Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16327.000574/00-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
Ementa:
LUCRO REAL. INCLUSÃO DE LUCRO DE CONTROLADA NO EXTERIOR.
Os lucros auferidos por controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil devem ser computados na apuração do lucro real. Os lucros auferidos pelas controladas devem ser apurados conforme as normas da legislação brasileira e, adicionados ao lucro liquido da controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-001.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, recurso provido. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). A Conselheira Karem Jureidini Dias irá apresentar Declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes Relator
(Assinado digitalmente)
Karem Jureidini Dias Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinícius Barros Ottoni (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), Antonio Lisboa Cardoso (suplente convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Justificadamente ausente o Conselheiros João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 Ementa: LUCRO REAL. INCLUSÃO DE LUCRO DE CONTROLADA NO EXTERIOR. Os lucros auferidos por controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil devem ser computados na apuração do lucro real. Os lucros auferidos pelas controladas devem ser apurados conforme as normas da legislação brasileira e, adicionados ao lucro liquido da controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16327.000574/00-72
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5472798
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9101-001.948
nome_arquivo_s : Decisao_163270005740072.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : VALMAR FONSECA DE MENEZES
nome_arquivo_pdf_s : 163270005740072_5472798.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, recurso provido. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). A Conselheira Karem Jureidini Dias irá apresentar Declaração de voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinícius Barros Ottoni (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), Antonio Lisboa Cardoso (suplente convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Justificadamente ausente o Conselheiros João Carlos de Lima Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5958832
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887910273024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 12 1 1111 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.000574/0072 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.948 – 1ª Turma Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RIO BONITO ASSESSORIA DE NEGOCIOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: LUCRO REAL. INCLUSÃO DE LUCRO DE CONTROLADA NO EXTERIOR. Os lucros auferidos por controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil devem ser computados na apuração do lucro real. Os lucros auferidos pelas controladas devem ser apurados conforme as normas da legislação brasileira e, adicionados ao lucro liquido da controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, recurso provido. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). A Conselheira Karem Jureidini Dias irá apresentar Declaração de voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes – Relator (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 74 /0 0- 72 Fl. 766DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Karem Jureidini Dias – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinícius Barros Ottoni (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado), Antonio Lisboa Cardoso (suplente convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Justificadamente ausente o Conselheiros João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no artigo antigo Regimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com base na contrariedade da Lei ou evidência da prova, conforme o seu artigo 7o. O acórdão deu provimento ao recurso voluntário relativo a lançamento lavrado em virtude dos seguintes fatos, conforme Termo de Verificação Fiscal, de fls. 5: “1. Em 29/08/1995 os sócios da fiscalizada deliberaram um aumento de capital no valor de 56,6 milhões de reais, que foi subscrito e integralizado pelo sócio Bando Icatu S/A mediante a incorporação de 100% das ações do Banco Icatu Cayman, localizado nas Ilhas Cayman. 2. Conforme 6a. Alteração do Contrato Social (fls. 22 ), de 19 de dezembro de 1996: "Tal transação tinha por objetivo, à época, colocar uma pessoa jurídica não financeira entre o Banco Icatu S/A e sua subsidiária financeira no exterior para fins de não computação de limites operacionais", (limites, estes, impostos pelo Banco Central). 3. Como tal procedimento não alcançou o objetivo desejado, em 19/12/1996, os sócios deliberaram em assembléia que a empresa Banco Icatu Cayman, então controlada da fiscalizada, fosse transferida ao sócio, Banco Icatu S/A. 4. Para tanto, foi estornado da contabilidade da fiscalizada o patrimônio, a correção monetária e o resultado do período de sua controlada no exterior, Banco Icatu Cayman. 5. A partir do anocalendário de 1996, a Lei no. 9.249/95 veio tributar os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil: "Art. 25 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas juridicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 3 ...Parágrafo 2°. Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte (...) 0 Banco Icatu Cayman auferiu lucros enquanto controlado pela fiscalizada. Sendo assim, conforme legislação acima citada, tais lucros deveriam ter sido oferecidos à tributação no Brasil por sua controladora. É de se notar que a Instrução Normativa no. 38, de 27/06/1996, disciplinou os procedimentos para tributação, informando que esta se dá no momento de sua disponibilização, conforme caput do art. 2 °.: "Art. 2°. Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do períodobase, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados." A seguir os parágrafos deste mesmo artigo enumeram os momentos nos quais ocorre a disponibilização. E da maior importância, para o caso em tela, o parágrafo 9o.: ...Parágrafo 9°. Na hipótese de alienação do patrimônio da participação societária em controlada no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser adicionados ao lucro liquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil." Assim se pronunciou o despacho que admitiu o presente recurso: “0 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de julho de 2009, com a redação dada pela Portaria MF n° 446, de 27 de agosto de 2009, dispõe: Art. 4° Os recursos com base no inciso Ido art. 7°, no art. 8°e no art. 9° do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior ex vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. Constava do Anexo II da Portaria MF n° 147, de 25 de julho de 2007: Art. 7° Compete a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou a evidência da prova; e [...] Art. 15. 0 recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver Fl. 768DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1° Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade a lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. Portanto, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, deve ser, nos termos do artigo 4° do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007. Afirma a recorrente que o acórdão combatido não aplicou ao caso o disposto na redação do art. 25 da Lei n°9.249/95, na medida em que a operação praticada pela autuada no anocalendário 1996 representa uma das formas de disponibilização dos lucros no exterior, pois a disponibilidade ocorre quando se pode livremente dispor, isto é, alienar ou transferir para o patrimônio de outrem, entendimento, inclusive, incorporado ao art. 2 °, caput e §9°, da Instrução Normativa SRF n° 38/96. Observo no acórdão recorrido a prevalência de entendimento em sentido contrário, nos termos do voto condutor do Relator Conselheiro Aloysio José Percinio da Silva, do qual divergiram os Conselheiros Sandra Maria Faroni, Caio Marcos Cândido e Antonio Praga. Reproduzo, abaixo, a ementa do Acórdão n° 10197.025: LUCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1996— LEI 9.249/95 — ALTERAÇÃO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 — IMPOSSIBILIDADE. Em que pese a IN SRF n.° 38/96 prever que, no caso de alienação da participação societária em controlada no exterior os lucros ainda não tributados no Brasil devem ser adicionados ao lucro liquido para cálculo do lucro real (art. 2°, 9°), tal hipótese de incidência não estava inserta na lei vigente à época, qual seja, o artigo 25 da Lei n.° 9.249/95, de modo que deve ser afastada a aplicação da citada instrução normativa. Constato, assim, que o recurso é tempestivo, a decisão foi não unânime, a sessão de julgamento é anterior a 30/06/2009 e a recorrente identifica a contrariedade. Portanto, satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade DOU SEGUIMENTO ao recurso especial.” A contribuinte apresenta contrarazões, vistas e analisadas, nos autos, no seguintes termos: “DOS FATOS: “(...) Fl. 769DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 5 (...)” DO NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO: “(...) Fl. 770DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 (...) (...) Fl. 771DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 7 (...) Fl. 772DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 (...) (...) (...) (...) ” È o relatório. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 9 Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator O recurso especial foi interposto por contrariedade à Lei, nos termos expostos no relatório. Inicialmente, cabe ressaltar que o lançamento abrange somente o ano calendário de 1996, conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 6. Como fundamentação legal, o Fisco utilizou a Lei 9.249/96, e, a Instrução Normativa no. 38/96. Consta do relatório fiscal, acerca da fundamentação legal: “5.5) 0 Banco Icatu Cayman auferiu lucros enquanto controlado pela fiscalizada e, conforme art. 25, § 2°, incisos I e II, e § 4°, da Lei n° 9.249/95, tais lucros deveriam ter sido oferecidos à tributação no Brasil por sua controladora; 5.6) devem também ser observados os procedimentos disciplinados pela Instrução Normativa n° 38, de 27/06/1996, em seu art. 2°, caput e § 9o., atentando para o significado do termo "alienação" empregado na legislação disciplinadora.” Vejamos tais dispositivos da Lei: “Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; (...) § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada.” Fl. 774DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 A lei se refere a lucros auferidos e não restringe a hipótese de incidência à efetiva distribuição dos lucros. Verificase, de pronto, que a hipótese de incidência utilizada para a exigência do tributo foi aquela disposta na Lei 9249/95, embora tenha sido aplicada, como mais uma razão de lançar, o disposto na Instrução Normativa 38/96. Tal é o que dispõe , também, o fiscal autuante: “0 Banco Icatu Cayman auferiu lucros enquanto controlado pela fiscalizada. Sendo assim, conforme legislação acima citada, tais lucros deveriam ter sido oferecidos à tributação no Brasil por sua controladora. É de se notar que a Instrução Normativa no. 38, de 27/06/1996, disciplinou os procedimentos para tributação, informando que esta se dá no momento de sua disponibilização, conforme caput do art. 2 °. (...) 6. Sendo assim, a fiscalizada deveria ter oferecido à tributação no exercício de 1997, ano calendário de 1996, o lucro obtido por intermédio de sua controlada, seja porque foi auferido nesse ano, seja por sua disponibilização, já que a operação praticada representa uma das formas de alienação enquadrandose no parágrafo 9°. do art. 2°. da 1N no. 38/96.” Constatase, pois, que a Instrução Normativa foi utilizada como um reforço de motivação para o lançamento, mas a Lei 9249/95 é que amparou o lançamento, no que se refere ao oferecimento à tributação dos lucros auferidos. Equivocouse, portanto, o acórdão recorrido, ao cancelar o lançamento por considerar que a instrução normativa teria sido a sua fundamentação. Na verdade, ela é despicienda, em vista do exposto. Por outro lado, o lucro auferido pela contribuinte, entre 1o. de janeiro a 30 de novembro de 1996 (fls. 29) e que foi base para o lançamento, foi informado à fiscalização por ela própria, e, pelo comando legal, deveria ter sido oferecido à tributação ao final do ano de 1996. Vejase o que dispõe o Termo de Verificação Fiscal, sobre este fato: “2. Conforme 6a. Alteração do Contrato Social (fls. 22 ), de 19 de dezembro de 1996: "Tal transação tinha por objetivo, à época, colocar uma pessoa jurídica não financeira entre o Banco Icatu S/A e sua subsidiária financeira no exterior para fins de não computação de limites operacionais", (limites, estes, impostos pelo Banco Central). 3. Como tal procedimento não alcançou o objetivo desejado, em 19/12/1996, os sócios deliberaram em assembléia que a empresa Banco Icatu Cayman, então controlada da fiscalizada, fosse transferida ao sócio, Banco Icatu S/A. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 11 4. Para tanto, foi estornado da contabilidade da fiscalizada o patrimônio, a correção monetária e o resultado do período de sua controlada no exterior, Banco Icatu Cayman.” Constatase, pois, que a recorrente já havia reconhecido o lucro da sua controlada, e, na devolução das ações, o estornou da contabilidade. Isso nada tem a ver com a questão relativa ao emprego de valor, aliás, tese sustentada pela recorrente , em suas contrarrazões (vide item 44). Com relação à equivalência patrimonial, vale transcrever o que dispôs a decisão da DRJ, in verbis: “Também não merece guarida o argumento no sentido de que "são inaplicáveis ao caso as disposições da Lei n° 9.249/95 e da IN 38/96, uma vez que o investimento no ICATU CAYMAN foi avaliado pelo método de equivalência patrimonial, conforme impõe a legislação do IRPJ (RIR/94)", pois, o § 6° do artigo 25 da Lei n° 9.249/95, dispõe justamente que tal avaliação não prejudica a determinação contida no § 2° acima transcrito: § 6° Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1°, 2° e 3°.” Por fim, com relação à argumentação feita pela defesa, em memoriais e na tribuna, acerca da existência de outro processo relativo a lançamento com os mesmos fatos geradores e com fundamentação diversa, entendo que não há nenhuma base legal para interrupção deste julgamento em virtude de outro a ocorrer ainda na primeira instância administrativa. Ao contrário, a decisão desta Corte poderá ser utilizado como subsídio pela Delegacia de Julgamento para decisão acerca do outro processo, se assim lhe aprouver. Também há que se ressaltar que, nas suas contrarrazões, a recorrente não afasta a ocorrência de alienação, mas, ao contrário, diferentemente do que sustentado pela tribuna, o afirma ( vide item 25 das contrarazões). Concluo, portanto, que houve, sim, no acórdão em análise, contrariedade à Lei, e, portanto, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Declaração de Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Fl. 776DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 De acordo com os debates na Câmara, restou acordada minha declaração de voto para bem esclarecer a evidente duplicidade de exigência do lucro auferido no exterior, pela Icatu Cayman, o qual está sendo exigido nesse processo e no processo administrativo nº 10768.100292/200231. Verifico que, por fundamentos diferentes, o lucro é considerado disponibilizado para uma pessoa jurídica em um ano, e também o mesmo lucro é considerado disponibilizado em outro ano para outra pessoa jurídica. Conforme se extrai dos presentes autos, a operação se deu a partir do aumento do capital social da Rio Bonito, por meio da integralização de ações do Icatu Bank, de propriedade do Banco Icatu. Posteriormente, foi procedida alteração contratual, na qual deixou se de espalhar o aumento de capital social, com o estorno dos resultados da equivalência patrimonial auferidos pela Rio Bonito. No entanto, nos termos da acusação fiscal, essa retificação da alteração contratual, com a devolução das ações da Icatu Cayman para o Banco Icatu caracterizou alienação de ações, hipótese que se configuraria como disponibilização de lucros pela Icatu Cayman, relativos ao anocalendário de 1996, conforme artigo 2º, § 9º da IN 38/96. Independente da motivação procedida pelo fiscal no lançamento consubstanciado nos presentes autos, o que se verifica é que o mesmo lucro auferido no exterior pela Icatu Cayman, relativamente ao mesmo anocalendário, foi considerado disponibilizado em outro momento e, então, para outra pessoa jurídica. Tratase do processo administrativo nº 10768.100292/200231, em face da Icatu Holding S.A. (sucessora do Banco Icatu), no qual os mesmos lucros auferidos pela Icatu Cayman, relativos ao período de 1996, foram considerados disponibilizados em 31/12/1999. Isto porque, naquela autuação entendeu se que os lucros de 1996 ainda estavam pendentes de deliberação e, portanto, a disponibilização efetiva teria ocorrido somente em 31/12/1999. Esse foi, inclusive, o entendimento do CARF no Acórdão nº 10197.026, transcrevo trecho:: A meu ver, lucros acumulados da controlada, ainda pendentes de deliberação para definição da sua destinação, não se incorporam ao patrimônio da controladora, não foram por ela auferidos. Inexiste disponibilidade jurídica ou econômica da controladora sobre eles. Portanto, uma vez demonstrada inexistência de fato gerador no anocalendário 1996, quando foram apurados os lucros pela pessoa jurídica no exterior, considero descabido cogitarse de decadência do direito de constituir o crédito tributário, uma vez que, segundo indicado pela autoridade fiscal no auto de infração, corretamente, o fato gerador teria ocorrido em 31/12/1999. Neste passo, a manutenção da presente autuação e daquela consubstanciada no processo administrativo nº 10768.100292/200231 implica em contradição, já que uma é excludente da outra. Considerando que, no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que foi julgado foi o presente processo, os efeitos desse julgamento, inclusive no que tange à coerência do raciocínio lógico probatório, impede que se entenda a disponibilização novamente do lucro no ano de 1999, o que, contudo, não foi submetido a apreciação conjunta com esse processo nesse julgamento. (Assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 777DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 13 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000037/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento ao recurso voluntário para cancelamento do Auto de Infração. Designada a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Redatora Designada e Presidente
(assinado digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10925.000037/2009-14
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5472937
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1803-000.130
nome_arquivo_s : Decisao_10925000037200914.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MEIGAN SACK RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10925000037200914_5472937.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento ao recurso voluntário para cancelamento do Auto de Infração. Designada a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Redatora Designada e Presidente (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
id : 5958971
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887920758784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 227 1 226 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000037/200914 Recurso nº Resolução nº 1803000.130 – Turma Especial / 3ª Turma Especial Data 03 de março de 2015 Assunto LUCRO ARBITRADO DILIGÊNCIA Recorrente KF MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento na realização de diligência. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto e Meigan Sack Rodrigues, que davam provimento ao recurso voluntário para cancelamento do Auto de Infração. Designada a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada e Presidente (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO Tratase, o presente feito, de auto de infração, relativo aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007, referente ao IRPJ, apurado pelo lucro arbitrado, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%. O presente feito decorre de exclusão do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 03 7/ 20 09 -1 4 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 228 2 Simples Federal ( processo n. 10925.002074/200878), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado o IRPJ relativo às receitas operacionais de prestação de serviços gerais. Decorrente do procedimento de exclusão, também foi constituído processo de exclusão do Simples Nacional, protocolizado sob o número 10925002253/200813, bem como os lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e Contribuições Previdenciárias, decorrentes da exclusão do Simples Federal e Nacional, protocolizados sob os números 10925.000032/2009 83, 10925000033/200928, 10925.000034/200972, 10925.000035/2009 17,10925.000036/200961, l0925.000037/200914, l0925.000038/200951, 10925000039/200903, 10925.000040/200920, 10925.00004l/200974, l0925.000042/2009 19, 10925.000043/200963, l0925.000044/200916, l0925.000045/200952, 10925.000046/200905, l0925.000047/200941, 10925.000048/200996, 10925.000049/2009 31, 10925000051/200918. De acordo com o relatório fiscal, a empresa recorrente faz parte de um grupo empresarial constituído com o objetivo de segmentar, mediante prática de simulação, parte de suas atividades e o faturamento, beneficiandose, desse modo, do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido do Simples, tratandose, de fato, tal grupo, de uma única empresa, com faturamento global superior aos limites permitidos para ingresso e permanência no regime simplificado de tributação. Aferese que o pretenso grupo empresarial é comandado pelo Sr. José Schazmann e sua esposa, a Sra. Silvana Marques Schazmann, que além de figurarem como únicos sócios da empresa Idugel Industrial Ltda., desde 20/11/1998, exercem também, mediante procuração, a administração das empresas J.S. Máquinas Ltda. ME e K.F. Montagens Industriais Ltda. ME. Ainda, os sócios da J.S. e K.F. possuem parentesco de primeiro grau com o Sr. José Schazmann. Figuram como únicas integrantes do quadro societário da empresa J.S. Máquinas Ltda. ME, atualmente, a mãe e a irmã do Sr. José Schazmann, e da empresa K.F. Montagens Industriais Ltda. ME como únicos sócios, dois filhos do Sr. José Schazmann.. Informa o relatório fiscal que a empresa K.F. Industrial Ltda., na prática, cede mãodeobra para empresa Idugel, que concentra quase todo o faturamento e registra apenas dois empregados, em média, nos últimos três anos, e entre três e quatro empregados, nos anos de 2003 e 2004, situação esta juntamente com faturamento, custos, folha de pagamento, demonstrada em quadro de fl. 24 e 25. De igual modo, constatouse que em relação à contabilidade das empresas, a ocorrência de vários pagamentos “cruzados”, ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contabil. Aduz terem sido encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Frisa que a recorrente também efetuou pagamentos "extrafolha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. E, em sua escrituração deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 229 3 considerando tais operações como se fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. Assim, entende que "esses fatos também levam à conclusão de que o `Grupo' é administrado como se fosse uma única empresa, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil." Em ato contínuo, afirma que a recorrente foi intimada e reintimada a apresentar a escrituração contábil com os devidos ajustes para apuração do Lucro Real e o Livro de apuração do Lucro Real LALUR devidamente escriturado para o período fiscalizado, entretanto a sua escrituração da forma solicitada, conforme art. 530, I e II do RIR/99,o IRPJ foi apurado pelo lucro arbitrado, através dos coeficientes de 38,4% sobre a receita conhecida, conforme art. 15 e 16 da lei 9.249/95. Para apuração do IR devido, foi ajustada a receita bruta mensal para aproveitar os créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados através do Simples, conforme planilhas de fls. 28/29. No tocante à multa qualificada aplicada, entende a fiscalização restar caracterizado, de forma clara, o intuito de fraudar por parte da recorrente, em decorrência da análise dos fatos relatados até o presente momento e pela simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento. Ainda, entende que configura fundamento para a multa ser aplicada o fato da recorrente se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Devidamente cientificada da autuação, a empresa recorrente apresenta suas razões, em seara de impugnação, de forma tempestiva, aduzindo que foi excluída do regime simplificado de tributação, motivo do lançamento dos tributos correspondentes, com base no regime de tributação normal. Ademais, informa que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão, mas apesar do efeito suspensivo dos recursos, foram expedidas intimações para prestar declaração ao fisco pelo regime comum de tributação e por fim emitidos os autos de infração, não tendo estes validade. Alega, a empresa recorrente, que o grupo familiar de Elita Schazmarm, formado por si, seus filhos e netos, exploram ramos comerciais e industrial de fabricação de máquinas e equipamentos industriais e com a evolução dos negócios, optaram pelo fracionamento da cadeia produtiva, não havendo nenhum ilícito na formação de empresas por grupos familiares, bem como na terceirização de atividades como no caso. Afere que a empresa Idugel é responsável pelos projetos dos maquinários, comercialização e coordenação da execução dos mesmos (Knowhow), que conta com a participação de diversas empresas delegadas (aqui não se limita apenas a K.F. Montagens e J.S. Máquinas). Dispondo: “*J.S.: é responsável pela fabricação dos acessórios e complementos das máquinas produzidas pela empresa IDUGEL (direta e indiretamente); *K.F.: é responsável pela montagem e instalação das máquinas e acessórios fabricados pela IDUGEL, J.S. e outras empresas participantes da cadeia produtiva.” Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 230 4 Afirma que a legislação brasileira permite o desenvolvimento de ações para se evitar a ocorrência da hipótese de incidência, dentro do campo da elisão fiscal, na forma do art. 116 do CTN, sendo perfeitamente possível separar as atividades em diversos setores no caso em tela. As práticas adotadas, pelas empresas foram, revestidas de formalidades perfeitamente válidas, atendidos todo os pressupostos contábeis idôneos a registrar as operações, não existindo nenhuma mácula suficiente ara afastar o direito de opção pelo regime simplificado de tributação. No tocante à delimitação temporal da exclusão, manifesta que o ato impugnado delimitou o início do tempo da exclusão (01/07/2007), entretanto deixou de delimitar o prazo final. Entende como ilegal a extensão do ato de exclusão para período posterior a 31/12/2008. De igual modo, reforça que o presente feito fere os princípios da ampla defesa e do contraditório, pois houve exclusão sumária com aplicação de penalidade sem qualquer notificação prévia ou oportunidade de defesa da requerente, bem como acerca dos sócios formadores da requerente, sendo nulo o procedimento administrativo. Prossegue referindo que são incompatíveis entre si os motivos para exclusão do Simples, pois a partir do momento que há enquadramento como sendo a atividade desempenhada: locação de mãodeobra, respaldase a existência autônoma das duas empresas. Assim, entende ser incompatível com a decisão de anular a existência da empresa K.F., como leva a crer na fundamentação. Assim, refere que ou elas existem e então há apenas que perquirir sobre a existência ou não da locação de mão de obra no relacionamento, ou inexiste a empresa K.F., por vício de formação que não se trata do caso em tela. E dessa forma, entende estar caracterizada a nulidade por defeito na fundamentação da exclusão do Simples, prejudicando o direito de defesa da empresa recorrente na forma do art. 59 do Decreto 70235/72. De igual modo, a empresa recorrente afirma ser constituída pela sociedade entre Elita e Cláudia desde 20/12/1998, não havendo nenhuma insurgência contra sua atividade ao longo dessa década. Aduz que o art. 45, parágrafo único, do CC prevê o prazo de decadência de 3 anos para anular a constituição das pessoas jurídicas, ou seja, incabível anulação da constituição da empresa após uma década de sua formação, mesmo considerando o prazo do diploma civil anterior. Atenta para a questão de que as situações fáticas, apuradas no ano de 2008, somente podem ser consideradas como prova para esse período, não havendo como comprovar que os supostos indícios existiam em exercício em exercícios anteriores. A opção pelo Simples é feita para cada exercício, que findo, não há com se alterar posteriormente. Ademais, O CTN prevê em seus art. 105 e 106 a aplicação da legislação tributária, e os casos em que se aplica retroativamente, nela não se incluindo o caso em análise. A opção pelo Simples ocorreu em 1998, quando o art. 15, V da Lei 9.317/96 disciplinava a matéria, devendo a exclusão (equivocadamente atestada) ser aplicada apenas após a constatação da ocorrência, ou seja, somente após outubro de 2008, sendo ilegal e arbitrária a retroatividade da análise fáticoprobatória. Expõe que a cobrança com efeito retroativo dos tributos tem efeitos confiscatórios, sob o aspecto da capacidade contributiva. O Ato Declaratório Excludente modifica a base de cálculo dos tributos, pela exclusão de um regime tributário, implicando em Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 231 5 majoração de tributo, que conforme art. 97 do CTN, só lei pode estabelecer. A exclusão foi do SIMPLES, e não somente da tributação simplificada, impedindo automaticamente a empresa dos beneficio e incentivos fiscais positivados na Lei n° 9.841/99. Tal ato desvirtua a finalidade da citada Lei e dos arts. 170 e 179 da Constituição Federal, impondo indevida pena de restrição ao direito de exercer atividade econômica. Ademais, salienta que a Autoridade que é incompetente para apreciar se a exigência do tributo ou se a condição da empresa é de enquadramento ou não, ou se é legítima ou ilegítima, violando direito de defesa da contribuinte e sem o devido processo legal. Entende que o ente arrecadador não opôs óbice à adesão dos contribuintes à tributação simplificada, iniciada em 1997, entretanto, somente em 2004 passou a emitir atos declaratórios sob o argumento de atividade vedada. Discorre quanto o art. 112 do CTN, entendendo que não há qualquer ato ilícito por parte do contribuinte para que seja excluído da tributação simplificada, sendo ilegítima a cobrança retroativa dos tributos à época da suposta vedação, a exclusivo critério da autoridade fiscal, uma vez que abusa da autoridade e constrange o contribuinte a recolher tributos sob base de cálculos diferenciadas e majoradas, em período pretérito, sem que este sequer tenha dado causa à sua exclusão do regime. Frisa que a autuação do agente fiscal está fundada no art. 116 do CTN, entretanto referido dispositivo não é autoaplicável, carecendo de procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária. Assim, cabendo ao agente público fazer apenas o que a lei autoriza, falta amparo legal para atuação fiscal. No tocante à excludente de Locação de Mão de Obra, refere a recorrente que no conceito de cessão de mão de obra, fica o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador, que gerencia a realização do serviço. O objeto do contrato é somente a mão de obra. No conceito de empreitada o contrato focalizase no serviço a ser prestado. Para sua realização, envolverá mãodeobra, que não estará, necessariamente, à disposição do tomador. O gerenciamento será do contratado. No caso presente, tratase de empreitada, “pois, há delegação de tarefa da contratante à contratada, mediante retribuição pecuniária por execução do serviço, cabendo à contratada a gerência do serviço, bem como a responsabilidade por seus empregados, e ainda de meios mecânicos necessários a execução da tarefa”. Assim, entende que, apesar de, às vezes, o serviço ser desenvolvido em local cedido pela contratante (no caso ldugel), há contratação para execução de tarefa determinada, preço certo, sem qualquer intervenção ou ingerência da contratante. Não há que se falar em vedação de opção ao regime simplificado de tributação. Já no tocante à "interposta pessoa", refere que não há qualquer demonstração de não serem os sócios, Elita e Claudia, as verdadeiras titulares da sociedade, como são na realidade, recebendo pro labore mensal e distribuição de lucros/dividendos, conforme declarações prestadas a Receita Federal. O fato de outorga de procurações para representálas em situações específicas, especificamente para movimentar contas bancárias, não desconstitui a sociedade, nem configura a existência de interpostas pessoas na sua formação. O art. 1018 do Código Civil autoriza a outorga de procuração sem, com isso, desvirtuar a condição de sócios ou da natureza da própria sociedade. Alega, de igual modo, que não se tratando de locação de mão de obra, nem havendo que se falar em interpostas pessoas no quadro societário, inexiste qualquer óbice à opção pelo regime simplificado de tributação. Atenta para o fato de que a autoridade fiscal Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 232 6 utilizouse de documentos e fatos posteriores ao período de 01/01/2003 a 30/06/2007 para fundamentar a decisão de exclusão do Simples, não se prestando para tal intento. No que diz respeito ao endereço, afere que o local utilizado pelas empresas J.S. e IDUGEL, apesar da coincidência do imóvel, encontrase dividido fisicamente e demonstra acostando as plantas, instalação de alarmes distintos e também pelo ateste do Município que atribuiu diferenciação na identificação das unidades. Observa que a empresa IDUGEL é que detém capacidade técnica para desenvolver projetos, possibilidade de angariar contratos e obras, inclusive com a pessoa do Sr. José Schaznann como o técnico de maior capacidade reconhecida no Brasil. No processo de desenvolvimento da atividade industrial de alta complexidade, como exemplifica a instalação de um moinho de trigo, parte da atividade é delegada a empresas terceirizadas, mediante contratação por empreitada, como ocorre com a empresa J.S.. O valor agregado de cada produto produzido pelas empresas contratadas é muito inferior àquele cobrado pela empresa IDUGEL, quando da comercialização do conjunto todo, o que no exemplo do moinho de trigo, representa para a fabricante até 1/3 do valor final faturado pela empresa IDUGEL. Em resumo, o preço do conjunto é muito superior das máquinas isoladamente. Dai o motivo de que o faturamento das empresas contratadas, em que pese com número de empregados superior à contratante, apresente faturamento inversamente proporcional. Atenta para o fato de que também há casos que as empresas IDUGEL e J.S. fornecem, mediante parceria, quando a IDUGEL fica responsável pelo fornecimento das máquinas principais e a J.S. pelo fornecimento de acessórios das mesmas. Portanto, a IDUGEL explora seu KnowHow, diante de sua grande credibilidade do mercado, motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Ainda, a existência de empréstimos entre as empresas não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, refere que houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da K.F. perante IDUGEL. Portanto, a IDUGEL explora seu knowhow, diante da sua grande credibilidade no mercado motivo da desproporção do faturamento, não tendo como comparar a proporcionalidade do faturamento ao número de empregados. Salienta a existência de empréstimos entre as empresas, mas que isso não desqualifica a individualidade de ambas. Efetivamente, houve transferências de recursos, sempre na proporção dos créditos existentes da J.S. perante a IDUGEL. Ademais, havendo crédito e ao mesmo tempo devido algum pagamento, ocorreram situações que a devedora IDUGEL pagou pelos serviços através da quitação de débitos específicos. De qualquer forma, a contabilização fora feita corretamente. Nesse caminho, entende que há que se aplicar o princípio da proporcionalidade no caso presente, pois foram levantados elementos insignificantes para sustentar o ato de exclusão. E, apresenta julgado do conselho de contribuintes, cuja ementa dispõe não ser simulação a instalação de duas empresas na mesma área geográfica com desmembramento das atividades antes exercidas por uma delas, objetivando racionalizar as operações e diminuir a carga tributária. Ainda, salienta que a manutenção da interpretação dada pela fiscalização Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 233 7 inviabilizará a atividade do negócio, resultando em débito impagável, quanto mais diante da pequena margem de lucro e a concorrência com produtos chineses. A recorrente ainda argumenta cerceamento de defesa, já que as intimações fiscais foram objetos de impugnação administrativas não decididas, bem como por conter, no relatório fiscal menção de diversas intimações para apresentação de documentos, sem o esclarecimento quanto ao atendimento, requerendo a nulidade do presente auto. Entende que o lançamento foi fundamentado no art. 149, VII do CTN, sendo neste previsto que este deverá ser efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa. Assim, manifesta que o auto em questão não foi submetido a qualquer revisão de oficio pela autoridade tributária superior ao autuante, motivo que requer a nulidade do processo por falta de cumprimento de exigência legal. Da mesma forma, alega não estar caracterizada a fraude, que só pode ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, não com relação às obrigações acessórias, como por exemplo, ausência de declarações ao fisco ou declaração a menor de tributo, opção de regime tributário, etc. E, observa ser necessário a demonstração pelo fisco que o ato foi realizado com evidente intuito de fraude, situação não realizada, inclusive pela ausência da hipótese legal do artigo 149, VII, do CTB. Atenta para o fato de que ao auto de Infração decorre de interpretação do agente fiscal de haver fraude no planejamento tributário adotado pela recorrente, entretanto os elementos mencionados permitem concluir que o entendimento foi equivocado, ademais pelas disposições do art. 112 do CTB que aplica o brocardo in dubio pro reo. De igual modo, afirma que a aferição indireta é medida extrema, disponível somente quando totalmente imprestáveis ou inexistentes os lançamentos contábeis, ou ainda, pela recusa no fornecimento da documentação exigida pela autoridade fiscal, situação não verificada no caso presente. E reproduz: "A empresa autora conta com lançamentos contábeis regulares, dotados dos respectivos documentos, os quais foram colocados inteiramente à disposição da Autoridade Fiscal." "Meras irregularidades ou pequenas falhas contábeis não autorizam o arbitramento da verba previdenciária". Concluindo que "há de restar garantido à impugnante o direito à apuração dos tributos com base no lucro real". Alega que toda receita e toda despesa está devidamente lançada na sua contabilidade, discorrendo que até valores não lançados em GEFIP's foram localizados nos lançamentos contábeis, devendo assim ser utilizada a contabilidade da recorrente para apuração dos tributos e considerados os créditos dos tributos, na forma da legislação em vigor. E, entende que o lançamento não considerou os valores recolhidos, motivo que requer sua nulidade, bem como a consideração dos pagamentos efetuados a título do regime simplificado, correspondente à presente rubrica. Importa informar que a empresa recorrente ingressou em juízo, através de um mandado de segurança, objetivando que não fosse autuada, segundo o regime de tributação diverso do Simples, até que a decisão a respeito da exclusão fosse definitiva. A sentença transitou em julgado, sem que houvesse recurso da Fazenda Nacional, perpetuando a decisão Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 234 8 de que não poderiam ser lançados tributos antes que fosse proferida a decisão pelo órgão colegiado administrativo. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento, ora em comento. Afere, quanto à exclusão do Simples, que os argumentos apresentados, em que pese se referirem a empresa J.S. Máquinas, mas diante da semelhança do procedimento e atividades das "empresas", eles são "correspondentes" àqueles feitos na defesa do processo relativo à referida exclusão (processo n° 925.002074/200878), cuja manifestação de inconformidade foi objeto de análise e indeferimento no Acórdão DRJ/RPO n° 1425.629, proferido por esta Turma de Julgamento. Transcreve o voto proferido no Acórdão citado. Já no que diz respeito à nulidade arguida, entende que não há qualquer tipo de nulidade no lançamento, vez que não foi ferido o disposto no art. 59 do Decreto 70232/75, assim como entende que não procede o argumento de que foram apresentadas defesas ao ato de exclusão do Simples, motivo que não seria possível intimações fiscais e lançamentos dos tributos por regime diverso do Simples. Também observa que não há previsão para impugnação administrativa de intimações fiscais, pois o procedimento fiscal é inquisitório, só se iniciando o contraditório e a defesa após o lançamento tributário. Afere que nos termos do art. 15, §3º, da Lei n° 9.317/96, a exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Prescreve, ainda, o art. 16 da Lei n° 9.317/96 que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Segundo o julgador, a manifestação de inconformidade da exclusão do Simples não impede que a Administração Tributária lance os créditos tributários apurados nos termos das normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, entretanto, como mencionado no relatório fiscal, referido lançamento tem o objetivo de se prevenir a decadência dos valores apurados, tendo sua exigibilidade suspensa enquanto não julgadas as manifestações de inconformidade de exclusão do Simples. E, improcede a argumentação de nulidade sob argumento de que o art. 149 do CTN exige a revisão do lançamento, pois referido dispositivo legal não obriga a revisão do lançamento, apenas prevê casos em que pode o lançamento ser realizado e revisto de oficio. Portanto, salienta que o auto de infração foi lavrado por pessoa competente, no caso, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Autoridade Fiscal para o lançamento tributário. Já no que diz respeito ao arbitramento, o julgador a quo alude tratarse de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo Lucro Arbitrado, e não de aferição indireta para fins de arbitramento de verbas previdenciárias. Expõe que a recorrente foi "fartamente intimada e reintimada a apresentar a escrituração contábil com os devidos ajustes para apuração do Lucro Real e o Livro de apuração do Livro Real LALUR devidamente escriturado para o período fiscalizado", mas que nada apresentou. Assim, entendeu que sua escrituração era imprestável para determinação do Lucro Real. Prossegue, em relação à contabilidade das empresas, constatando a ocorrência de vários pagamentos "cruzados", ferindose o princípio contábil da entidade e não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 235 9 Também foram encontrados vários pagamentos efetuados pela empresa em nome dos sócios administradores e seus familiares referentes a compromissos assumidos com terceiros, tendo o registro contábil apenas da saída de numerário de contas bancárias e como destino à entrada em caixa, não refletindo a realidade dos atos praticados, comprometendo de forma irremediável a escrituração contábil. Aduz que a empresa efetuou pagamentos "extrafolha" aos seus segurados empregados, sem o devido registro contábil. Em sua escrituração contábil deixou de registrar os compromissos com fornecedores de materiais e serviços adquiridos "a prazo", considerando tais operações como se fossem realizadas "a vista", ferindo o princípio da competência. Esses fatos também levaram à conclusão de que o "Grupo" é administrado como se fosse uma única empresa, conforme fartamente analisado no processo de exclusão do Simples, entendimento equivocado por parte de seus administradores e que contraria a legislação em vigor, comprometendo de forma irremediável sua escrituração contábil. E explicita que ao contrário do alegado pela recorrente, a mesma não apresenta escrituração regular, nem apresenta toda despesa devidamente lançada na contabilidade. Destaca que a recorrente nada apresenta para provar a regularidade de sua escrituração e refutar os argumentos e provas juntadas pela autoridade fiscal, mas apenas apresenta alegações genéricas. Assim, conforme art. 530, I e II do RIR/99, correta a apuração do IRPJ pelo lucro arbitrado, através dos coeficientes de 38,4% sobre a receita conhecida, nos termos dos art. 15 e 16 da lei 9.249/95. E, informa que, ao contrário do alegado, foram considerados os valores recolhidos pelo Simples na apuração do IRPJ pelo lucro arbitrado, conforme se verifica nas planilhas de fls. 28/29 do relatório fiscal, sendo estes compensados como "IRPJ recolhido (Simples)" para fins de apuração da receita arbitrada devida. Já no tocante à multa qualificada, argumenta o julgador de primeira instância que a mesma foi aplicada por entender o autuante caracterizado de forma clara o intuito de fraudar por parte recorrente, tomando em conta a análise dos fatos relatados e pela simulação de constituição de empresas com objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento, e se beneficiar do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. De igual modo, afere que houve simulação de constituição de empresas com o objetivo de segmentar parte das atividades e faturamento com objetivo de se beneficiar de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, apenas aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. Salienta, o julgador a quo, que o artificio fraudulento de segmentação apenas formal das atividades do "grupo" foi fartamente analisado no julgamento do processo de exclusão do simples e evidenciado, dentre outros, pela falta de autonomia da recorrente como entidade empresarial, caracterizados pelo uso do mesmo uniforme por seus funcionários, pela localização física na mesma sede, pelos setores administrativos conjuntos, pelos pagamentos cruzados e documentos conjuntos que maculam o princípio contábil da entidade, pelos semelhantes objetos sociais e pelas inverossímeis relações entre dispêndios (custos, folha de pagamentos, empregados) e resultados entre as empresas do mesmo "grupo empresarial", pela administração única de todas as empresas pelas pessoas de José Schazmann e sua esposa, Silvana Marques Schazmann. E, conclui que ficou plenamente caracterizado o evidente intuito de fraude nos termos previstos no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1996, não se aplicando no caso o art. 112 do CTN, pois não há dúvida como prevista no referido artigo. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 236 10 Quanto ao pedido para que as intimações fossem feitas no endereço e na pessoa dos advogados identificados na procuração inclusa nos autos, sob pena de nulidade, este não pode ser atendido, por falta de previsão legal. O CTN, art. 127, dispõe sobre a existência do domicílio tributário, havendo, portanto, previsão legal sobre o local para onde devem ser dirigidas as intimações e notificações. Assim, feita a eleição pelo sujeito passivo, não é possível a admissão de domicílio especial para o processo administrativo fiscal. Também aborda o julgador de primeira instância a solicitação de produção de prova testemunhal, referindo que não pode ser deferida por não ter previsão no rito processual administrativo. Mas, frisa que os testemunhos que a empresa recorrente tenha em seu favor devem ser apresentados sob a forma de declaração escrita, já com a impugnação. No que diz respeito ao apedido da recorrente de apresentação de documentos durante a fase de instrução, o julgador cita o art. 16 do Decreto 70.235/72 para negar. Mas, que de toda a forma a recorrente nada trouxe aos autos processuais após sua impugnação, perdendo o objeto o presente pedido. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto na impugnação. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de auto de infração, relativo aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007, referente ao IRPJ, apurado pelo lucro arbitrado, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%. O presente feito decorre de exclusão do Simples Federal (processo n. 10925.002074/200878), fundamentada na vedação ao sistema para pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios, bem como que realize operações relativas à locação de mão de obra, sendo apurado o IRPJ relativo às receitas operacionais de prestação de serviços gerais. Ainda, o presente feito foi distribuído, por conexão, para esta conselheira, conjuntamente com os seguintes processos administrativos: 1) 10925.002074/200878 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL 1.1)10925.000032/200983 COFINS Período de apuração: 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007 apurado pelo Lucro Real; 1.2)10925. 000034/200972 PIS Período de apuração: 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007 apurado pelo Lucro Real; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 237 11 1.3)10925.000037/200914 IRPJ Período de apuração: 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007 apurado por Arbitramento; 1.4)10925.000038/200951 CSLL Período de apuração: 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007 apurado por Arbitramento; 2)10925.002252/200813 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL 2.1)10925.000035/200917 PIS Período de apuração: 4º trimestre de 2007 apurado pelo Lucro Real; 2.2)10925.000036/200961 IRPJ Período de apuração: 4º trimestre de 2007 apurado por Arbitramento; Conforme se depreende do exposto acima, há processos cuja apuração se perfez sob regimes divergentes (Lucro Real e Arbitrado), ainda que referentes aos mesmos períodos de apuração, modicandose apenas o tributo. Nos dois casos de exclusão: Simples Nacional e Simples Federal, a divergência se encontra no PIS e COFINS apurados pelo Lucro Real, enquanto que o IRPJ e a CSLL foram apurados por arbitramento, na constância do mesmo período. Em outras palavras, a fiscalização, quando melhor lhe convém, acabou por apurar o PIS e o COFINS referentes aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007, entendendo que a contabilidade da empresa se prestava para a aferição pelo Lucro Real, enquanto que o IRPJ e a CSLL referentes aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 1º e 2º trimestre de 2007 foram aferidos pelo arbitramento. A fiscalização expressou, de forma literal, que a contabilidade da empresa recorrente não se prestava para aferir pelo regime de tributação do Lucro Real. Isso tudo sem mencionar o fato de que a fiscalização detinha uma ordem judicial para não intimar e reintimar a empresa recorrente a apresentar quaisquer documentação ou declaração sob regime diverso do simplificado, enquanto não julgados os processos de exclusão. E, a mesma determinação judicial referia que fossem cancelados os lançamentos efetuados sob regime diverso do SIMPLES. Senão vejamos o que determina a sentença: III DISPOSITIVO: Ante o exposto: 1) EXTINGO O FEITO, sem resolução do mérito, na forma do art. 267, VI, do Código de Processo Civil, tendo em vista a manifesta perda do objeto da presente impetração, com relação aos pedidos de restabelecimento da Impetrante no regime simplificado e de vedação de impedimentos à nova opção pelo SIMPLES, até o julgamento final dos processos administrativos n. l0.925.002074/200878 e n. 10.925.002253/200813. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 238 12 2) CONCEDO EM PARTE A SEGURANÇA requerida na inicial, resolvendo o mérito, nos termos do art. 269, I, do CPC, para determinar à Autoridade Impetrada que: a) se abstenha de exigir da Impetrante a apresentação de documentos, a opção e o recolhimento de tributos por regime tributário diverso daquele simplificado (SIMPLES), nos períodos de 01.12.2003 a 30.06.2007 e de 01.07.2007 a 31.12.2008, até o julgamento final dos processos administrativos n. l0925.002074/200878 e n. l0.925.002253/200813; b) se abstenha de aplicar penalidades à Impetrante, decorrentes do não atendimento aos termos de intimações n. 001, 002 e 003, relativos à tributação pelo Lucro Real; c) não deixe de fornecer Certidões de Regularidade Fiscal à Impetrante, em razão do não recolhimento de tributos em regime tributário distinto do SIMPLES, desde que não haja outros motivos que impeçam o seu fornecimento e, d) promova o cancelamento das intimações fiscais e dos Autos de Infração lavrados em desfavor da Impetrante, relativamente à tributação pelo Lucro Real. Incabíveis honorários advocatícios, de acordo o art. 25 da Lei n. 12.016/2009. Custas pela parte Impetrada. Publiquese, registrese, intimemse. (...) Da sentença acima proferida não foi protocolado recurso e a mesma transitou em julgado. Assim, do que se pode verificar é que a autuação realizada pela autoridade fiscal, no presente feito, vai de encontro com o determinado pela juíza do feito judicial. Em outras palavras, a sentença determinava, de forma clara e direta, que não fossem lavrados autos de infração e que fosse promovido o cancelamento das intimações e dos Autos de Infração lavrados em desfavor da recorrente, relativamente à tributação pelo Lucro Real. Ainda que se observe que a autuação se perfez sob a égide do regime do arbitramento, não é crível que a empresa, sob a proteção de uma decisão judicial, transitada em julgado, que lhe concedia o direito de não apresentar nenhuma documentação em regime diverso do simplificado, até a decisão ser proferida nos processos de exclusão, sofresse algum dano por cumprir o determinante. Por certo que o espírito do decisum resta evidente ao dispor que a empresa não pode sofrer uma autuação por regime diverso do simplificado, antes que tenha sido realizado o julgamento confirmando ou não a exclusão do SIMPLES. A autuação se perfez, sob a égide do arbitramento, porque a empresa recorrente intimada e reintimada não apresentou a documentação perntinte ao Lucro Real, da qual estava desencumbida de o fazer. Ainda, que a fiscalização paute pela argumentação de que a contabilidade não se prestava para a autuação pelo regime diverso do arbitramento, importa lembrar que essa mesma fiscalização realizou lançamento de PIS e COFINS, dos mesmos períodos em apreço, pelo Lucro Real. Nesse sentido, temse como inconcebível que a Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 239 13 fiscalização tenha como certa, correta e prestável a contabilidade da empresa para a devida apuração do PIS e do COFINS pelo Lucro Real e em auto de infração conseguinte entenda que não se presta mais para a apuração do IRPJ e da CSLL. Por esses fatos narrados, entendo que não há como prosperar o presente julgamento do feito, tomando em conta que o lançamento, correlato a este processo, deveria ter sido cancelado, cumprindo a sentença judicial acima referida. Ainda, considerandose que o processo Judicial tem prevalência sobre o processo administrativo e não tendo a União recorrido da demanda judicial, não há que se falar no presente feito do interesse da mesma em prosseguir com a autuação. Assim, entendo que o auto de infração deve ser cancelado, cumprindo o determinado na sentença judicial, carecendo de procedência. De outra forma, estaríamos não só incorrendo em desacato a uma ordem judicial, como também afrontando o princípio da prevalência das decisões judiciais sobre as administrativas. Diante, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues VOTO VENCEDOR Conselheira Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Em que pese os argumentos da Ilustre Relatora, compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A resolução da questão litigiosa tratada nos autos tem como premissa o exame minucioso dos efeitos jurídicos do provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 em face do Auto de Infração. A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário. Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10925.000037/200914 Resolução nº 1803000.130 S1TE03 Fl. 240 14 apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial1, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 1. A Recorrente opôs contra a União o Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250, cuja decisão deve ser observada nos seus estritos termos pela Administração Pública, oportunidade em que fica afastada qualquer interpretação, cabendo tão somente sua aplicação literal. Partindo dessa premissa, cabe o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que sejam analisados efeitos jurídicos do provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 em face do Auto de Infração. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente examine o provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 com base na atual fase processual, instrua os autos com a Certidão de Objeto e Pé e demais peças da ação judicial, bem como oficie a Procuradoria da Fazenda Nacional para que se pronuncie sobre seus efeitos jurídicos em face do Auto de Infração. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial a respeito dos efeitos jurídicos do provimento jurisdicional do Mandado de Segurança nº 2008.72.03.0028250 em face do Auto de Infração. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº1. 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.903041/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, sobrestar o julgamento até que seja apreciado pelo CARF o processo 13603.900240/2011-20. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, para redigir o voto vencedor.
