRF nº 22/2004, verificase que a fiscalização aduaneira continuou a classificar o MCT no mesmo código anteriormente definido (8526.91.00). Como o importador insistiu em utilizar classificação fiscal diferente, as importações desse equipamento passaram a ser objeto de autuação, e só foram desembaraçadas sem a correção do enquadramento tarifário por determinação judicial.” Ou seja, não se identifica qualquer “prática reiterada”, por parte das autoridades fiscais, contemporânea ao registro da declaração de importação lançada, no sentido de acatar a classificação reclamada pelo contribuinte. Portanto, não há qualquer ressalva a ser feita à decisão embargada, que, mesmo não fazendo remissão específica às teses expostas e ora apontadas como omissas, reconheceu acertadamente a concomitância das discussões e a renúncia à discussão administrativa, não havendo qualquer vício de declaração que a conspurque. Com estas considerações, voto por conhecer dos embargos quanto às omissões apontadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 1185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913792/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.043
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.913792/201143 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.043 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 79 2/ 20 11 -4 3 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10480.913792/201143 Resolução nº 3401001.043 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.537. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10480.913792/201143 Resolução nº 3401001.043 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10480.913792/201143 Resolução nº 3401001.043 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 214DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720009/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
O incentivo fiscal de restituição do ICMS, quando não atrelado ao investimento na aquisição de bens ou de direitos referentes à implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitando-se, portanto, à incidência do imposto sobre a renda.
CSLL . LANÇAMENTO REFLEXO.
A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele.
Numero da decisão: 1201-001.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique, que lhe davam provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro José Roberto Adelino. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO- Relator.
(assinado digitalmente)
JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O incentivo fiscal de restituição do ICMS, quando não atrelado ao investimento na aquisição de bens ou de direitos referentes à implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitando-se, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. CSLL . LANÇAMENTO REFLEXO. A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ aplica-se à CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele.
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INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O incentivo fiscal de restituição do ICMS, quando não atrelado ao investimento na aquisição de bens ou de direitos referentes à implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. CSLL . LANÇAMENTO REFLEXO. A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ aplicase à CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique, que lhe davam provimento. Declarouse impedido o Conselheiro José Roberto Adelino. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Carlos. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 09 /2 00 9- 10 Fl. 302DF CARF MF 2 LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva (Suplente). Relatório Versa o presente processo sobre os Autos de Infração em fls. 27 a 38 relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, anocalendário de 2003, com crédito total apurado no valor de R$ 22.775.803,74, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 28/11/2008. De acordo com a Descrição dos Fatos do Auto de Infração, o sujeito passivo incorreu na seguinte infração: Contabilização indevida de subvenções para investimento. A infração tem origem no fato do contribuinte não ter apresentado à fiscalização os documentos comprobatórios da efetiva aplicação desses recursos em investimentos na implantação ou expansão do empreendimento econômico da empresa, conforme interpretação dada pelo Parecer Normativo CST n° 112/78. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício 75 %. Impugnação Da impugnação apresentada pela ora recorrente, merecem destaque e a reprodução de alguns pontos específicos elencados no v. acórdão recorrido, quais sejam: “(...) Da ilegalidade da PN 112 1. Nos termos do art. 38, 2°, da Lei n° 1.598/77, as subvenções para investimentos e as doações feitas pelo poder público não são computadas na apuração do lucro real, desde que registradas na conta de reserva de capital e não distribuídas aos sócios da beneficiária; 2. Dessa forma, o texto legal condiciona a neutralidade do tratamento tributário das subvenções para investimento concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos unicamente a esse dois requisitos; 3. A exigência imposta pelo PN 112, a fim de tomar obrigatória a destinação dos recursos das subvenções para investimento em contas de ativo permanente e ilegal. Isto porque a implantação ou expansão de uma planta industrial necessita de outros investimentos, tais como despesas de projetos, financiamentos, Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 302 3 energia, transporte, matériaprima, estoques, mercadorias, capital de giro, recursos humanos, etc.; 4. Nesse sentido caminha a jurisprudência administrativa do CSRF e do Conselho de Contribuintes; Da interpretação equivocada do PN 112 5. Que além disso, a autoridade lançadora interpreta equivocadamente o PN 112 ao exigir a concomitância entre a percepção da subvenção e a aplicação na aquisição de bens do ativo fixo. Isto porque é notória a impossibilidade de vinculação do recebimento do incentivo à instalação ou ampliação da planta. Nesse sentido o acórdão CSRF 0l04.475 de 2003; Da comprovação do investimento 6. Pela análise dos documentos de concessão do incentivo fiscal (Laudos de Inspeção e Decretos Concessivos doc 4) com a movimentação do saldo do ativo permanente (doc 5), resta claro que o recurso do benefício do ICMS foi aplicado na expansão da planta da impugnante; 7. Ao longo dos anos de 2002 e 2005 foram investidos R$ l89.426.282,47 em aquisições para bens do ativo permanente; 8. Somente no ano de 2003 essas aquisições foram de R$36.385.009,30; 9. É descabida a exigência de que os recursos recebidos (como subvenção) sejam aplicados em aquisições e investimentos no mesmo anocalendário do gozo do benefício; 10. Caso se entenda que a impugnante não comprovou a aplicação integral dos recursos percebidos, requer a redução proporcional da autuação; Da impossibilidade de tributação de qualquer subvenção 11. As subvenções para investimento equiparamse às doações realizadas pelo poder público, não estando portando sujeitas à tributação na forma do art. 38, §2°, do DecretoLei n° 1.598/77. Nesse sentido o Acórdão CC l0706.266, de 2001; Da taxa SELIC 12. Requer o afastamento da aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos do processo; Da provas 13. Requer a ajustada posterior de provas.(...)” Acórdão nº 0117.391 – 1ª Turma da DRJ/BEL Das decisões administrativas Fl. 304DF CARF MF 4 De início firmouse o entendimento de que seriam improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, ora recorrente, uma vez que tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Ainda neste sentido, esclareceuse que mesmo o CARF decidindo reiteradas vezes sobre determinada questão, pode a autoridade administrativa da Delegacia de Julgamento ter outro raciocínio/posicionamento acerca da mesma, salvo na hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/I972, incluído pela Lei n° 1l.l96/2005. Da apreciação de ilegalidade de atos normativos Elucidouse que, no caso específico da administração tributária federal, o art. 7º da Portaria MF nº 58/2006 determina que a autoridade julgadora de 1ª instância deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários, como é o caso do Parecer Normativo. Decidiu, então, a autoridade julgadora, pela falta de competência para apreciar a arguição de ilegalidade do Parecer Normativo observado no procedimento fiscal. Da caracterização da subvenção Entendeuse que pela leitura dos arts. 443 e 545 do RIR/99, certo é que a subvenção para investimento está condicionada a não distribuição (dos recursos) aos sócios e ao registro como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para o aumento de capital ou amortização de prejuízo. Todavia, quedouse obvio que uma subvenção para investimento deve ter o destino a que se propõe, qual