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Numero do processo: 13896.721452/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
Não havendo o responsável solidário impugnado a exigência perante o Colegiado de primeira instância, precluso restou o seu direito de contestá-la.
RECURSO DE OFÍCIO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DOAÇÃO
Na apuração do ganho de capital quando da alienação de bem recebido por doação, o custo de aquisição tem por base o valor constante na declaração de ajuste do doador, conforme entendimento da administração tributária.
PARCELAMENTO DO DÉBITO PELO SUJEITO PASSIVO. CONHECIMENTO DOS RECURSOS DOS COOBRIGADOS.
Não obstante o crédito tributário tenha sido objeto de parcelamento, persiste o interesse a legitimar a interposição de recurso voluntário pelos responsáveis solidários.
PARCELAS COMPLEMENTARES AO PREÇO DE ALIENAÇÃO. TRIBUTAÇÃO.
As parcelas complementares ao preço de alienação do bem, cujo pagamento está sujeito a condições que podem ou não se verificarem, não sofrem a incidência do imposto sobre ganho de capital, devendo ser tributadas nos termos dos arts. 3º, §§ 1º e 4º, e 7º da Lei nº 7.713/88.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabe a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo de deixar de recolher, intencionalmente, impedir ou retardar a apuração do crédito tributário por meios de atos ou omissão de fatos visando os objetivos mencionados.
VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE. CONSTATAÇÃO.
A responsabilidade é pessoal ao agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular da administração, mandato função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa por quem de direito, e são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, por não conhecer do recurso voluntário interposto por Marcelo Alberto Costa e por dar provimento parcial aos recursos voluntários interpostos por Amauri Antônio Alves Pereira, Mauro Alves Pereira e Eduardo Antonio Pires Cardoso, para fins de reduzir o imposto apurado sobre a omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa do ano-calendário 2007 para o valor de R$9.617.132,15, e cancelar as demais exigências.
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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AUSÊNCIA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Não havendo o responsável solidário impugnado a exigência perante o Colegiado de primeira instância, precluso restou o seu direito de contestála. RECURSO DE OFÍCIO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DOAÇÃO Na apuração do ganho de capital quando da alienação de bem recebido por doação, o custo de aquisição tem por base o valor constante na declaração de ajuste do doador, conforme entendimento da administração tributária. PARCELAMENTO DO DÉBITO PELO SUJEITO PASSIVO. CONHECIMENTO DOS RECURSOS DOS COOBRIGADOS. Não obstante o crédito tributário tenha sido objeto de parcelamento, persiste o interesse a legitimar a interposição de recurso voluntário pelos responsáveis solidários. PARCELAS COMPLEMENTARES AO PREÇO DE ALIENAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. As parcelas complementares ao preço de alienação do bem, cujo pagamento está sujeito a condições que podem ou não se verificarem, não sofrem a incidência do imposto sobre ganho de capital, devendo ser tributadas nos termos dos arts. 3º, §§ 1º e 4º, e 7º da Lei nº 7.713/88. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 14 52 /2 01 2- 85 Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Cabe a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo de deixar de recolher, intencionalmente, impedir ou retardar a apuração do crédito tributário por meios de atos ou omissão de fatos visando os objetivos mencionados. VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE. CONSTATAÇÃO. A responsabilidade é pessoal ao agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular da administração, mandato função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa por quem de direito, e são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, por não conhecer do recurso voluntário interposto por Marcelo Alberto Costa e por dar provimento parcial aos recursos voluntários interpostos por Amauri Antônio Alves Pereira, Mauro Alves Pereira e Eduardo Antonio Pires Cardoso, para fins de reduzir o imposto apurado sobre a omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa do anocalendário 2007 para o valor de R$9.617.132,15, e cancelar as demais exigências. Kleber Ferreira de Araújo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP1, que julgou parcialmente procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 43.212.458,58 relativo aos anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010 (fls. 1688/1769), sendo o objeto da inconformidade o lançamento referente à infração omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa de valores. Em 13/7/2007 a contribuinte adquiriu, pelo preço total de R$ 3.920.000,00, 3.920.000 ações ordinárias, sem valor nominal, da sociedade anônima de capital fechado Cientificalab Produtos Laboratoriais e Sistemas S.A., doravante denominada "Cientificalab". A transação, envolvendo 98% (noventa e oito por cento) do capital social da empresa, foi formalizada por meio do "Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Ações de Sociedade Anônima", celebrado entre as partes contratantes. Constaram como "cedentes" das ações os sócios Eduardo Antonio Pires Cardoso, doravante denominado "Eduardo", e Marcelo Alberto Costa, doravante denominado "Marcelo". Nos termos da cláusula 2.1 do referido instrumento particular, foi acordado que a contribuinte pagaria o valor de R$ 3.920.000,00 por meio de uma nota promissória, em caráter "pró soluto", no prazo máximo de 180 dias a contar da data da assinatura do instrumento, ou seja, até a data de 9/1/2008. Em 16/7/2007 a contribuinte recebeu uma bonificação em ações da Cientificalab, correspondente a 6.860.000 novas ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, resultantes de sua participação no aumento do capital social da empresa, mediante a incorporação de lucros acumulados. O montante total de lucros acumulados capitalizado foi de R$ 7.000.000,00, cabendo ao sujeito passivo 98% (noventa e oito por cento) desse valor, correspondente a R$ 6.860.000,00. O aumento de capital foi aprovado pela Ata da Assembléia Geral Extraordinária dos acionistas da Cientificalab realizada na data de 16/7/2007. Em decorrência dessa bonificação a contribuinte tornouse proprietária de 10.780.000 ações ordinárias nominativas da Cientificalab (3.920.000 + 6.860.000 = 10.780.000), representando 98% (noventa e oito por cento) da totalidade do capital da empresa. Em 19/7/2007 a contribuinte alienou a totalidade das ações da Cientificalab que possuía para a Diagnósticos da América S.A., doravante denominada "DASA", conforme "Instrumento de Compra e Venda", complementado por sete instrumentos aditivos, sem a apuração de ganho de capital na operação. De acordo com o disposto na cláusula 2.1 do Instrumento de Compra e Venda o preço da transação seria pago em 8 (oito) parcelas, sendo que a primeira, descontada da parcela retida, foi paga em 19/07/2007, cabendo à contribuinte, conforme letra "i" da cláusula 2.1, o valor de R$ 74.490.780,00. Ainda, conforme dispõe a cláusula 3.1 do Instrumento de Compra e Venda, o valor total da parcela retida foi fixado em R$ 3.000.000,00, cabendo à autuada o montante retido de R$ 2.940.000,00, correspondente à sua participação de 98% (noventa e oito por cento) na quantidade total de ações alienadas. Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 As demais sete parcelas do preço de aquisição seriam pagas anualmente, a partir do anocalendário de 2008, desde que as condições contratualmente acordadas para sua implementação viessem a ocorrer, conforme disposto nas cláusulas 2.2 a 2.11 do Instrumento de Compra e Venda. Ou seja, o pagamento das parcelas 2ª a 8ª do preço de aquisição era condicional, subordinandose a eventos futuros e incertos, que poderiam vir a ocorrer ou não. As parcelas 2ª a 7ª dependiam de a receita bruta recebida pela Cientificalab, nos períodos de apuração determinados, atingirem certos montantes. Caso estes não fossem alcançados, nada seria devido pela DASA aos vendedores, como estabelecem as cláusulas 2.2 a 2.4.2 do Instrumento de Compra e Venda. A parcela 8ª do preço de aquisição estava condicionada à celebração de novo contrato de prestação de serviços, ou renovação do atual, entre a Cientificalab e a Prefeitura Municipal de São Paulo, por período de 60 (sessenta) meses, como estabelece a cláusula 2.5 do Instrumento de Compra e Venda Em 27/8/2007 a compradora pagou R$ 799.740,85, por liberalidade, a título de adiantamento da segunda parcela do preço de aquisição, que pelas cláusulas 2.2.1 e 2.2.2 do contrato, poderia ser paga até 30/9/98, caso as condições para tanto se implementassem. Foram pagos a título de complementação da primeira parcela do preço de aquisição R$ 4.617.760,00 e R$ 2.597.000,00, respectivamente em 3/9/2007 e 18/9/2007, totalizando R$ 7.214.760,00 As segundas e terceiras parcelas do preço de aquisição, nos valores de R$ 18.065.250,39 e 962.091,69 foram quitadas por meio de transferências bancárias efetuadas em 15/10/2008 e 15/4/2009, respectivamente. Já a quarta parcela foi paga por meio das remessas de R$ 1.297.631,56, em 15/4/2010, e R$ 621.014,38, em 30/9/2010. O ganho de capital relativo à primeira parcela considerou que, quanto ao preço de aquisição, seu valor total foi determinado em R$ 79.011.000,00, sendo composto pelo valor de R$ 76.011.000,00, pago em 19/07/07, e pela parcela retida, no valor de R$ 3.000.000,00, a ser paga em 19/7/2013, ou à medida em que forem pagas pela compradora as contingências exigidas. À contribuinte coube a proporção de 98% (noventa e oito por cento) desses montantes, correspondente à sua participação na quantidade total de ações alienadas, ou seja, o valor total de R$ 77.430.780,00, formado pela quantia de R$ 74.490.780,00, recebida em 19/7/07, e R$ 2.940.000,00 a receber. Pela aplicação do disposto no art. 31 da IN SRF n° 84/01, o ganho de capital relativo ao montante recebido da primeira parcela de aquisição apurado pela fiscalização foi o seguinte: Ganho de Capital Total = Valor Total da Alienação Custo de Aquisição, portanto corresponde a R$ 77.430.780,00 R$ 6.860.000,00 = R$ 70.570.780,00. A partir desse valor, foi calculado o imposto devido conforme a fórmula Ganho de Capital Total / Valor Total da Alienação X Valor Recebido X 15%, totalizando R$ 10.183.634,53. No tocante à complementação da primeira parcela do preço, bem como às parcelas segunda, terceira e quarta, a fiscalização entendeu que eles não correspondiam ao recebimento de parcelas a prazo desse preço, como definido no art. 31 da IN SRF n° 84/01, uma vez que seu recebimento era condicional, podendo ocorrer ou não, como já relatado. Correspondiam ao próprio valor do ganho de capital adicional recebido pelo sujeito passivo e sobre esses valores aplicarseia a alíquota de 15% (quinze por cento), diretamente. Com base nesse pressuposto, foi calculado o imposto devido relativo aos demais recebimentos, a saber: R$ 692.664,00 em 3/9/2007 e R$ 389.550,00 em 18/9/2007, no que se refere à complementação da primeira parcela; R$ 2.829.748,68 em 15/10/2008, Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 43 5 atinentes à segunda parcela; R$ 144.313,75 à terceira; e R$ 194.644,73, em 15/4/2010 e 93.152,16 em 30/9/2010, relativos à quarta parcela. A multa de ofício foi qualificada, dado que o acréscimo patrimonial ocasionado pelo ganho de capital foi ocultado mediante a sucessiva inserção em DIRPF de dívidas inexistentes, sendo tal acréscimo justificado posteriormente pela "criação de falsos rendimentos isentos e nãotributáveis na DIRPF do anocalendário 2009". Como relatado no subitem 4.2 do Termo de Verificação Fiscal, intitulado "Das Demais Fraudes e do Conluio para as Fraudes", apresentouse o conjunto de elementos comprobatórios de que o sujeito passivo, Eduardo, Marcelo, Mauro Alves Pereira (doravante Mauro) e Amauri Antônio Alves Pereira (doravante Amauri), estes dois últimos filhos da autuada, atuaram dolosamente, e em conluio, na prática de fraudes: a) simularam que os reais proprietários das ações da Cientificalab alienadas ao sujeito passivo, num primeiro momento, e posteriormente à DASA, seriam os sócios Eduardo e Marcelo quando, na realidade, os reais proprietários eram Mauro e Amauri. A alienação das ações à DASA resultou em vultuoso ganho de capital, cujo efeito tributário não alcançou Mauro e Amauri e b) simularam que Eduardo e Marcelo alienaram onerosamente as ações da Cientificalab à autuada quando, na realidade, foi uma alienação sem ônus, ou seja, uma doação, de maneira a reduzir ilicitamente o ganho de capital obtido com a subsequente alienação das ações para a DASA. Com base no exposto, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Pessoal e Solidária em nome de Mauro, Amauri, Eduardo e Marcelo, relativamente aos créditos constituídos decorrentes do imposto de renda sobre os ganhos de capital obtidos pelo sujeito passivo com a alienação de ações da Cientificalab para a DASA. A contribuinte em epígrafe impugnou o lançamento às fls. 1932/2043, e os responsáveis Mauro, Amauri e Eduardo o fizeram às fls. 1855/1929, 2016/2113, 1802/1852, respectivamente. A decisão a quo (fls. 2122/2171), destacou inicialmente não ter sido contestada a infração de omissão do ganho de capital obtido na alienação de equipamentos e veículos à DASA, que foi objeto, inclusive, de parcelamento. Já no que se refere à omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa de valores, foi mantida a exigência, com exceção do cálculo do custo de aquisição relativo à primeira parcela recebida. Tal cálculo foi tido por incorreto, levando à exoneração de R$ 1.416.255,94 no anocalendário 2007, o que ensejou a interposição de recurso de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 18/3/2013 (fls. 2428/2485), entretanto apresentou petição em 17/12/2013 (fls. 2489/2493), informando que, nos termos da Lei nº 11.941/09, bem como de acordo com a Lei nº 10.522/02, realizou o parcelamento dos débitos em comento, desistindo do recurso voluntário. Salientou, contudo, que não desistiu nem renunciou à matéria tratada no recurso de ofício, relativa à parte do auto de infração cancelada pelo acórdão da DRJ/RJ1. Os responsáveis Amauri e Mauro apresentaram seus recursos voluntários em 18/3/2013 (fls. 2194/2254 e 2367/2427), trazendo as mesmas razões, as quais principiam por atacar a responsabilidade solidária imputada, não havendo provas de que seriam efetivos beneficiários dos recursos recebidos pela Sra. Thereza, na venda da alienação das ações da Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Cientificalab, nem que eles tenham praticado atos ou negócios que tenham afetado, negativamente, a obrigação tributária da qual aquela pessoa seria o sujeito passivo, razão pela qual não se verifica a presença dos requisitos que justificariam a suas responsabilidades. Alegam que não deram ensejo "direta" e "pessoalmente" ao fato gerador, nem figuraram na relação jurídico material correspondente à venda das ações, seja como comprador, seja como vendedor, não possuindo, portanto, "interesse comum" nessa operação, inexistindo, outrossim evidente intuito de fraude. Acrescentam que, caso ocorrida a suposta fraude, a utilização de interpostas pessoas não teria implicada a redução do imposto sobre ganhos de capital. Pleiteiam, ainda, que as razões do recurso voluntário apresentado pela autuada, o qual colacionam, sejam consideradas parte integrante de suas defesas. Tais razões são abaixo sintetizadas: No momento em que foi firmado o Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, o valor de alienação das ações da contribuinte não se encontrava determinado, na medida em que parte desse valor correspondia a percentual da receita bruta dessa sociedade, relativa a períodos futuros; Em situações como esta, de acordo com as orientações do próprio Fisco, a apuração do ganho de capital deve ser feita quando restar determinado o preço efetivo e integral de alienação das ações, que no caso, coincidirá com o pagamento da oitava e última parcela; Por conseguinte, não se pode acusar a autuada de ter descumprido as suas obrigações fiscais, tendentes ao recolhimento do imposto sobre ganhos de capital, sendo improcedente o auto de infração; Tendo agido a contribuinte de acordo com a orientação fiscal constante de decisão proferida em processo de consulta e de ato interpretativo baixado pelas autoridades fiscais, não lhe pode ser imposta qualquer penalidade, devendo a multa de ofício ser integralmente afastada, nos termos do art. 76, inciso II, alíneas "a" e "c", da Lei n° 4.502/64; Mas, ainda que não se entenda dessa forma, o que se admite apenas para argumentar, no caso dos autos, não restou caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do imposto sobre ganhos de capital ou a reduzir o correspondente valor, visto que os atos praticados foram amplamente divulgados pelas partes envolvidas, além de ter sido comunicado pela impugnante, em suas DIRPF, os fundamentos pelos quais não estaria sendo pago o imposto, razão pela qual é indevida a qualificação da multa; e Por absoluta ausência de previsão legal, não se pode aplicar os juros de mora sobre a multa de ofício. Por sua vez, os responsáveis Eduardo e Marcelo (fls. 2255/2310 e 2311/2366) vertem seus recursos voluntários também em 18/3/2013, não contestando o vínculo de responsabilidade, mas requerendo sejam consideradas os argumentos recursais da autuada parte integrante de sua postulação pelo cancelamento da exigência. É o relatório. Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 44 7 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço, à exceção do recurso voluntário interposto por Marcelo Alberto Costa, CPF nº 077.859.70831. Isso porque o referido, ainda que devidamente cientificado da autuação (fl. 1782), não impugnoua perante o colegiado de primeira instância, havendo restado precluso o direito de recorrer de seus termos, consoante regra o art. 15 do Decreto nº 70.235/72 c/c o art. 223 do Código de Processo Civil (CPC). Do recurso de ofício. A fiscalização considerou que as ações da Cientificalab não foram efetivamente adquiridas pela contribuinte, mas sim a ela doadas pelos seus filhos Amauri e Mauro, mediante as interpostas pessoas Marcelo e Eduardo, sócios formais daquela empresa. E, nos termos do art. 3º da Lei nº 7.713/88, a doação é operação que importa alienação de bens ou direitos. Nessa toada, e tendo em vista a apuração do ganho de capital da ulterior alienação das ações da Cientificalab, de propriedade da contribuinte, à DASA, foi realizado pela autoridade fiscal o cômputo do custo de aquisição dessas participações societárias. No que tange às ações recebidas em bonificação derivada da capitalização de lucros ocorrida em 16/7/2007, o aresto vergastado entendeu correto o custo de aquisição no montante de R$ 6.860.000,00, atribuído no lançamento com base no § 2º do art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 84/01, dispositivo que tem por supedâneo legal o art. 10 da Lei nº 9.249/95. Já no atinente ao custo de aquisição das ações de Cientificalab em decorrência da doação constatada, a autoridade lançadora aplicou a prescrição contida no parágrafo único do art. 5º da Lei nº 10.451/02, considerandoo igual a zero: Art. 5o Na hipótese de doação de livros, objetos fonográficos ou iconográficos, obras audiovisuais e obras de arte, para os quais seja atribuído valor de mercado, efetuada por pessoa física a órgãos públicos, autarquias, fundações públicas ou entidades civis sem fins lucrativos, desde que os bens doados sejam incorporados ao acervo de museus, bibliotecas ou centros de pesquisa ou ensino, no Brasil, com acesso franqueado ao público em geral: (...) Parágrafo único. No caso de alienação dos bens recebidos em doação, será considerado, para efeito de apuração de ganho de capital, custo de aquisição igual a zero. Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Sem embargo, tal disposição não se aplica ao particular, pois deve ser lembrado, como regra básica de hermenêutica, que o parágrafo de um artigo de lei, contém exceções ou especificações relativas ao caput, tendose no caso norma específica para o cômputo do custo de aquisição na hipótese de doação de livros, objetos fonográficos e demais discriminados a órgãos públicos e afins. Para os casos genéricos de transferência de propriedade envolvendo doação, o diploma sobre custo de aquisição que prevalece, ainda que trate de doação em adiantamento da legítima, é o art. 23 da Lei nº 9.532/97 o esteio do posicionamento da própria administração tributária sobre a matéria, expresso nas disposições do art. 20 da IN SRF nº 84/01: Art. 20. Na transferência de propriedade de bens e direitos, por sucessão causa mortis, a herdeiros e legatários; por doação, inclusive em adiantamento da legítima, ao donatário; bem assim na atribuição de bens e direitos a cada excônjuge ou ex convivente, na hipótese de dissolução da sociedade conjugal ou união estável, os bens e direitos são avaliados a valor de mercado ou considerados pelo valor constante na Declaração de Ajuste Anual do de cujus, doador, excônjuge ou ex convivente declarante, antes da dissolução da sociedade conjugal ou união estável. (...) § 2o O valor relativo à opção por qualquer dos critérios de avaliação a que se refere este artigo, que independe da avaliação adotada para efeito da partilha ou do pagamento do imposto de transmissão, deve ser informado na declaração: (...) II do doador e donatário, correspondente ao anocalendário do recebimento da doação; (...) § 3o Se a transferência for efetuada por valor superior ao constante na Declaração de Ajuste Anual referida no caput, ou do custo de aquisição referido no § 1o, a diferença a maior constitui ganho de capital tributável.(grifei) Assim sendo, com razão a decisão da DRJ/RJ1 ao utilizar o § 2º do art. 20 da IN SRF nº 84/01 para a aferição do custo de aquisição no caso em comento, conforme descrito nas fls. 2156/2157, resultando no valor de R$ 9.617,132,15 como imposto devido sobre o ganho de capital relativo ao montante recebido na primeira parcela de aquisição, motivo pelo qual não merece prosperar o recurso de ofício. Dos recursos voluntários. A autuada, como relatado, parcelou o crédito tributário veiculado no presente processo, desistindo do recurso interposto. Não obstante, perseveraram em sua irresignação os responsáveis solidários Amauri, Mauro e Eduardo, devendo ser enfrentadas as razões recursais por eles vertidas, até mesmo porque o parcelamento firmado pela contribuinte epigrafada pode ser rescindido, e a responsabilização patrimonial dos referidos, persistir. Nesse sentido, Acórdão nº 3202001.588 (j. 26/2/2015), do qual transcrevo o seguinte trecho da ementa: Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 45 9 PARCELAMENTO. LEI Nº 11.941/2009. ADESÃO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. O pedido de desistência do recurso voluntário, realizado pela COTIA, TRADING deve ser homologado, uma vez que essa empresa aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, na modalidade de dívidas não parceladas anteriormente art.1° demais débitos no âmbito da RFB. Quanto aos demais recursos voluntários, interpostos pelas pessoas jurídica e físicas apontadas como responsáveis solidárias, persiste o interesse desses de vêlos julgados, não podendo a adesão ao parcelamento da COTIA TRADING interferir no justo empenho dos mencionados particulares de ver apreciadas as questões de fato e de direito trazidas por eles para o CARF, em grau recursal. O recurso interposto por um dos autuados a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses. Nesse rumo, devem ser acolhidos e devidamente analisados os recursos em questão, a despeito do parcelamento do débito pelo sujeito passivo. Passando à legislação de regência, temse que o art. 2º da Lei nº 7.713/88 determina que o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Por seu turno, o § 3º do art. 3º desse diploma legal estabelece que na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Nesse diapasão, regra o art. 117 e § 2º do Decreto nº 3.000/99, Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que está sujeita ao pagamento do imposto a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza devendo os ganhos serem apurados no mês em que forem auferidos. O caso trata de alienação realizada pela contribuinte mediante do Instrumento de Compra e Venda datado de 19/7/2007 (fls. 48/80), cuja cláusula 2.1 regrava que o preço da transação será pago em 8 (oito) parcelas, sendo que a primeira parcela, descontada da parcela retida, foi paga em 19/07/2007, sendo retida uma parcela para pagamento posterior. As sete parcelas restantes da aquisição seriam pagas anualmente, a partir do anocalendário de 2008, desde que as condições contratualmente acordadas para sua implementação viessem a ocorrer, conforme dispõem as cláusulas 2.2 a 2.11 do Instrumento de Compra e Venda. Ou seja, o pagamento das parcelas 2ª a 8ª do preço de aquisição era condicional, subordinandose a eventos futuros e incertos, podendo vir a ocorrer ou não. As parcelas 2ª a 7ª dependiam de a receita bruta recebida pela Cientificalab, nos períodos de apuração determinados, atingirem certos montantes. Caso estes não fossem alcançados, nada seria devido pela DASA aos vendedores, como estabelecem as cláusulas 2.2 a 2.4.2 do Instrumento de Compra e Venda. Por exemplo, o pagamento da segunda parcela seria Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 equivalente a 85% (oitenta e cinco por cento) vezes o resultado da diferença entre a receita bruta recebida pela sociedade no período de 1º/7/2007 a 30/6/2008 e o montante de R$ 97.000.000,00 (noventa e sete milhões de reais); observese a existência de aditivos a tais cláusulas, mas, não houve alteração da essência da avença. Já a parcela 8ª do preço de aquisição estava condicionada à celebração de novo contrato de prestação de serviços, ou renovação do atual, entre a Cientificalab e a Prefeitura Municipal de São Paulo, por período de 60 (sessenta) meses, como estabelecido na cláusula 2.5 do Instrumento de Compra e Venda. Impende, neste átimo, trazer à colação o regramento da apuração do ganho de capital nas alienações a prazo, sendo que a Lei nº 7.713/1988 assim dispõe: Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver.(grifei) E o art. 140 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99), detalha: Art.140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). §1ºPara efeito do disposto no caput, deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida. §2ºO valor pago a título de corretagem poderá ser deduzido do valor da parcela recebida no mês do seu pagamento. (grifei) Ora, tendo em vista tais disposições, não há como tratar a situação abordada como venda a prazo, em que se pressupõe a existência de parcelas determinadas do preço às quais, então, se pode atribuir, proporcionalmente, parcelas do custo de aquisição, em cálculo efetuado como sendo venda à vista. De fato, a venda à prazo se caracteriza pela determinação dos valores envolvidos na operação, ainda que eles possam variar, por exemplo, em função da correção por determinado índice de preços ou ainda, sendo o contrato estabelecido em dólar, pela flutuação da cotação dessa moeda. No particular, o que houve foi o recebimento do preço de aquisição em 19/7/2007, parte em dinheiro (R$ 74.490.780,00) e parte retida e aplicada em fundo de investimento de renda fixa no Banco Alfa em nome da contribuinte (R$ 2.940,000,00), fl. 58. As demais parcelas, ainda que denominadas no contrato de "parcela do preço de aquisição", são na verdade parcelas complementares desse preço, sendo pagas nas datas acordadas tãosomente se implementadas as condições previstas contratualmente. Mister notar que, não sendo verificada a ocorrência dessas condições, poderia não ser paga quantia alguma como "parcela do preço". Ilustrando, se a receita bruta da empresa alienada não alcançasse, entre de 1º/7/2007 a 30/6/2008, cifra superior a R$ 97 milhões, nada ia ser pago a título de 2ª parcela do preço. Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 46 11 Ainda assim, a venda da Cientificalab já estava devidamente perfectibilizada, não sendo exigível qualquer direito de regresso ou reparação caso a performance de vendas da companhia não viesse a atender às expectativas existentes no momento da avença. Vale ponderar, como seria calculado o ganho de capital, sendo este a diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo custo de aquisição (§ 2º do art. 3º da Lei nº 7.713/88), referente a uma parcela que, no momento dessa alienação, além de não estar definida, tem a sua própria existência sujeita a substanciais incertezas? Ganhos de capital são mensurados a partir do cotejo entre o valor da alienação e o custo de aquisição de um ativo, cômputo que não foi realizado pela autoridade lançadora no que se refere às parcelas em relevo. Com efeito, o quadro que se descortina é que tais parcelas se caracterizavam como complementos ao preço de venda, cujo pagamento estava condicionado, como visto, ao desempenho das receitas e da geração de negócios da empresa nos períodos subsequentes à alienação. Caso atendidas tais expectativas, decerto bastante relevantes para o acerto do negócio jurídico firmado, a compradora desembolsaria quantias adicionais, tendo em vista os resultados alcançados pela companhia adquirida. Não atendidas, o único risco concreto do vendedor era não receber esse "plus" no preço. Sob esse prisma, não socorre as pretensões da recorrente a ilação de que teria pautado sua conduta com base nas orientações constantes no item nº 530 do Perguntas e Respostas IRPF relativo ano anocalendário 2007, exercício 2008, pois as prescrições ali constantes dizem respeito àquelas situações em que o preço de alienação não pode ser determinado, a saber, "Quando não houver valor determinado, por impossibilidade absoluta de quantificálo de imediato", do que não se trata. E, relativamente à Decisão Disit SRRF 8ª Região nº 75/1998, não serve ela de escusa para qualquer procedimento adotado pela contribuinte, por referirse a terceiros e não lhe sendo concedido, normativamente, nenhum efeito vinculante que alcançasse outros contribuintes. Na espécie, o preço de venda foi perfeitamente estabelecido e pactuado entre as partes, não se confundindo os montantes auferidos pela contribuinte posteriormente a alienação com prestações ou frações desse preço, por se constituírem, como visto à saciedade, em parcelas a ele complementares. Esses acréscimos no valor do preço pactuado deveriam ter sido tributados em separado do ganho de capital, na fonte, em razão de a alienação ter se realizada para pessoa jurídica, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao ano de seu recebimento, conforme gizam os arts. 3º, §§ 1º e 4º, e 7º da Lei nº 7.713/88: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...) Art. 7º Ficam sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei:(Vide Lei nº 8.134, de 1990)(Vide Lei nº 8.383, de 1991)(Vide Lei nº 8.848, de 1994)(Vide Lei nº 9.250, de 1995)) (...) II os demais rendimentos percebidos por pessoas físicas, que não estejam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, pagos ou creditados por pessoas jurídicas. A par disso, vale registrar que o § 3º do art. 19 da IN SRF nº 84/01 determina: Art. 19. Considerase valor de alienação: (...) § 3o Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (Carnê Leão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. O raciocínio veiculado no dispositivo supra guarda similaridades com a questão ora enfrentada, pois também versa sobre ajustes (ou "reajustes") no preço de alienação; na IN, realizados sobre as parcelas da venda a prazo; no caso dos autos, via recebimentos adicionais do comprador, sopesadas certas condições a serem preenchidas, ou não, ulteriormente. O tratamento, em ambos os casos, dada a necessidade de coerência normativa, deve ser o mesmo, a saber, a tributação efetivandose na medida da percepção dos valores adicionais, quer se consubstanciem em reajustes em parcelas préestabelecidas, quer sejam parcelas complementares ao preço de venda. Nesse contexto, resta patente o equívoco da fiscalização em considerar as 2ª a 8ª parcelas adicionais ao preço ajustado no contrato em comento, bem como os complementos da primeira parcela recebidos em 3/9/2007 e 18/9/2007, como "correspondentes ao próprio valor do ganho de capital adicional recebido pelo sujeito passivo". Esses valores deveriam ter sido tributados como complementações ao preço de alienação quando de sua percepção, forte nos arts. 3º, §§ 1º e 4, e 7º da Lei nº 7.713/88. Destarte, restam insubsistentes os lançamentos efetuados a título de ganho de capital relativos às aludidas complementações de preço da primeira parcela verificadas em set/2007 (fl. 2129 imposto devido de R$ 692.664,00 + R$ 389.550,00, total de R$ 1.082.214,00), e às parcelas subsequentes. Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 47 13 Em síntese, deve ser dado parcial provimento aos recursos voluntários interpostos por Eduardo, Amauri e Mauro, para fins de reformar o acórdão guerreado para que conste, como imposto mantido no anocalendário 2007, o valor de R$ 9.617,132,15, sendo exonerados os lançamentos atinentes aos anoscalendário 2008, 2009 e 2010. Da qualificação da multa de ofício. Não divergindo meu entendimento sobre a matéria do manifestado pelo Colegiado de primeira instância, peço a devida vênia para transcrevêlo, de modo que passe a integrar esta fundamentação: Sobre o imposto correspondente, foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art. 4º, inciso II, da Lei nº 8.218/1991 e no art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, caracterizando a sonegação e a fraude, definidos nos ats. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício aplicável nos casos em que restar evidenciado o intuito de fraude é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, transcrito abaixo: (...) Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo 44, da Lei 9.430/96. Excepciona a regra a comprovação pela autoridade lançadora da conduta dolosa do contribuinte no cometimento da infração segundo as definições da Lei 4.502/64. O conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do Decretolei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, que dispõe ser o crime doloso aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. A doutrina decompõe, ainda, o dolo em dois elementos: o cognitivo, que é o conhecimento do agente do ato ilícito; e o volitivo, que é a vontade de atingir determinado resultado ou em assumir o risco de produzilo. A correta identificação do elemento subjetivo, intencional quando do cometimento do fato típico, é indispensável à configuração tanto da fraude quanto da sonegação e tratase de elemento que deve restar plenamente comprovado nos autos. Por seu turno, o impugnante argumenta que agiu de acordo com o entendimento das autoridades fiscais, refletido na pergunta n° 530 do Perguntas e Respostas IRPF, relativo ao anocalendário 2007, exercício 2008, e reafirmado pela Decisão n° 75, de 28/04/1998, da Divisão de Tributação da 8a "legião Fiscal. Explica, é fato incontroverso que a impugnante deixou de recolher o imposto em decorrência da interpretação fiscal constante do Perguntas e Respostas e de decisão administrativa, proferida em processo de consulta. Prossegue o impugnante dizendo que, em situações como esta, não cabe a aplicação de penalidade, mas apenas a exigência da exação devida, acrescida dos juros moratórios. É o que determina o inciso II do art. 76 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. A redação desse dispositivo legal é inequívoca. O sujeito passivo que age seguindo a interpretação fiscal, consubstanciada em decisões definitivas de processos administrativos fiscais, inclusive de consulta, seja ou não parte, bem como em atos interpretativos baixados por autoridades fiscais, não pode ser penalizado, razão pela qual não se lhe aplicam as penalidades previstas na legislação tributária. Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Sendo assim, conclui, deve ser integralmente cancelada a multa de ofício, pois a sua cobrança contraria a norma inserta no art. 76, inciso II, alíneas "a" e "c", da Lei n° 4.502/64. Pelo acima exposto, vêse que o impugnante contesta a multa de ofício sob o argumento de que agiu em cumprimento a orientação da Secretaria da Receita Federal consignada na pergunta n° 530 do Perguntas e Respostas IRPF, relativo ao anocalendário 2007, exercício 2008, e reafirmado pela Decisão n° 75, de 28/04/1998, em sendo assim, em caso de lançamento de ofício, defende incabível exigência de multa. No tocante a orientação exarada pela Secretaria da Receita Federal consignada na resposta à pergunta n° 530 do Perguntas e Respostas IRPF, anocalendário 2007, e pela Decisão n° 75, de 28/04/1998, tratase de aspecto já analisado neste voto, sendo que o conteúdo da Decisão nº 75/1998 não é passível de análise uma vez tratarse de processo de consulta de terceiros, cuja decisão não tem efeito “erga omnes”, já quanto ao conteúdo da resposta à pergunta nº 530, constatouse que a orientação é exatamente no sentido contrário àquele que o contribuinte adotou para si. A orientação exarada no Perguntas e Respostas IRPF é a de que na alienação de participações societárias quando não houver valor determinado, o ganho de capital deve ser tributado à medida em que o preço for determinado e as parcelas pagas, sendo cada etapa tratada como única1 . Dessa forma, o comportamento do contribuinte não está alcançado pelo prescrito no art. 100, inciso II, combinado com o parágrafo único, do Código Tributário Nacional, tampouco pela Lei 4.502/64, art. 76, II, alíneas “a” e “c”, citada pelo impugnante. Adicionalmente, o impugnante questiona a qualificação da multa de ofício aplicada, defende que a conduta do sujeito passivo que expõe à fiscalização os atos por ele praticados não se amolda aos conceitos de simulação, fraude e conluio, previstos nos art. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, os quais trazem ínsita a idéia de ações ou omissões dolosas tendentes a ocultar, esconder, elidir a ocorrência do fato gerador. No que tange a identificação do elemento subjetivo, intencional quando do cometimento do fato típico, temse que, o fato de o contribuinte inserir no campo “Discriminação de Bens e Direitos”, de suas Declarações de Ajuste Anuais, suposta justificativa totalmente desvinculada do fato jurídico concreto, torna evidente a intenção do contribuinte camuflar a ocorrência do fato gerador do imposto, com o objetivo de passar despercebido ao controle do Fisco e ter uma “desculpa” em caso de ser questionado pela autoridade fiscal. Ainda, sob o aparente ponto de vista do contribuinte, tal procedimento não seria suficiente para desviar a atenção do Fisco, necessário seria justificar aritmeticamente o alto valor acrescido ao seu patrimônio com a venda das ações da Cientificalab, assim, o contribuinte, com o propósito de justificar a nova disponibilidade financeira, nos anos de 2007 e 2008 inseriu em suas Declarações de Ajuste a falsa informação de contração de “Dívidas e ônus Reais”, sendo que em 2007 registrou R$ 82.068.841,29 a esse título e em 2008 R$ 101.388.790,39. 1 Registro, quanto a esse ponto específio, que o entendimento exposto no presente voto em julgamento de recurso voluntário é, como mais acima explicado, que a indigitada orientação constante no Perguntas e Respostas trata de situações em que o preço não é determinável, não de casos similares aos dos autos, em que o preço de alienação é conhecido e as posteriores complementações de preço é que podem vir ou não a serem pagas, dependendo de certas condições. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 48 15 Questionado através do Termo de Início da Ação Fiscal a respeito do valor declarado na DIRPF/2008 a título de dívidas e ônus reais em 31/12/2007, em especial, quanto ao valor devido a Diagnósticos da América S/A em 31/12/2007, em resposta, o contribuinte em epígrafe informou que “Esse valor foi informado erroneamente na declaração para que fosse identificada a origem dos recursos da evolução patrimonial”. A intenção dolosa do contribuinte tornase indisfarçável ao se constatar que ele, com o objetivo de camuflar os rendimentos obtidos da Diagnósticos da América S/A e consequente acréscimo patrimonial em 2007, compensaos declarando uma falsa dívida para com a própria Diagnósticos da América S/A quando da DIRPF/2008, ou seja, uma entrada real de recursos foi compensada com uma falsa dívida contraída. Mas não parou por aí a estratégia do contribuinte para encobrir o ganho de capital pela alienação das ações da Cientificalab, pois, nos recebimentos das parcelas seguintes, que estavam sujeitas a condição suspensiva, à medida que a condição era implementada e os valores pagos, as Declarações de Ajuste correspondentes eram apresentadas, sempre, com alguma forma aritmética astuciosa visando encobrir o ganho de capital. Assim ocorreu no ano seguinte, 2008, que em decorrência das disposições do 3º aditivo do Instrumento de Cessão e Transferência de Ações, a Diagnósticos da América S/A pagou ao sujeito passivo, em 15/10/2008, a quantia de R$ 18.065.250,39, mediante Transferência Eletrônica Disponível – TED, creditada na contacorrente de sua titularidade. O contribuinte, por sua vez, a exemplo do que ocorreu no ano de 2007 (DIRPF/2008), consignou um acréscimo da falsa “Dívida e ônus Reais”, sendo que o total declarado foi de R$ 101.388.790,39, ou seja, a falsa dívida junto à Diagnósticos da América S/A foi aumentada do valor de R$ 82.048.540,00, informado em 31/12/2007, para a quantia de R$ 100.113.790, resultando acréscimo de dívida inexistente de R$ 18.065.250,30, valor este equivalente ao ganho de capital obtido no ano. No ano de 2009 se deu o recebimento da terceira parcela do preço relativo à alienação das ações da Cientificalab, a partir da implementação da condição suspensiva, no valor de R$ 962.091,69, em 15/04/2009, mediante Transferência Eletrônica Disponível – TED, creditada na contacorrente de sua titularidade. Na Declaração de Ajuste de 2010 (referente ao ano de 2009) o contribuinte decidiu modificar a forma pela qual maquiaria o ganho de capital, pois, criou uma fonte de recursos fictícia no quadro Rendimentos Isentos e Não Tributáveis no valor de R$ 101.075.882,08, informado na linha "Outros" e com o seguinte complemento descritivo: "CORREÇÃO DO LANÇAMENTO REF QDO DIVIDAS". O montante de R$ 101.075.882,08 corresponde ao valor da falsa dívida junto à Diagnósticos da América S/A em 31/12/08, total de R$ 100.113.790,39, “zerada” em 31/12/2009, adicionado do valor recebido em 2009 a título de pagamento da terceira parcela do preço de alienação, correspondente a R$ 962.091,69 (R$ 100.113.790,39 + R$ 962.091,69 = R$ 101.075.882,08). Conforme se observa, o contribuinte, primeiramente, informa falsa contração de dívida para justificar o aumento patrimonial, resultante de ganho de capital na alienação das ações da Cientificalab, com o propósito de suprimir a exigência do imposto sobre ganho de capital devido; num segundo momento, visando “zerar” a dívida fictícia e ocultar recebimento de ganho de capital com a 3ª parcela do preço de alienação, informa falso recebimento de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, deixando tudo “acertado”, aritmeticamente falando. Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 No ano de 2010 constatouse o recebimento da quarta parcela do preço de alienação das ações, tendo ocorrido de forma fracionada. Do extrato bancário consta que a Diagnósticos da América S/A pagou ao sujeito passivo, mediante Transferência Eletrônica Disponível TED, creditada na contacorrente de sua titularidade, a quantia de R$ 1.297.631,56 em 15/04/10, e a quantia de R$ 621.014,38 em 30/09/10, totalizando o montante de R$ 1.918.645,94. O recibo de quitação do pagamento da quarta parcela do preço de aquisição, firmado pelo sujeito passivo em 30/09/10, também confirma o recebimento desses valores. Entretanto, o contribuinte não declarou, sob modalidade alguma de rendimento, os valores correspondentes à quarta parcela, no valor de R$ 1.918.645,94. Enfim, nesse ano de 2010 o contribuinte assumiu que deveria omitir totalmente os rendimentos recebidos já que tinha “acertado” as suas pendências contidas nas Declarações de Ajuste dos anos de 2007 e 2008, ou seja, não havia mais dívidas e ônus reais pendentes e não havia mais indícios do suposto “diferimento do ganho de capital”. Pelo exposto, não há como mitigar o dolo escancarado em cada etapa acima relatada. Ao eliminar da DIRPF do anocalendário 2009 o falso passivo declarado de R$ 100.113.790,39 e, simultaneamente, atribuir como rendimentos isentos e não tributáveis os valores recebidos pela alienação da Cientificalab, de 101.075.882,08 (R$ 100.113.790,39 + R$ 962.091,69), o contribuinte afastou qualquer possibilidade de ter ocorrido interpretação errônea da legislação tributária quanto ao tratamento tributário que ele deveria adotar em relação aos rendimentos recebidos em 2007 e 2008. Não se tratou, obviamente, de simples erro. Ao informar dívida e ônus inexistente (anos de 2007 e 2008), classificar os valores recebidos em 2009 (R$ 962.091,69) como rendimentos isentos e não tributáveis, sem amparo ou fundamento legal para tanto, adicionando a tal classificação outro valor fictício (R$ 100.113.790,39), e omitir os valores recebidos em 2010 (R$ 1.918.645,94), o contribuinte demonstrou o intuito doloso, pois tratam de ações planejadas visando, nitidamente, impedir o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores do tributo. A forma falseada como as informações foram declaradas nas Declarações de Ajuste impedia a constatação por parte do Fisco de que o contribuinte obteve rendimentos de ganho de capital tributáveis, só tendo sido possível essa constatação a partir de diligências junto a Diagnósticos da América S/A. Por fim, concluise que o sujeito passivo agiu com real intenção de sonegar o tributo, conforme definido no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, pois, sonegou quando omitiu dolosamente a ocorrência dos ganhos de capital na alienação de ações da Cientificalab. Acrescentese, o sujeito passivo também cometeu fraude ao inserir falsas informações, reiteradamente, nas DIRPF para descaracterizar a ocorrência dos ganhos de capital na alienação de ações da Cientificalab, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64. Portanto, em face de todo o exposto, correta a aplicação da multa qualificada no presente lançamento. Acrescentese, ainda, que não possuem qualquer substância os argumentos recursais no sentido de que a suposta utilização da epigrafada como laranja pelos seus filhos não implicou em redução do imposto sobre ganhos de capital. Esse gravame não foi pago, assim como os demais rendimentos sujeitos à tributação, por consequência direta da conduta dolosa da contribuinte, verificada no preenchimento sucessivo de DIRPFs em total dissonância com a realidade dos fatos, sequer escoradas nas orientações administrativas aludidas, consoante explicado à minúcia na decisão de primeiro grau, linhas acima reproduzida. Dos juros de mora sobre a multa de ofício Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 49 17 O caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/1995 reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REsp nº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Da sujeição passiva solidária. O responsável solidário Eduardo cingiuse a reportarse às razões da epigrafada como fundamentação de sua inconformidade, havendo sido dado provimento parcial ao recurso voluntário por ele interposto, nos termos da fundamentação parágrafos acima. No que tange aos responsáveis Amauri e Mauro, filhos da autuada, foram por eles manejados argumentos atinentes ao vínculo de responsabilização propriamente dito. Então, ainda que na questão de mérito seus recursos tenham parcialmente prosperado, devem ser eles ser eles analisados conjuntamente, visto que são em tudo semelhantes nos respectivos recursos. Faço, de início, a ressalva de que a conclusão deste voto no sentido de que a operação examinada não se trata de venda parcelada, mas sim envolve complementações do preço acordado, permanece coerente frente à análise da responsabilidade tributária levada a efeito pela decisão atacada. Nessa esteira, e novamente não dissentindo das percucientes razões ventiladas naquele julgado quanto ao assunto, passo a reproduzilas de modo a que façam parte do corpo desta fundamentação: O impugnante, entretanto, acrescenta que, ainda que fosse cabível a constituição do crédito tributário em questão, não se verifica, no caso dos autos, os elementos que autorizariam a pretendida alegação fiscal de que ao impugnante deve ser imputada a responsabilidade solidária pelo recolhimento do Imposto em discussão, nestes autos. Diz que o Sr. Auditor Fiscal não demonstrou que o impugnante participou, direta ou indiretamente, da situação de fato descrita em lei como necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador do imposto sobre ganhos de capital. Afirma que não há qualquer indício, muito menos elementos de prova, de que o impugnante seria o efetivo beneficiário dos recursos recebidos pela Sra. Thereza, na venda da alienação das ações da Cientificalab, nem que ele tenha praticado atos ou negócios que tenham afetado, negativamente, a obrigação tributária da qual aquela pessoa seria o sujeito passivo, razão pela qual não se verifica a presença dos requisitos que justificariam a sua responsabilidade solidária. Prossegue o impugnante alegando que não deu ensejo "direta" e "pessoalmente" ao fato gerador, nem figurou na relação jurídico material correspondente à venda das ações, seja como comprador, seja como vendedor, não possuindo, portanto, "interesse comum" nessa operação. Destaca que no caso dos autos, não cabe a cominação da multa de ofício pelo Sr. AFRFB, pois inexiste efetiva e concreta comprovação do "evidente intuito de fraude", exigido para aplicação de multa desta natureza. Diante do exposto, requerse a exclusão do impugnante do pólo passivo do presente processo administrativo fiscal, uma vez que, não se configuram as hipóteses Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 50 19 legais para que ele figure como responsável solidário pelo tributo supostamente devido em razão da alienação das ações da Cientificalab. No que diz respeito à impugnação da Sra. Thereza e todos os elementos nela contidos, através do presente voto houve a devida análise e conclusão, conforme se constata da leitura do mesmo, nada mais havendo a ser adicionado. Quanto a configuração legal da sujeição passiva, constatase que do processo constam inúmeros elementos que vinculam os Srs. Amauri e Mauro aos fatos geradores aqui analisados, de pronto, podese destacar o fato de que os Srs. Amauri e Mauro são filhos do sujeito passivo, que este não detinha capacidade financeira, que os Srs. Eduardo, Marcelo, Mauro, Amauri e o sujeito passivo encontramse envolvidos em uma rede de negócios, muitos deles escusos, conforme detalhadamente levantados pela fiscalização e devidamente descritos no Termo de Verificação Fiscal, em relação aos quais destacarseão alguns itens a fim de que se deixe evidenciada a sujeição passiva questionada. Quanto a hipossuficiência financeira da Sra. Thereza, mãe de Amauri e Mauro, destaquese que, relativamente ao anocalendário de 2003, o sujeito passivo apresentou declaração anual simplificada, na qual declarou a ocupação principal com o código 120, correspondente a "Dirigente, Presidente e Diretor de Empresa Industrial, Comercial e Prestadora de Serviços". Todavia não declarou a percepção de rendimentos de qualquer espécie nesse período, conforme pode ser constatado na cópia dessa declaração, assim como constatamos que as linhas da declaração relativas a bens e direitos e dívidas e ônus reais, nas datas de 31/12/02 e 31/12/03, apresentavamse com os valores "zerados". No que concerne aos três anoscalendário imediatamente anteriores ao período inicial sob fiscalização, ou seja, no período de 2004 a 2006, o sujeito passivo declarouse isento, apresentando a declaração anual pertinente DAI, conforme extrato contendo a relação de declarações processadas do sujeito passivo, em anexo. Ainda, em consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, constatase que o sujeito passivo recebe benefício de aposentadoria por idade desde 27/11/03, por ter sido filiado como autônomo, na atividade de comercial. Em 31/12/06 o sujeito passivo informou ter bens e direitos no valor de R$ 0,00 (zero reais) e sua única fonte de rendimentos declarada originavase nos proventos de aposentadoria por idade recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social. Conforme informações prestadas pelas instituições financeiras à RFB o sujeito passivo apresentou inexpressiva movimentação financeira nos anos calendário de 2004 a 2006, representada pelo volume de débitos em contas correntes bancárias sujeitos à incidência da CPMF (movimentação financeira: 2004=R$3.383,05; 2005=R$3.700,05; 2006=R$4.345,00). No anocalendário de 2007, em que completou a idade de 65 anos, o sujeito passivo informou na DIRPF ter recebido a quantia de R$ 4.820,00 a título de aposentadoria. Os dados analisados demonstram que o sujeito passivo, ainda que tivesse recorrido às disponibilidades de recursos do seu cônjuge, não possuía condições financeiras ou econômicas em 13/07/07 para adquirir a participação acionária na Cientificalab, assumindo a dívida no valor de R$ 3.920.000,00 para com os sócios alienantes Eduardo e Marcelo como se fez parecer. Fica demonstrada, portanto, a hipossuficiência financeira e econômica do sujeito passivo para empreender a Fl. 2543DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 aquisição das ações da Cientificalab, o que corrobora a conclusão de que Eduardo e Marcelo simularam a alienação onerosa das ações para o sujeito passivo quando, na realidade, o negócio jurídico realizado correspondeu a uma doação. Da análise do emaranhado de negócios realizados por e entre Eduardo, Marcelo, Amauri, Mauro e o sujeito passivo, conforme minuciosamente descritos no Termos de Verificação Fiscal, leva à constatação de que, a alienação da Cientificalab na forma como foi realizada tinha como propósito fazer com que o produto da venda das ações para a Diagnósticos da América S.A DASA ficasse na posse do sujeito passivo, que vem a ser a mãe e interposta pessoa dos sócios ocultos da Cientificalab, os irmãos Mauro e Amauri, com o objetivo de continuar a ocultar os maiores beneficiários dos ganhos de capital obtidos e eximilos de pagar os tributos devidos sobre esses fatos geradores de tributos. A razão para a utilização dessas estratégias por parte de Amauri e Mauro está, principalmente, nos processos criminais que ambos respondem, inclusive mediante bloqueio de bens. Houve denúncia de que Mauro teria tentado subornar o ex secretário da saúde da prefeitura de São Paulo, no ano 2000, e as investigações da prática de "caixa dois" e superfaturamento nas vendas da Matmed às cooperativas do PAS/Sims, nos anos de 1998 a 2000, levaram o Ministério Público Estadual de São Paulo a solicitar e obter o bloqueio judicial de bens de Mauro e Amauri. A indisponibilidade dos seus bens, a publicidade negativa gerada pelo noticiário à época, e a mudança de governo da prefeitura de São Paulo ocorrida em 2001, em que Marta Suplicy, do Partido dos Trabalhadores PT, sucedeu ao prefeito Celso Pitta, eleito pelo então Partido Progressista Brasileiro PPB, acarretando mudanças na gestão do sistema de saúde do município, levando Mauro e Amauri a desativar operacionalmente a Matmed, como demonstrado no subitem 4.2.5. do Termo de Verificação. Com a participação de Eduardo, com quem já possuíam relacionamento anterior na empresa Cirúrgica Ônix, conforme detalhado no Termo de Verificação FiscalTVF, subitem 4.2.7, e Marcelo, constituíram no segundo semestre de 2001 a Cientificalab, para operar no mesmo segmento em que atuava a Matmed, dando continuidade aos negócios. Todavia, Mauro e Amauri nunca figuraram como sócios ostensivos da Cientificalab, cuja propriedade pertencia formalmente apenas a Eduardo e a Marcelo. Essa providência é explicada pela necessidade de descaracterizar a Cientificalab como sucessora da Matmed, caso contrário poderia tornála responsável tributária dessa última, que se achava sob fiscalização da Secretaria da Fazenda de São Paulo. Da mesma forma, protegia o patrimônio de Mauro e Amauri de futuros pedidos de indisponibilidade de bens e da execução dos créditos tributários que viessem a ser constituídos contra a Matmed, a exemplo das ações mencionadas no subitem 4.2.4. do TVF. Constatouse que a Cientificalab atuava, inicialmente, no mesmo segmento de negócios da Matmed. Nos anos iniciais de funcionamento da Cientificalab a mesma empregava significativo número de funcionários egressos da desativada Matmed. Constatouse que as pessoas responsáveis pelo preenchimento das DIRPJ da Matmed e da Cientificalab, no período de 2001 a 2007 foram as mesmas, como demonstrado no subitem 4.2.9. do TVF. O sujeito passivo, mãe de Mauro e Amauri, como demonstrado no subitem 4.2.1 do TVF, simulou adquirir onerosamente a Cientificalab de Eduardo e Marcelo, como relatado no subitem 4.2.10 do TVF. Três dias após a "compra" o sujeito passivo recebe lucros retidos da Cientificalab no valor de 175% do preço de aquisição das ações, sob a forma de bonificação. E, decorridos outros três dias, o sujeito passivo aliena essas ações para a DASA por um preço inicial correspondente a 19 vezes o valor nominal de compra. Se for consideradas as parcelas complementares do preço de venda recebidos pelo sujeito passivo em 2007, verifica Fl. 2544DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 51 21 se que o mesmo recebeu quantia superior a 21 vezes o preço de aquisição, como apontado no subitem 4.2.12. do TVF. Visto por outro ângulo, se o sujeito passivo obteve um resultado excepcional com a transação, Eduardo e Marcelo, que teriam construído a empresa ao longo de seis anos e conduzindoa para ser líder de mercado em seu setor de atuação, como demonstrado no subitem 4.2.10 do TVF, fizeram um péssimo negócio. Para se acreditar que o negócio se passou como formalmente se apresenta, é preciso acreditar que as tratativas com a DASA para alienação das ações da Cientificalab foram conduzidas pelo sujeito passivo, no intervalo de tempo inferior a uma semana, e com o desconhecimento de Eduardo e Marcelo dos valores negociados. Se não foi dessa forma, como justificar que Eduardo e Marcelo venderam 98% da participação acionária que detinham por um valor correspondente a cerca de 4% do valor que poderiam ter obtido se houvessem alienado as ações diretamente à DASA. Aliás, Eduardo e Marcelo lograram vender à Diagnósticos da América S.ADASA, nas mesmas condições de preço obtidas pelo sujeito passivo, apenas a fração correspondente a 2% do capital da Cientificalab, que, em seis dias antes, era formalmente 100% de sua propriedade. Tudo se passou como uma alienação graciosa das ações da Cientificalab de propriedade de Eduardo e Marcelo para o sujeito passivo, mãe dos sócios ocultos Mauro e Amauri, o qual não dispunha de nenhuma capacidade financeira ou econômica para adquirir as ações de Eduardo e Marcelo, conforme demonstrado anteriormente. Assim, se prestaram, nessa transação, a possibilitar que o patrimônio fosse transferido para a mãe dos reais donos da empresa, Mauro e Amauri, a qual então passou a atuar como interposta pessoa de seus filhos, papel anteriormente desempenhado por Eduardo e Marcelo. Outro indício de que Mauro e Amauri eram os reais controladores da Cientificalab é a forma como figuraram no Instrumento de Compra e Venda. Denominados de Intervenientes Anuentes, assumiram obrigações e fizeram declarações perante a Diagnósticos da América S.A.DASA, compradora da Cientificalab, em pé de igualdade com os sócios ostensivos, incompatíveis com a condição de responsáveis apenas pela implantação do denominado Projeto de Expansão da empresa, conforme detalhado no subitem 4.2.14. do TVF. Destaquese que Mauro e Amauri se responsabilizaram até por eventuais contingências da Cientificalab que porventura viessem ser apuradas. Nesse mesmo sentido, conforme informado no subitem 4.2.15 do TVF, Amauri e sua mulher foram fiadores da Cientificalab em pelo menos dois contratos de locação de imóveis, que foram utilizados em períodos distintos como sede da empresa. Ambos os contratos estavam em vigor por ocasião da alienação das ações à DASA, razão pela qual a mesma se obrigou a substituir as fianças prestadas por Amauri e sua mulher. Um dos contratos estava em vigor desde 28/02/03 e o outro desde 25/11/05, atestando o envolvimento contínuo de Amauri com a Cientificalab. Da mesma forma, conforme subitem 4.2.16 do TVF, restou comprovado que Amauri e sua mulher prestaram garantia hipotecária a favor da Cientificalab no valor inicial de R$ 4.100.000,00. A escritura da hipoteca foi lavrada em 21/08/03, mas garante um contrato celebrado em 08/01/01, ou seja, no início do funcionamento da Cientificalab. A garantia hipotecária foi novamente prestada em 31/03/06, para garantir obrigações da Cientificalab no valor de R$ 884.500,00. A prestação das fianças e garantias hipotecárias são indícios adicionais de que Amauri era um dos verdadeiros proprietários da empresa, dispondose a garantir Fl. 2545DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 com seus bens pessoais obrigações da Cientificalab, medida que nem mesmo os sócios ostensivos Eduardo e Marcelo se dispuseram fazer. A forma como Mauro e Amauri intervieram no Instrumento de Compra e Venda é demonstrativa também de que a parte compradora, ou seja, a DASA, tinha total ciência de quem eram os reais vendedores e de quão relevante era obter as declarações e garantias prestadas pelos mesmos no referido instrumento. Não resta dúvida de que Mauro e Amauri sempre foram os reais proprietários majoritários da Cientificalab. Utilizaram as interpostas pessoas de Eduardo e Marcelo para constituir a empresa, em função do noticiário negativo que envolveu Mauro e a Matmed nas denúncias de suborno, prática de "caixa dois" e superfaturamento, no ano de 2000, e para proteger seu patrimônio do resultado das ações de iniciativa do Ministério Público Estadual de São Paulo e da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Por ocasião da alienação da Cientificalab para a DASA estruturaram uma etapa precedente, na qual Eduardo e Marcelo simularam a venda das ações para o sujeito passivo, mãe de Mauro e Amauri, que as revendeu à DASA. O sujeito passivo, atuando dolosamente como interposta pessoa de Mauro e Amauri, "adquiriu" as ações de Eduardo e Marcelo, para blindar o patrimônio dos filhos contra as execuções fiscais ainda em curso e evitar serem considerados contribuintes do imposto sobre ganho de capital na alienação subsequente, caracterizando a fraude tributária. Mauro, Amauri, Eduardo e Marcelo simularam que os únicos sócios da Cientificalab eram Eduardo e Marcelo, os quais atuaram por si próprios e como interpostas pessoas de Mauro e Amauri. Eduardo, Marcelo e o sujeito passivo agiram em conluio para simular a operação de compra e venda de ações da Cientificalab, quando na verdade a mesma consistiu numa doação. Ou seja, atuaram em conluio para modificar dolosamente as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, o que caracteriza uma fraude. Por ocasião da alienação das ações à Diagnósticos da América S.A. o sujeito passivo atuou dolosamente como interposta pessoa de Mauro e Amauri e, em conluio com ambos, aufere o produto da venda para impedir totalmente a ocorrência do fato gerador do imposto de renda sobre ganho de capital para seus filhos, o que também caracteriza fraude. Por todo o exposto, a conclusão não pode ser outra senão a de que as condutas do sujeito passivo, Eduardo, Marcelo, Mauro e Amauri não podem ser vistas como involuntárias, meros equívocos ou erros. Foram condutas conscientes, planejadas, abusivas e sistemáticas para evitar a ocorrência dos fatos geradores de obrigações tributárias e/ou reduzir seus montantes. Nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Conforme art. 137, inciso I, do CTN, a responsabilidade é pessoal ao agente quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa por quem de direito. Portanto, em decorrência, Mauro, Amauri, Eduardo e Marcelo tem responsabilidade passiva solidária com o sujeito passivo, no que se refere aos créditos tributários constituídos em função das infrações objeto de lançamento. Considerando, também, que as simulações praticadas mediante conluio pelo sujeito passivo, Eduardo, Marcelo, Mauro e Amauri constituem fraudes e que o Fl. 2546DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13896.721452/201285 Acórdão n.º 2402005.385 S2C4T2 Fl. 52 23 emprego de fraude para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo, constitui em tese crime contra a ordem tributária, a teor do que dispõe o art. 2o, inciso I, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1.990, conseqüentemente, cabe também a responsabilização pessoal de Eduardo, Marcelo, Mauro e Amauri pelos créditos tributários constituídos no lançamento. Concluise, então, perfeita a inclusão dos Senhores Amauri Antonio Alves Pereira e Mauro Alves Pereira no pólo passivo do presente processo administrativo fiscal uma vez que configuraram as hipóteses legais para que eles figurem como responsáveis solidários pelo tributo devido em razão da alienação das ações da Cientificalab. Quanto a concreta comprovação do “evidente intuito de fraude”, restou claramente demonstrado, conforme apontado neste voto. Correta, portanto, a manutenção dos recorrentes como responsáveis solidários pelo crédito tributário objeto dos presentes autos. Ante o exposto, voto no sentido de: não conhecer do recurso interposto por Marcelo Alberto Costa; negar provimento ao recurso de ofício; e DAR PARCIAL PROVIMENTO aos recursos voluntários interpostos por Amauri Antônio Alves Pereira, Mauro Alves Pereira e Eduardo Antonio Pires Cardoso, para fins de reduzir o imposto apurado sobre a omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa do ano calendário 2007 para o valor de R$ 9.617.132,15, e cancelar as demais exigências, nos termos deste voto. Ronnie Soares Anderson. Fl. 2547DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 19647.020662/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/01/2003 a 20/11/2007
CRÉDITO POR AQUISIÇÃO DESONERADA DO IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO.
Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário`.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 20/01/2003 a 20/11/2007
IPI. PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA DO TRIBUTO. DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA.
Por força do art. 62, parágrafo 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões do STJ em recurso repetitivo devem ser observadas no julgamento deste CARF.