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Relatório
Nome do relator: CARLOS PELA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13603.903041/2011-73
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5472944
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1402-000.300
nome_arquivo_s : Decisao_13603903041201173.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS PELA
nome_arquivo_pdf_s : 13603903041201173_5472944.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, sobrestar o julgamento até que seja apreciado pelo CARF o processo 13603.900240/2011-20. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, para redigir o voto vencedor. Leonardo de Andrade Couto Presidente e Redator Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5958978
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047887953264640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.903041/201173 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.300 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 04 de fevereiro de 2015 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente Magnesita Service Ltda. Recorrida 3ª Turma da DRJ/BHE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por voto de qualidade, sobrestar o julgamento até que seja apreciado pelo CARF o processo 13603.900240/201120. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Fernanda Carvalho Álvares e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, para redigir o voto vencedor. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Redator Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 03 04 1/ 20 11 -7 3 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.903041/201173 Resolução nº 1402000.300 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo da homologação parcial do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007, no valor de R$ 1.319.049,80, pleiteado pela Contribuinte nas DCOMP’s 33965.01444.280208.1.3.021521, 06938.34344.200308.1.3.020120 e 02569.61249.270308.1.3.024976. Na análise do crédito, foram verificadas todas as parcelas de composição do saldo negativo de IRPJ 2007. Contudo, a partir da consulta realizada nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), a autoridade fiscal não conseguiu confirmar as antecipações de IRPJ de janeiro e julho de 2007, pagas com saldo negativo de períodos anteriores. Assim, considerando o IRPJ apurado na DIPJ/2008 (R$ 1.278.426,75), a DRF reconheceu ao contribuinte o direito à utilização do saldo ngativo de IRPJ no importe de R$ 1.140.713,37. Em 18/08/2011, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 20/21) alegando, em síntese, que o saldo negativo de IRPJ utilizado nas DCOMP’s em comento reportase àquele apurado na DIPJ/2008 pela sua matriz e suas incorporadas. Apresenta planilha às fls. 37/39, procurando demonstrar a apuração do IRPJ no AC de 2007 e a apuração dos valores devidos ao IRPJ e à CSLL no mês de janeiro/2008. Acrescenta que o fisco somente computou os valores referentes à Magnesita Refratários S/A, desconsiderando o apurado por suas incorporadas. Analisado o caso, a 3ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a homologação parcial do saldo negativo de IRPJ 2007 (Acórdão nº. 0246.126, fl. 99/104). Em resumo, consignou que a Contribuinte limitouse a invocar a utilização de créditos advindos de outras empresas – incorporadas por ela, não tendo apresentado qualquer alegação acerca das estimativas compensadas e não homologadas que motivaram a redução do crédito utilizado nas DCOMP’s em análise nos presentes autos. Afirma que as estimativas de IRPJ glosadas pela DRF foram declaradas em DCOMP’s ulteriormente não homologadas, de modo que, a partir do ato desta não homologação a extinção do débito deixou de existir. Assim, o débito inicialmente extinto (sob condição resolutória) perdeu esta condição pela ação do fisco (não homologação) e, ainda que computado como componente do saldo negativo de IRPJ, como é o caso vertente, este não mais goza da liquidez e certeza imprescindíveis à compensação tributária, nos termos do art. 170 do CTN. Ressalta que o crédito identificado pela Contribuinte nas DCOMP’s em análise reportase apenas ao saldo negativo de IRPJ apurado pelo portador do CNPJ 20.466.512/0001 55, utilizado na extinção de débitos próprios. Quanto à existência de outros eventuais créditos da Contribuinte para com a União, recomenda que sejam formulados os Pedidos de Restituição ou Declarações de Compensação, desde que respeitado o prazo previsto no art. 168 do CTN e as demais regras previstas na legislação de regência. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.903041/201173 Resolução nº 1402000.300 S1C4T2 Fl. 4 3 Irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 172/178), esclarecendo que (i) as compensações efetuadas para quitação das estimativas de janeiro e julho/2007 devem ser confirmadas, uma vez que embora tais compensações tenham sido não homologadas, já estão sendo objeto de cobrança por parte do Fisco. Assim, a glosa do crédito na apuração do saldo negativo de IRPJ 2007 significará exigência por duas vezes do mesmo débito; e (ii) parte do montante referente à estimativa de janeiro/2007 foi pago via DARF. É o Relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.903041/201173 Resolução nº 1402000.300 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Merece razão a Recorrente. Conforme esclarecido no recurso voluntário e comprovado pela documentação anexada, as estimativas de IRPJ de janeiro e julho de 2007, que não foram confirmadas pelo despacho decisório da DRF em razão da ulterior não homologação das Dcomp’s transmitidas para quitação desses débitos, já são objeto de discussão/cobrança por parte do Fisco ou foram quitadas, na forma do quadro abaixo: Nessa toada, vale lembrar que desde a edição da Lei nº. 10.833, que alterou a redação do art. 74 da Lei nº. 9.430/96, as DCOMP’s passaram a constituir confissão de dívida e são instrumentos hábeis para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Leiase: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) ... § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Por isso, (i) seja em virtude de uma decisão favorável à Recorrente nos autos do PA 13603.900240/201120 e da EF 067473810.2012.8.13.0079 (que homologará o crédito); (ii) seja em virtude de uma decisão desfavorável à Recorrente nos autos do PA 13603.900240/201120 e da EF 067473810.2012.8.13.0079 (que ensejará o pagamento do débito indevidamente compensado acrescido de multa de mora e juros Selic ou a conversão do depósito em renda para a União), o crédito discutido em tais processos se tornará incontroverso, legitimando a compensação declarada nas DCOMP’s Período de apuração da estimativa compensada Valor da estimativa compensada na DCOMP Valor confirmado Valor não confirmado DCOMP Justificativa Situação atual da estimativa jan/07 R$ 152.624,60 R$ 0,00 R$ 152.624,60 20633.83161.280109.1.7.027305 DCOMP não homologada Em discussão no PA 13603.900240/201120 (fl. 278/284) jul/07 R$ 1.784,87 R$ 0,00 R$ 1.784,87 31365.24300.240807.1.3.021235 DCOMP não homologada Em discussão no PA 13603.900240/201120 (fl. 278/284) jan/07 R$ 140.915,13 R$ 139.435,71 R$ 1.479,42 28878.34504.230207.1.3.014618 DCOMP homologada parcialmente Paga via DARF (fl. 224) jan/07 R$ 80.506,80 R$ 59.922,85 R$ 20.583,95 24678.02993.230207.1.3.016927 DCOMP homologada parcialmente Depósito judicial na EF nº. 067473810.2012.8.13.0079 (fl. 225/275) jan/07 R$ 1.863,48 R$ 0,00 R$ 1.863,48 30832.81463.280207.1.3.049164 DCOMP não homologada Depósito judicial na EF nº. 067473810.2012.8.13.0079 (fl. 225/275) Total R$ 377.694,88 R$ 199.358,56 R$ 178.336,32 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.903041/201173 Resolução nº 1402000.300 S1C4T2 Fl. 6 5 33965.01444.280208.1.3.021521, 06938.34344.200308.1.3.020120 e 02569.61249.270308.1.3.024976 e o crédito tributário em discussão no presente processo (saldo negativo de IRPJ 2007). A essa altura, vale ter em mente que, embora seja possível compensar estimativas de IRPJ e CSLL com quaisquer tributos administrados pela RFB, na prática tributária as pessoas jurídicas geralmente utilizam os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados em anoscalendário anteriores para quitar, por meio de compensação, as estimativas de IRPJ e CSLL devidas no anocalendário seguinte. Esse procedimento adotado pelos contribuintes conduz a uma situação bastante peculiar, já que, ao analisar a liquidez e a certeza do crédito utilizado pelo contribuinte para fins de compensação, as Autoridades Fiscais devem confirmar a efetiva existência das antecipações e das retenções que compõem o saldo negativo informado pelo contribuinte em sua DIPJ. Como as antecipações mensais geralmente são quitadas com saldos negativos de períodos anteriores, o Fisco retrocede no tempo para verificar se os saldos negativos anteriores também eram legítimos e passíveis de compensação pelo contribuinte. Entretanto, em virtude dessa íntima relação de interdependência entre os períodos de apuração, a glosa realizada pelo Fisco em relação ao saldo negativo de um determinado anocalendário acaba refletindo na composição dos saldos negativos apurados nos anoscalendário subseqüentes, como aconteceu aqui. Justamente por isso, não constatada falha (i) na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nem (ii) na apuração do saldo do IRPJ e da CSLL – sem entrar no mérito acerca do crédito utilizado nas compensações das estimativas –, deve ser homologado o eventual saldo negativo de IRPJ e CSLL para que o contribuinte exerça seu direito de restituí lo ou compensálo na forma da lei. Assim, não haveria qualquer impedimento na utilização do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL apurado em anocalendário em cuja extinção das estimativas tenha sido promovida compensação não homologada. Isso porque, frisese novamente, a eventual não homologação de compensação em razão da imprestabilidade do crédito já gera, por si só, a cobrança do débito confessado pelo contribuinte, acrescido de multa de mora e juros Selic. A situação em comento gera dificuldades enormes para os contribuintes, pois, como acontece aqui, o saldo negativo não homologado já foi aproveitado em outro ano calendário que também gerou saldo negativo. Admitindose, por hipótese, que fosse possível afirmar que o crédito gerado pela compensação da estimativa era nulo e o saldo negativo era menor ou mesmo inexistente – como pretende o Fisco – a situação implicaria um descontrole absoluto por parte das Autoridades Fiscais da efetiva situação do contribuinte frente ao Fisco, no tocante a débitos e créditos, ensejando diversas exigências do mesmo débito. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.903041/201173 Resolução nº 1402000.300 S1C4T2 Fl. 7 6 Nessa linha de raciocínio, forçoso concluir que não podem ser glosadas as estimativas objeto de compensação ulteriormente não homologada na apuração do IRPJ ou da CSLL a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Tendo em conta que esse não foi o entendimento das Autoridades Fiscais até aqui, a situação da Recorrente é exatamente aquela narrada acima, na qual se verifica um descontrole, por parte das Autoridades, da efetiva situação da Recorrente frente ao Fisco, no tocante a débitos e créditos, ensejando diversas exigências do mesmo débito. Frisese novamente que é incólume de dúvida que o crédito em discussão nos autos do PA 13603.900240/201120 e da EF 067473810.2012.8.13.0079 se tornará incontroverso, tornando possível a homologação da compensação declarada nas DCOMP’s ora analisadas. Portanto, salta aos olhos a total improcedência da cobrança em duplicidade perpetrada pelo Fisco. Nesse contexto, vale notar que, a própria Coordenação Geral de Tributação, visando coibir situações como esta, proferiu a Solução de Consulta Interna nº. 18, de 13/10/2006, na qual expressamente orienta as divisões de tributação da RFB a não efetuarem a glosa das estimativas objeto de compensação não homologada na apuração do imposto ou contribuição a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Vejamos: 16. Por todo o exposto, no que diz respeito ao tratamento da estimativa não paga ou não compensada, cabe concluir que: ... 16.3 na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em DCOMP, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Por tudo isso, no caso concreto, forçoso concluir que devem ser homologados todos os valores compensados em relação às estimativas de janeiro e julho/2007, ainda que as DCOMP’s 20633.83161.280109.1.7.027305, 31365.24300.240807.1.3.021235, 28878.34504.230207.1.3.014618, 24678.02993.230207.1.3.016927 e 30832.81463.280207.1.3.049164 tenham sido não homologadas ulteriormente pelo Fisco. Caso contrário, a Recorrente será mantida devedora em duplicidade de um único débito, já que esse sistema de compensação nada mais é do que uma “conta corrente” e um eventual crédito indevido somente pode ser cobrado uma vez. Corroborando o exposto, vale trazer à colação a jurisprudência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: DRJ/RJ1 9 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1251578 de 20 de Dezembro de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO. AFASTAMENTO DA ALEGAÇÃO. Afasta se a alegação de nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, se a simples leitura de seu conteúdo demonstra que o seu fundamento é a falta de certeza e liquidez do crédito, tendo em vista que a informação do seu valor é igual a zero na DIPJ, original e retificadora, e positivo nos PER/DCOMP em foco. SALDO NEGATIVO DE CSLL. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.903041/201173 Resolução nº 1402000.300 S1C4T2 Fl. 8 7 ESTIMATIVAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Para efeito de apuração da CSLL anual, poderão ser computadas as estimativas que tenham sido objeto de pagamento ou compensação sob condição resolutória de homologação. Na hipótese de não homologação da compensação, os débitos confessados em DCOMP (§ 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) serão cobrados por força do que determinam os § 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração da CSLL a pagar ou do Saldo Negativo apurado na DIPJ, uma vez que a referida glosa implicaria a dupla cobrança das estimativas, uma diretamente por força do que determina o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e outra, indiretamente, pela glosa das estimativas. Inteligência do Entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil (Cosit) na Solução de Consulta Interna nº 18/2006. DIREITO CREDITÓRIO RECONECIDO. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÕES. Homologamse as compensações efetuadas no limite do direito creditório reconhecido. Anocalendário: : 01/01/2009 a 31/12/2009 DRJ/CTA 2º TURMA ACÓRDÃO Nº 0628602 de 07 de Outubro de 2010 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA DE IRPJ OU CSLL. SALDO NEGATIVO DE IRPJ OU CSLL. SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Tendo o contribuinte declarado, equivocadamente, crédito de estimativas de IRPJ ou CSLL, ao invés do saldo negativo ou base de cálculo negativa dos respectivos períodos, cancelase a decisão de nãohomologação, quando o crédito correto é suficiente para quitar todos os débitos. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N° 18/2006. COBRANÇA DO DÉBITO NÃO HOMOLOGADO. Nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13/10/2006, na hipótese de compensação não homologada de débitos de estimativas de IRPJ ou CSLL, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Anocalendário: : 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003 DRJ/REC 3 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1127099 de 24 de Julho de 2009 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS NÃO HOMOLOGADA. COBRANÇA DOS DÉBITOS. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos das estimativas serão cobrados com base e m Dcomp, e, por conseguinte, não cabe sua glosa na apuração do imposto ou contribuição a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ (Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2006). Anocalendário: : 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001 Com efeito, uma vez que (i) a não homologação das compensações declaradas nas DCOMP’s 20633.83161.280109.1.7.027305, 31365.24300.240807.1.3.021235, 24678.02993.230207.1.3.016927 e 30832.81463.280207.1.3.049164 já é objeto de discussão/cobrança por parte da RFB nos autos do PA 13603.900240/201120 e da EF 067473810.2012.8.13.0079; e (ii) que o débito referente à DCOMP 28878.34504.230207.1.3.014618 foi devidamente quitado via DARF; o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2007 deve ser totalmente homologado. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para homologar as DCOMP’s 33965.01444.280208.1.3.021521, 06938.34344.200308.1.3.020120 e 02569.61249.270308.1.3.024976 até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13603.903041/201173 Resolução nº 1402000.300 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Minha divergência do I. Relator dirigese à possibilidade de utilização, na composição do saldo negativo do IRPJ, de estimativas dessa contribuição não quitadas, seja por pagamento ou compensação. De imediato, registrese não haver qualquer impedimento legal à quitação do valor devido a título de estimativas do IRPJ mediante compensação com crédito líquido e certo de titularidade do sujeito passivo. Assim, extinto o débito da estimativa mediante compensação, o valor correspondente pode integrar a composição do eventual saldo negativo apurado no ajuste do período. Por outro lado, não se pode olvidar que as normas regulamentadoras da compensação estabelecem a condição resolutória de ulterior homologação do procedimento. Assim, manifestandose a autoridade pela não homologação, o débito anteriormente compensado passa a ser exigível. No caso da estimativa adimplida mediante compensação, a não homologação pela autoridade retira dos valores em discussão as condições de compor a apuração do saldo negativo do IRPJ no ajuste ao final do período, pela inexistência dos atributos de liquidez e certeza do crédito por eles representado. Em relação a eles, portanto, apenas o pagamento em momento anterior à presente análise permitiria que fosse utilizado na apuração do saldo negativo do IRPJ. Por outro lado, alguns integrantes deste Colegiado entendem que, no que se refere aos pedidos de compensação formalizados a partir do advento da Lei nº 10.833/2003, esse problema é suprido pelo fato do art. 17 dessa norma ter introduzido modificação no art. 74, da Lei nº 9.430/96 estabelecendo que as declarações de compensação representam confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, terseia a certeza quanto a sua cobrança se não adimplidos. Numa tentativa de conciliar os posicionamentos divergentes, ainda que reiterando meu entendimento quanto à impossibilidade da utilização de estimativas não quitadas, penso ser recomendável aguardar que o CARF se pronuncie relativamente ao processo 13603.900240/201120, a fim de que a decisão tomada nestes autos não corra o risco de se mostrar contraditória frente àquela. É como voto. Leonardo de Andrade Couto – Redator Designado Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/03 /2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10565.000470/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/07/2004
Ementa: Violação ao Princípio da Jurisdição Una. Afastamento. Afastado o obstáculo que fundamentou o não conhecimento da matéria litigiosa, faz-se necessário devolver os autos ao órgão julgador de primeira instância, sob pena de violar-se o direito à ampla defesa
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-01.136
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, a fim de que sejam enfrentadas as alegações relativas a ambas as multa impostas ao Sujeito Passivo. Fez sustentação oral a Advogada Sandra Maria Lopomo, OAB SP nº 159.219.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/07/2004 Ementa: Violação ao Princípio da Jurisdição Una. Afastamento. Afastado o obstáculo que fundamentou o não conhecimento da matéria litigiosa, faz-se necessário devolver os autos ao órgão julgador de primeira instância, sob pena de violar-se o direito à ampla defesa Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10565.000470/2007-16
conteudo_id_s : 5514236
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-01.136
nome_arquivo_s : Decisao_10565000470200716.pdf
nome_relator_s : Luis Marcelo Guerra de Castro
nome_arquivo_pdf_s : 10565000470200716_5514236.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, a fim de que sejam enfrentadas as alegações relativas a ambas as multa impostas ao Sujeito Passivo. Fez sustentação oral a Advogada Sandra Maria Lopomo, OAB SP nº 159.219.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
id : 6109222
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888025616384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 984 1 983 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10565.000470/200716 Recurso nº 892.336 Voluntário Acórdão nº 3102001.136 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de julho de 2011 Matéria ADMISSÃO TEMPORÁRIA Recorrente TAM LINHAS AÉREAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/07/2004 Ementa: Violação ao Princípio da Jurisdição Una. Afastamento. Afastado o obstáculo que fundamentou o não conhecimento da matéria litigiosa, fazse necessário devolver os autos ao órgão julgador de primeira instância, sob pena de violarse o direito à ampla defesa Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, a fim de que sejam enfrentadas as alegações relativas a ambas as multa impostas ao Sujeito Passivo. Fez sustentação oral a Advogada Sandra Maria Lopomo, OAB SP nº 159.219. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 5.129.699,85 (cinco milhões cento e vinte e nove mil, seiscentos e Fl. 1018DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10565.000470/200716 Acórdão n.º 3102001.136 S3C1T2 Fl. 985 2 noventa e nove reais e oitenta e cinco centavos) referentes a multa do artº 72, inciso I, da Lei 10.833, de 29/12/2003 (10% do valor aduaneiro da mercadoria submetida ao regime aduaneiro de admissão temporária, ou de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime) e, também a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à INTIMAÇÃO EQAET nº 115/2007, em procedimento fiscal, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “c” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo artigo 77 d Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Consta do Relatório Fiscal de fls. 03/09, parte integrante do Auto de Infração que a interessada tomou ciência em 21/11/2006, conforme consta das fls. 07, da manutenção do indeferimento do pedido de prorrogação do regime aduaneiro especial de admissão temporária apresentado pelo interessado, conforme requerimento de fl. 376, da Aeronave nova, ano de fabricação 1999, marca AIRBUS, tipo A319132, número de série 0976, descrita na Declaração de Importação nº 00/05457577. Através da Intimação EQAET nº 115/2007, o interessado foi intimado, em 12/04/2007, a apresentar a documentação que comprovasse a reexportação ou nacionalização do bem, dentro do prazo estabelecido no § 12 do artigo 15 da IN/SRF nº 285/2003, e a comprovar o pagamento da multa capitulada no inciso I do artigo 72 da lei nº 10.833/2003. Em 24/04/2007, o interessado protocolizou petição informando ser resposta à Intimação EQAET nº 115/2007, argumentando que não concorda com o indeferimento da prorrogação do regime de admissão temporária. Ao final informou que, “em razão de tal discordância, apresentou ação ordinária perante a Justiça Federal de Campinas, onde discute a questão a fim de obter a declaração de seu direito com relação à prorrogação do regime de admissão temporária” Destacou a fiscalização que quanto à apresentação da documentação solicitada na Intimação EQAET nº 115/2007, nada foi mencionado, assim, entende a fiscalização esta intimação não deve ser considerada como respondida. Em razão de o Interessado já ter apresentado recurso voluntário, nos termos do § 6º do artigo 10 da IN/SRF nº 285/2003, alterada pela IN/SRF nº 357/2003, não se tomou conhecimento do novo recurso, tendo em vista que não há mais previsão para recurso, administrativamente. Ciência do Interessado em 11/05/2007. Em 20/04/2007, a interessada apresentou na Vara Cível da Subseção Judiciária de CampinasSP, Ação Declaratória com pedido de antecipação de tutela a fim de declarar a prorrogação do regime de admissão temporária, e também que fosse impedida qualquer autuação por parte do Fisco para a exigência do Fl. 1019DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10565.000470/200716 Acórdão n.º 3102001.136 S3C1T2 Fl. 986 3 tributo que este entender devido com relação ao arrendamento das aeronaves em questão. Consta as fls. 897/907 do presente processo que a interessada impetrou, em 23/11/2007, Mandado de Segurança com pedido de medida liminar para que fosse “afastada a recomendação da pena de perdimento com relação às aeronaves em questão, até decisão final deste d. Juízo.” Ciente do Auto de Infração acima mencionado em 19/10/2007, a interessada apresentou a impugnação de fls. 526/545, onde alegou, em síntese do necessário: a exigência revelase absolutamente arbitrária e despida de qualquer fundamentação; o Auto de Infração em referência é irremediavelmente nulo, porquanto prescinde de elementos essenciais ao exercício pleno do direito ao contraditório e ampla defesa; na descrição dos fatos e enquadramento legal constante da autuação a fiscalização deixou de especificar o dispositivo legal em que se funda a aplicação da multa, discriminando, apenas os requisitos/condições e prazos estabelecidos no regime aduaneiro de admissão temporária; a legislação mencionada no corpo do auto de infração nada diz sobre a multa aplicada no presente caso. Apenas versa sobre o regime de admissão temporária e extinção de sua aplicação, caso verifiquese descumprimento dos requisitos, condições e prazo estipulados; a multa descrita no artigo 72, I, da Lei 10.833/2003 é completamente descabida, uma vez que as aeronaves fora trazidas para o Brasil através de contrato de simples arrendamento, não se tratando, como pretende a Receita Federal, de leasing ou arrendamento mercantil; a multa de R$ 5.000,00 prevista na alínea “c” do inciso IV do artigo 107, do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/2003, foi aplicada em razão de suposto descumprimento a apresentação de resposta à Intimação EQAET nº 115/06, dentro do prazo legal; entretanto a autoridade fiscalizadora ignorou a informação de que a impugnante, em razão da discordância com o indeferimento da prorrogação do prazo, ajuizou ação ordinária nº 2007.61.05.0048061 perante a Justiça Federal de Campinas, a fim de que fosse declarado o direito com relação ao regime de admissão temporária, vez que presentes todos os requisitos para sua concessão (doc. 11); ao contrário do que alega a d. fiscalização, tal manifestação foi tempestiva. Contandose o prazo de 10 (dez) dias para manifestarse acerca a intimação, recebida em 12/04/2007, o prazo findase em 23/04/07, data da postagem da manifestação, Fl. 1020DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10565.000470/200716 Acórdão n.º 3102001.136 S3C1T2 Fl. 987 4 enviada apelo Correio (vide Ato Declaratório Normativo COSIT nº 19, de 26/05/1997); requer seja acolhida a impugnação e seja declarado nulo o Auto de Infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pelo não conhecimento das alegações do sujeito passivo acerca da multa pela permanência da aeronave no País em prazo alegadamente superior ao da vigência do regime de admissão temporária, bem assim pela manutenção integral da exigência da multa pelo descumprimento do prazo fixado em intimação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 13/07/2004 RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 23/04/2007 NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. PENALIDADE A nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal justifica a aplicação da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c” do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. Impugnação Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Acrescenta exclusivamente suas ponderações acerca da inexistência de concomitância entre o presente processo e a Ação Ordinária nº 2007.61.05.0048061 ou o Mandado de Segurança n° 2007.61.05.0143173, ajuizados perante a Justiça Federal, Subseção Judiciária de Campinas. Em face do entendimento no sentido de que não caberia recurso voluntário da fração relativa à multa pela nãoreexportação do bem sujeito ao regime de admissão temporária, a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição apartou essa fração do lançamento e passou a controlála nos autos do processo 10831.003216/201088, alvo de cobrança e posterior inscrição em Dívida Ativa da União. Fl. 1021DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10565.000470/200716 Acórdão n.º 3102001.136 S3C1T2 Fl. 988 5 Posteriormente, sobreveio sentença nos autos do Mandado de Segurança nº 001743619.2010.403.61231, onde o MM Juiz da 8ª Vara Federal, da 5ª Subseção Judiciária em Campinas determina o prosseguimento do julgamento do recurso voluntário apresentado no presente processo, determinando, outrossim, que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Promova a análise de tal recurso no prazo de 60 dias, contados da intimação da sentença. O presente processo foi incluído na pauta da sessão de julgamentos do dia 03 de junho de 2011 e, em face da necessidade de se juntar ao presente processo, os autos do processo 10831.003216/201088, foi o mesmo retirado de pauta para a adoção de tal expediente. Cumprida tal providência, retornam os autos para julgamento. É o Relatório. 1 Colacionada às fls. 1033 a 1034 do processo 10831.003216/201088. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Importa consignar que não há espaço para discutir se a matéria alvo do presente recurso seria ou não concomitante com aquela que é objeto da Ação Ordinária nº 2007.61.05.0048061 e do Mandado de Segurança n° 2007.61.05.0143173, na medida em que o ilmo magistrado que determinou a análise dos autos por este Colegiado afastou expressamente tal obstáculo ao conhecimento do mérito. Confirase excerto do julgado: Assim, analisando a matéria com maior detença, verifico que o indeferimento no seguimento do recurso voluntário da impetrante, em relação às multas aplicadas pelo descumprimento de requisitos à concessão do regime aduaneiro de admissão temporária e, por não ter apresentado resposta no prazo estipulado à intimação em procedimento fiscal, não se subsumem a hipótese do parágrafo único do art. 38 da Lei n. 6.830/80. Ocorre o objeto do auto desse auto de infração (MPF n. 0817700/00436/07), bem como a sua impugnação, não foram objetos nas referidas ações, que aliás, como disse lhe são anteriores. Enquanto discutia judicialmente seu direito ao regime especial, a impetrada aplicoulhe multa que entendeu devida, sendo o recurso relativo a tal aplicação o que pretende o impetrante seja analisado. Quanto a este, portanto, até o presente momento não houve submissão a Poder Judiciário do seu mérito, tratando este mandado de segurança, apenas da questão processual relativa à prejudicial indevidamente acolhida pela DRJ, que lhe tolhera do direito à ampla defesa. Fl. 1022DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10565.000470/200716 Acórdão n.º 3102001.136 S3C1T2 Fl. 989 6 Ocorre que, uma vez afastada a concomitância que motivou a decisão recorrida, demonstrase inegável que, efetivamente, deixouse de enfrentar o mérito da impugnação e, como tal, cerceouse o exercício do direito de defesa do sujeito passivo, a quem é legalmente assegurado o direito de ver sua insurgência enfrentada em pelo menos duas instâncias administrativas. Nessa senda, eventual julgamento por este Colegiado representaria inegável violação a preceito assentado no art. 5º, LV da Constituição Federal de 19882, e como tal passível de ser anulado com espeque no art. 59, II do Decreto nº 70.235, de 19723. Sendo assim, com fundamento no mesmo art. 59, II do Decreto nº 70.235, de 1972, voto no sentido de anular o presente processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, e determinar a elaboração de um novo acórdão em que sejam enfrentadas as alegações do Sujeito Passivo acerca de ambas as multas que foram alvo do presente processo. Sala das Sessões, em 7 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro 2 LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 3 Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 1023DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003605/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DECISÕES DE PRIMERIA E SEGUNDA INSTÂNCIAS. DELIMITAÇÃO DA LIDE.