seja, o dispêndio com investimentos na empresa. Explanouse que, do contrário, esta receita perderia sua finalidade e característica peculiar, a subvenção para investimento, para se amoldar ao fim a que fora de fato destinado. Prosseguiuse esclarecendo que o recurso financeiro, decorrente da isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, deve ser, efetiva e necessariamente, aplicado na implantação ou expansão da estrutura econômica da empresa, sem o que perde seu caráter de subvenção para investimento e, consequentemente, o benefício fiscal (isenção do IRPJ e da CSLL). Por fim evidenciouse que não é o caso de deixar de registrar o recurso (da subvenção de investimento) na conta reserva de capital para destinalo às contas do ativo permanente, como quis fazer crer a recorrente. Mas, sim, de destinar o recurso ao efetivo acréscimo da estrutura produtiva da empresa, registrandoo nas contas de investimento do ativo, em contrapartida à conta de reserva de capital. Da interpretação do Parecer Normativo 112/78 Como razão para decidir, a autoridade julgadora aduz que segundo a fiscalização “o contribuinte não apresentou os documentos comprobatórios da efetiva aplicação desses recursos, decorrentes dos incentivos fiscais concedidos pela legislação do ICMS, em investimentos na implantação ou expansão do empreendimento econômico da empresa, indicando as contas contábeis do Ativo Permanente ‘em que foram contabilizados’ esses investimentos.” Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 303 5 Entendeuse que a mera indicação das contas contábeis em que foram destinados os recursos percebidos não comprova a destinação destes. A uma porque não há identifica os fatos contábeis relacionados à aplicação destes recursos. A duas, não comprova a veracidade destes fatos contábeis. Firmouse que deveria o contribuinte ter indicado os registros contábeis que retratam a aplicação dos recursos ao investimento e, ainda, apresentado os documentos de suporte destes lançamentos contábeis. Da comprovação do investimento Evidenciouse que os Laudos de Inspeção e Decretos Concessivos, a que se refere a recorrente (fls. 2229 do Anexo I), concedem o benefício fiscal como incentivo à produção de determinados produtos. Nestes termos, a subvenção proporcionada pela legislação do ICMS do estado do Amazonas à recorrente revelouse como natureza de incentivo fiscal de custeio da produção, e, não, de investimento, pois não faria nenhuma referência à implantação ou ampliação do parque produtivo da recorrente. Concluiuse que os recursos derivados dessa subvenção deveriam integrar a receita bruta operacional da pessoa jurídica, nos termos do art. 392, inciso I, do RIR/99. Da tributação da subvenção Expôs a autoridade julgadora que o impugnante se assenta na tese de que o art. 38, §2°, do DecretoLei n° 1.598/77, haveria revogado o art. 44, IV, da Lei nº 4.506/64. Entendeuse, no entanto, que o argumento não tem razão de ser, pois, quisesse o legislador isentar a subvenção para custeio e produção teria sido expresso ao incluí la no texto permissivo (art. 38, §2°, DecretoLei n° 1.598/77), em consonância com o art. 111, inciso II, do CTN. Acrescentouse que o poder executivo interpretou que o art. 44, IV, da Lei nº 4.506/64 continua vigente quando o inseriu dentre as disposições do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (art. 392, inciso l, Decreto n° 3.000/99), não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicálo, nos termos do art. 116, Ill, da Lei n° 8.112/90. Da taxa SELIC Desconhecerase o pedido uma vez não demonstrada a causa petendi. Do pedido de apresentação extemporânea de provas Por fim, a recorrente pede a ajustada posterior de provas. Não obstante as disposições do §4° do art. 15 do Decreto n° 70.235/72, considerouse que o pedido perdeu seu objeto ante o julgamento da lide. Conclusão A Turma da DRJ julgou IMPROCEDENTE a Impugnação da Contribuinte. Recurso Voluntário O recurso voluntário se mantém em idênticos termos aos argumentos trazidos em sede de impugnação. Ressalvase que o ora recorrente não se manifesta quanto a aplicação Fl. 306DF CARF MF 6 da taxa SELIC e tampouco protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários para efetiva demonstração e comprovação das alegações de fato e direito efetuadas, em estrita observância ao Princípio da Verdade Material. Mesmo assim, cabe destaque e reprodução de alguns pontos importantes expostos no Recurso: “(...) 21. Do exposto, verificase que as (i) subvenções para investimento, inclusive concedidas mediante isenção ou redução de impostos, como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; e (ii) as doações feitas pelo Poder Público terão tratamento fiscal neutro, desde que REGISTRADAS EM CONTA DE RESERVA DE CAPITAL, NÃO PASSÍVEL DE DISTRIBUIÇÃO AOS SÓCIOS DA BENEEICIÁRIA. (...) 27. Contudo, é certo que o próprio PN 112 demonstra, nos termos acima ressaltados, que a ausência de observância dos requisitos do artigo 38, do DecretoLei nº 1.598/77, não modifica a natureza da subvenção, mas apenas demonstra não ter sido destinada à instalação ou expansão de empreendimentos econômicos, ficando, destarte, impedida de fruir do regime tributário previsto no artigo 38, do DecretoLei 1.598/77, nos termos de seu item 2.14 acima referido. (...) 32. Vale aqui notar que a I. Autoridade Fiscal, em nenhum momento, opôs dúvida sobre o atendimento de tal requisito pela Recorrente, reconhecendo que as contrapartidas do benefício de redução de ICMS percebido do Estado do Amazonas foram registradas e mantidas em conta de reserva de capital. (...) 36. Nesse sentido, não obstante a clareza do artigo 38, acima referido, a Receita Federal do Brasil editou o PN 112, no qual estipula requisitos que não guardam amparo na redação do artigo 38, do DecretoLei n° 1.598/77 para que seja verificada a destinação das subvenções para investimento à implantação e expansão de empreendimentos. 37. De fato, pretende tal normativo instituir que a subvenção para investimento apenas terá sido aplicada na implantação ou expansão do empreendimento econômico se houver comprovação documental de utilização dos recursos concedidos pelo Poder Público na aquisição de mercadorias e direitos destinados à instalação ou expansão de empreendimento econômico, ou seja, em bens do ativo permanente. 38. Como visto, tal requisito é descabido e inconsistente ao mecanismo adotado pelo artigo 38, do DecretoLei 1.598/77. 39. Isso porque o Poder Público, ao conceder a subvenção para investimento com o propósito de auxiliar a implantação ou Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 304 7 expansão do empreendimento econômico, não imagina que o beneficiário irá aplicar os recursos apenas na aquisição de bens do ativo permanente, visto que a execução de projeto de tal monta não depende apenas de tais bens, como se pode facilmente imaginar. 40. Uma planta industrial necessita, por óbvio, de bens do ativo permanente, mas também de infraestrutura (fornecimento de energia, água, telefonia, etc.), pessoal treinado e habilitado a operar as máquinas de produção, tecnologia, matériaprima, dentre outros itens. 41. Carece de sentido lógico exigir a comprovação da totalidade da aplicação dos recursos decorrentes da subvenção para investimento na aquisição de ativo permanente. Como poderia uma planta industrial funcionar apenas com máquinas, sem funcionários, energia, matériaprima, etc?!! 42. Visto que é impossível ao Poder Público condicionar a aplicação dos recursos a apenas uma espécie de bens para que se verifique sua aplicação na respectiva instalação/expansão, dada a multiplicidade de itens necessários para o funcionamento de empreendimento econômico, é que o artigo 38, do Decreto Lei 1.598/77, buscou mecanismo que permita assegurar a manutenção dos recursos no patrimônio líquido da pessoa jurídica, garantindo sua utilização no financiamento do empreendimento econômico. 43. Não fosse tal conclusão decorrer da lógica da atividade negocial, é forçosa também em vista do texto do artigo 38, do DecretoLei 1.598/77, dado não haver em sua redação QUALQUER REQUISITO EM SENTIDO DIVERSO, SENDO NECESSÁRIO CONCLUIR PELA ILECALIDADE Do RACIOCÍNIO CONSTRUÍDO PELO PN 112 E ADOTADO PELA I. AUTORIDADE FISCAL AUTUANTE! (...) 45. O doutrinador, em linha com o raciocínio ora sustentado, demonstra que o termo “investimento”, qualificador das subvenções para investimento a que se aplica o artigo 38, do DecretoLei 1.598/77, deve ser adequadamente interpretado a fim de abranger quaisquer formas de aplicação dos recursos advindos do Poder Público. (...) 51. O que não se pode pretender é que a empresa condicione o cronograma de investimentos à percepção do benefício, visto que a execução de obras, contratação e treinamento de funcionários e a aquisição de maquinário de alto valor agregado não podem ser realizadas sem planejamento financeiro e negocial adequado, o qual não poderá ficar completamente vinculado à natural flutuação do montante do Fl. 308DF CARF MF 8 benefício fiscal percebido em cada mês, visto que o ICMS incide sobre as vendas. (...) 