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Numero do processo: 15504.725545/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA.
A exigência decorrente da aplicação do percentual de 15% sobre a receita bruta da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, deve ser cancelada em função da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal que lhe dava suporte.
Numero da decisão: 2201-004.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 22/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. A exigência decorrente da aplicação do percentual de 15% sobre a receita bruta da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, deve ser cancelada em função da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo legal que lhe dava suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 55 45 /2 01 2- 71 Fl. 339DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 6ª Turma da DRJ Fortaleza/CE que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a cooperativas de trabalho. Mister realçar que o lançamento foi realizado para prevenir a decadência, em razão de propositura de ação judicial, nos termos expostos pela Autoridade Fiscal. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 51.023.6006 (fls. 3 do processo digitalizado), pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 78.449,11, em valores consolidados em fevereiro de 2013. O lançamento está devidamente explicitado no Relatório Fiscal de folhas 11. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o crédito referente às contribuições devidas no exercício 2009, ocorreu em 18 de fevereiro de 2013, conforme se verifica às folhas 03. Em 19 de março de 2013, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.132). Em 12 de dezembro de 2013, a 6ª Turma da DRJ de Fortaleza, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0828.151 (fls. 272), de forma unânime, entendeu por não conhecer a defesa administrativa apresentada, restando, o decisum assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE VALOR BRUTO DAS NOTAS FISCAIS OU FATURAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS REALIZADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias os pagamentos de notas fiscais ou faturas de serviços prestados mediante cooperativas de trabalho. AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO DO LANÇAMENTO. DESISTÊNCIA DO LITÍGIO NAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura de ação judicial, pelo sujeito passivo, como o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência ao litígio nas instâncias administrativas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido" Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 273): "Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigações principais, consoante discriminação adiante esmiuçado. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 340 3 a) AI DEBCAD 51.023.6006, importando R$ 78.449,11, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte patronal pela contratação de cooperados mediante cooperativa de trabalho, com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD. Foi confeccionado o levantamento: “T3 – Cooperativa de Trabalho“, incidindo a parte patronal sobre cooperativa de trabalho (rubrica 1c, alq. 15%), não declarado em GFIP, período de 01/2009 a 12/2009; Mediante exame da contabilidade conta contábil do Passivo Circulante: “0021111001 FORNECEDORES– PAÍS TERCEIROS” e notas fiscais de serviços contratados, no período de 01/2008 a 12/2008, foi verificada a contratação de serviços de Cooperativas de Trabalho. O relatório fiscal aduz que (fls. 11/18): O Auto de Infração AI (DEBCAD N° 51.023.6006) "lavrado por descumprimento de obrigação principal do qual este Relatório é parte, tem por finalidade apurar e constituir o crédito relativo à contribuição social objeto de ação judicial, na qual a empresa é parte, referente ao período de 01/2009 a 12/2009, face Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN perante do Supremo Tribunal Federal (STF) que questiona a constitucionalidade do inciso IV, artigo 22 da Lei 8.212/91. 1.5Essa ação foi proposta pela Confederação Nacional da Indústria CNI, em 09/01/2002, e a SAMARCO MINERAÇÂO S.A., pertencendo ao Sindicato Nacional da Indústria da Extração Mineral do Ferro e Metais Básicos SINFERBASE, entidade vinculada à CNI, em caso de decisão favorável à autora da ação, teria os seus efeitos reconhecidos na auditada. Até a presente data não foi proferida qualquer decisão de mérito sobre essa questão controversa, conforme, consulta ao site do STF realizada em 20/06/2012, cuja tela onde consta a situação atual da referida ação foi anexada ao presente processo. Foi anexada também ao presente processo, cópia da “Nota Técnica Não Recolhimento Cooperativa de Trabalho”, onde, dentre outros, a empresa apresenta trecho da decisão publicada em 12/02/2010, nos autos da RE 595838 RG/SP, que trata da mesma questão, o E. STF “... reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada”, o que trará um efeito erga omnes à questão. Este lançamento tem o objetivo de prevenir a decadência no lançamento do débito, tendo a empresa o prazo de 30 dias para impugnar administrativamente as questões não submetidas ao Judiciário. De se destacar que o presente crédito previdenciário não se encontra com a sua exigibilidade suspensa, uma vez que não está Fl. 341DF CARF MF 4 entre as hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966), que cuida da suspensão da exigibilidade do crédito tributário:" Da Impugnação Inconformada com a autuação, cientificada em 18.02.2013, a empresa apresentou impugnação em 19.03.2013, que, em síntese, argumenta que (fls. 132/142): Sobre a Representação Fiscal para Fins Penais RFFP: como não foi cometido ilícito algum, já que os valores pagos pela impugnante não são base de cálculo das contribuições previdenciárias, não há porquê formalizar RFFP; A RFFP deve esperar o encerramento do processo administrativo; a RFFP deve ser suspensa pela DRJ; Sobre o salário de contribuição previdenciário: acorde com o art. 28, I da Lei nº 8.212/91 c/c arts. 457 e 458 da CLT, para que incida contribuição previdenciária a verba há de ser destinada a retribuir o trabalho, não indenizatória, paga de forma habitual e pelos serviços efetivamente prestados. o art. 201, § 11 da CF/88 estabelece que somente os ganhos habituais serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária; Admitirse o contrário, em discrepância à definição de remuneração estabelecida pela legislação trabalhista, representaria flagrante afronta ao disposto pelo artigo 110 do Código Tributário Nacional, na medida em que o legislador tributário estaria alterando a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal. Aqui, com muito mais rigor deve ser interpretada a regra, na medida em que está tratando de um preceito de ordem pública. Sobre as Cooperativas de Trabalho A cooperativa de trabalho é equiparada à empresa, nos termos do art. 15, § único da Lei nº 8.212/91; Da incerteza e iliquidez da base de cálculo " o artigo 22, IV da Lei n° 8.212/91 estabelece a incidência de contribuição previdenciária à alíquota de 15% (quinze por cento) "sobre o valor bruto da nota Fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho' Entretanto, tal valor abrange, além da prestação de serviço correspondente à remuneração do trabalhador cooperado outras despesas inerentes à I prestação do serviço, tais como combustível, manutenção, troca de peças dos veículos, considerandose tratarse de contratação de cooperativo de transporte de passageiros Ocorre que, como já visto, a base de cálculo do tributo constitucionalmente prevista somente permite a sua incidência Fl. 342DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 341 5 sobre a remuneração paga ao empregado, pessoa física, em retribuição ao seu trabalho. Para que fosse possível a efetiva verificação da base de cálculo sujeita a incidência da contribuição previdenciária o Ilustre Agente Fiscal deveria ter considerado como base de cálculo da exação o exato montante pago a título de remuneração, excluídos outros valores decorrentes de despesas inerentes à prestação do serviço. O Ministério Público Federal manifestouse favoravelmente à procedência da ADI nº 2.5945; E nem se diga que a incidência da contribuição sobre 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal, nos termos do art. 218 da Instrução Normativa RFB n° 971/2009, teria o condão de segregar da nota fiscal o montante correspondente à remuneração do cooperado, pois, tal percentual representa mera estimativa, o que torna a base de cálculo adotada completamente ilíquida e incerta. Da ADI nº 2.5945 até momento a referida ação não foi julgada. Ressaltese ainda que, por conta da existência da mencionada ADI, o Recurso Extraordinário n° 595.838 foi afetado pelo regime de repercussão geral, de modo que a decisão proferida em qualquer um dos referidos processo deverá produzir efeitos erga omnes, razão pela qual, na remota hipótese de permanência da presente autuação, deverá ser sobrestado o seu julgamento até a decisão final proferida no julgamento das mencionadas ações judiciais Junta jurisprudência e doutrina. Requer improcedência do lançamento; subsidiariamente, caso prevaleça o lançamento, pede sobrestamento do julgamento até que seja julgada a respectiva ADI. É o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 09 de janeiro de 2014, às 15:15hs, por meio de acesso ao seu domicílio eletrônico, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls. 287) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Fl. 343DF CARF MF 6 Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso passo a apreciá lo na ordem de suas alegações. NULIDADE DA DECISÃO: AUSÊNCIA DE ANÁLISE DOS ARGUMENTOS DA IMPUGNAÇÃO Argui, a Recorrente, nulidade na decisão de piso em face da ausência da análise de todos os argumentos constantes da impugnação. Vejamos (fls. 290): "Como já exposto, o fundamento da autuação fiscal foi a suposta ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias, parte patronal, incidente sobre os pagamentos realizados pela Recorrente às Cooperativas de Trabalho. Com efeito, a Recorrente demonstrou que as sociedades cooperativas de trabalho, equiparandose às pessoas jurídicas para todos os fins, especialmente previdenciário e, que a base de cálculo das contribuições previdenciárias deve ser composta pelos valores pagos pelo empregador em contraprestação a um trabalho realizado pelo empregado, pessoa física, de natureza não indenizatória. Ademais, a Recorrente demonstrou que a base de cálculo do auto de infração originário do presente processo administrativo é incerta e ilíquida. Tendo em vista que, a nota fiscal emitida pela cooperativa abrange, além da remuneração do trabalhador cooperado, outros valores decorrentes de despesas inerentes à prestação de serviço Todavia, a decisão recorrida, deixou de analisar e justificar os argumentos adotados como fundamento, cerceou a possibilidade de defesa e contraditório da Recorrente, violando frontalmente o disposto pelos artigos 5o, LV e 93, IX da Constituição Federal. Sendo assim, a Recorrente tem o direito de que os argumentos expostos em sua impugnação sejam integralmente analisados e, se for o caso, justificadamente refutados, tendo em vista que a matéria alegada pela Recorrente está estritamente vinculada ao fundamento que ensejou a lavratura dos autos de infração." (grifos originais) Em que pese a opinião pessoal deste Relator, não observo a nulidade apontada. A decisão de piso, sujeita como cediço ao duplo grau de jurisdição, entendeu pela concomitância de instância como matéria preliminar. Reproduzo (fls. 276): "Preliminar de renúncia à esfera administrativa Percebese que há coincidência de objetos na ADI nº 2.5945 e na presente ação fiscal administrativa, já que ambos tratam da discussão sobre a exigência de contribuição previdenciária sobre a contratação de cooperados mediante cooperativa de Fl. 344DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 342 7 trabalho, de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, consoante previsão do art. 22, IV da Lei nº 8.212/91 (na redação da Lei nº 9.876/99) e os arts. 195, I “a” c/c 154, I da Constituição Federal. O Decreto nº 7.574/11, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, assim dispõe sobre os efeitos das decisões judiciais nos processos fiscais administrativos: Decreto nº 7.574/11: Art.87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único.O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Assim, levada a lide tributária para apreciação do Poder Judiciário, impedida fica a Administração de apreciar o mérito comum do pleito jurisdicional, sob pena de potencialmente ferir o princípio da unidade da jurisdição, caso em que haja diferença de entendimento entre Administração e o Poder Judiciário. Cabe à administração, tão somente, dar cumprimento ao dispositivo jurisprudencial." A simples leitura pacifica a questão. A decisão de piso entendeu pela concomitância de instâncias, matéria preliminar à análise de mérito. Logo, não há que se falar em nulidade de decisão em razão da não apreciação de todos os pontos constantes da impugnação. Recurso negado nesse ponto. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO Alega a Recorrente a inexistência de renúncia ao contencioso administrativo. São seus argumentos (fls. 291): "De acordo com o entendimento manifestado pela Colenda Delegacia Regional de Julgamento no acórdão recorrido, não se tomou conhecimento da impugnação apresentada nos presentes autos, com relação à parte em que a Recorrente discute "sobre a exigência de contribuição previdenciária sobre a contratação de cooperados mediante cooperativa de trabalho, de 15 % sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços consoante previsão do art. 22, IV da Lei n° 8.212/91 (na redação da Lei n° 9.876/99) e os artigos 195, I "a"c/c 154, I da Constituição Federal*, por entender que a matéria discutida no Fl. 345DF CARF MF 8 presente processo administrativo já seria objeto da ADI n° 2.594. De fato, conforme constou no relatório fiscal, o lançamento foi lavrado para prevenir a decadência, tendo em vista a pendência de julgamento da ação direta de constitucionalidade n° 2.5945, proposta pela Confederação Nacional da Indústria à qual a Recorrente se vincula por intermédio do Sindicato Nacional da Indústria da Extração Mineral do Ferro e Metais Básicos, beneficiandose, portanto, de eventual decisão favorável proferida nos autos da referida ação. Após o ajuizamento da mencionada ADI e prestadas às informações pelo Congresso Nacional, instado a se manifestar, o Ministério Público Federal opinou pela procedência do feito. Destacase que, até momento a referida ação não foi julgada, conforme reconhecido pela Turma Julgadora. Ressaltese ainda que, por conta da existência da mencionada ADI, o Recurso Extraordinário n° 595.838 foi afetado pelo regime de repercussão geral, de modo que a decisão proferida em qualquer um dos referidos processo deverá produzir efeitos erga omnes." Nesse ponto assiste razão ao Recorrente. Não há concomitância de instâncias. Segundo a decisão de piso, verificase concomitância toda vez que o contribuinte buscar o judiciário e da decisão resultante, poder restar prejudicado, pelo sucesso da lide judicial, o lançamento tributário objeto da discussão no âmbito administrativo. Entre outros fundamentos, apóiase o Conselheiro na dicção da Súmula CARF nº 1. Vejamos seus termos: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (destaques nossos) Claríssima a disposição que consolidou entendimento praticamente unânime deste Colegiado: há tácita renúncia ao processo administrativo a propositura, antes ou depois do lançamento, de medida judicial com o mesmo objeto do processo administrativo. Assim, mister entendermos o que é o objeto do processo administrativo e cotejálo com o objeto do processo judicial que se analisa. Segundo o dicionário Michaelis 'online', publicado no sitio uolBusca (http://dic.busca.uol.com.br/result.html?q=objeto&group=0&t=10), o verbete objeto, em sua acepção jurídica: "objeto •sm(lat objectu) Tudo que se oferece aos nossos sentidos ou à nossa alma. Coisa material:Havia na estante vários objetos.Col: bateria,trem(quando agrupados para o mesmo fim). Motivo, causa. Tudo que constitui a matéria de ciências ou artes. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 343 9 Assunto, matéria. Intenção, desígnio, mira. Fim a que se mira ou que se tem em vista. FilosAquilo que é pensado, por oposição ao próprio ato de pensar. DirTudo aquilo sobre que recai um direito, ou uma ação, ou obrigação." (sublinhamos) Também no mesmo sentido, um tanto amplo para os fins do nosso estudo, caminha o dicionário jurídico. Para objeto do processo, encontramos a seguinte significação (Diccionario Básico Jurídico, 7ª ed. Comares Editorial): "Conjunto de fatos que integrando o processo, o levam a conseguir as diversas finalidades que o mesmo persegue (...)" Das significações apresentadas, podemos inferir que o objeto da demanda processual é aquilo que com ela se pretende obter, o que se quer alcançar. Porém, somente tal entendimento é suficiente para se verificar a concomitância, como entende a decisão recorrida? Não nos parece a melhor doutrina. O Professor Moacyr Amaral Santos, no clássico Primeira Linhas de Direito Processual Civil ( 1º Vol., Ed. Saraiva, 20ª ed., p. 163), leciona que objeto da ação: "é o pedido do autor (Cod Proc. Civil, art 282, IV), ou seja, o que ele solicita que lhe seja assegurado pelo órgão jurisdicional. (...) Assim, o objeto, isto é, o pedido (res, petitum) é imediato ou mediato. O pedido imediato consiste na providência jurisdicional solicitada: sentença condenatória, declaratória, constitutiva ou mesmo providência executiva, cautelar ou preventiva. O pedido mediato é a utilidade que se quer alcançar pela sentença, ou providencia jurisdicional, isto é, o bem material ou imaterial pretendido" Continuando sua lição, o emérito Professor das Arcadas, ensina que o pedido deve estar sempre apoiado, deve sempre corresponder a uma causa de pedir, pois "quem invoca uma providência jurisdicional quanto a um bem pretendido, cumpre dizer no que se funda seu pedido" (ob. cit., pag. 164). Recorda o Mestre que o Códex Processual exige que o autor exponha na inicial não só o seu pedido, mas também os fundamentos jurídicos deste. Com tal exigência, a lei processual requer a exposição não só a causa próxima de pedir os fundamentos jurídicos como também a causa remota o fato gerador do direito. No caminhar de sua lição, com a didática exemplar que sempre o caracterizou, o Professor Moacyr Amaral, explica que a identificação de ações ( o cerne de nosso problema) exige que se examine detalhadamente a identidade, a individualidade de uma demanda. Para tanto, leciona o saudoso Professor: Fl. 347DF CARF MF 10 "(...) duas ações são idênticas quando em ambas seus elementos são os mesmos. Assim, duas ações são idênticas quando entre elas há: a) identidade de partes (eadem personae); b) identidade de objeto (eadem res); c) identidade de causa de pedir (eadem causa petendi)." Exsurge a distinção. Temse identidade entre ações quando as mesmas, intrinsecamente, coincidem, ou seja, são iguais. Para tanto, necessariamente convergem para a mesma solução a partir de divergências sobre o mesmo bem da vida mas forçosamente com essa divergência decorrente do mesmo motivo, da mesma causa. Tal exigência decorre não só de um imperativo processual, mas também de um imperativo lógico. Não basta a demanda reunir mesmas partes, sobre o mesmo bem em discussão: o motivo da disputa deve ser o mesmo. Por exemplo se pode entender melhor. Dois senhores podem discutir sobre um imóvel, mais acuradamente sobre a posse e propriedade de um imóvel. Imaginemos que se trate de um imóvel comercial, onde o proprietário, por contrato de locação, passou a posse do imóvel a um comerciante. Tempos depois, o comerciante propôs a compra do imóvel. Firmam um contrato de compra e venda, com pagamento parcelado. Ajustam que durante o pagamento parcelado da compra, o locatário, agora promitente comprador, continuaria a pagar o aluguel. Iniciados os pagamentos, o comprador vêse em dificuldades financeiras e atrasa algumas parcelas. O vendedor, opta pela resolução contratual unilateral e vende, à vista, o imóvel a outrem, porém ajustando com o novo comprador, que entregará o imóvel desocupado. Ingressa com medida judicial, ação de despejo, visando a retomada do imóvel. Nesse caso o objeto é a posse do imóvel. O locatário, aqui ainda promitente comprador, inconformado com o desfazimento do contrato de promessa de compra e venda, ingressa com ação judicial buscando fazer valer seu direito decorrente do contrato de compra e venda firmado e portanto anular a segunda venda. Objeto da ação: a propriedade do imóvel. Partes envolvidas: as mesmas. Resultado, objeto , de uma e de outra: o imóvel. Importante recordar que se o direito de promitente comprador for reconhecido, por óbvio que a segunda decisão terá seu resultado impactando na primeira, na ação de despejo. Mesmo assim, há coincidência de ações? Por óbvio que não. A distinção é flagrante quanto à causa de pedir. Em uma e em outra ação, embora o objeto seja o mesmo, o fundamento jurídico do pedido é distinto. Esses requisitos para que se reconheça a identidade de ações e portanto, a concomitância também é reconhecido por Julio Fabbrini Mirabete (Processo Penal, Ed. Atlas, 10ª ed., p. 217), processualista de renome que explicita, ao examinar a litispendência: "Os elementos que identificam a demanda, impedindo outra por litispendência são: a) o pedido (petitum), o que o autor pede; b) as partes (personae), são as partes em litígio; a causa de pedir (causa petendi), a razão de fato pela qual o autor pede a condenação, no processo penal o fato criminoso. Numa expressão bem simples, se o mesmo autor, com o mesmo Fl. 348DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 344 11 fundamento de fato, faz o mesmo pedido, contra o mesmo réu, a demanda é a mesma que a anterior" (destacamos) Não é outra a lição de Cândido Rangel Dinamarco, outro ícone da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, que em sua importantíssima obra, Instituições de Direito Processual Civil ( Vol III, 2ª ed. Ed. Malheiros p. 136), assevera: "Didaticamente e seguindo uma linha tradicional no processo civil brasileiro, o Código de Processo Civil afirma que uma ação é precisa reprodução de outra quando em ambas coincidem os três elementos constitutivos, tendo elas as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido (...)" (destacamos) Outro simples raciocínio demonstra a importância da causa de pedir como traço elementar, e portanto distintivo, de uma ação. Pensemos agora em hipótese de lide tributária clássica, ou seja, insurgência contra a tributação. Decerto que nessas ações tributárias, dois elementos serão sempre coincidentes: i) as partes, pois sempre se analisará a demanda de determinado contribuinte contra a Administração Tributária; ii) o pedido, o próprio objeto, pois sempre o contribuinte buscará se esquivar da exação como pretendida pelo Fisco. Ora, nesses casos, ao prevalecer a questão como posta pela decisão de piso, ou seja, há concomitância quando o contribuinte pode alcançar na via judicial o mesmo resultado que teria na esfera administrativa, qualquer tipo de lide judicial afastaria qualquer demanda na fase administrativa, uma vez que pelo nosso pressuposto ao conseguir judicialmente o afastamento da pretensão fiscal como pretendida pela Administração Tributária, a esfera administrativa nunca teria função. Imaginemos que o contribuinte tenha ingressado com uma ação de inexistência de relação tributária acerca de determinado tributo. Tempos depois, ao perceber que aquele contribuinte não estava recolhendo os valores devidos sobre aquele determinado tributo, o Fisco inicia procedimento fiscalizatório. Ao ser cientificado da existência da demanda judicial, a autoridade fiscal, visando cumprir a determinação legal, opta por lançar o tributo em litígio somente para prevenir a decadência. Na impugnação, o contribuinte se insurge sobre o lançamento tributário em razão da existência, em sua opinião, de nulidade no procedimento do lançamento. A prevalecer a posição aqui atacada, por ser certo que o resultado da lide judicial pode ser a declaração da inexistência da relação tributária entre o Fisco e o contribuinte, a processo administrativo tributário não poderia ser conhecido pois se observaria a concomitância, com consequente renuncia. Resultado: a Administração Tributária deixou de examinar, de controlar, a legalidade de determinado ato por ela produzido, expondo assim ao mundo um ato eivado de ilegalidade, nulo portanto, realizado por quem está adstrito ao princípio da legalidade, que determina que a Administração Pública só pode fazer o que a lei permite. Por óbvio que não pode ser esse o conceito de concomitância. Fl. 349DF CARF MF 12 Ao aplicarmos aos exemplos acima a clássica doutrina processualista, que exige para que se tenha identidade de ações a presença dos três elementos essenciais da ação (mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido), não se verificaria a concomitância havendo, portanto, o exame dos processos por serem distintos. Outro não é o entendimento da própria Administração Tributária. Vejamos o trecho do conteúdo do Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, que versa exatamente sobre o tema aqui analisado: "Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº3, de 1996, a Súmula nº1 do CARF e a Portaria MF nº341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2ºda Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em Fl. 350DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 345 13 análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1ºe 2º, do CPC; e Súmula nº1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. Fl. 351DF CARF MF 14 10.A prevalência, nesses casos, do curso do processo judicial se deve ao princípio constitucional da unicidade de jurisdição, insculpido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;”), segundo o qual o Poder Judiciário detém o monopólio do controle jurisdicional, não sendo necessário que se configure a efetiva lesão a direito, bastando a simples ameaça para que se dê o ingresso em juízo. Ademais, o caráter de não definitividade das decisões administrativas consiste na possibilidade de sua apreciação pelo Judiciário. Registrese, ainda, a desnecessidade do esgotamento da via administrativa para o acesso ao Poder Judiciário, como ocorria no sistema constitucional revogado (CF/1967, art. 153, § 4º). (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 312). 10.1. Outra justificativa que se pode invocar para a inadmissibilidade da concomitância entre as discussões sobre a mesma matéria nas instâncias judicial e administrativa, sob pena de se admitir um dispêndio desnecessário de recursos públicos, além do risco de se obterem decisões conflitantes, passa pelo princípio da economia processual, o qual, segundo lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 79), “preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais”. Tratase do mesmo princípio que inspira os efeitos do instituto da litispendência no processo civil (arts. 219, 267 e 301 do CPC)." (destaques não constam do Parecer mencionado) Nesse mesmo caminho segue o STJ. Afirma o voto condutor da decisão proferida no Ag Rg no Agravo em Recurso Especial nº 702.892SP, de Relatoria do Min Sérgio Kukina, julgado em 15/03/16 pela Primeira Turma. "Há litispendência quando se repetem ações em curso com as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido; ainda que sejam causas de natureza diversa, como são mandado de segurança e processo de conhecimento, induvidosa a réplica proibida pela lei processual." Assentes quanto ao conceito de concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo tributário, passemos ao caso concreto. No caso em apreço, a determinação da identidade de ações se torna ainda mais necessária e, com a devida vênia, o desacerto do entendimento esposado no voto recorrido ainda mais flagrante. Como bem apontado pela Turma a quo, a entidade ao qual o contribuinte se encontra filiado impetrou ADI pela qual a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos à cooperativa de trabalho. Ora, o lançamento tributário que aqui se analisa foi efetuado justamente para prevenir a decadência dos eventuais créditos tributários previdenciários decorrentes de tais pagamentos. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 346 15 Vejamos a questão da concomitância. Para tanto, destaquemos as controvérsias existentes. No plano judicial, encontramos uma ADI proposts pela CNI à qual a Recorrente se vincula, em face da lei de Custeio da Previdência no que tange a incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos às cooperativas de trabalho. No plano administrativo, observamos que o Recorrente se insurge contra o lançamento tributário decorrente do pagamento efetuado às cooperativas. Ao buscarmos os elementos essenciais das duas demandas encontraremos: Administrativo Judicial Partes Recorrente e Fisco Confederação por substituição processual e Congresso Nacional Pedido Nulidade/Cancelamento lançamento Inconstitucionalidade de dispositivo da Lei de Custeio Causa de pedir Nulidade/ não incidência Ofensas aos preceitos constitucionais A simples leitura do quadro acima demonstra a inexistência de coincidência entres os elementos caracterizadores das lides, o que torna despiciendo que o contribuinte possa a vir obter a improcedência do lançamento como resultado da demanda judicial proposta. Assim, mister que se conheça do recurso apresentado, uma vez que não se pode, sob ofensa ao primado da lógica jurídica, aplicarse a Súmula CARF nº 1 ao caso em apreço, vez que nem mesmo o objeto, o pedido em si, é o mesmo. Na via judicial, se discute inconstitucionalida. Na via administrativa o pedido é cancelamento do lançamento, seja por nulidade, seja por regularidade na compensação. Não obstante o exposto, mister realçar que a concomitância de ações exige além da identidade do pedido, a identidade da causa de pedir. Em consequência, entendo pelo conhecimento do recurso. NO MÉRITO Antes de adentrarmos ao mérito das razões recursais, necessário reconhecer a declaração de inconstitucionalidade, pronunciada pelo Pretório Excelso, do inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/91, que fundamenta parte do lançamento fiscal. Sobre o tema, reproduzo, por sua concisão e clareza, e por concordar com seu inteiro teor, o voto da Conselheira Dione J Wasilewski, condutor do Acórdão 2201003.800, de 08 de agosto de 2017: Fl. 353DF CARF MF 16 "Ocorre que esse dispositivo teve sua constitucionalidade questionada perante o Supremo Tribunal Federal STF, no RE 595.838, tendo sido reconhecida sua repercussão geral, o que o submeteu a julgamento na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil de 1973 (Lei nº 5.869, de 1973). Julgando o mérito, o STF declarou a inconstitucionalidade da norma impugnada, em acórdão cuja ementa tem a seguinte redação: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. A União interpôs Embargos de Declaração em face dessa decisão, buscando a modulação dos seus efeitos. Esses embargos, entretanto, foram rejeitados, conforme evidencia a ementa do acórdão: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 15504.725545/201271 Acórdão n.º 2201004.074 S2C2T1 Fl. 347 17 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Tendo isso em vista, e considerando a previsão contida no § 2º do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, pelo qual as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF na sistemática do art. 543B da Lei nº 5.869, de 1973, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento administrativo, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria." (destaques não constam do original) Recordemos a imputação fiscal (fls. 11): 1.3 O Auto de Infração AI DEBCAD Número: 51.023.6006, que compõe o presente processo (Comprot N° 15504 725.545/201271) abrange Contribuição Previdenciária parte patronal lançada. 1.4 O Auto de Infração AI (DEBCAD N° 51.023.6006) lavrado por descumprimento de obrigação principal do qual este Relatório é parte, tem por finalidade apurar e constituir o crédito relativo à contribuição social objeto de ação judicial, na qual a empresa é parte, referente ao período de 01/2009 a 12/2009, face Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN perante do Supremo Tribunal Federal (STF) que questiona a constitucionalidade do inciso IV, artigo 22 da Lei 8.212/91. 1.5 Essa ação foi proposta pela Confederação Nacional da Indústria CNI, em 09/01/2002, e a SAMARCO MINERAÇÃO S.A., pertencendo ao Sindicato Nacional da Indústria da Extração Mineral do Ferro e Metais Básicos SINFERBASE, entidade vinculada à CNI, em caso de decisão favorável à autora da ação, teria os seus efeitos reconhecidos na auditada." (grifei) Inegável que o motivo do lançamento, prevenção de decadência de eventuais créditos tributários, restou superado em razão da inconstitucionalidade decretada. Forçoso reconhecer a improcedência do lançamento tributário. Fl. 355DF CARF MF 18 CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por conhecer do recurso voluntário, para, afastando as preliminares arguídas, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17787.720023/2015-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1001-000.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 78 7. 72 00 23 /2 01 5- 21 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 17787.720023/201521 Acórdão n.º 1001000.311 S1C0T1 Fl. 90 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Fortaleza (CE), mediante o Acórdão nº 0835.340, de 19/11/2014 (efls. 78/87), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos no original) O Contribuinte supraqualificado foi cientificado do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, data do Registro ocorrida em 09/01/2015, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRF/ Rio de Janeiro/RJ), fl. 6, por meio do qual tivera impedida a opção pelo citado Regime de Tributação, em virtude de possuir débitos previdenciários e débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, com exigibilidade não suspensa, ali informados. Inconformado com o não atendimento do seu Pleito, objeto do mencionado Termo de Indeferimento, data do registro em 09/01/2015, fl. 6, apresentou o Contribuinte Manifestação de Inconformidade, fls. 35/36, requerendo a sua inclusão no mencionado sistema de tributação diferenciado e argumentando em síntese: O Requerente todos os anos vem pagando ou parcelando os débitos no site da Receita Federal com referência a débitos previdenciários e da Receita Federal, a fim de não sair do Simples Nacional, a Empresa é de pequeno porte, exercendo as funções de comércio varejista que produz salgados e a sua renda é pequena e não tem como sobreviver se sair do Simples Nacional. Esse final de ano, requereu outra vez a opção do Simples e como causa de impedimento veio inicialmente informando problemas no Cadastro Municipal, já resolvido; quando entrou no site novamente em 09/01/2015, veio o indeferimento, tendo em vista a existência de débitos com RDB de uma multa de 01/07/2008, cuja guia foi extraída e paga nesta data em 01/2015 (anexo). Quanto aos valores de débitos previdenciários referentes às competências de 11/2008, 12/2008, 01/2009, 02/2009, 03/2009, 09/2009 e 11/2009, o Requerente tentou através do seu certificado digital parcelamento de débito, mas só estavam disponíveis os valores que foram parcelados de um outro período de 07/2010 09/2010 e 01/2013, conforme Pedido 1294043 de 13/01/2015, já paga a primeira parcela. Desta forma não existiria nenhum débito disponibilizado no site da Receita. A acrescentar apenas o fato de que o Termo de Indeferimento (efl. 4) refere se ao anocalendário 2010, cuja solicitação de opção foi na data de 29/01/2010. A DRJ constatou que o débito não previdenciário foi liquidado, mas considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois os débitos previdenciários "foram liquidados somente após a data do vencimento legal, estabelecida pela Resolução CGSN em vigor, conforme os Extratos DATAPREVINSS – liquidação dos débitos após janeiro de 2010". O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Fl. 90DF CARF MF Processo nº 17787.720023/201521 Acórdão n.º 1001000.311 S1C0T1 Fl. 91 3 Anocalendário: 2015 DÉBITOS LIQUIDADOS APÓS A DATA DO VENCIMENTO LEGAL. Tendo sido constatado que os débitos previdenciários foram liquidados após a data do vencimento legal, estabelecida pela Resolução em vigor do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), é cabível o Termo de Indeferimento da opção ao mencionado Regime Tributário diferenciado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2015 COMPARECIMENTO DO CONTRIBUINTE AOS AUTOS. DATA DEFESA. As Intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do Contribuinte supre sua falta ou irregularidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 19/04/2016, conforme Aviso de Recebimento à efl. 75, a recorrente encaminhou o recurso voluntário via SEDEX CORREIOS, sendo postado em 22/06/2016, conforme carimbo aposto no envelope (efls. 86/87). É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: "Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 17787.720023/201521 Acórdão n.º 1001000.311 S1C0T1 Fl. 92 4 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Acerca da Eficácia e Execução das Decisões, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte. Considerandose que a data de ciência foi no dia 19/04/2016 (terça feira), a contagem do prazo recursal deve iniciar na quartafeira, dia 20/04/2016. Tendo em vista que o prazo recursal esgotouse com o decurso de trinta dias, em 19/04/2016 (quintafeira), e o recurso voluntário foi apresentado em 22/06/2016, o mesmo é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado. Neste sentido, tendo em vista o não cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.015334/2004-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 1002-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha Medeiros.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decretolei nº. 2.124, de 13/06/1984. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 53 34 /2 00 4- 75 Fl. 66DF CARF MF 2 Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestre do anocalendário de 2002, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 1.324,35 (mil trezentos e vinte e quatro reais e trinta e cinco centavos) (efl. 7). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efls. 2/5) versando exclusivamente na alegação de que, no contexto, haveria configuração do instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN), porquanto encaminhado documental precedente a qualquer ato da Administração Fazendária. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 5ª Turma da DRJ/SPOI proferise o Acórdão nº 1612.551 (efls. 21/24) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral das exigências. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 30/38), reiterando o mesmo argumento rechaçado e acrescentando que, a seu ver, os lançamentos estariam esvaziados de fundamento jurídico, haja vista a suposta ausência de previsão legal para tal, fato que só teria ocorrido com o advento da Lei nº 10.406/2002. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar as alegações da recorrente. Aduzse, primeiramente, a ilegalidade normativa necessária ao suporte das exações objurgadas. Na especificidade, diante das razões apresentadas, há a compreensão de que as penalidades foram instituídas com base em instrumentos regulatórios expedidos Receita Federal do Brasil, vigentes à época da constituição do crédito tributário. Mercê da casual leitura, pretendese, desta forma, o afastamento das multas, uma vez que as normas infralegais manejadas, IN SRF nº 73/96 e IN nº 126/98, elencadas no auto de infração, não detêm natureza de lei, por isso inaptas a produzirem os efeitos determinados pelo inc. V, do art. 97, do CTN. Compreendo, de antemão, que o raciocínio advogado não merece guarida. Em verdade, o cerne da questão gravita em aferir a relação de validade entre o veículo introdutório e a norma na perspectiva do ordenamento jurídico. A ideia, nesse caso, é verificar não apenas como se sucedeu a introdução normativa, mas também, se esta atende as regras e os princípios matizados pelo direito positivado. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 19679.015334/200475 Acórdão n.º 1002000.012 S1C0T2 Fl. 56 3 Nesse sentido, é consabido que qualquer ato desenvolvido sobre a égide de um sistema jurídico vigente coordenase pelo mecanismo de fundamentação hierárquica derivativo da norma imediatamente superior. Mais que isso, denotase a pertinência de que, mediante o percurso de degraus ascendentes, seja alcançado o cume de um sistema piramidal, ocupado pela Constituição Federal, sendo esta a base de validade de todas as demais normas em vigor. De fato, essa apertada síntese nada mais é do que a própria Teoria Kelseniana que acabou por aprimorar o Direito ao nível de Ciência, apresentando precisamente a proposta de um corte epistemológico, de onde configurase a norma como objeto de estudo. No contexto, para que se infirme as alegações da recorrente, imprescindível elaborar uma breve digressão histórica que permeia a evolução do dever instrumental consubstanciado na entrega da DCTF. Incumbe constatar, inicialmente, que a instituição da referida declaração, bem como a correspondente penalidade para sua entrega a destempo, decorre da norma extraída do § 3º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, que assim dispõe: “Art. 5º O Ministro de Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 3º Sem prejuízo da penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº. 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº. 2.065, de 26 de outubro de 1983.” Notadamente, o texto colacionado exprime a autorização legal atribuída ao Ministro da Fazenda para instituir ou extinguir obrigações acessórias. Ocorre que, além do Decreto, constam outros atos normativos presentes na fundamentação legal do auto de infração. Com estrita relação a tal norma, emerge a Portaria MF n.º 118, de 1984 (efl. 7) destinada a materializar a delegação desta competência ao Secretário da Receita Federal, permitindolhe regulamentar o regime jurídico que rege a matéria. É dizer com isso que, a partir da construção jurídica hierarquicamente validada, criouse fundamento para a expedição das Instruções Normativas nº 73/96 e 126/98. Por esses termos, a recorrente equivocase ao entender que a mera regulamentação confundese com a instituição da obrigação acessória instrumental. De fato, a cominação legal a que se refere o inc. III, do art. 97, do CTN, tomada para a aplicação da multa pela entrega em atraso da DCTF durante o anocalendário 2002, remonta como fundamentação legal o DecretoLei nº 2.124/84 e não as instruções normativas multicitadas. Fl. 68DF CARF MF 4 Reforçando e atribuindo legitimidade a esse raciocínio, acrescento que a inteligência perfilhada encontrase em consonância com os precedentes extraídos da Corte Constitucional: "A Primeira Turma desta Corte sedimentou entendimento no sentido de que a Instrução Normativa nº 129/86, alterada pela IN nº 126/98 e disciplinada pela IN SRF nº 73/96, não instituiu a penalidade por atraso na entrega da DCTF, penalidade que foi prevista no artigo 11 do Decretolei nº 2.065/83.” (REsp 602.641/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/10/2006, DJ 15/02/2007, p. 214)." "A instrução normativa 73/96 estabelece apenas os regramentos administrativos para a apresentação das DCTF's, revelandose perfeitamente legítima a exigibilidade da obrigação acessória, não havendo que se falar em violação ao princípio da legalidade.” (EDcl no AgRg no REsp 507.467/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/11/2003, DJ 09/12/2003, p. 225)." INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (CF, ARTS. 5º, II; 150, I; CTN, ART. 97). “A expressão ‘legislação tributária’, contida no § 2º do art. 165, da Constituição Federal, tem sentido lato, abrangendo em seu conteúdo semântico não só a lei em sentido formal, mas qualquer ato normativo autorizado pelo princípio da legalidade a criar, majorar, alterar alíquota ou base de cálculo, extinguir tributo ou em relação a ele fixar isenções, anistia ou remissão.” (ADI 3949 MC, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 14/08/2008, DJe148 DIVULG 06082009 PUBLIC 07082009 EMENT VOL0236802 PP00248 RTJ VOL00212 PP00372). Ademais, muito embora não tenha sido levantado pela recorrente, mas ao mesmo tempo para que não pairem dúvidas sobre a extensão apreciativa deste conselho, eventualmente qualquer argumentação acerca da constitucionalidade do referido Decreto afastase do âmbito de competência desta instância administrativa. Para tanto, basta a direta remissão à Súmula Vinculante nº 2, de observação obrigatória no âmbito do CARF, para resolver em definitivo este aspecto, sendo oportuno a transcrição do verbete: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ultrapassada esta questão, temse que, a despeito de a entrega das declarações ter se consumado antes de qualquer providência da Receita Federal do Brasil, não há razões além daquelas tecidas pela Delegacia de Julgamento para acatar a tese da denúncia espontânea. Em verdade, o CARF já apreciou suficientemente este aspecto, a ponto de sedimentar posição consolidada, na qual encontramse pacíficos os dizeres da Súmula Vinculante nº 49, perfeitamente aplicáveis a discussão, de acordo o seguinte entendimento: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 19679.015334/200475 Acórdão n.º 1002000.012 S1C0T2 Fl. 57 5 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.721986/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 08/05/2014
Interposição fraudulenta presumida
Real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador e este não comprovou a origem, disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação.