O julgamento do auto de infração controvertido deve observar os limites da lide. A acusação veiculada pelo Fisco no relatório de auditoria que narra os fatos identificados durante o procedimento e as infrações cometidas pela parte delimitam o julgamento. Se a Fiscalização, embora ciente do fato, não o considerou irregular, não cabe ao julgador torná-lo, e decidir com base nesse entendimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Exonerado em Parte
Numero da decisão: 3102-002.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência decorrente da reclassificação fiscal das mercadorias comercializadas pela empresa. A Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar e o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Dolina Sol Pedroso de Toledo OAB 219932.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 02/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DECISÕES DE PRIMERIA E SEGUNDA INSTÂNCIAS. DELIMITAÇÃO DA LIDE. O julgamento do auto de infração controvertido deve observar os limites da lide. A acusação veiculada pelo Fisco no relatório de auditoria que narra os fatos identificados durante o procedimento e as infrações cometidas pela parte delimitam o julgamento. Se a Fiscalização, embora ciente do fato, não o considerou irregular, não cabe ao julgador torná-lo, e decidir com base nesse entendimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Exonerado em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11065.003605/2006-18
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5474406
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-002.402
nome_arquivo_s : Decisao_11065003605200618.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11065003605200618_5474406.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência decorrente da reclassificação fiscal das mercadorias comercializadas pela empresa. A Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar e o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Dolina Sol Pedroso de Toledo OAB 219932. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 02/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
id : 5960440
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888034004992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2270; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.003605/200618 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.402 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2015 Matéria Auto de Infração IPI Recorrente SPRINGER CARRIER LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 ESCRITA FISCAL. SALDO INICIAL. PROCEDIMENTO FISCAL CONTROVERTIDO EM OUTRO PROCESSO. AFETAÇÃO. O saldo inicial do período fiscalizado é afetado pela revisão da escrita feita pela Fiscalização Federal em outro procedimento fiscal, ainda que o auto de infração correspondente tenha sido contestado e esteja pendente de decisão administrativa definitiva. O contribuinte deve estornar em sua escrita os créditos glosados pelo Fisco. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. APARELHO DE CONDICIONAMENTO DO AR. PARTE. UNIDADES EVAPORADORAS. A Unidade interna de um aparelho de condicionamento do ar, tipo “split system”, compreendendo uma serpentina evaporadora (trocador de calor), um ventilador de motor elétrico que circula o ar pela serpentina evaporadora e o projeta dentro de um cômodo (local a ser climatizado), um filtro de ar, um termostato e um painel de controle, montados juntos num mesmo receptáculo, concebida para ser conectada a uma unidade externa por fios elétricos e tubos de cobre, classificase na NCM 8415.90.00. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DECISÕES DE PRIMERIA E SEGUNDA INSTÂNCIAS. DELIMITAÇÃO DA LIDE. O julgamento do auto de infração controvertido deve observar os limites da lide. A acusação veiculada pelo Fisco no relatório de auditoria que narra os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 36 05 /2 00 6- 18 Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 fatos identificados durante o procedimento e as infrações cometidas pela parte delimitam o julgamento. Se a Fiscalização, embora ciente do fato, não o considerou irregular, não cabe ao julgador tornálo, e decidir com base nesse entendimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Exonerado em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência decorrente da reclassificação fiscal das mercadorias comercializadas pela empresa. A Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar e o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Dolina Sol Pedroso de Toledo – OAB 219932. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 02/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo empreendeu ação fiscal junto ao estabelecimento acima qualificado, a fim de proceder à verificação da regularidade do cumprimento das suas obrigações tributárias relativamente ao Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI do ano de 2002. O procedimento fiscal apurou as irregularidades relatadas a seguir, que resultaram na lavratura do Auto de Infração de fls. 416/417 e dos demonstrativos de fls. 418 a 457, acompanhado do Relatório de Ação Fiscal, de fls. 395 a 415, com crédito tributário exigido no valor total de R$ 46.176.523,02. 1.1. O interessado fabrica, dentre outros, aparelhos de arcondicionado denominados genericamente de “split”, composto de duas unidades básicas: as “unidades evaporadoras” e as “unidades condensadoras”, que funcionam conjuntamente, ligadas por meio de dutos e fios, para atender a função para a qual foram criadas (resfriamento/aquecimento de ar). Nos trabalhos de fiscalização, foi identificado erro de classificação fiscal referente a uma das unidades “split”, “a unidade evaporadora”, que o contribuinte adota como sendo o código 8419.50.90 da TIPI, com alíquota de 5%, amostra de notas fiscais, de fls. 330 a 334. Segundo o agente fiscal, essa matéria já foi objeto de lançamento anterior, cujo auto de infração foi formalizado no processo administrativo nº 11065.004409/200407, com pendência de julgamento no Conselho de Contribuintes, bem como, foi objeto de consulta do próprio interessado, no processo nº 13002.000205/9787, tendo sido Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 3102002.402 S3C1T2 Fl. 3 3 emitida a Decisão SRRF/10ªRF/DIANA nº 12, de 12 de fevereiro de 1998, cópia de fls. 43 a 48, cuja classificação fiscal enquadrou as “unidades evaporadoras” em questão nos códigos 8415.10.10, 8415.82.10 e 8415.82.90, todos com alíquota do IPI de 20%. 1.1.1. Além do aparelho retrocitado, o contribuinte também fabrica os aparelhos denominados “fan coil” e “self”, segundo especificações constante nos catálogos das fls. 65 a 74, que são classificados pelo contribuinte, via de regra, nos códigos 8418.69.90, 8419.50.90 8418.99.00, 8414.59.90 e 8418.6110, conforme amostra das cópias de notas fiscais, de fls. 324 a 329 e 335 a 353, todos com alíquota do IPI de 5%, enquanto que a fiscalização entendeu que seria aplicável ao caso a orientação dada nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), relativas à posição 8415 da TIPI, concluindo pela classificação dos produtos nos códigos 8415.81.10, 8415.81.90, 8415.82.10 e 8415.82.90 da TIPI/2001, todos com alíquota do IPI de 20%. 1.2. Diante desses fatos, a fiscalização lançou de ofício o IPI destacado a menor nas notas fiscais de saída dos produtos mencionados acima, conforme planilhas de apuração para cada tipo de produto, “unidades evaporadoras – split”, de fls. 49 a 64, e dos produtos “self” e “fan coil”, planilhas de fls. 75 a 119, todas do ano 2002, com infração aos arts. 15, 16, 17, 23, inciso II, 32, inciso II, 109, 110, inciso I, letra "b" e inciso II, letra "c", 114, 117, 118, inciso II, 182, 183, inciso IV e 185, inciso III, do Decreto n.º 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98), bem como aos arts. 15, 16, 17, 24, inciso II, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, letra "b" e inciso II, letra "c", 127, 130, 131, inciso II, 199, 200, inciso IV e 202, inciso III, do Decreto n.º 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/02). A multa de lançamento de ofício de 75% foi majorada em 50%, alcançando 112,5% para os produtos denominados “unidades evaporadoras – split”, porque se trata de produtos cuja classificação fiscal já foi objeto da mencionada Decisão SRRF/10ªRF/DIANA nº 12, de 1998, passada em julgado, com enquadramento no art. 451, inciso I, alínea “a”, c/c os arts. 448, 449, inciso II e 461, inciso I, do RIPI/98 e com o art. 478, inciso I, alínea “a”, c/c os arts. 475, 476, inciso II e 488, inciso I, do RIPI/2001, bem como, no art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o art. 69, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 4.502, de 1964. Para os demais produtos classificados erroneamente, foi aplicada a multa de ofício no percentual de 75%, conforme art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996. 1.3. Aproveitamento a maior do crédito presumido do IPI, apurado segundo regime alternativo da Lei nº 10.276, de 2001, porque o contribuinte considerou como receita operacional bruta (ROB) o valor de R$ 411.059.716,22, quando o correto, segundo a fiscalização, seria R$ 609.336.312,61 conforme registrado na DIPJ/AC2002, fl. 355, o que acarretou um percentual maior na relação RExp/ROB e, em conseqüência, foi registrado na escrita fiscal do contribuinte, no ano de 2002, um excedente do crédito presumido do IPI, no valor de R$ 2.270.426,38, conforme cálculo demonstrado na planilha da fl. 219. 1.4. Aproveitamento indevido dos créditos do IPI decorrente de “atualização do saldo credor BEFIEX”, com origem no créditoprêmio do IPI, nos valores de R$ 211.923,40, R$ 144.240,58 e R$ 682.020,48, porque a decisão judicial que justificaria o pretenso crédito, na Ação Ordinária nº 90.00109051 da 14ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, cópia de fls. 228 a 238, não teria autorizado qualquer espécie de atualização do benefício fiscal. Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 1.5. Não estorno pelo contribuinte, no final do 3º decêndio de 12/2001 (início do 1º decêndio de 01/2002), do saldo credor registrado no livro Registro de Apuração do IPI, no valor de R$ 14.687.388,73, integralmente absorvido por ocasião da reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, relativo ao ano de 2001, em decorrência do Auto de Infração do IPI lavrado contra o impugnante e formalizado no processo nº 11065.004409/200407; 1.6. Aproveitamento indevido, na escrita fiscal, do valor de R$ 360.036,50 proveniente da atualização monetária dos saldos credores do IPI, autorizada judicialmente, conforme cópia da decisão judicial na ação Ordinária nº 93.00092138, da 1ª Vara da Justiça Federal de Porto Alegre, cópia nas fls. 240 a 244, porque, embora exista tal autorização, após a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte efetuado pela fiscalização em razão das irregularidades apontadas acima, não se verificaram saldos credores nos períodos de apuração em que foram registrados os créditos, não havendo, em conseqüência, que se falar em correção onde não existe saldo credor. 1.7. As irregularidades apontadas nos itens 1.3 a 1.6 retro, foram enquadradas nos arts. 32, inciso II, 109, 114, caput e parágrafo único, 117, 165, 166, 166, 167, 168, 169, 170, 182, 183, inciso IV, 184, 185, inciso III, 403, 404, 407, 408, 412, 418, 419, 442, 443 e 444 do Decreto n.º 2.637, de 1998 (RIPI/98), bem como nos arts. 34, inciso II, 122, 127, 130, 179, 181, 182, 183, 184, 185, 186, 187, 188, 189, 199, 200, inciso IV, 202, inciso III, 427, 428, 431, 432, 436, 443, 444, 469, 470, e 471 do Decreto n.º 4.544, de 2002 (RIPI/02). A multa de ofício, no percentual de 75%, foi aplicada conforme art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996. 2. O contribuinte, tempestivamente, por intermédio de seu procurador, instrumento da fl. 500, impugnou integralmente o lançamento efetuado, mediante arrazoado de fls. 459 a 497, alegando em síntese: 2.1. Preliminarmente, reclama da ocorrência de vício material quanto à legislação aplicada, isso porque o lançamento fiscal teria enquadrado as infrações no Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 2002, cuja publicação se deu em data posterior aos fatos imputados nas infrações, o que violaria o princípio da irretroatividade da lei. 2.2. Prossegue impugnando a autuação na parte que se refere à classificação das unidades evaporadoras, relatada no item 1.1. acima. Menciona que os aparelhos denominados “split”, são compostos por duas unidades básicas, a unidade evaporadora e a unidade condensadora, apresentados em corpos distintos, funcionando fisicamente separados, interligados por fios e dutos. Em que pese tal separação física, as duas unidades somente poderão funcionar como um aparelho de arcondicionado se atuarem em conjunto. Entretanto, no caso do lançamento ora impugnado, as unidades evaporadoras e condensadoras foram comercializadas isoladamente, isso porque os clientes fazem o uso que lhe convém para cada produto individualizado, segundo as suas necessidades, não se podendo presumir que venham a ser utilizadas como aparelhos de arcondicionado. Faz menção ao laudo técnico emitido pelo CENPC, cópia de fls. 633 a 642, que conclui que as unidades evaporadoras e condensadoras executam funções diferentes e somente quando funcionam em conjunto é que passam a exercer uma nova função que é a de refrigerar o ar. Dessa forma, a unidade evaporadora agindo isoladamente não pode ser considerada como um aparelho de arcondicionado com a dupla função de modificar a temperatura e a umidade, porque ela é uma máquina que desempenha função própria (transferência de ar – sem redução da umidade do ar), não podendo, em conseqüência, ser classificada na mesma posição 8415 atribuída aos aparelhos de arcondicionado, como quer a fiscalização, mas sim na posição 8418, subposição 8418.99.00, conforme laudo técnico. Transcreve parte da Nota 4 da Seção XVI da Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 3102002.402 S3C1T2 Fl. 4 5 NESH, relativo à posição 8418, que em determinado ponto menciona que se determinada máquina foi concebida para funcionar em conjunto com outra, “nada se opõe que se classifique o conjunto na posição correspondente à função que este executa”. Prossegue dizendo que se o impugnante incorreu em erro, isso aconteceu, na pior das hipóteses, com a classificação em outro código, o de 8419.50.90, com a mesma alíquota de 5%, não trazendo nenhum prejuízo ao fisco. Faz menção, na fl 470 da impugnação, ao processo de consulta nº 87/00 da SRRF/8ª RF, que concluiu classificaremse no código 8418.99.00 o produto denominado “Evaporador do tipo tuboaleta para ar condicionado, marca Heatcraft 3EZ 1403 A”, mesmo aparelho produzido pelo autuado. Quanto ao processo de consulta formulado pelo interessado, de nº 13002.000205/9787, cópia de fls. 645 a 651, alega que a unidade evaporadora objeto da consulta não é a mesma que aqui se trata, tendo funções e características diferentes, não cabendo também, por conseqüência, o agravamento da penalidade imposta em 50%. Por fim, questiona a aplicabilidade das notas 3, 4 e 5 da Seção XVI (NESH), exposto no Relatório de Ação Fiscal, mencionando que a nota 3 trata somente de aparelhos de arcondicionado de corpo único, não analisados no presente caso. 2.3. Em relação à classificação fiscal do aparelho denominado “self”, o impugnante menciona que a fiscalização analisou de forma superficial a questão, restringindose a informar que o aparelho tem a função de modificar a temperatura do ar e, por condensação, a umidade do ar. A fiscalização equivocase ao considerar que o aparelho contém ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade do ar funções típicas dos aparelhos de arcondicionado, isso porque o produto comercializado, de forma individualizada, apresenta a função específica de remover calor do sistema de refrigeração, não podendo ser enquadrados na posição 8415 porque não possui a duplicidade de funções retrocitadas. Para corroborar esse entendimento, aporta aos autos parecer técnico (folhas 633 a 642 e 767 a 770) que ratificam a classificação na posição 8418, adotada pelo autuado. Além disso, menciona que as notas explicativas de classificação Nota 4 da Seção XVI da NESH – excluiu os aparelhos que produzem ar refrigerado da posição 8415 para a posição 8418 ou 8419. 2.4. Quanto à classificação do aparelho denominado “fan coil”, alega o impugnante que o mesmo tem a função específica de trocar calor com o meio ambiente, possuindo um motor elétrico, serpentina com tubos, por onde circula água gelada ou quente, para resfriamento ou aquecimento do ar, e ventilador com aspiração, tudo conforme laudo a ser juntado oportunamente, no prazo a ser concedido pela autoridade julgadora. Dessa forma, entende que o produto em questão não poderia ser classificado na posição 8415, como pretende a fiscalização, pois sua função principal é de trocar o calor com o meio ambiente e não de alterar a temperatura e a umidade do ar, atividades próprias dos aparelhos de arcondicionado. 2.5. Relativamente à glosa de créditos do IPI, no valor de R$ 14.687.388,73, em decorrência do Auto de Infração do IPI, formalizado, anteriormente, no processo nº 11065.004409/200407, a defesa combate a autuação argumentando que o lançamento agora efetuado decorre diretamente da autuação anterior, pendente de julgamento no Conselho de Contribuintes, estando a exigência nele contida com a exigibilidade suspensa, o que acarretou ao autuado uma dupla exigência fiscal, no auto de infração anterior e no presente. Embasa seu entendimento argumentando que caso o julgamento naquele processo lhe seja favorável neste tópico, o correspondente lançamento, aqui discutido, deixaria de existir e caso a decisão mantenha o lançamento anterior, somente então estaria obrigado a efetuar o estorno em questão. Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 2.5.1. Alega, ainda, que os créditos glosados se referem ao créditoprêmio do IPI, garantido pelo acordo BEFIEX, que foram reconhecidos judicialmente na Ação Declaratória nº 90.00109051, não podendo o fisco desrespeitar a coisa julgada, juntando cópias das decisões, de fls. 1330 a 1406. No que se refere à glosa da correção monetária aplicada ao créditoprêmio do IPI, aduz o impugnante que esta também foi reconhecida na mesma Ação Declaratória retrocitada, motivo pelo qual a sua incidência deve ser acatada. 2.6. Em relação à glosa relativa ao crédito presumido do IPI, o impugnante alega que a fiscalização teria arbitrado a Receita Bruta do interessado em R$ 609.336.312,61 com base no valor declarado na DIPJ, mas deixou de subtrair os valores referentes ao IPI, nos termos da legislação de regência, devendo ser mantido o valor de R$ 411.059.716,21 informado no DCP. 2.7. Por fim, o interessado protesta pela glosa levada a efeito pela fiscalização quanto à correção monetária dos saldos credores do IPI registrados na escrita fiscal, informando que esta correção também possui amparo judicial, conforme Ação Ordinária nº 93.00092138, cópias das decisões juntadas às fls. 1410 a 1682. Atualmente, os autos encontramse no Superior Tribunal de Justiça, com Recurso Especial impetrado pela Fazenda Nacional pendente de julgamento, sem efeito suspensivo. Dessa forma, entende o interessado que o lançamento fiscal, quanto à essa matéria, deve ser suspenso, até o julgamento final do referido recurso sob pena de ser violado, mais uma vez, a coisa julgada material. Transcreve Ementário do STJ em apoio à tese da incidência de correção monetária aos créditos em questão. 2.8. Conclui seu arrazoado, requerendo que seja julgado improcedente o lançamento do IPI formalizado no Auto de Infração, protestando pela produção de prova pericial, bem como pela juntada de outros documentos. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS — Máquinas e aparelhos do tipo "splitsystem", "self" e "fan coil", que atuam conjuntamente, contendo ventilador motorizado e dispositivo que modifica, simultaneamente, a temperatura e a umidade do ar, funções típicas das máquinas de arcondicionado, classificamse na posição 8415 da TIPI de 2001. As máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. Aplicação de alíquota de imposto, menor do que a devida, por erro de classificação fiscal do produto, justifica o lançamento de oficio, com os respectivos consectários legais. Cabível o agravamento da multa quando se referir a produto cuja classificação fiscal já tenha sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo próprio infrator que, mesmo ciente da mesma, continuou utilizando classificação imprópria. CORREÇÃO MONETÁRIA DO IPI É procedente a correção monetária de créditoprêmio do IPI, reconhecida em decisão judicial transitada em julgado. Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 3102002.402 S3C1T2 Fl. 5 7 Está correta a glosa da correção monetária dos saldos credores do IPI, registrados na escrita fiscal e autorizada judicialmente se, na reconstituição da escrita fiscal por ocasião do lançamento efetuado pela fiscalização, não se apuraram saldos credores nas datas dos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Base de Cálculo — O valor da Receita Operacional Bruta obtido na declaração DIPJ entregue pelo contribuinte, se presta para apuração do crédito presumido do IPI, salvo prova em contrário. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando não expostos os motivos que justifiquem os exames desejados. Providência desnecessária à solução da lide. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão tomada. Por seu turno, insatisfeita com a decisão de primeira instância, a autuada apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais folhas 1.704 e seguintes. Preliminarmente, aponta vício material do lançamento e da decisão de piso, por ter aplicado como fundamento de validade da exigência o Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002, editado em data posterior ao fatos geradores objeto da lide, assim como pelo fato de não ter havido menção à lei que dá suporte legal à autuação, mas apenas ao Decreto que lhe regulamentou. Passa ao mérito. Classificação Fiscal das Unidades Evaporadoras No mérito, contesta a classificação escolhida pela Fiscalização Federal, NCM 8415.10. Considera correta a posição escolhida: NCM 8418.99.00. Argumenta que "as unidades evaporadora e condensadora devem funcionar em conjunto para que sejam consideradas como um arcondicionado". Explica, 18. Entretanto, no caso ora combatido, as unidades evaporadoras e condensadoras foram comercializadas isoladamente, não existindo qualquer venda casada, isso porque esses produtos, por terem funções próprias, podem ser comercializadas isoladamente. 