64. Especificamente no que tange à Recorrente, da análise dos documentos acostados aos Autos (mormente os Laudos de Inspeção e Decretos Concessivos) (doc. 4 da Impugnação) verificase que, desde o início da concessão dos incentivos fiscais, teve aprovados diversos projetos de implantação e diversificação de linhas de produção no Estado, sendo editados os competentes Decretos Governamentais para a concessão das subvenções de ICMS, bem como emitidos diversos Laudos de Inspeção pela SIC, seguidamente renovados por aquela Secretaria, considerando o constante adimplemento pela Recorrente das condições para a implantação do benefício. (...) 67. De fato, caso a fiscalização tivesse analisado, em mais detalhes os registros contábeis da Recorrente (doc. 5 da Impugnação), teria facilmente constatado, mediante exame do Razão Contábil da conta de ativo permanente, que as aquisições de bens para o ativo, ao longo dos anos de 2002 a 2005, foram de ordem de R$ 189.426.282,47! (...) 69. Especificamente no que tange ao anocalendário de 2003, objeto da autuação, a análise do Razão Contábil demonstra aquisições de bens para a composição do ativo no montante de R$ 36.385.009,30. (...) 72. Ora, ao se analisar as disposições de todo e qualquer projeto técnico de implantação e/ ou diversificação de uma planta ou linha de produção, notase a existência de um rígido cronograma de investimentos, o qual sempre é objeto de estudos de viabilidade econômica, com o intuito de assegurar a exeqüibilidade dos projetos. 73. É absurdo imaginar_ que companhias do porte da Recorrente poderiam, simplesmente, gastar os recursos recebidos do Poder Público, sem qualquer critério, na medida em que esses sejam percebidos. 74. Certo é que para a correta e oportuna aplicação dos recursos é necessária a elaboração de um planejamento a médio e longo prazo, de forma a permitir que os investimentos realizados apresentem os níveis de eficiência, funcionalidade e rentabilidade pretendidos. (...) 76. Por todo o exposto, tendo a Recorrente comprovado a aplicação dos recursos oriundos do incentivo percebido do Estado do Amazonas na aquisição de bens do ativo permanente, restam atendidos os requisitos do PN 112, merecendo, também sob esse prisma, ser cancelada a presente autuação. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 305 9 (...) 78. Por fim, a Recorrente esclarece que, ainda que prevaleça o absurdo enquadramento das subvenções por ela percebidas no conceito de “subvenções correntes” ou mesmo no conceito de “subvenções para investimento não concedidas como estímulo à implantação/expansão de empreendimentos econômicos”, é de se aplicar o regime tributário neutro introduzido pelo artigo 38, do DecretoLei 1.598/77. (...) 83. Ora, na medida em que as subvenções são tidas como uma forma de doação e as doações realizadas pelo Poder Público estão sujeitas ao regime tributário do artigo 38, do DecretoLei 1.598/77, é de se concluir que, desde a edição do normativo em questão, quaisquer transferências de recursos pelo Poder Público mantidas em reserva de capital no patrimônio líquido da pessoa jurídica não estarão sujeitas ao IRPJ e à CSLL, encontrandose derrogado o art. 44 da Lei 4.506/64, anteriormente transcrito, dada sua incompatibilidade com o disposto no artigo 38 ora mencionado! (...)” É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Mérito Definição de Subvenção Em suma, o cerne da discussão atinge a tributação de recursos oriundos do benefício fiscal de restituição do ICMS, conferidos pelo Estado do Amazonas ao recorrente como subvenção para investimentos. A grande controvérsia daí decorrente insurgese da destinação destes recursos e do devido permissivo legal que a respalda, delimitando seu alcance e abrangência. Tratase, a subvenção, de um auxílio, uma ajuda pecuniária, dada a alguma instituição, com o claro intuito de que realize ou cumpra seus objetivos. É um instrumento comumente utilizado pelo Poder Público, dirigido às instituições que de alguma forma contribuem para a consecução de interesses públicos. Fl. 310DF CARF MF 10 Em suma, a relação que se estabelece é de reciprocidade, na qual a instituição particular está fazendo às vezes do Estado indiretamente, simplesmente através da realização de seu objeto social, e o Poder Público, em contrapartida, a socorre na otimização de sua finalidade operacional a partir do momento em que esta norteia um interesse da coletividade. A subvenção pode ter destinações distintas. São duas as possibilidades: i) subvenções para investimentos, que, em linhas gerais, devem ser destinadas a criação de bens de produção e de aplicação financeira ou, de outro modo, a implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos; ii) subvenções correntes, para custeio ou operação, que estão ligadas ao suporte direto dos gastos ligados à atividade da empresa, fazendo frente aos seus custos e despesas operacionais. Afirmando tais definições, cumpre colacionar os ensinamentos brilhantemente apontados por Reinaldo Pizolio: “(...) No que tange à sua conceituação, a palavra subvenção encontra sua origem etimológica no latim, em subventio, de subvenire, que significa socorrer, ajudar, auxiliar. (...) a subvenção não apresenta nada de extraordinário, constituindose, antes, em relevante instrumento à disposição do Poder Público, para que este possa estimular determinadas atividades, operações e empreendimentos que encontram sua razão de ser na satisfação de determinados interesses públicos. Dessa forma, a subvenção, na qualidade de instrumento viabilizador de interesses públicos, submetese a regime jurídico próprio e pode comportar variados critérios de eleição para sua efetivação, sem que isto implique o desvirtuamento do instituto jurídico. Com efeito, a subvenção, que pode ser concedida pela União, pelos Estados e pelos Municípios, atende à necessidade de se fomentar o desenvolvimento de determinados setores econômicos ou regiões nos quais haja o interesse público especial. As subvenções correntes, que a lei tributária trata como direcionadas para o custeio ou para a operação, são aquelas concedidas à pessoa jurídica para que esta possa fazer frente aos seus custos, por assim dizer, comuns ordinários, como, por exemplo, necessidades de caixa ou determinados déficits operacionais. As subvenções para investimentos, por sua vez, caracterizamse pela destinação dos recursos à empresa para que sejam aplicados em sua expansão, em alocação de valores para implementação de seu parque industrial, ou ainda, por exemplo, para que desenvolva novas atividades econômicas. (...)” (Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Subvenções para Investimento. Artigo in Revista Dialética de Direito Tributário, v. 52. São Paulo: Dialética, 2002, p. 149.) Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 306 11 Ressaltese, neste momento, que a posição do presente julgador se afasta completamente da aproximação ordinariamente feita por parte da doutrina e jurisprudência entre o conceito de subvenção e o de doação. Enquanto este último perfaz um contrato de gratuidade/liberalidade, em que se pesa a inexistência de qualquer ônus ou encargo por parte do donatário, e, assim, a prevalência de uma vontade unilateral, o primeiro pressupõe uma contraprestação por parte do subvencionado (beneficiário), que em reação aos recursos a ele destinados, deve minimamente se comprometer a otimizar a concretização de seu objeto social. Por óbvio, a subvenção instala um regime jurídico específico, que, desta forma, guarda certas particularidades, o distanciando de um contrato bilateral típico, em que há um acordo de vontades entre as partes regido por certa proporcionalidade. O que se vê é uma obrigação prevalecente, a consecução do interesse público, e por isso a necessidade de que ambas as partes a esta se submetam, ainda que em graus diferentes de comprometimento. Em suma, o interesse público tem a força de ditar a vontade das partes, afastandoo da caracterização tanto de um contrato unilateral de doação, quanto o de um contrato bilateral ordinário. Vigora intocável o princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse privado neste caso. No entanto é possível firmarse o entendimento inequívoco de que existem duas vontades e obrigações no contrato de subscrição, uma por parte do Poder Público, a fonte dos recursos e veículo de seu interesse, e outra por parte do subvencionado, o receptor dos recursos e o concretizador do mesmo interesse público. O Estado encontrou no objeto social de certas instituições privadas a materialização fática de seus interesses maiores. Há, então, na figura do beneficiário