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Numero do processo: 13896.911309/2009-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 11 30 9/ 20 09 -8 8 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911309/200988 Resolução nº 3801000.631 S3TE01 Fl. 438 2 Relatório Tratase de processo de PER/DCOMP em que a Delegacia da Receita Federal de origem não homologou a compensação declarada. O despacho decisório baseouse em análise do direito de crédito limitada ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, que constatou que o pagamento informado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não tendo restado crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN) e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 26/12/1996. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual afirma que: i) Incluiu na base de cálculo da contribuição social receita de serviços prestados a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior, o que acarretou pagamento indevido ou maior que o devido do tributo, tecendo argumentos de direito sobre a matéria. ii) Retificou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDACON para excluir as receitas provenientes do exterior da base de cálculo do tributo. iii) Em 15/07/2009, retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF para alteração do débito anteriormente declarado e, com isso, poder utilizar o pagamento indevido na compensação objeto da DCOMP previamente formalizada. iv) O DACON e a DCTF retificadores não devem ter sido processados pela Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, o que teria motivado a não homologação da compensação. v) O processamento das obrigações acessórias retificadoras evidenciaria que o DARF informado no PER/DCOMP não se encontra vinculado a nenhuma outra quitação e, por conseguinte, disponível para compensação com outros tributos federais. Pede o processamento das retificações, confirmandose a existência do crédito em seu favor, e que a decisão seja reformada, reconhecendose o crédito e homologandose a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CORREÇÃO DE INFORMAÇÕES. COMPROVAÇÃO. DACON. NATUREZA JURÍDICA. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911309/200988 Resolução nº 3801000.631 S3TE01 Fl. 439 3 Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Consideramse confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes, consistentes na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, passível de confirmar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de dívida.” Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual, entendendo que a decisão de primeira instância administrativa fundamentase no fato de que a data da DCOMP é anterior à da DCTF retificadora e que não foram apresentadas provas fiscais e contábeis do crédito, assevera que: i) Em virtude do expressivo volume de documentos e livros que comprovam seu direito ao crédito pleiteado, junta planilha e cópias de contratos, fichas e documentos que comprovam algumas operações exemplificativas do que alegado; ii) Em razão das retificações promovidas, há indébito tributário, uma vez que o valor recolhido deixou de ser totalmente utilizado para pagamento de tributo. iii) A DCTF retificadora substitui integralmente a DCTF apresentada anteriormente, nos termos da IN RFB nº 903/2008, vigente à época da retificação. iv) A retificação entregue, de forma espontânea, no prazo legal e segundo as formalidades previstas, torna o valor apontado na declaração retificadora legítimo e faz prova a favor da contribuinte, motivo pelo qual qualquer discussão sobre o montante apontado na DCTF retificadora deveria ter sido iniciada pela autoridade fiscalizadora, não pela Delegacia de Julgamento. v) O despacho decisório não alega ou contesta nada em relação às retificadoras. vi) O despacho decisório e o acórdão recorrido cercearam o direito de defesa, por isso são nulos, ma vez que: Fl. 439DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911309/200988 Resolução nº 3801000.631 S3TE01 Fl. 440 4 a) o primeiro não lhe deu oportunidade para, em momento anterior a sua emissão, apresentar justificativas e documentação detalhadas e não contém fundamentação coerente que lhe desse a conhecer as razões que levaram à decisão. b) o segundo apresenta argumento até então não considerado, o de serem necessárias provas robustas sobre a verdade material, quando não seria mais possível apresentar tais provas. Tece, novamente, argumentos sobre o direito aplicável. É o relatório. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911309/200988 Resolução nº 3801000.631 S3TE01 Fl. 441 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Ambas as decisões estão fundamentadas e permitiram à contribuinte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, ainda que o despacho decisório contenha erro, como se verá adiante. Para o presente caso, os artigos 165 e 170 do CTN deixam claro a necessidade de que tenha ocorrido pagamento de tributo indevido ou maior que o devido e que o direito de crédito seja líquido e certo. Aquele que alega possuir direito deve proválo, conforme dispõe o art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente. O pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF, logo, tributo devido, e, por isso, o DARF referente a este pagamento não provava a existência de indébito líquido e certo, uma vez que a DCTF retificadora não havia sido considerada no despacho eletrônico. A falta de apresentação de provas em contrário implica considerar verdadeiros os valores informados na DCTF. Logo, a necessidade de apresentação de provas quanto ao direito de crédito está presente desde o início do processo. Não é algo que surge apenas no acórdão recorrido. Mesmo se não estivesse, em se tratando de processos de PER/DCOMP eletrônico, em que não tenha havido intimação da RFB exigindo documentos antes da expedição do despacho decisório, admitemse provas com o recurso voluntário, quando se prestem a contrapor as decisões de primeira instância administrativa, em obediência ao art. 16, §4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, assegurandose, assim, o direito de defesa. De fato, a contribuinte juntou documentos ao recurso voluntário com a intenção de provar seu direito, cuja análise não se promoverá apenas por restar prejudicada, em virtude do que se propõe no decorrer deste voto. Concluise que não houve cerceamento do direito de defesa. Sobre a DCTF retificadora. A contribuinte formalizou e transmitiu DCTF retificadora que foi recebida via internet por agente receptor SERPRO em 15/07/2009, antes da emissão do despacho decisório em 01/02/2012. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911309/200988 Resolução nº 3801000.631 S3TE01 Fl. 442 6 A IN RFB nº 903, de 30/12/2008, que dispõe sobre a DCTF, vigente à época da recepção da DCTF retificadora, dispunha: “Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (...) § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.” O comando de que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados está presente também nas instruções normativas que sucederam a IN RFB nº 903, de 2008. No presente caso, nada há nos autos que permita enquadrar a DCTF retificadora recepcionada nos sistemas informatizados da RFB numa das situações em que não produziria efeitos. Logo, a DCTF retificadora deveria ter sido considerada na análise do direito de crédito, não a original. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911309/200988 Resolução nº 3801000.631 S3TE01 Fl. 443 7 Para tanto, a RFB poderia efetuar os procedimentos fiscais que entendesse necessários para apurar a idoneidade das informações da DCTF retificadora e a liquidez e certeza do crédito. Por basearse em elementos incorretos, o despacho decisório deve ser anulado. O CARF já se manifestou neste sentido, conforme ementa do acórdão nº 3403 001.288, de 09/11/2011, da 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, em que o Conselheiro Ivan Allegretti foi designado para redigir o voto vencedor. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. DECISÃO ELETRÔNICA BASEADA EM DADOS DEFASADOS DE DCTF. INFORMAÇÕES RETIFICADAS POR DCTFRETIFICADORA APRESENTADA EM MOMENTO ANTERIOR À NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO. Decisão eletrônica que nega homologação à Declaração de Compensação pelo fundamento de que o DARF, do qual teria originado o crédito indicado pelo contribuinte na compensação, teria sido integralmente absorvido pelo valor confessado em DCTF em relação ao mesmo período de apuração. A decisão deve ser anulada se foi baseada em dados defasados, que já haviam sido alterados por meio de DCTFretificadora transmitida antes da notificação da decisão. Decisão anulada.” Sobre os efeitos da anulação do despacho decisório O Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe que: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911309/200988 Resolução nº 3801000.631 S3TE01 Fl. 444 8 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A distinção entre nulos e sanáveis mostra que o Decreto nº 70.235, de 1972, aceita a separação entre atos nulos e anuláveis, logo, aceita a possibilidade de que a anulação de um ato ou uma decisão administrativa produza efeitos ex nunc. No caso deste processo, o despacho decisório foi proferido por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa, logo, a irregularidade verificada pode sanada. Em decorrência, propõese que a anulação do despacho decisório se opere com efeitos a partir desta decisão. Os demais argumentos do recurso voluntário restam prejudicados. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular o despacho decisório com efeitos ex nunc, devendo a Delegacia da Receita Federal de origem proceder à nova análise do direito de crédito pleiteado com base na DCTF retificadora, inclusive quanto à questão de mérito, submetendo o novo despacho decisório ao rito do Decreto nº 70.235, de 1972, nos termos do art 74, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 444DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911309/200988 Resolução nº 3801000.631 S3TE01 Fl. 445 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Redator Designado Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas que teriam sido pagas a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON e DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação da DCTF feita pela recorrente foi posterior à apresentação da DCOMP e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Tal procedimento é disciplinado em atos normativos da Receita Federal do Brasil, conforme autorização prevista no art. 74 da Lei 9.430/1996. Em relação a alegação de nulidade, conforme dispõe o art. 59 do PAF, ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso vertente, a recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS a receita decorrente dos serviços prestados a clientes residentes ou domiciliada no exterior, apresentando ainda as razões de direito atinentes ao caso e juntando documentação comprobatória. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Assim, entendo não ser passível de nulidade o despacho decisório guerreado se presentes os requisitos legais atinentes e o devido processo legal foi obedecido, em especial, o contraditório e ampla defesa. Não obstante as alegações da recorrente, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios Fl. 445DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911309/200988 Resolução nº 3801000.631 S3TE01 Fl. 446 10 que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Registrese, por oportuno, que, apesar de não existir norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, no caso em tela a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo, sendolhe ofertada posteriormente essa oportunidade quando da instalação do contraditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de 1ª Instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto das contribuições do PIS e da COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior das contribuições do PIS e da COFINS, conforme as operações apontadas pela recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais elementos que julgar necessários; b) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 446DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 15586.720113/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
EMENTA.
DOCUMENTOS INIDÔNEOS. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVIDADE.
É defeso o uso de documentos inidôneos, procedente de fraudes, para fins de lastrear o direito ao crédito a ser descontado das contribuições para o PIS e para a Cofins apurados na sistemática da não cumulatividade.
MULTA QUALIFICADA. CONDUTA FRAUDULENTA.
A prática reiterada, por sucessivos exercícios, caracteriza uma conduta fraudulenta da contribuinte, autorizando a autoridade fiscal a aplicação da multa qualificada de que trata o §1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 3402-002.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Fenelon Moscoso de Almeida e José Paulo Puiatti.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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P. CAFE LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO (RJ) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 EMENTA. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. IMPOSSIBILIDADE. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVIDADE. É defeso o uso de documentos inidôneos, procedente de fraudes, para fins de lastrear o direito ao crédito a ser descontado das contribuições para o PIS e para a Cofins apurados na sistemática da não cumulatividade. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA FRAUDULENTA. A prática reiterada, por sucessivos exercícios, caracteriza uma conduta fraudulenta da contribuinte, autorizando a autoridade fiscal a aplicação da multa qualificada de que trata o §1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Fenelon Moscoso de Almeida e José Paulo Puiatti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 01 13 /2 01 1- 20 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada sob alegação de falta/insuficiência de recolhimento de PIS/Cofins, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, derivados da aplicação do regime da incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Desse modo, a Autoridade Fiscal constituiu, em relação à Cofins, o crédito tributário no valor total de R$ 2.548.720,34, incluindo juros de mora, multa qualificada de150%. E, em relação ao PIS, constituiu crédito tributário no valor total de R$ 553.340,44, incluindo juros de mora, multa qualificada de 150%. Tudo conforme se verifica na peça de autuação. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 206/245), parte integrante e comum dos autos de infração, a Fiscalização buscou fundamentar o alegado, acima resumido, mediante um conjunto de depoimentos reduzidos a termo, prova documental, especialmente, de cópias de notas fiscais, da escrituração contábil da empresa autuada. Cabe sintetizar, neste relatório, parte do referido Termo, cujo conteúdo foi decisivo para lavratura dos Autos de Infração, ora sob análise. Na peça, o AFRFB autuante aduz que: 1. a Empresa autuada lançou mão de um ardil disseminado por todo o Estado do Espírito Santo, e que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadista para dissimular vendas de café de pessoa física para empresas exportadoras e indústrias, gerando créditos ilícitos; 2. a fiscalização, ora encerrada, decorre das investigações originadas na operação fiscal “Tempo de Colheita”, deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal, em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. A imensa maioria dessas pessoas jurídicas encontravase omissa na apresentação da DIPJ ou, mais comumente, inativa; 5. os corretores de café foram unânimes em asseverar que atacadistas, exportadoras e indústrias detém pleno conhecimento da existência de um mercado de notas fiscais realizado por pseudoatacadistas de café; 6. no rol da inúmeras pseudoatacadistas existentes destacou aquelas que emitiram notas fiscais para a empresa ora autuada, para acobertar compra direta de produtores rurais; Fl. 417DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 126 3 7. as empresas utilizadas para dissimular as aquisições diretas de pessoa física foram as pseudoatacadistas Nova Brasília, Café Brasile, Reicafé, Cafeeira Arruda, Ypiranga, RomaBrazil, Coffee e Café Ouro Verde; 8. efetuouse a glosa dos créditos integrais indevidos e compensados contabilmente pela Fiscalizada; 9. a apropriação dos créditos indevidos não são meros erros contábeis, mas fraudes de efeitos relevantes para a Fiscalizada e para a Fazenda Nacional; 10. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária, e ainda a figura da sonegação, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em se eximir do recolhimento tributário cabível, o que enseja a exasperação da multa; 11. lavrou “Representação Fiscal para Fins Penais” em cumprimento ao disposto na legislação pertinente. O “Termo de Verificação Fiscal” contém demonstrativos detalhados do procedimento de cálculo até apuração final das contribuições devidas. A base legal dos lançamentos de PIS/Cofins encontrase descrita no corpo dos autos de infração. No que se refere ao crédito principal da Cofins, a base do lançamento é a Lei nº 10.833/03, artigos 1º, 3º e 5º. Quanto aos acessórios legais: a multa teve por base o art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar nº 70/91; e art. 44, inciso I (II) e § 1º, da Lei nº 9.430/96; enquanto o cálculo dos juros teve por base o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. No que se refere ao crédito principal do PIS, a base do lançamento é a Lei nº 10.637/02, artigos 1º, 3º e 4º. Quanto aos acessórios legais: a multa teve por base o art. 86, § 1º, da Lei nº 7.450/85; art. 2º, da Lei nº 7.683/88; e art. 44, inciso I (II) e § 1º, da Lei nº 9.430/96; enquanto o cálculo dos juros teve por base o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Devidamente cientificada, em 27/07/2011 (fl. 293), a interessada apresentou, à fl. 295 e seguintes, em 25/08/2011, a correspondente impugnação, onde alegou, em resumo, que: 1. o auto de infração inobservou o princípio do devido principio legal e seu consectários, uma vez que a empresa está sendo punida com base em fatos, de cuja apuração não participou, dessa forma a autuação deve ser considerada nula; 2. não foi observado o disposto na Lei nº 9.430/96, quanto à declaração de inidoneidade ou de inaptidão, o que conduz a nulidade do Auto de Infração; 3. a empresa Café Ouro Verde teve sua baixa no CNPJ em junho de 2008, mas a RP Café negociou com a mesma em período anterior, assim, as operações correspondentes devem ser consideradas válidas; Fl. 418DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 4. a empresa Brazil Coffee teve sua baixa no CNPJ em junho de 2009, mas a RP Café negociou com a mesma em período anterior, assim, as operações correspondentes devem ser consideradas válidas; 5. o Fisco Federal deixa de considerar a ocorrência de operações registradas no Sintegra, em momento posterior à baixa no CNPJ; 6. a obrigação de comprovar a inidoneidade da empresa é do Fisco, não do contribuinte, entendimento pacificado no STJ; 7. a RP Café negociou com a empresa Cafeeira Arruda em período que a mesma estava regularizada no Sintegra, assim, as operações correspondentes devem ser consideradas válidas; 8. a RP Café negociou com a empresa Café Brasile em período que a mesma estava regularizada no Sintegra, assim, as operações correspondentes devem ser consideradas válidas; 9. a RP Café negociou com a empresa Reicafé em período que a mesma estava regularizada no Sintegra, assim, as operações correspondentes devem ser consideradas válidas; 10. a RP Café negociou com a empresa Nova Brasília Café em período que a mesma estava regularizada no Sintegra, assim, as operações correspondentes devem ser consideradas válidas; 11. a RP Café negociou com a empresa Ypiranga Café em período que a mesma estava regularizada no Sintegra, assim, as operações correspondentes devem ser consideradas válidas; 12. não há que se falar em responsabilidade da empresa, por irregularidade cadastral de seus fornecedores, tendo em vista o que dispõe o parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430/96; 13. a multa aplicada com base na Lei nº 11.488/07 não pode atingir fatos geradores anteriores a 15/06/07, pois não há previsão de sua aplicação retroativa. A impugnante cita jurisprudência e com base na argumentação expendida, requer que: 1. declaração de nulidade do auto de infração; 2. produção de todos os meios de prova admitidos, juntada de novas provas e perícia técnica. A 17ª Turma de Julgamento da DRJ RJ1 julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1248.494, de 26 de julho de 2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade Fl. 419DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 127 5 tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Planejamento Tributário. Não Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Multa de Ofício. Fraude. Qualificação. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Contraditório e ampla defesa. Respeitados. Autoridade. Competente. Nulidade. Não ocorrência. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Matéria não Impugnada. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF valendose dos mesmos fundamentos jurídicos e legais contidos na impugnação, que peço vênia para não reescrevêlos. Termina sua petição recursal requerendo a reforma da decisão a quo para determinar a nulidade do auto de infração e, alternativamente, caso ultrapassada a preliminar, que seja declarado improcedente o auto de infração. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Preliminar Relata o recorrente que a Receita Federal realizou auditoria fiscal referente às operações de PIS e da Cofins dos anoscalendário 2007 e 2008 objetivando apurar a regularidade dos créditos oriundos da aquisição de café para revenda, deduzidos contabilmente dos valores devidos das contribuições das exações acima mencionadas. Após o encerramento das apurações, foi imputado ao recorrente um crédito tributário no valor de R$ 2.548.720,34 da Cofins e R$ 553.340,44 do PIS. Pondera o sujeito passivo que deveria ter sido notificado da necessidade de instauração de ação fiscal por indício de irregularidade, fato que não ocorreu. Assim sendo, reclama pela anulação do auto de infração pela inobservância do devido processo legal. Compulsando os autos identifico que: a) Em 10 de janeiro de 2011, o recorrente recebeu o Termo de Início de Ação Fiscal nº 234/2010, pelo qual foi intimado a apresentar diversos documentos relativos aos anoscalendário 2007 e 2008; b) Em 27 de janeiro de 2011, o recorrente requereu dilação de prazo para apresentar os documentos solicitados no termo acima mencionado; c) Em 30 de março de 2011, a Autoridade Fiscal reintimou o recorrente para apresentar os mesmos documentos solicitados no Termo de Início de Ação Fiscal nº 234/2010; d) Em 06 de abril de 2011, o recorrente respondeu a reintimação e aduziu aos autos os seguintes documentos: contrato social e alterações, arquivos magnéticos contendo livros diário e razão do período de 2007 e 2008, livros de registro de entradas e saídas em meio magnético, período de 2007 e 2008, arquivo magnético do SINTEGRA, período de 2007 e 2008, planilha de cálculo do PIS e da Cofins, em papel e meio magnético, período de 2007 e 2008 e arquivo digital referentes às entradas do período de 2007 e 2008; e) Foi elaborado Termo de Verificação Fiscal contando os fundamentos jurídicos que embasaram a autuação fiscal. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 128 7 Em 27 de julho de 2011 o recorrente teve ciência do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal; f) Em 25 de agosto de 2011, o sujeito passivo apresentou impugnação em face do auto de infração do PIS e da Cofins objeto deste processo administrativo. Na peça recursal, além da preliminar de nulidade por desrespeito ao devido processo legal, o contribuinte reclama: Que não fora observado o disposto no art. 82 da Lei nº 9.430/96, quanto a declaração de inidoneidade/inaptidão das empresas fornecedoras; Que negociou com as empresas baixadas em período anterior, assim, as operações correspondentes devem ser consideradas válidas; Que negociou com empresas em período que se encontravam regularizadas no Sintegra, assim, as operações correspondentes devem ser consideradas válidas; Que não há responsabilidade da empresa, por irregularidade cadastral de seus fornecedores; Que a multa aplicada com base na Lei nº 11.488/07 não pode atingir fatos geradores anteriores a 15/06/07; g) Por fim apresentou recurso voluntário repisando os mesmos argumento apresentados na impugnação. Analisando os atos praticados pela Autoridade Fiscal e, resumidamente, acima assinalados, deixa evidente que o recorrente participou de todas as fases do processo administrativo, seja na fase instrutória como na fase recursal. Chamo a atenção de que as conclusões da Fiscalização que subsidiaram os autos de infração são oriundas das análises realizadas nos livros fiscais do recorrente. Outro ponto importante é que nas peças recursais o recorrente se defende de todas as imputações contidas no Termo de Verificação Fiscal e que subsidiaram os autos de infração. Assim sendo, não resta dúvida que a Fiscalização realizou seu trabalho respeitando o devido processo legal, propiciando a ampla defesa e o contraditório em todas as fases de constituição do crédito tributário ora em discussão. Por esses motivos, afasto a preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente. Mérito O cerne da questão posta nos autos é definir se o recorrente se beneficiou da gangue que vendia notas fiscais para fins de obtenção de créditos para serem abatidos dos valores devidos do PIS e da Cofins apurados no regime da não cumulatividade. Ao meu sentir, estamos diante de um caso típico de matéria fática. Deste modo, sintome obrigado a mergulhar nas entranhas do processo e extrair os fundamentos jurídicos nele aduzidos e que determinarão destino da lide. Dados extraídos do termo de verificação fiscal: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 A Delegacia da Receita Federal de Vitória deflagrou ações fiscais em desfavor de pessoas jurídicas inscritas no CNPJ como “atacadistas de café em grãos”. A operação foi denominada “tempo de colheita” e a motivação foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras dessas pessoas jurídicas e os valores insignificantes das receitas declaradas. O foco das investigações foi averiguar se as supostas pessoas jurídicas atuavam efetivamente como empresas comerciais atacadistas de café. O resultado apontou tratarse de um esquema que consiste na utilização de pseudoempresa atacadista para simular transações de compra e venda de café para empresas exportadoras e indústrias, dando aparência de legalidade. Na realidade são vendas de café do produtor rural pessoas físicas – diretamente para a comercial exportadora e indústria, mas com interposição fraudulenta de uma pseudoatacadista para dissimular a verdadeira operação. A nota fiscal de saída da pseudo atacadista de café gera créditos integrais do PIS e da Cofins na sistemática da não cumulatividade. A Fiscalização concluiu que eram pseudoatacadista após averiguar que as empresas não tinham estrutura físicafuncional nos endereços oferecidos como domicílio fiscal e não possuíam patrimônio, capacidade financeira, operacional e logística para sustentar as operações. Foram ouvidos diversos corretores de café, a maioria com mais de dez anos de atuação no mercado capixaba. Todos afirmaram que os reais compradores do café tinham pleno conhecimento do mercado de venda de notas fiscais realizado por intermédio de diversas pseudoatacadista de café. Como fruto da operação, identificouse empresas que se beneficiavam do esquema de venda e compra de notas fiscais para fins de obtenção de créditos do PIS e da Cofins apurados na sistemática da nãocumulatividade. A recorrente foi uma das empresas identificadas de se beneficiar do esquema fraudulento e foi fiscalizada para averiguação dos créditos por ela pretendidos, oriundos da aquisição de café para revenda. Constouse que a recorrente se utilizou do esquema acima mencionado, ou seja, simulava compra de café de pseudoatacadista quando na verdade a compra era direto do produtor, pessoa física. Esse artifício gerou créditos indevidos de PIS e da Cofins apurados na sistemática da nãocumulatividade. A Fiscalização glosou todos os créditos oriundos de empresas consideradas pelo Fisco como peseudoatacadistas. Esse é o quadro geral da prática imputada ao recorrente. Agora passo a análise das pseudoatacadistas que emitiram notas fiscais para acobertar os créditos utilizados pela recorrente na sistemática da não cumulatividade das contribuições para o PIS e Cofins e que tiveram suas notas glosadas pelo fisco. “Termo de Verificação Fiscal” a) Ypiranga Comércio de Café Ltda. YPIRANGA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA cadastrada como COMERCIAL ATACADISTA DE CAFÉ EM GRÃOS perante o Fl. 423DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 129 9 CNPJ, passou em 2007 a ser a nova razão social da SILVEIRA E NETTO LTDA ME, microempresa que operava no ramo do comércio varejista de gás e água mineral. Em 19/10/2007 foi registrada na JUCEES a alteração contratual e consolidação do contrato social passando a SILVEIRA E NETTO a ter a denominação de YPIRANGA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA e novo ramo de atividade. Sob a nova razão social e ramo de atividade, YPIRANGA teve vultosa movimentação financeira nos anos de 2008 e 2009. Diante deste fato, a fiscalização esperava encontrar um quadro diferente do que fora constatado. YPIRANGA não dispõe de nenhum armazém, nenhum quadro de funcionários, nenhuma estrutura logística indispensável para o funcionamento de uma autêntica empresa ATACADISTA DE CAFÉ. A fiscalização realizou diligência fiscal e constatou que as dependências da YPIRANGA COMÉRCIO DE CAFÉ definitivamente não espelham a logística mínima necessária para uma comercial atacadista de café em grãos. O que se observou no processo de integralização de capital da YPIRANGA foi mais um simples reflexo do constatado pela fiscalização quando da constituição das diversas pseudo atacadiastas de café: UMA FLAGRANTE SIMULAÇÃO DE INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL. Em seu primeiro depoimento, sem chegar a nível de detalhes, Joumar Silveira Netto, sócio da YPIRANGA, respondeu que não há contratação de frete. Informou que o modus operandi da YPIRANGA é apenas documental: Produtor rural (nota de produtor) => nota fiscal de entrada => nota fiscal de saída => motorista de caminhão => armazém geral do adquirente. Mas, visando esclarecer ainda alguns pontos, JOUMAR NETTO, em atendimento à intimação dos AuditoresFiscais, compareceu em nova oportunidade no Serviço de Fiscalização acompanhado do Dr. Luiz Mônico Comério e revelou toda a realidade operacional da YPIRANGA. Além de informar sobre a gênese da YPIRANGA, Joumar Netto acrescentou aos AuditoresFiscais como tomou conhecimento sobre a existência de "empresas" fornecedoras de nota fiscal. (...) Nas palavras de Joumar, uma mera estrutura montada como passagem de documentos fiscais: "Que a YPIRANGA faz uma passagem fictícia entre produtor e a empresa compradora". Explicitou o recebimento das confirmações de negócio advindas dos corretores e da nota fiscal do produtor rural, a emissão das Fl. 424DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 notas fiscais da YPIRANGA e os locais nas quais as mesmas eram trocadas para que se pudesse proceder a descarga nos armazéns gerais dos compradores. “5. Que o declarante recebe a confirmação de negócio dos corretores com dados do comprador (exportador/torrefador), vendedor (produtor rural), quantidade, preço e etc; Que ao receber a nota fiscal do produtor rural providencia a nota fiscal de entrada e saída da YPIRANGA, sendo esta para guiar o café para o comprador; Que a troca de nota fiscal do produtor pela nota fiscal de saída da YPIRANGA é efetuada em pontos pré estabelecidos, próximos ao escritório da YPIRANGA; Que ao receber a nota fiscal da YPIRANGA o motorista do caminhão segue com destino ao armazém dos adquirentes, (...);” Joumar Netto informou também qual a remuneração recebida pelo fornecimento das notas fiscais de saída da YPIRANGA. “7) Que pelo fornecimento da nota fiscal da YPIRANGA recebe em média R$0,70, sendo deste valor descontado algumas despesas e o valor líquido dividido com o outro sócio, e em algumas operações é destinado R$0,20 para ARYLSON STORCK (...);” Dos vários produtores rurais diligenciados pela fiscalização, restou comprovada a mera utilização das notas fiscais da YPIRANGA para guiar o café que fora adquirido (....). A Ypiranga teve sua baixa de CNPJ em 15/01/2001 e as operações com o recorrente ocorreram em dezembro de 2008. b) Nova Brasilia Comércio de Café. Durante a diligência, verificouse que a empresa funciona em um estabelecimento alugado pelo valor de R$ 380,00, possuindo modestas instalações conforme fotografias abaixo reproduzidas e desprovida de qualquer armazém para depósito do café supostamente comercializado. NOVA BRASÍLIA foi constituída em 23/07/2002, conforme contrato assinado e registrado na JUCEES, com capital social de R$ 100.000,00 (cem mil reais), dividido entre os seguintes sócios (fls. 19/22): > NIVALDO JOSIAS COUTO CPF: 985.995.507 72 60% da sociedade; > REGINALDO CORDEIRO DE SOUZA CPF: 073.037.157 38 40%. Em 25/05/2009, REGINALDO CORDEIRO DE SOUZA e NIVALDO JOSIAS COUTO prestaram informações, espontaneamente, à auditoria fiscal, tomadas a termo conforme TERMO DE DECLARAÇÕES, transcritos em parte a seguir: REGINALDO CORDEIRO DE SOUZA · Que trabalha como motorista no supermercado Conillon em Governador Lindenberg, desde fevereiro de 2007; Fl. 425DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 130 11 · Que de 1997 até 2007 trabalhava com beneficiamento de café para Edson Donadia(...) · Que trabalhava com secagem, pilagem e outras atividades de beneficiamento; · Que recebia 2 salários mínimos por este trabalho; · Como motorista também recebe 2 salários mínimos; · Que o Capital inicial da empresa era de R$ 100.000,00, sendo que o depoente entrou com 40%, deste total, pois possuía R$ 20.000,00 de economias e pediu outros R$ 20.000,00 para seu pai; · Que possuía R$ 20.000,00 no banco S1COOB, ag. Governador Lindenberg, não se lembrando do número da conta; · Que nunca chegou a trabalhar ou administrar a empresa Nova Brasília; · Que somente durante o ano de 2004 recebeu R$ 1.000,00 mensais da empresa Nova Brasília;(...) · Que a partir de 2005 nada mais recebeu da empresa (...); · Que na abertura das contas correntes da empresa, o depoente não compareceu ao banco, sendo dada a procuração ao Wanderley para abertura das mesmas; · Que não sabe dizer se a empresa pagou tributos; · Que não sabe o faturamento da empresa nos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 ou 2008; · Que não possui imóveis nem veículos; · Que paga R$ 220,00 de aluguel por sua casa; NIVALDO JOSIAS COUTO · Que trabalha como encarregado na fazenda de Nilton Zallen Ribeiro, desde de 2006; · Que trabalhou na empresa Nova Brasília do início de 2004 a fevereiro de · Que de 1999 até 2003 trabalhava com beneficiamento de café para Natalino Pereira Nascimento; · Que trabalhava com beneficiamento e classificação de café; · Que recebia 2 salários mínimos por este trabalho; · Como encarregado de Nilton Zallen Ribeiro recebe 3 salários mínimos; · Que recebia R$ 1.000,00 mensais durante o período em que trabalhou na empresa, do início de 2004 até início de 2005; · Que esteve no banco SICOOB e assinou os papéis de abertura da empresa; · Que a partir de 2005 nada mais recebeu da empresa, pois deixou Wanderley como procurador; · Que a administração da Nova Brasília desde a sua abertura foi do Wanderley; · Que foi o depoente que assinou a carteira de trabalho de Wanderley; · Que não se recorda a ocupação registrada na carteira de trabalho; Fl. 426DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 · Que o Wanderley ê irmão do Natalino Pereira Nascimento, expatrão do depoente, na atividade de beneficiamento de café; · Que desde o início da atividade da empresa Nova Brasília era o Wanderley que administrava; Com base nos depoimentos e na ausência de comprovação de documentação comprobatória da origem do capital integralizado, a Fiscalização concluiu que os sócios de direito não possuíam capacidade financeira para abertura da empresa, que nunca administraram a empresa, que receberam R$ 1.000,00 mensais no ano de 2004 por constarem como sócios da empresa, que trabalhavam para outras pessoas ou empresas e recebiam 2 salários mínimos, ou seja, que os sócios são interpostas pessoas (laranjas). Dois corretores de café que negociavam notas fiscais da Nova Brasília prestaram o depoimento abaixo reproduzido: Luciano Arpini Gobbi, corretor da GECAFÉ: (...) · Que o depoente faz a intermediação de negócio entre os maquinistas e as empresas exportadoras/torrefadoras; · Que a operação de fato é a venda de café dos maquinistas para os exportadores e torrefadores; · Que a negociação da compra de café é feita diretamente com os maquinistas, como Luis Carlos Bernabé (Novo Brasil) e José Valentim Fracarolli (Rio Bananal); · Que o maquinista informa que o café será guiado em nome da Nova Brasília; · Que o café é vendido pelo maquinista, mas é guiado pela Nova Brasília ou outra empresa do mesmo ramo; · Que o declarante afirmou que as empresas exportadoras e indústrias torrefadoras têm conhecimento quanto à origem do café (maquinista ou produtor), não obstante o café estar sendo guiado em nome da pessoa jurídica; Devanir Fernandes dos Santos, corretor da Cristal Brasil: · Que o declarante faz a intermediação de negócio entre os donos dos armazéns e as empresas exportadoras/torrefadoras; · Que a operação de fato é a venda de café dos donos dos armazéns e produtores para os exportadores e torrefadores; · Que a negociação da compra de café é feita diretamente com os donos dos armazéns gerais; · Que os donos dos armazéns de interior informam que o café será guiado em nome da Nova Brasília; · Que o café é vendido pelos donos dos armazéns de interior, mas é guiado com nota fiscal da Nova Brasília ou outra empresa laranja; · Que o declarante afirmou que as empresas compradoras têm conhecimento quanto à origem do café (donos de armazéns ou produtor), sabendo que o café é guiado em nome de empresa laranja; · Que como produtor, já guiou o café com nota da Nova Brasília, pois quando quer vender com a nota do produtor rural diretamente para as empresa compradoras (exportadoras ou torreifadoras), estes Fl. 427DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 131 13 querem descontar 8,5% referentes ao Funrural PIS e COFINS; · Que caso a operação de venda do café do produtor para os exportadores/torrefadores seja realizado utilizando nota fiscal da Nova Brasília, não há o desconto de 8,5%; Por derradeiro, é importante ressaltar que a empresa Nova Brasilia teve sua baixa de CNPJ em 24/07/2002 e as operações com o recorrente ocorreram nos períodos de agosto a dezembro de 2007, janeiro a abril de 2008 e setembro de 2008. c) Roma Comércio de Café. A pessoa jurídica com endereço na Avenida Silvio Ávidos, n° 329, COLATINA/ES, apresenta as seguintes pessoas físicas no quadro societário: AÍLTON ROMAIS, CPF 395.141.88772, e THIARA LI BE RATO ROMAIS, CPF 054.139.55723 (filha do primeiro). Como todas as empresas de fachada diligenciadas, ainda em 2007, a fiscalização realizou diligência fiscal e constatou que as dependências da ROMA COMÉRCIO DE CAFÉ definitivamente não espelhavam a logística mínima necessária para uma comercial atacadista de café em grãos. A fiscalização realizou diligências em alguns produtores rurais que constam como supostos fornecedores da ROMA COMÉRCIO DE CAFÉ. Os produtores rurais foram enfáticos e conclusivos em afirma que não conhecem a Roma Comercio de Café e Sacaria. O produtor rural Renato Mielke, com relação à ROMA, foi direto ao afirmar que conhece Ailton Romais, mas não vende café para o mesmo. Valese tão somente das notas fiscais da ROMA para guiar café negociado com as exportadoras e torrefadora. “Que perguntado pela fiscalização se conhece a ROMA COMÉRCIO DE CAFÉ, o declarante respondeu que sim; Que perguntado se o declarante conhece o Sr, AILTON ROMAIS, o declarante respondeu que sim; Que perguntado se o declarante efetuou alguma transação com o Sr. Ailton Romais, o declarante respondeu que sim; Questionado acerca dessas operações, o declarante informou que em certa ocasião o Sr. Ailton Romais ofereceu ao declarante a ROMA para guiar café; Que para guiar café em nome da ROMA o declarante pagava entre R$0,80 a R$1,00 por saca de café ao Sr. Ailton Romais; Que o acerto com o Sr. Ailton Romais era efetuado no escritório da ROMA próximo à Nicchio Café na Av. Silvio Ávidos; Que o declarante solicitava ao Sr. Romais que preenchesse os valores dos cheques da ROMA em determinados valores para pagamento aos produtores rurais; Que em algumas vezes o declarante solicitava provisão de recursos para receber em espécie no próprio escritório da ROMA; Que nas operações em que eram utilizadas empresas apenas para guiar café, o mesmo era destinado às Fl. 428DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 14 empresas exportadoras e torrefadoras tanto do Espírito Santo quanto de fora do Estado. Depoimento do Corretor Valério Antônio Dallapícula: 1. Que perguntado se fez operações por meio da ROMA e YPIRANGA o declarante respondeu que sim; 2. Que perguntado como se deram as operações envolvendo a ROMA e YPIRANGA o declarante esclareceu que: a. ROMA: efetuou poucas operações; que com exceção de uma operação com o Sr. Walmir Bolsanello, a ROMA foi utilizada apenas para guiar café, sendo que pelo fornecimento da nota fiscal era pago ao Sr. Ailton Romais aproximadamente algo em torno de R$1,00 por saca de café; que o declarante recebia amostra do produtor rural/maquinista e ofertava ao mercado; que fechada a operação de venda o declarante encaminhava uma CONFIRMAÇÃO para a ROMA com os dados do comprador (exportadora atacadista); que ao mesmo tempo informava a ROMA os dados do produtor rural que estava efetuando a venda para a exportadora atacadista; que em outras ocasiões o próprio produtor era quem fazia a opção da "empresa" que iria guiar o café para a exportadora atacadista; que o pagamento pela exportadora atacadista para o produtor maquinista era efetuado na conta corrente da ROMA; que esta sacava o dinheiro e repassava ao produtor maquinista ou o produtor rural fornecia a conta corrente para depósito; b. YPIRANGA: que as operações se deram de duas formas distintas: a primeira era venda de café de produtor rural/maquinista para a exportadora atacadista, por intermédio do declarante atuando como CORRETOR, e o café guiado em nome da YPIRANGA por indicação do declarante ou opçã.o do produtor maquinista; que era descontado do produtor rural o valor referente ao fornecimento da nota fiscal da YPIRANGA; que nas vendas para a (...) o declarante informava ao Sr. (...), sócio da (...), a origem do café, melhor dizendo, qual o produtor que estava vendendo café para a (...), ainda que na confirmação constava ficticiamente a YPIRANGA; que na segunda forma o declarante não atuava como corretor, apenas emitia uma confirmação, a pedido da YPIRANGA, onde constava como comprador (...) 3. Que perguntado se a ROMA e a YPIRANGA operam ou operavam como fornecedoras de nota fiscal o declarante respondeu que sim, mesmo porque estas são desprovidas de qualquer estrutura logística mínima indispensável para atuar como uma autêntica comercial atacadista de café; 4. Que a troca de nota fiscal do produtor pela nota fiscal da ROMA ou YPIRANGA era realizada em pontos pré estabelecidos, ora se dava através de motoboy ou em parada próximo aos escritórios das mesmas; 5. Que o declarante informou que com a implantação da nota fiscal eletrônica o preço pelo fornecimento da nota fiscal gira em torno de R$2,00 por saca de café. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 132 15 Ressalto que a empresa Roma Comércio de Café teve sua baixa de CNPJ em 05/10/2004 e as operações com o recorrente ocorreram em setembro de 2008. d) Reicafé Comércio de Café Ltda. REICAFÉ foi constituída em 18/12/2007, conforme contrato assinado em 14/12/2007 e registrado na JUCEES sob o n° 32201319663, com capital social de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), dividido entre os seguintes sócios: > IVAILTO DOMINGOS CPF 093.773.02706 50% da sociedade; > CARLOS ALBERTO OLIVEIRA DA SILVA CPF 305.230.95600 50%. De acordo com o contrato social, o capital teria sido integralizado em 14/12/2007. O extrato entregue revela que a quantia depositada a título de suposta integralização do capital, no valor de R$ 225.000,00, no dia 07/01/2008, fora devolvida no dia seguinte, 08/01/2008, por DEVOLUÇÃO DE CHEQUE DEPOSITADO. Mas não satisfeitos, realizaram cinco depósitos no dia 14/01/2008, sendo um em dinheiro (R$ 50.000,00) e quatro TED's, sucessivamente, nos seguintes valores: 1) R$ 40,000,00; 2) R$ 49.000,00; 3) R$ 31.000,00 e 4) R$ 30.000,00. De posse destes valores a REICAFÉ alcançou o intento junto à Fazenda Estadual de habilitação para emitir nota fiscal, porém no dia seguinte, 15/01/2008, os mesmos R$ 200.000,00 foram sacados mediante transferência de conta de titularidade diferente em nome de GUSTAVO PE" e quatro TED's de diferentes titularidades. Nos sistemas da Receita Federal verificase que IVAILTO DOMINGOS apresentou DIRPF na modalidade de ISENTO para os anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Suas DIRPFs dos anos calendários 2005 e 2006 contém rendimentos de R$ 20.150,00 e R$ 21.312,00, respectivamente. Nos sistemas da Receita Federal verificase que CARLOS ALBERTO OLIVEIRA DA SILVA também apresentou DIRPF na modalidade de ISENTO para os anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Suas DIRPFs dos anos calendários 2005 e 2006 contém rendimentos de R$ 20.000,00 e R$ 21.900,00, respectivamente. No cadastro da Previdência Social verificouse que CARLOS ALBERTO manteve contrato de trabalho assalariado como Almoxarife e Armazenista no período de 2005 a 2008. Quanto à existência de patrimônio e capacidade operacional para realização de seu objeto social, a REICAFÉ, informou não possuir imóveis, como armazéns ou veículos automotores. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 16 O CNPJ da empresa Reicafé Comércio de Café Ltda teve baixa em 18/12/2007 e as operações com o recorrente ocorreram de junho a agosto de 2008 e de outubro a dezembro de 2008. e) Café Brasile Comércio e Exportação LTDA. CAFÉ BRASILE foi constituída em 26/12/2007, conforme contrato assinado em 12/12/2007 e registrado na JUCEES sob o n° 32201320751, com capital social de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), dividido igualmente entre os seguintes > GUILHERME CASSARO CPF 097.053.04718; > GILBERTO CASSARO CPF 122.803.98779. GUILHERME CASSARO demonstrou que CAFÉ BRASILE LTDA não dispõe de patrimônio e capacidade operacional, assim entendida a disponibilidade de recursos humanos, materiais, logísticos, de bens de capital, imóveis, tecnologia e etc, compatível com o suposto objeto da empresa; qual seja: necessários e suficientes para operar no mercado atacadista de café em grãos, principalmente na região de Colatina, onde se situam os maiores exportadores de café CONILON do Brasil. Depoimento de Guilherme Cassaro: · Que o declarante afirmou que a quantia utilizada para a integralização do capital, foi proveniente da empresa L&L, de propriedade do Sr. Luiz Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça Mattede, sendo que foi este quem lhe entregou o referido cheque para depósito na conta da CAFÉ BRASILE em 18/01/2008; · Que no mesmo dia 18/01/2008 o declarante emitiu o cheque avulso n° 850001 da referida conta da CAFÉ BRASILE, no mesmo valor do depósito efetuado, a título de devolução para a L&L; · Que para compor o quadro societário da CAFÉ BRASILE o declarante convidou o seu cunhado André Luiz Martins que estava desempregado e atualmente trabalha como entregador de água e gás, percebendo salário mensal de R$400,00; · Que, por estar desempregado, viu a possibilidade de ganhar o sustento de sua família atuando da mesma forma, onde hoje percebe renda de aproximadamente R$1.500,00 por mês; · Que a CAFÉ BRASILE fornece NOTA FISCAL para guiar o café do PRODUTOR RURAL para as empresas exportadoras e industriais, que são as reais compradores do café dos produtores rurais; · Que o declarante ocupa uma sala de aproximadamente 25,00 m3, com telefone/fax, computador, impressora e caixa de nota fiscal, onde trabalha sozinho recebendo FAX contendo as informações dos reais compradores, Fl. 431DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 133 17 vendedores e corretores de café; que também recebe via FAX dos corretores uma cópia da nota fiscal do produtor rural para possibilitar a emissão da nota fiscal de entrada da CAFÉ BRASILE; · Que o declarante afirmou que de posse dos FAX'S recebidos dos corretores emite tão somente a nota de entrada e a nota fiscal de saída, esta última em nome da real empresa compradora do café (exportadores e indústrias); · Que o declarante afirmou que recebia FAX das seguintes corretoras: CASA DO CAFÉ, JC CORRETORA e RS CORRETORA, todas situadas em Colatina, exatamente em São Silvano; · Que o declarante afirmou que nos FAX que recebe dos corretores contém as seguintes informações: nome do comprador (exportador e indústria), do vendedor (CAFÉ BRASILE) e inclusive o n° da conta corrente da CAFÉ BRASILE onde os recursos são depositados; · Que o declarante afirmou que pelo fornecimento de nota fiscal em nome da CAFÉ BRASILE guiando café para as exportadoras e indústrias recebe a quantia que varia de R$0,15 a R$0,30por saca de café; · Que o declarante afirmou que a troca da nota fiscal do produtor pela nota fiscal de saída da CAFÉ BRASILE para efetuar a descarga nos armazéns gerais dos compradores do café (exportadores e indústrias) se dá em determinados pontos que são estabelecidos entre os corretores e os produtores rurais; que a título exemplificativo o declarante citou alguns pontos de troca de nota fiscal: POSTO BIAZATI (Córrego do Ouro próximo do armazém da NICCHIO SOBRINHO), POSTO DALAS (Bairro Columbia – saída para Baixo Guandu), POSTO YPIRANGA (Av. Silvio Ávidos); · Que o declarante afirmou que após a emissão das notas fiscais de saída para as empresas exportadoras e industrias, e ainda após a descarga do café nos armazéns das mesmas, estas depositam a quantia na conta corrente já especificada da CAFÉ BRASILE; que o declarante saca a quantia depositada e entrega aos corretores para que estes procedam, o pagamento dos produtores rurais; que em algumas situações o declarante retém para si o valor de R$0,15 a R$0,30 por saca da quantia depositada na conta corrente da CAFÉ BRASILE em face do fornecimento de nota fiscal em nome da CAFÉ BRASILE; · Que as contas correntes da CAFÉ BRASILE servem apenas para receber os recursos das empresas exportadoras e industrias e repassar aos corretores, ou Fl. 432DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 18 em alguns casos diretamente aos produtores rurais via depósito bancário; · Que o declarante afirmou que por intermédio da CAFÉ BRASILE tem sido guiado uma média mensal de 25.000 sacas de café. O CNPJ da Café Brasile teve baixa em 26/12/2007 e as operações com a recorrente se deram no período de abril a dezembro de 2008. f) Cafeeira Arruda Ltda Intimada pela fiscalização a informar sobre a existência de empregados, bens móveis e imóveis, utilização de veículos transportadores de carga de terceiros, CAFEEIRA ARRUDA, representada pelo sócio FERNANDO TADEU TOZZI DOS SANTOS, afirmou: · Inexistência de empregados, pois, segundo a diligenciada, apenas "os próprios sócios administram a empresa"; · A empresa não possui bens móveis e imóveis; · O café é entregue pelos próprios produtores rurais aos exportadores e torrefadores. Indagado pela fiscalização acerca da integralização do capital da diligenciada, FERNANDO TADEU TOZZI DOS SANTOS respondeu que: · Que o declarante afirmou que trabalhou até 2001, início de 2002, no ARMAZÉM da NICCHIO SOBRINHO CAFÉ, em Colatina, no setor de balança e posteriormente no setor de recebimento e despacho de café; · Que ao sair da NICCHIO SOBRINHO CAFÉ o declarante passou a trabalhar como representante comercial autônomo de produtos de supermercado até JANEIRO/2008; · Que em MARÇO/2007 o declarante constituiu a CAFEEIRA ARRUDA LTDA cujo valor do capital social, constante do contrato social, foi de R$ 200.000,00; · Que em 27/04/2007 uma pessoa de nome GILDO efetuou um depósito na conta da CAFEEIRA ARRUDA de n° 34.3935, agência 0554, BRADESCO de Colatina, no valor de R$200.000,00, mediante cheque n° 0254106; · Que no dia seguinte (28/04/2007) o declarante preencheu um cheque avulso e entregou ao GILDO para efetuar o saque do valor que havia sido depositado no dia anterior para fins de comprovação de integralização de capital; Fl. 433DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 134 19 · Que a CAFEEIRA ARRUDA LTDA não é empresa comercial de café, muito menos atacadista, conforme consta do contrato social; · Que na verdade a CAFEEIRA ARRUDA fornece NOTA FISCAL para guiar o café do PRODUTOR RURAL para as empresas exportadoras e industriais, que são as reais compradores do café dos produtores rurais; · Que pela operação de fornecimento de nota fiscal a CAFEEIRA ARRUDA recebe R$0,80 (oitenta centavos) a R$1,00 (hum real) por saca de café; · Que o declarante afirmou que as empresas exportadoras e indústrias (para as quais a. CAFEEIRA ARRUDA guia o café) compram o café diretamente do produtor rural ou, mais freqüentemente, por intermédio de corretores ou corretoras; · Que o declarante afirmou que o transporte do café é efetuado pelo vendedor (produtor rural) ou pela compradora (exportadora e indústrias); · Que o declarante afirmou que os valores para o preenchimento da nota fiscal do produtor rural e da nota fiscal de SAÍDA da CAFEEIRA ARRUDA são definidos pelos reais compradores, ou seja, exportadores e industrias, que repassam tais informações aos corretores, e em casos isolados ao próprio declarante; · Que os valores indicados na nota fiscal do produtor são inferiores àqueles destacados na nota fiscal de saída da CAFEEIRA ARRUDA para os exportadores e indústrias na tentativa de dar aparência de uma operação comercial entre elas, evidenciando uma ficta margem de lucro; · Que as contas correntes da CAFEEIRA ARRUDA servem apenas para receber os recursos das empresas exportadoras e industrias e repassar aos produtores rurais; · Que do valor que é depositado na conta corrente da CAFEEIRA ARRUDA pelas exportadoras e indústrias é descontado a quantia de R$0,80 a R$1,00 por saca, e a diferença é repassada ao produtor rural; O CNPJ da Cafeeira Arruda teve baixa em 28/03/2007 e as operações com a recorrente se deram em dezembro de 2008. g) W G de Azevedo Brazil Coffee W G DE AZEVEDO BRAZIL COFFE, firma individual em nome de WENDERSON GAVASSONI DE AZEVEDO (CPF: 058.082.18705 Os. 44), foi constituída em 09/08/2007, Fl. 434DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 20 conforme cópia do REQUERIMENTO DE EMPRESÁRIO do Departamento Nacional de Registro do Comércio registrado na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo sob o n° 32101572529. No mencionado Requerimento consta o valor do capital social de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), e a principal atividade econômica: COMÉRCIO ATACADISTA DE CAFÉ EM GRÃOS. Informações dos bancos de dados eletrônicos da Receita Federal e da Previdência Social, a seguir apresentadas, indicam que WENDERSON GAVASSONI DE AZEVEDO, declarou nos últimos anos os seguintes rendimentos: ANOCALENDÁRIO RENDIMENTO TRIBUTÁVEL (R$) 2006 18.500,00 2005 17.300,00 2004 ISENTO 2003 ISENTO 2002 ISENTO 2001 Declaração não encontrada (...) Em resumo, os resultados das pesquisas, anteriormente mencionadas, demonstram que WENDERSON é uma pessoa de baixa capacidade financeira ou baixo poder aquisitivo. Em relação à suposta integralização cio Capital Social da W G DE AZEVEDO, a diligenciada não forneceu documento comprobatório do depósito bancário de R$ 200.000,00. Por mais dignas que sejam as profissões exercidas por WENDERSON, não é crível que ele, sendo vendedor ou almoxarife, e auferindo remuneração mensal em torno de R$ 440,00 (quatrocentos e quarenta reais), em outubro de 2007, possa ter constituído, na mesma época, a W G DE AZEVEDO com capital integralizado de R$ 200.000,00. Quanto à existência de patrimônio e capacidade operacional para realização de seu objeto social (comércio atacadista de café em grãos), a W G DE AZEVEDO não comprovou possuir empregados, bens imóveis (por exemplo: armazéns), e veículos automotores. A baixa do CNPJ da WG de Azevedo se deu em 05/10/2009 e as operações com a recorrente ocorreram em 07/2008. h) GH Moschem. G H MOSCHEM, firma individual em nome de GERALDO HERINO MOSCHEM (CPF: 784.501.28749), foi constituída em 08/03/2005. Em depoimento, o Sr. GERALDO HERINO MOSCHEM informou o seguinte: · Que não é proprietário ou sócio de qualquer firma ou empresa; Fl. 435DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 135 21 · Que trabalhou na empresa Armazéns Gerais Valeriense, por 6 meses, sem carteira assinada e que exercia a s atividades de serviços gerais e motorista; · Que assinou documentos sem ler ou saber o teor; · Que por diversas vezes teve seus documentos solicitados pela empresa e que os proprietários da empresa Armazéns Gerais Valeriense são Paulo Roberto Alves Robert, Raul Alves Robert e Julio Roberto Alves Robert; · O local de cadastro da empresa é a residência da mãe do Sr. Geraldo Moschem; A baixa do CNPJ da GH Moschem se deu em 06/06/2008 e as operações com a recorrente foram em 2007. Ressalto que todas as sociedades acima mencionadas e foram declaradas inaptas devido a constatação feita por diligência da inexistência de fato tanto pela falta de comprovação de integralização do capital social, como por não dispor de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto social. Pelos fatos apurados pela fiscalização resta evidente que as empresas Ypiranga Comércio Café Ltda, Nova Brasília Comércio de Café, Roma Comércio de Café, Reicafé Comércio de Café Ltda, Café Brasilie Comércio de Exportação Ltda, Cafeeira Arruda Ltda, WG de Azevedo Brazil Coffee e GH Moschem – Café Ouro Verde, são empresas de fachada, criadas para fornecer notas fiscais de comerciante atacadista com o propósito de conferir créditos de PIS e Cofins para as sociedades que compram o café diretamente do produtor rural. Diante desta constatação, entendo que as operações simuladas pelo recorrente com as mencionadas sociedades não podem conferir créditos do PIS e da Cofins apurados na sistemática da não cumulatividade, uma vez que a operação não existiu de fato. Cabe uma breve explanação sobre a simulação, para tanto socorrome do brilhante texto do advogado Marcelo Barbosa Sacramone: O termo simulação tem origem no latim simulatio, que significa fingimento, artifício. Na definição vernacular, simulação significa ato ou efeito de fingir o que não é; disfarce; fingimento. Juridicamente, podese definir simulação como a aparência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão no público, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se aparenta. Quanto à sua natureza jurídica, as teorias que procuraram conceituar a simulação podem ser agrupadas em dois grupos principais: a teoria tradicional e a teoria objetiva. A primeira teoria, cujos postulados são dominantes tanto no Brasil quanto alhures, preconiza uma discordância entre a vontade real e a declaração; as partes convencionariam uma Fl. 436DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 22 vontade real desejada, mas emitiriam uma declaração não conforme a esta, com o intuito de iludir terceiros. Nesta acepção se enquadra Beviláqua, para o qual há simulação "quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma, em que o agente faz entrar nas relações da vida. É um ato fictício, que encobre e disfarça uma declaração real da vontade, ou que simula a existência de uma declaração que se não fez. É uma declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado” No mesmo sentido se manifesta Ferrara determinando que "aquilo que é mais característico no negócio simulado é a divergência intencional entre a vontade e a declaração. A vontade interna e a declaração externa estão conscientemente em oposição" . As partes emitem, em suma, de comum acordo, com o intuito de enganar terceiros, uma declaração divergente da vontade real. A teoria objetiva, sustentada mormente por Kohler, por outro lado, preconiza a existência, no fenômeno simulatório, de duas declarações que se anulam reciprocamente. Para esta teoria, é inconcebível apregoar a divergência entre a vontade real e a declaração. Segundo esta teoria, não há na simulação qualquer desarmonia entre a ação e a vontade; a suposta divergência aparente decorre da separação de somente uma parte do todo da declaração, parte que é levada a conhecimento de terceiros. Mas esta divergência não existe; o que existe são duas declarações, uma declaração e uma contradeclaração no mesmo negócio jurídico, as quais se anulariam reciprocamente. Para a teoria objetiva, sobre a mesma intenção, duas declarações são emitidas. Uma é destinada a terceiros, criando a aparência de determinado negócio jurídico e determinados efeitos típicos que este geraria; a outra fica na esfera exclusiva de conhecimento dos contratantes, regulando de maneira real os efeitos estabelecidos pelas partes . A despeito das particularidades de cada teoria depreendese que o pactuado entre as partes não é o que é manifestado perante terceiros, criando uma aparência de negócio que não se coaduna com a vontade real de produção de efeitos dos sujeitos. A regulação sobre o instituto concentrase assim em saber, tanto na relação com terceiros quanto entre as partes, qual dos elementos da simulação deve prevalecer, quais sejam a vontade ou a declaração aparente. Como podemos extrair do texto acima, a simulação tem a função de ocultar a realidade fática, dar aparência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão no público. As partes convencionam uma vontade real desejada, mas emitem uma declaração não conforme a esta, com o intuito de iludir terceiros para fingir a existência de um negócio diferente daquele que se aparenta. É exatamente o que ocorreu nestes autos. O recorrente, com sua ânsia de captar créditos do PIS e da Cofins, buscou no mercado empresas criadas para fingir a atuação Fl. 437DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 136 23 de atacadistas de grão de café e emitir notas fiscais que lastreavam a obtenção dos tão almejados créditos. Na verdade o que ocorria era que o recorrente comprava o café diretamente do produtor rural/maquinistas, pessoas físicas e não de atacadistas. Esses fatos são suficientes ratificar as glosas efetuadas pela Fiscalização e a recomposição dos saldos dos créditos decorrentes do mercado interno e externo, descontadas as contribuições devidas mensalmente do PIS e da Cofins. Multa Qualificada. A Delegacia de Julgamento manteve a qualificação da multa sob os seguinte argumentos jurídicos: Uma vez identificadas as infrações cometidas, consistente na criação e apropriação de créditos fiscais referentes a não cumulatividade do PIS e da Cofins, a Administração restaurou as contribuições aos seus reais valores devidos, lançando as diferenças não declaradas, e, ainda, cominou a penalidade fiscal cabível. As provas constantes dos autos acima examinadas revelam que a prática reiterada de atos conscientemente planejados não suscitava outra reprimenda senão a multa qualificada de 150% sobre a diferença de tributo devida, prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96; independentemente de outras sanções administrativas e penais também aplicáveis. (...) Como se observa, dentre as hipóteses de fraude capituladas no art. 44, da Lei n.º 9.430, de 1996, emerge, em comum, a figura jurídica do dolo. Contudo, na forma antes demonstrada, a conduta específica e concreta do contribuinte, em relação às suas obrigações fiscais, teve a intenção de reduzir o montante de tributos devidos, mediante expedientes cuidadosamente articulados, destinados a subtrair dos cofres públicos parte substancial da obrigação principal de sua responsabilidade, forjando a existência de créditos referentes ao regime da não cumulatividade.. Utilizou para tanto notas fiscais ideologicamente falsas, que não espelhavam a verdade dos negócios jurídicos de que tomou parte. Longe de se tratar de meros equívocos e erros, explicáveis pela negligência, a Fiscalização empreendida logrou êxito em provar prática sistemática e reiterada do contribuinte, traduzida em oferecer menos do que devia à tributação. O intuito doloso restou caracterizado a partir de um trabalho minucioso de colheita de evidências de variada ordem: documentos fiscais e contábeis; levantamento fotográfico, depoimentos de produtores rurais, de corretores de café, de sócios de empresas; declarações das empresas que negociaram com o impugnante. O conjunto probatório conduziu à conclusão da existência de vontade dolosa, premeditada e viciada, dirigida à prática da infração. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 24 O padrão de conduta, repetido ao longo do tempo, restou manifestado por atos específicos e reiterados fluindo na direção do mesmo resultado, especificamente, a autoridade fiscal apurou a mesma infração ao longo de todo o período auditado, consistente em declarar créditos fictícios, obtidos mediante a inclusão artificial de uma pessoa jurídica no negócio jurídico efetuado entre produtor rural e a empresa autuada. O contribuinte autuado, ora impugnante, para obter indevidamente créditos na ordem de milhões de reais, utilizou de uma ‘indústria’ erguida e mantida com sua participação essencial, cujo produto são notas fiscais ideologicamente falsas, emitidas por pessoas jurídicas construídas com este fim específico. Empresas essas com patrimônio totalmente incompatível com a atividade declarada e com a suposta movimentação comercial; que não declaram, nem pagam quaisquer tributos, situada em escritórios acanhados em prédios comerciais, sem qualquer logística capaz de movimentar, armazenar e, muito menos beneficiar, cargas de café. De fato, a pessoa jurídica buscou iludir a Fazenda Publica, no período em que fora auditada, em relação às contribuições sociais, objeto da fiscalização. Não se trata de eventual omissão de receitas em que o contribuinte deixa de emitir uma nota fiscal, ou de escriturar a receita, ou de oferecer à tributação o devido, ao contrário, no caso sub examine, tratase da existência de fraude planejada, articulada e cuidadosamente executada em longo período de tempo, evidenciada por um padrão preciso de comportamento irregular e repudiado pela lei, não apenas tributária. Coaduno com os fundamentos jurídicos e legais utilizados pela instância a quo para manter a qualificação da multa de ofício. Faço, apenas, alguns comentários para fins de manter a qualificação imposta pela Autoridade Fiscal. O recorrente atua no mercado do café desde 2006. As operações de compra de venda de café tem a intermediação dos corretores de café. Nos depoimentos dados à RFB, os corretores, a maioria com mais de dez anos de atuação no mercado do Espírito Santo, esmiuçaram o modus operandi da cadeia de comercialização do café, especialmente após as modificações da legislação das contribuições do PIS e da Cofins. Foram categóricos em afirmar que os reais compradores do café (atacadistas, exportadores e industrias) tinham pleno conhecimento da existência de venda de notas fiscais por sociedades de fachadas intituladas como pseudoatacadista. O recorrente alega insistentemente que operou com boafé e não sabia do “esquema” que estava sendo utilizado pelas empresas no comércio do café. Afirma, ainda, que suas operações com as empresas declaradas inaptas pela RFB se deram no período em que todas estavam regularizadas no Sintegra. De acordo com o sitio da Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo, o Sintegra consiste num conjunto de procedimentos administrativos e de sistemas computacionais de apoio que está sendo adotado simultaneamente pelas Administrações Tributárias de todas as Unidades da Federação. Do lado dos contribuintes, o propósito é o de simplificar e homogeneizar as obrigações de fornecimento de informações relativas às operações de compra, venda e Fl. 439DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15586.720113/201120 Acórdão n.º 3402002.459 S3C4T2 Fl. 137 25 prestação de serviços interestaduais. Do lado dos fiscos estaduais, o objetivo é o de propiciar maior agilidade e confiabilidade ao tratamento das informações recebidas dos contribuintes e à troca de dados entre as diversas UFs. De acordo com o estabelecido pelo Convênio Confaz 57/95 e alterações posteriores, os contribuintes usuários de Processamento Eletrônico de Dados estão obrigados a fornecer às Administrações Tributárias dos Estados, em meio magnético, Validado, arquivo magnético contendo os dados relativos à totalidade das operações (compra e venda, aquisições e prestações) internas e interestaduais que tenham praticado. O sistema SINTEGRA, que está sendo implantado em todo o país, tem a finalidade de facilitar o fornecimento de informações dos contribuintes aos fiscos estaduais e de aprimorar o fluxo de dados nas Administrações Tributárias e entre as mesmas. Pelas explicações dadas sobre o Sintegra, o sistema apenas fornece informações relativas às operações de compra, venda e prestação de serviços interestaduais. Ele tem a função de informar aos fiscos estaduais as movimentações de entradas e saídas de mercadorias de qualquer espécie e o estoque do contribuinte. Já o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ contém as informações cadastrais de entidades de interesse das administrações tributárias da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, tendo como principal objetivo identificar, comprovar a legalidade e a existência da pessoa jurídica. Sabemos que os documentos emitidos por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta é considerado inidôneo para fins de comprovar: I – os valores para dedução como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II – os valores para dedução na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III – os valores utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV – os valores utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. Assim sendo, ao meu sentir, antes de praticar qualquer ato de comércio, a pessoa jurídica deve consultar o CNPJ para averiguar a regularidade da sociedade que deseja transacionar e não ao Sintegra. A consulta ao Sintegra apenas informa que as compras e vendas foram executadas e informadas sem atestar se a sociedade está apta a executar seu objeto social. Por todo o exposto, entendo que a multa qualificada deve ser mantida. Primeiro por que o recorrente sabia que todas as empresas pseudoatacadistas funcionavam em estabelecimento que não suportava a operação de uma empresa atacadista, geralmente em um Fl. 440DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 26 pequeno escritório. Segundo porque todo o café comercializado não transitada fisicamente pelos pseudoatacadistas, saía direto do produtor rural para o estabelecimento do recorrente. Havia apenas movimentações de notas fiscais. Terceiro ponto é que na época da maioria das transações as empresas pseudoatacadistas já tinham sido declaradas inaptas. Quarto ponto é que mesmo sabedor desses fatos, o recorrente insistiu em utilizar documentos inidôneos nos anos de 2007 e 2008 para afetar o crédito tributário exigível, fato que caracteriza a prática reiterada de ato considerado ilegal. Assim sendo, mantenho a qualificação da multa de ofício baseado nos fundamentos jurídicos constantes nos autos e no §1º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 20/08/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 13401.000645/2002-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO DE DCTF. DÉBITOS CONSTITUÍDOS HOMOLOGADOS POR DESPACHO DECISÓRIO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DE ACOMPANHAMENTO JUDICIAL. PERDA DE OBJETO. CANCELAMENTO.