No RESP 973.733, restou sedimentado que, nos casos de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado do tributo, conta-se o prazo decadencial quinquenal da data do fato gerador, conforme preconiza o art. 150, parágrafo 4º do CTN.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Acerca das infrações detectadas apontadas pela fiscalização, o montante do crédito tributário lançado, compreendendo o imposto, a multa de mora e a multa de ofício, sobre nada disso a impugnante se pronunciou, caracterizando-se, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72, a preclusão quanto a essas matérias sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora impugnante.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-003.104
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Conhecer em Parte o Recurso Voluntário, para, na parte conhecida, Dar Provimento Parcial para reconhecer a decadência relativamente ao período de janeiro de 2003 a 21/11/2003.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário`. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/01/2003 a 20/11/2007 IPI. PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE DIFERENÇA DO TRIBUTO. DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA. Por força do art. 62, parágrafo 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões do STJ em recurso repetitivo devem ser observadas no julgamento deste CARF. No RESP 973.733, restou sedimentado que, nos casos de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado do tributo, contase o prazo decadencial quinquenal da data do fato gerador, conforme preconiza o art. 150, parágrafo 4º do CTN. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Acerca das infrações detectadas apontadas pela fiscalização, o montante do crédito tributário lançado, compreendendo o imposto, a multa de mora e a multa de ofício, sobre nada disso a impugnante se pronunciou, caracterizandose, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72, a preclusão quanto a essas matérias sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora impugnante. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 06 62 /2 00 8- 94 Fl. 8714DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 16 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Conhecer em Parte o Recurso Voluntário, para, na parte conhecida, Dar Provimento Parcial para reconhecer a decadência relativamente ao período de janeiro de 2003 a 21/11/2003. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 8715DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 17 3 Relatório José Henrique Mauri Relator. Cuidase Auto de Infração para lançamento de IPI em face de irregularidades detectada pela fiscalização em procedimento fiscal. Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório constante do Acórdão recorrido: A fiscalização registrou que a interessada, identificada em epígrafe, vem discutindo no âmbito do Judiciário o suposto direito ao creditamento ficto, por decorrência de aquisição de insumo desonerado do IPI. Tratase de tese por demais conhecida e que rendeu longas batalhas no Judiciário, porém afinal o E. STF pacificou a questão, sem modulação temporal, no sentido de não reconhecer direito de crédito na aquisição de insumos tributados á alíquota zero ou nãotributados (RE nº 353.657). Para os insumos isentos, embora a tese tenha vingado por algum tempo (RE nº 2124842/RS), as decisões mais recentes do STF, também sem modulação dos efeitos, não mais admite o creditamento nas aquisições isentas do IPI. Entretanto, a ENGARRAFADORA IGARASSU, baseandose em sentença proferida no MS – Processo nº 202.83.00.0044607 e na Apelação nº 82.188/PE, tem apresentado diversos pedidos de ressarcimento/compensação de supostos créditos do IPI que seriam decorrentes de aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero ou nãotributados, aos quais tem vinculado declarações de compensação com débitos tributários diversos. Além desse supostos créditos por aquisições desoneradas do IPI, a fiscalização apurou outros créditos indevidamente escriturados, oriundos da aquisição de vinho utilizado como insumo industrial. Adverte a fiscalização que o vinho quando adquirido como insumo para a fabricação de outras bebidas, deverá sair do estabelecimento produtor, atacadista ou da cooperativa de produtores, obrigatoriamente com suspensão do IPI, por força do disposto no art.43 do RIPI/2002. Constatouse que parte dos alegados créditos do IPI, objeto de diversos pedidos de ressarcimento através dos processos administrativos listados, foram aproveitados na escrita fiscal para o fim de abater débitos do IPI. Como tais créditos não são admitidos pela legislação regente, foram glosados e se encontram indicados no DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS E DAS GLOSAS [fls.214 (Vol.I), fls.1.370/1.374 (Vol.VII), do eprocesso; correspondente às fls. 1.361/1.365, no processo papel]. No procedimento fiscal de verificação do cumprimento de obrigações tributárias por parte da ENGARRAFADORA IGARASSU LTDA, foram constatadas as seguintes infrações à legislação tributária: 1. Créditos básicos de IPI indevidos. Foram aproveitados indevidamente os supostos créditos de IPI indicados nos demonstrativos de fls. fls.1.370/1.374 (Vol. VII, eproc). Enquadramento legal descrito às fls.214. Fl. 8716DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 18 4 2. IPIBebidas (diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado; Anexo II ao Termo de Informação Fiscal). Constatadas divergências entre os valores declarados como devidos em DCTF ou DCOMP e os valores escriturados no RAIPI a título de saldos devedores do IPI, conforme demonstrativo anexo às fls. 221/371 (Vol. II). Enquadramento legal descrito às fls.214. 3. IPIBebidas lançado nas notas fiscais e não escriturado (falta de escrituração fiscal). A autuada não escriturou ou escriturou a menor o imposto destacado na nota fiscal, nos valores indicados no Anexo I, às fls. 216/220 (Vol.II, eproc). Enquadramento legal descrito às fls.214. 4. IPI não lançado – Bebidas Quentes. Por decorrência de erro no enquadramento dos produtos, o contribuinte não lançou ou lançou a menor o imposto devido, conforme os valores apurados no demonstrativo anexado às fls. 1.375/8.447 (Vol. II ao Vol.XXV, eproc). Enquadramento legal descrito às fls.215. 5. 5. IPI não lançado – Bebidas Frias. Houve saída de refrigerantes sem lançamento ou com redução de 50% do imposto, em desacordo com as Notas Complementares 221 e 222, conforme demonstrativos anexados às fls. 1.375 e ss.(Vol. II ao Vol. XXV, e proc). Enquadramento legal descrito às fls.215. O IPI devido demonstrado pela fiscalização foi diminuído do IPI lançado nas notas fiscais. A diferença do imposto foi exigida com os acréscimos legais de multa de ofício e juros de mora no auto de infração. Em face das irregularidades constatadas, acima descritas, houve falta de recolhimento do IPI, razão para a lavratura do auto de infração objeto do presente processo, no valor total de R$ 5.682.383,81 (Cinco milhões, seiscentos e oitenta e dois mil, trezentos e oitenta e três reais re oitenta e um centavos), abrangendo o valor principal do imposto, juros de mora calculados até 31/10/2008 e multa de ofício de 75%. A título de esclarecimento registrase que as infrações constatadas resultaram em insuficiência de recolhimento de outras exações além do IPI, como PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. As exigências referentes a esses outros tributos foram objeto de auto de infração específico para cada espécie tributária. A interessada foi cientificada do lançamento em 21/11/2008, e irresignada apresentou, em 18/12/2008, a tempestiva impugnação de fls.8.452/8.477, cujos argumentos de contestação são essencialmente e resumidamente os seguintes: 1. Tratase de auto de infração lavrado por insuficiência de recolhimento do IPI nos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, e segundo o TIF parece estar ancorado em dois fundamentos: (a) desconsideração dos pedidos de restituição/compensação formulados pela ora impugnante e, (b) enquadramento de ofício de produtos fabricados e comercializados pela impugnante. Da narrativa dos fatos pela autoridade lançadora, observase que desconsiderou as compensações realizadas pela interessada através de PER/DCOMP específicos (listados no TIF), assim como glosou créditos supostamente lançados (e aproveitados) diretamente na escrita fiscal. 2. Primeiramente, argúi decadência do direito de lançar em relação aos fatos imponíveis materializados até novembro/2003. O lançamento foi cientificado á interessada em 21/11/2008. Entende a impugnante que não poderia se reportar a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos anteriores à data de ciência da autuação, em face do disposto no art.150, §4º, do CTN. Transcreve às fls. 8.456/8.458 ementas de decisões do Conselho de Contribuintes que considera em apoio à sua tese. Pede, pois, a Fl. 8717DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 19 5 desconstituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a outubro de 2003. 3. Há nulidade no lançamento em relação a débitos objeto de pedidos de restituição (sic)/compensação formulados pela ora impugnante. O crédito tributário lançado decorre da glosa (desconsideração) de pedidos de compensação protocolados administrativamente, com esteio em decisão judicial específica que reconheceu créditos de IPI gerados por aquisições de insumos isentos, tributados por alíquota zero ou não tributados, os quais foram devidamente utilizados para fins de quitação de tributos administrados pela Receita Federal. 4. Ao contrário do que afirma a fiscalização, não houve aproveitamento dos créditos diretamente na escrita fiscal, visto que a impugnante formalizou pedidos de restituição(sic)/compensação em relação a todos os períodos de apuração e, diante dos créditos apurados, imputouos à quitação dos valores devidos à guisa de IPI nos períodos de apuração considerados pela autoridade lançadora. 5. A glosa das compensações, formuladas pela impugnante com esteio no art.74 da Lei 9.430/96, manifesta a impropriedade do lançamento de ofício, porque está em frontal descompasso com o disposto no art.18 da lei 10.833/03. É que nas hipóteses de formalização de pedidos de restituição/compensação pelo contribuinte, somente se admite a lavratura de auto de infração para fins de imputação de multa isolada decorrente da não homologação da compensação quando se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, sendo manifestamente ilegítima a utilização de auto de infração para proceder a glosa de compensações (objeto de processo administrativo específico), e, para exigência de tributos quitados, sob condição suspensiva, via compensação. A sistemática instituída pelo art.74 da Lei 9.430/96 torna dispensável o lançamento de ofício, posto que a declaração de compensação constitui confissão irretratável quanto à existência do débito tributário e do seu montante. Nessa linha afirma que há jurisprudência do STJ exemplificada nas ementas transcritas às fls.8.462/8.464. Nessa linha, dada a incompatibilidade do lançamento com a regra do art.18 da Lei 9.430/96 (rectius, Lei 10.833/03), assim como, por se tratar de ato administrativo sem finalidade, posto que já constituído o crédito tributário pelas declarações de compensação apresentadas, é nulo de pleno direito o lançamento. 6. Para além, a glosa (desconsideração) das compensações efetuadas pela ora impugnante, e a conseqüente exigência dos tributos indicados para compensação, esbarra na regulamentação traçada pelo art.74 da Lei 9.430/96, posto que os pedidos de compensação formalizados se encontram em tramitação aguardando julgamento das manifestações de inconformidade ou recursos voluntários interpostos pela impugnante. Enquanto não encerrados os processos administrativos instaurados para homologação das compensações efetuadas, os débitos encontramse extintos e, como corolário, não podem ser exigidos (art.74,§2º, da Lei 9.430/96). Somente quando fosse definitivamente declarada a ilegitimidade das compensações formalizadas, abrirseia ensejo à exigência dos valores compensados, na forma do §7º do art.74 da Lei 9.430/96, e não através de auto de infração. 7. Consigna a autoridade lançadora que o direito de crédito oriundo de aquisição de insumo isento, tributado por alíquota zero ou nãotributados foi reconhecido por decisão judicial exarada nos autos do processo judicial nº 2002.83.00.0044607 (Apelação em MS nº 82.188/PE). A prestação jurisdicional obtida em sede do MS garantiu à ora impugnante o direito de apropriação dos créditos do IPI decorrentes da aquisição desonerada do IPI. Tratase de questão submetida ao Poder Judiciário, vedado o seu conhecimento pela Administração Tributária, conforme jurisprudência consolidada no âmbito do Colendo Conselho de Contribuintes /MF (ver transcrição de fls.8.469). A existência de processo judicial anterior à formalização do lançamento de ofício impede a Fl. 8718DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 20 6 análise do mérito da questão pela administração tributária (face a preeminência das decisões judiciais). Nesse contexto, é nulo o lançamento por ter a autoridade lançadora, para fins de fundamentação da exigência, discorrido sobre o conteúdo do direito. 8. No caso, o lançamento de ofício agrediu o princípio da separação de poderes, ao negar eficácia à decisão judicial que concedeu à ora impugnante o direito de utilizar créditos oriundos de aquisição desonerada do IPI. Assim, feriu a autoridade do Poder Judiciário, como também o princípio da segurança jurídica, estabelecendo a possibilidade de revisão administrativa das deliberações judiciais a qualquer tempo 9. Sendo insofismável que, por decisão judicial, foi reconhecido o direito à utilização de créditos de IPI para fins de compensação de débitos tributários perante a Receita Federal, bem como que foi tal direito exercido em estrita conformidade com o art.74 da Lei 9.430/96, o lançamento de ofício guerreado poderia no máximo ser erigido para prevenir a decadência, sendo porém hipótese também absurda em face da confissão representada pela formalização das compensações. Por outro lado, se o lançamento somente poderia ser para evitar a decadência, inadmissível a imposição de multa de ofício, penalidade manifestamente incompatível com os procedimentos de constituição de créditos com exigibilidade suspensa. Nesse sentido a regra do art.63 da Lei 9.430/96. Assim, nulo o lançamento por ter imposto multa de ofício sobre débitos que se encontram com a exigibilidade suspensa. [...] Ao analisar a impugnação a 6ª Turma da DRJ/REC exarou o Acórdão 11 37.273, de 14 de junho de 2012, que, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos tributários, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/01/2003 a 20/11/2007 CRÉDITO POR AQUISIÇÃO DESONERADA DO IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário. SALDO CREDOR DE IPI INCERTO E ILÍQUIDO. VEDADA HOMOLOGAÇÃO ADMINISTRATIVA DA COMPENSAÇÃO. O direito de ressarcimento e/ou compensação somente se aperfeiçoa quando houver apuração de saldo credor de IPI no trimestre calendário. Mesmo na hipótese de vir a transitar em julgado decisão judicial favorável à pretensão da ora impugnante, farseia necessário apurar e demonstrar, no RAIPI, a existência do eventual saldo credor de IPI que possa resultar ao final do trimestrecalendário. É rigorosamente ilegal a homologação administrativa de compensação cujo direito creditório respectivo ainda seja incerto e ilíquido, pendente de reconhecimento judicial transitado em julgado. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Fl. 8719DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 21 7 Acerca das infrações detectadas quanto à insuficiência do lançamento do IPI nas notas fiscais correspondentes às operações de entrada e saída do estabelecimento industrial, sobre a insuficiente escrituração do RAIPI, como também acerca dos créditos indevidos pela aquisição de vinho como insumo industrial, sobre nada disso a impugnante se pronunciou, caracterizandose, por força do disposto no art.17 do Decreto 70.235/72, a preclusão quanto a essas matérias sobre as quais não houve contestação expressa por parte da ora impugnante. PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA AFASTADA. Não houve nenhuma antecipação de IPI relacionada aos débitos no período indicado, de janeiro a novembro de 2003. Segundo o entendimento oficial, o termo a quo do prazo decadencial se encontra previsto no inciso I do art.173, do CTN, iniciandose em 01.01.2004 e somente restaria esgotado em 31.12.2008, porém o lançamento de ofício foi tempestivamente cientificado à autuada em 28.11.2008. ARGÜIÇÕES DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. AFASTADAS. O lançamento sob exame abrange fatos geradores ocorridos desde janeiro/2003 até novembro/2007, todos anteriores à vigência do §15 do art.74 da Lei 9.430/96, introduzido pela MP 449/08, nada havendo de irregular na conduta de se proceder ao formal lançamento de ofício dos débitos remanescentes considerados não declarados. O objeto do presente processo não abrange a multa isolada prevista no art.18 da Lei 10.833/03, não havendo sentido em evocar aquela norma para contraditar o lançamento efetuado. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CABIMENTO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do lançamento em pauta não deriva de liminar judicial em meio a processo que trate dos débitos de IPI objeto do lançamento guerreado neste processo administrativo. O processo judicial, pendente de decisão com trânsito em julgado, não se refere diretamente aos débitos de IPI objeto do lançamento sob exame. Na Lei 9.430/96, art.63, a ordem de não lançamento da multa de ofício é dirigida ao crédito tributário cuja exigibilidade tenha sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art.151 do CTN. No presente caso, quanto ao débito objeto da compensação, a suspensão da exigibilidade decorre do disposto no inciso III do art.151 do CTN. A multa de ofício proporcional foi corretamente aplicada sobre o valor do IPI devido e não recolhido, conforme hipótese infracional prevista em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado o contribuinte apresentou, em 10/12/2012, Recurso Voluntário, fls. 8.614 e ss, replicando os argumentos apresentados na impugnação, ressaltando que o Acórdão recorrido descumpre a decisão judicial que autorizou a recorrente a promover a compensação de créditos decorrentes de aquisição de insumos isentos, imunes, Fl. 8720DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 22 8 não tributados e tributados à alíquota zero, mediante compensação direta com os débitos do próprio IPI ou de outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Ao final requer (i) retorno do processo para que a DRJ/REC (re)analise a impugnação, desta feita sob nova premissa, qual seja, eficácia imediata da decisão que reconheceu o direito de crédito da recorrente, (ii) reconheça a decadência parcial do crédito tributário, (iii) declare a nulidade do auto de infração (lançamento de ofício) e (iv) afaste a incidência de multa de ofício (75%), nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96 Foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 8721DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 23 9 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Dos pressupostos de admissibilidade e da Preclusão O presente processo cuida de Auto de Infração por falta de recolhimento de IPI, abrangendo o valor principal do imposto, juros de mora e multa de ofício de 75%., em face de irregularidades detectadas pela fiscalização, quais sejam: · 1. Créditos básicos de IPI indevidos. Foram aproveitados indevidamente os supostos créditos de IPI indicados nos demonstrativos de fls. fls.1.370/1.374 (Vol. VII). Enquadramento legal descrito às fls.214. · 2. IPIBebidas (diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado; Anexo II ao Termo de Informação Fiscal). Constatadas divergências entre os valores declarados como devidos em DCTF ou DCOMP e os valores escriturados no RAIPI a título de saldos devedores do IPI, conforme demonstrativo anexo às fls. 221/371 (Vol. II). Enquadramento legal descrito às fls.214. · 3. IPIBebidas lançado nas notas fiscais e não escriturado (falta de escrituração fiscal). A autuada não escriturou ou escriturou a menor o imposto destacado na nota fiscal, nos valores indicados no Anexo I, às fls. 216/220 (Vol.II, eproc). Enquadramento legal descrito às fls.214. · 4. IPI não lançado – Bebidas Quentes. Por decorrência de erro no enquadramento dos produtos, o contribuinte não lançou ou lançou a menor o imposto devido, conforme os valores apurados no demonstrativo anexado às fls. 1.375/8.447 (Vol. II ao Vol.XXV). Enquadramento legal descrito às fls.215. · 5. IPI não lançado – Bebidas Frias. Houve saída de refrigerantes sem lançamento ou com redução de 50% do imposto, em desacordo com as Notas Complementares 221 e 222, conforme demonstrativos anexados às fls. 1.375 e ss.(Vol. II ao Vol. XXV). Enquadramento legal descrito às fls.215. Não se verifica, no Recurso Voluntário, contestação acerca de (i) as irregularidades[infrações] apontadas pela fiscalização, (ii) o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) lançado e (iii) a multa de mora, que transcorreram preclusas. Fl. 8722DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 24 10 Igual sorte há de ter a multa de ofício (75%). Isso porque, embora o recorrente tenha requerido, na parte dispositiva (das conclusões) de seu Recurso Voluntário, que "(iv) afaste a incidência de multa de ofício (75%), nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96", não apresentou qualquer fundamento ou argumento que amparasse seu intento. Não obstante, por oportuno, registrese que referida multa fora aplicada com amparo no art 80 da Lei n°4.502/64 (multa por falta de pagamento ou pagamento a menor), não guardando relação com as disposições do art. 63 da Lei nº 9.430/96 (Lançamento para prevenir decadência). Portanto, quanto à multa de ofício, não se verifica relação entre o pedido e os fundamentos e a matéria integrante do recurso, devendo, nesse pormenor, igualmente ser considerada matéria não contestada. Além das irregularidades acima descritas, a fiscalização identificou o creditamento por parte da recorrente de supostos créditos do IPI que seriam decorrentes de aquisições de insumos isentos, tributados à alíquota zero ou nãotributados. Quanto a esses créditos, a fiscalização observou a decisão judicial provisória. Razão pela qual tais créditos, embora irregulares, no entender da fiscalização, não foram incluídos na autuação, sem prejuízo de seu efetivo controle por meio de processo administrativo específico de controle da ação judicial. Como se vê, a autuação deuse exclusivamente contra irregularidades apuradas pela fiscalização que não se relacionam com os supostos créditos, escriturados sob permissão judicial, ainda que provisória. Sequer há concomitância entre a matéria tratada nos autos e aquela amparada pela decisão judicial. Isso porque a fiscalização, na própria autuação, cuidou de identificála, eliminandoa do presente processo. Noutra esteira, a recorrente centra suas argumentações em alegações e divagações quanto: 1. Existência de decisão judicial que autoriza a compensação. 2. Descumprimento da decisão judicial. 3. Decadência parcial do crédito exigido. 4. Nulidade do lançamento em relação a débitos objeto de pedidos de restituição/compensação. 5. Nulidade do lançamento em face de existência de decisção judicial amparando a compensação. Temos que, com exceção do item 3, relativo a Decadência, os demais referemse a matéria estranha aos autos, posto que as compensações que dizem respeito à ação judicial não fazem parte da matéria tratada na presente autuação, conforme suso dito. Fl. 8723DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 25 11 Frisese que, contra o recorrente, tramitam diversos processos versando sobre ressarcimento/compensação, cuja matéria guarda estrita relação com a decisão judicial. Dai presumível a promiscuidade recursal. Devese portanto rejeitar os pedidos de nulidades por falta de relação entre o pedido e a matéria processual. Considerando o exposto, sendo tempestivo, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário, unicamente quanto à decadência parcial requerida. Dessarte, por força das disposições do art. 17 do Decreto 70.235/72, declaro PRECLUSAS as matérias não contestadas, a saber: (i) as irregularidades [infrações] apontadas pela fiscalização, (ii) o montante do crédito tributário lançado, compreendendo o imposto, a multa de mora e a multa de ofício, exceto aquele referente ao período cuja decadência será analisada no mérito. Da decadência relativa ao período de janeiro a novembro de 2003 Resta unicamente para análise a decadência aventada. Entende a Recorrente, com fulcro no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN), que o lançamento de ofício formalizado em 21 de novembro de 2008, não poderia se reportar a fatos geradores ocorridos em momento anterior a novembro de 2003, pelo que suscita preliminar de decadência do direito de lançar em relação aos fatos imponíveis materializados até novembro de 2003. Entendo que assiste razão a Recorrente. Vejamos: No caso de Imposto sobre Produtos Industrializados, o reconhecimento do débito é feito antecipadamente, sem prévio exame da autoridade fazendária, caracterizandose a modalidade lançamento por homologação. Sendo assim, é o caso de aplicação do àtgo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, o qual estabelece: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) §4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco anos), a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Fl. 8724DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 26 12 Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, pacificou, no REsp 973.733/SC, o entendimento de que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado a partir da realização do fato gerador do tributo (artigo 150, §4º do CTN); do contrário, o prazo deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser cobrado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e). (REsp 973733/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, 1ª Seção, DJ 18/09/09 – Recurso Repetitivo), Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, se o Fisco encontrar diferença de imposto (pressupõese que havendo diferença a lançar tenha havido pagamento a menor), este possui o prazo de 5 anos a contar do fato gerador, para lançar em procedimento de oficio Depreendese, do contexto, que, para fins de contagem do prazo decadencial, a aplicação do disposto no art. 150, suso transcrito, requer coexistênica Fl. 8725DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 27 13 de duas condições: (i) pagamento antecipado e (ii) inocorrência de dolo, fraude ou simulação. Segundo o Julgador a quo, não houve antecipação de IPI relacionada aos débitos de que cuida o presente processo, o que ensejaria a inaplicabilidade do art. 150, deslocandose a data inicial do prazo decadencial para o início do exercício seguinte àquele em que poderia haver o lançamento, na forma do inciso I do art.173, do CTN, eis a ementa do Acórdão recorrido, nessa parte: PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA AFASTADA. Não houve nenhuma antecipação de IPI relacionada aos débitos no período indicado, de janeiro a novembro de 2003. Segundo o entendimento oficial, o termo a quo do prazo decadencial se encontra previsto no inciso I do art.173, do CTN, iniciandose em 01.01.2004 e somente restaria esgotado em 31.12.2008, porém o lançamento de ofício foi tempestivamente cientificado à autuada em 28.11.2008. Entretanto, conforme veremos, não é o que se extrai do Relatório Fiscal de fls. 197 e ss. A fiscalização evidencia que a presente autuação referese a diferença de IPI devido, saldo resultante da diferença entre os valores pagos e os apurados pela fiscalização, vejamos excertos do Relatório 1: (...) Das conferências realizadas, constatamos as seguintes irregularidades, que resultaram em infrações à legislação do IPI: a) Divergência em diversos períodos de apuração do imposto dos anos de 2003, 2004 e 2005 entre o débito apurado e o valor lançado no RAIPI. A divergência tanto podia ser para mais como para menos, indicando que o valor do débito apurado ora era menor, ora era maior do que o lançado no RAIPI. Esta irregularidade não foi observada nos anos de 2006 e 2007. (...) Os valores não declarados em conseqüência desta irregularidade estão demonstrados no ANEXO I AO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL, folhas a 212 a 216. Neste demonstrativo, a coluna CRÉDITO APURADO inclui os créditos indevidos. A glosa é apurada à parte, em demonstrativo especifico. A coluna DÉBITO APURADO não inclui o IPI não lançado em decorrência do enquadramento/reenquadramento de oficio dos produtos, o qual é apurado parte no demonstrativo SAÍDAS COM DIFERENÇA DE DÉBITOS DE IPI REFREGERANTES OU BEBIDAS QUENTES e no demonstrativo DIFERENÇAS DE IPI APURADAS EM DECORRÊNCIA DO ENQUADRAMENTO/REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO DOS PRODUTOS (doc. de folhas 1366 a 4314 ). 1 As indicações de folhas constantes do Relatório Fiscal reportamse à numeração do processo papel. Fl. 8726DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 28 14 O contribuinte declarou em DCTF, principalmente nos anos de 2003 e 2004, saldo de IPI a pagar menor que o apurado no RAIPI. Os valores não declarados em conseqüência desta irregularidade estão demonstrados no ANEXO II AO TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL, folhas 317 a 367. (...) 0 imposto devido, calculado da forma demonstrada abaixo, foi diminuido do IPI lançado. A diferença de imposto foi exigida com os acréscimos legais de multa e juros no auto de infração do IPI. (...) [Destaquei] Conforme se depreende, a própria fiscalização aponta existência de valores pagos a menor, ou a maior, conforme o caso, elaborando inclusive planilhas de apuração da diferença do imposto a pagar, fruto da presente autuação Como dantes dito, se o Fisco encontrar diferença de imposto, este possui o prazo de 5 anos a contar do fato gerador, para lançar em procedimento de oficio. Portanto, no caso em questão, considero que há decadência dos créditos tributários lançados contra a Recorrente, referente ao período de janeiro de 2003 a 21/11/2003, data do quinto ano antes do lançamento, formalizado em 21/11/2008. Desse modo, deve ser decretada a decadência do direito do Fisco de exigir parte dos créditos tributários em discussão (período de janeiro a novembro de 2003), uma vez que, havendo antecipação do pagamento, o prazo de decadência tem como termo a quo o fato gerador do tributo. Dispositivo Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, unicamente quanto à decadência suscitada e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer a decadência relativamente ao período de janeiro de 2003 a 21 de novembro de 2003. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 8727DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 19647.020662/200894 Acórdão n.º 3301003.104 S3C3T1 Fl. 29 15 Fl. 8728DF CARF MF Impresso em 19/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 17/10/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Numero do processo: 11041.000728/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
IRPF. GLOSA DE DESPESAS COM SAÚDE.
Quando exigida pela fiscalização a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas, cabe ao contribuinte apresentar documentação pertinente, não bastando, no caso concreto, a apresentação de recibos dos profissionais somada à alegação de pagamento em espécie.
Numero da decisão: 2301-004.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos o conselheiros Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves, que davam provimento ao recurso voluntário.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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GLOSA DE DESPESAS COM SAÚDE. Quando exigida pela fiscalização a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas, cabe ao contribuinte apresentar documentação pertinente, não bastando, no caso concreto, a apresentação de recibos dos profissionais somada à alegação de pagamento em espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos o conselheiros Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves, que davam provimento ao recurso voluntário. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1269.930, exarado pela 18ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro (fls. 91 a 95 – numeração dos autos eletrônicos). Por notificação de lançamento relativa ao anocalendário 2005 (fls. 30 a 35), foram apuradas deduções indevidas, por falta de comprovação, de: (a) despesas médicas, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 07 28 /2 01 0- 51 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 valor de R$18.582,30, (b) instrução, no montante de R$2.198,00 e (c) dependentes, no valor de R$1.404,00o. Em 1º/10/2010 (fl. 03), o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que contesta o lançamento, pois já apresentou os documentos probatórios. Em 18/06/14 (fl. 67), o sujeito passivo tomou ciência do Termo Circunstanciado nº 31 (fls. 56 a 58), pelo qual foi realizada revisão do lançamento que cancelou as glosas referentes às deduções com dependentes e instrução. A fiscalização aceitou a despesa de R$ 582,30 com o Instituto de Previdência e manteve a glosa atinente à dedução indevida de despesas com saúde no montante de R$18.000,00, concernente aos profissionais: Marcia, Lauri, Persio e Claudia, sendo os motivos diversos para cada documento: falta de endereço do profissional; pela filha do contribuinte estudar em localidade diversa de onde os serviços médicos teriam sido praticados; falta de assinatura e, comum a todas as glosas, não comprovação do efetivo pagamento das despesa. Em 18/07/14 foi apresentada impugnação ao termo circunstanciado (efls 68 a 75), sendo alegado, em síntese, que: (a) Milene Ferrer Uber é sua filha, nascida em 15/03/86; (b) discordar da glosa de despesas médicas, pois teria apresentado os documentos que comprovariam o efetivo pagamento em espécie; (c) não seria obrigado a apresentar doc's, cheques, transferências, entre outros documentos; (d) indaga qual seria a base legal para o Fisco ter negado os recibos; (e) os recebidos não precisariam ter endereço, mas lista na peça defensória o endereço dos profissionais; (f) a sua filha, durante as férias, realizava os tratamentos médicos na cidade onde reside o contribuinte; (g) não caberia ao Fisco saber da intimidade do autuado e nem colocar em dúvida os recibos; (h) até a presente data não conseguiu os novos recibos do profissional Lauri, já que o mesmo teria esquecido de assiná los. Assim que possível juntará ao processo. O pedido foi o cancelamento do lançamento. A DRJ julgou improcedente a impugnação, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Quando exigidos pela fiscalização a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas, cabe ao contribuinte apresentar documentação que possa elucidar o feito, não bastando os recibos dos profissionais sob a alegação de pagamento em espécie. A ciência dessa decisão ocorreu em 29/12/2014 (aviso de recebimento EBCT, fl. 102). Em 26/01/2014, foi apresentado recurso voluntário (fls. 104 a 111), no qual são reiterados, em síntese, os termos da impugnação. Foi pedido o cancelamento do débito. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 115). É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11041.000728/201051 Acórdão n.º 2301004.809 S2C3T1 Fl. 117 3 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e trata de matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. A previsão da comprovação dos gastos com despesas com a saúde encontra se nos arts. 73 do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99) (art. 11, § 3º, do DecretoLei 5844, de 1943), no art. 8º da Lei 9.250, de 1995 e na Instrução Normativa SRF 15, de 2001, arts. 43 a 46: Artigo 73 do RIR 99 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (Grifouse.) Art. 8º da lei 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Grifouse.) IN SRF 15, de 2001 Art. 46. A dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. (Grifouse.) Assim, caso solicitado pela fiscalização, os contribuintes têm o dever de comprovar as despesas com saúde. No caso concreto, as despesas foram glosadas pelos seguintes motivos (efl. 56): Beneficiário do pagamento Despesa glosada (R$) Motivo Marcia d Oliveira G Arrache 3.000,00 1) não apresentação de documentação comprobatória do efetivo pagamento da despesa declarada; 2) recibos se referem a sessões mensais de psicoterapia de sua filha Milene, que, conforme documentos da fl.12, estuda em Florianópolis/SC. Pérsio Azambuja Audino 2.100,00 1) não apresentação de documentação comprobatória do efetivo pagamento da despesa declarada. Lauri Bernardi 7.900,00 1) não apresentação de documentação comprobatória do efetivo pagamento da despesa declarada; 2) documento prescinde de endereço; 3) Recibos de outubro (R$ 650,00) e dezembro (R$ 480,00) prescindem de assinatura. Cláudia de Castro Soares 5.000,00 1) não apresentação de documentação comprobatória do efetivo pagamento da despesa declarada; 2) documento prescinde de endereço. TOTAL 18.000,00 Apesar de ser possível que recibos emitidos em conformidade com a legislação retrocitada sejam aceitos como meio de prova da efetividade de despesas com saúde, a autoridade tributária pode solicitar outros meios de prova quando for necessário, inclusive a comprovação do efetivo desembolso de tais despesas, como no caso em comento, de acordo com o citado art. 73 do RIR/99. Friso que as despesas objeto de intimação montam a mais de R$18.000,00; sendo o contribuinte, de acordo com sua declaração de ajuste anual (DAA) referente ao ano calendário 2006 (efl. 35 do processo 11041.000365/200911, julgado nesta mesma sessão) professor aposentado, recebendo proventos de três fontes pagadoras (INSS, Governo do Estado do Rio Grande do Sul e Colégio nossa Senhora Aparecida), é usual que esse receba seus proventos por intermédio de agência bancária; bastaria juntar aos autos saques de suas contas correntes que fossem compatíveis com os pagamentos que declarou para fazer a prova de sua efetividade. Não se está aqui discutindo se a filha do interessado foi atendida pelos profissionais de saúde em local divergente daquele onde ela estudava, mas sim se há ou não prova do efetivo pagamento das despesas. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11041.000728/201051 Acórdão n.º 2301004.809 S2C3T1 Fl. 118 5 Quanto à intimidade do recorrente, frisase que em nenhum momento lhe foi solicitado que expusesse a sua vida privada; porém, “todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante” (art. 927 do RIR/99 e Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Quanto à necessidade de constar no recibo o endereço do profissional, repiso que o art. 8º, § 2º, III, da lei 9.250, de 1995, é expresso em exigilo na comprovação dos pagamentos a serem deduzidos base de cálculo do imposto devido no anocalendário. Voto, portanto, por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator João Bellini Júnior Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003803/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Caso o sujeito passivo formule desistência total no processo administrativo, em razão de inclusão em parcelamento do crédito em discussão, as decisões proferidas nos autos serão consideradas insubsistentes, ainda que lhe sejam favoráveis, nos termos do art. 75 do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 1401-001.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM os Embargos inominados com efeitos infringentes para ANULAR o Acórdão, ante o pedido de desistência formulado pelo sujeito passivo anteriormente ao julgamento.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aurora Tomazini de Carvalho - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguilar Villas Boas, Julio Lima Souza Martins e Aurora Tomazini de Carvalho.
Nome do relator: AURORA TOMAZINI DE CARVALHO
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DESISTÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Caso o sujeito passivo formule desistência total no processo administrativo, em razão de inclusão em parcelamento do crédito em discussão, as decisões proferidas nos autos serão consideradas insubsistentes, ainda que lhe sejam favoráveis, nos termos do art. 75 do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM os Embargos inominados com efeitos infringentes para ANULAR o Acórdão, ante o pedido de desistência formulado pelo sujeito passivo anteriormente ao julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguilar Villas Boas, Julio Lima Souza Martins e Aurora Tomazini de Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 38 03 /2 00 7- 81 Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 10830.003803/200781 Acórdão n.º 1401001.636 S1C4T1 Fl. 11 2 Relatório Em 17/06/2009, a E. 1ª Turma Ordinária a 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento negou provimento ao recurso de ofício interposto e julgou parcialmente procedente o recurso voluntário do contribuinte, ambos interpostos em face do acórdão da Delegacia Regional de Julgamento que deu parcial provimento à impugnação do sujeito passivo (fls. 768/807). Regularmente intimada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração contra referido acórdão (fls. 811/814), os quais foram acolhidos, conforme acórdão de fls. 820/827. A Fazenda Nacional interpôs, então, Recurso Especial (fls. 832/930), o qual foi admitido nos termos do despacho de fls. 932/934. Ocorre que, antes do julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, o sujeito passivo apresentou petição na qual formulou pedido de desistência por conta da inclusão dos débitos discutidos nestes autos em programa de parcelamento (fls. 762/763). Diante disso, em manifestação de fl. 948, requer o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campinas o retorno dos presentes autos ao CARF para reexame e manifestação acerca da manutenção ou não dos acórdãos proferidos pelo CARF nestes autos, bem como da decisão que admitiu o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Conforme despacho de fl. 1242, referida manifestação foi recebida como Embargos de Declaração, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF – Portaria MF nº 343/15). Os Embargos de Declaração foram admitidos como Embargos Inominados, nos termos do art. 66 do Anexo II do RICARF. É o relatório. Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10830.003803/200781 Acórdão n.º 1401001.636 S1C4T1 Fl. 12 3 Voto Conselheira Aurora Tomazini de Carvalho – Relatora De acordo com o art. 66 do Anexo II do RICARF, “as alegacõ̧es de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolacã̧o de um novo acórdão”. Percebese, assim, que podem ser admitidos como Embargos Inominados os recursos nos quais se alegue inexatidão material na decisão embargada. Seu provimento, por outro lado, está condicionado à efetiva existência de inexatidão material na decisão embargada. No presente caso, alegase que a inexatidão material consistiria no fato de os acórdãos de fls. 768/807 e fls. 820/827 não fazerem referência ao pedido de desistência formulado pelo contribuinte tendo em vista a inclusão do débito constituído nestes autos em programa de parcelamento. O referido art. 65, ao disciplinar o cabimento dos Embargos de Declaração, prescreve, no seu § 7º, que “não poderão ser incluídos em pauta de julgamento embargos de declaração para os quais não haja despacho de admissibilidade”. O conhecimento do mérito recurso está, assim, condicionado à sua admissibilidade pela autoridade competente. O pedido de desistência formulado pelo contribuinte foi apresentado nos autos após a prolação do acórdão de fls. 768/807, o qual negou provimento ao recurso de ofício interposto e julgou parcialmente procedente o recurso voluntário do contribuinte. Portanto, não se poderia afirmar, em princípio, que este acórdão padece de qualquer inexatidão material, dada a impossibilidade de manifestarse sobre questão não posta nos autos à época do julgamento. Porém, quando do julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, já existia manifestação nos autos acerca da desistência formulada pelo sujeito passivo. Portanto, incide no caso o disposto no art. 75 do Anexo II do RICARF: Art. 75. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em § 5º Se a desisten̂cia do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobranca̧, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Como se vê, o enunciado prescreve, expressamente, que caso o sujeito passivo formule desistência total no processo administrativo, as decisões proferidas nos autos serão consideradas insubsistentes, ainda que lhe sejam favoráveis. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 10830.003803/200781 Acórdão n.º 1401001.636 S1C4T1 Fl. 13 4 Por esta razão, voto pelo provimento dos presentes Embargos Inominados, de modo a declarar insubsistentes os acórdãos embargados ante o pedido de desistência formulado nestes autos (fls. 762/763). CONCLUSÃO Diante do exposto, voto pelo PROVIMENTO dos Embargos Inominados, dandolhes efeitos infringentes para declarar anulação o acórdão de fls. 768/807, integrado pelo acórdão de fls. 820/827, ante o pedido de desistência formulado pelo sujeito passivo, dado sua inclusão em parcelamento tributário. (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho Fl. 1251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.971846/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/04/2003
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.
A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.378
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Restituição. Prescrição. Recorrente FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/04/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 18 46 /2 00 9- 00 Fl. 747DF CARF MF Processo nº 15374.971846/200900 Acórdão n.º 3402003.378 S3C4T2 Fl. 3 2 A compensação não foi homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido integralmente utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, que esgotaram o crédito disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que recolheu indevidamente o IPI no período de outubro de 2002 a maio de 2003 (aplicou a alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso, considera fazer jus à restituição dos valores pagos, e que tais valores podem ser objeto de compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96. A manifestação foi julgada improcedente (Acórdão 14054.314), a despeito do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição do direito do contribuinte de pleitear a restituição. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa a sua impugnação, acrescentando que o prazo prescricional do direito de pleitear a restituição foi interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito de interromper o prazo de prescrição nos termos do art.174, parágrafo único, II do Código Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.367, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 15374.971828/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.367): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. A questão inicial do processo dizia respeito à existência ou não do crédito de IPI decorrente do pagamento indevido, questão esta prima facie superada pelo próprio reconhecimento da decisão a quo da sua existência, com base nos documentos de fls. 111303, analiticamente examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de fls. 526661, verbis: Em princípio, observo que a manifestante, aparentemente, trouxe aos autos provas do indevido recolhimento, bem como, a autorização para pedir a restituição do adquirente. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 15374.971846/200900 Acórdão n.º 3402003.378 S3C4T2 Fl. 4 3 O seu exaurimento cognitivo restou prejudicado pela verificação ex officio da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a restituição dos créditos, com fundamento no art.168, I c/c art.165, I, ambos do Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos: Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a PERDCOMP foi transmitida em 01/04/2008, sendo que o pagamento indevido foi efetuado em 10/03/2003, ou seja, já em 11/03/2008 o contribuinte tinha perdido o direito de pleitear a repetição do indébito, considerando o disposto no CTN: Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502503) certificando a propositura, por ela, de uma Ação de Protesto Judicial contra a Fazenda Nacional com o objetivo de interromper o prazo para restituição do IPI recolhido a partir de Outubro de 2002 até o último decêndio de Maio de 2003. Certificou também que a propositura da ação se deu em 05/09/2007, tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015. Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da apresentação de provas sobre o ajuizamento da ação cautelar de protesto pela Recorrente, haja vista tais provas terem sido juntadas apenas com seu Recurso Voluntário. Entendemos ser perfeitamente cabível tal juntada e manifestação específica acerca da questão da prescrição, por se tratar de questão fática e jurídica trazia posteriormente aos autos, ao ser conhecida de ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis: Art.16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desse modo, é legítima a juntada de documentos após a decisão de 1ª instância com vistas a contrapor matéria conhecida de ofício pelo Colegiado a quo. Superado este ponto, podese enfrentar seguramente o mérito das alegações. De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo do prazo prescricional relativo ao direito do contribuinte de pleitear a restituição tem início com o pagamento feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN: “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 749DF CARF MF Processo nº 15374.971846/200900 Acórdão n.º 3402003.378 S3C4T2 Fl. 5 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário ; “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia extintiva do pagamento antecipado, sendo a homologação posterior apenas condição resolutória, isto é, exercer seus efeitos desde o momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que pode lhe tirar a eficácia: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos desta lei extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Para afastar quaisquer dúvidas a respeito da identificação da data de início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em seu artigo 3º regra interpretativa a esse respeito, aplicandose retroativamente por força do art.106, I do CTN: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Até o presente ponto o raciocínio da decisão recorrida é irretocável. Todavia, olvidou o julgado da existência de causa de interrupção da prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria informada desde o início na manifestação de inconformidade. De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 15374.971846/200900 Acórdão n.º 3402003.378 S3C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do prazo prescricional, tem o condão de interrompêlo. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado nos votos da lavra do Min. Demócrito Reinaldo, a exemplo do REsp 52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte: Com efeito, o CTN, em seu artigo 174, parágrafo único, inciso II, expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional para propor a ação de cobrança do crédito tributário. Face ao princípio da "isonomia processual", idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que postula repetição do indébito. Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº 40.365/DF e no REsp 108.866/DF, com a ressalva que neste último se enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo prescricional: PROCESSO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. SE A AÇÃO E PRECEDIDA DE PROTESTO JUDICIAL, A PRESCRIÇÃO SE INTERROMPE NA DATA DA CITAÇÃO DESTE (CC, ART. 172). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. (REsp 108.866/DF, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098) Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação cautelar de protesto, por força da regra da actio nata, consagrada de longa data pelo Superior Tribunal de Justiça e consentânea com a sistemática do exercício do direito de ação. Por fim, recentemente, cumpre apontar também a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, Fl. 751DF CARF MF Processo nº 15374.971846/200900 Acórdão n.º 3402003.378 S3C4T2 Fl. 7 6 após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº 20.910/32, que se encontra válido e vigente no ordenamento pátrio e assim prescreve: Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Considerando que a propositura da ação se deu em 05/09/2007 e portanto dentro do prazo prescricional e tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015, possui ainda o Contribuinte dois anos e meio para pleitear sua restituição, contados desta data, isto é, até 21/07/2017. Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a quo. Superado a preliminar referente à prescrição, verificase que a decisão recorrida pautouse exclusivamente por ela, deixando de analisar o mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não pode avaliála. Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de prescrição do direito ao pedido de ressarcimento/compensação, remetendo os autos à DRJ responsável pela decisão a quo para, superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 752DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.003368/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Devem ser providos os Embargos de Declaração para apreciação e julgamento de Recurso Voluntário tempestivamente interposto.
RECURSO VOLUNTÁRIO. SOLIDARIEDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Compete ao Fisco comprovar a existência de fatos e circunstâncias que comprovem o interesse comum na situação que configure fato gerador da obrigação tributária. Inexistente tal comprovação, deve ser reconhecida a exclusão do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3201-002.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para analisar o recurso voluntário de Ana Paula F B Arruda. No julgamento do recurso foi dado provimento para afastar a responsabilidade solidária de Ana Paula F B Arruda.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Devem ser providos os Embargos de Declaração para apreciação e julgamento de Recurso Voluntário tempestivamente interposto. RECURSO VOLUNTÁRIO. SOLIDARIEDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Compete ao Fisco comprovar a existência de fatos e circunstâncias que comprovem o interesse comum na situação que configure fato gerador da obrigação tributária. Inexistente tal comprovação, deve ser reconhecida a exclusão do sujeito passivo.
