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Numero do processo: 18471.000570/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
NULIDADE. NÃO APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS.
É nula a decisão de turma julgadora que não aprecia documentos juntados em manifestação a diligência efetuada, mesmo que os documentos não tenham sido juntados aos autos pelo órgão preparador.
CONTORNOS DA LIDE. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA.
Considera-se matéria não litigiosa aquela que não é questionada na manifestação de inconformidade e que é admitida pelo contribuinte como infração.
Numero da decisão: 1101-000.601
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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NÃO APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS. É nula a decisão de turma julgadora que não aprecia documentos juntados em manifestação a diligência efetuada, mesmo que os documentos não tenham sido juntados aos autos pelo órgão preparador. CONTORNOS DA LIDE. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. Considerase matéria não litigiosa aquela que não é questionada na manifestação de inconformidade e que é admitida pelo contribuinte como infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Assinado digitalmente CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Relator. EDITADO EM: 06/11/2011 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 06/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Diniz Raposo e Silva, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de turma julgadora que considerou parcialmente improcedente impugnação apresentada em razão de auto de infração. Em 30/06/2006, o contribuinte é cientificado da autuação (proc. fls. 188 a 211). Conforme termo de verificação (proc. fl. 188), foram fiscalizados os anoscalendários de 2002 a 2004 e foi constatado a existência de omissão de receitas, “caracterizada por movimentação financeira (créditos, depósitos) incompatível com a receita declarada”. Também, e que a empresa não observou o limite de 30% de compensação de prejuízo fiscal. Ainda conforme o termo, a demonstração da omissão de receitas é feita pelo termo de intimação datado de 21/02/2006 (proc. fl. 178) e planilhas (proc. fls. 180 a 185). Em 01/08/2006, o contribuinte impugna o auto de infração (proc. fls. 273 a 287). Alega que o lançamento correspondente a glosa de prejuízo compensado deve ser anulado porque não está tipificado com clareza. Diz que em junho de 2002 e capital integralizado era da ordem de R$ 1.461.425,00. Explica que, em atendimento à intimação datada de 21/02/2006, informou ao fiscal que todos os contratos de câmbio solicitados, referentes aos ingressos de divisas remetidoas pelo sócio majoritário, estavam a disposição. Diz que o autuante considerou como crédito não justificado em conta bancária até os resgates de aplicações, as transferências do mesmo titular, e o montante de R$ 1.257.355,17. Informa que, no caso dos R$ 1.257.355,17, o fiscal alegou não ter localizado a conta de origem. Salienta que tal valor era oriundo de depósito de cliente para quitar a nota fiscal nº 2. Elabora planilhas para demonstrar o que entende ser errado no lançamento e esclarece diversos ingressos nas contas bancárias. Em 22/09/2008, o julgamento na DRJ é convertido em diligência (proc. fls. 460 a 462). Em 03/12/2008, é encerrada a diligência e lavrada informação fiscal, sendo entregue cópia ao contribuinte (proc. fls. 482 a 484). Na informação é dito que: foi esclarecida o origem do crédito que deu margem a omissão do anocalendário de 2002; que o valor de receita omitida em 2003 é de R$ 165.261,45, em razão de não ter sido apresentados os contratos de câmbio datados de 18/08/2003 e 20/10/2003; foi esclarecida o origem do crédito que deu margem a omissão do anocalendário de 2004; que o excesso de compensação de prejuízo foi mesmo de R$ 14.787,68. Em 25/03/2009, a 5ª Turma da DRJ I no Rio de Janeiro dá provimento parcial à impugnação (proc. fls. 486 a 495). O voto condutor afirma que o auto de infração não é nulo e diz que a diligência alterou significativamente a autuação. Também, informa que o contribuinte não se manifestou sobre a diligência, da qual foi cientificado. Propõe: cancelar o lançamento de omissão de receitas referente aos anoscalendários de 2002 e 2004; reduzir a omissão do ano calendário de 2003 para R$ 165.261,45, lembrando que é possível a compensação de prejuízo; manter a glosa de compensação de prejuízo de R$ 14.787,68, do anocalendário de 2004, que só implica em cobrança de IRPJ. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 06/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 18471.000570/200612 Acórdão n.º 110100.601 S1C1T1 Fl. 560 3 Em 10/06/2009, o contribuinte é cientificado do acórdão (proc. fl. 502). Em 08/07/2009, apresenta seu recurso voluntário (proc. fls. 503 a 505). No seu recurso afirma que, ao contrário do que sustentou a turma julgadora, houve manifestação da empresa quanto a diligência fiscal, “conforme pode ser verificado em recurso protocolado em 30/dezembro/2008 no MINISTÉRIO DA FAZENDA – C.A.C. – MÉIERDERAT/RJJO –Código 01137085, que diz juntar. Também, informa que, no que tange à glosa de prejuízos no anocalendário de 2004, a empresa reconheceu o erro contábil e recolheu o montante de R$ 5.327,05, no código 2917, a título de IRPJ. Informa estar juntando os contratos de câmbio datados de 15/08/2003 e 16/10/2003. Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Relator. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A decisão da DRJ é baseada na diligência fiscal. Em razão do resultado da diligência a turma julgadora reduziu o lançamento, mantendo apenas a cobrança relativa a omissão de receitas do anocalendário de 2003, no montante de R$ 165.261,45, e a glosa de prejuízo. No seu recurso o contribuinte se insurge apenas contra a omissão de receitas e diz reconheceu o erro contábil referente à compensação de prejuízo acima dos 30% e efetuou o recolhimento. Dessarte, o presente litígio versa apenas sobre omissão de receitas, decorrente de depósito bancário não justificado. Mais especificamente, decorre da não apresentação, nas fases de fiscalização e de diligência, de dois contratos de câmbios que justificariam dois ingressos de R$ 238.400,00 e R$ 35.521,15, ocorridos respectivamente em 18/08/2003 e 20/10/2003, na conta bancária no Bankboston (proc. fl. 183). No recurso, a defesa do contribuinte consiste em afirmar que, ao contrário do que a DRJ afirmou no voto condutor do acórdão, foi apresentada manifestação sobre a diligência dentro do prazo legal. Também, diz estar juntando os contratos de câmbio que teriam dado origem a estes créditos. De fato, o contribuinte junta cópia de sua manifestação sobre a diligência, que se verifica protocolada em 30/12/2008 (proc. fls. 527 a 536), portanto dentro do prazo de 30 dias da ciência do resultado da diligência, que se encerrou em 03/12/2008, e antes do julgamento na DRJ. Neste documento explica que não apresentou os contratos de câmbios solicitados pelo fiscal durante a diligência, porque esses documentos estavam no seu arquivo e precisava mais do que apenas 5 dias para disponibilizalos. O contribuinte também junta os contratos de câmbio (proc. fls. 531 a 537). A análise desses documentos mostra que são cópias de contrato de câmbio entre a Biolotus e o Bankboston, datados de 15/08/2003 e 16/10/2003, nos montantes de R$ 238.400,00 e R$ 36.521,15. Deste modo, constatase que, por algum lapso, a DRJ não considerou a manifestação e os documentos apresentados. Aparentemente, e em que pese a informação na Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 06/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 folha 558 (de que as folhas 503 a 554 foram apresentadas como recurso voluntário), a manifestação do contribuinte feita em 03/12/2008 só foi juntada aos autos pelo órgão preparador em 12/08/2009 (proc. fls. 538 e seguintes). Isso explicaria o fato da DRJ sustentar que não houve manifestação do contribuinte com relação a diligência. Analisando as folhas 539 a 542, constatase que devem corresponder a manifestação do contribuinte feita em 03/12/2008. Nessas folhas se encontram a manifestação (proc. fls. 539 a 542), os dois contratos de câmbio (proc. fls. 544 a 549), e a cópia do diário onde se registra esses contratos de câmbio (proc. fls. 550 e 551). Nessas cópias do diário, se constata o registro contábil dos ingressos em banco a crédito em credores diversos, correspondente a estes dois contratos de câmbio. Ora, tendo em vista que a manifestação foi feita em tempo e antes do julgamento, considerando que mencionava e juntava os documentos solicitados na diligência, e levando em conta que não foi analisada no julgamento feito pela DRJ, ocorrido em 25/03/2009, resta evidente que a defesa do contribuinte ficou prejudicada. Em consequencia, a decisão é nula por cerceamento de defesa. Porém, conforme determina o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, sendo possível decidir no mérito favoravelmente ao contribuinte, não se declara a nulidade. Nesse sentido, cabe notar que, os documentos juntados pelo contribuinte justificariam os ingressos nas contas bancárias, ocorridos em 18/08/2003 e em 20/10/2003, nos montantes de R$ 238.400,00 e 36.521,15, conforme planilha integrante da intimação que deu origem ao lançamento (proc. fl. 183). Além disso, correspondem à explicação inicial do contribuinte, dada em 22/03/2006 (proc. fl. 179). De outra banda, a diligência solicitou, em 18/11/2008, com prazo de 5 dias para atendimento, 6 contratos de câmbios que justificariam a origem dos depósitos bancários, dentre eles os dois acima mencionados (proc. fl. 465). O contribuinte respondeu em 24/11/2008 que juntava apenas 2 contratos, mas que iria apresentar os outros tão logo conseguisse localizá los (proc. fl. 466). Em 03/12/2008, a diligência é encerrada (proc. fl. 482). Deste modo, demonstrase plausível a argumentação do contribuinte de que o prazo para apresentação dos documentos foi curto, de sorte que só foi possível atender ao solicitado após a conclusão da diligência. Também, cabe notar, no “relatório de diligência fiscal” (proc. fls. 483 e 484), que o auditor considerou não comprovada a origem dos dois créditos bancários em 2003, apenas porque não foi apresentado os contratos de câmbios correspondentes que haviam sido solicitados. Ainda cabe perceber que os demais créditos bancários que tinham por base contratos de câmbio que foram apresentados, foram considerados justificados. No que tange a decisão da DRJ, só é mantido o lançamento de omissão de receitas em 2003, por que os dois contratos não teriam sido apresentados (proc. fl. 493). Portanto, considerando a coincidência de data e valor entre os contratos e os créditos bancários considerados não comprovados, bem como a coincidência com a instituição financeira, tendo em conta que todos os diversos créditos bancários considerados não justificados na autuação acabaram sendo comprovados pelo contribuinte na diligência, e observando as cópias dos diários, cabe considerar demonstrada a origem dos créditos no Bankboston ocorridos em 18/08/2003 e em 20/10/2003, nos montantes de R$ 238.400,00 e 36.521,15. Na verdade, a única dúvida que se pode aventar sobre a demonstração feita pelo contribuinte é quanto a autenticidade dos documentos, já que os que foram juntados aos Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 06/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 18471.000570/200612 Acórdão n.º 110100.601 S1C1T1 Fl. 561 5 autos são cópias simples e não autenticadas. Porém, considerando que todos os créditos considerados não comprovados pela fiscalização foram efetivamente comprovados durante a diligência, salvo os correspondentes aos dois contratos de câmbio em questão, é razoável admitir as cópias apresentadas como suficientes para a efetiva demonstração. Por estas razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento decorrente da omissão de receitas. Sala das Sessões, 4 de outubro de 2011. Assinado digitalmente Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 06/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006033/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal tem natureza jurídica de ordem
administrativa, impondo uma ordem para instauração, pelos Auditores Fiscais
da Receita Federal dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e
contribuições administrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil.