O Auto de Infração lavrado para constituição de créditos tributários, posteriormente homologados por compensação e extintos pela Administração Tributária, deve ser cancelado por perda de seu objeto.
Numero da decisão: 3302-002.716
Decisão: Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Jonathan Barros Vita, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DÉBITOS CONSTITUÍDOS HOMOLOGADOS POR DESPACHO DECISÓRIO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DE ACOMPANHAMENTO JUDICIAL. PERDA DE OBJETO. CANCELAMENTO. O Auto de Infração lavrado para constituição de créditos tributários, posteriormente homologados por compensação e extintos pela Administração Tributária, deve ser cancelado por perda de seu objeto. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 06 45 /2 00 2- 41 Fl. 964DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13401.000645/200241 Acórdão n.º 3302002.716 S3C3T2 Fl. 2.865 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Jonathan Barros Vita, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Trata o presente de Auto de Infração decorrente de auditoria interna de DCTF, lavrado para constituição de crédito tributário de Cofins, conforme fls. 44 a 47. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório do acórdão ora recorrido: “Contra a empresa já identificada foi lavrado o Auto de Infração, de fls. 44/47 do presente processo, para exigência do crédito tributário, adiante especificado, referente ao período já mencionado: Valores em Reais Crédito Tributário COFINS Contribuição 324.664,84 Juros de Mora 200.704,37 Multa Proporcional 243.498,63 TOTAL 768.867,84 2. De acordo com as informações contidas no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que acompanha o Auto de Infração, fl.45, foi apurada a seguinte irregularidade praticada pela empresa autuada, em relação à Cofins. FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, CONFORME ANEXO III. 3. Acompanha ainda o Auto de Infração o “DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS”, no qual consta a seguinte informação: “Processo judicial de outro CNPJ.” 4. Após ciência do Auto de Infração, e inconformada, a contribuinte apresentou, por meio do seu procurador – instrumento de procuração de fl.33 – a peça impugnatória de fls.01/03, onde formula as seguintes razões de defesa, em síntese: 4.1. que a razão apresentada na autuação, relacionada à Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF do 4º trimestre de 1998, é que a ora impugnante não estaria autorizada a deduzir as importâncias de R$ 90.107,08 e R$ 114.250,62 das exações sob sua responsabilidade nos meses de outubro a dezembro de 1998 em face de crédito ali reportado; 4.2. que os fatos relacionados à vertente autuação já são objeto do processo administrativo nº 13811.002290/9829 ainda com trâmite junto à Secretaria da Receita Federal e, como tal, torna Fl. 965DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13401.000645/200241 Acórdão n.º 3302002.716 S3C3T2 Fl. 2.866 3 se no mínimo intolerável a instauração de outro procedimento versando os mesmos; 4.3. que ao promover a referida compensação, o fez como sucessora da Celbrás – Química e Têxtil S/A sua anterior denominação social, titular originária do direito creditório, de tal sorte que os direitos emergentes do processo judicial nº 94.00085613 estão no fundo consolidados na mesma pessoa jurídica e que seguramente o fato de ter havido mudança da denominação da pessoa jurídica, sempre sob o CNPJ nº 15.179.682/000119, ou de outras que se incorporaram a este deve ter levado o fisco erroneamente a considerar ter havido mudança do titular do CNPJ, sendo tal interpretação manifestamente equivocada e resultante de uma autuação à distância, sem maiores aprofundamentos, em desconformidade com a atual situação jurídica da compensação; 4.4. que na medida em que os direitos creditórios emergem do mesmo CNPJ, inobstante a mudança da denominação social, entende que a fruição dos mesmos a partir de recolhimentos indevidos ao Finsocial de resto em nada abala o pedido de restituição e compensação que formulou e protocolizou na Secretaria da Receita Federal em data de 10/12/1998 dando origem ao pertinente procedimento, e que autorizavam a lançar na DCTF, a título de dedução de tributos de sua responsabilidade, os valores decorrentes de recolhimento indevido apurado no pleito judicial referenciado, que ora são indevidamente cobrados através do vertente lançamento de ofício, como se a compensação pudesse ser glosada. 5. Diante das alegações da autuada de que os débitos em discussão haviam sido objeto de compensação por meio do Processo Administrativo nº 13811.002290/98 29, da competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária S.Paulo – DERAT SP, foi o presente processo baixado em diligência, por meio do Despacho de fl.235, de minha lavra, nos seguintes termos, ora transcritos: “Analisandose as razões apresentadas pela contribuinte em sua impugnação, bem como a documentação juntada ao presente processo, constatei o seguinte: 5.1. há, nos autos, a indicação de que a empresa Rhodia Ster Fipack Ltda. CNPJ nº 15.179.682/000119 é autora de um pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, sendo indicado como contribuinte devedor, nos formulários de fls.55 a 57 a empresa Rhodia do Brasil Ltda. CNPJ nº 57.507.626/000106, a qual de acordo com as telas do CNPJ por mim anexadas à fl.232 e 233 do processo, encontrase Ativa e só tem uma filial, no caso, a Rhodia Brasil Ltda. CNPJ nº º 57.507.626/000297; 5.2. entendo, assim, a princípio, uma vez que essas são as únicas peças do processo administrativo nº Fl. 966DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13401.000645/200241 Acórdão n.º 3302002.716 S3C3T2 Fl. 2.867 4 13811.002290/9829 anexadas aos presentes autos, que os pedidos de compensação referenciados somente se referem a um devedor, no caso, a Rhodia do Brasil Ltda. CNPJ nº 57.507.626/000106. 6. Dessa forma, considerando que o lançamento tributário em questão teve como razão a não identificação da autuada como beneficiária do Processo judicial por ela indicado na DCTF de fls.58/62 – que deu origem aos pedidos de compensação acima referenciados –nos quais não há nenhuma indicação de qualquer débito da autuada, necessário se faz que sejam os presentes autos enviados à DERATS.Paulo –SP, local onde se encontra o referido processo ( fl.234), para que nos sejam esclarecidos os seguintes pontos: a) se há, no processo administrativo nº 13811.002290/9829 pedidos de compensação de débitos da autuada com o crédito indicado no Pedido de Restituição de fl.54, uma vez que este somente se refere a débitos de terceiros; b) caso positivo, se os débitos por ela indicados correspondem aos mesmos débitos que serviram de objeto ao lançamento consubstanciado no Auto de infração de fls.44/45 e demonstrados no Anexo I deste, à fl.46; c) por fim, qual o resultado do julgamento no 2º Conselho de Contribuintes relacionado àquele processo.” 6. A DERAT S.Paulo, então, em atendimento ao Despacho supratranscrito, anexou aos autos a documentação de fls.239/407, acompanhada do despacho de fl.408, com as seguintes informações: 6.1.foram anexadas às fls.239/243 dos autos a cópia do Acórdão proferido pelo 2º CC no PAF nº 13811.002290/29; 6.2. com relação aos itens a e b do Despacho de fls.235/236, informa que o Pedido de Compensação daquele processo referese somente a débito de terceiros, conforme fls.55, não havendo débitos próprios a compensar. A Segunda Turma da DRJ em Recife proferiu o Acórdão nº 1125.590, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 Lançamento com base em DCTF É de se manter o lançamento com base em valores da Cofins declarados em DCTF quando constatado que esses valores não foram objeto de compensação consoante informado na mesma declaração. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13401.000645/200241 Acórdão n.º 3302002.716 S3C3T2 Fl. 2.868 5 Lançamento Procedente A recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, alegando: 1. Que os débitos de Cofins foram compensados e homologados no processo administrativo nº 13811.002290/9829; 2. Que a DCTF constitui confissão de dívida e, portanto, os débitos ali declarados não são passíveis de lançamento de ofício; Ao final, pede o cancelamento do Auto de Infração. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O Auto de Infração, de fls. 88 em diante, foi lavrado por falta de recolhimento ou pagamento do principal e declaração inexata, em razão da ocorrência “proc jud de outro CNPJ”, tendo a recorrente informado em DCTF, no campo “comp s/ DARF – Outros – PJU”, o processo judicial de nº 9485613. A recorrente alega que os débitos objeto deste Auto de Infração foram compensados e homologados no processo 13811.002290/9829. As decisões neste processo caminharam no sentido de aplicação da concomitância com processo judicial, devendo a unidade administrativa aguardar o trânsito em julgado da ação judicial de nº 94.00085613 e aplicar o decidido judicialmente, quanto à restituição e compensação pleiteadas. Inicialmente, informase que o processo 13811.002290/9829 trata do direito creditório relativo a FINSOCIAL, da recorrente CNPJ 15.179.682/000119, conforme pedido de restituição de fls. 128 a 130, cumulado com compensação de débitos de terceiros, no caso a RHODIA BRASIL LTDA, CNPJ 57.507.626/000106, fls. 110 a 114 do processo digital, portanto não referentes aos débitos deste Auto de Infração, embora o direito creditório seja conexo com o aqui alegado. Os débitos do processo 13811.002290/9829 foram controlados no processo 13807.012457/200384. Por outro lado, constatase que na fl. 2392, foi juntado o Memorando nº 037/2008/GAB/DRFPCS, de 2/07/2008, encaminhando à recorrente cópia do trabalho efetuado pela Equipe de Ações Judiciais da SARAC da Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas/MG, de homologação da compensação dos débitos de COFINS constantes em vários processos com crédito de FINSOCIAL proveniente da Ação Ordinária no 94.00.085613/14ª Vara da Justiça FederalBA, conforme análise empreendida no processo administrativo de acompanhamento judicial – PAJ – de nº 13656.500673/200434. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13401.000645/200241 Acórdão n.º 3302002.716 S3C3T2 Fl. 2.869 6 O trabalho abrangeu os indébitos apurados relativos aos CNPJs 15.179.682/000119 Rhodia Poliamida e Especialidades Ltda, 15.179.682/000542 Rhodia Poliamida e Especialidades Ltda, 15.179.682/000895 Rhodia Poliamida e Especialidades Ltda, 15.179.682/000976 Rhodia Poliamida e Especialidades Ltda, 34.219.014/000112 Quimtex Indústria Química e Têxtil S/A, 34.219.014/000201 Quimtex Indústria Química e Têxtil S/A, 33.885.393/000117 Excel Tecnologia Ltda, 33.885.393/000206 Excel Tecnologia Ltda, 23.821.127/000177 Braspet Ind e Com de Embalagens Plásticas, 23.821.127/000258 Braspet Ind e Com de Embalagens Plásticas e 23.821.127/000339 Braspet Ind e Com de Embalagens Plásticas, conforme fls. 2.396. Já os débitos a compensar foram relativos aos CNPJs 15.179.682/000542 Rhodia Poliamida e Especialidades Ltda, 15.179.682/000119 Rhodia Poliamida e Especialidades Ltda, 15.179.682/002081 Rhodia Poliamida e Especialidades Ltda, 57.507.626/000106 Rhodia Brasil Ltda e 15.179.682/001948 Rhodia Poliamida e Especialidades Ltda, conforme fls. 2.396. Em 28/03/2008, foi emitido Despacho Decisório no PAJ nº 13656.500673/200434, fls. 2.674 a 2.678, com a seguinte conclusão: “Diante de todos os elementos anexos ao processo e de acordo com o estabelecido na decisão judicial transitada em julgado, propomos a extinção dos créditos tributários discriminados nas Tabelas A, B, C, D e E acima, conforme estabelecido no CTN, artigo 156, II, homologando as respectivas compensações.” As tabelas referidas são, fls. 2.675 a 2.676: 1. Tabela A: débitos do CNPJ 15.179.682/000542, controlados pelo processo 13656.500673/200434, relativos a Cofins dos períodos de apuração – PA – de setembro de 1998 a dezembro de 1998; 2. Tabela B: débitos do CNPJ 15.179.682/000119, controlados pelo processo 10880.511551/200421, relativos a Cofins dos períodos de apuração – PA – de janeiro de 1999 a abril de 1999; 3. Tabela C: débitos do CNPJ 15.179.682/002081, controlados pelo processo 10805.502584/200483, relativos a Cofins dos períodos de apuração – PA – de setembro de 1998 a dezembro de 1998; 4. Tabela D: débitos do CNPJ 57.507.626/000106, controlados pelo processo 13807.012457/200384, relativos a Cofins dos períodos de apuração – PA – de novembro de 1998 a janeiro de 1999; 5. Tabela E: débitos do CNPJ 15.179.682/001948, controlados pelo processo 13401.000645/200241, relativos a Cofins dos períodos de apuração – PA – de outubro de 1998 a dezembro de 1998. Verificase que a tabela E corresponde exatamente aos débitos lançados neste Auto de Infração, fl. 92. Portanto, a própria Administração Tributária analisou os efeitos da decisão transitada em julgado na ação judicial nº 94.00085613 nos diversos processos administrativos Fl. 969DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13401.000645/200241 Acórdão n.º 3302002.716 S3C3T2 Fl. 2.870 7 que tratavam dos débitos a serem compensados com créditos de FINSOCIAL e concluiu pela extinção dos referidos créditos tributários, incluindo os constituídos no presente processo, conforme Decisão e Ordem de Intimação de fls. 2.680, abaixo transcrita: “DECISÃO E ORDEM DE INTIMAÇÃO À vista de todo o arrazoado expedido, estou de acordo com o proposto acima. Devendo ser dado ciência ao contribuinte da_compensação homologada e da conseqüente extinção dos débitos constantes das Tabelas A, B, C, D e E acima. Uma vez que o crédito tributário extinto envolve procedimentos administrativos em diversas unidades da RFB que seja tomada as providências cabíveis nesta unidade e enviada cópia do presente trabalho As demais para conhecimento da compensação homologada e demais providências necessárias. Poços de Caldas, 28 de março de 2008.” Considerase, assim, que este Auto de Infração deve ser cancelado por perda de seu objeto, em razão da homologação da compensação e extinção dos respectivos créditos tributários aqui lançados. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 970DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/09 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 11516.721877/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. João Henrique Gonçalves Domingos, OAB/SP 189.262, advogado do sujeito passivo
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 20/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Mauricio Carvalho Abreu (Suplente) e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. João Henrique Gonçalves Domingos, OAB/SP 189.262, advogado do sujeito passivo Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 20/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Mauricio Carvalho Abreu (Suplente) e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório O processo trata de Recurso Voluntário contra o Acórdão DRJ/FNS, de 12 de abril de 2013, exarado pela 4ªTurma da DRJ de Florianópolis, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o r. Despacho Decisório da DRF Florianópolis, que indeferiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, e as Dcomps a ele vinculadas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 21 87 7/ 20 11 -1 3 Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721877/201113 Resolução nº 3101000.365 S3C1T1 Fl. 4 2 O referido acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da motivação e do devido processo legal, improcedente é a alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessário e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. COFINS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. COFINS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721877/201113 Resolução nº 3101000.365 S3C1T1 Fl. 5 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2008 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da COFINS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da COFINS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. No âmbito do regime não cumulativo da COFINS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ISENÇÃO. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção da contribuição o produtorvendedor deve remeter os produtos vendidos a empresa exportadora diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem do exportador, ou para recinto alfandegado. Os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fizeram parte da verificação de ofício dos PER/Dcomp, bem como das bases de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS apuradas pela Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda, no período entre 2006 e 2008. Como conseqüência dos procedimentos de ofício foi recomposta a apuração das Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721877/201113 Resolução nº 3101000.365 S3C1T1 Fl. 6 4 bases de cálculo (débitos e créditos) de PIS e COFINS dos períodos fiscalizados em dois atos distintos: (1) os despachos decisórios, nos quais foram analisados os créditos de PIS e COFINS apurados pela contribuinte; e (2) os autos de infração, por meio dos quais foram constituídos de ofício os créditos tributários relativos aos débitos que não foram declarados ou foram omitidos pela contribuinte. Devido às normas procedimentais, esses atos, embora tratem da mesma matéria fática e sejam suportados pelos mesmos elementos de prova, foram acostados em processos administrativos apartados: Processo relativo aos Autos de Infração: 11516.721009/201214 Processos relativos aos créditos: TRIMESTRE PROCESSO PIS PROCESSO COFINS 1ºTRIM/2008 10183.905478/201141 11516.721881/201173 2ºTRIM/2008 11516.721876/201161 11516.721884/201115 3ºTRIM/2008 11516.721875/201116 11516.721882/201118 4ºTRIM/2008 11516.721877/201113 11516.721883/201162 Conforme consta da Informação Fiscal, todas as informações relativas às glosas estão disponíveis na listagem “Relação de Notas Fiscais Glosadas”, presente nos autos deste processo, de onde constam, item por item, nota por nota, todas as glosas efetuadas com o motivo individualizado. A partir das memórias de cálculo fornecidas pela contribuinte, a autoridade fiscal efetuou a seguinte glosa de valores informados nas linhas do Dacon indicadas: 1. Ficha 16A – Linha 02 – Bens Utilizados como Insumos a) Aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; b) Aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de COFINS, de acordo com o art. 3º, §2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003; c) Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; d) Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins. 2. Ficha 16A – Linha 03 – Serviços Utilizados como Insumos Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721877/201113 Resolução nº 3101000.365 S3C1T1 Fl. 7 5 a) Aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004; b) Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representa aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito. 3. Ficha 16A – Linha 04 – Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a forma de Vapor Itens que deveriam ter sido incluídos na linha 02 (os valores que poderiam lá figurar foram considerados corretos pela autoridade fiscal). 4. Ficha 16A – Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Pagamentos relativos a SERVIÇO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO) e outros, que não se enquadram no prescrito pelo art. 3°, inciso IX, da Lei n° 10.833/2003. 5. Ficha 16A – Créditos Presumidos – Atividades Agroindustriais A empresa apropriou créditos à alíquota de 4,56% (60% de 7,6%) para insumos que não se enquadrariam nas condições da legislação. Tal alíquota era prevista no inciso I do §3º do art. 8º e apenas para aquisições de insumos de origem animal e que sejam classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. As aquisições de insumos que não são classificadas nos capítulos e posições citados no inciso I recaem no inciso II (soja e derivados) ou no inciso III (demais) e devem ser apropriados créditos presumidos de 3,8% (50% de 7,6%) e 2,66% (35% de 7,6%), respectivamente. Além das glosas efetuadas, a autoridade fiscal recalculou os valores dos créditos a descontar da Cofins do período, com o ajuste na base de cálculo da contribuição. A autoridade fiscal relata que, como não houve qualquer exportação direta registrada no SISCOMEX e as vendas com fim específico de exportação não cumpriram a legislação de regência, não houve vendas para o mercado externo no período que pudessem ser afastadas da tributação do PIS/Pasep e da COFINS e que pudessem gerar créditos passíveis de ressarcimento dessas contribuições. Assim, foram consideradas como receitas auferidas no mercado interno as receitas registradas pela interessada como decorrentes de vendas de mercadorias com fim específico de exportação, notas fiscais com CFOP 5501/6501. Por conta disso, depois das glosas de valores efetuadas na base de cálculo dos créditos, estes foram recalculados tendo em conta os novos percentuais entre as receitas (auferidas no mercado interno e no externo) e a receita bruta da empresa a serem considerados na apropriação dos custos comuns geradores de crédito (para desconto ou ressarcimento/compensação). Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721877/201113 Resolução nº 3101000.365 S3C1T1 Fl. 8 6 Diante do novo cálculo efetuado pela autoridade fiscal, restou que os saldos mensais de créditos decorrentes das receitas de mercado interno foram inteiramente descontados das contribuições devidas no próprio período de apuração, não remanescendo créditos passíveis de utilização em períodos posteriores. O crédito tributário referente aos valores indevidamente excluídos da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins foi lançado por meio do auto de infração nº 11516.721009/201214. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista a insuficiência de seu conjunto probatório, especialmente pela inexistência de demonstrativo claro do processo produtivo da recorrente, e da participação de determinado item nesse processo produtivo. O julgamento de processo administrativo que trate de créditos de PIS e Cofins deve ser acompanhado de todos os elementos de prova de forma a possibilitar a análise de cada item relacionado como insumo e sua participação no processo produtivo da requerente, permitindo a completa apreciação dos fatos à legislação de regência do direito creditório. As glosas efetuadas pela fiscalização, relativas a aquisições de bens e serviços que, no entendimento fiscal, não se enquadravam no conceito de insumo, além das notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação não representaria a aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, também no entendimento fiscal, exigem sua confrontação com o processo produtivo da recorrente, e o conhecimento, por parte desse órgão julgador, das diversas etapas da produção. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora, intime o contribuinte para que apresente, no prazo de 60 dias: (a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada da fase da produção cujos insumos adquiridos, objeto do litígio, foram utilizados, incluindo sua completa identificação e descrição funcional dentro do processo; (b) Identifique cada insumo à respectiva exigência de órgão público, se assim for, descrevendo o tipo de controle ou exigência, e qual o órgão que exigiu, apresentando o respectivo ato (Portaria, Resolução, Decisão, etc) do órgão público ou agência reguladora. Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11516.721877/201113 Resolução nº 3101000.365 S3C1T1 Fl. 9 7 Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento. Sala das sessões, em 22 de julho de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 13864.000469/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Inexistindo violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. QUORUM MÍNIMO COMPOSIÇÃO DE COLEGIADA. TRÊS JULGADORES.
