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Numero do processo: 13888.916056/2011-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.160
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 56 /2 01 1- 52 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13888.916056/201152 Acórdão n.º 9303006.160 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.826, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13888.916056/201152 Acórdão n.º 9303006.160 CSRFT3 Fl. 4 3 Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13888.916056/201152 Acórdão n.º 9303006.160 CSRFT3 Fl. 5 4 "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13888.916056/201152 Acórdão n.º 9303006.160 CSRFT3 Fl. 6 5 Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13888.916056/201152 Acórdão n.º 9303006.160 CSRFT3 Fl. 7 6 Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 12045.000399/2007-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 12045.000438/2007-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 03 99 /2 00 7- 76 Fl. 864DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado. Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial. A Contribuinte, por sua vez, intimada do acórdão, opôs Embargos de Declaração, o que motivou a prolação de Acórdão de Embargos, assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Cientificada do Acórdão de Embargos, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado Fl. 865DF CARF MF Processo nº 12045.000399/200776 Acórdão n.º 9202006.616 CSRFT2 Fl. 3 3 pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época, visando rediscutir a nulidade do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: dispõe o Decreto n 70.235, de 1972, arts. 59 c/c 60, que o processo administrativo fiscal somente será declarado nulo na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese em apreço, o equívoco no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que realizou a fiscalização em local distinto daquele eleito pelo contribuinte como domicílio tributário, acarretando, em tese, prejuízo ao seu direito de defesa, tem, nitidamente, caráter formal; conforme já salientado, tratase de defeito procedimental que gera, no máximo, vício de natureza formal; os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, não podem ser corrigidos, devendo ser obrigatoriamente anulados; por sua vez, os atos com vício de forma, podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original; na seara tributária, então, tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”; assim, ante todo o até aqui exposto, a única conclusão possível é a de que o vício procedimental gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação; nesse contexto, concluise que o vício no procedimento fiscalizatório que acarretou cerceamento ao direito de defesa da parte tem natureza formal (e não material), razão pela qual merece ser reformado o acórdão ora recorrido. Ao final, a Fazenda Nacional requer, seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que a decisão recorrida seja reformada, considerandose que o vício observado no acórdão é formal e não material. Em alguns casos desse lote repetitivo, o pedido é no sentido de que se mantenha incólume o lançamento. Cientificada do Acórdão de Embargos, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 866DF CARF MF 4 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.613, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 12045.000438/200735, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.613): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de ação fiscal desenvolvida em estabelecimento diverso daquele eleito como domicílio tributário pela Contribuinte. No acórdão recorrido, considerouse que ocorreu nulidade por vício material. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa rediscutir a nulidade do lançamento, sob o pressuposto de que o domicílio tributário deve ser interpretado sempre no interesse da fiscalização e de que, se não houve demonstração do prejuízo ao Contribuinte pelo fato de a ação fiscal ter ocorrido em outro estabelecimento, não há nulidade. Salientese que, em um primeiro momento, o Colegiado a quo declarou a nulidade do lançamento por vício formal, oportunidade em que a Fazenda Nacional expressamente informou que não haveria a interposição de Recurso Especial. Em face de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, a natureza do vício foi alterada para material. Nesse passo, embora o paradigma indicado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial conclua pela inexistência de nulidade, na maioria dos processos que compõem esse lote repetitivo o pedido é no sentido de que seja declarada a ocorrência de vício formal, embora em alguns poucos o pedido seja para que se considere incólume o lançamento. Entretanto, independentemente do pedido da Recorrente, de plano cabe consignar que a divergência jurisprudencial somente resta demonstrada quando, confrontadas situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face de interpretação divergente da legislação tributária. Nesse passo, é de fundamental importância averiguar as situações fáticas retratadas nos julgados em cotejo. No caso do acórdão recorrido, conforme consta do voto e não foi contraditado pela Fazenda Nacional tratase de fiscalização de períodos posteriores a 1996, sendo que a Contribuinte já havia, desde 1995, alterado sua matriz e domicílio tributário, da Rua São José, 90, 7° andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, 04, Rio das Flores/RJ. Entretanto, a ação fiscal foi realizada no estabelecimento 42.563.692/001289, endereço da antiga sede, no Centro do Rio de Janeiro. A questão foi levada ao Poder Judiciário, que decidiu que o domicílio tributário a ser considerado era aquele eleito pela Contribuinte, ou seja, em Rio das Flores. Confirase: Fl. 867DF CARF MF Processo nº 12045.000399/200776 Acórdão n.º 9202006.616 CSRFT2 Fl. 4 5 "DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2. Creio que o Colegiado deve enfrentar, primeiramente, a irregularidade cometida pelo fisco e que é suficiente para determinar a anulação do lançamento fiscal, qual seja o desrespeito, por parte da autoridade fiscalizadora, do domicílio tributário do sujeito passivo. 3. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá permanecesse até o encerramento da ação fiscal. 4. O contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 5. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. 6. A questão foi levada ao Judiciário. Em consulta realizada sobre o andamento do processo, constatase que houve trânsito em julgado em favor do recorrente. Com efeito, o Tribunal Regional Federal da 2" Região entendeu que os motivos trazidos pela Procuradoria do INSS para justificar a fiscalização em estabelecimento distinto ao eleito como domicílio tributário foram insuficientes para a aplicação do artigo 127, §2° do CTN. Segue transcrição do voto vencedor, ementa, acórdão e fase processual: "VOTO O Código Tributário Nacional proclama, em seu art. 127, inciso II, que, na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicilio tributário, será este o do lugar de sua sede, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado. A Autora, de acordo com dado constante em seu CNPJ, encontra se em atividade desde o ano de 1976 (fls. 14). Por conta da 20ª alteração de seu Contrato Social, datada de 30 de janeiro de 1995 (fls. 202/204), promoveu a transferência de sua sede, originariamente estabelecida na Rua São José, nº 90 Centro, Rio de Janeiro/RJ, para a Rua Capitão Jorge Soares, nº 04, no Município de Rio das Flores, Estado do Rio de Janeiro. Fl. 868DF CARF MF 6 Entendeu a Autarquiaprevidenciária que a Autora, ao promover a mudança de sua sede, e, por consectário legal, de seu domicílio tributário, buscou criar empecilhos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, porquanto circunscrita ao limite territorial da Capital do Estado. Em razão desta situação, aplicou ao caso a regra positivada no § 2º do art. 127 do CTN, o qual permite que a autoridade administrativa recuse o domicílio eleito pelo contribuinte quando se torne impossível ou dificultosa a arrecadação ou a fiscalização do tributo. (...) a ilação feita pela autoridade administrativa a respeito do verdadeiro objetivo a ser alcançado pela parte autora com a alteração de sua sede não se sustenta diante de uma leitura mais apropriada dos dispositivos do CTN reguladores da matéria, nem tampouco se verificarmos atentamente a cronologia dos fatos ocorridos. Primeiramente, cabe consignar ser evidente a distinção existente entre (a) autonomia da pessoa jurídica para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede e (b) faculdade de eleição, pelo contribuinte, de seu domicílio tributário. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para .sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. A incidência, na espécie, da regra do §2º do art. 127 do CTN "A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito... " não se revela apropriada, visto que a definição do domicílio fiscal da Autora em Rio das Flores não se deu em razão do exercício da faculdade de eleição, mas sim por conta da fixação de sua sede naquele Município, hipóteses que não guardam .similitude entre si. Noutro giro, entendo que o fato de a Autora figurar no rol de contribuintes sujeitos à atuação fiscal da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores do INSS não se revela, por si só, motivo razoável a justificar a desconsideração de sua nova sede como sendo o seu domicilio tributário. O Município de Rio das Flores está localizado a apenas 180 Km de distancia da Cidade do Rio de Janeiro, não podendo tal circunstancia ser considerada como impeditiva do exercício, pelos agentes públicos vinculados ao aludido Órgão autárquico, da atividade de fiscalização /arrecadação de tributos. A opção administrativa do INSS de circunscrever aos limites territoriais da Capital do Estado a atuação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, como consignado na contestação (fls. 93), não pode implicar restrição ao legítimo direito do contribuinte de, no livre exercício de sua atividade empresarial, e diante das conveniências e vantagens econômicas a serem eventualmente auferidas com a medida adotada, estabelecer sua sede onde melhor lhe aprouver. Ainda que não dispondo de dados estatísticos para dar esteio a presente ilação, podemos presumir que, tal como na Capital, há, Fl. 869DF CARF MF Processo nº 12045.000399/200776 Acórdão n.º 9202006.616 CSRFT2 Fl. 5 7 também, no interior do Estado do RJ, grandes devedores do INSS, o que não significa dizer que, por tal razão, deixe a Autarquia previdenciária de adotar as medidas administrativas necessárias para inscrição dos débitos existentes em Dívida Ativa e posterior ajuizamento de execuções fiscais, mesmo que sem a participação da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores. Outro ponto merecedor de destaque, relevante ao deslinde da questão jurídica em testilha, é a constatação de que, da análise dos atos normativos administrativos expedidos pelo Ministério da Previdência Social, concernentes à definição da estrutura organizacional do INSS, as Divisões de Cobrança de Grandes Devedores só passaram a ter expressa previsão a partir do advento da Portaria MPAS nº 6.247, de 28 de dezembro de 1999, que, revogando a Portaria n" 458/92, aprovou o novo Regimento Interno daquela Autarquia. Cabe indagar, assim, como poderia a Autora, no ano de 1995. promover a mudança de sua sede buscando dificultar a atuação fiscal de um Órgão até então inexistente? Destarte, entendo que os motivos invocados pelo Réu para recusar a sede da Autora como sendo o seu domicílio tributário carecem de maior consistência, impondose, portanto, no âmbito desta E. Corte, a reforma da r. sentença recorrida. Face ao acima exposto, dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n" 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ." EMENTA ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, § 2°, DO CTN. I Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa Jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com exercício da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2º do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicílio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. Fl. 870DF CARF MF 8 III Recurso provido." 7. Considerando a decisão judicial, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro. 8. E o prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que certamente dificultou a sua apresentação para o fisco. (...) 13. Há que se destacar ainda, porque importante, que o cerceamento do direito de defesa é nitidamente reconhecido, tendo em vista as autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 14. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório." Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por acórdão em que, em situação similar alteração da sede da empresa, e consequentemente do domicílio tributário, em data anterior ao início da fiscalização, com decisão judicial referendando o procedimento da Contribuinte e reconhecimento do prejuízo à defesa a conclusão fosse no sentido de se considerar como correto o estabelecimento eleito pela fiscalização, declarandose nulidade por vício formal. Entretanto, o paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 20601.429 não se reveste destas características, já que trata de situação em que o Contribuinte intentou alterar o domicílio tributário, que era a sua sede e onde se desenvolvia a ação fiscal, após lavrada a NFLD, sem qualquer notícia acerca de decisão judicial ou de prejuízo à defesa. Pelo contrário, consta no paradigma que o Contribuinte apresentou toda a documentação solicitada. Ademais, o lançamento foi mantido na integralidade, e não anulado por vício formal, como pleiteia a Fazenda Nacional em quase todos os processos integrantes do lote. Confirase: "Quanto ao argumento de que não caberia fiscalização tributária em domicílio tributário diferente do local de origem dos fatos geradores, não assiste razão à recorrente. Não se pode esquecer que o domicilio tributário é interpretado pleiteia sempre no interesse na fiscalização e da arrecadação de tributos, conforme disposto no art. 127, § 2° do CTN, tanto a possibilidade de recusa do mesmo. A fiscalização foi feita em Fl. 871DF CARF MF Processo nº 12045.000399/200776 Acórdão n.º 9202006.616 CSRFT2 Fl. 6 9 estabelecimento diverso do eleito pelo recorrente, em função de já ter sido iniciado o procedimento fiscal no domicílio anterior, e só haver sido encerrado parcialmente por trâmites administrativos. Ressaltese que a comunicação da mudança só foi realizada em dezembro de 2003, sendo que o início da ação se deu em data anterior e a continuidade do procedimento por outro auditor fiscal poderia causar prejuízo ao bom andamento dos trabalhos, para não dizer gastos desnecessários com a prorrogação de procedimentos. Ademais, as relações entre Fisco e contribuinte devem se basear na lealdade e na boafé, desse modo não é lícito ao contribuinte receber a fiscalização, tolerar o procedimento fiscal, apresentar toda a documentação, esperar a lavratura da NFLD e somente então alegar que aquele não seria o seu verdadeiro domicílio tributário. Uma vez que o domicílio tributário, previsto no CTN, é apenas uma referência para fiscalização e arrecadação de tributos, se não houve demonstração do prejuízo para o contribuinte de a ação fiscal se realizar em tal estabelecimento, não há que se reconhecer a nulidade do procedimento fiscal. Há permissão legal para a autoridade fiscal fiscalizar a pessoa jurídica de direito privado no local da sede, conforme previsto no art. 127, inciso Ido CTN. Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO." Destarte, não se verifica a necessária similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, de sorte que os dois julgados não podem ser sequer comparados, para fins de demonstração de divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 872DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.905417/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 54 17 /2 00 8- 13 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10120.905417/200813 Acórdão n.º 3401004.073 S3C4T1 Fl. 3 2 de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10120.905417/200813 Acórdão n.º 3401004.073 S3C4T1 Fl. 4 3 Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 10477.000097/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/04/2006
CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. INTRODUÇÃO E TRANSPORTE CLANDESTINOS PELO PAÍS. INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. LEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO POR PRESUNÇÃO RELATIVA. POSSIBILIDADE.
O proprietário do veículo transportador, por presunção relativa (juris tantum), responde pela multa regulamentar sancionadora da infração às medidas especial de controle fiscal, relativas à aquisição e transporte de cigarro de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País e sem a devida identificação do respectivo proprietário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/04/2006 CIGARRO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. INTRODUÇÃO E TRANSPORTE CLANDESTINOS PELO PAÍS. INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. LEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO POR PRESUNÇÃO RELATIVA. POSSIBILIDADE. O proprietário do veículo transportador, por presunção relativa (juris tantum), responde pela multa regulamentar sancionadora da infração às medidas especial de controle fiscal, relativas à aquisição e transporte de cigarro de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País e sem a devida identificação do respectivo proprietário. Recurso Voluntário Negado.