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OMISSÃO. CABIMENTO. Devem ser providos os Embargos de Declaração para apreciação e julgamento de Recurso Voluntário tempestivamente interposto. RECURSO VOLUNTÁRIO. SOLIDARIEDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Compete ao Fisco comprovar a existência de fatos e circunstâncias que comprovem o interesse comum na situação que configure fato gerador da obrigação tributária. Inexistente tal comprovação, deve ser reconhecida a exclusão do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para analisar o recurso voluntário de Ana Paula F B Arruda. No julgamento do recurso foi dado provimento para afastar a responsabilidade solidária de Ana Paula F B Arruda. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 33 68 /2 00 9- 56 Fl. 3191DF CARF MF 2 Relatório Consoante acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário, é o relatório do feito: Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões recursais: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência do crédito tributário constituído pelo Imposto .de Importação, multa administrativa ao controle das importações e multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, no valor de R$ 1.759.265,47 (um milhão, setecentos e cinqüenta e nove mil, duzentos e sessenta e cinco reais e quarenta e sete centavos), pela introdução de produto estrangeiro em território nacional. É importante salientar que, embora os fatos jurídicos tributáveis sejam os mesmos, a fiscalização lavrou dois autos de infração distintos: um para os direitos antidumping e outro, este que ora se trata, para os demais créditos tributários, posto que o rito para a cobrança dos direitos antidumping é distinto do rito da cobrança para os demais créditos tributários. De acordo com o que consta do relatório fiscal, mediante simulação de negócios civis em processos judiciais na Justiça Comum, o sujeito passivo Paulo Eduardo de Freitas Arruda com os responsáveis solidários Ana Paula Frascino Bittar Arruda, Ricardo Athiê Simão e Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho, obteve decisões que permitiram a retirada de 500.000 (quinhentos mil) quilos de alho refrigerado procedente da China que estavam depositados no recinto alfandegado de zona primária Localfrio S/A, no município de Guarujá SP, nos meses de junho e julho de 2004. As cargas, mesmo apreendidas pela Receita Federal do Brasil, foram retiradas do depósito alfandegado sem o processamento do despacho aduaneiro de importação, o pagamento dos impostos, dos direitos antidumping, a licença de importação e o certificado da vigilância sanitária. As ordens foram emanadas pelo Poder Judiciário do Estado de São Paulo nas ações de Execução de Título Extra Judicial n° 000.04043.0040 de 27/04/2004, 26ª Vara Cível de São Paulo Capital, exequente Luc Graphic Serviços e Comércio Ltda e executada W&CL Importadora e Exportadora Ltda e a de n°. 000.04.0667073, de 18/6/2004, da 23a Vara Cível de São Paulo Capital, exequente Paulo Eduardo de Freitas Fl. 3192DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.192 3 Arruda e executada Nova Era Importação e Exportação Ltda. Após o término dos trabalhos de diligência, as autoridades autuantes apuraram que as referidas ações foram, apenas, instrumentos para a realização de um grande esquema ilícito montado pelo advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda que contou com a cumplicidade dos advogados Ana Paula Frascino Bittar Arruda e Ricardo Athiê Simão e do empresário Luiz Barros Ulhôa Cintra Filho, conforme se depreende dos fatos a seguir relatados. O Poder Judiciário Estadual determinou a retirada das cargas que estavam depositadas em nome e ordem do Sr. Ministro da fazenda na Localfrio, recinto alfandegado de zona primária, para cumprimento das medidas de arresto, baseado em informações inverídicas levadas pelos advogados mencionados nos processos judiciais. A Alfândega do Porto de Santos ao ser comunicada pela Localfrio, fiel do recinto alfandegado, que as cargas haviam sido retiradas do recinto alfandegado, encaminhou, de pronto, ofícios aos Juízos da 23ª e 26ª Vara Civil de São Paulo SP, prestando informações, dentre outras, que as mercadorias pertenciam à União Federal e que sua restituição deveria ser feíta de forma imediata. Somente o juízo da 26ª Vara Civil de São Paulo respondeu à Alfândega de Santos, informando da impossibilidade da devolução das mercadorias. O Juízo da 23ª Vara Civil não respondeu ao ofício. Para fins de instauração do procedimento fiscal foram solicitadas, por meio de ofícios, cópias dos processos judiciais. Entretanto, a solicitação efetuada somente foi atendida pelo Juízo da 26ª Vara Cível que encaminhou cópia integral do processo n°. 000.04.043.8040. Embora não tendo acesso ao processo judicial de n°. 000.04.0667073 da 23ª Vara Civil, a Alfândega do Porto de Santos tomou conhecimento de seu conteúdo tendo em vista ter o advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda juntado várias cópias deste ao processo judicial, o de n°. 00.04.043.8040, com o objetivo de se defender de denúncias da ANAPA Associação Nacional dos Produtores de Alho. A partir do conhecimento do conteúdo das ações judiciais, deuse início ao processo investigatório que culminou nas conclusões que serão a seguir apontadas. Do primeiro arresto (fls. 45/48) Fl. 3193DF CARF MF 4 Acobertado pelo Conhecimento de Transporte Marítimo BL n°. COSU 13466150, de 20/08/2003, ingressaram no território nacional 250 toneladas de alhos frescos acondicionados em 10 (dez) containeres consignados à empresa Nova Era Importação e Exportação Ltda, sediada em Brasília DF. O transporte marítimo foi realizado pela Cosco Container Lines, cuja atracação ocorreu em 04/10/2003. Os 250.000 quilos de alho foram armazenados no recinto alfandegado Localfrio, no Guarujá SP, e em 02/02/2004, foram apreendidos pela Alfândega do Porto de Santos, através do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal AITAGF n°. 0817800/00066/04, objeto do processo administrativo 11128.000730/200422. A carga foi apreendida pela Receita Federal por decurso de prazo de permanência no recinto alfandegado, vez que foi considerada abandonada pelo importador que não promoveu seu despacho aduaneiro no prazo de 90 (noventa) dias contados a partir da descarga, nos termos do Decretolei n°. 1455/76, art. 23, inciso II, alínea "a" e Decreto n°. 4543/02, Regulamento Aduaneiro, art. 574, inciso I, alínea "a". Entretanto, o referido lote foi retirado do recinto alfandegado por meio do Auto de Arresto expedido em 08/06/2004, por ordem do Juízo da 26ª Vara Cível de São Paulo Capital e do Juízo Deprecado da 2ª Vara Distrital de Vicente de Carvalho, nos autos de Execução de Título Extrajudicial n°. 000.04.0438040, distribuído em 27/04/2004, tendo como exequente Luc Graphic Serviços e Comércio Ltda e executada W&CL Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Embora a executada W&CL Comercial Importadora e Exportadora Ltda tenha figurado na ação como proprietária da carga, originalmente estas estavam consignadas à empresa Nova Era Importação e Exportação Ltda, razão pela qual a apreensão das referidas mercadorias foi realizada em nome desta última. Em 08/06/2004, por ocasião da lavratura do auto de Arresto e Depósito por serventuário da justiça, foi nomeado como fiel depositário da carga arrestada o sr. Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho, sócio da exequente Luc Graphic em vista da recusa da Localfrio em aceitar o encargo. Por fim, consta nos autos judiciais que, em 09/06/2004, os 250.000 quilos de alho foram removidos para o depósito Central de Abastecimento Geral do Estado de São Paulo (CEAGESP/SP) e, provavelmente, vendidos para consumo nacional supostamente por R$ 33.000,00 (trinta e três mil reais) para a quitação da alegada dívida. Ao tomar conhecimento do arresto das cargas em 11/06/2004, a Alfândega do Porto de Santos, por meio do Fl. 3194DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.193 5 Memorando CEUGA 116/04, encaminhado pela Localfrio, expediu Ofício n°. 260/04GAB/ ALF/STS, de 14/06/2004, ao Juízo da 26ª Vara Cível SP Capital, informando que as cargas estavam apreendidas pela Receita Federal do Brasil e solicitando a imediata restituição dos bens arrestados. Em resposta, por meio do Ofício 2949/04 EX, o MM Juiz de Direito informou à Alfândega de Santos da impossibilidade de atender o pedido formulado, qual seja, a restituição das mercadorias. Foi encaminhado cópia integral do processo judicial para subsidiar o procedimento fiscal. Do segundo arresto (fls. 48/51) Amparado pelo Conhecimento marítimo "BL"n°. COSU 13437600, de 06/08/2003, ingressaram no território nacional, procedente da China, 250.000 quilos de alho fresco acondicionados em 10 (dez) containeres, consignados à Nova Era Importação e Exportação Itda sediada em Brasília DF, chegando ao Porto de Santos em 18/09/2003. A carga foi armazenada no recinto alfandegado Localfrio situado no Guarujá SP, em 20/01/2004. Todo o lote da mercadoria foi aprendido pela Alfândega de Santos por meio do Auto de Infração e Termo de Guarda Fiscal AITAGF n°. 0817800/00052/04, objeto do processo administrativo n°. 11128.000611/200470. A mercadoria foi apreendida pela Receita Federal do Brasil por decurso de prazo de permanência no recinto alfandegado, tendo sido considerada abandonada pelo importador que não promoveu seu despacho aduaneiro no prazo de 90 (noventa) dias contados da descarga, nos termos do Decretolei n°. 1455/76, artigos 23, inciso II, alíneas "a" e Decreto n°. 4543/02, Regulamento Aduaneiro, art. 574, inciso I, alínea "a". Apesar disso, o, referido lote foi retirado do recinto alfandegado Localfrio, situado no Guarujá SP,' por meio do auto de arresto expedido por ordem do Juízo Deprecante da 23ª Vara Cível de São Paulo Capital e Juizo Deprecado da 2ª Vara Distrital de Vicente de Carvalho, nos autos de Execução de Título Extrajudicial n°. 0004.04.0667073, distribuído em 18/06/04, tendo como exequente Paulo Eduardo de Freitas Arruda e executada a empresa Nova Era Importação e Exportação Ltda, sob o argumento que esta empresa era devedora de honorários advocatícios. Assim, foi lavrado o auto de arresto das referidas mercadorias. A Localfrio, fiel depositária da carga, novamente se recusou a assumir o encargo à ela imposto pela Justiça Fl. 3195DF CARF MF 6 Estadual, razão pela qual foi nomeado o advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda como depositário da carga. Consta do processo judicial que os bens foram removidos para o depósito da Central de Abastecimento Geral do Estado de São Paulo (CEAGESP/SP) e posteriormente vendidos, supostamente, por R$ 95.000,00 (noventa e cinco mil reais) para pagamento da dívida. Não houve resposta ao ofício encaminhado pela Alfândega de Santos ao MM Juiz de Direito da 23ª Vara Cível de São Paulo Capital, que solicitava a restituição das mercadorias. Da denúncia da ANAPA (fls. 51/53) Compulsando os autos judiciais, a fiscalização tomou conhecimento de denúncia formalizada pela ANAPA Associação Nacional de Produtores de Alho, protocolada em 10/07/04, em que relata diversas irregularidades praticadas pelo advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda, dentre as quais se destacam: 1. Algumas empresas de São Paulo estariam conseguindo arrestar mercadorias apreendidas pela Receita Federal do Brasil que estavam sob a guarda do armazém Localfrio Ltda, no Guarujá SP; 2. As ordens de arresto seriam obtidas em ações de cobrança de eventuais contratos de serviços de autoria e origem duvidosas, visto que nas ações propostas não há caracterização de que houve a realização do trabalho nem o seu inadimplemento; 3. As mercadorias, objeto das ações citadas, são alhos refrigerados com classificação fiscal NCM 0703.2090 gravado com taxa adicional de antidumping , que não tem sido recolhida em função da retirada da mercadoria através de ordem de arresto; 4. A ação judicial de cobrança 000.04.0655768, de autoria do advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda, movida em face da empresa Nova Era, na qual foi concedida, pelo MM Juiz da 23ª Vara Estadual da Comarca de São Paulo, ordem de arresto de mercadoria, com nomeação do autor como depositário da mercadoria; 5. Relata caso semelhante, trata da ação 000.04.0438040 em trânsito pela 26ª vara Cível de São Paulo, na qual o citado advogado presta serviços para uma das partes, a empresa W&CL Comercial Importação e Exportação Ltda; 6. A manobra de arresto, além de trazer perdas ao erário público, estaria causando perdas incomensuráveis aos produtores nacionais de alho; 7. A alegação do advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda de que perdeu o contato com a empresa Nova Era Fl. 3196DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.194 7 não é verdadeira pois, ele é igualmente advogado da Transportadora Caibense, empresa pertencente ao mesmo sócio da empresa Nova Era Importação e Exportação Ltda; Das diligências realizadas pela Alfândega do Porto de Santos (fls. 53/55) A Equipe de Auditoria e Fiscalização realizou 26 (vinte e seis) diligências nas cidades de Santos, Guarujá, São Paulo, Campinas, lacanga, no estado de São Paulo e Caibi em Santa Catarina, visando as seguintes apurações: 1. Identificar os verdadeiros responsáveis pelas saídas dos 500.000 quilos de alho fresco chinês brando da Localfrio S/A; 2. Esclarecer inúmeros fatos obscuros, contraditórios e incongruentes relatados nas ações judiciais; 3. Apurar o verdadeiro destino dado às cargas arrestadas e, com isto, identificar as pessoas que se beneficiaram, direta ou indiretamente, com o esquema fraudulento montado com a finalidade de retirar ilicitamente as mercadorias apreendidas pela Receita Federal do Brasil do recinto alfandegado; Em síntese apertada, foram as seguintes conclusões extraídas pela fiscalização ao término dos trabalhos: Da Localfrio S/A Armazéns Gerais Frigoríficos (fls.55/70) Verificouse e comprovouse que a Localfrio: 1. Recusou, por duas vezes, a assumir o encargo de fiel depositária determinado pela Justiça Estadual de bens que já se encontravam sob sua guarda desde os meses de janeiro de 2004 (BLCOSU 13466150) e fevereiro de 2004 (BLCOSU 13437600); 2. Na 26ª Vara Cível de São Paulo: a) omitiu que as mercadorias estavam sob a guarda fiscal em nome e ordem do Ministro da Fazenda, em virtude de apreensão realizada pela Alfândega do Porto de Santos; b) omitiu a informação de ser permissionária de serviços públicos no ramo de Instalação Portuária Alfandegada, dentro do Porto Organizado de Santos, exercendo as atividades de Recinto Alfandegado de Zona Primária; c) inseriu informação inverídica de que exercia atividades de Armazéns Gerais, regulada pelo Decreto n°. 1102 de 21/11/1903; d) omitiu a informação que, em seus registros, as cargas, objeto do arresto, estavam em nome da empresa Nova Era Fl. 3197DF CARF MF 8 Importação e Exportação Ltda e não em nome da W&CL Comércio Importação e Exportação Ltda; e) descumpriu o encargo de fiel depositária, preocupandose somente com o recebimento despesas de armazenagem de pessoa sabidamente não era proprietária da mercadoria. 2. Comunicou o fato tardiamente à Alfândega do Porto de Santos, impossibilitando qualquer ação tendente a impedir a remoção das cargas. Enfim, inferiu a fiscalização que os atos praticados pela Localfrio foram decisivos para que o esquema fraudulento arquitetado e comandado pelo advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda obtivesse êxito na retirada dos 500.000 quilos de alho fresco chinês do recinto alfandegado, vez que, se a comunicação tivesse sido efetuada em tempo hábil à Alfândega do Porto de Santos ou relatado os fatos ao Juízo da 26a Vara Cível de São Paulo ou mesmo aceitado o encargo de fiel depositária imposto pela Justiça Estadual, as cargas não teriam sido removidas e, conseqüentemente, não teriam sido retiradas do recinto sem o processamento do despacho aduaneiro de importação, sem o pagamento do imposto e de direito antidumping, sem a emissão de licença de importação e sem a obtenção de laudo da vigilância sanitária. Diante disso, resta claro que a Localfrio é solidariamente responsável pelo crédito tributário apurado sem prejuízo de outras sanções previstas na Lei n°. 10.883/2003, que deverão ser aplicadas em procedimentos fiscais próprios. Das retificações dos consignatários dos conhecimentos de cargas (fls. 72/79) Com base na análise das declarações e documentos arrecadados, somados aos resultados das demais diligências, concluiuse que: 1. A empresa PlanaltoTrade e o Sr. Cristiano Tanaka são os autores das fraudulentas retificações de consignatários dos conhecimentos de carga COSU 13442980 e COSU 13466150, de Nova Era Importação e Exportação Ltda para a W&CL Importadora e Exportadora Ltda; 2. O advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda orientou a Lucal Logística Ltda a protocolar requerimento em nome da W&CL Comercial Importadora e Exportadora Ltda na Alfândega do Porto de Santos, em 20/04/04, requerendo autorização para o desembaraço das mercadorias; 3. Em 27/04/04, uma semana após, os advogados Paulo Eduardo de Freitas Arruda, Ana Paula Frascino Bittar Arruda e Ricardo Athiê Simão em conluio com o empresário Luiz Barros de Ulhoa Cintra Filho distribuíram a Ação de Execução de Título Extrajudicial n°. 000.04. 0438040, de 27/04/2004, na 26ª Vara Cível de Fl. 3198DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.195 9 São Paulo, promovida por Luc Graphic Serviços e Comércio Ltda contra W&CL Comercial Importadora e Exportadora Ltda, com o objetivo de arrestar as cargas; 4. Desta forma, ficou comprovado que o advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda tinha pleno conhecimento de que a carga arrestada (BL COSU 13466150) encontravase apreendida pela Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Santos, conforme afirmado na petição administrativa IN/RFB/69/99 ... "foi considerada abandonada e sobre a mesma pendia penalidade de perdimento"; 5. O advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda sabia que a empresa Nova Era Importação e Exportação Ltda havia sido submetida a procedimento especial de fiscalização e que as cargas depositadas na Localfrio pertenciam originalmente à citada empresa importadora e não à W&CL Comercial Importadora e Exportadora Ltda; Do antagonismo do Advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda (fls. 90/94) Ficou comprovado que, perante a Justiça Federal, o referido advogado pleiteou o desembaraço aduaneiro de mercadorias sem o pagamento dos direitos antidumping e, em seus argumentos, sustentou com veemência a idoneidade da empresa Nova Era Importação e Exportação Ltda; Entretanto, na Justiça Estadual, alguns meses depois, quando buscava obter uma ordem de arresto para as mercadorias apreendidas pela RFB, advogando em causa própria, sustentou de forma enfática, a completa inidoneidade da mesma empresa. O resultado da diligência demonstrou que o advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda tinha pleno conhecimento de que os 500.000 quilos de alho fresco chinês arrestados da Localfrio pertenciam à empresa Nova Era e haviam sido apreendidos pela Alfândega do porto de Santos; Demonstrado ficou também que o citado advogado foi o principal responsável pela retirada da carga do recinto alfandegado bem como seu estrito relacionamento com a empresa Luc Graphic Serviços e Comércio Ltda, exequente na Ação de Execução de Título Extrajudicial n°. 000.04.0438040. Waldir Zanotti (fls. 94/98) Dentre as declarações prestadas pelo Sr. Waldir Zanotti, CPF n°. 580.018.67820, que possuía procuração pública para gerenciar a empresa W&CLComercial Importadora e Exportadora Ltda e que participou da elaboração do instrumento de confissão de dívida, objeto do processo judicial n°. 00.04.043.8040, no qual a W&CL era parte executada, destacamse: Fl. 3199DF CARF MF 10 1. .A falsidade ideológica do instrumento de confissão da dívida e dos documentos que deram suporte à mudança de consignajtário do BL n°. COSU 13466150 de Nova Era para W&CL; 2. A utilização indevida do nome da empresa W&CL há retificação do consignatário do BL COSU 13466150; 3. A responsabilização do advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda pela fraude na elaboração do instrumento particular de confissão de dívida lavrado em 08/12/03 entre Luc Graphic e W&CL; 4. O envolvimento do advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda com a Luc Graphic como possível sócio de fato da mesma; 5. O desconhecimento da existência de procuração datada de 14/06/2004 outorgada por W&CL nomeando e constituindo os advogados Paulo Eduardo de Freitas Arruda e Ana Paula Bittar Arruda para a representação no processo 000.04.0438040. A mencionada procuração encontrase juntada às fls. 117 do processo judicial; 6. A não participação da W&CL Comercial Importadora e Exportadora Ltda na Ação de Execução de Título Extrajudicial n°. 000.04.0438040 de 27/04/2004 da 26a Vara Cível São Paulo Capital, o que demonstra a fraude por parte dos advogados Paulo Eduardo de Freitas, Ana Paula Frascino Bittar Arruda e Ricardo Athiê Simão, no sentido de obter a ordem de arresto. Waldemir Zanotti (fls. 98/104) O Sr. Waldemir Zanotti, CPF 993.379.59887 colaborou com importantes informações, as quais são reproduzidas: 1. A falsificação de sua assinatura no Instrumento Particular de Confissão de Dívida firmado entre Luc Graphic Serviços e Comércio Ltda e W&CL Comercial Importadora e Exportadora Ltda, juntado às fls. 10 a 12 do processo judicial; 2. A fraude da mudança de consignatário do BL n°.COSU13466150, de Nova Era Importação e Exportação Ltda para W&CL Comercial Importação Exportação Ltda; 3. A utilização indevida do nome da empresa W&CL Comercial Importadora e Exportadora Ltda como parte do processo judicial 000.04.043.8040; 4. A falsificação de sua assinatura na procuração datada de 14/06/2004, outorgada por W&CL Comercial Importação e Exportação ltda aos advogados Paulo Eduardo de Freitas, Arruda e Ana Paula Frascino Bittar Arruda, para representação no processo 000.04.0438040, conforme fls. 117 do processo judicial; Fl. 3200DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.196 11 5. A falsificação de sua assinatura no Termo de Acordo e Verificação de Mercadoria lavrado entre Luc Graphic serviços e comércio Ltda e W&CL Importação e Exportação Ltda, na data de 25/06/2004, conforme cópias juntadas às fls. 363 a 368 do processo judicial; São suas as declarações dando conta que: a) A empresa W&CL Importação e Exportação Ltda da qual é sócio, foi utilizada como parte em processo judicial de execução sem o seu conhecimento ou autorização; b) Nunca foi proprietário das mercadorias nem solicitou a mudança de consignatário do BL (de Nova Era Importação e Exportação ltda para W&CL Comercial Importadora e Exportadora Ltda); c) Suas assinaturas foram falsificadas em diversos documentos que foram carreados ao processo judicial de execução pelos advogados Paulo Eduardo de Freitas Arruda, Ricardo Athiê Simão e Ana Paula Frascino Bittar Arruda para a prática de fraude com o objetivo de arrestar, de forma ilícita, 500.000 quilos de alho que estavam apreendidos pela Receita Federal do Brasil. Carolina Vassilas Griqorini (fls. 106/111) Carolina Vassilas Grigorini, CPF n°. 346.514.58874, que figurou como testemunha em dois contratos de grande importância nos processos judiciais que culminaram com os arrestos das cargas na Localfrio S/A, prestou as seguintes informações: 1. A sua assinatura no Instrumento Particular de Confissão de Dívida e no Contrato de Prestação de Serviços Advocatícios se deu apenas para dar aparência de autenticidade aos referidos documentos; 2. A sua assinatura no Instrumento Particular de Confissão de Dívida, cuja lavratura é de 08/12/2003, somente poderia ter sido inserida no referido documento a partir de mês de março de 2004, mês em que começou a estagiar no escritório; 3. Que os dois documentos lhe foram apresentados para assinatura pelo advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda, o que demonstra que o documento denominado Instrumento de Confissão de Dívida foi de autoria do referido advogado; 4. Que o contrato de Serviços de advocacia, de 12/05/2003, foi também lavrado com data retroativa, posto que somente poderia ter assinado o citado documento a partir do mês de março de 2004. Quality Comercial Importação e Exportação de Alimentos Ltda (fls. 111/114) Fl. 3201DF CARF MF 12 Quality Comercial Importação e Exportação de Alimentos Ltda, CNPJ 72.964.299/000105, em seu endereço declarado à Receita Federal do Brasil, Av. Porcine dos Santos, 27 loja 2, Ermelinno Matarazzo, na cidade de São Paulo SP, foi diligenciada objetivando verificar se a empresa adquiriu parte do alho fresco chinês arrestado da Localfrio S/A conforme alegado pelos advogados Ricardo Athiê Simão e Ana Paula Frascino Bittar Arruda na petição de fls. 244 a 248 do processo judicial, conforme abaixo transcrito: (...) “7Constataram as partes que as mercadorias se encontravam em péssimo estado, sendo certo que em muitas caixas do produto, as cabeças de alho já haviam brotado, outras atacadas por um tipo de bactéria, exalando forte odor; 8 dessa forma, resolveram as partes, em comum acordo, vender de forma imediata, o pouco do produto que ainda reunia condições de consumo, antes que se perdesse a totalidade da carga; 9 Assim, a mercadoria foi entregue á executada sua legítima proprietária, pela importância de R$ 33.000,00 conforme se depreende da cópia do cheque em anexo, cuja quantia, na data de ontem, foi repassada a exequente como pagamento parcial da dívida executada nestes autos. Da não localização da empresa Quality (fls. 113/114) A empresa em epígrafe não foi localizada no endereço declarado à Receita Federal do Brasil, conforme Termo de Constatação n°. 01 de14/06/2007. Verificouse a ausência de estabelecimento da empresa no local indicado; Constatouse também que a verdadeira compradora dos lotes de alho fresco chinês foi a Importadora de Frutas La Violetera Ltda que depositou, em 14/06/2004, o valor de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) na mesma conta corrente constante do cheque anteriormente emitido à empresa W&CL Importação e Exportação Ltda no valor de R$ 33.000,00 (trinta e três mil reais), a título de pagamento parcial das mercadorias adquiridas. A respeito do cheque anexado à petição de 29/06/2004 fls. 249 do processo judicial e fls. 112 deste processo administrativo fiscal, a fiscalização teceu os seguintes comentários: 1. O advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda apresentou à Importadora de Frutas La Violetera Ltda empresa procuração pública que lhe confere amplos, gerais ilimitados poderes para gerenciar a Quality Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda, inclusive poderes para a movimentação bancária; 2. A assinatura constante do cheque é idêntica a assinatura do empresário Luiz, barros de Ulhôa Cintra Filho, que foi sócio da Quality Comércio Importação e Fl. 3202DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.197 13 Exportação de Alimentos Ltda até 16/02/2000. Entretanto, nos cadastros da Receita Federal do Brasil, consta como sócio da mencionada empresa na época da assinatura do cheque (25/04/2004) Carlos Roberto dos Passos e Robson Alves dos Santos; 3. Tais observações levaram a fiscalização a concluir que o cheque é mais uma fraude praticada pelo grupo com o objetivo de convencer o Juízo da 26a Vara Cível de São Paulo Capital da venda do produto; 4. Verificase a semelhança entre a assinatura aposta no cheque e a assinatura do Sr. Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho no contrato social da Luc Graphic Serviços e Comércio Ltda; Por essas razões deduziu a fiscalização que a empresa Quality Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda é uma ficção jurídica que serviu apenas aos interesses escusos do grupo comandado pelo advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda para dar aparência de legalidade às operações ilícitas perante terceiros à Justiça Estadual. Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho (fls. 115/123) Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho é sócio administrado, com 98% de percentual de participação no capital social da Luc Graphic Serviços e comércio Ltda, desde 24/01/2001, que se encontra com o CNPJ suspenso desde 17/08/2005. Foi também sócio da Quality Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda, no período de 10/08/1998 a 16/02/2000, segundo os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. Noticia a fiscalização que as declarações do empresário foram importantes para a investigação, pois evidenciaram várias irregularidades praticadas pelo grupo. Sua participação ficou comprovada no esquema fraudulento que desviou mercadorias apreendidas pela Receita Federal do Brasil da Localfrio S/A e, justamente por isso, detinha informações detalhadas a respeito dos atos delituosos praticados. Depreendeu a fiscalização que a decisão de declarar o que sabia a respeito do caso foi resultado de desentendimentos com o grupo, acrescentou, inclusive, que está processando p advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda por uso indevido do nome de sua empresa. Resumidamente, foram essas as informações prestadas: 1. Que o Instrumento Particular de Confissão de Dívida lavrado em 08/12/2003 entre a Luc Graphic Serviços e Corriércio Ltda e a W&CL Comercial Importação e Exportação Ltda, lhe foi apresentado pelo advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda, , não reconhecendo a natureza do débito constante do referido documento; 2. Fl. 3203DF CARF MF 14 Que não assinou o instrumento de procuração, nomeando e constituindo o advogado Ricardo Athiê Simão como seu procurador, conforme fls. 09 do processo judicial; 3. Que desconhecia a existência da ação ajuizada na 26a Vara Cível de São Paulo, na qual sua empresa Luc Graphic Serviços e Comércio Ltda figura como exequente; 4. Que desconhecia o fato da retirada dos 250.000 quilos de alho fresco chinês do recinto alfandegado Localfrio S/A por meio de arresto; 5. Que o advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda está representando as duas partes exequente e executadano processo judicial; 6. Que o advogado Ricardo Athiê Simão é sócio do advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda; 7. Que aceitou o encargo de fiel depositário da carga a pedido de Paulo Eduardo de Freitas Arruda em troca de benefício financeiro futuro; 8. Que todas as assinaturas apostas no Termo de Acordo e Verificação de Mercadoria e nas fotografias de fls. 363 a 368 do processo judicial, como sendo de sua autoria, foram falsificadas, que tratase de uma montagem, pois nunca participou da elaboração de tal acordo; 9. Que as mercadorias não estavam deterioradas e que o verdadeiro destinatário do produto foi a Importadora de Frutas La Violetera Itda e não a Quality Comercial Importação e Exportação de Alimentos Ltda e que o valor da transação foi próximo ao valor do mercado; 10. Que o Sr. Carlos Roberto dos Passos, pessoa que assinou o Termo de Acordo e Verificação de Mercadoria representando a empresa Quality Comercial Importação e Exportação Ltda é funcionário do advogado Sr. Paulo Eduardo de Freitas Arruda, exercendo as funções de motorista; 11. Que o Sr. Carlos Roberto é "laranja" do advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda; 12. Que o verdadeiro proprietário da empresa Quality é o advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda; 13. Que não conhece o advogado Luiz Barros Coelho de Ulhôa Cintra nem tampouco o escritório Abelin e Ulhôa Cintra Advogados Associados; As evidências sinalizam que são da autoria do Sr. Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho as assinaturas apostas no cheque do Banco Itaú S/A no valor de R$ 33.000,00 (trinta e três mil reais), fls. 249 do processo judicial, bem como na petição inicial do Mandado de Segurança impetrado na Justiça Federal de Santos que beneficiou diretamente o grupo comandado pelo advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda relativamente ao segundo arresto objeto do processo judicial da 23a Vara Cível de São Paulo. Fl. 3204DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.198 15 Diante de tais fatos, ficou caracterizada a sujeição passiva solidária do empresário Luiz Barros de Ulhôa Cintra relativamente ao crédito lançado por meio do presente auto de infração. Temperalho Indústria Comércio Importação e Exportação Ltda (fls. 123/126) O objetivo da diligência na empresa em referência foi o de verificar se esta havia avaliado ou adquirido o lote\de 250.000 quilos de alho fresco chinês arrestado pelo grupo do advogado Paulp Eduardo de Freitas Arruda conforme alegação do próprio no processo judicial n°l. 000.04.06677073 da 23a Vara Civil da Capital SP, conforme abaixo se reproduz. ‘(...) 18 0 autor (Paulo Eduardo de Freitas Arruda), absolutamente preocupado com o encargo que assumiu, sem que tivesse dado em conta, quanto ao fato de que a mercadoria estava em precário estado, procurou nos últimos dias, alguma empresa que se interessasse pela comercialização da carga. 19 Nesta empreitada, o Autor obteve uma proposta de compra do produto, no estado em que se encontra, através da empresa Temperalho Indústria e Comércio Lida, no importe de R$ 95.000,00 (noventa e cinco mil reais). (...) Por todo o exposto, requer o autor, respeitosamente, se digne Vossa Excelência, de determinar a necessária alienação da mercadoria, ao preço mínimo de R$ 95.000,00, mediante o depósito desta quantia nos presentes autos.' O diretor comercial e sócio da Temperalho Indústria e Comércio Importação e Exportação Ltda, Sr. Vanderlei Sinval Boiani prestou, em síntese, as seguintes informações: 1. O advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda faltou com a verdade perante o juízo da 23a Vara Civil de São Paulo quando afirmou que a mercadoria estava em precário estado de conservação. Inverídica também é a informação que a Temperalho" avaliou todo o lote por R$ 95.000,00. Esclarece que, além da Temperalho não ter avaliado nem comprado o produto, lote de 50.000 caixas estava sendo oferecido por R$ 900.000,00 (novecentos mil reais) se se considerar o valor de R$ 18,00 (dezoito reais) por caixa, o que por si só já demonstra que o produto estava em perfeito estado de conservação; 2. A empresa La Violetera seria a possível compradora das cargas arrestadas. Estas informações, aliadas às prestadas pelo empresário Luiz Barros de Ulhoa Cintra Fl. 3205DF CARF MF 16 Filho, motivaram a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal de diligências para todas as filiais da Importadora La Violetera no Estado de São Paulo , bem como a de que a temperalho. CEAGESP Cia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (fls. 126/131) A CEAGESP Cia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, CNPJ 62.463.005/0000108, estabelecida na Av. Gastão Vidigal, 1946, na Vila Leopoldina em São Paulo foi diligenciada com o objetivo de verificar o recebimento para armazenagem dos 500.000 quilos de alhos refrigerados arrestados, conforme afirmações dos advogados Paulo Eduardo Freitas Arruda e Ricardo Athiê Simão nos autos dos processos judiciais n°s 00.04.438040 e 00.04.0667073 da 26ª e 23ª Vara Cível de São Paulo, respectivamente. Em resposta aos quesitos formulados por meio de intimação, feita pela fiscalização, foram prestados,entre outros, os seguintes esclarecimentos: 1. A CEAGESP possui unidades operacionais Armazéns e CEASAS espalhados pela capital Paulista e Interior do estado de São Paulo; 2. Dentro de suas atividades tem por objeto a guarda e conservação de mercadorias de terceiros em armazéns, silos e frigoríficos; 3. Em todas as unidades operacionais, ao recepcionar mercadoria para armazenamento, é preenchido um formulário de Recepção/Guia de Movimentação Entrada, o qual servirá para alimentar o sistema informatizado da empresa; 4. Que, em resposta ao questionamento apresentado no Termo de Intimação e de Início de Procedimento Fiscal, informa que.nunca recebeu e muito menos armazenou as referidas mercadorias em seus armazéns; 5. Que o Armazém da Vila Anastácio ARVAN, é um antigo armazém composto de 13 pavilhões, construído na década de 1940/50 para armazenar produtos agrícolas (sacarias) remetidos do interior do. estado, por meio de trens; 6. A unidade mencionada não tem estrutura nem meios para movimentar e/ou armazenar containeres, sejam simples ou refrigerados; 7. Que, conforme relatórios, controle de entrada e fotos, no período de junho a setembro de 2004, não ingressou no Armazém ARVAN, a mercadoria descrita no termo de Intimação, quer seja por container ou outro meio. Pelas informações prestadas, deduziu a fiscalização que os advogados Paulo Eduardo de Freitas Arruda e Ricardo Athiê Simão prestaram informações inverídicas aos Juízos Fl. 3206DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.199 17 da 23ª e 26ª Vara Civil de São Paulo, com o de impossibilitar o conhecimento e rastreamento do verdadeiro destino dado às cargas arrestadas da Localfrio S/A 500.000 quilos de alho fresco chinês. Importadora de Frutas La Violetera Ltda (fls. 131/149) A Importadora La Violetera Ltda, CNPJ 79.638.524/002297, estabelecida na av. Dr. Gastão Vidigal, 1946, CEAGESP HFN 171/172, Vila Leopoldina SP, foi objeto de diligência com o intuito de se verificar os fortes indícios que a apontavam como destinatária final das cargas arrestadas 500.000 quilos de alho fresco chinêsdo recinto alfandegado Localfrio S/A, no Guarujá SP. Da aquisição das cargas pela Importadora de Frutas La Violetera Na realização dos trabalhos de auditoria foram retidos documentos que comprovam que os 500.000 quilos de alhos refrigerados procedentes da China, arrestados do recinto alfandegado Localfrio S/A, foram adquiridos pela Importadora de Frutas La Violetera Ltda; Entendeu a fiscalização destacar as seguintes observações: 1. A quantidade de alho adquirida, 499.000 quilos, é praticamente a mesma quantidade arrestada da Localfrio S/A 500.000 quilos; 2. As datas também são bastante próximas das datas que ocorrerão os arrestos, pois as cargas relativas ao processo da 26ª Vara Cível de SP foram removidas da Localfrio, no Guarujá SP, entre os dias 09 e 11/06/2004 e as cargas relativas ao processo judicial da 23ª Vara Civil de SP, entre os dias 01 e 02/07/2004; 3. A nota fiscal de n° 124 foi emitida para complementar o valor da nota fiscal 130; 4. A nota fiscal de n°.131 foi emitida em 07/07/2004, enquanto as notas fiscais de n°s. 134 e 135 em 12/06/2004, portanto, fora de ordem cronológica. Das Notas Fiscais de Transferências emitidas pela La Violetera As notas fiscais emitidas pela Importadora de frutas La Violetera Ltda, discriminadas na tabela às fls. 137, referemse às transferências de "alho chinês importado" da Importadora de Frutas La Violetera Ltda filial Curitiba, para a Importadora de Frutas La Violetera Ltda filial São Paulo. Tratase de notas fiscais simbólicas, posto que, nas notas de aquisição (subitem 4.4.14.5.1 do Relatório Fiscal) constam como destinatária de 462.000 quilos a filial da Importadora La Violetera de Curitiba. Fl. 3207DF CARF MF 18 Deduz a fiscalização que os documentos fiscais em questão foram emitidos apenas para efeitos de regularização de estoque. Gs 500.000 quilos de alhos arrestados foram transferidos diretamente da Localfrio S/A, em Guarujá, para o Armazém SERBOM, em São Paulo, e nunca transitaram fisicamente pela filial da La Violetera, de Curitiba. Transitaram apenas "documentalmente. Os próprios documentos fiscais revelam a transferência simbólica das mercadorias, pois neles não são encontradas informações relativas aos veículos de transportadores das cargas de Curitiba para São Paulo nem carimbos de Postos Fiscais de fronteira da Secretaria da Fazenda do Paraná. Do consumo de mercadorias sem controle fitossanitário Após o recebimento desses lotes em seu estabelecimento filial no CEAGESP, a Importadora de frutas La Violetera Ltda os revendeu a pequenos e médios atacadistas, feirantes e varejistas. Dessa forma, todo o alho arrestado foi consumido no território nacional. Necessário se faz destacar que toda a mercadoria que foi vendida pela Importadora de Frutas La Violetera Ltda foi retiradado recinto alfandegado Localfrio S/A sem o competente despacho aduaneiro de importação e sem ser submetida ao Controle Fitossanitário exercido pelo Serviço de Vigilância Agropecuária do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Esses foram os fatos apontados pela fiscalização que motivaram a lavratura do presente ao de infração para a exigibilidade do crédito tributário constituído. Das Impugnações Devidamente cientificados, os interessados apresentaram suas impugnações ao auto de infração, fls. 2128 a 2549, do volume X, alegando em suas defesas, em síntese apertada, o que se segue: Do Sujeito Passivo Paulo Eduardo de Freitas Arruda (fls. 2.156 a 2.174) A impugnação ao auto de infração vem pelas seguintes razões: 1. A pretensa responsabilidade tributária é atribuída ao impugnante apenas por sua participação em dois processos judiciais que tramitam perante a 26ª e 23ª Vara Cível da Capital SP; Com relação ao processo judicial 04.043.8040 da 26a Vara Cível 2. A empresa Luc Graphic, por meio de execução judicial, forçada, representada por seu sócio Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho, resolveu executar a empresa W&CL que era dirigida por Waldir Zanotti, seu procurador, mas de Fl. 3208DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.200 19 propriedade de seu irmão Waldemir Zanotti e Dulcilen Zanotti, respectivamente, prováveis "laranjas" da empresa; 3. Neste procedimento judicial, em um primeiro momento, para a garantia da dívida, foram arrestados lotes de coco ralado, os quais estavam apreendidos em procedimento criminal, por ter o procurador da empresa Waldir Zanotti falsificado documentos de importação e vendido as mercadorias a terceiros; 4. Ante a impossibilidade de arrestar o lote de coco ralado, a empresa Luc Graphic, por meio de seu advogado Ricardo Athiê Simão, resolveu requerer o arresto de um lote de alhos frescos oriundos da China que se encontravam depositados na cidade do Guarujá SP, junto à empresa Localfrio, o que foi deferido pelo Juízo da 26ª Vara Cível de São Paulo; 5. Desta forma, a mercadoria foi arrestada pela empresa Luc Graphic, representada pelo seu sócio Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho, que ficou como fiel depositário da carga; 6. A nomeação do citado empresário como fiel depositário, pelo Oficial de Justiça, só se deu devido a recusa do fiel do armazém alfandegado, Localfrio S/A, permissionário da Receita Federal, ter se negado a exercer sua função , ou seja, ficar como depositário da carga, sem esclarecer aos interessados qual era a verdadeira situação fiscal da carga; 7. A IN 38/97 de 27/07/95 atribui ao fiel depositário do armazém alfandegado a responsabilidade na guarda da mercadoria importada; 8. A partir desse fato, gerouse um tumulto quanto ao destino da carga que acabou por cair nas mãos de um inescrupuloso fiel depositário, Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho, que em declarações mentiu aos agentes do fisco; 9. Nesse confuso e tumultuado episódio processual, as partes chegaram a estabelecer um acordo judicial e a mercadoria foi vendida, ante ao seu precário estado de conservação, para a empresa Quality Importação e Exportação de Alimentos Ltda; 10. Pesquisa feita pelo impugnante na Junta Comercial revelou que a empresa Quality Importação e Exportação Ltda era de propriedade do Sr. Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho e de uma empresa uruguaia Maidstone Sociedade Anônima; Fl. 3209DF CARF MF 20 11. Entretanto em 16/02/2000, o Sr. Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho, transferiu a empresa mas continuou representandoa como seu procurador; 12. Nessa ocasião assinava cheques, realizava transações comerciais de vendas de mercadorias, emitia notas fiscais e suas retificações; 13.Aliás, o cheque que representa a venda da mercadoria no valor de R$ 33.000,00, nominal à empresa W&CL, conforme acordo entabulados nos autos, foi emitido pelo Sr. Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho, representante da empresa; 14.Assim, sem qualquer dúvida, está comprovado que foi o Sr. Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho, fiel depositário, quem alienou as mercadorias e ficou com o produto da venda em seu benefício ou em benefício da empresa W&CL; 15.Por esses.motivos não deve prosperar a alegação que o impugnante representava a empresa Quality Importação e Exportação Ltda; 16. O Regulamento Aduaneiro em seu art. 104, inciso II determina a responsabilidade do pagamento dos impostos, dentre outros, ao fiel depositário quanto aos tributos nos casos de mercadoria importada; 17. Todos os documentos recebidos no escritório do impugnante para a confecção do acordo feito nos autos foram enviados pelo Sr. Waldir Zanotti, diretor da W&CL, através de seu escritório; 18.A petição inicial (petição de acordo e outros requerimentos nos autos) foi formulada pelo advogado da Luc Graphic, Ricardo Athiê 'Simão, conforme declaração por ele produzida; 19. Foi também o Sr. Waldir Zanotti quem assinou o documento de confissão de dívida e demais documentos; 20. O único responsável pelo extravio, venda ou qualquer outro procedimento envolvendo as mercadorias em tela é o fiel depositário. Somente quem estava com a custódia da carga é que poderia transferir a posse do produto a outrem; Com relação ao processo judicial 04.0655768 da 23ª Vara Cível 21. O impugnante, no exercício de sua atividade, prestou vários serviços à empresa Nova\Era Importação e Exportação, que objetivaram, por meio de ações judiciais, eximir o pagamento de taxa antidumping sobre as importações de alhos frescos provenientes da China; 22. A prestação de serviço foi pactuada entre as partes, ou seja, entre o impugnante e a empresa Nova Era, representada por seu sócio Eder Grassi, conforme contrato de prestação de serviços; Fl. 3210DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.201 21 23. Ante a inadimplência da contratante, Nova Era, o impugnante ingressou com uma medida cautelar de arresto e posterior Execução de Título Judicial, visando receber seus honorários; 24. Mediante expressa decisão judicial, foram arrestados, em favor do crédito do impugnante, 25.000 caixas de alhos frescos amparados pelo conhecimento de carga COSU 1347600, as quais ficaram sob sua guarda ante a recusa do fiel depositário do armazém alfandegado Localfrio S/A em assumir este encargo; 25. Nessa ocasião, verificou, o impugnante, o estado precário em que se encontrava a carga e comunicou de imediato ao Juízo da 23ª Vara Cível de SP, noticiando, inclusive, quanto a situação fiscal da carga perante à Receita Federal; 26. O Juízo da causa, com pleno conhecimento, tanto da precária situação da carga como de sua situação fiscal, determinou a avaliação da mercadoria e sua alienação mediante depósito em Juízo; 27. Sendo assim, o impugnante, em 12/06/2004, alienou a mercadoria, que se encontrava em péssimo estado, praticamente imprópria para consumo, e depositou o produto da venda em Juízo; 28. A carga foi alienada e depositada para pagamento de honorários, que tem preferência de crédito sobre qualquer dívida fiscal; 29. Resta claro que o impugnante não efetuou qualquer operação comercial. Desta forma, não pode ser compelido a pagar imposto de importação nem taxas sobre esse procedimento judicial; 30. Se há responsabilidade fiscal sobre a mercadoria em tela, esta deve ser atribuída ao fiel depositário do armazém alfandegado Localfrio que, embora tenha este encargo, se negou a ficar com a custódia da mercadoria; 31. A Instrução Normativa n°. 38 de 27/07/95, atribui ao fiel depositário do armazém alfandegado a responsabilidade fiscal na guarda de mercadoria importada; 32. O impugnante não participou de nenhuma operação de importação, foram os procedimentos judiciais que culminaram na alienação das mercadorias; Desta forma, requer seja cancelado o auto de infração, eximindoo de qualquer pagamento previsto nos autos. Do Sujeito Passivo Solidário Ana Paula Frascino Bittar Arruda (fls. 2.148 a 2.155) Argumenta em sua defesa que: Fl. 3211DF CARF MF 22 1. Foi imputada à impugnante, sem qualquer meio de prova ou outro elemento fático, a responsabilidade tributária pela alienação de mercadorias importadas (alhos frescos de origem chinesa), as quais foram retiradas do recinto alfandegado por ordem judicial e alienadas por seus respectivos fiéis depositários; 2. Pelo que constam dos processos judiciais que tramitam na 23ª e 26ª Vara Cível da Capital SP, as mercadorias foram removidas do recinto alfandegado por meio de seu fiel depositário; 3. A única participação da impugnante foi assentar sua assinatura em uma petição de acordo, formulada pelo advogado Ricardo Athiê Simão, que representava a parte adversa no processo de execução judicial que tramitou junto a 26 a vara Cível da Capital SP processo 000.04.043.8040; 4. Sua participação se deu apenas para atender a um pedido de seu exmarido, com quem mantinha escritório de advocacia à época, Paulo Eduardo de Freitas Arruda, que se encontrava em viagem para fora do Estado de São Paulo; 5. Tais fatos podem ser comprovados com a declaração formal do advogado Ricardo Athiê Simão; 6. Não há qualquer participação da autuada na Execução de Honorários Advocatícios que tramitou junto a 23ª Vara Cível da Capital SP processo 000.04.0667073. Neste processo, o único beneficiário foi seu exmarido, Paulo Eduardo de Freitas Arruda, que detinha um contrato de honorários com a empresa Nova Era; Ante o exposto requer seja cancelado o auto de infração quanto à responsabilidade da impugnante, eximindoa da obrigação de qualquer pagamento. Do Sujeito Passivo Solidário Ricardo Athiê Simão (fls. 2.128 a 2133) Apresenta sua impugnação, resumidamente, alegando que: 1. A autuação se baseou, sem qualquer meio de prova ou outro elemento fático, por entenderem as autoridades administrativas que o impugnante é o responsável pela alienação dos alhos objeto do presente processo; 2. Tais mercadorias foram retiradas do recinto alfandegado e alienadas, por seus respectivos fiéis depositários, por determinação judicial; 3. O autuado, no caso presente, só fez exercer o direito de seus clientes, por meio de processos judiciais devidamente ajuizados, os quais forneceram os documentos que foram acostados aos autos; 4. O impugnante foi nomeado pela empresa Luc Graphic, cujo proprietário de tudo era conhecedor, tanto é verdade que foi nomeado depositário pelo Oficial de Justiça; Fl. 3212DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.202 23 5. É de se ressaltar que, à exceção do Sr. Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho, não há nos autos qualquer menção ao nome do impugnante nos depoimentos prestados aos agentes do fisco, o que comprova a sua não participação na venda das mercadorias; 6. Não teve qualquer participação na Execução dos Honorários Advocatícios que tramitou junto a 23ª Vara Cível – processo 000.04.0667073; 7. No processo referenciado no item anterior, a única participação foi a do advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda; 8. Não houve qualquer benefício econômico por parte do impugnante com tais procedimentos; 9. O auto em apreço é confuso e mal resolvido, uma vez que traz apenas meras e fantasiosas ilações sobre a pretensa participação do impugnante; 10. A decisão da autuação fere a legislação vigente, pois a Instrução normativa n°. 38 de 27/07/95, atribui ao fiel depositário do armazém alfandegado a responsabilidade fiscal na guarda de mercadorias importadas; 11. Conforme se comprova do auto de arresto que tramitou na 26ª Vara Cível da Capital SP, o fiel do armazém negouse a ficar como depositário da carga, que era de sua responsabilidade; 12. Além disso, o Decreto Federal 6.759/09 (RA) em seu art. 104 atribui a responsabilidade de pagamento, dentre outros, ao fiel depositário, quanto aos tributos, no caso de mercadorias importadas: Art. 104 É responsável pelo imposto: (...) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia da mercadoria sob controle aduaneiro. 13. Fugindo de sua responsabilidade o fiel do armazém transferiu o seu encargo ao sócio da empresa Luc Graphic, Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho, que ficou como fiel depositário da carga. Pelo exposto, verificase que não há qualquer responsabilidade solidária a ser atribuída ao impugnante. Nessas condições, pede o cancelamento do auto de infração relativamente aos pagamentos dos numerários, eximindoo de qualquer responsabilidade. Do Sujeito Passivo Solidário Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho (fls. 2.540 a 2.549) Fl. 3213DF CARF MF 24 O autuado encontrase desde meados de 2007 em estado físico e mental delicado. Em 04.03.09, conforme atestado médico, seu estado mental piorou e foi constatado ser portador de psicose maníacadepressiva, com quadro de depressão grave e ideação suicida. Dessa forma, o impugnante, devidamente representado por seu filho, Luiz Fernando Ulhôa Cintra, vem expor e requerer o que se segue: Preliminarmente 1. A notificação do auto de infração, encaminhado ao requerente foi entregue em 23.06.09, no local onde reside sua mãe; 2. Além de não se encontrar no local para onde foi encaminhada a correspondência, o impugnante não se encontra em condições mentais que possibilite auxiliar em sua defesa técnica; 3. Após receber tratamento especializado em Hospital de doenças crônicas degenerativas, o impugnante foi transferido para a "Casa de Repouso Nova Vida", local em que reside atualmente; 4. Tendo em vista o não recebimento da notificação somado ao seu delicado estado de saúde, que não permite que possa colaborar com a sua defesa, requer o sobrestamento do processo pelas razões preliminarmente apresentadas; 5. Resta violado o princípio da ampla defesa, haja vista ter sido encaminhada a Notificação de lançamento para endereço de sua irmã. Tal fato ocorreu no momento em que o impugnante não gozava de plena faculdade mental; 6. Sendo assim, requer o sobrestamento do feito até que o autuado possa colaborar com sua defesa; 7. Caso não seja esse o entendimento, requer, mesmo assim, o sobrestamento, ao menos, pelo prazo de seis meses, tempo em que se acredita ser suficiente para a recuperação plena de sua capacidade mental; Mérito Levando em consideração a remota hipótese de não serem acolhidas as preliminares, não deve o auto de infração prosperar pelos seguintes motivos: 8. Não foram apresentados elementos indispensáveis que comprovassem a solidariedade passiva por parte do autuado; 9. Não resta configurado o interesse comum a que alude o art.124 do Código Tributário Nacional; 10. Não foi apontado qualquer elemento que demonstre o interesse comum na operação em comento; 11. Pelo contrário, o impugnante negou serem suas as assinaturas apostas em procurações ad judicia em favor Fl. 3214DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.203 25 de advogado bem como aquela constante do Termo de Verificação de Mercadorias e nas fotografias de fls. 363 e 368 do processo judicial; 12. Apenas aceitou o encargo de fiel depositário da metade dos alhos em questão. Sequer tinha conhecimento da ação ajuizada na 26ª Vara Cível da Capital SP, na qual a empresa Luc Graphic Serviços e Comércio Ltda figura como exequente; 13. restou comprovado que o impugnante não sabia que o alho tinha sido retirado do recinto alfandegado Localfrio. Com isso, fica excluída a hipótese de conluio praticado na realização de qualquer ato tributariamente ilícito; 14. A corroborar com tal afirmação encontrase o fato do impugnante estar processando criminalmente o advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda pelo uso indevido do nome de sua empresa, o que por si só já demonstra a falta de interesse comum entre ambos; 15. A conclusão das autoridades administrativas se deu dissociada dos fatos pois, por ter aceitado o encargo de fiel depositário dos 250.000 quilos de alho, não é motivo para imputarlhe responsabilidade; 16. A posição antagônica com o advogado mentor do pretenso esquema fraudulento demonstra a inexistência de interesse comum; 17. Conforme se pode extrair das diversas decisões colacionadas, há sujeição passiva quando as pessoas solidariamente obrigadas são sujeitos da relação que ensejou a ocorrência do fato imponível; 18. No presente caso, não ficou comprovado que o autuado participou da relação jurídica que motivou o fato gerador dos tributos; 19. Resta provada a falta de legitimidade do autuado para figurar como devedor solidário, vez que não era substituto da operação envolvendo alhos; Do Sujeito Passivo Solidário Localfrio S/A Armazéns Gerais e Frigoríficos (fls. 2.390 a 2.417) Localfrio S/A, devidamente representada, apresenta sua impugnação pelos motivos a seguir expostos: Preliminarmente, requer a suspensão da exigência do crédito tributário, até o final do julgamento do PAF n°. 11128.003992/200953, quando ficará demonstrada a não solidariedade passiva da impugnante. Quanto ao Mérito são suas as seguintes alegações: 1. Antes de adentrar à cronologia dos fatos, necessário se faz observar que a impugnante além de ser armazém Fl. 3215DF CARF MF 26 alfandegado é também armazéns gerais, sendo este último regido pelo Decreto n°. 1.102/1903 (Lei dos Armazéns Gerais); 2. Tem a impugnante uma unidade de Armazéns Gerais na Mooca e uma unidade de Armazém Alfandegado no Guarujá; 3. De acordo com a Instrução normativa SRF 37/97, o interessado assume sua condição de fiel depositário das mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas, carregadas, descarregadas, movimentadas, armazenadas ou de passagem pela instalação; 4. Após o atracamento do navio, contendo o primeiro lote dos 500.000 quilos de alho, em 04/10/2003, foi protocolado, perante à Alfândega de Santos, em 22/10/2003, pedido para mudança de consignatário: de Nova Era Importação Exportação Ltda para W&CL Comercial Importação e Exportação Ltda, cujo deferimento se deu em 23/10/2003; 5. Importante frisar que não foi informado à impugnante a alteração realizada com relação à mudança do consignatário da carga que ora se trata; 6. Em 08/06/2004 compareceu nas dependências da impugnante, no armazém alfandegado, no Guarujá, o Oficial de Justiça para dar cumprimento à determinação, emanada pelo Juízo da 2ª Vara Judicial de Vicente de Carvalho, de arresto e remoção de 25.000 caixas de alho apreendidas pela Receita Federal do Brasil; 7. Tendo em vista tratarse de carga apreendida pela Receita Federal, a impugnante se recusou a efetuar a entrega, o que motivou o retorno dos interessados, no dia seguinte, 09/06/2004, com reforço policial; 8. Não procede a afirmação que a impugnante tenha se recusado a assumir o encargo de fiel depositária da carga nem a afirmação a de que parte da mercadoria já não mais se encontrava no armazém, conforme consta da petição feita ao juízo deprecado pela parte interessada; 9. Um breve resumo possibilitará a clara compreensão dos fatos desde o início; 10. Em 29/10/2003 foi realizada uma apreensão, pela 2ª Delegacia de Fé Pública, de 2.308 sacos de coco ralado que estavam depositados pela empresa W&CL no armazém da impugnante (Armazéns Gerais) na Mooca; 11. No momento desta apreensão foi nomeado pelo Juízo do Departamento de Inquérito DIPO, em 19/02/2004, como depositário o Sr. Hugo Gabriel Raggi, que o autorize inclusive a comercializar o referido produto desde que o numerário arrecadado fosse depositado em juízo; Fl. 3216DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.204 27 12. Nesse momento cabe a seguinte observação: a empresa W&CL estava sendo executada pela empresa Luc Graphic perante a 26ª Vara Cível de São Paulo, que concedeu o arresto dos 2.308 sacos de coco ralado para esta última. Entretanto, no dia do arresto da carga, 11/05/2004, o Oficial de Justiça tomou conhecimento que o Sr Hugo Gabriel Raggi havia retirado a mercadoria do armazém, unidade Mooca, para revendêla e não depositou a importância advinda desta operação comercial em juízo e, simplesmente, desapareceu. O Sr. Hugo Raggi é de nacionalidade argentina e também representante da empresa W&CL; Da entrada de alho no Porto de Santos e da troca de consignatário; 13. Em época anterior, 04/10/2003, se deu o atracamento do navio contendo o primeiro lote dos 500.000 quilos de alho; 14. Em 22/10/2003, foi solicitado à Alfândega de Santos pedido de correção do consignatário de Nova Era importação para W&CL, pleito este deferido em 23/10/2003; 15. Em 14/04/2004, passados 06 (seis) meses da correção do consignatário, foi requerido pela W&CL autorização para os procedimentos de desembaraço das mercadorias que já se encontravam apreendidas em nome de Nova Era por decurso de prazo (abandono); 16. Em 26/05/2004, foi elaborado requerimento para a troca do arresto do coco ralado para o alho, cujo deferimento ocorreu neste mesmo dia; 17. Os fatos narrados eram de total desconhecimento da unidade da impugnante situada no Guarujá, seja referente aos acontecimentos dentro da Alfândega, seja referente aos acontecimentos judiciais perante a 23ª e 26ª Vara Cível em São Paulo, vez que se tratava de mercadoria armazenada na unidade da Mooca, armazéns gerais. Do primeiro arresto 18. Uma vez deferida pelo Juízo da 26ª Vara Cível de São Paulo a substituição do arresto de coco ralado para o arresto de 500.000 quilos de alho e que, supostamente, era de propriedade da empresa executada W&CL, em 08/06/2004, compareceu o Oficial de Justiça, nas dependências da impugnante, no Guarujá, para o arresto e remoção de 25.000 caixas de alho, em cumprimento à determinação do Juízo da 2 a Vara Judicial de Vicente de Carvalho, carga esta que se encontrava apreendida pela Receita Federal; Fl. 3217DF CARF MF 28 19. Destacase que não houve, em momento algum, recusa da impugnante em aceitar a determinação do Juízo deprecante de ser fiel depositária da carga; 20. Pelo contrário, era de conhecimento dos advogados que a carga encontravase apreendida pela Receita Federal e que a impugnante já era sua fiel depositária. Justamente por ser a impugnante fiel depositária da carga perante à Receita Federal é que houve resistência de sua parte na entrega da mercadoria; 21. Tão logo as mercadorias começaram a ser removidas das dependências da impugnante, dias 09, 10 e 11/06/2004, foi enviada correspondência datada de 11/06/2004 mas recebida pela Receita Federal em 10/06/2004; 22.A única providência adotada pela Receita Federal foi a de encaminhar Ofício à 26ª Vara Cível de São Paulo datado de 14/06/2004, porém, protocolado em 23/06/2004. Após mais de 10 (dez) dias do conhecimento dos fatos; Do segundo arresto 23. Mesmo sabedora dos fatos em que se consumaram o primeiro arresto, a Receita Federal não impediu o segundo arresto, desta vez emanado pela 23ª Vara Cível de São Paulo, em que eram contendores Paulo Eduardo de Freitas Arruda e Nova Era Importação e Exportação Ltda; 24. A Alfândega de Santos sabia que o consignatário do conhecimento de carga havia sido retificado de Nova Era para W&CL; 25. Também era de seu conhecimento que a segunda parte da mercadoria arrestada em 30/04/2004 iria a leilão em 24/06/2004; 26. Mesmo de tudo sabendo, quando em 23/06/2004, ao receber o Ofício oriundo da 2ª Vara da Justiça Federal em Santos sustando a praça, apenas se limitou a encaminhar ofício ao departamento competente; 27. O representante da Localfrio, em 01/07/2004, emitiu comunicado à Receita Federal dando conta de que as cargas haviam sido removidas. Entretanto, como não havia tempo hábil para a sua total remoção, deveria a Alfândega tomar providências com o intuito de impedir esta operação; Das petições 28. Quanto a alegação que a impugnante não avisou ao MM Juízo da 26ª Vara Cível de São Paulo que a mercadoria era objeto de apreensão fiscal por parte da Alfândega do Porto de Santos, deve ser esclarecido que tal providencia não se fazia necessária pois, primeiramente, tratavase de apreensão de coco ralado, carga esta armazenada nas dependências da impugnante, unidade Fl. 3218DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.205 29 Mooca e não da armazenagem do alho apreendido pela Receita Federal; 29. A petição protocolada pela impugnante se referia a cobrança de armazenagem relativa à carga (coco ralado), que já havia sido retirada e alienada a terceiros. É importante ressaltar que todas as vezes em que houve manifestação da impugnante, seja perante a 26 ª ou 23ª Vara Cível de São Paulo, estas foram em nome de sua unidade da Mooca que é Armazém Gerais e não em nome de sua unidade no Guarujá, que é Armazém Alfandegado; Do cumprimento das obrigações da impugnante como Armazém Alfandegado 30.A impugnante em momento algum escondeu sua função de fiel depositária nem que a mercadoria estava apreendida pela Receita Federal, mesmo porque não há como fazêlo, pois, a simples indicação de sua localização já é um forte sinal externo de sua condição de armazém alfandegado; 31. A impugnante não mediu esforços no sentido de contatar as autoridades aduaneiras. Entretanto, não logrou êxito em sua empreitada. Outra opção não teve senão protocolar o relatório contendo os fatos ocorridos somente no dia seguinte devido ao adiantado da hora; 32. Há que se considerar que em casos como estes não existem normas ou determinações a serem cumpridas. A impugnante fez o melhor que pode; 33. Não há que se falar em qualquer embaraço à fiscalização por parte da impugnante pois, em momento algum, se negou a exercer sua função de fiel depositária da carga em questão, de acordo com o art. 919 do Decreto n°. 3000 de 26/03/99; 34. Não se encontra nos autos documento que comprove a recusa da impugnante em ser fiel depositária da carga nos termos do art. 37da Lei n°. 9.784 de 29/01/99; 35. Propor sanção solidária com base em artigos do Regulamento Aduaneiro e de Medidas Provisórias, em virtude de quebra de regras, é drástico demais para quem não participou e, tampouco, deu causa para que o esquema fraudulento, comandado pelo advogado Paulo Eduardo de Freitas Arruda obtivesse sucesso; 36.A solidariedade está prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional, Lei n°. 5.172/66. Hipótese fática em que a impugnante não se enquadra: Art. 124São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesses comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 3219DF CARF MF 30 II as pessoas expressamente designadas' por lei. 37. Descaracterizada a solidariedade passiva é inexigível a cobrança do crédito tributário, pois a autoridade aduaneira no afã de enquadrar a impugnante como solidária passiva o fez nos termos do art. 72 §1° e art. 73, II, "c" do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo decreto n°. 4543 de 27/12/2002 vigente à época dos fatos. Art. 72 0 fato gerador do imposto de importação é a entrada de mercadoria estrangeira em território nacional; §1° Para efeito da ocorrência do fato gerador, considerase entrada no território aduaneiro a mercadoria que conste como tendo sido importada e cujo extravio venha ser apurado pela administração aduaneira. Art. 73 Para efeito do cálculo do imposto, considerase ocorrido o fato gerador: I na data do registro da declaração de importação de mercadoria submetida a despacho para consumo; II no dia do lançamento correspondente ao crédito tributário, quando se tratar: a. bens contidos em remessa postal internacional não sujeitos ao regime de importação comum; b. bens compreendidos no conceito de bagagem, acompanhados ou desacompanhados, e c. mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; e... 38. Pela capitulação legal, se depreende que o agente do fisco tratou o presente caso como mercadoria extraviada e não como mercadoria removida do recinto alfandegado por força de mandado judicial e reforço policial. Assim, não há que se falar em extravio; 39. Na ânsia de fazer seu entendimento, prossegue aplicando o disposto no art. 618 do mesmo diploma legal: Art. 618 Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses: I em operação de carga ou já carregada em qualquer veiculo, ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira ou sem cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo; §1° A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. 40. Se houve impossibilidade de apreensão das mercadorias, esta se deve a inércia e negligência da Alfândega de Santos pois, o ofício encaminhado à 26ª Fl. 3220DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.206 31 Vara Cível de São Paulo para esse fim esta datado de 14/06/2004 mas somente protocolado em 26/06/2004; 41 . Por todo o exposto pede: • o cancelamento do crédito tributário imposto à impugnante pela Alfândega de santos; • que seja oficiada a Cia Telefônica de São Paulo para que entregue a essa Delegacia o extrato dos telefones constantes dos documentos de nºs 96/100 dos dias 09, 10, 30/06 e 01/7/2004, os quais farão provas das ligações efetuadas à Alfândega de Santos para a comunicação dos fatos. As impugnações foram julgadas improcedentes pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 1747.705, de 20/01/2011: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/06/2004 Sujeito Passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (Art. 121 do Código Tributário Nacional, Lei n°. 5.172/1966). São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e as expressamente designadas por lei (Art. 124 do Código Tributário Nacional, Lei n°. 5.172/1966). De acordo com a legislação tributária pertinente, para a nacionalização de mercadorias procedentes do exterior, deve ser formalizada a Declaração de Importação com o objetivo de identificar o sujeito passivo da obrigação, fixar a matéria tributável, o cumprimento da legislação aplicada, quantificar e recolher os gravames aduaneiros devidos (Arts. 72; 482; 483 e 490 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°. 4.543/2002). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Recorrente, Paulo Eduardo de Freitas Arruda, interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando, ipsis litteris, os argumentos suscitados em sua impugnação. Embora a instância a quo não tenha excluído os sujeitos passivos solidários da lide, não lhes foi dada a ciência do inteiro teor do acórdão supracitado. Por essa razão, em 20/03/2013, o julgamento do recurso voluntário em referência foi convertido em diligência para intimar os sujeitos passivos solidários. Fl. 3221DF CARF MF 32 Em cumprimento à Resolução nº 3201000.364, a autoridade preparadora procedeu à intimação de Ana Paula Francisco Bittar Arruda, Ricardo Athié Simão, Luiz Fernando Siqueira de Ulhoa Cintra e Gilberto Vieira de Andrade, este último na qualidade de representante legal da Localfrio. Em resposta às intimações, Ricardo Athié Simão e Localfrio interpuseram seus recursos voluntários. Contudo, o recurso da Localfrio foi interposto sem procuração, sem identidade e sem acórdão. Posteriormente, a Localfrio pleiteou a juntada de parecer, a qual foi contestada pela Procuradoria da Fazenda Nacional por ser intempestiva e não guardar relação direta com o objeto do lançamento discutido nos autos do presente processo administrativo. Ana Paula Francisco Bittar Arruda e Luiz Fernando Siqueira de Ulhôa Cintra (em nome de Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho) não interpuseram recursos voluntários. Foram lavrados termos de perempção para Ana Paula Francisco Bittar Arruda, Luiz Fernando Siqueira de Ulhôa Cintra (em nome de Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho) e Localfrio. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. Em sessão de julgamento ocorrida em 26 de fevereiro de 2014, esse Turma Julgadora, "por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso da Local Frio S/A para excluíla do polo passivo; por qualidade de votos, em negar provimento ao recurso do Sr. Ricardo Athiê Simão para mantêlo no polo passivo", em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/06/2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. ART. 95, INCISO I, DO DL 37/66. Responde pela infração e pelos tributos, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a prática de infração que implique em redução ou exclusão dos tributos aduaneiros devidos, nos termos previstos no art. 95, inciso I, do DecretoLei nº 37/66. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/06/2004 IMPORTAÇÃO IRREGULAR. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE. O conjunto probatório reunido pela fiscalização demonstra que foi construído um esquema fraudulento para liberação de mercadorias abandonadas em recinto alfandegado, sem o pagamento de impostos e direitos antidumping, e ainda com a inocente chancela do Poder Judiciário, a fim de legitimar toda a operação. MULTA PROPORCIONAL AGRAVADA. Fl. 3222DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.207 33 Constatada a realização de fraude para evasão de tributos, é de se aplicar a multa de ofício agravada, nos termos do art. 44, inc. II, da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/06/2004 MULTAS REGULAMENTARES. Considerando que as mercadorias não foram desembaraçadas regularmente, é de se aplicar a multa por ausência de guia de importação, nos termos dos arts. 490 e 633, inc. II, alínea “a”, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/02). É aplicável também a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias sujeitas à pena de perdimento haja vista a impossibilidade de sua apreensão, nos termos dos arts. 602, 604, inc. IV, 618, caput e § 1º, do regulamento já mencionado. Após o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, qual seja, a Delegacia da Receita Federal de Santa Crus do Sul / RS, esta opôs Embargos de Declaração de fl. 3184 aduzindo omissão acerca do julgamento do Recurso Voluntário interposto tempestivamente por Ana Paula F.B. Arruda. Os referidos Embargos foram admitidos por despacho de fls. 3187/3190 e a mim distribuídos por sorteio, vez que o Relator original do feito não mais compõe este colegiado. É o Relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Conforme se verifica do relatório supra, para saneamento do vício existente no acórdão recorrido, é necessário o exame e julgamento do Recurso Voluntário apresentado pela coobrigada Ana Paula F.B. Arruda, constante às fls. 3128/3133. Em suas razões, a Recorrente aduz que não poderia ser arrolada como coobrigada pelo crédito tributário uma vez que não tem nenhuma responsabilidade fiscal sobre os tributos que estão sendo indevidamente cobrados. Necessário, de início, resgatar os fatos indicados pela Fiscalização. A responsabilidade foi atribuída à Recorrente com base no art. 124 do CTN, por entender que houve interesse comum na situação que constituiu o fato gerador: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 3223DF CARF MF 34 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; De acordo com a Fiscalização (Relatório Fiscal) o interesse comum restou caracterizado pelo fato de que Recorrente, advogada, ter sido casada com o Sr. Paulo Eduardo de Freitas Arruda, tido como mentor das operações fraudulentas, além de ter constado como procuradora das empresas utilizadas na realização das operações fraudulentas em diversos processos judiciais e, ainda assim, ter alegado desconhecer tais operações: Com a devida vênia, entendo que, no caso dos autos, os fundamentos utilizados pela Fiscalização não são suficientes para caracterizar o interesse comum na situação que constitui o fato gerador. E tal ônus competiria à Fiscalização, uma vez se tratar de Auto de Infração constitutivo de crédito tributário. Por fim, vale salientar que a situação da Recorrente Ana Paula F.B. Arruda se difere dos demais coobrigados, notadamente dos demais advogados apontados como Fl. 3224DF CARF MF Processo nº 11128.003368/200956 Acórdão n.º 3201002.422 S3C2T1 Fl. 3.208 35 participantes da operação tida por fraudulenta, cuja responsabilidade já foram examinadas (e mantidas) em primeiro Recurso Voluntário, Paulo Eduardo de Freitas Arruda e Ricardo Athié Simão. Enquanto estes tiveram participação até presencial nos fatos, conforme se depreende do relatório fiscal, a participação da Recorrente assinalada em Relatório Fiscal se limita ao patrocínio de ações judiciais, realizada dentro do legítimo exercício da advocacia. Logo, diante da absoluta ausência de elementos capazes de caracterizar, efetivamente, a solidariedade da Recorrente, voto pelo PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO para excluir a Recorrente Ana Paula F.B. Arruda do polo passivo da autuação. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 3225DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.720017/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVA DISCUSSÃO DE MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
Os Embargos de Declaração servem para a correção de eventuais obscuridades, omissões ou contradições da decisão embargada.
É impossível trazer nova discussão de mérito em sede de Embargos de Declaração, sendo que no caso de inconformismo com decisões de turmas ordinárias do CARF, a via adequada é o Recurso Especial dirigido à CSRF, nas hipóteses em que cabível segundo do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 1201-001.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
.