19. E fato que um cliente poderá adquirir, como aconteceu nas operações objeto do lançamento fiscal, uma unidade evaporadora ou uma unidade condensadora para aplicar em funções próprias. Com isso, não se pode presumir, como fez a fiscalização e os ínclitos julgadores de primeiro grau, que tais unidades, mesmo comercializadas individualmente, foram utilizadas como arcondicionado. Que o Laudo Técnico emitido pela CENPEC Centro Profissional de Comércio Exterior, assinado pelo Sr. Cláudio R. G. V. Pinto confirma que as unidades evaporadoras e condensadoras exercem, isoladamente, funções diferentes. Transcreve excertos extraídos do laudo para concluir: Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Nesse sentido, em razão das especificações técnicas trazidas pelo laudo quanto à unidade evaporadoras, máquina constituída por uma serpentina de tubo metálico termocondutor e um ventilador com motor elétrico, em que não apresenta função qualquer de produzir ar refrigerado, mas apenas a sua transferência, deverá ser classificada como uma máquina cuja função principal se dá pelo evaporador, jamais pelo arcondicionado que exige dupla função de modificar temperatura e a umidade. As unidades evaporadoras não exercem a função de reduzir a umidade do ar! Que as próprias Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado NESH excluem da posição 8415 os elementos das máquinas e aparelhos de ar condicionado apresentados separadamente, classificandoos na posição 84.18 ou 84.19. E que, da mesma forma, lhe é favorável a Nota 4 da Seção XVI (NESH). Que a alíquota incidente sobre as duas classificações objeto da lide é a mesma. Cita diversas manifestações da Secretaria da Receita Federal que lhe são favoráveis. Questiona a interpretação dada pela Fiscalização às Notas 3, 4 e 5 da Seção XVI (NESH). Esclarece que o produto objeto do processo nº 13002.000205/9787 não é o mesmo que se discute na vertente lide. Classificação Fiscal dos Self Argumenta que equivocase a Fiscalização Federal quando considera que as máquinas e aparelhos denominados de Self são condicionadores de ar contendo ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e umidade, porque o produto comercializado de forma individualizada é o condensador, que possui função própria e independente, e não o equipamento todo, que apresenta função especifica de remover calor do sistema de refrigeração, conforme é atestado pelo Laudo da ENGEP Engenharia e Perícia Ltda. Que as mesmas Notas Explicativas apresentadas na defesa da classificação dos Evaporadores valem para os Self. Que também neste caso a alíquota é a mesma. Classificação Fiscal das Unidades Fan Coil Contesta o fato de a decisão de primeira instância não ter adentrado às características próprias de cada aparelho, classificandoos como se fossem um só. Explica que os aparelhos Fain Coil são aparelhos que realizam como função principal e especifica a troca de calor do ambiente, com serpentina de aquecimento e resfriamento do ar, possuem um motor elétrico, serpentinas com tubos, serpentinas com água gelada ou quente e ventilador com aspiração; portanto, muito diferente das condições técnicas para enquadramento na classificação 8415, como arcondicionado. Demonstra que as Notas Explicativas não excluem esses aparelhos da NCM escolhida. Fl. 3439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 3102002.402 S3C1T2 Fl. 6 9 E conclui: 64. Diante do exposto, a unidades Fan Coil jamais poderiam ser classificadas no código 8415, como pretende a fiscalização e a decisão recorrida, pois sua função especifica e principal é de trocar (permutar) o calor com o meio ambiente, e não de alterar umidade e temperatura, como são os casos específicos dos ar condicionados. Dos créditos indevidos apurados pelo Fisco. Falta de estorno em razão de intimação Contesta o entendimento da decisão de primeira instância de que o valor do crédito aqui discutido foi integralmente absorvido quando a escrita fiscal do contribuinte foi reconstituída por ocasião do lançamento do IPI das infrações sobre ele imputadas no processo 11065.004409/200407, que pende de Recurso Voluntário perante o Conselho de Contribuintes. Da mesma forma, contesta o entendimento do Fisco de que não existe duplicidade de cobrança. E questiona: 71. A resposta que tem que ser dada aos I. julgadores de primeira instância administrativa quanto à possível vitória do contribuinte no primeiro processo é que, caso haja o cancelamento do primeiro lançamento, o crédito glosado poderá ser integralmente aproveitado, se e somente se estiver dentro do prazo de decadência, e não ao arrepio da lei como pretende a decisão recorrida, sob o pretexto de dar um conforto ao contribuinte cobrado em duplicidade. Do Crédito Presumido do IPI Após fazer considerações e transcrever excertos do Relatório Fiscal, esclarece que a diferença apurada pela Fiscalização Federal tem origem nos critérios utilizados para quantificação da Receita Operacional Bruta. Mas que, contudo, o valor calculado no ano calendário de 2002, de R$ 411.059.716,21, é o correto, não havendo por que se falar em erro do contribuinte na informação declarada em DCP. Esclarece mais uma vez que não foi subtraído o valor correspondente ao IPI. b) A Receita Bruta Operacional não é de R$ 609.336.312,61, pois a DIPJ (já juntada nos autos) demonstra o valor com as deduções feitas quanto As vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais e o IPI, que deixou de ser subtraído do cálculo; Da correção monetária do saldo credor do IPI Assevera que a correção monetária do saldo credor está amparada em medida judicial, e não em processo administrativo como afirmado pela decisão recorrida, conforme se depreende dos documentos juntados nos autos da ação ordinária n° 93.00092138. E que a exigência deve ser suspensa até a decisão definitiva pelo Superior Tribunal de Justiça. A primeira análise do Processo demonstrou a necessidade de que o julgamento fosse convertido em diligência para que, dentre outras providências, fosse realizada perícia em um dos equipamentos comercializados pela Recorrente. Os termos foram os seguintes. Fl. 3440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 Diante disso, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja solicitada a elaboração de laudo pericial contendo além dos quesitos que o contribuinte e a fiscalização desejem incluir as seguintes questões: 1 As unidades evaporadoras vendidas pelo contribuinte podem ser utilizadas em outras finalidades que não as que desempenham quando operam em conjunto com as unidades condensadoras dos condicionadores de ar modelo split? 2 Caso a resposta ao item anterior seja afirmativa, descrever as aplicações. E que a Unidade Local examine os documentos apresentados pelo contribuinte em sede de impugnação e investigue a existência ou não de outras notas fiscais não apresentadas emitidas para as mesmas empresas para as quais foram vendidos os evaporadores, sendo possível, diligencie os clientes para os quais o contribuinte vendeu os aparelhos, com vistas a esclarecer qual foi a efetiva aplicação destes, desde o seu recebimento, armazenagem e destino final, em quantidade suficiente para que fique caracterizado o modus operandi nessas operações. Após, seja concedido prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte. Feito isso, o processo retorna para decisão final. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Da preliminar de nulidade por vício material Não procede a alegação de vício material arguída pela Recorrente, que teria ocorrido, segundo defende, por que a base legal, Decreto nº 4.544/02, foi editada em data posterior à ocorrência das infrações de que é acusada. Primeiro, que se diga que a regra de anterioridade ou não retroação da lei aplicase às leis que instituem as obrigações ao administrado e às penalidades por sua inobservância, não aos decretos que as regulamentam. O que é preciso saber é se as Leis que instituíram as regras cuja inobservância deu azo à autuação já eram vigentes na época dos fatos, assim como as leis que definiram penalidades e infrações às condutas consideradas ilícitas. A organização e a compilação das normas legais feitas pelos decretos regulamentares editado pelo Poder Executivo, salvo situações nas quais eles próprios criem regras não previstas em lei, não afeta o direito do contribuinte de que só lhes sejam aplicadas disposições legais vigentes à época dos fatos objeto da autuação. Ainda mais, no caso concreto, o que se vê é que a Recorrente não tem mesmo qualquer razão para protesto. Encontrase clara referência no Auto de Infração também ao Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), vigente antes da entrada em vigor do Decreto nº 4.544/02. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade por vício material. Fl. 3441DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 3102002.402 S3C1T2 Fl. 7 11 Passo ao mérito. A classificação fiscal das mercadorias comercializadas pela Recorrente será analisada no final do vertente Voto. Dos créditos indevidos. Falta de estorno A Recorrente contesta a decisão de primeira instância que considerou correta a necessidade de estorno do saldo credor do decêndio 312/2001, com base nas apurações realizadas pelo Fisco em procedimento discutido nos autos do Processo 11065.004409/2004 07, que, à época, encontravase para julgamento do Recurso Voluntário interposto, perante o Conselho de Contribuintes, e que, hoje, segundo consta, está na pendência do julgamento de Embargos de Declaração interpostos à decisão tomada pela Primeira Turma Ordinário da Primeira Câmara dessa Terceira Seção. De se observar que o que está em discussão neste tópico diz respeito ao saldo inicial considerado para efeito de apuração do débito anotado no Auto de Infração aqui discutido. Tratase de uma questão bastante comum em fiscalizações do Imposto sobre Produtos Industrializados, na medida em que a revisão de um período determina modificação do saldo inicial do período seguinte. Segundo me parece, contudo, não chega a ser um assunto de difícil equacionamento. Esse problema será resolvido na medida em que a Unidade de Preparadora considere o resultado de todos os litígios que tenham relação de interdependência, para então determinar o valor final da exigência. E não se justificam os protestos dirigidos à exigência do estorno. Não há a reclamada duplicidade de cobrança. Se o valor é considerado indevido, seja ele decorrente da glosa de créditos ou verificação de débitos não lançados, ele não pode estar escriturado na contabilidade da pessoa jurídica e, ao mesmo tempo, deverá, de fato, compor o valor do débito exigido no auto de infração. A constituição da exigência decorre da revisão dos lançamentos no Livro de Apuração do IPI e passa, necessariamente, pela glosa dos lançamentos considerados indevidos. Não é possível conceber a ideia de que o crédito cuja desconsideração integra o cálculo da dívida anotada na autuação possa ser utilizado pelo contribuinte, como se duas verdades incompatíveis pudessem coexistir. Ou o crédito não existe e o débito calculado deve ser exigido do contribuinte, com todas as repercussões que são inerentes a essa decisão, inclusive o estorno dos lançamentos contábeis e revisão do saldo final/inicial, ou o crédito existe e o débito não pode ser exigido, assim como os valores não devem ser estornados e o saldo não pode ser revisto. Do Crédito Presumido do IPI Basicamente, o que a Recorrente contesta é, mais uma vez, que os valores considerados pela Fiscalização Federal, extraídos das informações por ela própria prestadas na DIPJ, não levam em conta o Imposto sobre os Produtos Industrializados, que, segundo entende, deve ser excluído da Receita Operacional Bruta. Esse assunto foi abordado em primeira instância de julgamento. Reproduzo a íntegra da decisão nesse particular. Erro no cálculo do Crédito Presumido do IPI Fl. 3442DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 12 7. Em relação ao correto valor da Receita Operacional BrutaROB, que influenciou a relação RExp/ROB e, por conseqüência o valor do crédito presumido do IPI a que o contribuinte tem direito, no ano de 2002, podese constatar que o valor da ROB, foi regularmente obtido pela fiscalização na declaração DIPJ entregue pelo próprio interessado, de fls. 354 a 394, o que implica em reconhecer que o valor esteja correto. Já o impugnante menciona que a diferença se deve ao fato de que no valor considerado pela fiscalização estaria incluído o valor IPI, valor esse que deve ser subtraído do montante da Receita Bruta, sem que tenha trazido qualquer comprovação sobre tal fato. Já a definição de Receita Bruta obtida na legislação do Imposto de Renda, no art. 279, do Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999, encontrase abaixo transcrito, para melhor clareza: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei n2 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. 7.1. Como se observa da leitura do parágrafo único do art. 279, no cômputo da receita bruta não se incluem os imposto não cumulativos, como é o caso do IPI, como deve ser informado na DIPJ, o que cai por terra a alegação apresentada pelo impugnante, o que leva a concluir que a fiscalização agiu corretamente ao efetuar novo cálculo do crédito presumido do IPI da fl. 219, com a utilização do valor de R$ 609.336.312,61 de ROB, glosando o valor excedente do beneficio, registrado na escrita fiscal, no valor de R$ 2.270.426,38. Na essência, portanto, é incontroverso que a autuada tem direito de excluir da Receita Operacional Bruta o valor do Imposto sobre Produtos Industrializados retido. O problema é que não foi feita nenhuma prova dessa alegação, nem em sede de impugnação nem em fase recursal. No corpo do Recurso Voluntário, a Recorrente apenas reitera alegação de um direito que, como se viu, não lhe é negado no mérito, mas em face da ausência de provas. Uma vez que subsista a ausência de provas, não vejo como rever a decisão tomada em primeira instância. Da correção monetária do saldo credor do IPI Me parece que haja uma certa confusão a respeito dessa questão. A Recorrente assevera que a decisão de primeira instância é que teria feito a confusão. Que seu direito não decorre de processo administrativo como lá foi dito, mas de processo judicial e que é preciso aguardar a decisão do Superior Tribunal de Justiça a esse respeito. Mas não é nada disso que leio na decisão de piso. Observese. Erros no aproveitamento dos demais créditos 8. Sobre a glosa dos créditos do IPI decorrente de "atualização do saldo credor BEFIEX", com origem no créditoprêmio do IPI, nos valores de R$ 211.923,40, R$ 144.240,58 e R$ 682.020,48, entendo ser procedente a irresignação do impugnante. A fiscalização entendeu que a decisão judicial na Ação Ordinária n° 90.00109051, que justificaria o crédito, não teria se manifestado sobre a pretensa atualização. Cópia da decisão, de fls. 1358 a 1367, mostra na parte Fl. 3443DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 3102002.402 S3C1T2 Fl. 8 13 dispositiva que houve o reconhecimento do direito, pelo juízo monocrático, da atualização monetária dos créditosprêmio do IPI, que se trata, consoante seguinte redação: " o créditoprêmio do IPI, no período acima definido, será apurado mediante a conversão da moeda estrangeira em moeda nacional na data da exportação, a partir dai incidira a mesma correção monetária aplicada pela Fazenda Nacional na manutenção do valor dos seus créditos." Ademais, salientese que essa decisão foi mantida nas demais instâncias do Poder Judiciário, consoante cópia dos respectivos acórdãos acostados aos autos, de fls. 1360 a 1406, com trânsito em julgado 10/11/2000, de acordo com extrato da fl. 1684, obtido na internet. 8.1. Dessa forma, devem ser cancelados os valores do IPI de R$ 211.923,40, período de apuração 303/2002 e R$ 144.240,58, período de apuração 307/2002, bem como os respectivos acréscimos legais, da multa de oficio, no percentual de 75%, e dos juros de mora com base na taxa Selic. Já o valor de R$ 682.020,48, período de apuração 312/2002, também glosado, poderá ser somado ao saldo credor de,R$ 1.425.225,52, apurado na reconstituição da escrita fiscal da fl. 453. 9. Com relação à glosa do crédito do IPI de R$ 360.036,50, registrado na escrita fiscal do autuado, em 30/12/2001, 30/06/2002, 31/08/2002 e 30/09/2002, cumpre esclarecer ao impugnante que não há nenhum desrespeito às decisões judiciais acostadas aos autos, de fls. 1410 a 1682, posto que com a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte levada a efeito por ocasião das infrações constantes do processo 11065.004409/200407 e no presente processo, não se apuraram saldos credores do IPI nas datas citadas, não havendo, por conseqüência que se falar em atualização monetária do que não existe, motivo pelo qual resta correta a glosa efetuada pela fiscalização. Quer dizer, se algum motivo há para irresignação da autuada, haveria de sêlo apenas em relação ao valor de R$ 360.036,50, mantido não pela inexistência do direito à correção, mas porque não havia saldo nos períodos acima listados. Contudo não é contra isso que a Recorrente expressa sua inconformidade, mas contra um suposto equívoco da decisão ao vincular o direito à correção ao Processo Administrativo nº 11065.004409/200407 e requer a suspensão de eventual cobrança até a decisão do Superior Tribunal de Justiça. Mas a decisão, como sobressai incontroverso da leitura do excerto acima transcrito, não fez essa vinculação e expressou claramente o entendimento de que a sentença favorável ao contribuinte transitou em julgado e reconheceu o direito reclamado. Classificação Fiscal De início, necessário esclarecer que são três os equipamentos sobre os quais recaem dúvidas acerca da correta classificação tarifária: os Self, os Fain Coil e as Unidades Evaporadoras. Embora isso, a Fiscalização esclarece no corpo do Relatório Fiscal, folhas 395 e seguintes, que os dois primeiros, tendo em vistas suas características de funcionamento, receberão a mesma abordagem destinada aos Evaporadores. A seguir excerto extraído do Relatório. 3.1.2.2 — Outra linha ampla, com os aparelhos comumente denominados "SPLIT" que são aparelhos cujas duas unidades básicas (unidade evaporadora e unidade condensadora) são apresentadas em corpos distintos, as quais, mesmo após a instalação, ou seja, já durante o funcionamento, permanecem fisicamente Fl. 3444DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 14 separadas, interligadas apenas por fios e dutos. Aqui incluímos, a fim de simplificar a explanação e o entendimento, devido as suas características de funcionamento semelhantes, os aparelhos denominados "SELF" e "FAN COIL", dos quais trataremos adiante. Na parte final do Relatório Fiscal a Autoridade atuante apresenta algumas considerações em particular sobre os aparelhos Self e Fan Coil, que serão examinadas oportunamente. Importante destacar que, ainda conforme informações trazidas pelo Fisco, a classificação tarifária das Unidades Evaporadoras foi objeto de consulta por parte da Fiscalizada Processo n° 13002.000205/9787. A Solução de Consulta encontrase às folhas 43 e seguintes. E, de fato, a autuação em tela está fundamentada basicamente na inobservância da decisão tomada nos autos do Processo n° 13002.000205/9787 em resposta à Solução de Consulta apresentada pela própria autuada. Essa foi, inclusive, a razão para o agravamento da penalidade imposta à Recorrente. Abro aqui parêntese para, como já tive a oportunidade de fazer em diversas outras ocasiões, expressar o meu entendimento a respeito do que seja a correta leitura dos efeitos que devam ser atribuídos ao processo de consulta. Em primeiro lugar, devo sublinhar que, a meu sentir, é inadmissível a cogitação de que a decisão tomada pela Administração em resposta ao questionamento interposto pelo administrado lhe subtraia o direito de discutir a exigência veiculada no auto de infração. De fato, pareceme que seria um excesso aceitar que o consulente, por ter se dirigido à Administração Tributária no intento de conhecer seu entendimento sobre determinado assunto, vejase impedido de expor as razões pelas quais não concorda com a solução proferida. E, de fato, a experiência prática mostra que, com muita freqüência, só os argumentos apresentados pela parte são capazes de abrir uma nova perspectiva sobre o assunto objeto da lide. Afinal, é essa a finalidade do contencioso tributário, do qual o contraditório constitui elemento essencial. No entanto, as decisões proferidas no processo de consulta eram, até pouco tempo, singulares e sem direito de contestação, no que muito se assemelhavam à formação de convicção da própria autoridade autuante nos processo em que se discute exigência formulada em auto de infração. Noutro giro, da leitura das disposições normativas aplicáveis à matéria, nenhuma das conseqüências previstas pelo legislador para o processo de consulta cuidou de determinar qualquer efeito na tramitação do processo de discussão do crédito tributário. Fosse a intenção que o primeiro sobrestasse o segundo ou suprimisse instância e isso teria sido expressamente consignado em lei. Não foi. Aliás, é pertinente que se diga: a inobservância da decisão tomada no processo de consulta não pode ter o efeito aqui discutido tanto quanto não o tem a inobservância dos próprios atos normativos editados pelo Secretaria da Receita Federal do Brasil. O direito a interposição de impugnação e recurso administrativos sempre prevalece. Cumpre às Delegacias de Julgamento expor a obrigação que têm de observar esses atos, fundamentando assim sua decisão, e ao CARF formar seu juízo com maior independência. Fl. 3445DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 3102002.402 S3C1T2 Fl. 9 15 Sobre isso, oportuno acrescentar que a supressão do direito de discutir a classificação tarifária revelase ainda mais improvável quando se inclui no debate o fato de que nem as Delegacias da Receita Federal de Julgamento (segundo entendo) e muito menos este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais têm o dever de observar a decisão veiculada na solução de consulta. Se há espaço para decisão autônoma, como cogitar da indisponibilidade desse expediente? Isto posto, imperioso destacar que as razões que motivaram a autuação trarão expressivas consequências à decisão que será proposta na vertente lide. É meu entendimento que a questão que se apresenta pouca relação tem com a classificação das Unidades Evaporadoras propriamente ditas. Em lugar disso, creio o problema de que aqui nos ocupamos diga respeito à transação comercial levada a efeito pela Recorrente e a aparência que ela, Recorrente, pretendeu lhe dar. Definitivamente, não acredito que a empresa tenha de fato comercializado, isoladamente, quantidade tão expressiva de Unidades Evaporadoras. A toda evidência, as transações envolveram aparelhos de condicionamento de ar completos, que foram "desdobrados" nos documentos fiscais, acarretamento incidência tributária menor. Isso, inclusive, é testemunhado nas declarações prestadas pelos clientes da empresa que, em resposta à diligência demandada por este Relator, invariavelmente afirmam ter adquirido condicionadores de ar Split, constituídos por Unidades Evaporadoras e Unidades Condensadoras, para utilização em conjunto. É por esse caminho que, segundo leitura que faço, haveria de ser identificada a infração cometida pela Parte, mas, definitivamente, necessário reconhecer que a acusação não é constituída pela observação dessa prática e mantêla com base nisso representaria uma inovação intolerável acerca das razões de decidir e agir da Fiscalização Federal. A esse respeito, para que não restem dúvidas, transcrevo a seguir a única menção que encontrei no Relatório da Fiscalização sobre as operações de venda das mercadorias. 3.1.2.3 — As vendas de aparelhos da linha "SPLIT" são feitas com as unidades separadas, isto é, a fiscalizada vende uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora, as quais serão posteriormente instaladas para funcionamento, permanecendo, entretanto, fisicamente separadas. Tratase de uma simples anotação a respeito do modus operandi da Recorrente. Nenhuma conclusão ou acusação está relacionada a essa prática. A seguir, a teor das considerações feita no Relatório, a Autoridade autuante até chancela essa conduta. Observese. 3.1.2.4 — Quanto à classificação fiscal das unidades condensadoras não há divergência entre o procedimento adotado pela fiscalizada e o entendimento desta fiscalização. 3.1.2.5 — Por outro lado, quanto à classificação das unidades evaporadoras, a fiscalizada cometeu erro de classificação fiscal e aplicação de alíquota, procedimento este que já vinha sendo combatido pela Secretaria da Receita Federal, através desta Delegacia da Receita Federal, em períodos de apuração Fl. 3446DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 16 anteriores aos períodos abrangidos por esta fiscalização, tendo sido esta matéria objeto de lançamento através do Auto de Infração constante do processo administrativo fiscal n°11065.004409/200407. O que se percebe é que a Fiscalização classificou as Unidades Evaporadoras admitindo que as vendas eram realizadas separadamente, ainda que em uma mesma operação. Numa consequencia direta disso, admitiu também que a classificação poderia ser feita como se a mercadorias se apresentassem1 em partes separadas. É o que depreendo da afirmação acima transcrita de que as vendas de aparelhos da linha "SPLIT" são feitas com as unidades separadas. A fiscalizada vende uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora (...). Salvo engano, não vejo como incluir nesta fase processual a acusação de que as vendas não foram de unidades separadas, mas de aparelhos da linha de condicionador de ar do tipo Split completos e indevidamente desdobrados nas notas fiscais de venda. E cabe aqui uma observação a respeito da diligência demandada por este Relator. Reiteradamente se disse no Processo que as Unidades Evaporadoras poderiam e eram utilizadas em outras muitas finalidades. À luz das considerações que fiz até aqui, pareceume fundamental esclarecer em quais finalidades afinal esses equipamentos poderiam ser utilizados e no que foram efetivamente utilizados por quem os adquiriu. A resposta à diligência, tanto a pericial quanto a testemunhal, confirmaram a expectativa que tinha de que as Unidades Evaporadoras são para utilização e foram utilizadas apenas em conjunto com as Unidades Condensadoras para aquecimento ou resfriamento do ar em ambientes que se pretende climatizar. Em nada mais. Embora isso, o fato é que não tinha me apercebido na ocasião em que propus a conversão do julgamento em diligência, que esse aspecto não era objeto da autuação, razão pela qual tais esclarecimentos terminarão sendo muito pouco úteis à solução da presente lide. Feitas essas considerações preambulares, retorno à classificação fiscal das Unidades Evaporadoras. A Solução de Consulta em torno da qual gira a presente lide, decidiu que as Unidades Evaporadoras devem ser classificadas todas na Posição 84152, cujo texto traz a seguinte especificação: 8415 Máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para mudar a temperatura e a umidade, incluídas as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente. A Solução de Consulta, salvo melhor juízo, não traz os fundamentos que lhe serviram de base para escolha dessa classificação. Identifico em seu texto apenas esclarecimentos técnicos a respeito das máquinas e aparelhos da Posição 8415, a transcrição das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH e, logo após, a decisão. Observese abaixo a reprodução parcial. 