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INTRODUÇÃO E TRANSPORTE CLANDESTINOS PELO PAÍS. INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. LEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO POR PRESUNÇÃO RELATIVA. POSSIBILIDADE. O proprietário do veículo transportador, por presunção relativa (juris tantum), responde pela multa regulamentar sancionadora da infração às medidas especial de controle fiscal, relativas à aquisição e transporte de cigarro de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País e sem a devida identificação do respectivo proprietário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 47 7. 00 00 97 /2 00 7- 92 Fl. 139DF CARF MF 2 Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Neste processo tratase do lançamento da Multa Regulamentar no valor de R$ 278.000,00, lavrada contra LUIZ CARLOS PEREIRA, [...]. Em meio à ação de controle fiscal de fumo, cigarro e charuto de procedência estrangeira foram constadas infrações que levam, além da aplicação da pena de perdimento, também à exigência de multa regulamentar, com o enquadramento legal descrito às fls.3 no auto de infração (AI). Neste processo tratase apenas do lançamento da Multa Regulamentar lavrada contra LUIZ CARLOS PEREIRA, CPF nº [...]. Em meio à ação de controle fiscal de fumo, cigarro e charuto de procedência estrangeira foram constadas infrações que levaram, além da aplicação da pena de perdimento (objeto de outro processo, nº 10140.000309/200652, conforme informado às fls.64), também à exigência da multa prevista no Dl nº 399/68, art.3º, parágrafo único, c/a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, art.78, objeto do presente processo. Conforme descrito nestes autos, em decorrência de diligência policial foram localizados 15 caminhões de carga sendo 03 caminhões tanque. Que nos 12 caminhões de carga foram encontrados cigarros contrabandeados (sic), todos de fabricação paraguaia. Que no local não foi encontrada qualquer pessoa, mas pelos restos de alimentos no local, havia indícios que os que ali estavam empreenderam fuga pela vegetação local. Que não foi encontrado ali nenhuma documentação de identificação dos envolvidos, contudo foram encontrados alguns documentos dos caminhões. Que todos os veículos seriam levados pela autoridade policial para depósito da Receita Federal. Entre os caminhões apreendidos pela Polícia Federal estava o Mercedes Benz L1516, cor vermelha, Placa AEN9650, de Guairá/PR, carregado com 278 caixas de cigarros provenientes do Paraguai, de diversas marcas, contendo cada caixa cinquenta (50) pacotes de dez (10) maços, conforme consta do Laudo de Exame às fls.27 – veículo 11). Que por estar com problemas mecânicos foi levado para a Delegacia de Polícia Federal em Dourados/MS Compõem estes autos o Boletim de Ocorrências (BO nº 004/MRG/DOF/2006 –05/04/2006), autos de recolhimento dos veículos e mercadorias, bem como o relato dos policiais que efetuaram a apreensão, tudo conforme Termo de Depoimento prestado no curso do inquérito policial (IPL) nº 045/2006/DPF/NVI/MS, instaurado pela Polícia Federal em Naviraí/MS, assim como o LAUDO nº 1.137/DOF/SEJUSP/MS relativo ao exame pericial dos veículos, cargas e local da Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10477.000097/200792 Acórdão n.º 3302005.240 S3C3T2 Fl. 140 3 apreensão, contendo fotografias do local e dos veículos, retratando inclusive a adulteração desses veículos, conforme fotos tiradas no depósito da DRF/Campo Grande/MS (ver documentos de fls.7 e fls.18/34). Consta nestes autos a descrição das circunstâncias em que ocorreram as apreensões desses veículos juntamente como outros 14 veículos, conforme foi detalhado no BO anexo, de modo a caracterizar as infrações que motivaram a aplicação da pena de perdimento dos veículos e das mercadorias, objeto de outro processo já mencionado acima. Nos termos da legislação regente, além da pena de perdimento objeto do processo nº 10140.000309/200652, e conforme auto de infração de fls.2/6, foi também aplicada a multa por maço de cigarro apreendido, nos termos do Dl nº 399/68, art.3º, parágrafo único, c/a redação dada pelo art.78 da Lei 10.833/2003. Sendo a aplicação desta penalidade o objeto específico deste processo. Devidamente cientificado do lançamento em 23/05/2007, o interessado protocolou tempestivamente em 24/05/2007 sua impugnação (ver fls.46 e 48), cuja íntegra está às fls. 48/49, e suas razões essenciais podem ser assim resumidas: 1. Em 05/04/2006 o Caminhão M. Benz, RENAVAM nº 520012445, chassis n 34530512632296, Placa AEN 9650, ano fabricação 1983, foi apreendido com mercadoria ilegal, sendo autuado o ora impugnante no AITAGF nº 10140/sma/273/06. Ocorre que o Impugnante ao tempo da infração não era mais o proprietário do veículo acima descrito (rectius, segundo doc fls.12, a apreensão do veículo e da carga respectiva, pela Polícia Federal ocorreu em 03/04/2006; a data do BO foi 05/04/2006 (fls.10), cf AITAGF nº 273/06 às fls.7; a entrega à Receita Federal ocorreu em 05/04/2006, mas o auto de infração aponta e confirma a data de 03/04/2006 como a de ocorrência do fato infracional) 2. Em 28/03/2006, ou seja, antes de ser apreendido, o Impugnante vendeu o referido caminhão para o Sr. IZEQUIEL DE SOUZA, conforme contrato de compra e venda celebrado (documento incluso). 3. No ato da venda o ora Impugnante entregou todos os documentos ao comprador, o qual se responsabilizou por efetuar a transferência do mesmo para o seu nome. O recibo de quitação do caminhão foi entregue devidamente preenchido em nome do comprador, o qual não efetuou a referida transferência. Mas, o ora Impugnante, por precaução, efetuou junto ao DETRAN/PR a comunicação da venda do caminhão. 4. O fato é que o ora Impugnante, ao tempo da apreensão, não era mais o proprietário do caminhão, fato que o exime de qualquer responsabilidade, estando somente o veículo em seu nome, mas de fato já tinha sido vendido anteriormente. Toda a responsabilidade sobre os fatos relacionados ao caminhão não deve recair sobre o ora Impugnante, que já não era o seu proprietário. Fl. 141DF CARF MF 4 Por força da Portaria RFB nº 453, de 11/04/2013, c/c o disposto na Portaria RFB nº 1.006, de 24/07/2013, este processo foi encaminhado para julgamento pela DRJ/REC. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 68/77), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 03/04/2006 LEGITIMIDADE PASSIVA. CIGARROS APREENDIDOS. TRANSPORTE DE MERCADORIA INTRODUZIDA CLANDESTINAMENTE NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. Na dicção do Código Tributário Nacional, art. 123, salvo disposição legal em contrário, as convenções entre particulares, no que tange à responsabilidade pelo pagamento de tributos ou penalidades tributárias, não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Na data da infração constatada, conforme registrado no DETRAN competente, o formal proprietário do veículo apreendido transportando cigarros de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no país é legítimo responsável perante a administração aduaneira fiscal, e está sujeito à multa prevista no Dl nº 399/68, art.3º, com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003, independentemente de quem seja o real proprietário dessas mercadorias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 2/9/2013, o recorrente foi cientificado da decisão. Inconformado, em 23/9/2013, protocolou o recurso voluntário de fls. 91/96, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De acordo com a descrição dos fatos integrante do presente auto de infração (fls. 2/3) e do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 273/06 (fls. 7/9), baseada nos relatos registrados no Boletim de Ocorrência nº 004/MRG/DOF/2006 (fls. 10/12), estes dois últimos extraídos do processo nº l0140.000.309/200652 (processo de perdimento), a inclusão do recorrente no polo passivo da presente autuação foi motivada pelo fato dele ser, na data da ocorrência da infração, o proprietário do veículo do tipo caminhão, marca e modelo Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10477.000097/200792 Acórdão n.º 3302005.240 S3C3T2 Fl. 141 5 Mercedes Benz L1516, cor vermelha, Placa AEN9650 de Guairá/PR (fls. 15/16), no qual foram encontradas e apreendidas, no dia 3/4/2006, 278 (duzentos e setenta e oito) caixas de cigarros de procedência estrangeira (provenientes do Paraguai), de diversas marcas, contendo cada caixa cinquenta (50) pacotes de dez (10) maços, conforme relatado no Laudo de Exame Pericial colacionado aos autos (fls. 19/34), sem documentação comprobatória da regular importação. No referido laudo pericial (fl. 27), o citado veículo foi identificado como o veículo de nº 11 (onze), dentre os 15 (quinze) caminhões de carga apreendidos na mesma operação, sendo 3 (três) caminhões do tipo tanque. Em decorrência do fato de ser o proprietário do citado caminhão, na data da apreensão, ao autuado foi imputada a infração e penalidade definidas no 3º do Decretolei 399/1968, com a redação dada pelo art. 78 da Lei 10.833/2003, que segue transcrito juntamente com o art. 2º do mesmo diploma legal, ao qual faz referência: Art 2º O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de contrôle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) grifos não originais. Os fatos relatados nos citados documentos não deixam qualquer dúvida que o motivo da inclusão do recorrente no polo passivo da autuação foi a sua condição de proprietário do veículo transportador dos cigarros apreendidos em situação irregular. Dada essa particularidade, a condição de proprietário do veículo, na data da apreensão dos cigarros, induvidosamente, revestese de elemento essencial para a definição da pessoa legitimada a integrar o polo passivo da presente autuação, especialmente, tendo em conta o que dispõe o art. 74, § 3º, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 74. O transportador de passageiros, em viagem internacional, ou que transite por zona de vigilância aduaneira, fica obrigado a identificar os volumes transportados como bagagem em compartimento isolado dos viajantes, e seus respectivos proprietários. § 1º No caso de transporte terrestre de passageiros, a identificação referida no caput também se aplica aos volumes portados pelos passageiros no interior do veículo. § 2º As mercadorias transportadas no compartimento comum de bagagens ou de carga do veículo, que não constituam bagagem identificada dos passageiros, devem estar acompanhadas do respectivo conhecimento de transporte. Fl. 143DF CARF MF 6 § 3º Presumese de propriedade do transportador, para efeito fiscais, a mercadoria transportada sem a identificação do respectivo proprietário, na forma estabelecida no caput ou nos §§ 1º e 2º deste artigo. § 4º Compete à Secretaria da Receita Federal disciplinar os procedimentos necessários para fins de cumprimento do previsto neste artigo. Assim, em face dessa presunção relativa (juris tantum), o recorrente tinha o ônus de apresentar prova em contrário, no sentido de infirmar o documentos colacionado aos autos e demonstrar que, na data da infração, não era o proprietário do citado veículo e, por conseguinte, dos cigarros nele transportados. E com esse propósito, o recorrente alegou que fora proprietário do veículo somente até 28/3/2006, quando o alienou ao Sr. Izequiel de Souza. E para comprovar o alegado, o recorrente trouxe à colação dos autos, na fase impugnatória, as cópias autenticadas dos seguintes documentos: a) “Termo de Comunicação de Venda de Veiculo” de fl. 52, com data de 1º/6/2006, em que o Chefe da Ciretran da cidade de Guaíra/PR informou que fora comunicado ao Detran/PR, no dia 31/5/2006, a venda do citado veículo; b) Contrato Particular de Venda e Compra do citado caminhão de fls. 54/56, celebrado entre o recorrente e o Sr. Izequiel de Souza no dia 28/3/2006, com firma reconhecida no dia 17/4/2006; c) Certificado de Registro de Veículo (CRV), com autorização de transferência no dia 28/3/2006 e reconhecimento de firma no dia 31/5/2006; e d) 2 Notas Promissórias de fl. 58, com datas de vencimento nos dias 28/4/2006 e 28/5;2006. Dada a evidente precariedade e as incongruências, a seguir mencionadas, para este Relator, todos esses documentos não servem de prova de que, na data da apreensão dos cigarros, o citado veículo não era de propriedade do recorrente. Com efeito, embora tenham sido emitidos no 28/3/2006, o reconhecimento de firma consignado na Autorização para Transferência de Veículos e no Contrato de Venda Compra, somente ocorreu, respectivamente, nos dias 17/4/2006 e 31/5/2006, ou seja, após a data da apreensão dos cigarros, ocorrida no dia 3/4/2006. Também, não por acaso, somente no dia 31/5/2006 o recorrente comunicou ao Detran/PR a venda do citado veículo, quando já havia expirado o prazo máximo de 30 (trinta) dias, determinado no art. 1341 da Lei 9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro CTB). Esse fatos conjuntamente sopesados demonstram que, somente após tomar conhecimento da apreensão do veículo e dos cigarros nele transportados, o recorrente adotou as providências de reconhecer firma dos referidos documentos e comunicar a alienação do veículo ao Detran/PR, com o nítido propósito de descaracterizar a condição de proprietário do veículo na data da ocorrência da infração. Além disso, para fim de comprovar a efetiva realização da alegada operação de venda do veículo, o recorrente limitouse a apresentar cópias de duas notas promissórias, desacompanhada de qualquer outro documento bancário ou emitido por outra fonte externa 1 "Art. 134. No caso de transferência de propriedade, o proprietário antigo deverá encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado dentro de um prazo de trinta dias, cópia autenticada do comprovante de transferência de propriedade, devidamente assinado e datado, sob pena de ter que se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação. Parágrafo único. O comprovante de transferência de propriedade de que trata o caput poderá ser substituído por documento eletrônico, na forma regulamentada pelo Contran. (Incluído pela Lei nº 13.154, de 2015)" Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10477.000097/200792 Acórdão n.º 3302005.240 S3C3T2 Fl. 142 7 idônea, com vistas a confirmar a efetiva realização do pagamento do veículo pelo suposto adquirente. Em face dessas evidentes deficiências e precariedades, tais documentos não se prestam como meio de prova da venda e transferência da propriedade do citado veículo e, por decorrência, para afastar a condição de proprietário do veículo e a presunção relativa (juris tantum) de que também era proprietário e o transportador dos cigarros apreendidos, objeto da presente autuação, o que o qualifica como o verdadeiro legitimado a integrar o polo passivo da autuação, na condição de autor da infração. E essa circunstância revelase suficiente não só para configurar a prática da infração às medidas especiais de controle fiscal em comento, bem como para ratificar o acerto da atribuição da autoria do fato infracional ao recorrente, o que afasta a alegação de ilegitimidade passiva por ele suscitada no recurso em apreço. Em suma, por ter cometido a infração tipificada no art. 3º do Decretolei 399/1968, com redação dada pela Lei 10.833/2003, o recorrente deve responder pela multa regulamentar fixado no referido preceito legal, na condição de autor da infração. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000836/99-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1995
LUCRO REAL. GLOSA DE DESPESAS. PLANO DE SAÚDE.
Consideram-se despesas operacionais os gastos realizados pelo sujeito passivo com serviços de assistência à saúde desde que destinados indistintamente a todos os empregados.
LUCRO REAL. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS. DESNECESSIDADE. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao fisco provar que os custos ou despesas são desnecessários ao cumprimento das obrigações contratuais do sujeito passivo, não sendo possível a inversão do ônus da prova.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE.
Tratando-se dos mesmos elementos de prova, aplica-se o decidido em relação ao tributo principal, às exigências decorrentes, em razão da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1402-000.263
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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GLOSA DE DESPESAS. PLANO DE SAÚDE. Consideram-se despesas operacionais os gastos realizados pelo sujeito passivo com serviços de assistência à saúde desde que destinados indistintamente a todos os empregados. LUCRO REAL. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS. DESNECESSIDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao fisco provar que os custos ou despesas são desnecessários ao cumprimento das obrigações contratuais do sujeito passivo, não sendo possível a inversão do ônus da prova. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Tratando-se dos mesmos elementos de prova, aplica-se o decidido em relação ao tributo principal, às exigências decorrentes, em razão da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 24/09/2010 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000836/99-00 Acórdão n.º 1402-00.263 S1-C4T2 Fl. 2 3 Relatório Trata-se de lançamento do IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS, do ano- calendário de 1995, com imposição da multa de ofício de 75%, em razão das seguintes infrações: a) dedução indevida, na apuração do lucro real (mensal), de desembolsos referentes a serviços assistenciais a empregados: A fiscalização glosou os pagamentos efetuados à administradora de plano de saúde Golden Cross e outros, a título de assistência médica por entender que tais benefícios não contemplavam todos os empregados. Como prova, a fiscalização anexou aos autos planilha de gastos efetuados com a Golden Cross, cópia do livro razão contendo a “conta assistência médica – outros” e relação de empregados, confirmando que nem todos eram beneficiados pelo plano assistencial. Fundamento legal: arts. 195, I, 197, § único, 300, 301 do RIR/94; b) dedução indevida de custos ou despesas na apuração do lucro real: Foram glosados diversos valores deduzidos como despesas operacionais, que não seriam da recorrente e que não guardariam relacionamento com a atividade social desenvolvida pela interessada e respectiva fonte produtora de receitas. Fundamento legal: arts. 195, I, 197 e § único e 339 do RIR/94. Explicou a fiscalização que a interessada representa com exclusividade, no território brasileiro, uma sociedade americana CROWLEY AMERICAN TRANSPORT, INC, aqui denominada Transportadora, recebendo uma remuneração mensal pelo cumprimento das obrigações assumidas, que esta reembolsou a autuada pelos custos diretos em seu nome, no cumprimento das atividades relacionadas no respectivo contrato de agenciamento, além de ter fornecido, sem ônus, materiais promocionais, ficando a publicidade, sob responsabilidade da transportadora, que somente não se responsabilizou pelas despesas administrativas, de escritório, comunicação e pessoal da interessada. Em relação a infração descrita na letra “b”, a fiscalização chega às seguintes conclusões: a) Trata-se de despesas contabilizadas e declaradas como sendo suas pelo Agente, porém assumidas e pagas pela Transportadora; b) Trata-se de despesas incorridas para obtenção de utilidades repassadas a terceiros; exemplifica esta hipótese com o fato da interessada ter enviado para o exterior, em nome da Transportadora, quantia superior a R$ 100 milhões, a título de receitas de fretes, isenta de tributação na fonte, conforme art. 749 do RIR/94, ao mesmo tempo em que mantinha uma equipe de vendas no Brasil, o que comprovaria que as despesas ficaram a cargo da interessada e a receita isenta, para a transportadora. As despesas são: • com salários: equipe de vendas (essa atividade não faria parte do objeto social e que não aparece a respectiva receita), de marketing (estas despesas seriam da transportadora) e operação Brasil (o próprio nome já diria que é uma equipe da transportadora), equipe de manutenção de equipamentos (o contrato especifica que o Agente contratará pessoal Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 especializado, para este fim, se necessário e aprovado pela transportadora), equipe de operação de navios (o contrato especifica que o Agente deverá providenciar pessoal especializado, um pouco antes, durante a estadia e logo após a saída do navio), equipe de estivagem (segue os critérios de operações de navios); • despesas com representações/refeições: valores gastos pelas equipes acima, principalmente, as de vendas; • despesas de capatazia: valores gastos com taxas aeroportuárias, relativas a operações de carga e descarga dos navios; • cursos e seminários: gastos com propagandas, banquetes e reuniões de vendas; • despesas com veículos de terceiros e despesas com táxi: valores gastos pelos funcionários das equipes de vendas; • despesas com ajuda de custo: valores gastos pela equipe de vendas, com combustível e lubrificantes; • despesas com brindes: valores gastos pela equipe de vendas; • despesas com passagens aéreas nacionais e internacionais e despesas de hospedagem: valores gastos pela diretoria e equipe de vendas; • despesas com ISS: lançou como despesa operacional um valor a título de ISS, apesar de já ter abatido outro valor, também como ISS, de sua receita bruta. Segundo a fiscalização o contrato de agenciamento abrange: • solicitar, reservar e providenciar o carregamento e a descarga em navios e chatas da Transportadora, contêineres e passageiros e por parte da Transportadora, assinar contratos de afretamento, conhecimentos de embarque e bilhetes de passageiros; • por parte da Transportadora,cobrar e receber quantias a título de fretes, utilização de contêineres e bilhetes de passageiros devidos, emitindo recibos ou quitações pelas mesmas; • representar a Transportadora, junto a empreiteiras e ou fornecedoras de serviços e pessoal; • cuidar dos navios, contêineres, chatas e equipamentos da Transportadora, inclusive lidar com: desembaraço alfandegário na entrada, compra das provisões necessárias para os navios, providenciar reparos de emergências dos equipamentos do navios conforme orientação do comandante ou chefe de máquinas, providenciar assistência médica ou hospitalar, para o pessoal embarcado e passageiros e providenciar o pessoal de bordo que for preciso; • providenciar a supervisão dos serviços de estiva e terminais para os navios e chatas da Transportadora,antes da chegada do navio,durante a estadia e após sua partida; • controlar e guardar os contêineres, reboques e outros equipamentos da Transportadora,enquanto estiverem no território brasileiro; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000836/99-00 Acórdão n.