Aplica-se a multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, em co-autoria com o real beneficiário, e ainda, declara-se a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ - PARECER/CAT No. 1067/2009.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3301-004.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 08/05/2014 Interposição fraudulenta presumida Real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador e este não comprovou a origem, disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação. Aplica-se a multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decreto-lei nº 1.455, de 1976, em co-autoria com o real beneficiário, e ainda, declara-se a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ - PARECER/CAT No. 1067/2009. Recurso voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. José Henrique Mauri - Presidente. Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Aplicase a multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário, e ainda, declarase a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ PARECER/CAT No. 1067/2009. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 19 86 /2 01 4- 71 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 655 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1666.162 (fls. 377 a 423), de 26 de fevereiro de 2015, proferido pela 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) – DRJ/SPO – que julgou, por maioria de votos, improcedente a impugnação do Contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 30/07/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 6.637,16, em virtude dos fatos a seguir escritos. A empresa em epígrafe não apresentou documentação que possibilite comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos que demonstre o financiamento de suas importações, o que configura a presunção legal tipificada no §2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76 e por consequência a incidência da pena de perdimento. Devido a impossibilidade de apreensão das mercadorias passiveis de perdimento, incidiu o disposto no §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976. Assim, foi lavrado o presente Auto de Infração para a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 15/08/2014 (fls. 3), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 27/08/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 251 à 299, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: DAS PRELIMINARES ⊙ A NULIDADE POR FALTA DE INTIMAÇÃO DA REGISTRO DE PROCEDIMENTO FISCAL A empresa Sosecal S.A. foi intimada para apresentar defesa quanto à aplicação de multa por decorrência da cessão de nome e suposta interposição fraudulenta de terceiros. Ocorre porém que não foi dado conhecer em momento oportuno à impugnante do RPF 0727600 / 2014 / 00052 1, que teriam acobertado o processo administrativo referenciado, devendo ser lembrado ainda que não, ou não foi dado conhecer, de existente Mandado de Procedimento Fiscal ou Registro de Procedimento Fiscal exarado em face da impugnante. Deixou de observar o agente fiscal que serão aplicadas ao responsável solidário as mesmas regras procedimentais previstas para o devedor principal, e que tal Fl. 655DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 656 3 inobservância gera a nulidade de todo o procedimento. Junta textos da jurisprudência administrativa. Assim, deveria a autoridade competente ter expedido Mandado de Procedimento Fiscal em face da peticionante e ofertado o devido contraditório. Não o fazendo maculou todo o procedimento, não podendo imputar responsabilidade solidária a pessoa que não participou do procedimento de fiscalização. ⊙ DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO SEM MPFF (MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO) Com o simples compulsar do "Termo de Início da Ação Fiscal e Retenção de Mercadorias" e do "Termo de Intimação SAPEA n° 05/2014", podemos observar que estão alicerçados em suposto Registro de Procedimento Fiscal de número 07276002014000521 do qual nunca foi dado conhecimento a ora impugnante, o que já gera a nulidade de todo o procedimento. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (N° Acórdão 1301000.824 Processo n. 19515.005149/200879. Relator(a) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR. Data da Sessão14/03/2012). Ocorre que o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização é o meio legal e adequado para dar início ao procedimento especial de fiscalização aduaneira, tanto que no auto de infração só existe o campo para o preenchimento com o número no MPF e não com o número de RPF. Conforme nos relata a própria Receita Federal do Brasil, o Registro de Procedimento Fiscal é documento de caráter interno que registra todas as atividades fiscais Transcreve trechos da Portaria Coana n ° 33, de 16 de novembro de 2003. A Receita Federal possui meios específicos e adequados para o desempenho das suas funções, de forma a preservar os direitos dos contribuintes, nestes termos a Portaria 3.014 da Secretaria da Receita Federal do Brasil, já prescrevia a necessidade de emissão do Mando de Procedimento Fiscal – Fiscalização. Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria 3.014 da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ademais, é cediço de todos, que o disposto no art. 2°, §3°, I do Decreto n° 3.724/2001 está dispensando do Mandado de Fiscalização somente para os atos fiscalizatórios ordinário previsto no despacho de importação (IN 680), atos a serem praticados durante o normal trâmite do despacho aduaneiro, e não os atos previstos na IN 1.169/11. As diligências permitidas e exercidas no curso do despachado aduaneiro de importação estão previstas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil n° 680. Já neste ponto, com o simples compulsar da supra mencionada IN 680, podemos facilmente observar que não existe previsão, ou seja, autorização de praticar os atos fiscalizatórios, exercidos no presente caso, devendo ser expedido o competente Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização. Está prescrito no artigo 23 da Instrução Normativa 680 que nas hipóteses de constatação de indícios de fraude na importação, independente do despacho aduaneiro de importação e canal de conferência, os elementos deverão ser encaminhados ao setor competente para, de forma fundamentada, ser submetida ao procedimento especial de fiscalização. O artigo supra transcrito não deixa margem de dúvida de que o procedimento especial de fiscalização não está inserido no despacho aduaneiro de importação, ou Fl. 656DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 657 4 seja, não é um mero ato fiscalizatório, é procedimento apartado de fiscalização com amplos poderes tendente a aferir inclusive a ocorrência de ilicitudes penais. O presente procedimento de fiscalização se deu baseado na Instrução Normativa n° 1.169/2011, conforme Termo de Intimação Fiscal n° 056/2013. Transcreve o artigo 1º da Instrução Normativa n° 1.169/2011. Observase que o artigo, in fini, pressupõe que se inicia o referido procedimento especial “independentemente de ter sido iniciado o despacho aduaneiro (...)", deixando claro que o procedimento especial de fiscalização não está inserido no despacho aduaneiro. A própria instrução normativa 1.169/2011 é hialina que são procedimentos totalmente distintos, que não podem andar em conjunto, posto que no parágrafo único do artigo 5° prescreve que ficará interrompido o despacho aduaneiro enquanto perdurar o procedimento especial de fiscalização, restando claro que o procedimento especial não faz parte do despacho aduaneiro: Transcreve o artigo 5º da Instrução Normativa SRF n° 1.169/2011. Se entendêssemos que o procedimento especial de fiscalização faz parte do despacho aduaneiro, seria aceitar que o procedimento especial de fiscalização está determinando a interrupção do próprio processo de fiscalização. Por outro lado seria admitir à tábua rasa, que o procedimento especial de fiscalização se cinge ao livre talante do servidor fiscal, o que não prescreve a norma à qual deve se submeter. No caso em tela nem mesmo foi dado ciência do suposto RPF, expedido em face da empresa SOSECAL S.A., já que não lhe foi disponibilizada cópia ou acesso pela internet, ou no presente processo. Isto posto, resta hialino que o RPF utilizado para fulcrar o início da atuação do auditor fiscal não se presta para tal mister, assim como a impugnante nunca tomou ciência do RPF ou de MPF, já culminando de nulidade todo o procedimento administrativo que deve decretado por impulsão dessa Autoridade. ⊙ A ILEGITIMIDADE PASSIVA E DA RESPONSABILIDADE SUBJETIVA Diz o ilustre auditor fiscal que a responsabilidade da ora impugnante é objetiva em face da previsão do artigo 136 do Código Tributário Nacional. Não temos dúvidas que o CTN adota a responsabilidade objetiva via de regra. Ocorre, porém que as exceções a esta regra são maiores que a própria regra em si, o próprio artigo 137 do CTN já traz as hipóteses de ressalva. Junta textos da doutrina de Eduardo Sabbag: (SABBAG, Eduardo Moraes. Direito tributário São Paulo : Siciliano Jurídico, 2003, p. 164). Portanto, o artigo 136 do CTN define que a infração é objetiva, por regra, porém o próprio CTN prevê situações de subjetividade para apuração de infrações, como no caso dos art. 112 e 108 ,§2° do CTN. Podemos facilmente observar no caso em tela diz o auditor fiscal que os fatos narrado possuem correspondência no artigo 1° da Lei n° 8.137/1990, logo se subsume perfeita menção ao Inciso I do artigo 137 do CTN, por lógica não se aplica a responsabilidade objetiva, não havendo presunção de solidariedade a ser aplicada. ⊙ AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E DE FUNDADA SUSPEITA Com o compulsar do "Termo de Início da Ação Fiscal e Retenção de Mercadorias" e o "Termo de Intimação SAPEA n° 05/2014" não observamos em momento algum a Fl. 657DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 658 5 indicação de fatos que levariam a uma fundada suspeita de ilegalidade punível com perdimento da mercadoria de forma a motivar a fiscalização. Nos "Termo de Início da Ação Fiscal e Retenção de Mercadorias" e o "Termo de Intimação SAPEA n° 05/2014", ou mesmo do MPF, não foi encontrado fato que pudesse ser interpretado como indício de ilegalidade que pudesse submeter a presente operação de importação ao procedimento especial de fiscalização, como pretende a autoridade fiscal. Somente no Auto de Infração a autoridade aduaneira explicita que as suspeitas se deram com esteio em importação pretérita realizada pela Impugnante que tinha por finalidade nacionalizar equipamentos de telecomunicação em 16/09/2013, Declaração de Importação 13/18162337. Estas suspeitas não recaem em momento algum sobre a presente Declaração de Importação, qual seja 14/00854603, não podendo a alfândega abrir procedimento especial somente por suspeita ocorridas em outro processo de importação. Ocorre que o Decretolei 37 de 1966, recepcionado em nosso ordenamento como Lei Ordinária, que organiza os serviços aduaneiros em território nacional, é hialino ao explicitar que somente com fundada suspeita de ilegalidade a Receita Federal poderá adotar o procedimento especial de fiscalização. Transcreve o artigo 53 do DecretoLei n° 37/66. Da mesma forma o Regulamento Aduaneiro, Decreto 6759/2009, prescreve que para que uma mercadoria seja retida e submetida a processo de fiscalização devem estar presente, necessariamente fatos que embasem uma fundada suspeita de ilegalizada e penalizada com perdimento de mercadoria. Transcreve o artigo 793 e 794 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002. Transcreve o artigo 1º e artigo 4º da Instrução Normativa 1169/2011. Junta textos da doutrina de Paulo Cesar Alves Rocha. No presente processo, em momento algum, como podemos observar, fora colacionada fundada suspeita que pudesse embasar o pedido de submissão do presente processo de importação ao procedimento especial de fiscalização ou mesmo a retenção da mercadoria. Junta textos da jurisprudência: (TRF4 AG: 25073 PR 2007.04.00.0250734, Relator: JOEL ILAN PACIORNIK, Data de Julgamento: 07/11/2007, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: D.E. 20/11 /2007); (TRF4 2006.70.08.001662 9/PR , Relator: ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA, Data de Julgamento: 23/06/2010, PRIMEIRA TURMA); (TRF4 AG: 10564 PR 2008.04.00.0105647, Relator: JOEL ILAN PACIORNIK, Data de Julgamento: 23/07/2008, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: D.E. 05/08/2008). Como já mencionado, o MPFF é um instrumento de garantia do sujeito passivo que dá maior eficácia normativa ao Princípio do Devido Processo Legal. A inobservância de suas regras, a não demonstração clara e objetiva do que se pretende fiscalizar, bem como a não indicação do que teria gerado a fundada suspeita, vai de encontro ao Princípio do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e Contraditório. Nesse sentido, é importante destacar que a autoridade fiscal deixa de apontar a fundada suspeita, ou motivar a fiscalização, e não demonstra, de forma objetiva, o objeto da fiscalização a ser executado no procedimento fiscal, o que acarreta a nulidade do procedimento fiscal. ⊙ AUSÊNCIA DE ATRIBUIÇÃO DO AUDITOR FISCAL Fl. 658DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 659 6 Também podemos observar que até o presente momento, não foi apresentado ao contribuinte, o ato administrativo que delegou ao respeitável auditor atribuição para a execução do processo especial de fiscalização, devidamente assinado pelo Inspetor Chefe, ou pelo Chefe do Sapea, quando houver ato de delegação de atribuição. Para tanto, caberia ao titular da unidade da SRF emitir MPFF determinando o início da ação fiscalizadora descrita na epigrafada Instrução Normativa, nomeando auditor para sua execução, ou até mesmo delegar esta atribuição ao Chefe do Sapea, o que não resta comprovado no caso em tela. O presente caso tratase de circunstância de competência específica do Auditor Fiscal da Receita Federal que, para atuar em objeto da IN 1.169, sempre estará na dependência de ato circunstanciado e especial, emanado pelo InspetorChefe ou da COANA, nomeando um auditor federal para a execução do procedimento especial. Nesse diapasão, já restou comprovada a necessidade de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização, autorizando o procedimento especial de fiscalização e nomeando Auditor Fiscal para execução. Transcreve o artigo 6º do Decreto n° 70.235/72. É indiscutível que no presente caso a obediência hierárquica imposta pela norma administrativa restou comprometida, motivo que deve ser obstado o procedimento eivado de ilegalidade. Como consequência infalível da atuação sem autorização, o que implica em agir fora dos limites de competência, o Decreto n° 70.235/1972 impões o ônus da nulidade do ato administrativo. Ante ao exposto, é imperativa a aplicação dos dispositivos legais apresentados, razão pela qual se requer a nulidade do procedimento administrativo instaurado e, consequentemente, das sanções dele resultantes. ⊙ DA INOBSERVÂNCIA DO PRAZO e PRORROGAÇOES IMOTIVADAS. Diz o termo de início de fiscalização que a DI 14/00854603 foi submetida a procedimento especial previsto na IN 1169/2011, por conseguinte a própria instrução normativa 1169/2011 SRFB prescreve prazo de máximo de 90 (noventa) dias para o seu término, sendo que sua prorrogação deve ser motivada. Transcreve o artigo 9º da IN 1169/2011. Com a simples análise dos autos, podemos observar que o presente procedimento teve início em 03 de fevereiro de 2014, ocorre, porém que o presente auto de infração e foi concluído no dia 30 de julho de 2014, quando da juntada dos devidos documentos ao auto de infração, data em que já havia escoado o prazo legal, ou seja, já havei o transcorrido mais de 150 dias de fiscalização sem qualquer motivada prorrogação. Não só se ultrapassou o prazo estipulado para a conclusão da fiscalização com esteio na IN 1.169, mas também com base no art. 7°, § 2° do Decreto 70.235/72, que prescreve o prazo de 60 para validade do MPF, prazo este que pode ser renovado somente de forma justificada. Podemos observar que após a data máxima prevista na IN 1169, bem como pelo Decreto 70.235/72 o respeitável auditor ainda não havia concluído o procedimento administrativo. É cediço que todo ato administrativo emitido pela Administração pública deve conter os elementos essenciais, quais sejam: sujeito, objeto, forma, finalidade, prazo e motivo. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 660 7 No presente caso, não foi apresentado à ora peticionante a motivação para prorrogação do procedimento administrativo fiscal ou registro de procedimento fiscal. A não apresentação do motivo/fundamento para prorrogar o procedimento especial de fiscalização, ou mesmo de decisão que prorrogou de forma motivada a fiscalização, MPF ou RPF, acarreta a nulidade do processo administrativo. Como já observado no tópico, todos os prazos legais e mandamentais já transcorreram sem a devida conclusão, extrapolando o prazo de 90 dias prescrito na Instrução Normativa e de 60 dias prescrito no Decreto 70.235/72 para a conclusão da fiscalização. Junta textos da jurisprudência: (STJ REsp: 666277 CE 2004/00975916, Relator: Ministra ELIANA CALMON, Data de Julgamento: 02/11 /2005, T2 – SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 21.11.2005 p. 187). Nestes termos, pelo decurso do prazo de fiscalização, assim como, pelas prorrogações imotivadas e desproporcionais deve ser reconhecida a ilegalidade, eivando o processo administrativo. ⊙ DA FALTA DE ATRIBUIÇÃO DO AUDITOR FISCAL e FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PARA PRORROGAR A FISCALIZAÇÃO Urge salientar que, ao analisarmos o Termo de Início de Ação Fiscal, anexo ao Autor de Infração ora impugnado, observase que o procedimento de fiscalização está alicerçado no RPF 07276002014000521. Nessa linha, é cediço de todos que o Registro de Procedimento Fiscal não concede poderes para o auditor prorrogar o prazo da fiscalização. Ademais, não é da competência do auditor fiscal prorrogar a fiscalização, sendo que no caso em tela nem mesmo foi emitido o chamado Termo de Ciência da Continuidade do Procedimento Fiscal. Incorre em ilegalidade na medida em que o próprio auditor fiscal extrapola o prazo de 90 dias na fiscalização sem ter poderes para tal mister e sem motivar a necessidade da continuidade da fiscalização. Não é pela ilegalidade da não emissão de MPF que os direitos assegurados ao contribuinte não podem ser exercidos, assim a Portaria SRF n.° 6.087/2005 prescreve a necessidade da renovação de Mandado de Fiscalização com nomeação de novo auditor fiscal, pela autoridade emitente, para a continuidade da fiscalização após o vencimento do prazo. Transcreve o artigo 16 da Portaria SRF n.° 6.087/2005. Extraímos do dispositivo acima, paralelamente em análise ao caso em tela, que o Auditor Fiscal não possui atribuição para continuar a desde o momento que foram completos os noventa dias, e muito menos de determinar a sua continuidade haja em vista que o rol é taxativo para preservar o princípio da segurança jurídica no processo administrativo. Mesmo com o prazo para fiscalizar vencido, o respeitável auditor fiscal, continuou com a fiscalização, infringindo de forma latente todo o artigo 16 da Portaria SRF n.° 6.087/2005, quando deveria ter sido expedido novo Mandado de Fiscalização pela autoridade competente, nomeando novo fiscal para terminar os trabalhos, encerrando (interpretando o artigo a contrário sensu) na nulidade dos atos praticados. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 661 8 Por fim, não há MPF exarado em face da ora impugnante, e o presente auto foi expedido quando o RPF já estava vencido já que todos os prazo para a fiscalização já havia escoado eivando de nulidade o procedimento administrativo. DO MÉRITO ⊙ AUSÊNCIA DE PRESUNÇÃO LEGAL Compulsando o presente auto de infração, podemos observar quando da descrição dos fatos e enquadramento legal que diz o respeitável auditor fiscal que estaria a ora impugnante incorrendo em ocultação do real comprador ou responsável pela operação da importação. Por tudo apresentado neste Auto de Infração, restou legalmente presumida a ocorrência da ocultação do real comprador ou do responsável pela operação de importação constante da Declaração de Importação n° 14/00854603 em consequência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nos pagamentos à consecução desse fim. E a presunção legal da ocorrência da ocultação do real comprador ou responsável por essa operação de Comércio Exterior implica, logicamente, na cessão de nome para o acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação contida na DI objeto deste auto de infração. Na Dl 14/00854603 foi informado tratarse de operação de Comércio Exterior que teria sido efetuada por conta e ordem da Sosecal S/A e na condição de adquirente das mercadorias é esta empresa que deve dispor dos recursos financeiros necessários à realização dessa importação. Por esse motivo e em razão da presunção legal de interposiçâo fraudulenta, a multa por cessão de nome prevista no art. 33 da Lei ns 11.488/07 deve ser aplicada à Sosecal S/A. E, em decorrência desta ocultação do real comprador, faria jus à multa por cessão de nome. Contudo, no caso em tela, para lastrear a referida multa, invocam a ocultação do real comprador e a presunção de dano ao erário com esteio no art. 23, inciso V e parágrafos 1° e 2° do DecretoLei 1.455/76. Essas infrações à legislação aduaneira, cujas suspeitas de ocorrência nas operações de importação realizadas pela Sosecal Ltda foram detectadas pela Coana, estão previstas no art. 105, inciso VI, do DecretoLei 37/66 e art. 23, inciso V, do Decreto Lei 1.455/76 e, caso sejam constatadas, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. Com a simples leitura dos dispositivos invocados, principalmente quanto ao parágrafo 2° do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76, fica claro que a presunção invocada não se subsume aos fatos narrados não podendo prosperar. A presunção está firmada no fato de não restar comprovado a origem dos recursos empregados na operação de importação, o que é de fácil comprovação. Junta textos da doutrina de Heleno Tavares Torres. Esta presunção é condição para a qualificação de uma situação acima identificada, como é o caso da hipótese de ocultação do comprador ou de responsável pela operação. Despreza o respeitável auditor fiscal que a empresa adquirente possui Capital Social integralizado no valor de R$1.450.000,00 (um milhão, quatrocentos e cinquenta mil ais) sob o argumento de que na declaração de IRPJ no exercício de 2013, ano Fl. 661DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 662 9 calendário 2012, teria a empresa adquirente informado prejuízo que foi superior às receitas líquidas de sua atividade. Observe que o argumento utilizado é muito precário, posto que não foi utilizado as informações do exercício de 2013, e sim de 2012, informações estas de dois anos atrás, não refletindo a atual situação da empresa. Deixa também de observar que a DIPJ do ano calendário 2012 foi objeto de retificação (doc. 5) passando a constar um lucro da monta de R$2.811.271,22 (dois milhões, oitocentos e onze mil, duzentos e setenta e um reais e vinte e dois centavos). Também colacionados foram, em resposta ao quesito 15 e 16 da intimação n° 05/2014, extratos da declaração de importação que comprova que os custos tributários foram arcados pela importadora (doc. 4), extratos bancários comprovando os débitos, assim como, contrato de câmbio em nome da adquirente, e extrato bancário comprovando a saída dos valores, comprovando a Disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Nesta senda, não há que se dizer que não restou comprovada a origem dos recursos empregados na importação ou a sua efetiva transferência, estes restam comprovados pelos documentos ora colacionados jogando por terra a presunção suscitada. ⊙ DA VINCULAÇÃO ENTRE SOSECAL E SW E DA ORIGEM DOS VALORES Já restou hialino desde a resposta do primeiro termo de intimação fiscal que, a SW administra os recursos da empresa Sosecal S.A., assim para tal mister foi celebrado contrato de prestação de serviço já colacionado aos autos. Ademais, em resposta ao termo de intimação fiscal 21/2014 a empresa Sosecal deixa bem claro que os seus recursos são provenientes da venda de uma diversidade de produtos no atacado e no varejo, comprovando o dito colacionando documentos contábeis, já mencionados supra, que comprovam a capacidade financeira, origem dos recursos e efetiva transferência. Todos os recursos restaram devidamente comprovados e justificados, restando hialino a capacidade financeira da empresa adquirente para suportar a importação, devendo ser declarado insubsistente o presente auto de infração. ⊙ O AUTO DE INFRAÇÃO É INTEGRALMENTE BASEADO EM INDÍCIOS A fiscalização faz inúmeras presunções consubstanciadas em fatos e alegações nc o comprovados e ignora justificativas apresentadas pela importadora, não logra nc o êx. o na sua tarefa legal de provar aquilo que afirma. A jurisprudência pátria já pacificou que as infrações baseadas em ocultação do real comprador não devem se basear em indício e sim em provas inequívocas. Junta textos da jurisprudência administrativa: (DRJFNS Ac. 0710040 Delegado da Receita Federal J. 22. 06.2007 ); (CARF Proc. 12466004106200426 (320100496) Rel. Cons. Adm. J. 01.07.2010). De acordo com Moacyr Amaral dos Santos, o desconhecimento ou ignorância da realidade fática, ou seja, a incerteza de que os fatos considerados conhecidos sejam reais, põe em risco a validade da presunção sobre o fato desconhecido, levando a fiscalização à perda de tempo com a sucumbência das acusações irrelevantes. A própria autoridade fiscal reconhece que tais ilações se prestam apenas como indícios durante todo o auto de infração, inclusive nomeando um capítulo do auto de infra ã de “Dos indícios de ocultação do real comprador”. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 663 10 Interessante que os ditos indícios são as únicas "provas" colacionadas a s a os para tentar comprovar a suposta ocultação do real comprador, deixando de colacionar provas admitidas em direito. Junta textos da jurisprudência administrativa: (ACÓRDÃO 301 28762); (ACÓRDÃO 30128627). Ora, a situação demandaria justamente o inverso: caberia ao Fisco demonstrar efetivamente a ocorrência da ocultação do real comprador, e a incapacidade financeira do importador. Repitase, a aludida atividade vinculada não se mostra compatível com a dúvida. Em virtude do princípio da verdade real, aplicável ao processo administrativo, a Administração deve provar suas alegações por meio de provas robustas, e não através de meras suposições que não demonstram qualquer correlação entre a conduta da adquente e a pena a ser aplicada. Portanto, tendo em vista que as alegações da RFB são baseadas apenas em suposições, sem o necessário arcabouço de provas, nem mesmo a prova do nexo de causalidade entre as condutas que esta visa penalizar e o caso concreto, não há como subsistir a imposição da pena de perdimento em questão. Assim, ante o exposto, concluise que a autoridade fiscal não se desincumbiu do dever de demonstrar a ocorrência do fato, gerando a insubsistência da autuação. ⊙ DA NÃO CARACTERIZAÇÃO DA OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE A ocultação do suposto real adquirente significa manter recôndito da relação obrigacional tributária, dolosamente, mediante o emprego de fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, o verdadeiro sujeito passivo, o que geralmente se opera atendendo aos seguintes requisitos: a) conluio entre as partes: acordo prévio entre o real beneficiário, geralmente o detentor do capital, e um terceiro sem capacidade econômicofinanceira compatível com a operação de comércio exterior, que é utilizado para tentar fazer parecer às autoridades tributárias tratarse do sujeito passivo quando não o é; b) o propósito de enganar terceiro ou fraudar a lei: o fim objetivado tentar enganar a ação fiscalizatória da RFB, ocultar o real beneficiário da operação de comércio exterior e suprimir ou não recolher os tributos devidos, com o fito de fraudar a legislação; c) a discordância consciente entre a vontade e a declaração: uma terceira pessoa conscientemente tenta encobrir a verdade, o real enquadramento tributário, o real sujeito passivo, mediante declaração falsa. Ocorre que, no presente caso, nenhum destes requisitos restou demonstrado, ou até mesmo abordado, não havendo como os fatos narrados no auto de infração se subsumirem em ocultação, interposição, simulação ou fraude. Junta textos da doutrina de Angela Sartori. O Projeto de Lei que redundou na edição da Lei n° 9.613/98 introduziu em nosso ordenamento jurídico o ilícito de interposição fraudulenta de terceiros. Referida norma dispõe sobre os crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores; a prevenção da utilização do sistema financeiro para os ilícitos. A definição do delito de interposição fraudulenta no dizer do legislador, corresponde: aquele em que alguém prestase a intermediar negócio com recursos ou coisas que sabe ser produto de crime antecedente. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 664 11 Transcreve trechos da Exposição de Motivos da Lei Lei n° 9.613/98. Do exposto, a "interposição fraudulenta" corresponderia a um crime conexo, posto que praticado na intenção de ocultar coisa ou dinheiro que tem como origem um dos crimes elencados no artigo 1° da Lei n° 9.613/98. Portanto pressupõe um crime antecedente, como por exemplo: tráfico de drogas; terrorismo; contrabando ou tráfico de armas, munições ou material destinado à sua produção; de extorsão mediante sequestro; contra a administração pública (corrupção); contra o sistema financeiro nacional; praticado por organização criminosa. Portanto, a condição para aplicação do artigo acima é que a interposta pessoa saiba que os recursos financeiros empregados nas operações têm origem em um dos crimes antecedentes tipificados no artigo 1° da referida Lei. Diante de todo o exposto, entendemos que a pena de perdimento aplicada aos casos de interposição fraudulenta e falsidade só insurge no mundo jurídico quando praticada ao fito de ocultar dinheiro ilícito, fruto de crime antecedente, nos termos do artigo 1 da Lei n° 9.613/1998. ⊙ DA AUSÊNCIA DE DOLO E DE DANO AO ERÁRIO Sabese que a pena de perdimento aplicada pela fiscalização requer a presença de expediente fraudulento ou de simulação (dolo/máfé). No presente caso porém, não há qualquer referencia a fraude ou simulação realizado pelas Autoras, entendendo a fiscalização apenas por ocultação de "reais compradores" ou "responsáveis pela operação" meramente com base no relacionamento comercial existente entre as empresas. Para a caracterização do delito punível com a medida mais grave, qual seja, a pena de perdimento, é necessária a clara visualização do dolo especifico, ou seja, da ciência da prática do ato fraudulento visando a obtenção de vantagem que não seria auferida de outro modo, de maneira a se justificar sua prática. Junta textos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: (STJ , Relator: Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Data de Julgamento: 08/10/2013, T1 PRIMEIRA TURMA); (STJ AgRg no REsp: 1156417 SC 2009/01746582, Relator: Ministro SÉRGIO KUKINA, Data de Julgamento: 19/09/2013, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 26/09/2013); (STJ , Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 02/06/2011, T2 SEGUNDA TURMA). Cumpre ressaltar que todos os entes envolvidos na operação, até mesmo aqueles acusados de serem os supostos “responsáveis pela operação" possuem plena capacidade econômica e financeira, como já demonstrado, para realizar as importações diretamente, caso tivessem interesse, não sendo necessária interposta pessoa de modo a realizar qualquer tipo de fraude. Ainda que se aceitasse a possibilidade de uma participação em interposição fraudulenta, esta se daria com o objetivo, dolo, devidamente representado, qual seja, ou a incapacidade financeira de custear a importação, o que não se verifica, ou ainda o afastamento das obrigações tributária dela devida, o que nunca ocorreu. A Receita entende que a ocultação do real adquirente ou do encomendante tem o escopo de afastar as obrigações tributárias principais e acessórias do processo de importação. Contudo, tal afastamento nunca foi verificado visto que todas as obrigações fiscais foram cumpridas, não havendo nenhum dano ao erário decorrente da referida operação. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 665 12 Na operação que deu azo a Autuação, todos os impostos foram recolhidos (Imposto de Importação, IPI, PIS/COFISImportação e o ICMSImportação), tanto é que não houve lançamentos tributários nesse sentido, circunstanciando o presente auto apenas as questões aduaneiras, haja vista não haverem cotas tributárias a ser burladas, vez que todas foram devidamente adimplidas. Resta evidente que a fiscalização nunca demonstrou nenhuma conduta fraudulenta ou simulada com o intuito de ocultar o real comprador das mercadorias ou sua conseqü.ncia prática, o dano ao erário, visto que este nunca aconteceu. Uma vez percebido que todos os impostos devidos na importação foram regularmente recolhidos, ou seja, não há demonstração de dolo ou máfé em ocultar o "real comprador", fica claro que não houve dano ao erário, que seria o dolo da interposição fraudulenta. Nos casos em que a importação por encomenda não decorre de fraude comprovada, mas possui apenas interpretação controversa das relações comerciais existentes entre a importadora e terceiros, para se definir quem seria o efetivo destinatário das mercadorias, fica premente a necessidade de caráter objetivo para a aplicação de pena de perdimento, qual seja, o dano ao erário que nunca ocorreu. O auto de infração impugnado em momento algum aponta, de forma especifica e direta, qualquer prejuízo incorrido pelo Erário em relação aos fatos abrangidos na fiscalização e tampouco o dolo ou máfé dos agentes envolvidos. A pena de perdimento almeja punir os intervenientes do comércio exterior brasileiro que dolosamente transgridam as normas aduaneiras que ocasionam dano ao Erário. Dessa forma, para que a mesma seja válida e justificadamente aplicada, fazse necessária a comprovação de que o agente agiu dolosamente, bem como que o ato acarretou dano ao Erário. Impende enfatizar que não foram apresentados pela autoridade aduaneira quaisquer fatos objetivos que apontem para ações dolosamente promovidas pela impugnante a fim de infringir as normas aduaneiras. Por mais este fator, percebese que a atuação da impugnada é desmedida e totalmente contrária aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, considerada a total inexistência de elemento doloso por parte da impugnante. Pelo contrário, pela apresentação dos documentos solicitados, atendimentos as intimações fiscais, e pelo contrato colacionado aos autos e normas da Anatel, e toda analise da operação só podemos concluir que não houve dolo. ⊙ DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA Conforme demonstrado nos tópicos anteriores, à ora Impugnante fora aplicada pena de multa em razão de supostos indícios de que estaria cedendo seu nome e de que haveria interposição fraudulenta, sendo tal penalidade aplicada com base no disposto nos artigos 23, V, parágrafos 1° e 2° do DL 1.455/1976 e 33 da Lei 11.488/2007. Ocorre, entretanto, que as penalidades descritas acima possuem naturezas distintas e, por consequência, se dirigem a agentes diversos, é o que se passa a demonstrar. A pena de perdimento constante do artigo 23 do DL 1.455 visa a punição do "adquirente", nos casos em que houver indícios de ocultação do real comprador, ou seja, pretende coibir a ação de agentes ocultos, verdadeiros responsáveis pela importação. Pretensão diversa possui a multa disposta no artigo 33 da Lei 11.488/2007, tendo o condão de atingir o importador ou exportador ostensivo, de modo que, com seu Fl. 665DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 666 13 advento, não há mais que se falar em sujeição solidária do importador à pena de perdimento, nem mesmo do adquirente à multa de 10% sobre o valor da mercadoria. Nessa linha, concluise que, pela suposta ocultação do real comprador, apenas pode sofrer a penalidade o adquirente e, consequentemente, pelo fato de “ceder o nome”, somente pode ser punido o importador ostensivo. Ora, a Impugnante é apenas a adquirente da mercadoria importada, sendo que em momento algum logrou êxito o Auditor Fiscal em provar o contrário, de modo que não pode sofrer a penalidade ora discutida, posto que de aplicação exclusiva ao importador ostensivo. O parágrafo único do artigo 33 constitui norma explicativa destinada a afastar a imputação de inidoneidade da empresa que meramente “cede o nome”. Por outro lado, se além de “ceder o nome”, a empresa não comprovar a origem do capital empregado no comércio exterior, resta presumida sua inidoneidade, a ensejar a inaptidão de sua inscrição no CNPJ, por força da presunção estampada no artigo 81, § 1°, da Lei 9.430/1996. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei 11.488/2007, aplicase o artigo 33 retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. Como o autor de infração foi lavrado posteriormente á entrada em vigor da Lei 11.488/2007, impondose a conversão da pena de perdimento ao importador, é manifesta sua improcedência. Lançamento Improcedente Acordam os membros da 2° Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente o lançamento, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente acórdão. Desta feita, não há como prosperar a multa aplicada à empresa SOSECAL S.A., ora Impugnante, pois figurou na operação de importação como adquirente, devendo a penalidade ser direcionada à Vale Importação, pois importadora ostensiva da mercadoria. ⊙ DOS PEDIDOS Por todo o exposto, pede e espera a Impugnante seja declarada a nulidade dos Autos de Infração, nos termos das preliminares arguidas, ou caso ultrapassadas, seja reconhecida a insubsistência dos mesmos, bem como, em virtude das razões aqui expendidas. Provará o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial pelos documentos em anexo. A decisão ora recorrida julgou improcedente o pedido do Contribuinte por maioria de votos, vencidos o relator Jorge Lima Abud e o julgador Renato Yoshikawa, com o voto vencedor de Tânia Regina Coutinho Lourenço. Tendo em vista a negativa do Acórdão ora recorrido que indeferiu a impugnação do Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário (fls. 430 a 461), em 1º de junho de 2015, visando a reforma da citada decisão. É o relatório. Voto Fl. 666DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 667 14 Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1666.162, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 08/05/2014 Interposição fraudulenta presumida Real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador e este não comprovou a origem, disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação. Aplicase a multa do art. 33 da Lei nº. 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei nº. 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário, e ainda, declarase a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ PARECER/CAT Nº. 1067/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido De forma sucinta o que se discute nos autos é o fato de o beneficiário da operação de comércio exterior ser ou não o importador de fato e não haver a comprovação de origem, disponibilidade e da transferência dos recursos para realizar a referida operação. Os argumentos trazidos no Recurso Voluntário são os mesmos quando da impugnação. A Fiscalização, por meio do Auto de Infração (fls. 5 a 6), entendeu que o Contribuinte cedeu o seu nome de pessoa jurídica para acobertar os reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação. Salientase que no presente caso, quando da análise pela DRJ, julgouse por maioria de votos improcedente o pedido do Contribuinte. Neste contexto, citase trechos do voto vencedor como razões para decidir por bem expressar os fatos e a subsunção destes à legislação aplicável (fls. 416 e seguintes): Ao apreciar a impugnação o relator demonstrou sua convicção por meio dos seguintes argumentos: Se o importador de fato, aquele que financia a importação não foi identificado – como é próprio da prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros – não cabe a multa de 10% prevista no artigo 33 da Lei 11.488/2007, mas a declaração de inaptidão do CNPJ, prevista no artigo 81, §1º, da Lei nº 9.430/96. Sendo assim, o importador de fato poderá deixar de ter o seu CNPJ declarado inapto, na medida em que identificar para a fiscalização quem foi o financiador da importação, ou seja o sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR). Assim, não se teria mais uma prática presumida, mas sim uma prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. Isso a doutrina denomina de ‘denuncia premiada’ quando a interposta pessoa traz o sujeito passivo oculto Fl. 667DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 668 15 (REAL COMPRADOR) para dividir consigo o pólo passivo da autuação referente à exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro. Portanto, incabível a infração por "cessão de nome" tipificada no artigo 33 da Lei n° 11.488/07 para o presente caso Tendo em vista discordância de tal entendimento, algumas considerações devem ser tecidas para compreensão da conclusão prevalente. Então, vejamos: Muitas vezes a empresa prefere concentrarse em sua atividadefim, terceirizando as atividadesmeio. Isso também ocorre no comércio exterior. Por vezes, uma empresa nãoimportadora precisa importar mercadorias, e recorre a outra, especialista na área. Atualmente, há duas formas de terceirização das operações de comércio exterior reconhecidas e regulamentadas pela SRFB, sendo que ambas devem atender a determinadas condições previstas na legislação: Importação por Conta e Ordem, e Importação por Encomenda. CARACTERÍSTICAS DA IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM Na primeira, importação por conta e ordem, há o real adquirente e o importador. A importação é feita pelo importador, por conta o adquirente assume o custo da operação e ordem o adquirente toma as decisões. O importador, neste caso, é apenas um prestador de serviços. CARACTERÍSTICAS DA IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA Nesta operação, a importação é promovida por pessoa jurídica importadora, para revenda a outra encomendante predeterminada. O importador aqui é um revendedor. ESCOLHA ENTRE AS DUAS OPÇÕES: A empresa deve observar o tratamento tributário específico dessas operacõ̧es e alguns cuidados especiais, a fim de não ser surpreendida por autuação ou até mesmo perdimento das mercadorias. Há diferença de custos entre ambas, além de diferentes efeitos e obrigações tributárias a que estão sujeitas essas duas operações, não só na esfera federal, mas também no âmbito estadual. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM INTRODUÇAÕ: Nesse tipo de operaçaõ, uma empresa – a adquirente , interessada em uma determinada mercadoria, contrata uma prestadora de serviços – a importadora por conta e ordem – para que esta, utilizando os recursos originários da contratante (quem suporta o custo da operação é a adquirente), providencie, entre outros, o despacho de importação da mercadoria em nome da empresa adquirente. (...) O QUE É A IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM ? Nela, quem importa de fato é a adquirente, pois é a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Faz isso por meio da interposta pessoa (a importadora por conta e ordem), que é mera mandatária da adquirente. Mesmo que a importadora, além de Fl. 668DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 669 16 executar o despacho de importação, também intermedie o negócio no exterior, contrate transporte, seguro, etc. É a adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação. A operaca̧õ cambial para pagamento de uma importação por conta e ordem pode ser realizada em nome da importadora ou da adquirente, tanto faz (diferente do caso de importaca̧õ por encomenda). A importadora por conta e ordem pode, inclusive, fechar o cam̂bio em seu nome, o que não muda o fato de que a mercadoria é do adquirente. Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, isso não muda o fato de que a operação ocorre efetivamente entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. REQUISITOS, CONDIÇÕES E OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS: (...) CUIDADOS ESPECIAIS: Na importação por conta e ordem de terceiro, o fato do importador, na qualidade de mandatário do adquirente, registrar a DI em seu nome, não caracteriza uma operação própria, mas, sim, por ordem do adquirente, do mandante, que o contratou para tal fim. Ainda que o importador recolha os tributos incidentes na importação, ou venha a efetuar pagamentos ao fornecedor estrangeiro, com recursos financeiros fornecidos pelo adquirente (como adiantamento ou acerto de contas) para a operação contratada, a empresa contratante é a real adquirente das mercadorias importadas e não a empresa contratada, que é, nesse caso, uma mera prestadora de serviços. Embora seja a importadora que promova o despacho de importação em seu nome e efetue o recolhimento dos tributos incidentes sobre a importação de mercadorias (II, IPI, COFINSimportação, PIS/PASEPimportaca̧õ e CIDEcombustíveis), é a adquirente – a mandante da operação de importação – aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Conseqüentemente, embora o importador seja o contribuinte dos tributos federais incidentes sobre as importações, o adquirente das mercadorias é responsável solidário pelo recolhimento desses tributos, seja porque ambos tem̂ interesse comum na situaçaõ que constitui o fato gerador dos tributos, seja por previsão expressa de lei. (vide arts. 124, I e II da Lei no 5.172, de 1966 – CTN; arts. 103, I, e 105, III, do Decreto no 4.543, de 2002; arts. 5o , I, e 6o, I, da Lei no 10.865, de 2004; e arts. 2o e 11 da Lei no 10.336, de 2001). Ocultação do real adquirente – Interposição fraudulenta de terceiros: A caracterização de indícios de irregularidades nesse tipo de operação autoriza a aplicação de procedimentos especiais de controle, previstos na IN SRF n. 52, de 2001, na IN SRF n. 206, de 2002, assim como na IN SRF 228/02, podendo a mercadoria permanecer retida por até 180 dias, para execução do correspondente procedimento de fiscalização, visando a apurar as eventuais irregularidades ocorridas. A ocultação do real adquirente na importação, mediante fraude ou simulação, além de acarretar o perdimento da mercadoria, tem sérias implicações perante a legislação Fl. 669DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 670 17 de valoração aduaneira, porque pode ocultar transações entre pessoas relacionadas – que têm tratamento normativo distinto – e do Imposto de Renda, relativamente aos preços de transferência. Dispõem ainda os artigos 59 e 60 da Lei n. 10.637/2002 que se presume fraudulenta a interposição de terceiros em operação de comércio exterior quando não comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados, sujeitando a mercadoria à pena de perdimento e o importador à declaração de inaptidão de sua inscrição. Alegações da autoridade fiscal para a autuação PRESUÇÃO LEGAL DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA E DA CESSÃO DE NOME A Declaração de Importação nº 14/08735700 foi selecionada para o canal cinza de conferência aduaneira pela CoordenaçãoGeral de AdministraçãoAduaneira – Coana. Essa seleção é decorrente de fortes evidências e também da constatação de indícios da ocorrência de ocultação do real comprador das mercadorias ou responsável pela operação de importação em outra DI anteriormente registrada pela Sosecal. A parametrização para o canal cinza implica na seleção da DI para submissão ao procedimento especial de controle aduaneiro previsto na IN RFB 1169/11 para apuração dos elementos indiciários de fraude e que são puníveis com a pena de perdimento das mercadorias objeto de infrações à legislação aduaneira. Atuando na DI 14/08735700 como adquirente das mercadorias, a Sosecal S/A é que deve dispor dos recursos necessários à realização dessa operação de importação. Analisando as operações de importação realizadas anteriormente pela Sosecal S/A foi constatado que essa empresa realizou a nacionalização de uma grande variedade de produtos. Essa diversidade de produtos exigiria um grupo de empregados significativo tanto para o gerenciamento dos diferentes fornecedores das mercadorias no exterior quanto para a distribuição dos produtos no mercado nacional, porém, foi verificado que a Sosecal S/A informou à RFB ter um quadro de funcionários composto de apenas quatro empregados. Esse fato revela mais um indício da ocorrência de ocultação do real comprador das mercadorias ou do responsável pela operação de importação nas DI registradas em nome da Sosecal S/A. Assim, lavrouse o auto de infração para exigência da multa prevista no art. 33 da Lei nº. 11.488, de 2007. Nesse sentido, encontrase o PARECER PGFN/CAT Nº 1067/2009, que trata do assunto em pauta e sustenta a presente autuação: Ementa: CNPJ. Declaração de inaptidão da inscrição de pessoa jurídica neste cadastro. Hipótese de interposição fraudulenta na importação/exportação. Art. 81 da Lei no 9.430, de 1996 e art. 33 e parágrafo único da Lei no 11.488, de 2007. Inexistência de fundamento para retroação desta última norma. Não caracterização de pena ou sanção. CTN, art. 106, II, “c”. (...) Fl. 670DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 671 18 III – CONCLUSÃO. 54. A conclusão é: a) houve interposição fraudulenta presumida, ou seja, o real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador/exportador e este não comprovou a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação: aplicase a multa do art. 33 da Lei no 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição, ou, se antes do advento desta norma, a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei no 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário, e, ainda, declarase a inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ; b) se houve interposição fraudulenta e o importador/exportador ostensivo comprovou a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação: aplicase a multa do art. 33 da Lei no 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição, sem declaração da inaptidão no CNPJ, ou, se antes do advento desta norma, incide a penalidade prevista para a infração do art. 23, inciso V, do Decretolei no 1.455, de 1976, em coautoria com o real beneficiário e, caso se trate de inexistência de fato, a declaração da inaptidão da inscrição do contribuinte no CNPJ. 55. São estas as considerações que submeto à apreciação de Vossa Senhoria, propondo seja remetido o processo à Unidade consulente, para ciência deste parecer. 56. Outrossim, é recomendável que a orientação em comento seja adotada uniformemente no âmbito desta ProcuradoriaGeral e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante do que se sugere à remessa de cópia deste Parecer àquela Secretaria e às Unidades da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Assim, se o real beneficiário da operação de comércio exterior não é o importador e este não comprovou a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados na dita operação, aplicase a multa do art. 33 da Lei no 11.488, de 2007, se os fatos ocorreram após sua edição. Por todo o exposto, julgo improcedente a impugnação constante do presente processo. Com o exposto, de acordo com os autos do processo e a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. Valcir Gassen Relator Fl. 671DF CARF MF Processo nº 12466.721986/201471 Acórdão n.º 3301004.225 S3C3T1 Fl. 672 19 Fl. 672DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000195/2004-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000
PRAZO PRESCRICIONAL DE 10 ANOS.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000
RESSARCIMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA.
O ressarcimento de valores relativos às contribuições para o PIS e Cofins a consumidor final pessoa jurídica é regulado pela IN SRF n° 6/99. Não atendidos seus requisitos, indefere-se o pedido de ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3001-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer à Recorrente o direito de solicitar a restituição de contribuição paga indevidamente no prazo de dez anos.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000 PRAZO PRESCRICIONAL DE 10 ANOS. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000 RESSARCIMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. O ressarcimento de valores relativos às contribuições para o PIS e Cofins a consumidor final pessoa jurídica é regulado pela IN SRF n° 6/99. Não atendidos seus requisitos, indefere-se o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000 RESSARCIMENTO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. O ressarcimento de valores relativos às contribuições para o PIS e Cofins a consumidor final pessoa jurídica é regulado pela IN SRF n° 6/99. Não atendidos seus requisitos, indeferese o pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer à Recorrente o direito de solicitar a restituição de contribuição paga indevidamente no prazo de dez anos. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 01 95 /2 00 4- 18 Fl. 285DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 3ª Turma da DRJ/Campinas (efl. 233 e ss): Tratase de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 19/03/2004, no valor de R$ 10.914,01, correspondente a recolhimentos feitos a título de Programa de Integração Social PIS e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins incidentes nas operações de compra de combustível pela contribuinte diretamente da distribuidora nos períodos de apuração fevereiro/1999 a junho/2000, conforme petição de fls. 02/03, planilha de cálculo de fls. 04/06 e notas fiscais de fls. 07/27. Ao direito creditório postulado a contribuinte vinculou débitos tributários mediante apresentação de declarações de compensação (fls. 34 e 163). Intimouse a interessada para que ela informasse como contabilizou os tributos destacados nas notas fiscais acostadas aos autos (fl. 42), ao que se seguiram as respostas. Intimouse também a empresa Esso Brasileira de Petróleo para que esta informasse o motivo dos diferentes critérios utilizados para os destaques de PIS e de Cofins nas notas fiscais referentes às aquisições de combustível da interessada, bem como da ausência de destaque da Cofins em determinado período (fl. 41). A DRF Santo Andre emitiu o Despacho Decisório de fls. 104/107, indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações dos débitos, sob a fundamentação de que: 0 Não houve o destaque da base de cálculo da Cofins, consistindo tal fato em inobservância do requisito estabelecido no § 1° da Instrução Nonnativa SRF n° O6/99, necessário para que se obtenha o ressarcimento desse tributo; 0 Uma das condições para se efetuar a restituição consiste em não ter a contribuinte repassado o ônus do tributo a terceiro, ou estar por este expressamente autorizado a recebêla, nos termos do artigo 166 do CTN. No caso em análise, verificouse que os tributos de PIS e Cofins destacados nas notas fiscais foram contabilizados como despesa pela contribuinte (Custo Operacional), fato que implica em seu repasse aos clientes, e descumprimento da condição do referido artigo. Cientificado desse despacho em 20/12/2006 (fl. 118v), a interessada apresentou manifestação de inconforrnidade em 22/12/2006 (fls. 121/127), na qual alega, em síntese: Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13820.000195/200418 Acórdão n.º 3001000.184 S3C0T1 Fl. 3 3 O fato de os créditos de Cofins não terem constado destacadamente das notas fiscais de aquisição de combustíveis não é motivo que impeça o cálculo do valor dessa contribuição, haja vista ainda ter sido destacado o valor da base de cálculo do PIS. Demais disso, o auditor poderia ter intimado a fornecedora de combustíveis para prestar esclarecimentos e, se fosse o caso, retificar os documentos fiscais; 0 Sobre o prazo prescricional, deve ser considerado o prazo de dez anos até a publicação da I./ei Complementar n° 118/05; O artigo 166 do CTN referese exclusivamente aos tributos não cumulativos, pois somente no caso destes é possível se comprovar através de documentos fiscais a transferência do encargo financeiro. Já no caso dos tributos cumulativos, o fato de integrarem o custo das mercadorias não importa a suposição dessa transferência, como o fez a decisão. Ainda, 0 auditor não poderia criar obrigações que não lhe foram impostas pela Instruçao Normativa SRF n° 06/99; A Solução de Consulta SRRF/7RF/DISIT n° 215, de 27/05/2005, colacionada na decisão da DRF de origem para fundamentar seu indeferimento, não se aplica ao seu caso, haja vista referir se a período diverso; O Caso se entenda pela improcedência de seu pedido, os valores principais dos débitos objeto da carta de cobrança não são passíveis de “multa moratória”, pois as compensações efetuadas não caracterizam prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, sendo devidos, neste caso, somente os juros, tudo com base no disposto da Instrução Normativa SRF n° 600/2005. Em 24/01/2007, juntouse às fls. 156/159 resposta ã intimação da empresa Esso Brasileira de Petróleo, pela qual esta informa que no período março/1999 a junho/2000 não cobrou de seus clientes consumidores os valores correspondentes à Cofins incidentes sobre suas vendas de diesel, e, por isso, não foi consignado o destaque nas notas fiscais relativas a essa operações. A DRJ/Campinas ementou da seguinte forma: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000 RESSARC1MENTO. SUBSTITUIÇÃO TR1BUTÁR1A. O ressarcimento de valores relativos às contribuições para o PIS e Cofins a consumidor final pessoa jurídica é regulado pela IN Fl. 287DF CARF MF 4 SRF n° 6/99. Constatado o atendimento dos requisitos nela contidos, cabível o reconhecimento do direito creditório correspondente, bem como ‹a homologação da compensação efetuada até o limite desse direito creditório. assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO I›A SEGURIDADE SOCIAI. COFINS Período de apuração: 23/03/1999 a 09/06/2000 RESSARCIMENTO. SUBSRIRUIÇÃO TRIBUTÁRIA. O ressarcimento de valores relativos às contribuições para o PIS e Cofins a consumidor final pessoa jurídica é regulado pela IN SRF n° 6/99. Não atendidos seus requisitos, indeferese o pedido de ressarcimento. Rest/Ress. Def. em Part No Recurso Voluntário, a Recorrente (efl. 257 e ss), basicamente, limitase a sustentar 2 argumentos: a) Possibilidade de a Recorrente restituir tributo ou contribuição pago indevidamente no prazo de dez anos, cujos fatos geradores tenham se dado antes da vigência da Lei Complementar 118/2005; e b) O direito de restituir os créditos apurados da COFINS em razão do não recolhimento por parte da empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO, distribuidora de combustíveis, na condição de substituta tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 3.746,21 (efl. 260), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13820.000195/200418 Acórdão n.º 3001000.184 S3C0T1 Fl. 4 5 a) Da Possibilidade de a Recorrente restituir tributo ou contribuição pago indevidamente no prazo de dez anos, cujos fatos geradores tenham se dado antes da vigência da Lei Complementar 118/2005 A Súmula CARF 91 é clara ao tratar dessa questão: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Seguindo nesse caminho, o RICARF, aprovado pela Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015estabelece, em seu art. 72: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, em relação a este ponto, há que se dar provimento ao pedido da Recorrente. b) Do direito de restituir os créditos apurados da COFINS em razão do não recolhimento por parte da empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO, distribuidora de combustíveis, na condição de substituta tributária. A Instrução Normativa SRF n° 06, de 29/01/99, estabelecia: Art. 2°. As refinarias de petróleo ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a COFINS e a contribuição para o PIS/PASEP, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas, relativamente às vendas de gasolina automotiva e de óleo diesel. (...) Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1”. Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. A DRF de origem os valores pleiteados de Cofins em razão da ausência de destaque nas notas fiscais de aquisição de óleo diesel do valor da base de cálculo dessa contribuição. Fl. 289DF CARF MF 6 Efetivamente, o destaque das bases de cálculo do PIS e da Cofins é formalidade necessária à obtenção do ressarcimento, consoante § 1° do artigo 6°. Desta forma se demonstrava a efetiva ocorrência de retenção daquelas contribuições. A corroborar esse entendimento, informou a empresa Esso Brasileira de Petróleo que no período março/1999 a junho/2000 não cobrou de seus clientes consumidores os valores correspondentes à Cofins incidentes sobre suas vendas de diesel. Assim, não foi consignado o destaque nas notas fiscais relativas a essa operações. Nessa matéria, então, demonstrase que a Recorrente não tem direito ao ressarcimento dos valores de Cofins pleiteados. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer à Recorrente o direito de solicitar a restituição de contribuição paga indevidamente no prazo de dez anos. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726765/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA - ÁGIO - PRAZO QUE SE INICIA DO FATO GERADOR E NÃO DOS ATOS QUE CONTRIBUIRAM PARA A SUA OCORRÊNCIA - A jurisprudência deste Conselho é uníssona a afirmar que a decadência ocorre quanto ao fato-signo presuntivo de riqueza, ensejador da obrigação tributária, e não dos atos/fatos pretéritos, de efeitos prospectivos, que apenas contribuem para a materialização da hipótese de incidência.
NULIDADE. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO.
A vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa aplica-se apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo.
TRIBUTAÇÃO DE RECEITA DE REVERSÃO DA PROVISÃO PREVISTA NA INTRUÇÃO CVM 349 - IMPOSSIBILIDADE
A constituição e respectiva reversão das provisões preconizadas pela Instrução CVM 349, quando devidamente registradas em conta de despesas e resultado, respectivamente, não tem efeitos tributários. A exigência do IR da CSLL sobre tais receitas culminaria com a tributação de patrimônio e não renda/lucro.
ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS - ILIQUIDEZ DO CRÉDITO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Se, a despeito da fiscalização apontar como medidas reparadoras decorrentes do auto de infração a glosa de exclusões pretensamente ilícitas, mas aponta como real irregularidade a glosa de despesas com amortização de ágio, há que se reconhecer a necessidade de cancelamento da exigência, seja por erro de identificação da matéria tributável, seja por tornar ilíquido o crédito apurado.
GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. ÁGIO CONTROLADO APENAS NA PARTE B DO LALUR.
Está correta a glosa de exclusão de amortização de ágio no Lalur controlada apenas na parte "B" deste Livro, quando o ágio é inoponível ao Fisco.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
QUALIFICAÇÃO DA MULTA.
Está correta a qualificação da multa de ofício quando constatada fraude e sonegação em operações societárias visando à constituição de ágio interno.
SOLIDARIEDADE.