1 A metodologia aplicável ao procedimento de classificação fiscal de mercadorias exige que seja levedo em consideração o estado em que o bem se apresenta no momento em que a operação específica está acontecendo. A mercadoria objeto de exame é aquela que é observada no estado em que se apresenta naquele momento, seja no curso do despacho aduaneiro, seja na venda realizada no mercado interno. 2 8415.10.10, 8415.82.10 ou 8415.82.90, conforme o caso. Fl. 3447DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 3102002.402 S3C1T2 Fl. 10 17 2. A posição 8415 compreende as máquinas e aparelhos de arcondicionado contendo ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, incluídos as máquinas e aparelhos em que a umidade não seja regulável separadamente. 3. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435/92 e publicadas no suplemento ao D.O.U. de 28/01/92, relativas à posição 8415, fornecem subsídios para elucidar a classificação do produto em exame: (...) (transcrição das NESH) Do confronto do texto da posição 8415 e das NESH a ela relativas com as especificações do produto em tela, em seus diversos tipos e modelos, concluise que devem os mesmos ser classificados na citada posição 8415. A seguir passa à NCM específica de cada modelo, sem ocuparse da demonstração das razões porque essa escolha foi feita. Por isso, não há o que opor aos fundamentos da Decisão SRRF/10ª RF/DIANA Nº 12, de 12 de fevereiro de 1998. Por outro lado, na medida em que as decisões tomadas no Processo Administrativo Fiscal devam ser fundamentadas3, cumpre aqui apreciar o mérito do assunto em debate e decidir fundamentadamente pela correta classificação fiscal das mercadorias vendidas pela Recorrente, sem perder de vista o fato de que restringimonos à acusação feita pela Fiscalização Federal, que reconheceu a ocorrência de vendas regulares de Unidades Evaporadoras. Ou seja, é preciso determinar a correta classificação fiscal de Unidades Evaporadoras, isoladamente. Fizéssemos diferente, e estaríamos classificando um conjunto formado por uma unidade evaporadora e uma unidade condensadora, conjunto esse que compõe uma mercadoria que não foi objeto de exame e classificação nos autos. Ainda sobre a Solução de Consulta nº 12, principal fundamento da autuação, fundamental acrescentar que encontrei e continuo encontrando grande dificuldade em estabelecer perfeita identidade entre a mercadoria objeto da autuação e a mercadoria lá examinada. Transcrevo a seguir a ementa. Assunto: Classificação de Mercadorias Ementa: 3 Lei 9.784/99 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Decreto 7.574/11 Art. 65. O acórdão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências (Decreto no 70.235, de 1972, art. 31, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Fl. 3448DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 18 Código TIPI Mercadoria Aparelhos de arcondicionado contendo ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade: 8415.10.10 dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando corpo único, com capacidade máxima de 6.075 frigorias/hora (30.000Btu/h), tipo HiWall, modelos 42RCA, 42RQA, 42DXA, 42DQA, 42DXB e 42DQB 8415.82.10 dos tipos utilizados nos tetos das construções (tipo Console Underceiling, modelos 42FMG, 42FMGH, 42MAA090226FR e 42MAA090446FR e 42MAB) ou sobre o forro (tipo BuiltIn, modelos 42PEA, 42PGA, FB4ANF e 40MSA), com capacidade máxima de 22.785 frigorias/hora (90.000Btu/h) 8415.82.90 dos tipos utilizados nos tetos das construções, com capacidade de 30.380 frigorias/hora (120.000Btu/h), tipo ConsoleUnderceiling, modelos 42MAA120226FR e 42MAA120446FR Dispositivos Legais: RGI la (texto da posição 8415) e 6a (textos das subposições 8415.10 e 8415.82), e RGC1 (textos dos itens 8415.10.10, 8415.82.10 e 8415.82.90), da TIPI aprovada pelo Decreto n° 2.092/96 Primeiro, há referência a aparelhos de arcondicionado e não a evaporadores de aparelhos de ar condicionado. Depois há descrição de três tipos de aparelhos de arcondicionado: dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando corpo único, dos tipos utilizados nos tetos das construções e, mais uma vez, dos tipos utilizados em tetos de construções. Não vejo em nenhuma das três descrições um condicionador de ar Split. Salvo melhor juízo, o equipamento conhecido como Split, hoje tão popular, não forma de maneira nenhuma um corpo único e não é, pelo menos em regra, utilizado no teto das construções. Seguindo adiante, necessário trazer à luz a Regra Geral nº 2 "a" para interpretação do Sistema Harmonizado. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Conforme reza, qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado. Daí a necessidade de determinar se uma Unidade Evaporadora, nas condições em que se apresenta, tratase de uma parte de um condicionador de ar ou do próprio condicionador de ar incompleto ou inacabado. Isso porque, se for considerado como sendo uma parte, classificase segundo as regras válidas para as partes; se for considerado como sendo o próprio produto, apenas incompleto, classificase segundo as regras válidas para o produto. Quanto a isso, como já tive oportunidade de me manifestar em outras ocasiões, segundo entendo, essa é uma regra carregada de conteúdo subjetivo. Na maior parte dos casos, não há critérios objetivos que determinem quando um produto começa ou deixa de ser ele. Tratase de uma escolha pessoal. Fl. 3449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 3102002.402 S3C1T2 Fl. 11 19 No caso concreto, devo dizer, de início, que não consigo enxergar na Unidade Evaporadora um condicionador de ar incompleto, mas apenas uma das duas partes da qual ele é constituído. E, de fato, embora a subjetividade que permeia essa decisão, é preciso reconhecer que quanto menor a complexidade do produto, mais ele depende de todas as partes de que é constituído para ser identificado como tal4. No caso em exame, embora condicionadores de ar do tipo Split sejam mercadorias relativamente complexas, simplificam se quando subdivididas em apenas duas partes: um evaporador e um condensador. Sem uma delas, pareceme que a mercadoria fique reduzida a uma parte do todo. Noutro giro, abstraindose dos aspectos nos quais a decisão remete à convicção pessoal, encontrase no resultado da Perícia demandada por este Colegiado informações que corroboram o entendimento acima. 1. As unidades evaporadoras são partes integrantes de máquinas e aparelhos de arcondicionado que contém um ventilador motorizado, com ou sem dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade? (grifos meus) Resposta: Sim, são partes integrantes de máquinas e aparelhos de ar condicionado que contém um ventilador motorizado, sem dispositivos próprios para mo temperatura e a umidade. (grifos meus) 3. As máquinas SELF são partes integrantes de máquinas e aparelhos de ar condicionado que contém um ventilador motorizado, com ou sem dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade? (grifos meus) Resposta: Sim, são partes integrantes de máquinas e aparelhos de ar condicionado que contém um ventilador motorizado, sem dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade. (grifos meus) Também é de se observar que, conforme esclarecimentos presentes nas Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado NESH, para que um produto seja classificado na Posição 8415, há necessidade de que ele seja constituído por um dispositivo próprio para mudar simultaneamente a umidade e a temperatura do ar. Só se incluem nesta posição as máquinas e aparelhos: 1) contendo um ventilador a motor, e 2) concebidos para modificar simultaneamente a temperatura (dispositivo de aquecimento, dispositivo de arrefecimento ou os dois juntos) e a umidade (umidificador, desumidificador ou os dois juntos) do ar, e 3) nos quais os elementos citados nas alíneas 1) e 2) se apresentem em conjunto Contudo, segundo informação pericial, os evaporadores, considerados isoladamente em relação às unidades condensadoras, não foram concebidos para modificar simultaneamente a temperatura e a umidade do ar. Observese. 4 Por exemplo: dificilmente poderseia identificar em uma mesa sem o tampo ou sem as pernas o produto inacabado, mas apenas uma de suas partes. Fl. 3450DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 20 1. As "unidades evaporadoras" descritas no auto de infração, consideradas isoladamente em relação as unidades condensadoras, foram concebidas para modificar simultaneamente a temperatura e a umidade do ar? Resposta: Não. 3. Os denominados "aparelhos SELF", em si mesmo, apresentam dispositivos próprios para modificar simultaneamente a temperatura e a umidade do ar? Resposta: Não Destaquese que, no corpo da Solução de Consulta, o AuditorFiscal responsável pela decisão, embora não tenha apresentado de forma clara suas razões de decidir, grifou algumas partes do texto transcrito das Notas Explicativas, se não vejamos. (...) quer uma bateria de água fria ou um evaporador de grupo frigorífico (cada um modificando ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar); (grifos no original) Como acima se viu, o Laudo Pericial é taxativo em esclarecer que as Unidades Evaporadoras não modificam simultaneamente temperatura e umidade do ar. Ou seja, isoladamente, o evaporador não preenche as condições necessárias à sua inclusão na Posição 8415 como um equipamento incompleto ou inacabado. Decidido isso, devem ser observadas as Notas de Seção e Capítulo para classificação das partes de condicionadores de ar. PARTES Os elementos das máquinas e aparelhos de arcondicionado, apresentados separadamente, quer sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2 a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc.). As outras partes das máquinas e aparelhos de arcondicionado classificam se, conforme sejam ou não reconhecíveis como destinadas exclusiva ou principalmente a estas máquinas e aparelhos, de acordo com as disposições da Nota 2 b) ou da Nota 2 c) da Seção XVI ... 2 Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; b) quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas em uma mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 3102002.402 S3C1T2 Fl. 12 21 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; c) as outras partes classificamse nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38, conforme o caso, ou, não sendo possível tal classificação, nas posições 84.87 ou 85.48. Baseado nessas disposições, pareceme claro que as mercadorias não podem ser classificadas como pretendeu a Fiscalização Federal, mas conforme determinação expressa na Nota 2 "b" da Seção XVI, na posição correspondente a esta ou a estas máquinas (8415), especificamente no Código 8415.90.00, destinada às partes. Para concluir, acrescento que, ainda que em data posterior aos fatos controvertidos no Processo, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 873/08, que traz em seu Anexo Único a tradução para a língua portuguesa dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), dentre os quais o a seguir transcrito. 8415.90 1. Unidade interna de um aparelho de ar condicionado do tipo “splitsystem” (sistema com elementos separados), do tipo compressor, compreendendo uma serpentina evaporadora (trocador de calor), um ventilador de motor elétrico que circula o ar pela serpentina evaporadora e o projeta dentro de um cômodo (local a ser climatizado), um filtro de ar, um termostato e um painel de controle, montados juntos num mesmo receptáculo. A unidade é concebida para ser conectada a uma unidade externa por fios elétricos e tubos de cobre através dos quais o fluido refrigerante circula. Aplicação das RGI 1 (Nota 2 b) da Seção XVI) e 6. No que se refere aos aparelhos Self e Fan Coil, uma vez que a Fiscalização os tenha avaliado em conjunto com os Evaporadores5, haveriam de lhes ser aplicados os mesmos critérios. Contudo, também é verdade que o Relatório Fiscal afirma que eles serão tratados adiante. Assim, julgo necessário formar juízo de forma independente a respeito da classificação desses equipamentos. A seguir excerto do Relatório no qual a questão é examinada. 3.1.2.9 Fazem parte da linha de produção da fiscalizada também os aparelhos denominados "SELF" e "FAN COIL", que são aparelhos condicionadores de ar, montados em um gabinete e apresentam ventilador motorizado, tendo a função de modificar a temperatura (arrefecimento/aquecimento) e, por condensação, a umidade do ar, conforme podese ver, resumidamente, nos catálogos colocados pela fiscalizada na internet, referentes aos citados aparelhos, catálogos estes anexos à fls. 65 a 74. Estes aparelhos foram classificados erroneamente pela fiscalizada, via de regra, nas posições 8418.69.90, 8418.99.00 ou 8419.50.90, todos tributados em uma aliquota de IPI na ordem de 5%. Diferentemente do que ocorre com as Unidades Evaporadoras, no caso dos Self e Fan Coil não houve maiores preocupações na busca de esclarecimentos periciais. Ainda assim, o que se observa nos catálogos carreados aos autos nas folhas 65 a 74, é que inexiste nos 5 Aqui incluímos, a fim de simplificar a explanação e o entendimento, devido as suas características de funcionamento semelhantes, os aparelhos denominados "SELF" e "FAN COIL", dos quais trataremos adiante Fl. 3452DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 22 autos a informação de que esses equipamentos tenham a função de modificar a temperatura e a umidade do ar simultaneamente. Sendo essa uma condição para seu enquadramento no código tarifário escolhido pela Fiscalização Federal, aplicamselhes, ainda que apenas em parte, as regras que nortearam a classificação das unidades evaporadoras, restando também eles incorretamente classificados no Auto de Infração controvertido. Recurso de Ofício Da correção monetária do saldo credor do IPI O crédito tributário exonerado em primeira instância diz respeito ao reconhecimento do direito à correção monetária do saldo credor BEFIEX", com origem no créditoprêmio do IPI, nos valores de R$ 211.923,40, R$ 144.240,58 e R$ 682.020,48. Conforme muito bem apontado pelo i. Julgador de piso, a decisão judicial na ação ordinária n° 90.00109051 traz em seu dispositivo o reconhecimento do direito à atualização monetária dos créditosprêmio do IPI. Nenhuma ressalva a fazer. Conclusão VOTO por negar provimento ao Recurso de Ofício e por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência decorrente da reclassificação fiscal das mercadorias comercializadas pela empresa. Sala de Sessões, 18 de março de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 3453DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000542/2005-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/04/2005, 30/04/2005, 04/05/2005, 05/05/2005, 08/05/2005, 09/05/2005, 12/05/2005, 20/05/2005, 21/05/2005, 22/05/2005, 23/05/2005, 29/05/2005, 03/06/2005, 04/06/2005
PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Infere-se ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente.
COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003.
Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica - Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente.
Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52).
Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009.
Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa.
Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3803-006.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/04/2005, 30/04/2005, 04/05/2005, 05/05/2005, 08/05/2005, 09/05/2005, 12/05/2005, 20/05/2005, 21/05/2005, 22/05/2005, 23/05/2005, 29/05/2005, 03/06/2005, 04/06/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Infere-se ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica - Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11968.000542/2005-93
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5517737
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3803-006.948
nome_arquivo_s : Decisao_11968000542200593.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 11968000542200593_5517737.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
id : 6116602
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888053927936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2199; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 155 1 154 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11968.000542/200593 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.948 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO MULTA ADMINISTRATIVA Recorrente KUEHNE + NAGEL SERVIÇOS LOGÍSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/04/2005, 30/04/2005, 04/05/2005, 05/05/2005, 08/05/2005, 09/05/2005, 12/05/2005, 20/05/2005, 21/05/2005, 22/05/2005, 23/05/2005, 29/05/2005, 03/06/2005, 04/06/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Inferese ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica Art. 64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 05 42 /2 00 5- 93 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000542/200593 Acórdão n.º 3803006.948 S3TE03 Fl. 156 2 Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e João Alfredo Eduão Ferreira, que davam provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator). Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Tratase de auto de infração em que a fiscalização impõe multa à ora Recorrente por ter deixado de observar os prazos para a “prestação de informações sobre veículo ou carga transportada, ou a operação que seria executada”. Segundo a Fiscalização, o transportador ou o agente de cargas estão obrigados a prestar à Receita Federal do Brasil informações sobre a chegada das cargas transportadas, na forma e nos prazos definidos pela legislação. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000542/200593 Acórdão n.º 3803006.948 S3TE03 Fl. 157 3 No caso, as embarcações atracaram no Porto de Suape/PE conforme tabela abaixo extraída do auto de infração: Por tal motivo, a Recorrente foi autuada pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a inobservância de prazo para a prestação de informação perante a RFB. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação, sustentando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração pela ausência de descrição clara dos fatos e do próprio enquadramento legal, e no mérito, o não descumprimento do prazo, eis que a prestação de informações estaria disciplinada no artigo 22 da IN RFB 800/2007, cujos efeitos somente entraram em vigor em 1º de abril de 2009, por força da IN 899/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC julgou improcedente a impugnação, mantendo a autuação. Segundo a DRJ/FNS, revelouse insubsistente a alegação de nulidade formal, pelo que rejeitou a preliminar. E no mérito, concluiu que embora o artigo 22 da IN RFB 800/2007 não estivesse em vigor ao tempo dos fatos, a solução do caso estava no parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, que impunha prazos de antecedência para a prestação de informações inerentes ao Controle Aduaneiro. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos. Em síntese, este é o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000542/200593 Acórdão n.º 3803006.948 S3TE03 Fl. 158 4 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. Preliminarmente, alega o recorrente que o auto de infração não observou as formalidades previstas nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Pela leitura do auto de infração, constatase que o douto auditorfiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos e fundamentos legais e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional marítimo e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Deste modo, não merece guarida a alegação de violação aos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972, pelo que rejeito a preliminar. Passo a analisar o mérito do recurso. A questão me parece bastante simples. A Recorrente está certa ao defender que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800/2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de 2005 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da IN RFB 800/2007, com redação dada pela IN 899/2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.( Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008 ) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000542/200593 Acórdão n.º 3803006.948 S3TE03 Fl. 159 5 I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, impossível se cogitar que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800/2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800/2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir a Recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000542/200593 Acórdão n.º 3803006.948 S3TE03 Fl. 160 6 (...) Assim, penso que a exigência fiscal está correta, de modo que não vislumbro argumentos capazes de infirmar a presente autuação. Em tempo, registramos que a tese levantada pela empresa recorrente, acerca da denúncia espontânea prevista na atual redação do artigo 102 e parágrafos do DecretoLei 37/66, não se aplica ao caso dos autos. Explico a partir da transcrição do dispositivo legal: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Como se vê, o parágrafo 1º do artigo 102 do Decretolei 37/66 não considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. O ato que determina o início do despacho aduaneiro de importação é o registro da DI no Siscomex. No caso dos autos há uma particularidade que envolve as novas ferramentas à disposição do controle aduaneiro, sobretudo a implantação do SISCOMEX Cargas, cujos prazos de transmissão de informação de conteúdo de carga estão disciplinados pela IN 800/2007. Isto é, pela observância obrigatória do SISCOMEC Cargas, o despacho aduaneiro terá início no momento da inclusão das informações no referido sistema, cujo prazo limite será o da atracação. Vejamos as razões extraídas do próprio auto de infração: A Receita Federal do Brasil, no âmbito da competência conferida pelo Art. 37 do DecretoLei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo Art. 77 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e na maneira prevista no Art. 64 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 estabeleceu que o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados deverá ser procedido de acordo com a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, que em seus Artigos 10 e 52 dispõe: "Art. 1º 0 controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000542/200593 Acórdão n.º 3803006.948 S3TE03 Fl. 161 7 obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RW) pelos intervenientes, conforme estabelecido nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: (grifo nosso) I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), gerenciado pelo departamento do Fundo da Marinha Mercante (DEFI0), pelos transportadores, agentes marítimos e agentes de Carga; e II diretamente no Siscomex Carga, pelos demais intervenientes". Conforme explicitado, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, desde 31 de março de 2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como às relativas às escalas, aos dados constantes nos Manifestos Marítimos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga dar seá pela elaboração no Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. (...) 0 planejamento das ações de Fiscalização, a partir da implementação do Siscomex Carga, está fundamentado em critérios de análise de risco. 0 gerenciamento de risco constitui a ferramenta que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e consequentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional acarretando maior competitividade dos produtos fabricados no País, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que nortearão os atos da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério entrave ao exercício do Controle Aduaneiro, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate A pirataria. Portanto, conforme tabela reproduzida no relatório deste voto, as atracações se deram antes dos conhecimentos de embarque, ou seja, já no curso do despacho aduaneiro, o Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11968.000542/200593 Acórdão n.º 3803006.948 S3TE03 Fl. 162 8 que atrai a hipótese de não aplicação da denúncia espontânea prevista no artigo 102 do DecretoLei 37/66. Derradeiramente, ainda existe outra regra que afasta a denúncia espontânea no caso dos autos. Tratase do parágrafo 3º do artigo 612 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4543, de 26 de dezembro de 2002, vigente à época dos fatos. In verbis: Art. 612, § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade formal do auto de infração, e no mérito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a exigência fiscal. É como penso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720165/2007-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Em atenção ao disposto no art. 65, do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTADA PELO ITR.
A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, nesse último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para a sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). IMPRESCINDIBILIDADE.
A apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental antes de iniciada a ação fiscal possibilita a exclusão da APP Área de Preservação Permanente da tributação do ITR.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9202-003.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que votou pela rejeição dos embargos.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM:23/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Em atenção ao disposto no art. 65, do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTADA PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, nesse último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para a sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). IMPRESCINDIBILIDADE. A apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental antes de iniciada a ação fiscal possibilita a exclusão da APP Área de Preservação Permanente da tributação do ITR. Embargos acolhidos.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13161.720165/2007-85
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473188
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9202-003.305
nome_arquivo_s : Decisao_13161720165200785.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator
nome_arquivo_pdf_s : 13161720165200785_5473188.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que votou pela rejeição dos embargos. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM:23/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
id : 5959222
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888072802304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2331; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 15 1 14 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13161.720165/200785 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202003.305 – 2ª Turma Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria ITR Embargante CONSELHEIRA MARIA HELENA COTTA CARDOZO Interessado ACÓRDÃO N. 9202003.305, ARMANDO BROCH E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Em atenção ao disposto no art. 65, do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTADA PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, nesse último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para a sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). IMPRESCINDIBILIDADE. A apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental antes de iniciada a ação fiscal possibilita a exclusão da APP Área de Preservação Permanente da tributação do ITR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 65 /2 00 7- 85 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que votou pela rejeição dos embargos. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM:23/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 13 de fevereiro de 2014, a 2ª Turma da CSRF prolatou Acórdão n. 9202 003.081 que decidiu pelo provimento parcial do Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTADA PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, nesse último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para a sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de Fl. 693DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13161.720165/200785 Acórdão n.º 9202003.305 CSRFT2 Fl. 16 3 registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). IMPRESCINDIBILIDADE. A apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental antes de iniciada a ação fiscal possibilita a exclusão da APP Área de Preservação Permanente da tributação do ITR. Recurso especial provido em parte. O dispositivo do decisum restou assim: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à reserva legal. Quanto à Área Preservação Permanente, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designada para redigir o voto vencedor quanto à APP, a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. A i. Conselheira Redatora consignou em seu voto e, posteriormente, por meio de Embargos de Declaração a existência de erro no julgamento, fato que, per se, justificava a oposição do referido recurso: Encarregada de redigir o voto vencedor do acórdão em epígrafe, depareime com a situação a seguir relatada, que demanda a oposição de Embargos Declaratórios, previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009. A questão que me foi dada a elaborar o voto vencedor diz respeito à exigência de apresentação do ADA — Ato Declaratório Ambiental do IBAMA, para exclusão da APP da base de cálculo do ITR, no exercício de 2005. A jurisprudência do CARF e desta CSRF tem caminhado no sentido de aceitação do ADA, ainda que intempestivo, desde que apresentado antes de iniciada a ação fiscal. Compulsando os autos, constatase que o ADA encartado as fls. 77 foi protocolado no Ibama em 22/05/2206 [sic]. Por outro lado, a ação fiscal que originou o presente processo foi cientificada ao Contribuinte somente em 2007 (Edital de fls. 05). Assim, conforme o entendimento majoritário da Segunda Turma da CSRF, a APP — Area de Preservação Permanente poderia ser acatada no exercício de 2005, já que o protocolo do ADA foi aviado antes do inicio da ação fiscal, além do fato de que parte do Colegiado sequer exige a apresentação de ADA. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Não obstante, o resultado do julgamento foi no sentido de que o Colegiado, incluindo esta Conselheira, teria dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, nesta parte, o que demanda a oposição de Embargos de Declaração, para que a questão seja aclarada. Ato contínuo e por força do disposto no art. 65, do RICARF, o então Presidente da CSRF analisou a oposição e resolveu acolher os ED, tendo determinado a inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13161.720165/200785 Acórdão n.º 9202003.305 CSRFT2 Fl. 17 5 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Primeiramente, há que ser conhecido e provido os Embargos de Declaração opostos pela i. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, em atenção ao disposto no art. 65, do RICARF e as razões consignadas no relatório. Assim, acolho os embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado com efeitos infringentes, apenas quanto à Área de Preservação Permanente, conforme objetiva exposição da i. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo: A questão que me foi dada a elaborar o voto vencedor diz respeito à exigência de apresentação do ADA — Ato Declaratório Ambiental do IBAMA, para exclusão da APP da base de cálculo do ITR, no exercício de 2005. A jurisprudência do CARF e desta CSRF tem caminhado no sentido de aceitação do ADA, ainda que intempestivo, desde que apresentado antes de iniciada a ação fiscal. Compulsando os autos, constatase que o ADA encartado as fls. 77 foi protocolado no Ibama em 22/05/2206 [sic]. Por outro lado, a ação fiscal que originou o presente processo foi cientificada ao Contribuinte somente em 2007 (Edital de fls. 05). Assim, conforme o entendimento majoritário da Segunda Turma da CSRF, a APP — Area de Preservação Permanente poderia ser acatada no exercício de 2005, já que o protocolo do ADA foi aviado antes do inicio da ação fiscal, além do fato de que parte do Colegiado sequer exige a apresentação de ADA. Conforme previsão regimental, é requisito para admissibilidade do recurso especial a demonstração de divergência, que consiste em julgado proferido por outra câmara dos conselhos de contribuintes, que não tenha sido reformado pela Câmara Superior. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996, verbis: Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. As chamadas áreas de preservação permanente e de reserva legal ou de utilização limitada têm contornos estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 2°. Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; Fl. 697DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13161.720165/200785 Acórdão n.º 9202003.305 CSRFT2 Fl. 18 7 f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º. Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1°. A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujei.tas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: Fl. 698DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: Fl. 699DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13161.720165/200785 Acórdão n.º 9202003.305 CSRFT2 Fl. 19 9 I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Estas são as previsões do Código Florestal atualmente em vigor a respeito dos temas em discussão. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis: “Art. 16. ...................... § 1º. ............................. § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13161.720165/200785 Acórdão n.º 9202003.305 CSRFT2 Fl. 20 11 A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, cuja redação à época do fato gerador, antes da alteração promovida pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, era a seguinte: “Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2º e 3º desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindose, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia", não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais.” Fl. 702DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 2º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com conseqüências diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigêncai do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. Nada obstante, tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal tais áreas devem ser excluídas da base de cálculo do tributo, pelas razões expostas acima. Área de Preservação Permanente Fl. 703DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13161.720165/200785 Acórdão n.º 9202003.305 CSRFT2 Fl. 21 13 Em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam a obrigação relativa à apresentação do ADA. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2002. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ecológico. Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços Online”, na parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), consta a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade: Fl. 704DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso em análise, foi apresentado ADA, só que extemporâneo. Ademais, há laudo técnico que ratifica a existência da área. Ademais, como bem exposto pela i. Conselheira Cotta Cardozo, constatase que o ADA encartado as fls. 77 foi protocolado no Ibama em 22/05/2206. Por outro lado, a ação fiscal que originou o presente processo foi cientificada ao Contribuinte somente em 2007 (Edital de fls. 05): Fl. 705DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13161.720165/200785 Acórdão n.º 9202003.305 CSRFT2 Fl. 22 15 [...] A questão que me foi dada a elaborar o voto vencedor diz respeito à exigência de apresentação do ADA — Ato Declaratório Ambiental do IBAMA, para exclusão da APP da base de cálculo do ITR, no exercício de 2005. A jurisprudência do CARF e desta CSRF tem caminhado no sentido de aceitação do ADA, ainda que intempestivo, desde que apresentado antes de iniciada a ação fiscal. Compulsando os autos, constatase que o ADA encartado as fls. 77 foi protocolado no Ibama em 22/05/2206. Por outro lado, a ação fiscal que originou o presente processo foi cientificada ao Contribuinte somente em 2007 (Edital de fls. 05). Assim, conforme o entendimento majoritário da Segunda Turma da CSRF, a APP — Area de Preservação Permanente poderia ser acatada no exercício de 2005, já que o protocolo do ADA foi aviado antes do inicio da ação fiscal, além do fato de que parte do Colegiado sequer exige a apresentação de ADA. Não obstante, o resultado do julgamento foi no sentido de que o Colegiado, incluindo esta Conselheira, teria dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, nesta parte, o que demanda a oposição de Embargos de Declaração, para que a questão seja aclarada. IV DISPOSITIVO Por todo o exposto, voto por ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para retificar o acórdão embargado com efeitos infringentes. Ato contínuo, CONHEÇO DO RECURSO ESPECIAL interposto, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 706DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000281/2003-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
IRPJ. DCTF. INFORMAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA
A compensação quando efetuada indevidamente e tendo como conseqüência a falta de recolhimento, total ou parcial, de tributo ou contribuição, demanda, quando apurada pela autoridade fiscal, o respectivo lançamento de oficio.
MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE
Cabível a aplicação da multa qualificada, nos casos de compensação de débitos tributários com créditos ainda não líquidos e certos.
MULTA ISOLADA
Correta a aplicação da multa isolada quando o contribuinte optante pelo pagamento do imposto com base em estimativa não o faz, mesmo que na eventual apuração de prejuízo fiscal.
TAXA SELIC
Aplicação da Súmula CARF n° 4.
Numero da decisão: 1201-001.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) João Carlos de Lima Júnior, que dava provimento PARCIAL para afastar a qualificação da multa.
(assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 29/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 IRPJ. DCTF. INFORMAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA A compensação quando efetuada indevidamente e tendo como conseqüência a falta de recolhimento, total ou parcial, de tributo ou contribuição, demanda, quando apurada pela autoridade fiscal, o respectivo lançamento de oficio. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE Cabível a aplicação da multa qualificada, nos casos de compensação de débitos tributários com créditos ainda não líquidos e certos. MULTA ISOLADA Correta a aplicação da multa isolada quando o contribuinte optante pelo pagamento do imposto com base em estimativa não o faz, mesmo que na eventual apuração de prejuízo fiscal. TAXA SELIC Aplicação da Súmula CARF n° 4.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13005.000281/2003-53
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5519222
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1201-001.103
nome_arquivo_s : Decisao_13005000281200353.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 13005000281200353_5519222.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) João Carlos de Lima Júnior, que dava provimento PARCIAL para afastar a qualificação da multa. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 29/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado
dt_sessao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
id : 6121858
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888088530944
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-06-30T11:45:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-06-30T01:35:58Z; Last-Modified: 2015-06-30T11:45:43Z; dcterms:modified: 2015-06-30T11:45:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:bb7bf903-59b5-4b18-a7c0-e76d45dd906e; Last-Save-Date: 2015-06-30T11:45:43Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-06-30T11:45:43Z; meta:save-date: 2015-06-30T11:45:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-06-30T11:45:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-06-30T01:35:58Z; created: 2015-06-30T01:35:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2015-06-30T01:35:58Z; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-06-30T01:35:58Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 589 1 588 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.000281/200353 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.103 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente COMPANHIA MINUANO DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 IRPJ. DCTF. INFORMAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA A compensação quando efetuada indevidamente e tendo como conseqüência a falta de recolhimento, total ou parcial, de tributo ou contribuição, demanda, quando apurada pela autoridade fiscal, o respectivo lançamento de oficio. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE Cabível a aplicação da multa qualificada, nos casos de compensação de débitos tributários com créditos ainda não líquidos e certos. MULTA ISOLADA Correta a aplicação da multa isolada quando o contribuinte optante pelo pagamento do imposto com base em estimativa não o faz, mesmo que na eventual apuração de prejuízo fiscal. TAXA SELIC Aplicação da Súmula CARF n° 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) João Carlos de Lima Júnior, que dava provimento PARCIAL para afastar a qualificação da multa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 02 81 /2 00 3- 53 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 2 (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 29/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado Relatório Contra a contribuinte, foi lavrado auto de infração do IRPJ, fls. 04/12, por ter a fiscalização constatado a seguinte irregularidade nos anoscalendário de 2001 e 2002, descrita as fls. 06/07: "Foram constatadas irregularidades nos créditos vinculados informados nas DCTFs conforme indicado no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados. O contribuinte efetuou compensações em DCTF informando o processo 13052.000281/0038 como sendo a origem dos créditos. Neste processo, porém, é demonstrado à exaustão, primeiro no despacho DISIT/SRRF 10a RF n° 1 de 12 de janeiro de 2001, e depois em Acórdão da DRJ/POA n° 1.972 de 23 de janeiro de 2003, ambos de conhecimento do contribuinte, que tais créditos não são passíveis de serem compensados. O presente lançamento dos valores indevidamente compensados em DCTF de IRPJ devido e não pago segue a orientação da DRJ Porto Alegre, no item 4.9 do supracitado Acórdão. A multa de oficio de 150% baseiase na orientação contida no Ato Declaratório Interpretativo SRF no 17 de 2 de outubro de 2002, enquadrandose a atual situação no inciso III do Artigo Único daquele dispositivo, por ser a compensação efetuada com créditos não passíveis de compensação por expressa disposição de lei, no caso, a Lei Complementar 104, de 10.01.2001 que insere o Artigo 170A no Código Tributário Nacional. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13005.000281/200353 Acórdão n.º 1201001.103 S1C2T1 Fl. 590 3 Acresçase que, seguindo a IN SRF n° 226 de 18/10/2002, deve também ser considerado como tendo evidente intuito de fraude os pedidos de compensação com créditos baseados no créditoprêmio instituído pelo DecretoLei 461/69. Tendo em vista que em 2001 a empresa apurou Imposto de Renda Pessoa Jurídica inferior ao da soma das antecipações devidas, parte das antecipações não podem ser exigidas. De acordo com a Lei 9.430/96, art. 44, porém é devida a multa isolada sobre estes valores excedentes No Anexo II Demonstrativo do 1RPJ Devido 2001 temos o cálculo das parcelas devidas e das parcelas excedentes das antecipações. Sobre as últimas somente estamos cobrando, neste Auto de Infração, a multa isolada de 150%. Tal modalidade também se aplica ao ano de 2002, onde a única antecipação declarada, no mês de março foi superior ao imposto de renda devido já que neste ano a empresa apurou prejuízo conforme demonstrado nos Anexos I e II ao presente Auto de Infração as antecipações superiores ao IRPJ devido no encerramento do exercício são as seguintes. Outubro/2001 R$ 210.385,20 R$ 315.577,80 Novembro/2001 R$ 49.197,87 R$ 73. 796,81 Março/2002 R$1.136.062,54 R$ 1.704.093,81 1 Falta de Recolhimento/declaração do Imposto de Renda Insuficiência de Recolhimento ou Declaração. Falta de recolhimento ou pagamento do principal. Declaração Inexata conforme demonstrado nos anexos I e II ao presente Auto de Infração, "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" e "Demonstrativo do IRPJ devido e não pago". Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2001 R$ 106.244,87 150 31/12/2001 R$ 128.567,14 150 31/12/2001 R$ 127.127,93 150 31/12/2001 R$ 39.577,45 150 31/12/2001 R$ 486.014,09 150 2 Multa isoladas — Falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. Data Valor Multa Isolada 31/10/2001 R$ 315.577,80 30/11/2001 R$73.796,81 31/03/2002 R$1.704.093,81 Impugnação A Contribuinte apresentou impugnação com as seguintes alegações: Fl. 600DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 4 Em preliminar: a nulidade do auto de infração, pela existência de vícios no trabalho fiscal que levou à violação do principio da legalidade, porquanto caracterizado ato abusivo e contrário aos princípios contidos na Constituição Federal e na Lei n° 9.784, de 1999; deve o ato fiscalizatório ser anulado, tendo em vista a pendência de julgamento de Recurso Voluntário que interpôs nos autos do processo administrativo n° 13052.000281/0038. Tal recurso ainda não foi apreciado em última instância pelo Conselho de Contribuintes, não podendo a autoridade fiscalizadora afirmar, como está a fazer no Auto de Infração, que foi demonstrado à exaustão que tais créditos não são passíveis de serem compensados; de acordo com o art. 151, inciso III, do CTN, suspendese o crédito tributário pela apresentação de impugnação e interposição de recurso voluntário na via administrativa. Enquanto ainda não definitivamente julgado o processo administrativo, não pode o fisco exigir o tributo objeto da discussão, porque suspensa a sua exigibilidade; sobressai nítido que a empresa realizou a compensação dentro dos parâmetros delineados pelo Poder Judiciário, que nos autos do processo n° 87.00.013544, reconheceu o direito de gozar dos estímulos fiscais previstos no Decretolei n° 491, de 1969, e condenar a União Federal a aceitar o registro dos referidos créditos na escrita fiscal para efeito de compensação ou de pagamento em espécie; já estando judicialmente reconhecido o direito à compensação de valores referentes ao crédito de IPI com outros tributos, não se pode aceitar que prospere qualquer autuação que lhe impeça de assim proceder. É bem verdade que a Ação Ordinária ainda não transitou em julgado, embora o Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional já tenha sido rejeitado por decisão monocrática. Não há reparos a serem feitos no procedimento que adotou, porquanto se assim não for, o Fisco estará discriminando os contribuintes que ingressam em juízo para amparar definitivamente o seu direito em relação àqueles que implementam a compensação independentemente de uma ordem judicial ou administrativa; ao se basear em entendimento diverso daquele que está estampado na decisão judicial para lavrar o auto de infração, a autoridade fiscal praticou evidente excesso de exação e afronta à decisão judicial, com o que não compadece a legislação pátria, devendo ser anulado integralmente o lançamento. No Mérito: ao contrário das alegações dos autuantes, a origem dos créditos de IPI não é o processo administrativo n° 13052.000281/0038, mas a ação judicial no 87.00.013544, onde já foi reconhecido o seu direito, inclusive e principalmente pelo colendo Supremo Tribunal Federal; entendeu a fiscalização que a empresa não faria jus ao crédito prêmio do IPI, reconhecido judicialmente, em razão da inexistência de trânsito em julgado da ação judicial correspondente, em face das determinações do art. 170A do CTN. Não se poderá cogitar em aplicar um dispositivo legal restritivo sobre relação jurídica pretérita, sob pena de afronta ao Principio da Irretroatividade das Leis, previsto no inciso XXXVI, do art. 50 da Constituição Federal, sendo ainda violadas as determinações contidas no art. 6° da LICC; deve ser respeitado o ato ou fato jurídico já consumado dentro das regras do direito anterior, no caso representado pelo auferimento do direito ao créditoprêmio do IPI Fl. 601DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13005.000281/200353 Acórdão n.º 1201001.103 S1C2T1 Fl. 591 5 instituído pelo Decretolei n° 491/69, antes da instituição do art. 170A do CTN, não se podendo cogitar em alteração dessas regras por lei posterior; resta induvidosa a inaplicabilidade do art. 170A do CTN aos créditos de IPI em discussão, porquanto os mesmos surgiram em momento anterior A edição da LC n°104, de 2001, que instituiu a referida limitação; a IN SRF n° 226, de 2002, assim como os demais atos administrativos expedidos pela SRF no sentido de impedir o aproveitamento do IPI créditoprêmio pelas empresas exportadoras, extrapola o seu alcance na medida em que inova no mundo jurídico, ao criar obstáculos não previstos na legislação; a IN SRF n° 226, de 2002, e qualquer outro ato administrativo que imponha limites a direito assegurado ao contribuinte por meio de lei especifica, está desviandose dos objetivos para os quais foi instituído. A instrução normativa é ato interno que não obriga o particular, vez que esse não está sujeito 6 hierarquia do Poder Público. Em nenhuma hipótese uma instrução pode fazer restrição a direitos do particular, muito menos ao de aproveitar beneficio fiscal, caso não houvesse afronta a comando legal, o que, sem dúvida, ocorreu e materializouse; a Constituição Federal de 1988, em seu art. 5°, inciso II, bem como a Lei n° 9.784, de 1999 (art. 2°), são claras ao estabelecer o Principio da Legalidade como uma garantia suprema ao administrado e uma obrigação inarredável da administração. 0 Decretolei n° 491/69, autoriza expressamente a compensação que foi efetuada, não podendo a IN SRF n° 226, de 2002, restringir onde a lei não o fez, tirando o direito de compensar da empresa. Conseqüentemente ela é manifestamente violadora do principio da legalidade, devendo assim ser declarada; ocorreu a chamada denúncia espontânea, o que elide a aplicação de quaisquer penalidades, porque ao informar em DCTFs os valores respectivos a cada tributo apurado, e ao registrar tal evento em seus assentamentos contábeis, praticou ato jurídico denominado pela legislação tributária como denúncia espontânea, fazendo jus ao beneficio do direito de não sujeitarse A exigência de penalidades; a punibilidade não há quando o contribuinte exercer direito assegurado pela norma tributária; multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição plena, decidiu que não se distingue entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária; as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), disso decorrendo que, qualquer que seja a sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN; o legislador, ao redigir o artigo em tela, dispôs que a responsabilidade será excluída pela denúncia espontânea da infração, isto é, qualquer infração, seja, substancial ou formal, podendose afirmar que onde o legislador não fez distinção, não será licito ao intérprete fazêlo; Fl. 602DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 6 ademais, ao declarar os valores de PIS em sua DCTF, agiu de boafé. Não há em sua conduta quaisquer resquícios de dolo, máfé ou vontade deliberada de fraudar o Fisco, fato esse que corrobora para a exclusão total da multa aplicada; a inclusão de parcelas a titulo de multa (sanção punitiva) resulta em total afronta ao art. 138 do CTN, o que justifica a sua integral exclusão; os valores relativos á multa e juros não poderão ser exigidos nos moldes em que postos no trabalho fiscal; quanto à pretensão de se aplicar a multa punitiva, deve ser considerado que o elemento adotado como justificativo de sua aplicabilidade não se faz presente no auto de infração, eis que, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, a aplicação da multa agravada somente será possível na hipótese de se constatar evidente intuito de fraude, conforme definido nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.502, de 1964, devendo essa fraude ser considerada quando o crédito oferecido A compensação for: a) de natureza nãotributária;b) inexistente de fato; c) não passível de compensação por expressa disposição de lei;d) baseado em documentação falsa. existem restrições que não são aplicáveis aos casos em que a compensação tenha sido efetuada com base em decisão judicial, que é exatamente o que ocorre no presente feito; o agir da empresa não se enquadra em nenhuma das hipóteses citadas, o que comprova a inexistência de fraude em seu procedimento, eis que o crédito de IPI utilizado possui natureza tributária, existe de fato, é passível de compensação, porquanto não há lei que impeça tal procedimento adotado, e não resulta, por conseqüência, de documentação falsa; não adotou qualquer conduta comissiva ou omissiva, dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o fato gerador da ocorrência da obrigação tributária, nem tampouco excluiu ou modificou as características essenciais da mesma obrigação, com o fito de reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento (art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964); exige a Lei n° 9.430, de 1996, que a fraude seja cabalmente demonstrada, afastandose, portanto, a mera presunção, como se verifica nos autos, e que ela seja inequívoca, isto é, isenta de qualquer dúvida quanto à ocorrência; exercer um direito assegurado pelo STF jamais poderá configurar conduta fraudulenta, ainda que seja contrária As normas da Receita Federal (in casu a IN SRF n° 226 e o Ato Declaratório n° 31/99), visto que tais expedientes são totalmente ilegais; além de não se fazer presente qualquer proceder que evidenciasse a prática ou omissão de ato considerado fraudulento, o lançamento também não contempla a demonstração acerca do evidente, inequívoco, intuito de fraude; na eventualidade de remanescer alguma parcela do crédito, incabível será a exigência de qualquer valor a titulo de multa ou, se assim não se entender, essa não poderá corresponder ao percentual relativo àquelas aplicáveis de forma agravada; por imperativo lógico, a aplicabilidade da pena administrativa deve atentar para os mesmos princípios que regem a aplicação da reprimenda penal; Fl. 603DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13005.000281/200353 Acórdão n.