a responsabilidade de concretização do interesse público, sob pena de perda do auxílio do Estado via subvenção. Adiantouse anteriormente que rege o caso em tela uma suposta subvenção para investimento, cujos recursos são oriundos da redução de ICMS (benefício fiscal) concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Da forma como este contrato se estabelece, por exemplo, se confundem as repercussões econômicas da subscrição, da contraprestação do subvencionado e da atividade deste último, entre as vontades e obrigações das duas partes contratantes. Firmase uma relação cíclica que evidencia tal confusão: quanto melhor o desempenho operacional da instituição (quanto mais vendas), maior a monta proveniente da redução de ICMS, maior os recursos da subvenção para investimento, maior o estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, maior o fluxo de benefícios econômicos futuros e, assim, finalmente, melhor o desempenho operacional para os próximos períodos. E assim sucessivamente. O benefício está, portanto, condicionado às vendas e, assim, à otimização das vendas indiretamente. Neste contexto, quanto melhor o desempenho da entidade, maior o atendimento ao interesse público e a sociedade. Ambas as partes visam o mesmo fim e colhem Fl. 312DF CARF MF 12 dos mesmos frutos, sendo que a idealização e surgimento partem do Poder Público e os meios cabem a instituição privada. Tornase cristalino que há uma certa complexidade na forma como este contrato se constrói, em que se dificulta a separação exata entre a esfera pública e a esfera privada e o atendimento específico dos interesses de cada uma. Deve, conquanto, restar demonstrado de forma irretorquível que existem duas vontades e duas obrigações, o que de pronto descaracteriza um contrato de doação. Esperase uma reação do contribuinte no sentido de ao menos visar benefícios econômicos futuros (subvenção para investimento) ou otimizar seus resultados (subvenção corrente), sob pena de comprometer de maneira direta sua própria atividade, e consequentemente, seu dever de atendimento ao interesse público. Tratamento legal Superado este ponto, passase a analisar o tratamento legal expresso conferido a cada espécie de subvenção, especialmente no que concerne ao seu reconhecimento contábil e, consequentemente, ao cômputo ou não dos recursos na determinação do lucro real. Quanto a subvenção para investimento, a redação do art. 443 do RIR/99 e do §2º do art. 38 do DecretoLei nº 1598/77 tornam patente a obrigatoriedade de exclusão desta do lucro real, para fins de incidência do IRPJ e da CSLL: “Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38. §2º e DecretoLei nº 1. 730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (...) Art. 545. O valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam os arts. 546, 547, 551, 554, 555, 559, 564 e 567 não poderá ser distribuído aos sócios e constituirá reserva de capital da pessoa jurídica, que somente poderá ser utilizada para absorção de prejuízos ou aumento do capital social (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 19, § 3º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso I ). § 1º Consideramse distribuição do valor do imposto (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 19, § 4º, e DecretoLei nº 1.825, de 22 de dezembro de 1980, art. 2º, § 3º ): I a restituição de capital aos sócios, em casos de redução do capital social, até o montante do aumento com incorporação da reserva; Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 307 13 II a partilha do acervo líquido da sociedade dissolvida, até o valor do saldo da reserva de capital. § 2º A inobservância do disposto neste artigo importa perda da isenção e obrigação de recolher, com relação à importância distribuída, o imposto que a pessoa jurídica tiver deixado de pagar, sem prejuízo da incidência do imposto sobre o lucro distribuído, quando for o caso, como rendimento do beneficiário, e das penalidades cabíveis (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 19, § 5º, DecretoLei nº 1.825, de 1980, art. 2º, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 10 ). § 3º O valor da isenção ou redução, lançado em contrapartida à conta de reserva de capital nos termos deste artigo, não será dedutível na determinação do lucro real. (...)” “Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (...) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no artigo 36 e seus parágrafos; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (...)” De modo oposto, as subvenções correntes são computadas no lucro real, integrando a receita bruta operacional, de acordo com inciso IV, do art. 44 da Lei nº 4506/64 e inciso I, do art. 392 do RIR/99, in verbis: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I – O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II – O resultado auferido nas operações de conta alheia; III – As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; Fl. 314DF CARF MF 14 IV – As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais.” “Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV ); Há nitidamente uma diferenciação quanto ao tratamento fiscal conferido as duas espécies de subvenção, que acabam por refletir a destinação específica conferida aos recursos na entidade e o consequente reconhecimento contábil exigido pelo legislador. Inversamente, a relação que se impõe, então, é no sentido de que a destinação dos recursos dentro da entidade ditará o tratamento contábil e, assim, o fim tributário dado a cada subvenção. O legislador claramente condiciona o cômputo ou não no lucro real a uma contabilização específica. Tratamento contábil Analisando as exigências e condicionantes do legislador no que concerne a seara contábil, escancarase a mens legis, a verdadeira essência de uma subvenção: sua natureza de auxílio e uma contraprestação direta ao interesse público. Devese deixar claro, incialmente, que a subvenção para investimento não enseja uma isenção fiscal, mas seu reconhecimento contábil é que naturalmente exclui os recursos do cômputo no lucro real. Ora, isenção fiscal pressupõe a ocorrência do fato gerador, o nascimento da obrigação tributária e somente depois a dispensa legalmente estabelecida do pagamento do tributo. No caso da sistemática que permeia a subvenção para investimento sequer ocorre o fato gerador, os recursos devem ser contabilizados em conta de reserva de capital e não devem transitar pelo resultado. Há uma transferência de capital. À título elucidativo, professora Eliseu Martins acerca da definição da conta em que devem ser alocados os referidos recursos: “As reservas de capital são constituídas de valores recebidos pela companhia e que não transitam pelo resultado como receitas, por se referirem a valores destinados a reforço de seu capital, sem terem como contrapartidas qualquer esforço da empresa em termos de entrega de bens ou prestação de serviços. (...)” (Manual de Contabilidade Societária. São Paulo: Atlas, 2010. P. 349). Veja que tratase de um reconhecimento que necessariamente não está atrelado diretamente a atividade operacional da empresa. Sua contrapartida, portanto, não deve ter qualquer relação direta com a atividade core da empresa, mas sim com a estrutura econômica e financeira que garantirá o fluxo de benefícios econômicos futuros. De outro modo, o reconhecimento contábil do débito correspondente deve ser alocado em um ativo que não impactará no resultado naquele momento, vedando qualquer possibilidade de caracterizálo como uma receita operacional. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 308 15 As definições contidas no CPC 00 são essenciais neste contexto. O ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera que fluam futuros benefícios econômicos para a entidade. As receitas, por sua vez, são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido. A assertiva que se atinge é no sentido de que os recursos da subvenção para investimento devem ser creditados em conta do patrimônio líquido específica, qual seja, reserva de capital, e assim debitados em conta do ativo, de modo que este último não reflita diretamente qualquer aumento de benefícios econômicos no período contábil equivalente, ou seja, não provoque qualquer impacto no resultado da empresa. Veja que o reconhecimento contábil estabelecido pela lei naturalmente impossibilita o trânsito dos recursos da subvenção do investimento pelo resultado, o que automaticamente excluios do cômputo no lucro real e, assim, da incidência do IRPJ e CSLL. O que o legislador fez foi exatamente adequar as melhores práticas contábeis à finalidade essencial que intentava. O próprio signo “investimento”, definindo uma destinação específica à subvenção, já daria conta de conduzir e compulsionar tal reconhecimento contábil. Mas o legislador foi além, para minar as possibilidades de uma destinação diversa, ao firmar a necessidade de contabilização em conta de reserva de capital, que, como visto, não pode ter como contrapartida qualquer esforço visando a otimização da atividade operacional da entidade. Portanto não há como se supor uma isenção fiscal, mas apenas uma adequação das práticas contábeis a destinação conferida pelo legislador, que naturalmente impactam na não incidência tributária. Neste sentido, cumpre colacionar passagem do Acórdão nº 1101000.901 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, do Ilustre relator José Ricardo da Silva: “(...) Com efeito, Souto Maior Borges (...) salienta que: "A subvenção é um ato translativo de domínio, que implica sempre um "dare", enquanto a isenção não implica aquisição alguma, implicando, ao contrário, um "non dare" (ob. cit.). Subsequentemente, explica: "Nesse ponto da exposição, a análise jurídica adentrase na radical distinção entre isenção tributária e subvenção financeira. Com efeito, enquanto a isenção tributária opera dentro do campo material do princípio de legalidade tributária.... explicitado pelo Código Tributário Nacional (art. 97, VI, e 175, II), a subvenção financeira está claramente excluída desse âmbito. Tanto que dela não cogita o Código Tributário Nacional" 4142/4454).