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Numero do processo: 13634.720532/2016-28
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2011
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-001.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil (relator) e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento parcial para excluir a glosa de despesas médicas no valor de R$ 3.360,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil Relator
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa develly Montez (Presidente), Vírgilio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Virgílio Cansino Gil (relator) e Thiago Duca Amoni que lhe deram provimento parcial para excluir a glosa de despesas médicas no valor de R$ 3.360,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil – Relator (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa develly Montez (Presidente), Vírgilio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 4. 72 05 32 /2 01 6- 28 Fl. 111DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.148 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720532/2016-28 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 67/79) contra decisão de primeira instância (fls. 52/63), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Para a contribuinte retro qualificada foi emitida a Notificação de Lançamento – IRPF/2012 de fls. 35/41, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$32.219,60, sendo, consoante ali discriminado, R$14.596,18 de imposto suplementar e o restante de acréscimos legais correspondentes. O lançamento decorreu do processamento da Declaração de Ajuste Anual – DAA IRPF/2012 Retificadora, apresentada à RFB pela contribuinte, a fls. 43/49, cujo resultado foi de imposto a restituir no valor de R$2.336,47 - fl. 40, do qual já lhe havia sido restituído a quantia do imposto no valor de R$870,66, quando do processamento da DAA/2012 originalmente apresentada. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a fls. 37/39, foram verificadas deduções indevidas de: 1) pensão alimentícia judicial, no valor de R$55.047,21: Não foi considerada a dedução a título de pensão alimentícia informada em nome de FANUEL AFONSO CARVALHO GONÇALVES e KALLINE CARVALHO GONÇALVES. Trata-se de pagamentos realizados pela mãe para o sustento dos filhos maiores. Não se deve confundir a obrigação de prestar alimentos com os deveres familiares de sustento e assistência que tem os pais em relação aos filhos e vice-versa. Pagamentos realizados em virtude de acordo judicialmente ou extrajudicial, homologado em ação de oferta de alimentos entre pais e filhos não são dedutíveis para redução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. Inexiste equiparação a pensão alimentícia judicial, por se tratar de pagamentos decorrentes do poder familiar e do dever de sustento, assistência e socorro entre os pais e seus filhos e vice- versa. As despesas provenientes do poder de família são contempladas com a possibilidade de dedução em campo próprio da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. Acordos com fins meramente tributários. 2) despesa médicas, no valor de R$3.360,00: Regularmente intimada a apresentar além dos comprovantes das despesas médicas, documentação hábil que comprovasse a efetividade desses pagamentos, a contribuinte limitou-se a apresentar apenas recibos, não esclarecendo como foram feitos esses pagamentos, deixando de apresentar documentos que Fl. 112DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.148 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720532/2016-28 demonstrassem sua efetividade, tais como: cópias dos cheques, ordens de pagamentos, transferências bancárias, ou extratos bancários, por onde podem ser verificados os saques efetuados, especialmente no caso de pagamentos feitos em espécie, ou qualquer outro documento que pudesse comprovar de maneira inequívoca a efetiva transferência dos recursos do seu patrimônio para o patrimônio dos beneficiários dos pagamentos. As deduções de despesas com médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos, etc, que tenham valores expressivos, individualmente ou em conjunto, no caso R$3.360,00 em nome de OTTO KLIER SEDLMAIER, ensejam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida. Os recibos de pagamentos servem para quitar débitos e fazer prova contra o credor, mas não para comprová-lo junto a terceiros interessados. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a peça impugnatória de fls. 2/6 contestando o feito fiscal. Argumenta que atendeu o Termo de Intimação Fiscal recebido apresentando os comprovantes originais e cópias das despesas médicas e odontológicas, além de cópias dos processos de pensão alimentícia onde foram determinados pela autoridade judicial os descontos mensais em folha de pagamento da contribuinte, a título de pensão alimentícia, correspondentes a duas parcelas de 20% de seus vencimentos brutos, a serem depositados nas contas correntes de Kalline Carvalho Gonçalves e de Fanuel Afonso Carvalho Gonçalves, ambos descontados e depositados pela fonte pagadora - Governo do Estado de Minas Gerais. Apesar do atendimento foi surpreendida com a Notificação de Lançamento. Cita em seu favor Decisão Judicial e Súmula do Carf, de nº 98. Sobre as despesas médicas, transcreve a legislação regente, diz ter juntado os recibos e declaração do profissional, com os requisitos legais. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO DE PENSÃO AOS FILHOS SEM RUPTURA DA SOCIEDADE CONJUGAL. INDEDUTIBILIDADE. A pensão alimentícia paga aos filhos em razão de acordo homologado judicialmente quando não houve ruptura da sociedade conjugal não se caracteriza como dedutível para fins do imposto de renda, por não se enquadrar nas normas do Direito de Família. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DIREITO DE FAMÍLIA. DEVER DOS PAIS QUANTO AOS FILHOS. Compete aos pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos, dirigir- lhes a criação e a educação. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 113DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.148 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720532/2016-28 Firma-se plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. MULTA DE OFÍCIO. Quando da alteração dos dados da declaração de ajuste anual resulta a redução do imposto a restituir ou em imposto suplementar, deve-se proceder ao lançamento de ofício para exigir a devolução da parcela da restituição indevidamente recebida, acrescida apenas de juros de mora, sem aplicação de multa. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, atacando a decisão de primeira instância, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 27/03/2017 (fl. 66); Recurso Voluntário protocolado em 25/04/2017 (fl. 67), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública; b) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFRF que: Não foi considerada a dedução a título de pensão alimentícia informada em nome de FANUEL AFONSO CARVALHO GONCALVES e KALLINE CARVALHO GONCALVES ELER. Trata-se de pagamentos realizados pela mãe para o sustento dos filhos maiores. Não se deve confundir a obrigação de prestar alimentos com os deveres familiares de sustento e assistência que tem os pais em relação aos filhos e vice-versa. Pagamentos realizados em virtude de acordo judicialmente ou extrajudicial, homologado em ação de oferta de alimentos entre pais e filhos não são dedutíveis para redução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. Inexiste equiparação a pensão alimentícia judicial, por se tratar de pagamentos decorrentes do poder familiar e do dever de sustento, assistência e socorro entre os pais e seus filhos e vice-versa. As despesas provenientes do poder de família são contempladas com a possibilidade de dedução em campo próprio Fl. 114DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.148 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720532/2016-28 da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. Acordos com fins meramente tributários. Regularmente intimada a apresentar além dos comprovantes das despesas médicas, documentação hábil que comprovasse a efetividade desses pagamentos, a contribuinte limitou-se a apresentar apenas recibos, não esclarecendo como foram feitos esses pagamentos, deixando de apresentar documentos que demonstrassem sua efetividade, tais como: cópias dos cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, ou extratos bancários, por onde podem ser verificados os saques efetuados, especialmente no caso de pagamentos feitos em espécie, ou qualquer outro documento que pudesse comprovar de maneira inequívoca a efetiva transferência dos recursos do seu patrimônio para o patrimônio dos beneficiários dos pagamentos. As deduções de despesas com médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos, etc, que tenham valores expressivos, individualmente ou em conjunto, no caso R$ 3.360,00 em nome de OTTO KLIER SEDLMAIER, ensejam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida. Os recibos de pagamentos servem para quitar débitos e fazer prova contra o credor, mas não para comprová-lo junto a terceiros interessados. O artigo 73 do RIR 1999, cuja matriz legal é o § 3º do art. 11 do Decreto-lei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar essas deduções, sendo que é dele o ônus probatório. Cabe ao interessado o ônus de comprovação e justificação das deduções. Também importa dizer que o ônus de provar implica em trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado, enquadrando-se nesses requisitos a comprovação da efetividade dos pagamentos. Assim, cabe ao beneficiário das deduções apresentar documentos de que realmente efetuou o pagamento no valor pleiteado como despesa, bem assim provar a época em que o gasto ocorreu, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Logo, procedeu-se à glosa dos valores constantes desses recibos, deduzidos indevidamente, por falta de comprovação do seu efetivo pagamento com documentos hábeis e idôneos, mesmo após intimação fiscal com esse intuito. Em julgamento, a r. decisão revisanda julgou improcedente a impugnação, assim se manifestando: (...) não havendo ruptura do casamento ou qualquer outra causa que demonstre a necessidade de prestação jurisdicional, carece a parte de interesse processual na fixação de pensão alimentícia, eis que ausente o binômio necessidade/utilidade. Desse modo, a citada sentença homologatória de pensão alimentícia para os filhos, quando os pais não estão separados, não surte qualquer efeito para fins do imposto de renda não sendo possível a sua dedução. Fl. 115DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.148 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720532/2016-28 (...) As pensões alimentícias pagas aos filhos somente são dedutíveis quando ocorre a ruptura do casamento pois, não havendo esta ruptura, a legislação do imposto de renda prevê a dedução fixa por dependente e a dedução de suas despesas médicas e com instrução até os limites legais. (...) Destarte, não se pode compactuar com tal espécie de artifício que, em verdade, consiste em subterfúgio para diminuição nos pagamentos do imposto de renda, devendo, por conseguinte, ser mantida a glosa da dedução a título de pensão alimentícia na forma como efetuada. (...) Destarte, é certo que, na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e o(a) impugnante(a) não a faz – porque não pode ou porque não quer –, é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente a base de cálculo tributável. Assim, conclui-se que a utilização, para caracterizar “despesas médicas”, de recibos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução pleiteada a este título e a tributação dos valores correspondentes. Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Combatendo a recorrente, contra: a) Exigência da parcela do imposto suplementar, no valor de R$13.725,52, sujeito à multa de ofício de 75% e aos juros de mora, b) Exigência da devolução da restituição recebida no valor de R$ 870,66, sujeita aos juros de mora. Relativamente às despesas médicas, assiste razão à recorrente, eis que o profissional, cirurgião dentista Dr. Otto Klier Sedimaier, declara que recebeu seus honorários no valor de R$ 3.360,00 da recorrente, em serviços prestados à mesma. Provejo. Quanto à pensão alimentícia, paga aos filhos carece de razão a recorrente, eis que o acordo homologado judicialmente faz obrigação apenas para as partes envolvidas no processo. Poderá haver a dedução pretendida, para os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de separação, podendo até ser consensual. No caso presente a recorrente não fez essa prova, em razão deste fato temos que o pagamento da referida pensão alimentícia se deu por mera liberalidade. Fl. 116DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-001.148 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720532/2016-28 Quanto à multa de 75%, e os juros de mora, decorrem da própria lei, tendo em vista a situação fática. Relativamente à restituição, quando da alteração dos dados da declaração de ajuste anual resulta na redução do imposto, como considerada indevida o fisco fez o lançamento de ofício, para ressarcir os cofres públicos; sem a cobrança de multa, apenas exigindo os juros de mora fixados nas normas que regem a matéria. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dá-se provimento parcial para afastar da condenação a Dedução de Despesas Médicas, e no mais manter a r. decisão primeira por seus próprios fundamentos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação da despesa médica em litígio. Extrai-se da Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal procedeu à glosa do valor de R$ 3.360,00 declarado para Otto Klier Sedlmaier por não ter a contribuinte, regularmente intimada, comprovado o seu efetivo pagamento (e-fls. 32/33, 38/39). Com base nos documentos juntados à Impugnação (e-fls. 27/28), o Colegiado a quo concluiu pela manutenção da glosa efetuada, corroborando as razões expostas pelo auditor (e-fls. 58/61). Em seu Recurso a interessada alega que o pagamento foi realizado através de 5 parcelas mensais de R$ 672,00 lançadas de 10/2011 a 02/2012 em seu cartão de crédito de final 1124. Não obstante, observa-se que não há coincidência de datas e valores entre as despesas indicadas nas faturas (e-fls. 85/94) e os recibos emitidos pelo profissional (e-fls. 28), não merecendo reforma a decisão recorrida. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda -RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é lícito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova Fl. 117DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2002-001.148 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720532/2016-28 caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comprová-las de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202-005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202-005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401-004.122, de 16/2/2016) Cabe mencionar que, ainda que a recorrente tivesse demonstrado a correspondência entre os valores lançados em seu cartão de crédito e os recibos por ela apresentados, não seriam dedutíveis na declaração em exame os pagamentos realizados em 2012, ano diverso do que aqui se aprecia. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 118DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2002-001.148 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720532/2016-28 (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912379/2016-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. PRODUÇÃO DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM AS ALEGAÇÕES. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido, sendo que o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.:
Numero da decisão: 3302-006.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, votou pelas conclusões o Conselheiro Walker Araújo na questão de produção de prova apresentada na fase recursal e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinatura digital)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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PRECLUSÃO. PRODUÇÃO DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM AS ALEGAÇÕES. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido, sendo que o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, votou pelas conclusões o Conselheiro Walker Araújo na questão de produção de prova apresentada na fase recursal e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto. (assinatura digital) Raphael Madeira Abad Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 23 79 /2 01 6- 56 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11020.912379/201656 Acórdão n.º 3302006.958 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório Tratase de processo administrativo no qual, em síntese, são discutidos alegados créditos tributários, bem como o ônus de produzir a prova acerca de sua liquidez e certeza. Em razão da precisão com que retratou os fatos até então ocorridos no processo, adoto e transcrevo o relatório produzido pela DRJ quando de sua análise do feito. “Relatório DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 118246293, emitido eletronicamente em 03/11/2016, referente ao PER/DCOMP nº 09833.05921.300316.1.3.041946. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/07/2011, no valor de R$25.784,26. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: Nulidade do Despacho Decisório O Despacho Decisório deixou de atender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e feriu os princípios também constitucionais da ampla defesa, do Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11020.912379/201656 Acórdão n.º 3302006.958 S3C3T2 Fl. 4 3 contraditório e do devido processo legal, estando revestido de desvio de finalidade. a) Ausência de Fundamentação. O procedimento correto da fiscalização seria intimar a empresa para prestar informações sobre a origem do seu crédito, bem como seu fundamento. A intimação não ocorreu e o despacho foi emitido sem a necessária fundamentação. A fundamentação do ato administrativo é obrigatória para o exame da sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa. De acordo com o art. 37 da CF, o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Ausente a motivação da não homologação da compensação, é nulo o despacho decisório. A fiscalização, antes de não homologar a declaração de compensação, deveria cientificarse da natureza e da origem do crédito pretendido, e não negálo sem justificativa. b) Desvio de Finalidade O despacho tem a função de exprimir o parecer da fiscalização, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, a fim de permitir a instauração do contraditório administrativo. O despacho em comento extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. Ocorreu desvio de finalidade, porque a interrupção do prazo de decadência é conseqüência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. A autoridade deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento de ofício. O processo administrativo é precedido de uma fase oficiosa em que a autoridade deve coletar dados, examinar documentos, solicitar esclarecimentos ao contribuinte, fazer apreensão de documentos fiscais, diligências na sede da empresa, ou seja, fazer de tudo para busca da verdade real dos fatos. O agente fiscalizador ofendeu o dever de instrução, prescrito no art. 7º do Dec. 70.235, de 1972, o que implica na nulidade do Despacho Decisório. b) Prejuízo ao Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11020.912379/201656 Acórdão n.º 3302006.958 S3C3T2 Fl. 5 4 A defesa resta prejudicada, pois a contribuinte não dispõe das razões da não homologação da compensação declarada. Mérito a) Princípio da Verdade Material (Pedido de Posterior Juntada de Provas) Deve ser possibilitado à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação, em respeito ao princípio da verdade material. a) Inaplicabilidade da Multa em Face do Princípio do Não Confisco, da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal. O valor da multa lançado é excessivo, ferindo os princípios do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. A multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei. O tributo é regulado pelo princípio da capacidade contributiva. O Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. O percentual da multa por descumprimento de obrigação principal deve guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida. Há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondolhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciarse dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Pedido Em face do exposto, pedese a nulidade do despacho decisório, cancelamento de qualquer cobrança que dele possa advir. A DRJ, por sua vez, indeferiu a Manifestação de Inconformidade com o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. O Recurso Voluntário foi apresentado abordando os seguintes temas: (i) Preliminarmente, possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11020.912379/201656 Acórdão n.º 3302006.958 S3C3T2 Fl. 6 5 (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário) (vi) Mérito Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) (vii) Mérito materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) (viii) Mérito inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionaldiade. (C.3 do Recurso Voluntário) É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad. Relator. O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entendese que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11020.912379/201656 Acórdão n.º 3302006.958 S3C3T2 Fl. 7 6 Entendese que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11020.912379/201656 Acórdão n.º 3302006.958 S3C3T2 Fl. 8 7 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitirse deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entendese que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11020.912379/201656 Acórdão n.º 3302006.958 S3C3T2 Fl. 9 8 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11020.912379/201656 Acórdão n.º 3302006.958 S3C3T2 Fl. 10 9 A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurgese contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestarse acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900630/2014-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 30 /2 01 4- 85 Fl. 67DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.346 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900630/2014-85 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 68DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.346 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900630/2014-85 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 69DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.346 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900630/2014-85 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 70DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.346 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900630/2014-85 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 71DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.346 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900630/2014-85 Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724806/2016-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SEGURADOS EMPREGADOS. EXISTÊNCIA. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Demonstrada a existência de relação de emprego e de interposição de pessoa jurídica, é cabível o lançamento das contribuições devidas.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. DESCABIMENTO.