São solidariamente responsáveis os dirigentes por atos praticados com infração à lei e por fatos geradores em que tenham interesse direto e comum com o contribuinte.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
É legal a cobrança de juros sobre multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-002.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade, suscitada em relação ao ágio formado em 2006 e, por unanimidade, em acolher a prejudicial de mérito relativa à glosa das exclusões realizadas pelo contribuinte a título reversão de provisões, nos termos do relatório e voto do relator; e, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto as parcelas de despesas com amortização do ágio não aproveitado pela G&K, glosadas como "exclusão indevida do lucro real", vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por maioria de votos em negar provimento, quanto à aplicação da multa qualificada e à manutenção da responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; e por unanimidade de votos, em cancelar a multa isolada de estimativas, nos termos do voto divergente, votando os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias pelas conclusões e, por maioria, em manter a incidência de juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA - ÁGIO - PRAZO QUE SE INICIA DO FATO GERADOR E NÃO DOS ATOS QUE CONTRIBUIRAM PARA A SUA OCORRÊNCIA - A jurisprudência deste Conselho é uníssona a afirmar que a decadência ocorre quanto ao fato-signo presuntivo de riqueza, ensejador da obrigação tributária, e não dos atos/fatos pretéritos, de efeitos prospectivos, que apenas contribuem para a materialização da hipótese de incidência. NULIDADE. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. A vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa aplica-se apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO DE RECEITA DE REVERSÃO DA PROVISÃO PREVISTA NA INTRUÇÃO CVM 349 - IMPOSSIBILIDADE A constituição e respectiva reversão das provisões preconizadas pela Instrução CVM 349, quando devidamente registradas em conta de despesas e resultado, respectivamente, não tem efeitos tributários. A exigência do IR da CSLL sobre tais receitas culminaria com a tributação de patrimônio e não renda/lucro. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS - ILIQUIDEZ DO CRÉDITO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Se, a despeito da fiscalização apontar como medidas reparadoras decorrentes do auto de infração a glosa de exclusões pretensamente ilícitas, mas aponta como real irregularidade a glosa de despesas com amortização de ágio, há que se reconhecer a necessidade de cancelamento da exigência, seja por erro de identificação da matéria tributável, seja por tornar ilíquido o crédito apurado. GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. ÁGIO CONTROLADO APENAS NA PARTE B DO LALUR. Está correta a glosa de exclusão de amortização de ágio no Lalur controlada apenas na parte "B" deste Livro, quando o ágio é inoponível ao Fisco. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Está correta a qualificação da multa de ofício quando constatada fraude e sonegação em operações societárias visando à constituição de ágio interno. SOLIDARIEDADE. São solidariamente responsáveis os dirigentes por atos praticados com infração à lei e por fatos geradores em que tenham interesse direto e comum com o contribuinte. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legal a cobrança de juros sobre multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade, suscitada em relação ao ágio formado em 2006 e, por unanimidade, em acolher a prejudicial de mérito relativa à glosa das exclusões realizadas pelo contribuinte a título reversão de provisões, nos termos do relatório e voto do relator; e, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto as parcelas de despesas com amortização do ágio não aproveitado pela G&K, glosadas como "exclusão indevida do lucro real", vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por maioria de votos em negar provimento, quanto à aplicação da multa qualificada e à manutenção da responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; e por unanimidade de votos, em cancelar a multa isolada de estimativas, nos termos do voto divergente, votando os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias pelas conclusões e, por maioria, em manter a incidência de juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 55; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2070; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 4.804 1 4.803 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.726765/201100 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.630 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2018 Matéria IRPJ e CSLL ÁGIO INTRAGRUPO Recorrente BOTICÁRIO FRANCHISING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA ÁGIO PRAZO QUE SE INICIA DO FATO GERADOR E NÃO DOS ATOS QUE CONTRIBUIRAM PARA A SUA OCORRÊNCIA A jurisprudência deste Conselho é uníssona a afirmar que a decadência ocorre quanto ao fatosigno presuntivo de riqueza, ensejador da obrigação tributária, e não dos atos/fatos pretéritos, de efeitos prospectivos, que apenas contribuem para a materialização da hipótese de incidência. NULIDADE. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. A vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa aplicase apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO DE RECEITA DE REVERSÃO DA PROVISÃO PREVISTA NA INTRUÇÃO CVM 349 IMPOSSIBILIDADE A constituição e respectiva reversão das provisões preconizadas pela Instrução CVM 349, quando devidamente registradas em conta de despesas e resultado, respectivamente, não tem efeitos tributários. A exigência do IR da CSLL sobre tais receitas culminaria com a tributação de patrimônio e não renda/lucro. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS ILIQUIDEZ DO CRÉDITO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Se, a despeito da fiscalização apontar como medidas reparadoras decorrentes do auto de infração a glosa de exclusões pretensamente ilícitas, mas aponta como real irregularidade a glosa de despesas com amortização de ágio, há que se reconhecer a necessidade de cancelamento da exigência, seja por erro de identificação da matéria tributável, seja por tornar ilíquido o crédito apurado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 67 65 /2 01 1- 00 Fl. 4804DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.805 2 GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. ÁGIO CONTROLADO APENAS NA PARTE B DO LALUR. Está correta a glosa de exclusão de amortização de ágio no Lalur controlada apenas na parte "B" deste Livro, quando o ágio é inoponível ao Fisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Está correta a qualificação da multa de ofício quando constatada fraude e sonegação em operações societárias visando à constituição de ágio interno. SOLIDARIEDADE. São solidariamente responsáveis os dirigentes por atos praticados com infração à lei e por fatos geradores em que tenham interesse direto e comum com o contribuinte. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legal a cobrança de juros sobre multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade, suscitada em relação ao ágio formado em 2006 e, por unanimidade, em acolher a prejudicial de mérito relativa à glosa das exclusões realizadas pelo contribuinte a título reversão de provisões, nos termos do relatório e voto do relator; e, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto as parcelas de despesas com amortização do ágio não aproveitado pela G&K, glosadas como "exclusão indevida do lucro real", vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por maioria de votos em negar provimento, quanto à aplicação da multa qualificada e à manutenção da responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; e por unanimidade de votos, em cancelar a multa isolada de estimativas, nos termos do voto divergente, votando os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias pelas conclusões e, por maioria, em manter a incidência de juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator (assinado digitalmente) Fl. 4805DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.806 3 Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuidase de autos de infração lavrados em desfavor da empresa Boticário Franchising S/A a fim de exigir o IPRJ e CSLL nos anos de 2006 a 2008, multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais e multa de ofício qualificada em 150%. No caso, a verificação fiscal constatou a exclusão do lucro líquido, pelo recorrente, de reversões de provisões constituídas para suportar despesas com amortização de ágio criado, alegadamente, de forma fictícia, através de operações societárias incorridas em dois períodos distintos: 2003 e 2006. Tendo em conta que este processo já foi objeto de relato anterior neste Conselho, por ocasião da prolação do acórdão de recurso voluntário de nº 1101001.038, da lavra da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária (proferido na sessão de 12 de fevereiro de 2014), no qual a Conselheira Edeli Pereira Bessa resumiu de forma sucinta, mas completa, os fatos deste feito, tomo a liberdade adotálo e reproduzilo a seguir para, ao final, completálo: O BOTICÁRIO FRANCHISING S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/ PR que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 23/12/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 148.012.675,66. A primeira operação descrita no Termo de Encerramento de Ação Fiscal às fls. 1364/1427 ensejou exclusões indevidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ao longo dos anoscalendário 2006 a 2009, à razão de R$ 419.477,25 ao mês até outubro/2009, sob o histórico “Provisão p/ Realização de Ágio”, em virtude de valores incorporados ao patrimônio da empresa O Boticário Franchising S.A. quando da cisão da empresa Boticário Participações Ltda em 01/11/2004, no montante de R$ 25.168.634,90. A contribuinte esclareceu, durante o procedimento fiscal, que o valor de R$ 25.168.634,90 tem origem na aquisição, pela empresa Boticário Participações Ltda, de 58.103.998 ações representativas do capital da O Boticário Franchising S.A., (“Investimento”) pelo valor de R$ 106.626.761,00, conforme “CONTRATO DE CONSTITUIÇÃO DE BOTICÁRIO PARTICIPAÇÕES LTDA” em anexo. Na ocasião, o valor do patrimônio líquido de Boticário Franchising S.A. era de R$ 81.458.128,90, conforme demonstrado pelo balancete encaminhado. Ao ser realizada a primeira equivalência patrimonial, conforme rito previsto no Art. 385 do Regulamento Fl. 4806DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.807 4 do Imposto de Renda, apurouse o ágio de R$ 25.168.634,90, já que se constatou diferença entre o valor de aquisição do investimento e o seu respectivo valor patrimonial contábil. Referido ágio está sustentado economicamente na perspectiva de rentabilidade futura da empresa, conforme “LAUDO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICA” em anexo, emitido por peritos independentes. A autoridade fiscal observa que não houve pagamento relativo ao ágio nesta operação (se houve, este não foi comprovado), embora a contribuinte tenha sido intimada a demonstrálo. Relata que a Boticário Participações Ltda foi constituída em 08/12/2003 com cotas da autuada e Aerofarma Perfumarias Ltda, acompanhadas do ágio referido e do ágio referente à Aerofarma Perfumarias Ltda. Aduz que em 01/11/2004 verifica se a cisão total da Boticário Participações Ltda, com o retorno do patrimônio às empresas de origem, acompanhado do ágio referido, que começa a ser amortizado pelas empresas cindendas em novembro/2004. Ressalta que os sócios de todas as empresas envolvidas são os mesmos, Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, e que não houve transferência de recursos financeiros (pagamento ou recebimento) em nenhuma dessas operações. Além dessa operação, em 15/12/2006, quando a autuada tornou se subsidiária integral de G&K Holding S/A, tendo em conta laudo que atribuiu à autuada o valor de mercado de R$ 605.537 mil, a controladora registrou em seu Ativo Permanente o investimento na autuada de R$ 53.858.131,43 e o ágio de R$ 551.741.868,57. Posteriormente, em 03/11/2008, os acionistas da G&K Holding S/A decidiram cindila, vertendo para a autuada o investimento então avaliado em R$ 91.893.855,00, acrescido de ágio no valor de R$ 541.813.468,64 (inferior ao original em razão de amortizações em 2007 e 2008 e da parcela remanescente na cisão equivalente a 1%), anulado pela provisão estipulada na Instrução CVM nº 319/349. Em decorrência, foram redistribuídas aos sócios da G&K Holding S/A 19.800.000 ações ordinárias nominativas, no montante de R$ 19.800.000,00, que correspondem a 99% do capital da excontrolada, cujo valor total era de R$ 20.000.000,00. A partir de novembro/2008 (embora no primeiro mês apenas com efeitos em dezembro/2008) a contribuinte passou a excluir do lucro real e da base de cálculo da CSLL amortizações mensais do referido ágio no valor de R$ 9.030.224,48, bem como parcelas complementares mensais no valor de R$ 74.258,94, correspondentes ao ágio originalmente amortizado por G&K Holding S/A. O procedimento fiscal teve em conta as amortizações promovidas até dezembro/2009. Em abril/2009 a contribuinte deixou de promover a amortização contábil de ambos os ágios, registrando apenas as correspondentes exclusões, e justificou a alteração de seu Fl. 4807DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.808 5 procedimento no CPC nº04, emitido em decorrência da Lei nº 11.638, de 2007. A Fiscalização ressalta que segundo referido pronunciamento contábil, se o ágio tiver por base a expectativa de rentabilidade futura e for gerado internamente, não deve ser reconhecido sequer como ativo. Observa, ainda, que a provisão que anulou a amortização contábil do ágio deveria ter sido adicionada ao lucro tributável, mas a contribuinte assim não procedeu, ensejando a redução indevida do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Acrescenta que o tratamento contábil determinado pela CVM nos casos de ágio interno é de que ele seja totalmente baixado do ativo da incorporadora em respeito à doutrina contábil, a qual rejeita o reconhecimento de um ágio formado internamente. As instruções CVM nº 319/1999 e 349/2001 foram editadas antes da alteração das regras contábeis internacionais, e tinham como objetivo justamente impedir que o lucro líquido fosse diminuído por uma “despesa” que não existia (uma vez que não houve pagamento/desembolso) como é o caso do ágio interno, prejudicando, desta maneira, os acionistas minoritários. Na seqüência, cita o parecer dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior (“A Incorporação Reversa com ágio gerado internamente:Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade”). Destaca que o ágio, sob a ótica da legislação tributária, somente será dedutível na apuração do lucro real se originado de uma contraprestação de receita para quem vende e de um desembolso (custo) para quem compra. Os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. Tanto no caso do ágio referente à Boticário Participações Ltda, quanto no caso do ágio referente à G&K, restam prejudicados ambos os pressupostos. E, embora no caso das operações realizadas pela G&K, envolvendo a autuada e também outras empresas do grupo, do total de R$ 1.776.161.561,96 registrado como ágio, houve desembolso de apenas R$ 45.386.382,00 pagos pelo investidor externo (IGP Fundo de Investimento em Participações). O restante não foi objeto de nenhum pagamento por parte de qualquer dos sócios, de modo que o custo de aquisição foi o valor do patrimônio aumentado e entregue aos titulares das ações incorporadas. Mais à frente observa que o IGP Fundo de Investimento em Participações, ao adquirir participação na G&K pagando por ela R$ 50 milhões – dos quais um ágio de R$ 45.386.382,00 , adquirirá o direito de amortizar o ágio pago. Já a G&K não tem este direito apenas a parir de laudos de avaliação e tendo como custo tão somente o preço cobrado pela empresa que os elaborou, elevando os investimentos em suas quatro controladas, repentinamente, de R$ 249.984.438,04 para R$ 2.026.146.000,00. Fl. 4808DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.809 6 Ressalta que a G&K, embora seja uma sociedade devidamente constituída e ainda ativa, funcionou como uma espécie de empresa veículo e que a OBF, assim como as outras três investidas acima citadas, recebeu de volta da investidora seu próprio patrimônio (na verdade, 99% dele, uma vez que 1% de seus respectivos patrimônios líquidos permaneceram na G&K), devidamente acrescidos do “ágio” produzido na operação anterior de incorporação de ações. Desta forma, nenhuma alteração substancial ocorreu quanto à efetiva titularidade patrimonial das ações nessa operação. Transcrevendo os arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, diz que as reestruturações em tela foram realizadas com o intuito de se adequarem ao disposto na referida lei, dada a possibilidade de amortização ali prevista a partir de incorporação, fusão ou cisão. Contudo, embora conste na exposição de motivos de ambas reestruturações outros argumentos, o fato é que o resultado delas foi inócuo sob qualquer ponto de vista, exceto o tributário, ou seja, o único intuito foi a economia fiscal. Efetivamente, o que houve na OBF foi a contabilização do “ágio de si mesma”, abordado no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, de 14/02/2007 (cuja edição em 2007 não significa que os fatos ocorridos antes de sua edição seja legais ou possuam substância econômica). Cita também lições de Marco Aurélio Greco, observando mais à frente que os casos aqui tratados são situações diversas da ali abordada, onde o ágio havia sido realmente pago por alguém que adquiriu de outrem determinada participação societária. Reitera que o ágio admitido pela Contabilidade é aquele resultante de uma transação de compra e venda entre partes independentes e não relacionadas. E acrescenta que se contabilmente o ágio interno não é aceito, não deve ser aceito também para efeitos tributários, pois se o intangível gerado internamente não é Ativo para a Contabilidade, o lucro líquido, do qual se parte para se chegar ao lucro real, não pode estar reduzido por encargo que nada mais é do que a alocação, pro rata temporis, de um “ativo” inexistente. As despesas também inexistentes são, assim indedutíveis, até porque a legislação fiscal somente admite a dedução de despesas necessárias, usuais e normais, na forma do art. 299 do RIR/99. Descreve as glosas promovidas nos períodos fiscalizados, das quais também decorrem recolhimentos estimados inferiores aos devidos, submetidos à aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, já com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Abordando a conduta da fiscalizada, e reportandose à doutrina de Marco Aurélio Greco, destaca a necessidade de análise do conjunto as etapas ou negócios como um todo, observa que uma operação estruturada como esta em exame indica que o fim (a redução de tributos) é definido antes dos meios (assembléias, alterações contratuais, laudos, protocolos e justificação, etc.). Fl. 4809DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.810 7 Reportandose a excertos do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações para conversão da fiscalizada em subsidiária integral da G&K Holding S/A, diz ser notório que o Grupo O Boticário buscou desviar o foco da operação apontando como finalidade “uma melhor conformação das estruturas de capital e patrimonial” ao concentrar o controle dos diversos segmentos de negócio numa única empresa (holding), procurando não chamar muita atenção para o estratosférico ágio de R$ 1,776 bilhão que estava sendo gerado. Depois, desfez esta mesma estrutura, antes justificada pelo Grupo como de vital importância, com a cisão parcial da holding, sob uma nova alegação (aliás, há sempre uma justificativa para cada etapa”) – “permitir a separação dos acionistas da holding G&K, de acordo com os seus interesses empresariais, notadamente viabilizando a segregação da participação do acionista VOTORANTIM apenas nas operações das companhias OBF e CÁLAMO” – conforme encontramos no Protocolo e Justificação no Anexo I à ata da AGE da G&K de 03/11/2008. Prossegue abordando características das operações realizadas, mencionando o risco de questionamento das operações pelo Fisco Federal e classifica de estranha a coincidência de uma companhia assim avaliada não possuir lastro patrimonial que viesse a garantir um possível lançamento tributário do referido Fisco, em momento futuro. Observa, então, que no período auditado, de 2006 a 2009, a OBF obteve um resultado positivo de R$ 315.226.018,39, tendo distribuído aos seus acionistas, a título de dividendos e juros sobre capital próprio – JCP, a fabulosa soma de R$ 261.169.191,09. Discorre sobre a administração dos negócios atribuída desde 30/04/2005 aos beneficiários de 88,33% dos lucros distribuídos (Miguel Gellert Krisgner e Artur Noemio Grynbaum) e assevera que: 122. A concatenação dos fatos acima relatados expõe o lado oculto do planejamento abusivo minuciosamente arquitetado para dar uma aparência legal a todos os atos praticados, desviando da incidência tributária um enorme volume de recursos, os quais, em sua quase totalidade, sequer permaneceram na empresa mas foram, sim,diretamente para o patrimônio pessoal dos administradores/acionistas supracitados. A verdade cristalina é que, mais algum tempo e a decadência se incumbiria de sepultar qualquer possibilidade de tais tributos serem lançados. Aliás, a garantia da realização do crédito tributário ora constituído somente existe em função da responsabilidade solidária dos referidos administradores/acionistas no pólo passivo (a ser discutida em outro item), já que a fiscalizada não dispõe de bens suficientes arrolados, pelos motivos claramente apresentados. Fl. 4810DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.811 8 Afirma flagrante a ação dolosa dos administradores para obterem para a empresa – e, em última análise, para si próprios – o maior benefício possível às custas do erário público, estando, assim, presente o dolo previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64, a ensejar a qualificação da penalidade. E, quanto à responsabilidade dos administradores, depois de discorrer sobre o art. 124 do CTN, conclui que os números aqui apresentados, por si só, constituem uma prova irrefutável do interesse comum dos mencionados acionistas no resultado de todas as reestruturações societárias, em última análise, por eles próprios deliberadas. Adicionalmente aduz que o art. 135, inciso III do CTN, também impõe aos diretores e gerentes da pessoa jurídica a responsabilidade pelo crédito tributário nos caos de infração de lei, aqui presente em razão do intuito doloso, embutido no seu planejamento e execução, de uma redução indevida de tributos, pela ausência de substância econômica ou propósito negocial, em que a economia de tributo é a única ou principal motivação, o que caracteriza uma evasão fiscal. Cita também o art. 187 da Lei nº 10.406/2002 e o Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 acerca da natureza da responsabilidade tributária dos administradores, e finaliza imputando responsabilidade solidária, com base nos arts. 124, I e 135, III do CTN aos acionistas majoritários e administradores da pessoa jurídica Miguel Geller Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, lavrando os correspondentes Termos de Declaração de Sujeição Passiva Solidária (fls. 1299/1305). A pessoa jurídica impugnou a exigência inicialmente discorrendo sobre as operações realizadas na reestruturação societária de 2006, alegando que a apuração do ágio é uma conseqüência do processo desenvolvido, e abordando a atuação do IGP – Fundo de Investimento em Participações nestas operações, bem como o incremento do desempenho empresarial do grupo em 2007 e 2008, seguindose a transferência das quotas do Fundo IGP para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda, e posteriores divergências na condução da gestão estratética das operações do grupo, o que ensejou a cisão parcial seletiva da holding GK. Abordou também a efetiva implementação do plano de expansão do grupo, a evidenciar que a cisão parcial e seletiva da G&K foi norteada por razões empresariais sólidas, reputando infundadas as alegações das autoridade fiscais para glosar os encargos de amortização de ágio nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL. Argüiu a decadência do direito de o Fisco questionar, em 23/12/2011, o ágio apurado em 2006, bem como mudança de critério jurídico em face de lançamentos anteriores contra outras empresas do Grupo, pelos mesmos agentes fiscais, mas sem qualificação da penalidade. Discordou da classificação do ágio como interno, na medida em que a operação de incorporação de ações viabilizou o ingresso do IGP como novo acionista do grupo, envolvendo legítima negociação entre as partes. Fl. 4811DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.812 9 Abordou as manifestações da CVM e o tratamento contábil da matéria, discordou da classificação da G&K como empresa veículo, e defendeu a exclusão das provisões constituídas com base nas Instruções CVM 319 e 349. Subsidiariamente defendeu a amortização do ágio independentemente da caracterização que possa lhe ser atribuída pela ciência contábil, opõese à aplicação do Ofício Circular CVM/SNS/SEP nº 01/2007 e do parecer de autoria de Eliseu Martins, mormente tendo em conta a inexistência de empresa veículo neste caso. Discorreu sobre o negócio jurídico de incorporação de ações e a contraprestação nele existente, discordou da necessidade de pagamento para formação do ágio e da existência de restrições a negócios entre partes relacionadas. Defendeu a isonomia com tratamento fiscal do deságio, asseverou que o lançamento é contrário à Lei nº 9.532/97, opôsse à aplicação do art. 299 do RIR/99, e afirmou a legalidade de sua conduta, apontando “omissões” dos agentes fiscais acerca de aspectos fáticos das operações. Negou a existência de abuso de direito, bem como de dolo e fraude, e apontou a inexistência de previsão legal para adição, na base de cálculo da CSL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização. Invocou a aplicação do art. 112 do CTN no âmbito de planejamentos tributários, opondose à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, e afirmou a ilegalidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. No que tange às operações no anocalendário 2003, discorreu sobre a constituição da Boticário Participações Ltda e os demais fatos que se seguiram, reafirmando a decadência do direito de o Fisco questionar aquelas operações em 23/12/2011, e apontando a ausência de fundamentos para qualificação da penalidade. Arguiu também a decadência do direito de o Fisco lançar multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas até novembro/2006. No mérito, defendeu que a dedutibilidade das amortizações não está condicionada a pagamento em dinheiro, que houve efetiva alienação das ações da pessoa física para a pessoa jurídica e desta operação decorre o ágio formado, e que na cisão também não é necessária a circulação financeira do dinheiro. Artur Noemio Grynbaum e Miguel Gellert Krigsner também impugnaram a exigência, reiterando as alegações apresentadas pela pessoa jurídica autuada e opondose à imputação de responsabilidade em razão da ausência de motivação e fundamentação quanto à suposta ilicitude dos atos praticados em 2003 e 2006. Discordam da caracterização do interesse comum com base no seu direito de receber dividendos e juros sobre o capital próprio, bem como da atribuição de sujeição passiva com base no art. 124 do CTN. Negam a existência de qualquer ilegalidade ou abuso de direito que possa ensejar a aplicação do art. 135, III do CTN. Fl. 4812DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.813 10 A Turma julgadora rejeitou os argumentos deduzidos nas impugnações em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. NULIDADE. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. A vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa aplicase apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais lucros futuros, pois as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, Fl. 4813DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.814 11 já que a investidora por eles pagou antecipadamente, devendo baixar o ágio contra esses valores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Os sócios controladores devem compor o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em face de terem participado diretamente de todas as operações que possibilitaram à interessada amortizar o ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, além de terem sido diretamente beneficiados, mediante distribuição de lucros e dividendos, com os ganhos indevidos de natureza tributária decorrentes da amortização desse ágio interno. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO DE FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. Os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos; assim, não há como se iniciar a contagem do prazo decadencial no momento da constituição do ágio interno, pois não havia ainda crédito tributário algum a ser constituído; apenas com o início da exclusão no LALUR dos encargos com amortização do ágio interno passou a haver redução indevida do resultado tributável, quando, então, foi iniciada a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o pertinente lançamento de ofício, inclusive com a correspondente multa de ofício. DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. É incabível a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN para a multa de lançamento de ofício exigida isoladamente, porquanto inexiste nos autos comprovação de que tenha a interessada efetuado qualquer antecipação a título de multa de ofício isolada cujo pagamento estivesse sujeito à homologação da autoridade administrativa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado o intuito de fraude para possibilitar à Fl. 4814DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.815 12 contribuinte a amortização de ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, pois ela estava perfeitamente consciente da falta de propósito negocial do ágio gerado em operações realizadas intragupo, em transações que não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Concluído o julgamento, os autos foram encaminhados à Agência de São José dos Pinhais/PR, e em 22/03/2012 foi lavrada intimação para cientificar a pessoa jurídica autuada da decisão em referência (fl. 4089/4093). Consoante fls. 4094/4095, os documentos para ciência foram disponibilizadas na caixa postal eletrônica da contribuinte em 22/03/2012,verificandose a ciência por decurso de prazo em 06/04/2012, muito embora a pessoa jurídica tenha aberto os mencionados documentos em 26/03/2012. Em 04/05/2012 a pessoa jurídica autuada interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 4114/4254), estruturado sob o seguinte sumário: PARTE A DO ÁGIO APURADO NA OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES EM 2006 A.1 DAS RAZÕES EMPRESARIAIS QUE ENSEJARAM A APURAÇÃO DO ÁGIO E SUA AMORTIZAÇÃO PELA RECORRENTE: Neste tópico a Recorrente comprova que a Fl. 4815DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.816 13 apuração e amortização do ágio foi motivada por uma ampla reestruturação societária do grupo Boticário com propósitos negociais legítimos e verdadeiros, com suficiente motivação extratributária ............................................. 8 A.2 DAS INFUNDADAS ALEGAÇÕES DAS AUTORIDADES FISCAIS PARA GLOSAREM OS ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSL: Síntese das razões contidas no Termo de Verificação Fiscal .................................................................................................... 21 A.3 – DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA 1a TURMA DA DRJ EM CURITIBA: Síntese do acórdão de primeira instância ................................................................24 A.4 DAS QUESTÕES SUPERADAS TACITAMENTE PELO ACÓRDÃO RECORRIDO E QUE DEIXARAM DE INTEGRAR O LANÇAMENTO POR NÃO SE TRATAR MAIS DE MATÉRIA LITIGIOSA: Neste tópico a Recorrente demonstra que uma série de acusações contidas no Termo de Verificação Fiscal foram afastadas tacitamente pelo acórdão recorrido por absoluta ausência de manifestação a respeito ........................................................................................... 25 A.5 DAS PRELIMINARES: A.5.1 Da decadência do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 2006 (incorporação de ações) e sua respectiva dedução subseqüente, mediante auto de infração lavrado somente em 23/12/11: Em sede de preliminar, a Recorrente demonstra a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 18/12/2006, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/12/11 .................................................................................................... 29 A.5.2 Da nulidade do lançamento referente à multa qualificada de 150% por violação ao art. 146 do CTN: Neste tópico a Recorrente demonstra que houve nova interpretação dos fatos e da legislação, com vistas à subsunção desses mesmos fatos a normas distintas daquelas aplicadas nos lançamentos efetuados contra outras empresas do grupo da Recorrente (Embralog e Cálamo), violandose o art. 146 do CTN .................................................................................................... 34 A.6 DA QUESTÃO PREJUDICIAL AO MÉRITO NÃO ENFRENTADA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO: O acórdão recorrido não analisou questão fundamental prejudicial ao mérito, qual seja, a impossibilidade de tributação da receita de reversão da provisão constituída com base, a qual foi adicionada ao lucro real e base de cálculo da CSL quando de sua constituição ................................................................................................... 39 Fl. 4816DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.817 14 A.7 DA QUESTÃO PREJUDICIAL AO MÉRITO OBJETO DO ACÓRDÃO RECORRIDO, QUE APRESENTOU MERA REPRODUÇÃO DAS RAZÕES CONTIDAS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL: Neste tópico a Recorrente demonstra que a figura do ""ágio interno"" é incompatível com a essência empresarial e econômica da reorganização societária ocorrida e que a operação de incorporação de ações não pode ser considerada isoladamente, mas sim como uma das etapas de um legítimo movimento de reestruturação muito mais abrangente, envolvendo terceiros independentes em uma única transação ............ 