Mera irregularidade na sua emissão ou complementação não invalida o
lançamento. Além do fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal poderá
alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos da sua emissão.
LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO
A opção pelo lucro presumido se faz pelo recolhimento da 1ª cota ou cota
única do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica com essa opção, e, na sua
falta, poderá ser aceita a apresentação da DCTF nessa condição, e, ainda,
feita a opção por outro sistema de tributação, será definitiva para todo o ano
calendário qualquer que seja essa ela.
MULTA ISOLADA
A penalidade sobre os débitos fiscais apurados em procedimento de ofício
são fixados em lei, cuja observância pelo agente público é obrigatória.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.315
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Os conselheiros Fabiola
Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes acompanharam o relator pelas conclusões.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Período de apuração: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal tem natureza jurídica de ordem administrativa, impondo uma ordem para instauração, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil. Mera irregularidade na sua emissão ou complementação não invalida o lançamento. Além do fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal poderá alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos da sua emissão. LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO A opção pelo lucro presumido se faz pelo recolhimento da 1ª cota ou cota única do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica com essa opção, e, na sua falta, poderá ser aceita a apresentação da DCTF nessa condição, e, ainda, feita a opção por outro sistema de tributação, será definitiva para todo o ano calendário qualquer que seja essa ela. MULTA ISOLADA A penalidade sobre os débitos fiscais apurados em procedimento de ofício são fixados em lei, cuja observância pelo agente público é obrigatória. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Período de apuração: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal tem natureza jurídica de ordem administrativa, impondo uma ordem para instauração, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil. Mera irregularidade na sua emissão ou complementação não invalida o lançamento. Além do fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal poderá alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos da sua emissão. LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO A opção pelo lucro presumido se faz pelo recolhimento da 1ª cota ou cota única do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica com essa opção, e, na sua falta, poderá ser aceita a apresentação da DCTF nessa condição, e, ainda, feita a opção por outro sistema de tributação, será definitiva para todo o ano calendário qualquer que seja essa ela. MULTA ISOLADA A penalidade sobre os débitos fiscais apurados em procedimento de ofício são fixados em lei, cuja observância pelo agente público é obrigatória. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes acompanharam o relator pelas conclusões. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/201 2 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.006033/200881 Acórdão n.º 330201.315 S3C3T2 Fl. 2 2 Walber José da Silva Presidente. Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 22/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Relatório Adotase o relatório: Foram lavrados contra o contribuinte acima identificado, autos de infração de COFINS e PIS, do ano calendário de 2005 no valor total de R$ 287.688,01 (duzentos e oitenta e sete mil, seiscentos e oitenta e oito reais e um centavo), conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 03 a 18. A autoridade fiscal efetuou os lançamentos de oficio entendendo que o contribuinte estaria sujeito ao recolhimento de PIS e COFINS sob o regime não cumulativo em razão de sua opção pelo lucro real em face de ter entregado os livros contábeis (diário e razão) e o livro fiscal obrigatório que é o livro de apuração do lucro real demonstrando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, apesar do contribuinte ter apresentado após o inicio da ação fiscal, da DIPJ pelo lucro presumido e conseqüentemente a DCTF retificadora e DACON pelo mesmo sistema. A autoridade fiscal entendeu ainda, que não houve o recolhimento da lª cota ou cota única pelo lucro presumido antes do inicio da ação fiscal, motivos que a levaram a levantar as receitas operacionais sobre as quais incide as contribuições de PIS E COFINS sob o regime não cumulativo próprio de empresas que optam pelo lucro real, além do fato de a primeira DCTF ter sido apresentada com a opção pelo lucro real. O contribuinte apresentou sua impugnação alegando em síntese o seguinte: a) Que a autoridade fiscal não pode considerar a entrega dos livros contábeis como opção pelo lucro real, quando apenas os entregou por exigência constante do termo de início do procedimento fiscal; b) Não poderia também prosperar o argumento principal que seria a apresentação do LALUR para caracterizar a opção pelo lucro real, considerando que o livro apresentado não preenche as formalidades legais, quais sejam a assinatura do responsável tanto no termo de abertura como no termo de encerramento, e, conseqüentemente sem validade jurídica para fins de documentação legal a ser analisada durante uma medida fiscalizadora; c) Que a opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento da 1ª quota ou quota única do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/201 2 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.006033/200881 Acórdão n.º 330201.315 S3C3T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada em 28/06/2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 27/07/2010. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A questão principal de que trata o presente recurso diz respeito à real opção de regime tributário adotado pelo contribuinte, bem como as suas conseqüências em face da cumulatividade, ou não, das contribuições para o COFINS e para o PIS/PASEP. Mandado de Procedimento Fiscal Alega a recorrente que deve ser declarado nulo o auto de infração, uma vez que “houve extrapolação dos poderes atribuídos no MPF relativamente ao tributo lançado...”. Todavia, não assiste razão a Recorrente. Vejamos. O Mandado de Procedimento Fiscal é condição de procedibilidade para a ação fiscal, uma vez que dá conhecimento ao sujeito passivo da relação tributária de realização de procedimento fiscal contra si intentado. Tem por finalidade dar início ao procedimento fiscal sendo ato preparatório e indispensável à produção de atos subseqüentes. O MPF tem natureza jurídica de ordem administrativa, impondo uma ordem para instauração, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil. É mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal. O lançamento precede uma conjunção de atos que visam subsidiar a autoridade fiscal com elementos suficientes para que o crédito tributário seja constituído. Esse procedimento ocorre independente da vontade do contribuinte, tendo natureza inquisitiva, cabendo ao agente, nos limites da lei, a busca da verdade quanto aos fatos investigados. Nesse sentido não há que se falar em nulidade do lançamento, visto que dentre outros, o poder de fiscalizar os Auditores da Receita Federal e de proceder à lavratura de autos de infração não é e nem pode ser tolhido por atos administrativos, como os Mandados de Procedimento Fiscal, cujo eventual descumprimento, poderia, no máximo ensejar a responsabilidade funcional do mesmo, mas nunca nulidade do lançamento. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/201 2 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.006033/200881 Acórdão n.º 330201.315 S3C3T2 Fl. 4 4 Neste sentido se firmou a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, conforme precedentes abaixo: "FALTA DE MPFCOMPLEMENTAR INOCORRÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO A falta do MPFComplementar para ampliar o período de apuração previsto no MPFF, bem assim sua ciência ao contribuinte, não acarreta a nulidade do lançamento relativamente aos períodos não alcançados pelo MPFF, tendo em vista que o MPFF é documento de uso interno da SRF. (Recurso nº 152988, 5ª Câmara do 1º Conselho, sessão de 16/10/2007, Acórdão 10516680) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o auto de infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. (CSRF 2ª Turma, Recurso nº 203126775, Sessão de 22/01/2007. Rel. Maria Tereza Martinez Lopes. Acórdão nºCSRF/0202.543) Além do fato de que, apesar de constar o período de apuração de 2005 no Mandado de Procedimento Fiscal, este poderá alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos da sua emissão. Desse modo, adoto o posicionamento do E. Conselho, para afastar a alegada preliminar de nulidade decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal. Lucro Real Neste ponto, deve prosperar a i. decisão ora recorrida em todos os seus termos, os quais seguem: “a) Efetivamente a simples entrega dos livros contábeis a que estão sujeitas todas as pessoas jurídicas pelas leis civis, não podem por si só caracterizar a opção pelo lucro real, não obstante estejam as pessoas jurídicas em alguns casos, dispensados de apresentação para efeitos fiscais conforme as normas que regem a tributação das pessoas jurídicas, que por sua vez não podem se sobrepor às obrigações ditadas pelas leis civis. Apesar desse fato, a motivação do entendimento pela autoridade fiscal de que o contribuinte optara pelo lucro real está principalmente no fato de a DCTF original ter sido apresentada com opção pelo lucro real, sem ter havido qualquer recolhimento com opção pelo lucro presumido em cota única ou 1a quota, que seria a forma legal de opção por esse sistema de tributação; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/201 2 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.006033/200881 Acórdão n.º 330201.315 S3C3T2 Fl. 5 5 b) A questão da falta de formalidades do livro LALUR pela falta de assinatura nos termos de abertura e encerramento que prejudicaria a opção pelo lucro real da mesma forma não pode ser aceita pelo fato de que referido livro foi apresentado pelo contribuinte, o que pressupõe a veracidade das informações ali constantes e não questionadas pela autoridade fiscal, que, se o fizesse teria de arbitrar o lucro da empresa, não aceitando também a opção pelo lucro presumido; c) Efetivamente a opção pelo lucro presumido se faz pelo pagamento da primeira quota ou quota única nessa condição, o que não ocorreu, e, a opção do contribuinte se manifestou pela apresentação da DCTF original pelo lucro real.” (Grifei) Assim, verificado a adoção pelo contribuinte da sistemática do Lucro Real, não há que se falar em mudança dessa opção durante todo anocalendário e, ainda, após iniciado o procedimento fiscal. Neste sentido, foi decidido pelo E. STJ, quando do julgamento do Recurso Especial n° 573.552, conforme ementa abaixo: “TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ART. 26, § 4º, DA LEI Nº 9.430/96. 1. Somente será admitida a mudança de opção de regime tributário, quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de rendimentos e antes de iniciado procedimento fiscal. 2. Não há possibilidade de retificação do regime tributário após a entrega da declaração, conforme preceitua o artigo 26, § 4º, da Lei nº 9.430/96. 3. Recurso especial provido.” Multa Isolada Por fim, alega o contribuinte que está sendo exigido o pagamento concomitante da multa isolada, prevista no §1º, do artigo 44, da Lei 9.430/96 e da multa de ofício, prevista no inciso I do mesmo dispositivo legal. A penalidade sobre os débitos fiscais apurados em procedimento de ofício são fixados em lei, cuja observância pelo agente público é obrigatória. Assim, em relação aos presentes autos, tendo em vista os demonstrativos acostados as folhas 10 e 18, os quais dispõem claramente sobre a aplicação, apenas, da multa de ofício, não assiste razão o contribuinte. Por todo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/201 2 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10183.006033/200881 Acórdão n.º 330201.315 S3C3T2 Fl. 6 6 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/01/201 2 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 36378.002803/2006-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/9, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial das contribuições previdenciárias nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional CTN.