(...)” A lei ainda impõe alguns condicionantes para o tratamento contábil a ser conferido, uma vez registradas como reserva de capital: i) não distribuição aos sócios; ii) utilização para absorção de prejuízos ou incorporação ao capital social; iii) absorção de superveniências passivas ou insuficiências ativas. Fl. 316DF CARF MF 16 Quanto a subvenção corrente, o cenário contábil é diametralmente oposto. O legislador é certeiro ao estabelecer que a destinação dos recursos impactará diretamente no resultado da empresa e, assim, deve ser reconhecido como receita bruta operacional. Há a imposição legal de reconhecimento contábil destas subvenções como receita operacional. O confrontamento é dirigido aos custos e despesas operacionais e, portanto, guarda relação frontal com a atividade da entidade. Em suma, os recursos públicos são destinados a financiar a otimização dos resultados da instituição privada. Perfazem aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos. Nítida se torna, então, uma transferência de renda. Desta forma, a subvenção corrente deve ser reconhecida como receita ao longo do período, confrontada com as despesas e custos operacionais que intenta compensar. Assim, é fundamental, pelo regime de competência, que a receita seja reconhecida em bases sistemáticas e racionais, no decorrer do período contábil e confrontando com as despesas correspondentes. Logicamente estas receitas serão computadas no lucro real e são passíveis de incidência do IRPJ e da CSLL. De todo o exposto, resta claro e evidente que o legislador apenas confirma o tratamento contábil que aos recursos seria logicamente conferido diante da específica destinação que a estes fora atribuída. O reconhecimento contábil imposto pelo legislador evidencia e reforça a destinação que este buscava no momento de criação da lei. Positiva, portanto, a mens legis. O tratamento fiscal é uma mera consequência lógica à destinação específica da subvenção e a definição das melhores práticas contábeis. Há perfeita harmonia e sincronia entre as searas tributária e contábil na concretização da mens legis e nos efeitos da lei na sociedade, tendo como norte o interesse público, conforme se verá em tópico imediatamente posterior deste voto. A lógica do sistema A análise do caso concreto em muito nos auxiliará no entendimento acerca da intenção essencial do legislador e na lógica sistemática por este construída no afã de atingila de modo integral. A origem dos recursos da subvenção de investimentos advém de um benefício fiscal concedido à ora recorrente, respaldado pelas Leis Estaduais n°s 1.939/89 e 2.390/96. A Lei nº 1939/89 regulamenta a política de incentivos fiscais e extrafiscais nos termos da Constituição do Estado do Amazonas. O art. 2º, § 1º e §2º c/c o art. 6º, caput e § 1º, do referido normativo dispõem especificamente sobre a possibilidade de gozo da restituição do ICMS à empresas industriais, condicionando a concessão do incentivo ao pressuposto de essencialidade da empresa no desenvolvimento do Estado e a certos princípios como a reciprocidade (contrapartida a ser oferecida pela beneficiária) e a transitoriedade (prazo certo). Cabe ressaltar a aplicação do art. 8º, parágrafo único, que impõe a exigência de apresentação de requerimento por parte da instituição privada, respaldado por projeto de viabilidade técnicoeconômico, para o aproveitamento do benefício fiscal. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 309 17 Já a Lei nº 2.390/96 institui regimes especiais de tributação como mecanismos para interiorizar o desenvolvimento, incrementar as atividades industriais e revitalizar o comércio. Complementa o disposto na lei nº 1939/89 ressalvando a necessidade de atendimento a certos requisitos para o gozo do benefício: “Art. 6º As empresas industriais instaladas na Zona Franca de Manaus, fabricantes dos produtos atualmente incentivados com restituição do ICMS poderão requerer a aprovação de projeto especial de expansão ou diversificação, observados, cumulativamente aos previstos na Lei nº 1.939, de 27 de dezembro de 1989, os seguintes requisitos: I – geração de novos empregos diretos ou indiretos e investimentos em ativo fixo, compatíveis com as atividades objeto da diversificação ou implantação; II – estabelecimento de níveis de remuneração idênticos aos das linhas de produção existentes, para projetos técnicoeconômicos de diversificação, conforme dispuser o regulamento; III – recolhimento, durante todo o período de fruição dos incentivos, em favor da Universidade do Estado do Amazonas – UEA, na forma e prazo estabelecidos em regulamento, de contribuição financeira em importância correspondente a dez por cento sobre o crédito presumido de que trata o inciso V, do artigo 7o desta Lei.” Sem dúvidas estáse diante de uma medida extrafiscal adotada por parte do Estado do Amazonas: deixase de arrecadar para estimularse uma determinada área de maneira indireta, de modo que a auto regulação desta poupará a defasagem econômica sentida. Segundo Geraldo Ataliba “consiste a extrafiscalidade no uso de instrumentos tributários para a obtenção de finalidades não arrecadatórias, mas estimulantes, indutoras ou coibidoras de comportamentos, tendo em vista outros fins, a realização de outros valores constitucionais consagrados.” (ATALIBA, Geraldo. IPTUProgressividade. Revista de Direito Público (RPD) 93/233). Quanto à concretude aqui analisada, o Estado do Amazonas visa especificamente o estímulo a ampliação da planta da ora recorrente para a manufatura de telefones celulares, telefones fixos e disjuntores naquela região. Buscase a concretização do interesse público, manifestado na intenção de promoção de direitos sociais, através do particular, que possui a eficiência, knowhow e expertise suficientes para atender tal demanda. Em contrapartida, a restituição de ICMS significa desonerar o contribuinte em certa medida para que este possa otimizar sua produção e assim favorecer a coletividade/sociedade gradativamente. Conquanto surge, neste contexto, mas não especificamente neste caso, a iminência de ferimento a certos preceitos basilares do ordenamento jurídico, especialmente o princípio da livre concorrência e o princípio da livre iniciativa. Criase, de pronto, um cenário de desequilíbrio em que a empresa favorecida pelo incentivo fiscal parte de uma situação de favorecimento em relação a outras do mesmo segmento de mercado. Fl. 318DF CARF MF 18 A competição tornase desleal e a livre inciativa é relativizada quando parte se do pressuposto de que as empresas do mesmo nicho mercadológico não terão direito a restituição de ICMS (se assim não requererem, ou se seu requerimento for indeferido). Veja, a livre concorrência possibilita a descentralização do mercado e a apropriação privada dos bens de produção. É uma forma de garantir oportunidades iguais a todos, impossibilitando, pois, o monopólio do poder e buscando a defesa de uma sociedade mais equilibrada. A livre iniciativa é uma manifestação dos direitos fundamentais que efetiva a afirmação de que o homem não pode realizarse plenamente enquanto não lhe for dado o direito de projetarse através de uma realização transpessoal. Aqui a liberdade de iniciativa tem conotação econômica. Equivale ao direito de que todos têm de lançaremse ao mercado da produção de bens e serviços por sua conta e risco. O incentivo fiscal implementado garante e efetiva parte dos direitos consagrados na Carta Magna de 88, no mesmo passo em que mitiga e relativiza tantos outros. O interesse público é atendido e ferido em um mesmo ato do Estado. A esfera pública invade