41 A.8 DO DIREITO QUE AMPARA A AMORTIZAÇÃO DO AGIO PELA RECORRENTE, INDEPENDENTEMENTE DA CARACTERIZAÇÃO QUE POSSA LHE SER ATRIBUÍDA PELA CIÊNCIA CONTÁBIL: ""ÁGIO INTERNO"": Neste tópico a Recorrente demonstra a total distinção entre os objetivos e campos de atuação da Ciência Contábil e do Direito Tributário para o tratamento do ágio, evidenciando que as normas tributárias amparam a conduta da Recorrente .................................................................................................... 46 A.9 DAS EQUIVOCADAS CONSIDERAÇÕES FEITAS PELO ACÓRDÃO RECORRIDO QUANTO ÀS DIVERSAS FORMAS DE AQUISIÇÃO DE BENS REGULADAS PELO DIREITO: Neste tópico a Recorrente demonstra que na incorporação de ações ocorre a efetiva aquisição das ações incorporadas pela incorporadora, sem que seja necessário um "pagamento" no sentido de desembolso de recursos, devendo o custo de aquisição ser desdobrado em ágio ou deságio .................................................................................................... 58 A.10 ISONOMIA COM O TRATAMENTO FISCAL DO DESÁGIO: E SE FOSSE APURADO UM DESÁGIO NA OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES, ESTE SERIA ISENTADO DE TRIBUTAÇÃO POR SER CONSIDERADO UM "DES"ÁGIO INTERNO"?: Neste tópico é demonstrado que a própria Receita Federal do Brasil entende ser tributável o "des"ágio interno", não podendo deixar de admitir a dedução do suposto ""ágio interno"".................. 68 A.11 DO LANÇAMENTO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIO À LEI: VIOLAÇÃO AO ARTS. 142 DO CTN E 8º, "B" DA LEI N° 9.532/97: Neste tópico a Recorrente demonstra que a suposta figura do "ágio de si mesmo" é amparada pelo Direito Tributário (art. 8º, "b" da Lei n° 9.532/97)...........................................70 A.12 DA INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO, NA BASE DE CÁLCULO DA CSL, DA AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO CONSIDERADA INDEDUTÍVEL PELA FISCALIZAÇÃO NOS TERMOS DO ART. 299 DO RIR/99: Não há previsão legal determinando a adição da despesa correspondente à amortização do ágio na base de cálculo da CSL ..................................................... 72 Fl. 4817DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.818 15 A.13 DA INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA AO CASO CONCRETO: Neste tópico a Recorrente demonstra que não houve dolo ou fraude para a qualificação da multa de ofício .................................................................. 76 A.14 DO CANCELAMENTO DA MULTA QUALIFICADA POR APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN: Neste tópico a Recorrente demonstra a necessidade de aplicação do art. 112 do CTN ao caso concreto ...................................................... 85 A.15 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: DUPLA PENALIDADE SOBRE A MESMA SUPOSTA INFRAÇÃO: Neste tópico a Recorrente demonstra a impossibilidade de aplicação de multa isolada concomitante com a multa de ofício ........................................................................ 89 A.16 DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO ................................................................................................... 92 PARTE B DO ÁGIO APURADO NA OPERAÇÃO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL DA BOTICÁRIO PARTICIPAÇÕES LTDA. EM 2003. B.1. DOS FATOS: Neste tópico a Recorrente faz uma breve demonstração da forma como foi apurado o ágio na operação de integralização de capital da Boticário Participações em 2003 ............................................................................................. 93 B.2. DAS PRELIMINARES: B.2.1Da decadência do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 2003 (integralização de capital na empresa BP) e sua respectiva amortização subsequente, mediante auto de infração lavrado somente em 23/11/11: Em sede de preliminar, a Recorrente demonstra a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 08/12/2003, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/12/11 .............................................. 99 B.2.2 Da não aplicação da multa qualificada por falta de motivação e fundamentação pelas autoridades fiscais: Neste tópico a Recorrente demonstra que as autoridades fiscais não fundamentaram, em nenhum momento do TVF, as razões pelas quais deveria ser aplicada a multa qualificada sobre os valores supostamente devidos ................................................................................................. 101 B.2.3. Da decadência do direito do Fisco questionar o não recolhimento das supostas estimativas mensais de IRPJ e CSL no período de janeiro a novembro de 2006: Neste tópico a Recorrente demonstra a decadência do direito do Fisco Fl. 4818DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.819 16 questionar supostos valores devidos a título de estimativas do IRPJ e da CSL no período em questão, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/12/11 .............................................................. 105 B.2.4 Da decadência do direito do Fisco lançar multa isolada sobre supostas estimativas mensais do período de janeiro a novembro de 2006: Neste tópico a Recorrente demonstrada a decadência do direito do Fisco lançar multa isolada sobre supostos valores devidos a título de estimativas do IRPJ e da CSL no período em questão, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos em relação ao auto de infração lavrado em 23/1/11 .................................................................................. 107 B.3 DAS INFUNDADAS RAZÕES DO ACÓRDÃO RECORRIDO PARA JUSTIFICAR A IMPOSSIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO DECORRENTE DA OPERAÇÃO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL NA BP: Neste tópico a Recorrente demonstra que as alegações do acórdão recorrido para sustentar a inexistência do ágio em questão são infundadas ........................ 109 Finaliza com o seguinte pedido: Diante de todo o exposto, protestando desde logo provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, reformandose o acórdão recorrido para que sejam acolhidas as razões de fato e de direito anteriormente aduzidas, com a declaração da improcedência integral das presentes autuações, extinguindose, por consequência, os supostos créditos tributários de IRPJ e de CSL relativos aos anos calendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, tanto em relação ao ágio apurado em 2006 (Parte A deste recurso) como em relação ao ágio apurado em 2003 (Parte B deste recurso), arquivandose o respectivo processo administrativo. Caso assim não seja entendido, requerse, subsidiariamente, seja dado parcial provimento ao Recurso Voluntário, para o acolhimento dos pedidos a seguir, de forma isolada ou cumulada entre si, conforme o caso e em benefício da maior redução possível do valor do auto de infração: (i) seja reconhecida a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio apurado em 2006 (incorporação de ações G&K) e sua respectiva dedução quando ocorrida a partir de 2008 (cisão parcial e seletiva da G&K seguida de versão do patrimônio cindido), uma vez que já transcorridos cinco anos entre o fato que ensejou a apuração do ágio e a lavratura do auto de infração; (ü) o cancelamento da multa qualificada por afronta ao art. 146 do CTN, uma vez que restou configurada modificação dos critérios jurídicos adotados no exercício do lançamento; Fl. 4819DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.820 17 (iii) o cancelamento da multa qualificada por aplicação do art. 112 do CTN, uma vez que restaram configuradas todas as hipóteses previstas nos incisos do referido dispositivo; (iv) seja reconhecida a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar a legalidade do ágio apurado em 2003 (integralização de capital na empresa BP) e sua respectiva amortização no período de 2006 a 2009 (cisão total da BP com incorporação parcial do patrimônio pela Recorrente), uma vez que já transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que ensejou a apuração do ágio e a lavratura do auto de infração; (v) o cancelamento da multa qualificada aplicada para o ágio decorrente da operação de integralização de capital na BP, por completa ausência de motivação e fundamentação pelas autoridades fiscais; (vi) o reconhecimento da decadência em relação as estimativas mensais de IRPJ e da CSL no período de janeiro a novembro de 2006 para ágio apurado em 2003 (integralização de capital na empresa BP), uma vez que já transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato gerador e a lavratura do auto de infração; (vii) o reconhecimento da decadência da multa isolada aplicada sobre as estimativas mensais do período de janeiro a novembro de 2006, uma vez que já transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato gerador e a lavratura do auto de infração; (viii) o cancelamento do lançamento em relação à CSL, uma vez que não há previsão legal que determine que os encargos com amortização do ágio ou mesmo as despesas não dedutíveis para fins de apuração do lucro real (base de cálculo do IRPJ), deverão ser adicionados à base de cálculo da CSL; (ix) o cancelamento da multa isolada aplicada concomitante com a multa de ofício, por configurar dupla penalidade sobre a mesma suposta infração cometida pela Recorrente; (x) a exclusão dos juros sobre a multa de ofício aplicada ao caso concreto, por ausência de previsão legal e de plena conformidade com a jurisprudência administrativa a respeito do tema. Artur Noemio Grynbaum e Miguel Gellert Krigsner foram cientificados da decisão em 10/04/2012 (fl. 4098/4105) e apresentaram recursos voluntários tempestivamente em 04/05/2012 (fls. 4255/4293 e 4294/4332), com idêntico teor. Os recorrentes apresentam alegações semelhantes às apresentadas pela pessoa jurídica autuada, apontando as questões superadas tacitamente pelo acórdão recorrido e que deixaram de integrar o lançamento por não se tratar mais de matéria litigiosa, para vincular a imputação de responsabilidade Fl. 4820DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.821 18 apenas à sua participação direta nas operações, ao benefício auferido com a distribuição de lucros e dividendos e à violação dos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97 e 10 da Lei nº 9.718/98, esta última para justificar a aplicação do art. 135, III do CTN. Em preliminar, afirmam a ausência de responsabilidade tributária do recorrente pelos supostos créditos tributários associados ao ágio apurado na integralização de capital na BP por falta de motivação e fundamentação, na medida em que as operações de ambos os ágios são distintas e a acusação fiscal somente contém elementos vinculados à operação de 2006. Manifestamse contrariamente à analogia, destacam que fraude e dolo não se presumem, e acrescentam que também o acórdão recorrido silenciou quanto à questão. Assim como alegou a pessoa jurídica autuada, afirmam a nulidade do lançamento por violação ao art. 146 do CTN, em razão da anterior lavratura de lançamentos contra Embralog e Cálamo, pelas mesmas razões e pelos mesmos Agentes Fiscais, mas sem a qualificação da penalidade e sem a imputação de responsabilidade aos recorrentes. No mérito, inicialmente negam a existência de dolo e fraude, e destacam que a responsabilidade solidária está justificada pela fórmula: montante do ágio + condição de acionista + dividendos e juros sobre capital próprio recebidos = dolo, sem se vincular ao que denominam elementos clássicos aptos a caracterizar a vontade exclusive de suprimir ou reduzir tributos de forma legal. Quanto ao recebimento de lucros e juros sobre o capital próprio, diz tratarse apenas do exercício de um direito previsto na legislação societária e tributária, mormente tendo em conta que não houve provas convincentes acerca de condutas dolosas e fraudulentas. A Fiscalização afirma que a “concatenação dos fatos” teria exposto o lado oculto do suposto planejamento abusivo que teria sido arquitetado para dar uma aparência legal a todos os atos praticados, mas o que ocorreu foi uma reorganização empresarial legítima, consistente no tempo, sem qualquer contradição entre os respectivos eventos que a suportaram. Destacam a presença de investidor externo, e reiteram o silêncio do acórdão recorrido acerca da defesa contra a caracterização de “step transactions” para afirmar que houve concordância com estas alegações. Argúem a total inaplicabilidade do art. 124, I do CTN ao caso concreto, na medida em que o interesse comum foi vinculado ao recebimento de dividendos e juros sobre o capital próprio, argumento incoerente com a possibilidade de apuração de prejuízos pela pessoa jurídica, a evidenciar presunção de solidariedade. Asseveram que o interesse comum somente estará presente quando duas ou mais pessoas pratiquem conjuntamente um determinado fato gerador e sejam, todas elas, sujeitos passivos do mesmo tributo. Fl. 4821DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.822 19 Afirmam, também, a ausência de responsabilidade prevista no artigo 135, III do CTN, vez que o dolo decorrente das denominadas “step transactios” é questão superada pelo acórdão recorrido, o qual também deixou de apreciar a acusação de abuso de direito, também invocada para firmar violação de lei. Concluem que há incertezas quanto ao dispositivo que teria sido violado, em razão da indicação de outros dispositivos na decisão recorrida, o que evidenciaria a ausência de comprovação das condições para aplicação do art. 135, III do CTN. De toda sorte, defendem a inaplicabilidade do referido dispositivo com fundamento nas razões de decidir do acórdão recorrido, vez que a conduta supostamente contrária às leis tributárias teria sido da pessoa jurídica autuada, e ainda com fundamento em justificativas de natureza contábil. Ademais, as infrações de lei citadas no mencionado dispositivo seriam aquelas típicas do direito societário e capazes de gerar a responsabilidade do administrador em razão da prática de atos contrários ao interesse da sociedade. Ao final, afirmam a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício, e pedem sua exclusão da qualidade de responsável tributário solidário ou, subsidiariamente, a exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões aos recursos voluntários (fls. 4335/4419) nas quais destaca, em preliminar, a inexistência de violação ao artigo 146 do CTN e a inexistência de decadência do direito do Fisco de questionar os atos societários ocorridos em 08/12/2003 e 18/12/2006. No mérito, afirma a indedutibilidade dos ágios registrados, apresentando breve historio das alterações societárias realizadas pelo grupo empresarial do qual o contribuinte faz parte, abordando o benefício fiscal previsto nos artigos 7o e 8o da Lei nº 9.532/1997, e 385 e 386 do RIR/99, para assim destacar a ausência de propósito negocial e de substrato econômico, bem como de documento que ateste o fundamento econômico do ágio gerado em 2003. Quanto ao ágio gerado em 2006, afirma também sua inexistência. Defende a manutenção da multa qualificada, reportase a jurisprudência deste Conselho declarado a procedência de exigências semelhantes e, quanto à responsabilidade solidária dos acionistas autuados, anota que eles se beneficiaram diretamente de parte dos recursos que não foram recolhidos à União, e assevera não haver como negar que essas pessoas físicas foram quem na realidade infringiram a lei. Manifestase, também, em favor da exigência de CSLL, vez que inexiste norma autorizando a dedução da despesa de amortização de ágio, observando que mesmo se reconhecida sua dedubitilidade no âmbito do IRPJ, o lançamento de CSLL deve ser mantido. Fl. 4822DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.823 20 Encerrando, afirma a possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, assim como da cobrança de juros sobre a multa de ofício. Como dito no início deste relatório, este Conselho, acolhendo por maioria de votos as razões de decidir externadas pela Conselheira Edeli, anulou o acórdão da DRJ sob o argumento de que, não obstante não haver obrigação imposta ao órgão julgador de se debruçar sobre todos os argumentos deduzidos pelas partes, o fundamento tratado no item A.6 da impugnação (glosa das exclusões realizadas pelo recorrente quanto às provisões tratadas pelas Instruções 319 e 349 da CVM) seria autônomo e suficiente, per se, para afastar a exigência fiscal, de sorte que, a falta de sua análise acarretaria cerceamento de defesa e supressão de instância (caso analisada pelo CARF). A DRJ, então, proferiu novo julgamento, desta vez, para, além de complementar as suas razões (tanto quanto a desconsideração das operações que ensejaram a formação do ágio tratado neste processo, quanto a responsabilização dos sócios), enfrentar especificamente o fundamento pelo qual foi, originariamente, anulado, cujas razões estão assim ementadas: CONSTITUIÇÃO DA PROVISÃO IN CVM 319/1999 E 349/2001. DESPESA INDEDUTÍVEL ADICIONADA NA PARTE “A” DO LALUR DA EMPRESA VEÍCULO. CONTROLE INDEVIDO NA PARTE “B” DO LALUR PARA EXCLUSÃO EM PERÍODO FUTURO. Uma provisão é utilizada para registrar uma provável despesa futura, mas somente são dedutíveis as provisões com dedutibilidade expressamente autorizada pela legislação tributária; o valor da despesa com constituição de provisão não expressamente autorizada deve ser adicionado no parte “A” do Lalur para ser posteriormente excluído por ocasião da sua reversão no período em que a despesa provisionada for efetivamente incorrida, porquanto tal despesa seria nesse momento dedutível, desde que devidamente comprovada e estejam atendidos os requisitos da necessidade, usualidade e normalidade no tipo de transação, operação ou atividades desenvolvidas pela empresa; contudo, a despesa com constituição da Provisão IN CVM 319/1999 e 349/2001 é indedutível não só por se tratar de provisão com dedutibilidade não autorizada pelos artigos 335 a 338 do RIR de 1999, mas também por se referir a despesa indedutível com o ágio interno gerado artificialmente e sem qualquer substância econômica; como essa indedutibilidade não se restringe apenas ao período em que a provisão foi constituída pela empresa veículo, mas atinge todo e qualquer período de apuração posterior, a despesa com constituição foi corretamente adicionada na parte “A” do Lalur, mas não podia jamais ser controlado na parte “B” desse livro para exclusão em período futuro. Os contribuintes, devedor principal e coobrigados, foram cientificados deste novo acórdão em 22/05/2014 (ARs de fls. 4553 a 4555), tendo interposto seus respectivos "novos" recursos voluntários em 18 de junho daquele mesmo ano. Nestes recursos, além de refutar parte dos argumentos fáticos suscitados pelo acórdão quanto a formação do ágio (asseverando, inclusive, a efetiva expansão das operações Fl. 4823DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.824 21 com a introdução de novas empresas no grupo GKDS o que demonstraria, a seu ver, que a G&K não seria empresa veículo), reiteraram as razões que afastariam a responsabilidade solidária das pessoas físicas, afirmaram a absoluta obediência às disposições das IN CVM 319 e 349 e sustentaram, mais, que: Ora, é preciso enfatizar que o controle na parte "B" do LALUR visou exclusivamente neutralizar os efeitos da reversão da provisão, qual seja, tributar novamente aquilo que já havia sido tributado. Ele não quebrou qualquer neutralidade, simplesmente porque a contrapartida da reversão da provisão foi realizada na conta de receita (conta 364003 conforme balancete de fls. 2332) (grifos no original). Os autos, então, foram novamente remetidos à este Conselho para apreciação e julgamento. Este o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Os recursos são tempestivos e deles conheço. I Prefacialmente. Calha destacar que os recursos interpostos detém pontos de interseção (na verdade, de identidade absoluta), mormente no que toca às preliminares e ao próprio mérito das análises fiscais acerca das operações que encerraram o surgimento do ágio, objeto deste feito. Por tais razões, e por economia processual, analisarei e decidirei as preliminares e demais pontos comuns aos apelos, deixandome para me pronunciar sobre os recursos manejados pelos devedores solidários ao final e somente quanto aquilo que lhes for específico. Neste passo, dentre os argumentos comuns, destaco, a preliminar acerca alegada nulidade por violação ao art. 146 do CTN e, ainda, as discussões pertinentes às operações praticadas e glosa das exclusões realizadas quanto as provisões para pagamento de despesas com ágio e para manutenção dos valores de dividendos. Lado outro, o recurso manejado pelo devedor principal contempla preliminares quanto ao ágio observado no ano de 2003 e aquele erigido no ano de 2006. Quanto a ambos períodos, o insurgente discute a decadência do direito de se revolver os fatos que originaram os "ágios"; quanto ao ano de 2003, todavia, sustenta, mais, a nulidade parcial do TVF e da decisão ora guerreada por falta de fundamentação e, ainda, a decadência quanto às estimativas e às multas isoladas aplicadas. Fl. 4824DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.825 22 Por se tratar de preliminares de mérito, mesmo que cada operação seja independente entre si, até para manter uma coerência estrutural desta decisão, é imperioso que as decida desde logo; a segregação dos períodos para fins de análise das preditas operações será limitada aos respectivos méritos. Dito isto, passo à análise das preditas preliminares (cujos efeitos, em relação à alegada violação ao art. 146 do CTN, se estendem aos recursos dos coobrigados) e ao mérito (que pode, ou não, ser prejudicial à análise dos apelos dos solidários). II. Preliminares. II.1 Preliminar comum aos períodos de 2003 e 2006. Da alegada decadência do direito do fisco de analisar os fatos que deram ensejo ao surgimento do ágio, cuja amortização gerou as despesas tratadas pelo TVF. Esta alegação não é nova, em especial em autuações relativas à amortização de ágio e cujas operações, usualmente, são praticadas há mais tempo (considerando, inclusive, o prazo de 5 anos para que se promova a predita amortização). O fato, contudo, é que a decadência a que alude o art. 150, §4º, do CTN (e também a contemplada pelo art. 173, I) referese ao direito de lançar o tributo uma vez verificada a ocorrência de seu fato gerador. Isto é, o quinquênio tratado nestes preceitos tem o seu termo a quo a partir da constituição (na sua acepção técnica) da obrigação tributária que, na hipótese em testilha, se dá com a concretização do fato signo presuntivo descrito na norma de incidência do IRPJ e, também, da CSLL, qual seja, a disponibilidade de renda e a apuração do lucro líquido, respectivamente... a decadência, pois, não abarca os fatos pretéritos que contribuam para a formação do fato imponível; a extinção a que alude o art. 156, V, do CTN é do direito de lançar o tributo e não do direito de examinar as premissas que detenham repercussão na formação da obrigação. Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho é praticamente uníssona, como se extrai das ementas abaixo reproduzidas: DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONTAGEM A PARTIR DA DEDUÇÃO. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial diz respeito à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que ocorreu o fato gerador (RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. Acórdão nº 9101003.059, sessão de 12/09/2017). DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. AFASTAMENTO. O prazo decadencial só se inicia após a ocorrência do fato gerador, sendo irrelevante a data da contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Deste modo, o prazo decadencial será pautado ou pela disposição do artigo 173, inciso I, do CTN ou do artigo 150, § 4º do mesmo diploma, porém, nunca pelo momento da reorganização societária, que não representa reflexo fiscal algum, num primeiro momento Fl. 4825DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.826 23 (RECURSO VOLUNTARIO. Acórdão nº 1402002.489, sessão de 16/05/2017) DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN (RECURSO VOLUNTARIO, acórdão nº 1301002.562, sessão de 15/08/2017). Diante disso, voto por afastar a preliminar suscitada exclusivamente no recurso do devedor principal, decisão que afeta as operações de 2003 e também de 2006. II.2 Preliminar suscitada (pelo devedor principal e pelos solidários) em relação apenas ao ágio formado em 2006. Da alegada violação ao art. 146 do CTN tendo em conta a mudança de critério para fixação da multa qualificada. Como muito bem aventado pelo acórdão recorrido, as disposições do art. 146 estabelecem a impossibilidade de alteração dos critérios jurídicos adotados em relação a um mesmo lançamento. Aliás, digase, este preceito tem as suas disposições limitadas e regradas a partir da análise conjunta com o art. 149 do diploma legal complementar ex ratione materiae, já que, a meu sentir (e sei que este entendimento, talvez, seja isolado), em se constatando quaisquer das hipóteses ali contempladas, o lançamento poderá ser revisto (inclusive, na hipótese de fraude ou simulação, com alteração dos critérios adotados inicialmente). Seja como for, a regra encartada no art. 146 não pode ser suscitada como forma de congelamento dos entendimentos adotados pela fiscalização de sorte a impedir quanto Fl. 4826DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.827 24 a atos distintos (lançamentos distintos) a adoção de outros ou novos critérios não abordados quando da prática de um primeiro ato. Semelhante interpretação encerraria consequências contrárias, inclusive, ao princípio da razoabilidade (como instrumento de validação do princípio maior da legalidade) já que, se levada a cabo, o Fisco estaria impedido de rever, até, e v.g., entendimentos externados em soluções de consulta e em Pareceres normativos para atingir fatos geradores posteriores à sua edição. Enfim, esta questão já foi enfrentada pelo CARF que, digase, não tergiversa a respeito, consoante se extrai das ementas a seguir transcritas: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.A mudança de critério jurídico vedada pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional pressupõe a existência de dois ou mais lançamentos fundados em premissas distintas. (Acórdão de nº 3302004.616, sessão de 26/07/2017). ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 CTN. INEXISTÊNCIA. DIFERENTES FATOS GERADORES. ANOS CALENDÁRIO DIVERSOS. O artigo 146 do CTN não engessa a atividade do fisco quanto a diferentes fatos geradores, mesmo que referentes à mesma operação societária. Assim, tal dispositivo não impede que as autoridades fiscais possam lavrar um auto de infração referente a um anocalendário sob determinado fundamento e, para o anocalendário seguinte, alegar outro fundamento para uma nova autuação (Acórdão de nº 1401001.908, sessão de 21/06/2017). CRITÉRIO JURÍDICO. ALTERAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL ANTERIOR. ART. 146 DO CTN. LESÃO NÃO CONFIGURADA. A ausência de autuações anteriores para reclassificação fiscal dos produtos vendidos pela contribuinte não impede a fiscalização de fazêlo em momento oportuno em relação a outros fatos geradores, mediante regular procedimento fiscal, com atendimento às normas atinentes à espécie, não havendo que se falar em lesão ao art. 146 do CTN. Eventuais procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (lançamento ou decisão motivada de não lançar) não podem ser estendidos para períodos posteriores, eis que estão vinculados aos fins para os quais foram instaurados. A ação fiscal não pode ser dissociada dos fatos ocorridos naquele período fiscalizado e da matéria sob investigação, além disso veicula posicionamento específico de um ou mais agentes administrativos, inclusive sujeito a reforma pelos órgãos julgadores, no caso de resultar em lançamento (Acórdão de nº 3402004.073, sessão de 26/04/2017). Voto, aqui, para afastar esta preliminar, tanto em relação ao recurso voluntário do contribuinte, como dos devedores solidários. II.3 Preliminares suscitadas exclusivamente quanto ao ágio formado em 2003. Fl. 4827DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.828 25 II.3.1 Decadência quanto as estimativas não recolhidas em função do ágio observado no ano de 2003 e cujas amortizações se estenderam aos anos de 2004 à 2009. Aqui, vejam bem, o contribuinte sustenta a impossibilidade da fiscalização exigir as diferenças relativas às estimativas mensais parcialmente recolhidas nos meses de janeiro a novembro de 2006, ante a glosa das exclusões realizadas. De se notar, todavia, que o objeto da autuação é a exigência do imposto e da contribuição devidos anualmente (ajuste) e não a diferença entre os valores recolhidos a título de estimativas e aqueles que deveriam ter sido recolhidos (até porque, é vedada a exigência de estimativas após o encerramento do ano calendário, conforme preceitua a Súmula CARF 82); a autuação, digase, cingiu, neste ponto, tão só à imposição das multas isoladas sobre as preditas diferenças. Pelo exposto, afasto, também, esta preliminar. II.3.2 Decadência quanto a aplicação das multas isoladas relativas às parcelas das estimativas não recolhidas no meses de janeiro a novembro de 2006. Quanto as multas isoladas aplicadas (e não a eventuais valores não recolhidos a título de estimativas), o recorrente também sustenta a decadência do fisco de efetuar o respectivo lançamento à luz do alegado decurso do prazo descrito no art. 150, § 4º, do CTN. Neste particular, o acórdão recorrido afasta a alegação por entender se aplicar ao caso a regra inserta no art. 173, I, do aludido diploma legal complementar, fundamentando tal entendimento no fato de se ter sido constatada a prática de atos simulados ou fraudulentos. Entendo, de fato, que à multa isolada se aplica a regra tratada pelo art. 173, I, mas não pelos fundamentos adotados pelo acórdão; isto porque a multa isolada se sujeita à modalidade de lançamento de ofício e não à forma descrita no art. 150, § 4º (independentemente se ter verificado na espécie dolo, fraude ou simulação). Tratase objetivamente de imposição que somente surge mediante a prática do lançamento na forma descrita no art. 142 do CTN, que se implementa, e só pode se implementar, através da modalidade contemplada nos artigos 145 e 149. Dito isto, à luz da regra inserta do preceito do art. 173, I, temse que o termo a quo para a contagem do prazo decadencial, quanto as multas isoladas, seria o dia 1º de janeiro de 2007, dandose o decurso do quinquênio legal em 1º de janeiro de 2011 considerando que o contrib)uinte foi intimado do auto de infração em 23/12/2011 (doc. fls. 1.427) não há, de fato, que se cogitar das extinção do direito subjetivo fiscal, na forma do art. 156, V, do CTN. Alías, este CARF já sumulou a questão (vai procurar Voto, pois, por afastar também esta preliminar. II.3.3 Da falta de fundamentação do auto de infração quanto a aplicação da multa qualificada. Fl. 4828DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.829 26 A fundamentação legal do ato administrativo nada mais é que a própria motivação legal do ato, ou seja, a disposição normativa que autoriza a imposição de multa pecuniária por descumprimento de seus dizeres, que difere do motivo fático. Araújo Cintra, citado por Lucia Valle Figueiredo, esclarece: Entendemos, portanto, como motivos do ato administrativo, o conjunto de elementos objetivos de fato e de direito que lhe constitui o fundamento. Isto significa que, para nós, os motivos do ato administrativo compreendem, de uma lado, a situação de fato, que lhe é anterior, e sobre a qual recai a providência adotada, e de outro lado, o complexo de normas jurídicas por ele aplicado àquela situação de fato.1 A descrição do motivo legal o do motivo fático no auto de infração, ou em qualquer ato administrativo em que se vise a imposição de deveres ou penalidades, é da própria essência do ato; é elemento integrante do mesmo, sem a qual o ato é nulo. Mas não basta apenas a presença dos motivos legal e fático no ato para validálo; tem que haver uma compatibilidade, uma relação de pertinência lógica, entre estes motivos sob pena de, também, crivar de invalidade o ato administrativo, como salienta, neste particular, Celso Antônio Bandeira de Mello: Para fins de análise da legalidade do ato, é necessário, por ocasião do exame dos motivos, verificar: a) a materialidade do ato, isto é, verificar se realmente ocorreu o motivo em função do qual foi praticado o ato; b) a correspondência do motivo existente (e que embasou o ato) com o motivo previsto na Lei.2 Aliás, o referido jurista, ao discorrer acerca da teoria dos motivos determinantes, bem anda ao afirmar que “os fatos que serviram de suporte” a decisão do agente de praticar determinado ato (in casu, a lavratura do auto de infração) “integram a validade” deste mesmo ato. Diz, ainda, o mencionado autor: Sendo assim, a invocação de ‘motivos de fato’ falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando, conforme já se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato.3 Vale destacar que, para a prática dos atos administrativos, o agente incorre num silogismo clássico; cabe a ele, pois, partindo da clássica lição de Kelsen, analisar a norma jurídica, identificar o seu antecedente e, em especial, seu núcleo prescritivo (premissa maior), e, a seguir, apurar a concretização efetiva e material no mundo fenomênico do fato jurídico relevante (premissa menor); a partir daí, aplicar o consequente da proposição normativa (conclusão). Por esta razão, a descrição da motivação fática e jurídica se torna essencial, porque, apenas a partir do conhecimento das premissas adotadas pelo agente, se torna possível 1 CINTRA, Araújo. Motivo e Motivação do Ato Administrativo. Apud. FIGUEIREDO, Lúcia Valle. Curso de Direito Administrativo. 2.ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1995, p.p. 112. 2 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 12.ª ed., São Paulo: Melheiros, 2000, p. 341. 