EDITADO EM: 25/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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NOVA DISCUSSÃO DE MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração servem para a correção de eventuais obscuridades, omissões ou contradições da decisão embargada. É impossível trazer nova discussão de mérito em sede de Embargos de Declaração, sendo que no caso de inconformismo com decisões de turmas ordinárias do CARF, a via adequada é o Recurso Especial dirigido à CSRF, nas hipóteses em que cabível segundo do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 00 17 /2 01 3- 14 Fl. 869DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 2 EDITADO EM: 25/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte em face do acórdão n. 1201001.117 desta Turma que por maioria de votos negou provimento ao Recurso do Contribuinte. Em suma, esta turma decidiu por manter a autuação referente à aplicação pela Contribuinte de percentual incorreto para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL pela sistemática do lucro presumido. Isso porque, no entendimento desta Turma, os percentuais utilizados pela Contribuinte de 8% e 12%, seriam aplicáveis somente nas atividades de construção civil por empreitada na modalidade total, se, e somente se, o contrato para a realização da obra previr que a totalidade dos materiais a serem empregados e incorporados a ela sejam fornecidos pelo empreiteiro contratado. Segundo o acórdão, caso o contrato não preveja o fornecimento de materiais pelo empreiteiro, ou preveja o fornecimento parcial, as bases de cálculo das duas exações, na sistemática do lucro presumido, corresponderão a 32% da receita bruta auferida com o contrato, sendo certo que a atividade desempenhada pela Contribuinte de simples fornecimento de concreto usinado não configura contrato de empreitada. Contudo, segundo a ora Embargante, o acórdão teria incorrido em CONTRADIÇÃO, vez que: i) decidiu contra a lei n. 9.249/95 e IN SRF 93/97 ao não aplicar percentuais distintos nas receitas de atividades devidamente diferenciadas e comprovadas; ii) valeuse de normas legais não relacionadas à matéria discutida e iii) a ementa diverge dos fundamentos do voto vez que cria conceito inexistente na legislação para tributação de serviço com fornecimento parcial de materiais. Além disso, a Embargante aponta, de forma confusa, OBSCURIDADE do acórdão vez que: i) omitiuse na apreciação da atividade de preparação do concreto, o seu fornecimento, como auxiliar da construção civil, desconhecendo que existe a aplicação de insumos; ii) trouxe considerações confusas quanto à atividade de Contrução Civil por Empreitada com e sem emprego de material, não tendo sido este o mérito do lançamento e iii) não se conseguiu enquadrar a atividade de fornecimento de concreto usinado como ao do tipo de atividade produtiva. Por fim, a Embargante apontou OMISSÃO do acórdão, pois, a decisão: i) deixou de apreciar as razões quanto à presunção de fatos utilizadas pelo Auditor Fiscal que utilizouse de uma ferramenta estatística; ii) ignorou no acórdão a contradição entre a ementa do acórdão da DRJ e os fundamentos utilizados para manutenção do Auto de Infração; iii) não se pronunciou quanto ao pedido de diligência requerido pela Contribuinte para que o Fisco demonstrasse, de forma segregada cada Receita Operacional e iv) não se pronunciou quanto à ilegalidade da aplicação da Taxa Selic. Os Embargos foram admitidos por este Relator. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 15504.720017/201314 Acórdão n.º 1201001.486 S1C2T1 Fl. 3 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo diretamente à análise do vício apontado. Das Contradições Segundo a embargante, o acórdão decidiu contra a lei, violando o parágrafo 2º. do artigo 15 da Lei 9.429/95 (IN SRF 93/97), ao não observar a aplicação dos percentuais diversificados na apuração do Lucro Presumido nas receitas de atividades também diferenciadas e comprovadas (são elas o fornecimento de concreto usinado, transporte de cargas, o bombeamento de concreto, e a prestação de serviços) nas obras e de acordo com os Contratos e Notas Fiscais. Discordo. O acórdão embargado partiu da definição de conceitos relacionados à atividade da ora Embargante para, após isso, aplicar tais conceitos ao caso em concreto, definido pelos elementos trazidos ao autos, o que inclui as notas fiscais emitidas e, após isso, concluir pela aplicação das alíquotas corretas de Lucro Presumido. O que se tem aqui é a interpretação da lei pelos julgadores, somada à ponderação sobre a documentação apresentada. No caso em tela, o resultado disso foi a conclusão de que a atividade da Embargante se reveste de natureza de prestação de serviços em geral e não de empreitada global, daí porque correta a aplicação das alíquotas efetuada pelo ente tributante. Assim, concluo que o acórdão, simplesmente, se baseou em normas legais vigentes e, após o trabalho interpretativo do julgador, concluiu de forma coerente pela correção do lançamento tributário. Alega também a Embargante que o acórdão utilizou atos legais sem relação à matéria litigada percentual aplicável na apuração do Lucro Presumido. E de atos Legais e Administrativos posteriores aos fatos geradores do lançamento (2008 e 2009) e ainda de Atos Legais não vinculados com a matéria litigada ( IN RFB 971/09). O ponto aqui trazido pela Embargante não é matéria de embargo, mas, quem sabe, de Recurso Especial. Isso porque, ao arguir a Embargante que os atos legais que serviram de suporte para a decisão não trazem relação com a matéria, quer na realidade trazer de volta a interpretação do mérito da questão decidida no acórdão. Ora, o acórdão embargado se valeu de legislação e normas relacionadas ao cálculo do Lucro Presumido das Pessoas Jurídicas que é exatamente a matéria central em Fl. 871DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 4 discussão neste caso, bem como, de legislação que diz respeito à atividade desempenhada pela Embargante e também à atividade que esta alega desempenhar. Portanto, não me parece aqui presente a alegada contradição do acórdão. Por fim, enfrento aqui a alegação de que a ementa do Acórdão dá guarida aos serviços com emprego de material, e cria um novo conceito para tributação com fornecimento parcial de materiais, divergindo dos fundamentos do voto e de toda legislação pertinente, não tendo sido considerados os serviços prestados com aplicação de materiais (insumos na fabricação de concreto). Pela própria leitura da síntese dos argumentos trazidos pela Embargante, percebese que se trata aqui de tentativa de nova discussão de mérito, o que não pode ser feito através de Embargos de Declaração. O Acórdão definiu, com base nos elementos de prova dos autos, qual é a atividade da empresa e, passo seguinte, concluiu qual o correto tratamento tributário. Neste trabalho em nada inovou, até porque, a conclusão foi a mesma adotada tanto pelo ente tributante quanto pelos julgadores de primeira instância. Assim, concluo que inexiste qualquer contradição no acórdão recorrido que pudesse ser sanado através do instrumento de Embargos de Declaração, sendo improcedentes as alegações da embargante neste sentido. Das Obscuridades Em síntese, a embargante enumera as seguintes obscuridades do acórdão: "Omitiuse na apreciação da atividade de preparação do concreto, o seu fornecimento, como auxiliar da construção civil, desconhecendo que existe a aplicação de insumos, e não se tratando de prestação de serviços fornecimento apenas de mão de obra; b. Considerações confusas quanto à atividade de Construção Civil por Empreitada com e sem emprego de material, não sendo este o mérito do lançamento, versus a atividade de fornecimento de Concreto como atividade complementar da construção civil. A Construção Civil é caracterizada com aplicação de materiais em qualquer quantidade; c. Não se conseguiu enquadrar atividade de fornecimento de Concreto Usinado como ao tipo de atividade produtiva como apenas aplicação de mão de obra." (nosso grifo) Neste ponto, transcrevo aqui um trecho do acórdão embargado: As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL serão, respectivamente, de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), nas atividades de construção civil por empreitada na modalidade total, se, e somente se, o contrato para a realização da obra previr que a totalidade dos materiais a serem empregados e incorporados a ela sejam fornecidos pelo empreiteiro contratado. Caso o Fl. 872DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 15504.720017/201314 Acórdão n.º 1201001.486 S1C2T1 Fl. 4 5 contrato não preveja o fornecimento de materiais pelo empreiteiro, ou preveja o fornecimento parcial, as bases de cálculo das duas exações, na sistemática do lucro presumido, corresponderão a 32% (trinta e dois por cento) da receita bruta auferida com o contrato. No presente caso, os contratos de prestação de serviço celebrados com os clientes e juntados aos autos demonstram o fornecimento do material para a construção, entretanto, conforme exposto, o ponto que deve ser analisado é se a natureza destes contratos se enquadrariam no conceito de empreitada na modalidade total ou de mera prestação de serviço. A responsabilidade pela obra e pela a sua execução de forma direta é que configura e consagra o contrato de empreitada e tal situação, não foi apresentada pela Contribuinte. Para melhor elucidação, cabe aqui transcrever trechos do art. 322 da IN RFB 971/09: “Art. 322. ConsideraseI obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme discriminação no Anexo VII; (...) X serviço de construção civil, aquele prestado no ramo da construção civil, tais como os discriminados no Anexo VII; (...) XIX empresa construtora, a pessoa jurídica legalmente constituída, cujo objeto social seja a indústria de construção civil, com registro no Crea ou no CAU, conforme o caso, na forma prevista no art. 59 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, ou no art. 10 da Lei nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.477, de 3 de julho de 2014) (...) XXVII contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XIX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; b) parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para Fl. 873DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 6 execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; XXVIII contrato de subempreitada, aquele celebrado entre a empreiteira ou qualquer empresa subcontratada e outra empresa, para executar obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, com ou sem fornecimento de material; (...) XXX empreiteira, a empresa que executa obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, mediante contrato de empreitada celebrado com proprietário do imóvel, dono da obra, incorporador ou condômino; (...) § 1º Será também considerada empreitada total: I o repasse integral do contrato, na forma do inciso XXXIX do caput; II a contratação de obra a ser realizada por consórcio, constituído de acordo com o disposto no art. 279 da Lei nº 6.404, de 1976, desde que pelo menos a empresa líder seja construtora, conforme definida no inciso XIX do caput; III a empreitada por preço unitário e a tarefa, cuja contratação atenda aos requisitos previstos no art. 158.” Concluise assim que, as descrições dos serviços caracterizados pelo simples fornecimento de concreto usinado não configuram contrato de empreitada. Cabe aqui, destacar alguns trechos de interessante julgado do STF (RE 82.505SP) “(...) O concreto resulta de uma simples mistura de componentes, fenômeno físico, não se caracterizando como produto industrializado. No caso em exame, a mistura é aplicada diretamente na obra, onde se solidifica. Não constitui, também, mercadoria, o que ocorreria na hipótese de se fornecer o concreto sólido sob a forma de vigas, lajotas, postes e outros prémoldados” Por fim, a Contribuinte alega que a atividade de transporte de carga estaria sujeita à alíquota de 8%. Para tanto, a Contribuinte segrega os valores relativos ao transporte de carga tanto rodoviário que seriam aqueles efetuados por caminhões betoneiras, como os verticais caracterizados pelo bombeamento. No entanto, uma vez mais, o que se discute neste processo é o conceito que os dispositivos legais trazem para a definição das atividades que fariam jus a esta alíquota. O transporte de carga definido pela lei referese a atividade de deslocamento de mercadorias com caráter econômico, ou seja, é Fl. 874DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 15504.720017/201314 Acórdão n.º 1201001.486 S1C2T1 Fl. 5 7 inerente a serviço, a transportar, carregar de um lugar para outro, determinada mercadoria. Notase aqui que, os transportes mencionados são evidentemente caracterizados pelo carregamento do próprio material objeto de prestação de serviço da Contribuinte, sendo portanto, inerente a efetivação de seu contrato a entrega deste material, afastandose assim, a alíquota de 8%. Vejamos decisão do STJ neste sentido: RECURSO ESPECIAL Nº 505.343 RS (2002/01753186) EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE CONCRETO PARA CONSTRUÇÃO CIVIL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA DE ISS. SÚMULA N. 167/STJ. 1. "O fornecimento de concreto, por empreitada, para construção civil, preparado no trajeto até a obra em betoneiras acopladas a caminhões, é prestação de serviço, sujeitandose apenas à incidência do ISS" (Súmula n. 167/STJ). 2. Recurso especial provido" Vemos aqui que o acórdão, diferentemente do alegado pela embargante, apreciou sim, a atividade de preparação de concreto como auxiliar de construção civil, contudo, chegaram à conclusão distinta da embargante e isso não pode ser combatido através de Embargos de Declaração. Aliás, num primeiro momento, alega a Embargante que o acórdão deixou de apreciar a relação entre a atividade de preparação de concreto como auxiliar da construção civil para, na alegação seguinte, argüir que foram confusas e desconectadas do mérito da discussão, as considerações do acórdão sobre a atividade de construção civil. Resta claro aqui a intenção infringente dos embargos apresentados e a ausência de vício que pudesse ser sanada através destes Embargos. Assim, rejeito também, a alegação de obscuridades do acórdão vez que inexistentes. Das Omissões Alega ainda a Embargante que presentes omissões no acórdão, conforme trechos dos Embargos que abaixo transcrevo: a. Deixouse de apreciar as razões quanto à presunção de fatos utilizadas pelo Auditor Fiscal, ou seja, utilizouse de uma ferramenta estatística, uma pequena amostra aleatória de Notas Fiscais de Serviços, para justificar a caracterização de toda a Fl. 875DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 8 Receita Bruta (método estatístico de amostragem para determinação de uma população, sem base legal); b. Ignorou no Acórdão a contradição entre a Ementa do Acórdão DRJ quanto a matéria do lançamento e os Fundamentos utilizados para a manutenção do Auto de Infração; c. Não se pronunciaram os Julgadores quanto ao Pedido de Diligência para que o fisco demonstrasse as segregadamente cada Receita Operacional – fornecimento de concreto, transporte de cargas, bombeamento e fornecimento de mão de obra – segundo as Notas Fiscais emitidas e Contrato de Prestação de Serviços; d. Não se pronunciaram quanto a Ilegalidade da taxa de Juros SELIC, arguida no Recurso Voluntário. Quanto aos itens "a" e "b" acima, não vejo qualquer omissão do acórdão, pois, a matéria central em julgamento decorre da interpretação dos documentos e informações trazidos pela Embargante aos autos para a correta definição sobre qual a natureza de suas atividades e conseqüente tributação. Não houve, portanto qualquer omissão do acórdão embargado acerca da correção do trabalho do auditor fiscal, bem como, sobre a análise deste trabalho pelos julgadores de primeira instância. Pelo contrário, entenderam os julgadores desta Turma que a documentação acostada aos autos deixa claro que a atividade da Embargante tem natureza de serviços em geral, não se confundindo com contratação de empreitadas, que pudesse gozar de tributação mais favorável. Cabe ressaltar, se houve contradição entre a Ementa do acórdão da DRJ e os fundamentos utilizados, isso deveria ter sido apreciado em sede de Embargos de Declaração sobre o acórdão da DRJ e não sobre o acórdão emanado por esta Turma. O que a decisão ora Embargada fez, foi a nova análise de toda a matéria de fato e de direito para, passo seguinte, chegar à conclusão sobre a procedência ou não do lançamento fiscal. Quanto ao pedido de diligência, a leitura completa do acórdão permite concluir que os julgadores tinham nos autos, todos os elementos suficientes e necessários para tomar uma decisão, caso fosse necessária uma diligência, os julgadores haveriam de ter convertido o julgamento em diligência, o que não ocorreu. Cabe ressaltar, é o julgador e não as partes que decidem se a diligência é ou não necessária. Assim, entendo não haver qualquer necessidade de diligência neste ponto. Por fim, quanto à omissão da alegação de ilegalidade da aplicação da Taxa Selic, devo concordar, o acórdão fora omisso quanto a este ponto. Assim, deveria o acórdão ter mencionado a aplicação da Súmula CARF n. 4 que assim dispõe: Fl. 876DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 15504.720017/201314 Acórdão n.º 1201001.486 S1C2T1 Fl. 6 9 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Diante do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados apenas para suprir a omissão do acórdão embargado no tangente à aplicação da Taxa Selic, fazendo constar no voto a aplicação ao caso em tela da Súmula CARF n. 4, mantendose a conclusão da decisão embargada, sem efeitos infringentes. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 877DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10830.010517/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato Gerador: 30/11/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DA CONDUTA INFRINGIDA. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL.
A Autoridade Fiscal realizou o lançamento por infração ao art. 225, §13 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto Nº 3.048/99, sem, contudo, apontar qual das condutas teria sido realizada pelo contribuinte, se a prevista no inciso I ou II. Ainda, os fatos narrados no Relatório Fiscal não condizem com a infringência de qualquer dos incisos do mencionado art. 225, § 13 do RPS, razão pela qual é nulo o lançamento, por vício material, pela ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 142 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para tornar insubsistente o lançamento, por vício material, por ausência de fundamentação fática no Relatório Fiscal, que não especificou a formalidade descumprida pelo contribuinte (artigo 215, parágrafo 13, RPS). Vencida a relatora e os conselheiros Cleberson Alex Friess e Arlindo da Costa e Silva, que negavam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará o voto vencedor.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Carlos Alexandre Tortato - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DA CONDUTA INFRINGIDA. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. A Autoridade Fiscal realizou o lançamento por infração ao art. 225, §13 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto Nº 3.048/99, sem, contudo, apontar qual das condutas teria sido realizada pelo contribuinte, se a prevista no inciso I ou II. Ainda, os fatos narrados no Relatório Fiscal não condizem com a infringência de qualquer dos incisos do mencionado art. 225, § 13 do RPS, razão pela qual é nulo o lançamento, por vício material, pela ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 05 17 /2 00 7- 72 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento para tornar insubsistente o lançamento, por vício material, por ausência de fundamentação fática no Relatório Fiscal, que não especificou a formalidade descumprida pelo contribuinte (artigo 215, parágrafo 13, RPS). Vencida a relatora e os conselheiros Cleberson Alex Friess e Arlindo da Costa e Silva, que negavam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará o voto vencedor. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Carlos Alexandre Tortato Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.010517/200772 Acórdão n.º 2401004.090 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 30/11/2007 Data de lavratura do Auto de Infração: 30/11/2007 Data de ciência dos Autos de Infração: 11/12/2007 Tratase de Recurso Voluntário, tempestivo, interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 14ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI em São Paulo/ SP, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração ( DEBCAD Nº 37.140.8989, de 30/11/2007) lavrado em face do descumprimento da obrigação acessória, prevista no artigo 33§ 2º e 3º da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Decreto nº 3.048/99, com suas alterações posteriores, tendo em vista que o Livro Diário do ano de 2007, não atende as exigências legais constantes no artigo 225, §13º do Regulamento da Previdência Social. Os documentos necessários à ação fiscal, entre eles os Livros Diários do período fiscalizado – 1997 a 2007 – foram regularmente solicitados através do Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF (fls. 13/14) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (fl. 15). A ciência do lançamento fiscal se deu em 11/12/2007 (fl. 27), inconformado o contribuinte apresentou impugnação (fls. 28/35). Entretanto, o órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal, por intermédio do Acórdão nº 1620.463, proferido pela 14º Turma da DRJ/SPOI, considerou procedente o lançamento (fls. 124/131), em face do descumprimento de obrigação prevista em Lei e deliberou pela manutenção integral do lançamento consubstanciado no respectivo Auto de Infração. O contribuinte foi cientificado da decisão proferida pela instância a quo em 07/04/2009 (Fls. 133) e, inconformado, interpôs recurso voluntário em 06/05/2009 (fls. 134/143), alegando em síntese: a) Que não há violação legal a ensejar a aplicação da multa, tendo em vista que a Recorrente prestou todas as informações financeirocontábeis necessárias à atividade de fiscalização desenvolvida pela Administração Fazendária, atendendo a finalidade da lei. b) Que inexiste violação legal, pois conforme seu entendimento, o § 13º do art. 225 do RPS não exige o registro do Livro Diário na Junta Comercial, mas apenas sua escrituração, o que foi efetivado e apresentado à Fiscalização durante a ação fiscal; c) Que, os registros contábeis em Livros referentes aos três primeiros semestres de 2007 foram impressos e registrados consoante documentação anexada aos autos; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 d) Que atende aos dispositivos da legislação tributária, em especial ao artigo 177 da Lei nº 6.404/76 e adota registros auxiliares, razão pela qual se possibilitou a identificação dos valores pela Fiscalização, não subsistindo qualquer violação a ensejar a aplicação da multa em debate; e) Que a própria Delegacia de Julgamento, no Acórdão ora Recorrido, afirma que os documentos apresentados pela Recorrente não obstram a açõa fiscal, possibilitando constatar as bases das contribuições, de tal sorte que a finalidade emanada pela norma que obriga o cumprimento dos deveres instrumentais foi atingida de forma plena; f) Que o preceito legal insculpido no artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91, que embasa a presente autuação dispõe que à SRF compete arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais, e que resta patente que a conduta da Recorrente possibilitou o exercício das atividades do Fisco previstas em lei, de modo a satisfazer os ditames normativos almejados pelo dispositivo ora citado; g) Que restou cumprida a obrigação principal, dessa forma, a norma tributária atingiu sua finalidade – o recolhimento do tributo não havendo que subsistir a tipificação da infração pela suposta falta das obrigações acessórias; h) Que a Administração Fazendária tem atuação discricionária, porém está submetida ao princípio da razoabilidade, razão pela qual considera que pelo fato de ter sido possível a identificação de todas as bases de contribuição, e não ter havido qualquer prejuízo ao desenvolvimento do trabalho fiscal, esse princípio deveria ser observado e afastado a aplicação da multa; i) Que seja totalmente reformado Acórdão de 1ª instância ou, subsidiariamente, sejam reduzidas as multas ao patamar máximo permitido pelo direito. Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requerer a reforma do Acórdão de 1ª instância ou, subsidiariamente, que sejam reduzidas as multas ao patamar máximo permitido pelo direito. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Egrégio Conselho. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.010517/200772 Acórdão n.º 2401004.090 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 07/04/2009, conforme AR juntado à fl. 133, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 06/05/2009, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Em que pese os esforços da Recorrente em suas razões de recurso, seus argumentos não podem prosperar, conforme se demonstrará a seguir. O Auto de Infração ora guerreado foi regularmente lavrado em virtude do descumprimento de obrigação acessória estabelecida em lei. Conforme se observa do Relatório Fiscal (fl. 18) o presente lançamento referese ao não atendimento das exigências do art. 225, § 13º do Regulamento da Previdência Social, relativamente à falta de registro do Livro Diário do ano de 2007. A empresa foi fiscalizada pelo período de 01/1997 a 01/2007, conforme Mandado de Procedimento Fiscal à fl.10 e Mandado de Procedimento Fiscal Complementares à fls. 11 e 12. A inscrição em dívida ativa originase de crédito constituído pelo lançamento de multa por infração ao art. 33, §§ 2 e 3º, da Lei Nº 8.212/91. Observase que a Lei Nº 11.941/09, modificou redação do respectivo dispositivo sem, contudo, acarretar mudança para a caracterização da infração objeto do auto ora em apreço: Art. 33 À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 2º A empresa, o segurado da previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 No mesmo sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, dispõe, em seus arts. 232 e 233, parágrafo único: Art. 232 A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233 Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Ainda neste Regulamento, prediz o art. 225, II e §13º, II do mesmo artigo: Art. 225 A empresa é também obrigada a: II – Lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; § 13º Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diários e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: II – Registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Assim, prevendo a lei a necessidade de preenchimento das formalidades legais e a obrigatoriedade de escrituração e registro de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, foi correto o entendimento conformado em 1ª instância de que a autoridade fiscal não pode se quedar inerte ante a constatação de irregularidade na escrituração contábil, do contrário estaria a autoridade desprestigiando a norma regulamentar em seus preceitos de formalização do ato. Tratase a autuação de ato vinculado e obrigatório, devendo observar o princípio da legalidade e ser praticado nos termos, forma, conteúdo e critérios determinados pela lei, sendo obrigatória e indispensável a sua execução. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.010517/200772 Acórdão n.º 2401004.090 S2C4T1 Fl. 5 7 No entanto, é errônea a afirmação de que não cabe qualquer margem de discricionariedade ou mesmo aplicação do princípio da razoabilidade ou proporcionalidade no ato em questão. Para melhor absorção, fazse necessário compreender o conceito de Poder de Polícia, do qual decorre a correta aplicação de sanções aos administrados. A seu respeito versa o art. 78 do Código Tributário Nacional, no qual: Art. 18 Considerase poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou obtenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, no exercício das atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do poder público, à tranquilidade pública ou o respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. Depreendese da leitura deste artigo que o Poder de Polícia tem como função limitar ou disciplinar direitos do particular quando estes forem de encontro ao interesse coletivo, seja qual for o interesse coletivo afrontado. Assim, as afrontas que um indivíduo causa à Administração, que resulte em algum dano ou prejuízo ao interesse público, são abusos e deve, por isso, ser penalizado. Desse modo, não é porque o particular tem seus direitos restringidos em favor do interesse público que essa atuação do poder estatal é ilimitada. A Administração, ao exercitar o Poder de Polícia, deve estar em obediência aos princípios da legalidade e da proporcionalidade. O princípio da legalidade indica que só pode ser feito o que a lei permite. Quaisquer medidas e decisões administrativas têm de estar em conformidade com a lei. Enquanto o princípio da proporcionalidade estima que se deve evitar sejam cometidos excessos como abuso de poder ou desvio de finalidade. A restrição de direitos pode se dar de forma vinculada ou discricionária. Vinculada ocorre quando o administrador cumpre com o texto legal, não podendo agir de outra maneira, já discricionária consiste em uma margem de escolha, observando conveniência e oportunidade. Quando o Poder Executivo, no exercício de sua função regulamentar, complementa a lei para que a mesma possa ser fielmente executada e, por conseguinte, prevê para o cálculo do valor da multa os arts. 283, II, “j” e 373 do Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social – estáse possibilitando margem de discricionariedade a ser dimensionada pela autoridade administrativa com base na gravidade do ato: Art. 283 Por infração a qualquer dispositivos das Leis Nº 8.212 E 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos art. 290 a 292, e de acordo com os seguinte valores: II – A partir de R$ 6.361,73 (seis mil, trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial,o síndico ou seus representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentalos sem atender às formalidade exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Art. 373 Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Da análise dos autos inferese que a autuação do Recorrente foi motivada pelo não atendimento de uma das formalidades exigidas, qual seja a do registro do Livro Diário ano 2007. É importante consignar que a simples existência de escrituração não cumpre aos comandos da legislação que rege a matéria; os requisitos bem como as formalidades legais, intrínsecas e extrínsecas, devem ser atendidos, inclusive quanto ao registro do Livro Diário no órgão competente. Nesse descortino observase que, a apresentação de documentos diversos ao solicitado pela autoridade fiscal; a inexistência de dolo em lesar o Fisco; a eventual constatação das bases de contribuição, não constituem elementos capazes de motivarem o cancelamento ou redução da multa, já que os requisitos autorizadores são objetivos e previstos na Lei e no Regulamento, não podendo esse Colegiado inovar em sua aplicação. Salientese que a finalidade de apresentação do Livro Diário é possibilitar à fiscalização a análise dos dados e informações nele lançados, possibilitandose verificar o cumprimento de obrigação tributária principal prevista em lei, na época da ocorrência do fato, e não a posteriori; assim não se pode confundir a sua existência, com sua apresentação; somente a exibição do Livro Diário, dentro do prazo de impugnação e desde que atendidas as formalidades legais, seria passível de comprovar a correção da infração, esse entendimento encontrase sedimentado no artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, que determina que a prova documental deve ser apresentada na impugnação. MULTA Noutro giro, no que se refere ao valor da multa aplicada, constatase que esse foi arbitrado em consonância com o disposto no artigo 283, inciso II, alínea “j” do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com valor atualizado nos termos dos artigos 92 e 102, todos da Lei nº 8.212/91 e da Portaria MPS nº 142, de 11 de abril de 2007, na qual o Ministro de Estado da Previdência Social, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, resolve no art. 9º, VI, que: Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.010517/200772 Acórdão n.º 2401004.090 S2C4T1 Fl. 6 9 VI – O valor da multa indicado no inciso II, do art. 283 do RPS é de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos). Ante o exposto, concluise que o valor da multa aplicada ao recorrente já se encontra no patamar mínimo legal, agindo a autoridade fiscal em correspondência com os princípios da legalidade e proporcionalidade, merecendo, pois, prosperar o Acórdão proferido pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo quando da existência de violação legal a ensejar a aplicação da penalidade. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo integralmente o lançamento da instância a quo. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Redator Designado Em que pese os argumentos apresentados pela ilustre relatora, ousei divergir no presente processo quanto à manutenção do presente lançamento e em face do entendimento apresentado ter sido acompanhado pela maioria dos conselheiros, fui designado redator do voto vencedor que ora apresento. Conforme bem relatado, tratase de Auto de Infração lavrado em face do descumprimento da obrigação acessória, prevista no artigo 33§ 2º e 3º da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Decreto nº 3.048/99, com suas alterações posteriores, tendo em vista que o Livro Diário do ano de 2007, não atende as exigências legais constantes no artigo 225, §13º do Regulamento da Previdência Social. O dispositivo legal que embasa a aplicação da multa do presente lançamento está assim disposto: Art. 225 A empresa é também obrigada a: II – Lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; § 13 Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diários e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Ocorre que, apesar de aplicada multa por infringência ao “art. 225, § 13º”, o AFRFB além de não individualizar a conduta do contribuinte autuado, ou seja, demonstrar se o recorrente (i) deixou de atender ao princípio contábil do regime de competência ou (ii) não registrou em contas individuais todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do salário decontribuição, aponta como irregularidade o fato de “relativamente ao ano de 2007, o Diário não atende as exigências do art. 225, § 13º do RPS” (fl. 18). Ora, o recorrente apresentou à fiscalização todos os documentos solicitados, o Relatório Fiscal (fls. 1819) menciona, ainda, que o último Livro Diário com autenticação na Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.010517/200772 Acórdão n.º 2401004.090 S2C4T1 Fl. 7 11 Junta Comercial conteria escrituração até dezembro de 2006, o que, digase, também não é fundamento para aplicação da multa relativa a conduta do artigo 225 acima transcrito. Ocorre que o lançamento do crédito tributário precisa ser claro e preciso o suficiente para emitir ao contribuinte, inclusive, o seu amplo acesso à ampla defesa e contraditório, o que não se observa no presente caso, pois além de não ser mencionada a conduta específica (qual inciso do § 13 do art. 225 do Decreto 3.048/99 foi infringido?), os fatos narrados (ausência de registro na junta comercial) não condizem com as condutas tipificadas como irregulares. Assim, vemos clara violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifamos) No presente caso, a autoridade fiscal não demonstrou a ocorrência do fato gerador, posto que sequer individualizou a conduta do contribuinte autuado com as duas hipóteses previstas no § 13 do art. 225 do Decreto 3.048/99, tornando o lançamento nulo, por vício material. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para o fim de anular o lançamento, por vício material. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10166.000152/2003-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS - A falta de escrituração das receitas de vendas de unidades imobiliárias caracteriza omissão de receitas.
IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS - LEI N° 8.541/92 As exigências sobre as receitas omitidas, previstas nos arts. 43 e 44 da Lei n. 8.541/92 não se configuram como aplicação de penalidade, pois tratam-se de hipótese de incidência de imposto, devendo serem aplicadas se vigentes à época do fato gerador.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Provido.