º 1201001.103 S1C2T1 Fl. 592 7 devese considerar presente uma causa determinante da dúvida na aplicabilidade da norma infracional, ensejando, assim, seja afastada a incidência da multa aplicada ou, na pior das hipóteses, minorado o percentual exigido, ante a inexistência e não comprovação de intuito de fraudulento; a incidência da multa isolada se dá, unicamente, por eventual desatendimento de uma obrigação acessória, em razão de que, sempre que o sujeito ativo identificar a suposta falta de pagamento do IRPJ e da CSLL na época própria, deverá exigir o pagamento do tributo e de seus consectários, dentre os quais a multa punitiva. Desse modo, aplicar nova penalidade resulta na exigência bis in idem sobre suposta prática de uma mesma infração, o que não se coaduna com os Princípios Gerais do Direito Tributário; por conseguinte, somente poderá ser admitida a incidência da penalidade descrita no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, quando não se está, concomitantemente, a exigir o pagamento do tributo; é ilegal a aplicação da taxa Selic como juros de mora; ao longo dos anos a empresa acumulou o crédito presumido de IPI, conferido As empresas pela Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, sendo que no ano de 2000 transacionou os mesmos com outra pessoa jurídica. A fiscalização federal não reconheceu como válida a venda do crédito presumido do IPI para outra pessoa jurídica e determinou que tornasse sem efeito a operação, com os conseqüentes registros contábeis; ao desfazer a referida operação no ano de 2001, registrou o lançamento dos valores de forma equivocada em contas de resultado e não nas contas de patrimônio, como deveria ter procedido, majorando de forma irreal o lucro em aproximadamente R$ 2.450.000,00, situação que será demonstrada por intermédio de perícia contábil; ao exigir pagamento de IRPJ e CSLL sobre base de cálculo irreal, e, portanto, tributo indevido, falece o auto de infração da necessária liquidez dos valores nele contidos, de sorte que merece ser totalmente anulado também por este fundamento.” Decisão da DRJ A DRJ de Santa Maria considerou improcedente a impugnação e a contribuinte apresentou recurso voluntário. A Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes por meio da Resolução no 10800.337 (Relator – Conselheiro Nelson Losso) de 27/07/2006, determinou a conversão do julgamento em diligência ( fls. 497 a 585), com o retorno dos autos á repartição de origem para que aguarde a decisão final quanto ao direito creditório discutido no processo n° 13052.000281/0038, vez que: “ Após a análise do recurso interposto, bem como dos elementos juntados aos autos, verifico que existe questão prejudicial à sua apreciação. Ela diz respeito ao julgamento do direito ao crédito do IPI constante do processo n°13052:000281 /0038 cujo resultado tem influência direta nestes autos.” Fl. 604DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 8 Foi também determinado que após o julgamento definitivo do processo n° 13052.000281/0038, deve ser juntada aos autos cópia dos acórdãos prolatados, primeira e segunda instâncias, e providenciado o retorno do presente processo a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, para prosseguimento. Nos autos do processo n. 13052.000281/0038, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em sessão de 02/12/2004, decidiu através do acórdão n. 20309.915 por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao créditoprêmio até 30/06/1983 quando foi extinto pelo DecretoLei e 1.722/79, sem prejuízo da apuração dos valores pela autoridade administrativa competente. A Contribuinte apresentou Recurso Especial, que foi analisada pela Presidente da Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, que negou seguimento. Contra tal decisão, a Contribuinte apresentou agravo ao CSRF que através do despacho n. 9303007 de 03/02/2010, rejeição o agravo apresentado para manter a negativa de seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Após isso, a SAORT da DRF de Santa Cruz/SC, emitiu o Despacho Decisório de 24/03/2010: Tendo em vista a competência prevista no inciso II do art 3. da Portaria DRF/SC8 n° 41, de 05/05/2009 (DOU de 12/0512009),.inciso X do art 203, inciso VI do art. 280 e inciso II do art. 285 do Regimento Interno da RFB, aprovado pelo art.1° da Portaria MF n. 125, de 04/03/2009 (DOU de 06/03/2009), obedecendo a determinação do acórdão n° 20309.915, de 02/12/2004. (fls.519 e 527), em sede de liquidação, em razão da falta de alíquota no cálculo ocasionando quantificação zero, caracteriza inexistência do créditoprêmio de IPI (arts .1° a:4° do Decretolei n°491, de 05/03/1969), nos termos dos Despachos Decisórios DRF/SC/SAORT n. 272/2009, 245/2009 e 310/2009, contidos nos processos n. 13005.601087/200557, 13005.000850/200956 e 13005.001398/200869; respectivamente. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais, atendendo os pressupostos de admissibilidade, dela se conhecendo. Preliminar – Nulidade Não vislumbro nos autos a existência de qualquer vício no trabalho fiscal que possa ter levado à violação do principio da legalidade, ou que tenha caracterizado ato abusivo do Fisco. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13005.000281/200353 Acórdão n.º 1201001.103 S1C2T1 Fl. 593 9 O agente fiscal era competente para a lavratura do auto e a contribuinte foi devidamente intimada para prestar informações necessárias para verificação dos tributos nos períodos em fiscalização. Assim, afasto a preliminar aduzida. Mérito Passo, portanto ao exame do mérito, consoante os argumentos aduzidos na impugnação e no Recurso Voluntário. Este processo tem origem no pedido de habilitação de crédito de crédito prêmio de IPI – decreto Lei n. 491 de 1969 discutido pela contribuinte na ação ordinária n. 87.00013544 que tramitou na 10ª Vara Federal de Porto Alegre RS. O referido créditoprêmio foi declarado em 18.08.00 por meio de pedido de compensação referente ao período de outubro de 1982 a dezembro de 1996, no valor de R$85.000.000,00 contido no processo administrativo n. 13052.0002810038. À época, o pedido de compensação foi indeferido em síntese, por não ter sido respeitado o art. 170A do CTN e a contribuinte apresentou recurso. Ocorre que, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes reconheceu o direito ao créditoprêmio até a data de 30/06/1983 sob a alegação que o mesmo goza de exigibilidade em razão da decisão transitada em julgado, porém não goza de liquidez e certeza, posto que não foi apurada a legitimidade dos valores. A decisão da ação ordinária antes mencionada transitou em julgado em 05.08.03 de forma favorável à contribuinte que declarou a existência do direito de gozar dos estímulos fiscais previstos no Decreto Lei n. 491 de 1969 e condenou a União a aceitar os registros em escritura fiscal. Sendo assim, para a liquidação da sentença, no âmbito judicial com a possibilidade de execução por compensação em via administrativa foi nomeado perito para levantar os créditoprêmio de IPI. Só que, foi proferida decisão afastando o cunho condenatório da decisão, o laudo pericial não foi analisado o que determinou que a compensação fosse feita no âmbito administrativo. O despacho decisório DRFSCSRSN. 03 DE 2006 deferiu o pedido de habilitação de credito da contribuinte. Em seguida, o Parecer DRFSCSRS SAORT n. 126 de 04.09.09 considerou que a quantificação zero do créditoprêmio em razão da falta de alíquota em produto não tributados na TIPI seria elemento para revogar o pedido de habilitação e determinou que por falta de previsão, não há recurso cabível. O ato que revogou o pedido de habilitação de credito deu ensejo ao recurso processo 13005.001.087 200557 que foi negado provimento. Além disso, nos autos do processo n. 13052.000281/0038, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes reconheceu o direito ao créditoprêmio até 30/06/1983 quando foi extinto pelo DecretoLei e 1.722/79, sem prejuízo da apuração dos valores pela autoridade administrativa competente. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 10 Com o trânsito em julgado desta decisão, a SAORT da DRF de Santa Cruz/SC, em sede de liquidação, concluiu que “... em razão da falta de alíquota no cálculo ocasionando quantificação zero, caracteriza inexistência do créditoprêmio de IPI ...” Desta forma, diante da inconteste dependência do deslinde do débito ora discutido à existência de créditos de IPI discutidos no processo n. 13052.000281/0038 e, considerando que ao final foi apurada a inexistência de tal crédito, não há como afastar a exigência referente ao Auto de Infração ora em discussão. Multa Qualificada – 150% Com relação à aplicação da multa qualificada de 150%, entendo que agiu com correção o fiscal. Isso porque, a compensação, na forma como efetuada pela Recorrente, caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos da IN SRF n° 226 e ADI SRF n° 17, de 2002, não merecendo reparo a decisão da DRJ. Multa Isolada A Recorrente combate a aplicação da multa isolada sob o argumento de que tal multa somente poderia ser aplicada em caso de descumprimento de uma obrigação acessória, em razão de que, sempre que o sujeito ativo identificar a suposta falta de pagamento do IRPJ e da CSLL na época própria, deverá exigir o pagamento do tributo e de seus acréscimos, inclusive, a multa punitiva. Segundo o racional da Recorrente, a aplicação de nova penalidade resulta na exigência bis in idem pela prática da suposta mesma infração. Desta forma, a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, somente é possível quando não se está, concomitantemente, a exigir o pagamento do tributo. Neste ponto, cabe ressaltar que as multas ora em questão podem ser exigidas em conjunto com o tributo ou isoladamente, nos casos da contribuinte optante pelo pagamento do IRPJ e CSLL com base em estimativa, deixar de fazêlo, mesmo tendo apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido. Ora, no anocalendário de 2001, a Recorrente apurou na DIPJ o montante de R$ 887.531,48 de IRPJ, ao passo que os recolhimentos por estimativas que deveriam ter sido efetuados totalizavam R$1.147.114,55, portanto a contribuinte recolheu a menor por estimativa o valor de R$ 259.583,07, valor este que serviu de base de cálculo para a multa isolada. No mês de março do anocalendário de 2002 a impugnante não efetuou o recolhimento por estimativa devido no valor de R$ 1.136.062,54, tendo sido exigida, apenas, a multa isolada tendo como base de cálculo o valor não recolhido por estimativa. Portanto, não merece qualquer reparo a aplicação da multa isolada neste caso. Taxa Selic Fl. 607DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13005.000281/200353 Acórdão n.º 1201001.103 S1C2T1 Fl. 594 11 Com relação aos argumentos da contribuinte em relação à ilegalidade da utilização da Taxa Selic, aplico o disposto na Sùmula CARF n. 4, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 608DF CARF MF Impresso em 10/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900815/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 29 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10805.900815/2008-44
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5478183
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 29 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-000.358
nome_arquivo_s : Decisao_10805900815200844.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10805900815200844_5478183.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza - Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
id : 5999513
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888092725248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2201; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 183 1 182 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.900815/200844 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.358 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de março de 2015 Assunto DILIGÊNCIA. CONTRADITÓRIO. Recorrente UNIMED DO ABC COOPERATIVA DE TRABALHO M.E. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. A interessada foi cientificada e apresentou manifestação de inconformidade, a qual a DRJ julgou improcedente, nas seguintes palavras:. A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem de crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem de crédito, o valor RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 00 81 5/ 20 08 -4 4 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10805.900815/200844 Resolução nº 3202000.358 S3C2T2 Fl. 184 2 correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção,desta vez por meio de compensação.Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Alega a interessada que a referida declaração de compensação se deu pelo motivo de ter recolhido o PIS pelo regime nãocumulativo, sendo que a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, excluiu as cooperativas desse regime, incluindo no regime cumulativo, com efeitosapartirde01/02/2003. Devido a isso, apresentou DCTF retificadora. Porém afirma a DRJ que esse fato, não implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos.Confirase: Entretanto, o fato de ter recolhido o PIS pelo regime nãocumulativo, quando o correto seria pelo regime cumulativo, de forma alguma implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Com efeito, nada impede que os valores devidos a título de PIS pelo regime não cumulativo sejam inferiores aos devidos segundo o regime cumulativo,pois,mesmo que a alíquota se já superior no primeiro caso, existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com que o valor recolhidos e já menor do que o realmente devido. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia.Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção,desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Por sua vez, a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório,não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Por fim, na ótica da DRJ, o impugnante tem que demonstrar a certeza e liquidez do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária, através da declaração de compensação, conforme art. 147 do CTN. Fato que não ocorreu no caso narrado. Logo o direito creditório não pode ser admitido. Confirase: Observese que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange a existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo.Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na faze em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nesta fazer de contestação do despacho resultante. Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser Fl. 184DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10805.900815/200844 Resolução nº 3202000.358 S3C2T2 Fl. 185 3 admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, afirmando que: a) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I; b) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito; c) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte do Fisco. Iniciado o julgamento do recurso voluntário, nossa Turma, por unanimidade, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Todavia,entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente,com base na documentação existente nos autos,intimando a contribuinte para apresentar dados adicionais, se necessário. Cumprindose ao determinado na Resolução, foi elaborado relatório fiscal e, em seguida, os autos retornaram ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10805.900815/200844 Resolução nº 3202000.358 S3C2T2 Fl. 186 4 sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, afirmando que: i) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I; ii) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito; e iii) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte do Fisco. Iniciado o julgamento do recurso voluntário, nossa Turma, por unanimidade, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Todavia,entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente,com base na documentação existente nos autos, intimando a contribuinte para apresentar dados adicionais, se necessário. Cumprindose ao determinado na Resolução, foi elaborado relatório fiscal e, em seguida, os autos retornaram ao CARF para julgamento. Observo, inicialmente, que a recorrente não foi intimada para se pronunciar sobre o relatório fiscal, produzido para atender ao designado em Resolução pelo CARF. Assim, para evitar alegação de nulidade, por descumprimento do contraditório, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a recorrente seja intimada para, no prazo de trinta dias, se pronuncie sobre o relatório fiscal. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 186DF CARF MF Impresso em 29/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.000407/96-04
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO
DE RENDIMENTOS — O instituto da denúncia espontânea não
alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de
entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as
responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo
direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão
alcançadas pelo art. 138, do CTN.
Recurso provido.
Numero da decisão: PLENO/00-00.003
Decisão: ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Alberto Cava Maceira, Victor Luis de Salles Freire, VVilfrido Augusto Marques, Remis
Almeida Estol, Nilton Luiz Bartoli, José Carlos Passuello, Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Paulo Roberto Cuco Antunes, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Carlos Alberto Gonçalves Nunes.
Nome do relator: Antonio de Freitas Dutra
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200112
ementa_s : IRPF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso provido.
turma_s : Sétima Câmara
numero_processo_s : 10660.000407/96-04
conteudo_id_s : 5485168
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : PLENO/00-00.003
nome_arquivo_s : Decisao_106600004079604.pdf
nome_relator_s : Antonio de Freitas Dutra
nome_arquivo_pdf_s : 106600004079604_5485168.pdf
secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Alberto Cava Maceira, Victor Luis de Salles Freire, VVilfrido Augusto Marques, Remis Almeida Estol, Nilton Luiz Bartoli, José Carlos Passuello, Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Paulo Roberto Cuco Antunes, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Carlos Alberto Gonçalves Nunes.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2001
id : 6038819
ano_sessao_s : 2001
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047888117891072
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T15:54:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T15:54:14Z; Last-Modified: 2009-09-09T15:54:15Z; dcterms:modified: 2009-09-09T15:54:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T15:54:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T15:54:15Z; meta:save-date: 2009-09-09T15:54:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T15:54:15Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T15:54:14Z; created: 2009-09-09T15:54:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2009-09-09T15:54:14Z; pdf:charsPerPage: 1447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T15:54:14Z | Conteúdo => • ti ' • MINISTÉRIO DA FAZENDA • 9:4 *" ' • CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAISst PRIMEIRA TURMA Processo n° : 10660.000407196-04 Recurso n° : RD/106-0.259 Matéria : IRPF - EX.: 1995 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : PRIMEIRA TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSSOS FISCAIS Interessada : MÁRCIA APARECIDA CARNEIRO NUNES Sessão de :11 DE DEZEMBRO DE 2.001 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.003 IRPF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Alberto Cava Maceira, Victor Luis de Salles Freire, VVilfrido Augusto Marques, Remis Almeida Estol, Nilton Luiz Bartoli, José Carlos Passuello, Maria Goretti de Bulhões Carvalho, Paulo Roberto Cuco Antunes, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. N PE ODRIGUES PRESIDE E ANTONIO D4REITAS DUTRA RELATOR FORMALIZADO EM: 25 FEV 2002 DFSL 1 • - Processo n° : 10660.000407196-04 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOÃO HOLANDA COSTA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, SÉRGIO GOMES VELLOSO, MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS, CELSO ALVES FEITOSA, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, OTACÍLIO DANTAS CARTAXO, MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, HENRIQUE PRADO MEGDA, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, JORGE FREIRE, IACY NOGUEIRA MARTINS MORAIS, JOSÉ CLÓVIS ALVES e DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA. 2 • . • Processo n° :10660.000407/96-04 • Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.003 Recurso n° : RD/106-0.259 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A FAZENDA NACIONAL por seu Procurador junto à Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais recorre ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais pleiteando a reforma do Acórdão n° CSRF/01-02.684 de 10/05/99 (fls. 59/67) através do qual foi dado provimento ao recurso especial de divergência interposto por MÁRCIA APARECIDA CARNEIRO NUNES. Consigno que a notificação de fl. 03 foi elaborada na modalidade "notificação eletrônica". Porém não houve qualquer manifestação de inconformidade quanto este aspecto. Portanto considero matéria superada e dela não tratarei. O Acórdão recorrido tratou de multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos do exercício de 1.995 e está assim ementado: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — Lei n° 8.981/95, art. 88, e o CTN, art. 138. Não há incompatibilidade entre o disposto no art. 88 da Lei n° 8.981/95 e o art. 138 do CTN, que pode e deve ser interpretado em consonância com as diretrizes sobre o instituto da denúncia espontânea estabelecidos pela Lei Complementar? Recurso provido? Em seu apelo a Fazenda Nacional protestou pela reforma do Acórdão recorrido com fundamento no artigo 50 inciso II e parágrafo 4° do Anexo I da Portaria M.F. n°55/98 de 16/03/98. Objetivando comprovar o dissídio jurisprudêncial o Sr. Procurador fez juntada do inteiro teor do Acórdão número CSRF/02-0.829 (de 08/11199) às fls. 72/80 cujo Acórdão está assim ementado: 3 • Processo n° :10660.000407196-04 • Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.003 DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo artigo 138, do CTN. Precedentes do SI.). Recurso a que se dá provimento. Pelo Despacho CSRF/014/2.000 (de fls. 86/87) o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu seguimento ao recurso especial de divergência. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou contra-razões de fls. 92/93 propugnando pelo afastamento da multa ora em discurssão. É o Relatório. 4 • Processo n° : 10660.000407/96-04 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.003 Recurso n° : RD/106-0.259 VOTO Conselheiro ANTONIO DE FREITAS DUTRA, Relator O recurso preenche as formalidades legais dele conheço. Conforme já mencionado no relatório, a matéria trazida a julgamento refere-se a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos do exercício de 1.995. A pós manifestação da primeira e segunda Turmas de direito público do Superior Tribunal de Justiça — STJ prolatei em março de 2.000 os Acórdãos CSRF/01-02.853 e CSRF/01-02.875 onde a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais por maioria de votos entendeu não estar o atraso na entrega de declaração de rendimentos sob o manto do instituto da denúncia espontânea insculpido no artigo 138 do Código Tributário Nacional— CTN. Naquela oportunidade assim foi minha manifestação: 'A questão basilar para o deslinde da matéria é que o lançamento é ato privativo da autoridade administrativa e para tanto a Lei atribui à administração o 'jus império" para impor ônus e deveres aos particulares, genericamente denominados de 'obrigação acessória' a qual decorre da legislação tributária (e não apenas da lei) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadacão ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à murta específica (art. 113, § 30 do CTN). Desta forma é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. /1"-- 5 • • Processo n° : 10660.000407196-04 • Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.003 No caso concreto, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração de rendimentos, como também, o dever de fazê-lo no prazo previamente determinado. O fato do contribuinte ter entregue a declaração de rendimentos, por si só não o exime da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer outro entendimento em contrário implicaria tomar letra morta os dispositivos legais em comento, o que viria a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. A norma instituidora da multa ora questionada esta insculpida no artigo 88 da Lei n° 8.981/95 que transcrevo para melhor entendimento da matéria: 'Art. 88 — A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I — omissis. II — à multa de duzentos UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração que não resulte imposto devido." Por outro lado, a teor do artigo 136 do CTN, a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação é objetiva, como objetiva é a penalidade pelo seu descumprimento, devendo esta ser aplicada, mesmo na hipótese de apresentação espontânea, se esta se deu fora do prazo estabelecido em Lei. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça - STJ tem dado mesmo entendimento à matéria em recentes julgados a saber Recurso Especial n° 190388/G0 (98/0072748-5) da Primeira Turma cujo Relator foi o Ministro José 6 fr . • ' Processo n° :10660.000407196-04 . Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.003 Delgado em Sessão de 03112/98 e Recurso Especial n° 208.097 — PARANÁ (99/0023056-6) da Segunda Turma cujo Relator foi o Ministro Hélio Mosimann em Sessão de 08/06/99. Transcrevo abaixo a ementa e o voto das duas decisões do STJ acima mencionadas: RECURSO ESPECIAL n° 190388/ GO (98/0072748-5) Ementa 'TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. I. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4. Recurso provido? VOTO O EXMO. SR. MINISTRO JOSÉ DELGADO (RELATOR): Conheço do recurso e dou-lhe provimento. A configuração da denúncia espontânea como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerado acórdão 7 A--- . . Processo n° : 10660.000407196-04 - Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.003 recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àauelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. (grifos do original). RECURSO ESPECIAL n° 208.097-PARANÁ (99/0023056-6) Ementa TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECURSO DA FAZENDA. PROVIMENTO. VOTO O SENHOR MINISTRO HÉLIO MOSIMANN: fr . _ • Processo n° :10660.000407/96-04 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.003 Decidiu a instância antecedente, ao enfrentar o tema — aplicação de multa por atraso na entrega da declaração do imposto de renda — que, 'em se tratando de infração formal, não há o que pagar ou depositar em razão do disposto no art. 138 do CTN, aplicável à espécie'. A egrégia Primeira Turma, em hipótese análoga, manifestou-se na conformidade de precedente guarnecido pela seguinte ementa: "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÁNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4. Recurso provido." (Resp n° 190.388-GO, Rel. Min. José Delgado, DJ de 22.3.99)". Neste ponto trago à colação excerto do voto do ilustre Conselheiro Amaury Maciel prolatado no Acórdão n° 102-44.860 de 19/0612001 que peço vênia para transcrever. `Ainda a respeito desta temática é importante que se discorra sobre o "animus intencionandi" que motivou o legislador pátrio a incluir no vigente Código Tributário Nacional a denúncia espontânea prescrita em seu art. 138. Vejamos. Na Exposição de Motivos N.° 1.250, de 21 de julho de 1954 o Exmo Sr Ministro da Fazenda, Dr. OSWALDO ARANHA, encaminhou ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República o Projeto de Código Tributário Nacional, onde fez minudente análise de seus dispositivos legais. 9 fr Processo n° :10660.000407/96-04 - Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.003 Ao comentar os Art.'s 172 a 174 contidos no Capítulo IV — DA RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES, o Exrno Sr Ministro da Fazenda, Dr. OSWALDO ARANHA apresenta as razões e o alcance dos citados dispositivos, cujo teor é a seguir transcrito, "in verbis": "125. Nos arts. 172 e 174, foram aproveitadas disposições que, no Anteprojeto figuravam no Livro VII, em matéria de responsabilidade por infrações. A elaboração do assunto na doutrina nacional é escassa. Meirelles Teixeira natureza Jurídica das Multas Fiscais", em Estudos de Direito Administrativo, p. 179) e Adelmar Ferreira (Natureza Jurídica da Multa no Sistema Fiscal Brasileiro) S. Paulo 1949), acentuam a distinção entre as sanções administrativas em matéria tributária e, de um lado, as penas criminais ou, de outro lado, as reparações de caráter civil. Falta, entretanto, uma análise sistemática da natureza das próprias infrações tributárias, cuja característica conceituai parece residir na circunstância de não configurarem ilícito jurídico entre si mesmas, senão apenas em . conexão com uma obrigação de outra natureza, a obrigação tributária principal ou acessória (Gomes de Sousa, Compêndio de Legislação Tributária, 105). O Art. 274 do Anteprojeto consagrava essas conclusões, referindo-se à própria conceituação das infrações: o art. 172 as mantém, porém com o caráter de definição da responsabilidade, a fim de enquadrar o assunto no conteúdo do Livro VI, em conseqüência da revisão da matéria penal dentro do conceito adotado de normas gerais (supra: 9). O Art. 173 abre exceções ao princípio da objetividade firmado no artigo anterior, determinando o carátger pessoal da responsabilidade penal nas hipóteses em que essa personalização decorre da própria natureza da infração ou das circunstâncias da sua prática. Assim, a alínea I, corresponde à igual número do art. 291 do Anteprojeto, refere as infrações que sejam simultaneamente crimes ou contravenções, a fim de ressalvar a aplicabilidade dos princípios do direito penal. A alínea 11, igualmente correspondente à do art. 291 do Anteprojeto, personaliza a responsabilidade nos casos em que a própria lei, ao definir a infração, tenha consagrado o elemento intencional do dolo específico. Por último, o art. 174 abre ainda exceção ao princípio da objetividade, admitindo a exclusão da responsabilidade penal nosk_ lo J • • Processo n° : 10660.000407196-04 Acórdão n° : CSRF/PLEN0-00.003 casos de denúncia espontânea da infração e sua concomitante reparação. A regra, que vem do art. 289 do Anteprojeto, já é consagrada pelo direito vigente (Consolidação das Leis do Imposto de Consumo, decreto n° 26.149 de 1949, art. 200) Os artigos acima descritos que faziam parte do Projeto do Código Tributário Nacional, são exatamente os que compõem os arts. 136. 137 e 138 de vigente Lei N.° 5.172166. É de se concluir portanto que o disposto nestes artigos é aplicável somente quando a infração tributária resultar concomitantemente responsabilidade penal. Dai porque a denúncia espontânea, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e juros de mora, excluir a responsabilidade do agente. Seria um "aberratio jure" pretender que na simples falta da entrega da declaração de rendimentos ou a sua entrega fora dos prazos legais, se vislumbrasse a figura de um ilícito de natureza penal, motivando a Autoridade Fiscal a promover a devida Representação Fiscal para Fins Penais na forma da legislação vigente." Ante todo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, especial da Fazenda Nacional. É o meu voto. Sala das Sessões - DF, em 11 de dezembro de 2.001. ANTONIO D/F3ROTAS DUTRA 11 Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1
score : 1.0
