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Numero do processo: 10111.001132/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/01/2008
VISTORIA ADUANEIRA. AVARIA. RESPONSABILIDADE.
Nos termos da legislação aduaneira, é responsável o transportador quando houver avaria visível por fora do volume descarregado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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AVARIA. RESPONSABILIDADE. Nos termos da legislação aduaneira, é responsável o transportador quando houver avaria visível por fora do volume descarregado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 11 32 /2 00 7- 30 Fl. 100DF CARF MF 2 Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1664.460, proferido pela 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de notificação de lançamento decorrente de avaria apurada em Vistoria Aduaneira, de carga que se encontrava armazenada em depósito alfandegado da LOGSERVE, na cidade de Brasília. A carga era acobertada pelo Conhecimento de Transporte Aéreo HAWB 18333886451 00004281 e fatura comercial n° 0790 de 03/12/2007. A Comissão de Vistoria, com base na documentação da carga, nos controles do Recinto Alfândegado e no Termo de Apreensão e Interdição da ANVISA n° 3070200/002/2008, imputou a responsabilidade pelo extravio à transportadora LOGSERVE – LOGÍSTICA, SERVIÇOS E ARMAZENAMENTOS LTDA, CNPJ: 05.398.080/000107, fls. 18 a 24. Foram lançados pela presente notificação os tributos incidentes sobre a mercadoria extraviada (II, PIS e Cofins) bem como a multa do art. 646, III, “b” do RA de 2002. A notificação de lançamento totalizou o valor de [...]. Intimada da Notificação de Lançamento em 28/01/2008 (fl. 28), a interessada apresentou impugnação e documentos em 06/02/2008, juntados às folhas 31 e seguintes, alegando em síntese: 1. Alega que conforme o item 2 do Anexo XLI da RDC n° 350/2005, deveria ser feita a retirada de amostras da mercadoria objeto da vistoria, para realização de laudo técnico comprovando o comprometimento da carga. 2. Alega que foram constatadas irregularidades no manuseio e análise da integridade das embalagens vistoriadas. Alega que o tambor vistoriado estava invertido, com a tampa apoiada contra o chão. Alega que o invólucro plástico que contém a substância vistoriada foi retirado do tambor de forma incorreta e sem respeitar as normas técnicas. Alega que o invólucro que contendo a substância foi colocado no chão do porto seco em ambiente manchado por marca de pneu de carro. Alega que a conduta do técnico que fez a análise preliminar pode ter comprometido a sua estabilidade, grau de pureza, ocasionando alterações referentes à fotosensibilidade, a termosensibilidade além de ter comprometido os níveis de contaminação da substância. Alega que as luvas utilizadas não são adequadas ao procedimento e o ambiente onde a carga foi aberta é inadequado. Alega que houve incompetência legal e/ou incapacidade técnica do servidor de analisou a Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10111.001132/200730 Acórdão n.º 3301004.771 S3C3T1 Fl. 101 3 substância. Alega que as avarias existentes no interior da embalagem interna podem ter sido ocasionadas pelo manuseio em indústria ou pelo próprio servidor que analisou o material vistoriado. 3. Alega que nos termos do Capítulo II, item 3.2 da RDC n° 350/2005, a interdição cautelar somente durará o prazo indispensável para a realização de testes, provas, análises ou outras providências, limitandose ao prazo assinalado para a sua execução. 4. Alega que nos termos do item 4 do Anexo XLI do referido RDC n° 350/2005, somente após o resultado da análise laboratorial adequada da substância a autoridade sanitária poderia requerer sua interdição ou apreensão definitiva. 5. Requer a conversão do julgamento em diligência. Peticiona pela indicação de perito e a realização de perícia, apontando quesitos. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/01/2008 VISTORIA ADUANEIRA. AVARIA. RESPONSABILIDADE. Nos termos da legislação aduaneira, a responsabilidade pelos tributos apurados em relação à mercadoria avariada será de quem lhe deu causa. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, basicamente, que a avaria teria ocorrido nas etapas anteriores da operação, tendo a INFRAERO do Aeroporto de Brasília omitido informações em registro no sistema Mantra. Aduz também preliminar de cerceamento de direito de defesa por ter o julgador de piso indeferidolhe o pedido de perícia. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. Preliminar A recorrente alega cerceamento de defesa, por entender que o acórdão recorrido teria, sumariamente, indeferidolhe pedido de perícia. Analiso tal preliminar juntamente com o mérito. Mérito A "responsabilidade [...] pela avaria de mercadoria" núcleo da discussão " será de quem lhe deu causa", sendo do transportador no caso de "avaria visível por fora do volume descarregado" nos termos dos art. 591 e 592, III, do Decreto 4.543/2002 (Regulamento aduaneiro RA/02, então vigente), e sua base legal: Art. 591. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em conseqüência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 586 (Decretolei no 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Art. 592. Para efeitos fiscais, é responsável o transportador quando houver (Decretolei no 37, de 1966, art. 41): [...] III avaria visível por fora do volume descarregado; Exigíveis também o IPI e as contribuições Pis e CofinsImportação, nos seguintes termos: Da Lei 10.833/2003: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10111.001132/200730 Acórdão n.º 3301004.771 S3C3T1 Fl. 102 5 Art. 80. O art. 2o da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar acrescido do § 3o, com a seguinte redação: "Art. 2o ........................................................................... § 3o Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação. [...] Da Lei 10.865/2004: Art. 3o O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou [...] § 1o Para efeito do inciso I do caput deste artigo, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. O acórdão recorrido sintetiza a sequencia dos fatos: Compulsando os autos percebese que o depositário lavrou, no momento do recebimento da mercadoria em 12/12/2007, o TERMO DE FALTAS E AVARIAS PARCIAL N° 0031307, FL. 08. Consta no referido documento que o tambor de papelão que acondicionava a mercadoria continha as seguintes avarias: amassado, furado e refitado. Anexas ao termo constam as fotografias de fl. 10 ilustrando o estado do tambor de papelão. Em 14/12/2007 a ANVISA lavrou o TERMO DE APREENSÃO, ITERDIÇÃO (sic) OU DESINTERDIÇÃO N° 3070200/002/2008, fl. 24. Tal termo constatou que a embalagem que continha a mercadoria importada estava em condições higiênico sanitárias insatisfatórias com danos na embalagem e extravasamento de matéria prima. Concluiu o termo que a mercadoria encontravase imprópria para a exposição ou ao consumo humano, sendo necessária sua inutilização conforme legislação sanitária. Dadas tais informações a consignatária da carga, a empresa E.M.S S/A solicitou a realização de vistoria aduaneira nos termos dos arts. 581 a 588 do RA de 2002. Em 16/01/2008 foi lavrado o TERMO DE VISTORIA ADUANEIRA N° 001/2008. Assim, acertou a fiscalização e o acórdão de piso ao atribuir a responsabilidade pela avaria ao transportador e, portanto, pelos tributos e multa lançados dado que o depositário a tomou a termo já na recepção da mercadoria: "avaria visível por fora do volume descarregado" [...] "tambor de papelão que acondicionava a mercadoria continha as seguintes avarias: amassado, furado e refitado". Fl. 104DF CARF MF 6 Observese que a LOGSERVE, além de depositária da mercadoria, "Porto Seco LOGOSERVE Brasília" também consta como transportador na Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA) constante da autuação (fl. 14), no transcurso do Aeroporto Internacional de Brasília ao Porto Seco: “ A recorrente, após expor os fatos e o trâmite do contencioso administrativo, alega que, que já havia avarias, antes de a mercadoria ser a ela entregue: E prossegue a recorrente, no capítulo que denomina "MÉRITO": Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10111.001132/200730 Acórdão n.º 3301004.771 S3C3T1 Fl. 103 7 Ora, o que trouxe a recorrente foi uma questão entre particulares a seguradora da EMS, a LOGSERVE e a INFRAERO absolutamente alheio ao Fisco federal e à responsabilidade pelos tributos devidos, os quais bem lançou a fiscalização, nos termos da legislação de regência, como, inclusive descreve a recorrente. Na descarga, o depositário já constatou, vale repetir: "avaria visível por fora do volume descarregado" [...] "tambor de papelão que acondicionava a mercadoria continha as seguintes avarias: amassado, furado e refitado". Assim, o transportador entregou as cargas com "avaria visível por fora do volume descarregado", sendo sua a responsabilidade por força do dito art. 592, em seu inciso II. Retorno à questão posta pela recorrente como preliminar, sobre o indeferimento pedido de perícia pelo julgador de primeira instância, "para apurar se a avaria teria ocorrido nas etapas anteriores da operação". Entendeu este que "a impugnante não cumpriu os requisitos do inciso IV do art. 16 do PAF (Decreto n° 70.235/72)", especificamente "o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito". Tratase de requisito previsto em lei, que, de fato, não foi cumprido pela então impugnante. Além disso, o que dela resultasse nada acrescentaria ao presente julgado, portanto não houve prejuízo à sua defesa, posto tratar se de questão entre particulares, que não afeta a relação jurídicotributária constituída pelo lançamento. Conclusão Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 106DF CARF MF 8 Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727419/2015-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
DECADÊNCIA.INOCORRÊNCIA.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado
SIMULAÇÃO. PESSOAS JURÍDICAS DIVERSAS. LUCRO PRESUMIDO. EMPRESA ÚNICA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A constituição de várias pessoas jurídicas, sem autonomia gerencial e financeira, para reduzir a carga tributária com a opção pelo lucro presumido, sendo na realidade uma única empresa com várias filiais e administração centralizada, caracteriza simulação, devendo ser aplicado multa de ofício qualificada.
RECEITA BRUTA CONHECIDA. ARBITRAMENTO.
Verificado que a fiscalizada não apresentou escrituração contábil e fiscal necessária à apuração dos tributos, é legítima a determinação da receita bruta a partir dos relatórios gerenciais e financeiros que revelaram o real faturamento de todo o grupo, incluindo as filiais, superiores ao limite permitido para o lucro presumido, sendo correto o seu arbitramento.
LANÇAMENTO. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EFETIVAMENTE RECOLHIDOS/CONFESSADOS. APROVEITAMENTO.
Os créditos tributários lançados devem ser reduzidos pelos montantes efetivamente recolhidos e/ou confessados pela fiscalizada e por suas filiais, relativos aos períodos do lançamento.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS -ADMINISTRADORES
São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sócios-administradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, como se dá na assinatura de contratos sociais pertinentes a pessoas jurídicas constituídas por simulação, e que, ademais, auferiram benefícios econômicos decorrentes dessas infrações.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS-ADMINISTRADORES. CISÃO. LIMITAÇÃO
A responsabilidade tributária do sócio administrador é limitada até o evento da cisão, quando então não mais participa da administração, uma vez que passou a ser titular de filiais que, após o evento, não contribuíram na omissão de receita apurada.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO.
A falta de comprovação da continuidade do esquema fraudulento nas empresas que compõem a parte cindida impede a responsabilidade tributária por sucessão.
Numero da decisão: 1302-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito em dar provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte CRC - Central de Recebimento de Cheques S/S Ltda, para reduzir os créditos tributários lançados com o aproveitamento dos tributos e contribuições efetivamente recolhidos e/ou confessados pela recorrente e pelas filiais nos períodos de apuração objetos do lançamento; em negar provimento ao recurso do responsável solidário Sr. Eloy Tuffi; em dar provimento parcial ao recurso da responsável solidária Sra. Marlene Rito Nicolau; e, ainda, em dar provimento ao recurso de MC Cursos E Recebimento De Cheques S/S Ltda e ENNT Comercio Servicos E Participações - Eireli, excluindo-as do pólo passivo, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. DECADÊNCIA.INOCORRÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado SIMULAÇÃO. PESSOAS JURÍDICAS DIVERSAS. LUCRO PRESUMIDO. EMPRESA ÚNICA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A constituição de várias pessoas jurídicas, sem autonomia gerencial e financeira, para reduzir a carga tributária com a opção pelo lucro presumido, sendo na realidade uma única empresa com várias filiais e administração centralizada, caracteriza simulação, devendo ser aplicado multa de ofício qualificada. RECEITA BRUTA CONHECIDA. ARBITRAMENTO. Verificado que a fiscalizada não apresentou escrituração contábil e fiscal necessária à apuração dos tributos, é legítima a determinação da receita bruta a partir dos relatórios gerenciais e financeiros que revelaram o real faturamento de todo o grupo, incluindo as filiais, superiores ao limite permitido para o lucro presumido, sendo correto o seu arbitramento. LANÇAMENTO. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EFETIVAMENTE RECOLHIDOS/CONFESSADOS. APROVEITAMENTO. Os créditos tributários lançados devem ser reduzidos pelos montantes efetivamente recolhidos e/ou confessados pela fiscalizada e por suas filiais, relativos aos períodos do lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS -ADMINISTRADORES São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sócios-administradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, como se dá na assinatura de contratos sociais pertinentes a pessoas jurídicas constituídas por simulação, e que, ademais, auferiram benefícios econômicos decorrentes dessas infrações. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS-ADMINISTRADORES. CISÃO. LIMITAÇÃO A responsabilidade tributária do sócio administrador é limitada até o evento da cisão, quando então não mais participa da administração, uma vez que passou a ser titular de filiais que, após o evento, não contribuíram na omissão de receita apurada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. A falta de comprovação da continuidade do esquema fraudulento nas empresas que compõem a parte cindida impede a responsabilidade tributária por sucessão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito em dar provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte CRC - Central de Recebimento de Cheques S/S Ltda, para reduzir os créditos tributários lançados com o aproveitamento dos tributos e contribuições efetivamente recolhidos e/ou confessados pela recorrente e pelas filiais nos períodos de apuração objetos do lançamento; em negar provimento ao recurso do responsável solidário Sr. Eloy Tuffi; em dar provimento parcial ao recurso da responsável solidária Sra. Marlene Rito Nicolau; e, ainda, em dar provimento ao recurso de MC Cursos E Recebimento De Cheques S/S Ltda e ENNT Comercio Servicos E Participações - Eireli, excluindo-as do pólo passivo, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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SIMULAÇÃO. ARBITRAMENTO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Recorrente CRC CENTRAL DE RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. DECADÊNCIA.INOCORRÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado SIMULAÇÃO. PESSOAS JURÍDICAS DIVERSAS. LUCRO PRESUMIDO. EMPRESA ÚNICA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A constituição de várias pessoas jurídicas, sem autonomia gerencial e financeira, para reduzir a carga tributária com a opção pelo lucro presumido, sendo na realidade uma única empresa com várias filiais e administração centralizada, caracteriza simulação, devendo ser aplicado multa de ofício qualificada. RECEITA BRUTA CONHECIDA. ARBITRAMENTO. Verificado que a fiscalizada não apresentou escrituração contábil e fiscal necessária à apuração dos tributos, é legítima a determinação da receita bruta a partir dos relatórios gerenciais e financeiros que revelaram o real faturamento de todo o grupo, incluindo as filiais, superiores ao limite permitido para o lucro presumido, sendo correto o seu arbitramento. LANÇAMENTO. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EFETIVAMENTE RECOLHIDOS/CONFESSADOS. APROVEITAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 74 19 /2 01 5- 88 Fl. 35412DF CARF MF 2 Os créditos tributários lançados devem ser reduzidos pelos montantes efetivamente recolhidos e/ou confessados pela fiscalizada e por suas filiais, relativos aos períodos do lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS ADMINISTRADORES São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sóciosadministradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, como se dá na assinatura de contratos sociais pertinentes a pessoas jurídicas constituídas por simulação, e que, ademais, auferiram benefícios econômicos decorrentes dessas infrações. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS ADMINISTRADORES. CISÃO. LIMITAÇÃO A responsabilidade tributária do sócio administrador é limitada até o evento da cisão, quando então não mais participa da administração, uma vez que passou a ser titular de filiais que, após o evento, não contribuíram na omissão de receita apurada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. A falta de comprovação da continuidade do esquema fraudulento nas empresas que compõem a parte cindida impede a responsabilidade tributária por sucessão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito em dar provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte CRC Central de Recebimento de Cheques S/S Ltda, para reduzir os créditos tributários lançados com o aproveitamento dos tributos e contribuições efetivamente recolhidos e/ou confessados pela recorrente e pelas filiais nos períodos de apuração objetos do lançamento; em negar provimento ao recurso do responsável solidário Sr. Eloy Tuffi; em dar provimento parcial ao recurso da responsável solidária Sra. Marlene Rito Nicolau; e, ainda, em dar provimento ao recurso de MC Cursos E Recebimento De Cheques S/S Ltda e ENNT Comercio Servicos E Participações Eireli, excluindoas do pólo passivo, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Fl. 35413DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.413 3 Relatório Trata o processo de exigência fiscal formulada contra a recorrente acima identificada, por meio dos autos de infração para cobrança do imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, de fls. 3567/3581, no valor de R$ 1.943.329,99, da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, de fls. 3583/3598, no valor de R$ 885.298,45, da contribuição para o financiamento da seguridade social – Cofins, de fls. 3600/3608, no valor de R$ 2.459.162,48, e da contribuição para o Pis/Pasep, de fls. 3610/3618, no valor de R$ 532.818,49, todos acrescidos de multa de ofício qualificada de 150% e de juros de mora. A seguir, reproduzo o relatório do acórdão da DRJ recorrido por bem retratar o lançamento: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurada omissão de receitas para todos os meses dos anos de 2010, 2011 e 2012. Ademais, por infringir o disposto nos incisos I, II, "a" e "b", IV e VII do art. 47 da Lei n° 8.981/1995, o lucro foi arbitrado para todos os trimestres dos referidos anos. Em consequência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 3392933982), CSLL (fls. 3398434024), PIS (fls. 3402634048) e COFINS (fls. 3405034072). Conforme descrito no "Relatório de Ação Fiscal n° 00138/14/020" de fls. 3359033701, a ação fiscal foi desenvolvida no bojo da denominada operação "AVATARIA", realizada conjuntamente entre a Receita Federal do Brasil, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, amparados por medidas judiciais obtidas junto à Justiça Federal, que autorizou a realização de diversos mandados de busca e apreensão. Relata a autoridade autuante que a Escola MICROCAMP/ABC, no desempenho de suas atividades e com a finalidade de minimizar seus riscos tributários, abriu dezenas de empresas que simulavam independência administrativa e contábil, quando de fato eram controladas por uma matriz situada na cidade de Campinas/SP. A CRC inserese no contexto da prática das infrações apuradas. Tratase de sociedade por cotas, que teve por sócios o Sr. Eloy Tuffi e a Sra. Marlene Rito Nicolau Tuffi, na proporção de 50% das cotas para cada um. Seu objeto social registrado são "atividades de cobranças e informações cadastrais". Nos anos de 2010, 2011 e 2012, quando optou pelo lucro presumido, constatou a autoridade autuante assombrosa discrepância entre as receitas brutas declaradas em DIPJ e a movimentação financeira, alcançando essas diferenças valores próximos a R$ 30.000.000,00 para cada um desses anos. A Polícia Federal, em 26/02/2004, em cumprimento a mandado de busca e apreensão realizado no endereço cadastral da CRC (Rua Conceição, 233 sala 2810 Centro Campinas/SP), foram Fl. 35414DF CARF MF 4 apreendidos diversos documentos de interesse para a ação fiscal e, nesta mesma data, foi dado início à ação fiscal. No curso da ação fiscal foram realizadas diversas intimações ao contribuinte solicitando documentos e esclarecimentos. Afirmou o contribuinte que a maior parte dos valores que transitaram por suas contas bancárias não são de sua propriedade, afirmando tratarse de cheques de terceiros devolvidos e reapresentados, dinheiro do próprio sócio e pagamento/devolução de empréstimos feitos pelos sócios às diversas empresas de sua propriedade. Sustenta o contribuinte que atua no campo da educação complementar e, tendo em vista as dificuldades inerentes a esse mercado, foi necessária a constituição de uma empresa para a gestão dos recursos das escolas, de modo que esses são os recursos que transitam por suas contas. Ao desempenhar a atividade de assistência financeira às escolas, CRC cobra e recebe cheques e outros títulos de crédito, correspondendo suas receitas apenas aos honorários recebidos dos créditos recuperados, que variam de 0% a 2%, receitas essas devidamente contabilizadas e para as quais foram emitidas notas fiscais. Os créditos recebidos, por sua vez, correspondem a receitas das escoladas de propriedade do sócio da CRC, Sr. Eloy Tuffi. Ademais, a CRC antecipa às escolas os valores dos cheques a serem recuperados, bem como os valores dos cheques prédatados, cobrando para tanto pequena taxa de serviço que varia de 0% a 2%. Igualmente, funciona a CRC como uma espécie de holding para o pagamento das despesas das empresas de propriedade do Sr. Eloy Tuffi. Finalmente, parte dos valores que transitam nas contas bancárias da CRC correspondem a lucros distribuídos ao Sr. Eloy Tuffi por algumas das sociedades de propriedade dele, valores esses que, em sua maioria, são destinados ao pagamento de despesas de outras empresas, também da propriedade dele, que se encontram em dificuldade financeira. Essa, em síntese, a versão apresentada pela CRC no curso da ação fiscal. O contribuinte foi intimado, dentre outros elementos, a comprovar os valores dos depósitos que ingressaram em suas diversas contas bancárias. Em 14/05/2005, apresentou resposta nos seguintes termos: Em atenção a intimação 00138/14/013, vem à presença de V. Sa, prestar os seguintes esclarecimentos: Segue anexo, planilha detalhada relativamente das contas correntes mencionadas na intimação, no qual a fiscalizada aponta individualmente a origem de cada crédito/depósito bancário. Esclarece, outrossim, que somente a conta corrente 3.894 6, cuja planilha e documentos V. Sa essa fiscalização já teve acesso, ou seja, já foram entregues em tempo oportuno, as demais contas correntes são utilizadas exclusivamente pelo sócio e diretor da fiscalizada, Sr. Eloy Tuffi, para suas atividades pessoais com as demais empresas de sua propriedade, aqui denominadas para melhor entendimento de unidades, não havendo que se falar em confusão patrimonial. Fl. 35415DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.414 5 Para melhor compreensão, esclarecese que abaixo a finalidade de cada conta corrente utilizada pelo Sr. Eloy: Conta Corrente 47309 a referida conta era utilizada pelo Sr. Eloy para o recebimento de todos os valores advindos a título de distribuição de lucros e recebimento do valor das franquias das empresas de propriedade do Sr. Eloy. Após o recebimento, alguns valores eram utilizados diretamente para pagamento de fornecedores, pagamento de alugueis em atraso de alguma unidade franqueada, reclamações trabalhistas e demais despesas correntes quando uma unidade encontravase em dificuldade financeira; Conta corrente 54135 a referida conta corrente era utilizada exclusivamente para transferência de valores referentes a recebimentos dos valores das franquias da empresa Microcamp Escola de Educação Profissional e Comércio de Livros Ltda, CNPJ 07.139.282/000151, também de propriedade do Sr. Eloy, urna vez que sua própria conta corrente encontravase bloqueada. Conta corrente 54151 a referida conta corrente era utilizada para guardar/entesourar valores remetidos pelas unidades, já devidamente tributados nas unidades, com a finalidade de formar uma reserva para pagamento das despesas com veículos, tais como manutenção e conserto dos veículos, pagamento de aluguel de veículos, compra de outros veículos, enfim, todos os eventos relacionados com os veículos de propriedade das unidades. Registrese que os valores recebidos não são de propriedade da fiscalizada, bem como não são de propriedade do Sr. Eloy, apenas formavase um fundo para despesas específicas, logo, não há que se falar em receita. Conta corrente 54178 a referida conta corrente era utilizada pelo Sr. Eloy para guardar/entesourar valores remetidos pelas unidades para as despesas com marketing, tais como pagamento de propaganda, premiações, convenções etc. Registrese que os valores recebidos não são de propriedade da fiscalizada, bem como não são de propriedade do Sr. Eloy, apenas formavase um fundo para despesas específicas. Conta corrente 73393 era utilizada pelas unidades, sempre com a administração exclusiva do Sr. Eloy, para o fim de guardar os valores remetidos pelas unidades para garantir que os alunos que eventualmente passem por dificuldade momentânea concluam o curso. Em outras palavras, as empresas do grupo depositavam um valor na mencionada conta corrente administrada pelo sócio Eloy para que os mesmos permanecessem guardados e ao final utilizado, caso necessário, para garantir o cumprimento do contrato entre o aluno e a unidade. Tal fato dependia Fl. 35416DF CARF MF 6 exclusivamente de cada contrato firmado, eis que o referido benefício não era destinado para todos os cursos; Registrese que o referido procedimento era realizado dessa forma como forma de garantir as unidades maior segurança e transparência, eis que os recursos já haviam sido tributados e estavam alocados nas contas corrente para destinação específica. Quanto a recompor a escrituração, após a análise das planilhas anexa de cada conta corrente, a fiscalizada aguarda manifestação específica dessa fiscalização quanto aos itens que geram dúvidas ou tidos como deficientes, bem como os itens que precisam ser esclarecidos, concedendo prazo razoável para as adequações e esclarecimentos necessários. Como dito linhas acima, não há confusão patrimonial, apenas as contas eram utilizadas para guardar valores das unidades para pagamentos de despesas específicas, portanto, todos os créditos/depósitos tem origem, não se tratando de despesas. Por meio do "Termo de Intimação n° 00138/14/014" (fls. 6166 6172), afirmou a autoridade autuante que informações constantes de farta documentação apreendida na sede da CRC e de emails encontrados em seus computadores revelaram que as filiais da MICROCAMP direcionaram a sua central financeira remessas de elevados montantes de recursos na forma de cheques e de dinheiro em espécie. Diante disso, e considerando os demonstrativos com os valores das remessas, nos anos de 2010, 2011 e 2012, discriminados por filial da MICROCAMP, a CRC foi instada a apresentar justificativa para essas remessas. Na resposta