O quorum mínimo do colegiado para a realização das sessões das Turmas de Julgamento da DRJ é de três julgadores. Não há qualquer ilegalidade na composição da turma de julgamento com quorum mínimo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO ENTREGUE APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. SIMULAÇÃO DE OPERAÇÕES MERCANTIS NA PESSOA JURÍDICA. OPERAÇÕES SEM PROVAS OU INDÍCIOS. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA.
A entrega da declaração de rendimentos na pessoa jurídica durante o procedimento fiscal na pessoa física para acobertar rendimentos e transações, beneficiando-se de tributação menos onerosa, sem qualquer comprovação documental do exercício da atividade mercantil, não tem o condão de suspender a apuração de rendimentos baseado pelos depósitos bancários sem origem comprovada em nome do titular das contas correntes movimentadas.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Anexo II do RICARF).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESNECESSIDADE DE O FISCO COMPROVAR RENDA CONSUMIDA. MATÉRIA SUMULADA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO.
É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante requisição de movimentação financeira, quando não apresentada pelo contribuinte e efetuada com base e estrita obediência ao disposto na legislação em vigor.
Numero da decisão: 2201-002.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
Nome do relator: FRACISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Inexistindo violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. QUORUM MÍNIMO COMPOSIÇÃO DE COLEGIADA. TRÊS JULGADORES. O quorum mínimo do colegiado para a realização das sessões das Turmas de Julgamento da DRJ é de três julgadores. Não há qualquer ilegalidade na composição da turma de julgamento com quorum mínimo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO ENTREGUE APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. SIMULAÇÃO DE OPERAÇÕES MERCANTIS NA PESSOA JURÍDICA. OPERAÇÕES SEM PROVAS OU INDÍCIOS. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA. A entrega da declaração de rendimentos na pessoa jurídica durante o procedimento fiscal na pessoa física para acobertar rendimentos e transações, beneficiando-se de tributação menos onerosa, sem qualquer comprovação documental do exercício da atividade mercantil, não tem o condão de suspender a apuração de rendimentos baseado pelos depósitos bancários sem origem comprovada em nome do titular das contas correntes movimentadas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Anexo II do RICARF). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESNECESSIDADE DE O FISCO COMPROVAR RENDA CONSUMIDA. MATÉRIA SUMULADA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante requisição de movimentação financeira, quando não apresentada pelo contribuinte e efetuada com base e estrita obediência ao disposto na legislação em vigor.
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NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Inexistindo violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. QUORUM MÍNIMO COMPOSIÇÃO DE COLEGIADA. TRÊS JULGADORES. O quorum mínimo do colegiado para a realização das sessões das Turmas de Julgamento da DRJ é de três julgadores. Não há qualquer ilegalidade na composição da turma de julgamento com quorum mínimo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO ENTREGUE APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. SIMULAÇÃO DE OPERAÇÕES MERCANTIS NA PESSOA JURÍDICA. OPERAÇÕES SEM PROVAS OU INDÍCIOS. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA. A entrega da declaração de rendimentos na pessoa jurídica durante o procedimento fiscal na pessoa física para acobertar rendimentos e transações, beneficiandose de tributação menos onerosa, sem qualquer comprovação documental do exercício da atividade mercantil, não tem o condão de suspender a apuração de rendimentos baseado pelos depósitos bancários sem origem comprovada em nome do titular das contas correntes movimentadas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Anexo II do RICARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 69 /2 00 8- 96 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESNECESSIDADE DE O FISCO COMPROVAR RENDA CONSUMIDA. MATÉRIA SUMULADA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante requisição de movimentação financeira, quando não apresentada pelo contribuinte e efetuada com base e estrita obediência ao disposto na legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Fl. 586DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 13864.000469/200896 Acórdão n.º 2201002.487 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração (fls. 397 a 400) por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no qual se apurou o Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, no valor de R$ 816.927,72, com a multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem os juros de mora. O contribuinte apresentou a impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim relatados na decisão recorrida (fls. 458 e 459): para apuração da base de cálculo com base nos depósitos bancários, não foi desconsiderado o TED recebido no Santander, agência 00021, c/c 0042266742, em 22/11/2005, proveniente do Banco Mercantil, de mesma titularidade, no valor de R$ 17.000,00; tomandose por base o conceito jurídico de renda e comparandoo com a declaração de rendimentos, salta à vista que não houve acréscimo patrimonial líquido para o impugnante, o que prova que a movimentação financeira tributada na pessoa física, nada mais é que o faturamento da pessoa jurídica; o contribuinte é empresário, sócio e único dono da empresa individual Abedener de Lima – ME, CNPJ 45.698.164/000172, tendo movimentado em sua conta bancária da pessoa física o faturamento da empresa; uma vez que, por lapso e desconhecimento, a movimentação financeira da empresa era feita toda em conta particular do titular da empresa e, considerando, que não há escrituração contábil nem dos livros auxiliares, a empresa regularizou sua situação perante RFB, optando por arbitrar o seu lucro, como facultam as soluções de consulta reproduzidas na defesa (fls. 413/414); em face da falta de acuidade no curso da ação fiscal, optou a fiscalização por fazer o lançamento na pessoa física do titular da empresa, ao perceber que a empresa apresentou a DIPJ/2006 regularizando sua situação perante RFB. Ou seja, optouse por considerar os depósitos bancários como rendimentos omitidos pela pessoa física do titular, e não como receitas omitidas oriundas da atividade empresarial, que de fato foram; mantendose a autuação na pessoa física do impugnante, configurase bis in idem, uma vez que há tributação na pessoa jurídica e também da pessoa física, tendose por base o mesmo fato gerador, além de ferir o princípio constitucional da vedação do confisco, aniquilando a empresa do exercício da atividade lícita e moral, culminando com a ruína financeira total do impugnante; pede a improcedência do auto de infração em referência. Os membros da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário (fls. 456 a 462). Cientificado em 22 de outubro 2009 (fl. 466), o contribuinte interpôs o recurso voluntário no dia 13 do mês subsequente (fls. 469 a 479), portanto, tempestivo, no qual mantém os arrazoados da defesa e contesta o acórdão da DRJ nos seguintes pontos: Fl. 587DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 4 a) Erro na identificação do sujeito passivo. O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, não impede que se beneficie do que dispõem os artigos 529, 530 e 531 do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99), que lhe facultam arbitrar o lucro, conforme dispõem as Soluções de Consulta da RFB nº 207/2005 e nº 53/2005, ambas da 10ª RF, e o Acórdão CARF nº 105 15.161. Entregou a DIPJ apurando os resultados pela modalidade de lucro arbitrado, face a não manutenção de escrita comercial e fiscal, já que à época a empresa gozava de direito à espontaneidade. O faturamento apresentado na DIPJ estaria vinculado aos referidos depósitos. Assim, já que os depósitos efetuados em sua conta corrente de pessoa física são provenientes do faturamento de sua empresa individual e como tais só podem ser tributados na pessoa jurídica, a cobrança na pessoa física implica bis in idem. Seria inconsistente arbitramento pela falta de escrituração contábil ou sua imprestabilidade, pois é para isso que ele serve. Portanto, seria um equivoco dizer que as empresas estão dispensadas de escrituração, “desde que mantenham em boa ordem e guarda o Livro Caixa, o Livro de Registro de Inventário e os documentos que serviram de base para sua escrituração”. É inaceitável o argumento da relatora de que, pelo fato de ser uma empresa individual, o patrimônio se confunde com o do contribuinte, o que seria uma subversão ao princípio da entidade aprovado pela resolução CFC n° 750, de 1993. b) Capacidade contributiva e cobrança com efeito confiscatório. Se na edição de leis o legislador está obrigado a respeitar a capacidade contributiva, sendo proibida a sua criação com efeito confiscatório, consequentemente a autoridade fiscal, na aplicação destas leis às quais está atrelado, deve também observar os princípios constitucionais da capacidade contributiva e vedação ao confisco. Por fim, questiona a ausência justificada de dois julgadores, sendo o auto de infração apreciado por apenas três membros da turma e que não caberia a requisição de informações financeiras ao Santander, já que não resultaram quaisquer fatos novos. Posteriormente, foi anexada outra petição, protocolada em 17 de outubro do mesmo ano, na qual informa que foi surpreendido com a Execução Fiscal dos débitos da sua empresa Abedener de Lima – ME, CNPJ nº 45.698.164/000172, cuja origem seria o imposto apurado na pessoa jurídica com base no faturamento que, por lapso, teria sido movimentado nas contas das pessoas físicas. Isto comprovaria a validade da entrega da declaração da pessoa jurídica, com base nos valores constantes das contas correntes, e a cientificação da espontaneidade da entrega da declaração. Por isso, não haveria de se falar em nulidade da declaração (PJ) e em validade dos lançamentos nas pessoas físicas Abedener de Lima e Célia Costa Lima. Em 18 de outubro de 2012, por meio da Resolução nº 220200.362 da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento, foi sobrestado o Fl. 588DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 13864.000469/200896 Acórdão n.º 2201002.487 S2C2T1 Fl. 4 5 julgamento até que ocorresse decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Porém, com a edição da Portaria nº 545/2013 do Ministério da Fazenda, foram revogados os dispositivos supracitados, razão pela qual os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Preliminares O contribuinte sustenta a tese de que os depósitos bancários eram provenientes do faturamento da empresa individual optante pelo Simples e que teria entregue espontaneamente a declaração da pessoa jurídica informando tais rendimento. Assim, o fato de a cobrança ocorrer nas pessoas físicas (dele e de sua cônjuge) seria bis in idem. Segundo a auditoria, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 348 a 362), o procedimento fiscal foi iniciado em 29 de fevereiro de 2008 tendo em vista a movimentação financeira incompatível, durante o qual o contribuinte apresentou grande parte dos documentos solicitados e informou que uma das contas do Banco Santander, a de nº 042266742, seria conjunta. Intimado a comprovar a origem dos recursos e informar o nome do cônjuge, o contribuinte declarou que os recursos eram oriundos da empresa da qual era sócioproprietário, alegou empréstimo no Banco Santander e indicou as contas conjuntas e o nome do cônjuge. Em seguida, a auditoria solicitou, além da comprovação de origem dos recursos, a apresentação de documentos contábeis da PJ acompanhada dos respectivos documentos comprobatórios dos lançamentos e do alegado contrato de empréstimo no valor de R$ 30.000,00, efetuado a crédito da conta do Santander em 9 de fevereiro de 2005. O contribuinte, em resposta, alega que não teria os livros por ser optante do Simples e por não estar obrigado a escriturálos. Em relação ao empréstimo, junta o protocolo de solicitação e, posteriormente, comprovante do banco. Na intimação seguinte, respondeu que a apuração dos valores declarados na pessoa jurídica foi lastreada nos depósitos bancários apurados na conta da pessoa física. No curso da ação fiscal, considerando que o contribuinte não tinha apresentado a totalidade dos documentos, foram expedidas as seguintes RMFs: Banco Safra S/A, em 12 de agosto de 2008, que, em face à resposta ter sido desacompanhada dos documentos, foi emitida outra RMF em 9 de outubro; e ao Banco Santander, em 4 de outubro de 2008. Nos autos, o contribuinte se limita a apresentar a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) do exercício 2006, entregue em 7 de abriu de 2008, após o início da ação fiscal na pessoa física, cujo início se deu em 28 de fevereiro do mesmo ano. Não se verifica quaisquer documentos comprobatórios, ou mesmo que sirva de indício, de que os recursos são provenientes da atividade da pessoa jurídica. Nem mesmo que tipo de atividade era exercida pela empresa. Somase a isso o fato de os rendimentos declarados na pessoa física não serem provenientes da empresa da qual é sócio. Os rendimentos são oriundos da pessoa jurídica Santander Seguros S/A (R$ 21.849,32) e de pessoas físicas (19.972,36). Fl. 590DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 13864.000469/200896 Acórdão n.º 2201002.487 S2C2T1 Fl. 5 7 Ora, se valores movimentados fossem de fato da pessoa jurídica, o contribuinte teria apresentado pelo menos alguma nota de compra, no caso do exercício de comércio, ou de algum insumo, no caso de serviço. Não havendo nenhuma comprovação, não teria como a fiscalização imputar os rendimentos à pessoa jurídica. Nestes termos, não pode prosperar a alegação de espontaneidade suscitada pela defesa, ainda que os depósitos fossem identificados como da pessoa jurídica. E, em não sendo, não há o que se falar em duplicidade de tributação sobre a mesma base de cálculo. Quanto à solicitação de informações às instituições, é importante observar que o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 dispõe que as autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver procedimento administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e quando tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. A auditoria verificou uma movimentação financeira bastante superior aquela informada como rendimentos (tributáveis, isentos e exclusivos/definitiva) na declaração de ajuste do recorrente. No exercício 2006 esses valores importaram R$ 2.972.622,52 contra R$ 42.799,04 declarados (R$ 41.818,68 + R$ 170,89 + 809,47). O contribuinte foi intimado em 29 de fevereiro de 2008 e até a emissão dos RMFs, em agosto, ainda não tinha apresentado toda a documentação solicitada. Assim, estava clara a necessidade e a imprescindibilidade de acesso aos significativos valores movimentados em contas bancárias para levantamento do imposto de renda devido, já que a informação não fora integralmente prestada. A solicitação de informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras encontrase respaldada nos art. 918 do RIR/1999: Art. 918. Iniciado o procedimento fiscal, os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional poderão solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°4.595, de 1964 (Lei n° 4.595, de 1964, art. 38, §§ 5° e 6°, e Lei n° 8.021, de 1990, art. 8°). Assim sendo, está correto o procedimento fiscal adotado, não havendo qualquer irregularidade ou procedimento fiscal ou na identificação do sujeito passivo. Em relação à exigência de sinais exteriores de riqueza, alegado pelo contribuinte, cabe informar que essa matéria está sumulada no CARF e não pode ser objeto de litígio administrativo, conforme se observa no enunciado a seguir: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 08 de dezembro de 2009. Portaria CARF nº 52/2010). Não há possibilidade de a turma divergir do enunciado da súmula editada, pois, nos termos do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Fl. 591DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 8 Quanto ao questionamento da ausência de dois julgadores, convém observar que, de acordo com art. 4º, § 5º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, vigente à época, caberia ao Delegado da Unidade garantir o quorum mínimo de julgadores para a realização da sessão. Esse quorum foi definido pela Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, como sendo três julgadores. Portanto, não há qualquer ilegalidade na composição da turma de julgamento. No que se refere às alegações de confisco e violação aos princípios constitucionais, salientase que a Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora ou julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto pelos seus membros. Ademais, ao contrário do que defende o recorrente, o princípio constitucional que trata da vedação ao confisco, por força de exigência tributária, deve ser observado pelo legislador no momento da criação da lei, e não na sua aplicação. Por fim, a questão de inconstitucionalidade de lei foi pacificada no CARF por meio da Súmula 2, a qual diz: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Presunção de omissão de receitas À luz do disposto no Art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o lançamento não merece reparo, pois se caracterizam omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários. A presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tãosomente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, para comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas. Limitouse a afirmar, com base na DSPJ da qual era sócioproprietário de uma pessoa jurídica e que os recursos eram da empresa. E, não tendo sido comprovada a origem dos recursos, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares, e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 592DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 13864.000469/200896 Acórdão n.º 2201002.487 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000998/99-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1997
MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Descabe conhecer de matéria sobre a qual o Colegiado já anteriormente decidiu por não conhecer e cuja possibilidade de conhecimento e apreciação está submetida ao crivo do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1302-001.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997 MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO EM SEDE ADMINISTRATIVA. Descabe conhecer de matéria sobre a qual o Colegiado já anteriormente decidiu por não conhecer e cuja possibilidade de conhecimento e apreciação está submetida ao crivo do Poder Judiciário.