No caso dos autos, verifica-se que o lançamento refere-se a contribuições incidentes sobre as seguintes parcelas que a fiscalização entendeu haver incidência de contribuições previdenciárias: i) abono de férias; ii) abono único especial; e iii) abono emergencial.
Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes
sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo.
Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo.
A regra do art. 150, § 4º, do CTN trata-se de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN.
Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso.
Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 11/08/2005, os fatos geradores ocorrido até a competência 07/2000 encontravam-se fulminados pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.573
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar
provimento ao recurso. Os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/9, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial das contribuições previdenciárias nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional CTN. No caso dos autos, verifica-se que o lançamento refere-se a contribuições incidentes sobre as seguintes parcelas que a fiscalização entendeu haver incidência de contribuições previdenciárias: i) abono de férias; ii) abono único especial; e iii) abono emergencial. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN trata-se de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 11/08/2005, os fatos geradores ocorrido até a competência 07/2000 encontravam-se fulminados pela decadência. Recurso especial provido.
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/9, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial das contribuições previdenciárias nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional CTN. No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre as seguintes parcelas que a fiscalização entendeu haver incidência de contribuições previdenciárias: i) abono de férias; ii) abono único especial; e iii) abono emergencial. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 11/08/2005, os fatos geradores ocorrido até a competência 07/2000 encontravamse fulminados pela decadência. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres votaram pelas conclusões. Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 20600.779, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 07/05/2008 (fls. 166/181), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 188/242). A decisão recorrida, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de decadência e, por unanimidade de votos, no mérito, negou provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 457, § 1°, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a titulo de prêmio, na forma de gratificação ajustada, independente da denominação dada pelo contribuinte. ABONOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Após o advento do Decreto 3.265/99, somente as importâncias pagas aos empregados a título de abonos desvinculados expressamente por lei do salário, não compõem a Fl. 254DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 36378.002803/200661 Acórdão n.º 920201.573 CSRFT2 Fl. 2 3 base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o art. 214, § 9°, alínea "j", do RPS. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser lançado, nos moldes do artigo 45, da Lei n° 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.” Explica que a decisão recorrida diverge dos paradigmas que apresenta, os Acórdãos 20501.532 e 20501.460. Entende que, enquanto o acórdão recorrido aplicou o artigo 45 da Lei 8.212/91 para admitir o prazo decadencial de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser lançado, os acórdãos paradigmas, com base na Súmula Vinculante n° 8, aplicaram as normas de decadência constantes do CTN. Argumenta que, tendo havido o pagamento parcial do tributo, já que apenas não foi recolhida parte da contribuição previdenciária sobre determinada rubrica (abono, assistência médica, prêmio etc), aplicase ao caso o artigo 150, § 4° do CTN, razão pela qual devese decretar a decadência das exigências anteriores a agosto de 2000. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho nº 240024/2010 (fls. 246/247), foi dado seguimento ao pedido em análise. Cientificada, a Fazenda Nacional optou por não oferecer contrarazões, consoante despacho à folha 247. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria sujeita a apreciação deste colegiado diz respeito exclusivamente ao reconhecimento da decadência nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional – CTN. É certo que, em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal editou o seguinte enunciado da súmula vinculante nº 8, publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006, em 20 de junho de 2008: “Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e Fl. 255DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/9, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial das contribuições previdenciárias nos termos em que dispõe o Código Tributário Nacional – CTN. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante Fl. 256DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 36378.002803/200661 Acórdão n.º 920201.573 CSRFT2 Fl. 3 5 a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre as seguintes parcelas que a fiscalização entendeu haver incidência de contribuições previdenciárias: i) abono de férias; ii) abono único especial; e iii) abono emergencial. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados do Regime Geral da Previdência Social RGPS devem ser apreciadas como um todo. Segregando se, entretanto, a contribuição a cargo do próprio segurado e as contribuições para terceiros. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 11/08/2005, os fatos geradores ocorrido até a competência 07/2000 encontravamse fulminados pela decadência. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte, para declarar a decadência até a competência 07/2000. Elias Sampaio Freire (Assinado digitalmente) Fl. 258DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003465/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. CÔNJUGE. APRESENTAÇÃO DE
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EM SEPARADO. Comprovado nos
autos que a esposa apresentou declaração em separado, incabível relacioná-la como dependente. As despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringem-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.371
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DESPESAS MÉDICAS. CÔNJUGE. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EM SEPARADO. Comprovado nos autos que a esposa apresentou declaração em separado, incabível relacionála como dependente. As despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/0 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0931.709, proferido pela 4 Turma da DRJ Juiz de Fora (fl. 123), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Para o(a) contribuinte retro qualificado(a) foi emitida a Notificação de Lançamento — IRPF de fl(s). 50/55, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$1.738,12, consoante ali discriminado. 0 lançamento decorreu do procedimento de revisão da DIRPF/2006, a fl(s). 59/63, apresentada à RF pelo(a) contribuinte. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl(s). 52/53 nesse procedimento a autoridade fiscal verificou ter ocorrido dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$3.150,00, por ter ficado evidenciado que tais despesas foram em beneficio de pessoa não relacionada como dependente do contribuinte. Cientificado(a) do lançamento, o(a) interessado(a), por meio de seu(sua) procurador(a) nomeado(a) conforme instrumento de fl. 13, apresentou a peça impugnatória de fl(s). 1/12, instruída com os documentos de fl(s). 14/49. Nessa oportunidade, contestando o feito fiscal alega, em apertada síntese, que o fato de sua esposa não haver constado, equivocadamente, como sua dependente na declaração de ajuste anual, não pode levar ao entendimento simplório de que a mesma não é sua dependente; o art. 77 do RIR/1999 autoriza considerar como dependente o cônjuge do contribuinte, e o art. 80, §1° II, do RIR/1999, cl dedução das despesas médicas desse dependente; "não há no Decreto que regulamenta o IRPF norma determinando que os DEPENDENTES devam ser lançados na Declaração de Ajuste Anual para ser reconhecidos como tal"; podese observar que nas declarações anteriores sua esposa figurou como dependente e a falta dessa informação na declaração revisada não modifica a situação, ela continua sua dependente e, como tal, o ônus das despesas médicas dela recaiu sobre sua pessoa; afirma ter patrimônio e renda compatíveis com as despesas médicas declaradas; cita diversos entendimentos do Conselho de Contribuintes; e, por fim, diz que a exigência fiscal vai de encontro ao principio da legalidade insculpido na Magna Carta e CTN. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência A. autoridade administrativa para se manifestar quanto inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa de despesas médicas efetuadas em beneficio de cônjuge não relacionado na DIRPF como dependente do contribuinte, mormente, quando o cônjuge apresentou DIRPF própria para o mesmo exercício financeiro, caracterizando a opção do casal de apresentação de declaração de rendimentos em separado. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/0 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 10640.003465/200804 Acórdão n.º 210101.371 S2C1T1 Fl. 140 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência sendo àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador de primeiro grau. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, verificase que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Conforme já assentado neste Colegiado, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitamse a pagamentos especificados e comprovados. É o que dispõe o artigo 8º, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/0 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 4 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (...) Na hipótese, encontrase em litígio a glosa de despesa médica no valor de R$3.150,00, conforme Declaração à fl. 35, em beneficio da Sra. Marley Vargas de Quinteros (esposa do autuado), que não foi relacionada na DIPF do exercício de 2006 como dependente do marido. Diferentemente do entendimento manifestado pelo recorrente, a legislação tributária é bastante clara no que tange à dedução da despesa médica incorrida com o contribuinte e seus dependentes na apuração da base de cálculo do imposto de renda. O contribuinte pode indicar a esposa como dependente, em qualquer situação. Contudo, deve incluir os rendimentos tributáveis por ela auferidos. No caso em exame, além da esposa não ter sido relacionada como dependente do marido, constatouse por meio de consultas aos sistemas online da Receita Federal do Brasil que ela apresentou Declaração de Ajuste Anual Simplificada para o exercício de 2006, tributando rendimentos próprios, o que caracteriza a opção do casal pela tributação em separado de seus rendimentos, e não em conjunto. No caso, as despesas médicas relativas ao próprio tratamento acompanham a tributação dos rendimentos da esposa, independentemente do integrante da unidade familiar que sofreu o ônus da despesa. A esposa, se apresentasse declaração completa, poderia deduzir a despesa médica em seu benefício, mesmo que o recibo indicasse que o pagamento foi efetuado pelo marido. A opção pela declaração em conjunto é uma avaliação que o casal deve fazer sempre que for apresentar a Declaração de Rendimentos, sendo certo que as circunstâncias favoráveis em um ano podem se mostrar amplamente desfavoráveis em outro. Por isso não surpreende que em períodos anteriores a esposa do autuado tenha sido relacionada como sua dependente. Por fim, a Súmula CARF nº 2 dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/0 1/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS
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Numero do processo: 10120.006434/99-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre o Lucro Líquido - ILL
Exercício: 1989, 1990
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve-se aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. Na hipótese dos autos, tendo o pedido sido protocolado em
16/11/2001, e os recolhimentos indevidos efetuados em abril e maio de 1991, conclui-se pela ocorrência da decadência.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-001.912
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Assunto: Imposto sobre o Lucro LíquidoILL Exercício: 1989, 1990 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, devese aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Na hipótese dos autos, tendo o pedido sido protocolado em 16/11/2001, e os recolhimentos indevidos efetuados em abril e maio de 1991, concluise pela ocorrência da decadência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (conselheira convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 05 de dezembro de 2007, a então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 10616.640 [fls. 124 – 135] que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário: ILL PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal emADIN; da data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; ou da data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo. Permitida, nesta hipótese, a restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Tratandose do ILL de sociedade por quotas, não alcançada pela Resolução n°. 82/96, do Senado Federal, o reconhecimento deuse com a edição da Instrução Normativa SRF n°. 63, publicada no DOU de 25/07/97. Assim, não tendo transcorrido entre a data que transitou em julgado o acórdão que reconheceu a inconstitucionalidade da exação em processo específico, bem como da data do ato da administração tributária e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição ou compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº10120.006434/9988 Acórdão n.º 920201.912 CSRFT2 Fl. 2 3 Decadência afastada. A decisão foi assim resumida: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir do recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à DRJ de origem para exame das demais questões nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos e Ana Maria Ribeiro dos Reis que ne aram provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de pedir do recorrente. Constatado pela Conselheira relatora lapso no julgamento do recurso voluntário, consistente na falta de apreciação do pronunciamento da DRJ sobre a previsão contratual acerca dos resultados apurados pela sociedade, foram opostos embargos inominados, com fulcro no art. 58 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes as fls. 156/157. Os embargos foram acolhidos, tendo sido proferido o Acórdão n. 10616.784 (fls. 138/141) para rerratificar o Acórdão n. 10616.621, com alteração do resultado, cuja ementa encontrase reproduzida abaixo: NORMAS PROCESSUAIS EMBARGOS INOMINADOS PROCEDÊNCIA RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO — Constatado lapso manifesto no acórdão, outro deve ser proferido para sanálo. ILL PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; da data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; ou da data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo. Permitida, nesta hipótese, a restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Tratandose do ILL de sociedade por quotas, não alcançada pela Resolução n°. 82/96, do Senado Federal, o reconhecimento deuse com a edição da Instrução Normativa SRF n°. 63, publicada no DOU de 25/07/97. Assim, não tendo transcorrido entre a data que transitou em julgado o acórdão que reconheceu a inconstitucionalidade da exação em processo específico, bem como da data do ato da administração tributária e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição ou compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 ILL — RESTITUIÇÃO SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA — Nos casos de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, o Eg. Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência do ILL quandocontrato social da empresa não tivesse previsão de distribuição automática de lucros. Na hipótese em exame, a disponibilidade dos lucros dependia de deliberação por parte dos cotistas, razão pela qual não pode ser considerada automática a referida distribuição. Embargos acolhidos. Recurso Provido Decidiu, conforme acima, que era incorreta a incidência de ILL uma vez que a partir de 31 de dezembro a disponibilidade do lucro não é imediata. Inconformada com o r. acórdão supracitado, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial [fls. 146/159], com fulcro no art. 7°, I e II, do Regimento Interno à época – Portaria MF n. 147/2007. A r. PGFN argumenta, que ao proferir o acórdão supracitado, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato dos fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos nos artigos 168, caput, e inciso I, 165, inciso I, do Código Tributário Nacional, bem como divergido do entendimento de outras Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, consoante se infere do Acórdão nº 30235.782. Assevera que a Instrução Normativa nº 63/1997, que reconheceu a inconstitucionalidade do ILL exigido das sociedades por quotas, com base no artigo 35 da Lei nº 7.713/88, não exerce qualquer influência na contagem do prazo para repetição de indébito e/ou compensação. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Resolução do Senado Federal ou declaração de inconstitucionalidade pelo STF, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre, sob pena de tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, destruindo o instituto da decadência. Infere que o entendimento da Câmara recorrida somente pode prevalecer se afastar a aplicabilidade do disposto no artigo 168 do Código Tributário Nacional, o que, em observância ao artigo 49 do RICC, c/c a Súmula nº 2 do 1º Conselho de Contribuintes, é defeso ao julgador administrativo. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação julgados da esfera Judicial e Administrativa a propósito da matéria, além de Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional e Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal, consonantes com o entendimento acima esposado. Contrapõese ao Acórdão atacado, alegando que foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato Declaratório nº 096, de 26 de dezembro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, não tendo a Instrução Normativa o condão de criar ou extinguir direitos, não inovando o lapso decadencial/prescricional. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº10120.006434/9988 Acórdão n.º 920201.912 CSRFT2 Fl. 3 5 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 6ª Câmara do 1º Conselho, entendeu por DAR SEGUIMENTO PARCIALao Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, às fls. 164/168. Diante do seguimento parcial, o i. PGFN interpôs agravo [fls. 171/176]. Em exame do recurso, o então Presidente do CSRF resolveu por bem rejeitar o agravo regimental por não restar demonstrada as divergências suscitadas [fls. 178]. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, a contribuinte restou silente. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então 6ª Câmara do 1º Conselho a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Na sessão de 28 de novembro de 2011, quando do julgamento do Recurso Especial no processo n. 10675.002365/200189, de Relatoria da Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, entendeu, por força do disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, ter que o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, tem como termo inicial a data do pagamento indevido (mesmo nas hipóteses de inconstitucionalidade do tributo), findando após dez anos. Dito isso, peço vênia para utilizar os fundamentos colacionados naquele voto como razões de decidir. A questão concerne ao termo inicial do prazo decadencial para a restituição de tributo indevidamente recolhido, na hipótese de reconhecimento, por parte da própria Administração Tributária, no caso por meio da Instrução Normativa SRF n° 63/97, que estabeleceu o seguinte: Art. 1°. Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro liquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação as sociedades por ações. Parágrafo único: O disposto neste artigo se aplica as demais sociedades nos casos que o contrato social, na data do Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro liquido apurado. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 1.002.932SP, sob o procedimento dos recursos repetitivos, ao enfrentar o quanto disposto pela Lei Complementar n° 118/05, fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei complementar. Isto mesmo nas hipóteses, tal como a dos presentes autos, de tributo declarado inconstitucional. O termo inicial, assim, para o STJ, é o pagamento indevido (incluindo a hipótese de declaração de inconstitucionalidade do tributo), observandose o prazo de dez anos, desde que não sobeje cinco anos a contar da entrada em vigor da lei complementar n° 118/05. O Supremo Tribunal Federal, de outro lado, enfrentando o tema, decidiu, em recente decisão, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), no seguinte sentido: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 09 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial, quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição do indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº10120.006434/9988 Acórdão n.º 920201.912 CSRFT2 Fl. 4 7 Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3°, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decidiuse, na Suprema Corte, portanto, que o prazo reduzido, de cinco anos a contar do pagamento indevido, fixado na Lei Complementar n° 118/05, somente se aplica às ações propostas após o decurso da vacatio legis, de 120 dias, da referida lei complementar. Até então, todas as ações se submetem ao prazo de dez anos, conforme o entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça. Ressaltese bem a diversidade de entendimentos estabelecidos no âmbito do Supremo Tribunal Federal e no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Para o STJ, o prazo de dez anos persiste, aos indébitos anteriores à Lei Complementar n° 118/2005, mas limitados aos cincos anos, para o período transcorrido posteriormente à sua entrada em vigor. Para o STF, o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase aos pedidos realizados até o término da vacatio legis da Lei Complementar n° 118/2005. A partir da sua efetiva entrada em vigor, incide o prazo de cinco anos para os pedidos de restituição então promovidos. O Regimento Interno do CARF estabelece, em seu artigo 62A, que: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Por óbvio que, sendo o STF o órgão máximo do Poder Judiciário, a quem cabe dar a última palavra, no que tange à interpretação das normas do direito positivo brasileiro, havendo divergência de entendimentos, sobre uma mesma matéria, em relação ao STJ, a decisão daquele tribunal é a que deve prevalecer. Desta forma, e por força do quanto disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, devese ter que o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, tem como termo inicial a data do pagamento indevido (mesmo nas hipóteses de inconstitucionalidade do tributo), findando após dez anos. No presente caso, o pedido de restituição do Imposto na Fonte sobre o Lucro Líquido foi protocolizado em 16/11/2001. Regese, portanto, pelo prazo decenal. Como os recolhimentos indevidos a que se refere ocorreram em 30/04/1991 e 30/05/1991, é de se reconhecer que houve a decadência sustentada pela Fazenda Nacional. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011393/2004-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – EXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE ACOLHIMENTO.