Não restando suficientemente evidenciado que o contribuinte pautou sua conduta com o dolo de infringir as normas tributárias, é descabida a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-007.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo-se a qualificadora da multa aplicada, com a redução do seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SEGURADOS EMPREGADOS. EXISTÊNCIA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Demonstrada a existência de relação de emprego e de interposição de pessoa jurídica, é cabível o lançamento das contribuições devidas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. DESCABIMENTO. Não restando suficientemente evidenciado que o contribuinte pautou sua conduta com o dolo de infringir as normas tributárias, é descabida a qualificação da multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo-se a qualificadora da multa aplicada, com a redução do seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS Recorrente CONSTRUTORA TEMPO EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SEGURADOS EMPREGADOS. EXISTÊNCIA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Demonstrada a existência de relação de emprego e de interposição de pessoa jurídica, é cabível o lançamento das contribuições devidas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. DESCABIMENTO. Não restando suficientemente evidenciado que o contribuinte pautou sua conduta com o dolo de infringir as normas tributárias, é descabida a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindose a qualificadora da multa aplicada, com a redução do seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 48 06 /2 01 6- 69 Fl. 736DF CARF MF Processo nº 15504.724806/201669 Acórdão n.º 2402007.298 S2C4T2 Fl. 737 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face dos lançamentos de ofício das seguintes contribuições, efetuados através de três autos de infração: 1. Contribuição previdenciária destinada ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, prevista no artigo 22, II da Lei nº 8.212/1991; 2. Contribuição previdenciária dos segurados empregados, incidente sobre o salário de contribuição mensal, prevista no artigo 20 da Lei nº 8.212/1991. 3. Contribuição destinada aos terceiros: SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e FNDE. Segue a ementa e o acórdão da decisão, respectivamente: AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. CONTRATOS FIRMADOS COM PESSOAS JURÍDICAS. RECONHECIMENTO DO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE NA QUALIDADE DE SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social, na qualidade de empregado, aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, independente da forma aparente conferida pelas partes à contratação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. ......................................................................................................... Acórdão Fl. 737DF CARF MF Processo nº 15504.724806/201669 Acórdão n.º 2402007.298 S2C4T2 Fl. 738 3 Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pela lei. ......................................................................................................... Conforme relatado na decisão recorrida: De acordo com os fatos relatados pela autoridade autuante, nos contratos firmados com as pessoas jurídicas em questão, foram identificados os pressupostos necessários à configuração do vínculo de emprego com os sócios dessas empresas, quais sejam: prestação de serviço, pessoalidade, remuneração, não eventualidade e subordinação sendo, dessa forma, desconsiderados os vínculos com as pessoas jurídicas, para enquadrar os prestadores de serviços como segurados empregados da empresa. Sobre os valores apurados, foi aplicada a multa de ofício qualificada, à alíquota de 150%, com fundamento no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 combinado com os artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, por entender pela ocorrência, em tese, de sonegação e fraude. A recorrente foi intimada da decisão em 14/8/17, através de correspondência com aviso de recebimento (fl. 715 do eProcesso) e interpôs recurso voluntário em 11/9/17 (fls. 717 e seguintes do eProcesso), através do qual reiterou as seguintes teses de sua impugnação: em hipótese alguma houve qualquer liame jurídico entre os prestadores de serviços e a recorrente, capaz de configurar vínculo de emprego; a multa de ofício, de 150%, é confiscatória e extrapola os limites da equidade, justiça, bom senso, proporcionalidade e razoabilidade; em momento algum a recorrente agiu com dolo ou fraude. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 738DF CARF MF Processo nº 15504.724806/201669 Acórdão n.º 2402007.298 S2C4T2 Fl. 739 4 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Enquadramento de segurados empregados De acordo com o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º. Esse inc. I preleciona que empregado é que aquele que presta serviço em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; ......................................................................................................... Art. 229. [...]: § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Como se vê, havendo demonstração (a) de não eventualidade; (b) de subordinação e (c) de remuneração, pode ser descaracterizado o vínculo pactuado, corroborandose a existência efetiva de vínculo empregatício, oculto sob a contração de contribuinte individual, de trabalhador avulso, ou de qualquer outra denominação, inclusive de pessoas jurídicas e de cooperativas de trabalho. O art. 142 do CTN prevê que a autoridade administrativa tem competência privativa para constituir o crédito tributário pelo lançamento. Em meus votos, tenho procurado analisar, com certo rigor, os lançamentos efetuados pela Receita Federal do Brasil, e, nesse sentido, tenho reiteradamente votado por cancelar os autos de infração nos quais não haja demonstração inequívoca de todos os requisitos acima relacionados. Neste caso, contudo, entendo que o conjunto probatório produzido pela fiscalização, a partir da análise atenta dos contratos de prestação de serviços, das GFIPs e das notas fiscais sequenciais dos prestadores, da própria natureza dos trabalhos contratados, bem como da subordinação com a qual os serviços foram prestados, demonstram a existência da contratação de empregados, e não de autônomos. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 15504.724806/201669 Acórdão n.º 2402007.298 S2C4T2 Fl. 740 5 A DRJ analisou esse ponto com bastante acuidade, e, por concordar com os seguintes fundamentos constantes do voto condutor do acórdão por ela prolatado, adotoos como razões de decidir, fazendoo inclusive com base no permissivo constante do § 3º do art. 57 do Regimento Interno do CARF: A existência de serviços prestados mediante remuneração não constitui fato controverso nos autos, recaindo, a controvérsia, somente sobre a forma como esses serviços foram prestados. Preenchidos, portanto, dois dos requisitos previstos no artigo 12, I da Lei nº 8.212/1991, necessários à caracterização dos segurados como empregados. Acerca da pessoalidade, esclarece o AuditorFiscal: 6.31 A pessoalidade na relação “CONSTRUTORA TEMPO – Prestador de Serviços” se comprova na medida em que, após pesquisas nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil atestouse que nenhum dos prestadores de serviços possuía empregados registrados nas suas respectivas Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP. Disto, concluise que os serviços foram executados pessoalmente por seus responsáveis. [...] 6.33 Notouse também, por meio da análise do Razão contábil dos contratados que, as Notas Fiscais emitidas seguiam uma sequência numérica ininterrupta, indicando que a prestação de serviço se dava de forma exclusiva à CONSTRUTORA TEMPO. Vejase: no meu entendimento, nada impede que os serviços sejam prestados somente pelos sócios da pessoa jurídica contratada. No entanto, tal circunstância deve ser analisada em todo o contexto do contrato, e não isoladamente, a fim de mensurar se estão ou não presentes os demais requisitos caracterizadores da relação de emprego, em especial o requisito da subordinação, que entendo ser o mais importante. Nesse sentido, prossegue a DRJ: 6.34 Outra prática da CONSTRUTORA TEMPO evidenciando a irregularidade aqui tratada referese ao fato de que várias destas prestadoras de serviços (pessoas jurídicas) são originárias de trabalhadores que foram ou ainda são empregados da empresa. 6.35 Ou seja, pessoas físicas regularmente contratadas pela CONSTRUTORA TEMPO como seus empregados foram transformadas em pessoas jurídicas e prosseguiram em sua relação de emprego com aquela entidade. [...] Além disso, os contratos formalizados pela autuada e ditas pessoas jurídicas não se referem à execução de um serviço Fl. 740DF CARF MF Processo nº 15504.724806/201669 Acórdão n.º 2402007.298 S2C4T2 Fl. 741 6 determinado, mencionando a prestação de serviço de maneira genérica, fato que demonstra a necessidade permanente da empresa. São exemplos de objetos de contratação, retirados dos próprios contratos anexados aos autos: "Os serviços a serem prestados são o seguinte: Construção de edifícios, serviços de engenharia e arquitetura em geral." "Os serviços a serem prestados são o seguinte: Serviços de engenharia na área de acompanhamento e fiscalização da execução de obras de engenharia, arquitetura e urbanismo." "Os serviços a serem executados são o(sic) seguintes: Construção de edifícios." "Os serviços a serem prestados são o seguinte: execuções e construções." Em outros casos, o serviço contratado abrangia a execução de obras em determinada região: "Os serviços a serem prestados são o seguinte: a CONTRATADA será responsável pela gestão e acompanhamento dos contratos referentes as Obras do Estado do Espírito Santo, Rio de Janeiro, e na cidades de Belo Horizonte, zelando pelo cumprimento dos prazos, custos, e demais cláusulas específicas de cada contrato." "Os serviços a serem prestados são o seguinte: a CONTRATADA será responsável pela gestão e acompanhamento dos contratos referentes às Obras em Belo Horizonte, zelando pelo cumprimento dos prazos, custos e demais cláusulas específicas para cada contrato." Além disso, os contratos ainda previam a realização de pagamentos mensais e a sua renovação automática, caso nenhuma das partes apresentasse manifestação em contrário. Concluise que os serviços prestados encontramse relacionados direta ou indiretamente às atividades normais da empresa, enquadrandose, assim, no conceito de serviço não eventual previsto no artigo 9º, §4º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art. 9º. (...) § 4º Entendese por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. Por fim, entre os requisitos necessários à configuração da relação de emprego, merece destaque a análise quanto à existência de subordinação, por representar um liame entre o serviço prestado com vínculo empregatício das demais formas de prestação de serviço. A subordinação representa uma limitação à autonomia do empregado, seja quanto à forma, ao local, ao horário do serviço Fl. 741DF CARF MF Processo nº 15504.724806/201669 Acórdão n.º 2402007.298 S2C4T2 Fl. 742 7 prestado, pois em uma relação de emprego essa definição fica atribuída ao empregador. Mas não representa apenas isso. Discorrendo sobre a subordinação jurídica, explica ALICE MONTEIRO DE BARROS: "Esse poder de comando do empregador não precisa ser exercido de forma constante, tampouco tornase necessária a vigilância técnica contínua dos trabalhos efetuados, mesmo porque, em relação aos trabalhadores intelectuais, ela é difícil de ocorrer. O importante é que haja a possibilidade do empregador dar ordens, comandar, dirigir e fiscalizar a atividade do empregado. Em linhas gerais, o que interessa é a possibilidade que assiste ao empregador de intervir na atividade do empregado. Por isso, nem sempre a subordinação jurídica se manifesta pela submissão a horário ou pelo controle direto do cumprimento das ordens" (Curso de Direito do Trabalho, São Paulo, LTr, 2005). E com base nesses conceitos, podese concluir que os serviços prestados pelos profissionais contratados enquadramse perfeitamente no conceito de subordinação jurídica acima mencionado, pois os mesmos eram direcionados e controlados pela autuada, como se constata da análise dos contratos juntados a este auto de infração pela autoridade autuante. Sobre a subordinação dos trabalhadores à empresa autuada, menciona o AuditorFiscal em seu relatório: 6.21 Seguindo a análise dos contratos de prestação de serviço, a subordinação imposta aos contratados fica transparente na medida em que os contratos, apesar de individualizados (existe um para cada trabalhador), tratam com pluralidade todos os prestadores de serviços simultaneamente, prestados sob dependência, que implica o poder diretivo do empregador sobre o empregado, que lhe confere o direito de dirigir a realização dos trabalhos dando ordens, fiscalizando, indicando métodos de trabalho e condições das tarefas prescritas. 6.22 É determinado pela CONSTRUTORA TEMPO aos prestadores de serviços, atuar dentro dos padrões por ela fornecidos. Exemplo extraído do contrato celebrado com ELAINE CRISTINA DE CASTRO PAULA – ME (conteúdo semelhante ao dos demais contratos) CLÁUSULA PRIMEIRA OBJETO (...) Parágrafo Segundo O CONTRATADO se compromete a prestar os serviços objeto deste contrato de acordo com as necessidades e exigências da CONTRATANTE. 6.23 Os contratos de prestação de serviço traziam dispositivo definindo como responsabilidade da CONSTRUTORA TEMPO fornecer instruções e orientações indispensáveis à execução dos Fl. 742DF CARF MF Processo nº 15504.724806/201669 Acórdão n.º 2402007.298 S2C4T2 Fl. 743 8 trabalhos, atestando o poder diretivo da mesma sobre o contratado. Exemplo extraído do contrato celebrado com ELAINE CRISTINA DE CASTRO PAULA – ME (conteúdo semelhante ao dos demais contratos) CLÁUSULA TERCEIRA DAS OBRIGAÇÕES E RESPONSABILIDADES DA CONTRATANTE 3.1 A CONTRATANTE fornecerá no local acima estipulado, instruções e orientações para melhor desenvolvimento das atividades especificadas na cláusula primeira pelo prazo estabelecido acima. 6.24 Pelo lado do prestador de serviço esta obrigação se reforça, pois é sua obrigação efetuar os trabalhos na forma estabelecida. CLÁUSULA QUARTA DAS OBRIGAÇÕES E RESPONSABILIDADES DA CONTRATADA 4.1 A contratada deverá: (...) Realizar os procedimentos de acordo com as especificações técnicas, dentro do maior rigor científico, entregando os resultados na forma e nos prazos estipulados. serviços prestados no mês. na qual devem ser consignados os problemas relativos ao andamento dos trabalhos; Combinados, estes dispositivos não deixam ao contratado a possibilidade de autonomia na gestão dos serviços prestados. Deixa claro quem está no comando. 6.25 A CONSTRUTORA TEMPO indicava o local onde deveriam ser prestados os serviços: Exemplo extraído do contrato celebrado com AQ Engenharia e Arquitetura de Interiores Ltda. (conteúdo semelhante ao dos demais contratos) CLÁUSULA PRIMEIRA OBJETO (...) Parágrafo Primeiro O serviço descrito nesta cláusula será prestado na sede da Construtora Tempo Ltda., localizada na Rua Paraíso, n° 116, Bairro Jardim Canadá em Nova Lima / Minas Gerais, bem como em outras localidades conveniadas ou filiadas, convencionadas por meio de aditivo contratual. 6.26 A situação ficou mais clara quando, na leitura de contratos firmados com os trabalhadores na tarefa de gestão de contratos (gerentes) (item 6.14 deste Relatório Fiscal) decretouse o poder subordinante da autuada por intermédio dos mesmos. (...) Fl. 743DF CARF MF Processo nº 15504.724806/201669 Acórdão n.º 2402007.298 S2C4T2 Fl. 744 9 6.28 Vários contratos possuíam dispositivo típico de relação de emprego, prevendo rescisão por abandono de emprego. Exemplo extraído do contrato celebrado com Leonardo Leão Figueiredo. (conteúdo semelhante ao dos demais contratos) CLAUSULA SEGUNDA DO PRAZO (...) Parágrafo Primeiro Ficará rescindido em sua totalidade o presente contrato, independentemente de prévia notificação da parte faltante, nas seguintes hipóteses: (...) b Caso a CONTRATADA abandone ou suspenda os serviços por mais de 15 (quinze) dias consecutivos, salvo motivo de força maior, ou qualquer outra justificativa, aceita previamente pela CONTRATANTE. 6.29 Deparase ainda, no conteúdo dos mesmos, com outra prática inexistente em uma relação mercantil – não há dispositivo onde se pactuam as obrigações da CONSTRUTORA TEMPO. Quando muito, firmamse obrigações da contratante no que se refere ao corriqueiro: efetuar pagamentos. Esta unilateralidade passa a idéia nítida de que o pacto laboral é imposto pela autuada. Como se vê, os prestadores de serviços não tinham autonomia para prestálos, mas realmente estavam subordinados à autonomia da vontade da recorrente. A subordinação, para fins de caracterização do vínculo empregatício, é aquela "situação em que se encontra o trabalhador, decorrente da limitação contratual da autonomia da sua vontade, para o fim de transferir ao empregador o poder de direção sobre a atividade que desempenhará". A subordinação significa uma limitação à autonomia do empregado, de tal modo que a execução dos serviços deve pautarse por certas normas que não serão por ele traçadas"1. É exatamente este o caso dos autos. Como bem pontuado pela DRJ: Diante do contexto apresentado, não há como entender pela procedência dos argumentos apresentados pela impugnante, ao afirmar pela inexistência de subordinação, ou que os contratos previam direitos e deveres para ambas as partes. O que se observa é que os contratos estabelecem diversas obrigações aos contratados enquanto as obrigações da contratante limitavamse a realizar o pagamento conforme previsto em contrato, manter a documentação respectiva arquivada e fornecer informações sobre o trabalho a ser desenvolvido, atividades inerentes a um empregador. 1 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Obra citada, p. 320. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 15504.724806/201669 Acórdão n.º 2402007.298 S2C4T2 Fl. 745 10 Nesse contexto, voto por desprover o recurso voluntário neste ponto. 3 Multa de 150% Quanto à alegação de que a multa de ofício, de 150%, seria confiscatória e extrapolaria os limites da equidade, justiça, bom senso, proporcionalidade e razoabilidade, vale frisar que, para se concluir pela existência de sanção ilegal, seria necessário declarar a inconstitucionalidade da Lei 8212/91 e da Lei 9430/96. Como sabido, entretanto, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto é, a verificação de que a norma implicaria infringência aos princípios do não confisco, da equidade, da justiça, da proporcionalidade e da razoabilidade exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, negandose provimento ao recurso neste particular. Quanto à qualificação da multa, entendo que não houve demonstração de que o contribuinte teria tido a intenção de sonegar, fraudar ou agir em conluio. Pelo contrário, o sujeito passivo agiu de acordo com um modelo de negócio que entendia estar em consonância com a lei, de tal forma que é indevida a aplicação da multa dobrada. O evento deflagrador da duplicação da penalidade não é o fenômeno denominado de "pejotização", pois tal fenômeno enseja o lançamento das contribuições previdenciárias em si. Ao propor a aplicação da multa cabível, conforme determina o art. 142 do CTN, a autoridade administrativa, caso entenda pela cominação em dobro, tem o dever de detalhar e de demonstrar a existência de ao menos uma das condutas dolosas tipificadas como sonegação, fraude ou conluio. E mais, as condutas que resultam na qualificação da multa de ofício igualmente ensejam penalidades criminais, como ressalva a parte final do § 1º do art. 44 da Lei 9430/96, o que exalta a importância de as autoridades administrativas da Receita Federal do Brasil terem maior cuidado na qualificação da multa. Logo, voto por desqualificar a multa de ofício, citando, a título de argumentação, o seguinte precedente deste Colegiado: MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL ACERCA DO DOLO. DESCABIMENTO. DECADÊNCIA RECONHECIDA. Não restando suficientemente evidenciado que o contribuinte pautou sua conduta com o dolo de infringir as normas tributárias, não cabe perseverar a qualificação da multa de ofício. Reconhecese a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário quando ultrapassado o prazo previsto no art. 150, § 4º CTN. (CARF, Nº Acórdão 2402005.614, julgado em 07/02/2017) Fl. 745DF CARF MF Processo nº 15504.724806/201669 Acórdão n.º 2402007.298 S2C4T2 Fl. 746 11 4 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para desqualificar a multa de ofício. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 746DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18108.002144/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2007
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há ocorrência de nulidade, pois não houve violação aos requisitos do artigo 59 do Decreto 70.235/72.
DECADÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8.
Dispõe a Súmula Vinculante nº 8 do STF: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições sociais é de 5 anos.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO.
Tratando-se de tributos sujeitos à homologação e comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, aplica-se, quanto à decadência, a regra do art. 150, § 4 º do CTN.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PRONUNCIAR. CARF. COMPETÊNCIA. NÃO TEM.
Súmula CARF nº 28: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais."
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ATRIBUIR. EM SEDE DE RECURSO. CARF. IMPOSSIBILIDADE.
Em sede de recurso, não há possibilidade de incluir responsável no polo passivo, tendo em vista que não é competência do CARF atribuir responsabilidade solidária, sendo que tal atribuição compete a autoridade lançadora no âmbito da ação fiscal.
RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.
A apresentação tempestiva da Recurso Voluntário suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III, art. 151 do CTN.
JURISPRUDÊNCIAS. PROCESSOS. NÃO TRANSITADOS EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO.
As jurisprudências referentes a processos judiciais, ainda não transitados em julgado, sem decisões definitivas de mérito, não vinculam o julgamento na esfera administrativa.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NOTAS FISCAIS. CONTRATANTE. RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE. NÃO EFETUADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Quando constatado que a contribuinte não efetuou a retenção da contribuição decorrente da contratação de prestação de serviço, mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, a fiscalização efetuará o lançamento de ofício.
LANÇAMENTO. DOCUMENTOS. ESCRITURAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. DIRPJ. SISTEMAS RFB. LEGALIDADE.
Quando a contribuinte deixar de apresentar ou apresentar com deficiência a sua escrituração contábil e os documentos solicitados, compete a Autoridade Fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que considerar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
A Fiscalização dispõe de instrumentos legais para aferir de forma indireta, arbitramento, a base de cálculo para efetuar o lançamento das contribuições devidas. Sendo válido o procedimento lastreado em informações registradas na DIRPJ e nos sistemas da RFB.
Numero da decisão: 2202-005.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência do lançamento no que se refere às competências jan a set de 2002, vencida a conselheira Fernanda Melo Leal, que deu provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Leonam Rocha de Medeiros, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2007 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há ocorrência de nulidade, pois não houve violação aos requisitos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Dispõe a Súmula Vinculante nº 8 do STF: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições sociais é de 5 anos. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. Tratando-se de tributos sujeitos à homologação e comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, aplica-se, quanto à decadência, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PRONUNCIAR. CARF. COMPETÊNCIA. NÃO TEM. Súmula CARF nº 28: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais." RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ATRIBUIR. EM SEDE DE RECURSO. CARF. IMPOSSIBILIDADE. Em sede de recurso, não há possibilidade de incluir responsável no polo passivo, tendo em vista que não é competência do CARF atribuir responsabilidade solidária, sendo que tal atribuição compete a autoridade lançadora no âmbito da ação fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. A apresentação tempestiva da Recurso Voluntário suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III, art. 151 do CTN. JURISPRUDÊNCIAS. PROCESSOS. NÃO TRANSITADOS EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO. As jurisprudências referentes a processos judiciais, ainda não transitados em julgado, sem decisões definitivas de mérito, não vinculam o julgamento na esfera administrativa. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NOTAS FISCAIS. CONTRATANTE. RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE. NÃO EFETUADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Quando constatado que a contribuinte não efetuou a retenção da contribuição decorrente da contratação de prestação de serviço, mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, a fiscalização efetuará o lançamento de ofício. LANÇAMENTO. DOCUMENTOS. ESCRITURAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. DIRPJ. SISTEMAS RFB. LEGALIDADE. Quando a contribuinte deixar de apresentar ou apresentar com deficiência a sua escrituração contábil e os documentos solicitados, compete a Autoridade Fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que considerar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A Fiscalização dispõe de instrumentos legais para aferir de forma indireta, arbitramento, a base de cálculo para efetuar o lançamento das contribuições devidas. Sendo válido o procedimento lastreado em informações registradas na DIRPJ e nos sistemas da RFB.