a esfera privada ofendendo princípios constitucionais. Devese deixar claro, no entanto, que os efeitos percebidos consideram o benefício fiscal analisado de forma isolada. A situação muda, no entanto, quando o legislador caracteriza esta restituição de ICMS como uma subvenção de investimento, dando uma conotação diferente a este benefício fiscal, agora sob um novo regime jurídico. A destinação específica que o legislador atribui aos recursos advindos destes benefícios e o tratamento contábil e tributário consequentes, eliminam tais ferimentos e positivam a neutralidade e equilíbrio da medida perante a sociedade, se levarmos em conta os efeitos pretendidos. As leis instituidoras do benefício notadamente adotam como premissa para a concessão do benefício a realização de projetos de expansão ou diversificação. Inclusive há referência direta a geração de novos empregos diretos ou indiretos e investimentos em ativo fixo como requisitos para a efetivação concreta destes projetos. Neste momento é essencial que se estabeleça o preenchimento exato do art. 38, § 2º, caracterizando esta restituição de ICMS como uma subvenção para investimento diretamente destinada a ora recorrente. A condição para existência do benefício fiscal e, assim, para a concretização do interesse público, é a implementação de projetos de expansão ou diversificação, estando em total alinho com a condição de existência de uma subvenção para investimento, qual seja, o estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. O restabelecimento da situação de desequilíbrio gerado pela concessão do benefício fiscal perante as demais instituições privadas, se dá no momento de caracterização dos recursos dali advindos como uma subvenção para investimento. A partir daí estabelecese a relação em que o beneficiário deve se aliar ao Estado de maneira direta na busca pelo interesse público. A relação jurídica que se inaugura coloca o beneficiário em situação diversa da do mercado, com ônus de ter que cumprir com o interesse público, quando o restante das empresas privadas não o tem. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 310 19 Portanto, os benefícios fiscais exclusivamente concedidos são confrontados com a obrigação também exclusiva de concretizar o interesse público. Estabelecese aí situação em que não há vantagem alguma por parte do beneficiário (subvencionado) em relação a outras empresas do mesmo nicho mercadológico. No entanto, a subvenção (auxílio), no caso como ora se delineia (para investimento), não pode ser diretamente vinculada a atividade da empresa, o que cria um novo desequilíbrio. O retorno que o Estado espera na concretização de sua medida extrafiscal deve provir de um reflexo direto da atividade operacional da empresa; mas o primeiro (Estado) não pode fornecer recursos que impactem diretamente nos resultados da última (a empresa beneficiária), sob pena de ofensa à livre concorrência e a livre inciativa. Ora o Estado estaria contribuindo diretamente com a lucratividade de uma empresa privada, de modo individualizado. Como o Estado espera uma melhora na atividade operacional, mas não pode atuar diretamente sobre esta, atua indiretamente, através dos investimentos. Mas isso acaba por gerar um desequilíbrio financeiro/econômico para o contribuinte, que recebe recursos somente para a implementação de seu ativo permanente, mas deve necessariamente apresentar resultados bons, ou seja otimizar a sua atividade operacional, para fazer sentido o benefício e a intenção do legislador na busca pelo atendimento ao interesse público. O que irá mitigar este desequilíbrio prejudicial ao contribuinte, então, será o reconhecimento contábil e o consequente tratamento tributário conferido às subvenções para investimento, que notadamente desoneram o contribuinte através do não pagamento de IRPJ e CSLL. Restabelecese assim o equilíbrio e suavizase o impacto da vigência plena do princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse privado. Desta feita, o que o legislador busca, ao determinar a contabilização como reserva de capital, é reforçar a obrigatoriedade de uma contrapartida que não esteja diretamente vinculada a atividade operacional da empresa, para não impactar no resultado da empresa e assim desonerar o contribuinte de pagar os impostos que incidem sobre o lucro. Somente desta forma a mens legis será efetivada concretamente, ou seja, se estabelecerá o equilíbrio entre as partes envolvidas na incumbência de atender os interesses da coletividade. De outro modo, quando estamos a falar das subvenções correntes, o auxílio é direto na atividade da empresa, o que contribui para a formação de seus resultados e de seu lucro. Aquela situação de desequilíbrio que coloca em xeque o princípio da livre inciativa e da livre concorrência volta à tona. O Estado está contribuindo diretamente para o resultado de um particular, o que revela uma desigualdade de tratamento e assim a ofensa a referidos princípios. Para tanto, novamente o reconhecimento contábil e consequentemente o tratamento fiscal garantem o restabelecimento do equilíbrio. Desta forma a subvenção corrente deve ser contabilizada no resultado, pois confrontará diretamente custos e despesas que estão diretamente ligados a atividade da empresa. O que trará de volta o equilíbrio financeiro, então, será a oneração do contribuinte no pagamento dos impostos sobre o lucro. Veja, são caminhos opostos, mas ambos contam com o cuidado do legislador em atender sua intenção essencial: sem onerar excessivamente nenhuma das partes. Fl. 320DF CARF MF 20 Engessando a arbitrariedade da destinação das receitas a belprazer do beneficiário; e visando o atendimento ao interesse público alicerçado pela harmonia entre as melhores práticas contábeis e o ordenamento jurídico com um todo. Desenhase um sistema de maneira sincrônica e perfeita para consagrar preceitos constitucionais instrumentalizadores da justiça, paz e bemestar social. Qualquer interferência neste sistema gera um desequilíbrio que o desnatura por completo. O PN CST nº 112/78 e o caso concreto O Parecer Normativo CST nº 112/78 visa tão somente elucidar a harmonia deste sistema, evidenciando especificamente a aresta contábil e desta extraindo o melhor entendimento quanto ao reconhecimento dos recursos destinados ao contribuinte sob o pressuposto de aplicação destes em finalidade previamente delimitada. Tal normativo institui que a subvenção para investimento apenas terá sido aplicada na implantação ou expansão do empreendimento econômico se houver comprovação documental de utilização dos recursos concedidos pelo Poder Público na aquisição de mercadorias e direitos destinados à instalação ou expansão de empreendimento econômico, ou seja, em bens do ativo permanente. A conta de ativo permanente representa bens e direitos que dificilmente serão transformados em dinheiro, que não serão vendidos, mas serão utilizados como meio de consecução indireta dos objetivos operacionais da empresa. Tratamse, portanto, de ativos realizáveis a longo prazo, recursos aplicados em todos os bens ou direitos de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu empreendimento. O Ativo Permanente era composto de subgrupos: Investimentos, Imobilizado, Intangível e Diferido. A partir de 04.12.2008 tal terminologia foi extinta pela MP 449/2008, passando a integrar o Ativo Não Circulante. Ora, diante de todo o exposto em parte precedente deste voto, o parecer normativo apenas busca determinar expressamente um reconhecimento contábil iminente e óbvio. Quando tratamos de subvenção para investimento há a necessidade de um lançamento em reserva de capital e, assim, como contrapartida a inequívoca destinação a conta do ativo que não impacte diretamente no resultado da empresa naquele período contábil. O signo que demarca a espécie de subvenção em tela, “investimento”, e sua destinação específica delimitada apenas reforçam um dever inconteste de contabilização dos recursos na Conta do Ativo Permanente. Ainda há que se mencionar a própria essência do benefício em tela, que expressamente traz como requisito para a concessão e gozo, a remessa dos valores equivalentes a restituição do ICMS para projetos de expansão ou diversificação, concretizados por investimentos em ativo fixo. Portanto as delimitações do Parecer Normativo e da própria legislação veiculadora do benefício fiscal engessam parte dos recursos recebidos pelo beneficiário ao destino especifico que o legislador a estes conferiu, para fazer valer o interesse público e o bemestar da sociedade. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 311 21 Como dito, a desarmonia entre a destinação e o reconhecimento contábil desta iria desnaturar o benefício. Ocorre que, a par de algumas interpretações a meu ver equivocadas delineadas pelo ora recorrente, não houve, por parte do mesmo, qualquer ato que colocasse em xeque tal sincronicidade do sistema. Pelo contrário, a autuação apoiouse, em parte, por definições do PN nº 112/78 que me parecem descabidas se analisarmos a sua aplicação fática e concreta. Neste ato a fiscalização desafiou a harmonia perpetrada pelo legislador quanto a sistemática de uma subvenção para investimento. A exigência de concomitância entre a percepção da subvenção e a aquisição de bens do ativo fixo é o propulsor da controvérsia. O entendimento, então, do presente julgador, é o de que não soa harmônico exigir a concomitância, mas apenas uma vinculação total e absoluta entre o montante recebido (restituição de ICMS – subvenção para investimento) e o montante destinado a expansão e diversificação do empreendimento econômico (Conta de Ativo Permanente – investimentos de fato) ao final do prazo de concessão do benefício. Vinculação esta não dos recursos recebidos propriamente ditos, mas do dever do beneficiário em investir em projetos de implantação ou expansão de empreendimentos econômicos em idêntica medida aos benefícios a ele concedidos. O objetivo do benefício fiscal é exatamente o de proporcionar o atendimento ao interesse público e, neste caso específico, de interiorizar o desenvolvimento, incrementar as atividades industriais e revitalizar o comércio no Estado do Amazonas. O beneficiário, subvencionado, está, então, vinculado a este interesse do Estado e da coletividade, representado, em valores monetários, pelo montante de ICMS a este restituído. O que deve se exigir do contribuinte é que este destine recursos ao ativo imobilizado e a expansão de sua planta exatamente nos limites dos recursos recebidos. A tredestinação dos valores individualmente restituídos de ICMS não o faz perder o benefício, mas sim a ausência de atendimento a finalidade do legislador, qual seja, a não concretização do interesse público uma vez estando a este vinculado. Em outras palavras, a origem dos recursos destinados a expansão do empreendimento pode ser diversa da subvenção para investimento, da mesma forma que os recursos da subvenção para investimento podem ser destinados a outra finalidade na entidade. O que se impõe, indiscutivelmente, é a necessidade de alimentação do ativo permanente exatamente no montante referente ao valor recebido de subvenção para investimento, independente da origem desta alimentação. A harmonia do sistema restará mantida se, ao final do prazo de concessão do benefício a conta de subvenção para investimentos bater com a conta do ativo permanente. A intenção do legislador será concretizada. Até a data limite de aplicação dessas verbas, não há como imputar qualquer tipo de responsabilidade sobre o contribuinte, uma vez devidamente cumpridos os requisitos legais. Fl. 322DF CARF MF 22 Esse prazo é concedido e deve ser respeitado justamente pelo fato de que seria impossível realizar qualquer tipo de investimento fazendose o confrontamento de contas imediato e individualizado entre os créditos da subvenção recebidos e eventuais investimentos. De fato, seja qual for o destino a ser dado nas verbas decorrente do benefício, é necessário passar por um período de “acumulação” dos benefícios decorrentes das subvenções para que se possa levantar recursos para fazer qualquer tipo de ampliação ou investimento na indústria. O contribuinte comprovou em fls. 16 a 19 a devida aplicação dos recursos advindos da restituição de ICMS em conta de reserva de capital (especificamente através do RAZÃO DA CONTA 3270200000 RESERVA DE SUBVENCOES). Também comprova a aplicação de recursos no ativo imobilizado através dos razões da conta dos anos de 2002 a 2005. Há de fato uma discrepância entre o valor relativo a restituição do ICMS (subvenção para investimento) recebido em 2003 (R$ 116.911.471,48) e o total de recursos dispendidos na constituição do ativo imobilizado no mesmo anocalendário (R$ 36.385.009,30). No entanto, tal fato, que inclusive permeou a presente autuação, não é suficiente para evidenciar o desvio de finalidade das subvenções, que podem ter sido utilizadas no financiamento do ativo imobilizado em anos subsequentes. De fato o contribuinte comprovou que as aquisições de bens para o ativo permanente, entre 2002 e 2005, atingiram o valor de R$189.426.282,47. É óbvio que no ano seguinte a 2003 houve outra injeção dos valores restituídos de ICMS e assim se deu e se dará até o final do prazo do benefício desde que o contribuinte vá dando sinais de que de fato está investindo em projetos de expansão e diversificação, sob pena de perda da concessão do benefício. É necessário, então, que haja um controle dos recursos recebidos e dos valores dispendidos no ativo imobilizado, para se apurar ao final do prazo de concessão do benefício se as contas batem. Logicamente o contribuinte não pode acumular todos os valores recebidos para somente ao final do prazo de concessão do benefício resolver realizar os investimentos. No entanto deve haver uma proporcionalidade temporal e material regida sempre pelas diretrizes da mens legis. Explicase. A intenção essencial do legislador é o interesse público, manifestado especialmente no desenvolvimento socioeconômico do Estado do Amazonas neste caso. Deste modo, se o contribuinte está minimamente garantindo o desenvolvimento a cada ano e comprovadamente está desenvolvendo projetos e dispendendo recursos na implantação de seu imobilizado a mens legis está sendo atendida, ou seja, o legislador vê a concretização fática de sua intenção. A exigência que se faz, reafirmase, é que ao final do prazo concessivo a conta de reserva de capital (subvenção para investimentos) não seja de forma alguma mais expressiva do que a conta do ativo permanente. A recíproca pode ser verdadeira, mas não interessa para a presente discussão. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 312 23 O CARF vem decidindo neste sentido em julgados recentes: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. ACUSAÇÃO FISCAL DEFICIENTE. No presente caso, ao invés de aprofundar a investigação sobre a ação do subvencionado, a fiscalização preferiu desqualificar a natureza do incentivo fiscal apenas com base na sua configuração legal. Contudo, a lei estadual promotora do incentivo sob análise foi textual na sua intenção de ampliação e/ou modernização de parque industrial incentivado numa etapa anterior do programa de incentivos. Portanto, o requisito da intenção do subvencionador foi cumprido. Faltou verificar o requisito da ação do subordinado. Não é necessário o casamento entre o momento da aplicação do recurso e o gozo do benefício, ou seja, o dinheiro não precisa ser carimbado. Entretanto, algum controle precisa ser feito porque se ao final do prazo concedido ficar comprovado que nem todo o montante recebido foi aplicado em investimento destinado à consecução do objetivo final do programa, ficará caracterizada a natureza de subvenção para custeio do excesso não utilizado e, neste momento, ficará consubstanciada a disponibilidade da renda para efeitos da sua tributação. Destarte, é possível que a empresa autuada não esteja mesmo fazendo o devido controle dos recursos obtidos. Mas, isso não foi devidamente investigado nem se configurou como o objeto da acusação fiscal. (Acórdão nº 1102001.203 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 24 de setembro de 2014) e (Acórdão nº 1102001.318 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 24 de março de 2015) Apenas como reforço ao posicionamento defendido, segue trecho do acórdão nº 1102001.203: “(...) Os recursos transferidos podem até, num primeiro momento, oxigenar o capital de giro da empresa. Contudo, em algum momento futuro, o investimento para a implantação ou expansão dos empreendimentos econômicos terá que ser efetuado.(...)” A flexibilidade e proporcionalidade que se espera da destinação dos recursos, voltando o olhar especialmente ao prisma do contribuinte, está ligada a estruturação e planejamento de investimentos a longo prazo. O que se visa com esse planejamento é a otimização do atendimento à intenção do legislador. As palavras do contribuinte são pontuais neste albor: “(...) 72. Ora, ao se analisar as disposições de todo e qualquer projeto técnico de implantação e/ ou diversificação de uma planta ou Fl. 324DF CARF MF 24 linha de produção, notase a existência de um rígido cronograma de investimentos, o qual sempre é objeto de estudos de viabilidade econômica, com o intuito de assegurar a exequibilidade dos projetos. 73. É absurdo imaginar que companhias do porte da Recorrente poderiam, simplesmente, gastar os recursos recebidos do Poder Público, sem qualquer critério, na medida em que esses sejam percebidos. 74. Certo é que para a correta e oportuna aplicação dos recursos é necessária a elaboração de um planejamento a médio e longo prazo, de forma a permitir que os investimentos realizados apresentem os níveis de eficiência, funcionalidade e rentabilidade pretendidos. 