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(nova denominação de MATEL TECNOLOGIA DE TELEINFORMÁTICA S.A MATEC) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1997 MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO EM SEDE ADMINISTRATIVA. Descabe conhecer de matéria sobre a qual o Colegiado já anteriormente decidiu por não conhecer e cuja possibilidade de conhecimento e apreciação está submetida ao crivo do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 09 98 /9 9- 21 Fl. 844DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1302001.387 S1C3T2 Fl. 860 2 Relatório O presente processo foi levado perante a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, para julgamento de recurso voluntário interposto pelo contribuinte, em face da decisão de primeira instância. Mediante o acórdão nº 130100.194, de 26/08/2009 (fls. 405/409), o Colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 1997 MATÉRIA PRECLUSA Questões não provocadas tempestivamente a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas em documento acostado aos autos mais de cinco anos após encerrado o prazo para impugnação constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Deve ser exonerada a multa de ofício aplicada no lançamento destinado a prevenir a decadência se, por ocasião do lançamento, a conduta do contribuinte se encontrava amparada por liminar concedida pelo Poder Judiciário em sede de ação cautelar. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em atenção ao princípio da retroatividade benigna em matéria de penalidades, deve ser aplicada retroativamente a alteração legislativa no art. 63 da Lei nº 9.430/1996, que ampliou as hipóteses nas quais descabe a aplicação de multa de ofício no lançamento destinado a prevenir a decadência. A interessada ingressou, então, em juízo com o mandado de segurança nº 232751220114013400 junto à 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, pedindo, inclusive, antecipação de tutela, no sentido de que viesse a ser determinado o regular conhecimento e julgamento, pelo CARF, do presente processo, notadamente no que tange ao exame da postergação de recolhimento do tributo supostamente devido. Diante do indeferimento da antecipação de tutela pleiteada, a interessada impetrou Agravo de Instrumento nº 328141720114010000/DF perante o Tribunal Regional Federal da Primeira Região, obtendo, desta feita, decisão favorável. O seguinte excerto bem dá conta do teor e do alcance da decisão do Poder Judiciário, proferida em 10/06/2011 pelo Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal Souza Prudente (fls. 474/476): Ademais, desde que a matéria ventilada, em sede do recurso interposto pela impetrante, na esfera administrativa, diga respeito à correta apuração do quantum Fl. 845DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1302001.387 S1C3T2 Fl. 861 3 devido, a título do tributo objeto da cobrança que lhe foi dirigida, ao argumento de que haveria valores a serem abatidos, decorrentes de suposta compensação, afigura seme, em princípio, que essa matéria não se submete ao instituto da preclusão, na medida em que, independentemente de qualquer alegação do contribuinte nesse sentido, é dever da autoridade fazendária proceder à correta aferição do tributo efetivamente devido, procedendose ao abatimento de créditos eventualmente existentes em seu benefício. [...] Com estas considerações [...], defiro o pedido de antecipação da tutela recursal formulado na inicial, para assegurar à impetrante o direito de ter a matéria ventilada no recurso que interpôs, na esfera administrativa, notadamente no tocante à argüição de postergação do recolhimento do tributo supostamente devido, ficando sobrestada a suspensão da sua exigibilidade, até decisão definitiva acerca da referida matéria, nos termos do art. 151, III, do CTN. Com isso, o processo retornou ao CARF em 19/10/2011 para cumprimento da antecipação de tutela concedida. No entanto, o Colegiado considerou que o processo não reunia condições de julgamento, pelo que, mediante a Resolução nº 130100.032, de 19/10/2011 (fls. 500/506), determinou a realização de diligência, nos seguintes termos: [...] No caso concreto, compulsando os autos, constato que o processo não se encontra em condições de julgamento. A prova que caberia à interessada foi feita tão somente com suas cópias dos recibos de entrega e de algumas das fichas das declarações de rendimentos dos anoscalendário 1997 (fls. 366/380) e 1998 (fls. 381/396). Tratase, a meu ver, de princípio de prova, formado com os elementos de que dispunha a interessada, mas insuficientes para que se possa decidir sobre o mérito. Acrescento que, ainda que por hipótese se pudesse ter as cópias como reproduções fieis dos originais entregues, não seria possível, com o que consta dos autos, saber se o saldo de prejuízos fiscais não aproveitado nos anos de 1997 e 1998 não o teria sido em anos posteriores. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte consulte os sistemas de processamento de dados da RFB e adote as seguintes providências: 1. Instrua o processo com cópias completas e autenticadas das declarações de rendimentos, original e retificadoras (se existentes), dos exercícios 1998 e 1999, respectivamente anoscalendário 1997 e 1998. 2. Instrua o processo com o Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais do sistema SAPLI, desde o anocalendário 1996 até a data mais recente disponível, juntamente com respectivo histórico de alterações. Em cumprimento, foram acostados aos autos: (i) Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais do sistema SAPLI (fls. 508/522; 549/563); (ii) Cópia integral e autenticada da DIPJ original do exercício 1999, anocalendário 1998 (fls. 568/622); e (iii) Cópia integral e autenticada da DIPJ original do exercício 1998, anocalendário 1997 (fls. 623/654). Fl. 846DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1302001.387 S1C3T2 Fl. 862 4 Cientificada, a interessada se manifestou às fls. 656/660. Sustenta, em síntese, que os documentos acostados aos autos em cumprimento da diligência confirmariam sua alegação de ocorrência de mera postergação do pagamento do IRPJ. Posteriormente, antes que o julgamento administrativo do presente processo pudesse ser retomado, sobreveio sentença, datada de 28/11/2012, nos autos do retromencionado Mandado de Segurança nº 232751220114013400, mediante a qual foi denegada a segurança pleiteada. Após transcrever excerto do Acórdão nº 130100.194, questionado pela interessada, assim se manifestou o MM Juiz Federal João Luiz de Souza: Mesmo ciente das controvérsias a envolver a matéria da postergação de pagamento de IRPJ, quando da exorbitância da delimitação do 30% para compensação de prejuízos relativos a exercícios anteriores, o entendimento exarado na passagem do voto, acima transcrita, oferece versão mais plausível frente á clareza emergente do artigo 17, do Decreto 70.235, de 1972. Seria difícil optar por outra interpretação sem deslizar para a burla do referido artigo, ou, no mínimo, rotular o Fisco como conivente com a atitude de inobservância do limite de 30% imposto pelo artigo 42 da Lei nº 8.981/95.” (Destaques do original) E prossegue o Magistrado: Portanto, como se vê, não há amparo à pretensão da impetrante, pois não há como confundir o direito ao recurso contra decisão com o direito de ver examinada matéria não aventada anteriormente. Ademais, conforme sustentado pela autoridade, a questão relativa à limite de 30% da compensação de prejuízos, está amparada em lei, sendo plenamente legítima a posição do Fisco. De outra parte, por ser de ordem meramente privada, restrita ao interesse financeiro do próprio contribuinte, não está inserida naquelas que sejam conhecidas de ofício pela Administração. Posto isto, julgo improcedente o pedido e denego a segurança. Inconformada, a interessada embargou a sentença supra, não logrando êxito. Em 12/12/2012 seus embargos declaratórios foram rejeitados, tendo assim concluído o MM Juiz Federal: A pretensão da embargante é a reforma do julgado para análise do mérito; para tanto, porém, deve utilizar a via recursal adequada à espécie. Evidente, pois, o descabimento dos embargos declaratórios sob exame, por falta de previsão legal, pois seus fundamentos não se enquadram nas hipóteses do art. 535, do CPC. Posto isto, rejeito os presentes embargos declaratórios. A seguir, a interessada interpôs recurso de apelação nos autos do Mandado de Segurança nº 232751220114013400, que foi recebido em 16/01/2013 em seu duplo efeito, suspensivo e devolutivo (fl. 855). Quanto ao Agravo de Instrumento nº 328141720114010000/DF, à fl. 858 encontro decisão do TRF da 1ª Região, datada de 16/05/2013, negando seguimento ao agravo, nos seguintes termos: Fl. 847DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1302001.387 S1C3T2 Fl. 863 5 Nego seguimento ao agravo, considerando a superveniência da sentença no juízo de origem (CPC, art. 557). Nesse caso as partes ficam submetidas a ela, não podendo prevalecer a anterior decisão agravada. O recurso está prejudicado. "A prolação de sentença no processo principal opera o efeito substitutivo da decisão interlocutória proferida anteriormente e torna prejudicado o recurso dela oriundo" (Ag.RE 599.922SP, r. Ministro Luiz Fux, 1ª Turma do STF). "Perde objeto o recurso relativo à antecipação da tutela quando a sentença superveniente (a) revoga, expressa ou implicitamente, a liminar antecipatória (o que pode ocorrer com juízo de improcedência ou extinção do processo sem resolução de mérito, ou (b) sendo de procedência (integral ou parcial) tem aptidão para, por si só, irradiar os mesmos efeitos da medida antecipatória. Em qualquer dessas situações, o provimento do recurso relativo à liminar não teria o condão de impedir o cumprimento da sentença superveniente" (RESp. 506.887 AgRg r. Ministro Teori Zavasccki, 1ª Turma do STJ). Mais uma vez, o presente processo administrativo foi distribuído a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Inicialmente, cumpre ressaltar que as matérias já conhecidas e decididas no acórdão nº 130100.194, de 26/08/2009 (fls. 405/409), não estão mais em questão. O que se discute é a possibilidade de conhecimento e apreciação dos argumentos da interessada de que, tendo apurado lucro nos anoscalendário 1997 e 1998, a compensação integral de prejuízos fiscais em 1996 teria representado mera postergação do recolhimento do IRPJ e, com isso, o lançamento deveria ser cancelado. No acórdão nº 130100.194, de 26/08/2009 (fls. 405/409), tal matéria foi considerada preclusa e não conhecida. Irresignada, a interessada buscou o Poder Judiciário, conforme visto no relatório que antecede a este voto, pedindo que seja superada a preclusão e que seu argumento de postergação seja conhecido e julgado em sede administrativa. A atual situação do Mandado de Segurança nº 232751220114013400 é de sentença desfavorável ao contribuinte, da qual foi interposto recurso de apelação, recebido com efeitos suspensivo e devolutivo. Por outro lado, em que pese o entendimento da interessada em sentido contrário, o TRF da 1ª Região expressamente negou seguimento ao Agravo de Instrumento nº 328141720114010000/DF, pelo que a antecipação de tutela anteriormente deferida não prevalece. Tendo sido denegada a segurança buscada pela interessada perante o Poder Judiciário, e diante da inexistência de qualquer provimento jurisdicional em vigor que determine a reapreciação, por este CARF, de questões já decididas administrativamente, considero perfeitamente válida a decisão prolatada no Acórdão nº 130100.194, de 26/08/2009 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.000998/9921 Acórdão n.º 1302001.387 S1C3T2 Fl. 864 6 (fls. 405/409). Descabe, assim, conhecer de matérias sobre as quais o Colegiado já anteriormente decidiu por não conhecer e cuja possibilidade de conhecimento e apreciação está submetida ao crivo do Judiciário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 849DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906245/2012-05
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/07/2007
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/07/2007 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 45 /2 01 2- 05 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/07/2007 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906245/201205 Acórdão n.º 1802003.212 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16643.000149/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/10/2006
CIDE-ROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA.
O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior corresponde à hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001.
CIDE ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA.
Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificam-se como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos.
HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. DEFINIÇÃO. DECRETO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL.
O decreto editado com a finalidade de regulamentar lei que define hipótese de incidência tributária deve ser interpretado em conformidade suas disposições, não podendo restringir ou ampliar sua abrangência.
Numero da decisão: 3201-001.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/08/2005 a 31/10/2006 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior corresponde à hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001. CIDE ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA. Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. DEFINIÇÃO. DECRETO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL. O decreto editado com a finalidade de regulamentar lei que define hipótese de incidência tributária deve ser interpretado em conformidade suas disposições, não podendo restringir ou ampliar sua abrangência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 49 /2 01 0- 43 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI 2 JOEL MIYAZAKI Presidente. ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de auto de infração para a cobrança de CIDE sobre remessas de valores ao exterior a título de royalties nos períodos de 31 de agosto de 2005, 30 de setembro de 2006 e 31 de outubro de 2006. Na impugnação apresentada, a ora Recorrente alegou, conforme relatório da decisão recorrida que ora transcrevemos, que: as remessas da impugnante não se sujeitam à Cide; transcrevendo doutrina, discorre sobre a nulidade por ausência ou descrição incorreta dos fatos; no mérito, relata suas várias atividades e diz não distribuir o sinal do canal Fox, da Fox Latin American Channel Inc. (Flac Inc.); nos pagamentos à Flac Inc. atua por vezes como agente de faturamento e cobrança devidos pelas operadoras de tv a cabo (cita trechos de contratos e anexos Doc. 2 e 3); a licença de transmissão é concedida diretamente pela Flac Inc. à operadora de intervenção da impugnante e o pagamento não altera a operação nem a faz ser a distribuição do sinal, como afirma o termo de constatação (a defesa ataca seus diversos itens); conclui que é agente de cobrança da Flac Inc quanto ao pagamento das licenças dos canais de tv, cabendo decretar a nulidade do ato recorrido; não é detentora nem distribuidora dos direitos de programação dos canais Fox; não há o licenciamento à impugnante como base do pagamento; transcreve doutrina e a legislação (Leis 10.168/00, 10.332/01 e 4.506/64, Decretos 3.949/01 e4.195/02) e conclui que pagamento de direito autoral não é royalty e não é sujeito à Cide (fl.399), remunera criação e exploração comercial do detentor do direito autoral, e não há transferência de tecnologia/conhecimento a terceiro; discorre sobre o artigo 22, da Lei 4.506/64, e sua exemplificação de royalties, transcreve jurisprudência dos Conselhos sobre IRPJ do autor de software e sobre o RIR/99, art 355, e comenta seu artigos 709 e 710, para concluir que a remuneração de direito autoral não é equiparável a royaltie e sobre ela não incide a Cide; Fl. 707DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000149/201043 Acórdão n.º 3201001.485 S3C2T1 Fl. 691 3 os pagamentos são fatos geradores em que incide a Condecine, à qual submete suas atividades, conforme depósitos anexos (Doc. 5); tributar pela Condecine (MP 2.2281/2001) e Cide caracteriza bis in idem e é vedado pelo Sistema Tributário (dois tributos/impostos ao mesmo tributante sobre o mesmo fato e base), havendo decisão administrativa nessa linha; pede decretar a nulidade em face dos equívocos e da ilegalidade, com cancelamento total, pois as remessas que remuneram direito autoral não são fatos geradores da Cide e sim da Condecine. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação apresentada, em decisão assim ementada: A S S U N T O : P R O C E S S O A D M I N I S T R A T I V O FISCAL Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/09/2006 a 31/10/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorrem hipóteses definidas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/09/2006 a 31/10/2006 PRINCÍPIO GERAL DE DIREITO TRIBUTÁRIO. FATO GERADOR PAGAMENTO. SUJEIÇÃO PASSIVA. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo e dizse contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (art. 121, I, CTN). As convenções particulares não podem modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes (art. 123, CTN). PRINCÍPIO GERAL DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CIDE E CONDECINE. POSSIBILIDADE. O princípio geral de direito tributário das contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas é a incidência múltipla, exceto quando definido em lei (art 149, § 4o , CF/88). A S S U N T O : C O N T R I B U I Ç Ã O DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005, 01/09/2006 a 31/10/2006 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI 4 CIDE. REMESSA AO EXTERIOR. ROYALTIES. A partir de 1/1/2002, a pessoa jurídica deve pagar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre o valor de royalties, a qualquer título, que pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter, a residente ou domiciliado no exterior, seja qual for o objeto do contrato (art. 6, Lei n. 10.332/2001). Na decisão recorrida, entendeuse não ocorrer quaisquer das hipóteses de nulidade, previstas nos art.s 59 a 61 do Decreto n. 70.235/72. No mérito, entendeuse que a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidiu sobre a remessa de royalties a qualquer título (§2°, art 2o, Lei 10.168/2000). De acordo com a legislação de regência, qualificase as remessas à beneficiária estrangeira como royalties a qualquer título, conforme alteração pela Lei n° 10.332/2001, pois os pagamentos relativos a direitos autorais subsumemse ao conceito de royalties, devendo incidir a CIDE. Em relação à alegação segundo a qual os pagamentos não seriam tributáveis pela CIDE pois são sujeitos à Condecine, e que, por conseguinte, haveria bis in idem, afirmou se na decisão recorrida que na Constituição Federal não há vedação de múltiplas contribuições de intervenção no domínio econômico sobre uma mesma operação, isto é, o sistema permite admitir que uma mesma operação seja fato gerador de dois tributos, como se depreende do artigo 149 da CF/88. Em sede de recurso voluntário, alegouse que: i. a nulidade da autuação, pois a autoridade administrativa tratou a Recorrente como distribuidora de transmissão de sinais Fox, porém, ela desenvolve a venda de espaço publicitário e intermediação dos pagamentos devidos pelas operadoras de televisão à Fox Latin American Channel (FLAC Inc.); ii. a Recorrente nunca adquire os direitos de transmissão dos canais Fox ou atua em nome próprio em sua distribuição – a operação de distribuição ocorre diretamente entre a FLAC Inc. e as operadoras; iii. o contrato celebrado entre a Recorrente e a Flac Inc. é um "Contrato de Agenciamento de Vendas" em que a Impugnante concorda em agir como agente da Flac Inc. na comercialização do sinal dos Canais Fox e dos espaços publicitários dos Canais Fox; iv. os valores remetidos pela Recorrente à FLAC Inc decorrem da sua condição de agente dessa empresa estrangeira, na cobrança dos valores devidos por operadoras de televisão a cabo localizadas no Brasil; v.a Recorrente é um mero agente de cobrança da Flac Inc. no Brasil no que diz respeito ao pagamento das licenças dos canais de televisão, não adquirindo direitos de uso ou exploração dos sinais dos Canais Fox e, consequentemente, não efetua pagamentos a esse título à Flac Inc.; vi.os pagamentos a título de direito autoral não são fato gerador da CIDE, por clara ausência de permissão legal; vii. a despeito das alterações trazidas pela Lei n° 10.332/01,cotejandose o artigo 8o do Decreto n° 3.949/01 com o artigo 10 do Decreto 4.195/2002, verificase que as Fl. 709DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000149/201043 Acórdão n.º 3201001.485 S3C2T1 Fl. 692 5 hipóteses de incidência da CIDE permaneceram inalteradas, à exceção do inciso III do artigo, que acresceu "serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes "; viii. as hipóteses de incidência de CIDE relacionamse a atividades que envolvem a transferência de tecnologia ou conhecimento da pessoa jurídica domiciliada no exterior à pessoa jurídica brasileira, contudo, no caso dos pagamentos a título de remuneração de direito autoral, o pagamento realizado ao detentor do direito autoral no exterior visa a remunerar a criação em si que é explorada para fins comerciais; ix. o artigo 22 da Lei n.° 4.506/643 mencionada pela autuação para sustentar a equiparação de direitos autorais a royalties não consiste em instrumento legal apto a delimitar o conceito de royalties para fins de incidência da CIDE, uma vez que essa lei tinha como finalidade instruir os contribuintes pessoas físicas em relação ao preenchimento da Declaração de Imposto de Renda, conforme o Parecer CST n.° 520, de 02 de junho de 1989; x. a diferença entre royalties e direito autoral (especificamente no caso de transmissão de programação por qualquer meio, o que é exatamente o caso da Recorrente) ainda é reconhecida pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que os direitos de autor seguem o regime próprio estabelecido no artigo 709 do RIR/99; xi. os valores pagos à Flac Inc. consistem em fato gerador da CONDECINE, criada pela Medida Provisória n.° 2.2281/2001, art. 32, tendo de forma que a imposição da CIDE pretendida representa caso típico de bis in idem, vedado no Sistema Tributário Nacional. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, em que aduziu os seguintes argumentos: i. ausência de nulidade da autuação, pois não há qualquer inexatidão ou erro na descrição dos fatos pela autoridade fazendária; ii. situação de ser a Recorrente detentora ou não dos direitos de programação e distribuição dos “Canais Fox”, não tem qualquer relevância à efetiva ocorrência do fato gerador.à incidência da contribuição, que incide pelo simples fato do contribuinte ter pago, creditado, entregado, empregado ou remetido royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior; iii. a Lei 10.332/01, que, alterando os parágrafos 2º, 3º e 4º do art. 2º da Lei 10.168/00, acabou por ampliar o âmbito de incidência da CIDE; iv. não se faz necessária a efetiva transferência de tecnologia para fins de incidência da contribuição. em se tratando de contribuição de intervenção no domínio econômico, o que se exige é que na arrecadação da exação seja observada a finalidade para a qual ela foi instituída; v. no julgamento do RE nº 396.266, o STF entendeu que não se exige vinculação direita do contribuinte e nem a possibilidade de que ele venha a auferir benefícios com a aplicação dos recursos arrecadados; vi. no EResp 770.451, o STJ reconheceu a validade da contribuição para o INCRA, assim como determinou ser ela devida também por empresas urbanas, já que a referida Fl. 710DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI 6 contribuição pode ser classificada como uma “contribuição especial atípica”, ou seja, aquela constitucionalmente destinada a finalidades não diretamente referidas ao sujeito passivo; vii.se não é necessário o benefício direito do contribuinte da CIDE, não há que se falar na necessidade de que a hipótese de incidência da exação esteja diretamente vinculada ao critério de intervenção eleito como requisito/finalidade para a criação da contribuição; viii. a CIDE não é devida unicamente, quando há transferência de tecnologia, incidindo, também, sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a título de royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior; ix. o contribuinte não contesta o fato de que realizou tais remessas, argüindo apenas que as mesmas estariam sendo feitas a título de repasse de valores devidos por terceiros; x. a Lei 9.610/98, ao tratar dos direitos autorais, determina serem obras intelectuais as audiovisuais, enquanto a Lei 4.506/64 determina que os direitos autorais são pagos mediante royalties; xi.a Convenção Modelo da OCDE enquadra no conceito de royalties as remunerações de qualquer natureza pagas pelo uso ou pela concessão do uso de autor sobre uma obra literária, artística ou científica (inclusive os filmes cinematográficos, filmes ou fitas de gravação de programas de televisão ou radiofusão); xii. a recorrente tinha o direito de uso do produto denominado “Canais Fox”, conforme contrato por ele firmado com a FLAC Inc., intitulado “Contrato de Agenciamento de Vendas”, no qual se estabelece como obrigações da recorrente, a prestação de assistência em relação à comercialização, venda e distribuição dos“Canais Fox”; xiii. a recorrente comercializava, vendia e distribuía, o produto da FLAC Inc., exploração esta que gerava remessas ao exterior com natureza jurídica de royalties (a qualquer título), conforme descrevia nos contratos de câmbios firmados às fls. 96 e ss; xiv. o suposto “contrato de agenciamento” não cumpre com os requisitos fixados na Lei 4.886/65 quando da regulamentação da atividade de representação mercantil autônoma; xv. houve um verdadeiro desvirtuamento das características e objetivos contratuais, considerando que a recorrente não figura como mero agente, mas sim como verdadeiro titular na posição contratual junto às operadoras clientes, possuindo direitos muito mais amplos do que aqueles ali previstos, tais como o direito de cobrar, comercializar, dar quitação, etc.; xvi. a Recorrente não faz prova de que os valores remetidos ao exterior pertenciam ou decorriam de pagamentos realizados por terceiros; xvii. o julgamento acerca do bin in idem passa pela verificação de aspectos constitucionais da exação, o que é vedado a este Conselho, nos termos da Súmula CARF nº 02; xviii. o bis in idem não é vedado pela Constituição Federal em se tratando de contribuições de intervenção no domínio econômico; xix. o critério essencial para a verificação da validade de uma CIDE é a finalidade para as quais elas são instituídas enquanto a CIDEroyalties destinase a financiar o Fl. 711DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000149/201043 Acórdão n.