º 1402-00.263 S1-C4T2 Fl. 3 5 • inspecionar danos sofridos pelos equipamentos da Transportadora, consertando-os, se para isso for autorizado pela Transportadora; • efetuar auditoria minuciosa,quanto a exatidão dos faturamentos vindos de terceiros a titulo de mercadorias, impostos, taxas ou outros encargos incorridos por parte da Transportadora no transcorrer das atividades,antes de pagar as quantias faturadas; • negociar preços e taxas para bens e serviços utilizados pela Transportadora no território do agenciamento, no transcorrer normal das atividades. Transcrevo da decisão de primeira instância os argumentos apresentados na impugnação: 6.1. Que todos os seus empregados foram contemplados com os planos de assistência médica, conforme comprovantes de pagamentos em nome de Golden Cross e Unimed juntados à impugnação (fl. 899/1017), que totalizam R$ 224.568,98. Alega que a fiscalização não se ateve a todos os documentos que foram colocados à sua disposição, deixando de considerar as faturas em nome da Unimed referente aos funcionários das filiais de Curitiba, Novo Hamburgo, Santos e São Paulo; 6.2. Que tem como objeto social o agenciamento ou representação de empresas de navegação marítima, tendo celebrado contrato de agenciamento, com cláusula de exclusividade, para representação da empresa estrangeira de transporte marítimo “Crowley American Transport Inc”, que lhe assegura comissão fixa, a qual foi reconhecida pela própria auditoria fiscal, com sendo a única remuneração recebida pelo cumprimento das obrigações assumidas. O objetivo social principal da representação como agente é angariar cargas para embarque, o que significa o mesmo que efetuar vendas de fretes. À transportadora cabe prestar o serviço de transporte marítimo. Obviamente, a receita do frete marítimo é do armador/transportador, cabendo ao agente somente a comissão; 6.3. Que para cumprir as obrigações assumidas no referido contrato de agenciamento necessita manter uma estrutura técnico-econômica, razão pela qual incorre em despesas operacionais relacionadas à atividade de agente marítimo, como despesas de vendas de fretes para exportação, serviços de estiva e de terminais, supervisão de navios, manutenção de equipamentos, etc., atendendo tais despesas aos requisitos previstos no art. 242 do RIR/94. Entretanto, tais despesas operacionais foram injustamente consideradas desnecessárias e glosadas, mesmo sendo despesas associadas a seu objeto social e necessárias à obtenção da receita de comissão por representação, na forma do contrato de agenciamento. Ademais, ao contrário do alegado pela fiscalização, não foi reembolsado pelo transportadora por qualquer despesa assumida e paga por força das obrigações contraídas no contrato de agenciamento; 6.4. Quanto à contribuição para o Pis, alega que o Decreto-lei nº2.445/88 foi considerado inconstitucional e, em decorrência, o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 Senado Federal suspendeu sua execução pela Resolução nº 49, de 09/10/95. Com a suspensão do referido Decreto-lei, o Poder Executivo editou a Medida Provisória nº 1.212/95 para regular a cobrança ao Pis e ao Pasep, a qual determinava, em seu artigo 13, que as pessoas jurídicas que auferissem receita exclusivamente de prestação de serviços somente seriam tributadas a partir de março de 1996. Dessa forma, sendo a empresa que aufere receitas exclusivamente da prestação de serviços, o interessado entende que não seria devido o Pis – Repique no ano-calendário de 1995; 6.2. Que relativamente ao lançamento da CSLL, o autuante aplicou a alíquota de 10% incidente sobre o montante das despesas glosadas, considerando estas como base de cálculo integral. Entende o interessado que a alíquota da CSLL deve ser aplicada sobre a base de cálculo na forma do art. 15, inc. III, “a”, por ser empresa prestadora de serviços. A DRJ determinou a realização de diligência por meio da Resolução de fls. 1118/1119, para que fossem atendidos os seguintes quesitos, transcritos a partir do relatório condutor do acórdão: 7.1. Verificar, a partir dos documentos juntados pela interessada às fls. 899/1017, se todos os empregados foram contemplados com os planos de assistência médica e, no caso de existirem empregados que não tenham sido beneficiados, apresentar relação identificando os mesmos; 7.2 Juntar elementos de prova que confirmem que a empresa estrangeira de transporte reembolsou a interessada pelos custos diretos incorridos em virtude do contrato de agenciamento e representação firmado entre as partes; e 7.3 Verificar se os valores remetidos pela interessada à transportadora estrangeira a título de receitas de fretes, como mencionado na descrição dos fatos, à fl. 764, se tratam de valores integrais das receitas de fretes ou se já eram valores líquidos, já deduzidos os custos diretos incorridos pela interessada. As informações constantes do Termo de Constatação e Encerramento de Diligência de fls. 1201/1203, em síntese, são as seguintes, transcritas a partir do relatório condutor do acórdão: 8.1. Não foi possível obter provas que confirmem que a empresa estrangeira de transporte reembolsou a interessada pelos custos diretos incorridos em virtude do contrato de agenciamento e representação, ou de que os valores remetidos pela interessada à transportadora estrangeira a título de receita de fretes se tratavam de valores líquidos, já deduzidos os custos direitos incorridos pela interessada; 8.2. Que foram identificados quatro funcionários que, admitidos no ano de 1995, não constavam das cobranças da “Golden Cross”, sendo que destes quatro, dois foram admitidos somente em novembro de 1995, um foi admitido em 01/09/95 e demitido em 30/09/95, e um foi admitido em 04/05/95 e demitido em 31/07/95. Também são acusadas divergências entre as datas de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000836/99-00 Acórdão n.º 1402-00.263 S1-C4T2 Fl. 4 7 admissões informadas na Relação Anual de Informações Sociais – RAIS e as datas das inclusões informadas no plano de saúde, relativamente aos funcionários admitidos em 1995. Tais divergências de datas são em geral de 15 dias, sendo que em dois casos chegou a um mês. A relação completa dos funcionários, com a indicação de desconto para os respectivos planos de saúde, foi juntada às fls. 1204/1208. Transcrevo também do voto condutor do acórdão da DRJ, a manifestação da interessada em relação ao relatório de diligência: 9.1. Que o lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa, visto que não há a especificação de quais valores comporiam cada uma das despesas glosadas, limitando-se a pontuar a base tributável total de cada mês; 9.2. Que as divergências temporais apontadas na diligência fiscal entre a admissão dos funcionários e suas respectivas inclusões ao programa de assistência médica se devem a procedimentos burocráticos para o cadastramento de novos beneficiários, muitos dos quais admitidos e demitidos no mesmo mês; 9.3. Que as despesas glosadas pela fiscalização são diretamente relacionadas ao serviço que presta, não tendo sido reembolsadas pela empresa transportadora estrangeira. A Turma Julgadora deixou de apreciar a preliminar de nulidade, em razão da alegação não dizer respeito à diligência e de ter sido trazida aos autos após o prazo de impugnação. Quanto ao mérito, a Turma Julgadora excluiu do lançamento a glosa de despesas com serviços assistenciais a empregados, por ter restado confirmado, conforme relatório de diligência que os benefícios de assistência à saúde eram destinados indistintamente a todos os funcionários. Sobre a glosa de despesas ou custos considerados indedutíveis, a Turma Julgadora assim se pronunciou: 13.1. A fiscalização glosou diversas despesas que a interessada teria contabilizado e declarado como sendo suas, mas que, na verdade, teriam sido assumidas e pagas pela transportadora estrangeira, que, além disso, teria reembolsado a interessada pelos custos diretos efetivamente incorridos.Segundo a fiscalização, tais despesas foram incorridas para obtenção de utilidades que foram repassadas a terceiros. 13.2. Sobre a dedução de despesas operacionais na apuração do lucro real, convém citar o artigo 242 do RIR/94, verbis: (...) 13.3. O dispositivo legal citado, em particular os §§ 1º e 2º, quando colocados em confronto com as atividades previstas no contrato de agenciamento firmado entre a interessada e a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 8 empresa de transporte estrangeira, cuja cópia consta às fls. 1065/1106 e, ainda, considerando os termos da resposta à diligência constante do Termo de Constatação e Encerramento de Diligência de fls. 1201/1203, em que não ficou comprovado que teria havido reembolso das despesas à interessada, dão o entendimento de que as despesas operacionais glosadas são necessárias à atividade de agenciamento desenvolvida pela interessada. 13.4. Aliás, a afirmação da fiscalização de que as despesas incorridas teriam sido reembolsadas à interessada foi um dos fundamentos principais da glosa, pois a ocorrência do reembolso configuraria que, de fato, a despesa pertencia a terceiros. Entretanto, a diligência não logrou obter provas que confirmassem a afirmação da fiscalização de que houve os alegados reembolsos.Não ficou confirmada a existência de qualquer reembolso ou, ainda, que as remessas da interessada à empresa estrangeira teriam sido líquidas, já deduzidos os custos ou despesas. 13.5. O certo é que a auditoria não verificou qualquer receita da interessada prevista no contrato de agenciamento tenha sido subtraída da tributação ou, ainda, alguma despesa assumida expressamente em nome da empresa estrangeira de transporte. 13.6. Ademais, deve-se considerar que de acordo com o § 1º do art. 223 do RIR/94, “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”, e que o § 2º do mesmo artigo determina que “cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º”. 13.7. Assim, entendo que cabe ao Fisco provar que as despesas glosadas eram realmente desnecessárias para o cumprimento das obrigações contratuais da interessada com a empresa estrangeira de transporte, não se aplicando ao caso a inversão do ônus da prova, que é característica apenas das presunções legais. Concluiu que os lançamentos do IRPJ, da contribuição para o PIS e da CSLL, consequentemente são improcedentes. É o relatório. Voto Conselheiro Albertina Silva Santos de Lima O recurso de ofício atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.000836/99-00 Acórdão n.º 1402-00.263 S1-C4T2 Fl. 5 9 Em relação à glosa de despesas com plano de saúde, a Turma Julgadora considerou o lançamento improcedente, porque após a realização de diligência, ficou comprovado que os benefícios de assistência à saúde eram destinados indistintamente a todos os funcionários. Concordo com o decidido pela Turma Julgadora. Com relação à glosa dos custos/despesas por serem consideradas indedutíveis pela fiscalização, também foi realizada diligência que tinha os seguintes objetivos: Juntar elementos de prova que confirmem que a empresa estrangeira de transporte reembolsou a interessada pelos custos diretos incorridos em virtude do contrato de agenciamento e representação firmado entre as partes; e Verificar se os valores remetidos pela interessada à transportadora estrangeira a título de receitas de fretes, como mencionado na descrição dos fatos, à fl. 764, se tratam de valores integrais das receitas de fretes ou se já eram valores líquidos, já deduzidos os custos diretos incorridos pela interessada. Verifica-se no contrato de agenciamento às fls. 134/193, no item II, que o agente deverá executar os deveres e as funções costumeiras de agente da companhia de navegação no Território, inclusive, dentre outros os mencionados no relatório descritos pela fiscalização no auto de infração. Consta no item IV do contrato, que o Agente deverá ser remunerado pela Transportadora, conforme anexo B; e que a Transportadora deverá reembolsar o Agente pelos custos diretos efetivamente incorridos por ele e em nome da Transportadora, na medida em que tais custos fossem incorridos se razoáveis e devidamente comprovados. Consta no item V, que as despesas gerais e administrativas do Agente não seriam reembolsadas pela Transportadora, inclusive os custos e despesas indiretos ao arcar com sua folha de pagamento e encargos, despesas de viagem, representação, despesas de escritório e de comunicação. Consta no item VI que a Transportadora fornecerá ao Agente, sem ônus, material promocional e que a publicidade ficará condicionada às instruções da Transportadora. Do exposto, Concordo com a Turma Julgadora que concluiu que nos termos do art. 242 do RIR/94, em particular os §§ 1º e 2º quando em confronto com as atividades previstas no contrato de agenciamento firmado entre a interessada e a empresa de transporte estrangeira e considerando os termos da resposta de diligência de fls. 1201/1203, em que não ficou comprovado que teria havido reembolso das despesas à interessada, e também não ficou provado que o valor de remessas da interessada à empresa estrangeira teriam sido líquidas, já deduzidos os custos e despesas, levam ao entendimento de que as despesas operacionais glosadas são necessárias à atividade de agenciamento desenvolvida pela interessada. Ressalte- se que o contrato prevê que o agente deverá executar os deveres e as funções costumeiras de Agente da Transportadora, dentre outros especificados. Concordo também com a afirmação da Turma Julgadora de que caberia ao fisco provar que as despesas glosadas eram desnecessárias para o cumprimento das obrigações Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 10 contratuais da interessada com a empresa de transporte, não se aplicando a inversão do ônus da prova. Concluo que faltou o aprofundamento da investigação fiscal. Tratando-se dos mesmos elementos de prova, aplica-se o decidido em relação ao tributo principal às exigências decorrentes de tributação reflexa, em razão da estreita relação de causa e efeito. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Albertina Silva Santos de Lima - Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/10/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 24/09/2010 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10835.902594/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 25 94 /2 00 9- 72 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10835.902594/200972 Acórdão n.º 1401002.237 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000057/2009-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PROCESSO DE EMBALAGEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. BEM APLICADO À PRODUÇÃO.
A agregação de valor em bem importado para fins de subsunção à hipótese prevista para adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência não comporta relativização. Nos termos já assentados por esta Primeira Turma da CSRF, o processo de embalagem é suficiente para caracterizar a agregação de valor e a aplicação do bem à produção, fatores que ensejam a adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência. Não cabe imputar qualquer ônus adicional ao Fisco, no sentido de que ele deveria comprovar que a embalagem alterou o estado original do bem, com "significativa" agregação de valor ao produto.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
A declaração de voto, não tendo sida apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, de que trata o § 6º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, considera-se não formulada, de acordo com o § 7º do mesmo artigo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO DE EMBALAGEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. BEM APLICADO À PRODUÇÃO. A agregação de valor em bem importado para fins de subsunção à hipótese prevista para adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência não comporta relativização. Nos termos já assentados por esta Primeira Turma da CSRF, o processo de embalagem é suficiente para caracterizar a agregação de valor e a aplicação do bem à produção, fatores que ensejam a adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência. Não cabe imputar qualquer ônus adicional ao Fisco, no sentido de que ele deveria comprovar que a embalagem alterou o estado original do bem, com "significativa" agregação de valor ao produto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. A declaração de voto, não tendo sida apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, de que trata o § 6º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 57 /2 00 9- 30 Fl. 3736DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 3 2 Portaria MF nº 343, de 2015, considerase não formulada, de acordo com o § 7º do mesmo artigo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre lançamento baseado em preços de transferência. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1402001.913, de 04/02/2014, por meio do qual a 2a Turma Ordinária 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, entre outras questões, decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada para fins de cancelar parte da exigência fiscal contida nestes autos, com o entendimento de que "a colocação de embalagem, por si só, não caracteriza o processo de industrialização que justifique a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODOS DE AJUSTE. COLOCAÇÃO DE EMBALAGEM. INDUSTRIALIZAÇÃO. A colocação de embalagem, por si só, não caracteriza o processo de industrialização que justifique a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência. Caberia demonstrar que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor para enquadramento na margem de lucro inerente ao método questionado. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES EFETUADOS PELO SUJEITO PASSIVO. DEDUÇÃO. Fl. 3737DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 4 3 A apuração dos ajustes de preços de transferência deve ser feita insumo a insumo ou produto a produto, conforme o caso. Não há que se falar em “compensação de ajustes”, entre bens distintos. Sob esse prisma, a dedução no procedimento fiscal de valores do ajuste efetuados pelo sujeito passivo só é cabível em relação a insumos ou produtos comuns às duas apurações. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Cabível a imputação da multa de ofício na formalização do lançamento quando inexistente qualquer circunstância de suspensão da exigência tributária nos termos do art. 63, da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O agravamento da multa de ofício tem como escopo a recusa injustificada na prestação de esclarecimentos ou fornecimento de documentos. Não se justifica essa imputação para situações de entrega de informações em meio magnético incompletas ou equivocadas que tem norma sancionatória específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recuso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do valor tributável o montante de R$ 7.704.862,25 no anocalendário de 2004; R$ 9.436.162,77, no anocalendário de 2005; e R$ 4.425.066,15, no anocalendário de 2006; e reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima referida. Para o processamento do recurso especial, foram apresentados os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte utilizou o método PRL para efetuar seus ajustes, sendo o PRL20 para insumos importados e revendidos e PRL60 para aqueles industrializados no país; o método PRL20 foi utilizado inclusive para bens importados acondicionados em embalagens, procedimento esse não acatado pelo Fisco por entender caracterizada industrialização o que implicou no recálculo pelo método PRL60 nesses casos; em relação aos bens para os quais o sujeito passivo utilizou o método PRL 60, a apuração foi refeita pela Fiscalização com utilização das regras estabelecidas na IN/SRF nº 243/2002; Fl. 3738DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 5 4 com a devida vênia, o v. acórdão recorrido merece reforma na parte em que decidiu pela não utilização do método PLR60 para ajustes de preço de transferência no caso de embalamento em questão, tendo acatado o método PLR20 utilizado pela contribuinte, em divergência ao acórdão 130200.915, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, conforme a seguir exposto; DA COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL a Turma a quo entendeu que a colocação de embalagem não caracteriza o processo de industrialização que justifique a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência, sendo necessário para aplicação do método citado a demonstração de que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor para enquadramento na margem de lucro inerente ao método questionado. Assim, entendeu pela aplicação do método PRL20 de ajuste de preços de transferência aos insumos submetidos a processo de embalamento. Seguem as razões do voto proferidas no acórdão 1402001.913, ora recorrido: [...]; diversamente se manifestou a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, no acórdão 130200.915, de contribuinte do ramo da indústria farmacêutica, segundo o qual o acondicionamento em embalagens para venda no mercado interno altera o produto e caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final, a atrair o ajuste no preço de transferência PRL60. Segue a ementa do julgado: Número do Processo 16561.000185/200711 Nº do Acórdão 1302000.915 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Ano calendário: 2002. DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. ANOCALENDÁRIO DE 2002. O fato gerador de IRPJ e CSLL é o lucro real anual e concluise em 31122002, operandose a decadência apenas a partir de 31/12/2007. DIVERGÊNCIA NA ADIÇÃO DE PREÇO DE TRANSFERÊNCIA – ÔNUS DA PROVA – A autoridade fiscal analisou os suportes analíticos apresentados pela contribuinte e notou insuficiência na adição voluntária de preço de transferência por ela efetuada. A contribuinte nega esse erro, mas não traz quaisquer outros documentos ou suportes que possam infirmar os controles verificados em sede de fiscalização. O ônus da prova cabe à contribuinte que dele não se desincumbiu. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL PRODUTOS IMPORTADOS A GRANEL ACONDICIONAMENTO E EMBALAGEM. O acondicionamento dos medicamentos importados a granel em embalagens para venda no mercado interno altera a apresentação do produto e caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final, impondose o ajuste no preço de transferência utilizandose a margem de lucro de 60%, quando for adotado o método de Preço de Revenda Menos Lucro (PRL60%). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PRL 60%. IN SRF 243/02. ILEGALIDADE. A IN 243/02 buscou interpretar a Lei, porém excedeu seus limites ao presumir, sem autorização legal ou suporte fático, o valor agregado no Brasil por uma regra de proporcionalidade. Para não resultar em ajuste, tal valor teria que ser no mínimo custo incorrido no Brasil agregado à margem de 150% (60% Fl. 3739DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 6 5 do preço). As margens fixas determinadas pela Lei 9.430/96 aplicamse apenas aos custos importados de determinadas partes ou aos respectivos preços de revenda, não aos custos ou preços de itens nacionais e nem à margem ou ao valor agregado no Brasil. A IN 243/02 não está de acordo nem com o texto ou com o contexto da Lei. para esclarecer a divergência, segue o voto vencedor do acórdão paradigma 130200.915, da lavra do ilustre Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado: [...]; como se observa, o Acórdão a quo entendeu que o processo de embalamento dos bens não caracterizou o processo de industrialização que justificasse a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência, tendo em vista que caberia a demonstração de que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor para enquadramento na margem de lucro inerente ao método questionado. Ademais, no caso recorrido, não se considerou o conceito de industrialização nos termos do RIPI. Assim, aplicouse o PRL20 para ajuste de preços de transferência; por outro lado, o Acórdão Paradigma 130200.915 entendeu que o acondicionamento dos medicamentos importados à granel em embalagens, alterando a apresentação do produto para venda no mercado interno, caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final. Com efeito, firmouse que não se tratou de mera embalagem para transporte, mas de apresentação comercial do produto, da qual resulta agregação de valor em relação ao produto importado a granel, nos termos do conceito de industrialização consagrado no Regulamento do IPI, amparado pela Lei nº 5.172/1966 (CTN) e pela Lei nº 4.502/1964. Dessarte, aplicouse o método PRL60 para ajuste de preços de transferência; adotando o Regulamento do IPI, firmouse no voto vencedor do acórdão 130200.915 o processo de industrialização “como qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, entre elas a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento)”; assim, inferese do acórdão paradigma que o produto importado foi determinado comprimido, a granel; já o objeto de revenda, após o processo de embalagem, é composto do comprimido, do blister que torna prático ao consumidor seu manuseio e armazenagem, das informações médicas contidas na bula, da nova apresentação, etc. Assim, ainda que os bens importados tenham permanecido inalterados, a eles foram adicionados, de forma perene e indissolúvel, elementos essenciais e imprescindíveis, sem os quais não se tornariam próprios à destinação que a eles se pretende conferir, qual seja, a revenda ao consumidor final (processo de blisterização), a atrair o método PRL60; em face de entendimentos divergentes, diante da mesma situação fática referente a empresas do ramo farmacêutico, entendese demonstrada a divergência apta a ensejar o presente recurso especial; DO FUNDAMENTO DO PEDIDO DE REFORMA Fl. 3740DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 7 6 a contribuinte alega equivocada a consideração da aplicação do PRL60 para os produtos que sofreram acondicionamento em embalagem própria para revenda no mercado interno; cita a Solução de Consulta COSIT 22/2008 e o manual eletrônico “DIPJ 2008 – perguntas e respostas”, que estariam a amparar seu procedimento; aduz que não houve industrialização ou aplicação dos bens importados na produção de novos bens, sendo a prova disso o fato de que a NCM de entrada e saída das mercadorias é a mesmo; diz que não se pode tomar de empréstimo, para definição de “bens aplicados à produção”, o conceito de industrialização da legislação do IPI (tributação por analogia – art. 108 do CTN); o art. 18 da Lei 9430/96 define o método PRL como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos de alguns valores, dentre eles a margem de lucro, que será presumida em: [...]; portanto, cumpre saber: os comprimidos importados foram aplicados à produção local ou não? Eles foram objeto de simples revenda ou sofreram algum tipo de transformação em território nacional? em que pese a classificação NCM não tenha se alterado na saída dos produtos do estabelecimento da autuada, não se pode afirmar que os bens importados foram objeto de simples revenda. Nos termos do art. 18, inciso II, alínea d, nº 1 da Lei 9.430/96, eles foram aplicados à produção depois de importados; com efeito, os bens importados (comprimidos a granel) sujeitamse, no país, a uma última etapa de produção, que consiste no processo de embalagem primária – definido como processo de blisterização dos comprimidos em diversas formas de apresentação – e no processo de embalagem secundária – a colocação dos blisters em caixas que seguem o modelo de apresentação do medicamento e que contém a marca do laboratório, o nome comercial do medicamento ou o nome do princípio ativo, a quantidade de comprimidos, datas de fabricação e validade. Além disso, nesta última etapa também se adiciona a bula ao produto final que será comercializado; o produto que emerge após este processo não é o mesmo que foi importado. Ainda que os comprimidos importados não tenham sido propriamente consumidos ou absorvidos neste processo produtivo, eles foram aplicados à produção e transformados, de forma que o produto revendido não é o produto importado; no caso, o produto importado foi determinado comprimido, a granel. O objeto de revenda, após o processo de embalagem é composto do comprimido, do blister que torna prático ao consumidor seu manuseio e armazenagem, das informações médicas contidas na bula, da nova apresentação, etc; ainda que os bens importados tenham permanecido inalterados, a eles foram adicionados, de forma perene e indissolúvel, elementos essenciais e imprescindíveis, sem os quais não se tornariam próprios à destinação que a eles se pretende conferir, qual seja, a revenda ao consumidor final; os bens importados, portanto, foram, de fato, submetidos a processo produtivo que lhes acrescentou características antes não presentes; Fl. 3741DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 8 7 logo, o afastamento do PRL20 não decorre da aplicação, por empréstimo, do conceito de industrialização da legislação do IPI, mas apenas da interpretação do que significa a expressa “bens importados aplicados à produção”; nada há que justifique a redução do ato de “aplicar um bem à produção” a intervenções que acarretem a transformação de sua essência, ou o seu consumo durante o processo produtivo. Um bem também é aplicado à produção quando lhe são acrescentados elementos que o completam sem, contudo, interferir em sua integridade; o fato de a NCM de entrada ser o mesmo da saída é completamente irrelevante. A Lei 9.430/96 não menciona que, para a incidência do PRL60, a aplicação do bem importado à produção terá que ter como resultado um outro bem, de categoria distinta daquele importado; ora, assim fosse, não poderia ser tido como bem aplicado à produção, por exemplo, uma peça de couro, importada crua e submetida à tintura, tratamento, e aposição de bordados no mercado interno. De certo, o produto continua sendo uma peça de couro, e o código NCM provavelmente continuará o mesmo. Não há dúvidas, entretanto, que foi aplicado à produção; é mister ressaltar, outrossim, que a contribuinte se equivocou quando pensou que o manual eletrônico “DIPJ 2008 – perguntas e respostas”, estaria a amparar seu procedimento. O quesito 41 do manual se referia ao acondicionamento ou reacondicionamento de mercadorias, e não à embalagem; ora, não se pode confundir o processo aqui descrito com o mero acondicionamento ou reacondicionamento, definido no artigo 4º, inciso IV, do RIPI/98; isto porque o procedimento de blisterização e embalagem representa etapa do processo produtivo/industrial, já que a embalagem, no caso, tem por objetivo adequar o produto para alcançar o consumidor final, enquanto o acondicionamento/reacondicionamento significa que a embalagem se destina apenas ao transporte da mercadoria e apresentase, em geral, sem o acabamento elaborado ou a rotulagem que estão presentes no caso, e que agregam valor ao produto; quanto à Solução de Consulta COSIT 22/2008, cumpre observar que ela apenas produz efeitos entre a Administração e o consulente. Não vincula a fiscalização em relação aos demais contribuintes e nem está imune a alterações posteriores; e no presente caso, com a devida vênia, a COSIT pecou na apreciação do caso concreto à luz da Instrução Normativa 243/2002. No §16 da referida solução citase o §9º do art. 12 da IN, relatando que “de acordo com este dispositivo, não se considera revenda quando há agregação de valor ao custo do bem importado”. Acrescenta que “tendo em vista o §10, considerase que, nos casos de produção, há a agregação de valor ao bem importado consumido”; até aí, nada errado. Havendo agregação de valor no processo de blisteragem e embalagem, haverá atração do PRL60, por constituir procedimento produtivo. Ocorre que no dispositivo da Solução de Consulta, o colendo Órgão passa a impressão de que somente haverá agregação de valor na hipótese de aposição de marca, o que obviamente não é verdade; Fl. 3742DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 9 8 a aposição de marca é apenas um exemplo de caso em que a embalagem promove agregação de valor mais evidente ao produto. No entanto, por todo o exposto acima, é evidente que no presente caso, como em geral nas embalagens para medicamentos, também está presente a agregação de valor, mediante a necessária intervenção de mãodeobra e equipamentos, para adequar a apresentação dos comprimidos à legislação brasileira (em especial da lei nº. 6.370/76, que disciplina as matérias de vigilância sanitária, na qual está inserida a comercialização de medicamentos), realizando teste de qualidade, adicionando bula e colocando selo de segurança, que trazem confiabilidade ao produto; desta forma, mais coerente foi o entendimento consagrado na Solução de Consulta COSIT nº 05, de 1º de setembro de 2006, publicada no DOU de 12/09/2006, cuja ementa a seguir transcrevemos: EMENTA: A pessoa jurídica, sujeita aos controles de preços de transferência, que importa bens de vinculadas e procede, previamente à sua comercialização no País, à aposição da marca, bem assim ao acondicionamento e rotulagem, voltados ao atendimento de determinações legais brasileiras, deve, acaso opte por calcular o preço parâmetro com base no método Preço de Revenda menos Lucro (PRL), utilizar a metodologia atinente à margem de sessenta por cento, uma vez que as atividades por ela empreendidas representam agregação de valor aos bens. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 19, IV da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 12, IV, "b" da Instrução Normativa SRF nº 243, de 11 de novembro de 2002. embora da ementa surja a impressão de que a aposição de marca seria condição necessária para a aplicação do PRL60, o que se vê do inteiro teor do documento é que a agregação de valor no mercado interno é o fator preponderante para tanto. Vejase trecho que elucida tal questão: 17. Tal qual se depreende das informações prestadas pela própria Consulente, realiza ela, previamente à comercialização do bem importado, à sua embalagem, em forma de cartuchos, bem assim à inserção de bulas que o individualize dos demais medicamentos comercializados no mercado brasileiro, conforme determinações exaradas pela Anvisa, o que acaba por acarretar agregação de valor, para fins da legislação de preços de transferência, uma vez que: 17.1 a realização do procedimento de embalagem do plasma sangüíneo em conformidade às exigências técnicas impostas pelo órgão especializado (Anvisa) acaba por agregarlhe confiabilidade, e, em conseqüência, acaba por propiciar, de per si, a possibilidade de majoração do preço pelo qual é ele, posteriormente, comercializado no mercado; 17.2 a inserção de bulas que individualizam o bem importado nas quais conste o nome da pessoa jurídica que a embala, o que acaba por agregar valor intangível ao plasma sangüíneo por ela importado, dada a confiabilidade que o nome comercial “Aventis Behring Ltda.” inspire. portanto, seja em face do valor agregado pelo processo de embalagem, seja pela evidência de que os bens importados foram submetidos a uma última etapa do processo Fl. 3743DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 10 9 produtivo dentro do país, é impossível, na hipótese, o cálculo dos ajustes de preços de transferência pelo PRL20. Deveria o contribuinte ter utilizado o PRL60; DO PEDIDO ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso, para que seja aplicado o método PRL60 para ajuste de preços de transferência. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 25/06/2015, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Para fins de análise, tem cabimento transcrever excertos do acórdão apresentado como paradigma: [...] Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que o acondicionamento dos medicamentos importados a granel em embalagens para venda no mercado interno altera a apresentação do produto e caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final, impondose o ajuste no preço de transferência utilizandose a margem de lucro de 60%, quando for adotado o método de Preço de Revenda Menos Lucro (PRL60%). Consta no Voto condutor do Acórdão recorrido: [...] O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que a colocação de embalagem, por si só, não caracteriza o processo de industrialização que justifique a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência. Caberia demonstrar que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor para enquadramento na margem de lucro inerente ao método questionado. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. Em 17/11/2015, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 1402001.913, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 30/11/2015, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: DOS FATOS o Auto de Infração lavrado foi consubstanciado basicamente na acusação de que a Recorrida teria efetuado indevidamente os ajustes ao lucro líquido decorrente da aplicação de métodos de preço de transferência provenientes das operações de importação Fl. 3744DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 11 10 efetuadas com pessoas vinculadas, infringindo, por conseguinte, o disposto 241 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), artigos 18 e 21 da Lei 9.430/96 e artigo 1º ao 13°, todos da Instrução Normativa SRF n° 243/2002; nessa linha, foi objeto do lançamento de ofício o recálculo por parte da Fiscalização do método PRL 60% já adotado pela Recorrida nos casos em que houve efetivamente produção de bens, onde supostamente constatouse que houve diferenças entre os ajustes obtidos pela Receita Federal e aqueles efetuados pela Recorrida; equivocadamente, ainda, a Fiscalização entendeu que outros bens importados e originariamente considerados pela Recorrida como produtos de mera revenda, foram aplicados na produção de outro bem destinado à venda no mercado interno, desconsiderando o preço parâmetro adotado pela Recorrida calculado originariamente pelo método PRL 20%, e determinou que o limite máximo de dedutibilidade fosse apurado mediante a aplicação do método PRL 60%; nesse particular, a Fiscalização não levou em consideração que a mercadoria revendida é exatamente a mesma da importada, sem sofrer nenhum processo de transformação, mantendo o mesmo NCM, inclusive, havendo apenas e tãosomente um acondicionamento em embalagens próprias para revenda ao consumo, sem aposição de marca, sendo, portanto, essencialmente a mesma mercadoria que entra no estabelecimento da Recorrida; em resumo, as razões que deram origem à lavratura do auto de infração estão suportadas no entendimento da Fiscalização no sentido de que o acondicionamento se traduz também em processo produtivo para fins de adoção do critério definidor do preço parâmetro, a teor da definição legal do fato gerador do IPI trazida de empréstimo inadequadamente , considerando aplicável ao caso o método de Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) com margem de 60%; a 4ª Turma da D. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo proferiu o v. Acórdão n° 1623.218, dando provimento parcial à Impugnação apenas para deduzir da exigência os valores dos ajustes efetuados pelo sujeito passivo e não considerados na apuração; o Órgão Julgador de primeira instância recorreu de ofício em relação à parcela exonerada, ao passo que a ora Recorrida apresentou Recurso Voluntário reiterando em essência as razões expedidas na peça impugnatória; por sua vez, o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o V. Acórdão ora recorrido, pautandose, essencialmente, que não se trata de questão meramente de direito, mas que haveria questão anterior relativa a fato não superado pela Fiscalização. De fato, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário, espoucando a irregularidade da autuação dado que, se fosse de se implicar com a margem de lucro adotada pela Recorrida, o Fisco deveria ter logrado êxito em comprovar que a colocação de embalagem implica ou não na alteração do estado original do bem de forma a justificar a aplicação do PRL 60 para ajuste dos preços de transferência; em face do r. Acórdão, o D. Procurador da Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial, o qual conforme será demonstrado a seguir, nem sequer atende aos pressupostos legais de admissibilidade. A conclusão inevitável a partir das presentes Fl. 3745DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 12 11 contrarrazões, será a de que deve ser negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, e de que o v. Acórdão recorrido não merece reparo no que diz respeito ao cálculo do PRL20 utilizado pela Recorrida aos produtos sujeitos a mero acondicionamento. PRELIMINAR DA INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL 1) FALTA DE CUMPRIMENTO DE REQUISITO EXTRÍNSECO DE ADMISSIBILIDADE FALTA DA JUNTADA DA ÍNTEGRA DO ACÓRDÃO RECORRIDO é de se constatar, inicialmente, que não foi juntada aos autos a cópia do acórdão eleito pela Recorrente como paradigmático, sendo forçoso concluir ter sido desrespeitado o requisito extrínseco específico de admissibilidade do Recurso Especial (RICAR, art. 67, §9º), sendo já por isso necessária a negativa de seguimento; 2) INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO não é possível que se afira a tempestividade do recurso, sendo curial protestar pela nulidade do processamento do recurso especial, por ter sido simplesmente descumprida a determinação do art. 7º, §1°, da Portaria MF 527, de 2010: Art. 7° Para fins de cumprimento dos §§ 8º e 9º do art. 23 do Decreto Nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) poderá encaminhar à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) os autos do processo integralmente digitalizado ou do processo digital. § 1º A data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF será atestada em documento de remessa e entrega do processo administrativo, devendo ser posteriormente digitalizado e anexado aos autos do eprocesso; é de conclusão imediata que o requisito do §1° acima transcrito não foi cumprido. Não consta do eprocesso administrativo documento de remessa e entrega do processo administrativo que atesta a data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo, sendo impossível atestar a efetiva data de entrega para fins de aplicação escorreita do art. 23, §§8° e 9º do Decretolei 70.235, de 1972; não é retórico, mas imperioso que se invoque a questão, na medida em que há descasamento de datas descritas na preliminar de tempestividade trazida no recurso, e a decisão que descreve, mas não chega a concluir ter havido respeito à tempestividade. É suficiente que se leia ambos excertos: No recurso especial: PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE De acordo com o art. 7º, §5º, da Portaria MF nº 527/2010, tratandose de processo eletrônico, o prazo para a interposição do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por ultimado antes da data prevista no § 3º (30 dias contados da data em que os respectivos autos Fl. 3746DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 13 12 forem entregues à PGFN) mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. Na hipótese, o despacho de encaminhamenlo dos auto do processo digital à PGFN data de 19/02/2015. Assim, temse a intimação presumida da PGFN em 20/03/2015. Já o prazo de 15 (quinze) para interposição de recurso especial terá como termo final o dia 06/04/2015. Desse modo, é manifesta a tempestividade deste recurso especial. E na decisão que admitiu o processamento, o excerto inconclusivo: Os autos foram encaminhados à PGFN em 10.02.2015, para fins de ciência da referida decisão, nos termos do art. 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) e do art 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março 1972. A PGFN interpôs recurso especial em 17.03.2015, alegando divergência jurisprudencial da decisão proferida. Suscita que: percebase que, para além do descasamento das datas, o despacho de admissibilidade não chega à conclusão de tempestividade, avançando num salto, imediatamente, sobre o aspecto de ser ou não admitido sob o prisma da "divergência jurisprudência da decisão proferida"; o processamento sem o formalismo necessário não pode ser permitido, sob pena de colocar em questionamento a própria necessidade de existência do Colegiado. No particular, o cumprimento da forma é essencial à análise escorreita da admissibilidade do recurso específico, admitido em hipótese única, e desde que cumpridos os requisitos extrínsecos; sendo assim, a Recorrida argui a intempestividade do recurso, sendo de rigor a negativa de sua admissão também por essa falta; 3) APELO A QUESTÃO DE ORDEM FÁTICA, INADMISSÍVEL NO ÂMBITO DO RECURSO ESPECIAL primeiramente, insta salientar que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar ao tempo da autuação a questão posta em debate nos presentes autos, qual seja, aquela relativa à adoção do método PRL 20% nos casos de acondicionamento de produtos importados para revenda, questão eminentemente de fato; conforme o próprio v. Acórdão ora recorrido afirma, não está em discussão se o processo de embalagem constitui industrialização, mas sim os efeitos da colocação de embalagem como modificadora do estágio original do bem e o consequente impacto na margem de lucro a ser adotada para fins de cálculo do preço de transferência. A esse respeito, o r. Acórdão reconheceu que a matéria posta em debate é questão de fato e não de direito, tendo ainda afirmado que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar a alteração do estado original do bem, devendo, portanto, ser mantido o método PRL 20. É o que se lê no acórdão recorrido, conforme trecho destacado abaixo: [...]; nesse ponto, a decisão da 4ª Câmara foi precisa e compreensiva das diversas possibilidades de fato com diferentes consequências fiscais , particularmente se se Fl. 3747DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 14 13 vislumbrar situações nas quais o acondicionamento específico e necessário de determinado produto põe em questionamento até mesmo a adequação da NCM. Vejase, por exemplo, a discussão dos produtos veterinários, sobre serem medicamentos ou, por lhe terem sido adicionados outros produtos, para fins de conservação e posterior assimilação pelo animal, teriam se transformado em produto: Solução de Consulta n° 76/11 [...]; postos nestes termos, percebese a impropriedade da Recorrente tendo em vista que, visando desqualificar a aplicação do método PRL 20, a Recorrente pretende reanalisar questão de fato, incluindo, nas próprias razões do Recurso Especial pontos que demandam imprescindivelmente a reanálise da matéria fática e probatória, conforme trecho a seguir transcrito: "Portanto, cumpre saber: os comprimidos importados foram aplicados à produção local ou não? Eles foram objeto de simples revenda ou sofreram algum tipo de transformação em território nacional?" ora, não é em sede de recurso especial que se pode aferir se houve produção local ou não; se foram objeto de simples revenda ou sofreram algum tipo de transformação em território nacional; a toda evidência, tais questões já deveriam ter sido respondidas pela ação fiscal no momento da autuação, não cabendo neste momento, em sede de Recurso Especial, ser reanalisada matéria que a Fiscalização se absteve de comprovar, conforme apontado no próprio v. acórdão do Recurso Voluntário; no presente caso, é necessário ressaltar que o acórdão recorrido não chegou a adentrar na discussão sobre se o acondicionamento representa ou não, de per si, um processo de transformação. Admitiu que poderia sêlo, mas foi mais a fundo, impondo que se o fosse, a Fiscalização deveria têlo demonstrado. E essa análise não foi feita; ao pretender enfrentar matéria fática em que a própria Fiscalização não logrou êxito em comprovar em momento oportuno, a Recorrente viola o disposto na Lei n° 9.784/1999, que regula o Processo Administrativo Federal, não atendendo aos requisitos de admissibilidade do Recurso especial; ora, a irresignação da Recorrente não diz respeito a questões relativas à legalidade, tampouco ao mérito, mas sim de matéria de ordem fática, como definidas no âmbito do acórdão recorrido, que é como se definiu a ser a questão de fundo, como definido pelo acórdão recorrido; sendo assim, deve ser inadmitido o presente Recurso Especial, por não atender os pressupostos de admissibilidade do recurso, visto que pretende discutir matéria de fato que demandaria nova instrução probatória, a qual não foi realizada pela Fiscalização no momento oportuno; 4) INADEQUAÇÃO DO ACÓRDÃO ELEITO COMO PARADIGMA NÃO CUMPRIMENTO DE REQUISITO RELATIVO À DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA DA IDENTIDADE DOS CASOS E DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL fazse imperioso ressaltar que, além das razões acima expostas, o Acórdão n° 130200.915, utilizado como decisão paradigma no presente Recurso Especial não pode ser Fl. 3748DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 15 14 usado como divergência jurisprudencial necessária à admissibilidade do presente recurso, visto que diz respeito à situação diferente da retratada nos presentes autos; ao trazer como paradigma o acórdão proferido nos autos do Processo 16561.185/200701, Ac. 163.236, da 3ª Câmara, 2ª Turma da Primeira Seção de Julgamento, a Recorrente limitouse a transcrever excertos dos acórdãos do paradigmático e do recorrido , sem pontuar e nem demonstrar analiticamente os pontos no paradigma colacionado que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido; neste diapasão, cumpre destacar que, no presente caso, o CARF julgou o Recurso Voluntário parcialmente procedente, cancelando a exigência decorrente da aplicação do método PRL60 aos insumos submetidos ao processo de embalagem originalmente enquadrados no PRL20, fundamentando seu entendimento no sentido de que devese observar os efeitos da colocação de embalagem como modificadora do estágio original do bem e o impacto na margem de lucro daí decorrente, sendo irrelevante esclarecer se o processo de embalagem é industrialização ou não, visto que não se está discutindo a incidência do IPI. A precisão dessa abordagem é cirúrgica; além disso, observou que no procedimento fiscal a autoridade lançadora restringiuse à alegação de que a agregação de valor por si só justificaria a desqualificação do método PRL 20 e, para tanto, baseouse nos registros contábeis da empresa onde haveria uma mudança de codificação do bem após o embalamento, presumindose, assim, que o produto original teria se transformado em outro com características diferentes, o que, em verdade, não condiz com a realidade dos fatos, visto que tal entendimento está apenas na esfera da hipótese, sem qualquer comprovação; ainda, conforme já demonstrado, o V. Acórdão entendeu que essa questão representa questão primordial que deveria ter sido dirimida nos autos e envolve matéria de fato, a qual o Fisco não apresentou elementos suficientes a demonstrarem que a colocação de embalagem implica em alteração do estado original do bem de forma a justificar a utilização do método PRL 60 para os ajustes dos preços de transferência; não obstante, no processo n° 16561.000185/200711 relativo ao Acórdão paradigma utilizado pela Recorrente, diferentemente da situação dos presentes autos, não se discute questão de fato, sendo inclusive que a matéria fática encontrase totalmente superada e a discussão se limita apenas à matéria de direito, na qual o conselheiro considera aplicável a legislação de regência do IPI (Decreto n° 7.212/2010), na medida em que considera como industrialização o processo de embalagem, de modo a agregar valor ao produto final; no mais, o Acórdão trazido como paradigma não foi unânime, tendo sido proferido voto pela Ilustre Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, no sentido de se aplicar o método PRL 20 para produtos importados a granel e embalados no Brasil para posterior revenda. Além do que, atualmente o referido processo aguarda julgamento do Recurso especial, de forma que o paradigma não configura decisão estável, podendo ser a qualquer momento reformado, inclusive pelo fato da jurisprudência deste E. Conselho ser majoritária no sentido de que ser correta a adoção do método PRL 20 nos casos de mera embalagem dos produtos importados para revenda no mercado interno, conforme amplamente demonstrado no Recurso Voluntário e corroborado a seguir; no presente caso, o acórdão recorrido é claro no sentido de que não se discute questão relativa ao conceito de IPI. Importa saber se, de fato, houve modificação do Fl. 3749DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 16 15 produto, o que é importante frisar na medida em que o art. 18 da Lei 9.430 fala em PRL60 para os "bens importados aplicados à produção", enquanto que a Instrução Normativa 243 traz conceito não inserido na lei, para tentar restringir o PRL20 às hipóteses em que "não haja agregação de valor ao custo dos bens", o que, à evidência, torna praticamente impossível a aplicação do PRL20 dado que, em situação extrema, pelo menos agregação de custo relativo ao transporte incorre no país; o acórdão paradigmático, ainda, decidiu favoravelmente ao contribuinte daquele caso contrariamente ao que a Recorrente pretende fazer crer , dado que julgou como prevalecente o cálculo nos termos da IN32 e não da 243, como se percebe do relatório do Acórdão 1302001.192 proferido naqueles mesmos autos: [...]; esse aspecto, à evidência, não é matéria de discussão nos presentes autos; a par de que a Recorrida preocupouse em fazer seu trabalho relativo à agregação de valor, demonstrandoo nos autos sua análise do Mapa de Produção, como se percebe a fls. fls. 538 a 608, para diferenciar os casos em que ela mesmo já tratara o ajuste fiscal com a margem presumida de 60%, em oposição àqueles para os quais a Recorrente quer o mesmo percentual. Essa discussão e fato passa ao largo do acórdão paradigma, que restringe se à questão de direito; tudo isso, para além do aspecto de que aqueles produtos mencionados no Ac. 130200.915, apesar de serem medicamentos, não sofrem necessariamente o mesmo acondicionamento dos produtos da Recorrida; pelo exposto, a toda evidência o Acórdão utilizado como paradigma pela Recorrente não se presta a comprovar a divergência jurisprudencial sobre o assunto, por tratar de situação diversa dos presentes autos, não estando, portanto, preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso especial, devendo este ser inadmitido; DO DIREITO DA MANUTENÇÃO DA APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL 20% NOS CASOS DE EMBALAGEM DOS PRODUTOS IMPORTADOS PARA REVENDA NO MERCADO INTERNO conforme já sabido, o presente Recurso Especial voltase especificamente contra a parte do V. Acórdão do Recurso Voluntário que julgou parcialmente procedente o recurso para cancelar a exigência decorrente da aplicação do PRL 60 aos insumos importados a granel submetidos ao processo de embalagem para revenda no mercado interno e originalmente submetidos no PRL 20; o Recurso Especial limitase a discordar do v. Acórdão considerando que a simples embalagem dos produtos importados a granel implica em agregação de custo ao valor da mercadoria e, por conseguinte, na transformação de outro produto para venda no mercado interno, aplicandose a legislação do IPI para fins de caracterização de um processo produtivo, e por conta disso, subsumido ao ajuste do PRL 60; conforme se pode verificar abaixo, essa interpretação é equivocada, devendo o v. Acórdão ser mantido no que diz respeito à aplicação do PRL 20; Fl. 3750DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 17 16 primeiramente, cumpre reiterar o disposto na legislação que rege a matéria visando demonstrar o que está estritamente previsto na regra de preço de transferência: [...]; a redação do §1° do artigo 4º da IN SRF 243/2002 é muito clara em dois aspectos: • o primeiro deles ao se referir à produção de outro bem; e • o segundo, ao se reportar com a máxima exatidão a alínea "b" do inciso IV do artigo 12, que determina a aplicação do PRL 60 na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção, que ademais é a mesma dicção constante do art. 18, II, d, 1, da Lei 9.430/96; ou seja, conforme acertado entendimento do próprio v. Acórdão recorrido, é equivocada a interpretação de que a simples embalagem do produto importado para venda no mercado interno implica em agregação de custo, uma vez que a própria embalagem não altera de forma significativa o valor do produto para revenda no mercado interno, devendo a agregação de valor mencionada no § 9º da IN/SRF 243/02 ser interpretada como aquela relacionada à aplicação do bem importado ao processo produtivo, in verbis: [...]; a hipótese sob apreço é única e exclusivamente de acondicionamento, troca de embalagem, para passar do granel às embalagens de venda ao consumidor final. A divergência sobre a aplicação do método PRL 20% ou PRL 60%, recai sobre o acondicionamento de produtos importado acabado dentro de embalagem adquirida de terceiros no mercado brasileiro. Ou seja, em essência, o produto é o mesmo, modificandose apenas a sua forma de apresentação, tanto que não houve alteração na sua classificação fiscal NCM; verificase tal afirmativa até mesmo pelo fato de que o item de maior ajuste é o identificado pela ora Recorrida pelo Código 621.148, cuja NCM é 3004.3990, na entrada e na saída, o que comprova que não há nenhuma agregação de valor e custo que altere o valor do produto na revenda. Consta dos autos fls. 538 a 608 o Mapa de Produção, onde se comprova que é possível identificar que nos produtos que foram revendidos o coeficiente entre insumo x produto (vendido) guarda estrita relação, ou seja, não houve agregação de valor. Os produtos foram importados a granel, cuja única forma de revenda é através do acondicionamento dos mesmos em embalagens; veja a propósito o entendimento desse E. Conselho sobre o assunto, sendo majoritária no sentido de que o mero acondicionamento ou reacondicionamento, ainda que realizado para adequação das embalagens às regras regulatórias medicamentos , ficam sujeitos aos seguintes entendimentos: i) não podem ser inseridos no contexto de produção para fins de aplicação do percentual de 60%; ii) não se lhes aplica a legislação do IPI para fins de conceituação; iii) não se pode por "produção" como escrito na lei ser compreendido como industrialização, que é o que pretende a Fiscalização; iv) o conceito de produção deve ser compreendido, necessariamente, como processo de obtenção de produto novo o que não acontece com o acondicionamento ou Fl. 3751DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 18 17 reacondicionamento pois é óbvio que até mesmo nos casos de aposição de marca, há tão somente um acréscimo de margem permitido pela marca. transcrevese os seguintes precedentes: [...]; diante do exposto, não resta outra conclusão, senão a de que o mero acondicionamento não implica em adição de valor aos bens importados, devendo ser mantido o v. Acórdão no tocante à aplicação do método PRL 20; DO PEDIDO diante do exposto, resta concluído que o presente recurso especial não atende os pressupostos legais de admissibilidade, e deve lhe ser negado seguimento pelas seguintes razões: a) falta de cumprimento de requisito extrínseco de admissibilidade por falta da juntada da íntegra do acórdão recorrido; b) intempestividade do recurso; c) apelo a questão de ordem fática, inadmissível no âmbito do recurso especial; d) inadequação do acórdão eleito como paradigma por não cumprimento de requisito relativo à demonstração objetiva da identidade dos casos e da divergência jurisprudencial. caso assim não se entenda, deve ser negado provimento ao Recurso especial da Fazenda Nacional, por não merecer reparo o v. acórdão no que fiz respeito ao método de ajuste de preço de transferência utilizado pela Recorrida, qual seja, o PRL20 para fins de ajuste dos preços de transferência dos produtos importados e acondicionados para mera revenda. Oportuno registrar que a contribuinte, além das contrarrazões acima mencionadas, também apresentou recurso especial contra a parte do Acórdão nº 1402001.913 que lhe foi desfavorável, mas esse recurso não foi admitido, conforme o despacho exarado em 08/03/2016 pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. A negativa de seguimento do recurso especial da contribuinte foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 10/03/2016. Na sequência, a contribuinte apresentou ainda uma petição contra o despacho de reexame de admissibilidade do recurso especial, identificandoa como "agravo". Em novo despacho, proferido em 28/11/2016, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou conhecimento dessa petição como agravo, e a indeferiu como pedido de retificação do despacho de reexame, por não restar demonstrado lapso manifesto ou inexatidão material a serem saneados. É o relatório. Fl. 3752DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 19 18 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. A autuação fiscal está fundamentada na apuração de "preços de transferência" de produtos importados de empresas ligadas no exterior. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte utilizou o método PRL para efetuar seus ajustes, sendo o PRL20 para insumos importados e revendidos, e PRL60 para aqueles industrializados no país. Em relação aos bens para os quais a contribuinte utilizou o método PRL60, a apuração foi refeita pela Fiscalização com utilização das regras estabelecidas na IN SRF nº 243/2002. Essa parte do lançamento é objeto de uma ação judicial (Mandado de Segurança nº 2005.61.00.145761), onde a contribuinte questiona a legalidade da IN SRF nº 243/2002, no que toca à apuração dos preços de transferência pelo método PRL60. Além disso, a contribuinte também utilizou o método PRL20 para bens importados a granel e posteriormente submetidos a processo de embalagem para revenda no mercado interno brasileiro, procedimento que não foi acatado pelo Fisco, que entendeu estar caracterizada industrialização, o que implicou no recálculo pelo método PRL60 nesses casos. A Fiscalização também aplicou a multa regulamentar de R$ 2.694,79, por não terem sido adequadamente apresentadas as informações solicitadas, conforme previsão do artigo 968 do RIR/99. E ainda majorou a multa de oficio em 50%, em virtude de a contribuinte ter descumprido prazo para prestar esclarecimentos. A decisão de primeira instância administrativa excluiu parte das exigências, deduzindo alguns valores de ajustes efetuados pela contribuinte e que não tinham sido considerados pela Fiscalização na apuração das diferenças autuadas, relativas aos preços de transferências. Em razão dos valores exonerados, houve recurso de ofício ao CARF, e a contribuinte apresentou recurso voluntário para a parte da decisão de primeira instância que lhe foi desfavorável. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, negou provimento ao recurso de ofício, e deu provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte para fins de cancelar a exigência decorrente da aplicação do método PRL60 aos insumos originalmente submetidos ao PRL20, e também para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 20 19 O recurso da PGFN busca restabelecer essa exigência decorrente da aplicação do método PRL60 aos insumos originalmente submetidos ao PRL20. O que está em questão nessa fase de recurso especial é justamente a parte do lançamento que diz respeito à aplicação, pela contribuinte, do PRL20 para bens importados a granel e posteriormente submetidos a processo de embalagem para revenda no mercado interno brasileiro. A PGFN sustenta que o método adequado para apuração de preços de transferência, nesse tipo de situação, é o PRL60, conforme entende a Fiscalização da Receita Federal. Em sede de contrarrazões, a contribuinte suscita quatro preliminares de não conhecimento do recurso. Primeiro, ela alega que a PGFN não juntou aos autos a cópia do acórdão paradigma, o que violaria a exigência contida no §9º do art. 67 do RICARF. Embora não tenha juntado cópia do acórdão paradigma aos autos, vêse que a PGFN observou o §11 do mesmo art. 67, que estabelece que as "as ementas referidas no §9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade". Improcedente, portanto, essa primeira preliminar. Na sequência, a contribuinte suscita a intempestividade do recurso especial. Segundo ela, não consta dos autos a data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF, sendo impossível atestar a efetiva da data de entrega para fins de aplicação escorreita do art. 23, §§8° e 9º do Decretolei 70.235/1972. Além disso, haveria descasamento das datas descritas na preliminar de tempestividade trazida no recurso, e no despacho de exame de admissibilidade, sendo que esse despacho nem mesmo chega a concluir ter havido respeito à tempestividade. Às fls. 3477 do eprocesso, consta o despacho de encaminhamento dos autos à PGFN para ciência do Acórdão nº 1402001.913. Esse despacho foi exarado em 19/02/2015. De acordo com as regras dos §§ 8º e 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, a ciência ficta da PGFN ocorreria em 21/03/2015 (30 dias após o envio dos autos). Às fls. 3499 do eprocesso, consta o despacho de retorno dos autos ao CARF, com a apresentação do recurso especial em 17/03/2015, ou seja, antes mesmo de ocorrer a ciência ficta da PGFN. Não há, portanto, nenhuma dúvida sobre a tempestividade do recurso, e nem dificuldade para aferila. O fato de o despacho de exame de admissibilidade ter mencionado equivocadamente que os "autos foram encaminhados à PGFN em 10.02.2015, para fins de ciência da referida decisão" (o alegado descasamento das datas) em nada interfere na tempestividade do recurso, porque, mesmo adotando essa data de 10/02/2015, o recurso continua tempestivo. É que, nesse caso, a ciência ficta ocorreria em 12/03/2015, quando se iniciaria a contagem do prazo de 15 dias para apresentação do recurso. E como o recurso foi apresentado em 17/03/2015, ele continuaria tempestivo. Fl. 3754DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 21 20 A segunda preliminar também é improcedente. A terceira e a quarta preliminares apresentadas pela contribuinte guardam relação entre si, e também guardam relação com o próprio mérito do recurso sob exame. Em síntese, a contribuinte alega que no caso do acórdão recorrido, o Fisco não conseguiu comprovar que a colocação de embalagem implicou em alteração do estado original do bem de forma a justificar a utilização do método PRL60 para os ajustes dos preços de transferência, e que em sede de recurso especial não é possível pretender enfrentar matéria de ordem fática que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar no momento oportuno; que no acórdão paradigma, diferentemente da situação dos presentes autos, não se discutiu questão de fato; que no caso paradigma, a matéria fática encontravase totalmente superada e que a discussão se limitou apenas à matéria de direito. É importante perceber que a divergência jurisprudencial repousa justamente nas implicações jurídicas que o processo de embalagem dos bens importados a granel (no caso, produtos farmacêuticos), para posterior venda a consumidor final no Brasil, tem em relação à definição dos métodos para aferição de preços de transferência. O acórdão recorrido entendeu que a colocação de embalagem, por si só, não caracteriza o processo de industrialização que justifique a utilização do método PRL60 para ajuste de preços de transferência. Que caberia ao Fisco demonstrar que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor para enquadramento na margem de lucro inerente ao referido método. Já o acórdão paradigma entendeu que o acondicionamento de medicamentos importados a granel em embalagens para venda no mercado interno altera a apresentação do produto e caracteriza processo de industrialização que agrega valor ao produto final, impondo se o ajuste no preço de transferência utilizandose a margem de lucro de 60%, quando for adotado o método de Preço de Revenda Menos Lucro (PRL60%). A PGFN não pretende, com seu recurso especial, produzir prova de que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor ao produto. Ela não pretende, nessa fase processual, apresentar os elementos probatórios que o acórdão recorrido entendeu necessários para a aplicação do método PRL60. Não é esse o escopo do recurso especial. O que a PGFN pretende é discutir juridicamente se esse ônus realmente deve ser exigido do Fisco. Ou seja, se para a aplicação do método PRL60, é necessário que se comprove que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com "significativa" agregação de valor ao produto. O que está em questão é se cabe ou não imputar esse ônus probatório ao Fisco, para que se possa aplicar o método PRL60. Assim, não há como afirmar que a PGFN pretende enfrentar matéria fática (produzir prova nessa fase do processo), ou que o julgamento do presente recurso, diferentemente do caso paradigma, depende do exame de questões de fato, e não de questões de ordem jurídica. Fl. 3755DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 22 21 Vale aqui registrar que as perguntas contidas no recurso especial (e criticadas pela contribuinte), se "os comprimidos importados foram aplicados à produção local ou não?", e se "eles foram objeto de simples revenda ou sofreram algum tipo de transformação em território nacional?", configuram apenas argumentos retóricos. Até porque não há nenhuma dúvida de que a empresa atua no ramo de produtos farmacêuticos, principalmente na linha hormonal e de anticoncepcionais, e que ela importa alguns medicamentos a granel e os submete posteriormente a processo de embalagem para vendêlos no mercado interno brasileiro. A questão é se esse processo de embalagem se adequa aos conceitos de produção e de transformação para fins de definição do método de preço de transferência, ou seja, se esse processo de embalagem implica ou não na adoção do método PRL60 para aferição dos preços de transferência. Vale ainda registrar que o recurso especial apresentado contra o acórdão paradigma, ao qual fez menção a contribuinte, já foi julgado pela CSRF, com decisão favorável ao que defende a PGFN, conforme indica a ementa dessa decisão, na parte que aqui interessa: Processo nº 16561.000185/200711 Acórdão nº 9101002.417 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ADOÇÃO OBRIGATÓRIA. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. PROCESSO DE PRODUÇÃO. O processo de blisterização e a embalagem em caixas de papelão dos medicamentos importados a granel para venda no mercado interno constitui se em uma última etapa do processo de produção, agregando valor ao produto e vinculando a apuração do ajuste de preço de transferência ao método PRL60, em detrimento do método PRL20, utilizável apenas e tão somente nos casos de simples revenda da mercadoria importada. A ementa acima transcrita deixa bastante claro que no caso paradigma (tanto na fase de recurso voluntário, quanto na fase de recurso especial) foi decidido que o questionado processo de embalagem vincula a apuração do ajuste de preço de transferência ao método PRL60, sem qualquer imposição de ônus probatório adicional ao Fisco, e é esse aspecto que configura a divergência jurisprudencial a ser dirimida neste julgamento. A terceira e a quarta preliminares de não conhecimento, portanto, também são improcedentes. Rejeitadas as preliminares, cabe adentrar no exame de mérito do presente recurso. Já está bem esclarecido que a contribuinte atua no ramo de produtos farmacêuticos, principalmente na linha hormonal e de anticoncepcionais, e que ela importa alguns medicamentos a granel e os submete posteriormente a processo de embalagem para vendêlos no mercado interno brasileiro. Também restou evidenciado que diante da divergência jurisprudencial suscitada, este colegiado terá que decidir se o processo de embalagem vincula a apuração do Fl. 3756DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 23 22 ajuste de preço de transferência ao método PRL60, sem qualquer imposição de ônus probatório adicional ao Fisco, ou se, ao contrário, o processo de embalagem, por si só, não é suficiente para tanto, cabendo ainda ao Fisco demonstrar que o embalamento implicou em alteração do estado original do bem, com significativa agregação de valor ao produto. A matéria não é novidade para esta Primeira Turma da CSRF. Conforme mencionado nos parágrafos anteriores, o acórdão paradigma utilizado pela PGFN foi alvo de recurso especial, e a CSRF manifestou seu entendimento sobre a questão acima colocada. Vale reproduzir novamente a ementa do Acórdão CSRF nº 9101002.417 e os fundamentos que embasaram aquela decisão: Processo nº 16561.000185/200711 Acórdão nº 9101002.417 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A IN SRF nº 243/2002 não viola o princípio da legalidade tributária, estando em consonância com o que preconiza o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/2000. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ADOÇÃO OBRIGATÓRIA. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. PROCESSO DE PRODUÇÃO. O processo de blisterização e a embalagem em caixas de papelão dos medicamentos importados a granel para venda no mercado interno constitui se em uma última etapa do processo de produção, agregando valor ao produto e vinculando a apuração do ajuste de preço de transferência ao método PRL60, em detrimento do método PRL20, utilizável apenas e tão somente nos casos de simples revenda da mercadoria importada. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não se conhece das alegações trazidas em Contrarrazões, se a matéria foi objeto de recurso voluntário, o Colegiado a quo não se manifestou, e a omissão não foi objeto de embargos. Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Negado. [...] Voto O Recurso Especial da PFN é tempestivo, já que apresentado em 05/11/2013, quando a ciência do acórdão proferido em sede de Embargos de Declaração ocorreu em 29/10/2013 (fl. 977 efls. 1.076 e ss). A Fl. 3757DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 24 23 divergência arguida também restou plenamente caracterizada, na comparação entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados. Da mesma forma, o Recurso Especial apresentado pela contribuinte é tempestivo, tendose em conta que a interessada foi cientificada do Recurso Especial da PFN e do respectivo Despacho de Admissibilidade, em 24/04/2015 (efl. 1.140/1.141), apresentando seu Recurso Especial em 12/05/2015 (efls. 1.317/1.345). Aqui, também, a divergência invocada restou demonstrada. A PFN traz para discussão a temática da legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em oposição ao que decidiu a maior parte do colegiado a quo, que afastou a aplicação da referida IN por entender que, pretendendo interpretar o comando legal que rege o tema, o normativo extrapolou, propondo um conceito de "valor agregado" que teria ido além daquele prescrito pelo próprio comando legal que pretendeu interpretar. De outro giro, a contribuinte devolve para análise a aplicação, ao caso, do método PRL 20, no lugar do PRL 60 adotado pela fiscalização, por entender que o mero acondicionamento do produto importado a granel não implica em industrialização por não transformar o produto final importado. Assim, neste voto, ambos os Recursos Especiais, da PFN e da interessada LABORATÓRIOS PFIZER LTDA., serão apreciados conjuntamente, uma vez que os assuntos devolvidos correlacionamse e limitamse à aplicabilidade do método PRL20 ou do método PRL60 ao caso tratado e a legalidade ou ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002. Em relação ao recurso da Fazenda, [...] [...] Em relação ao recurso da Contribuinte, no que diz respeito à aplicação do método PRL 20 ao caso concreto, como pleiteia a Recorrente, considero importante iniciar por registrar que se trata de contribuinte que importa medicamentos em forma de comprimidos, que chegam ao país à granel e, por força da legislação brasileira, se obriga a acondicionar o produto antes de revendêlo localmente, em blísteres e caixas de papelão. Às caixas de remédio ainda são adicionadas as respectivas bulas. A recorrente, para efeito de apurar eventual ajuste de preços de transferência, aplica aos produtos que importa o método PRL20, enquanto que a fiscalização entende ser obrigatória a adoção do método PRL60. O art. 18 da Lei nº 9.430/96 define o método PRL como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos de alguns valores, dentre eles, a margem de lucro, presumida em 60% na hipótese de bens aplicados à produção. No caso de simples revenda das mercadorias, estabelece a lei que essa presunção é de 20%. A questão, assim, é determinar se a blisterização dos comprimidos, sua colocação em caixas de papelão e ulterior adição da bula consiste em mais uma etapa do processo produtivo, como defende a Fazenda Nacional, ou se se trata de mero acondicionamento uniforme em quantidades usadas para fins terapêuticos, sem que haja qualquer processo de transformação ou Fl. 3758DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 25 24 alteração de suas características originais, não configurando produção, como entende a contribuinte. A respeito desse assunto, já me manifestei recentemente por ocasião do acórdão nº 9101002.198, de 2 de fevereiro de 2016, nos seguintes termos: “(...) Processo produtivo, em sentido lato, nada mais é do que a combinação de fatores de produção que proporciona a obtenção de um dado produto final. Num processo produtivo são incorporados fatores que, após sua transformação, levam a um produto final (ou acabado). Saliento que esses conceitos estão à disposição em qualquer manual de engenharia de produção ou de administração de produção, com pequenas alterações nos seus termos. Aprofundando um pouco a temática e me socorrendo na melhor doutrina, posso dizer que “Processo é qualquer atividade que recebe uma entrada (input), agregalhe valor e gera uma saída (output) para um cliente interno ou externo, fazendo uso dos recursos da organização para gerar resultados concretos” (HARRINGTON, H. J. Aperfeiçoando processos empresariais. São Paulo: Makron Books, 1993, p.10). Por sua vez, Hammer e Champy (HAMMER, Michael; CHAMPY, James. Reengineering the Corporation. New York; HarperBusiness, 1994, p. 2), afirmam que “um processo é um grupo de atividades realizadas numa sequência lógica com o objetivo de produzir um bem ou um serviço que tem valor para um grupo específico de clientes”. Com efeito, o conceito de produção equivale ao de fabricação ou industrialização. Já o conceito de industrialização, de longa data, está consignado no Regulamento do IPI, encontrando seu fundamento nas Leis nº 5.172/1966 (CTN) e nº 4.502/1964. Segundo esse conceito, utilizado aqui de forma subsidiária, industrialização é qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, entre elas a que importe em alterar a apresentação do produto pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). É o que dispõe o art. 4º do Regulamento do IPI (Decreto nº 7.212/2010 que revogou o Decreto nº 4.502/2002), verbis: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): (...) IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 26 25 (...) Dos conceitos apontados, extraise que no processo produtivo, ou “produção”, alguns elementos são essenciais: combinação de fatores de produção (capital, trabalho, instrumentos de produção etc.), entradas e saídas (produto final), numa seqüência lógica, e agregação de valor.” No caso em apreço, a contribuinte importa o produto à granel e, localmente, o embala em blísteres e caixas de papelão, sem o que não poderia comercializálo, por força da legislação sanitária brasileira. Ora, se o seu produto só pode ser vendido se for devidamente embalado, resta óbvio que não estamos falando de simples revenda e, por conseguinte, que o procedimento de blisterização e a colocação em caixas de papelão dos comprimidos fazem parte do processo produtivo, constituindo uma última etapa da produção, antes de ser entregue ao respectivo departamento comercial. Blíster é o nome da embalagem em formato de cartela, composta por um cartão ou filme plástico que serve de base para a fixação do produto dentro de uma bolha plástica (o blister) normalmente com o formato dos contornos do produto. Essa bolha é moldada pelos processos de “Vacuum Forming” ou Termoformagem, utilizandose de filmes plásticos de PVC ou PET. Ou seja, não é uma operação qualquer de “mero acondicionamento”, como quer fazer supor a empresa; faz parte efetivamente de um processo, atualmente, quase que totalmente automatizado, com a utilização de mão de obra especializada para a operação e manuseio das máquinas. Feita a blisterização, o produto ainda passa por um processo de colocação das cartelas com os comprimidos em caixas de papelão, adição da respectiva bula e aposição de selo de segurança, o que dá maior confiabilidade à mercadoria e, conseqüentemente, maior valor agregado. Só então, podese considerar que o produto está totalmente acabado e pronto para comercialização. Por oportuno, destaco que a Contribuinte traz em seu recurso, item 41, referência ao Perguntas e Respostas disponibilizado no endereço virtual da RFB, por meio da qual é dito que o exclusivo acondicionamento ou reacondicionamento não implica a produção de outro bem. Ocorre que aqui não estamos tratando de mero acondicionamento ou reacondicionamento. É feita uma etapa: justamente a blisterização. No caso dos autos, não resta dúvida que a blisterização e o acondicionamento dos medicamentos importados à granel em embalagens de papelão, altera a apresentação do produto para venda no mercado interno, caracterizando etapa do processo de produção que agrega valor ao produto final. Evidente que após esta última etapa de produção foi agregado valor ao produto inicialmente importado. [...] Assim, entendo correto o método utilizado pela Fiscalização, bem como os cálculos adotados pela IN. [...] Fl. 3760DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 27 26 Ante todo o exposto, voto no sentido de: 1) DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a legalidade da IN SRF nº 243, de 2002; e 2) NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da contribuinte, reconhecendo ser devida a adoção do método PRL60 ao presente caso. É como voto. Adriana Gomes Rêgo Relatora Também é importante fazer menção ao Acórdão nº 9101002.952, exarado por esta Primeira Turma da CSRF em 03/07/2017, que julgou recurso especial da PGFN contra acórdão exarado pela mesma 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, e com fundamentos idênticos ao do acórdão recorrido constante destes autos, no que toca à matéria sob exame: Processo nº 16561.000047/200813 Acórdão nº 9101002.952 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PROCESSO DE EMBALAGEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. BEM APLICADO À PRODUÇÃO. Não comporta relativização a agregação de valor de bem importado para fins de subsunção à hipótese prevista para adoção do método PRL60 na apuração de preços de transferência. Demonstrado nos autos de maneira incontroversa que o insumo importado passou por processo de embalagem para ser colocado à disposição do consumidor final, incontestável a agregação de valor do produto. [...] Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator Sobre a admissibilidade do recurso especial da PGFN, protesta a Contribuinte pelo seu não conhecimento em contrarrazões. Entendo que não lhe assiste razão. Primeiro, porque, ao contrário do que aduz a Contribuinte, a matéria é de direito, e não de fato. O que discute é se, a partir do momento em que o insumo importado passa por um procedimento de embalagem, independente da natureza ou complexidade do processo, podese concluir que se consumou uma modificação do estado do produto, nos termos da legislação tributária, suficiente para afastar a aplicação do método PRL20 e adoção do PRL60, utilizado, na hipótese de bens importados aplicados à produção. [...] Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 28 27 Nesse sentido, conheço do recurso especial interposto pela PGFN. [...] Passo ao exame do mérito, iniciando pelo recurso especial da PGFN. I. Bens importados aplicados ou não à produção. Desclassificação do PRL20 e adoção do PRL60 A matéria devolvida pretende apreciar se os produtos importados analisados na autuação fiscal, com exceção do LISINOPRIL, encontramse enquadrados na hipótese de bens aplicados à produção, que ensejaria a adoção do método PRL60, ou não, devendo se submeter ao método PRL 20. Vale transcrever o art.18 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação vigente à época da autuação), na parte que interessa à lide: [...] Fato incontroverso é que os produtos em análise submeteramse a processo de colocação de embalagem. Transcrevo excerto da decisão recorrida sobre o assunto (efl. 2536). [...] Com a devida vênia à interpretação dada pela decisão recorrida, o processo de embalagem do produto é fundamental para a apreciação do presente caso. Na realidade, é o cerne da autuação fiscal. O fato de os registros contábeis registrarem uma alteração na codificação do nome do produto original após o processo de embalagem, apresentase como mais uma evidência de que o produto importado passou, sim, por um processo de transformação. Devese observar também que a primeira instância promoveu diligência para solicitar à autoridade fiscal esclarecimentos complementares sobre a desclassificação do método PRL20. O resultado da diligência fiscal não deixa dúvidas (efls. 1042/1046): [...] Na realidade, a colocação das embalagens para os produtos é confirmada pela Contribuinte. Nas contrarrazões apresentadas, vale transcrever quadro no qual se relata os procedimentos a que os produtos se submeteram após a importação (efls. 2988), elaborado com base em documentos apresentados ainda na primeira instância, por ocasião da apresentação da impugnação: [...] Quanto ao produto "DPRIVAN PFS 10 MG/ML 50MLCX1 SER VD", no qual aduz a Contribuinte que é importado em condições finais de comercialização, vale transcrever declaração da farmacêutica responsável (efl. 845): Fl. 3762DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 29 28 Declaramos para os devidos fins que o produto Diprivan PFS 10mg/ml é importado e sofre, nas instalações da AstraZeneca do Brasil, situada na Rod Raposo Tavares km26,9, CotiaSP, processo de colocação de selo de segurança no cartucho e testes de controle de qualidade, sem qualquer alteração na natureza do produto importado. (Grifei) De fato, não se fala em colocação de embalagem, razão pela qual se trata de produto sobre o qual não se aplica o PRL60. Por outro lado, para os demais produtos, as declarações da mesma farmacêutica são claras ao atestar que os bens importados passaram por um processo de embalagem. Tratase de fato incontroverso. Por sua vez, também é incontroversa a agregação de valor. E a autoridade julgadora administrativa não dispõe de margem de discricionariedade para dizer que, a depender do "peso" da agregação do valor, poderseia entender que o bem não teria sido aplicado à produção nos termos do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A matéria em debate já foi tratada pelo presente Colegiado, pelos Acórdãos nº 9101002.198 (sessão de 1º/2/2016, "NOVARTIS"), nº 9101 002.316 (sessão de 3/05/2016, "NOVARTIS"), e 9101002.416 e 9101 002.417 (sessão de 17/08/2016, "PFIZER"). Foram precisamente situações no qual se discutiu se o processo de embalagem do insumo importado é suficiente para caracterizar a agregação do valor e a aplicação do bem à produção. Vale reproduzir excerto do voto do Acórdão nº 9101002.198, da Conselheira Adriana Gomes Rego, que com clareza notável discorre sobre o assunto. Evidente que após esta última etapa de produção foi agregado valor ao produto inicialmente importado. A embalagem foi totalmente realizada em suas unidades no Brasil, utilizando mão de obra local, maquinário específico, imobilizado em suas indústrias, com aposição de sua marca ao produto. Tudo isso tem valor e pode ser estimado; se representa 10%, 15% ou qualquer outro percentual do produto final, não importa para efeitos legais, porque ao tempo dos fatos, a legislação só apresentava dois percentuais: ou se tratava de revenda, ou de produção. Não há meio termo. E, como dito, de revenda não se trata. A embalagem do produto poderia ter sido feita ainda no exterior, mas não o foi até por questões óbvias: sai muito mais barato para a empresa transportar os comprimidos a granel para localmente embalá los do que importálos definitivamente prontos. Isso é fato, eis que em termos de volume, a mesma quantidade de comprimidos a granel representa muito menos do que se já estivesse acondicionado em caixas, gerando um custo de transporte muito maior. A própria mão de obra utilizada no Brasil sabese ser muito mais barata do que nos países de primeiro mundo de onde se origina o produto importado. Convém registrar, ainda, que não se trata de mera embalagem para transporte, mas de apresentação comercial do produto, da qual resulta agregação de valor em relação ao produto importado à granel. A aposição da marca SANDOZ na embalagem (caso dos Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 30 29 comprimidos importados pela interessada), com sua exposição à venda, por si só também agrega valor ao mesmo, eis que se traduz em marca conhecida globalmente pela gama e qualidade dos produtos ofertados. Por conseguinte, não se trata de mera revenda dos produtos na forma como foram importados, sendo inaplicável o método PRL20 (...) (grifei) O didático voto destaca aspectos relevantes na agregação do valor: não há "meiotermo", ou se fala em agregação ou não; e não há que se falar que o processo de embalagem teria um custo mínimo, porque é fundamental para a apresentação comercial do produto, trazendo ao conhecimento do consumidor a empresa que é a responsável pela fabricação do produto e se constituindo em fator relevante na composição do preço final. Na mesma medida, o voto do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (Acórdão nº 9101002.316) expõe que a agregação de valor ao produto não comporta relativização: Acondicionar bens importados para revenda significa viabilizar a sua comercialização na forma das normas pertinentes, como, no caso, alocandoos em embalagens primárias, secundárias, blísteres e caixas de papelão, e adicionandolhes bulas e lacres, tudo segundo especificações técnicas do órgão fiscalizador competente. Há um inegável valor agregado ao custo dos bens importados não vem ao caso se muito ou pouco, que, mesmo que não os transforme em espécie nova, não pode ser desconsiderado para efeito de definição da adequada margem de lucro a ser aplicada nos procedimentos dos preços de transferência. Por outro lado, é inadmissível que seja dado o mesmo tratamento fiscal a situações distintas, em que os bens importados são meramente revendidos, nas exatas condições em que recebidos (PRL 20), e em que esses mesmos bens importados são manipulados antes de ser postos à venda (PRL 60), com a consequente agregação de valor ao custo dos bens importados, inexistente naquele primeiro caso. A adoção de entendimento diverso provocaria, em última análise, no caso do Preço de Revenda menos Lucro, sérias distorções na apuração do preço praticado e, consequentemente, do preço parâmetro, ao simplesmente se olvidar da existência daquela agregação de valor efetivamente ocorrida. Ao afirmar, a recorrente, que não é toda e qualquer agregação de valor ao custo dos bens importados que implicaria a aplicação do método PRL 60, está, ela, inadvertidamente, pretendendo distinguir onde a lei não distinguiu. A questão não é o tipo de agregação de valor, mas a sua existência ou não. E, no presente caso, é inequívoca a sua existência. A agregação de valor ao custo dos bens importados, assim existente, ocasiona, naturalmente, a majoração do preço de revenda, em relação à hipótese em que não haja essa agregação, o que, evidentemente, denota a clara impossibilidade de aplicação do PRL20, nessas circunstâncias, sob pena de como já se disse deturparse o cálculo do preço praticado e do preço parâmetro. Fl. 3764DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 31 30 Dessa forma, ao contrário do que entende a recorrente, toda e qualquer agregação de valor ao custo dos bens importados implica, necessariamente, a aplicação do método PRL 60, posto que, do contrário, ocorreriam inevitáveis inconsistências em se aplicar um método que, em sua formulação original, não admite qualquer valor agregado (PRL 20). (grifei) Nesse sentido, diante do fato incontroverso de que os produtos passaram por processo de embalagem, evento devidamente assentado nos registros contábeis da empresa, e que demonstra a agregação do valor de maneira incontestável, cabe ser restabelecida a autuação fiscal. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN. O presente voto segue os mesmos passos das decisões acima transcritas e as adota. Não há dúvida de que a contribuinte atua no ramo de produtos farmacêuticos, principalmente na linha hormonal e de anticoncepcionais, e que ela importa alguns medicamentos a granel e os submete posteriormente a processo de embalagem para vendêlos no mercado interno brasileiro. Nos termos já assentados por esta Primeira Turma da CSRF, esse processo de embalagem é suficiente para caracterizar a agregação de valor e a aplicação do bem à produção. Não cabe imputar qualquer ônus adicional ao Fisco, no sentido de que ele deveria comprovar que a embalagem alterou o estado original do bem, com "significativa" agregação de valor ao produto. Correta a alegação de PGFN, de que não há nada que justifique a redução do ato de “aplicar um bem à produção” a intervenções que acarretem a transformação de sua essência, ou o seu consumo durante o processo produtivo. Um bem também é aplicado à produção quando lhe são acrescentados elementos que o completam sem, contudo, interferir em sua integridade. Realmente, a embalagem de produtos farmacêuticos para venda a consumidor final está sujeita ao atendimento de normas técnicas de vigilância sanitária. A adequação desse tipo de produto à legislação brasileira envolve muitos procedimentos que, no conjunto de suas combinações, agregam valor ao bem importado a granel, e caracterizam que o bem importado foi aplicado à produção (realização de testes de qualidade, blisterização, embalagem secundária, aposição de marca, confecção e adição de bula, colocação de selos de segurança, etc.). Ademais, não há que se falar em aplicação, ao caso, do art. 6º, § 2º, do RIP (Decreto nº 7.212/2010), pois não há apenas o atendimento de exigências técnicas ou outras constantes de leis e de atos administrativos, isso também, mas longe de ser só isso; as operações realizadas, como visto, são muito mais complexas e vão muito mais além do que o atendimento destas. Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 16561.000057/200930 Acórdão n.º 9101003.420 CSRFT1 Fl. 32 31 Correta, portanto, a aplicação do método PRL60 para o ajuste dos preços de transferência referentes aos produtos em pauta. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3766DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721349/2014-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. INTEMPESTIVIDADE.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolado fora do prazo legal, por falta do pressuposto de admissibilidade relativo à tempestividade.
Numero da decisão: 2401-005.162
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido o recurso voluntário protocolado fora do prazo legal, por falta do pressuposto de admissibilidade relativo à tempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 13 49 /2 01 4- 96 Fl. 229DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10510.721349/201496 Acórdão n.º 2401005.162 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em JUIZ DE FORA MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, decidiu indeferir o pedido de perícia formulado pelo contribuinte e, no mérito, considerar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0955.004 (fls. 172/182): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. O valor estampado em Escritura Pública de Compra e Venda deve ser considerado para o fim de estabelecer o custo de aquisição do bem para efeitos de apuração do Ganho de Capital. LEGITIMIDADE PASSIVA Não há que se falar em ilegitimidade para constar no pólo passivo da relação tributária quando o sujeito passivo tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. LEGALIDADE DA IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Restando demonstrada a condição de contribuinte, cabível a imposição de eventual penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação tributária. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. REQUISITOS. Desnecessário o atendimento de pedido de prova pericial quando o resultado buscado já se encontra demonstrado em documentação constante do processo. Considerado não formulado, ainda, pedido de perícia que não atende aos requisitos estabelecidos em normativa própria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 135/142), lavrado contra a Contribuinte em 24/04/2014, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, referente aos exercícios financeiros de 2010 e 2011, no valor Fl. 231DF CARF MF 4 de R$ 80.865,60, Juros de Mora, calculados até abril de 2014, no valor de R$ 32.695,25 e Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 60.649,21, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 174.210,06 (Demonstrativo Consolidado fl. 02). De acordo com a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL – Imposto de Renda Pessoa Física (fl. 136), foram apurados GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS, quando da alienação de um terreno adquirido em reais, registrado no Livro nº 2, sob a matrícula nº 13.784, no Cartório de Registro de Imóveis do 1º Ofício de Aracajú. Conforme descrito no RELATÓRIO FISCAL (fls. 123/128), nos respectivos Autos de Infração, estão sendo tributados a Contribuinte e seu Esposo, Ivo Gomes de Freitas, aplicandose o percentual de 50% para cada um dos vendedores/cônjuges. A Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, via Correio, em 06/05/2014 (fls. 157/158). Em 30/05/2014, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 160 a 165, onde inicia dizendo que “não participou de qualquer dos negócios de que trata a autuação e nem dos mesmos obteve lucro ou proveito pessoal. Figura na ocorrência apenas na qualidade de esposa de IVON GOMES DE FREITAS, com quem é casada sob o regime da comunhão de bens e nessa condição passa a fazer uso das razões de defesa do seu marido para impugnar o presente lançamento, sem prejuízo de apresentação das alegações e exceções que lhe são próprias por força da lei”. E prossegue argumentado, em síntese, que: 1. O valor de origem do terreno lançado na escritura não retrata a realidade dos negócios; 2. Durante anos seu esposo IVO prestou serviços de terraplenagem, em caráter pessoal (Pessoa Física + Máquina), sem vínculo empregatício, para diversas construtoras do Estado, dentre elas a NORCON e a CUNHA, resultando no acúmulo de valores a serem recebidos em acertos futuros; 3. O terreno em questão foi objeto de DAÇÃO EM PAGAMENTO feito pela NORCON para sem esposo com o intuito de ressarcir valores acumulados junto a esta construtora, em razão da prestação de serviços por longo período; 4. Como o terreno dado em pagamento tinha valor superior ao credito que seu esposo fazia jus, “ficou acertado que o pagamento de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) seria a torna, valor que constou na escritura objeto do processo”; 5. Essa foi a única opção que seu esposo teve para receber os valores que lhe eram devidos pela construtora, aceitando a negociação sob pena de não os recebes; 6. Devido os fatos narrados serem de difícil comprovação, requer que seja averiguado o valor de mercado do terreno no ano de sua aquisição através de prova; Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10510.721349/201496 Acórdão n.º 2401005.162 S2C4T1 Fl. 4 5 7. Em função da área do terreno e da sua localização, à época da negociação, seu esposo IVO e a NORCON estimaram o valor terreno em R$ 900.000,00, figurando na escritura tão somente o valor da torna, os R$ 120.000,00 já mencionados. Diz que esse valor também foi o fixado pela municipalidade para fins de transferência; 8. Na qualidade de mulher casada e dedicada aos fazeres do lar, que não tomou parte ativa na prestação dos serviços e nem nas negociações celebradas, não pode ser chamada a pagar obrigações tributárias quando não é sujeito passivo, nem mesmo na condição de substituto ou responsável tributário; 9. Não pode ser penalizada com multa sem que haja prova cabal do dolo ou da culpa da sua participação na prática do ilícito; 10. Além de imputação equivocada de cometimento de infração, foi estipulada uma multa excessiva. Finaliza sua Impugnação requerendo seu recebimento a fim de declarar a insubsistência da autuação combatida. Alternativamente, caso não ocorra a o encerramento do processo, requer a redução da exigência a partir da verificação pericial do valor de mercado do terreno com o intuito de reduzir a parcela considerada lucro na alienação. Requer também a redução do valor da multa exigida. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/JFA para julgamento, que, através do Acórdão nº 0955.004, decidiu pela improcedência da impugnação apresentada. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/JFA, via Correio, em 17/11/2014 (AR – fls. 185/186) e apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 188/193) em 24/12/2014, portanto, fora do prazo regulamentar de 30(trinta) dias, estabelecido pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 (Termo de Perempção – fl. 187). É o relatório. Fl. 233DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade Conforme norma positivada no art. 33 do Decreto 70.235/72, das decisões de primeira instância caberá interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O prazo recursal de 30 dias iniciase no primeiro dia útil seguinte ao da intimação, de acordo com o que determina o art. 5º do Decreto 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Cabe nesse ponto observar que o contribuinte foi intimado do Acórdão 09 55.004 4ª Turma da DRJ/JFA (fls. 172/182) em 17/11/2014, conforme Aviso de Recebimento de fl. 185. Vejamos: Ocorre que o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte foi protocolado em 24/12/2014, conforme carimbo de recebimento à fl. 188: Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10510.721349/201496 Acórdão n.º 2401005.162 S2C4T1 Fl. 5 7 Dessa forma, considerando o não cumprimento do requisito previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, quanto a tempestividade para interposição do Recurso Voluntário, não se faz presente tal pressuposto de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário por intempestivo. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720214/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE ATAQUE À DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO.