Verificada a decisão embargada continha contrariedade entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUTUAÇÃO BASEADA EM AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ADA TEMPESTIVO. APLICAÇÃO DE SUMÚLA DO CARF.
Súmula CARF Nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
Numero da decisão: 9202-001.240
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 920200.092, de 18/08/2009, esclarecendo a contradição apontada, para, no mérito, dar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – EXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE ACOLHIMENTO. Verificada a decisão embargada continha contrariedade entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUTUAÇÃO BASEADA EM AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ADA TEMPESTIVO. APLICAÇÃO DE SUMÚLA DO CARF. Súmula CARF Nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
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Verificada a decisão embargada continha contrariedade entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUTUAÇÃO BASEADA EM AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ADA TEMPESTIVO. APLICAÇÃO DE SUMULA DO CARF. Súmula CARF Nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 920200.092, de 18/08/2009, esclarecendo a contradição apontada, para, no mérito, dar provimento ao recurso Assinado digitalmente Caio Marcos Candido Relator e Presidente Substituto Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Participaram do presente julgamento, Caio Marcos Candido (Presidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (Conselheiro convocado), Elias Sampaio Freire, Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratam os presentes autos de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte tendo em vista apontada contrariedade entre afirmativa contida no acórdão e as provas constantes dos autos no acórdão embargado nº 920200.092, de 18/08/2009. A apontada omissão diz respeito a dois pontos: a) ao escopo da admissibilidade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, que se limitaria à discussão acerca da área de reserva legal; e b) à existência prévia nos autos de prova de averbação da área de reserva legal anterior à data do fato gerador, contrariamente ao afirmado no acórdão vergasto. O acórdão embargado deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional por entender que a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel em data posterior à da ocorrência do fato gerador (01/01/2000). O Presidente Substituto da CSRF acolheu os referidos embargos e os autos foram incluídos nesta pauta de julgamento. Reproduzo o relatório do acórdão embargado com vista a localizar a lide originalmente contida no recurso especial interposto: Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 30334.413, exarado na sessão de julgamento de 13 de junho de 2007. A interposição do recurso de deu com fulcro no inciso II do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147, 25 de junho de 2007, verbis: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: (...) II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10980.011393/200486 Acórdão n.º 920201.240 CSRFT2 Fl. 2 3 Despacho em que se admite parcialmente o recurso em relação apenas à área de reserva legal, às fls. 222/224. A divergência jurisprudencial par a qual se admitiu o recurso especial e que se quer seja solucionada nos presentes autos, resumese a definir se, para fins de não incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente, efetuada posteriormente à data de ocorrência do fato gerador, satisfaz a condição estabelecida na lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal Brasileiro), com a redação dada pelo § 2º do art. 16 da lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, como entendeu o acórdão recorrido ou, se ao contrário, constituase condição essencial para a não incidência que a citada averbação tenha se dado em momento anterior à ocorrência do fato gerador do ITR. Contrarrazões ao recurso especial às fls. 206/212. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Caio Marcos Candido, Relator Embargos de Declaração tempestivos. Em relação a sua admissibilidade reproduzo o conteúdo do despacho do Presidente Substituto da CSRF que os admitiu, por entender suficiente para a confirmação daquele acolhimento: O acórdão embargado deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional por entender que a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel em data posterior à da ocorrência do fato gerador (01/01/2000). Reapreciando os documentos acostados aos autos, em especial a cópia do registro de imóveis da citado imóvel (fls. 20/26) e o auto de infração às fls. 53, vêse que a embargante tem razão. O próprio fiscal autuante consignou que: O contribuinte perdeu o direito de isenção da área declarada na linha 02 – área de preservação permanente de 20,0 ha e da área declarada de 991,2 ha de Utilização Limitada (reserva legal), por não ter sido protocolado o ADA – Ato Declaratório Ambiental dentro do prazo legal (grifo do relator) Presente a contrariedade apontada, ACOLHO os Embargos de Declaração e passo à reanálise do Recurso Especial, confirmando desde já e pelas mesmas razões o juízo de admissibilidade esposado no acórdão embargado. Presentes os pressupostos, há que ser admitido o Recurso Especial, apenas no tocante à área de reserva legal. No mérito, o lançamento combatido trata do ITR realizado com fulcro na glosa da área declarada como sendo de reserva legal. A despeito da divergência apontada entre os posicionamentos adotados pelas 2ª e 3ª Câmaras do 3º Conselho de Contribuintes quanto à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador, o lançamento efetuado pela autoridade tributária não trata deste pormenor. A motivação do lançamento foi a ausência de apresentação de Ato Declaratório ambiental – ADA – tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA, conforme se pode verificar do trecho do auto de infração acima reproduzido. Partindose da premissa trazida no lançamento de que houve averbação da área de reserva legal, previamente ao fato gerador, cingese a discussão em saber se a ausência de ADA tempestivo é suficiente para a descaracterização da área declarada como de reserva legal. Entendo que não. O exercício em questão é o de 2000. Ocorre que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Súmula nº 41, estabeleceu a inexigibilidade do ADA para fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, o que é o caso dos presentes autos. Vide enunciado da Súmula 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.Pelo exposto, não conheço do recurso especial interposto. Assim, é de se acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 920200.092, de 18/08/2009, esclarecendo a contradição apontada, para, no mérito, dar provimento ao recurso . Caio Marcos Candido Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900832/2008-23
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO.
A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente.
Numero da decisão: 1801-000.779
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 77DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 77 2 A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 36065.19219.190908.1.7.023003 e 18990.78508.141205.1.3.027088, fls. 0109, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do quarto trimestre do ano calendário de 2003, fls. 1213, no valor total de R$1.740,88. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 10, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido (§ 1º do art. 6º, art. 28 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Restou esclarecido que não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois não foi informado qualquer valor na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), o que não corresponde ao valor do saldo negativo informado no Per/DComp de R$1.740,88. Cientificada em 28.05.2008, fl. 12, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 25.06.2008, fls. 2223, com os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que houve erro material no preenchimento da DIPJ entregue em 29.06.2004, já que não foram deduzidos os valores referentes ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) no total de R$4.663,83. Por esta razão, apresentou documento retificador em 19.09.2006 utilizando o valor de R$543,82 no primeiro trimestre e o valor de R$1.224,04 no segundo trimestre. Assim, entende remanescer o saldo de R$2.895,97 suficiente para que a compensação seja homologada. Conclui Diante do exposto, solicitamos a manutenção das compensações dos impostos realizadas pelas referidas PER/DCOMP, com o respectivo cancelamento dos débitos apurados conforme Processo de Crédito de n° 10665900.8321200823, haja visto que houve um erro de fato no preenchimento da declaração, porém, não retira do contribuinte o direito as compensações. Nestes Termos Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0225.701, de 24.02.2010, fls. 5257: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte”, oportunidade em que foi reconhecido o valor de R$597,27 a título de saldo negativo de IRPJ do quarto trimestre de anocalendário de 2003. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Constitui crédito passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. Notificada em 15.04.2010, fls. 7374, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.04.2010, fls. 6174, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de Fl. 78DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 78 3 admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação acrescentando que como comprovada a retenção tem direito de utilizar o valor integral de IRRF para efetuar compensação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ex positis, requer que este E. Conselho se digne dar provimento ao Recurso Voluntário ora apresentado, para reformar a r. decisão a quo, que homologou em parte, até o limite crédito reconhecido de R$5975,27 5 as compensações declaradas no PER/DCOMP n° 36065.19219.190906.1.7.023003, e não homologou as compensações declaradas no PER/DCOMP n° 18990.78508.141205.1.3.027088 e, em conseqüência, homologar as compensações declaradas nas referidas PER/DCOMP's, com o reconhecimento da extinção dos créditos tributários objeto da compensação e cobrados no processo tributário administrativo n° 10665.900832/200823, ex vi do artigo 156, II, do CTN. Nestes termos, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O regime de tributação com base no lucro real, trimestral ou anual, prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que faz Fl. 79DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 79 4 prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais. Cabe à autoridade administrativa a prova da não veracidade dos fatos ali contidos, caso estes registros estejam congruentes com os dados da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. A legislação prevê que o valor do IRRF é considerado como antecipação do IRPJ devido referente ao código de arrecadação nº 1708 de prestações de serviços efetuados por pessoas jurídicas e a retenção sofrida no período somente pode ser utilizada como dedução do IRPJ devido do mesmo período para fins de apuração do saldo negativo.1 Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A Recorrente adotou o regime de tributação com base no lucro real trimestral e por esta razão o exame do saldo negativo de IRPJ deve se limitar ao IRRF, código de arrecadação nº 1708, incidente sobre as receitas auferidas a título de prestação de serviços que integraram a base de cálculo relativo ao 4º trimestre de 2003, que é o período atinente ao credito pleiteado nas Per/DComp, fls. 0109. Na DIRF apresentada no período pela fonte pagadora Embaré Indústrias Alimentícias S/A, CNPJ 21.992.946/000151, foram informados os valores de R$74.165,70 e de R$741,65 a título de receita bruta e de IRRF, respectivamente, fl. 46. Na DIPJ Retificadora nº 1293595 consta o valor de R$59.727,42 de receita bruta no período, fl. 31, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Cotejo entre os valores constantes nos registros da RFB, na impugnação e no Acórdão da DRJ relativos ao 4º trimestre de 2003. Valores Documento (A) Receita de Prestação de Serviços R$ (B) IRRF Código 1708 R$ (C) IRPJ a Pagar R$ (D) Saldo Negativo de IRPJ R$ (E) DIPJ Retificadora nº 1293595, fls. 2745 59.727,42 0,00 0,00 0,00 DIRF, fls. 4648 74.165,70 741,65 Impugnação, fls. 2223 466.383,00* 2.895,97** 0,00 2.895,97 Acórdão DRJ, fls. 5257 59.727,42 597,27*** 0,00 597,27 Notas *Rendimentos brutos informados pelas fontes pagadoras no anocalendário de 2003 **IRRF informados pelas fontes pagadoras no anocalendário de 2003 subtraídos aqueles utilizados nos 1º e 2º trimestres (R$2.895,97=R$4.663,83R$543,82 R$1.224,04). ***IRRF apurado a partir da proporcionalidade entre as receitas brutas informadas na DIPJ e nas DIRF. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, o IRRF somente pode ser apropriado simultaneamente às receitas que o geraram no período. Inferese que em relação à receita bruta no valor de R$59.727,42 informada na DIPJ, fl. 31, a Recorrente tem direito ao valor de R$597,27 de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 80 5 IRRF proporcional ao rendimento constante da DIRF, fl. 46, de dedução do IRPJ devido de R$0,00 e de saldo negativo no 4º trimestre de 2003 de 597,27. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0225.701, de 24.02.2010, fls. 5257, está correto. As alegações relatadas pela defendente, consequentemente, não estão justificadas. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso2. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade3. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10845.004818/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2004
MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS PRECLUSÃO
Consideram-se como não contestadas as questões do lançamento não
impugnadas pelo contribuinte. Preclusão do direito de apresentar na peça recursal.