º 3201001.485 S3C2T1 Fl. 693 7 programa de estímulo à interação universidadeempresa para apoio á inovação, a CONDECINE, destinase a fomentar o desenvolvimento das indústrias cinematográfica e videofonográfica, incentivando, assim, as manifestações culturais; xx. no Resp nº 894.129, por meio do voto da Ministra Eliana Calmon, decidiu ser possível a incidência simultânea das contribuições, analisando, dentre outros critérios, também as diferentes finalidades para as quais teriam sido criadas; xxi. a CIDE ora exigida é muito mais específica do que a CONDECINE. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Como afirmado na peça recursal, essa matéria não é nova nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pois tanto o Acórdão n° 30134.753, como o n° 301 34.753, e o de n° 30335.834versaram sobre a matéria, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2002 CIDE. Royalties. Direito autoral. Não incidência. A CIDE/Royalties, instituída pela Lei n.° 10.168/2000, não incide sobre a remessa ao exterior de pagamentos relativos a exploração de direitos autorais, mesmo que sobre a denominação de royalties, por força do comando interpretativo do artigo 10 do Decreto n.° 4.195/2002. CIDE.Royalties. CONDECINE. Bis in idem. Não é possível a exigência da CIDE/Royalties sobre os mesmos fatos que constituem hipótese de incidência da CONDECINE, devendo, no caso de colidência, prevalecer a incidência da CONDECINE, por ser mais específica. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Contudo, entendo que o argumento do bis in idem, não se presta a argumento hábil a corroer o fundamento de legalidade do lançamento, especialmente no âmbito administrativo, em vista que o art.154, I da Carta Magna determina que aos impostos é vedada a criação com mesmo fato gerador ou base de cálculo dos impostos já existentes. Nesse contexto, não haveria bis in idem na relação estabelecida entre um imposto e uma contribuição, vejase o caso da CSLL, ou entre contribuições, caso do PIS e da Fl. 712DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI 8 COFINS, que guardassem identidade de fato gerador ou base de cálculo, como aliás, já se manifestou a Suprema Corte. Ademais as contribuições sociais, enquanto espécie tributária autônoma, têm como critério conotativo que as distinguem das demais espécies tributárias, a sua destinação, o que, da mesma forma, no caso concreto não se verifica. Por outro lado, ainda que se entendesse que a regra do art. 154, I da Constituição Federal veiculasse uma cláusula geral de vedação ao bis in idem, devendo ser lido o termo “imposto” como “tributo”, essa construção exegética, necessariamente passaria pela análise de constitucionalidade das normas jurídicas em comento, situação vedada a essa Corte Administrativa, por força da Súmula n. 02 do CARF. Nesse sentido, há recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de n. 930301.864 3ª Turma, que alterou o entendimento que vinha prevalecendo no CARF, conforme mencionado e acolhendo o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, decidindo ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 CIDE ROYALTIES. REMESSA DE ROYAlTIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. Recurso Especial do Procurador Provido. No referido julgado, o relator Henrique Pinheiro Torres entendeu não haver óbice na contribuição da CIDE, pois, em apertada síntese, a competência residual do art. 154, I veda o bis in idem apenas para impostos, ao mesmo passo que a redação dada ao § 2º ao art. 2o da Lei n. 10.168, pela Lei 10.332/2001, seria peremptória no sentido de que a contribuição incide sobre os royalties que as pessoas jurídicas pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. A despeito dos diversos argumentos tecidos tanto pela Recorrente, como pela Fazenda Nacional, a questão pode ser dirimida pela exegese da norma que estabelece a incidência da CIDE, pelos arts. 2° e 3° da Lei n°10.168/2000, alterada pela Lei n° 10.332/2001, que teria alargado o campo de incidência do tributo, de acordo com a autuação. Nesse contexto, a CIDE passaria a incidir sobre a remessa de royalties a qualquer título (§2°, art 2o, Lei 10.168/2000 com alteração pela Lei n° 10.332/2001), de sorte que os pagamentos relativos a direitos autorais enquadrarseiam no conceito de royalties. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000149/201043 Acórdão n.º 3201001.485 S3C2T1 Fl. 694 9 Muito embora a Fazenda Nacional tenha discorrido longamente sobre a desnecessidade da hipótese de incidência da CIDE estar diretamente vinculada ao critério de intervenção eleito como requisito/finalidade para a sua criação, o deslinde da questão não transita por esta senda. Não se nega que o discrímen essencial das contribuições como espécie tributária autônoma em relação aos impostos seja a sua destinação constitucional, contudo, por óbvio, a subsunção das condutas dos contribuintes à hipótese de incidência, mantémse incólume como condição para a exigência da exação, no ambiente de estrita legalidade. E nessa linha, e atentos à referida questão, a União, ao regulamentar a redação dada ao § 2º ao art. 2o da Lei n. 10168, pela Lei 10.332/2001, tratou de restringir o alcance da expressão “a qualquer título”, trazendo hipóteses taxativas de incidência da CIDE, pelo Decreto n. 4195/2002, que estabeleceu o alcance do critério material da contribuição, nos seguintes termos: Art.10.A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: Ifornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Verificase que não há a menção da remuneração por direitos autorais e qualquer ilação nesse sentido, implicaria em interpretação extensiva que não se coaduna com o vetor de estrita legalidade. Poderseia argumentar que o decreto, na condição de ato emanado pelo Poder Executivo, não poderia dispor de forma distinta que a lei, ou seja, se a lei prescreve que é hipótese de incidência da contribuição a remessa “a qualquer título”, não poderia o decreto dispor de forma mais restritiva. Contudo, o Poder regulamentar tem previsão no inciso IV, do art. 84, da Constituição Federal de 88, que confere ao Presidente da República a competência privativa para "sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução". Nas palavras de Geraldo Ataliba: Consiste o chamado poder regulamentar na faculdade que ao Presidente da República – ou chefe do Poder Executivo, em geral, Governador e Prefeito – a Constituição confere para Fl. 714DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI 10 dispor sobre medidas necessárias ao fiel cumprimento da vontade legal, dando providências que estabeleçam condições para tanto. Sua função é facilitar a execução da lei, especificá la de modo praticável e, sobretudo, acomodar o aparelho administrativo, para bem observála . ATALIBA, Geraldo. Decreto Regulamentar no Sistema Brasileiro. Revista de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, 1969. Ainda, a melhor doutrina ensina que apenas a lei ingressa na ordem jurídica com prescrições de caráter inaugural, devendo as disposições regulamentares moveremse dentro dessas lindes. O regulamento é ato normativo secundário, subordinado à lei, de maior hierarquia dentre as normas administrativas. A moldura à qual está submetida o decreto, ou os limites nos quais poderá se mover o Poder Executivo, na composição das disposições regulamentares, está nos limites nos textos legais regulamentados, especialmente atrelado aos limites do art.150, I da Carta Magna. É certo que o decreto regulamentar não poderá extrapolar a moldura da lei, porém, não há quaisquer vedações para que se determine o seu conteúdo, movendose no interior desses limites, o que ocorreu no caso concreto, no qual da expressão genérica “a qualquer título”, foram pinçadas hipóteses determinadas para a incidência da contribuição. E isto porque, é quase que despiciendo mencionar, viola noções mais basilares de Segurança Jurídica, a incongruência da Administração em restringir o conteúdo normativo para determinadas hipóteses, e logo adiante, exigir tributo sobre hipóteses distintas e penalizar o contribuinte, que seguiu a norma por ela mesma estabelecida. Assim é que a legislação tributária veicula diversos dispositivos tais so artigos 100 e 112 , que visam a realizar os vetores axiológicos da Moralidade Administrativa, da Estrita Legalidade, da proteção da BoaFé Objetiva. E o Princípio da Congruência, vetor implícito em nossa ordem jurídica, estabelece que o legislador tributário que revestir a legislação tributária da maior sistematização, ou seja, deverá ser norteada para a realização da política fiscal do Estado, afastando contradições que possam romper com a necessária organicidade do sistema tributário. Voltandose ao caso concreto, é certo que os efeitos econômicos e os impactos financeiros da tributação da mesma base pela CIDE e pelo CONDECINE, são nefastos, gerando evidentes desequilíbrios nesse setor econômico, de sorte que se coaduna com a construção até aqui descortinada, que o Estado, ao regulamentar a contribuição, atentos as peculiaridades de cada setor, e vislumbrando o fato da dupla tributação econômica, estabelecesse quais deveriam sofrer a incidência da CIDE, mantendo a harmonia da sua política fiscal. Em outras palavras, se não há o óbice jurídico da cumulação das duas exações sob a mesma base de cálculo, da mesma forma, não se pode olvidar que o Estado, no seu desígnio de implementar a arrecadação de maneira compatível com uma política fiscal que tenha em foco as interações do Direito com a Economia, poderá erigir a tributação de sorte a balizar e a compensar possíveis distorções que dela possam aflorar. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000149/201043 Acórdão n.º 3201001.485 S3C2T1 Fl. 695 11 Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Inicialmente, esclareço que minha discordância em relação à posição externada pela eminente relatora restringese à questão da incidência da CIDE em relação ao pagamento de direitos autorais caracterizados como royalties pela legislação tributária. Conforme consta do relatório, a exigência fiscal tem por objeto valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, por conta de pagamento de royalties, que configurariam a hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDERoyalties – estabelecida no parágrafo 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000. A eminente relatora julgou indevida a exigência da CIDEroyalties objeto deste processo, por entender que os valores ora tributados tem por objetivo o pagamento de direitos autorais, que estariam fora do campo de incidência da contribuição. Esta turma, contudo, por voto de qualidade, entendeu estar correta a exigência, posto os fatos praticados pela recorrente configurarem as hipóteses previstas no artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001, vigente à época dos fatos geradores deste processo, que assim dispõe: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a Fl. 716DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI 12 qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2 o deste artigo. § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. (grifo nosso) Da leitura do dispositivo acima constatase que a CIDERoyalties é devida sempre que houver pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Ressaltese, em se tratando da hipótese prevista no §2º do artigo 2º desta lei, ser desnecessário que os contratos impliquem transferência de tecnologia para que ocorra a incidência da Contribuição. O termo royalty tem origem na Ciência da Economia, sendo conceituado por Arthur Seldon nestes termos: ROYALTY. Pagamento feito, por uma pessoa, física ou jurídica, ao dono de propriedade ou ao criador de um trabalho original, para o privilégio de explorálo comercialmente. É, essencialmente, um método de partilhar o rendimento das vendas de um produto entre os que concorrem com o financiamento e a habilidade de comercialização e os que contribuem com a propriedade intelectual sob a forma de uma realização original. O sistema de royalty é comumente usado, por exemplo, quando um autor ou tradutor é pago por um editor segundo uma percentagem do preço de capa de um livro; quando um proprietário fundiário é pago por uma companhia mineradora para o privilégio de explorar o subsolo da sua terra; quando o dono de uma patente é pago por um fabricante pelo direito de reproduzir sua invenção. (Dicionário de Economia, Editora Bloch) O pagamento de royalties, portanto, objetiva partilhar o rendimento de um produto entre aquele que detém a propriedade intelectual deste e aquele que efetivamente explora este produto, colocandoo no mercado consumidor. O conceito de royalties para fins tributários encontrase previsto no artigo 22 da Lei nº 4.506/64: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; Fl. 717DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000149/201043 Acórdão n.º 3201001.485 S3C2T1 Fl. 696 13 c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos "royalties" acompanharão a classificação dêstes. (grifo nosso) Do exposto, extraise que o conceito legal de royalties corresponde a rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, da fruição, ou da exploração de direitos. O professor Alberto Xavier, em análise ao tema, esclarece que: À luz do direito interno, o royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição e exploração de determinados direitos, diferenciandose assim dos aluguéis que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. [...] No direito interno, os direitos que dão lugar à percepção de royalties são o direito de colher ou extrair recursos vegetais , inclusive florestais; o direito de pesquisar e extrair recursos minerais; o uso ou exploração de invenções , processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; a exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou da obra (art. 22 da Lei 4.506, de 1964). (Direito Tributário Internacional do Brasil. Rio de Janeiro, Forense, pg. 617/618) Dito isto, temos que os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. Verificase ainda que a Lei nº 9.610/98 em seu artigo 7º, XIII, inclui as obras audiovisuais entre as obras intelectuais com direitos autorais protegidos: Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: [...] VI as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; [...] (grifo nosso) O artigo 11 da citada lei, por sua vez, restringe o conceito de autor à pessoa física criadora da obra: Fl. 718DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI 14 Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica. Parágrafo único. A proteção concedida ao autor poderá aplicar se às pessoas jurídicas nos casos previstos nesta Lei. Do exposto, resta claro que as remessas referentes à licença para distribuição de sinais de televisão por assinatura correspondem ao pagamento de direitos autorais, enquadrandose como royalties, a luz da alínea “d” do artigo 22 da Lei nº 4.506/64 quando efetuados a pessoa jurídica detentora dos direitos. Este entendimento, inclusive, encontrase em sintonia com o decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 930301.864, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. (Ac 930301.864. sessão de 6/3/2012. relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres) Por fim, restam necessários ainda alguns esclarecimentos acerca do Decreto nº 4.195/2002, que regulamenta a Lei nº 10.168/2000, com as alterações promovidas pela Lei 10.332/2001. O artigo 10 deste Decreto apresenta rol de espécies contratuais passíveis de incidência da CIDERoyalties, nestes termos: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e Fl. 719DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000149/201043 Acórdão n.º 3201001.485 S3C2T1 Fl. 697 15 V cessão e licença de exploração de patentes. O dispositivo acima citado teve como objetivo afirmar que, após as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001, também sujeitamse a CIDERoyalties todas as remunerações pagas em decorrência de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior (artigo 2º, §2º da Lei nº 10.168/2000), inclusive aqueles onde não ocorre a transferência de tecnologia. Não se trata, contudo, de um rol taxativo, como afirmado pela eminente relatora, mas sim de lista meramente exemplificativa de contratos que ensejam na incidência da contribuição. Isto devido ao citado Decreto tratarse de ato emitido pelo Presidente da República, e não pelo Congresso Nacional. Como se sabe, a Constituição Federal, ao delegar competência a União e as demais pessoas políticas para definir a regra matriz de incidência de cada tributo, determinou que o exercício desta competência deve ser feito por meio de Lei, ato este de competência do Poder Legislativo. Em se tratando de matéria tributária, o Decreto, mesmo quando dotado de conteúdo normativo, restringese a regular a fiel execução das leis. Isto por tratarse de ato administrativo formal de competência privativa do Presidente da República. O Decreto, contudo, não pode inovar no ordenamento jurídico; limitase a esclarecer o conteúdo das leis, sem lhes aumentar ou restringir o espetro de incidência. Desta forma, em tendo a Lei nº 10.168/2000, com as alterações promovidas pela Lei 10.332/2001, estabelecido a base de cálculo da CIDERoyalties de forma ampla, abrangendo o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, não poderia um decreto presidencial limitar a hipótese de incidência tributária por meio de um rol taxativo de contratos passíveis de incidência. Ademais, a hermenêutica ensina que a análise de um dispositivo normativo deve ser feita com atenção às demais normas previstas no ordenamento jurídico, não devendo um texto incluído em um ato normativo ser interpretado de forma autônoma e independente. Dito isto, resta claro que o rol de contratos previstos no artigo 10 do Decreto nº 4.195/2002 é meramente exemplificativo, sendo a hipótese de incidência tributária definida nos termos do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto – Redator designado Fl. 720DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/06/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10880.678163/2009-34
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 81 63 /2 00 9- 34 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678163/200934 Acórdão n.º 3801004.093 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678163/200934 Acórdão n.º 3801004.093 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo, contra o acórdão julgado na sessão de 26 de agosto de 2011, pela 6ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ/SPI), em julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa, transmitida eletronicamente pela empresa SÁFILO DO BRASIL LTDA, com o propósito de compensar débito propósito de compensar débito com suposto crédito de COFINS oriundos de pagamento indevido ou a maior que teria em 11/11/205. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 1, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Tomando ciência da decisão, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade, na qual tece os seguintes argumentos: a) Salienta de início que a interposição do recurso em apreço suspende de imediato a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b) Alega que, em virtude de inclusão indevida de IPI relativo às vendas realizadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, recolheu essas contribuições em valores substancialmente superiores ao que seria devido, sendo notório que tal imposto não faz parte de sua base de cálculo; c) Afirma que, ao se aperceber do erro, efetuou um levantamento do referido indébito, apurando créditos no de (PIS) e de (COFINS), os quais passou a compensar por meio de vários PER/DCOMP transmitidos em datas diversas; d) No entanto – prossegue – devido a falha administrativa interna, deixou de retificar e retransmitir eletronicamente, por meio do sítio da RFB, as DCTF e os DACON relativos a esse período – o que levou a Fazenda Federal, ante a Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678163/200934 Acórdão n.º 3801004.093 S3TE01 Fl. 14 4 impossibilidade de reconhecer os pagamentos a maior, a não homologar as compensações realizadas; e) Acrescenta que, desejando regularizar tal pendência, transmitiu as DCTF e os DACON retificadores; f) Passando a tratar especificamente do processo em exame, descreve com minúcias a natureza e o valor do débito e do crédito compensados na DCOMP objeto do despacho decisório impugnado e observa estar à disposição das autoridades fiscais “toda a documentação comprobatória relativa aos recolhimentos e compensações efetuadas”; g) Assevera que o crédito utilizado na DCOMP realmente existe e deve ser reconhecido, citando em seguida dois acórdãos do Conselho de Contribuintes cujas ementas tratam de erro material no preenchimento de DCTF e mencionam o princípio da verdade material; h) Concluindo, requer a reforma do despacho decisório e apresenta, na última folha da impugnação, uma lista de documentos que traz aos autos. É o relatório” A DRJ de São Paulo I/SP (DRJ/SPI) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, confirmando a não homologação da compensação declarada. Colaciono a ementa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ai sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante com fito de reduzir tributo – mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar – só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678163/200934 Acórdão n.º 3801004.093 S3TE01 Fl. 15 5 DCOMP. SUSPENSÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/66) Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, prejudicando do contraditório e da ampla defesa, alega aplicabilidade da verdade material e a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678163/200934 Acórdão n.º 3801004.093 S3TE01 Fl. 16 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. Deste modo, tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificados, nem transmitidos no programa da RFB, sendo este o motivo pelo do indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 23/11/2009, ou seja, cerca de um mês após o despacho que indeferiu a homologação do pedido de compensação, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Conforme o disposto nos §§ 1, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, é necessário para que os efeitos da retificadora sejam plenos a apresentação de prova inequívoca da ocorrência de erro. Colacionase os referidos dispositivos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678163/200934 Acórdão n.º 3801004.093 S3TE01 Fl. 17 7 Hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCT retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe desses saldo; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal §3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário Logo, não foram contestadas as razões que levaram a DRJ a entender que a DCTF e o DACON retificados constantes destes autos não prestam para comprovar a inicialmente alegada existência de crédito. Diante dos faltos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, por não ter apresentado em suas rações recursais nada a respeito, com as seguintes assertivas da DRJ de São Paulo I/SP: i) que a retificação da DCTF e do DACON, por ser posterior à ciência do despacho decisório, não é válida para produzir efeitos; ii) que a alegação de erro e apresentação de DCTF retificadora na fase de impugnação não é suficiente para fazer prova em favor da contribuinte; bem como, iii) que é necessária a comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678163/200934 Acórdão n.º 3801004.093 S3TE01 Fl. 18 8 despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado,então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, carreando aos autos tão somente a DCTF retificadora, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Outrossim, entendo que a apresentação da DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678163/200934 Acórdão n.º 3801004.093 S3TE01 Fl. 19 9 Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Apesar de não haver qualquer consideração no recurso voluntário sobre a DCTF e o DACON retificadores constantes destes autos, o que exclui deste Colegiado a necessidade de apreciálos, observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Deste modo, tendo a contribuinte anexado declaração retificadora posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, e não trazendo aos autos nenhum elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678163/200934 Acórdão n.º 3801004.093 S3TE01 Fl. 20 10 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.002137/2009-73
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO DE LUCRO. LANÇAMENTOS DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEVIDA A APLICAÇÃO DE SANÇÃO.