apresentada, o contribuinte listou um grupo de filiais, afirmando que a administração dessas unidades ficou, após a separação judicial dos sócios da CRC, sob a administração da Sra. Marlene Rito Nicolau Turffi, de modo que os documentos e esclarecimentos pertinentes a essas unidades deveriam ser solicitados diretamente a elas. Relativamente às demais unidades, afirmou a CRC que os títulos a ela entregues correspondem a cheques prédatados, cujos valores foram antecipados às unidades. Os valores depositados em espécie, por sua vez, correspondem a transferência de caixa entre as empresas de titularidade do Sr. Eloy Tuffi. Afirma a CRC, ainda, que os valores indicados pela autoridade no "Termo de Intimação" a título de "remessas" não correspondem à realidade, sendo esses valores muito superiores às efetivas remessas. Em seguida, por meio do "Termo de Intimação n° 00138/14/015", a CRC foi intimada a: 1 Elaborar planilha por filial da escola MICROCAMP/ABC que concatene e identifique por remetente todos os conjuntos de cheques prédatados recebidos como REMESSAS (arroladas através do Termo de Intimação N° 00138/14/015) em Fl. 35417DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.415 7 contraposição a todas as saídas de numerários existentes em seus extratos bancários em mesmos montantes e datas das remessas com destino às mesmas filiais que forneceram estes cheques prédatados; 2 Apresentar documentação hábil e idônea que comprove que as remessas recebidas das filiais da escola MICROCAMP/ABC foram relativas a troca de cheques prédatados por numerário destinados às mesmas filiais que enviaram estas remessas. Em 06/08/2015, a CRC apresentou resposta, nos seguintes termos: Em atenção à intimação 00138/14/015, vem à presença de V. Sa, prestar os seguintes esclarecimentos: Segue anexo planilha, em formato PDF, demonstrativa da origem dos valores creditados em conta corrente das fiscalizada, ou seja, tratase de documento no qual se especifica e se individualiza o conteúdo dos extratos bancários. Através da planilha esta fiscalização verificará que os mencionados cheques prédatados estão inseridos no campo "Saldo Caixa", sendo que os borderôs dos anos 2010 e 2011, ainda não foram localizados. Por conta disso, pedimos vênia para anexar apenas os borderôs do ano de 2012, sendo que dos anos anterior, serão anexados oportunamente. Esta fiscalização também verificará da planilha anexa todas as saídas, ou seja, pelo documento ora apresentado, comprovase o registro na contabilidade da fiscalizada de todos os títulos, ou seja, dos referidos cheques prédatados e a saída dos valores. Pede vênia para anexar também comprovantes de pagamentos de despesas das empresas relacionadas na intimação anterior, onde demonstra que em sua grande maioria o retorno dos recursos, ou seja, a antecipação de valores se dava através de pagamento pela fiscalizada de despesas das empresas mencionadas. No que tange a exigência de apresentação de planilha que concatene e identifique por remetente todos os conjuntos de cheques prédatados recebidos como remessas em contraposição a todas as saídas de numerário, REQUER a dilação de um prazo de 90 (noventa] dias. O pedido de dilação de prazo cingese por dois motivos essenciais. O primeiro decorre do fato que o contador da fiscalizada, que ora subscreve, entrou em férias no dia 01/07/2015, tendo como retorno apenas em 31/07/2015, quando então tomou conhecimento da intimação. Logo, não há tempo hábil e razoável para atendimento, não Fl. 35418DF CARF MF 8 sendo crível a empresa ser prejudicada, eis que não haverá nenhum prejuízo à fiscalização. Em segundo, a planilha solicitada na presente intimação é complexa e requer de tempo maior para seu atendimento. Esclarece que os comprovantes de pagamento anexados comprovam, em parte, as saídas referente a antecipação dos títulos, cujo sócio é de mesma titularidade da fiscalizada, demonstrando, portanto, tratarse de troca de cheque prédatado e não de receita. Documentos anexados: Planilha Extratos comentados. Conta no Bradesco da custodia de cheques 2012 (todos os borderôs) Comprovantes de pagamentos Bradesco 2012 (parte) Documento férias Ibsen. Por fim, caso entenda que as informações ora prestadas não foram suficientes, pedimos vênia para que a fiscalização aponte individualizadamente os créditos a serem comprovados, eis que são muitos os documentos, concedendo prazo razoável. Ressaltese que, a despeito do pedido de prorrogação de prazo feito pela CRC, até a lavratura do auto de infração em 10/12/2015, vale dizer, mais de quatro meses após a resposta á intimação, o contribuinte ainda não havia apresentado documentos necessários à comprovação da correlação entre os recursos recebidos das unidades da MICROCAMP e os recursos a elas retornados. Afirma a autoridade autuante que os documentos colhidos nas buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal, sobretudo aquela realizada na sede da CRC, revelam ser esta empresa a matriz de uma única grande empresa existente de fato, de titularidade de Eloy Tuffi e de Marlene Rito Nicolau Tuffi, constituída em unidades escolares de informática da marca MICROCAMP e de inglês da bandeira ABC. Por essa razão, a autoridade autuante intitula essa empresa, composta por matriz e filiais, considerada em seu conjunto, de Escola MICROCAMP/ABC. Relata a autoridade autuante que a matriz e as filiais foram constituídas, cada qual, com CNPJs próprios, mas não possuem independência financeira e de gestão. No contexto da Escola MICROCAMP/ABC, a CRC atua como cérebro administrativo e de gestão financeira de recursos de uma empresa complexa, composta de mais de 60 CNPJs distintos. Para gerenciar as filiais, a Escola MICROCAMP/ABC valiase de holding informais, sendo a MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS E INFORMÁTICA LTDA (doravante apenas MC CAMP) a mais freqüente. Nos documentos internos, esta empresa é identificada como holding, a despeito de não ter Fl. 35419DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.416 9 participação societária nas demais empresas, apenas representando os interesses dos sócios Eloy Tuffi e Marlene Rito Nicolau Tuffi. A MC CAMP tinha suas atividades compostas por funcionários administrativos que davam suporte técnico e administrativo às atividades da escola. Esses funcionários, conforme demonstram os documentos internos, recebiam continuamente seus salários PD ("por dentro") e PF ("por fora"). Os custos da MC CAMP eram suportados pelas remessas de recursos financeiros feitas pelas filiais, já que a liquidez financeira destas era continuamente direcionada à CRC e à MC CAMP. As filiais da Escola MICROCAMP/ABC foram constituídas por meio de contratos sociais quase idênticos, nos quais figuravam como sócios administradores o Sr. Eloy Tuffi e a Sra. Marlene Rito Nicolau Tuffi. Para algumas unidades, também foi registrado como administrador o filho do casal, Sr. Davi Tuffi. As filiais eram gerenciadas por prepostos nomeados como gerentes e diretores de unidade, subordinados hierarquicamente à matriz. Há, nesse sentido, documentos internos que revelam determinações da matriz acerca dos salários a serem pagos aos empregados das filiais (professor, coordenador e pedagoga). Apreendeuse, inclusive, documento subscrito pelo Sr. Eloy Tuffi, no qual há indicação, para diversas unidades, da quantidade de colaboradores a serem demitidos. Também foram encontrados nos computadores do contador da matriz todas as DIPJs das filiais e os respectivos recibos de entrega. Nos computadores do vicepresidente da Escola MICROCAMP/ABC, Sr. Edson Ferreita Lisboa, foram localizadas mensagens contendo planilhas mensais de todos os processos trabalhistas sofridos por todas as filiais da escola, além de demonstrativos detalhados do faturamento de cada unidade e das receitas projetadas. O confronto entre as DIPJs apresentadas pelas filiais e o faturamento delas constante de documentação apreendida na matriz evidencia que elas declaravam receitas em valor aproximado a 20% das mensalidades recebidas. As filiais, ademais, abriam contas correntes bancárias, nas quais depositavam também aproximadamente 20% dos valores das mensalidades recebidas. A liquidez financeira das filiais eram transferida para a matriz mediante remessas em dinheiro e em cheques ainda por compensar, ficando estes ocultos do fisco federal por aparentar operação de factoring. Essas remessas eram detalhadas em documentos denominados MICROCAMP CONCILIAÇÃO 706 707 709". O profissionalismo na sonegação atingiu tal sofisticação, que os diretores das filiais recebiam premiação, correspondente a de 10% do valor das remessas, como incentivo para que a liquidez financeira das unidades por eles geridas fosse remetida à matriz, conforme demonstram documentos apreendidos na CRC. Relata a autoridade autuante que, a partir de setembro de 2011, a Escola MICROCAMP/ABC foi cindida, em razão do divórcio entre o Sr. Eloy Tuffi e a Sra. Marlene Nicolau Tuffi, criandose nova matriz, localizada em São Paulo/SP, controlada por esta Fl. 35420DF CARF MF 10 última. Passou, então, a Sra. Marlene a controlar isoladamente 29 unidades da Escola MICROCAMP/ABC, localizadas fundamentalmente na Grande São Paulo e no litoral paulista, utilizando os mesmos esquemas de sonegação até então empregados. Para tanto, foram criadas as empresas MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA e ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI. As demais unidades permaneceram sob o controle do Sr. Eloy Tuffi. A formalização dessa cisão passou a ocorrer apenas no ano de 2014, mediante alterações contratuais por meio das quais essas filiais passaram a pertencer direta ou indiretamente ao Sr. Eloy Tuffi, de forma exclusiva. Assim, durante os anos calendário de 2010, 2011 e 2012, embora tenha sido criada nova matriz informal em setembro de 2011, formalmente todas as filiais continuaram a pertencer indistintamente e em conjunto ao Sr. Eloy Tuffi e à Sra. Marlene Nicolau Tuffi. Os documentos apreendidos na sede da CRC demonstram os recursos financeiros remetidos por cada filial à matriz nos anos de 2010, 2011 e 2012. Após a análise da documentação constante dos autos, concluiu a autoridade autuante que a Escola MICROCAMP/ABC adotava o seguinte modus operandi: (a) A filial deveria manter contas próprias nas quais poderiam efetuar depósitos em cheques e dinheiro de um montante entre 20% e 30% do faturamento real daquela filial; (b) Valor aproximado entre 75% e 80% do faturamento real deveria ser utilizado para efetuarse o pagamento dos custos relacionados à manutenção da unidade; (c) Conforme diretriz da matriz, os valores depositados em contas correntes pelas filiais seriam utilizados para efetuar se os pagamentos e custos regularmente contabilizados; (d) A diferença entre o custo total das unidades e o valor depositado em bancos, ou seja, o custo restante a pagar pela filial, montante entre 45 e 55% de seu faturamento, seria liquidado sem registro contábil e sem que fosse informado à Receita Federal do Brasil. No caso de funcionários, seguiriam a terminologia adotada pela matriz PD (salário por dentro) e PF (salário por fora). (...) e) Quanto aos demais montantes componentes do faturamento real da unidade, um montante que girava por volta de 25% do montante total arrecadado com as matrículas seria a sobra de recursos que deveria ser carreada à matriz da escola. Ressaltese que esse valor não se enquadra necessariamente como lucros, mas poderia ser derivado de outros fatos geradores de liquidez, tais como depreciação, amortizações, pagamento antecipados, etc. Fl. 35421DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.417 11 (f) Os 20% a 25% de liquidez (em média) existentes na filial deveriam ser encaminhados a matriz durante todo o mês, à medida que fosse possível a sua obtenção e na forma de cheques prédatados e em dinheiro vivo de maneira a não deixar rastros sobre sua origem em sonegação fiscal do numerário. (g) No caso dos cheques prédatados, o fato de transitarem das filiais para uma empresa de "factoring" daria à Escola MICROCAMP/ABC a aparência de normalidade à transação, tal como um legítimo desconto de títulos a receber. Porém, conforme foi apurado, esses recursos nunca retornavam a mesma filial que havia enviado os recursos. A partir do contexto fático revelado pelas provas constantes dos autos, conclui a autoridade autuante que a Escola MICROCAMP/ABC é um todo, integrado pela CRC, centro nevrálgico que controla os recursos financeiros da empresa, pela a MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS E INFORMÁTICA LTDA, que concentrava funcionários administrativos que davam suporte técnico e administrativo às atividades da escola, e pelas mais de 60 filiais, correspondentes às unidades escolares. A constituição de cada uma dessas unidades por contratos sociais distintos configura simulação, eis que não têm elas autonomia na gestão financeira ou administrativa e esse procedimento foi adotado para a prática de infrações à legislação tributária, sobretudo a omissão de receitas, dificultando o conhecimento, por parte da autoridade administrativa, da situação fática subjacente à aparência formal artificialmente criada. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou escrituração contábil e fiscal necessária à apuração dos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, seu lucro foi arbitrado, com fundamento no disposto no art. 47,1, II, "a", "b", IV e VII, da Lei n° 8.981/1995. O arbitramento se deu com base na receita bruta conhecida, assim apurada a partir dos controles internos e gerenciais, comprovados e fundamentados em documentação hábil e idônea apreendida na sede da CRC. Para a apuração do lucro arbitrado, foi aplicado o percentual de 38,4%, tendo em conta o disposto nos arts. 15, § Io, III, "a", 16 e 24 da Lei n° 9.249/1995, já que as atividades da Escola MICROCAMP/ABC são diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida. Esclarece a autoridade autuante que, na execução dos Mandados de Busca e Apreensão n° 15/2014 e 16/2014, foram apreendidas, na sala do vicepresidente da Escola MICROCAMP/ABC, Dr. Edson Ferreira Lisboa, pastas gerenciais referentes aos dados de todas as filiais, as quais demonstram controle mensal do faturamento de cada unidade e também as despesas e remessas de recursos à matriz. Tais pastas gerenciais tiveram o respectivo conteúdo corroborado, em procedimentos de auditoria fiscal, mediante confronto com a Fl. 35422DF CARF MF 12 documentação remetida pelas filiais para a matriz, apreendida na matriz, composta de Relatórios de Fechamento Mensais, Relatórios de Conciliação de Contas das Filiais, Relatório de Endividamento de Filiais, Extratos Bancários de Conta Corrente das filiais e Extratos de Movimento de Caixa. O real faturamento da Escola MICROCAMP/ABC também foi confirmado por uma série de emails coletados nos computadores do Sr. Edson Ferreira Lisboa, mediante os quais setores da matriz encaminhavam periodicamente os dados verdadeiros de faturamento de todas as filiais. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada, tendo em vista a criação simulada de diversas pessoas jurídicas sob o manto das quais atuavam as filiais da Escola MICROCAMP/ABC, de modo que o faturamento desta, que lhe obriga à apuração do IRPJ pelo lucro real, foi dividido em diversas parcelas, que permitiram a opção pelo lucro presumido. Esse procedimento teve por fim, ainda, isolar os riscos tributários das receitas omitidas em todas as filiais. Tais filiais não gozavam de autonomia administrativa e financeira e remetiam os recursos financeiros excedentes à CRC, uma empresa de "factoring de fachada" que atuava como matriz da Escola MICROCAMP/ABC. Os recursos financeiros carreados à CRC foram utilizados por seus controladores para o financiamento dos gastos administrativos da empresa, para sua expansão, reformas e aquisição de novos equipamentos, bem como para a consecução de gastos pessoais. A despeito de intimado a tanto, o contribuinte não logrou comprovar que os recursos financeiras carreados pelas filiais à CRC retornaram em idênticos montantes às filiais. Esses fatos se subsumem às hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, razão pela qual há fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para a qualificação da multa, com base no art. 44, § Io, da Lei n° 9.430/1996. Foi imputada à MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA responsabilidade solidária, com base no art. 124,1, do CTN pelos créditos tributários lançados. Esta pessoa jurídica, juntamente com a CRC, formava a matriz da Escola MICROCAMP/ABC, atuando a primeiro preponderantemente na gerência administrativa e a segunda na gerência financeira. Por essa razão, reputou a autoridade autuante que as duas têm a mesma motivação em que o faturamento das filiais se realize, bem como no lucro decorrente das atividades de todas as unidades. Ademais, ambas são assessoradas pelos mesmos gerentes, pelo mesmo contador e pelo mesmo advogado, além de contarem com os mesmos funcionários na consecução de suas atividades. A CRC e a MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA pertencem ao Sr. Eloy Tuffi, desempenham a mesma atividade social, no mesmo espaço físico, desfrutam do mesmo fundo de comércio, utilizam o mesmo patrimônio na consecução de suas atividades e contam com as mesmas pessoas responsáveis por sua administração. Por todas essas razões, há interesse comum de ambas nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias que deram causa ao lançamento tributário de que trata o presente processo administrativo. Fl. 35423DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.418 13 Também foi imputada, com base nos arts. 207, III, parágrafo único, II, e 209 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR), responsabilidade pelos créditos tributários lançados a MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA e a ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI. Assevera a autoridade autuante que a Escola MICROCAMP/ABC sofreu uma cisão de fato em seus negócios, tendo estas empresas sido criadas a fim de atuar como nova matriz informal situada na cidade de São Paulo. Esta cisão informal foi confirmada por "Termo de Audiência em Conciliação de Divórcio Litigioso", celebrado em 23/06/2013, entre o Sr. Eloy Tuffi e a Sra. Marlene Rito Nicolau Tuffi. A despeito deste documento datar de 23/06/2013, outros documentos complementares apreendidos pela Polícia Federal demonstram que a divisão da Escola MICROCAMP/ABC ocorreu efetivamente a partir de 01/09/2011, quando 29 filiais da escola foram transferidos de forma informal à nova matriz. Finalmente, com base no art. 135, III, do CTN, foi imputada responsabilidade pelos créditos tributários lançados contra a CRC aos seus sóciosgerentes, Sr. Eloy Tuffi e Sra. Marlene Rito Nicolau Tuffi. Ressalta a autoridade autuante que são eles os principais interessados nos resultados da Escola MICROCAMP/ABC para os anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, tendo em vista suas funções de comando direto e preponderância de decisões sobre todos os gerentes e diretores de filiais e funcionários em geral. Ambos figuraram como sócios de fato das seguintes empresas, inicialmente registradas em nome de terceiros, para as quais foram carreados e ocultos recursos consideráveis provenientes da Escola MICROCAMP/ABC: PRAVE BAR E RESTAURANTE LTDA; ESTACIONAMENTO PRAVE S/S LTDA. O casal também foi proprietário da FAZENDA MC, propriedade rural situada em Espírito Santo do Pinhal, onde era criado gado, plantado café de marca própria e mantido um "Spa & Resort". Para as pessoas jurídicas artificialmente criadas na constituição das filiais da Escola MICROCAMP/ABC o casal carreou sua frota de veículos, inclusive seus veículos de maior luxo, cujos custos de seguros eram todos gerenciados e pagos pela matriz da Escola. Além de possuir a propriedade direta e poderes de gerência nos contratos sociais das pessoas jurídicas artificialmente criadas na constituição das filiais da Escola MICROCAMP/ABC, o Sr. Eloy Tuffi e a Sra. Marlene Rito Nicolau Tuffi utilizavam, em proveito próprio, contas bancárias abertas em nome de pessoas jurídicas que compunham a Escola, como é o caso da conta n° 19.2088, Agência 1914, registrada em nome da ACME DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA. Tais fatos configuram prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, autorizando a imputação a eles de responsabilidade tributária, conforme comando contido no art. 135, III, do CTN. A base de cálculo dos tributos foram nos seguintes montantes: Fl. 35424DF CARF MF 14 Assim sendo, foram apurados para cada anocalendário autuado os seguintes valores a título de omissão de receitas: · Anocalendário de 2010: R$ 115.183.208,13 · Anocalendário de 2011: R$ 108.281.101,25 · Anocalendário de 2012: R$ 87.263.533,10 Em sede de julgamento de 1ª instância, por meio do Acórdão nº 1464.001, de 26 de janeiro de 2017, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO julgou improcedente a impugnação, consubstanciada na ementa reproduzida a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/09/2012,31/12/2012 CONSTITUIÇÃO SIMULADA DE PESSOAS JURÍDICAS PARA OCULTAR FILIAIS ADMINISTRAÇÃO CENTRALIZADA EMPRESA ÚNICA LUCRO ARBITRADO RECEITA BRUTA CONHECIDA DEMONSTRATIVOS GERENCIAIS APREENDIDOS INDÍCIOS CONCORDANTES E CONVERGENTES MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS ADMINISTRADORES RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DECORRENTE DE CISÃO Uma vez demonstrado que houve constituição simulada de pessoas jurídicas para ocultar a existência de filiais, administradas de forma centralizada pela matriz, correta é a tributação conjunta das diversas unidades. Arbitramento do lucro realizado por ter se revelado a escrituração mantida pelo contribuinte imprestável para a apuração dos tributos, quer sob a sistemática do lucro presumido, quer sob a do lucro real; por não se prestar a escrituração a identificar a efetiva movimentação financeira do contribuinte, com observância do princípio da entidade; por superação do limite permitido para a opção pelo lucro presumido. Legítima a apuração da receita Fl. 35425DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.419 15 bruta a partir de detalhados demonstrativos gerenciais apreendidos na sede do contribuinte, confirmados por farta prova documental que consubstancia indícios concordantes e convergentes. É cabível a aplicação de multa qualificada (150%), quando demonstrado que as infrações foram praticadas com sonegação, fraude e conluio. São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sóciosadministradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, como se dá na assinatura de contratos sociais pertinentes a pessoas jurídicas constituídas por simulação, e que, ademais, auferiram benefícios econômicos decorrentes dessas infrações. Respondem pelos créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica cindida as pessoas jurídicas que incorporaram parcela do patrimônio daquela. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/09/2012,31/12/2012 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011, 31/01/2012, 28/02/2012, 31/03/2012, 30/04/2012, 31/05/2012, 30/06/2012, 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 30/11/2012,31/12/2012 DECADÊNCIA AUTO REFLEXO Uma vez demonstrada a prática de infrações com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial segue a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 35426DF CARF MF 16 Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011, 31/01/2012, 28/02/2012, 31/03/2012, 30/04/2012, 31/05/2012, 30/06/2012, 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 30/11/2012,31/12/2012 DECADÊNCIA AUTO REFLEXO Uma vez demonstrada a prática de infrações com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial segue a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. A ciência da decisão de primeira instância ocorreram nas seguintes datas: Sujeito Passivo Data da Ciência CRC CENTRAL DE RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA AR 14/02/2017 MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA AR 12/05/2017 MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA AR 12/05/2017 ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI AR 12/05/2017 Sr. Eloy Tuffi AR 12/05/2017 Marlene Rito Nicolau Tuffi. Edital 08/06/2017 A recorrente apresentou recurso voluntário em 08/03/2017, com as seguintes alegações: apresentou impugnação na qual argumentou: (a) Nulidade por cerceamento ao direito de defesa; (b) Nulidade por obtenção ilegal de documentos; (c) Nulidade por cerceamento ao direito de defesa pois a fiscalização não analisou as provas trazidas durante a fiscalização, e ainda gerou dúvidas quanto ao valor omitido; (d) Nulidade em razão da impossibilidade de arbitramento do lucro; (e) Nulidade por cerceamento ao direito de defesa em face da ausência de individualização dos documentos obtidos pela Polícia Federal; ainda na impugnação, quanto ao mérito, alegou: (f) Da autonomia e independência das empresas citadas no lançamento tributário; (g) Inexistência de sonegação, pois o lançamento foi feito apenas a partir de valores constantes em relatórios sem assinaturas e sem carimbo; (h) Erro na determinação da base de cálculo, por ausência de separação das receitas de Prestação de Serviços e das Receitas da venda; (i) Erro na eleição da base de cálculo, utilizando um relatório gerencial para apurar os créditos tributários; (j) Da ilegalidade do regime de apuração em decorrência da opção pelo Lucro Presumido e a impossibilidade do arbitramento; (k) Não cabimento da qualificação da multa; (l) Inexistência de Solidariedade dos Sócios por ausência de provas; (m) Inexistência de responsabilidade de terceiros, por ausência de provas. entretanto, a decisão recorrida julgou improcedente a impugnação, devendo ser reformada pelo provimento ao recurso ora apresentado, pelos seguintes motivos: Fl. 35427DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.420 17 a) a despeito de o auto de infração padecer de nulidade, estas serão abordadas após o mérito, haja vista a possibilidade de decisão favorável à recorrente, nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. b) quando da apreciação da questão "Autonomia e Independência das empresas citadas no lançamento", a decisão incorreu em erro na análise do material coligido aos autos, chegando a omitir e distorcer informações, justificando a improcedência da impugnação por ofender o princípio contábil da Entidade, discorrendo no voto condutor várias circunstâncias. b.1) a decisão combatida ofende aos artigos 371 e 375 do novo CPC, no que concerne a natureza jurídica da atividade desenvolvida pela recorrente, a situação fática dos autos, e alguns pontos fundamentais constantes da impugnação que sequer foram mencionados. b.2) cita doutrina que afirma que não é ilegal a opção pelo Lucro Presumido quando: (i) a empresa existe, efetivamente, (ii) os sócios forem os mesmos em várias empresas, (iii) empresas localizadas em endereços diversos e em locais compatíveis com as atividades, (iv) empregados em folha de pagamento e (v) controle contábil separado. b.3) é fato que as empresas tidas como filiais já se encontravam em atividade muito antes da existência da recorrente, já possuindo independência financeira e tributária. b.4) a decisão não analisou os documentos constantes no autos comprovando a autonomia e independência das empresas. b.5) a decisão citou exemplos que não constaram do Relatório de Ação Fiscal, e foram inseridos totalmente fora do contexto, seja porque não havia relação com a recorrente, seja porque não indicou a origem dos mesmos. b.6) fato certo é que: (i) as PJs efetivamente existem e exercem suas respectivas atividades; (ii) há receita declarada e tributos recolhidos; (iii) há despesas próprias; (iv) há funcionários próprios; (v) a instituição de Centro de Serviços Compartilhados CVC para algumas atividades é permitida pela SRF; (vi) a legislação não impede que pessoas físicas sejam sócias de mais de uma empresa tributada pelo lucro presumido; e especialmente (vii) o propósito negocial para constituir diversas empresas em lugar de filais estava na facilidade de transferilas paras os FRANQUEADOS. b.7) a decisão não analisou a inexistência de cisão de empresas para fugir do lucro, e esclarece que as escolas foram surgindo a partir de demanda do mercado. b.8) o lançamento e a decisão de primeira instância partiram de premissa falsa, cabendo a nulidade desta última oportunizando à recorrente apresentar nova manifestação. c) Relativo aos fundamentos da simulação, a decisão de primeira instância acolheu de forma integral os argumentos do Relatório de Ação Fiscal, sem apontar qual