Numero da decisão: 2102-001.574
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso, porque as matérias recorridas não foram objeto de impugnação, tendo a instância a quo as considerado definitivas na via administrativa.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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Preclusão do direito de apresentar na peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, porque as matérias recorridas não foram objeto de impugnação, tendo a instância a quo as considerado definitivas na via administrativa. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.004818/200889 Acórdão n.º 2102001.574 S2C1T2 Fl. 66 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 9a. Turma da DRJ/SP2, de 6 de abril de 2.010 (fls. 27/32), que por unanimidade de votos negou procedência à impugnação, uma vez que tratou de matéria estranha ao lançamento, mantendo a exigência fiscal no valor total de R$ 8.447,95 sendo R$ 3.786,96 a título de imposto, R$ 2.840,22 de multa e R$ 1.820,77 de juros de mora, calculados até 28/11/2008. De acordo com o Auto de Infração (fls. 15/20), a exigência fiscal decorre do seguinte fato: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.° 3.000/99 — RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 12.997,05 deduzido indevidamente a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: Art. 8.°, inciso II, alínea "a", e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250/95; arts. 73, 80 e 841, inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99 e arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.° 3.000/99 — RIR/99, todas as deduções Anual estão sujeitas A comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R titulo de Contribuição à Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação. pleiteadas na Declaração de Ajuste eduzido indevidamente a Enquadramento Legal: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.004818/200889 Acórdão n.º 2102001.574 S2C1T2 Fl. 67 3 Art. 8.°, inciso II, alínea "e", da Lei n° 9.250/95; art. 11 da Lei n° 9.532/97; arts. 73, 82 e § 1. 0, 83 do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99, art. 61 da Medida Provisória n°2.158 35/2001. Com efeito, consta do lançamento fiscal, que foram consideradas indevidas as deduções da base de cálculo dos valores de R$ 12.997,05 a título de despesas médicas e R$ 1.113,13 de previdência privada, o que tornou inexplicáveis os termos da impugnação, que abordou diferenças entre o valor das receitas constantes na DIRPF e DIRF, substituição tributária, segurança jurídica, irredutibilidade de salários, dentre outros, totalmente desvinculados aos itens do lançamento, clara e objetivamente colocados. Destarte, como constou na ementa da decisão recorrida, a matéria do auto de infração não foi impugnada, portanto, sendo mantida a exigência fiscal, uma vez que não houve expressa manifestação em contrário. Não obstante, em grau de Recurso Voluntário, a este colegiado aduz a Recorrente: a) que os serviços médicos foram prestados e os recibos emitidos e que a inidoneidade do profissional considerada pela receita não impede o exercício das atividades médicas, cabendo ao CRM a fiscalização. A declaração de inidoneidade fiscal do profissional pela receita ocorreu após a prestação dos serviços ao recorrente, cabendo, se for o caso, diligencia para apuração de quem efetivamente sonegou imposto; b) não há lei que exija seqüência numérica dos recibos e tão pouco tabelamento dos preços cobrados pelas consultas; c) houve decadência com relação aos valores que compõe o fato gerador do mês de dezembro/2004, conforme estabelece o par. 4o do art. 150 do CTN; d) No que denomina O Direito, destaca que a receita utilizou como argumento de ineficácia dos recibos Ato Declaratório Executivo DRT/ATA 27, de 18/10/2007 sem observar a aplicação retroativa de nova interpretação, o que contraria o princípio da moralidade administrativa; o auto de infração foi feitio com sofismas e não baseado em provas reais, referindo o princípio da boa fé dos negócios jurídicos; e) A impugnação não constitui inversão do ônus da prova, cabendo ao fisco provar o alegado. . É o Relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.004818/200889 Acórdão n.º 2102001.574 S2C1T2 Fl. 68 4 Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por representante legal devidamente constituído e está fundamentado. Sendo assim, conheçoo e passo à apreciação. Como destacado na decisão recorrida, ao final da fl. 29, a dedução da base de calculo do imposto das despesas médicas e de previdência privada, objeto do auto de infração, não foram impugnadas, não apresentando a Recorrente, naquela oportunidade, qualquer documento ou justificativa. Por essas razões, NÃO CONHEÇO do recurso, por preclusão. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000630/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 30/04/2006
Ementa:
SIMPLES
O ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de
Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, que já transitou em julgado não permite reabrir a discussão, quando do lançamento dos créditos em virtude do mesmo.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC,
nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
MULTA
Para fatos geradores anteriores à edição da MP 449/2008, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, e aplicação da multa nos moldes da citada medida provisória, desde que seja mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora vigente à época do fato gerador.
As multas por descumprimento de obrigação acessória e principal devem ser aplicadas de forma isolada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n 8.212 para todo o período.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 30/04/2006 Ementa: SIMPLES O ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, que já transitou em julgado não permite reabrir a discussão, quando do lançamento dos créditos em virtude do mesmo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA Para fatos geradores anteriores à edição da MP 449/2008, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, e aplicação da multa nos moldes da citada medida provisória, desde que seja mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora vigente à época do fato gerador. As multas por descumprimento de obrigação acessória e principal devem ser aplicadas de forma isolada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 30/04/2006 Ementa: SIMPLES O ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, que já transitou em julgado não permite reabrir a discussão, quando do lançamento dos créditos em virtude do mesmo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA Para fatos geradores anteriores à edição da MP 449/2008, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, e aplicação da multa nos moldes da citada medida provisória, desde que seja mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora vigente à época do fato gerador. As multas por descumprimento de obrigação acessória e principal devem ser aplicadas de forma isolada. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 373DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n 8.212 para todo o período. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência Momentânea: Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 374DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000630/200921 Acórdão n.º 230201.256 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente auto de infração de obrigação principal foi lavrado em 25/09/2009, com ciência pelo sujeito passivo em 29/09/2009 e referese às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2006, em virtude da exclusão da autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, desde 09/04/2002. O relatório fiscal de fls. 48/67, aduz que em virtude da MP 449, convertida na Lei n.º 11.941, de 27/05/2009, foi aplicada a multa de ofício para algumas competências e a multa de mora para outras, conforme se mostraram mais benéficas para o contribuinte, conforme demonstrado nas planilhas de fls.894/895. Após a impugnação, Acórdão de fls. 1066/1074, julgou procedente o lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que a exclusão do SIMPLES não pode ser retroativa; b) a necessidade de lei complementar para a criação de novas contribuições; c) que ao excluir a empresa do SIMPLES a fazenda está cobrando novas contribuições sem respaldo legal; d) a invalidade do MPF pelo transcurso do prazo; e) a necessidade de demonstração do vínculo empregatício, f) a inconstitucionalidade da SELIC como juros moratórios. Requer a reforma da decisão recorrida porque o auto de infração não possui respaldo legal e deve ser julgado insubsistente, sendo que, subsidiariamente requer o afastamento da SELIC por ilegal e inconstitucional, da multa por ser confiscatória e o reconhecimento da base de cálculo das contribuições para o SEST/SENAT, como sendo o salário de contribuição para os transportadores autônomos. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conforme protocolo de fls. 326, conheço do recurso e passo ao seu exame. O levantamento referese às contribuições patronais devidas sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviço à autuada e que não foram recolhidas porque a empresa se entendia optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Todavia, de acordo com a documentação acostada às fls. 150 e 154, temse que a recorrente foi excluída do Sistema através do Ato Declaratório Executivo n.º66, de 08/11/2007, com efeitos retroativos à 09/04/2002, conforme dispõe o inciso III do artigo 15, da Lei n.º 9.3717/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (…) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; Do ato de exclusão foi dada ciência à empresa, assegurado o contraditório e concedido prazo para que manifestasse sua inconformidade, mas não houve qualquer pronunciamento por parte da ora recorrente, tornadose, assim, definitiva, administrativamente, a decisão. Portanto, são inócuas as alegações da recorrente, neste processo de auto de infração por falta de recolhimento de contribuições previdenciárias, acerca da impossibilidade dos efeitos retroativos da exclusão, eis que a decisão já transitou em julgado, sem que fosse contraditada à época própria. São também improcedentes as assertivas acerca da inexistência de lei complementar para a cobrança de novas contribuições advindas com a exclusão do SIMPLES, eis que não estão sendo cobrados novos tributos ou contribuições, apenas aquelas devidas pela empresa, constantes da Lei n.º 8.212/91 e que foram substituídas quando o contribuinte optou pelo recolhimento mensal unificado, SIMPLES. Ocorre que a recorrente foi excluída do Sistema, por exercer atividade incompatível com a opção e conforme o artigo legal acima transcrito, sujeitandose ao pagamento dos das contribuições devidas na forma exposta pelas normas gerais de incidência. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000630/200921 Acórdão n.