75. Sem uma política séria nesse sentido, correrseia o risco da realização de investimentos que não trariam qualquer benefício/retorno tanto ao contribuinte quanto, o que é muito pior, ao próprio Estado, impedindo de plano a concretização dos objetivos que cercam a concessão de incentivos fiscais. (...)” Não é possível, portanto, atribuir ao período de 2003 a ausência de atendimento a mens legis a ponto de descaracterizar a subvenção para investimento para aloca la como uma subvenção corrente, e a partir disto autuar o contribuinte sobre a ausência de pagamento de IRPJ e CSLL. Tal autuação não guarda a referida proporcionalidade. Houve uma contraprestação do contribuinte no sentido de atender ao interesse público. Cumpriu com todos os requisitos legais para caracterizar a restituição do ICMS como uma subvenção para investimento e assim afirmar a impossibilidade de incidência dos impostos incidentes sobre o lucro, quais sejam, IRPJ e CSLL. Enquanto não comprovado o contrário ou finalizado o prazo legal para aplicação da subvenção, não é possível a autuação do contribuinte, uma vez que ainda estão devidamente cumpridos os requisitos legalmente estabelecidos. Em raciocínio inverso, uma autuação de IRPJ e CSLL neste contexto deve pressupor ou a perda do benefício durante o seu gozo ou uma análise em fase final da concessão do benefício, notadamente quando houver uma discrepância entre todos os valores recebidos e os valores destinados pela entidade privada. O enfoque em um ano específico não é suficiente para embasar a autuação e eivála de veracidade e certeza. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO – Relator Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 313 25 Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, redator designado. Inobstantes as valiosas considerações do ilustre conselheiro relator, o colegiado, por maioria de votos, divergiu do entendimento de que os recursos oriundos do benefício fiscal da restituição de ICMS contabilizados na conta de reserva de subvenções caracterizaria subvenções para investimento. Para o relator, a recorrente cumpriu com todos os requisitos legais para caracterizar a restituição do ICMS como uma subvenção para investimento. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Com efeito, predominou o entendimento de que a contribuinte não se desincumbiu do mister de comprovar por meios hábeis e idôneos a vinculação efetiva e necessária dos recursos da subvenção ao investimento realizado ou a se realizar, conforme definido pelo órgão concessor do benefício, prevalecendo a tese de que os benefícios fiscais recebidos não se enquadram como subvenções para investimento, como abaixo conduzo o meu voto. A subvenção em apreço foi concedida à recorrente sob a modalidade de incentivo fiscal de restituição de ICMS, com fundamento no Decreto nº 16.259, de 04 de outubro de 1994, do Governador do Estado do Amazonas (efls. 224). Esse Decreto como o Decreto nº 18.554, de 10 de fevereiro de 1998 (efls. 227) e os Laudos de Inspeção (efls. 225/231) são atos que concedem o benefício fiscal como incentivo à produção de determinados produtos. Sobre o tema das subvenções, em 1978, o então Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal editou o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978, visando consolidar entendimento acerca do tratamento a ser dado às subvenções recebidas por pessoas jurídicas para os fins de tributação do imposto sobre a renda. O citado parecer caracterizou as subvenções como sendo um auxílio que não importa qualquer exigibilidade para o seu recebedor. Ou seja, o patrimônio da empresa beneficiária é enriquecido com recursos vindos de fora sem que isto importe na assunção de uma dívida ou obrigação. O mesmo parecer estabelece a diferenciação entre as subvenções para custeio ou operação e as subvenções para investimento. Enquanto as primeiras referemse a transferências de recursos com a finalidade de auxiliar a empresa a fazer face ao seu conjunto de despesas ou na consecução de seus objetivos sociais, as últimas se destinam à aplicação específica em bens ou direitos. Além disso, as subvenções de investimento apresentam “características bem marcantes”, quais sejam: (a) ser o beneficiário da subvenção sempre aquele que vai suportar o ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico; e (b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, em bens ou direitos específicos para implantar ou expandir empreendimento econômico, havendo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Fl. 326DF CARF MF 26 Transcrevemse trechos relevantes do retrocitado Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978, verbis (grifado): 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementa o com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10283.720009/200910 Acórdão n.º 1201001.556 S1C2T1 Fl. 314 27 Podese afirmar, portanto, que as subvenções têm natureza de receita e são tributáveis pelo IRPJ, tanto que foram classificadas pela legislação deste imposto como "Outros Resultados Operacionais", na modalidade “subvenções correntes para custeio ou operação” (art. 392, inciso I, do RIR/1999), ou como "Resultados não Operacionais", na modalidade “subvenção para investimento”. No que se refere à ultima modalidade, no entanto, o art. 443 do RIR/1999 estabeleceu a possibilidade de retirar as subvenções para investimento do alcance do IRPJ, desde que cumpridas as condições que fixa. Vejase que esse dispositivo faz referência expressa à apuração do IRPJ pelo lucro real, como é o caso da fiscalizada. Com base no que foi até aqui exposto, temse que para que uma subvenção possa ser considerada como de investimento no que se refere à legislação do IRPJ deve apresentar as características elencadas no Parecer Normativo CST nº 112, de 1978. Passando à análise do caso concreto, vejome forçado a concluir que não se vislumbram nos referidos dispositivos da legislação do estado do Amazonas a vinculação e a estrita correspondência entre os benefícios financeiros concedidos e o destino desses recursos. Ao contrário, os decretos concessivos concedem o benefício fiscal como incentivo á produção de determinados produtos e não faz referência à implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. A comprovação de aquisição de bens do ativo permanente no anocalendário de 2003 não são suficientes para caracterizar a subvenção recebida como de investimento à luz da legislação do IRPJ, haja vista que a subvenção aqui tratada tem natureza de custeio. Sobre o tema, posicionouse com muita clareza a decisão de piso, fls. 164: 2.3 DA COMPROVAÇÃO DO INVESTIMENTO Nesse contexto, a recorrente alega que, pela análise dos documentos de concessão do incentivo fiscal (Laudos de Inspeção e Decretos Concessivos doc 4) com a movimentação do saldo do ativo permanente (doc 5), resta claro que os recursos do benefício do ICMS foram aplicados na expansão da planta da impugnante. Ocorre que os Laudos de Inspeção e Decretos Concessivos, a que se refere a recorrente (fls. 2229 do Anexo I), concedem o benefício fiscal como incentivo á produção de determinados produtos. Nestes termos, a subvenção proporcionada pela legislação do ICMS do estado do Amazonas à recorrente revela se ter natureza de incentivo fiscal de custeio da produção, e, não, de investimento, pois não faz nenhuma referência á implantação ou ampliação do parque produtivo da recorrente. Logo, os recursos derivados dessa subvenção devem integrar a receita bruta operacional da pessoa jurídica, nos termos do art. 392, inciso I, do RIR/99. Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: Fl. 328DF CARF MF 28 Ias subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado. ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de1964. art. 14. inciso IV); Outrossim, como já assinalado anteriormente, o mero incremento das contas do ativo permanente não assegura a vinculação desses recursos à subvenção fiscal. O que é até despiciendo, no caso concreto, visto que a subvenção aqui tratada tem natureza de custeio de produção. Considerando que a contribuinte, em sua peça recursal, não trouxe quaisquer elementos de prova adicionais, considero plenamente válida a conclusão constante da decisão de piso, no sentido de que as subvenções recebidas pela contribuinte constituem subvenções para custeio e, como tal, devem se sujeitar à tributação pelo IRPJ e CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Os mesmos fundamentos aqui expostos aplicamse no tocante ao auto de infração da CSLL que consta do presente processo administrativo, tendo em vista que a referida infração também é reflexa dos mesmos fatos. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator designado Fl. 329DF CARF MF
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