3 Op. cit. p. 346 Fl. 4829DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.830 27 identificar a validade do exercício lógico e, notadamente, se se estaria diante de um silogismo, propriamente dito, ou de um sofisma (com a adoção de premissas equivocadas). Nesta esteira, sem a efetiva descrição dos motivos fáticos e jurídicos ou, a descrição conflitante entre estes, traz ao sujeito passivo do ato inegáveis dificuldades à sua exata compreensão; tratandose, principalmente, de ato que culmine penalidades ou estabeleça exigências patrimoniais, a falta da declinação de tais motivos (ou seu apontamento equivocado), encerra, a toda monta, inegável barreira à ampla defesa (já que se torna, se não impossível, ao menos difícil a análise da correção técnica do citado "exercício lógico" intentado pelo agente), tipificando, nesta esteira, hipótese de cerceamento descrita, v.g., no art .59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em análise, no TVF, à fls. 1413 a 1.420, ao longo de 14 parágrafos, a Fiscalização discorreu sobre cada passo, ata de assembléia e decisões tomadas pelas empresas pertencentes ao grupo Boticário (incluindose a recorrente) que culminaram com a geração do ágio observado no ano de 2006. Ao final deste longo relato, digase, a d. Auditoria assim concluiu: 122. A concatenação dos fatos acima relatados expõe o lado oculto do planejamento abusivo minuciosamente arquitetado para dar um aparência legal a todos os atos praticados, desviando da incidência tributária um enorme volume de recursos, os quais, em sua quase totalidade, sequer permaneceram na empresa mas foram, sim, diretamente para o patrimônio pessoal dos administradores/acionistas supracitados. A verdade cristalina é que, mais algum tempo e a decadência se incumbiria de sepultar qualquer possibilidade de tais tributos serem lançados. Aliás, a garantia da realização do crédito tributário ora constituído somente existe em função da responsabilidade solidária dos referidos administradores/acionistas no pólo passivo (a ser discutida em outro item), já que a fiscalizada não dispõe de bens suficientes a serem arrolados, pelos motivos claramente apresentados. Semelhante conclusão se presta, de fato, para demonstrar a premissa fática (fato jurídico relevante concretizado no mundo fenomênico) subsumível à hipótese (antecedente) descrita nos artigos 71, II e 72 da Lei 4.502/64, impondose, neste passo, a respectiva consequência descrita no art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96. Só que, a premissa menor, no caso, se refere exclusivamente às operações que geraram o ágio na empresa G&K e, posteriormente, transferido à recorrente através da cisão parcial noticiada nos autos. Ou seja, o "exercício lógico" acima destacado adota como premissa menor, fato jurídico relevante que não guarda relação com a operação tratada no ano de 2003; a premissa, neste caso, é falsa (tipificando um sofisma clássico), notadamente quando é sabido que as duas operações, como dessume do próprio TVF, são independentes. Fl. 4830DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.831 28 E, quanto as operações concernentes ao predito ano de 2003 (ágio observado na empresa Boticário Participações Ltda.), a fiscalização não tece "vírgula" sobre eventual fraude, simulação ou dissimulação; não aponta a ocorrência de qualquer tipo de operação societária que objetivasse ocultar, retardar ou impedir o conhecimento do fato gerador dos tributos até porque esta operação é muito mais simples que aquela verificada no ano de 2006. O acórdão recorrido (o novo proferido após a anulação determinada por este Conselho) tenta retificar este erro, sustentando que as razões declinadas ao longo do TVF para demonstrar a concatenação de atos tendentes à oclusão do aspecto quantitativo da norma de incidência contemplariam os motivos para a qualificação da multa, mesmo que no tópico específico não tenham sido descritos "os fatos jurídicos relevantes" para permitir a incidência do comando inserto no já citado art. 44 da Lei 9.430: 111. AInda que no tópico "Da Qualificação da Multa" do Termo de Verificação Fiscal e Encerramento da Ação Fiscal tenha sido descrita apenas a conduta dolosa para a geração artificial do "ágio interno" pela G&K Holding S/A, é fato inegável que nesse mesmo termo de verificação, notadamente, nos tópicos "Do Ágio Relativo à Boticário Participações.", "Contabilização do Ágio OBF", "Das Irregularidades Apuradas" há também detalhada descrição da conduta igualmente dolosa para geração artificial do "ágio interno" pela Boticário Participações Ltda.". O que se observa, todavia, é que especificamente quanto a esta operação, a Fiscalização se limita a dizer sobre a imprestabilidade do ágio a partir da ausência de contrapartida financeira (dispêndio de dinheiro) para gerálo, consoante se extrai do trecho abaixo reproduzido (fl. 1.408): 93. Como afirmado em mais de um momento neste Termo, somente que despende recursos para fazer frente a um ágio, terá direito a amortizálo e deduzílo da base de cálculo dos tributos, dentro das condições impostas pela legislação. No caso da Boticário Participações, o valor do ágio gerado não teve despesa paga nem incorrrida correspondente. Se a falta de pagamento, em espécie, de valores pela recorrente ou por seu sócios indicia a impossibilidade de se apropriar do ágio para fins de amortização e dedução da base de cálculo do IR e da CSLL (sem se adentrar, aqui, no mérito desta discussão), não há dúvidas de que não é, per se, suficiente para apontar a existência de prática de atos dolosos por meio dos quais se busque, de forma fraudulenta, simular atos ou fatos para "impedir ou retardar" o fato gerador das exações ou o "conhecimento por parte da autoridade fazendária" acerca de sua ocorrência. O dolo e fraude não se presumem... O caso em testilha, vale o destaque, se amoldaria (analogicamente) às hipóteses de "inépcia da inicial", tratadas pelo Código de Processo Civil, donde se observa que "da descrição dos fatos, não decorre logicamente a conclusão"... não estamos falando, por óbvio, de um processo judicial, e não pretendo invocar o digesto processual civil para invalidar o auto de infração; mas, como já dito, tanto a elaboração processual como a lavratura de auto de infração (ato administrativo por excelência) pressupõem a formação de um silogismo Fl. 4831DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.832 29 perfeito; quando se observa, lado outro, o sofisma, assim como peça inicial será indeferida, o ato administrativo será considerado inválido. Á míngua da descrição dos motivos de fato que justificariam a imposição da multa qualificada, quanto a operação praticada em 2003, frisese, há que se reconhecer o vício insanável no respectivo auto de infração, reconhecendose, por conseguinte, a sua nulidade mormente a luz dos preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Diante disso, voto, neste ponto, por dar provimento ao recurso voluntário a fim de afastar a multa qualificada incidente sobre os créditos apurados quanto a operação engendrada no ano de 2003 (Boticário Participações Ltda.). III Prejudicial de mérito. A exigência fiscal repousou na glosa das exclusões realizadas pelo contribuinte a título reversão de provisões e não nas despesas com amortização de ágio, propriamente. Primeiramente, na minha opinião, não se trata, aqui, de prejudicial de mérito, mas de mérito propriamente dito. Isto porque, a se reconhecer a procedência desta alegação, verificarseá a improcedência da autuação e não a sua anulação (ainda que não seja despropositado se reconhecer, na hipótese da validação desta tese, a existência de erro de indicação da matéria tributável). Pois bem. Observase, em princípio, do próprio auto de infração, que o objeto desta demanda seria as "exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real" e as "exclusões/compensações indevidas da base de cálculo ajustada da CSLL". No termo de verificação fiscal, após discorrer longamente sobre as operações pactuadas, tanto quanto a empresa Boticário Participações Ltda. como quanto o ágio gerado na empresa G&K, e a sua ilicitude à vista do fato do predito ágio ter sido gerado "intragrupo" e, mais, ter se verificado, em sua opinião, a ausência de intento negocial, a d. Auditoria expôs no item 95 (fls. 1.408/1.409), dentro do tópico "Irregularidades Apuradas", as medidas impostas pelo respectivo auto de infração: 95. Com o intuito de corrigirmos as irregularidades tributárias encontradas, procedemos às glosas dos seguintes valores excluídos no LALUR a título de ágio, uma vez que, tal como amplamente mostrado, as transações que deram origem aos referidos "ágios" carecem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para serem excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL: R$ 5.033.727,00 excluído do LALUR de janeiro a dezembro de 2006 ("Provisão p/ Realizaçaõ de Ágio" referente à Boticário Participações Ltda.); R$ 5.033.726,90 excluído no LALUR de janeiro a dezembro de 2007 ("Provisão p/ Realização de Ágio" referente à Boticário Participações Ltda.); R$ 23.242.693,87 somatório das parcelas de R$ 5.033.726,90 ("Provisão p/ Realização de Ágio" referente à Boticário Participações Ltda) e das parcelas de R$ 18.060.449,08 ("Provisão p/ Realização de Ágio incorp. G&K) e de R$ Fl. 4832DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.833 30 148.517,89 ("Ágio Incorporação G&K") excluídas no LALUR de janeiro a dezembro de 2008; R$ 113.448.573,53 somatório das parcelas de R$ 4.194.772,48 ("Provisão p/ Realização de Ágio" referente à Boticário Participações Ltda), R$ 108.362.693,73 ("Provisão p/ Realização de Ágio Incorp G&K") e de R$ 891.107,32 ("Ágio Incorporação G&K") excluídas do LALUR de janeiro a dezembro de 2009 (grifos nossos). Observase, no caso, que dentre as glosas apontadas, apenas os valores de R$ 148.517,89 e R$ 891.107,32 refeririamse ao "Ágio Incorporação G&K", não se verificando o apontamento de ágio amortizado e deduzido (e, portanto, glosado) em relação a operação com a empresa Boticário Participações Ltda. Todas as demais glosas se restringiram à "Provisão p/ Realização de Ágio" constituída em relação às duas operações (2003 e 2006). Para justificar a glosa das provisões acima, a Fiscalização sustentou o que segue (fl. 1.399): 66. Cabe ressaltar que a fiscalizada promoveu a exclusão nos respectivos LALUR, do valor das parcelas de R$ 419.477,25 (vide valor excluído no item 43) de janeiro de 2006 a outubro de 2009, relativos à amortização do ágio sobre a incorporação da Boticário Participações (histórico "Provisão p/ Realização de Ágio"), R$ 18.060.449,08 em dezembro de 2008, e de R$ 9.030.224,48 nos meses de janeiro a dezembro de 2009, relativos a amortização de ágio sobre a incorporação da G&K (histórico "Provisão p/ realização de Ágio Incorp G&K"). Para não ter efeito fiscal, esta provisão deveria ter sido excluída também do LALUR, da mesma forma como foi na contabilidade (conforme mencionado anteriormente). Ao não adicionar no LALUR estes mesmos valores apropriados como despesa, acabou reduzindo o lucro líquido e, indevidamente, o lucro real e a base de cálculo da CSLL (grifos nossos). Pois bem. Nos termos da Instrução CVM 319, com a redação que lhe foi dada pela Instrução CVM 349, a constituição da provisão, no caso em testilha, era mandatória. Neste sentido, confirase os preceitos do § 1º do art. 6º da predita norma: §1º O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a) constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b) registrar o valor líquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; Fl. 4833DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.834 31 c) reverter a provisão referida na letra “a” acima para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; e d) apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra “a” no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização Os documentos acostados aos autos, em especial aqueles de fls. 232 e ss (balancete) o contribuinte demonstra, de fato, ter obedecido os estritos da alínea "a", acima, ao constituir a predita provisão em conta de nº 190041 (redutora da conta de ágio registrado sob o nº 190040 fl. 226); demonstra, outrossim, o registro da reversão da predita provisão na conta de resultado (receita) de nº 364003 (fls. 232) e, como considerado pela própria fiscalização, o contribuinte não excluiu as despesas com a constituição da aludida provisão do cômputo do lucro real ou do lucro líquido, tendo, ao contrário, adicionadoas na parte "A" do LALUR (docs. de fls. 293/420). Ora, se o contribuinte suportou a tributação integral das despesas incorridas com a constituição das provisões, porque a exclusão destas da parte "B" do LALUR representaria "quebra da neutralidade"? Inadmitir tal exclusão representaria, aí sim, a predita quebra, já que se emprestaria efeitos tributários à sua constituição, mediante exigência das exações sobre as preditas despesas já que não deduzidas do computo dos tributos e impondo a tributação das receitas advindas de sua reversão. Vale lembrar que, a teor do art. 1º da Instrução CVM 319, dentre os objetivos ali elencados, encontrase, justamente, a garantia de percepção de dividendos pelos acionistas minoritários; a determinação da constituição da provisão para suportar as despesas com ágio não tem cunho tributário nem objetiva criticar a própria natureza do ágio que lhe deu causa, mas, tão só, preservar o direito de percepção de dividendos pelos minoritários que não dispõe de meios (que não o recesso) para se opor ao dispêndio de recursos na aquisição de investimentos relevantes. Daí, inclusive, a previsão constante do art. 16 da aludida norma, citado, inclusive, pelo segundo acórdão da DRJ: Art. 16 Os dividendos atribuídos às ações detidas pelos acionistas não controladores não poderão ser diminuídos pelo montante do ágio amortizado em cada exercício. A neutralidade de tais provisões, pois, decorre de sua própria natureza... e o fato do ágio que deu azo a sua constituição não ser dedutível para fins tributários em nada afeta a sua natureza, validade ou efeitos (mormente os societários). Atentemse, neste particular, para as disposições do art. 7º da aludida IN/CVM: Art. 7º O protocolo de incorporação de controladora por companhia aberta controlada poderá prever que, nos casos em que a companhia vier a auferir benefício fiscal, em decorrência da amortização do ágio referido no inciso III do art. 6º desta Instrução, a parcela da reserva especial de ágio na incorporação correspondente a tal benefício poderá ser objeto de capitalização em proveito do acionista controlador. Fl. 4834DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.835 32 Notem que, pelo preceito acima, a dedutibilidade ou não do ágio, para fins fiscais, não é pressuposto à aplicação das demais regras encartadas na citada IN, inclusive em relação à constituição da provisão tratada no já mencionado art. 6º. Basta imaginar uma situação em que determinada entidade resolve investir na aquisição de determinada participação societária, pagando por ela um valor superior à avaliação por ventura elaborada por auditores independentes (como resultado, tão só, das tratativas negociais havidas com o vendedor). Neste caso, a existência do ágio é indiscutível; só que não haverá benefício fiscal; as amortizações decorrentes deste ágio não poderão se objeto de dedução sem que isso torne o ágio ou a própria operação inválidos ou ineficazes... e a companhia ainda estará compelida a cumprir a imposição encartada no predito art. 6ºda IN/CVM 319. Daí perguntase: em tal situação a fiscalização procederia às glosas das reversões realizadas também por determinação desta IN? Insistase, a constituição e reversão das provisões ora tratadas não se destinam à preservação dos direitos fiscaistributários; a constituição e a respectiva reversão são garantias emprestadas pela norma acima aos acionistas minoritários das companhias. E, lembremse, considerando que o fato gerador dos dois tributos é o acréscimo patrimonial, tributar a receita de reversão de provisão, cujas despesas para constituição não foram anteriormente deduzidas, representa, iniludivelmente, tributação de patrimônio e não de renda... Por fim, totalmente desprovida de razoabilidade a alegação constante do segundo acórdão recorrido no sentido de que tais provisões seriam fictícias dado o fato das mesmas terem sido constituídas em importância equivalente à 100% do ágio registrado nas operações ora discutidas (que, a vista disso, culminaria com a presunção de que a recorrente não teria reconhecido nenhuma despesa futura a ser arcada pela predita provisão). Peço vênia, aqui, para transcrever, novamente, o texto da alínea "a" do §1 º do art. 6º da IN/CVM 319: a) constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; Este preceito, digase, deve ser interpretado conjuntamente com os preceitos dos também já reproduzidos, art. 7º e 16 da norma regulamentar acima tratada, o qual franqueia à sociedade a capitalização da reserva de ágio oriunda do benefício fiscal obtido, hipótese em que o dito benefício poderá ser vertido em prol de todos os acionistas (garantindose, pois, o fluxo de dividendos). A constituição, todavia, da provisão no valor integral do ágio não traz máculas aos direitos dos minoritários já que, como já dito, garantirá que a amortização deste último não cause impactos relevantes nos resultados da companhia. Consentameamente, o fato da alínea "a", acima, estipular que a provisão será constituída no mínimo no montante do benefício fiscal (as demonstrações trazidas pelo recorrente em seu apelo, na página 26 do aludido recurso), são bastante elucidativas neste ponto. Fl. 4835DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.836 33 E, salientese, o preceptivo estabelece o teto mínimo para a constituição da provisão; não o teto máximo... Enfim, não parece haver quaisquer ressaibos de dúvidas que a fiscalização errou, venia concessa, ao glosar as exclusões realizadas sob a rubrica "provisão p/ amortização de ágio", dado que tais provisões, insistase, são neutras do ponto de vista fiscal, devendo ser cancelada a exigência realizada sob tais glosas. III.1 Quanto as parcelas de despesas com amortização do ágio não aproveitado pela G&K glosadas como "exclusão indevida do lucro real". Mesmo em relação estas parcelas, não entendo ser possível manter o auto de infração. Isto porque tais parcelas, como afirmado pela Fiscalização, foram tratadas como hipótese de exclusão do lucro real e do lucro líquido não autorizada pela legislação, invocando, inclusive, como motivo legal da autuação, os preceitos dos art. 247 e 250 do RIR: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto. Art.250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): I os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam computados no lucro real; III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). No auto de infração, destacase, a Fiscalização procedeu ao cálculo do crédito tributário, conforme, v.g., planilha de fl. 1312, mediante simples adição dos valores apurados ao lucro real anteriormente informado pelo contribuinte. Todavia, a amortização de ágio (válido) encerra a sua dedução, como despesa operacional do lucro líquido, tal qual previsto no art. 386, III, do RIR. Ou seja, quando se concluir pela ilegalidade da dedução da amortização de ágio, glosase as despesas respectivas, devendo, neste particular, reproceder ao cálculo do próprio lucro real, e não proceder a simples adição de tais despesas ao montante do lucro real já informado. A conduta da fiscalização aqui, não só tipifica erro quanto a indicação da matéria tributável (que, per se, já autorizaria a anulação do ato de lançamento), como também encerra a iliquidez do crédito apurado, mormente por dar às exclusões do lucro real e do lucro Fl. 4836DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.837 34 líquido e às despesas detutíveis um mesmo tratamento, ao arrepio, pois, dos artigos 248 e 277 do RIR. IV. Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento aos recurso voluntário do contribuinte para cancelar as exigências aqui tratadas, restando prejudicas as demais questão aventadas. Como o resultado do recurso voluntário do devedor principal aproveita aos devedores solidários, deixo de apreciar as preliminares constantes dos recursos manejados pelos coobrigados, dandolhes, todavia, provimento como reflexo da decisão concernente ao recurso do contribuinte. É como voto (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Voto Vencedor Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator Designado Em que pese as corriqueiras lógica e clareza com que o I. Relator apresenta suas razões, pretendo fazer uma abordagem diferente do fato tratado neste processo para, ao final, discordar no que se refere ao ágio que foi amortizado pela G&K Holding, antes de sua cisão parcial. Quero dizer, inicialmente, que concordo com as decisões que o Relator adotou em relação a: II.1 Preliminar comum aos períodos de 2003 e 2006. Da alegada decadência do direito do fisco de analisar os fatos que deram ensejo ao surgimento do ágio, cuja amortização gerou as despesas tratadas pelo TVF (não acolhida); II.2 Preliminar suscitada (pelo devedor principal e pelos solidários) em relação apenas ao ágio formado em 2006. Da alegada violação ao art. 146 do CTN tendo em conta a mudança de critério para fixação da multa qualificada (não acolhida); II.3 Preliminares suscitadas exclusivamente quanto ao ágio formado em 2003. II.3.1 Decadência quanto as estimativas não recolhidas em função do ágio observado no ano de 2003 e cujas amortizações se estenderam aos anos de 2004 à 2009 (não acolhida); Fl. 4837DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.838 35 II.3.2 Decadência quanto a aplicação das multas isoladas relativas às parcelas das estimativas não recolhidas no meses de janeiro a novembro de 2006;(não acolhida) e, II.3.3 Da falta de fundamentação do auto de infração quanto a aplicação da multa qualificada para o ágio gerado em 2003 (Boticário Participações Ltda.) (acolhida). Quanto ao item intitulado "III Prejudicial de mérito. A exigência fiscal repousou na glosa das exclusões realizadas pelo contribuinte a título reversão de provisões e não nas despesas com amortização de ágio, propriamente", concordo que, em verdade tratase de mérito propriamente dito, sendo, com o máximo respeito à conclusão adotada, o alvo da abordagem diferenciada que passo a explicar. Análise do Ágio de R$541.813.468,64 gerado em 8/12/2006 (G & K Holding S/A). Socorremonos novamente do acórdão recorrido: (...) 18/09/2006 G&K Holding S/A é constituída com capital social de R$ 1.000,00, tendo como sócios Miguel Gellert Krigsner (80% do capital) e Artur Noemio Grynbaum (20%) e como objeto social a participação em outras sociedades nacionais e estrangeiras, conforme Ata de Assembleia Geral de Acionistas Para a Constituição de G&K Holding S/A (fls. 693703); 18/12/2006 o IGPFundo de Investimento em Participações (CNPJ nº 07.479.779/000119) subscreveu e integralizou 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas da G&K Holding S/A pelo preço total de R$ 50.000.000,00, dos quais R$ 4.613.618,00 destinados ao capital social da companhia e R$ 45.386.382,00 à constituição de reserva de capital, conforme Boletim de Subscrição de Ações (fls. 796797); em consequência, o capital social da G&K Holding S/A passou a ser composto pelos seguintes acionistas: . Miguel Gellert Krigsner ....................................... 800 ações . Artur Noemio Grynbaum..................................... 200 ações . IGPFundo de Investimento em Participações. 4.613.618 ações Total 4.614.618 ações 18/12/2006 a G&K Holding S/A incorpora as ações ordinárias nominativas da O Boticário Franchising S/A – OBF, Embralog – Empresa Brasileira de Logística S/A (06.308.851/000182), Botica Comercial e Farmacêutica S/A (77.388.007/000157) e a Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S/A (CNPJ nº 06.147.451/000132), que passam a ser subsidiárias integrais, e aumenta seu capital social em R$ 186.970.480,00 mediante emissão de 186.970.480 novas ações ordinárias nominativas, no valor de R$ 1,00 cada, entregues a Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum em substituição às ações anteriormente Fl. 4838DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.839 36 detidas nas sociedades incorporadas, conforme Ata de AGE da G&K Holding S/A (fls. 704715) e Boletim de Subscrição de Ações (fls. 857864): as 20.000.000 ações representativas do capital do OBF, com valor nominal de R$ 20.000.000,00, foram avaliadas em R$ 605.600.000,00 por laudo de avaliação com base em rentabilidade futura elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda., com utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, conforme Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações Para Conversão de O Boticário Franchising S/A em Subsidiária Integral da G&K Holding S/A (fls. 716721) e Laudo de Avaliação (fls. 723733); como as ações da OBF tinham valor patrimonial de R$ 53.858.131,43, a G&K constituiu uma conta de ágio no valor de R$ 551.741.868,57; (...) o capital social da G&K Holding S/A passou a ser composto por pelos seguintes acionistas: . Miguel Gellert Krigsner .............................. 149.577.184 ações . Artur Noemio Grynbaum .............................. 37.394.296 ações . IGPFundo de Investimento em Participações. . 4.613.618 ações Total 191.585.098 ações 18/12/2006 a G&K Holding S/A contabiliza o ágio de R$ 1.776.161.561,96 apurado sobre as ações recebidas no aumento do seu capital social: . O Boticário Franchising S/A .......................R$ 551.741.868,57 . Botica Comercial Farmacêutica Ltda .........R$ 206.481.363,56 . Cálamo Distrib. Produtos de Beleza Ltda ..R$ 1.011.690.937,33 . Embralog Empresa Bras. de Logística Ltda. ...R$ 6.247.392,50 Total R$ 1.776.161.561,96 (...) 18/12/2006 a OBF, assim como as demais investidas, realiza assembléia geral extraordinária, conforme Ata de AGE (fls. 43 47), Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações Para Conversão de O Boticário Franchising S/A em Subsidiária Integral da G&K Holding S/A (fls. 4853) e Laudo de Avaliação elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda. (fls. 5565), para aprovar a incorporação de suas 20.000.000 ações ordinárias nominativas pela G&K e conversão em subsidiária integral desta: a KPMG utilizou a metodologia do fluxo de caixa descontado para determinar o valor com base em Fl. 4839DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.840 37 expectativa de rentabilidade futura de R$ 605.600.000,00, em agosto/2006, da OBF, considerando um horizonte de projeção até dezembro/2015; cada uma das 20.000.000 ações representativas do capital da interessada foi avaliada em R$ 30,28; as 20.000.000 ações nominativas de emissão da OBF pertencentes aos acionistas Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum passaram a fazer parte do patrimônio da G&K Holding, que emitiu 20.000.000 novas ações nominativas de sua emissão, com valor nominal de R$ 1,00 cada, as quais foram atribuídas a esses acionistas na mesma proporção das participações por eles detidas na interessada; 01/01 a 31/12/2007 a G&K Holding contabiliza a amortização de R$ 20.094.111,31 a crédito da conta que registra o ágio apurado em 18/12/2006, cujo saldo passou de R$ 1.776.161.561,96 para R$ 1.756.067.450,65, à fl. 1165), com contrapartida em conta de despesa com amortização do ágio (fl. 1153); 31/12/2007 a G&K adiciona o valor de R$ 20.094.111,31 com amortização de ágio sobre investimentos em controladas na parte “A” do Lalur (fl. 1091) e controla seu valor na parte “”B” (fl. 1095); 09/08/2008 as quotas do Fundo IGP foram transferidas para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda., passando o fundo a ser denominado Votorantim G&K Fundo de Investimento em Participações (Votorantim); 03/11/2008 o capital social da G&K Holding S/A (constituído de 191.585.098 ações ordinárias nominativas) é aumentado em R$ 304.049.679,00, passando de R$ 191.585.098,00 para R$ 495.634.777,00, mediante conversão de reservas de capital, conforme Ata da AGE (fls. 938943); as 304.049.679 novas ações ordinárias nominativas foram distribuídas entre os acionistas da seguinte forma: . Miguel Gellert Krigsner ............................... 237.382.215 ações . Artur Noemio Grynbaum................................ 59.345.554 ações . Votorantim G&K Fundo Invest. em Particip. .. 7.321.910 ações Total 304.049.679 ações 01/01 a 03/11/2008 a G&K Holding contabiliza a amortização de R$ 25.850.240,10 a crédito da conta que registra o apurado em 18/12/2006, cujo saldo passou de R$ 1.756.067.450,65 para R$ 1.730.217.210,55, com contrapartida em conta de despesa com amortização do ágio (fl. 1184); 03/11/2008 a G&K adiciona o valor de R$ 25.850.240,10 com amortização de ágio sobre investimentos em controladas na Fl. 4840DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.841 38 parte “A” do Lalur (fls. 1118 e 1185) e controla seu valor na parte “”B” (fl. 1126); 03/11/2008 a G&k Holding constitui em sua contabilidade a Provisão p/Preservação de Dividendos Futuros no valor de R$ 1.730.217.210,55 sobre o ágio de investimentos em controladas, conta redutora da que registra o ágio apurado em 18/12/2006, com contrapartida em conta de despesa operacional (englobado no valor de R$ 1.730.390.459,25 das demais provisões, à fl. 1183); o valor desta provisão foi adicionado na parte “A” do Lalur (fls. 11211122) e passou a ser controlado na parte “B” desse livro (fl. 1125); 03/11/2008 nessa mesma AGE foi aprovada a cisão parcial da G&K Holding S/A, cujo capital social sofreu redução de R$ 443.551.815,00, passando de R$ 495.634.777,00 para R$ 52.082.962,00, correspondente a quatro parcelas distintas a serem incorporadas pela Botica, Cálamo, OBF e Embralog, conforme Ata da AGE (fls. 938943), Protocolo e Justificação de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades Já Existentes (fls. 944956) e Laudo Pericial Contábil Para Efeito de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades Já Existentes (fls. 957967), emitido pela América Auditores Independentes S/S com base na mensuração contábil do patrimônio: (...) a incorporação na OBF foi efetivada pela transferência da parcela de R$ 91.893.855,00 do patrimônio líquido da G&K, acervo líquido este constituído dos seguintes bens e direitos: . investimentos OBF (19.800.000 ações) ......R$ 91.893.855,00 . ágio investimento OBF................................R$ 541.813.468,64 . provisão Instrução CVM nº 319349.........R$ 541.813.468,64 Total R$ 91.893.855,00 (...) as 52.082.962 ações ordinárias nominativas restantes da G&K Holding S/A foram distribuídas entre os seguintes acionistas: . Miguel Gellert Krigsner ............................... 41.666.367 ações . Artur Noemio Grynbaum.............................. 10.416.592 ações . José Roberto de Mattos Curan .......................... 1 ação . João Vinicius Prianti ......................................... 1 ação . João Paschoal Posseti ........................................ 1 ação Total 52.082.962 ações Fl. 4841DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.842 39 a G&K Holding S/A manteve apenas participações societárias correspondentes a apenas 1% do capital social da Botica, Cálamo, OBF e Embralog; 03/11/2008 a OBF, a exemplo das demais incorporadoras, realiza assembleia geral extraordinária, conforme Ata de AGE (fls. 117120), para aprovar a incorporação da parcela cindida do patrimônio líquido da G&K Holding S/A: a parcela de 19.800.000 das ações ordinárias nominativas que a G&K Holding detinha (20.000.000 ações) foram revertidas e redistribuídas seletivamente a: . Miguel Gellert Krigsner ................................ 15.342.400 ações . Artur Noemio Grynbaum................................. 3.835.600 ações . Votorantim G&K Fundo Invest.em Particip. .... 621.999 ações . José Roberto de Mattos Curan .......................... 1 ação Total 19.800.000 ações Temos a criação, em setembro de 2006, de empresa veículo (G&K Holding), com capital social inicial de R$1.000,00 e tendo como sócios Miguel e Artur. Três meses depois, em dezembro de 2006, o IGP Fundo de Investimento em Participações integraliza ações no valor de R$50.000.000,00, sendo a única movimentação financeira envolvendo as operações societárias. No mesmo dia do ingresso da IGP na sociedade, 18/12/2006, a G&K incorpora as ações da OBF, da Embralog, da Botica e da Cálamo, que passam a ser suas subsidiárias integrais. As ações são incorporadas com ágio, sendo que as da OBF são avaliadas em R$605.600.000,00, gerando um ágio de R$551.741.868,57, uma vez que seu valor patrimonial era de R$53.858.131,43. O total do ágio contabilizado pela G&K, relativo às quatro empresas, monta R$1.776.161.561,96. A situação permanece durante o ano de 2007 até 3 de novembro de 2008, quando a G&K é parcialmente cindida, mantendo apenas 1% de participação nas outras sociedades. Neste período, até a cisão parcial, a G&K amortizou o ágio contabilmente, gerando despesa que foi adicionada no cálculo do lucro real, sem consequência fiscal, portanto. Todavia esta adição foi levada à parte B do Lalur, onde passou a ser controlada. Na mesma data, 3 de novembro de 2008, a G&K constitui a Provisão da Instrução CVM 319 no valor total de R$1.730.217.210,55, portanto somente sobre o valor do ágio descontadas as amortizações que realizou até sua cisão parcial (R$20.094.111,31, em 2007, e R$25.850.240,10, em 2008 tudo relativo às 4 empresas). Aqui cabe uma primeira observação que será repisada adiante, que trata do fato de não ter sido constituída, na G&K, a provisão CVM para a parcela que por ela foi amortizada. Esta parcela já amortizada do ágio, que na OBF representa o valor de R$4.455.536,61 não foi contabilizada na OBF. Como veremos, esses R$4.455.536,61 foram transferidos para a OBF via parte B do Lalur, presumivelmente a título de transferência de supostos direitos. Fl. 4842DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.843 40 Do ágio total (R$551.741.868,57) é transferido para o patrimônio da OBF o valor de R$ 541.813.468,64, conforme explicação acima, e também a provisão CVM, conta redutora. De tudo se observa que é uma operação de ágio interno, cuja única movimentação financeira se deveu à participação do IGP Fundo de Investimento com o aporte de R$50.000.000,00 que, de forma alguma justifica a criação do ágio de quase dois bilhões de reais, este sim, devido a operações societárias desprovidas de qualquer movimentação financeira e desenvolvidas dentro do mesmo grupo econômico, sob a decisão das mesmas pessoas. Ademais, como bem apontado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, o IGP Fundo de Investimento, este sim, poderá amortizar para fins fiscais o ágio de mais de 45 milhões efetivamente pagos quando de seu ingresso na G&K caso preencha as demais condições legais: Sobre o tipo de ágio que estamos tratando tenho me posicionado no sentido de não atribuirlhe eficácia tributária. Isto se deve, principalmente, à sua não aceitação e mesmo ao repúdio de sua utilização que a contabilidade tem demonstrado. Hoje, nem mesmo pode compor o ativo de qualquer empresa, em cumprimento ao CPC nº 4, que transcrevo: Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos Fl. 4843DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.844 41 costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. A CVM por sua vez também se manifesta contrária a este tipo de ágio, como se vê do OFÍCIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP nº 01/2007: Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas (...) 