o erro/ato praticado pela recorrente. c.1) contesta os fundamentos da decisão recorrida, indagando qual seria a simulação ao contratar o mesmo contador e advogado. Fl. 35428DF CARF MF 18 c.2) o auditor fiscal não provou que as "filiais" transferiam receitas omitidas à "matriz", cabendo ao fiscal, em respeito ao artigo 42 da Lei 9.430/96, intimar as 64 empresas a demonstrar a origem dos valores constantes no extrato bancário para chegar à "liquidez financeira das filiais"; afirma que a decisão recorrida contrapôs este argumento de forma frágil e totalmente fora do contexto da documentação citada. c.3) não há ilegalidade no compartilhamento de algumas atividades, e as empresas do Grupo possuíam autonomia contábil e gerencial, o que possibilita que cada diretor de unidade estabeleça os respectivos planos de ação necessários para alcançar o objetivo traçado pelo presidente do Grupo. c.4) o agente fiscal apresentou como prova dados constantes em "Relatórios Gerenciais" apreendidos na sala do advogado interno da empresa, apurando com base nestes documentos a receita bruta. c.5) em momento algum no relatório fiscal o auditor fez referência a extratos bancários, mas apenas os citou, mas sem nem confrontar com os valores dos relatórios gerenciais. c.6) o lançamento foi feito a partir dos valores constantes em relatórios sem assinatura e sem carimbo, os quais poderiam ser utilizados como indício, para então solicitar demonstrações contábeis e movimentação bancária das "filiais", podendo, inclusive, inverter o ônus da prova prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. c.7) indaga como o auditor fiscal concluiu que a filial deveria manter contas próprias nas quais poderia efetuar depósitos em cheque e dinheiro de um montante entre 20% e 30%. c.8) a sonegação não se prova através de um único email extraído fora do contexto, no qual a Administração buscava solucionar uma dúvida com o contador da empresa. c.9) não há provas de que apenas uma pequena parcela do faturamento passaria pelas contas bancárias, como afirmou a decisão recorrida. d) alegou erro da determinação da base de cálculo na impugnação, mas o entendimento do julgador, considerando que as receitas foram extraídas dos relatórios gerenciais sem qualquer discriminação quanto à atividade desenvolvida, é de que o auditor fiscal corretamente aplicou sobre a totalidade das receitas o percentual atinente à prestação de serviços, para determinar o lucro arbitrado. d.1) a decisão recorrida partiu de premissas falsas, pois não houve análise das escriturações e declarações das "filiais", verificandose cerceamento ao direito de defesa; d.2) também não foram considerados no lançamento do faturamento os tributos recolhidos pelas filiais. d.3) o relatório fiscal não menciona que a escrituração da recorrente não é confiável, sendo este termo criado pelo julgador para dar interpretação totalmente contrária prevista na legislação. d.4) poderia ter feito uma divisão proporcional entre serviço e comércio, pois o auditor tinha o conhecimento das receitas de serviço e comércio. d.5) o lançamento carece de liquidez e certeza, devendo ser cancelado. Fl. 35429DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.421 19 e) com relação ao erro na determinação do regime de apuração, requer que o lançamento seja cancelado, pois optou pelo lucro presumido, não havendo motivos para apurar os créditos tributários pelo lucro arbitrado. f) reafirma a nulidade do lançamento em função de: f.1) ausência de intimação da empresa MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS e INFORMÁTICA LTDA para participar do processo administrativo fiscal, uma vez que foi incluída como responsável solidária na qualidade de fazer parte, juntamente com a recorrente, da matriz da Escola MICROCAMP; f.2) impossibilidade do arbitramento, pois os fatos apontados pela fiscalização não apresentação da escrituração contábil e fiscal necessária à apuração dos tributos não teria ocorrido; alega que o auditor fiscal não fez o confronto com os extratos bancários com os livros fiscais e contábeis para poder asseverar que a escrituração não estaria de acordo com as regras fiscais e contábeis, o que demonstra a ilegalidade do arbitramento; aduz, ainda, que não restou claro real motivo para o arbitramento. f.3) ausência de intimação para recompor a escrituração do ano de 2012; se não foi intimada e não foi apontada deficiências na escrita contábil e fiscal do ano de 2012, a defesa restou cerceada, dando ensejo à nulidade, ou ao menos a exclusão deste anocalendário do auto de infração. f.4) cerceamento de defesa, pela ausência de análise das provas e dúvida quanto ao valor omitido; a recorrente foi intimada a esclarecer transações financeiras, devendo apontar a origem de cada crédito, no montante de R$ 58 milhões, mas foi autuada com uma base de cálculo de R$ 310 milhões, sem oportunizar à recorrente qualquer manifestação. f.5) violação à prerrogativa de profissional, pois os documentos que deram suporte ao lançamento foram obtidos/apreendidos na sala e no computador de trabalho do advogado da recorrente, Dr. Edson Ferreira Lisboa, em clara ofensa ao artigo 133 da CF/88 e do artigo 2º da Lei nº 8.906/94; afirma que não há provas de que o Dr. Edson autuava como gestor que permitisse a utilização destes documentos. g) não há comprovação de dolo, fraude ou simulação, sendo impossível a qualificação da multa de oficio. g.1) não é possível encontrar os argumentos e provas contundentes, nem mesmo identificar a conduta imputada à recorrente, pois o fiscal apenas citou os artigos 71, 72 e 73 da Lei n] 4.502/64. g.2) o auditor fiscal citou apenas "omissão de receita reiterada", não sendo suficiente para qualificação da multa, haja vista as Súmulas CARF nº 14, 25 e 96. h) reconhecendose a inexistência de dolo, fraude ou simulação, o auto de infração deve ser retificado para excluir os fatos geradores, anteriores a dezembro/2010, com fundamento no artigo 150, § 4º do CTN. Fl. 35430DF CARF MF 20 i) caso a decisão de primeira instância não seja reformada, seja no mérito ou nas nulidades suscitadas, requer a retificação do lançamento para excluir: i.1) o ano de 2012, pois é incabível o arbitramento sem qualquer intimação; i.2) a multa de 150%, reduzindoa para 75%; i.3) ano de 2010 em razão da decadência do lançamento; i.4) excluir os valores que foram recolhidos a título de impostos e contribuições de todas as empresas relacionadas no Relatório de Ação Fiscal. j) requer, ainda, que a base de cálculo seja a movimentação financeira expurgando valores que dispensam demonstração de origem, como devolução de cheque. l) requer a conversão do julgamento em diligência, sob pena de cerceamento ao direito de defesa, para esclarecer os seguintes quesitos: l.1) quais os erros e falhas constantes da escrituração comercial e fiscal da Recorrente; l.2) quais os valores foram excluídos do lançamento tributário e que constaram dos extratos bancários, informando as datas respectivas; l.3) quais os créditos constantes no extrato da conta corrente que geraram dúvidas, individualizandoos; l.4) quais os valores foram transferidos à recorrente pelas empresas citadas; l.5) para excluir da autuação todos os documentos e arquivos encontrados na sala do advogado da empresa Dr. Edson Ferreira Lisboa. A responsável solidária MC CAMP Distribuidora de Livros LTDA apresentou recurso voluntário em 09/06/2017, com as seguintes alegações: o fundamento do Relatório de Ação Fiscal e da decisão recorrida seria que o Sr. Eloy Tuffi era sócio da devedora principal denominada de CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA e também da recorrente (MC CAMP Distribuidora de Livros LTDA). incorreram em erro de fato e de direito na análise do material, pois não observaram que o Sr. Eloy Tuffi não era sócio da recorrente, o que desmonta toda tese desenvolvida pela fiscalização. outro erro seria a afirmação de que a CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA e a recorrente teriam a mesma atividade social, de acordo com os contratos sociais. Fl. 35431DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.422 21 a recorrente foi constituída antes da CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA e sua única atividade realizada era a venda de livros. a fiscalização incorreu em erro de fato, pois não acessou os principais documentos da recorrente tais como Notas Fiscais, contrato social, DCTF e extratos bancários, o que levaria à conclusão diversa. estão ausentes os requisitos do artigo 124, inciso I do CTN, especialmente por conta da ausência do interesse comum no fato gerador da obrigação tributária de terceiro; ressaltando que não há identidade de sócios e de atividades sociais; em homenagem ao Princípio da Verdade Material, o presente recurso voluntário deve ser admitido e julgado com os demais. também não há que se falar em não instalação do litigioso administrativo em face da recorrente, posto que o sujeito passivo principal apresentou impugnação, fato que reflete para os demais qualquer decisão. ainda que intempestiva a impugnação, deve o julgamento ser convertido em diligência para apurar o erro de fato e de direito apontado, com base no inciso III, do art. 145 e no art. 149, do CTN. a recorrente não foi intimada para prestar qualquer esclarecimento ou mesmo apresentar documentos. ocorreu erro de fato na decisão de primeira instância uma vez que não se pronunciou quanto ao argumento de que as empresas citadas já existiam antes da recorrente, com independência financeira e gerencial. a decisão recorrida cita email que comprovaria a prática reiterada de omissão de receita, cita pessoas que não fazem parte da estrutura da recorrente; registra que a recorrente sequer foi citada no email. não é crível, por tal "prova", afirmar que a CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA orientava a suposta filial, bem como comprovaria a prática de omissão de receita, estendendo a responsabilidade solidária à recorrente. não consta do Relatório de Ação Fiscal a indicação dessas provas citadas pelo julgador, logo, além de erro de fato, estamos diante de uma nova auditora em verdadeira substituição da fiscalização no fundamento do auto de infração, motivo pelo qual deve ser anulada a decisão recorrida. o fundamento da qualificação da multa seria a estratégia da empresa CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA, dividindo suas receitas em pequenas parcelas, simulando a existência de dezenas de unidades independentes com a finalidade de enquadrarse no lucro presumido, não encontra respaldo na norma e no entendimento pacífico do CARF, não Fl. 35432DF CARF MF 22 restando comprovado o dolo, ou seja, a intenção de omitir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária o fato gerador. analisando o Termo de Verificação Fiscal, não é possível encontrar os argumentos e provas contundentes, nem mesmo identificar qual foi a conduta imputada à contribuinte principal, o que dirá da Responsável Solidária, pois o AuditorFiscal apenas citou os art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. só houve a citação de prática reiterada de omissão de receitas. decadência do ano de 2010; erro na base de cálculo dos tributos já recolhidos pela recorrente, devendo o julgamento ser convertido em diligência. finaliza requerendo: · afastar da imputação da responsabilidade solidária da recorrente. · a conversão do julgamento em diligência para apurar o erro de fato; · excluir a multa de ofício de 150%, reduzindoa para 75%; · excluir o período anterior a dezembro/2010 em razão da decadência do lançamento; · que a base de cálculo seja a movimentação financeira expurgando valores que dispensam demonstração de origem, como devolução de cheque O responsável solidário Eloy Tuffi apresentou recurso voluntário em 08/03/2017, com as seguintes alegações: o fundamento para responsabilização solidária constante no Relatório da Ação Fiscal decorre do fato de que os sócios tinham poder de decisão e a utilização de conta correntes para pagamento de gastos pessoais. em erro de fato na análise do material coligido aos autos, o julgador manteve o recorrente como responsável solidário por entender que o mesmo tinha ascendência no grupo econômico, alardeando que houve desvio de recursos das contas bancárias para negócios particulares, sendo demonstrada tentativa de blindagem patrimonial através de constituição de empresas em nomes de terceiros. as citadas empresas foram constituídas anteriormente ao fato gerador, não sendo crível a suposta blindagem, não havendo prova de fraude ou simulação. a responsabilidade foi imputada sem prova das condutas praticadas com excesso de poder e/ou infração à lei, devendo a mesma ser afastada. Fl. 35433DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.423 23 ainda que se mantenha a responsabilidade tributária, o lançamento não subsiste, pois é nulo em razão de (i) impossibilidade de arbitramento; (ii) cerceamento ao direito de defesa, pois a recorrente não teve acesso ao trabalho investigativo utilizado pela fiscalização; (iii) utilização de documentos obtidos na sala e computador do advogado; (iv) cerceamento ao direito defesa, pois há dúvidas quanto ao valor que teria sido omitido; (v) ausência de individualização do material apreendido pela Polícia Federal; (vi) falta de intimação da responsável solidária MC CAMP Distribuidora de Livros LTDA, o que torna a decisão recorrida nula. caso a decisão de primeira instância não seja reformada, seja no mérito ou nas nulidades suscitadas, requer a retificação do lançamento para: · afastar da imputação da responsabilidade pessoal da recorrente. · excluir o ano de 2012, pois é incabível o arbitramento sem qualquer intimação; · excluir a multa de ofício de 150%, reduzindoa para 75%; · excluir o período anterior a dezembro/2010 em razão da decadência do lançamento; · que a base de cálculo seja a movimentação financeira expurgando valores que dispensam demonstração de origem, como devolução de cheque. A responsável solidária MC Cursos e Recebimentos de Cheques S/S LTDA apresentou recurso voluntário em 13/06/2017, com as seguintes alegações: a recorrente e a empresa autuada nunca foram sócias ou tiveram qualquer relacionamento societário que pudesse caracterizar uma cisão ou uma divisão das atividades. a recorrente nunca participou da gestão administrativa da empresa autuada, tendo apenas prestados serviços de recebimentos de cheques. em decorrência do processo de divórcio, a Sra. Marlene obteve liminar que lhe conferiu a administração de 29 empresas, em abril de 2011. o critério para a partilha levou em consideração que, de fato, cada ex cônjuge era responsável por parte das empresas, ficando a recorrente sob administração da Marlene Rito Nicolau. até a separação, a Sra. Marlene era sócia apenas no papel, pois a condução dos negócios ficava com o Sr. Eloy Tuffi. Fl. 35434DF CARF MF 24 as empresas que passaram a ser administradas pela Sra. Marlene a partir de 2011 não se confundem com a empresa autuada, possuindo endereços e gestões administrativas diferentes. a fiscalização interpretou que essa operação seria uma cisão parcial, considerando que uma determinada sociedade denominada Microcamp ABC, sediada em Campinas, cindiu e criou outra sociedade em São Paulo, Microcamp ABC/SP com a denominação da recorrente. cisão possui requisitos e procedimentos próprios que não ocorreram no presente caso, mas sim uma partilha de bens de um casal, com a divisão de um patrimônio comum, sem tentativa de sonegação fiscal ou planejamento de evasão. os artigos 135 e 124, inciso I, ambos do CTN, são inaplicáveis pela falta de comprovação de fatos que permitissem esses enquadramentos. caso mantida a autuação, que a multa de ofício seja reduzida para 75%, pois a fiscalização não individualizou condutas da recorrente, não fazendo prova de nenhuma conduta que pudesse sustentar a acusação fiscal, assim como não há confusão patrimonial ou de ocorrência de gestão da empresa autuada pela recorrente. se mantida a autuação, que seja excluído o anocalendário de 2010 em razão da decadência de lançar, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. não houve participação da recorrente no procedimento fiscalizatório, visto que se afastou antes da fiscalização, e não tem condições de apresentar documentos da empresa autuada com vistas ao eventual questionamento das acusações fiscais, mais um motivo para afastar a multa qualificada. A responsável solidária Marlene Rito Nicolau apresentou recurso voluntário em 13/06/2017, com as seguintes alegações: a recorrente ajuizou ação de divórcio em abril de 2011. o critério para partilha levou em consideração que cada excônjuge era responsável por parte das empresas, sendo que a empresa autuada CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA era de administração exclusiva do Sr. Eloy Tuffi. a audiência de conciliação, realizada em 2013, confirmou a manutenção da empresa autuada sob a administração do Sr. Eloy Tuffi. até a separação, a recorrente era sócia apenas no papel, pois a condução dos negócios ficava com o Sr. Eloy Tuffi. as empresas que passaram a ser administradas pela recorrente não se confundem com a empresa autuada, possuindo endereços e gestões administrativas diferentes. a recorrente jamais participou da gestão administrativa, contábil e fiscal da empresa autuada, função que sempre foi desempenhado pelo Sr. Eloy Tuffi, sendo inaplicável o artigo 135 do CTN. Fl. 35435DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.424 25 o simples fato de ser sócia é insuficiente para atribuição de responsabilidade tributária, além de não ter sido comprovado qualquer ato com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. também é inaplicável o artigo 124, inciso I do CTN pela falta de comprovação do "interesse comum" na ocorrência dos fatos geradores. caso mantida a autuação, que a multa de ofício seja reduzida para 75%, pois a fiscalização não individualizou condutas da recorrente, não fazendo prova de nenhuma conduta que pudesse sustentar a acusação fiscal, assim como não há confusão patrimonial ou de ocorrência de gestão da empresa autuada pela recorrente. se mantida a autuação, que sejam excluídos os lançamentos de PIS e COFINS dos meses de janeiro a novembro de 2010 em razão da decadência de lançar, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN, sendo fato incontroverso que a recorrente efetuou pagamentos. não houve participação da recorrente no procedimento fiscalizatório, visto que se afastou antes da fiscalização, e não tem condições de apresentar documentos da empresa autuada com vistas ao eventual questionamento das acusações fiscais, sendo mais um motivo para afastar a multa qualificada. caso mantido o lançamento, que o julgamento seja convertido em diligência para comprovar os pagamentos de PIS e COFINS dos meses de janeiro a novembro/2010, para fins de contagem do prazo decadencial previsto artigo 150, § 4º do CTN. A responsável solidária ENNT Comércio, Serviços e Participações EIRELI apresentou recurso voluntário em 13/06/2017, com as seguintes alegações: a recorrente nunca foi uma empresa prestadora de serviços às sociedades integrantes das Empresas MICROCAMP, enquanto vigorou a sociedade entre seus sócios. a recorrente foi constituída em setembro de 2011, tendo como sócios José Nabais Nicolau e Eloyse Nathalia Nicolau Tuffi; já as empresas MICROCAMP pertenciam aos pais de Eloyse, o Sr. Eloy Tuffi e a Sra. Marlene Rito Nicolau Tuffi. em decorrência do processo de divórcio, a Sra. Marlene obteve liminar que lhe conferiu a administração de 29 empresas, em abril de 2011. o critério para a partilha levou em consideração que, de fato, cada ex cônjuge era responsável por parte das empresas, ficando a empresa autuada CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA sob administração do Sr. Eloy Tuffi. a recorrente não é citada em momento algum seja o esboço de partilha, seja no acordo celebrado entre as partes; nem poderia, pois não pertencia à nenhuma delas. considerando a filha Eloyse ficou sob a guarda da mãe, a ora recorrente, da qual Eloyse passou a ser a única sócia, iniciou suas atividades exclusivamente para as empresas Fl. 35436DF CARF MF 26 que ficaram com MARLENE, jamais tendo prestado serviços às que permaneceram com o pai, dentre as quais a empresa autuada. a fiscalização interpretou que essa operação seria uma cisão parcial, considerando que uma determinada sociedade denominada Microcamp ABC, sediada em Campinas, cindiu e criou outra sociedade em São Paulo, Microcamp ABC/SP com a denominação da recorrente. cisão possui requisitos e procedimentos próprios que não ocorreram no presente caso, mas sim uma partilha de bens de um casal, com a divisão de um patrimônio comum, sem tentativa de sonegação fiscal ou planejamento de evasão. os artigos 135 e 124, inciso I, ambos do CTN são inaplicáveis pela falta de comprovação de fatos que permitissem esses enquadramentos. caso mantida a autuação, que a multa de ofício seja reduzida para 75%, pois a fiscalização não individualizou condutas da recorrente, não fazendo prova de nenhuma conduta que pudesse sustentar a acusação fiscal, assim como não há confusão patrimonial ou de ocorrência de gestão da empresa autuada pela recorrente. se mantida a autuação, que seja excluído o anocalendário de 2010 em razão da decadência de lançar, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. não houve participação da recorrente no procedimento fiscalizatório, visto que nunca participou do quadro de sócios da empresa autuada, e não tem condições de apresentar documentos da empresa autuada com vistas ao eventual questionamento das acusações fiscais, mais um motivo para afastar a multa qualificada. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões aos recursos voluntários, com os seguintes argumentos: => Nulidades arguidas. não tem cabimento a preliminar de nulidade pela falta de intimação do responsável solidário, pois restou comprovado que foi devidamente notificado do lançamento por carta com aviso de recebimento. a falta de intimação sequer seria causa de nulidade, mas sim a possibilidade, em tese, de sua exclusão do pólo passivo. também não é causa de nulidade a dedutibilidade dos tributos pagos anteriormente, pois reclama apenas possível ajuste quando da execução do julgado. esclarece que a intimação durante a Ação Fiscal não é requisito de validade do lançamento, porquanto "O procedimento fiscal é informado pelo princípio da inquisitoriedade, no qual a autoridade fiscal reúne o acervo fáticoprobatório suficiente à formação de seu convencimento acerca da infração. Desta forma, não há obrigatoriedade da notificação do responsável tributário nesta fase preparatória" também não houve cerceamento ao direito de defesa, sendo que muitas alegações suscitadas refletem discordância quanto a valoração das provas, questão afeta ao mérito. Fl. 35437DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.425 27 também não assiste razão quanto à invocada nulidade por violação de prerrogativa da advocacia, o Plenário do STF assentou que a inviolabilidade de escritório de advocacia não é absoluta, podendo ser afastada quando o próprio advogado é suspeito da prática de crime. o local de realização da medida de busca e apreensão não correspondia à escritório de advocacia, e quem possuía habilitação para exercer a profissão de advogado "atuava, na verdade, como gestor do grupo de empresas MICROCAMP". busca e apreensão foi realizada em local onde eram praticados atos voltados à sonegação fiscal, passíveis eventualmente de tipificação como crimes contra a ordem tributária, e não recaiu sobre escritório de advocacia. não se identifica a alegada "confusão" no Relatório Fiscal; os fatos apurados e os critérios legais utilizados pela Autoridade Fiscal encontramse objetivamente esclarecidos, não havendo prejuízo para a defesa. a leitura do Relatório demonstra que não há margem às dúvidas mencionadas nas razões recursais, pois ficou claro que o arbitramento se deu porque "a empresa não apresentou escrituração contábil e fiscal necessária à apuração dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, mesmo após intimada a adequar sua escrituração. carece de previsão legal a exigência de que o Fiscal instaure uma espécie de contraditório específico para desqualificar a escrituração fiscal, após cotejála com extratos bancários do contribuinte, sendo que o arbitramento realizado observou os ditames dos arts. 529 e 530 do RIR/1999. esta não é a sede apropriada à insurgência contra a ausência de individualização de todos os documentos apreendidos pela Polícia Federal; tal questão pode em tese ser arguida nos autos do procedimento criminal. => O desvirtuamento da personificação como meio para evasão de tributos. Fatos e provas da sonegação. os recorrentes sustentam que houve erro na análise do material probatório e defendem a prevalência de suposta autonomia e independência das diversas pessoas jurídicas que compõem o grupo Escola MICROCAMP/ABC. o Relatório Fiscal é resultado do exame de farta prova documental obtida mediante decisão judicial que autorizou medida de busca e apreensão e quebra de sigilo bancário, no âmbito de Inquérito Policial. a Fiscalização conseguiu demonstrar que a criação de mais de cinco dezenas de pessoas jurídicas, todas constituídas pelos mesmos sócios e tendo o mesmo objeto (atividade de ensino), não refletia a realidade e tinha único propósito de sonegar tributos. tal constatação encontrase amparada nos seguintes elementos probatórios: 1. Vinculação de todas as unidades da Escola MICROCAMP/ABC à CRC Central de Recebimento de Cheques e à MC CAMP Distribuidora de Livros e Informática Fl. 35438DF CARF MF 28 Ltda, chamada de "holding informal": a liquidez financeira dos estabelecimentos de ensino era transferida continuamente, na forma de dinheiro em espécie e de cheques, a essas duas empresas, as quais funcionavam como "matriz de fato", sendo que não há provas que estes recursos retornavam para as filiais indicando que seriam independentes. Da matriz de fato partiam ordens de funcionamento a serem executadas por gerentes e diretores das unidades, incluindo determinações sobre salários, bem como números de funcionários a serem contratados. Destaquese ainda a referência feita em email enviado por funcionário de nome João Alencar ao VicePresidente da Escola MICROCAMP/ABC, tendo como conteúdo faturamento das "filiais", nos anos de 2011 e 2012 (fl. 33.648). 2 Identidade de sócios administradores e produção em série de contratos sociais quase idênticos apresentando o mesmo objeto social: todas as unidades tinham os mesmos sócios administradores, Eloy Tuffi e Marlene Rito Nicolau Tuffi, e em algumas delas ainda figurava como administrador o filho do casal, Davi Tuffi. 