Não cabe aplicação de sanção por descumprimento da obrigação acessória prevista na Lei n°. 8.212, de 24.07.91, art. 52, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, combinado com a Lei n. 4.357, de 16.07.64, art.32, alínea "b": dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos, quando o crédito tributário está com exigibilidade suspensa.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-003.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima votou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2004 PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO DE LUCRO. LANÇAMENTOS DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEVIDA A APLICAÇÃO DE SANÇÃO. Não cabe aplicação de sanção por descumprimento da obrigação acessória prevista na Lei n°. 8.212, de 24.07.91, art. 52, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, combinado com a Lei n. 4.357, de 16.07.64, art.32, alínea "b": dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos, quando o crédito tributário está com exigibilidade suspensa. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 37 /2 00 9- 73 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002137/200973 Acórdão n.º 2803003.352 S2TE03 Fl. 130 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Carlos Cornet Scharfstein, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002137/200973 Acórdão n.º 2803003.352 S2TE03 Fl. 131 3 Relatório O presente Recurso Voluntário busca a reforma da decisão que manteve integralmente o crédito tributário lavrado pelo Auto de Infração, em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista na Lei n°. 8.212, de 24.07.91, art. 52, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, combinado com a Lei n. 4.357, de 16.07.64, art.32, alínea "b": dar ou atribuir participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos, ainda que a titulo de adiantamento, estando a empresa em debito não garantido com a União, com base em débito lançado no DEBCAD n. 35.419.3635, 01/09/2004 a 30/09/2004, 01/10/2004 a 31/10/2004, 01/11/2004 a 30/11/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004, que não estaria com sua exigibilidade suspensa na época da distribuição dos lucros. O período lançado é referente a Em recurso voluntário, alega que o indicado lançamento constante no DEBCAD n. 35.419.3635 não poderia ser impedimento para a obtenção de certidão negativa de débitos ou certidão positiva com efeitos de negativa, em razão de sua nulidade reconhecida pela própria Fazenda Nacional. Para provar o alegado, a recorrente trouxe cópia da informação Equipe de Orientação da Arrecadação Previdenciária da DIORT/DERAT/SPO às fls. 100/101 e de email trocado com o Auditor Fiscal Walkyris A.N.R.Nogueira, AF RFB n. 0954310, da DERATSPCEQREC/Contencioso, às fls. 102 dos autos físicos, bem como um extrato da sentença contudo que não traz a devida indicação da origem, assinatura do magistrado, ou certificação de autenticidade (fls. 103 dos autos físicos), os quais este relator não localizou sua indicação junto ao sitio do Tribunal Regional Federal da 3a. Região. Em tais documentos há remição de nulidade ou ineficácia do indicado crédito para fins do impedimento para o fornecimento de CND ou CDAEN, e, conseqüentemente, a distribuição de lucros. O julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade preparadora: solicitase à Equipe de Orientação da Arrecadação Previdenciária da DIORT/DERAT/SPO, informações sobre a veracidade da cópia da informação juntada às fls. 100/101 dos autos físicos; solicitese formalmente ao Auditor Fiscal Walkyris A.N.R.Nogueira, AF RFB n. 0954310, informações sobre a veracidade e as causas do email impresso juntado às fls. 102 dos autos físicos; e, que, após as informações fiscais solicitadas, que seja a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30(trinta) dias, a respeito das mesmas e, querendo, juntar aos autos, certidão narratória do processo judicial a que se remete no Recurso Voluntário (fls. 98 e 103 dos autos físicos 003305050.2008.4.03.6100 / 2008.61.00.0330504 da 12a Vara Cível Federal de São Paulo), acompanhado de cópia autenticada de todas as decisões nele prolatadas. Em resposta ao questionamento à Equipe de Orientação Previdenciária, informou o seguinte: 1. O presente expediente foi encaminhado a EQARP para manifestarse acerca da compensação de contribuições previdenciárias efetuadas pela empresa, objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.419.3635. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002137/200973 Acórdão n.º 2803003.352 S2TE03 Fl. 132 4 2. Tendo em vista a não localização do processo administrativo relativo à citada NFLD, bem como, por falta de elementos indispensáveis à verificação da compensação no presente dossiê, as informações aqui prestadas serão baseadas, exclusivamente, nos dados que constam no Cadastro de Fiscalização de Empresas – CFE emitido em 11/11/2008 do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais – CNAF da Auditoria Fiscal Previdenciária – AFP e nos relatórios dos processos administrativos nº 12157.000159/200895 (NFLD nº 35.419.361 9) e nº 12157.000158/200841 (NFLD nº 35.419.362 7) ambos decorrentes da mesma ação fiscal nº 03141459 de autoria da AFRFB Maria Laura Ferrari e Fernandes. Os créditos da empresa apurados nos processos administrativos citados no item anterior, no valo originário convertido de R$ 271.355,91 (Duzentos e Setenta e Um Mil, Trezentos e Cincoenta e Cinco Reais e Noventa e Um Centavos), atualizados segundo os procedimentos determinados na sentença judicial, atualizados para a data de 30/10/2002, somam a importância de R$ 450.245,71 (Quatrocentos e Cincoenta Mil, Duzentos e Quarenta e Cinco Reais e Setenta e Um Centavos) conforme planilha anexa. 4. Por outro lado, o débito relativo a NFLD nº 35.419.3635, consolidado em 30/10/2002, correspondente à glosa de compensações efetuadas no período de 06/2001 a 05/2002, soma a importância de R$ 176.236,38, que deduzida a multa de R$ 36.739,57, totaliza o montante de R$ 139.496,81 (Centro e Trinta e Nove Mil, Quatrocentos e Noventa e Seis Reais e Oitenta e Um Centavos) Principal R$ 122.465,23 Juros R$ 17.031,58 Multa R$ 36.739,57 Total R$ 176.236,38 5. Assim sendo, atendendo ao contido no ofício, informamos que, do confronto do valor do crédito apurado no item 3, com o valor dos débitos relativos a NFLD nº 35.419.3635, NFLD nº 35.419.3619 e NFLD nº 35.419.3627, excluídos os valores das respectivas multas, constatase que, a empresa possuía créditos suficientes para as compensações efetuadas. a) NFLD nº 35.419.3619 R$ 199.700,01 b) NFLD nº 35.419.3627 R$ 97.122,59 c) NFLD nº 35.419.3635 R$ 139.496,81 Total dos Débitos R$ 436.319,41 E a resposta da Auditora Fiscal Walkyris A.N.R.Nogueira foi no seguinte sentido: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002137/200973 Acórdão n.º 2803003.352 S2TE03 Fl. 133 5 Tratase de Auto de Infração devido ao descumprimento de obrigação acessória, por infração ao artigo 52 da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 11.941/2009, c/c o art.32, alínea “b”, da Lei 4.357/64: distribuição de lucros a sócios cotistas, no período de 01 a 12/2004, estando a empresa em débito não garantido com a União. 2. Em fase de contencioso administrativo, o processo acima identificado foi baixado em diligência conforme item “b” da Resolução n° 2803000.114 – Turma Especial / 3ª Turma Especial de 10/07/2012, da Segunda Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda – CARF/MF. 3. Quanto ao solicitado no item “b” da Resolução 2803000.114, esclareço que entre as atribuições da Equipe de Recuperação de Créditos/DICAT/DERAT, na qual estou lotada desde dezembro/2007, estão a administração dos créditos previdenciários constituídos até 31/12/2007, bem como o fornecimento de informações sobre a real situação/exigibilidade desses créditos, para fins de emissão de Certidões de Regularidade Fiscal (Certidão Negativa de Débitos ou Positiva com Efeitos de Negativa). 4. Na RFB, a competência para análise/liberação manual das Certidões de Regularidade (quando existem restrições à emissão) é dos servidores lotados nos Centros de Atendimento ao Contribuinte – CAC. Porém, quando os dados do Sistema de Arrecadação e Cobrança divergem de outras informações ou documentos apresentados, os servidores dos CACs solicitam informações à EQREC através do correio eletrônico institucional (notes), através do qual também são encaminhadas as respostas/informações. 5. Ainda em atendimento à Resolução, informo que o documento anexado às fls. 102 do processo físico tratase, de fato, de cópia de mensagem eletrônica encaminhada por mim(EQREC) ao CAC Paulista, em 23/09/2009 (questionamento inicial efetuado pelo CAC em 30/08/2009), com informação acerca da exigibilidade do débito DEBCAD 35.419.3635 (obrigação principal), que constava como restrição no Pedido de Certidão Negativa de Débito do contribuinte . 6. Ressalto que antes da Unificação das Receitas (Lei 11.457/2007), os créditos previdenciários amparados por ações judiciais, mesmo em fase administrativa, eram acompanhados pela Procuradoria do INSS. Dos três débitos citados na mensagem eletrônica: 35.419.3619, 35.419.3627 e 35.419.363 5, os dois primeiros foram devolvidos à RFB pela PGFN em 2008 e acompanhados pela Equipe de Acompanhamento de Medidas Judiciais/DERAT SP (baixados em 09/11/2009), mas o DEBCAD 35.419.3635 não foi (PA 16191.000124/201196 arquivado na PRFN). 7. Conforme tela do Sistema Dívida agora anexada, o Lançamento 35.419.3635 permaneceu na fase 542 “Suspensão Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002137/200973 Acórdão n.º 2803003.352 S2TE03 Fl. 134 6 de Exigibilidade sem Depósito”, de 12/08/2005 a 06/03/2008, e não houve registro de novos eventos até 20/09/2013, quando foi registrada a fase 916 “EXTINÇÃO DA AÇÃO / CRÉDITO SEM PAGAMENTO”, utilizada para CRÉDITOS EXTINTOS em razão de sentença judicial.” O contribuinte foi intimado das respostas à diligência, contudo a autoridade preparadora apenas informou o prazo de 10(dez) dias para manifestação, contrário ao disposto em resolução, mas em nada se manifestou. Os autos retornou a este relator e turma especial. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002137/200973 Acórdão n.º 2803003.352 S2TE03 Fl. 135 7 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Primeiramente, em relação à questão da intimação do contribuinte com prazo para manifestação inferior ao concedido pela Resolução desta Turma Especial, entendo que com as respostas da diligência, não afetará o julgamento. III – Conforme as respostas das diligências, ficou claro que o lançamento da NFLD DEBCAD n. 35.419.3635, base do presente lançamento para informar a irregularidade da distribuição dos dividendos da recorrente, não poderia ter servido para tal fim, pois foi objeto de compensação, bem como estava com exigibilidade suspensa e posteriormente foi extinto por sentença judicial. Ainda, o indicado e confirmado como fiel o email de fls. 102 é clara a impossibilidade de consideração como válido e exigível o NFLD DEBCAD n. 35.419.3635. Fatos esses confirmados em sentença transitada em julgado, a qual passo o texto publicado no Diário da Justiça Eletrônico do TRF3, n. 547, de 09.12.2010, pg. 109: 003305050.2008.403.6100 (2008.61.00.0330504) CARBOROIL COM/ DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA(SP152468 CYNTIA CASSIA DA SILVA) X UNIAO FEDERAL(Proc. 1115 TELMA DE MELO SILVA) Tratase de ação medida cautelar, posteriormente convertida em ação ordinária proposta por CARBOROIL COM/ DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA em desfavor da UNIÃO FEDERAL, objetivando a expedição de Certidão Negativa de Débitos ou Positiva com Efeitos de Negativa, mediante prestação de caução dos bens discriminados nos autos.Liminar indeferida às fls. 49/54.Após o aditamento à inicial, o rito foi convertido em ordinário e o pedido de tutela antecipada foi postergado para após a vinda da contestação.Devidamente intimada, a ré apresentou contestação 467/483.Tutela antecipada indeferida às fls. 484/486.Réplica às fls. 489/490. Às fls. 518/554 foi juntado aos autos ofício do DERAT onde consta informação de que a NFLD não constitui óbice à emissão da Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa.Vieram os autos conclusos para decisão. Assim relatados, tudo visto e examinado. MOTIVAÇÃO Analisados os autos, entendo ter restado configurada hipótese de carência de ação, vez que houve a perda superveniente do interesse processual da impetrante.Com efeito, a ré, às fls. 518 informa que a EQREC/DERAT/SP, após análise da documentação apresentada pelo Autor concluiu que a NFLD nº 35.419.3635 não pode servir de óbice à emissão de Certidão Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002137/200973 Acórdão n.º 2803003.352 S2TE03 Fl. 136 8 Positiva de Débitos com Efeito de Negativa.Entendo, assim, que resta superada a apreciação da matéria questionada, por não mais subsistir interesse processual, decorrente da perda de objeto.Ora, o provimento jurisdicional deve ter utilidade prática para quem provoca a atuação estatal. Nesse sentido os ensinamentos de Vicente Greco Filho in Direito Processual Civil Brasileiro, 1º Volume, 12ª ed., Ed. Saraiva, p.83, in verbis: A doutrina dominante é no sentido de que o Código exige, quanto ao interesse, também a utilidade, e que o parágrafo único do art. 4º existe exatamente porque é uma exceção a essa regra. Se o princípio geral do Código dispensasse a utilidade para a ocorrência de interesse, o dispositivo referido seria inútil e repetitivo, justificandose, pois, em virtude de sua excepcionalidade, ou seja, porque o Código, em princípio, somente admite a provocação do Judiciário quando o autor tiver necessidade de obter o provimento jurisdicional e, também quando esse provimento lhe puder trazer utilidade prática.Não havendo mais interessenecessidade, nem interesseutilidade para a obtenção do provimento jurisdicional, ou seja, não se vislumbrando mais a necessidade da autora vir a Juízo, tampouco a utilidade que a decisão judicial irá lhe proporcionar, ausente o fundamento que ampare a provocação do Judiciário. Ressalto que, a teor do artigo 462, do Código de Processo Civil, a sentença deve refletir o estado de fato da lide no momento da entrega da prestação jurisdicional, devendo o juiz levar em consideração o fato superveniente. De outra parte, considerando que o pedido da Autora somente veio a ser satisfeito após seu ingresso em Juízo e em decorrência disso, cabível a condenação da União Federal ao pagamento de honorários advocatícios.Ante o exposto, julgo extinto o feito sem apreciação do mérito, nos termos do artigo 267, inciso VI do Código de Processo Civil.Condeno a ré ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, que fixo em R$ 1.000,00 (mil reais), nos termos do artigo 20, 4º do Código de Processo Civil. Dessa forma, não restam dúvidas de que os créditos lançados pela NFLD DEBCAD n. 35.419.3635, não poderiam ser considerados exigíveis no momento do lançamento, logo não poderiam ser considerados como impedimento para distribuição de lucros e dividendos, na forma do art. 52, da Lei n. 8.212/1991. O que demonstra a insubsistência do lançamento ora questionado, pois fundamentase em fato consistente em lançamento de crédito não exigível. Nos casos em que o crédito tributário com exigibilidade suspensa, é manso e pacífico o entendimento do CARF de não cabimento da aplicação das sanções do art. 52, da Lei n. 8.212/1991, como transcrevese exemplos: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/06/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO COMPROVAÇÃO. INCLUSÃO DÉBITOS EM Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002137/200973 Acórdão n.º 2803003.352 S2TE03 Fl. 137 9 PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. O simples fato de se apurar na contabilidade da contribuinte a existência de supostos débitos, os quais foram lançados em Lançamentos de Débitos Confessados LDC’s, incluídos em parcelamento, estando, portanto, com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso VI, do CTN, não é capaz de autorizar a imputação da infração prevista no artigo 52, inciso II, da Lei nº 8.212/91, uma vez que somente com a constituição definitiva do crédito tributário é que se poderá inferir com a segurança que o caso exige a existência de débitos passíveis de impedir a distribuição de lucros da empresa. Por sua vez, na esteira da farta e mansa jurisprudência judicial e administrativa, a inclusão dos débitos em parcelamento suspende a exigibilidade, afastando a impossibilidade da distribuição de lucros. Recurso Voluntario Provido (AC. 2401002.478, Cons. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveria, da 1ª. Turma Ord. da 4ª Cam. Da 2ª. Seção de Julg. Do CARF/MF, Julg. 19.06.2012) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO – DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS . Para efeito da vedação à distribuição dos lucros não se pode considerar o simples "apontamento" de débitos na contabilidade do contribuinte como empecilho à distribuição de lucros, nos termos do dispositivo legal previdenciário regente. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, seja qual for a hipótese prevista no art. 151 do CTN, também assegura ao contribuinte o direito de distribuir o seu lucros, dividendos ou bonificações. Recurso Voluntário Provido (AC. 2301002.682, Rel Cons. Bernadete de Oliveira Barros, Red. Damião Cordeiro de Moraes, da 1ª. Turma Ord. da 3ª Cam. Da 2ª. Seção de Julg. Do CARF/MF, Julg. 17.04.2012) Dessa forma, devese acolher o recurso, pois o lançamento recorrido não tem sustentação fática (art. 142 c/c 149 do CTN). Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, para dar lhe provimento, no sentido de reformar a decisão a quo para cancelar o lançamento e o crédito por insubsistência. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002137/200973 Acórdão n.º 2803003.352 S2TE03 Fl. 138 10 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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