A DRF recebeu manifestação do contribuinte sobre a decisão de piso, como recurso voluntário. Todavia, não se observou na peça qualquer ataque ao decisum. Logo, na ausência de pontos controvertidos entre o recurso voluntário e a decisão proferida pela DRJ, não há qualquer objeto a ser analisado.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, em face de ausência de pontos controvertidos entre a peça recebida pela DRF como "recurso voluntário" e a decisão proferida pela DRJ, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE ATAQUE À DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO. A DRF recebeu manifestação do contribuinte sobre a decisão de piso, como recurso voluntário. Todavia, não se observou na peça qualquer ataque ao decisum. Logo, na ausência de pontos controvertidos entre o recurso voluntário e a decisão proferida pela DRJ, não há qualquer objeto a ser analisado. Recurso voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, em face de ausência de pontos controvertidos entre a peça recebida pela DRF como "recurso voluntário" e a decisão proferida pela DRJ, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE ATAQUE À DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO. A DRF recebeu manifestação do contribuinte sobre a decisão de piso, como recurso voluntário. Todavia, não se observou na peça qualquer ataque ao decisum. Logo, na ausência de pontos controvertidos entre o recurso voluntário e a decisão proferida pela DRJ, não há qualquer objeto a ser analisado. Recurso voluntário não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, em face de ausência de pontos controvertidos entre a peça recebida pela DRF como "recurso voluntário" e a decisão proferida pela DRJ, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão de piso, por bem descrever os fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 02 14 /2 01 0- 39 Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 501 2 Tratase de compensação de direito creditório reconhecido judicialmente nos autos da ação ordinária nº 96.00087342, distribuída em 10/04/1996, junto à Seção Judiciária de Minas Gerais, por meio da qual a Autora buscou a declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis 2445/88 e 2449/88 requerendo, ainda, a compensação dos valores recolhidos indevidamente a este título com parcelas vincendas da mesma contribuição. A decisão de primeira instância acolheu o pedido para declarar o direito da Autora compensar os pagamentos de PIS efetuados com base nos DecretosLeis até a vigência da Medida Provisória n° 1.212/95, com parcelas vincendas da própria exação. Foi reconhecida, também, a aplicação da correção monetária com a utilização dos índices do IPC por refletirem os expurgos inflacionários quanto aos meses de janeiro/89, março/abril/maio/90 e fevereiro/91 e, a partir de 01.01.96, a aplicação da Taxa SELIC. O TRF da 1ª Região reformou parcialmente a decisão monocrática, dando parcial provimento à apelação da Fazenda Nacional, para excluir da sentença a condenação em expurgo inflacionário referente a fevereiro/91, incidindo nesse mês o INPC, em vez do IPC. A remessa oficial foi julgada prejudicada. A ação transitou em julgado em 10/02/2004. O crédito reconhecido judicialmente foi habilitado conforme Parecer Sacat, de 16 de maio de 2005 (cópia, fls. 190/191), expedido nos autos do processo administrativo nº 13601.000104/200518. Posteriormente foram transmitidas as declarações de compensação relacionadas nas fls. 02/04 do presente processo. Mediante DESPACHO DECISÓRIO DRF/CON Nº 599, de 11 de maio de 2010 (fls. 278/290), a autoridade administrativa jurisdicionante procedeu à valoração do direito creditório no montante de R$ 591.448,02, atualizado até 06/2005. Em sequência, concluiu por homologar parcialmente as compensações realizadas, argumentando que o contribuinte extrapolara os termos da decisão transitada em julgado a qual, segundo seu entendimento, autoriza somente a compensação dos créditos PIS com débitos da própria contribuição. Na esteira desse raciocínio, a autoridade administrativa entendeu por bem exigir os saldos devedores decorrentes da compensação não homologada. Cientificada da decisão em 17/05/2010 (fl. 297), a Recorrente apresentou, em 16/06/2010, a Manifestação de Inconformidade de fls. 341/344 alegando, em síntese, que: • A decisão judicial, transitada em julgado em 14/12/2004 lhe garantiu o direito à compensação do PIS pago com base nos DL 2445/88 e 2449/88 até a vigência da MP 1212/95. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 502 3 • A decisão passada em julgado lhe assegura a aplicação dos expurgos inflacionários. • Seus cálculos estão de acordo com os critérios definidos na decisão passada em julgado, quais sejam: IPC Acumulado de Fev/91 a Jan/92, Variação da UFIR até 31/12/1994 e, após esta data, SELIC, pois, “é a partir desta data que a Receita Federal atualiza seus débitos fiscais”. • Os cálculos da RFB não traduzem o que dispõe a decisão judicial e não incorporam a SELIC a partir de 01/01/1995. • A SELIC Acumulada utilizada nos cálculos da RFB, no percentual de 189,69%, não corresponde ao acumulado de Janeiro/1995 a Junho/2005 cujo valor correto é de 224,77%. • A Receita Federal deve aplicar ao contribuinte o mesmo percentual de juros que cobra quando existe um pagamento em atraso, onde o que se apresenta é muito inferior. • A compensação foi efetuada conforme o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com quaisquer tributos administrados pela RFB. • Quando do ajuizamento da ação nº 96.00087342 não estava em vigor a Lei nº 9.430/96 e a referida lei se sobrepõe a qualquer decisão. • O valor de seu direito creditório é de R$ 852.900,54, conforme planilha acostada. Por fim, pede que seja homologada toda a compensação realizada, com a consequente extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inc. II do código Tributário Nacional. A 1ª Turma da DRJ/BHE, acórdão n° 0243.518, acolheu em parte a impugnação da empresa, com decisão assim ementada: COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. SUPERVENIÊNCIA DE LEGISLAÇÃO MAIS FAVORÁVEL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie poderão ser compensados com débitos próprios, relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. A decisão transitada em julgado produz efeitos nos estritos termos em que foi passada, sendo passíveis de Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 503 4 compensação, até o limite do direito creditório, os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte A comando veiculado pela DRJ compreendeu: 1) Determinar que a DRF de origem refizesse os cálculos de apuração do crédito referente ao PIS, observando estritamente os critérios de atualização monetária explicitados na decisão judicial passada em julgado, reconhecendose eventual diferença, caso fosse apurado direito creditório maior do que o já reconhecido. 2) Determinar que DRF de origem operacionalizasse a homologação das compensações com débitos de outros tributos/contribuições administrados pela RFB além do PIS, até o limite do crédito reconhecido. A manifestação do contribuinte, nas efls. 481492, foi recebida pela Delegacia de origem como recurso voluntário, encaminhando autos ao CARF. Nessa oportunidade, a Recorrente consignou: a) Apresenta à DRF de origem os novos cálculos efetuados com base na decisão transitada em julgado, conforme quando apresentado no acórdão, bem como dos valores passíveis de compensação e os impostos/contribuições que pelo novo valor não foram possíveis compensar. b) Solicita a homologação dos referidos cálculos, bem como compensação dos débitos ali apresentados e ainda, que seja lançada em conta corrente para posterior quitação dos débitos grafados na planilha de “Valores não compensados, a saldar”. A planilha segue nas efls. 483492. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo, mas não deve ser conhecido em face de ausência de pontos controvertidos entre a peça e a decisão proferida pela DRJ. Explico. A decisão de piso tratou de dois pontos: valor do direito creditório apurado pela DRF/Contagem e o alcance da coisa julgada, no que diz respeito aos débitos passíveis de compensação. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 504 5 Quanto ao primeiro ponto, valor do direito creditório apurado pela DRF/Contagem, a DRJ se manifestou contrária à não homologação das compensações com outros débitos que não o PIS. Isso porque a Ação n° 96.00.087342 foi distribuída junto à 18ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais em 09/04/1996, data anterior à vigência da Lei nº 9.430/1996. Logo, era vigente à época do ajuizamento, a Lei nº 8.383/91 que a autorizava, apenas, a compensação entre tributos da mesma espécie (art. 66). A DRJ verificou que no acórdão proferido pelo TRF da 1ª Região houve o reconhecimento do direito à compensação de PIS com PIS apenas. Ao fim, acertadamente, a DRJ entendeu pela aplicação do art. 74, da Lei n° 9.430/1996. Ressaltese que, no âmbito administrativo, há entendimento consolidado no sentido de que os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Por conseguinte, se a decisão judicial transitada em julgado não tiver sido proferida com base na legislação posterior, esta poderá ser aplicada, possibilitando o contribuinte de efetuar compensação com débitos de outra espécie. É o caso dos autos. Nesse sentido, as manifestações da COSIT: Solução de Divergência COSIT nº 2, de 22 de setembro de 2010 DOU 11/11/2010. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. DISPOSITIVOS LEGAIS: Caput e § 1º do art. 74 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 505 6 MP nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro 2002. Solução de Consulta COSIT nº 382, de 26 de dezembro de 2014 DOU 03/03/2015 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002; POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts. 168 a 170, e art. 174, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); arts. 460 e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 11, de 2014. Ademais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão nº 9303 002.458, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Pôssas, manifestouse no mesmo sentido: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 30/04/2002 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. É permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido a compensação de Cofins com parcelas da própria Cofins. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Em suma, os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 506 7 compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos (com exceção das contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional), diante da legislação superveniente mais benéfica que não tenha sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Toda essa digressão foi feita para ressaltar o acerto da decisão da DRJ, o que não foi contestado na peça, recebida pela DRF como “recurso voluntário”. Cálculo do direito creditório do contribuinte Quanto ao segundo ponto, exsurgiu o direito de o contribuinte compensar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS de acordo com os DecretosLeis inconstitucionais, naquilo que superou o previsto na Lei Complementar n° 7/70. A DRJ verificou que nem todos os índices utilizados pela RFB na atualização dos créditos estavam de acordo com os critérios de atualização definidos na decisão judicial. O comando judicial dispôs: A sentença determinou a aplicação da correção monetária com a utilização dos índices do IPC que refletem os expurgos inflacionários quanto aos meses de janeiro/89, março/abril/maio/90 e fevereiro/91, em conformidade com precedente indicado à fl. 279 (AC n° 2000.01.00.0510751/MG, Rel. Desembargador Federal Hilton Queiroz, DJU de 22.09.2000), devendo, a partir de 01.01.96, ser aplicada a Taxa SELIC, não como juros de mora. Salientese que, em embargos de declaração opostos contra o acórdão proferido nos autos do processo indicado, houve a reforma da decisão para excluir da condenação os juros moratórios, entendidos como incabíveis quando o pedido é de compensação de tributos lançados por homologação, vez que o procedimento depende, exclusivamente, da iniciativa do contribuinte. Com efeito, afiguraseme que a repetição de indébito é, em tudo, semelhante a uma ação indenizatória, pois o pedido decorre de cobrança ilícita de tributo pelo Fisco. Assim sendo, a reparação deve ser completa, e, para tanto, a correção monetária deve ser plena, não sujeita a expurgos. Tenho que o índice que melhor reflete a desvalorização da moeda no período de janeiro/89 a janeiro/91 é o IPC. Tendo a apelante se irresignado contra a condenação em expurgos inflacionários, tenho deve ser mantida a sentença no capitulo que determinou a aplicação do IPC, no que se refere aos meses de janeiro/89, março/abril e maio/90, merecendo, contudo, acolhida, a apelação, apenas no tocante ao mês de fevereiro/91, tendo em vista que se firmou a jurisprudência do STJ3 e desta Corte no sentido de que, nesse mês, a correção deve ser feita pelo INPC. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 507 8 Ao passo que o Despacho Decisório DRF/CON nº 599 afirmou obediência às regras de correção definidas na Norma de Execução Cosit/Cosar nº 08/97: “adaptada aos expurgos inflacionários definidos na sentença, a qual contempla os índices de correção monetária previstos até 31.12.91; a variação da UFIR ocorrida entre 01.01.92 a 31.12.95; e ainda a SELIC acumulada a partir de 01/96 até a data da Dcomp, sendo 1% no mês do encontro de contas”. O quadro a seguir, elaborado pelo voto condutor, mostra a divergência na aplicação de índices: Logo, a conclusão da DRJ foi no sentido de refazimento dos cálculos de apuração do crédito referente ao PIS, observando estritamente os critérios de atualização monetária explicitados na decisão judicial, reconhecendose o eventual direito creditório a maior do que o já reconhecido. Por essa razão, o contribuinte apresentou a planilha de efls. 483492, que está sujeita a conferência e confirmação da exatidão pela DRF de Origem, na execução deste acórdão. Ao apresentar essa planilha, o contribuinte expressamente concordou com o decidido pela DRJ. Mais uma vez, não há pontos controvertidos entre a peça do recurso e a decisão da DRJ. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário, em face de ausência de pontos controvertidos entre a peça recebida pela DRF como "recurso voluntário" e a decisão proferida pela DRJ. (assinado digitalmente) Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13603.720214/201039 Acórdão n.º 3301004.233 S3C3T1 Fl. 508 9 Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 508DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.900874/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado com certificado digital)
Jorge Lock Olmiro Freire - Presidente.
(assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lock Olmiro Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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RESSARCIMENTO IPI. Recorrente ELEVADORES OTIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado com certificado digital) Jorge Lock Olmiro Freire Presidente. (assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lock Olmiro Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos com créditos de ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do 1º trimestre de 2006, declarado no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 00 87 4/ 20 10 -7 6 Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13819.900874/201076 Resolução nº 3402001.306 S3C4T2 Fl. 958 2 PERDCOMP n° 29428.71173.100506.1.3.014405. Parte do crédito não foi reconhecido pelos motivos indicados nos seguintes termos no despacho decisório: " Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal." (e fl. 460) Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada parcialmente procedente pelo Acórdão n.º 1053.739 da 3ª Turma da DRJ/POA, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Somente são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente e as decisões e despachos proferidos por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. GLOSA DE CRÉDITOS. MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM ADQUIRIDOS DE EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. Não geram direito a créditos as aquisições de MP, PI e ME adquiridos de empresa optante pelo SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" (efl. 921) Intimada desta decisão em 28/03/2016 (efl. 928), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 26/04/2016 (efls. 929/935) alegando, em síntese, a validade do crédito de IPI que teria sido indevidamente glosado, vez que nenhuma nota fiscal emitida por seus fornecedores listados no PER/DCOMP apontavam qual seria o regime fiscaltributário por eles adotado, sendo que a consulta ao site da Receita Federal confirmou que nenhum deles seria optante do SIMPLES no período de apuração do pedido (01/2006 a 03/2006). Salienta ainda que quase a totalidade das notas fiscais traz o destaque do IPI. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Resolução Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, entendo que o processo não se encontra em condição para julgamento. A inconformidade da Recorrente se restringe à glosa de créditos considerados indevidos por se referirem à aquisição de empresas enquadradas no SIMPLES (irregularidade 7). As notas fiscais objeto da glosa foram relacionadas na planilha às efls. 463/467. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente trouxe informação obtida no site na Receita Federal confirmando que as empresas relacionadas na referida Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13819.900874/201076 Resolução nº 3402001.306 S3C4T2 Fl. 959 3 planilha não seriam optantes do SIMPLES no período em que as notas fiscais foram emitidas, qual seja, janeiro/2006 a março/2006 (efls. 507/524). A título de exemplo, apenas para melhor visualizar a informação trazida pela Recorrente, vejamos o que consta quanto a fornecedora DEBORA AKEMI YAMASHITA UEMURA EPP (CNPJ 05.095.352/000191). Conforme tela de Consulta do Simples da Receita Federal, trazida pela Recorrente, essa empresa seria "NÃO optante pelo Simples Nacional" (efls. 507/508), informação que pode ser atualizada no site da Receita (http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/aplicacoes.aspx?id=21): ü efl. 508: tela anexada pela Recorrente da consulta da opção pelo SIMPLES: ü Tela obtida em consulta ao sistema do SIMPLES (em 28/12/2017): Contudo, essa informação não foi enfrentada pela decisão recorrida. Com efeito, atentandose por sua vez para as razões da decisão recorrida, observase que o I. Julgador não Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13819.900874/201076 Resolução nº 3402001.306 S3C4T2 Fl. 960 4 analisou esses documentos, afirmando que somente uma das empresas identificadas teria apresentado a DIPJ com a opção pelo lucro presumido (o que ensejou no reconhecimento da validade do crédito), sendo que as demais teriam apresentado a DIPJ com a opção pelo SIMPLES1. As telas foram anexadas aos presentes autos em arquivo não paginável. Vejamos a título de exemplo a informação da referida fornecedora DEBORA AKEMI: Contudo, conforme se depreende da disciplina normativa vigente à época da emissão da DIPJ 2007, no art. 1º, §2º da Instrução Normativa n.º 696/2006, as empresas optantes pelo SIMPLES não eram obrigadas a entregar a DIPJ 2007, obrigação esta que atingia apenas as empresas que foram excluídas deste regime: "Art. 1ºAs pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, bem como as imunes ou isentas do Imposto de Renda, deverão apresentar a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica relativa ao exercício de 2007 (DIPJ 2007), conforme disposto nesta Instrução Normativa. (...) § 2ºO programa de que trata o § 1ºdeverá ser utilizado, também, pelas pessoas jurídicas referidas no caput que forem: I extintas, cindidas parcialmente, cindidas totalmente, fusionadas ou incorporadas durante o anocalendário de 2007; II excluídas do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) no anocalendário de 2006, em relação ao período posterior à exclusão." (grifei) Isso porque as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES deveriam apresentar não a DIPJ, mas sim a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ), na forma da Instrução Normativa n.º 692/2007: "Art. 1º Aprovar o programa gerador e as instruções de preenchimento da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples 2007, a ser apresentada, obrigatoriamente, pelas pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativa ao anocalendário de 2006, exercício de 2007." Assim, a informação trazida na decisão recorrida não é contundente quanto ao enquadramento das empresas no SIMPLES, vez que se as empresas apresentaram DIPJ 2007, 1 "Por bem solucionar o litígio, realizouse consulta ao sistema IRPJ relativa aos estabelecimentos emitentes em questão, cujas telas são anexadas à este voto, revelando que apenas o estabelecimento inscrito no CNPJ sob nº 01.716.725/000143, à época dos fatos, apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, sob o regime do Lucro Presumido, e que os demais apresentaram suas DIPJ sob o regime do SIMPLES. (...)" (efl. 924) Fl. 960DF CARF MF Processo nº 13819.900874/201076 Resolução nº 3402001.306 S3C4T2 Fl. 961 5 há a possibilidade de elas não serem enquadradas no SIMPLES, sendo necessário que elas tivessem apresentado a DSPJ 2007. Sob esta perspectiva e considerando as informações constantes dos presentes autos, ainda remanesce dúvida quanto à possibilidade da Recorrente ter conhecimento da opção das empresas fornecedoras no regime do SIMPLES ou mesmo se essas empresas teriam optado por esse regime no ano de 2006. Diante desta dúvida, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal de origem: (i) elabore uma planilha relacionando todos os fornecedores da Recorrente objeto das glosas identificadas na Planilha 1 do Despacho Decisório efls. 463/467 (cuja glosa permanece em discussão após a decisão de 1ª instância), identificados por nome e CNPJ. Nesta planilha informar se as empresas eram optantes pelo SIMPLES no período de janeiro/2006 a março/2006. Caso positivo, anexar aos autos os documentos comprobatórios da opção, dentre os quais a tela que comprove a entrega pela empresa da DSPJ 2007. (ii) na hipótese de se confirmar a opção pelo SIMPLES de quaisquer das empresas fornecedoras da Recorrente, informar em um relatório, para cada uma delas: (ii.1) se pelas informações publicadas pela Receita Federal era possível que a Recorrente verificasse a opção da empresa no SIMPLES. Neste ponto, informar qual a base de dados pública considerada para consulta do período de janeiro/2006 a março/2006; e (ii.2) se nas notas fiscais emitidas pela empresa (relacionadas na Planilha 1 do Despacho Decisório efls. 463/467) constava a informação da opção pelo SIMPLES e o destaque do IPI. Para este ponto, elaborar uma planilha relacionando as notas fiscais que não trazem a informação de opção pelo SIMPLES e as que não trazem destaque do IPI, considerando as notas fiscais constantes dos presentes autos (efls. 525/918) ou intimando a Recorrente para apresentar notas fiscais que não estejam acostadas aos autos. Com a conclusão da diligência, a Recorrente deverá ser intimada do seu resultado para manifestação, se assim desejar, em 30 (trinta) dias. Em seguida, os autos deverão retornar para este Conselho para julgamento. É como voto a presente Resolução. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 961DF CARF MF
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