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação Fl. 4844DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.845 42 aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. E desde 1999 a CVM pretende evitar que o patrimônio da companhias seja artificialmente aumentado com ágios fictícios e busca também proteger o sócio minoritário quanto à redução do lucro contábil pela escrituração de despesas artificiais, fazendo reconhecer somente o benefício fiscal esperado. Mas disso trataremos mais adiante. Como visto até agora, as autoridades contábeis, em defesa da correta informação da situação patrimonial das empresas, e a CVM, em defesa dos sócios minoritários e dos interesses do mercado, repudiam e rejeitam o ágio interno, criado em situações diferentes às de livre mercado, sem pagamentos efetivos e decisões livres. E quando a contabilidade rejeita, projeta essa rejeição para o campo legal, na medida em que é a lei que determina às sociedades que a ciência contábil deve ser obedecida. Vejamos o artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. E apresento somente este fundamento, pois é sabido por todos dessa obrigatoriedade. Ora, se a base de cálculo do imposto de renda, lucro real, parte do lucro líquido do exercício, o lucro contábil, a lei não poderia deixar este cálculo ao alvedrio de quem quer que fosse, sendo imperativa a obediência à ciência contábil. O que pretendem os Recorrentes é legitimar para fins fiscais o que é ilegítimo, falsamente criado apenas para diminuir substancialmente o pagamento de tributo devido. A leitura de excerto do laudo relativo a G&K (fl. 726) nos traz mais inseguranças e incertezas do que a garantia de um valor em que se possa acreditar, como bem destaca o voto condutor do acórdão recorrido, in verbis: A avaliação e as projeções financeiras estão fundamentadas substancialmente em premissas e informações fornecidas pela Administração da BFSA e discutidas com a KPMG Corporate Finance Ltda. É de conhecimento do mercado, que toda avaliação efetuada pela metodologia do fluxo de caixa descontado apresenta um significativo grau de subjetividade, dado que se baseia em expectativas sobre o futuro, que podem se confirmar ou não. Fl. 4845DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.846 43 Portanto, é reconhecido que não há quaisquer garantias de que quaisquer das premissas, estimativas, projeções, resultados ou conclusões utilizadas ou apresentadas nesse documento serão efetivamente alcançadas ou virão a se verificar, total ou parcialmente. Os resultados reais verificados poderão ser diferentes das projeções e estas diferenças podem ser significativas. Ressaltese ainda, que é da natureza de modelos financeiros de avaliação por fluxo de caixa descontado que toda e qualquer premissa altera o valor obtido para a empresa que está sendo avaliada. Tais possibilidades não constituem vício da avaliação e são reconhecidas pelo mercado como parte da natureza do processo de avaliação de uma empresa pela metodologia do fluxo de caixa descontado. Dessa forma, é impossível para a KPMG Corporate Finance Ltda., na condição de avaliador, se responsabilizar ou ser responsabilizado por eventuais divergências entre os resultados futuros projetados e aqueles efetivamente verificados a posteriori, em virtude, de variações nas condições de mercado e de negócio da empresa avaliada. Quaisquer futuros investidores, seja nas Empresas ou em qualquer entidade que venha a investir direita ou indiretamente nas Empresas, devem realizar suas próprias análises quanto à conveniência e oportunidade de efetuarem tal investimento e devem consultar seus próprios consultores jurídicos, tributários e financeiros a fim de estabelecerem suas próprias opiniões sobre a oportunidade e forma independente.“ (substituí os grifos do original) A avaliação, como reconhecido no documento, é realizada tendo como fonte principal a informação prestada pelos próprios interessados. Não é por outro motivo que a KPMG afirma que os investidores futuros devem realizar suas próprias análises e sujeitar aos seus consultores jurídicos, tributários e financeiros qualquer decisão. Ao mesmo tempo se isentam de qualquer responsabilidade pelos números apresentados. Basicamente, o que afirmam é que a avaliação que fizeram não tem nenhuma fidedignidade. A única certeza que se tem é de que o valor é certo e indiscutível para fins de economia fiscal, caso a situação passe despercebida pelas autoridades tributárias, mas a responsabilidade pelo laudo, pelas projeções, ao final de tudo, é dos dirigentes que forneceram as informações para os peritos avaliadores, os mesmos que serão beneficiados pela fraude. Feitas estas considerações acerca da constituição do ágio (G&K Holding) consideroo ineficaz ante o fisco, uma vez que foi criado artificialmente, por meio de operações societárias empreendidas dentro de um mesmo grupo econômico, sem nenhuma relação de livre mercado, mas marcados por relações viciadas por decisões tomadas sem nenhuma independência, pelas mesmas pessoas representando todas as partes do negócio e que, ao fim, seriam as beneficiárias da economia fiscal. É destaque também o fato de não ter havido nenhum dispêndio, nenhum pagamento, nenhuma movimentação financeira, fato que torna possível considerarse qualquer valor como ágio, desde que conste de um laudo elaborado por peritos externos. Fl. 4846DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.847 44 Essa é a premissa: é ágio interno, falsamente criado por meio de empresa veículo apenas para a redução de tributos. Ágio imprestável para fins fiscais. No entanto, em relação à amortização dos ágios de 25 e 541 milhões (Boticário Participações e G&K Holding) a fiscalização cometeu o sério equívoco de lançar com base em glosa de exclusão de receita de reversão da provisão prevista na Instrução CVM 319. Equívoco que teve contribuição no fato de a Empresa ter constituído provisão no valor total do ágio, como lhe franqueia a referida Instrução, pois certamente caso fosse em valor menor o erro não teria sido cometido, pois não seria estabelecida relação entre a contabilização da despesa e da reversão da provisão. Todavia, não podemos incluir nesse rol o valor que a própria G&K amortizou entre a data da constituição do ágio (12/2006) e a data de sua cisão parcial (11/2008), pelos motivos que passo expor. A G&K, no período antes de sua cisão, amortizou o ágio, criando uma despesa que foi corretamente adicionada ao lucro líquido do exercício, no cálculo do lucro real, uma vez que ela, sabidamente, não podia aproveitála tributariamente, pois não se enquadrava nas situações previstas nos artigos 7º ou 8º da Lei nº 9.532/1997. Além disso, como já demonstrado, tratase de um ágio falsamente criado, dentro do mesmo grupo econômico (ágio interno), sem movimentação financeira alguma, considerado imprestável para fins tributários com acima apontado. Assim, agiu corretamente ao não atribuir efeitos fiscais à amortização do ágio, contudo passou a controlar os valores adicionados na parte B do Lalur, sem nenhuma justificativa: se a G&K não tem direito à amortização fiscal, não há motivo para controlar o valor na parte B do Lalur, pois ele nunca influenciará o resultado de exercício futuros. E vejam, não se trata de controlar nenhuma provisão, mesmo porque a provisão da Instrução CVM 319 não foi constituída sobre o valor já amortizado (R$4.455.536,61), mas somente pelo valor que foi transferido via contas patrimoniais à OBF (incluído no total de 1.730 milhões: para a OBF 541 milhões e fração, uma vez que 5 milhões permaneceram no 1% que a G&K preservou e os R$4.455.536,61 já tinham sido amortizados do total do ágio de 551 milhões). O controle na parte B do Lalur era de ágio amortizado efetivamente. Assim, o valor de R$ 9.928.399,93 do ágio constituído quando da incorporação de ações da OBF não foi transferido contabilmente para esta última quando da cisão parcial da G&K. Isto porque R$ 5.472.863,32 permaneceram na G&K em função do 1% do patrimônio remanescente da referida cisão que ficou na Empresa e porque R$ 4.455.536,61 já haviam sido amortizados na G&K e adicionados no cálculo do lucro real, quando passaram a ser controlados na parte B do Lalur (a meu ver, indevidamente). A informação foi dada pela Recorrente quando respondeu ao Termo de Intimação Fiscal nº 11, conforme abaixo reproduzo: Fl. 4847DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.848 45 Embora a Recorrente afirme que o ágio transferido via cisão foi de R$546.269.005,25, em verdade, contabilmente foi de R$ R$ 541.813.468,64. Disso concluo que o valor amortizado e controlado na parte B do Lalur na G&K foi considerado um direito e foi incluído na parcela cindida, mas não foi contabilizado na cindenda, sem motivo aparente. Também não consta do protocolo de cisão nenhuma mensão à transferência desse valor a título de direito, ainda que pelo valor do benefício fiscal, como seria de se esperar em obediência ao artigo 224, inciso II, da Lei nº 6.404, de 1976. E a informação no voto condutor do acórdão recorrido de que haveria lançamentos contábeis relativas aos R$4.455.536,61 está incorreta. Este valor foi transferido à OBF apenas via parte B do Lalur. Então, foi transferido somente via parte B do Lalur um direito que a cindida não tinha (o de amortizar fiscalmente o ágio, diminuindo o lucro real de mais de um período), transferência essa que não foi reconhecida contabilmente na cindenda e em afronta à lei societária, pois não integrou o protocolo de cisão. Sobrepondose a isso está o fato, ainda, de o ágio ser absolutamente imprestável para fins fiscais, o que, por si só, seria suficiente à negativa de controle na parte B do Lalur na G&K, pois que o ágio seria indedutível, portanto, não exercendo influência em exercícios futuros. Quanto à amortização deste valor concluise: (i) o ágio foi controlado na parte B do Lalur da G&K indevidamente, uma vez que esta não tinha direito a amortizálo fiscalmente; (ii) o valor transferido não foi contabilizado na OBF, ainda que pelo valor do benefício; (iii) o valor não constava do rol de direitos vertidos à cindenda no protocolo de cisão; (iv) não se trata de provisão, mas de amortização de ágio via exclusão no Lalur, ágio controlado somente na parte B. Consultando o balanço de suspensão ou redução apresentado pela Recorrente, folha 232 do processo, verificamos que o valor da despesa de amortização do ágio no ano de 2008 foi de R$23.094.175,96 (conta 371006) e que a receita de reversão da provisão da Instrução CVM 319 foi de igual valor (conta 364003). Fl. 4848DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.849 46 A conta de despesa é composta da amortização do ágio de R$ 541.813.468,64 nos meses de novembro e dezembro (541.813.468,64 / 60 = 9.030.224,47 x 2 = 18.060.448,94) e pela amortização nos 12 meses do ano do ágio de R$ 25.168.634,90 (25.168.634,90 / 60 = 419.477,24 x 12 = 5.033.726,88 +18.060.448,94 = 23.094.175,82). Portanto, os R$4.455.536,61 não foram contabilizados e não integram a reversão de provisão. Ainda, o Lalur registra dois controles: um de Ágio Incorporação G&K, no valor inicial de R$4.455.536,61 (fl. 379) e, outro, de Provisão p/ Realização do Ágio Incorp G&K (fl. 380) no valor inicial de R$ 541.813.468,64. O fato se repete em 2009, como se vê à folha 419 dos autos, e ajustes via FCont, haja vista que a OBF é optante pelo Regime Tributário de Transição RTT. Logo, contrariamente ao controle da Provisão Instrução CVM 319 na parte B do Lalur, cujo objetivo é realmente só o controle, sendo o lançamento no Lalur da reversão realizado em função da contabilidade, o ágio amortizado na G&K tinha função de controle e utilização para fins de lançamento na parte A do Lalur, pois que não tinha origem contábil. A fiscalização, neste caso, agiu corretamente ao glosar a exclusão operada, que, repito, não foi de provisão, mas de despesa de amortização de ágio não contabilizada na OBF e operada somente via Lalur. Além de estar correto o lançamento com fundamento em glosa de exclusão do Lalur, é a única forma de lançamento possível em relação ao ágio amortizado na G&K e não aproveitado tributariamente, mas indevidamente controlado na parte B do Lalur e transferido para a parte B do Lalur da OBF por ocasião da cisão parcial da G&K. Nesse ponto o lançamento deve ser mantido. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL Sobre a alegada falta de previsão legal, entendo que a conjugação dos artigos 6º da Lei nº 7.689, de 1988, e 57 da Lei nº 8.981, de 1995, abaixo transcritos, autoriza a referida alteração, impedindo que despesas fraudulentamente criadas alterem a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: Lei nº 7.689, de 1988 Art. 6º A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo. Lei nº 8.981, de 1995 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se Fl. 4849DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.850 47 refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Assim, as despesas de ágio artificialmente criadas devem ser afastadas no cálculo da base tributável da referida contribuição. MULTA QUALIFICADA Quanto à multa qualificada, a relativa ao ágio constituído pela empresa veículo G&K Holding, em 2006, foi bem fundamentada no auto de infração, como se vê às folhas 1413 a 1420. A Recorrente alega a inexistência de fraude, pois tudo foi feito às claras, sem documentos falsos e no "exercício regular de um direito reconhecido" (Artigo 188 do Código Civil). Não entendo assim. Tenho claro que havia consciência na criação de uma falso ágio, gerado sem absolutamente nenhuma independência, pois os acordos e operações societárias são decididos pelas mesmas pessoas que, ao final, são os beneficiários da sua amortização fiscal, sem movimentação financeira alguma e dentro do mesmo grupo econômico, tudo no intuito de reduzir o montante do imposto devido. A existência de fraude é evidente. Por outro lado pretende a Recorrente buscar salvaguarda no artigo 112 do CTN, interpretandoo no sentido de que, em caso de dúvida, a lei tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte. Busca na lição do Prof. Marco Aurélio Greco, eu sua obra Planejamento Tributário, a idéia de incerteza quando a legalidade ou não de casos que se acham no limite entre o correto e o incorreto. Não vejo este caso como limítrofe. Tenho com muita clareza que se trata de ação dolosa visando a redução do imposto devido, pelo que não vejo razão para invocar o referido artigo. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECURSO VOLUNTÁRIO DOS DIRETORES Finalmente, sobre a responsabilidade solidária dos Dirigentes, forte nos artigo 124 e 135, III do CTN, os Recorrentes alegam que não houve motivação da qualificadora em relação ao ágio criado em 2003, por intermédio da Boticário Participações. Esta discussão perdeu o objeto, na medida em que nenhuma parcela do lançamento vinculada a este ágio está sendo mantida nesta decisão. Defendem a inaplicabilidade do artigo 124, I do CTN, invocando a distinção do interesse econômico para o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador e do 135, III, por não ter sido indicados os atos praticados pelos diretores com excesso de poderes, infração à lei ou estatutos. Fl. 4850DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.851 48 Diz que não houve abuso de direito, mas exercício regular de um direito reconhecido, o primeiro ato ilícito e o segundo não, conforme o Código Civil (artigos 187 e 188). O CTN foi publicado em 1966 e realmente não foi redigido pensando na atuação de grupos econômicos. Naquela época o que existia era a empresa isolada, a Companhia, que englobava todas as atividades em volta de seu nome. Hoje temos grandes grupos econômicos e aquela empresa que comprava, transformava, vendia, investia, recebia pagamentos, contratava e pagava os empregados, foi explodida em várias que compõem o mesmo grupo e executam, cada uma delas, uma dessas atividades, retirando de cada uma dessas ações o máximo de lucratividade e eficácia. Um dos aspectos mais carentes do Código, nesse particular, diz respeito à responsabilidade. Assim, temos que extrair da hermenêutica jurídica o máximo da técnica interpretativa para não deixar instalada a injustiça. Por outro lado, não são poucas as vezes que, ante um ilícito, argumentase que não foi apresentada prova cabal, direta, como se o responsável pelo delito precisasse assinar documentos e praticamente confessar que ele é o responsável pelos fatos para poder ser responsabilizado. Por outro lado, e no caso específico de planejamento tributário calcado em operações societárias sequenciais, cada fração do todo tem aparente legalidade, todavia o resultado de todas as operações é ilícito. É o que Marco Aurélio Greco observa quando afirma que não se deve olhar a fotografia, mas o filme. No caso presente não entendo que estejamos presumindo a responsabilidade. Vejamos os fatos. As empresas do grupo Boticário, comandadas em todo o tempo pelos sócios administradores Artur e Miguel, detentores da quase totalidade das ações, empreenderam operações societárias, criando empresas veículo para adquirir outras empresas do grupo e gerar um ágio decorrente da avaliação da rentabilidade futura dessas empresas adquiridas, sem movimentação financeira alguma, sem nenhum pagamento ou participação de terceiro. Em pouco tempo, desfez essas empresas veículo (parcial ou totalmente) repassando o ágio falsamente gerado para cada uma das empresas adquiridas, passando a reduzir substancialmente o lucro real com o aproveitamento de despesas de amortização de ágio nas empresas adquiridas. Ou seja, o ágio amortizado diz respeito à rentabilidade futura dela mesma. Como já vimos neste voto, o laudo que atribui valor absurdamente alto às empresas adquiridas com base em rentabilidade futura é absolutamente inconsistente, fundado em informações prestadas pelos próprios administradores (que são os dois sócios já nominados e beneficiários da fraude) e os avaliadores não assumem absolutamente nenhuma responsabilidade pelos números apresentados. A estes fatos somase a distribuição de valores altíssimos a título de juros sobre o capital próprio e lucros, sendo que pouco valor permaneceu nas empresas, sendo a maioria distribuído aos dois sócios. Fl. 4851DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.852 49 Ante tudo isso, os Recorrentes alegam que não podem ser responsabilizados pelo 124, I, cujo teor é o seguinte: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; É claro que a aplicação do artigo não pode tornar inócuo o princípio contábil da entidade, haja vista que todos os sócios sempre terão interesse no fato gerador. Todavia, a sua não aplicação sem exceções pode representar a inimputabilidade do mal feitor, deixando sempre livre aquele que não tem apenas o interesse econômico, mas tem todos os interesses nomináveis nas fraudes aplicadas. Quanto ao 135, III do CTN, assim se apresenta in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado Várias foram as teses apresentadas quanto ao artigo: umas dizendo que a pessoalidade afastava a responsabilidade da empresa; outras que seria responsabilidade subsidiária; e, por fim, a que defende que a aplicação é de solidariedade. Entendo que esta última já está consolidada tanto no Judiciário quanto nos julgados administrativos. Neste ponto, os Recorrentes pretendem que seja apontado qual o ato específico por eles praticados que pode ser enquadrado no artigo. Defendem que todos as atividades foram lícitas. Descordo enfaticamente. O conjunto das ações, como foi tratado anteriormente, caracterizou uma fraude de grandes proporções, resultando na redução irregular dos tributos devidos pela empresa. Estamos tratando de um ágio de 551 milhões de reais em uma empresa cujo valor patrimonial ultrapassava um pouco os 50 milhões. Isso não é uma fraude pequena, e foi comandada, capitaneada pelos dois sócios. No meu entendimento, não é necessário, nesses casos, que se aponte um determinado ato, uma determinada ordem, uma determinada assinatura. Isso é reduzir os fatos, que se desencadearam em alguns anos, a um momento específico em que houve um ilícito. O ilícito aqui é o conjunto, a obra, arquitetada e capitaneada, como dito, pelos dois administradores. E não se trata de presunção. O fatos estão comprovados. A direção da Empresa não é discutida ou contraditada. Quem tomou as decisões foram os dois dirigentes. O que se quer então? Afirmar que os dois foram enganados e que as operações foram feitas à revelia, que não queriam engordar seus cofres pessoais em milhões e milhões de reais, mas foram surpreendidos ao verem suas contas correntes? Fl. 4852DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.853 50 Ainda que fosse essa a alegação, devo destacar que na jurisprudência tem prevalecido o entendimento de que, na aplicação do artigo 135, III, a responsabilidade decorre de dolo ou culpa por parte dos dirigentes. Vejamos: STJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL AgRg no REsp 952762 SP 2007/01112355 (STJ)Data de publicação: 05/10/2007 Ementa: TRIBUTÁRIO – PROCESSUAL CIVIL – EXECUÇÃO FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÓCIO GERENTE AUSÊNCIA DE PROVA DE DOLO OU CULPA REDIRECIONAMENTO – IMPOSSIBILIDADE. 1. O posicionamento pacífico desta Corte é no sentido de que o sócio somente deve responder pelos débitos fiscais do período em que exerceu a administração da sociedade se ficar provado que agiu com dolo ou fraude e exista prova de que a sociedade, em razão de dificuldade econômica decorrente desse ato, não pôde cumprir o débito fiscal. 2. In casu, não restou caracterizada prova de que os sócios tenham agido com dolo ou culpa, ou ainda que tenha havido dissolução irregular da sociedade. Agravo regimental improvido. Houve ato ilícito sob a responsabilidade dos dois sócios administradores quando comandaram operação fraudulenta de criação de ágio no intuito de reduzir irregularmente o tributo devido, assim, ambos são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário decorrente. Mantenho a sujeição passiva solidária dos dois sócios administradores. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL Quando ao lançamento da multa isolada, observandose a base de cálculo, tanto do IRPJ quanto da CSLL, de dezembro de 2008 e de janeiro a dezembro de 2009, verificase que o acréscimo de R$74.258,76 a cada mês, correspondente à parcela da amortização do ágio, não implicará débito do contribuinte a título de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, pelo que esta deve ser afastada. JUROS SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO Sobre a questão esta Turma já manifestou entendimento sobre a procedência da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assim, reproduzo manifestação sobre o tema constante do processo 13896.721338/201336, da Relatoria da Conselheira Ester Marques Lins de Souza, que adoto como razão de decidir: Como cediço, os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. O artigo 142 do CTN, descreve, na verdade, o fato de que, no mesmo auto de infração, pode ocorrer o lançamento Fl. 4853DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.854 51 tributário, em que se exige o tributo devido pelo contribuinte, e a aplicação da penalidade pelo fato de este contribuinte ter deixado de recolher o tributo. Portanto reunidos em um único lançamento, e, devidamente discriminados, a cobrança do tributo e a aplicação da multa pela infração, resta constituído o crédito tributário que deve ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora). Portanto, efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento do tributo e da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal, no presente caso, a denominada multa de ofício de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Sobre os juros de mora, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, não podendo ser outro crédito senão àquele constituído nos termos do art.142 do CTN, ou seja, crédito tributário (objeto prestacional, representado em dinheiro) = tributo (não pago) + penalidade aplicada (não paga). Dizer que a penalidade aplicada não integra o montante do crédito tributário não passa de um flagrante equívoco. A exigência dos juros sequer depende de formalização, uma vez que serão devidos sempre que o principal ( tributo ou penalidade) estiver sendo recolhido após o prazo de vencimento, mesmo que não quantificados (os juros) quando da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Apesar disso, há quem argumente que, se do crédito a que se refere o caput do transcrito art. 161 do CTN constasse a multa de ofício, não haveria razão para mencionar nesse mesmo dispositivo “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Não é nenhuma novidade dizer que o CTN é recheado de repetições. A verdade é que, não haveria necessidade de novamente constar no mencionado artigo 161 tal comando, porque a partir do lançamento surge o crédito, no entanto com o intuito de afastar os juros de mora outros argumentos poderiam advir no sentido de que tendo sido aplicada a penalidade não seria cabível a aplicação dos juros de mora porque a “penalidade” seria em substituição de outros encargos etc.. Ora, a caracterização da mora dáse de direito, e, não depende sequer que o sujeito passivo seja interpelado com o auto de infração. Não sendo o valor devido integralmente pago até o vencimento, o crédito deve ser acrescido de juros de mora. Fl. 4854DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.855 52 Partilho do entendimento expresso no Parecer MF/SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 02 de abril de 1998, segundo o qual, considerando o disposto no art.161 do CTN, é possível concluir que mencionada norma legal autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa em caráter geral, nada impedindo que a lei específica disponha de forma diferente, determinando que os juros de mora devam incidir apenas sobre os tributos e as contribuições. É certo que tivemos no passado dispositivos legais (art. 59 da Lei nº 8.383/91 e art.84 da Lei nº 8981/95) que deixaram dúvidas quanto a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. A interpretação literal decorrente da mencionada legislação era no sentido de que pela redação das leis mencionadas os juros deveriam incidir apenas sobre os tributos e contribuições, não autorizando, pois, a exigência dos juros de mora sobre outros débitos sem a natureza jurídica de tributo. No entanto, com a edição da Lei nº 9.430/96, é possível mudar de paradigma para concluir que, com apoio no artigo 61 e seu § 3º, restou explícito ser cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do vencimento da penalidade, cujos fatos geradores (descumprimento da norma legal) ocorrerem a partir de 01/01/1997, vejamos: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (Grifei) Sobre o vencimento da multa de ofício lançada, depreendese dos autos de infração que a multa de ofício tem prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo. Ora, se os juros moratórios a que se refere o § 3º do art. 61, da Lei nº 9.430/96, somente se aplicam sobre débitos com prazo de vencimento, inferese que incidem sobre a multa de ofício não paga no prazo de trinta dias após a ciência do lançamento pelo autuado. O artigo 43 da lei nº 9.430/96 ao tratar do auto de infração sem tributo (crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou Fl. 4855DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.856 53 conjuntamente) prevê a incidência de juros de mora calculados à taxa Selic sobre o crédito tributário formalizado, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, o que demonstra claramente a imbricação com o art.161 do CTN e com o artigo 61, § 3º da mesma Lei nº 9.430/96, desnecessário seria repetir que nos casos da multa de ofício de que trata o artigo 44 da mesma lei também deverão incidir os juros de mora. Feitas as considerações acima e no contexto de uma interpretação sistemática, é forçoso concluir que ao teor do art.161 do CTN, bem como dos artigos 43, parágrafo único, e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, por se tratar de débitos para com a União, incidem tanto sobre os tributos quanto sobre a multa de oficio, os juros de mora com base na taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do seu pagamento. Sabendose que os juros de mora incidem a partir de vencimentos distintos em relação ao vencimento do tributo e ao vencimento da multa lançada de ofício (30 dias após a ciência do lançamento). Antes do lançamento não há falar em juros de mora sobre a multa de ofício. Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuniárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou de notificação de lançamento, conforme fixado na Portaria MF nº 370 de 23 1288, verbis: I Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou da notificação de lançamento e serão calculados, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração, sobre o valor corrigido monetariamente. II. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Nesse sentido trazse à lume excerto do voto do Desembargador Dirceu de Almeida Soares quando do julgamento, pela 2a. Turma do TRF4, da AC 2005.72.01.000031 1/SC, em 2006 (Leandro Paulsen, Direito Tributário, 9ª ed., Livraria do Advogado, pág. 1028), ipsis litteris: “...tanto a multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação da estrita legalidade ...O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente.” Fl. 4856DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.857 54 Com efeito, é legitima a exigência de juros de mora tanto sobre os débitos lançados como da respectiva multa de ofício, não pagos no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao dos respectivos vencimentos dos prazos até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa. Para sedimentar as considerações feitas no presente voto, trazse à colação o entendimento expresso nos seguintes Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscal desse Egrégio Conselho Administrativo: ACÓRDÃO nº CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007: JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ACÓRDÃO nº 9101002.5011ª Turma, julgado em 12/12/2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assim, considero correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Pelos motivos apresentados, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, exonerando o crédito tributário IRPJ e CSLL relativo ao ágio constituído nas operações da Boticário Participações (R$ 25.168.634,90) e ao ágio constituído nas operações da G&K Holding S/A, na parcela correspondente ao valor contabilizado na OBF, de R$541.813.468,64, e mantendo a tributação imposta à parcela do ágio amortizado na G&K Holding e transferido via Parte B do Lalur para a Recorrente (R$4.455.536,61). Exonero a tributação da multa isolada sobre não recolhimento de estimativa de IRPJ e CSLL, uma vez que a adição às bases de cálculo de dezembro de 2008 e de janeiro a dezembro de 2009 do valor mensal amortizado da parcela mantida (R$74.258,76) não determinaria à Contribuinte o dever de recolher estimativas, pelo que a multa perde o objeto. Mantenho os juros sobre a multa de ofício, a multa qualificada e a sujeição passiva solidária dos administradores Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, no que toca à parcela mantida do lançamento. Fl. 4857DF CARF MF Processo nº 10980.726765/201100 Acórdão n.º 1302002.630 S1C3T2 Fl. 4.858 55 É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Fl. 4858DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.902774/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos suficientes, à compensar a totalidade do débito deste processo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos suficientes, à compensar a totalidade do débito deste processo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 27 74 /2 00 8- 08 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10980.902774/200808 Acórdão n.º 3401004.312 S3C4T1 Fl. 193 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 3403000.404 (fls.1 105/107), que converteu o feito em diligência, o qual passo a transcrever: "Cuidase os de Recurso Voluntário objetivando o afastamento do indeferimento de restituição e compensação de crédito oriundo de pagamento por meio de DARF a maior do que o valor devido para o PIS relativo ao período de apuração de 01.12.2002 a 31.12.2002. Sustenta a Interessada que o indeferimento ocorreu sob o fundamento de que a existência de crédito no crédito original de R$ 2.047,37 para extinção de débito indicado na declaração, mas verificado que o crédito teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, motivo pelo qual não se homologou a compensação declarada. O crédito pleiteado tem origem segundo alegação no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. A DCTF foi retificada após o conhecimento da decisão contida no despacho decisório, que negou a existência do crédito. Foram trazidas à colação cópias do razão contábeis com o objetivo de demonstrar a origem do crédito. Em razões recursais manteve os mesmos argumentos tecidos na fase de Inconformidade de Manifestação." Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para: a) Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, no valor de R$ 10,81: "Ao que tudo indica, o saldo devedor decorre de erro cometido pelo contribuinte na quantificação da taxa selic acumulada no período." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, em essência, acatando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10980.902774/200808 Acórdão n.º 3401004.312 S3C4T1 Fl. 194 3 Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, no valor de R$ 10,81, com o qual manifestou concordância o contribuinte Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.723234/2012-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
Somente são dedutíveis as despesas ocorridas no ano-calendário correspondente ao da Declaração de Ajuste apresentada.