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NÃO OCORRÊNCIA. Não há ocorrência de nulidade, pois não houve violação aos requisitos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Dispõe a Súmula Vinculante nº 8 do STF: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições sociais é de 5 anos. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. Tratandose de tributos sujeitos à homologação e comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, aplicase, quanto à decadência, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PRONUNCIAR. CARF. COMPETÊNCIA. NÃO TEM. Súmula CARF nº 28: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais." RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ATRIBUIR. EM SEDE DE RECURSO. CARF. IMPOSSIBILIDADE. Em sede de recurso, não há possibilidade de incluir responsável no polo passivo, tendo em vista que não é competência do CARF atribuir responsabilidade solidária, sendo que tal atribuição compete a autoridade lançadora no âmbito da ação fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 21 44 /2 00 7- 42 Fl. 437DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 438 2 A apresentação tempestiva da Recurso Voluntário suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III, art. 151 do CTN. JURISPRUDÊNCIAS. PROCESSOS. NÃO TRANSITADOS EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO. As jurisprudências referentes a processos judiciais, ainda não transitados em julgado, sem decisões definitivas de mérito, não vinculam o julgamento na esfera administrativa. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NOTAS FISCAIS. CONTRATANTE. RETENÇÃO. OBRIGATORIEDADE. NÃO EFETUADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Quando constatado que a contribuinte não efetuou a retenção da contribuição decorrente da contratação de prestação de serviço, mediante cessão de mão deobra ou empreitada, a fiscalização efetuará o lançamento de ofício. LANÇAMENTO. DOCUMENTOS. ESCRITURAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. DIRPJ. SISTEMAS RFB. LEGALIDADE. Quando a contribuinte deixar de apresentar ou apresentar com deficiência a sua escrituração contábil e os documentos solicitados, compete a Autoridade Fiscal, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que considerar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A Fiscalização dispõe de instrumentos legais para aferir de forma indireta, arbitramento, a base de cálculo para efetuar o lançamento das contribuições devidas. Sendo válido o procedimento lastreado em informações registradas na DIRPJ e nos sistemas da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência do lançamento no que se refere às competências jan a set de 2002, vencida a conselheira Fernanda Melo Leal, que deu provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Leonam Rocha de Medeiros, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Fl. 438DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 439 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1724.319 proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II / SP DRJ/SPOII, a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário exigido referente às contribuições sociais por meio da NFLD DEBCAD n° 37.130.0908 de 31/10/2007 (fls. 359/367 e 392/420). Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/SPOII (fl. 360) mencionou o seguinte: 1 Tratase de crédito previdenciário lançado de ofício pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado referente Contribuições Previdenciárias devidas à Seguridade Social na condição de contratante de empresas prestadoras de serviços com cessão de mão de obra, o qual não realizou a retenção do percentual de 11% e nem qualquer recolhimento em nome das prestadoras de serviços, como seria de sua responsabilidade, consoante determinação contida no art. 31 da Lei 8.212/91 com as alterações promovidas pela Lei 9.711/98, e artigo 33, parágrafo 5° da Lei 8.212/91 com as alterações da Lei 9.528/97. 2.1. As contribuições foram apuradas por aferição indireta, com base nos lançamentos constantes da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ2003/ Ano Calendário 2002, obtida no Banco de Dados da Secretaria da Receita Federal. Nesta DIPJ há lançamentos denominados Custo dos Bens e Serviços Vendidos, item 29 Serviços Prestados por Pessoa Jurídica Ficha 04 A, no valor de RS 1.611.777,32 e Despesas Operacionais, item 04 Prestação de Serviços Por Pessoa Jurídica Ficha 05 A, no valor de R$ 628.516,12. 2.2. A soma desses dois lançamentos resultou em R$ 2.240.293,44 o qual foi dividido por 12 para a obtenção do valor mensal de R$ 186.691,12. Regularmente intimada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, com bem sintetizado pela DRJ (fls. 361/362) , alegando que (fls. 303/331): A técnica implementada pela Auditoria Fiscal para fundamentar o arbitramento da base tributável foi utilizada ao arrepio das disposições legais. Não foram respeitados os seguintes princípios: liquidez e certeza, reserva legal, prova segura e tipicidade. Infere, ainda, que o lançamento é duvidoso eis que não foi comprovado, de forma segura, a ocorrência do fato gerador do tributo, uma vez que não foram realizadas as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza à constituição do crédito tributário. A falta de apresentação das folhas de pagamento e documentos como: GFIP's e GPS ou mesmo a escrituração contábil e fiscal do período fiscalizado, por si só, não autoriza o fiscal a utilizarse da constituição de crédito tributário como instrumento punitivo, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 440 4 Na obtenção dos dados de todas as GFIP's e GPS com a utilização do banco de dados Dataprev/CNIS para apuração do presente débito o Auditor Fiscal também deveria ter considerado as informações a respeito das retenções que foram efetuadas da Impugnante e aquelas efetuadas de seus subempreiteiros, com vistas a dar mais segurança e certeza para o levantamento, o que evidencia a nulidade do Auto de Infração. Pleiteia a aplicação do prazo decadencial de 05 anos, a teor das disposições contidas no art. 173 e do §4° do art. 150 do CTN. Com o advento da Lei 9.711/98 que alterou a sistemática de recolhimento da contribuição social instituindo a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e considerando que sua atividade exclusiva era a prestação de serviços de manutenção de redes telefônicas, mediante o fornecimento de mão de obra, em contratos firmados unicamente com as empresas TELESP S/A, BRASIL TELECOM S/A e TELEMAR S/A, elas são responsáveis por substituição e devem ser incluídas no pólo passivo do presente processo administrativo. Com referência à Representação Fiscal para Fins Penais, alega que a caracterização do ilícito penal está a depender da procedência do lançamento fiscal eis que se trata de um crime material, de resultado, em que a supressão ou redução do tributo caracterizada, além do que a Autoridade Fiscal está proibida por lei (art. 83 da Lei 9.430/96) de encaminhar a representação ao Ministério Público, razão porque o Inquérito Policial decorrente de tal representação está inquinado pelo vício da ilegalidade. e pede o efeito suspensivo do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ/SPOII (fls. 359/367). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/SPOII apreciou o lançamento e proferiu o acórdão: "Acordam os membros da 10ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do voto da relatora." que em síntese, assim relatou (fls. 359/367): 9. A fiscalização constituiu o crédito previdenciário correspondente, conforme determina o art. 37, da Lei n° 8.212/91 e art. 229 do Decreto n° 3.048/99, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, em total consonância com as normas legais, inclusive, em atendimento ao disposto no art. 142 e seu parágrafo 1, do Código Tributário Nacional CTN. 10.1. A Legislação determina o uso de aferição indireta quando a documentação apresentada não demonstre a realidade, ou seja, os contribuintes têm a obrigação de colaborar com a Fiscalização. Devem apresentar todos os documentos que possui sob pena de ser autuado. Ocorre que o contribuinte desidioso nada apresenta, limitandose a alegar que a técnica implementada pela Auditoria Fiscal para fundamentar o arbitramento da base tributável foi utilizada ao arrepio das disposições legais. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 441 5 11. Considerando que nenhuma prova em contrário foi apresentada, a alegação da empresa serve apenas para reforçar o procedimento fiscal, vez que ela mesma admite não ter apresentado toda a documentação solicitada (fls. 306). Tenta justificar tal falta inferindo que a Auditoria Fiscal, de forma superficial, conduziu o procedimento administrativo destinado à definição do crédito tributário uma vez que suas tomadoras de serviços deveriam também ser objeto de inspeções. 12. No presente caso a Auditoria Fiscal verificou que a empresa não realizou a retenção do percentual de 11% e nem realizou qualquer recolhimento em nome das prestadoras de serviços, como seria de sua responsabilidade consoante determinação contida no art. 31 da Lei 8.212/91, com as alterações promovidas pela Lei 9.711/98, (...). 13. Caso o Impugnante quisesse ou pudesse demonstrar que os valores aqui apurados não condizem com a realidade, poderia têlo feito dentro do prazo de defesa, através dos mencionados documentos não apresentados à fiscalização. Portanto, totalmente improcedente as alegações no sentido de que o lançamento é duvidoso e punitivo. 14. Com referência ao pleito de incluir no pólo passivo as empresas tomadoras de serviços elencadas na impugnação, têm se que o presente levantamento de débitos não se trata de responsabilidade solidária. Para melhor entendimento, transcrevo as ementas do acórdão proferido pela DRJ/SPOII (fl. 359): Assunto: Contribuições Sociais previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2007 NFLD DEBCAD n° 37.130.0908 de 30/10/2007 Fato Gerador: Contratação de serviços prestados mediante cessão de mão de obra Obrigatoriedade da empresa contratante reter 11% do valor bruto da Nota Fiscal ou Fatura de Prestação de Serviços e recolher a importância retida aos cofres públicos, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 9.711/98 e art. 33, § 5o da Lei 8.212/91 com as alterações da Lei 9.528/97. Aferição Indireta Face recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de oficio por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, § 3º da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Decadência de Contribuições Previdenciárias. O prazo decadência! para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos, na forma do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Lançamento Procedente Fl. 441DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 442 6 Do Recurso Voluntário A empresa, devidamente intimada da decisão da DRJ/SPOII (fls. 389/390), em 30/06/2008, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 390), apresentou, em 15/07/2008, recurso voluntário (fls. 392/420). Em sede de recurso voluntário, a recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/SPOII, questionando preliminarmente sobre: a) das irregularidades constantes do lançamento complementar por arbitramento; b) dos procedimentos utilizados para fundamentar o arbitramento das receitas; c) dos procedimentos incorretos utilizados para efeito do apuração do "Auto de Infração com Lançamento Complementar"; apresentando as seguintes alegações: Das Irregularidades e dos Procedimentos Que a técnica implementada pela Auditoria Fiscal para fundamentar o arbitramento da base tributável foi utilizada ao arrepio das disposições legais e que o auto de infração deve ser pautado pelos princípios da legalidade e segurança jurídicas, porque, salvo nas hipóteses em que a legislação expressamente autoriza o emprego da presunção, a acusação de falta de recolhimento de parte das contribuições previdenciárias, há que se fundar em provas concretas e hábeis, de modo a caracterizar com inarredável certeza a ocorrência da Infração. Que os fatos apresentados para embasar a presunção dos valores das contribuições não recolhidas se tornaram improcedentes por absoluta falta de requisitos técnicos no que tange a sua apuração e fundamentação de direito para utilização como prova que pudesse transmitir à AFRFB a certeza necessária quanto à efetiva ocorrência da omissão de recolhimento das contribuições previdenciárias, requisito indispensável para a configuração da efetiva existência do fato gerador do tributo e por conseqüência possibilitar o lançamento complementar do crédito tributário. Que não foram respeitados os seguintes princípios: liquidez e certeza, reserva legal, prova segura e tipicidade e ainda que o lançamento é duvidoso, pois não foi comprovado, de forma segura, a ocorrência do fato gerador do tributo, uma vez que não foram realizadas as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza à constituição do crédito tributário. Que a falta de apresentação das folhas de pagamento e documentos como: GFIP's e GPS ou mesmo a escrituração contábil e fiscal do período fiscalizado, por si só, não autoriza o fiscal a utilizarse da constituição de crédito tributário como instrumento punitivo, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Que não se está discutindo o fato do Ilmo. AFRFB ter aplicado o arbitramento dos valores, uma vez que não lhe foram apresentados as folhas de pagamento, documentos e livros fiscais e contábeis solicitados, mas sim a forma superficial utilizada na condução do procedimento administrativo destinado à definição da do crédito tributário. Que o arbitramento feito de ofício é o recurso da fiscalização previdenciária da Receita Federal do Brasil, quando se vê impossibilitada de aceitar ou de apurar o valor da contribuição devida pelo contribuinte. Por isso, o Conselho de Contribuintes tem reiteradamente decidido que essa modalidade de tributação é excepcional e deve ser aplicada quando esgotadas de fato as possibilidades de apuração do tributo. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 443 7 Que no caso da retenção de 11% a ser efetuada pelo tomador do serviço, o fato gerador da obrigação previdenciária principal é a prestação do serviço, ou seja, não importa se houve ou não emissão de nota fiscal, recibo ou fatura, o que prevalece para a Previdência Social é exclusivamente a prestação do serviço. Que o valor retido será compensado pela empresa contratada, referente ao mesmo estabelecimento ou obra de construção civil da empresa que sofreu a retenção, quando do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre a folha de pagamento dos seus trabalhadores. Que da mesma forma como se obteve os dados do Conta Corrente SAFIS e de todas as GFIP's e GPS utilizadas no banco de dados Dataprev/CNIS, também detém informações a respeito das retenções que foram efetuadas da Impugnante, bem como daquelas retenções por esta efetuada de seus subempreiteiros. Assim, a auditoria fiscal deveria levar em consideração e consequentemente reduzir dos montantes apurados, os valores "retidos da", bem como "retidos pela" impugnante, com vistas a dar um pouco mais de segurança e certeza para o embasamento do Auto de Infração, destituindoo das características nítidas de superficialidade que o trabalho apresenta. Da Nulidade Que ficou claramente evidenciada a nulidade do Auto de Infração uma vez que para sua lavratura não foram observadas as disposições contidas na legislação tributária. (fl. 400). Da Decadência Pleiteia a aplicação do prazo decadencial de 05 anos, a teor das disposições contidas no art. 173 e do §4° do art. 150 do CTN. "Do raciocínio acima exposto e encampado por abalizada doutrina e jurisprudência mais excelente, podese concluir que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, em sede de contribuições sociais, permanece o de cinco anos, a teor das disposições do artigo 173 e do § 4o do art. 150 do CTN." Acrescenta ainda que "sendo inconstitucional, deve prevalecer a regra do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), que é de 05 (cinco) anos, conforme estatuído no art. 173." para isto cita decisão do TRF 4ª Região. Da Responsabilidade Solidária Alegou ainda sobre a ocorrência de responsabilidade solidária, afirmando que com o advento da Lei 9.711/98 que alterou a sistemática de recolhimento da contribuição social instituindo a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e considerando que sua atividade exclusiva era a prestação de serviços de manutenção de redes telefônicas, mediante o fornecimento de mão de obra, em contratos firmados unicamente com as empresas TELESP S/A, BRASIL TELECOM S/A e TELEMAR S/A, elas são responsáveis por substituição e devem ser incluídas no pólo passivo do presente processo administrativo. Da Representação Fiscal Para Fins Penais Fl. 443DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 444 8 Que em relação à Representação Fiscal para Fins Penais caracterização do ilícito penal está a depender da procedência do lançamento se trata de um crime material, de resultado, em que a supressão ou redução do tributo deve ser caracterizada, além do que a Autoridade Fiscal está proibida por lei (art. 83 da Lei nº 9.430/96) de encaminhar a representação ao Ministério Público, razão porque o Inquérito Policial decorrente de tal representação está inquinado pelo vício da ilegalidade. A empresa apresentou, ao longo do seu recurso e, com o objetivo de fundamentar sua contestação, acórdãos de decisões judiciais (fls. 405/416). Do Pedido Ao final, a Recorrente requer o seguinte: a) a atribuição de efeito suspensivo á presente impugnação; b) o reconhecimento de que Ilmo. Auditor Fiscal não esgotou as possibilidades para identificar a base tributável sujeita à imposição do arbitramento do valor das contribuições previdenciárias objeto da autuação, condição essencial para o lançamento do crédito tributário. c) que seja declarada a nulidade e o respectivo cancelamento do auto de infração e imposição de multa, tendo em vista o enorme número de irregularidades nele apresentado afronta aos princípios administrativos bem como não representa com segurança e liquidez o valor do crédito tributário nele contido. d) a inclusão das empresas Telesp Telecomunicações de São Paulo S/A., Telemar Norte Leste S/A e Brasil Telecom S/A. no pólo passivo do presente processo administrativo, tendo em vista sua indiscutível responsabilidade solidária em relação aos eventuais débitos tributários que vierem a ser lançados. e) o reconhecimento da decadência do lançamento referentes às contribuições previdenciárias anteriores à 31 de outubro de 2002. f) a suspensão da emissão da Representação Fiscal para fins penais enquanto não complementado o Processo Administrativo Fiscal para fins penais, uma vez não caracterizada a ocorrência de qualquer infração. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator Fl. 444DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 445 9 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade A recorrente afirmou que "fica claramente evidenciada a nulidade do Auto de Infração uma vez que para sua lavratura, fica claramente demonstrado que não foram observadas as disposições contidas na legislação tributária." (fl. 400). Neste caso, ao analisar o pedido de nulidade, verificouse que os motivos alegados pela Impugnante se referem também à questão de mérito, por isso, os argumentos aqui apresentados serão devidamente apreciados no decorrer do voto, quando da análise do mérito. Todavia, notase que a empresa cogitou a ocorrência de nulidade, por isso, fezse necessário compulsar os elementos contidos nos autos para verificar se houve alguns dos motivos que pudessem ensejar nulidade. Então, após compulsar os autos, percebeuse que a Notificação de Lançamento de Débito NFLD e seus anexos cumprem a exigência legal de descrever de modo claro e preciso os motivos fáticos e jurídicos que justificaram o lançamento. Pois, consta nos documentos a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e os períodos a que se referem, além dos acréscimos moratórios e da multa aplicada (fls. 02/50), bem como o Relatório Fiscal contém a exposição dos fundamentos jurídicos da autuação e planilhas que discriminam a base de cálculo (fls. 66/73). No mesmo sentido, notase que o procedimento fiscal adotado foi realizado observando as normas legais pertinentes à matéria e respeitando o direito da contribuinte, como: a) a empresa foi devidamente intimada (fls. 51/63); b) o crédito tributário foi lançado por meio de Notificação de Lançamento, acompanhado de anexos explicativos (fls. 02/50); c) apresentação da fundamentação legal do lançamento (fls. 02, 46/48 e 69/70); d) informações para o exercício da defesa (fls. 04/05) e e) ciência da contribuinte (fls. 300/303). Ou seja, houve, por parte da Autoridade Fiscal, a apresentação das informações necessárias para propiciar à contribuinte uma análise adequada do crédito, como também exercer o direito à ampla defesa e ao contraditório, como de fato está exercendo no recurso voluntário, como foi na impugnação. Do mesmo modo, notase que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e o Relatório Fiscal permitiram à Recorrente compreender exatamente como foi apurada a base de cálculo para efetuar o lançamento com a discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas, dos períodos a que se referem, além dos acréscimos moratórios e da multa aplicada. Por fim, entendo que a empresa pode até contestar a interpretação dada aos fatos pela Fiscalização, mas é inegável que a NFLD cumpriu os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972, permitindo à Recorrente o exercício pleno do seu direito à ampla defesa e ao contraditório bem como não houve violação de algum dos requisitos elencados no artigo 59 do mesmo Decreto: Fl. 445DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 446 10 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Com base no exposto, rejeitase a preliminar de nulidade arguída pela empresa, bem como entendo que inexistiu ofensa ao direito à defesa da Recorrente. Da Decadência O Supremo Tribunal Federal aprovou a Súmula Vinculante nº 8, de 12 de junho de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 20 de junho de 2008, declarando inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 2008, in verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Por força do artigo 146, III, b, da Constituição Federal de 1988, cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre prescrição e decadência tributária. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 447 11 Destarte, aplicamse às contribuições sociais as regras de decadência e prescrição da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), recepcionado pela Constituição Federal com força de lei complementar. Assim, o prazo decadencial para o lançamento de ofício de contribuições sociais é de 5 anos, na forma dos arts. 150, §4º, e 173, inciso I, do CTN. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Neste aspecto, considerando o fato de que a contribuição previdenciária é um tributo sujeito a lançamento por homologação e, por conseqüência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso exista pagamento parcial, o crédito é definitivamente extinto cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Por outro lado, naquelas competências em que não há o pagamento parcial, o prazo decadencial somente se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a contribuição poderia ser lançada. Neste contexto, cabe observar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já se manifestou neste sentido, conforme o teor da súmula nº 99: Súmula nº 99 – Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 448 12 No presente caso, em consulta ao Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA (fls. 34 e 40) verificouse a existência de pagamentos parciais de contribuições nas competências 01 a 09 de 2002. Desse modo, devido ao transcurso do prazo superior cinco anos contado da ocorrência do fato gerador até a data da ciência do débito em 31/10/2007, os créditos consignados nas competências janeiro a setembro de 2002 foram alcançados pela decadência (Códigos de pagamento 2100), consoante o art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional. Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Quando a empresa contestou o Acórdão da Decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme recurso voluntário (fls. 392/420), ocorreu a suspensão da exigência do credito tributário nos termos do inciso III, do art. 151, da Lei nº 5.172/66 (CTN). Assim, com a suspensão da exigibilidade do crédito, ora em análise, entendo que foi contemplado o pedido da empresa, enquanto perdurar o recurso administrativo. Da Responsabilidade Solidária No tocante ao pedido da contribuinte, em sede de recurso, para incluir no polo passivo as empresas tomadoras de serviços, não procede, tendo em vista que não é competência do CARF atribuir responsabilidade solidária, sendo que tal atribuição, no âmbito da ação fiscal, se for o caso, caberia a Autoridade lançadora. Da Representação Fiscal Para Fins Penais A Recorrente, pelas suas razões, pleiteia a suspensão da emissão da Representação Fiscal para Fins Penais. Contudo, cabe esclarecer não compete ao CARF se pronunciar sobre controvérsias referentes a citada representação, no caso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Da Jurisprudência Em relação a jurisprudência apresentada pela empresa, cabe esclarecer que os efeitos das decisões judiciais, conforme art. 503 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), somente obrigam as partes envolvidas, uma vez que a sentença judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Além disso, cabe ao conselheiro do CARF o dever de observância obrigatória de decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Isto posto, entendo que a jurisprudência apresentada nos autos pela Recorrente não vincula este julgamento na esfera administrativa. Mérito Fl. 448DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 449 13 Quanto ao mérito, passo a apreciálo na sequência: Do Lançamento por Aferição Indireta A Recorrente contestou o lançamento argumentando que a técnica implementada pela Auditoria Fiscal para fundamentar o arbitramento da base tributável foi utilizada ao arrepio das disposições legais, que o auto de infração deve ser pautado pelos princípios da legalidade e segurança jurídicas, que não foram respeitados os princípios da liquidez e certeza, reserva legal, prova segura e tipicidade e ainda que o lançamento é duvidoso. Argumentou também que a falta de apresentação das folhas de pagamento, documentos ou mesmo a escrituração contábil e fiscal do período fiscalizado, por si só, não autoriza o fiscal a utilizarse da constituição de crédito tributário como instrumento punitivo, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. De plano, observase que os argumentos apresentados pela recorrente na sua essência, além de não merecer acolhida, carece de fundamentação legal para se sustentar. Pois a empresa foi intimada diversas vezes para apresentar seus documentos fiscais, previdenciários bem como sua escrituração contábil (livros diário e razão e demais documentos) e não os apresentou (fls. 60/68), descumprindo os comandos legais previstos no art. 195 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN) e no art. 32, III, da Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991, os quais determinam que a empresa está obrigada a prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis na forma da lei, bem como os esclarecimentos necessários à Fiscalização. Por este motivo, o AuditorFiscal aplicou a multa por descumprimento de obrigação acessória por meio do Auto de Infração DEBCAD n° 37.130.0959, exigido em processo próprio, nos termos do § 2º, art. 33, da Lei n.º 8.212/91 (fl. 70, item 3.1.2). Assim, ao deixar de atender a Fiscalização, recusando a fornecer as informações, os documentos solicitados e a sua escrituração contábil, a contribuinte praticamente inviabilizou a identificação e a individualização dos elementos sujeitos à verificação do fato gerador das contribuição sociais. Por isso, não restou outra alternativa à auditoria fiscal, senão constituir os créditos tributários por aferição indireta, nos termos do § 3, artigo 33 da Lei nº 8.212/91. Contudo, cabe esclarecer que o lançamento de ofício, por meio da aferição indireta, com fundamento no § 3, artigo 33 da Lei nº 8.212/91, é um procedimento excepcional que se aplica quando o sujeito passivo deixa de apresentar os documentos necessários à fiscalização bem como a sua escrituração contábil, impedindo a apuração regular das contribuições devidas. Neste sentido, observase que o lançamento por aferição indireta (arbitramento) é um procedimento com presunção juris tantum, sujeito a prova em contrário. Todavia, como pode ser observado nos autos, a Recorrente não apresentou as provas para contestar o lançamento, ficando os seus argumentos desprovidos de qualquer elemento probatório. Além disso, entendo que caberia à contribuinte, caso não concordasse com o procedimento adotado pela fiscalização, apresentar junto com os motivos de fato e de direito Fl. 449DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 450 14 que fundamentaram sua pretensão, os documentos que respaldassem suas afirmações, a fim de comprovar o seu pleito, conforme disciplina os dispositivos legais pertinentes à matéria, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, Assim, sem apresentar os documentos e os elementos probatórios, o lançamento não pode ser modificado, pois, a modificação do crédito lançado se processa mediante comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que o lançamento não foi realizado corretamente. Nesta mesma linha de pensamento, cabe citar o Acórdão nº 2202004.572, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do CARF, em 03 de julho de 2018, no qual se decidiu como correto a aplicação do arbitramento (aferição indireta) quando o contribuinte recusar ou apresentar elementos deficientes para verificação do fato gerador do tributo: AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Diante do exposto, rejeitase os argumentos da contribuinte de que o lançamento foi realizado ao arrepio das disposições legais, que não foi pautado pelos princípios da legalidade, segurança jurídicas, que não foram respeitados os princípios da liquidez e certeza, reserva legal, prova segura e tipicidade e que o lançamento é duvidoso. Da Regularidade dos Procedimentos Para o Lançamento por Aferição Indireta Neste caso, em relação à técnica para realizar a aferição indireta, entendo que compete a Autoridade Fiscal estabelecer procedimentos capazes de verificar a ocorrência dos fatos geradores dentro da realidade da empresa, sem contudo se tornar uma presunção absoluta, cabendo prova ao contrário. Assim, para efeito de apurar a contribuição devida pela contribuinte, referente à retenção de onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, decorrente da contratação de serviços, mediante cessão de mãode obra, a Fiscalização utilizou os elementos informativos registrados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIRPJ (exercício 2003) da Recorrente relativos ao custo com os serviços prestados (fls. 66/73). Do mesmo modo, cabe registrar que as informações colhidas pela Fiscalização, para fundamentar o lançamento das contribuições devidas pela empresa, tiveram como base elementos de provas informados na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica da Recorrente, os quais se constituem em meio probatório consistente e que foram apresentadas de forma circunstanciada no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 66/73): As contribuições devidas, incluídas na presente Notificação, foram apuradas por Aferição Indireta, tendo em vista que os lançamentos na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Fl. 450DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 451 15 Jurídica DIPJ 2003 Ano Calendário 2002 Ficha 04 A Custo dos Bens e Serviços Vendidos item 29 Serviços Prestados Por Pessoa Jurídica R$ 1.611.777,32 somado ao valor contido na Ficha 05 A Despesas Operacionais item 04 Prestação de Serviços Por Pessoa Jurídica R$ 628.516,12, no total R$ 2.240.293,44, obtida junto ao Banco de Dados da MF/SRF Secretaria da Receita Federal. 4 O Valor Mensal Aferido Pessoa Jurídica de R$ 186.691,12 foi resultado da Média Aritmética dc RS 2.240.293,44, dividido por 12 competências. 5 Os valores lançados na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foram obtidos conforme pesquisa no Banco de Dados do MF/SRF, porque não foram apresentados os documentos Notas Fiscais dc Serviços, Faturas ou Recibos e outros tantos documentos, inclusive a contabilidade, mesmo a empresa cientificada por TIAF e TIADs, um dos motivos do Auto de Infração DEBCAD N. 37.....012.7706 Como a fiscalização não teve acesso as Notas Fiscais de Serviços, as Faturas ou Recibos, livros contábeis e outros variados documentos. 6 As contribuições devidas, incluídas na presente Notificação, foram apuradas por Aferição Indireta com base no lançamento contido na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ 2003 Ano Calendário 2002: Diante do exposto, entendo como corretas as técnicas e os procedimentos utilizados pela Fiscalização com o objetivo de apurar o quantum devido, por meio de aferição indireta. Assim sendo, rejeitase o argumento da contribuinte de que a técnica implementada pela Auditoria Fiscal foi utilizada ao arrepio das disposições legais e que não foram esgotadas as possibilidades para identificar a base tributável. Da Exigência da Contribuição Retenção Sobre o Valor Bruto de Notas Fiscais Após a recusa da empresa em apresentar os documentos solicitados, o AuditorFiscal, por meio da aferição indireta (arbitramento), lançou a contribuição referente à retenção de onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, decorrente da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, que devia ser retida e recolhida à Previdência Social pela Recorrente, em nome das empresas contratadas, conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 66/70): 1 A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD contém as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte de contribuições da Empresa em Geral, contratante de serviços prestados mediante cessão de mãode obra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário e por Segurados Contribuintes Individuais Cooperados por intermédio de Cooperativas de Trabalho, a partir de Fevereiro/1999: retenção de onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, Fl. 451DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 452 16 que importância devia ser retida e recolhida a Previdência Social, em documento de arrecadação identificado com a denominação social e o CNPJ da empresa contratada. 5 Os valores lançados na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foram obtidos conforme pesquisa no Banco de Dados do MF/SRF, porque não foram apresentados os documentos Notas Fiscais de Serviços, Faturas ou Recibos e outros tantos documentos, inclusive a contabilidade, mesmo a empresa cientificada por TIAF e TIADs, um dos motivos do Auto de Infração DEBCAD N. 37.....012.7706 Como a fiscalização não teve acesso as Notas Fiscais de Serviços, as Faturas ou Recibos, livros contábeis e outros variados documentos. Em sua defesa, a contribuinte não apresentou nenhum elemento capaz de modificar o lançamento, pelo contrário, apenas reforçou os motivos da exigência, quando reconheceu que não apresentou a documentação solicitada (fl. 398): Deixamos muito claro que a impugnante não está discutindo o fato do Ilmo. AFRFB ter aplicado o arbitramento dos valores, uma vez que não lhe foram apresentados as folhas de pagamento, documentos e livros fiscais e contábeis solicitados, mas sim a forma superficial utilizada na condução do procedimento administrativo destinado à definição da do crédito tributário. Em vista do exposto, considerase correto o efetivo lançamento das contribuições, uma vez que a contribuinte deixou de apresentar documentos e outros elementos probatórios e, assim, não restou outra alternativa à Autoridade Fiscal, senão exigir o tributo nos termos do § 3º, do art. 33, Lei nº 8.212/91. Dos Créditos Considerados no Lançamento A recorrente questionou que da mesma forma como se utilizou informações dos bancos de dados da RFB (contacorrente, SAFIS, GFIP e GPS), deveria levar em consideração os valores retidos para reduzir o montante apurado. Assim, no tocante a esse questionamento, entendo que não merece ser acolhido, uma vez que a contribuinte alegou de forma genérica, não apontando qual foi o recolhimento que deixou de ser considerado. Além do mais, compulsando os autos, notase que, diferente das alegações da contribuinte, o AuditorFiscal levou em consideração, no que diz respeito a recolhimento, as informações colhidas na ação fiscal, como pode ser verificado no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 66/73), bem como no RL Relatório de Lançamentos, nos quais estão registradas as base de cálculo apuradas e o valor da contribuição lançada (fls. 23/28). Do mesmo modo, observase que a fiscalização verificou também os recolhimentos efetuados pela empresa, conforme consta no RDA Relatório de Documentos Apresentados (fls. 29/45). Dessa forma, rejeitase o argumento de que as guias recolhidas e os valores declarados pela contribuinte não foram levados em consideração na ação fiscal. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 18108.002144/200742 Acórdão n.º 2202005.247 S2C2T2 Fl. 453 17 Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência dos créditos lançados nas competências janeiro a setembro de 2002. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 453DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.900667/2008-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA.
Efetuado o pagamento a destempo do tributo pelo contribuinte, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, deve ser excluída a multa moratória em razão da ocorrência de denúncia espontânea.
REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ.ART.62,§2o DO RICARF.
Segundo o art. 62, §2o, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, com redação dada pela Portaria MF no 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 1.036 a 1.041 da Lei no 13.105, de 2015, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
Numero da decisão: 3001-000.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a aplicação da multa de mora e reconhecer o direito ao crédito nos termos da compensação requerida.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Felipe de Barros Reche - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: LUIS FELIPE DE BARROS RECHE
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA. Efetuado o pagamento a destempo do tributo pelo contribuinte, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, deve ser excluída a multa moratória em razão da ocorrência de denúncia espontânea. REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ.ART.62,§2o DO RICARF. Segundo o art. 62, §2o, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, com redação dada pela Portaria MF no 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 1.036 a 1.041 da Lei no 13.105, de 2015, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-12T00:39:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-12T00:39:14Z; Last-Modified: 2019-07-12T00:39:14Z; dcterms:modified: 2019-07-12T00:39:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-12T00:39:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-12T00:39:14Z; meta:save-date: 2019-07-12T00:39:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-12T00:39:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-12T00:39:14Z; created: 2019-07-12T00:39:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-07-12T00:39:14Z; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-12T00:39:14Z | Conteúdo => S3-TE01 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10935.900667/2008-82 Recurso Voluntário Acórdão nº 3001-000.859 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 13 de junho de 2019 Recorrente T M CONFECCOES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA. Efetuado o pagamento a destempo do tributo pelo contribuinte, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, deve ser excluída a multa moratória em razão da ocorrência de denúncia espontânea. REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ.ART.62,§2 o DO RICARF. Segundo o art. 62, §2 o , do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n o 343/2015, com redação dada pela Portaria MF n o 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 1.036 a 1.041 da Lei n o 13.105, de 2015, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a aplicação da multa de mora e reconhecer o direito ao crédito nos termos da compensação requerida. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 06 67 /2 00 8- 82 Fl. 121DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-000.859 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900667/2008-82 Relatório Trata-se de pedido de compensação de débitos com créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior, no qual o crédito analisado foi considerado insuficiente, em razão de ter sido utilizado para extinguir débito devidamente constituído, homologando-se apenas parcialmente a compensação. Por bem sintetizar o objeto da lide em discussão, reproduzo o Relatório da decisão de primeira instância. “Trata o processo de manifestação de inconformidade, apresentada em face da não- homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp n° 00724.56904.070704.1.3.04-0430 nos termos do despacho decisório emitido em 09/05/2008 pela DRF em Cascavel/PR (cópia à fl. 25), com ciência à contribuinte em 23/05/2008. Segundo citado despacho decisório a compensação foi homologada parcialmente porque o DARF indicado no PerDcomp como origem do crédito (COFINS - código 2172, no valor total de R$ 16.002,80, efetuado em 02/10/2002) encontrava-se parcialmente utilizado para a quitação da mesma exação (COFINS) do periodo de apuração de 07/2002, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido e insuficiente para a compensação dos débitos indicados na DCOMP. Na manifestação apresentada a contribuinte relata que o valor do crédito compensado na DCOMP é relativo à Multa de Mora constante do DARF indicado, a qual, segundo seu entendimento, foi recolhida indevidamente. Defende que o crédito (multa de mora) é relativo a tributo que foi pago antes de qualquer ato da administração pública, ou seja houve a confissão e houve o pronto pagamento sem anterior ato da administração, caracterizando os requisitos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Argumenta, em síntese, ser impossível a exigência de multa moratória sobre débitos tributários pagos espontaneamente, defende que a multa de mora tem o caráter sancionatório, que o pagamento do tributo antes de qualquer ato da administração pública configura o instituto da denúncia espontânea, conforme o art. 138 do CTN, e aduz que os valores recolhidos indevidamente devem ser corrigidos monetariamente através da aplicação da juros equivalentes à taxa Selic. Ao final, solicita: o acolhimento da manifestação com efeito suspensivo para a decisão atacada; a reforma da decisão a quo, deferindo-se o ressarcimento ou restituição dos valores recolhidos indevidamente ou a maior, com a conseqüente homologação da compensação efetuada; a incidência dos juros equivalentes à Taxa Selic, acumulada mensalmente, sobre os valores pagos indevidamente; e a intimação da pauta de julgamento e das decisões deste processo na pessoa do procurador para fins de sustentação oral”. O colegiado a quo entendeu por bem considerar improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada. DRJ/Curitiba-PR Acórdão n.º 0629.762-3.ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 Fl. 122DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-000.859 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900667/2008-82 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. HOMOLOGAÇAO PARCIAL. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, homologam-se as compensações requeridas até o limite do crédito reconhecido”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/Curitiba-PR), fundamentou a decisão com o argumento de que (fls. 040 e 041 – grifos no original): “Uma leitura mais atenta do art. 138 nos permite inferir que o que emerge de seu conteúdo encontra-se adstrito à exclusão da penalidade de cunho punitivo. Já a multa de mora não se destina a imputar falta ao sujeito passivo, mas diversamente, compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no recebimento de receita previamente determinada, portanto é de natureza exclusivamente indenizatória. Ademais, por se tratar de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o fato de a contribuinte antecipá-lo e mesmo declará-lo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso (o crédito mencionado no Per/Dcomp refere-se à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo). Tal entendimento, aliás, já foi pacificado inclusive no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. E o que se extrai da Súmula n° 360, abaixo transcrita: (...) Com efeito, estando a multa de mora expressamente prevista na legislação e submetendo-se a administração tributária ao princípio constitucional da legalidade, princípio basilar e norteador de toda a administração pública, não tem a autoridade tributária competência para afastar os efeitos de lei inquestionavelmente em vigor. Desse modo, com esteio nas normas legais pertinentes pode-se inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher o tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruções da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso, não sendo possível, portanto, reconhecer a existência de crédito, relativamente à multa de mora, do pagamento que foi indicado no Per/Dcomp”. Inconformado, a Recorrente apresentou, em 02/02/2011, Recurso Voluntário (doc. fls. 046 a 059), por meio do qual contesta a decisão de primeira instância repisando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Alega, em síntese, que houve pagamento a maior em razão de ter havido a inclusão de multa de mora em pagamento efetivado em sede de espontaneidade. Questiona dessa forma o argumento jurídico esposado no acórdão vergastado, no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica em caso de multa de mora. Fl. 123DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-000.859 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900667/2008-82 E tomando essas razões, espera a reforma da decisão proferida, requerendo, ao fim, o reconhecimento do crédito em virtude do pagamento indevido de multa em sede de denúncia espontânea, a homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp n o 00724.56904.070704.1.3.04-0430 e a atualização monetária pela Taxa Selic dos valores indevidamente recolhidos. O litígio foi então posto à apreciação desta c. Turma, a qual resolveu, por meio da Resolução n o 3001-000.095 (doc. fls. 074 a 083), converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem, “para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada”. Feito isso, a unidade de origem promoveu a análise solicitada, emitindo a Informação Fiscal n o S/N, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel - PR (doc. fls. 100 a 103), por meio da qual manifesta o entendimento de que “o crédito requerido é improcedente, devendo ser mantida a decisão que não homologou a compensação, ainda que a jurisprudência citada na resolução do CARF traga conclusão com entendimento contrário, de que estaria configurada a denúncia espontânea”. No referido documento, informa que (grifei): “O pagamento da contribuição, a apresentação da DCTF e a transmissão da declaração de compensação ocorreram, no caso em análise, na seguinte ordem cronológica: pagamento da COFINS em 02/10/2002 (comprovante na fl. 95), no valor de R$ 16.002.80 (R$ 12.905,49 de principal + R$ 2.710,15 de multa moratória + 387,16 de juros), referente ao período de apuração de julho/2002, vencido em 15/08/2002; apresentação de DCTF original, nº 0000.100.2002-11288546, em 14/11/2002, referente ao 3º trimestre/2002, declarando débito de COFINS do período de julho/2002 no valor de R$ 12.905,49, conforme cópia da declaração parcialmente reproduzida às fls. 91/92; transmissão da declaração de compensação nº 00724.56904.070704.1.3.04-0430, em 07/07/2004, com utilização do crédito referente a multa de 2.710,15, conforme cópia da declaração às fls. 86/90; e apresentação de DCTF retificadora, nº 0000.100.2004-41898722, em 25/08/2004, referente ao 3º trimestre/2002, sem modificação do valor do débito de COFINS do período de julho/2002, conforme cópia da declaração parcialmente reproduzida às fls. 93/94. (...) No caso tratado neste processo, conforme detalhado no início da informação fiscal, o pagamento ocorreu em 02/10/2002 (comprovante na fl. 95), quando o débito não estava confessado, posto que a DCTF original foi entregue em 14/11/2002. (...)” É o relatório. Voto Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Relator. Fl. 124DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-000.859 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900667/2008-82 Competência para julgamento do feito O litigio materializado no presente processo observa o limite de alçada e a competência deste Colegiado para apreciar o feito, consoante o que estabelece o art. 23-B do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n o 343, de 9 de junho de 2015 1 . Conhecimento do recurso O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, de sorte que dele tomo conhecimento. Análise do mérito Cuida-se no presente processo de lide instaurada em decorrência do questionamento feito pelo sujeito passivo acerca de reconhecimento parcial de direito creditório pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR (DRF/Cascavel/PR), após análise do direito creditório apontado pelo sujeito passivo em solicitação de compensação de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A DRF/Cascavel/PR reconheceu apenas parcialmente o direito ao crédito pleiteado pelo sujeito passivo em decorrência de multa de mora supostamente devida em virtude de pagamento em atraso. Inconformada, a recorrente questiona a aplicação da multa de mora e requer que seja reconhecido o seu pagamento indevido pelo reconhecimento da ocorrência de denúncia espontânea. Vejamos. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, nos seguintes termos: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 1 Art. 23-B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I - de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) II - de isenção de IPI e IOF em favor de taxistas e deficientes físicos, desvinculados de exigência de crédito tributário; e (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) III - exclusivamente de isenção de IRPF por moléstia grave, qualquer que seja o valor. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) Fl. 125DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-000.859 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900667/2008-82 § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”. Na sistemática da análise dos PERD/COMP de pagamento indevido ou a maior, sendo feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação do conta corrente de créditos e débitos, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir de manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Naquele recurso, o contribuinte pode contestar a decisão, apresentando descrição detalhada da origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi exatamente o que ocorreu no presente caso. Irresignada com a decisão de homologação parcial do crédito que entendia fazer jus, a recorrente instaurou a fase litigiosa informando a origem do indébito e apresentou as razões que entendeu embasarem o seu direito, sustentando ter sido indevido a recolhimento da multa de mora. Não se questiona nos autos a denegação da homologação do crédito informado na DCOMP, visto que foi reconhecido pela autoridade fazendária. A matéria de mérito a ser analisada, então, se restringe à aplicação ou não do instituto da denúncia espontânea, na extinção de débitos tributários declarados em DCTF e recolhidos pelo sujeito passivo antes de qualquer procedimento por parte do Fisco. A discordância se limita ao pagamento da multa de mora relativamente aos débitos recolhidos espontaneamente pelo recorrente, supostamente antes de quaisquer ações do Fisco para exigi-los, o que, segundo a empresa, afastaria a aplicação da multa moratória pelo fato de ter ocorrido a denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. A aplicação da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, na extinção de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, já foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o rito dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n o 13.105, de 16/03/2015, por meio do REsp n o 1.149.022/SP. No recurso, aquele Tribunal Superior decidiu que não se aplica o instituto da denúncia espontânea aos débitos declarados pelo contribuinte nas respectivas DCTF e liquidados depois das datas de seus vencimentos. A ementa daquele julgado, assim dispõe (os destaques são de nossa autoria): "RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 126DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-000.859 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900667/2008-82 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano-base 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010)." A matéria já havia sido sumulada pelo próprio STJ, Súmula n o 360, publicada no DJe de 8/9/2008, verbis (novamente grifei): "Sumula STJ n o 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo." Tem-se no julgado, então, duas situações distintas, a saber: (1) o contribuinte declara parcialmente o débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) e efetua o respectivo pagamento integral; depois, antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, retifica a declaração efetuada noticiando a existência de diferença a maior, quitando-a Fl. 127DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-000.859 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900667/2008-82 concomitantemente – situação à qual se aplica o instituto da denúncia espontânea com a consequente exclusão da multa moratória; e (2) o contribuinte declara tributo sujeito a lançamento por homologação e efetua o correspondente pagamento, à vista ou parceladamente, fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco – hipótese na qual não se caracteriza a denúncia espontânea (Sumula STJ n o 360). Como visto, a aplicação do REsp n o 1.149.022/SP pressupõe, nas duas hipóteses nas quais trata da aplicação do instituto da denúncia espontânea, a existência da declaração prévia do tributo sujeito a lançamento por homologação e seu correspondente pagamento, a menor ou integral. Analisando as informações trazidas aos autos pela DRF/Cascavel/PR, constata-se que em 02/10/2002 ocorreu o pagamento no valor de R$ 16.002.80 (R$ 12.905,49 de principal + R$ 2.710,15 de multa moratória + R$ 387,16 de juros de mora), referente ao período de apuração de julho/2002, vencido em 15/08/2002. Mas somente em 14/11/2002 ocorreu a apresentação de DCTF original referente ao 3 o Trimestre/2002, declarando débito de COFINS do período de julho/2002 no valor de R$ 12.905,49. A DCTF Original relativa ao período de apuração foi transmitida e recepcionada posteriormente ao recolhimento dos DARF que extinguiram o crédito tributário devido. Cabe observar que o art. 2 o da Instrução Normativa RFB n o 126/1998, vigente até dezembro de 2002, estabelecia que a DCTF deveria ser entregue até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. A extinção de débitos tributários depois do vencimento, mediante pagamento à vista ou compensação, implicaria, a princípio, a aplicação e exigência de multa de mora, nos termos do CTN e da Lei n o 9.430, de 1997. Não obstante, o presente caso é distinto, visto que ainda não tinha ocorrido a confissão da dívida por meio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais -DCTF, quando do pagamento a destempo. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em DCTF. Tal entendimento também encontra eco em decisões do STJ, a exemplo do Recurso Especial n o 926.647 – RJ, da lavra do Sr. Ministro Francisco Falcão (verbis – destaques nossos): RECURSO ESPECIAL Nº 926.647 – RJ. TRIBUTÁRIO. IOF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. I - Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, ante seu manifesto caráter infringente, em atenção aos princípios da instrumentalidade das formas e da fungibilidade recursal. II - Acerca da denúncia espontânea, esta Colenda Corte Superior firmou entendimento no sentido de que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando não há o denominado autolançamento por meio de prévia declaração de débitos pelo contribuinte, não se encontra constituído o crédito tributário, razão pela qual, nesta situação, a confissão da dívida acompanhada do seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação Fl. 128DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-000.859 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900667/2008-82 fiscalizatória ou processo administrativo, configura denúncia espontânea, capaz de afastar a multa moratória, o que é a hipótese dos autos. Precedentes: REsp 836.564/PR, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 03.08.2006; AgRg no REsp 868680/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 27.11.2006 p. 267 e AgRg no Ag 600.847/PR, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 05.09.2005. III - Agravo regimental provido. Ressalte-se ainda que não encontra guarida o argumento utilizado na decisão de piso relativamente à inexistência de qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso. Como visto linhas acima, encontra-se expressamente exposto no REsp n o 1.149.022/SP que o instituto da denúncia espontânea “exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte” (grifei). Nos termos do art. 62, §2 o do Anexo II do Regimento Interno do CARF § 2 o , as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n o 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A Recorrente requer ao fim a atualização do crédito tributário mediante a aplicação do percentual equivalente à taxa SELIC incidente sobre os valores recolhidos a título de multa de mora em denúncia espontânea, “acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido, consoante o disposto no artigo 39, parágrafo 4°, da Lei n°. 9.250/95, de modo que se apure a existência de saldo remanescente da compensação efetuada”. Quanto à atualização pela taxa SELIC do pagamento indevido da multa de mora, a razão não está com a Recorrente. O § 4 o do art. 39 da Lei n o 9.250/95 estabelece que a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior. Não obstante, uma leitura atenta do caput do art. 39, ao qual se vincula o referido parágrafo, e do art. 66 da Lei n o 8.383/91 nele mencionado nos mostra que a atualização do crédito com a aplicação da taxa SELIC se aplica ao pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, não se aplicando, assim, ao pagamento indevido da multa de mora, como assevera a Recorrente (os grifos são nossos): Lei n o 9.250/95 “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (..) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada”. Fl. 129DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3001-000.859 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.900667/2008-82 Lei n° 8.383/91 “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (...)” Conclusões Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recuso Voluntário do contribuinte para, no mérito, dar-lhe parcial provimento, no sentido de afastar a aplicação da multa de mora e reconhecer o direito ao crédito nos termos da compensação requerida por meio do PER/DCOMP n o 00724.56904.070704.1.3.04-0430. (documento assinado digitalmente) Luis Felipe de Barros Reche Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920308/2012-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 14/05/2004
INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.107
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que indeferiu a restituição solicitada por meio de Pedido de Restituição Eletrônico - PER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 03 08 /2 01 2- 82 Fl. 78DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.107 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920308/2012-82 Dito pedido foi indeferido, após análise eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em despacho decisório assinado pelo titular da unidade, apontou-se, como causa do indeferimento do pedido de restituição, o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, o valor correspondente teria sido totalmente utilizado em outra declaração de compensação ou na extinção de outro débito. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, em que relata que o pedido de restituição refere-se a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e/ou Cofins em razão da inclusão do ISS na base de cálculo dessas contribuições. Ao defender a legalidade do crédito pleiteado, argumenta que, de acordo com as Leis instituidoras da contribuição para o PIS e da Cofins, bem como o art. 195 da Constituição Federal vigente, caberia à Receita Federal “reconhecer como base de cálculo para o PIS e a COFINS a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ISS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento. O valor do ISS está embutido no preço dos serviços prestados. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento.” Aduz que a base de cálculo não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Invoca o art. 110 do Código Tributário Nacional, alegando que “há que se atentar, também, para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações. Argumenta que os contribuintes do PIS e da Cofins não faturam ISS, porque tal imposto não é receita da empresa, mas um desembolso que beneficia o Município, o qual detém a competência para cobrá-lo. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que: (i) o ISS compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão; e (ii) inexistiriam nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente. Regularmente cientificada da decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese que o ISS não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme já decidido no RE 574.706 que trata do ICMS, aplicável ao caso sob análise. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.101, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920300/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 79DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.107 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920308/2012-82 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.101): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 24161.20960.061108.1.2.04-0381 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito tem origem no recolhimento indevido da COFINS incidente sobre o ISS. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender (i) que o ISS compõe a base de cálculo da COFINS e (ii) inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Pois bem. A controvérsia está em determinar se é devida a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A matéria já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, o qual, por maioria e nos termos do voto da Relatora, ao apreciar o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins”. A questão, portanto, encontra-se pacificada, de modo que não cabe mais discussão a esse respeito. Tal entendimento, baseado no fato de o ICMS não compor o faturamento, base de cálculo das contribuições, também pode ser aplicado ao ISS, eis que este também não a integra, o que garante a segurança jurídica em relação ao tema. A aplicação da decisão proferida do RE nº 574.706 ao presente caso, foi alvo de decisão proferida no RE 592.616, onde restou decidido por sobrestar o feito até julgamento daquele RE. Neste eito, entendo que razão assiste à Recorrente. Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 80DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.107 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920308/2012-82 V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 81DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii
score : 1.0
Numero do processo: 10783.913020/2012-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/01/2010
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original por meio de documentação hábil e idônea.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-000.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência efetuada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, em relação ao mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que deu provimento parcial ao Recurso, para fins de reconhecer o direito creditório limitado ao montante a ser identificado pela fiscalização na fase de execução, com base na documentação anexada aos autos.
(documento assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2010 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original por meio de documentação hábil e idônea. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência efetuada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, em relação ao mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que deu provimento parcial ao Recurso, para fins de reconhecer o direito creditório limitado ao montante a ser identificado pela fiscalização na fase de execução, com base na documentação anexada aos autos. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original por meio de documentação hábil e idônea. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência efetuada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, em relação ao mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que deu provimento parcial ao Recurso, para fins de reconhecer o direito creditório limitado ao montante a ser identificado pela fiscalização na fase de execução, com base na documentação anexada aos autos. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 30 20 /2 01 2- 88 Fl. 97DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-000.795 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10783.913020/2012-88 Relatório Trata este processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins no valor de R$ 9.451,17, relativo ao período de apuração janeiro/2010, para quitar débitos de período posterior da própria Contribuição (fls. 31 a 35). Por meio de Despacho Decisório à fl. 36, a Delegacia da Receita Federal em Vitória decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o pagamento relativo ao Darf informado na declaração havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual esclareceu que errou o preenchimento da DCTF, mas, uma vez retificada em conformidade com o PER/Dcomp, o crédito passava a existir (fls. 2 e 3). Juntou, a título de prova, o Despacho Decisório, documentos de representação e constituição da empresa, o PER/Dcomp, Darf e a DCTF retificadora (fls. 4 a 29). A Delegacia de Julgamento em Curitiba proferiu o Acórdão nº 06-48.530 (fls. 42 a 46), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que a retificação da DCTF após o despacho decisório seria válida quando acompanhada dos elementos de prova da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, ônus do qual deveria o interessado ter se desincumbido quando da interposição da Manifestação de Inconformidade. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar não-homologada a compensação declarada. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR À NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 30.09.2014, conforme AR constante à fl. 49, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 30.10.2014, conforme carimbo do protocolo na folha inicial do Recurso - fl. 52. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente traz as seguintes considerações: 11.1 — Preliminar A PH COMÉRCIO DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA, atua no ramo de comércio atacadista de máquinas, aparelhos odonto-médico-hospitalares, instrumentos e materiais de uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios. Em 13 de outubro de 2009, com a edição da Lei 12.058, que alterou a Lei 10.865 de 30/01/2004, nosso seguimento foi beneficiado com a redução a zero da alíquota de COFINS e PIS dos produtos com NCM 9021.10 e 9021.3 que comercializava, nas Fl. 98DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-000.795 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10783.913020/2012-88 hipóteses de importação e venda no mercado interno, com efeitos a partir de 01/01/2010. Equivocadamente, na apuração de COFINS no mês de janeiro de 2010, não foram levados em consideração os efeitos da citada lei, e toda a receita foi tributada à alíquota de 3%, inclusive os produtos com NCM 9021.10 e 9021.3, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero. Ao perceber o erro, a empresa requereu através da DCOMP no 26272.70040.171210.1.3.04-2778, o pagamento excedente de R$ 9.451,17, no entanto, não corrigiu naquele momento a DCTF e DACON referente ao período acima citado, gerando o despacho decisório de não homologação da compensação em 05/12/2012. 11.2 — Mérito A legitimidade do crédito tributário é induvidosa, à teor do art. 42 do decreto 12.058, de 13 de outubro de 2009, que alterou o art. 8º, Incisos XIX e XX da Lei 10.865, de 30 de abril de 2004, transcritos abaixo: Art. 42. Os arts. 8º e 28 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) XIX - artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.3 da NCM; XX - artigos e aparelhos de próteses classificados no código 90.21.3 da NCM; Seu Recurso foi instruído com a seguinte documentação, relativa a janeiro/2010 (fls. 56 a 95): - Cartão CNPJ; - Livro de Registro de Saídas; - Registro de Apuração do ISS; - Planilha de apuração de Cofins; - Relação de produtos vendidos, com alíquota reduzida a zero; - DCTF retificadora; - Livro Razão, contas relacionadas à apuração da Cofins; - Termo de Ciência e cópia do Acórdão recorrido; - Despacho Decisório. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Neste processo, vemos que, insatisfeito com o Despacho Decisório, resolveu o contribuinte iniciar o contencioso sem trazer sem provas documentais ou explicações sobre a origem do crédito, ou seja, sobre a razão de a Cofins devida ser menor do que a confessada. Fl. 99DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-000.795 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10783.913020/2012-88 Tendo compreendido que a mera retificação da DCTF, desacompanhada de documentação que amparasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, trouxe aos autos explicações e provas, pela primeira vez, já na fase do recurso voluntário. E requer a apreciação dessa documentação, sem maiores considerações sobre a sua intempestividade. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, cabendo ao contribuinte fazer prova dessa certeza e liquidez. Nos casos de solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, é pacífico neste Colegiado que o ônus probatório que pertence ao requerente. Define o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazê-lo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter explicado a origem do pagamento a maior e juntado a documentação necessária para comprovar o alegado direito quando decidiu recorrer do Despacho Decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. Some-se a isso que a retificação da DCTF para reduzir débito confessado, deveria estar amparada por documentação hábil a comprovar o ato, conforme determina o art. 147 do Código Tributário Nacional: Fl. 100DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-000.795 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10783.913020/2012-88 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazê-lo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito no momento oportuno, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. Todavia, a exceção não pode ser invocada para suprir a omissão do contribuinte em relação ao ônus que lhe cabia, que é o caso destes autos. Como a única providência adotada pelo contribuinte para se contrapor ao Despacho Decisório foi juntar a DCTF retificada após a Decisão, é incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por consequência, a preclusão temporal. Ressalto que o entendimento exposto não constitui posição isolada, mas recorrente no Carf, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais. A ver, por exemplo, julgamento recente (fevereiro/2019) na 3ª Seção da CSRF, do qual transcrevo a ementa: Acórdão 9303-008.093 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. Fl. 101DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3002-000.795 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10783.913020/2012-88 A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/ 2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. (grifado) Em suma, uma vez não caracterizada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, está precluso o direito de produzir provas, motivo pelo qual não conheço da documentação juntada aos autos. Sem a demonstração da certeza e liquidez do crédito alegado, que nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente, não é possível o reconhecimento do direito. Com essas considerações, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.903619/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.302
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
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ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 36 19 /2 01 5- 46 Fl. 82DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma de decisão de primeira instância para que seja declarada a nulidade do despacho decisório por haver sido proferido com ausência de fundamentação e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.261, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901009/201427. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.261): "A Recorrente acusa o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, por ausência de fundamentação, uma vez que este não teria indicado as razões da inexistência de crédito disponível. Ora, verificase que a referida decisão deixou de homologar a compensação pelo fato de o valor do DARF ter sido integralmente alocado à quitação de outro débito. Este fundamento era suficiente para a negativa, sobretudo porque, como a própria Recorrente veio a informar na Manifestação de Inconformidade, a DCTF só fora retificada Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10865.903619/201546 Acórdão n.º 3401006.302 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriormente e o DACON também, de sorte que os sistemas da Receita Federal não dispunham de outra informação que não aquela constante do DCTF original. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade do despacho decisório por carência de fundamentação, visto que analisou acertadamente o direito creditório à luz da circunstância fática vigente à época, que incluía a confissão do débito em DCTF no seu valor original.. Ademais, a posterior retificação da DCTF com o fito de reduzir o valor do débito não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações realizadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) "“CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a Fl. 84DF CARF MF 4 respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente veiculou genericamente a alegação de ter se valido de uma base de cálculo ampliada para o PIS/COFINS, com a inclusão de receitas que não comporiam o faturamento, o que ensejara a retificação da DCTF, sem carrear aos autos qualquer documentação que comprove o alegado, desejando transferir à fiscalização o ônus de perscrutar a origem do crédito pleiteado. No presente Recurso Voluntário, limitase à alegação de nulidade do despacho decisório, mesmo ciente de que o mesmo foi proferido antes da retificação que promovera na DCTF, o que já se refutou, silenciando quanto à origem e quantificação do crédito. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10865.903619/201546 Acórdão n.º 3401006.302 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001993/2006-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO Declara Tório AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL
PELO ITR.