3 Ao confrontar as DIPJs oriundas de cada CNPJ pertencente ao grupo com documentos apreendidos na matriz, a Autoridade Fiscal identificou a repetição da utilizar base de cálculo no valor aproximado de 20% das mensalidades auferidas para o recolhimento do IRPJ e da CSLL; 4 A Fiscalização constatou que as unidades abriam contas correntes independentes, muito embora sujeitas à movimentação a partir de critérios estabelecidos pela matriz, conforme se verifica no conteúdo de emails e no conjunto de extratos bancários associados a registros de reais faturamentos 5 Único contador para todas as unidades da Escola MICROCAMP/ABC: na matriz da MICROCAMP/ABC eram confeccionadas as DIPJs das unidades. As declarações de todas foram encontradas nos computadores do contador da matriz da Escola MICROCAMP/ABC . restou demonstrado que a segregação da Escola MICROCAMP/ABC em pessoas jurídicas sem autonomia teve como finalidade reduzir o valor dos tributos devidos, permitindo omitir receitas que superam R$ 300.000.000,00, nos anoscalendário 2010, 2011 e 2012. destaca a existência de mensagens eletrônicas que evidenciam a intenção de sonegar fatos geradores, ao demonstrar a preocupação de evitar registros sobre a deliberada prática de omitir receitas. a ordem jurídica não proíbe que pessoas físicas sejam sócias de mais de uma empresa e que compartilhem despesas, mas, in casu, foi possível identificar que o fato associativo contemplava apenas propósito e objeto social únicos, os quais foram definidos e executados pelo então casal Eloy Tuffi e Marlene Rito Nicolau Tuffi. a alegada autonomia contábil e gerencial não resiste ao exame das provas colhidas, pois as diretrizes fundamentais da atuação das unidades partiam da chamada "matriz de fato", que exercia hierarquia administrativa sobre cada estabelecimento. mensagens eletrônicas fazem referência ao "faturamento, despesas e remessa das filiais", o que demonstra que havia de fato apenas uma única empresa (destacou se). a Autoridade Fiscal trouxe fundamentos suficientes para demonstrar que a prática evidenciada consiste em simulação, nos termos do art. 167 do Código Civil, uma vez Fl. 35439DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.426 29 que "os proprietários da fiscalizada sempre tiveram a intenção de fraudar a fiscalização tributária federal, criando na aparência as condições formais para que filiais de uma grande empresa aparentassem serem empresas independentes e que essa realidade simulada pudesse ser oposta à Secretaria da Receita Federal do Brasil" os motivos aparentes alegados facilidade de transferência a outros franqueados e adoção de modelo comum ao mercado não coincidem com o motivo real, o qual, conforme fartamente demonstrado, é a pulverização do negócio para facilitar a sonegação fiscal. simples referência, no Relatório Fiscal, a supostas unidades franqueadas não têm o condão de infirmar o lançamento, cujo arbitramento teve como base dados colhidos na chamada "matriz de fato", onde se concentravam as receitas das unidades pertencentes ao casal Eloy e Marlene, motivo pelo qual, por óbvio, não levou em conta possíveis unidades franqueadas. também não procede a afirmação de que a DRJ manteve o crédito tributário baseada em fatos não incluídos no lançamento, sendo evidente que os fundamentos legais (artigo 31 do Decreto nº 70.235/72) exigidos na motivação da decisão não se resumem à mera reprodução daqueles constantes no lançamento. a jurisprudência do CARF já assentou entendimento de que "A decisão de primeira instância tem sua amplitude delimitada no debate entre a impugnação e o lançamento, razão pela qual pode conter, em relação ao lançamento original, argumentos adicionais no intuito de reforçar o posicionamento do julgador ou de rebater as razões de defesa relevantes da impugnante. Tanto é assim que há previsão no processo administrativo fiscal de apresentação de prova após a impugnação que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16, § 4°, "c" do Decreto n° 70.235/72)" (Acórdão 3402004.073, Relatora MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, julgado em 26/4/2017). não há ilegalidade na referência feita pelo órgão julgador a elementos que, embora não tenham sido mencionados expressamente no Relatório Fiscal, sejam pertinentes aos fatos nele descritos. => Base de Cálculo a autuada foi intimada a adequar sua escrituração contábil e fiscal para que fosse possível apurar os tributos de acordo com a sistemática do lucro real, contudo "a empresa não apresentou escrituração contábil e fiscal necessária à apuração dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil", o que justificou o arbitramento do lucro, nos termos do art. 47 da Lei 8.981/1995. evidenciada a simulação, artifício utilizado para que cada unidade de ensino apurasse o IRPJ e a CSLL no regime do lucro presumido, afigurase manifesta a improcedência da alegação de descabimento do arbitramento, por extrapolar o limite legal. a DRJ entendeu corretamente que o arbitramento teve como referência "pastas gerenciais referentes aos dados de todas as filiais, as quais demonstram controle mensal do faturamento de cada unidade e também as despesas e remessas de recursos à matriz. Tais pastas gerenciais tiveram o respectivo conteúdo corroborado, em procedimentos de auditoria fiscal, mediante confronto com a documentação remetida pelas filiais para a matriz, apreendida Fl. 35440DF CARF MF 30 na matriz, composta de Relatórios de Fechamento Mensais, Relatórios de Conciliação de Contas das filiais e Extratos de Movimento de Caixa" a Fiscalização teve acesso a diversos emails mediante os quais eram compartilhados os dados reais de faturamento de todos os estabelecimentos, sendo o lucro arbitrado com base na receita bruta conhecida, conforme autorizado pelo art. 532 do RIR/99. não foi possível identificar as receitas oriundas de cada atividade, especialmente a de vendas, sendo aplicado o percentual mais elevado para o arbitramento da base de cálculo (art. 24, § 1°, da Lei 9.249/1995), motivo pelo qual não há falar em vício na apuração do valor do tributo devido. os argumentos apresentados no Recurso Voluntário não passam de mera tentativa de desqualificar provas produzidas pelo próprio contribuinte, as quais atendem perfeitamente ao princípio da verdade material. não se verifica, na legislação, exigência alguma de que extratos bancários sejam o único meio de informação da receita bruta sujeita ao arbitramento => Sujeição Passiva. Responsabilidade Tributária. a sujeição passiva principal da CRC já se encontra fartamente demonstrada, pois ela figurava como centro para o qual eram direcionadas todas as receitas auferidas pelas unidades da Escola MICROCAMP/ABC, de modo que era a pessoa jurídica que possuía "relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador" (art. 121, parágrafo único, I, do CTN). a MC Camp Distribuidora de Livros Ltda formava, juntamente com a CRC, a denominada "matriz de fato", compondo em conjunto indissociável a matriz da Escola Microcamp/ABC. a MC Camp possuía "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", nos termos do art. 124, I, do CTN. não passa de mera alegação a afirmação de que MC Camp não tem relação alguma com os proprietários da CRC, pois, no termo de audiência do divórcio do casal constante nos autos, consta expressamente que "Pertencerá exclusivamente ao varão as seguintes empresas: (...) MC Camp Distribuidora de Livros Ltda". o fato ter sido criada antes da CRC em nada afeta a responsabilidade solidária. conforme assentado em precedente do CARF, "Demonstrado nos autos a existência de grupo de fato (...), restou caracterizado o interesse comum das empresas do grupo, dentre elas a recorrente, motivo pelo qual concluise pela procedência da atribuição da responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, I, do CTN" (Acórdão n° 1301002.418, destacouse). tal entendimento se amolda com perfeição ao caso concreto, no qual se evidencia mais do que um simples interesse econômico entre as empresas CRC e MC Camp, visto a gestão conjunta de um grupo de fato formado por pessoas jurídicas que nada mais eram do que filiais de uma grande matriz. Fl. 35441DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.427 31 quanto às pessoas físicas, não resta dúvida de que, na condição de sócios administradores das pessoas jurídicas, praticaram atos com infração à lei, ao deliberadamente simularem determinadas situações de fato para fraudar a Administração Tributária Federal e sonegar tributos, justificando a incidência da regra de responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN: o modelo criado para a gestão das unidades, compartilhada por CRC e MC Camp, foi reproduzido após a separação do casal para a administração dos estabelecimentos de ensino que passaram a pertencer a Marlene Rito. a Fiscalização identificou a ocorrência de uma "cisão parcial de fato", de modo que se mostra inócua a discussão trazida pelas recorrentes de que não foram preenchidos os requisitos da Lei 6.404/76. o Relatório Fiscal é voltado à demonstração da existência de simulação, ao passo que as recorrentes MC Cursos e ENNT se atém a meros argumentos formais. a acusação fiscal é resultado de substancioso exame de documentos apreendidos por determinação da Justiça Federal, e a cisão de fato se encontra bem retratada no mencionado termo de audiência de divórcio, sendo causa de responsabilidade tributária, conforme definido pelo STJ em recurso repetitivo (REsp 923.012/MG) nesse julgado, o STJ fixou entendimento de que, na responsabilidade tributária por sucessão (arts. 132 e 133 do CTN), os tributos e as multas "acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão" ; logo, o crédito tributário acompanha o patrimônio transferido, independentemente da prévia existência da sucessora, o que revela a improcedência dos argumentos aduzidos por MC Cursos e ENTT. => Qualificação da multa e incidência do artigo 173, I, do CTN os fatos que ensejaram a qualificação da multa já foram debatidos no tópico atinente aos fatos e provas da sonegação. é questionada a aplicação da multa de ofício qualificada, ao argumento, em síntese, de que não há motivo que justifique a penalidade. as provas trazidas pela Autoridade Fiscal comprovam que os envolvidos, de forma simulada, criaram artificialmente pessoas jurídicas que não possuíam autonomia administrativa e financeira verdadeiras filiais subordinadas a uma "matriz de fato" , com a finalidade de sonegar o pagamento de tributos. não se encontram presentes quaisquer das situações previstas no art. 112 do CTN, motivo pelo qual descabe invocar a incidência do princípio in dubio pro reo. a incidência da multa qualificada em relação aos sócios e às empresas que formam a "matriz de fato" (CRC e MC Camp) é evidente. Eloy Tuffi e Marlene Rito criaram a Escola MICROCAMP/ABC e montaram a estrutura que simulava a aparência de pessoas jurídicas em vez de "filiais de uma grande empresa". Fl. 35442DF CARF MF 32 no presente caso, é manifesta a identidade entre os elementos subjetivos das pessoas físicas e das pessoas jurídicas envolvidas, uma vez que as provas demonstram que Eloy e Marlene "possuem a propriedade direta e poderes que lhe são diretamente concedidos através de Contratos Sociais simulados, o que lhes permite comandar e controlar totalmente a Escola MICROCAMP/ABC e todas as filiais que a compõem". com a ocorrência da "cisão de fato" explicitada pela Fiscalização, Marlene Rito criou e passou a comandar as empresas MC Cursos e ENNT, as quais compõem a "matriz de fato" das 29 unidades a ela pertencentes de fato após o divórcio, de modo que essas pessoas jurídicas passaram a compor o esquema de sonegação fiscal, o que justifica a imposição de multa qualificada também a elas. consequência da simulação comprovada é que o termo inicial do prazo decadencial passa a ser regido pelo art. 173, I, do CTN. finaliza requerendo a União que seja negado provimento aos Recursos Voluntários, mantendose a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora DA ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Inicio a análise dos requisitos de admissibilidade pelo recurso voluntário apresentado pela MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA, em 09/06/2017, acostado aos autos às fls. 35.235/35.256. Deixo de conhecêlo uma vez que a responsável solidária não apresentou impugnação em face do lançamento, conforme restou consignado na decisão de primeira instância, abaixo transcrita: As impugnações apresentadas por CRC, MC CURSOS, ENNT, Eloy Tuffi e Marlene Rito Nicolau atendem aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual delas conheço. A MC CAMP não impugnou a imputação a ela de responsabilidade tributária pelos créditos tributários lançados contra a CRC. Uma vez que a responsável solidária MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA não apresentou impugnação, ela está fora do litígio instaurado no âmbito do processo administrativo fiscal, não podendo mais se manifestar. Diferente do que alega em seu recurso, o fato de o sujeito passivo principal do lançamento apresentar impugnação, a instauração da lide fica limitada a este. Devese esclarecer que a CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA não possui legitimidade processual para defender os interesses da MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA. A falta de legitimidade da pessoa jurídica para defender os interesses de terceiros já foi objeto de julgamento por esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Primeira Seção do CARF, por meio do Acórdão nº 1302002.570, da lavra do i. Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, do qual transcrevo a ementa sobre a matéria: Fl. 35443DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.428 33 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PESSOA JURÍDICA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte principal quanto à a exclusão de terceiros do pólo passivo da obrigação tributária. No citado Acórdão, o Conselheiro também cita decisão no STJ, nos autos do Recurso Especial nº 1.347.627 (Rel. Min. Ari Pargendler, DJe 21/12/2013), concluindo pela ilegitimidade da pessoa jurídica para interpor recurso em defesa de interesse de terceiros. Abaixo transcrevo parte do voto condutor: Tratouse de julgado conforme o procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, na forma do art 543C, do Código de Processo Civil de 1973, o que atrairia o art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, pelo que transcrevo a ementa: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DO DEVEDOR. A pessoa jurídica não tem legitimidade para interpor recurso no interesse do sócio. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08." Portanto, deixo de conhecer do recurso voluntário apresentado pela responsável solidária MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA. Os demais recursos voluntários foram apresentados nas seguintes datas: Sujeito Passivo Data da Ciência Recurso Voluntário CRC CENTRAL DE RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA AR 14/02/2017 08/03/2017 MC CURSOS E RECEBIMENTOS DE CHEQUES S/S LTDA AR 12/05/2017 13/06/2017 ENNT COMÉRCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI AR 12/05/2017 13/06/2017 Sr. Eloy Tuffi AR 12/05/2017 08/03/2017 Marlene Rito Nicolau Tuffi. Edital 08/06/2017 14/06/2017 Demonstrado que os recursos são tempestivos, e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, deles eu conheço. DO LANÇAMENTO Diante do extenso Relatório de Ação Fiscal, fazse necessário um resumo dos fatos verificados no âmbito da Operação "AVARITIA", ação conjunta envolvendo a Receita Federal do Brasil, a Polícia Federal e o Ministério Público, na qual constatouse que a Escola MICROCAMP/ABC utilizouse de uma estratégia de multiplicação de CNPJ para poder efetuar uma pulverização das atividades da empresa, com a finalidade de minimizar seus riscos tributários. Tratase de uma estrutura empresarial constituída de matriz e filiais, que embora tenham CNPJ próprios, não possuem independência financeira e gerencial. Para gerenciar as filiais, a matriz era formada por duas empresas "holdings informais", cujos sócios seriam Sr. Eloy Tuffi e Sra. Marlene Nicolau Tuffi, cada um com 50% de participação, a saber: Fl. 35444DF CARF MF 34 1) CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA sujeito passivo principal => responsável pelo gerenciamento financeiro, na qual concentrava os recursos financeiros recebidos das filiais, por meio de cheques ainda por compensar e dinheiro em espécie, sob a roupagem de empresa de factoring. 2) MC CAMP Distribuidora de Livros e Informática LTDA sujeito passivo solidário => tinha como função dar o suporte técnico e administrativo para as atividades da Escola MICROCAMP/ABC. Durante a operação, que incluiu Mandados de Busca e Apreensão, verificou se a existência de relatórios de controle do faturamento real de todas as filiais, bem como foi possível identificar o fluxo financeiro praticado. Os faturamentos apurados com base nestes relatórios serviram de base para determinação dos tributos devidos, tendo o lucro arbitrado e a multa de ofício qualificada. Em regra, as filiais declaravam, e depositavam em contas correntes próprias, em torno de 20% a 30% de seu faturamento, utilizando estes recursos para pagar parte de suas despesas, incluindo os tributos federais declarados na sistemática do Lucro Presumido. Outra parte, em torno de 45% a 55%, era utilizado para pagar as demais despesas não contabilizadas. O restante do faturamento era remetido para a CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA, que girava em torno de 25% do total arrecadado com as matrículas. No anocalendário de 2010, o grupo contava com 64 filiais. Em agosto de 2011, houve uma cisão com divisão das filiais entre os dois sócios, Sr. Eloy Tuffi e Sra. Marlene Rito Nicolau Tuffi, em função do divórcio. A autuação para os meses a partir de setembro/2011 até dezembro/2012 envolveu as 29 filiais que passaram a responder exclusivamente ao Sr. Eloy Tuffi. Além disso, também foram responsabilizados solidariamente as seguintes pessoas físicas e jurídicas: Passo à análise dos recursos voluntários. RECURSO VOLUNTÁRIO DA AUTUADA CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA Fl. 35445DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.429 35 Em que pese a recorrente iniciar a defesa com questões de mérito, inverto a ordem por entender ser a mais cabível processualmente. Portanto, passo a analisar a preliminar de nulidade do lançamento em razão de: (i) ausência de intimação da MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA; (ii) impossibilidade de arbitramento pela inexistência de decretação de desclassificação da escrituração; (iii) ausência de intimação para recompor a escrituração do anocalendário de 2012; (iv) cerceamento ao direito de defesa pela ausência de análise das provas, gerando dúvida quanto ao valor omitido e (v) violação à prerrogativa profissional. Passo a me pronunciar. A recorrente inicia a nulidade afirmando que a responsável solidária MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA não teria sido intimada do lançamento. Entretanto, é possível verificar a correta intimação do auto de infração em 17/12/2015, conforme atesta o Aviso de Recebimento acostado aos autos às fls. 34.159. Quanto ao arbitramento, no que concerne a sua suposta ilegalidade, ou até mesmo a falta de intimação para recompor a escrituração contábil e fiscal do anocalendário de 2012, seriam questões de mérito que levariam à improcedência do lançamento. Estas matérias serão analisadas em momento oportuno. Com relação à ausência da análise das provas, apresentadas para esclarecer os depósitos bancários, cumpre esclarecer que o presente lançamento não decorre de omissão de receitas com base na presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Conforme relatado, a base de cálculo foi obtida nos documentos apreendidos por meio de Mandados de Busca e Apreensão nº 15/2014 e 16/2014. As pastas gerenciais obtidas demonstravam controle do faturamento mensal das filiais, sendo seu conteúdo corroborado mediante confronto com a documentação remetida pelas filiais para a matriz. Portanto, em que pese a recorrente ter sido intimada a esclarecer a origem do depósitos bancários, a fiscalização optou por determinar os créditos tributários utilizando a base de cálculo obtida por meio daqueles documentos, por revelarem o real faturamento do grupo. Logo, é desnecessária a análise dos documentos apresentados em resposta às intimações para esclarecer a origem dos depósitos bancários, motivo pelo qual não ocorre qualquer cerceamento ao seu direito de defesa. Aliás, a própria recorrente questiona a discrepância entre o valor apurado nos documentos apreendidos, que demonstram um faturamento de R$ 310 milhões, com relação à movimentação financeira, de R$ 95 milhões no total. A explicação consiste no fato que as filiais remetiam cheques e dinheiro em espécie, não passando por contas bancárias e sequer lançados na contabilidade. Logo, correto o procedimento da autoridade fiscal em efetuar o lançamento tendo por base os relatórios obtidos durante a ação conjunta com Polícia Federal, acobertados pelos Mandados de Busca e Apreensão. Quanto à alegação de que não teria sido oportunizado à recorrente se manifestar quanto à base de cálculo do lançamento, ressalto que as planilhas obtidas na ação fiscal, em cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão, são documentos de elaboração do próprio grupo Escola MICROCAMP para controle do faturamento das filiais. Abaixo, transcrevo parte do Relatório de Ação Fiscal: Fl. 35446DF CARF MF 36 Planilhas de controles mensais referentes a dados gerencias de todas as filiais foram encontrados no escritório do vice presidente da escola MICROCAMP/ABC, Dr. Edson Ferreira Lisboa, e demonstram que seus gestores tinham pleno conhecimento das remessas de recursos de suas filiais e mantinham rígido controle dessa coleta, chegando a fazer previsões precisas desses numerários captados (...). Importante frisar que os documentos foram obtidos na sala do vice presidente do grupo, Sr. Edson Ferreira Lisboa de forma absolutamente legal, sem qualquer violação à legislação como afirma a recorrente. Não houve inobservância do pedido de cautela da magistrada de verificar se no local existia escritório de advocacia. Aliás, restou consignado na decisão recorrida que " conforme consta do "Auto Circunstanciado de Busca e Arrecadação IPL n° 67/2014DPF/CAS/SP", os Mandados de Busca e Apreensão referidos foram exibidos e lidos, inclusive na presença de testemunhas, não havendo qualquer referência a suposta comunicação de que nos locais havia escritório de advocacia". Ademais, todos os documentos obtidos demonstram que o Sr. Edson Ferreira Lisboa atuava na direção do grupo, e não como advogado, estando de posse de Relatórios de Fechamento Mensais, Relatórios de Conciliação das contas da Filiais, Relatório de Endividamento de Filiais Extratos bancários de Conta Corrente das filiais e Extratos de Movimento de Caixa. Aliás, como bem asseverou a Procuradoria da Fazenda, nas contrarrazões, a inviolabilidade do escritório de advocacia não é absoluta, conforme trecho transcrito a seguir: O Plenário do STF assentou, no INQ 2.424, que a inviolabilidade do escritório de advocacia equiparado a domicílio não é absoluta, podendo ser afastada quando o próprio advogado seja suspeito da prática de crime. Extraise da ementa do referido precedente o seguinte: "Não opera a inviolabilidade do escritório de advocacia, quando o próprio advogado seja suspeito da prática de crime, sobretudo concebido e consumado no âmbito desse local de trabalho, sob pretexto de exercício da profissão" (Inq 2424, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 26/11/2008, DJe 055 DIVULG 25032010 PUBLIC 26032010 EMENT VOL 0239502 PP00341). No presente caso, como bem observou a DRJ, além de o local de realização da medida de busca e apreensão não corresponder a escritório de advocacia, quem possuía habilitação para exercer a profissão de advogado "atuava, na verdade, como gestor do grupo de empresas MICROCAMP" (fl. 35.012). A busca e apreensão foi realizada em local onde eram praticados atos voltados à sonegação fiscal, passíveis eventualmente de tipificação como crimes contra a ordem tributária, e não recaiu sobre escritório de advocacia. Por fim, verifico que o lançamento foi lavrado com observação aos requisitos previstos no artigo 142 do CTN, fruto de análise minuciosa de todos os documentos apreendidos durante a ação conjunta envolvendo a Receita Federal do Brasil, a Polícia Federal e o Ministério Público, no âmbito da Operação "AVARITIA". O Relatório de Ação Fiscal contém todas as etapas levadas a efeito, análise de todos os documentos apreendidos, a Fl. 35447DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.430 37 metodologia de apuração da base de cálculo, e todos os demais elementos necessários para que a recorrente exercesse seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Pelo exposto, afasto a preliminar de nulidade do lançamento. Ultrapassada a preliminar de nulidade, a recorrente pede a conversão do julgamento em diligência para verificar se houve erros e falhas da escrituração comercial e fiscal, quais valores foram excluídos do lançamento tributário e constavam nos extratos bancários, quais créditos bancários geraram dúvidas e quais valores foram transferidos pelas empresas citadas. Solicita, ainda, que a diligência providencie a exclusão dos documentos obtidos na sala do advogado da empresa Sr. Edson Ferreira Lisboa. A diligência deve ser negada pois a análise dos extratos bancários em nada interferem no lançamento. Como dito antes, o lançamento não decorre da presunção de omissão de receita previsto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Quanto à verificação se há falhas na escrituração comercial e fiscal, também não há necessidade, pois os documentos apresentados pela recorrente durante a ação fiscal estão nos autos, sendo possível a esta conselheira formar convicção se era cabível ou não o arbitramento do lucro, que será devidamente analisado no mérito. Por fim, diligência não se presta para exclusão de documentos acostados aos autos, principalmente se obtidos de forma legal, e que se prestam para demonstração do ilícito tributário. No mérito, a recorrente afirma que as empresas são independentes, e que a decisão recorrida incorreu em erro de fato e de direito na análise do material coligido aos autos, citando exemplos que não constavam no Relatório. Não há como acatar a afirmação de que as empresas seriam autônomas, e que a recorrente teria atuado como um Centro de Serviços Compartilhados. Os documentos apreendidos demonstram justamente o contrário, e a decisão recorrida foi impecável em sua análise, não se limitando a transcrever o Relatório de Ação Fiscal, mas sim analisando todos os elementos de prova constantes nos autos. De fato, é farta a comprovação de que as filiais eram totalmente dependentes, sem qualquer autonomia gerencial ou financeira. Durante a operação, foram apreendidos: 1) documentos que comprovam os valores remetidos e apresentam detalhes sobre os numerários que eram carreados mensalmente da filiais para a matriz; 2) planilhas com controles mensais referentes a dados gerenciais de todas as filiais, com previsão dos numerários a serem arrecadados e o percentual de cumprimento das metas, com base nas quais eram distribuídos prêmios; 3) controles gerenciais demonstrando que as filiais eram divididas em time designados por cores de acordo com o faturamento anual, sendo elaborado ranking entre elas. 4) emails demonstrando rígido controle dos processos trabalhistas sofridos por todas as filiais; 5) comunicados orientando, de maneira centralizada, acerca dos salários do "Professor", "Coordenador" e "Pedagoga", bem como o número de demissões dos funcionários. Fl. 35448DF CARF MF 38 O conjunto probatório é mais que suficiente para demonstrar que o grupo, denominado na ação fiscal de Escola MICROCAMP/ABC, é gerenciado de forma centralizada pela recorrente, e também pela MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA, e que as demais empresas, ainda que (1) possuíssem CNPJ próprio, (2) tivessem apresentado DIPJ e DCTF, (3) possuíssem funcionários e (4) despesas próprias, tinham a função precípua de arrecadadores, com total subordinação à matriz, com metas a cumprir e regras a observar, condições pertinentes a filiais. Há que se destacar a análise minuciosa desta farta documentação obtida, feita pela autoridade autuante, consubstanciada no "Anexo de Documentação Comprobatória" de fls. 33.703/33.914, do qual extraio os seguintes trechos: 2 Os documentos elencados abaixo comprovam documentalmente as bases de cálculo utilizadas para constituir se os créditos tributários lançados como decorrência da presente Ação Fiscal bem como demonstram a forma de constituição de matriz e filiais da Escola MICROCAMP/ABC, cuja matriz recebeu a razão social de CRC CENTRAL DE RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA. – ME em sua atuação conjunta com a MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS E INFORMÁTICA LTDA. 3 Esses documentos também demonstram que os sócios proprietários da Escola MICROCAMP/ABC, senhor Eloy Tuffi, CPF 507.066.08887 e senhora Marlene Rito Nicolau Tuffi, CPF 116.227.99828, fruíram dos recursos omitidos através de dispêndios pessoais levados a efeito através da utilização de conta corrente mantida em empresa paralela à matriz da fiscalizada, ACME Distribuidora de Livros Ltda. 4 Os documentos enumerados de DOC 0001 a DOC 0035 contém controles gerenciais encontrados na sala do vice presidente da Escola Microcamp/ABC, Dr. Edson Ferreira Lisboa, e demonstram o faturamento da escola para os anos calendário 2010, 2011 e 2012. 5 Os documentos enumerados de DOC 0036 a DOC 0071 contém documentos contábeis que comprovam a veracidade dos controles gerenciais encontrados na sala do vicepresidente da Escola Microcamp/ABC, e demonstram detalhadamente o faturamento da escola para os anoscalendário 2010, 2011 e 2012. (...) 