º 230201.256 S2C3T2 Fl. 3 5 No que se refere às argumentações da recorrente de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é inválido por estar expirada sua validade e não ter sido prorrogado, é de se notar que às fls. 31/32, consta o TIAF – Termo de Inicio da Ação Fiscal, datado de 25/07/2008, compreendendo o período a ser fiscalizado de 01/2004 a 12/2006 e trazendo expressamente o número do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF 0810700200802400, e seu código de acesso 77304118, para ser conferido na página da Receita Federal do Brasil, na internet, no link Consulta Mandado de Procedimento Fiscal. Com efeito, após consulta no referido endereço, se pode observar que o MPF foi regularmente emitido em 24/07/2008, para o período que consta na presente autuação, 12/2004 a 04/2006, tendo sido prorrogado na forma disposta pela legislação vigente, com validade até 16/11/2009, respaldando o lançamento que foi efetuado em 25/09/2009, com ciência pelo sujeito passivo em 29/09/2009. Desta forma, é indiferente a situação do MPF n.º 09392399F00, de 2007, pois o procedimento fiscal que resultou na autuação em tela está respaldado no já citado MPF 0810700200802400, vigente do inicio ao encerramento da ação fiscal. Também não merece guarida a alegação da recorrente quanto à necessidade da demonstração de vínculo empregatício, eis que o levantamento se refere às contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração dos seus segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, não havendo qualquer discussão acerca de caracterização de empregados. Os valores que serviram de base para o levantamento constam das folhas de pagamento da autuada e de documentos por ela elaborados, não restando dúvidas de que os segurados ali arrolados são seus empregados, fato que inclusive não foi contraposto em nenhum momento pela recorrente. Melhor dizendo, não há qualquer apontamento, por parte do contribuinte, de que algum segurado constante das folhas de pagamento não seja empregado. Quanto aos contribuintes individuais também não restam dúvidas de que prestaram serviços à recorrente, posto que as contribuições foram apuradas com base nos recibos e folhas de pagamento, documentos estes de posse e guarda da recorrente, de seu pleno conhecimento não cabendo alegar falta de caracterização, até porque o contribuinte individual resta caracterizado justamente pela prestação de serviço sem vínculo empregatício. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por derradeiro, não possui natureza de confisco a exigência da multa, pois não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. No caso em tela, o fisco informou que foi aplicada a multa de ofício no percentual de 75% ou a multa de mora de 24%, conforme se mostraram mais benéficas para o contribuinte em cada competência. Ocorre que do exame da planilha de fls.179/180, se pode observar que a comparação das multas foi efetuada levando em consideração aquela aplicada, também, pelo auto de infração de não declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Entretanto, do exame da legislação vigente, entendo que as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, para cada caso, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada, não cabendo o somatório efetuado na autuação para a configuração de multa mais vantajosa para o contribuinte. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000630/200921 Acórdão n.º 230201.256 S2C3T2 Fl. 4 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte recolhe os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430. Se pagou, mas não declarou em GFIP, por exemplo, deve ser aplicada a multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por serem condutas distintas. E, ainda, caso contribuinte tenha declarado em GFIP não deve ser aplicada a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, mas a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430/96, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Pela leitura do dispositivo legal, concluiuse que não é uma faculdade do fisco escolher a multa mais benéfica para o contribuinte somando penalidades impostas por mora e descumprimento de obrigação acessória, mas tão somente aplicar a penalidade atual se for menos gravosa para o contribuinte, em comparação com aquela vigente à época do fato gerador. Assim, no caso presente, como os fatos geradores são anteriores à edição da MP 449/2008, haveria cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, se a aplicação da multa, nos moldes da citada medida provisória, fosse mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora, ambas aplicadas de forma isolada. Todavia, do exame dos autos tal fato não se configurou, porque foi levado em consideração o somatório das multas por descumprimento de obrigação acessória e principal. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para que a multa moratória seja aplicada nos moldes do artigo 35, da Lei n.º8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13707.000247/2004-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE-SIMPLES
Anocalendário: 2004
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. DETERMINAÇÃO DE INCLUSÃO NO SIMPLES DOS FILIADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONCOMITÂNCIA. CUMPRIMENTO DA DECISÃO JUDICIAL.
Tendo em vista a decisão proferida pelo TRF da 2° Região, no sentido de incluir os filiados posteriormente ao ajuizamento da ação, não cabe a este tribunal administrativo se furtar ao cumprimento de tal decisão. Ausência de concomitância, em razão da ausência de identidade dos processos administrativo e judicial.
Numero da decisão: 9101-001.107
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. DETERMINAÇÃO DE INCLUSÃO NO SIMPLES DOS FILIADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONCOMITÂNCIA. CUMPRIMENTO DA DECISÃO JUDICIAL. Tendo em vista a decisão proferida pelo TRF da 2° Região, no sentido de incluir os filiados posteriormente ao ajuizamento da ação, não cabe a este tribunal administrativo se furtar ao cumprimento de tal decisão. Ausência de concomitância, em razão da ausência de identidade dos processos administrativo e judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 188DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O processo referese a pedido de solicitação, do contribuinte, para sua inclusão no Simples, o qual restou indeferido. Apresentada manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, manteve o indeferimento, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO CONCESSIVA DE SEGURANÇA. A sentença proferida em mandado de segurança coletivo proposto por entidade sindical só produz efeitos em relação aos membros da entidade que estavam filiados à época do ajuizamento da ação. Solicitação indeferida.” Temse que, no caso, a contribuinte, sociedade empresária que tem por objeto ensino de idiomas, na condição de filiada Sindelivre, pretendeu verse incluída no Simples, tendo em vista sentença proferida em mandado de segurança coletivo impetrado pelo sindicato, em 12/04/1999. Nos autos do mandado de segurança coletiva, ante a procedência do pedido, foram opostos embargos de declaração pelo Sindicato, a fim de se aclarar a eficácia subjetiva Fl. 189DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 3 3 da decisão. Esclareceuse, desta forma, que “a segurança concedida beneficia os filiados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro”. Tal decisão restou mantida, mesmo em face de apelação interposta pela União Federal. Em 201/10/2005, o juízo da 18° Vara Federal do Rio de Janeiro, proferiu decisão em que especificou o seguinte: “O que foi decidido nos Embargos de Declaração é que a segurança concedida beneficia os filiados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, conforme dispositivo de fl. 114. Porém, isto não significa dizer que todos os associados do SINDELIVRE são beneficiários da segurança concedida como quer fazer crer o sindicato, mas apenas aqueles associados substituídos no momento do ajuizamento”. Diante disso, a DRJ decidiu por indeferir o pleito do contribuinte, sob o fundamento de que o contribuinte somente se constitui (28/10/2003) após a data do ajuizamento da ação mandamental em questão. Contudo, no âmbito do Poder Judiciário, a questão ainda se encontra em discussão, uma vez que o TRF da 2° Região, em julgamento de Agravo de Instrumento, decidiu por estender os efeitos da decisão no mandado de segurança coletivo a todos os inscritos na entidade sindical, ainda que posteriormente ao ajuizamento da ação. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial ao STJ. Nos presente autos, o contribuinte, então, recorreu, requerendo a revisão da sua opção pelo Simples (fls. 86/91). A antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte (fls. 128/135), nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 SIMPLES INCLUSÃO. Ação coletiva intentada por Sindicato de categoria perante o Poder Judiciário beneficia todos os associados, independente da data da associação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial. Suscitou divergência jurisprudencial em relação a dois pontos: a) “efeito da ação em relação aos não filiados, à época do ajuizamento do feito coletivo”; b) “existência de concomitância caso se entenda pela maior abrangência da ação” Desta forma, preliminarmente, argumentou no sentido da ocorrência de concomitância entre os processos administrativo e judicial. Segundo a recorrente: Fl. 190DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 4 4 “Ora, se a intenção da empresa é dizer que tem decisão judicial a seu favor e que à Administração cabe cumprila, então que atrevesse petição no processo judicial alegando descumprimento de ordem judicial. Na via administrativa, não há o que ser debatido ou decidido. Este Conselho não pode ‘ordenar’ os órgãos de execução a cumprirem uma decisão judicial. Esta competência é do próprio Poder Judiciário. Veja que a Câmara a quo não se pronunciou sobre eventual querela surgida na interpretação ou no cumprimento da decisão judicial. Mui de revés, decidiu pela existência ou não de ordem judicial para a empresa. Mas, paradoxalmente, quando entendeu que empresa estava sim contida na decisão, ‘deu provimento ao recurso’, ao invés de reconhecer simplesmente a concomitância.” No mérito, alegou que: “Portanto, a pessoa jurídica que preste serviços de professor, fisicultor, ou assemelhado, não pode optar pela sistemática do Simples. Outrossim, o contrato social da pessoa jurídica, comprova tratarse de uma academia de ginástica (fls. 35), atividade esta impeditiva por se enquadrar entre aquelas prestadas por professor, fisicultor ou assemelhados”. O contribuinte apresentou suas contrarazões (fls. 164/168). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Devese traçar, em primeiro lugar, um breve panorama dos fatos versados nos autos, a fim de se chegar ao deslinde do mérito recursal. A empresa contribuinte tem como objeto social o “ensino de idiomas”, conforme cláusula segunda do seu contrato social. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 5 5 Nos termos do documento de fls. 04, o contribuinte é filiado ao Sindelivre (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre) no Rio de Janeiro. O contribuinte ingressou com pedido de inclusão no Simples “embora subsista vedação da atividade da empresa, atendendo Sentença de Mérito obtida pelo SINDELIVRE/ RIO na 18° Vara Federal em Mandado de Segurança n°99.00094069, confirmada pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro, através de Acórdão, evidenciada através de Certidão da Decisão de Embargos favorável aos filiados do SINDELIVRE/RIO no Estado do Rio de Janeiro, conforme cópias que segue em anexo, inclusive declaração de filiação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro SINDELIVRE/RIO”. Diante disso, a discussão, nos autos, chegando até a presente instância, referiuse à possibilidade de eficácia subjetiva da decisão em relação ao contribuinte, tendo em vista que a sua filiação posteriormente ao ajuizamento da ação. Temse, conforme consta do relatório, que o TRF da 2° Região, em julgamento de Agravo de Instrumento, entendeu por estender a todos os filiados ao Sindicato a eficácia subjetiva da decisão proferida no âmbito do Mandado de Segurança Coletiva, ainda que tal filiação tenha ocorrido posteriormente ao ajuizamento da ação. A recorrente, no presente recurso especial, narrou que houve interposição de recurso especial contra tal decisão. Diante destes fatos, é que se deve analisar o recurso especial da Fazenda Nacional. Preliminarmente, não procede a alegação de concomitância entre os processos administrativos e judiciais em questão. Em primeiro lugar, a concomitância se verifica quando há identidade de ações, nas searas judicial e administrativa. Tal fato não se verifica no presente caso. Com efeito, o processo judicial em questão, tratado nos autos, constituise em mandado de segurança coletivo interposto pelo Sindelivre/Rio. Só por isso já se tem afastada a concomitância. Veja que, em tese de legitimidade para as ações coletivas, seja pela tese de que os legitimados assim o são extraordinariamente (agindo em nome próprio, porém defendendo interesse alheio), seja sob o entendimento de que se trata de legitimidade autônoma, os processos em questão, administrativo e judicial, não são idênticos e, pois, concomitantes. Por outro lado, temse, também, que o mandado de segurança coletivo é anterior mesmo ao processo administrativo. E foi justamente com base naquele que o contribuinte solicitou a sua inclusão no Simples, a fim de lhe dar cumprimento. Revelouse, portanto, legítimo o intento do contribuinte. Finalmente, trago à baila citação de artigo da Procuradora da Fazenda Nacional Vládia Pompeu Silva, para quem: Fl. 192DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 6 6 “Assim, uma vez que a impetração do mandado de segurança coletivo por sindicato, entidade de classe ou associação legalmente constituída independe da autorização de seus membros ou associados não podemos admitir que tal atitude induza à concomitância entre a ação coletiva e processo administrativo fiscal. Ora, a renúncia é ato de vontade, pressupõese que aquele ajuíza ação judicial cujo objeto se encontra em discussão em processo administrativo fiscal pendente, o faz de forma consciente dos efeitos que daí irá advir. Por outro lado, na maioria das vezes os titulares dos direitos discutidos em ações coletivas sequer sabem da existência de tal demanda, não podendo ser penalizados com o reconhecimento ex officio de renúncia de seu processo administrativo fiscal”. 1 Passo, destarte, à análise do mérito recursal. E aqui entendo que a decisão judicial deve ser cumprida perante este tribunal administrativo. E, neste passo, é de se ter que a decisão do TRF da 2° Região foi justamente no sentido de estender os efeitos do decidido no Mandado de Segurança Coletivo mesmo àqueles que se filiaram ao Sindicato posteriormente ao ajuizamento do remédio constitucional. Notese que, em pesquisa no sítio do Superior Tribunal de Justiça, em face da alegação da Fazenda de que havia interposto recurso especial contra a decisão proferida pelo TRF 2°, temse que referido recurso não foi conhecido por aquela corte, conforme a seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.187.321 ES (2009/00833760) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : SINDICATO DOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO LIVRE DO RIO DE JANEIRO SINDELIVRE ADVOGADO : CARLOS SCHUBERT DE OLIVEIRA E OUTRO(S) TRIBUTÁRIO – AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE PROCESSAMENTO DO RECURSO ESPECIAL – INCIDÊNCIA DO RACIOCÍNIO SEDIMENTADO POR MEIO DO ENUNCIADO 182 DA SÚMULA DO STJ – AGRAVO IMPROVIDO. 1 SILVA, Vládia Pompeu. A Concomitância entre o Processo Administratvo e Judicial e a Configuração da Renúncia à Via Administrativa: uma análise dos Efeitos Oriundos de Ações Coletivas. Revista Dialética de Direito Tributário. n° 186. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 7 7 DECISÃO Vistos. Cuidase de agravo de instrumento tirado pela FAZENDA NACIONAL dedecisão que obstou a subida de recurso especial interposto comfundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da ConstituiçãoFederal contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da2ª Região assim ementado (fl. 604e): "PROCESSO CIVIL AGRAVO DE INSTRUMENTO MANDADO DE SEGURANÇACOLETIVO LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA EXTENSÃO ASSOCIAÇÕES FILIADAS AO SINDICATO. O entendimento do julgado é de que o Sindicato impetrante, ora agravante, tem direito líquido e certo ao postulado, uma vez que a natureza da ação no mandado de segurança coletivo aplicase a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação." Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fl. 628): "PROCESSO CIVIL – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS – PREQUESTIONAMENTO. I – Da leitura do acórdão e do contexto do voto condutor se depreende a falta de justificativa dos fatos e do direito que se pretende seja aclarado no acórdão recorrido. II – Ainda que para efeito de prequestionamento, os embargos de declaração devem demonstrar de forma inequívoca a existência dos vícios enumerados no art. 535 do CPC." Em seu recurso especial, alega a agravante violação dos artigos 535, inciso II, do Código de Processo Civil e 2ºA, parágrafo único, da Lei n. 9.494/97. Apresentadas as contrarrazões às fls. 647/654e, sobreveio juízo de admissibilidade negativo da instância de origem (fls. 557/559e), o que deu ensejo à interposição do presente agravo. É, no essencial, o relatório. Não prospera o inconformismo. É de se observar, da detida análise dos autos, que a decisão agravada negou a subida do recurso especial sob a alegação de que o acórdão recorrido não infringiu o artigo 535 do Código de Processo Civil uma vez que os embargos de declaração foram opostos com a finalidade de prequestionamento e que o entendimento aplicado ao caso está em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nas razões do presente agravo, a recorrente limitase a sustentar a violação dos artigos indicados no recurso especial sem, contudo, refutar a incidência do óbice de admissibilidade Fl. 194DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 8 8 previsto no enunciado 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, Dessarte, o agravo de instrumento interposto contra decisão denegatória de processamento de recurso especial que não impugna,m especificamente, seus fundamentos não merece conhecimento ante o óbice imposto pelo enunciado 182 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, aplicada, mutatis mutandis, ao caso sob exame, conforme pacífico entendimento desta Corte ("É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada"). A propósito, os seguintes precedentes: "RECURSO DA EMPRESA PROCESSUAL CIVIL FALTA DE IMPUGNAÇÃO DO TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. 1. A decisão agravada negou seguimento ao recurso especial sob os seguintes fundamentos: 1) não há violação do artigo 535 do Código de Processo Civil; 2) quanto à violação do artigo 20, §§ 3° e 4° do Código de Processo Civil, incide o enunciado 7 da Súmula desta Corte. 2. Nas razões do agravo de instrumento, a recorrente não fez qualquer referência à nãoocorrência de violação do artigo 535 do CPC, furtandose a rebater especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. (...) Agravos regimentais improvidos." (AgRg nos EDcl no Ag 588.129/SP, deste relator, Segunda Turma, julgado em 11.11.2008, DJe 1º.12.2008.) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. VALOR DE ALÇADA. ART. 34 DA LEF. EMBARGOS INFRINGENTES. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. O agravo de instrumento se torna inviável quando a sua fundamentação não impugna especificamente a decisão agravada. Inteligência da Súmula 182 do STJ, que dispõe: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". (...) 6. Agravo regimental desprovido." (AgRg no Ag 927.877/PR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 14.10.2008, DJe 3.11.2008.) Fl. 195DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 9 9 “PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA CONTRA A INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 182 DO STJ. PENHORA. ORDEM DE BENS. INVERSÃO. ANÁLISE. NECESSIDADE DO REEXAME DO ACERVO FÁTICO PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS Nº 07 E Nº 83 DO STJ. 1. A falta de irresignação específica contra os fundamentos da decisão agravada faz incidir à hipótese o teor da Súmula 182 do STJ. (...) 4. Agravo regimental de que não se conhece.” (AgRg no Ag 788.737/RS, Rel. Juiz Federal convocado Carlos Fernando Mathias, Quarta Turma, julgado em 12.8.2008, DJe 15.9.2008.) “DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. MILITAR. REFORMA. RECURSO QUE NÃO INFIRMA OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL VIOLADO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Não se conhece do agravo de instrumento que não infirma os fundamentos da decisão que inadmitiu na origem o recurso especial. Incidência, por analogia, da Súmula 182/STJ. (...) 4. Agravo regimental improvido." (AgRg no Ag 974.674/RN, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 8.5.2008, DJe 23.6.2008.) Ante o exposto, com fundamento no artigo 557, caput, do Código de Processo Civil, nego provimento ao agravo de instrumento. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 02 de outubro de 2009. MINISTRO HUMBERTO MARTINS Relator (Ministro HUMBERTO MARTINS, 06/10/2009) Desta forma, não pode este tribunal furtarse ao cumprimento da decisão judicial em questão. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011. 29 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Fl. 196DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 10 10 Susy Gomes Hoffmann Fl. 197DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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