Numero da decisão: 2002-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
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DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. Recorrente VALQUIRIA RHEIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Somente são dedutíveis as despesas ocorridas no anocalendário correspondente ao da Declaração de Ajuste apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 32 34 /2 01 2- 06 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 72 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2008, ano calendário 2007, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas e com instrução. A contribuinte apresentou impugnação (fls.2/12), contestando integralmente a glosa da despesa com instrução e parcialmente a das despesas médicas, requerendo o restabelecimento das despesas médicas próprias e de Filipe Rhein Spolle. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 43/46), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura destas despesas, quando relativas ao próprio tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes e devidamente comprovadas com documentação hábil e idônea. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, devidamente comprovadas e dentro do limite individual estabelecido. Cientificada dessa decisão em 17/4/2017 (fl.48), a contribuinte formalizou, em 8/5/2017 (fl.54), Recurso Voluntário (fls. 54/61), no qual apresenta as seguintes alegações: na impugnação, apresentou declaração do curso de especialização da profissão de Terapeuta Familiar e de Casal, consignando o valor de R$3.555,00. quanto às despesas médicas, na impugnação teria apontado como impugnado o valor de R$17.375,01, mas o valor correto a ser reavaliado é de R$12.614,01 (Metrus R$1.851,20, de Valquiria e Filipe, Dra. Olívia R$8.722,00 e Metrus R$1.040,01). tece considerações acerca do curso de Terapia Familiar e de Casal e afirma ter conhecimento de que o valor com instrução por pessoa para o anocalendário 2007 era de Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 73 3 R$2.480,66. Indica a juntada de recibo de pagamento ao Instituto de Terapia Familiar de São Paulo ITF, no valor de R$3.950,00. informa que o valor de R$1.040,01, pago a Metrus, não foi descontado em contracheque, pelos motivos que explica, tendo sido o pagamento efetuado por boleto bancário. Indica a juntada do recolhimento. indica a juntada ainda de documentos emitidos pela Metrus e por Olívia Rogéria Gomes. requer o cancelamento da exigência fiscal. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.65). É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 74 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Despesas com Instrução Nesse tocante, cabe esclarecer que, embora a recorrente teça considerações acerca das despesas com instrução no Recurso Voluntário apresentado, a decisão de piso cancelou integralmente a glosa efetuada, como se extrai do trecho a seguir reproduzido: A contribuinte anexou aos autos os documentos de fls. 20 comprovando a despesa no valor de R$ 3.950,00. Deve ser restabelecida, portanto, a dedução do valor de R$ 2.480,66 tendo em vista que o valor comprovado supera o limite individual. Dessa forma, não remanesce litígio a ser apreciado por este Colegiado quanto a esta matéria. Despesas Médicas À luz da legislação citada na notificação de lançamento, os contribuintes podiam deduzir do rendimento tributável na declaração de ajuste do exercício de 2008, valores relativos a determinadas despesas, tais como as médicas, desde que devidamente comprovadas. No tocante às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 75 5 seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). No caso, a Notificação de Lançamento noticia a glosa de despesas médicas no montante de R$26.919,46 (fl.7). Em sua impugnação, a contribuinte requereu o restabelecimento de despesas no montante de R$17.375,01, argumentando que seriam despesas próprias e do dependente Filipe Rhein Spolle (fl.2). A decisão de piso consigna: Da análise dos documentos apresentados na impugnação, a seguir relacionados, concluise que as despesas médicas no valor de R$ 11.573,20 são passíveis de dedução dos rendimentos tributáveis, tendo em vista o preenchimento dos requisitos legais, devendo ser afastada a glosa efetuada pelo Fisco. 1. Metrus – R$2.851,20: declaração de fl. 16 (despesas de Valquiria e Filipe Rheins Spolle dependente relacionado na declaração de ajuste anual). 2. Olívia Rogéria Rodrigues Gomes (cirurgiã dentista) – R$8.722,00: recibo de fl. 17. Entretanto, não há como aceitar a despesa com a Metrus informada no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fl. 12, por falta de discriminação dos beneficiários do plano. Somente são dedutíveis as despesas médicas de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que for considerado dependente. Ao ser notificada, caberia a interessada trazer aos autos novo documento (declarações ou qualquer outra forma de manifestação escrita por meio da qual pudesse ser suprida a deficiência apontada na peça fiscal). Em sede de recurso, a contribuinte informa que impugnou erroneamente o total de R$17.375,01, mas argumenta que faz jus a deduzir o montante de R$12.614,01, sendo R$3.891,21 referente a Metrus, e R$8.722,00 referente a profissional Olívia Rodrigues Gomes. Acrescenta que o valor de R$1.040,01 foi pago para a Metrus via boleto bancário, indicando a juntada de documento comprobatório. Vêse, assim, que resta em litígio a despesa médica com Metrus no valor de R$1.040,01, uma vez que as demais despesas reclamadas pelo sujeito passivo em seu recurso já foram restabelecidas pela decisão de piso, no montante de R$11.573,20, conforme acima demonstrado. Em seu recurso, em complemento aos documentos de fls. 16, 18 e 19, a contribuinte junta o boleto bancário de fl.58. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.723234/201206 Acórdão n.º 2002000.013 S2C0T2 Fl. 76 6 Entretanto, constatase que o documento foi pago em 4/1/2008, quando aqui está se tratando do anocalendário 2007. Dispõe a Lei nº9.250, de 1995, em seu artigo 8º: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (destaque acrescido) Considerando que o IRPF regese pelo regime de caixa, sendo dedutíveis apenas as despesas pagas no anocalendário correspondente ao da Declaração de Ajuste, a despesa comprovada por meio de documento de fl. 58 não pode ser acatada, uma vez que efetuada em 2008. Acrescentese que, ainda que assim não fosse, o documento também não permite certificar que o pagamento ali consignado se refere somente à mensalidade da contribuinte ou se inclui parcela relativa a outros beneficiários. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000722/2005-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O lançamento efetuado por agente competente, nos termos da lei, com resguardo do amplo direito de defesa, é plenamente válido e não se torna nulo por eventual descumprimento do mandado de procedimento fiscal, que também não tem o condão de provocar a recuperação da espontaneidade regida pelo Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual (mesma base). FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. DCTF. Débitos não declarados em DCTF não têm a natureza de confissão de dívida e devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE. CONFISCO. O princípio do não-confisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador Fl. 1 DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.664 S1-C4T2 Fl. 852
Numero da decisão: 1402-000.664
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, e 3) negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O lançamento efetuado por agente competente, nos termos da lei, com resguardo do amplo direito de defesa, é plenamente válido e não se torna nulo por eventual descumprimento do mandado de procedimento fiscal, que também não tem o condão de provocar a recuperação da espontaneidade regida pelo Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual (mesma base). FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. DCTF. Débitos não declarados em DCTF não têm a natureza de confissão de dívida e devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE. CONFISCO. O princípio do não-confisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador Fl. 1 DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/2005-16 Acórdão n.º 1402-00.664 S1-C4T2 Fl. 852
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ESPONTANEIDADE. O lançamento efetuado por agente competente, nos termos da lei, com resguardo do amplo direito de defesa, é plenamente válido e não se torna nulo por eventual descumprimento do mandado de procedimento fiscal, que também não tem o condão de provocar a recuperação da espontaneidade regida pelo Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual (mesma base). FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. DCTF. Débitos não declarados em DCTF não têm a natureza de confissão de dívida e devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE. CONFISCO. O princípio do nãoconfisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 852 2 administrativo, do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Os juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos previstos na legislação devem ser calculados com base na taxa Selic. (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, e 3) negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório AgriTillage do Brasil Indústria e Comércio de Máquinas e Implementos Agrícolas Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). A Fazenda Nacional recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo I/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente de auto de infração concernente ao imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ (fls. 423/443 – demonstrativos inclusos), lavrado em conseqüência de apuração de irregularidades cometidas pelo sujeito passivo relativamente aos anoscalendário 2000, 2002, 2003 e 2004. Conforme Relatório Fiscal de fls. 444/457, que acompanha a autuação, ora sintetizada, em procedimento fiscal denominado “verificações obrigatórias”, consistente no cotejo entre os valores informados nas DCTF e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração, foi constatado que a fiscalizada não efetuou pagamento, nem compensou em Dcomp, o IRPJ apurado no ajuste anual dos anos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 853 3 calendário 2000, 2002, 2003 e 2004, bem como não recolheu, nem compensou o imposto de renda mensal devido por estimativa. Esclarece o autor do feito que embora tenha a pessoa jurídica apurado IRPJ a pagar no ajuste anual indicado no Lalur e nas DIPJ, os respectivos créditos tributários não foram constituídos por declaração regularmente entregue pela contribuinte (DCTF), nem extintos por pagamento ou compensação, razão pela qual constituemse os mesmos por auto de infração. Do mesmo modo está se exigindo multa isolada de 75% sobre os valores mensais do imposto, devidos por estimativa, não recolhidos pela contribuinte, apurados pela empresa, mas não declarados em DCTF (se esclarece que não foram consideradas as DCTF retificadoras entregues após o início da ação fiscal). Ressalvase que a contribuinte solicitou por meio do processo administrativo nº 13851.001171/200257 a compensação do IRPJ devido por estimativa, no período de 01 a 10/2000, com supostos créditosprêmio de IPI a que teria direito, sendo tal pedido indeferido em 22/11/2002 pela DRF em Araraquara. Com os respectivos enquadramentos legais no corpo do auto de infração, atinge o crédito tributário o valor total de R$ 9.857.474,34 já incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/05/2005 (IRPJ), assim distribuídos: IRPJ ..........................................................R$ 4.766.857,92 Multa isolada.............................................R$ 5.090.616,42 Cientificada em 14/06/2005, se insurgiu a contribuinte contra a autuação, por intermédio da impugnação de fls. 466/537, apresentada em 11/07/2005, e subscrita pelo advogado Marco Antonio Destefani (procuração – fl. 538), na qual se alega, em síntese, que: é nulo o auto de infração pela ausência de cumprimento de formalidades do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, dado que i) não foi indicado especificamente qual tributo seria fiscalizado; ii) foi lavrado por pessoa que não tinha autorização legal para fazêlo – Delegado Substituto; iii) não foi cumprido o prazo para execução do MPF que deveria ocorrer até 10/06/2005; iv) não tomou ciência formal de prorrogação do MPF; acrescenta que ao não ser notificada para se manifestar no encerramento do procedimento, houve desrespeito ao art. 44 da Lei nº 9.784/99, bem como aos princípios constitucionais que elenca; de outro lado, argüi que a autuação baseouse em presunções e que o Fisco não demonstrou as supostas irregularidades apontadas, também razão de nulidade do auto de infração; a autoridade administrativa julgadora tem o dever de julgar conforme os princípios e regras da Constituição Federal, examinando as alegações de inconstitucionalidade a ela submetidas, entre elas questões relativas à Cofins que aponta; os valores do auto de infração foram extintos mediante compensações que relaciona; os créditos tributários objeto do auto de infração já haviam sido constituídos mediante DIPJ’s e DCTF’s retificadoras, sendo nulo o auto de infração posto que sua finalidade já havia sido suprida; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 854 4 como não teve ciência oficial da prorrogação do prazo do MPF, não poderia ter sido penalizada com a exclusão da espontaneidade, defendendo a aplicação do art. 138 do CTN quanto às DCTF’s retificadoras; sustenta a impossibilidade da aplicação concomitante da multa punitiva e da multa isolada previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, já que a primeira seria aplicável na apuração de resultado positivo de lucro tributável ao final do período e a segunda somente no caso de ausência de lucro real; acrescenta que a multa isolada também não poderia ter sido aplicada por não ter havido o exercício da opção pelo regime de apuração do imposto, a qual se consubstanciaria pelo pagamento da primeira quota ou quota única, não realizada no presente caso; pleiteia o afastamento das multas, pelo seu efeito confiscatório, bem como da taxa Selic no cálculo dos juros de mora.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 14 13.879 (fls. 645657) de 09/10/2006, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: processo administrativo fiscal Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O lançamento efetuado por agente competente, nos termos da lei, com resguardo do amplo direito de defesa, é plenamente válido e não se torna nulo por eventual descumprimento do mandado de procedimento fiscal, que também não tem o condão de provocar a recuperação da espontaneidade regida pelo Decreto nº 70.235/1972. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. AJUSTE ANUAL. MULTA DE OFÍCIO. A falta de recolhimento mensal do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período ou mesmo de formalização de ofício de exigência de tributo devido ao final do ano. FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. DCTF. Débitos não declarados em DCTF não têm a natureza de confissão de dívida e devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2002, 2003, 2004 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 855 5 MULTA. DESPROPORCIONALIDADE E IRRAZOABILIDADE. CONFISCO. O princípio do nãoconfisco Tributário, nos termos do art. 150, IV da CF, não se aplica às penalidades, sendo incabível o reexame, pelo julgador administrativo, do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. APLICAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. A lei aplicase a fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Os juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos previstos na legislação devem ser calculados com base na taxa Selic.” Nos termos da legislação em vigor, aquele Colegiado recorreu de oficio a este Conselho. Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 10/11/2006 (A.R. de fl. 668), a interessada interpôs recurso voluntário em 12/12/2006 (fls. 668684) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 856 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Recurso de Ofício O Recurso de Ofício é assente em lei (Decreto nº 70.235/72, art. 34, c/c a Lei n° 8.748, de 09/12/93, arts. 1° e 3°, inciso I), dele tomo conhecimento. Trata de recurso de ofício interposto pela 5ª Turma da DRJ São Paulo I/SP que reduziu a multa isolada para 50% (cinqüenta por cento) do valor que deixou de ser recolhido mensalmente aos cofres públicos. Assim se pronunciou a DRJ: “... Por sua vez, em vista do que dispõe o art. 106, inciso II, letra “c” do Código Tributário Nacional, cabe observar a Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, que prescreve: Art. 18. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1°, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 857 7 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38." (destaquei) Assim, a multa isolada calculada em 75% do valor que deixou de ser recolhido deve ser reduzida para 50% (cinqüenta por cento), por força do dispositivo acima.” Entendo que a decisão recorrida está devidamente motivada e os seus fundamentos de fato e de direito não merecem reparos, pelo que encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio interposto. Recurso Voluntário O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Há que se reconhecer, de início, a inaplicabilidade da multa de ofício isolada por falta de recolhimento de estimativas, haja vista ter essa penalidade a mesma base de cálculo da multa de ofício vinculada ao IRPJ, cobrada concomitantemente no auto de infração em análise. Tal entendimento é assente nesta Turma a exemplo do voto condutor do Acórdão 140200.560, de 26 de maio de 2011, da lavra do i. Conselheiro Antonio José Praga de Sousa, cujos fundamentos adoto conforme o que se segue. (...) Além disso, com a fiscalização apurou outras infrações no anocalendário de 1997, ensejando a aplicação da multa de oficio, exigida em concomitância com a multa isolada. Sobre a matéria já possuo entendimento sedimentado, que já manifestei em diversas decisão no CARF, a exemplo do acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa transcrevo: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 858 8 § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/200312, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 859 9 Quanto aos demais argumentos, ressalto que a empresa, em sua peça recursal, simplesmente reafirma aqueles trazidos em sua impugnação. Por entender que a matéria foi adequadamente enfrentada na decisão de 1a instância, peço vênia ao autor para adotar seus fundamentos, a seguir transcritos: “Em primeiro lugar passo à análise da alegada nulidade da autuação por descumprimento de formalidades atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Vejase que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, instituído pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999 (mantido na atual Portaria SRF nº 6.087, de 21 de novembro de 2005) é um instrumento de controle e planejamento das atividades de fiscalização dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal o qual, além de propiciar o gerenciamento interno das ações fiscais, viabiliza a transparência da atuação do Fisco, com a ciência do sujeito passivo e, inclusive, com a possibilidade da certificação da veracidade do procedimento administrativo por intermédio da Internet. Todavia, há que se ponderar que tal instrumento de controle e planejamento não tem o condão de estabelecer regra de competência dos servidores encarregados das atividades de fiscalização Tributária tal como estabelecido na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), artigos 142, 194, 195 e 196, os quais transcrevo: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 860 10 efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo.” (todos os destaques não constam da redação original) Por outro lado, o artigo 6º da Lei nº 10.593 de 06 de dezembro de 2002 estabelece que: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: I em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário; b) elaborar e proferir decisões em processo administrativo fiscal, ou delas participar, bem assim em relação a processos de restituição de tributos e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, inclusive os relativos ao controle aduaneiro, objetivando verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, praticando todos os atos definidos na legislação específica, inclusive os relativos à apreensão de mercadorias, livros, documentos e assemelhados; d) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à aplicação da legislação tributária, por intermédio de atos normativos e solução de consultas; e) supervisionar as atividades de orientação do sujeito passivo efetuadas por intermédio de mídia eletrônica, telefone e plantão fiscal; Defluise da compreensão dos dispositivos transcritos que embora o texto da lei faça referência ao “exercício da competência da Secretaria da Receita Federal”, esta não se traduz naquela competência específica do agente público, no caso presente o AuditorFiscal da Receita Federal – AFRF, para o exercício das atividades de fiscalização e para a prática dos procedimentos e atos administrativos necessários a sua consecução. Podese, sim, falar de uma competência genérica ou atribuição desse órgão – SRF para “dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar os serviços de fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação, recolhimento e controle dos tributos e contribuições e demais receitas da União, sob Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 861 11 sua administração”, nos termos do art. 1º, inciso VII da Portaria MF nº 030 de 25 de fevereiro de 2005 (Regimento Interno da SRF). Por sua vez, a competência atribuída à autoridade administrativa, de acordo com o CTN, somente poderá ser aquela conferida ao agente público, pois, em caso contrário, estarseia imputando pena por responsabilidade funcional, de que trata o parágrafo único do art. 142 daquele diploma legal, em caso de descumprimento da norma, ao órgão administrativo em flagrante despautério jurídico. De se notar, sob outro enfoque, que se a expressão legislação tributária, nos termos do artigos 96 e 100 do CTN compreende inclusive as normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, suas disposições não poderão excluir ou limitar o direito da autoridade administrativa de examinar livros, arquivos, documentos, papéis com efeitos fiscais etc., nem poderão excluir a obrigação dos contribuintes de exibilos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (art. 195 do CTN). Concluise, desta forma, que o MPF, instituído por norma dita complementar (Portaria), não poderá acarretar qualquer limitação ao exercício da competência tributária do AFRF, nem poderá estabelecer regra de competência para a prática dos atos concernentes à exigência do crédito tributário, estabelecida por lei materialmente complementar (CTN). Assim sendo, inferese que o descumprimento de MPF, quanto a qualquer dos seus elementos, ou até mesmo a inexistência desse instrumento, não acarretam nulidade do lançamento. No máximo, sujeitaria o Auditor Fiscal, além da recusa do contribuinte em submeterse à fiscalização sem MPF ou fora de seus parâmetros, a eventual penalidade administrativa. Sob esse aspecto, determina o art 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Repitase: não tendo o MPF o condão de estabelecer regra de competência, sua ausência ou descumprimento não acarretará a nulidade do auto de infração mormente este tenha sido lavrado com observância das normas que o regem, notadamente a adequada descrição dos fatos, a correta capitulação legal e a devida ciência do sujeito passivo. Nos presentes autos, além da pretensa nulidade do lançamento tributário, discutese a espontaneidade do sujeito passivo (quanto à entrega de DCTF’s retificadoras) à vista de pretenso não conhecimento formal da prorrogação do respectivo MPF. Novamente cabe relembrar o princípio da hierarquia das normas, em cujo fundamento de validade repousa o ordenamento jurídico. Não houve a revogação do art 7º do Decreto nº 70.235/1972 (com força de lei Decretolei nº 822/1969) pela Portaria SRF nº 1.265/99 e sucedâneas e, portanto, não são as normas que regem o MPF que irão dispor acerca do instante em que se exclui ou se readquire a espontaneidade do sujeito passivo em relação a possíveis infrações da lei tributária. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 862 12 Dispõe o citado artigo: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.” (destaquei) Conforme pode ser extraído do “Termo de Início da Ação Fiscal” (fls. 04) – item 2, foi o sujeito passivo intimado em 14/02/2005 a “apresentar as DCTFs referentes ao período de 01/00 a 01/05”, tendo entregado as declarações retificadoras após esta data. Não houve qualquer solução de continuidade que pudesse conceder ao contribuinte a recuperação de espontaneidade. Por outro lado, não fora tais colocações, os argumentos do contribuinte acerca das pretensas irregularidades do MPF também não merecem qualquer guarida. Vejamos: i) no respectivo mandado consta que a fiscalização deveria verificar obrigatoriamente a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração em relação aos tributos administrados pela SRF nos últimos cinco anos. Ainda que seja redundante a observação quanto aos tributos administrados pela SRF, o IRPJ encontrase dentro desse contexto e foi objeto da autuação; ii) na ausência do titular da unidade da SRF responsável pela emissão do MPF, detém a respectiva competência seu substituto institucionalmente nomeado para tanto; iii) quanto ao prazo de execução do MPF, dispõe a Portaria SRF nº 6.087/2005, art. 13 § 1º, que o prazo poderá ser prorrogado por intermédio de registro eletrônico, cuja informação estará disponível na Internet, prorrogação que pode ser verificada à fl. 02. O fato de não constar recebimento formal da fiscalizada não macula o feito, como já dito anteriormente. Por sua vez, não há previsão no Decreto nº 70.235/1972 de que o sujeito passivo deva ser comunicado do encerramento do procedimento antes da lavratura do auto de infração para manifestarse no prazo de dez dias, a teor do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. Nesse caso, dispõe o citado Decreto que formalizada a exigência tributária o sujeito passivo dispõe de trinta dias para impugnála. Conforme dispõe o art. 69 da lei mencionada, os processos administrativos específicos continuarão a regerse por normas próprias, aplicandose apenas subsidiariamente os preceitos da lei. Como dispõe o contribuinte de trinta dias para contradizer a exigência tributária, apresentando suas razões de defesa, não tem sentido a aplicação do prazo de 10 dias estabelecido na lei geral do processo administrativo, restando plenamente garantida observância do princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 863 13 A propósito dos princípios constitucionais, deve sim a autoridade julgadora julgar conforme princípios e regras da Constituição Federal, principalmente respeitando o princípio da legalidade e da unicidade de jurisdição. E em respeito a tais princípios não devem ser apreciadas no processo administrativo as alegações que propugnam a inconstitucionalidade de leis, dado que a Autoridade Administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Toda atividade da Administração Pública encontrase plasmada pelo princípio da legalidade e as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade em ação direta, com efeito erga omnes, ou ainda por resolução do Senado da República, publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, não sendo lícito à autoridade administrativa de qualquer instância absterse de cumprila nem declarar sua inconstitucionalidade sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. Deixo, assim, de tecer qualquer consideração acerca das normas acerca da Cofins, indicadas na impugnação, seja pelas razões acima expostas, seja porque a Cofins não está sendo exigida no presente processo. Quanto à autuação propriamente dita, vale observar que esta decorreu da verificação de que a empresa não efetuou pagamento, nem compensou em Dcomp o IRPJ apurado no ajuste anual dos anoscalendário 2000, 2002, 2003 e 2004, bem como não recolheu, nem compensou o imposto de renda mensal devido por estimativa. Esclareceu o autor do feito que embora tenha a pessoa jurídica apurado IRPJ a pagar no ajuste anual indicado no Lalur e nas DIPJ, os respectivos créditos tributários não foram constituídos por declaração regularmente entregue pela contribuinte (DCTF), nem extintos por pagamento ou compensação, razão pela qual foram os mesmos constituídos por intermédio do auto de infração. Vejase que acompanham o auto de infração os demonstrativos de fls. 423/430, os quais indicam claramente os valores considerados no lançamento tributário, com notas explicativas que não deixam qualquer duvida quanto ao montante considerado. Não se utilizou qualquer tipo de presunção como equivocadamente expresso na impugnação. Ao contrário, foram utilizados valores apurados pela própria fiscalizada que, no entanto, não formalizou devidamente o crédito tributário como lhe obriga a lei tributária. Registrese a respeito, que a impugnante apesar de sustentar que os créditos tributários já haviam sido constituídos pelas DIPJ’s, transcreve Acórdão do Conselho de Contribuintes nº 20177565, no qual se confirma o entendimento de que somente os valores declarados em DCTF têm o condão de formalizar os créditos tributários pelo sujeito passivo (abaixo transcrito). PIS. DIPJ. DCTF. Se os valores dos débitos declarados não têm a natureza de confissão de dívida, devem ser lançados de ofício para instrumentalizar sua cobrança. Até dezembro de 1998, os Fl. 13DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 864 14 valores declarados em DIPJ tinham tal natureza. Após, só os valores declarados em DCTF.Se os valores declarados em DCTF são menores do que aqueles encontrados pelo Fisco na escrita fiscal do sujeito passivo, a diferença também deve ser lançada de ofício. Como não foram aceitas as DCTF’s retificadoras, entregue sob ação fiscal, sem que tenha sido readquirida a espontaneidade – questão já acima analisada , correto o lançamento de ofício para formalização dos créditos tributários, não havendo porque cogitar sua nulidade. A interessada alega genericamente que os débitos foram extintos por compensação, apresentando a relação de Declarações de Compensações – Dcomp – entregues. Todavia, tais Dcomp foram devidamente consideradas, como se pode conferir nos respectivos demonstrativos e expressamente indicadas pelo autuante no Relatório Fiscal (fl. 450), devidamente entregue ao sujeito passivo com o auto de infração. Como também ficou esclarecido na autuação, não foi aceito o pedido de compensação com créditosprêmio de IPI, pleito já anteriormente indeferido pela DRF em Araraquara (fls. 173/182). ... Em relação à alegação de efeito confiscatório da multa lançada, em desacordo com o art. 150, IV da C.F., vale observar que tal dispositivo constitucional encontra se dirigido ao legislador tributário que não deverá instituir tributo com efeito de confisco. Ora, tributo não se confunde com penalidade; tratase de fenômenos jurídicos totalmente distintos. O tributo tem como hipótese de incidência (antecedente da relação jurídica tributária) a ocorrência de um fato lícito. A penalidade tem como antecedente o descumprimento de um dever legal (fato ilícito), tal como o não recolhimento pelo sujeito passivo de tributo a que estava obrigado por lei. A propósito, assim já se manifestou o Poder Judiciário: “MULTA. CONFISCO. PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL INAPLICÁVEL. Embargos à Execução Fiscal. Multa Moratória. Confisco. É inaplicável ao caso o princípio constitucional da vedação ao confisco, que referese ao tributo e não às penalidades em decorrência da inadimplência do contribuinte, cujo caráter agressivo tem o condão de compelir o contribuinte ao adimplemento das obrigações tributárias, ou afastálo de cometer atos ou atitudes lesivos à coletividade.”(Acórdão TRF/4ª Região Ap. Cível 1998.04.01.0178901/RS Relatora Juíza Tânia EscobarDJ 7.10.98). No que concerne à desproporcionalidade e irrazoabilidade das multas aplicadas, acrescentese que por ser a atividade fiscal vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não é possível qualquer conteúdo discricionário ou desvio do comando normativo, sendo incabível, também, o reexame pelo julgador administrativo do juízo de valor adotado pelo legislador para fixar o percentual que cumpra a finalidade de punir o infrator. ........................................................................................................................... Fl. 14DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13851.000722/200516 Acórdão n.º 140200.664 S1C4T2 Fl. 865 15 Por fim, no que se refere à taxa Selic, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que é matéria já sumulada por este Conselho, no sentido de que os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa Selic para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Pelas razões expostas voto no sentido de: 1) rejeitar as preliminares de nulidade, 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, e 3) negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 4 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10680.721180/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida UNIÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar a matéria aqui debatida, emprego parte do relatório desenvolvido pela DRJ Rio de Janeiro, retratado no acórdão n. 1266.727 (fls. 448/465), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação com informação de crédito no valor de R$ 118.446.239,76 em 09/07/2010 (data da transmissão da primeira Dcomp) e PER Nº 06682.25561.080610.1.2.579705 relativos a crédito de COFINS pagos ou depositados dos períodos de apuração 02/99 a 01/2004 oriundo de decisão judicial final proferida na Ação Rescisória nº 2005.01.00.0704442/MG: Tal valor está atualizado pela SELIC, após RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 21 18 0/ 20 13 -3 1 Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.051 2 a dedução do percentual de levantamento de depósitos da Cofins, conforme anistia da MP 66/2002, no valor de R$ 2.547.503,94. Foi formalizado pelo contribuinte em 13/10/2009 o processo de habilitação de crédito reconhecido judicialmente nº 15504.016803/200929, nos termos da então vigente Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, por meio do qual foi exarado o Despacho Decisório nº 1.071/2009, com o deferimento do pedido de habilitação. Foi proferido despacho decisório nº 1.783 (fls. 241/257) que apurou que: (...). O Despacho Decisório INDEFERIU o pedido de restituição eletrônico(PER) nº 06682.25561.080610.1.2.579705 formulado pelo contribuinte, e RECONHECEU o direito de utilização do crédito de R$5.808.602,46 em julho/2010 e HOMOLOGOU PARCIALMENTE as compensações declaradas(até o limite desse crédito). O contribuinte foi cientificado em 31/10/2013 (fl. 295) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 299/325) em 02/02/2013 alegando em síntese: As empresas Acesita S/A, Acesita Energética e Ascipar (antigas denominações de Aperam Inox America do Sul S.A, ArcelorMittal Bionergia Ltda. e Aperam Inox Serviços Brasil Ltda) impetraram Mandado de Segurança visando afastar a aplicabilidade da Lei nº 9.718/98 na parte em que alargou a base de cálculo da Cofins e do Pis e aumentou a alíquota da COFINS de 2% para 3%.. O Tribunal deu provimento ao apelo da União e denegou a segurança concedida. As autoras interpuseram Recurso Extraordinario e posteriormente desistiram do recurso para poder aderir à anistia instituída pela Medida Provisória 66/2002. Como os valores devidos estavam sendo depositados em juízo, foi requerido a conversão dos valores referente ao período abrangido pela anistia, valendo tal conversão como efetivo pagamento, sendo que o saldo remanescente referente aos benefícios da anistia deveria ser levantado pelas impetrantes. Para apurar o valor a ser convertido em renda e o valor que seria levantado pelas empresas (tendo em vista os benefícios do parcelamento), foi apresentada petição, demonstrando os cálculos formulados pela empresa. Após intensa discussão quanto à certeza e atualização destes valores, em 14.12.2005, foi proferido despacho ordenando a conversão em renda nos percentuais indicados pela empresa e pela União em concordância. Importante registrar que neste momento, a conversão em renda foi feita com a anuência da União Federal que, em conjunto com as Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.052 3 Impetrantes, conferiu os valores e base de cálculo informado em todas as declarações até então transmitidas e apurou o quanto seria devido a título de PIS e COFINS e deste montante descontou as benesses do parcelamento então aderido. O crédito utilizado nas compensações não é referente a qualquer erro de cálculo ou discordância das Impetrantes quanto aos percentuais convertidos em renda e sim, em virtude da rescisão do acórdão proferido pelo TRF. Em 2005 o STF decidiu a tese ali discutida e declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Diante disso, as requerentes ajuizaram ação rescisória distribuída sob o nº 2005.01.000704442. O pedido foi julgado procedente e o acórdão transitou em julgado em 10/07/2009. As empresas formalizaram os pedidos de habilitação de crédito com fundamento no art. 34,§3º, I, f, item 3 da IN 900/2008, que foi deferido. A primeira nulidade do despacho é o fundamento de não homologação pelo fato de que caberia CEF devolver os depósitos mediante ordem judicial. Tal argumento não tem amparo jurídico ou lógico, já que não há mais depósito judicial à disposição do juízo, uma vez que foram convertidos em renda da União. O despacho não apresentou qualquer fundamentação legal para o indeferimento da compensação e analisou situação diversa da que aqui se apresenta. A legislação citada apenas disciplina que somente por ordem judicial é possível conferir a destinação final dos depósitos judiciais, cabendo a CEF eventualmente proceder a devolução dos depósitos judiciais. Não se pretende a compensação de depósitos judiciais e sim depósito convertidos já transformados em pagamento definitivo da União. Nenhum dos dispositivos citados na decisão recorrida se aplica ao caso, o que já importa em nulidade material. Resta clara a completa ausência de motivação e de fundamentação legal para a não homologação do crédito compensado. Os valores depositados foram convertidos em renda e, com a decisão da ação rescisória, tornaramse indevidos. A União verificou que entre os créditos objeto de compensação havia pagamentos realizados por DARF, contudo, sob o fundamento de uma suposta reapuração da base de cálculo, não reconheceu integralmente os valores referentes a COFINS que haviam sido pagos a maior por meio de DARF, mas utilizou parcela deste crédito para quitar os novos valores apurados. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.053 4 Conforme se encontra demonstrado no Relatório Fiscal e planilhas foi feita uma nova apuração da base de cálculo de PIS e COFINS desconsiderando os valores apontados pela requerente e conforme esta nova apuração, a fiscalização foi discricionariamente alocando os créditos passíveis de compensação. A fiscalização efetuou ilegal imputação de pagamentos, ou seja, diminuiu o valor imputado pela Requerente ao pagamento dos débitos indicados na DCOMP alocandoo para pagamento de débitos manifestamente decaídos. Se a RFB entendia como devida a diferença de PIS e COFINS oriunda da reapuração da base de cálculo, deveria ter lançado este valor e não realizar uma imputação sobre um valor de crédito que já estava tomado por outro pedido de compensação. Nesta imputação não há o devido processo legal, contraditório, ampla defesa, Estado de direito. O pedido de compensação é um direito potestativo do contribuinte, cabe a ele dizer qual o crédito e qual o débito deseja quitar com a compensação. Não pode a Receita Federal, sob pena de ferir o dispositivo acima, quitar parte de um débito que o contribuinte, em momento algum, desejou fazêlo, que sequer entende que é devido. A fiscalização somente poderia questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Na rescisória ao negar seguimento a apelação da Fazenda Nacional, prevaleceu a decisão da primeira instância que além de julgar inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS e julgou inconstitucional a majoração da alíquota da COFINS. Ao reapurar a base de cálculo a fiscalização deve incluir o aumento da alíquota como indevido, posto que esta foi a decisão judicial que transitou em julgado. Após a apuração da contribuição devida, o fisco em algumas competências adiciona alguns valores nomeados de crédito comp. ou pagamentos utilizados. O Despacho não explica o porquê da adição destes valores. Em relação a COFINS isto ocorreu nas competências de abr/99, jun/99. ago/99, nov/99, jan/01, mai/01, nov/01 e jun/02. (...). 2. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade apresentada foi julgada parcialmente procedente, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração:01/02/1999 a 31/01/2004 PROVA. JUNTADA POSTERIOR. Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.054 5 A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO.VERIFICAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM RENDA. PAGAMENTO INDEVIDO. A extinção do crédito tributário por conversão em renda de tributo depositado em valor indevido ou maior que o devido, gera, para o sujeito passivo, direito à restituição, podendo o indébito ser objeto de compensação, assim como dos acréscimos legais proporcionais nos termos dos arts. 165 e 167 do CTN. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. 3. Em suma, a sobredita decisão deu procedência à Manifestação de Inconformidade para: (i) admitir a possibilidade de compensação de créditos oriundos da conversão de depósito judicial em renda e reconhecidos como tal por decisão judicial transitada em julgado (ação rescisória n. 2005.01.000704442); e (ii) limitar a reapuração da base de cálculo dos débitos compensados, de modo que tal reapuração não gerasse débitos, porque decaídos, mas se limitasse a apenas reduzir ou anular o crédito vindicado. 4. Em contrapartida, referida decisão entendeu como válida a reapuração da base de cálculo que implicou a diminuição ou anulação do crédito vindicado pelo contribuinte. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.055 6 5. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 662/676, oportunidade em que, em síntese, alegou: (i) que a reapuração da base de cálculo dos valores declarado em DCTF e apontados como débito para fins de compensação equivale, em última análise, a lançamento do crédito tributário, o que pressupõe lançamento fiscal, nos termos do art;. 142 do CTN; (ii) que a referida reapuração implicou, por vias transversas, o lançamento de tributo decaído; e, por fim (iii) que ao reapurar as bases da compensação perpetrada pelo recorrente, a decisão recorrida ignorou, em alguns meses, o cômputo de créditos decorrentes de pagamento via DARF ou mediante conversão de depósito em renda. 6. Em 25 de julho de 2017 esta turma julgadora resolveu converter o presente julgamento em diligência (resolução n. 3402001.032 fls. 714/719) para que fosse tomada a seguinte providência pela unidade preparadora: (...). (i) com base no exato teor do acórdão n. 1266.727 (fls. 448/465), reconstitua o saldo de crédito a restituir em favor da recorrente levando em consideração os valores por ela pagos mediante guia DARF, bem como pela conversão de depósitos em renda em favor da União; (...). 7. Referida diligência foi cumprida, conforme se observa do relatório de diligência fiscal de fls. 722/725, sendo que o contribuinte se manifestou a respeito por intermédio da petição de fls. 731/742. 8. É o relatório. Resolução 9. Em resposta a diligência determinada por este colegiado e, mais particularmente, em relação aos créditos referentes aos períodos de agosto de 1999, agosto de 2000 e junho de 2001, a unidade preparadora assim se manifestou em relatório de diligência fiscal: (...). Entretanto, para os períodos de apuração 08/99, 08/2000 e 06/2001, os valores devidos a título de Cofins de acordo com a nova base de cálculo apurada estão inferiores aos valores declarados em DCTF, não tendo havido, desta forma, o alegado excesso de lançamento em relação às DCTFs. (...). 10. Acontece que, ao manifestarse a respeito, o contribuinte aduz que a unidade preparadora teria apurado um valor inferior ao declarado em DCTF por ter ignorado as DCTF's retificadoras (fls. 769/1.031) apresentadas pelo contribuinte para tais competências, as quais Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10680.721180/201331 Resolução nº 3402001.313 S3C4T2 Fl. 1.056 7 atestariam que os débitos de COFINS para tais meses são, respectivamente, de R$ 733.983,46 (fl. 854), R$ 2.422.31,69 (fl. 941) e R$ 2.838.808,10 (fl. 1.031), ou seja, muito inferior aos valores que originalmente teriam sido declarados pelo contribuinte e que teriam sido indevidamente considerados pela unidade preparadora ao preparar a sua resposta à diligência determinada por este Tribunal. 11. Assim para dissipar dúvida a respeito da questão alhures pontuada, mister se faz nova conversão do feito em diligência, de modo que a unidade preparadora esclareça: · quais os valores de COFINS declarados pelo contribuinte em DCTF's válidas para os meses de agosto de 1999, agosto de 2000 e junho de 2001, bem como quais os motivos e documentos fiscais que eventualmente se contraponham àqueles apresentados pelos contribuintes as fls. 854, 941 e 1.031 dos autos. 12. Cumprida a diligência, o recorrente deverá ser intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar eventual manifestação acerca do resultado da diligência, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 13. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 1042DF CARF MF
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