51) DOC 0051 MICROCAMP 065 PORTO ALEGRE 308 folhas: Rabiscos a mão demonstrando que as despesas das unidades eram assim divididas: 20% Holding, 20% Presidência, 10% Marketing e Desenvolvimento de Pessoas, 30% destinados ao Sr. Eloy Tuffi e outros negócios e 20% restante para as unidades, Fechamento Mensal, Movimento de Caixa, Relatório de Endividamento de Filial, Extratos Bancários 11/2011 a 12/2012 Protocolo de entrega de documentos 2011; Aditivo de Contrato de Locação Predial 01/08/2011; Certidão de Casamento de Eloy Tuffi com Marlene Rito Nicolau em 20/04/1999; DIRPFs 2008/2007 de Marlene Rito Nicolau Tuffi e Eloy Tuffi; Fl. 35449DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.431 39 (...) Do exposto, concluo que restou comprovado que esta estrutura empresarial tinha o objetivo de dar uma aparência de legalidade nas operações comerciais, na qual a recorrente supostamente atuaria como factoring das empresas ligadas ao grupo da Escola MICROCAMP/ABC. Entretanto, o verdadeiro objetivo seria a sonegação de cerca de 80% do faturamento das filiais, recursos que eram gerenciados pela recorrente, que efetuava o pagamento das despesas necessárias para manutenção da estrutura organizacional, pagava despesas pessoais do Sr. Eloy Tuffi e Srs. Marlene Rito Nicolau, bem como investia em outros negócios pertencentes aos sócios. Entretanto, não havia qualquer registro contábil de todas estas operações. A seguir transcrevo o item 107 do Relatório de Ação Fiscal com a conclusão da autoridade autuante: 107 No presente caso em análise, o caso da indigitada Escola MICROCAMP/ABC, embora tenha havido o registro de um número superior a 60 (sessenta) filiais nos cadastros do CNPJ e o registro de Contratos Sociais independentes na Junta Comercial, fatos concretos existentes no mundo real permitem concluir que não existem sessenta ou mais empresas envolvidas, mas apenas uma grande empresa que se utilizou da simulação para deliberadamente reduzir os tributos e contribuições que eram devidos sobre as atividades por ela desempenhadas. Pelo exposto, afasto a alegação que seriam várias empresas autônomas e independente, passando para análise da defesa quanto ao procedimento para determinação da base de cálculo dos tributos, tendo como premissa tratarse de uma única empresa. De acordo com o Relatório da Ação Fiscal, itens 110 a 112, o arbitramento do lucro foi necessário já que: 1) a receita total apurada, em cada anocalendário, ultrapassou o limite de R$ 48.000.000,00 permitido Lucro Presumido, nos termos do artigo 14 da Lei nº 9.718/98, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002. 2) mesmo intimada para recompor a escrituração contábil para os anos calendário de 2010 e 2011, a fim de efetuar o registro detalhado de toda movimentação financeira mantida em bancos, identificando em todos os históricos de lançamentos a origem e o destino dos recursos gerenciados, a recorrente se manteve inerte. Em resposta à intimação, a recorrente informou que aguardaria manifestação específica da fiscalização quanto aos itens que geraram dúvidas ou tidos como deficientes, bem como os itens que precisariam ser esclarecidos. Concluiu a autoridade autuante que a recorrente não apresentou escrituração contábil e fiscal necessária à apuração dos tributos, o que levou ao arbitramento do lucro nos termos do artigo 47 da Lei nº 8.981/95, destacando os seguintes incisos: “Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei Fl. 35450DF CARF MF 40 nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Com base na legislação citada, verifico que a intimação para recompor a escrituração contábil e fiscal não é condição para apurar o lucro com base no arbitramento, bastando identificar uma das situações nelas previstas. Logo, não há porque cancelar o lançamento relativo ao anocalendário de 2012. Ademais, o motivo para o arbitramento é claro. A recorrente optou indevidamente pelo lucro presumido considerando a totalidade de receitas apuradas pela Escola MICROCAMP/ABC. E, mesmo intimada a recompor a escrituração contábil para os anos calendário de 2010 e 2011, não o fez. E sua inércia sequer está justificada, já que a intimação para recompor foi clara ao determinar o que deveria ser observado para sanar as inconsistências da sua escrituração contábil: efetuar o registro detalhado de toda movimentação financeira mantida em bancos, identificando em todos os históricos de lançamentos a origem e o destino dos recursos gerenciados. E, uma vez definido que o lucro seria arbitrado, a receita bruta foi determinada utilizando os relatórios detalhados, elaborados pelo próprio grupo e apreendidos em sua sede, que davam conta do faturamento real das filiais. Diferente do que alega, foi desnecessária a análise das contas correntes das filiais. Em que pese a insistência da recorrente em apontar suposta inobservância ao artigo 42 da Lei nº 9.430/96, a base de cálculo foi obtida por prova direta. Da mesma forma, também foi desnecessária a análise da escrituração e das declarações das filiais, como afirma a recorrente. Os relatórios forneceram todas as informações necessárias para apuração dos créditos tributários, já que os faturamentos eram a nível de filial e mensal, conforme tela a seguir: Fl. 35451DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.432 41 E, por terem sido obtidos na sede da empresa, por meio de Mandados de Busca e Apreensão, o fato de que os relatórios não se encontram assinados ou carimbados não retira a confiabilidade das informações deles extraídas. Por outro lado, considerando tratarse de um controle gerencial interno, no âmbito de um esquema que visa a sonegação, seria de se estranhar que os documentos fossem impressos para obtenção de assinaturas dos responsáveis com "De acordo" ou algo que o valha. Transcrevo o trecho da decisão recorrida que bem retrata a situação: O fato de que os demonstrativos não estão assinados ou carimbados não lhes diminui o valor probatório. Não há exigência legal de que demonstrativos gerenciais sejam firmados por sócios, gerentes ou prepostos. Ademais, a falta de oficialidade dos documentos é apenas conseqüência do fato de a empresa ter forjado uma complexa estrutura com o fim praticar evasão fiscal. Não se pode pretender, em situações como a ora analisada, que o contribuinte confesse, com firma reconhecida, a prática de infrações tributárias. Do contexto cognoscitivo dos autos se infere elevada credibilidade dos referidos demonstrativos, de modo que são eles a fonte de informações mais precisa para a correta apuração dos créditos tributários lançados. Quanto ao percentual aplicado, foi correto o procedimento adotado na determinação dos tributos, considerando que o objeto social do grupo Escola MICROCAMP/ABC é essencialmente a prestação de serviços dentro da educação complementar. Se para o gerenciamento dos recursos obtidos, consignados nos relatórios, não importava se os mesmos eram derivados da prestação de serviço ou de venda de livros, este ônus não pode ser imputado ao auditor fiscal. Ademais, como bem argumentou a decisão recorrida, esta alegação não procede pois, "consoante o art. 537, parágrafo único, do Decreto n° 3.000/1999 (RIR), no caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado" Já com relação à qualificação da multa de ofício, diferente do que alega em seu recurso, restou devidamente comprovado que tratase de simulação perpetrada pelo grupo Escola MICROCAMP/ABC, com o objetivo de reduzir os tributos e contribuições que seriam devidos nas atividades desempenhadas. A Escola MICROCAMP/ABC traçou uma estratégia de dividir suas receitas em pequenas parcelas, simulando a existência de várias empresas independentes, com a finalidade de enquadrar no lucro presumido. Mas, além disso, montou um esquema no qual aproximadamente 80% do faturamento de cada filial era sonegado. O modus operandi é demonstrado no esquema a seguir: Fl. 35452DF CARF MF 42 Consta planilha no Relatório da Ação Fiscal na qual estão discriminadas todas as filiais, o seu faturamento real anual apurado com base nos documentos apreendidos, e também o faturamento declarado em DIPJ. Abaixo trago uma parte da planilha, demonstrando que a sonegação girava em torno de 80% do faturamento. Ainda comprovando o esquema no qual centralizava todos os recursos das filiais, constam relatórios e gráficos com os valores arrecadados sob várias rubricas, bem como o destino destes recursos as Saídas. Abaixo, exemplo relativo ao mês de fevereiro/2010: Análise do AFRFB: O documento revela a verdadeira estrutura de gerenciamento de recursos financeiros e funcionamento administrativo centralizado na matriz da Escola Fl. 35453DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.433 43 MICROCAMP/AC, a qual possuía uma contabilidade paralela para efetuar o controle de seus recursos financeiros. *Consta no relatório Anexo de Documentação Comprobatória, às fls. 33.715 Análise do AFRFB: O documento revela para o mês de fevereiro de 2010 que, uma vez reunidos na matriz da Escola Microcamp/ABC os recursos financeiros da empresa, estes eram destinados a investimentos das pessoas físicas sócias proprietárias de acordo com seus interesses, afrontando diametralmente o Princípio da Entidade, fundamento basilar da Ciência Contábil, confundindo os interesses das pessoas físicas com aqueles próprios da pessoa jurídica. Revela outrossim, que aproximadamente um terço dos recursos da empresa permaneciam sob a forma de numerário, dificultando sobremaneira a sua fiscalização. *Consta no relatório Anexo de Documentação Comprobatória, às fls. 33.716 Diante dos fatos constatados, concordo com a conclusão do auditor autuante, nos termos consignados no item 145 do Relatório de Ação Fiscal: 145 Os fatos ora narrados revelam a prática de sonegação fiscal sob o manto de uma documentação pretensamente legal. Tal documentação guarda as seguintes características: > Deixa a realidade dos fatos oculta ao fisco federal uma vez que, se os documentos forem analisados individualmente e em período estanque no tempo, possuem características lícitas, mas se analisados em seu conjunto e durante todo o tempo em que demoraram para ter seus fins implementados demonstram cabalmente sua ilicitude; > Estão eivados de simulação e fraude, pois ocultam em seu cerne o seu real propósito; Fl. 35454DF CARF MF 44 > Foram praticadas com o conhecimento de várias pessoas físicas com o fim específico de promover a redução do recolhimento dos tributos federais. Por fim, transcrevo trecho da decisão recorrida, como fundamento que adoto para manter a multa de ofício qualificada de 150% Todos os fatos até aqui referidos demonstram à exaustão que os créditos tributos apurados e lançados não são fruto de mero equívoco contábil e de conduta não intencional. Conforme relata a autoridade autuante (fls. 3368033691) houve prática reiterada de simulações na abertura de filiais como se fossem pessoas jurídicas autônomas da matriz, procedimento adotado para reduzir a carga tributária da empresa, por meio da omissão de receitas e da submissão das parcas receitas declaradas à sistemática de tributação do lucro presumido. Está devidamente caracterizada nos autos a prática das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, quais sejam: sonegação (toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária); fraude (toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária); conluio (ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando a prática de sonegação ou fraude). Em consequência, correta a aplicação de multa qualificada (150%) sobre os tributos lançados, tal como determina o art. 44, II, § Io, da Lei n° 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei n° 11.488/2007. Uma vez mantida a multa de ofício qualificada, o prazo decadencial do lançamento deve observar o previsto no artigo 173, inciso I do CTN. Com efeito, para os fatos geradores do anocalendário de 2010, com exceção do mês de dezembro, a contagem do prazo decadencial inicia em 01/01/2011, encerrandose em 31/12/2015. Como a ciência do lançamento ocorreu em 17/12/2015, restou comprovado que não decaiu o direito ao lançamento. Por fim, falta analisar o pedido para sejam excluídos os valores que foram recolhidos a título de impostos e contribuições de todas as empresas relacionadas no Relatório de Ação Fiscal. Acerca desta questão, assim se manifestou a autoridade fiscal, no item 176 do TVF: 176 Poderão ser aproveitados os recolhimentos de tributos e contribuições efetuados pela fiscalizada utilizandose o CNPJ simulado de suas filiais a seu critério e atendendo sua expressa manifestação neste sentido. De fato, como a totalidade dos faturamentos foram objeto de lançamento, incluindo as receitas já declaradas nas DIPJ das filiais, ainda que tenha sido apurado pelo Lucro Presumido, é cabível a dedução dos créditos tributários lançados pelos valores já recolhidos. Fl. 35455DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.434 45 Por todo acima exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário da recorrente CRC Central de Recebimento de Cheques S/S, para que o crédito tributário seja reduzido, com o aproveitamento tributos e contribuições (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) efetivamente recolhidos ou confessados pela recorrente e pelas filiais, relativos às receitas declaradas nas respectivas DIPJ pelo Lucro Presumido, nos anos calendário de 2010, 2011, 2012. RECURSO VOLUNTÁRIO DO SR. ELOY TUFFI O recurso voluntário apresentado pelo Sr. Eloy Tuffi alega que o lançamento em é nulo em razão de (i) impossibilidade de arbitramento; (ii) cerceamento ao direito de defesa, pois a recorrente não teve acesso ao trabalho investigativo utilizado pela fiscalização; (iii) utilização de documentos obtidos na sala e computador do advogado; (iv) cerceamento ao direito defesa, pois há dúvidas quanto ao valor que teria sido omitido; (v) ausência de individualização do material apreendido pela Polícia Federal; (vi) falta de intimação da responsável solidária MC CAMP, o que torna a decisão recorrida nula A grande parte das alegações já foram analisadas no julgamento do recurso da CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA, e já devidamente afastadas, com exceção da alegação de que houve cerceamento ao direito de defesa em função da ausência de individualização do material apreendido pela Polícia Federal. Ocorre que todos os documentos necessários para o exercício do direito de defesa estão acostados aos autos, disponibilizados à recorrente. Não há qualquer prejuízo a falta de acesso a material sigiloso e a ausência de individualização do material apreendido pela Polícia Federal. Ademais, como bem lembrado pela PFN nas contrarrazões, a Súmula Vinculante nº 14 do STF estabelece que "É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. Quanto ao mérito, alega que a responsabilidade foi imputada sem provas das condutas praticadas com excesso de poder e/ou infração à lei. Afirma, ainda, que a decisão recorrida incorreu em erro, alterando o fundamento para manutenção da responsabilidade pessoal. Não assiste razão à recorrente. As provas constantes nos autos são consistentes e comprovam que houve excesso de poderes, com utilização dos recursos do grupo para gastos pessoais e outros investimentos. Os itens 167 a 174 do Relatório de Ação Fiscal citam várias situações das quais o recorrente não justifica ou nega. Da mesma forma constam, nos relatórios que analisam toda a documentação apreendida e anexada aos autos, fls. 33.703/33.915, vários outros exemplos que demonstram que o recorrente agiu com excesso de poderes e infração à lei. E nem há como refutar as provas, pois os relatórios gerenciais ratificam esses fatos, como o exemplo do gráfico já reproduzido neste voto, no qual demonstra que, em fevereiro/2010, 14,55% das saídas foram aplicados em outros negócios pertencentes à recorrente. Fl. 35456DF CARF MF 46 E a decisão recorrida, quando mencionou que teria ocorrida a tentativa de blindagem patrimonial, não inovou pois se baseou no citado Relatório de Ação Fiscal. Transcrevo o item 171 do relatório: 171 Com a finalidade de criar uma “blindagem patrimonial” e manter parte seu patrimônio afastado de possíveis pendengas judiciais causadas pela gestão fraudulenta da empresa, o Sr. Sr. Eloy Tuffi e sua exesposa Sra. Marlene Rito Nicolau Tuffi criaram dezenas de CNPJs distintos os quais passaram a simular a existência de empresas independentes nos locais em que existiam filiais da Escola MICROCAMP/ABC. Através desses CNPJs foi registrada toda a frota de veículos do casal, inclusive seus veículos de maior luxo, cujos custos de seguros eram todos gerenciados e pagos por sua matriz. Ao final de sua impugnação, a recorrente requer, ainda, a exclusão do ano calendário de 2012, redução da multa de ofício de 150% para 75%, decadência dos períodos anteriores a dezembro de 2010, e que a base de cálculo seja a movimentação financeira expurgando valores que dispensam demonstração de origem, como devolução de cheque. Estas alegações já foram devidamente afastadas quando da análise do recurso voluntário da CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA. Por todo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do Sr. Eloy Tuffi. RECURSO VOLUNTÁRIO DE SRA. MARLENE RITO NICOLAU Inicio pelo pedido de diligência para confirmar os pagamentos de PIS e COFINS. O mesmo deve ser indeferido, pois não alterará o resultado do julgamento no que concerne se ocorreu ou não a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento. Isto porque já formei convicção de que houve a comprovação do dolo, com aplicação de multa de ofício qualificada de 150%, que leva a contagem do prazo decadencial nos termo do artigo 173, inciso I do CTN, e não pelo artigo 150, § 4º do CTN. Logo, é desnecessária a comprovação de ocorrência de pagamento de PIS e COFINS. A recorrente alega que jamais participou da gestão administrativa, contábil e fiscal, pois a condução dos negócios era apenas do Sr. Eloy Tuffi. Afirma que são inaplicáveis os artigos 135 e 124, inciso I do CTN. Requer que seja reduzida a multa de ofício de 150% para 75% pela falta de comprovação de conduta que sustentasse a acusação fiscal. Não prospera as alegações da recorrente, diante da farta documentação trazida aos autos. Os itens 167 a 174 do Relatório de Ação Fiscal citam várias situações das quais a recorrente não justifica ou nega. Da mesma forma constam, nos relatórios que analisam toda a documentação apreendida e anexada aos autos, fls. 33.703/33.915, vários outros exemplos que demonstram que o recorrente agiu com excesso de poderes e infração à lei. E nem há como refutar as provas, pois os relatórios gerenciais ratificam esses fatos, como o exemplo do gráfico já reproduzido neste voto, no qual demonstra que, em fevereiro/2010, 14,55% das saídas foram aplicados em outros negócios. Entretanto, verifico uma situação que diferencia a recorrente do Sr. Eloy Tuffi. Conforme itens 163 e 164 do Relatório de Ação Fiscal, a partir de 01/09/2011, a recorrente ficou exclusivamente responsável por 29 filiais. Cotejando essas 29 filiais com a Fl. 35457DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.435 47 planilha de fls. 33.916 a 33.927, da qual constam todos os faturamentos mensais de cada filial dos anoscalendário de 2010 a 2012, é possível verificar que, relativo a essas 29 filiais sob exclusiva responsabilidade da recorrente Marlene Rito Nicolau, os lançamentos dos créditos tributários só consideram os valores apurados nos meses de janeiro/2010 a agosto/2011. Constatado este fato, entendo que não é possível imputar a responsabilidade à recorrente Sra. Marlene Rito Nicolau de créditos tributários apurados com base nos faturamentos das filiais que ficaram exclusivamente sob a responsabilidade do Sr. Eloy Tuffi. Para essas filiais, cujos faturamentos serviram de base de cálculo dos meses de setembro/2011 a dezembro/2012, a recorrente não tem qualquer participação societária nos termos do acordo de conciliação na ação de divórcio, ou comprovação de conduta com excesso de poderes ou infração à lei neste período. Assim, em que pese os ativos das 29 filiais terem sido transferidos, ainda que informalmente, para titularidade da recorrente, a eles só competem garantir o crédito tributário pertinente ao período em que eles faziam parte do grupo, e que contribuíram na geração das receitas omitidas, ou seja, de janeiro/2010 a agosto/2011. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter a responsabilidade solidária da recorrente, Sra. Marlene Rito Nicolau, nos créditos tributários lançados para os meses de janeiro/2010 a agosto/2011. RECURSOS VOLUNTÁRIOS DE ENNT Comércio, Serviços e Participações EIRELI e MC Cursos e Recebimentos de Cheques S/S LTDA. Os recursos voluntários apresentados pelas empresas ENNT Comércio, Serviços e Participações EIRELI e MC Cursos e Recebimentos de Cheques S/S LTDA serão julgados em conjunto, pois foram responsabilizadas pelos mesmos fundamentos de fato e de direito, e apresentaram alegações semelhantes, resumidas a seguir. As recorrentes se defendem alegando que não ocorreu uma cisão, mas sim uma partilha dos bens entre os sócios Eloy Tuffi e Marlene Rito Nicolau Tuffi. Afirmam que são inaplicáveis os artigos 135 e 124, inciso I do CTN. A recorrente ENNT Comércio, Serviços e Participações EIRELI alega que só foi constituída após o divórcio, sendo sequer citada na partilha, enquanto que a outra recorrente, MC Cursos e Recebimentos de Cheques S/S LTDA, afirma que nunca participou da gestão administrativa. Requerem, se mantido a autuação, que a multa de ofício seja reduzida para 75% e que o anocalendário 2010 seja excluído em razão da decadência. Antes de me pronunciar, vejamos a fundamentação para que as recorrentes sejam incluídas no pólo passivo. De acordo com o itens 162/166 do TVF, o auditor fiscal informa que ocorreu uma cisão de fato nos negócios da Escola MICROCAMP/ABC, com a criação de uma nova matriz informal situada na cidade de São Paulo, composta pelas empresas MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190 e ENNT COMERCIO SERVICOS E PARTICIPACOES – EIRELI, CNPJ nº 14.423.288/000111. Esta nova estrutura, agora sob a direção da Sra. Marlene Rito Nicolau, repete o mesmo esquema de sonegação, e recebeu os ativos das 29 (vinte e nove) filiais que antes estavam reunidas sob a Fl. 35458DF CARF MF 48 gerência da primeira matriz, de Campinas. Assim, a partir de 01/09/2011, os ativos anteriormente pertencentes de fato à fiscalizada (CRC Central de Recebimento de Cheques S/S), foram transferidos de forma informal a nova matriz, agora em São Paulo, composta por estes dois CNPJ. Ou seja, segundo o auditor fiscal, a fiscalizada teve seu patrimônio não reconhecido formalmente transferidos a terceiros, que, na qualidade de beneficiários, deverão responder subsidiariamente pelos tributos devidos. Transcrevo o item 166 com o enquadramento legal para a sujeição passiva por responsabilidade tributária: 166 Assim, conforme previsão legal contida nos artigos 208 e 209 do RIR/99, em decorrência da CISÃO PARCIAL citada, constatase a SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA das empresas MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190 e ENNT COMERCIO SERVICOS E PARTICIPACOES – EIRELI, CNPJ 14.423.288/000111 pelos créditos tributários constituídos ou a constituir tendo como sujeito passivo a fiscalizada CRC CENTRAL DE RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA. – ME, CNPJ 08.831.108/000138 e, por conseguinte devendo arcar com todas as suas responsabilidades e deveres tributários nos termos da lei. Abaixo, os citados dispositivos legais: Art. 207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei nº 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º): (...) III a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; (...) Parágrafo único. Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º, § 1º): (...) II a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial; (...) Art. 209. O disposto neste Capítulo aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nele referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data (Lei nº 5.172, de 1966, art. 129). Os artigos 207 e 209 do RIR/99 tratam de responsabilidade dos sucessores. Em caso de cisão parcial, os créditos tributários da pessoa cindida, relativos aos fatos geradores Fl. 35459DF CARF MF Processo nº 10830.727419/201588 Acórdão n.º 1302003.077 S1C3T2 Fl. 35.436 49 até a data do ato, tanto podem ser exigidas dela mesma, bem como das que receberam as parcelas patrimoniais, uma vez que são solidárias estabelecidas por lei. Ainda acerca da cisão em função do divórcio entre Sr. Eloy e Sra. Marlene, e do novo esquema formalizado em São Paulo, o auditor fiscal consignou em relatório, no item 76, que: 76 Sra. Marlene Nicolau Tuffi passou a organizar as suas filiais da Escola MICROCAMP/ABC a partir de uma nova matriz informal situada na cidade de São Paulo a partir de SETEMBRO de 2011. Seguindo o procedimento de simulação que havia sido plenamente utilizado para a matriz de Campinas SP e que havia sido considerado um modelo de SUCESSO para a SONEGAÇÃO FISCAL, a nova proprietária isolada de 29 (vinte e nove) filiais passou a utilizar como matriz as seguintes empresas, as quais passaram a atuar como centro financeiro de recursos e a serem utilizadas especificamente dedicadas ao fim de gerenciar às filiais que ficaram sob seu comando: • MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA, CNPJ 11.693.962/000190, situada à Av. Rebouças, 2511 – Pinheiros – São Paulo – SP – CEP 05.401300 e; • ENNT COMERCIO SERVICOS E PARTICIPACOES – EIRELI, CNPJ 14.423.288/000111, situada à Avenida Paulista, 1.765 – 2º andar – Cerqueira César – São Paulo – SP – CEP 01.311930. Da leitura do TVF, verifico que a responsabilidade por sucessão das recorrentes, atribuída pelo auditor fiscal, partiu da premissa que a Sra. Marlene manteve o mesmo procedimento utilizado pela Escola Microcamp/ABC em Campinas, mas agora em São Paulo. Segundo o auditor fiscal, a nova matriz seria formada pelas duas recorrentes, MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA e ENNT COMERCIO SERVICOS E PARTICIPACOES – EIRELI, as quais teriam assumido as funções da CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA e MC CAMP DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA, respectivamente. Ocorre que, compulsando todos os documentos constantes nos autos, não foi possível para esta conselheira chegar a mesma conclusão. É possível verificar a existência de Mandados de Busca e Apreensão na sede das citadas empresas, em São Paulo. Entretanto, não consta nos autos qualquer documento que comprove que as duas recorrentes assumiram a função de centralização e gerência das 29 (vinte e nove) filiais que a Sra. Marlene recebeu em decorrência do divórcio. É certo que foi uma operação de grande vulto, com vários documentos analisados para entender e comprovar o planejamento tributário em curso na Escola Microcamp/ABC. Já destaquei anteriormente o imenso trabalho do auditor fiscal na comprovação do fatos que ensejaram o presente lançamento. No entanto, entendo que a imputação de responsabilidade para pagamento de créditos tributários de terceiros requer a perfeita demonstração dos fatos para que permitiriam a subsunção aos fundamentos legais aqui apontados os artigo 207 e 209 do RIR/99. No presente caso, concluo que não restou comprovado nos autos que as recorrentes MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA e ENNT COMERCIO SERVICOS E PARTICIPACOES – EIRELI,, teriam Fl. 35460DF CARF MF 50 recebido os ativos das 29 (vinte e nove) filiais, assumindo a gerência da nova matriz, agora sob a responsabilidade da Sra. Marlene Rito Nicolau. Inexistindo essa comprovação, não há como imputar aos recorrentes a responsabilidade para o pagamento dos créditos tributários aqui lançados. Por todo acima exposto, voto por dar provimento aos recursos voluntários das recorrentes MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA e ENNT COMERCIO SERVICOS E PARTICIPACOES – EIRELI, excluindoas do pólo passivo deste auto de infração. CONCLUSÃO DO VOTO Por todo acima exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade e decadência, e, no mérito, por: 1) dar provimento parcial ao recurso voluntário da recorrente, sujeito passivo principal CRC Central de Recebimento de Cheques S/S LTDA, para reduzir os créditos tributários lançados com o aproveitamento dos recolhimentos dos tributos e contribuições efetivamente recolhidos e/ou confessados pela recorrente e pelas filiais nos períodos de apuração objetos do lançamento; 2) negar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Sr. Eloy Tuffi; 3) dar provimento parcial ao recurso voluntário da responsável solidária Sra. Marlene , mantendo a responsabilidade para os créditos tributários constituídos até 08/2011; 4) dar provimento aos recursos voluntários das recorrentes MC CURSOS E RECEBIMENTO DE CHEQUES S/S LTDA e ENNT COMERCIO SERVICOS E PARTICIPACOES – EIRELI, excluindoas do pólo passivo deste auto de infração. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 35461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002888/2006-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DEMAIS RECEITAS.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços.
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF.