Numero da decisão: 9101-002.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Luis Flávio Neto, Cristiane Silva Costa e Nathália Correia Pompeu. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 3.978 1 3.977 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.000152/200324 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.401 – 1ª Turma Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria IRPJ: IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS A falta de escrituração das receitas de vendas de unidades imobiliárias caracteriza omissão de receitas. IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS LEI N° 8.541/92 As exigências sobre as receitas omitidas, previstas nos arts. 43 e 44 da Lei n. 8.541/92 não se configuram como aplicação de penalidade, pois tratamse de hipótese de incidência de imposto, devendo serem aplicadas se vigentes à época do fato gerador. Recurso Especial da Fazenda Nacional Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Luis Flávio Neto, Cristiane Silva Costa e Nathália Correia Pompeu. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 01 52 /2 00 3- 24 Fl. 3979DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.979 2 Relatório Em sessão de 11 de junho de 2003, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acordaram, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para: 1. cancelar os lançamentos referentes à postergação; 2. cancelar os lançamentos fundados nos arts 43 e 44 da Lei nr 8 541/92 , nos termos do relatório e voto que integram o Acórdão nº 10194.224 às folhas 3314/3426. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora) e Paulo Roberto Cortez que mantiveram os lançamentos fundados nos mencionados dispositivos legais. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Kazuki Shiobara, após formalizados os votos vencido e vencedor, interpôs Embargos de Declaração, pelo qual retificouse a decisão constante da folha de rosto do acórdão embargado, resultando na decisão acima exposta, conforme consta às folhas 3436/3444, cuja ementa é a seguinte: "DECADÊNCIA. ANO CALENDÁRIO DE 1995. Constatado evidente intuito de fraude, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é contado a partir do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (regra geral — art. 173 do CTN). Rejeitada a preliminar de decadência. IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS A falta de escrituração das receitas de vendas de unidades imobiliárias caracteriza omissão de receitas, devendo ser tributada de acordo com a legislação vigente no momento da ocorrência do fato gerador. Entretanto, a tributação em separado da omissão de receitas, para o anocalendário de 1995, na forma artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 foi revogada pelo artigo 36, inciso IV, da Lei n° 9.249/95 e tendo em vista as alterações introduzidas anteriormente pelo artigo 97, § único da Medida Provisória nº 812/94, convertida na Lei n° 8.891/95 e confirmada pelo artigo 24 da Lei n° 9249/95, de 26.12.1995, aplicase esta revogação o disposto no artigo 106, inciso II, letra 'b', do Código Tributário Nacional. INEXATIDÃO QUANTO AO PERÍODOBASE DE ESCRITURAÇÃO DE RECEITA. Tendo o julgador aperfeiçoado o lançamento para adequálo às disposições legais vigentes (Lei 9.430/96), o que não lhe era dado fazer cancelase a exigência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS — A decisão proferida no lançamento principal estendese aos demais lançamentos reflexivos. Rejeitada a preliminar e provido no mérito". Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido, o qual, por sua vez, adotou excertos da decisão de primeira instância: Contra GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A, foram lavrados autos de infração com a conseqüente formalização de créditos tributários relativos ao Imposto de Fl. 3980DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.980 3 Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) do anocalendário de 1995, incluindo multa por lançamento de ofício. Segundo consta da Descrição dos Fatos e dos Termos de Verificação e Constatação Fiscal nela referidos, integrante do Auto de Infração do IRPJ, do qual os demais são tratados como decorrentes, as irregularidades apontadas pela fiscalização consistiram em : 1 omissão de receitas, caracterizada pela falta de contabilização das receitas oriundas de alienação de unidades imobiliárias dadas em garantia à SIMPLEXCODEARA S/A, quando da materialização das transações comerciais envolvendo as duas empresas; 2Custos ou despesas não comprovadas; 3Pagamentos sem causa; 4 Contribuições e Doações indedutíveis, por inobservância dos requisitos legais para tanto; 5 Insuficiência na apuração do lucro bruto nas operações imobiliárias; 6 Inobservância do regime de competência na apropriação de receitas do anocalendário de 1995, tributadas indevidamente no mês de dezembro de 1998, ocasionando postergação de imposto; 7Falta de recolhimento do imposto sobre o lucro inflacionário. (...) Cientificada em 07/12/2000, a interessada impugnou tempestivamente parte das exigências (infrações 01, 05 e 06), dando origem à fase litigiosa do procedimento, alegando, em síntese : • decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos até novembro de 1995; • utilização indevida de presunções, em prejuízo à impugnante; • inadequação dos critérios e metodologia utilizados no lançamento; • não atendimento aos pressupostos exigidos para o lançamento; • duplicidade de lançamento; • carência de suporte fático para o lançamento dos tributos reflexos; • inexistência de fundamento para imposição de qualquer multa; • descabimento da utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros; • existência de erros materiais no lançamento. A parte litigiosa da exigência se relaciona com operações envolvendo uma área rural Fazenda Santa Terezinha e 73 Fl. 3981DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.981 4 unidades imobiliárias do Grupo OK (o primeiro contrato envolvendo a área rural data de 23/12/93) e com a apuração do lucro bruto da empresa. Sobre essas matérias, registram os Termos de Verificação e Constatação Fiscal. Termos de Verificação e Constatação Fiscal n° 01 : 'V CONSIDERAÇÕES SOBRE AS OPERAÇÕES DESCRITAS NO PRESENTE RELATÓRIO V.I AQUISIÇÃO DE UM IMÓVEL RURAL NO ESTADO DO MATO GROSSO 1. O CONTRATO DE COMPROMISSO DE VENDA E COMPRA DE IMÓVEL, firmado entre as partes, tendo como vendedora do imóvel rural a empresa CODEARA e como compradoras, as empresas GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A e MONTEIRO DE BARRROS CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA., não menciona a participação de cada compradora na fazenda (doc. anexo II, tis 14/29); 2. A compra teria sido realizada exclusivamente com recursos da venda de 73 apartamentos do GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A, sem que fosse apresentado qualquer instrumento celebrado entre as duas compradoras, indicando a forma de reembolso por parte da empresa MONTEIRO DE BARROS CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA., do valor correspondente à sua participação na operação. 3. Em 28 de maio de 1997 as empresas GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A e MONTEIRO DE BARROS CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA. teriam celebrado "CONTRATO PARTICULAR DE CONSOLIDAÇÃO E AJUSTE DE CONTRATAÇÕES E ACORDOS EFETIVADOS, SOB A MODALIDADE DE ENCONTRO DE CONTAS, ANTE O DISPOSICIONAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS EM MOEDA NACIONAL E UNIDADES IMOBILIÁRIAS, VISANDO A AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS E OUTROS PACTOS...", Anexo II, fls. 64/68, onde se destaca: (...) 4. Segundo o documento apresentado, em 30 de maio de 1997, posteriormente à lavratura das Escrituras Públicas em 28/05/97, teria sido lavrado INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE DIREITOS, pelo qual a empresa MONTEIRO DE BARROS CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A se declara, na CLÁUSULA PRIMEIRA, titular dos direitos decorrentes do Contrato de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel firmado por ela e o GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A com a CODEARA em 22/12/93, objeto da área rural correspondente a 53.964 hectares (doc. anexo II fls. 62/63) (...) 5. Os recursos, que segundo o GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A, se referem a pagamento do Grupo Monteiro de Barros, pela compra da fazenda — parte I e parte Fl. 3982DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.982 5 II, item 2 , deste Termo — constam do quadro reproduzido do Relatório da CPI, onde se pode destacar. 5.1. A multiplicidade de empresas beneficiárias, todas integrantes do "GRUPO OK" e as empresas emitentes, pertencentes ao Grupo Monteiro de Barros; 5.2. A forma com que esses pagamentos foram contabilizados, nas empresas emitentes dos cheques, como, por exemplo "adiantamento a fornecedores", "investimentos no exterior", etc. 6. Tendo em vista que o sujeito passivo firmou com a empresa CODEARA, contrato de compromisso de venda e compra de inúmeros imóveis mencionados no item 2 retro, em 20/07/2000, a empresa Grupo OK Construções e Incorporações S/A foi intimada a apresentar por escrito — Termo de Intimação n° 08 , os períodos em que as receitas provenientes da alienação dos referidos imóveis (73 apartamentos permutados) foram apropriadas, inclusive indicando os correspondentes lançamentos em sua contabilidade, Em resposta ao Termo de Intimação n°08, o contribuinte apresenta em 17/08/2000, os seguintes esclarecimentos(docs. Fls. 59/67) (...) Argumentos esses, que, na realidade não comprovam nada, uma vez que as receitas ditas como realizadas no ano de 1998, não encontram correspondência nos lançamentos apropriados como receitas, quando do encerramento em 31/12/98 da Conta 220.105.0001 — Contrato de Mútuo V. Imóveis — código reduzido 60126. Portanto, é de se entender que as receitas oriundas da alienação dos 73 imóveis, relativas à transação comercial com a empresa CODEARA, não foram oferecidas à tributação. VI CONCLUSÃO 1 Por oportuno, vai reproduzido adiante, trechos do pronunciamento dos Senadores Paulo Souto e José Eduardo Dutra, na reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal, realizada em 15/06/2000, referente ao andamento do processo de cassação do exsenador Luiz Estevão, cujo Relatório foi encaminhado à Secretaria da Receita Federal: a) Senador Paulo Souto: (...) Com relação à fazenda, objeto aqui de muitas explicações, há uma pergunta, eu diria que uma dúvida, que foi colocada e que, até hoje, para mim, não foi suficientemente explicada. Aqui, foi reconhecido que houve realmente a transferência do controle acionário, ou seja, ela passou a pertencer ao Grupo OK e, se pagou 15 milhões pela fazenda, não vou entrar, aqui, no mérito da discussão desse preço, os dois terços da fazenda, hoje, ainda continuam pertencendo ao Grupo OK, pelo menos com os dados que foram, aqui, apresentados. Então, receberam 15 milhões pela fazenda e o controle da fazenda ainda pertence a esse grupo. Fl. 3983DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.983 6 No decorrer das explicações ainda não foi dada nenhuma explicação plausível que indicasse o porquê disso. Quer dizer, eu pelo menos esperava que se dissesse, ao retomar o controle para a empresa do grupo OK, ou paguei essa fazenda pelo valor tal e etc., e isso malmente não foi explicado. Ou seja, a fazenda, pelo menos pelas informações aqui colocadas, 2/3 dela continuam ainda pertencendo ao mesmo grupo que recebeu por ela alguma coisa da ordem de US$ 15 milhões." b) Senador José Eduardo Dutra: (...) A peça da Defesa é uma grande obra de meias verdades A defesa disse que todos esses negócios foram regularmente contabilizados —meia verdade. Qual a verdade completa? O Senador Paulo Souto já adiantou uma parte. Em 24 de setembro de 1999, a Receita Federal intimou o Grupo OK Construções e Incorporações a apresentar relatório discriminativo das contas e registros contábeis relativos aos lançamentos. Em sua resposta Receita Federal, o Grupo OK Construções e Incorporações apresentou Informações de que tais transferências figuram como lançados na conta contrato de mútuos sobre vendas de imóveis. Em 16 de novembro de 1999, às 22.20 horas, foi entregue à CPI um oficio onde a Receita Federal afirma que, examinando o livrodiário n° 142 do Grupo OK Construções e Incorporações, autenticado em 20 de outubro de 1999, na Junta Comercial, foi constatado que o saldo constante da conta, contrato de mútuo, foi baixado em 31 de dezembro de 1998, tendo como contrapartida as contas de resultado, alienação de imóveis, terminal Rio de Janeiro, juros e multa recebidas. Mas o relatório da Receita diz que somente no livrodiário referente ao ano de 1998, autenticado em 20 de outubro de 1999, é feita referência a esse negócio. Por que 20 de outubro? 20 de outubro é o dia em que foi aprovado o requerimento da Comissão Parlamentar de Inquérito aprovando uma diligência da Receita Federal nas empresas do Grupo OK. Aprovase o requerimento da devassa no Grupo OK em 19 de outubro e, no da 20, aparecem todos os registros, tudo contabilizado... (omissis) 2 Cabe ressaltar que nenhum dos contratos aqui mencionados foi submetido a qualquer tipo de registro. 3 Após tantos 'enganos' e 'meias verdades' é de se lembrar que as operações em causa remontam a 1992, quando recursos oriundos de empresas do Grupo Monteiro de Barros passaram a ser transferidos para empresas ligadas ao Grupo OK. Todos esses valores foram contabilizados na conta '220.105.0001 Contratos de mútuo V. Imóveis', classificada no passivo exigível à longo prazo da empresa Grupo OK Construções e Incorporações S/A e respectivas contrapartidas em contas de passivo e ativo circulante e realizável a longo prazo (ativo). Contas essas classificadas como patrimoniais. Em nenhum momento, nos anos de 1994 a 1998 —período sob ação fiscal a empresa apropriou tais valores em contrapartida às contas de resultado, exceção ocorrida somente quando da baixa integral Fl. 3984DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.984 7 da conta 220.105.0001, em 31 de dezembro de 1998. É também verdade que, ao longo desse período, esse saldo também sofreu reduções decorrentes de débitos por negócios aqui relatados como, por exemplo, a dita recompra do terreno no Morumbi. Para justificar essas transferências, lançouse mão de várias operações as quais as partes envolvidas não lograram comprovar, seja pela forma não usual e normal de se realizar negócios ou empreendimentos entre empresas, seja pela fragilidade da documentação apresentada e até mesmo pelo desencontro com que cada uma das empresas registrou as operações em sua contabilidade, ou seja, ambos os grupos, Monteiro de Barros e OK escrituraram as operações como sendo referentes a outros negócios. (...) É notório que a escrituração da fiscalizada não retrata os fatos que ela diz ter ocorrido, haja vista que não foi localizado nos seus registros contábeis, ao longo dos períodos analisados, nenhuma referência às compras do imóvel rural já citado, do terreno no Morumbi, do Terminal de Cargas, tampouco da receita oriunda dos imóveis dados em permuta pela área rural. Também não lhe socorre a contabilidade das demais empresas envolvidas nas operações descritas, pois à exceção da CODEARA, onde se constata de fato a venda do imóvel rural, as demais operações por ela arroladas não constam dos registros contábeis das empresas do Grupo Monteiro de Barros. A documentação apresentada não suporta qualquer análise critica e sua debilidade está provada pelas inúmeras incongruências nela contidas e já observadas neste Termo. O fato, é que receitas, cuja origem não ficou claramente explicada, apesar do empenho da fiscalização, foram postergadas, através de expedientes engenhosos, desde 1992 até 31 de dezembro de 1998, causando prejuízo significativo aos cofres públicos. Releva acentuar que a alíquota do Imposto de Renda Pessoa Jurídica praticada era, no ano de 1995, 25% e, em 1998, 15%. E quando oferecida à tributação, sofreu a incidência apenas do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, não sendo adicionada às bases de cálculo do PIS e COFINS. (grifei) Inferese do exposto que a fiscalizada deixou de observar o regime de competência para reconhecimento de receitas auferidas no ano de 1995 e só oferecidas à tributação em 31/12/98, infringindo o artigo 219, incisos I e II do RIR/94. (...) 4 Pelos resultados obtidos com as diligências realizadas, e por todos os demais elementos aqui reunidos e discutidos, fica evidente que a fiscalizada envidou todos os esforços no sentido de impedir ou retardar o conhecimento do fisco da ocorrência do fato gerador dos impostos e contribuições por ela devidos. Inequivocamente, está configurado o evidente intuito da fiscalizada de esquivarse do pagamento de tributos, especificamente, do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Fl. 3985DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.985 8 Contribuição Social sobre o Lucro, Imposto de Renda na Fonte, PIS e COINS, situação tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, o que enseja a aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Termos de Verificação e Constatação Fiscal n° 02: APURAÇÃO DO LUCRO 1. A empresa opera no ramo de incorporação imobiliária, sujeitandose por isso, para o pagamento do Imposto de Renda, ao Regime do Lucro Real, por força do disposto no art. 5° da Lei 8.541/92, matriz legal do art. 190 do Regulamento do Imposto de Renda ...(RIR/94); (...) 6. Portanto, em decorrência do não atendimento do regime de competência, o lucro bruto declarado pela empresa em sua Declaração de Rendimentos (DIRPJ), relativa ao anocalendário de 1995, foi inferior ao apurado pela fiscalização conforme aquele regime, considerando os valores registrados em sua contabilidade. Assim em 1995, para um lucro bruto informado de R$ 5.853.851,51, a fiscalização apurou lucro de R$ 14.193.374,29, conforme demonstrado abaixo:(grifei) (...) 7. Em decorrência do exposto, fica caracterizada INSUFICIÊNCIA NA APURAÇÃO DO LUCRO BRUTO no ano calendário de 1995. Esta insuficiência corresponde à diferença entre o lucro bruto apurado pela fiscalização e o informado pelo contribuinte, o que resulta no presente lançamento de ofício para exigência do Imposto de Renda Pessoa jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, cujo valor atinge R$ 7.548.810,90. (...) A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília, conforme Acórdão 2.613, de 23/08/2002, julgou procedente em parte os lançamentos, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ Ano calendário: 1995 Ementa: DECADÊNCIA (...) IRPJ CSLL. PIS. COFINS. POSTERGAÇÃO DE IMPOSTO. COMPRA E VENDA. PERMUTA. O contrato de compra e venda não se confunde com o de permuta. Diante da avença na qual se adquire a propriedade de um imóvel com o produto do pagamento de outras unidades imobiliárias não há que falar em permuta, mas em compra e venda Escrituradas as receitas provenientes da venda destas unidades em momento posterior ao determinado na legislação, está caracterizada a postergação no recolhimento de tributo. Não escrituradas as receitas provenientes da venda destas, está caracterizada a omissão de receitas. Fl. 3986DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.986 9 CSLL ANOCALENDÁRIO DE 1995 TRIBUTAÇÃO EM SEPARADO Na vigência do art. 43, § 2° da Lei n° 8.541/1992 alterados pelo artigo 3° da Lei n°9.064/1995, a receita omitida é considerada resultado liquido e tributada em separado, não compondo a base de cálculo da CSLL. (...) IRPJ. CSLL ANOCALENDÁRIO DE 1995 POSTERGAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez que o contribuinte impugna os fatos e fundamentos legais do auto de infração, não o cálculo em si, a falta de observância, na realização de lançamento tendo por base a postergação no pagamento do IRPJ e da CSLL, das disposições da legislação tributária, especialmente as previstas no PN n° 02/1996, deve ser sanada pelo Julgador Administrativo, dispondo este de todos os elementos necessários para tanto, quando o reconhecimento implicar impossibilidade de lançamento adequado pela Fiscalização. IRPJ.. PIS. COFINS. IRRF. INSUFICIÊNCIA DE LUCRO BRUTO. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. A escrituração do registro do custo dos imóveis vendidos, pela empresas que exploram atividades imobiliárias, não é requisito para usufruir da possibilidade de diferimento do lucro bruto para a tributação à medida do recebimento uma vez que tal exigência é feita para todas as empresas nesse ramo de atividade e não somente para aquelas que optarem pelo diferimento. INFRAÇÕES NÃO IMPUGNADAS. Consideramse procedentes as infrações não impugnadas pelo contribuinte. Lançamento Procedente em Parte." No voto condutor do acórdão [da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília,] o Relator demonstra seu entendimento no sentido de terem ocorrido efetivamente às infrações descritas no Termo de Verificação e Constatação n° 01 (infrações 1 e 6 supra: omissão de receitas caracterizada pela não escrituração das decorrentes de vendas de unidades imobiliárias havidas em operações com a Companhia de Desenvolvimento do Araguaia CODEARA e inobservância do regime de competência na apropriação de receitas). Quanto à infração descrita no Termo de Verificação e Constatação n° 02 (infração 5: Insuficiência na apuração do lucro bruto nas operações imobiliárias), cancelou a exigência, uma vez que a fiscalização tributou toda a receita bruta no ano calendário da venda, procedimento que não encontra amparo na legislação.(grifei) Afinal, assim resultou a decisão de primeira instância: 1) Quanto ao IRPJ; a) Mantida integralmente a tributação sobre omissão de receitas (25%, tributação em separado)(grifei) b) Reduzida a exigência no que se refere à matéria relacionada com a postergação no reconhecimento de receitas; c) Cancelada a exigência a título de insuficiência de lucro bruto; Fl. 3987DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.987 10 d) Mantidas as exigências relativas às infrações não impugnadas. 2) Quanto ao IRRF — Mantida a exigência 3) Quanto ao PIS Reduzidas as exigências para adequação ao decidido quanto ao IRPJ; 4) Quanto à CSLL: a) Em relação à postergação no reconhecimento das receitas, reduzida a parcela da exigência, conforme apurado pelo órgão julgador, em razão da não observância do PN 02/96; b) Em relação à omissão de receitas, reconhecido erro na determinação do montante apurado no Auto de Infração, mas, considerando a adequação da descrição dos fatos e a correção do enquadramento legal, ratificada a apuração e reduzida a exigência. 5) Quanto à COFINS, mantida a exigência. Tendo em vista a parcela do crédito exonerada, foi interposto recurso de ofício. Ciente da decisão em 03/11/2002, a empresa protocolizou recurso voluntário em 18/11/2002, no qual alega, em síntese, que: (...) Quanto às infrações apuradas conforme Termo de Verificação e Constatação n°1: Articula suas razões de recurso sob os seguintes títulos: Presunções; Dos Contratos; Dos Critérios e da Metodologia Utilizados no Lançamento; Do não Atendimento aos Pressupostos do Lançamento; Das Duplicidades de Lançamento.(...) Acrescenta que, (...) o trabalho fiscal, (...) procedeu ao lançamento das "receitas oriundas das vendas dos imóveis dados em garantia à SIMPEXCODEARA" como omissão de receitas. Ora, os valores pela venda das unidades imobiliárias foram recebidos pela CODEARA e pelo Grupo Monteiro de Barros, este referente às notas promissórias emitidas pelo mesmo à CODEARA. Portanto, a Fiscalização baseouse em presunções, meras opiniões, tanto assim que os créditos foram duplamente lançados (como omissão de receitas e como imposto postergado). (...) Resume a situação ao final da operação, como a seguir: a) A CODEARA vendeu a fazenda, recebendo o preço ajustado, dividido entre permuta com imóveis notas promissórias emitidas pelo Grupo Monteiro de Barros em montante correspondente a algumas unidades imobiliárias; b) O Grupo OK recebeu o imóvel rural, entregando em permuta 73 unidades imobiliárias. Posteriormente, o Grupo OK entregou a totalidade do imóvel rural ao grupo Monteiro de Barros, recebendo deste, pagamentos parcelados; Fl. 3988DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.988 11 c) O Grupo Monteiro de Barros, por sua vez, recebe, através de suas empresas ligadas — Recreio e Agropecuária — a totalidade da área rural, pagando pela mesma ao Grupo OK como dito. De outra parte, em operação que nada tem a ver com o Grupo PK o Grupo Monteiro de Barros emitiu 45 notas promissórias à CODEARA, subrogandose no direito de receber o resultado da venda das unidades imobiliárias, no valor das notas promissórias emitidas. (...) Assim, pondera que, quanto à operação com a CODEARA, ou se entende que foi efetuada em 1993, como atestam os documentos, ou constatase que referida operação só foi concluída, para efeito do disposto no ordenamento jurídico pátrio, quando do implemento da condição suspensiva contratada, o que, in casu, teria se verificado no momento em que foram lavradas as escrituras públicas (maio de 1997). Invoca os artigos 114 e 118 do Código Civil e os arts. 116. II e 117, I, do CNT (sic) para concluir que, ao não observar o momento do implemento (1977)(sic) nem o momento da permuta (1993), o lançamento pecou sob todos os aspectos, para o único fim de ensejar a tributação no anobase de 1995. (...) Finalmente, quanto à omissão de receitas (...).Quanto ao imóvel rural, esclarece que não foram contabilizadas as receitas decorrentes das unidades imobiliárias porque foram dadas em permuta, não se tratando de receitas da Recorrente. E diferentemente do afirmado, foram encontrados os registros contábeis decorrentes da venda do imóvel rural, tanto que foram objeto de lançamento fulcrado em postergação. (...) No que se refere a regimes (competência mensal, competência anual ou caixa), ressalta que no lançamento, cuja capitulação legal não pode ser alterada pelo julgador, os auditores procederam ao enquadramento no art. 219 do RIR/94, portanto no regime de competência anual. Para o cálculo do imposto postergado, o lançamento considerou os valores relativos à conta 'contrato de mútuo venda de imóveis', oferecidos à tributação em 1998, por entender que deveriam ter sido contabilizados em 1995, os valores recebidos naquele ano, oriundos do Grupo Monteiro de Barros, relativamente à parte do pagamento da Fazenda Santa Terezinha. Assim, diz que o lançamento referente à postergação apresenta falta de conexão entre a capitulação legal e o critério adotado, pois que: (...) Acrescenta que, apesar de o lançamento ter sido parcialmente corrigido pela decisão recorrida, deve o mesmo ser cancelado, não apenas pela necessidade de correção de outros erros, mas também pela impossibilidade de agravar na decisão. (...) Fl. 3989DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.989 12 Sobre a omissão de receitas, diz que a transação relativa às 73 unidades ocorreu em 1993, sob a modalidade permuta (...). Assim, se houvesse alguma omissão de receitas relativa à transação, esta seria referente a período anterior ao do lançamento em questão (1993), ou ao período de 1997, quando houve o implemento da condição suspensiva. (...) Acrescenta que, por outro lado, é incorreto o critério adotado pela fiscalização de considerar o total das vendas mensais, (...). Além disso, não se considerou o custo dos imóveis permutados (considerados pela fiscalização como vendidos). Ainda que as receitas fossem tributadas por ocasião das vendas, desconsiderandose que foram vendidas a prazo, deveria ter sido computado o custo orçado também de uma só vez. O Colegiado a quo, por unanimidade de votos, REJEITOU a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, deram PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: 1. cancelar os lançamentos referentes à postergação; 2. cancelar os lançamentos fundados nos arts 43 e 44 da Lei nr 8 541/92. O voto da relatora do acórdão recorrido sinteticamente assim dispõe: (...) No caso, tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 07 de dezembro de 2000, afastase a preliminar de decadência.(grifei) (...) As razões de recurso desenvolvidas quanto às parcelas das exigências que permanecem litigiosas relacionamse com as seguintes matérias: a) omissão de receitas e postergação no reconhecimento de receitas, apuradas conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 01, e relacionadas com a operação envolvendo área rural adquirida da CODEARA e 73 unidades imobiliárias da Recorrente; b) alíquota da CSLL; c) tributação pelo IRRF da omissão de receitas; d) não incidência da COFINS sobre vendas de imóveis; e) descabimento da multa agravada; f) descabimento dos juros calculados segundo a SELIC. POSTERGAÇÃO Quanto à parcela relacionada com a postergação no reconhecimento de receitas, registra o voto condutor:(grifei) "A jurisprudência administrativa vem se firmando no sentido de que o descumprimento do Parecer Normativo n° 02/96 é motivo ensejador da nulidade do lançamento. Entretanto, entendo que, na busca da verdade material, estando os fatos perfeitamente narradas, bem assim a capitulação legal corretamente determinada, o cancelamento tendo em vista o descumprimento a método de cálculo deve ser apreciado pelo Julgador com cautela. (...) Fl. 3990DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.990 13 Isso porque o contribuinte não se defende do cálculo ressalvada a hipótese de erro em seu prejuízo mas dos fatos narrados no auto de infração, com a correspondente capitulação legal. (...) Estando o Julgador em condições de apurar o montante correto, repito, não há que se falar em prejuízo. (...)" A seguir, passa a demonstrar o valor do imposto postergado e reduz o valor da exigência a esse título. (...)a decisão de primeira instância, na realidade, refez o lançamento, não se tratando, simplesmente, de refazimento dos cálculos em razão de descumprimento do Parecer Normativo n° 02/96. Até porque o PN 02/96 trata da consideração dos efeitos da correção monetária das demonstrações financeiras nas bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido nos ajustes correspondentes a todos os períodos base compreendidos no prazo em que tiver ocorrido postergação do pagamento do imposto e da contribuição. E nada a respeito desses efeitos consta no cálculo refeito no voto condutor do acórdão. (...) não se trata simplesmente de descumprimento, no lançamento, das determinações do Parecer Normativo 02/96, registro que, caso se tratasse simplesmente retificação de cálculo, mas não de descumprimento das normas que devem reger o lançamento, concordo com o entendimento de que a retificação em favor do contribuinte poderia (e deveria) ser feita pelo julgador. (...) Analisando o lançamento frente apenas ao que dispõe o Decreto lei n° 1.598/77, observamse algumas irregularidades, a saber: a) No auto de infração foi indevidamente imputada a multa de mora. O Decretolei n° 1.598/77 prevê apenas a exigência de correção monetária e juros de mora. O artigo 16 do Decretolei n° 1.967/82 só poderia servir de amparo à imposição da multa se antes do Decretolei n° 1.598/77 não houvesse previsão legal para a sua exigência. Se assim fosse, poderseia entender que o Decretolei n° 1.598/77 não falou em multa de mora porque não havia previsão legal para sua exigência, mas lei superveniente que a instituísse para todos os pagamentos espontâneos em atraso alteraria aquele Decretolei. Todavia, tal não corresponde à realidade, eis que já a Lei n° 2.354/54, art. 32, continha previsão nesse sentido. b) Outro equívoco cometido no auto de infração consistiu em não considerar o adicional pago sobre o imposto postergado. Além das irregularidades acima referidas, o que de fato é relevante, no presente caso, é que o lançamento deixou de observar as prescrições legais vigentes. (...): (...) Fl. 3991DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.991 14 Assim, o que a decisão de primeira instância fez foi aperfeiçoar o lançamento para adequálo às disposições legais vigentes (Lei 9.430/96), o que não lhe era dado fazer, não só em razão da decadência, mas também por não se revestir, o órgão julgador, da condição de autoridade lançadora. Deve, pois, ser cancelada a exigência em relação a esse item. (grifei) OMISSÃO DE RECEITAS [VOTO VENCIDO] Essa matéria está relacionada com operação envolvendo área rural adquirida da CODEARA e 73 unidades imobiliárias da Recorrente. O aspecto central do litígio gira em tomo da caracterização da operação. Enquanto a decisão recorrida, confirmando a acusação da fiscalização, entendeu ter ocorrido compra e venda da área rural, tendo as unidades imobiliárias sido dadas em garantia, a Recorrente afirma ter ocorrido permuta. Na peça recursal, diz a Recorrente que a fiscalização utilizouse de presunção para afirmar não ter ocorrido permuta, (...). Inicialmente, é de se considerar que a fiscalização não se utilizou de presunção, mas caracterizou a operação de acordo com os documentos e registros contábeis existentes. Assim, o compromisso de venda e compra de imóvel rural firmado entre CODEARA (na qualidade de vendedora) e Grupo OK e Grupo Monteiro de Barros (na qualidade de compradores) registra que o preço ajustado foi o equivalente a US$ 2.000.000,00 (Cláusula IV) e o pagamento do preço seria feito pelas Compradoras à Vendedora com o produto da venda de cada uma das unidades imobiliárias constantes do Mexo IV (cláusula V.2), tendo a vendedora a opção de, ao invés de receber o produto da venda, obter para si a escritura definitiva das unidades imobiliárias que indicar (Cláusula V.5). Portanto, não diz o instrumento que o pagamento seria feito mediante permuta com as unidades imobiliárias, ou por dação das referidas unidades, ou qualquer outra forma que indicasse que todos os direitos sobre aquelas unidades passavam, desde já, para a compromissária vendedora do imóvel rural. Por outro lado, as unidades imobiliárias continuaram registradas no ativo permanente da Recorrente, o que denota não terem sido permutadas. (grifos do original) Pondera a Recorrente que (...) não poderia ter recebido de volta as unidades após o pagamento, porque foram vendidas (pela Recorrente, representada por sua procuradora, a CODEARA) a terceiros e foram exatamente essas vendas que permitiram o pagamento, conforme previsto no contrato. (...) Diz ainda a Recorrente que não permaneceu com as unidades imobiliárias, e que não recebeu pelas mesmas, outra coisa senão o imóvel rural. Essa afirmação não encontra respaldo nos autos. As unidades continuaram registradas no seu ativo até serem vendidas aos terceiros adquirentes. E (...) não contabilizou a operação, não tendo como provar que deu as unidades e recebeu a gleba rural, como alega. E pelos documentos, com a operação praticada, recebeu o terreno e assumiu uma dívida.(...) que as Fl. 3992DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.992 15 parcelas do preço serão pagas no escritório da Promitente Vendedora (0K) ou em outro local por ela determinado. Dessa forma, se repassou à CODEARA valor superior ao seu débito, fê lo por liberalidade. (...) Portanto, não restou provado que os valores transferidos do Grupo Monteiro de Barros para o Grupo OK e contabilizados na conta 'Contrato de Mútuo V. Imóveis', que serviu de base para o lançamento relacionado com postergação no reconhecimento de receitas, se refiram à venda da Fazenda. Ao contrário, como registrou o Termo de Constatação, tratase de receitas cuja origem não ficou claramente explicada. (...) Também a alegação a duplicidade de lançamento não pode prosperar, pois como já referido neste Voto, não ficou provado que os valores transferidos pelo Grupo Monteiro de Barros ao Grupo OK (e que foram tributados como postergação) referem se à venda do imóvel rural. Portanto, correta a exigência relativa à matéria omissão de receitas.(grifei) Este lançamento, como verificaremos mais abaixo, foi cancelado pelo colegiado. Continuemos com a síntese do voto da relatora. LANÇAMENTOS REFLEXOS (...) quanto aos lançamentos reflexos: (...) A questão da dedutibilidade da CSLL de sua própria já foi tratada neste Voto, quando ficou esclarecido que, em se tratando de fatos geradores ocorridos em 1995, às receitas omitidas eram tributadas pelo IRPJ e pela CSLL em separado, não integrando o lucro real ou lucro líquido ajustado.(grifei) Quanto à não incidência da Cofins sobre venda de imóveis, (...) a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça uniformizou o entendimento ao apreciar os Embargos de Divergência em REsp n° 156.384 — Rio Grande do Sul (2000/00093947),(...) (...) Considerando, pois, o entendimento da mais alta Corte do País competente para interpretar matéria infraconstitucional, não há como acatar a argüição de não incidência[da Cofins] (grifei). Não prospera, também, a alegação de impossibilidade de incidência do IRRF (art. 739 do RIR) sobre a parcela de omissão de receita. (...) ao contrário do que afirma a Recorrente, não restou comprovado que os valores não foram por ela recebidos. Não tendo sido devidamente contabilizadas, o que existe a respeito das operações são os instrumentos contratuais que estão no processo (Compromisso Particular de Venda e Compra e escrituras). (...) Dessa forma, a eventual determinação de que o pagamento fosse efetuado a outra pessoa não desnatura o fato de que a recorrente é a recebedora. (grifei) Fl. 3993DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.993 16 Correta, também, a aplicação da multa qualificada. Como já dito na apreciação da preliminar de decadência, é notória, no caso, a intenção de impedir ou retardar o conhecimento, pelo fisco, da ocorrência do fato gerador dos impostos e contribuições por devidos. Entre os muitos outros fatos a evidenciar o intuito de fraude, basta mencionar a realização de operação de vultoso valor (US$ 2.000.000,00), envolvendo extensa área rural e 73 unidades imobiliárias da Recorrente por com a participação do Grupo OK e do Grupo Monteiro de Barros como compradores, sem contabilização em nenhuma das empresas dos grupos, e cujos contratos não especificam a participação de cada comprador. (grifei) Quanto aos juros de mora, sua cobrança decorre do art. 161 do Código Tributário Nacional, que prescreve que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, (...) O parágrafo 1° do mesmo dispositivo estabelece que, se a lei não dispuser de modo diverso, serão os juros de 1% ao mês (destaque do original). Portanto, não viola o CTN a aplicação de taxa superior a 1%, desde que haja previsão legal. (...) Pelas razões declinadas, dou provimento parcial ao recurso para excluir das exigências à matéria tributável relacionada com a postergação no reconhecimento das receitas. Este foi, em síntese, o voto da relatora Sandra Maria Faroni. Após a sessão de julgamento, o conselheiro Kasuki Shiobara foi designado relator do voto vencedor sobre o tema omissão de receitas e aplicação do disposto nos artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/82, sobre o qual foi decidido que os dispositivos legais citados não tem aplicação no anocalendário de 1995. No seu voto vencedor, o relator designado alude em síntese ao seguinte: De fato, os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 foram revogados pelo artigo 36, inciso IV, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, publicado no Diário Oficial da União, do dia 27 de dezembro de 1995, quando entrou em vigor. (...) A mesma Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, no artigo 35 determinou que a mesma lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996. A ressalva contida no final do artigo quanto aos efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996, diz respeito ao artigo 24 da mesma lei que veio a disciplinar de forma diversa a tributação de omissão de receitas e, portanto, face ao disposto no artigo 104 do Código Tributário Nacional, só se aplica e produz efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996. Assim, não há dúvida que a revogação estabelecida no artigo 36 entrou em vigor na data de sua publicação, ou seja, no dia 27 de dezembro de 1995. (...) Fl. 3994DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.994 17 ... de acordo com o artigo 6°, da Lei de Introdução ao Código Civil, a lei publicada entra em vigor e tem efeito geral e imediato, sob o aspecto de revogação expressa ou porque tratou inteiramente da matéria relacionada com a omissão de receitas e há incompatibilidade entre os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/82 com o artigo 24 da Lei n° 9.249/95. (...) Aliás, a bem da verdade, os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 vêm sendo contestados pelos contribuintes e tem merecido atenção especial por parte do Primeiro Conselho de Contribuintes, face à peculiaridade do tipo de tributação estabelecida, contrariando as regras normais estabelecidas na legislação tributária e legislação comercial. (...) Estes dois artigos foram objetos de interpretação pelas diversas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes e o entendimento assentado foi no sentido de que os mesmos não estavam consoante com as regras estabelecidas no Código Tributário Nacional e nem na Lei das Sociedades Anônimas. O artigo 44 do Código Tributário Nacional determinava que a base de cálculo é o lucro real, presumido ou arbitrado da renda ou proventos tributáveis e como o § 2°, do artigo 43, da Lei n° 8.541/92, com a redação dada pela Medida Provisória n° 492/94 convertida na Lei n° 9.064/95 estabelece que a receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, bem como a base da contribuição social sobre o lucro líquido e que o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivo, restou duvidosa a tributação pretendida. (...) Entre outros acórdãos, merecem destaque as seguintes ementas sobre o tema em exame: "TRIBUTAÇÃO EM SEPARADO. OMISSÃO DE RECEITA. A tributação em separado da omissão de receita criada pela Lei n° 8.541/92 não se legitima quando, no período da omissão, o contribuinte apura prejuízo porque, no fundo, então desvirtuase o fato gerador do imposto (Ac. 10320.190, de 25/01/2000 — DOU de 28/02/2000)." "OMISSÃO DE RECEITAS FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA WXVI DOS ARTS. 43 E 44 DO CTN. O art. 43 do Código Tributário Nacional definiu o fato gerador do imposto como a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sendo que essa disponibilidade ocorre, para as empresas, de forma continuada e integrada. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido de renda. Só é renda o acréscimo de patrimônio que possa ser consumido sem reduzir ou fazer desaparecer o patrimônio que o produziu: do contrário, a renda se confundiria com o capital(Ac. 103 19.499/98)." Fl. 3995DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.995 18 (...) ... o Decretolei n° 1.598/77 quando veio a estabelecer a forma de apuração do lucro real, não deixou dúvida que o lucro real será apurado com base na escrituração mantida pelo contribuinte com observância das leis comerciais e fiscais. (...) ... pelas regras de apuração do lucro real, tanto a legislação comercial e societária como a legislação fiscal estabelece que os prejuízos apurados no exercício e os prejuízos acumulados de exercícios anteriores podem ser compensados, observados os requisitos estabelecidos. (...) ... a Lei n° 8.541/92, incluiu os artigos 43 e 44, no Capítulo II, do Título IV que trata DAS PENALIDADES e este fato foi objeto de interpretação por algumas Câmaras deste Primeiro Conselho de Contribuintes no sentido de que a revogação dos artigos citados, exatamente, pelo caráter penal de tributação explicitada, teria aplicação retroativa, face ao comando expresso no artigo 106, inciso II, letra 'c', do Código Tributário Nacional. Entre outros acórdãos, transcrevo ementas estão redigidas nos seguintes termos: "IRPJ. CSLL IRRF. A tributação em separado prevista nos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, tem natureza de penalidade, aplicandose retroativamente o artigo 36 da Lei n° 9.249/95 que os revogou. Em conseqüência, tratandose de ato não definitivamente julgado, deve ser afastada sua aplicação, excluindose do lançamento aquilo que constitui acréscimo penal. (Ac. 10806.018, de 23/02/2000 DOU de 17/04/2000 e 10806.036, de 14/03/2000 dou de 17/04/2000)." "OMISSÃO DE RECEITA COMPROVADA. INCLUSÃO DO VALOR NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL REVOGAÇÃO DA LEI 8.541/92 QUE DETERMINAVA A TRIBUTAÇÃO DO VALOR OMITIDO SEPARADAMENTE. PENALIDADE INTELIGÊNCIA DO ART. 106, II, 'c', DO CTN. A Lei n° 9.249/95, que revogou a Lei n° 8.541, deve ter aplicação retroativa, a rigor do disposto no art. 106, II, 'c', do CTN, vez que referido dispositivo impunha penalidade ao contribuinte que tivesse omitido receita, no sentido de não legar tal valor para apuração do lucro tributável. Considerando que, com a omissão, a empresa apenas diminuiu o prejuízo fiscal, o auto há de ser cancelado nessa parte. (Ac. 10805.902, de 21/10/1999 DOU de 14/12/1999)." (...) Se já era difícil interpretar e aplicar corretamente os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, a Medida Provisória n° 812, de 30 de dezembro de 1994, convertida na Lei n° 8.891, de 20 de janeiro de 1995, em seu artigo 97 veio a estabelecer "verbis': Fl. 3996DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.996 19 "Art. 97 A falta ou insuficiência de pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro está sujeita aos acréscimos legais previstos na legislação tributária federal. § único No caso de lançamento de oficio, no decorrer do ano calendário, será observada a forma de apuração da base de cálculo do imposto adotada pela pessoa jurídica." (...) Este comando explicita que, se no decorrer do anocalendário, a fiscalização apurar omissão de receitas, esta receita omitida deveria compor a base de cálculo do lucro real, presumido ou arbitrado e não mais separadamente como disposto nos artigos 43 e 44, da Lei n° 8.541/92. A confusão era total e na impossibilidade de conseguir uma interpretação razoável desta legislação, foi expedida a Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, publicado no Diário Oficial da União do dia 27 de dezembro de 1995, veio a estabelecer o seguinte: "Art. 24 — Verificada omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ... § 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social — COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Publico — PIS/PASEP " A administração fiscal, consciente destas inconsistências de ordem legal e da impossibilidade de interpretação ou integração destes textos contraditórios entre si e, portanto, de impossível aplicação, optou pela revogação dos mencionados artigos 43 e 44, da Lei n° 8.541/92. Assim, o artigo 37 da Lei n° 9.249/95 colocou o trem nos trilhos, revogando os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 'verbis': "Art. 36 Ficam revogadas as disposições em contrário, especialmente: IV os arts. 43 e 44 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992." Este entendimento não conduz a nenhum absurdo e, muito pelo contrário, é a mais correta e não traz qualquer contradição para qualquer das partes. (...) Quanto ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, descaracterizada a tributação com fundamento no artigo 44 da Lei n° 8.541/92, a legislação vigente não estabelecia outra forma de tributação na fonte. (...) Fl. 3997DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.997 20 Por outro lado, dois fatos estão claramente definidos: as vendas das 73 unidades imobiliárias (apartamentos) não foram escrituradas pela autuada e as receitas de vendas daquelas unidades imobiliárias foram escrituradas pela SIMPEX CODEARA S/A e que serviu de base para a quantificação do valor da receita omitida. Da conjugação destes dois fatos, emerge claro que as unidades imobiliárias saíram do patrimônio da autuada e, embora esta saída não possa ser tributada como omissão de receitas, face à revogação dos artigos 43 e 44 da Lei n°7 8.541/92, existem outros efeitos tributários, especialmente, quanto a incidência de COFINS que, aliás, foi examinada com extremo cuidado pela Conselheira Relatora e que, neste momento, endosso em todos os seus termos. Outrossim, quanto à exigência não impugnada, inexistindo litígio estabelecido, deve prosseguir na cobrança, quanto ao lançamento principal como os lançamentos reflexivos, tendo em vista que o relator foi designado para redigir o votovencedor, apenas no tange a revogação dos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. De todo o exposto e tudo o mais que consta dos autos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário relativamente à tributação da receita omitida no ano de 1995, quanto do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, Imposto sobre a Renda Retido na Fonte e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com fundamento nos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 101 94.224, de 11/06/2003, rerratificado pelo nº 10194.720, de 20/10/2004, ingressou com a petição de recurso especial de fls. 3436/3444, com fulcro no artigo 5º, I, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 55/98. Conforme Despacho PRESI nr. 101111/2005, constante à folha 3484, o presidente da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional no que tange ao cancelamento dos lançamentos de IRPJ, IRF e CSL, fundados nos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92. A Fazenda Nacional alega, em síntese que: (...) 11 De fato, consoante o documento de fls. 99 [633 do e.processo] e seguintes, o Recorrido apurou o IRPJ e a CSSL, no ano de 1995, com base no lucro real. Mas, data máxima vênia, o e. conselheiro se equivocou ao afirmar que o Recorrido optou por apurar o lucro real anual em 1995, eis que não há nenhuma prova nos autos de que esse fato tenha ocorrido. 12 Não se encontra nos autos a declaração de imposto de renda do Recorrido para o ano de 1995, que pudesse confirmar a sua suposta opção pelo lucro real anual naquele período.( grifos do original) 13 Ausente, nos autos, qualquer prova de que o Recorrido tenha optado por apurar, no ano de 1995, o lucro real anual, resta clara a improcedência do fundamento aduzido pela e. Câmara a quo para anular a exigência fiscal. Fl. 3998DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.998 21 (...) 17 Na hipótese da receita omitida, o legislador optou pelo mesmo sistema, fixando, expressamente, que a tributação da receita omitida é definitiva, e que não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado. Basta conferir o art. 43, §2°, da Lei 8.541/92. 18 Ora, se a tributação da receita omitida é definitiva, a opção do contribuinte por apurar lucro real mensal ou anual é irrelevante, pois o imposto decorrente da omissão de receitas não irá compor o cálculo do lucro real anual ou mensal. Trata se de tributação definitiva, exclusiva, sobre o ganho do contribuinte omitido à Fazenda. (...) 20 Contudo, poderia restar alguma dúvida apenas quanto à receita omitida no mês de dezembro de 1995, tendo em vista que, consoante o e. conselheiro relator, a Lei 9.249/95, que revogou os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, foi publicada em 26/12/1995. Desse modo, há o argumento de que, para o mês de dezembro de 1995, a Lei 8.541/92 não estava mais em vigor, e não poderia mais fundamentar a cobrança de imposto sobre a receita omitida naquele mês. 21 Esse argumento não procede, em face do disposto no art. 35 da Lei 9.249/95, verbis: "Art. 35. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1996" (Grifos não constantes do original). (...) 23 Em suma, não há que se falar em impedimento à aplicação dos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 como fundamento para a exigência de tributos sobre receita, omitidas pelo Recorrido no ano de 1995, pois, como ficou demonstrado, não há prova nos autos de que o Recorrido tenha optado pelo lucro real anual em 1995, e, mesmo assim, essa opção seria irrelevante, pois a tributação da receita omitida é definitiva, e não compõe o lucro real, presumido ou arbitrado. Por outro lado, a Lei 9.249/95 somente produziu efeitos a partir de 1º de janeiro de 1996, restando claro que, durante todo os meses do ano de 1995, estava em vigor a Lei 8.541/92. 24 A e. Câmara a quo julgou também que, a superveniência de norma revogadora dos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 importaria na aplicação, ao caso, do art. 106, II, 'c' do Código Tributário Nacional, que atribui efeitos retroativos a norma fiscal que imponha penalidade menos gravosa ao contribuinte, pois os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 não instituíram tributos, mas penalidade. Confirase o seguinte trecho do voto condutor do r. acórdão: (...) 27 Portanto, vêse que a e. Câmara a quo decidiu que os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 teriam instituído penalidade, porque a Fl. 3999DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.999 22 base de cálculo e a alíquota prevista para os tributos seriam "muito elevadas". 28 Ora, data máxima vênia, dizer que um determinado imposto teria a natureza de penalidade, apenas porque a sua base de cálculo e alíquota seriam "muito elevadas", e assim cancelar a tributação mediante a aplicação de norma posterior, com fundamento no princípio da retroação da norma penal mais benéfica, é um equívoco extremo. (...) 43Portanto, não há dúvida de que os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 instituíram forma diferenciada de tributação das receitas omitidas, e não uma penalidade, não havendo, data máxima vênia, justificativa para a aplicação retroativa da Lei n.° 9.249/95. 44A e. Câmara a quo declarou ainda que o art. 24 da Lei n.°9.249/95 deveria retroagir, porque a Lei 9.249/95 teria caráter interpretativo.Confirase: "A confusão era total e na impossibilidade de conseguir uma interpretação razoável desta legislação, foi expedida a Lei n° 9249, de 26 de dezembro de 1995 (...) veio a estabelecer o seguinte: (...) Entendo que este dispositivo legal foi editado como texto interpretativo e não vejo como entender de forma diversa porque tornouse impossível a coexistência entre os artigos 43 e 44 da Lei 8.541/92 com o art. 97, § único da Medida Provisória n° 812/94, convertida na Lei n° 8.981/95". 45 Data máxima vênia, a e. Câmara a quo cometeu outro equívoco. 46 Primeiramente, não há que se falar em aplicação retroativa da Lei 9.249/95, porque teria caráter "interpretativo". É que o art. 106, I, do CTN, que, se infere, estaria baseando o entendimento da e. Câmara a quo, dispõe que: "A lei aplicase a ato ou fato pretérito (...) quando seja expressamente interpretativa". (grifos do original) 47 A Lei 9.249/95 não é interpretativa, nem expressa e nem tacitamente, e portanto não há, no caso em tela, o pressuposto para a aplicação do art. 106,1, do CTN. Por fim, a Fazenda Nacional defende a legalidade e constitucionalidade dos artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/92, vigentes à época dos fatos geradores. Devidamente cientificado do despacho de folha 3484, o contribuinte interpôs suas contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, conforme constam às folhas 3512/3546. O contribuinte também interpôs recurso especial da parte que o acórdão recorrido lhe foi desfavorável, o qual, contudo não foi admitido, conforme despacho de fls. 13231329, da lavra do P. da 1ª Câmara do CC. É o Relatório. Fl. 4000DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.000 23 Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Conheço do recurso pois preenchem os requisitos de admissibilidade. Os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acordaram, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para: 1. cancelar os lançamentos referentes à postergação; 2. cancelar os lançamentos fundados nos arts 43 e 44 da Lei nr 8 541/92 , nos termos do relatório e voto que integram o Acórdão nº 10194.224 às folhas 3314/3426. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora) e Paulo Roberto Cortez que mantiveram os lançamentos fundados nos mencionados dispositivos legais. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese apenas aos lançamentos fundados nos arts 43 e 44 da Lei nr 8 541/92. Consideradas as razões expostas pela recorrente no r. especial e aquelas aduzidas em contrarrazões pelo contribuinte, passo à análise do tema. A maioria do colegiado do acórdão recorrido concordou que os artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 foram revogados retroativamente pela Lei nº 9.249/95, publicada em 27/12/1995. No seu voto vencedor, o relator do Acórdão nº 10194.224, de 11 de junho de 2003, entende que os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 foram revogados pelo artigo 36, inciso IV, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, publicado no Diário Oficial da União, do dia 27 de dezembro de 1995, quando entrou em vigor. Apesar de o artigo 35 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, ter determinado que a mesma Lei entra em vigor na data de sua publicação (27/12/95), produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996, defende o relator que, "a ressalva contida no final do artigo quanto aos efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996, diz respeito ao artigo 24 da mesma lei que veio a disciplinar de forma diversa a tributação de omissão de receitas e, portanto, face ao disposto no artigo 104 do Código Tributário Nacional, só se aplica e produz efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996". Com esta justificativa o relator entende que "não há dúvida que a revogação estabelecida no artigo 36 entrou em vigor na data de sua publicação, ou seja, no dia 27 de dezembro de 1995". Completa sua argumentação afirmando que "de acordo com o artigo 6°, da Lei de Introdução ao Código Civil, a lei publicada entra em vigor e tem efeito geral e imediato, sob o aspecto de revogação expressa ou porque tratou inteiramente da matéria relacionada com a omissão de receitas e há incompatibilidade entre os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/82 com o artigo 24 da Lei n° 9.249/95". Pelos termos do acórdão recorrido, temos que o art. 24 da Lei nº 9.249/95 deveria retroagir, porque a Lei 9.249/95 teria caráter interpretativo. Confirase: Se já era difícil interpretar e aplicar corretamente os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, a Medida Provisória n° 812, de 30 de Fl. 4001DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.001 24 dezembro de 1994, convertida na Lei n° 8.891, de 20 de janeiro de 1995, em seu artigo 97 veio a estabelecer "verbis': (...) A confusão era total e na impossibilidade de conseguir uma interpretação razoável desta legislação, foi expedida a Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, publicado no Diário Oficial da União do dia 27 de dezembro de 1995, veio a estabelecer o seguinte: "Art. 24 — Verificada omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ... § 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social — COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Publico — PIS/PASEP " Entendo que este dispositivo legal foi editado como texto interpretativo e não vejo como entender de forma diversa porque tornouse impossível a coexistência entre os artigos 43 e 44 da Lei 8.541/92 com o art. 97, § único da Medida Provisória n° 812/94, convertida na Lei n° 8.981/95". O artigo 97, parágrafo único, da MP nº 812/94 citada no parágrafo acima diz o seguinte: "Art. 97 A falta ou insuficiência de pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro está sujeita aos acréscimos legais previstos na legislação tributária federal. § único No caso de lançamento de oficio, no decorrer do ano calendário, será observada a forma de apuração da base de cálculo do imposto adotada pela pessoa jurídica." Esta Medida Provisória foi publicada dia 31 de dezembro de 1994 e convertida na Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, publicada em 23/01/1995 e o dispositivo acima entrou em vigência em 01 de janeiro de 1995. Eis a confusão interpretativa aludida pelo acórdão recorrido. No entanto, isto não caracteriza a Lei nº 9.249/95 como interpretativa a ponto de retroagir seu comando do artigo 24, conforme disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, até mesmo porque em seu § 3º foi estabelecida um agravamento da multa de lançamento de ofício para trezentos por cento sobre a totalidade ou diferença dos tributos ou contribuições devidos o que, por si só, não poderia retroagir a atos ou fatos pretéritos. Assim, o lançamento não poderia se fundamentar no artigo 24, § 2º da Lei nº 9.249/95, até mesmo porque seus efeitos, conforme artigo 35 da mesma Lei, passaram a vigorar a partir de 01 de janeiro de 1996. E quanto à confusão interpretativa aludida pelo acórdão recorrido para o ano calendário de 1995? Fl. 4002DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.002 25 Ora, o próprio parágrafo único do artigo 97 da Lei nº 8.981/95 prescreve que no caso de lançamento de oficio, no decorrer do anocalendário, seria observada a forma de apuração da base de cálculo do imposto adotada pela pessoa jurídica. Contudo o lançamento ora questionado foi constituído no ano de 2000, portanto, deveriam ser aplicados os artigos 43 e 44 da Lei nº 8.451/92, que ainda estavam válidos no mundo jurídico quando dos acontecimentos dos fatos geradores analisados, sendo revogados pela Lei nº 9.249/95 a partir de 01 de janeiro de 1996, como determina seu artigo 35. Não cabe ao aplicador da lei, diante de uma aparente antinomia jurídica, dizer qual norma está certa ou errada, sendo ambas válidas formalmente, vigentes e contidas num mesmo ordenamento, mas sim aplicar aquela mais se adequa ao caso concreto. E foi o que aconteceu neste caso. Assim, a discussão ora apresentada se restringe a retroatividade ou não da revogação dos artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 pelo artigo 36, IV, da Lei nº 9.249/95 por cominar "penalidade" menos severa que a prevista na Lei vigente ao tempo da sua prática, o que estaria de acordo com a alínea 'c', inciso II do artigo 106 do CTN. O acórdão recorrido traz jurisprudências do próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que entendem que os referidos artigos 43 e 44 da Lei nr. 8.541/92 têm natureza de penalidades. Há decisões do STJ no sentido que pretende o contribuinte, (REsp 801.447/PR, de 26/10/2009 e AgREsp nº 1.106.260/PR). Vejase que neste Agravo Regimental do STJ, no que se refere a revogação do art. 43 da Lei 8.541/92 pela Lei 9.249/92, o julgado do TRF da 4ª Região apresentou o seguinte fundamento: "Não prospera outrossim o argumento de que devem ser consideradas as novas disposições sobre a matéria trazidas pela Lei nº 9.249/95. Embora referido normativo tenha revogado o art. 43 da Lei nº 8.541/92, devese ter presente que as regras nele previstas não dizem respeito a infrações propriamente ditas, e sim ao cálculo da obrigação tributária principal. A retroatividade da norma mais benéfica somente ocorre em relação a infrações tributárias, ao passo que as regras acerca da incidência e da forma de cálculo da obrigação principal obedecem a legislação vigente na época do fato. Isso é o que se extrai das disposições contidas no art. 106 do CTN:" (...) Em que pese a decisões do STJ e até mesmo do próprio CARF, não entendo desta maneira o caso colocado em discussão. A Lei nº 8.541/1992 definiu em seu artigo 1º que, a partir do mês de janeiro de 1993, o imposto sobre a renda e adicional das pessoas jurídicas, em relação aos resultados obtidos em suas operações ou atividades estranhas a sua finalidade, seria devido mensalmente, à medida em que os lucros fossem sendo auferidos. Expressamente no seu artigo 2º vinha a previsão de que a base de cálculo do imposto seria o lucro real, presumido ou arbitrado, apurada mensalmente, convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) (Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 1°) diária pelo valor desta no último dia do períodobase. O artigo 3º da Lei em comento obrigava a PJ tributada com base no lucro real a apurar mensalmente os seus resultados, com observância da legislação comercial e fiscal. Sobre o resultado (lucro real) deveria ser aplicada a alíquota de 25%. Conforme artigo 23, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderiam optar pelo pagamento do imposto mensal calculado por estimativa e, neste caso, Fl. 4003DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.003 26 as pessoas jurídicas deveriam apurar o imposto na declaração anual do lucro real, e a diferença verificada entre o imposto devido na declaração e o imposto pago referente aos meses do períodobase anual, poderia ser paga em quota única, até a data fixada para entrega da declaração anual quando positiva ou compensada, corrigida monetariamente, com o imposto mensal a ser pago nos meses subseqüentes ao fixado para a entrega da declaração anual se negativa, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior corrigido monetariamente. Todos estes dispositivos legais são normas direcionadas ao sujeito passivo do IRPJ. Esperase que, conhecendo a lei, o sujeito passivo se comporte de acordo com suas determinações e efetive o cálculo, o lançamento e o recolhimento dos tributos sujeitos a homologação da autoridade tributária. A empresa opera no ramo de incorporação imobiliária, sujeitandose por isso, para o pagamento do Imposto de Renda, ao Regime do Lucro Real, por força do disposto no art. 5° da Lei 8.541/92, matriz legal do art. 190 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/94). Em que pese não encontrarmos nos autos prova da opção pela estimativa mensal para apuração do lucro real anual relativo ao anocalendário de 1995, a própria autuada, em suas contrarrazões, confirma que seu regime de tributação para aquele anocalendário era obrigatoriamente o Lucro Real. Em sendo obrigada ao Lucro Real, a autuada deveria ter apurado mensalmente ou ao final do períodobase anual o seu resultado, o Lucro Real, ou melhor, a base de cálculo para o IRPJ e tributos reflexos. Os valores que devem compor a base de cálculo do tributo são, em síntese, as receitas tributáveis e as despesas dedutíveis. Portanto, a autuada deveria incluir receitas e despesas que entendia compor a base de cálculo do IRPJ e aplicar a alíquota correta, que era de 25% (art. 3º). De acordo com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal nº 02 emitido pela autoridade tributária, o lucro bruto declarado pela empresa em sua Declaração de Rendimentos (DIRPJ), relativa ao anocalendário de 1995, foi inferior ao apurado pela fiscalização, haja vista a existência de receitas omitidas detectadas em auditoria fiscal. Uma receita omitida desta base declarada e somente encontrada em auditoria fiscal pela autoridade tributária após entrega da declaração anual do IRPJ aumenta a base de cálculo justamente no valor da receita omitida e somente sobre esta diferença é que deve ser lançado o tributo devido, por não estar declarado no lançamento sujeito à homologação. Portanto, a base de cálculo para lançamento de ofício do IRPJ, neste caso, deve ser exatamente o valor da receita omitida, a não ser que a ficasse comprovado que o resultado de 1995 tenha sido um prejuízo fiscal, ou que comprovadamente houvesse despesa omitida, o que não consta destes autos e nem foi motivo de argumentação. O artigo 43 da Lei nº 8.541 realmente está logisticamente inserido no Título IV, "Das Penalidades", que contém dois capítulos, "Disposições Gerais" e "Da Omissão da Receita". O Título IV desta Lei disciplina normas voltadas quase que exclusivamente para a autoridade tributária em caso de lançamento de ofício. Desta maneira, este título não trata exclusivamente das penalidades. Trata, também, da constituição de ofício de tributos sujeitos a lançamentos por homologação. Tanto que os artigos 40 e 41 dispõe sobre a hipótese de falta ou insuficiência de recolhimento do tributo, mas sem omissão de receita na base de cálculo, o que implicará no lançamento, de ofício, dos referidos valores (tributos) com acréscimos e penalidades legais. Fl. 4004DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.004 27 Por sua vez, o artigo 43 determinava que verificada omissão de receita, a autoridade tributária deveria lançar o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. E seu §2º determinava que o valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo. Neste caso foi o que aconteceu. A autoridade tributária lançou o IRPJ e seus reflexos, à alíquota de 25%, a mesma prevista no artigo 3º da mesma Lei, com os acréscimos e as penalidades de lei, tomando por base de cálculo a receita omitida. E, obedecendo o mandamento do §2º do citado artigo, o valor da receita omitida não compôs a determinação do lucro real e, como demonstrado acima, nem faria diferença sua composição na base de cálculo, pois a parte tributável seria apenas o valor da diferença que, no caso, é a receita omitida (não contabilizada). A parte final do §2º determinava que o imposto sobre a omissão será definitivo. Mas, a tributação em definitivo ou em separado não pode ser considerada, per si, uma penalidade. Na mesma Lei nº 8.541/92, em seu artigo 36, foi instituída a tributação exclusiva na fonte sobre os rendimentos auferidos pelas pessoas jurídicas, inclusive isentas, em aplicações financeiras de renda fixa iniciadas a partir de 1° de janeiro de 1993, sendo que o valor que servisse de base de cálculo do imposto deveria ser excluído do lucro líquido para efeito de determinação do lucro real. No caso da tributação sobre o lucro real, mesmo que houvesse uma diferença para receber após o ajuste, esta poderia ser compensada, corrigida monetariamente, com o imposto mensal a ser pago nos meses subseqüentes ao fixado para a entrega da declaração anual, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior corrigido monetariamente. Assim, a tributação definitiva não pode ser tida como uma penalidade. Cabe ressaltar que, com a nova redação dada pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995, o § 2º passou a determinar a não composição da receita omitida também do lucro presumido ou arbitrado (a redação original tratava somente do lucro real). Apenas para raciocínio, já que não estamos tratando de lucro presumido ou arbitrado, só poderseia dizer em "penalidade" nos casos em que a receita omitida fosse da atividade operacional da autuada, sujeita a aplicação do índice legal de presunção e/ou arbitramento de lucro, pois nos demais casos, a receita omitida (ou seu resultado, se houvesse custos) seria tributada integralmente caso integrasse a base de cálculo do lucro presumido ou arbitrado. Conforme foi dito antes, a consideração da receita omitida como base de cálculo somente desnatura o conceito de renda nos casos em que houver prejuízo fiscal, quando da tributação pelo lucro real, ou quando a receita omitida seja de atividade normal da empresa sujeita a aplicação dos índices legais de presunção ou arbitramento de lucro, nos demais casos de tributação da pessoa jurídica. No caso analisado, como já vimos, não consta dos autos que houve prejuízo fiscal a ser considerado na base de cálculo da receita omitida. Demonstrado está em face dos argumentos apresentados que a autuação com base no art. 43 da Lei nº 8.541/92 merece prosperar e no mesmo sentido, pelas razões expostas, no que se lhe aplica, também o art. 44 da mesma Lei. Adicionalmente reitero os argumentos por mim expostos no AC. 9101 002.045, desta 1ª T. da CSRF, de minha relatoria, julgado em 11/11/2014, e no qual a tese da viabilidade da aplicação dos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 no anocalendário de 1995 prevaleceu, cujo voto vencedor, na parte que interessa ao presente caso, reproduzo abaixo in verbis: Fl. 4005DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.005 28 Considerados os argumentos do recorrido, do recurso especial e as contrarrazões, tenho que o acórdão recorrido não merece ser reformado, por duas razões centrais, como segue. 1 A Lei n. 9.249/95, que em seu art. 36, inciso IV, revogou os arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92, só surtiu efeitos a partir de 1o de janeiro de 1996, conforme dispõe seu art. 35: "Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1996." Ou seja, de acordo com a própria Lei revogadora, expressamente seus efeitos só se aplicam a partir de 1o de janeiro de 1996, como o lançamento se reporta ao exercício de 1995 o lançamento está plenamente consoante com os arts. 144 e 149 do CTN. Como os fatos descritos no TFV se subsomem às hipóteses previstas na Lei, o lançamento só pode ser afastado caso se entenda que a referida lei é inconstitucional – o que não é aplicável em sede de julgamento administrativo, mormente no CARF, por força da Súmula CARF n. 2. 2 Os artigos 43 e 44 Lei nº 8.541/92 tem a seguinte redação “Da Omissão de Receita Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 1° O valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento, quando for o caso, das contribuições para a seguridade social. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 3º A base de cálculo de que trata este artigo será convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência UFIR pelo valor desta fixado para o mês da omissão. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 4º Consideramse vencidos o imposto e as contribuições para a seguridade social na data da omissão. (Incluído pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Fl. 4006DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.006 29 § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida. § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995)” Da simples leitura dos dispositivos defluise que se trata de norma que traz presunções legais em situação específica (omissão de receita), determinando o modo como é lançado o tributo na situação que especifica. Não se trata de norma tributária sancionadora. não se trata de penalidade, portanto, não podem ser interpretadas à luz do art. 106, II, do CTN, que não atinge as normas que estabelecem critérios de lançamento do tributo e suas alíquotas, ou seja, cuida de hipótese de incidência de imposto, devendo ser aplicada quando vigente à época do fato gerador. Essas razões por si só seriam suficientes para afastar o especial e confirmar a decisão recorrida. Mas há outros argumentos que se somam a este, aos quais me alinho, consubstanciados nas razões do C. Marcos Vinicius Neder no Ac. CSRF/0105.183 (decido em, 18 de março de 2005) em, que sustenta em seu voto (vencido) o seguinte: “Os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, bem como todos os outros constantes daquela rubrica, estabelecem formas de tributação para situações diferenciadas, notadamente de falta de recolhimento do imposto devido. E o artigo 3o do CTN já estabelece que tributo não é sanção , tanto que a própria redação do art. 43 deixa explícita a falta de correspondência do título com o conteúdo, ao determinar que sobre as receitas omitidas serão lançados o imposto , com os acréscimos legais e as penalidades de lei, estas sim as verdadeiras. Não há falar, portanto, em retroatividade benigna da Lei 9.249/95, uma vez que não se verifica qualquer das hipóteses do art. 106 do CTN. De outro lado, argumentações no sentido de que o imposto incide com caráter de penalidade, ou que ressaltam a onerosidade da tributação do dispositivo revogado frente à estabelecida pela lei revogadora, não autoriza a retroação da lei posterior que reduziu a incidência do imposto. É usual em nosso ordenamento jurídico a redução da base de cálculo ou de alíquotas de tributo sem que isso acarrete sua aplicação retroativa e a restituição de tributo pago sob a vigência da lei revogada. Ressaltese que os que defendem a aplicação retroatividade da Lei n° 9.249/95 com fulcro no artigo 106 do CTN referemse não apenas ao cálculo da penalidade cabível em razão da omissão de receita, mas do tributo em si, aplicando alíquotas e base de cálculo previstos na nova lei a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução. Fl. 4007DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.007 30 Resta analisar, por fim, o posicionamento de alguns dos meus pares no sentido de que art. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 ofende ao conceito de renda estabelecido no artigo 43 do CTN. Sustentam os defensores dessa tese, que a tributação apartada da omissão de receita não considera os custos a ela correspondentes, tributando a receita integral e não a renda (mais valia). Ora, a Suprema Corte tem dito que o conceito de renda na Constituição Federal é polissêmico e não ontológico2. Para efeitos tributários, o conceito de renda é o definido na lei. No CTN, corresponde à disponibilidade econômica ou jurídica do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, o que, ao fim, representa o acréscimo de valor patrimonial. A Lei n° 8.541/92, por sua vez, definiu que a tributação do imposto sobre a renda sobre a totalidade da receita omitida, por considerar que o contribuinte não apropriou as despesas em momento próprio ou as teria considerado em resultado de período anterior. De fato, a omissão de receita é identificada pelo Fisco posteriormente ao momento em que ela efetivamente ocorre. No caso presente, evidenciouse a omissão pela falta de recursos no caixa para realizar as saídas nele escrituradas (saldo credor de caixa). Daí o legislador considerar não há como precisar o momento de sua ocorrência e se as despesas já poderiam ter sido aproveitadas anteriormente pelo contribuinte. Por isso, opta por estabelecer que a receita mantida à margem da escrituração representa o acréscimo patrimonial do contribuinte e exigir o tributo sobre sua totalidade. Discutir, nessa esfera, a justiça ou a injustiça da lei federal refoge a nossa competência para se inserir na área de atuação de outros Poderes da República.” Assim, com os fundamentos acima, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 4008DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10109.000073/2001-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE
Comprovada nos termos da legislação a existência da área declarada como de preservação permanente, há de ser restabelecida a glosa efetuada durante procedimento de ofício
Numero da decisão: 2201-003.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 06/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 06/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Comprovada nos termos da legislação a existência da área declarada como de preservação permanente, há de ser restabelecida a glosa efetuada durante procedimento de ofício Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 06/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 10 9. 00 00 73 /2 00 1- 36 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 2 O presente processo trata de Auto de Infração de ITR, relativo ao exercício 1997, fl. 09, em que o contribuinte proprietário da FAZENDA MACIEL CUE, registrada na Receita Federal do Brasil sob o número 3.034.4158, foi instado ao recolhimento do montante de R$ 2.709,04, valor esta já atualizado até 29 de dezembro de 2010. Além do valor relativo ao ITR, a autoridade fiscal aplicou multa por atraso na entrega da declaração, no valor originário de R$ 101,05, por entender que a mesma teria sido apresentada em 23/12/1997, sustentando que o prazo limite foi 19/12/1997. Em apertada síntese, a descrição dos fatos contida a partir de fl. 11 evidencia que o lançamento decorreu da não comprovação das áreas declaradas como de preservação permanente, num total de 482,9 ha, já que o contribuinte não apresentou o necessário laudo técnico que atestasse a existência efetiva de tal área. Ademais, considerou a fiscalização regular as áreas declaradas a título de utilização limitada,, através da Reserva Legal averbada, acompanhada do Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao IBAMA no prazo então fixado pela legislação, fl. 27. Discordando tos termos do lançamento do qual tomou ciência nos termos do AR de fl. 41, em 08 de março de 2001 o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 44 e 45, acompanhada de documentos que, em tese, amparariam seus argumentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, relatou assim a questão: Com base na Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, artigos Io , 6o , 7o , 8o , 9o, 10, 11 e 14 e da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, artigos 44, inciso I, exigese, da interessada, o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora, e multa regulamentar por atraso na entrega da Declaração do ITR, no valor total de R$ 2.709,04 (dois mil, setecentos e nove reais e quatro centavos), referente ao imóvel rural denominado Fazenda Maciel Cuê, com área total de 5.614,2 ha, com Número na Receita Federal NIRF 3.034.4158, localizado no município de Laguna Carapã MS, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 12.. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados na DIAC/DIAT/1997, fls. 16 e 17, a interessada, conforme documentos de fls. 18 a 14, 21 intimada a comprovar a área de preservação permanente (482,9 ha) e área de utilização limitada (1.122,8 ha). A contribuinte atendeu à intimação trazendo os documentos de fls. 22/29. (fl 26 a 38 do processo digital) Destaque Acrescido. Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal, analisando a documentação trazida pela contribuinte, a autoridade fiscal concluiu que a propriedade rural possui área de reserva legal averbada, acompanhada do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado junto ao Ibama em 21/09/1998, dentro do prazo legal, perfazendo um total de 1.122,8 ha. Concluiu também que não foi apresentado o "Laudo Técnico" emitido por Engenheiro Agrônomo/Florestal, acompanhado da ART, devidamente registrada no CREA, conforme exigido pela Fl. 159DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10109.000073/200136 Acórdão n.º 2201003.349 S2C2T1 Fl. 159 3 fiscalização, comprovando a existência de área de preservação permanente de 482,9 ha, o que levou à glosa da mencionada área isenta declarada. Assim, foi apurado o crédito tributário em questão, com o enquadramento legal relacionado no Auto de Infração ás fls. 03 e 12. (fl. 6 a 18 do processo digital) Destaque Acrescido. A interessado tomou ciência do lançamento em 07/02/2001, de acordo com. o Aviso de Recebimento — AR, fl. 32 ( fl. 41), e, tempestivamente, em 07/02/2001, apresentou impugnação (fls.34/36) (fl. 44/45), acompanhada de documentos (fls. 37/50) (46 a 61), alegando resumidamente que: (processo digital Destaque Acrescido). Anexou documentação complementar comprobatória da existência física e inquestionável da área de preservação permanente, quais sejam, Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo e Mapa Descritivo utilizado para informação do ITR do anobase 1997; Reportandose às provas produzidas quando da apresentação da documentação exigida pela fiscalização, como se ao presente recurso tivessem sido anexadas, restaria comprovado não ter praticado ato que pudesse ser tratado ou tido como contrário a qualquer dos dispositivos legais ditos infringidos; a conclusão fiscal não pode ser admitida como correta, pois ela exige a satisfação de uma obrigação fiscal que teve sua exigência de cumprimento suspensa por decisão da Justiça Federal, em 26/05/1998, acatando argumentação apresentada pela Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul). Finaliza requerendo o cancelamento do auto de infração. A Delegacia de Julgamento, após se debruçar sobre a lide administrativa, considerou procedente em parte o lançamento, cancelando a multa por atraso e mantendo a glosa das áreas declaradas como de preservação permanente. Entendeu o julgador de 1ª Instância que o Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte, emitido por engenheiro agrônomo, e o Levantamento Topográfico cuja imagem não permite atestar sua autoria, não foram acompanhados da Anotação de Responsabilidade Técnica devidamente registrada no CREA/MS. Ademais, tais documentos não fariam menção à data do fato gerador do tributo (1997), não podendo, portanto, serem acatados, pois não atendem à exigência da Fiscalização. Afirma, ainda, a DRJ que indevida a alegação de que a fiscalização estaria exigindo obrigação fiscal suspensa, já que o contribuinte não juntou aos autos qualquer comprovante. Ciente do Acórdão da DRJ, em 29/12/2003, ainda inconformado, no prazo legal, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 74 a 76, na qual reitera os argumentos já expressos na impugnação, recorrendo às provas já juntadas aos autos e pontuando que não havia exigência prévia de ART, que o laudo técnico indica claramente ser Fl. 160DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 4 relativo a dezembro de 1997 e invoca os benefícios concedidos em decisão judicial exarada no MS nº 98.00631, que determinou que a autoridade impetrada não exigisse o ADA tampouco promovesse lançamento lastreado em tal exigência, juntando cópia da decisão, bem assim do comprovante de que é filiado à FAMASUL. Em fl. 129/133, os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, acatando por unanimidade o voto da Conselheira Relatora Maria Helena Trajano D'Amorim, resolveram converter o julgamento em diligência para que o contribuinte fosse intimado para apresentar a Anotação de Responsabilidade Técnica do laudo técnico apresentado, bem como a referência à data do fato gerador do tributo a que se refere ao Laudo. Regularmente intimado, o contribuinte informou apresentou a ART em questão e informou a data do fato gerador seria o mesmo exercício de 1997, fl. 147/148. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade conheço do presente Recurso Voluntário. Inicialmente, cumpre destacar que o argumento do contribuinte que invoca os benefícios decorrentes da Decisão Judicial exarada nos autos do MS nº 98.00631 não traz qualquer efeito prático para a presente demanda, Notase que o cerne da lide judicial está restrito à exigência do Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao IBAMA. Não obstante, a questão resta superada, já que tal documento foi apresentado e foi acatado pela autoridade fiscal. Ademais, a exigência do ADA para exercícios até o ano de 2000 é uma questão sobre a qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Assim, limitase a controvérsia administrativa à análise da procedência ou não dos valores declarados pelo contribuinte a título de preservação permanente, sendo, portanto, oportuno verificarmos os preceitos da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, Código Florestal, vigente na época do fato gerador em discussão: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de outro qualquer curso d'água, em faixa marginal cuja largura mínima será: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10109.000073/200136 Acórdão n.º 2201003.349 S2C2T1 Fl. 160 5 1 de 5 (cinco) metros para os rios de menos de 10 (dez) metros de largura: 2 igual à metade da largura dos cursos que meçam de 10 (dez) a 200 (duzentos) metros de distancia entre as margens; 3 de 100 (cem) metros para todos os cursos cuja largura seja superior a 200 (duzentos) metros. 1. de 30 (trinta) metros para os rios de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.511, de 1986) 2. de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinqüenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.511, de 1986) 3. de 100 (cem) metros para os cursos d’água que meçam entre 50 (cinqüenta) e 100 (cem) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.511, de 1986) 4. de 150 (cento e cinqüenta) metros para os cursos d’água que possuam entre 100 (cem) e 200 (duzentos) metros de largura; igual à distância entre as margens para os cursos d’água com largura superior a 200 (duzentos) metros; (Incluído dada pela Lei nº 7.511, de 1986) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, mesmo nos chamados "olhos d'água", seja qual for a sua situação topográfica; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos taboleiros ou chapadas; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, nos campos naturais ou artificiais, as florestas nativas e as vegetações campestres. a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 6 b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Já o artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, também nos termos vigentes à época de ocorrência do fato gerador tratado no presente, era claro ao estabelecer que para fins de apuração do ITR, considerase área tributável a área total do imóvel excluídas as áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas na Lei 4.771/65. Assim, já considerando as especificidades das áreas citadas no Código Florestal, a intimação enviada ao contribuinte no curso do procedimento fiscal ressaltou que, no caso das áreas especificadas em seu art. 2º, a comprovação se daria mediante apresentação de Laudo técnico emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal e do Ato Declaratório Ambiental. Portanto, tendo em vista as questões já citadas sobre a inexigibilidade do ADA para os exercícios até o ano de 2000, resta saber se as áreas de preservação permanente então declaradas estão claramente evidenciadas no laudo apresentado pelo contribuinte. A Análise de tal documento, acostado às folhas 46 a 58, da lavra do Engenheiro Agrônomo Sandro de Lima Constantino, CREA 6264/D MS, emitido de acordo com as regras definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, não deixa dúvidas da existência de 482,9035 ha da propriedade ocupados por área de preservação permanente, com as características detalhadamente descritas no item 6, fl. 53/24. Ressalvase que o documento afirma que as informações nele dispostas refletem a situação encontrada em dezembro de 1997 e está acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica juntada às fl. 148. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10109.000073/200136 Acórdão n.º 2201003.349 S2C2T1 Fl. 161 7 Embora não tenha condições de afirmar a regularidade do registro da ART apresentada no CREA/MS, já que as consultas disponíveis na Internet, decerto, não alcançam documentos tão antigos, penso que a riqueza de detalhes e a verossimilhança do laudo técnico apresentado, o zelo do contribuinte com a apuração do tributo, o baixo valor do crédito tributário envolvido e o tempo de tramitação do presente processo justificam minha convicção de que a área de preservação permanente declarada é regular e deve ser restabelecida em sua integralidade. Pelo quê dou provimento ao recurso voluntário para exonerar integralmente o crédito tributário ainda em discussão no presente processo. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA
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