A averbação cartorária da Área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fi ns da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal,
condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva
averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal.
JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA
Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, Da pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, urna vez que tais efeitos são inter partes e não erga °nines.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.663
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso nos termos do voto do Relator, para reconhecer uma Área de 74,0 ha como de preservação permanente e 404,8 ha como de utilização limitada, vencida a Conselheira Nubia Matos Moura equ somente race hecia a Area de preservação permanente.
Nome do relator: RUBENS MAURÍCIO CARVALHO
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AVERBAÇÃO DA AREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATóRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA AREA DE RESERVA LEGAL DA AREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da Area de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fi ns da reforma agrária, quer para a preservação das areas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da area de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da area do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fiuição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, Da() pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, urna vez que tais efeitos são inter partes e não erga °nines. Recurso Voluntário Provido em Pate . Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os provimento PARCIAL a 74,0 ha como de pre vação Conselheira Niabia atos Mour Giovanni Ch Membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR , nos termos do voto do Relator, para reconhecer uma Area de nanente e 404,8 ha como de utilização limitada, vencida a e somente race hecia a Area de preservação permanente. s Campos - Presidente recur Rube Mau arvalho — Relator EDITADO EM: 03/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Nóbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR deconente de retificações de oficio. Os valores declarados, retificados de oficio e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2002 Declarado, fl. 28 Retificação de oficio Acórdão DRJ Area de Preservação Permanente 74,0 ha 0,0 ha 0,0 ha Área de Utilização Limitada 630,0 ha 0,0 ha 0,0 ha Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 101 a 121 da instância a quo, in verbis: Trata o presente processo do Auto de Infração/Anexos, fls. 01, 24 a 34, através do qual se exige, da interessada, o Imposto Territorial Rural — 1TR, relativo ao exercício de 2002, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o credito tributário de R$ 149.724,46, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Macaúbas", com NIRF Número do Imóvel na Receita Federal — 3.568.484-4, localizado no município de Santo Antônio do Aracangud/SP. 2. As alterações no cálculo do imposto estão demonstradas às fls. 28 e 29. As glosas das Areas efetuadas culminaram com a redução do grau de utilização de 100,0% para 65,0%, com a alteração da alíquota aplicável do imposto, de 0,30% para 3,40%, conforme a tabela mencionada no art 11 da Lei n° 9.393/96. Conseqüentemente, a área tributável sofreu aumento de 1.317,1 ha para 2.021,1 ha. 3. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de lis. 31 a 34, foram glosadas as áreas de preservação permanente e utilização limitada/reserva legal, informadas na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial — DITR (DIAC/DIAT ) 2, em virtude do não cumprimento dos requisitos estabelecidos na lei para sua exclb ue da incidência do imposto. 2 Processo n 10820.001993/2006-31 S2-C1T2 AcOrdrio n.° 2102-6 0663 Fl. 15 4. A interessada apresentou impugnação tempestivamente, fls. 38/60, onde após qualificar-se, apresenta seus argumentos como segue: A Impugnante é proprietar ia e possuidora do imóvel rural que tear a denominação especial de "Fazenda Macatibas", situada no município de Santo Antônio do Aracanguá, da comarca de Aragatuba, corn a area atual de 2 014,40 hectares, cadastrado na Receita Federal sob n" 3.568.484-4 para fins de lançamento do Imposto Ten itor ia! Rural - ITR, A area original do imóvel era 2.0.34.10 hectares, da qual foi desmembrada a fração correspondente, em nameras arredondados, a 13,00 hectares, objeto da Mali cula n" 49.485, para efeito de sua incorporação ao perbnetro urban() da cidade de Santo António do Aracangrui. A área atual resultou de levantamento por georreferenciamento do imóvel, nos temos da Lei n° 10267/2001, conforme averbagiio n° 01 a margem da Matricula n° 70.938, que passou a objetivar a area então titulada pela de n" 49.484, supra referida. A titzdaridade em name da Autora e os fatos do desmembramento parcial e do georreferenciamento estão demonstrados nas certidões ora exibidas a Vossa Excelência Conforme disposto no artigo 8° da Lei n° 9.393, de 10 de dezembro de 1996, compete à impuoante proceder ao lançamento por declaração do Imposto sobre a Propriedade Ter? itorial Rum al — ITR, incidente sobre o imóvel de seu domínio e posse, bem como recolher o valor correspondente em cada exercício fiscal, o que tem sido feito regularmente ao longo dos anos. No exercício de 2002, entregou à Receita Federal, o Documento de Informação e Apuração do ITR — D1AT, efetuando o pagamento do valor do tributo regularmente apurado, de R$ 3.714,1.2 (três setecentos e catorze reais e doze centavos), Na declaração então apresentada, a Impugnante, agindo de acordo com o regramento estabelecido no artigo 10, § 1°, da lei de regência do ITR, excluiu da area tributável as áleas de preservação permanente e de reserva legal verdadeiramente existentes no imóvel, mais as terras ocupadas por benfeitorias, igualmente isentas do tributo, Contudo, decor rido glum o anos do auto-lançamento e da quitação do imposto, a Delegacia da Receita Federal de Araçaiuba, em trabalho de revisão interna de Declaração do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR - referente ao exercicio de 2002, glosou a isenção do ti ibuto relativa as areas de Reserva Legal e de Preservação Permanente do imóvel, por falta de averbação da area de no registro imobiliário, nos termos do disposto no § 2°, do Artigo 16, da Lei n° 4 771/6.5 ("Código Florestal") e da ausência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emanado do IBAMA, exigências contidas no Decreto n°4.382, de 19.09 2002, art. 10, § 3°, inc. I, na Lei n° 10.165/2000, na SRF 73/00 e na IN SRF 60, de 2001. De conseqüência, toda a extensão superficial da fazenda ficou sujeita ao 1TR. Dai, o pantagruélico lançamento de oficio do ITR, incluindo o valor da diferença do tributo supostamente indevida e os con sectários legais Ouros morale)) ios, multa na base de 75% (setenta e cinco por cento) e aliquota majorada pa ra 3,40%, com base no Grau de Utilização re,sultante da glosa, de sor te a representar o onb ico cr édito de R$ 149.724,46 (cento e quar enta e nove mil, setecentos e vinte e quatro meals e quarenta e seis centavos), válido para a data do Auto de Infiaçõo lavrado em 06 de novembro de 2006 II- DAS RAZÕES DA IMPUGN/IC/TO 0 diploma legislativo que regulamenta a cobrança do 1TR vem a ser a Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Ela define o fato gerador do 3 ti ibuto (art. 1°), dispõe a respeito do i espec.:ivo :;ontribuinte ou responsável (arts 4' e 5°), impõe ao contribuime a obrigaçâo de prestar informações cadastrais do imóvel (cut. 6°) e a de procedei entrega obrigatória, em cada exercício fiscal, do Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT com a declaração do valor da ter ra nua do imóvel, que devera refletir o preço de mercado das ter ins, aproado na data de I° de janeiro do respectivo ano (art. 8°). cediço que o lançamento do DR se dfi por auto-lançamento, ou melhor por homologação, uma vez que o valor do tributo é apurado e pago pelo próprio contribuinte, tal coma se contêm no art. 10, "independentemente de prévio procedimento da achninisnação tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação poster jar. " Nessa linha, o § I" do mencionado dispositivo (art 10), estabelece as ¥ izes pare a dab°, ação do DIA T, com vista a apuração do tributo em testilha, interessando aqui, as previstas no inciso II, alínea "a", § 1". Para efeito de apuração do ITR, considerar-se-á: área tributável, a área total do imóvel, metros as áreas• a) de preservação permanente e de reserve legal, previstas na Lei n. 4 771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei a 7803, de 18 de julho de 1989,." E, sob o pálio desse regramemo legal, a Impugnante apresentou declaração do ITR, na qual excluiu as frações do imóvel caracterizadas como de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, ou seja, de reserva legal, as quais, acrescidas àquelas ocupadas por benfeitorias, justificavam a exclusão da circa total do imóvel de 2,021,1 hectares, para fins de determinação da área tributável, de parcela equivalente a 704,0 hectares,. É cello que a apuração e o pagamento do valor do ITR sujeitam-se fixação de prazo e de condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal No entanto, essas condições não podem extrapolar os limites da Lei. Far. justamente para evitar posture equivocada do Fisco, que a Medida Provisória n"2 166-67, de 24 de agosto de 2001, que alterou o "Código Florestal", também acrescentou o § 7° ao art 10 da Lei n" 9.393, de 19 9 96, segundo o qual" a declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso 11, § 1°, não está sujeita à prévia comprovação poi pm te do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, corn juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. " A disposição nova é de clareza solar, de sol a pino. 0 contribuinte do ITR não está sujeito à prévia comprovação da existência das areas de reserve legal e de preservação permanente e também das áreas sob regime de servidão florestal A MP refere-se expressamente às situações referidas nas alíneas "a" e "d", do inciso II, § 1", do art 10 Vale assinaku que a alínea "d" também foi incluída pelo mesmo diploma legiferante. Ao que parece, o Fisco não levou em consideração o nova parágrafo resultante do apontado acréscimo. Fincou sua atuação na legislação no Decr elo n" 4 382/2002 e na Instrução Normativa 73/00, sendo substituida pela IN SIZE e 60/2001, que ao arrepio da Lei fazem exigências inadmissíveis, nuivime depois do advento da disposição acrescentada lei de regência do ITR. 4 Processo n° 10820 001993/2006-31 S2-C1T2 AcOrar, " 2102-0.663 Fl 152 O acerto do legislador monocratico é indiscutivel. A dispensa da comprovação prévia da existência das areas de reserva legal e de preservação permanente reside num fato inquestionável: ou elas existem de fato e valem por si mesmas, isto é, pela sua presença fisica no inuivel, ou, então, não existem e, comprovada esta hipótese, incide a penalidade prevista no mesmo dispositivo A reserva legal e area de preservação permanente não nascem da bur ocracia estatal. Não é a aver bação da reserva legal na matricula imobiliária e nem o ato declaratório do IBAMA que lhes dão nascimento e vida. Elas existem por si sós, como fatos da nano act, a não ser que o imóvel rural, por força, por exemplo, de desmatamentos, seja delas despido. Nesse caso, se o proprietário declarar que o imóvel dotado de tais atributos e não os tem, merecerá a punição lega/mente prevista Contudo, não é o caso da Impugnante, cuja fazenda possui área de reserve legal de 20% (vinte por cento) de sua extensão superficial, o que atende sobejamente as prescrições cogentes às prescrições cogentes do Código Florestal. O Auditor que subscreve o termo de verificação fiscal anotou ter a Impugnante apresenlado certidão de mat r larder imobiliária com a averbação de area de reserva com 167,48 hectares e o protocolo de ADA-IBAtILI, em que consta APP de .297,4 hectares e 406,6 hectares de RL. Obser vou divergência entre tais cii eas e as constantes da D1TR, de 6.30,0 hectares para area de utilização limitada e de 74,0 hectares como de APP. A divergência quanto a extensão superficial das areas em nada influi no desfecho do auto de infração ora refutado pela contribuinte Alias, vale salientar não ter o Auditor Fiscal ingressado no mérito da classificagão diferenciada, como ele próprio deixou assinalado, já que seu trabalho está estribado na legislação atinente ao ITR, No entanto, válida uma explicação rápida a respeito da diferença entre o declarado pela contribuinte e o constante dos documentos juntados no curso do procedimento administrativo. A area de reserva legal de 167,48 hectares corresponde a parte da fazenda corn a extensão de 820,37 hector Vs, objeto da Matricide n° 47,666 do Registro de Imóveis de Araçatuba. Corresponde, pois, a 20,4.2% da area parcial, não estando unificada a totalidade do imóvel para efeito de um só registro Na pequena fração de 4,30 hectares da fazenda, titulada pela Matricula n° 47 668, foi implantada area de reserva legal igual a 0,86 hectare, que corresponde a 20% de sua extensão. Igual area foi delimitada na porção correspondente a 1.181,9932 hectares, objeto da Matricula n° 70.938, aberta em razão do levantamento georr -eferenciado, ern lugar da de n"49.484 Veja-se, a respeito, as certidões das mencionadas matriculas acostadas ir impugnação Em razão de aconselhamento técnico por profissional ligado ri álea florestal, foi reduzida a area de reserva legal de 630,0 hectares para 406,6 hectares em relação ao todo do imóvel e ampliada a APP de 74,0 hectares para 297,4 hectares O lhama entendeu correto o procedimento da imptignanfe, fendo expedido o Ato Declaratório Ambiental na data de 11 de outubro de 2005, consoante cópia autenticada exibida nos autos A area de reserver legal corresponde a 406,6 hectares e a de preservação permanente de 297,4 hectares Portanto, vale repetir, a &testa existe por si só, independentemente do reconhecimento de sua existência por ato administi ativo Pertinente lembrar o conceito de bens imóveis pelo Código Civil de 1916, em 5 ••• vigor ao tempo da apresentação do DITR pela hnpugnante Ao tear do t 43 Sao bens imóveis. 1 - o solo com a sua superficie, os seus acessól ias e adjacências naturais, compreendendo as átvol es e fi utos pendentes, o espaço aéreo e o subsolo. Já o atual Código Civil brasileiro, no art 79, dispõe que Sao bens imóveis o solo e tudo quanta se lhe incorporar natural ou ai tificiahnente." Como se vé, as mates, naturais ou artificiais, são legalmente consideradas bens imóveis. Dal, a razão para não se exigir do cona ibuinte do ITR aprova preliminar da existência de um bem imóvel no próprio imóvel objeto do t, ibuto A foi esta não é ulna simples acessão, como as plantações, as edificações, acrescidas ao imóvel pelos atos do horizon. Ela integra a pi -óp, ia coisa em que fincada, não sendo razoável que se exija a prévia comprovação da coisa em si mesma considerada. E a aplicação de um principio de Lógica Menor o que contém uma coisa contém, necessariamente, o conteúdo dessa coisa Olvidou-se o Fisco do conceito dada pela MP 2.166-67 iz área de preservação permanente e à drea de reset va legal De efeito, afirma-se no inciso II, do Ç 2", do art. 1" do Código Florestal: "área de preservação permanente area protegida nos termos dos at Is. 2° e 3 0 desta Lei, coberta ou não pot vegetação nativa, com a função ambiental de preserver os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo génico de fauna e flora, proteger o solo e assegural o bem-estar das populações humanas;" No inciso III está conceituação de reser va legal: "Reserve Legal. álea localizada no interior de Unza propriedade ou posse izu ai, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção da fauna e flora nativas;" Embora guardem afinidades, as áreas de preservação permanente e as de reserva legal se distinguem. As primeiras são protegidas pelo Poder Público, mar mente em relação ez flora e à fauna e, por via reflexa, à população humana. Tanto podem ser as florestas instituidas pelo Código Fiou-estai (as refetidas nas alíneas do artigo 2°), coma aquelas florestas e demais formes de vegetação natural instiuddas pelo Poder Público, como as mencionadas no seu artigo 3°. A área de reset va legal, como o próprio diz, tem por finalidade assegurar a conservação da vegetação, bem assim dos recursos naturais nela existentes e da biota Como se vê pelas próprias definições legais, para caracterização da Reserva Legal e da Area de Preservação Permanente a lei não exige a averbação na matricula do imóvel e de declaração do IBAMA E note-se que a decisão ora recorrida não se pauta na inexistência [ática das r eft; idas áreas, mas, sim, justamente na falta de averbação da Reserva Legal no registry do imóvel e a ausência do ato declaratório do lhama, relativo a ambas as áreas, na ocorrência do fato gerador Esse entendimento, no entanto, vem merecendo o repúdio do colendo 'TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, conforme &warner) demonstra o julgado abaixo colacionado "ITN 1997. Protocolo do ADA. Processo n° 10820.001993/2006-31 S2-C1T2 AcOrdiTo n.° 7102-00.663 Fl 153 A VERBAÇÃO DA AREA DE RESERVA LEGAL. A inusitada pretensão das IN SRF 47/97 E 67/97 de exigir o protocolo de requerimento de ADA perante o IBArLIA, como comp ovagão da exigência da área de uso limitado, é execrável, primeiro porque nada comprova, segundo porque do requerimento constant tão-somente as informaçãe.s prestadas pelo interessado, que não tem maior relevância do que a declaração prestada ri SRF via DIM. A glosa das hrea5 de preservação permanente e de reserva legal pela fiscalização não se den porque duvidasse da sua efetiva existência na data do fato gerador do 1TR/97 on mesmo antes dessa data, mas simplesmente poujue o requerimento do ADA ao IBAMA se deu após o prazo especificado pela SRF, bem como a área de reserva legal não se encontrava averbado no Cartório de Registro de Imóveis na data da ocorrência do fato gerador do tributo, Não há sustentação legal paro exigir nem uma coisa nem outra como condição ao reconhecimento (lasses áreas isentas de tributação pelo 1TR. Não se admire sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das areas como condição ao seu reconhecimento como (settlers de nibutação pelo ITS. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas areas se elas forent de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal. conforme definição na Lei 4.771/65 (Código Florestal). O reconhecimento de isenção quanto ao 1TR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis No caso concreto foi demonstrada a existência da área de reserva legal e da área de preservação permanente por meio de Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, Termo de Compromisso perante o IBAMA em 1996 e outras provas documentais, inclusive a obtenção de ADA em 1998 e a averbação h margem da matricula do imóvel procedida on 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." (Rec. Voluntário 127540, Proc. Adm 10240.000594/2001-79, Ref Zenaldo loibman, j 11.11.2004, Acórdão 303- 31705) Apega-se a Receita Federal ao § 2° do art 16, do "Código Florestal", que &spite que a reserm legal "deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula' .do imóvel, no registro de imóveis competente", sem cuidar; no entanto, de obrigatoriedade Trata-se de um poder-dever do proprietário, ielliO que o legislador valeu-se da expressão "deverá ser averbado", sent a conotação de determinação cogente, se utilizasse a expressão "será averbado". A averba cão tem cabimento para o efeito de ser evitado o des/lien:hi-amour) da lima de reserve legal, no caso de tumsmissão do imóvel, que provoque o seu fracionamento em áreas menores que a original e, por conseguinte, diminuição da área de reserva legal E- o que se depreende do texto, quando pivibe a alum ação da de,stinação da area aqui objetivado Vale assinalar que o Poder Judiciário no Estado de São Paulo, inclusive coat o respaldo da Corregedoria Gera! da Jusliça, tem indeferido pedidos formulados por Promotores de Justiça do Meio resenv legal (Cf Aviso no DOE Ambiente para condicionar o registro de escrituras de venda e compra de imóveis rurais averbação da área de reserva legal (Cf Aviso no DOE, Poder Executivo, Seção I, de 18.8,2000, p. 25) Trata-se de mais uma demonstração da desnecessidade da averbação da "RL" e também da declaração do IBAIVIA quanto h "APP", pois a existência de tais 511,10 cães de fato não depende de qualquer ato burocrático, seja pare fi ns dc registro inzobiliár ío ou administrativo. A desnecessidade de averbação da ill ea de Reserva Legal e a da emissão da ADA pelo 1BAMA quanto à Area de Pt eservaqiio Permanente para efeito de isenção do 1TR vem sendo reiteradamente acolhida pelo TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e unnbém pela CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, não sendo escoteiro o julgado row transo ito, corm, se demonstra a seguir: '7TR AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO A comprovação da área de preservação permanente, pata efeito de sua exclusão da base de cálculo do 1TR, não depende tão-somente de seu reconhecimento pelo IBAMA poi meio de Ato Declaratório Ambiental A 7 uma vez que a efetiva existência da nrea pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e minas proms documentais idóneas. ITR TRIBUTAÇÃO AREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO A comprovação da area de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de calculo do ITR, não depende exclusivamente da sua prévia averbação no car tório competente, uma vez que seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idóneas inclusive a sua averbação a margem da man icula de registro do imóvel no cartório competente, procedida em data pastei iorà ocorrência do fate, gerador RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" (Rec. Voluntário 128220. Noe. Administrativo n° 10920 00312712002-22, la (Tamara, Rei Atalina Rodrigues Alms, j. 01.12 2004, Acórdão 30131584) AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. Não há previsão legal para exigência do ADA como requisito para exclusão da area de preservação permanente da tributação do ITR, ben' como da averbação de area de reserva legal com data anterior ao fato gerador, RECURSO VOLUNTÁ RIO PROVIDO PARCIALMENTE" (Rec Vahan& lo nO 127373, Proc. Administrativo n° 10650.001215/00-20, Ia Camara, Rei Valdemar Fonseca de Menezes, j, 18/06/2004, Ac. 301-31312) A falta de averbação da area de reserva legal na nurn kirk do imóvel, ou a aver bação feita alguns meses após a data de owl-remit-Ida fato gerador; não é, por st só, fato impeditivo ao aproveitamento de isenção de tal area na apuração do valor do IT'R BASE DE CÁLCULO VALOR DA TERRA NUA PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO A declaração do recorrente, para fins de isenção do 177?, relativa ir área de preservação permanente, nil() esta sujeita a prévia comprovação poi pane do declarante, conforme dispõe o art 10, parágrafo 10, da Lei n° 9393/96. ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sun declaração não é verdadeira, sem prejuízo de alums sanções aplicáveis. UTILIZAÇÃO DAS ÁREAS DO IMOVEL. AREA DE PASTAGEN5 Não comprovada, através de documentação hábil, a existência do total do rebanho declarado, deve ser mantida a glosa parcial da diva de pastagens efetuada pela fiscalização RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO." (Rec. Voluntário n° 129273, Proc. Administrativo n° 10620.000314/2001-58, 3a Camara, Rei Marcie' Eder Costa, f. 19 05.2005, Acórdão 303-32058, Imposto Sobre a Proptiedade Territorial Rural (ITR) — Area de preservação Permanente - Comprovação. "Não é somente pela apresenta cão de averba cão à margem da inscrição da man icula do »wive! no registro de imóvel competente, que se comprova a existência da área de reserva legal. Outros documentos podem servir a tal comprovação . coma ê o caso, dentre outros, do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e do Ten110 de Acordo de Preservação firmado com o 1EF /MG, ainda que apresentado a destempo e, ainda, a própria declaração produzida pelo Contribuinte desde que não tenha sido produzida prova em contrário ('grifou-se,) Recinso especial negado." (Recurso n° 303-125407 - Proc. nO 10670.0005601200114 - 3a Turma - Acórdão CSRF/03-04 241 - Data da Sessão. 21.02,2005 - rel. Paulo Roberto Grieco AntunesNegado Provimento por Unanimidade) AEA DE RESERVA LEGAL AVERBACÃO. "A obrigator iedade de averba cão, nos termos do parágrafo 80 do art. 16 da Lei 4,771/65 (Código Florestal), tem a . finalidade de resguardar, distinta do aspecto tributár lo a segurança ambiemal, a comer vação do estado das áleas na hipótese de transmissão de qualquer titulo, para que. se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade fiutu'a de terceiros eventuais adquirentes do imóvel , a qualquer dark, mediante a assinatura de Tomas de Ajustamento de Conduta. firmado pelo possuidor con) o órgão ambiental competente A exigência da averba cão como pré-condição parer o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na lei ambiental O § 7° do art 10 da Lei n° 9939/96 determina literalmente a na obrigatoriedade de previa comprovação da declaração por parte 8 Processo no 10820001993/2006-31 S2 -C11-2 Orcliio w° 2102-00.663 Fl 154 declarante, ficando, todavia. responsável pelo pagamento do impost() correspondente, acrescido de juros e ?India previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sent prejuízo de outras sanções aplicáveis ATO DECLARA TÓRIO AMBIENTAL. - ADA - A recusa de sua aceitação, por intempestividade, em face do plaza previsto no IN SRF n° 67/97. não tern amparo legal Recurso especial negado." (grifou-se) (Recurso n" 303-12396S -Terceira Tru ma -processo 110 13975.000166/00-42 - Acórdão CSRF/03-04.32 5 - data da sessão: 16.05 2005 - rei °will° Dantas Cartaxo Negado Provimento por Unanimidade). Além do entendimento sedimentado no instfincia administrativa diver ca não é a postura da jurisprudência das tribunais judiciários, como se pennire a Impugnante apontar "TRIBUTÁRIO, MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ITR. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL, IN-SRF N. 67/97 L.EI N 9 393/96 ART 10, I, "A", "B"E "C", CÓDIGO FLORESTAL, ART 3°. Nos termos da lei n° 9393/96 (art 10, 1, "a", Or áreas de preservação permanente e de reserve legal efetivamente não precisam s.er previamente reconhecidas pelo Fader Publico para que ocorra o recolhimento do Imposto Territorial Rural exigência esta indevidamente feita pela 1N-S1?F n° 67/97 (ao exigir o Ato Declaratório Ambiemal pomo o não lançamento suplementar do tributo). 2. Todavia, esta exigência se afigura factível quanto às areas de interesse ecológico para prolegão de ecossisternas e às limas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira ou florestal, nos termos das letras "b" e "c" do inciso Ido artigo 10 da citada 3. E, ainda que algumas áreas de preservação permanente precisem ser previamente declaradas pelo Poder Público, nos termos do artigo 3° da Lei 4.771/65 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei n* 7803/89, a exigência não pode ser generalizada para que todas as deduções da área tributável mereçam prévia manifestagdo do órgão competente 4 Apelação parcialmente provida Remessa prejudicada. " (TRF-3a Reg - ÁMS 19990100028101I-MT - 3a Turma - rei Desembargador Federal OLINDO MENEZES -j 23/05/2001 - v u. - DI 08/08/2002, p 7) TRIBUTÁRIO, IT)?. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR ATO DECLARATóRIO DO IBÁMA (ADA). DEDUÇÃO. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENT& L,E1 4.771/65 LEI 7.308/89. INSTRUCÃO NORMATIVA 67/97. 1. Ilegal a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 67/97, quanta apresentação de Ato Declamtório Ambiental — ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na drew total comp condição pala dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural — 1TR, tendo eni vista que a previsão legal não generaliza tal exigência para today as áreas em questão, Ido-someme, pare aquelas relacionadas no art, 3" do Código Florestal. 2. Não pode a Receita Federal efetuar lançamento suplementar de ITR, sem ante.s proceder à verificação da rima de preservagdo permanente, pois a exigência do ADA somente encontra respaldo legal se enquadrado na hipótese do arte 3', do Código Florestal Jacobi ye! a exigência indistinta. sob pour de violar o langamento. 3. Apelação do impetranie provida." (TRF - 1 a Reg - 8a Turma - .AMS n° 200238000524690MG - relatora Dês. Fed Maria do Carom Cardoso -j. 1.5/2/2005 - vu. - DJU 25/2/2005 ...; p 171). "TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL.. GARANTIA CONSTITUCIONAL, IT)?. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 67/97 EXIGÊNCIA DE ATO DECLA RA TORIO AMBIENTAL PARA EXCLUIR DA TRIBUTAÇÃO AS ÁREAS PRESERVAÇÃO PERZINENTE E DE RESERVA LEGAL. VIOLAÇÃO A LEI N° 9 393/96 1. L's garantia constitucional a substituição processual em mandado de segurança coletivo 2 As ár ens de prase, ração permanente e de reset va legal (let, a "a", do inciso 1, do artigo 10, da Lei n° 9393/94), não precisam ser previamente reconhecidas pelo Poder Público para que ocotra o recolhimento do Imposto Territorial Rural - IT!?, havendo tal exigência apenas quanto as áleas de interesse ecológico para proteção de ecossistemas e às áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecruiria, granjeira ou florestal (letras "b" e "c", do inciso I, do art 10. da Lei n° 9 393196) 3. E ilegal a exigência feita pela Instrução Normativa SRF n" 67/97 de apt esentação de Ato Declaratório Ambiental comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total, coma condição par a exclui-las da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR Apelação e remessa desprovidas (TRF 1" Reg, —AME n" 199901001181281-GO Terceira Turma Suplementar — rei. Juiz Federal Wilson Alves de Souza — f11/3/2004-vu-DJ l"/412004- p55) "TRIBUTÁRIO 1712 ISENÇÃO MEDIDA PROVISÓRIA 2.166/2001. LEI 9393/96, ART 10, PARA' GRAFO 1°, I, "A" E PARÁGRAFO 7 0, As áreas de preservação permanente e de reserva legal são isentas do recolhimento do ITR - Imposto Territorial Rural, consoante oar!. 10 da Lei 9393/96. desnecessária "A prévia comprovação poi par te do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto con espondeme, com juros e multa previstos nesta lei, caso fique comprovado que sua declaração não e verdadeira, son prejuízo de outras sanções aplicáveis". Art. 10, parágrafo 7 0 da Lei 9393/96 1-16 a comprovação, através de documentos acostaclos aos autos de que existem áreas de pi eser-vação permanente e de reserva legal isentas de 1712. Nego provimento ti apelação e à remessa oficial " (TRF - so Reg - AC 312.808-RN- Primeira Tut - rel. Des. Fed Edvaldo Batista Silva Júnior - j. 12/06/2003v tr. - DJ 30/07/3003 - p. 650). "APELAÇÃO E REMESSA EX OFFICIO, ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO, DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATORIO DO IBAMA, MP1 9S6-50, CUJAS DISPOSIÇÕES RETROAGEM, IMPROVIMENTO. I- A MP 1.9.56-50/00, ao inserir o § 7 0 ao art. 10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBA MA com a finalidade de excluir da base de cálculo do IIR as áreas de ese, vagão per manente e de reserva legal, é de cunho interpretativo,podendo, de acordo com o permissivo do at t. 106, I, do CTN. aplicar-se a fatos preleritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da administração demonstrar a falta de veracidade dc dec lei--ação do contribuinte 11 - Apelo e remessa oficial improvidos." (TRF - so Reg - AMS 78433-AL - Oual ta 'Alma - Des. Fed Edilson Nob, e -f 19/11/2002 - v.0 DJ 26//2/2002 -p. 280), 37. Importante apontar. que o áltimo acórdão foi confitmado pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUS7IÇA . que o confirmou integralmente, tanto no tocante à dispense do ADO do [RAMA, como fez retroagir ao exercício de 1997 os efeitos da MP 2.166-67 / 2001. que actescentou o já comentado § 7° ao art. 10, da Lei 9.393/96 O julgado ficou com as' seguintes rubrica e ementa. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTAR/O. 11R, AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DESNESCESSIDADE DE ATO DECLARA TÓRIO DO TRAMA. MP 2 166-67/2001, APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN RETROOPERÁNCIA DA LEX l o Processo n° 10820.001993/2006-3l S2-CIT2 AcOrclk ri,` 2102-01M63 Fl 155 1. Recorrente autuada pelo Jato objetivo de ter excluído da base de cálculo do 1TR área de preservação permanente, sent prévio ato declaratário do 1BAMA, consoante autoriz.ação da norma interpretativa de eficácia ex nunca consistente na Lei 9.393/96 2. A MP 2 166-67, de 24 de agosto de 2001. ao inserir ao art 10 da lei 9 393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, COD, a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR areas de preservação permanente e de reserve legal, é. cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106. I. do CTN, aplicar-se a fatos pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispels sobre a exclusão do ITR incidente sobre as areas de preservação permanente e de reserve legal, consoante o § 7°, do art. 10, da Lei 9.393/96. veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art, 106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retroopercincia da lex 4. Recurso especial improvido." (ST J- Resp n° 587.429-AL - Primeiro Dinner - rei Min. Luis Fux - j. 1 0/6/2004 - vu. - a/ 2/8/2004). Espera a Impugnante que .95 ilustres julgadores na primeira instância administrativa não ignorem as decisões profeadas pelo Terceiro Conselho de Contribuintes e pela Csimara Superior de Recursos Fiscais, bem assim os julgamentos pie/arianos trazidos à colação na presente peça de defesa. Importa ainda lembrar que a isenção do ITR em relação as tir aos de reserva legal e de preservação permanente é matéria que emerght da Lei n° 9.393/96. Anteriormente, a Lei n° 8 171, de 17 01.1991, que dispõe sabre a Politico Agricola, fa previu a isenção de tais áreas- ens face do IT!? (art. 104). Outro diploma, a Lei 110 8847, de 28 01.1994, que dispôs também sobre o ITR, excluiu da incidência OS áreas aqui tratadas (art. 4°, inciso I, alínea "b'9 Portanto, é da tradição de nos so Direito a isenção das areas de que se cuida nesta Impugnação quanto ao IT!?, sem qualquer exigdncia fora da Lei Nil() se irate, pids, de isenção condicionada à satisfação de qualquer exigência, a não ser aquela finite na própria natureza das areas não tributáveis constituirem-se ens reserva legal do imóvel e ens areas de preservação permanente Nada mar's. Por fins e por aim°, resta repisar ter a Impugnante procedido à averbação da reserve legal de sua propriedade, be/sr como obtido junto ao lhama o ato declaratória ambiental em relação a essa area e as de preservação per manente, estalido, assim, perfeitamente atendidas as exigências burotraticas, embora desnecessárias pare o meconizecimnento da natureza e função de kris areas. Diante das razões expostas, a Impugnante requer seja esta Impugnação inteiramente acolhida, cons a declaração da insubsistência do auto de infração que deu origem ao presente procedimento e a determinação pare o cancelamento do suposto crédito tributário dele decorTente Protesta-se pela juntada posterior de documentos e pela produção de todos os meios probatórios ens Direito admitidos Termos em que, da juntada desta 005 autos respectivos, Coln os documentos que a acompanham e do requerido, 11 5. Acompanharam a impugnação os documentos de fls. 62 e 63, 80 a 9 6. Éorelatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o Orgdo julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, não acatou as preliminares argüidas e no mérito, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, no seu entender, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa e excertos do voto que transcrevo a seguir livremente: Assunto: Imposto sobi e a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercicio: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. Há de so- indeferido o pedido de perícia que visa unicamente, levantar provas a favor do contribuinte, as quais poderiam ser produzidas por ele, por outros meios. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE Durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão aos estritos ditanzes da lei, coin o .fito de assegurar-lhe a adequada aplicação, sendo-lhe defeso apreciar argiiigeies de aspectos da constitucionalidade da lei PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA Não reconhecidas como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao IBAltiLel ou órgão conveniado, incide o imposto sobre a área declarada como de preservação permanente. A área de ieserva sonzente poderá ser aceita se devidamente averbada ?z margem da inscrição da matricula do imóvel à época do fato gerador do ITR. 47 Tendo em vista que as areas de preservação permanente e utilização limitada não foram informadas em ADA, e também não ha averbação na matricula do imóvel da area de reserva legal, na data da ocorrência do fato gerador do ITR/2001, entendo que a glosa deve ser mantida. 48 Isto posto e considerando tudo mais que dos autos consta VOTO pela procedência do lançamento oia impugnado. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 124 a 144, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, alegando em síntese que a legislação vigente bem como as jurisprudências desse Conselho e dos e da Justiça Federal afastam a exigência de apresentação do ADA para reconhecimento das Area de Preservação Permanente e Area de Reserva Legal, tampouco a necessidade da averbação na matricula do imóvel para essa última área; Contudo, o recorrente informa ao final que procedeu averbação nas matrículas desse imóvel nos anos de 2005 e 2006 das Areas de reserva legal, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência 12 Processo n° 10820.001993/2006-31 S2-C1 T2 A c6rao n 21112-00..663 Fl 156 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO, Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBIL IDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. JULGAMENTO CON JUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. Registramos que este processo está sendo julgado com outro processo de número 10820.001.316/2005-31, que trata do lançamento das mesmas glosas do mesmo imóvel, para o exercício 2001. Diante dessa conexão e da existência naqueles autos de documentos úteis para esse julgamento, oportunamente os documentos do processo do ITR Exercício 2001 serão referidos nesse voto. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA), TEMPESTIVIDADE DA ENTREGA. Da análise da descrição dos fatos da autuação, verificamos que as motivações das glosas das áreas isentas que culminaram no lançamento, foram a extemporaneidade na apresentação do ADA para as área de preservação permanente e área de utilização limitada, e a falta de averbação na matricula do imóvel da Lea de Reserva Legal: • Em relação a tempestividade apresentação do ADA, essa questão já foi objeto de julgamento recente nessa Turma, v.g., o Acórdão n° 2102-00.528, de 14 de abril de 2010, tendo corno relator do voto o Conselheiro Presidente Giovanni Christian Nunes Campos , cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, utilizamo-lo como fundamento para nossa decisão, verbis: A controvérsia centra-se na necessidade, ou não, da apresentação do ADA como condição para fruição de redução no cálculo do 1TR a pagar em Areas de preservação permanente e de reserva legal, bem como na necessidade de averbação cartorária dessa última. Inicialmente, deve-se ressaltar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil exige a apresentação do ADA tempestivo para -todas as Areas de proteção ambiental (areas de preservação permanente, reserva legal,-de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN e cobertas por floresta nativa) e também exige a averbação h. margem da matricula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis A 13 Leas de reserva legal, de servidão florestal e ambiental e de RPPN, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR I . Aqui, centralizaremos a discussão sobre a apresentação do ADA para as áreas de preservação permanente e reserva legal, bem como a averbação cartorária para esta última, porem o debate se põe da mesma forma para a apresentação do ADA e para a averbação cartorária das demais Areas de interesse ambiental (Leas de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN e cobertas por floresta nativa) . Especificamente, a área de preservação permanente é aquela coberta ou não poi vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas (art, 1°, § 2°, II, do Código Florestal), incluindo aqui as florestas e demais formas de vegetação natural ao longo das margens dos rios e cursos d'águas, ao redor de reservatórios naturais ou artificiais d'água, nas nascentes, no topo de 1110II0s, montes, montanhas e serra, nas restingas, nas bordas dos tabuleiros ou chapadas e em altitude superior a 1.800 metros (art. 2°, "a" a "h", do Código . Florestal). Já a reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, conservação e reabilitação dos processos ecológicos, A, conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art 1 0, § 2°, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser afetados A reserva legal, nas diversas regiões do pais, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada A margem da inscrição da matricula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, § 8°, do Código Florestal). Ainda, na legislação tributária ambiental se vê a utilização do termo "Area de utilização limitada", que se r ,ffere as demais áreas de proteção ambiental, que não a Area de preservação permanente. Assim, as Areas de utilização limitada são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossisternas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN e cobertas por floresta nativa. A necessidade, ou não, da apresentação do ADA para as Areas de preservação permanente e de reserva legal, bem como a necessidade, ou não, da averbação cartorária desta última, como condição para fruição de redução do ITR é uma controvérsia tormentosa no âmbito da jurisdição administrativa e no seio judicial, com decisões ora exigindo os aspectos formais citados (ADA e averbação cartorária), ora afastando-os, em alguns momentos suprindo-os com laudos técnicos e outras provas, e até, na área de reserva legal, nada exigindo, simplesmente utilizando, na redução do ITR devido, os percentuais abstratos de áreas de reserva legal previstos no Código Florestal (Lei n° 4.771/65) Primeiramente, aprecia-se a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira,. Começa-se pelo KEsp 1.125.632/PR (ST.I, 2010), da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, no qual há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: - PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO C'PC'. NÃO OCORREWCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. 1 Vide o site da Secretaria da Receita Federal do Brasil, Perguntas e Respostas do ITR2009. Disponível ; http://www ,receitafazenda gov br/Publico/itt/2009/PerguntastIR2009.pdf 1 /. • Processo a' 10820.001993/2006-31 S2-CIT2 Acáino a ° 2102-00.663 • Fl. 157 EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVACA0 PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBACÃO OU DE ATO DECLARA TOMO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSBNCL4 DE AVERBA CÃO. I. Não viola o art,. 535 do CPC', tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia, 2. 0 art. 20 do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição independente de qualquer ato, do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal 11 incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente,, sendo inexigível a prgvia comprovação da averbação destas na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratário do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação clue, nos termos da Lei 9.3931.1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 66.5.12.3/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Diana Cahnon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislarão traz a obrigatoriedade de averba cão na matricula do imóvel. Tal exigência se/ar necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente coin a averbagdo da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia ,saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8°, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fts. 139-145, inclusive quanta aos ônus sucumbenciais. (grifou-se) Acima se entendeu que seriam desnecessários a averbação cartorúria ou o ADA para o reconhecimento da área de preservação permanente. Na jurisprudência do STJ transparece claramente a desnecessidade do ADA para fazer frente a qualquer beneficio no âmbito do ITR. De outra banda, exigiu-se a averbação da area de reserva legal na matricula do imóvel, como condição para fruição da redução do ITR devido No caso do ADA, no leading case acima referido na ementa do voto do Ministro Benedito Gonçalves (REsp 665.123/PR, relatora a Ministra Eliana Calmon), vê-se que se trata da exigência do ADA instituído pela Instrução Normativa SRF no 67/97, não se fazendo menção à exigência do ADA trazida pelo art.. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, na redação dada pela Lei n° 10.165/2000, verbis: "A utilização do ADA pant efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória". Entretanto, deve-se anotar que o REsp 665.123/PR também utilizou co o fundamento para rechaçar a necessidade do ADA o art 10, § 70, da Lei n° 9.393/9, a redação dada pela MP 2.166/67-2001, assim vazado: 15 7"A declaração para fim de isengão do 1TR relativa ás circus de que tratam as alíneas 'a' e 'd' do inciso II, ,sç I, deste artigo, não esta sujeito à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, corn juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções Assim, considerando que o SIT apreciou a exigência do ADA instituída pela IN SRF n° 67/97, não se fazendo menção ao art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, tem-se fundada dúvida se essa jurisprudência tem Idgidez para sex aplicada para periodos posteriores a 2001, quando incidiu a regra da Lei n° 10.165/2000, _VI que o art, 10, § 7°, da Lei n° 9.393/96, acima, não afasta a apresentação do ADA, mas apenas assevera que o contribuinte pode declarar as Areas de preservação permanente e de utilização limitada sem qualquer comprovação prévia, como sucede com qualquer declaração de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como o próprio ITR. Porém, intimado o contribuinte a fazer a prova da existência das Areas isentas, deve faze-1o, sob pena de glosa, como ocorre com qualquer revisão de declaração, sendo certo que há um comando legal expresso no art 17-O, § 1°, da Lei no 6.938/81 que exige a utilização do ADA para fruição de beneficio no âmbito do ITR, sendo desarrazoado imaginar que a redação do art. 10, § 7°, da Lei n° 9,393/96, dada pela posterior MP 2.166-67/2001 em face da Lei n° 10.165/2000, que versa sobre a natureza homologatória da informação das Areas isentas, passível de comprovação a partir de intimação da autoridade fiscal, possa ter revogado o comando expresso da Lei n° 6.938/81. Entretanto, ainda no âmbito do SIT, a dúvida aumenta com a controvérsia referente a averbação da reserva legal a margem da matricula do imóvel rural no cartório de registro de imóveis.. A mesma Primeira Turma do ST.1 julgou o Resp n° 1.060.886/PR (STJ, 2010), na sessão de 1°/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matricula do imóvel ou a averbação a destempo, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do IIR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto com o REsp 1.125..632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do beneficio no âmbito do ITR, como antes aqui se viu, ressaltando que a decisão de dezembro de 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, veja-se o excerto da ementa do Resp n° 1.060.886/PR, ver bis: Consectariamente, decidiu com 'acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do . fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do 1TR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei n° 4.771/1965. Reconhece-se o direito ã subtração do limite minima de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei V 4,771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não ê . fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal cirea". Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do STJ, tal Situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrar A. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR até março de 2009, era oscilante nos pontos acima discutidos, ora exigindo a averbação da reserva legal e o ADA para as Areas de utilização 16 • 1. exigência de ADA para reconhecimento das Areas de preservaçã permanente e de reserva legal - Acórdão n° 301-34354, sessão de 26/03/2008, por mai 11 Processo n° 10820 001993/2006-31 S2-C1T2 Acindilo n ° 2102-K663 limitada e preservação permanente, ora afastando-os (averbação e ADA), as vezes se contentando com laudos técnicos e outros documentos para comprovarem as Areas isentas, em votações com diversos votos vencidos ou decididas por voto de qualidade (votação em que há empate entre os Conselheiros e o voto do Presidente determina a tese vencedora), a demonstrar a vacilação jurisprudencial e a fundada controvérsia que cerca a matéria. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao exercício 2001, em que este Conselheiro compulsou as ementas de aproximadamente 300 julgados, em decisões prolatadas no ano de 2008, no site do CARF (littp://www.carf.fazenda.gov ,br): 1. Area de reserva legal averbada no cartório de registro de imóveis, sem necessidade do ADA - Acórdão n°301-34779, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade; 2. exigência de averbação da area de reserva legal somente a partir do Decreto O 4382/2002 (Regulamento do 1TR) - Acórdão n° 301-34459, sessão de 20/05/2008, unânime; 3. Area de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material - Acórdão n° 301-34475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão n° 302-39586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão n° 391-00031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de area de preservação permanente); 4. area de reserva legal averbada no cartório de registro de imóveis e desnecessidade do ADA para comprovar a Area de preservação permanente - Acórdão n° 303- 35543, sessão de 13/08/2008, por maioria; ' 5. falta do ADA, por si só, não afasta a redução do 1TR no tocante As areas de preservação permanente e reserva legal; ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si só, também não afasta a benesse legal - Acórdão n° 303-35421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 6. pela desnecessidade do ADA para comprovação das Areas de reserva legal e de preservação permanente - Acórdão n° 303-35546, sessão de J3/08/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35351, sessão de 20/05/2008, por maioria; 7. comprovação das Areas de utilização limitada e de preservação permanente sem depender de ADA tempestivo - Acórdão n° 302-39391, sessão de 24/04/2008, por maioria; Acórdão n° 303-35736, sessão de 16/10/2008, por maioria; 8.. Areas de reserva legal e de preservação permanente competentemente averbadas e ADA extemporâneo reconhecidas para reduzir o 1TR devido - Acórdão e 301- 34686, sessão de 13/08/2008, unanime (também com laudo técnico); Acórdão n° 301-34632, sessão de 10/08/2008, unanime (somente Area de reserva legal); Acórdão n° 303-35540, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade (decidiu-se pela exigência de averbação para a Area de reserva legal e ADA a qualquer tempo para a area de preservação permanente - dissídio apenas no tocante a averbação da area de reserva legal); 9. area de reserva legal averbada extemporaneamente e area de preservação permanente reconhecida por laudo técnico - Acórdão n° 301-34788, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); Acórdão n° 302-40049, sessão de 10/1212008, por voto de qualidade (somente área de reserva legal); Acórdão n° 302-39865, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 302- 39728, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 391-00001, sessão de 23/09/2008, unânime (ainda a averbação da reserva legal não supre a ausência do ADA); 11 , comprovação das areas de utilização limitada (reserva legal) e de preservação permanente a depender de ADA e de averbação cartorária tempestivos - Acórdão n° 302-39244, sessão de 29/01/2008, por maioria; Acórdão n° 302-39866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n°303-35538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão n° 303-35645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão 393-00083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima, separando as áreas de reserva legal e de preservação permanente, tem-se: • area de reserva legal - necessidade de averbação cartorária, sem ADA (precedentes da 1' e 3° Câmara do Terceiro Conselheiro de Contribuintes); averbação após a publicação do Decreto n° 4,382/2002 (1° Câmara); reconhecimento da area por laudos técnicos (PI, 2', 3" Câmaras e 3' TE); desnecessidade de ADA (3° Camara); aceitação de ADA intempestivo (2° e 3' Câmaras); averbação cartorária e ADA intempestivos (1 e 3' Câmaras); averbação cartorária intempestiva (1' Camara); necessidade de ADA (1°, 2' e 1° TE); averbação e ADA tempestivos (2', 3' e 3' TE); • Área de preservação permanente - Sem necessidade do ADA (precedente da 3' Câmara); ADA intempestivo (precedentes 1°, 2' e 3' Câmaras); comprovação com laudos (1° Camara) e necessidade de ADA tempestivo (1", 2' e 1' TE) Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada, quer no tocante à averbação cartorária da Area de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras com reconhecimento da Area de reserva legal a partir de laudos técnicos), quer no tocante à exigência do ADA para comprovação das Areas de preservação permanente e de reserva legal, sendo certo que as posições mais formais, com exigência do ADA, para ambas as Leas, e com a averbação para a area de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 11, acima), tudo a demonstrar a profundidade da controversia. Longe de tecer quaisquer criticas A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante As exigências do ADA e da averbação cartorária para reconhecimento dos beneficios isentivos no âmbito do ITR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessas controvérsias, a uma afastando a exigência do ADA a partir de legislação infralegal já superada pelo art. 17-0, § 1°, da Lei n°6.938/81, na redação dada pela Lei n° 10,165/2000; a duas, pela controvérsia no tocante A averbação cartorária da reserva legal, com a Primeira Turma dessa Superior Corte px olatando decisões divergentes, por unanimidade, em urn mesmo semestre, sem qualquer ressalva A posição pretérita. Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passa-se aqui a definir um posicionamento sobre a controvérsia refer ente As áreas de reserva legal e de preservação permanente, Da Area tributável para fins do 1TR se excluem as areas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1°, II, "a" a "f", da Lei n°9,393/96. 18 Processo n° 10820 001993/2006-31 S2-C11 -2 AcOrcho n 210240-663 Fl 159 Claramente vê-se que as areas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as Areas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. 0 nó górdio é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma Area seja considerada de reserva legal ou de preservação permanente para fins de fruição da isenção no âmbito do ITR. Partindo do principio que o ITR incide sobre a área aproveitável da propriedade (Area tributável menos a área de benfeitorias), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, parece-me claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas areas de utilização limitada, ou seja, caso as Leas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastar-se-ia a isenção legal De outra banda, existindo tais areas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal Entretanto, para a fruição da isenção, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias areas ambientalmente protegidas). Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, para isenção do IRPF, não basta o contribuinte portar alguma das moléstias constantes no art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713/88, mas deve comprová-las mediante um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, na forma do art. 30 da Lei n° 9.250/95. Nessa mesma linha, o art. 40, V, da Lei n° 8.661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial - PDTI pode ter um crédito de 50% do IRRF incidente sobre as remessas para o exterior, a titulo de royalties, de assistência técnica ou cientifica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferência de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbá-lo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei n° 9.279/96), para fruição do beneficio legal. Agora, passa-se a verificar a existência de requisitos formais para fruição do beneficio no âmbito do ITR para as Areas de preservação permanente e reserva legal. Em relação à area de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1 0, 11, "a", da Lei n° 9.393/96, verbis: Art. 10.. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior ,sç 1 0 Para os efeitos de apuração do IT!?, considerar-se-6.• I - Omissis; 1I - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas • a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei te 4,771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lein' 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei no 4.771165), pode ser excluída da área tributável. Já no art— 16 da Lei n° 4.771/ definem-se os percentuais de cobei tul'a florestal a título de rcserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do pais e determina que a area de reserva legal deve ser averbada a margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da Area. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do beneficio no âmbito do FIR, já que a Lei n° 9,393/96 assevera a exclusão da ilea de reserva legal, porém remetendo-a ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da area de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da area de reserva legal, em sentido lato, parece que não hi qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei n° 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto n° 6 514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 — MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS, 16 E 44 DA LEI N" 4.771/65. MATRICULA DO IMÓVEL, AVERBAÇÃO DE AREA DE RESERVA FLORESTALNECESSIDADE. I - A questão controvertida refere-se a interpreta cão dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4..771/65 (Código Florestal), unia vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserve legal florestal na matricula do imóvel. II - "Essa legislação, ao determiner' a separagdo de parte das propriedades rurais para constituição da reserva.florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais- ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam a conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS n" 18,301/MG, Rel. Min. JOÃO OTÃVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III - Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei WI 4.771/65 (airily) Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva lewd, a margem da inscrição da matricula da propriedade, é conseaiiência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias ã protecão do meio ambiente, previstas tanto no código Florestal como na Legislação extravagante. . IV- Recurso Especial provida (grifou-se) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis ri.° 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica. Processo n° 108211001993/2006-31 S2-C1T2 AcOtdno 2102-00.663 H 160 Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa especifica, parece desarrazoado deferir o beneficio tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei n° 9.393/96 defere a exclusão da Area de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece-me que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima está alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho2 : Há tributos que se prestam, admiravehnente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinam-se mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tão-só a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade, Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma . figura impositiva, sendo apenas licito verificar que, por vezes, inn predomina sobre o outro. No dizer de Jose Marcos Domingues Oliveira3 (1999, p. 37) a "Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outras que não a captação de dinheiro para o Erário, tais como a redistribuiglio da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do desenvolvimento regional ou setorial etc.", sendo certo que é do conhecimento gerai que o ITR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agraria e gravando de forma mais vertical os lati;úndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei n° 4.504164) e com as alterações perpetradas pela Lei n° 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente corn a Lei n° 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei n° 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das Areas de interesse ambiental, já que tais Areas não compõem as Areas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio area total do imóvel/grau de utilização. Apenas para se ter urna ideia da irrelevAncia do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradac pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do 1TR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado 4, isso no pais que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes Areas rurais do Brasil, a questão arreCadatória é marginal, secundária. De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: • imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; • progressividade das aliquotas, como se vê no anexo da Lei n° 9.393/96, no qual uma propriedade com o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a aliquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; 2 CARVALHO, Paulo de Banos. Direito Tributário — Linguagem e Método. 2' ed , Sao Paulo: NoeSes, p. 241. 3 OLIVEIRA, José Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente: proporcionalidade, tipicidade aberta, afetação de receita 2' ed (rev, e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 37. 4 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da internet da Secretaria da Receita Fe51 al do Brasil, no endereço: http://www.receita.fazenda.gov br/Publico/arre/2009/AmIlisemensaldez09,pdf 21 • tributação mais favozeeida dos imóveis rurais coin inaiox grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; • exclusão da Area de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (areas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primaria e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a 'preservação do meio ambiente. Em urn cenário dessa natureza, deve-se privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do ITR e, dentre esses, avulta a relevância das areas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da Area de reserva legal 6 urn importante requisito para a conservação da area protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do IIR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da area de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei n°9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1°, II, "a", da Lei n° 9.393/96 permite a exclusão da Area de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei n° 4.771/65) da area tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art, 16, § 8°, exige que a area de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da area, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da area de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis 6 uma providencia que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insiste-se que afastar a necessidade de averbação da area de reserva legal é unia interpretação que vai de encontro a. essência do ER, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da area de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do , FIR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da area de reserva legal, aqui não me filio aqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma area de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao inicio da ação fiscal, não me parece razoável arrostar o beneficio tributário, quando se sabe que Leas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma area averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da area total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Agora, passa-se a apreciar a necessidade do ADA para fruição do beneficio tributário para as areas de preservação permanente e utilização limitada (reserva legal e outras). Essa questão não oferece qualquer dúvida, já que o art. 17-0, § 1°, da Lei IV 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatelria) 6 expresso quanto a exigência do ADA para fruição de beneficio no âmbito do ER, corn vigência em relação aos exercios posteriores a 2001, e não se compreende como o art. 10, § 70, da Lei n° 9.393/96 (na redação dada pela MP n° 2.166-67/2001), que versa sobre aspectos homologatórios da declaração das areas de utilização limitada, poderia ter revogado tacitamente o art, 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, como aqui se discutiu ' anteriormente. • 22 • Processo n° 10820,001993/2006-31 S2-C1T2 A(.61(11011° 2162-00.663 ri. 161 Mais urna vez, entretanto, corno a Lei n° 6938/8 l não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Explanada a posição deste relator sobre as controvérsias referentes ao ADA para as áreas de utilização limitada (reserva legal e outras) e de preservação permanente e sobre a averbação cartorária da área de reserva legal, passa -se a apreciar o caso concreto mini em discussiio. AREA DE RESERVA LEGAL AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO NOVEL Agora, passa-se a verificar a existência desse requisito formal para fruição do beneficio no âmbito do ITR para as Areas reserva legal. Em relação à Area de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1 0, II, "a", da Lei n° 9.393/96, verbis: Art. 10.. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1" Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I - Omissis; - area tributável, a area total do imóvel, menos as áreas.' a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4,771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), pode ser ' excluída da Area tributável, Já no art. 16 da Lei n° 4.771/65 definem-se os percentuais de cobertura florestal a titulo de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiaes do pais e determina que a Area de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da Area. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do beneficio no âmbito do ITR, já que a Lei n° 9393/96 assevera a exclusão da Area de reserva legal, porem remetendo -a ao Código Florestal, não havendo, especificamente, urna obrigação de averbação na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da Area de reserva legal, em sentido lato, parece que não hi qualquer dúvida, pois inclusive lid norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei n° 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, corn aplicação de multas pecuniárias, conforme art. 55 do Decreto no 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 — 23 julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI N" 4.771/65. MATRiCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE, I - A questão controvertida refere-se à interpretação dos arts 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese fit made pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matricula do imóvel. II - "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando colpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem . Tais cons eqii ências nefastas, paulatinamente, levam conscientiza cão de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS n" 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTA' T/10 DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III - Inviável o afastamento da averba cão preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matricula da propriedade, g conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à prineção do 'meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. - Recurso Especial provido. (gr ifou-se) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis n° 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, pata as atuais e futuras gerações: conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa especifica, parece desarrazoado deferir o beneficio tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei n° 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, é obrigatória a averbação na matricula do imóvel e sem essa condição não há como o contribuinte se beneficiar da isenção pleiteada, ANÁLISE DO OBJETO DO PROCESSO Feita essa explanação sobre as Areas de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente e a exigência da apresentação do ADA para ambas e a necessidade de averbação na matricula do imóvel para a primeira area citada, passemos a analisar o que o recorrente trouxe aos autos de relevante nesse sentido: Proc. 10820.001993/2006-31 10820.001316/2005-31 ITR Declarado Vistoria Averbação I ADA Laudo 24 Processo n° 10820,001993/2006-31 S2-C1T2 Ac6iclito n.° 2IO2-0M63 Fl. 162 2002 fl. 28 lhama 2002 2005/2006 2005/2006 2005 fl.10 fls.81-v;88-v;90 fls.93194 fl.43 APP 74,0 ha 74,0 ha 0,0 ha 297,4 ha 116,2 ha AUL 630,0 ha 630,0 ha 404,84 ha 406,6 ha 0,0 ha Como se vê, o contribuinte logrou êxito ao trazer documentos que permitem que sejam consideradas áreas isentas de APP, já que tem Laudos e ADA e Reserva Legal com Averbação (mesmo que intempestiva em face da vistoria do lhama em 2002 atestando a existência da Reserva Legal à época do fato gerador) e ADA, contudo, diante do conflito de valores explicitados na tabela supra, devemos pegar o menor dos valores, ou seja, 74,0 ha de Area de Preservação Permanente e 404,8 de Area de Reserva Legal. CONCLUSÀO Pelo exposto, VOTO PE LO PROVIMENTO PARCIAL. DO RECURSO, para se proceda as seguintes retificações: ITR 2002 Declarado fl. 28 Acórdão Carf Área de Preservação Permanente 74,0 ha 74,0 ha Área de Utilização Limitada 630,0 ha 404,8 ha Assim, em função dessas duas retificações, determino que sejam refeitos os devidos cálculos da área utilizada do imóvel, Grau de Utilização, aliquota aplicável, Valor da Terra Nua Tributável e, finalmente, o valor do IT ,devido. Rubens Maur Carvalho - Relator 25
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