Numero da decisão: 3302-005.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo das contribuições as receitas financeiras.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente substituto
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DEMAIS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo das contribuições as receitas financeiras. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 28 88 /2 00 6- 47 Fl. 589DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 3 2 Fenelon Moscoso de Almeida Presidente substituto (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório da decisão de piso: 1. DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e à contribuição para o Programa de Integração Social PIS dos meses de janeiro a dezembro de 2002. Nos Termos de Verificação (fls. 59 a 61, 70 a 72), relata a fiscalização que, embora intimada e reintimada (fls. 4, 5, 17, 18, 19), a contribuinte não apresentou sua escrita fiscal e contábil. Assim, informa a fiscalização que apurou os valores devidos a título de PIS e de COFINS com base nas informações constantes da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, tendo lavrado autos de infração para a exigência dos seguintes valores (fls. 66 a 68 e 77 a 79): Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) Art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; artigos 2o, 3o e 8o da Lei n° 9.718/98, com as alterações promovidas pelas Medidas Provisórias n° 1.807/99 e reedições e 1.858/99 e reedições; artigos 2o, inciso II e parágrafo único, 3o, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002. 360.932,99 Juros de Mora (calculados até 31/10/2006) Art. 61, §3°, da Lei n° 9.430/96. 265.481,59 Multa Proporcional Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 e art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. 270.699,70 TOTAL 897.114,28 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em RS Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) Artigos 1° e 3o da Lei Complementar n° 7/70; artigos 2o, inciso I, 8o, inciso I, e 9o da Lei n° 9.715/98; artigos 2o e 3o 83.263,07 Fl. 590DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 4 3 da Lei n° 9.718/98; artigos 2o, inciso I, alínea 'a' e parágrafo único, 3o, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002. Juros de Mora (calculados até 31/10/2006) Art. 61, §3°, da Lei n° 9.430/96. 60.836,31 Multa Proporcional Art. 86, §1°, da Lei n° 7.450/85, art. 2o da Lei n° 7.683/88 e art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 62.447,26 TOTAL 206.546,64 2. DAS IMPUGNAÇÕES Cientificada das autuações em 19/12/2006 (fls. 66 e 77), a contribuinte apresentou, em 18/01/2007, a impugnação de fls. 82 a 112, acompanhada dos documentos de fLs. 113 a 265, relativamente ao PIS, e a impugnação de fls. 266 a 294, acompanhada dos documentos de fls. 295 a 435, relativamente à COFINS. Sintetizamse, a seguir, os argumentos apresentados nas duas impugnações. 2.1. Da nulidade dos autos de infração A impugnante alega que o lançamento tributário, disciplinado no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, pressupõe a investigação de todas as circunstâncias que envolvem a identificação do dever jurídico de pagar o tributo: desde a verificação da ocorrência do fato tributável, até o quanto a pagar, passando pela individuação do sujeito obrigado. Assim, argumenta que, para que possa proceder ao lançamento de ofício, deve o agente fiscal ter reunido provas da ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação, sendolhe vedado basear sua ação em meras presunções e em trabalho fiscal precário, eivado de erros e incertezas. No caso concreto, a impugnante alega contradição nos autos de infração, pois a fiscalização afirma, nos Termos de Verificação, que a impugnante não apresentou sua escrita fiscal e contábil, mas, nos Termos de Encerramento, informa que procedeu à devolução dos documentos fiscais examinados no curso da fiscalização. A impugnante sustenta que entregou à fiscalização os documentos pertinentes às exigências feitas, à exceção dos documentos destruídos por enchente que vitimou suas dependências. Acrescenta que, "apesar de não ter feito protocolo formal da entrega de tais documentos, é de rigor a constatação de que tal entrega ocorreu, consoante atestam os inclusos recibos de táxi e de motoboy, decorrentes das entregas de documentos efetivadas pela Reqte. ao Sr. Agente Fiscal." A impugnante também alega que as bases de cálculo apuradas pela fiscalização com base na DIPJ apresentam erros, o que denota a fragilidade do trabalho fiscal. Em relação às bases de cálculo, a impugnante aponta os seguintes erros: i) Em relação aos meses de agosto, setembro e outubro de 2002, a fiscalização utilizou, como receita bruta, valor diverso do informado na DIPJ, conforme quadro demonstrativo abaixo: Período DIPJ (R$) Lançamento (R$) agosto 1.905.344,47 1.572.249,38 setembro 1.572.249,38 1.779.223,20 Fl. 591DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 5 4 outubro 1.779.223,20 1.905.344,47 ii) Na planilha elaborada pela fiscalização, foram adicionados à receita bruta valores referentes a juros recebidos e descontos obtidos, os quais já integram a própria receita bruta, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 125 e 363, resultando em dupla tributação sobre a mesma grandeza. Sustenta a impugnante que não se pode admitir a subsistência de lançamento fiscal marcado pela precariedade e erros na apuração da base de cálculo, devendo o mesmo ser declarado nulo. 2.2. Das exclusões da base de cálculo autorizadas pela legislação A impugnante alega que o art. 3o, §2°, da Lei n° 9.718/98 permite a exclusão de vendas canceladas, devoluções de vendas e descontos incondicionais concedidos na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Entretanto, argumenta que a fiscalização não considerou essas exclusões ao apurar a matéria lançada de ofício. Assim, requer a exclusão de tais valores na apuração das contribuições em comento. A título exemplificativo, a impugnante junta cópias de notas fiscais que comprovam a concessão de descontos incondicionais e o cancelamento de vendas (fls. 133 a 169) e alega que a comprovação de tais exclusões encontrase à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. A impugnante também alega que realiza constantes operações de vendas para empresas comerciais exportadores e para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, cujas receitas são isentas de PIS e de COFINS, a teor do disposto nas Medidas Provisórias n° 2.11326/2000 e n° 2.15835/2001. Como exemplos de tais operações, junta cópias de notas fiscais às fls. 127 a 132. Alega que nem todos os documentos fiscais comprobatórios desse tipo de venda estão em seu poder, pois suas dependências foram vitimadas por enchente em maio/2005, destruindo boa parte de sua documentação, conforme Boletim de Ocorrência emitido em 25/05/2005 (fls. 170 a 172) e fotos do local (fls. 173 a 192). A impugnante argumenta que essa situação se enquadra nos conceitos de caso fortuito ou força maior, não podendo ser penalizada por tal fato, devendo ser considerada a exclusão das receitas decorrentes de tais vendas na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS. A impugnante sustenta que, considerandose as exclusões relativas às receitas isentas, vendas canceladas, devoluções de vendas e descontos incondicionais concedidos, chegase à correta base de cálculo das contribuições em questão, utilizada Fl. 592DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 6 5 para o cálculo das contribuições declaradas na DIPJ e na DCTF e recolhidas. Em relação ao PIS, a impugnante ainda alega erro na apuração da contribuição relativa ao mês de dezembro/2002. Sustenta que a fiscalização desconsiderou o disposto na Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu o regime nãocumulativo para a apuração do PIS. Argumenta que, se forem considerados os créditos passíveis de dedução, não , jesuíta PIS a pagar em relação a dezembro/2002. Conclui assim que deve ser cancelado o auto de infração, pois os valores recolhidos à época dos fatos geradores encontramse em consonância com a legislação de regência. 2.3. Da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 A impugnante alega inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98. Alega que a contribuição ao PIS foi instituída pela Lei Complementar n° 7/70, recepcionada pela Constituição Federal conforme disposto no art. 239, tendo como base de cálculo o faturamento. Sustenta que faturamento consiste no ato de emitir faturas, sendo estas documentos que refletem vendas mercantis ou prestação de serviços. Argumenta que não se pode confundir o conceito de faturamento com receitas de qualquer natureza auferidas pela pessoa jurídica. Acrescenta que faturamento abrange apenas o produto da venda de bens e serviços, não alcançando outras receitas, como por exemplo as receitas financeiras. Alega que o art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98, ao pretender tributar todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica , promoveu a alteração do conceito de faturamento, em flagrante violação ao art. 110 do CTN e modificou a base de cálculo do PIS prevista na Lei Complementar n° 7/70, recepcionada pelo art. 239 da Constituição Federal. Argumenta a impugnante que, com a alteração introduzida pela Lei n° 9.718/98, não se está mais diante do PIS previsto no art. 239 da Constituição Federal, mas diante de uma nova fonte de custeio da seguridade social. Assim, tratandose de contribuição nova, a mesma só poderia ter sido instituída mediante lei complementar, a teor do disposto no art. 195, §4°, combinado com o art. 154,1, ambos da Constituição Federal. Alega que o Plenário do Supremo Tribunal Federal já julgou inconstitucional o art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98, no julgamento dos Recursos Extraordinários de números 357950, 390840 e 358273. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 7 6 Assim, conclui a impugnante pela improcedência da exigência fiscal incidente sobre as receitas financeiras. 2.4. Da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 A impugnante alega inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98. Alega que, à época da publicação dessa Lei, estava em vigência o art. 195, I, da Constituição Federal em sua redação original, que permitia a criação de contribuições sociais dos empregadores incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Argumenta que faturamento abrange apenas as receitas relativas a vendas de mercadorias e prestação de serviços, não alcançando outras receitas da pessoa jurídica. Assim, sustenta que a Lei n° 9.718/98, ao prever a incidência da COFINS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica, incorreu em flagrante inconstitucionalidade, pois o art. 195, I, da Constituição Federal, em sua redação original não previa a instituição de contribuição social sobre a receita da pessoa jurídica. Acrescenta que tal previsão somente foi inserida no texto constitucional pela Emenda Constitucional n° 20, promulgada posteriormente à Lei n° 9.718/98, a qual não teve o condão de constitucionalizar a lei que já nascera inconstitucional. Alega que o Plenário do Supremo Tribunal Federal já julgou inconstitucional o art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98, no julgamento dos Recursos Extraordinários de números 357950, 390840 e 358273. Assim, conclui a impugnante pela improcedência da exigência fiscal incidente sobre as receitas financeiras. 2.5 Da taxa Selic A impugnante se insurge contra a exigência de juros moratórios calculados pela taxa Selic, argumentando que deve ser aplicada ao caso a taxa de 1% ao mês, prevista no art. 161, §1°, do CTN. Alega que esse dispositivo legal veda a cobrança de juros de mora superiores a 1% ao mês, visto que o art. 4o da Lei n° 1.521/51 proíbe a cobrança de juros superiores à taxa permitida em lei, sob pena de cometimento do crime de usura pecuniária. Acrescenta que o art. 192 da Constituição Federal limita os juros a 12% ao ano. Assim, conclui ser indevida a cobrança de juros superiores a 1% ao mês. 2.6. Do pedido Fl. 594DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 8 7 Por todo o exposto, a impugnante requer sejam julgados nulos os lançamentos face às inconsistências e erros. Caso assim não se entenda, requer sejam os lançamentos julgados improcedentes. É o relatório. Na sessão de 04 de julho de 2011, a 10ª Turma da DRJ/SP, por unanimidade de votos, julgou parcialmente as impugnações, exonerando parte do crédito tributário, acórdão nº 1428.170, o quanto recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 COFINS. EXCLUSÕES. COMPROVAÇÃO. Na apuração da base de cálculo da contribuição, devem ser excluídos os valores relativos a descontos incondicionais concedidos e a vendas canceladas, desde que devidamente comprovados. COFINS. RECEITAS ISENTAS. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO PARA O EXTERIOR. A isenção relativa a vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras regidas pelo DecretoLei n° 1.248/2002 ou a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior está restrita às vendas realizadas com o fim específico de exportação para o exterior, que pressupõe que os produtos sejam remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados por conta e ordem da empresa comercial exportadora. COFINS. RECEITAS ISENTAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Até a vigência da Lei n° 10.996/2004, as vendas a empresas situadas na Zona Franca de Manaus estavam sujeitas à incidência da contribuição, exceção feita às operações discriminadas no art. 14 da Medida Provisória n° 2.15835/2001. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 PIS. EXCLUSÕES. COMPROVAÇÃO. Na apuração da base de cálculo da contribuição, devem ser excluídos os valores relativos a descontos incondicionais concedidos e a vendas canceladas, desde que devidamente comprovados. PIS. RECEITAS ISENTAS. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO PARA O EXTERIOR. A isenção relativa a vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras regidas pelo DecretoLei n° 1.248/2002 ou a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior está restrita às vendas realizadas com o fim específico de exportação para o exterior, que pressupõe que os produtos sejam remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para Fl. 595DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 9 8 recintos alfandegados por conta e ordem da empresa comercial exportadora. PIS. RECEITAS ISENTAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Até a vigência da Lei n° 10.996/2004, as vendas a empresas situadas na Zona Franca de Manaus estavam sujeitas à incidência da contribuição, exceção feita às operações discriminadas no art. 14 da Medida Provisória n° 2.15835/2001. REGIME DE COBRANÇA. A partir de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas, exceto as discriminadas no art. 8o da Lei n° 10.637/2002, estão sujeitas ao regime de cobrança nãocumulativa do PIS. Deve ser exonerado o crédito tributário relativo à contribuição ao PIS lançado com base no regime de cobrança cumulativa se, no período, o sujeito passivo estava legalmente obrigado ao regime de cobrança nãocumulativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Eventuais erros na apuração da base de cálculo tributável, que possam ser ajustados no julgamento, não importam na nulidade do auto de infração e sim na exoneração da parcela do crédito tributário indevidamente exigida em razão desses. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar questões relacionadas à inconstitucionalidade de leis ou à ilegalidade de normas infralegais. matérias estas reservadas ao Poder Judiciário. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. Cabe à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 DESTRUIÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. ENCHENTE. A alegação de destruição de documentos em decorrência de enchente não exonera a contribuinte de suas obrigações fiscais de conservação de livros e documentação de suporte se não observados os requisitos legais previstos em tais circunstâncias, quais sejam publicar, em jornal de grande circulação do local do seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dar minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgãocompetente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Receita Federal de sua jurisdição. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 10 9 A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a r. decisão da qual se extraiu a ementa acima transcrita, a recorrente nos termos que lhe é garantido pela legislação que sustenta o Processo Administrativo Fiscal, interpôs o recurso voluntário, que na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O Recurso é tempestivo, versa sobre matéria de competência desse Colegiado, por essa razão passo a analisálo. Porém, antes de adentrar à análise da presente demanda, é de bom alvitre ressaltar que a recorrente não inovou ou trouxe aos autos argumentos que pudessem infirmar o que fora decidido no acórdão recorrido, ao contrário, salvo poucas supressões, as razões do recurso voluntário são idênticas àqueles trazidas pelas impugnações. Ressalvado o tópico relacionado à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que por disposição expressa trazida pelo art. 62 do RICARF, os Conselheiro deste E. CARF devem aplicar as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal tomadas sob o rito da repercussão geral, todos os demais devem permanecer inalterados. Assim, considerando que a recorrente destacou diversas matérias para revisão por parte do CARF, contudo repetindo praticamente todas as mesmas disposições das impugnações não trazendo nenhuma nova razão, e em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida nos tópicos abaixo, mediante a transcrição do teor do voto condutor do acórdão: Voto DA ADMISSIBILIDADE DA IMPUGNAÇÃO Tendo sido as impugnações apresentadas com a observância do prazo estipulado no art. 15 do Decreto n° 70.235/72 e atendidos os demais requisitos legais, delas se toma conhecimento. DA ENTREGA DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS A impugnante alega nulidade dos autos de infração, em razão de inconsistências e erros cometidos pela fiscalização. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 11 10 Primeiramente, alega contradição no procedimento fiscal, pois a fiscalização afirma, nos Termos de Verificação, que a impugnante não apresentou sua escrita fiscal e contábil, mas, nos Termos de Encerramento, informa que procedeu à devolução dos documentos fiscais examinados no curso da fiscalização. A respeito da questão, há que se esclarecer que os Termos de Encerramento (fls. 69 e 80) contêm um texto padronizado, gerado automaticamente pelo programa informatizado utilizado pela fiscalização para a lavratura dos autos de infração. Cabe destacar que, nos Termos de Encerramento, não foram especificados os livros e documentos entregues pela contribuinte, de modo que, a partir da informação genérica de que foram devolvidos os livros e documentos utilizados na fiscalização, não é possível conclui quais seriam os livros e documentos em questão. Por outro lado, os documentos constantes dos atos evidenciam que a contribuinte não apresentou à fiscalização os documentos solicitados, especialmente os Livros Diário, Razão, Registro de Saídas modelo 2 e notas discais de saída de produtos. Esses documentos foram solicitados inicialmente no Termo de Início de Fiscalização, do qual foi dada ciência pessoal ao procurador da contribuinte em 09/10/2006 (fls. 4 e 5). Em 24/10/2006, foi lavrado Termo de Verificação e Reintimação (fls. 19), cuja ciência foi dada pessoalmente ao procurador da contribuinte, no qual consta expressamente que: "1. Conforme termo lavrado em 09/10/2006, o contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo nele estipulado, a documentação arrolada, referente ao exercício de 2003, ano calendário de 2002. 2. A empresa não cumpriu a obrigação fiscal, deixando de apresentar, no prazo estabelecido, a documentação supra referida, alegando, em breve síntese, que deixou de fazêla em razão de dificuldades operacionais na localização dos citados efeitos fiscais, solicitando prazo para cumprimento. Desta forma, reintimo o contribuinte para no prazo de cinco dias contados da ciência do presente, a oferecer ao exame da Fiscalização os elementos solicitados no citado Termo. " (g.n.) Em 06/11/2006, a contribuinte foi novamente intimada a apresentar as notas fiscais de saída, os Livros Diário, Razão e Registro de Saídas modelo 2, e os quadros demonstrativos de bases de cálculo do PIS e da COFINS conforme modelo fornecido pela fiscalização, tendo sido dada ciência pessoal ao procurador da contribuinte (fls. 17). E, em 13/11/2006, foi lavrado Termo de Verificação (fls. 18), cuja ciência foi dada pessoalmente ao procurador da contribuinte, nos seguintes termos: Fl. 598DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 12 11 "No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, em prosseguimentos aos trabalhos de fiscalização desenvolvidos junto à empresa supra mencionada, nos termos do MPF, verifiquei que o contribuinte não cumpriu a intimação objeto do termo lavrado em 09 de outubro de 2006, ratificado pelo instrumento datado de 24 de outubro do corrente ano, deixando de apresentar a documentação nele especificada, especialmente os Livros Diário, Razão, Registro de Saídas modelo 02 e notas fiscais de saída de produtos, referente ao ano calendário de 2002. " (g.n.) A impugnante sustenta que entregou à fiscalização os documentos pertinentes às exigências feitas, à exceção dos documentos destruídos por enchente que vitimou suas dependências. Acrescenta que, "apesar de não ter feito protocolo formal da entrega de tais documentos, é de rigor a constatação de que tal entrega ocorreu, consoante atestam os inclusos recibos de láxi e de motoboy, decorrentes das entregas de documentos efetivadas pela Reqte. ao Sr. Agente Fiscal." Cópias dos referidos recibos foram juntados às fls. 261 a 264 e 432 a 435. A respeito dessa alegação, há que se ressaltar que os recibos de táxi apresentados não se prestam a comprovar a entrega de documentos solicitados pela fiscalização. Primeiramente, esses recibos sequer identificam o tomador do serviço ou o itinerário percorrido. E ainda que contivessem tal identificação, os mesmos comprovariam, quando muito, a ida de uma pessoa da empresa à Receita Federal, mas não a entrega dos documentos solicitados pela fiscalização. O único documento que contém a indicação expressa de ida à Receita Federal na Av. Pacaembu é um recibo no valor de R$40,00, emitido pelo procurador da contribuinte, Sr. Plínio F. Souza, em 24/10/2006. De fato, o Sr. Plínio compareceu nessa data à Receita Federal para tomar ciência do Termo de Verificação e Reintimação (fls. 19), no qual consta expressamente que os documentos solicitados não foram entregues pela contribuinte à fiscalização. Ante o exposto, concluise que os documentos solicitados pela fiscalização não foram entregues pela contribuinte no curso da ação fiscal, o que confere com a informação prestada pela fiscalização nos Termos de Verificação (fls. 59, 60, 70, 71). DA VALIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO E DOS ERROS MATERIAIS APONTADOS PELA IMPUGNANTE A impugnante também alega nulidade dos autos de infração em razão de erros materiais cometidos pela fiscalização na apuração das bases de cálculo das contribuições em questão, a saber: i) Em relação aos meses de agosto, setembro e outubro de 2002, a fiscalização utilizou, como receita bruta, valor diverso do informado na DIPJ, conforme quadro demonstrativo abaixo: Fl. 599DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 13 12 Período DIPJ(R$) Lançamento (R$) agosto 1.905.344,47 1.572.249,38 setembro 1.572.249,38 1.779.223,20 outubro 1.779.223,20 1.905.344,47 ii) Na planilha elaborada pela fiscalização (fls. 61 e 72), foram adicionados à receita bruta valores referentes a juros recebidos e descontos obtidos, os quais já integram a própria receita bruta, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 125 e 363, resultando em dupla tributação sobre a mesma grandeza. Sustenta a impugnante que não se pode admitir a subsistência de lançamentos fiscais marcados pela precariedade e erros na apuração da base de cálculo, devendo os mesmos serem declarados nulos. A respeito da questão, há que se ressaltar que a existência de erros materiais pode macular o lançamento, mas somente se tais incorreções foram de tal ordem que tornem absolutamente incompreensível ou impreciso o conteúdo da autuação fiscal. Erros que possam ser saneados sem que seja necessário reabrir a ação fiscal ou que não demandem a reformulação dos fundamentos do lançamento podem acarretar improcedência parcial ou total do lançamento, mas não implicam nulidade do auto de infração. Esse é o entendimento manifestado pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: "NULIDADE Eventuais erros na determinação da exigência, ainda que ocorram, podem acarretar a improcedência total ou parcial do lançamento, mas não inquinam de nulidade o auto de infração. " ( I o Conselho de Contribuintes, 1" Câmara, acórdão 10196267, sessão de 09/08/2007) "AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE Eventuais erros na apuração da base de cálculo tributável, que possam ser ajustados no julgamento, desde que devidamente comprovados pelo recorrente, não importam na nulidade do auto de infração e sim na exoneração da parcela do crédito tributário indevidamente exigida em razão desses." ( I o Conselho de Contribuintes, 2" Câmara, acórdão 10247951, sessão de 18/10/2005) Feitas essas considerações, passase à análise dos erros apontados pela impugnante. Em relação às bases de cálculo apuradas nos meses de agosto, setembro de outubro de 2002, verificase, em consulta à DIPJ 2003 (fls. 27 a 29, 39 a 41), que houve equívoco da fiscalização, conforme alegado pela impugnante. Em relação ao mês de agosto de 2002, houve lançamento de valores inferiores aos devidos, devendo ser integralmente mantidas as autuações em relação a esse período. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 14 13 Entretanto, houve lançamento a maior em relação aos meses de setembro e outubro de 2002, devendo ser exonerada a diferença entre a receita bruta utilizada pela fiscalização e a declarada na DIPJ, conforme demonstrativo abaixo. Receita Bruta (R$) Período Lançada Declarada Diferença setembro 1.779.223,20 1.572.249,38 206.973,82 outubro 1.905.344,47 1.779.223,20 126.121,27 Valores a exonerar (R$) Período Base de cálculo PIS COFINS setembro 206.973,82 1.345,33 6.209,21 outubro 126.121,27 819,79 3.783,64 Em relação às bases de cálculo das contribuições, alega a impugnante que a receita bruta utilizada pela fiscalização nas planilhas de fls. 61 e 72 já inclui os juros recebidos e os descontos obtidos, sendo indevidas as adições efetuadas pela fiscalização, por importarem em dupla tributação sobre os mesmos valores, conforme planilhas de fls. 125 e 363. Nessas planilhas (fls. 125 363), a contribuinte demonstra a composição da receita bruta como a soma do faturamento, dos juros recebidos e dos descontos obtidos, conforme tabela abaixo: Período Faturamento bruto Juros recebidos Descontos obtidos Receita bruta Janeiro 1.631.676,47 3.639,03 2.067,11 1.637.382,61 Fevereiro 1.326.911,99 1.469,61 1.299,52 1.329.681,12 Março 1.403.055,71 5.288,16 820,32 1.409.164,19 1° trimestre 4.361.644,17 10.396,80 4.186,95 4.376.227,92 Abril 1.514.787,33 8.939,84 11.344,72 1.535.071,89 Maio 1.663.885,77 3.975,54 6.659,41 1.674.520,72 Junho 1.603.419,76 4.702,40 11.302,95 1.619.425,11 2o trimestre 4.782.092,86 17.617,78 29.307,08 4.829.017,72 Julho 1.698.972,87 6.461,12 1.518,92 1.706.952,91 Agosto 1.878.748,22 2.211,41 24.384,84 1.905.344,47 Setembro 1.552.883,67 915,76 18.449,95 1.572.249,38 3o trimestre 5.130.604,76 9.588,29 44.353,71 5.184.546,76 Outubro 1.768.214,40 2.493,11 8.515,69 1.779.223,20 Novembro 1.940.554,80 3.256,89 4.982,45 1.948.794,14 Dezembro 1.650.042,34 4.389,91 8.945,60 1.663.377,85 4o trimestre 5.358.811,54 10.139,91 22.443,74 5.391.395,19 Nas planilhas de fls. 61 e 72, elaboradas pela fiscalização, verificase que as bases de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS foram apuradas mediante as adições à receita bruta discriminadas abaixo. Há que se esclarecer que nesse demonstrativo já foram sanados os equívocos referentes à receita bruta de agosto, setembro e outubro: Período Receita bruta Adições Janeiro 1.637.382,61 5.706,14 Fevereiro 1.329.681,12 2.769,13 Março 1.409.164,19 6.108,48 1° trimestre 4.376.227,92 14.583,75 Abril 1.535.071,89 20.284,56 Maio 1.674.520,72 10.634,95 Junho 1.619.425,11 16.005,35 2o trimestre 4.829.017,72 46.924,86 Julho 1.706.952,91 7.980,04 Agosto 1.905.344,47 26.596,25 Setembro 1.572.249,38 19.365,71 3o trimestre 5.184.546,76 53.942,00 Outubro 1.779.223,20 11.008,80 Novembro 1.948.794,14 8.239,34 Dezembro 1.663.377,88 13.335,51 Fl. 601DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 15 14 4o trimestre 5.391.395,22 32.583,65 Comparandose os dois demonstrativos, verificase que as adições computadas pela fiscalização correspondem à soma dos juros recebidos e dos descontos obtidos informados pela impugnante. Verificase também que a receita bruta informada pela impugnante já engloba esses valores, ao passo que a fiscalização adicionou tais valores à receita bruta para a obtenção das bases de cálculo das contribuições. A fim de se elucidar a questão, foram consultadas as informações constantes da DIPJ 2003 relativas à demonstração do resultado (Ficha 06A): DIPJ 2003 Ficha 06A Demonstração do resultado Linha Linhas 06 + 07 Linha 24 Descrição Rec venda no mercado interno de prod fabr própria + receita da revenda de mercadorias Outras receitas financeiras 1° trimestre 4.376.227,92 14.583,75 2o trimestre 4.829.017,72 46.924,86 3 o trimestre 5.184.546,76 53.942,00 4o trimestre 5.382.837,49 32.583,65 Nessa consulta, constatase que os mesmos valores referentes às adições computadas pela fiscalização foram informados na Linha 24 Outras receitas financeiras. E a Soma das Linhas 06 Rec Venda do Mercado Interno de Prod. Frabric. Própria e 07 Receita da Revenda de Mercadorias coincide com a receita bruta considerada pela fiscalização (à exceção do 4º trimestre, em que há uma diferença de 8.557,73). Concluise, portanto, que os dados informados na Ficha 06A da DIPJ 2003, entregue pela impugnantes em 27/06/2003, demonstram que os valores de receita bruta utilizados pela fiscalização (informados nas fichas 19A e 20A da DIPJ 2003) não incluem as receitas financeiras, sendo correta a adição dessas receitas na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS, a teor do disposto nos artigos 2º e 3º da Lei n. 9.718/98. Em suma, chegamse às seguintes conclusões em relação a este item: i) os erros na apuração das bases de cálculo não importam na nulidade dos autos de infração, mas apenas na exoneração do crédito tributários lançado indevidamente; ii) houve equívoco da fiscalização na apuração da receita bruta dos meses de agosto, setembro, e outubro, devendo ser exonerado parcialmente o crédito tributário, nos montantes de R$ 1.345,33 e R$ 819,79, relativos ao PIS de setembro de outubro de 2002, respectivamente, e nos montantes de R$ 6.209,21 e R$ 3.783,64, referentes à COFINS de setembro e outubro de 2002, respectivamente; iii) não houve dupla tributação das receitas financeiras, estando corretas as adições promovidas pela fiscalização na apuração das bases de cálculo das contribuições. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 16 15 DA APURAÇÃO DO PIS REFERENTE A DEZEMBRO DE 2002 Em relação ao PIS de dezembro de 2002, verificase na planilha de fls. 72 que a fiscalização calculou a contribuição aplicando a alíquota de 0,65% sobre a base de cálculo de R$ 1.676.713,39, resultando em uma contribuição devida de R$ 10.898,63. Por sua vez, o Auto de Infração (fls. 77 e 79) traz como fundamentos legais os artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70; artigos 2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º da Lei nº 9.715/98, artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98; artigo 2º, inciso I, alínea 'a' e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/2002. Logo, não resta dúvida de que a fiscalização efetuou o lançamento do PIS de dezembro de 202 pelo regime cumulativo previsto nos dispositivos acima citados, não havendo qualquer menção, no trabalho fiscal, do regime nãocumulativo. Entretanto, em relação a esse período, já se encontrava em vigência a Lei nº 10.637 de 30/12/2002, resultante da conversão da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, que instituiu o regime nãocumulativo na cobrança da contribuição para o PIS. Esse era o regime a que estava sujeita a impugnante, visto a mesma não sc enquadrar nas hipóteses previstas no art. 8o da Lei n° 10.637/2002, que discrimina as pessoas jurídicas e as operações que permanecem sujeitas ao regime cumulativo. A base de cálculo do PIS no regime de cobrança nãocumulativa está consignada no art. Io da Lei n° 10.637/2002, como sendo "o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", sendo permitidas as exclusões previstas no § 3o desse mesmo artigo. Por sua vez, a alíquota é de 1,65%, conforme previsto no art. 2° dessa Lei. E, do valor apurado na forma descrita no item anterior, a contribuinte pode descontar créditos na forma prevista no art. 3o da Lei n° 10.637/2002, caracterizandose assim o sistema não cumulativo. Concluise portanto que a fiscalização, em relação ao PIS de dezembro de 2002, efetuou o lançamento tributário com fundamento em legislação diversa da que estava submetida a contribuinte. Consequentemente, em relação a esse período, o auto de infração não atendeu ao disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, abaixo transcrito, face às incorreções na determinação da exigência e na indicação da disposição legal infringida. "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 603DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 17 16 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumpríla ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Face ao exposto, deve ser exonerado o crédito tributário relativo ao PIS de dezembro de 2002, no montante de R$ 10.898,63. DAS EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO ALEGADAS PELA IMPUGNANTE Alega a impugnante que a fiscalização, ao apurar as bases de cálculo das contribuições deixou de considerar que parte das receitas por ela auferidas são isentas de PIS c de COFINS, além de não considerar exclusões expressamente previstas pela legislação, relativas a vendas canceladas, devoluções de vendas e descontos incondicionais concedidos. Em relação às receitas isentas, alega que realiza constantes operações de vendas a empresas comerciais exportadoras, sendo as receitas isentas de PIS e de COFINS a teor do disposto no art. 14, §1°, da Medida Provisória n° 2.11326/2000. Alega também que realiza vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, sendo as receitas isentas em função de decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal e em face do disposto na Medida Provisória n° 2.03725/2000 (atual Medida Provisória n° 2.15835/2001). A impugnante apresenta, a título exemplificativo, cópia das notas fiscais de números 56926, 62763 e 63105 (fls. 127 a 129). Alega que não possui todos os documentos comprobatórios dessas vendas em razão de enchente que atingiu seu estabelecimento, A respeito da matéria, há que se observar que o art. 14 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, a seguir reproduzido, discrimina as receitas isentas de COFINS, aplicandose a isenção também ao PIS conforme disposto no §1° do mesmo artigo: "Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de I o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pela empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; Fl. 604DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 18 17 IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Por sua vez, o Decreto nº 4.524/2002, no art. 45, § 1º, esclarece que se entende por "fim específico de exportação para o exterior", expressão utilizada nos incisos VIII e IX do dispositivo supra citado: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): Fl. 605DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 19 18 I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residentes ou domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível, observado o disposto no § 3º; V do transporte internacional de cargas ou passageiro; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. § 2º As isenções previstas neste artigo não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; e III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 20 19 § 3º A partir de 10 de dezembro de 2002, o disposto no inciso IV do caput não se aplica à hipótese de fornecimento de querosene de aviação. § 4º O disposto nos incisos I e II do § 2º não se aplica às vendas realizadas às empresas referidas nos incisos VIII e IX do caput. De acordo com os dispositivos acima transcritos, nem todas as receitas de vendas a empresas situadas na Zona Franca de Manaus ZFM são isentas de PIS e de COFINS, mas apenas aquelas discriminadas no art. 14 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001. Somente com a publicação da Lei n° 10.996/2004, foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM . No caso, as notas fiscais apresentadas pela impugnante se referem a vendas à empresa Casa Roma Ind. Alim. Ltda, CNPJ 34.579.060/000122, localizada em Manaus — AM. Essas vendas não se enquadram em nenhum dos incisos do art. 14 da citada Medida Provisória, não podendo as respectivas receitas serem consideradas isentas de PIS e de COFINS. Assim, nem mesmo em relação às três notas fiscais apresentadas pela impugnante, restou comprovada a isenção das receitas. No que tange às vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras regidas pelo Decretolei nº 1.248/72 e às vendas a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Comercio Exterior, ressaltase que a legislação exige que tais vendas sejam realizadas com o fim específico de exportação, que pressupõe que os produtos sejam remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. No caso, a impugnante apresentou cópias das notas fiscais de números 56928, 58977, 59838 (fls. 130 a 132) relativas a vendas para a empresa Cosmos Exp. Mat. Construção Ltda., CNPJ 15.463.649/000116, de mercadorias destinadas à exportação. Todavia, nesses documentos consta como destinatária a empresa adquirente das mercadorias, no endereço Rua Paraguai, 961, Centro, Ponta Porã, MS, o que evidencia o não atendimento à condição imposta para o gozo da isenção de que os produtos sejam remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. Portanto, a isenção das receitas não restou comprovada nem mesmo em relação às três notas fiscais apresentadas pela impugnante. Alega a impugnante que não possui todos os documentos comprobatórios das vendas em razão de os mesmos terem sido Fl. 607DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 21 20 destruídos por enchente que atingiu suas dependências em 24/05/2005. Para comprovar sua alegação, apresenta fotos do local (fls. 173 a 192) e cópia do Boletim de Ocorrência (fls. 171 e 172). A respeito da guarda de livros e documentos, assim dispõe o art. 264 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99): "Ari. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n° 486, de 1969, art. 4o). § 1° Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei n°486, de 1969, art. 10). § 2 o A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei n" 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3 o Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei n° 9.430, de 1996, art. 37). " Por conseguinte, no caso de destruição da documentação, torna se inconsistente a simples afirmação de ocorrência de enchente e a formalização de boletim de ocorrência, visando exonerarse da obrigação legal de mantêlos em ordem, visto encontrarse devidamente prevista a obrigação da contribuinte de publicar o fato em jornal de grande circulação e informar ao Registro de Comércio, bem como à unidade da Receita Federal de jurisdição de seu domicílio tributário. Ademais, caberia à contribuinte diligenciar junto aos demais pólos de suas relações comerciais no sentido buscar outras vias de seus documentos fiscais. Nesse sentido, decidiu o Primeiro Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: "IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS EM RAZÃO DE ALAGAMENTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO A adoção dos procedimentos previstos no art. 264, § Io, do RIR/99, para comunicação de extravio de documentos relativos à escrituração da pessoa jurídica, deve ser seguida de reconstituição do acervo Fl. 608DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 22 21 da sua contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda de documentação não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter à disposição do fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPJ." ( I o Conselho de Contribuintes, 3" Câmara, acórdão 10322974, sessão de 25/04/2007) A não observância das disposições constantes da legislação tributária, no tocante à boa guarda e conservação da documentação contábil e fiscal, bem como dos procedimentos existentes para a formalização de comunicação de extravio, não ensejam nenhum outro posicionamento, senão o de referendar o procedimento da fiscalização de não excluir da base de cálculo das contribuições as alegadas receitas isentas. Ademais, como demonstrado, os documentos apresentados pela impugnante evidenciam que tais receitas não gozam de isenção em relação ao PIS e à COFINS. A impugnante também alega que a fiscalização não deduziu da base de cálculo das contribuições as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais informados nas fichas 19A — Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e 20A Cálculo da Cofins. A fim de comprovar a existência de tais exclusões, apresenta cópias de notas fiscais de fls. 133 a 169 (com cópias repetidas às fls. 301 a 337). Na tabela abaixo, estão resumidas as informações contidas nessas notas fiscais, relativamente aos valores dos descontos incondicionais e das vendas canceladas: N°NF Data dc emissão Descontos incondicionais / vendas canceladas Folhas 56975 07/01/02 3.504,80 139e307 56977 07/01/02 1.614,00 138 e306 56980 07/01/02 702,78 133 c 301 57161 18/01/02 345,00 134e302 Subtotal Janeiro 6.166,58 57473 01/02/02 456,00 141 e309 Subtotal Fevereiro 456,00 58093 08/03/02 6.372,00 143 e311 58155 12/03/02 2.340,00 145 e 313 Subtotal Março 8.712,00 58591 04/04/02 2.092,20 147 e 315 Subtotal Abril 2.092,20 59088 02/05/02 196,88 135 e303 59131 06/05/02 3.843,00 149 e 317 59132 06/05/02 1.679,60 151 e319 Subtotal Maio 5.719,48 59741 05/06/02 2.832,33 153 e321 Subtotal Junho 2.832,33 60316 03/07/02 505,68 157e325 60317 03/07/02 1.458,60 155 e323 Subtotal Julho 1.964,28 61051 12/08/02 3.839,28 159e327 Subtotal Agosto 3.839,28 61151 03/09/02 6.840,00 161 e329 Subtotal Setembro 6.840,00 Fl. 609DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 23 22 62230 11/10/02 1.035,00 164e332 62231 11/10/02 1.327,50 163 e331 Subtotal Outubro 2.362,50 62174 06/11/02 4.902,00 136e304 62706 06/11/02 8.405,35 166e334 Subtotal Novembro 13.307,35 63234 06/12/02 6.940,05 168e336 Subtotal Dezembro 6.940,05 Esses valores, devidamente comprovados pela impugnante, devem ser excluídos das bases de cálculo do PIS e da COFINS, conforme demonstrativo abaixo, exonerandose os créditos tributários correspondentes: Valores a exonerar (R$) Período Base de cálculo PIS COFINS Janeiro 6.166,58 40,08 185,00 Fevereiro 456,00 2,96 13,68 Março 8.712,00 56,63 261,36 Abril 2.092,20 13,60 62,77 Maio 5.719,48 37,18 171,58 Junho 2.832,33 18,41 84,97 Julho 1.964,28 12,77 58,93 Agosto 3.839,28 24,96 115,18 Setembro 6.840,00 44,46 205,20 Outubro 2.362,50 15,36 70,88 Novembro 13.307,35 86,50 399,22 Dezembro 6.940,05 - 208,20 Obs: o lançamento de PIS referente a dezembro de 2002 foi integralmente exonerado em item anterior deste voto. Cabe ressaltar que caberia à contribuinte juntar à impugnação documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar o total das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sendo insuficiente, para comprovar tais fatos, a alegação de que a comprovação está à disposição da fiscalização em suas dependências. Conforme disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo reproduzidos, cabe à contribuinte juntar à impugnação os documentos capazes de comprovar suas alegações. "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (■■■) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.74S, de 1993)" (g.n.) A corroborar o exposto, citamse decisões proferidas pelos antigos Conselhos de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: "ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. As alegações de recurso devem ser acompanhadas de provas que as corroborem. Alegar sem provar equivale a não alegar, quanto Fl. 610DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 24 23 aos efeitos no processo." ( I o Conselho de Contribuintes, 1" Câmara, acórdão 10196880, sessão de 14/08/2008) "ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. IN ACEITAÇÃO. Nos estritos termos do Decreto 70.235/72 impende ao recorrente apresentar as provas do que alega, não podendo o julgador acatar alegações que delas não se façam acompanhar. " (2° Conselho de Contribuintes, 4" Câmara, acórdão 204 02265, sessão de 27/03/2007) "ÔNUS DA PROVA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL A impugnação deve estar instruída com lodos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Meras alegações sem a devida produção de provas não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. " ( I o Conselho de Contribuintes, 5" Câmara, acórdão 10515987, sessão de 20/09/2006) Ante o exposto, concluise que devem ser excluídos das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos aos descontos incondicionais concedidos e às vendas canceladas comprovados pela impugnante. DAS ALEGAÇÕES RELATIVAS À INCONSTITUCIONALIDADE DA AMPLIAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PROMOVIDA PELA LEI N° 9.718/98 A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR. Os fundamentos da decisão foram resumidos na seguinte ementa, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871) (grifouse) Fazse necessário, ainda, trazer a ementa do julgado do leading case RE nº 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E Fl. 611DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 25 24 VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Conforme se depreende do dispositivo transcrito a seguir, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Desta forma, a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS estabelecida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, estabeleceu o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas outras receitas. No caso concreto, não há outra solução a não ser cumprir a determinação regimental e excluir as demais receitas, inclusive receitas financeiras, da base de cálculo da Fl. 612DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 26 25 contribuição apurada pela Fiscalização, desde que passíveis de identificação por meio da documentação acostadas aos autos. DA TAXA SELIC No que tange aos argumentos da impugnante de que a taxa SELIC seria inaplicável no presente lançamento, cabe observar que a sua utilização está expressamente prevista no artigo 13 da Lei n° 9.065/95, abaixo reproduzido, não cabendo à instância julgadora administrativa apreciar a validade dessa norma, visto que isso implicaria apreciar sua constitucionalidade, matéria afeta ao Poder Judiciário. "Art. 13. A partir de I o de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n" 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n° 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n° 8.981, de 1995, o art. 84, inciso L e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." (g.n.). A utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros moratórios é matéria pacífica no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, tendo sido publicada a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A questão também já está pacificada no Superior Tribunal de Justiça, tendo a Primeira Seção do E. Tribunal julgado em 25/11/2009 o Resp 1.073.846/SP, relatado pelo Ministro Luiz Fux e submetido ao Colegiado segundo o rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, art. 543C), ocasião em que se decidiu que: "A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, ex vi do disposto no artigo 13, da Lei 9.065/95. " Portanto, deve ser mantida a exigência dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC. DAS CONCLUSÕES Por todo o exposto, voto no sentido de julgar parcialmente procedentes as impugnações, exonerando parcialmente o crédito tributário lançado, conforme demonstrativos abaixo: COFINS período Principal (RS) Multa proporcional (RS) Fl. 613DF CARF MF Processo nº 19515.002888/200647 Acórdão n.º 3302005.775 S3C3T2 Fl. 27 26 lançado exonerado mantido lançado exonerado mantido Janeiro 31.328,52 184,99 31.143,53 23.496,39 138,74 23.357,65 Fevereiro 25.039,59 13,68 25.025,91 18.779,69 10,26 18.769,43 Março 26.092,58 261,36 25.831,22 19.569,43 196,02 19.373,41 Abril 28.369,21 62,76 28.306,45 21.276,90 47,07 21.229,83 Maio 30.642,56 171,58 30.470,98 22.981,92 128,68 22.853,24 Junho 29.191,49 84,96 29.106,53 21.893,61 63,72 21.829,89 Julho 31.145,28 58,92 31.086,36 23.358,96 44,19 23.314,77 Agosto 23.882,88 115,17 23.767,71 17.912,16 86,37 17.825,79 Setembro 34.294,62 6.414,41 27.880,21 25.720,96 4.810,80 20.910,16 Outubro 36.662,06 3.854,51 32.807,55 27.496,54 2.890,88 24.605,66 Novembro 36.150,31 399,22 35.751,09 27.112,73 299,41 26.813,32 Dezembro 28.133,89 208,20 27.925,69 21.100,41 156,15 20.944,26 Soma 360.932,99 11.829,76 349.103,23 270.699,70 8.872,29 261.827,41 PIS Principal (RS) Multa proporcional (RS) período lançado exonerado mantido lançado exonerado mantido Janeiro 6.787,84 40,08 6.747,76 5.090,88 30,06 5.060,82 Fevereiro 5.424,24 2,96 5.421,28 4.068,18 2,22 4.065,96 Março 5.653,39 56,62 5.596,77 4.240,04 42,46 4.197,58 Abril 6.146,65 13,59 6.133,06 4.609,98 10,19 4.599,79 Maio 6.639,21 37,17 6.602,04 4.979,40 27,87 4.951,53 Junho 6.324,85 18,41 6.306,44 4.743,63 13,80 4.729,83 Julho 7.071,72 12,76 7.058,96 5.303,79 9,57 5.294,22 Agosto 5.174,62 24,95 5.149,67 3.880,96 18,71 3.862,25 Setembro 7.430,49 1.389,79 6.040,70 5.572,86 1.042,34 4.530,52 Outubro 7.878,87 835,14 7.043,73 5.909,15 626,35 5.282,80 Novembro 7.832,56 86,49 7.746,07 5.874,42 64,86 5.809,56 Dezembro 10.898,63 10.898,63 0,00 8.173,97 8.173,97 0,00 Soma 83.263,07 13.416,59 69.846,48 62.447,26 10.062,40 52.384,86 Ante o acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe parcial provimento para excluir da base de cálculo das contribuições as receitas financeira. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 614DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003569/2009-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.295
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 35 69 /2 00 9- 51 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.853 proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 25 de abril de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao creditamento do COFINS pleiteado. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 4 3 O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: (a) despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); (b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela Contribuinte sua participação no processo produtivo e feita a segregação do lançamento de combustível/lubrificante que foi contabilizado no ativo imobilizado da empresa (conta contábil 11701009); (c) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório; (d) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto às máquinas que comprovadamente tiveram contato direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção; (e) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), além de homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.294, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.720502/200985, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.294): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório (bens diversos); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 7 6 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 8 7 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 9 8 efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 10 9 atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos resultaram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.294. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 11 10 legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 12 11 as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 13 12 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Bens Diversos Nessa rubrica, o acórdão recorrido negou o creditamento de vários itens e concedeu o crédito sobre alguns itens com a seguinte justificativa: Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Não concordo com essa assertiva e não vejo que são insumos, da forma como genericamente descritos, utilizados no processo industrial do produto destinado a venda. O fato, por si só, de que ele tenha a atividade de produção de queijo e leite, significa concluir o seu uso diretamente em sua fase industrial. Notoriamente a cerca para rebanhos, além de não ser insumo, pois provavelmente deve ser um item do ativo imobilizado, jamais teria alguma utilidade direta na fabricação de queijo e leite. Da mesma forma, há que ser comprovado que as despesas com limpeza e higienização não se referem à fase pré industrial. Em que momento foram aplicadas essas despesas. Manutenção de laboratório, também é um termo muito genérico para ser acatado como despesas aplicadas no processo industrial. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11020.003569/200951 Acórdão n.º 9303007.295 CSRFT3 Fl. 14 13 do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola, em relação aos quais nego provimento pelas mesmas razões do item 3, supra analisado. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.015203/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO USADO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO.
Aquisição do parque industrial usado de outra empresa, mesmo que ainda não totalmente depreciado, não dá direito ao crédito decorrente da depreciação, porquanto a venda do imobilizado não integra a base de cálculo da contribuição e, somente os bens ou serviços sujeitos ao pagamento da COFINS geram créditos.
PAGAMENTO NA IMPORTAÇÃO E AQUISIÇÕES EFETUADAS POR TERCEIRAS EMPRESAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O pagamento de COFINS realizado na importação não pode ser aproveitado por terceiro, ainda que este tenha adquirido o parque industrial da importadora.
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes para empregados geram direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE.
Na apuração de COFINS não-cumulativa, a prova da existência do direito ao crédito pleiteado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO USADO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO.
Aquisição do parque industrial usado de outra empresa, mesmo que ainda não totalmente depreciado, não dá direito ao crédito decorrente da depreciação, porquanto a venda do imobilizado não integra a base de cálculo da contribuição e, somente os bens ou serviços sujeitos ao pagamento do PIS geram créditos.
PAGAMENTO NA IMPORTAÇÃO E AQUISIÇÕES EFETUADAS POR TERCEIRAS EMPRESAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O pagamento de PIS realizado na importação não pode ser aproveitado por terceiro, ainda que este tenha adquirido o parque industrial da importadora.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes para empregados geram direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE.
Na apuração de PIS não-cumulativo, a prova da existência do direito ao crédito pleiteado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter a glosa referente à aquisição de material de segurança e proteção.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO USADO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Aquisição do parque industrial usado de outra empresa, mesmo que ainda não totalmente depreciado, não dá direito ao crédito decorrente da depreciação, porquanto a venda do imobilizado não integra a base de cálculo da contribuição e, somente os bens ou serviços sujeitos ao pagamento da COFINS geram créditos. PAGAMENTO NA IMPORTAÇÃO E AQUISIÇÕES EFETUADAS POR TERCEIRAS EMPRESAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O pagamento de COFINS realizado na importação não pode ser aproveitado por terceiro, ainda que este tenha adquirido o parque industrial da importadora. COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes para empregados geram direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Na apuração de COFINS não-cumulativa, a prova da existência do direito ao crédito pleiteado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO USADO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Aquisição do parque industrial usado de outra empresa, mesmo que ainda não totalmente depreciado, não dá direito ao crédito decorrente da depreciação, porquanto a venda do imobilizado não integra a base de cálculo da contribuição e, somente os bens ou serviços sujeitos ao pagamento do PIS geram créditos. PAGAMENTO NA IMPORTAÇÃO E AQUISIÇÕES EFETUADAS POR TERCEIRAS EMPRESAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O pagamento de PIS realizado na importação não pode ser aproveitado por terceiro, ainda que este tenha adquirido o parque industrial da importadora. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes para empregados geram direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Na apuração de PIS não-cumulativo, a prova da existência do direito ao crédito pleiteado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter a glosa referente à aquisição de material de segurança e proteção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO USADO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Aquisição do parque industrial usado de outra empresa, mesmo que ainda não totalmente depreciado, não dá direito ao crédito decorrente da depreciação, porquanto a venda do imobilizado não integra a base de cálculo da contribuição e, somente os bens ou serviços sujeitos ao pagamento da COFINS geram créditos. PAGAMENTO NA IMPORTAÇÃO E AQUISIÇÕES EFETUADAS POR TERCEIRAS EMPRESAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O pagamento de COFINS realizado na importação não pode ser aproveitado por terceiro, ainda que este tenha adquirido o parque industrial da importadora. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes para empregados geram direito a crédito no regime de apuração nãocumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Na apuração de COFINS nãocumulativa, a prova da existência do direito ao crédito pleiteado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. Cabe ao contribuinte comprovar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 52 03 /2 00 7- 59 Fl. 700DF CARF MF Processo nº 11080.015203/200759 Acórdão n.º 3301004.982 S3C3T1 Fl. 701 2 existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO USADO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Aquisição do parque industrial usado de outra empresa, mesmo que ainda não totalmente depreciado, não dá direito ao crédito decorrente da depreciação, porquanto a venda do imobilizado não integra a base de cálculo da contribuição e, somente os bens ou serviços sujeitos ao pagamento do PIS geram créditos. PAGAMENTO NA IMPORTAÇÃO E AQUISIÇÕES EFETUADAS POR TERCEIRAS EMPRESAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O pagamento de PIS realizado na importação não pode ser aproveitado por terceiro, ainda que este tenha adquirido o parque industrial da importadora. REGIME NÃOCUMULATIVO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E UNIFORMES. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com aquisição de equipamentos de proteção individual e uniformes para empregados geram direito a crédito no regime de apuração nãocumulativa, por se enquadrarem no conceito de insumos aplicados ou consumidos na prestação dos serviços pela empresa. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. PROVA. DISPÊNDIOS COM MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Na apuração de PIS nãocumulativo, a prova da existência do direito ao crédito pleiteado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, a legitimidade do crédito alegado em contraposição ao lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter a glosa referente à aquisição de material de segurança e proteção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 701DF CARF MF Processo nº 11080.015203/200759 Acórdão n.º 3301004.982 S3C3T1 Fl. 702 3 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Do relatório da decisão recorrida, extraise os detalhes do litígio: Trata o presente processo de impugnações apresentadas contra Autos de Infração de COFINS e PIS nãocumulativos. Conforme descreveram os Relatórios de Verificação Fiscal, foram detectadas irregularidades que afetaram a base de cálculo da COFINS no mês de junho de 2004 e irregularidades na apropriação de créditos da nãocumulatividade que se estendem aos anoscalendário de 2004 a 2006. As irregularidades apontadas se referem à: utilização de créditos decorrentes de aquisições efetuadas por terceira empresa que não a interessada; cálculo de encargos de depreciações de bens usados em desacordo com a legislação; desconto indevido de valor pago a título de COFINS na importação por terceira empresa que não a interessada; e inclusão indevida na base de cálculo dos créditos da COFINS decorrentes da nãocumulatividade de despesas com manutenção de software e aquisição de material de segurança e proteção. Os presentes lançamentos se devem à constatação de insuficiência de recolhimento das contribuições devidas no mês de junho de 2004, quando o contribuinte deixou de recolher os valores alegando ser detentor de créditos da contribuição decorrentes da nãocumulatividade. Contudo, foi verificado que a origem de referidos créditos são aquisições efetuadas por terceira empresa, no caso a empresa Morganite do Brasil cujo CNPJ é 57.008.948/000291, conforme Notas Fiscais de entrada anexadas ao processo. Conforme relatado, o contribuinte começou suas atividades no mês de junho de 2004, tendo adquirido da referida empresa Morganite todo o seu parque industrial, sendo que os bens adquiridos eram usados. Mesmo assim, o interessado calculou créditos sobre os encargos de depreciação de tais bens em desacordo com o disposto na legislação que rege a nãocumulatividade das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS. Verificouse, também, que o contribuinte lançou na Dacon nos meses de Junho, Julho e Agosto de 2004 valores a título de PIS e COFINS pagos na Importação, os quais na verdade foram efetivamente recolhidos pela empresa Morganite Brasil Ltda. que continuava a efetuar importações em seu próprio nome, mesmo após vender o parque industrial para o interessado. Na verificação fiscal também foi efetuada a glosa de créditos apurados sobre despesas referentes à manutenção de software e aquisição de material de segurança e prevenção, as quais não foram caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e COFINS. Após cientificada, a impugnante apresentou tempestivamente suas razões de inconformismo, onde alegou, preliminarmente, a necessidade da suspensão do presente Auto de Infração até o julgamento definitivo dos Processos n°s 11080.00408/200717, 11080.004406/200710, 11080.004411/200722, Fl. 702DF CARF MF Processo nº 11080.015203/200759 Acórdão n.º 3301004.982 S3C3T1 Fl. 703 4 11080.004417/200708, 11080.004416/200755 e 11080.004409/200753, os quais se referem às glosas de créditos que originaram o presente lançamento e foram objeto de contestação pela interessada. No mérito, defende o direito do contribuinte de utilizar créditos decorrentes de aquisições de insumos e importações efetuadas pela empresa Morganite, da qual teria adquirido a totalidade de seus direitos, titularidade e participação nos ativos comprados, conforme disposto no contrato de compra e venda celebrado, cuja cópia anexou ao presente. Entende que a autoridade fiscal teria deixado de considerar que a impugnante adquiriu a Morganite Brasil Ltda., bem como que no período envolvido já operava em seu nome, conforme estaria demonstrado no contrato referido. Alega que, em que pese tenha efetuado operações em nome da Morganite Brasil Ltda., teria o direito aos créditos das contribuições decorrentes das aquisições e importações por ela efetuadas no período discutido (junho, julho e agosto de 2004), pois seria a impugnante quem efetivamente operava, pagando os tributos devidos. Ressalta que obteve, junto à Secretaria do Estado do Rio Grande do Sul, autorização para utilizar os documentos fiscais da Morganite Brasil Ltda. pelo período de 60 (sessenta) dias e que durante o período supra, teria efetuado pagamentos de PIS e COFINS em nome da empresa adquirida, o que caracteriza, sem dúvida, que a impugnante operava em nome próprio e com recursos próprios. Ressalta que a fiscalização considerou os créditos relativos à conta de energia elétrica, já que nesta foi possível alterar a titularidade das contas no período envolvido, o que denotaria que o fiscal se ateve à mera questão formal, sem qualquer prejuízo ao Erário. Assim, não poderia ser penalizado pelo período em que aguardava as alterações internas da SRFB, sob pena de enriquecimento ilícito dos cofres públicos. Repete que foi o próprio impugnante quem operou no período com recursos próprios, utilizando notas da empresa adquirida com autorização e desta forma teria direito ao crédito de PIS e COFINS sobre as aquisições e importações realizadas. Salienta, inclusive, que o impugnante diligenciou perante a SRF no sentido de corrigir as notas e efetuar a substituição imediata, no entanto, sofreu algumas dificuldades em razão de estar em processo contínuo de produção, vindo a solucionar a problemática nos 45 (quarenta e cinco) dias subsequentes, ou seja, dentro do prazo que lhe foi concedido. No tocante aos créditos decorrentes de importações, analisandose o contrato de prestação de serviço de transição, anexado ao presente, constatarseia que, objetivando auxiliar o impugnante na continuidade e desenvolvimento de seus negócios, após a consumação das negociações contempladas no Contrato Mestre, a empresa Morganite Brasil Ltda. teria se comprometido em prestar determinados serviços, particularmente no que se refere ao suporte de importação e exportação (incluindo a real importação e exportação de produtos) durante 30 (trinta) dias a contar da data de fechamento, o que reforça a legitimidade dos créditos neste período de transição. Contesta ainda a glosa dos créditos referentes aos encargos de depreciação de bens adquiridos usados, quando da compra dos ativos da empresa Morganite. Afirma que o impugnante teria adquirido, juntamente com todo o ativo da Morganite, a totalidade dos direitos e dos deveres a ele relacionados. Dentre os direitos incidentes Fl. 703DF CARF MF Processo nº 11080.015203/200759 Acórdão n.º 3301004.982 S3C3T1 Fl. 704 5 sobre o ativo da empresa adquirida, está o relativo ao creditamento de PIS/COFINS sobre os encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado. Alega que, segundo o art. 3º, VI e VII das Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003, a pessoa jurídica poderia descontar do valor devido de PIS e COFINS, créditos calculados em relação às aquisições de máquinas, equipamentos, construções, imóveis e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda e em relação às edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. Prossegue, citando que posteriormente, a Lei nº 10.865/2004 estipulou que a partir de lº de agosto de 2004 os créditos relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004 estarão proibidos (incidente sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda e em relação às edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa). O mesmo diploma legal possibilitou tais créditos somente em relação a bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos a partir de lº de maio de 2004. Ademais, o auto de infração ora combatido ainda menciona que a Instrução Normativa nº 457, de 18 de outubro de 2004, da SRF, traria uma vedação a utilização de créditos na hipótese de aquisição de bens usados. Entretanto, entende que o referido ato normativo não se aplicaria ao presente caso, tendo em vista não tratamse de bens usados, mas sim de creditamento de bens novos em processo de depreciação. Novamente sustenta que a ECS do Brasil Metalurgia e Participações Ltda teria adquirido todos os direitos atinentes ao ativo da empresa Morganite do Brasil Ltda., portanto, teria passado a exercer o direito de se creditar do valor referente ao PIS e à COFINS sobre a depreciação dos bens integrantes deste ativo. Salienta que o fato de ter adquirido estes bens já em processo de depreciação não os descaracterizaria como novos para fins de creditamento. Assim, entende que restaria totalmente descabida a vedação da SRFB ao creditamento das contribuições incidentes sobre os encargos de depreciação dos bens adquiridos quando da compra dos ativos da empresa Morganite Brasil Ltda. Prossegue sua impugnação defendendo a possibilidade de utilização de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de despesas com manutenção de software e aquisições de material de segurança e proteção, com base no princípio constitucional da nãocumulatividade. Acrescenta, ainda, que a restrição à tomada dos créditos das contribuições sobre os custos (despesas com manutenção de software e equipamento de proteção individual), violaria também os princípios da isonomia, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer, finalmente, o recebimento e acolhida da presente impugnação, para o fim de ser determinada a improcedência do lançamento fiscal, o que acarretaria a sua desconstituição e, por consequência, o arquivamento do presente auto de infração. A 2ª Turma da DRJ/POA, no acórdão n° 1039.979, manteve a integralidade da autuação, com decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 704DF CARF MF Processo nº 11080.015203/200759 Acórdão n.º 3301004.982 S3C3T1 Fl. 705 6 Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 Inexiste direito à apuração de créditos sobre operações de compra ou importações efetuadas em nome de terceira empresa que não a própria interessada, por absoluta falta de previsão legal. São indevidos os créditos calculados sobre encargos de depreciação de bens adquiridos usados, incorporados ao ativo imobilizado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Impugnação Improcedente Em Recurso Voluntário, a empresa reitera seus argumentos da impugnação e acrescenta preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de capitulação legal. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Nulidade do auto de infração por ausência de capitulação legal Alega a Recorrente a nulidade do auto de infração, por falta de indicação dos dispositivos legais infringidos. Ao contrário do que sustenta, todos os enquadramentos legais constam corretamente apontados: Infração COFINS, incidência nãocumulativa, falta/insuficiência de recolhimento: art. 1°, 3° e 5° da Lei n° 10.833/03. Infração PIS, incidência nãocumulativa, falta/insuficiência de recolhimento: art. 1°, 3° e 4° da Lei n° 10.637/2002. Multa de ofício: art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91; e art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 11080.015203/200759 Acórdão n.º 3301004.982 S3C3T1 Fl. 706 7 Glosas de encargos de depreciação do ativo imobilizado, bens usados: art. 1°, § 3°, VI da Lei n° 10.637/2002 e art. 1°, § 3, II, da Lei n° 10.833/2003. Glosas, não configuração de insumo: art. 3°, II das Leis n° 10.637/2002 e Lei n° 10.833/2003. No mais, a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração foi clara, não deixando dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Outrossim, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em cerceamento de defesa. Portanto, não se vislumbra nulidade do auto de infração, por ausência de violação às prescrições dos art. 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. O que pretende a Recorrente é a reforma do julgado da DRJ, questão de mérito que será analisada a seguir. Utilização de créditos decorrentes de aquisições efetuadas por terceiras empresas que não a interessada e desconto indevido sobre valor pago de COFINS na importação por terceiras empresas que não a interessada A empresa apurou COFINS devida no mês de junho de 2004, porém deixou de recolher os valores alegando ser detentora de créditos da COFINS decorrentes da não cumulatividade. Relata a autoridade fiscal que: 5. Ao verificar a origem dos créditos informados verifiquei que a interessada está tomando crédito sobre aquisições de efetuadas por terceiras empresas, no caso a empresa Morganite do Brasil cujo CNPJ é 57.008.948/000291, pois como podese verificar as notas fiscais de entrada estão em nome da empresa Morgante. 6. Solicitada a se manifestar a respeito, a interessada informa que adquiriu o parque industrial da empresa Morganite e que possui autorização da Secretaria de Fazenda do Estado para fazer uso dos documentos fiscais da antiga empresa por 60 (sessenta dias). 7. Analisandose a documentação, verificouse que a dita autorização diz respeito a notas fiscais de saída e não notas fiscais de entrada, não obstante isto considerava apenas os documentos fiscais em que conste um carimbo com o nome da interessada, o que não se verifica em nenhuma das notas fiscais objeto desta análise. 8. A interessada comprovou em seu nome apenas a conta de Energia Elétrica, sendo considerados os créditos referentes a Fl. 706DF CARF MF Processo nº 11080.015203/200759 Acórdão n.º 3301004.982 S3C3T1 Fl. 707 8 estes valores para fins de abatimento da Cofins devida conforme Dacon, os demais valores estão em nome da empresa Morganite. 9. Portanto concluise que inexiste qualquer amparo legal para que a interessada continuasse utilizando o CNPJ da filial da empresa Morganite do Brasil para realização de suas operações, sendo consequência lógica portanto que os créditos utilizados pela interessada para abatimento dos valores devidos a título de Cofins não lhe pertencem uma vez que foi terceira empresa que adquiriu os produtos que deram origem aos créditos, ficando em aberto os valores da Cofins devidos. (...) 18. A interessada lançou na Dacon nos meses de Junho, Julho e Agosto de 2004 valores título de Cofins paga na Importação valores que foram pagos por terceira empresa denominada Morganite Brasil Ltda. CNPJ n ° 57.008.948/000291, tendo esta empresa efetuado o recolhimento dos valores à título de PIS/Pasep e Cofins. 19. Em que pese a interessada ter adquirido o parque industrial da empresa supracitada, ocorre que a empresa Morganite continuou efetuando as importações em seu nome, não havendo como reconhecer qualquer tipo de crédito em favor da interessada relativamente a estes recolhimentos, uma vez que quem efetivamente recolheu o tributo foi a empresa Morganite. O governo do Rio Grande do Sul autorizou a ECS a usar os documentos fiscais não utilizados pela Morganite, desde que anotadas, mediante carimbo, as indicações modificadas. Para a ECS, com base nesta autorização, todas as notas fiscais destinadas a Morganite do Brasil neste período poderiam ser escrituradas e contabilizadas pela própria ECS, sem que houvesse nenhum lançamento em duplicidade, pois a Morganite já não possuía unidade. Entretanto, não é o que se observa, porquanto a autorização diz respeito apenas às notas fiscais de saída e não a notas fiscais de entrada. E também, não houve qualquer anotação de modificações nas referidas notas. Ademais, sustenta que pagamentos do PIS e COFINS incidentes em importações realizadas pela Morganite poderiam ser utilizados para reduzir o saldo devedor da Recorrente. Não há razão no argumento, porque tais recolhimentos, efetuados em nome da importadora (a Morganite), não podem ser aproveitados por terceiros (a Recorrente). Embora certo que houve a aquisição de ativos, a Morganite continuou operando em nome próprio e realizou as importações em virtude das quais recolheu o PIS e a COFINS, pelo que a sucessão em tela não comporta o direito alegado em prol da Recorrente. Inexiste qualquer amparo legal para que Recorrente utilize o CNPJ da Morganite em suas operações. Por sua vez, as Notas Fiscais são os documentos que legalmente amparam a compra/venda e circulação dos respectivos produtos e logicamente devem ser emitidas em nome de quem efetivamente os adquiriu. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 11080.015203/200759 Acórdão n.º 3301004.982 S3C3T1 Fl. 708 9 Observese o contrato entre as empresas: Quanto aos serviços de suporte de transição, tal disposição não ampara a pretensão do interessado em se creditar sobre estas importações efetuadas em nome de terceira empresa. Confirase o acordo: Não houve cisão ou incorporação da empresa Morganite Brasil Ltda. pela ECS, pois como visto acima, o acordo entre as partes voltouse apenas à compra e venda de ativos. A empresa Morganite não foi extinta, logo é titular dos documentos fiscais. Portanto, foram corretamente aplicadas as glosas de créditos de terceiros. Cálculo de encargos de depreciação Relata a autoridade fiscal, que a Recorrente começou suas atividades no mês de junho de 2004, tendo adquirido de terceira empresa todo o seu parque industrial, sendo que Fl. 708DF CARF MF Processo nº 11080.015203/200759 Acórdão n.º 3301004.982 S3C3T1 Fl. 709 10 os bens adquiridos eram usados, mesmo assim a interessada calculou créditos sobre os encargos de depreciação de tais bens. Também não assiste razão à Recorrente no tocante aos créditos defendidos pela aquisição do imobilizado da empresa Morganite. É que a venda do imobilizado não integra a base de cálculo do PIS e COFINS (art. 1º, § 3º, VI, da Lei nº 10.637/2003, incluído pela Lei nº 10.684/2003, e art. 1º, § 3º, II, da Lei nº 10.833/2003), inexistindo o débito respectivo, e no regime da nãocumulatividade das duas contribuições só é concedido crédito quando há pagamento, como determina o inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cuja redação é a seguinte: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2° Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Como a vedação acima é aplicável a qualquer crédito, inclusive aos calculados com base na depreciação de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado, ainda que os bens adquiridos com uso não estivessem totalmente depreciados, restaria impossibilitado o direito ao crédito. Se esses bens usados integravam o imobilizado da vendedora e, na venda, não houve o débito da contribuição em face da exclusão da base de cálculo, inexiste o direito ao crédito para a adquirente. Manutenção de Software e Aquisição de Material de Segurança e Proteção Insumos para fins de creditamento Nãocumulatividade Foram glosados os créditos referentes a despesas com manutenção de software e aquisição de material de segurança e proteção, por entender a fiscalização que não há previsão legal para seu aproveitamento. Portanto, o ponto controvertido é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. O conceito de insumo (restritivo) que norteou a autuação é o seguinte: 24. Dentre os bens considerados como insumos, as Instruções Normativas citam a matériaprima, o produto intermediário e o Fl. 709DF CARF MF Processo nº 11080.015203/200759 Acórdão n.º 3301004.982 S3C3T1 Fl. 710 11 material de embalagem. Nenhum desses casos corresponde aos materiais de segurança e proteção. 25. Cabe, contudo, verificar o quarto grupo de bens incluído na definição de insumos para a produção, que são "quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". 26. Por óbvio que os materiais de segurança e, principalmente, os Equipamento de Proteção Individual sofrem desgaste e danos durante seu uso, isto é, botas de segurança, protetores auriculares são substituídos periodicamente por conta de seu desgaste. Para serem considerados insumos, entretanto, existe um outro requisito estabelecido pelas INs, que é a ação ter sido diretamente exercida pelo produto em fabricação. Este não é o caso dos materiais de segurança, pois eles cumprem uma função acessória no processo produtivo, não integrando efetivamente o circuito percorrido pelo produto. Não é possível, portanto, afirmar que o desgaste desses materiais seja função da ação diretamente exercida pelo produto em fabricação. 27. Assim, não há que se falar em subsunção dos materiais de segurança e proteção no conceito de insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados A venda. 28. Por outro lado os serviços de Manutenção de Software também não são aplicados ou consumidos diretamente na fabricação dos produtos destinados A venda, em que pese que os softwares sejam utilizados nas mais diversas áreas da empresa, tanto para sistemas contábeis, como para controles de estoques, os serviços de manutenção de softwares não exercem nenhuma modificação ou influência sobre os produtos destinados à venda. A atividade desenvolvida pela Recorrente é a exploração do ramo de metalurgia, incluindo a importação, exportação, compra, venda e distribuição de metais em pó para a fabricação de escovas para motores elétricos em geral, anéis, contatos, buchas, selos, computadores e outros produtos sintetizados, demonstrado em seu objeto social. Logo, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Assim, quanto à glosa “Aquisição de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e Uniformes” para os funcionários da Recorrente, entendo que assiste razão à empresa, devendo as glosas serem revertidas, com base no art. 3°, II, das Leis n° 10.637/2003 e 10.833/2003. Quanto à despesa com manutenção de software, por outro lado, entendo que a glosa deve ser mantida. A Recorrente, reitera que se trata de despesa essencial para a atividade. Contudo, a prova da essencialidade da prestação desses serviços para a atividade da Recorrente Fl. 710DF CARF MF Processo nº 11080.015203/200759 Acórdão n.º 3301004.982 S3C3T1 Fl. 711 12 não foi feita. Não houve a descrição pormenorizada de suas atividades e como as mesmas dependeram desses serviços de terceiros. Não foram acostados aos autos, contratos, laudos técnicos, manuais ou outros elementos para se aferir essa essencialidade. A Recorrente sustenta apenas: Logo, entendo que as glosas foram corretas, já que não se subsomem ao disposto no inciso II do art. 3º, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. É sabido que, na apuração de PIS e COFINS nãocumulativos, a prova da existência do direito ao crédito pleiteado incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, deve a Fiscalização efetuar as glosas e lançar de ofício com os dados que se encontram ao seu alcance. Isso porque não basta que uma despesa seja potencialmente insumo. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter a glosa referente à aquisição de material de segurança e proteção. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 711DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13931.000954/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 95 4/ 20 08 -1 9 Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13931.000954/200819 Resolução nº 3301000.724 S3C3T1 Fl. 444 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13931.000954/200819 Resolução nº 3301000.724 S3C3T1 Fl. 445 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.903033/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO.
A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-003.318
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 30 33 /2 00 9- 38 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o DARF informado no PER como pago a maior ou indevido já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação com os débitos informados na DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco através de DCTF retificadora, que zerou o valor de débito anteriormente declarado. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, informa que além da DCTF original, já houve outra retificadora anterior a ultima, em que confirmou o valor anteriormente declarado de débito, que está alocado ao DARF agora pleiteado como indevido. Anos depois, no limiar da decadência da repetição do indébito, retifica novamente a DCTF, zerando o débito, sem juntar qualquer documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas. Não houve DIPJ retificadora para o período em foco, e esta está em consonância com o valor declarado originalmente. A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelos artigos 165 e 170 do CTN. E quanto à retificação de DCTF, para diminuir ou excluir tributo, é regido pelo artigo 147, §1º, que estipula que só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 4 3 Assim, além de não haver coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte, deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao valor devido. Por conseguinte, entendeu não haver certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que, em síntese, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação e cerceamento de sua defesa, pois no seu entender, não recebera oportunidade de comprovar o seu direito creditório. Igualmente, suscita e alega apenas na sua peça recursal, que o direito creditório pleiteado decorre de alteração no seu coeficiente de apuração do lucro presumido, pois tinha aplicado o de 32%, mas o correto seria de 8%, pois exerce prestação de serviços hospitalares. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.291, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903030/2009 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.291): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um PER/DCOMP, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido ou a maior, de IRPJ referente ao 3º ou 4º trimestre de 2001, ou 1º trimestre de 2002. O Despacho Decisório atacado denegou tal pleito, pois verificou que o DARF objeto do pedido estava integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, não havendo crédito disponível. A recorrente na sua manifestação de inconformidade alega que o pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco, através de DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, após ter verificado que não apurou tributo a pagar de IRPJ no período referente ao crédito ora pleiteado. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, a DCTF retificadora veio desacompanhada de comprovação do erro em que se funde, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Além do mais, a DIPJ não foi retificada, havendo incoerência entre as declarações prestadas. Por conseguinte, não haveria certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em sede recursal, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação, Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 6 5 e por conseguinte, acarretaria cerceamento de defesa. Igualmente, suscita e alega apenas neste momento, sem nada comprovar, que utilizou indevidamente o coeficiente de 32% no lucro presumido para apurar o seu IRPJ, quando o devido seria 8%, já que exerce a atividade de prestação de serviços hospitalares. Da preliminar suscitada Como já exposto anteriormente, a recorrente alega nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento que este sofreria de inafastáveis vícios, quais sejam: a) inexistência de fundamentação; b) cerceamento de defesa, por não ter sido oportunizado a possibilidade de comprovar o seu direito creditório. Compulsando os autos, não verifico o alegado. Vejo nesta preliminar suscitado mais uma discordância com os fatos e sua respectiva capitulação legal, o que não é causa de pedir nulidade. O Despacho Decisório está devidamente fundamentado pelo motivo que denegou o pedido de compensação pleiteado, pois se baseou em informações prestadas pela própria recorrente então, quais sejam, o confronto do seu pleito via PER/DCOMP cotejado com o DARF , DCTF e DIPJ. Além do mais, a comprovação do seu crédito já surge oportunizada para a recorrente quando apresentou sua peça impugnatória, mas nada ali agregou comprovando, e pior, então, nem alegou por qual motivo entendia ter direito a repetição do indébito pleiteado como pagamento indevido ou maior. Igualmente, na sua peça recursal nada apresentou comprovando o alegado apenas se limitou a alegar neste momento. Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR suscitada pela recorrente. Do mérito Em sua peça recursal, a recorrente alega que o direito creditório pleiteado é decorrente da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, com a aplicação do percentual, no seu entender equivocado, de 32% sobre a receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo do IRPJ, enquanto o correto seria o percentual de 8%, pois se dedicaria à prestação de serviços hospitalares. Tal assunto foi suscitado apenas em sede da segunda instância administrativa, e de forma um tanto sucinta, sem nada agregar comprovando o alegado. Se resumiu a dizer que retificou sua DCTF relacionada ao presente feito pois apurou e recolheu valores maiores a título de IRPJ, pois o correto seria 8%, conforme previa o art. 15, §1º, inciso III, alínea a, da Lei nº Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 7 6 9.249/95 (com redação sem as modificações introduzidas pela Lei nº 11.727/2008) combinado com o art. 25, da Lei nº 9.430/1996. Reitero não houve nenhuma comprovação desta alegação, e esta apenas agora apresentada na discussão do presente litígio. A recorrente pretende que se reforme a decisão a quo sob o mero argumento de que sua confissão de dívida prestada em DCTF foi efetuada com erro, o que lhe permitiria obter o direito creditório ora pleiteado. Todavia, inexiste nos autos qualquer prova do alegado erro, ônus que caberia à recorrente, para dar a liquidez e certeza do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN1. A mera apresentação de DCTF retificadora (24/08/2009), diminuindo um débito já considerado extinto, quando já se perfez os 5 anos estabelecidos para se pleitear eventual restituição, nos termos do art. 168 do CTN2, não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do direito creditório. Entendo que no caso, é necessário, na primeira oportunidade, alegar e tentar rechaçar o despacho decisório da forma mais completa possível, já trazendo aos autos comprovações destas alegações. A recorrente não fez isso, pelo contrário omitiu detalhes importantes a serem considerados no julgamento de piso, o que suscitou agora, mas ainda assim, sem nenhuma comprovação, por mais precária que seja. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 36, estabelece que cabe a carga probatória nestas situações: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 373 desta Lei. Logo, no processo administrativo fiscal, regido e permeado pelo princípio da busca da verdade material, um vetor válido tanto para a Fazenda Nacional quanto para os 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10725.903033/200938 Acórdão n.º 1402003.318 S1C4T2 Fl. 8 7 contribuintes, não basta apenas alegar, quando deveria também provar o alegado. Alegar sem provar equivale a nada alegar. Repetindo o que já dito anteriormente, o direito creditório deve se revestir das características de liquidez e certeza, para que a compensação possa ser efetivada. Quem pleiteia este direito é que cabe demonstrar esta liquidez e certeza. Não cabe agora ao colegiado procurar fazer prova da mera alegação da recorrente, tomandolhe partido, quando esta se mostrou inerte. Eventuais diligências seriam cabíveis para esclarecer algum ponto porventura obscuro, sobre o qual restassem dúvidas, mas não para restabelecer a certeza e liquidez dos créditos pretendidos, o que já deveria estar demonstrado desde a primeira oportunidade ofertada à recorrente. Destarte, pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001346/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS.
Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade tributária quando pessoa física de NOJAN BEDROUD na medida em que tinha poder de gerência à época da dissolução irregular da sociedade, bem como à época do fato gerador.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS.
Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas, visto que manifesto interesse comum nos termos do 124, I, do CTN.
Numero da decisão: 1402-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos para, com efeitos infringentes, dar-lhes provimento unicamente para restabelecer a responsabilidade solidária de NOJAN BEDROUD e das pessoas jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator
Participaram da sessão os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade tributária quando pessoa física de NOJAN BEDROUD na medida em que tinha poder de gerência à época da dissolução irregular da sociedade, bem como à época do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS. Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas, visto que manifesto interesse comum nos termos do 124, I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos para, com efeitos infringentes, dar-lhes provimento unicamente para restabelecer a responsabilidade solidária de NOJAN BEDROUD e das pessoas jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone- Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator Participaram da sessão os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade tributária quando pessoa física de NOJAN BEDROUD na medida em que tinha poder de gerência à época da dissolução irregular da sociedade, bem como à época do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS. Deve ser (re)estabelecida a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas, visto que manifesto interesse comum nos termos do 124, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos para, com efeitos infringentes, darlhes provimento unicamente para restabelecer a responsabilidade solidária de NOJAN BEDROUD e das pessoas jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Participaram da sessão os conselheiros Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 46 /2 01 0- 33 Fl. 3059DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 1.061/1.066) opostos pela FAZENDA NACIONAL contra o Acórdão nº 1402002.744 (efls. 1.046/1.059), proferido em sessão de julgamento realizada em 19/9/2017, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF prolatou a seguinte decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. CABIMENTO. RECURSOS PROVENIENTES DE PARAÍSO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DOS SÓCIOS. NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. CONTRATOS DE CÂMBIO REGISTRADOS NO SISBACEN. CONTRATOS SOCIAIS. Incabível a autuação por presunção legal de omissão de receitas quando resta comprovada a origem de depósitos bancários ainda que provenientes de empresa sediada em paraíso fiscal na medida em que devidamente respaldado em contratos de câmbio registrados no Banco Central do Brasil e demonstrada destinação para integralização de capital. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EMPRÉSTIMOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Depósitos bancários cuja alegada origem em operações de empréstimos não foi comprovada configuram omissão de receitas. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. Deve ser afastada a responsabilidade tributária imputada às pessoas físicas na medida em que não tinham poderes de gerência à época da dissolução irregular da sociedade, bem como à época do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS JURÍDICAS. Deve ser excluída a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas, visto que insubsistente julgado no mérito insubsistente a imputação de omissão de receitas pelos depósitos bancários por si realizados e ausente interesse comum (124, I, CTN) no empréstimo SCCP e MSI Licenciamento e Administração Ltda. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração para com fulcro no art. 65 do RICARF por: (i) entender que houve obscuridade quanto à responsabilidade das pessoas físicas (Srs. NOJAN BEDROUD e KIAVASH JOOARABCHIAN) arroladas como solidárias e (ii) entender que houve obscuridade quanto à responsabilidade das pessoas jurídicas. A presidência admitiu os embargos tão somente quanto ao item (i) obscuridade quanto à responsabilidade das pessoas físicas, por entender que “o embargante apresenta, de fato, uma discordância quanto à apreciação de prova dos autos. Contudo, os embargos de declaração são remédio processual de via estreita, aplicável apenas ao saneamento de omissão, contradição ou obscuridade no texto da decisão, não sendo apto a provocar nova apreciação de prova já avaliada na decisão embargada”. Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 19515.001346/201033 Acórdão n.º 1402003.276 S1C4T2 Fl. 1.112 3 É o breve relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator O recurso é tempestivo e assinado por partes competentes. Alega a Embargante que não identificou elementos probatórios que levassem a crer que os Srs. NOJAN BEDROUD e KIAVASH JOOARABCHIAN saíram da direção da empresa antes de sua dissolução irregular. Ao revés, corroborando a informação fiscal, tanto na Ficha Cadastral fornecida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, juntada às fls. 25/43, quanto no Contrato Social de fls. 44/67 (vide cláusula 7ª) as referidas pessoas físicas constam como administradores da autuada. Importa ressaltar que a presunção de dissolução irregular somente permitira o redirecionamento para o sóciogerente, conforme dispõe a Súmula 435 do e. STF: “Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente”. O conteúdo desta Súmula é aplicado de forma ampliada pela Fiscalização em decorrência do disposto no Parecer PGFN nº 180/2011, que ampliou o disposto na Súmula aos terceiros não sócios com poderes de gerencia. Retomando as discussões daquela sessão, relembro que me alinhei ao posicionamento do STJ que a dívida só pode ser redirecionada ao sócio presente no momento da dissolução irregular, pois assim conciliamse as súmulas 430 e 435 do STJ. E admitindo a aplicação da Súmula a terceiros não sócios, ali também apontei que cabe à Fiscalização o ônus de provar a ocorrência da dissolução irregular. E adotei como premissa a presunção de que a dissolução irregular se verificou em agosto de 2008, haja vista a declaração do gerente predial que naquele período a empresa deixou o endereço em que se localizava. Isto posto, entendi que somente os sóciosgerentes que estavam no exercício do cargo naquele período poderiam sofrer o redirecionamento. Compulsando os autos, verificase que os responsáveis NOJAN BEDROUD e KIAVASH JOOARABCHIAN afirmam que saíram do cargo de gerência em 01 de setembro de 2006, ou seja, dois anos antes da presunção da dissolução irregular. É verdade que de acordo com a última alteração contratual da sociedade, eles ainda constam como representantes da MSI Licenciamento e Administração LTDA, mas também o é que eles não poderiam alterar o contrato social sem a manifestação dos sócios, conforme dispõe o art. 1.076, do Código Civil e registrado no próprio manual da JUCESP: Fl. 3061DF CARF MF 4 Ou seja, ato que não lhes competia. Ainda assim, em relação a KIAVASH JOOARABCHIAN consta dos autos que ele teria notificado extrajudicialmente os sócios e veiculado em jornais de grande circulação seu desligamento da posição de representante da MSI desde setembro de 2006, dando publicidade ao ato, ainda que em 2010 (fls. 765767), o que teria suportado a convicção deste conselheiro na formulação de seu voto. De outro lado, entretanto, verificase que tais atos não foram cumpridos pelo Sr. NOJAN BEDROUD, como outrora se pensara, não havendo outros indícios que não suas meras afirmações em seu Recurso Voluntário. No que respeita a omissão/obscuridade quanto a manutenção da TSPS das pessoas jurídicas tenho para mim que assiste razão à PGFN na medida em que as pessoas Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 19515.001346/201033 Acórdão n.º 1402003.276 S1C4T2 Fl. 1.113 5 jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS deixaram transcorrer in albis o prazo para apresentação de defesa administrativa tratandose, portanto, de matéria preclusa nos termos arts.167 do Decreto n.70235. Isto posto, é necessário acatar os presentes embargos, reconhecendo seus efeitos infringentes, mas tão somente em face de NOJAN BEDROUD, haja vista não existem outros indícios de que teria deixado de exercer cargo de gerência na MSI, e das pessoas jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS. Do exposto, voto por julgar parcialmente procedentes os embargos para (re)estabelecer a reponsabilidade da pessoa física NOJAN BEDROUD e das pessoas jurídicas MSI MEDIA, MSI GROUP, DEVETIA LIMITED e JUST SPORTS. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 3063DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000317/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 17 /2 00 9- 91 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10046.563, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16349.000317/200991 Acórdão n.º 3401004.888 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000395/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
BENS ATIVÁVEIS.
O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias
realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2003
BENS ATIVÁVEIS.
O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias
realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional.
Numero da decisão: 1302-000.750
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 2 2 Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi Relatório Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 3 3 Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 05/11 e 12/16, através dos quais foi constituído, respectivamente, o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 330.945,99, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%, e referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 134.172,09, também incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 21/26), o lançamento foi decorrente da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL não declarados nos quatro trimestres do anocalendário de 2003. Sustenta a autoridade lançadora que a empresa realizou atividades normais no período em questão, conforme o atesta sua documentação fiscal e contábil, porém apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais – DIPJ com os campos zerados. Aduz a fiscalização que apurou os resultados trimestrais com base no livro Razão e que glosou valores atinentes a construções em andamento, considerados como despesas pela contribuinte, que deveria contabilizálos no ativo. Esclareceu, por fim, que apurou os resultados com base no livro Razão e que deduziu valores recolhidos pela empresa no anocalendário em questão. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração do crédito tributário, encontramse nos autos de infração e em seus anexos. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 160/172), alegando, em síntese, que as construções em andamento referemse à reforma da pavimentação do pátio do posto de combustíveis, que não representariam aumento do ativo da empresa. Argúi, nesse raciocínio, que não teria havido fato gerador do imposto e da contribuição e que os valores despendidos representaram efetivas despesas com reparos e conservação. Cita doutrina e jurisprudência que a seu ver lhe socorrem. Ao final, requereu a insubsistência da autuação A DRJ decidiu: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 IRPJ. CSLL. VALORES ESCRITURADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela interessada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 4 4 Anocalendário: 2003 BENS ATIVÁVEIS. O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 14/05/2008 e apresentou recurso em 16/06/2008. A contribuinte apresentou recurso, alegando, em síntese, que as construções em andamento referemse à reforma da pavimentação do pátio do posto de combustíveis, que não representariam aumento do ativo da empresa. Argúi, nesse raciocínio, que não teria havido fato gerador do imposto e da contribuição e que os valores despendidos representaram efetivas despesas com reparos e conservação. Cita doutrina e jurisprudência que a seu ver lhe socorrem. Voto Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 5 5 A lide se restringe ao fato da recorrente ter deduzido como despesas operacionais gastos em construções que, no entender da fiscalização e do acórdão recorrido deveriam ter sido ativados. Não há reparo a fazer ao decidido em 1ª instância. Afirma o acórdão recorrido: Analisandose o Razão da empresa (fls. 40/92), constatase não proceder a alegação da defesa. As despesas com reparos e conservações já constituem conta própria, de nº 42105005, na qual estão contabilizadas diversas despesas de monta e natureza compatíveis com materiais de conservação e reparos. O item “construções em andamento” está escriturado em conta distinta, de nº 43101001 (fl. 88), em parcelas mensais de vulto individualmente considerável. 12.Acresce que a própria impugnante afirma que o item “construções em andamento” diz respeito à reforma do pátio do seu estabelecimento, o que não pode ser confundido com meros reparos de manutenção. Tratase, na verdade, de melhoramentos, de benfeitorias que se incorporam ao imóvel, agregandolhe valor e estendendolhe o prazo de vida útil em mais de um ano, em face do que seus custos deveriam ser levados ao Ativo Permanente, para depreciação futura, e não ser contabilizados como despesas operacionais do exercício. É o que prescreve o vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (grifos acrescidos): “(...) Art. 301 O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). (...) § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, §1º). (...) Art.346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 6 6 §1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único). 13.O Parecer Normativo CST nº 22, de 22 de abril de 1987, dispõe, em seu item 2, que: “2. Segundo o disposto no parágrafo único do art. 227 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 85.450, de 04 de dezembro de 1980, se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras. Não há dúvida, havendo aumento da vida útil por prazo superior a um ano, as despesas correspondentes devem ser registradas como acréscimo ao custo do bem.” 14.A jurisprudência administrativa é pacífica nesse sentido: “BENFEITORIAS, REPAROS E CONSERVAÇÃO – Benfeitorias e despesas de reparos e conservação de bens imóveis cuja vida útil supera um exercício deverão ser ativadas para futuras amortizações (...)” (Ac. 1º CC. 10174.012/83) “BENS ATIVÁVEIS – O custo de aquisição de bens do ativo permanente ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser capitalizado para ser depreciado, não podendo ser deduzido como despesa operacional.” (Ac. 10806.016, de 23/02/2000). 15.As argüições da contribuinte acerca do fato gerador do imposto e da contribuição não ilidem o lançamento. A autoridade fiscal apurou o IRPJ e a CSLL a partir do lucro líquido ajustado, na forma da legislação de regência: RIR/99 “(...) Art.219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV)ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Art.220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). (...) Art.247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13433.000395/200515 Acórdão n.º 130200.750 S1C3T2 Fl. 7 7 autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, §1º). (...) Art.249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º): Ios custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; (...)”Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 “(...) Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Como se pode observar no acima transcrito, a recorrente deduziu como despesas operacionais, gastos que, por disposição legal e a disciplina contábil, tem de ser ativados, estando correta a exigência fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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